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AÇUCAREIRO


ANO XIII VOL XXIV DEZEMBRO^ 1944 N.° 6
INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL
CRIADO PELO DECRETO N.» 22.789, DE 1.» DE JUNHO DE 1933
Expediente : de 12 às 18 horas
Aos sábados : de 9 às 12 horas

COMISSÃO EXECUTIVA
A. J. Barbosa Lima Sobrinho, Presidente —
Delegado do Banco do Brasil
Alberto de Andrade Queiroz —
Delegado do Ministério da Fazenda
Alvaro Simões Lopes —
Delegado do Ministério da Agricultura
José de Castro Azevedo —
Delegado do Ministério da Viaçào
Otávio Milanez —Delegado do Ministério do Trabalho
Alfredo de Maya (

Antônio Corrêa Meyer ; „ x x j • •

José Rufino bezerra Cavalcanti 1 Representantes dos usineiros


'

José Carlos Pereira Pinto


Moacir Soares Pereira —
Representante dos banguezeiros
Aderbal Carneiro Novais /
Cassiano Pinheiro Maciel Representantes dos fornecedores
Joaquim Alberto Brito Pinto )

SUPLENTES
Arnaldo Pereira de Oliveira /

Gustavo Fernandes Lima j „ ^ . , . .

João Carlos Belo Lisboa Representantes dos usmeiros


)'
Luis Dias Rollemberg
Manuel Neto Carneiro Campelo Júnior — Representante dos banguezeiros
João de Lima Teixeira /

João Soares Palmeira Representantes dos fornecedores


José Pinheiro Brandão l

Sede: PRAÇA 15 DE NOVEMBRO, 42


RIO DE JANEIRO — Caixa Postal 420 — Enderêço telegráfico : COMDECAR
SAlcool-Motor, 43-5079 e 23-2999; Assistência à Produção, 23-6192;
Caixa, 23-2400; Comissão Executiva, 23-4585; Comunicações, 43-8161 e
23-0796; Contadoria, 23-6250; Estatística, 43-6343; Ei^tudos Económicos,
43-9717; Fiscalização, 23-6251; Gabinete da Presidência, 23-2935; Ge-
I UIIUU Nrência, 23-5189; Jurídica, 23-6161; Material, 23-6253; Mecanografia,
j 23-4133; Pessoal, 43-6109; Portaria, 43-7526; Présidência, 23-6249;
Publicidade, 23-6252; Restaurante, 23-0313; Serviço do Álcool, 43-3798;
f
\ Serviço Médico, 43-7208; Técnico Industrial, 43-6539.
Depósito de álcool-motor —
Avenida Venezuela. 98 Tel. 43-4099. —
Seção Técnica — Avenida Venezuela, 82 Tel. 43-5297. —
DELEGACIAS REGIONAIS NOS ESTADOS
Enderêço telegráfico SATELÇUCAR :

ALAGOAS — Rua Sá e Albuquérque, 426 — Maceió


BAHIA — Rua Miguel Calmon, and. — Salvador
18-2.<*
MINAS' GERAIS — Palacete Brasil — Av. Afonso Pena — Belo Horizonte
paraíba — Praça Antenor Navarro, 36/50 and, — João Pessoa - 2.°
PERNAMBUCO — Av. Marquês de Olinda, 58-1.° and. — Recife
RIO DE JANEIRO — Edifício Lizandro — Praça São Salvador — Campos
SÃO PAULO — Rua 15 de Novembro, and.-S. 301/309 — São Paulo
228-3.<»
SERGIPE — Avenida Rio Branco, and. — Aracaju
92-l.<>
- DISTILARIAS CENTRAIS
DO ESTADO DA BAHIA — Santo Amaro — End. telegráfico — DICENBA —
SANTO AMARO.
DO ESTADO DE MINAS GERAIS — Distilaria de Ponte Nova (E. F. Leopoldina)
— — End. telegráfico — DICENOVA — PONTE NOVA.
Caixa postal, 60
DO ESTADO DE PERNAMBUCO — Distilaria Presidente Vargas — Cabo —
(E. F. Great Western) — Caixa postal, 97 — Recife. — End. telegráfico —
DICENPER — RECIFE.
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — Estação de Martins Lage — (E. F. Leo-
poldina) — Caixa postal, 102 — Campos. — End. telegráfico — DICENRIO —
CAMPOS — Fone — Martins Lage, 5.
DO ESTADO DE SÃO PAULO — Distilaria de Lençóis — Fone, 35 — End. tele-
gráfico — DICENÇÓIS — LENÇÓIS.
:

BRASIL AÇUCAREIRO
ORGAO OFICIAL DO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL

Registrado, com o n.« 7.626, em 17-10-934, no 3.» Oficio do Registro de


Títulos e Documentos e no D I P. . .

PRAÇA 15 DE NOVEMBRO, 42 - 9.« pav.

TELEFONE 23-6252 — CAIXA POSTAL 420

DIRETOR — Miguel Costa Filho.


Redator principal — Joaquim de Melo.
Redatores — Adrião Caminha Filho, José de Oliveira Leite e Renato
Vieira de Melo.

Assinatura (anual), para o Brasil Cr$ 25,00

Assinatura (anual), para o exterior Cr$ 35,00

Número avulso (do mês) Crf 3,00

Vendem-se coleções a partir do 4.^ volume, encadernadas, por semestre,

excetuando-se os 6.° e 7.° volumes. Vende-se também o número especial

com o índice alfabético e remissivo do 1° ao 13.° volume.

As remessas de valores, vales postais, etc, devem ser feitas ao Instituto do

Açúcar e do Álcool e não a BRASIL AÇUCAREIRO ou nomes individuais.

Pede-se permuta. We ask for exchange.

On demande Téchange. Pidese permuta.

AGENTES
OTÁVIO DE MORAIS — Rua da Alfândega, 35 — Recife — Pernambuco
HEITOR PORTO & C* - Caixa Postal, 235 - Porto Alegre - Rio Grande do Sul
SUMÁRIO
DEZEMBRO — 1944
POLITICA AÇUCAREIRA 3
DIVERSAS NOTAS — 1* Turma de Julgamento — Estimativa da safra
1944/45 — Instalação de uma usina em Morretes — O caso da Usina
Junqueira 6
HOMENAGENS AO PRESIDENTE DA REPUBLICA 8
NOVA ETAPA DA POLITICA SOCIAL DO I A. A. 14
UMA FASE DA EXECUÇÃO DO ESTATUTO DA LAVOURA CANAVIEI-
RA — Dalmirò Almeida 16
ELABORAÇÃO DE MELAÇOS 20
REEQUIP AMENTO DA INDUSTRIA AÇUCAREIRA 22
RESOLUÇÕES DA COMISSÃO EXECUTIVA DO I A. A 28
ATAS DA COMISSÃO EXECUTIVA DO I A. A 82
ATOS DO PRESIDENTE DO I.A.A 86
DECISÕES ADMINISTRATIVAS 92
A SITUAÇÃO AÇUCAREIRA MUNDIAL 94
O CONTROLE DO AÇÚCAR NO APOS-GUERRA 96
CRÓNICA AÇUCAREIRA INTERNACIONAL 97
DISTILARIA DOS PRODUTORES DE PERNAMBUCO 99
O AÇÚCAR NOS PRIMÓRDIOS DO BRASIL COLONIAL — Basilio de Ma-
galhães . V 100
OS FAZENDEIROS DE CAMPOS NO SÉCULO PASSADO — Alberto La-
mego 103
PESQUISAS SOBRE HISTORIA AÇUCAREIRA NOS ESTADOS UNIDOS
— José Honório Rodrigues 106
AZEREDO COUTINHO — Sergio Buarque de Holanda 111
O AÇÚCAR ATRAVÉS DO PERIÓDICO "O AUXILIADOR DA INDUS-
TRIA NACIONAL" — Jerônimo de Viveiros 116
HISTORIA DO AÇÚCAR NA PARAÍBA — Ademar Vidal 118
TRANSFUSÕES DE SANGUE À BASE DE AÇÚCAR 126
O PRIMEIRO ENGENHO DE ACUCAR DO BRASIL -. Miguel Costa Filho 127
"BRASIL AÇUCAREIRO" 131
VÁRZEAS CARIOCAS DE CANA — Afonso Várzea
.

132
FOLKLORE DO AÇÚCAR — Joaquim Ribeiro 136
NOTAS SOBRE O VELHO CANUTO — Sodré Viana 140
A ASSISTÊNCIA MEDICO-SOCIAL NAS ZONAS CANA VIEIRAS DO BRA-
SIL — Vasconcelos Torres r 141
TEOR DE FIBRAS DE DIFERENTES VARIEDADES 142
3° CAMPEONATO DOS CORTADORES DE CANA DE PIRACICABA. . . . 144
EFEITOS DA SECA SOBRE OS RENDIMENTOS DA CANA DE AÇÚCAR 145
."GEOGRAFIA DO AÇÚCAR" 145
SUCEDÂNEOS E SUBSTITUTOS DO AÇÚCAR DE CANA — Celso Filho 146
PROCESSOS DE CARBOSULFITAÇÃO ISl
QUADROS DA SEÇÃO DE ESTATÍSTICA DO I.A.A 152
BIBLIOGRAFIA 156
COMENTÁRIOS DA IMPRENSA 157
BALANCETE E ORÇAMENTO DO I.A.A 158
RELATÓRIO DA COOPERATIVA DOS USINEIROS DE PERNAMBUCO.. 161
RELATÓRIO DA COOPERATIVA CENTRAL DOS BANGUEZEIROS E
FORNECEDORES DE CANA DE PERNAMBUCO 171
COOPERATIVA DOS USINEIROS DE PERNAMBUCO 174
RELATÓRIO DA DISTILARIA DOS PRODUTORES DE PERNAMBUCO. 179
índice ALFABÉTICO E REMISSIVO, POR ASSUNTOS, PAÍSES E AU-
TORES 185
BRASIL AÇUCAREIRO
órgão oficial do
INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL
ANO XIII — VOL. XXIV DEZEMBRO — 1944 N.° 6

POLITICA AÇUCAREIRA
A legislação açucareira, que já forma um vés de convenções e instruções, a situação dos
conjunto de mais de cem diplomas, foi, em lavradores ou colonos em causa.
19 de outubro último, acrescida com um im- E' êsse, pois, o intuito primordial do De-
portante Decreto-lei, de n° 6.969, do qual se creto-lei n.° 6.969, que, além disso, dispõe
pode dizer que prossegue, reforça e esclarece sobre a assistência técnico-agrológica, assis-
o Estatuto da Lavoura Canavieira. tência médico-social, financiamento dos colo-
Dêste já se disse, em relatório da Câmara nos-fornecedores, pagamento das canas e ren-
de Reajustamento Económico, que inicia a re- da das terras, e, finalmente, define e regula
forma agrária no Brasil. Em verdade, tôda a situação dos trabalhadores rurais, que con-
aquela legislação, inclusive êstes dois Decre- tinuam garantidos pelas leis trabalhistas e
tos-leis,o que baixou o referido Estatuto e o são agora favorecidos pela criação de contra-
recente, que dispõe sobre os fornecedores de tos-tipos.
cana que lavram terra alheia, não tem a in- A concede ao I.A.A a faculdade de
lei
tenção de animar discórdias. Não as ani- impor penas aos que se opuserem à sua exe-
ma, a essas quase cento e vinte leis, ao cução, sem o que seria inócua, inoperante,
contrário do que se assoalhou em certos mas, por outro lado, autoriza deduções no
meios interessados, nenhum prurido, nenhu- preço das canas fornecidas, dentro dos tabe-
ma tendência, nenhuma doutrina revolucio- lamentos em vigor, nos casos que discrimi-
nário. na, que são os de aluguel da terra, alu-
O que, em verdade, visa é evitar transfor- guel da moradia, assistência técnico-agrí-
mações bruscas, violentas, processos extrema- cola, assistência médico-social, aluguel de
dos, choques difíceis de serem pacificados. animais, véículos e instrumentos de tra-
No caso vertente do Decreto-lei n.° 6.969, balho e por serviços específicos na lavoura,
de 19 de outubro de 1944, o que se tem em tudo isso visando, evidentemente, numa polí-
vista particularmente é acabar com a situa-^ tica de equilíbrio de interêsses, defender o
ção especial, singular, injusta, que se criou patrimônio das usinas e tornar os lavradores
para os chamados ^qlonos^ colocados na prá- ou colonos cooperadores na própria obra de
tica à margem dos^enêíícios do Estatuto, assistência que os beneficia, aos trabalhado-
graças a uma discriminação sem fundamentos res e à técnica da agricultura canavieira.
jurídicos porque, em verdade, quando efeti-
vam a exploração agrícola da cana de açú-
* *
car em terras pertencentes às usinas ou a ter-
ceiros, sob o regime da coparticipação ou'
parceria, são perfeitos fornecedores, enqua- Em sessão ordinária realizada pela Co-
drados, portanto, no estatuído pelo parágra- missão Executiva do Instituto do Açúcar e
fo 1.° do artigo 1° do Decreto-lei de n.^ 3.855, do Álcool, em 25 de outubro último, o Sr.
de 21 de novembro de 1941. Barbosa Lima Sobrinho, Presidente desta au-
Dadas, porém, as resistências encontradas, tarquia, historiou a elaboração do Decreto-
a franca oposição com que se fêz frente à efe- lei n.° 6.969, de 19 do corrente mês.
tivação de alguns dispositivos do Estatuto da Em fevereiro dêste ano, o Sr. Ministro do
Lavoura Canavieira, fazia-se mister um diplo- Trabalho, Indústria e Comércio remeteu ao
ma legal que facultasse ao Instituto do Açú- Sr. Presidente da Repúbhca uma exposição
car e do Álcool os meios para regular, atra- de motivos, em que, para atender e resolver

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 3


6Õ4

o problema do colonato, se referia à diversi- necedores, em número considerável, traba-


dade do regime agrário entre São Paulo e lhavam em terras alheias ou da própria usi-
outras regiões canavieiras do país, entenden- na, ao passo que, em São Paulo, havia colo-
do que, nesse Estado, o colono era a figura nos responsáveis pelos acidentes de traba-
própria do meio rural, ao passo que, no Nor- lho de seus empregados, colonos empregado-
te, o fornecedor de cana caracteriza a ativi- res, que corriam o risco agrícola e tinham
dade dessa lavoura. Concluía, então, o Sr. área privativa de lavouras. Os grandes bene-
Ministro pela elaboração de um projeto de fícios atribuídos ao regime do colonato tor-
Decreto-lei^ considerando colonos, para nes- navam-se discutíveis ao se considerar o pre-
sa qualidade gozarem de tôdas as vantagens ço das canas recebido pelos colonos, os des-
"asseguradas pelas leis trabalhistas e pelos contos variados a que estavam sujeitos e a
"contratos-tipos" de que trata o Capítulo II facilidade com que eram despendidos, mesmo
do Título I do Estatuto da Lavoura Canaviei- quando possuíam uma fôlha de serviços já
ra, os trabalhadores agrícolas que cultivem
de dezenove anos.
terras de propriedade das usinas de açúcar
e distilarias de álcool e aguardente, sem pa- Recebendo essas observações, o Sr. An-
gar arrendamento, realizando a cultura da drade Queiroz, Oficial de Gabinete do Sr.
cana por conta das mesmas usinas e distila- Presidente da República, sugeriu a S. Ex.^
rias e sob sua direção, percebendo, por seus a volta do processo ao Ministério do Traba-
serviços, remimeração fixa ou baseada na lho, Indústria e Comércio, para que designas-
produção, sempre sem prejuízo do salário mí- se um técnico, que, em companhia de outro
nimo". do Instituto, examinasse atentamente o as-
sunto. Era, aliás, êsse o intuito do Sr. Minis-
O
Sr. Presidente da República resolveu
tro do Trabalho e do Presidente do I.A.A.
ouvir, particularmente, o Presidente do
I.A.A., que fêz objeções sobre o sentido da Aceita a proposta pelo Sr. Presidente da
palavra "colono", a amplitude do vocábulo e República, foram designados os Srs. Henri-
as conseqiiências que teria, em relação ao que Dória de Vasconcelos, pelo Ministério, e
mencionado Estatuto, o projeto apresentado. Vicente Chermont de Miranda, pelo Institu-
Não havia antinomia entre a expressão "for- to. Os dois funcionários indicados fizeram
necedor de cana" e o têrmo "colono". Mui- longas viagens a São Paulo e a Campos, de-
tos fornecedores de cana de Campos e do
tiveram-se no exame minucioso do problema
Norte podiam ser incluídos na classificação
e chegaram a conclusões, que encaminharam,
de colonos, do mesmo modo que muitos co-
em longa exposição, ao Sr. Ministro do Tra-
lonos de São Paulo se equiparavam ao for-
balho, a quem continuava confiada a solu-
necedor de cana de outras regiões. No nor-
ção do caso. Êsse relatório foi objeto de es-
te não houve apenas engenhos antigos trans-
tudo no Ministério, onde se emitiram, tam-
formados em fornecedores de cana, mas tam-
bém, diversos pareceres. De tudo isso resul-
bém lavradores que se tornaram fornecedo-
Em tou o projeto que, 4pós ligeiras emendas pro-
res em terras da própria usina. Campos,
postas pelo Sr Ministro; se converteu no De-
de outro lado, encontrava-se regime agrário
.

creto-lei n.» 6.969, de 19 de outubro de 1944.


muito diferente. E a disparidade se acen-
tuara de Estado para Estado. Não se explica-
Essas emendas melhor enquadravam o pro-
ria uma para cada região, mas se impu-
lei
jeto nos objetivos da política social do Go-
nha a caracterização do fornecedor de cana,
vêrno, e, portanto, não podiam ser recusa-
assegurando o mesmo regime à mesma situa-
das.
ção agrária, fôsse onde fôsse. Daí os dispo-
sitivos do Estatuto da Lavoura Canavieira,
Concluindo, o Sr. Presidente manifestou
definindo e prescrevendo as condições bási-
seu pensamento de que o novo Decreto-lei
cas do fornecedor. O projeto alterava, em São
não altera a orientação geral dos princípios
Paulo, o regime de fornecimentos, exigindo
que o fornecedor plantasse em terras pró- do Estatuto, apenas descendo a minúcias e
prias e excluindo dessa categoria quem la- regulando as normas vigentes, de modo a re-
vrasse as da usina, esquecido de que, no Nor- solver dúvidas, decidir e prevenir litígios e
te, como em Campos e em Minas Gerais, for- facilitar a aplicação da lei.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 4


^llllllllllllllllllllnillllllllllllllllllllllHMIlllMlllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllliiiiiiiiilllllilliiiilMIlllllllllll

I JOHN VAN NOSTRAND DORR i

D^UL

ANIVERSÁRIOS DOS QUAIS PARTICIPA THE DORR COMPANY


Anos
Atividade na engenharia química e industrial Dr. J. V. N. Dorr 50
Classificador DORR para separação de sólidos 40
Sedimentador DORR thickener para engrossar sólidos 37
Clarificador DORR na Indústria química e sanitária 30
Clarificador DORR na Indústria Açucareira 25
Clarificador DORR na Indústria Açucareira Brasileira 20
O Brasil tem mais de 80 Clarificadores DORR nas Usinas de Açúcar

OS PROCESSOS E EQUIPAMENTO DE DESENHO DORR TRABALHAM


NA PRODUÇÃO SEGUINTE :

Indústrias Proporção Indústria Produção diária


DORRCO
OURO 95% Açúcar 20.000 toneladas
PRATA 95 Acido fosfórico 1.800
COBRE 93 FOSFATOS 14.000
CHUMBO 93 Soda cáustica 3.000
ZINCO 85 CIMENTO 3.200
"
níquel 100 Areia (concreto) 225.000
"
ALUMÍNIO 100 Polpa de madeira 7.500

1
'

PARA MAIS INFORMAÇÕES ESCREVAM A 1

DIVISÃO PETREE & DORR DA DORR COMPANY


{ 570 Lexington Av., New York 22, E. U. da América do Norte [

iiiiiiiiiiiHiiiiiiiiiiiiiinsiiiiiiiiiiiiniiiiiimiiiii.; iiiiiiiiiiiiiiiiniiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimii?


?i iiiiiniiiiiiHiiiiiiiiiiiiiiiiMii iiiiiiiiiHiiii iiiiiiMiiiiiiiiiiiiiiii

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 - Pág. 5


.

606

DIVERSAS NOTAS
1.» TURMA DE JULGAMENTO Limites fixados para a safra 16.823.024 ses.
Saldo líquido do limite 210.496 ses.
sessão realizada a 9 de novembro úl-
Na
timo, pela Comissão Executiva do I.A.A., o Saldos parciais . . 597.461 ses.
"
Sr. Barbosa Lima Sobrinho, fazendo referên- Excessos parciais . 386.965
cia ao assunto da constituição das turmas de
julgamento, cuja urgência é evidente, pro- Saldo líquido do limite .... 210.496 ses.
pôs a nomeação dos seguintes membros da
Comissão Executiva, para a constituição da ÁLCOOL COMUM
1.^ Turma: Srs. José. de Castro Azevedo, De-
legado do Ministério da Viação; Antônio Cor- Produzido 23.007.717 Its.
"
rêa Meyer, Representante dos Usineiros, e A produzir 57.720.607
Cassiano Pinheiro Maciel, Representante dos
.

Fornecedores. Estimativa 80.728.324 Its.


Para Suplentes propôs S. S.^ a nomea-
ção dos seguintes membros: Srs. Otávio Mi- ÁLCOOL ANIDRO
lanez, Delegado do Ministéiro do Trabalho,
Indústria e Comércio; José Carlos Pereira Produzido . 11.356.294 Its.
Pinto, Representante dos Usineiros e Joa- A produzir . 39.175.751
"

quim Alberto Brito Pinto, Representante


dos Fornecedores. Estimativa . 50.532.000 Its
Nos têrmos do Estatuto da Lavoura Ca-
navieira (§ 1° art. 120), a presidência da Tur- 80.728.324 Its.
"
nia compete ao Sr. José de Castro Azevedo, 50.532.000
por ser Delegado Ministerial na Comissão
Executiva Total . .131.260.324 Its., superior por-
.

A Comissão Executiva aprovou, na ínte- tanto em 10.000.000 de litros, à produção da


gra, as designações propostas pelo Sr. Pre- safra 1943/44, que foi de 121.400.000 litros.
sidente, tornando-se, assim, efetiva a nomea- Em consequência da falta de benzol, é
ção dos referidos Senhores para a constitui- bem possível que a estimativa acima, de ál-
ção da 1.^ Turma de Julgamento. cool anidro, não seja alcançada, mas, em com-
pensação, a de álcool comum será maior.

INSTALAÇÃO DE UMA USINA EM


ESTIMATIVA DA SAFRA 1944/45 MORRETES
A Seção de Fiscalização e Arrecadação, Em carta datada de 3 de outubro últi-
organizou o seguinte quadro, relativo à pro- mo, o Interventor Federal no Paraná dirigiu-
dução e estimativa de produção de álcool e se ao Instituto do Açúcar e do Álcool relati-
açúcar, na safra 1944-45, em todo o país : vamente à construção da usina de açúcar e
álcool de Morretes.
AÇÚCAR O assunto foi encaminhado ao exame do
Sr. Moacir Soares Pereira e este, na sessão
Produzido 5.695.261 ses. da Comissão Executiva do I.A.A., realizada
A produzir 10.917.267
"
em 9 de novembro findo, apresentou uma
minuta de carta a ser dirigida ao interven-
Estimativa 16.612.528 ses. tor no Paraná, na qual dizia:

(estimativa consoante nosso "Tenho a honra de acusar o recebimen-


quadro de 14-10-44 — tode sua carta datada de 3 de outubro próxi-
16.568.065). mo passado, referente à construção da fábri-
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 6
. .

ea7

ca de Morretes, nesse Estado Informa V. Ex.*


. O CASO DA USINA JUNQUEIRA
que os trabalhos estariam prosseguindo com
a maior lentidão, provocando o fato desâ-
nimo entre os colonos que aumentaram suas O Sr. Barbosa Lima Sobrinho, Presiden-
te do Instituto do Açúcar e do Álcool, recebeu
lavouras, na esperança de serem aproveita-
os seguintes telegramas:
das pela Usina projetada, decorrendo daí
sombrias perspectivas para a cultura de cana
"O Sindicato dos Trabalhadores Agríco-
daquele município e, por fim, solicita as pro- las ePecuários do Município de Campos, em
vidências dêste Instituto no sentido de se nome de 20 mil trabalhadores e colonos-for-
intensificar o andamento das obras da Usina necedores dêste Município, declara-se intei-
de Morretes. ramente solidário com a Federação dos Plan-
tadores de Cana do Brasil no caso dos colo-
Cumpre-me declarar, a respeito do as-
nos paulistas espoliados pela Usina Junquei-
sunto, que o Instituto do Açúcar e do Álcool
não tem poupado esforços para converter em
ra. Respeitosas Saudações. —
Antônio João
de Faria, presidente.
realidade a aspiração paranaense de possuir
moderna aparelhagem industrial, destinada a "Os fornecedores e colonos do Município
utilizar os canaviais litorâneos do Estado, a de Campos, vêm hipotecar inteira solida-
despeito dos sérios embaraços do momento riedade à Federação dos Plantadores de Cana
atual e que afetam profundamente todos os do Brasil, no que diz respeito ao caso dos
ramos da atividade económica do país. A colonos da Usina Junqueira, de São Paulo.
propósito, o Instituto acaba de ser cientifica- Respeitosas saudações"
do de que o cimento adquirido e enviado (Seguem-se centenas de assinaturas)
para a construção da Distilaria de Morretes
foi requisitado no pórto de Paranaguá, com "A Associação dos Fornecedores de Cana
destino às obras da base aérea de Curitiba. de Pernambuco, agora inteirada, através do
Assim, a nenhum empreendimento, nas cir- Memorial da Federação dos Plantadores de
cunstâncias presentes, sujeito a tóda sorte de Cana do Brasil, enviado ao Presidente Var-
eventualidades, pode-se assegurar ritmo uni- gas, da atitude da Usina Junqueira de São
forme de realizações, menos ainda, acelerado. Paulo, dirigiu-se ao Chefe do Govêrno decla-
Até esta data, o Instituto do Açúcar e do Ál- rando sua solidariedade aos companheiros
col já despendeu com a Distilaria de Morre- paulistas e ao mesmo tempo louvando a ação
tes a elevada soma de Cr$ 2.459.707,50, re- do Instituto, que sob vossa presidência escla-
recida e serena vem cumprindo integralmente
presentada por aquisição de materiais, adian-
as suas elevadas finalidades na defesa dos
tamentos aos construtores pelas despesas efe-
justos interêsses da lavoura e indústria ca-
tuadas com o levantamento topográfico dos
navieiras, sem preferências de classe ou re-
terrenos e instalação de serviços, pagamento
da primeira prestação à CODIQ pela maqui-
giões. Cordiais saudações. —
Neto Campelo
naria comprada, além de oficina mecânica, de
Júnior —Presidente."

carpintaria e balança de canas também ad-


quiridas e pagas. E' de notar que o orçamen-
to da Distilaria de Morretes, a qual incum- Sóbre o mesmo caso, o Sr. Aderbal
be a esta autarquia, vai a cêrca de nove mi- Novais, Presidente da Federação dos Planta-
lhões de cruzeiros." dores de Cana do Brasil, recebeu os seguintes
telegramas:
O Sr. Moacir Soares Pereira abordou
ainda, na sua minuta, outros pontos relevan- "A Associação dos Fornecedores de Cana
tes da questão, prestando e solicitando escla- de Pernambuco, hoje reunida, apreciou o me-
recimentos para um melhor encaminhamento morial enviado pela Federação ao Excelen-
dos interesses em causa, tíssimo Senhor Presidente da República su-
gerindo medidas que ponham cóbro à arro-
A Comissão Executiva, depois de exami- gante e descabida atitude da Usina Junquei-
nar a minuta, aprovou-a por unanimidade. ra. Grande número de associados presentes,
em eloquente unanimidade, deliberou dirigir-
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 7
.

608

HOMENAGENS AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


A 10 de novembro último, data aniversária valho, representando a Associação Comercial de
da instauração do Estado Novo, os lavradores de Capivari; os usineiros Srs, Antônio De Cilos, An-
cana de São Paulo realizaram uma grande mani- gelo Frasseto, representante das associações dos
festação de aprêço ao Sr. Presidente da Repú- fornecedores de cana de Pòrto Feliz, São Paulo,
blica pela assinatura do Decreto-lei n. 6.969, de Santa Bárbara, Piracicaba e das demais localida-
19 de outubro do corrente ano. des circunvizinhas, além de grande número de
Essa homenagem dos lavradores teve lugar agricultores
Jm Raffard, no município de Capivari, naquele Dando início às saudações, usou da palavra o
Estado, em pleno centro da principal zona cana- advogado, Sr. Domingos Guideti, procurador da
vieira bandeirante, afluindo para aquela locali- Associação dos Fornecedores de Cana de Capi-
dade delegações de lavradores de tôdas as partes vari, que pronunciou o seguinte discurso:
do Estado.
Constaram as solenidades de uma grande ses- "Meus senhores.
são cívica realizada- no Teatro da localidade e de Com a assinatura do Decreto-lei n. 6.969 de
um grande banquete de confraternização dos la- 19 de outubro p. passado,' a Associação dos Forne-
vradores, a que estiveram presentes representan- cedores de Cana de Capivari incumbiu-se de or-
tes das agremiações de plantadores de cana de ganizar uma grande homenagem, em sinal de re-
todo o país. Também foi rezada missa solene na gozijo e gratidão ao Exmo. Sr. Presidente da Re-
igreja local em ação de graças pela proteção legal pública, que coincidisse justamente com o aniver-
dispensada aos lavradores. sário do Estado Novo, que instaurou no Brasil um
Às 13 horas se .iniciou o almoço, que foi ser- sistema de reformas úteis, de caráter eminente-
vido no Salão "Raffard C. A.", sociedade esporti- mente prático, em benefício da nossa civilização
va local, presentes os Srs. Mário Bernardino de e do nosso maior e sempre crescente progresso.
Campos, Prefeito de Capivari; João Soares Pal- Por isso a Associação dos Fornecedores de
meira, secretário da Federação dos Plantadores Cana de Capivari reuniu todos os seus esforços
de Cana do Brasil e representante da Comissão para que a homenagem fôsse digna daquele que
Executiva do Instituto do Açúcar e do Álcool; não titubeou em amparar a grande e laboriosa
Leandro D Almeida, Juiz de Direito de Capi-
. classe dos lavradorès de cana e, quando esta festa
vari; Cassiano Pinheiro Maciel, da Comissão não pudesse, pela sua pequenez e simplicidade, v

Executiva do I.A.A. e vice presidente da Fe- atingir o seu elevado desígnio, pelo menos, pude-
deração dos Plantadores de Cana do Brasil; Do- mos dizer que é sincera e reflete a gratidão imor-
mingos Guideti, advogado da Associação dos For- redoura de todos os membros desta Associação ao
necedores de Cana; Manuel Moreira, presidente da benemérito Sr. Getúlio Vargas.
Associação; Nilo de Areia Leão, delegado regional O Chefe da Nação, no seu afã de valorizar o
do I.A.A. representando o Presidente do Ins-
,
trabalho de desenvolver a produção e aumentar
tituto, Sr. Barbosa Lima Sobrinho; Tenente Abílio a riqueza, tem feito uma obra digna de todos os
M. Almeida, chefe do Recrutamento Militar da tempos, principalmente no campo da indústria do
Região; Srs. Monteiro Filho, procurador regional açúcar, quando promulgou o Estatuto da Lavoura
do I.A.A. ; Sebastião Armelin; prof. J. Car- Canavieira, que regulou, os interêsses de lavra-

se esta Associação ao Chefe do Govêrno de- "A Assembléia Geral das Associações dos
clarando-lhe a solidariedade da classe de Per- Plantadores de Cana de Alagoas, tomando
nambuco aos judiciosos têrmos do documen- conhecimento da representação dirigida por
to em aprêço, bem como aplaudir a conduta essa Federação, ao Sr. Presidente da Repúbli-
enérgica e destemerosa do I.A.A., e também ca contra a Usina Junqueira, vem trazer-vos
a zelosa orientação da Federação dos Planta- seu inteiro apoio à atitude firme, zêlo e efi-
dores de Cana do Brasil, não descurando dos ciência com que tendes sabido representar os
mínimos interêsses dos lavradores brasilei- interêsses dos fornecedores de todo o Brasil.
ros. Igualmente deliberou a Assembléia tele- Estamos certos ainda esta vez que nossa clas-
grafar aos companheiros de Igrapava hipote- se sairá vencedora da luta contra a plutucra-
cando-lhes inteira solidariedade e outrossim cia reacionária, cabendo-vos decisiva parte
cientificar à Usina provocadora do caso o nos esforços que determinarão a vitória.
nosso protesto. Saudações Cordiais. —
Neto Aguardamos vossa ação coordenadora que
Campelo Júnior." doutras vêzes tanto tem feito e determinará
a conduta para que já nos consideramos mo-
bilizados. Saudações cordiais. — Mário Gomes
— Presidente".

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBROi 1944 — Fág. 8


601

dores e usineiros, em bases sólidas de justiça, se- de Capivari e os lavradores de cana dêste muni-
gurança recíproca e compreensão. E como a agri- cípio e dos de Pòrto Feliz, Piracicaba e S. Bár-
cultura é ainda a nossa principal fonte de engran- bara, neste momento trazem a público o seu re-
decimento, era mister proteger, ajudar e estimular conhecimento e gratidão perenes, agradecimento
o nosso homem do campo, fixando-o à terra, pela êsse extensivo à Federação dos Plantadores de
sua valorização como elemento humano, como cé- Cana do Brasil que, conjuntamente com o bri-
lula básica de tôda uma portentosa fonte de renda lhante paladino da opinião pública, o "Correio da
e de progresso, Manhã", do Rio, vem desenvolvendo um progra-
E contra os acenos dos salários gordos e do ma inteligente de melhoria de vida do lavrador
conforto que hoje oferecem as cidades ao braço de cana no nosso país.
trabalhador, era preciso que o govêrno lhes opu- E esta Associação, acompanhando tão altos va-
sesse, não só a habitação sadia e a instrução, como lores, tem procurado, da melhor maneira possível,
também e principalmente, a remuneração com- colimar os seus fins que são a defesa dos interes-
pensadora do lavrador, com tôdas as garantias da ses da classe e o patrocínio de suas justas aspira-
segurança e es- ções, sempre
tabilidade no dentro do es-
exercício de pírito de har-
sua atividade. monia, de co-
O Decreto- operação e co-
lei n. 6.969, laboração com
que em boa os elementos
hora veio im- da produção,
pedir o êxodo para que esta
iminente para não sofra, por
a cidade do ho- parte dos la-
mem dos ca- vradores, a
além
naviais, menor inter-
de ser uma rupção ou di-
aas leis com- minuição. O
plementares do lema da Asso-
Estatuto da ciação tem si-
Lavoura Ca- do: a produ-
navieira é ção acima de
também um tudo, mas, é
dos mais imn claro, dentro
portantes ele- de um equilí-
mentos dêsse brio de conces-
grande movi- s õ e srecípro-
mento de am- cas, equitati-
paro e prote- vas e sensatas.
ção ao traba- A Associa-
lhador rural, ção dos Forne-
objetivando o cedores de Ca-
seu bem estar na de Capiva-
inte le c t u a 1, ri tem o pro-
moral e mate- pósito de man-
rial. ter sempre a
orientação até
Se o Sr. Ge-
agora seguida,
túlio Vargas
gas merece os
de defender e
apoiar os di-
nossos aplau- O Sr. João Soares Palmeira, lendo o seu discurso reitos e justas
sos pela sua
pretensões dos
clarividência,
nao lavradores de cana desta zona, evitando, entre-
independência de ação e espírito de justiça,
dos tanto, sempre que embaraços à produ-
menos elogiável é a sua sabedoria na escolha possível,
seus auxiliares, no desempenho das funções ad- ção ou atritos com as usinas, esperando encontrar
ministrativas e, no que se refere à legislação do outro lado boa vontade para se dirimirem, numa
canavieira, nunca seria demais encarecer a atua- atmosfera de cordialidade, as controvérsias que
cão incansável, intemerata e desprendida dos possam surgir.
Srs. Barbosa Luna Sobrinho, DD. Presidente Na ação de proteção aos seus associados e for-
do I.A.A. e Vicente Chermont de Miranda, necedores de cana desta zona, é plano desta Asso-
M. D. Procurador Geral do Instituto do Açú- ciação organizar aqui, o ano que vem, uma co-
car e do Sr; Cassiano Pinheiro Maciel, intré- operativa central que fornecerá, aos elementos da
pido representante dos fornecedores de cana classe, adubos, ingredientes, utensílios e máqui-
de São Paulo na Comissão Executiva do I.A.A., nas agrícolas, financiamentos de safra etc, bem
aos quais a Associação dos Fornecedores de Cana como, aproveitando os favores legais e a vontade

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 9


610

do Exmo. Sr. Presidente da República em favore- pelo trabalho e produção que tanto a valorizam.
cer o trabalho, esta Associação pretende no início Agora, acaba de lhes ser assegurada, dentro de
da safra 45-46, fundar, em Capivari, um hospital uma nova orientação, estabilidade e bem estar,
central dos fornecedores de cana desta zona, com considerando-os como fatores decisivos do pro-
maternidade etc, para o qual, já na nossa pró- gresso e desenvolvimento da indústria açucareira.
xima ida ao Rio para agradecer ao eminente Pre- Com a assistência técnica estabelecida no recente
sidente, pediremos o auxílio do govêrno federal. Decreto-lei, a capacidade de produção de cada um
Estamos certos de que a Federação dos Plantadores aumentará, refletindo de maneira favorável tanto
de Cana do Brasil e o Instituto do Açúcar e do Ál- para o lavrador como para o industrial.
cool, secundarão o esforço e a ajuda financeira dos São Paulo possui ótimas condições naturais:
lavradores de cana desta zona. A emprêsa é grande terras ricas, clima ameno, topografia favorável.
mas é nobre, com paciência e trabalho, esperamos Assim, a sua indústria poderá, como em poucos
vê-la realizada. Estados, remunerar bem os seus colonos e traba-
Meus senhores. Finalizando estas breves pa- lhadores rurais.
lavras, em no- Por outro la-
me do Sr. Ma- do, a assistên-
nuel Moreira, cia social virá
Presidente, e concorrer para
dos d e án a i s elevar as con-
membros dições de vida
d a Diretoria do lavrador,
.da Associação aumentando-
dos Fornece- Ihe a produti-
dores de Cana vidade e asse-
dc Capivari, gurando-lhe e
agradecemos o aos de sua fa-
comparecimen- mília os ele-
to dos presen- mentos indis-
tes a esta ho- pensáveis a
menagem a o uma existên-
Exmo. Sr. Pre- cia física e mo-
sidente da Re- rahnente sadia.
pública, e a to- Como vêem
dos quantos, de os senhores, o
qualquer mo- propósito do
do, contribuí- Sr. Presidente
r a mp ar a o Getúlio Vargas
bom êxito des- é proporcionar
ta festividade". aos lavradores
Emseguida, de cana meios
o Sr. João Soa- dé indepen-
res Palmeira, dência econó-
Secretário d a mica e bem
es-
Federação dos tar social, sem
Plantadores de os quais se
Cana do Bra- torna imnossí-
sil e repre- vel o trabalho
sentante da eficiente e
Comissão Exe- tranqiiilo. E
cutiva do Ins- essa 'proteção
tituto do Açú- do Estado veio
car e do Ál- Flagrante tomado quando falava o Prefeito de Capivari amparar uma
cool, (pronun- já or-
classe
ciou a seguinte oração : ganizada em entidades representativas: as Asso-
"Meus senhores. ciações de Fornecedores de Igarapava, São Paulo,
Não é um discurso que venho fazer. E', sim, Piracicaba e Santa Bárbara. Êste foi, aliás, o pri-
uma conversa para homens simples, que se dedi- meiro passo para a conquista das justas aspira-
cam devotadamente ao trabalho da terra. Como ções da classe. Sòmente pela união e solidarieda-
homem também ligado à terra, sinto-me bem nes- de é que a nossa classe poderá alcançar as suas le-
te meio e bendigo o motivo que me trouxe aqui, gítimas reivindicações. E' indispensável sobretu-
para associar-me a estas manifestações de alegria, do que sejam criadas condições favoráveis ao tra-
dêste sadio contentamento dos lavradores de cana, balho rural, afim de evitar o grave problema de
por sentirem que o govêrno os amparou e se pro- despovoamento do solo, que, neste momento, amea-
põe a dar-lhes assistência. A
garantia de conti- ça sèriamente a estrutura da economia agrícola
nuidade no cultivo da terra, representa tudo para nacional. Para tanto, se faz preciso despertar o in-
os lavradores, a ela definitivamente arraigados terêsse das novas gerações de homens da lavoura,

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 10


611

mediante uma educação adequada que melhor os que sem dúvida visa assegurar-lhes estabilidade
identifique ao meio agrário. Uma das medidas es- e justa remuneração para seu trabalho, elemen-
peciais e complementares a êste plano de prote- tos essenciais ao perfeito equilíbrio da ordem eco-
ção legal ao lavrador já vem sendo posta em prá- nómica e social. Como defensor que sempre fui
tica pelo Instituto do Açúcar e do Álcool, em ou- de melhores condições para o trabalho dos colo-
tras regiões do país, dando-lhe financiamento a nos da lavoura de cana, sinto-me satisfeito e me
juros baixos e em proporções capazes de facilitar associo ao justificado contentamento que reina no
0 trabalho agrícola. Somente pela cooperação será seio desta classe, que tanto tem contribuído para a
possível ao pequeno produtor a sua sobrevivência expansão da indústria açucareira de nosso Estado.
em face das inúmeras dificuldades do momento De outro lado, a medida deve ter sido recebida com
presente. Com o cooperativismo poderão também restrições nos meios industriais, pois é forçoso re-
os pequenos lavradores mecanizar suas lavouras conhecer que ela trará sensível repercussão na eco-
e reduzir sensivelmente o custo de produção, asse- nomia das usinas, principalmente daquelas que
gurando-lhes uma remuneração mais satisfatória, têm no colonato a base de sua exploração agríco-
como "elementp de autonomia e dignidade", na fe- la. Mas tem sincera convicção de que as conces-
1 i z expressão sões ora feitas
do Sr. Barbo- '
\ ; .
.
,
-
...... .... não são d e
sa Lima So- molde a aba-
brinho. lar a situação
A
Federação de notória
dos Plantado- prosperidade a
res de Cana do que chegou a
Brasil vem, indústria açu-
congratulando- c a r e i r a do
secom os lavra- país, assegu-
dores par.listas rada por atos
pelo espírito dogovêrno,
de solidarieda- que importa-
de demonstra- r a m também
do, tr'azer-lhe e m •
restrições
a sua palavra que af etaram
de estímulo, tôda a coieti-
para que pros- vidade brasi-
sigam sempre leira. A lei
com o mesmo tem um senti-
sentimento de d o profunda-
unidade Iq u e mente humano
tem mantido e reflete a ten-
indissoluvel- dência, hoje
.mente os plan- universal, d e
tadores de ca- se garantir ao
na de todas as trabalho do
regi õe s do produtor u m
país." índice de se-
Falou a se- gurança e esta-
guir o Sr. Cas-
bilidade, com-
siano Pinheiro
patíveis com
ais necessidar
Maciel, repre-
sentante dos des mínimas e
Fornecedores com o estágio
de civilização
de Cana de Grupo de agricultores que participaram das mánifestaçõej
de São Paulo, a que
chega-
na Comissão ram povos
os
Executiva do I.A.A., e vice-presidente da Fe- mais cultos. Ela traz em si mesma o conteúdo
deração dos Plantadores de Cana do Brasil, que das liberdades básicas que devem ser assegu-
pronunciou o seguinte discurso: radas a todos os homens e proclamadas ao mun-

"Sinto-me feliz por compartilhar da ale- do pelo insigne líder democrático Franklin Ro-
gria e do contentamento dos lavradores de cana da osevelt, que mais uma vez recebeu a consagra-
região pelas medidas de amparo que foram ul- ção do grande povo americano. E estas liber-
timamente baixadas pelo govêrno federal. O re- dades básicas correspondem ao direito que assis-
cente Decreto-lei, regulando as relações entre usi- te a todos de viverem à margem das provações
neiros e seus lavradores de cana, geralmente deno- e das privações, da intranquilidade do que pode
minados colonos, em São Paulo, teve por certo a reservar o futuro e sobretudo com a garantia
mais ampla repercussão em nossos meios cana- de que, quaisquer que sejam as vicissitudes da
veiros. Os lavradores devem sentir-se jubilosos vida, todos terão pelo menos a certeza de uma exis-
com as normas baixadas com o ato governamental, tência digna e livre, livre sobretudo da angústia

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 11


r
. a-

612

e da ansiedade que penetra o coração humano, que hoje se realizam neste município, saúdo os
quando nêle reina a incerteza e a insegurança de altos poderes administrativos da Nação, no 7.°
seu destino Quando encarada por êste prisma, pos-
. aniversário do Estado Nacional, que, em laoa hora
tos de lado os interêsses que se acham em jogo, e num gesto de sadio patriotismo, foi promulga-
creio que todos compreenderão o sentido da re- do pelo eminente Presidente Vargas. O objetivo
cente lei e reconhecerão que ela traduz, inequivo- renovador com que S. Ex.^ moldou e vem nor-
camente, um ato de justiça. Os próprios usinei- teando os novos rumos da economia brasileira, se
ros, aos quais tocam diretamente seus efeitos, ho- efetiva, graças à compreensão inteligente dos que
mens na generalidade cultos e de sentimentos ele- desenvolvem as suas atividade, dentro dos moder-
vados, certamente não ficarão insensíveis ao seu nos métodos de produção, sob as normas sociais de
verdadeiro significado. A boa vontade e compre- assistência àqueles que lhes emprestam com de-
ensão são sempre construtivas. Que as medidas dicação os seus esforços físicos e morais, Acerque-
destinadas a assegurar um índice de vida mais ele- mo-nos do nosso grande Presidente. Confiemos
vado à numerosa classe dos lavradores de cana, nos grandes destinos de nossa pátria, entregue a
constituam um poderoso estímulo para que redo- um timoneiro seguro e experimentado. Suas de-
brem os seus esforços, em trabalho útil, proveito- terminações são firmes, resolutas, possuidoras de
so e discipli- clarividência
nado, para o incorvt e|s t e.
maior engran- Aceitemo-las,
decimento 'da como até aqui
nossa terra". sem discrepân-
Encerrando cia, com o que

a manifestação teremos salva


de aprêço ao guar dado a
Chefe da Na- nossa própria
ção, falou em dignidade d e
nome go-
do bras ileir o s.
vêmo do
Es- Com o nosso
tado o Prefei- ininterrup to
to Municipal trabalho, sob,
de Capivari, orientação ini-
Sr. Mário Ber- gualável do
nardino de primeiro ma-
Campos, que gistrado da
proferiu a se-
Nação, torna-
guinte oração: remos o Bra-
— "Receben- sil
ímpar
maisj-.forte,
n. con-
do a honrosa
dei e g a ç ã o de cêrto mundial.
S; Ex.a o Sr.
Senhores. Evo-
Intervent o quemos, com
Federal para a simpatia de
representá-lo que é nosso
cred o r, pelo
neste banque-
te de confra-
respeito e pela
ternização, on- admiração a
de nos reuni- que faz jus,
mos num am- êsse preclaro
biente todo estadista . Le-
que a
festivo, vantemos nos-
prestigiosa As- sas taças em
Aspecto da assistência à sessão cívica homenagem ao
sociação dos
Fornecedores magnânimo
de Cana de Capivari oferece aos ilustres visitan- Presidente Vargas, formulando os nossos me-
tes, às autoridades e aos usineiros de diversos lhores votos pela sua felicidade pessoal e apraz
municípios de São Paulo, demonstrando assim que, à frente do govêrno nacional conduza o Bra-
um gesto altamente simpático e de elevado sen- sil, assegurando-lhe plenamente os seus grandes e
timento patriótico, aqui me acho, também, como gloriosos destinos."
Prefeito Municipal e amigo das classes produto- Encerrado o almoço, encaminharam-se os co-
ras, no desejo de congratular-me com seus pro- mensais ao Cine Paratodos.
motores; Foi feliz a Associação ao escolher o dia
de hoje para prestar uma justa homenagem ao A SOLENIDADE NO CINE PARATODOS
criador de regime político que vige em nossa gran- DE RAFFARD
de pátria desde 10 de novembro de 1937.
Senhores Presidindo à solenidade, o Prefeito Municipal
Associando-me sinceramente às festividades de Capivari, Sr. Mário Bernardino de Campos, fi-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Vág. 12


613

zeram uso da palavra os Srs. Domingos Guideti, de permitir a vida de nossa classe. Os Fornecedo-
como advogado da Associação dos Fornecedores res de Cana de Alagoas, embora desalentados
de Cana de Capivari, João Vizioli, pelos represen- pelos ruinosos resultados da última safra, não
tantés de Piracicaba, o jornalista Antônio D'Ân- cometem a injustiça de negar que o Instituto tem
gelo, redator de "A Noite" de São Paulo e, por permanentemente procurado criar condições fa-
último, encerrando a solenidade, depois de profe- voráveis aos plantadores de cana, que precisam
rir uma saudação aos visitantes, os Srs. Duilio Da- continuar lutando unidos contra aquêles que pro-
ti, Mário Bernardino de Campos, que, num im- curam sabotar a obra do Instituto, bem assim to-
proviso feliz, agradeceu a presença de todos e os das as conquistas da classe. A batalha dos forne-
aplausos dispensados aos oradores que abrilhanta- cedores de Igarapava não é só dêles, mas do pró-
ram com suas palavras as comemorações festivas prio Instituto, e nossa classe vê na Usina Junquei-
realizadas em Raffard. ra o símbolo da reação contra a qual todos esta-
remos mobilizados. Atenciosas saudações, Má- —
TELEGRAMAS rio Gomes, Presidente."

O Sr. Presidente da República recebeu os se- "Igarapava —


São Paulo —
Associação Lavra-
guintes telegramas: dores Fornecedores Cana Igarapava, tem satisfa-
ção comunicar a V. Ex.» que promoveu hoje em sua
"A Assembléia Geral da Associação dos Plan- sede social uma reunião em homenagem ao bene-
tadores de Cana de Alagoas, hoje reunida, ciente mérito presidente Vargas, em virtude promulgação
da impatriótica campanha que se faz contra a exe- recente decreto de proteção e assistência à classe
cução do Estatuto da Lavoura Canavieira, grande canavieira. Cordiais Saudações. Francisco Antô-
Lei decretada por Vossa Excelência para defesa dos nio Maciel, presidente."
interêsses de milhares de fornecedores de cana do
Brasil, vem trazer as expressões de sua solidarie- "Campos —
Estado do Rio de Janeiro Os —
dade aos fornecedores de cana de Igarapava,* víti- abaixo assinados endereçam Vossência efusivas
mas do reacionarismo da Usina Junqueira, cujos congratulações por motivo publicação Decreto-lei
sofrimentos foram descritos a Vossa Excelência 6.969, de 19 de outubro último, que constitui
pela Federação dos Plantadores de Cana do Bra- ansiado edificante amparo enorme laboriosa clas-
çil, organização que eficientemente tem lutado pe- se cultivadores cana de açúcar. Campos, 8 novem-
lo respeito dos direitos de nossa classe. Estamos bro 1944. Hardey Garchet, advogado. José Alves
certos de que Vossa Excelência, inspirador da lar- de Azevedo, advogado. Osvaldo de Oliveira Silva,
ga e progressista política social do Instituto do advogado Amaro Martins Almeida, advogado Os-
.
.

Açúcar e do Álcool, não consentirá que o egoísmo car Rabelo Tavares, advogado Delson Merca-
.

de y meia dúzia de plutocratas se sobreponha ao dante Balbi, advogado Gilberto Ribeiro de Siquei-
.

destino de milhares de brasileiros que tanto têm ra, lavrador."


serv"do nossa Pátria. Respeitosas saudações —
M? ) Gomes, Presidente." "Raffard —
São Paulo —
11-11-44 Home- —
nagens prestadás ao preclaro Chefe da Nação, em
"Campos (E. do Rio) — Os infra assinados presença funcionários êsse Instituto, tiveram gran-
congratulam-se com Vossa Excelência pelo motivo de brilho comparecimento elevado número lavra-
da afsinatura do Decreto-lei n.° 9.969, de 19 de dores cana desta região. Agradecemos presença
outubro, que veio acautelar de maneira definitiva, representante. Cordiais Saudações. Pela Associa-
sagrados interêsses da enorme e laboriosa classe ção Fornecedores Cana Capivari, Manuel Moreira
dos cultivadores de cana de açúcar. —
José Har- presidente."
dey Garchet, José Alves Azevedo, Osvaldo Olivei-
ra, Amaro Martins Almeida, Osvaldo Tavares,
Delson Manhães Balbi e Gilberto Ribeiro de Si-
queira, advogados."

"
"Álcool Absoluto
O Sr. Presidente do Instituto do Açúcar e do
Álcool recebeu os seguintes telegramas:

"A Assembléia Geral da Associação dos Plan- Dr. Aníbal R. de Matos


tadores de Cana de Alagoas, tomando conhecimen-
to da continuação da atitude da Usina Junqueira Preço Ct$ 6,00
contra seus fornecedores, deliberou solidarizar-se
com os companheiros de Igarapava, bem como te- Pelo Correio Cr$ 7,00
legrafar ao Sr. Presidente da República afirman-
do nossa certeza de que a esclarecida e progres-
sista poltica dêsse Instituto será preservada. Dese-
À venda no Instituto do
jamos assegurar a V. Ex.^ nossa disposição de for-
mar ao lado dos demais fornecedores de cana do Açúcar e do Álcool
Brasil na defesa do Estatuto da Lavoura Cana-
vieira, lei que, se executada fielmente, será capaz

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 13


614

NOVA ETAPA DA POLÍTICA SOCIAL DO L A. A.

Falando à reportagem da Agência Nacional, E' preciso, disse eu então, livrar o homem do
em São Paulo, o Sr. João Soares Palmeira, Repre- campo do paludismo, das verminoses, da sífilis, da
sèntante dos fornecedores na Comissão Executiva bouba, etc, inicialmente, com a distribuição de
do I.A.A., fêz em meados de outubro último, as remédios por intermédio dos proprietários. Tam-
seguintes declarações: bém êstes podem cooperar na campanha fazendo
esforços no sentido de dar uma habitação melhor
"Dirijo-me a Raffard, grande centro cana- ao trabalhador ~e voltando a facilitar-lhe o plan-
vieiro dêste Estado, onde terão lugar várias sole- tio de roças e sítios, uma vez assegurada uma nor-
nidades das quais participarão produtores dos mu- ma diferente à solução dos litígios entre proprietá-
nicípios vizinhos e os mais destacados usineiros de , rios e trabalhadores Também pelo aproveita-
.

São Paulo. Os lavradores de cana sentem-se pro- mento de máquinas agrícolas, pela racionalização
fundamente reconhecidos às medidas de amparo das culturas, de modo que pudessem dar mais
e assistência que lhes foram asseguradas pelo re- tempo ao trabalhador para cuidar da produção de
cente Decreto-lei e querem agora manifestar sua géneros alimentícios para o sustento próprio. E
gratidão ao Presidente Getúlio Vargas. Esta a acrescentava: para a solução do problema da ha-
razão de ser das solenidades que contarão com a bitação, poderia ser pleiteado um empréstimo a
presença de elementos da classe de usineiros, os prazo longo para a construção de casas higiénicas,
quais, num gesto simpático e altamente significa- apropriadas ao meio, das quais deveria ser instiuí-
tivo, vêm demonstrar o espírito de compreensão do um tipo "standard". E concluía por lançar a idéia
necessária ao bom encaminhamento dos proble- da assinatura de um convénio entre proprietários
mas da produção. Seria, aliás, de lamentar se não e trabalhadores para, não somente regular a ques-
houvesse essa compreensão. Trata-se, pois, de uma tão dos salários, como todos os demais decorren-
lei humana, tipicamente brasileira. Não divide tes das relações entre as duas classes, inclusive
nem distribui terras, apenas regula sua utilização, instituindo uma Comissão Arbitral para dirimir
fixando para isso o desconto máximo de 15 por litígios enquanto não viesse a Sindicalização Rural.
cento, estabelecendo outras deduções dos serviços
prestados pelo industrial ao lavrador. Os lavra- Exemplificando as principais cláusulas do con-
dores da cana de açúcar constituem uma classe vénio continuou o Sr. Rui Palmeira:
bem numerosa, que tem dado inestimável contri-
buição à prosperidade da indústria açucareira — Dêsse convénio constariam entre outras as
em todo o país. Com as normas estabelecidas pela seguintes cláusulas: o proprietário forneceria gra-
nova lei, dezenas de milhares de trabalhadores te- tuitamente ao trabalhador: a) —
casa de moradia,
rão estabilidade e justa remuneração pelo seu tra- que se esforçaria para no mais breve espaço de
balho. Convém salientar que foi grande a reper- tempo preencher as condições de higiene indispen-
cussão desse ato governamental no norte do país, sáveis à vida rural;
onde a numerosíssimos lavradores de cana se es- —
b) pasto para a criação de um animal lei-
tendem as garantias do referido Decreto-lei. A
teiro para abastecimento à família do trabalha ior,
Federação dos Plantadores de Cana, órgão centrei
caso o proprietário não lho fornecesse, podendo
de defesa e representação da classe, comparece a
essa permissão ser para criar uma vaca ou uma
essas solenidades coin grande satisfação de parti-
cabra, conforme as condições da propriedade;
lhar do entusiasmo de seus companheiros de São
Paulo, sendo oportuno ressaltar aqui a unidade c) — terra para a plantação de roça de man-
de vistas e sentimento de solidariedade que unem dioca, feijão, milho, macaxeira, batata (na razão
os plantadores de cana de todo o país". "de uma tarefa pró trabalhador), pequena horta e
constituição de umpequeno sítio, cuja conserva-
ção e tratamento ficaria a cargo do trabalhador,
DECLARAÇÕES DO SR. RUI PALMEIRA que também seria responsável pela conservação
dos sítios já criados existentes junto à sua casa e
"Jornal de Alagoas", de Maceió, número de
O que êle desfrutasse.
8 de novembroúltimo, publicou a entrevista, que
abaixo transcrevemos, do Sr. Rui Palmeira, Ge- Êsse pequeno plano terminava por indicar que
rente da Cooperativa Central dos Banguezeiros fôssem criadas escolas rurais e cooperativas de
daquele Estado, sobre o Decreto-lei n. 6.969: consumo para os trabalhadores rurais. Isto repre-
sentava um grande passo progressita. Houve

Em juho dêste ano, quando o Conselho de quem ridicularizasse e recriminasse de comunista
Expansão Económica do Estado se reuniu para es- a minha sugestão, que, no entanto, recebeu o apoio
tudar o problema do trabalho rural em Alagoas, de muitos. Quando ainda não dera uma Comis-
tive oportunidade de oferecer uma contribuição. .são Encarregada dos Estudos o seu parecer, veio o ,
Nesse trabalho sustentei que a crise reinante no Decreto-lei 6.969, que estabelece: (art. 23) "o tra-
meio rural não era uma questão que tivesse causa balhador rural com mais de um ano de serviço
no salário mínimo, mas um problema de organiza- terá direito à concessão, a título gratuito, de uma
ção rural. E forneci algumas sugestões como ca- área de terra próxima à sua moradia, suficiente
pazes de servir de ponto de partida a uma solu- para a plantação, e criação necessárias à subsis-
ção. tência de sua família".

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 14


.

6^5

A vem, pois, assegurar ao trabalhador ru-


lei sista do Instituto do Açúcar e do Álcool. Vê-se
ral das Usinas e distilarias uma vantagem de que que êsse decreto veio reforçar a ação dessa autar-
já gozou em quase todos os engenhos e em algu- quia para que fôsse possível executar o Estatuto
mas usinas e que circunstâncias estranhas vinham Canavieiro, que tem sido tão burlado e tão sabo-
influindo para acabar. - tado, não obstante a incruenta luta travada pelo
I.A.A. em sua defesa.
Prosseguindo, o entrevistado falou na campa-
nha desenvolvida pelos usineiros reacionários su- Concluindo, finalizou o entrevistado:
listas contra o Estatuto da Lavoura Canavieira,
e acrescentou: — Regozijemo-nos por mais essa etapa atin-
gida na política social do Instituto e confiemos
— No que toca aos lavradores de cana, o De- em que fornecedores, colonos e trabalhadores, uni-
.

creto-lei 6.969 é uhi desdobramento do Estatuto dos possam obter que seja assegurada a execução
da Lavoura Canavieira, a cuja aplicação certas usi- de leis que tão justas, sábias, oportunas e neces-
nas reacionárias do Sul, se vêm opondo sob a ale- sárias, seriam desastrosas e ridículas se não, re-
gação de que os seus lavradores colonos quase sem- conhecidas ou desrespeitadas, porque se tornam
pre eram trabalhadores e não fornecedores. O letra morta e semeiam o desalento, a descrença,
Decreto não abrange os lavradores de engenhos o desânimo em todos aquêles que precisam de en-
que não são considerados fornecedores. Limitando tusiasmo e de fé para enfrentar a ingrata vida da
a renda cobrada dos que cultivam terra alheia, o lavoura canavieira.
Decreto se apresenta como um grande instrumen-
to de defesa dos pequenos plantadores. Assegura
financiamentos pelas usinas situadas em regiões
não servidas por cooperativas de crédito de forne-
cedores, aos colonos fornecedores, a juros não su- NA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO RIO
periores a 4% ao ano. DE JANEIRO
Permite que o desconto relativo à renda da
terra se eleve além de 10 e de 15% para atender Na sessão efetuada pela Diretoria da Associa-
aluguel de moradia do fornecedor e de seus agre- ção Comercial do Rio de Janeiro, em fins de no-
gados, à prestação de assistência técnica agroló- vembro passado, o Sr. J. de Sousa reportou -se ao
gica, médico-social, aluguel de animais, veículos Decreto-lei n.° 6.969, de 19 de outubro último,
e instrumentos de trabalho. publicado no "Diário Oficial" de 21 do mesmo mês,
Também assegura ao fornecedor que lavre que dispõe sôbre os fornecedore de cana que la-
terra alheia o direito de reservar 10% da área vrani terras alheias e dá outras providências.
privativa que lhe haja sido atribuída para plantio Trata-se de um decreto em benefício da lavoura,
e criação necessária à subsistência de sua família que bem demonstra a vontade .do Govêmo da Re-
e de seus agregados. pública em amparar aquêles que vivem lavrando
a terra. Para se avaliar êsse decreto, basta men-
Opinando sôbre o resultado do Decreto-lei cionar o seu art. 6.°, que trata da assistência mé-
que regula a situação do trabalhador rural das dico-social. O orador, que vem defendendo há lon-
usinas, prosseguiu: go tempo a tese de auxílio ao homem do campo,
disse não poder esconder o seu júbilo pela assi-
— Só a enunciação dêsses dispositivos é sufi- natura dêsse decreto de tão grande alcance e tão
ciente para convecer-nos de que o Decreto-lei humano nos seus dispostivos. Fêz, outrossim,
6.969 vem completar a reforma agrária iniciada votos para que providências semelhantes sejam
pelo Estatuto da Lavoura Canavieira. E' uma con- tomadas em relação a outros setores da nossa vida
sequência da bem inspirada orientação progres- agrícola

RECIFE • '"lmoa;"^ • MACEIÓ

USIHÂ
ASSUCAR
Smi aRÁNDE
S
5/Á
"U G A"
TODO/ Of TIPO/ o COMBU/TIVEL f1ACI0M4L

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 15


616

UMA FASE DA EXECUÇÃO DO ESTATUTO DA


LAVOURA CANA VIEIRA
Dalmiro Almeida

Com o intuito de estabelecer normas desti- 2.° —


Fornecedores não quotistas —
são con-
nadas a garantir as atividades agrícolas dos plan- siderados os fornecedores que não tive-
tadores de cana foi promulgado o Estatuto da La- ram quotas apuradas, apesar de incluí-
voura Canavieira e, em virtude dêsse diploma 'e- dos no M.F.l, por não terem um trié-
gal, ficou instituído o regime de quotas de forne- nio de fornecimento, bem como todos
cimento fixadas pelo I.A.A., ocorrência que as- os lavradores relacionados no M.F.2.
sinala a intervenção da autarquia açucareira no Apuradas as quotas de todos os fornecedores
setor agrário da produção de açúcar. constantes do mapa M.F.l, deu-se início à orga-
Em conseqiiência das novas diretrizes, ficou o nização do Cadastro de Fornecedores, o qual nos
I.A.A. incumbido de relacionar os quadros de dá a conhecer, por fornecedor e por usina, o mon-
fornecedores de cana das usinas que se utilizam tante de fornecimentos de cana feitos em deter-
de matéria prima proveniente de plantadores a minada safra, e quaisquer outras ocorrências que
elas vinculados. digam respeito a cada fornecedor.
E assim o Cadastro de Fornecedores de Cana Há um outro aspecto a focalizar com referên-
às Usinas de Açúcar, cuja organização compete cia à organização do Cadastro de Fornecedores de
ao I.A.A., na conformidade do artigo 11 do Es- Cana: é a determinação contida no Estatuto da La-
tatuto da Lavoura Canavieira, ficou a cargo da voura Canavieira em face do qual a alteração na
Seção de Assistência à Produção. quota deve ser comunicada ao I.A.A., para as
Os dados para a sua confecção são colhidos devidas anotações. Essa medida possibilita uma
através do preenchimento dos mapas de fornece- perfeita atualização da posição de cada fornece-
dores, (modelos nos. 1 e 2), de acordo com as ins- dor e de cada fábrica.
truções enviadas prèviamente às usinas. Cons- Pelos levantamentos feitos, verifica-se que o
tam dos mapas M.F.l as relações de todos os contingente de fornecedores apresentados pelo
fornecedores efetivos oú quotistas, reconhecidos Estado do Rio de Janeiro representa, no cômputo
espontâneamente pelas usinas. Nos mapas M.F.2 geral, uma percentagem superior a 50% do total
figuram sòmente os fornecedores eventuais, aos apurado, compreendidos os quotistas e não quo-
quais as fábricas não reconhecem a qualidade de tistas .

fornecedores efetivos. Com relação ao volume de quota apurada por


E' de se esclarecer que os fornecedores de fornecedor, coube a primazia ao Estado de Alagoas,
cana das usinas são classificadas na Seção de As- representado pelo Sr. José Maia Gomes, fornece-
sistência à Produção em dois grupos: dor da Usina Campo Verde, a quem pode ser atri-
buído o honroso título de "campeão dos fornece-
1° — Fornecedores quotistas — são os que dores de cana".
foram incluídos no M.F.l e com um No que concerne à possibilidade de um ajuste
mínimo de triénio de fornecimento, bem entre usinas e fornecedores, há um caso a foca-
como os plantadores de cana que tive- lizar e que vem demonstrar quão viável é a exe-
ram ou venham a ter quotas de forneci- cução do Estatuto da Lavoura Canavieira, desde
mento fixadas mediante decisão da Co- que usineiros e lavradores tenham mútua com-
missão Executiva do Instituto; preensão de seus direitos e procurem acautelar 4o
melhor modo os seus interêsses Ref erimo-nos a
.

composição feita entre a Usina Laranjeiras, lo-


calizada no município de Itaocara, no Estado do
Rio de Janeiro, e seus fornecedores de cana. A
atitude assumida pela mencionada fábrica para
com seus fornecedores de matéria prima destina-
da à produção de açúcar, demonstra cabalmente
que não é impossível harmonizar os interêsses do
agricultor e do industrial.
If De acordo com os dados existentes na Seção
de Assistência à Produção foram, até a presente
data, recenseados 50.500 fornecedores, dos quais
10.601 já têm quotas devidamente apuradas e fi-
xadas .

Prof, Afonso Várzea Para que se possa ter uma impressão de con-
junto, damos a seguir o quadro geral organizado
A venda nas Livrarias com os dados existentes no Cadastro da referida
Seção, como a indicação do número de fornecedo-
res quotistas e não quotistas por Estado:

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pàg. 16


617

QUADRO N.» 1

Fornecedores relacionados M.F.l M.F.2 Quotistas

23 21

50 1
4 1 19

413 728 358

2.392 1.737 1.353

1.556 1.752 763

333 150 134

1.467 1.812 555

6.199 25.235 5.391

84? 557 507

1.713 1.307 792

783 959 610

287 201 91

16.058 34.442 10.601

Com referência à procedência da matéria pri- tava, por ocasião do preenchimento dos mapas de
ma utilizada pelas fábricas, a situação se apresen- fornecedores, do seguinte modo:

QUADRO N.» 2

Usinas que recebem Usinas que se


ESTADOS canas de forne- abastecem apenas de OBSERVAÇÕES
cedores canas próprias

Piauí ,

Ceará Não são computados da-


dos de uma usina.
Rio G. do Norte
Paraíba . . .

Pernambuco . Idem-idem
Alagoas ....
Sergipe ....
Bahia
Rio de Janeiro Não são computados da-
dos de 2 usinas.
São Paulo . . Não são computados da-
Minas Gerais . dos de 5 usinas.
Não são computados da-
Mato Grosso . dos de 3 usinas.

Santa Catarina
Goiás

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 17


618

NÚMERO DE FORNECEDORES QUOTISTAS


POR ESTADO

8 4
3 £
â III z
1 4 s
tf 2 s % < «>

1 K a »- o 2
ac III

Uma única usina estava organizada nos mol- fábricas abastecidas 100% com canas de fornece-
des cooperativistas. dores .

Com referência ao número de fornecedores


Ocorre mencionar que, de acordo com os as- com quotas apuradas, organizamos, à guisa de
sentamentos cadastrais existentes na Seção de ilustração, o demonstrativo seguinte, em relação
Assistência à Produção, são em número de 13 as a usinas de grandes quotas de produção.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 18


.

619

QUADRO N.» 3

(quotas apuradas)

Até 100 tons. De 100 a. 'íOA T\a DUU


ve atuí n
a 1 AAA
luuv Acima de 1000
tons. tons. tons.

Aliança (Bahia) 10 7 5
Tiúma (Pernambuco) . .
1 2 1 19
uentral Leão (Alagoas) 70 40 16 16
Junqueira (S. P.) . ... 11 37
|

13 13
^ u
Cambaiba (E. Rio)
1

. . . 122 38 4
\

3
Ana Florência (Minas) .
38 56 8 8

O volume das quotas apuradas ou fixadas dos Em Alagoas, a Usina Coruripe tem o maior
fornecedores dessas usinas, atinge as seguintes ci- número de fornecedores quotistas.
fras :
EmMinas Gerais a Usina Ana Florência tem
o maior quadro de fornecedores com quotas apu-
Tiúma . . .
92.710.600 kg radas .

Central Leão
Junqueira
67.244.300 kg A Usina Vitória do Paraguassú é a fábrica do
.
51.520.500 kg Estado da Bahia que conta com o maior contingen-
Cambaíba . .
19.970.900 kg. te de fornecedores quotistas.
Entre as usinas que apresentam maior con-
Feita a conversão da quota industrial atual
tingente de fornecedores com quotas apuradas ou
das aludidas usinas em quota agrícola (na base de
fixadas, destaca-se a Usina Mineiros (Est. do Rio),
90 kg por tonelada de cana esmagada), verifíca-
que conta com 974 plantadores de cana a elas
se que as quotas dos fornecedores representam vinculados. O total das quotas de fornecedores
as seguintes percentagens:
dessa fábrica atinge atualmente a 41.992.150 qui-
los.
Tiúma 57% Quanto ao número de fornecedores com quo-
CentralLeão (1) 28,23% tas apuradas ou já fixadas acima de 6.000 tone-
Junqueira 27% ladas, podemos organizar o
Cambaíba seguinte quadro ex-
32,% positivo :

QUADRO N.° 4


ESTADOS Fornecedores com quotas N." de usinas com fornece-
superiores a 6.000 Tons. dores com quotas acima de
6 .000 Tons
Pernambuco . .
15 8
Alagoas 7 4
Rio de Janeiro 3 2

São Paulo 1 1

Vale mencionar que a maior quota de forne- presenta 1,51% do volume das quotas atribuídas
cimento apurada no Estado do Rio de Janeiro re- aos fornecedores fluminenses e em relação ao Es-
tado de Alagoas a maior quota apurada correspon-
de a cêrca de 4% do volume das quotas dos de-
(1) — Convém f rizar que as percentagens mais fornecedores efetivos junto às usinas locais.
aqui expressas em
relação às usinas Central Leão Vejamos .o que representa para uma fábrica
e Junqueira não correspondem ao total da maté-
uma grande quota no cômputo da matéria prima
ria prima recebida de fornecedores.
de seus fornecedores quotistas:

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 19


. .

620

QUADRO N." 5

USINAS Forneceflor Percentagem

C. — Pernambuco..
Barreiros 1 6,34 %
Santa Cruz — Est. do Rio 1 28,72 %
Campo Verde — Alagoas 1 69,95 %

E' interessante notar como, em certas ques- com um galão de ácido sulfúrico de 62.** Be. para
tões, a ação reguladora do Estatuto da Lavoura 500 galõr^s de melaços. A quantidade de cal em-
Canavieira já se vai fazendo sentir de um modo pregada depende da qualidade dos melaços e do
eficiente. Exemplo frisante disso é o da conver- sei? teor de cal. A cal dos melaços, em cêrca de
são de quotas de produção de algumas pequenas uma hora, é convertida em sulfato de cálcio, e ao
emprêsas em quotas de fornecimento a usinas me- mesmo tempo, os melaços são pasteurizados. Os
lhor aparelhadas e de maiores possibilidades eco- melaços decantam continuamente através de um
nómicas. Na região do Nordeste temos, entre ou- tanque e descarregam para uma bateria de cen-
tros, o exemplo de um engenho que cessa por com- trífugas, onde o sulfato de cálcio é removido,'
pleto as suas atividades industriais, dando lugar lavado, sendo as águas da lavagem aproveitadas
a que os respectivos lavradores passem à catego- para novas diluições. Os melaços claros das cen-
ria de fornecedores quotistas de uma usina da trífugas são resfriados, sofrem nova diluição a
zona 18-20.** Brix e são fermentados como de costume,

Um outro fato digno de registro é a trans- Com a remoção do sulfato de cálcio, pôde a disti-
formação verificada em 2 usinas localizadas no laria aumentar o conteúdo alcoólico dos fermen-
Estado de Pernambuco e que figuram no quadro tadores de 0,75 por cento e ainda salvou 350.080
n.° 2 entre as que se abastecem exclusivamente galões de álcool, porque apenas quatro vêzes o tra-
com canas próprias e que atualmente paralisa- balho foi suspenso para limpeza dos alambiques.
ram suas atividades industriais e se converteram Antes de utilizar êsse processo, a fábrica não po-
em fundos agrícolas com quota de fornecimento dia aproveitar o fermento porque êste ficava con-
junto a outras fábricas. taminado pelo cálcio. O teor de cinza do fermen-
Os dados coligidos visam expor as ocorrências to, agora, não é maior que o do fermento de cer-

que julgamos dignas de registro, desde que foi vejaria e todo êle pode ser recuperado dos fer-
organizado o Cadastro de Fornecedores na Seção mentadores
de Assistência à produção. Depois da fermentação, o fermento é remo-
vido do mosto por meio de separadores centrífu-
gos e pôsto a secar para fins comerciais. Para
alcalinizar o líquido dos separadores, emprega-se
carbonato de potássio; o líquido passa em seguida
ELABORAÇÃO DE MELAÇOS por um evaporador de múltiplo efeito. O resíduo
desalcoolizado é descarregado do evaporador em
Um problema com que se defrontam os in- forma concentrada, 42-44.** Be. e distilado destru-
dustriais que utilizam melaços é o da remoção da tivamente em uma retorta contínua a 1.000** F.; o
cal e da eIiminaç|ío do resíduo que contêm nao- resíduo carbonizado é, então, ativado a 1.600" F.
açúcares em baixa concentração e que é tão pre- Os produtos da destruição dos resíduos são gazes
judicial,quando lançada aos rios. que podem ser queimados como combustível. Dêsse
Sôbre êsse assunto versou uma comunicação resíduo, mediante tratamentos adequados, podem
de Gustave T. Reich ao American Institute of Che- ainda ser recuperados vários outros produtos:
mical Engineers, a qual foi resumida no número carvão descorante, sais de sódio, cálcio e potássio,
de setembro de "Sugar". O autor descreve a so- sílica, magnésia e ácido fosfórico.
lução dada ao problema na distilaria da Pensyl- Resumindo os aspectos gerais do processo, o
vania Sugar Company, que produz anualmente 7 autoi; diz que, quando diminuem os lucros que o
milhões de galões de álcool de 190.*> O processo industrial do álcool está obtendo em consequên-
usado nessa fábrica permite recuperar 5 mil li- cia da guerra, a indústria dos melaços deve vol-
bras de fermento por dia, contendo 6 por cento tar-se para a recuperação dos valores dos não-
de cinza, em vez da percentagem habitual de 60 açúcares, cujos resultados podem mesmo exceder
e mais 10 a 12 toneladas de um carvão descoran- os derivados do aproveitamento dos açúcares exis-
te, além de um considerável volume de potassa e tentes nos melaços. Afirma-se que o fermento re-
outros produtos. cuperado do mosto, em forma mais pura, tem um
No referido processo, os melaços de 80-84." alto valor comercial. O carvão ativado recuperado
Brix são diluídos na proporção de 1 para 1 em pela distiláção, destrutiva do resíduo, é também de'
água quente, aquecidos até 200® F. e misturados grande utilidade para a indústria de refinação.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 20


CON$TRUTORA^.DI$TILARlA$f INSTALAÇÕES QU ÍMICAS S.A.

CAPITAL SOCIAL REALIZADO: Cr$ 15.000.000,00


Oficinas : SÃO PAULO Escritório no RIO
Rua Passo da Pátria, 1515 Praça 15 de Novembro, 42-3.° pav
Alto da Lapa — Bela Aliança. Teleg. "CODIQ' (Salas 301/302)
Caixa : 3161 - Fone: 5-0617 Caixa.: 3354 - Fone : 23-6209

A MAIOR ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA NO RAMO DA CONSTRUÇÃO DE


DISTILARIAS DE ÁLCOOL E INSTALAÇÕES QUÍMICAS
Área dos terrenos pertencentes à Cia. — 45.000 m"
600 operários, 60 técnicos e empregados
Fundição de bronze, ferro e aço
Fábrica própria de moto-bombas
Construção de material de usinas de açúcar

Contratou, de 1941 a fins de 1943, 51 distilarias de álcool etílico, todas construídas


no Brasil, partindo de melaço, cana, mandioca, milho, laranja ê bananas, das quais
30 já funcionando, 12 em montagem e 9 em construção.

Construiu, no ramo de distilação, distilarias de acetona, álcool butílico, éter


:

sulfúrico, aguardente fina de laranja e banana; benzol, xistos, carvão e madeira.

A capacidade de produção diária das distilarias de álcool construídas por CODIQ


é de 345.000 litros, teiido duplicado, desta forma, a capacidade de produção das
distilarias de álcool anidro existentes no Brasil, antes da guerra

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 21


. .

622

REEQUIPAMENTO DA INDUSTRIA AÇUCAREIRA


Luis Dias RoUemberg, relator da das até o período da aquisição de produtos a que
O Sr.
se destinam, não vão influir no desenvolvimento da
sub -comissão encarregada de estudar o problema
velocidade da inflação, uma vez que esta reten-
do reequipamento da indústria açucareira do ção de disponibilidades, vale como evidente di-
país, apresentou à Comissão Executiva do
I.A.A.,
ordinária de 25 de outubro último, o se- minuição dos meios de pagamento. A instituição
na sessão
dos certificados de equipamento, no intuito da
guinte parecer :

aquisição de utilidades destinadas ao reaparelha-


mento económico do país, importou sem dúvida no
"Tendo a comissão nomeada pára opinar so- reconhecimento da obrigação do govêrno fornecer
bre a proposta do nosso ilustre colega José uma parte de suas disponibilidades-ouro no es-
Bezerra Filho, referente à articulação de um pla- trangeiro, com a finalidade de facultar às classes
no visando a reforma da indústria açucareira e os produtoras não só uma rápida recuperação do seu
meios de financiamento aplicáveis à consecução material desgastado como a instalação de máquinas
desta reforma, me designado para relator, venho com melhores capacidades de rendimento, como
apresentar parecer, no intuito de desincumbir- será naturalmente um elemento destinado a res-
me de tão honrosa missão tringir o meio circulante permitido ao Tesouro Na-
Ao estudar-se o problema da organização in- cional, retirar definitivamente da circulação vul-
dustrial do Brasil no após-guerra, se deve verifi-
tosa massa de papel moeda, que está depositada a
car de início que devido às dificuldades de fabri- crédito dos compradores de certificados e forne-
cação de máquinas para as indústrias de paz, no- cendo a êstes disponibilidades-ouro no estran-
tadamente na Inglaterra e Estados Unidos, proble- geiro. Quando no Congresso de Economia se dis-
ma este muito sensivelmente agravado pelas di- cutiu nas sessões plenárias a necessidade de apli-
ficuldades de transportes, as indústrias brasileiras car as disponibilidades representadas pelas letras
como ademais várias outras atividades da eco- de exportação, tive ensejo de defender o ponto
nomia nacional, vêm sofrendo neste último quin- de vista que não sòmente as letras de exportação
quénio evidente e intensivo desgaste. como até mesmo parte das reservas ouro, deveriam
Observa-se neste mesmo sentido, que os defi- ser aplicadas na aquisição de utilidades destinadas
cits da importação se tém acentuado, enquanto a cobrir os deficits da importação e a reconstru-
por outro lado se vai incrementando a exporta- ção do nosso potencial económico. Coube-me a
ção, notadamente no setor dos produtos estraté- honra de ter êste meu ponto de vista apoiado du-
gicos, o que nos permitiu manter vultosas dispo- rante os debates sobre o momentoso assunto pelo
nibilidades-ouro no estrangeiro. eminente financista patrício Dr. Eugênio Gudin.
Como consequência lógica desta situação cou- Realmente dado o vulto de aquisições que o
be ao govêrno a iniciativa de fixar uma política próprio govêrno terá que fazer para reconstruir
econômico-financeira visando criar recursos des- os seus parques ferroviário e portuário, somado
tinados a permitir no após-guerra que o país reor- às* necessidades de compras de útilidades de con-
ganize seu potencial de produção, criando-se neste sumo e finalmente as importâncias elevadíssimas
sentido, na lei referente aos lucros extraordiná- que teremos de despender para criar uma indús-
rios, os certificados de equipamento. A aquisição tria de maior capacidade de rendimento, somos le-
destes certificados, conforme tem sido esclarecido vados a concluir que apenas as disponibilidades
por autorizado interprete da lei sobre lucros ex- representadas pelas letras de exportação, longe
traordinários, se traduz na realização do depósito estarão de se manifestarem suficientes para o re-
para levantamento do imposto correspondente, equipamento da produção e dos transportes. Por
cumprindo esclarecer no entanto que na hipó- outro lado há a considerar que as reservas ouro
tese de optar pelo certificado de equipamento o de que dispomos vêm avultando de tal forma que
pagamento será realizado em dôbro em relação ao esta situação nos permitirá sem maiores prejuízos
imposto. Ficará o referido depósito no Banco do lançar mão de uma parte das mesmas para a
Brasil vencendo juros de 3% anuais, até o mo- mencionada reorganização económica do país, uma
mento em que se realize a inversão com a fina- vez que a quota de duzentos e setenta e cinco
lidade expressa de aquisição de utilidades desti- milhões de dólares que subscrevemos em Bretton
nadas ao reequipamento. Woods permitirá que o nosso país disponha de re-
A finalidade dêste depósito é permitir que as cursos para tornar realidade a criação do Banco
classes produtoras do país reservem recursos para Central e estabilizar a sua moeda, de vez que
adquirir os elementos essenciais, não sòmente à esta quota nos dá direito a levantar até quatro-
reorganização de sua produção durante êste pe- centos e vinte e cinco milhões de dólares, como
ríodo de desgaste através de redobrados traba- decorrência de determinação de que cada país pode
lhos, como principalmente que se aperfeiçoe no levantar o duplo da quota subscrita no concer-
intuito de poder produzir em bases de pleno ren- nente ao Fundo Monetário.
dimento e em muitos casos concorrer sem desvan- Num rápido estudo que se faça sôbre o assun-
tagens com os países super-industrializados to se infere que no período de post-guerra, se não
Além desta finalidade, ainda outra, de indis- devemos contar como no momento atual com avul-
cutível importância e oportunidade, apresenta a tados saldos na balança comercial, contudo se deve
instituição dos certificados de equipamento. Per- observar que o desenvolvimento da importação
mitir que vultosas importâncias ficando congela- tenderá a ser compensado pela persistência du-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 2Z


623

rante alguns anos de uma vultosa exportação. a considerar qué ainda é bastante significativa a
Não poderemos então certamente usufruir, constituição percentual do açúcar mascavo em re-
como vem acontecendo nos últimos anos, de saldos lação ao total da produção açucareira. Ao estu-
mercantis em valor médio anual superior a dois dar-se, porém, a imperiosidade da renovação da
bilhões e quinhentos milhões de cruzeiros Toda-
.
aparelhagem da indústria açucareira no intuito
via atualmente se descerram oportunidades para de aproveitar-se da oportunidade de dispormos de
exportação no post-guerra e em larga escala de disponibilidades ouro no estrangeiro, criando am-
produtos brasileiros, tanto géneros alimentícios, biente perfeitamente favorável à reorganização
como matérias primas e artigos industriais, o quç do parque fabril brasileiro, inicialmente é de assi-
nos permitirá nos anos subseqíientes à guerra nalar que apenas uma parte limitada dos usinei-
mantermos a equilíbrio da balança mercantil, não ros possuem certificados de equipamento, e êstes,
obstante a tendência que se manifestará então in- em grande maioria, são precisamente os que pos-
coercivelmente para amplas importações. suem melhores aparelhagens e portanto mais ex-
Em relação à balança de pagamentos é de tensa margem de lucros.
prever -se que a continuação da entrada de capi- Pudemos opinar que grande maioria dos in-
tais estrangeiros sirva como elemento de manu- dustriais do açúcar não poderão dêste modo se
tenção do seu equilíbrio. aproveitar dos favores da lei sóbre lucros extraor-
Ainda sobre o assunto, quando se compara a dinários em relação aos certificados de equipa-
nossa situação no após-guerra no atinente ao in- mento. Daí e no sentido de permitir a êstes in-
tercâmbio mercantil e em relação à situação que dustriais recursos suficientes para o reaparelha-
prevaleceu em seguida à chamada Grande Guer- mento de suas usinas, visando colocá-las em nível
ra, não podemos deixar de considerar que o Brasil económico de produção, têrmos que estudar meios
era então, a respeito de produtos de exportação, suãcetíveis de concretizar esta finalidade. Não pa-
país típico de monocultura. Então o café contri- dece dúvida que esta iniciativa cabe fundamental-
buía com cêrca de 78% para os totais da exporta- mente ao I.A.A. Parece-nos por isto mesmo que
ção, quando atualmente representa pouco mais de se a esta autarquia compete promover os meios de
um têrço em percentagem sôbre o total do valor orientar os industriais que possuam faculdade de
dos produtos exportados. Já no momento se pode adquirir os certificados de equipamento no intuito
prever que utilidades como o algodão, tecidos, de usarem desta faculdade para melhorarem suas
óleos e tantas outras serão forçosamente exporta- fábricas, lhe cumpre também, usando as condições
das em gi:ande volume e contribuirão para refor- favoráveis que atualmente prevalecem, traçar um
çar sensivelmente as condições do nosso comércio. plano visando fixar uma política de aplicação de
Por outro lado, se verifica que em relação a certos uma parte do seu vultoso patrimônio, no interês-
produtos, que tanto avultaram na importação de- se de colaborar com os produtores para reequipa-
pois- de 1918, como notadamente o ferro fe o car- mento de suas indústrias. Para tornar objetivo o
vão, já em relação a êstes produtos tende o Bra- aproveitamento por parte daqueles industriais que
sil a constituir-se auto-suf iciente Em face destas
.
possam adquirir os certificados por estarem com-
perspectivas nos parece lícito opinar que devere- preendidos na- lei de lucros extraordinários, é de
mos aplicar, no sentido de reequipamento eco- inteira oportunidade que o I.A.A. faça promo-
nómico da nação, uma parte considerável de nossas ver um levantamento dos proprietários de usinas
reservas ouro. onerados por esta modalidade de impostos, no sen-
Finalmente se torna pertinente observar a res- tido de esclarecê-lo sóbre a oportunidade da aqui-
peito que além das reservas ouro que dispomos sição dos certificados de equipamento.
no estrangeiro, superiores no momento a quatro- Já em relação a outro aspecto do problema,
centos milhões de dólares, possuímos reservas de seja o do grande número de proprietários de fá-
cêrca de duzentas toneladas dêste metal no Banco bricas que devem reformá-las para melhor apro-
do Brasil, as quais são reforçadas aproximadamen- veitamento de suas produções, analisemos as pos-
te em oito toneladas anualmente. Já se vê des- sibilidades que possui o I.A.A. para auxiliá-los,
tarte que o emprêgo de uma parte das reservas através do financiamento que necessitarão para
ouro com finalidades de reequipamento económico, empreender estas reformas.
não dificultará a criação do Banco Central. Conforme se há assinalado em estudos empre-
No setor particular da reorganização da indús- endidos sóbre êste assunto, a respeito do qual já
tria açucareira, há que levar-se em consideração tivemos ensejo de fazer algumas considerações em
que esta tem que atravessar uma fase de intenso trabalho que apresentamos ao D.A.S.P., o Instituto
reaparelhamento no sentido de atingir o nível de do Açúcar e do Álcool como as outras autarquias
rendimento dos grandes e modernos centros pro- de produção, se diferencia das organizações autár-
dutores das índias Inglêsa e Neerlandesa e de quicas destinadas a atender à previdência social,
Cuba, onde a extração média alcança cêrca de não só relativamente às suas finalidades funda-
cento e dezesseis quilos de açúcar por tonelada de mentais, como caracteristicamente pela diversifi-
cana. Alguns dos principais Estados produtores, cação de formação de seus patrimónios.
como Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo já Desta sorte averiguamos que as autarquias
logram extração que oscila entre 96 a 99 quilos visando promover o controle da previdência so-
de açúcar por tonelada, enquanto esta média se cial, têm suas reservas empenhadas consoante os
representa em 101 quilos em Alagoas e em 82 qui- cálculos atuariais, no intuito de solver, no futuro,
los em Sergipe. Além desta média de rendimen- os seus compromissos.
to ainda manter-se distanciada de expressar uma Já em relação às autarquias de produção, se
situação de produção em pleno rendimento, há averigua que cobrando as mesmas taxas determi-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 23


624

nadas em correspondência ao volume das utilida- Êste artigo foi todavia alterado pelo Decreto-
des produzidas, ocorre que em alguns casos o lei n°
1.831, de 4 de dezembro de 1939, que ele-
acúmulo destas arrecadações, impõe a estas au- vou a mesma taxa — Cr$ 3,10 por sáco de sessen-
tarquias novas aplicações para suas reservas, apli- ta quilos.
cações estas não previstas no instante em que fo- O Regulamento do Instituto, na letra "f", de-
ram criadas. E' o que se dá tipicamente no con- terminando as finalidades da autarquia, estatui:
cernente ao Instituto do Açúcar e do Álcool. — financiar sempre que dispuser de recursos bastan-
Verificamos dêste modo que esta autarquia, se- tes, com as necessárias garantias, sem discrimina-
gundo dados oficialmente apresentados, dispunha, ções pessoais ou regionais e de acordo com o es-
em 1943, de um patrimônio no valor de duzentos tabelecido no Decreto n.° 22.789 e neste regula-
e trinta e sete milhões de cruzeiros. Patrimônio mento, as entre-safras de açúcar, de modo a aten-
êste representado em depósitos bancários, imó- der aos interêssees dos produtores e aos da cole-
veis, refinarias de açúcar, distilarias e créditos tividade. Verificamos em face das disposições da
por .financiamentos feitos à lavoura canavieira. legislação citada que não obstante as determina-
Dispondo de tão vultoso patrimônio, o I.A.A. além ções do Decreto n.° 22.789 em referência à taxa
da arrecadação da taxa dé Cr$ 3,10 por saco de açú- estipulada se apresentam mais extensivas, refe-
car cristal, a qual rende anualmente cerca de qua- rindo-se a aplicação da mesma no sentido de uti-
renta e cinco milhões de cruzeiros e da taxa de lizá-las através de medidas de defesa da produ-
Cr$ 1,50 por saco de açúcar mascavo, rendendo ção, já o Regulamento do Instituto, conforme a ci-
aproximadamente sete milhões de cruzeiros anual- tação feita, restringe a aplicação da taxa ao fi-
mente, percebe ainda de juros e de outros proven- nanciamento da produção no período da entre-
tos, alguns milhões de cruzeiros anualmente. saíra. Cabe no entanto a esta Comissão o direito
Enquanto isto, sUas despesas orçamentárias, se- de traçar plenamente a política econômico-finan-
gundo os mais recentes dados, não ultrapassani ceira do Instituto do Açúcar e do Álcool amplian-
vinte e um milhões de cruzeiros anualmente; do-a na hipótese da evolução que se assinalar em
no entanto devemos ,a respeito ter em mente relação aos seus recursos patrimoniais.
que o I.A.A., aliás muito acertadamente — Neste sentido e conforme tivemos ensejo de
emprega, em auxílio à produção e ao transporte assinalar, a arrecadação geral do I.A.A. somente
do açúcar e ainda em aplicações de assistência no concernente à taxa correspondente aos açúca-
social nas zonas açúcareiras, anualmente, quantias res cristal e mascavo, já é bastante elevada, sen-
consideráveis, o que afinal não lhe permite for- do que às mesmas deveremos acrescentar as ren-
mar reservas de maior vulto. Ao que finalmente das industriais provenientes das refinarias da qual
se deve acrescentar que o patrimônio do I.A.A. é o Instituto o quase único acionista (Usinas Na-
é representado em larga percentagem por bens cionais) Quanto as várias distilarias também de
.

imóveis. Mesmo assim o desenvolvimento das ren- sua propriedade, localizadas respectivamente em
das desta autarquia de produção já lhe faculta fun- Campos, Recife, Salvador, Ponte Nova (Minas
damentar uma política financeira destinada a Gerais) e no interior de São Paulo, se verifica que
promover a reorganização da produção açucareira tendo sido as mesmas montadas com a finalidade
do Brasil, impondo-se por isto mesmo a oportu- de suprir o país de um novo combustível líquido,
nidade da criação de uma nova organização no as mesmas têm alcançado esta finalidade eco-
intuito de estudar a aplicação dos excedentes lí- nómica, permitindo fornecimentos que importam
quidos de sua receita. Em relação às entidades au- até o momento numa poupança de duzentos mi-
tárquicas de previdência social, tendo-se em vista lhões de cruzeiros, não oferecendo, porém, mar-
o caráter de imperiosidade de contrôle das suas gem sensível de lucro, ao I.A.A.
reservas, foi criada a Comissão de Aplicação de
Reservas da Previdência, controladada pelo Es-
Aos proventos mencionados temos finalmen-
te a juntar aquêles decorrentes
dos juros de finan-
tado.
ciamento e de outras rendas patrimoniais. Con-
Quanto às autarquias de produção, lhes foi
vindo, pelas razões enunciadas, insistir em que a
atribuído legalmente e com inteiro senso de jus-
situação financeira do I.A..A. sendo de evidente
tiça o direito de aplicarem, independente da ação
solidez, tal eventualidade faculta a esta autarquia
do Estado, seus patrimónios. Estudando-se o caso
anualmente, disponibilidades líquidas suscetíveis
particular do I.A.A. e da observação das ativi-
de permitir-lhe empreender com segurança mais
dades económicas desta entidade paraestatal, se
amplas iniciativas. Daí nos parecer plausível su-
conclui existirem problemas de vital interêsse e
gerir que dado o desenvolvimento de seu patrimô-
que se apresentam suscetíveis de serem soluciona-
nio, tornar-se oportuna a criação de uma nova e
dos através da aplicação de suas rendas disponí-
mais ampla política por parte do I.A.A. no in-
veis .

tuito da aplicação de suas rendas disponíveis.


Vejamos quais as disposições da legislação so-
bre o I.A.A. que dizem respeito ao financiamento. Sugerimos que esta finalidade deve ser al-
A propósito averiguamos que o decreto n.° 22.789, cançada com a fundação, no I.A.A., de uma sub-
de 1.° de junho de 1933, criando o Instituto do comissão permanente destinada ã promover o re-
Açúcar e do Álcool, determinou no artigo 10: Para equipamento da produção açucareira, visando a
execução das medidas -de defesa da produção açu- repercussão benéfica que esta iniciativa apresen-
careira estabelecidas neste decreto, assim como tará em relação ao aperfeiçoamento da produção;
para amparo e estímulo à produção e desenvolvi- uma vez que a extração média de açúcar no Bra-
mento do álcool anidro é mantida a taxa de Cr$ sil ainda se limita em média, a 95 quilogramas por
3,00 por saco de sessenta quilos para todo o açúcar tonelada de cana, quando em outros países onde
produzido pelas usinas do país. esta indústria alcança maior progresso, êste índi-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 24


.

625

ce médio se eleva a cento e quinze quilogramas em relação às vantagens que auferirão em reor-
por tonelada. Ainda a respeito é lícito lembrar ganizar suas usinas.
que consoante a teoria financeira, devendo corres- Acontece, porém, como assinalamos, que gran-
ponder ao pagamento da taxa uma retribuição de de maioria dos usineiros não se inclui entre os con-
serviços, deve a mesma logicamente ser aplicada tribuintes da lei dos lucros extraordinários. Em
em favor do contribuinte. Por isto mesmo as taxas relação a êstes últimos é que cabe ao I.A.A. uma
cobradas pelo I.A.A. de acordo com êste postu- atuação mais extensa, uma vez que terá que levar
lado financeiro, devem no momento, ser empre- em consideração que a única solução para melho-
gadas na reorganização da produção açucareira. rar os aparelhos das usinas de menor rendimen-
Outro setor da produção onde a ação do pre- to é traçar um plano de financiamento para estas
visto organismo poderá influir decisivamente, será novas instalações, concorrendo o I.A.A. com uma
no pertinente à transformação de engenhos ban- parte das importâncias necessárias para êste reer-
guês ou de agrupamentos dêstes engenhos atra- guimento industrial; e articulando êste plano de
vés da formação de cooperativas, em usinas de financiamento com a Carteira de Crédito Agrícsla
tipo moderno. Disto resultará não só mais alto e Industrial do Banco do Brasil no sentido de per-
aproveitamento da matéria prima, qual finalmen- mitir a aquisição de novas máquinas para estas
te valerá como aperfeiçoamento de qualidade da usinas
produção. Observando-se a êste respeito que a Aliás, a, respeito, se deve lembrar que pos-
transformação dos engenhos banguês em usinas se sivelmente êste financiamento virá a ser facili-
impõe, uma vez que se manifesta muito forte a tado pela criação do Banco de Reconstrução In-
tendência em épocas normais por parte do consu- dustrial, a qual será concretizada consoaníe a
midor, de progressivamente abandonar o uso do afirmação do Chefe do Govêrno, dentro de pouco
açúcar mascavo, produto remanescente duma eco- tem.po. Iniciativa esta que devemos reconhe-
nomia colonial e que cada vez se torna menos acei- cer apresentar-se como de caráter inadiável, sen-
tável principalmente por parte de consumidores do que o Govêrno Argentino vem de estabelecer,
das nossas grandes cidades. também, recentemente, um' Banco de Crédito In-
A propósito podemos colhêr precisas conclu- dustrial .

sões sobre esta situação ao examinarmos os da- Preliminarmente se impõe, todavia, que seja
dos publicados no Boletim de Estatística do I.A.A. empreendido um levantamento das aparelhagens
— Neste sentido, observamos que os engenhçs con- das nossas usinas para que se possa fixar um pla-
corriam para um total de produção de doze mi- nejamento uniforme e racionalizado de aparelha-
lhões quatrocentos e oitenta e nove mil sacos, em mento das fábricas. Aliás, em relação à grande
percentagem de 57% na safra de 1925/26; já na parte das usinas, conforme tive ensejo de obser-
safra de 1940/41 para o total de produção de vin- var ainda recentemente em zonas açucareiras que
te milhões quinhentos e sessenta e seis mil sacos percorri, em muitos casos não necessitam as mes-
os engenhos concorriam apenas com 34,3% da pro- mas senão de reformas parciais, por isto que com
dução, com uma contribuição expressa em sete a aquisição de apenas algumas máquinas comple-
milhões e cinquenta e sete mil sacos; enquanto mentares ou substituição de outras já desgasta-
neste período a produção de açúcar de usina era das, poderão muitas usinas alcançar nível de ren-
representada em treze milhões quinhentos e onze dimento pelo menos superior a 95 quilos de açúcar
mil sacos. Desta sorte, ano a ano se vai observan- por tonelada de cana, nível a partir do qual a in-
do qu 3 a percentagem da produção de açúcar cris- dústria açucareira já oferece vantagens de pro-
tal avulta em correlação à do mascavo. dução em bases económicas. Ainda outro problema
A criação da sub-comissão de Reequipamen- a ser solucionado pela subcomissão de Reequi-
to da Produção Açucareira, que deverá a nosso pamento da Produção Açucareira se define no es-
ver ser constituída por representantes da Comis- tudo da melhoria de financiamento da produção.
são Executiva e por funcionários do Instituto, todos Ainda recentemente o algodão pluma teve seu fi-
de nomeação do Sr. Presidente desta autarquia, nanciamento elevado a noventa cruzeiros por ar-
não se deverá limitar a estabelecer o f inancia- roba; também em relação ao café está sendo em-
meno da produção açucareira, apenas no período preendida intensa campanha por parte dos pro-
das entre-safras, como terá a importante incum- dutores no sentido da elevação do nível de finan-
bência de traçar o plano de aperfeiçoamento da ciamento até trezentos cruzeiros por saco. De um
produção e a elevação do rendimento industrial. modo geral, em nosso país, as utilidades agríco-
Resumindo os pontos de vista que venho de las assim como os produtos das indústrias agrá-
apresentar, somos de opinião que a política fi- rias, como é tipicamente a do açúcar, não se têm
nanceira que se impõe no post-guerra em rela- ajustado em relação aos preços, aos produtos in-
ção à indústria açucareira, se deve fazer sentir dustriais .

através de setores diversificados, e sempre sob o A recente modificação relativa ao preço do


contrôle e orientação do I.A.A. Em relação à su- algodão vale, não cabe dúvida, como nova etapa
gestão do ilustre Dr. Bezerra Filho, no referente à no sentido de proteção às atividades produtoras das
aquisição de certificado de equipamento por par- zonas rurais. Deve-se reconhecer aliás que o
te dos fabricantes de açúcar, nêste sentido a in- grande êxodo das populações dos campos para os
tervenção do I.A.A., através da entidade a ser centros urbanos decorre notadamente da dispa-
criada, deverá limitar-se a promover um inqué- ridade das condições da vida existente entre as
rito entre os usineiros, visando averiguar quais zonas industriais e as agrícolas, porquanto de-
aquêles que se podem beneficiar dos favores da vido à limitação dos preços dos produtos agrá-
lei dos lucros extraordinários para esclarecê-los rios, o nível de salários não se pode nem de longe

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Pág. 25


. .

626

equiparar aos pagos pela maioria das indústrias to da relação do preço entre a produto primário e
urbanas, onde o nível de lucros é muito mais eleva- o industrializado, a verdade é que a indústria açu-
do consoante comprovam os índices de arrecadação careira tem o preço do seu produto tabelado na
dos lucros extraordinários. No entanto, se obser- base da maioria dos outros produtos agrários, en-
varmos a carência de braços nas principais usinas quanto a grande maioria das utilidades industriais
do país, verificamos que a tendência para eleva- vêm usufruindo do regime do livre preço. Agora
ção dos salários, acima mesmo dos limites esta- que os próprios produtos primários estão logran-
tuídos pelas leis, está produzindo grande subver- do obter financiamentos mais compensadores
são, na agricultura, inclusive na produção do açú- através da intervenção do próprio Estado, se evi-
car, atividade esta de caráter agro-industrial. E dencia ser de elementar equidade estender-se esta
como é ponto pacífico a necessidade de manter melhoria de situação também em relação ao açú-
em melhor nível o padrão de vida do homem car. *
,

brasileiro, conclui-se impor-se o reajustamento Conclusões :

das condições da economia dos produtos agrícolas, Indicamos, em conclusão, que o I.A.A, no
visando a melhoria de condições da produção e a sentido da defesa da produção açucareira, aprove
estabilização das populações nas zonas agrárias. o seguinte plano :

Daí verificar -se que se não seguirmos uma políti-


ca destinada a fixar a paridade de preços entre os
A) —
Criação de uma sub-comissão perma-
nente, destinada a planejar o reequipam ento da
bens de produção das zonas agrícolas e daqueles produção açucareira; esta comissão será consti-
característicos dos centros industriais, sérias per- tuída por três membros da Comissão Executiva e
turbações ocorrerão na economia rural. Os dados por dois funcionários do Instituto, todos de nomea-
estatísticos ainda recentemente divulgados, como ção da Presidência;
tem sido observado por estudiosos dos problemas
nacionais e comentado insistentemente pela im- B) — A sub-comissão resolverá de início:
prensa, elucidam perfeitamente o assunto. Con- 1.° — Mandar proceder o levantamento geral
soante êstes dados, se observa que tendo sido su- dos produtores de açúcar que são contribuintes do
perior a dezessete milhões de toneladas a produ- imposto sôbre lucros extraordinários, no sentido
ção agrícola em 1932, dez anos após, em 1942, ainda de esclarecê-los devidamente sôbre a oportunidade
não alcançara aumento de 10%, sendo inferior a de optarem pelos certificados de equipamento em
19 milhões de toneladas. O que, aliás, representa, relação ao pagamento do imposto;
levando-se em consideração o aumento da popu-
lação, uma diminuição na produção per capita.
2° —
Proceder estudos destinados a financiar
a reforma parcial das usinas que possam alcan-
Esta situação, como é notório, mais se agravou nes- çar através desta reforma nível de rendimento
tes últimos dois anos, com a retirada de milha-
económico, empregando nêste sentido uma parte
res de trabalhadores do campo, atraídos, uns pela
das reservas do I.A.A. em articulação com a Car-
vantagens e fascinação da vida urbana, incorpo- teira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do
rados outros às forças armadas para cumprirem Brasil;
seus deveres de bons brasileiros. E' bem verdade
que em relação ao açúcar os índices percentuais de
3.° —
Promover junto ao Govêrno, a exemplo
desenvolvimento da produção são relativamente do que foi resolvido em relação ao financiamen-
.to do algodão e do que está em vias de solução em
elevados, passando a produção de 16 milhões e du-
zentos mil sacos na safra 1932/33 a vinte milhões relação ao café, a melhoria das condições de fi-
e quinhentos e sessenta e seis mil na safra 1940/41
nanciamento para o açúcar no sentido de alcançar-
se através desta medida recursos que também con-
e já excedendo no momento a uma produção de
vinte e um milhões de. sacos. Todavia, em certas
tribuam para o aperfeiçoamento da produção."
regiões açucareiras onde a média do rendimento O
Sr. Presidente, depois de elogiosas referên-
não é elevada, várias usinas têm sido vendidas, cias ao trabalho do Sr. Dias Rollemberg, teceu
'

passando as terras a serem utilizadas pela pecuá -


algumas considerações em tórno dos dados refe-
ria. Isto evidencia de modo decisivo que também rentes ao patrimônio e aos recursos disponíveis
em relação à indústria açucareira as condições do Instituto, referidos por S. S.*. Se bem que a
de produção, pelo menos nas usinas de menor ren- situação económica do Instituto seja, de fato, aque-
dimento, já se não apresentam em bases económi- la a que se refere o Sr. Dias Rollemberg, não se
cas. pode contar com recursos disponíveis na propor-
Por todos êstes motivos se verifica encon* ção indicada pelo relator, para atender aos finan-
traram justa procedência as reivindicações persis- ciamentos de que trata o plano de reforma da in-
tentes visando fixar a paridade êntre o preço dos dústria de açúcar, em questão
produtos primários e os cobrados pelas fábricas Relativamente aos dados sôbre a situação
que os aproveitam como matéria prima. Todavia, económica e recursos disponíveis do Instituto,
já em relação ao algodão, o financiamento agora julga o Sr. Presidente que deve ser revisto o tra-
assegurado, e a elevação de preços desta fibra balho do Sr. Dias Rollemberg, para entrega aos
têxtil, valeu como reajustamento entre interêsses Srs.Membros da Comissão Executiva do I.A.A.
de produtores e industriais A indústria açuca-
. de dados exatos, que possam proporcionar ele-
reira, que se localiza nas zonas agrárias, desde há mentos reais para base do estudo do problema
muito, porém, fixou através do tabelamento da em aprêço.
cana produzida pelos fornecedores, a base justa de A Sub-Comissão permanente para o planeja-
preço entre plantadores e fabricantes. Não obs- . mento da aplicação de reservas do Instituto, será
tante esta prioridade do açúcar no estabelecimen- nomeada em outra oportunidade.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Páff. 26


: : .

LES USINES DE MELLE


S.A.
ÁLCOOL ANIDRO FERMENTAQAO
MELLE — BOINOT
Processo de recuperação das leveduras
Processos azeotrópicos de desidratação
USINAS Capacidade de produção
Fabricação direta do álcool absoluto por 24 horas

Amália 10.000
USINAS Capacidade de produçSo Baixa Grande. 5.000
por 21 horas Barcelos 20.000
Bom Jesus 5.000
Amália 10.000 Brasileiro 15.000
Baixa Grande 5 000
.
Cambaíba. . . . 15.000
Barcelos Conceição 15.000
20.000
Bom Jesus..' Oucaú 15.000
5.000
Cupim 20.000
Brasileiro 15.000
Catende Fazenda Lidia 5.000
30.000
Cambaíba Laranjeiras 15.000
10.000
Oonceição 15.000 Leão (Utinga) 10.000
Cucaú Maravilhas 15.000
15.000
Junqueira 20.000 Miranda .. 10.000
Laranjeiras Outeiro. 30.000
15.000
Maravilhas 15.000 Paraíso (Tocos) 15.000
Miranda 10.000 Piracicaba 15.000
Paineiras 5.000 Pontal 10.000
'.
..
Pontal 10.000 Porto Feliz 20.000
Pumatí 22.000
Puraatí 22.000
Queimado Pureza 6.000
15.000
Quissamã.. Queimado .. .. 15.000
15.000 ,

Santa Cruz Quissamã 15.000


15.000
Santa Luisa Roçadinho 7.000
5.000
Santa Bárbara 8.000
Santa Maria 10.000 Santa Cruz 15.000
Santa Teresinha 30.000 Santa Luisa 5.000
São .José 25.000
Serra Grande Santa Maria 10.000
12.000 6.000
Tanguâ 15.000 Sapucaia
São José '
30.000
Timbó-Assú.. • 7.000 15.000
Tiúma 22.000 Serra Grande
Tanguá , 15.000
Trapiche 15.000 7.000
Volta Grande 5.000 Timbó-Assú
Tiúma 22.000
Trapiche 15.000
INSTITUTO DO AÇUCAS E DO ÁLCOOL Vassununga 5.000
Vila Baffard , 20.000
Distilaria Central Estado do Kio 60.000
Distilaria Central Presidente Yargas 60.000 INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL
Di tilaria Central Ponte Nova 20.000
Distilaria Central Presidente Vargas 60.000
32 distilarias 553.000 Distilaria Central da Bahia 12.000
Idtros de capacidade Distilaria Central Ponte Nova 20.000
diária
40 distilarias 595.000
litros de capacidade
diária

ESTABILIDADE ABSOLUTA NOTÁVEL AUMENTO DE RENDIMENTO


MAIOR CAPACIDADE DE PRODUÇÃO
FUNCIONAMENTO SIMPLES TRABALHO SEGURO E QUASE AUTOMÁTICO
MELHOR QUALIDADE DO ÁLCOOL FABRI-
CADO
ECONOMIA DE MATERIAL
na fermentação de
açúcar, melaço, caldo de cana, mandioca e
ECONOMIA DE COMBUSTÍVEL cereais

Representante geral no BRASIL

ROBERTO DE ARAUJO
RIO DE JANEIRO
Av. Presidente Tardas, 149 _ 9." andar — salas 17/18 — Tel «3-3081

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 27


628

RESOLUÇÕES DA COMISSÃO
EXECUTIVA DO A. A. 1.

RESOLUÇÃO — N.o 97/44 — De 26 de outubro de 1944


ASSUNTO — Dispõe sobre os autos de infração à legislação es-
pecial à economia e produção de açúcar, álcool e
aguardente, seu processo e julgamento em pri-
meira e segunda instância e sua execução e dá
outras providências

"
A Comissão Executiva do Instituto do Açúcar e do Álcool,
usando das atribuições que lhe são conferidas por lei e tendo
em vista o que dispõe o art. 84 do Decreto-lei n.° 1.831, de 4 de
dezembro de 1939 e o artigo 124, n.» VI do Decreto-lei n.» 3.855,
de 21 de novembro de 1941, resolve :

TITULO I

Do processo em geral

CAPITULO I

Introdução

Art. 1° — As infrações aos preceitos da legislação especial


à economia e produção do açúcar, álcool e aguardente, serão apu-
radas, processadas e julgadas, mediante processo fiscal, que
terá por base o auto de infração e se regulará pela disposição
desta Resolução.

Art. 2° — Os processos fiscais obedecerão, quanto à forma


de sua organização, ao mesmo método dos autos forenses, autu-
ando-se cada um com a capa própria e observado, quanto à for-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág:. 28


629

mação do processado, o princípio cronológico na autuação dos pa-


péis e o sistema do registro escrito de todos os fatos ligados ao
processo.

Art. 3.° — Aos casos omissos nesta Resolução, aplicam-se


como normas subsidiárias, as disposições processuais doRegu-
lamento do Imposto do Consumo e as regras de direito comum.

CAPÍTULO II

Da ação fiscal

Art. 4.° —A ação fiscal se estende a todos os fabricantes


de açúcar, rapadura, álcool, aguardente ou de seus derivados,
aos comerciantes e quaisquer intermediários na compra e venda
dessas mercadorias, bem como a quaisquer terceiros que nego-
ciem ou mantenham relações com ditos fabricantes, comercian-
tes ou intermediários.

Art. 5.° —A ação- fiscal normalmente será exercida, prin-


cipalmente, pelos fiscais e inspetores da Seção de Fiscalização
e subsidiàriamente por qualquer funcionário do I.A.A.

Art. 6.° —
Aquêles que, por qualquer maneira, impedirem
ou criarem embaraços à ação fiscal dos funcionários do Institu-
to, serão punidos na forma do Código Penal, lavrando o. funcio-

nário ofendido o competente auto, acompanhado do rol das tes-


temunhas.

Parágrafo único — Apreciado o auto pelo órgão competen-


te, tendo em vista o disposto no parágrafo único do
do art. 68
Decreto-lei 1.831, a Seção Jurídica providenciará o encaminha-
mento das respectivas peças essenciais ao Procurador Geral da
República, para o procedimento criminal que no caso couber
(arts. 71 do Decreto-lei 1.831 e 152 do Regulamento do Impôsto

de Consumo).

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 29


.

630

Art. 7.° — No caso de resistência à execução de ato legal,


desobediência à ordem legal ou desacato aos funcionários do
I.A.A. (artigos 329, 330, 331, do Código Penal), lavrar-se-á o
competente auto que será encaminhado, depois de ouvida a Se-
ção Jurídica, ao Procurador Geral da República, para os fins
de direito.

Art. 8.° — Verificada


qualquer das hipóteses previstas nos
artigos S.*^ e 7.° o funcionário poderá prender o ofensor ou in-
frator e solicitar para êsse fim, auxílio da fôrça pública ou das
autoridades policiais (arts. 71 do Decreto-lei 1.831, e art. 152,
parágrafo único, do Regulamenta do Impôsto de Consumo)

Art. 9.° — Os funcionários do I.A.A.


sempre que, no exer-
cício de suas funções, verificarem a prática de crime ou contra-
venção, são obrigados a lavrar o competente têrmo, a que jun-
tarão tôda a documentação encontrada, bem como o depoimen-
to das testemunhas ouvidas, encaminhando essas peças, dentro
de 24 horas, à Seção de Fiscalização do I.A.A.

§ 1.° — A Seção de Fiscalização fará breve relatório sobre


o fato, encaminhando o têrmo com os documentos que os acom-
panham à Seção Jurídica, dentro do prazo de 3 dias.

§ 2.° — A
Seção Jurídica, depois de determinar a autuação
dos papéis, emitirá parecer sobre o caso, no qual sugerirá as pro-
vidências cabíveis.

§ 3.° — O parecer da Seção Jurídica será submetido ao des-


pacho do Presidente, competindo ao Procurador Geral a execu-
ção das medidas derivadas daquêle despacho.

Art. 10 — Os produtores de açúcar, álcool, aguardente, ra-


padura ou de seus derivados, são obrigados a manter, perma-
nentemente, na sede dos próprios estabelecimentos industriais

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 30


;

631

todos os livros, registros ou quaisquer documentos instituídos


ou exigidos pela legislação especial à economia açucareira.

Parágrafo único —
A infração dêste dispositivo será consi-
derada como embaraço à fiscalização para os efeitos previstos
no arf. 6.° desta Resolução.

Art. 11 — Apurando-se, no processo, a responsabilidade de


diversas pessoas, será aplicada a cada uma a pena relativa à in-
Vração pela qual responde.

CAPÍTULO III

Dos termos do processo

Art. 12 — Lavrar-se-á têrmo nos autos :

a) de autuação ;

b) de juntada de qualquer petição, documento, defesa e


anexação de qualquer processo ;

c) de expedição de telegrama ou notificação postal e de data


de afixação de edital

d) de remessa de autos ao Procurador Regional ou de uma


a outra Seção ou de uma a outra repartição ;

e) de recebimento do processo ;

f) de revelia ; ,

g) em geral de qualquer circunstância que deve ser consig-


nada nos autos, de acordo com esta Resolução, bem como de
quaíisquer atos processuais que digam respeito à segurança das
partes ou ao andamento do feito.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 31


632

Parágrafo único — A Seção Jurídica organizará os modelos


dos diversos têrmos, afim de uniformizar os processos.

CAPÍTULO IV

Dos prazos

Art . 13 — Os prazos estabelecidos na presente Resolução


são contínuos e peremptórios e contam-se de dia a dia, excluí-
do o do comêço e incluído o do vencimento; se este recair em
feriado, o prazo considerar-se-á prorrogado até o dia útil se-
guinte .

Art. 14 — O prazo para ou inter-


a apresentação de defesa
posição do recurso contar-se-á da data da intimação, observado
o disposto no artigo 21.

Art . 15 — Sendo diversos os autuados ou recorrentes, o pra-


zo será o mesmo para todos e contar-se-á, para cada um, de
acordo com o disposto no artigo anterior.

Art. 16 — O prazo para apresentação da defesa ou inter-


posição de recurso, será de 30 dias, contados a partir da respec-
tiva intimação.

CAPÍTULO V

Das intimações

Art. 17 — Lavrado o auto de infração ou o acórdão de 1.^

instância, proceder-se-á à intimação do autuado, dando-se-lhe


conhecimento do inteiro teor do auto ou do acórdão.

Art. 18 — A intimação far-se-á ao autuado ou a seu repre-


sentante, por meio da competente nota.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 32


633

Parágrafo único — Para os efeitos dêste artigo consideram-


se representantes: os gerentes, administradores ou prepostos.

Art. 19 — A nota de intimação


que obedecerá, em sua par-
te inalterável, a modêlo organizado pela Seção Jurídica, será
feita em duas vias e conterá :

a) o nome e cargo da autoridade expedidora da nota ;

b) o inteiro teor do auto de infração e do acórdão ;

c) a intimação ao autuado para apresentar a sua defesa ou


recurso dentro do prazo legal, sob as penas previstas nesta
Resolução ;

d) a indicação da repartição a que a defesa ou recurso de-


verá ser entregue e do lugar em que se encontra o processo ;

e) data e assinatura da autoridade expedidora da nota.

Art. 20 — As intimações poderão ser feitas :

a) diretamente pelo autuante, através da entrega da nota


de intimação ;

b) pelo Coletor Federal, ou por seu escrivão ou pelo Dele-


gado Regional, mediante entrega da nota de intimação ao autua-
do ou a seu representante.

§ 1.° — Nas hipóteses previstas nas letras a e b, o funcio-


nário, ao entregar a 1.^ via da nota de intimação, exigirá que o
autuado aponha o ciente na respectiva segimda via.

§ 2.° — Se o autuado se recusar a exarar o seu ciente, o


funcionário certificará essa circunstância no próprio corpo da
2.^ via da nota de intimação.

Sl^ASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 33


:

634

§ 3.° —
Lavrada na segunda via a certidão da entrega da
primeira pelo funcionário de que se tratar, será a mesma junta
aos autos.

c) por via postal, mediante registrado com recibo de volta,


que será junto aos autos com a 2.^ via da nota de intimação ;

d) por via telegráfica, ficando cópia autenticada que será


junta aos autos ;

por edital, quando o autuado se encontrar


e) em lugar in-
certo e não sabido.

Art. 21 — A intimação por edital far-se-á mediante afixa-


ção da respectiva nota em lugar público ou mediante publica-
ção da mesma em jornal do município, se houver, ou em sua
falta, no órgão oficial do Estado.

§ 1.° — Afixada a nota, o funcionário promoverá a juntada


da segunda via respectiva, ao processo.

§ 2.° — Se o houver sido publicado, juntar-se-á ao


edital
processo uma folha do jornal em que tenha sido feita a publi-
cação.

Art .22 —A intimação considera-se feita

a) na data da entrega da nota de intimação nos casos das


letras a e b do artigo anterior ;

b) na data da entrega do registrado constante do recibo de


volta, no caso da letra c do artigo anterior ;

c) na data da expedição do telegrama, na hipótese prevista


na letra e do artigo anterior.

PRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Và§. Zi


.

635

CAPÍTULO VI

Da defesa

Art. 23 — Nenhum obstáculo será criado ao autuado para


sua defesa, observadas as disposições da presente Resolução

Parágrafo único —
No exercício dêsse direito, o autuado po-
derá alegar tudo que achar conveniente, não podendo, entretan-
to, usar expressões desrespeitosas ou ofensivas às autoridades e

funcionários, sob pena de serem tais expressões ou palavras


canceladas, a requerimento do ofendido ou por determinação
do Procurador que funcionar no feito.

Art. 24 — Findo o prazo concedido ao autuado para a de-


fesa, sem que esta tenha sido apresentada, será o mesmo con-
siderado revel, e, lavrado o respectivo termo de revelia, pros-
seguir-se-á no feito, na forma do que dispõe a presente Resolu-
ção.

Parágrafo único —
Se a defesa fôr apresentada fora do
prazo regulamentar, o Procurador mandará que, desentranhada
do processo, seja a mesma autuada no apenso.

CAPÍTULO VII

Das provas

Art. 25 — Os fatos não contestados pelo autuado, serão ti-

dos como verdadeiros, salvo se incompatíveis com o conjunto


das provas constantes do processo.

Art. 26 — Os Procuradores poderão determinar livremen-


te as diligências que lhes parecerem necessárias para apuração
da verdade.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 35


. ;

636

Art 27 . —
E' facultado ao autuado oferecer documentos que
instruam a sua defesa ou recurso, os quais deverão ser nume-
rados e autenticados com a sua rubrica ou a de seu procurador,
legalmente constituído

Art. 28 — O
autuado poderá requerer, em sua defesa ou
recurso, a realização de perícias, vistorias ou exames de escrita.

Parágrafo único —
Os Procuradores indeferirão as provas
requeridas pelo autuado sempre que as mesmas lhes parecerem
nesnecessárias ou ditadas por intuitos mèramente protelatórios.

Art. 29 — As exames, e vistorias serão realiza-


perícias,
das por perito designado pelo Procurador, mas o autuado po-
derá designar assistente técnico para acompanhar a diligência.

Parágrafo único —
O perito, sempre que possível, será de-
signado entre os funcionários especializados do LA. A.

CAPÍTULO VIII

Dos acórdãos

Art. 30 — As decisões proferidas pela Comissão Executiva


ou por suas Turmas, nos autos de infração, receberão a deno-
minação de acórdãos.

Art. 31 — Os acórdãos deverãe conter:

a) o número do processo e indicação do Estado e município


do domicílio do autuado ;

b) o nome e qualificação do autuado

c) a exposição do fato e suas circunstâncias ;

PBASIL AÇUCAjREIRp DEZEMBRO, 1944 — Pá|[. 3Ç


.

d) a natureza da infração ;

e) as razões de decidir ;

f) a conclusão ;

g) a ordem para intimação, registro e execução do acór-


dão.

Parágrafo único — Ao acórdão serão juntas as notas taqui-


gráficas relativas à discussão do caso, na Turma ou na Comis-
são Executiva.

Art. 32 — Os acórdãos proferidos serão obrigatoriamente


publicados no "Diário Oficial" da União.

Parágrafo único — A publicação a que se refere êste artigo


será feita pela Seção Jurídica dentro dos 10 dias que se segui-
rem ao recebimento do processo em que o acórdão haja sido
proferido

Art. 33 — Os acórdãos passam em julgado :

na data da respectiva publicação no "Diário Oficial" da


a)
União quando proferidos em segunda instância pela Comissão
Executiva ;

b) dentro de 30 dias, a contar da data da respectiva inti-


mação, quando se tratar de acórdão de primeira instância desde
que não haja sido interposto o competente recurso dentro da-
quele prazo.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág.


63â '
.;

CAPÍTULO IX

Das nulidades

Art. 34 — Os processos fiscais são nulos quando nêle hou-


verem sido omitidos atos e têrmos substanciais :

a) o auto de infração ;

b) a intiipação ;

c) o prazo para defesa ;

d) o parecer da Seção Jurídica em 1.* ou 2.^ instância e


sua publicação ;

e) o acórdão de 1.^ ou 2.^ instância e sua publicação ;

f) o prazo para interposição de recurso.

Art. 35 — E' nula, de pleno


qualquer decisão profe-
direito,
rida pela Comissão Executiva que tenha por efeito a modifica-
ção ou alteração de acórdão passado em julgado.

Art . 36 — As nulidades previstas nos arts. 34 e 35 serão de-


cretadas "ex-officio",

Art. 37 — Os autos de infração que contiverem incorreções


ou omissões não serão anulados, desde que constem do processo
elementos suficientes para caracterizar, de modo preciso, a in-
fração e o infrator.

Art. 38 —A falta de lavratura de qualquer dos têrmos a


que se refere o art. 12, não anula o processo mas acarretará a
responsabilidade do funcionário faltoso.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — fàg. 38


êsè

§ i.** — Na hipótese prevista neste artigo, a Seção Jurídica


representará ao Presidente do I.A.A. contra o funcionário res-
ponsável pela omissão, o qual ficará sujeito às medidas disci-
plinares que no caso couberem.

§ 2.° — Se o autor da omissão fôr funcionário estranho ao


quando importar em obrigação funcional, será
Instituto, o fato,
comunicado à autoridade a que o mesmo estiver subordinado,
para os efeitos devidos.

Art. 39 — Não constitui motivo de nulidade o excesso de


prazo no preparo e julgamento dó feito, mas a Seção Jurídica
representará ao Presidente do I.A.A. contra os funcionários
responsáveis pela demora injustificada.

TÍTULO II

Do processo de primeira instância

.CAPÍTULO I

Do auto de infração

SEÇÃO 1

Da lavratura

Art. 40 — O auto de infração será lavrado, obrigatoriamen-


te, sempre que houver veementes e fundados da exis-
indícios
tência de uma infração aos preceitos da legislação especial à
economia e produção do açúcar, álcool e aguardente, ou nas
hipóteses previstas nos arts. 6 e 7 desta Resolução.

Art. 41 — O auto de infração poderá ser lavrado :

a) pelos fiscais e inspetores-f iscais do LA. A., bem como

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 39


64Ú

pelos funcionários para esse fim especialmente designados pelo


Presidente ;

b) pelos fiscais do Ministério da Fazenda ;

c) pelos fiscais do Ministério do Trabalho, Indústria e Co-


mércio ;

d) pelo Chefe da Seção de Fiscalização quando a diligência


de que resultar o auto fôr por êle dirigida ;

e) pelos fiscais estaduais e municipais.

- Parágrafo único — Os autos de embaraço à ação do fiscal


do I.A.A., dê desacato, desobediência e de resistência, a que
se referem os arts. 6 e 7, desta Resolução, poderão ser lavrados
pelos Procuradores do I A A sempre que o ato ou fato que der
. . .

lugar aos mesmos se verificar em sua presença.

Art. 42 — O auto de inf ração será lavrado com tôda a cla-


reza, sem rasuras ou emendas e deverá conter :

a) dia, local e hora da sua lavratura, com indicação das


pessoas presentes ;

b) exposição minuciosa dos fatos que o hajam motivado e


das circunstâncias em que foram praticados ou verificados, com
indicação das respectivas provas e dos nomes e qualificação dais
pessoas físicas ou jurídicas nêles envolvidas ;

c) capitulação legal da inf ração ou inf rações cometidas.

§ 1° —
Para a lavratura dos autos de infração, que serão
manuscritos a tinta ou datilografados, poderão ser utilizados
impressos apropriados, preenchendo, neste caso, quem o lavrar

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 40


.

641

os claros existentes, por qualquer forma usual de escrita, inuti-


lizadas as linhas que ficarem em branco.

§ 2° — Havendo entrelinhas, no texto do auto, deverão as


mesmas ser expressamentè ressalvadas antes da assinatura.

Art. 43 — Os autos de inf ração serão assinados pelo autu-


ante e pelos autuados ou seus representantes, juntamente com
as testemunhas, quando as houver

§ 1.° — Para os fins previstos neste artigo consideram-se


representantes, os gerentes administradores ou prepostos ou, na
Kua ausência, qualquer empregado do estabelecimento.

§ 2.° — A assinatura do auto pelos autuados ou seus repre-


sentantes não será tida em hipótese alguma, como confissão ou
reconhecimento da falta que lhe haja sido inmputada, nem a
recusa em agravação da mesma falta.

§ 3.° — Se os autuados ou seus representantes não estive-


rem presentes ou se recusarem a assinar o auto, deverá o autu-
ante lavrar e subscrever, em seguida a sua assinatura, o compe-
tente termo explicativo.

Art. 44 — Os autos serão lavrados no próprio local da in-


fração ou estabelecimento em que fôr verificada a falta e se,
por qualquer circunstância, não fôr isso possível, o autuante
mencionará o fato e os motivos que o determinaram.

Art. 45 — Os papéis dos documentos que forem apreendi-


dos por ocasião da lavratura do auto serão rubricados pelo au-
tuante, antes de serem juntos ao processo.

Parágrafo único — Os autos de infração, bem como os têr-


mos complementares a que alude a Seção II dêste Capítulo, obe-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 41


; '

m '

'

.
'
:

decerão aos modelos que forem organizados pela Seção Jurí-


dica.

SEÇÃO II

Dos têrmos complementares do auto de infração

Art. 46 — De
tudo quanto o autUante fizer para apuração
dos fatos imputados ao autuado, para conservação da prova ou
para segurança da execução fiscal, lavrar-se-á têrmo circunstan-
ciado, que será anexado ao auto de infração e dêste considerado
parte integrante.

'
Art. 47 — Em obediência ao disposto no artigo anterior la-
vrar-se-á têrmo ;

a) de exame de livros ;

b) de vistorias e inspeções ;

c)de apreensão de documentos, livros, veículos, mercado-


rias e quaisquer outros objetos ;

d) de lacramento e aposição de selos

e) de depósito de quaisquer objetos ;

Art. 48 — Aos têrmos a que se referem as letras a, b, c e d


do artigo anterior aplicar-se-á o disposto no artigo 43.

Parágrafo único — Os têrmos de depósito serão assinados


pelo autuante, pelo depositário e por duas testemunhas.

Art. 49 — Verificando-se no decorrer do processo, que pes-


soa diversa da do indigitado infrator, que é também responsável
pela infração, lavrar-se-á um têrmo adicional, e far-se-á ao alu-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 42


64â

dido responsável a intimação competente, dando-se-lhe prazo


para a defesa.

SEÇÃO III

Das notificações prévias

Art. 50 —A notificação prévia será indispensável em to-


dos os casos em que a sanção legal só é aplicável depois de de-
satendido pela parte o convite para o cumprimento de presta-
ção positiva ou negativa a que esteja obrigada.

Art. 51 — A notificação a que


alude o artigo anterior será
feitadiretamente por um dos funcionários do Instituto ou por
telegrama, observado o disposto no art. 20.

Art .52 — A notificação a que se refere o art. 50 poderá ser


feita :

a) pelos fiscais do LA. A. ;

b) pelos Delegados ou Procuradores Regionais ;

c) pelos Chefes das Seções de Assistência à Produção, Fis-


calização e pelo Procurador Geral do I.A.A.

Art. 53 — A notificação prévia será redigida com tôda a


clareza e indicará, com precisão, a natureza da prestação exi-
gida do notificado, o prazo em que a mesma deverá ser cum-
prida, bem como a cominação da pena para o caso em que não
seja atendida.

Art. 54 — Feita a notificação prévia, será a mesma au-


tuada.

§ l.*' — Terminado o prazo fixado na notificação, proceder-


BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 43
644

se-á,por determinação da autoridade notificante, às diligências


que se tornarem necessárias para apurar o cumprimento da
prestação positiva ou negativa exigida do notificado.

§ 2.° —
Se a notificação houver sido atendida, lavrar-se-á,
nos autos, o competente têrmo de constatação dessa circunstân-
cia e encaminhar-se-á o processo à Seção Jurídica que emitirá
parecer sôbre o mesmo encaminhando-o ao Presidente do
I.A.A.

Art. 55 — Constatada a falta de cumprimento da exigência


constante da notificação através das notificações que se torna-
rem necessárias e de que se lavrarão os competentes têrmos, nos
autos, será o processoencaminhado pela autoridade notificante
à Seção de Fiscalização ou ao fiscal da região, para o fim de
ser lavrado o auto de infração, sajvo se o notificante fôr o pró-
prio fiscal, caso em que êste procederá incontinenti, à lavratura
do auto.

§ 1.** — Recebendo os autos da notificação, o fiscal proce-


derá, dentro de 48 horas, à lavratura do auto de infração.

§ 2.° — Os autos da notificação serão juntos ao auto de in-


fração e dêste constituirão parte integrante.

§ 3.° — Lavrado o auto de infração, o processo vUêle origi-


nal seguirá o curso previsto nesta Resolução.

SEÇÃO IV

Da apreensão prévia

Art. 56 — Se o fiscal encontrar qualquer quantidade de


produção clandestina e não puder identificar o respectivo pro-
prietário ou responsável, procederá à imediata apreensão da
mercadoria, lavrando o competente têrmo de apreensão prévia.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 44


645

§ 1.° — Feita a apreensão a que alude êste artigo, o fiscal


nomeará depositário para a mercadoria, lavrando o competen-
te têrmo.

§ 2.° — O fiscal poderá,


sempre que lhe parecer necessário,
proceder à remoção da mercadoria para lugar seguro,

Art. 57 — Lavrado o têrmo a que se refere o artigo ante-


rior, o fiscal publicará edital no jornal local, tornando público
a apreensão feita e dando a quaisquer interessados o prazo de
5 dias para apresentarem suas reclamações.

Parágrafo único — Não havendo jornal, no local da apreen-


são, o fiscal afixará o edital em lugar bem visível na Coletoria
Federal ou Estadual, mediante prévio entendimento com o res-
pectivo coletor.

Art. 58 — O proprietário ou responsável pela mercadoria


poderá, provando a sua qualidade, alegar o que lhe parecer de
direito, dentro do prazo referido no artigo anterior.

Art. 59 — Aparecendo o proprietário ou responsável pela


mercadoria, o fiscal procederá, imediatamente, à lavratura do
competente auto de infração, ao qual juntará os têrmos de apre-
ensão c depósito já lavrados.

Parágrafo único -r- Lavrado o auto, prosseguir-se-á, no


mesmo, de acordo com o disposto nesta Resolução.

Art. 60 — Terminado
o prazo de 5 dias sem que se tenha
apresentado qualquer interessado, o fiscal lavrará o competente
têrmo complementar dando conta dessa circunstância e reme-
terá o têrmo de apreensão prévia e seus anexos à Delegacia Re-
gional competente.

Parágrafo único —A Delegacia Regional autuará as peças

JSRASIL AÇUCAREIRQ PEZEMBRO; 1941 — Páç. i5


.

646

integrantes do têrmo de apreensão prévia e o processo assim


formado seguirá o ritmo próprio aos autos de inf ração.

Art. 61 —
Aprovada a apreensão prévia pela Turma de
Julgamento, será o processo encaminhado à Seção Jurídica que
transmitirá o acórdão à Gerência, afim de que esta disponha da
mercadoria, tendo os resultados apurados, com a sua venda ou
aproveitamento, a aplicação de que tratam os artigos 152 e 153
do Estatuto da Lavoura Canavieira.

CAPÍTULO II

Do procedimento em 1.^ Instância

SEÇÃO I

Da instrução e preparo

Art. 62 —
Lavrado o auto, o autuante deverá entregá-lo,
juntamente com tôdas as peças que o integram, dentro do pra-
zo de 48 horas, à repartição competente para recebê-lo.

Art. 63 — São competentes para receber os autos de infra-


ção e dar início ao processo as repartições arrecadadoras de ren-
das federais, a saber: Coletorias, Recebedorias e Inspetorias das
Alfândegas

Art» 64 — Se o autuado não tiver sido intimado pelo pró-


prio autuante, o chefe da repartição recebedora- do auto de in-
fração promoverá, dentro do prazo de 48 Tioras, a contar do re-
cebimento do auto, a realização dessa intimação, por uma das
formas indicadas no artigo 20.

Parágrafo único '— Se o autuado não residir na circunscri-


ção onde se verificar a infração, a repartição por onde correr o
processo requisitará daquela onde o mesmo residir, a efetiva-
ção da intimação.

BRASIL AÇUCAHEIRQ PEZIEJVIBRQ, mi — Páf. 46


.

647

Art. 65 —
Findo o prazo para apresentação da defesa, o
chefe da repartição receptora do auto promoverá a remessa do
respectivo processo, com ou sem defesa, dentro do prazo de 5
dias, à Procuradoria Regional a que competir a instrução do
feito

Parágrafo único — Ao enviar o processo, o chefe da repar-


tição receptora do auto fará um breve relatório a respeito do
fato, salientando os elementos que possam demonstrar a má fé
e a fraude com que tenha agido o autuado, bem como mencio-
nando, sempre que possível, o grau de instrução e condições eco-
nómicas do autuado.

Art. 66 — Recebido o processo, o Procurador Regional pro-


cederá de conformidade com o disposto no art. 11 da Resolu-
ção 56/43.

§ 1.° — O Procurador Regionalpromoverá a audiência do


autuante sôbre a defesa do autuado, para o que fixará prazo não
superior a 15 dias.

§ 2.° — Antes
de emitir o seu parecer no processo, o Pro-
curador Regional solicitará à Seção de Fiscalização, através da
Seção Jurídica, necessárias informações sóbre os antecedentes
fiscais do autuado.

§ 3.° — Sempre que o processo envolver apreensão de açú-


car, o Procurador Regional solicitará à Seção de Estatística,
através da Seção Jurídica ou à Delegacia Regional, as necessá-
rias informações sóbre o preço do açúcar, no dia da lavratura
do auto, na capital do Estàdo em que se tenha verificado a in-
f ração.

Art. 67 — Emitido o seu parecer no processo, o Procurador


Regional determinará a remessa do processo à Sede, em ouja

AÇUCAREIRO PEmMmO, 1944 — Páf. 47


; ;

648

Seção de Comunicações será protocolado e novamente autuado,


em capa especial, a qual deverá conter :

a) a indicação — Auto de infração

b) o nome e domicílio do autuado ;

c) a procedência do auto ;

d) o número originário do processo e o número tomado na


Seção de Comunicações, precedido da indicação A. I.

e) a natureza da infração ;

f) o têrmo de atuação, datado e assinado pelo funcionário


que o tenha feito.

Art. 68 — Autuado o processo, será êste enviado à Seção


de Fiscalização e Arrecadação, que o informará, considerando-o
em seus aspectos fiscais.

Art. 69 — Uma vez examinado pela Seção de Fiscalização


e Arrecadação, será o processo encaminhado à Seção Jurídica,
que determinará a realização das diligências que se tornarem
necessárias ou emitirá o seu parecer sobre o caso.

Art. 70 — Emitido o parecer da Seção Jurídica, o processo


será encaminhado à Turma de Julgamento competente.

SEÇÃO II

Do julgamento

Art. 71 —Recebendo o processo, o Presidente da Turma


de Julgamento designará o relator, a quem o processo será
presente.

BRASIL AÇUCAREIRO PEZEMBRO, 1944 — Páf 43


.
649

Art. 72 —O relator terá o prazo de 15 dias para estudar o


processo, findo o qual apresentará o seu relatório escrito e pe-
dirá dia para o julgamento do caso.

Parágrafo único — Assim despachado pelo relator, o proces-


so será devolvido ao Presidente, que o mandará incluir na pauta
do primeiro dia desimpedido.

Art. 73 — No dia do julgamento, o Presidente daçá a pala-


vra ao relator que lerá o seu relatório.

Parágrafo único — Proferido o voto do relator, o Presiden-


te tomará os votos dos demais membros da Turma e proclama-
rá o resultado.

Art. 74 — As decisões serão tomadas por maioria de votos.


Art. 75 —
Proclamado o resultado, o Presidente encami-
nhará o processo ao relator, que lavrará o acórdão de conformi-
dade com o vencido na discussão.

§ 1.° — O acórdão será submetido à assinatura do Presiden-


te edemais membros da Turma de Julgamento na sessão ime-
diatamente seguinte.

§ 2.° — Se o ponto de vista do relator não fôr vencedor o


Presidente designará novo relator para a lavratura do acórdão.

Art. 76 — Subscrito o acórdão pelo Presidente e demais


membros da Turma, e juntas aos autos as notas taquigráficas,
será o processo encaminhado à Seção Jurídica, que promoverá
a respectiva execução. •

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 49


650

TÍTULO III

Do processo em 2.^ instância

CAPÍTULO I

Dos recursos

Art. 77 — Da decisões proferidas pelas Turmas dè Julga-


mento cabe recurso voluntário ou "ex-officio" para a Comissão
Executiva.

"Parágrafo único — O recurso "ex-officiò"" será interposto


obrigatoriamente no próprio corpo dos acórdãos das Turmas de
Julgamento que julgarem improcedentes os autos de inf ração,
no todo ou em parte.

Art. 7,8 — O recurso voluntário será interposto por petição


e deverá vir acompanhado desde logo da prova documental em
que se fundar.

Parágrafo único — No caso de interposição do recurso por


simples petição, entender-se-á que o recorrente renova as ale-
gações feitas em 1.^ instância.

Art. 79 — Os recursos interpostos tempestivamente serão


recebidos no efeito suspensivo.

CAPÍTULO 'll

Do procedimento em 2.* instância

Art. 80 — O recurso voluntário poderá ser apresentado nas


Delegados Regionais ou na Seção de Comunicações da Sede.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1941 — Pág. 5Q


651

§ 1.° — Se o recurso fôr apresentado na Delegacia Regional


terá esta o prazo de 5 dias para encaminhá-lo à Sede.

§ 2.° — A Seção
de Comunicações remeterá o recurso, sem
autuá-lo, à Seção Jurídica dentro do prazo de 48 horas.

Art. 81 — O funcionário que receber o recurso anotará,


obrigatoriamente, no corpo do mesmo, sob pena de responsabi-
lidade, data, local e hora do recebimento.

Parágrafo único — A data da apresentação do recurso, para


todos os efeitos, será a que constar da anotação a que alude
êste artigo.

Art. 82 — O recurso, uma vez entrado na Seção Jurídica,


será submetido ao despacho do Procurador Geral, que o receberá
e mandará juntá-lo aos autos, caso o mesmo haja sido interpos-
to dentro do prazo e esteja revestido das formalidades legais.

Art . 83 — Se o recurso houver sido interposto fora do prazo


ou. com inobservância dos dispositivos regulamentares, o Pro-
curador Geral mandará autuá-lo em apenso e suscitará dúvida,
em promoção fundamentada.

§ 1.° — Suscitada a dúvida, o apenso, acompanhado do pro-


cesso principal, será submetido à consideração da Comissão Exe-
cutiva .

§ 2P —
Se a Comissão Executiva, julgando procedente a
dúvida, entender que o recurso não é de ser recebido, mandará
que se prossiga na execução.

§ 3.° — Se a Comissão Executiva julgar improcedente a dú-


vida, determinará a juntada do apenso aos autos principais e
mandará que o recurso seja processado, nos termos desta Reso-
lução .

3RASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 51


652


A instrução do recurso será dirigida pelo Pro-
Art. 84
curador Geral ou pelo Procurador por êle designado.

§ 1.® — Admitido o recurso, de conformidade com o dispos-


to no ou no parágrafo
art. 82 do art. 83, o Procurador pro-
3.°

ferirá despacho determinando a realização das provas e diligên-


cias que lhe parecerem necessárias ao perfeito esclarecimento
do processo.

§ 2° — Cumprido o despacho a que se refere o parágrafo


anterior, o Procurador emitirá parecer.

Art. 85 — Apresentado o parecer do Procurador — instru-


tor, o processo será encaminhado ao Presidente da Comissão
Executiva.

Art. 86 — Na hipótese de recurso "ex-officio", publicado o


acórdão, a Seção Jurídica emitirá o seu parecer, no prazo de 15
dias, encaminhando o processo ao Presidente da Comissão Exe-
cutiva.

CAPÍTULO III

Do julgamento do recurso

Art .87 — A distribuição, discussão e votação dos processos


em 2.^ instância processar-se-á pela forma estabelecida nos arts.
71 a 75 desta Resolução.

Art. 88 —
Os acórdãos da Comissão Executiva serão assi-
nados pelo Presidente e pelo Relator.

15RASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páf. 5Z


653

Art. 89 — O membro da Comissão Executiva, que tenha re-


latado o feito na Turma, não poderá funcionar como relator em
2.^ instância.

TÍTULO IV

Da execução

CAPITULO I

Disposições gerais

Art. 90 — Passado em julgado o acórdão dar-se-á início à


respectiva execução .

Art. 91 —A execução dos acórdãos das Turmas de Julga-


mento ou da Comissão Executiva, será dirigida pelo Procura-
dor Geral, que poderá delegar essas funções, em cada processo,
a qualquer dos procuradores.

Parágrafo único —
Os incidentes surgidos no processo, no
decorrer da execução administrativa, serão resolvidos pelo
Procurador a que o feito estiver afeto, com recurso para o Pro-
curador Geral, cabendo das decisões dêste, recurso para o Pre-
sidente do LA. A.

CAPÍTULO II

Da improcedência dos autos de infração

Art. 92 — Se a Comissão Executiva julgar improcedente o

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Págr. 53


654

auto ou negar provimento ao recurso "ex-officio", a Seção Ju-


rídica, depois de feitas as devidas anotações e comunicações, de-
terminará o arquivamento do processo.

§ 1.° —Se o auto versar sobre apreensão de máquinas ou


mercadorias, a Seção Jurídica remeterá carta de ordem ao res-
pectivo proprietário ou possuidor, autorizando-o a reaver das
niãos do depositário os objetos apreendidos.

§ 2° — Caso o Instituto haja vendido a mercadoria apreen-


dida, nos têrmos do art. 117, a Seção Jurídica oficiará à Gerên-
cia,afim de que esta promova a devolução ao autuado, ou a quem
couber, de quantia correspondente ao valor oficial da mercado-
ria, no dia da inf ração.

§ 3.° — Na hipótese prevista no parágrafo anterior, a or-


dem dp gerente, com a anotação de haver sido cumprida, será
devolvida à Seção Jurídica, juntamente com a segunda via do
recibo passado pela parte, afim de ser junta ao processo e de-
terminado o arquivamento dêste.

CAPÍTULO III

Do procedimento executivo

SEÇÃO I

Da liquidação das apreensões

Art . 93 — Nos casos de apreensão de maquinismos ou mer-


cadorias, se o auto fôr julgado procedente, a Seção Jurídica ofi-
ciará à Gerência que promoverá a respectiva venda ou apro-
veitamento .

§ 1.° — A ordem do Gerente, com a anotação de haver sido


cumprida e expjicação concisa do modo porque o foi e da im-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 54


é5â

portância porventura apurada, será devolvida à Seção Jurídica


que a juntará ao processo.

§ '2° — Feita a juntada a que alude o parágrafo anterior, a


Seção Jurídica expedirá a nota ou lançamento à Contabilidade e
determinará o arquivamento do processo.

SEÇÃO II

Da cobrança administrativa

Art. 94 — Julgado procedente o. auto, no todo ou em parte,


e passado em julgado o acórdão, a Seção Jurídica notificará o in-
frator para pagar a multa ou indenização a que tenha sido con-
denado, no prazo de 15 dias, a contar da intimação, sob pena de
executivo fiscal.

§ 1.^ — A notificação a que alude este artigo será feita atra-


vés da Seção de Fiscalização ou "da repartição arrecadadora fe-
deral, caso aquela Seção não disponha de fiscal na zona de que
se tratar.

§ 2.° — A notificação será feita ao infrator' ou seu represen-


tante, nos têrmos do art. 18 e seu parágrafo único, por uma das
formas referidas nas letras a e b do art. 20 e observado o que
dispõe esta Resolução a respeito das intimações.

Art. 95 — A notificação será acompanhada de Guia de re-


colhimento de modêlo aprovado pelo Presidente.

Parágrafo único —
A guia será extraída em três vias, fican-
do a primeira em poder do notificado; a 2.^ via, datada e assi-
nada pelo notificado, coin a declaração de haver recebido a 1.^,
será devolvida, pela funcionário encarregado da notificação,
com a 1.^ via respectiva à Seção de Fiscalização, que a encami-
nhará à Seção Jurídica; a 3.^ via, com a indicação da data de

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 55


656

intimação, será remetida diretamente pelo funcionário encarre-


gado da notificação à repartição que nela houver sido indicada
para o recolhimento da quantia da condenação.

Art. 96 — A guia de recolhimento conterá :

a) nome e qualificação do infrator ;

b) número do processo e data do auto ;

c) nome do autuante ;

d) valor da condenação ;

e) prazo dentro do qual a quantia da condenação deverá ser


paga e indicação da repartição autorizada a receber paga-
mento ;

f) assinatura do funcionário que extrair a guia e do Pro-


curador a que o processo estiver afeto ;

g) conferência e "visto" do assistente da Seção Jurídica res-


ponsável pela execução dos acórdãos.

Art. 97 — A repartição arrecadadora comunicará o reco-


lhimento da condenação à Seção Jurídica, por via telegráfica,
dentro do prazo de 24 horas.

Parágrafo único — A vista dêsse telegrama, a Seção Jurí-


dica fará as anotações e comunicações necessárias.

Art. 98 —A repartição arrecadadora conferirá a guia que


lhe fôr apresentada com a 3.^ via em seu poder e recusará o re-
cebimento se não houver rigorosa coincidência dos seus dize-
res.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 56


657

§ 1.° — A repartição arrecadadora passará recibo na pró-


pria guia que lhe fôr apresentada, anotando, na 3.^ via respecti-
va, data e valor do recolhimento.

§ 2.° — Feito o recolhimento, a repartição arrecadadora re-


meterá à Seção Jurídica a 3.^ via da guia, que será junta ao pro-
cesso .

Art. 99 — Esgotado o prazo da notificação sem que a Seção


Jurídica haja recebido qualquer aviso do recolhimento, será ex-
pedido telegrama à repartição arrecadadora, afim de ser con-
ferida a falta de pagamento.

Parágrafo único — Se a resposta do telegrama confirmar a


falta de pagamento, a Seção Jurídica, depois de junto aos autos
o telegrama confirmatório, providenciará a extração, pela Se-
ção de Comunicações, da competente certidão do acórdão.

Art. 100 — Terminado o prazo fixado na guia de recolhi-


mento, a repartição arrecadadora devolverá a 3.^ via à Seção
Jurídicacom a anotação de que o pagamento não foi feito.

Art. 101 — Se o notificado comparecer à repartição arreca-


dadora para realizar o pagamento depois de findo o prazo fixado
na guia, a repartição recusará o recebimento.

§ 1.** — Esgotado o prazo a que se refere êste artigo, o no-


tificadosomente poderá efetuar o recolhimento na Sede do
I.A.A., mediante nova guia expedida pela Seção Jurídica.

§ 2.° — O
recolhimento a que alude o parágrafo anterior
não poderá ser feito, de modo algum, se a certidão da dívida já
houver sido remetida ao Procurador Regional ou Promotor Pú-
blico .

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 57


é58

SEÇÃO III

Do pagamento parcelado

Art . 102 —O infrator que se encontrar em precária situa-


ção financeira, poderá requerer o pagamento parcelado da quan-
tia da condenação.

Parágrafo único —
Na hipótese prevista neste artigo, o Pre-
sidente poderá autorizar o parcelamento da dívida, desde que :

a) o número de prestações não exceda a 3 ;

b) o prazo da liquidação total não seja superior a 2 anos ;

c) a primeira prestação seja paga dentro de 15 dias que se


seguirem à concessão do favor a que alude êste artigo.

Art. 103 — Na hipótese prevista no artigo anterior, o infra-


tor deverá requerer o favor nêle previsto ao Presidente do
I.A.A., dentro do prazo de 10 dias, a contar da data da notifi-
cação a que se refere o art. 94, provando, desde logo, a preca-
riedade da sua situação financeira e indicando a forma pela
qual se propõe realizar o pagamento.

Parágrafo único —A prova a que alude êste artigo poderá


ser feita :

a) pela exibição do último balanço da firmá, se o infrator


dispuser de escrituração regular ;

b) por meio de atestado dos Coletores Federais, ou esta-


duais, ou do Prefeito do município ;

c) por meio de informação do autuante.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 58


659

Art. 104 — A petição a que alude o artigo anterior será


apresentada, juntamente com a guia de recolhimento, à repar-
tição arrecadadora nela indicada.

§ 1.° — A repartição arrecadadora anotará, na petição, a data


de sua apresentção e encaminha-la-á, com ou sem informação,
à Seção Jurídica, juntamente com a 3.^ via da guia de recolhi-
mento .

§ 2.° — A Seção Jurídica,


recebendo a petição, procederá à
respectiva juntada, com os documentos que a acompanharem, ao
processo fiscal respectivo e emitirá o seu parecer, encaminhan-
do o processo ao Presidente.

Art. 105 — Se o favor fôr concedido, a Seção Jurídica pro-


cederá à expedição de nova guia de recolhimento correspon-
dente ao pagamento da 1.^ prestação.

Parágrafo único — As guias correspondentes à 2.^ e 3.^ pres-

tações serão extraídas pela Seção Jurídica 30 dias antes dos res-
pectivos vencimentos. •

Art. 106 —
Denegado o favor pleiteado, a- Seção Jurídica
procederá a nova notificação ao infrator, acompanhada da com-
petente guia.

Art. 107 — Do despacho que conceder ou denegar o favor a


que se refere o art. 102 não cabe recurso algum.

SEÇÃO IV

Da cobrança judicial

Art. 108 —
Recebendo a certidão do acórdão que valerá
como certidão de dívida, a Seção Jurídica a remeterá ao Pro-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 59


66Ú

curador Regional ou Promotor Público da Comarca do domicí-


lio do réu, para o efeito da respectiva cobrança judicial.

Parágrafo único —
Juntamente com a certidão da dívida, a
Seção Jurídica enviará todos os esclarecimentos de que dispu-
ser afim de facilitar a defesa do direito do Instituto, por parte
do Procurador Regional ou do Promotor.

CAPÍTULO m,

Da cota-parte dos fiscais

Art. 109 — De tôdas as multas impostas pelas Turmas de


Julgamento ou pela Comissão Executiva, caberá aos autuantes
uma cota-parte correspondente a 50% da multa.

Parágrafo único — Quando a sanção consistir em duplica-


ção ou triplicação das taxas devidas, considera-se multa, para
os efeitos dêste artigo, tudo quanto exceder o valor normal da
taxa devida.

Art. 110 — No caso de apreensão de açúcar ou de conde-


nação do autuado ao pagamento de indenização, nos têrmos dos
arts. 60 e 61 do Decreto-lei 1.831, caberá aos autuantes uma gra-
tificação de 10% sôbre o valor do produto apreendido ou da in-
denização fixada.

Art. 111 — A cota-parte ou gratificação a que aludem os


artigos 109 e 110, serão pagas aos fiscais, através de guia de pa-
gamento expedida pela Seção Jurídica, depois de recolhida a
importância da condenação aos cofres do I.A.A.

Parágrafo único —
Quando o pagamento da quantia da con-
denação fôr feito parceladamente, a cota-parte da gratificação
também será paga parceladamente e proporcionalmente às
quantias efetivamente recolhidas.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 60


;

661

CAPITULO IV

Da escrituração dos débitos fiscais

Art. 112 — Passado


em julgado o acórdão condenatório, a
Seção Jurídica expedirá nota de lançamento à Contabilidade,
afim de que esta proceda aos registros e lançamentos corres-
pondentes.

Parágrafo único —
A nota a que se refere êste artigo obe-
decerá a modêlo organizado de comum acôrdo pela Contabili-
dade e Seção Jurídic^, devidamente aprovado pelo Presidente.

Art. 113 — A nota a que se refere o artigo anterior deverá


conter :
'

a) o número do auto

b) o nome e qualificação do autuado ;

c) os nomes dos autuantes ;

d) a natureza da infração ;

e) o objeto da condenação e respectivo valor ;

f) a indicação do Fundo que deverá ser creditado (arts. 152

e 154 do Estatuto) .

Art. 114 — Realizado o recolhimento do valor da condena-


ção, aSeção Jurídica comunicará o fato à Contabilidade fazendo
referência à nota correspondente.

Art. 115 — Ao Fundo que houver sido creditado pelo valor


total da condenação, serão debitadas :

PHASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 61


662

a) as despesas de arrecadação da quantia da condenação ;

b) a cota-parte ou gratificação dos autuantes ;

c) a comissão do Promotor.

Art. 116 — A Seção de Contabilidade manterá os livros au-


xiliares que se fizerem necessários para a discriminação, com
tô.da clareza, de todos os lançamentos a crédito ou a débito dos
fundos a que aludem os arts. 152 e 154 do Estatuto da Lavoura
Canavieira, de acordo com as notas de lançamento a que se re-
fere o art. 112 desta Resolução.

. § 1.° — A escrituração dêsses livros deverá ser feita de mo-


do a abranger todos os lançamentos concernentes a cada caso,
quer de cobrança administrativa, como judiciária, por forma a
permitir o levantamento de mapas mensais e anuais que con-
signem a discriminação do conjunto do movimento dessas co-
branças .

§ 2.° — Serão remetidas à Seção Jurídica cópias dos ma-


pas a que se refere o parágrafo anterior. ,

TITULO V

Das medidas preventivas

Art. 117 — Se, no decorrer do processo, fôr verificado, por


qualquer funcionário do Instituto ou pelo depositário, que a
mercadoria apreendida e sob sua guarda não poderá ser con-
servada em depósito até a decisão final, o responsável pela mer-
cadoria comunicará êsse fato ao I.A.A., que poderá autorizar
a venda ou o aproveitamento imediato da mesma.

§ 1.° — As comunicações, que serão feitas pelo funcionário


ou depositário, sob pena de responsabilidade, depois de autua-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 6Z


663

das pela Seção de Comunicações e informadas pela Seção de


Fiscalização, serão encaminhadas à Seção Jurídica, que opinará
e submeterá o processo à apreciação do Presidente.

§ 2.° — O processo a que alude êste artigo terá andamen-


to preferencial e não poderá demorar mais de 3 dias em cada
uma das Seções por onde tenha de transitar, sob pena de res-
ponsabilidade dos respectivos chefes.

Art. 118 — Se o Presidente autorizar a medida preventiva,


que promoverá a exe-
o processo será remetido à Seção Jurídica,
cução do despacho, lavrando os competentes têrmos nos autos,
ou juntando cópia da correspondência relativa ao assunto.

Parágrafo único — Na hipótese a que se refere o presen-


te artigo, e quando a medida preventiva consistir na venda
da mercadoria, a importância apurada será recolhida ao Banco
do Brasil, à ordem do I.A.A.

Art. 119 — Se o processo principal a que se referir a medi-


da preventiva estiver em fase de julgamento, a Seção Jurídica
dará conhecimento do despacho nela proferido ao Presidente da
Turma ou da Comissão Executiva, mediante ofício que será
junto aos autos por despacho do respectivo relator.

Art. 120 —
Os autos da medida preventiva ficarão na Se-
ção Jurídica, que promoverá a respectiva apensação do proces-
so principal logo que êste lhe seja entregue.

TÍTULO VI

Da correição

Art. 121 — Lavrado o auto de inf ração, o autuante é obri-


gado a comunicar o fato ao Instituto, dentro do prazo de 48
horas, por via telegráfica.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 63


664

Parágrafo único — Da comunicação do autuante serào ex-


traídas, pela Seção de Arquivo, no prazo de 3 dias, duas vias,
vima das quais será remetida à Seção Jurídica e outra à Seção
de Fiscalização.

Art. 122 — O
autuante é obrigado, sob pena de responsa-
bilidade, a remeter ao Instituto, dentro do prazo de 5 dias, a
contar da data da lavratura do auto, duas cópias, devidamente
autenticadas, do auto de infração, uma das quais será remetida
à Seção de Fiscalização e outra à Seção Jurídica.

Art. 123 — Se a Seção Jurídica verificar, em face da cópia


do auto, que o mesmo contém vício, irregularidade, ou inobser-
vância das normas processuais contidas nesta Resolução, ou na
legislação especial à economia e produção de açúcar, álcool e
aguardente, oficiará à Seção de Fiscalização, apontando as irre-
gularidades encontradas e indicando o modo de saná-las.

Parágrafo único —A Seção de Fiscalização, à vista da co-


municação da Seção Jurídica, tomará as providências necessá-
rias afim de serem corrigidas as falhas, porventura encontra-
das.

Art 124
. —
Compete à Seção Jurídica oficiar às repartições
em que se iniciarem os processos ou às Delegacias Regionais,
no sentido de promoverem o rápido andamento dos mesmos, de
modo que estejam prontos para julgamento no prazo máximo
de 120 dias.

TÍTULO VII

~
Disposições finais e transitórias

Art. 125 — Para a perfeita observância desta Resolução, fica


a Seção Jurídica autorizada a entrar em
entendimentos com os
órgãos competentes do Ministério da Fazenda, afim de que, pelo

3BASIL AÇUCAREIRO PEZEMBRO, 1944 — Pág. 64


.

665

referido Ministério, sejam baixados os atos e expedidas as ins-


truções que se fizerem necessárias, nos têrmos do art. 131 do
Estatuto da Lavoura Canavieira.

Art. 126 — Tôda a correspondência relacionada com os


processos a que se refere esta Resolução, será encaminhada à
Seção Jurídica em original, ficando a cópia na Seção de Co-
municações .

Art. 127 —
Sôbre as quantias efetivamente arrecadadas, e
que por seu intermédio forem recebidas, por via administrati-
va ou judicial, os procuradores perceberão a comissão de 6%,
fixada para os Procuradores da União, pelo art. 4.° do Decreto
n.o 23.053, de 8 de agosto de 1933

Parágrafo único —
A comissão a que se refere êste artigo,
será rateada anualmente entre todos os procuradores em efetivo
exercício na Seção Jurídica, proporcionalmente aos respectivos
vencimentos.

Art. 128 — Aprovada a presente Resolução, a Seção Jurí-


dica organizará, no intersêsse da uniformidade processual, os
modelos dos autos de infração, apreensão e depósito, bem como
dos têrmos e atos essenciais dos processos, afim de serem reme-
tidos a todos os fiscais e repartições arrecadadoras e às Delega-
cias Regionais.

Art. 129 — Os processos originados de autos de infração la-

vrados até a data desta Resolução, serão remetidos à Seção Ju-


rídica, dentro do prazo de 5 dias, que promoverá diretamente
cu através das Procuradorias Regionais, as providências neces-
sárias à respectiva instrução.

Parágrafo único —A presente Resolução aplicar-se-á aos


processo em curso, mas os atos já praticados nos mesmos, com

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 65


. .

666

fundamento no Regulamento do Imposto de Consumo ou na


Resolução 15/40, são válidos e não serão renovados.

Art. 130 —O
texto desta Resolução será transmitido pela
Seção Jurídica a tôdas as repartições às quais o conhecimento da
mesma possa interessar

Art. 131 —
Aprovada a presente Resolução e organizados
os modelos a que a mesma se refere, a Seção Jurídica promo-
verá a organização de um folheto, afim de facilitar o conheci-
mento desta a todos os interessados.

Art. 132 — A presente Resolução entrará em vigor na data


de sua publicação no "Diário Oficial" da União, revogadas as
disposições em contrário.

Sala das Sessões da Comissão Executiva, aos vinte e seis


dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e quarenta e
quatro

Barbosa Lima Sobrinho — Presidente.

RESOLUÇÃO — N.o 98/44 — De 13 de novembro de 1944


ASSUNTO — Regulamenta o capítulo II do Título II (arts. 28
a 30) do Estatuto da Lavoura Canavieira e dá
outras providências

AComissão Executiva do Instituto do Açúcar e do Álcool,


usando das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 124, n.°
IV e art. 167 do Estatuto da Lavoura Canavieira (Decreto-lei
n.° 3.855, de 21 de novembro de 1941) resolve , :

3RASIL AÇUCAREIRO PEZEMBRO; 1944 — Pág. 66


,
667

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1.° — O Instituto, a requerimento dos usineiros ou for-


necedores, intervirá, provisoriamente, na usina ou distilaria que,
sem motivo devidamente comprovado, ou em conse-
justificado,
quência de falência, insolvência ou execução judicial, paralisar
a respectiva atividade industrial por mais de 8 dias.

Art. 2.° — A intervenção do Instituto, nos têrmos do artigo


anterior, far-se-á mediante a nomeação de um preposto que
exercerá a administração da fábrica a título provisório -e sem
prejuízo das funções do síndico ou liquidatário.

Parágrafo único — Essa


interven^o terminará com a ces-
sação do fato que a haja determinado ou, no caso de processo
judicial, com o definitivo encerramento dêste.

Art. 3.° — As despesas resultantes da intervenção correrão


por conta da usina ou distilaria.

DO PROCESSO

Art. 4.° —A verificação dos fatos que autorizam a inter-


venção em usinas ou distilarias será feita em processo regular
de acordo com o disposto nesta Resolução.

Art. 5,'' —A intervenção em usinas ou distilarias poderá


ser requerida :

a) por qualquer dos fornecedores vinculados à usina ou


distilaria de que se tratar ;

b) pelos proprietários ou responsáveis pela direção da usi-


na ou distilaria.

Art. 6.° — O pedido de intervenção será formulado em pe-

j^RASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 67


;

668

tição fundamentada, dirigida ao Presidente do I.A.A., e con-


terá :

a) o nome e qualificação do requerente e sua qualidade para


requerer a medida ;

b) o nome da uisina e indicação do respectivo responsável

. c) as razões do pedido.

Parágrafo único — O requerimento será instruído com a pro-


va do alegado ou com a indicação das provas de que o requeren-
te se pretende valer.

Art. 7.° — A petição, uma vez apresentada, será encami-


nhada, dentro de vinte e quatro horas, e independentemente de


qualquer despacho, ao Procurador Regional.

§ 1.° — O Procurador Regional, de posse do pedido, comu-


nicará, dentro de vinte e quatro horas, o seu recebimento ao
Procurador Geral.

§ 2.° — No caso de ausência do Procurador Regional, a De-


legacia Regional comunicará ao Procurador Geral, dentro do
mesmo prazo, o recebimento do pedido para o efeito do disposto
no § 3.0

§ 3.0 — Na hipótese de ausência do Procurador Regional, o


Procurador Geral designará Procurador que funcione no pro-
cesso .

Art. 8.° — Recebendo a petição, o Procurador mandará au-


tuá-la e, no prazo de vinte e quatro horas, proferirá despacho,

determinando a intimação do responsável pela usina ou disti-


laria de que se tratar, transmitindo-lhe o inteiro teor da petição
com indicação dos documentos que porventura a acompanhem e

BRASIL AÇUCAREIRO PE^EMBRO, 1944 ^ Fág. Ç9


66á

concedendo-lhe o prazo de 3 dias para alegar o que lhe parecer,


em defesa dos seus interêsses.

Parágrafo único —
A intimação de que trata êste artigo
será feita por telegrama, com cópia autenticada pela Reparti-
ção expedidora, ou mediante notificação pessoal e o respectivo
prazo contar-se-á da data da entrega do telegrama ou notifi-
cação.

Art .
9.° — Se a intervenção f ôr requerida pelo próprio
proprietário ou responsável pela direção da usina ou distilaria,
o Procurador limitar-se-á a uma sumária investigação sobre as
causas do pedido, observando os dispositivos desta Resolução
no que forem aplicáveis.

Art. 10 — Findo o prazo de que cogita o art. 8.°, o proces-


so, com ou sem defesa da usina ou distilaria, será concluso ao
Procurador que, no prazo de 24 horas, proferirá despacho, no
qual apreciará^ as preliminares porventura argiiídas, determi-
nará as diligências que lhe parecerem necessárias para escla-
recer as alegações das partes, resolverá sôbre as provas e deter-
minará a realização dos exames, vistorias e diligências que jul-
gar precisas, ainda que não requeridas pelas partes.

Parágrafo único — O
Procurador poderá indeferir as pro-
vas ou diligências que lhe parecerem desnecessárias.

Art. 11 — Se o Procurador entender que ao suplicante fal-


ta qualidade para requerer a intervenção, proferirá, no mesmo
prazo, despacho motivado, encaminhando o processo, dentro de
24 horas, à Seção Jurídica.

Parágrafo único —
Na hipótese prevista no parágrafo ante-
rior, a Seção Jurídica, dentro do prazo de 48 horas, emitirá pa-
recer, encaminhando o processo à Comissão Executiva.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 69


Ò7Ò

Art . 12 — Proferido o despacho a que alude o art . 10, pro-


ceder-se-á, imediatamente, às diligencias nêle determinadas, que
deverão estar terminadas e cumpridas dentro do prazo impror-
rogável de 5 dias.

Art. 13 — Findo o prazo do artigo anterior, os autos serão


conclusos ao Procurador, que emitirá parecer, no prazo de 48
horas.

§ 1.° —
Emitido o parecer, o processo será encaminhado,
dentro de 24 horas, à Seção Jurídica.

§ 2.'^ —A
Seção Jurídica opinará, no prazo de 3 dias, en-
viando o processo ao Presidente do I.A.A.

Art. 14 — Recebendo o processo, o Presidente, dentro de


24 horas, convocará uma reunião extraordinária da Comissão
Executiva e, no mesmo prazo, designará relator para o processo,
a quem os respectivos autos serão imediatamente conclusos.

§ 1.° — A reunião
da Comissão Executiva realizar-se-á, no
máximo, dentro de 3 dias, a contar da data da convocação.

§ 2° — Ao
convocar a reunião, o Presidente encaminhará,
a cada membro da Comissão Executiva, uma cópia dos parece-
res do Procurador instrutor e da Seção Jurídica.

Art, 15 —
Se a Comissão Executiva não concluir o julga-
mento em uma única sessão, será convocada outra para o dia
imediato, convocando-se outras sessões, se necessárias, até a con-
clusão do julgamento.

Art. 16 — Julgado o processo, suspender-se-á a sessão pelo


tempo necessário para a lavratura do acórdão.

§ 1.° — O acórdão será lavrado pelo relator originàriamen-


BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 70
671

te designado, ou, se êste houver sido vencido, pelo que fôr indi-
cado pelo Presidente.

§ 2.° — Lavrado o acórdão, será reaberta a sessão para a


respectiva discussão, aprovação e subscrição.

§ 3.° —AComissão Executiva remeterá cópia autenticada


do acórdão, dentro de 24 horas, à Seção Jurídica, que promoverá
a respectiva publicação, dentro do mesmo prazo.

Art. 17 — O processo, uma vez julgado, será encaminhado


ao Presidente, que, dentro de 24 horas, nomeará o preposto in-
terventor .

§ 1.° — O preposto-interventor deverá ser pessoa reconhe-


cidamente idónea, de livre escolha do Presidente, não podendo
recair a nomeação em membro da Comissão Executiva ou fun-
cionário do Instituto.

§ 2.° — O Presidente poderá,"ex-officio" ou a requerimen-


to do preposto, designar assistentes jurídico ou técnico que fun-
cionarão como assessores do preposto para os assuntos especia-
lizados.

Art. 18 — Da decisão proferida pela Comissão Executiva,


cabe pedido de reconsideração, para a própria Comissão, o qual
não terá efeito suspensivo.

Parágrafo único —
O pedido de reconsideração poderá ser
apresentado dentro do prazo de cinco dias, a contar da data da
publicação do acórdão, mas a Comissão Executiva não conhecerá
do mesmo, senão depois.de entregue ao I.A.A. a administra-
ção da usina ou distilaria.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 7l


.

672

DA EXECUÇÃO
Art. 19 — A
execução da intervenção será dirigida pelo
Procurador que fôr designado, no processo, pelo Presidente.

Art. 20 — O Procurador encarregado da execução da inter-


venção dirigir-se-á ao local onde a usina fôr estabelecida, e, ai
chegando, tomará as providências necessárias, afim de ser imi-
tido na posse da mesma o preposto interventor nomeado.

Art. 21 — Se a intervenção houver sido decretada por mo-


tivo de falência ou execução judicial, o Procurador se dirigirá,
por ofício, ao juiz do feito, transmitindo-lhe o inteiro teor da
decisão da Comissão Executiva e solicitando-lhe, nos têrmos do
parágrafo 2.*^ do art. 28 do Estatuto da Lavoura Canavieira,
a entrega ao Instituto da administração da usina ou distilaria.

Art. 22 —
Na hipótese em que a intervenção tenha sido de-
cretada em
consequência de paralização sem motivo justificado
ou em consequência de insolvência da usina ou distilaria, o Pro-
curador transmitirá ao responsável pela usina ou distilaria o
inteiro teor da decisão da Comissão Executiva, intimando-o a
entregar a respectiva administração dentro do prazo de 24
horas

Parágrafo único —
Findo o prazo, o Procurador compare-
cerá na sede da usina ou distilaria, afim de que o Instituto, por
intermédio do seu preposto-interventor, seja empossado na res-
pectiva administração.

Art. 23 — Se, findo o prazo a que se refere o -parágrafo úni-


co do artigo anterior, o responsável pela usina não atender à no-
tificação, o Procurador lavrará o competente têrmo de desobe-
diência, com fundamento no Código Penal ou no art. 31 do De-
creto-lei n.° 4.766, de 1 de outubro de 1942.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 72


.

67â

§ 1.^ — Na hipótese de resistência, por parte do responsá-


cumprimento da decisão da Co-
vel pela usina ou distilaria, ao
, missão Executiva, o Procurador, com fundamento no art. 168
do Estatuto da Lavoura Canavieira, solicitará à autoridade local
competente o auxílio da força necessária.

§ 2° — No caso de resistência, o Procurador tomará as pro-


vidências de emergência que se tornarem precisas, afim de pre-
venir qualquer dano no estabelecimento industrial e de evitar
qualquer perturbação da ordem, podendo, para êsse fim, dirigir-
se às autoridades policiais ou requerer às autoridades judiciais
quaisquer medidas preventivas ou assecuratórias

Art. 24 — O Procurador, depois de investido


o preposto in-
terventor na posse do estabelecimento, lavrará o competente têr-
mo nos autos.

DA ADMINISTRAÇÃO
Art. 25 — Logo que
tenha sido investido na administração
da usina pelo Procurador, o preposto-interventor mandará pro-
ceder a inventário de todos os bens constitutivos do estabeleci-
mento, no prazo de 8 dias, e promoverá o competente balanço
na escrita da usina, no prazo de 15 dias, se estiver em dia a
respectiva escrita.

§ 1.° —
Se a entrega do estabelecimento não houver sido
feita voluntàriamente pelo responsável pela usina ou distilaria
ou se êste se recusar a assinar o inventário e balanço realizados,
o Procurador encarregado da execução promoverá, em juízo,
uma vistoria ad perpetuam rei memoriam para o fim de inven-
tariar os bens e balancear a escrita.

§ 2.*^ —O preposto-interventor, além de continuar a escri-


ta da usina nos livros próprios, manterá uma escrita especial
para o período da intervenção, copiada dos livros oficiais e devi-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 73


674

damente autenticada pelo Instituto, através de seu Procurador,


pelo preposto-interventor e pelo responsável pela usina ou dis-
tilaria, ou pelo contador, com os competentes têrmos de aber-
tura e encerramento.

Art. 26 —
Imediatamente depois de investido na adminis-
tração da usina, ou distilaria, o preposto oficiará a tôdas as re-
partições públicas, estabelecimentos de crédito e demais pessoas
com quem a usina mantenha relações, comunicando-lhes a inter-
venção .

§ único — Os bancos e casas bancárias em que se encon-


trem valores pertencentes à usina, (depósitos, apólices ou outros
títulos) serão notificados de que não poderão fazer entrega dos
mesmos senão mediante ordem escrita do preposto-interventor,
sob pena de serem responsabilizados civil e criminalmente.

Art. 27 — O Instituto
poderá permitir que os responsáveis
pela usina ou distilaria designem fiscal seu para acompanhar a
regularidade da escrita da usina.

Art. 28 — A partir da data da intervenção será suspenso,


pelo preposto-interventor, o pagamento aos diretores ou respon-
sáveis pela usina de quaisquer proventos derivados das fun-
ções que na mesma exerçam.

Parágrafo único — Os diretores ou responsáveis que não te-


nham outros meios de subsistência poderão requerer ao Instituto
a fixação de uma
mensalidade com que possam prover a manu-
tenção própria e de sua família, a qual será paga com os recur-
sos da usina.

Art. 29 — 0 preposto-interventor disporá de poderes ge-


rais de administração, agindo de acordo com as instruções re-
cebidas do I.A.A., sendo-lhe terminantemente proibido :

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 74


;

675

a) — aliéhar ou gravar bens móveis ou imóveis da em-


prêsa ;

b) —
tomar dinheiro por empréstimo, ainda que para fi-

nanciar os trabalhos de fabricação.

§ 1.° — Na proibição a que alude a alínea a não se incluem


os atos de compra e venda dos produtos indispensáveis aos tra-
balhos da usina ou distilaria ou aos derivados de sua fabricação.

§ 2.° — O
financiamento de produção será feito pelo pro-
cesso corrente e dentro das garantias .estabelecidas nas últi-
mas safras.

Art. 30 — No exercício dos poderes de administração a que


se refere o artigo anterior, compete ao preposto-interventor :

a) — representar a usina durante o período da interven-


ção, ativa e passivamente, nos atos judiciais e extra-judiciais ;

b) — nomear e demitir gerente ou empregados de qual-


quer categoria, de acordo com as instruções do Instituto :

c) — superintender todos os serviços da emprêsa ;

d) — autorizar os pagamentos nos têrmos das instruções


recebidas do Instituto do Açúcar e do Álcool

e) — promover as medidas necessárias para imediato fun-


'.'ionamento da fábrica ;

f) — manter a disciplina e a ordem dentro do estabeleci-


mento ;

g) — opinar sobre quaisquer pretensões ou reclamações dos


proprietários ou responsáveis pela usina ou distilaria ;

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 75


.

é7é

h) — apresentar ao LA. A., mensalmente, um relatório de


sua gestão ;

i) —
denunciar ao I.A.A. quaisquer fraudes e irregula-
ridades, crimes ou contravenções praticados pela usina e de que
venha ter conhecimento no decorrer de sua gestão.

Art. 31 —A
nomeação do preposto-interventor será acom-
panhada de instruções aprovadas pela Comissão Executiva.

Art. 32 —A presente resolução entrará em vigor na data


de sua publicação, revogadas as disposições em contrário

Sala das Sessões da Comissão Executiva do Instituto do


Açúcar do Álcool, aos treze dias do mês de novembro do ano
e
de mil novecentos e quarenta e quatro.

Barbosa Lima Sobrinho — Presidente.

RESOLUÇÃO — N.« 99/44 — De 14 de novembro de 1944

ASSUNTO — Baixa normas complementares ao plano de de-


fesa da produção de álcool da safra 1944/45

A
Comissão Executiva do Instituto do Açúcar e do Álcool,
no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, resolve :

Art. 1.° — Nos Estados de Pernambuco e Alagoas, a taxa


a que alude o artigo 11, da Resolução 86/44, de 13 de julho de
1944, é fixada em Cr$ 0,70 por litro.

Art. 2P — O
recolhimento da taxa a que aludem os arti-
gos 10 e 11 da Resolução 86/44 só será obrigatória nos Estados

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 76


677

de Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e


São Paulo.

§ 1.° — Nos
demais Estados produtores de álcool os preços
do para o produtor, não excederão aos preços da mistura
álcool,
carburante nas respectivas zonas de consumo.

§ 2° — Aos produtores dos Estados a que se refere o pará-


grafo anterior, que tiverem feito uso da faculdade estabelecida
no mesmo parágrafo, não serão distribuídas bonificações sobre
o álcool, exceto quando se tratar de álcool anidro entregue ao
I.A.A.

Art. 3.° —
O álcool distribuído como carburante, direta-
mente pelo produtor, nas usinas do Norte, poderá ser bonifi-
cado, tôda vez que o preço obtido estiver aquém do preço ini-
cial estabelecido no artigo 7.° da Resolução 86/44, acrescido da
bonificação a que tiver direito, na forma da mesma Resolução,
segundo a proveniência e graduação do álcool. Essa bonifica-
ção terá por fim igualar o preço dêsse álcool, para o produtor,
ao preço por êste entregue ao I.A.A. ou à sua ordem.

§ 1.° — Na aplicação dêste dispositivo, será considerado o


preço do álcool nas bombas distribuidoras na zona em que se
encontrar a usina, deduzida da margem de Cr$ 0,20 destinada
à despesa de distribuição.

§ 2.° — Para o fim do disposto neste artigo, as Delegacias


Regionais fornecerão uma relação das usinas que distribuem di-
retamente o álcool, indicando o preço de venda na bomba, nas
zonas respectivas.

Art. 4.° — Se,


na distribuição do adiantamento de bonifica-
ções .estabelecido pelo inciso IV do artigo 19 da Resolução 86/44,
se verificar que uma determinada usina produziu álcool direto
em detrimento de sua produção açucareira, já tendo recebido

PRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO; 1944 — Pág. 77


678

adiantamento de boniifcação por êsse álcool, a Caixa do Álcool


será ressarcida do adiantamento indevido, pelos seguintes meios :

a) — Requisição pelo I.A.A. do álcool em estoque



e a produzir, durante o resto da safra, na usina ;

b) — Compensação do adiantamento pela importân-


cia a que a usina teria direito como bonifica-
ção ao álcool de mel residual.

Parágrafo único —
O cálculo para apuração da quantidade
de álcool produzida em detrimento da produção açucareira será

feito tomando-se a relação de 40 litros de álcool por saco não
fabricado da produção autorizada da usina.

Art. 5.° — Para que o álcool produzido nas usinas do Norte


possa ser vendido no Distrito Federal aos preços aqui em vigor,
fica o exportador desobrigado da taxa a que estaria sujeito êsse
álcool.

Art. 6.** —
Continua requisitada, para distribuição exclusi-
va pelo Instituto, a produção de álcool anidro ou hidratado das
usinas do Norte que possuem aparêlho de desidratação.

Parágrafo único —O na forma dêste ar-


álcool requisitado
tigo, será encaminhado pelo I.A.A. às emprêsas distribuidoras,
ofim de ser utilizado como carburante em misturas fixadas pelo
Instituto.

Art . 7.^ — A Delegacia Regional de Pernambuco promoverá


a aquisição de álcool de baixa graduação, aos preços fixados na
Resolução 86/44, para o efeito do disposto no art. 27 da mesma
Resolução.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 ^ Pág. 78


679

Art, 8.° — Ficam requisitados, para transformação em ál-


cool pela Distilaria Central da Bahia, 60% da produção de me-
laço das usinas daquele Estado, que não fabriquem álcool.

Art 9.°
.

O gerente da Distilaria Central da Bahia emitirá
quinzenalmente as ordens de entrega do melaço requisitado, to-
mando por base a produção de 30 litros de melaço por tonelada
de cana.

§ 1.° — No caso do não cumprimento dafs ordens à que se


refere êste artigo, o gerente da Distilaria comunicará o fato à
Procuradoria Regional para os efeitos legais.

§ 2.° —No caso de uma usina desviar, para produção de


aguardente, em fábrica própria ou de terceiros, qualquer por-
ção do melaço requisitado na forma dêste artigo, será requisita-
da a aguardente produzida com o melaço desviado, ao preço de
sessenta centavos (Cr$ 0,60) por litro

Art. 10 — O melaço requisitado seyá pago aos preços esta-


belecidos na tabela oficial do Instituto, tomando-se em consi-
deração os preços do álcool fixados na Resolução 86/44.

Parágrafo único —
No caso de melhoria do preço do ál-
cool decorrente de bonificações ou de venda direta como carbu-
rante, será reajustado o preço do melaço, sendo distribuídas pela
Distilaria as bonificações correspondentes.

Art„ 11 — As usinas com possibilidade de produzir álcool,


além de continuarem sujeitas ao que preceitua o artigo 28 da

6RASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 79


680

Resolução 86/44, ficam impedidas de negociar mel rico ou exaus-


to para produção de aguardente em outras fábricas.

Parágrafo único — Aplicar-se-á a seguinte sanção às usinas


que deixarem de observar o dispositivo dêste artigo Requisi-
:

ção, aos preços da tabela oficial do Instituto e considerados os


preços de álcool estabelecidos no artigo IP da Resolução 86/44,
de um volume de melaço correspondente ao dobro do que tiver
sido negociado ou da aguardente produzida, com o melaço des-
viado, ao preço de Cr$ 0,60 por litro.

. Sala das Sessões da Comissão Executiva do Instituto do


Açúcar e do Álcool, aos quatorze dias do mês de novembro do
ano de mil novecentos e quarenta e quatro.

Barbosa Lima Sobrinho — Presidente.

"Legislação Açucareira e Alcooieira"

CAnotada;)

Lícurgo Veloso

BRASIL AÇUCAREIRO PEZEMBRO, 1944 Pág. 80


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BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Fág. 81
682

COMISSÃO EXECUTIVA DO I A. A
Publicamos nesta seção resumos das atas
— Aprova-se o atmiento definitivo de 4.664
sacos para a Usina Carapebus, na forma da Re-
da Comissão Executiva do I.A.A. Na seção solução 74/43.
"Diversas Notas" damos habitualmente extra-
tos das atas da referida Comissão, contendo,
— Idêntico despacho no processo de interês-
se da Usina Ana Florência, que recebe um au-
às vêzes, na integra, pareceres e debates sobre mento de 5.664 sacos.
os principais assuntos discutidos
sões semanais.
em suas ses- — Idêntico despacho no processo de interês-
se da Usina José Luis, Minas Gerais, que recebe
um aumento de 540 sacos.
60.» SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA EM Incorporação provisória —
No processo de in-
13 DE OUTUBRO DE 1944 terêsse de Manuel dos Santos Silva, Sergipe Apro- .

va-se o parecer do procurador regional, favorá-


Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho, vel ao deferimento do pedido.
Álvaro Simões Lopes, Castro Azevedo, Antônio Inscrição de fábrica —
De acordo com o pa-
Corrêa Meyer, José Carlos Pereira Pinto, Luis recer da Seção Jurídica, manda-se inscrever o en-
Dias Rollemberg, Moacir Soares Pereira, Cassiano genho Paraná, de propriedade de Doroteu, Araujo
Pinheiro Maciel, Joaquim Alberto Brito Pinto e & Cia., Pernambuco.
João Soares Palmeira. — Manda-se inscrever o engenho de aguar-
Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho. dente de propriedade de João Pedroso da Silva
Rondon, Mato Grosso.
Liberação de aguardente —
Aprova-se uma
proposta do Sr. Presidente no sentido de ser libe-
rada a aguardente produzida pela Usina Santa
Clara, de São Paulo, na safra 43-44, mediante o 61 a SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA
pagamento da taxa respectiva. EM 18 DE OUTUBRO DE 1944
—Aprova-se o parecer emitido pelo Sr. ivioa-
cir Soares Pereira no processo de interêsse da Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho, Ál-
Usina Central Serro Azul, Pernambuco, e referen- varo Simões Lopes, Castro Azevedo, Otávio Mila-
te à produção de aguardente em vez de álcool na nez, Antônio Corrêa Meyer, J. Bezerra Filho, Gus-
referida fábrica. tavo Fernandes Lima, Luis Dias Rollemberg, Moa-
— Aprova-se o parecer da Seção de Estudos cir Soares Pereira, Aderbal Novais, Joaquim Al-
Económicos, no sentido de ser autorizada a Usina berto Brito Pinto e João Soares Palmeira.
Vargem Alegre, E. do Rio, a produzir aguardente Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho.
até o dia 31 de agosto.
Montagem de nova fábrica —
Aprova-se o pa- Plano de produção de álcool — Devolvendo o
recer da Seção de Comunicações a propósito de processo de que obtivera vista, o Sr. Corrêa Meyer
uma consulta do coletor federal de Limoeiro, concorda com a proposta do Sr. Moacir Soares Pe-
Alagoas, sôbre a montagem de uma fábrica de açú- reira relativa ao pagamento de bonificação sôbre
car ou rapadura naquele município. álcool da safra 43-44, pelo que a C E aprova
Venda de maquinismos —
Dá-se vista ao Sr. o plano geral de bonificações.
. .

João Soares Palmeira do processo de interêsse de Fabricação de aguardente —


De acordo com
Virgolino de Oliveira, São Paulo. o parecer da Seção de Estudos Económicos, au-
Fornecimento de cana —
Reclamação de Mal- toriza-se a Usina Monte Alegre, da Paraíba, a
vino Gomes Campista contra Manuel Gomes de fabricar álcool na safra 1944-45.
Araujo, E. do Rio. —
Aprova-se o parecer do Abastecimento —
O Sr. Presidente manda ler
Sr. Joaquim Alberto Brito Pinto para o fim de se um telegrama da Refinadora Paulista S.A., refe-
reconhecer o regime de parceria agrícola entre o rente ao fornecimento de 30 mil sacos de açúcar
reclamante e o reclamado, reconhecendo-se tam- para o abastecimento da cidade de São Paulo.
bém ao primeiro o direito de renovação do con- Estimativa da produção —
O Sr. Presidente
trato . manda ler uma exposição da Seção de Fiscaliza-
—Reclamação de Alexandre Batista Pereira ção, referente à situação da safra 1944-45.
contra a Usina Santo Amaro, E. do Rio —
Apro- Montagem de novas usinas —
Aprova-se a
va-se o parecer do relator que opina pela conde- proposta do Sr. Castro Azevedo, no sentido de se-
nação da Usina Santo Amaro ao pagamento da in- rem incluídos os nomes dos Srs. Nelson Coutinho
denização de Cr$ 11.596,68. e Chermont de Miranda entre os membros da
—Homologa-se o acórdo entre Manuel Ribei- comissão que deverá julgar a proposta apresen-
ro da Silva e Vicente Pereira Pessanha, E. do Rio. tada pela Cia. Açucareira Rio Doce para instala-
Produção de açúcar —
Aprova-se o parecer ção de uma usina no Vale do Rio Doce.
da Seção Jurídica no processo de interêsse da Usi- Aumento de limite —
De acórdo com o pa-
na Catende S. A., Pernambuco, concedendo-se a recer da Seção de Estudos Económicos, é inde-
esta um aumento de 9.775 sacos para os fornece- ferido um requerimento da Usina Pindoba, Ala-
dores .
goas.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 82


.

683

— Na forma da Resolução 74/43, concede-se — São também deferidos os processos de ir


um aumento de 860 sacos à Usina N. S. da Vitó- terêsse deMariano José Batista e'Amandio Bor-
ria, Bahia. ges Borba, e Maria Xavier de Andrade Vascon-
— Manda-se cancelar o aumento provisório de celos,de Pernambuco.
— E'
417 concedido à Usina Mendonça, Minas
sacos, deferido o processo de interêsse de João
Gerais, por não ter a mesma fornecedores. Ferreira Sobrinho.
Fornecimento de cana —Resolve-se homologar Redução de limite — Manda-se arquivar o re-
o acordo entre Rita Pereira do Rosário e João Iná- querimento de Francisco Martins Filho, Ceará.
cio do Amaral, E. do Rio.

Homologa-se o acôrdo. entre a Usina Brasi-
leiro S. A., de Alagoas, e o fornecedor Manuel
Correia Sampaio.
63.a SESSÃO ORDINÁRIA REALIZADA EM

Manda-se arquivar o processo de interesse 26 DE OUTUBRO DE 1944
de Amélio Valadares e Luis de Almeida Brasil.

Idêntico despacho no processo de interêsse Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho, Ál-
de José Nunes. varo Simões Lopes, Castro Azevedo, Otávio Mila-
Incorporação provisória —
Manda-se arqui- nez, J. Bezerra Filho, Gustavo Fernandes Lima,
var o processo de interêsse das Usinas Tinoco e Luis Dias Rollemberg, Moacir Soares Pereira,
Cucaú, Pernambuco. Cassiano Pinheiro Maciel, Joaquim Alberto Brito
Pinto e João Soares Palmeira.
Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho. ^

62.a SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA EM Expediente — Datado de 19 do corrente mes,


25 DE OUTUBRO DE 1944 recebeu o ^r. Presidente, do Gerente da Distilaria
Central Presidente Vargas, um telegrama, con-
Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho, Al- gratulando-se com S. S.* Dela passagem do quarto
varo Simões Lopes, Castro Azevedo, Otávio Mila- aniversário da inauguração dessa fábrica.
nez, J. Bezerra Filho, Gustavo Fernandes Lima, — Em ofício de 18-9-44, o Prefeito Munifinal
Luis Dias Rollemberg, Moacir Soares Pereira, de Cachoeira, no Estado de São Paulo, agradece
Cassiano Pinheiro Maciel, Joaquim Alberto Brito ao Instituto a atenção aue tem disnensado a to-
Pinto e João Soares Palmeira. da aquela zona do Estado, suprindo-a do açúcar
Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho. necessário ao consumo de sua pooulacão. As Pre-
feituras da referida zona são avisadas das remes-
Fabrico de aguardente —
Aprova-se uma pro- sas de açúcar pelo Instituto, e, assim, a distribui-
ção se vem fazendo normal e regularmente, a pon-
posta do Sr. Castro Azevedo, no sentido de se au-
torizar a Usina Vargem Alegre a produzir álcool to de não haver mais reclamações. Foi. portanto,
até o dia 30 de outubro. muito salutar o lançamento do nlano de abaste-
Aumento de limite —Nos têrmos da Reso- cimento em viffor. por intermédio da Seção Dis-
tribuidora do Instituto.
lução 74/43, são concedidos aumentos às usinas
Bom Jesus, de Alagoas, 173 sacos; Santo Amaro, Bonificação sôbre álcool — Depois de lido e
Estado do Rio, 3.809 sacos. discutido o parecer da Gerência sôbre o pagamen-
Venda de maquinaria —De acôrdo com o pa- to da bonificação sôbre álcool da safra 42-43 à
Usina Brasileiro, de Alagoas, resolve-se encami-
recer do Procurador Regional, é deferido o pedido
formulado na inicial do processo de interêsse de nhar o caso ao Sr. Moacir Soares Pereira.
Rezende & Cia. e Antônio Almeida, de Sergipe. Mistura álcool-srasolína — Tendo alguns
Inscrição de fábrica —Deferido o processo usineiros fluminenses proposto a fabricação de
de interêsse da viúva João Benini, São Paulo. álcool de 98° G. L., em vez de álcool de 96°,

São deferidos os processos de interêsse de para mistura com a gasolina, mediante uma boni-
Américo Teixeira de Rezende, Estado do Rio; Mi- ficação, o Sr. Presidente manda ouvir a Seção Téc-
guel Alcântara de Pádua, Minas Gerais; João nico-Industrial e, em face do parecer da mesma,
Bracks, Minas Gerais; Bernardo da Rocha Prado, declara aue a proposta não deve ser considerada,
Alagoas; Odílio Figueiredo, Ceará. o que é aprovado.
Fabricação simultânea —
E' indeferido o pro- Escola Profissional — Resolve-se dar vista ao
cesso de interêsse de Bernardo Anselmo Maga- Sr. Otávio Milanez do plano para construção da
lhães, Minas Gerais. Escola Profissional Presidente Vargas, anexa à
Modificação de espécie —
Deferido o processo distilaria central do Cabo, em Pernambuco.
de interêsse de Ulisses Nunes Coelho, Minas Ge- Minuta de Resolução — Com as emendas pro-
rais. postas pelo Sr. Castro Azevedo, aprova-se a m.i-

Idêntico despacho no processo de interes- nuta de Resolução estabelecendo normas para jul-
se de Miguel Archanjo Costa, Bahia. gamento de autos de infração.
Importação de material —
Deferido o pedido Produção de açúcar — Respondendo a uma
de Pessoa de Melo & Cia., Pernambuco. consulta da Seção de Fiscalização, resolve-se de-
Inscrição e transferência —
Deferido o proces- clarar livre a produção de açúcar nas usinas do
so de interêsse de Josp Francisco Ferreira, Minas Estado do Rio, na safra 1944-45.
Gerais
— E' — Resolve-se dar vista ao Sr. Bezerra Filho
deferido o processo de interêsse de João do Caso da Usina Santa Rosa, Estado do Rio.
Borges dos Santos, Pernambuco. Importação de maquinaria — Em resposta
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 83
.

684

a uma consulta da firma proprietária da Usina — Concede-se inscrição- para fabricar álcool
Paranaguá, Bahia, resolve-se encaminhar à mesma à Distilaria Cachoeira Ltda., R. G. do Sul.
o parecer emitido pela Seção de Estudos Econó-
— Manda-se inscrever como produtor de
micos aguardente e rapadura o engenho de Antônio
.

Montagem de novas usinas —


O Sr. Castro d'Avila Lins, Paraíba.

Azevedo procede à leitura do parecer elaborado Dá-se provimento ao recurso de Luisa Rosa
pela comissão encarregada de estudar a propos- de Moura, Piauí.
ta para montagem de uma usina e uma distilaria Averbações —
Anacleto Lourenço de Sousa,
no vale do Rio Doce, Minas Gerais. O parecer é Bahia, —
deferido; Manuel Paulino de Albuquer-
aprovado com uma emenda. que, Pernambuco, — autoriza-se a retificaçâo so-
licitada; José Albino Pimentel Filho, Pernambu-
co, — manda-se arquivar; Assis & Alves, Minas
Gerais, —
deferido; João de Almeida Cunha, Es-
64.* SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA EM tado do Rio — manda-se modificar a inscrição
8 DE NOVEMBRO DE 1944 de açúcar para rapadura; Alípio Amado, de São
Paulo, Minas Gerais, —
concede-se a modificação
Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho, Ál- do registro.
varo Simões Lopes, Castro Azevedo, Otávio Mila- Cancelamento de inscrição —
Augusto Calixto
nez, Antônio Corrêa Meyer, Gustavo Fernandes de Almeida, Minas Gerais —
manda-se arquivar o
processo cancelando-se a inscrição; Belchior Tei-
Lima, Luis Dias Rollemberg, Moacir Soares Pe-
reira, Aderbal Novais e Joaquim Alberto Brito
xeira de Almeida, Minas Gerais —
manda-se ar-
quivar o processo, cancelando-se a inscrição.
Pinto.
Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho. Aumento do limite —
Laura Lins de Araujo
Esteves, Pernambuco —
concede-se o aumento de
Produção de açúcar —
Relativamente à dis- 20 por cento.
tribuição definitiva do aumento de 10 por cento
na limitação geral das usinas do país, aprova-se
uma proposta do Sr. Presidente no sentido de ser 65.a SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA
o assunto encaminhado, preliminarmente, à Se-
ção Jurídica para iulpar da necessidade da revi-
EM 9 DE NOVEMBRO DE 1944
são proposta pelo Sr. Corrêa Meyer.
Estatuto da Lavoura Canavíeira —
Com a pa-
vio
Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho, Otá-
Milanez, Castro Azevedo, Antônio Corrêa
lavra, o Sr. Antônio Correia Meyer, procede à
Meyer, J. Bezerra Filho, Moacir Soares Pereira,
leitura de uma longa exoosição em torno do De-
Alvaro Simoes Lopes, Luis Dias Rollemberg, Gus-
creto-lei 6.969. A respeito, o Sr. Presidente e o
tavo Fernandes Lima, Joaquim Pinto e Ader-
Chefe da Seção Jurídica prestam esclarecimentos.
bal Novais.
—A C E aprova a sugestão do Sr. Presiden-
. .
Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho
te, fixando em 1.500.000 cruzeiros a contribuição
do I.A.A. para o combae às pragas dos canaviais
de Sergipe, bem como os têrmos do telegrama a
Expediente — O Sr. Presidente manda ler um
telegrama da Associação dos Fornecedores de Cana
ser endereçado ao interventor federal naquele Es- de Alagoas, referente aos acontecimentos que se
tado .
têm verificado na Usina Junqueira.
Processos julerados —
De Luis Gonzaga Mariz Delegacia Regional de São Paulo —
O Sr. Pre-
e Albuquerque, Pernambuco —
aprova-se o pa- sidente comunica que o Sr. Stélio de Lima Penan-
recer do Procurador Regional, que opina pela ra- te solicitou exoneração do cargo de Gerente da
tificação da substituição da maquinaria; de Osó- Delegacia Regional de São Paulo, bem assim do
rio Alves Tavares, Rio de Janeiro —
fixado em 100 quadro de fiscais do I.A.A. comunica ainda que
;

paços o limite do engpnho: da Viúva Carolina para dirigir a referida Delegacia nomeou o Sr.
Reato, São Paulo —
deferido. Antônio de Arêda Leão.
Inscrição de fábrica —
Autoriza-se o regis- Taxa de financiamento de cana A CE. to- —
tro das fábricas de rapadura das seguintes pessoas; ma conhecimento do memorial da Seção de
Prelazia de Labrea, Adolfo José Nogueira, Alfre- Assistência à Produção, apresentando o quadro
do de Barros Correia. Nelson Cansanção, Alfredo relativo à arrecadação da taxa de um cruzeiro
Soares de Oliveira, Aauilino Morretini, Antônio _por tonelada de cana no Estado do Rio e corres-
da Silva Machado, Acrísio José Pereira, Agenor pondente à safra 1943/44 e ao mesmo tempo apro-
André de Araujo, Afonso Alves Pereira, Agalio- va medidas sugeridas pela referida seção.
as
dório Frauches, Avelino Rodrigues Primo. José
Ribeiro de Asuiar, Antônio Roberto Neto, Sebas-
Aumento de limite —
Nos têrmos da Reso-
lução 74/43, a C. E. concede aumento de limite
tião Barroso Soares. Francisco Batista dos Santos, às seguintes fábricas: Usina Bititinga, Alagoas.
Aurélio Pereira Marques, Ângela Capitania da 899 sacos; Usina Coruripe, no mesmo Estado,
Silva, Alexandre Caetano Barbosa e Agripino 4.492 sacos; Usina Vitória do Paraguassú, Bahia,
Lourenco da Cunha. 1.100 sacos; Usina Terra Nova, Bahia, 4.718 sa-

E' também autorizado o registro da fábrica cos; Usina Malvina Dolabela, Minas Gerais, 1.143
de álcool de Joventino Alencar Filho, Minas Ge- sacos; Usina Rio Branco, Minas Gerais, 2.556 sacos;
rais, bem como o da fábrica de aguardente de Usina Monte Alegre, Minas Gerais, 24 sacos;
Moacir Fonseca Soares, Pernambuco. Usina Santa Cruz, Minas Gerais, 226 sacos; Usina

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 84


.

685

Volta Grande, Minas Gerais, 702 sacos; Usina do aprova-se o parecer da Gerência sugerindo as
Outeiro, E. do Rio, 5.264 sacos; Usina Mineiros, medidas a tomar no caso.
E. do Rio, 7.980 sacos; Usina Santa Cruz, E. do Inscrição de fábrica —Processo de Manuel
Rio, 4.790 sacos; Usina Tinguá, E. do Rio, '780 Wanderley Dias, Pernambuco —
autoriza-se o re-
sacos; Usina Cupim, E. do Rio, 6.085 sacos; Usina gistro
São Pedro, E. do Rio, 2.320 sacos; Usina Piraci-
.

Alteração de espécie de fabrico —


Processo de
caba, São Paulo, 3.538 sacos; Usina Santa Rosa, Arzelino Gomes Martins e outros. Minas Gerais
E. do Rio, 130 sacos; Usina São Carlos, Bahia, — autoriza-se a alteração.
2.019 sacos. Incorporação de quotas —
Processo de Cân-
Estatuto da Lavoura Canavieira —
Nos têr- dido e Angelo Murer, São Paulo —
concedida com
mos do art. 66 do Estatuto da Lavoura Canavieira, redução de um terço à Usina N. S. Aparecida.
resolve-se cancelar os aumentos provisórios de —
Engenho de José Raimundo Soares, Minas
1.104 e de 275 sacos, concedidos à Usina Ariadnó- Gerais —concedida a incorporação integral ao en-
polis, Minas Gerais, em vista de não ter a mesma genho São Sebastião, de Waldir Vilela Pedras.
fornecedores de cana nem pretender adquiri-los,
conforme declarou.
Tabelamento de cana ^
Usina São Pedro e 67.» SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA EM
São José, Santa Catarina —
indeferido o pedido 14 DE NOVEMBRO DE 1944
ae revisão do tabelamento de canas.
— Manda-se arquivar o processo de interês- Presentes os Srs. Barbosa Lima Sobrinho,
se do Sindicato dos Fornecedores de Cana de Ala- Otávio Milanez, Castro Azevedo, Moacir Soares
goas e da Usina Brasileiro. Pereira, J. Bezerra Filho, Antônio Corrêa Meyer,
Fornecimento de cana —
Resolve-se fixar em Alvaro Simões Lopes, Luis Dias Rollemberg, João
750.000 quilos de cana a quota do fornecedor Go- Soares Palmeira, Joaquim Alberto Brito Pinto,
dofredo Nascimento Tinoco junto à U^ina Quei- Gustavo Fernandes Lima e Aderbal Novais.
mado, E. do Rio. Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho.
— Aprova-se o voto do Sr. Castro Azevedo, , .
Plano de produção de álcool —
Aprova-se, em
concordando-se com as medidas propostas pelo
Procurador Regional de Alagoas no processo de redação final, a Resolução 99/44, dispondo sôbre
interêsse do fornecedor Joaquim Rodrigues Ca- a produção de álcool nos Estados do Norte.
lheiros e da Usina João de Deus. Estatuto da Lavoura Canavieira Aprova-se —
— Transforma-se em diligência o julgamento a minuta de resolução apresentada pela Secção
Jurídica, regulamentando o capítulo II do Título
do processo de interêsse de Joaquim Rafael Caval-
II do Estatuto da Lavoura Canavieira.
canti de Albuquerque e José Pereira da Silva,
Pernambuco

66.^ SESSÃO ORDINÁRIA, REALIZADA EM E. G. Fontes &. Co.


13 DE NOVEMBRO DE 1944

Barbosa Lima Sobrinho,


Exportadores de Café, Açúcar,
Presentes os Srs.
Antônio Corrêa Meyer, Castro Azevedo, Otávio Manganês
Milanez, J. Bezerra Filho, Moacir Soares Pereira,
Álvaro Simões Lopes, Luis Dias Rollemberg, João e outros produtos nacionais
Soares Palmeira, Joaquim Alberto Brito Pinto,
Gustavo Fernandes Lima e Aderbal Novais.
Presidência do Sr. Barbosa Lima Sobrinho. Importadores de tecidos e merca-
Estocagem de álcool —
Com referência a uma dorias em geral
consulta do Departamento Nacional de Portos e
Navegação sôbre a possibilidade d^ ampliação
das instalações do I.A.A. no Recife aprova-se o
parecer a respeito emitido pela Seção Técnico- Av. Nilo Peçanha, 12 • 9; andar
Industrial.
Financiamento —
Dá-se vista ao Sr. José Be-
, 22- 5535
zerra Filho do processo referente ao pedido de
bonificação sôbre álcool da safra de 1943, formu-
lado pela Usina Brasileira, Alagoas.
TELEFONES: g Jg^^
Distilaria em Aracaju — Aprovando-se uma '
42- 3302
proposta do Sr. Presidente, dá-se vista ao Sr. Dias
Rollemberg do processo referente à construção de
uma distilaria na capital sergipana. CAIXA POSTAL 3
Quota do Distrito Federal —
Tendo a Coope-
Telegramas APONTES - RIO
rativa dos Usineiros de Sergipe comunicado que
não poderá entregar os restantes 18.256 sacos de
açúcar de sua quota destinada ao Distrito Federal,
RIO DE JANEIRO
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág, 85
: :

6S6

ATOS DO PRESIDENTE DO I. A. A.
O Sr. Barbosa Lima Sobrinho, Presidente do 4.353/41 — Paulino Teixeira Cavalcanti —
Instituto do Açúcar e do Álcool, despachou os se- Maria Pereira — Aumento de quota — Arquive-
guintes processos: se, em 13-11-1944.
3.414/41 — Antônio Batista de Sousa — Vva.
ESTADO DE ALAGOAS São Gonçalo — Aumento de quota — Arquive-se
em 26-10-44.
_
Aurélio Uchôa Lins
331/41 S. Luis do — 6.945/40 — Calixto João dos Santos — Aqui-
Quitunde —
Transferência de Edson Augusto
1) raz — Aumento de limite de rapadura. Anexo
15.554/44 — Deferido, em 25-10-44.
:

dos Santos e incorporação de quota à Usina


"Campo Verde". 2) Desistência da incorporação 19.045/44 — Jerônimo Alves da Silva — Ibia-
— Deferido, em 13-11-44. pina — Remoção do engenho de rapadura para o
13.557/44 —
Sindicato da Indústria do Açú- Sitio "Jurema", no mesmo Município — Deferido,
car no Estado de Alagoas — Maceió — Arquiva- em 25-10-44.
mento de atos constitutivos — Arquive-se, em 6.968/40 — Miguel Eleutério da Silva —
3-11-44. Aquiraz — Transferência de Severiano Marques de
996/41 — João Saraiva Cavalcante — Capela Lima e aumento de quota de rapadura. Anexo:
— Aumento de limite — Arquive-se, em 25-10-44 15.988/44. — Deferido, em 25-10-44.
14.808/44 — Luis Montenegro de Melo — 1.165/42 — Joaquim Nuvens —
Conceição do Paraíba — (ex-Capela) — Funciona- le — Aumento de limite de rapadura —Santanópo-
Arquive-
mento irregular do engenho. Anexos: 301/41 — se, em 18-10-44.
18.360/44 — Deferido, em 25-10-44. L.R. 127/40 — Joaquim Vieira — Iguatú —
L.R. 1.019/40 — Napoleão Viana de Oliveira Limitação de engenho rapadureiro — Arquive-se,
— Maceió — Limitação de engenho rapadureiro. em 18-10-44.
Anexo: 2.350/41 — Deferido, em 26-10-44. 10.655/44 — José Gonçalves de Lucena —
1.668/39 — Sinfrônio Sarmento — União — Missão Velha — Substituição de maquinaria —
Pede isenção da taxa de $300, uma vez que não Deferido, em 18-10-44.
fabrica açúcar — Arquive-se, em 18-10-44. 1.188/40 — José Oliveira Neves — Pedra
Branca — Limitação de engenho rapadureiro —
ESTADO DA BAHI^ Arquive-se, em 18-10-44.
5.003-A/40 — José de Oliveira Vasconcelos —
36.706/44 — F. Moniz Júnior
Cachoeira — — Ubajára — Aumento de quota de rapadura —
Solicita lhe seja fornecidopor certidão o teòr de Arquive-se, em 18-10-44.

algumas peças constantes do processo n.° 813/41. 3.419/41 — José de Paiva Filho — (Herds.)
Anexo: 813/41 —
D.R. n.° 2/43 — —
n." 923/38 — São Gonçalo — Aumento de quota — Arquive-
n.° 469/42 — D.R. n." 297/42 — Deferido, em se, em 18-10-44.
3.401/41 — José Paulino de Albuquerque —
'

26-10-44.
4.660/43 — Antonio J. Oliveira — Itabuna — S. Gonçalo — Aumento de quota — Arquive-se, em
Solicita autorização transferir sua fábrica aguar- 18-10-44.
dente para a Fazenda Itaberaba no Município de 932/41 — José Perdigão Sampaio — Baturité
Canavieiras, no mesmo Estado. Deferido, em — — Aumento de quota de rapadura — Anexo: —
25-10-44. 442/40 — Arquive-se, em 18-10-44.
35.168/44 —
José Vanderlei de Araujo Pi- 3.138/42 — José Ribeiro de Oliveira e outros
nho — Santo Amaro —
Pede vista do processo — Assaré — Pagamento de taxa sôbre a produção
4.600/43 —
Arquive-se, em 25-10-44. efetiva de cada engenho — Arquive-se, em
2.352/39 —
Leodegario Matias de Aguiar — 18-10-44.
Livramento —
Transferência de Mariano Caíres 5.393/40 — Juvenal Correia Lima — Aquiraz
Pinheiro (Herds.) —
Deferido, em 18-10-44. — Aumento de quota de rapadura — Arquive-se,
3.169/39 —
Paulo de Sousa Barbosa Je- — em 18-10-44.
quiriçá —
Transferência de engenho de Juvencio L.R. 1.1 58/40 — Manuel Evangelista de Oli-
Cardoso e remoção para Mutuipe —
Deferido, em veira — Maria Pereira — Limitação de engenho
18-10-44. rapadureiro — Arquive-se, em 18-10-44.
3.411/41 — Manuel Ferreira de Góis — S.
ESTADO DO CEARA' Gonçalo — Aumento de quota — Arquive-se, em
81-10-44.
— Pedro da Costa Calixto — Tian-
5.025/40 7.219/40 — Manuel Ferreira Manço — Tian-
— Aumento de quota de rapadura — Deferido, guá — Aumento de limite de rapadura — Arqui-
^

guá
em 14-11-44. ve-se, em 18-10-44.
4.658/40 — Pedro Malheiro Tavares — Mila- 5.165/41 — Manuel Francelino de Oliveira —
gres — Aumento de quota de rapadura — Arquí- Quixadá — Aumento de limite de rapadura —
ve-se, em 14-11-44. Arquive-se, em 18-10-44.
4.708/40 — Antônio Alexandre Gonçalves — 4.316/41 — Antonio Tango — São Gonçalo —
Baixio — Aumento de quota de rapadura — Defe- Aumento de quota — Arquive-se, em 18-10-44.
rido, em 13-11-44. 5.172/42 — Damião Leocádio Jorge de Sou-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 86


.

687

sa — — Solicita isenção da taxa no


São Benedito 3.397/41 — Sabino Alves Braúna — S. Gon-
corrente ano. — Arquive-se, 18-10-44. çalo — Aumento de quota — Arquive-se, em
712/41 — Domingos Barroso Braga — Itapi- 18-10-44.
poca — Aumento de quota de rapadura — Arqui- 3.415/41 — Sebastião Felix Damasceno — São
ve-se- em 18-10-44. Gonçalo — — Arquive-se, em
Aumento de quota
1.883/43 — Esaú Correia de Lima e Fran- 18-10-44.
cisco de Oliveira da SUva — Cascavel — Trans- 6 962/40 — Teotónio Bento de Freitas — Aqui-
ferência de engenho de rapadura e remoção — raz — Aumento de limite de rapadura — Arqui-
.

Deferido, em 18-10-44 ve-se, em 18-10-44.


2.194/42 — Francisco de Assis Pita (Padre) e 175/42 — Teotónio Gonçalves Ferreira — Au-
José Hotem de Sousa Filho — Santanópolis — rora — Aumento de limite de rapadura — Arqui-
Transferência de engenho e de maquinaria — Ar- ve-se, em 18-10-44.
quive-se, em 18-10-44.
6.975/40 — Francisco Alberto de Castro — ESTADO DO ESPIRITO SANTO :

Guarani — Transferência de Miguel Fenelon Câ-


mara e aumento de quota rapadura — Deferido, 217/41 —
Felipe José —
Coletina '— Devolu-
em 18-10-44. ção contrato anexado ao proc. n.° 3.240/40 e for-
7.428/40 — Gonçalo de Lima e Francisco Lis- necimento documento comprobatório da transfe-
boa Lima — Ipú — Transferência de engenho e au- rência do seu engenho para Ady Monteiro de Bar-
mento de limite. — Deferido, em 18-10-44. ros — Proc. Anexos: 57/41 3.240/40— Defe- —
3.413/41 — Pereira Balbino —
Iní.cio S. Gon- rido, em 13-11-44.
çalo — Aumento de quota — Arquive-se, em 23.070/44 — Jamil Cade & Primo — Alegre
18-10-44. — Permissão para comerciar com álcool-motor —
L. R. 1.310/40 — Isabel Francisca Aguiar — Restitua-se, em 13-11-44.
Ubajára — Limitação de engenho rapadureiro — 318/43 — Augusto Vandermurem — Cach.
Arquive-se, em 18-10-44. de Itapemirim — Inscrição de engenho de rapa-
L.R. 1.373/40 — Januário José Ribeiro — dura — Delerido, em 3-11-44.
Campo Grande — Limitação de engenho rapadu-
reiro — Arquive-se, em 18-10-44. ESTADO DE GOIÁS :

3.385/41 — João Felix Teixeira — S. Gonçalo


— Aumento de quota — Arquive-se, em 18-10-44.

792/35 —
Antônio Pedro de Castilho Mor- —
2.191/42 — João Quesado & Filho e Joaquim rinhos —
Montagem de engenho —
fabrico de açú-
Garcia de Sá Barreto — Barbalha — Transferên- car, rapadura e aguardente. Anexos: nos. 2351/39
cia de engenho de rapadura — Aprovado, em — 2.986/38 —
Arquive-se, em 14-11-44.
18-10-44. 2.228/35 —
António Alifaz Pereira Morri- —
3.383/41 — Joaquim Ferreira Pinto de Carva- nhos —
Registro de Engenho —
Deferido, em
lho (Herds») — Gonçalo — Aumento dé quota
S. 25-10-44.
— Arquive-se, em 18-10-44. 2.318/40 —
Ciro Santana Ramos Anápolis —
3.378/41 — Joaquim José de Alcantara — S. — Inscrição de engenho de açúcar Permuta de —
Gonçalo — Aumento de quota. — Arquive-se, em espécie de fabricação com José Aleixo Chaveiro.
18-10-44. Anexo: 2.359/39 —
Deferido, em 25-10-44.
186/42 — Manuel Ribeiro Leitão — Quixe- 2.942/39 —
Helena Tosta de Oliveira Goia- —
ramoLim — Aumento de limite de rapadura — tuba —
Inscrição de engenho —
Deferido, em
Arquive-se em 18-10-44. 25-10-44.
1 177/42 — Manuel Roque de Oliveira — San- 3.865/39 — Honório Soares de Farias — For-
tanópolis — Aumento de limite de rapadura —
.

mosa — Inscrição de engenho rapadureiro — De-


Arquive-se, em 18-10-44. ferido, em 25-10-44.
941/41 — Manuel dos Santos Caula — Pacotí 526/38 — Hillydio Moreira da Costa — Corum-
— Transferência de engenho de Luiz Bandeira de baíba — Transferência do seu engenho para Jor-
Queiroz e aumento de quota de rapadura — De- ge Pereira Guimarães. Anexo: 2.416/36 — Defe-
ferido, em 18-10-44. rido, em 25-10-44.
7.404/40 — Miguel Marcelino Peroba e Ho- 2.780/39 — Jerónimo Gonçalves Ribeiro —
rácio Bessa Sobrinho (Herds.) — Cascavel — Morrinhos — Inscrição de engenho — Deferido,
— Transferência de engenho e aumento de limite. em 25-10-44.
— Deferido, em 18-10-44. 946/36 — João Gomes Filgueira Sobrinho —
155/42 — Raimundo Leandro Bezerra — La- Goiatuba — Inscrição de engenho — Deferido, em
vras — Aumento de limite de rapadura — Anexo: 25-10-44.
L.R. 1390/40 — Arquive-se, em 18-10-44. 2.893/43 — João Pinheiro de Sá — Anicuns
7.438/40 — Raimundo Lopes de Queiroz —
.

— Inscrição de engenho de rapadura — Deferido,


Aquiraz — Aimiento de limite de rapadura — Ar- em 25-10-44.
quive-se, em 18-10-44. 13.491/44 — Joaquim Araujo dos Santos —
638/41 — Raimundo Moreira de Andrade — Formosa — Remoção do engenho da Fazenda
Maranguapé — Aumento de quota de rapadura — "Barreiros", Município Planaltina, para a fazenda
Arquive-se, em 18-10-44. acima citada — Deferido, em 25-10-44.
4.997/41 — Rosalina de Carvalho Soares — 3 563/40 — António Antunes da Silva — Goia-
Ubajara — Aumento de limite de rapadura —
.

tuba — Inscrição de engenho — Deferido, em


Arquive-se, em 18-10-44. 18-10-44.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Pág. 87


688

2 947/39 —
Augusto Ferreira Barbosa — Pon- gola — Memorial ao Sr, Presidente da República,
— —
.

talina Inscrição de engenho Deferido, em sôbre deslacramento do engenho de cana. Anexo:


18.10-44.
— Dionisio Martins de Godói — For- 675/39 —
Arquive-se, em 13-11-44.
— —
>

2.550/42 5.030/42 José Santiago Carneiro Pedra


mosa — Inscrição de engenho de rapadura — De- Branca —Solução do processo de incorporação à
ferido, em 18-10-44. Usina Pedrão — Arquive-se, em 13-11-1944.

2.583/39 — Francisco Augusto Lobo — Pla- 1.901/44— Edmundo Mendes —
Veríssimo
naltina — Transferência de engenho de Joaquim Reclama contra a apuração de graduação de aguar-
Rodrigues Filho — Deferido, em 18-10-44. dente requisitada. —
Despachado, em 25-11-44.
2.822/39 — Francisco Júlio Peixoto — Morri- 1.141/43 —
Henrique Cenack —
Dom Silvé-
nhos — Inscrição de engenho — Arquive-se, em rio — Permissão para fabricar rapadura em seu
18-10-44. engenho de açúcar —
Indeferido, em 3-11-44.
2.709/40 — Francisco Mamonico Ferreira — 1 151/41 —
João Teixeira de Sousa Caran- —
Goiás — Inscrição de engenho rapadureiro — —.

gola Transferência do engenho de Antônio


Deferido, em 18-10-44. Francisco Vieira —
Anexo: 3.380/39 Deferido, —
3.255/39 — João Gomes Filgueira Sobrinho em 3-11-44.
— Goiatuba — Inscrição de engenho — Aprova- 6.685/40 —
Justino José de Carvalho Pon- —
do, em 18-10-44. te Nova —
Incorporação de quota ao engenho
"Bálsamo", de Amador Ubaldo Ribeiro e José
ESTADO DO MARANEIÃO : Ubaldo Pereira. Anexos: 3.704/43 —
6.656/41. —
Arquive-se, em 3-11-44.
3.671/43 —
Miguel Milet lerk e Manuel Rodri- 1.927/42 —
Maria Firmina da Silva (Herdei-
gues Vale São Bento— —
Transferência de enge- ros) e José Custódio de Freitas —
Guaranésia —
nho de açúcar e aguardente Deferido, em — Transferência de engenho —
Deferido, em 3-11-44.
13- 11-1944. 2.159/39 —
Sebastião Militão Maia João —
28.271/44 —
Coletor Federal de Viana Via- — Ribeiro —
Inscrição de engenho —
Deferido, em
na —
Conressão de patente de inscrição de enge- 6-11-44.
nho de açúcar, de Acrisio Sousa Mendonça Ar- — 2.783/43 —
Ananias Ferreira de Abreu
quive-se, em 18-10-44. ou Estanislau da Silva Guimarães e Joaquim de
Araujo Porto —
S. J. Nepomuceno Transfe- —
ESTADO DE MATO GROSSO : rência de engenho de açúcar. Anexo: 6498/40
Deferido, em 26-10-44.
5.043/42 —
João Carlos Esteves e Vitório da 1.272/41 —
Isaltino Rodrigues Luttembarck
Silva Lera Cáceres — —
Desistência do pedido de — Caratinga —
Requer cancelamento do imposto
modificação de inscrição e transferência de enge- referente ao exercício de 1940. —
Arquivè-se, em
nho. Anexo: 4.757/42. —
Deferido, em 3-11-44. 26-10-44.
1.865/44 —
Afonso Bretas Sobrinho Ma —
ESTADO DE MINAS GERAIS : riana —
Comunica transferência de seu engenho
para o Município de Governador Valadares e pedf
2.417/39 — José Amâncio Pinto Ribeiro autorização para fabricar álcool e aguardente.
— Leopoldina — Transferência de engenho de Anexo: 4.532/43 —
Deferido, em 25-10-44.
Idimar Meireles Carneiro. — Arquive-se, em 25.576/44 —
Alexandrino Paradela Inhapim —
14- 11-44. — Redução de limite de engenho de rapadura —
4.748/42 — Afonso Justiniano de Resende — Arquive-se, em 25-10-44.
Três Pontas — Permissão para fabricar álcool em 30.876/44 —
Cia. Vale do Rio Dôce S/A —
seu engenho de aguardente. Anexo: 1.103/39 — Minas Gerais —
Montagem de novas Usinas.
Aprovado, em 13-11-44. Anexos: 30788/44 157/43 — 5.044/42 — Ar- —
2.671/42 — Arino Alves Fernandes e José Vi- quive-se, em 25-10-44.
lela Barbosa — S. Gonçalo do Sapucaí — Incor- 186/43 — Herculégio Martins Tristão e Fran-
poração de quota — Aprovado, em 13-11-44. cisco Ângelo Machado — Uberaba — Transferên-
32 078/44 — Carlos Gabriel de Andrade — Sta. cia de engenho de açúcar — Deferido, em 25-10-44.
Maria de Itabira — Inscrição de engenho de 2.270/40 — Jacinto Alves da Costa — Abaeté
.

aguardente — Arquive-se, em 13-11-44. — Transferência de engenho para Flávio José Pe-


1.825/39 — Deodato Tomás de Oliveira — reira — Deferido, em 25-10-44.
Campos Gerais — Transferência de engenho para 354/37 — Januário Henrique de Sousa — Ita-
Artur Ferreira de Brito. Anexo: 402/36. — Apro- pecerica — Montagem de engenho para o fabrico
í

vado, em 13-11-44. de rapadura — Deferido, em 25-10-44.


1.236/36 — Francisco de Sousa Rezende — 4.680/42 — João Julio de Sousa e João Gon-
Itapecerica — Baixa de engenho — Deferido, em çalves de Castro — Campo Formoso — Transfe-
13-11-44. rência de engenho de açúcar — Deferido, em
3.384/39 — Geraldo José Ferreira — Bambuí 25-10-44.
— Transferência de engenho de José Corsino de 5 324/41 — José Dias de Carvalho — Arcos —
.

Oliveira — Deferido, em 13-11-44. Permissão para fabricar aguardente e rapadura —


30.740/44 — João Rodrigues de Andrade — Anexo: 2.129/40 — Deferido, em 25-10-44.
Ubá — Montagem de engenho de rapadura — Ar- 3.603/42 — José Inácio de Paula e João Ger-
quive-se, em 13-11-44. mano Alves — São Simão — Transferência de en-
85-A/43 — José Rodrigues Pereira — Caran- genho de rapadura — Deferido, em 25-10-44.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Pág. 88


:

689

4.841/42 — José Pedro


Ribeiro e Benedito varenga Carvalho —Ferro — Transferência de
José Domingues — Borda da Mata — Transferên- engenho —
Aprovado, em 18-10-44.
cia de engenho — Deferido, em 25-10-44. 3.506/43 —
João Pedro Siqueira e outros e
2.825/43 — Luis Vieira e Henrique Vieira — José Roberto de Morais, Moema Meinberg de Mo-
Areado — Transferência de engenho — Deferido, rais e José Francisco de Assis Morais — Cambu-
em 25-10-44. quira —
Transferência de engenho — Deferido,
1.035/42 — Manuel Ferreira Martins — Raul em 18-10-44.
Soares — Modificação de inscrição de rapadura 6.068/40 — João Pereira de Faria — Brasopó-
para aguardente — Arquive-se, em 25-10-44. lis— Baixa de inscrição de engenho — Arquive-
2.456/36 — Norberta da Silva Lemos — São se, em 18-10-44.
Sebastião do Paraiso — Baixa de engenho — Ar- 2.850/41 — José Pinto Fiúsa — Dores do In-
quive-se, em 25-10-44. daiá — Transferência de engenho para João Pe-
2.782/43 — Olímpio Soares Pena e outros e reira Lopes — Deferido, em 18-10-44.
Geraldo Soares — D Silvério — Transferência 3.579/42 — João e Sebastião de Oliveira Ne-
de engenho — Deferido, em 25-10-44.
' .

ves e Antônio José Munis ou Ananias José Duar-


2.409/36 — Osvaldo Henriques Furtado — S. te — Leopoldma — Transferência de engenho.
João Nepomuceno — Concessão para fabricar açú- Anexo: 4.114/40 — Deferido, em 18-10-44.
car e cancelamento de taxa. — Indeferido, em 13.464/44 — José Balbino Pereira e José Al-
25-10-44. meida Costa — Pouso Alegre — Transferência de
3.025/43 — Silvestre da Silva Machado e
,

engenho de rapadura e autorização para produzir


Gonçalo Amarante Machado — Bom Sucesso — aguardente. — Deferido, em 18-10-44.
Transferência de engenho — Deferido, em 25-10-44. 3.425/41 — José Estevam de Castro — Viçosa
3.139/41 — Amâncio Teixeira Leite — Palma — Transferência de engenho para Sebastião Ge-
— Transferência de engenho para Vicente José de raldo Anastácio — Deferido, em 18-10-44.
Oliveira. Anexo: 2.337/41 — Arquive-se, em 798/41 — José Joaquim de Oliveira Costa —
18-10-44. Guapé — Desistência de incorporação de quota
3.433/41 — Antônio Correira de. Castro — Anexo: 5815/40. Arquive-se, em 18-10-44.
Muriaé — Transferência de engenho de Balduíno 22/40 — José Machado — Tarumirim — Ins-
Antônio Geraldo — Anexo: 2.404/42 — Deferido, crição de engenho rapadureiro — Deferido, em
em 18-10-44. 18.10-44.
5.863/41 — Antônio Pereira de Moura Teles 2.561/38 — Manuel Gonçalves Viana — Ma-
— Uberaba — Incorporação de quota. Anexo : tias Barbosa — Isenção de taxa — Arquive-se, em
5.711/41 — Deferido, em 18-10-44. 18-10-44.
3.035/41 — Benuindo dos Anjos Macedo — 2.000/41 — Manuel Joaquim da Silva — Var-
Araponga — Transferência de engenho de João ginha — Isenção de pagamento da taxa — Arqui-
dos Anjos Macedo. Anexos: 123/41 — 3.219/41 — ve-se em 18-10-44.
1.476/39 — 684/37. Deferido, em 18-10-44. 2.771/43 — Manuel Marinho Camarão — Pon-
246/41 — Carlos do Carmo Silva e outros — te Nova — Pede vista de alguns processos, de seu
Itabirito — Pedem devolução dos documentos. interesse — Arquive-se, em 18-10-44.
Anexos: 3.287/39 — 3.288/39 — 3.285/39 — 2.577/42 — Olinto Emidio de Sousa e José
3.286/39 — 3.284/39 — Aprovado, em. 18- 10-44. Paula Neto — Frutal — Transferência de engenho.
3.313/42 — Cia. Açucareira de Volta Grande — Deferido, em 18-10-44.
S/A. — Volta Grande — Autorização para des- 71/38 — Octaviano Toledo Júnior — Guarani
montar balança — Arquive-se, em 18-10-44. — Inscrição de engenho — Deferido, em 18-10-44.
4.885/40 — Daniel Rodrigues Coelho — Virgi- 327/41 — Pinto Bouchardet & Cia. Rio Branco
nópolis — Revisão da limitação de engenhos rapa- — Requer devolução do contrato que fizeram com
dureiros. Anexos: 6.394/35 — 6.396/35. — Arqui- Bem vindos dos Anjos Macedo, Anexos: 4.585/41 —
ve-se, em 18-10-44. 4.723/40 — 1/156/41 — 5.351/40 — Aprovado, em
L.R. 1.260/40 — Hermínio Gomes de Oli- 18-10-44.
veira — Redenção — Limitação de engenho rapa- 5.660/40 — Silvino da Silva Lemos — Cam-
dureiro — Arquive-se, em 18-10-44. buquira — Baixa de inscrição — Arquive-se, em
25 924/44 — Dídimo Ferreira Pedrosa e Ubal-
díno José da Silva — Formiga — Transferência de
.
18-10-44.
3.611/42 — Silvestre da Silva Machado —
engenho e remoção do mesmo — Deferido, em
Bomsucesso — Permissão para recomeçar a fabri-
cação de açúcar — Deferido, em 18-10-44.
18-10-44.
3.242/42 — Francisco da Silva Resende e Al-
1.807/38 — Sebastião Soares Rodrigues —
zira Ferreira de Resende — Mar de Espanha —
Transferência de engenho — Deferido, em 18-10-44. Viçosa — Inscrição de engenho. Anexo: 2.654/40
456/35 — Honório Lorentz — Teófilo Otoni —
— Deferido, em 18-10-44.
Instalação de engenho — De acôrdo, com 18-10-44. 40.319/44 — Manuel Aurélio Silva — San-
896/42 — João Antônio Pereira e José Sera- ta Catarina — Certidão de registro de usina de
fim Vieira — Ouro Fino — Transferência de en- açúcar turbinado — Deferido, em 18-10-44.
genho de rapadura — Aprovado, em 18-10-44.
5.415/41 — João José de SanfAna Sobrinho ESTADO DO PARA'
— Abre Campo — Pagamento da taxa safra 1941 2.958/41 —
Alvaro Furtado Rodrigues —
Bre-
— Arquive-se, em 18-10-44. ves — Modificação de inscrição. — Arquive-se,
5250/42 — João Lucas Procópio e Edú de Al-
.
em 18-10-44.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Fág. 89


: : :

690

ESTADO DA PARAÍBA :
tagem de engenho de rapadura — Deferido, em
18-10-44.
3.186/43 — Manuel Avelino Rodrigues — Laran- 5.516/42 —
Teresa Isabel da Conceição —
jeiras — Devolução da importância dg Cr| Picos — Baixa de inscrição de engenho de rapa-
referente ao depósito feito para aumento de quota.
100,00,
dura. — Arquive-se, em 18-10-44.
— Arquive-se, em 13-11-44.
817/42 —
Antônio Uchôa Filho Sapé — Su- — ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE :

bstituição de força motriz. —


Deferido, em
3.260/39 — João Martins de Fontes — Pau
25-10-44.
5.778/35 —
José Pedro de Oliveira São — dos Ferros — Montagem de engenho — Deferido,
José de Piranhas —
Pedindo inscrição do seu en- em 25-10-44.
4.274/43 — Josefa Soares de Sousa e Adauto
genho "Bomfim" —
Aprovado, em 18-10-44.
Ferreira da Rocha — Transferência de engenho de
ESTADO DE PERNAMBUCO: açúcar e aguardente — Defendo, em 25-10-44.

1.217/39 —
Afonso de Albuquerque e Luis de ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
França Machado Freire —
Barreiros —
Inscrição
— Ângelo — Caí — Au-
de engenho de açúcar. —
Arquive-se, em 14-11-44. . 30.284/44 Ferronato
5.028/41 —
João Florentino de Melo e Indús- torização para engarrafar aguardente, fabricada

trias Luis Dubeux S/A. —
Amaragí —
Incorpora- por diversos e de diversas marcas Aprovado,
ção de quota —
Deferido, em 14-11-44. em 13-11-44.
3.724/41 —
Luis Evaristo de Albuquerque e
Andrade, Queiroz & Cia. —
Aliança —
Incorporação ESTADO DO RIO DE JANEIRO :

de quota —
Aprovado, em 14-11-44.
36.916/44 —
Francisco Bezerra dos Santos e 23 059/44 —
Arlindo Diniz da Fonseca Te- —

.

Antônio Alves de Araujo —


Amaragí —
Transfe- resópolis Permissão para comerciar com álcool
rência de engenho —
Deferido, em 26-10-44. motor ;

Restitua-se 13-11-44.
36.917/44 —
Guilherme de Holanda Maga- 23.058/44 — Auto Teresópolis Limitada —
lhães e sua mulher e José Martins de Melo —
Ca- Teresópolis — Permissão para comerciar com ál-
nhotinho —
Transferência de engenho —
Deferi- cool motor — Restitua-se, em 13-11-44.
do, em 26-10-44. 24.348/44 — Engenho Central São José Ltda.
36.911/44 —
Zacarias Ferreira Leite e José — Itaocára — Restituição de taxa de aguardente.
Oton de Vasconcelos —Bezerros —
Transferência — Aprovado, em 13-11-44.
de engenho —
Deferido, em 26-10-44. 5.530/42 — Emilio Barbosa — Niterói — Con-
2.930/35 —
Elpidio Monteiro da Costa e Silva sultas sôbre tabela de preços de canas — Arqui-
— Iguarassú 1 — —Reclamando contra o paga- ve-se, em 25-10-44.
mento da taxa 2 — —Transferência de quota — 23.066/44 — Manuel Alves Felix — São Se-
Deferido, em 25-10-44. bastião do Alto — Permissão para comerciar com
1.367/41 —
João Barbosa Sitônio —
Triimfo álcool-motor — Aprovado, em 25-10-44.
— Transfèrência do engenho de Pedro Inácio de 23.061/44 — Manuel Fernandes Luis — Ver-
Sousa —
Deferido, em 25-10-44. gel — ex-Bom jardim — Permisão para comerciar
3.808/43 —
José Abdon de Araujo Lima, com álcool-motor — Restitua-se, em 25-10-44.
3.535/44 — Perlingeiro Xanelo e Companhia
Tristão Ferreira da Silva Bessa e Alberes Coutinho
do Rego — Pau Alho — Remoção de engenho
d' — Miracema — Alteração de nome para Compa-
— Deferido, em 25-10-44. nhia Indústria Reunidas Miracema — Cirmi —
5,922/44 — José Henrique Carneiro de No-
Deferido, em 25-10-44.
vais — Água Preta — Solicita permissão para
montar uma distilaria de Aguardente — Indefe- 2.563/43 — Elias Maim — Bom Jesus do
rido, em 25-10-44.
Itabapoana — Consulta sôbre inscrição de enge-
1.574/39 — José Pedrosa Calado — Água
nho — Arquive-se, em 18-10-44.
Preta — Consulta sôbre fornecimento de canas. 3.243/43 — Julia Canela Soares — Campos —
— Arquive-se, em 25-10-44. Consulta sôbre dispositivo do Estatuto da Lavou-
5 133/42 — Manuel Ferreira Bida — Belém — ra Canavieira — Aprovado, em 18-10-44.
23.072/44 — João Ferreira — Nova Iguassú
.

Inscrição de engenho de rapadura — Arquive-se


em 25-10-44. — Permisão para comerciar com álcool-motor —
2.144/40 — Eugénio Severo Lopes Melo — Aprovado, em 18-10-44.
Barreiros — Transferência de engenho de Afonso 2.548/42 — Manoel Trigo — Duas Barras —
de Albuquerque e Aumento de limite de pro- Baixa de inscrição de engenho — Aprovado, em
dução — Arquive-se, em 18-10-44. 18-10-44.
3.829/43 — Luis Antônio C. A. de Barros
Barreto e M. C. do Rego Barros — Recife — Con- ESTADO DE SANTA CATARINA
versão de quota de fornecimento em quota de ban-
guê. — Arquive-se, em 18-10-44. 1.372/42 —
Pedro Dalcegio, Carlos Jordão
Vva. e Roque Colsani e Leite Gevaerd & Cia.
ESTADO DO PIAUÍ Brusque —Incorporação de quotas açúcar —
Aprovado, em 13-11-1944.
4.555/42 — José Montai — Parnaíba — Mon- 8.682/44 —
José Pedro de Sousa Tubarão—
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Páff. 90
691

— Isenção de pagamento do imposto no ano de 22.374/44 —


José Antonio Leite e Juvenal
1944 —
Arquive-se, em 3-11-44, Chaves de Oliveira —
Parnaíba —
Transferência
de fábrica de aguardente —
Deferido, em 25-10-44.
11.145/44 —
José Antônio Martins e Heitor
ESTADO DE SÃO PAULO: Alvares de Lima —
Lençóis —
Transferência de
engenho de aguardente —
Deferido, em 25-10-44.
33.112/44 —
Maria de Lourdes Pierre Piaupé-
3.610/42 —
Max Virth —
Oriente — Con- rio — São Paulo —
Solicitam certidões de um in-
sulta sobre Estatuto da Lavoura Canavieira— Ar- quérito administrativo. —
Deferido, em 25-10-44.
quive-se, em 14-11-44. 586/35 —
Usina Junqueira -- São Paulo —
3 274/39 —
Afonso de Angelis e João Bra- Sonegação da taxa. Anexo: 587/35 —
Aprovado,
— —
.

vatti Piracicaba Transferência de engenho em 25-10-44.


de açúcar batido. Anexo: 283/38 —
Deferido, em 8.496/44 —
Antônio Alves dos Santos Na- — —
13-11-44. tividade —Devolução de documento. Anexo:
9.325/44 — Francisco Franco de Sousa — 30.528/44 —Deferido, em 18-10-44.
Guararema — Transferência da inscrição do en- 18.051/44 —
Benedito Alves de Queluz s Fir-
genho do Município de Mogí das Cruzes para o mino Alves de Queluz —
Sta. Isabel —
Transfe- •

de Guararema — Deferido, em 13-11-44. rência de engenho de açúcar —


Deferido, em
287/44 — Irmãos Boscoli — Presidente Pru- 18-10-44.
dente — Montagem de engenho de açúcar, aguar- 1.109/40 —
Elisa Pereira Fernandes Tim- —
dente e rapadura — Deferido, em 13-11-44. burí — Restabelecimento de Limite Anexo: —
4.444/43 — Silvio Conte e Irmão — Botu- 8.327/35 —
Indeferido, em 18-10-44.
catú — Inscrição de engenho de açúcar batido — 27.817/44 — Gonçalo José do Prado Sale- —
Arquive-se, em 13-11-44. —
Inscrição de fábrica de rapadura —
23.077/44 — José Pires e Irmãos — Assis —
sópolis
Deferido, em 18-10-44.
Inscrição de engenho de açúcar batido — Anexo: — Bebe- —
João Junqueira Franco
— Processo 1.453/42, dos mesmos — Aprovado, douro
4.519/43

Permissão para fazer a mudança de
em 6-11-44. uma caldeira e para o assentamento de um eli-
21.038/44 — Antonio Tomazela — Piracicaba minador e de imi motor. —
Arquive-se, em
— Substituição de engenho de açúcar batido — 18-10-44.
Deferido, em 3-11-44. '
23.777/44 —
Joaquim Berto — Piracicaba —
11.139/44 — Benedito Quirino de Camargo e de maquinaria — Deferido, em
Joaquim Miranda — Santa Branca — Transferên-
Substituição

cia de fábrica de rapadura — Deferido, em


18-10-44.
20.058/44 — José Pereira 'da Silva — Silvei-
ras — Informações sobre seus dois engenhos —
3-11-44.
15.346/44 — Euclides José Porto e Paulino Arquive-se, em 18-10-44.
Gonzaga da Silva — Novo Horizonte — Transfe- 27.818/44 — José Raimundo Machado — Sa-
rência de engenho de rapadura — Deferido, em —
lesópolis — Inscrição de engenho de rapadura
3-11-44.
em
2.454/43 — João Nantes Júnior — Arari —
Deferido, 18-10-44.

Prova de nacionalidade — Arquive-se, em 3-11-44.


2.328/41 — João Antônio de Sousa — Ituve- ESTADO DE SERGU?E
rava — Transferência de engenho para Joaquim
:

Antônio Batista. Anexo: 3.406/39 — Aprovado,


em 26-10-44. 2.957/43. —
Leonardo Machado de Aguiar
10.283/44 — Ambório Toneli — Mirassol — Menezes e Raul Dantas Vieira (Arrendatário) —
Baixa de inscrição de engenho de aguardente — Capela —
Arrendamento de Usina. —
Deferido,
Arquive-se, em 25-10-44. em 13-11-44.
36.829/44 — Associação de usineiros de são 3 554/39 —
Pascoal de Sousa Ávila Divina—
Paulo — São Paulo — Consulta sobre preço de —
.

Pastora Comunica que vai fornecer, na safra


tonelada de cana — Arquive-se, em 25-10-44. 1939/40, as suas canas às Usinas limítrofes e pede
1.213/44 — Benedito Carioca e Olegário Ca- baixa da taxa de $300 para o exercício citado. —
rioca e Irmãos — Piracicaba — Transferência de Deferido, em 13-11-44.
inscrição — Deferido, em 25-10-44. 23.636/44 —
Adolfo de Matos Teles e Helvé-
30.523/44 — Bruneta & Dal Belo e Luis Pas- cio de Matos Teles e outros —
Japaratuba —
choaloni & Irmão — S. J. do Rio Pardo — Trans- Transferência de Usina —
Deferido, em 25-10-44.
ferência de engenho de fabricação de aguardente
— Deferido, em 25-10-44. 35.193/44 —
Sindicato da Indústria do Açú-
car no Estado de Sergipe —
Aracajú —
Solicita
4.265/43 — Carolina Tavares — Salto Grande preferência na distribuição de praças para embar-
— Fixação de quota de produção. Anexo: 992/42 que de açúcar —
Indeferido, em 25-10-44.
— Arquive-se, em 25-10-44. 89/43 —
Passos & Irmão —
Rosário Pede —
1 078/39 — João Jacques Vilela — Bananal — permissão para fazer a safra 1942/43 nas Usinas
Transferência de fábrica de José Vilela — Pedras.
.

"Serra Negra", "Pedras" e "Caraíbas", do mesmo


Anexo: 6876/41. — Deferido, em 25-10-44. Estado —
Arquive-se, em 18-10-44.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 91


692

DECISÕES ADMINISTRATIVAS
INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL Leis do Trabalho, observada a seguinte discrimi-
nação para os cargos: Diretoria —
Presidente:
PROVIMENTO N.o 3/44 — 7 DE NOVEMBRO João Bravo Caldeira. Secretário: Osvaldo de Bar-
DE lSf44 ros Schmidt. Tesoureiro: Virgolino de Oliveira.
Suplentes da Diretoria —
Marcos Antônio Mon-
Atribui à Seção Jurídica os serviços de- teiro de Barros, Henrique Storrer Lage, Miguel de
rivados da execução do Decreto-lei número Cillo Sobrinho. —Conselho Fiscal Pedro—
6.969, de 19 de outubro de 1944. Ometot, Baudílio Biagi, Sílvio Tricânico. Suplen-
,tes do Conselho Fiscal —
Joaquim Camilo de Mo-
O
Presidente do Instituto do Açúcar e do Ál- rais Matos, Vítor Marques da Silva Airosa Filho,
cool, usando das atribuições que lhe são conferi- João Batista de Lima Figueiredo. (A. M. F.).
das por lei, resolve:
(D O., 25-11-44.)
Art. 1.° Fica a Seção Jurídica autorizada a
fazer as comunicações e notificações necessárias
ao perfeito cumprimento dos preceitos do Decreto-
lei n.o 6.969, de 19 de outubro de 1944. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA
Art. 2° Para o fim de facilitar o perfeito en-
tendimento dos dispositivos constantes do Decreto- PORTARIA N.o 863 — 1 DE DEZEMBRO DE 1944
lei n. a Seção Jurídica baixará aos seus
6 969,
.

Procuradores as recomendações precisas e orga- O Ministro de Estado, tendo em vista o que


nizará folhetos com esclarecimentos e explicações consta do processo S. C. n.° 38.496-44, designa o
destinados à vulgarização do citado Decreto-lei. Agrônoiho Biologista, classe K, Daniel Moura; o
Art. 3.° Os requerimentos e comunicações dos Agrónomo, classe I, Artur Oberlaender Tibau; Ari
produtores relacionados com o Decreto-lei n.° Machado de Brito e Lisandro de Albernaz para,
6.969, uma vez apresentados às Delegacias, serão como representantes, respectivamente, dêste Mi-
.

encaminhados, com urgência, às Procuradorias nistério,do Govêrno do Estado do Rio de Janeiro,


respectivas ou, no caso de ausência do respectivo do Instituto do Açúcar e do Álcool e do Sindicato
titular, à Seção Jurídica. da Indústria do Açúcar do mesmo Estado, consti-
Art. 4.° A
Seção Jurídica, em seus parece- tuírem o Conselho Fiscal que deverá controlar a
res, despachos ou diligências, procederá de forma aplicação dos créditos do Fundo de Desenvolvi-
a tornar possível o exato cumprimento de todos mento da Estação Experimental de Campos, como
os prazos fixados no Decreto-lei n.° 6.969. estabelece o acordo firmado entre êste Ministério,
Art. 5° O material necessário aos trabalhos o Govêrno daquele Estado e as entidades mencio-
de execução do Decreto-lei n.° 6.969, será adqui- nadas. —Apolônio Sales.
rido por ordem do Gerente do I.A.A., mediante
solicitação da Seção Jurídica. —
Barbosa Lima So- (D. O., 4-12-44.)
brinho, Presidente.

. (D. O., 11-11-44.)

PORTARIA N.° 864 — 1 DE DEZEMBRO DE 1944

O Ministro de Estado, tendo em vista o que


consta do processo S. C. n.° 38.496-44, designa o
MINISTÉRIO DO TRABALHO, INDUSTRIA E ocupante do cargo da classe J da carreira de Agró-
COMERCIO nomo, do Q. P., Joaquim Maurício Vanderley
Filho, Heitor A. Tavares. José Ernesto Montei-
Serviço de Comunicações ro, Leal Feijó Sampaio e Paulo Arruda Raposo
Albuquerque, para, como representantes, respec-
231.254 (P. 84 (21)) (A. 821.1) (D. 22-11) — tivamente, dêste Ministério, do Govêrno do Esta-
Sindicato da Indústria do Açúcar, no Estado de do de Pernambuco, do Instituto do Açúcar e do
São Paulo, solicitando aprovação de sua iova di- Álcool, da Cooperativa dos Usineiros e dos Ban-
retoria e conselho fiscal. —
Como parecer ao guezeiros e Fornecedores de Cana de Pernambuco,
D. N. T. e na conformidade das instruções con- constituíram o Conselho Fiscal que deverá con-
tidas na Portaria Ministerial SCm-338, de 31 de trolar a aplicação dos créditos do Fundo de De-
julho de 1940, aprovo as eleições realizadas no senvolvimento da Estação Experimental do Cura-
"Sindicato da Indústria do Açúcar, no Estado de do, no Estado de Pernambuco, como estabelece o
São Paulo", para a constituição da respectiva ad- acórdo firmado entre êste Ministério, o Govêrno
ministração —
diretoria e conselho fiscal que — daquele Estado e as entidades mencionadas. —
autorizo seja empossada dentro do prazo de trinta Apolônio Sales.
dias após a publicação oficial do presente despa-
cho, de acordo com o art. 532 da Consolidação das (D. O., 4-12-44.)

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 92


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BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 93

I
. .

694

A SITUAÇÃO AÇUCAREIRA MUNDIAL


Comentando a situação açucareira mundial em panha —
conseguiram evitar os golpes nazistas
face da guerra, "The Australian Sugar Journal", A produção combinada dêsses países no ano an-
número de julho, escreve o seguinte :
terior à deflagração da luta (1938-39) se elevava
a quase meio milhão de toneladas para um total
"Embora não seja possível traçar um quadro europeu de pouco mais de oito milhões de tonela-
completo e preciso nos detalhes da recente produ- das. Pràticamente não há informações seguras so-
ção açucareira mundial, as informações a êsse res- bre a produção de aç'úcar na Europa; nos primei-
peito conhecidas sugerem que haverá uma deplo- ros anos da guerra é notório, todavia, que na Ale-
rável escassez dêsse alimento ao fim da guerra, a manha e pelo menos nos países ocupados fizeram-
qual poderá prolonga,r-se por muito tempo, depois se esforços visando manter a produção de açúcar
de encerradas as hostilidades. em um nível tão alto quanto possível. Entretanto,
Convém recordar que, ao irromper o conflito anós cinco anos de luta, a falta de braços, de fer-
de 1914. a eliminação dos açúcares de beterraba tilizantes, etc, deve ter tido uma poderosa influên-
europeus dos mercados que habitualmente su- cia na produção. Além disso, as fábricas devem
priam, determinou uma séria falta do produto. A ter sido sèriamente danificadas, envolvendo uma
despeito dos esforços de alguns países produtores
perda de produção atual e potencial. Na Ucrânia,
de açúcar de cana para aumentar a sua produção, onde se obtêm dois têrços de tôda a produção russa
e escassez se fêz sentir até o fim da luta. Como (dois e meio milhões de toneladas em 1938-39)
conseqiiência da guerra, a produção açucareira eu-
acredita-se que nada menos de dois têrços das fa-
roTséia caiu de oito .milhões para menos de três mi-
cilidades de produção foram destruídos. Nãi está
lhões de toneladas e a Europa passou a ser um
claramente estabelecido, mas parece provável aue
grande comprador nos primeiros anos do após-
isso se deve aos alemães, aue destruíam delibe-
guerra, acentuando dêsse modo a deficiência dos
suprimentos. Os industriais europeus fizeram es-
radamente as fábricas, à medida aue eram exnul-
forços afim de restabelecer o seu volume de pro- sos do território soviético Se assim é, pode-se ima-
.

ginar o aue acontecerá nos países ocunados, auan-


dução anterior à guerra e o conseguiram; a pro-
dução mundial gradualmente excedeu o consumo, do os nazistas forem obrigados a se re+ir^r. Parece
não obstante êste ter aumentado bastante nos certo aue a produção açucareira continental será
anos que se seguiram à guerra. E nesses anos a pelos menos rediizida nas proporções em aue o
situação ainda mais se complicou, porque alguns Toi na primeira Grande Guerra; desta vez. porém,
países que não eram produtores de açúcar criaram, a redução fará sentir os seus efeitos por mais
em obediência a uma política de nacionalismo eco- tempo
nómico, indústrias açucareiras. enquanto outros A entrada dos japonêses no conflito em fins de
expandiram as suas. A produção açucareira atin- 1941 produziu uma transformação dramática na
giu, assim, não só uma larga distribuição geográ- situação. Em
poucos meses os amarelos se apos-
fica, como também o seu volume passou a exceder saram das Filipinas e de Java, dêsse modo elimi-
substancialmente as necessidades do consumo. nando dos mercados nada menos de dnis e ttipío
Durante muitos anos, o problema consistiu em milhões de toneladas dp açúcar. A Indo-China
se procurar o equilíbrio entre a produção e o con- Francesa, Burma e Tailândia, também ocupadas
sumo. Os esforços feitos com êsse objetivo culmi- pelos nipônicos, são peauenos produtores de açú-
naram com o Acordo Internacional do Açúcar de car e não exercem influência apreciável na situa-
1937 e estão bem vivos na memória de todos. ção geral.
Era muito diferente a situação que se apre- O Império nipônico produziu emi 1938-39 mais
sentava em 1939 ao ser declarada a segunda con- de 1.500.000 toneladas de açúcar, quantidade que
flagração mundial. Os açúcares continentais já excede de 300.000 toneladas o seu maior consumo.
não exerciam uma influência preponderante nos Agora, dispondo dos recursos das Filipinas e de
mercados externos; os suprimentos eram larga- Java, o Japão tem superabundância de açúcar.
mente distribuídos e em tad volume que podia^m Recentemente, o Departamento de Comércio Ex-
assegurar o abastecimento adequado aos países terior dos Estados Unidos informou que os japo-
fora das zonas de ação. O ponto crítico na posição nêses cogitam de fechar mais de metade das 70
geral do abastecimento estava no transporte ma- fábricas de açúcar existentes nas Filipinas para
rítimo e foi, sabe-se, a falta dêste, e não a ausên- aproveitá-las em outros misteres. Outras fontes
cia de suprimentos, a causa primária da escassez adiantam que os invasores amarelos planejam cul-
de açúcar em vários países consumidores. tivar algodão em uma grande parte da área cana-
No presente conflito, que envolveu quase to- vieira de Java. Os dois e meio milhões de tonela-
dos os povos europeus, somente quatro países pro- das que se perderam nas Filipinas e em Java re-
dutores de açúcar — Suíça, Suécia, Turquia e Es- presentam cêrca de 12 por cento do consumo do

BRASIL AÇUCAREIRO -
DEZEMBRO, 1944 — Pág. 94
695

que se pode chamar, à falta de melhor designação,


o mundo livre atual. As facilidades de produção
ou a maior parte delas —
estarão pei'didas nas
Filipinas e em Java, ao tempo em que se ajusta-
rem as contas com 6 Japão.
Quando a guerra for encerrada —
aconteci-
mentos recentes encorajam a esperança de que pe-
lo menos no Ocidente o seu termo não está muito
longe —é evidente que não existirão muitos mi-
lhões de toneladas de açúcar da produção ante-
rior à luta e provàvehnente os meios de fabricá-
las.
Nadaindica aue, dentro de um limitado pe-
ríodo, seja possível compensar o deficit com a pro-
dução de outras fontes. Pràticamente, todos os
países grandes produtores de açúcar foram afeta-
dos pela guerra, mesmo aqueles aue se encontram Proteja sua Produção Contra
afastados das zonas de combate. Por outro lado, a
falta de braços e de materiais indispensáveis im- a Umídade com SISALKRAFT
pediram aumento da produção As informações de
que dispomos indicam uma queda de produção no Usando SISALKRAFT V.S. elimina a necessidade dos
mundo livre.
calços —evita a rotura dos sacos—consegue uma proteção
absoluta contra a umidade.
parece, convêm em
As Nações Unidas, ao aue
que lhes compete o dever de sunrir os povos opri-
Fácil
estender
de Usar — Fácil de Aplicar!
Sisalkraft no pavimento de seu armazém e
o
Basta

midos à medida aue forem libertados. Grandes amontoar sobre ele os sacos, à altura desejada. Não é
quantidades de géneros alimentícios e materiais preciso usar calços! Sendo à prova de água, Sisalkraft
serão necessários e entre os produtos alimentares elimina os perigos da umidade superficial, de uma vez
para sempre.
o açúcar será sem dúvida dos mais pmcurados.
No entanto, será tão grande o número de consu- E ao eleger SISALKRAFT disfrutará de outra vantagem
não há praticamente conhecimento da rotura de
midores e tão vastas as necessirlarlp.s de produtos
. . . sacos,
quando protegidos da umidade!
essenciais, aue nos parece impossível a concentra-
ção na produção de um só. Economize em Mão efe Obra e Materiais
Naturalmente todos os esforços serão feitos Passe em
revista os fatos supra. Os sacos podem ser
para reabilitar as indústrias dos países devastados, amontoados a qualquer altura! Não é preciso usar calços!
mas isso não se fará apenas nesses países, e res- A
Não há estragação de sacos! facilidade de manipulação e
instalação reduz as despesas de mão de obra.
tauração do comércio normal e das condirões in-
V.S. verificará que o SISALKRAFT lhe poupa dinheiro
diistriars em todo o mundo não se conseguirá den-
em quase todo aspeto da armazenagem. Seu custo inicial é
tro de um curto lanso, depois da guerra. Resta baixo; pode ser usado repetidas vezes. Pode ser comprado
saber se. como aconteceu depois da primeira Gran- por menos do que se pagaria somente pelos calços. Oferece
de Guerra, haverá depois desta uma procura de muitos outros usos económicos, tais como o de proteger
açúcar muito mais intensa ou se o racionamento,

motores, painéis elétricos, maquinaria, etc. especialmente
durante as épocas inativas.
adotado por tôda parte veio criar novos hábi-
Peça-nos hoje informações completas.
to.s alimentar»»"?. F.' uma especu-
ps^a. entretanto,
lação ,sem maior intprp<!se no momento, em vista Sisalkrajl tomou o seu
do fa+o de aue os suprimentos mundiais serão in- lugar no esjorço de guerra
suficiêntes para atender an mais baixo nível de das Nações Unidas, e tal-
procura que se possa imaííinar. vez não seja oblidoemtoda
De nossa parte não estamos em condições de ocasião. Isto se deve às
dijiculdades de transpor-
fazer muito para aliviar a situação eeral: fica-nos,
te, etc; mas estamos Jazen-
contudo, a obrigação de dar a contribuição que es-
do maiores esjorços
os
tiver ao nosso alcance.
para manter seu país
Considerando o alarmante declínio da produ- devidamente abastecido.
ção açucareira da Austrália, que é uma consequên-
cia da guerra, a melhor contribuição nossa será a
de realizar todos os esforços visando reconduzir a
produção aos níveis anteriores, mas antes que êsses
THE Sisalkraft co
205 WEST WACKER DRIVE • CHICAGO, E.U.A.
LONDRES, INGLATERRA SYDNEY, AUSTRÁLIA
esforços se tornem efetivos será preciso que as au-
toridades dêem mais atenção aos problemas do DISTRIBUIDOR: CASA HILPERT S.A.
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BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 Pág. 95


696

O CONTROLE DO AÇÚCAR NO APOS-GUEE^RA


Discutindo o problema do controle do açúcar ao mesmo tempo, que os povoe serão melhor ser-
no perítído do após-guerra, "Sugar" insere o se- vidos por uma burocracia do que pelos esforços
guinte editorial no seu número de setembro úl- individuais ou coletivos das entidades industriais.
timo : Não sabemos se em apoio dêsse objetivo ou pela
incapacidade de apreciar a intensidade da pro-
"Afinal as autoridades de Washington com- cura de açúcar, uma vez removidos os obstáculos
preenderam que, para tornar possível a produ- ao comércio e ao transporte, a verdade é que a
ção de safras normais de açúcar nestes tempos de conduta adotada pelos funcionários encarregados
controle oficial da indústria, é necessário dar aos de dirigir a indústria açucareira nestes últimos
plantadores de beterraba e de cana, antes da épo- anos tem sido de molde a convencer de que será
ca Jo plantio, informações claras quanto às con- inevitável a continuação do controle da indústria
dições que lhes serãb concedidas. Assim é que no futuro imediato.
anunciaram que, na safra de 1945, os plantadores No curso da presente guerra, as limitações
de beterraba receberão a mesma quantia em bo- impostas ao consumo do açúcar, como de outras
nificação que lhes foi paga este ano, e que o pro- mercadorias, têm sido aceitas como necessárias ao
grama para os plantadores de cana continuará o êxito na luta contra o totalitarismo. Uma vez ter-
mesmo com pequenas modificações. Trata-se, evi- minadas as hostilidades, os habitantes do Reino
dentemente, de uma tentativa para evitar os erros Unido e dos Estados Unidos, que são coletiva-
das duas últimas safras, quando tais declarações mente os maiores consumidores de açúcar do
somente foram feitas tardiamente, a tal ponto que mundo, esperam receber os seus suprimentos ha-
em alguns distritos já havia passado o tempo da bituais. O mesmo acontecerá com os povos dos
semeadura e em outros os agricultores, cansados países ocupados pelo Eixo, os quais, há quatro
de esperar, haviam destinado as suas terras a ou- anos, foram completamente privados de alimentos
tras culturas Reconhecemos as boas intenções das
. doces. A experiência obtida nas áreas libertadas
autoridadeâ antecipando este ano a notificação da África, França e Itália não indica outra coisa.
aos agricultores. No entanto, temos dúvida de que Os países que tiveram as suas indústrias açuca-
ela possa restaurar a área de plantio ao nível de reiras destruídas pelo invasor, naturalmente exi-
1941. O cultivo de matérias primas açúcar eiras, girão suprimentos dos aliados até que essas indús-
notadamente de beterrabas, é um negócio difícil trias sejam restauradas. Se a guerra na Europa
e uma vez que os fazendeiros lançaram nas suas terminar nos próximos meses, o problema de
terras outras culturas, não será fácil fazê-los vol- atender a essas inúmeras exigências surgirá no
tar àquelas. E' pouco provável que os agricultores princípio de 1945, sem que se tenha tomado qual-
se resolvam a abandonar a cultura de outros pro- quer providência para fazer face à situação. O
dutos, os quais, não estando sob controle como o quadro que se desenha é realmente grave, pois a
açúcar, lhes possibilitajn maiores lucros e sobretu- produção européia está pràticamente reduzida a
do menor dependência das transformações da po- um têrço do que era antes da guerra, enquanto,
lítica oficial. O assunto é da maior importância, por outro lado, não se pode contar com os dois
por isto Que as advertências, feitas há dois anos, e meio milhões de toneladas de açúcar de Java e
de que iríamos entrar numa fase de escassez de das Filipinas e mais ainda sendo o Hemisfério
açúcar, começam agora a se iustificar. Há indícios Ocidental incapaz de suprir as próprias necessi-
fortes de que a guerra na Europa poderá ser en- dades, cabendo-lhe também a obrigação de forne-
cerrada dentro de poucos meses e também de que cer grandes quantidades de açúcar aos exércitos
a luta contra o Japão será igualmente encurtada. aliados e países ocupados da Europa.
Dêsse modo, agrava-se a perspectiva da falta de Em face de uma tal situação, os americanos,
açúcar para atender aos reclamos de uma área inglêses e os povos dos países ocupados serão in-
muito mais vasta. formados de que os órgãos governamentais é que
Nas esferas oficiais, parece haver um mêdo, deverão continuar a ditar a produção e os preços,
real ou simulado, de que o afrouxamento do con- a comprar safras inteiras em alguns países para
trole sobre a produção açucareira venha a provo- colocá-las e distribuí-las, e a pagar a outros pro-
car a repetição do que houve na primeira Grande dutores subsídios, em vez de um preço capaz de
Guerra. Para os que sustentam êsse ponto de vis- cobrir as suas despesas mais elevadas. E essas
ta, a maneira de prevenir tais consequências con-. palavras podem ser apoiadas em um impressio-
siste em manter o presente sistema de quotas e nante desfile de cifras. Nos Estados Unidos, por
racionamento durante aleuns anos, depois de con- exemplo, todas as áreas produtoras de açúcar,
cluída a paz De fato, sabe-se que se pretende for-
. com exceção possível de alguns distritos canaviei-
mar, no período do após-guerra, uma organização ros da Luisiana e da Flórida, terão em 1945 sa-
internacional que exercerá controle não só sobre o fras inferiores à média de 1941 e outros anos an-
açúcar como sobre outras mercadorias importan- teriores à guerra. Cuba não tem meios para du-
tes que estejam sujeitas a uma grande procura plicar a sua grande produção da safra passada. A
no mercado mundial. Essa perspectiva acomoda- produção continental e insular sofreu uma redu-
se com a teoria que despreza tòdas as propostas ção de 2.900.000 toneladas curtas, as aquisições em
de auto-administração pela indústria e sustenta, Cuba e outras fontes externas não irão 'além de

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 96


. . :

697

CRÓNICA AÇUCAREIRA INTERNACIONAL


Nas estatísticas que periodicamente divulgam, grande produtor de açúcar e da sua posição geo-
estimando a safra açucareira mundial, a firma gráfica privilegiada. O espírito de cooperação de
Willet and Grey avalia a produção açucareira do Cuba está amplamente demonstrado no fato de ter
continente americano, na safra 1943-44, em aceito, durante três anos, os mesmos preços que
10.874.614 toneladas. prevaleciam em dezembro de 1941. Chegou, po-
A produção de açúcar de cana eleva-se a rém, a época em que um aumento é de absoluta
9.985.777 toneladas, assim distribuídas: Estados necessidade".
Unidos (compreendendo Luisiana, Flórida, Pôrto
Rico, Havai e Ilhas Virgesn), 1.894.831 toneladas; Os Srs. Luis Mendoza & Cia. aludem à eleva-
Cuba, 4.241.000; Antilhas Britânicas, 379.482; ção crescente do custo da vida, à necessidade em
Antilhas Francesas, 45.000; República Domini- que se viu a indústria de dobrar os salários do seu
cana, 490.000; Haiti, 62.500; México, 400.000; pessoal e a outras dificuldades oriundas das cir-
Guatemala, 65.000; Salvador, 19.000; outros cunstâncias excepcionais que o mundo atravessa.
países da América Central, 48.000; Demerara, Alegam que isso só foi possível pela abundância
190.000; Colômbia, 70.000; Suriman, 13.000; Ve- das safras colhidas, indicando agora as estimati-
nezuela, 35.000; Equador, 27.000; Peru 420.000;
,
vas uma redução de 20 por cento no volume das
Argentina, 410.964; Brasil, 1.175.000. próximas colheitas; referem-se ainda ao proble-
Os Estados Unidos e o Canadá são os produto- ma da renovação da maquinaria da indústria e con-
tores de açúcar de beterraba, aquêles com 830.921 clueiíi
toneladas e êste com 57.916.
"Se o nosso problema não fôsse claramente en-
AUSTRÁLIA tendido, o govêrno cubano não poderia vender a
nossa safra pelos preços atuais, pois se o fizesse
Segundo se lê no número de 13 de julho deste assumiria a grave responsabilidade de um desas-
ano de "The Australian Sugar Journal", a indús- tre financeiro? Sendo os produtores cubanos for-
triaaçucareira autraliana continua a lutar com çados a vender os seus açúcares sem controle de
grandes dificuldades para conseguir a mão de preço e por um preço inferior ao custo de produ-
obra suficiente para as suas atividades agrícolas- ção, o govêrno cubano não pode ser considerado
A falta de trabalhadores para a tarefa de colheita responsável, uma vez que envidou todos os es-
de cana se faz sentir de maneira aguda. Essa falta forços para evitá-lo Contudo, mesmo que tal acon-
.

impede as usinas de moerem na sua capa.cidade teça, o público americano pode ficar certo de que
normal uma grande parte da safra cubana será reservada
Os círculos interessados reclamam sobretudo o e vendida aos Estados Unidos pelos preços má-
licenciamento do exército de cortadores experimen- ximos vigentes. No caso, porém, de serem aboli-
tados, em ordem a que a colheita se faça mais rà- dos os sistemas de controle de preços, o govêrno
pidamente e as fábricas possam dispor de maté- cubano não será responsável pela especulação que
ria prima em quantidade bastante para as suas surgir, como surgiu na outra guerra."
necessidades

CUBA
— O "Time", de 9 de outubro último, relati-
.

No número de 14 de do "Weekly
setembro vavente à situação da venda da safra de açúcar de
Statistical Sugar Trade Journal", a firma Luis Cuba para os Estados Unidos da América do Nor-
Mendoza & Cia., de Havna, escreve, a propósito de te inseiriu um artigo, do qual sobressaem os se-
uma homenagem prestada em Nova York, pela guintes tópicos:
Sugar Research Foundation, ao Presidente Ramon
Grau de San Martin: "Depois de quatro semanas de discussões, os
representantes de Cuba voltaram de Washington,
"E' preciso não perder de vista que o fato de sem solução para o caso do aumento do preço, que
pretender Cuba um aumento substancial no preço ali foram pleitear.
do seu açúcar não prejudica o esfôrço de guerra O novo contrato de venda de açúcar abrangia
nem deve ser interpretado como irma atitude de um volume de 5.000.000 de toneladas (83.333.333
quem quer se aproveitar de sua situação única de sacos de 60 quilos) e pleiteavam os cubanos um au-

3.000.000 de toneladas; Nessas condições, a quan- var emconta que para o empréstimo e arrenda-
tidade de açúcar disponível nos Estados Unidos mento para distribuição nas zonas libertadas
e
será insuficiente para atender às exigências nor- será mister maior quantidade. Assim se abriu ca-
mais de 7 rnilhões de toneladas e apenas pioderão minho para a continuação do atual controle de
cobrir com dificuldade as rações limitadas que têm preços e das restrições do racionamento, sem se
sido distribuídas nos dois últimos anos, sem se le- atender ao q'.'.e o público pensa do assunto".

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 97


.

698

mento de meio centavo por libra sobre o preço tinados à população civil 100.000 toneladas de
de- 2,65 centavos, estabelecido em 1941, para o açúcar que estavam reservadas para transforma-
período da guerra. Cuba alega um aumento do ção em álcool durante o último trimestre dêste
custo de produção de 100% ou mais, desde o iní- ano. A mesma fonte acrescenta que a WPB con-
cio da guerra e isso impede a venda do açúcar pelo tinua favorável ao plano de aproveitamento de
preço anterior. açúcar na produção de álcool industrial, não obs-
Não obstante êsse argumento, a Commodity tante as safras de cereais serem mais avultadas e
Credit Corporation, que faz todas as compras de apesar da proibição do fabrico de bebidas alcoó-
açúcar para os Estados Unidos, recusou pagar licasí Acredita a mesma firma que o comércio e a
preço superior a 2,75 centavos por libra. indústria devem insistir com o govêrno para que
A representação de Cuba foi resolvida a não no próximo ano os açúcares cubanos não sejam
vender o açúcar por menos de 3,25 centavos por desviados para a produção de álcool.
libra, ao que não acedeu a Commodity Credit,
alegando, entre outras coisas, que tal concessão
abriria um precedente para outros países que rei-
vindicariam melhores preços para os seus produ- — Lê-se no número de setembro de "Sugar"
tos, inclusive o Brasil para o café. que a War Food Administration acaba de anun-
Para o novo Presidente de Cuba, a situação ciar um plano de preços para as safras açucarei-
se cinge em aceitar ou continuar a discutir a ras de 1945, tanto de cana como de beterraba, vi-
questão dos preços com a América do Norte. sando o referido plano incentivar os plantadores a
Enquanto isso sucede, os estoques na Améri- aumentar a produção. Não se conhece o preço
ca do Norte se reduzem, a ponto de haver agora exato que será pago pela beterraba; sabe-se, po-
um estoque de apenas 680 706 toneladas, contra o
.
rém, que será pelo menos tão favorável quanto o
de 1.200.000 toneladas, em igual data do ano de 1944, quando as beterrabas foram pagas a 12,50
passado dólares a tonelada, inclusive os pagamentos
Nò Midwest, os varejistas estavam, já em de acordo com a lei de 1937. Para as canas de
agosto, colocando cartazes com os dizeres — "Não Luisiana estabeleceu-se o preço de $1,60 a tone-
há açúcar". lada de cana de qualidade média dos últimos anos
Èm todo o mundo
os estoques de açúcar dimi- e $1,53 a tonelada de cana padrão. Êsses preços
nuem e a procura continua a exceder a produção. estão sujeitos a reajustamento, caso se verifique
Cuba estará recebendo, em breve, propostas de um avanço nas cotações do açúcar. Serão toma-
compradores europeus, por preços bem mais ele- das medidas para o integral pagamento das canas
vados do que os americanos. A
situação, então, geladas utilizadas na produção de açúcar ou de
melhorará, com certeza, para Cuba". melaços, de modo a estimular os agricultores a
limpar os campos e assegurar maior produção. Os
As mostram a situação do
presentes notícias plantadores de cana da Flórida receberão o paga-
açúcar no mundo
e aconselham, no momento, que mento básico de $1,60 por tonelada de cana de qua-
não se façam restrições na produção, inclusive no lidade média, devendo o pagamento ser graduado
Brasil. Se se registrasse qualquer excesso na segundo o volume de açúcar recuperável e tam-
nossa produção, nenhuma dificuldade haveria em bém sujeito a reajustamento de conformidade com
exportá-lo para os mercados externos. o mercado do açúcar.
O plano de preços foi anunciado em agosto,
ESTADOS UNIDOS de maneira que os agricultores da Califórnia pu-
dessem cuidar das suas plantações para o ano vin-
Durante os meses de junho e julho últimos, douro. O govêrno também ajudará os agricul-
a zona canavieira da Luisiana sofreu os efeitos de tores a conseguir a mão de obra necessária". Receia-
uma extemporânea estiagem. Contudo, as planta- se que a queda de produção na Luisiana e na Fló-
ções não foram sèriamente prejudicadas, segundo rida, decorrente da falta de braços, continue na
informa "Sugar" e a sêca permitiu aos agriculto- próxima safra e para isso será mister fornecer aos
res apressar as suas tarefas nos campos. plantadores um maior número de trabalhadores.
Em algumas áreas, os canaviais apresentam
um mau aspecto. Todavia, a situação geral da HAITI
safra parece melhor que a do ano passado na
mesma época. Neste ano a área de plantio é um Durante o mês de julho, informa o "Weekly
pouco inferior e a impressão geral nos meios in- StatisticalSugar Trade Journal", a produção de
teressados é que a produção de açúcar dificilmente açúcar e de melaços continuou em alto nível. Fo-
ultrapassará a de 1943, que foi de 431.000 tonela- ram fabricadas nesse mês 6.921 toneladas curtas
das. de açúcar bruto e 475.879 galões de melaços.
A falta de trabalhadores continua a ser mo-
tivo de preocupações, tanto no setor agrícola como HAVAI
no industrial.
Uma correspondência de Honolulu publicada
no número de setembro de "Sugar" informa que
as operações de colheita, moagem e embarque

Segundo informa a firma B. W
Dyer & prosseguem ràpidamente no Havai, sob condições
Company, de Nova York, as autoridades norte- de tempo favoráveis. Nos primeiros seis meses
americanas fizeram reverter aos suprimentos des- dêste ano, foram embarcadas 393.500 toneladas de

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 98


.

699

açúcar contra 430.915 no mesmo períbdò de 1943. Êsses direitos de exportação, diz ainda aquè-
Durante o mês de junho, verificaram-se in- le jornal,foram acrescentados à taxa de exporta-
cêndios em áreas de considerável extensão na ção de 12 por cento sôbre a avaliação oficial, a
Usina Ewa e na Oahu Sugar Plantation. A pureza qual está sujeita a variações mensais.
dos caldos e os rendimentos de cana são, em geral,
bons. A principal dificuldade com que se defron- PERU
tam os agricultores e os industriais é a falta de A situação açucareira do Peru, informa o
mão de obra. Muitos estudantes estão trabalhan- "Weekly Statistical Sugar Trade Journal", con-
do nos canaviais e, embora o seu número não seja tinua a caracterizar-se pela intensa procura dos
suficiente para as necessidade, têm prestado uma
importadores que oferecem preços favoráveis.
ajuda valiosa.
No entanto, a perspectiva do mercado não é con-
A Honolulu Plantation Company, que produz siderada das mais promissoras, uma vez que per-
a maior parte do açúcar refinado consumidp no manecem os efeitos adversos da aguda falta de
arquipélago, vem trabalhando dentro das suas
braços e da escassez de fertilizantes.
possibilidades, não obstante as dificuldades do
Fontes não oficiais estimam em 22 mil tone-
'momento. Até julho a sua produção de refinado ladas a produção de açúcar em abril último e o
se elevava a 32 mil toneladas, que representa qua-
total dos quatro primeiros meses dêste ano em 88
se a produção normal da sua refinaria. Estima-
mil toneladas. Estima-se que a produção total
se eni 65 mil toneladas o volume de açúcar re-
dêste ano se elevará a 430.000 toneladas contra
finado a ser consumido êste ano por civis e mi-
411.000 em 1943 e 496.000 em 1942.
litares .
O consumo de açúcar no país, de janeiro a
abril. dêste ano, totalizou 50.858 toneladas contra
MÉXICO 47.672 e 44.499 toneladas, respectivamente, em
Informa "Sugar" do projeto de instalação de
idêntico período de 1943 e 1942. Em1 de junho úl-
timo, os estoques eram de 14.000 toneladas, acres-
uma nova fábrica de açúcar no Estado de Sinaloa, centa aquêle jornal.
a qual será a maior usina de propriedade priva-
da do país. A sua capacidade inicial será de 2.000 UNIÃO SOVIÉTICA
toneladas diárias, devendo ser elevada para 5.000,
logo que o permitam as condições de suprimento Reproduzindo informações divulgadas pela im-
de matéria prima. A nova fábrica receberá canas prensa de Moscou, o "Weekly Statistical Sugar
das regiões de San Pedro e Navolato. Entre os Trade Journal" diz que a produção de açúcar na
incorporadores da emprêsa figuram os Srs. Aaron Província de Kursk é estimada em 108.000 tone-
Saenz, Presidente da União Nacional de Produto- ladas. Cinco fábricas foram restauradas antes do
res de Açúcar, e Jorge Almada Salido, genro do prazo previsto e outras cinco deverão entrar em
ex -Presidente Plutarco Calles. Ainda êste ano de- funcionamento ainda êste ano.
verá ser iniciada a instalação da usina. Nas regiões meridionais que foram liberta-
Outra informação da mesma revista diz que das dos invasores nazistas e onde dois terços das
a capacidade da Central Tuzamapan será avimen- fábricas haviam sido destruídas, a reconstrução
tada de 1.500 para 6.000 toneladas métricas de continua em andamento rápido. Embora nesta es-
açúcar por safra. Trata-se de uma emprêsa coope- tação' 150 fábricas já estejam produzindo na
rativa, localizada no Estado de Vera Cruz. A fá- União Soviética (na estação anterior apenas tra-
brica será modernizada e novos equipamentos se- balharam 28), pode-se adiantar que o nível de
rão intalados. produção ainda estará muito aquém do que era
A produção desta safra é estimada em 400.000 antes da guerra.
toneladas, havendo, portanto, a perspectiva de
escassez de açúcar, uma vez que o consumo in-
terno é estimado em 450.000 toneladas. O Minis- DISTILARIA DOS PRODUTORES DE
tério da Agricultura advertiu a população de que PERNAMBUCO
o México enfrentará êste ano uma crise de açúcar.
Teve lugar a 7 do corrente, no Recife, a assem-
— Informa o "Weekly Statistical Sugar Tra- bléia geral da Distilaria dos Produtores de Per-
de Journal" que os direitos de exportação no Mé- nambuco, para prestação e aprovação de contas
xico foram substancialmente aumentados, de acor- no exercício de 1943/44 e eleição da diretoria para
do com um decreto do poder executivo de julho o biénio 1944/46 e do conselho fiscal para o perío-
último. O mesmo decreto onerou alguns produtos do 1944/45.
que anteriormente eram isentos. O resultado da eleição foi o se$:uinte:
O açúcar e derivados, em continuação men- Diretoria — Presidente: Leal Fei.ió Sampaio
cionados, que eram livres de direitos, passaram a — reeleito; Secretário: Rui Berardo Carneiro da

.

pagar os seguintes em pêso e fração, por quilo- Cunha reeleito; Tesoureiro: Frederick von Sohs-
grama: açúcar bruto, 0,40; açúcar refinado, 0,50; ten — reeleito; suplentes —José Ranulfo da Cos-
glicose sólida, lactose e maltose, 1 .pêso; açúcar ta Queiroz, Paulo Cabral de Melo e Humberto de
semi-refinado, sólido e bruto, 0,40; açúcares não Oliveira
especificados; 0,40; glicose líquida, 1,20; melaços Conselho Fiscal —
Wifrid Russel Shorto, An-
de cana, 0,40; melaços, caldos e xaropes não es- tônio Cisneiros Cavalcanti e Antônio Dourado Neto.
pecificados e sem adição de substâncias aromáti- Suplentes — Leopoldo Pedrosa, Mário Aze-
cas, 0,40. vedo e Mário Monteiro.

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700

O AÇÚCAR NOS PRIMÓRDIOS DO BRASIL COLONIAL


Basilio de Magalhães

IV Bahia há muitos canaviais que há trinta anos


que dão canas; e ordinariamente as terras
Emsua "História do açúcar" (vol. I, pág. baixas nunca cansam, e as altas dão quatro
31), von Lippmann atribuiu preferentemen- ou cinco novidades e mais".
te à ilhade São-Tomé a procedência das pri- .Em sua famosa carta de 1548, asseverou
meiras mudas de saccharum officinarum vin- Luís de Góis a D. João III que existiam no
das para o Brasil, admitindo dubitativamen- Brasil seis engenhos de açúcar. Não tendo
te que a Madeira tenha tomado parte em se- notícia dos que haviam sido instalados do
melhante fornecimento. Espírito Santo para cima, é fácil compreen-
Entretanto, o autor ou relator do "Tra- der que só numerou os da capitania de São
tado descritivo do Brasil em 1587" confirma Vicente, onde, conforme nota de Carvalho
o que já se tem mais razoàvelmente presu- Franco, à pág. 73 da obra de Hans Staden,
mido, isto é, a cana de açúcar foi transplan- "Duas viagens ao Brasil" (São Paulo, 1942),
tada para as nossas plagas principalmente bem traduzida por D. Guiomar de Carvalho
dos arquipélagos em que tocavam os barcos Franco, foram também fabricantes de açúcar
saídos da Península Ibérica, que não da ilha Estêvão Pedroso, Jerônimo Leitão, Salvador
"onde faziam escala os navios de viagem do Vale, os Guerras (dos quais provavelmen-
para a índia". Ouça-se o que diz Gabriel Soa- te eram consanguíneos os irmãos Antônio e
res de Sousa, no cap. XXXIV da preciosa João Leme da Guerra, santistas, que toma-
obra acima citada: ram parte no rush bandeirístico para as Mi-
"E comecemos nas canas de açúcar, cuja nas Gerais), Manuel Fernandes e Manuel de
planta levaram à capitania dos Ilhéus das Oliveira Gago. Êste era dono do engenho de
ilhas da Madeira e de Cabo Verde, as quais "Nossa Senhora da Apresentação"; e o per-
recebeu esta terra de maneira em si, que as tencente a Manuel Fernandes (genro de Ra-
dá maiores e melhores que nas ilhas e par- fael Adorno) chamava-se "Engenho de San-
tes donde vieram a ela, e que em nenhuma ou- to Antônio".
tra parte, que se saiba, se criam canas de Teve a invocação de "Nossa Senhora da
açúcar, porque na ilha da Madeira, Cabo Ajuda" o prirneiro engenho surto em Per-
Verde, São Tomé, Trudente, Canárias, Va^ nambuco. Fundou^o, provàvelmente em 1535,
lências e na índia não se dão as canas, se se o donatário da capitania, Duarte Coelho, "nas
não regam os canaviais, como as hortas, e colinas olindenses, à sombra dos laranjais
se lhes não estercam as terras, e na Bahia de túnicas perfumosas, captadas as águas
plantam-se pelos altos e pelos baixos, sem se correntes do Beberibe para o entremover da
estercar a terra, nem se regar; e como as ca- roda da moenda", como em seu belo estilo nos
nas são de seis mesçs, logo acamam, e é for- informa o erudito Mário Sette, em um dos
çoso cortá-las, para plantar em outra parte, seus romances históricos.
porque se dão compridas como lanças; e Dos documentos da época é lícito infe-
na terra baixa não se faz açúcar da primeira rir que os engenhos da Paraíba db Sul, dois
novidade que preste para nada, porque aca- à beira mar e um à margem do rio, foram ins-
mam as canas e estão tão viçosas, que não talados a partir de 1536, tendo tido curta du-
coalha o sumo delas, se as não misturam com ração. E devem ser da mesma data não só
canas velhas, e, como são de quinze meses, os da Bahia, (onde aos 3 de Francisco Pereira
logo fiam novidade as canas de plantas; e as Coutinho se juntaram depois mais 33), como
de soca, como são de ano, logo se cortam. os que apareceram em Ilhéus e Pôrto Segu-
Na ilha da Madeira e nas mais partes onde ro, os primeiros dos quais, construídos antes
se faz açúcar, cortam as canas de planta de do govêrno geral, foram destruídos pelas tri-
dois anos por diante, e a soca de três anos, e bos bravias daquela região, de sorte que só
ainda assim são canas mui curtas, onde a puderam funcionar ali novos engenhos, de-
terra não dá mais de duas novidades. E na pois da tenaz campanha movida por Mem de

BRASIL AÇUCAREIRO ,
DEZEMBRO, 1944 — Pág. 100
. . . . . . . . .

701

Sá contra os terríveis selvícolas. E' de crer Gonçalo Pires), restantes dos 4 que haviam
que a indústria açucareira haja começado no sido instalados ali.
Espírito Santo antes do seu surto no Rio de Ilhéus —
3 (tendo tido antes 8 ou 9, como
Janeiro, onde a ríiesma não pôde repontar se pode ver na obra de Gabriel Soares de
senão depois da definitiva expulsão dos fran- Sousa)
ceses (1567) Bahia — 36
Em Itamaracá
desenvolveu-se, desde o co- Pernambuco — 66 (incluídos nesse total
meço da colonização da capitania, a explo- os 7 levantados em Alagoas por Cristóvão
ração da cana de açúcar. Na Paraíba, logo Linz)
após a sua conquista, ultimada em 1585, fo- Itamaracá — 3 (Obu, Araripe de Baixo e
ram imediatamente levantados dois engenhos. Araripe de Cima)
E os de Alagoas (região integrada na capita- Paraíba — 2 (Tibiri de Cima, que se su-
nia de Pernambuco até 1817), devidos à inicia- põe ter sido o pertencente ao patrimônio
tiva do colono alemão Cristóvão Linz, foram real, ali construído por João Tavares, e que
em número de 7 (numa série que ia de Pôrto depois passou às mãos de João Fernandes
Calvo até ao cabo de Santo Agostinho), os Vieira, e Tibiri de Baixo, levantado por seu
quais geralmente se incluem no total esta- dono, Diogo Correia Nunes, conforme Frei
tístico da donatária de Duarte Coelho. Vicente do Salvador)
Não pretendemos transpor, nestes arti- Cumpre-nos lembrar que até os discípu-
gos, o século em que se transplantou para as los de Santo Inácio de Loiola, mediante per-
nossas plagas a saccharum officinarum, uma missão do seu geral ou da Santa-Sé, também
vez que adstringimos o nosso ligeiro estudo se entregaram no Brasil (onde entraram em
aos "primórdios do Brasil colonial". 1549 e tiveram decisiva influência espiritual
Tomando o ano derradeiro da referida e intensa atividade material até meados do
,

centúria, diz o autor da "História do açúcar" século XVni) à indústria açucareira. Sabe-
(vol. I, pág. 32) que "em 1600 já havia 120 se que possuíram um engenho na capitania de
engenhos no Brasil". Ilhéus e que, — uma vez fundada definiti-
Achamos muito reduzido esse total, a me- vamente por Mem de Sá, em 1567, a cidade do
nos que houvessem deixado de funcionar- pelo Rio de Janeiro, nos seus arrabáldes não tar-
menos 7 dos mencionados pelos nossos me- daram a ser erectos os "engenhos dos padres",
lhores historiadores e cronistas como exis- mais tarde conhecidos (ao que supomos) por
tentes logo após a sujeição de nossa pátria ao "Engenho Velho" e "Engenho Novo", tendo
domínio espanhol. E não é de crer que a in- ainda possuído os inacianos a enorme Fazen-
dústria canavieira tenha ficado paralisada da de Santa Cruz, assim como as três não
entre 1590 e 1600. menores, chamadas Colégio, Muribeca e
SanfAna, em Macaé, tôdas, portanto, na ter-
Com efeito, entre 1580 e 1590, como se
ra fluminense. O engenho mandado cons-
pode ver pelo seguinte resumo que fizemos do
truir pelo governador Antônio Salema pas-
que se encontra na "História geral do Brasil"
sou, depois, do patrimônio real para o par-
de Varnahagen, havia em nosso país 127 en- '
ticular, pois foi vendido a Domingos do Amo-
genhos, assim distribuídos pelas capitanias:
rim Soares, e mais tarde veio a pertencer ao
São Vicente —
6 (o mesmo número da-
fidalgo lusitano Rodrigo de Freitas de Melo e
do por Luís de Góis) Castro (falecido em 1803), cujo nome se per-
.Rio de Janeiro —
3 (o do primeiro capi- petuou na lagoa, à margem da qual fôra le-
tão-mor Salvador Correia de Sá e que era vantado o dito engenho. Num subúrbio da
movido por bois, na ilha de Paranapuã; o de terra carioca ainda apareceu o chamado "En-
Cristóvão de Barros, segundo capitão-mor do . genho de Dentro", seguindo-se-lhe os que sur-
Rio de Janeiro, e que era movido por água giram em Inhaúma, êstes posteriormente à
e o do patrimônio real, mandado construir expulsão dos jesuítas do Brasil. Conforme
pelo governador Antônio Salema (1572-1577), Assegura Vieira Fazenda, às págs. 361-362 do
perto da lagoa depois chamada "Rodrigo de vol. II de suas interessantíssimas "Antiqua-
Freitas") lhas" (Rio, 1923), em 1779 já contava a fre-
Espírito Santo — 6. guesia de Inhaúma os quatro engenhos se-
Pôrto Seguro —
2 (um pertencente a guintes: o do Campinho, pertencente a Fran-
Manuel Rodrigues Magalhães e o outro a cisco Félix Correia e Josep Frutuoso Moreira;

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 101


702

o da Pedra, do sargento-mor José Dias de razão Mário Sette, quando, à pág. 190 de "O
Oliveira; o de que era dono José Pereira de vigia da Casa-Grande", assim ponderou: —
Amarante; e o de Inhaúma, o maior de todos, "Foi a gente rural de Pernambuco, pode-se
pois possuía 79 escravos, produzindo anual- dizer, que fêz o Brasil livre. O engenho de-
mente 35 caixas de açúcar e 20 pipas de aguar- vera ser o nosso escudo nacional. Não há,
dente. A
freguesia de Inhaúma deveu a sua porém, sequer, nas armas do país, um florão
."
criação ao vigário geral Dr. Clemente Mar- de cana. Há somente o café e o fumo. .

tins de Matos, proprietário da grande chá- Realmente, por decreto de 18 de setem-


cara que ocupava os dois lados da atual rua bro de 1822, José Bonifácio de Andrade e
de São Clemente, e onde, afora uma capela Silva, o Patriarca, — pois quefoi êle indubi-
(ainda existente à rua Humaitá), montou tàvelmente, até no sentir de Latino Coelho
também um fábrica de anil. Bacharelara-se (seu insigne biógrafo), o verdadeiro funda-
em na universidade de Coimbra e, tal-
direito dor da nacionalidade brasileira, deu pre-—
vez por trazer nas veias sangue judaico, an- ferência ao tabaco e ao café, para símbolos da
dara às voltas com
a Inquisição, tendo-se or- opulência agrícola da nossa terra.
denado em Roma, quiçá para ficar de todo Propiciou êle, assim, o remoque que logo
escapo às tremendas garras dos esbirros do nos vibrou a musa anónima de algum reinol
Santo Ofício. despeitado:
O certo é que, —
consoante as asserções
de Handelmann e de von Lippmann, — já em
"Cabra gente brasileira,
Descendente de Guiné,
fins do século XVI a produção do açúcar no
Brasil começava" a asfixiar a da Sicília e a Que trocou as cinco chagas
."
da Madeira. Com a mira de proteger esta úl- Pelo fumo e o café. .

tima, criou então o governo português o im-


E' de lamentar que o grande sábio e pa-
posto de 20% sobre o açúcar brasileiro. Tão
triota imortal sehouvesse esquecido da cána
importante se tornou o nosso produto, que a
de açúcar, a qual exornaria melhor as armas
metrópol«2 se viu obrigada a criar-lhe uma
do império brasileiro do que a nicotiana ta-
aduana especial, como depois fêz para o ta-
bacum. De mais, a saccharum officinarum é
baco.
que é a legítima companheira da coffea ará-
Não podemos deixar de transcrever para
bica E, finalmente, o vício deve ser sempre
,

aqui as seguintes palavras de von Lippmann


repelido pela virtude.
(ob. e vol. cits., pág. 32), que encerram uma
notável ponderação para os estudiosos da evo-
lução económica da humanidade adiantada:
"Se lançarmos uma vista de olhos sobre o
desenvolvimento da cultura da cana na Amé-
rica, verificaremos que menos de um século
bastou para que a transplantação originasse

um produto mundial, tal como se deu mais "A defesa da
tarde com o café, o algodão e o arroz; se a
cultura da cana e daquelas outras plantas,
transmitida pelos árabes, jamais alcançou na
Europa, medindo-se pelo padrão de hoje, produção açucareira"
grande amplitude, foi ela, no entanto, a cau-
sa da enorme produção dessas plantas orien- C2.» edição)
tais além Atlântico, do correspondente con-
sumo da nova produção por todos os povos da
terra e do necessário tráfico mundial a ani-
mar portos e oceanos". Leonardo Truda
Muito mais que à ibirá-pitanga, deveu a
nossa terra à saccharum officinarum eficaz
influxo para a sua civilização nos primórdios Preço. Cr? 12,00
do período colonial. E essa atuação benéfica Pelo Correio Cr$ 14,00
da indústria canavieira continuou depois,
principalmente na região nordestina. Teve

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Fáff. 102


703

OS FAZENDEIROS DE CAMPOS, NO SÉCULO PASSADO


Alberto Lamego

II

BRAZ CARNEIRO LEÃO Melo e Castro, mostrando-se favorável ao pe-


dido, "pois que o açúcar fabricado nos enge-
Não vingaramas primeiras tentativas fei- nhos de Campos era em maior abundância
tas em por Pero de Goes, donatário da
1539, que o dos engenhos da capital e seus recôn-
capitania de São Tomé, no levantamento de cavos" .

engenhos e plantação da cana de açúcar â Também, mais tarde, em 1784, quando su-
margem do rio Itabapoana. Os engenhos e plicaram que lhes concedesse a graça de não
canaviais foram destruídos pelos índios goi- poderem ser executados em suas fábricas e so-
tacás. Abandonada a do- mente nos rendimentos,
natária, ficou ela esque- como se fazia no Rio de
cida até 1627, quando os 7 Janeiro, o procurador da
capitães, em 19 de agos- Coroa que teve de dar o
to, conseguiram que seu parecer, assim se ma-
grande parte das terras nifestou: "A agricultura
lhes fossem concedidas de açúcar tem se adian-
por cartas de sesmarias. tado tanto nos últimos
Tomando posse delas, tempos em Campos, que,
ali introduziram algu- presentemente, se acham
mas cabeças de gado, em erigidos muitos engenhos
8 de dezembro de 1633, e e se cultiva tanta cana,
se dedicaram à sua cria- que é de justiça que os
ção, no que foram segui- suplicantes gozem dos
dos pelos seus sucessores. mesmos privilégios con-
Só depois que o gene- cedidos aos lavradores
ral Salvador Correia de do Rio". No ano seguin-
Sá e Benevides e os je- te conseguiram o que de-
suítas se tornaram gran- sejavam e mais tarde,
d e s proprietários em por alvará de 21 de janei-
Campos, teve início em ro de 1809, essa graça foi
meados do século XVll o concedida a todos os la-
cultivo da cana de açú- vradores do Brasil e do-
car, mas em peqeuna es- mínios ultramarinos que
cala, tendo porém grande não podiam ser executa-
desenvolvimento no sé- dos em seus engenhos e
culo seguinte. Já em 1777 lavoura de cana, e só na
o açúcar fabricado nos ^ h, ^ ( terça parte dos seus ren-
engenhos de Campos su- dimentos.
perava o fabricado nos Já nos primeiros qua-
do Rio de Janeiro e recôncavo. tro lustros do século XIX, o açúcar exportado
Quando os lavradores da terra goitacá pe- de Campos atingia a 15 mil caixas de 40 a 50
diram ao Marquês de Lavradio que ordenas- arrobas. O açúcar, depois de purgado em for-
se ao Ouvidor e mais justiças da Comarca a mas de barro e de madeira, era posto em cou-
supressão de tôdas as execuções nos seus en- ros de boi para secar e depois misturado, en-
genhos, afim de poderem continuar com as caixotado e assim enviado aos compradores.
suas safras e pagar aos seus credores, o Vice- A cana então cultivada era a mirim ou
Rei enviou a súplica, em 14 de fevereiro de creoula, mas com o cultivo da caiana, impor-
1778, ao secretário do Reino Martinho de tada, depois, a fabricação aumentou muito.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 -> Pág. 103


704

Em1827 já existiam em Campos 700 fá- de São Salvador dos Campos (dos Goitacás).
bricas de açúcar, mas é verdade que a maio- Ela sobreviveu ao seu esposo 24 anos, pois
ria era de simples palhoças com toscas moen- fechou os olhos em 12 de junho de 1812. De-
das de madeira e duas ou três tachas movi- pois do falecimento dos seus proprietários,
das a braços. Estas eram levantadas nas ter- parte das terras da fazenda da Barra Sêca
ras do morgado dos Assecas, então adminis- foi vendida a diversos, mas ainda hoje é
trado pelo chanceler da Relação do Rio de uma das maiores da terra goitacá. O atual
Janeiro, que tinha em Campos umadminis- proprietário transformou-a em criadouro e só
trador geral. Como os contratos de arrenda- em uma pequena área dos fundos é plantada
mento eram feitos nas condições mais extcr- a cana de açúcar, que é fornecida à Usina São
sivas, com
direito apenas de insigniif cante in- João.
denização das benfeitorias, depois de findos, O casal teve uma descendência notável
os arrendatários se limi- que deu grande brilho ao
tavam à feitura de tais 1° e 2.° reinados.
palhoças. As demais Dois dos seus filhos
eram impelidas pór água foram titulares e a 1 g u -
~ou quadrúpedes com exe- mas filhas e netas espo-
ção do engenho da gran- saram titulados.
de fazenda da Barra Sê- Do feliz consórcio nas-
ca, entre Campos e São ceram 8 filhos :

João da Barra, que tinha 1 — Maria Eugênia,


de extensão sete léguas casada com João Fran-
quadradas, movida a má- ciscoda Silva e Sousa.
quina. Todavia, alguns 2 — Maria Josefa, com
engenhos fabricavam por Geraldo Belens.
safra de 150 a 200 caixas 3 — Ana Vidal, com o
de açúcar e outras tantas Conde da Cachoeira.
pipas de aguardente. 4 — Fernando Carnei-
A fazenda da Barra Se- ro Leão, que nascera em
ca pertencia ao mais rico 30 de maio de 1782. Era,
'negociante do Rio de Ja- segundo a tradição, o bra-
n e i r o, Braz Carneiro sileiromais rico e popu-
Leão, o grande atacadis- lar daquela época —
ta, estabelecido à rua Di- "o príncipe Fernandinho,
reita, como nos informa como murmurava o povo
o raro almanaque de quando passava nas ruas,
1792. Também possuía dentro da sua carruagem
grande latifúndio nas vi- de luxo, que importara
zinhanças de Niterói, que de Londres".
lindava com o do Viscon- Baronesa de São Salvador de Campos Famoso conquistador,
de de Macaé. Muito con- não lhe foi difícil pren-
correra para as necessidades do Estado, quan- der nas malhas da sua rêde até a própria
do chegara ao Rio o príncipe regente D. João, princesa Carlota Joaquina, que por sua
em 7 de março de 1808; sendo por isso agra- causa se viu envolvida em hediondo crime,
ciado com a comenda da Ordem de Cris- como adiante veremos.
to. Era casado com D. Ana Rosa Maciel da O "Jornal do Comércio", de 1832, ano do
Costa, que nascera em 28 de novembro seu falecimento, deixou arquivados, em suas
de 1757. Esta, seguindo o exemplo do seu colunas, alguns dados biográficos.
marido, que falecera em 3 de junho de 1808, Seu pai o tinha destinado ao comércio e,
como recompensa dos seus serviços, por de- por isso, em 1801, o encaminhou a Lisboa,
creto de 17 de dezembro de 1812, lhe foi con- afim de praticar na casa comercial de Pedra
ferida por sua vida "em atenção à franqueza & Cia., da qual era correspondente.
com que ela e seu marido concorreram para A esse tempo, era Fernando capitão de
as urgências do Estado, o título de Baronesa Milícias da freguesia da Candelária.

BRASILr AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 10


.

105

Chegando a Lisboa, enamorou-se da filha O bens "atingiu a


inventário dos seus
do chefe da casa, D. Gertrudes Angélica Pe- avultada soma de 2.320 :000$000, numa época
dra e a esposou no ano seguinte, quando foi em que circulavam no Brasil moedas de ouro
agraciado com o hábito de Cristo e com o de 5$000 e de prata de $100.
foro de fidalgo Cavaleiro. Do seu consórcio teve duas filhas: D. Gui-
Regressando ao Rio deu-lhe seu pai socie- lhermina Adelaide Carneiro Leão (Marque-
dade na sua casa comercial, e falecendo êste, sa de Maceió e dama da 1.^ imperatriz do
assumiu a sua direção sob a firma Viúva Car- Brasil), que em 1824 casou com D. Francis-
neiro& Filho. co de Sousa Coutinho, filho do 1.° Conde de
Em 1808 foi promovido a tenente-coronel Linhares e D. Leopoldina Carneiro Leão que
do regimento de que era capitão e nomeado em 1829 esposou o seu tio José Alexandre
moedeiro da Casa da Moeda do Rio de Ja- Carneiro Leão (Visconde de São Salvador
neiro, e em 18r6, ao posto de coronel. dos Campos dos Goitacazes).
Nesse ano, em regozijo da Lei de 16 de 5 —
Luisa Rosa Carneiro, casada com o
dezembro de 1815, que elevara o Brasil a desembargador Paulo Fernandes Viana, que
Reino, foi o orador da Comissão do Comér- grandes serviços prestou a Campos quando
cio, que entregou ao príncipe avultada quan- Intendente Geral de Polícia, mandando lim-
tia. par em 1812 os cinco rios principais que es-
Em 8 de outubro de 1820 sua esposa foi gotavam a lagoa Feia: o da Onça (rio Novo
covardemente assassinada à porta de sua do Colégio), Ingá ou Castanheta, Barro Ver-
casa, na ponte do Catete, quando descia da melho, Furado e Iguassu.
carruagem com as duas filhas Guilhermina Alguns dos filhos do Dr. Viana foram
e Leopoldina, de volta da igreja de São Fran- também titulares: Paulo Fernandes Carnei-
cisco, onde tinha ido assistir a um "Te- ro Viana, Conde São Simão; Maria Loreto
Deum" Fernandes Carneiro Viana, Marquesa do
Corre escrito que o assassino foi um tal Cunha; Ana Luisa Carneiro Viana, Duquesa
Joaquim Orelha, que executara o crime por de Caxias.
ordem de D. Carlota Joaquina, e que o in- A sua neta, filha do coronel Braz Fernan-
quérito policial foi abafado por ordem de des Carneiro Viana, Luisa Henriqueta, ca-
D. João VL sou com o seu primo Braz Carneiro Noguei-
Em 1822, Fernando pronunciou-se pela ra da Gama, filho do Conde de Baependi.
causa da Independência do Brasil. 6 —
Rosa Eufrásia, casada com o seu so-
Pelos serviços que prestara, foi condeco- brinho Geraldo Carneiro Belens.
rado com a Ordem do Cruzeiro e nomeado 7 —
José Alexandre Carneiro Leão, aci-
Guarda Roupa da Câmara do Imperador Dom ma referido, que nasceu em 28 de março de
Pedro I, em 2 de dezembro dêsse ano, e Geri- 1793 e faleceu em 3 de setembro de 1863.
til-homem da mesma Câmara, em 12 de ou- Como Embaixador Extraordinário em Nápo-
tubro de 1823. Em 12 de outubro de 1825 foi les, acompanhou ao Brasil a imperatriz Te-
agraciado com o título de Barão de Vila Nova resa Cristina.
de São José e em igual dia e mês do ano se- 8 — Francisca Mônica, casada com o
guinte, com o de Conde. Marquês de Baependi.
Era coronel do 4.° Regimento de Cavala-
ria ligeira, da 2^ linha do Exército, quando
foi passado para a 1.^ no posto de coronel de
Cavalaria, por decreto de 31 de março de
1828. Obteve a promoção de Brigadeiro Gra-
duado, por decreto de 12 de outubro de .1828.
Era então coronel do Estado-Maior do Exér-
de
cito e 2.° Comandante da Guarda de Honra li
de D. Pedro I. Brasil Açucareiro"
No ano seguinte foi condecorado com a
Ordem da Rosa.
Depois da abdicação de D. Pedro I ret'-
Do 1° ao Xllh volume
rou-se à vida privada e faleceu em Niterói, Preço CrS 5,00
aos 4 de setembro de 1832. 3f

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Páff. 105


706

PESQUISAS SÒBRE HISTÓRIA AÇUCAREIRA NOS


ESTADOS UNIDOS
José Honório Rodrigues

II. IMPRESSOS

O consulente sul-americano surpreen- o Catálogo da Nassoviana, a Biblioteca Exó-


de-se nos arquivos e bibliotecas america- tica, de Alfredo de Carvalho, o Catálogo, de

nos não só pela organização e eficiência de Salvador de Mendonça, obras em sua maio-
seus serviços como, especialmente, pela quan- ria deficientes ou atrasadas na informação
tidade e riqueza de seu patrimônio. A Biblio- bibliográfica, mas, ainda assim, valiosas como
teca Nacional do Rio de Janeiro, por exem- guias ou roteiros.
plo, que pode ser considerada uma das mais Já na pesquisa dos manuscritos não nos
ricas da América do Sul, deve ter no máximo esquecêramos do Catálogo de Manuscritos da
um milhão de livros Ora, esta cifra é comum
,
Biblioteca Nacional, do Catálogo de Manus-
nos Estados Unidos, e na Biblioteca do Con- critos da Biblioteca Publica de Évora, obras
gresso, na Universidade de Harvard ou na tôdas existentes nas principais bibliotecas
Biblioteca Pública de Nova York, encontra- americanas. Muitos manuscritos de Évora
mos quatro e cinco milhões de livros.
sete,
foram, depois, trazidos ao Brasil, por invès-
A quantidade e volume não constituíram ra- tigadores que lá estiveram. A sugestão nos
zões para ineficiência ou desacêrto de orien- viera de José Higino Duarte Pereira, quan-
tação. Para isso aquelas instituições possuem do de suas pesquisas na Holanda. Em uma
não só técnicos em biblioteconomia como, das cartas que Netscher escrevera ao" ilus-
algumas, consultores especializados, que per- tre pesquisador brasileiro — e que José Hi-

cebem apenas para investigar e estudar a ma- gino transcreve em apenso ao seu relatório
^
téria que lhe é afeta, opinar nas questões du-
(vide n. 30 da Revista do Instituto Arqueo-
vidosas e orientar a aquisição de obras que
lógico e Geográfico Pernambucano) —agra-
,

decia-lhe e lhe devolvia o Catálogo da Expo-


completem o, patrimônio bibliográfico.
sição de História do Brasil, que acabara,
Postas em têrmos a riqueza e atualidade então, de ser publicado, mostrando, assim,
da biblioteca americana, é de se ver que um que José Higino levara consigo esta ainda
estudioso poderia prolongar indefinidamente excelente fonte de informações bibliográfi-
suas pesquisas quanto ao material impresso, cas. Aliás, fato contrário se dera com Souto
caso não o limitasse a estadia marcada. E' Maior, que esquecera, durante suas buscas
difícil,mesmo abandonando os manuscritos na Holanda, de carregar o próprio relatório
e dedicando-se exclusivamente aos livros, es- e lista de José Higino, o que motivou as du-
gotar a consulta, de vez que a dotação de or- plicatas de documentos e os prejuízos finan-
çamentos fabulosos permite a algumas das ceiros ou de tempo de que o acusam.
maiores bibliotecas norte-americanas adqui- Na Biblioteca Pública de Nova York de-
rir quase tudo que se imprime no mundo. dicamo-nos maig especialmente à história das
Gastávamos, por vêzes, vários dias ape- lutas holandesas no Brasil. Procuramos le-
nas consultando os fichários, para selecionar vantar o inventário de assuntos, tais como
entre milhares de livros o que julgamos Brasil, Companhia das índias Ocidentais, ho-
mais imperioso examinar. Procedíamos, en- landeses na América, personagens famosas
tão, à escolha, pelo critério da importância nas lutas e, finalmente, dos aspectos dou-
ou da inexistência no Brasil. Nem por isso trinários da mesma; as questões relativas
deixamos, a maior parte das vêzes, de ano- à expansão capitalista para a América, as
tar ou fixar aquela obra que, posta de lado, relações entre capitalismo e calvinismo e en-
poderia contribuir para o esclarecimento de tre judeu e o capitalismo. Fichado o mate-
um detalhe. Serviam-nos de base o Catálo- rial, em face da precariedade do tempo, es-
go da Exposição de História do Brasil, a Bi- tabelecia-se a prioridade, colocando na fren-
blioteca Brasiliense de José Carlos Rodrigues, te os julgados mais importantes. Aí, por-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 106


.

707

tanto, só encontramos referências ao açúcar Neerlandez, Êste trabalho merecera uma


quando elas se ligavam aos acontecimentos crítica de Edmund O. von Lippmann, Ueber
dos holandeses no Brasil. J. J. Reesses Werk Der Zuckerhandel Ams-
Entre estes convém citar o magnífico terdam 1600-1813, publicada no Zeitschrift
trabalho de Catarina Ligtenberg, Willem des Vereins der Deutschen Zuckerindustrie.
Usselincx, Utrechtsche Bijdragen voor Let- E' obra de valor, baseada em documentação
terkunde en Geschiedenis, IX, 1915, já cita- de arquivos holandeses, trazendo contribui-
do quando escrevemos nesta Revista sobre ção original e inédita. A segunda parte que
Guilherme Usselincx (número de setembro aqui destacamos e que trata do comércio de
de 1944) Desta vez sua indicação é feita em
. açúcar de Amsterdam de 1813 a 1894 já não
face da reprodução de dois documentos co- oferece ao leitor brasileiro o mesmo interês-
lhidos nos Arquivos suecos e que dizem res- se, de vez que, nesse período, as sucessivas
peito ao açúcar brasileiro. O primeiro traz crises porque atravessa o nosso produto difi-
o seguinte título: n.° 27. Memorie van Usse- cultam ao escritor estrangeiro uma melhoi"
lincx, Stockholm 24 December 1641. Staet apreciação. E' de se notar que a concorrên-
ende Inkommen van de West Indisch Com- cia de Java, sobretudo, afasta de Amster-
pagnie, bij eenige particuliere Uitgegeven. dam o nosso açúcar e, consequentemente dos
Anno 1640. A memória não foi dirigida a arquivos holandeses a documentação farta
Axel Oxenstierna, ministro sueco, com quem que pudesse facilitar a Reese os dados indis-
Usselincx andou propondo a fundação e or- pensáveis. E' certo que não mais o interessa-
ganização da Companhia do Sul, para explo- ria dedicar-se ao Brasil, porque as índias
ração da América do Sul, mas, como diz Lig- Orientais Holandesas haviam assegurado a
tenberg, foi por êle evidentemente conheci- Amsterdam um produto melhor e mais abun-
da O documento dá o estado e renda da Com-
. dante. Ainda assim, convém salientar que
panhia das índias Ocidentais e trata espe- nos anexos referentes à importação do açú-
cialmente do Brasil. Nela se declara que de car não refinado, que acompanham a obra, o
1.0 de agosto de 1639 a 1.» de janeiro de 1640 autor se refere especialmente ao Brasil (Bi-
fizeram-se 25.000 caixas de açúcar e entram- jlagen, XX —
XXI — XXII — XXIII —
se em particularidade e detalhes merecedo- XXIV — XXV) — e oferece, na parte fi-
res de atenção. Pretendemos divulgá-lo em nal, uma lista alfabética dos refinadores de
tradução vernácula em número próximo des- açúcar (LXIV-LXVI) As refinarias de açú-
.

ta Revista. Segue-se a Briefue Declaration car de Amsterdam, desde 1650, em mãos de


de la Principale Cause, qu m'a esmeu de- judeus, refinavam açúcar vindo do Brasil. (1)
venir en France, assinada de Paris a 1.° de Êsses judeus que se dedicavam a atividade
dezembro de^ 1634, onde também se propõe açucareira na Holanda ou no Brasil eram,
ao Rei de França a organização da Compa- em sua grande maioria, judeus safardins. Os
nhia das índias Ocidentais, fazendo-se refe- asquenazins dedicaram-se, no Brasil, às ati-
rência à Espanha, através das índias Ociden- vidades de pequeno mascate e ao comércio
tais, e ao Brasil. As fontes principais dêsse de varejo. (2) Cabe lembrar, aqui, que Al-
estudo foram o Arquivo Real de Haia. e o fredo de Carvalho, quando traduziu o trecho
Arquivo Real de Stocolmo. relativo ao açúcar no período holandês do
Outro trabalho merecedor de destaque primeiro volume da obra de J. J. Reese, dei-
é o de J J Reese, De Suikerhandel van Ams-
. .
xou de mencionar que o autor, em outras
terdam van 1813 tot 1894, een bijdragen tot partes de sua obra se referia ao açúcar brasi-
de handelsgeschiedenis des vaderlands. Gra- leiro produzido depois da expulsão dos ho-
venhage, W. Nijhoff, 1911, 158 p. Era conhe- landeses. Como Lippmann, J. J. Reese não
cido o trabalho anterior do autor. De Sui- deu grande importância à fase de 1650 a 1701
kerhandel van Amsterdam van het begin der Se Lippmann dedicou apenas dez minguadas
17 de eeuw tot 1913, publicado em 1908, do
qual Alfredo de Carvalho traduzira o trecho (1) Vide H. I. Bloom, The economic acti-
the Jews of Amtesdam, in lhe seven-
referente ao período holandês no Brasil. A
vities of
teenth and eighteenth centúrias, The Bayard
tradução foi publicada na Revista do Insti- Press, Williamsport, Penna., 1937, p. 38.
tuto Arqueológico e Geográfico Pernambu- (2) Vide H. I. Bloom, A study of Brazilian
cano, vol. XVII, n. 88, p. 101-117, sob o título Jewish history, in Journal of Historical Society,
Industria e commercio assucareiro do Brasil n. 33, 1934, p. 101-102.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 107


70Ô

linhas a esta fase tão importante da nossa teca da Univérsidade de- Ley de. A
terceira
então principal fabricação, J. J. Reese se li- edição. foi registrada no Catálogo de Pieter
mitou a úteis referências aqui ou acolá, a van der Aaa, Como se vê, é obra raríssima e
dados estatísticos sôbre importação em Ams- de valor inestimável.
terdam e a anexos finais sôbre a refinação A seguir, merece destaque o conhecido
de açúcar vindo das índias Ocidentais, entre Itinerário, Voyage ofte schipvaert van Jan
as quais se incluía o Brasil. A falta de Lip- Huygen van Linschoten naer Oost ofte Por-
mann é, porém, mais grave, desde que escre- tugaels Indien, 1579-1592. Uitgegeven door
via uma história do açúcar, ao passo que H. Kern, 1910-1934, em 3 volumes, que cons-
Reese se limitava ao comércio de açúcar em tituem os vols, 1, 2 e 29 da Linschoten Ve-
Amsterdam. De 1650 a 1661, época das lutas reeniging Werk. Trata-se da Viagem ou na-
diplomáticas para a assinatura do Tratado vegação de Jan Huygen van Linschoten para
de 1661, no qual os Países Baixos reconhe- o Oriente ou índias Portuguesas. Nela se en-
cerão a Portugal direitos sôbre o Brasil, pro- contram dados sôbre o açúcar nas Canárias,
vàvelmente não se importou açúcar brasilei- útéis para a história do roteiro seguido pela
ro. Mas daí até a publicação da obra de An- cana ate sua introdução no Brasil. Trata-se
tonil, expressão literária de predomínio eco- da melhor edição crítica de Linschoten.
nómico açucareiro, nosso açúcar continuou Mais valiosa é a obra de Pieter de Ma-
a predominar nos mercados europeus. rees, pouco conhecida pelos estudiosos brasi-
Boas informações sôbre o açúcar brasi- leiros, e que leva o seguinte título: Beschrij-
leiro registradas por viajantes holandeses an- vinghe ende historische verhael van het
tes da conquista e posse do território, colhe- Gout Koninckrijck van Guinea anders de
mos na magnífica série de edições críticas Gout-custe de Mina genaemt, liggende in
publicadas pela Sociedade Linschoten. A het deel van Africa, door P. de Marees,
Sociedade editou mais de vinte e nove volu- Uitgegeven door S. P. L'Honoré Naber, 1912.
mes de viajantes holandeses. Entre as que se E' o vol. 5.° da Linschoten Vereeniging. Não
referem ao Brasil e são pouco conhecidas pe- se descreve o Brasil nem se fazem referên-
los estudiosos brasileiros, convém citar: 1) cias especiais ao Brasil, mas as informações
Dierick Ruiters, Toortse der zee-vaert door sôbre o açúcar nas Canárias, em S. Tomé e na
Dierick Ruiters (Om te beseylen de custen Guiné são bem mais valiosas do que as pres-
gheleghen bezuyden den Guinea, en Angola, tadas por Linschoten. E' como êste, útil para
&c (1623). Uitgegeven door S, P. L'Honoré o estudo dos lugares onde florescera a cana
Naber, 's Gravenhage, M. Nijhoff, 1913. E' antes do predomínio brasileiro.
o volume 6.° da coleção Linschoten Vereeni- Hendrik Ottsen é navegante conhecido
gig Werken. As informações que contém sô- e divulgado na história do Brasil. Sua obra,
bre açúcar, negros e o uso da mandioca são Journael van de reis naar Zuid-Amerika
bastante curiosas e valem como as dos pri- (1598-1601) foi primeiro editada em 1603, e
meiros cronistas portuguêses. A obra é ba- pode também ser encontrada na Oost-Indis-
seada em Laet, Herrera, de Acosta, Martin che ende West Indische Voyagen, Amster-
dei Barco, Ramusio, Gomara, Lery, afora as dam, 1619. Existe uma edição de 1617 e é co-
observações pessoais do viajante. Trata-se nhecida a edição crítica espanhola feita por
de uma descrição geral, onde se fala de Per- Paul Groussac e divulgada nos Anales de la
nambuco (p. 30), do Rio Real (p. 31), da Baía Biblioteca Nacional de Buenos Ayres, em
de Todos os Santos (p. 32) e do Rio de Janei- 1905, tomo IV. Os que a examinarem com
ro. Cuida do açúcar e dos negócios do açú- o interêsse voltado para o açúcar nela encon-
car no Rio de Janeiro (p. 32) Das 94 p. to-
. trarão valiosos dados sôbre o açúcar no Bra-
tais, a parte brasileira ocupa 44 p. O anota- sil, sôbre refinação em Amsterdam, Middel-

dor, S. P. L'Honoré Naber, ilustre editor da burg, Delft; sôbre a introdução do açúcar da
edição holandesa de Barleus, declara que da Madeira para. o Brasil; sôbre exportação de
-primeira edição de 1623 só conhece dois açúcar de S. Salvador para Portugal, proibi-
exemplares existentes na Provínciale Biblio- ção de exportar, etc. etc. Esta obra foi em
theek van Zeeland em Middelburg e na Her- 1918 editada pela Lnschoten Vereeniging com
zogliche Bibliotheek em Wolf enbuittel Da. magnífica introdução e valiosas contribui-
segunda edição de Amsterdam, Jacob Co- ções de J. W. Ijzerman, Constitui a 16.*
lom, 1648, conhece um exemplar da Biblio- obra crítica da coleção Linschoten.
u
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 108
. .
.

709

Curiosas e inéditas são as informações tais como Handelmann e Brandenburger


sôbre a entrada do açúcar brasileiro na In- Trata-se especialmente de artigo de divulga-
glaterra, nos anos de 1623-1624, que nos for- ção, alcançando até 1920, com dados esta-
necem o Calendar of State Papers, Domestic tísticos sôbre a entrada do açúcar brasileiro
Series of the reign of James I, London, 1859. em Hamburgo em 1920.
Os volumes 10 e 11 contêm dados valiosos EmWashington, na Biblioteca do Con-
sôbre o comércio do Brasil, através de Portu- gresso encontramos valioso material sôbre as
gal, sôbre o pau-brasil e o açúcar, sôbre di- Antilhas e as índias Ocidentais. Dentre êste
reitos de importação e sôbre arrendamento convém citar os trabalhos de Irene Wright
dos mesmos e, finalmente, sôbre a proteção a sôbre Cuba e S. Domingos. Como já fala-
refinarias. Transcrevem-se em resumo peti- mos no artigo anterior, a autora exerceu ati-
ções e divulgam-se rumores do Parlamento vidades prolongadas nos arquivos espanhóis,
sôbre questões surgidas com a entrada de a serviço da Biblioteca do Congresso, poden-
açúcares do, assim, colhêr valiosos dados que se torna-
Ainda durante o século IXVII é curioso ram de interêsse não só para a história de
lembrar a ordenança de 15 de maio de 1657, Cuba como para a história da introdução da
permitindo o comércio livre do açúcar em cana de açúcar na América. Relativamente
New Amsterdam (Nova York), transcrita no ao Brasil, salienta a influência e importân-
Calendar of Historical Manuscripts, coligido cia da habilidade portuguêsa na fabricação
por O' Callaghan. açucareira inicial de Cuba. Os documentos
Ainda na Biblioteca de Nova York en- encontrados e as conclusões a que chegou fo-
contramos informações bibliográficas sôbre o ram sumariados em dois artigos; 1) The com-
açúcar brasileiro, que desconhecíamos no mencement of the cane sugar industry in
Brasil. Assim, por exemplo, America, 1519-1538 (1563), publicado no Ame-
1) Furniss, H. W. —
Production of su- rican Historical Review, 1916, vol. 21, p.
gar in Sergipe, Consular Reports, v. 69, p. 755-780. Estudando a introdução do açúcar
577-584, Washington, D. C, 1902. na América, recorre a autora aos trabalhos
2) Furniss, H. W. —
Sugar industry in de Las Casas, de Oviedo e a Punta y Olea (4)
O primeiro estabelece nos anos de 1505 ou
Bahia. Consular Reports, v. 69, p. 584-589,
1506 os primeiros inícios feitos, com má apa-
Washington, D. C, 1902.
relhagem, por Aqilon e a Villosa, em 1516,
3) Stolle, F. —
Notizen ueber die Zuc-
com melhor aparelhagem. Oviedo aceita esta
kerindustrie in Brasilien, in Verein d. Zucker-
última data e Punta y Olea, baseando-se nos
Industrie Ztschr. ,Berlin, 1909, 8.^ v. 59, p.
livros da Casa da Contratação, estabelece ju-
107-117.
nho de 1517 como a data da chegada da pri-
4) Diamante, Henri —
Note sur Tndus- meira caixa pelos jeroninistas de S. Domin-
trie sucrière au Bresil, in Ministère de Tagric. gos a S Alteza Começa, então, Iren% Wright
. .

Buli. Année 18, p. 171-187.


a divulgar os documentos encontrados. Lem-
Wátjen, Hermann
5) Der Zucker— bra que a êstes monges havia sido concedida
im Wirtschaftsleben Lateinamerika von der a posse de terras para o estabelecimento de
Kolonialzeit -bis zur Gegenwart, in Welt fábricas de açúcar (Arch. General de Im-
wirtschaftliches Archiv, Zeitschrift des Ins- dias 139.0 1,6, vol. 8.°, p. 251 r). Em 22 de julho
tituts fur Weltwirstchaft und Zeeverkehr an de 1517 o Cardeal Ximenez exprime a opi-
der Universitaet Kiel, Herausgegeben von Dr. nião de que o açúcar poderia ser realmente
Sc Pol. Benahrd Harnis, 17 Band, 1/Ocktober manufaturado em La Espahola (Arch. Gene-
1921, Heft, 2, Varlag von Gustav Fischer, ral de índias, 139, l.^^-S). Em outro documento
Jena, p. 173-188. Grande parte dêsse artigo (A. G. I., 2.°-l.<^-3/22), escrevia-se que desde
é baseada em Lippmann, o que vem confir- 22 de junho de 1518 "Ya tambien se comiezan
mar as afirmações que fizemos nos artigos de- a hacer ingenios para hacer azucar que será
dicados a êste e publicados nesta Revista, cosa de grandíssima riqueza". O açúcar vie-
sôbre atribuições de autoridade em história ra das Canárias para Espanha (A. G. I.,
açucareira. (3) Wátjen cita outros autores, 139-1-4, p. 122r) e S. Domingos recorrera ao

(3) O Brasil na historia do açúcar de E. O. (4) M. de La Punta y Olea, Los trabajos


von Lipmann, Brasil Açucareiro, Abril 1943, p. geográficos de la Casa de la Contratacion, Vevi-
343. ]ha, 1900, p. 401-402.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 109


..

tió

trabalho hábil das Canárias, seguindo as ins- ,tante 54, caja 1, Legajo 32, p. 35, do A. G. I.,

truções que foram dadas aos govêrnos de Te- publicado por Irene Wright) .
^

neriffe e de Las Palmas (A. G. I., 139, 1-6, De novo outro documento nos diz da im-
vol. 8, p. 21).Por volta de 1520, quarenta en- portância da fabricação portuguêsa, agora re-
genhos estavam sendo construídos em S. Do- lativa a formas que se aplicavam na fabrica-
mingos. Irene Wrigth cita as palavras do ção do açúcar e que se desejava importar de
Licenciado Figueroa, de 6 de julho de 1520, Aveiro. -Em !.« de julho de 1597 (A. G. L, ;

que transcreve no documento XII (p. 757) 54.°-l-32), recordava sua petição de 24 de ju-
e declara que elas podem ser consideradas lho de 1596, onde diziani: "el capitan Juan .

como o certificado de nascimento da indús- . Rodriguez Quintero há concertado con noso-


tria açucareira no hemisfério ocidental. An- tros de traer a la ciudad y para nosotros dei
tes de 1520, já estava definitivamente esta- reino de Portugal que son das me j ores que se •

no Novo Mundo a fabricação do


belecida'
hacen y de donde se proveen de ellas en las ;

islãs de Canárias y en las islãs de la Madera


açúcar. Só a publicação desse documento
compensa os esforços de Wright, de vez que y otras partes 'adonde se fabrican el dicho
as datas anteriores eram baseadas em fontes azucar porque no las hay ni se hacen en Cas-
tilla ni en las dichas islãs que sean de prove-
secundárias (Las Casas, Oviedo, Herrera)
cho y tambien se obliga a traer las calderas
A autora continua seu relato, mostrando
de cobre que fueren necessárias y esto para
que cedo começaram os de La Esparíola a
protestar contra o monopólio de Sevilha e a
que lo pueda carregar en 1 navio o dos en el
dicho reino de Portugal sin obligacion de ir
desejar comerciar com Flandres (Doe. XIV)
a hacer registo a la ciudad de Sevilla porque
Mostra que nunca o açúcar de La Espanola
de otra manera no se quere obligar a traerlas
alcançou aquêle país (Doe. XV) De grande .

porque nosotros queremos enviar a S. M. nos


interêsse para nós é o documento XVI, pelo
conceda la dicha licencia." Transcreve, en-
qual ficamos cientes de que a ilha desejava
tão, a opinião do Governador Maldonado
proteger-se, ela própria, contra a competi-
aprovando a petição e mostrando a utilidade
ção portuguêsa, obtendo a proibição de açú-
de se importar caldeiras de cobre e formas
car estrangeiro. Rezava este documento
de barro; estas "de la ciudad de Abero dei
(p. 774):"ay necessidad que Su Magestad,
reino de Portugal de donde se proveen los
provea y mande que no entren ni puedan en-
ingenios de las islãs de Canárias, Cabo Ver-
trar en todos sus reinos y seííorios ningun
de, Santo Tome, la Madera y Brazil". Se-
azucar ni canafistola sino lo mismo que en
gue-se o parecer do regedor de justiça, repe-
los dichos reinos se hizieren y por suas súb-
tindo o argumento de que as mencionadas
ditos y naturales." No 2.° trabalho El establi-
formas de barro eram as melhores e as uti-
cimiento de Ia industria azucarera en Cuba,
lizadas "en las islãs Canárias, Madera, Santo
publicado na revista de Havana, Reforma so- Tome y Tierra Firme dei Brasil".
cial (1916, 8.0, t. 7, p. 26-42, abril-junho), di- A organização do trabalho foi também
vulga outros documentos que merecem ser obra portuguêsa. Segundo um documento do
resumidos aqui. Talvez a primeira iniciativa Arquivo Geral das índias (54.°-l-16), Antô-
espanhola em favor do açúcar em Cuba te- nio de Matos "era natural de la ysla de Ma-
nha sido a cédula real de 13 de fevereiro de dera, maeso de hazer azúcar el que introdu-
1523, na qual se ordenava aos funcionários jo la labor de los ingenios".
reais que se inteirassem dos começos e ma- Irene A. Wright termina por afirmar
neiras da fabricação do açúcar e das pessoas "que en Habana en los afíos de 1598 a 1602, se
honradas a quem se propunham empréstimos estabeleció la indústria azucarera, en buena
até 4.000 pesos. (A. G. I., 139-1-6, t. 9, f. 34). parte, según documentos posteriores, por por-
Na verdade, até 1598, o açúcar ainda era im- tugueses" .

portado de S. Domingos e pelo relatório do A ilustre pesquisadora americana reve-


govêrno de Cuba, Don Juan Maldonado Bar- la-nos nestes dois artigos curiosa informação :

nuevo, se verifica "que no se hacia ningun a de que a mão de obra, a habilidade profis-
género de acucar sino algunas botixas de sional e a indústria portuguêsa não tinham
miei que se consumia entre los mismos ve- rival por volta de 1590, tanto assim que não
cinos y entonces se traya lo acucar de Sto só se dizia claramente que as fôrmas de bar-
Domingos y valia a seis reales la libra" (Es- ro de Aveiro eram as melhores do mundo,

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 110


.

711

AZEREDO COUTINHO
(i74z-i82.i)

Sérgio Buarque de Holanda


(

I voadas da capitania de Minas Gerais, ao tem-


po do governador Luis Diogo Lôbo da Silva.
José Joaquim da Cunha de Azeredo Cou- Não parece que ao futuro bispo de Elvas
tinho nasceu em São Salvador dos Campos estivesse reservada desde o berço uma carrei-
dos Goitacazes aos 8 de setembro de 1742, ra literária Filho mais velho de família abas-
.

primogénito de Sebastião da Cunha Couti- tada, tudo o encaminharia à condição dêsses


nho Rangel e D. Isabel Sebastiana Rosa de ricos fazendeiros campistas que o Príncipe
Morais (1) Dos ascendentes, que pertence-
. Maximiliano de Wied-Neuwied nos pinta,
ram à gente principal da capitania da Paraí- já em princípio do Século XIX, como ami-
ba do Sul, dá notícia o requerimento que, gos da ostentação e do luxo exterior, embo-
quando Bispo de Pernambuco, dirigiu Aze- ra sempre satisfeitos com seus trastes humil-
redo Coutinho à Rainha D. Maria I, pedindo des e seus casebres de taipa, mais miseráveis
para seu irmão, Sebastião da Cunha Couti- no aspecto do que os de um miserável cam-
nho Rangel, a mercê do foro de fidalgo (2) ponês da Europa Central.
Consta désse papel que seu bisavô paterno, Aos seis anos de idade era levado para o
Sebastião Martins Coutinho, foi dos que, em Rio de Janeiro, onde estudou gramática, retó-
1711, se opuseram à entrega da praça do Rio rica, belas letras, filosofia e teologia. Em se-
de Janeiro aos franceses de Duguay-Trouin, guida viajou longamente nas capitanias do Rio
contribuindo além disso para o resgate da de Janeiro, Minas Gerais, talvez São Paulo,
referida praça. O avô materno de Coutinho, procurando retirar o melhor proveito de suas
Domingos Alvares Pessanha, governou por observações. Percorreu essas terras nota —
longo tempo, quase até ao fim da vida, a co- um dos seus biógrafos —
"não como estéril
marca dos Campos, concorrendo com seus ha- viajante, mas como filósofo observador, fa-
veres e muito trabalho para a domesticação zendo seus apontamentos do que julgava no-
dos índios Goitacá. O nome do padre Angelo tável".
Pessanha, irmão de Domingos Alvares, está Depois da morte dos pais, pode finalmen-
ligado, por sua vez, não só ao apaziguamento te, à testa dos negócios da família, travar
do mesmo gentio como à expulsão dos Cuités, contato mais direto com a vida rural e apre-
chamados Botocudos, de algumas áreas po- ciar, ao mesmo tempo, suas prementes neces-
sidades .

(1) V. biografia por J. J. P. Lopes, no Aos trinta anos, cede a administração


t.° VII da Revista do Instituto Histórico e Geográ-
da fazenda a seu irmão Sebastião, e segue
fico Brasileiro (Rio de Janeiro, 1845), p. 106, e
Alberto Lamego, A Terra Goitacá, II. (Bruxelas- para Coimbra, onde se matricula em 1775,
Paris, 1920), p. 370 e ss. Outros biógrafos, inclu- formando-se três anos mais tarde em Filoso-
sive Inocêncio e Blake, depois de Januário da fia e em 1780 em Direito. Licenciado em Câ-
Cunha Barbosa (cf. Rev. cit. t.° I. 3.* ed. Rio, nones algum tempo depois, é nomeado Bispo
1908, p. 272), registram o ano de 1743 como data
de Pernambuco em 1794, tendo sido, anterior-
do nascimento de A. Coutinho.
(2) O texto do requerimento está publicado

mente. Arcediago no Rio de Janeiro e De-
em Lamego, op. cit. pp. 501 ss. putado do Santo Ofício.

como se colocava o açúcar do Brasil, fruto Wright (Macmillan, 1916, 390 p.), estuda o
português, ao lado de expressões mais anti- açúcar em Cuba, mostrando que até 1590 ain-
gas da opulência açucareira, tais como Ma- da não estava estabelecida em Cuba a fabri-
deira e S. Tomé. cação açucareira.
Na obra The early history of Cuba, 1492-
1586, Written from original sources, Irene (Segue)

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág:. 111


. .

712

Só em 1799 chega à Diocese. Além das neos e sobretudo para os seus conterrâneos,
funções de prelado, tem de assumir interi- brasileiros e portuguêses —
era, política e
namente o govêrno da Capitania, na ausên- socialmente, um conservador. No fundo, nun-
cia do Governador, D. Tomás José de Melo. ca se desprendeu inteiramente da velha tra-
Essa oportunidade permite que se revelem dição familiar, tradição de grandes proprie-
suas qualidades de administrador excepcio- tários e agricultores, e assim, nem a expe-
nalmente dotado. Entre as realizações que riência universitária, nem- a carreira cleri-
assinalam sua passagem pelo bispado, avulta cal, nem a viva curiosidade intelectual que o

a criação do Seminário de Olinda, onde trans- levou a absorver doutrinas progresisstas de


forma de modo radical os métodos de ensino seu tempo, chegaram a apagar nêle o vinco
adotados tradicionalmente na Capitania e do senhor rural. Justif icando-se, certa oca-
herdados dos jesuítas. Graças à colaboração sião, contra os que desejassem vê-lo entregue

dos padres do Oratório, consegue —


inf or- a pensamentos mais elevados e piedosos, me-
ma-nos Oliveira Lima —
substituir os velhos nos próprios de um lavrador ou mercador do
moldes do pensamento aristotélico por outros, que de um autêntico prelado, retrucava êle:
mais de acôrdo com o espírito do tempo (3) "é necessário lembrar-lhes que eu, antes de
Êsse estabelecimento, que um adversário do ser Bispo, já era, como ainda sou, um cidadão
Bispo chamou irônicamente de Universida- ligado aos interêsses do Estado, e que os ob-
de, seria logo considerado "o melhor colégio jetos de que trato não ofendem à religião,
de instrução secundária do Brasil." nem ao meu estado; eu, quando estudante,
não sabia nem pensava que havia de ser Bis-
No cargo de diretor geral dos estudos, que
po...". E concluía: "e discorrer sôbre obje-
concomitantemente exercia, teve maiores fa-
tos de minha pátria, ou que com ela têm rela-
cilidades para a aplicação e ampliação dos
ção, é um doce passatempo da saudade; des-
novos processos pedagógicos. Como Gover-
ta saudade inseparável da pátria que por si
nador da Capitania, também prestou impor-
tantes serviços, que enumeraria mais tarde
mesmo se apresenta à imaginação" (5)
em carta a Sua Majestade (4) . Um
dêles, de
Na realidade o interêsse nacional resu-
mia-se, para êle, apenas, ou quase, no inte-
grandes e perduráveis conseqiiências, foi a
rêsse da grande lavoura. E onde quer que se
abertura de uma estrada de comunicação dos
apresentasse como partidário de tal ou qual
sertões de Pernambuco à praça de Olinda,
princípio, de tal ou qual providência, o que
pela parte do Sul.
falavam sempre, nos seus escritos, eram os
Nomeado Bispo de Miranda e Bragança, sentimentos e preconceitos de uma classe: a
sua atividade transcorre, de 1804 em diante, classe dos donos de engenhos. Pode-se dizer,
longe do Brasil. Em 1806 é escolhido para sem exagêro, que nos pensadores raciona-
Bispo de Elvas; em 1817 para Bispo de Beja; listas e nos economistas liberais, êle procurou
em 1818 para Inquisidor Geral do Santo Ofí- constantemente argumentos que fortaleces-
cio. Eleito em 1821 Deputado às Cortes Cons-
sem a ascendência dessa classe.
tituintes pelo Rio de Janeiro, falece no mes- Há a considerar que a expansão da in-
mo ano, a 12 de setembro, vítima de um ata- dústria açucareira na região campista era re-
que de apoplexia. lativamente recente ao tempo da mocidade
de Azeredo Coutinho Em 1769
. —
refere uma
II testemunha existiam ali apenas cinqiien-
ta e cinco engenhos e engenhocas. Dêsse ano
Como sucede tão freqiientemente entre ao de 1778, levantarara-se mais cento e treze;
círculos letrados da época da Ilustração, êsse de 1778 até 1783, mais cento e dez (6) Nu- .

homem que em sua atividade prática e em seus merosas fortunas, ràpidamente desenvolvi-
escritos pugnou muitas vêzes por idéias avan- das, achavam-se ainda mal formadas quando
çadas —
avançadas para os seus contemporâ- Coutinho publicou seus primeiros ensaios. A
concorrência dos produtores antilhanos era
(3) Manuel de Oliveira Lima, Pernambuco,
seu desenvolvimento histórico (Leipzig, 1895), p.
(5) José Joaquim da Cunha de Azeredo
216. V. também Estatutos do Seminário Episco-
Coutinho, Discurso sôbre o Estado Atual das Minas
pal de N. S. da Graza de Olinda, Lisboa, 1798.
do Brasil — (Lisboa, 1804), pp. 10 e 11.
(4) Visconde de Pôrto Seguro, História Ge- (6) Carneiro da Silva, Nova Edição
Cf. José
ral do Brasil, 3.» ed. 1.° V. (São Paulo, s. d.), pp. da Memória Topográfica e Histórica sôbre os Cam-
81 ss. pos dos Goitacazes (Rio de Janeiro, 1907), p. 57.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 112


. . . .

713

o maior estorvo à expansão ilimitada da nova O bem estar dos lavradores resulta, a
fonte de riqueza . A
rebelião das colónias açu- seu ver, em vantagem segura para os con-
careiras francêsas, provocando uma alta sú- sumidores, ainda quando êstes tenham de pa-
bita dêsse género em toda a Europa, veio, decer da carestia dos géneros. E o maior be-
sem dúvida, abrir extraordinárias perspec- neficiário é, ao cabo, a própria nação. O au-
tivas aos lavradores brasileiros. Mas era pre- tor não deixa de acenar com o exemplo dos
ciso aproveitar do melhor modo a oportuni- povos mais industriosos, os mesmos povos
dade que assim se apresentava A
ocasião nos
. que arrebataram aos países ibéricos a supre-
desafia, clamava de Lisboa o futuro prelado, macia no comércio mundial. "O meio de pro-
"ela é ligeira e volúvel; se se não lança mão mover e adiantar a indústria de uma nação",
dela, foge, voa e desaparece". diz, "é deixar a cada um a liberdade de tirar
Com tais palavras encerra-se a Memória um maior interêsse do seu trabalho: os in-
sobre o Preço do Açúcar, publicada pela pri- glêses e os holandeses, primeiros mestres na
meira vez em 1791, (*) onde se pretende mos- arte do comércio, têm dado a todos estas li-
trar o erro em que andavam os partidários da ções" (10) Assegurando aos seus produtores
.

taxação do produto. Contra êsse velho re- e negociantes essa mesma liberdade, o país
curso, de que tanto tinham abusado os go- conseguiria, algum dia, assenhorear-se de um
vernos e que, diz expressamente, seria "uma certo ramo de comércio, "podendo então dar
ruína para os senhores de engenho do Brasil a lei como quiser, sem temer os esforços que
e um mal para consumidores da Metrópo-
os contra êle fizerem as outras nações" (11)
le" (7), opõe o remédio supremo dos novos Mas para que a preeminência perdida
economistas, o mesmo remédio que ocorre- seja plenamente recuperada, é necessário, an-
ria mais tarde ao seu contemporâneo José da tes de tudo, que se dê a atenção devida às ver-
Silva Lisboa: deixai fazer... "A esperança dadeiras e legítimas fontes de riqueza na-
de um dia feliz é a que mais anima ao ho- cional, que são as da agricultura. Apoiando-
mem nos seus trabalhos: cortar ao agricul- se em idéias que andavam no ar, e que, em
tor esta esperança pela taxa do seu género, parte, tinham sido expressamente desenvol-
é cortar ao consumidor dêsse género aquêles vidas pelos fisiocratas franceses, Coutinho
mesmos braços que mais trabalhavam .para pode renovar, com dobrado vigor, a antiga
o seu regalo" (8) "À revolução inesperada,
. campanha contra a desordenada exploração
acontecida nas Colónias Francesas é um da- das minas de ouro, consideradas úm simples
queles impulsos extraordinários com que a sorvedor de braços, que seriam mais util-
Providência faz parar a carreira ordinária mente ocupados na lavoura. O desastre que
das coisas; agora, pois, que aquêles Colonos representara para Portugal o descobrimen-
estão com as mãos atadas para a agricultura, to dessas minas, chamando a si "todos os bra-
antes que êles principiem nova carreira, é ne- ços das nossas fábricas de açúcar", podia ser
cessário que apressemos a nossa. O interês- agora avaliado em tóda a sua extensão. A
se é a alma do comércio, e como éle tanto voz de Coutinho parece um eco das palavras
anima ao francês como ao português, é ne- proféticas que, quase dois séculos antes, es-
•cessário deixar-lhe tóda a liberdade ao subi- crevera o governador D. Diogo de Menezes:
do preço do açúcar; quanto éle mais subir, "... e creia-me V. Mag.*° que as verdadeiras
mais se aumentarão as nossas fábricas e o minas do Brasil são o açúcar e o pau-brasil...",
nosso comércio" (9) "... o mesmo negócio há de mostrar cedo a
V. Mag."' a perda que há de ter sua fazenda
(*) N. da R. —
Esta Memória foi publicada
(...), mas será então um mal, q'o perdido não
nesta revista, vol. XVI, n. 6, de dezembro de 1940,
se poderá recuperar". (12)
págs. 457-463.
(7) D. José Joaquim da Cunha de Azeredo O resultado fôra que, dispondo o Brasil
Coutinho, Ensaio Económico sôbre o Comércio de de terra dadivosa e mão de obra mais bara-
Portugal e suas Colónias. Segunda Edição, corri- ta, por serem portuguêsas as melhores colô-
gida e acrescentada pelo mesmo autor (Lisboa,
1816), p. 185. A Memória sóbre o preço do Açú- (10) ob. cit., p. 198.
car vem em apêndice, nas várias edições do Ensaio,
(11) ob. cit., p. 198
publicado pela primeira vez em 1794. Para o pre-
sente estudo, aproveitou -se o texto da edição ci- (12) Correspondência do Governador D. Dio-
tada, de 1816. go de Menezes. 1608-1612" Anais da Biblioteca
(8) ob, cit, p. 191 Nacional do Rio de Janeiro, vol. 57 (Rio, 1939),
(9) ob. cit„ p. 200. pp. 54 e 52.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 113


714

nias de resgate de escravos, bem cedo veio do nos países economicamente mais avança-
a perder tão considerável ramq de comércio dos do que Portugal. Sua convicção de que a
como é o açúcar. E não ficou nisso o dano cada um deve ser lícito retirar o máximo pro-
que, para os portugueses, decorreu da sua veito de seu trabalho, e a certeza de que tal
cegueira, deixando-se enganar por fan- um liberdade só pode servir ao bem comum, à
tasma de riqueza. A perda da suprema- nação, já implicava a crença em uma ordem
cia no mercado internacional do açúcar acar- natural, que qualquer ingerência dos govêr-
retou a diminuição de sua marinha. E' pelo nos há de necessáriamente perturbar.
menos engenhoso o argumento de que se ser- A verdade é que, tendo absorvido, apa-
ve Coutinho para mostrar essa correlação: rentemente, as doutrinas económicas provo-
"porque diz— .

um navio carregado de ou- cadas, na Europa, por uma sociedade capita-
ro não ocupa tantas ,naus, nem tantos mil ho- lista em plena ascenção, Azeredo Coutinho
mens como uma frota carregada de açúcar, procurou ver assegurados, com o socorro
cacau, trigo, arroz, carnes, peixes salgados, dessas mesmas doutrinas, os tradicionais
etc. (13). privilégios de uma aristocracia colonial e se-
A
revisão dêsse erro fatal, que condenara mi-feudal: a aristocracia dos grandes pro-
à ruina a lavoura e o comércio do açúcar, prietários rurais do Brasil. A
campanha que
parecia assim de tôda necessidade. E ao lado moveu incessantemente contra os monopolis-
da cultura da cana era preciso desenvolver tas apoia-se nesse propósito. Sem o comércio
também as do cacau, canela, baunilha, e café, livre do sal, por exemplo, como se poderiam
pois todos êsses géneros dão as mãos entre esperar grandes benefícios para os criadores
si, e quanto mais se aumente seu consumo, e agricultores ? Indispensável à alimentação
tanto maior será a procura do açúcar. do gado, êsse produto é de primeira necessi-
Na Memória, que pretende ser um sim- dade para a conservação das carnes e do pes-
ples escrito de circunstâncias, e cujo objeti- cado. Ora, em virtude do odioso monopólio
vo imediato, impedir que se fixasse o preço ainda vigente ao tempo em que era redigid"^
do açúcar, foi prontamente conseguido, já o Ensaio Económico, as despesas ordinárias
se denuncia um
espírito dotado de apreciá- para a salga de umboi eram duas e três vê-
vel ilustração. Tal qualidade manifesta-se zes maiores do que o valor do mesmo boi (15).
ainda mais cabalmente no volume que Aze- Consequência: para receber os quarenta e
redo Coutinho publica em seguida e que é, oito contos anuais que lhe pagavam um arre-
sem contestação, sua obra mestra: o Ensaio matante, a Fazenda Real via-se privada de
Económico sobre o Comércio de Portugal e receber as somas incalculáveis que o comér-
suas Colónias, impresso pela primeira vez cio livre produziria.
em 1794, por ordem da Real Academia de Abolido o estanco, tudo seria mais sim-
Ciências de Lisboa, e reeditado com acrés- ples. Ganhariam os produtores, ganhariam os
cimos em 1816 e em 1828. comerciantes e ganhariam, ao cabo, o próprio
As traduções sucessivas que se fizeram, Erário Régio: "o pescador, o criador de gados,
em inglês (1801), alemão (1801) e francês o agricultor, o comerciante, dárão as mãos'
Cl 803), a primeira reimpressa duas vêzes entre si: êles virão logo sustentar a metrópo-
(1807 e 1808) e as outras uma vez cada uma le de carne, peixe, pão, queijo, manteiga e
(em 1808), atestam o interêsse amplo susci- de todos os víveres. Só por essa porta en-
tado por essa obra (14) . O
segrêdo de tão trarão para o Erário Régio muitos 48 contos
extraordinário êxito está, provavelmente, de réis, e Portugal irá descobrir tesouros in-
em que linguagem do prelado campista, era calculáveis, mais ricos que o Potosi". (16).
acessível,em muitos pontos, à mentalidade Forçoso é concluir de tais raciocínios, que
de seus contemporâneos, inclusive e sobretu- o agricultor e o comerciante têm sempre in-
terêsses harmónicos. Sem o intermediário,
(13) Ensaio Económico, cit. p. 200.
que procura continuamente novos e novos
(14) V. Brazil and Portugal in 1809. Manus-
mercados, o produtor se verá condenado a
cript Marginalia on a Copy of the English Trans-
lation of Bishop Joze Joaquim da Cunha de Aze- uma existência^ miserável e destituída- de
redo Coutinho's Ensaio Económico sobre o Co- qualquer estímulo. Há, pois, uma natural
mercio de Portugal e suas Colónias. Edited with
an Introduction and Notes by George W. Robin- (15) Ensaio Económico, p. 14 s.

son. Cambridge, 1913. (16) ob, cit. p. 19.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 114


715

concatenação dos interesses da produção, da dado perscrutar aqui os desígnios da Provi-


circulação e da distribuição da riqueza, que dência, que tudo dispôs desigualmente, ga-
é preciso respeitar e de tôdas as formas pro- lardoando os poderosos da terra, não só com
mover. Com o livre jôgo das forças econó- os bens mundanos, mas ainda com os meios
micas, Estado e coletividade só terão a lu- que hão de levar à salvação eterna.
crar. Aos deserdados da sorte não parece res-
Não é difícil reconhecer em tudo isto a tar sequer essa mercê póstuma. "O homem
"mão invisível" da frase célebre de Adam que vive no meio da pobreza, da opressão e
Smith, cuja obra, Azeredo Coutinho, segun- da miséria, amaldiçoa ainda aquêles que o
do tôdas as probabilidades, ainda desconhe- geraram, aborrecce a vida, revolta-se contra
cia quando redigiu seu Ensaio. Seduzido pelo todos, contra si mesmo; mata-se e se despe-
prestígio das grandes nações comerciantes, da daça: o homem, enfim, que não tem que per-
Holanda e da Inglaterra, o Bispo não estava der, é o mais atrevido e o mais insolente, a
longe de esposar certos ideais económicos tudo se atreve, nada lhe resiste" (18)..
extremadamente individualistas, que passa- E nesse caso, o que é verdadeiro com re-
riam por heterodoxos e ímpios entre os adep- lação aos indivíduos, aplica-se igualmente às
tos mais rigorosos da moral da Igreja. A ri- nações. Não falta, entre pensadores e filóso-
queza constituiria para êle um fim em si e fos da época, uma das mais agitadas que a
que não impõe nenhuma obrigação, nenhum História conheceu, quem veja na abastança
dever muito nítido. Se ao menos no plano nacional o remédio único e decisivo contra as
económico —
o prelado não pretende ir além inquietações sociais de tóda a espécie. E essa
— aquilo que é vantajoso para o particular
,
é a opinião de Azeredo Coutinho. Êle tam-
bém acredita que os povos pobres, indigen-
há de reverter em benefício para a socieda-
tes, que nada têm a perder e só podem lucrar
de, torna-se, por isso mesmo, lícito, pois não
é concebível uma oposição entre a ordem na- com os tumultos, são por isso mesmo os mais
tural das coisas e os sábios decretos da Di- inclinados à rebeldia, os mais difíceis de go-
vina Providência. vernar. Vê-se aqui, como as máximas da li-
berdade económica, fundamento seguro da
Segundo êsse ponto de vista, que está
riqueza, terão de desembocar em imia lição
implícito em tudo quanto escreveu Coutinho,
de sabedoria política, tal como a concebia e
o apetite dos bens da fortuna justífica-se por
pregava o douto prelado.
si, e nada tem, em verdade, de reprovável E'
.

inútil pretender moderá-lo, invocando, para


(continua)
isso, virtudes cristãs, pois uma vez alcança-
da a riqueza e a abundância, aquelas virtu- (18) ob. cit. p. 151.
des serão concedidas em acréscimo O homem
.

"que vive na abundância", lê-se no Ensaio


Económico, "logo se lembra de uma compa-
nhia honesta, que lhe seja amável e que o
ajude a viver contente; e quando se vê repro-
duzido em seus filhos, adora o Criador e bei-
ja a mão benfeitora que o protege, respeita
a religião, respeita as leis e é o primeiro que
se interessa na conservação da paz pública, Jan Andries Moerbeeck —
Motivos
da qual necessàriamente depende a sua par- porque a Companhia das índias Ociden-
tais deve tentar tirar ao Rei da Espanha a
ticular e a da sua família" (17). A pobreza,
terra do Brasil. Amsterdam. 1624.
ao contrário, é uma condição simplesmente
nega^';iva. E' possível que se justifique diante Lista de tudo que o Brasil pode pro-
duzir anualmente. 1625.
das supremas necessidades da harmonia do
corpo político, assim como se justifica, em Tradução do Rev. P.' Fr. Agostinho
muitos casos a escravidão e o resgate de es- Keijzers e José Honório Rodrigues. Pre-
fácio, notas e bibliografia de José Honório
cravos, a cuja análise e apologia Coutinho
Rodrigues .
chegará a dedicar dois escritos, cheios de ar-
dente paixão partidária. Aos homens não é A venda nas Livrarias Cr$ 5.00

(17) ob. cit. 152.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 115


. :

716

O AÇÚCAR ATRAVÉS DO PERIÓDICO "O AUXILIA-


DOR DA INDÚSTRIA NACIONAL"
Jerônimo de Viveiros

IV

A memória de Luis Readel a que nos re algum tanto menosprezada, não obstante sa-
portamos no artigo, anterior tinha êste títu berem todos e clamarem voz em grita que a
lo: "Idéias sobre a criação de uma Escolfi agricultura é a base da riqueza de. um Estado".
Normal". A última parte do estudo de Readel é de-
Começa o trabalho de Readel por umL. dicada às funções do diretor da Escola. Dis-
pequena digressão sôbre o mau estado da criminando-as, escreveu no primeiro item:
laossa agricultura, cujo atraso êle considera "Ensinar aos alunos a botânica, principal-
não encontrar paralelo no mundo inteiro Re- . mente a botânica agrícola, em tôda a sua ex-
conhece, porém, ser razoável esperar-se um tensão, não em um auditório ou aula, em
íuturo melhor, visto como os paulistas e mi- horas fixas, mas sim nos matos, nos cam-
neiros já estavam, convencidos das vantagens pos, nas hortas e jardins, em qualquer tem-
da lavoura e da pecuária sôbre a mineração. po e em qualquer hora, em que os alunos
Dá-nos, assim a entender que essas duas mostrem desejos de se instruírem, e que para
províncias, mesmo naquela época, em 1840, isso seja conveniente".
já constituíam a esperança do Império. Como é bem de ver, a memória de Rea-
Em seguida, Readel enumera as condi- del demonstra o desejo firme que tinha a So-
ções necessárias ao local em que se instalasse ciedade Auxiliadora de reformar os nossos
a Escola: processos de lavoura. Com êles o Império do
1. *' — Um rio com água suficiente para se Brasil não podia enfrentar o produto estran-
poderem abrir canais laterias, valas, fossos geiro nos mercados europeus. Fazia-se mis-
e tanques, afim de que, quando a natureza ter substituir oMestre Banqueiro, que Ondi-
deixasse de regar a terra, fôsse essa falta not viu nos nossos engenhos, em 1800, fazen-
substituída pela arte. do as vêzes de químico, e em cujas mãos fi-

2. ° Uma mata donde não se tirem ma- cava a fortuna do fazendeiro. A nossa elite
deiras de quaisquer espécies que sejam. intelectual compreendia a magnitude do pro-

3. ° Colinas de terras arenosas ou de blema. E trabalhava com devotamento. Tra-
detrimentos mineralógicos balhava não só para melhorar a fabricação
— Uma planície de
4. ° terras de aluvião do açúcar, como também para aumentar-lhe
das montanhas. o consumo no próprio mercado interno, exal-
Depois de tratar da maquinaria, das cons- tando-lhe as qualidades nutritivas, conforme
truções de alvenaria, das oficinas, Readel se verifica da publicação abaixo, inserta no
mostra a conveniência de um internato para número de outubro de 1839, do "Auxiliador":
meninos de 14 anos para cima, filhos de pais
pobres, de preferência órfãos, e observa PROPRIEDADES DO AÇÚCAR
"Não há probabilidade alguma de que se apre-
sentem para alunos os filhos de proprietá- No momento em que a questão dos açú-
rios, lavradores, comerciantes, etc, porque cares ocupa os espíritos de muita gente, não
essa parte da mocidade brasileira, sendo in- será fora de propósito, ainda que não seja
dependente pela fortuna, é mais inclinada senão para interêsse mesmo do consumo, o
aos estudos de direito, medicina; comércio ou recordar aqui as propriedades higiénicas des-
arte militar, persuadida de que êsses estu- ta substância; são elas muito mais preciosas
dos lhe abrem uma carreira mais gloriosa, e do que vulgarmente se supõe.
conduzem mais depressa à fortuna do que a Os homens têm um gosto decidido para
agricultura, que requer uma vida ativa, vi- o açúcar; os animais dêle partilham; os cães,
gilante, um pouco isolada, e que entre nós é os cavalos, os bois, as aves, os insetos, os rep

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 11


.. .

717

tis, e mesmo os peixes são ávidos por ali- e esta veação tem, dizem, o gôsto mais deli-
mentos açucarados, O açúcar é, com efeito, cado depois de dois ou três anos de demora
um dos principais elementos de quase tôdas no meio da substância açucarada.
as substâncias vegetais. Nas regiões tropiciais, o caldo novo e
Uma pequena quantidade de açúcar aju- fresco da cana é considerado como remédio
da a suportar a fadiga melhor que outro eficaz para grande número de moléstias.
qualquer alimento. Percorrendo os desertos Aplica-se mesmo com bom êxito exteriormen-
abrasadores da Arábia ou a selvagem África, te no curativo de úlceras e outras feridas.
o viajante, que se senta arquejando de can- Sir John Pringle afirma que nunca a peste
sado e banhado em suor, encontra prazer inex- visitou os lugares em que o açúcar entra
primível em comer dois ou rês torrões de formando uma parte considerável da dieta
açúcar ou- granjéia misturada com farinha, dos habitantes. Grande número de médicos
que o indígena em tempo algum se esquece tem emitido a opinião de que o açúcar diminui
de levár em suas viagens venturosas. Os ca- a frequência das febres malignas, e o olham
çadores ingleses adotaram esta espécie de como umlenitivo muito útil nas moléstias de
alimento nas suas excursões longínquas. peito
Durante a colheita das canas no Brasil Franklin achava grande alívio nas dores
e nas Antilhas, os negros, apesar de nessa épo- que lhe causavam as areias, no uso do açú-
ca o seu trabalho se tornar mais fatigante, car. Tôdas as noites, antes de se deitar, be-
ficam todavia mais gordos, de melhor saúde, bia úm grande copo de xarope de açúcar em
e mais alegres do que em todo o resto do ano; bruto, e afirmava que êste remédio lhe per-
e contudo desprezam êles a sua farinha de mitia quietação e repouso tão eficaz como o
mandioca, e não se alimentam senão dos ten- poderia fazer uma dose de ópio.
ros pimpolhos de canas, que comem traba- O escorbuto, essa afecção terrível que
lhando. Os animais cavalares e muares, que devasta as equipagens das embarcações, ce-
durante êsse tempo se alimentam com os re- deu ao uso do açúcar, receitado aos doentes.
síduos da fabricação, tornam então a to- As lombrigas que atormentam as crianças
mar tôda a sua fôrça e nediez. desaparecem, usando-se do mesmo trata-
Na Conchinchina, não só os elefantes, os mento.
cavalos e os búfalos engordam-se com o auxí- Frequentes vêzes se tem dito que o uso
lio da cana. Abona-se lá a todos os soldados do açúcar faz cair os dentes, mas de certo
da guarda particular do monarca, em número que não são os dos negros dos engenhos de
de quinhentos, certa quantia quotidiana, com açúcar, porque êles os têm todos e brancos
a qual lhes é determinado que comprem ca- como pérolas."
nas, que comem por ordem superior, o que Para aumentar o consumo do açúcar
lhes conserva, ou lhes faz haver o bom pare- dentro do Império, bem compreendiam os
cer, que nêles se nota. Nesse país, o arroz e homens da "Auxiliadora" que não bastava
o açúcar são quase que os únicos alimentos, pôr em evidência as qualidades nutritivas do
de que fazem uso tôdas as classes, ricas ou nosso então principal produto, era preciso
pobres; nunca o almoço se compõe de outra também facilitar-lhe os meios de chegar a
coisa. E' em açúcar que se conservam os fru- tôda população consumidora. Interessou-se,
tos, os legumes, os rábanos, as abóboras, os assim, a prestimosa sociedade pelo problema
pepinos, as sementes e até a fôlha do aloés. das estradas de rodagem, aprovando o traça-
Come-se muitas vêzes na índia carneiro do de José Silvestre Rebelo, que passamos a
morto em Londres, e conservado por tôda a resumir
viagem em um barril de açúcar. Esta carne, Partiriam do Rio de Janeiro três gran-
dizem os viajantes, está, passado todo êsse des estradas: a sudoeste, a noroeste e a do
tempo, tão fresca como quando sai do açou- norte
gue. Os químicos conhecem bem esta pro- A primeira subiria a serra pelas margens
priedade no açúcar, por isso que recomendam do rio Provedor até o rio Santana, deman-
a mistura de certa quantidade desta substân- daria o ribeirão das Lages, largando êste to-
cia com o sal, que serve para salga da car- maria a direção de Areias, passaria por São
ne e mesmo da manteiga. Paulo, Ipanema, Curitiba, Lages, Campos da
Os naturais da ilha de Ceilão conservam Vacaria, São Leopoldo e Pôrto Alegre.
o produto das suas caçadas em potes de mel, A segunda acompanharia o traçado da
BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 117
718

HISTÓRIA DO AÇÚCAR NA PARAÍBA


Ademar Vidal

IV tura capitai se apresentasse com uns prédios


simpáticos e dentro das linhas recomenda-
O ciclo do barro no engenho de açúcar das pela estética e pela higiene.
deu os melhores resultados económicos à fa- Não se conhece outro tipo que tenha pro-
zenda de Portugal. El-Rei recebia dinheiro e cedido por igual forma. Pelo menos na Pa-
material. Duarte Gomes da Silveira era um raíba. E o que é de estranhar: o govêrno não
rico lavrador de cana, chegando a possuir acompanhava essa animação de Duarte, quan-
várias moendas e, como dispunha de um es- do a capitania, nesse tempo (1585), rendia ao
pírito generoso e progressista, ajudou a terra dízimo de seis para sete mil arrobas de açú-
naquilo que dependia de sua fôrça. A cidade car, "fóra as miunças sempre em crescimen-
de Paraíba progrediu bastante, tendo Silvei- to". Mais ou menos vinte anos depois os pro-
ra oferecido "a cada edificador de casas ter- gressos adquiridos pela terra eram de molde
ras de pedra e cal a quantia de dez mil réis, a chamar a atenção, pois contava com mais
e de sobrado, vinte, cumprindo esta promes- de setecentos moradores brancos, oito aldeias
sa patriótica por muitos anos, sem outro pro- a cargo dos beneditinos e franciscanos, dez
veito que o de ver a nova cidade aumen- engenhos que enviavam para Pernambuco,
tada", (XIV) O capitalismo nascente em al- nas safras, uns vinte e dois barcos de açúcar.
guma coisa concorria para o desenvolvimen- E ao dízimo rendia^ já para mais de quatro
to da população, favorecendo e animando a contos. A ocupação holandesa atrapalhou
construção particular, dando premio, agindo bastante a marcha dos interêsses da Paraíba
assim por maneira fora das previsões. Mas como administração e também no que se re-
era que aquêle senhor de engenho, homem fere à produção. Houve uma como depressão
público também, com uma açãó política de na vida agrária da várzea. Os braços foram
relêvo na capitania, certamente dispunha de retirados para a guerra. O invasor queria o
um sangue anti-semítico e daí os seus dese- seu exército de indígenas e conseguiu reali-
jos de contribuir para a felicidade de sua zar o desejo. Porém a reação jamais esmore-
gente, amparando-a e favorecendo-a com a ceu: era de princípio um tanto desconjunta-
distribuição de dinheiro, contanto que a fu- da na direção e nos propósitos, uma reação
que se fazia pór instinto de defesa telúrica,
(XIV) "Datas e Notas para a História da ora aqui, ora acolá, manifestando-se saltea-
Paraíba", Irineu Pinto. damente e sem uma determinada preocupa-

sudoeste até atingir a serra, aí buscaria o rio xias, rio Gurupi, Acará e terminaria em Be-
Paraíba, depois o Paraibuna, cruzaria a ser- lém do Pará. ,

ra da Mantiqueira no ponto em que a altitude Destas estradas deveriam partir


três
é de 3 160 pés, passaria por Barbacena, Goiás
. outras transversais para as capitais das pro-
e terminaria em Mato Grosso. víncias por onde passarem.
A do norte sairia de Niterói, e por Ta- "Certo, —
dizia José Silvestre Rebelo,
pacorá procuraria o morro Queimado, Canta- "êste traçado vai custar muitos centenares
galo, rio Paraíba e Muriaé; entre a Serra do de contos, mas qualquer que seja a soma de
Mar e a Geral passaria na direção do rio das milhões que se gastar, será ela reembolsada
Contas, indo cruzar o São Francisco, depois pela economia de animais e de recoveiros,
do que rumaria para a Serra da Borborema, pela barateza dos carretos, que facilitando
da Ibiapaba, circundaria a Serra de Santo o consumo trará em consequência o aumento
Amaro, tocaria em Campo Maior, atravessa- da produção, isto é, a riqueza e bem estar dos
ria o rio Parnaíba, passaria pela vila de Ca- povos."

3RASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Fàg. 118


.

719

ção de luta organizada. Só depois é que veio feitas pelo fogo e pelo saque impiedoso que
André Vidal. Os holandeses sempre tiveram só encontraria comparação nas "poussées"
quem os ajudasse a trôco de dinheiro e ou- incríveis dos bandeirantes no sertão da ter-
tros interêsses materiais. O próprio Duarte ra nordestina. Porém os selvagens não qei-
Gomes da Silveira saiu bem arranhado das xaram passar sem uma reação formal no
complicações advindas da ocupação flamen- sentido de eficiência. Aquêles que não com-
ga. Tudo indica que êle andou fazendo suas batiam por conta própria, atacando na escu-
mesuras para salvar os seus bens de alguma ridão e na tocaia, gostando enormemente da
possível confiscação. surprêsa para melhor pegar o adversário de
Entre os nativos não resta dúvida que o jeito, iam oferecer os seus préstimos aos che-
invasor bons colaboradores da
encontrou fes brasileiros que teimavam na peleja con-
marca "quisling". E' por demais sabido que fiante e desconhecedora do esmorecimento
Calabar, acompanhado de fôrças holandesas, O número dos que agiam isoladamente não
chegou a fazer uma sortida por mar, indo até era pequeno... Tódas as tribos contavam com
Mamanguape. Ali aprisionou uma caravela, os seus elementos dissidentes que viviam ata-
queimou um patacho carregado de açúcar e cando o holandês quando êle menos espera-
fêz outras façanhas fulminantes sem que Luís va, tal como se procedessem pela forma nipô-
de Magalhães e Cosmo da Rocha, capitães nica da surprêsa com o riso nos lábios. Êsses
que se achavam ali por ordem do govêrno, antigos guerrilheiros foram precursores ja-
pudessem fazer qualquer coisa que obstasse ponêses da atualidade em que fazem visita
a ação calabariana. O famoso condutor de pela sala de frente e mandam atacar pela co-
homens (é tido como traidor nimia época em zinha em horas simultâneas. O invasor tinha
que a Espanha dominava Portugal politica- de Tocaia que se fazia por dentro de
cair.
mente) ainda fêz das suas: guiado por dois um mato fechado que o ameríndio conhe-
africanos conduziu um troço de flamengos cia a passo e a dedo. Quando não era assim,
para cercar o engenho Inhobim com o intuito o nosso índio se organizava para o combate de
de fazer saque. E fêz. Boa partida de açúcar frente, muito confiando nas suas armas en-
foi conduzida para a soldadesca precisada de venenadas —e os sucessos obtidos não foram
alimento desde que se sentia o efeito de diminutos: até governador flamengo teve de
uma espécie de bloqueio económico, pois que perder a vida em ação de guerra.
os moradores da capitania, vendo-a em rebo- Durante a presença do holandês na Pa-
liço, alterada a vida por maneira profunda, raíba a várzea sentiu enormemente a gene-
abandonaram o trabalho de campo e, força- ralizada desorganização económica. A crise
dos por esta política de emergência, natu- tomou aspecto que não podia ser escondida
ralmente que a produção teve de sofrer bas- ao ponto de figurar nos relatórios do inva-
tante e ao ponto de manifestar-se a fome sor. E isso durou muito tempo. Logo no co-
entre os habitantes pobres da terra ocupada. mêço a coisa ficou de tal maneira que nin-
O uma vez
govêrno holandês por mais de guém se entendia. Entre os engenhos con-
mandou fazer distribuição de géneros prove- fiscados houve alguns que ninguém queria
nientes de Pernambuco. aceitar para dirigir. Aceitar de mão beijada.
A desorganização da Várzea era um fato A lei mandava que o novo dono ou novo rico
incontestável: os engenhos confiscados pas- o explorasse no espaço preciso como disposição
saram a novas mãos e as dificuldades surgi- legal e em caso contrário a concessão de-
ram principalmente na parte referente ao finitiva teria de ser cassada por não preen-
braço humano. Muitos dêsses engenhos tive- cher ás recomendações oficiais. Muita gente
ram de passar safras e safras sem produzir teve de regressar à capital numa pressa de
um pão de açúcar. Os campos não ostenta- fugitivos por causa da reação que vinha do
vam mais o verde dos canaviais. A depressão mato. Não se podia viver nos engenhos. Ou
económica foi grande, refletindo-se na exis- melhor: em certos engenhos. Não foi senão
tência geral da capitania ocupada. com os maiores esforços e cuidados que a
A fase holandesa merece comentários lar- administração pública conseguiu realizar parte
gos. Nunca se deixou de lutar um instante de seus planos de organização económica. E
desde que o invasor pisou a terra paraiba- os próprios brasileiros que aceitaram as "con-
na. Por todos os lados a reação se notava enér- cessões" tiveram que agir misteriosamente.
gica. Algumas aldeias de índios foram des- Não foram todos. Alguns se arrojaram aos

BBASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 119


720

pés do flamengo louro e forte: obedeciam a que consistia em seis pã€s de açúcar, "pela
tôdas as ordens, mesmo contrárias aos in- reputação que alcançara êste produto da ca-
terêsses dos patrícios oprimidos pela força pitania nos mercados europeus". E o Prín-
bruta. Êsses que se atiram às subserviên- cipe, quando embarcou com sua comitiva, na
cias em instantes trágicos são capazes de tô- Paraíba, regressando à Europa, levou con-
das as misérias. Assim é que alguns consegui- sigo 13 navios carregados de materiais do
ram prestígio e considerações. Mas são tão Nordeste, sobressaindo o açúcar pelo volume
anónimos que nem merecem a referência dos e importância. Com a sua retirada, André
nomes. Outros, porém, reagiram discreta- Vidal animou-se a inspecionar a Paraíba, a
mente e por isso não conseguiram os resul- a título de pedir a bênção ao pai, tudo com o
tados financeiros que afogavam outros indi- fim de conspirar em favor de seu ideal de
víduos. independência do jugo estrangeiro.
Passados alguns anos teira a várzea de Então se intensifica a luta entre os na-
apresentar uma paisagem melhor que a das tivos comandados pelos tipos legendários de
primeiras horas da ocupação. Reorganizou- Henrique Dias, Camarão e Vidal e os elemen-
se a economia. O número de engenhos se tos holandeses de ocupação. Não há dúvida
foi alastrando. Embora vez por outra uma de que a saída de Nassau deu motivo a que
forte demonstração de hostilidade se fizes- se reacendessem os sentimentos de rebeldia.
se sentir. A família de André Vidal perdia Êle soube governar cautelosamente. No meio
canaviais extensos apenas para que êles não do manifesto interêsse económico da Compa-
fossem aproveitados pelo holandês. Mas era nhia das índias, não dispensando ensejo para
lá uma outra ocasião que assim se consta- colhêr os resultados mais concretos, o Con-
tava. E tudo sem- ser coisa de grande signifi- de Maurício agia com sentimentos superio-
cação.A maior foi mesmo a de Vidal. Avár- res, governando com bom senso administra-
zea retomou a sua opulência. A balança de tivo e demonstrando um espírito arejado a
produção passou a alcançar umas cifras altas, dirigir os seus atos de homem público. Tra-
parecendo, o que não resta dúvida alguma, tava-se ainda de um verdadeiro artista no
ser o açúcar naquele tempo o fator mais po- gósto e nas predileções intelectuais. A sua
deroso a pesar na concha económica. Esten- passagem pelo govêrno de Pernambuco ou
dia-se a colheita nos engenhos por onde a melhor: da região nordestina, está cheia
guerra havia conseguido a redução dos ele- de traços indeléveis sob variados pontos de
mentos nativos. vista arquitetónico, urbanístico e mesmo de
E' verdade que as reações jamais dei- arte individual no sentido puro e nobre.
xaram de ser feitas por maneira muito vio- Quando veio para o Brasil trouxe como gen-
lenta. Mortes em ação e assassinatos de em- te sua alguns pintores, como os irmãos Post,
boscada, isso constantemente se estava ve- cujos quadros, fixando paisagens do tempo,
rificando. O próprio invasor não se cansava são preciosos dentro da história nacional bra-
de fazer proclamação de seus bons intuitos sileira Mas de nada valeu o carinho manifes-
.

de administrar sem ódio e para bem geral tado por Nassau naquilo que dizia respeito à
da capitania. Tôda essa história somente vida da terra ocupada. Fêz o que pôde para
porque a fazenda pública precisava andar conquistar as simpatias. Trabalhou com a
em dia com as suas obrigações e, não fôsse a disposição de fazer alguma coisa em benefí-
ordem estabelecida e observada nos engenhos, cio da coletividade. Dir-se-ia um legítimo
por certo que o açúcar não seria extraído com amigo da gleba nordestina. Por várias ve-
a regularidade tão ardentemente desejada. zes entrou em discordância com a Compa-
Houve momentos que as reações se genera- nhia cuja direção entendia que fóssem toma-
lizaram tanto que a colheita se perturbou, das estas ou aquelas medidas, porém que o
perdendo-se a cana, enquanto que os braços Conde julgava prejudiciais aos interêsses de
arripiaram caminho, fugindo os homens para seus juridicionados — e por isso teve de en-
outros lugares mais garantidos pelo invasor. frentar as iras de quantos viviam na Holan-
Engenhos se fecharam, ficaram de fogo mor- da e de lá queriam dominar a ferro e a fogo.
to. Não obstante a Paraíba queria dizer açú- Nunca deixou de vencer. As suas opiniões
car. A nossa fórça consistia em açúcar. Não sempre prevaleceram. Entretanto os desgos-
foi sem razão que o Conde Maurício de Nas- tos eram de natureza tamanha que teriam
sau conferiu-lhe um escudo de armas, escudo determinado a retirada do Príncipe da admi-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pàg. 120


. .

721

nistração pública nesta parte da América espaço por assim dizer breve. Pois não é que
brasileira. A
sua viagem transtornou a exis- dentro de pouco tempo, após a desocupação
tência regional: novos surtos graves de guer- holandesa, a capitania entrava a lutar com
rilhas generalizadas começaram a surgir por dificuldade de transporte, chegando ao limi-
todos os recantos . E
tudo indica que quando a te de reclamar providências de El-Rei ? Esta
Companhia ordenou o regresso de Maurício de Carta Régia confirma o que acabamos de di-
Nassau já a Holanda considerava perdida zer. "Manuel Nunes Leitão. Eu El-Rey vos
inteiramente a sua aventura de ocupação envio muito saudar. Por cartas do Provedor
def intiva da Fazenda, Ouvidor Geral desta comarca
A Paraíba sofreu muito com essas pe- e Desembargador Syndicante Belchior Ra-
lejas intermináveis, havendo uma devastação mires de Carvalho, escritas em agosto deste
de seus bens materiais ao ponto de atingir ano me foi presente o grande damno que re-
aos engenhos, ficando a sua quase totalidade sultou para o augmento dos moradores delia,
arruinada ou senão destruída em tôda a ex- e da Fazenda Real a falta de embarcações
tensão da várzea —
de uma várzea cada vez nesse porto pera delia embarcarem os açu-
mais rica e destinada a fins económicos de cares que se fabricam ou se poderem nave-
pesar na balança. A animação anterior, gar a tempo conveniente para o Recife por se-
mesmo dentro do regime flamengo, como que rem hoje muytos os que se obram nessa Ca-
desaparecera completamente, notando-se a pitania eem huma só embarcação que a ella
desolação e a crise dominando com suas vay cada anno se não poderem carregar, fi-
garras numa zona onde se levantavam en- cando muytos envelhecidos na terra e com
genhos de açúcar, canaviais extensos e um pouca valia pella difficuldade de saca. E pa-
movimento de escravos de intensa vida agrá- receume ordenarvos (como por esta o faço)
ria. Agora estava a paisagem por inteiro mandeis publicar que todo os que quizerem.
modificada pela guerra de extermínio. Toda- navegar os seus effeitos no tempo que lhes
via a região e a sua gente eram por demais parecer pera a capitania de Pernambuco e
vaidosas para se deixar submergir nas águas possam fazer livremente sem embargo de
da tormenta. qualquer ordem em contrário e aos officiaes
O capitão-mor Matias de Albuquerque da Camara e Ouvidor Geral ordeno o mesmo
Maranhão tomou conta do govêrno da capita- Escrita em Lix.a a 13 de dezembro de 1692.
nia vendo que a esta restava apenas o deser- Rey." A prosperidade voltava com todas as
to Somente dois engenhos de açúcar se acha-
.
suas côres vivas.
vam de pé, quando o número dêles se eleva- As doações já podiam ser feitas em lar-
va há pouco tempo a quarenta e dois. Em ga escala. Assim é que o abade Frei João Gon-
cinco anos de pelejas ferozes o nosso parque dim alcança de Antônio Correia de Valada-
primitivo da indústria açucareira era tra- . res e sua mulher, D. Catarina de Valcaçar
gado sem dó nem piedade. Ainda assim se a doação de "um partido de canas de meia
extraía açúcar para encher a esquadra que moenda obrigada ao engenho de Itapuá", uma
levou Nassau às longes terras flamengas. légua em quadro, "de tres mil braças de ter-
Matias de Albuquerque logo tratou de reer- ra no Icarujú e umas moradas de casas por
guer o que estava destruído, isto é: começou detraz da Matria". Interessante destacar:
a animar o levantamento de novos engenhos "defronte da rua Nova". O convento de S.
nos mesmos lugares onde outrora existiam Bento era dono de quase tôda várzea e o seu
moendas e casas de purgar, canaviais e bra- latifúndio começava naquela via pública, que,
ços cativos. Não fóra difícil enfrentar a ta- por sinal, é a mais antiga da moderna cidade
refa a que se propôs. Por todos os recantos de João Pessoa — não tem nada de "nova".
havia uma certa febre de trabalho, coisa que Porém entre os bens mencionados foram adi-
invadiu até os conventos e fazendo com que cionados ainda vinte e quatro escravos, cin-
os padres se decidissem a fazer reparos de vul- co juntas de bois, quatro carros, mas tudo
to nos seus engenhos, nêles introduzindo me- sob uma condição especial: que era a de se
lhoramentos, empreendendo novas fundações, "dizerem anualmente duas capellas de missas
enfim dando um largo testemunho de que por suas almas e de não se entregarem os
estavam acpmpanhando interessadamente os bens doados, senão depois da morte de am-
propósitos de renovação da várzea. bos". Se foi outro abade, também de S. Ben-
Deu-se a transformação económica num to, Frei José de Jesus, mandou replantar os

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 121


.

722

partidos de cana do mosteiro, estragados pe- podia ser carregado a bordo de navios, sem ser
las inundações; mudou o curral de gado para sujeito "ao Monopólio dos mercadores de Per-
a lagoa de Icarussú e fundou uma olaria nas ' nambuco". O tratava de "defender-se" da
terras do convento, doadas por Antônio de melhor forma que parecia à sua falta de es-
Valadares, as quais tinham o nome de Ma- crúpulos. Não era só o contrabando e a so-
raú; ordenou o plantio de cana e adquiriu negação, encontrava outro jeito de "tirar
mais sete africanos. partido", descarregando nas costas do pobre,
As inundações do inverno sempre preju- adquirindo-lhe a mercadoria pelo "peso que
dicavam os engenhos da várzea. Constante- bem entendia", pois que primeiramente con-
mente se estava fazendo melhoramentos para sultava os seus interêsses —e que o "resto
evitar as consequências maléficas da corren- se damnasse". A
roubalheira (aliás as ba-
teza fluvial. Enquanto isto a população ia lanças de usina da várzea são famosas atra-
aumentando em relatividade com a ascen- vés das produções folclóricas) tomou tama-
dente produção agrária. O açúcar vivia na nho vulto que determinou uma Carta Régia,
ponta e dêle se tirava tôda a fortuna que datada de 13 de novembro de 1675, mandan-
fazia a grandeza da Paraíba. Chegava para do transferir a balança do Pêso do Paço do
todos experimentarem os seus benefícios. Tibiri para o Varadouro, afim de ficar mais
Domingos Loreto Couto, descrevendo a Pa- na vista. Com esta medida acauteladora se
raíba em seu livro, (XV) consagra êste tre- sentiram os humildes mais garantidos na
cho à nossa terra: "E' habitada de quasi tre<5 observação exata dos pesos de seu açúcar. O
mil vizinhos, com uma suntuosa Igreja Maior, afluxo desse género naquele pôrto se tor-
Misericórdia, sete templos, conventos de S. nou tal que foi preciso se improvisar insta-
Bento, S. Francisco, Carmo e Colégio da lações de emergência. Também a vigilân-
Companhia (atual Palácio da Redenção), que cia foi redobrada por causa dos "visitantes

tem anexo um magnífico seminário, onde noturnos" que já nesse tempo as crónicas re-
se dão estudos de latim e filosofia e nos con-
gistravam como terríveis. Êsse acúmulo de
ventos de S. Francisco e Carmo, filosofia e açúcar nos armazéns não era somente conse-
teologia. O pároco desta freguesia é vigário
quência de escrupulosa fiscalização no pêso,
da vara e tem a freguesia mais de dez mil mas ainda em virtude da falta de condução
pessoas de confissão, por se estender o seu
marítima
distrito fora da cidade. No seu termo habi-
Os vapores de vela andavam escasseando.
tam mais de vinte mil pessoas, tem muitos Ia aumentando o movimento da produção e
engenhos reais, suntuosos templos e ricas ninguém se lembrava que havia urgência de
fazer cada vez crescer mais o número de
Capelas". Essa suntuosidade tôda, de onde
provinha ? Sem dúvida alguma do açúcar. embarcações. Os portos do Varadouro e Ca-
bedelo andavam pobres de velas brancas com
Os engenhos já então eram numerosos.
Só a freguesia de S Miguel do Taipú possuía
a Cruz de Malta. Nem mesmo com outros
.

cinco engenhocas, seis capelas, doze engenhos,


distintivos. A
coisa tomou aspecto tamanho
de gravidade que não tardou El-Rei modifi-
99 fazendas, 780 fogos e 3.700 "pessoas de deso-
car inteiramente o seu ponto de vista ante-
briga". A vila do Conde contava com três
rior de não permitir que o açúcar tivesse saí-
engenhos; a de Alhandra, um engenho; Mon-
da para Pernambuco. Logo modificou a sua
te-Mor, 4. E a produção enchia os armazéns.
política esconômica. Uma Carta Régia de 23
O contrabando se fazia à larga e não havia de novembro Me 1635 ordenava que "não ha-
vigilância possível que pudesse evitar a so-
vendo navio no porto, se podesse remeter os
negação de impostos; contrabando por via
açucares da capitania para o Recife." Desde
marítima e também por dentro, destinando-
então os estoques não conseguiram mais
se a mercadoria para o Rio Grande do Nor-
avultar. Deu-se até um novo alento na pro-
Pernambuco e sertão paraibano, tal como
dução que aumentou assustadoramente. A
te,
agora ainda se faz. Uma Cárta Régia datada
ordem de trânsito livre despertou animação
de 1675 chegou a obrigar os habitantes da
entre os senhores de engenho, que passaram
capitania a mandarem os seus açúcares para
a comprar escravos por preços mais altos.
"a cidade de Felipéá", onde aquêle género
O braço servil não se arranjava facil-
(XV) "Desagravos do Brasil e glórias de Per- mente, além de raro estava caro —
e tudo
nambuco" .
como resultado das medidas adotadas pelo

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Fág. 122


i 723

governo lusitano'. Não era possível que tanta ano me foi presente o grande damno que re-
ação agrária não trouxesse os seus inconve- sultou para o aumento dos moradores delia,
nientes, prejudiciais não somente aos inte- e da Fazenda Real a falta de embarcações
resses da comunidade mas sobretudo da ad- nesse porto pera delia embarcarem os açuca-
ministração pública. Esta última fôrça cer- resque se fabricam ou se poderem navegar a
tamente preponderou ao ponto de exigir uma tempo conveniente para o Recife por serem
providência drástica concretizada na Carta hoje muytos os que se obram nessa capita-
Régia de 15 de dezembro de 1687, mandando nia e em huma só embarcação que a ella
que "desta data em diante as Camaras não vay cada ano se não poderem carregar, fi-
possam pôr preço aos açucares e se vendam cando muytos envelhecidos na terra e com
livremente, segundo o avença das partes e pouca valia pella dificuldade de saca. E pa-
que se declare nas caixas as qualidades dos receume ordenarvos (como poresta o faço)
mesmos, com um F se for fino, redondo com mandeis publicar que todo os que quizerem
um R e o baixo com um B e que havendo fal- navegar os seus efeitos no tempo que lhes
sificação, seja logo o senhor de engenho de- parecer pera a capitania de Pernambuco e
gradado por tempo de dois anos, para uma possam fazer livremente sem embargo de
das capitanias daquele Estado e quarenta mil qualquer ordem em contrário e aos oficiais
réis em dinheiro e o fechamento do engenho, da Câmara e Ouvidor Geral ordeno o mes-
concorrendo nas penas em dobro na reinci- mo. Escrita em Lix.a a 13 de Dezembro de
dência." A esperteza é doença velha. Anda- 1692. Rey."
va fazendo as suas "devastações" em regra Aliberdade total era conferida ao comér-
de despertar punição enérgica dos poderes cio de açúcar para Pernambuco. Fizera-
público. No meio do rebanho havia as ove- se a proibição anterior porque a capitania es-
lhas más. O. castigo teria de fazer-se sentir tava exportando tôda a produção a© ponto de
em benefício do fisco e também da coletivi- prejudicar a vida de seus moradores. De-
dade E por certo que as transgressões se tor-
. mais as condições pernambucanas eram bem
tornaram tão indecorosas que fôra preciso outras que não as nossas: o equilíbrio eco-
que as penalidades chegassem ao limite do nómico se vinha fazendo desde muito sem a
dègrêdo fora do país. Porém a carência de menor oscilação. Agora, toda-via, o açúcar
transporte continuava por maneira muito paraibano se amontoava nos armazéns, esta-
prejudicial aos interêsses gerais. Invés de va-se estragando, estava sendo desviado
melhorar, pelo contrário, ia piorando dia a pelos espertalhões, de modo que havia urgên-
dia, tanto que as queixas se tornavam con- cia de abrir inteiramente as portas. Que êle
tinuadas. O govêrno português achou de am- fôsse retirado para onde quisessem os donos
pliar os direitos de embarque do açúcar nos ou interessados. Foi a solução achada. E que
portos da Paraíba. Antes êle ordenará que trouxe as melhores consequências. O comér-
fôsse aproveitado o navio de vela que seguis- cio aumentou por maneira considerável o seu
se para Pernambuco e nesta capitania de- movimento marítimo no Varadouro Cabe-
e
sembarcasse a carga. delo, mostrando-se êstes portos frequentados
Modificava por esta forma o seu modo de por uma frota de veleiros por assim dizer no-
proceder: suspendia a proibição de envio de tável —
e isto era natural em virtude dos
açúcar da várzea para aquêle pôrto maríti- mercadores, com o fim de facilitar o transpor-
mo. Agora a providência reclamava maior te de produto em estoque que estava se es-
extensão nos seus propósitos de tudo fazer tragando pelas condições do tempo, terem
para minorar os efeitos da crise de transpor- empregado algum recurso na fabricação de
te. Os barcos sob a direção governamental barcos ligeiros (precursores da jangada) para
lusitana já não atendiam às reclamações dos animar a transferência do açúcar de um pon-
embarcadores Que fazer diante de tão an-
. to para outro de mais procura. Não havia en-
gustiosa situação ? E' quando chega nova dinheirado que não possuísse a sua embar-
Carta Régia redigida nos têrmos seguintes: cação para as imposições de comércio maríti-
"Manoel Nunes Leitão Eu El-Rey vos envio
. mo. Era um negócio seguro. Até senhores
muito saudar. Por cartas ao Provedor da Fa- de engenho houve alguns que empregaram
zenda, Ouvidor Geral desta comarca e do capital na aquisição de pequenos veleiros
Désembargádor Syndicante Belchior Rami- para ainda mais animar o movimento entre
res de Carvalho, escritas em Agosto deste Paraíba e Pernambuco. E embarcavam o seu

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pàg. 123


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produto diretamente, talvez até sem boa fis- não seria de estranhar desde que o progressô
calização, uma vez que os barcos subiam o (por que não dizer a civilização ?) desconhe-
rio, iam pegar mercadoria ao longo de seu ce certas leis de mecânica social, mostrando-
curso, iam bater no Pilar, pois nesse tempo se sem entranhas e por demais grosseiro nas
longínquo a nossa grande artéria fluvial dis- suas imposições. O fato registrado é que na
punha de um leito fundo e não espalhado várzea se deu uma geral transformação em
como no presente. virtude da liberdade de comércio açucareiro.
Só depois da estrada de ferro é que o pa- Melhorou consideràvelmente o aspecto
norama se modificou profundamente . A económico financeiro de uma sociedade nas-
Conde d'Eu e sua sucessora Great Western cente e já poderosa. Uma sociedade que que-
não queimavam apenas o carvão inglês, pas- ria ir para a frente sem obedecer a certos
saram as suas caldeiras a engulir lenha reti- princípios de respeito aos interêsses comuns.
rada de nossas matas — e as consequências Aliás isso é inerente ao capitalismo cego que
foram as mais nefastas possíveis: o denso dos desconhece os direitos naturais e humanos.
arvoredos que circundava o rio e os engenhos Houve, portanto, uma verdadeira devasta-
logo desapareceu. As matas entraram em pe- ção na várzea. E essa política gananciosa, to-
ríodo de devastação Lenha era retirada para
. mou tais côres que El-Rei não deixou passar a
queimar e sustentar o movimento da estrada oportunidade para baixar providências de re-
de ferro ao longo de tôda a sua extensão. O pressão bastante enérgicas. Uma Carta Ré-
resultado somente poderia ser êste: desam- gia de 1694 mandava que "os moradores
parar o Paraíba na precipitação de suas águas plantem no logar que cortarem madeira, no-
nas primeiras enchentes do inverno. A terra vas mudas, para que não venham a sofrer os
ficou em abandono, ficou frouxa, começou a engenhos a falta de lenha". Os engenhos
desagregar-se e, consequentemente, o plano trabalhavam noite e dia para .que pudessem
se fêz logo no leito do velho rio que era mui- atender ao corte do canavial abundante. Por
to fundo, estreito e navegável. Mas a histó- essa época as fábricas de açúcar eram em
ria anda desviada. número crescido, estavam melhorando sem-
Retomemos, no entanto, o fio da conver- pre de condições mecânicas e, por conseguin-
sa, desde que avançamos demasiadamente no te, a produção tomava relêvo de chamar a

tempo, dois séculos adiante, e sem pedir li- atenção. Só podiam consumir bastante com-
cença. Pois o fato conhecido é que os se- bustível, sendo mais que justa a ordem real
nhores de engenho, poucos dêles, dispunham de nova plantação para evitar o desapareci-
de barcos, faziam as suas manobras comer- mento das matas. Enquanto isto o preço do
ciais, rumavam ao Recife, barcos que saíam açúcar ia melhorando sempre. No seu trans-
também pelo rio Gramame. Êsse comércio porte para o mercado não se contava pelo
trouxe bons resultados financeiros para a vár- pêso e sim era obedecido o regime da caixa
zea senão para tôda a capitania florescente. "standard". Um tamanho para tôda ela se ob-
O orçamento logo aumentou. E por sua vez servava como recomendação fiscal, variando
as remessas monetárias para a Fazenda de as qualidades do produto, variando também
d'El-Rei se tornaram mais vultosas. Os cui- os preços. Mas certos tipos açucareiros fo-
dados do govêrno redobraram ao limite de ram sofrendo sensíveis melhoras materiais e,
recomendações que jamais foram feitas ou an- portanto, económicas Urgia uma medida que
.

tes se dera todo consentimento na aplicação viesse favorecer os interêsses insaciáveis da


de absurdos incríveis. Agora a coisa estava Fazenda Real? E não se demorou a vir.
mudada de prêto para o branco e que nin- Naquele mesmo ano de 1695 e datada de
guém se metesse a transgredir ordens. Os 15 de dezembro, uma outra Carta Régia de-
senhores de engenho multiplicaram a pro- clarava que "as caixas de açúcar daquela
dução porque havia mercado para a sua co- data por diante não deviam exceder o peso do
locação. Tanto açúcar se fabricasse como era trinta e cinco arrobas". Os veleiros tomaram
consumido ou adquirido imediatamente den- carga dentro dessa recomendação fiscal.
tro e fora da capitania. A animação só pode- Formaram comboio com destino a Lisboa
ria ser mesmo com uns acentos muito agu- faminta de materiais da colónia americana.
dos. Tudo se aproveitava para aumentar a Outra Carta Régia recomendava que os
produção, havendo uma como febre de devas- "navios que tiverem de seguir para a me-
tação regional das riquezas naturais, o que trópole esperem o comboio na ponte de Lu-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pàg. 124


725

cena". E' interessantedemorar neste ponto ro. A capitania se garantia económica e fi-
para comentários que nos parecem ajusta- nanceiramente era com os negócios realiza-
dos. Assim é que, nas suas constantes e in- dos por cá pelo Nordeste. De modo que o
fatigáveis ordens, tôdas elas sempre orienta- "damno que será consequência da ruína des-
das para o campo da economia, Portugal se se Estado" nunca poderia objetivar-se. O açú-
mostrava rico de recomendações cuidadosas car da várzea tinha consumo interno, isto é,
senão acauteladoras de qualquer prejuízo pro- quando não se fazia dentro da capitania, ia
vável. para a outra, para a de Pernambuco, aumen-
Dois anos após, em 1697, chega novn tando por esta maneira o seu abastecimento.
Carta Régia dizendo que seja estabelecido o E depois o referido documento insiste em re-
preço do açúcar quinze dias depois da che- comendações expressas sôbr^ nomeação de
gada dos navios, por dois peritos, nomeados peritos e representantes dos interessado para
pelos homens de negócios e lavradores, dan- que a fiscalizaçãose processasse com a maior
do-se-lhes juramento na forma da lei. Êste regularidade. No entanto, mais adiante, dei-
documento está desta forma concebido: "Ca- xa consignado que a ordem seja observada
pitão mór da Parahyba. Eu El Rey vos en- estritamente, "sem embargo de todas as ra-
vio muito saudar. Devido o excessivo preço zões" que fossem apresentadas pelos interes-
que estes anos passados tiveram os açucares sados.
nessa capitania tem sido de tanto prejuízo T.ratava-se, como se vé, de um documen-
ao comercio que hoje se acha este género sem to capcioso, por isso mesmo os fabricantes de
preço nem saída nesta Praça e porque deste açúcar pasaram a orientar-se por outros ca-
damno será consequência a ruína desse Es- minhos, fugindo tanto quanto possível às
tado, me achei obrigado a darlhe o remédio exigências descabidas de um fisco que agia
de que necessitava e mandando ver e consi- por forma ilegal. Ilegal porque contraditó-
derar qual este devia ser com toda a circuns- ria. A Fazenda Real queria era que o açúcar
pecção fui servido resolver que não se ajus- fôsse todo para a Europa, eis a intenção ocul-
tando o preço dos açucares nessa capitania ta que teimava em não se manifestar aberta-
em tempo de quinze dias depois da chegada mente. Nada que desse na vista para não
dos navios dessa pertença e se eles trocejem chamar a atenção Porém aquela Carta Régia
.

tratado depois de dez dias que ordeneis a se encontrava redigida por tal maneira am-
Camera fassa que os homens de negocio e la- bígua e contraditória que logo ficava de-
vradores dos açúcares nomeem cada um pelo monstrado o enérgico desejo lusitano de in-
sua parte dous homens pera conferirem o terferir na venda do açúcar com uma deter-
ajustarem os preços, dandoselhe o juramento minação de dono prepotente. Dêsses que não
na forma da ley pera que em tres dias arbi- admitem controvérsias: querem a obediência
trem os justos preços porque se devem ven- cega e que ninguém diga coisa alguma.
der os açucares, conforme suas qualidades e A situação assim permaneceu por muito
com consideração as circunstancias do tempo tempo. Anos mesmo. Alto o preço do açú-
e quando no dito termo de tres dias não con- car, a prosperidade geral dominando, a abas-
cordem será o preço o mesmo que tiver posto tança fazendo a felicidade de uma região
em Pernambuco com hum tostão mais pela ou melhor da capitania, mas as irregularida-
mayor bondade do açúcar dessa capitania, des reinando em todos os recantos da admi-
esta matéria he muito de meu serviço e muy nistração e também dos próprios engenhos.
importante a conservação desse Estado, e O fisco queria o que não podia e o senhor en-
assim vos hey por muito recomendado esta contrava a saída aberta fazendo trampolina-
minha resolução a fassais infalivelmente exe- gens com a sua mercadoria sonegada. O re-
cutar sem embargo de todas as rasões que gime do "mole" estava na ponta. Até que
vos representarem em contrário e manda- veio a quadra das vacas magras. Desceu o
reis registar esta minha carta nos livros dessa preço do açúcar. A crise entrou com os seus
Secretaria e Camera pera que os vossos su- tentáculos perigosos a fazer os seus sulcos
cessores a executem na mesma conformida- de sofrimento Nessa época o senhor não sen-
.

de. Escrita em Lisboa, 17 de Janeiro de 1697". tia tanto a desgraça. A


aristocracia escra-
Mas c mercado do açúcar paraibano não vocrata vivia bem de seu, quem sentia e mui-
era o de Portugal. Tudo quanto ia para a Eu- to era a gente africana sem meios de confor-
ropa ficava por lá mesmo: géneros e dinhei- to, uma vez que o trabalho diminuíra e com

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — PáK. 125


.

726

êle o bom tratamento, os restos da cozinha, corrente, os Professores Anders Groenwall e


os cuidados com a saúde, os remédios, enfim Bjom Ingelman, da Universidade de Upsala, Sué-
cia, conseguiram um substituto do plasma sanguí-
tudo quanto dissesse respeito ao amparo do
neo, partindo do açúcar e de fácil e rápido emprê-
braço servil sempre em condições favoráveis, go nas transfusões exigidas nos dboques, hemor-
pois que a doença era portadora dos mais ragias internas e queimaduras graves. Segundo o
graves prejuízos para os interêsses do rico referido despacho, o "dextran", que é o nome da
proprietário. O
escravo que trabalhava no nova substância, possue vantagem de poder ser apli-
campo era bem tratado para que rendesse cado a pessoas de qualquer grupo sanguíneo, dis-
pensando a classificação prévia, e tem às vêzes lo-
mais no seu esforço. Doença só trazia pre- grado resultados mais animadores do que com o
juízo. Por isso, tudo se fazia para evitar o próprio plasma, não provoca o choque nem outras
mal físico entre os que compunham o reba- reações tão temidas nas transfusões e pode ser re-
nho humano. Com a queda do preço do açú- duzido a pó, o que representa uma vantagem, sob
o ponto de vista do transporte, como aliás já vem
car naturalmente que vinha um quebranto de
acontecendo com o plasma sêco.
vigilância: não havia serviço pesado e con-
tinuado —
e neste caso o negro podia adoe- Uma bactéria, a "leukonostoc mesenteroides",
ataca o açúcar, resultando uma reação caracteri-
cer. Os reflexos da crise afetavam o tesou-
zada pela formação de uma matéria gelatinosa. As
ro da capitania. No entanto êle achava sem- bactérias são removidas por uma série de filtra-
pre um jeito de manobrar para sair dos ções especiais e a matéria, que resta, é que serve
apertos de base à composição do novo tipo de plasma.
As Cartas Régias se sucediam no con- Evidentemente que o processo está ai em linhas
muito gerais, tudo levando a crer que um mate-
sentimento a beltrano ou sicrano para arre- rial, destinado a operação tão delicada como uma
matar contrato dè "subsidio dos açucares des- transfusão de sangue, deverá sofrer exames minu-
ta capitania". Que faltasse dinheiro ao povo, ciosos quanto à possível veiculação de elementos
mas a administração pública não podia supor- outros de agressividade pouco conhecida, sobre-
tudo tendo-se em conta provir o processo de uma
tar vexames de natureza financeira, desde
ação bacteriana. .

que as suas obrigações se mostravam urgen-


Quanto a êsses detalhes técnicos, que melhor
tes, requeriam providências imediatas para elucidarão a descoberta dos pesquisadores suecos,
solver compromissos, solucionar problemas não demorarão as revistas especializadas em quí-
e portanto que entrasse capital para atender mica, medicina, etc. a descrevê-los e discuti-los
às imposições da situação. E dinheiro jamais com amplitude e autoridade maiores que as de
faltou, escasso é verdade, porém dinheiro ar-
uma coluna da imprensa leiga.
ranjado, às vêzes, por antecipação, coisa pa-
recida a empréstimo: mandava-se arrematar
"subsidio de açucares" de safras futuras. A
arrematação abrangia anos adiante para ani-
mar os licitantes. Acontecia, todavia, o ines-
perado: se a crise era batida, vindo o tempo
das vacas gordas, então o govêrno cassava as
"Tecnologia da fabricação
arrematações e a cobrança do subsídio se fa-
zia diretamente. Sabedoria até aí. Mesmo do açúcar de cana"
com a crise o negócio deveria ser excelente.
A prova têmo-la na circunstância do govêr-
no repetir a dose assim chegasse a abastan-
ça; entretanto nunca deixaram de aparecer Dr. Baeta Neves
arrematantes, homens de negócio, judeus es-
pertos que não olhavam apenas o dia de ama-
nhã, queriam saber o que rendia o dia de
hoje —quanto dava o "subsidio dos açuca- PREÇO Cr$ 50,00
res". PELO CORREIO Cr$ 51,00

TRANSFUSÕES DE SANGUE À BASE DE


No Instituto do Açúcar
AÇÚCAR
e do Álcool
Segundo telegrama da Reuter para a impren-
sa desta capital, estampado nas edições de 7 do

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Fág. 126


.

727

O PRIMEIRO ENGENHO DE AÇÚCAR DO BRASIL


Miguel Costa Filho

Escrevendo a história santista, o Sr. Fran- quer outro, deu o nome do primeiro engenho
cisco Martins dos Santos afirma que o pri- açucareiro levantado no Brasil. Fê-lo em
meiro engenho de açúcar erigido na capita- 1768, nestes termos: "Deixando povoada a
nia vicentina foi o da Madre de Deus, no ano dita villa da ilha de S. Vicente, e estabeleci-
de 1532. O Engenho São João teria sido o se- da uma grande fazenda com engenho de as-
gundo (1533), vindo em terceiro lugar (1534) sucares com vocação de S. Jorge, se retirou
o que pertenceu a Martim Afonso, João Ve- o dito Martim Affonso de Sousa para o rei-
niste, Francisco Lobo e Vicente Gonçalves.. no em fins do anno de 1534." (3)
Vejamos o que diz, textualmente, o au- Mais tarde, em informação datada de 3
tor: "Era o terceiro Engenho (refere-se ao de janeiro de 1772 e dirigida a D. João de
São Jorge) que se levantava na região da fu- Faro, o historiador paulista foi mais preciso,
tura Santos, e não o primeiro como afirmam, conforme se pode ver nas linhas a seguir:
visto que o primeiro *fôra o da "Madre de "Até p anno de 1533 existiu em a villa de
Deus", de Pero de Góes, levantado na atual S. Vicente o seu fundador Martim Affonso
região "das Neves" em 1532, e o segundo fora de Sousa (7), e n'ella estabeleceu o primeiro
o de "São João", de José Adorno, levantado engenho de assucar que houve em todo o
em 1533, no local de Santos, perto do atual Brasil, com vocação de S. Jorge (depois com
Morro de São Bento." (1) grande augmento de fabrica e escravatura
Há pouco, em trabalho escrito expressa- passou a ser dos allemães Erasmo Esquert e
mente para esta revista, o eminente Sr. Basí- Julião Visnat, e se ficou chamando S. Jorge
lio de Magalhães aceitou a primazia cronoló- dos Erasmos) (8) .

gica do Engenho da Madre de Deus, preten- (7) Liv. de registo de sesmarias, tit. 1555 cit.

dida pelo Sr. Francisco Martins dos San- pág. 103.


(8) Liv. de registo de sesmarias, tit. 1555
tos. (2)
págs. 42, 61 e 84 verso. (4)
Pondo de lado a questão da existência, O linhagista foi ainda mais explícito em
não provada, de engenhocas ou da fabricação outra oportunidade. Referindo-se aos Pintos,
rudimentar, esporádica, de algum açúcar em que vieram com Martim Afonso, observou:
outro cu outros pontos da índia Brasílica, se- "... e eram filhos do fidalgo Francisco Pin-
gundo a expressão de Anchieta, podemos as- to, que ainda no anno de 1550 existia em Lis-
sentar como fato verificado que a capitania boa, quando nesta côrte por escritura cele-
de São Vicente foi a primeira a possuir um brada na nota de tabellião confirmou a ven-
engenho de açúcar, digno dêsse nome, "moen- da das terras que sua nora Dona Anna Pires
te e' corrente", conforme a expressão então Missel havia feito em São Vicente, perten-
em voga e repetida por Varnhagen, quando, centes ao engenho de assucar São Jorge (foi
na História Geral, se referiu à Capitania de o primeiro engenho em todo o Brasil), ereto
São Vicente. Os velhos cronistas, desde Ga- em São Vicente logo que fundou esta vila o
briel Soares de Sousa, isto é, desde fins do dito donatário Martim Affonso, como dito
primeiro 'século, até a segunda metade' do sé- Ruy Pinto), aos allemães Erasmo Schecer e
culo XVIII, fixaram a prioridade daquela ca- João Visnat, por cuja razão tomou o dito en-
pitania, sem, entretanto, mencionar a fábri- genho o nome de São Jorge dos Erasmos." (5)
ca que teria produzido o primeiro açúcar em
tenras brasileiras (3) Pedro Taques de Almeida Paes Leme.
"A expulsão dos jesuítas do Colégio de S. Paulo".
Foi Pedro Taques quem, antes de qual- Ed. Companhia Melhoramentos de S. Paulo.
Pág. 171.
(1) "História de Santos". Francisco Martins (4) "Historia da Capitania de S. Vicente".
dos Santos. Emp. Gráfica da "Revista dos Tribu- Comp. Melhoramentos de S. Paulo. Págs. 66/67.
nais". São Paulo. 1937. Vol. I. Pág. 202. (5) "Nobiliarchia Paulistana Histórica e Ge-
(2) "O açúcar nos primórdios do Brasil Co- nealógica". 2.^ edição. Vol. II. Revista do Inst.
lonial", III, in Brasil Açucareiro, n.° de novem- Histórico e Geográfico de São Paulo Vol. XXXIX.
.

bro de 1944, pág. 82. .Dezembro 194u. Págs. 60/61.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 127


.

728

Adiante, tratando da vila de Santos, es- do as terras no Engenho de S. Jorge, situado


creveu: "Nela se estabeleceram os três ir- na Ilha de S. Vicente, e consignando mais
mãos Luiz, Pedro e Gabriel de Góes, sendo para refeição do dito Engenho as ter-
Luiz de Góes e sua mulher D. Catarina os ras, que haviaõ sido de Ruy Pinto, as quaes
fundadores do segundo engenho de assucar, ficaõ nos fundos da Ilha de Santa. Amaro ao
com vocação Madre de Deus, no sitio a que Norte do rio da Villa de Santos, aquelle rio,
no presente tempo se chama Nossa Senhora que fórma a Barra Grande do meio.
das Neves." (6)
Ouçamo-lo ainda: "Houve mais no ter- (2) Reg. de Sesmar. Liv. I tit. 1555. foi. 44,
et 127.
mo da vila de Santos o engenho de São João, (3) Pode ser que o Escrivão errasse, quando
do qual foi fundador José Adorno, natural de trasladou este sobrenome estrangeiro."
Génova; e o de Nossa Senhora da Apresenta-
ção, de que foi fundador Manoel de Oliveira Aqui aparecem, portanto, duas ordens
Gago, que deixou nobre geração dos seus ape- cronológicas para as citadas fábricas açuca-
lidos em Santos. Estes engenhos eram moen- rêiras, erigidas na capitania de Martim Afon-
tes e correntes ainda em 1577, como se vê dos so de Souza, nos primórdios da colonização
direitos que pagavam à fazenda real, e consta oficial e regular do Brasil.
do livro do dito ano na provedoria e cartó- Uma, a do primeiro dos referidos histo-
rio da fazenda." (7) riadores setecentistas, -é a seguinte: 1°, En-
Outro historiador paulista, também do genho São Jorge; 2.°, Engenho da Madre de
século XVIII, conferiu igualmente a Martim Deus; 3.°, Engenho São João.
Afonso de Sousa a honra de ter sido o pri- A outra, do Sr. Francisco Martins dos
meiro senhor de engenho existente nestas Santos:_l.°, Engenho da Madre de Deus, em
plagas reveladas ao mundo por ousados nau- 1532; 2.0, Engenho São João, 1533; 3.°, Enge-
tas portugueses, consoante se lê em seguida: nho São Jorge, 1534.
"Para que os Lavradores as pudessem moer, Como se vê, enquanto Pedro Taques se
fabricou quasi no meio da sobredita Ilha hum limitou a estabelecer a sequência das três fá-
Engenho d'agoa com Capella, dedicada a S. bricas, de acôrdo com a ordem cronológica de
Jorge, o qual foi o primeiro, que houve no sua construção, sem, entretanto, mencionar
Brazil". (8) Fr. Gaspar, neste trecho, alude datas, o Sr. Francisco Martins dos Santos dá
ao primeiro donatário da Capitania de S. Vi os anos em que afirma e reafirma peremptò-
cente riamente foram levantados êsses engenhos.
O monge santista acrescenta no período Aliás, anteriormente à publicação da
seguinte: "Consta por duas Escrituras lavra- "História de Santos", houve uma alusão à
das em Lisboa, registradas no Cartório da precedência cronológica do engenho de Pe-
Fazenda Real de S. Paulo (2), que Martim dro de Góes. (9)
Affonso de Souza, e Pedro Lopes de Souza, Essa afirmação é, entretanto, destituída
celebráraõ contracto de sociedade com Joaõ de qualquer valor pois o próprio historiador
Veniste (3), Francisco Lobo, e o Piloto mór paulista havia dito antes "que o Engenho São
Vicente Gonçalves, para o effeito de se levan- Jorge dos Erasmos ou do Governador fôra o
tarem dous Engenhos nas Capitanias destes primeiro que houvera na ilha de S. Vicen-
Donatários, obrigando-se elles a darem as ter- te. (10)
ras para isso necessárias nas Capitanias res- Por sinal. que Azevedo Marques aumen-
pectivas: de sorte que no Engenho, construi- tou ainda mais a confusão a êsse , respeito,
do na Capitania de Martim Affonso, teria elle asseverando adiante que Heliodoro Euban
a quarta parte, e huma cada hum dos tres administrou durante muitos anos a primeira
sócios João Veniste, Francisco Lobo, e o Pi- fábrica de açúcar que houve em S. Vicen-
loto mór Consta mais expressamente, que
. . . te. (11)
Martim Affonso satisfez á condição, assignan- Ora, como Heliodoro Eobano foi feitor

(6) Ib. Pág. 62. (9) "Apontamentos históricos, geographicos,


(7) Ib. Págs. 62/63. biographicos, estatisticos e noticiosos da Província
(8) "Memorias para a historia da capitania de S. Paulo" Manoel Eufrazio de Azevedo Mar-
de S. Vicente". Fr. Gaspar da Madre de Deos. ques. Typ. Universal. Rio de Janeiro. 1879. Vol.
Lisboa. Typografia da Academia. 1797. Pág. 63. 2.0 Págs. 100/101.
Na 3.^ ed. Weiszflog Irmãos. S. Paulo e Rio. 1920. (10) Obr. cit. Vol. 1° Pág. 134.
Pág. 169. (11) Id. Pág. 179.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 128


. .

729

do engenho de José Adorno (12), isto é, do Com efeito, Pedro Taques, como acima
Engenho São João, segue-se que em uma mes- vimos, diz que, antes de regressar a Portu-
ma obra, em três trechos distintos, Azevedo gal, Martim Afonso deixou estabelecida uma
Marques dá a prioridade, no tempo, confor- grande fazenda com engenho de açúcar, afir-
me o caso, a cada uma das três fábricas açu- mando, mais tarde, em outras obras, que o En-
careiras em causa. genho São Jorge foi construído "logo que"
Se o Sr. Francisco Martins dos Santos se se fundou a vila de São Vicente.
inspirou na primeira alusão para recusar a Como também vimos, o insigne genea-
primazia estabelecida por aqueles dois cro- logista menciona a fonte em que hauriu as
nistas do terceiro século, em favor do Enge- suas informações. No caso, o Livro de re-
nho dos Erasmos, andou mal inspirado, por- gisto de sesmarias, que se não lhe permitiu
que é manifesta a contradição (diria melhor fixar a data do levantamento da fábrica, é
contradições) em que apanhamos Azevedo de crer que tenha sido bastante para que
Marques estabelecesse a primazia cronológica do En-
Em que se baseia o Sr. Francisco Martins genho São Jorge. Tanto assim que, em três
dos Santos para dizer que o primeiro enge- trabalhos diversos, elaborados através de uma
nho de açúcar erigido na ilha de S. Vicente longa vida de pesquisas e estudos de do-
foi o de Pedro de Góes, vindo em segundo e cumentos existentes na capitania vicentina,
em terceiro lugar, respectivamente, o de afirmou a precedência daquele engenho.
José Adorno e o Engenho São Jorge? Que é Frei Gaspar, seu contemporâneo, aliás
que serviu de fundamento ao Sr. Francisco mais moço do que o iinhagista, corroborou
Martins dos Santos para fixar os anos de a prioridade cronológica do engenho do go-
1532, 1533 e 1534 como aqueles em que foram verdador, como mostramos acima, baseando-
construídos, naquela ordem, os engenhos da se inclusivè em duas escrituras passadas em
Madre de Deus, São João e São Jorge ? Lisboa e registradas no Cartório da Fazenda
E' fácil a quem quer que compulse o seu Real de São Paulo.
livro, mencionado acima, verificar que o Sr. Aos documentos examinados pelos dois
Martins dos Santos não cita nenhum do- velhos cronistas de São Paulo, o Sr. Francis-
cumento ou fato provado que autorize as suas co Martins dos Santos não opôs outros do-
asserções, neste ponto, ou que deixe entre- cumentos, até aqui desconhecidos, que auto-
ver que tenham elas algum cabimento. rizassem as suas deduções ou, antes, o traba-
A verdade é que não se sabe com exati- lho de sua fantasia.
dão quando foi erigida qualquer das três fá- Se é certo que, como ensina Fr. Gaspar,
bricas em
apreço. Martim Afonso promoveu, quanto possível, o
Jordão de Freitas diz que parece ter sido comércio e a agricultura e logo tratou de er-
em 1534 que se constituiu aquela sociedade guer um engenho dágua no meio da ilha de
entre Martim Afonso e outros para a cons- São Vicente, para que os lavradores pudes-
trução de um engenho na capitania de S. sem moer as canas doces que teria mandado
Vicente. (13) vir da Madeira, nada mais fez do que se ins-
Como quer que seja, as citas acima pirar nos desejos que animaria a Coroa de
feitas de Pedro Taques e Frei Gaspar, que Portugal, a qual, segundo se depreende de
aludem ao período em que foi construído o uma citação feita por Porto Seguro, (14) que-
Engenho São Jorge e àquelas escrituras, mos- ria iniciar a indústria açucareira no Brasil,
tram que não há nenhuma incompatibilidade ainda ao tempo de D. Manuel.
entre um e outras. Caso contrário, os dois A própria carta de doação da Capitania
historiadores setecentistas não iriam asseve- de São Vicente — tal como sucedeu a Pedro
rar que a construção da aludida fábrica se Lopes de Sousa, Duarte Coelho, etc. —
dava,
deu antes da volta de Martim Afonso a nesse particular, privilégios a Martim Afon-
Lisboa so, já que lhe fazia mercê, e aos seus suces-
sores, atfim de que tivessem e houvessem tô-
(12) "Viagem ao Brasil". Hans Staden. Ver-
das moendas dáguas, marinhas de sal, e
são de Alberto Lõfgren. Pub. da Academia Bra-
sileira. Of. Industrial Gráfica. Rio. 1930. Pág. 60. quaisquer outros Engenhos de qualquer quali-
(13) "A expedição de Martim Afonso de
Sousa", in "História da Colonização Portuguesa do (14) "Historia Geral do Brasil". 3.^ ed. in-
Brasil". Litografia Nacional. Porto. MCMXXIV. tegral. Cia. r.Ielhoramentos de São Paulo. Tomo
Vol. III. Pág. 117. 1.° Pág. 106.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 129


. .

73.0

dade, que houvesse na dita Capitania, acres- Dando expressamente pouco ou nenhum

centando el-rei: ". .e hei por bem que pessoa


. valor (pág. 188), ao Piário de Pero Lopes de
alguma não possa fazer as ditas moendas, ma- Sousa, contesta que o desembarque dos co-
rinhas, nem Engenhos sinão o dito Capitão, e lonizadores haja sido na "banda d'aloeste da
Governador, ou aquelles a que elle para isso bahia", como informa o irmão do donatário.
der licença, de que lhe pagarão aquelle foro, O Sr. Francisco Martins dos Santos de-
ou tributo, que se com elles concertar". senvolve uma larga argumentação procuran-
Dados os grandes poderes e a missão que do demonstrar que a barra daquele lado só
trazia, era lógico, e justo que
necessário dava, já àquele tempo, passagem a pequenas
Martim Afonso tomasse a dianteira, como embarcações. Essa argumentação é em parte
parece que tomou, em tais providências. Foi baseada em Frei Gaspar e em outros autores
logo distribuindo terras para o estabeleci- que cita sem a menor ordem, cronológica ou
mento de fazendas, e Frei Gaspar, mostran-
.
de qualquer outra espécie, ora vindo ora tor-
do que o primeiro Leme chegado ao Brasil nando no tempo, num tumulto lamentável,
foi Antão Leme, fidalgo da Madeira e não chegando até a dizer que o monge santista
Pedro Leme, como supusera Pedro Taques, corrobora a afirmação de um autor que viveu
nos diz: "Suppoem-se, que veio na mesma muito depois de haver morrido aquele . .

occasiaõ, em que Martim Affonso mandou E' interessante que o Sr. Francisco Mar-
buscar á Madeira a planta de cannas do- tins dos Santos, que fala com tanta ênfase
ces." (15) nos "depoimentos" dos cronistas que parece
Coubea Duarte Coelho, Pedro de Góes e lhe darem razãoy haja esquecido a informa-
outros donatários,- por si ou seus loco-tenen- ção de Anchieta, que, como se sabe, chegou a
tes, introduzir a indústria açucareira nas res-
São Vicente em fins de 1553, isto é, cêrca de
pectivas capitanias, o que fizeram provàvel- vinte anos após aqueles fatos que êle pro-
mente em virtude das intenções claramente cura torcer em benefício de Santos, queren-
manifestadas pela Casa Real de Portugal, do acrescer novas glorias ao acervo da glo-
como já vimos. riosa terra dos Andradas e dos Gusmões . .

Martim Afonso de Sousa, que foi o pri-


Ora, o venerável padre, que aportou e
meiro enviado pelo Rei português com o evi-
dente intuito de estabelecer uma colónia re- viveu na primeira colónia da terra dos brasis
gular, ainda no concernente à fabricação de quando ela ainda estava quente dos aconte-
açúcar, foi também um pioneiro. cimentos que marcaram esse feliz início co-
Assim o apresentou Gabriel Soares de lonizador, conhecendo muitos dos compa-
Sousa, nestas palavras: "N'estes felices annos nheiros da missão afonsina, diz, em referên-
de Martim Affonso favoreceu muito esta cia a São Vicente, o seguinte: "E' situada
sua capitania com navios e gente que a elle em uma ilha que terá seis milhas em largo
mandava, deu ordem com que mercadores e nove em circuito; antigamente era pórto de
e
poderosos fossem e mandassem a ella fazer mar Martim Afonso de Sousa a
e nele entrou
engenhos de assucar e grandes fazendas, como primeira vez com sua frota, mas depois com
tem até hoje em dia, do que já fizemos a corrente das águas e terra do monte se tem
menção." (16) fechado o canal, nem podem chegar as em-
Não pensa assim o Sr. Francisco Martins barcações por causa dos baixos e arreci-

dos Santos, cujo esforço é todo mostrar que fes..." (18)


o "atual estuário de Santos" foi "o berço da E' evidente- que a informação de Anchie-
colonização brasileira e vicentina, o local do ta tem muito mais valor, no caso, do que as
primeiro porto do Brasil e o ponto de arri- citadas pelo Sr. Francisco Martins dos San-
bada da Armada de Martim Afonso." (17) tos. Aliás, alguns dos cronistas mencionados
Não conseguiu o autor da "História de por êste, como, por exemplo, Gandavo, não
Santos" documentar e provar as suas teses. dizem que Martim Afonso de Sousa desem-
Veja-se, por exemplo, a questão da arri- barcou no leste da ilha de S. Vicente, mas
bada da esquadra de Martim Afonso. que, na época em que escrevem, é claro, pela
barra do oeste não podem entrar senão em-
(15) Obr. cit. Pág. 48. Na 3.* ed. Pág. 153.
(16) "Tratado descriptivo do Brasil em (18) "Cartas, informações, fragmentos his-
1587". 3.* ed. Cia. Editora Nacional. São Paulo. tóricos e sermões". Padre Joseph de Anchieta,
Brasiliana. Vol. 117. Pág. 106. S. J. Publicações da Academia Brasileira. Civi-
(17) Obr. cit. Pág. 126. lização Brasileira. Rio de Janeiro. Pág. 442.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 130


. . . .

T31

barcações pequenas. Já não podiam fazê-lo ao gou-lhe uma interpretação tendenciosa: aque-
tempo de Anchieta, como se viu. le genovês ref eria-se a José Adorno Mas nes- .

A preferência do historiógrafo santista te caso a sociedade era composta de três e


pela hipótese do desembarque da frota de não de dois. No entanto, como viu o leitor,
Martim Afonso na parte oriental da ilha de Frei Gaspar, na mesma frase, acrescentou
São Vicente —
preferência mantida até em "ambos" . Ambos os três . .

face do "Diário da Navegação" de Pero Lo- E com passes assim o Sr. Francisco Mar-
pes de Sousa e do estudo crítico do memorá- tins dosSantos acaba chegando à conclusão
vel apógrafo devido ao comandante Eugênio de que Adorno já em 1533 tinha em ação o
de Castro —
parece resultar da tese, talvez seu engenho (pág. 156)
preconcebida, de que a colonização, a explo- Concordando embora em que a documen-
ração agrícola, teve início por aquele lado da tação respeitante aos primeiros dias de San-
ilha (pág. 188), que ao próprio donatário se tos é "muito exígua e falha", o Sr. Francisco
teria figurado melhor. No trabalho do Sr. Maítins dos Santos não tem dúvida em dizer
Martins dos Santos tudo conspira, tudo se en- e redizer que o engenho de Adorno, cons-
cadeia com o fito de dar essa primazia a San- truído e já em funcionamento em 1533, pre-
tos, cujos dois engenhos referidos são, por isso cedera o de São Jorge, sendo por sua vez
mesmo, apresentados como anteriores, na precedido pelo de Pedro de Góes. Êste teria
construção, no funcionamento, ao dp donatá- sido levantado no mesmo ano em que Mar-
rio. tim Afonso se estabeleceu naquela mesma ilha
O Martins dos Santos in-
Sr. Francisco já habitada por Antônio Rodrigues, Gon-
corre em
muitos outros enganos, dando, por çalo da Cos ca e outros europeus. No entanto,
exemplo. Frei Francisco de Santa Maria como ao longo de seu livro, o Sr. Francisco Mar-
autor do "Santuário Mariano" (Pág. 150), tins dos Santos vacila na fixação da data em
quando essa obra foi éscrita por Frei Agosti- que se iniciou o povoamento da região da fu-
nho de Santa Maria E' que o historiador san-
.
tura Santos, ora falando em 1532, ora em
tista pensa que êsses dois religiosos são uma 1534... Mesmo depois de quase haver jura-
só e mesma pessoa, à qual se deveria, além rado pelo último ano, em virtude de uma
daquele livro, o "Ano Histórico". Êste, sim, afirmativa de José Bonifácio de Andrada e
foi escrito por Frei Francisco de Santa Ma- Silva. Se o grande homem afirmou que San-
ria, como o sabe o leitor. tos foi fundada dois anos depois da funda-
Frei Gaspar cita três documentos que ção da vila de São Vicente, cessa toda dúvi-
.

confirmam a tradição de que Braz Cubas foi da a respeito, diz o Sr. Martins dos Santos.
fundador de Santos. Por sinal que um dêsses Isso não o impediu de adiante continuar os-
docun^entos, dando o testemunho de Diogo cilando entre aquêles dois marcos . .

Dias, diz que "o primeiro homem, que povoou Se tem dúvidas quanto ao ini-
ele próprio
em a Villa de Santos, foi Pascoal Fernandes, cio do povoamento da região da futura San-
e o Senhor Braz Cubas, d'ahi se fez a Villa de tos, como é que pode afirmar que em 1532,

Santos". (Pág. 208 da 3.^ ed.). Conclue-se daí meses depois da chegada de Martim Afonso,
que o primeiro povoador foram dois... já estava em funcionamento o engenho de
O Sr. Francisco Martins dos Santos não Pero de Góes ?
quis ficar atrás daquele morador de São Vi-»
cente
O autor das "Memorias para a historia da "BRASIL AÇUCAREIRO"
capitania de São Vicente" afirmou que "nos
primeiros annos, quando todos os povoadores O presente número completa o XXIV° volume
lavrarão n'esta Ilha, onde querião, Pascoal
de "Brasil Açucareiro". Marca ao mesmo tem-
Fernandes Genovez, e Domingos Pires fize-
rão sociedade e ambos vierão situar-se em po o 12° aniversário de órgão oficial do Insti-
Enguaguaçú. ." (págs. 204/5 da 3.* ed.).
. tuto do Açúcar e do Álcool, cujo nome primiti-

Com a preocupação de estabelecer a pre- vo, segundo sabem os leitores, era"Economia


cedência dos Góes e Adornos na montagem e Agricultura". A publicação de "Economia e
de engenhos, na região da futura Santos, en-
Agricultura", editada a principio pela Comissão
quanto o de São Jorge ficava no meio da
Ilha, o Sr. Francisco Martins dos Santos to-
de Defesa da Produção do Açúcar, inicion-se a
mou daquele trecho de Frei Gaspar e pespe- 5 de dezembro de 1932.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 131


.

732

VÁRZEAS CARIOCAS DE CANA


Affonso Várzea

A
constância cana vieira da Jacarèpaguá lhe guarda o nome, e êste, juntando-se com o
veio ate o começo dêste século, sendo fora de rio do Areal, forma o Guerenguê, o qual, mais
duvida que, na segunda metade do setecen- abaixo, é Arroio Pavuna, agora Canal do Pa-
tismo, a constelação dos engenhos da bai- vuna, tributário da Lagoa de Jacarèpaguá
xada, entre os Maciços da Tijuca e da Pedra
Branca, era das mais ativas. PLANÍCIE RICA DE ENGENHOS
O c1ass-
sico mapa de Aos três
Manoel Viey-
acima, no
ra Leão, sopé o r i e n -
" Sa r g e n -
tal do Ma-
to mor e Go- ciço da Pedra
vernador da Branca, há
Fortale- que juntar
za do Castelo
outros tantos:
de São Se-
o Cu r i c i -
bastião da Ci-
d a d e do Rio
ca —ainda ho-
jeexistem o
de Janeiro",
Carta Topo-
Núcleo da
Curicica e a
gráfica da Ca-
Estrada V e -
pitania do Rio
de J a n e i - lha da Curi-
ro, feita em cica —
ao pé
1767 "por or- de um par de
dem do Cõde m n o 1
o i
-

de Cunha, tos muito tí-

Capitão Ge- O Engenho Velho à beira da Rio-São Paulo, na Estação de Santís- picos, os Dois
neral, e Vice simo, com a bagaceira amontoada na frente das instalações, se- Irmãos, jun-
cando para adubo. E' atualmente o maior aguardenteiro carioca, to de águas
Rey do Esta- chamado Engenho São Pedro, ao tempo da popular proprietária,
do do Brazil", correndo no
D. Júlia Campos de Oliveira Ramos. A esquerda da porta onde
localiza sete estão os homens ficam os alambiques e, à direita, as dornas. No Pavuninha; o
engenhos na último lanço do edifício a penúltima porta corresponde a moen- Camorim, de-
planície da elétrica, e a última ao depósito de canas e garrafas. Por trás vidamen-
do casarão os cilindros das caixas dágua da antiga instalação a te anotado na
ao norte das vapor, já na subida do morro que, por trás das mangueiras e
maiores outras árvores frutíferas, ostenta csfhaviais. Perfilam -se ao fundo cartografia de
lagoas cario- ladeiras do Morro do Lameirão, esporão do Maciço da Pedra Vieyra Leão,
cas, porem na Branca alcançando 486 metros. Foto Affonsò Várzea no alto rio do
passagem da Camorim, de-
passada centúria para a corrente, onze fábricas saguando no extremo ocidental da lagoa de
andavam em atividade sobretudo aguarden- Jacarèpaguá, vale superior encaixado entre a
teira: o Engenho Velho, tradicional reduto da Pedra Rosilha, 486 metros; finalmente o Var-
família Dantas, no vale do Rio Grande, onde gem Grande, já na base meridional daquele
o cartógrafo do Vice-Rei colocou dois núcleos maciço, no vale do Paineiras.
açucareiros; o Engenho da Taquara, imedia- Dessas instalações continuam à vista tre-
tamente ao sul do baixo rio Grande, o que chos das canalizações de água, como no caso
mais resistiu na função, propriedade de tra- do Engenho Novo; do Curicica, ruínas encon-
Engenho No-
dicional família fidalga local; o tradas aos fundos do Sítio São Jorge, de Ar-
vo, no terreno atualmente ocupado pela Co- tur Várzea; do Camorim, mais de duas vêzes
lónia de Psicopatas, no vale do córrego que secular

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 132


733

Contra as do contato do Qua-


seis fábricas brança de maiores fábricas da zona, sendo
ternário com o Complexo na linha
Cristalino, que na atual fase de derrota da gramínea pe-
de encontro da planície recente com o maci- las cítricas, e pela Pacova, os maiores cana-
ço arqueano da Pedra Branca, três na orla viais são ainda aquêles do vale do Rio Gran-
oriental da baixada, no sopé do contorno oci- de, bem pequena amostra dos canedos de ou-
dental do Maciço da Ti j uca, os engenhos da trora .

Serra, Novo e Agostinho, na Freguesia, no vale


secundário por onde agora sobe a Estrada dos A VÁRZEA DO RETIRO
três Rios, águas que descem do próprio flanco
noroeste do Pico da Tijuca, com 1022 mts., se- Outra planície canavieira, da colónia até
gundo em altura somente para a Pedra Branca. fins do império, foi aquela onde simples lom-
Mais ao sul, ainda na banda oriental, fi- badas de 40 metros separam a alta bacia do
cavam o Engenho d'Agua e o Anil. Sarapui da alta bacia do Guandu do Sena,
Se fôsse procurada a tradição canavieira, dominada pelos engenhos do Jerexinó (Ge-
a de Jacarèpaguá podia ser chamada Planície recinó) e do Retiro, a poderosa construção
dos onze En- _•_
_ ;
dêste último
g e n h o s e " s o b r e 1 e -
^
' '-'
M^-í
já sete avul- táw^ V a n d o às
tavam na se-
gunda meta-
^ ^ ^fca mais e vindo
em atividade
de do Sete- até a repú-
centismo. Vi- blica.
eram essas Da
subida
fábricas ao Pico de
do i m p é -
Gerec i n ó,
rio com repu- com mais" de
tação de mas- 9 0 0 metros,
cavo, para desfruta-
trabalha- sesoberba
rem nos pri- vista sobre a
meiros anos várzea, en-
da república quadrada no
p r i n c i - plano médio,
palmente co- à e s q u e r-
mo aguar- da, pelos do-
denteiras, só Situação de abandono do engenho rapadureiro de Antônio Mon- mos do Mor-
a c d e n -
i teiro, na Manguariba, no flanco de uma das colinas que emoldu- ro do Capim
talmente fa-
ram pântanos da margem sul do Guandu-Mirim, no trecho lin-
deiro. Produziu os doces tijolos até um ano' atrás. Foto Affonso
Melado, espo-
zendo rapa- Várzea, tomada do terreno fronteiro à humilde residência, plan- rão do maci-
duras. tada no alto da dobra do terreno. ço, sobretudo
Ao termi- em eruptivas,
nar o século dezenove tôda a baixada, des- pelo qual as lindas com o Estado do Rio
de o Mato Alto garganta — da rua Cândido descem à Cancela Preta, na baixada den-
Benício, entre os Maciços da Tijuca e da Pe- tre Sarapui-Pavuna, êste na alta bacia do
dra Branca —
até às lagoascontíguas ao li- Meriti. A
direita do plano médio faz o en-
toral atlântico, era um só canavial, trinta quadramento o extremo oriental da Serra do
anos depois substituído por imenso laranjal, Quitungo, confrontado no plaino da bacia su-
agora ràpidamente convertido em extensos perior do rio Sardinhas, um dos formadores
bananais. do Sarapui, pela massa alva do casario novo
E' de notar que, durante mais de dois sé- da Penitenciária das Mulheres, construção
culos e meio de existência, só não mudaram federal. Por trás do presídio moderno alteia-
de nome os engenhos Novo, Taquara, Camo- se o Morro do Retiro, bossa de 166 metros de
rim e Serra, o do Rio Grande passando a En- uma série que, sempre com mais de 120 me-
genho Velho Êste e o Novo deixaram a lem-
. tros, encurva-se para oessudoeste e para

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 133


734

ocidente, culminando com 231 metros no Mor- nas. Sendo esta a vertente de sotavento, mes-
ro dos Coqueiros, a noroeste de Senador Ca- mo antes da ação de madeireiros, lenheiros e
mará. càrvoeiros — antecipando-se dé séculos aos
Precisamente acolado à ponta leste dessa fruticultores— jamais apresentou-se tão en-
ilha geológica Morro do Retiro —
Morro dos roupada de vegetação como as ladeiras flo-
Coqueiros ficava o famoso Engenho do Re- restais descendo para Guaratiba e Jacarèpa-
tiro, já na vertente do rio das Tintas, outro guá, beneficiando diretamente dos ventos car-
formador do regados
S a r a p u i, de umidade
principal for- do oceano,
mador dado por isso mes-
maior vulto mo nutrien-
que o Sardi- tes de uma
nhas. Deve constela-
ser o Tintas ção de enge-
que figura nhos como já
em Vieyra foram vistos
Leão como rio na baixa-
do Retiro. da jacarepa-
As sólidas giiense.
edificações do
Engenho do O ENGENHO
Retiro, agora DO
adapta- RÁDIO
das em hospi-
tal do prole- No vale do
tariado das Guandu
tecelagens do do Sena, pre-
Bangu, vão cisamente ao
sendo alcan- sul do forma-
çadas pelo ca- dor do Guan-
sario da prós- Ao centro, a partir do primeiro plano* o antigo leito do Guandu du Mirim, re-
do Sena, estando o curso dágua agora desviado meio quilóme-
pera cidade
tro para o norte por ter sido metido em drenagem — Canal do
gistraram os
dé origem in- Guandu do Sena — pelas Obras de Saneamento da Baixada cartógra-
dustrial, aglu- Fluminense, que criaram um leque de canalização para o alto fos setecen-
tinando-se já Guando Mirim Ficou assim sem rio o Engenho do Guandu, cuja t i s t a s uma
edificação secular destaca-se ao meio, do encontro e a um espo-
aSenador Ca- única fábri-
rão da Serra do Quitungo, todo pelado em lavouras de cítricas.
mará, mercê A chaminé corresponde ao vasto recinto do edifício onde ainda se ca, natural-
do desenvol- encontra a instalação a vapor com que a fábrica passou do impé- mente o En-
vimento que rio para a república. A almanjarra a tração animal, que mantém g e n h o do
ganha no vale vida aguardenteira nesse núcleo canavieiro, o principal da zona
chamada Tererê no mapa de Vieira Leão, de fins do século De-
Guandu,
entre o ali-
zoito, funciona na extremidade oposta do casarão, à esquerda da
grande cons-
nh amento qual estendem-se, entre duas ondulações do terreno, as Caianas trução que,
Retiro- para chupar. Foto Paul Stille para a GEOGRAFIA DO DISTRITO na passagem
Coqueiro e a FEDERAL, do prof. Affonso Várzea do impé-
o r 1 a s e - rio para a
tentrional 'do Maciço da Pedra Branca. república, avultou com sua maquinaria a va-
Essa aba do maior conjunto orográfico do por. Agora renascente, depois do crack da la-
Distrito Federal arma o fundo da foto para ranja, recomeça como aguardenteiro de al-
quem aponta a objetiva, da subida ao Maciço manjarra de tração animal.
do Gerecinó, para a antiga várzea de cana a Mais chegada à Serra do Quitungo, mais^
leste do divisor de águas do Guandu do Sena afastada do Maciço de Gerecinó, a tradicio-
— face norte do Maciço da Pedra Branca em nal casa canavieira ficou sem a intimidade do
grande parte pelada pela economia de subs- rio, pois a retificação do curso pelas Obras
tituição dos fruticultores de cítricas e bana- de Saneamento da Baixada Fluminense, cri-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Pág. 134


735

ando o Canal Guandu do Sena, deslocou a SACO SÊCO


água corrente cêrca de quilómetro para o
norte do traçado antigo, no local. A sueste da fábrica do rádio, por trás de
Marca o aglomerado do Santíssimo o maior um esporão do Morro do Lameirão que se
avanço para o setentrião do Maciço da Pe- alça a 235 metros, recorta-se o Saco do Vie-
dra Branca, por meio de um esporão do Mor- gas, um saco sêco, diferente dos sacos da bei-
ro do Lámeirão —
486 metros —
com isso ra-mar, como foram o Saco do Alferes e o
também assinalando o divisor entre três ba- Saco de São Diogo no Rio de outrora. ver-A
cias, a do Guandu Mirim, a do Sarapui e a dade, todavia, está em que o Saco do Viegas,
do Cabuçu. "secado" em planície holocênica, recortava-
Tamanho destaque orográfico e potamo- se como corpo de água até quadra geológica
gráfico correspondeu a uma marca canaviei- bem recente. O mar de morros, a sudoeste e
ra, o Engenho Lamarão, de Vieyra Leão, no ao sul do Bangu, testemunha quanto era bem
local dele en- rendilha-
trando ê s t e da a abra, a
século o En- enseada viva,
g e n h o São ainda coberta
Pedro, entro- de mar ao
nado na fun- fim do Perío-
ção de máxi- do Terciário.
mo aguarden- Igualmente
teiro carioca do Saco do
como pro- Alferes nada
priedade de mais resta,
D. Júlia Cam- entupido
pos de Olivei- e anexado ao
ra Ramos, a sólido pata-
respeitá- mar com que
vel dama que o Cais do
se apaixonou Pórto r e t i -

pela voz do ficou o li-


speaker feio e toral entre o
então, êste, en Arsenal
C y r a n o de de Marinha e
Bergerac, le- São Cristó-
vou domin-
às Sob a mangueira, nessa rampa do Morro do. Lameirão, Maciço do vão, e o Saco
gueiras da ri- de São Diogo,
Pedra Branca, as caixas dágua cilíndricas da antiga instalação se ainda con-
ca canavieira
o locutor de a vapor do Engenho Velho. Há mais de vintênio foi eletrif içada a serva um fi-
mais estam- lete de água,
fábrica que ora produz o maior volume de aguardente carioca.
pa, assim en- o Canal do
trando vozes Foto Affonso Várzea. Mangue, de-
populares do ve-o a desve-
rádio para a administroção' de uma das mais los da engenharia hidráulica.

extensas organizações do ruralismo carioca. O último vestígio do corpo de água que


foi o Saco de Viegas escorre na forma de ca-
Coisa de quilómetro a oessudoeste do
beceira mais recuada do Sarapui, coletando a
aguardenteiro que os sonoros herdeiros de umidade que rola do vale secundário por on-
D Júlia chamam agora Engenho Velho, rom-
.
de sobe a Estrada do Lameirão Pequeno, a
pe para nornoroeste uma antiga via què des- qual na baixada é simplesmente a Estrada do
ce ao leito de um dos formadores do Guandu Viegas.
Mirim, o rio dos Cachorros, também canali- O atual Canal dos Cachorros retificou um
zado como os Guandus do Sena e do Sapé — tributário do Guandu Mirim em cujo curso
a Estrada do Lameirão, lembrando, como o inferior localizou Vieyra Leão uma tríade de
morro, o nome do engenho setecentista. fábricas açucareiras, que era o Engenho do

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 135


.

736

FOLKLORE DO AÇÚCAR
'
Joaquim Ribeiro

Vida estética —O cancioneiro —


Valores estéticos —
A imagem e o
meio circundante — Uma fórmula temática —
Uma quadra portuguesa;
suas variantes no meio brasileiro —
A quadra na zona canavieira e na zona
praieira — Outro exemplo de paisagismo local no cancioneiro sergipano —
A versão originária, de Portugal.

XIV Não há ciência sem fatos.


E é baseado nessa realidade infra-his-
tórica que se formulam os problemas e as
A alma lírica do povo tem sido assunto questões.
predileto dos f olkloristas Não faltam inven-
.

tários de nossos cantos populares E' sem dú- .


Estudando a vida estética de nosso povo,
vida, um
dos aspectos mais divulgados do verificamos que, no terreno da poética o
nosso folklore. Cancioneiro popular tem uma maior proje-
Tão divulgada tem sido a poética popu- ção que o Romanceiro.
lar que há muita gente que julga que a ciên- Não é para se estranhar; o "romance"
cia folklórica se resume tão somente no mis- exige uma elaboração mais desenvolvida,
ter simplista de recolher quadras e roman- pois. é, na essência, uma história versifica-
ces, trovas e xácaras. da, obedecendo, de regra, a determinados câ-
Êsse documentário, contudo, não deixa nones.
de ser valiosíssimo
E' sobre êle que o folklorista vai traba-
Já o Cancioneiro não. Possui maiores re-
lhar, explicando transformações, adaptações
cursos e encontra principalmente na "trova"
o mais fácil meio de expressão.
e a procedência.
Sem êsses dados imediatos a respeito do A trova é, sem favor, a forma poética
nosso Romanceiro e do nosso Cancioneiro, se- mais espontânea de nosso idioma. E, em ge-
ria impossível qualquer exegese esclarece- ral, apresenta-se composta de versos septis-
dora . silábicos, com a seguinte disposição de rimas:

Mendanha, na margem na con-


norte, quase flanco de uma das colinas que emolduram
fluência do Rio da Prata do Mendanha, ape- pântanos da margem sul do rio lindeiro, paúis
lido atual do curso inferior do Guandu do em dissecamento por drenagem, a impressão
Sena, tendo a leste uma engenhoca, também de desolação era ajudada pelo abandono, em
na margem direita dos Cachorros, e outra en- roda, da savana man-made do laranjal, des-
genhoca enfrentando-o no lado oposto da ca- cuidado em conseqiiência da crise de expor-
lha. tação de cítricas, decorrente da segunda
Na alta bacia do Guandu Mirim tudo o guerra mundial.
que resta do engenhismo de mais de dois sé- A presente paisagem, tocada de tristesa,
dessa secção de colinas do extremo ocidental
culos e meio é o aguardenteiro do Marqui-
carioca, metida entre o vale brejoso do Guan-
nhos, lançando a Guanduana, mas na bacia
du Mirim e os tradicionais campos de pecuá-
média, a mais ou menos quilómetro ao sul
do atual Canal do Guandu Mirim, funcio-
ria de Santa Cruz —
estepe do delta Guandu-
Itaguai figurando já como Curral dos Pa-
nou até o ano passado o rapadureiro da La- dres (os jesuítas) nos mapas seiscentistas —
ma Preta, servido por uma pista que se des- emana algo que lembra invencivelmente o
via para o sul da Estrada da Manguariba. ondulado melancólico do planalto paulista
Pendurando frangalhos de zinco e ripas ao nas vizinhanças de Itararé.
«

BK VSIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 136


.

737

A A alma popular ama essa linguagem me-


B tafórica.
C S Quase sempre é possível fixar-se a fór-
B. mula temática fundamental, que se transfi-
•gura numa série infindável de "variantes".
Esta constitui, na verdade, a feição tra- O povo, uma vez de posse de um dêsses
dicional por excelência, quer no Brasil ou moldes poéticos, o repete pròdigamente, ves-
quer em Portugal, donde a herdamos. tindo-o de várias maneiras e matizando-o de
A espontaneidade do verso septissilábico diversas cores.
está de talmodo evidente, que até na linguá- Essas vestimentas e êsses coloridos traem,
gem comum, conforme observou João Ribei- contudo, o influxo do meio circundante.
ro, aparece em nossas expressões afetivas. O homem está integrado no seu meio
Exemplos não faltam: como a aranha em sua teia. E' uma verdade
axiomática. E' cl^ro, pois, que deixe trans-
— Nosso Senhor Jesus-Cristo !
parecer nas suas criações e adaptações a pai-
sagem que o cerca.
— Valha-me, Nossa Senhora ! Êsse "processus" pode ser apreciado,
através do espaço, quer no Brasil ou em Por-
— Santa Barb'ra São Jerônimo
! !
tugal, donde vem a nossa tradição poética
(técnica do verso, fórmulas temáticas, etc.)
— Vade retro, Sanataz !
Vamos à exemplificação. Tomemos, por
exemplo, a seguinte fórmula temática:
E até nos desaforos mais vulgares, já es-
tereotipados pelo povo: = x
coração

— Seu grandissíssimo besta Na poesia popular de Portugal encontra-


— Maus raios te partam, patife !
mos duas versões. Registra-as M. A. Fur-
tado de Mendonça na coletânea "Cantigas
populares" (tradição da Rapa, Celorico da
"Tudo atesta índole espontânea dêsse
a
Beira), publicada in "Revista Lusitana", (vol.
ritmo poético em nossa tradição verbal.
XVI, 1913) Uma é de nítida feição rural:
A facilidade de trovar parece inata em
.

nossa gente.
O meu coração é terra
E, quem observa atentamente o nosso
Hei de o mandar lavrar
cancioneiro, verifica que nêle os valores es-
Semeá-io de desejos
téticos já existem embrionários e sugestivos.
Que tenho de te falar.
Justamente uma das demonstrações fun-
damentais que fiz em meu livro "Estética da ,
(Obra citada, pág. 304.)
língua Portuguesa" foi esta, e reuni diver-
sas comparações entre Camões, o génio de A outra já parece de índole urbana e diz
nosso idioma, e o povo, dando a êsse respeito assim :

numerosos paralelismos entre passagens de


"Os Lusíadas" e as nossas trovas populares. Meu coração é relógio
Os recursos estéticos eram idênticos (alite- Minha alma dá badaladas;
rações, etc.) e apenas num resplandecia a Os dias que te não vejo
arte já limada e noutro a gema envolta na Trago as horas contadas.
ganga.
Esta demonstração (que a muitos pareceu (Obra citada, pág. 304)
desarrazoada) vinha apenas evidenciar que
os valores estéticos já se encontram na poe- Êsse molde poético, lusitano, naturalmen-
sia popular em estado latente. te,transplantou-se para a tradição brasileira.
Na analítica da poesia popular, há um Aqui, entre nós, correm "variantes" onde
aspecto estético que não deve ser esquecido. o segundo elemento da formuleta, ora são
Refiro-me à temática do cancioneiro. tesouras, ora chave, ora cravo, etc.
Nas trovas, as imagens e as comparações Nos "Cantos populares do Brasil" de Síl-
surgem em profusão. vio Romero encontramos:

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 137


: . .

Dentro de meu
peito tem Dentro de meu peito tem
Duas tesouras sem eixo; Dois engenhos de marfim;
Ilida me vendo em desprêzo, Quando um anda, outro desanda:
Meu amor, eu não te deixo. Quem quer bem não faz assim:

(Obra citada, pág. 214, da 2.^ edição) (Obra citada, pág. 214)

A imagem comparativa do coração com


Dentro de meu peito tem dois engenhos revela claramente a projeção
Uma fita com três laços; do meio ambiente sôbre o espírito do. poeta
Aceita lembranças minhas, anónimo e popular.
Um suspiro e dois abraços. E' a marca ecológica.
Já, na zona litorânea do Sul, o folklo-
(Idem, pág. 215). rista, já falecido. Crispim Mira, no livro
"Terra catarinense" (capítulo: "Folklore ca-
Dentro dè meu peito tem tarinense"), colheu a "variante" local:
Uma chave de marfim;
Dentro dêle hás de achar Dentro de meu peito tem
Um anior que não tem fim. Duas escamas de peixe,
Uma diz que não te ame,
(ibidem) Outra diz que não te deixe.
O conteúdo temático é o mesmo da tro- (Terra catarinense, pág. 131)
va portuguêsa. Apenas observa-se nas va-
riantes citadas à persistência do mesmo "pé Agora, o ambiente praiano busca no mar
de cantiga", que aparece noutras trovas, onde o pretexto para comparação.
não há a mesma formuleta temática, como Está bem patente o reflexo do meio, da
nesta, colhida por Koseritz no Rio Grande do paisagem circundante, sôbre as versões de
Sul Sergipe e de Santa Catarina.
Dessas duas "variantes" podemos dizer
que diferem das demais porque estão firme-
Dentro do meu peito tenho mente adaptadas: uma à zona canavieira nor-
Uma dor que me consome. destina e a outra à região praeira do nosso
Quando eu vou suspirar litoral sulino.
Da bôca me sai teu nome. Esta formuleta:

(S. Romero, obra cit., pág. 347) coração = x


O que nos interessa, porém, são as ver- é, sem dúvida, um pensamento elementar e
sões que obedecem ao molde temático, que poderia surgir, espontâneamente, como apa-
estamos comentando. rece numa poesia do padre Joseph de Anchie-
Até agora, vimos "variantes" brasileiras, ta dedicada ao Santíssimo Sacramento e nuns
que, todavia, não retratam o paisagismo re- versos de Alfred Musset, conforme faz pa-
gional .
ralelo Ronald de Carvalho na "Pequena his-
Por ventura existem versões que reve- tóriada literatura brasileira".
lem êsse colorido ? O nosso povo, porém, recebeu dalém-
Há, sim. mar êsses moldes poéticos e aqui apenas os
Pelo menos colhemos no documentário transformamos
dos nossos folkloristas duas versões tipica- E' fácil verificar esta verdade, realizan-
mente regionais. do-se novas exegeses comparativas nesse sen-
Uma na zona canavieira do Nordeste tido.
(Sergipe) e outra na zona praieira do Sul Lembramos, aqui, um outro exemplo de
(litoral de Santa Catarina). paisagismo local da zona canavieira de Ser-
A versão sergipana colheu-a Sílvio Ro- gipe.
mero no seu esplêndido inventário dos nossos O nosso inesquecível Sílvio Romero, sem-
cantos populares. E tem a seguinte forma: pre rico na documentação, registrou:

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Fàg. 138


739

, Lá vos mando um
cravo branco O
nosso Cancioneiro, tão rico em quadras
Num bago de jaca dura; de raízes reinóis, tem, todavia, as suas formas
Lá vos mando perguntar mestiças e originais, que oportunamente ana-
Se vosso amor inda dura lisaremos .

Aqui desejamos tão sòmente apontar a


Lá vos mando um cravo branco influência ecológica da região canavieira na
Dentro de um gomo de cana; poética popular do Brasil.
Se tu cuidas qu'eu te amo Êsse influxo, tão forte é, que se faz sen-
O coração bem te engana. tir até nos moldes poéticos, herdados dalém-
mar.
(Obra cit., pág. 238).

Asegunda estrofe desta cantiga traz o


indício local Neste "gomo de cana" que subs-
.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: — Síl-
vio Romero, Cantos populares do Brasil (2.* edi-
titui o "bago de jaca" da quadra anterior está
ção); M. A. Furtado de Mendonça, Cantigas po-
o colorido da região canavieira.
pulares (in Revista Lusitana, XVI); Crispim Mira,
Esta cantiga deriva, 'possivelmente, da
Terra catarinense; Carlos A. Monteiro do Amarai,
tradição lusitana.
Tradições populares e linguagem de Atalaia (in
No folklore português encontramos qua-
Revista Lusitânia, vol. XI, 1908); Joaquim Ribeiro,
dras de igual índole.
Estética da língua portuguêsa; Ronald de Carva-
Na já citada Coletânea de Maria Angé- lho, Pequena história da literatura brasileira.
lica Furtado de Mendonça encontramos es-
tas versões:

a) — Lá te raminho
mandei um
De quantas que achei;
flores
Se mais achara, mais dera,
Se mais dever, pagarei.
= FAZENDEIROS, i==
(Revista Lusitana, vol. XVI, pág. 321) USINEIROS!
b) — Lá te mandei um raminho COMPREM dircfameníe da produtora
De alecrim por aparar; ÁCIDO SULFÚRICO
Se tu tens outros amores,
Manda-me desenganar. ÁCIDO CLORÍDRICO
e
(Ibidem) ÓLEO DE RÍCINO
OFEREÇAM dire ta men te à consumidora
O A. Monteiro do
folklorista luso Carlos
populares e lin-
A SUA PRODUÇÃO
Amaral no estudo "Tradições
DE OLEO FUSEL
guagem de Atalaia" registrou estoutra "va-
riante" :
Dirijam-se à

Lá te mandei um raminho
De cinco castas de flores; CIA. flUIMICA RHODU BRASILEIRA
Todas elas significam
Parte dos nossos amores. Caixa Postal 1529
S. PAULO
Certamente, a versão originária dá can- a
tiga sergipana, recolhida por Sílvio Romero, AGENCIAS :

é a mesma matriz das versões portuguêsas S. Paulo — Rua Benjamin Constant, 55


acima transcritas. Rio— Rua Buenos Aires, 100-100 A
Recife — Rua da Assembléia, 1
Porto Alegre - Rua Chaves Barcelos, 167

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRp, 1944 — Pág. 139


. )

740

NOTAS SÒBRE O VELHO CANUTO


Sodré Viana

A grande legenda da vida do velho Canuto, rava Canuto. Era do outro lado do rio Cutin-
o carreiro, se constituiu numa memorável be- ga, uma construção de taipa coberta de pa-
bedeira . lha. O interior, escuro e de chão batido, como
Depois de perambular por tôdas as vendas que servia apenas para as lidas de cozinha e
e tendinhas do Acupe, apoiando o cotovelo para o sono da família.
foveiro em cada balcão e em cada balcão ati- Porque as demais passagens da vida do-
rando à goela um copinho de minduba, o ne -
méstica tinham lugar à sombra do oitão, se
gro resolveu tomar o caminho do engenho. era dia, ou, à noite, no terreiro enluarado.
Era noite e não havia lua. Ali se batia piaçava, ali se fabricavam ca-
Pés descalços, foice ao ombro, o chapelão trançavam esteiras e chapéus de
çiiás, ali se
de palha dependurado das costas pelo barbi- pindoba, ali se atavam com barbante ordiná-
certo, uma nesga relvada à margem do cami- rio ou palha torcida os macios leitos de pa-
do arraial, —
e ganhou a estrada. xiúba
O vento punha cochichos mal-assombra- Que comiam ? A
base da alimentação era
dos nas folhas do bambual. As coraneiras o charque. Assado ou de moqueca, ou ainda
perfumavam a treva. em cozidos ligeiros —
"subiu-descer" com —
Canuto começou a sentir o corpo mole, as os indispensáveis e o pirão de farinha de
pernas flexíveis como juncos, um relaxa- mandioca, a "carne-do-sertão", como era cha-
mento irresistível da vontade. Tinha que pe- mado o produto gaúcho, constituía o prato
gar a junta de bois, naquela madrugada, de mais comum e mais querido.
manhã cedo devia levar o carro ao canavial. Mas havia também peixe do rio e caran-
Mas como continuar andando naquele es- guejos do mangue do Acupe, aquêles magní-
tado ? ficos, inigualáveis caranguejos do Recônca-
Parou, vencido. Procurou, com o pé in- vo baiano. E, como tempêros comuns a to-
certo, uma nesga relvada à margem do cami- dos os petiscos, o dendê doirado e cheiroso,
nho. E deixou-se cair, exausto. e a pimenta, pimenta malagueta, pimenta que
Quando acordou o sol já estava alto. Per- a negrada devorava lacrimejando de agonia e
cebeu dores pelos braços, notou que tinha rindo de gôzo.
sangue nas mãos. Reuniu as energias, pôs-se (E ainda há "sociólogos" que dizem que
de pé, olhou para o chão. a base da alimentação brasileira é o feijão.
Lá estava, esmagado, um tremendo suru- Falam assim, englobando tudo, como se os
cucu-malha-de-f ogo O reptil picaro-o, enfu-
. Canutos do Recôncavo, comendo dêsse mo-
recido, durante várias horas. Até que, ce- do, os Pajaus do Nordeste fazendo fé no mi-
dendo à asfixia, morrera sob o seu corpo lho, os Panchitos do Pampa carregando no
anestesiado pelo álcool. bife cru e nas verduras, não fôssem Brasil
Canuto brandiu a foice, torou-lhe a ca- nem nada . .
.

beça, recolheu-a como troféu.


E nem todos os sábios de Butantan se-
riam capazes de convencer os prêtos dos Bri- :!: ^ 4=

tos de que Canuto só escapara por ter caído


sôbre uma cobra cuja bôlsa de peçonha já Mas que me parece mais eminente na
O
estava esgotada. vida do humilde negro não é, como pensei
Êles contorceriam os beiços num muxô- outrora, segundo o que então me ensinaram
xo de desprezo, e continuariam a crer que as a pensar, o caso da cobra, da sua noite dor-
glórias do milagre pertenciam, legitimamen- mida sôbre o colchão de morte.
te, à cachaça. O que hoje me impressiona no mestre-
carreiro dos Britos foi a sua estupenda intui-
Hc
ção de que a lei de Isabel, a Redentora, não
>!s >!c

Lembro-me ainda da casinha em que mo- lhe daria, pelo raenos a êle, já velho, nada de

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO. 1944 — Fig. 140


. .

741

A ASSISTÊNCIA MEDICO-SOCIAL NAS ZONAS


CANA VIEIRAS DO BRASIL
Vasconcelos Torres

A assistência médico-social no Brasil estabelecimentos nas viagens que empreen-


deixa muito a desejar. Em
alguns lugares há demos pelos Estados açucareiros. Em todos
interesse em tratar da saúde do obreiro, mas êles ouvíamos as invariáveis queixas dos ad-
em outros, o trabalhador é ignorado como ministradores. Muitos dêles não possuíam
expressão homem, para só ser visto como um instalações suficientes para comportar o nú-
fator de produção. Falamos recentemente na mero cada vez maior de doentes e o resultado
absoluta falta de médicos nas zonas rurais. era a improvisação de corredores em enfer-
Como dissemos, os curandeiros substituem marias, quando havia corredores. Do contrá-
os homens formados Os curandeiros possuem
. rio, o doente era rejeitado e, enquanto aguar-
um receituário arrevesado, onde as ervas dava a desejada vaga, sucumbia. Presencia-
constituem o princípio de todo medicamento. mos cenas tristes e admiramos o trabalho dos
Chamamos a atenção para o fato de que essa enfermeiros que, na falta de gaze, trabalha-
substituição apresenta malefícios, pois, cura- vam com panos usados.
se uma complicação intestinal como se fôsse Entretanto, nem todos os centros cana-
um mau olhado. vieiros que visitamos possuíam Santa Casa.
Mas, se a falta de médicos, por si só, Os enfermos dessas zonas eram submetidos
constitui sério problema, a ausência de hos- a tratamentos empíricos. O curandeiro aí
pitais e ambulatórios, por outro lado, agra- tem uma extraordinária missão. Sua pala-
va mais ainda a situação. Nos casos em que vra vale como ordem e a sua rudimentar te-
a hospitalização é requerida, o campônio terá rapêutica é seguida à risca. Não é necessário
de apelar para a Santa Casa mais próxima ou ressaltar a absoluta ausência de higiene nes-
para um estabelecimento distante do centro ses "tratamentos", onde a cachaça tem papel
das suas atividades, sujeito, não raro, aos saliente na cura de certos males. .

incómodos de jornadas penosas, arriscado a Temos notícias de que algumas usinas


perecer antes de chegar ao local a que se des- pernambucanas e alagoanas não descuram
tina . da assistência médico-social aos ?eus empre-
As Santas Casas, em determinadas re- gados Nãa visitamos os Estados de Pernam-
.

giões, realizam verdadeiros milagres. Sem buco e Alagoas, de maneira que êles estão ex-
recursos, contando com as contribuições de cluídos dos nossos comentários. Na Bahia e
associados ou parcas subvenções oficiais, sem em Sergipe, constatamos alguns ambulató-
aparelhamento cirúrgico e sem um corpo clí- rios, sendo que na terra sergipana estivemos

nico adequado, elas suprem todas as defi- num hospital mantido pela Usina Oiteirinhos.
ciências com a abnegação dos seus enfermei- Aliás, em todas as nossas viagens, só nos foi
ros, quase sempre responsáveis pelos doentes dado visitar dois estabelecimentos hospita-
que as procuram. Visitamos vários dêsses lares: o referido e o da Usina São José, no

melhor do que a existência a que já se "habi- Todos os dias, de manhãzinha, lá estava


tuara . êle, na varanda da Casa-Grande, curvando-se
De fato, Canuto não deixou o Senhor. reverente, a aba do vasto chapéu lambendo os
Alforriado, continuou trabalhando, carrian- mármores :

do, como sempre. Apenas com a diferença de


um salário.
— Nossinhô mandou bom dia pra vassun-
que percebia cês todo,meus sinhô !

Porém nem êste último detalhe, que ma-


Era como se ainda se considerasse cativo.
lucou tanto prêto bom, fê-lo sentir-se mais
livre
Que negro de tino, hein ?

BRASIL AÇUCAREIRO
DEZEMBRO, 1944 — Pág. 141
.

742

Estado do Rio. Em São Paulo o problema situados, a inexistência de estabelecimentofs


não é subestimado e há possibilidade de hos- similares, ou mesmo inferiores, contribui
pitalização, possuindo as principais usinas um para o mau estado sanitário de uma gran-
serviço médico que atende regularmente aos de quantidade dê trabalhadores que em-
trabalhadores, os quais, às vêzes, são descon- pregam as suas atividades na agro-indústria
tados no salário para êsse fim. Minas Em açucareira. O I.A.A., compreendendo isso,
ocorre o mesmo, porém, em proporção bem já instituiu o Fundo de Melhoramento das
menor. Na terra fluminense, a assistência Condições de Vida do Trabalhador Rural.
médico-social atingiu a um bom nível. Os Oportunamente continuaremos no exame
descontos aparecem, como nas demais; entre- dêsse aspecto do inquérito a que procedemos
tanto, em caso de necessidade, tôda a família em diferentes épocaá, com o fito de conhecer
do obreiro poderá ser atendida. as condições de vida dos trabalhadores ca-
O Hospital da IJsina São José, por exem- navieiros
plo, possui uma excelente sala de operações
e uma confortável ambulância. Ó hospital
èm aprêço realiza eficiente assistência ao TEOR DE FIBRAS DE DIFERENTES
trabalhador rural que, do contrário, teria de VARIEDADES
procurar os centros urbanos quando necessi-
tasse de medicação. A quantidade e a qualidade, especialmente
Para a admissão de um
trabalhador à esta, da fibra contida na cana constitui, hoje em
usina, é necessário um atestado do médico da dia, um problema da maior importância para as
usinas, em vista do grande número de variedades
fábrica, que responde aos seguintes quesitos: atualmente cultivadas em escala comercial. Exa-
"Nome do candidato miando essa questão, numa memória apresentada
Departamento •• à 17.* Conferência de Técnicos Açucareiros de
Cuba, o Sr. Rafael Pedrosa Puertas informa que
. . .

Seção
í\inção determinou a percentagem do teor de fibras, a
Chapa percentagem da extração de caldo e a eficiência
de moagem em termos da percentagem de sacarose
Atesto que do exame procedido no candida- extraída de onze das principais variedades utiliza-
to acima nomeado verifiquei o seguinte :
das em Cuba.
Os resultados dêsse trabalho, de acordo com
Estado geral o resumo que do mesmo fêz "Sugar", mostram que
Aparêlho afetado as diferentes variedades acusam diferenças na re-
Moléstia infecto-contagiosa lação entre o teor de fibras e a extração do caldo.
Defeito físico Assim é que POJ 2725, com 13,38 por cento de fi-
Está vacinado ou revacinado bras, deu 74,10 de extração; as socas de Co 281,
Parecer '
. .
" com 15,87 por cento de fibras, deram 61,36 de ex-
tração; as canas plantas de F.C. 916, com 13,75
Por êsse processo a usina fica sabedora por cento de fibras, deram apenas 55,67 de extra-
do estado sanitário dos seus operários. O nú- ção. Diferenças dessa espécie encontrou o autor
mero de trabalhadores hospitalizados, em inúmeras nas suas pesquisas.
Essas relações indicam que o caldo pode ser
1943, segundo um relatório, foi de 177 Há, .
mais facilmente extraído da fibra de uma varie-
ainda, um serviço odontológico, que atende dades do que de outras. Portanto, a qualidade, ou
a apreciável número de trabalhadores. O natureza, da fibra de uma variedade tem impor-
serviço cirúrgico tem colhido bons resultados tância na determinação de seu valor fabril. As
diferenças de qualidade das fibras das canas estão
e amplia-se de ano para ano.
relacionadas de perto com o seu teor de linhite.
Dos
dois hospitais visitados, êste era o As células da estrutura vegetativa são compostas
dotado de eficiência e conforto. de celulose, que é mole, mas à proporção que as
A
Usina São José, entretanto, nos dados células são cobertas de linhite a sua estrutura se
que colhemos sôbre a alimentação do tra- torna mais dura. A presença de linhite toma a
fibra mais difícil de moer. A grossura do colmo
balhador, aparece com nove casos de "defi-
é outro fator que influi na moagem. As canas
cits" para um
"de "superavit", sendo que êste mais finas são mais duras, por isso que contêm
ultrapassou os limites normais. Já tratamos maior quantidade de matérias linhif içadas A côr.

dêsse assunto quando fizemos o estudo da do colmo é um indício da qualidade da fibra. As


alimentação do trabalhador canavieiro flu- canas escuras são mais duras e mais difíceis na
moagem do que as verdes ou as claras, embora
minense .
estas contenham maior quantidade de fibras do
Mas, se os dois hospitais encontrados que aquelas, como por exemplo a POJ 2714 escura
representam muito para o local onde estão e a POJ 2725 clara.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 142


o método mais rápido e mais barato
de lidar com cana de açúcar

Ao passo que o melhor operário não pode car-


regar mais de 40 quilos de cana de açúcar por
viagem, o carregador de cana P&H lida. de ca-
da vez, com até 3 toneladas. Carrega cami-
nhões e vagonetes mais depressa

dez — reduz os custos de colheita.


— faz com
que a cana chegue às usinas com maior rapi-

A.S vantagens destas máquinas modernas estão


sendo comprovadas em centenas de canaviais.
P^H
Têm uma estabilidade invulgar, mesmo para CARREGADORES DE CflHfl
colher em terrenos montanhosos. O assentamen-
to seguro das esteiras perfeitas tipo trator e o
suave controle hidráulico tornam extremamente
simples a operação de um carregador de cana
P&H. A construção de aço, inteiramente soldada, HARNlSCHFEi
CORPI|Ã TIO>J jk
garante um funcionamento perfeito ano após ano. luiiflBB FIM imu • wioini • isciiimus (iMPíHfesiiim»'" w "m" mis [iiii ulniCM^

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BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 143


744

3." CAMPEONATO DOS CORTADORES DE GANA


DE PIRACICABA
Em nosso número ante-
rior, demos da rea-
notícia
lização em Piracicaba do 3.°
Campeonato de Cortadores
de cana daquela região de
São Paulo, certame que des-
pertou o maior interêsse não
só entre os círculos ligados
ao açúcar como entre a po-
pulação das zonas onde es-
tão sediadas as usinas que
aderiram à iniciativa.
Tomaram parte na com-
petição as turmas represen-
tativas das usinas Monte Ale-
gre, Santa Bárbara, Central
de Piracicaba, Raffard, Por-
to Feliz, Costa Pinto, Tãmoio
e Cilos,as quais compreen-
diam moças e rapazes que
provocaram os aplausos e ad-
miração da numerosa assis-
Virgilio Prévides, campeão absoluto ao receber seu prémio
tência pela rapidez e perí-
cia com que decepavam os
colmos e procediam à amar-
ração dos feixes, em tempos
recordes.
O Instituto do Açúcar e
do Álcool instituiu prémios
em dinheiro para os vence-
dores; igual gesto tiveram
também os proprietários das
fábricas participantes . Ao
vencedor três vêzes consecu-
tivas, em trabalhos de equi-
pe, será entregue a taça "Dr.
Adriano Arcani".
Outras festividades com-
pletaram a competição entre
os cortadores de cana, como
um churrasco para mais de
sete mil pessoas, partidas de
volibol e futebol, etc. As fo-
tografias que estampamos
Jovens da representação monte-alegrense, vendo-se, a partir da mostram alguns dos vence-
esquerda: Rosa Colavitti, Elvira Spaulucci, Olívia Furoni e dores do interessante cer-
José Venitti tame.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 144


. .

745

EFEITOS DA SECA SOBRE OS RENDIMENTOS DA


CANA DE AÇÚCAR
Quando a umidade dosolo diminui ao ponto comportamentos diferentes 'em relação à sêca, é
de afetar a vida da planta de cana, as funções fi- certo que, se a mesma fôr bastante prolongada,
siológicas desta ficam paralizadas. Mas, num es- tôdas darão baixos rendimentos culturais e também
forço para sobreviver, a planta procura reduzir a industrial. Em
Cuba, calcula-se que uma sêca pro-
transpiração. As substâncias ativas que se loca- longada poderá acarretar uma redução de 30% na
lizam nas folhas são reabsorvidas pelo colmo e, produção de canas e 25% no rendimento indus-
em conseqiiência, as folhas morrem; mas, ao invés trial .

de se desprenderem, ficam agarradas para evitar As medidas indicadas para contrabalançar


tanto quanto possível a excessiva evaporação. êsses prejuízos consistem (além da irrigação) em
Como resultado direto de tudo isso, o processo na- procurar aumentar o teor de matéria orgânica do
tural de transformação dos açúcares redutores em solo, o que aumentará a sua capacidade de retenção
sacarose, na cana, fica mais ou menos paraliza- de umidade; e reduzir a evaporação do solo, o que
do; o colmo torna-se desidratado e daí decorre um se conseguirá pela conservação do palhiço, nos
acúmulo de substâncias não-açúcares Isto expli-
.
"bancos" e a passagem contínua dos cultivadores
ca porque nas canas que sofreram seca prolongada "Planet". Recomenda-se que sejam feitas expe-
o caldo apresenta um Brix elevado e baixa pureza. riências espalhando-se o bagaço de usina, nos ca-
À medida que os efeitos da sêca se tornam mais navia.is dé cana-planta e reduzindo parte da fo-
intensos, vai aumentando também a quantidade lhagem pela "despalha", afim de diminuir a trans-
de cêra, gomas e resinas; e êsses produtos, presen- piração, no período de sêca.
tes no caldo, acarretarão maiores dificuldades nos
trabalhos de fabricação. Estas notas foram traduzidas de "Sugar", nú-
As socas resistem melhor à sêca do que a ca- mero de setembro, que resume um trabalho de
na-planta. E' que o seu sistema radicular é mais de- CE. Beauchamp.
senvolvido e mais profundo; além disso, a cama-
da de palhiço que ficou no terreno, impede a eva-
poração da umidade do solo. Na cana-planta, as "GEOGRAFIA DO ACUCAR NO LESTE DO
raízes são mais superficiais e também o terreno não BRASIL"
dispõe de cobertura normal do palhiço que evita
a perda de umidade. Por outra parte, em vir- O Prof. Afonso Várzea recebeu a carta, abai-
tude do seu maior suprimento de umidade, a cana- xo transcrita, do Sr. Reinaldo Silva Lima, Diretor
planta desenvolve maior superfície foliar e, trans- da Inspetoria das Obras Contra as Sêcas na Bahia,
pirando mais, necessàriamente sofrerá mais os ri- e grande conhecedor do Nordeste, onde vem há
gores da sêca muitos anos exercendo aquelas e outras funções de
As canas plantadas no" inverno resistem me- responsabilidade naquele departamento:
lhor do que as plantadas na primavera. Comu-
mente, o primeiro sintoma dos efeitos da sêca é "Bahia, 7 de Dezembro de 1944.
o aparecimento de uma estreita coluna de células Dr. Afonso Várzea.
sêcas estendendo-se do "pé" para a "ponta" da Meus cordiais cumprimentos.
cana; mais tarde, a cana fica ôca e a "podridão Venho cumprir, um pouco tardiamente, o de-
vermelha" terá início. ver de lhe agradecer a oferta de um exemplar do
As diversas variedades mostram diferenças seu excelente livro "Geografia do Açúcar", que
em sua resistência à sêca. A
Co. 290, que apre- me foi entregue pelo nosso Amigo Lauro Sampaio,
senta abundante folhagem, cedo fecha o canavial, e no qual o Sr. apôs uma delicada dedicatória. E
com isso economizando despesas nas limpas; mas, só agora o faço porque aguardava a ocasião de
por outro lado, essa folhagem abundante propor- poder apanhar, para lhe remeter, algumas fotos
ciona maior transpiração durante o período de de uma região interessante que estamos atraves-
sêca Por êsse motivo, é comum observar-se nos
.
sando presentemente com a Rodovia Transnordes-
canaviais da Co. 290, principalmente nos solos si- tina, na Bahia, pois sei quanto aprecia as paisagens
licosos, o aspecto da folhagem como se houvesse características do nosso "hinterland"
sofrido uma "queima". Li todo o seu esplêndido livro, que me agra-
As variedades de folha eretas, oferecendo dou sobremodo, pela originalidade com que nos
menor superfície foliar exposta aos raios solares, dá a conhecer a geografia do nordeste, descreven-
são mais resistentes. Isto ficou demonstrado em do cientificamente a geologia, a topografia, a flo-
Campos, com a variedade Co. 3 X, que apresentou ra, a fauna, a paisagem, os tipos raciais, a história
melhor aspecto e mesmo maior desenvolvimento, e as lendas das zonas percorridas, amenizando os
apesar dos rigores da estiagem que perdurou nos assuntos com o relato dos mil e um detalhes dessa
últimos meses. Uma outra variedade de fôlhas maravilhosa viagem através das terras do açúcar.
eretas é a C. P. 29-320. Além de tudo o livro atrai pela farta documenta-
A POJ 2878 é mais resistente nos solos argi- ção fotográfica, em que seu autor se mostra um
losos. verdadeiro artista, e pela profusão de mapas e
Conquanto as diversas variedades mostrem desenhos elucidativos.
«

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 145


. .

746

SUCEDÂNEOS E SUBSTITUTOS DO AÇÚCAR DE-


CANA
Celso niho

Em tôdas as partes do mundo antigo on- Os primeiros, premidos por necessidades


de começava a ser conhecido, o açúcar de maiores que os segundos, levaram o melhor
cana tomava logo e definitivamente o lugar partido e deram o nome a ésses produtos de
que durante milénios pertencera- ao mel de síntese: "ersatze". Fêz-se quase tudo arti-
abelhas ficialmente: sêda, lã, borracha, salitre, per-
Só a partir de meados do século passado, fume, sabões, petróleos e seus derivados, ál-
começaram a aparecer açúcares de outras es- cool e açúcar
. . .

pécies vegetais para substituir o da cana. Trataremos desse último.


A êsses substitutos, seguiram-se os su- Para a química não é sòmente o açúcar
cedâneos, "ersatz", obtidos por síntese quí-
de cana e beterraba que merece êsse nome.
mica. No presente artigo, mostraremos resu-
São êles vários. De acôrdo com a procedên-
midamente os principais representantes de
cia, recebem nomes especiais. Assim, se vem
uns e outros.
da cana ou da beterraba, é sacarose; se vem
Vejamos primeiramente os sucedâneos
da uva é glucose; das frutas é frutose; do lei-
ou "ersatze". ^
te é lactose, etc .

"ERSATZ" Os oxialdeídos, como são chamados os


açúcares de forma geral, foram classificados
Desfez a renascença, com o reinado da em três grupos por Berthelot: 1.° grupo —
razão que implantou, o lindo sonho fantás- das manitas (dulcita, manita, etc.) 2.° grupo ;

tico dos alquimistas, sem levar em conta que — das glucoses (dextrose, lavulose, etc.) e,
foram êles os maiores poetas da ciência. 3P grupo —
das sacaroses (sacarose, lactose,
Mas, por uma ironia irreverente da his- maltose, etc).
tória, já em 1828, quando os homens come- Vejamos agora os principais "ersatze"
çavam a duvidar da razão que não lhes dava do açúcar:
o pão sem trabalho, veio o renascimento da
Alquimia com Woeler fazendo a síntese da 1) Açúcar por síntese foto-química
uréia. Em 1854, Berthelot fêz a do álcool.
Em 1856 era feita a da anilina e em 1890 a Começou-se por estudar o processo pelo
do índigo. qual se forma o açúcar na planta. Partiu-se
Daí por diante, não mais se parou. Ale- do princípio de que a sacarose é um hidrato
mães e franceses disputaram êsse duro páreo. de carbono sob a fórmula C"H~0", i. é, con-

Notei os conceitos elogiosos sôbre os traba- cururé, o extremo noroeste do "Razo da Catarina"
lhos da Inspetoria de Sêcas no Nordeste e em e o Riacho Tintim, tributário do Terrachil.
particular as referências à Rodovia Central de E' uma região inteiramente chata, coberta de
Sergipe, a cargo da Comissão que modestamente capoeira rala, levemente sulcada pelos inúmeros
dirijo, e que naquela época chegava apenas a Qui- "uidian", que vão jogar naquele afluente do S.
xaba e que hoje já atinge Geremoabo. Lamento Francisco, e eivada de numerosos afloramentos
que não tivesse o amigo percorrido o trecho baia- graníticos que a ação do tempo transformou em
no da Rodovia Transnordestina, ora em conclusão amontoados de "boulders" de formas pitorescas.
mas espero que, algum dia, visitando de novo o Esperando, Sr. Dr. Afonso Várzea, que as cir-
Nordeste, iniciará sua excursão por Salvador, per- cunstâncias nos permitam um dia (que desejo não
correndo tôda aquela rodovia, que tem sido a seja remoto) nos conhecermos pessoalmente, aqui
nossa principal preocupação nesses últimos 10 anos. fica ao seu inteiro dispor,
As fotos que ora lhe envio são da região pró- O patrício admor..
xima ao S. Francisco, e compreendida entre aquê-
le grande rio, o seu afluente Terrachil ou Ma- Reynaldo Silva Lima."

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 146


. . .

747

tém carbono (42,1%), hidrogénio (6,4%) e 2) Açúcar do carvão (Sacarma;


oxigénio (51,5%).
A formação dêsse hidrato de carbono se Data de 1879 sua descoberta que é devida
dá da seguinte maneira: Toma a planta o gás ao químico Fahlberg. E' um açúcar que se
carbónico do ar. No interior da fôlha verde origina do reino mineral, tirado do tolueno,
êsse gás carbónico, sob a influência dos raios substância extraída do alcatrão da hulha por
ultra-violeta da luz solar e em presença da processos de laboratório.
clorofila, se combina com o hidrogénio e o Poderia ser um concorrente fatal para a
oxigénio contidos na água, dando um aldeído indústria do açúcar de cana e beterraba se
que se condensa em hidrato de carbono que é não fósse, segundo os higienistas, destituí-
a sacarose. Êsse processo denomina-se sín- do do poder alimentício daqueles, afirmando
tese f oto-química outros ser mesmo prejudicial ao organismo
humano. Somente devido a ésses Inconve-
Partindo daí, segundo anunciou o "In-
nientes éle não desbanca os outros açúcares.
ternational Sugar Journal", em 1935, o pro-
Entretanto, devido seu alto poder ado-
fessor Baly, da Universidade de Liverpool,
çante, 224 vézes superior ao do açúcar co-
resolveu processar a síntese foto-química em
mum, os fabricantes de doces e bebidas pro-
laboratório
curam usá-lo mesmo contra as proibições da
Tomou um recipiente com água borbu- saúde pública de todos os países.
lhando gás carbónico, bombardeando a mis- Interessante porém é que são os produ-
tura com os raios ultra-violeta de uma lâm- tores de açúcar de cana e beterraba os maiores
pada de vapor de mercúrio, em substituição interessados em exigirem legislação proibiti-
à luz solar. Dessa reação saíram oxigénio e va, assim como se encarregam de fiscalizar
formaldeído que imediatamente se polimeri- sua aplicação. Assim, já uma lei argentina,
zou dando açúcar. Posteriormente, usando de 6-11-1903, proibia o uso da sacarina para
diretamente uma solução de 40% de formal- outros fins que não fóssem de aplicação mé-
deído, obteve um xarope com 5% de açú- dico-farmacéutica. Em
1936, o Centro Açu-
car. careiro da República Argentina solicitou ao
Sendo o objetivo a alcançar com os pro- Ministério da Fazenda um maior rigor na apli-
dutos sintéticos, em tempo de paz, que éles cação da referida lei que vinha sendo bur-
sejam produzidos muito mais baratos que os lada. Nesse mesmo ano, a Repartição de Quí-
naturais, a síntese foto-química do açúcar, mica da Província de Buenos Aires inutili-
pèlo elevado preço em que ficaria, devido ao zou 10.000 garrafas de bebidas fabricadas
alto custo de produção, tão cedo não amea- com sacarina.
çará o açúcar natural. Em 1934, reuniu-se em Budapeste um
Não devemos todavia esquecer que a Congresso dos Beterrabeiros da Europa. Nes-
guerra altera tóda a estrutura das nações. se Congresso foram adotadas recomendações
A humanidade se divide em blocos fechados contra a venda de sacarina ao público, a não
que se chamam beligerantes. Cada beligeran- ser por prescrição médica.
te se isola em suas fronteiras militares, e o Em 1935, na Áustria, foram tomadas no-
que para dentro se passa, muito pouco
dali vas medidas contra esta substituição, inclu-
transpira. Sabemos todavia que o beligeran- sive a obrigatoriedade de licença especial
te — X —
não possui nem pode receber o para sua venda.
produto tal. Sabemos por isso que éle vai Em 1937, o Congresso Açucareiro Mun-
tentar produzir sintèticamente ésse produto dial de Londres féz novas recomendações a

sem considerar seu custo de produção. Nes- respeito


se caso, o que importa não são os preços, e Assim, com um limitado campo no mun-
sim ganhar a guerra. Com a continuidade da do farmacêutico, passou a sacarina a ser per-
obrigação de produzir em grande escala um seguida como tóxico perigoso, caindo então
produto sintético, vem a tendência de sim- no campo do contrabando.
plificar os métodos de produção, tornando-a
mais barata, Quanto a esta guerra, só depois 3) Açúcar de madeira
da tormenta, poderemos fazer uma idéia até
onde se chegou no aperfeiçoamento dos "er- Já em 1819, quando a distância entre o
satz". laboratório e a fábrica era medida por de-

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 147


. .

748

zenas de anos, Braconnot, químico francês, ra que se iniciassem estudos para extrair
conseguia sacarificar a madeira. Essa, po- açúcar da madeira.
rém, como outras grandes descobertas, ficou Em 1938, em Moedling, na Áustria, sob
somente nos anais das experiências feitas. a direção do especialista professor Nowak, é
Sua aplicação prática era taxada de sonho montada uma fábrica com o fim especial de
alquimista. 75 anos mais tarde, isto é, em produzir forragem para animais. Aliás, a
1894, um outro químico francês, Simonsen, finalidade das grandes fábricas de açúcar de
prosseguia as experiências nesse sentido. madeira, tem sido transformar a produção
Entretanto, carecendo o alemão mais que bruta em álcool ou transformá-la em forra-
o francês dos "ersatze" para substituir os pro- gem para animais.
dutos naturais que não podia obter a não ser
pagando caro aos possuidores, tomou dêstes 4) Açúcar do ar
a idéia de extrair açúcar da madeira. Assim,
em 1912, os químicos Willstaetter e Zechmeis- Após o aproveitamento industrial do
ter sacarificaram a celulose pelo ácido clo- azôto contido na atmosfera, não seria ad-
rídrico em temperatura normal. Daí come- missível que duvidássemos que dela tam-
çaram as tentativas para aplicação industrial bém se extraísse o açúcar.
do método. Veio de Londres a nova. Nessa Cidade,
Coma guerra 1914-18, desdobraram-se os
em 1929, uma emprêsa fêz registrar uma pa-
tente, sob o n.° 327.197, para extrair açúcar
esforços para desenvolver a indústria dêsse
produto do ar. Nada mais se soube, porém.
Foi porém em
1916 que Friedrich Ber-
gius, professor da Universidade de Heidel-
berg, detentor do prémio Nobel e co-inventor
Agora, vejamos os substitutos do açúcar
da gasolina sintética, começou a estudar um de cana. Comecemos pelo principal que é o
processo de industrialização do açúcar da
madeira. Finalmente em 1928 instalou uma Açúcar de beterraba
1)
usina para êsse fim, a ""Deutsche Bergin
A.G.", em Mannheim-Rheinau, produzindo
Séculos a fio assistiram ao exclusivismo
álcool, açúcar, ácido acético e melaço.
do mel de abelha como única substância ado-
Em 1936, Bergin, em conferência na Câ- çante. Depois veio a "cana que produz mel
mara de Comércio de Londres, anunciou um sem auxílio de abelhas", segundo a frase de
novo processo de tratamento da madeira, com Nearco, general de Alexandre Magno, que
um rendimento de 66% de açúcar bruto. esteve na índia em 327 A. C.
Já "II Legno", de Milão, de 15-9-1935, E a cana foi se propagando pelo mundo
tinha comunicado que nas usinas de Man- afora. Com a generalização do uso do chá e
nheim-Rheinau se chegara a transformar 70% posteriormente do café e chocolate, tornou-se
de madeira em diversas composições quími- imprescindível o açúcar da cana por ser um
cas com afinidades que se aproximam do tempêro melhor que o mel para essas bebi-
açúcar das. De produto de farmácia passou a género
Nessa época, o químico vienense, Dr. de primeira necessidade.
Kock, depois de experiências feitas no Ins- Entretanto,' só medrava a cana em cli-
tituto Técnico de Pesquisas de Moedlingen, mas tropicais. Todo o mercado consumidor
anunciou haver descoberto um processo bara- da Europa estava nas mãos de monopólios
to para extrair açúcar, farinha e álcool de dos países que obtiveram colónias nos tró-
qualquer madeira. Garantia o autor do pro- picos .

cesso a obtenção de 40% a 50% de açúcar '


Começou então a se esboçar uma luta
sobre o pêso da matéria prima empregada, e para livrar-se dos monopólios tropicais.
acrescentava ser tão simples o processo que Assim, em 1747, Andreas Sigismundo
se podia extrair o açúcar na própria mata Marggraf comunicou à Real Academia Prus-
onde se tira a madeira. siana de Ciências o resultado de sua expe-
Ainda em 1935, segundo a "Revista Cuba- riências sôbre a beterraba. Dizia, entre ou-
na de Azucar e Alcohol", informaram do tras coisas "não existir, apenas, uma substân-
Chile que o Ministério de Fomento ordena- cia semelhante ao açúcar, mas sim, açúcar

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 148


749

verdadeiro e perfeito, totalmente idêntico ao 1840 4%


da cana. . exótica". Seus estudos foram con-
.
1850 14%
densados no livro "Experiências químicas 1860 20%
para obtenção do açúcar". Por essa época, o 1880 46%
consumo da Europa era de aproximadamente 1900 65%
80.000 toneladas.
Como vimos, foram as necessidades mi-
Em 1799, quando tinha a Europa uma po- litares da Europa que a fizeram produzir o
pulação de 170.000.000 de habitantes com
açúcar de beterraba que até os nossos dias,
um consumo de mais de 200.000 toneladas, pelo seu alto custo de produção, ainda não
Friedrich Karl Achard, com autorização de
pôde concorrer lealmente com o açúcar de
Frederico Guilherme III, prosseguiu às ex-
cana. Barreiras alfandegárias e altas sub-
periências de Marggraf. Instalou uma fábri-
venções foram responsáveis por que sua pro-
ca em Kunern, na Baixa Silésia onde em
dução, ao alvorecer dêste século, alcançasse
1802 colheu 800 toneladas de beterraba que
a alta percentagem acima.
transformou em 16 toneladas de açúcar. No
decorrer de suas experiências, Achard des-
Em 1902, estando a Europa num equilí-
brio de potências que os estadistas acredita-
cobriu que o carvão de ossos clarifica o caldo
ram duradoiro, tentou-se, com a Convenção de
e a cal elimina as substâncias não sacarinas.
Bruxelas, fazer com que os govêrnos retiras-
Entrava-se então na era Napoleônica em sem parte das subvenções. Com isto, a cana
que a Europa foi momentâneamente unifica- ganhou um pouco de terreno, vindo a guer-
da pela fôrça e transformada em poder con- ra 1914-18 encontrar a cana e a beterraba
tinental. Êste poder chocou-se com o "see
com produção mundial quase igualada.
power" inglês que procurou isolá-lo das fon-
Mas, a guerra desfez o equilíbrio. Assim,
tes de matérias primas e mercados tropicais.
em 1925, o Reino Unido da Grã Bretanha, o
Napoleão instituiu então o prémio de único que não dava subvenções aos produto-
1.000.000 de francos, para quem descobrisse res, resolveu concedê-las por 10 anos.
uma planta que substituísse a cana. Os sá- Quando então se discutia o caso das sub-
bios entraram em atividade e tentou-se fa- venções, a Britisch Sugar Beet Society cal-
zer açúcar de tudo: maçã, batata, figo,
culou que as subvenções dadas pelos vários
uva, etc. países do mundo, ultrapassava em valor a
Foi então que Delessert, naturalmente £. 105.500.000 com um equivalente em
já de posse das experiências de Marggraf e Cruzeiros (£ = Cr$ 80,00) de Cr$
Achard sobre a beterraba, procurou comple- 8.440.000.000,00.
tar estas experiências. Pelos resultados sa- Depois da guerra de 1914-18 até as vés-
tisfatórios obtidos, foi-lhe concedida a Le- peras do atual conflito foi o seguinte o jogo
gião de Honra. de números em toneladas:
Napoleão, animado com êstes resultados,
ao expor novas propostas à Câmara de Co- 1

mércio, entre outras coisas, disse: "Breve- Beterraba 1 Cana


mente terei bastante açúcar de beterraba 1

para poder prescindir do açúcar de cana".


Anos depois, em Santa Helena, ao ser
1919-20 .... 3.500.000 1
12.000.000
acusado por um jornal inglês de possuir 1930-31 .... 11.509.000 15.915.000
grandes tesouros, respondeu mostrando como 1

seus tesouros as obras que realizou. Entre 1932-33 .... 8.019.000 18.663.000
elas, "os fundos acumulados para criar mais
1

400 manuf aturas de açúcar de beterraba". 1933-34 .... 8.876.000 1


15.633.000
Enquanto alimentava estas esperanças,
Vilmorin procurava selecionar as beterrabas 1934-35 .... 9.763.000 1
15.111.000
de maior teor sacarino. Em 1830 iniciava a
distribuição de sementes selecionadas aos la- 1935-36 .... 10.439.000 1
16.689.000
vradores .

Daí até o fim do século o açúcar da be-


1936-37 .... 10.325.000 1
17.359.000

terraba manteve sobre o da cana a seguinte 1937-38 .... 11.119.000 18.273.000


percentagem na produção mundial:
1

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 149


.

75Ò

2) Açúcar de bordo (Maple Sugar) . questão, agora porém com o ápôio do Estado.
Com uma variedade selecionada por êsse
Há umacerta tendência do homem em se professor, obteve-se de 300 a 400 quintais de
cercar das utilidades de que necessita para canas limpas e 40 a 50 quintais de sementes
viver. Assim, o Sul do Canadá e o Norte dos por hectare. As canas produziram 75% de
Estados Unidos, procuraram em seu habitat sumo, dando de 17 a 24% de açúcar.
um substituto da cana de açúcar. Observe-se todavia que o objetivO prin-
Descobriram então que uma árvore na- cipal era a fabricação do álcool para a grande
tiva, o Bôrdo, do género das aceríneas, tinha aviação que a Itália pretendeu desenvolver.
a seiva com um gôsto muito aproximado do Nada se perde entretanto da planta por-
açúcar, o que aliás já era conhecido dos in- que as folhas, juntamente com as sementes
dígenas. que contêm 60% de substâncias amiláceas,
Desenvolveram então plantações de flo- produzem ótima forragem para animais.
restas dessa árvore, conseguindo-se em 1840 Talvez animados pelas experiências da
uma produção de 18 toneladas de açúcar. Le- Itália, foram iniciadas tentativas na Argé-
vando-se em conta que a seiva de cada ár- lia. Em 1938 obteve-se lá, como resultado
vore dá 2 quilos de sacarose, precisaram para sobre 1 hectare —350 quintais de talos; 16
essa produção de mais de 10.000 árvores. quintais de sementes e 80 quintais de folhas.
Conhecido cientificamente por "acer sac- Acusou o caldo de 12 a 14% de sacarose.
charum", o Bôrdo tem o seu principal cen-
tro na Província de Quebec, onde trabalham 4) / Açúcar de uva
na extração de seu açúcar mais de 20.000
pessoas. As necessidades naturais da vida fazem
Para obterem a seiva de que fazem o com que o homem procure no ambiente em
açúcar, usam o mesmo processo de incisão que vive as utilidades que necessita. Não a en-
aplicado na seringueira. contrando, e para não perecer, tem de ir bus-
Em 1929, o Canadá atingiu o mais alto cá-las fora de duas maneiras: ou pacificamen-
de sua produção com 5.307. toneladas de te pelo comércio ou violentamente pela guer-
açúcar. Com a crise, sua produção caiu para ra. Na primeira hipótese êle dá, em troca do
2.624 ton. em 1933 e 2.247 ton. em 1934. Em que precisa, o que o seu meio geográfico fa-
1935 entrou em ascenção, alcançando 2.966 cilita a produção acima do suficiente.
toneladas E' o caso da Argentina com seus vastos
Quanto à produção dos E. U. édel/4a parreirais As províncias do Norte não pro-
.

1/5 da canadense. Assim em 1933 produzia duzem o açúcar suficiente para acompanhar
584 ton. para em 1934 produzir 835 ton. ten- o consumo crescente do País.
do sido sangradas 2.000.000 de árvores. Assim, tendo uva em excesso e muitos
concorrentes na produção de bebidas, quis
3) Açúcares de sorgo procurar uma válvula de escape com uma
nova aplicação para as uvas.
Devido à 'tensão reinante entre os Esta- Por êsse motivo, o Senador Carlos Pon-
dos abolicionistas e escravagistas, aquêles ce Tabanera, apresentou ao Senado Provin-
procuraram livrar-se do monopólio do açú- cial de Buenos Aires um projeto de lei man-
car de cana dêstes, plantando sorgo. Depois dando conceder o avultado prémio de 200.000
da guerra da Secessão, porém, foi abandona- pesos a quem descobrisse um processo para
da por desnecessária * essa substituição. a cristalização do açúcar de uva. Visando
Mas, anunciou o "Corriere delia Sera" entretanto o aproveitamento industrial, não
de Milão, de 24-12-1937, que nos fins do século se devia considerar como tal o processo em
passado se tentou adaptar o Sorgo america- que o custo de produção do quilo excedesse de
no na Itália. Fracassaram também aí as ex- 30 centavos do pêso.
periências .

Em 1934, porém, quando a Itália com o 5) Açúcar de milho


solo mais inadaptável possível para o caso,
proclamava o regime da autarquia absoluta, Ao ter início esta guerra, quando as fá-
o professor Ernesto Parisi, da Faculdade bricas de borracha sintética, os combustíveis
Agrária de Milão, levantou novamente a de aviação e indústria de vernizes pediam

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 150


"

751

álcool e mais álcool, nos EE. UU. inicia- Segundo descreve o aludido autor, no proces-
ram-se polémicas para saber se era mais so de cabosulfitação, em vez de se utilizar SO' so-
mente para neutralizar a cal no caldo bruto, uti-
conveniente extrair êsse álcool da cana ou liza-se também CO' que se obtém queimando tur-
do milho, cereal de que êles eram os maio- fa ou coque nos fornos de enxofre. Nesse processo,
res produtores no mundo. Finalmente as ne- a quantidade de cal utilizada é de 7 galões de lei-
cessidades da guerra obrigaram-nos a optar te de cal 10 Be por 1.000 galões de caldo e é equi-
valente a 0,0075 por cento de CaO sobre o volume
pelas duas hipóteses.
de cana. Essa quantidade de cal é tão pequena
Isso quanto ao álcool. Em relação ao açú- que não basta para fazer funcionar um forno de
car até agora ninguém se tinha lembrado de cal; a quantidade necessária de CO' pode ser obtida
extraí-lo industrialmente do milho. pela queima de turfa. Para compensar a redução
Veio da U.R.S.S. a novidade. O "Jornal de cal, a neutralização se faz a 85° C. em vez de
55°. Pode -se juntar ao caldo o óxido de carbono
de Moscou", de 16-8-934, anunciava que em
e em seguida a necessária quantidade de óxido de
Beslau, no Cáucaso do Norte, foi montada uma enxofre. Também se podem misturar os dois ga-
usina experimental com a capacidade de ses nas proporções adequadas e, depois, juntar a
5.000 toneladas por 24 horas, para extrair mistura ao caldo.
açúcar do milho. Para uma maior simplificação do processo, po-
de-se produzir SO' e CO- no mesmo forno: queima-
Nada mais se soube depois. se o enxòfre na grelha colocada em baixo e o gás
de óxido de enxofre obtido, misturado com ar,
6) Açúcar de palmira
passa à camada superior onde se faz a queima da
turfa. Begulando-se a entrada de ar sôbre a tur-
Sabemos ser a índia o país dos costu-
fa, é possível obter a desejada proporção de SO' e
mes originais. Originais para nós ociden-
CO'. A vantagem dêsse arranjo está em que ape-
tais. Hoje não mais se discute que dela pro- nas se faz necessária uma linha de gás para o
vém a cana de açúcar. Entretanto, os india- tanque de neutralização. O gás deve ser lavado e
nos além da cana conhecem muitas outras resfriado. O gás deve ser introduzido no fundo de

variedades vegetais de que extraem o açú-


um tubo central no tanque de nèútralização, pro-
duzindo-se então um movimento do caldo para ci-
car. ma. Durante a neutralização o pH (papel BTB)
Entre essas variedades, está uma palmá- deve ser conservado tão perto quanto possível. O
cea, conhecida por palmira, de cuja flor os precipitado decanta rapidamente e para a produ-
indígenas extraem um açúcar bruto por -êles ção de açúcar branco não há necessidade de sulfa-
tar o xarope. O consumo de enxofre é de 0,02 por
muito apreciado, o "jaghery". cento sôbre o volume de cana. Enxòfre de baixo
grau, tipo Baluchistan ou piritas de ferro, podem
7) Açúcar de palma ser utilizados.

Os habitantes do Bambodge, não dispon-


do da flor da palmira para fabricar seu açú-
car, dispõem, entretanto, de uma outra pal-
meira, Borassús flabeliformis, da qual há
no país cêrca de 400.000 pés. Com ela fabri- "A economia dirigida na
cam os naturais um açúcar bruto, em forma
de pães escuros, na proporção de mais de
7.000 toneladas por ano. industria açucareira

PROCESSO DE CARBOSULFITAÇÃO
A indústria açucareira indiana, em conseqiiên- Dr. 0. W. Wíllcox
cia da guerra, está encontrando sérias dificulda-
des para se abastecer de enxofre. Nessa emer- (Tradução de Teodoro Cabral)
gência, informa o Sr. C. A. Kloppenburg no "In-
dian Sugar", foi preciso recorrer ao processo de
carbosulfitação, que é uma combinação dos pro- Preço Cr$ 8,00
cessos de carbonatação e sulfitação. A principal
vantagem a ser obtida por êsse meio é uma con- Pelo Correio Cr$ 10,00
siderável redução na quantidade de cal e enxofre
necessária, além desta outra —
a possibilidade
À venda nas livrarias e no I. A. A.
de utilizar êsse processo sem que seja preciso fa-
zer modificações custosas na aparelhagem das
fábricas.

BRASIL AÇUCAREIRO DEZEMBRO, 1944 — Pág. 151


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