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Ellen Ferreira

JEREMIAS NASCIMENTO
Uma história de amor e
superação no rádio roraimense

1a edição

Boa Vista

Fuá News

2017
Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP)
Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima

F383j Ferreira, Edyellen Fonseca.


Jeremias Nascimento : uma história de amor e superação no
rádio roraimense / Edyellen Fonseca Ferreira. – Boa Vista: Fuá
News, 2017.
60p. : il.

Orientador: Prof. Dr. Simão Farias Almeida.

Disciplina (Produção de Texto) – Universidade Federal de


Roraima, Curso de Comunicação Social, Jornalismo.

1 – Biografia. 2 – Rádio. 3 – Jornalismo. I – Título. II –


Almeida, Simão Farias (orientador).

CDU – 070
Prefácio

Jeremias Torreas Nascimento.


Roraimense, filho de dona Eliane e do
saudoso Augustinho. Nascido em 10 de
fevereiro de 1971, o botafoguense teve
nome escolhido a dedo pelos avós
paternos que, então, homenagearam
Jeremias, um dos mais antigos profetas
do Antigo Testamento da Bíblia Sagrada.
Nome forte, de família tradicional e
religiosa, nos recebe com sorriso no rosto
e com uma bagagem de dedicação e
amor pela rádio roraimense.
São nos detalhes da vida do
jornalista, que embarcamos com ele na
trajetória de 32 anos de carreira. Uma
missão de levar música, informação e
credibilidade. As histórias enquanto
criança, a experiência em ser o
sonoplasta mais novo de Roraima e suas
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aventuras no mundo das ondas do rádio,
são contadas para quem conhece ou
ainda terá a satisfação de conhecer o
trabalho de quem sabe fazer rádio com
humildade e muito talento. Essa obra
conta a trajetória de um dos radialistas
mais queridos do estado e que possui o
dom de comunicar e interagir com as
pessoas. Como ele diz em seu programa
na Rádio Tropical FM 94,1, As clássicas
da Tropical, "Aperte o cinto de
segurança que a viagem já vai começar”.
Aceita a carona?

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Capítulo 1
Operador de áudio mais jovem
do Brasil

Início dos anos 70. Jeremias,


primogênito da família Torreas
Nascimento, é um pequeno menino
tímido, mas muito observador. Os pais
gostavam de ouvir vários discos na
vitrola da sala e recebiam convidados em
casa nos fins de semana. Ele olhava
atentamente as pessoas dançando e
ouvindo os hits da época como Donna
Summer, Diana Ross, Tina Charles, Abba
e Bee Gees. Para ele, não havia coisa
mais bonita e perfeita no mundo do que
observar a mãe, branca com cabelos
escuros e curtos, com as saias
esvoaçantes, cantar e dançar a música
You set my heart on fire, de Tina Charles,

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e outras canções que mexiam o corpo
todo e principalmente, a alma. A vida de
Jeremias foi sempre ligada à música e o
poder dela na essência das pessoas.
Na época, nós juntamos dinheiro
para comprar um LP do The Kiss,
em 1984, o álbum ‘Thrills in the
Night’, inclusive foi nesse tempo
que a banda veio para o Brasil fazer
uma turnê. A Rede Globo de
televisão ia transmitir após o
programa dominical Fantástico, mas
aqui existiam os famosos apagões
na cidade, quando estávamos
prontos para assistir, acabou a luz,
foi uma decepção total (risos).
Aguardamos com muita ansiedade
esse dia.

Lembra com saudade o jornalista.


Mas a parceria para comprar discos
não parou por aí. Os ‘vizinhos amigos’
juntavam moeda por moeda para
comprar mais e mais sucessos de bandas
daquele tempo.
A infância de Jeremias era ir à
Escola Estadual Penha Brasil, fazer aulas

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de educação física nos horários opostos
às aulas e ouvir nos fins de semana a
programação da Rádio Roraima. “Eu
admirava a apresentação do radialista
Benjamin Monteiro e a AM retransmitia
alguns programas da Radiobras”. Com
dez anos de idade, Jeremias já sonhava
em ser igual a ele.
Jeremias desde pequeno
gostava de trabalhar. Antes mesmo de se
envolver com o rádio, aos nove anos de
idade, ajudava na produção de pães em
uma padaria. Ia às quatro da manhã
botar, literalmente, a mão na massa. Um
belo dia, a mãe descobriu que o filho
fugia para trabalhar e conseguir alguns
trocados: “Lembro que ele passou um
mês indo fazer pão, chegou com saco na
cabeça e todo branco de trigo! Mas
entendi que ele nunca quis me
perturbar.” Conta emocionada Eliane.

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Com o dinheiro conquistado, Jeremias
conquistou um radinho usado, com o
qual tinha muito zelo e até ciúmes do
aparelho: “Sou orgulhosa do meu filho,
ele sempre foi um vencedor e obstinado,
muito trabalhador e de bom coração,”
derrete-se dona Eliane.
Chegamos aos anos 80,
precisamente 1982. Surgia em Roraima a
FM Equatorial, 93,3. Com isso, uma
novidade para os boa-vistenses, pois a
programação era bem mais diversificada
que a AM590. “A FM surgiu com uma
linguagem bem mais dinâmica e foi um
boom na cidade e sucesso na época”,
lembrou Jeremias. O encanto pela rádio
então se consolidou mais para esse
jovem sonhador. Ele lembra com carinho
que enquanto era ouvinte, ligava,
escrevia cartas e se considerava um fã
de carteirinha da Rádio 93 FM

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Hoje do outro lado, como radialista,
entendo os ouvintes que querem
interagir, participar durante a
programação. São, acima de tudo,
fãs que respeitam e acreditam em
nosso trabalho.

Conclui o jornalista.
Nessa epidemia das ondas da rádio
FM, surgem nomes de profissionais da
comunicação que até hoje são referência
em Roraima. O radialista Wilton Lira,
apresentou um dos programas de maior
audiência na época, o Encontro jovem.
Nisso, em um almoço, Geraldo França,
radialista e amigo dos pais de Jeremias,
vendo toda a curiosidade e interesse do
pequeno pelo rádio, sugere uma simples
visita do menino aos estúdios da
emissora. Foi ali então que nascia o amor
pela comunicação.
Ao conhecer de perto todo o
processo para levar a voz para os
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ouvintes, Jeremias conhece então o
Wilton Lira, diretor de programação e
locutor da Equatorial FM. Uma ligação
que seria importante para ele, como
confirmou em entrevista o locutor:

Jeremias era um dos fãs e


admiradores do programa,
Encontro jovem. Ele organizava
os bilhetes de alôs na escola dele e
dentro do estúdio, e me dava os
recados dos alunos. Isso virou até
uma febre na época, então, ele
começou a gostar dos aparelhos, de
como tudo era feito dentro do
estúdio e, antes de o programa ir
ao ar, me ajudava na produção. Um
garoto muito dedicado e que nos
chamava atenção com tanta
dedicação por essa profissão.

Lembra Wilton.
O radialista de voz grossa e
imponente conta também outras
histórias engraçadas de ‘Jerê’, como é
conhecido entre os amigos e familiares
até hoje:

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Além do Encontro jovem, eu
apresentava Gente pequena, que
passava das sete às nove da
manhã aos domingos, e ele
começou a participar também
desse programa. Só que tinha dias
em que eu saia à noite e não ia
apresentar no dia seguinte de
ressaca (risos), mas o Jeremias ia
de manhã cedo junto com o pai
dele à minha casa pedir para
apresentar o programa, e eu, ia
apresentar, mesmo super cansado
e com dor de cabeça, por isso tive
sempre um carinho enorme pelo
Jeremias e por toda a família dele.

Conta com nostalgia e sorrisos Wilton


Lira.
A partir desse momento, Jeremias
decidia que era isso o que queria por
toda a vida. Tanto que saia às cinco da
manhã de bicicleta para a rádio.

Meu filho ia na minha bike, que eu


chamava de ‘Princesinha’, ia de
calção, botava a roupa dele em um
saco plástico e ia embora para a
rádio. Às vezes mentia que ia jogar

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futebol, mas eu sabia que ele
queria estar ali na rádio.

Lembra dona Eliane.


Na emissora, naquele tempo, eram
quatro operadores de áudio que faziam o
processo interno de colocar no ar
propagandas, músicas e controlar o
volume de som no microfone do locutor
do programa. Entre os funcionários,
Jeremias conheceu o sonoplasta Miguel
Barroso, outra peça fundamental para
que o menino se tornasse um grande
profissional.

Nos fins de semana ele me


procurava na emissora, e ele não
poderia estar ali em horário
comercial, afinal era menor de
idade, então sempre nos procurava
em horários diferentes, aos
sábados, domingos e feriados.
Porém já estava indo durante a
semana também. Ele então
guardava sua bicicleta, entrava na
emissora e ali ficava, em pé ao meu
lado, às vezes sentado e prestando
muita atenção. Então foi se
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consolidando uma amizade, e,
então, nós (eu e Wilton) decidimos
contratar ele, mesmo sendo menor
de idade.

Explica Miguel. Mas com tão pouca


idade, Jeremias tinha pessoas que o
apoiavam e outras que não acreditavam
no potencial dele. Mesmo com alguns
duvidando de sua vontade e vocação,
afinal era um adolescente sonhador, ele
persistia e aprendia com muita atenção a
parte técnica de operação de áudio. A
determinação e dedicação fizeram com
que alguns profissionais que viam
abismados o carinho dele pelo rádio,
investissem também neste ideal.
Antes da tão almejada contratação,
uma situação deixou nosso guerreiro,
então com 13 anos de idade, muito
preocupado. Em uma dessas idas à
emissora, dois operadores de áudio
foram ‘descansar’ e deixaram Jeremias
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monitorando a programação em pleno
domingo (o locutor e operador de áudio
foram se divertir em um balneário com
as namoradas). Justamente nesse dia, o
menino se viu em uma verdadeira saia
justa. Zezinho Barros, um dos filhos do
diretor da emissora, chegou de surpresa.
Zezinho bateu na porta, mas só via o
vulto do garoto, que não sabia o que
fazer:

- O que está fazendo aqui menino?-,


perguntou Zezinho;
- Eles já estão voltando -, disse
nervoso, Jeremias;
- Você sabe quem sou?- questionou
o homem.
- Não sei, não, senhor-, disse triste,
Jeremias.
- Sou o Zezinho Barros, locutor e
filho do dono da emissora, ligue
agora o áudio para mim, que vou
chamar eles ao vivo!

E assim o locutor pediu para que os


funcionários retornassem aos seus
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postos, mas ambos não foram no mesmo
dia. Na segunda-feira, os dois receberam
advertência. Após isso, Jeremias ficou
alguns dias sem ir, triste pela situação. O
que seria agora da paixão pelo rádio
após esse episódio? Será que não era
esse o momento ideal de continuar com
a vontade de exercer essa função? O
jeito seria, então, ganhar um pouco mais
de idade para ver se realmente era isso
que tanto queria para a vida profissional?
“Fiquei arrasado, por mim e
pelos meninos, e depois com medo. Eu
não fui mais para a emissora”, segundo
Jeremias. Mas por obra do destino, eis
que um operador de áudio seria
desligado da Rádio Equatorial e, como
nesse tempo, não havia uma pessoa
capacitada que soubesse mexer na mesa
de áudio, sugeriram o nome do Jeremias
Nascimento, uma vez que treinar uma

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pessoa para essa função duraria meses
de preparo. A partir daí que a história de
sucesso começa.

Foto Arquivo Pessoal

Em 1984, o Gerente da Equatorial,


Fernando Quintella, decide ir à casa de
dona Eliane, pedir que libere a
contratação do filho menor de idade à
emissora. Disse sorrindo Fernando

Eu já conhecia o pai do Jeremias, o


Augustinho, e ao ter o
conhecimento da história inusitada
de um adolescente que queria

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muito trabalhar como operador de
áudio na Equatorial FM, aquilo me
chamou atenção. Foi quando
gerenciei a empresa, na época, e
resolvi apostar nele. Falei com
Augustinho, mas quem disse que a
dona Eliane queria autorizar?

Sim, houve resistência. Dona Eliane


achava precipitado demais dar uma
responsabilidade enorme para o filho.

Eu tinha que dar autorização para o


contrato, e depois de conversar
com o Quintella, decidi dar essa
oportunidade para meu filho. Tanto
que fui em um cartório confirmar
todos os trâmites para ele ser
funcionário da empresa.

Relembra a mãe de Jeremias.


A contratação de Jeremias teve
antes audiência com juízes e, assim, ele
pode ser contratado oficialmente como
novo operador de áudio da Equatorial FM
93,3.

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Por lei de acordo com o
advogado trabalhista Elildes Vasconcelos,
hoje esse tipo de contrato seria
impossível. “Somente após a
Constituição de 1988 ficou
expressamente proibido qualquer
trabalho para menores de 16 anos, salvo
na condição de aprendiz, a partir de 14
anos,” enfatiza o advogado. Ainda
conforme o estabelecido pela
Constituição, ficou determinada a
proibição de trabalho noturno, perigoso
ou insalubre. Mas antigamente, com a
prévia autorização dos pais e interesse
dos gestores em contratar Jeremias, ficou
determinado que os pais seriam os
administradores da carreira e do
recebimento dos salários. Era assim,
então, com aprovação da justiça, da
família e da empresa que ele tanto
gostava, que um sonhador tecia seus

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sonhos a cada momento, tendo a
oportunidade de aprender mais e mais na
emissora.
Ainda falando sobre o
primeiro emprego de um jovem, a
história de Jeremias segue o oposto de
quem ingressa pela primeira vez em
busca de vagas no mercado de trabalho.
O radialista já tinha em sua linha de
pensamento a ideia de que queria ser um
operador de rádio ou atuar em rádio, sem
tantas cobranças ou conflitos internos.
Mas para muitos que saem do ninho, o
primeiro emprego gera dúvidas,
incertezas e cobranças de uma vida mais
responsável e com compromissos. Trata-
se de uma mudança que exige também
mais maturidade dos jovens.
Para Jeremias aprender e conhecer
a fundo a magia da comunicação por
ondas sonoras deram lugar a todo esse

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paradigma. E o que era missão, levar
uma programação ao vivo, se tornou
satisfação para ele na época.
De 1984 a 1988, Jeremias
permaneceu na Rádio Equatorial. Com
esses anos, construiu um conhecimento
musical muito importante. Atuou como
operador e produtor musical, e ali,
também, tinha oportunidade de
apresentar programa e trabalhar a
comunicação, apresentando em 1988 aos
domingos pela tarde, o programa
Paradão de sucessos.

Fernando Quintella afirma com


todas as letras que Jeremias é um
excelente profissional:

Ele é um craque no que faz. É


jornalista formado e muito
competente, tanto que se hoje sou
formado também em jornalismo
pela Universidade Federal de
Roraima é porque Jeremias foi uma
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das pessoas que me incentivou
para que eu tivesse essa
graduação. Literalmente, fiz
faculdade na área da comunicação
por causa dele. Um dia ele
questionou por que eu não me
formava, já que atuava neste
mercado há um bom tempo. Hoje
sou feliz em ter o canudo em mãos.

Afirma Quintella, que além de


jornalista é economista.

Foto da carteira de trabalho de Jeremias


Nascimento. Arquivo pessoal.

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Foto da carteira de trabalho de Jeremias
Nascimento. Arquivo pessoal.

Jeremias, ao apresentar o programa


aos domingos, chamou atenção de
ouvintes e também de quem já atuava no
ramo. O jovem possuía na bagagem
várias funções importantes para uma
emissora de rádio. Foram nessas
apresentações que o radialista Carlos
Alberto Alves viu em Jeremias potencial e
energia de sobra. Outras portas se
abriam e uma carreira consolidada se
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formava para Jeremias Nascimento. Da
Equatorial 93,3 FM, outra emissora seria
a casa do jovem operador de áudio,
produtor e locutor. Seria a Tropical FM,
94,1 FM, terceira emissora a ser instalada
em Roraima no final dos anos 80.

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Capítulo 2
Jeremias e sua trajetória na
emissora Tropical 94,1 FM

A história da emissora Tropical 94,1


FM tem tudo a ver com a trajetória
profissional de Jeremias Nascimento. Mas
para explicarmos o porquê, temos que
explicar um pouco sobre a história da
Tropical FM. A emissora, antiga FM
Nacional (Radiobras), surgiu em um
cenário em que o rádio era uma febre em
Roraima nos anos 80. Nas residências, no
trânsito, nos ambientes de trabalho,
departamentos públicos, nas empresas,
lojas, bares, nas praças, nos balneários e
sítios, ou seja, nos quatro cantos, o rádio
se tornava uma ferramenta poderosa de
comunicação, notícias e entretenimento.
A Rádio Tropical foi ao ar
oficialmente no dia 28 de novembro de

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1988. Foi adquirida por meio de leilão
pelos sócios Luciano Castro, ex-deputado
federal e atual Secretário Nacional de
Infraestrutura do Ministério dos
Transportes, e o senador Mozarildo
Cavalcanti. Logo depois somando-se à
sociedade, a empresária Rionete Reis.
Funcionava antigamente em um prédio
na Avenida Ene Garcez, nas propriedades
da Rádio Roraima.

Em uma conversa em Brasília com


Mozarildo que na época era
deputado federal, eu ponderei com
ele sobre a possibilidade de
constituir uma empresa para a
licitação da privatização da Rádio
Nacional. Então, foi aí que criamos
a Tropical FM, nome escolhido por
mim. A logomarca foi produzida por
publicitários de Brasília. Então
conseguimos ser donos da
emissora de rádio.

Conta Luciano Castro.


A Rede Tropical de Comunicação
pertence à Empresa Caracaraí de
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Comunicação e tem a concessão das
rádios Tropical, Transamérica Pop (tendo
sedes na capital Boa Vista e nos
municípios de Caracaraí e Alto Alegre) e,
também, a afiliada do SBT em Boa Vista.

Temos uma emissora que podemos


até considerar uma das mais
modernas do Norte, e mesmo
diante das crises, estamos
mantendo nossa marca e qualidade
no mercado.

Enfatiza Luciano.
Luciano Castro tece elogios a
Jeremias em nossa entrevista. O
jornalista é um dos poucos profissionais
que ainda faz parte da primeira geração
(seleção) da Rádio Tropical FM e o
primeiro a operar o programa que ia ao
ar pela então nova emissora no mercado
local. Diz com orgulho Luciano Castro:

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Ele tem nível de responsabilidade
enorme e amor pela casa, eu
considero uma feliz contratação e
que, se perdurou por todos esses
anos é porque é uma pessoa de
grande competência e excelente
locutor que evolui e não se
acomoda. É um companheiro com
caráter, consenso e também
grande conciliador.

No decorrer desta obra, vamos


explicar mais sobre a emissora que, até
os dias de hoje, é sua segunda casa.
Voltando para o final dos anos 80. Neste
tempo foi preciso selecionar uma boa
equipe para trazer a inovação no estado.
O radialista Carlos Alberto Alves com
vasta experiência no rádio em Manaus e
Roraima era conduzido ao cargo de
Diretor de programação. Jeremias junto
com Carlos Alberto selecionou, na época,
a primeira equipe de radialistas da
emissora. Ambos foram os primeiros
contratados da empresa, que surgia com
um novo estilo de comunicação. “Fui
27
responsável em acompanhar a seleção
de radialistas, uma missão, mas que
descobrimos talentos que até hoje estão
no mercado”, rememora Jeremias.
Carlos Alberto Alves buscava
em seu time pessoas abertas para
receber informações e ouvirem a
proposta da emissora que chegava a
Roraima:

Eu queria um modelo novo de


rádio, começar de um jeito que eu
sonhava, e eu precisava trazer
pessoas sem virtudes e vícios de
rádio. Queria mesclar e lutar por
audiência.

Contou Carlos Alberto. Dentro dessa


proposta, Carlos arregaçou as mangas e
começou os trabalhos para consolidar a
Rádio Tropical e conquistar espaço.
Jeremias nessa época já tinha
habilidades em operação de áudio,
produção musical e trilhava pela locução,
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apresentando o programa Alternativa
94, que ia ao ar de segunda à sexta-feira
das 13 às 16 horas. “O programa era
estilo Pop Rock e tinha um público que
gostava muito do programa”, explica
Jeremias. Na programação da época,
eram seis programas na grade, e toda a
programação encerrava à meia noite, já
que os transmissores e mesas de áudio
eram pouco potentes.

Foto: Arquivo pessoal

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Nas peneiras feitas para a Tropical
FM na época, um dos escolhidos foi o
radialista e músico Odely Sampaio,
radialista que é também um dos amigos
de Jeremias Nascimento.

Eu já ouvia falar do Jeremias, ‘o


Pimpão’, como os locutores Wilton
Lira e Isaque Nogueira o
chamavam, e eles citavam muito o
nome dele durante os programas. A
partir daí, um belo dia, na seleção
de locutores na Tropical FM, vi o
Jeremias. Senti frio na barriga,
afinal já sabia das boas referências
dele e, então, fizemos uma boa e
longa amizade. Eu o considero o
maior produtor musical da região
Norte, o rádio roraimense deve
muito a esse cara.

Elogia Odely.
Do fim dos anos 80 para a década
de 90, o básico da programação para
conquistar os ouvintes seria utilizar uma
linguagem bastante informal e jovem.
Isso foi a chave para o sucesso e o que

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fez com que a rádio ganhasse muitos fãs,
que ouviam diariamente a grade de
programação da emissora. Nesse tempo,
no Brasil, o estilo sertanejo ganhava
força, e muitos pedidos de ligações eram
músicas do tipo ‘dor de cotovelo’ na
Tropical FM. Canções, inclusive, já
bastante executadas no Brasil, por meio
das grandes FM’s nacionais.
Em Boa Vista, a Tropical FM
resolveu trazer essa novidade para
Roraima e algumas duplas como
Chitãozinho e Xororó, Leandro e
Leonardo, Milionário e José Rico
estouravam no cenário musical, e
ficavam direto na playlist da emissora.
Foi assim que a Tropical foi trazendo uma
opção para os boa-vistenses, além dos
tradicionais sertanejos de raíz e o
genuíno forró.

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A programação tinha um
jornal de notícias, e segundo Carlos
Alberto, o jornal foi pensado na maneira
como o Fantástico, programa dominical
da Rede Globo, era apresentado aos
telespectadores.

A gente se espelhava no que tinha


na época. Além do esporte que até
hoje conversa com leitor e ouvinte,
tinha o épico Fantástico com jeito
mais informal, o que agrada e torna
o entendimento mais fácil das
coisas.

Relembra Carlos Alberto, que disse ainda


que muitos insistem em decretar a morte
do rádio, mas ele é ainda um instrumento
bastante utilizado nos dias atuais.
Também existiam os programas de
entretenimento como o Show da
Cidade, apresentado pelo próprio Carlos
Alberto, com o objetivo de manter
contato diário com as pessoas, falando

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de vários assuntos e com a participação
direta dos ouvintes.
Quantas amizades têm sido feitas
no rádio, quantos amores conhecidos,
pois o rádio favorece a comunicação das
pessoas tímidas que podem se esconder
nos recados e nas mensagens que são
passadas pela radiofonia. Foi nesse
contexto que Carlos acreditou no pioneiro
Momentos de Amor, apresentado até
hoje pelo radialista Pedro Júnior nas
madrugadas boa-vistenses. Pedro Júnior é
ainda um dos poucos radialistas da
primeira geração. “É o amor pelo rádio
que nos move até hoje”, assegura Pedro
Junior. O radialista é um dos amigos de
Jeremias Nascimento. Pedro contou que
hoje a tecnologia facilita, e muito, a vida
dos profissionais do rádio:

Na época, para se ter uma ideia,


para ir ao banheiro você tinha
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exatos três minutos e já tinha que
retornar para mexer nos aparelhos
que eram cartões, entre outras
atividades manuais. Hoje você
programa a sequência e tudo
ocorre perfeitamente normal.

Conta Pedro Júnior.

Recorte de uma reportagem de jornal impresso

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Foto da Equipe Tropical FM no final dos anos
80. Arquivo pessoal.

Entre tantas boas lembranças na


Rádio Tropical, histórias de um tempo em
que tudo era mais penoso porque não
havia tecnologia de ponta. Mas também
histórias, no mínimo curiosas e tensas.
Nos anos 90 a Tropical fazia cobertura de
transmissões ao vivo das eleições.
De acordo com um dos maiores
locutores do estado, Carlos Alberto Alves:

A gente acampava por vários dias


no ginásio Hélio Campos, porque

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antigamente as eleições não eram
em urnas eletrônicas, mas sim no
manual. Ficávamos direto. Lembro
que um dia houve confronto entre
um candidato e a Polícia Federal. A
confusão estava acontecendo bem
na minha frente no momento da
transmissão ao vivo, o policial
engatilhou a arma, e eu no meio da
briga comecei a narrar o que
estava acontecendo, o candidato
correu pela arquibancada e passou
pelas urnas protegidas pelo
Exército. Um soldado também
sacou a arma. Com toda essa
muvuca, fui narrando os fatos para
os ouvintes. Bem, depois de tudo
que aconteceu me tremi e vi que eu
corri risco. Enquanto narrador faz
narrativa, estamos provocando o
imaginário das pessoas, isso
transforma o rádio em algo místico.

Entre outras histórias hilárias, uma


que Carlos lembra com muitos sorrisos:

O rádio tem vozes sem rosto. Então


os ouvintes idealizam, caracterizam
a gente conforme sua imaginação.
Um dia, uma ouvinte, apaixonada
por mim, veio visitar a emissora e
me conhecer. Ela me olhou e disse:
-É isso? Essa foi a reação dela e
depois me pediu desculpas. E eu
disse: - Não esquenta, não. Ela
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imaginava uma pessoa do tamanho
da paixão dela e não era.

O rádio em Roraima foi também


importante difusor de eventos
importantes como carnaval, futebol,
batalha de confetes, arraial, entre outros
eventos tradicionais em Boa Vista. Era
uma ferramenta que levava às pessoas
tudo que acontecia simultaneamente, e
até hoje é assim. O rádio tem uma
importante função. Afinal, como pode
uma caixinha de transistores tão
minúsculos nos enviar tanta
comunicação? O rádio não morre, como
diz Carlos Alberto Alves. Ao contrário, é
um dos principais veículos de
comunicação. A tecnologia investe em
equipamentos mais modernos porque há
ainda uma audiência e interesse na
audiocomunicação.

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A professora doutora Goretti
Leite, professora de radiojornalismo do
curso de Comunicação Social da
Universidade Federal de Roraima, explica
que o rádio tem se renovado a cada
geração

Eu acredito que o rádio tem se


expandido mais e mais. Hoje temos
ele no carro, no celular, nos sites e,
então, ele se adapta e com ele
surgem novas linguagens e
modelos de comunicação. A força
do rádio não acaba nunca, ela se
transforma.

Reforça a professora.
Quem reforça também que o rádio
é versátil e essencial é o próprio
Jeremias. Ele lembra que nos fim dos
anos 80 o rádio teve mudanças nas
aparelhagens, o que era disco, fitas
cassete, cartucheiras, deu espaço para o
cd digital. Com isso, LP saiu de mercado

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e a tecnologia surgia aos poucos no rádio
roraimense:

Lembro que após essa mudança


digital também a Tropical FM
mudou de endereço em 1993 para
o bairro Aparecida, onde até hoje
permanece. A Tropical foi se
modernizando e o computador
facilitou a vida de todos que
trabalham não só em rádio, mas
como em outros meios de
comunicação, então vejo que o
rádio acompanha o processo e está
integralizado sendo de extrema
importância e utilidade pública.

Jeremias Nascimento saiu em


1997 da Rádio Tropical, para atuar na
emissora Equatorial 93,3 FM. Ele fez o
programa chamado Som na caixa, que
ia ao ar todas as noites, mas que durou
pouco tempo, pois naquele tempo surgia
uma nova vertente jornalística: a de
assessoria para órgãos públicos.
Convidado na época, Jeremias atuou na
Secretaria Estadual de Educação,
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apresentando o programa institucional
Educação no ar, na Rádio Roraima, 590
AM, todos os dias de manhã e, às sextas-
feiras, ao vivo, ele interagia com alunos
em escolas públicas.
Porém a Tropical FM mais
uma vez o chamava para retornar à
equipe. E o bom filho à casa torna. Na
nova fase da emissora Tropical, com
novos equipamentos e com todo o
sistema informatizado, sob direção de
Mauricélia Lima, diretora geral da Tropical
FM, Jeremias via um novo cenário
moderno e projetado para a era digital. O
equipamento transmissor da rádio
contava com 10 quilowatts de potência
Em 2000, era o retorno com
muito mais dinamismo e empolgação, o
que foi sucesso garantido nas ondas da
rádio 94 FM. Nesta época, Jeremias
apresentou o Manhã total, exibido de

40
segunda à sexta-feira, de manhã.
Programa que recebia várias ligações,
com pedidos musicais e fãs curiosas em
saber quem era o dono daquela voz.
Assim, Jeremias consolidava seu nome e
espaço no mercado da comunicação.
Com carisma, simpatia, humildade e
amor à profissão, o jornalista seguia o
caminho o qual sempre gostou, ou
melhor, sempre buscou perfazer desde
pequeno: o dom de comunicar para a
massa.
Depois, passou a apresentar
todas as sextas-feiras, o programa
Clássicas da Tropical, e devido ao
sucesso, passou a ser apresentado
também nas quartas-feiras, e
definitivamente todos os dias. Durante
10 anos, Clássicas da Tropical foi
apresentado pelas manhãs. Atualmente,
o programa tem novo horário, de

41
segunda a sexta-feira, das 20 às 22
horas. O programa antecede Momentos
de amor, do radialista Pedro Júnior.
Líder nas noites boa-vistenses, o
programa este ano passou a ter uma
nova roupagem: todas segundas e
quartas-feiras são veiculadas apenas
músicas conhecidas como flashback, e
nas terças e quintas as populares como
brega, forró, calypso e axé. Hoje, como o
próprio jornalista diz, é tudo ‘junto e
misturado’, com sequencias para lá de
agitantes e também baladinhas
românticas. A mudança, segundo
Jeremias, veio a aumentar a procura por
pedidos por ligações e mensagens
instantâneas.

42
Foto: Arquivo pessoal

43
Capítulo 3
Jornalista de coração e por
formação

Em 1993 Jeremias ingressava no


curso de Comunicação Social da
Universidade Federal de Roraima. Para
ele, foi fundamental o curso para
aperfeiçoar e conciliar teoria e prática.
Da época, ele lembra como a estrutura
era ainda pequena. Jeremias recorda que

Antigamente não havia prédios


como vemos agora na UFRR, não
era uma mini-cidade como temos
hoje. Eram apenas quatro prédios e
o parlatório. Tudo era recente e,
claro, tinham obstáculos fossem na
estrutura precária ou na
qualificação. Mas lembro de que
mesmo com tantos desafios, tanto
alunos como professores eram
obstinados em tornar o curso forte
e consolidado. Hoje me sinto
orgulhoso em ter meu diploma,
independente da não
obrigatoriedade do diploma. Eu
posso dizer com todas as letras que

44
sou formado e apto para exercer a
função.

Como estudante, Jeremias disse


que não seguia a linha exemplar como
boa parte dos alunos, mas sempre
passava e tirava boas notas:

Nessa fase da juventude eu


gostava muito de sair e me reunir
com os amigos quase todas as
noites, e me dedicava muito ao
meu ofício, como até hoje faço no
rádio. Minha turma tinha só fera,
alunos muito dedicados, mas em
véspera de provas lia e revisava os
assuntos.

Conta com sorrisos Jeremias. Nas


lembranças, seminários com improvisos,
palestras e viagens com os colegas de
classe. Uma época a que o jornalista
lembra com carinho, além de professores
que os apresentaram à abrangência do
mercado, à importância de exercer a

45
função tendo a graduação como
referência profissional.
De acordo com o jornalista e
presidente do Sindicato dos jornalistas
em Roraima, Gilvan Costa, a luta pela
obrigatoriedade continua:

Nós acompanhamos os trâmites


porque sabemos que nossa
profissão tem uma árdua missão de
levar informação com credibilidade.
Por isso, somos extremamente a
favor da graduação, do esforço, da
qualificação e aptidão para exercer
o cargo.

Conta Gilvan Costa, que é também


um dos melhores amigos de Jeremias.

46
Turma do curso de Comunicação Social.
Arquivo pessoal.

Nesse período, Jeremias foi convocado


para o exército. E não podia dizer não.
Servir à pátria em primeiro lugar. Porém,
durou alguns meses e isso atrapalhou o
empenho acadêmico, além das greves
que ocorriam dentro da UFRR. Conta
Jeremias,

Foram surgindo esses


acontecimentos e fui infelizmente
deixando de lado e atrasando
minha formação. Mas graças a
Deus consegui me formar, lembro
47
que meu TCC foi sobre rádio e meu
orientador foi o professor Maurício
Zoein.

Tirou uma boa nota e se formou. O


evento de formatura em 2002 foi no
palácio da Cultura. "Foi uma emoção ver
meu filho todo arrumado e com canudo
na mão, fiquei muito feliz nesse dia, meu
filho é o meu maior tesouro”, diz
emocionada a mãe de Jeremias, dona
Eliane. São 14 anos de formado e, na
bagagem apresentações em rádio,
cerimoniais e assessoria de comunicação.
Ao todo, 32 anos de experiência com o
rádio roraimense. Dona Eliane e vários
fãs e ouvintes têm inúmeras razões para
admirar a capacidade deste jornalista da
terra.
Segundo o curso de
Comunicação Social da Universidade
Federal de Roraima, como forma de
garantir menos evasão escolar e mais
48
agilidade na formação acadêmica dos
alunos, foi feita uma espécie de
reformulação do projeto pedagógico, e
assim se estabeleceu um diálogo com o
Ministério da Educação, que proporcionou
algumas mudanças significativas, tais
como o curso ser apenas noturno, para
dar aos alunos a chance de tentar
estágios na área jornalística. Foi também
reduzida a carga horária, assim como o
número de disciplinas pré-requisito,
dando a oportunidade de o aluno concluir
nos quatro anos projetados para a
graduação. Em 2016 a Coordenação
apresentou em números o saldo positivo:
antes se formavam apenas 13 alunos, e
em 2016, 25 alunos conseguiram obter
com êxito o diploma.

49
Jeremias após apresentação do TCC. Arquivo
pessoal.

Com a conclusão do curso, outras


descobertas na vida do jornalista. Mas
antes de explicarmos o porquê, vamos
falar de uma coleção que ele tem até
hoje em sua casa. Jeremias possui vários
discos LP’s na sala de estar. Quase dois
mil discos ele comprou, mas perdeu boa
parte do acervo devido às mudanças de
residência que seus pais faziam. Ele
lembra com saudade que comprava todo
mês, após o recebimento do salário,
50
discos na loja Amazônia Novidade, que
ficava localizada no centro da capital Boa
Vista.

Quando nos mudamos para o bairro


Pricumã um primo meu que morava
conosco deixou na frente da casa
em um cesto cerca de 400 discos, e
esqueceu lá. Resumindo, deixou lá
e roubaram, fiquei muito mal com
isso, mas continuei fazendo
compras das bandas que gosto

Conta o radialista.
No acervo bandas como Nirvana,
Legião Urbana, Pink Floyd, além de
bandas de MPB e outros estilos musicais.
Para quem gosta de acompanhar os mais
variados estilos musicais, se atualizar é a
palavra de ordem:

Sempre gostei de ler, saber sobre


bandas, me informar mais e
conhecer os vários estilos musicais,
isso me ajudou a construir um bom
conhecimento musical, foi então
que decidi ser DJ, uma maneira

51
criativa e divertida de trabalhar em
dias que estou de folga do rádio.

Revela Jeremias.
Uma curiosidade, disc-jockey era o
nome que se dava nos anos 50 e 60 aos
locutores de rádio que tocavam discos de
gramofone, posteriormente long play e
mais tarde o cd, e que atualmente usam
o MP3. Com o tempo, a palavra encurtou
para DJ. Foram os disc-jockeys que
contribuíram, por exemplo, para a
consolidação do movimento rock and roll
nos anos 50, dando assim notoriedade a
nomes de artistas como Elvis Presley e
The Beatles. Por isso a importância dos
DJs na história da sonoridade musical em
todo o mundo.
O primeiro contato com a atividade
de DJ foi no final dos anos 80, na casa de
show e discoteca Senzalas, a convite do
radialista Wilton Lira, que também era
52
disc-jockey, ou como conhecemos DJ. Lá
ele selecionou músicas clássicas dos
anos 70 e 80 e fez sucesso com o
público, mas ficou apenas nisso. Até
então, não via como um
empreendimento formal, mas sim como
hobby. O gosto por tocar músicas em
festas, formaturas e aniversários veio
bem depois, em 2010, em conversa com
amigos:

Em reuniões com amigos DJs, me


interessei quando me incentivaram
a investir nesse negócio devido ao
meu tino musical, pois a gente tem
que sentir o clima do evento para
saber o que o momento está
pedindo, o que o público quer ouvir.
Então resolvi apostar nessa forma
de ganhar dinheiro.

Narra Jeremias.
Entre as apresentações, festas em
locais que renderam bom público, com
estimativa de 1.300 pessoas como a

53
festa As clássicas, e assim ele foi
mantendo uma rede de contatos de
pessoas interessadas em seu serviço.

Não me considero DJ profissional,


mas sim uma pessoa que toca
músicas, passa som e corta as
músicas em harmonia uma com as
outras, dando assim uma boa
sequência musical.

Explica o radialista.
Foi em uma viagem à Ilha de
Margarita, cidade da Venezuela, que ele
comprou os equipamentos para tocar nas
noites boa-vistenses. E até hoje ele se
apresenta com aparelho profissional,
caixas de som e iluminação. Uma forma
irreverente de poder faturar um dinheiro
extra, envolvendo sempre a música em
seus projetos profissionais.
Como um bom crítico musical,
surge outra faceta do jornalista, a de
cantor de bandas de rock. Com fortes
54
influências neste estilo, Jeremias se
aventurou em bandas locais, e essa
paixão ele tem até hoje. Tanto que possui
um pequeno estúdio montado na sua
casa com instrumentos musicais:
guitarras, bateria, caixas de som e
microfones. Foi quando conheceu a igreja
evangélica em 2003 e montou a banda
Impactu’s, que depois mudou o nome
para a banda Epístola, com músicas de
autoria própria. Em 2008 foi ministro de
louvor no bairro Alvorada, na igreja
Betesda “Conheci a igreja e soube o
verdadeiro amor com Deus, a busca pela
paz interior”, disse Jeremias que
frequenta até hoje a mesma igreja.

55
Capa do Cd da Banda Impactu’s

A banda se apresenta até hoje em


cultos e eventos evangélicos na cidade,
com estilo rock and roll e hard rock, sob
influência dos anos 80 e 90: “Nossa
pegada é bacana porque segue um ritmo
que a garotada curte e levamos
mensagens de fé e amor em nossas
canções, agradou em cheio esse
público”, diz o radialista. As composições
mesclam experiências pessoais com a
vontade de buscar a Deus, com a

56
finalidade de anunciar a salvação através
da música. ‘Em cima do Muro’ é uma das
canções que tocou em rádios locais e nos
cultos de igrejas da cidade.

Me diz, o que você vai fazer?


De que lado você está e qual
Senhor vai servir?
Não há motivos para fingir
Ele te sombra e te conhece
Chega de mentir, Ele sofreu por
todos nós!
Foi crucificado para nos livrar do
mal
Ponha isso na sua cabeça
Não fique em cima do muro, abra
os olho, renove sua vida, aceite a
Jesus.

A igreja Betesda tem 15 anos de


existência e realiza cultos, aulas bíblicas
dominicais e ações sociais em bairros
afastados do centro da cidade.

57
Capítulo 4
11 anos do programa Clássicas
da Tropical

São 32 anos de rádio, quatro anos


na Equatorial 93,3 FM e 25 anos na
Tropical 94,1 FM. Na bagagem muitas
conquistas profissionais, desafios,
obstáculos, mas a paixão com a mesma
intensidade do início de carreira. Jeremias
ocupa um lugar cativo no coração dos
fãs. O programa é um dos líderes de
audiência no estado e com a ferramenta
WhatsApp muitas pessoas mandam
mensagens e interagem,
simultaneamente, através do celular
institucional da rádio Tropical. É uma
espécie de termômetro que avalia a
popularidade do programa:

Quem não gosta de relembrar


músicas que nos fazem voltar ao
58
passado e reviver bons momentos,
pessoas e situações? O programa
proporciona isso, e toco dos anos
60,70, 80 e 90 os mais variados
estilos, Clássicas da Tropical agrada
em cheio os ouvintes.

Afirma o radialista.
O trabalho se torna prazer ao
selecionar boas músicas e atender
diariamente aos pedidos dos ouvintes.
Mas antes não era bem assim. Nos anos
90, sem tecnologia avançada, o carinho
dos fãs era expresso através de cartas e
telefonemas prolongados. Jeremias até
hoje guarda com carinho os papéis com
frases e textos que tecem elogios ao
jornalista. Para quem atua na área da
comunicação, é um reconhecimento
ímpar, energizante para seguir adiante
com a profissão.
Com a carreira e simpatia, no ar
todos os dias, certa vez perguntaram a
Jeremias por que não fazer
59
telejornalismo, já que tinha facilidade e
habilidade de improvisação ao vivo. Em
1997, recebeu convite da Rede
Amazônica em Roraima, afiliada da Rede
Globo. Ele até tentou, mas não teve
coragem de falar com uma câmera ligada
em sua frente:

Lembro que passei poucos dias


fazendo os testes porque me tremia
e suava quando o cinegrafista
apertava o play. Eu nasci mesmo foi
para ficar por de trás das câmeras
e no rádio, apresentando mesmo.

Explica sorrindo, o jornalista.


Nos anos 2010, o jornalista foi
convidado para ser Coordenador de
comunicação da Universidade Virtual de
Roraima. Uma responsabilidade: a de
estar à frente de uma autarquia que
surgia com o objetivo de qualificar a
população com cursos gratuitos
presenciais e online. Mesmo com essa
60
árdua missão, Jeremias decidiu conciliar
mesmo na correria, o rádio com o papel
de assessor.
Em sua função, escrevia,
editava textos, tirava fotos e apresentava
cerimoniais da Univirr. Por quatro anos,
Jeremias comandava uma equipe
comprometida em fazer história. No
horário da tarde, todos os dias das 17 às
18 horas, apresentava na Rádio Roraima,
Univirr no ar, com entrada de
jornalistas ao vivo sobre notícias do
estado, reportagens nacionais e
entrevistas para falar de projetos e ações
da autarquia.

Foi uma fase muito importante


porque levamos aos pólos no
interior através do rádio, tudo sobre
cursos e qualificação, e muitos
moradores souberam pelas ondas
sonoras que havia cursos de
informática, graduação e pós
graduação, promovendo assim uma

61
verdadeira inclusão educacional e
social.

Reforça Jeremias.
A Univirr oferta cursos através do
ensino à distância, utilizando uma
plataforma que abrange os 15 municípios
de Roraima, através de recursos
tecnológicos disponibilizados pela
instituição e instalados nos pólos. Possui
parceria com Universidades de Brasília,
Santa Catarina, Amazonas e Institutos
Federais do Pará, Roraima e Amazonas.
Oferece ainda cursos ministrados nos
laboratórios dos pólos, nos Centros de
multimídia, abertos para a comunidade
nos três turnos para execução de tarefas
digitais, acesso para pesquisas na
internet, entre outras funções.
Com a função, apresentava
normalmente o Clássicas da Tropical

62
pela manhã e ficava atento, também, às
demandas da imprensa para entrevistas
com representantes da instituição. Desde
2015, Jeremias apenas apresenta o
programa pela parte da noite, das 20h às
22h, e atua como Coordenador de
programação da rádio Tropical pela parte
da tarde, acompanhando diariamente a
programação, atento às novidades de
músicas e a escala dos servidores da
empresa. E lá se vão 25 anos, bodas de
prata, uma relação de fidelidade e
compromisso à arte de comunicar.

63
Foto: Arquivo Pessoal

Para a mãe de Jeremias, dona


Eliane, não resta dúvidas de que ele
nasceu com dom e logo desde pequeno
já sabia qual caminho trilhar:

Ele é um grande profissional, todos


falam isso, não há orgulho maior
que ouvir coisa boa de seu filho,
tenho profundo orgulho e
admiração por ele, e todo dia estou
lá em casa com radinho ligado
acompanhando tudo que ele faz.

64
Derrete-se dona Eliane.

Mãe de Jeremias com uma reportagem antiga sobre o


filho. Foto: Ellen Ferreira.

65
O jornalista além de um grande
locutor, também exerce outra função nas
horas
vagas:
de

apresentador de eventos musicais


nacionais. Por duas vezes chamou ao
palco Capital Inicial, a cantora Pitty,
Biquini Cavadão, as duplas sertanejas
Bruno e Marrone, Zezé di Camargo e
Luciano e bandas de forró como Calcinha
Preta e Limão com Mel. Há seis anos,
Jeremias é o locutor oficial do Roraima
Moto Clube, uma entidade ligada aos
motociclistas do estado que promove
eventos anualmente em Boa Vista,
atraindo motociclistas de vários estados
e da América Latina.
66
O evento é aberto para todos
que apreciam um bom rock and roll, e no
ano de 2016 ao completar 10 anos de
eventos, Roraima Moto Clube trouxe a
banda Ira! e a banda Urban Legion, que
tocou os grandes sucessos da banda
Legião Urbana, da qual o jornalista é fã
de carteirinha.

Para um público maior não tenho


vergonha, eu gosto de interagir e
lidar com os improvisos de eventos,
o que é normal ocorrer, mas em
seminários ou algo do tipo eu fico
bem mais nervoso, não sei explicar,
de qualquer forma sempre dou o
meu melhor.

Disse Jeremias.
A última apresentação de Jeremias
ocorreu no mês de dezembro de 2016,
com a dupla Zé Neto e Cristiano. O show
foi recorde de público e o radialista
estava lá para animar e contagiar com
sua alegria os milhares de espectadores.
67
Uma missão que ele tira de letra, mas
que, sem dúvida, deve ser difícil de fazer.
Antes das apresentações Jeremias fica
bastante ansioso e busca sempre
pesquisar sobre as bandas, os prêmios e
histórico para comentar no palco.

Apesar de eu gostar do bom e


velho rock não posso deixar de
analisar o mercado atual, o cenário
musical, então o sertanejo vem se
destacando nos últimos anos,
pesquiso e trato de saber mais da
vida dos artistas e projetos para
não pagar mico na frente das
pessoas, é uma forma de respeitar
o público que prestigia os eventos.

Destaca Jeremias.
Ao mesmo tempo em que chama os
artistas para o show, o radialista
conversa com produtores musicais, os
músicos, cantores e analisa o repertório.
Para ele é uma forma de se conectar com
as tendências e novidades. É uma busca
pelo conhecimento da música. E também
68
um privilégio em ver de perto os artistas
que são tão ovacionados pelos milhares
de fãs. Abaixo uma foto feita em 2016 no
palco montado no estacionamento do
Estádio Canarinho, em um show com a
banda Ira!, evento que durou duas noites
com apresentações de motos de altas
cilindradas, bandas locais e exposições
de associações ligadas a motos potentes.
Aos 45 anos de idade,
Jeremias não pensa em parar. São mais
projetos envolvendo a voz e sua
desenvoltura com os microfones. Uma
destreza que até hoje é reconhecida
pelos amigos e colegas de profissão. São
mais de três décadas fazendo a história
da comunicação roraimense, deixando
muitas vezes de lado a vida pessoal para
se dedicar de corpo e alma à vocação:
"Sou grato, pois hoje tenho conforto e
vivo bem graças a Deus, e consegui tudo

69
com muito esforço e com minha
profissão”. Diz Jeremias que todas as
noites apresenta o Clássicas da
Tropical e em sua casa ainda estuda
música e pesquisa bandas antigas e
atuais para ver como estão os trabalhos
pelo mundo a fora. É um envolvimento
total com a música e com o prazer de
levar novidades e conversar com as
pessoas.
Em nossas entrevistas de
acordo com o setor comercial da Rádio
Tropical, entre tantas vozes talentosas, a
de Jeremias também tem o dom de
convencer e não é à toa que o jornalista
faz flashes de promoções em lojas para a
emissora e que empresários pedem que
ele entre ao vivo e fale dos produtos.
Credibilidade também é marca. E
Jeremias conquistou com os anos.

70
Foto: Arquivo Pessoal Equipe atual 94,1 FM

71
Programação da Tropical FM
Programa Apresentadores Horário
Conexão BR Neto Granato e 1h às 4h
André Grid
Nação Denis Custódio 4h às
Sertaneja 5h45
Musical Musical Tropical 5h45 às
Tropical 7h
Giro da Sunayra Cabral 5h45 às
Notícia e Paulo Jr 7h
Bom dia com Jack O Penetra 8h às
Alegria 9h30
Conexão Alberto 9h30 às
Tropical Gemaque 12h
Tropical Layse Menezes 12h às
Notícias e Otacílio 12h30
Gabriel
Na Carona Consuelo 12h30 às
com Oliveira 13h30
Consuelo
Oliveira
Barra Pesada Isaias Maia 13h30 às
14h30
72
MPB Anne Kyatkoviki 14h30 às
15h

1. Conexão BR – Neto Granato e


André Grid - 1 às 4 horas
2. Nação Sertaneja – Denis Custódio –
4h às 5h45
3. Musical Tropical- Musical Tropical -
5h45 às 7h
4. Giro da Notícia – Sunayra Cabral e
Paulo Jr.- 7h às 8h
5. Bom dia com Alegria- Jack O
Penetra – 8h às 9h30
6. Conexão Tropical –Alberto
Gemaque- 9h30 às 12h
7. Tropical Notícias – Layse Menezes e
Otacílio Gabriel- 12h às 12h30
8. Na Carona com Consuelo Oliveira-
Consuelo Oliveira- 12h30 às 13h30

73
9. Barra Pesada- Isaias Maia- 13h30
às 14h30
10. MPB – Anne Kyatkoviki –
14h30 às 15h
11. Geração 94- Marcelo Ganev
-15h às 18h
12. As 10 +- Thayse Kelly – 18h
às 19h
13. A voz do Brasil- EBC - 19h às
20h
14. Clássicas da Tropical-
Jeremias Nascimento- 20h às 22h
15. Momentos de Amor – Pedro
Júnior –

74