Sunteți pe pagina 1din 23

1

AQUECEDORES SOLARES PRODUZIDOS COM MATERIAIS RECICLÁVEIS


COMO MOTIVADOR DE REFLEXÕES SOBRE FONTES DE ENERGIA E
AQUECIMENTO GLOBAL EM UMA FEIRA DE CIÊNCIAS

Dalva Inês Amadeu1


Marcílio Hubner de Miranda Neto

RESUMO: Esse artigo teve como objetivo apresentar uma proposta de intervenção
realizada junto aos alunos da Educação Básica visando a compreensão da
importância do aproveitamento da energia solar por meio da produção de um
trabalho para feira de ciências. A metodologia contou com as seguintes etapas:
apresentação de proposta de elaboração de um trabalho para ser apresentado em
uma feira de ciências, formação de uma equipe composta por seis alunos que se
voluntariaram para desenvolver o trabalho, escolha de um tema relacionado aos
conteúdos curriculares que fosse de interesse dos alunos, neste caso “energia solar
e suas contribuições para redução do efeito estufa”, leitura e fichamento de textos
visando a elaboração de um projeto, elaboração do projeto, desenvolvimento do
projeto pelos alunos sob orientação docente, apresentação dos resultados em uma
feira de ciências, redação do presente trabalho. O trabalho desenvolvido revelou
que, elaborar um projeto, desenvolver um trabalho fundamentado em pesquisa
bibliográfica e apresentá-lo ao público em uma feira de ciências com dados
sistematizados em um cartaz, associado a um elemento concreto (aquecedor solar
feito com materiais recicláveis) foi uma experiência inédita para os alunos e para a
orientadora uma vez que em nossas escolas não é comum seguir todos os passos
preconizados para uma feira de ciências. Nessa proposta buscou-se valorizar a
construção dos alunos, articulando os conhecimentos à cultura científica,
socialmente valorizada, considerando que a formação do sujeito crítico, reflexivo e
analítico, consolida-se por meio de um trabalho no qual o professor reconhece a
necessidade de superar concepções pedagógicas tradicionais, ao mesmo tempo em
que busca compartilhar com os alunos a afirmação de saberes científicos a favor da
compreensão de um ambiente sustentável.

Palavras-chave: Feira de ciências; aquecedor solar; materiais recicláveis

Introdução

A busca e a utilização de diferentes fontes de energia para mover o grande


conjunto de máquinas que foram se incorporando ao fazer humano ao longo da
história em muito tem colaborado para a ação destrutiva do homem sobre o meio
ambiente. O conseqüente impacto sobre a natureza têm provocado alterações
climáticas avassaladoras em todo o mundo. Isto é retratado pelo aquecimento global
do planeta, fenômeno que deve ser tratado com preocupação por todos, uma vez
1
Professora da Rede Estadual de Ensino do Estado do Paraná, participante do Programa de
Desenvolvimento Educacional (PDE), sob orientação da Profº Marcílio Hubner de Miranda Neto
2

que compromete a sobrevivência das gerações atuais, podendo ser decisiva para as
futuras gerações.
Apesar de todos os alertas apresentados na mídia e do estudo de questões
ambientais em diversas séries do ensino básico como destaca Sirvinskas (2008), o
homem tem contribuído para a degradação cada vez mais intensa cometida por
ações ou omissões contra o meio ambiente, colocando em perigo a existência da
própria civilização.
Da mesma forma que o desenvolvimento tem pressionado o ser humano pela
eficiência, o meio ambiente está sendo pressionado para atender às demandas
materiais e para receber os resíduos gerados neste modelo que se curvou ao
consumo.
Segundo Andreoli et al. (2003), o modelo de desenvolvimento da sociedade
industrial está se esgotando por não conhecer limites, uma vez que ocorreu de
forma desordenada, sem planejamento e às custas de níveis crescentes de poluição
e degradação ambiental. Estes problemas começaram a causar impactos negativos
significantes, num primeiro momento de forma localizada, mas que atualmente
adquire importância global, e cujos sintomas são percebidos na degradação dos
recursos naturais, nas disparidades sociais e na onda crescente dos conflitos pelo
planeta.
No que tange ao mercado de energia renovável, esta vem crescendo, no
entanto, o tempo hábil que se tem para a transição do uso de combustíveis fósseis
para as renováveis é relativamente curto. Fernandes (2008) aponta que num futuro
próximo, a maioria das usinas de energia existentes no país pode chegar ao fim,
devendo ser substituídas. Assim, quaisquer que sejam os planos de geração de
energia para os próximos anos, estes definirão o suprimento de energia para as
próximas gerações. Menciona ter a convicção de que esta deve ser a geração solar.
Merece destaque o fato de que o Brasil, por se constituir num país localizado
na sua maior parte na região inter-tropical, possui grande potencial de energia solar
durante todo ano (TIBA et al., 2000). A utilização da energia solar pode ocasionar
benefícios em longo prazo para o país, contribuindo para o desenvolvimento de
regiões longínquas, nas quais o custo da eletrificação pela rede convencional é alto
com relação ao retorno financeiro do investimento, regulando a oferta de energia em
situações de estiagem, atenuando a dependência do mercado de petróleo, bem
como a redução de emissões de gases poluentes à atmosfera como preconiza a
Conferência de Kyoto (COLLE; PEREIRA, 1998).
3

Além da relevância no plano energético atual, a radiação solar tem papel


fundamental em distintas áreas da atividade humana como, por exemplo, na
meteorologia e na climatologia que são atividades essenciais para o
desenvolvimento da atividade econômica de um país com extensão continental
como o Brasil. Outras atividades econômicas, como agropecuária e arquitetura,
também exigem o conhecimento aprofundado sobre a radiação solar incidente na
superfície do planeta para o planejamento e obtenção da maior eficiência energética.
“A energia solar pode ser utilizada em sistemas de irrigação de culturas; de
refrigeração de alimentos, vacinas e remédios; aquecimento e iluminação artificial;
conforto térmico e iluminação natural em projetos de construção civil, etc”
(MARTINS; ECHER, SOUZA, 2004, p.145).
A escola enquanto espaço de apropriação de saberes da cultura geral e de
saberes específicos da cultura científica, deve proporcionar aos educandos a
oportunidade de investigar, sistematizar e socializar conhecimentos sobre temas
curriculares que, dado às suas amplas implicações para as gerações presentes e
futuras, estejam mobilizando sua curiosidade e atenção, como é o caso do efeito
estufa tão discutido na atualidade.
Deste modo, pressupõe-se que as feiras de ciências representam uma
oportunidade para que crianças e jovens possam construir conhecimentos
científicos. Nesse sentido, Miranda Neto; Bruno Neto (2008, p. 3) apontam a
necessidade de que os alunos sejam orientados “a sistematizar os conhecimentos
que iram adquirir/construir, ou reconstruir, pois o fazer científico implica
necessariamente em observar, elaborar e sistematizar”
A expectativa é que o aluno ao produzir seu próprio trabalho para
apresentação a seus pares e para a comunidade adquira conhecimentos que
propiciem mudanças na sua forma de agir e pensar que contribuam para uma nova
postura frente às questões ambientais.
A mudança de postura frente ao novo conhecimento é amplamente discutida
por Gasparin (2005) em seu livro “Uma Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica”.
O autor evidencia que a aprendizagem significativa, tem início quando os alunos
dizem o que sabem sobre um tema e o que gostariam de saber mais sobre o
conteúdo. Em função disso, os discentes passam a questionar o conhecimento que
vão aprender, interessando-se por suas múltiplas dimensões, demonstrando o
desejo de saber o sentido que um determinado conhecimento tem para a sua vida e
para a solução dos problemas sociais.
4

Acredita-se que preocupação com o desenvolvimento de energias alternativas


não pode estar restrita à esfera governamental, mais do que isso deve ser
despertada nas crianças e nos jovens, de modo a estimular a busca para solucionar
os problemas relacionados ao aquecimento global, criados pelas gerações passadas
e pela atual. Neste tocante, o Estado tem contemplado em suas Diretrizes da
Educação, a necessidade do envolvimento dos estudantes, de todos os níveis
escolares, nas questões prementes que preocupam a humanidade, com destaque
para a formação do espírito cidadão.
Considerando a importância da disponibilidade desta fonte de energia e seu
aproveitamento, optou-se por desenvolver pesquisa-ação sobre os processos de
utilização de energia solar e sua contribuição para minimizar os efeitos do
aquecimento global.
Este artigo, portanto, tem como objetivo apresentar uma proposta de
intervenção realizada junto aos alunos da Educação Básica visando a compreensão
da importância do aproveitamento da energia solar por meio da produção de um
trabalho para feira de ciências.

METODOLOGIA

Nossa metodologia contou com as seguintes etapas:


1- Apresentação de proposta de elaboração de um trabalho para ser apresentado
em uma feira de ciências;
2- Formação de uma equipe composta por seis alunos que se voluntariaram para
desenvolver o trabalho;
3- Escolha de um tema relacionado aos conteúdos curriculares que fosse de
interesse dos alunos, neste caso “energia solar e suas contribuições para
redução do efeito estufa”
4- Leitura e fichamento de textos visando a elaboração de um projeto;
5- Elaboração do projeto
6- Desenvolvimento do projeto pelos alunos sob orientação docente;
7- Apresentação dos resultados em uma feira de ciências;
8- Redação do presente trabalho
5

RESULTADO

Apresentaremos como resultado o projeto e o trabalho final desenvolvido pelos


alunos para a feira do conhecimento, bem como as observações da orientadora
durante o desenvolvimento do trabalho.
Inicialmente, a orientadora apresentou uma série de temas, entretanto os
alunos contra argumentaram defendendo seu interesse em trabalhar com um assunto
relacionado ao aquecimento global.
Uma vez iniciadas as atividades verificamos uma série de dificuldades, dentre
elas: o desconhecimento de conteúdos básicos que subsidiam a compreensão das
diversas formas de geração de energia e suas repercussões para o meio ambiente;
dificuldade para reunir todos os membros da equipe em função dos compromissos
pessoais de cada um; desistência de três membros da equipe durante a elaboração
do trabalho; dificuldade para ler e resumir os textos selecionados; timidez inicial para
expor o trabalho.
A maior empolgação dos alunos foi verificada durante a elaboração do
aquecedor. Em que pesem as dificuldades produziu-se o seguinte projeto:

O Projeto de Pesquisa (dos alunos)

"lnvestigando a Energia Solar como contribuição para diminuição do Aquecimento


Global"

Introdução/Justificativa

Um dos assuntos mais comentados e noticiados no mundo, hoje, é o


aquecimento global. O referido tema é muito abordado nas escolas, preferencialmente,
nas aulas de Biologia e Ciências, com o intuito de mostrar o quanto é preocupante a
realidade e visando melhorar essa situação através da conscientização e de atitudes,
porque se nada for feito, nosso futuro, não só dos humanos, mas de todos os animais e
dos ecossistemas em geral será muito prejudicado. Precisamos tomar consciência que a
maior parte da energia utilizada na sociedade industrializada provém de combustíveis
fósseis como o carvão e o petróleo, sendo esses combustíveis não renováveis, se
esgotarão em um futuro relativamente próximo, sua duração depende de como forem
utilizados e economizados.
Na atualidade, uma das formas de energia renovável mais utilizada é a energia
elétrica, produzida pelas quedas d"águas fazendo girar as turbinas que geram energia,
porém, essa forma de geração de energia não é ambientalmente correta por fazer
necessário desviar o curso natural dos rios, provocar inundações de grandes áreas
produtivas expulsando moradores e alterando a fauna e a flora local, além de causar
alterações climáticas. A energia nuclear é resultante do emprego de substâncias
radioativas, podendo ser perigoso no caso de acidentes com vazamento dessas
substâncias e, também, por não se ter um destino final para o lixo produzido.
Segundo estudos, a humanidade precisa pesquisar e utilizar formas alternativas
de produção de energia. Alertam, também, que uma das alternativas energéticas ainda
em desenvolvimento é o aproveitamento da energia solar, muito abundante em nosso
6

país, que pode ser convertida em energia elétrica e acumulada, ou mesmo usada
diretamente no aquecimento de água, sem poluir e sem causar qualquer tipo de dano ao
meio ambiente, contribuindo, assim, para diminuição do aquecimento global.

Objetivos
- Promover através da investigação ou pesquisa o entendimento que a energia
solar é limpa, renovável e economicamente viável.
-Compreender o processo de conversão da energia solar em energia térmica e
elétrica.
-Socializar com a comunidade os novos conhecimentos despertando nos
mesmos, uma consciência crítica e um novo comportamento,

Metodologia
Pesquisas em livros, revistas, documentários, banco de dados
Leitura e análise de textos
Fichamento
Redigir o próprio texto baseado nos textos lidos.
Confeccionar o protótipo de aquecedor solar.
Confeccionar o cartaz (painel).

Produto Final
Os conhecimentos adquiridos serão compartilhados com a comunidade por
meio da apresentação em uma feira de ciências.

Cronograma
Julho, agosto e setembro: Pesquisa.
Outubro: Confecção do protótipo.
Novembro: Apresentação à comunidade e análise dos resultados.

Após a elaboração dos projetos revisamos alguns conceitos básicos relativos


à importância da atenuação da radiação solar na atmosfera e dos métodos para
estimar os recursos disponíveis em energia solar.
As atividades desenvolvidas para o levantamento de recursos dessa fonte de
energia no Brasil abordaram pesquisas fora do âmbito educacional e montagem de
protótipo de aquecedor solar confeccionado pelos alunos, sob a orientação docente
e técnicos especializados, para fins de concretização de experiências estudadas e
analisadas.
As atividades desenvolvidas consideraram a necessidade de educar e
conscientizar os alunos para atuar de forma responsável e contribuir para um Meio
Ambiente sustentável.
Com essa intenção elaboramos pesquisas e construímos um protótipo de
aquecedor com materiais recicláveis para apresentação ao público escolar no III
Educação Com Ciência.
Assim, no intuito de desenvolver o protótipo fomos muitas vezes até à
associação de catadores de papel onde mora e trabalha um senhor, detentor da
tecnologia e conhecimentos a respeito do funcionamento e construção do aquecedor.
Vale ressaltar que é um leigo da comunidade, com baixo grau de escolaridade,
7

tendo cursado apenas até a 5a série. Ele nos deu as primeiras instruções sobre o
material de que necessitaríamos. Com o material em mãos, voltamos para a
confecção do protótipo aos sábados.
Assim, foi explicado como proceder para manusear o material reciclável e
canos, cortando-os na medida certa. Essa tecnologia foi criada pelo Sr. José Alano
um morador da cidade de Tubarão-SC, com a finalidade de contribuir com a
população de baixa renda, possibilitando o acesso à "água quente" com baixo custo,
e beneficiar a natureza, pois além do aquecedor não causar poluição, retira
materiais poluentes do meio ambiente.
Um senhor que confecciona o aquecedor solar sob encomendas, instalando-o
em residências, com custo baixo, o que torna o produto acessível, comentou que
como o aquecedor é confeccionado com materiais recicláveis, sua aparência não é
das melhores (Figura 1).
8

Fig. 1 – Aquecedor solar produzido com materiais recicláveis.

Essa tecnologia foi concedida ao governo paranaense que repassou para


algumas secretarias, no intuito de beneficiar a população carente.

Materiais necessários para confecção do aquecedor solar:


01 Fita de fusão ou borracha de câmara de ar;
01 litro de tinta fosca preta;
01 luva para proteger as mãos na hora da pintura para não sujar;
01 rolo ou pincel para pintura;
01 estilete;
01 cano de PVC de 100mm com 70cm de comprimento para molde de corte
da garrafa PET;
01 martelo de borracha;
01 lixa d'água 100;
01 Cola para tubos de PVC com pincel em pote;
01 arco de serra;
01 tábua de madeira com no mínimo 120mm de comprimento;
05 pregos;
01 ripa pequena (+ -) 15cm de comprimento
01 fita crepe co largura de 19m
04 conexão L (luva) em PVC de 20mm %
02 tampões em PVC de 20mm Y2
60 garrafas PET cristal de 2 litros (transparentes) pós consumo de preferência
da marca coca-cola e pepsi-cola, devido ao seu formato cônico;
50 embalagens de longa vida de 1L pós consumo;
11 metros de canos de PVC de 20mm Vi\
9

20 conexão T em PVC de 20mm %.

Para aquecer água de banho para uma pessoa, necessita-se de um


aquecedor solar de 1m quadrado, ou seja, em uma casa com quatro pessoas é
necessário um aquecedor solar com painel de 4m quadrado, portanto seriam
necessárias 240 garrafas PET e 200 embalagens de longa vida.
Depois de confeccionado, a instalação no telhado, exige que o aquecedor
seja posicionado de maneira tal que absorva a maior quantidade de radiação solar
possível. Para tanto, é necessário posicioná-lo de acordo com a latitude da cidade.
No caso da cidade de Umuarama a latitude corresponde a 23° 45' 59"S.
Como o projeto foi feito para utilização em todo o Paraná, e o Estado
apresenta uma grande variação de temperatura, para a eficiência do projeto na
cidade de Umuarama, foi necessário utilizar canos de PVC próprios para resistir a
altas temperaturas (acima de 50 graus), juntamente com as conexões, pois os
primeiros aquecedores confeccionados com canos simples entortaram perdendo,
assim, a eficiência dos mesmos, pelo alto aquecimento da água, que foi superior a
50 graus suportados por esse tipo de cano. Vale ressaltar que foi constatada uma
temperatura de 67 graus podendo aquecer mais ainda.
Assim, como o custo para instalação é muito baixo, em três meses o
investimento pode ser recuperado, pois a economia com seu uso correspondem a
35% mensal na conta de luz, sem contar os benefícios para a natureza.
Durante o trabalho de construção do protótipo, professor e alunos, foram
questionando, tirando dúvidas e fotografando, enfim, registrando tudo. Passamos a
nos reunir na Biblioteca da escola, agora para a redação do painel a ser apresentado
ao público escolar na III Educação Com Ciência e para as conclusões finais.
Texto do painel elaborado para Apresentação na Feira de Ciências

ENERGIA SOLAR COMO FONTE DE DIMINUIÇÃO DO AQUECIMENTO GLOBAL


Amanda Formigoni da Silva, Bianca Torchetto Oliveira, Renata Aparecida Lourenço,
Orientadora: Dalva Inês Amadeu Colégio Estadual Professora Hilda T. Kamal -
Umuarama NRE - Umuarama-PR.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: Sabemos que a natureza vem sofrendo uma vasta


agressão para que o homem obtenha energia, pois na atualidade o maior consumo
energético é derivado de combustíveis fósseis que são altamente poluentes e não
renováveis, e também de usinas hidrelétricas que promovem a inundação de amplas
áreas de terreno ou ainda de usinas nucleares. Há uma constante ameaça de não
atendimento das populações humanas. Por esse motivo, nos propusemos a buscar na
literatura informações sobre possibilidades alternativas para obtenção de energia
acessível às diferentes classes sociais.
10

METODOLOGIA: Inicialmente fomos avaliados pela professora orientadora para verificar


o que sabíamos sobre o tema. A seguir, iniciamos a pesquisa bibliográfica, leitura,
resumos e fichamento dos textos. Posteriormente, sistematizamos as informações e
selecionamos as que julgamos ser mais interessantes para socializar com o público.
Confeccionamos um protótipo de aquecedor com materiais recicláveis para
apresentação ao público escolar e no III Educação Com Ciência.

RESULTADOS: A energia solar apresenta-se como alternativa viável, pois já existem


inúmeras residências que a utilizam para iluminação alternativa com "lâmpadas feitas
com garrafas descartáveis" e aquecimento de água utilizando aquecedores
industrializados ou produzidos com materiais recicláveis. Verificamos que a utilização de
energia solar para aquecimento de água promove uma economia de até 65% na conta
de luz.

CONCLUSÃO: A energia solar é abundante e 100% gratuita, não polui e representa


uma maneira de amenizar os efeitos do aquecimento global. O uso de aquecedor solar
demonstra um excelente equilíbrio entre o bem estar pessoal, desfrutando de água
quente em abundância com economia, e uma consciência de meio ambiente.

O trabalho foi apresentado na Educação Com Ciência na cidade de Maringá,


ficando exposto por uma semana ao público da cidade e região. Quando
questionadas sobre a parte escrita do trabalho, os alunos tinham tudo em mãos e
não apenas na memória. Uma vez que já estávamos quase no final do nosso
trabalho, fizemos as mesmas perguntas que havíamos feito no início do trabalho,
visando a comparação das respostas e verificamos o que foi acrescentado enquanto
conhecimento a essas alunas sobre o assunto.
Foi possível observar o quanto mudaram seus conceitos, como os
conhecimentos anteriores se tomaram sólidos. Passamos a apresentar nosso
trabalho para a comunidade escolar, sempre com o intuito de conscientizá-los sobre
a necessidade de ações concretas para diminuir o aquecimento global, mas agora
com propriedade e conhecimento de causa. Paralelamente, fomos escrevendo
nosso texto final.
DISCUSSÃO

Para o desenvolvimento do estudo optou-se pela pesquisa-ação. Conforme


Thiollent (1988), o processo de pesquisa ação começa o seu ciclo com a
identificação de um problema no seu contexto particular. Assim, nosso problema
inicial estava relacionado à dinâmica da produção de um trabalho para feiras do
conhecimento, ou feira de ciências como são comumente designados tais eventos.
Tinha como propósito estimular os alunos a realizar pesquisas que fundamentassem
seu projeto e lhe possibilitasse apropriar-se de um conjunto de conhecimentos os
quais tornariam público quando da apresentação do trabalho no evento.
11

Num primeiro momento levamos o convite e apresentamos nossa disposição


em orientar um grupo de alunos para o desenvolvimento de um trabalho a ser
apresentado em Feira de Ciência. A pesquisa contou com a participação de 06 (seis)
alunos do ensino básico de uma escola pública que aceitaram o convite para
participar do Projeto.
As diversas sugestões de temas apresentadas pela orientadora foram
substituídas por um tema relacionado ao currículo, mas de interesse dos alunos
Após discussões a equipe optou pelo tema “Aquecimento Global”, a partir da
seguinte indagação: Como contribuir para minimizar os efeitos negativos do
aquecimento global sobre o meio ambiente? O tema proposto está em consonância
com as Diretrizes Curriculares do Paraná ao enfatizar que as relações entre os seres
humanos com os demais seres vivos e com a Natureza ocorrem pela busca de
condições favoráveis de sobrevivência. Contudo, a interferência do Homem sobre a
Natureza possibilita incorporar experiências, técnicas, conhecimentos e valores
produzidos na coletividade e transmitidos culturalmente. Sendo assim, a cultura, o
trabalho e o processo educacional asseguram a elaboração e a circulação do
conhecimento, estabelecem novas formas de pensar, de dominar a Natureza, de
compreendê-la e se apropriar dos seus recursos (PARANÁ, 2008).
Considerou-se que os pesquisadores são estudantes que buscam produzir
conhecimento, com isso produzem também autonomia, pensamento próprio,
soluções próprias a seu contexto.
Demo (1996, p. 20) lembra que o “pesquisador não somente é quem sabe
acumular dados mensurados, mas, sobretudo, quem nunca desiste de questionar a
realidade, sabendo que qualquer conhecimento é apenas recorte”. O conhecimento
é um conjunto muito amplo, e nossa participação será necessariamente em uma
pequena parte, em uma perspectiva.
Concordamos com o fato de que um trabalho de pesquisa traz sempre muita
reflexão pessoal. Desde a escolha do tema, considerou-se a necessidade de propor
caminhos que pudessem ser trilhados de acordo com a maturidade e capacidade de
trabalho de cada um. “A pesquisa é uma estratégia de ensino que visa à construção
do conhecimento. Esta estratégia inicia-se na procura de material de pesquisa,
passa pela interpretação desse material e chega à construção das atividades”
(PARANÁ, 2008, p. 40).
Para facilitar o desenvolvimento da pesquisa, apontamos a necessidade de
uma absoluta organização do grupo, compreendendo que a mudança não é possível
12

caso não haja democracia, nem processo significativo, se não houver uma
coordenação que a serviço do grupo, tenha como tarefa organizar sua concepção e
ter ação coerente com ela. Não estamos propondo que se tenha alguém que mande
para que alguém obedeça. Quando trabalhamos coletivamente não há “autoridades,
pois todos se tornam responsáveis pelo processo e pelos resultados dele, acabando
com um dos mitos educacionais – a existência de autoridade(s) que deve(m) decidir,
resolver e de quem se espera toda a solução dos problemas existentes na escola.
Conforme proposto pelas Diretrizes Curriculares de Ciências para o Ensino
Fundamental – Paraná (2008, p. 41):

No trabalho em grupo o estudante tem a oportunidade de trocar experiências, apresentar suas


proposições aos outros estudantes, confrontar idéias e desenvolver espírito de equipe e atitude
colaborativa. Esta atividade permite aproximar o estudo de Ciências dos problemas reais de
modo a contribuir para a construção significativa de conhecimento pelo estudante.

Esse novo caminhar indica a troca imediata da “ação sobre” pela “ação junto”,
porque precisamos ter consciência de que todo processo de mudança que deseja
construir uma escola democrática, com vista à democratização do ensino, necessita
direcionar seu trabalho para a redescoberta do valor da pessoa humana, de sua
capacidade e de sua insubstituibilidade. Esta é a primeira mudança que
consideramos necessário estabelecer.
Definidas as questões iniciais, considerou-se a necessidade de organizar um
plano, cujo objetivo era dar consistência ao trabalho educacional, havendo
necessidade de coerência, já que nenhuma ação se baseia em aventuras, mas em
teoria e conhecimento da realidade. Para tanto, entendeu-se a importância de criar
espaços de leitura e estudos, e que se pensasse na implantação de uma
metodologia para a ação de todo o grupo, que passou a se reunir toda semana em
horário contrário às aulas na própria escola .
Após a identificação do problema dentro do contexto, orientadora e alunos
iniciaram a pesquisa-ação para apurar os dados pertinentes ao assunto proposto, As
fontes de dados incluíram, num primeiro momento, uma pesquisa bibliográfica,
através de leituras, análise e fichamento de livros, periódicos e banco de dados
relacionados ao tema proposto.
Os alunos foram orientados sobre a forma de resumir e fichar textos técnicos
científicos, utilizando para isso um roteiro composto por 05 (cinco) questões
recomendadas por Silva (2004), a saber: 1 – do que o texto trata (tema)? 2 – Qual o
13

problema a ser solucionado (problema)? Que idéia defende e que se quer


demonstrar (idéia central ou tese)? Como o autor demonstra sua tese
(argumentação)? O que é proposto como superação do problema (conclusão)?
Tais indagações permearam e orientaram os passos do projeto, por
considerar que o objetivo da aprendizagem é respondê-las através da apropriação
do conteúdo proposto. Na visão de Gasparin (2005, p.49):

A problematização representa um desafio para professores e alunos. Trata-se de uma nova


forma de considerar o conhecimento, tanto em suas finalidade sociais quanto na forma de
comunicá-lo e reconstruí-lo. Para o professor implica uma nova maneira de estudar e preparar
o que será trabalhado com os alunos: o conteúdo é submetido a dimensões e questionamentos
que exigem do mestre uma reestruturação do conhecimento que já domina. O conteúdo é
entendido como uma construção histórica, não natural, portanto, uma construção social
historicizada para responder às necessidades humanas (GASPARIN, 2005, p.49).

As perguntas elaboradas nesta etapa não são respondidas aqui, mas sim na
fase da Instrumentalização, quando os alunos estão efetivamente construindo, de
forma mais elaborada, seu conhecimento, seus conceitos.
De acordo com Gasparin (2005), a problematização é o fio condutor de todo o
processo de ensino-aprendizagem. Todavia, este momento é ainda preparatório, no
sentido de que o educando, após ter sido desafiado, provocado, despertado e ter
apresentado algumas hipóteses de encaminhamento, compromete-se teórica e
praticamente com a busca da solução para as questões levantadas. O conteúdo
começa a ser seu. Já não é mais apenas um conjunto de informações
programáticas. A aprendizagem assume, gradativamente, um significado subjetivo e
social aprendente.
Assim, inicialmente percebemos uma grande dificuldade dos alunos em se
motivarem para a leitura associada a dificuldades de interpretar e extrair dos textos
aquilo que mais interessava em função do direcionamento do trabalho da equipe.
Talvez tais dificuldades estejam relacionadas ao fato de na maioria das vezes os
alunos lerem para a fruição estética enquanto a maior expectativa dos professores é
de que leiam para aprender. Ao elaborar um trabalho para feira do conhecimento em
que o aluno tenha necessariamente que ler e, posteriormente, produzir um texto
sintético com as idéias principais de tudo que leu implica em ler para aprender.

Ler para aprender, no entanto, é tarefa complexa. Envolve várias operações cognitivas – buscar
informações, colher dados, distinguir o que é conceito, argumento, pressuposto, fato, opinião
ou juízo de valor; verificar se as relações entre argumentos e conclusões são pertinentes;
discernir e comparar o tratamento do mesmo assunto em diferentes autores; comparar suas
14

próprias idéias com as dos autores e tirar conclusões; aplicar o conhecimento obtido á solução
ou à discussão de um problema, etc.(SILVA, 2004 p.105).

O tema “Aquecimento Global” faz parte do conteúdo estruturante Matéria e


Energia e do conteúdo específico Energia Solar: Segundo Paraná (2008), o estudo
de matéria e energia é indispensável e indissociável ao currículo de Ciências,
porque trata de conhecimentos físicos, químicos e biológicos em sua dimensão
científica. É importante considerar as interações, as transformações, as
transferências, as diversas fontes e formas, assim como os problemas sociais e
ambientais relacionados à geração de energia, sua distribuição, consumo e
desperdício.
Entendeu-se que colecionando dados sobre um problema, o pesquisador
identifica a necessidade de mudança e a direção que esta mudança pode tomar
(THIOLLENT, 1988).
Nesse sentido, os alunos foram levados a identificar as questões sobre as
quais gostariam de aprofundar seus conhecimentos, sendo que algumas questões
foram apresentadas:
- Como a luz do sol é convertida em energia?
- Como funciona a energia solar?
- Qual a tecnologia usada para a conversão?
- Qual o custo para se ter essa energia em casa?
- Quais os benefícios da energia solar?
- A energia solar interfere no efeito estufa?
Por que ela não é discutida e aplicada em um país de clima tropical, como no
caso do Brasil?
Por que a energia solar não emite poluentes no meio ambiente?
Como é armazenado o calor?

Percebeu-se que essas alunas não tinham formado o conceito que o Sol é
fonte primordial de toda forma de energia que se tem na terra, ou seja, que as fontes
de energia são, em última instância, derivadas do sol.
É a partir da energia do sol que se dá a evaporação, origem do ciclo das
águas, que possibilita o represamento e a conseqüente geração de eletricidade nas
usinas hidrelétricas. A radiação solar também induz a circulação atmosférica em
larga escala, causando os ventos que geral a energia eólica. Petróleo, carvão e gás
15

natural foram gerados a partir dos resíduos de plantas e animais que, originalmente,
obtiveram a energia necessária ao seu desenvolvimento, da radiação solar.
A energia que acende as lâmpadas e liga os aparelhos elétricos em nossa
casa também vem do sol. A energia elétrica é produzida em usinas. No Brasil temos
usinas termelétricas e hidrelétricas.
Uma usina termelétrica produz energia elétrica a partir do calor que é obtido
com a queima de óleo (petróleo ou derivados) ou carvão, ambos resultantes da
decomposição de matéria orgânica soterrada. Uma caldeira com água é aquecida,
entra em ebulição e vira vapor que é conduzido até as turbinas.
Então, como os carros, essas usinas também usam energia do sol.
As usinas hidrelétricas utilizam a energia de quedas-d’água para gerar
energia elétrica. Para que haja queda que impulsionem as turbinas, as represas
precisam estar cheias. E isso acontece por causa da evaporação/chuva, processo
alimentado pelo sol.
Após o confronto entre as informações que os alunos possuíam e o
conhecimento científico adquirido, os mesmos demonstraram interesse em
apresentar soluções alternativas para o problema. Esse interesse foi demonstrado
por meio de propósitos e compromisso com a elaboração de um projeto de
pesquisa.
De acordo com Paraná (2008, p. 23), nos dias atuais, o educando “tem mais
acesso a informações sobre o conhecimento científico, no entanto, constantemente
reconstrói suas representações a partir do conhecimento cotidiano, formando as
bases para a construção de conhecimentos alternativos, úteis na sua vida diária”.
Nessa perspectiva, o novo indicador da aprendizagem escolar, segundo
Gasparin (2005) consiste na demonstração do domínio teórico do conteúdo e no seu
uso pelo aluno, em função das necessidades sociais a que deve responder. Esse
procedimento implica um novo posicionamento, uma nova atitude do professor e dos
alunos em relação ao conteúdo e à sociedade: o conhecimento escolar passa a ser
teórico-prático. Implica que seja apropriado teoricamente como um elemento
fundamental na compreensão e na transformação da sociedade.
Essa nova postura implica trabalhar os conteúdos de forma contextualizada
em todas as áreas do conhecimento humano. Isso Possibilita evidenciar aos alunos
que os conteúdos são sempre uma produção histórica de como os homens
conduzem sua vida nas relações sociais de trabalho em cada modo de produção.
Conseqüentemente, os conteúdos reúnem dimensões conceituais, científicas,
16

históricas, econômicas, ideológicas, políticas, culturais, educacionais que devem ser


explicitadas e apreendidas no processo ensino-aprendizagem
Ainda, segundo Paraná (2008), a apropriação do conhecimento científico pelo
estudante no contexto escolar implica a superação dos obstáculos conceituais. Para
que isso ocorra, o conhecimento anterior do estudante, construído nas interações e
nas relações que estabelece na vida cotidiana, num primeiro momento, deve ser
valorizado. Denominam-se tais conhecimentos como alternativos aos conhecimentos
e, por isso, podem ser considerados como primeiros obstáculos conceituais a serem
superados.
O ensino deve sempre respeitar os diferentes níveis de conhecimentos que
os alunos já possuem, porquanto:

O interesse do professor por aquilo que os alunos já conhecem é uma ocupação prévia sobre o
tema que será desenvolvido. É um cuidado preliminar que visa saber quais as “pré-ocupações”
que estão nas mentes e nos sentimentos dos escolares. Isso possibilita ao professor
desenvolver um trabalho pedagógico mais adequado, a fim de que os educandos, nas fases
posteriores do processo, apropriem-se de um conhecimento significativo para suas vidas
(GASPARIN, 2005, p.16)

Assim sendo, partiu-se do entendimento do autor supracitado, ao


compreender que os conceitos cotidianos das coisas e das vivências são
conhecidos pelas crianças muito antes de serem estudados de maneira específica
na escola. Esses conhecimentos estão impregnados de grande experiência
empírica. Por isso, para o estudo dos conceitos científicos em aula, faz-se
necessário, antes de mais nada, determinar ou tomar conhecimento de qual a
compreensão que as crianças possuem, no seu dia-a-dia, sobre esses conceitos.
Nesse mesmo entendimento têm-se as considerações de Vasconcellos (1993,
p. 42), ao mencionar que “[...] o trabalho inicial do educador é tornar o objeto em
questão, objeto de conhecimento para aquele sujeito”, isto é, para o aluno. Para que
isso ocorra, o educando deve ser desafiado, mobilizado, sensibilizado; deve
perceber alguma relação entre o conteúdo e a sua vida cotidiana, suas
necessidades, problemas e interesses. Torna-se necessário criar um clima de
predisposição favorável à aprendizagem.
Nesse sentido, o ensino de Ciências deixa de ser entendido como mera
transmissão de conceitos científicos, para ser compreendido como processo de
superação das concepções alternativas dos alunos, proporcionando o
enriquecimento de sua cultura científica (LOPES, 1999).
17

Para tanto, considerou-se que para fazer pesquisa é necessário planejamento


(eis aí a importância do projeto!) e esta é uma experiência que se leva para toda a
vida, pois significa aprender a colocar ordem nas idéias, “Não importa tanto o tema
da tese quanto a experiência de trabalho que ele comporta” (ECO, 1995, p. 5). Tudo
o que for feito: pesquisas nas bibliotecas, fichamentos, escritas e re-escritas,
conversas com professores, comentários com os colegas, tudo ajudará a esculpir
uma nova pessoa, por isso é bom que tudo seja bem feito, são lições de formação.
O tema do projeto foi proposto pelos próprios alunos por se tratar de um tema
atual e de relevante importância para a sobrevivência no planeta. Nesse sentido,
passamos, então, a discutir, sobre a importância da motivação para a pesquisa
científica, do potencial de energia solar disponível, bem como a introdução dos
assuntos em estudos escolares, em nível de Ensino Fundamental e Médio.

O processo de aprendizagem obedece algumas etapas que se sucedem e que permitem graus
variados de aprofundamento do raciocínio. O “simplesmente “ler” implica em um nível de
complexidade; o “ler escrevendo”, outro nível de complexidade; executando uma atividade,
outro nível mais profundo de complexidade de mobilização cerebral (MIRANDA NETO; BRUNO
NETO, 2008, p. 2).

Do exposto, entende-se que ao elaborar uma atividade com o nível de


exigência de um trabalho científico, conforme o esperado em uma feira de ciências
tem-se o máximo de mobilização das exigências cognitivas, de memória, de
aprendizagem e de criação que se pode exigir de um indivíduo.
A pesquisa ajuda a compreender um tema em profundidade. Mais que isso,
os instrumentos utilizados capacitam o pesquisador a trabalhar por conta própria, o
que é útil em qualquer área e em qualquer atuação. Tais meios são, ainda,
instrumentos de cidadania, pois, no dia-a-dia, somos inundados por pesquisas de
mercado, de intenção de voto, sobre o comportamento sexual, sobre as habilidades
do estudante brasileiro. Para saber de seu alcance e questioná-las, é necessário
saber como são feitas, como são usadas as técnicas e expostos seus resultados
(SILVA, 2005).
Considerou-se que uma pesquisa pode ter início quando se tem um
problema, uma questão ou um incômodo. Pensando bem, sempre aparecem
problemas no trabalho, que podem se transformar em caminhos de pesquisa; ou,
ainda, podem-se questionar rumos, diretrizes, leis que não se consideram
adequadas. Caso os incômodos não estejam claros, são estimuladoras as leituras, a
participação em cursos, seminários e outras atividades, com destaque à efetiva
18

conduta reflexiva nos estudos. O incômodo leva à procura de informação de


bibliografia especializada, a diálogos (SILVA, 2005).
Um requisito fundamental que foi considerado no desenvolvimento do projeto
foi o trabalho com a leitura por parte do professor e dos alunos e do diálogo sobre
ela. Tomo como aporte teórico as considerações de Demo (1996, p. 42), ao enfatizar
que a pesquisa é científica e educativa, portanto, compõe o “processo
emancipatório”, que constitui num sujeito crítico, autocrítico e participante. “capaz de
reagir contra a situação de objeto e de não cultivar os outros como objeto. Tal
processo apenas é possível se estamos conectados à nossa realidade, em uma
relação que é também afetiva.
Partiu-se do pressuposto que a adoção de uma prática pedagógica
fundamentada nas teorias críticas deve assegurar ao professor e ao aluno a
participação ativa no processo pedagógico. Foi possível observar que os
conhecimentos relativos às ciências, quando compreendidos como produtos
históricos indispensáveis à compreensão da prática social, podem contribuir para
revelar a realidade concreta de forma crítica e explicitar as possibilidades de atuação
dos alunos no processo de transformação desta realidade
Tais considerações remetem à compreensão elaborada por Gasparin (2005,
p. 03) ao evidenciar que:

Evidentemente, essa nova forma pedagógica de agir exige que se privilegiem a contradição, a
dúvida, o questionamento que se valorizem a diversidade e a divergência que se interroguem
as certezas e as incertezas, despojando os conteúdos de sua forma naturalizada, pronta,
imutável. Se cada conteúdo deve ser analisado, compreendido e apreendido dentro de uma
totalidade dinâmica, faz-se necessário instituir uma nova forma de trabalho pedagógico que dê
conta deste novo desafio para a escola.

Assim, com base numa postura pedagógica fundamentada numa teoria crítica
do conhecimento, os alunos foram levados a pensar que a pesquisa é “conquista
lenta e progressiva”, porém há que se começar, primeiro, aprender a aprender, não
copiar, não se recusar à elaboração com meras cópias, leituras ruins, feitas pela
metade ou número prévio de páginas estabelecidas. “É o aluno que deve saber
descobrir o que ler, quanto ler, como ler, para formar o seu próprio juízo. Sobretudo,
deve saber justificar quando e por que julga “ter dado conta do tema”, sem empáfias
exaustivas” (DEMO, 1996, p. 67).
No processo de elaboração do projeto, observou-se que a mediação do
professor foi fundamental, possibilitando aos mesmos o acesso ao conhecimento
19

sistematizado que, uma vez integrado ao seu conhecimento anterior, é um


instrumento cultural indispensável ao melhor entendimento da realidade.
De acordo com Gasparin (2005, p. 108):

[...] a mediação realiza-se de fora para dentro quando o professor atuando como agente cultural
externo possibilita aos educandos o contato com a realidade científica. Ele atua como
mediador, resumindo, valorizando, interpretando a informação a transmitir. Sua ação desenrola-
se na zona de desenvolvimento imediato, através da explicitação do conteúdo científico, de
perguntas sugestivas, de indicações sobre como o aluno deve iniciar e desenvolver a tarefa, do
diálogo, de experiências vividas juntos, da colaboração. É sempre uma atividade orientada,
cuja finalidade é forçar o surgimento de funções ainda não totalmente desenvolvidas.

Assim, o procedimento mais adequado foi a exploração direta do meio,


proporcionando o desenvolvimento da observação, da manipulação de materiais, da
problematização, do reconhecimento das causas de alguns fenômenos simples e de
suas interações, através da mediação do professor.
Considera-se, portanto, que uma ação pedagógica crítica não está a serviço
da mera aceitação ou interpretação do mundo, nem possui um fim em si mesma
como algo que não cria ou produz qualquer objeto alheio à sua atividade. Uma ação
pedagógica deve ser entendida como um objeto de uma práxis2, que por
compreender não só as determinações fundamentais dos problemas de
aprendizagem, como o modo específico dessas determinações, agindo nas suas
particularidades, está capacitada para unir a compreensão teórica à ação real tendo
em vista a transformação.

CONCLUSÃO

Foi possível concluir que elaborar um projeto, desenvolver um trabalho


fundamentado em pesquisa bibliográfica e apresentá-lo ao público em uma feira de
ciências com dados sistematizados em um cartaz, associado a um elemento
concreto (aquecedor solar feito com materiais recicláveis), foi uma experiência
inédita para os alunos e para a orientadora, uma vez que em nossas escolas não é
comum seguir todos os passos preconizados para uma feira de ciências.
Assim, nessa proposta, buscou-se valorizar a construção dos alunos,
articulando os conhecimentos populares à cultura científica, socialmente valorizada,
considerando que a formação do sujeito crítico, reflexivo e analítico, consolida-se por
2
O termo práxis é tomado aqui a partir de uma perspectiva marxista firmando-se numa compreensão
do homem como ser Ativo e criador que se transforma na medida em que transforma o mundo pela
sua ação material e social.
20

meio de um trabalho no qual o professor reconhece a necessidade de superar


concepções pedagógicas tradicionais, ao mesmo tempo em que busca compartilhar
com os alunos a afirmação de saberes científicos a favor da compreensão de um
ambiente sustentável.
Para que ocorra uma ação verdadeiramente transformadora, é necessário
ainda abrir mão de posturas educacionais radicais, e abraçar propostas nas quais as
denúncias e críticas ao sistema educacional brasileiro cedam lugar a um trabalho
consistente e articulado, que defina o papel das diferentes ciências em relação à
educação e considere o ser humano em toda a sua amplitude, em toda a sua
dimensão.

REFERÊNCIAS

ANDREOLI, C. V.; et al. A transversalidade e os agrotóxicos. In: TORRES, P. L. Uma


leitura para os temas transversais: ensino fundamental. Curitiba: SENAR-PR,
2003.

COLLE, S., PEREIRA, E.B. Atlas de Irradiação Solar do Brasil (Primeira Versão
para Irradiação Global Derivada de Satélite e Validada na Superfície) Brasília:
Instituto Nacional de Meteorologia -INMET, 1998, 58 pp.

DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. 7.ed. São Paulo: Cortez, 1996.

ECO, U. Como se faz uma tese. 12 ed. São Paulo: Perspectiva, 1995.

FERNANDES, O, C. Energia Solar. Disponível em:


<http//www.fem.unicamp.br/~em313/páginas/esolar/esolar.html>. Acesso em: 20 de
jun. de 2008.

GASPARIN, J.L. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. 3.ed. Campinas


SP.: Editora Autores Associados, 2005.

LOPES, A. C. Conhecimento escolar: ciência e cotidiano. Rio de Janeiro: UERJ,


1999.

MARTINS, F.R.P. ECHER, E.B.; SOUZA, M.P. Levantamento dos recursos de


energia solar no Brasil com o emprego de satélite geoestacionário: o Projeto Swera.
Rev. Bras. Ens. Fis., 2004, vol.26, no.2, p.145-159.

MIRANDA NETO, M.H.; BRUNO NETO, R. Feiras de Ciências: uma oportunidade


para pesquisar e compartilhar conhecimentos. Disponível em:
21

<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp>. Acesso em: 15 out. 2008.

PARANÁ. Diretrizes curriculares de ciências para o ensino fundamental.


Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Superintendência da Educação.
Brasília: 2008.

SILVA, E. R. Contribuições à construção coletiva de uma prática de leitura de textos


técnico-científicos. In: TRINDADE, D. F. et al. Temas especiais de educação e
ciência. São Paulo: Madras, 2004.

SILVA, A.C.T. Orientações para o primeiro projeto de pesquisa. In: SILVA, A.C.T.;
BELLINI, L.M. Métodos e técnicas de pesquisa em educação. Maringá: UEM,
2005.

SIRVINSKAS, L. P. Poluição e Aquecimento Global. Disponível em:


<http://www.aprodab.org,br/biblioteca/doutrina/Ipso1.pdf>. Acesso em: 18 de jun. de
2008.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 4.ed. São Paulo: Cortez, 1988.

TIBA, C, et al. Atlas aolarimétrico do Brasil: banco de dados terrestres Recife:


Editora Universitária da UFPE, 2000.

VASCONCELOS, C. dos. Construção do conhecimento em sala de aula. São


Paulo: Cadernos Pedagógicos do Liberdad, 1993.
22

PLANO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL - PDE

DALVA INÊS AMADEU

AQUECEDORES SOLARES PRODUZIDOS COM MATERIAIS RECICLÁVEIS


COMO MOTIVADOR DE REFLEXÕES SOBRE FONTES DE ENERGIA E
AQUECIMENTO GLOBAL EM UMA FEIRA DE CIÊNCIAS
23

Orientador: Marcílio Hubner de Miranda Neto

UMUARAMA - PARANÁ
2008