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FACULDADE TEOLÓGICA DE CIÊNCIAS

HUMANAS E SOCIAIS LOGOS

Missão Urbana
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Wellington Gomes Negreiros

SÃO PAULO - 2017


Wellington Gomes Negreiros

Missões Urbanas
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Trabalho apresentado como


exigência parcial para a obtenção do
Título de Bacharel em Teologia à
comissão julgadora da FAETEL -
Faculdade Teológica de Ciências
Humanas e Sociais Logos.

SÃO PAULO - 2017


JULGAMENTO

FAETEL - Faculdade Teológica de Ciências Humanas e


Sociais Logos

Bacharel em Teologia
Comissão de Doutores e Mestres

________________________________________

Nome do Professor Dr. Ou MSc.


Professor Orientador
________________________________________

Nome do Professor Dr. Ou Me.

________________________________________

Nome do Professor Dr. Ou Me.


DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho de Conclusão de Curso, Àquele que me


chamou a vida e colocou no meu ser a essência do Seu Ser
Divino. Dedico aos meus pais que sempre me apoiaram, a
minha amada esposa que sempre esteve ao meu lado e a
meus filhos que são a motivação em minha vida.
AGRADECIMENTO

Agradeço primeiramente a Deus que foi o incentivo especial


para a conclusão dessa etapa em minha. Agradeço aos
meus pais a minha esposa e a meus filhos que sempre
acreditaram em minha capacidade, e um agradecimento
especial ao meu amigo e mentor Ivan Evangelista, sem o
qual, esse sonho não se realizaria.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
RESUMO

O presente trabalho tem por finalidade apresentar a missão urbana em sua


concepção, ordenança, história e novas necessidades. Dentro de um quadro
histórico, tomando por base a história e desenvolvimento da igreja e do fenômeno
urbano ocorrido no Brasil no final do século vinte e início do século vinte um que
trouxe uma nova necessidade e a ser suprida pela igreja.
Partindo das experiências do autor, e dialogando com outros pontos
importantes, o trabalho visa incentivar as novas gerações a se emprenharem nessa
modalidade de missão, trazendo sugestões para aplicação direta nas igrejas
contemporâneas das estratégias para esse novo tempo.
ABSTRACT

The present work has the purpose of presenting the urban mission in its
conception, ordinance, history and new necessities. Within a historical framework,
based on the history and development of the church and the urban phenomenon
occurred in Brazil in the late twentieth and early twentieth century one that brought a
new need and to be supplied by the church.
Starting from the experiences of the author, and in dialogue with other
important points, the work aims to encourage the new generations to embark on this
modality of mission, bringing suggestions for direct application in the contemporary
churches of the strategies for this new time.
SUMÁRIO

JULGAMENTO................................................................................................................................................ 3

DEDICATÓRIA................................................................................................................................................. 4

AGRADECIMENTO.......................................................................................................................................... 5

RESUMO........................................................................................................................................................ 6

SUMÁRIO...................................................................................................................................................... 8

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................. 10

CAPITULO I – Conceitos e fundamentos para missões...................................................................................11

1.1 Definindo conceitos e baseando biblicamente as missões.........................................................................12


A) Definição de igreja:........................................................................................................................
13
B) Definição de Missões:.......................................................................................................................14
C) Definição de Urbanização.................................................................................................................14
D) Definição de Espaço Urbano:............................................................................................................15
E) Definição de Missões Urbanas..........................................................................................................15
F) Colocando-me na brecha..................................................................................................................16
G) A Grande Comissão:..........................................................................................................................16
H) Recebendo o poder para cumprir a missão......................................................................................17
I) A necessidade de pessoas dispostas a servir....................................................................................18
J) A Ceifa já está preparada..................................................................................................................19
CAPITULO II – Da expansão do Cristianismo na era apostólica á uma necessidade missionária no Brasil........20

2.1 Conhecendo a história da igreja e escrevendo uma nova...........................................................................20


A) – A expansão do Cristianismo na era apostólica..............................................................................22
B) De Roma para a Reforma..................................................................................................................23
C) A Reforma protestante e o impulso missionário da igreja...............................................................24
D) Breve história da igreja protestante no Brasil...................................................................................26
E) O fenômeno do crescimento urbano no Brasil.................................................................................31
F) Alcançando os necessitados.............................................................................................................32
G) Buscando uma mudança real...........................................................................................................33

CAPITULO III – Dialogando com as tribos urbanas, se adaptando para o novo tempo....................................36

3. 1 Conhecendo para alcançar........................................................................................................................37


A) Conhecendo algumas tribos urbanas...............................................................................................37
B) Mapeando essas tribos.....................................................................................................................39
C) Buscando se ligar as tribos...............................................................................................................40
D) Se adaptando as novas realidades....................................................................................................43

CONCLUSÃO................................................................................................................................................ 45

BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................................................................47
10

INTRODUÇÃO

A história da igreja traz em si, um cunho missionário que percorreu toda a


sua trajetória desde o tempo de Jesus até a era contemporânea. A questão é que
durante esse período as mudanças obrigaram a igreja a se adaptar para sobreviver.
As novas realidades culturais e sociais levaram a igreja a modificar a forma de
abordagem para cada tempo-espaço no qual ela era inserida. Do seu surgimento no
oriente médio, ao seu alcance no mais longínquo ocidente a igreja de forma sábia
alcançou os objetivos traçados.
Uma das principais mudanças dentro da igreja ocorreu no século dezesseis
dentro da reforma protestante, com a tradução da Bíblia para as línguas natais, o
que popularizou a palavra de Deus.
Junta – se a isso a grande expansão marítima ocorrendo simultaneamente na
Europa e a descoberta de novas terras têm o quadro perfeito para uma nova
expansão missionária.
O Povoamento dessas novas terras traz novas necessidades e o
desenvolvimento urbano enfim acontece. O quadro que se desenha quatro séculos
depois é o motivador desse trabalho.
O desenvolvimento urbano no final do século vinte e inicio do século vinte um, cria
um novo fenômeno e traz um novo desafio para igreja e para o trabalho missionário
que precisa urgentemente ser suprido.
11

CAPITULO I – Conceitos e fundamentos para


missões.

Antes de iniciarmos qualquer estudo sobre missões urbanas, é necessário


deixar claro algumas definições importantes para o entendimento desse assunto, tal
como, fornecer um fundamento bíblico para o mesmo.

A Bíblia está permeada de versículos que levam o cristão a um entendimento


da necessidade de propagar o evangelho de Cristo, por essa razão, é imprescindível
entendermos as razões de Deus confiar essa missão a igreja.

A missão tem sua origem no coração de Deus. Trata-se de identificar a fonte


da autoridade suprema de tudo que foi divinamente planejado. Isto implica em
reconhecer que desde os tempos eternos a tarefa da igreja já estava para ela
reservada e definida.
Deus Pai enviou Jesus, o seu Filho missionário – Os evangelhos evidenciam
com muita abundância que Jesus veio para fazer a vontade do Pai, para cumprir a
missão que o Pai lhe confiara, restaurando consigo mesmo todas as coisas.
O Filho rogou ao Pai que enviasse o Espírito Santo – A missão é tarefa da
Trindade. A ação do Espírito de Deus na tarefa missionária tanto age no cristão
capacitando-o para testemunhar, quanto no não cristão, convencendo-o do pecado e
regenerando aqueles a quem chamar. O Espírito Santo chama, regenera, santifica e
capacita a igreja para enviá-la ao mundo com uma missão******.
A igreja é a agência missionária de Deus – Jesus afirmou que nos mesmos
termos que o Pai lhe confiou a missão, Ele comissionou a igreja (Jo 20.21).
Inquestionavelmente, a igreja é o povo escolhido para missão, e mais, Deus não
12

tem, nem nunca teve, um plano B.


O mundo ouve, recebe ou rejeita – O alvo missionário de Deus é anunciar o
evangelho da salvação em Cristo a toda a criatura através da igreja, pelo poder do
Espírito, e isto não tira do ser humano a sua responsabilidade por suas escolhas.

Dessa forma, escolhemos alguns textos que acreditamos fundamentar essa


necessidade e assim haver clareza, que missão não é algo novo e principalmente, é
algo bíblico.

1. 1 Definindo conceitos e baseando biblicamente as


missões.
Quando temos conceitos equivocados acerca das coisas, corremos o risco
de não compreendermos em sua integralidade a importância de determinadas ações
envolvendo nós e a igreja.
Quando acreditamos, por exemplo, que missão é algo apenas para algumas
pessoas, ou acreditamos que estão relacionadas apenas a trabalhos fora do pais de
origem, acabamos nos boicotando, pois, nos limitamos por acreditar não ser
gabaritado para tal.
Porém, tanto no conceitual quanto na base bíblica, quando enxergamos de
forma clara a informação real cada uma delas nos oferece, isso acaba servindo
como incentivo para nos aventurar nessa ordenança de Deus.
A Missão Urbana é um dos maiores desafios que as Igrejas cristãs se
defrontam atualmente. Há diversas propostas missionárias em franco
desenvolvimento no mundo urbano brasileiro. Merecem análise e avaliação.
Em muitos casos encontramos igrejas e comunidades que não conseguem
comunicar-se com as pessoas das cidades. Este texto deseja fazer uma análise e
apontar caminhos práticos para assumir o desafio urbano, ser uma igreja “da cidade”
e não mera “na cidade”, tentando entender com seriedade às angústias e clamores
das pessoas em vista de novas possibilidades de vida digna e solidária.
O grande desafio da vida cristã moderna é continuar a missão deixada por
Jesus Cristo. É essa a missão da Igreja. Um desafio que se apresenta a todos os
cristãos, em toda parte, que buscam fidelidade, no mundo de hoje, ao Projeto do
Reino de Deus.
13

Na realidade atual, onde predomina um estilo de vida que tem marcado


profundamente quase toda humanidade, tanto na configuração da existência pessoal
quanto social. Aqui o que se pretende não é tanto discutir conceitos, mas sim
perceber como esta forma de estruturar a cultura influencia e se deixa influenciar
pelo caminho proposto pelo Senhor Jesus Cristo.
Na grande cidade, estamos diante de seres humanos cansados e
massacrados pelo trabalho ou angustiados pela falta dele, atingidos por inúmeros
interesses e preocupações.
O número de relações sociais é muito mais complexo do que a vizinhança.
Até mesmo as relações de parentesco já não possuem a mesma referência. Assim
sendo, é preciso muita serenidade para não cair logo numa atitude de condenação.
É interessante como facilmente esquecemos aquela atitude acolhedora de Jesus
que não manda a samaritana embora, que não se afasta dos publicanos e nem dos
pecadores.
Toda realidade cultural é sempre um desafio para a missão de evangelizar.
E, com a modernidade, como já vem sendo abordado, não poderia ser diferente.
Porém, a questão de fundo é a forma de dialogar com essa realidade cultural.
Algumas análises correm o risco de superficialidade, descrevendo o fenômeno
naquilo que pode ser observadas imediatamente, através dos sentidos, sem
encontrar as razões mais profundas que justificam o estabelecimento do mesmo.

A) Definição de Igreja:
Segundo o Novo Dicionário da Bíblia, da editora Vida Nova. O vocábulo
igreja se deriva do latim ecclesia, que por sua vez do grego Ekklesia, palavra esta
que no Novo Testamento, na maior parte de suas ocorrências, significa uma
congregação local de cristãos, e jamais um edifício.
Ainda que frequentemente falemos sobre essas congregações em sentido
coletivo, chamando-as de igreja no Novo Testamento ou de igreja primitiva, nenhum
escritor do Novo Testamento emprega o termo Ekklesia nesse sentido.
Ekklesia era uma reunião ou assembleia. Seu emprego mais comum era a
respeito da assembleia pública de cidadãos devidamente convocados, e que era
característica de todas as cidades fora da Judéia onde o evangelho foi implantado.
14

O termo Ekklesia também foi usado entre os judeus na Septuaginta para


significar a “congregação de Israel”, que foi constituída no Sinai e se reunia na
presença do Senhor por ocasião das festividades anuais.
15

B) Definição de Missões:

As missões são iniciativas religiosas destinadas a propagarem os princípios do


Cristianismo entre os povos não cristãos. Baseiam-se em princípios da
teologia cristã em imitação do ministério de Jesus Cristo e em cumprimento
do mandamento que deu aos seus apóstolos para pregarem o Evangelho
pelo mundo.

Mas, além de serem simples ministério da palavra, as missões se estruturam ou


inserem em comunidades estáveis e procuram integrar, com maior ou menor
sucesso, os princípios cristãos com a realidade de vida dos povos em que se
implantam.

Dessa forma, ultrapassam a esfera religiosa e assumem uma dimensão social,


econômica, educativa, assistencial e, muitas vezes, também artística e
cultural.

C) - Definição de Urbanização

A Urbanização é o processo de transformação de uma sociedade, região ou território


de rural para urbano, ou seja, não representa somente o crescimento da
população das cidades, mas o aumento dessas em relação aos habitantes do
campo. Portanto, quando a população urbana de um determinado local
cresce em número maior que a do campo, dizemos que está ocorrendo um
processo de urbanização.

É importante ressaltar que, no Brasil, é considerada urbana – segundo o Instituto


Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – aquela sociedade residente em
cidades ou distritos com mais de dois mil habitantes.

Há também outro sentido para urbanização, que seria quanto à implementação de


infraestruturas em espaços das cidades. Por exemplo: eventualmente, áreas
irregulares – como favelas e invasões – emergem no espaço das cidades,
porém essas áreas não contam com energia elétrica, saneamento básico e
asfalto. Quando tais localidades recebem da prefeitura essas estruturas,
dizemos que a área foi urbanizada, ou seja, adquiriu condições mínimas para
assumir as características de um espaço urbano.
16

D) Definição de Espaço Urbano:

O Espaço Urbano pode ser definido como o espaço das cidades, o conjunto de
atividades que ocorrem em uma mesma integração local, com a justaposição
de casas e edifícios, atividades e práticas econômicas, sociais e culturais.

O espaço da cidade é, dessa forma, uma paisagem representativa do espaço


geográfico, um território das práticas políticas e um lugar das visões de
mundo e mediações culturais.

No entanto, é preciso estabelecer uma distinção entre o urbano e as cidades.


Existem cidades, por exemplo, que não são consideradas urbanas, por
possuírem uma pequena quantidade de habitantes e uma baixa dinâmica
econômica. Para o IBGE, cidades com menos de 20 mil habitantes são
consideradas como espaço rural.

E) Definição de Missões Urbanas

Missão Urbana é o envolvimento ativo dos cristãos na vida das grandes cidades.
Reconhecemos que a maneira de alcançar a cidade acontece através da
integração da proclamação do evangelho com a presença da igreja: vivendo,
trabalhando e se identificando com as pessoas da cidade em seus interesses
e necessidades. A presença do povo de Deus é essencial para a missão da
igreja e sua sobrevivência na cidade

Por que é importante para nós, entender os conceitos acima definidos? Quando
falamos em missões é necessário entender o que fazer, onde fazer e de onde
partir, uma missão para ser bem sucedida é necessário que haja um bom
planejamento dando suporte aqueles que serão enviados.

Quando não entendemos os conceitos relacionados a esse tipo de trabalho,


corremos o risco de não sermos eficazes. Se quisermos fazer missões
urbanas, precisamos ter clareza de espaço a ser conquistados, métodos a
serem aplicados e ter a definição correta desses aspectos nos ajudará a
alcançar nossos objetivos

Definidos os conceitos partiremos agora para a fundamentação bíblica sobre o ide


de Jesus, sobre a missão da igreja.
17

F) Colocando-me na brecha.

E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na


brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a
ninguém achei. Por isso eu derramei sobre eles a minha indignação; com o
fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu caminho recaísse sobre a sua
cabeça, diz o Senhor DEUS. (Ezequiel 22:30-31)

Quando pensamos em missões, partimos do pressuposto de que existe uma


necessidade a ser suprida e que para que isso aconteça é necessário que
alguém se posicione para que essa necessidade não exista mais.

Quando vemos a história da humanidade, desde Adão, percebemos que houve uma
quebra de aliança com Deus, acarretando para toda humanidade uma
sentença que ao seu tempo será cumprida.

Em toda história Deus buscou homens que tivessem dispostos a se colocarem a


disposição Dele para que outros não viessem a sofrer a repreensão de Deus
para aqueles que não estão dentro da vontade de Deus para humanidade.

Dessa forma na ausência desses homens é certo que a possibilidade de


reconciliação com Deus por parte da humanidade ficaria prejudicada, por
essa razão ainda hoje é imprescindível que haja homens dispostos a se
dedicarem a sua vida em função do evangelho.

Pois, o evangelho é a única forma de o homem evitar a sua destruição no dia do


juízo do Senhor. Porque esse dia virá e se a Palavra não for pregada ficará
impossível para aqueles que não conhecem o Senhor serem poupados.

Assim, se você sente do Senhor esse desejo em seu coração de se colocar a


disposição de Deus parta evitar a destruição daqueles que não conhecem a
Jesus, não perca tempo, pois, o Senhor tem pressa em salvar os que são
seus.

G) A Grande Comissão:
18

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na


terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas
as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os
dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28:18-20)

O texto acima relata o momento em que Jesus, após ter concluído a sua missão de
reconciliar o mundo com Deus, de possibilitar a salvação à humanidade,
comissiona seus discípulos a continuarem a missão que Ele havia iniciado.

Jesus enquanto esteve na terra foi um missionário eficaz, Ele não apenas
estabeleceu o Reino de Deus, através dos Seus ensinos e de Seus milagres,
mas, também durante esse período conseguiu treinar doze homens para dar
continuidade a Sua missão.

Esses homens entenderam a importância da missão que a eles foi confiada e


devotaram as suas vidas no cumprimento dela. Jesus quando comissionou os
apóstolos, iniciou um efeito dominó que vem agindo até os nossos dias.

Todos que se consideram discípulos de Jesus, tem a incumbência de continuarem a


missão de fazer discípulos, de levar as boas novas e continuar a proporcionar
o estabelecimento do Reino de Deus e a melhor forma de fazer isso é através
das missões.

H) Recebendo o poder para cumprir a missão.

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas
testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da
terra". (Atos 1:8)

Quando Jesus comissionou Seus discípulos para continuarem a missão que Ele
começou, Jesus deixou orientações bem claras sobre como os seus
discípulos deveriam agir para que fossem bem sucedidos em sua empreitada.

Jesus sabia que além da experiência adquirida, pelo fato, de terem andado com o
próprio Jesus durante três anos e meio, os discípulos precisariam de algo
mais para concluir com êxito a missão que estavam começando.
19

Dessa forma Jesus envia o auxiliador de todo cristão, o Espírito Santo, para que
estivessem junto com os discípulos, pois, agora era chegado o tempo do
evangelho de Cristo romper as fronteiras da Judéia.

Uma das principais funções dos discípulos seria testemunhar acerca de Jesus,
igualmente, uma das principais funções do Espírito Santo, também é
testemunhar acerca de Jesus. Dessa forma Jesus equipa agora a Sua equipe
com o mesmo poder que o Pai o equipou para a Sua missão.

Da mesma forma, ainda hoje os discípulos de Jesus continuam a ser revestidos pelo
poder do Espírito Santo para continuar a missão que a eles foi confiada. Hoje
o evangelho já chegou aos confins da terra, porém, ainda não alcançou a
toda humanidade e essa é a missão dos discípulos dessa geração.

I) A necessidade de pessoas dispostas a servir.

Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os
ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua
seara. (Mateus 9:37-38)

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois,
invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não
ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não
forem enviados? (Romanos 10:13-15)

Desde o tempo de Jesus a seara está precisando de pessoas dispostas a servir,


pois, a propagação do evangelho depende do entendimento por parte dos
discípulos de Jesus, que eles são as ferramentas para cumprimento dessa
missão.

O texto de romanos nos mostra que mesmo após a ascensão de Jesus e o


revestimento de poder por parte do Espírito Santo aos discípulos. Que
mesmo com inicio poderoso relatado em Atos dois, ainda havia a
preocupação com a pregação do evangelho.

Durante toda a história da igreja, encontraremos relatos de períodos em que o povo


de Deus se preocupou em se mobilizar para dar continuidade à missão que
Jesus confiou aos seus discípulos.
20

O interessante é que mesmo quase dois mil anos após o início da trajetória
missionária da igreja, ainda hoje, existe a necessidade de buscar pessoas
dispostas a atenderem o chamado para pregar o evangelho.

Mesmo na era digital, onde, o mundo está ligado na velocidade de click, o evangelho
necessita de discípulos que entendam a importância de estar junto a pessoas
que precisam conhecer as boas novas de Jesus.

Por mais que a tecnologia facilite o desenvolver do evangelho, nada substitui o


contato humano. O sorriso, o abraço, o carinho enfim o amor faz toda a
diferença na hora de apresentar o evangelho aos necessitados.

J) A Ceifa já está preparada

Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos
digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a
ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para
que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. (João 4:35-
36)

O tempo para colheita, já está preparado. Iniciou-se com Jesus, continuou com os
apóstolos, permaneceu com a igreja e continua até os dias de hoje. Sabemos
que muito já foi colhido no decorrer da história, mas, a cada dia a terra gera
mais colheita.

Precisamos entender que sempre será tempo para colheita de vidas para o celeiro
de nosso Senhor Jesus. A questão é que não somos apenas nós colhendo,
não devemos nos enganar, há um inimigo que trabalha contra os ceifeiros de
Jesus e esse também tem trabalhadores a seu serviço.

Por essa razão, não podemos mais perder tempo, precisamos priorizar a missão que
o Senhor Jesus confiou a nós. Desde Atos a Palavra do Senhor é semeada,
várias colheitas já aconteceram, mas a colheita de nossa geração ainda está
esperando para ser ceifada.

Quais frutos, estamos juntando para a vida eterna? E que legado, estamos deixando
para as próximas gerações?
21

A terra que está pronta para colheita, para ser novamente semeada precisa que
primeiro a colheita anterior seja feita, que possamos colher o que já está
pronto e preparar a terra para a próxima geração, da mesma forma que para
nós foi preparada.
22

CAPITULO II – Da expansão do Cristianismo na era


apostólica á uma necessidade missionária no
Brasil.

Quando entendemos os caminhos percorridos pelo cristianismo desde seu


surgimento em Cristo, conseguimos identificar a importância que o missionário teve
como difusor do evangelho.

Esse empenho permitiu que o evangelho resistisse aos desafios do tempo e


possibilitou uma expansão territorial que gerou novos desafios a serem vencidos.

Desde o oriente, passando pela Europa, até chegarmos às terras brasileiras, a forma
de propagação do evangelho precisou de adaptações linguísticas, sociais e
culturais, obrigando a uma mudança na perspectiva da abordagem para alcance do
perdido.

Nesse sentido, o Brasil, por ser um pais de desenvolvimento tardio, também


precisou se adaptar para que o evangelho tivesse o efeito esperado, principalmente
no início do século vinte com o fenômeno da urbanização e do impulso missionário e
novamente agora no início do século vinte um.

2.1 Conhecendo a história da igreja e escrevendo


uma nova.
Quando lançamos uma luz ao passado, conseguimos enxergar de uma
forma mais clara os acontecimentos que nos fizeram chegar onde estamos hoje. A
23

história do cristianismo muito tem a nos ensinar, principalmente quando pensamos


que hoje, o evangelho ainda é relevante, muito em função da ação da igreja em sua
defesa e propagação.
Quando olhamos para o presente e enxergamos as necessidades atuais,
verificamos que muitas delas se repetem, porém, em razão das mudanças sociais e
culturais, novas aparecem. Dessa forma, quando buscamos os ensinos do passado
para resolução desses problemas, conseguimos absorver os acertos e aprender
com erros e isso nos ajuda a ter uma nova perspectiva e pensar novas soluções.
Quando olhamos para a história da igreja, conseguimos identificar alguns
aspectos que contribuíram diretamente para a consolidação do evangelho, sendo,
que o papel dos primeiros missionários em minha opinião foi o principal deles.
E pro que afirmo isso? Quando olhamos para a relevância que cada um
deles teve, desde Jesus, passando pelos apóstolos até a expansão gentílica por
intermédio de Paulo, vemos que esses homens, além de propagarem o evangelho,
deram sias vidas como exemplo a serem seguidos.
O primeiro missionário urbano foi o próprio Jesus, pois, cumpriu sua missão
nas cidades mais importantes de seu povo levando os ensinamentos do Reino de
Deus para Israel.
Jesus pregou o evangelho desde a região da Judéia até a Cesareia de
Filipe, percorrendo assim todo o território urbano ocupado por seu povo e levou três
anos e meio para concluir sua empreitada missionária.
Os apóstolos deram continuidade à missão de Jesus, porém, embora mais
eficientes em quantidade numérica, não expandiram territorialmente o alcance do
evangelho, mas deram uma base sólida para que isso acontecesse.
Dentre os nomes mais proeminentes dentro do campo missionário urbano na
época dos apóstolos, encontramos no nome de Paulo, o Apóstolo dos gentios. Paulo
foi o homem que mais longe levou o evangelho de Jesus.
Se os primeiros apóstolos foram testemunha de Jesus, em Jerusalém,
Samaria e em toda Judéia, como declarou o próprio Jesus, o apóstolo Paulo, foi o
que no inicio da igreja levou o evangelho para os confins da terra.
Paulo pregou nas principais cidades de seu tempo e estabeleceu nela
igrejas, o que deu base para o crescimento do evangelho em todo o mundo
conhecido em sua época. Por intermédio de Paulo, o evangelho ganhou
24

notoriedade, criou força ao ponto de se tornar três séculos depois a base da religião
do Império Romano.
25

A) – A expansão do Cristianismo na era apostólica.

Duas coisas impulsionaram a expansão do cristianismo no final da era apostólica, a


primeira a destruição de Jerusalém no ano setenta, obrigando os cristãos e
dispersarem e o segundo foi à perseguição por parte do Império Romano.

Os judeus da diáspora foram de suma importância para a história da igreja cristã e


de sua expansão, pois foi através deles que mais rapidamente se estendeu a
nova fé pelo Império Romano. Além disso, esses judeus proporcionaram à
igreja a tradução do Antigo Testamento ao grego que foi um dos principais
veículos de sua propaganda religiosa.

Estes Judeus se distinguiam de seus congêneres na Palestina principalmente por


duas características: seu uso do idioma grego, e seu contato inevitavelmente
maior com a cultura helenista.

No século primeiro eram muitos os judeus, na Palestina, que já não usavam o antigo
idioma hebreu. Mas, enquanto que na Palestina e em toda a região do oriente
desse país falava-se o aramaico, os judeus que se achavam dispersos por
todo o resto do Império Romano falavam o grego.

Depois das conquistas de Alexandre, o grego veio a ser a língua franca da bacia
oriental do Mediterrâneo. Judeus, egípcios, chipriotas, e até romanos,
utilizavam o grego para comunicar-se entre si.

Em algumas regiões - especialmente no Egito - os judeus perderam o uso da Iíngua


hebraica, e foi necessário traduzir suas Escrituras ao grego. Com esse
fenômeno, a quantidade de missionários aumentou, pois, os judeus que criam
em Cristo, conforme migravam de um lugar para outro, levavam a mensagem
do evangelho por onde passavam, dessa forma, a tentativa do império em
calar o evangelho, acabou provocando a expansão mais rápida do
cristianismo.

Outro fator importante para a expansão do cristianismo no período apostólico e pós-


apostólico foi à expansão do Império Romano, onde, para facilitar o transporte
de mantimentos e tropas, construíram estradas entre as cidades.
26

Essa ligação entre os grandes centros do Império Romano, junto com a unidade
politica conseguida por Roma, permitiu que os cristãos se deslocassem sem o
temos de guerras e assaltos, dando a eles segurança para se aventurarem
em locais mais distantes.

Por fim, entre lutas, perseguições por parte de alguns imperadores romanos e
combate a heresias diversas, no século quatro o cristianismo ganha uma
nova roupagem, agora como religião oficial do Império Romano.

B) De Roma para a Reforma

O Imperador Constantino estabeleceu o cristianismo como religião oficial do Império


Romano. De certa forma isso contribui para expansão do evangelho, pois
acaba com a perseguição aos cristãos.

Até então os cristãos tinham vivido em constante temor de uma nova perseguição,
mesmo em tempos de relativa paz. Depois da conversão de Constantino esse
temor se dissipou.

Os poucos governantes pagãos que houve depois dele não perseguiram os cristãos,
somente tentaram restaurar o paganismo por outros meios. Tudo isso
produziu em primeiro lugar o desenvolvimento do que poderíamos chamar de
uma "teologia oficial". Deslumbrados com o favor que Constantino
evidenciava em relação a eles, não faltaram cristãos que se empenharam em
provar que Constantino era o eleito de Deus, e que sua obra era a
consumação da história da igreja.

Outros fatos importantes relacionados à Constantino são o Concílio de Niceia e a


construção de Constantinopla que cria uma divisão entre igreja do oriente e
do ocidente e que mais a frente contribuiu para a manutenção de um
cristianismo mais próximo do original.

Por outro lado, inicia-se um sincretismo e a inserção de elementos estranhos ao


culto cristão, criando dessa forma a necessidade de mais a frente irá levar a
necessidade de rever as doutrinas do cristianismo.
27

Com a invasão bárbara em Roma, As invasões dos bárbaros puseram um fim ao


poderio efetivo do Império Romano na região, mesmo se durante séculos
muitos destes mesmos bárbaros continuaram considerando-se súditos desse
Império.

Do ponto de vista religioso os bárbaros reintroduziram na Europa Ocidental os


elementos que pouco antes pareciam estar quase desaparecidos: o
paganismo e o arianismo.

Quase todos os invasores eram arianos: os vândalos, os visigodos, os ostrogodos,


os suevos, os burgúndios e os lombardos. Com o passar do tempo estes
povos ou desapareceram ou se tornaram cristãos.

Algumas destas conversões foram resultados da pressão exercida por algum povo
vizinho. Porém na maior parte foi simplesmente o resultado do processo de
assimilação que ocorreu depois das invasões. Os bárbaros não penetraram
no Império para destruir a civilização romana, mas para participar dela.

Por esta razão a maioria deles logo esqueceu as línguas bárbaras e começou a falar
(mal ou bem) o latim, esta é a origem das nossas línguas latinas modernas.
De igual modo os bárbaros abandonaram suas antigas crenças e acabaram
por aceitar as dos povos conquistados.

Esta é a origem do cristianismo ocidental, do tipo que a Idade Média conheceu, é


nesse período que se estabelece o papado em Roma, enquanto em
Constantinopla os patriarcas continuam sob o regime do Império.

A igreja sob o regime do papado consegue resistir às dificuldades europeias em seu


tempo. Desde invasões até a epidemia que dizimou um terço da Europa, a
igreja se manteve como base sólida para sociedade e contribuiu para o
desenvolvimento social.

Porém a igreja desse período permitiu que doutrinas estranhas permeassem a


doutrina cristã, levando a erros, guerras, perseguições, morte de inocentes e
um afastamento das doutrinas consideradas bíblicas o que levou a
necessidade de uma reforma na igreja cristã.

C) A Reforma protestante e o impulso missionário da igreja.


28

No inicio do século dezesseis temos o que ficou conhecido como a Reforma


Protestante. Embora antes desse tempo, já se percebia um incomodo por
parte de alguns lideres da igreja com os rumos que a igreja havia tomado,
somente no século dezesseis houve essa ruptura.

Em 1517 uma parte da igreja católica, se desliga, por não concordarem com os
caminhos que o cristianismo trilhou até aquele momento e com Martinho
Lutero e suas 95 teses, estabelece um novo tempo para igreja.

A reforma desencadeia um efeito cascata em toda Europa, e agora com a tradução


da Bíblia para novas línguas, além do hebraico, aramaico e grego, e também
o latim, toda a população tema acesso ao conhecimento das Sagradas
Escrituras, facilitando ainda mais a expansão do evangelho em sua integra.

Nesse mesmo período, a Europa está no auge expansão marítima, os


descobrimentos são bem sucedidos. O fato é que em um pequeno período,
as nações europeias se expandiram pelo resto do mundo, especialmente pela
América, e por causa disso o numero os que se intitulavam cristãos se
multiplicou.

Outro fator que contribuiu para uma realidade missionária, foi o período de guerras
vividos pela Europa entre os séculos dezessete e dezoito. Muitas pessoas
abandonaram o velho continente partiram para os recém-descobertos com a
esperança que ali, construiriam uma nova sociedade regida por suas crenças
e ideais.

A retirada desses idealistas para essas nossas terras e o acesso a novos povos,
possibilitaram o acesso ao evangelho por parte desses povos, surgem então
novas sociedades e constroem novas cidades e nos próximos quatro séculos
o desenvolvimento urbanístico desenhará um novo quadro que trará novas
necessidades evangelísticas.
As mudanças e sociais, culturais e urbanísticas acabaram acarretando uma nova
necessidade missionária, e se tratando de Brasil, a realidade vivida acabou criando
um novo grupo no final do século vinte e início do vinte um, que agora precisa de
algo que vai além do Evangelho.

Nesse empenho, diversas igrejas, já enraizadas na Europa, começaram a empreitar


missões na tentativa de trazer um cristianismo reformado para o Brasil. Muitas foram
29

bem sucedidas, porém a história da igreja do Brasil foi além desse inicio histórico. A
seguir conheceremos um pouco da história das principais
30

D) Breve história da igreja protestante no Brasil.

Embora haja relatos da tentativa de fixar uma igreja protestante no Brasil desde a
invasão holandesa e francesa nos séculos dezesseis e dezessete, e de
relatos missionários no século dezenove. O protestantismo apenas conseguiu
se firmar no Brasil no início do século vinte.

Com o impulso missionário, as denominações protestantes começaram a criar raízes


em nosso território, como veremos nesses pequenos históricos sobre cada
uma delas.

Igreja Congregacional: Essa foi a primeira denominação brasileira inteiramente


nacional (não sujeita a nenhuma junta missionária). Até 1913, foram
organizadas somente treze igrejas congregacionais no Brasil, todas
autônomas. Oito eram filhas da Igreja Fluminense: Pernambucana (1873),
Passa Três (1897), Niterói (1899), Encantado (1903), Paranaguá, Paracambi
e Santista (1912), Paulistana (1913), e três da Igreja Pernambucana: Vitória
(1905), Jaboatão (1905) e Monte Alegre (1912). Em julho de 1913, essas
igrejas se reuniram em 1ª Convenção Geral, no Rio de Janeiro. Daí até 1942,
a denominação mudou de nome dez vezes.

Os ingleses fundaram missões para atuar na América do Sul: Help for Brazil (criada
em 1892 por iniciativa de Sarah Kalley e outros), South American Evangelical
Mission (Argentina) e Regions Beyond Missionary Union (Peru). Após a
Conferência de Edimburgo (1910), essas missões vieram a constituir a União
Evangélica Sul-Americana – UESA (1911). Dos seus esforços, surgiu no
Brasil a Igreja Cristã Evangélica.

Os congregacionais uniram-se à Igreja Cristã Evangélica em 1942, formando a


União das Igrejas Congregacionais e Cristãs do Brasil. Separaram-se em
1969, tomando o nome de União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do
Brasil. A outra ala dividiu-se em duas: Igreja Cristã Evangélica no Brasil
(Anápolis) e Igreja Cristã Evangélica do Brasil (São Paulo).
31

Igreja Presbiteriana: A Igreja Presbiteriana do Brasil alcançou sua autonomia formal


em 1888, com a criação do Sínodo Presbiteriano. Surgiu então uma crise no
período 1892-1903 em torno das questões missionária, educativa e maçônica
que resultou em divisão, surgindo a Igreja Presbiteriana Independente. Dois
eventos significativos no início do século 20 foram a criação da Assembleia
Geral (1910) e o estabelecimento de um plano de cooperação entre a igreja e
as missões americanas, conhecido como Modus Operandi ou “Brazil Plan”
(1917). Com a Constituição de 1937, a Assembléia Geral foi transformada em
Supremo Concílio. Em 1955 surgiu o Conselho Interpresbiteriano, criado para
gerir as relações da igreja com as missões americanas e com as juntas
missionárias nos Estados Unidos.

Em 1948, Samuel Rizzo representou a IPB na Assembléia do Conselho Mundial de


Igrejas em Amsterdã. No ano seguinte, a igreja optou pela “eqüidistância”
entre o CMI e o CIIC de Carl McIntire. Em 1962, o Supremo Concílio aprovou
o “Pronunciamento Social da IPB”.

Entre a juventude surgiu um crescente questionamento da posição conservadora da


igreja. Um importante canal de expressão foi o controvertido Jornal Mocidade
(1944). Billy Gammon, filha do Rev. Samuel Gammon, foi nomeada secretária
da mocidade a partir de 1946. Até 1958 o número de sociedades locais
cresceu de 150 para 600, com 17 mil membros. O Rev. M. Richard Shaull veio
ao Brasil para trabalhar entre universitários. Em 1953 tornou-se professor do
Seminário Presbiteriano de Campinas e começou a cooperar com o
Departamento de Mocidade e a União Cristã de Estudantes do Brasil (UCEB).
Tornou-se uma voz influente na mocidade evangélica em geral. Em 1962, o
Supremo Concílio reestruturou o Departamento de Mocidade, tirando sua
autonomia.
32

Igreja Presbiteriana Fundamentalista: Israel Gueiros, pastor da 1ª Igreja


Presbiteriana de Recife e ligado ao Concílio Internacional de Igrejas Cristãs
(Carl McIntire) liderou uma campanha contra o Seminário do Norte sob a
acusação de modernismo. Fundou outro seminário e foi deposto pelo
Presbitério de Pernambuco em julho de 1956. Em 21 de setembro do mesmo
ano foi organizada a IPFB com quatro igrejas locais (inclusive elementos
batistas e congregacionais), que formaram um presbitério com 1800
membros.

Igreja Presbiteriana Independente: Essa igreja surgiu em 1903 como uma


denominação totalmente nacional, sem qualquer vinculação com igrejas
estrangeiras. Resultou do projeto nacionalista de Eduardo Carlos Pereira
(1856-1923). Em 1907 tinha 56 igrejas e 4.200 membros comungantes.
Fundou um seminário em São Paulo. Em 1908 foi instalado o Sínodo,
inicialmente com três presbitérios. Mais tarde, em 1957, foi criado o Supremo
Concílio, com três sínodos, dez presbitérios, 189 igrejas locais e 105
pastores. Seu jornal oficial era O Estandarte, fundado em 1893. Após o
Congresso do Panamá (1916), a IPI aproximou-se da IPB e das outras igrejas
evangélicas. A partir de 1930, surgiu um movimento de intelectuais (entre eles
o Rev. Eduardo Pereira de Magalhães, neto de Eduardo Carlos Pereira) que
pretendia reformar a liturgia, certos costumes eclesiásticos e até mesmo a
Confissão de Fé. A questão eclodiu no Sínodo de 1938. Um grupo organizou
a Liga Conservadora, liderada pelo Rev. Bento Ferraz. A elite liberal retirou-se
da IPI em 1942 e formou a Igreja Cristã de São Paulo.

A Igreja Presbiteriana Conservadora foi fundada pelos membros da Liga


Conservadora em 1940. Em 1957, contava com mais de vinte igrejas, em
quatro estados, e tinha um seminário. Seu órgão oficial é O Presbiteriano
Conservador. Filiou-se à Aliança Latino-Americana de Igrejas Cristãs e à
Confederação de Igreja Evangélicas Fundamentalistas do Brasil.
33

Igreja Metodista: A Conferência Anual Metodista foi organizada no Rio de Janeiro em


15 de setembro de 1886 pelo bispo John C. Granbery, enviado ao Brasil pela
Igreja Metodista Episcopal do Sul. Tinha apenas três missionários, James L.
Kennedy, John W. Tarboux e Hugh C. Tucker, sendo a menor conferência
anual já criada na história do metodismo. Em 1899, a IME do Norte transferiu
seu trabalho no Rio Grande do Sul para a Conferência Anual. Em 1910 e
1919 surgiram outras duas conferências (norte, sul e centro). A Junta de
Nashville continuou a interferir na vida da igreja de modo indevido,
culminando com a insistência em nomear o presidente do Colégio Granbery
(1917). Cresceu o movimento pelo sustento próprio, liderado por Guaracy
Silveira. Em 1930 a IMES cedeu a autonomia desejada. No dia 2 de setembro
de 1930, na Igreja Metodista Central de São Paulo, foi organizada a Igreja
Metodista do Brasil. O primeiro bispo eleito foi o velho missionário John
William Tarboux. O primeiro bispo brasileiro foi César Dacorso Filho (1891-
1966), eleito em 1934, que por doze anos (1936-1948) foi o único bispo da
igreja. A Igreja Metodista foi a primeira denominação brasileira a filiar-se ao
Concílio Mundial de Igrejas (1942).

Igreja Batista: A Convenção Batista Brasileira foi organizada no dia 24 de junho de


1907 na Primeira Igreja Batista da Bahia (Salvador), quando 43 delegados,
representando 39 igrejas, aprovaram a “Constituição Provisória das Igrejas Batistas
do Brasil”. Na chamada “questão radical”, líderes batistas do nordeste apresentaram
um memorial aos missionários em 1922 e um manifesto à Convenção em 1925
reivindicando maior participação nas decisões, principalmente na área financeira.
Não atendidos, mais tarde organizaram-se como uma facção separada da
Convenção e da Junta. As bases de cooperação entre a igreja brasileira e a Junta de
Richmond voltaram a ser discutidas em 1936 e 1957.
34

Igreja Luterana: O Sínodo Rio-Grandense surgiu em 1886. Posteriormente,


surgiram outros sínodos autônomos: Sínodo da Caixa de Deus ou “Igreja
Luterana” (1905), com forte ênfase confessional; Sínodo Evangélico de Santa
Catarina e Paraná (1911) e Sínodo Brasil Central (1912). O Sínodo Rio-
Grandense, ligado à Igreja Territorial da Prússia, filiou-se à Federação Alemã
das Igrejas Evangélicas em 1929. Em 1932, o Sínodo Luterano também se
filiou à federação e começou a se aproximar dos outros sínodos. Em 1939 o
Estado Novo exigiu que toda a pregação pública fosse feita em português.

Em 1949 os quatro sínodos se organizaram em Federação Sinodal, a Igreja


Luterana propriamente dita. No ano seguinte a igreja solicitou admissão ao
Conselho Mundial de Igrejas e em 1954 adotou o nome de Igreja Evangélica
de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). A Igreja Luterana filiou-se à
Confederação Evangélica do Brasil em 1959.

Igreja Episcopal: Uma Convocação especial reunida em Porto Alegre em 30 de maio


de 1898 definiu a relação formal entre a missão e a Igreja Episcopal dos Estados
Unidos e elegeu Lucien Lee Kinsolving como o primeiro bispo residente da igreja
brasileira. Ele foi sagrado bispo em Nova York em 6 de janeiro de 1899) e foi o único
bispo episcopal no Brasil até 1925. O primeiro bispo brasileiro foi Athalício Theodoro
Pithan, sagrado em 21 de abril de 1940.

Em abril de 1952, foi instalado o Sínodo da Igreja Episcopal Brasileira, contando


com três bispos: Athalício T. Pithan, Luís Chester Melcher e Egmont Machado
Krischke. Em 25 de abril de 1965 a Igreja Episcopal do Brasil obteve da
igreja-mãe sua plena emancipação administrativa e passou a ser uma
província autônoma da Comunhão Anglicana. Logo em seguida, filiou-se ao
CMI.

Igreja Congregação Cristã no Brasil: Fundada pelo italiano Luigi Francescon (1866-
1964). Radicado em Chicago, foi membro da Igreja Presbiteriana Italiana e
aderiu ao pentecostalismo em 1907. Em 1910 (março-setembro) visitou o
Brasil e iniciou as primeiras igrejas em Santo Antonio da Platina (PR) e São
Paulo, entre imigrantes italianos. Veio 11 vezes ao Brasil até 1948. Em 1940,
o movimento tinha 305 “casas de oração” e dez anos mais tarde 815.
35

Igreja Assembleia de Deus: Teve como fundadores os suecos Daniel Berg (1885-
1963) e Gunnar Vingren (1879-1933). Batistas de origem, eles abraçaram o
pentecostalismo em 1909. Conheceram-se numa conferência pentecostal em
Chicago. Assim como Luigi Francescon, Berg foi influenciado pelo pastor
batista William H. Durham, que participou do avivamento de Los Angeles
(1906). Sentindo-se chamados para trabalhar no Brasil, chegaram a Belém
em novembro de 1910. Seus primeiros adeptos foram membros de uma igreja
batista com a qual colaboraram.

Igreja do Evangelho Quadrangular: Fundada nos Estados Unidos pela evangelista


Aimee Semple McPherson (1890-1944). O missionário Harold Williams fundou a
primeira IEQ do Brasil em novembro de 1951, em São João da Boa Vista. Em 1953
teve início a Cruzada Nacional de Evangelização, sendo Raymond Boatright o
principal evangelista. A igreja enfatiza quatro aspectos do ministério de Cristo:
aquele que salva, batiza com o Espírito Santo, cura e virá outra vez. As mulheres
podem exercer o ministério pastoral.

Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo: fundada por Manoel de Mello, um
evangelista da Assembleia de Deus que depois tornou-se pastor da IEQ.
Separou-se da Cruzada Nacional de Evangelização em 1956, organizando a
campanha “O Brasil para Cristo”, da qual surgiu a igreja. Filiou-se ao CMI em
1969 (desligou-se em 1986). Em 1979 inaugurou seu grande templo em São
Paulo, sendo orador oficial Philip Potter, secretário-geral do CMI. Esteve
presente o cardeal arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns. Manoel de
Mello morreu em 1990.

Igreja Pentecostal Deus é Amor: Fundada por David Miranda (nascido em 1936),
filho de um agricultor do Paraná. Vindo para São Paulo, converteu-se numa pequena
igreja pentecostal e em 1962 fundou sua igreja em Vila Maria. Logo transferiu-se
para o centro da cidade (Praça João Mendes). Em 1979, foi adquirida a “sede
mundial” na Baixada do Glicério, o maior templo evangélico do Brasil, com
capacidade para dez mil pessoas. Em 1991 a igreja afirmava ter 5.458 templos,
15.755 obreiros e 581 horas diárias em rádios, bem como estar presente em 17
países (principalmente Paraguai, Uruguai e Argentina).
36

Igreja Universal do Reino de Deus: fundada por Edir Macedo (nascido em 1944),
filho de um comerciante fluminense. Trabalhou por 16 anos na Loteria do
Estado, período no qual subiu de contínuo para um posto administrativo. De
origem católica, ingressou na Igreja de Nova Vida na adolescência. Deixou
essa igreja para fundar a sua própria, inicialmente denominada Igreja da
Bênção.

Em 1977 deixou o emprego público para dedicar-se ao trabalho religioso. Nesse


mesmo ano surgiu o nome IURD e o primeiro programa de rádio. Macedo
viveu nos Estados Unidos de 1986 a 1989. Quando voltou ao Brasil, transferiu
a sede da igreja para São Paulo e adquiriu a Rede Record de Televisão. Em
1990 a IURD elegeu três deputados federais. Macedo esteve preso por doze
dias em 1992, sob a acusação de estelionato, charlatanismo e curandeirismo.

Por fim no final do século vinte e início do século vinte um, temos uma explosão da
onda apostólica, igrejas que se reúnem em grupos familiares ou células e que
adotam determinados modelos de cuidados, Modelo dos doze, Governo dos
doze, Modelo de discipulado apostólico, são alguns desses modelos.

A igreja, agora estabelecida em nosso território com toda sua pluralidade, têm como
missão, fazer com que o evangelho se desenvolva, porém, diferente dos
antigos missionários, os desafios agora são outros.

E) O fenômeno do crescimento urbano no Brasil.

Até poucas décadas atrás, o Brasil era um país de economia agrária e população
majoritariamente rural. Hoje, oito em cada dez brasileiros vivem em cidades A
concentração de pessoas em centros urbanos traz uma série de implicações,
sejam elas de ordem social, econômica ou ambiental.

O sentido mais usual, da urbanização, é o de crescimento urbano, ou seja, refere-se


à expansão física da cidade, mediante o aumento do número de ruas, praças,
moradias, etc. Nesse caso, ela não tem limite, a ponto de unirem-se umas às
outras.

Outro sentido atribuído à urbanização envolve o crescimento da população das


cidades, acontecendo em um ritmo superior ao da população rural. É na
expansão do modo de vida urbano que podemos localizar importantes
elementos para a análise do processo de urbanização no momento presente.
37

A urbanização do século vinte foi marcada por importantes características, a


começar pelo ritmo bastante acelerado de crescimento das cidades, que
acabou gerando problemas como falta de moradia, de empregos e criando
novas necessidades.

Com esse crescimento desordenado, passamos a ter um fenômeno que


denominamos como pessoas em situação de risco, conhecido popularmente
como “moradores de rua”. Essa nova categoria contribuiu para a
marginalização dessas pessoas, sem condições mínimas de saneamento,
acabaram também se entregando a outras práticas nocivas.

F) – Alcançando os necessitados.

Quando pensamos em missões, logo, imaginamos viagens distantes, para lugares


que não conhecemos e aprender outros idiomas, porém, a ideia aqui é
chamar a atenção para uma necessidade mais próxima de nós.

Vivemos hoje em cidades que precisam urgentemente de missionários dispostos a


trabalhar com essas vidas que estão à margem da sociedade. Estima-se hoje
que no Brasil haja um numero próximo a cento e cinquenta mil pessoas
vivendo em situação de risco.

Para isso precisar detectar erros de concepções que são adotados pelos pastores e
tentar corrigir essas percepções, a seguir relacionarei quatro conceitos
errados que pastores ainda têm sobre a função da igreja na cidade.

O primeiro conceito errado que igrejas e pastores demonstram com relação à cidade
onde moram, sem dúvida, é a afirmação de que a cidade, em si mesma,
define-se como má e pecadora.

O segundo conceito errado que os pastores demonstram com relação à cidade onde
moram é aquele que afirma que a igreja é impotente e está derrotada diante
da magnitude dos problemas que confrontam a sociedade brasileira.

O terceiro conceito errado que igrejas e pastores demonstram com relação


à cidade onde moram é a tendência ao isolamento e ausência de
cooperação e unidade com outros grupos evangélicos.
38

O quarto e ultimo conceito errado que quero apontar que igrejas e pastores
demonstram com relação à cidade onde moram é a visão de sua vocação e
ministério como sendo estritamente espiritual. Qualquer esforço dirigido a
solucionar os problemas sociais poderia impedir o ministério de
evangelização e crescimento numérico da igreja.

Precisamos entender que a cidade está cheia de pessoas que estão desacreditadas
da vida, entregues as drogas e as bebidas, pessoas que desistiram de viver
de uma digna, por se sentirem, rejeitadas, esquecidas, não amadas. E onde
está a igreja de Cristo para estender as mãos para essas pessoas.

Lógico que missão urbana não se resume a isso, porém, essa é uma missão que a
igreja vem negligenciando, todos precisam do evangelho, inclusive esses,
quando conseguimos mudar a história de uma dessas pessoas, muitas vezes
mudamos a história de uma família e não apenas de um individuo.

Alcançar essas pessoas é um dos desafios da igreja cristã no século vinte e


infelizmente parece que temos perdido essa batalha. Vemos paliativos sendo
apresentados, sei que já é um começo, porém, precisamos ir além.

O fato de as igrejas se mobilizarem para distribuir comida ou roupas, ajuda, mas não
resolve. Precisamos criar estratégias para inserir novamente essas pessoas
no convívio da sociedade, e qual sociedade é mais receptiva e amorosa que a
igreja de Cristo.

Precisamos nos organizar para oferecer a essas pessoas o que realmente elas
precisam. A seguir daremos algumas sugestões sobre o que pode ser feito
pela igreja para alcançar essas vidas e possibilitar uma mudança real.

G) Buscando uma mudança real.

Quando tratamos com pessoas em situação de risco, oferecer um paliativo diminui o


sofrimento, porém, não resolve o problema. Precisamos nos mobilizar como
igreja e oferecer uma solução mais duradoura para esse problema.

Primeiro, que é inegociável reconhecer que nenhuma comunidade de servos


de Deus pode alienar-se à realidade da miséria existente no contexto em que a
igreja está inserida, por mais doloroso que tal processo de conhecimento e
participação venha a ser, ou por maior que seja a extensão da miséria.
39

Segundo, é preciso afirmar que as grandes proporções de pobreza existente,


não podem servir de justificativas para a inércia da Igreja. A Igreja é a comunidade
“sal e luz” e precisa se voltar para o mundo não cristão com modelos de
solidariedade, com projetos e ações criativas produzindo mudanças permanentes,
mesmo que atinja pequenas proporções de pessoas com almas sedentas de graça e
corpos famintos de pão.

Terceiro, a participação das igrejas urbanas mais abastadas precisa mudar o


foco da auto aplicação dos recursos materiais e humanos e direcioná-los mais
abundantemente para as áreas de pobreza das cidades e também para áreas rurais
de miséria.

Quarto, seguindo a orientação do apóstolo Paulo, em cada igreja local as famílias


devem ser incentivadas a reservar mensalmente um pouco do seu ganho
para ser destinado ao socorro dos necessitados, desfrutando assim da bem-
aventurança de dar.

Quinto é urgente à necessidade de quebrar os muros de separação e produzir


participação em ações de parcerias sociais com outras comunidades
reconhecidamente evangélicas, no propósito se fazer ouvida em alto e bom
som a voz profética da Igreja contra a injustiça social e o descaso contra os
desprovidos, às igrejas tornando tal atuação uma influência nas decisões
políticas de investimentos e planejamento sociais.

Em cima desses aspectos acima citados o que precisamos fazer é saber chegar
nessas pessoas. A maioria delas vem de decepções com o ser humano e isso cria
um dispositivo de defesa que impede muitas vezes o acesso real a elas.

Chegar onde ela está não significa que chegamos nela, precisamos conquistar a
confiança das pessoas que se encontram nessa situação para que possam se
abrir conosco e assim saber como podemos ajudar.

A segunda coisa que precisamos fazer é tentar entrar em contato com os familiares.
Muitas vezes as pessoas que se encontram nessa condição, acabam não
retornando para seus lares por vergonha, porém, quando o familiar se
aproxima tendo a igreja como mediadora, a inserção familiar acontece.
40

A terceira coisa que precisamos fazer e estruturar a igreja para retirar essas pessoas
da rua. A ambiente influência diretamente o comportamento da pessoa.
Quando retiramos essas pessoas da rua e as levamos para igreja ou para um
local preparado para recebê-las, fica mais fácil trata-las.

A questão nesse terceiro ponto é que muitas igrejas não tem condição para isso,
nesse caso uma visão geral de Reino nos possibilita uma solução para essa
questão.

Uma igreja local dificilmente terá meios para arcar com as despesas necessárias
para um trabalho desses, porém, se as igrejas se unissem com a finalidade
de custearem um trabalho desse porte, tenho a certeza que seria possível.

É nesse ponto que acredito estar a principal estratégia para solucionar o problema
das pessoas em situação em risco, se trabalharmos como uma única igreja,
independente de denominação, tem as condições de criar um serviço social
de inserção muito forte.

Se usarmos os meios que as igrejas têm hoje, para criar uma associação e trabalhar
em prol desse tipo de missão urbana, conseguiremos ir além de um paliativo.
Imagine um local onde a pessoa é recebida, tratada, consolidada na Palavra
de Deus, receba um ensino profissionalizante e já saia empregada.

Sei que há tipos de lugares como esse que descrevo, porém, muitas vezes fora do
alcance de quem realmente precise. Você líder, você pastor, organize uma
reunião com as igrejas do seu bairro ou da sua cidade, apresente para eles
essa ideia, elabore um projeto e possibilite a solução que essas pessoas
tanto necessitam.
41

CAPITULO III – Dialogando com as tribos urbanas,


se adaptando para o novo tempo.

Em vista dos grandes dificuldades relacionadas com a missão da igreja na


cidade, é imprescindível os cristãos tomarem consciência da realidade das cidades e
seus desafios.
Considerar os fatos bíblicos e os princípios neles presentes, relacionados
com missões urbanas é de fundamental importância para a evangelização das
cidades. Apreciar os métodos de missões urbanas, hoje adotados, com base nos
princípios e modelos bíblicos é dever da igreja que almeja alcançar sua cidade para
Cristo.
Nesse sentido o grande desafio para a igreja no século vinte um, é se
conectar através da Palavra de Deus com a diversidade de grupos que encontramos
no espaço urbano. Grupos que se unem principalmente por interesses comuns, e
em conformidade com hábitos, ideias e maneiras de se vestir.
Essas tribos são conhecidas como tribos urbanas, essa expressão "tribo
urbana" foi criada em meados da década de oitenta pelo sociólogo francês Michel
Maffesoli e, desde então, muitas tribos desapareceram, e outras ganharam uma
nova roupagem.
Hoje a grande maioria que compõem esses grupos está afastada do
evangelho, por opção, decepção ou por não conhecer, essa é uma realidade urbana
que precisa ser rapidamente mudada.
Um dos principais dificultadores por parte da igreja e não entender as
particularidades que cada grupo apresenta para dessa forma, preparar a melhor
estratégia de absorção dessas vidas pela comunidade cristã.
42

3. 1 Conhecendo para alcançar

As tribos urbanas são definidas como agrupamentos que são constituídos


predominantemente de pessoas que se aproximam pela identificação comum a
rituais e elementos da cultura que expressam valores e estilos de vida, moda,
música e lazeres típicos. Uma tribo define-se por uma relação casual e pelo não
compromisso com a continuidade na linha do tempo, expressa na valorização do
aqui-agora. Ao mesmo tempo, seu caráter dinâmico e em constante transformação
lhe confere um potencial criativo, inovador, que não pode ser desprezado.
As tribos são comunidades que se identificam entre si e organizadas em torno
do compartilhamento de gostos comuns e formas de lazer. Os vínculos comunitários
perduram enquanto se mantém o interesse pela atividade, dessa forma é comum
uma rotatividade entre os membros de cada tribo, podendo uma pessoa em sua vida
pertencer a mais de uma tribo.
Os membros da tribo se portam como personagens de um enredo imaginário
o que configura sua identidade de papel, uma persona: para cada situação um papel
e para cada papel uma identidade, que evoca a exposição de determinados
elementos de subjetividade e a ocultação de outros.
No contexto das tribos, observa-se uma relação espaço-tempo particular. O
tempo não é vivido como processo histórico, mas como uma sucessão de presentes.
Cada situação apresenta uma densidade vivencial intensa, que muitas vezes não
deixa rastros para as experiências seguintes, comprometendo o encadeamento
temporal necessário, por exemplo, aos processos de desenvolvimento social.
43

A) Conhecendo algumas tribos urbanas.

Hip hop - O hip hop foi um movimento da década 1970 iniciado nas áreas centrais
de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova
York, nos EUA. Estes guetos enfrentavam diversos problemas sociais, e os
jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, onde usava a arte,
música e dança para canalizar a violência. Os adeptos do hip hop usam
roupas largas, bonés e bermudas.

Hippies - O movimento hippie "paz e amor" foi um comportamento de contracultura


dos anos 1960, em que os jovens buscavam viver de forma coletiva e
nômade, longe do mercado de trabalho formal. Esteticamente, os hippies
usavam cabelos e barbas mais compridos do que o aceitável socialmente na
época, e até hoje muitos jovens seguem essa tendência nômade no meio
digital. Os Beatles foram porta-vozes do movimento

Surfistas - A tribo dos surfistas surgiu nos Estados Unidos durante a década de
1950, com a popularização do surfe no Estado da Califórnia. Os membros
desta tribo idolatram a natureza, as ondas do mar e as energias, e se vestem
com roupas leves como bermudas e saias, e também trajes esportivos.

Motoqueiros - Esta tribo surgiu no Reino Unido em meados de 1950 e unia


apaixonados por motocicletas do tipo "café racer". Na época, o grupo era
associado à intimidação e masculinidade, porém, com o passar do tempo, a
tribo se organizou em famílias de apaixonados por motocicletas e estradas.
Atualmente, a tribo mantém o mesmo visual, usando capacete aberto, óculos
aviador, bandana, jaqueta de couro e botas

Nerds - O termo nerd surgiu em 1951 numa citação da revista "Newsweek", e, já em


1960, era usado nos Estados Unidos e Escócia para descrever pessoas
apaixonadas por leitura e pouco sociáveis. A tribo dos nerds é composta por
pessoas vistas socialmente como excessivamente intelectuais, tímidas,
excêntricas e com falta de habilidade social, porém, o grupo é apaixonado por
ficção científica, tecnologia e games.
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Geeks - "Geek" em 1876 era sinônimo de "bobo". Já em 1990, o livro "Jargon File"
definiu o termo para identificar "uma pessoa que escolheu a concentração no
lugar da conformidade; alguém que busca objetivo e imaginação, não a
adequação social padronizada". Os geeks são fãs de tecnologia, jogos, livros
e séries, e se definem como "técnicos, doutores, autodidatas, apaixonados
pelo que fazem e compreendem"

Rasta (ou Rastafári) - A tribo rastafári é composta por pessoas que adotam os
princípios religiosos e políticos do movimento, que surgiram na Jamaica nos
anos 1930, e combina cristianismo protestante com misticismo. Além de
curtirem reggae e poderem usar maconha, os rastas não podem consumir
álcool, tabaco, carne animal, enlatados, e nem podem pentear os cabelos, o
que deu origem aos dreadlock.

Roqueiros - O termo “roqueiro” é usado comumente para identificar amantes do


gênero musical, e não tanto para designar uma tribo. Os roqueiros
compartilham os mesmos valores artísticos e sociais, e costumam usar
roupas pretas, camisetas de bandas ou caveiras, jaquetas de couro e
coturnos. Muitos deles tocam algum instrumento musical. Quem se diz
roqueiro mas não curte rock de verdade é chamado de "poser.

Funkeiros - O funk brasileiro surgiu nas favelas do Rio de Janeiro a partir de 1970,
com os bailes da pesada, black, soul, shaft e funk, e com letras que refletiam
o cotidiano da comunidade, porém se consolidou a partir de 1990, e até hoje
é muito criticado pelas letras às vezes obscenas e com referências à violência
e tráfico de drogas. Os funkeiros usam roupas de marcas famosas,
acessórios dourados, bonés e vestidos curtos.

Skatistas - A prática do skate teve início nos anos 60, na Califórnia (EUA), onde,
surfistas adaptaram o esporte aquático ao asfalto. Esta tribo é identificada por
gostos musicais semelhantes, como o rock, hip hop e rap, por carregarem
sempre o skate embaixo do braço e por vestirem roupas confortáveis, como
boné, calças largas, tênis, shorts e camisetas de algodão.

Há ainda muitas outras tribos urbanas, podemos enumerar nas regiões urbanas até
trinta e cinco delas, porém, essas são os mais populares em nossa sociedade
servem de parâmetro para nosso trabalho.
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B) Mapeando essas tribos.

Antes de se mapear os locais onde essas tribos se encontram, é imprescindível que


conheçamos a cidade, o local onde desejamos realizar o nosso trabalho.
Dessa forma para o início do trabalho deveremos buscar essas informações.

Dessa forma é preciso dispor de um mapa da área onde se concentrará a ação


missionária da igreja para que o trabalho se desenvolva de forma organizada
e com controle das ações. Mapas municipais e estaduais são vendidos em
bancas de jornal e em algumas livrarias e papelarias. O Guia Rex e as Listas
Telefônicas também contêm mapas. Deverão ser providenciados três
exemplares ou cópias. Uma será colocada em moldura e pendura na sala do
ministério de intercessão, para fins de oração.

Depois de identificada a tribo no qual a missão será focada, o segundo ponto a ser
conhecido é o local em que cada uma delas se reúne. Essa informação é de
suma importância para que haja um planejamento correto da forma de
aproximação.

Essas tribos têm suas particularidades e dentro do espaço urbano, cada uma delas
tem locais preferidos de reunião. Por Exemplo, hoje há espaços públicos com
rampas para a prática de Skate.

Há também espaços que são fechados pelos funkeiros para suas reuniões. Dessa
forma, conhecer o local correto evita que a missão se prepare para trabalhar
uma tribo e acabe se deparando com outra.

Cada tribo se reúne naquele lugar que melhor o identifica, os surfistas têm seus
próprios “points”, assim como os motoqueiros seus motos clubes, cada tribo
dentro da sua característica sempre buscará um local, onde, sua expressão
não se torne motivo de discórdia.

Há local, em que o acesso é restrito, nesse caso a missão precisará de autorização


para adentrar, há outros, em que a missão terá um custo adicional para
chegar. Há lugares em que missão será bem recebida e outro que correrão
risco de morte.
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Por essa razão, conhecer o local da missão ajuda não apenas na preparação da
estratégia, mas também das pessoas que serão utilizadas. Já presenciei
ocasiões, onde, no grupo missionário havia um policial, quando fomos
adentrar em uma comunidade, logo de cara, identificaram o missionário e não
permitiram a missão adentrar.

Esse é só um exemplo prático da importância desse planejamento. Se quisermos


ser eficazes em nossos trabalhos, precisamos nos cercar de todas as
informações necessárias para não criarmos obstáculos além dos já
existentes.

C) – Buscando se ligar as tribos.

Umas das principais dificuldades de fixar um trabalho missionário junto a essas


tribos é a ideia criada em torno do que é um cristão. Para essas tribos, os
cristãos, são estereótipos, criados pelo senso comum que querem mudar os
seus estilos.

Outras sérias dificuldades encontradas são: Populações concentradas verticalmente


em edifícios fechados. Os condomínios, hoje, são quase impenetráveis aos
que desejam evangelizar pessoalmente.

Excesso de entretenimento. Antigamente, só havia um pequeno campo de futebol


em cidades de médio porte. Hoje, há estádios grandes, que atraem muita
gente; a televisão tirou as pessoas das ruas e as confinou dentro de suas
casas. O evangelismo pessoal é muito dificultado nessas condições. O uso da
televisão é muito caro para atingir as pessoas confinadas em suas casas.

A concentração de igrejas diferentes, além das seitas diversas, causa confusão junto
à população. Cada uma evangelizando com mensagens diferentes e
contraditórias Parece que há um “supermercado da fé”. Há quem ofereça
religião como mercadoria mais barata, em “promoção”, com descontos (sem
exigências, sem compromissos) e há os que “cobram” caro demais, com
exigências radicais.

O elevado grau de materialismo e consumismo, do homem urbano faz com que o


mesmo sinta-se autossuficiente, sem a necessidade de Deus.
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Os movimentos filosóficos- religiosos, tipo Nova Era, apontam para uma vida isenta
de responsabilidades para com o Deus pessoal, Senhor de todos. Como
enfrentar essas dificuldades?

Mudança de caráter é diferente de mudança de estilo, quando uma missão sai para
campo, ela precisa ter essa ideia muito clara, pois, muitas vezes a forma de
abordagem esta diretamente ligada a esse entendimento.

Precisamos entender que a mudança de vida, não necessariamente, tem que passar
por uma mudança de estilo, o Skatista, pode continuar um Skatista, desde
que, passe a guiar a sua vida pelos ensinamentos bíblicos.

Outro aspecto importante é buscar dentro dos quadros da igreja, pessoas que
tenham o mesmo estilo da tribo que será abordada. Quando estamos próximo
de pessoas que tem os mesmo interesses que os nossos a empatia acontece
de forma natural.

Será importante que eles vejam pessoas que pensam como eles, se vestem como
eles e que servem a Jesus em uma igreja. Outro aspecto positivo de ter em
sua equipe uma pessoa daquela tribo é a facilidade de dialogo, cada tribo tem
sua linguagem própria e conhece-la ajudará no entendimento da mensagem.

A seguir, seguem 10 dicas dadas por Kim Riddlebarge em seu artigo Mandamento e
proibições no Evangelho.

1. Seja claro sobre o que e por que você crê. Conheça as Escrituras.
Quanto mais você souber sobre a sua fé, mas fácil será falar com os não
cristãos.

2. A essência do evangelismo é comunicar a informação correta sobre o


pecado e a graça, simples e claramente. Fale sobre a lei e o evangelho, não
sobre infralapsarianismo e simplicidade divina. Isso vem depois!

3. Evite o uso de jargão cristão. Fale sobre pecado, culpa e derramamento


de sangue de verdade!

4. Use o juízo e seja caridoso. Não fale sobre reprovação com alguém que
acabou de perder um membro da família que era incrédulo. Seja terno e
cortês! Muitos não cristãos agem e falam por ignorância, não malícia.
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5. Seja sensível para com o passado das pessoas – se elas tiveram uma
experiência ruim na igreja, ainda lutam com um pecado particular, etc., seja
compreensível e compassivo! Os nãos cristãos odeiam a justiça própria, e
têm o direito de assim fazê-lo. Não suavize o peso da lei e a culpa do
pecado, mas esteja certo que eles entendem que você é um pecador
justificado, não um “sabe-tudo” auto justificado, que está aqui para corrigi-
los!

6. Mantenha-se no assunto – não aceite distrações. Quando a conversa


divagar, puxe-a para o estágio central – a lei e o evangelho (a amor de
Deus, revelado em Cristo).

7. Evangelismo não é ganhar um argumento, mas levar pessoas a Cristo.


As discussões podem ficar quentes e intensas às vezes – tudo bem! Mas o
propósito do evangelismo não é mostrar porque você está certo e eles
errados. É comunicar a verdade do evangelho. A mensagem deve ser a
ofensa. Não você!

8. Quando as pessoas forem apáticas ao pecado – use a lei. Quando


tiverem dúvidas ou forem céticas – use argumentos apologéticos básicos.
Quando expressarem culpa pelo pecado – apresente o Evangelho.

9. Evangelismo é levar não cristãos a Cristo.

10. Fixe-se no que todos os cristãos têm em comum quando possível. Deixe
as lutas internas entre os cristãos de fora quando falando com não cristãos.
Um não cristão não se importará muito com o motivo da visão luterana
sobre a Ceia do Senhor ser errada, ou o porquê os batistas estão errados
sobre o batismo infantil. Não é assunto da evangelização

D) Se adaptando as novas realidades.

O ganhar vidas para o Reino de Deus é importante, porém, tão importante quanto
ganhar e manter essa vida na igreja após sua chegada. Muitas igrejas têm
perdido justamente nesse ponto.

Mas vamos trabalhar em primeiro lugar a forma de como se ganhar essas vidas
para Jesus através das missões urbanas delimitando ali o espaço de ação em
seu bairro ou sua cidade.
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Uma das formas que podemos usar para alcançar essas vidas é através de visitação
aos espaços que são comuns a elas. Podemos visitar motos clubes, pistas de
skates, os chamados “fluxos” ou um show de Rock ou de Reggae.

Outra forma de contatar essas tribos é através de correspondência. Através de um


evangelismo nos locais de reuniões dessas tribos, invés, de abordarem para
um dialogo , entrega-se uma carta para futura leitura, dessa, forma não
atrapalhando em seus afazeres.

Outra maneira de chegar a essas tribos é realizar cultos a céu aberto em locais
próximo ou onde eles se reúnam. Esse tipo de evento pode ser pensado para
um parque ou até mesmo uma praça.

Outra estratégia ainda é a célula, que não precisa de um lugar muito sofisticado para
acontecer, porém, acaba se tornando de grande valia, quando se consegue
penetrar.

Em muitos dos casos as mudanças não ocorrem de forma imediata. Muitas dessas
vidas levarão um tempo para entender a importância de fazerem parte de
uma igreja, e até que isso aconteça o que a manterá ali?

Dessa forma as igrejas precisam entender que o trabalho iniciado no exterior da


igreja, precisa também ganhar corpo dentro dela. Não estou dizendo para
trazer o mundo para dentro da igreja, mas, adaptar o espaço da igreja de uma
forma que essas tribos se identifiquem com algo.

Você já pensou em criar no entorno de sua igreja um espaço para a prática do Skate
ou um espaço para a prática do Hip hop? Você pensou em criar oficinas de
arte para que essas pessoas possam expressar suas ideias ou um estúdio
onde elas possam expressar a sua musicalidade, mas em uma diretriz cristã?

Não estou sugerindo para modificar o local de culto, esse é santo, mas, para
expandir os locais fora do templo, onde, se agregue esses novos estilos
contemporâneos à vida da comunidade cristã.

Precisamos nos adaptar para atender as demandas criadas nesse novo século. Em
um tempo, onde, a internet oferece um conhecimento de Deus, porém, sem o
compromisso e o relacionamento com uma comunidade cristã, toda
ferramenta, desde, que não fira os princípios cristãos, é valida.
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Para finalizar, o desafio urbano será alcançado com estratégias adaptáveis ao


contexto. Por exemplo, as convicções, atitudes, motivações, necessidades e
nível de receptividade entre as diversas pessoas que vivem ao redor da sua
igreja.

Através de um sábio planejamento baseado na compreensão das necessidades dos


não alcançados, a partir dos dons, talentos e vocação dos cristãos e na
dependência do Espírito, podemos tomar decisões sábias nos ministérios
locais e na aplicação dos nossos recursos humanos e financeiros.
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CONCLUSÃO

Quando olhamos para o caminho percorrido pelo evangelho, desde ao seu


surgimento em Cristo, conseguimos contemplar a importância missionária em
conjunto com a igreja para a manutenção e propagação do Evangelho.

No decorrer dos tempos, homens se propuseram a dedicar as suas vidas, em prol,


dessa que é a maior riqueza da igreja. Sabemos que não foi fácil, que muitos
desafios se apresentaram, porém todos vencidos.

Desde os primeiros propagadores do evangelho, passando pelos pais da igreja, as


lutas na idade média até a necessidade de uma reforma, vimos que o evangelho
precisou de homens que entendessem os desafios de suas épocas se adequassem
e dessa forma se tornaram instrumentos nas mãos de Deus.

Com a expansão europeia e a chegada a novos povos, surgem novas necessidades


que mais uma vez é suprida pela adaptação da mentalidade aplicada na propagação
do evangelho.

Com a chegada do século vinte um, mais uma vez nos encontramos em meio a
novas necessidades de mudança na forma de abordagem por parte daqueles que se
propuseram em Deus a serem usados para essa missão.
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A Palavra de Deus permanece a mesma, pois, essa nunca mudará, porém, a cada
geração precisamos nos adaptar a cultura e sociedade, não na modificação da
Palavra, mas, na forma como ela é transmitida.

Que possamos, como igreja, buscar um aperfeiçoamento na direção das novas


necessidades contemporâneas.

Essa geração é diferente da passada e com certeza a próxima será diferente,


porém, a cada geração Deus capacita a sua igreja para desempenhar o papel de
propagador do evangelho.

Que a adversidade encontrada dentro do espaço urbano, seja um motivador e não


um limitador para que a igreja alcance o seu objetivo de mudar a vida daqueles que
tanto precisam conhecer o evangelho.
BIBLIOGRAFIA

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PENA, Rodolfo F. Alves. "O que é Urbanização?"; Brasil Escola.

DOUGLAS, J.D. “ Novo Dicionário Bíblico” – 3ª ed. rev. – São Paulo; Editora Vida
Nova,2006

Bíblia de Estudo Arqueológica – 1ª ed – São Paulo: Editora Vida, 2013

GONZALES, Justo L. História Ilustrada do Cristianismo: A era dos Mártires até a Era
Inconclusiva – 2 ed – São Paulo; Editora Vida Nova, 2011

MATOS, Alderi de Sousa. “ Breve História do Protestantismo” Portal-Mackenzie

GONÇALVES, Marcelo Aleixo. “Evangelização e questões urbanas/ Maringá –


Paraná , 2011. Centro Universitário de Maringá

Kim Riddlebarger – “Mandamentos e Proibições no Evangelismo”, tradução de


Felipe Sabino de Araújo Neto. Fonte:<kimriddlebarger.squarespace.com> 2011

MUZIO, Rubens Ramiro – “Evangelização no contexto urbano” Sepal - 2011

https://noticias.bol.uol.com.br/fotos/bol-listas/2017/06/07/tribos-urbanas-ontem-e-
hoje-conheca-35-grupos-que-fazem-historia-na-sociedade.htm