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Universidade Federal de Santa Catarina


Centro Tecnológico
Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção
Disciplina: Ergonomia Cognitiva
Professor: Francisco Fialho

A atividade mental

Segundo o modelo da Medicina Tradicional Chinesa

Maryangela Lopes Darella


Florianópolis, 2001
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Resumo

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem aproximadamente 2000 anos de existência. O


modelo de sua racionalidade que discute sua teoria básica apresenta muitas questões ainda
parcial ou totalmente incompreendida pelo paradigma médico ocidental. O presente
trabalho discute o modelo da Medicina Chinesa para as atividades mentais. Para isto inicia
o trabalho discutindo os segmentos da teoria básica, que são necessários ao entendimento
de Shen (Mente). Para a MTC as atividades mentais são coordenadas pelo sistema Xin
(Coração). Porem todos os sistemas Zang (Órgãos) estão envolvidos com esta atividade,
assim o sistema Gan (Fígado) relaciona-se com Hun, Fei (Pulmão) com Pó, Pi (Baço) com
Yi e Shen (Rim) com Zhi. Cada um destes termos tem um significado especial relacionado
ás atividades mentais.
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Apresentação

A origem da Medicina Tradicional Chinesa remonta das comunidades tribais da


sociedade primitiva chinesa. A teoria básica da Medicina Tradicional Chinesa surgiu da
observação empírica das relações do homem com o meio ambiente. O homem primitivo
chinês, observando os fenômenos que ocorrem na natureza conseguiu criar uma estrutura
conceitual filosófica, que permeia até os dias atuais a cultura chinesa. Todo esse conteúdo
filosófico foi transposto para o corpo humano dando origem aos conceitos filosóficos da
teoria básica da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
A MTC tem um corpo teórico-prático próprio na qual a anatomia, a fisiologia, a
patologia, o diagnóstico, as causas das doenças, o tratamento e o prognóstico se
interelacionam formando um modelo lógico explicativo tanto para a prevenção e
manutenção da saúde como para o diagnóstico e tratamento das doenças no homem.
Segundo Wen, (1985) os fenômenos científicos comumente apresentam cinco etapas
básicas para que seja possível o desenvolvimento de grandes teorias que são: observação,
análise, suposição, comprovação e conclusão dos fenômenos. Para este autor a MTC seguiu
estas etapas na formação do seu modelo médico teórico-prático.
Como não poderia deixar de ser as atividades mentais do ser humano também estão
contempladas neste modelo médico. E, para poder se entender o modelo da MTC para as
atividades mentais, denominadas de Shen (Mente), é necessário conhecimentos das teorias
básicas desta medicina como a do Yin e Yang; Cinco Elementos; Zang Fu (Órgaõs e
Vísceras), Jing (Essência) e Xue (Sangue).
Uma das grandes dificuldades do estudo das atividades mentais do modelo da MTC
é a pobreza de literatura em idiomas compreensível a cultura ocidental. Existe pouca
literatura em português, inglês, espanhol ou francês e, para complicar um pouco mais, os
trabalhos existentes são fracos e confusos, muitas vezes permeados de interpretação
pessoal.
Outra dificuldade é a abstração do funcionamento da mente humana. Abstração esta
também existente no paradigma medico ocidental, apesar de que se considera que a
atualidade é década do cérebro. A fisiologia humana do modelo médico chinês coloca as
atividades mentais diretamente relacionada as funções dos seus sistemas de Zang Fu
(Órgãos e Vísceras), de Xue (Sangue), de Jing (Essência), o que dificulta mais ainda o seu
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entendimento para uma pessoa que não esteja suficientemente familiarizada com este
paradigma.
Neste trabalho evitou-se o máximo a utilização dos termos traduzidos, justamente
para que fosse possível o entendimento sistêmico do sentido do conceito de uma outra
racionalidade. Por isso aparecem tantos termos em Pin Yin (escrita chinesa para o ocidente)
com a tradução entre parênteses. Muitos termos da MTC foram sendo traduzidos para o
ocidente de uma forma arbitrária ou “por falta de uma expressão melhor” (parafraseando
Morrant quem traduziu o termo Qi como “energia” no inicio do século passado).
Também foram mantidas várias citações iguais aos livros consultados para facilitar
o entendimento do sentido da expressão ou do conceito.
Então, para tentar facilitar o entendimento optou-se em primeiro lugar por
apresentar um resumo de parte da fisiologia do modelo médico chinês que é necessário para
alcançar o objetivo a que se propõe o trabalho. E depois se discute os aspectos da atividade
mental da MTC. O funcionamento do cérebro e da mente sob a racionalidade médica
ocidental não é discutido em nenhum momento, pois estaria fugindo aos propósitos desta
breve apresentação. Assim como também as “ elocubrações” mentais ocorridas na autora
durante a realização deste trabalho não foram comentadas.
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Teoria básica

Yin e Yang

As teorias de Yin/Yang e dos Cinco Elementos são duas formas de entender os


fenômenos da natureza, que refletem um conceito primitivo do antigo pensamento
materialista e dialético da cultura chinesa (Xinnong, 1999).
A teoria de Yin/Yang surgiu da observação dos fenômenos naturais. Inicialmente
indicava a orientação da luz do sol onde a face do sol correspondia ao Yang e a face das
costas do sol ao Yin (He, 1999). O ideograma (escrita chinesa) que representa o Yin e Yang
tem o significado de uma montanha, onde o lado ensolarado representa o Yang e o lado da
sombra o Yin, possivelmente esta teoria nasceu da observação sobre a alternância cíclica do
dia e da noite (Maciocia, 1996). Ao seguir observando a natureza o pensador chinês antigo
percebeu que esta dualidade se repetia em todos os fenômenos naturais, e que a existência
de um fenômeno dependia da existência do outro, ou seja, a percepção do dia e do sol
somente é possível pela existência da noite. Também percebeu algumas características
típicas da noite como ser fria, conduzir ao recolhimento ao repouso, ser escura e outras; e as
características do dia como ter o calor do sol, o sair para fora, a expansão, o movimento, o
trabalho e outras.
Nesta linha de observação o pensador antigo chinês observou a existência de outros
dois fenômenos naturais fundamentais para a sobrevivência do homem: - a Água que com
suas propriedades de ser fria e parada foi classificado como Yin e - o Fogo por ser quente e
elevar suas chamas corresponde ao Yang (Wang, 2001). Assim todos os fenômenos que
apresentassem as características do sol e do Fogo foram agrupadas como Yang –
movimento, o ascender, o calor, o dia, a atividade, o homem, o alto, a claridade, o exterior,
a ação, o verão, o leste e o sul (para o hemisfério chinês), a esquerda, e outros. E os que
apresentassem características semelhantes a noite e a Água foram agrupadas como Yin – o
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repouso, o descender, o frio, a noite, a lua, a mulher, o baixo, o escuro, o interior, o


material, a sombra, o oeste e o norte, a substancias, e outros.
Ao analisar mais profundamente as características dos fenômenos de Yin/Yang
observa-se a existência de quatro propriedades básicas:
- oposição de Yin e Yang (dia e noite, frio e quente);
- a interdependência de Yin e Yang: um fenômeno para existir depende da
existência do outro (movimento ascendente e movimento descendente);
- infinita divisibilidade de Yin e Yang: cada aspecto Yin ou Yang pode ser dividido
em Yin e Yang novamente;
- relação de intertransformação (gelo que mesmo sendo frio é capaz de queimar);
- relação de suporte e consumo mutuo.

A teoria de Yin/Yang está presente em todos os conceitos que fornecem sustentação


para a MTC. As características anatômicas e funcionais, as alterações patológicas e seu
tratamento possuem claramente características Yin ou Yang (Xinnong, 1999).
A aplicação da teoria de Yin/Yang no ser humano parte do princípio de que o corpo é
um todo integrado, sendo que seus órgãos e tecidos estão conectados organicamente e
podem ser divididos em dois aspectos opostos e complementares. Cada aspecto do corpo
humano possui características Yin ou Yang.
Conforme o livro Su Wen: “o homem tem uma forma física que é inseparável do Yin
e do Yang”. Em anatomia, as Vísceras (Xiao Chang, Da Chang, Pang Guang, Dan, Wei e
San Jiao), a região superior, lateral, dorsal, a superfície do corpo, os pêlos, a pele e a face
externa dos membros são Yang, enquanto que os Órgãos (Gan, Fei, Shen, Xin, Xin Bao e
Pi), a região inferior, ventral, o interior, a face interna dos membros, o lado medial, os
músculo, os ossos, e o Sangue são Yin.
Na fisiologia, a MTC considera que as atividades fisiológicas normais do
organismo são o resultado do equilíbrio relativo entre Yin e Yang. As substâncias nutrientes
são Yin, enquanto que a atividade funcional do corpo é Yang. Os dois aspectos são
necessários para a existência da vida, pois sem nutrientes não haveria substâncias para as
atividades funcionais, e sem atividade funcional como força motriz para a transformação e
transporte dos nutrientes não haveria nutrientes para o organismo.
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Já o desequilíbrio entre Yin e Yang, traduzido pelo excesso ou deficiência de um ou


de outro, gera a patologia. Esta desarmonia entre Yin/Yang gera uma série de sinais e
sintomas físicos e mentais que são identificados através da história clínica e do exame
físico do paciente, fornecendo os subsídios necessários para a identificação do padrão de
desarmonia. Após a identificação destes padrões, o paciente poderá, então, ser tratado com
qualquer um dos recursos que a MTC oferece: Acupuntura, Moxa, Tui Na, Farmacoterapia,
Dietoterapia e Qi Qong. Em última instância, o tratamento das doenças para a MTC é nada
mais nada menos do que o restabelecimento do equilíbrio entre Yin e Yang (Xinnong, 1999).

Wu Xing (Cinco Elementos)

A teoria dos Cinco Elementos afirma que no mundo natural existem cinco
categorias denominadas madeira, fogo, terra, metal e água. Esta teoria sustenta que os
fenômenos do universo correspondem em natureza à madeira, o fogo, à terra, ao metal e à
água, estando em um estado de constante movimento e mudança. Esta teoria surgiu nas
sociedades primitivas chinesas onde esses elementos eram considerados vitais para a
manutenção da vida, pois representam os cincos estados de mudanças normais no mundo
natural onde o alimento necessita da água e do fogo, a produção conta com a madeira, que
dá origem a todas as coisas, e tudo é utilizado pelo homem. Assim, o caráter da madeira é
crescer e florescer; o do fogo é queimar e ascender; o da terra é dar origem a todas as
coisas; o do metal é descender e estar claro e o da água é ser fria e fluir na direção
descendente. Esta teoria gerou muitos estudos clássicos na China antiga, sendo que todos os
fenômenos naturais foram analogicamente enquadrados em uma destas categorias.
Conseqüentemente, foi aplicada também na MTC onde é utilizada para explicar a fisiologia
e a patologia dos Órgãos e Vísceras (Xinnong, 1999). Os fenômenos naturais como as
estações, as direções, as cores, os sabores, os climas, os planetas, os animais domésticos, os
grãos e os estágios de desenvolvimento foram agrupados de acordo com as propriedades
semelhantes dos Cinco Elementos.
As leis básicas que regem esta teoria partem dos princípios de que um elemento
pode gerar outro e que cada elemento tem seu elemento controlador, onde tudo gira num
círculo contínuo de geração e controle mútuo. Assim, a madeira gera o fogo, que gera a
terra, que gera o metal, que gera a água, que gera a madeira. Esta relação é conhecida como
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“mãe e filho”. Enquanto que a relação de “controle” ocorre na seguinte ordem: a madeira
controla a terra, que controla a água, que controla o fogo, que controla o metal, que
controla a madeira. Estes dois aspectos de geração e controle são dois aspectos inseparáveis
e indispensáveis da teoria dos cinco elementos. Outro aspecto desta teoria é a
contradominância, na qual o elemento que deveria dominar passa a ser dominado. Como
exemplo, o metal que controla a madeira, na contradominância, passa a ser dominado por
ela. É um ciclo patológico (Xinnong, 1999).
Na aplicação desta teoria na MTC, a classificação destes fenômenos é utilizada para
explicar tanto a fisiologia como a patologia do corpo humano. Analogicamente, cada Órgão
e Víscera pertence a um elemento e cada um é capaz de gerar e controlar outro. Assim, Gan
(Fígado) pertence à madeira e gera Xin (Coração), que pertence ao fogo, que gera Pi
(Baço), que pertence à terra e gera Fei (Pulmão), que pertence ao metal, que gera Shen
(Rim), que pertence à água e gera a madeira. O ciclo de intercontrole faz-se igual ao que já
foi descrito anteriormente. Esta lei, no entanto, é considerada insuficiente para explicar
todos as interelações fisiológicas e patológicas de Zang Fu (Órgãos e Vísceras).

Qi

Outro conceito muito importante da MTC refere-se ao Qi. Qi foi traduzido pelo
ocidente por Morant como “energia”. Este mesmo autor reconhece que o termo não é
adequado para o sentido do que é Qi para a cultura chinesa, porém na ausência de um termo
melhor sugere esta denominação (Morant, 1990). Neste estudo, o termo não será traduzido.
A filosofia chinesa considera Qi como a substância fundamental que constitui o universo,
sendo que todos os fenômenos foram produzidos pelas mudanças e movimentos de Qi
(Xinnong, 1999).
O ideograma que representa Qi é composto de arroz não cozido e vapor. Tem o
significado da existência de um estado sutil, ativo e dinâmico como o vapor e um estado
sólido, denso e material como o arroz. Os textos clássicos da MTC, como o Su Wen, citam o
Qi como a raiz do homem, pois este constitui, anima, coordena e controla toda a
manifestação da vida (Maciocia, 1998).
De forma genérica, o termo Qi tem dois sentidos: denota tanto a matéria (corpo)
como a atividade funcional dos Órgãos e Vísceras e tecidos. Qi é percebido funcionalmente
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pelo que faz, sendo a força motriz de todos os processos fisiológicos. Qi é a forma física
dos seres e, ao mesmo tempo, produz e ordena a atividade que dá vida a esta forma física
(Maciocia, 1998).
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Segundo Xinnong (1999), as diferentes manifestações de Qi têm como funções


principais o aquecimento do corpo, a proteção do organismo dos ataques dos Fatores
Patogênicos, o movimento ou a impulsão da atividade fisiológica de todo o organismo, a
atividade de controle do Sangue, da sudorese, da diurese e da menstruação; a atividade de
transformação, a atividade funcional dos Órgãos e Vísceras, a distribuição de Qi e Sangue,
os movimentos de entrada e saída, subida e descida do Qi. Ainda, segundo este mesmo
autor: “Qi é demasiadamente rarefeito para ser visto e sua existência é manifestada nas
funções dos Órgãos e Vísceras.” (Xinnong, 1999, p.35).

Teoria de Zang Fu (Órgãos e Vísceras)

Zang Fu é o termo genérico que denomina os Órgãos e Vísceras sob o modelo da


teoria da MTC (Xinnong, 1999). Segundo, He, 1999, embora a teoria de Zang Fu (Órgãos e
Vísceras), tenha se baseado no conhecimento da anatomia da época antiga, o seu
desenvolvimento ocorreu através da observação e análise dos resultados, com base no
princípio “o que está no interior necessita do que esta no exterior” (He, 1999, p. 51). Este
princípio deu origem a um sistema teórico singular sobre a fisiologia e a patologia. Então
Zang (Órgãos) são Xin (Coração), Gan (Fígado), Fei (Pulmão), Shen (Rim), Pi (Baço) e
Xin Bao (Pericárdio), enquanto que Fu (Vísceras) são Dan (Vesícula Biliar), Xiao Chang
(Intestino Delgado), Da Chang (Intestino Grosso), Wei (Estômago), Pang Guang (Bexiga)
e San Jiao (Triplo Aquecedor), mesmo tendo uma denominação igual aos órgãos da
anatomia ocidental, não tem semelhança com os conceitos fisiológicos e patológicos
contemporâneos (He, 1999). Para a MTC os Órgãos são Yin, não tem contato com o
exterior, são maciços e tem como funções fabricar e armazenar as Substâncias
Fundamentais, enquanto que as Vísceras são Yang, ocas, têm contato com o exterior e
impulsionam as substâncias (Xinnong, 1999).
O modelo teórico prático de Zang Fu correlaciona todas as estruturas e funções do
corpo humano em um sistema próprio. Assim cada Zang com seu conjunto de
peculiaridades localizadas nos mais diferentes tecidos apresentam funções tanto no nível
físico como no mental.
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Assim para a MTC o sistema Xin (Coração) tem as seguintes características: é


considerado o monarca de todos os Zang Fu, tem como função fazer circular Xue (Sangue)
dentro dos Vasos, por isso é dito que Xin domina Xue e os Vasos, manifesta-se na face,
abre-se na língua e abriga Shen (Mente), sua emoção é a alegria, controla a sudorese, a
coerência da fala, o sono e os sonhos. O sistema Xin é considerado dentro da MTC como de
extrema importância nas atividades mentais, e é este sistema quem comanda Shen (Mente)
e guarda o Espírito. As atividades de pensamento consciente estão relacionadas com todos
os outros Zang, porem correspondem principalmente as atividades fisiológicas do sistema
Xin, principalmente a de Xue de Xin (Sangue do Coração). Alguns livros trazem inclusive a
denominação de Xin Shen (Shen do Coração).
O sistema Gan (Fígado) tem como função armazenar Xue (Sangue), manter o livre
fluxo de Qi, controlar os tendões, manifestar-se nas unhas, abrir-se nos olhos, é responsável
pela visão e abriga Hun (Alma Etérea), sua emoção é a raiva, a ira e também auxilia o
controle dos sonhos.
O sistema Pi (Baço) tem como função produzir a transformação e transporte dos
alimentos para serem absorvidos, por isso exerce papel importante na formação de Xue
(Sangue) e de Qi, ainda mantém o Xue dentro dos vasos sanguíneos impedindo os
extravasamentos, domina as carnes e os músculos, abre-se na boca e manifesta-se nos
lábios, responsável pelo paladar, abriga o Yi (Intenção) e sua emoção é a preocupação.
O sistema Fei (Pulmão) é responsável por dominar o Qi e controlar a respiração. É
responsável pela distribuição de Qi e Líquidos Orgânicos para todo o corpo, abre-se no
nariz, manifesta-se na pele, controla a força da voz, responsável pelo olfato, abriga o Pó
(Alma Corpórea) e sua emoção é a tristeza.
O sistema Shen (Rim) é responsável por armazenar Jing (Essência) e controlar o
crescimento, desenvolvimento e a reprodução, domina o metabolismo da água, recebe Qi
de Fei (Pulmão), domina os ossos, os dentes, produz a medula e manifesta-se nos cabelos,
sua abertura para o exterior é a orelha, responsável pela audição e domina os orifícios
inferiores, abriga Zhi (Força de Vontade) e sua emoção é o medo.
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Pode-se observar a amplitude do sistema Zang Fu analizando-se a


tabela abaixo:
Sistema Gan (Fígado) Xin (Coração) Pi (Terra) Fei (Metal) Shen (Rim)
Zang
Fu Dan Xiao Chang Wei (Estômago) Da Chang Pang Guang
(Vesícula (Intestino (Intestino (Bexiga)
Biliar) Delgado) Grosso)
Yin/Yang Yang mínimo Yang máximo centro Yin mínimo Yin máximo
Órgãos dos Olhos Língua (Fala) Boca (Paladar) Nariz (Olfato) Ouvidos
sentidos (Visão) (Audição)
Tecidos Ligamentos, Vasos sangüíneos Carne Pele Ossos
corpoais tendões,
músculos,
aponeuroses
Ornamentos Unhas Face Lábios Pêlos Cabelos
Secreções Lágrimas Suor Saliva Secreção nasal Escarro
Emoções Raiva Alegria Preocupação Tristeza Medo
Mental Hun Shen Yi Po Zhi
5 elementos Madeira Fogo Terra Metal Água
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Climas Vento Calor de Verão Umidade Secura Frio


Estações Primavera Verão Fim de Estação Outono Inverno
Evolução Nascimento, Crescimento, Transformação, Colheita, Estocagem,
germinação desenvolvimento mutação recolhimento, conservação,
recepção armazenamento
Direções Leste Sul Centro Oeste Norte
Cores Verde (Azul) Vermelho Amarelo Branco Preto
Sabores Ácido Amargo Adocicado Picante Salgado
Odores Rançoso Queimado Perfumado Carne crua Podre
Animais Ovelha Frango Boi Cavalo ou Porco
domésticos cachorro
Cereais Trigo Milho Aveia Arroz Soja
Som Grito Riso Cantoria Choro Gemido
Movimento Centrífugo Subida Estabilidade Centrípedo Descida
Fonte: Livro do curso do Ipe/MTC, Florianópolis, SC, 2000.
Shen (Mente)

Segundo Yanchi (1998), discutir o modelo para a atividade mental da MTC,


denominado de Shen (Mente), apresenta muitas dificuldades, iniciando pelo seu conceito
abstrato e por que esta atividade para a MTC esta relacionada diretamente com as funções
de Zang, especialmente de Xin. Porém segundo Maciocia (1996) desde a dinastia Ming
(1368-1644) que alguns médicos atribuíam as funções da inteligência e da memória ao
cérebro e não ao Xin. Este autor cita o médicos chineses Li Zhi Zhen (1518-1593) da
dinastia Ming e Wang Qing Ren (1644-1911) do inicio da dinastia Qing por colocarem a
inteligência e a memória no cérebro. Porem os livros textos clássicos da MTC não sofreram
influência destes autores. Neste estudo vai-se desenvolver o conceito de Shen (Mente)
dentro do modelo clássico da MTC.
Para a MTC, Shen (Mente) é considerado um dos três tesouros, os outros dois são
Qi e Jing (Essência). Então várias perguntas surgem – O que é Shen? de onde ou quando
surge? Como se divide? Ou se manifesta?
Segundo autores como Xinnong (1999), Yanchi (1988), He (1999), Maciocia
(1996), Darella (2001), o modelo Shen tem dois significados: de forma ampla indica a
aparência exterior das atividades vitais do corpo humano tais como coloração da face,
expressão dos olhos, força da voz, coerência da fala, movimentos dos membros, reações
sensitivas. No diagnóstico a expressão “ter Shen” adquire este significado, onde a vitalidade
do paciente é avaliada pela impressão que o paciente transmite ao médico. Segundo o Su
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Wen cap 13 “Ter Shen é a vida, perder Shen é a morte” ou seja neste aspecto Shen
demonstra a gravidade da doença.
De forma restrita indica as atividades mentais, consciência e pensamento e é
guardado em Xin.
Para se falar da origem de Shen é necessário entender o conceito de Jing (Essência).
Para a MTC existe Jing do pai e Jing da mãe, quando ocorre a união destas duas Essências
forma-se Jing Hereditário que é nada mais nada menos que a carga genética contida no
espermatozóide e óvulo. No momento em que Jing do pai e da mãe se encontram Shen
(Mente) está formado. Após o nascimento Jing é armazenado no sistema Shen (Rim) e é a
base biológica de Shen (Mente). (Maciocia, 1996).
Shen (Mente) indica o conjunto de todas as atividades mentais, consciência e
pensamento representando as funções cerebrais e na MTC, estas funções são atribuídas ao
sistema Xin. Darella (2001).
Segundo Maciocia (1996) as diferentes atividades mentais que compõe Shen são:
consciência, pensamento, memória, cognição, sono, inteligência, sabedoria, idéias e
“insight”. Ainda segundo este autor se Shen estiver forte o pensamento será claro, se pelo
contrário estiver fraca ou perturbada, o pensamento será lento e embotado. Já a memória
não depende somente de Shen de Xin (Coração), mas também de outros Zang, assim a
memória relacionada com a capacidade de lembrar os conteúdos estudados ou trabalhados
relaciona-se com o sistema Pi (Baço). Enquanto que a memória para fatos passados
pertence ao sistema Xin e a de fatos presentes pertence ao sistema Shen (Rim). Esta é a
explicação por que os idosos em geral esquecem os fatos recentes e lembram os fatos
passados. Para a MTC a medida que se vai envelhecendo Jing (Essência) armazenada em
Shen (Rim) vai se esgotando, então a memória relacionada com esta função vai se tornando
deficiente. Para este autor a consciência indica a totalidade dos pensamentos e das
percepções, e também o estado de ser consciente. E Shen é quem é responsável pela
recognição dos pensamentos, percepções e sentimentos.
Já o “insight” indica a capacidade de autoconhecimento e auto-reconhecimento. No
cotidiano se está sujeito a estímulos emocionais, percepções, sentimentos e sensações das
mais diversas e Shen é quem reconhece e percebe todos eles. Com relação às emoções cada
uma delas afeta seu Zang em particular, porem a capacidade de reconhecimento desta
emoção é de Shen. A cognição indica a capacidade de Shen em perceber e compreender os
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estímulos. O sono também depende do estado de Shen, se esta estiver calma e equilibrada, a
pessoa dorme bem. Ao contrário o sono será ruim. Já a inteligência não depende somente
de Shen, mas sim também de Jing Hereditário, porem se Shen e Xin forem fortes o
individuo poderá ser inteligente e brilhante. As idéias, projetos e sonhos que proporcionam
objetivos na vida também dependem da função de Shen. A sabedoria é proveniente de um
Xin (Coração) forte e Shen saudável. Como Shen é responsável pelo conhecimento e pela
percepção, também proporciona a capacidade das pessoas aplicarem os conhecimentos de
forma crítica e sábia.
Então para este autor se o sistema Xin (Coração) for forte e Shen saudável, o ser
humano pode pensar com clareza, a memória é boa, o estado de consciência e o “insight”
são nítidos, a cognição é clara, o sono é profundo, a inteligência é brilhante, as idéias fluem
facilmente e a pessoa age com sabedoria. Enquanto que se o sistema Xin for afetado e Shen
estiver fraco ou perturbado a pessoa será incapaz de pensar claramente, a memória será
fraca, a consciência estará obscurecida, o discernimento será ruim, o sono inquieto, terá
pouca inteligência, as idéias estarão confusas e pode agir de forma insensata (Maciocia,
1996)
Shen além de ser responsável pelas atividades mentais é também responsável pelos
órgãos do sentido. Nestas funções o sistema Xin Shen com sua função de impulsionar o Xue
(Sangue) para nutrir as estruturas e ser a “morada” de Shen atuam em conjunto com o Zang
específico. Assim o sistema Gan (Fígado) é responsável pela visão que necessita de Xue
(Sangue) para ser nutrido e de Shen para reconhecer o estimulo visual, já a audição pertence
ao sistema Shen (Rim) que também necessita de Xue para sua nutrição e de Shen para o
reconhecimento auditivo. Em resumo o olfato do sistema Fei (Pulmão), o paladar cuja
língua na anatomia da MTC é considerada o “broto de Xin” e o tato que necessita da
cognição e da organização das sensações aos estímulos externos necessitam de Xue
(Sangue) para serem nutridos e Shen para terem os respectivos estímulos reconhecidos.
Ainda para o modelo da MTC existem cinco aspectos mentais e espirituais que
compõe o sistema Shen (Mente). Além do aspecto de Shen discutido anteriormente cada
Zang tem um aspecto mental e uma emoção que lhe é peculiar, porém fazem parte da
totalidade complementaria do sistema Shen. São eles: Hun (Alma Etérea), Pó (Alma
Corpórea), Zhi (Força de Vontade) e Yi (Intenção). Estes quatro aspectos associados a Shen
forma o que a MTC denomina de Espírito.
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Hun (Alma Etérea)

Este aspecto mental é que mais se aproxima do conceito cristão de alma ou espírito.
Hun existe desde o nascimento, é de natureza etérea e celestial e após a morte sobrevive ao
corpo e retorna ao Tian (Céu). Segundo Maciocia (1996) céu no conceito chinês antigo é
um estado de energias e seres sutis e não substanciais. O ideograma que representa Hun é
uma cabeça sem corpo subindo para o céu em movimentos giratórios. Existem três tipos de
Hun: a vegetativa (comum aos vegetais, animais e seres humanos), a animal (comum aos
animais e seres humanos) e a humana (somente dos seres humanos). Enquanto que Shen
para a MTC é de natureza essencialmente Yang e representa o Yang dentro do Yang, Hun
representa o Yin dentro do Yang. Ling Shu no cap 8 refere que “o Hun é o vai e vem de
Shen”. Hun é mais um nível de consciência, ligado ao Shen. Esta enraizado em Yin de Gan
(Fïgado). Se o sistema Gan estiver deficiente Hun perde sua “morada” ficando sem raiz e a
pessoa pode apresentar insônia, timidez, medo e “perda do sentido de direção na vida”. A
seguir descreve-se as atividades mentais que fazem parte das funções de Hun:
Sono e sonhos: segundo a MTC uma das causa da insônia e dos excessos de sonhos
é por que Hun está despojado de sua residência. A fisiopatologia deste fato pode ser
decorrente de qualquer distúrbio de Yin ou Xue (Sangue) de Gan. Com relação aos sonhos
não se refere somente ao sonhar dormindo, mas também ao “sonhar acordado”, ou seja se
Hun não estiver bem enraizado no Xue de Gan a pessoa terá sua mente cheia de fantasias e
passará a fazer planos que não consiguirá concretizar, pois perdeu o senso de direção e
objetivo na vida. Se pelo contrario Hun estiver corretamente enraizado a pessoa fará seus
planos, traçará seus objetivos de forma coerente e realizável.
Atividades mentais: Shen é responsável pelo pensamento racional e Hun pela
intuição e inspiração. Hun também fornece a Shen a capacidade de autodiscernimento,
introspecção e a capacidade de se comunicar com o mundo exterior.
Equilíbrio das emoções: o ser humano em algum momento de sua existência
apresenta diferentes emoções como alegria, tristeza, raiva, medos, preocupações, que
quando não é excessiva, repentina e prolongada não causa doença. Hun que é responsável
pela parte mais intuitiva e inconsciente da mente é quem impede que as emoções se tornem
excessivas e se transformem em causas das doenças. (Como exemplo desta situação de
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desarmonia pode-se citar a pessoa que sofre um infarto após o time ser campeão ou ganhar
na loteria, noticias que dão muita alegria, ou alguém que apresenta uma crise de enxaqueca
ou crise de rinite ou asma após um episodio de raiva). Então se Hun estiver bem enraizado
a pessoa apresentará uma vida emocional equilibrada e feliz.
Olhos e visão: os olhos necessitam de Xue (Sangue) para ver, Hun circula junto com
Xue de Gan (Fígado) por isso nos textos clássicos de MTC é dito que “quando Hun flui
para os olhos, eles podem ver”. Com relação a atividade mental Hun é responsável pelo
“insight” e pela capacidade de visão.
Coragem: Hun está relacionado com a coragem, a covardia e a capacidade de
tomada de decisão. Se Hun for fraco a pessoa será tímida. O estado de Hun é dependente do
estado de Xue de Gan, então se este estiver forte a pessoa será destemida com capacidade
de enfrentar com coragem e com espírito indomável as dificuldades da vida. Se pelo
contrário, Xue de Gan estiver fraco e conseqüentemente Hun débil a pessoa perde a
coragem e a determinação não sendo capaz de enfrentar as dificuldades ou tomar decisões
na vida além de se desencorajar facilmente. A sensação vaga de medo antes do adormecer
também é um sintoma de falta de enraizamento de Hun.
Planejamento: Hun influencia a capacidade de planejar e dar direção a vida. A perda
de rumo na vida e a confusão mental, segundo a MTC podem ser causadas pela falta de
enraizamento do Hun, que fica “vagueando” sem rumo. Sensações muitas vezes não
explicadas pela medicina Ocidental encontra explicações na MTC, por exemplo, aquela
sensação de flutuar um pouco antes do adormecer pode ser causado por uma deficiência de
Yin que deixa Hun sem raiz.
Hun e Shen: estão intimamente relacionadas e particpam de todas as atividades
mentais. Hun é descrito como o “ir e vir de Shen”, isto significa que através do Hun, Shen é
capaz de tanto relacionar-se com o mundo exterior como também introspeccionar-se para
receber a intuição, a inspiração, os sonhos e as imagens provenientes do inconsciente. Se
Hun não estiver enraizado a comunicação com Shen será insuficiente e o individuo perde a
inspiração podendo tornar-se deprimido sem objetivo ou sonhos na vida. Ao mesmo tempo
em que Hun dá movimento ao Shen, este apreende Hun, pois se esta função de Shen estiver
deficiente a pessoa poderá apresentar inquietude, dispersão e indecisão. Este fato explica as
atitudes de algumas pessoas que estão sempre cheia de idéias, sonhos e projetos, porem não
conseguem realizar nada, pois Shen não é capaz de frear o Hun.
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Pó (Alma Corpórea)

Fei (Pulmão) é a residência de Pó. É inseparável do corpo e vai para a terra quando
ele morre. Segundo Maciocia apud Zhang Jie Bin (1996), “No começo da vida de um
individuo o corpo é formado; o espírito do corpo é Pó. Quando Pó está no interior, há Yang
Qi”. Pó além de si mesmo, é composto dos cinco sentidos, do movimento dos membros
como agilidade, equilíbrio e coordenação.
Pó e Jing (Essência): Pó surge após Jing Hereditário ser formado, e é proveniente
da mãe. Pode-se descrever Pó como a manifestação de Jing (Essência) na esfera das
sensações e sentimentos, fazendo com que esta participe de todos os processos fisiológicos
corporais. Sem Pó Jing seria uma substancia preciosa e vital porem inerte.
Pó e a infância e os sentidos: segundo Zheng Jie Bin “no começo da vida os
ouvidos, os olhos e Xin (Coração) percebem, as mãos e os pés se movem e a respiração se
inicia: tudo isto é devido a vivacidade de Pó”. Segundo Li (2001), Pó é responsável pela
sensibilidade e mobilidade inerentes como a audição, a visão, o olfato, as sensações
térmicas, prurido, os movimentos dos membros e a sucção e o choro dos recém nascidos.
Pó e as emoções: está relacionado com a capacidade de sentir dor física e
emocional. Assim quando a pessoa foi colocada frente a tristeza e desgostos e por isso
chora é Pó que é responsável por esta atitude.
Pó e a respiração e as atividades fisiológicas: como Pó reside em Fei (Pulmão) está
relacionado com a respiração e com as funções de Fei em descender Qi e Líquidos
Orgânicos.
Pó e vida individual: Hun é responsável pela maneira como as pessoas se
relacionam entre si, enquanto que Pó protege o individuo das influencias psíquicas externas
(como exemplo pode-se citar aquelas pessoas que relatam que se sentem como “para-raios”
nos relacionamentos).

Yi (Inteligência)
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Segundo Maciocia (1996), Yi reside no sistema Pi (Baço) e é responsável pelo


pensamento aplicado, pelo estudo, pela memorização, pela focalização, pela produção de
idéias e pela concentração. Qi e Xue (Sangue) são as bases fisiológicas de Yi. Como Qi e
Xue dependem de Pi, se este for forte o pensamento será claro, a memória boa, a
capacidade de concentração, estudo e produção de idéias também serão boas. Com relação
ao pensamento, a lembrança e a memória há uma ligação entre Yi, Shen e Zhi (Força de
Vontade). Então Pi (Baço) é responsável pela memorização de dados durante o trabalho ou
o estudo, enquanto que Xin (Coração) e Shen (Rin) são responsáveis pela memória de
acontecimentos presentes ou passados, já discutido anteriormnete.

Zhi (Força de Vontade)

Segundo este mesmo autor, Zhi pode ter três significados: memória, Força de
Vontade e os cinco aspectos mentais (Shen, Hun, Pó, Yi e Zhi).Zhi está alojado no sistema
Shen (Rim) e indica direção, determinação, um único propósito na busca dos objetivos e
motivação. Segundo Zhang Jie Bin “quando alguém pensa em alguma coisa, decide sobre
ela e então age sobre ela, isto se chama Zhi (Força de Vontade)”. Portanto se o sistema Shen
(Rim) estiver forte Zhi estará também forte e a pessoa terá direção, determinação na busca
de seus objetivos e não se desencorajará e nem se desviará facilmente de seus objetivos.
Já Li (2000), prefere discutir estas atividades mentais em bloco. Então Yi (Intenção,
Recordação), Zhi (Determinação, Memória), Si (Pensamento), Lu (Planejamento) e Zhi
(Inteligência), são as atividades cognitivas e de pensamento controladas por Xin Shen (Shen
do Coração).
Yi (Intenção, Recordação) e Zhi (Determinação, Memória) relacionam-se com Shen
Jing (Essência do Rim). Sendo que Yi é o pensamento ainda não consolidado e Zhi
(Determinação) é a decisão de terminar um trabalho ou memorizar um pensamento
consolidado. Já Si é pensar de forma repetida e Lu é pensar e planejar; os dois são
atividades desenvolvidas para conhecer e reconhecer um trabalho antes da ação. Enquanto
que Zhi (Inteligência) são as atividades de pensamento necessárias para alcançar os
objetivos. A função de Zhi (Inteligência) é utilizar as outras formas de pensamento (Yi, Zhi,
20

Si e Lu) como a base para estabelecer os métodos e as etapas correta para resolver
objetivamente os problemas.
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Conclusão

O modelo da MTC para as atividades mentais obedece a sua racionalidade. É um


modelo explicativo muito interessante, pois correlaciona mente e corpo num sistema
integrado. Pode a primeira impressão parecer uma explicação ilógica e irracional para o
paradigma ocidental, porem quando se tem o entendimento do que significa um sistema de
Zang (Órgãos), e analisar as diferentes estruturas e funções que o compõe tanto na natureza
como no corpo humano pode-se começar a pensar que as atividades mentais que formam
Shen (Mente) podem estar relacionados com as estruturas cerebrais e suas funções
mapeadas atualmente. Sempre é bom lembrar que este modelo teórico da fisiologia humana
tem demonstrado apresentar excelentes resultados práticos no tratamento dos pacientes, e o
que na teoria parece muitas vezes ser “loucura” na prática tem surpreendido tanto os
profissionais e os pacientes que dele fazem uso. Não se deve esquecer que grande parte do
paradigma da MTC, a ciência moderna ainda não conseguiu explicar e sua validação ocorre
basicamente pela grande aceitação das populações que a ele tem acesso e pela sua história
de mais de 2000 anos. Por isso é um modelo que não deve ser esquecido quando se discute
o cérebro humano.
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