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29/04/2018 A Culpa Temerária - Artigos | Carta Forense

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SELMA PEREIRA DE SANTANA


PENAL
A Culpa Temerária
02 /0 3/ 2010 por S e lm a Pe re ir a d e Sa nta n a

Até rela vamente pouco tempo, o delito culposo ocupava uma posição de menor importância
no Direito Penal, que reconhecia e cedia lugar fundamental ao delito doloso, de mais fácil apreensão conceitual
e de maior dimensão esta s ca.
Esse tratamento diferenciado dado à teoria da culpa fez com que esta permanecesse à margem
da evolução da dogmá ca jurídico-penal. Hoje, em razão das condições da sociedade moderna, marcada pelo
avanço tecnológico, pela mecanização das a vidades e pela ocorrência, cada vez mais crescente, de condutas
consideradas perigosas - a ponto de se nomeá-la "sociedade de risco"-, assiste-se a um incremento da
preocupação cien fica sobre ela, buscando-se que o resultado de sua evolução cumpra o papel instrumental de
oferecer soluções mais justas às questões que dele dimanam.
Para o problema aqui tratado, tem-se antevisto desafio emergente e, ainda maior, propiciador
Membro do Ministério Público Militar da
de impulsos catalisadores de um ritmo mais intenso na pesquisa jurídico-penal, qual seja a evidente e radical
União. Doutora e Mestre em Ciências
transformação que sofre a sociedade moderna, e que se poderá sinte zar como sendo a globalização dos riscos Jurídico-Criminais pela Faculdade de Direito
civilizatórios. da Universidade de Coimbra. Professora
Não obstante a atual preocupação cien fica sobre o tema, poder-se-á afirmar que o atraso da Adjunta da Faculdade de Direito da UFBA.

dogmá ca do delito culposo cons tui uma das maiores contradições do Direito Penal, e assim permanecerá Autora de diversos artigos publicados no

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enquanto a ciência jurídica não for capaz de apreender, racionalmente, toda a complexidade de ma zes que a Brasil e na Europa e do livro "Culpa

realidade da culpa representa, pois, em que pesem no plano dogmá co alguns notáveis avanços, o estado atual temerária" publicado pela Editora Revista
dos Tribunais
da teoria da culpa cons tui um dos maiores fracassos da dogmá ca jurídico penal.
Numa pontual regressão histórica, os primeiros penalistas cien ficos da Itália trataram de extrair conteúdos anteriores

das fontes romanas a graduação da culpa em lata, leve e levíssima, invocando, para a primeira, o Livro XVII do
Digesto, conquanto permaneça para nós, e tantos outros, ainda indefinido, se o Direito Romano chegou, ou não,
a conhecer penalmente a culpa. Busca...
Na evolução da dogmá ca jurídico-penal, ainda que existam aqueles que considerem
dispensável a graduação da culpa, e outros, até, que a condenem, vários critérios foram e são u lizados para
configurar e delimitar pra camente a culpa temerária, que corresponde ao conceito clássico de culpa lata.
EDIÇÃO DO MÊS
A culpa temerária representa um po de culpa substancialmente elevado, determinante de uma
Prisão preven va de o cio na Lei Maria da
moldura penal agravada. É indispensável que se esteja perante uma ação par cularmente perigosa e de um Penha
resultado de verificação altamente provável à luz da conduta adotada, mas que se tem de alcançar, ainda, a
prova autônoma de que o agente, não omi ndo a conduta, revelou uma a tude par cularmente censurável de
leviandade ou de descuido perante o comando jurídico-penal.
Já há alguns anos, o conceito tem sido inserido e man do nos textos de alguns códigos penais
europeus, como ocorre, v.g., em Portugal, Alemanha, Itália e Espanha.
O legislador tem feito uso do conceito, quando, em determinados casos, não torna pressuposto
da punibilidade a mera culpa simples, mas, tão somente, a forma qualificada, a culpa temerária. Ela surge, às
vezes, em pos legais básicos, outras vezes, é empregada para qualificar o resultado, e tem servido, ainda, como
exemplo-regra para casos especialmente graves. Também, no Direito de infrações administra vas, emprega-se,
cada vez mais, o conceito de culpa temerária.
Do ponto de vista jurisprudencial, assiste-se a uma apreensão do conceito de uma maneira mais
rica que a dogmá ca. E isto, em razão da constatação de uma constelação mul facetada de possibilidades de
delimitação do seu conteúdo, cujas possibilidades, conquanto não sejam marcadas pela caracterís ca da
absoluta congruência, mantêm uma zona de iden ficação comum, ao elegerem fatores consensuais, como a
omissão dos cuidados mais elementares, a irreflexão e a ligeireza.
A realidade brasileira, contudo, tem se mostrado desinteressada, injus ficadamente, na
NEWSLETTER
abordagem e no tratamento da questão dos graus da culpa.
RECEBA NOSSAS NOVIDADES
Do ponto de vista legal, o Código Penal brasileiro, ao se referir ao delito culposo, além de
fornecer uma definição absolutamente insa sfatória, em momento algum faz dis nção entre os graus da culpa, Nome...

para o fim de dar-lhes tratamento diverso. E-mail...


Do ponto de vista dogmá co, poucos autores nacionais se tem deba do sobre o tema.
Cadastrar

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Do ponto de vista jurisprudencial, a tendência é considerar o grau da culpa, não para a


configuração do delito culposo, mas para relevá-lo, apenas, para efeito de gradação da pena. Há, entretanto, EDIÇÕES
julgados no sen do de que a culpa levíssima não para o reconhecimento do ilícito penal.
AUTORES
A inserção da abordagem e do tratamento dos graus da culpa e da culpa temerária no direito
penal pátrio, ao contrário do que se possa inicialmente parecer, não vai de encontro aos princípios da CURSOS
subsidiariedade e da ul ma ra o. Por mais paradoxal que possa ser, eles os ra ficam, até mesmo na medida em
CONCURSOS
que admitem não ser razoável que um delito culposo tenha a mesma pena abstrata para hipóteses concretas
dis ntas realizadas por sujeitos, com capacidades individuais diferenciadas e que, dessa forma, se comportaram MODELOS DE PEÇAS E CONTRATOS
variavelmente, realizando condutas perigosas, e de um resultado de verificação altamente provável, revelando
uma a tude de leviandade ou de descuido perante o comando jurídico-penal.
Daí porque deveria o Direito Penal brasileiro adotar a conduta de há muito pra cada no Direito
europeu, no sen do de que o legislador faça uso da culpa temerária,quando, em determinados casos, não torna
pressuposto da punibilidade a mera culpa simples, mas, tão somente,a forma qualificada, a culpa temerária. Isso
quer dizer que, determinados delitos culposos só deveriam ser punidos se a culpa nele revelada fosse temerária:
em não o sendo, a conduta deveria ser considerada como infração administra va.
Em outras hipóteses, a culpa temerária surgiria em pos penais básicos, sobretudo, em função
da dignidade penal e da carência da pena; outras vezes, poderia ser empregada para qualificar o resultado,
como ainda, funcionar como exemplo-regra, para casos especialmente graves.
Por fim, ao escolhermos esse assunto para apresentar aos leitores, esperamos que nossa
abordagem tenha a ngido a um fim teleologicamente correto e funcionalmente adequado, e que tenha
contribuído, de alguma forma, para a discussão jurídico-penal de tão palpitante tema.

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Comentários

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Raveli Mejia · Monitora da Língua Espanhola em Instituto de Letras UFBA


Muito interessante abordagem da culpa temerária ou culpa lata
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Arnaldo Bianchini · Advogado em Câmara Municipal de Romaria


Crime culposo. Age com culpa qualificada motorista de coletivo que ao fechar a porta do veículo
imprudentemente, sem visibilidade com relação aos passageiros ingressantes, provoca lesão
em pessoas idosa, deixando de socorrê-la. (...).TJ-PE - ACR: 14225 PE 9100235342, Relator:
Gilberto Gondim, Data de Julgamento: 15/12/1993, 2ª Câmara Criminal.
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