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Diplô - Biblioteca: A arte rebelde do maestro Lutero Page 1 of 3

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"REAL MARAVILHOSO" BUSCA Uma iniciativa

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A arte rebelde do maestro Lutero
» Rafael Correa, repressor?
» por tema via » Egito, primavera e eleições
Um músico brasileiro consagrado e Imprimir » A rede do poder corporativo
» por país
de vida aventurosa vê no canto Enviar mundial
» por autor
coletivo uma forma de transformar Compartilhe » no diplô Brasil » Colômbia: educação não é
as relações humanas, cria o Fórum Coral Mundial e oferece, mercadoria
em São Paulo, espetáculos incomuns — porém, quase » A indignação venceu a
clandestinos... BOLETIM letargia
Clique aqui para » A Espanha vota para nada
receber as atualizações » Nossa sociedade do
João Paulo Charleaux - (25/10/2007) do site. espetáculo
» Castells sugere o fim do euro
No mundo das artes, muito já se falou sobre cantos de » Chéri à Paris: Noventa e um
LEIA MAIS SOBRE
protesto e música engajada como formas de mudar o mundo. » O calcanhar-de-aquiles da
» Cultura América Latina
É certo que essa veia política já teve dias mais felizes e » Arte e Utopia
expoentes mais competentes que o solitário Mano Chao. No » Música
Brasil, Chico Buarque e companhia marcaram as décadas
REDE SOCIAL
passadas com memoráveis canções contra o governo militar,
enquanto no Chile, na Argentina e em outras paragens latinas,
DESTAQUES
grupos e cantores estão tão identificados com a luta por
» O planeta reage aos
democracia que é simplesmente impossível dissociá-los da EDIÇÃO FRANCESA
desertos verdes
imagem combativa e protestante. Mas o que dizer da música » Escola Livre de
clássica? É possível falar de uma música clássica de conteúdo Comunicação
político? Sim, é. Principalmente hoje, em São Paulo. Compartilhada » Maroc, des élections pour
» Armas nucleares: da rien ?
hipocrisia à alternativa » « Là-bas si j'y suis » :
É certo que toda arte é, em si, um gesto político, já que reflete novembre 2011
elementos do contexto, do espaço e do tempo em que foi » Dossiê ACTA: para
desvendar a ameaça » La Turquie à l'assaut de
produzida. Assim, é claro que uma das composições mais l'Afrique
ao conhecimento livre
famosas de Beethoven, Eroica (Sinfonia n°3 em Mi bemol » Do "Le Monde » Inde-Chine, conflits et
Maior Opus 55), escrita na virada do século 17 para o 18, à luz Diplomatique" a convergences
da Revolução Francesa, traz em si mensagens políticas, "Outras Palavras" » Bourrasque conservatrice en
embora se trate de música romântica e instrumental, sem ter, Espagne
» Teoria Geral da
portanto, espaço para panfletagem explícita. Da mesma forma, Relatividade, 94 anos » Eternel retour des bandes de
jeunes
é certo que, ao apagar o nome de Napoleão Bonaparte do » Para compreender a
encruzilhada cubana » Médias, l'autre guerre
título das partituras, raspando tão forte a borracha que quase
ivoirienne
rasgou a página, Beethoven tinha algo (contra) a dizer sobre o » Israel: por trás da
» La valse européenne des
fato de Napoleão dar asas a suas pretensões imperialistas, radicalização, um país
médecins
auto-proclamando-se imperador, em 1804. Talvez esse seja militarizado
» Al-Jazira, scène politique de
» A “América
um dos mais conhecidos exemplos de diálogo entre política e substitution
profunda” está de volta
música clássica. » Finanças: sem luz no
» Mélange des genres
fim do túnel
Sem tanto alarde e sem a pompa napoleônica, São Paulo tem Mais textos
EDIÇÃO EM INGLÊS
assistido, ao longo dos últimos meses, a um evento inusitado.
Todo quarto domingo de cada mês acontece, na simpática e
bucólica Capela do Hospital Santa Catarina (Av. Paulista n°
» Letter from Mongolia: ‘Above
200) uma série de concertos chamada "Caros Amigos". Na my hat, there is only Tengri'
pauta destes concertos, além das notas, vão mensagens » Big change whether we like it
políticas. or not
» Letter from Cairo
» Protest planet
Um Lutero que esteve na guerrilha e na revolução » Turkey's Kurds: one step
moçambicana, antes de consagrar-se na música forward, two steps back
» An all-american nightmare
O regente dessa audácia é o maestro Martinho Lutero Galati de » The war against the poor
» Me and OFAC and Ahmed the
Oliveira, um mineiro que teve que dar a volta ao mundo e
Egyptian
parar em Milão, na Itália, para – como acontece com muitos
» Time to stop and stare
artistas brasileiros – ser reconhecido primeiro lá fora. Lutero é
» A secular enchantment
o único brasileiro, depois de nosso maior maestro, Carlos
Gomes, a receber o título de Cidadão Milanês. Trata-se de uma
figura rara que, além do extenso e admirável currículo musical,

http://diplo.org.br/2007-10,a1977 26/11/2011
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figura rara que, além do extenso e admirável currículo musical, EDIÇÃO PORTUGUESA
tem uma história de vida que é roteiro de cinema: fez parte da
Aliança Libertadora Nacional (ALN), pegou em armas na
revolução moçambicana, viveu muitos anos em diversos países » A ordem moral britânica
africanos, fez escala sob a cortina de ferro e foi parar no contra a «escumalha»
coração da Europa, onde trabalhou por quatro anos com, nada » Onde está a esquerda?
mais nada menos, que Luigi Nono. » Desenlaces trágicos
» Le Monde diplomatique –
edição portuguesa, II Série,
"Lutero bem que poderia, se quisesse, ter abraçado a regência n.º 61
de orquestra, área pródiga em holofotes e cifrões, além de » Twitter: usar até à vertigem
muito mais glamourizada pela grande mídia. Mas não. Mesmo » Ocupar Wall Street
sendo um qualificadíssimo regente de orquestra, Martinho » O novo «sistema mundo»
resolveu priorizar, em sua carreira, a esquecida música coral", » Le Monde diplomatique –
diz o também maestro Marcus Vinícius de Andrade. "Foi uma edição portuguesa, II Série,
espécie de “opção pelos pobres” que se revelou acertada, pois n.º 60
permitiu transformá-lo num dos protagonistas de um » Tunísia, a embriaguez dos
movimento internacional pela revalorização do canto coletivo, possíveis
embrião de um futuro Fórum Coral Mundial". » Austeridade: sair à rua,
fechar a janela

Apesar da série de concertos do maestro Lutero e do Coral


Luther King, em São Paulo, contarem com a presença de
parceiros da estirpe do violonista Guinga e do violeiro Ivan
Vilela — além de solistas de além-mar, como o cantor italiano
Davide Rocca — os leitores das agendas culturais paulistanas
não foram informados do espetáculo. "É estranho, né?",
pergunta Lutero. "Em algumas revistas especializadas, só
aceitaram escrever sobre os nossos concertos pagando, como
em forma de anúncio".

Perplexidade à parte, o fato é que grande parte dos


paulistanos sequer desconfia da existência, no quintal de casa,
da primeira temporada de concertos de um coral realizada no
Brasil. "É comum você assistir a temporada de orquestras, mas
essa é a primeira temporada de música coral feita no Brasil",
diz Lutero.

Reviver, em todo o mundo, cantos e culturas que as


armas ou o mercado quiseram esmagar

Mas o que pode haver de tão subversivo num coro e num


repertório? A pauta dos concertos, como grande parte da pauta
musical de Lutero, é baseada na valorização dos cantos das
culturas derrotadas, soterradas, engolfadas pelo novo. Muitas
vezes, esse "novo" é anabolizado pelos interesses de mercado.
Outras vezes, trata-se, mesmo, da extinção de certos cantos e
culturas, como são os casos de certas músicas indígenas da
Amazônia brasileira e de tribos africanas, recuperadas nos
concertos regidos por Lutero ao redor do mundo.

Além disso, o maestro tenta resgatar a idéia do canto coletivo,


aplicando à música um conceito sofisticado de socialismo em
contraposição à figura do cantor envernizado e embalado para
vender. Lutero coleciona histórias sobre o impacto positivo de
coros em pequenas comunidades, principalmente rurais, onde
a experiência coletiva muda radicalmente as relações
humanas. Essa filosofia tem sido aplicada em várias partes do
mundo, através da experiência do Fórum Coral Mundial, que
reúne ao redor do mundo músicos que se preocupam não só
em não estragar a voz, protegendo-se de resfriados, mas,
principalmente, músicos preocupados em disseminar o vírus do
engajamento político.

Para os que têm na memória sonolentas apresentações do coro


da fábrica, da escola, da igreja e da terceira idade, a série de
concertos em São Paulo é um assombro. "Por muito tempo,
principalmente nas décadas recentes, o coro ficou marcado
como a coisa de fábrica, de idoso. É uma pena", diz Lutero.
Para quem duvida da beleza da música coral, basta uma
orelhada, por mais descompromissada que seja, nas Cantatas
de Bach.

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Assistir à série de concertos "Caros Amigos", em São Paulo,


pode ser o primeiro passo para quem nunca imaginou que a
música clássica pudesse ter uma pertinência política tão atual.

Mais:

Concertos passados:
Música Étnica, América Latina, Língua Portuguesa, Afro /África,
Itália e USA / Black, com negro spiritual.

Próximos Concertos:
Espanha - 28 de outubro
Concerto de Natal - 25 de novembro

Ingresso Avulso: R$ 10,00

Outras informações: (11) 3231-5778 www.lutherking.art.br

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