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Revista Graduando nº1 jul./dez.

2010

DIVERGÊNCIAS CONCEITUAIS:
G R A M Á T I C A N O R M AT I VA X D E S C R I T I VA
Inérzia Kaliane Torres Leite
Univ ersidade Estadual de Feira de Santana, Letras Vernáculas
in er z ia t l@y a h o o .co m .b r

J o a n a G o m e s d o s S a n t o s F i gu er e i d o
Univ ersidade Estadual de Feira de Santana, Letras Vernáculas
joanagsf @gmail.com

R e s u m o: O r e f e r id o t r a b a l h o t r a z d i v er g ên c i a s e n t r e gr a m á t i c a s n o
q u e t a n g e a o t em a “ O o l h a r d o s g r a m át i c o s s o br e a d j e t i v o , su b s t a n-
t i v o e v er bo s ” p r o cu r a n d o , d e s s a m a n e i r a , m o s t r a r o po r q u ê d e o
e n s i n o g r am a t i c a l s e r t ã o f a l h o , a c e n t u a n d o a i m p o r t â n c i a d o u s o d a
g r a m át i c a d e s c r i t i v a p e l o s f u t u r o s e a t u a i s d o c e n t e s . N ã o s e t r a t a d a
d e f e s a d e u m a e d a e x c l u s ã o d a o u t r a , m a s s i m s e s u g e r e qu e s e
faça uma análise crítica dos fatos da língua para que o ensino da
g r a m át i c a n o r m a t i v a s e j a f e i t o d e f o r m a m a i s c o n s c i e n t e .
P a l a v r a s c h a v e s : Gr a m á t i c a , s u b s t a n t i v o , a d j e t i vo , v e r bo , f u n c io n a l i -
dade.

A b s t r a c t : Th e r e l a t e d w o r k b r i n g s d i v e r g e n c e s be t w e en g r a m m a r s i n
w h a t it r ef e r s t o t h e s u b j e c t “ t h e l o o k o f t h e g r a m m a r i a n s on a d j e c -
t i v e , s ub s t a n t i v e a n d v e r b s ” l o o k i n g f o r , of t h i s w a y , t o s h ow t h e
r e a s o n o f g r am m a t i c a l e d u c a t i o n t o b e s o d e f ec t i v e , a c c e n t i ng t h e
i m p or t a n c e of t h e u s e o f t h e d e s cr i p t i v e gr a m m a r f or t h e f ut ur e s
a n d c ur r en t p r o f e s s o r s . On e i s n o t a b o u t t h e d e f e n s e of o n e a n d
e x c l u s i o n o f t h e o t h e r , b u t y e s i f it s u g g e s t s t ha t i t m a k e s a c r i t i c a l
a n a l y s i s o f t h e f a c t s o f t h e l a n g u ag e s o t h at t h e e d u c a t io n of t h e
n o r m a t i v e gr a m m a r i s m a d e o f m o r e c o n s c i e n t i ous f o r m .
K e y w o r d s : Gr a m m a r , s u b st a n t i v e , a d j e ct i v e , v er b , f u n c t io n a l i t y .

I N T R O DU ÇÃ O

O p r o po s t o t r a b a l h o t r a z c o n c e i t o s r e f er e nt es a a d j e t i v o , a
s u b s t a n t i vo e a t r a n s i t i v i d ad e v er b a l a p r e s e n t a do s p e l a gr a m á t i c a -

J
N o r m a t i v a e D e s c r i t i v a – m o s t r a n d o a s d i v e r g ê n c ia s e n t r e e l a s .
R e s s a l t a a i m p o r t â n c i a d o u so d a d e s cr i t i v a pe l o s f u t u r o s e

45 ISSN 2236-3335
Revista Graduando nº1 jul./dez. 2010

a t u a i s d o c e n t e s c om o i n t u i t o d e a p r o fu n d a r o e s t u d o d a g r a m á t i c a
e p r e e n ch e r a s l a c u n a s d e i x a d a s p e l a n o r m a t i v a n o e n s i n o d a L í n gu a
Portuguesa.

O L HA R D O S G R A MÁ T IC O S SO BR E
A D J ET I V O , SU B ST A N T IVO E V ERB O

Quando se fala no estudo da língua, inevitavelmente pensa -se


em gramática. Geralmente se entende por gramática o livro que dita
a forma correta de falar e escrever em determin ada língua, mas não
foi sempre assim. Na sua criação o conceito e objetivo de gramática
eram distintos do citado acima.
Na Grécia, a gramática nasce com o intuito d e preservar a
cultura clássica. Em Roma, a gramática est ava ligada à arte do bem
falar e do bem escrever, ou seja, diretamente relacionada à arte de
persuadir. Com o Renascimento, na Itália e n a Fr ança, os intelectuais
viam na gramática uma forma de preservar a cu ltura do humanismo.
Essa normatização tinha um objetivo intelectual: levar a cultura re-
nascentista às camad as populares. Nessa época, por conta das lín-
guas neolatinas, o lat im já não er a compreendido pelo povo, daí a
necessidade de normatização d aquelas línguas p ara permitir a circu-
lação da cultura.
Muitas foram as transformações sofrid as pela gramática: def i-
nição e objetivo mudaram com o tempo. Os estudos na área d a lín-
gua foram se ampliando, trazendo -nos além da f amosa e tão temida
gramática normativa, outra que difere no que diz respeito à div isão,
sequência e def inição dos assuntos. N ão deixa t ambém de explicitar
o seu objetivo, deixando ainda m ais notório a distinção entre elas.
As gramáticas são elaboradas com base em estudos de lin-
guistas e gramáticos que tratam d a língua de forma diferentes.
A gramática normativa tem como função prescr ever o que se
deve ou não usar na língua. Segunda Bechar a (2 006, p.52) sua f ina-
lidade não é científica e sim pedagógica, já que elenca os f atos re-
comendados como modelares da exemplarid ade idiomática para se-
rem utilizados em circunstâncias especiais do convívio social, ou
seja, recomenda como se deve falar e escrever segundo o u so e a
autoridade dos escritores corretos e dos gramáticos e dicionarist as
esclarecidos.
Essa gramática, conforme afirma Perini (1 976, p.2 0) é o produto

J
do trabalho dos gramáticos que traz, além do citado por Bechara,
uma classificação de suas formas morfológicas e lexicais.

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A gramática normativa tem sofrido muita crít ica por parte dos
linguist as. A crítica é tão grande que esses especialistas chegam
muitas vezes a ser mal interpretados. São vistos como “anti -
gramáticos”, como se fossem contra o ensino da mencionad a obra
nas escolas, o que não é verdade. O que há de errado com a gra-
mática, segundo os linguistas, é a forma como ela é elaborada e
consequentemente ensinada. Para Perini (1996, p.22) elas são arcai-
cas, tanto na descrição que oferecem quanto nas teorias em que
se baseiam. Em seu livro Sofrendo a Gramática (1997, p.49) Perini
chega a explicitar os três grandes defeitos trazidos pelas gram áti-
cas: objet ivos mal colocado s, metodologia inadeq uada e falta de or-
ganização lógica. São muitos defeitos quando se sabe que se trata
de um manual que acompanha toda a vida escolar do aluno e que
se dispõe a en sinar a f alar e a escrever corretamente. Por conta
de tanto equívoco, a gramática normativa é sempre estudada e nun-
ca aprendida, tornando -se um livro odiado.
Outra gramática d a qual se tem conhecimento é a descritiv a.
Surgiu a partir da evolução do estudo da linguística – área em gran-
de desenvolvimento desde a década de 60. A insat isf ação e o s
questionamentos voltados par a o ensino da gramática normativa fei-
tos pelos especialistas da área fez com esses desenvolvessem um
material mais elaborado, com maior rigor científico, para o en sino e
a compreensão d a língua.
Um dos trabalhos nesse sentido é do professo r José Rebou-
ças Macambira. Com trabalhos voltados para a linguista ap licada,
Macambira escreve a estrutura morfossintática do português, um
trabalho diferenciado das demais gramáticas. Na introdução da quar-
ta edição, o professor menciona que o presen te trabalho “não se
trata de abolir a gramátic a tradicional (...) o que cumpre e urge é
favorecê-la com as conquistas da linguística m oderna, que já são
inúmeras e se alargam a cad a p asso.” (1982, p.12).
Outro trabalho nesse sentido é do já comentado especialist a
Mário Perini, que data a segunda edição de 1 996. Em seu pref ácio
(p.15), Perini além de criticar os estudos da gramática portuguesa
que, segundo ele, tendem atualmente a reduzir -se ao ex ame da lite-
ratura anterior, completando ocasionalmente com opiniões muito
pouco justificadas e que, em alguns casos, h á uma tentativa, sem-
pre muito limitada, de lançar mão de dados da língua atual, também
fala do objet ivo da presente obra, que é contribuir para uma reori-

J
entação radical dos estudos de língua portuguesa que, para ele, de-
ve ser do exame das gramát icas p ara o ex ame da língua, lev ando
e m c o n s i d e r a ç ã o a s p r i m e i r a s , p o r é m s u b m e t e nd o - a s a u m a c r í t i c a

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rigorosa.
A g r a m á t i c a d e s c r i t i v a n ã o é u m l i v r o v o l t a do pa r a a l u n o s d o
e n s i n o fu n d am e nt a l e m éd i o . Co m o o p r ó p r i o P e r in i a f i r m a (1 9 9 6 , p . 1 6 ) ,
s e u t r a b a l h o e s t á d i r e c i o n a d o a p r o f e s s o r e s do e n s i n o f u nd a m en t a l e
m é d i o , a l un o s e pr o fe s s o r e s d o s cu r s o s d e l et r as e d e v e s e r e nt e n-
d i d o c om o u m a c on t r i b u i ç ã o p a r a a r e fo r m u l a ç ã o d o e n s i n o d e gr a -
mática.
P a r a B e c h ar a ( 2 0 01 , p . 5 2 ), a g r a m á t i c a d e s c r i t i v a é u m a d i s c i p l i -
n a c i e n t í f i c a q u e r e g i s t r a e d e s cr e v e u m s i s t em a l i n g u í s t i c o em t o do s
o s s e u s a s p e c t o s ( f o n ét i c o - f o n o l ó g i c o m o r f o s s i n t á t i c o e l é x i c o ). D i z
a i n d a q u e po r s er d e n at u r e z a c i e n t í f i c a , n ã o es t á p r e o cu p a d a em
e s t a b e l e c e r o q u e é c e r t o o u er r a d o n o n í v e l d o s a b e r e l o c ut i v o , d o
s a b e r i d i o m á t i co e d o s a b e r ex p r e s s i v o .
A d i f e r e n ç a e n t r e a s d u a s g r a m á t i c a s m e n c i o na d a s é n í t i d a .
E n q u a n t o a p r i m e ir a a p r e s e n t a o s a s s u n t o s d e um a f o r m a s i n t é t i c a e
s e l i m i t a a e x e m p lo s , n a m a i o r i a d a s v e z e s d e s c on h e c i d o s d o s f a l a n -
t e s , a s e g u nd a a p r e s en t a c o n c e i t o s r e fo r m u l a dos , a n a l i s a p r o f u nd a -
m e n t e o s e x e m p l o s d a d o s , b u s c a n d o , a n t e s d e c h e g a r a u m a c o n-
c l u s ã o , r e s p o nd e r a o s p o s s í v e i s q u e s t i o n am e nt o s e m r e l a ç ã o a o s
fatos da língua.
A g r a m át i c a t r a d i c i o n a l d e f i n e a s c l a s s e s g r a m a t i c a i s c o m o s e
t o d a s e l a s f o s s e m p a s s í v e i s d e m u d a n ç a d e f un ç ã o . A s d e f i n i ç õ e s ,
n a m a i o r i a d a s v e z e s , c a u s a m c o n fu s ã o q u a n do l e v a d a s a o “ p é d a
l e t r a ” no m o m en t o d e a n a l i s a r s i n t a t i c a m e n t e a s or a ç õ e s d a l í n g u a .
A g r am á t i c a d e s c r i t i v a n ão d e i x a d e p r e s c r e v er , d e d e f in i r e s -
s a s c l a s s e s g r a m a t i c a i s , p o r ém e s t á p r e o c u p a d a n ã o c o m a d e f i n i ç ã o
isolada de determinada classe, mas em analisá -la em sua função, ou
s e j a , o b s e r v a r a co n s t r u ç ã o d a o r a ç ã o , c o m o se c o m p or t a d et er m i -
n a d a p a l a v r a e s ó e n t ã o a p r e s e n t a r u m a d e f i n i çã o q u e f a c i l i t e o e n -
t e n d im e nt o e a d i f e r en ç a e n t r e a s c l a s s e s , p r i n c i p a l m e n t e en t r e a -
q u e l a s q u e n ã o t êm l i m i t e s m u i t o c l a r o s .
A e x e m p l o d i s s o p o d em o s f a l a r e m d u a s c l a s s e s f a c i l m e n t e
c o n f u n d i d a s e m n o s s a l í n g u a : s u b s t a n t i v o e a d j e t iv o .
E n c on t r a m - s e , n a s g r a m á t i c a s n o r m a t i v a s , o s s e g u i n t e s c o n c e i -
t o s d e s u b s t a nt i v o e a d j e t i vo : o p r i m e i r o , s e g un do T e r r a ( 2 0 0 2 , p . 1 0 6 )
é a p a l a v r a v a r i á v e l e m g ên e r o , n ú m er o e gr a u q u e d á no m e a o s
s e r e s e m g e r a l . O s e g u n d o é a p a l a v r a v a r i á v e l e m g ê n er o , n úm e r o
e g r a u q u e c a r a c t er i z a o s u b s t a n t i v o o u q u a l q u er p a l a v r a c o m v a l o r
d e s u b s t a n t i vo , i n d i c a n d o - l h e a t r i b u t o , e s t a d o , m o d o d e s e r o u a s -

J
pecto.
O c o n c e i t o d e s u b s t an t i v o t r a z i d o p o r B e c h a r a ( 2 0 0 6 , p . 1 1 2 ) é
u m p o u co m a i s a m p l o . P a r a e l e , s u b s t an t i v o é u m l e x e m a q u e s e c a -

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r a c t e r iz a p o r s i g n i f i c a r o q u e c o n v e n c i o n a l m e nt e c h a m o u d e o b j et o s
s u b s t a n t i vo s , i s t o é , e m p r i m e i r o l u g a r , s u b st â n c i a s ( h o m e m , c a s a ,
l i v r o ) e , e m s e g u n d o l u g a r , q u a i s q u e r o u t r o s o b j e t o s m e nt a l m e nt e
a p r e e nd i d o s c om o s u b st â n c i a s , q u e s e j a m qu a l i d a d e s ( b o n d a de ,
b r a n cu r a ) , e s t ad o s ( s a ú d e , d o e n ç a ) , p r o c e s s o s ( c h e g a d a , e nt r e g a ,
aceitação).
Em ambas as definições, as gramáticas listam os adjetivos e
s u b s t a n t i vo s e o s d e f i n e m i s o l a d a m en t e, o u s e j a , n ã o l e v a m e m c on -
ta, inicialmente, a função das palavras nas or ações da língua.
A t r a v é s d a a n á l i s e e e s t u d o d a g r a m á t i c a de s c r it i v a , p er c e b e -
s e o qu a n t o e qu i v o c a d a é a d e f in i ç ã o d a d a ao s u b s t an t i v o, c om o
s e n d o no m e, e a o a d j e t i v o , co m o s e n d o q u a l i d a d e.
P a r a P e r in i ( 2 0 01 , p . 4 2) , n a v er d a d e n ã o s e po de f a l a r e m du -
as classes como fazem as gramáticas usuais. Se se considerassem
a s d e f i n i ç õ e s a n t e r io r m e n t e c i t a d a s , t e r i a q ue e x i s t i r um a t er c e i r a
c l a s s e , a m a i o r , a d a s p a l a v r a s q u e p o d e m s e r s u b s t a nt i v o s e a d j e t i -
vos.
Ao analisar palavras como João e paternal, a aplicação do
c o n c e i t o d a gr a m á t i c a n o r m at i v a , s e g u n d o Pe r in i , é r a z o a v e lm e nt e
f á c i l : J o ã o é u m n o m e e p a t er n a l e x p r i m e a p en a s u m a q u a l i d a d e .
M a s , a o a n a l i s a r p a l a v r a s c o m o m a t er n a l n ã o s e c h e g a r í a m o s a um a
c o n c l u s ã o de i m ed i a t o , e st a r - s e - i a d i a n t e d e um a d úv i d a : a t é q u e
p o n t o p od e - s e d et er m i n ar q u e a m en c i o n ad a p a l a v r a é um s ub s t a n t i-
v o o u u m a d j et i v o , j á q u e a m e s m a p o d e s e r a pl i c a d a n a s d u a s f i r -
mas?

Ex.: M e u m e n i n o a i n d a e s t á n o m a t er n a l .
M e u a m o r p o r vo c ê é m at e r n a l .

P o d e- s e d i z er q u e e s s e p r o c e s s o é m a i s u m a e x c e ç ã o d a s
m u i t a s r eg r a s e x i s t e n t e s n a g r am á t i c a t r ad i c i o n al , m a s o q u e h á n a
v e r d a d e s ã o m u i t a s p a l a v r a s c o m o m e s m o com p or t a m e nt o d e m a -
t e r n a l , o u s e j a , o r a t e m fu n ç ã o d e s u b s t a nt i v o o r a t e m fu n ç ã o de
a d j e t i v o . S e f or e m co n s i d e r a d a s a s d e f i n i ç õ e s a n t er i o r m e nt e c i t a d a s
p a r a s u b s t a nt i v o e a d j et i v o , t e r i a q u e e x i s t ir , s u g e r e P e r i n i (2 0 0 1 ,
p . 4 2 ), um a t er c e i r a c l a s s e p a r a c l a s s i f i c a r p a l a v r a s c o m o m e s m o
c o m po r t a m en t o d e m a t e r n a l c o m o c a b e ç a , v e r d e , c r i a n ç a , a m i g o , t u -
r i s t a e n t r e m u i t a s o u t r a s , o u s e j a , u m a c l a s s e m u i t í s s i m o ex t en s a ,
r e s o l v e nd o a s s i m o e q u í v o co c r i a d o p e l a g r a m át i c a n o r m a t i v a .

J
A l é m d e c l a s s i f i c a r a s p a l a v r a s p e l o s i g n i f i c a d o , c o m o fo i m o s -
t r a do – s u b s t an t i v o = n o m e ; a d j e t i v o = q u a l i d a d e – P e r i n i r e l a t a , e m
S o f r e nd o a G r am á t i c a ( 2 0 0 1 ) , o u t r a p o s s i b i l i d a d e d e c l a s s i f i c a r p a l a -

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v r a s q u e, s e g un do e l e , n ã o fu n c i o n a m : a c l a s s i f i c a ç ã o p e l a f o r m a .
D e s s a m a n e i r a , c o n f o r m e e s c l a r e c e o j á c i t a d o a u t or , po d e - s e d e f i n i r
o s u b s t a nt i v o c om o a p a l a v r a q u e p o d e a p ar e c er d ep o i s d e um a r t i -
g o , f o r m a n do u m s i n t a g m a ; p a l a v r a q u e a c e i t a a u m e nt a t i vo e d i m i nu -
t i v o ; p a l a v r a q u e f a z p l u r a l em – s , m a s , c o n c lu i P e r i n i , a c l a s s e d o s
s u b s t a n t i vo s d e f i n i d a d e s s a m a n e i r a v a i a b r a ng er t a m b é m o s a d j e t i -
v o s e o s p r on om e s .

Ex.: O v e r d e d o s s e u s o l h o s m e en c a n t a .
As rosas do meu jardim são amarelinhas.
Eles são inteligentes.

P a r a t e nt a r r e s o l v er e s s a c o n f u s ã o , P e r i n i (2 0 01 , p . 32 2 ) s u-
g e r e q u e a s p a l a v r a s s e j a m a n a l i s a d a s e d e f i n i d a s a p a r t i r d o qu e
e l e c h a m o u d e P ot e n c i a l F u n c io n a l v i s t o q u e , um a p a l a v r a , n a m a i o r i a
d a s v e z e s , s e e x pr i m e p o r v á r io s t r a ço s , o q u e e q u i v a l e a d i z e r q u e
u m a p a l a v r a p o d e d e s e m p en h ar m a i s d e u m a f u n ç ã o s i n t á t i c a . O b -
s e r v e e m fr a s e s c o m o :

Um avião inimigo.
U m i n i m i go t er r í v e l .

H á n a s f r a s e s a n t e r i o r e s u m a m e s m a p a l a v r a c o m f un c i o n a l i -
d a d e s d i f e r en t e s . N a p r i m e ir a , i n i m i g o é o m o d i f i ca d o r , e n a s e g u nd a
é u m s i n t a g m a no m i n a l . A p a l a v r a i n i m i g o n ã o é u m s u b s t a nt i v o qu e
à s v e z e s s e " t r a n s f e r e " p a r a a c l a s s e d o s a d j e t iv o s . Po r i s s o , é t o-
t a l m e n t e a c e i t á v e l q u a n d o P e r i n i d i z q u e u m a f un ç ã o n ã o d e v e s e r
v i s t a c o m o pr i n c i p a l e a o u t r a c o m o d er i v a d a , j á q u e am b a s s ã o a b -
s o l u t a m en t e c a b í v e i s n a l í n g u a .
C o m o o ut r o ex e m p l o s e p o d e f a l a r n a qu e s t ã o da t r a n s i t i v i d a d e
v e r b a l . Qu e s t i o n ad o s s o b r e a t r a n s i t i v i d a d e v er b a l , d i f i c i l m en t e o s
e s t u d a nt e s d a r ã o r e s p o st a d i f e r e n t e a d e q u e o s v e r b o s t r a n s i t i vo s
s ã o o s q u e p e d e m a p r e s e n ç a d e u m o b j e t o d ir e t o e o s v e r bo s i n -
t r a n s i t i vo s o s q u e n ã o p e d em a p r e s e n ç a d o ob j e t o d ir e t o . M e s m o
t e n d o c o nh e c i m en t o d a d i v i s ã o d o s v e r b o s , e m r e l a ç ã o à t r a n s i t i v i -
d a d e , e m c in c o t i p o s , e s s a s e r i a a r e s p o s t a m a i s r á p i d a d i a n t e d o
c i t a d o q ue s t i o n am e n t o .
P a r a P e r i n i (1 9 9 6 ; p . 1 6 2 ), e s s e é o u t r o g r a nd e e qu í v o c o d a g r a -
m á t i c a n o r m a t i v a . P ar a o a u t o r , a d e f i n i ç ã o d ad a l e v a a c r e r q u e

J
s e m p r e q u e ho u v er e m u m a o r a ç ã o u m v er b o t r a n s i t i v o , e s s a o r a -
ç ã o d e v e t er o b j et o d i r e t o , e s e m p r e q u e h o u v er um v e r b o i nt r a n s i -
t i v o , a o r a ç ã o n ã o p o d e t e r o b j e t o d ir e t o . A s s i m , a f i r m a P er i n i q u e

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Revista Graduando nº1 jul./dez. 2010

n ã o e x i s t e l u g ar p a r a v e r b o s q u e p o s s a m t er ou n ã o o b j et o d ir e t o .
S e n d o a s s i m , o c i t a d o a u t o r d i z q u e , l e v a n do e m c o n t a a s d e f i -
n i ç õ e s m e n c i o n ad a s p e l a G r a m á t i c a N o r m a t i v a , n ã o h a v e r i a l u g a r p a -
r a o v e r b o co m er , v i s t o q u e e s s e v e r b o po d e ou n ã o a p a r e c er c om
o b j e t o d i r et o s e m p e r d e r a s i g n i f i c a ç ã o , e m :

M e u g at o c o m e u t o d o o m i n g a u .
M e u g at o j á c o m eu .
M e u g at o q u a s e n ã o c o m e.

D i f e r e nt e d a G r a m á t i c a No r m a t i v a ( G N ), a D e s c r it i v a n ã o t r a z
d e f i n i ç õ e s i m ut á v e i s . E l a a n a l i s a a d e f i n i ç ã o d a d a p e l a G N à s c l a s s e s
g r a m at i c a i s e a p r e s e n t a “ t r a ç o s ” n o s q u a i s s e e n c a i x a m e s s a s c l a s -
s e s , l e v a n d o e m c o n s i d er a ç ã o s u a f u n ç ã o n a s m a i s d i v e r s a s o r a -
ções.

C O NC L U SÃO

C o m a p r e s e n t e c o m p ar a ç ã o , o q u e s e p e r c e be é o q u a n t o é
indispensável a revisão das gramáticas utilizadas em sala de aula.
E m t a nt o s a no s d e e st a c i o n a m en t o , a m u d an ç a , s e a c o n t e c er , c er t a -
m e nt e s e f a r á d e f o r m a m u i t o l en t a .
A g r am á t i c a d e s c r it i v a , c o m o j á fo i d i t o , é d e cu nh o c i e nt í f i c o e
n ã o e s t á p r e o cu p a d a e m d i t a r a f o r m a c e r t a d e f a l a r , m a s a j u d a a
esclarecer as muitas dúvidas criadas pela gramática normativa, assim
c o m o su s c i t a q u e s t i o n a m en t o s e m r e l a ç ã o à e f i c á c i a d a m e s m a n o
d e c or r er d a v i d a e s c o l a r d o s a l u n o s . É u m a o br a i m p or t a nt e qu e d e -
v e s e r e x p l or a d a a o m á x im o p e l o p ú b l i c o a l v o j á m e n c i on a d o , n ã o d e
u m a f or m a p a s s i v a , m a s q u e s t i o n a d o r a , p a r a q ue p o s s a , a s s i m , h a -
v e r u m a t r a n s f or m a ç ã o n o e n s i n o d e l í n g u a p o r t u g u e s a n a s e s c o l a s
d e e n s i n o f un d am e n t a l e m é d i o .

R EF ER ÊN C I A S

B E C H AR A , E v a n i l d o . A m o d er n a g r a m át i c a d o p or t ug u ê s . 3 7 e d . R i o
d e J a n e i r o : Lu c e r n a , 2 0 0 6 .

M A C A M B I R A , J o s é R eb o u ç a s . A e s t r u t u r a m or f o - s i n t á t i c a d o p or t u -
guês. 4 ed. São Paulo: Pioneira, 1982.

J
P E R I N I, M á r i o A lb e r t o . G r a m á t i c a d e s c r i t i v a do po r t u gu ê s . 2 e d . S ã o
Paulo: Ática, 1996.

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Revista Graduando nº1 jul./dez. 2010

_ _ _ _ _ _ , M á r i o A l b er t o . A G r a m á t i c a G e r a t i v a : in t r od u ç ã o a o e s t ud o d a
s i n t a x e p or t u gu e s a . B e l o H o r i z o n t e : V ir g í l i a , 1 9 7 6 .

_ _ _ _ _ _ , M á r io A l b er t o . S o f r en d o a g r a m á t i c a . 3 ed . S ã o P a u l o : Át i c a ,
2001.

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