Claude Mangin Asfari, cidadã e professora francesa de um colégio da região de Paris, é esposa de Naama
Asfari, um preso político saharaui em Marrocos.
Na segunda-feira, 16 de abril de 2018, pela segunda vez em quase dois anos, Claude Mangin Asfari foi
impedida de aceder ao território marroquino, sem lhe serem dadas quaisquer explicações.
Essa recusa equivale a uma proibição da visita ao marido, que é uma violação grave do seu direito básico
à vida privada e familiar, o que é contrário ao direito internacional humanitário.
Claude decidiu entrar em greve de fome em 18 de abril para obter a restauração do seu direito de visitar o
seu marido Naama, atualmente detido na prisão de Kenitra, em Marrocos.
Antes de outubro de 2016, Claude Mangin Asfari pôde visitar regularmente Naama encarcerado em
Marrocos desde novembro de 2010. A primeira recusa de entrada e visita, em outubro de 2016, ocorreu
num momento muito especial, quando o Comitê contra a Tortura da ONU (CAT), considerou
favoravelmente a queixa de tortura de Naama Asfari.
O parecer final do CAT, emitido em 12 de dezembro de 2016, reconheceu em relação à Naama a violação
pelo Estado marroquino de vários artigos da Convenção contra a Tortura e outras Penas ou Tratamentos
Cruéis, Desumanos ou Degradantes. O CAT convidou expressamente o Reino de Marrocos a "abster-se
de qualquer ato de pressão, intimidação ou represálias que possa prejudicar a integridade física e
moral do denunciante e de sua família".
Consideramos que essas proibições de entrada constituem represálias contra Naama e sua esposa, que
violam as recomendações da CAT.
Pedimos a V. Excelência e ao governo francês que envidem todos os esforços para garantir que as
autoridades marroquinas respeitem o direito internacional humanitário e permitam que Claude Mangin
Asfari visite o seu marido, Naama Asfari.