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ana

(Professora Titular de Harmonia Superior e


Teoria Musical da Escola de Música da UFRJ
e do Trinity College of Music of London.)

I o
- VOLUME
40a EDIÇÃO REVISTA E ATUALIZADA
1999

PRINCÍPIOS BUSICOS

MUSICA

DE ACORDO COM OS PROGRAMAS DE: TEORIA


DA ESCOLA DE MÚSICA DA UNIVERSIDADE FEC
RIO DE JANEIRO E DE CANTO ORFEÔNICO DQÉ
LECIMENTOS DE ENSINO SECUf H

CASA OLIVEIRA DE MÚSICAS LTDA.


RUA DA CARIOCA. 70 - T E L : 508-8539 / 222-0290 - RIO DE JANEIRO - RJ
Obras da m e s m a a u t o r a
P e ç a s in c lu íd a s no p r o g r a m a d e p ia n o da E s c o la d e M ú s ic a
d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a i d o R io d e J a n e i r o

Os Soldadinhos partem para a guerra .................................. 1.° ano


Improvisadinho..................................... .. 1.° ano
Mini S u ite ....................................................................................................... 1.°ano
Suite in fa n til.................................................................................................. 1.°ano
Canção de N in a r........................................................................................... 1.°ano
Prelúdio............................................................................................................ 2.°ano
Canção da Manhã ..................................................................................... 2.° ano
B erceuse...................................................................................................... 2.° ano
Estudo em Fã M aior................................................................. 3.° ano
Estudo em Ré M aior............ ...................................................................... 4.° ano
P oem a..................................................................................... 4.° ano
Minueto ............................................................................................................. 5.° ano
Gavota (à a n tig a)....................................................................... 6.° ano
Capricho-Serenata........................................................................................ 6.° ano
Lundu Carioca............................................................................................... 7.° ano
A ra b e s c o ................................ .. f ao 3.° ano do curso de graduação
Papillons..................................... . . . ao 3. ano do curso de graduação
Prelúdio em Sol M aior........... . . 1.' ao 3. ano do curso de graduação
Fuga e Postlúdio..................... . . 1. ao 3 ° ano do curso de graduação
Estudo em Dó M a io r ................. 4.° e 5.° ano do curso de graduação
Sonata-Fantasia Op. 21 n.° 1 . 4.° 5.° ano do curso de graduação
A 2 p ia n o s
Ronda Infantil n.° 1 (Sapo Jururu — Cai, Cai, B a lã o )............. 1.° ano
Ronda Infantil n.° 2 (Capelinha de Melão — A Canoa Virou) 1.° ano

P a r a c a n t o e p i a n o (ou h a r m ó n i o )
Ave-Maria

P a r a c a n to e p ia n o
Festas de Natal — Segundo Bilhete Inquietude

De acordo com os programas de T e o r i a Music al da Escola de Música da


U.F.R.J. e C a n t o O r f e ô n i c o dos Estabelecimentos de Ensino Secundário:
P rin cípio s Básicos da M ú sica para a Juventude
(em 2 volumes)

SOLFEJOS MELÓDICOS E PROGRESSIVOS


L’ p a rte .............................. Vestibular e 1.° e 2.“ anos
2.a p a rte .............................. 3.« e 4.° anos
Ifla ría Etuíóa de Ifla iio ó ^príoLtí
(Professora Titular de Harmonia Superior e Teoria Musical da Escola de
Musica da U. F. R. J. e do Trinity College of Music of London)

PRINCÍPIOS BÁSICOS

MÚSICÁ
PÁRA
Á JUVENTUDE
DE ACÕ RDO COM O S P R O G R A M A S D E T E O R IA M U SICAL
DA E S C O L A DE M Ú SICA DA U N IV E R S ID A D E F E D E R A L DO
RIO D E JA N E IR O E D E C A N T O O R FE Ô N IC O D O S E S T A B E ­
L E C IM E N T O S D E E N S IN O S EC U N D Á R IO .

VO LU ME
1
40a EDIÇÃO REVISTA E ATUALIZADA
1999

EDITORA CASA OLIVEIRA DE MÚSICAS LTDA.


3

Destinamos o presente trabalho à juventude das Escolas com a


intenção de orientá-la e facilitar-lhe os conhecimentos exigidos pelos
programas oficiais, uma vez que nêle se encontra a matéria do Curso
de TEORIA MUSICAL das Escolas de Música e Conservatórios, bem
como as noções ministradas nos estabelecimentos de ensino secundário.

Esperamos possa ser êle útil aos nossos jovens estudantes de


música e aos ginasianos.

A AUTORA
s e te m b r o de 1979

R io

Copyright 1953 by Casa Oliveira de Músicas Lida.- Rio de Janeiro - Brasil


4

Í N D I C E

Pâgs.

I — Música (definição — elementos constitutivos) ..................... 6

I I — Notação musical (notas — escala — pauta — claves — valores) 7

U I — Divisão proporcional âos valores ............................................. 18

IV — Ligadura — Ponto de aumento .............................................. 17

V — Compassos (generalidades — compassos simples) ................ 20

V I — Tons e semitons naturais (escala diatónica de dó — sua for­


mação e seus graus) ............................................................. 29

V II — Acento métrico ............................................................................ 33

V III — Alterações ..................................................................................... 30

IX — Semitom cromático e diatónico (formação do tom) ............... 40

X — Fermata — Linha de 8.a — Legato e Staccato ...................... 44

X I — Síncope — Contratempo ........................................................... 48

X II — Intervalos (simples e compostos — harmônico e melódico —


ascendente e descendente — consonante e dissonante — inver­
são dos intervalos) ...................................................................... 31
X I I I — Modos de escala: maior e menor (graus modais — graus tonais
— escala do modo maior — escala do modo menor: harmô­
nicas e melódicas — escalas relativas — escalas homônimas
intervalos nos graus das escalas maiores e menores — inter­
valos diatónicose cromáticos) ................................................. 62

X IV — Meios de conhecer o tom de um trecho ................................... 91

XV — Compassos compostos (compassos correspondentes — análise


de compasso) ............................................................................. 94

XVI — Sinais de repetição — Sinais de abreviatura ....................... 102

X V II — Quiálteras (generalidades — quiálteras aumentativas e dimi­


nutivas) ......................................................

X V III — Andamentos — Metrônomo — Sinais de intensidade ............... 109


PRINCÍPIOS b á s ic o s d a m ü s ic a 5

APRECIAÇAO MUSICAL:

Págs.

O canto orfeônico e o canto coral — sua origem e finalidade ........... 113


O canto orfeônico no Brasil ..................................................................... 114
Manossolfa ................................................................................................... 115
A música e os instrumentos ãos indígenas do Brasil ............................... 117
Influência das músicas: ameríndia, africana, portuguêsa, espanhola e
outras, na música brasileira .......................................................... 118
Instrumentos musicais ............................................................................... 120
Bandas de m ú s ic a ........................................................................................ 121
Orquestra (antiga — clássica — moderna) .............................................. 122
Principais formas musicais ........................................................................ 125
Hino Nacional Brasileiro (.pequeno resumo histórico) ............................. 128
Dados biográficos de Francisco Manuel ................................................... 128
” ” ” Osório Duque Estrada ............................................. 129
Hino à Bandeira Nacional (pequeno resumo histórico) .......................... 129
Dados biográficos de Francisco Braga .................................................... 130
” ” ” Olavo Bilac .............................................................. 130
Hino da Independência (pequeno resumo histórico) ............................... 131
Dados biográficos de D. Pedro I ................................................................ 131
Hino da Proclamação da República (pequeno resumo histórico) ............. 132
Dados biográficos de Leopoldo Miguez ..... 122
” ” ” Medeiros e Albuquerque ........................................ 132
Hino à Música (pequeno resumo histórico) ................................................ 133
Dados biográficos de Abdon Lyra .......................................................... 134
" “ ” Olegário Mariano .................................................... 134

HINOS (músicas)

Hmo Nacional Brasileiro ............................................................................. 135


” à Bandeira Nacional .......................................................................... 135
” da Independência do Brasil ................................................................ 137
” da Proclamação da República ......................................................... 138
” à Música .................................................................................... 139

Solfejos . . .......................................................................................... J4Q


Viva o Brasil ......................................................................................... 142
Céu azul da minha terra .......................................................................... 142
O sol e a lua ............................................................................................. 142
I

M Ú S I C A

DEFINIÇÃO — ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

Música é a arte dos sons, combinados de acordo com as variações


da altura, proporcionados segundo a sua duração e ordenados sob as
leis da estética.

São três os elementos fundamentais de que se compõe a música:


melodia, ritmo e harmonia.

A melodia consiste na sucessão dos sons formando sentido


musical.

O ritmo é o movimento dos sons regulados pela sua maior ou


menor duração.

A harmonia consiste na execução de vários sons ouvidos ao


mesmo tempo, observadas as leis que regem os agrupamentos dos
sons simultâneos.

A melodia e o ritmo combinados já encerram um sentido ex­


pressivo musical.

Para exprimir profundamente qualquer sentimento, ou descrever


por meio da música qualquer quadro da natureza, torna-se impres­
cindível a participação em comum dêsses três elementos: melodia,
ritmo e harmonia
7

I I

N O T A Ç Ã O M U S I C A L

1 — Notas — Escala — Pauta

Os sons musicais são representados gràficamente por sinais cha­


mados notas; e a à escrita da música dá-se o nome de notação musical.
As notas são 7: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.
Essas 7 notas ouvidas sucessivamente formam uma série de sons
à qual se dá o nome de escala.
Quando essa série de sons segue sua ordem natural (dó-ré-mi-fá-
sol-lá-si) ternos uma escala ascendente; seguindo em ordem inversa
(si-lá-sol-fá-mi-ré-dó) temos uma escala descendente. A escala estará
completa se fôr terminada a série ascendente ou iniciada a descendente
com a nota dó.


si si
lá lá ^
4?
/ sol ^
# fá
V . íá \
mi nu \
/ ré ré \
dó dó

Pauta é a reunião de 5 linhas horizontais, paralelas e eqüidistantes,


formando entre si 4 espaços. É nas linhas e nos espaços da pauta que
se escrevem as notas.

A pauta é também chamada pentagrama.

~r~r
221
- g Z jg -
8 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

As linhas, bem como os espaços da pauta, são contadas de baixo


para cima.

J2- w;
V* Ji
linhas 3* lí espaços
1* -li
-lí

A pauta, entretanto, não é suficiente para conter todos os sons


musicais que o ouvido pode apreciar. Por êsse motivo, usam-se linhas
chamadas suplementares superiores ou suplementares inferiores, quan­
do são colocadas, respectivamente, acima ou abaixo da pauta. Usa-se
também escrever notas nos espaços formados por essas linhas (espaços
suplementares superiores ou inferiores).

As linhas e espaços suplementares contam-se de baixo para cima


quando superiores e de cima para baixo quando inferiores. O número
de linhas ou espaços suplementares não é limitado, contudo, não é
comum empregar-se mais de 5.

-0 - Ä 2 -S r ê = ê =
Linhas e espaços
suplementares
superiores

Linhas e espaços
suplementares
inferiores
O
° o -e- —
o

QUESTIONÁRIO I

1 — Que é notação musical? 2 — Como se chamam as notas? 3 — Que


è pauta? 4 __Que é pentagrama? 5 — Como devem ser contados os espaços e as
linhas de pauta? 6 — Para que servem as Unhas suplementares superiores ou
inferiores? 7 — Como são contados os espaços e as linhas suplementares supe­
riores? 8 — E as suplementares inferiores? 9 — Quantas linhas e espaços suple­
mentares podemos empregar? 10 — Que é escala?
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 9

2 — Claves

Para determinar o nome da nota e a sua altura na escala coloca-se


no princípio da pauta um sinal chamado clave.

Há três sinais de clave:

Clave de sol

Clave de fá

Clave de dó

A clave de sol é escrita na 2.a linha.


A clave de fá é escrita na 3.a e 4.a linha.
A clave de dó é escrita na l.a, na 2.a, na 3.a e na 4.a linha.

Também foi usada, antigamente, uma clave de sol na l.a linha;


contudo, deixou de ser empregada porque suas notas ficavam exata­
mente iguais às notas da clave de fá na 4 a linha (embora, nesta
última clave as notas fossem entoadas duas 8.as ab a ix o ).

Notas na clave de
sol na l.a linha
(desusada)

Notas na clave de .__ L______ *1 _______" 1


fá na 4.a linha V il- « i L k O‘
y — ^ ------ ^ .C /
(muito usada) 4 ---------— o — - L U ,

Observa-se que os dois pontinhos colocados ao lado das claves de fá


e de dó servem para indicar a linha em que se acha assinada a clave.

Na clave de sol deixaram de ser usados êsses dois pontinhos, uma


vez que, desaparecendo o seu emprêgo na l.a linha, usa-se apenas uma
clave de sol, assinada exclusivamente na 2.a linha.
Cada clave dá seu nome à nota escrita em sua linha.
Nos espaços e nas linhas subseqüentes, ascendentes ou descen­
dentes, as notas vão sendo nomeadas sucessivamente, de acordo com
a ordem já referida.
10 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIOLLI

Notas na clave de sol

D) ioL tto
ft.___ « f O ^ _

i -Si­ -9 -
-irȒ = t l a:
ZOO
S°L Ffl m ;
&U *
Notas na clave de fá na 4 a linha
í>0
F» SoL % 9- ffí t*i RF
~xr 5 tv»f-
I2C C7 231
A3
O

Notas na clave de dó na l.a linha

Do RÉ * » ^ etc,
KE " 9 a — t f — I V ---------------------
__£
d -------- 3 --------------------------------------------------------—
— Q '■ - ------------------
--------
O " - g z
B T : ■ O— ------------------ 9 — r i -----------------------x ----------------

Notas na clave de dó na 3.a linha

F*
i sol uf -o~
5L etc, ,
pó fe
zzx ,SJ V /y " —
° o o n í » " i -gf ^
v- e

Notas na clave de dó na 4.a linha

i
Co Sol I
^ n ± _ fct&
3E

^ ?li Ü Ü f P
Notas na clave de dó na 2.a linha
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ú s ic a 11

Notas na clave de fá na 3.a linha

RE Ml
Po -e-
Ffl Sol ,U _ sj -Q~ O
O n
zr
-#■ «6 Po 5í ^ ele.
5oL

As duas claves mais usadas são a de sol e a de fá na i . A linha.


São essas as claves empregadas para tôdas as vozes, bem como para
a ' maior parte dos instrumentos, inclusive o mais comum dentre
todos — o piano.

QUESTIONÁRIO II

1 __Que é clave? 2 — Quantas formas têm as claves? 3 — Em quó linha


da pauta se escreve a clave de sol? 4 — E a de fá? 5 — E a de dó? 6 — Quantas
são as claves? 7 — Porque deixou de ser usada a clave de sol escrita na l.a linha?
8 — Para que servem os pontos colocados ao lado de cada clave? 9 — Qual a
clave que dispensa os pontos? Porque? 10 — Quais são as claves mais usadas?

EXERCÍCIOS

Escrever o nome das seguintes notas:

f $nL t>0 ......... n — ___ 75 .;


1
( ?r u; n o - ; 75
/ | g g — 7- <-<----------------
V

. . _ _
1/ — Q— 75 o" ■ 77
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J U _ ^ pr 75--------O õ-

12
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I
õ
- 9 © ■ -S
X - T3
75 “ O*— —
& —
-----
77 O
^ ?7
■»*—
12 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

2 — Escrever o nome das notas e assinalar1 as que estiverem escritas em linhas


e espaços suplementares.

■v ? ^ « -2 £
X ---- . i— ..... n a '' '
U XZ7ZT. ....----- G ° ---------------------------
— u o ------------------------------- ----- — — _ O --------
^ & n

a 72

3 — Escrever o nome das notas.

^ Ml

(V ? — rs— -------- ——ó*------ n — —------------ ~ u V


f r- “ — O— n —O ------“
--------—
O— n — ~ r> ^~g~~g
zr : ...... ........... ........ ... - ^ c r o — '-'----------------

o- o ° " 'a ?T
-Q— a— O- X l
-0 — 0 -

4 — Escrever o nome das notas e assinalar as que estiverem escritas em linhas


e espaços suplementares.
PRINCÍPIOS b á s ic o s d a m ü s ic a 13

3 — Valores

Nem tôdas as notas têm a mesma duração.


Para representar as várias durações dos sons musicais as notas
são escritas sob formas diferentes.
Essas diversas formas das notas são chamadas figuras ou valores.
São essas as figuras mais usadas:

semibreve minima semínima colcheia semicolcheia fusa sem ifu sa

Essas figuras representam os sons; são chamadas v a l o r e s ou


ainda, f i g u r a s de som.
Pausas são figuras que indicam duração de silêncio entre os sons.
Alguns tratadistas dão às pausas a denominação de figuras negativas
ou valores negativos. Não concordamos. As pausas têm função rítmica
e função estética definidas no sentido musical. Logo, não podem ser
consideradas como figuras negativas, o que vem dar sentido de ausência
de valor. A figura da pausa é, na construção musical, tão importante e
significativa quanto a figura do som.
Cada figura de som tem sua respetiva pausa que lhe corresponde
ao tempo de duração.

Vejamos:
14 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

Há ainda uma figura empregada com menos frequência que as


demais; é a quartifusa (também chamada tremifusa)

Figura de som e pausa da quartifusa

Havia antigamente 3 figuras que pouco a pouco, foram deixando


de ser usadas, até desaparecerem completamente da grafia musical:
a máxima, a longa e a breve.

Figuras de som e pausas da

máxima longa breve

Essas figuras só aparecem em trechos de autores antigos, pois


os modernos não as usam mais.

QUESTIONÁRIO III

1 — Tôdas as notas têm a mesma duração? 2 — Que são jiguras? 3 —


Que outro nome têm as jiguras? 4 — Como se chamam as Jiguras mai.s usadas?
5 — Que são jiguras de som ? 6 — Que são pausas ? 7 — Em que linhas se
escrevem as pausas de semibreves e de mínima? 9 — Que outro nome tem a
quartifusa? 9 — Quantas e quais são as figuras que não se usam mais?
15

I I I

D IV IS Ã O P R O P O R C IO N A L D O S VALORES

A semibreve é a figura de maior duração e tomada como unidade


na divisão proporcional dos valores; assim sendo, a semibreve é a
única figura que compreende tôdas as demais.

Vejamos:

Quando se escrevem duas ou mais colcheias, semicolcheias, fusas


ou semifusas consecutivas, usa-se também substituir os colchetes por
barras horizontais, ficando as notas unidas em grupos.

ji.f 3 j i J i j j n j T O . r a
18 M ARIA LUISA DE MATTOS PR IO LLI

QUESTIONÁRIO IV

1 — Qual a figura que pode conter na sua divisão tôdas as outras figuras?
2 — Quantas colcheias vale uma semibreve? 3 — Quantas colcheias vale uma
mínima? 4 — Quantas fusas vale uma colcheia? 5 — Quantas fusas vale uma
semibreve? 6 — Quantas semínimas vale uma mínima? 7 — Quantas semifusas
vale uma semiocolcheia? 8 — Quantas fusas vale uma semínima? 9 —■ Quantas
semicolcheias vale uma mínima? 10 — Quantas semifusas vale uma fusa?

EXERCÍCIO

Substituir o sinal de interrogação pelo número de figuras convenientes.


17

1 V

LIGADURA — PONTO DE AUMENTO

1 — Ligadura

A ligadura é uma linha curva ( ,^ -s ), que se estiver colocada


sôbre ou sob dois ou mais sons da mesma entonação, indica que os
sons ligadas não devem ser repetidos; isto é, somente o primeiro som
é emitido, os demais serão apenas uma prolongação do primeiro.

Esta prolongação terá a duração das figuras ligadas.

J)
f - - f f - n --------------------------------------
ê * * * #■ #-■ = ± = t = Y -
-V—#—

o J -J
Quando a ligadura vem colocada por cima ou por baixo de sons
de entoação diferente, seu efeito é meramente de execução instrumental
ou vocal, determinando que entre o primeiro e o último som compreen­
didos dentro da ligadura não deve haver interrupção e sim, que tais
sons se executam ligadamente (conforme demonstração do professor).

Um ponto colocado à direita de uma figura serve para aumentar


a metade do valor de duração dessa figura.
É por isso chamado ponto de aumento.
18 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

No exemplo abaixo a mínima pontuada está valendo uma mínima


e mais uma semínima (metade da m ínim a), uma vez que o ponto
serve para aumentar a metade do valor da figura. Logo,

As pausas também podem ser pontuadas.

Dois ou mais pontos podem ser colocados à direita da nota ou da


pausa, tendo neste caso, o primeiro, o valor já conhecido e os seguintes,
cada qual a metade do valor do antecedente.

Os valores positivos pontuados podem ser substituídos por valores


ligados, como vimos nos exemplos precedentes.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 19

QUESTIONÁRIO V

1 — Que é ligadura? 2 — Qual a função da ligadura se vier colocada sôbre


sons da mesma entoação? 3 — Para que serve a ligadura se vier colocada sôbre
sons de entoação diferente? 4 — Para que serve o ponto de aumento? 5 — Onde
se coloca o ponto de aumento? 6 — As pausas também podem ser pontuadas?
7 — é possivel colocar na mesma nota mais de um ponto de aumento? 8 — Qual
o valor do 2 ° ponto? 9 — Qual o valor do 3.° ponto? 10 — Há diferença de
duração entre a mínima pontuada e a mínima ligada a uma semínima?

EXERCÍCIOS

Substituir as figuras pontuadas por figuras ligadas e as figuras ligadas por


figuras pontuadas.

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lr\ />} - . J 1» #
k
t _____^
O * *
___^5____5___
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a
20

C O M P A S S O S

GENERALIDADES — COMPASSOS SIMPLES

1 — Generalidades

As figuras que representam o valor das notas têm duração inde­


terminada, isto é, não têm valor fixo.
Para que as figuras tenham um valor determinado na duração
do som êsse valor é prèviamente convencionado, e é a êsse espaço
de duração que se dá o nome de tempo.

Assim, se estabelecermos que a semínima (J) tem a duração de 1


tempo, veremos que a mínima (J) valerá 2 tempos, visto o seu valor ser o
dôbro do da semínima; a semibreve ( O ) valerá 4 tempos, uma vez que
precisamos de quatro semínimas para formar uma semibreve; a colcheia
( f ) valerá apenas meio tempo, pois são precisas duas colcheias para a
formação de uma semínima; e assim por diante.
Os tempos são agrupados em porções iguais, de dois em dois, de
três em três ou de quatro em quatro, constituindo unidades métricas
às quais se dá o nome de compasso.

Os compassos de 2 tempos são chamados binários.


” ” ” 3 ” ” ” ternários
” ” ” 4 ” ” ” quaternários.

Cada grupo de tempos, isto é, cada compasso, é separado do


seguinte por uma linha vertical travessão.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 21

N a terminação de um trecho musical usa-se colocar dois travessões


denominados: travessão duplo (ou travessão dobrado) ou pausa final
(se a terminação fôr absoluta, isto é na finalização do trecho).

Travessão Pausa
duplo final

Em qualquer compasso a figura que preenche um tempo chama-


se unidade de tempo; e a figura que preenche um compasso chama-se
unidade de compasso.

Os compassos se dividem em duas categorias: simples e compostos.


São representados por uma fração ordinária colocada no princípio da
pauta, depois da clave.

QUESTIONÁRIO VI

1 — Que é tempo de duração de uma nota? 2 — Se a mínima vale 1 tempo,


quanto vale a semínima? 3 — Se a semínima vale 1 tempo, quanto vale a mínima?
E a colcheia? E a semicolcheia? 4 — Que é compasso? 5 — Como se chamam os
compassos de 2, 3 e 4 tempos? 6 — Que é travessão? 7 — Como se chamam os
travessões colocados no fim de um trecho? 8 — Que é unidade de tempo? E
unidade de compasso? 9 — Em quantas categorias se dividem os compassos?
10 — Como são representados os compassos?

2 — Compassos simples

Compassos simples são aquêles cuja unidade de tempo é represen­


tada por uma figura divisível por 2.

Tais figuras são chamadas simples, isto é, são figuras não


pontuadas.

Vejamos por exemplo, um compasso qualquer (binário, ternário


ou quaternário) no qual a unidade de tempo seja a semínima ( J )
ou a colcheia ( ) . A semínima ( J ) vale 2 colcheias (/■), e a col­
cheia ( J*) vale 2 semicolcheias ( J!), logo, ambas são divisíveis por
2; por conseguinte os compassos que tiverem a semínima ( J ) ou a
colcheia ( / ) como unidade de tempo serão compassos simples.
22 M ARIA LUISA DE MATTOS P R IO LU

Unidade de tempo Unidade de tempo

Analisemos os têrmos das frações que representam os compassos


simples.

O numerador determina o número de tempos do compasso. Os


algarismos que servem para numerador dos compassos simples são:
2 (para o binário), 3 (para o ternário) e 4 (para o quaternário).

O denominador indica a figura que representa a unidade de tempo.

Os números que servem como denominador são os seguintes:

1 — representando a semibreve (considerada como unidade)


2 — ” mínima (metade da semibreve)
4 — ” ” semínima ( 4.a parte da semibreve)
8 — ” ” colcheia ( 8.a parte da semibreve)
16 — ” semicolcheia (16.a parte da semibreve)
32 — ” fusa (32.a parte da semibreve)
64 — ' ” semifusa (6 4 a parte da semibreve)

2
Vejamos um compasso indicado da seguinte forma: ---- -.
4

Deduz-se o seguinte: — nesta fração 2/4 o numerador (2) indica o


número de tempos, logo, trata-se de um compasso de 2 tempos, isto é,
binário. O denominador (4) determina para unidade de tempo a figura
que representa a 4.a parte da semibreve, ou seja, a semínima ( J ) .

j>

A l 7 T , .............1
-f- f- i f f * ----------- ( t r t J L f f j .. fu -
_________ T f t i i
l í lê + S —
p r in c íp io s b á s ic o s d a m u s i c a 23

QUADRO DE TODOS OS COMPASSOS SIMPLES

COM SUAS UNIDADES DE TEMPO E COMPASSO

COMPASSOS BINÁRIOS

Unid. de tempo Unid. de eomp. Unid. de tempo Unid. de comp.


24 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIOLL1

COMPASSOS TERNÁRIOS

Unid. de tempo Unid. de comp. Unid. de tempo Unid. de comp.

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---
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P 1 ... .4

1 t iÜ E
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 25

COMPASSOS QUATERNÁRIOS

Unid. de tempo Unid. de comp. Unid. de tempo Unid. de comp

p,
~rJ ^ / çr a j 5? - r i- ~
i V - / 3 0 0 °-

X u ______________ .__________ .
: “ o.'.. / V/ f " # # « -p

X , . . . ?/ •
=— f — :
e s E f l f f • H — LV ^

1 k t m í
r r r =*
Os compassos 4/4, 3/4 e 2/2 também podem ser assim re-
sentados:

4/4 ........................................................................... C ou 4.
3/4 ........................................................................... ou 3.
2/2 ........................................................................... <k ou 2.

Atualmente se encontra, em trechos de autores modernos, a indi­


cação dos compassos da seguinte forma:

2 2
J representando
2
26 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

2 2
j representando -----
' 4

2 2
/ representando -----
' 8

3 3
j representando -----
' 4

3 3
j* representando -----
8

3 3
J! representando -----
‘ 16

4 4
J representando -----
' " 4

4 4
/ representando -----
‘ 8

4 4
/ representando -----
16 e etc..

Os compassos simples mais usados são aquêles cujas frações têm


para denominador os números 4 e 8 (2/4, 3/4, 4/4, 2/8, 3/8 e 4/8).

Os compassos que têm para denominador os algarismos 1 e 2 (2/1,


3/1, 4/1, 3/2 e 4/2), isto é, aquêles que têm como unidade de compasso
figura de maior duração que a semibreve ( O ) deixaram de ser usados
na música moderna, com exceção do compasso 2/2 (cuja unidade de
compasso é igual a o ), que é ainda usado, principalmente em trechos
de ritmo característico.
Também os compassos cujas unidades de tempo forem preen­
chidas por figuras menores que a colcheia ( / ) são usados menos
freqüentemente. Esses compassos são os que têm para denominador
os números 16, 32 e 64.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 27

Marcar um compasso é indicar a divisão dos tempos por meio de


movimentos executados, geralmente, com as mãos.

Compasso binário Compasso ternário Compasso quaternário

QUESTIONÁRIO V II

1 — Quando é que uma figura é simples? 2 — Que são compassos simples?


3 — Nos compassos simples o que determina o numerador da fração? 4 — Quais
os números que servem como numerador das frações dos compassos simples?
5 — Que determina o denominador? 6 — Quais os números que servem como
denominador das frações que indicam os compassos? 7 — No compasso 2/4 que
indica o numerador? E o denominador? 8 — Qual a sua unidade de tempo? E a
unidade de compasso? 9 — No compasso 3/2 que indica o numerador? E o deno­
minador? 10 — Qual a sua unidade de tempo? E a unidade de compasso? 11 —
No compasso 4/8 que indica o numerador? E o denominador? 12 — Qual a sua
unidade de tempo? E a unidade de compasso? 13 — Quais são os compassos
simples que têm para unidade de tempo a semínima? 14 — Quais são as outras
formas de representar o compasso 4/4? E o 3/4? E o 2/2? 15 — Represente
os compassos 2/8, 4/16, 3/4 e 2/2 de acordo com a indicação moderna. 16 —
Quais são os compassos simples mais usados? 17 — Quais são os compassos
que deixaram de ser usados? 18 — O compasso 2/2 também deixou de ser usado?
19 — Quais são os compassos menos usados? 20 — Que significa marcar o
compasso?

EXERCÍCIOS

1 — Determinar as unidades de tempo e compasso de todos os compassos


simples.
28 M ARIA LUISA DE MATTOS FRIO LLI

2 — Completar os seguintes compassos com figuras de som e pausas:

i
) - t /—m— r---- F fe F — f e = l
é —

3 — Separar os compassos:

í Pv

4— Determinar as seguintes figuras:


a) a unidade de tempo do compasso 3/2;
b) o valor de 2 tempos no compasso 4/8;
c) o valor de meio tempo no compasso C;
d) o valor de 3 tempos no compasso 4/16;
e) o valor de 1 tempo e meio no compasso 2/4;
f) o valor de 1 tempo e meio no compasso 3/8;
g) o valor de 2 tempos no compasso 3/4.
5 — Completar os seguintes compassos com figuras de som e pausas:
29

V I

TONS E SEMITONS NATURAIS

(ESCALA D IATÓ NICA DE DÓ — SUA FORMAÇÃO E SEUS GRAUS)

Semitom é menor intervalo, entre dois sons, que o ouvido pode


perceber e classificar.
Tom é o intervalo, entre dois sons, formado por dois semitons.
Escala diatónica é a sucessão de 8 sons conjuntos guardando de
um para outro intervalo de tom ou de semitom.

Escala ascendente Escala descendente

Os tons e semitons contidos na escala diatónica são chamados


naturais.
A cada uma das notas da escala, de acordo com a sua função na
própria escala, dá-se o nome de grau.
Tem a escala diatónica, por conseguinte, 8 graús, sendo o V III grau
a repetição do I.

Os graus da escala são assim denominados.


I grau — tônica
II grau — supertônica
III grau — mediante
IV grau — Subdominante
V grau — dominante
VI grau — superdominante
V II grau — sensível
V III grau — tônica.
30 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

A e s c a l a d i a t ó n i c a é formada por 5 tons e 2 semitons.


Os s e m it o n s são encontrados:
Do m grau para o IV .
Do V II para o V III.

Os t o n s são encontrados:

Do I grau para o II.


Do I I grau para o I I I
Do IV grau para o V
Do V grau para o VI
Do V I grau para o V II.

O I grau (tônica) é o mais importante da escala.

Todos os demais graus têm com êle afinidade absoluta.


É o I grau (tônica) que dá seu nome à escala e que a termina de
um modo completo, sem nada deixar a desejar.

Vejamos a seguinte escala:


Escala ascendente Escala descendente

Temos aí a nota Dó em função de tônica. Esta escala é, portanto,


chamada escala de Dó, ou ainda escala no tom de Dó.
Depois da tônica, as notas de maior importância são a dominante
(V grau) e a S u b d o m in a n t e (IV g ra u ).
Os graus da escala também se classificam como conjuntos ou
disjuntos.
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ú s ic a 31

São conjuntos quando sucessivos, de acordo com sua relação de


altu ra.

'
/ X--- -
o ---O -- '--- V ■
u V O
■ O
V 9 X-— ^
-d- °

São disjuntos quando entre ambos vem intercalado um ou mais


graus.

/ o - --------X!------------------
i ____ ... / r êo -------- ,--------------------
o
-— N r ----------O------
-Q~ ' U --------

QUESTIONÁRIO V III

1 — Que é semitom? 2 — Que é tom? 3 — Que é escala diatónica? 4 —


Como se chamam os tons e semitons da escala diatónica? 5 — Que é grau?
6 — Quantos graus tem uma escala? 7 — Como se chamam os graus da escala?
8 — Quantos tons e semitons contém a escala diatónica? 9 — Quais os graus
separados por tons? 10 — Quais os graus separados por semitom? 11 — Qual
0 grau mais importante? 12 — Porque? 13 — Depois dêste, quais os graus mais
importantes? 14 — Que são graus conjuntos? 15 — Que são graus disjuntos?

EXERCÍCIOS

1 — Dizer como se chamam e qual o número correspondente a estes graus,


na escala de Dó:

2 — Formar 2 graus conjuntos e 3 graus disjuntos com cada nota:

O
32

R E C A P I T U L A Ç Ã O

EXERCÍCIOS

1 — Escrever o nome das notas:

) -9­
' o — .___,
jL F=a==-— F? -----------------a —
h IKX *
-------1
—---------- Mr \ o — - zm / : ---------i
CMO- —— i /___ __ _< 1_ __ -L---------a—-
— £
-e -
+ &
2 — Colocar as claves que dêm às notas os seguintes nomes:

Pa R6 Sol 0o SoL o. 56

7 So Ml SoL
-O ■ ’I ------ 1
--- ---- ~n—
— ©---- . O
•jü L. i - 0 --- ©—

3 — Escrever as pausas de: semibreve, semicolcheia e mínima.


4 — Substituir as figuras ligadas por figuras pontuadas e vice-versa.

l— f - - H l — rr ,*-=■— -n T"
/ I J # • # n - • •
£7 , K ti y
__ __ —V-----------

5 — Determinar os compassos simples que tenham como unidade de tempo as


figuras: colcheia, mínima, fusa e semínima.
6 ________ Determinar os compassos simples que tenham como unidade, de
passo as figuras, semínima, mínima pontuada, semibreve, colcheia e col­
cheia pontuada.
7 — Dividir os compassos:

8 — Completar os compassos:

— =--------------
. .X j* • r ~ 'f > # I
ti- — _Z- -ZL__ "G — - f - ------------- ----- -1
1
7Z r Li -------------- if
33

V I I

A C E N T O M É T R I C O

Os tempos dos compassos obedecem a diversas acentuações, isto é,


umas fortes, outras fracas.
Essas acentuações constituem o acento métrico.
É por meio do acento métrico que podemos reconhecer pelo
ouvido, se o compasso é binário, ternário ou quaternário.

O acento métrico obedece à seguinte ordem:

Compasso binário

1. ° tempo — forte
2. ° tempo — fraco

Compasso ternário

1. ° tempo — forte
2. ° tempo — fraco
3. ° tempo — fraco

Compasso quaternário

1. ° tempo — forte
2. ° tempo — fraco
3. ° tempo — fraco
4. ° tempo — fraco

Alguns autores usam para o compasso quaternário o seguinte


acento métrico:1
4
3
2

1. ° tempo — forte
2. ° tempo — fraco
3. ° tempo — meio-forte
4. ° tempo — fraco
34 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

Dando-se, entretanto, no compasso quaternário uma acentuação ai


3.° tempo, mais forte que à do 2.° e à do 4.° tempo, têmo-lo subdivididf
em 2 compassos de 2 tempos cada, isto é, dois compassos binários
desaparecendo assim o compasso quaternário. Consideramos, portanto
defeituosa a acentuação meio-forte do 3.° tempo do compasso qua
ternário, uma vez que tal acentuação desvirtua o caráter do compasse
de 4 tempos. Êste, como os demais compassos, tem a sua feiçãc
própria, bastando para isto, dar acentuação forte ao l.° tempo e fraca
aos tempos subseqüentes.

Exemplo:

F iff Ff f f
>

Os tempos também se dividem em partes fortes e fracas.

Como vimos, nos compassos simples os tempos se dividem em 2


partes, sendo forte a l.a parte e fraca a 2.a parte (em qualquer tempo).

1 > - - .> > ------------


■ r w # * [ 7 *f/ w f i • r t
i /*» •/T- : r
rr7 i ir» _
. Im J
Ff F V 'F v Ff M n F f F l Ff

QUESTIONÁRIO IX

1 — Que é acento métrico? 2 — Para que serve o acento métrico? 3 — Como


se faz o acento métrico no compasso binário? 4 — E no ternário? 5 — E no
compasso quaternário? 6 — Porque razão não se deve fazer acentuação meio-
forte no 3.° tempo do compasso quaternário? 7 — Como se faz o acento métrico
das partes de tempo dos compassos simples?
princípios básicos da música 35

EXERCÍCIOS
__ Marcar o acento métrico dos tempos e das partes de tempo nas melodias
seguintes:
36

V I I I

A L T E R A Ç Õ E S

Dá-se o nome de alteração ao sinal que se coloca antes de uma


nota e serve para modificar-lhe a entoação.
A entoação das notas, conforme o sinal de alteração, poderá ser
elevada ou abaixada um ou dois semitons.
São êstes os sinais de alteração: _
$ (sustenido), jj (bemol), (dobrado-sustenido),
(dobrado-bemol) e t) (bequadro).
Nas notas naturais a função das alterações é a seguinte.
j eleva um semitom
eleva dois semitons
[j abaixa um semitom
Jk f abaixa dois semitons
ti anula o efeito de qualquer um dos sinais precedentes, fazendo a
nota voltar à entoação natural. O bequadro pode elevar ou abaixar a en­
toação das notas.
Nas notas sustenizadas o dobrado-sustenido eleva um semitom, e
nas notas bemolizadas o dobrado-bemol abaixa um semitom.
Elevação de 1 semitom Abaixamento de 1 semitom

O sustenido ( $ ) e o dobrado-sustenido (•%; ) são consideradas al­


terações ascendentes.
Elevação de 1 semitom Elevação de 2 semitons
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 37

0 bemol ( j j ) e o dobrado-bemol ) são considerados altera­


ções descendentes.
Abaixamento de 1 semitom Abaixamento de 2 semitons

P------------------------------ J . ________________
/
[t v O I f \7
\ O. . LO___
. I

O bequadro ( iq) é uma alteração de duplo efeito.

Ora é ascendente, quando modifica a entoação de uma nota


bemolizada; ora é descendente, quando modifica a entoação de uma
nota sustenizada.
alt. asc. alt. desc.

Observação: se o sustenido ( # ) modificar a entoação de uma nota


alterada por um dobrado-sustenido ) terá efeito descendente.
alt. desc.

I
I ..
L x a
*
.
|L
------------ -
V -
* ------ -
-
- -
. 'LT-
_ _
.------
.
“_

Se o bemol ( j j ) modificar a entoação de uma nota alterada por um


dobrado-bemol (-££■) terá efeito ascendente.
alt. asc.

A única alteração cujo efeito é sempre ascendente é o dobrado-sus­


tenido ( * • ). Também a única alteração cujo efeito é sempre descenden­
te é o dobrado-bemol ( ^ ) .
38 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

QUESTIONÁRIO X

1 __Que é alteração? 2 — Que espécie de modificação sofre a entoação das


notas alteradas? 3 — Como se chamam os sinais de alteração? 4 — Qual a função
das alterações nas notas naturais? 5 — Como age o dobrado-sustenido numa
nota sustenizada? 6 — Como age o dobrado-bemol numa nota bemohzacia.
7 __ Quais as alterações consideradas ascendentes ?8 — Quais as alterações
consideradas descendentes? 9 — Qual a função do bequadro? 10 — Quando e
que o sustenido tem efeito de alteração descendente? 11 — Quando e que o
bemol tem efeito de alteração ascendente? 12 — Quais as alterações cujo efeito
é sempre ascendente ou descendente?

EXERCÍCIOS

1 __Colocar as alterações convenientes:

I çE w cu t í ' i t . aJj©l_x.cuL i -vt ■ tUsLnrOJL i -d - - cvSrolx.. { ■ it •

------------------- --- I ----------------------


-------------- «
■) ...... a ' ■ r r r .................. ........... 1--------------
77 ^ — ■ ------------ ti & -■ - - ___D _______11______
J 'YWOcQ T

^ iit- sÍjat. 4-it• a&u-U-5.-tt —


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U i-vt- oírcú*. t-
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f ------------------
h ------------ —õ ----------- ^ -------------------
--------------------------------------------------9 --------- li-
o
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 39

2 — Determinar a função das alterações:

abaixou 1 st.
40

I X

SEMITOM CROMÁTICO E DIATÓNICO

(FORMAÇÃO DO TO M )

Há 2 espécies de semitom:

cromático — quando formado por 2


notas do mesmo nome
(entoação diferente)
s e m i t o m
diatónico — quando formado por 2
notas diferentes (sons
sucessivos)

I 1 ------ H T T T “ ' st.


l/ ^ ^ - f r\ O |l * |y ü W O 1 ' n * fj
---- ^ .. . . . - - - - - - - - c y o 1 .x cromát.

st.
diat.

Já sabemos que o tom é formado de 2 semitons Observa-se que, na


formação do tom, um dos semitons é cromático e o o outro é diatónico.

/► y i
—---------- 4-rv^rV -
........ - ~ ^ ....
£ v« nu. Lo™' -
L- > ' ----- — ■
—^ -
V.
° 4
St- ca.- ST- oUat. st- <=Uc±- $T-(X-
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 41

Teoricamente, sabemos que o intervalo de tom se divide em 9


pequeníssimas partes chamadas comas, sendo que o semitom diatónico
e o cromático diferem entre si por uma coma.
É quase impossível ao nosso ouvido a percepção de uma coma;
entretanto, baseados em cálculos matemáticos, e por meio de apare­
lhos de acústica, provam os físicos a diferença de uma coma existente
entre os dois semitons — diatónico e cromático.
Durante muito tempo discordaram os físicos e os músicos no
número de comas de que se compõe o semitom cromático e o diatónico.

Segundo os físicos:

f í ;--1
"ÍTo-wv V 9-----
C.0-W V.OIA)
------‘V----------- -
z.
to -- T — ------ ■

4 Co-m.<X6 $ CO^v\<X^j
Segundo os músicos:

/ ITcrvvx ( 9
L.

C A .- J •»st

5 to -i> v \,04 ^1 C o -w ^ o /j

Para anular esta pequeníssima diferença — uma coma — foi


estabelecido um sistema que, sem prejuízo algum para a audição,
iguala os dois semitons (diatónico e cromático) em partes perfeita­
mente iguais, isto é, ficando cada um com 4 % comas.

* -- - -- / -----------
1

9 Vx to-w\.Oi 9 ^!\ Co-l*v\e^

Êste sistema é chamado temperamento (ou sistema temperado) e é


por meio dêle que temos em certos instrumentos, o dó J igual a ré j>,
e mi b igual a ré #, etc..
M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI
42

Êsses instrumentos são classificados como instrumentos tempe­


rados ou de som fixo, entre os quais se encontram: o piano, o orgao,
o harmónio, a harpa, etc.. _
Os instrumentos que não têm som fixo sao classificados como
instrumentos não temperados, tais como o violino, o violoncelo, e outros.

QUESTIONÁRIO XI

1 _ Quantas são as espécies de semitons? 2 - Qual a diferença entre o


semitom cromático e o diatónico? 3 - De que espécie sao os semitons que
formam o tom? 4 — Que são comas? 5 — Como se prova que o semitom cro­
mático e o diatónico têm a diferença de uma coma? 6 — De acordo com os
fisicos qual o número de comas dos semitons? 7 — E de acordo com os músicos
8 - Como se chama o sistema estabelecido para anular a diferença dos semi­
tons’ 9 — Por meio dêste sistema com quantas comas fica cada um dos semi­
tons? 10 — Que é instrumento temperado? 11 — Que outro nome tem esses
instrumentos’ 12 — Dê o nome de um instrumento temperado. 13 — Que e um
instrumento não temperado? 14 - Dê o nome de um instrumento nao temperado.

EXERCÍCIOS

1 — Classificar os semitons'
st. cr. ascend.

p
/ ----------------- t r r — = = ~ = ^ r= = = ^j r g - L f i
.o . >o
t y °= . y '
1 '^ Z 2 J to _
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 43

2 __Formar os semitons diatónicos e cromáticos (ascendentes e descendentes)


com as seguintes notas:

st. cr. asc. st cr. desc. st. diat. asc. st. diat desc.
44

FERM ATA — LIN H A DE 8.a — “ LEGATO” E “ STACCATO”

1 — Fermata

A fermata ( 'T ' ) é um sinal que, colocado acima ou abaixo de


uma nota, indica que se deve prolongar a duração do som mais tempo
do que o seu valor estabelecido.

A fermata não tem duração determinada, isto é, varia de acordo


com a interpretação do executante.
Pode-se ainda acrescentar sôbre a fermata as palavras longa ou
curta, indicando uma sustentação maior ou menor do som.

Curta Longa

Também se pode colocar a fermata sôbre uma pausa.


Neste caso a fermata passa a chamar-se. suspensão.
curta longa

1 ^ ~
/ _ jt ; s. " v: -A3) y-M - -» - * v > ' n •8
kty/ii f- f =± f -
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSIÇA 45

2 — Linha de 8.a

A linha de 8.a (8.a ............. ), quando colocada acima ou abaixo de


uma nota ou de um grupo de notas, indica que as mesmas devem ser
executadas respectivamente uma 8.a acima ou abaixo.

Notação

Execução

Notação

/-X 3 ^ =-------- -------„



— ■= _______ J.
—, -
—i *“■
**
0 5.
0

A linha de 8.a tem por fim facilitar a leitura das notas escritas
em linhas e espaços suplementares, sendo por êsse motivo empregada
com freqüência.

3 — “Legato” e “Staecato”

O “ legato” e o “ staecato” são sinais que determinam a articulação


dos sons.
Articulação é o modo de atacar os sons.
O “ legato” , palavra italiana cuja significação é — ligado, deter­
mina que se passe de uma nota a outra (tocando ou cantando) sem
interrupção de som.
46 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

É indicado por dois modos:

a) pela ligadura — linha curva sobre ou sob as notas que de


sejamos ligar.

b) pela palavra “ legato” — escrita acima ou abaixo do grup


de notas que desejamos ligar.

O “ staccato” (palavra italiano significando — destacado) ind


que os sons devem ser articulados de modo sêco, destacado.

Há três formas de representar o “ staccato” , tendo cada uma exe­


cução diferente. Vejamos:

a) um ponto colocado acima das notas. É chamado “staccato


simples.

T -------- U ---
r . 7^7 * * N n
1( 1
V f L __ ^r___
/ ; f____ j r____ r> u
J1
«

u.
J 1.7 ----------- f ---- m ,
£ a
>/í it i v. -j ~ fi. »-/ r.. . â s.
1. /
V
r - 1
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 47

b) Combinado o ponto e a ligadura. É chamado “meio-staccato”


ou “staccato” brando.

f)
Notação
I p 3 = p = f s

Execução

c) Um ponto alongado colocado acima das notas.


Este staccato” é chamado grande “staccato” ou “staccato” sêco
ou martelado.

Notação

Execução

O ponto que indica o “staccato” é chamado ponto de diminuição,


pois na execução faz com que a nota perca parte do seu valor. Con­
vém notar que a parte que o “staccato” tira do valor da nota, não é
valor rigorosamente matemático. Assim sendo, a execução indicada
é apenas uma execução aproximada.

QUESTIONÁRIO X II

1 — Que é fermata? 2 — A íermata tem duração determinada? 3 — Que


significam as palavras longa e curta sôbre a fermata? 4 — Que é suspensão?
5 — Onde se coloca a linha de 8.a? 6 — Qual é a utilidade da linha de 8.a?
7 — Que é articulação ãos sons? 8 — Como se chamam os sinais que determinam
a articulação ãos sons? 9 — Que significa a palavra “legato” ? 10 — Como é
indicado o “legato” ? 11 — Que significa a palavra “staccato” ? 12 — Como se
chamam as formas de representar o “staccato” ? 13 — Como é representado o
" staccato” simples? 14 — E o m eio-“staccato” ? 15 — E o grande “staccato” ?
16 — Por que razão dá-se ao ponto que indica o “ staccato” o nome de ponto
de diminuição?
45

X I

SINCOPE — CONTRATEMPO

1 — Síncope

Se uma nota executada em tempo fraco ou parte fraca de tempo


fôr prolongada ao tempo forte ou parte forte do tempo seguinte,
teremos o que se chama — síncope.
/

f f f f
— ------- r- 1 * - .. Notas em tempo fraco
/- - / m____ prolongadas ao tempo
E iz r ____. i __ r u
------------- forte seguinte.

J
Stmtojíl jivtUíbí.
1L ____ Notas em parte fraca de
*— »

p m
tempo prolongadas à par­
te forte do tempo seguinte.

A síncope produz efeito de deslocamento das acentuações naturais.


A síncope pode ser regular ou irregular.
É regular quando as notas que a formam têm a mesma duração.

Sao muito frequentes as síncopes regulares de quarto de tempo.


PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 49

É irregular quando as notas que a compõem não têm a mesma


duração.
r

L T F
7 is . * v n ,— -
/ /_ _ __ __ _ f - J ^
___
_A _
_ E_
_ * .
icT7) r
--------------^4——

2 — Contratempo

Dá-se o nome de contratempo às notas executadas em tempo


fraco ou parte fraca de tempo, ficando os tempos fortes ou partes
fortes dos tempos preenchidos por pausas.

9
v-ft---------------------------
r ' * ’/- > — » — ------- > » a
7:
L /
=v, # 7 T
-t s i
rr\ A s [7 W j / 1 7 V
t ~ c ~~ <■ 1 - 11

O contratempo também provoca efeito de deslocamento da acen­


tuação natural, porquanto o tempo sôbre o qual deveria recair a
acentuação é preenchido por silêncio — pausa.

QUESTIONÁRIO X III

1 — Que é síncope? 2 — Qual o efeito da síncope? 3 — Quando é que a


síncope é regular? 4 — Quando é que a síncope é irregular? 5 — Que é contra­
tempo? 6 — Qual o efeito provocado pelo contratempo? Porque?

EXERCÍCIOS

1 — Assinale as síncopes:
50 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

2 — Dê exemplo de síncope regular no compasso 3/8.

3 __ Dê exemplo de síncope irregular no compasso 3/4.

4 — Assinale os contratempos;

------ r r r ........ — T— : k r 7 -9— I — -t— 4 -t


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51

X I I

I N T E R V A L O S

(SIM PLES E COMPOSTO — HARMÔNICO E MELÓDICO


— ASCENDENTE E DESCENDENTE — CONSONANTE E
DISSONANTE — INVERSÃO DOS INTERVALOS)

Intervalo é a diferença de altura entre dois sons.


Conforme o número de sons que abrange o intervalo pode ser de:
a 3 a, 4 a, 5 a etc..
*>

t A. ____ Lí:
/ — 9^------ — ^ --------
b *— **-------- ----- -- i--- ^ ■ y ---- ^..--------
-- rr
T 7 --- T -5*4--- X*— . s.. - ! r . • v
r-0- o ° • ■9-' 0 -'

O intervalo pode ser:


simples — quando se acha contido dentro
Intervalo de uma 8 a.
composto — quando ultrapassa a 8.a
Exemplo:

Intervalo
simples

J2________
Intervalo
composto
p
52 M ARIA LU1SA DE MATTOS PRIO LLI

Melódico — quando as notas são ouvidas


sucessivamente
Interval o -<
Harmônico — quando as notas são ouvidas
simultâneamente

Os intervalos melódicos também se classificam como ascendentes


(quando a primeira nota é mais grave que a segunda) ou descendentes
(quando a primeira nota é mais aguda que a segunda).

De acordo com o número de tons e semitons que compõem o


intervalo êle pode ser classificado como: maior, menor, justo, au­
mentado e diminuto.

maior
menor
Intervalos de 2.a, 3.a, 6.a e 7 a <
aumentado
diminuto

{
justo
aumentado

diminuto
-£ • f

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---------------------------J --------- ^ ^

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S O T V A H 3 IN I SOd OHOVÍ1Ò

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54 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

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L " * ____ / ______________________ .. L i i ____/ _____ ____________________ i/T > f i.A iu r

j & -e -

Os intervalos aumentados acrescidos de 1 semitom são chamados


super-aumentados; e, se subtrairmos 1 semitom dos intervalos diminu­
tos, êles tomarão o nome de subdiminutos. Êsses intervalos, porém,
na prática não são usados, isto é, são simplesmente teóricos.

Nos instrumentos temperados o intervalo de 2.a diminuta é nulo,


ou seja, as duas notas que o formam têm o mesmo som, não havendo,
por conseguinte, intervalo, isto é, diferença de altura entre dois sons.

INTERVALOS FORMADOS COM AS NOTAS NATURAIS

2.as — são tôdas maiores (dó-ré, ré-mi, etc.), com exceção de mi-fá
e si-dó que são menores.
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 55

3. as — tôdas as que contiverem intercalado um dos semitons, mi-fá


ou si-dó, são menores (ré-fá, mi-sol, etc.); aquelas que não
contiverem o semitom intercalado são maiores (dó-mi, etc.).

4. as — são tôdas justas (dó-fá, ré-sol, etc.), com exceção de fá-si


que é aumentada.

5. as — são tôdas justas (dó-sol, ré-lá, etc.), com exceção de si-fá


que é diminuta.

6. as — tôdas as que contiverem intercalado um dos semitons, mi-fá


e ou si-dó, são maiores (dó-lá, dó-si, etc.); aquelas que conti-
7.as verem ambos os semitons são menores (mi-dó, mi-ré, etc.).
8. ®® — são tôdas justas.
Êsses intervalos chamam-se naturais e são encontrados na escala
diatónica de dó.
Quando ambas as notas de um intervalo têm alteração da mesma
espécie o intervalo recebe classificação idêntica àquele formado com
as mesmas notas naturais.

)
/ ------II --------
- ~ < £ — 1
J

Inverter um intervalo consiste em transportar sua nota mais


grave uma 8.a acima ou sua nota mais aguda uma 8.a abaixo.

?. J * r -
................................ ------------------— f
£ -------------7 a -----/ ' " — O --------
vV — -r A
___U J L _______V _______ _
--- " ‘i '

Somente os intervalos simples podem ser invertidos. Os intervalos


compostos não podem ser invertidos, pois colocando a nota mais grave
uma 8.a acima oú a nota mais aguda uma 8 a abaixo, perdem sua carac­
terística de intervalos compostos (aquêles que ultrapassam o intervalo
de 8.a) e transformam-se em intervalos simples (compreendidos dentro
de uma 8.a) .
Na inversão dos intervalos observa-se o seguinte:
a 2.a depois de invertida passa a ser 7 a a 5.a depois de invertida passa a ser 4 a
a 3a » » ” ” ” - ga a ga » ” » ” » *> 3,a
a 4a -> ” » ” ” » 5a a 7a » » >> >’ » >’ 2 a
56 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

/ — rrr---------- - 0» - . . —ht--------- ~5^-------- r — -4=—


trv ~ r -------- / — --------f —^ ã- -rn *
_C._O . a v
r
A 8.a justa quando invertida, deixa de formar intervalo; transfor­
ma-se apenas na repetição de um som

-fc W . jS I s
it- s
J S- -* J 9 -
(-4-0<vw

A 8.a aumentada e a 8.a diminuta invertidas passam a ser um


intervalo de semitom cromático.

H/V£
w•
d^

i ,77
IP t e
-6twu.t ■CAjCrtwkt.
**'VvvUv ' —"

Observa-se ainda na inversão dos intervalos que:


os maiores tornam-se menores depois de invertidos
” menores »» maiores 11 il 11
” aumentados 1 1 diminutos ii li 11
” diminutos 11 aumentados ii ii 11
” justos conservam-se justos il 11 11

Os intervalos também podem ser consonantes ou dissonantes.


São consonantes aquêles que não pedem resolução sôbre outro
intervalo.

3, as e 6.as maiores e menores (consonantes va­


riáveis ou imperfeitos)
Intervalos
consonantes
4. as, 5.as e 8.as justas (consonantes invariáveis
ou perfeitos)
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 57

Os intervalos de 3.as e 6.“ maiores e menores, também são chamados


variáveis (ou imperfeitos) porque podem variar a classificação e conti­
nuam consonantes, isto é, sejam maiores ou menos são consonantes.

Intervalos
consonantes
(variáveis)

Os intervalos de 4.as, 5.as e 8.as justas também são chamados conso­


nantes invariáveis (ou perfeitos) porque não podem variar a classifica­
ção e continuar consonantes, isto é, se deixarem de ser justos passam a
ser dissonantes.

Intervalos
consonantes
(invariáveis)

São dissonantes aquêles que pedem resolução sôbre um intervalo


consonante.

Í
2.as e 7.as maiores e menores e
todos os intervalos aumenta­
dos e diminutos.
58 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

QUESTIONÁRIO X IV

1 — Que é intervalo? 2 — O que diferencia um intervalo de 2.a de um


intervalo de 6.a? 3 — Quando é que um intervalo é simples? 4 — E quando é
composto? 5 — Qual a diferença entre os intervalos melódicos e harmônicos?
6 — Conforme o número de tons e semitons como se classificam os intervalos?
7 — Como podem ser classificados os intervalos de 2.a, 3.a, 6 a e 7 a? 8 — Como
se classificam os de 4,a, 5 a e 8 a? 9 — Quantos tons tem o intervalo de 2.a maior?
E o de 2 a aumentada? 10 — Por que razão se diz que o intervalo de 2 a dimi­
nuta é nulo nos instrumentos temperados? 11 — Quantos tons e semitons tem
a 3 a maior? 12 — E a 4 a justa? 13 — E a 5 a justa? 14 — E a 6 a maior?
15 — E a 7.a maior? 16 — E a 8.a justa? 17 — Onde se encontram os intervalos
naturais? 18 — Como se classificam as 2.as formadas com as notas naturais?
19 — E as 3.as? 20 — E as 4.as? 21 — E as 5.as? 22 — E as 6.as? 23 — E
as 7.as? 24 — E as 8.as? 25 — Em que consiste a inversão de um intervalo?
26 — Os intervalos compostos podem ser invertidos? 27 — Qual o número
correspondente aos intervalos de 2 a, 3 a, 4 a, 5 a, 6 a e 7 a depois de invertidos?
28 — A 8 a justa invertida forma um intervalo? Porque? 29 — A 8 a aumentada
e a 8 a diminuta invertidas que intervalo passam a ser? 30 — Como se classi­
ficam os intervalos maiores, menores, aumentados, diminutos e justos, depois
de invertidos 31 — Quando é que um intervalo é consonante? 32 — Quais são os
intervalos consonantes? 33 — Como se classificam os intervalos consonantes?
Porque? 34 — Quando é que o intervalo é dissonante? 35 — Quais são os
intervalos dissonantes?

EXERCÍCIOS

1 — Determinar o número correspondente a cada intervalo e dizer se é: simples


ou composto, melódico ou harmônico:

52-
jaffs

i 5 S 355StÈ2á£22=
J^ex-c.t*r>^clg/VYtc É ü
*v*w clt-Ço
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 59

2 — Formar tôdas as 2.as ascendentes e descendentes com as seguintes notas:

/ 'vvnaíVo
/
X . . . ....... ,L ,<crs,. - ir
1
Y-. » —q — * *— o * rs li. f
X. 7 O "-X- # L
1j frlT '

3 — Formar tôdas as 3.a, 4.as e 5.as ascendentes e descendentes com as notas:

4 — Formar tôdas as 6.as, 7.as e 8.a ascendentes e descendentes com as notas:


60 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIOLLI

5 — Classificar os intervalos de acordo com o número de tons e semitons:

| 5 - '^xÃta.
/ g-
ê oJL&O 1
IZ C
zaz
JX

1
zzZ
s TZ
y^ o
f 5 * - ll| § =

6 — Completar os intervalos pedidos:

\ 3^'VV\£'VU>A. l^^Vvvolo^
f O ^th. Oju-b.
■ > ~ -h - . O ■ T— —
3 £>.. .. - o ■— F
---------- b
fc > - o ; j ,
|>vvoõLSvõ 1
J' i 11

7 Classificar e determinar os intervalos consonantes e dissonantes:

\ C^ivvftO-vuvvCt
r •^y^gjvi.cLA^j.
ff= ^ I1 ■ o * " — 1F F = , " o I 0 1— — — •- Z . IU
—P ã o í
rja— ~ x r o
1 l f ° r 11 o 1 1
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 61

8 — Analisar os intervalos:

/ >^vvwbLC^ CxJrworfAAíxo:
i /? ' , _ \ ... . m
/ / n 'VvutcaUl. oa -c a iw i L. : ?5 . ...
h t ■ II- .' n ....... -— '

1 'V v « .< ^ c t f .£ o

K ■■■■ ii
flff li / " =
ICC
62

X I I I

MODOS DA ESCALA: M AIO R E MENOR

(G RAUS MODAIS — GRAUS TO NAIS — ESCALAS DO MODO


M A IO R — ESCALAS DO MODO MENOR: HARMÔNICAS E
MELÓDICAS — ESCALAS RE LATIVAS — ESCALAS HOMÔ­
N IM AS — INTERVALOS NOS GRAUS DAS ESCALAS MAIORES
E MENORES — INTERVALOS DIATÓNICOS E CROMÁTICOS)

1 — Modos da escala: maior e menor.

Já sabemos que a escala diatónica é constituída por uma sucessão


de tons e semitons diatónicos.
Os tons e semitons na escala diatónica podem ser dispostos de duas
maneiras diferentes. E é a êsses dois modos de dispor os tons e semi­
tons na escala que se dá, genèricamente, o nome de — modos da escala.
Há, portanto, dois modos, denominados: modo maior e modo menor.
Cada modo tem a sua feição própria, o seu caráter particular, podendo
ser perfeitamente distinguido pela simples audição da escala.

Eis a disposição dos tons e semitons nos dois modos:

semitons — do I I I para o IV; do V II para


o V III.

Modo Maior
t o n s — do I para o II; do I I para o III;
do IV para o V; do V para o VI;
do V I para o V II.

Escala de Dó maior
p r in c íp io s b á s ic o s d a m o s ic a 63

Como vemos, a escala diatónica que já estudamos detalhadamente


é a escala de Dó maior, ou escala no tom de Dó maior.
Chama-se tom de uma escala, ao conjunto de sons presos por
laços de afinidade mais ou menos direta para com o de maior pre­
ponderância dentre êles — a tônica (1 g r a u ).

semitons — do I I para o III; do V para o VI;


do V II para o V III.
Modo Menor
tons — do I para o II; do I I I para o IV;
do IV para o V.

O intervalo encontrado do V I para o V II grau será tratado


oportunamente.

’Y
-r ^ ^ -
-j ^ ^ o
V V ^ --- : . ^ jTv } C7 v
V 1___________£ ___ ________o _____ y ______ ______________________________ ___

iV i rsc T3C m
Escala de Dó menor

2 — Graus modais

No modo maior há entre o I grau e o III e entre o I grau e o


VI, respectivamente, intervalo de 3.a maior e 6.a maior.

Escala de Dó maior ou tom de Dó maior

No modo menor há entre o I grau e o III, e entre o I grau e o VI,


respectivamente, intervalo de 3.a menor e 6.a menor.

N
/.7.
lZh»____ _________I___________ « ____ r » ------® ----- ----------------------
c* S ^ K j a ^ _

4- O 3 =õf
3
Escala de Dó menor ou tom de Dó menor
64 M ARIA LI) ISA DE MATTOS PRIO LLI

O I I I grau (mediante) e o VI grau (superdominante) são chama­


dos graus modais, pois caracterizam o modo.

3 — Graus tonais

O I grau (tônica), o IV grau (subdominante) e o V grau (domi­


nante) são chamados graus tonais, pois são êles, como já estudamos,
os graus mais importantes da escala, ou seja, aqueles que caracterizam
o tom da escala.

É
TSE? X
Escala de Dó maior (graus tonais)

Observe-se pois, que os graus tonais são: a tônica (I grau) e os


graus que com ela formam intervalo de 5.a justa superior (V grau)
e 5. justa inferior (IV g r a u ).

V — — o ----- — ------ — ------:-------------------------


* 1----------------------------- O ------------------------------------------------

Ä "p ç

QUESTIONÁRIO XV

1 — Como é constituída a escala diatónica? 2 — De quantas maneiras


podem ser distribuídos os tons e semitons na escala diatónica? 3 — Que quer
dizer modo de uma escala? 4 — Quantos são os modos e como se chamam? 5 —
Onde se encontram os tons e semitons no modo maior? 6 — Que é tom de uma
escala? 7 — Onde se encontram os tons e semitons no modo menor? 8 — No
modo maior quais os intervalos formados pelo I e I I I graus e pelo I e V I graus?
9 — No modo menor quais os intervalos formados pelos mesmos graus? 10 —
Quais são os graus modais? 11 — Por que razão se chamam modais êsses graus?
12 — Quais são os graus tonais? 13 — Por que se chamam tonais êsses graus?
14 — Qual o intervalo que com a tônica, formam os outros dois graus tonais?
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 65

e x e r c íc io s

1 — Determinar o nome da escala e procurar os graus modais ãe acordo com as


tônicas e os modos dados:

) flvW ocU s W v , iwaLyt


/ ------------------
______ - ....... i --------- ----------- 1 ■ - f -
/) O ----- ' Q ~ 1 __O ü__ ____ 1 — o—
-
H- - o- - - - 1-

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c j — r r ------- ^ ' t H _____
‘ X õ 5 t-9 »
£ ' r
r -1-

2 — Determinar o nome da escala e procurar os graus tonais de acordo com as


tônicas e os modos dados:

1 '» » v o io n . X o t v OUA, YW O jLo X "TVVÍAvôa. V n f rn ^ .


/ ---------- n---------- i

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f f ■5------------ ------- a ---- #--- —
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\ 1________ '“ trv ----
'H

H
H

I 1 T ^ X
1 X

4 — Escalas do modo maior

A escala de D ó maior é modelo das escalas do modo maior.


Convém lembrar que nesta escala os intervalos de semitom são en­
contrados do I I I grau para o IV e do V II para o V III.

Esta escala se divide em dois grupos de 4 sons.


68 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PR IO LLI

A cada grupo dá-se o nome de tetracorde; cada tetracorde é


formado de 2 tons e 1 semitom diatónico.

O primeiro tetracorde é separado do segundo tetracorde por in


tervalo de tom.
As demais escalas do modo maior têm na distribuição dos tons
e semitons formação idêntica à de Dó maior (m odêlo), e são formadas
por meio do seguinte processo:
a) divide-se a escala modêlo (Dó maior) em 2 tetracordes.

b) converte-se o 2.° tetracorde da escala de Dó maior em l.°


tetracorde de uma nova escala. Teremos, assim, uma escala cujo I
grau será a nota sol, logo, como a tônica é que dá nome à escala, será
essa a escala de Sol maior.

Notemos, entretanto, que o semitom do 2.° tetracorde desta escala


não obedece fielmente à mesma posição que se observa na escala modêlo.
O semitom que deve figurar do V II grau para o V III, aparece aí do
V I grau para o V H .

Para corrigir essa imperfeição elevamos a nota fá um semitom


(fá #), e assim fica perfeitamente constituída a escala de Sol maior,
uma vez que no 2 .° tetracorde o semitom passa a ser encontrado
do V II grau para o V III.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 67
Vejamos:

Aparece, assim, a escala em cuja formação entra 1 sustenido (na


nota fá ), o primeiro da série dos sustenidos.
Continuando o mesmo processo, obtém-se da escala de Sol maior
o tom seguinte, isto é, Ré maior, com 2 sustenidos (nas notas fá e dó).
O # na nota dó aparece em conseqüência da mesma irregularidade
encontrada na escala anterior.
Escala de Sol maior

E assim, pelo mesmo sistema, encontraremos as demais escalas


maiores formadas com #. Convém notar também que essas escalas são
reproduzidas por 5.“ justas ascendentes, a partir da escala de Dó maior.

Vejamos:

Do maior escala modêlo


Sol maior (com I - fá)
Ré maior (com # — fá-dó)
Lá maior (com f — fá-dó-sol)
Mi maior (com # — fá-dó-sol-ré)
Si maior (com # — fá-dó-sol-ré-lá)
Fá # maior (com 6 # — fá-dó-sol-ré-lá-mi)
Dó # maior — (com 7 # — fá-dó-sol-ré-lá-mi-si)
68 MARIA LUÍSA DE MATTOS PRIOLLI

Observa-se que, também os s u s t e n id o s aparecem (a começar na nota


f á ) por intervalos de 5.“ a s c e n d e n t e s . Contudo, para colocá-los na pauta,
como não há possibilidade de escrevê-los todos, do primeiro ao último,
em ordem ascendente, sua disposição se faz por 5.“ ascendentes e 4.“
descendentes.

/ ----------: rrs— ------O------ h


e x z í ~ s ^ . i s = 3 = = i ■J2--- 2----- $ 2 ------
—i r ---------- * -------------- 1---------------1---------

Usa-se agrupar, logo após a clave, os sinais de alteração que


entram na formação das escalas. Dá-se às alterações assim agru­
padas a denominação de armadura da clave.

As alterações da armadura da clave agem sôbre tôdas as notas


daquele nome e que aparecem no trecho. Essas alterações são tam­
bém chamadas alterações fixas.

ARMADURAS DA CLAVE DAS ESCALAS MAIORES COM #


PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 69

ESCALAS MAIORES COM ARMADURAS DE #

Sol maior

Ré maior

Lá maior

Mi maior

Si maior

Fá $ maior

Do | maior
70 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

Tomemos agora o l.° tetracorde da escala de Dó maior (modêlo)


e transformemo-lo em 2 .° tetracorde de uma outra escala.

Encontramos a escala maior cujo 1 grau é a nota fá; logo, temos


aí a escala de fá maior.

Nota-se entretanto que nesta escala, o l.° tetracorde não está


correto, pois se acha desprovido do semitom que, conforme a escala
modêlo (Dó m aior), deve figurar do I I I para o IV grau.

Para corrigir esta falha abaixamos a nota Si um semitom, isto é,


colocamos na nota si, 1 jj, e assim fica corretamente formada a escala
de Fá maior, uma vez que no l.° tetracorde o semitom passa a ser
encontrado no seu devido lugar, quer dizer, do I I I grau para o IV grau.

/ .... ■ 1
—H .... . Escala de Fá maior
Í7 ^ ___ \ 1...... ' " '
V / 1 ^ a ---------- -------
(tom de Fá maior)
à 1 w * s

Temos então a escala em cuja formação entre 1 bemol (na nota


si); e é êste o primeiro da série dos bemóis.

Da escala de Fá maior deriva-se, pelo mesmo processo, a escala


de Si b maior, com dois bemóis (nas notas si e m i).
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 71

O b na nota mi surge também, como na escala anterior, para


corrigir a posição dç semitom no l.° tetracorde.

Seguindo o mesmo sistema encontraremos as demais escalas


maiores formadas com p. Essas escalas são encontradas por 5.as justas
descendentes.

Ei-las:

Dó maior — (escala modêlo)


Fá maior — (com 1 b — si)
Si fc> maior — (com 2 b — si-mi)
M i b maior — (com 3 b — si-mi-lá)
Lá b maior — (com 4 b — si-mi-lá-ré)
Ré b maior — (com 5 b — si-mi-lá-ré-sol)
Sol b maior — (com 6 b — si-mi-lá-ré-sol-dó)
Dó b maior — (com 7 b — si-mi-lá-ré-sol-dó-fá)

Os bemóis aparecem (a começar da nota si) por intervalos de


5.“ descendentes.
72 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

ARMADURAS DA CLAVE DAS ESCALAS MAIORES COM j,

Fá maior Si maior Mi j, maior Lá f, maior

72 . . _
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Ré jj maior Sol ^ maior Dó maior

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ÍT 7 T T

T=
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 73

ESCALAS MAIORES COM ARM ADURAS DE b

Fá maior

Si b maior

Mi b maior

Lá b maior

Ré b maior

Sol b maior

Dó b maior
74 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

Eis aí, os 15 tons que constituem o modo maior: a escala modêlo


(Dó m aior), 7 tons formados com } e 7 tons formados com

Nota: — As alterações que aparecem no decorrer do trecho e


não figuram na armadura da clave são chamadas acidentais. Essas
alterações afetam apenas as notas do mesmo nome que estiverem
dentro de um compasso depois do seu aparecimento.

Contudo, não só para maior clareza na leitura, mas também


para facilitar a execução, usa-se repetir os sinais de alteração aci­
dental quando as mesmas notas mudam de lugar na pauta.

#■
f * f f r \ tf f ,1
C_i

Quando as notas que levam alteração acidental voltam, no com­


passo seguinte, ao som primitivo, usa-se colocar entre parêntesis as
alterações que tiram o efeito das alterações acidentais. A essas alte­
rações dá-se o nome de alterações de prevenção.

1 — Qual é a escala modêlo do modo maior? 2 — Onde se encontram os


semitons na escala modêlo? 3 — Em quantos grupos de sons se divide a escala
de Dó maior? 4 — Como é formado cada tetracorde? 5 — Os tetracorães são
separados por intervalo de tom ou semitom? 6 — Explique como se formam as
escalas maiores de $ ? 7 — Por que razão a escala de Sol maior tem 1 sustenido?
8 — Em que nota da escala de Sol maior deve ser colocado o sustenido? 9 —
Quantos sustenidos tem a escala de Ré maior? Em que notas são colocados?
10 — Quais são as escalas maiores formadas com sustenidos? 11 — Dê a série
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 75

dos # na devida ordem. 12 — Que é armadura da clave? 13 — Como agem as


alterações da armadura? 14 — Que outro nome têm as alterações da armadura?
15 — Quais as armaduras das escalas maiores formadas com # ? 16 — Explique
como se formam as escalas maiores de bemóis? 17 — Por que razão a escala de
Fã maior tem 1 |, ? E em que nota deve ser colocado? 18 — Qual a escala deri­
vada do tom de Fá maior? 19 — Quantos bemóis tem essa escala e em que notas
devem ser colocadas? 20 — Dê a série dos jp. 21 — Quais as armaduras das
escalas maiores de bemóis? 22 — De quantas escalas é formado õ modo maior?
23 — Como se chamam as alterações que aparecem no decorrer do trecho e não
figuram na armadura? 24 — Que são alterações de prevenção?

EXERCÍCIOS

1 — Colocar a armadura dos tons pedidos e os graus onde se encontram os semi­


tons: Sol maior; Ré maior; Fá maior; Lá maior; Fá $ maior; Mi ^ maior;
Si maior; Mi maior; Si ^ maior; Lá p maior.

2 — Coloque as armaduras e dê os seguintes graus (marcando oe números


correspondentes): tônica — Fá maior; dominante — Lá maior; sensível —
Ré maior;' sensível — Ré maior; mediante — Do } maior; Subdominante
— Fá maior; superdominante — Sol maior; supertônica — Dó maior.

3 — Faça as escalas pedidas, marcando os tons, os semitons, os tetracordes e


os graus tonais: Ré maior; Lá maior; Fá maior; Sol maior; Si ^ maior;
Lá [) maior; Dó $ maior.

4 — Faça as escalas pedidas, marcando os semitons, os tetracordes e os graus


modais. Fá maior; M i maior; Mi j, maior; Si maior; Ré maior;
Dó | maior; e Sol ^ maior.
76 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

5 — Escalas do modo menor (harmônicas e melódicas)


A escala de Lá menor é modêlo das escalas do modo menor.
A forma primitiva da escala de Lá menor é a seguinte:

t9-

Esta forma foi porém, modificada pela seguinte razão: o V II grau


separado do V III por intervalo do tom não caracteriza a nota sensível.

É O 'Q-
-o ■O --- ^ --------1
-% ' vTif
A modificação introduzida foi a alteraçao ascendente do V II grau,
formando assim intervalo de semitom do V II grau para o V III. Esta
alteração produz um intervalo de 2.a aumentada do V I para o V II.
Dá-se a esta forma da escala menor o nome de harmônica.

Nesta escala os semitons são encontrados do I I grau para o III,


do V grau para o V I e do V II grau para o V III; os intervalos de tom
p r in c íp io s b á s ic o s da m ú s ic a 77

encontram-se do 1 grau para o II, do I I I grau para o IV e do IV grau


para o V; do V I grau para o V II há intervalo de 2 a aumentada.

( ï
-&
T TT I
I î Î TL TH m.
Entretanto, para evitar êsse mesmo intervalo de 2.a aumentada,
considerado como de difícil entoação, usa-se uma outra forma com as
seguintes modificações: na subida da escala coloca-se alteração ascen­
dente no V I e V II graus; na descida, a escala conserva as mesmas
notas da forma primitiva.

Esta forma da escala menor é chamada melódica.

Na descida da forma melódica o V II grau passa a chamar-se


subtôniea, porquanto desaparece o intervalo de semitom do V III grau
para o V II, intervalo êste que caracteriza a atração entre êsses dois
graus e que dá ao V II grau o nome de sensível.

Vimos então que as escalas menores, segundo a escala modêlo


(Lá menor), são praticadas sob 2 formas:
1. a) harmônica — com alteração ascendente no V II grau. É a
forma que melhor caracteriza o modo menor, por causa do intervalo
de 2.a aumentada do V I para o V II grau.
2. a) melódica — com alteração ascendente no V I e V II graus na
subida e guardando a forma primitiva na descida.
As escalas menores são também reproduzidas de maneira idêntica
às do modo maior, isto é, partindo do tom de Lá menor (modêlo)
78 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

encontram-se por 5.as justas ascendentes aquelas cujas armaduras são


formadas por #; encontram-se por 5.as justas descendentes aquelas
cujas armaduras são formadas por
As escalas do modo menor com armaduras de # são:

Mi menor — 1 $

Si menor — 2 |

Fá # menor — 3 J

Lá $ menor — 7 |
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 79

As escalas do modo menor com armaduras de \> são:

Ré menor — 1 jj

Sol menor — 2 \y

Dó menor — 3

Pá menor — 4 jj

Si [j menor — 5 jj

Mi jj menor — 6 ),

Lá ^ menor — 7 ^
80 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

Vejamos agora tôdas as escalas menores, nas duas formas —


harmônica e melódica.

ã uTç-----------------------------------
^ o
n -------------------------------------------------- (harmônica)
__________________________
& o ° ~ 'TOE
Lá menor
(modêlo)

t ” - (melódica)
Í7 _____ 17-4. _______ 7■
3_
— V I A .

-9-0 O ^ ' 1 ° 0 —
k '-BC o

Escalas menores com armadura de #.

(harmônica)

1 Jü
Mi menor

I
(melódica)
=6^5=
s£ a r

(melódica)

~õ & ° ° 1 ' h l ã r
PRINCÍPIOS b á s ic o s d a m ü s ic a 81

l
-o- F (harmônica)
s 'J X
T T
Fá $ m enor

33zê:
z z r O- g t e f e Q-V a o, (melódica)
4 -P --Q

(harmônica)
0
t i
Dó $ m enor

(melódica)
-9- O v "VI W o -e-

ir o -o- (harmônica
^ 3
¥==ã=n
0T
Ré jf m e n o r

(melódica)
............... ... ^ ± 2T
o °-.r
T F
Tf VH
82 M ARIA LU ISA DE MATTOS PR IO LLI

(harmônica)

Lá $ m enor

xo . ^ = zr
i (melódica)
=Z2=

n yh

Escalas menores com armaduras de b-

(harmônica)
b y ------- r a ° f ~ I '
V i r - —n o 9 —
O- vJl
Ré m enor

f ,______ ,
r ------------------- 1---- 1 a
ia 9 n ~_____________
b t t ---------:—n o My ' i (melódica)
----------- - O -----
X T =HFo “ v -------- —

2 ~ n ro 'a n
J. 17 ° o r' ------------- -
: (harmônica)
V- y z õ ~ o ~ ~ '~ z : ~ 7 ------------

Sol m enor

L j________________ !___ 1^ o L j _____________________


/ -'DO a
/ To -- o » h U D ^ ^ (melódica)
1/ V
V / -5
ü O ® ^ o C~/

23d|\ e > -° (harmônica)


za i

Dó m enor

(melódica)
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 83

)
/ __Lhl/_______________ L ^ n
a a B ô 0 ________________ _ marmomuai,
/
1 )____ r-, n u _______ 1_________________________________
V j n ^

Fá menor

1
J. t,
Ui ....... . 1 I /•> i 1 . .
1 y A~~n Q v "n ------ 0 * -------------- (melódica)
L i. L | u— -------------- ^ --------
V* Cl V -------------------------------------------------V p ---

(harmônica)

Si [5 menor

(melódica)

(harmônica)

Mi \) menor

(melódica)

(harmônica)

Lá menor

(melódica)
84 M ARIA LU ISA DE MATTOS PRIO LLI

Temos então os 15 tons que compõem o modo menor: a escala


modêlc (Lá menor), 7 tons com armaduras de { e 7 tons com
armaduras de fc>.

Observação: Nas escalas do modo menor na forma melódica o


V I grau sobe com alteração ascendente e desce com a nota natural de
acordo com a armadura da clave. Por êsse motivo o V I grau chama-se
grau modal variável ou grau modal móvel.

O I I I grau, como não sofre modificação de espécie alguma, seja


qual fôr a escala, chama-se grau modal invariável ou grau modal fixo.

QUESTIONÁRIO X V II
'N
1 —) Qual a escala modelo do modo menor? 2 — Dê o nome das notas que
formam a primitiva escala modêlo do modo menor. 3 — Porque foi modificada
a forrpü primitiva do tom de Lá menor? 4 — Qual a modificação introduzida
nesta escala? 5 — Além de formar o semitom do V II para o V III grau, qual o
outro intervalo produzido por esta alteração? 6 — Como se chama esta forma de
escala menor? 7 — Onde se encontram os semitons na escala menor harmônica?
8 — E os intervalos de tom? 9 — E o de 2.a aumentada? 10 — Por que razão
foi constituída a 2.a forma da escala menor? 11 — Quais as modificações
introduzidas na escala primitiva para constituir a 2.a forma de escala menor?
12 — Como se chama a 2.a forma da escala menor? 13 — Quando é que o V II
grau passa a chamar-se subtônica? 14 — Porque? 15 — Dessa duas formas,
harmônica e metódica, qual é a que melhor caracteriza o modo menor? 16 —
Porque? 17 — Partindo da escala modêlo (Lá menor) como fazemos para
encontrar as demais escalas menores? 18 — Quais são as escalas menores
com armaduras de $ ? 19 — Quais são as escalas menores com armaduras de ?
20 — De quantos tons é composto o grupo das escalas menores? 21 — Por que
razão o V I grau se chama modal variável ou móvel? 22 — Qual o nome dado
ao I I I grau? Porque?
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 85

EXERCÍCIOS

1__ _ Colocar a armadura dos tons pedidos e a nota correspondente à sensível:


M i menor; Ré menor; Sol menor; Fá | menor; Sol % menor; Fá menor;
Si menor; Dó menor; Ré % menor.

| ''rn_L <-w\e/Y\.QA.

/ ■ff*/-} . - r
r. __L_______ f i j í _______ L
7 r
Z
] ^o&lcCo

2_______ Colocar armaduras e os graus que formam o intervalo de 2.a aumentada.


Sol menor; Mi menor; Dó menor; Ré menor; Fá $ menor; Fá menor Si y,
menor; Lá j, menor; Dó $ menor.

Soí 'Vv^eryxUA.

17 r) ' ___ í /-5


V
x£r „

3 __Dê os seguintes giaus (marcando o número correspondente): sensível —


Lá menor; dominante — Ré menor; mediante — Sol menor; sensível
-•Sol % menor; tônica — Do $ menor; Subdominante — Fá % menor;
supertõnica — Mi menor; superdominante — Si 'p menor; subtônica —
Rê menor; dominante — Si menor; subtônica — Ré jf menor.

4 — Faça as escalas pedidas marcando os semitons, o intervalo de 2.a aumen­


tada e os graus modais: Dó menor; Fá tj menor; Ré menor; Si menor.

5 — Faça as escalas marcando os intervalos de tom, de 2.a aumentada e os


graus tonais: Mi menor; Sol menor; Dó $ menor; Si ^ menor.

6 — Determine as escalas menores onde se encontram os seguintes graus:


86 M ARIA LUISA DE MATTOS FRIO LLI

6 — Escalas relativas

Chamam-se escalas relativas aquelas que têm a mesma armadura


de clave e modos diferentes. Exemplo: Sol maior (1 jj) e Mi menor
(1 jj); M i p maior (3 fc>) e Dó menor (3 fc>).
As notas que formam as duas escalas relativas são as mesmas,
com exceção do VII grau do modo menor que tem alteração acidental.

Cada tom maior tem o seu tom relativo menor, e vice-versa.


Para se achar a relativa de uma escala maior procura-se o intervalo
de 3.a menor inferior da tônica, e acha-se a tônica da relativa menor.

Para se achar a relativa de uma escala menor pratica-se operação


inversa: procura-se a 3.a menor superior da tônica, e acha-se a tônica
da relativa maior.

2 ______________ *----------- 1 —----------- Ir


$
VJ — i - i " ---- ------ r ^ F
-----w u K
x r ^ 'VW.COVOl/V. X

7 — Escalas homônimas.

Chamam-se homônimas duas escalas que têm a mesma tônica e


pertencem a modos diferentes, como por exemplo, Dó maior e Dó
menor; Fá # maior e Fá jj menor; etc..
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜBICA 87

As armaduras das escalas homônimas diferem por três alterações.


Vejamos: a) nas escalas modêlo e naquelas em que as homônimas
têm, na armadura, alterações da mesma espécie, a diferença é de três
alterações a mais ou a menos.

Exemplo:

Dó maior (sem armadura) Dó menor (3 fc>)


Lá menor (sem armadura) Lá maior (3 #)
Si menor (2 J) Si maior (5 #) etc..
Fá maior (1 j;) Fá menor (4 b)

b) nas escalas em que as homônimas têm na armadura alteração


de espécie diferente, somam-se as alterações das duas armaduras e o
total será sempre 3.

Exemplo:

Re maior — (2 } ) — Ré menor — (1 fc>)


Sol maior — (1 #) — Sol menor — (2 b)

QUESTIONÁRIO X V III

1 — Quando é que duas escalas são relativas? 2 — Cite 3 exemplos de


escalas relativas. 3 — Nas relativas qual é a nota que não é igual em ambas
as escalas? 4 — Como se acha a relativa de uma escala maior? 5 — Quais
as relativas de: Sol maior, Fá maior, Lá maior, Si b maior; Fá $ maior, e
Ré b maior?6 — Como se acha a relativa de uma escala menor? 7 — Quais
as relativasde: Mi menor, Sol menor, Si menor, Dó menor, Dó $ menor e
Fá menor? 8 — Quando é que duas escalas são homônimas? 9 — Quais são
as homónimas de: Ré maior, Lá b maior, Sol menor, Fá j menor, Dó J maior
e Si b menor? 10 — Quando as escalas homônimas têm as armaduras for­
madas com alterações da mesma espécie, qual é a diferença no número de
alterações de ambas as armaduras? 11 — E nas homônimas das escalas
modelos, qual é a diferença? 12 — E nas homônimas das escalas de arma­
duras de alterações de espécies diferentes?

EXERCÍCIOS

1 — Determinar as relativas de tôdas as escalas maiores com $ na armadura.


Modêlo: Sol maior — Mi menor.
88 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

2 — Determinar as relativas de tôdas as escalas menores com na arma-


madura. Modêlo: Ré menor — Fá maior.
3 — Fazer as escalas pedidas e a sua relativas, assinalando nas maiores a
dominante e nas menores (forma harmônica), a sensível: Ré maior, Sol
menor, Mi maior, Lá maior, Si menor e Sol $ menor.
4 — Fazer as escalas pedidas e a sua homônimas, assinalando em ambas os
graus modais: Dó « maior, Sol maior, Fá menor, Ré menor, Mi <g maior
e Fá f menor.

7 — Intervalos nos graus das escalas maiores e menores —


intervalos diatónicos e cromáticos.

Os intervalos nas escalas maiores são encontrados nos seguin­


tes graus:
[ maiores — I, II, IV, V, V I graus
2 . as J
[ menores — I I I e V II graus
( maiores— I, IV e V graus
3. as |
[ menores — II, III, V I e V II graus
j justas — I, II, III, V, V I e V II graus
4 . as J
[ aumentada — IV grau
í justas — I, II, III, IV, V e V I graus
5. as \
í diminuta — V II grau
( maiores — I, II, IV e V graus
6. as |
[ menores — III, V I e V II graus
[ maiores — I e IV graus
7 as J
( menores — II, III, V, V I e V II graus

8.as | justas — em todos os graus.

Os intervalos nas escalas menores (harmônicas), sao encontrados


nos seguintes graus:

í maiores — I , I I I e IV graus
2.as j menores — II, V e V II graus
[ aumentada — V I grau
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 89

[ maiores — I I I , V e VI graus
3. a3 -j
1 menores — I, II, IV e V II graus
í justas — I, II, I I I e V graus
4. as j aumentadas — IV e V I graus
f diminuta — V II grau

í justas — I, IV, V e V I graus


5. as | aumentada — I I I grau
[ diminutas — I I e V II graus

í maiores — II, III, IV e VI graus


6 . as |
[ menores — I, V e V II graus

í maiores — I, I I I e V I graus
7. as | menores — II, IV e V graus
l diminuta — V II grau

8. as | justas — em todos os graus.

8 — Intervalos diatónicos e cromáticos

Os intervalos formados com as notas da escala diatónica são


classificados como intervalos diatónicos ou naturais.

Os intervalos que contêm uma ou ambas as notas alteradas,


isto é, os que contêm alterações que não fazem parte da armadura,
são classificados como intervalos cromáticos ou alterados.
90 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

QUESTIONÁRIO X IX

1 — Em que graus das escalas maiores são encontradas as 2 as maiores e


menores? 2 — E as 3.as maiores e menores? 3 — E as 4.as justas? E a 4.a
aumentada? 4 — E as 5.as justas? E a 5.a diminuta? 5 — E as 6,as maiores
e menores? 6 — E as 7.as maiores e menores? 7 — E as 8.as justas? 8 — Nas
escalas menores onde se encontram as 2.as maiores e menores? E o intervalo da
2 a aumentada? 9 — E as 3.as maiores e menores? 10 — E as 4.as justas?
E as 4.as aumentadas e diminutas? 11 — E as 5.as justas? E as 5.as alimentadas
e diminutas? 12 — E as 6.as maiores e menores? 13 — E as 7.as maiores e
menores? E a 7.a diminuta? 14 — E as 8.as justas? 15 — Quando é que os
intervalos são classificados como diatónicos? 16 — Que outro nome têm êsses
intervalos? 17 — Quando é que os intervalos se classificam como cromáticos?
38 — Que outro nome têm êsses intervalos?

EXERCÍCIOS

1 — Dê dois intervalos diatónicos e dois cromáticos em cada um dos seguintes


tons: Ré maior, Si !-, maior. Fã menor, Mi maior e Fá J menor.

R i'wv.CuLqa.
-wCfcW vf, CA.tywN.ev.t •

IO
ü
g-°
T 5-
O<wo-<Xt£ o

2 — Classificar os seguintes intervalos como diatónicos ou cromáticos:

-L b 'V v ^ .G .V .O A . . d >c£

T - T E ---------- - s - -------------------------------------------------/ c T T ^ 7— n — sT ■s;--------------- 4r'~f


-------- n ---------
IÍ ---------------------------- -------- n
/ _ Ur T T u O - Qi
Ul ~ a — ° j i — ' — s — d -------------------- -------- ^ V V vn -------- O E
______ l i

o c < v > > ^ ü ,O A . ^ X | 'V w í /V í.O A

r r — --------------------------------------------------------------------------------- [ r í -------------------------------------------- 1 -------------------- ---- ■ 1»


L . i. r n ------------------------------ : " S ----------------------------- H L ________' ~ . " " P O _____ Á J __________________ i
ll s~a \ a o t r 1
- ii. . i v
- f — õ -----------------------------y
n-f c 1 11
p - t o ^
X I V

M E IO S DE CONHECER O TOM DE UM TRECHO

Para reconhecermos o tom em que está escrito um trecho de


música devemos atentar no seguinte:

1. °) na armadura da clave.

2. °) na alteração acidental (do V II grau) que caracteriza o modo


m enor.

3. °) na última nota da melodia.


O l.° caso — a armadura da clave — focaliza imediatamente 2
tons (um, maior, e o outro, o seu relativo menor) dentre os 30 tons
que íorm am o nosso sistema tonal.
Por exemplo, se o trecho tiver para armadura de clave 2 #, per­
tencerá forçosamente, a um dêsses 2 tons: Ré maior ou, seu relativo,
Si menor, pois são êsses os tons cujas armaduras têm 2 g.

Ré maior
ou Si menor

No 2.° caso, depois de observada a armadura, procura-se verificar


se aparece, nos primeiros ou nos últimos compassos do trecho, a
alteração acidental que caracteriza o modo menor, e determina-se
assim, precisamente, o tom em que está escrita a composição.
Por exemplo, admitindo-se que o trecho esteja em Ré maior ou
Si menor (orientação dada pela armadura) procura-se observar se
a nota Lá aparece natural ou sustenizada, uma vez que no tom de
Si menor esta nota sofre alteração acidental (jf), pelo fato de ser a
sensível
92 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

Logo ,se o Lá fôr natural, o trecho estará escrito em Ré maior;


se acharmos Lá # o trecho estará, indubitàvelmente, em Si menor.

h \ fi p - # —e*£t-
ê
4 = = í -- j ----

/f,H 3 S = f F J\ 1 ^ f w W________
O - L - f - ----- -- —#----- -

O 3.° caso auxilia-nos da seguinte forma: nas melodias simples


escolares ,observa-se que a última nota é, geralmente, a tônica do
tom em que está escrito o trecho.
Êste caso, entretanto, não é absoluto, porquanto não é regra obri­
gatória terminar a melodia com a tônica.
Contudo, como dissemos, esta terminação é bastante freqüente
nas melodias escolares.

Exemplo:

/ U \l :~ — ( 4 = T ,n (\ : :=r = ¥ ~ * m * m\ : t
--------;

Observando as regras dadas, procuraremos da seguinte forma o


tom da melodia acima:

1. °) armadura da clave — 2 fc> — pertence a Si fr maior ou

Sol menor.

2. °) a alteração acidental que caracteriza o tom de Sol menos


(Fá f ) aparece no decorrer do trecho.

3. °) a última nota é Sol, tônica de Sol menor.

Logo, a melodia está em Sol menor.


p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 93

Frizamos, todavia, que o sentido musical das frases e a harmoni­


zação do trecho é que podem esclarecer com absoluta precisão, o tom
em que está escrita a composição musical, por mais transcendente
que seja ela. Mas, para isso, é preciso adquirir conhecimentos mais
aprofundados da matéria, os quais, oportunamente, o estudante al­
cançará .

QUESTIONÁRIO XX

1 — De que meios dispomos para reconhecer o tom de um trecho? 2 —


Explique de que forma utilizamo-nos dêsses meios. 3 — Tôdas as melodias
devem, obrigatoriamente, terminar com a tônica? 4 — Quais são os meios
usados para reconhecer, com precisão, o tom de um trecho?

EXERCÍCIOS

1 — Reconhecer o tom das seguintes melodias:


94

X V

COMPASSOS COMPOSTOS — COMPASSOS CORRESPONDENTES


ANALISE DE COMPASSO

1 — Compassos Compostos.
Chamam-se compassos compostos aqueles cujos tempos têm divisão
ternária, isto é, a unidade de tempo é preenchida por uma figura
pontuada.
u.T.

As frações que representam os compassos compostos têm como


numerador: 6, 9 e 12.
O numerador indica aí a quantidade de terços de tempo que
entram em cada compasso. Logo, para achar-se o número de seus
tempos divide-se o numerador por 3 (porque cada tempo se divide em
3 partes — nota p on tu ada).
Assim, o compasso binário composto é aquêle que tem para nu­
merador o n.° 6 (6 - f 3 = 2); o ternário composto, o n.° 9 (9 -f- 3 = 3);
e o quaternário composto o n.° 12 (12 -4- 3 = 4 ).
Os denominadores são os mesmos que servem para os compassos
simples, e indicam, nos compassos compostos, a figura que vale um
terço de tempo.
Vejamos por exemplo:
6/8 — o numerador indica que o compasso é binário (6 = 3 = 2)
o denominador indica que a J1 (oitava parte da o ) vale um terço de
tempo assim sendo, um tempo vale 3 } (ou seja, a J . ) .
Esses compassos têm para unidade de tempo e para unidade de com­
passo uma figura pontuada.
Exemplo:
unidade de tempo — j .
6/8
unidade de compasso — 3) .
p r in c íp io s b á s ic o s da m ü s ic a 95

Uma particularidade se nota nos compassos ternários compostos:


êsses compassos têm apenas unidade de tempo, isto é, não têm unidade
de compasso.

Examinemos por exemplo, o compasso 9/8:


Entram na sua formação, 9 J, sendo 3 para cada tem po.
Sendo a unidade de compasso a figura única que preenche todo o
compasso, verifica-se que não há figura única que reúna as 9 J que
preenchem todo o compasso 9/8. Uma determinada nota só poderá
ter tal duração se lhe dermos a forma de 2 figuras diferentes, cujo som
seja prolongado por meio da ligadura. Teremos nesse caso, um som com
a duração de 9 J (unidade de som) mas não uma unidade de compasso,
pois a unidade só poderá ser representada por uma figura única.

-------------------------------------------------------a
i ------r - T ------m —w ~ b
[7 -S-/7 — r r t

— r— —
r —K i —[ m .z _______


F = = —
I u/vu.ola.cU. t •t -Vovtví
QUADRO DE TODOS OS COMPASSOS COMPOSTOS
COM SUAS UN ID AD E S DE TEMPO E COMPASSO
Compassos binários

1 - U.C.
1 H/ \dí- -ptn J=p - -----------------
€ 1 1m

^ --------------- _____ — i— r
- • r*------
--1----- £ K^-9—[------1---- i_j
- f .—
. .1.u

1 1
j tV —- f r ------ — jr — — :
V- 1 : E p ü

*■ ■
Lí 1 // i i lí t,
xtJLZfcü—
! M
S6 M ARIA LUISA DE MATTOS PR IO LLI

Compassos ternários

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PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 97

Compassos quaternários

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Outra forma de representar os compassos compostos:

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.— é.
8
Os compassos compostos mais
9 3
- J. usados são os que têm para deno­
4
minador os números 8 e 16.
12 4
- = /•
16
etc.

Nos compassos compostos o acento métrico dos tempos é idêntico


ao dos compassos simples.
98 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

As acentuações das partes dos tempos são:


l.a parte — Forte, 2.a parte — Fraca, 3.a parte — Fraca.

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" "* ir~ 9 ------ •■
í — ------------
f t f F f f F {■ f
A marcação dos tempos dos compassos compostos é idêntica à
dos compassos simples, entretanto, em andamentos lentos, pode ser
facilitada marcando-se também os terços de tempo.

•*

2 — Compassos Correspondentes.

Comparando os tempos dos compassos simples com os dos com­


passos compostos observa-se que diferem unicamente, no fato de
serem as unidades de tempo, respectivamente, representadas por fi­
guras simples e figuras pontuadas.

Exemplo:

Compasso simples — unidade tempo — j


Compasso composto — unidade tempo — j.

Se temos, por exemplo, um compasso binário simples cuja unidade


de tempo é a J, isto é, o compasso 2/4, temos também um compasso
binário composto cuja unidade de tempo é a J., ou seja, o compasso 6/8.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 99

Vemos assim, que os compasso simples e os compassos compostos


se correspondem entre si.

São, por conseguinte, correspondentes, 2 compassos (um simples


e outro composto), quando têm o mesmo número de tempos e para
unidade de tempo a mesma figura, sendo esta, figura simples nos
compassos simples e figura pontuada nos compassos compostos.

f 3/4 unidade de tempo — J


Correspondentes -
( 9/8 unidade de tempo — J .

f 2 /8 unidade de tempo — /
Correspondentes -j
[ 6/16 unidade de tempo — /.

í 4/2 unidade de tempo — j


Correspondentes
l 12/4 unidade de tempo — J.

Para se achar o correspondente composto de um compasso simples,


multiplica-se o numerador por 3 e o denominador por 2.

Exemplo: 3 X 3 9

8 X 2 16

s i m p i .e s COMPOSTO
unidade de tempo j unidade de tempo j\

Para se achar c correspondente simples de um compasso com­


posto faz-se a operação inversa, divide-se o numerador por 3 e o de­
nominador por 2 .

Exemplo: 9 H- 3 3

8 -T- 2 4

COMPOSTO SIMPLES

unidade de tempo J . unidade de tempo J


100 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

3 — Análise de Compassos.

1 2 /8 — Compasso quaternário composto; unidade de tempo J. ;


unidade de compasso — q .; correspondente simples — 4 /4 (unidade de
tempo J ) ; muito usado; acento métrico dos tempos: l.° tempo-forte,
2.°, 3.° e 4.° tempos-fracos; acento métrico das partes dos tempos —
l . a parte-forte, 2.a e 3.a partes-fracas; outra forma de representá-lo 4
J.

QUESTIONÁRIO XXI

1 — Quando é que um compasso é composto? 2 — Quais os numera­


dores dos compassos compostos? 3 — Que indica o numerador dos compassos
compostos? 4 — Conhecendo-se o numerador, como se faz para saber o número
de tempos do compasso? 5 — Qual o numerador correspondente aos compassos:
binário, ternário e quaternário composto? 6 — Quais são os números que servem
como denominador desses compassos? 7 — No compasso 6/8, o que indicam o
numerador e o denominado da fração? 8 — Como são representadas as unidades
de tempo e compassos dos compassos compostos? 9 — Quais são os compassos
compostos que não têm unidade de compasso? 10 — Porque? 11 __ Que é
unidade de som? 12 — Quais são os compassos compostos que têm para deno­
minador os números 8 e 16? 13 — Represente os compassos 9/16, 6/4 e 12/8
de outra forma. 14 — Quais são os compassos compostos mais usados? 15 __
Como se faz o acento métrico? 16 — E as acentuações das partes dos tempos?
^ Qual a diferença entre as unidades de tempo dos compassos simples e
dos compostos? 18 — Que são compassos correspondentes? 19 — Como se faz
para achar o correspondente de um compasso simples? 20 — E para achar o
correspondente de um compasso composto? 21 — Quais os correspondentes dos
compassos: 9/8, 3/2, 4/16, 6/16, 4/4, 2/2, 12/8, 9/16; 6/32 e 3/8?

EXERCÍCIOS

1 — Completar os compassos com figuras positivas e negativas:

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K./L.Lf-----J__ '■■4* p 7------------
-------------------
PRINCÍPIOS b á s ic o s d a m ü s ic a 101

2 — Separar os compassos:

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3 — Analisar os compassos: 6/8, 9/16, 12/16, 9/8 e 6/16.

4• — Determinar as seguintes figuras:

a) unidade de compasso do compasso 6/2;

b) o valor de 2 tempos no compasso 9/8;

c) o valor de 1/3 de tempo no compasso 6/16;

d) o valor 2/3 de tempo no compasso 12/8;

e) o valor de 2 tempos no compasso 12/4;

f) o valor de 2/3 de tempo no compasso 9/16.

5 — Analisar os compassos: 12/4, 6/32, 9/4, 12/32, 9/2 e 6/4.


102

X V I

SINAIS DE REPETIÇÃO — SINAIS DE ABREVIATURA

1 — Sinais de repetição.

Os principais sinais para determinar a repetição de um trecho de


música são: o “ Da capo” , o “ ritornello” e as expressões “ l. a e 2,a vez” .
Da capo — É uma expressão italiana cuja significação é — do
princípio. Indica que se deve voltar ao início do trecho ou ao lugar
em que se inicia, D.C.
O Da capo só é usado para repetir um trecho mais ou menos longo.
Também se usa o Da capo com as seguintes variantes:
“ Da capo al (da capo al segno) — indicando que se deve
voltar ao lugar onde se encontra o sinal e terminando onde estiver
a palavra “Fim” .

Temos ainda o s i n a l c h a m a d o “ sinal de salto” , quase sempre


usado em combinação com o “ Da capo” .

Ritornello — Quando um trecho musical deve ser executado duas


vêzes usa-se o sinal chamado ritornello (palavra ita lia n a ).

O ritornello pode ser duplo, determinando repetição parcelada


do trecho.

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p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 103

Expressões: l . a e 2.a vez — Quando o trecho a repetir não deve


terminar perfeitamente igual na 2 .a vez, usa-se colocar sôbre os
compassos que deverão ser modificadas as expressões l. a e 2 .a vez.

2 — Sinais de abreviatura.

Há vários sinais usados para representar a repetição de notas ou


de desenhos melódicos. Esses sinais são chamados abreviaturas. As
principais abreviaturas usadas são:
104 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PR IO LLI

QUESTIONÁRIO X X II

1 — Quais são os principais sinais usados para determinar a repetição de


um trecho de música? 2 — Que quer dizer “ Da capo” e quando se usa esta
expressão? 3 — Que quer dizer D. C.? 4 — Quais são as variantes da indicação
do “ Da capo” ? 5 —- Quando deve ser usado o “ ritornello” ? 6 — Quando deve
ser usado o “ ritornello duplo” ? 7 — Que indicam as expressões “ l.a e 2.a vez” ?
8 — Para que servem as abreviaturas?

EXERCÍCIOS

1 — Indicar a execução das abreviaturas:

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105

X V I I

Q U I Á L T E R A S

(GENERALIDADES — QUIÁLTERAS AUM ENTATIVAS

E D IM IN U TIV AS )

1 — Generalidades

Quando as unidades de tempo e de compasso são subdivididas em


grupos de notas, e êsses grupos são alterados na quantidade de notas
que os compõem, tomam, o nome de: quiálteras.

Exemplo:

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k £ to .o u s

Usa-se colocar sôbre o grupo de quiálteras o número de quantidade


de figuras que compõem a divisão alterada. Sôbre êsse número é
comum colocar-se uma chave abrangendo todo o grupo de notas ou uma
pequena ligadura, não sendo, entretanto, imprescindível êsse pormenor.
106 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIOLL1

As quiálteras podem ser também constituídas por figuras de dife­


rentes valores, ou ainda por valores de som e pausas entremeadas.

Exemplo:

Há duas espécies de quiálteras: aumentativas e diminutivas.

2 — Quiálteras aumentativas

São aquelas que alteram para mais a quantidade estabelecida pelo


signo do compasso. E x . : J] — (quiálteras) .
As quiálteras aumentativas se’ subdividem em 2 grupos: quiálteras
regulares e quiálteras irregulares.
São regulares as que contêm no grupo o número normal de figuras
mais a metade. Será sempre um grupo de número par, com exceção
do grupo de 3 quiálteras, que é ímpar e regular.

Exemplo:

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PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÚSICA 107

São irregulares os grupos de número ímpar e os de número par


que não preencham a divisão estabelecida no exemplo anterior.

Usam-se quiálteras aumentativas quando a figura que serve de


unidade para preencher o número de quiálteras é uma figura simples
(não pontuada).

3 — Quiálteras diminutivas

São aquelas que alteram para menos a divisão normal.

Exemplo:

As quiálteras diminutivas são usadas nas unidades ternárias (fi­


guras pontuadas).

São unidades ternárias: a) unidades de compasso dos compassos


ternários simples; b) unidades de tempo dos compassos compostos;
c) unidades de compasso dos compassos compostos.

Exemplo:
108 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PR IO LLI

Exemplos de quiálteras diminutivas:

QUESTIONÁRIO X X III

„ * — sao quiálteras? 2 — Que representa o número colocado sôbre as


quialteras. 3 — Que é que se usa colocar sôbre esse número? 4 — Os grupos
de quiálteras são sempre constituídos por figuras iguais? 5 — Quantas são as
especies que quiálteras? 6 — Quando é que as quiálteras são aumentativas?
1 Em quantos grupos se subdividem as quiálteras aumentativas? 8 •__Quando
é que as quiálteras são regulares? 9 — E irregulares? 10 — Quando é que as
quiálteras são diminutivas? l l — Onde podem ser usadas as quiálteras diminu­
tivas? 12 — Quais são as unidades ternárias? 13 — Onde podem ser empre­
gadas as quiálteras aumentativas?

EXERCÍCIOS
Escreva os seguintes grupos de quiálteras:
1— 3 notas em um tempo de 4/4 7 — 4 notas em um tempo de 6/8
2 — 5 notas em um tempo de 2/8 8 — 2 notas em um tempo de 9/8
3— 9 notas em um tempo de 3/4 9 — 5 notas em um tempo de 6/16
4— 6 notas em um tempo de 2/2 10 — 4 notas em um compasso 3/4
5— 7 notas emum tempo de 3/8 1 1 — 3 notas em 1/2 tempo de 2/4
6— 3 notas em um tempo de 3/16 12 — 3 notas em 1/3 de tempo de 6/8
109

X V I I I

ANDAMENTOS — METRÔNOMO — SINAIS DE INTENSIDADE

1 — Andamentos

Andamento é o movimento rápido ou lento dos sons, guardando


sempre a precisão dos tempos do compasso.
Conforme a movimentação, mais ou menos rápida, consideram-se
três tipos de andamento: lentos, moderados e rápidos.
Os andamentos são indicados por meio de palavras (geralmente
ita lia n a s ).

As palavras mais usadas são:

Largo — o mais lento


Larghetto — um pouco menos lento que
o anterior
Andamentos lentos . . . . <
Lento — lento
Adágio — um pouco mais movido que
o precedente

Andante — mais movido que o adágio


Andantino — pouco mais rápido que o
Andamentos moderados < anterior
Moderato — moderado
Allegretto — mais rápido que o moderato

Allegro — rápido
Vivace — ainda mais rápido
Andamentos rápidos .. < Vivo — bastante movido
Presto — muito rápido
Prestissimo — o mais rápido de todos
no M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

Essas palavras aparecem, às vêzes, modificadas por meio de outros


vocábulos (também italianos), tais como: assai (bastante), molto
(m uito), piu (m ais), meno (menos) animato (animado), etc..

2 — Metrônomo

Tais palavras, porém, têm sentido vago, impreciso, e não deter­


minam, em absoluto, o andamento exato do trecho.
Para determinar com absoluta certeza a duração exata do tempo,
os compositores e executantes usam um aparelho denominado —
m etrônom o.
O primeiro metrônomo foi imaginado por Loulié, em 1710, e
aprovado pela “ Academia de Ciências de Paris” .
Depois dêsse foram surgindo outros, cada vez mais aperfeiçoados
até aparecer aquele que ainda hoje se usa — o metrônomo de Maelzel.
Êste metrônomo que fixa matematicamente o andamento, é uma
caixa em forma de pirâmide. Dentro dela funciona um mecanismo de
relojoaria que põe em oscilação um pêndulo fixo na parte de baixo.
No pêndulo encontra-se um pêso móvel que, sendo abaixado ou levan­
tado, acelera ou retarda, o seu movimento. Logo à frente, no interior
da caixa, há uma escala graduada indicando onde se deve colocar o
pêso para que o andamento corresponda ao grau de velocidade desejada.
As oscilações do pêndulo devem ser contadas por minuto e são
isócronas.
As indicações metronòmicas são indicadas no início da compo­
sição, podendo sofrer modificações no decorrer do trecho, se assim o
determinar o autor.
O caráter e a expressão do trecho também são indicados muitas
vêzes por palavras italianas. Dizemos — muitas vêzes porquanto já
está em franco uso para êsse fim, o emprêgo de palavras no próprio
idioma do compositor.

Dessas palavras as mais usadas são:

ritardando
ritenuto
para retardar o andamento
allargando
rallentando
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 111

rubato — para indicar certa liberdade no valor das figuras sem,


contudo, alterar a divisão do compasso.

3 — Sinais de intensidade

A intensidade dos sons, isto é, a variação dos sons fortes e fracos,


constitui o colorido da música.

Indica-se a intensidade dos sons, quase sempre, por palavras


italianas (muitas vêzes abreviadas) e também por sinais gráficos
convencionados

Eis as palavras mais usadas (com as respectivas abreviaturas):

piano (p ) — suave
pianíssimo (pp) — fraquíssimo
forte (f)
mezzo-forte (m f) — meio forte
mezzo-piano (m p) — meio suave
morendo — desaparecendo o som
diminuindo (dim.)
smorzando (smorz.) — extinguindo o som
rinforzando (rinf.) — reforçando o som
crescendo (cresc.) etc..

0 crescendo também é indicado e o dimi-


nuindo pelo sinal ~— ■—
Para acentuar o som de uma determinada nota coloca-se sôbre a
mesma o sinal a , > ou — .
Para sustentar o som de uma nota coloca-se sôbre ela a abreviatura
ten. (d eten u ta ).

QUESTIONÃRIO X X IV

1 — Que é anãaviento? 2 — Quais são os tipos de andamento? 3 — Como


são indicados os andamentos? 4 — Quais são as palavras mais usadas para
indicar os andamentos lentos? 5 — E para os andamentos rápidos? 6 — E para
os moderados? 7 — Cite alguns vocábulos usados para modificar o sentido dessas
palavras. 8 — Para que serve o metrônomo? 9 — Quem inventou o metrônomo?
10 — Onde aparecem as indicações metronômicas? 11 — Os andamentos indi­
112 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

cados pelo metrônomo podem ser modificados? 12 — Como são indicados o


caráter e a expressão do trecho? 13 — Cite algumas palavras usadas para ace­
lerar o andamento. 14 — Cite algumas palavras para retardar o andamento.
15 — Que quer dizer rubato? 16 — Em que consiste o colorido da música?
17 — Como é indicado o colorido? 18 — Quais são as palavras mais usadas
para determinar o colorido? 19 — Quais são os sinais que indicam o crescendo
e o diminuindo? 20 — Quais são os sinais usados para indicar a acentuação
de determinada nota? 21 — Que significa a palavra Tenuta?
113

A P R E C I A Ç Ã O M U S I C A L

O CANTO ORFEÔNICO E O CANTO CORAL:


SUA ORIGEM E FINALID AD E

Dá-se o nome de orfeão ao canto coletivo, isto é, entoado por


muitas vozes, simultaneamente.
Orfeão é, pois, o mesmo que côro.
A palavra côro (do grego — Khoros) significava na antigüidade,
reunião de pessoas que entoavam cantos em conjunto e, ao mesmo
tempo, dançavam. Mais tarde, a palavra côro generalizou-se, e passou
a designar unicamente o canto coletivo.
A prática'do canto em conjunto vem de eras remotas.
Entre os antigos Egípcios, Assírios, Caldeus e Hebreus o canto
desempenhava função importante não somente nas cerimônias re­
ligiosas, mas também para animar as tropas nas batalhas.
O rei David, de Israel, notabilizou-se como compositor de salmos,
cantos sacros. Reunindo o povo em praça pública, David formava
coros de mais de mil pessoas, sendo esta, talvez, a origem das grandes
concentrações orfeônicas, tão em moda nos tempos de hoje.
Segundo alguns autores a palavra orfeão designava, antigamente,
as sociedades corais masculinas.
Êste vocábulo — orfeão — é derivado de Orfeu, o deus da música,
na mitologia grega. Reza a lenda que Orfeu manejava com tal
sublimidade a lira que, sob a influência dos maravilhosos sons tirados
do instrumento, tinha poder irresistível, encantando a todos, até mes­
mo os sêres inanimados.
O canto coral é também modalidade do canto em conjunto.
Surgiu no século X V I com Martinho Lutero, reformador religioso que,
percebendo a importância da música no culto divino, restabeleceu a
prática do canto coletivo nas cerimônias da igreja.
O canto coral difere bastante do canto orfeônico, porquanto exige
certo aprimoramento da técnica vocal e maior soma de conhecimentos
dos músicos cantores, uma vez que o repertório é, pelo seu estilo, bem
mais difícil.
114 M ARIA LU1SA DE MATTOS PRIOLLI

O canto coletivo nas escolas também não é novidade. As primeiras


universidades já incluíam a música, e muito especialmente o canto,
entre as matérias obrigatórias do seu currículo.
Foi Bocquillon Wilhem, diretor geral do canto nas escolas em
Paris (1835), quem empregou pela primeira vez a palavra Orfeão, para
designar o côro formado pelas crianças das escolas primárias.
Dessa data em diante tornou-se obrigatório o canto coletivo nas
escolas da França, tomando o nome de canto orfeônieo. E desde então
generalizou-se o têrmo orfeão para todos os conjuntos vocais dessa
espécie, em todos os países.
Nos Estados Unidos da América do Norte há cêrca de 100.000
conjunto vocais orfeônicos, e sua prática é primorosamente cuidada
em razão das vantagens a êle atribuídas no desenvolvimento da educa­
ção do caráter, da disciplina e do sentimento moral e cívico da criança.
Todos os povos civilizados cultivam, hoje em dia, o canto orfeônieo
como um dos principais fatores educativos.

O CANTO ORFEÔNICO NO BRASIL

Graças ao seu grande valor educativo o canto orfeônieo é hoje dis­


ciplina obrigatória em tôdas as escolas brasileiras do l.° e do 2 .° grau.
O canto coletivo foi introduzido nas escolas de São Paulo por João
Gomes Júnior, em 1912. Colaboraram mais tarde com João Gomes
Júnior, Fabiano Lozano e João Batista Julião, concorrendo para o pro­
gresso do ensino da música nas escolas primárias do Estado de S. Paulo.
Imediatamente se fizeram sentir, nas escolas os resultados obtidos
com a prática do canto em conjunto e em todos os Estados do Brasil
passou êle a ser cultivado, antes mesmo da sua oficialização, desta­
cando-se os Estados de Pernambuco, Ceará, Bahia, Estado do Rio de
Janeiro e Distrito Federal.
Devem-se, em grande parte, os excelentes resultados do ensino
do canto orfeônieo ao entusiasmo, dedicação e competência de seu
principal orientador, o ilustre maestro Villa-Lobos.
Além de Villa-Lobos, citaremos também os nomes de Ceição de
Barros Barreto, Albuquerque da Costa, Barroso Netto, Euclides Novo,
Gomes Cardim, Ernani Braga, e muitos outros que têm prestado sua
valiosa contribuição ao progresso do ensino da música nas escolas
do Brasil.
115

M A N O S S O L F A

Além da representação gráfica da música (notação musical), têm


sido usados e experimentados vários outros sistemas com a finalidade
de indicar a altura exata dos sons.

Já na Idade Média, o monge Guido D ’Arezzo (um dos que mais


contribuíram para o progresso da escrita musical) se utilizava de um
sistema de solfejo, exprimindo os sons por meio de gestos. Êsse sistema
chamou-se “ mão guidoneana” ou “ mão musical” . Segundo alguns
autores, até o século X V III, os portugueses chamavam “ Mão de solfa” ,
êsse processo para solfejo.

Manossolfa é, pois, o solfejo realizado por meio de gestos pratica­


dos com as mãos.

Êsse processo foi largamente empregado na Europa, tendo sido


introduzido entre nós por João Gomes Júnior, em 1912, nas escolas
do Estado de São Paulo.

No Distrito Federal, passou a ser adotado em 1932, nas escolas


municipais, por iniciativa do Maestro Heitor Villa-Lobos, que lhe deu
amplo desenvolvimento, dadas as vantagens que oferece para a prática
do canto orfeônico.

O emprgêgo do manossolfa facilita e auxilia o solfejo, principal­


mente em realizações coletivas, entretanto, o conhecimento da nota­
ção escrita é indispensável à perfeita educação musical.

Manossolfa e seus sons correspondentes:


116
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ú s ic a 117

A MÜSICA E OS INSTRUMENTOS DOS INDÍGENAS DO BRASIL

Os indígenas do Brasil tinham disposição bastante acentuada


para a música, e, especialmente, para o canto.

A música instrumental era também largamente praticada e quase


sempre associada à dança.

Tôdas as solenidades religiosas ou festivas eram acompanhadas


de música. E os ferozes Tupinambás, que ocupavam grande parte do
nosso litoral, dançavam num ritmo monótono e atordoante durante
vinte e quatro horas consecutivas, nas cerimônias em que se sacri­
ficavam os prisioneiros de guerra .Entretanto, se o prisioneiro sabia
entoar “ belos cantos” , poupavam-lhe a vida.

As melodias indígenas não possuíam grande variedade de sons,


o que as tornava excessivamente enfadonhas.

Os instrumentos dos nossos índios eram bem variados. Entre êles


encontram-se: a cangüera, flauta fabricada com ossos de valentes
guerreiros; o uatapu (ou atapu ou guatapi), usado na pesca, cujo som
pensavam os índios, tinha o poder de atrair os peixes; a inúbia e o
membitarará, buzinas de guerra; o mimê, usado pelos índios Guaja-
jarás (no Maranhão), era uma buzina fabricada com duas lascas de
madeira da maçaranduba, ajustadas com a resina da própria árvore;
e muitos outros.

Possuíam também grande variedade de instrumentos de per­


cussão, tais como: o naruai e mbapi, tambores feitos de troncos leves
e ocos; o maracá (espécie de chocalho feito de cabaça e cheio de pe-
drinhas, cuja ruído imitava o chocalho da cascavel), era usado para
evocar os bons espíritos; o curugu ou curuju, grande instrumentos de
som fúnebre; e outros mais.

Na música dos índios do Brasil predominava o ritmo, caracteristi-


camente bárbaro. Imitavam o canto dos pássaros, o murmúrio das águas
e o sussurro das fôlhas, dando à sua música um sabor agreste e rude.

Encontram-se no Museu Nacional vários cantos dos Parecis, coli­


gidos pelo erudito Roquette Pinto e por êle recolhidos.

Segundo a opinião de estudiosos do assunto, atestada por obser­


vação visual, as tribos existentes nas selvas do Brasil conservam ainda
intactos os costumes musicais dos seus antepessados.
318 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

INFLUÊNCIA DAS MÚSICAS:. AM ERÍNDIA, AFRICANA, POR­


TUGUESA, ESPANHOLA E OUTRAS, N A MÚSICA BRASILEIRA

A música brasileira recebeu a influência dos vários povos que


concorreram para a sua formação e desenvolvimento.
Com a chegada dos jesuítas, a música tornou-se um dos elementos
de ligação entre os colonizadores e os selvagens.
O canto estridente e monótono, próprio da música ameríndia,
acompanhado quase sempre de instrumentos ruidosos, foi recebendo
o influxo direto dos cânticos serenos, melodiosos e tão cheios de senti­
mento religioso, dos missionários jesuítas.
Entre os primeiros missionários destaca-se o padre Navarro, que
traduzia para o tupi os cânticos e hinos religiosos, conseguindo seduzir
e catequizar grande número de selvagens.
Os missionários atraiam primeiramente as crianças, ensinando-as
a cantar e a orar. À medida que os pequenos índios iam tomando
conhecimento dos cantos e dos ensinamentos da nova religião, reali­
zavam os jesuítas, pequenas representações sacras (autos e mistérios),
nas quais tomavam parte os selvagens catequizados.
Por êste meio conseguiram também os padres jesuítas chamar a
si os índios adultos, que, encantados com o papel saliente dos filhos
nas representações se convertiam ao catolicismo.
Prestaram também sua valiosa colaboração neste sentido os Padres
Anchieta e Nóbrega.
O Padre Fernão Cardim que, de 1583 a 1590, aqui permaneceu
entre os índios, assim descreve as aldeias de índios catequizados: “ Em
tôdas estas aldeias há escolas de contar, cantar e tanger; tudo tomam
bem e há já muitos que tangem flautas, violas, cravo, e oficiam missas
em canto de órgão” .
Ao mesmo tempo que a música religiosa, espalhava-se entre os
indígenas e os colonizadores a música popular portuguêsa. Esta, porém,
tomou feição nova no Brasil. As saudades da pátria distante, uma
série de obstáculos na tarefa de colonizar, e mais, a tristeza da solidão
deram ao canto do português no Brasil um tom dolente e melan­
cólico, cujas melodias comoviam e abalavam os indigíneas produzindo-
lhes emoções e sentimentos novos.
A vinda do negro africano para o Brasil, deu à nossa música
outro caráter bem diferente. Os negros escravos misturavam a sua
música com a nossa, que já tinha assimilado grande parte da mú­
sica portuguêsa.
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ú s ic a 119

Pelo trabalho rude e exaustivo, às torturas do cativeiro, à lem­


brança dolorosa da terra natal ou do lar distante, é claro que o canto
do pobre negro não podia deixar de traduzir a angústia, a revolta,
o desalento, a saudade.
Na sua música predominava o ritmo, e só usavam instrumentos de
percussão. As melodias, embora uniformes, eram bastante expressivas.
Os negros reuniam-se nas senzalas cantando e dançando, pro­
curando afogar nos seus cantos e danças, as suas mágoas e temores.
Davam a essas reuniões o nome de batuques.
Era grande o número de danças dos negros africanos. Citaremos
entre elas o lundu, de ritmo bastante cadenciado; o côco; maracutu;
o samba, que no Estado do Rio de Janeiro era denominado chiba, em
Minas Gerais chamava-se cateretê e nos Estados do sul era conhecido
como fandango; o candomblé, dança fetichista, cujo ritmo tinha o
poder de evocar os bons e maus espíritos.
E da reunião dessas três raças distintas — ameríndia, portu-
guêsa e africana — moldou-se a música brasileira com características
rítmicas melódicas e harmônicas inteiramente inéditas.
Convém salientar ainda a influência de outros povos, embora em
muito menor proporção.
Os espanhóis deixaram-nos um pouco da sua música sugestiva,
enquanto cantavam e dançavam seus boleros, fandangos, tiranas e
habaneras, ao som das guitarras, que se transformaram ao nosso violão.
Os holandeses, durante a invasão de Pernambuco, segundo a
opinião de vários autores, deixaram conosco, vestígios da sua música,
especialmente no Nordeste.
Também os italianos e franceses exerceram certa influência na
música brasileira durante o seu período de formação.
Vimos, portanto, que vários foram os povos, de origens, raças
e sentimentos diversos, que concorreram para a formação da música
brasileira.
120 INSTRUMENTOS MUSICAIS

O s instrumentos musicais se classificam em quatro categorias:

1. a) instrumentos de cordas.
2 . a) instrumentos de sôpro.
3. a) instrumentos de percussão.
4. a) instrumentos eíéíricos (ou eíefrônicos)

1 — O s instrumentos de corda subdividem-se em quatro grupos:


a) instrumentos de c o r d a s friccionadas — violino, viola,
violoncelo e contrabaixo.
b) instrumentos de cordas dedilhadas — harpa e violão.
c) instrumentos tangidos com o plectro (palheta com a qual
são tangidas as cordas) — cavaquinho, guitarra, bandolim, banjo e
outros menos usados.
d) instrumentos de cordas percutidas — piano.

2 — O s instrumentos de sôpro compreendem dois grupos — as


madeiras e os metais — subdivididos em quatro grupos.
a) instrumentos de embocadura íivre — flauta e flautim (madeira).
b) instrumentos de palheta dupla — oboé, corne-inglês, fagote
e contrafagote (madeira).
c) instrumentos de palheta simples — clarinetes (madeira ou
m etal) e saxofones (metal).
d) instrumentos de bocaí — trompa, “trompette", trombone^ tuba
e saxhornes (metal).

3 — O s instrumentos de percu ssão dividem-se em dois grupos:


a) instrumentos de som determinado — carrilhão, xilofone,
tímpano e outros.
b) instrumentos de som indeterminado — bombo, caixas (clara
e surda) pratos, tantã, triângulo, pandeiro e castanholas.

4 — instrumentos elétricos tou eíefrônicos) são instrumentos musicais


cujos princípios de formação do som se caracterizam pela ampliação
elétrica de um som de débil intensidade, ou pela produção de uma
corrente elétrica alternada que se converte em som.
Eis alguns instrumentos elétricos: o orgão Hammond, o solovox
(de teclado); violoncelo elétrico, contrabaixo elétrico (de arco); carrilhão
elétrico (de percussão); o Theremín (que capta as ondas sonoras com
as mãos); e outros mais.
Esses instrumentos elétricos começaram a surgir em 1920.
121

B A N D A DE M Ú S I C A

A palavra banda significa reunião, grupo. Banda de música (ou


banda de músicos) era o nome dado, antigamente, aos grupos de
músicos soldados que tocavam os seus instrumentos durante as ce­
rimônias militares.

Há dois tipos de bandas de música:

a) banda marcial, também chamada banda de corneteiros, na


qual entram as cornetas e as caixas (surda e clara);

b) fanfarra, compreendendo exclusivamente instrumentos de


metal (trompas, trombetas, clarins, trombones, e tc .). São as bandas
que acompanham os cortejos religiosos ou festivos.

Há ainda um tipo moderno denominado banda sinfônica, onde


figuram, além dos instrumentos próprios das bandas, os instrumentos
de arco. Êste tipo de banda é também chamado banda de concerto.
122 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

ORQUESTRA (A N T IG A — CLÁSSICA — MODERNA)

A orquestra surgiu com o teatro dramático.

A palavra orquestra designava, antigamente, a parte do teatro


ocupada pelos músicos; mais tarde passou a designar o conjunto de
músicos quando se reuniam para executar obras de grande enverga­
dura, tais como óperas ou peças sinfônicas.
Tem a orquestra sofrido profundas transformações, dado o desejo
dos compositores de aumentar-lhe o poder sonoro, enriquecendo-a
com grande número de instrumentos de timbres bem diversos.
Vejamos como era constituída a orquestra empregada por Cláudio
Monteverdi, em 1607, para acompanhar a sua peça “ Orfeu” , conside­
rada a primeira grande obra dramática:

2 cravos 1 flauta
2 órgãos de madeira 2 cornetas
2 violinos 1 clarino (trombeta da qual se
10 violas originou o “ trompette” )
2 contrabaixos 3 trombetas
2 guitarras 4 trombones
1 harpa 1 regale (espécie de realejo)

Observa-se nesta orquestra antiga a presença da guitarra. Outros


instrumentos dêsse tipo eram também usados como, por exemplo,
alaúdes e liras; tais instrumentos, de sonoridade muito sêca e fraca,
foram desaparecendo dos conjuntos orquestrais, reforçando-se no seu
lugar o número de instrumentos de arco (violinos, violas, violoncelos,
contrabaixos).

Para isso concorreram em grande parte Carissimi, na Itália, e


Lully, na França.

Em meados do século X V III, muito mais desenvolvida, atingiu


a orquestra o período chamado da orquestra clássica, que ficou assim
constituída: '

10 violinos (l. os) 2 oboés


8 violinos ( 2 .0S) 2 fagotes
6 violas 2 clarinetes
6 violoncelos 2 “ trompettes”
4 contrabaixos 2 trompas
2 flautas 1 par de tímpanos
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 123

Nesse período destacam-se Emanuel Bach (filho de João Sebastião


B ach ), Glüek (o criador da tragédia líric a ), Haydn, Mozart e Beethoven.

Com o advento do Romantismo, no século X IX , foi-se a orquestra


aperfeiçoando, crescendo o número dos instrumentos que a compu­
nham, até alcançar o período denominado da orquestra moderna, com
Berlioz, Wagner, Strauss e os contemporâneos Schõnberg, Strawinski,
Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone, Camargo Guar-
nieri e muitos outros.

Os instrumentos que compõem a grande orquestra moderna per­


tencem às três categorias: cordas, sôpro (madeiras e metais) e de
percussão (ou b a te ria ).

violoncelo
viola
violino ■friccionados
cordas < contrabaixo
4
harpa — dedilhado
piano — percutido

flauta11 } embocadura Hvre


A
oboé
fagote
madeiras < contrafagote ■palheta dupla

clarinete )
sôpro clarinete baixo V Pa]heta
orquestra (ou clarone) í simples
1
moderna
trompa .
“ trompette” V bocal
metais trombone )
saxofones — palheta simples
saxhornes — bocal

celeste \
tímpano I
carrilhão r som determinado
xilofone J

percussão < caixas (clara e surda)


pratos
bombo som in­
pandeiros determi­
triângulo nado
tantã
castanholas
124 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

À grandiosa e imponente massa orquestral assim constituída


dá-se modernamente o nome de orquestra sinfônica.

Chama-se regente ou chefe-de-orquestra o músico que dirige a


orquestra, levando-a com habilidade e inteligência a interpretar com
absoluta fidelidade o pensamento expresso na partitura do autor da
obra executada.

Entre os mais notáveis regentes contemporâneos encontram-se


os nomes de Serge K oussewitzsky (russo), A rfu ro Toscanini (italiano),
Leopoíd Sfokow ski (inglês), os brasileiros Francisco M ignone,
E íeazar de Carvalho, José Siqueira, Ênio de Freitas e Castro,
Henrique iYloreíenbaum, A lceu Bocchino, Isaac Karabíchewski,
Roberto Ricardo Duarte e outros.

Entre os regentes brasileiros já desaparecidos destacam-se os


nomes de Francisco B ra g a , Heitor V iíía-Lo bo s, O scar Lorenzo
Fernandez e A s s is Republicano.

Orquestração é a arte de reunir os vários instrumentos, combi­


nando timbres e sonoridades diferentes, produzindo uma composição
onde se encontram os mais variados matizes da expressão musical.
125

PR IN C IPA IS FORMAS MUSICAIS

As composições musicais classificam-se em três grandes grupos:

instrumental (solos de instrumento ou duos, trios.


quartetos, etc.; é chamada música de câmera)
Música
vocal — cantada
mista — (instrumental e vocal)

Tôda composição obedece a um plano de construção, isto é, a


uma forma.

Na composição musical a forma é determinada por vários ele­


mentos (rítmicos, melódicos e harmônicos), que se congregam esta­
belecendo a estrutura uniforme do trecho.

Daremos a seguir algumas das principais formas musicais.

M INUETO ou M INUETE — Antiga dança francesa, muito em


voga no século X V III. Seu compasso é o 3/4 e a música deve ser cheia
da graça cerimoniosa que esta dança representa. Andamento moderado.

M AZURCA — Dança de origem polaca. Andamento moderado,


compasso 3/4. São lindíssimas e muito tocadas as Mazurcas de Chopin.

GAVO TA — Dança francesa. Compasso 2/2. Seus períodos e


frases devem começar em tempo fraco. Andamento moderado.

SARABANDA — Dança de origem espanhola. Compasso terná­


rio. Andamento grave. A melodia da Sarabanda é geralmente muito
ornamentada.

CHULA — Dança regional portuguêsa. Compasso binário. Modo


maior. Costumam cantar enquanto dançam, acompanhando o ritmo
com estalos de dedos.

PAV AN A — Dança de Pádua (I t á lia ). Andamento grave. Com­


passo binário.
126 M ARIA LUISA DE MATTOS PRIO LLI

SUITE — Conjunto de danças antigas, no mesmo tom, de caráter


diferente, executadas sucessivamente. A palavra Suite é francesa;
para o mesmo fim os italianos usavam a palavra Partita.
J. S. Bach escreveu várias Suites, reunidas em dois álbuns —
Suites franceses e Suites inglêsas.

PRELÚDIO — Peça tíe forma livre. Não tem compasso nem anda­
mento determinado. Serve muitas vêzes como introdução a uma
peça de maior vulto. É geralmente curto e tem caráter de improviso.

RAPSÓDIA — Peça instrumental baseada em canções folclóricas


regionais. As Rapsódias mais conhecidas são as de Liszt, baseadas
em temas de canções húngaras. As Rapsódias de Liszt foram escritas
para piano, e a sua dificuldade técnica é transcendente.

SONATA — A forma musical mais elevada da música erudita.


Divide-se em 3 ou 4 partes chamadas tempos ou movimentos. Os
tempos da sonata devem ser de caracteres bem diferentes, e na Sonata
Clássica obedecem à seguinte ordem:

l.° — Allegro (no qual se desenvolvem os dois Temas


principais. Sua estrutura deve seguir o plano
estabelecido)
SONATA a 2.° — Andante

3.° — Minueto ou Seherzo

4.° — Rondo ou Final

Algumas Sonatas deixam de obedecer ao plano da Sonata Clássica,


c são denominadas Sonatas-Fantasia, como por exemplo, a conheci-
díssima Sonata ao Luar, de Beethoven.
Quase todos os compositores têm escrito Sonatas para piano,
violino, violoncelo, flauta, etc. .Destacam-se, entretanto, as de Haydn,
Mozart e Beethoven, para piano.
A Sonata, quando escrita para conjunto, toma o nome de: duo,
trio, quarteto, etc.; porém a estrutura é sempre a mesma.
Quando escrita para orquestra, chama-se Sinfonia; e, ainda,
quando um instrumento se destaca fazendo o solo, toma ela o nome
de Concêrto.

FUGA — Composição musical de estilo severo que reune arte e


ciência. É a mais alta expressão da música polifônica. Consiste a
fuga no desenvolvimento do tema principal (Sujeito), de acordo com
certas e determinadas leis, e com a qual tudo mais, direta ou indire-
p r in c íp io s b á s ic o s da m ú s ic a 127

tamente se relaciona. Pelas entradas sucessivas do tema principal,


sempre em vozes diferentes, tem-se a impressão de que as vozes
procuram fugir e se perseguem umas às outras, vindo daí a origem
da palavra — Fuga.

Os principais elementos da Fuga, são: Sujeito (tem a principal),


Resposta (imitação do Sujeito em outro tom ), Contra-Sujeito (melodia
contrapontada que acompanha sempre o Sujeito e a Resposta) e Stretto
(palavra italiana cuja significação é cerrad o). É nesta parte que,
conforme indica o termo Stretto, os elementos de que se compõe a
Fuga se vêm, pouco a pouco, acumular e estreitar, sendo ouvidos
simultâneamente.

Quando a Fuga não obedece ao plano clássico (escolar), recebe o


nome de Fuga livre ou Fugato.

MÚSICA R ELIG IO SA — Neste gênero de música encontram-se


composições de forma livre como Ave-Maria, Salutaris, Missa, etc.,
guardando caráter de religiosidade acentuada.

ÓPERA — É uma composição dramática; é a música de teatro.


É uma representação cantada por vozes cultivadas acompanhadas de
grande orquestra, coros e bailados. A ópera pode ser: séria ou cômica
(ópera b u fa ). Vários foram os compositores que se dedicaram exclu­
sivamente à ópera.

Dentre os principais citaremos Verdi, Rossini, Massenet, Puccini


e W agner. Entre os brasileiros citaremos também alguns compositores
que trazem, na sua volumosa obra, várias óperas. São êles: Padre
José Maurício ( ‘Zemira” ) , Carlos Gomes ( “ O Guarani” , “ O Escravo” ,
“ Fosca” , “ Maria Tudor” e etc.); Alberto Nepomuceno ( “ Artemis” e
“ Abul” ); Leopoldo Miguez ( “ Saldunes” ); Henrique Oswald ( “ II neo” ,
“ La croce d’oro” e “ Le fate” ); Francisco Braga ( “ Jupira” , e “ Anita
Garibaldi” ); Agnello França ( “ Parasitas” — ópera de costumes bra­
sileiros e “ Kismé” — opereta); Assis Republicano ( “ O Bandeirante” ,
“ A Vida de Jesus” , “ O ermitão da Glória” , “ Amazonas” e “ Guarara-
pes” . Esta última mereceu o prêmio do Congresso Nacional, na co­
memoração do 3.° centenário da batalha de Guararapes); e muitos
outros.
128

HINO N ACIONAL BRASILEIRO

É o hino oficial da nossa pátria.


Autor da música: Francisco Manuel da Silva.
Autor da letra: Osório Duque Estrada.
Pequeno resumo histórico:
Há várias opiniões sôbre a época em que foi composto o Hino
Nacional.
Segundo alguns foi composto em 1831, quando se deu a abdicação
de D. Pedro I . Segundo outros, foi composto em 1841, para a coroação
de D. Pedro I I . Entretanto, há quem afirme ter sido o nosso Hino
Nacional composto em 1822, na proclamação da Independência. Foi,
primeiramente, chamado, Marcha Triunfal, e logo depois Hino Nacional.
Ao ser proclamada a República foi realizado um concurso para escolha
de um novo hino, que substituísse o de Francisco Manuel. Alcançou
o primeiro lugar o hino apresentado por Leopoldo Miguez. A opinião
pública, porém, era de que fôsse conservado o antigo Hino, consi­
derando-o associado a um dos acontecimentos mais importantes de
nossa história.
O govêrno resolveu atender ao povo e manteve o Hino de Francisco
Manuel, que foi então oficializado Hino Nacional Brasileiro, por Decreto
do Govêrno Provisório (decreto 171), a 2 de janeiro de 1880. Êste
decreto, entretanto, só se referia à música do Hino, pois nenhuma
letra havia sido especialmente composta para êle, e por isso diferentes
versos eram-lhe adaptados, sempre com alusões à monarquia.
Sendo realizado concurso para a composição da letra, recaiu a
escolha sôbre os versos de Osório Duque Estrada.
Os versos de Osório Duque Estrada- só foram, porém, oficializados
em 6 de setembro de 1922 (véspera do centenário da Independência
do B ra s il).

DADOS BIOGRÁFICOS DE FRANCISCO M ANUEL DA SILVA

Nasceu no Rio de Janeiro, a 21 de fevereiro de 1795 e morreu


a 18 de dezembro de 1865. Teve como professores o Padre José
Maurício Nunes Garcia e, após a morte dêste, Sigismund Neukomn
e Marcos Portugal.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 129

Foi fundador da Sociedade Beneficente Musical e mestre da Capela


Im perial. Fundou também a nossa primeira escola oficial de música,
cuja instalação foi levada a efeito a 13 de agosto de 1848, com o
nome de Imperial Conservatório de Música, passando posteriormente
a chamar-se Instituto Nacional de Música, e hoje Escola Nacional de
Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (antiga Universidade
do B rasil))
Francisco Manuel dedicou-se mais ao magistério que, propria­
mente à composição. Deixou vários trabalhos didáticos, entre os quais
se encontra um Compêndio de Princípios Elementares de Música.
Entre seus trabalhos de composição encontram-se uma ópera, O Pres­
tígio da Lei; o Hino Nacional Brasileiro; e várias músicas sacras
(Te-Deum, Matinas, Missa dos Mortos, e tc .).

DADOS BIOGRÁFICOS DE OSÓRIO DUQUE ESTRADA

Nasceu em Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro, a 29 de


abril de 1870 e morreu a 6 de fevereiro de 1927.
Foi poeta, prosador, historiador, professor e jornalista.
Dos seus trabalhos o que mais se destacou foi a letra do nosso
Hino Nacional; deixou também entre outros mais: A Arte de fazer
versoS, Flora de Maio, Noções da História do Brasil e Noções Elemen­
tares dà Gramática Portuguêsa.

HINO À BANDEIRA NACIONAL

Autor da música: Francisco Braga.


Autor da letra: Olavo Bilac.
Pequeno resumo histórico: Achava-se Francisco Braga assistindo
a uma solenidade na Escola Tiradentes, onde cantaram o Hino a
Tiradentes, composição sua. Assistiam também à solenidade várias
autoridades, inclusive o Prefeito, Dr. Pereira Passos e o Inspetor Es­
colar, poeta Olavo Bilac.
Encantado com a beleza do hino, o Prefeito pediu ao poeta Olavo
Bilac e ao Maestro Francisco Braga que compusessem, respectivamente,
a letra e a música para um hino que deveria ser cantado pelos alunos
das escolas municipais, quando fôsse içada a Bandeira Nacional.
Éste fato foi narrado pelo próprio Maestro Francisco Braga à
Professora Ceição de Barros Barreto, que o reproduziu, com as textuais
palavras do Maestro, no seu magnífico “ Estudo sôbre Hinos e Ban­
deiras do Brasil” .
130 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

Disse ainda Francisco Braga que “ o Hino à Bandeira passou a


ser entoado não somente nas escolas do Distrito Federal, como exe­
cutado pelas bandas de música da Marinha e Exército, difundindo-se
por todo o Brasil, tornando-se apenas pela tradição o hino oficial à
Bandeira Nacional” .

DADOS BIOGRÁFICOS DE FRANCISCO BRAGA

Nasceu a 15 de abril de 1868, no Rio de Janeiro, e morreu a


14 de março de 1945.
Filho de pais paupérrimos, foi com 8 anos, recolhido ao Asilo
de Meninos Desvalidos (atual Instituto Profissional João A lfre d o ).
Aí começou seus estudos de música, tomando parte na banda de alunos
como clarinetista e, mais tarde, como regente da mesma. Enfrentando
grandes dificuldades matriculou-se no Imperial Conservatório de Mú­
sica, onde estudou harmonia com Carlos de Mesquita.
Ao ser realizado o concurso para a composição de um Hino à
República, Francisco Braga, que contava então 21 anos de idade,
nêle tomou parte. Seu trabalho foi considerado um dos melhores,
tendo sido classificado em 2.° lugar (o l.° prêmio coube a Leopoldo
M igu ez), concedendo-lhe o govêrno, como prêmio, para aperfeiçoa­
mento de seus estudos, uma viagem à Europa.
Estudou no Conservatório de Música de Paris (com Massenet),
onde ingressou por concurso, tendo alcançado o l.° lugar. Estudou
também na Itália e na Alemanha.
Voltando ao Brasil foi nomeado professor de Composição e Re­
gência no Instituto Nacional de Música e professor do Instituto
João Alfredo.
É um dos nossos mais destacados compositores, salientando-se
em sua obra riqueza de harmonia e técnica de orquestração invulgares.
Da sua obra vastíssima destacamos: Cauchemar e Marabá (poemas-
sinfónicos), Jupira e Anita Garibaldi (óperas).

DADOS BIOGRÁFICOS DE OLAVO BILAC

Nasceu a 16 de dezembro de 1865 e morreu a 28 de dezembro


de 1918.
Colaborou em vários jornais e revistas do Rio de Janeiro, defen­
dendo a política democrática e publicando crônicas literárias.
Sua obra principal é o livro “ Poesias” , que se compõe de três
partes — Panóplias, Via-Láctea e Sarças de Fogo.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MÜSICA 131

Deixou considerável bagagem literária. Citaremos algumas de


suas obras mais conhecidas: Contos Pátrios, Poesias Infantis, Crônicas
e Novelas, Tarde (publicado após a sua m orte), etc..

Olavo Bilac é considerado o príncipe dos poetas brasileiros.

HINO DA INDEPENDÊNCIA

Autor da música: D. Pedro I.


Autor da letra: Evarista da Veiga.
Pequeno resumo histórico:

Corria o ano de 1822. A idéia de que o Brasil estaria em breve


liberto de Portugal, deixava transparecer em todos um sentimento
misto de alegria e exaltação. Evaristo da Veiga, influenciado pelos
acontecimentos da época, escreveu os seus Hinos Patrióticos, versos
entre os quais se encontrava o Hino da Independência.
D. Pedro I, que sabia música, compôs linda melodia para o Hino
da Independência, de Evaristo da Veiga.
Na noite de 7 de setembro de 1822, dia em que, definitivamente,
com o grito de “ Independência ou M orte” , ficamos separados de
Portugal, foi realizado um espetáculo de gala, na Casa da ópera
(em São Paulo), em homenagem a D. Pedro I.
Nesta noite foi cantado pela primeira vez o Hino da Indepen­
dência. Ao terminar a execução do Hino foi aclamado D Pedro I,
Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

DADOS BIOGRÁFICOS DE D. PEDRO I

Nasceu a 19 de outubro de 1798, em Lisboa. Aos 9 anos veio


para o Brasil.
Morreu a 24 de setembro de 1834.
Entre outros estudos dedicou-se à música, para a qual sentia
forte inclinação.
Teve como mestres de música o Padre José Maurício, Marcos
Portugal e Sigismund Neukomn.
Tocava vários instrumentos (violino, violoncelo, flauta, fagote,
clarineta e trombone) e estudou Teoria Musical, Harmonia, Contra­
ponto e Composição.
Deixou várias composições, entre as quais se encontram o Hino
da Independência, o Hino da Caída Constitucional de Portugal (seu
132 M ARIA LUÍSA DE MATTOS PRIO LLI

último trabalho), uma Sinfonia, uma ópera (com o texto em portu­


guês), Variações sôbre uma melodia popular, e outras mais.
Faleceu em Portugal, tendo legado seu coração à cidade do Pôrto,
onde se encontra guardado na Real Capela da Lapa.

DADOS BIOGRÁFICOS DE EVARISTO DA VEIGA

Nasceu no Rio de Janeiro a 8 de outubro de 1799, e morreu a


12 de maio de 1837.
Iniciou sua vida de trabalho negociando com livros, até estabele­
cer-se com uma livraria. Dedicando todo o tempo disponível ao estudo,
cedo viu coroados os seus esforços, tornando-se brilhante jornalista.
Foi fundador da Aurora Fluminense, jornal onde, durante muitos
anos, se discutiram os principais interêsses políticos.
Escreveu Hino Patrióticos (onde se encontra o Hino à Indepen­
dência) e várias obras inéditas, como Despedida, Ode à Grécia e outras.

HINO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Autor da música: Leopoldo Miguez.


Autor da letra: Medeiros e Albuquerque.
Pequeno resumo histórico:
Ao ser proclamada a República, a 15 de novembro de 1889, o
govêrno fêz realizar um concurso para que íôsse escolhido oficial­
mente um novo Hino Nacional, uma vez que o Hino de Francisco
Manuel havia sido composto na época da Independência.
Apresentaram-se cêrca de 36 concorrentes, tendo sido classificado
em l.° lugar o Hino de Leopoldo Miguez, com verso de Medeiros
Albuquerque.
Contudo, para satisfazer a vontade do povo, que não desejava
íósse substituído o tradicional Hino, foi conservado com o Hino
N acio n al o antigo Hino de Francisco Manuel.
O belíssimo Hino de Leopoldo Miguez passou oficialmente a ser
considerado, por Decreto do Govêrno Provisório, o Hino da Proclama­
ção da República.

DADOS BIOGRÁFICOS DE LEOPOLDO MIGUEZ

Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de setembro de 1850 e morreu


no dia 6 de julho de 1902.
p r in c íp io s b á s ic o s d a m ü s ic a 133

Estudou desde pequeno na Europa, para onde o levou seu pai,


que era espanhol.
Teve grandes mestres, entre êles o famoso César Franck.
Só aos 21 anos voltou ao Brasil, e aqui associou-se a Artur Na-
poleão em estabelecimento comercial de venda de pianos e músicas.
Sua vocação entretanto não era o comércio e sim, a arte de tocar e
escrever música. Seu instrumento foi o violino.
Tendo conquistado o l.° lugar no concurso para o Hino à Procla­
mação da República, recebeu como prêmio a quantia de vinte contos
de réis. Miguez fêz doação dessa quantia ao Instituto Nacional de
Música (hoje Escola de Música da Universidade Federal do Rio de
Janeiro), do qual era diretor. Com essa quantia, o Instituto adquiriu
um grande órgão, que foi colocado no salão nobre de concertos e
estreado por Samt-Saens.
A êsse salão foi dado o nome dêsse grande músico brasileiro:
Leopoldo Miguez.
Algumas de suas obras principais: Os Saldunes (ópera), Ave
libertas, Prometeus (poemas sinfônicos), Sinfonia em Si bemol, mú­
sicas para piano, canto, etc..

DADOS BIOGRÁFICOS DE MEDEIROS E ALBUQUERQUE

Nasceu em Pernambuco (R ecife), a 4 de setembro de 1867 e


morreu, no Rio de Janeiro, a 9 de junho de 1934.
Foi um grande propagandista da república. Aliás, a ela se acha
seu nome intimamente ligado como autor que é dos versos do Hino
da Proclamação da República.
Colaborou em inúmeros jornais do Rio, São Paulo, Buenos Aires
e Paris. Foi fundador e redator-chefe do Fígaro. Pertenceu à Aca­
demia Brasileira de Letras.
Deixou volumosa obra literária: Poesias, Canções da Decadência,
O Remorso, Mãe Tapuia, etc..

HINO À MÚSICA

Autor da música: Abdon Lyra.


Autor da letra: Olegário Mariano.
Pequeno resumo histórico:
A 13 de agosto de 1948 completou a Escola Nacional de Música
da Universidade do Brasil o l.° centenário da sua fundação.
Comemorando esta data várias solenidades foram realizadas.
A nossa Escola de Música oficial ainda não possuía o seu hino.
134 MARIA LUÍSA DE MATTOS PRIOLLI

Realizou-se então um concurso para escolha do hino oficial da


Escola, que, de acordo com a poesia escrita pelo poeta Olegário
Mariano chamar-se-ia Hino à Música.

Conquistou o primeiro lugar o belo trabalho apresentado por


Abdon Lyra, Professor da Escola.

O Hino à Música foi executado pela primeira vez no Salão Leo­


poldo Miguez, da Escola Nacional de Música, na noite em que, em
sessão solene da congregação, foi comemorado o l.° centenário da
fundação da referida Escola.

DADOS BIOGRÁFICOS DE ABDON LY R A

Nasceu na cidade de També (interior de Pernam buco). Aos 14


anos de idade já dirigia a banda de música da sua terra natal.
No Instituto Pernambuco, em Recife, onde fêz o curso de huma­
nidades, foi convidado pelo diretor para dirigir a banda de música
do colégio .
Em 1908 veio para o Rio de Janeiro, ingressando nas orquestras
tocando trombone, instrumento de sua profissão.
Fêz parte da Sociedade de Concertos Sinfônicos e da orquestra
do Teatro Municipal. Foi professor catedrático, por concurso, da ca­
deira de trombone da Escola Nacional de Música.
Em junho de 1948, no concurso realizado para escolha do Hino
à Música, conquistou o l.° lugar.

DADOS BIOGRÁFICOS DE OLEGÁRIO M ARIANO


CARNEIRO DA CUNHA

Nasceu em Pernambuco, cidade do Recife, a 24 de março de 1889,


e morreu a 28 de novembro de 1958.
Desempenhou várias funções públicas de destaque, tendo sido
Embaixador em Portugal.
Foi um dos nossos poetas mais brilhantes. Pertenceu à Acade­
mia Brasileira de Letras. Foi eleito o “ príncipe dos poetas brasileiros” ,
sucedendo a Alberto de Oliveira.
Sua obra é vastíssima; dela citaremos: Angelus, Últimas Cigarras,
Castelos na Areia, Cidade Maravilhosa, Destinos, Poesias escolhidas,
Poemas do Amor e da Saudade, Quando vem baixando o crepús­
culos..., etc..
HINO N A C I ON A L BRASILEIRO
L e t r a dc O S Ó R I O D U Q U E E S T R A D A 135
Marcial Mu u i c a de F R A N C I S C O M A N O E L DA S I L V A
14
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Ou - vi ram do 1 - pi - ran- gaa»margens placi - das DíTúm

po- voheroi co brado r et umbant e, E 0 sol da l i be r da deeni r a i os f ú l g i d o s . B r i -

- l hounoce' udaPat r i aüeaseui sl ant e. Seo p e n h o r . . . de s s a i g ua l - d a de Coti se-

gllinioa conquistareom braço f or t e Eni teu se - io o' ii - b e r - d a d e De-sa-

- f i-a~o nosso p eito a pro'pria m o rte lO P a'tria a-tnada Idol atrada S a l v e i S a l - Te ï B r* -

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- si 1uni son bo intenso um raio vív i - do De a-mor e dees per anç aat er r a destCe, Sé~era.

teu f ormoso ceurisonhift; l í mpi do. A i magem do C r u z e i r o r e s p l a u - d e - c e Gi-

- g a n t e pe-la propri a r.atu - re - za, E S b e l o e' sforte impav ido co - l os ~ s o , B o

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des t e sóIoe’smaegent i l Pa' i r i aams da B r a s i l ! -*il!
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[ B r a s il, d e a m o r e t e r n o s e ja s im b o lo
i t a d o e t e r n a m e n t e em b e rc o e s p t e a d i d 0 O l á b a r o q u e o s t e n t a s e s t r e l a d o
som do m a r e a l u i do ceu p r o f u n d o , E d ig a 0 v e rd e - lo u ro d e s ta f lu m u ix
í g u r a s , 0' B r a s i l , f l o r ã o d a A m e r i c a - P a z no f u t u r o eg l o r i a no p a s s a d o
uni nadei ao s o l do N o vo M u n d o l

[ q ue a t e r r a m a is g a r r i d a , x M a s ,s e e r g u e s da ju s t iç a a c l a v a f o r t e ,
:u s r i s o n h o s , l i n d o s c a m p o s t ê m m a i s f i o r e s : F e r a s q u e u m f i l h o t e u n ã o f o g e d l u t a ,
fo sso s b o s q u e s t ê m m a i s v i d a ” f e m le m e ,q u e tn le a d o r a , a p r o p r i a m o rte
fo s s a v i d a ' j n o t e u s e i o f i n a i s a m o r e s .
T e rra a d o ra d a
O P a triu am ada E n tre o u tra s m il,
Id o la tra d a E s tu , B ra s il, _
S a lv e i S a lv e i O Pa t r ia a/nadal

D o s f i l h o s d e s t e s o lo
E s mãe g e n t il
P á t r ia am ada^
B ra s il!
136 HINO À BANDEI RA NACI ONAL

L e t r a de O L A V O B I L A C M u s i c a de F R A N C I S C O B R A G A
T e mp o <1e ma r c h a

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9 lU = ^ = S y v — •- f - — » ■ --4 p = $ f= ■ MV y- :
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- br a n ça A gr an - de - za da Patria nos traz, Re -

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- r i - d o . sí mbol o da terra Da a - mada Lerra do Br a - sil!

II
Em te u s e io f o r m o s o re tra ta s
E s te ce'u d e p u r í s s i m o azul
A v e r d u r a sem p a i' d e s ta s m a ta s ,
E o e s p le n d o r do C r u z e ir o do S i t l l

R e c e b e 0 a f e t o q u e se e n c e r r a , e tc
II l A IP _
C o n te m p la n d o o teu c u l t o s a g r a d o S o b r e .a i m e n s a n a ç ã o b r a s i l e i r a .
C o m p re e n d e m o s o nosso d e v e r N o s m o m en to s de f e s t a « u d e d o r
E o B r a s il p o r seus f ilh o s am ado E a i r a s e m p r e a s a g r a d u b a n d e ira
P o d e ro s o e f e l i z h á de s e r P a v i l h ã o d a j u s t i ç a e do a m o r l

R e c e b e o a f e t o q u e se e n c e r r a j etc . R eceb e o a fe to que se e n c e r r a e tc .


HI N O DA 1 N D E P E N D E N C I A DO B R A S I L 137

L e t r a de E V A R 1S T O F. DA V E I G A M u s i c a de D. P E D R O 1

Ja' po - de i s d* P a - t r i a fi - lboS,Vercontente»mâeg;en

* s11• • • J d' raiou a li - be r da d e , Ja ' rai ou a li-ber-


1 _______

- da - de No ho r i - aon- t e do B r a - s i l Brava

- «i l • ou- f i - car a P a t r i a li vre oú morrer pel o Bra S i l . *sil,

II.
Os g r i l h õ e s que nos f o r ja v a
ü a p e rfíd ia a s tu to a r d i l
H o u ve mão m a is p o d e ro s a
Z o m b o u d e le s o B r a s i l

B i ’ a v a et e n t e . í / t ®
1F.
/ 7/*
N ã o te m a is ím p ia s f a la n g e s P a ra b é n s , d B r a s ile ir o s l
Que a p re s e n ta m fa c e h o s til J á com g a r b o j u v e n i l ,
F o s s o s p e ito » g v a s s o s b ra vo s P o u n iv e rs o e n tre as naçÒes
S ã o m u r a lh a s do B r a s i l . R e s p la n d e c e a do B r a s i l •

B r a v a g e n t e , e tc . I B r a v a g e n te r e t c .
HINO DA PROCLAMACAO DA REPUBLICA
138
L e t r a de M E D E E R O S í A L B U Q L ' E R Q U E M u s i c a de L E O P O L D O M I G U E Z
A Ii °. ma e s t o s o di m a r e i a

• •9
Se-jaiim p a -1 i o de luz desdo - br a - do sob a

A .__ s
l a r g a ampl i dão de s t e s ceus.. • Es - 1 e cant o r ebel , que o pa s s a - d o v e m r e -

4 * J J ~ iN J IJ L J -~ j I ^
- m i r d o s m a i s t o r p e s l a-be'us ! S e - j í u m bi - no de g l o ' r i a que fa -1 e de es- pe-

Q -T tf1 -r p Ip í i
- r anças deuni n o v o p o r s i r ! C om t i-su es de tri-un fos e m - b a - l equf l mpor

m É
r
e- ! e l u- t an- do s u r - g i r ! L i - b e r d a - d e ! L i - b e r d a - d e ! Ab r e a s a s as sübr e

D. C.
J
no's! Das In tas na tempestade d a'que ouçamos tua toz!

II
N o ‘s n e m c r e m o s q u e e s c r a v o s o u t r o r a / M e n s a g e ir o de p a z ,p a z q uere m o s,
T e n h a h a v id o em iã o n o b r e p u is . . . / E de a m o r n o s s a f o r ç a e p o d e r,
H o je o ru b ro la m p e jo da a u ro ra / M a s da g u e r r a nos t r a n s e s su p re m o s
A e h u ir m ã o s , n ã o t i r a n o s h o s t i s . / H e i s de v e r- n o s l u t a r e c e n c e r l t
S o m o s to d o s i g u a i s ! Ao fu tu ro .
S a b e re m o s u n id o s l e v a r L ib e rd a d e , L ib e rd a d e , e tc . I
Nosso a u g u s to e s t a n d a r t e , Ig ^
Q u e , p u / o, b r i l h a a v a n t e , d a P á t r i a no a l t a r l j D o I p i r a n g a e p r e c i s o que o b r u d o
S e ja um g r i t o s o b e rb o de f e l r
L ib e rd a d e ,. L ib e rd a d e ! e tc . O B r a s i l j á s u r g iu lib e rta d o

III S o b as p á r p u r a s r e g i a s d e p e l
S e e m is t e r que de p e ito s v a le n te s E ia p ois ,B ra s ile iro s ,a v a n te l
H a ja s a n g u e . no no sso p e n d ã o , P e r d e s l o u r o s c o lh a m o s lo u ç à o s
S a n g u e v iv o do h e r ó i T ir a d e n t e s S e ja o nosso p a ís t r i u n f a n t e ,
B a tiz o u e s te a u d a z p a v ilh ã o l L iv re te rra de l i v r e s i r m ãos l

L i b e r d a de, L ib e r d a d e , e t c .
HI NO A MUSICA 139

Oficial da Escola de Música da Universidade Federai do fíio de Janeiro


L e t r a de O L E G A R [ O M A R I A N O M u s i c a d t? A li I) O > L V 11A

T e m p o de m a r c h a
' _______ 7

P-< Ca - rfe Í O l m r l o l l -ui -

f- p - j { j.

- T e r - so De n s a r i _ou pa - r a a n o s - s a e-mo-oâo_ Co-mourn

p o e-ta in - t e - gra-do n u m T e r - s o — O e s - pl e n- d or mu - si - c al da c r i a -

3§Í m =P= P
-cão._ Ma - i i an - c i - al da e - xis - ten - ci - a

4 1’' . fi j ' d 1 èr p '^ r ~ P r r


Glo-ria, es-pe-ran-ça t r o - f e ' u, - . E ahu-ma-na c o r - r e s - pon-

^ J i. J i l_ j
V d w
- dê n - ci - a Qu «fe n - t r e - l a - ca a t er - r a eo céu..

II. IP.
A alma acorda aos pr imeiros compassos Um soluço uma lagrima,um bejjo
Desabrocha nos ritm os seus Tempestade Ou alvorada de luz
M e l o d i a que vem dos e s pa ço s Umbarulho,de penas,um adejo
E a p r o x i m a as c r ia tu r a s de Deus. T udo a música exprime e traduz

M a n a n c i a l da e x i s t ê n c i a , et c. Manancial da e x i s t ê n c i a , etc.
ÍU . r.
Cada nota e'uma estre la que vibra Eda unção que nos vem das alturas
E na sua e x p r e s s ão m u s i c a l Que compomos um mundo interior
Faz vibrar dent ro em nós f i b r a a f i b r a Porque a música orienta as criaturas
O m i l a g r e da vida im o r ta l Para o bem,para a fe\para o amor

M a n a n c i a l da e x i s t ê n c i a , etc. Manancial da e x i s t ê n c i a , et c.
140 SOLFEJOS
T o d o s os e x e r e f e i o s devem s e r e s t u d a d o s
p r i me i r a me n t e ^ c o mo l e i t u r a m é t r i c a

É
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141

18
142 V I V A 0 BRASIL

M. L . Pr i o l l i

Vi - va o Bra - sil! Vi - va~o Br a - sill

Ce’u a - zul da mi-nha ter-ra Ce’u a - zul da cor do”a -

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£ f = ^ = 1 = = = f= = ^
--- < L ~ r ______ 1______ ___ L____m.__ bs r i TS
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-nil Ou-tro c e’u i - g u a l nao ha’ c o - m o o ce'u do meti B r a - ai l

0 SOL. E A LUA
M.L.Priolli

—A ----------- ------------- 1— .. ,---------- -------------- immwmiwm,--------


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------------------------------ --------------

iu - a vai su - mi n - do sur-ge o sol no ar - re - bol