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ENIGMA FEMININO
A mulher e seus Mistérios Espirituais
Samael Aun Weor

ENIGMA FEMININO
A mulher e seus Mistérios Espirituais

1ª. Edição

Curitiba – PR
EDISAW
2014
ENIGMA FEMININO
A mulher e seus Mistérios Espirituais
Samael Aun Weor

TRADUÇÃO, ORGANIZAÇÃO E NOTAS:


Karl Bunn – Presidente da Igreja Gnóstica do Brasil
Curitiba – PR – Brasil – Julho 2014

CAPA:
Helen Sarto de Mello
Ricardo Bianca de Mello

PRODUÇÃO GRÁFICA:
Paulo Lima Junior

DIAGRAMAÇÃO:
Fernando Costa

CTP E IMPRESSÃO:
Gráfica e Editora Pallotti

DIREITOS AUTORAIS DESTA TRADUÇÃO:


IGB – EDISAW / Karl Bunn
www.edisaw.com.br – www.gnose.org.br – www.abragnose.org.br

Este livro foi estruturado e organizado a partir de extratos de capítulos de livros e da


transcrição e tradução de diversas conferências feitas pelo autor originalmente em
espanhol ao longo de sua vida (1917 – 1977). Ver Nota do Editor nesta edição.

As Notas de Rodapé e os textos ou expressões entre [ ] são do tradutor.


Textos e expressões entre ( ) constam dos originais consultados.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Weor, Samael Aun, 1917-1977.


Enigma feminino : a mulher e seus mistérios
espirituais / Samael Aun Weor ; [tradução Karl Bunn].
-- Curitiba, PR : Edisaw, 2014.

ISBN 978-85-62455-26-1
1. Gnosticismo 2. Gnosticismo - Aspectos psicológicos
3. Mulheres - Psicologia 4. Mulheres - Sexualidade
I. Título.

  14-09039     CDD-299.932

Índices para catálogo sistemático:


1. Mulher : Gnosticismo : Religião
299.932
SOBRE O AUTOR

  

Samael Aun Weor é o nome esotérico de Víctor Manuel Gómez Rodríguez,


nascido em 6 de março de 1917 em Bogotá - Colômbia – filho de Manuel
Gómez e Francisca Rodríguez, tendo sido batizado com esse nome em 25 de
abril de 1918 na Paróquia Nossa Senhora do Egito, conforme certidão de ba-
tismo em poder da Igreja Gnóstica do Brasil. O nome esotérico Samael Aun
Weor foi definitivamente assumido no dia 27 de outubro de 1954, num evento
transcendental testemunhado por dezenas de discípulos em um templo subter-
râneo construído nas montanhas de Serra Nevada de Santa Marta (Colômbia);
a partir desse acontecimento, todos os seus livros passaram a ser assinados
como Samael Aun Weor.

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6
IMPORTANTE
NOTA DO EDITOR BRASILEIRO

  

Organizamos este livro em várias partes para facilitar a compreensão do


leitor. A primeira parte, após as tradicionais apresentações e introduções, reú-
ne em forma de capítulos sequenciais, a transcrição de diversas conferências
proferidas pelo Mestre Samael Aun Weor nos últimos anos de sua convivência
entre nós, mormente nos anos 1970 do século passado, abordando assuntos e
temas muito caro às mulheres.
Todo o material constante deste livro foi transcrito a partir das gravações
realizadas em fitas magnéticas e ainda disponíveis em diversos sítios da inter-
net. Geralmente, ao final de cada conferência, havia espaço para perguntas,
cujas respostas, igualmente, encontram-se transcritas e traduzidas. Mas, devi-
do ao fato de as gravações não terem sido feitas em caráter oficial e profissional,
em diversas passagens apresentam falhas e partes inaudíveis. Entendemos que
isso, parcialmente ou até certo ponto, prejudicou as transcrições.
Portanto, durante a tradução dos elementos que compõem esta obra, cons-
tatamos claramente que cada edição publicada em diferentes países, apresen-
ta algumas variantes próprias, não havendo, então, um texto original único e
padrão em espanhol, e sim, o texto que o editor de cada país elaborou a partir
das transcrições dessas gravações, sendo que essas diversas transcrições apre-
sentam diferenças entre si.
Além disso, constatamos ainda que praticamente todas as edições existen-
tes em espanhol não são tão completas ou tão amplas como esta que agora
estamos publicando em português. Em alguns casos, constatamos que até mes-
mo foram feitas transcrições bem liberais, o que significa que cada editor das
publicações existentes em espanhol que consultamos, arranjou ou adaptou o
conteúdo segundo seus próprios critérios. Entendemos que possivelmente ti-
veram que lidar com as mesmas dificuldades que nós da Edisaw.

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O trabalho por nós empreendido para oferecer esta edição em português,
não foi pequeno, nem rápido, nem, tampouco, fácil; tivemos que trabalhar por
meses a fio cruzando fontes e informações desencontradas até chegarmos à
forma final deste conteúdo. Resumindo, para lançarmos esta edição brasileira,
consultamos e consideramos as inúmeras fontes de materiais escritos e digitais
existentes em espanhol, muitos deles publicados em forma de livros, mas ou-
tros, apenas transcritos e digitalizados para uso na internet.
Dito isso, temos que avisar ao nosso leitor que se comparar o conteúdo
desta edição com os conteúdos de outras edições publicadas em outros idio-
mas, certamente encontrará discrepâncias e divergências. As razões? Acabam
de ser explicadas. No entanto, todo nosso empenho foi no sentido de poder-
mos assegurar confiabilidade, abrangência, conteúdo e coerência nesta obra,
não deixando de lado nada de real importância.
Importante ainda foi percebermos que, no seu conjunto, esta edição é mais
ampla e completa que qualquer outra edição existente em espanhol se toma-
da isoladamente. Mas, é claro, por não haver uma fonte única, original, ofi-
cial e integral, forçosamente tivemos que fazer nesta edição uma ordenação,
disposição e organização próprias; ou seja, os conteúdos, no seu todo, ou em
sua essência, são os mesmos que fazem parte das demais edições existentes
em outros países, mas aqui foram selecionados, agrupados e ordenados
de modo diferente, com vistas a melhor atender aos propósitos editoriais da
IGB-Edisaw-Abragnose de sempre garantir qualidade, pureza e integridade
em relação à doutrina do Mestre Samael Aun Weor.
Após a sequência inicial de capítulos, elaboramos outras divisões inter-
nas do livro, nas quais reunimos perguntas e respostas feitas em sua grande
maioria (mas não exclusivamente) pelas mulheres, sobre temas femininos, as
quais foram respondidas pelo Mestre Samael Aun Weor ao longo de sua vida,
mormente em seus últimos anos de convivência conosco neste mundo. Na
medida das possibilidades, citamos as fontes originais de onde extraímos tais
conteúdos.
Para finalizar, confiamos que esta obra venha a se tornar um marco signifi-
cativo e esclarecedor sobre os diversos temas e assuntos a respeito da presença
e da ação das mulheres dentro das fileiras gnósticas do Brasil. Nos dias atuais,
a ação e o trabalho das mulheres têm sido de grande valia e importância, e
nas fileiras da IGB-Abragnose, vem crescendo e se expandido de modo firme
e consistente, como pode ser constatado em nossas sedes de Curitiba, de São
Paulo e desde agora, também em Brasília.

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Não deixem de conhecer e participar de nossas atividades. Convidamos a
visitar-nos em uma de nossas sedes ou pela internet: www.gnose.org.br

Karl Bunn
Presidente da IGB-Edisaw
Curitiba – Inverno de 2014.

9
INTRODUÇÃO
ENALTECIMENTO GNÓSTICO DA MULHER

  

Por: Samael Aun Weor

É com grande alegria que me dirijo às mulheres gnósticas do nosso Movi-


mento Gnóstico e da Santa Igreja Gnóstica da Venezuela.
Nesta Era de Aquário, a mulher, certamente, tem uma missão específica,
definida, a cumprir. Em nome da verdade direi que elas, as de Santa Predesti-
nação, podem levantar os homens até as Regiões da Luz. É por meio do amor
que a mulher redime o homem, ilumina-o e o conduz à transformação integral.
A mulher, o Eterno Feminino, com seu olhar luminoso, envolve todo o
planeta. Ela, a Inefável, sempre representando o princípio maternal, ajuda o
homem, conduzindo-o sabiamente até sua própria auto-realização.
Como mãe, a mulher levanta seus filhos; ela lhes dá comida, roupa e os
nutre com seus sábios conselhos. Ela, como princípio maternal, representando
o Eterno Feminino de Deus, conduz seus filhos até a maioridade.
Mais tarde, ao lembrarmo-nos da Mãe Eterna, o Eterno Feminino, que tan-
to nos ajudou, não podemos fazer menos que nos prosternarmos em terra e
adorar a Deus-Mãe.
Se ela tem o poder de formar o homem em suas entranhas, se ela tem
o poder de trazê-lo à existência, criá-lo e levantá-lo, se ela tem o poder de
transformá-lo espiritualmente, mediante a regeneração sexual, também tem o
poder de cooperar com a Grande Causa, ajudando, em forma amorosa, a Igreja
Gnóstica e o Movimento Gnóstico em geral.
A gente se enche de alegria ao ver essas sublimes mulheres trabalhando
febrilmente para ajudar a humanidade. Ficamos muito felizes ao ver essas mu-
lheres preparando docinhos e salgadinhos com o propósito de vendê-los com a
única finalidade de ajudar o Logos Solar no febril trabalho da Natureza.

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O amor é a base de tudo. E a mulher é amor. Amor é sabedoria, e, na mu-
lher, resplandece o brilho do amor e o fogo sagrado da sabedoria. Portanto,
da mulher esperamos um trabalho cada vez mais intenso, com a finalidade de
fazer do Concílio Gnóstico1 (que se aproxima) um grande evento.
Da mulher esperamos maior cooperação para que o Movimento Gnóstico
Venezuelano e a Santa Igreja Gnóstica da Venezuela resplandeçam abrasadora-
mente em todo o universo.
A mulher, seja ela representada como a casta Diana ou como a bela Helena,
ou ainda como a Gioconda, de Leonardo da Vinci, é a causa fundamental de
todos os nossos anelos. Nela, encontra-se o impulso básico que pode nos levar
à regeneração; nela, está a maravilhosa força que pode nos transformar e nos
tornar verdadeiros Deuses, no sentido mais transcendental da palavra.
Ela, quer a chamemos de Minerva, como Sabedoria, ou Ísis, como Amor,
em si mesma, encerra o Maná do Deserto com o qual se alimentam os Deuses.
Bendita mulher, desde a Sagrada Serpente e em meio à chama do deserto,
te invocamos. Bendita mulher, sem ti, nós, homens, não valemos nada. Que a
paz esteja convosco, mulheres inefáveis!

1 Este evento ocorreu em 1976.

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CAPÍTULO 1
A MÃE DIVINA2

  

Ó Divina Mãe Kundalini, Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes,


sofro muito e tu sabes disso. Mesmo que quisesse ocultar minha dor
nas sombras da floresta, ela aflora publicamente sob a luz do Sol.
Eu te amo, Mãe Adorável, tal qual a ave errante da selva ama nossa
fértil terra perfumada, e esse amor sagrado que a alma imortal encerra,
canta com a lira de Orfeu e chora em minha alma.
Eu te amo, minha Rainha, Mãe Profunda, Cibele, Réa, Tonantzin. Eu te
adoro com essa mesma febre sublime que beijos imaculados são dados
para cobrir as marcas que vertem em rosas de vida e que se escrevem
com estrelas. Sinto-me totalmente teu...
Mãe, Virgem Imaculada, o que há em meu Ser que não seja para ti? Desde
meu débil coração de homem até meu santo e derradeiro pensamento...
Vivi para te adorar, Sublime Senhora. Minha existência, já desprovida
de ilusões e meus constantes êxtases buscam no santuário de tua ino-
cência a glória e o calor de teus deleites. Escravo de tua mágica beleza,
sempre sobre-humana, rendo meu coração às tuas ternuras.
Fala-me como me falas, e que tua inconfundível pronúncia penetre
agradavelmente em meus ouvidos de penitente...
Olha-me como me olhas, com essa infinita doçura de teus lindos olhos,
distantes das vãs ilusões do mundo.
Mãe terna e profunda, de lábios de romã e dentes de marfim, compa-
deça-te de mim... Santa Mãezinha de bela cabecinha cacheada de ouro
que rodeiam teus celestes ombros, tem piedade de mim...
Eu te adoro, minha Luz, e tu bem sabes disso... Meus pensamentos

2 Este capítulo é resultante de extratos retirados do livro Mensaje de Navidad 1969.

12
voam para o céu rodeando teu rosto como as aves que decoram os
esplêndidos pórticos de um templo de esperança e consolo.
Nunca encontrei no mundo lugar tão agradável como o jardim de mi-
nha Mãe. Deitado ali, esqueci de minhas preocupações e escutei os
melodiosos e doces sons das aves...
Logo após de haver me recostado na terra, de todo sofrimento me senti
liberado: esqueci todas as desventuras e todas as dores do passado, e
quem ali morasse, seria bem-aventurado...
O prado que vos falo tinha outra bondade; nem com o calor nem com
o frio perdia sua beldade; sempre verde se mantinha em sua integrida-
de; sem que sua verdura murchasse sob nenhuma tempestade.
Os homens e as aves que ali compareciam, de suas flores levavam o
que queriam. Mas nenhuma falta no prado produziam; e por uma que
levassem, três ou quatro nasciam...
[Mensaje de Navidad 1969 – Capítulo 19]

Nevoento globo da esquiva Lua; agradáveis miragens iridescentes sobre a fria


palidez da mata, cheia de impossíveis ternuras, incapazes de narrar em palavras.
Nesta noite deleitosa, nem estou só, nem acompanhado; encontro-me em
plenitude. Abro o Livro dos Mortos dos antigos egípcios e esquadrinho os
Mistérios da Região de Buto (o mundo do Espírito Puro)...
Conheço essa região... Sim! Sim! Sim! Eu a conheço... Tempos atrás deixei
ali embaixo, no reino mineral submerso, no mundo soterrado, na Região de
Mendez, meu cadáver, ou meus cadáveres: meu Ego, ou meus Egos.
Em verdade, sou um morto. Por isso, compreendo o Livro da Morada
Oculta, e conheço os três aspectos inefáveis de minha Divina Mãe Kundalini,
a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes.
Não ignoro, minha Senhora, que Tu és a Imanifestada Deusa Shutet e que
resplandeces nas estrelas fixas. Não ignoro, minha Rainha, que Tu és a mani-
festada Ísis, a Deusa dos Caçadores da Região de Buto; certamente Tu perse-
gues os demônios de Seth (os eus-diabos); tu os capturas e os eliminas. Eu sei,
minha Divina Mãe, o que é teu terceiro aspecto: Salve, Hékate, Prosérpina,
Coatlicue, Rainha dos Infernos e da Morte.
Sabem por que a Região de Buto foi dada a Hórus (o divino Ser do homem)?

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– Eu sei, mas vocês não sabem...
Eis que Rá – o Logos Solar – deu esta região a Hórus (o Ser de cada homem)
como compensação pelo ferimento recebido em seu olho (o terceiro olho, no
entrecenho).
De fato, Rá disse a Hórus: ‘Deixa-me ver o que aconteceu com teu olho’.
Então o examinou, e em seguida disse a Hórus: - Olha para lá, e vigia aquele
javali negro (o ego).
Então Hórus (o Ser, o Íntimo) passou a vigiá-lo sem descanso, e o javali,
furioso, arremeteu contra Hórus...
Depois, Hórus (o Ser) disse ao javali (o Ego): ‘Dei meu olho’ (a clarividência,
o sexto sentido destruído pelas paixões animais).
O javali negro (o ego) não inspira a Hórus (o Ser) senão rejeição. Somente elimi-
nando o javali negro, o Olho de Hórus voltará a resplandecer na fronte do homem.
O Vale do Samsara, a noite tenebrosa, é a maravilhosa solidão em que mi-
nha gente espera esta Mensagem de Natal de 1969...
Ó vale profundo, noite de serpente, enamorado de teu silêncio, sofro muito
ao lembrar que por aí, pelo mundo, existem tantos que adoram o javali negro.
Por acaso os demônios de Seth podem alcançar a perfeição? O javali negro
evolui? Ai! Que horror! Que ignorância! Pobre gente!
Satã evoluindo? Quanta sandice! Que despropósito! Mefistófeles se aper-
feiçoando? O diabo rezando missa?
O negro javali deve morrer. Hórus o detesta e Rá o abomina. Certamente,
o destino de Seth e seus diabos vermelhos é a morte.
Que profundas foram minhas reflexões naquela noite de mistério. Passaram-
-se as horas... Raiou a aurora... Sobre o azul profundo do lago, o perfil diáfano das
nuvens simulava brancas velas... Por fim, apareceu o dia, com sua luz indecisa, como
a carícia da Lua sobre as cinzas de um morro recém-queimado para a semeadura.
O Sol brilhou então como a tocha do meu verbo, como círio nupcial car-
regado de deliciosos perfumes. Radiosa manhã em que o vôo das enternecidas
pombas se misturou com o orvalho caindo como bálsamo odorífero sobre a terra.
Misteriosa melodia percorre as paragens envoltas em inefável luz, espargin-
do-se no distante espaço como agradável perfume, como o hálito da alma do mar
próximo. Tudo na claridade difusa, cheia de estremecimentos musicais, parece
preparar-se para escutar o milagre da palavra: a divina anunciação do Verbo.
[Texto extraído do Capítulo 21 – Mensaje de Navidad 1969]

14
CAPÍTULO 2
A SANTA PREDESTINAÇÃO

  

Irmãs, vamos dar início à palestra desta tarde. Peço a todas o máximo de
atenção.
De modo enfático, quero dizer que os ciclos de atividades masculinas e
femininas em nosso mundo são governados pelo planeta Urano. Isso signifi-
ca que os dois polos de Urano determinam as épocas de predominância das
atividades masculinas e femininas. Quando o polo masculino de Urano está
voltado para o Sol, na Terra predominam as ações do masculino. Exemplos
disso foram os tempos da pirataria, a época napoleônica e também os tempos
de libertação ou independência das nações.
Quando o polo negativo ou feminino de Urano está voltado para o Sol,
a energia que flui desse planeta potencializa as atividades femininas, fazendo
com que a mulher triunfe, se destaque, suba a escada, enfim, é quando pre-
domina o sexo feminino. Lembremo-nos do tempo esplendoroso das amazo-
nas. Por todas as partes foram edificados templos à Deusa Lua e muitos países
foram governados por mulheres. O Império das Amazonas estendia-se por
grande parte da Europa e Oriente Médio, chegando até a Ásia. Nessa época,
quem exercia o sacerdócio, o governo e fazia parte das Forças Armadas, eram
as mulheres.
Que elas construíram uma poderosa civilização ninguém pode negar. Mas,
sem dúvida, também houve crueldade: as crianças do sexo masculino eram
incapacitadas de alguma forma, para que não pudessem se desenvolver plena-
mente. Às vezes feriam um braço, outras vezes uma perna, enfim, de alguma
forma o corpo era mutilado para que ficasse limitado em seu desenvolvimento.
Isso era cruel? Não pode ser negado! Mas foram questões históricas do
passado. As amazonas se destacaram de forma extraordinária na guerra.
Lembremo-nos da amazona Camila, da qual Virgílio, o poeta de Mântua, dá
testemunho. Certamente, Virgílio, o Grande Mestre de Dante Alighieri, fala

15
maravilhas a respeito de Camila. Extraordinária guerreira e também umas das
melhores comandantes do seu tempo, bem similar a qualquer outro grande
guerreiro do sexo masculino.
Na ciência, as amazonas se destacaram triunfalmente. Seu Império foi
grandioso, tendo se estendido do Ocidente ao Oriente. Mais tarde, quando caiu
ou declinou, isso se deveu exatamente ao aspecto sexual. Certo grupo de ama-
zonas chegou à Grécia e, ainda que tivesse vivido por algum tempo de forma
isolada, não é exagero dizer que acabou se unindo sexualmente com distintos
jovens gregos, tendo então mudado seus hábitos e sua forma de vida.
Essas amazonas, então já transformadas, influenciaram sobre o restante
das amazonas que haviam erguido o Império (o Império das Amazonas), e
aos poucos foram perdendo seu poder, até novamente restabelecer-se o poder
masculino (pois o tempo da influência feminina havia terminado).
Portanto, 42 anos são de atividade masculina e 42 anos de atividade femi-
nina. No presente momento, por exemplo, predomina o sexo feminino. Mais
tarde, quando houver terminado o ciclo de 42 anos do feminino, novamente
haverá uma época de predomínio do sexo masculino3.
No momento, o sexo feminino passou a mandar (e isso não pode ser nega-
do, pois é evidente). A mulher se destaca na ciência, no comércio, no governo,
na religião, no lar, em todos os lugares, pois esta é a sua época.
Urano governa diretamente as glândulas sexuais. Na mulher, rege a ativi-
dade dos ovários. Obviamente, a mulher pode aproveitar essa época para se
transformar, se assim o quiser.
Nesta época [nos dias atuais] luta-se pela emancipação feminina. Em ver-
dade, conceituo que a mulher, de per se, detém o cetro do poder neste momen-
to, uma vez que se encontra em meio do ciclo de atividade feminina de Urano.
Considerando todas essas questões, parece-me que o sexo feminino tem
todo o direito à dignificação e à transformação. Creio que a mulher deve apro-
veitar o presente momento (em que Urano é favorável) para tirar o máximo
proveito da sua vibração. A mulher tem o direito de passar a um nível superior
de Ser, e isso torna-se possível aprendendo a amar.
“Amor é lei, porém amor consciente”. “O amor é o sumo da sabedoria”,

3 Em poucas palavras, segundo a astronomia, o último ciclo masculino de Urano teve início em
1943. O atual ciclo de influência feminina iniciou em 1985 e terminará em 2027. A partir desse ano terá
início um novo ciclo de influência masculina que se estenderá até 2069.

16
escreveu Hermes Trismegisto em sua Tábua de Esmeralda. O amor é o fun-
damento de tudo que foi, é e será. A mulher, por meio do amor, não somente
pode transformar a si mesma, como também pode transformar os outros.
Nos tempos atuais é surpreendente ver que algumas nações estão pensan-
do em mandar, precisamente, comitês femininos para lutar em favor da paz
mundial. Tenho entendido que a ONU está considerando bem difícil a questão
da paz, e seriamente está pensando em promover uma espécie de propaganda
pró-paz por meio de comitês femininos.
Acredito simplesmente que a mulher, nestes momentos, detém o poder, o
domínio completo. A isso se deve acrescentar o fato de que o sexo masculino,
atualmente, está muito degenerado. Então, cabe à mulher regenerar o homem.
É inegável, irrefutável, o estado de degeneração masculina. Então, cabe à
mulher estender a mão ao homem e levantá-lo. Se o homem perdeu seu poder,
isso se deve simplesmente ao seu estado de degeneração. E, nestes momentos,
a mulher tem o dever inegável de ajudar a regenerar o homem e de lutar em
favor da paz mundial.
Atualmente, uma das questões mais relevantes é o problema sexual. Sem
sombra de dúvida, a sexologia, em si mesma, é fundamental em cada civiliza-
ção. Repito: O sexo masculino encontra-se em estado involutivo, decadente;
o homem abusou do sexo, e isso o levou a perder o domínio sobre a Terra, o
universo. O sexo masculino segue sua trajetória involutiva...
Quando estudamos a energia criadora, a energia sexual, à luz de Freud ou
de Jung, de Adler ou dos Tantras tibetanos e hindus, ou ainda, à luz da Escola
Amarela da China, descobrimos, com surpresa, que por meio da energia sexual
é possível a transformação do ser humano.
A mulher detém perfeito domínio sobre a biologia orgânica masculina;
por isso, pode regenerá-lo. A única coisa que a mulher precisa fazer é saber um
pouco mais a respeito dos Mistérios do Sexo.
Antigamente, esses Mistérios eram considerados tabus ou pecados, sendo
motivo de vergonha ou dissimulação. Mas, agora, nos países cultos, o sexo é
estudado à luz da ciência. Freud deu o exemplo em sua Psicanálise. Adler, Jung
e outros seguidores de Freud demonstraram ao mundo a realidade das teo-
rias freudianas. Portanto, considero de grande importância abordar esse difícil
tema, esse delicado assunto, relacionado à sexologia transcendental. Somente a
sexologia [sagrada] pode transformar a mulher e o mundo.

17
Obviamente, a energia criadora flui em tudo que é, foi e será. A energia
criadora permite as plantas se reproduzirem por meio de seus estilos e pistilos
que vibram e palpitam no cálice da flor. A energia criadora permite as aves se
reproduzirem e formarem seus filhotes. A energia criadora permite que todas
as criaturas do mar se reproduzam incessantemente.
A energia criadora é uma energia como a eletricidade, como o magnetis-
mo, como a gravidade; uma energia que devemos aprender a manipular de
forma inteligente; uma energia volátil, instantânea, mais rápida que a mente,
muito mais rápida que as emoções ou qualquer outro movimento orgânico.
Algumas vezes poderá ter ocorrido a vocês, por exemplo, encontrar-se
com um homem, e instantaneamente, sem mesmo saber por que, de forma
instintiva, simpatizaram ou antipatizaram com ele: imediatamente captaram
se ele poderia servir como complemento e merecer vossa simpatia. Mas se ele
não era o complemento perfeito, de fato e imediatamente vocês não sentiram
nenhum interesse por ele.
É surpreendente perceber a rapidez com que uma mulher pode reconhecer
um homem e captar se ele pode servir ou não como complemento de sua vida.
Isso ocorre em segundos ou milésimos de segundos, fato esse que demonstra
que o sentido sexual é muito rápido, bem mais rápido que a mente ou as forças
do centro motor.
Isso acontece porque a energia criadora flui [por toda parte], indo de um
lado para outro. As ondas eletro-sexuais são muito velozes; o centro sexual da
mulher instintivamente capta a realidade de qualquer homem, e isso é bastante
óbvio.
Durante a existência nos deparamos com coisas surpreendentes. Muitas
vezes – falo dos homens – estes, de modo imediato, mesmo tendo esposa, não
se sentem em plenitude, íntegros ou unitotais com ela; percebem que lhes falta
algo. E, nesses casos, acaba acontecendo de o marido, algumas vezes, se depa-
rar com alguma mulher com quem imediatamente sente simpatia.
Obviamente, ele falha se cometer adultério, porém, no fundo, o que ocorre
é que todas as partes de seu próprio Ser necessitam de complementação. Então,
possivelmente, ele encontre nessa mulher algo que não tinha e que lhe ajuda a
se completar.
Esses são os mistérios relacionados ao sexo e que bem vale a pena conhe-
cer. A energia criadora está presente em toda a máquina orgânica; nosso corpo
é uma máquina...

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Na mulher, os ovários são de per se, maravilhosos, prodigiosos. Um par de
fios nervosos liga os ovários com o cérebro, o qual se enrosca na coluna verte-
bral formando o Santo Oito, o Caduceu de Mercúrio.
Por esse par de fios nervosos, que não é totalmente físico, pois em parte
podemos dizer que também são tetradimensionais, sobe a energia sexual pro-
priamente dita, como força elétrica sutil, até o cérebro.
Essa força, por si mesma, chega ao corpo humano por meio de diversos
meios. Sua origem está no Terceiro Logos, o Maha-Chohan. Falando em ter-
mos cristãos, podemos dizer que essa energia é divina e que o Terceiro Logos
ou Espírito é isso que no cristianismo chamamos de Espírito Santo.
A força do Espírito Santo é prodigiosa em todos os sentidos. O universo
não existiria sem essa magnífica força. As sementes não germinariam, os ani-
mais não se reproduziriam, as árvores não frutificariam e todo o universo não
poderia existir.
Portanto, a força do Espírito Santo, a prodigiosa energia do Terceiro Lo-
gos, é algo digno de ser analisado. Existem escolas que se dedicaram a essa
análise. Elas são muito comuns em todo o Oriente, especialmente no Budismo
Tântrico do Tibete. Aprender a manejar todo esse potencial eletro-sexual é in-
dispensável quando, verdadeiramente, queremos realizar uma transformação.
Sem a energia criadora não seria possível a integração de um óvulo e de um
espermatozóide para dar origem à concepção.
Bem sabemos o que é a função menstrual da mulher. A menstruação se dá
porque um óvulo maduro se desprende do ovário. Do lugar de onde o óvulo
se desprendeu forma-se uma pequena chaga que sangra. Esse é [em resumo] o
processo da menstruação. Nesse lugar em que há sangramento existe também
isso que na medicina é denominado de ‘corpo lúteo’, cuja função é a de evitar o
sangramento contínuo ou permanente.
Bem interessante é ver o óvulo que desce para o útero, aguardando ali o
momento de ser fecundado. Uma vez alojado no útero, a mulher sente – em
verdade diríamos ‘sente intensamente’ – o impulso sexual.
Esse impulso está relacionado à economia da natureza. É como se o óvulo
pedisse, clamasse ou desejasse um espermatozóide com a finalidade de procriar,
uma necessidade para os fins econômicos do planeta Terra.
Nesse estado existe ansiedade por parte do sexo feminino em relação ao
sexo masculino. Essa ansiedade não tem outra razão que não o óvulo que deseja
o quanto antes a união com um espermatozóide.

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Vejamos algo bem interessante... Dos seis ou sete milhões de espermato-
zóides que são ejaculados durante a cópula, tão somente um consegue alcançar
o óvulo feminino. Então, ele perde a cauda e penetra totalmente dentro do ga-
meta feminino, e assim tem início o processo da gestação do feto. De todos es-
ses milhões de espermatozóides, apenas um consegue penetrar o óvulo. Quem
dirige essa operação matemática?
Além disso, devemos considerar que o espermatozóide carrega consigo 24
cromossomos, e o óvulo, outros 24. Temos aí, então, 48 cromossomos4, for-
mando a célula germinal, a célula básica, fundamental, mediante a qual forma-
-se um novo organismo humano5.
Mas, por que apenas um espermatozóide, e somente um, consegue entrar
no óvulo? Quem dirige esse espermatozóide? Qual é o princípio inteligente que
o conduz? E porque ele foi escolhido?
Sem dúvida, esse princípio inteligente não é outro que não a energia cria-
dora do Terceiro Logos, a energia sexual. Portanto, na energia sexual existe
inteligência, e isso é algo fantástico... É dessa forma que o processo de gestação
começa e dura nove meses...
É óbvio que a mulher foi escolhida para a Santa Predestinação, que é a de ser
mãe. Ser mãe, na realidade, é um sacerdócio da natureza, um sacerdócio divino, ine-
fável. Cada mãe merece total veneração de todos os seres que povoam o universo.
Na Doutrina Secreta de Anahuac rende-se culto às mulheres que mor-
rem no parto. É inquestionável que elas são autênticas mártires; foi-nos dito
em Nahuatl que elas vão ao Tlalocan, e não ao Mictlan, como pensam alguns.
Quer dizer: elas vão direto ao Paraíso de Tlaloc.
Ainda que vocês possam pensar que essa é uma doutrina dos nossos an-
tepassados, e que atualmente somos todos ‘muito cristãos’, e que agora não
podemos mais nos voltar para o passado, a crua realidade dos fatos é que tal
afirmação dos Adeptos Nahuas, Zapotecas ou Toltecas, está alicerçada sobre
bases muito sérias.
Então, por exemplo, com que direito podemos nos atrever a refutar a dou-
trina de nossos antepassados astecas, se somos provenientes deles? Ou, por
acaso, acreditamos que os espanhóis eram muito mais sábios que nossos ante-

4 O autor em todos os seus livros afirma que são 48 os cromossomos, e não 46 como diz a ciência.
5 Por razões que desconhecemos o autor, em todos os seus livros, fala sempre de 24 ou 48 cromosso-
mos; jamais citou em suas obras o dado científico de dois pares de 23 cromossomos.

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passados de Anahuac?
Bem sabemos que não eram! Além disso, eles vieram para destruir uma
cultura; em praça pública queimaram todos os códices antigos e privaram o
mundo dos ricos tesouros esotéricos. Felizmente, diversos códices foram pre-
servados, e isso permitiu que os grandes historiadores mexicanos, os grandes
antropólogos, reconstruíssem parte da história antiga.
O Paraíso ou Tlalocan é uma realidade. Foi dito em forma enfática em
tempos passados que as mulheres que morriam no parto iam para o Paraíso,
o Tlaloc. Elas mereciam, visto que haviam dado sua vida à Grande Natureza;
morriam no cumprimento desse grande sacrifício, que é o de ser mãe, tendo
cumprido com sua missão, a de haver nascido para essa Santa Predestinação.
Tão grande é a felicidade que sente a mãe que carrega o filho em seus bra-
ços, que o alimenta com seus seios e lhe dá amor. Ela, nesses momentos, faz o
mesmo papel que a Grande Mãe Natureza faz com seus filhos. Ela é uma verda-
deira sacerdotisa que merece grande veneração e todo o respeito.
É por meio dessa energia criadora que fervilha e palpita em toda a nature-
za, que flui nas plantas, que se manifesta nos órgãos criadores dos peixes e dos
anfíbios, dos quadrúpedes e das aves que voam pelo espaço, é que poderemos
nos transformar radicalmente. Se a mulher aprender a manejar essa energia
prodigiosa, poderá mudar de nível de Ser, transformar-se, tornar-se diferente.
Antes de tudo, a mulher necessita conhecer os Mistérios Sexuais. O tempo em
que o sexo era considerado tabu ou pecado já passou. Só ela e somente mediante a
energia criadora a mulher poderá se transformar e transformar o mundo.
Hoje, aqui nesta reunião, precisamos estudar profundamente essa questão
relacionada ao tema sexual. Não há dúvida que na cópula química ou metafísica
– para falarmos em linguagem que não escandalize nenhuma das irmãs aqui
presentes – está o segredo da transformação humana.
Quando a mulher aprender a transmutar suas energias criadoras, efetiva-
mente tem início o processo de transformação íntima, o qual, de fato, a coloca
em nível elevado de Ser.
Infelizmente, nos dias atuais, o homem não somente se degenerou como
também induziu a mulher aos processos degenerativos, tendo-a levado ao ca-
minho da fornicação e até mesmo da prostituição, motivos esses mais que su-
ficientes para ela aprender a se precaver em relação aos homens e para estudar
os Mistérios Sexuais. Somente assim, e só assim, ela poderá se transformar e
também transformar o homem.

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A cópula química ou metafísica está relacionada com a Grande Cópula Uni-
versal. Sabemos perfeitamente que o Eterno Masculino fecunda o Eterno Femi-
nino para que surja a vida em todo o universo. Tudo isso é parte da divindade.
Com justa razão dizia Simão Mago: “Existem dois rebentos a serem con-
siderados com seriedade: um vem do alto, de Urânia, e é masculino; o outro
sobe, e é feminino. Da união desses dois está a chave de todo o Poder”.
Observemos a cruz: são dois madeiros cruzados, um vertical e outro hori-
zontal. O vertical representa o Princípio Masculino; o horizontal, o Feminino.
No cruzamento de ambos está a chave da redenção.
Em uma antiga escola grega de Mistérios é citado um ato valioso, fisiológico,
místico, e que pode transformar o mundo e a humanidade. Para não escan-
dalizar, menciono aqui a chave em latim: Imisum membrum virile in vaginam
feminae sine ejaculatio seminis6.
Em todo caso, na inserção do falo [pênis] vertical no Kteis formal [vagina]
encontra-se a chave de todo o Poder.7 Infelizmente, tanto homens quanto mu-
lheres, tudo que fizeram até o momento, foi aproveitar o cruzamento desses
dois rebentos para a reprodução animal.
Assim como a mulher é capaz de pôr um filho sobre o tapete da existência
e de dizer a ele “Seja!” – e ele é – igualmente, a mulher é capaz de formar um
Napoleão em seu ventre, ou um Jesus de Nazareth, ou ainda um Hermes Tris-
megistos, para em seguida lhe dizer “Existe!” – e ele passa a existir sob a luz do
Sol. Da mesma forma também a mulher pode ser capaz de uma autocriação ex-
traordinária: ela pode criar a si mesma, pode se transformar em algo diferente,
distinto, tendo como base a própria cópula química ou metafísica.
É importante que a mulher compreenda o processo das energias universais.
É inquestionável que, quando homem e mulher (Adam-Hieve) estão se amando,
quando estão unidos na cópula metafísica ou química, nos instantes em que o
falo vertical se cruza com o kteis formal, forças prodigiosas, universais, cósmicas,
envolvem o casal com uma luz muito brilhante, luminosa, fabulosa.
Essas forças criaram o mundo; fizeram-no surgir do Kaos; envolvem e ro-
deiam o casal. Nesses instantes [da união sexual alquímica], homem e mulher
(bem unidos) formam o Andrógino Perfeito, o Elohim, uma criatura soberana.

6 Introdução do membro viril na vagina da mulher sem ejaculação do sêmen.


7 Em grego, Kteis; alternativamente escrito ecteis. O kteis era um pedestal circular e côncavo, ou
recipiente, no qual o Phallus ou coluna se apoiava.

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É óbvio que homem e mulher unidos, formam um único Ser, com poderes
sobre a vida e a morte, que pode gerar uma nova criatura no Kaos. Nesses ins-
tantes, aqueles que conhecem a maravilhosa ciência do divino Logos, realizam
prodígios. Nesses instantes, devemos reter essa força extraordinária, para nos
purificarmos, nos transformarmos, para desenvolver outras faculdades do Ser,
para expandir dentro de nós prodígios que nem remotamente suspeitamos, e
para nos transformarmos em verdadeiros anjos, em seres inefáveis.
A mulher possui a chave da ciência. Ela deve usá-la para abrir a Arca em
que se encontra o Tesouro da sabedoria antiga. Infelizmente, tanto a mulher
quanto o homem desperdiçam as divinas forças quando cometem o erro im-
perdoável de alcançar isso que é denominado de ‘orgasmo’ ou ‘espasmo’. Mas
se a mulher, nesses momentos, ensinasse ao homem a necessidade de ser ‘con-
tido’, se em lugar de chegar ao orgasmo, à consumação final da paixão animal,
tivesse o valor de frear o impulso bestial (para evitar o orgasmo ou espasmo),
reteria essa força mística do terceiro Logos, do Maha-Chohan, do Shiva hindu.
E assim, com essas forças sutis, ela poderia fazer por si mesma algo diferen-
te: tornar-se triunfadora, passar a um nível de Ser extraordinário; não mais
voltaria a ter miséria ou dor, nem sofrimentos, e novas faculdades aflorariam
em todo seu organismo, tornando-se completamente distinta. Uma mulher as-
sim, transformada por suas próprias energias criadoras, pode transformar o
homem e o mundo, pois a mulher possui um poder único: formar as criaturas
dentro de sua própria matriz.
Vejamos alguns grandes seres que se destacaram na História: Krishna, Bu-
ddha, Hermes, Jesus, Francisco de Assis e Antônio de Pádua, dentre muitos
outros. Onde foram formados? No ar? Quem lhes proporcionou suas figuras?
Esses homens tão grandiosos, de onde surgiram? E esses que libertaram
países, como Morelos em nossa pátria, ou um Hidalgo; um Napoleão (com-
preendam, ele não liberou nações, mais bem as escravizou), porém, em todo
caso, foi um grande militar; um Simão Bolívar, na América do Sul... De onde
surgiram? Qual a sua origem?
Todos bem másculos, inteligentes e geniais. Mas todos saíram do ventre
da mulher; foi a mulher quem os gestou em sua matriz; foi a mulher que deu
vida e os trouxe à existência. Até o Super-Homem de Nietzsche não teve como
sair de outro lugar que não do ventre da mulher. Por isso as santas mulheres se
dirigiram a Jesus e lhe disseram: “Bendito o ventre que te gerou e os seios que
te alimentaram”.

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Portanto, os homens não têm muitos motivos para se orgulharem, porque,
por mais conhecimento que tenham, por mais erudição ou capacidade intelec-
tual que tenham adquirido, fomos formados pelo ventre da mulher, que nos
deu vida e nos trouxe à existência.
Por isso mesmo a mulher pode transformar o mundo se assim o quiser,
pois tem em suas mãos a Chave do Poder. Até mesmo a biologia masculina
pode ser controlada pela mulher, e efetivamente ela tem esse poder de con-
trolar as atividades biológicas do homem; tudo o que ela precisa fazer, é reter
essa poderosa energia criadora do Terceiro Logos, não permitindo que saia
ou escape para fora do corpo, para as correntes universais. A mulher casada,
durante a cópula química ou metafísica, deve assumir uma atitude edificante
ou essencialmente dignificante.
Obviamente, o sacerdócio do amor vem desde os tempos mais antigos da
Terra. Lembremo-nos das sacerdotisas do amor na Grécia: as Hetairas. Elas
eram sagradas no mais completo sentido da palavra, e sabiam ministrar isso
que é denominado ‘amor’; e os homens deviam ir até elas. Lembremos também
das sacerdotisas nipônicas, do Japão. Elas, igualmente, ministravam isso que se
chama ‘amor’.
Infelizmente, as pessoas do mundo moderno, perderam, vamos dizer as-
sim, ‘o sentido do verdadeiro amor’. As mulheres modernas devem retornar à
antiga sabedoria e começar a educar o homem. O sexo é cem por cento sagra-
do. A mulher deve ensinar ao homem a veneração, o amor e o respeito ao sexo.
Se a mulher agir dessa forma poderá transformar definitivamente o mundo.
O segredo está em reter, em não deixar escapar, essa maravilhosa energia que
flui tanto na flor e na ave, como no peixe e no homem. Repetindo, isso é possível
se a mulher evitar a consumação do ato, se ela aprender desde um princípio a evi-
tar o espasmo ou o orgasmo fisiológico ou biológico. Dessa forma, ela se trans-
formará, se purificará e criará em si novos sentidos de percepção ultra-sensorial,
permitindo-lhe acessar a dimensão desconhecida. Isso a levará a adquirir uma
nova inteligência, que a capacitará a orientar sabiamente seus filhos.
Não devem esquecer que a mulher também deve ser, além de mãe, educa-
dora de seus próprios filhos; ela está convocada a educar seus filhos. Particu-
larmente, creio, penso, é meu conceito, que a mãe está chamada a dar ao filho
a primeira educação. De modo algum me parece correto que seja o Kinder
[Jardim de Infância] a dar as primeiras noções de cultura para a criança que
nasceu. Penso que deve ser a mãe a fazer isso, para terminar de formar o fruto
de suas entranhas.

24
Mais tarde, esse ‘fruto’ pode ir à escola e, depois, à universidade. Mas a
educação básica deve começar no lar. A mãe é o anjo da casa, a mestra do lar,
a que foi chamada para educar seus filhos. Hoje em dia, tudo isso está perdido,
mas nos antigos tempos (Atlântida e Lemúria), as mães educavam e formavam
seus filhos no próprio lar.
Atualmente nos encontramos em tempos decadentes e, devido ao estágio
degenerado do homem, a mulher já perdeu muitas de suas magníficas qualida-
des. O homem, que é o autor da criação de uma falsa civilização, de uma vida
mecânica, absurda, também cometeu o crime de tirar a mulher do lar. Hoje,
para a mulher sobreviver neste caótico mundo do século vinte, não restou al-
ternativa que substituir o homem nas fábricas, escritórios, bancos, comércio,
oficinas, na ciência, etc.
O homem moderno encontra-se tão degenerado que já não é mais capaz
de sequer sustentar seu próprio lar, motivo esse mais que suficiente para obri-
gar a mulher a lançar-se à luta. Então, por isso vemos a mulher, por exemplo,
nos Estados Unidos, trabalhando em oficinas mecânicas, postos de gasolina,
no setor de aviação, no exército, etc.
Uma raça ainda não degenerada, uma raça, vamos dizer, ‘progressista’, é
diferente. Numa raça evolutiva, a mulher é a rainha do lar, a sacerdotisa dos
filhos, a base fundamental, sobre a qual, em antigos tempos, se apoiava o ma-
triarcado, não o patriarcado.
A mulher deve agora retornar ao lar. Isso não será possível (e não é pos-
sível) enquanto o homem não se regenerar, visto que já não consegue mais
manter a mulher dentro de sua casa.
Chegará um dia em que surgirá no mundo uma nova civilização. Quando
isso acontecer, a mulher será novamente a sacerdotisa do lar, e o homem, já
regenerado, terá que ir ao campo, à montanha, para lavrar a terra com “o suor
de seu rosto” para dar de comer à sua mulher e a seus filhos, tal como mandam
as Sagradas Escrituras.
Mas hoje em dia, sinto dor ao dizê-lo, tão grande é a degeneração do ho-
mem, que muitas mulheres são obrigadas a trabalhar fora para sustentar seus
próprios maridos. Então, vendo todas essas coisas, tratando de assuntos tão
importantes e de delicada exposição, vejo a necessidade imperiosa e imposter-
gável de ensinar os Mistérios do Sexo à mulher.
Antes de tudo, ela precisa se libertar de muitos laços absurdos; ela precisa focar
os estudos do sexo sob outro ângulo; não seguir considerando a sexologia como

25
pecado, tabu, vergonha, dissimulação, etc. Se cabe à mulher regenerar o homem,
então ela precisa encarar diretamente os mistérios sexuais, e ensiná-los ao homem.
Infelizmente, o ‘pobre animal intelectual’, erroneamente denominado de
‘homem’, sequer sabe respeitar sua esposa: adultera como animal, fornica in-
cessantemente e desperdiça o dinheiro que ganha para sustentar sua casa nos
bares e casas de jogos, dentre outros.
Não há dúvida que a crua realidade dos fatos é que a mulher está convo-
cada a assumir um novo papel. Ela precisa transformar-se mediante a energia
criadora e ensinar ao homem o caminho da regeneração. Mas isso não é possí-
vel se ela não tiver a potência elétrica superior que lhe permite fazer esse traba-
lho. Enquanto a mulher seguir alcançando o espasmo ou o orgasmo fisiológico
durante o ato sexual, ela não terá a potência elétrica necessária para convencer
[e conduzir] o homem.
Quando se trata de convencer o outro, de regenerá-lo, de lhe indicar o ca-
minho da salvação, é necessário ter uma certa autoridade, e isso não é possível
enquanto a mulher seguir se descarregando eletricamente.
Portanto, a mulher precisa economizar suas próprias energias criadoras,
pois somente assim poderá aumentar seu potencial elétrico, e, dessa forma,
adquirir força suficiente ou a autoridade necessária que lhe permitirá transfor-
mar o homem, tirá-lo dos bares, ensinar-lhe o caminho da responsabilidade e
sinalizar a senda da regeneração.
Então, reunidos aqui, quero dizer a todas vocês de forma enfática, que em
nossa Escola de Estudos Esotéricos Gnósticos, trabalhamos pela regeneração
humana. E, para isso, são chamadas todas as mulheres; todas estão convidadas
a trabalhar por um mundo melhor. Portanto, bem vale a pena reconsiderar não
somente os temas biológicos, como também os assuntos psicológicos relacio-
nados à mulher, ao homem e ao lar.
A mulher precisa tornar-se um pouco mais madura desde um ponto de
vista psicológico. Muitas mulheres, por exemplo, querem casar cedo, e, por
isso, fracassam. A mulher precisa saber qual homem irá escolher, pois isso é
básico para o resto da existência.
Vou lhes contar algo interessante... Certo dia cheguei ao banco, não importa
qual, para descontar alguns cheques. A atendente do caixa, muito solícita, me aten-
deu... Porém, com grande dor, senti que ela me olhava detidamente de cima a baixo,
estudando meramente minha aparência física. Retornei outra vez ao banco, e tudo
se repetiu. Voltei uma terceira vez e novamente se repetiu a estranha faceirice...

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E o que olhava ela? Meu estado psicológico? A parte anímica ou espiri-
tual? Não, nada disso! Buscava apenas essa parte exterior, essas insinuações
externas, tratando de ver a aparência de um rosto ou de um corpo masculino,
quem sabe para mais tarde eleger como possível marido ou pretendente... En-
fim, tudo isso é cem por cento absurdo...
Não pude deixar de sentir uma estranha dor... Não por mim, pois minha
pessoa nada vale, mas sim pela atendente e por muitas outras mulheres que
sonham ter marido e se preocupam apenas com a aparência do rosto, do corpo,
o tamanho, se é bonito, feio, alto, gordo, magro... E nada, absolutamente nada,
sobre a questão psicológica. Isso me parece tão absurdo quanto examinar um
móvel e achá-lo bonito ou feio, se serve para a cozinha ou para a sala...
O casamento é o que de mais grandioso existe na vida. Aliás, há três mo-
mentos importantes, três eventos extraordinários, em nossa existência: nasci-
mento, casamento e morte.
A mulher precisa prestar muita atenção na hora de escolher o homem. Não
deve fazê-lo meramente pela aparência física ou pelo anseio de se casar logo
(para não sobrar ou ficar pra titia). Isso é um absurdo! Querer a mulher fazer
de um homem o ‘seu ideal’ sem senti-lo verdadeiramente, psicologicamente, é
algo incongruente.
Muitas mulheres solteiras se agitam pela aparência, pela forma ou pelo di-
nheiro desse ou daquele homem, tratando de se amigarem ou de serem simpá-
ticas ao mesmo, ou de conhecerem seus diversos aspectos com a finalidade de
se acomodarem artificialmente à sua forma de ser ou de viver; assim, cedo ou
tarde, fracassam.
Esse não é o caminho da felicidade matrimonial. No verdadeiro amor
existe espontaneidade absoluta, sem qualquer tipo de artifício. De imediato a
mulher reconhece o Ser Criador, sem necessidade de palavras supérfluas, nem
esforço para se acomodar à forma de pensar ou de sentir do outro. No verda-
deiro amor, a mulher sabe se o homem lhe pertence ou não, se é seu ou não.
Quando a mulher avalia este ou aquele homem, quando tem alguma pre-
tensão com ele, é óbvio que ela percebe se existe nele algum traço que destoa
de sua naturalidade com a própria personalidade, psiquismo ou com seus pro-
cessos psicológicos pessoais.
É claro que se uma mulher ama um homem nele perceberá algo que não
pertence a ela, uma característica estranha para ela, que destoa de sua forma
de sentir; portanto, ela capta que aquele homem não lhe pertence. Uma união

27
desse tipo, fracassa. O fruto desses equívocos, ou da ação impaciente, não é
outro que a dor. Portanto, de forma alguma pode se focar o casamento apoiado
em interesses, porque o resultado é o sofrimento. Quando alguém se esquece
que o casamento é um dos três eventos mais importantes da vida, comete erros
imperdoáveis.
Então, devemos pensar muito. As mulheres solteiras, ao tratarem de buscar
ou escolher um marido, nunca devem se precipitar; é preciso saber esperar.
Essa energia criadora do Terceiro Logos, que vive e palpita em toda a criação, é
inteligente e sábia. Para cada mulher corresponde um homem que lhe pertence
por Lei. Mas, se a mulher solteira insistir em se casar só por se casar, poderá se
equivocar e escolher alguém que não deveria escolher.
Há uma pauta a seguir: quando a mulher ver no homem algo que destoa
de sua própria natureza, é preciso ficar alerta, pois isso é algo que destoa de
seu psiquismo, que não vibra em uníssono, e, portanto, esse homem não lhe
pertence. Então, a força criadora do Maha-Chohan, essa força que dá vida a
todas as criaturas em gestação, essa força que faz brotar a vida do Kaos, é su-
ficientemente potente e inteligente como que para trazer à mulher seu exato
complemento: o homem que efetivamente lhe pertence.

NT – Aqui, no final da gravação, há uma falha maior, e com isso não se pôde finalizar adequadamente a
explanação. Além disso, ao longo da gravação dessa apresentação, igualmente aconteceram algumas fal-
has no microfone ou na gravação, as quais tratamos de completar dando coerência unicamente às falas
gravadas, de modo a assegurar o sentido das frases e sem alterar a linha de raciocínio ou da explanação.

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CAPÍTULO 3
A REALIZAÇÃO GNÓSTICA DA MULHER

  

É com infinita alegria que vejo reunidas aqui muitas irmãs do Movimento
Gnóstico. É claro que não poderia faltar o elemento feminino devidamente
organizado neste grande evento de repercussão mundial.8
A mulher é o amor eterno que flui e vibra em tudo que foi, é e será. A mu-
lher sempre esteve presente nas pirâmides egípcias, onde foi a Vestal que iniciou
os Grandes Mestres. Sempre esteve presente no Templo de Delfos, e ainda nos
parece vê-la sentada ali, em forma de Pitonisa, nesse país denominado Grécia.
Então, ela prognosticava grandes acontecimentos que sempre ocorriam.
Vem-me à memória o caso de Alexandre Magno, o grande conquistador
do mundo, aquele que uniu sob seu cetro a Europa e a Ásia por meio de um
grande império. Lembremo-nos do ‘nó górdio’... Muitas foram as Pitonisas em
estado de êxtase que desafiaram os homens mais sábios a desatarem esse nó. E
ninguém o conseguiu; somente um o fez, e esse foi Alexandre. Ele se aproximou
do nó, desembainhou sua espada e o cortou em pedaços. As sacerdotisas de
Delfos o abraçaram e disseram: Tu conquistarás o mundo (e certamente o fez...).
Vejam vocês como a mulher, ao longo do tempo, tem conduzido o curso
dos séculos. No antigo Egito faraônico, a mulher, transformada em Cleópatra,
ensinava para as multidões. As Cleópatras da Ilha Elefantina, no Rio Nilo [sul
do Egito], faziam ressoar seu Verbo diante do fogo para ensinar as pessoas.
Lembremo-nos da mulher em forma de Sacerdotisa de Tebas: as tochas ardiam
enquanto ela falava às multidões.
Uma das tantas múmias encontradas no Egito há muitos anos foi trazida
ao Ocidente. Ela foi posta num grande navio, mas tristemente esse navio afun-
dou. Sem dúvida, essa múmia possuía poderes extraordinários, tão grandes
quanto os poderes que possuíam as mulheres da Ilha Elefantina, tão formidá-

8 O autor se refere ao I Congresso de Antropologia Gnóstica realizado em outubro de 1976 na cidade


de Guadalajara, México.

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veis como os poderes das Pitonisas de Delfos e tão solenes quanto os poderes
das sacerdotisas druidas.9
Portanto, a mulher, através dos séculos, sempre resplandeceu maravilhosa-
mente. O eterno feminino move-se e vibra em tudo que foi, é e será. O grande
Alaya do universo resplandece em cada pedra, em cada árvore e em cada mundo.
O eterno feminino ora é adorado como Ísis na terra dos faraós, ora como
Astarté na terra dos persas, ora com o grandioso nome de Cibele na Ilha de
Creta, ora é venerada profundamente como Ceres entre os gregos.
Ainda me vêm à memória aqueles momentos em que o sacerdote grego en-
sinava diante da Pedra de Ceres, trazida de distante lugar. Vem-me à memória
também a exata recordação em que os sacerdotes de Saís ensinavam ao povo
diante do vetusto olhar da Virgem Negra...
A mulher tem resplandecido como Deusa e como humana. Ora leva em seus
braços o filho Hórus, ora canta para ele em seu berço, esperando pela manhã.
A mulher, o eterno feminino, é o desdobramento do eterno princípio
masculino; o próprio Deus, com toda sua grandiosidade, desdobra-se para se
transformar em mulher.
Vem-me à memória também a palavra Elohim. “Deus criou o mundo, e o
criou Elohim”.
Elohim, em hebraico, significa ‘Deuses e Deusas’. Portanto, a palavra Elohim
(Deus, Criador do Mundo) é masculina e feminina ao mesmo tempo. Elohim é
uma palavra feminina [Elohá] com um final plural masculino.
Toda religião em que não existem Deusas encontra-se na metade do caminho
de se tornar atéia, porque Elohim significa ‘Deuses e Deusas’.
Portanto, acaba sendo um absurdo supor que somente o homem pode al-
cançar a auto-realização íntima do Ser. É incongruente pensar que somente os
homens podem se cristificar. Em nome da verdade dizemos que Elohim é Deu-
sas e Deuses. As mulheres possuem os mesmos direitos que os homens; elas
também podem alcançar a cristificação; elas podem chegar tão alto quanto os
homens. Os homens jamais poderão alcançar graus mais elevados que as mu-
lheres, nem as mulheres em relação aos homens. Se o homem pode encarnar
o Cristo em sua natureza íntima, a mulher também possui o mesmo direito.

9 A múmia aqui referida é a do faraó Menkauré ou Miquerinos, filho do faraó Quéfren. Ela foi
trazida a bordo do navio Beatrice para ser levada ao Museu Britânico. Porém, esse navio naufragou e o
sarcófago se perdeu para sempre no fundo do mar. Isso ocorreu em 1838.

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Conheço mulheres cristificadas; as vi e sou amigo delas. Uma delas vive na
Europa, e resplandece por sua beleza; possui o Cristo Íntimo em seu interior; é
da raça celta. Trata-se de uma Dama Ressurrecta, imortal.
Conheço outra, também pertencente ao Círculo da Humanidade Conscien-
te, e que opera ou age sobre os distintos Centros Superiores do Ser; ela também
é druida e igualmente imortal. Portanto, aquele conceito de que somente os
homens podem chegar à cristificação, é falso, porque Deus também é mulher.
Em nome da verdade devo dizer enfaticamente que se Deus resplandece
através das Cleópatras da Ilha Elefantina, que se Deus resplandece através das
Vestais do Egito, Pérsia, Grécia, Roma e Siracusa, também resplandece glorio-
samente através das mulheres de cada época e tempo e também através da mãe
que leva seu filho nos braços. Então, em nome da verdade, tenho a dizer que a
mulher tem os mesmos direitos que o homem. Jamais o homem é superior à
mulher, mesmo que pretenda sê-lo...
O princípio feminino universal resplandece em cada pedra, no leito canta-
rino de cada arroio, na bela montanha coberta de árvores e em toda a Natureza.
Resplandece na ave que voa, no peixe que nada nas profundidades tempes-
tuosas do mar e nas feras mais terríveis. Também o encontramos nas plantas
e nas flores, nos órgãos masculinos e femininos, nos estames e nos pistilos.
Igualmente, resplandece nas estrelas, pois estas possuem as duas polaridades.
Os raios do eterno feminino, vindo dos luzeiros mais distantes, se aninham
no coração de cada mulher cujo coração resplandece pela dissolução do ego e
pela cristificação. Então, em nome da verdade, não podemos menos que sentir
admiração pelo eterno feminino; o próprio Deus desdobrado e transformado
em mulher aninha com seu amor o coração do sistema solar.
O eterno feminino é a base ou assento do surgimento da vida. No ama-
nhecer do Grande Dia Cósmico o Logos fecunda a matéria do Kaos, fazendo
com que o ventre da Virgem Mãe resplandeça e dele surja o universo. Portanto,
não existem razões pelas quais as mulheres do Movimento Gnóstico se sintam
tristes ou deprimidas, imaginando que somente os homens podem se cristifi-
car. Em verdade, todas as mulheres possuem os mesmos direitos e alcançam os
mesmos graus...
Se a mulher é o instrumento para o homem se cristificar também tenho
que dizer que os homens são o instrumento, o veículo mediador, para as mu-
lheres gnósticas se cristificarem.
As colunas J e B dos templos também estão presentes no templo-coração.

31
As colunas masculina e feminina não estão nem muito perto nem muito dis-
tantes uma da outra; há um espaço para a luz passar entre elas.
O Eterno Feminino resplandece não apenas Nisso que não tem nome,
como também no Espírito Universal da Vida; não só nas estrelas que se atraem
e se repelem de acordo com a Lei das Polaridades, como também dentro do
átomo, dos íons, dos elétrons, dos prótons e nas partículas infinitesimais de
tudo Isso que vibra e palpita em toda a Criação.
O Eterno Feminino faz um maravilhoso compasso com o Eterno Mascu-
lino para criar e tornar a criar. O Eterno Feminino, Deus em forma de mãe,
trabalha intensamente na Creação. O Eterno Feminino é o raio que desperta as
consciências adormecidas dos homens...
É chegada a hora de cada mulher levantar com sua mão direita a tocha do
Verbo para iluminar o caminho dos homens. Com profunda dor tenho que
dizer que os homens marcham pela linha da entropia; ou seja, caminham para
baixo, para a involução. Portanto, é chegado o momento das mulheres esten-
derem sua mão aos homens para levantá-los, regenerá-los e fazer deles algo
diferente, distinto.
É chegado o instante de as mulheres compreenderem que atualmente o
elemento masculino está em involução; é chegada a hora das mulheres lutarem
intensamente para regenerar o homem. Portanto, corresponde às mulheres,
nesta Era de Aquário, um grande papel: o de regenerar o decadente elemento
masculino.
Em nome da verdade tenho que dizer que o amor é o fundamento da auto-
-realização íntima do Ser. Um matrimônio perfeito é a união de dois seres: um
que ama mais e outro que ama melhor.
O amor é a melhor religião ao alcance da espécie humana. Para que haja
amor é preciso que exista afinidade de pensamentos, sentimentos e idênticas
inquietudes.
O beijo vem a ser, precisamente, uma consagração mística de duas almas
ávidas em manifestarem de forma sensível o que vivem internamente. O ato
sexual vem a ser a consubstanciação do amor no realismo psicofisiológico de
nossa natureza.
Em si mesmo, o amor é uma efusão, uma emanação energética do mais
profundo que temos em nosso interior, da consciência. Vejam, por exemplo,
um ancião enamorado. As forças que fluem do seu íntimo fazem vibrar inten-

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samente as glândulas endócrinas de todo seu organismo físico; esses hormô-
nios circulam pelo sangue vitalizando todo o corpo; dessa forma, o ancião se
regenera, rejuvenesce, resplandece de vitalidade.
Obviamente, o amor é grandioso em si mesmo. Amar, quão grande é amar.
Só as grandes almas podem e sabem amar. Para que haja amor é preciso que
haja absoluta afinidade de sentimentos. Em si mesmo, o amor é o sumo da sa-
bedoria. O amor não pode ser definido; se for definido, desfigura-se.
Nos países orientais não se erguem monumentos aos heróis, aos homens,
mas sim, às mulheres que sabem amar. Rende-se culto ao Eterno Feminino sob
diferentes nomes. Ela é a Shakti hindu, a Divina Kundalini, o Verbo em seu
aspecto feminino universal.
No Oriente se aprecia mais o amor que as teorias meramente racionais. As
sacerdotisas japonesas, as mulheres do amor, jamais foram profanadas; eram
consideradas muito sagradas.
Na antiga Grécia, as Vestais sempre foram respeitadas por todos os homens
porque, verdadeiramente, elas, em si mesmas, eram as sacerdotisas do amor.
Deus, em seu aspecto feminino, é a adorável Ísis, a casta Diana e também o
Grande Alaya do universo. Deus, em seu aspecto feminino, é a matriz [ventre]
de toda esta Creação. Em realidade, jamais os mundos teriam brotado do Kaos,
do Grande Alaya, se previamente não tivesse havido o Eterno Feminino. Deus-
-Mãe, a Matriz Universal, resplandece profundamente no Kaos. A mulher tem
todos os poderes e atributos de Deus. A mulher deve ajudar o homem.
É chegada a hora de compreender que o Eterno Feminino é o maior poder
deste universo. É chegada a hora de entender o estado de receptividade trans-
cendente e transcendental que a mulher possui: essa intuição, essa capacidade
que ela tem de perceber diretamente e por si mesma (sem tantas teorias) a
verdade. É chegada a hora de compreender que junto à coluna J está a coluna
B. É chegada a hora de entender que dentro do átomo os princípios masculino
e feminino (íons e elétrons) se ordenam e se agitam intensamente.
O Eterno Feminino, Deus-Mãe, é a alma do universo, como dizia Platão; é
a anima mundi crucificada no planeta Terra.
O Sol da Meia Noite vive enamorado pela mulher. O Sol da Meia Noite –
o Logos – ama a mulher. Ela é Urânia-Vênus, a que leva o Livro da Sabedoria
em suas mãos. Ela é precisamente a Vestal que está entre as colunas do templo
egípcio; ela é a esposa do Terceiro Logos.

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Uma vez compreendidos esses princípios, nós, homens, devemos reveren-
ciar e render culto à mulher porque sem a mulher nunca poderemos chegar à
auto-realização íntima do Ser.
O yoni feminino é representado pelo Santo Graal ou pela Taça de Hermes
e de Salomão. Foi nesse cálice maravilhoso que o Cristo bebeu o vinho em sua
última ceia.
Nestes momentos me vem à memória a lembrança de Abraão. É dito que
quando ele retornava da guerra contra os reis de Sodoma e Gomorra, encon-
trou uma grande fortaleza militar, onde mais tarde seria edificada a cidade de
Jerusalém, a querida Cidade dos Profetas. Dizem as lendas seculares que na
ocasião Abraão pagou os dízimos e as primícias a Melquisedec, Rei de Salém e
também o Gênio da Terra.10
Melquisedec, após haver celebrado a unção gnóstica com Abraão e os seus,
deu de presente a ele (Abraão) a Santa Taça, o maravilhoso cálice de prata no
qual o Cristo bebeu o vinho em sua última ceia.
Esse cálice representa vivamente o yoni feminino e, por isso, é sagrado.
Ao longo dos séculos esse cálice acabou chegando às mãos da rainha de Sabá;
passado algum tempo, a própria rainha de Sabá o levou a Jerusalém, tendo
submetido o rei Salomão a diferentes provas; em uma delas, Salomão teria que
identificar homens e mulheres num grupo de 25 jovens, de idades semelhantes,
todos vestidos da mesma forma, estando maquiados e vestidos da mesma for-
ma. Era muito difícil definir quem eram os homens e quem eram as mulheres.
O sábio rei ordenou então que os jovens lavassem as mãos. Observando a
maneira como lavavam as mãos pôde saber quem era homem e quem era mu-
lher, e assim o grande rei triunfou nessa prova, tendo então recebido a preciosa
jóia das mãos da rainha de Sabá.
Quando o grande mártir do Calvário celebrou sua última ceia diz-se que
essa relíquia resplandeceu sobre a sagrada mesa; foi nessa relíquia que ele be-
beu o vinho da sabedoria; portanto, o mártir do Calvário usou esse bendito
cálice em sua última ceia.
Ao ser crucificado, a Terra estremeceu; Nicodemos recolheu nesse cálice
o sangue que escorria dos ferimentos do Adorável. Depois, guardou o cálice
num lugar secreto em sua casa, sob o solo. Também escondeu a lança com que

10 Para detalhes ver Gênesis, capítulo 14. Para os gnósticos, Melquisedec é o Senhor do Mundo, o Rei
da Paz e da Justiça, Gênio ou Regente do planeta Terra.

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Longinus feriu o lado do Senhor (maravilhoso símbolo fálico).
Quando a polícia romana invadiu a casa de Nicodemos, em realidade não
achou nem o cálice nem a lança. Mas Nicodemos acabou indo para a prisão,
onde ficou por vários anos. Tendo saído do cárcere, com o cálice e a lança foi
em busca dos gnósticos-cristãos em Roma. Mas não permaneceu muito tempo
na cidade, tendo em vista que Nero havia iniciado a perseguição aos nossos
antepassados gnósticos. Os gnósticos é que foram lançados às feras na antiga
Roma [e não os católicos primitivos]; os gnósticos foram perseguidos, viveram
nas catacumbas e muitos foram devorados pelos leões.
O grande senador romano [Nicodemos], com o cálice e a lança seguiu pe-
las margens do Mediterrâneo rumo a Catalunha, na Espanha. Certa noite, em
visões, percebeu um grande anjo que dele se aproximou e lhe disse: “Esse cálice
possui um grande poder, porque nele está o sangue do Salvador do Mundo.
Enterre-o ali” – e indicou o lugar onde deveria enterrá-lo: na Montanha da Ca-
talunha, onde havia um templo verdadeiramente maravilhoso [que não estava
nem está na terceira dimensão]. Nicodemos obedeceu... Então, o bendito cálice
– símbolo do órgão sexual feminino – junto com a lança, foram guardados no
maravilhoso templo de Montserrat, no transcendente castelo de Monsalvat...
Portanto, queridas irmãs gnósticas, é importante compreender o que é o
Santo Graal. Chegou a hora de saber que sem esse bendito cálice, no qual be-
beu o divino rabi da Galiléia em sua última ceia, não é possível ao homem
obter a cristificação absoluta.
Chegou a hora de entender que em cada templo dos Adeptos da Fraterni-
dade Universal da Luz Interior sempre resplandece o Santo Graal. É simples-
mente inconcebível que no templo de um Adepto da Grande Luz falte o Santo
Graal. É no Santo Graal que está o Maná do Deserto, com o qual os israelitas se
alimentaram durante 40 anos.
Na Arca da Aliança, dentro do Sanctum Sanctorum do Templo de Salomão,
é onde sempre esteve encerrado o Gomor, o Cálice Sagrado que continha o
Maná do Deserto. Também não faltavam na Arca da Aliança, a Vara de Aarão
e as Tábuas da Lei.
Os Elohim da Arca se tocavam com suas asas, estando exatamente na po-
sição de homem e mulher durante a cópula sagrada. Quando os soldados de
Nabucodonosor invadiram o templo, exclamaram com certo espanto: “Esse é o
vosso Deus que tanto adorais, o Jehovah dos Exércitos?!”
Obviamente, nada sabiam eles sobre o Grande Arcano...

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Portanto, em nome da verdade, direi que o Eterno Feminino também res-
plandece no Sanctum Sanctorum de toda a Creação, em tudo que foi, é e será...
Enfim, é com grande alegria que inauguro hoje este Congresso Gnóstico Fe-
minino, dando início aos augustos trabalhos de todas estas mulheres adoráveis...
Paz Inverencial!

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CAPÍTULO 4
APOLOGIA DO ETERNO FEMININO

  

Antes de tudo é necessário falar um pouco a respeito do Eterno Feminino


e discorrer acerca de Nosso Senhor o Cristo. Espero que todos prestem a má-
xima atenção...
Certamente, Deus-Mãe é o fundamento desta grande Criação. Todos nós
devemos nos identificar cada vez mais com o Eterno Feminino. Devemos ver
em cada mulher a viva representação do Eterno Feminino. Obviamente, a mu-
lher nasce para uma Santa Predestinação, que é a de ser mãe. Até uma menina
é a representação do Eterno Feminino, pois cada donzela é uma mãe potencial.
Se nos lembrarmos daquela mulher que nos embalou no berço e nos ali-
mentou com seus seios quando crianças, teremos ali um poema vívido, muito
íntimo, natural e profundo, de uma simplicidade extraordinária e de uma
grandeza que sempre passa despercebida para esses humanóides de consciência
adormecida.
Quero que vocês tomem consciência do que é esse poema vívido, do que é
essa melodia inefável do princípio feminino eterno.
A Grande Mãe acaba sendo muito compassiva quando nos brinda com
esse verso, sem que tenhamos méritos, depois de termos sido perversos e de
nos arrastarmos pelo lodo da terra de existência em existência.
Morremos e logo regressamos para sermos embalados num berço sem
merecê-lo, para sermos amados por alguém que só vê esperança em nós e para
sermos levados por essa que é toda amor.
É algo paradoxal, e não haveria explicação se não existisse o Omnimiseri-
cordioso, o Eterno Pai Cósmico Comum, o Aleohim, como diziam os antigos.
Se retrocedermos um pouco no curso dos anos poderemos (mediante o
despertar) recordar a mãe que tivemos em nossa passada existência; ali, nos
veremos novamente num berço, e chegarão aos nossos ouvidos os cantos e aca-
lentos daquela que depositou em nós toda sua esperança. Depois, nos veremos

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dando os primeiros passos, sustentados por seus braços. E se prosseguirmos
com o exercício de retrospecção, nos lembraremos não só da passada existên-
cia, como também, da antepassada. E outra vez então nos veremos envolvidos
num desses poemas de acalentos infantis. E assim, prosseguindo para trás, de
vida em vida, de século em século, sempre iremos sentir ou perceber os mes-
mos cantos e os mesmos acalentos; veremos sempre o Eterno Feminino nos
amando, nos carregando em seus braços, nos alimentando com seus seios e
nos mimando...
Todas as mães que tivemos ao longo das inumeráveis existências dá-nos
a impressão de como se definitivamente houvéssemos nos perdido no tempo.
Mas, em verdade, todas elas são a viva expressão da Grande Mãe Cósmica;
nos olhos de nossa Devi Kundalini Shakti, de nossa Mãe Particular, individual,
veremos o brilho de todos os olhos das incontáveis mães que tivemos anterior-
mente, no passado.
Nela (em nossa divina Mãe Kundalini, em nossa Ísis individual) encon-
tram-se representadas todas as nossas mães que nos amaram ao longo de in-
contáveis séculos. Por isso devemos amar verdadeiramente nossa Mãe Cósmi-
ca, viva representação do Eterno Feminino.
Todas as mães que velaram por nós ao longo da história, todas as que nos
acalentaram e alimentaram, no fundo, são apenas uma e única mãe: Ela, a Ísis, a
quem nenhum mortal levantou o véu; a Neith, a bendita Deusa Mãe do Mundo.
Se pensarmos nesse Eterno Feminino, em Deus-Mãe, saberemos que nossa
Divina Mãe Kundalini Individual é um raio da Bendita Deusa Mãe do Mundo.
Portanto, Ela é a nossa Divina Mãe, o Eterno Feminino, que sempre velou por
nós ao longo de tantos séculos e que nos embalou em tantos berços. Nela estão
personificadas todas as mães do mundo e todas as que tivemos ao longo do
tempo. Felizmente, não as perdemos; todas elas ficaram em nossa Mãe Divina.
Se as pessoas tivessem consciência desperta saberiam valorizar esse ser de-
nominado ‘mãe’. Mas as pessoas estão adormecidas e, por isso, são incapazes
de valorizá-la. Portanto, é necessário tornarmo-nos cada vez mais conscientes
do que é o Eterno Feminino.
Ao contrário, não merecemos o que nos é dado. Depois de havermos nos
tornado cafajestes e perversos, ainda recebemos berço e mãe para nos embalar
com seus braços. É paradoxal, repito, e se não fosse pela misericórdia Disso que
não tem nome, seria algo inexplicável...
Infelizmente, ao crescermos, o ego torna-se visível. Nos primeiros anos é

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a Essência [Consciência] que se manifesta na criatura humana; por isso, as
crianças são lindas. Mas, à medida que vamos crescendo, desenvolve-se a per-
sonalidade, e com ela, o ego começa a se manifestar lentamente, até que, por
fim, em forma definitiva, passa a atuar em nós; então nos transformamos: os
belos pensamentos que tínhamos quando crianças se perdem e são esquecidos.
Aquela beleza dos primeiros anos cai no esquecimento; as nobres intenções são
pisoteadas e delas sequer restam lembranças.
O ego se fortalece em torno da Essência, a personalidade ganha força e ad-
quirimos determinados preconceitos e comportamentos. Então, a Essência fica
arquivada na profundidade da mente e relegada ao mais completo esquecimento.
Por fim e ao cabo de tudo, a personalidade, com todos seus preconceitos,
mais o ego se manifestando em nossa mente, substituem nossa Essência. E para
onde foram as nobres intenções que tínhamos quando pequenos?
Não queremos nos dar conta que um dia fomos crianças; esquecemos dis-
so. Jesus, o grande Kabir, disse: ‘Até que não sejais como crianças, não podereis
entrar no Reino dos Céus’.
Há algo em nós que impede de nos tornarmos como crianças: é esse ego
que temos, esse amontoado de lembranças, paixões, temores, ódios, rancores,
luxúrias, etc. Se quisermos a autêntica felicidade, não nos resta outro remé-
dio que recordar aquelas belas intenções que tínhamos quando crianças, antes
do aparecimento do ego e antes da formação da personalidade, quando ainda
dávamos os primeiros passos, quando tínhamos belas resoluções, as quais, de-
pois, foram esquecidas; foram esquecidas quando a personalidade se formou
em forma definitiva e quando o ego passou a agir.
Então nos tornamos outros e sentimos satisfação em havermos nos torna-
do outros; lançamos ao esquecimento a simplicidade e a inocência, e cresce-
mos ofuscados e alucinados. Por acaso isso, de sermos adultos complicados e
difíceis, é superior à inocência que tínhamos?
Torna-se necessário, meus caros irmãos, compreender a necessidade de
regressar ao ponto de partida, de reconquistar a infância da mente e o coração;
para isso só existe um caminho: apelar à nossa Divina Mãe Kundalini, saber
amar realmente nossa Divina Mãe, compreendê-la.
De que modo podemos nos aproximar de nossa Divina Mãe? Antes de
mais nada, aprendendo a amar nossa mãe terrestre, já que ela é a viva expressão
do Eterno Feminino; depois, aprendendo a amar a todas as mães do mundo.

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Quanto a nós, homens, aprendendo a ver em cada mulher uma mãe e a
viva expressão do Eterno Feminino, pois, se ao vermos uma mulher, o primeiro
que nos chega à mente é um pensamento de luxúria ou pensamentos passio-
nais, então estaremos insultando o Eterno Feminino, estaremos pisando nossa
Divina Mãe, estaremos envergonhando Essa que é todo amor...
Um ditado espanhol diz o seguinte: “Obras são amores e não boas razões”.
Então, de que serve amar nossa Mãe se não demonstramos com fatos concre-
tos? De que serve dizermos amar o Eterno Feminino ou essa ou aquela criatura
se a primeira coisa que vem à nossa mente são pensamentos luxuriosos ou pas-
sionais? Onde está o amor à Divina Mãe, ao Eterno Feminino, se a insultamos
e a pisoteamos dessa forma?
Reflitamos, meus queridos irmãos. Tornemo-nos dignos se de fato qui-
sermos marchar verdadeiramente com Devi Kundalini Shakti. Assim, nossos
corações, inflamados pelo amor, se aproximarão Dela e Ela de nós...
Ninguém pode eliminar os elementos bestiais que levamos dentro sem
sua ajuda. Assim como nossa mãe nos cuidou, alimentou, lavou e nos limpou
quando crianças, também nossa Divina Mãe nos limpará de toda essa imun-
dície, de todos esses aspectos deploráveis que levamos em nosso interior, os
quais, em seu conjunto, formam o ego, o mim mesmo, o si mesmo.
Vocês acreditam mesmo que o tempo atual é mais belo que o tempo da infân-
cia? Pois estão enganados! Porque, enquanto não reconquistarem a infância per-
dida na mente e no coração, de forma alguma poderão alcançar a liberação final.
Uma das provas pela qual passam todos os neófitos do Caminho é a Pro-
va do Fogo. Quando alguém triunfa nessa prova, depois passa pelo Salão das
Crianças, como é chamado um templo muito especial onde são recebidos
aqueles que triunfam nas provas. Ali, os Adeptos da Loja Branca, todos com
aparência infantil, nos dão as boas-vindas. Quando os cumprimentamos com
a saudação ‘Paz Inverencial’ (ou a ‘Paz Esteja Convosco’), sempre respondem:
‘E com vosso Espírito também’.
Mas por que nos dão as boas-vindas na forma de crianças quando triunfa-
mos na Prova do Fogo? Obviamente, porque só mediante o Fogo podemos re-
conquistar a inocência. Por isso é indispensável trabalhar com o Fogo Sagrado,
com essa chama santa do amor, sabendo amar...
Falando do Fogo, não é demais lembrar o Cristo Jesus na cruz. Ao pé da
cruz está sua mãe. Ela não poderia estar ausente... Impossível! E sobre a cruz, o
INRI, o Fogo que renova totalmente a Natureza. Precisamos encontrar o Gran-

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de Kabir dentro de nós mesmos. Quando lemos as cartas de Paulo, com surpre-
sa verificamos que ele raramente menciona o Grande Kabir Jesus ou o Cristo
histórico. Paulo sempre faz alusão ao Cristo Íntimo.
Obviamente, o nome ‘Jesus’ vem de ‘Jeshuá’, que significa ‘Salvador’, em
hebraico. Ele é o Salvador que devemos buscar dentro de nós mesmos... Ele
sempre aparece nos braços de sua Mãe, tal qual o menino Hórus nos braços de
Ísis, entre os egípcios. Urge saber, irmãos, que esse Jesus aparece nos braços de
nossa Divina Mãe Kundalini particular. De forma alguma o Cristo Cósmico
pode se manifestar em nós se não se transformar no Jesus Íntimo.
Em verdade existe [apenas] o Logos como Pai, Filho e Espírito Santo, for-
mando um todo único [um único Ser] que, entre os antigos egípcios, era cha-
mado de Osíris.
Osíris se desdobra em Ísis, na Divina Mãe, na esposa. Ele e Ela se amam;
como resultado de seu amor, Ela concebe por obra e graça do Espírito Santo,
ou seja, por obra e graça de seu esposo.
Então, no ventre imaculado e puro de Ísis, desce o Cristo, o segundo Logos,
e se converte, como é dito na Divina Comédia, no Filho de sua Filha, no filho
da Divina Mãe Kundalini.
Ela o leva nos braços. Por isso é que Ísis sempre aparece levando Hórus nos
braços ou então Maria levando o menino Jesus.
Nossa Divina Mãe particular também carrega em seus braços o nosso Je-
sus Íntimo. Quando tivermos amado muito a nossa Divina Mãe, nos fazemos
dignos, e dignos nos tornamos então merecedores de nos transformarmos em
sua casa, na Casa do Senhor.
É dito que o menino Jesus nasce num estábulo, à meia-noite, entre os ani-
mais. Sim, são os animais do desejo que se encontram no estábulo de nosso
próprio corpo. Ele nasce ali; depois, cresce e se desenvolve, e então Jesus, nos-
so Salvador Íntimo, individual, deve sofrer todas as tentações, superá-las. Ele
precisa vencer as potências tenebrosas dentro de si mesmo. Precisa viver como
homem entre os homens, ter carne e osso (nossa própria carne, é claro).
Ele precisa ser um homem em meio aos seres que habitam a face do pla-
neta e sair vencedor em sua passagem. Por isso ele é o nosso Salvador. O nosso
processo psicológico se transforma no seu processo psicológico. Ele deve or-
ganizar e transformar toda nossa mente, nossas preocupações, desejos, etc. Ele
deve desintegrá-los. Por isso Ele é chamado de ‘Santo Firme’; Ele não pode ser
vencido. Ao fim de tudo, Ele triunfa, e então se cobre de glórias.

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O Fogo Sagrado personificado em Jesus, nosso Jeshuá, e não o Jeshuá his-
tórico, é digno de toda exaltação e glória, poder e majestade. Ele ama sua Mãe
e sua Mãe o ama também. É somente por meio de sua Mãe que Ele nasce no
estábulo interior para, depois, se converter em nosso Salvador.
Se não amarmos a Mãe do Jesus interior tampouco amaremos seu Filho.
Como poderia nascer o Filho em nós se não amamos sua Mãe?
E quem quiser amá-la precisa demonstrar com fatos concretos; primeiro
amando aquela que nos deu vida; depois, vendo-a (a que nos deu vida) em
cada mulher.
Portanto, meus irmãos, faz-se necessário compreender esse grande misté-
rio do Cristo e da Divina Mãe. É preciso que nos tornemos simples, tolerantes
e modestos, porque somente assim marcharemos pelo verdadeiro caminho.
Quero que todos reflitam nisso que estamos falando. Quero que todos re-
tornem ao ponto de partida, que regressem ao primeiro amor, que reconquis-
tem a infância perdida na mente, no coração e no sexo, e assim, entrem pela
Senda da Cristificação, da Salvação.
Quem quiser verdadeiramente ser salvo deve saber amar. Como se pode
amar de verdade uma mulher se quando a olhamos nos vêm pensamentos eró-
ticos e luxuriosos? Isso é insultar, ofender. Alguns poderiam objetar, dizendo
que existem muitos tipos de mulher, como as prostitutas e outras. Mas, aca-
so, somos juízes para julgar o Eterno Feminino? Com que direito o fazemos?
Quem nos tornou juízes do Eterno Feminino? Ou nos cremos santos? Ou já
recobramos a inocência?
Nunca devemos julgar o Eterno Feminino; as próprias mulheres devem ver
em cada mulher, a mãe. As próprias mulheres devem amar suas mães e devem
adorar a Divina Mãe Kundalini caso queiram se tornar dignas ou merecedoras
de algum dia receber o Santo Firme.
Existe por aí uma oração que diz: “Fonte de divinos regozijos, dirigi a nós
vossas ações. Santo Afirmar, Santo Negar, Santo Conciliar, transubstanciados em
mim, para meu Ser. Santo Deus, Santo Firme, Santo Imortal, tende piedade de nós”.
Este é um cântico valioso às três Grandes Forças Primárias do universo.
Essas três Forças constituem o Pai-Osíris, o qual, ao se desdobrar, se transforma
em Neith-Ísis. E da união Dele com Ela nasce nosso Jesus íntimo, nosso Jeshuá
individual [Hórus], aquele que deve entrar em nosso corpo para nos salvar.
Essa oração do Santo Deus, Santo Firme, Santo Imortal, é muito especial

42
porque o cabalístico Ancião dos Dias é o Santo Deus. O Santo Firme é nosso
Jesus íntimo, o qual, incorporando-se em nós, faz cargo de todos os nossos pro-
cessos psicológicos, de todas as nossas paixões, sentimentos, pensamentos, etc.,
para transformá-los em si mesmo; [ele se faz cargo] de todas as nossas tentações
para vencê-las em si mesmo. Tudo isso somente pode ser feito pelo Santo Firme.
Muito interessante é também o Santo Afirmar, o Santo Negar e o Santo
Conciliar. Por que? Porque a primeira força é a eterna afirmação do Pai. A
segunda força é a eterna negação do Filho. E a terceira força é a eterna conci-
liação do Espírito Santo. O Pai afirma, o Filho nega, o Espírito Santo concilia.
O que o Filho nega? Por que se diz que o Filho nega? Simplesmente porque Ele
nega ou não quer aquilo que nós queremos: paixões, defeitos psicológicos, etc.
Por que se diz que a Terceira Força é o Santo Conciliar? Porque com essa
força nos reconciliamos. Com quem? Com a divindade...
Refiro-me enfaticamente à Força Sexual, essa força que formou nosso corpo,
que desenvolveu nosso corpo no ventre materno, força essa que nos trouxe à
existência.
E por que é dito “transubstanciado em mim, para meu Ser, para nosso
Ser”? Porque as três Forças Primárias do universo – do Pai muito amado, do
Filho muito adorado e do Espírito Santo muito sábio - passam pela transubs-
tanciação em nós para nosso Ser.
Caros irmãos, compreendem o que isso significa? Transubstanciar quer
dizer que uma substância se transforma em outra. Compreendem agora por
que as três Forças Primárias passam pela transubstanciação em nós para nosso
Ser? Pois, é algo grandioso. É óbvio que precisamos cristalizar em nós mesmos
as Três Forças Primárias.
Portanto, meus queridos irmãos, reflitam. Esforcem-se por eliminar o eu
psicológico. Regressem ao primeiro amor. Tratem de reconquistar a inocência
no coração e lutem para isso. Aprendam a amar o eterno feminino, e assim,
algum dia, poderão ter a dita de encarnar em si mesmos o Jeshuá íntimo, par-
ticular, individual.
Com isso não quero subestimar o Grande Kabir Jesus, aquele que ensinou
esta doutrina na Terra Santa. Se há algo pelo qual ele é grande, foi porque ensi-
nou a doutrina do Eterno Salvador, de nosso Salvador interno, de nosso Jeshuá
individual, particular.

43
CAPÍTULO 5
O MISTÉRIO DA BELA HELENA

  

Vamos falar um pouco sobre a bela Helena. Homero diz que ela foi esposa do rei
Menelau. Homero diz ainda que Helena se foi com Páris, o qual a levou para Tróia.
O certo é que houve uma grande guerra, que durou 20 anos. Muita coisa é
dita na Ilíada sobre essa guerra. Tróia foi assediada pelos gregos, “os cabeludos
aqueus, de belas caneleiras e rostos escuros”, como descreve Homero...
Vamos lembrar de Agamemnon (o resoluto) na Ilíada, de Ulisses (guerrei-
ro astuto e destruidor de fortalezas), de Heitor (guerreiro troiano), de Enéas,
do rei Príamo e muitíssimos outros personagens que, no fundo, são bem mais
atlantes que gregos ou troianos.
Homero foi um Grande Iniciado. Dizem que ele era cego e que vivia de es-
mola cantando seus versos de cidade em cidade por toda a Grécia. A ‘cegueira’
de Homero é simbólica. De forma alguma ele era cego. Em verdade, seus olhos
eram perfeitos e, além disso, possuía grande clarividência. Por isso se dizia
que era ‘cego’, porque via tanto as coisas do mundo físico quanto as do mundo
interno. Então, bem vale a pena refletir um pouco sobre a Ilíada e a Odisséia.
Quando Homero vivia, de Tróia restavam apenas ruínas, e esse homem,
baseado tão somente nas tradições e no que percebia com sua clarividência,
escreveu obras maravilhosas.
Sobre a bela Helena, não quero negar que ela tenha existido fisicamente,
mas ela se encaixa dentro de um drama simbólico extraordinário.
Tempos atrás, um alemão conseguiu descobrir as ruínas da antiga Tróia.
Não estavam na Grécia, como se imaginava, mas sim, foram encontradas no
que hoje conhecemos como Turquia.
O mais curioso de tudo é que não foi descoberta apenas uma Tróia, mas sete,
fato que indica que a cidade foi destruída sete vezes. Logo após ser destruída,
era reconstruída no mesmo lugar, e por isso foi possível identificar claramente
a existência de sete cidades no mesmo lugar, uma sobre a outra.

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Prova fundamental de que Helena realmente existiu está no tesouro de
Príamo. É dito que entre as riquezas encontradas, está a coroa de Helena, bem
como uma vasilha de prata e de ouro, e pedras preciosas. Portanto, é bem real
ter existido Helena.
Não se sabe para onde o arqueólogo que fez a descoberta levou tão ricos
tesouros. O governo turco quis impedir que essas riquezas fossem retiradas
do país, mas o descobridor conseguiu negociar a retirada. Entendo que esse
tesouro foi levado a algum importante museu, talvez para Londres ou Paris;
isso eu não sei, exatamente. O que sei, é que o tesouro de Príamo [rei de Tróia]
foi descoberto, e isso, por si só, é muito interessante.
Muito fascinante é o relato de como o troiano Enéas conseguiu sair furtiva-
mente de sua cidade, como ele conseguiu levar consigo seus Deuses Penates, como
salvou seu pai, já velho, enfim, de como conseguiu retirar todos os seus familiares
dentre o fogo e a fumaça que consumia sua cidade; e, depois, como foi sua viagem
até a antiga Hespéria [atual Itália]. Sem dúvida, tudo isso é muito bonito...
Quem leu a Eneida, certamente não deixou de sentir grande alegria ao
saborear todos esses relatos. A própria riqueza da linguagem empregada na
Eneida é cativante. E Virgílio, o autor da Eneida, expressa-se nessa obra como
um grande poeta, valendo-se de um linguajar muito rico.
Vem-me à memória algumas frases dessa obra (...)11:
Dali gemidos a se ouvir, e as iras
De horrentes leões cadeias recusando
E a desoras rugindo, e nos presepes
Ursos raivar, sanhudos grunhir cerdos,
E enormes vultos ulular de lobos;
Que a seva deusa com potentes ervas
De homens os transvestira em brutas feras.

11 Aqui, a gravação ficou prejudicada. A partir de alguns fragmentos gravados fomos pesquisar na obra
original da Eneida, e identificamos algumas passagens no Livro 7 (da Eneida). Como exemplo, a pas-
sagem que menciona a transformação de homens em animais, ato realizado por Circe, que está entre os
versos 5 e 35. Acima, a título meramente ilustrativo, transcrevemos um pequeno trecho da tradução em
verso de Manuel Odorico Mendes (1799-1864 – Portugal). É importante ressaltar que as traduções que
pesquisamos são muito diferentes entre si, e como nem pudemos manter o sentido dos fragmentos da
gravação original, optamos por oferecer esta passagem do Livro 7. Há, em português, muitas opções da
Eneida, tanto em verso quanto em prosa, à qual remetemos o leitor interessado em saber mais.

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Por que arribada o encanto a boa gente
Não padeça, nem toque as diras plagas,
Favorável Netuno encheu-lhe as velas,
E dos férvidos vaus a impeliu fora.
Bem, para não entrar nos detalhes de toda essa literatura de Virgílio e Ho-
mero, porque iria tomar toda a noite, iremos nos concentrar apenas na questão
da bela Helena de Tróia... Certamente, Helena de Tróia existiu como mulher de
carne e osso, mas, esotericamente, tudo isso é simbólico e merece explicação.
Fausto, por exemplo, certa ocasião materializou a bela Helena. Alguns jo-
vens da época, bem curiosos, haviam manifestado desejo de conhecer Helena,
de vê-la fisicamente. Imaginem vocês...! Depois de morta há milhares de anos,
queriam vê-la... Mas Fausto era um grande mago e não se fez de rogado para
invocar a bela Helena.
Então, Fausto saiu do recinto [onde estavam os jovens]. Ao retornar para o
mesmo, os jovens se surpreenderam ao vê-lo de braço dado com a bela Helena
de Tróia. Lá estava Helena, materializada fisicamente, parecendo uma mulher
de carne e osso; foi descrita como de beleza inefável, divina.
Seus cabelos eram louros, parecendo uma cascata de ouro que chegavam
até seus pés. Ampla testa, nariz reto, lábios finos e delicados, olhos azuis, pele
rosada como a aurora e corpo esbelto, delicado e de média estatura. Quando
ela olhou os jovens presentes no recinto, eles sentiram seus corações baterem
mais forte, desejando que ela fosse de carne e osso.
Então, o doutor Fausto a apresentou aos presentes, e depois, novamente,
saiu do recinto tomado de seu braço.
Os jovens pediram ao doutor Fausto que a deixasse mais um pouco, para
pintar um quadro (já que naquele tempo não havia fotografia). Fausto se negou
a cumprir tal pedido, mas prometeu uma ‘foto’ da mesma para depois; certa-
mente cumpriu sua palavra. Fausto foi um grande mago esoterista.
Noutra ocasião, realizou outro prodígio: invocou, diante de Carlos V, o im-
perador Carlos Magno e sua esposa, e ambos apareceram e se fizeram visíveis
e tangíveis.
Sem dúvida, Fausto foi um grande teurgo; possuía poderes extraordiná-
rios. Portanto, como estava dizendo, o simbolismo da bela Helena se apresenta
sob diversas versões.

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Temos ainda o caso de Simão Mago. Este, mesmo sendo gnóstico, e mui-
tos o consideram como um dos ‘pais da gnose’, embora não o seja de verdade,
porque se desviou para a magia negra. Mas Simão Mago afirmava estar casado
com a bela Helena. Porém, certamente, quem o acompanhava não era a Helena
de Tróia, mas, sim, uma prostituta, que ele havia encontrado em suas andanças.
Era muito bonita e tinha aparência majestosa; seu nome era Helena, e Simão
dizia ser a própria Helena de Tróia...
Os gregos diziam que Helena era filha de Zeus (o que junta as nuvens), e de
Leda, a beldade grega, e nós não poderíamos negar... Então, examinando este
assunto à luz da mitologia grega, descobrimos que o tempestuoso Zeus não é
outro que não nosso Pai Interno, e Leda, não é outra que nossa Divina Mãe
Kundalini. A bela Helena, no caso, é a alma espiritual [Buddhi] de todo homem
que vem ao mundo.
A Lei das Polaridades é algo tremendamente verdadeiro. Buddhi, em rela-
ção a nós [homens], está polarizada na forma da bela Helena. Mas em relação
às mulheres, o caso muda de figura: nas mulheres ela se torna o Bem-Amado.
Seja como for, Buddhi é a alma espiritual. Isso é óbvio... A bela Helena, portan-
to, simboliza a Alma-Espírito. Cabe a nós lutar para conquistá-la, conquistar a
Buddhi dos teósofos, essa Alma Imortal, essa Walquíria...
Ficamos pasmos ao encontrar no templo dos mundos internos não somen-
te uma, mas inúmeras Helenas. Elas são as Walquírias; já sabemos que essas
Walquírias, cada uma delas, corresponde a um Mestre. Portanto, cada Mestre é
duplo, pois Ele tem sua Alma Humana – que é masculina – e também tem a sua
Alma Espiritual - que é feminina - a sua Walquíria, a bela Helena...
O próprio doutor Fausto era casado com a bela Helena. As pessoas levaram
isso ao pé da letra, mas, esotericamente, isso quer dizer que o doutor Fausto já
havia conseguido se casar com sua Walquíria.
Por outro lado, percebemos em Simão Mago uma profanação da bela He-
lena. Ela era uma prostituta que ele havia encontrado em Nínive, e desde então
passou a dizer que se tratava da mesma bela Helena...
Assim, vemos claramente em Simão Mago uma profanação ou a magia ne-
gra, porque, a bela Helena, em si mesma, não é outra senão a filha do tempes-
tuoso Zeus – o junta nuvens - [no dizer de Hesíodo] e de Leda, a beldade grega.
Zoroastro, no dia de sua ressurreição, se desposou com a bela Helena. Em
Assim falou Zaratustra, Nietzsche faz menção a isso. Zaratustra ou Zoroastro
são o mesmo Ser.

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Lembro que Nietzsche iniciava essa obra dizendo: “Pela margem da cidade
vai a vaca multicolorida...”12. Depois, mais adiante, Zaratustra diz: “Venho falar-
-vos do Super-homem”.13
Esse foi o erro de Nietzsche: acreditar que a Era do Super-homem já havia
chegado, quando, em verdade, ainda nem chegamos ao estado humano verda-
deiro. Isso foi grave...
Nietzsche fala da caverna onde Zaratustra vivia e meditava. Certa manhã,
olhando para o sol, disse:
 “Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a
quem iluminas? Faz dez anos que te abeiras da minha caverna, e, sem
mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver-te-ias cansado da
tua luz e deste caminho. Nós, porém, esperávamos-te todas as ma-
nhãs, tomávamos-te o supérfluo e bendizíamos-te.
 Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha que
acumulou demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim.
Quisera dar e repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura
e os pobres da sua riqueza. Por isso devo descer às profundidades, como
tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpões o mar para
levar a tua luz ao mundo inferior. Eu devo descer, como tu, segundo di-
zem os homens a quem me quero dirigir.
Abençoa-me, pois, olho afável, que podes ver sem inveja até uma feli-
cidade demasiado grande! Abençoa a taça que quer transbordar, para
que dela manem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo
da tua alegria! Olha! Esta taça quer de novo esvaziar-se, e Zaratustra
quer tornar a ser homem”. Assim principiou o caso de Zaratustra.14
Em seguida Zaratustra desceu da montanha e encontrou um santo que lhe

12 Esta frase talvez seja de alguma edição espanhola, que não conseguimos localizar; porém, as edições
em português apresentam o Prólogo de Zaratustra que diz assim: “Aos trinta anos Zaratustra afastou−se
da sua pátria e do lago da sua pátria, e dirigiu−se à montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu es-
pírito e da sua solidão sem se cansar. Variaram, no entanto, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo−
se com a aurora, pôs−se em frente do sol e falou−lhe da seguinte maneira: “Grande astro! Que seria da tua
felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas? Faz dez anos que te apresentas à minha caverna, e, sem
mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver−te−ias cansado da tua luz e deste caminho (...)”.
13 Nas edições brasileiras encontramos: “Chegando à cidade mais próxima, situada nos bosques,
Zaratustra encontrou uma grande multidão na praça pública, porque estava anunciado o espetáculo de
um bailarino de corda. E Zaratustra falou assim ao povo: Eu vos anuncio o Super−homem.”
14 Texto retirado de eBooksBrasil.com – Tradução de José Mendes de Souza.

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perguntou:
- Para onde vais, Zaratustra?
- Vou para a cidade, respondeu.
- E por que vais para lá?
- Por amor à humanidade, responde Zaratustra.
Diz o santo: - Por acaso não é por causa da humanidade que estou aqui,
neste lugar? Eu canto cantos, e os canto e assim louvo a Deus que é meu Deus.
Então Zaratustra diz:
- Não quero tirar-vos nada. Então aquele santo envolveu um látego e o deu
a Zaratustra, e disse-lhe:
- Toma, te dou este pequeno conselho: ‘Quando estiver com a mulher não
te esqueça do látego’.15
Muitos levaram ao pé da letra esse conselho. Porém, a realidade dos fatos é
outra. É preciso ter um pouco de força de vontade quando se vai trabalhar na
Forja dos Ciclopes, porém, aqueles que nada entendem de esoterismo, inter-
pretam tudo pela letra morta.
Bem, o fato é que Zaratustra chegou à cidade, e ali falou: “Venho anun-
ciar-vos o Super-homem... O homem não é mais que uma ponte no caminho,
um perigoso olhar para trás. Tudo é perigoso... É chegada a hora do super-
-homem”.16
Eis aí, portanto, o grande equívoco de Nietzsche. Ele fala do Super-ho-
mem, quando, em verdade, sequer existem ‘homens’ na face da Terra; apenas
‘humanóides’ ou ‘mamíferos intelectuais’. Mas, jamais ‘homens’, no completo
sentido da palavra...
Seja como for, Zaratustra [Zoroastro] cumpriu uma belíssima missão na
antiga Pérsia [atual Irã]. Ao ressuscitar, fundiu-se, integrou-se, completamente

15 Esse diálogo não ocorre literalmente assim na obra original de Nietzsche. As frases acima são
citações de diversas passagens da obra de Nietzsche e foram agrupadas pelo autor em sua apresentação
como transcrito acima.
16 Novamente, essa não é uma passagem literal de Nietzsche nessa obra. São algumas frases que o
autor reuniu para apresentar sua conferência. A passagem literal de Assim falava Zaratustra diz: “Che-
gando à cidade mais próxima, enterrada nos bosques, Zaratustra encontrou uma grande multidão na
praça pública, porque estava anunciado o espetáculo de um bailarino de corda. E Zaratustra falou assim
ao povo: “Eu vos anuncio o Super-homem” [Ubermenseh ou literalmente ‘sobre-homem’]. “O homem é
superável. Que fizestes para o superar?”

49
com sua Walquíria, sua Alma-Espírito. “Mas, por que essa Alma-Espírito ou
Buddhi - no dizer de Blavatsky, em sua obra A Voz do Silêncio - “é um vaso de
alabastro fino e transparente, através do qual arde a Chama de Prajna”?
Buddhi é a Walquíria; obviamente, o Logos Interno se reveste com Buddhi,
está contido em Buddhi ou na Alma-Espírito. Quando a Alma Humana [Manas]
de Zaratustra se integrou com sua Buddhi, quando se fundiu com sua Bela Hele-
na, na qual já estava completamente manifestado o Logos Interno, ele se tornou
ressurrecto, e passou a olhar com seus olhos [os olhos de sua Buddhi] e a falar por
meio de seu Verbo [do Verbo de Buddhi], de forma íntegra, unitotal...
E o que aconteceu com Zaratustra? Ninguém sabe... Ele simplesmente de-
sapareceu daquela caverna; tornou-se um Mestre Imortal...
Bem, o importante é que vocês comecem a entender o significado da bela
Helena em rigorosa terminologia esotérica. Quando alguém consegue a inte-
gração com sua Alma-Espírito [Buddhi], dentro da qual está o Logos Interno,
como que dentro de um vaso de alabastro, então fica constituída em si mesma
a Pedra Filosofal – e isso é muito interessante...
É necessário saber de fato o que é essa Pedra Santa. Diz-se que essa Pedra é
dotada de magníficos poderes – e isso é verdade. Os maiores e melhores alqui-
mistas a apresentam como uma ‘pera’ ou uma ‘maçã de ouro’; um ‘fruto’, uma
‘romã’ ou como algo muito valioso.
Metade dela é de cor vermelha purpúrea, o carbúnculo precioso. A outra
metade é de cor âmbar, um dourado... E dizem ser como ‘Lua Potável’...
Alguns alquimistas descrevem de forma poética as maravilhas ou poderes
dessa Pedra Santa, desse valioso Carbúnculo, desse Absoluto, desse Sol do mi-
crocosmo humano, dessa Estrela de Sabedoria.
Certo poeta chegou a pintá-la como uma ‘árvore enorme, gigantesca’. E
dizia que até mesmo ‘os cedros mais altos não passavam de simples arbustos’
diante dela. Dizia ainda esse poeta que seu ‘tronco era de ouro puro e, seus
galhos, de pura prata’.
Tudo isso é simbólico. A realidade é que essa Pedra Santa, essa Lua Potável,
é dupla em suas manifestações psíquicas, ou seja, em seus poderes; ainda que
seja correto estar relacionada à cura universal [a panacéia para todos os males],
acaba sendo o famoso elixir, o magnífico elixir da Lua Potável, que não é outra
coisa que não a própria transmutação dos metais grosseiros em puro ouro,
relacionado com os poderes do Carbúnculo Vermelho ou da Gema Vermelha.

50
Quando a observamos sob o ponto de vista de ‘elixir’, do famoso elixir, é
inquestionável que ali existe muita tradição esotérica e alquímica. Os maiores
sábios alquimistas dizem que esse elixir possui poderes extraordinários, capa-
zes de curar enfermos, leprosos, cegos, mudos, paralíticos etc.
Antigas lendas afirmam que se mesclarmos três gotas desse elixir com um
pouco de álcool pode-se devolver a beleza a uma mulher anciã, rejuvenescen-
do-a. Para tal, primeiro ela deve se banhar com ervas aromáticas; depois, trata-
rá seu corpo com as gotas desse elixir mesclado com álcool, sem se secar; deve
esperar que o corpo seque sozinho ou indo para diante do fogo...
Muito é o que se diz sobre o Elixir da Longevidade, sobre a medicina uni-
versal, que cura todas as enfermidades. “Se misturada com água de chuva, ár-
vores e plantas se reproduzem” (até mesmo plantas de outros climas podem
ganhar vida...).
Em relação à Gema, em si mesma, ou seja, sobre o Carbúnculo Vermelho,
é dito que ele pode realizar a transmutação dos metais, dos metais ordinários,
em puro ouro. Seja como for, nunca devemos esquecer que a Pedra Filosofal
em si mesma torna-se completa somente com o casamento com a Alma-Espí-
rito, a qual, nos livros clássicos antigos, era denominada de Bela Helena.
Para nós, homens, a Bela Helena é o que há de mais atraente pela questão
da polaridade. Já as irmãs que aqui me escutam, poderão dizer: “Bem, ela é
mulher e nós também. Portanto, o que ela tem de atraente para nós?”
Então, para vocês, mulheres, digo que a Bela Helena assume um outro as-
pecto: o do Bem-amado. Isso muda radicalmente tudo, pois Ele é o Príncipe
Azul das Mil e Uma Noites.
Portanto, para as mulheres, a Alma Espiritual se polariza em forma mas-
culina; para os homens, ela toma a forma de uma Walquíria. Então, a Alma
Espiritual sempre é desejável, e, além disso, devemos ter em conta que quando
o Logos Interno já estiver dentro da Alma Espiritual, esta se parecerá – como
diz Blavatsky em sua obra A Voz do Silêncio – ‘um vaso de alabastro delicado
e transparente, onde arde a Chama do Logos Interno’.
No meu livro As Três Montanhas há algo que escrevi e que os irmãos não
compreenderam... Afirmei ali que na Lemúria, após Litelantes haver desencar-
nado, tornei a me casar “com uma gigante” para prosseguir no Caminho. Isso
é muito interessante... Bem, o que ocorreu com esse livro é que todos acredita-
ram que se tratava de uma mulher de carne e osso, com quem havia me casado
novamente. Mas não era... Era a Bela Helena...

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Todo aquele que chegar à ressurreição se casa com sua Bela Helena. Se for
uma mulher a chegar à ressurreição, ela desposará seu Bem-amado ou sua Alma-
-Espírito. Observem bem: deste lado do rio [nosso mundo físico] está a Alma
Humana e seus corpos; do outro lado [mundo interno] está a Alma-Espírito.
Obviamente, em sua descida, o Deus Interno precisa se revestir com a
Alma-Espírito. Depois, quando ocorrer a ressurreição, a Alma Humana e a
Alma Espírito se fundem e se integram totalmente. Com isso forma-se a Pedra
Filosofal.
Quando Simão Mago diz que havia encontrado a bela Helena num su-
búrbio de Nínive (de fato Simão Mago andava com uma prostituta chamada
Helena, muito linda, mas prostituta), percebe-se claramente que ele era um
mago negro...
Bem diferente é a Bela Helena com quem Zaratustra se casa. No dia de sua
ressurreição, ele a encontra frente a frente. Ela lhe alcança um cálice, uma taça,
aproxima-se dele, e em seguida ambos se fundem, formando um único Ser,
íntegro, unitotal.
Então, ao contemplar o mundo, ele passa a olhar com os olhos dela; torna-
-se um ressurrecto porque dentro dela já estava o Logos. Depois disso, os discí-
pulos [de Zaratustra] que foram buscá-lo, já não mais o viram em sua caverna.
Por que? O que aconteceu? Ninguém sabe para onde foi Zaratustra...
Já em relação a Helena de Tróia, aquela por quem guerrearam tantos ilus-
tres homens, aquela que motivou uma grande guerra, sem dúvida, é mero sim-
bolismo. Não quero dizer que não tenha existido fisicamente essa Helena; sim,
existiu fisicamente. Mas, seja como for, surge uma pergunta: E a bela Helena
invocada pelo doutor Fausto, era ou não era a Helena de Tróia?
Particularmente, me atrevo a afirmar que não era a Helena de Tróia, e sim,
a Bela Helena de Fausto. Se de fato ela for Ginebra – a Rainha dos Jinas – é claro
que ela tem poder de se fazer visível e tangível no mundo físico, e, por isso, não
é estranho que o doutor Fausto tenha conseguido materializá-la diante daque-
las pessoas. Esse é meu conceito...
Mas, prosseguindo com esses comentários e explicações, antes de mais
nada, todo alquimista deve se esforçar para despertar a Consciência, e assim,
poder verificar por si mesmo, investigar por si mesmo, todas essas grandes
verdades da Pedra Filosofal.
Foi-nos dito que a ciência da Grande Obra somente pode ser compreendida

52
quando se recebe o donum Dei, quer dizer, o ‘dom de Deus’. Há um provérbio
bem interessante que diz: ‘A Deus rogando e com o martelo ajudando’. Portanto,
se alguém quiser se tornar um investigador da vida nos mundos superiores, se
alguém quiser receber o donum Dei, que lhe permita compreender a Grande
Obra, sem dúvida, precisa fazer algo para despertar sua Consciência. Obvia-
mente, quando eliminamos o ego, conseguimos o despertar da Consciência.
Mas, além disso, é conveniente buscar certos complementos úteis que venham
nos ajudar nesse processo do despertar.
No Oriente, existe uma Ordem Esotérica denominada Epoptae. Trata-
-se de uma Ordem especial que não tem representação no mundo físico. Se
alguém se concentrar nessa Ordem (que é mais de natureza tibetana) pode
conseguir que o tirem do corpo conscientemente e que o ensinem a se deslocar
conscientemente pelas regiões do astral e do mental.
Os Instrutores dessa Ordem não economizam esforços nesse sentido; seu
poder consciente se transfere para aqueles que pensam neles, nos Epoptae. Eles
podem vir para iniciar alguém em jinas; tirá-lo do corpo físico e ensiná-lo a
viajar conscientemente pelas regiões superiores. O mais interessante é que se
trata de uma Ordem Sagrada que não tem extensão no mundo físico, nem
templos, nem coisa alguma; encontra-se totalmente localizada nos Mundos
Superiores.
A primeira providência dessa Ordem será despertar os estudantes e ensi-
ná-los a se deslocarem consciente e positivamente pelas regiões do astral e do
mental. Depois, conduzirão os homens que não possuem uma sacerdotisa para
a auto-realização íntima do Ser, ou então, no caso das mulheres sem sacerdo-
tes, conduzi-las igualmente à sua auto-realização íntima do Ser. Para tanto,
nessa Ordem existem elementos, diríamos Mestres, que personificam o Senhor
Shiva, o Terceiro Logos; outros elementos dessa Ordem personificam Shakti,
Ísis, o elemento feminino eterno.
Então, um homem sem sacerdotisa aqui no mundo físico, pode ser auxi-
liado por essa Ordem, recebendo por consorte uma Dakini, um Ser polarizado
como Shakti, o eterno princípio feminino.
Esse homem, trabalhando com ela, conseguirá criar seus corpos existen-
ciais superiores (caso ainda não os tenha formado em si), ou então, poderá res-
taurar os poderes desses mesmos corpos, caso já os possua (por ter criado em
existências anteriores). Por outro lado, uma mulher sem sacerdote no mundo
físico, igualmente pode receber um Deva para realizar o seu trabalho esotérico.

53
Portanto, a Ordem dos Epoptae não possui representação no mundo físico;
é totalmente supra-sensível. Bem vale a pena fazer contato com os membros
dessa Ordem, para que receba treinamento para usar e manejar os poderes do
astral e do mental.
Sempre é aconselhável deitarmos com a cabeça voltada para o norte.
Quando observamos uma bússola, percebemos que sua agulha sempre aponta
para o norte, devido a que existe uma corrente magnética que flui do sul para o
norte. Se aproveitarmos essa corrente, deitando-nos com a cabeça para o norte,
e nos concentrarmos nos Epoptae, poderemos ser assistidos, e o processo do
despertar (ou sair em astral) será facilitado.
Conforme se avança nesses estudos, relacionados com a Grande Obra,
compreende-se a necessidade do donum Dei, de estar consciente nos mundos
superiores, para saber, exatamente, onde está e para onde vai. É lamentável ver
alguém andar por um caminho desconhecido às cegas. Mas, quando se conse-
gue despertar nessas regiões, tudo muda.
Bem, meus queridos irmãos, o ‘dom de Deus’ nos é dado, mas sempre é
bom nos esforçarmos para poder recebê-lo. Nos textos tibetanos fala-se muito
do Phowa, que é o processo de transferência de consciência. Precisamos, por-
tanto, aprender a transferir nossa consciência para as demais regiões do cosmo.
Isso é possível? Sim, é possível. Então, por onde ou como transferimos nossa
consciência? Qual é a porta de saída?
É o Brahmarandra! Que centro é esse? – É a fontanela... Sim, a fontanela
dos recém-nascidos ou a ‘moleira’ das crianças. Todos aqui sabem muito bem
que os ossos do parietal são os últimos a se fecharem. Pois bem! Ali existe uma
porta pela qual temos que aprender a fazer a consciência sair. Isso é a transfe-
rência de consciência, o Phowa, que é algo muito interessante.
A consciência liberada do ego pode atuar totalmente desperta nos mundos
internos. Mas para que a consciência possa se libertar do ego, possa sair do cor-
po sem o ego, é necessário Phowa. Para tanto, nos colocamos em estado de me-
ditação profunda, rogando para a própria consciência que saia pela fontanela
dos recém-nascidos, ou seja, pelo Brahmarandra, como se diz esotericamente.
Não se identificar com as associações mecânicas da mente e dos desejos, tratar
de não se esquecer de si, e até pedir ajuda a Divina Mãe Kundalini para que Ela
tire a consciência pelo Brahmarandra.
Com a meditação bem profunda estou seguro que a Mãe Divina nos dará
ajuda; ela pode tirar a consciência do corpo. Quando a consciência sai pela

54
fontanela, o despertar é magnífico, porque o ego não pode sair por esse centro.
Então, a consciência sai totalmente liberada para atuar nos mundos superiores.
Mas é preciso trabalhar, meus irmãos. Se somente escutarem estas palavras
e nada realizarem, como diria o apóstolo São Tiago, ‘seria como a pessoa se
olhar no espelho e depois dar as costas e ir embora’...
É necessário fazer tudo isso que estão escutando. Tornem-se práticos em
Phowa. Aprendam a ciência da transferência da consciência. Os tibetanos con-
seguem, à base de esforços e sacrifícios.
A consciência livre pode conhecer os mistérios da vida e da morte. A cons-
ciência livre, no Oriente, guia muitos desencarnados que resolveram seguir a
Via Breve. Creio que vocês já tenham ouvido falar alguma vez da Via Breve e
da Clara Luz.
Muitos desencarnados decidiram retirar-se deste mundo; alguns, em de-
finitivo; outros, até terminar a Idade de Ferro. Então, trabalham intensamente
na dissolução do ego enquanto encarnados; depois da morte, prosseguem seus
trabalhos nos mundos superiores até conseguirem desintegrar seus egos e se-
rem, por fim, absorvidos pelo Grande Oceano.
Claro, é difícil não regressar. É preciso aprender a fechar matrizes para não
retornar a este mundo. As matrizes querem prender, agarrar, e a gente precisa
ser bastante forte para não cair nelas novamente. É preciso aprender a resistir
ao rugido do furacão...
Muitos desencarnados, por exemplo, fogem apavorados e acabam se es-
condendo em alguma caverna. Ao se refugiarem ali, fugindo das tormentas
e dos furacões, o cordão de prata fica amarrado a essa caverna. E o que é essa
caverna? Uma matriz... Um ventre materno...
Outros, retornam horrorizados diante dos rugidos do furacão infernal;
outros ainda, devido às espantosas visões diabólicas, e, por fim, alguns outros
retornam por causa das provas do Pai-Mãe; não resistem às mesmas e regres-
sam a uma nova matriz.
Mas, aquele que aprende a se manter sereno, se for ajudado, se lembrar-se
do Omnimisericordioso, do Senhor de toda a Compaixão, acaba ingressando
num Reino Molecular Superior, onde pode ser instruído por algum Deva. Sua
Divina Mãe o ajudará a dissolver os egos remanescentes; por fim, acaba se re-
tirando do cenário cósmico, convertido em simples Elemental ou em Buddha
Elemental. Nessas regiões de felicidade, poderá ficar para sempre ou, simples-
mente, enquanto perdurar esta Idade de Ferro. Depois, no futuro, finda a Era

55
de Ferro, poderá regressar na Idade de Ouro, entrar em alguma Escola de Mis-
térios e auto-realizar-se.
Bem, essa é a Via Breve. No Tibete, os atletas do Phowa, da ciência de
transferência de consciência, ajudam os que querem seguir a Via Breve, guian-
do-os e animando-os. Pode ocorrer de eles aguentarem os trabalhos do Sen-
deiro Breve, mas também acontecer de caírem... Em todo caso, é uma ciência
maravilhosa essa.
E, também, não há dúvida que o Phowa, em última instância, nos confere
o Dom de Deus, permitindo-nos conhecer a ciência da Grande Obra. Já lhes
expliquei aqui o que é a Grande Obra. Mas vocês precisam receber o Dom de
Deus para entendê-la, e isso é importante. Portanto, sigam com as práticas que
estamos ensinando...
Para a meditação, cada um deve escolher a posição que lhe for mais cômo-
da. Alguns preferem meditar na posição oriental [padmasana]; outros preferi-
rão a posição ocidental [sentado numa cadeira ou poltrona]. Não importa... O
importante é que a meditação seja perfeita, que vocês sejam capazes de deter
a corrente de associações mentais e de desejos, e sejam capazes de se concen-
trarem intensamente em vossa Divina Mãe Kundalini, rogando a Ela que tire
vossa consciência pelo centro de Brahmarandra. Isso é o mais interessante de
tudo, pois, em última síntese, a transferência de consciência nos leva a compre-
ender o que é a Grande Obra.
Estudos mais avançados são ainda melhores. Por exemplo, a ciência deno-
minada thuonjug: T, h, u, o, n, j, u, g.17
Os tibetanos praticantes dessa ciência são capazes não só de transferir a
consciência para os mundos superiores como também são capazes de se apode-
rarem de outro corpo já abandonado. Muitas vezes se apropriam de outro corpo
como, por exemplo, de uma pessoa que se afogou. Esse corpo, se ainda jovem, é
apossado, apropriado, para seu uso pessoal. Os praticantes do thuonjug, ao longo
do tempo, se não tiverem cuidado, acabarão se tornando ‘ladrões de corpos’, e
isso pode ser um pouco perigoso.

17 Embora o autor tenha inclusive soletrada a escrita dessa palavra, como aqui é vista, não encontra-
mos o registro da mesma fora dos livros gnósticos de Samael Aun Weor.

56
CAPÍTULO 6
O MILAGRE DO AMOR

  

Senhoras e senhores, esta noite me dirijo a todos vocês com o propósito de


falar sobre isso que chamamos de ‘amor’. Escolhemos esse tema porque hoje é
o dia de São Valentim, o Patrono do Amor.18
Valentim foi um grande Mestre Gnóstico, tendo criado uma Escola que se
tornou conhecida como a Escola dos Valentinianos. Seus membros se dedica-
vam ao estudo do esoterismo crístico em todos seus aspectos. Por isso, hoje,
nos dirigimos a vocês com o propósito específico de falar sobre o amor.
Em nome da verdade digo que o amor começa com uma chispa de simpatia,
substancializa-se com a força do carinho e se sintetiza em adoração.
Amar...! Quão grande é amar. Mas somente as grandes almas podem e
sabem amar. Para que haja amor é preciso haver afinidade de pensamentos,
afinidade de sentimentos e preocupações mentais idênticas.
O beijo vem a ser a consagração mística de duas almas ávidas por expressar
em forma sensível o que vivem internamente.
O ato sexual vem a ser a consubstanciação do amor no realismo psicofisio-
lógico de nossa natureza.
Um casamento perfeito é a união de dois seres: um que ama mais e outro
que ama melhor.
O amor é a melhor das religiões acessíveis [aos seres humanos].
Hermes Trismegistos, o três vezes grande Deus Íbis de Thoth, disse: Dou-te
amor no qual está contido todo o sumo da sabedoria.
Quão nobre é o ser amado, quão nobre é a mulher quando verdadeiramen-
te estão unidos pelo vínculo do amor. Um casal enamorado torna-se místico,

18 Trata-se, no Brasil, do Dia dos Namorados (celebrado no dia 12 de junho), com a diferença que no
exterior é celebrado dia 14 de fevereiro.

57
caridoso, servidor. Se todos os seres humanos vivessem enamorados, sobre a
Terra reinariam a paz, a felicidade, a harmonia e a perfeição.
Um lencinho, uma foto, uma lembrança, provocam no enamorado inefá-
veis estados de êxtase. Em tais momentos se sente a comunhão com o ser ama-
do, mesmo que esteja muito distante... Enfim, isso é o que se chama de amor...
Existe nos EUA e na Europa uma Ordem chamada Ordem do Cisne. Seus
filiados estudam e analisam profundamente os processos científicos relaciona-
dos ao amor. Quando um casal está verdadeiramente enamorado, dentro de
seus corpos são geradas maravilhosas transformações.
O amor é uma efusão ou uma emanação energética que brota do mais
profundo da consciência. Suas radiações estimulam as glândulas endócrinas
do corpo, gerando uma torrente de hormônios que se espalha pela corrente
sanguínea, dando extraordinária vitalidade a todo o corpo.
‘Hormônio’ é uma palavra que vem do grego e significa ‘ânsia de ser’ ou
‘força de ser’19. Minúsculo é o tamanho de cada hormônio, mas quão grandes
são seus poderes para revitalizar o corpo humano. Na verdade, ficamos as-
sombrados ao vermos um ancião decrépito revitalizar seu corpo quando se
enamora de alguém. Então suas glândulas endócrinas produzem hormônios
suficientes para revitalizá-lo e rejuvenescê-lo totalmente.
Amar, como é grande amar! Só as grandes almas podem e sabem amar. Em
si mesmo, o amor é uma força cósmica, uma força universal que vibra em cada
átomo e em cada Sol.
As estrelas também sabem amar. Observemo-las nas belas noites de ple-
nilúnio... Elas se aproximam entre si e às vezes se integram. “Uma colisão de
mundos” dizem os astrônomos. Mas, na verdade, o que aconteceu foi que se
integraram pelos laços do amor.
Os planetas do nosso sistema solar giram ao redor do Sol atraídos per-
manentemente por essa maravilhosa força do amor. Os átomos dentro das
moléculas também giram ao redor do seu centro nuclear, atraídos por essa
maravilhosa força.
Observemos o cintilar dos mundos no firmamento estrelado. Desse cintilar
luminoso comungam as ondas de luz e as radiações com o suspiro das flores.
Existe amor entre a estrela e a rosa que lança no ar seu delicioso perfume. Em si

19 Do grego ὁρμή, transliterado hormé, com o som de h aspirado. Em latim, ‘impetus’.

58
mesmo, o amor é profundamente, terrivelmente, divino.
Nos tempos antigos sempre se cultuou o amor e a mulher. Não há dúvida
que a mulher é o mais belo pensamento do Criador, feito carne, osso, sangue e
vida. De fato, a mulher nasceu para uma sagrada missão, que é a de gerar filhos
e multiplicar a espécie. Em si, a maternidade é grandiosa. No México antigo
havia uma divindade consagrada às mulheres que morriam durante o parto.
Dizia-se então que elas continuavam, na região dos mortos, com seus filhos
nos braços; e com ênfase, era dito que depois de certo tempo elas entravam no
Tlalocan, o Paraíso de Tlaloc.20
Efetivamente, no México asteca sempre se cultuou a mulher, o amor e a ma-
ternidade. Por isso, entre os anahuacs, as mulheres que morriam no parto, eram
consideradas autênticas mártires, que deram sua vida em favor da Grande Causa.
Amar é algo inefável, divino. Amar é um fenômeno cósmico extraordi-
nário. No rincão do amor somente reina a felicidade. Quando um casal está
unido durante a cópula sexual, mediante os laços do verdadeiro amor, as forças
divinas mais poderosas da natureza o envolve (forças essas que criaram o cos-
mo e então voltam a criar novamente).
Durante esses instantes, homem e mulher são verdadeiros Deuses, no mais
completo sentido da palavra; como os Deuses, podem criar, e, justo aí, está o
mais grandioso do amor. Portentosas são as forças cósmicas que envolvem o
casal durante o ato sexual na câmara nupcial. Ah! Se o ser humano soubesse
reter essas poderosas forças, se não as desperdiçasse no holocausto do prazer
animal que não leva à coisa alguma, se verdadeiramente soubesse respeitar a
maravilhosa força do amor...
O homem é o impulso inicial da criação; a mulher, o poder formal recep-
tivo de cada criação.
O homem é como o furacão; a mulher, o ninho maravilhoso das pombas
nos templos ou nas torres sagradas.
O homem em si mesmo tem a capacidade de lutar; a mulher, a de se sacrificar.
O homem, em si mesmo, tem a inteligência necessária para viver; a mulher,
a ternura que o homem precisa quando regressa diariamente de seu trabalho.
Portanto, ambos, homem e mulher, são as duas colunas do templo. As co-

20 Tlaloc é o Deus da Chuva, Senhor do Raio, do Trovão, do Relâmpago e também Senhor dos Infer-
nos (Tlalocan).

59
lunas não devem estar nem próximas demais, nem distantes demais; é preciso
haver um determinado espaço entre elas para que a luz possa passar.
O ato sexual é um sacramento; assim o entendiam os povos antigos. Havia
templos dedicados ao amor. Recordemos o Templo de Vênus da antiga Roma;
lembremo-nos do Templo da Lua da antiga Caldéia; lembremos ainda dos an-
tigos templos hindus; em todos era cultuado o amor.
Já na Lemúria ou Mu, antigo continente localizado onde hoje é o Ocea-
no Pacífico, rendia-se culto ao amor. Em verdade, nesse continente ocorreram
dois processos sexuais ou duas formas de reprodução humana. Na primeira
etapa, que perdurou até metade da época lemuriana, as raças humanas eram
conduzidas pelos Kumaras21 a determinados templos em que se celebrava o
sagrado sacramento sexual. Na época, o sexo era um sacramento e ninguém se
atrevia a realizá-lo fora do templo. E somente em determinadas épocas favorá-
veis à reprodução humana os povos eram guiados pelos Kumaras até os Santu-
ários Sagrados. Como lembrança ou reminiscência disso restaram até os dias
atuais as ‘viagens de lua de mel’; portanto, elas têm uma origem muito antiga.
Nos pátios empedrados dos templos sagrados do antigo continente lemu-
riano, sob a direção dos sábios Kumaras, homens e mulheres se uniam para
criar e tornar a criar. Então, o ato sexual era muito sagrado; não existia a mor-
bosidade de nossos dias; a raça humana ainda não havia ingressado na involu-
ção e na degeneração sexual. O sexo era visto com profundo respeito, a mulher
era sagrada e ninguém sequer ousaria profaná-la com um olhar, porque, como
disse, “ela é o pensamento mais belo do criador feito carne, sangue e vida”.
Está escrito em antigos pergaminhos, papiros sagrados que ainda existem
em algumas partes da Terra, que, naquela época, as pessoas se reproduziam
com o poder de Kriya-Shakty, ou seja, mediante o poder da vontade e do yoga.
Aqueles que conhecem um pouco de tantrismo sabem do que estou falando...
Então, dizem os antigos textos, que no momento supremo da cópula metafísica,
homem e mulher se apartavam do ato sem perder o sêmen ou ejacular o ens seminis,
a entidade do sêmen.
O esperma era considerado sagrado e ninguém se atrevia a profanar o
sexo. Isso é o que hoje em dia se pode chamar de coitus interruptus. Pode pare-
cer um exagero o que estou dizendo, mas me atenho a comentar o que dizem
as antigas tradições, aquilo que está escrito em papiros e em muitos livros que

21 São quatro: Sanaka, Sanatana, Sanandana e Sanat. São os ‘sábios’ ou ‘reis’ dotados de ‘mente’ e filhos
diretos de Brahma que dirigem o mundo (a Terra).

60
se encontram no lado oriental do Tibete.
Ao chegar a esta parte, devemos nos lembrar da Psicanálise, de Sigmund
Freud; ele afirma que é possível transmutar a libido sexual, sublimá-la. Freud,
como se sabe, nascido em Viena, Áustria, foi uma verdadeira eminência; intro-
duziu muitas inovações dentro da medicina. Muitos doutores têm comentado
sua obra e muitas escolas o aceitaram, enquanto outras o rejeitaram. Em todo
caso, muito tem sido dito a seu respeito...
Contam que em Berlim, antes da Segunda Guerra Mundial, Hitler fez
queimar, dentre outros livros, os de Sigmund Freud. Portanto, limito-me aos
fatos: comentar o que está em diversos textos por aí. Em todo caso, os lemu-
rianos trabalhavam com esse sistema freudiano: sublimavam a libido sexual e
chegaram a possuir grandes poderes cósmicos.
Todos nós, alguma vez na vida, tivemos o pressentimento da existência
do Super-homem, como menciona Nietzsche em sua obra Zaratustra. Nós, os
gnósticos, pensamos que realmente o Super-homem existiu na Lemúria; não
me refiro unicamente à existência de um único indivíduo, mas sim, a todos os
habitantes desse continente. Está dito que então não havia a dor do parto; as
mulheres davam a luz sem dor. Não é só o Gênese que fala disso, mas todos os
livros religiosos antigos.
Repito: nos limitamos a comentar essas questões respeitando, naturalmen-
te, o conceito de cada um de vocês. Na verdade, damos o ensinamento e deixa-
mos cada um livre para aceitar, rechaçar ou interpretar a doutrina como achar
melhor. Neste preciso momento lembro apenas dos lemurianos e do que deles
se diz sobre o sexo. Eles viviam de 10 a 15 séculos [de 1.000 a 1.500 anos], eram
de alta estatura, alcançando até 4 metros; as mulheres, um pouco menores, mas
também gigantes como os homens.
Falavam um idioma já perdido; refiro-me ao idioma universal, extraordi-
nário. Presen, como se dizia naquele idioma, era ‘superior’; possuía sua gramá-
tica; conheço esse idioma e até hoje ainda é conservado por tradição em alguns
lugares secretos ou regiões inacessíveis.
Se naquele tempo se queria dizer ‘bom dia’, não o fazíamos como hoje, em
espanhol: buen día; ou em inglês good morning, ou em francês bonjour. Sim-
plesmente se dizia, suavemente, aibu. Então o outro respondia a mesma coisa,
pondo suas mãos sobre o coração: aibu.
Era um idioma que possuía sua gramática e seus caracteres gráficos. Vocês
devem ter observado, por exemplo, que o idioma chinês tem seus caracteres, e

61
é bem difícil aprender a utilizá-los. Igualmente, os gregos e os hindus possuem
os seus... Portanto, no idioma universal os caracteres são rúnicos e, até pouco
tempo atrás, os vikings deles se valiam... Então, aqueles que sabem ler esses
caracteres, aqueles que os entendem, certamente possuem grande erudição e
estão capacitados como para entender certos textos que aludem à Lemúria.
Há pouco tempo me deram ou me mandaram do Tibete um texto sâns-
crito-tibetano; está comigo... E, até o momento, não encontrei ninguém que
pudesse compreendê-lo, pois está escrito em sânscrito. Então, naquela época
lemuriana – assim dizem os livros com caracteres antigos – que a humanidade
não pensava como nós pensamos hoje, viviam entre 10 e 15 séculos e falavam
um idioma universal que já se perdeu e que, com o tempo, se corrompeu, e
disso nasceram os distintos idiomas que hoje são falados no mundo.
No entanto, posso dizer que aquele idioma lemuriano muito se assemelha
com seus sons ao chinês; parece que a sua fonética e o chinês são bem seme-
lhantes; estudei ambas fonéticas e me parecem muito parecidos.
Creio que alguns aqui já devem ter ouvido os chineses falarem. Seu idioma
não é uma linguagem seca como a nossa; ela tem uma certa melodia... Assim é
a linguagem universal: tem a sua própria melodia...
Entretanto, há uma diferença notável, bem notável aliás, entre o chinês e a
linguagem universal. Refiro-me precisamente aos poderes psíquicos presentes
no idioma antigo. A linguagem lemuriana ou universal atua diretamente sobre
o fogo, o ar, a água e a terra. Antiquíssimas tradições dizem que os lemurianos
exerciam poder sobre os elementos da natureza. Isso é o que poderíamos cha-
mar de Super-homem, citado por Nietzsche, no seu livro Zaratustra...
Entendo que tais poderes eram devidos principalmente ao fato de que
os lemurianos não eliminavam ou extraíam de seu corpo o sagrado esperma
ou o exiohehari. Eles o sublimavam ou transmutavam, como é ensinado pelo
cientista americano Brown-Sequard22 ou pelo doutor Krumm-Heller, médico
e professor-doutor da Universidade de Medicina de Berlim e também médico-
-coronel do Exército de nossa pátria mexicana.

22 (1817 – 1894). Médico, patologista e fisiologista franco-estadunidense, nascido em Port Louis, nas
Ilhas Mauritius, conhecido por suas hipóteses sobre o prolongamento da vida por meio da utilização de
extratos glandulares. Estudou em Paris e praticou medicina nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Fran-
ça. Foi professor de fisiologia na Harvard University (1863-1868) e tornou-se chefe do departamento de
fisiologia experimental no Collège de France (1878), em Paris, onde permaneceu até sua morte. Fonte:
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/CharEdua.html

62
Não há dúvida que eles conheciam esse sistema lemuriano tendo-o preco-
nizado em seus livros. Bastaria estudá-los para termos a corroboração cientí-
fica disso que estamos dizendo. Obviamente, quando o ens seminis não é eja-
culado se transforma em energia e esta vem a revitalizar o corpo. Entendo que
tal tipo de energia é muito delicada e que as ondas energéticas do sexo ativam
os grandes poderes latentes nas glândulas pineal, pituitária, tireóides, paratire-
óides, etc.
Com isso, não estou assentando dogmas ou coisa parecida. Refiro-me uni-
camente aos dados que temos estudado e que hoje comentamos aqui, posto
que estamos num ambiente cultural, intelectual. Entendo que aqui se encon-
tram pessoas muito cultas e que podem perfeitamente aceitar ou rechaçar mi-
nhas afirmações. De minha parte, limito-me unicamente a comentá-las...
Viver 10 ou 15 séculos é algo inconcebível para nós, atualmente. Entretanto,
a Bíblia afirma que Matusalém viveu mais de 900 anos23, e isso nos leva a pensar
um pouco. Seja como for, entendo que o sistema lemuriano deu bons resultados,
pois viviam muito tempo, além de possuírem faculdades extraordinárias.
Os lemurianos não percebiam o mundo como nós o vemos hoje. Para eles,
o ar era de diferentes cores, as montanhas eram transparentes e os Deuses, so-
bre os quais muito falavam, eram visíveis para seus sentidos internos, ou seja,
eles possuíam a percepção extra-sensorial.
Muito já se disse sobre percepções extra-sensoriais. As pessoas de men-
talidade tridimensional não aceitam a realidade de sua existência. Porém, de-
vemos lembrar que nos tempos de Galileu também não se aceitava o fato da
Terra ser redonda e o de que ela se movia. Quando Galileu fez tal afirmação,
foi levado à fogueira da Inquisição. E, diante da Bíblia, disseram a ele: “Se não
negar o que afirma será queimado vivo”. Em seguida perguntaram: “Você jura
que a Terra não é redonda e que não se move?” Então Galileu responde: “Juro,
mas ela se move”...
Por haver respondido dessa forma, não o queimaram vivo. Houve um pou-
quinho de compaixão; limitaram-se a prendê-lo; isso foi tudo.
Portanto, o universo sempre nos oferece coisas insólitas, coisas que a princí-
pio são rechaçadas porque parecem absurdas, porém, depois, temos que aceitá-las.
Brown-Sequard demonstrou que muitas enfermidades nervosas e mentais pode-

23 Filho de Enoque e avô de Noé morreu com a idade de 969 anos, o mais longevo de todos segundo
a Bíblia.

63
riam desaparecer se, durante a cópula química, evitasse o orgasmo, o espasmo.
Naturalmente, Brown-Sequard foi muito criticado e tido como imoral, mas, sem
dúvida, ele se acercou muito de um grande segredo: O Segredo da Lemúria.
Os lemurianos, justamente pela sua forma religiosa e por sua especial for-
ma de cópula química, possuíram faculdades que os seres humanos atuais des-
conhecem. Os lemurianos podiam ver perfeitamente as dimensões superiores
da natureza e do cosmo. Atualmente, as pessoas não vêem a Terra como ela é,
mas sim, como aparentemente é.
Nosso planeta é multidimensional, e isso já foi demonstrado matemati-
camente. Mas grande parte das pessoas não aceita esse fato. Cada um é livre
para pensar o que achar melhor; infelizmente, os intelectuais de nossa época
estão aprisionados no dogma da tridimensionalidade euclidiana. Esse dogma
sempre foi muito discutido, mas já está sendo superado...
Homens muito esclarecidos têm escrito obras extraordinárias sobre as ma-
temáticas que se relacionam com a quarta dimensão. São pessoas muito respei-
tadas, e ninguém se atreve a discutir com elas, mas, mesmo assim, ainda existem
aqueles que se mostram céticos. Entretanto, a obra Ontologia das Matemáticas,
bem valeria a pena ser profundamente conhecida pelos intelectuais.24
Então, quando os lemurianos levantavam seus olhos para as estrelas, po-
diam se comunicar com os moradores de outros mundos. Para eles, a existên-
cia de vida em outros planetas do sistema solar, era um fato concreto. A Plura-
lidade dos Mundos Habitados, de Camille Flammarion, era um fato concreto
para a raça lemuriana.25
Na Lemúria, antes da cópula química, dentro do templo, homem e mu-
lher passavam por brilhantes cerimônias místicas; rendia-se culto ao divino, ao
Grande Alaya do universo, a isso que os chineses chamam de Tao, os gnósticos
denominam de INRI, Isso que sempre foi, é e será. Obviamente, eles compre-
endiam que não pode haver nada na criação sem um princípio diretivo inteli-
gente; por isso, antes da cópula química, adoravam o Eterno.
Com o decorrer do tempo, a raça lemuriana foi se degenerando aos pou-
cos. As cidades eram enormes, verdadeiras cidades ciclópicas. Suas muralhas
eram feitas de lava vulcânica. Sua civilização era extraordinária; as naves eram

24 Talvez o autor se refira à ontologia dos ‘objetos matemáticos’.


25 Título original: La pluralité des mondes habités, de Camille Flammarion (1842 – 1925). Éditeurs
Librairie Académique. Paris (1868)

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propelidas por energia atômica e alcançavam ir até a Lua e aos planetas do
nosso sistema solar.
A nossa civilização moderna, com seus foguetes lançados por ‘gregos’ e
‘troianos’ para descer em solo lunar, na realidade, não foi nem será a primeira a
ter ido até a Lua. É necessário compreender que em nosso mundo já existiram
outras civilizações e que a atual não é a única...
Os lemurianos tiveram uma grande civilização; não temiam a morte, co-
nheciam e sabiam diretamente o dia e a hora de sua morte. Ao chegar o dia,
deitavam-se em seus sepulcros, os quais eles próprios faziam com suas mãos
antes de desencarnar; e, sorridentes, passavam para a Eternidade. Os valores
psíquicos [a alma] não desapareciam da vista dos vivos; por isso não havia dor
ou sofrimento.
Tudo isso consta dos antigos textos. De minha parte, me permito comentar
essas coisas com vocês porque vejo que vieram aqui de forma compreensiva.
É claro que nem todos que me escutam estão de acordo com o que estamos
dizendo. Seria um absurdo se eu supusesse, por um momento, que todas as
pessoas deste auditório estivessem aceitando essas afirmações. Contudo, aque-
les que realmente sabem escutar, compreendem bem que tudo é possível no
universo. O mundo das possibilidades sempre é infinito; se alguém comenta
sobre textos antigos, bem vale a pena escutá-lo...
Depois, os lemurianos involuíram ao longo do tempo e suas faculdades
de percepção interna foram se atrofiando, lamentavelmente. Diversas tradi-
ções dizem que mais tarde os lemurianos passaram a copular fora dos templos,
rebelaram-se contra os Kumaras e assumiram o ato sexual por sua conta e pas-
saram a ejacular o ens seminis.
Assim dizem alguns tratadistas; como consequência, perderam suas fa-
culdades transcendentais. Quando quiseram voltar aos templos, em todas as
partes daquele gigantesco continente que se estendia por todo o atual Oceano
Pacífico, os Sacerdotes os expulsaram dizendo: ‘Fora daqui, indignos’.
Esse foi o ato de expulsão do homem do Paraíso Terrestre com sua mulher,
por haver comido do fruto proibido, que lhe estava vetado anteriormente. Em
verdade digo o seguinte: “Adão foram todos os homens da época antiga. Eva
foram todas as mulheres. Quando ‘comeram’ do ‘fruto proibido’, homens e mu-
lheres foram expulsos dos Templos de Mistérios; suas faculdades se atrofiaram
e, desde então, o homem teve que trabalhar duramente para sustentar a mulher
e os filhos. E a partir daí a mulher passou a trazer os filhos ao mundo com dor”.

65
Isso que estou dizendo está bem documentado entre os nahuas, maias e
povos asiáticos; sempre se falou da mesma coisa. Vi códices onde aparecem
essas figuras, ou seja, o que estou dizendo aparece em figuras. Estudei cuidado-
samente esses códices; tudo isso está bem documentado. Não obrigo ninguém
a crer no que digo, mas sim, bem vale a pena que todos estudem um pouco
com os maias, toltecas, zapotecas e outros. Que o ser humano involuiu, sim,
isso está bem claro ou citado nos livros antigos.
Portanto, o amor guarda um segredo, e este me parece ter sido bem esti-
pulado por Sigmund Freud: ‘sublimação’, disse ele, ‘da energia criadora’; ‘olhar
o sexo com profundo respeito’. Obviamente, homem e mulher são como duas
partes de um mesmo Ser. O homem saiu do Éden acompanhado de sua esposa;
deve retornar ao Éden com a mesma esposa. Em outras palavras, “o homem
saiu do Éden pelas portas sexuais e somente por essa porta poderá retornar”. O
Éden é o próprio sexo.
Que magníficos poderes a humanidade desenvolveria se aceitasse o sistema
de Brown-Sequard ou da Comunidade Oneida26 ou ainda do doutor Krumm-
-Heller, sistemas esses fundamentados nas antigas tradições lemurianas. Isso
tudo é algo importante para os médicos e homens de ciência investigarem. Pes-
soalmente, me limito a pensar que a transmutação e a sublimação da energia
criadora gera uma radical transformação psicológica, fisiológica e biológica.
O Super-homem de Nietzsche pode ser gerado mediante a transmutação da
libido sexual. Porém, o mais importante é saber amar. Sem amor não é possível
realizar todos esses prodígios.
Observem todos que sempre, junto aos grandes homens, estão grandes
mulheres. Ao lado de Buddha Gautama temos Yasodhara, sua bela esposa-dis-
cípula. Junto ao divino Rabi da Galiléia temos Maria Magdalena. Obviamente,
não seria possível para os grandes homens realizarem grandes trabalhos, como
esses que mudaram o rumo da história, se não estivessem acompanhados por
grandes mulheres.
Homem e mulher, de fato e em realidade, repito, são dois aspectos de um

26 Comunidade criada em 1848 nos arredores de Nova Iorque por John Humphey Noyes (1811 - 1886).
Ali foi realizado um experimento, no qual vinte e cinco casais voluntários foram monitorados por deter-
minado tempo. Foi ordenado que esses casais tivessem relações sexuais, com penetração, mas sem que
houvesse o êxtase final da mulher ou a ejaculação do homem. Submetidos a estudos clínicos, os cientistas
notaram o aumento de hormônios no sangue, a revitalização cerebral, a ampliação da potência sexual e
o desaparecimento de várias enfermidades. Fontes: http://en.wikipedia.org/wiki/Oneida_Community -
http://en.wikipedia.org/wiki/John_Humphrey_Noyes - http://pt.protopia.at/wiki/Oneida

66
mesmo Ser. Isso está bem claro! O amor, em si mesmo, vem do desconhecido
de nosso Ser. Quero dizer enfaticamente que dentro de nós, nas profundidades
mais internas, possuímos nosso Ser. Ele está revestido das características trans-
cendentais de eternidade; ele é o divino em nós. E o amor é a força que emana,
precisamente, desse Divino Protótipo existente no fundo de nossa consciência.
É um tipo especial de energia capaz de realizar verdadeiros prodígios.
Valentim e os valentinianos tiveram sua escola; era uma escola gnóstica
onde eram estudados os Mistérios do Sexo. Eles conheciam e estudavam cuida-
dosamente o segredo lemuriano. Sublimavam a energia criadora e obtiveram
grande desenvolvimento de certas possibilidades psíquicas latentes na raça hu-
mana. Foi-nos dito que Valentim foi um grande Iluminado, um grande Mestre,
no mais completo sentido da palavra.
Em si mesmo, o amor é algo divino. Observemos o cisne. O cisne Kala-
-Hamsa é o símbolo do amor. Ele desliza sobre a água do Lago da Vida. Um
casal de cisnes em qualquer lago sempre é muito bonito. Quando um deles
morre, o outro sucumbe de tristeza. É porque o amor se alimenta de amor. Mas
é preciso saber amar. Infelizmente o ser humano não sabe amar.
Muitas vezes o homem maltrata a esposa em sua primeira noite de núp-
cias. Não quer entender o homem que a virgindade é sagrada, que é preciso
saber respeitá-la. Podemos dizer que ele violenta sua própria esposa, pois não
compreende que é preciso saber tratar a mulher com sabedoria, que é preciso
levá-la pelo caminho do amor.
Muitas vezes, na vida diária, o casal briga por questões insignificantes. O
homem diz uma coisa, a mulher diz outra; uma única palavrinha é suficiente
para que um deles reaja; não sabem se controlar; não querem entender que o
lar é o melhor ginásio psicológico. É na vida diária que podemos nos autodes-
cobrir. É em casa onde vamos descobrir nossos defeitos psicológicos. Alguém
nos fere? Por que nos fere? Será que temos ciúmes? Será por que nos atingiu o
amor próprio? O orgulho? A vaidade?
Quando descobrimos um defeito, também temos ali a oportunidade de
desintegrá-lo, de reduzi-lo a pó. Eliminando nossos erros, nossos defeitos, um
dia qualquer poderemos despertar a consciência. Infelizmente, as pessoas não
querem eliminar seus defeitos. Preferem dizer: “Sou irado; essa é minha forma
de ser”. Outro diz: “Bem, sou ciumento, que posso fazer?” Outro diz: “Sou lu-
xurioso sim, gosto de mulher, e daí?”
Essa forma de pensar, esse modo de sentir, não nos permite realizar uma

67
verdadeira transformação... Quando alguém reconhece ter um defeito psicoló-
gico, deve eliminá-lo. Ele vem a descobrir isso, justamente, em sua casa, no lar.
Por isso, o lar é nosso ginásio psicológico.
Muitos são os que se queixam de suas esposas... Dizem que elas são iradas
ou ciumentas, e querem outra mulher, que seja como um anjo descido das
estrelas. Não querem entender esses homens que o lar é um ginásio extraordi-
nário, no qual podemos nos autodescobrir. Justamente em casa temos a opor-
tunidade de descobrir nossos erros. Se conseguirmos conhecer nossos erros,
poderemos despertar nossa consciência.
É preciso saber amar... No lar deve reinar sempre a compreensão entre ho-
mem e mulher. O homem não deve esperar que sua mulher seja perfeita. Nem
a mulher deve esperar que seu homem seja um príncipe encantado. É preciso
aceitar as coisas como são e fazer do lar uma escola onde podemos nos auto-
descobrir. À medida que formos eliminando os muitos defeitos psicológicos,
a felicidade do lar irá aumentando. E se nos tocou sofrer muito, depois o lar se
transformará em paraíso...
Os ciúmes, por exemplo, causam muito dano ao lar. O [homem] ciumento
faz da pulga um elefante. Se a mulher olhar para alguém, já passa a sofrer e até
achará que ela está tendo relações com outro. São coisas de sua mente, mas que
toma como realidade...
Com a mulher ciumenta ocorre a mesma coisa. Faz sofrer o marido por-
que ele não poderá olhar nenhuma outra mulher que já começa a passar mal
e até fará um escândalo em sua própria casa. Muito se sofre no caminho dos
ciúmes... Quando alguém verdadeiramente investiga a origem de seus ciúmes
descobre que isso vem do medo, do medo de perder o que mais ama: a mulher
teme perder o marido, o homem teme perder a esposa. A mulher acredita que
o marido a deixará para seguir com outra. O homem imagina que sua esposa
o deixará para seguir com outro homem. É claro que assim aparecem os so-
frimentos e as dores. Mas se eliminarmos o medo, os ciúmes desaparecem. E
como podemos eliminar o medo de perder o ser amado?
Unicamente mediante a reflexão, a meditação. Pensemos, por exemplo,
que não viemos ao mundo acompanhados de nosso ser amado, que unica-
mente fomos recebidos neste mundo pelo parteiro ou pelo médico, que não
trouxemos dinheiro nem bens materiais; então, na hora da morte, tampouco
iremos acompanhados, e aqui deixaremos tudo o que temos. A mulher deixará
o homem e o homem deixará a mulher quando chegar a hora de partir para

68
a eternidade. Portanto, a morte nos separa do ponto de vista físico. Por isso,
dizem os sacerdotes quando realizam o casamento: “Declaro-vos marido e mu-
lher até que a morte vos separe”.
Realmente, tarde ou cedo chega a morte. Ao morrermos, nada levaremos
conosco para a eternidade, nem mesmo um alfinete, uma moeda ou algo do
que temos. Claro que não poderemos levar o ser amado com seu corpo. Então,
por que o medo?
Precisamos aceitar as coisas como elas são. Não devemos ter apegos mate-
riais ou pessoais porque o momento do desapego costuma ser terrível. Quando
alguém se apega a algo ou a alguém, sofre horrivelmente. Por isso, jamais deve-
mos ter qualquer tipo de apego ou de temor. O que tememos?
O mais grave que poderia ocorrer a um homem seria o caso de ser levado
a um paredão de fuzilamento. E daí?
Todos nascemos para morrer. Tarde ou cedo, todos iremos morrer... Por-
tanto, e daí?
Aqueles que vivem muito apegados ao seu dinheiro, aos seus bens, tarde
ou cedo irão perdê-los. Então, por que temer as perdas se isso é a coisa mais
natural do mundo?
Da mesma forma, por que temer perder o ser amado? Tudo tem começo,
tudo tem fim. Quando compreendemos que a vida tem princípio e tem fim, o
medo desaparece, inclusive o medo de perder o ser amado. Quando o temor
desaparece, então os ciúmes também deixarão de existir, pois já não mais po-
derão existir, visto que não mais existe temor algum.
Outro fator de discórdia entre os casais é a ira. O homem diz algo irado e
a mulher devolve com pedras e paus. Por fim, tudo termina numa guerra de
pratos e copos quebrados. Essa é a crua realidade dos fatos.
Quando eliminamos o diabo da ira, a paz reina no lar. Porém pergunto a
mim mesmo e a vocês: Por que é preciso haver ira dentro de nós? Por que so-
mos assim? Será que não podemos mudar?
Claro que podemos. Eu me propus a mudar a mim mesmo, e mudei... Já
fui irado e conheci todos os processos da ira, tal qual vocês. Mas me propus a
mudar, e mudei; eliminei todos os defeitos da ira.
Obviamente, tive que enfrentar certos sacrifícios a fim de eliminar a ira; vi-
sitava os lugares onde houvesse alguém que pudesse me insultar; ia lá com esse
propósito, o de que me insultassem. Eu sabia que ali havia um determinado

69
indivíduo que não gostava da gnose. Mas eu o visitava intencionalmente para
que me insultasse; e o tal homem me insultava por meia hora ou por uma hora
inteira... Enquanto isso, me observava; observava minhas reações, internas e
externas, os impulsos que surgiam dentro e fora, enfim, observava todas as
causas que motivavam a ira...
Então pude evidenciar que em algumas circunstâncias a ira era produzida
por orgulho ferido. Em outras ocasiões, a ira surgia por causa do amor próprio
machucado; queria muito a mim mesmo; pensava que era uma grande pessoa;
esquecia que não era mais que um simples micróbio do lodo da terra. Acredi-
tava ser grande, e se alguém pusesse o dedo na ferida lá dentro, então reagia
furiosamente; trovoava e relampejava; rasgava minhas roupas e protestava...
Propus-me a estudar a ira e todos seus aspectos e, por meio de grandes
esforços e sacrifícios, consegui eliminá-la. Portanto, isso de dizer que ‘sou as-
sim mesmo’ não tem valor algum. Se alguém ‘é assim mesmo’, isso pode ser
mudado; ao mudar, beneficia a si próprio e também a seus semelhantes. Basta
aprender a eliminar nossos erros, e isso é possível mediante a reflexão...
Quão felizes seriam os casais se verdadeiramente soubessem amar. Se o ho-
mem nunca tivesse ira, se a mulher jamais sentisse ira, entendo que se poderia
manter uma eterna lua de mel. Infelizmente, os seres humanos, aqueles que se
casam, se empenham em acabar com o que de mais belo existe: A lua de mel.
Para manter a lua de mel é preciso acabar com a ira, eliminar os ciúmes e o
egoísmo. Devemos nos tornar compreensivos e aprender a perdoar os erros do
ser amado. Ninguém nasce perfeito. O homem precisa saber que a mulher tem
seus defeitos, e a mulher deve compreender que o homem também possui os
seus defeitos, e mutuamente, perdoarem e compreenderem os defeitos de cada
um. Se assim procederem, manterão a lua de mel...
Entre os antigos povos de Anahuac, Xochipilli era o Deus do Canto, do
Amor e da Beleza. Xochipilli nos ensina a manter as delícias da lua de mel.
Lástima que as pessoas não compreendam a doutrina de Xochipilli. Quando
aprendemos a perdoar os erros do ser amado é possível conservar a lua de mel.
Mas quando não sabemos perdoar, a lua de mel desaparece.
Quando um casal se une, deveria entender melhor a psicologia. Comu-
mente, é uma das partes do casal que começa a ferir o outro. Então, o outro
reage, e também fere, formando-se o conflito. Em dado momento termina o
conflito, ambos se reconciliam e tudo segue aparentemente em paz. Porém, tal
não é verdade: fica o ressentimento.

70
Em outro dia, novo conflito; marido e mulher brigam por uma bobagem
qualquer, talvez por ciúmes ou por qualquer coisa. Resultado: termina o con-
flito, mas fica outro ressentimento, e assim, de conflito em conflito, os ressen-
timentos vão aumentando, e a lua de mel vai se acabando. Por fim, já não mais
existe lua de mel; ficam apenas os ressentimentos de parte a parte. Nessa con-
dição, quando não se divorciam, quando seguem unidos, já o fazem por dever
ou por simples paixão animal. Isso é tudo...
Muitos casamentos já nada mais têm a ver com o amor. O amor moderno
cheira a gasolina, plástico, conta bancária e ressentimentos. Porém, o mais gra-
ve, o erro mais grave que podem cometer um homem e uma mulher, é acabar
com a lua de mel. Poderiam mantê-la sob a condição de saber mantê-la...
Que tua mulher tenha te insultado, que ela tenha dito palavras duras, bas-
taria manter tua serenidade, calma e não reagir por nada na vida; morda a
língua antes de responder; por fim, ao te ver tão sereno, sem reação alguma,
sentir-se-ia envergonhada e te pediria perdão.
Teu marido te insultou? O que te disse? Sentiu ciúme de ti por causa de
teu antigo namorado? O que aconteceu? Chegou da rua ou do trabalho de cara
amarrada ou mal humorado? Pois, mantenha a serenidade, sirva-lhe algo para
comer ou beber, ajuda-o com sua roupa, com seu banho; faça um carinho,
abrace-o, dá-lhe um beijo, e quanto mais te insultar, mais deves amar...
E depois, que irá ocorrer? Podem estar seguras, mulheres, que o homem
se sentirá tremendamente arrependido; sentirá remorsos que farão doer seu
coração; então, ele até se ajoelhará e pedirá perdão; verão em vocês uma santa,
uma mártir, e ele se sentirá um tirano, um completo malvado. É dessa forma
que ganharão a batalha.
Se ambos, homem e mulher, assim procederem, se assim agirem, em con-
formidade com essa fórmula, posso assegurar que não perderão a lua de mel.
Pouco a pouco o homem aprenderá a se dominar, pois irá compreendendo
que sua mulher é uma santa. E a mulher, pouco a pouco, irá aprendendo a se
controlar, na medida em que for se dando conta que seu marido é um homem
nobre. Chegará o dia em que nenhum dos dois irá querer ferir o outro, passa-
rão a se idolatrar e seguirão com a lua de mel por toda a vida. Essa é a arte de
amar e de ser amado...
Tua esposa está chorando? Beija suas lágrimas, acaricie-a. Ela recusa teus
agrados? Bem, espera um pouco, até a ira passar; a ira tem um começo e terá
um fim... Todas as tempestades, por piores que sejam, têm um começo e um

71
fim. Aprenda a esperar e verás o resultado. O importante é que não te abor-
reças; se conseguir e se controlar, ao fim de tudo a verás mansinha a te pedir
perdão... E quão grande é a alegria da reconciliação...
Hoje é o Dia de São Valentim e dos valentinianos; devemos tocar fundo
todas essas questões relacionadas ao amor. Realmente, é preciso aprender a
viver. Ser intelectual é coisa fácil; basta botar uma biblioteca no cérebro. Mas
saber viver, isso é bem difícil; poucos são os que verdadeiramente sabem viver.
É preciso começar em casa, tornar-se um bom dono de casa. O homem que
não aprender a ser um bom dono de casa, que não sabe viver em seu lar com
sua esposa e com seus filhos, muito menos saberá viver em sociedade.
Infelizmente, muitos querem ser cidadãos perfeitos e até parecem sê-lo pu-
blicamente, mas não sabem viver em sua casa... Tive oportunidade de observar
algumas organizações, e conheci uma. O responsável malgastava seu dinheiro,
jogava dinheiro fora... Resultado: sempre atrasava o aluguel e isso era muito
triste. Estava sempre devendo e devia a todo mundo; não pagava suas contas
porque não tinha dinheiro para pagá-las. Sua mulher chegava a passar fome e
muitas outras necessidades; seus filhos sofriam muito também. Certa ocasião
foi despejado de sua casa, pois, claro, não pagava o aluguel... Certa ocasião foi
nomeado diretor de uma escola filosófica. Ao cabo de um tempo, ocorreu a
mesma coisa com a escola: deixou de pagar o aluguel, o telefone, etc. Resultado:
A escola passou a ir de mal a pior. Por que? Porque aquele ‘bom senhor’ não
sabia viver em sua casa, e, claro, não poderia dirigir uma organização...
Quem quiser ser realmente um bom líder de organização, seja essa uma
empresa ou uma escola [ou um grupo gnóstico], deve primeiro aprender a ser
um bom dono de casa. Muitos dizem por aí: “Bem, para mim o importante é a
ciência, a arte, a filosofia, etc. Essa história de ‘chefe de família’ e de ‘boa esposa’
não tem a mínima importância”... E ainda tratam a mulher a socos e pontapés.
Resultado: são um verdadeiro fracasso nas organizações por onde passam, seja
nas empresas ou simplesmente como líderes de sindicato ou como professores
de escolas. Aquele que não sabe ser um bom dono de casa tampouco sabe ser
um bom cidadão, útil aos semelhantes. É preciso aprender a viver com verda-
deira inteligência e grande compreensão.
Muitos se apressam para se casar, e isso é algo bem grave, especialmente
para as mulheres. Conheci muitas delas, algumas chegando à meia idade, em
vésperas de perder a florescente juventude, quando já estão para ficarem enca-
lhadas... Observei o quanto elas sofriam ao verem alguém se casando; de modo

72
algum querem ficar para titia... Dizem elas entre si: “Entre ficar para titia ou se
casar com o primeiro que aparecer, é preferível a segunda hipótese”.
Até certo ponto elas têm razão, mas se apressam demais, e, por fim, tratam
de conquistar o primeiro que puderem; vão à luta e, algumas vezes, conse-
guem... Mas o fracasso é inevitável. Há um ditado por aí que diz o seguinte:
“Casamento e mortalha do céu baixam”.27 E isso é verdade!
Existe uma Lei que muitos aceitam, mas outros não. Eu, sim, a aceito; os que
também querem aceitá-la, que aceitem; refiro-me à Lei do Destino. Penso que
para cada mulher existe um homem e que para cada homem existe uma mulher.
Então, seria bom que elas esperassem pelo homem que lhes toca, e se não
lhes tocar nenhum, deveriam se conformar, se resignar e aceitar ficar para titia.28
De fato, é preferível a mulher ficar solteira do que casar-se e fracassar.
Quando forçamos o passo, quando alguém força um casamento, o resultado
é o fracasso. Tarde ou cedo, o pequeno Cupido se vai do coração; então a po-
brezinha fica lá longe, suspirando, chorando, ou sai por aí em busca de uma
cartomante que lhe dê esperança e lhe diga se seu adorado tormento irá voltar.
Essa é a crua realidade de nossos dias...
Existem também mulheres que tentam agarrar o homem pelo sexo. Dizem
consigo mesmas: “Bem, vou me entregar a esse homem e talvez assim consiga
que se case comigo”.
O homem promete a ela céus e terras, pondo tudo a seus pés. Então, ela se
entrega. Resultado: Engravida... E o homem? Nunca mais o verá...
Vejam vocês quantos erros cometem algumas mulheres. Não cometam vocês
o erro de forçar um casamento. Isso é falta de fé no Destino, em Deus, ou como
queiram chamar. Melhor que aprendam a esperar...
Muitos homens igualmente cometem o erro de apressar o casamento; o
resultado costuma ser muito grave. Alguém se casar com uma mulher que não
lhe corresponde de acordo com a Lei do Destino, significa fracasso. Isso é óbvio!
Um ditado popular diz o seguinte: “O casamento não é exatamente o ‘corno da
abundância’, mas sim, a ‘abundância de cornos’.”

27 Ditado da cultura espanhola; significa ou dá a entender que as coisas mais importantes e terríveis da
vida fogem à nossa vontade e que somente Deus pode dispor de todas as coisas segundo a sua vontade.
28 Esta é uma expressão idiomática espanhola que diz: “Más vale vestir santos que desnudar borrachos”.
Em português dizemos: Melhor ficar só que mal acompanhado.

73
Os homens que não sabem esperar, que querem apressar o casamento, aca-
bam depois adornados com um belo par de cornos – e isso é muito triste.
Um conto popular diz que “certa ocasião um homem foi até o fundo do
inferno, porque em vida havia sido muito mau. Ali encontrou o diabo; aproxi-
mando-se dele, pergunta: - Quem é o senhor?
Ele responde:
- Tá me gozando? Que pergunta é essa? Não sabes que sou o diabo?
- Me desculpe, senhor diabo! Você é casado?
Responde o diabo:
- Estúpido! Quem te disse que o diabo se casa?
- Bem, não sei, mas é que estou vendo chifres em tua cabeça...”
Pois é a isso que se expõem aqueles que querem forçar o casamento... Exis-
tem jovenzinhos de 14, 15 ou 16 anos que já querem se casar; ainda não sabem
trabalhar, não têm profissão, mas já têm sua namoradinha e querem se casar.
Resultado: Fracasso, porque ainda não possuem experiência de vida, e cedo ou
tarde, a mulher irá se cansar de passar fome. Então, adeus, meu querido! Mas
não tem outro jeito...
É preciso, portanto, sermos equilibrados. Considero o casamento como
algo muito sério, muito importante. Na verdade, existem três acontecimentos
importantes na vida:
1. Nascimento.
2. Casamento.
3. Morte.
Portanto, pensem bem no significado do casamento. Não devemos nos ca-
sar com uma mulher que não nos pertença espiritualmente. Nossa amada deve
ser espiritual, no fundo da questão. O que faz um homem casando-se com uma
mulher calculista, interesseira, ciumenta, apaixonada? Pois fracassaria redon-
damente...
E o que faz uma mulher casando-se com um homem apaixonado, de má
índole, com alguém que em sua casa sempre foi um mau filho, um mau irmão
e um mau amigo? O resultado, obviamente, é o fracasso. Quem foi mau filho,
mau irmão, mau amigo, de forma alguma será um bom esposo.
Examinadas todas essas coisas desde os diversos pontos de vista, facilmen-

74
te compreendemos o quão delicado é, precisamente, o casamento e o amor. O
importante é compreendê-los, e agir de acordo com a compreensão criadora.
Existem mulheres que não querem fazer suas tarefas domésticas, mas,
mesmo assim, querem se casar. Não sabem cozinhar, mas querem se casar. Não
sabem costurar, mas querem se casar. Ao casarem, o pobre homem se dá conta
que a mulher escolhida não sabe fazer nada. Ela então pede uma empregada
doméstica. Claro, mas como não sabe fazer nada, como poderá coordenar o
trabalho de outra?
O dono de uma fábrica precisa conhecer bem sua atividade para poder
dirigi-la sabiamente. Um professor escolar precisa conhecer bem todas as ma-
térias que são ensinadas na escola. Assim também uma mulher precisa conhe-
cer bem as tarefas domésticas para poder mandar numa empregada. Se não
conhecer bem os afazeres de uma casa, como poderá coordenar o trabalho
de uma auxiliar? Como pode um general mandar num exército se nada sabe
de militarismo? Como poderia ele passar estratégias se somente é um general
fantasma ou de mentirinha?
Todos precisam conhecer bem seu trabalho. Homens e mulheres devem
conhecer seus ofícios, e conhecê-los bem. Isso está bem claro! Porém existem
mulheres que querem que seus maridos também façam as tarefas domésticas.
Ele precisa dar banho na criança, trocar a roupa, as fraldas, limpá-lo e até dar a
mamadeira, tudo isso. A mim me parece que isso não é correto...
O homem tem seus deveres, suas obrigações; a mulher, as suas, claro. O ho-
mem tem que ir à luta, buscar dinheiro, trabalhar, buscar o sustento. A mulher
precisa zelar pelo lar, criar os filhos, cuidar dos afazeres da casa.
Mas algo terrível acontece em nossos dias. Refiro-me à criação dos filhos.
Muitas mães já não querem mais dar o peito aos filhos. Resultado: a raça humana
está se tornando muito fraca, enfermiça. Reflitam sobre o que isso significa...
O leite materno se relaciona com a glândula Timo, responsável pelo cres-
cimento. A glândula Timo é muito importante; torna-se inativa quando se al-
cança a maturidade. Como as glândulas mamárias estão relacionadas com a
glândula Timo, é óbvio que por Lei de Relações, o leite materno igualmente
está relacionado e preparado para a criança que vem ao mundo. Infelizmente,
as mães já não mais querem amamentar seus filhos. O leite materno é muito
importante para o crescimento dos filhos. Quando se nega esse leite ao filho,
os resultados são desastrosos. A criança se torna fraca, enfermiça e falha de
inteligência.

75
Antigamente as mães davam o peito aos seus filhos de forma muito na-
tural. Era normal então que as crianças fossem amamentadas ou alimentadas
exclusivamente com leite materno por um período de 2 a 3 anos, e só depois
desse período começassem a ingerir outra classe de alimentos. E observem
como eram fortes os homens dos tempos antigos...
Pensemos na fortaleza de nosso general Francisco Villa. Pensemos nesses
homens antigos, do século passado [século 19], que, como Morelos, levanta-
vam uma espada bem pesada e conseguiam empunhá-la por horas inteiras no
campo de batalha.
Existem espadas romanas que hoje em dia um homem só não consegui-
ria levantá-la; seriam necessários dois, três ou quatro homens para levantá-la;
mesmo assim, na época, um único homem a esgrimia nos campos de batalha.
A raça humana foi se debilitando devido a todos esses maus costumes; o
pior deles é esse: o de negar o leite materno aos filhos. Em nome da verdade,
isso me parece terrível e monstruoso. Os homens antigos eram muito fortes
porque suas mães não lhes negavam o leite materno...
Realmente, atualmente a raça humana segue uma marcha involutiva, des-
cendente; multiplicam-se as enfermidades e, desde a infância, já não temos
mais aquela verdadeira força que animava os antigos. Nos dias atuais somente
se dá às crianças leite aguado ou reconstituído, regularmente, a cada três horas,
ainda que a pobre criança chore amargamente. Com isso, estão querendo cor-
rigir a natureza...Isso é tudo.
Caros amigos, estimadas senhoras, vamos pensar em tudo isso. É bom que
tratemos de nos regenerar. É importante que aprendamos a amar e a compre-
ender a necessidade de saber viver em nosso lar...
Não existe nada mais bonito que o casamento e o amor. Infelizmente, es-
tamos danificando o encanto do lar. Na Rússia, os jovens já não querem mais
se casar. Para quê? – se perguntam... E eles têm razão. Casar-se para se subme-
terem a tantas regras e tanta mecanicidade? Para que tirem depois seus filhos?
Para fazerem deles cobaias de diferentes experimentos científicos?
Claro que sob tais condições, bem que os jovens russos têm razões para
não se casarem. Estão desiludidos... O governo russo enfrenta esse problema
agora... Verdadeiramente, digo que é necessário respeitar o amor, respeitar o
lar, saber criar os filhos, saber educá-los.
Caros amigos, é necessário aprender a aproveitar a energia criadora e ma-

76
ravilhosa do sexo. Essa energia flui desde o núcleo do nosso sistema solar e
desde o núcleo de cada galáxia do espaço infinito.
O amor, em si mesmo, sempre foi respeitado. Nunca, jamais a humanidade
havia caído a um estado tão baixo de degeneração sexual como atualmente.
Existem países onde 85% ou 90% de seus habitantes são homossexuais ou lés-
bicas; não vou mencionar tais países porque não devemos ferir as pessoas, or-
ganizações e nações. Mas a humanidade está muito degenerada atualmente... O
homossexualismo e o lesbianismo são devidos precisamente ao abuso sexual.
Os antigos lemurianos, mesmo quando já se encontravam em franca de-
generação, quando queriam criar uniam-se sexualmente, mas jamais se uniam
quando não queriam criar. Refiro-me aqui aos lemurianos que já haviam invo-
luído, porque os lemurianos regenerados da metade da época Lêmur, época em
que a humanidade ainda não saíra do Paraíso, não ejaculavam o ens seminis,
como disse anteriormente; e quando se uniam para criar, o faziam em estado
místico e transcendental.
Nós, os que vivemos naquela época, involuímos muito. Hoje em dia, o sexo
se transformou em jogo, esporte, diversão. Em Paris - assim nos disseram - as
pessoas já fornicam nos parques e praças públicas, e as autoridades nada dizem
ou fazem... Então, em todas as partes do mundo vemos hoje a degeneração.
Devemos buscar o caminho da regeneração, amar intensamente a mulher e
aprender a ver nela um poema milagroso das Mil e Uma Noites. Devemos ser-
vir o Vinho da Sabedoria se, de fato, quisermos viver retamente.
Até aqui minhas palavras desta noite.
Paz Inverencial!

77
CAPÍTULO 7
O CASAMENTO GNÓSTICO

  

(...)29 que perecerá com (...) e pelos terremotos. Portanto, se é para gerar
filhos, melhor não se casar. Porém, se for para trabalhar sobre si, se for para de-
sintegrar agregados psíquicos e libertar a consciência, excelente, maravilhoso.
Esta é a crua realidade dos fatos.
Na vida, o mais importante é o trabalho de laboratório. Um químico pode
ser um excelente químico, mas de que serve ser químico se não trabalha num
laboratório? (...) Vocês podem ser excelentes estudantes, mas se não trabalha-
rem no laboratório do Pai, estarão perdendo o tempo, miseravelmente.
Então, por que e para que se casar? Para a gnose, claro, só existe uma finalida-
de, um sentido: criar os corpos existenciais superiores do Ser e desintegrar o ego.
O que vocês vêem aqui sobre o altar? O que é isto? Um cálice!... O que sim-
boliza o cálice? O yoni feminino, o órgão sexual da mulher. O que mais se vê
aqui? Uma Vara ou um Bastão e representa o Báculo dos Patriarcas. E para que
serve esta Vara? De enfeite? Claro que não! É um símbolo fálico. No alto desse
Báculo há uma cruz. Cruzando-se esta Vara, o lingham, com o cálice ou yoni,
consegue-se isso que tanto buscamos: criar os corpos existenciais superiores
do Ser. E com o poder desse cruzamento eliminamos nossos defeitos. Esse é o
objetivo. Para outras finalidades não necessitaríamos de objetos.
Há também três velas acesas; são as três forças do universo: o santo afir-
mar, o santo negar e o santo conciliar ou a força masculina, a força feminina e
a força neutra. Quando homem e mulher se unem, algo é criado: ou criamos
um diabo ou uma criança que nasce e morre. Mas também é possível criar um
Deus (...).

29 Texto inicial prejudicado devido à falha na gravação. Subentende-se que o autor não recomenda o
casamento apenas pelo casamento e para gerar filhos, pois a humanidade está à beira de uma catástrofe.
Esta conferência apresenta muitos lapsos de gravação, os quais estão representados por esta indicação:
(...)

78
INRI: Ignis Natura Renovatur Integram. ‘O fogo renova a natureza inte-
gralmente’. Quê fogo é esse? Há muitos tipos de fogo: o fogo da cozinha, o
fogo da guerra ou das balas (destrutivo cem por cento), o fogo da combustão
de madeira [ou proveniente de algum comburente]. Diversos são os fogos... O
Fogo Angélico, o Fogo Luciferino, o Fogo Diabólico. Tudo é fogo, diferentes
tipos de fogo.
E o fogo de INRI, que tipo é? Pois é o fogo Vulcaniano, o Fogo do Deus
Vulcano, o Fogo Sexual. Com o Fogo Sexual podemos fazer maravilhas e pro-
dígios, tudo que quisermos. Tomemos uma barra de ferro e a levemos ao fogo.
Ela se torna maleável e assim podemos modelá-la à vontade.
Da mesma forma, o Fogo Vulcaniano pode fazer prodígios. Temos aqui esses
corpos (...). Vocês acreditam que podemos mudar sua forma, dar outra aparên-
cia? Mediante o fogo sexual, sim, podemos. Já ouviram falar de mutantes? Mu-
tantes são pessoas que conseguiram reencruar o corpo físico, mediante o fogo30.
A reencruação é mutação, e sobre isso muito tem sido falado ultimamente...
Os mutantes, se assim o quiserem, podem surgir aparentando uma idade
de 100 anos, ou logo em seguida, assumir a aparência de um jovem de 18 anos.
Eles não mais dependem do tempo; escaparam do tempo. Como conseguiram
isso? Mediante o uso do fogo sexual, que é o Fogo de Vulcano.31
Se não trabalharmos com nosso Fogo Vulcaniano, de fato estamos perden-
do nosso tempo, miseravelmente. Isso é algo que precisa ser resolvido rapida-
mente, e não ficar esperando que o guru lhes diga algo...
Naturalmente, necessitamos de algo chamado Mercúrio, o Mercúrio dos
Filósofos. Lembro neste momento da projeção de algo que nos trouxe nosso
irmão U., na qual apareciam os dois Colossos de Rodes. Quem são esses dois
colossos? Pois, nada menos nada mais, que o Enxofre e o Mercúrio. Esses são
os dois Colossos de Rodes.
O Mercúrio precisa ser elaborado, custe o que custar. Se não elaborarem o
Mercúrio, lamento por vocês; não por mim, mas por vocês. Como se elabora o

30 Reencruar é uma palavra alquímica; significa que, mediante algumas operações, determi-
nada substância ou elemento alquímico volta a se tornar ‘metal cru’, ou seja, torna-se novamente um
‘metal alquímico original’ (e não mais alterado devido às mesclas realizadas nessas mesmas operações
alquímicas).
31 Aqui, ao falar de ‘mutantes’ o autor se refere aos ‘alquimistas’, esses que mudaram toda sua natureza
mediante a alquimia sexual. O Fogo de Vulcano é como a mitologia simboliza o poder desse fogo, capaz
de operar maravilhas na natureza íntima de cada criatura humana.

79
Mercúrio? Existe uma forma; é muito simples, porém grandiosa. Falamos do
Arcano AZF. É preciso falar disso ainda? Creio que não, pois todos aqui são de
Terceira Câmara, de modo que não precisamos explicar. Porém, em resumo:
conexão do lingha-yoni sem derramamento do Vaso de Hermes, o três vezes
grande Deus Íbis de Toth.
Falo aqui do Arcano AZF de forma decente, e não vulgarmente, porque
o sexo é sagrado e jamais devemos profaná-lo. Tudo que se relaciona com o
sexo devemos tratar de forma decente, aristocrática, culta. É claro que o desejo
sexual refreado fará com que o esperma seja transmutado em energia criadora.
Essa energia é o Mercúrio dos Filósofos.
Cristalizando-se esse Mercúrio numa oitava superior, de acordo com a
escala das notas musicais, obtemos a criação do corpo astral. Depois, cristali-
zando-se esse Mercúrio numa segunda oitava, obtemos o corpo mental. Numa
terceira oitava, o corpo da vontade ou corpo causal.
Aqueles que possuem esses corpos recebem os princípios anímicos ou os
princípios pneumáticos dos antigos gnósticos, e se tornam Homens.
Na cerimônia do casamento gnóstico é lembrado ao casal a parábola das
bodas, na qual, alguém comparece a uma recepção de casamento sem os trajes
das bodas.
É claro que se alguém não elabora o traje de bodas da sua alma – que são
os corpos existenciais superiores do Ser – jamais será um Homem de verdade.
Mas, atualmente, todos pensam que já são Homens, se sentem bem Homens,
ainda que não o sejam, em realidade; são meros mamíferos intelectuais, porém
se julgam Homens e não há como tirar isso de suas cabeças. Bem, que pensem
o que quiserem, pois em nada nos prejudica. Que importância tem isso para a
ciência e para nós?
Portanto, é necessário criar os corpos superiores; se não os criarmos, ja-
mais receberemos os princípios anímicos ou pneumáticos. Porém, que fique
claro: uma coisa é tornar-se Homem, outra coisa é tornar-se um Super-ho-
mem. Nietzsche fala do Super-homem, quando narra que “aos 30 anos Zara-
tustra deixou sua casa e foi viver na floresta, onde passou dez anos meditando.
Em certa manhã, levantando seus braços para o Sol nascente, disse: ‘Escuta-
-me, ó astro grandioso; por dez anos iluminas diariamente minha caverna. Se
não fosse por ti, por minha águia e por minha serpente, já terias te cansado de
mim e deste lugar’.”

80
Em seguida Zaratustra desceu da montanha e encontrou um santo que lhe
perguntou:
- Para onde vais, Zaratustra?
- Vou para a cidade, respondeu.
- E por que vais para lá?
- Por amor à humanidade, responde Zaratustra. Diz o santo:
- Por acaso não é por causa da humanidade que estou aqui, neste lugar? Eu
canto cantos, e ao cantar assim louvo a Deus que é meu Deus. Então Zaratustra diz:
- Não quero tirar-vos nada. Então aquele santo envolveu um látego e o deu
a Zaratustra, e disse-lhe:
- Toma, te dou este pequeno conselho: ‘Quando estiver com a mulher não
te esqueça do látego’.32
Bem, essas palavras de Nietzsche têm sido mal interpretadas pelas pessoas.
É preciso ter força de vontade na hora de realizar o Arcano AZF, e não que
devemos surrar a mulher. O látego deve ser aplicado em si mesmo, jamais nas
mulheres... Mas isso foi mal interpretado, e muitos entenderam que Nietzsche
era um machista que ensinava a bater nas mulheres. Ao contrário do que é dito
por aí, Nietzsche era um homem cheio de amor.
Bem, o fato é que Zaratustra chegou à cidade, e ali falou: “Venho anun-
ciar-vos o Super-homem... O homem não é mais que uma ponte no caminho,
um perigoso olhar para trás. Tudo é perigoso... É chegada a hora do Super-
-homem”.33
Aí está... Se trabalharmos sobre nós mesmos, se desintegrarmos os agrega-
dos psíquicos do corpo astral, então este se tornará limpo e transformado em
corpo solar ou de ouro, e será engolido pela Serpente... [Kundalini]

32 Esse diálogo não ocorre literalmente assim na obra original de Nietzsche. As frases acima são
citações de diversas passagens da obra de Nietzsche e foram agrupadas pelo autor em sua apresentação
como transcrito acima. Além do mais, a versão em espanhol é algo diferente dos textos das traduções
ao português que consultamos.
33 Novamente, essa não é uma passagem literal de Nietzsche nessa obra. São algumas frases que o
autor reuniu para apresentar sua conferência. A passagem literal de Assim falava Zaratustra diz: “Che-
gando à cidade mais próxima, enterrada nos bosques, Zaratustra encontrou uma grande multidão na
praça pública, porque estava anunciado o espetáculo de um bailarino de corda. E Zaratustra falou assim
ao povo: “Eu vos anuncio o Super-homem” [Ubermenseh ou literalmente ‘sobre-homem’]. “O homem
é superável. Que fizestes para o superar?”

81
Quando alguém desintegra os agregados psíquicos do corpo mental, este
então ficará limpo e transformado em corpo solar ou de ouro, e será engolido
pela Serpente.
Se fizermos o mesmo com o corpo causal, este será purificado e se tornará
um corpo de ouro, solar, e a Serpente o engolirá.
E quando desintegramos os agregados psíquicos que estão enfrascados no
corpo búddhico, este se transformará num corpo de ouro, e será engolido pela
Serpente.
E quando desintegramos os agregados mais bestiais, o corpo de Atman se
transforma em ouro puro, e será engolido pela Serpente.34
O Apocalipse de João fala-nos de Sete Selos. O primeiro Selo corresponde
ao corpo físico. O segundo Selo, ao corpo vital. O terceiro Selo, ao corpo astral.
O quarto Selo é o do corpo mental. O quinto, do corpo causal; o sexto, do cor-
po búddhico; o sétimo, do corpo de Atman, o Inefável.
Aquele que rasgar o sétimo selo conseguirá tudo. Por isso diz o Apocalipse:
“Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá
o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos” [Apocalipse 10:7].
Portanto, verdadeiramente, quando isso acontecer, quando alguém rasgar
o sétimo Selo, cumprir-se-á nele o reino dos céus; não mais haverá erros.
O último esforço necessário para alcançar esse propósito, para rasgar o sé-
timo Selo, é acabar [eliminar] com a personalidade. A personalidade não serve
para nada; ela é um estorvo, imprecisa, incoerente, subjetiva... Nela está toda a
herança genética da raça e das nações; todos os maus costumes e possibilidades
de se recair nos mesmos erros. É preciso transformá-la em pó...
Ela se torna pó quando a queimamos com o fogo. (...) é preciso eliminá-la
para que não haja interferências entre nós e o Ser (...). Quando rasgamos o sé-
timo Selo, abre-se o sentido da Intuição. Esse sentido abrange todos os demais
sentidos...
(...)35
Aquele que conseguir dissolver o ego e eliminar a personalidade dá um
grande passo. Diz o Apocalipse: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta,

34 Estes últimos parágrafos foram reescritos, para dar coerência, tendo em vista falhas de gravação
em diversos pontos.
35 Falha de gravação...

82
que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da
besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de
fogo que arde com enxofre.” [Apocalipse 19:20]
Quem é a besta? É o ego. Quem é o falso profeta? É a personalidade que
faz sinais diante da besta. Ambos são lançados vivos no lago de fogo. Quando
conseguirmos eliminar e destruir o ego e a personalidade, permanecerá em
nós apenas o Ser. E o Ser é o Ser, e a razão de ser do Ser, é o próprio Ser.
Bem mais tarde, aquele que conseguir queimar o ego e a personalidade
(...) o Cristo ressuscitará nele. Mas para que o Cristo ressuscite em alguém,
esse alguém deverá estar bem morto em si mesmo, aqui e agora. Essa é a crua
realidade dos fatos.
Até aqui minhas palavras... Se alguém quiser perguntar algo...
(...)36
(...). Ponham um ovo ou uma dúzia de ovos em um ninho, deixando-os
expostos à luz do sol, e vejam se eles chocam... Estou seguro que não, porque a
luz do sol (...); não nasce nenhum pintinho. Agora, vejamos uma galinha com
seus ovos recolhidos na obscuridade, protegidos do sol em algum lugar; nas-
cem todos ou quase todos os pintinhos. Os próprios seres humanos são criados
nas trevas devido à disposição dos órgãos criadores da mulher.
Quando alguém pensa que está indo bem no Caminho é justamente quan-
do pior está. Isso é bem grave. Alguns chegam a pensar o melhor de si, mas, em
realidade, já estão involuindo... Como a consciência está adormecida e enfras-
cada no ego, é claro que não se dão conta que estão indo de mal a pior. Crêem
que estão indo bem e até juram com lágrimas de sangue que estão indo bem...
Porém, em verdade, estão mal.
Para chegar à auto-realização íntima é preciso seguir o Caminho da Morte.
Enquanto a gente não se decidir a deixar de existir como ego, miseravelmente
perdemos tempo. Minha obrigação é dizer isso a vocês. Se aceitarem, muito
bem! Se não aceitarem, muito bem também! Não serei eu a me prejudicar;
serão vocês... Em todo caso, aqueles que não decidirem morrer em si mesmos,
precisam saber que descerão aos infernos, despertarão no mal e para o mal.
Essa é a crua realidade... Então, já despertos no mal e para o mal, bem mais di-
fícil será aceitarem o fato de estarem indo mal, pois, aqueles que involuem nos
infernos, sempre crêem que são pessoas corretas e que estão indo muito bem.

36 Largo trecho deixou de ser transcrito devido à falhas de gravação.

83
Essa é a verdadeira realidade dos fatos...
Esse Caminho não é assim tão fácil, meus queridos irmãos. É bem difícil.
(...) Muitas vezes um preceito, um código moral, mesmo belo e nobre, se torna
um obstáculo no Caminho. Essa é outra realidade...
No Caminho, de nada servem os códigos morais. No Caminho, só a com-
preensão serve. É preciso fazer um balanço de si mesmo para saber o que falta
e o que sobra. O que estiver sobrando, deve ser eliminado. O que faltar, deve
ser obtido. Códigos de moral não servem para nada...

84
CAPÍTULO 8
SEXOLOGIA GNÓSTICA37

  

Caros amigos, antes de mais nada, quero dizer que esta doutrina, mencio-
nada pelo apresentador, chama-se Gnose.
Aqui no México temos a Associação de Estudos Gnósticos, Antropológi-
cos e Culturais. Coube a mim a elevada honra de ensinar essa doutrina em nos-
so país. Sou de Coti, Michoacan [significa ‘lugar de pescadores’]; porém, tenho
vivido mais tempo na região do Distrito Federal. E viajei também por alguns
outros lugares fora de nosso país para levar a doutrina; temos hoje cerca de
cinco milhões de pessoas em toda a América. Feito esse preâmbulo, entremos
agora na matéria da Sexologia Transcendental.
Podemos estudar o sexo sob diferentes pontos de vista. Um deles, é mera-
mente do ponto de vista oficial, como ensinado na Universidade de Medicina.
Outro ponto de vista é o da Gnose; aqui, hoje, vou apresentar a sexologia do
ponto de vista do gnosticismo universal.
Antes de tudo, Gnose quer dizer ‘Conhecimento’. A palavra ‘gnose’ faz par-
te também da terminologia científica, como vemos em ‘diagnose’ e ‘diagnósti-
co’. Observem aí a palavra ‘gnose’ na etimologia das palavras... Em todo caso, as
distintas correntes gnósticas conhecem profundamente a sexologia.
Em nome da verdade devo dizer que Sigmund Freud, por meio de sua psi-
canálise, iniciou uma época de transformações extraordinárias no campo da
sexologia. Freud realizou uma inovação no terreno da medicina, e isso é sabido
por todos que estudam sua obra. Adler foi um dos seus melhores discípulos.
Jung também foi um discípulo de Freud, além de muitos outros psicólogos,
psicanalistas e parapsicólogos.
Em si mesmo, o sexo é o centro gravitacional de todas as atividades hu-
manas. Em torno do sexo giram todos os aspectos sociais da vida. Vejamos,

37 Conferência ditada pelo Venerável Mestro Samael Aun Weor, na Faculdade de Geologia da Uni-
versidade de San Luis Potosí, Estado de San Luis, República do México, no dia 19 de maio de 1976.

85
por exemplo, uma festa, um baile: toda a festa gira em torno do sexo. Um café
também gira em torno do sexo...
Atualmente, o sexo começa a ser estudado por alguns sábios com propósi-
tos transcendentais. Porém, infelizmente, a realidade é que existe muita porno-
grafia; desviou-se o sexo para atividades meramente sensuais.
Há diversos tipos de sexo: existe o sexo normal, comum e corrente, existe
o infra-sexo e existe também o supra-sexo.
O que se entende por sexo normal? Entenda-se que é o sexo voltado unica-
mente para a reprodução da espécie.
Já a infra-sexualidade é diferente. Há dois tipos de infra-sexualidade. Em
matéria de Kabala é dito que Adão tinha duas esposas: Lilith e Nahemah. Lilith
representa uma das esferas infra-sexuais: é a esfera dos pederastas, homosse-
xuais, lésbicas, dentre outros. Nahemah representa a esfera dos abusadores do
sexo, os pornógrafos, os que se entregam totalmente à luxúria sem nenhum
controle ou limite.
Essas, portanto, são as duas esferas da infra-sexualidade. Então, repetindo:
o sexo normal é destinado à reprodução da espécie. O prazer sexual em si mes-
mo é algo legítimo para o homem [espécie humana]. Aqueles que consideram
o prazer como pecado, aqueles que pensam que isso é um tabu, aqueles que
têm a tendência de considerar o sexo como algo vergonhoso e dissimulado,
estão totalmente equivocados. O prazer sexual, repito, é um direito legítimo do
ser humano; de forma alguma deve ser depreciado, desprezado ou considerado
tabu, pois é um direito natural.
Passemos agora ao supra-sexo, à supra-sexualidade. O supra-sexo é para os
gênios, os homens transcendentais, para as mulheres inefáveis. Supra-sexuais
foram Jesus de Nazaré, Buddha, Hermes, Maomé, Lao-tsé [Lao-tzu], Quetzal-
coalt, Pitágoras e muitos outros.
Todos podemos entrar para a esfera da supra-sexualidade. Contudo, para
alcançar a esfera da supra-sexualidade, é preciso primeiro que toda a sexua-
lidade seja normal. Os infra-sexuais, como as lésbicas, os homossexuais, os
pederastas, os masturbadores e outros, não estão preparados para entrar no
reino da supra-sexualidade. Antes de mais nada, o infra-sexual, caso queira se
regenerar, deve obter a sexualidade normal. Obtido isso, pode ingressar plena-
mente na via da supra-sexualidade. Porém, a regeneração é muito difícil para
os homossexuais e para as lésbicas, que se encontram na esfera infra-sexual.

86
Há pouco tempo veio me visitar um sujeito homossexual, procedente de
seu país, Honduras. Esse homem possui uma cultura bem elevada, e se entu-
siasmou muito pelas idéias revolucionárias da sexologia, tal como apregoa o
gnosticismo universal. Falando-me com total franqueza, relatou-me sua vida
de homossexual. No entanto, manifestou seu desejo de se regenerar e de entrar
para o caminho da sexualidade normal para depois seguir pela via da supra-
-sexualidade.
Então disse a ele: “Meu amigo, você não tem outro remédio que adquirir a
sexualidade normal. Você é um afeminado; portanto, deve primeiro buscar uma
mulher. Ache uma mulher, case-se com ela, regenere-se, adquira a sexualidade
normal, torne-se um homem normal. O dia que você se tornar um homem
normal, que realmente gostar de mulher, então estará preparado para entrar no
terreno da supra-sexualidade. Antes disso, não é possível. No momento, você
está seguindo pelo caminho da degeneração; você é um degenerado...”
Bem, esse homem não se ofendeu com o que eu disse, pois, francamente,
tinha razão. Então me respondeu dizendo que sim, que ia buscar uma mulher,
se casar e tratar de retornar ao sexo normal, porque realmente desejava um dia
entrar nas esferas da supra-sexualidade... Bem, oxalá ele consiga...
Em outra ocasião me procurou uma lésbica... Pediu-me que a aconselhas-
se, pois ela gostava muito de mulher e que se encontrava numa situação bem
delicada: estava gastando muito dinheiro com uma determinada ‘amiga’, mas
que ela a estava ‘chifrando’, como dizemos no popular...
Bem verdade que a mulher dos seus sonhos andava pela rua com outras e,
claro, isso gerava ciúmes na pobre coitada. A lésbica sofria como se fosse um
homem: chorava e implorava; pedia conselhos como se efetivamente fosse o
homem dela; entre parêntesis, em realidade, a lésbica era muito feia, não posso
negar o fato. De minha parte, bem, eu só podia olhá-la com certa aversão...
Para encurtar a história, dei a ela alguns conselhos; disse que o melhor era
que se regenerasse, que buscasse um homem, que seguisse pela via da sexu-
alidade normal. Não sei se essa pobre mulher se regenerou ou não; mas não
me pareceu estar com tanta vontade assim de seguir a via normal, pois estava
muito enciumada da outra; parecia ser todo um macho, sem tirar nem pôr...
Então, observem vocês, como é horrível o caminho da degeneração, o ca-
minho da infra-sexualidade. Infra-sexuais não são somente os homossexuais,
as lésbicas, os masturbadores, os pederastas. Infra-sexuais são também todos
os que abusam do sexo, esses que a cada instante, a cada hora, trocam de mu-

87
lher, esses que fornicam de 10 a 15 vezes ao dia... Esse tipo de gente existe; co-
nheci alguns... Pessoas assim, efetivamente, são degeneradas, são infra-sexuais,
mesmo que se creiam ser bem machos; em verdade, não é que sejam muito
machos; é que já estão degenerados...
Passemos agora ao caminho do sexo normal... Em si mesmo, este caminho
é maravilhoso: homem e mulher se unem, se amam, vivem em harmonia, se
reproduzem e vivem segundo os propósitos da natureza, de acordo com a eco-
nomia natural.
Todos nós somos máquinas humanas (não podemos negar) que captam di-
ferentes tipos e subtipos de energia cósmica. Cada maquininha humana, quer
dizer, cada um de nós, depois de captar essas energias cósmicas ou universais,
transforma essas energias e, em seguida, automaticamente, subconscientemen-
te, as transmite para as camadas terrestres.
A Terra é um organismo vivo, um organismo que se alimenta de nós. Não
quero dizer que as plantas não cumpram um papel semelhante. É claro que
cada planta, segundo sua espécie, capta tais ou quais tipos de vibração cósmica,
que são transformadas e retransmitidas às camadas anteriores do planeta.
O mesmo ocorre com os animais. Eles captam este ou aquele tipo de ener-
gia, transforma-a e a retransmite ao planeta. Portanto, a Terra é um órgão vivo...
Com a sexualidade normal nós nos reproduzimos incessantemente. Isso é
necessário para a economia da natureza. Além do mais, o prazer sexual é algo
legítimo; não é nenhum crime, nenhum delito, como supõem muitos purita-
nos, mentecaptos ou santos do pau oco. A realidade é que todos que vivem na
sexualidade normal cumprem os interesses da economia da natureza.
Diferente é a supra-sexualidade. Isso já é algo definitivo; adentrar ao ter-
reno da supra-sexualidade é seguir pelo caminho das extraordinárias transfor-
mações. Nietzsche na sua obra Assim Falava Zaratustra38, comenta a respeito
do Super-homem.
“ Eu vos anuncio o Super-homem. O homem é superável. Que fizestes para
o superar? Até agora todos os seres têm apresentado alguma coisa superior
a si mesmos; e vós, quereis o refluxo desse grande fluxo, preferis tornar ao
animal, em vez de superar o homem? Que é o macaco para o homem? Uma
irrisão ou uma dolorosa vergonha. Pois é o mesmo que deve ser o homem

38 Nas traduções brasileiras encontramos tanto a denominação ‘Assim Falou Zaratustra’ bem como
“Assim Falava Zaratustra’.

88
para Super-homem: uma irrisão ou uma dolorosa vergonha. Percorrestes o
caminho que medeia do verme ao homem, e ainda em vós resta muito do
verme. Noutro tempo fostes macaco, e hoje o homem é ainda mais macaco
do que todos os macacos. Mesmo o mais sábio de todos vós não passa de
uma mistura híbrida de planta e de fantasma. Acaso vos disse eu que vos
torneis planta ou fantasma? Eu anuncio-vos o Super-homem! O Super-
-homem é o sentido da terra. Diga a vossa vontade: seja o Super-homem,
o sentido da terra.”39
[Fonte Digital: eBooksBrasil.com - Tradução base: José Mendes de Souza]

Bem, Hitler interpretou Nietzsche a seu modo; assim, na Alemanha, duran-


te a Segunda Guerra, até o mais insignificante policial era um Super-homem;
ninguém se sentia pequeno na época de Hitler; todos eram Super-homens na
Alemanha da época. Ao que tudo leva a crer, parece que Hitler, mesmo com
boas intenções, não soube entender o que disse Nietzsche. Pessoalmente, digo
a vocês, eu creio no Super-homem. Mas Hitler parece ter errado o caminho.
É possível chegar ao estágio de Super-homem. Mas isso somente é possível
mediante a transmutação das energias sexuais; isso é parte da supra-sexualida-
de. Seja como for, no homem existem cinco centros fundamentais: o primeiro é
o centro intelectual, que é o mais utilizado para o estudo. O segundo é o centro
emocional. O terceiro é o centro motor, que se encontra na parte superior da
coluna vertebral. O quarto centro é o instintivo, que se encontra na parte infe-
rior da coluna vertebral. O quinto centro é o sexual.
Nesses cinco centros se processam todas as atividades humanas. Quanto ao
centro sexual propriamente dito, quero dizer que é o centro em torno do qual
gravitam todas as atividades humanas. Aparentemente, o centro intelectual é
muito rápido, mas, em realidade, é bem lento. Se estiverem dirigindo um carro,
por exemplo, e de repente surge um perigo inesperado, se começassem a pensar
e a analisar o que daria para fazer – acelerar, frear, voltar para trás, desviar para a
direita ou para a esquerda – certamente o resultado seria um gravíssimo aciden-
te. O centro motor é bem mais rápido que o centro intelectual. Então, quando
alguém está dirigindo um carro, não pode pensar; precisa agir rapidamente,
sem pensar; se pensar, vai bater o carro numa situação inesperada... Portanto, o
centro do pensamento é muito lento; o centro motor é bem mais rápido.

39 O texto original citado nas palavras do autor é este, como segue: “Ha llegado la hora del Superhom-
bre. El Hombre no es más que un puente tendido entre el animal y el Superhombre; un peligroso paso
en el camino, un peligroso mirar atrás; todo en él es peligroso. Ha llegado la hora del Superhombre”...

89
O centro emocional também é um centro rápido, mas o mais rápido de todos
é o centro sexual. Um homem, ao ver uma mulher, em milésimos de segundos,
sabe se ela é o seu complemento sexual perfeito ou não, se tem afinidade vibrató-
ria ou não. Isso é algo muito rápido; o sexo é o centro mais veloz de todos.
Mas entremos em detalhes mais específicos. Muitas vezes, um homem
pode viver feliz com sua mulher, querendo-a muito. No entanto, percebe que
lhe falta algo; pode acontecer de que com essa mulher não se sinta completo;
possivelmente, ela o preencha no emocional ou apenas no intelectual, mas se-
xualmente, não. Então, andando por aí, pode ocorrer de encontrar outra mu-
lher, e que, sim, ela o complemente sexualmente. Aí surge isso que denomina-
mos de adultério.
Não vim aqui defender ou exaltar o adultério... Certa ocasião aconteceu
por aí, em certo local, onde várias mulheres estavam “enchendo os canecos”,
como se diz. Uma delas, já embriagada, de repente, grita: Viva o adultério!
Entre parêntesis, era uma linda mulher... Repito, não vim aqui defender ou
exaltar o adultério. Isso seria um absurdo! Mas sim, vejo aí as causas do adulté-
rio... Ocorre que, muitas vezes, um dos elementos do casal não consegue com-
plementar-se totalmente com o outro em todos os cinco centros, e pode ocorrer,
então, que encontre o complemento em outra pessoa, e disso nasça o adultério.
Exemplifiquemos... Vamos supor que emocionalmente um homem se
complete com sua mulher, mas sexualmente, não; então, pode ocorrer o caso
dele encontrar outra mulher que venha completá-lo sexualmente. Também
pode ocorrer que a esposa de um homem o complemente intelectualmente,
mas não emocionalmente, e aí, pode ocorrer dele encontrar uma outra mulher
que venha completá-lo emocionalmente. O mesmo pode ocorrer na esfera ou
mundo dos hábitos [centro motor], e aí ocorrer de encontrar-se com outra
mulher que tenha os mesmos hábitos e costumes, completando-o plenamente.
Essas são as causas intrínsecas de tantos e tantos adultérios que dão origem
aos divórcios. E, repito novamente: não venho aqui exaltar o adultério, porque
isso seria um absurdo. Tampouco estou de acordo com aquela senhora que na
orgia gritava ‘Viva o adultério’. Não, de forma alguma concordo com isso; uni-
camente, aqui, num ambiente de companheirismo, estamos analisando a ques-
tão sexual, e não poderíamos deixar passar por alto esse assunto do adultério.
Pessoalmente, creio que para o homem o melhor seria encontrar uma mu-
lher que o complementasse em todos os centros: no intelectual, no emocional,
no centro motor ou dos hábitos, no instintivo e no sexual. Assim formaria o ca-

90
sal perfeito, o casal ideal. O mesmo vale para as mulheres; creio que para elas,
o melhor seria encontrar um homem que as viesse a completá-las em todos os
centros. Assim haveria verdadeira felicidade.
Outro detalhe muito importante, que muitas vezes impede haver a felici-
dade, é a questão dos temperamentos. Um homem de temperamento ardente
nunca será feliz com uma mulher que mais parece uma pedra de gelo; simples-
mente, nunca será. O simples fato de beijá-la, no momento do beijo, se depara
com o fato de ela não querer beijar, e isso é muito grave. Então, o que pode-
ríamos dizer do ato sexual em si, tendo ele que se unir com uma mulher fria?
Vocês se lembram do livro intitulado O Egípcio, que depois virou filme?40
Nesse livro fala-se dos lugares de mumificação [dentre outras coisas] do Egito
antigo. Muitos eram os lugares de mumificação, locais esses de concentração
de imundícies, nos quais eram preparados os cadáveres para serem mumifi-
cados. Obviamente, aqueles que trabalhavam nesses lugares, cheiravam mal;
mulher alguma gostava desse tipo de homem que cheirava a podre, pois vivia
em meio à podridão.
E vocês sabem o que fazia essa classe de mumificadores? Copulavam com os
cadáveres das mulheres que para ali eram levados. Vocês acham isso agradável?
Pois isso ocorria na época no Egito... Então, o que me dizem agora de um homem
de temperamento ardente que tenha que se relacionar sexualmente com uma
mulher ‘gelada’, com um ‘cadáver’? Certamente, é uma coisa bem horrível.
Existe também o temperamento linfático41, característica das pessoas
lentas, calmas, autocontroladas. Por exemplo, uma mulher com esse tipo de
temperamento lento, vagaroso, jamais poderá se dar bem com um homem de
temperamento nervoso. Impossível! Também é impossível que alguém de tem-
peramento nervoso conviva bem com uma mulher totalmente ardente.
Então, essa questão dos temperamentos é muito importante. É necessário
que haja correlação não só entre os diferentes centros da máquina humana
como também haja afinidade de temperamentos. Somente assim, com a afini-
dade de temperamentos e uma perfeita interrelação entre os diferentes centros,

40 Traduzido para 40 idiomas, a obra é de autoria do finlandês Mika Waltari, escrito em 1945 e pub-
licado no Brasil em 1969 pela Editora Itatiaia – Belo Horizonte – MG; tradução de José Geraldo Vieira.
Título original: Sinuhe egyptiläinen (1945 – Finlândia); traduzido para o inglês em 1948 (Sinuhe, the
Egipcian). Foi adaptado ao cinema em 1954 estando ainda disponível em dvd.
41 No original, o autor menciona a palavra ‘bilioso’. Porém, pela descrição dada em seguida, entende-
se que se refere ao tipo ‘linfático’ ou ‘fleumático’, segundo a caracterização de Hipócrates (460-377aC).
Assim, optamos pela segunda expressão.

91
pode-se obter autêntica complementação, o que nos daria a felicidade.
Tudo isso que acabo de dizer é referente à sexualidade normal. A supra-
-sexualidade é diferente. Para entrar no terreno da supra-sexualidade, é preciso
aprender a transmutar a energia criadora. Mas não devemos pensar no sexo
meramente como questão fisiológica. É preciso dar-se conta que existe a ener-
gia no sexo. Ao cabo de tudo, afinal, Einstein já dizia que “energia é igual massa
multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado”: E=mc². Ele também dizia
que “a energia se transforma em massa, e a massa se transforma em energia”.
É possível transformar massa em energia? Claro que sim! Observem uma
poça de água numa estrada; com o calor do sol, a água evapora e se transforma
em nuvem; por fim, em energia: água, nuvem, raio, trovão. Todas as águas dos
rios, mares e lagos se transformam em nuvens, e, por fim, em raios e trovões,
ou seja, em energia. A mesma coisa ocorre com o ens seminis.
O que se pode entender por ens seminis? É a entidade do sêmen, ou seja,
o esperma sagrado. Atualmente, temos a tendência de considerar o esperma
como simples substância secretada pelas glândulas sexuais. A palavra ‘sagra-
do’, posta aqui junto com ‘esperma’, parece estar fora de moda. No entanto, se
estudarem cuidadosamente a psicanálise de Freud, verão que ele diz: todas as
religiões, no fundo, têm origem sexual.
Concordo com Freud nesse sentido. Se vocês também estiverem de acordo,
ótimo! Se não estiverem, ótimo também! De minha parte, sim, concordo com
Freud.
Quando examinamos as religiões indígenas, por exemplo, ou as religiões
das diferentes tribos americanas, hindus, africanas ou asiáticas, podemos evi-
denciar diretamente que todas elas, todos os seus cultos, possuem uma mescla
de sexo e mística, ou seja, do erótico com o religioso.
Na Índia, por exemplo, existem templos em que vemos Deuses e Deusas
em posturas eróticas, copulando. O mais interessante é que essas posturas eram
sagradas na terra dos vedas, e estão devidamente ordenadas, coadjuvando com
Eros, com o erótico, seja em linguagem freudiana ou sob um ponto de vista
meramente luxurioso.
Na antiga Creta eram realizadas grandes procissões, nas quais as sacerdo-
tisas portavam grandes falos de madeira sagrada. Na época, o phallus não era
considerado de forma vulgar como atualmente, mas era cultuado verdadeira-
mente; também se cultuava o yoni, ou seja, o órgão sexual feminino.

92
Não há dúvida que a lança que feriu o lado de Jesus na cruz não passa de
viva representação do phallus. Também não há dúvida que o cálice, a taça, o
graal, pelo qual tanto lutaram os cavaleiros da Idade Média, que foram à Terra
Santa durante a época das cruzadas eucarísticas, sempre foi o símbolo do yoni
feminino, do eterno feminino.
Claro que os cavaleiros medievais saíram em busca do cálice sagrado no
qual o Cristo bebeu o vinho na sua última ceia, mas jamais foi encontrado,
obviamente... Como recordação de tudo isso, da busca do Santo Graal e das
batalhas contra os mouros, surgiu a tradição de se entregar ao vencedor dos
campeonatos e competições, a taça olímpica. Portanto, no terreno da supra-
-sexualidade, o cálice e a lança são sagrados...
O esperma é sagrado porque nele está contida nossa própria essência. Os
alquimistas medievais mencionavam o esperma como sendo o Vitriolo, palavra
essa formada, a sua vez, pelas iniciais de cada palavra da seguinte expressão em
latim: Visita Interiorem Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem. ‘Visita
o interior da Terra e retificando acharás a pedra oculta’.
A que ‘pedra’ se referiam os alquimistas? Pois à famosa Pedra Filosofal.
É preciso elaborar essa ‘pedra’, e, sem dúvida, existem meios para isso. Pesso-
almente, acredito na Pedra Filosofal, mas é preciso elaborá-la. Isso é feito por
meio das transmutações do esperma sagrado. A transmutação da libido sexual
– transformar o esperma em energia – é possível quando conhecemos o segre-
do, a chave. O importante é conhecer a chave...
Se com o ens seminis podemos gerar um filho, se com o ens seminis pode-
mos reproduzir a espécie, se com o ens seminis podemos encher o mundo com
milhões de criaturas humanas, certamente com o ens seminis também podere-
mos dar vida a nós mesmos e nos transformarmos em Super-homens, no mais
completo sentido da palavra.
O importante é transmutar a libido sexual. Por meio da transmutação
podemos ‘cerebrizar o sêmen e seminizar o cérebro’. Torna-se necessário ‘se-
minizar o cérebro’, caros amigos, porque todo mundo sabe que nem todas as
áreas cerebrais humanas estão ativas atualmente. A medicina sabe que apenas
algumas partes do nosso cérebro atualmente exercem suas funções. Portanto,
temos muitas áreas cerebrais inativas [ou com pouco uso].
Se com esse pouco funcionamento cerebral já pudemos criar foguetes que
foram à Lua, se foi possível criar bombas atômicas com as quais destruímos Hi-
roshima e Nagasaki, se foi possível criar aviões super-sônicos, o que seria então

93
se conseguíssemos regenerar e ativar ‘todas as partes de nosso cérebro?’ Cer-
tamente poderíamos transformar o mundo e torná-lo melhor. Mas é preciso
regenerar o cérebro; é necessário seminizá-lo; ‘cerebrizar o sêmen e seminizar
o cérebro’ – eis aí a chave.
Os grandes músicos do passado, como Beethoven, Mozart, Chopin, Liszt,
foram homens com cérebro bem seminizados, homens que possuíam capaci-
dades extraordinárias, que usaram muito mais dos seus cérebros que os demais
do seu tempo. No entanto, nos dias atuais, a coisa está bem diferente. O cérebro
humano se degenerou muito e sequer percebemos isso...
Caso estivessem vocês em alguma festa, felizes e contentes, sintonizados com
os últimos lançamentos do rock and roll, e de repente alguém trocasse a música
pondo a Nona Sinfonia de Beethoven, como vocês reagiriam? De minha parte,
estou bem seguro que não continuariam na festa; não iriam insultar o dono da
casa, claro, mas certamente sairiam à francesa, de fininho... Certo? Por que?
Antigamente, quando o cérebro ainda não havia se degenerado tanto como
agora, a coisa era diferente. Dançavam-se valsas, ao compasso da música clássica.
Na época, os músicos estavam presentes nos banquetes e nas festas, fazendo vibrar
as mais belas sinfonias... Então, a moda era Beethoven, Mozart, Chopin, Liszt...
Assim era naquele tempo. Mas hoje já não vivemos os tempos medievais.
Hoje, se alguém põe uma música clássica numa festa, simplesmente vamos
embora; nos retiramos... Por que? Porque ficamos aborrecidos. Sejamos ana-
líticos; estamos aqui para analisar... Nosso cérebro se degenerou; certas áreas
cerebrais já se atrofiaram, se degeneraram, porque, ao longo do tempo, por
séculos, seguimos extraindo de nosso corpo a entidade do sêmen.
Não a extraímos somente para dar vida a novas criaturas, não! Extraímos
porque aprendemos a gostar de fazer isso, porque nos dá prazer – isso é tudo.
Caímos nos leitos de prazeres gozando de tudo que é jeito... Mas o ‘paganini’,
‘o que tem pago o pato’, foi nosso cérebro. O resultado é que algumas áreas de
nosso cérebro já não estão mais trabalhando como antes. É possível regenerar o
cérebro? Sim, é possível; basta transmutar a entidade do sêmen, transformá-la
em energia; só assim poderemos regenerá-lo.
Para completar esta conferência de hoje, falta dizer ‘como transmutar a
entidade do sêmen em energia’. Tenho muita alegria em explicar a técnica usa-
da pelos alquimistas medievais. A técnica que vou ensinar agora também foi
ensinada pelos homens de ciência, como Brown-Sequard, nos Estados Unidos.
Também foi ensinada pelo doutor Krumm-Heller, médico e coronel do nos-

94
so glorioso exército mexicano; Jung também ensinou essa técnica. As escolas
orientais de tantrismo até hoje ensinam essa técnica. Portanto, essa técnica não
me pertence, não é minha; eu a aprendi com todos esses sábios, e a transmito
aqui, não como um artigo de fé, como um dogma. Aceita quem quiser. Mui-
tos aceitaram, mas muitos também a recusaram. Cada um é livre para pensar
como achar melhor; de minha parte, estou aqui apenas para dar minha mo-
desta opinião.
A técnica é simples, e consiste apenas na “conexão linga-yoni, falo-útero,
sem ejaculação da entidade do sêmen”. O doutor Krumm-Heller dava a fórmu-
la em latim: “Immissum Membrum Virile In Vaginam Feminae Sine Ejaculatio-
ne Seminis”...
Alguns cientistas modernos têm aceito essa fórmula. Nos Estados Unidos
foi criada a Comunidade Oneida com esse propósito. A experiência foi realiza-
da com 25 casais, os quais, durante determinado tempo, se uniam sexualmente
sem derramar o sêmen. Findo o período, eram feitos exames e estudos clínicos;
constatou-se plena seminização do cérebro, aumento da presença dos hormô-
nios no sangue, completa melhoria do corpo, aumento da potência sexual e o
desaparecimento de muitas enfermidades. Quando queriam gerar um filho, o
casal copulava normalmente, com derramamento de sêmen; dessa forma se
reproduziam42.
Seja como for, o interessante dessa técnica, que em verdade constitui o segre-
do dos segredos dos alquimistas medievais, consiste em não deixar as glândulas
sexuais se degenerarem. Quando elas se degeneram, também se degeneram a
Hipófise e as demais glândulas internas de secreção, fazendo com que todo o
sistema nervoso passe por degenerações. Então vêm a decrepitude e a morte.
Por que envelhecemos? Simplesmente porque as glândulas sexuais entram
em decrepitude. Com isso, degeneram-se também todas as demais glândulas
internas, e disso vem o envelhecimento e a morte. Mas se houvesse uma ma-
neira de evitar a decrepitude sexual, poderíamos conservar o sistema nervoso
em perfeita atividade; então deixaria de haver envelhecimento e morte, é óbvio.
Pois bem! Por meio dessa técnica – ‘conexão sexual sem derramamento do
sêmen’ – torna-se possível manter as glândulas sexuais ativas durante toda a

42 Em verdade, mesmo com a contenção sexual de parte do homem, a mulher pode engravidar, pois
sempre podem escapar alguns espermatozóides durante a união sexual, independente de haver ou não
ejaculação de sêmen. No caso do experimento realizado em Oneida, quando o casal queria filhos, copu-
lava com derramamento seminal.

95
vida. Isso significa que um homem, adepto desse sistema, pode alcançar uma
idade de 90 a 100 anos, mantendo a capacidade de copular e desfrutar do prazer
sexual, que é um prazer legítimo; não é um pecado ou um tabu; não deve ser
motivo de vergonha ou dissimulação. Repito: é um direito legítimo do homem...
Muito bem! Mediante a transmutação da entidade do sêmen em energia
ocorrem alterações psicológicas extraordinárias e se dá o desenvolvimento da
glândula Pineal. Essa glândula estava ativa em outros tempos bem antigos [Le-
múria]. Essa foi a época em que o ser humano possuía aquele olho do qual nos
fala Homero em sua Odisséia: o Olho dos Lacertídeos, o mesmo olho que os
companheiros de Ulysses viram naquele gigante que tentou devorá-los43. Esse
olho não é mera lenda, sem fundamento, como muitos crêem...
Mediante a transmutação sexual, essa glândula se desenvolve novamente e
entra em atividade outra vez. Ali está assentado esse olho que permite ver o ul-
tra de todas as coisas. Nosso mundo não é apenas formado de três dimensões,
como acreditam os ignorantes letrados. Existe uma quarta dimensão. Podemos
dizer enfaticamente que existe também uma quinta dimensão, e uma sexta e
uma sétima... Isso significa que jamais temos visto nosso mundo como ele é,
verdadeiramente. E nunca o vimos como é porque nossos cinco sentidos estão
degenerados e nossa glândula Pineal está atrofiada.
Existem outros sentidos que se acham completamente degenerados, os
quais, se conseguirmos regenerar, poderemos perceber o mundo como é, com
suas sete dimensões. A crua realidade dos fatos é que, mediante a transmuta-
ção sexual, podemos regenerar a Pineal e os demais sentidos internos que se
encontram atualmente atrofiados. Assim teríamos acesso a um mundo de co-
nhecimentos extraordinários, acessaríamos as dimensões superiores da natu-
reza e do cosmo, e poderíamos ver, ouvir e tocar as grandes realidades da vida
e da morte; poderíamos apreender, capturar, todos os fenômenos cósmicos em
si, tais quais são, e não como aparentemente se apresentam a nós.
A chave para isso é a transmutação sexual: transformar o esperma em
energia. É chegada a hora de compreender tudo isso de forma profunda e ínte-
gra. Qualquer pessoa que se propuser a praticar essa fórmula tão simples, essa
técnica ensinada por Brown-Sequard, Krumm-Heller e os alquimistas, posso
dizer a vocês com grande ênfase e com absoluta segurança, que essa pessoa, ao
longo do tempo, se transformará em Super-homem.

43 Trata-se do gigante Polifemo.

96
Todos necessitamos, sentimos a necessidade de mudar, de nos transformar
em algo diferente; claro, se somos reacionários, conservadores ou retardatários,
evidentemente não vamos querer mudar. Mas se somos revolucionários, vamos
querer mudar, ser diferentes, transformarmo-nos em algo distinto, converter-
mo-nos num Super-homem e fazer da doutrina de Nietzsche uma realidade.
Mediante a transmutação sexual é possível realizar uma mudança. A força
sexual nos trouxe à existência; isso é algo que não pode ser negado. Nós existi-
mos, vivemos, graças a um pai e a uma mãe. Em última análise, a raiz de nossa
existência está numa cópula entre um homem e uma mulher. Portanto, se a for-
ça sexual, se a energia do sexo teve poder de nos gerar e nos trazer à existência,
é claro que ela pode também, verdadeiramente, nos transformar totalmente.
Atualmente, no mundo, há muitas ideologias, muitas crenças e cada qual é
livre para crer naquilo que tiver vontade. Mas a única força que tem poder para
nos modificar é essa que nos criou, a que nos trouxe à existência. Refiro-me
especificamente à energia sexual; aprender a manejar essa maravilhosa energia
do sexo significa fazer-se senhor da criação. Quando o esperma se transfor-
ma em energia são criadas mudanças psico-somáticas. Sabemos bem o que
são esses vasos hormonais de nossas gônadas, como eles trabalham, como os
hormônios passam de uma glândula para outra e como, por fim, seguindo os
canais espermáticos, chegam à próstata. A próstata é muito valiosa. É ali que
ocorrem as maiores transformações da entidade do sêmen; por fim, os hormô-
nios passam à corrente sanguínea.
A palavra ‘hormônio’ vem de uma raiz grega que significa ‘ânsia de ser’ ou
‘força de ser’44. Os hormônios têm sido muito estudados por nossos homens
de ciência. Os hormônios sexuais, entrando na corrente sanguínea, realizam
maravilhas e prodígios. Quando eles tocam as glândulas endócrinas, sejam as
tireóides ou as paratireóides, os rins, as supra-renais ou a timo, elas são esti-
muladas, fazendo com que produzam mais hormônios, e esses, elaborados por
todas as glândulas de modo geral, enriquecem a torrente sanguínea de forma
extraordinária; com isso desaparecem as doenças e as enfermidades.
Infelizmente, hoje, o esperma que é elaborado pelas glândulas sexuais e
que em seguida sobe até a próstata, é desperdiçado, jogado fora; nem sequer
chega a ser decomposto ou transformado em hormônios e já é jogado para fora
do corpo. Em muitos casos, esse esperma nem chega a subir dos testículos à
próstata, quando já é eliminado do corpo.

44 Do grego ὁρμή, transliterado hormé, com o som de h aspirado. Em latim, ‘impetus’.

97
O caso dos masturbadores é bem pior. O vício da masturbação é algo terrí-
vel. Quando alguém se masturba, comete um crime contra a natureza. Depois
que ocorre a ejaculação, seguem ainda certos movimentos peristálticos no falo
[pênis]; isso sabem todos os homens... Por meio desses movimentos, o falo re-
colhe do útero da mulher a energia que necessita para alimentar o cérebro. Mas,
na masturbação, a coisa é diferente: o falo recolhe apenas ar frio do exterior, o
qual segue, depois, até o cérebro; dessa forma, muitas faculdades cerebrais do
masturbador são aniquiladas... Incontáveis pessoas acabaram indo parar num
manicômio por causa do vício da masturbação; um cérebro cheio de vento é um
cérebro retardado, cem por cento; portanto, condenamos esse vício, totalmente.
Bem diferente é a realidade quando se transmuta o esperma em energia;
mas isso só é possível durante a cópula, evitando-se, a toda custa, o derrama-
mento ou a ejaculação do sêmen, pois dentro dele, como diziam os alquimistas
medievais, está o ens virtutis do fogo, ou seja, a entidade ígnea do fogo.
Enriquecer o sangue com hormônios não me parece ser um delito; transmu-
tar o esperma em energia é algo bem documentado por homens como Sigmund
Freud e outros. Então, o importante é aproveitar todo o potencial sexual para
seminizar o cérebro e desenvolver a glândula pineal, a pituitária e outras; dessa
forma, obteremos uma maravilhosa transformação orgânica em todo o corpo...
O psicossomático está relacionado intimamente com o sexual. Uma su-
prassexualidade implica de fato também em algo suprassexual dentro do psi-
cossomático. Por isso, diria a vocês, com total clareza, que supra-sexuais foram
seres como Hermes, Quetzalcoatl, Buddha, Jesus... Todos foram seres supra-
-sexuais. Estes são o Super-homem de Nietzsche.
Qualquer um pode alcançar a estatura de Super-homem; basta entrar para
o terreno da supra-sexualidade, saber desfrutar do amor, saber desfrutar da
mulher, saber viver com alegria, com mais emoção e menos raciocínios inúteis.
O importante é a emoção; isso vale mais que o resto. Portanto, desde um
ponto de vista revolucionário, todos nós podemos nos transformar em ver-
dadeiros homens-Deuses, se assim quisermos. Basta que regeneremos as áre-
as cerebrais danificadas, pondo-as para trabalhar; assim poderemos fazer um
mundo melhor... No entanto, creio ser indispensável saber que a chave para a
transmutação significa também a chave para a regeneração...
Os antigos sábios nos falam do fogo solar, latente em toda a matéria orgâ-
nica e inorgânica. Esse fogo, naturalmente, está encerrado, no que se refere ao
homem, em seu sistema seminal. Não se trata de um fogo físico, mas sim, de

98
um fogo supradimensional, psicológico ou metafísico.
Esse fohat, palavra que significa ‘fogo’, de tipo estritamente sexual, que todos
sentimos durante a cópula, pode se desenvolver e expandir; então subirá desde
o sistema seminal ao longo da coluna vertebral. Ao subir, esse fogo desperta ou
ativa em nós nossos poderes, poderes esses que desconhecemos, poderes de
percepção extra-sensorial, poderes que divinizam. Mas é preciso despertá-los
mediante a transmutação da libido, sabendo desfrutar do amor. A mulher
também pode despertar esses poderes sabendo desfrutar do seu homem...
Esse fogo realiza prodígios. Os orientais o chamam de ‘Kundalini’. Nossos
antepassados mexicanos denominavam esse poder de ‘serpente’ por causa, di-
ziam eles, desse poder ter a forma de uma serpente sagrada que sobe ao longo
da coluna vertebral.
No Oriente fala-se da existência de Sete Centros [ou chakras] que existem
na coluna vertebral; são sete centros magnéticos que podem ser estudados com
placas magnetizadas e agulhas imantadas, além de outros sistemas de pesquisas...
O primeiro centro está localizado no cóccix; quando entra em atividade,
confere-nos determinados poderes sobre o elemento terra.
O segundo está na altura da próstata; ao ser ativado, confere-nos poderes
sobre o elemento água de nosso corpo.
O terceiro está na altura do umbigo; despertado, permite-nos manejar o
temperamento ardente e até mesmo agir sobre o fogo universal.
O quarto está na altura do coração; uma vez ativado, confere-nos poderes
especiais como telepatia e intuição, dentre outros.
O quinto encontra-se na altura da glândula tireóide, que secreta o iodo
biológico; confere-nos certo poder psíquico extraordinário: a clariaudiência, o
poder de escutar os sons do ultra.
O sexto está na altura do entrecenho, e nos dá o poder de perceber as di-
mensões superiores da natureza e do cosmo [clarividência].
O sétimo centro está na altura da glândula pineal; ativado, nos dá o poder
de ver os mistérios da vida e da morte [polividência].
Portanto, esses poderes encontram-se latentes dentro de nós e podem ser
despertados ou ativados com esse fogo chamado de ‘Kundalini’ no Oriente, o
qual sobe ao longo da coluna vertebral mediante a transmutação sexual. Para
que isso ocorra, é preciso operar com esse segredo [da transmutação sexual]
durante toda a vida. Quem assim proceder, se transformará num Super-ho-

99
mem e poderá penetrar no anfiteatro da ciência cósmica, entrar na universi-
dade da ciência pura e resolver os problemas que a ciência oficial ainda não
conseguiu resolver.
Até aqui minhas palavras desta tarde... Se tiverem algo a perguntar, sin-
tam-se totalmente à vontade para fazê-lo...
Pergunta: A cópula, como diz o senhor, trata-se de um produto ou se
trata de evitá-la?45
Mestre: Simplesmente, a única coisa que se busca com essa técnica sim-
ples, ensinada por Brown-Sequard e na Comunidade Oneida, é copular sem
ejacular o sêmen. Com isso, defendem esses sábios, o esperma sagrado (enti-
dade do sêmen) se transforma em energia. Portanto, o que vem a subir pela co-
luna não é o esperma, porque se fosse, ficaríamos loucos, mas sim, a energia do
esperma, que é algo bem diferente. Isso é o que chamamos de ‘transmutação’.
Qualquer um pode desfrutar do prazer sexual sem se debilitar... Normal-
mente, depois da cópula, o homem sente uma certa rejeição. Mas quando não
ejacula o sêmen, depois da cópula sente mais vontade de repeti-la, sempre feliz;
e tem prazer sem se debilitar...
Isso era ensinado na Comunidade Oneida, nos Estados Unidos. Isso tam-
bém ensinou Carl Jung, Brown-Sequard e todos os alquimistas e sábios de to-
das as partes do mundo.
Pergunta: O que é a entidade do sêmen?
Mestre: Bem, quando falamos ‘entidade do sêmen’ estamos nos referindo
ao esperma sagrado, ao esperma em si mesmo, de forma concreta, exata, só que
em linguagem um pouco mais elevada; do contrário, espantaríamos as pessoas;
por isso usamos essas palavras. Alguma outra pergunta?
Pergunta: Que tipo de sexualidade têm essas pessoas que chamamos de
‘masoquistas’?
Mestre: Pois o masoquista tem certa semelhança com o tipo ‘sádico’, com
a diferença que, em lugar de maltratar a outros, maltrata a si mesmo, como
preconiza o famoso marquês de Sade. O masoquista sente prazer criando dor
em si mesmo, de forma espantosa. Claro que é um tipo de infra-sexual, ligado
à esfera de Lilith, para falar em linguagem dos antigos sábios.

45 Parece que quem fez essa pergunta desconhecia a palavra ‘cópula’, pois parece acreditar que se trata
de um produto ou algo a ser evitado. O original diz literalmente: La cópula, como usted dice, ¿es tratando
que haya un producto o evitándolo?

100
CAPÍTULO 9
ESCLARECIMENTOS SOBRE O TANTRISMO

  

(...) Que haja amor entre marido e mulher porque o amor é a base, o fun-
damento, da Grande Obra. O Grande Arcano corresponde à ciência tântrica.
Existem três classes de tantrismo: Branco, negro e cinza.
Tantrismo branco é o Sahaja Maithuna sem ejaculação do ens seminis.
Como diz Paracelso, “dentro do ens seminis encontra-se todo o ens virtutis do
fogo”. Portanto, no tantrismo branco fica excluída a possibilidade da ejaculação
do ens seminis.
Tantrismo negro é diferente. Os tântricos negros cometem o crime de der-
ramar o Vaso de Hermes durante o Sahaja Maithuna, e isso é algo muito grave,
porque dessa forma desenvolvem o abominável Órgão Kundartiguador.
Quero que compreendam que mediante o tantrismo branco consegue-se
despertar a Serpente Sagrada em forma positiva. A Serpente é isso que pode-
mos denominar de Fogo Eletrônico Solar, é o Poder Sexual em seu estado mais
sutil, um tipo de Energia Transcendental.
O Fogo Sagrado, Kundalini, como se diz no Oriente, sobe pelo canal medular,
e, conforme sobe, vai despertando cada um dos Poderes Íntimos do ser humano.
No tantrismo negro tudo é diferente. Os tântricos negros cometem o crime,
como disse, de derramar o Vaso de Hermes. Com isso, em vez de subir, Kundalini
desce, se precipita, do cóccix para os infernos atômicos do homem. Esse fogo, quan-
do desce para as profundidades animais, é o que chamamos de Órgão Kundartigua-
dor, o qual transforma uma pessoa em personalidade tenebrosa, em diabo perverso.
Existe também o tantrismo cinza, no qual não se dá muita importância
quanto à questão de ejacular ou não ejacular o sêmen: as vezes é ejaculado, as
vezes não. Em conclusão, a única coisa que querem é perpetuar o prazer sexual,
o prazer da cópula química, com o propósito de satisfazer seus sentidos. Isso,
na realidade, é um delito que a nada conduz; ao longo do tempo transforma-se
em magia negra da pior espécie.

101
Então, o importante é o tantrismo branco; como disse anteriormente, de-
ve-se evitar a todo custo derramar o Vaso de Hermes. O desejo contido fará
subir, transformar ou transmutar o esperma em energia, e essa energia subirá
por determinados canais energéticos localizados ao longo da coluna vertebral.
No Oriente, esses canais são chamados de Ida e Pingala.
Chegará um momento em que as forças de Ida e Pingala, ou seja, os Po-
deres Solares e Lunares se unirão no Tribêni, próximo do cóccix, e, como
resultado, se dará o despertar de Kundalini, o qual subirá pela coluna e nos
transformará profundamente. Durante a prática do Maithuna deve-se cantar
os mantras I.A.O.
Pergunta: Em voz alta?
Mestre: Sim, pode-se cantar em voz alta; tanto melhor... Mas se não for
possível cantar em voz alta, cante baixinho, e se tampouco for possível cantar
em voz baixa, então cante mentalmente; tudo depende das circunstâncias.
O que não deve haver, durante a prática do Sahaja Maithuna, é paixão ani-
mal. É preciso haver pureza de pensamento... (...).46 Sem dúvida, o sexo possui
seu próprio sabor, ou seja, o estado erótico, e isso é natural. Mas luxúria é outra
coisa; luxúria é uma questão de pensamentos bestiais, de profanação. Havendo
esse tipo de pensamentos, existe luxúria, e é preciso evitar isso cuidadosamen-
te; não alimentar durante a prática pensamentos luxuriosos de nenhum tipo. É
necessária uma atitude edificante e essencialmente dignificante; é preciso haver
pureza no pensamento, na palavra e nas obras.
No começo, não é bom fazer práticas longas, visto que o corpo não está
acostumado e pode se ressentir. No começo, as práticas devem ser curtas,
quando muito, de apenas alguns minutos. Com o passar do tempo, pode-se
alongar o tempo da prática; tudo é uma questão de tempo.
Se desgraçadamente chegar a sobrevir um orgasmo do tipo fisiológico, pois
convém se retirar do ato imediatamente e deitar de barriga para cima, reter o
alento, se possível fechando as duas narinas com os dedos indicador e polegar.
Ao reter o alento, envia-se a corrente nervosa para baixo, aos esfíncteres que
se comunicam com as glândulas sexuais, diríamos, com a uretra, para evitar
assim que o sêmen seja eliminado. Se o esforço é muito grande, (...)47 então,
de forma alguma, isso é uma queda. Queda é somente quando o orgasmo foi

46 Falha na gravação.
47 Falha na gravação.

102
provocado pela vontade. Mas se o orgasmo veio de forma involuntária, e além
disso, o tântrico luta e se esforça para impedir o espasmo e a perda do licor
seminal, então não é uma queda... Repito: A queda somente ocorre quando o
orgasmo é provocado, quando existe a vontade, quando alguém se dobra dian-
te da besta, sem evitar cuidadosamente o orgasmo fisiológico.
Pergunta: Para os casais que estão começando é importante praticar
com a Chave Tao ou não?48
Mestre: Nunca ouvi falar dessa Chave Tao, exceto pelo Mestre Gargha
Kuichines. Portanto, não sei nada sobre esse tipo de prática, e, como nem a
conheço, nem a usei, nem pratiquei com ela, não posso dizer nada a respeito...49
Pergunta: Num livro seu, creio haver ilustrações sobre diferentes posi-
ções tântricas, certo?
Mestre: Precisamente, no meu livro O Mistério do Áureo Florescer, apre-
sentei todas as posições sagradas. Algumas, inclusive, estão ilustradas. É acon-
selhável estudar bem esse livro porque através dele vocês poderão se orientar
inteligentemente sobre o tema. Eu não posso falar nada da ‘Chave Tao’ porque
não a pratiquei. Sempre trabalhei com o Sahaja Maithuna baseado unicamente
nas asanas que são ensinadas no Oriente, Índia e Tibete, para essa prática. Não
quero dizer que a ‘Chave Tao’ não seja útil. Para o Mestre Gargha Kuichines deu
resultado, e possivelmente para alguns outros que a tenham praticado, também
lhes tenha dado resultado. Abstenho-me de opinar porque não a experimentei,
e ninguém pode conceituar algo que não tenha experimentado diretamente.
Pergunta: Ou seja, sobre as posições, creio ser essa a mais favorável por-
que é a que menos risco apresenta.
Mestre: Seja como for, nesse livro, O Mistério do Áureo Florescer, estão
todas as posições tântricas ou asanas tântricas usadas no Oriente para a prática
do Maithuna.
Pergunta: E quanto ao mantra I.A.O., quando cantamos em voz alta, a
mente deve se voltar ao pensamento dos vapores seminais subindo pela coluna?
Mestre: Pois o melhor é não pensar nada: o que sobe, sobe, e sobe sem

48 Essa ‘chave Tao’ jamais foi mencionada ou citada pelo Mestre Samael em qualquer outro livro,
exceto aqui, nesta pergunta; parece ter sido algo criado pelo discípulo de Samael na Colômbia, Julio
Medina Vizcaino.
49 Nós, editores e tradutores das obras do V.M. Samael no Brasil, também jamais ouvimos falar dessa
Chave Tao.

103
precisar pensar. É claro que ao refrear o impulso animal, o esperma sagrado
se transforma em energia. Essa energia, por sua vez, se bipolariza em corren-
tes solares e lunares, positivas e negativas. As correntes positivas sobem por
Pingala e as negativas por Ida. É um par de condutos nervosos que existem ao
longo da coluna vertebral, e é por eles que sempre sobem as correntes solares e
lunares. Os átomos solares são positivos, os lunares, negativos. Quando fazem
contato no Tribêni, junto ao cóccix, ocorre o despertar do Fogo Sagrado.
Pergunta: Durante a prática do Grande Arcano é um momento bem
oportuno para pedir a eliminação dos defeitos?
Mestre: Sim, é verdade! Durante a prática, aquele que quiser, pode pedir à
Divina Mãe Kundalini, a Shakti Potencial, nossa Mãe Cósmica pessoal – cada
qual tem a sua – para que elimine de nossa natureza psíquica esse ou aquele
erro ou defeito psicológico, que já tivermos compreendido em todos os níveis
da mente. É preciso suplicar... As sagradas escrituras dizem: ‘Pedi e vos será
dado, batei e vos será aberto’.
Pergunta: Durante a prática do Maithuna forma-se um Querubim?
Mestre: Durante o Maithuna, as forças masculinas e femininas se misturam
e, naturalmente, pode ser usada uma certa potência interna para (...)50. Em todo
caso, o vital, o que verdadeiramente interessa, é a súplica à Shakti Potencial, à
Mãe Cósmica particular. Na Kabala fala-se muito sobre os Sephiroth. Mencio-
nam-se Kether, o Ancião dos Dias, a Verdade das Verdades, a Misericórdia das
Misericórdias, o Oculto do Oculto. Depois, segue Hokhmah51, o Cristo Íntimo.
A seguir vem Binah, o Espírito Santo, o Senhor Shiva, o Arqui-hierofante e Ar-
quimago. Por sua vez, o Senhor Shiva desdobra-se na Mãe Cósmica particular
de cada um de nós. Claro que nem é preciso dizer que cada um de nós tem o seu
Shiva particular, bem como seu Hokhmah e seu Kether... Extraordinário é esse
Shiva particular desdobrado na Mãe Kundalini... Ela, a Divina Mãe, é a Eva de
cima, a Eva Celeste; esse divino casal é o fundamento de tudo.
Depois, seguem os demais Sephiroth da Kabala. Primeiro vem os do Tri-
ângulo Ético: Chesed – o Íntimo. Geburah – nossa Alma Espiritual, feminina.
Tiphereth – nossa Alma Humana, masculina.
Em seguida, temos o Triângulo Mágico, formado por Netzah – o mundo
mental, a mente particular; Hod – o astral; e Jesod – o corpo etérico ou vital, o

50 Falha na gravação.
51 Muitos escrevem Chokmah. A pronúncia é Hokmah, com H aspirado.

104
linga sharira. Por fim, temos Malkuth, o mundo físico.
O que quero te dizer é que Ele e Ela – Shiva-Shakti – nosso Pai e nossa Mãe
– encontram-se na Pedra Cúbica de Jesod, ou seja, na Nona Esfera, no sexo.
É ali que eles se unem e se encontram sexualmente. Ali também é onde está
Daath, a Sephira da Sabedoria, da Inteligência, da Compreensão e, sobretudo,
a Sephira da Ciência Tântrica.
É inquestionável que Daath é tântrico. Só por meio do tantrismo pode-
mos conseguir a auto-realização íntima do Ser. Sem tantrismo, sem Daath, não
é possível chegar à auto-realização. Existem escolas que pensam ser possível
despertar Kundalini por meio do Pranayama. Essa idéia carece de base. Quem
pensa dessa forma equivocada não são verdadeiros Iniciados ou, pelo menos,
não conseguiram a Iluminação.
Pergunta: Pranayama é o que denominam de ‘prática de transmutação
de solteiros’?
Mestre: Pranayama é o sistema de transmutação de energias sexuais por
meio da respiração; também prática para solteiros. Sem dúvida, esse sistema
é muito indicado para limpar os canais de Ida e Pingala. Durante essa prática
costumam escapar algumas fagulhas do centro coccígeo, desse centro em que
está encerrado o Fogo Serpentino, as quais sobem pela coluna ao longo do
Canal de Sushumna, e isso faz com que sejam produzidas algumas iluminações
ou despertares...
Acontece que esses que ainda não se auto-realizaram ou os que ainda não
estão realmente (...)52. E, para falar ainda mais claro, sem incorrer em impreci-
sões de nenhuma classe, crêem que pelo fato de uma chispa haver se despren-
dido da base da coluna, já atingiram a Iluminação ou já despertaram o Fogo de
Kundalini – mas isso não é verdade. Kundalini somente desperta por meio da
prática da ciência tântrica, por meio da sábia combinação dos poderes mascu-
linos e femininos.
O fato de esse chakra ou centro psicofisiológico, onde está Kundalini, esteja
localizado entre os órgãos sexuais e o ânus, já sinaliza muita coisa. Quando
observamos cuidadosamente a forma desse chakra, podemos ver ali um yoni
ao centro, e dentro do yoni há um falo ou um linga, e em torno desse linga está
enroscada a Serpente Sagrada.
É bem interessante perceber tudo isso, não? No centro do chakra básico exis-

52 Falha na gravação.

105
te um linga-yoni em gesto esotérico, místico ou mágico – e isso nos convida à
reflexão. Não esqueçamos que o linga é o falo [pênis] e o yoni é o útero. E repito:
devemos meditar muito nesse fato de a Serpente Sagrada estar enroscada três
voltas e meia, precisamente em torno desse falo mágico, que está no centro do
chakra e dentro do yoni. Isso sinaliza claramente que só por meio do linga-yoni é
possível despertar a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes. Qualquer outro
sistema para despertar Kundalini acaba sendo absurdo, contrariando a constitui-
ção fisiológica, ou melhor diríamos, psicofisiológica do chakra Muladhara.
Portanto, unicamente por meio do erotismo sexual transcendente se con-
segue o despertar da Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes. Ela sobe pela
coluna medular e, na subida, desperta cada um dos centros, chakras ou igrejas
ali existentes.
A primeira igreja a ser aberta é a de Éfeso, que nos confere poderes sobre
o reino mineral.
A segunda igreja está na altura da próstata; é a Igreja de Esmirna. Como
a mulher não tem próstata, então dizemos que ela se localiza na altura do úte-
ro, pois, na mulher, não existe centro prostático, e sim, centro uterino, chakra
uterino ou Igreja de Esmirna, a qual, ao ser ativada ou despertada, nos confere
poderes sobre as águas da vida.
A terceira igreja que é despertada é a de Pérgamo; está localizada na região
do plexo solar. Ela nos dá poder de telepatia e também poderes sobre o fogo
universal.
A quarta igreja que se abre é a de Tiatira, localizada na região do coração.
Despertado esse chakra podemos entrar e sair do corpo físico à vontade; des-
pertado esse chakra podemos manejar os estados jinas. Quando alguém leva
seu corpo físico pela quarta dimensão, naturalmente está usando os poderes
do centro cardíaco.
Subindo um pouco mais, entramos na quinta igreja, que é a de Sardis.
Quando o fogo alcança a região da garganta ou da laringe criadora, essa igreja
é aberta, e então adquirimos a clariaudiência.
Quando o Fogo alcança a altura do entrecenho, abre-se a igreja de Filadél-
fia, e adquirimos a clarividência.
Por fim, quando o fogo alcança a altura da glândula pineal, se abre a igreja
da Laodicea, e então adquirimos a polividência, a intuição. É nesse centro onde
se realiza o casamento de Shiva-Shakti.

106
A Shakti ou a Mãe Divina deve subir como uma serpente, como uma ví-
bora, ao longo da coluna espinhal, pelo canal medular. É na glândula Pineal
que Ela formalmente se une com o Senhor Shiva. Por isso, na cabeça existe
um Tattwa que vibra intensamente: é o Tattwa Shiva-Shakti. Por fim, o fogo
transforma-nos radicalmente...
O Fogo possui sete graus de poder. É necessário desenvolver cada um desses
graus. No entanto, devemos falar claro: Somente desfrutaremos de todos os po-
deres do Fogo ou de Kundalini quando Ela, a Serpente, nos devorar totalmente.
Ela deve primeiro engolir a alma e depois devorar o Espírito. Quando Ela tiver
devorado totalmente o Espírito, verdadeiramente iremos desfrutar dos Sagrados
Poderes da Serpente. Antes disso, tudo não passa de meros estágios preparató-
rios. Mas virá ainda o dia em que a própria Serpente será devorada pela Águia,
mas isso já representa um trabalho iniciático ainda mais avançado...
A Águia é o Terceiro Logos, o Espírito Santo, o Senhor Shiva, o Arqui-
-hierofante, o Arquimago. Quando ele devorar a Serpente, restará em nós uni-
camente a Serpente Emplumada. Por que? Porque Ela é a Serpente; e a Águia é
o Terceiro Logos. Quando o Terceiro Logos devora a Serpente, então forma-se
a Serpente Emplumada [a Serpente com penas], que no México é denominada
de Quetzalcoatl. Mas se trata do Homem Auto-realizado, do Homem Perfeito,
do Homem Ressurrecto, do Homem-Deus...
Pergunta: Os artistas pintaram uma águia devorando uma serpente. É
a mesma coisa?
Mestre: Exatamente! Nesse símbolo que vemos aqui na bandeira mexicana
isso está bem representado: A águia, o Terceiro Logos, deve engolir a serpente.
Mas, antes disso, a serpente deve nos devorar, devorar nossa alma, nosso espí-
rito, engoli-lo... Feito isso, então o Terceiro Logos, a Águia, devora a Serpente.
Pergunta: Isso significa que quando a serpente devora a alma, devora
tudo, é quando os defeitos já foram eliminados?
Mestre: Claro que sim! A Mãe Divina não come nada imundo, não come
restos. Jamais a Serpente Sagrada poderia comer algo indigno. Para Ela poder
devorar a alma, o espírito e todos nossos princípios conscientivos superiores,
já devemos ter eliminado radicalmente todos os nossos elementos subjetivos,
nossos defeitos, egos, etc. Enquanto tivermos algum elemento bestial dentro
de nós, Ela não poderá nos devorar. Repito: Ela não come nada imundo, ela
não come restos. Quando a Serpente nos devora, nós nos transformamos em
Serpentes. Por isso diz Votan, o Grande Mestre mexicano: “Penetrei pelo buraco

107
da Serpente, buraco esse que se estende do centro da Terra à raiz do Céu. Pude
fazer isso porque também sou uma Serpente”.
Lembremo-nos dos grandes Hierofantes da Babilônia, Grécia (...)53. As asas
ígneas que brilham nas costas dos Anjos são as mesmas que estamos falando.
Elas sempre são abertas pelo Fohat, são as Asas do Caduceu de Mercúrio, de
maneira que, o mais importante de tudo, é chegar a ser devorado pela Serpente...
Pergunta: Mestre, em relação à prática do Grande Arcano: o simples
fato de homem e mulher estarem unidos sem luxúria, com amor, mas sem
luxúria, produz todo tipo de fenômenos ou é necessário pôr algo mais em
relação à mente ou quanto aos mantras? Ou só a união em si é suficiente-
mente forte para isso?
Mestre: A simples união homem-mulher é mais que decisiva, porque nes-
ses instantes, Adam-Eve são um único Ser, um andrógino perfeito. É inquestio-
nável que, nesses momentos, estão envoltos com luz magnética extraordinária.
Se não cometerem o crime de derramar o Vaso de Hermes, então reterão essa
luz e com ela poderão se transformar, se purificar... Existem duas árvores que
são básicas na vida: A Árvore da Ciência do Bem e do Mal e a Árvore da Vida.
A Árvore da Ciência do Bem e do Mal é o sexo. A Árvore da Vida é for-
mada pelos dez Sephiroth descritos na Kabala hebraica. São as dez Regiões ou
Esferas supra-sensíveis que os esoteristas denominam de:
Kether – o mundo do Pai.
Hokhmah – o mundo do Cristo.
Binah – o mundo do Espírito Santo.
Chesed – o mundo de Atman, o Inefável, o Espírito Universal de Vida.
Geburah – o mundo Búddhico ou intuicional.
Tiphereth – o mundo causal.
Netzah – o mundo da mente.
Hod – o mundo astral.
Jesod – o mundo etérico, o fundamento sexual.
 alkuth – o mundo físico. Essas dez Regiões formam o universo ou isso
M
que é denominado de Árvore da Vida.

53 Falha na gravação.

108
Pergunta: (...)54 os sete corpos: corpo mental, corpo vital, corpo astral?
Mestre: Bem... Claro que o humanóide ainda não tem essa estatura. O hu-
manóide comum e corrente acredita que os possui, mas ainda não os têm.
Pergunta: É preciso criá-los?
Mestre: O humanóide comum e corrente tem apenas o corpo planetário
[físico]; dentro do corpo planetário está o assento vital, esse que sustenta os
princípios orgânicos, que serve de base para os princípios vitais. Um pouco
mais no fundo, o humanóide tem o ego, o eu, o mim mesmo.
Mas existe algo muito nobre dentro do humanóide: a Essência. No entanto,
essa Essência anímica é apenas uma fração de Tiphereth, uma fração engarra-
fada, embutida, enfrascada, nos agregados psíquicos que formam o ego, o eu,
o mim mesmo, o si mesmo.
Portanto, o animal intelectual se arroga coisas que não possui; presume
ter um corpo sideral, de possuir um corpo mental, causal e tantas outras coi-
sas mais, porém, realmente, nada disso ele forjou; para possuir tais corpos, é
preciso criá-los, e sua criação somente é possível mediante a transmutação do
esperma em energia.
Em outros tempos a vida humana era diferente. Por exemplo, no tempo da
Lemúria, as pessoas viviam de acordo com o princípio Fulasnitaniano, o qual
permitia que os seres humanos vivessem larguíssimos tempos, alcançando de
12 a 15 séculos de vida. Cada pessoa vivia de 12 a 15 séculos, tempo esse mais
que suficiente para criar os corpos existenciais superiores do Ser mediante o
cumprimento do Dever Parlock.
Que dever é esse? O Dever Parlock do Ser é o Dever Cósmico, e é preciso
cumpri-lo. Os lemurianos cumpriam esse dever, e assim prolongavam a vida
por até 15 séculos, tempo mais que suficiente, como dito antes, para criar os
corpos existenciais superiores do Ser. Porém, o animal intelectual se esqueceu
disso quando desenvolveu o Órgão Kundartiguador. A partir dali, sua vida en-
curtou e ficou submetido a uma outra lei, bem diferente, a mesma lei que rege
a vida de todos os animais: O princípio Itóklanos55.
Desde então, baseado nesse princípio, o animal intelectual morre quando

54 Falha na gravação.
55 Itóklanos, Fulasnitaniano e outros termos como esses são mencionados por Gurdjieff em sua obra
Relatos de Belzebu a seu Neto, onde também está explicado como o homem chegou ao estado atual a
partir de sua origem.

109
menos espera; sua vida dura como de 60 a 80 anos; já não tem mais tempo
para criar os corpos existenciais superiores do Ser, a menos que se dedique
totalmente a isso.
Quando o ser humano ainda vivia de acordo com o princípio Fulasnitaniano,
tudo era diferente, porque então ele cumpria maravilhosamente o Dever Cós-
mico. Esse dever consiste em se fazer consciente de todas as atividades dos
cinco centros da máquina orgânica. Os cinco centros são: intelectual, motor,
emocional, instintivo e sexual. Os lemurianos não aceitavam em sua mente,
em seu intelecto, nenhuma informação, nenhum dado do qual não tivessem
plena consciência. Por exemplo, ao estudarem um livro, eles passavam anos
inteiros estudando-o, porque tinham que se fazer plenamente conscientes de
cada palavra do livro; tinham que verificar nos mundos superiores da consci-
ência cósmica antes de poderem aceitá-lo. Sempre estudavam a fundo, com a
consciência. Possuíam a Razão Objetiva; seu raciocínio se fundamentava basi-
camente nos distintos processos da consciência [e não da mente].
Hoje, as coisas são diferentes; as pessoas lêem maquinalmente, de forma
automática. Quando observamos as pessoas lendo seus jornais, ficamos assom-
brados; parecem entes mecânicos... O mesmo ocorre com os livros e com todo
o resto. Por isso é que a razão dessas pessoas é meramente subjetiva. Quando
o animal intelectual deixou de cumprir o Dever Parlock do Ser, se degenerou...
Porém, vamos um pouco mais adiante... Depois do centro intelectual, te-
mos o centro emocional. Esse centro é muito importante, mas, infelizmente, as
pessoas não têm consciência de suas emoções. Observemos as pessoas numa
tourada e vejamos as aberrações que fazem... Mulheres arrancam suas roupas
íntimas e as jogam para os toureiros, enfim, barbaridades... O que indica tudo
isso? Se deixam levar pelas emoções violentas; não possuem nenhum controle
sobre suas emoções. Os lemurianos eram conscientes de suas emoções; jamais
aceitavam emoções inconscientes, pois cumpriam o Dever Cósmico.
Agora, quanto ao centro motor... Já sabemos que ele se relaciona com nos-
sos atos, costumes, atitudes, hábitos, etc. Os lemurianos eram conscientes de
seus atos e podiam modificá-los à vontade. Não aceitavam ações mecânicas,
inconscientes, pois cumpriam o Dever Cósmico.
Quanto ao centro instintivo, eram bem conscientes de seus instintos; exis-
tem muitos instintos em nós; eles sabiam cumprir o Dever Cósmico e não
deixavam seus instintos os conduzirem de forma mecânica; de tudo faziam
consciência...

110
Por fim, o centro sexual; eles, os lemurianos, eram conscientes das ativida-
des sexuais; não cometiam o erro de extrair do corpo o esperma sagrado; pelo
contrário, transmutavam para fazer bom proveito do Hidrogênio Sexual Si-12.
Com isso, esse Hidrogênio passava para uma oitava superior e se desenvolvia
dentro das notas musicais Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si. Assim cristalizavam isso
que chamamos de corpo astral; criavam o corpo astral.
Depois, levando o Hidrogênio Sexual Si-12 a uma segunda oitava, criavam
o corpo mental. Levando esse mesmo hidrogênio a uma terceira oitava, cria-
vam o corpo causal ou da vontade consciente.
Não é preciso cantar as notas musicais. Esses sons se perpetuam durante
a própria transmutação, por si mesmos, sem que seja necessário fazer nada.
Assim, portanto, criamos nossos corpos superiores. Após, recebemos em nossa
natureza íntima o princípio interior da alma, a Alma Causal ou a Alma Huma-
na. Assim nos transformamos em Homens.
Mas quando, naquele tempo, desenvolveu-se o Órgão Kundartiguador na
espécie humana, tudo mudou; surgiu na mente humana uma anomalia, uma
desordem. Mais tarde, esse órgão foi retirado da espécie humana, mas perma-
neceram as más consequências: a cristalização dos erros cometidos durante o
período da existência desse órgão. A partir dali, a Essência, o princípio aní-
mico, permaneceu ou se enfrascou nas más consequências desse abominável
órgão Kundartiguador.

111
II PARTE
  

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Nota do editor brasileiro: As perguntas e respostas apresentadas a seguir foram


feitas no México, logo após a conferência do Mestre Samael Aun Weor, dirigida
exclusivamente às mulheres, por ocasião do I Congresso Internacional de Antro-
pologia Gnóstica, realizado em Guadalajara em outubro de 1976. Esta conferên-
cia foi transcrita e publicada originalmente em espanhol, tendo sido traduzida
aqui neste livro, no Capítulo 2. Disse o Mestre na ocasião: “Agora, aqui, estamos
abertos ao diálogo; todas as irmãs que tiverem perguntas a fazer, podem fazê-las
com total liberdade...”.56

56 Tomamos, como referência para traduzir as perguntas e respostas desta II Parte, a edição impressa de
Ediciones Gnósticas Hermes Trismegisto, de Lima, Peru, e também as transcrições realizadas e publicadas
pela AGEAC, apud El Quinto Evangelio – Tomo 2, Espanha, primera edición, diciembre 2000.

112
Pergunta: Foi me dito que o único que poderia me curar, se estivesse em
graça de Deus, era o Mestre Samael...
Mestre: Bem, daremos ajuda em forma psíquica. Todas as noites, quando
for uma hora da manhã, acenda três velas e faça a concentração; sentirei a cha-
mada telepática e darei ajuda. Amém.
Sigamos com as perguntas doutrinárias; entendo que todas querem per-
guntar; portanto, que comecem a perguntar; para todas darei resposta...

Pergunta: A Bíblia fala de Ester... O que me chamou a atenção foi que o


esposo dela primeiro teve que se casar com outra mulher que não ela; teve
que trabalhar sete anos e após foi dada uma esposa que não Ester. Depois
trabalhou mais sete anos para ter direito a se casar com Ester. O senhor
poderia nos explicar isso?
Mestre: A Bíblia fala de Ester, a qual, por fim, veio a se tornar esposa do
rei... Bem, isso foi devido a que se tornou digna de ser tomada por esposa.
Claro, no fundo, esse assunto é esotérico... A mulher ou a alma que elimina os
elementos bestiais que leva consigo, ao fim se casa com seu Real Ser interior
profundo. Mas antes deve lutar, se esforçar e sofrer para ser recebida pelo rei
Assuero. Foi assim que ela se tornou esposa do rei...57

Pergunta: O ritual de Segundo Grau diz: “Devereis reunir bens, provi-


sões, mulheres e aromas...” Qual o significado esotérico dessa frase?
Mestre: É totalmente simbólico; significa que cada um deve triunfar to-
talmente, de tornar-se um triunfador, saber manejar com precisão as coisas
do mundo, dominar o de cima e o de baixo. Hermes Trismegistos diz: Sobe
da Terra ao Céu e logo regressa novamente à Terra para tornar a subir, e assim
terás poder sobre o de cima e sobre o de baixo; penetrarás em toda coisa sutil e
também todas as coisas densas”. Portanto, a chave do poder está nisso; daí di-
zemos: “Reunireis bens, provisões, mulheres e aromas”, que significa aprender
a manejar o de cima e o de baixo, com maestria.

57 Há algo importante a ser esclarecido aqui. O fragmento de história mencionado na pergunta, em


verdade, refere-se a Jacó que teve que trabalhar 14 anos pelas duas esposas e mais outros 6 anos pela
família e rebanhos (ver Gênesis 31:41). Mas Ester, de fato, foi feita rainha após Vasti (primeira esposa de
Assuero), ter se negado a se apresentar diante do rei (ver Ester, 1 e 2). O Mestre respondeu corretamente
sobre Ester, provavelmente estando ciente da confusão de quem fazia a pergunta.

113
Pergunta: Esta frase também se aplica às mulheres?
Mestre: Aplica-se da mesma forma, porque o ritual não diz “reúnam ho-
mens de toda classe” e que “se tornem poderosas no mundo”... Não, simplesmen-
te é a mesma coisa: aprender a manejar com idoneidade “o de cima e o de baixo”.

Pergunta: Quais os efeitos que ocorrem com aqueles que trabalham


com análise laboratorial pelo contínuo contato com o sangue de pessoas?
Mestre: Sempre há algum tipo de contaminação devido aos fluidos psíqui-
cos do sangue, que de uma forma ou outra faz com que o analista se conecte
mentalmente com os doadores do sangue. Nietzsche dizia: “Escreve com san-
gue e aprenderás que sangue é espírito”. O doutor Fausto58, encantador e mago,
dizia: “Este é um fluido muito especial”. Quando alguém recebe sangue de ou-
tra pessoa, fica conectado psiquicamente com o doador, chegando ao ponto de
receber sua influência kármica.

Pergunta: Quem é influenciado: o doador ou o receptor?


Mestre: Ambos, porque se cria um fio magnético entre doador e receptor.
Não é nada bom ficar conectado com outra pessoa e até certo ponto partici-
pando do karma alheio, com o reflexo do karma do outro. Melhor evitar as
transfusões de sangue... Quanto aos que trabalham em laboratório de análises
clínicas, sempre acabam recebendo as vibrações dessas correntes sanguíneas, e
de alguma forma acabam conectadas com aqueles que deram o sangue, com os
quais nem deveriam estar relacionados.

Pergunta: O que pode ser feito para um laboratorista se limpar dessas


influências?
Mestre: Nada, unicamente buscando outro tipo de trabalho. Existem ou-
tros tipos de trabalhos, não somente esse...

Pergunta: Mestre, tenho uma pergunta pessoal... Sofro quase conti-


nuamente de dores de cabeça. Agorinha mesmo, tive que fazer um grande
esforço para vir aqui por causa da dor de cabeça. Gostaria de saber o que

58 Johannes Georg Faust (1480-1540) – médico e alquimista alemão.

114
preciso fazer e como o senhor poderia me ajudar com essa situação.
Mestre: Está claro que essas dores de cabeça que duram per saeculum sae-
culorum amém são devidas aos danos da parte mental... Possivelmente numa
vida anterior fizeste mau uso da mente, e agora tens que passar por esses sofri-
mentos. Isso é kármico. É necessário curar o cérebro desde um ponto de vista
psíquico. Invoque a Pedro, o apóstolo do Cristo, e ele atenderá teu chamado.
Todas as noites, na hora de se recolher, te concentrarás em Pedro. Então, em
nome do Cristo, peça a ele que cure a tua mente. Esse trabalho costuma ser lon-
go, árduo e difícil, mas dentro de algum tempo, se não desistir antes, tua mente
ficará perfeitamente curada. Com os procedimentos normais da medicina, será
bem difícil curar tua mente. Os médicos não sabem curar essas coisas.

Pergunta: Perdão, Mestre, também quero lhe perguntar sobre minhas


dores nos ossos...(...)
Mestre: Tudo isso é apenas reumatismo. Isso pode ser curado com quero-
sene e sal queimado. Põe-se o sal a esquentar numa panela e depois mistura-se
um pouco de querosene. Com um pedaço de pano massageie diariamente os
locais em que sentir dor....
Mestre: Um momento, por favor... Estou vendo aqui que as irmãs estão
querendo se desviar do tema... Não vamos fazer deste encontro um consultório
médico... Porque se vão perguntar apenas sobre enfermidades, ficaremos sem
fazer outras perguntas, e isso não é justo, não é justo...

Pergunta: Qual o significado do mantra O AO KAKOF NA KHONSA?


Mestre: Estes são mantras para transmutação, tanto para homens quan-
to para mulheres. Vocalizam-se desta forma: OOOO-AAAAOOOO-KAA-
AKOOOF-NAAAA-KHOOONSSSAAAA... O som da vogal O faz vibrar as
gônadas masculinas e femininas, realizando transmutações. Até com Raios X
se pode observar as gônadas, tanto no homem quanto na mulher, ao se vocali-
zar o som de O. O som de K é maravilhoso; formam-se arcos semelhantes aos
dos templos de Yucatã, evidentemente, quando vistos pelos sentidos da auto-
-observação psicológica ou clarividência. O som de KOF vale-se também do
K dos templos de Yucatã, golpeando as gônadas para a transmutação. Na faz
vibrar o alento. KHON torna a golpear as gônadas. Sa novamente faz vibrar o
alento. Em resumo, esse mantra é toda uma poderosa maquinaria mágica para

115
fazer subir a energia criadora para dentro e para cima; é indicado a se vocalizar
especialmente quando se trabalha na Nona Esfera. Aqueles que estão traba-
lhando na Forja dos Ciclopes, durante a cópula química podem pronunciar
esses mantras, e assim, realizarão a transmutação sexual, evitarão as quedas
sexuais e poderão conjurar o perigo de derramar o Vaso de Hermes.

Pergunta: No caso de a mulher ser gnóstica e o marido não, ela pode


ser Ísis?
Mestre: E por que não? Que delito cometeu? Só por que o marido não é
gnóstico? Isso é problema dele, mas não é ele que atua como Ísis. Portanto, se
ela não fez mal algum...

Pergunta: É que se subentende que ele fornica com ela e assim não po-
deria ser...
Mestre: Sim, mas o que importa mesmo é que ela não seja fornicária, o
importante é que ela não alcance o orgasmo fisiológico.

Pergunta: O mantra Kandil Bandil também pode ser usado na trans-


mutação?
Mestre: Vou dizer algo: Há muitos anos conversava eu com o Anjo Aroch,
Anjo de Mando, e me ocorreu então de perguntar a ele, cara a cara, frente a
frente, a respeito de algum mantra para despertar Kundalini. Perguntei então:
- Mestre, o senhor pode me dar um mantra, o mais poderoso que existir no
universo, para despertar Kundalini?
Então ele respondeu:
- Claro que sim, com muita alegria. Então ele cantou o mantra, assim:
KAAAAN-DIIIIL, BAAAAN-DIIIIL, RRRRRRRRRR... O som de R é vocali-
zado de forma bem aguda.59
Esse é o mantra mais poderoso que existe em todo o cosmo para despertar
Kundalini. Claro, o mantra pode ser usado durante o trabalho na Forja dos

59 Em outros livros o autor ensina que esse mantra é cantado assim: Kan em voz bem alta, Dil em
voz baixa; Ban em voz bem alta e Dil em voz baixa. E o Rrrrr de forma bem aguda, como uma criança
imitando o som do motor de um carro em alto giro.

116
Ciclopes. Os casais que trabalham na Nona Esfera podem utilizá-lo toda vez
que sentirem necessidade de cantá-lo. Desse jeito, em pouco tempo desperta-
rão a Serpente Sagrada.

Pergunta: Esse mantra deve ser usado ao terminar a prática do Arcano


ou durante o mesmo?
Mestre: Antes da prática, durante a prática e depois da prática...

Pergunta: O senhor tem conhecimento da existência de uma clínica loca-


lizada no México, na qual dizem fazer curas com a ajuda dos extraterrestres?
Mestre: Isso tudo é mentira. A verdade é que enquanto não eliminarmos
o ego, não é possível fazer contato com as inteligências superiores do universo.
Portanto, vamos deixar de ilusão; tratemos de eliminar o ego, e uma vez que
o tenhamos reduzido a cinzas, a Consciência despertará e, então, poderemos
entrar com contato com os seres inefáveis do universo.

Pergunta: Mestre, a prática da morte do ego me é bem difícil. Trato de


fazê-la, mas quando creio já haver analisado e compreendido um dos egos,
de repente ele volta a aparecer; então não sei se estou fazendo corretamente.
Por mais explicações que me dêem – quer dizer, eu entendo a parte teóri-
ca – mas ao fazer a meditação de compreensão do ego, todo esse processo,
não sei se estou fazendo corretamente. Talvez o senhor pudesse dar alguma
orientação mais precisa sobre isso.
Mestre: Francamente, não vejo dificuldade nenhuma nisso. Não vejo ne-
nhum problema em alguém se auto-observar durante o dia, para ver o que
encontra. De repente, tem um ataque de ira, de coragem, e com isso vem a
descobrir que tem o Eu da Ira. Então, deve tratar de compreendê-lo, de refletir
sobre ele, tratar de, vamos dizer, reviver a cena de ira ocorrida durante o dia, e,
uma vez que tenha compreendido isso, então deve desintegrá-lo. Concentre-se
na Mãe Divina e chora, chora e chora, até por fim Ela desintegrar esse Eu de
Ira. Que trabalho existe nisso? Não vejo trabalho algum... Vocês vêem alguma
dificuldade aí? Eu não vejo nada...

Pergunta: Mestre, mas existe algo aí: alguém pode ter vários eus que
atacam ao mesmo tempo, e pode ocorrer de um se manifestar de forma

117
mais violenta e outro mais sutilmente, e ambos serem bem perigosos. Qual
deles devo desintegrar primeiro?
Mestre: Nesse trabalho de desintegração não deve haver preferências. A lei
deve ser igual para todos, custe o que custar. Trabalha-se com o menor e tam-
bém com o maior, e a ambos devemos pulverizar. Agarra um e segura o outro.
Não se complique tanto com a mente; simplifica um pouco as coisas e siga em
frente; e por aí vamos...

Pergunta: Mestre, como se matam os defeitos? É como se uma pessoa


estivesse cercada por vinte pessoas que querem matá-la a tiros? Em que não
pode prestar atenção numa só, mas sim em quem está atirando?
Mestre: Bem, pois é preciso atacar aquilo que descobrir, sem ‘quebrar tanto
a cabeça’, e seguir em frente: estudar, compreender e depois pedir à Mãe Divina
para pulverizá-lo, e pronto...

Pergunta: Precisamos conhecer alguma técnica para a meditação da


morte do eu?
Mestre: Para isso não há necessidade de tanta técnica. Ao começar a pen-
sar por aí sobre qualquer coisa da vida, não precisamos de nenhuma técnica.
Quando alguém está interessado em alguma coisa, simplesmente está interes-
sado. Então, se alguém está interessado em saber por que tem ira, não precisa
de técnica; simplesmente se interessa, quer saber, e além disso, tem direito de
saber... Portanto, depois que alguém passa a se interessar por algo, passa a me-
ditar de forma bem simples e natural que nem pensa mais sobre isso. Ou seja:
não fica por aí pensando em como vai meditar... Simplesmente se interessa
por compreender um ego, nada mais; busca saber por que o ego se expressa de
determinada forma em determinado momento, e por que em outras ocasiões
não se expressa, etc. Portanto, quando alguém compreende um ego, o defeito
já era... Aí pede à Mãe Divina Kundalini para eliminar o ego, e Ela o elimina.
Para fazer essas coisas não é preciso ser tão sabido assim...

Pergunta: Há algum remédio para deixar de fumar?


Mestre: O melhor remédio é fazer uma análise sobre o vício de fumar, tra-
tando de compreendê-lo a fundo; sentar-se por aí e meditar sobre esse tal ci-
garro: para que serve, que efeitos produz no corpo etc. Uma vez compreendido

118
que o cigarro é inútil, que a única coisa que oferece é um câncer no pulmão, ou
na garganta, ou ainda, na melhor das hipóteses, enche os pulmões de nicotina,
levando-os a se romperem, a se rasgarem e ficarem como fole furado, então se
propor a desintegrar o ‘ego do cigarro’; pedir à Divina Mãe que tenha a bondade
de transformá-lo em cinzas. Por fim, num dia qualquer, esse ego desaparecerá;
uma vez desaparecido, o vício também desaparece. Não consigo entender como
vocês fazem para fumar; não entendo (...). Me vem à memória agora de quando
eu era bem jovem... Via os homens fumarem e dizia a mim mesmo: ‘Também
quero ser como eles’. Eu devia ter uns 14 anos, mas já queria ser como os adul-
tos. Eu os via fazerem sair fumaça pelo nariz e pela boca, como uma chaminé,
e então dizia a mim mesmo: ‘Ser grande, é assim; também já quero ser como
eles...’ Então ia e comprava um maço de cigarros, e quanto mais fumava, mais
horrível me parecia o cigarro. Na verdade, eu estava lutando para criar o vício
de fumar, porque via aqueles homens tão sérios com um cigarro na boca, e pen-
sava comigo: ‘Esses homens são gente séria, respeitável, e eu também tenho que
ser como eles, seguir seu exemplo, tornar-me digno e sério...’ Bem, era assim que
eu pensava dos adultos, mas foi tudo inútil: não consegui desenvolver o vício
do cigarro. Quanto mais fumava, mais horrível me parecia tal costume. Um dia,
peguei o maço de cigarros e atirei ao chão, dizendo: ‘Não nasci para isso; ao dia-
bo com esses cigarros...’ Portanto, não consigo entender o que vocês fazem para
fumar; simplesmente, não entendo. Quem sabe alguém aqui possa me ajudar,
me dar umas aulinhas de como começar a fumar...

Pergunta: Mestre, o senhor falou hoje na conferência dirigida à mulher


que os homens estão degenerados e que somente as mulheres podem ajudá-
-los. De que maneira nós, mulheres, podemos ajudá-los a se regenerarem?
Mestre: Disse que durante a cópula metafísica, na Nona Esfera, a mulher
deve ajudá-lo, animá-lo, para que ele aprenda a transmutar as energias sexuais;
dar-lhe ânimo e dizer a ele: Seja homem, transmute, não derrame o Vaso de
Hermes, não seja néscio, transmute, seja forte... Bem, se ele não se assustar
pode ser que ao longo do tempo venha a transmutar. Vou contar algo... Quan-
do meu genro T.M. veio me pedir a mão de minha filha, na época ainda bem
jovem, fiz algumas perguntas a ele, e disse: - Você a ama? Ele respondeu: - Sim,
adoro ela... – Está bem, respondi. Mas você seria capaz de dar a ela até sua
última gota de sangue? Você seria capaz de ir ao paredão de fuzilamento por
ela? Então, o homem empalideceu... E disse: - Como? Ao fuzilamento? – Sim,
respondi. - Ao fuzilamento...

119
Bem, esse homem, ao ouvir tais palavras do futuro sogro, não correu; ape-
nas posso dizer que ficou pálido... Dias depois, minha filha me disse que ele
a adorava e que não havia respondido nada porque a ele pareceu que a coisa
não era assim tão exagerada. Na hora pensei em não dar a mão de minha filha
para ele, visto que a resposta não fora afirmativa, e eu não ia confiar uma filha
pela qual não estivesse disposto a morrer por ela. Então, Litelantes, um pouco
mais comedida, diz: - É preciso ter paciência com o pobre homem; depois, ele
vai amá-la e adorá-la. Assim, começam devagar, com um pouco de carinho, e
depois, isso se converte num incêndio... – Em tais condições, disse eu, então que
se casem, que se casem e se casem... E se casaram. Agora já tenho alguns netos...

Pergunta: O que podemos fazer quando um defeito se manifesta em ou-


tra pessoa, em diversos centros? Como podemos ajudá-la?
Mestre: Veja, cada qual tem que se ocupar com seus próprios defeitos e dis-
solvê-los. Se alguém não cuida de dissolver seus defeitos, o que poderia fazer para
eliminar os defeitos psicológicos dos outros? Primeiro temos que pensar em nós
mesmos, em dissolver nossos defeitos ou nossos erros; uma vez que tenhamos
conseguido, então, quem sabe, podemos nos dar ao luxo de ajudar os demais...

Pergunta: Mestre, e quando todos os centros estão funcionando negati-


vamente, o que fazer para controlá-los?
Mestre: Temos cinco importantes centros ao todo: intelectual, emocio-
nal, motor, instintivo e sexual. Existem sete níveis de homens (e também de
mulheres porque aqui hoje só vejo mulheres): primeiro, o homem instintivo;
segundo, o emocional; terceiro, o intelectual; quarto, o homem equilibrado;
quinto, o homem que forjou seu corpo astral; sexto, o homem que forjou seu
corpo mental e, por fim, o sétimo, que é o homem que tenha forjado seu corpo
causal, o homem perfeito.
A Torre de Babel é formada pelos três primeiros. É preciso saber entender:
o círculo da ‘confusão de idiomas’ é formado pelos tipos um, dois e três de ho-
mens, ou seja, pelo homem instintivo, pelo homem emocional e pelo homem
intelectual. Essas pessoas não se entendem entre si. O intelectual não entende
o instintivo; o instintivo não entende o intelectual; o emocional não entende
o instintivo nem o intelectual, e o intelectual tampouco entende o emocional.
Essa é a Torre de Babel. Portanto, por exemplo, se um homem de tipo intelec-
tual fala a um homem de tipo instintivo, este não o entende. Se um homem do

120
tipo intelectual fala a um homem de tipo emocional, tampouco se entendem...
As pessoas desses três primeiros níveis criaram uma Torre de Babel; encheram
o mundo de desgraças; criaram diversas guerras mundiais; são uma calamida-
de para o planeta Terra.
Mas existe um quarto nível de pessoas. Refiro-me claramente àqueles que
conseguiram equilibrar todos os cinco centros da máquina humana. Quan-
do os cinco centros da máquina trabalham em perfeito equilíbrio, então po-
demos controlar todos os centros. Mas, enquanto não tenhamos alcançado o
nível quatro, não podemos ter nenhum controle sobre os centros da máquina
humana. Para alcançar esse nível, temos que eliminar de nossa personalidade
todos os egos pesados, como orgulho, vaidade, egoísmo, ódio, ciúmes, auto-
-importância, auto-suficiência, presunção, soberba, etc.
Aqueles que conseguirem eliminar de si esses egos tão pesados, formam
um centro de consciência permanente em seu psiquismo. Com isso, os cen-
tros da máquina humana passam a trabalhar em equilíbrio, tornando possível
controlá-los à vontade. Antes disso, impossível.

Pergunta: O que quer dizer ‘três vezes nascido’?


Mestre: Três vezes nascido quer dizer ‘haver passado pelas três purifica-
ções’ [iniciáticas]. Quem passa pela primeira purificação é uma vez nascido.
Quem passa por duas purificações, é um duas vezes nascido. Os ‘três vezes
nascidos’ são aqueles Mestres Ressurrectos ou Mestres Perfeitos60.

Pergunta: O que deve fazer uma criança de 10 anos, por exemplo, para
eliminar o ‘eu psicológico’?
Mestre: Primeiro, deixa a criança se desenvolver um pouco mais; mais
tarde, dê as explicações necessárias sobre o assunto. Uma criança de 10 anos
ficaria de ‘cabeça virada’ caso fizesse isso...

Pergunta: Sim, a criança compreende que tem um ego, e ele invoca a


Mãe Divina para eliminá-lo. Porém, ao mesmo tempo, diz que ‘todos na
gnose já são grandes e que ainda não eliminaram o ego...’

60 Estes são os Mestres que cumpriram com os trabalhos das três Montanhas Iniciáticas. Ver o livro
As 3 Montanhas, do mesmo autor.

121
Mestre: Por isso é preciso morrer em si mesmo, passar pela ‘aniquilação
buddhista’, tornar a consciência mais objetiva. Quando houver eliminado o
ego, nada disso irá ocorrer...

Pergunta: Por causa disso, pelo fato de ter ego, quando me encontro com
uma pessoa que tem a mente prejudicada, que é má, sinto uma descarga por
todo o corpo e sobe como que um formigamento das pernas até a cabeça...
Mestre: Tudo isso é subjetivo. Comigo não acontece nada disso. Quando
alguém elimina o ego, não ocorre nada disso. Isso acontece porque existe o ego,
mas se eliminar o ego, nada disso acontece; vive normalmente e se torna uma
pessoa normal.

Pergunta: Mestre, considerando que existem muitos eus desconhecidos,


é possível eliminar todos numa só existência?
Mestre: Sim, se alguém se dedicar a eliminar todos os seus defeitos numa só
existência, conseguirá. A Mãe Divina Kundalini possui poderes terríveis. Mas é
necessário desenvolver o poder da auto-observação psicológica. A cada momento,
a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, deve passar se observando... Aconte-
ce que os defeitos que temos escondidos dentro de nós afloram espontaneamente
quando menos esperamos. Manifestam-se naturalmente os ciúmes, a ira, o ódio,
o orgulho, a presunção, etc. Tão logo seja identificado um defeito, jamais deve jus-
tificá-lo ou ocultá-lo; simplesmente deve estudar e analisar, trabalhar sobre ele e
compreendê-lo; fazer uma dissecação para saber o que ele traz dentro de si, qual é
a sua origem, de onde vem, como se formou... Quando tenhamos compreendido
integralmente esse defeito, então deve se concentrar em sua Divina Mãe Kundalini,
e suplicar, pedir, rogar e implorar para ser eliminado, e Ela o fará... Isso deve ser
feito todos os dias, com paciência, até que o defeito seja reduzido a cinzas.

Pergunta: Deve-se trabalhar sobre os egos apenas no mundo físico ou


também nos mundos astral, mental e causal?
Mestre: Tudo deve ser trabalhado aqui e agora; assim, aos poucos, vamos
avançando e descobrindo mais e mais. Ou seja: precisamos aprofundar e retirar
camada por camada, nível por nível. À medida que avançamos para dentro de nós
mesmos, vamos descobrindo muitos defeitos que nem imaginávamos possuir.

122
Pergunta: A que se deve alguém chorar a cada instante?
Mestre: Isso não passa de sentimentalismo doentio. Esse tipo de sentimen-
talismo choroso é devido a alguns agregados psíquicos bestiais que levamos
dentro de nós. Esses egos estão relacionados às emoções negativas. No entan-
to, não estou aqui me manifestando contra as lágrimas, não. É preciso saber
que existem emoções negativas e emoções positivas. Obviamente que os senti-
mentos positivos também levam ao choro; mais ainda: deve-se chorar porque,
para eliminar um defeito, é preciso chorar muito; é preciso passar por grandes
crises emocionais. Se a água não ferver a cem graus não cozinha o que deve
ser cozido nem elimina o que deve ser eliminado. Portanto, se alguém não vi-
ver grandes crises emocionais, não conseguirá desintegrar seus defeitos e não
conseguirá cristalizar as divinas faculdades da alma em si mesmo. Chorar é
um luxo, porém, chorar verdadeiramente, em forma positiva, dinâmica, por
arrependimentos de seus próprios erros psicológicos; outra coisa é chorar por
causa dos sentimentalismos negativos, chorosos, que não levam a nada...

Pergunta: O ego também produz vibrações?


Mestre: Todo o universo vibra; mas as vibrações do ego são cem por cento
negativas.

Pergunta: Que consequência kármica recebe o advogado quando legal-


mente consegue o divórcio de um casal?
Mestre: Precisamente, por estes dias, estamos trabalhando bastante para
curar alguém que usou mal a sua mente. O pobre coitado está até meio ‘pirado’. É
uma pessoa de grande capacidade intelectual, e está para desencarnar... Seus valo-
res intelectuais se esgotaram. Isso é o resultado, compreendem? O abuso da mente
gera karma. Quando alguém não sabe usar a mente adequadamente, aí surgem as
enfermidades mentais. Portanto, quem age assim, obviamente ganha karma.

Pergunta: Que acontece a um casal com problemas e que busca resolvê-los


com o divórcio?
Mestre: Pois isso é negativo. O próprio Cristo estabeleceu nos evangelhos
quando é lícito o divórcio: o divórcio só é justo em caso de adultério. Se uma
mulher se junta por aí com um homem qualquer, assim sem mais nem menos,
abandonando seu marido, adultera, e, nesse caso, o divórcio é lícito. Mas essa

123
história de divórcio por ‘incompatibilidade de gênios’ – nos EUA, por exemplo,
uma mulher pediu divórcio porque o marido roncava – isso, simplesmente, é
delito; e o advogado que trabalhar nesse tipo de divórcio, sem dúvida, pagará
karma. O fato é que se a mulher se tornou um problema para um homem ou
vice-versa, não resta alternativa que não a de se suportarem, visto que o casa-
mento, a casa, o lar, é um maravilhoso ginásio psicológico.

Pergunta: Mestre, e no caso de o homem injuriar a mulher gravemente,


atentando contra sua honra e sua dignidade?
Mestre: Mesmo nesse caso, se a mulher é suficientemente inteligente, apro-
veitará a oportunidade para se autodescobrir, e se perguntará: o que foi que se
injuriou? Quem se injuriou? O amor próprio? O orgulho? Quem?

Pergunta: No caso específico de que ele diga que ela é infiel, que leva
outros homens para sua casa, e outras acusações parecidas?
Mestre: Então, claro, ela se sente ofendida em sua dignidade, em sua hon-
ra... Com essa classe de pensamentos, não haveria ginásios psicológicos, e o
que fariam vocês para se autodescobrirem se não tiverem um ginásio?
Os piores ginásios psicológicos são, justamente, os mais úteis para o au-
todescobrimento, porque, repito: Nesses ginásios os defeitos mais escondidos
afloram naturalmente; se estivermos atentos, alertas e vigilantes, então pode-
remos percebê-los. Que fantástico é quando alguém descobre que tem o ‘eu
do amor próprio’ porque outra pessoa o feriu; então poderá se dar ao luxo de
reduzi-lo a cinzas. Que fantástico é quando alguém descobre que tem o ‘eu do
orgulho’ e que esse orgulho foi ferido; então, feita essa descoberta, poderá tra-
balhar sobre ele, e reduzi-lo a pó. Que fantástico é alguém descobrir que tem o
‘eu da ira’ porque a esposa ou o esposo o atingiu, porque então poderá dar-se ao
luxo de trabalhar sobre o ‘diabo da ira’. Portanto, o ginásio psicológico do lar é
extraordinário; aquele que quer se divorciar porque o ginásio se tornou muito
difícil, assemelha-se ao jovem que não quer ir à escola ou que foge da escola,
que decide ‘matar as aulas’...

Pergunta: Mestre, o senhor acaba de dizer que a única causa de divórcio


é quando a mulher é infiel ao homem. Porém, geralmente, em nossos países,
o homem é infiel à mulher. Isso também é causa para o divórcio?

124
Mestre: Não quero dizer que os homens podem se dar ao luxo de adulterar
e que isso não gera karma; é claro que se um homem adultera, também paga
karma. Mas há diferenças entre o adultério masculino e o adultério feminino.
Acontece que ser mulher é de uma tremenda responsabilidade. Se o homem
adultera, pode até gerar filhos fora do seu lar; mas o seu lar seguirá como sem-
pre, a menos que se trate de um canalha. Porém, quando a mulher adultera,
que ocorre? Poderá levar novos filhos à sua casa, filhos que não são de seu
marido, e assim o casamento torna-se adulterado; é como um medicamento
falsificado ou mesclado com outra coisa; o medicamento foi adulterado. Nos
tempos de Moisés, justamente por causa disso, as mulheres adúlteras eram
apedrejadas publicamente...
Pergunta: Que tipo de karma recebe a mulher adúltera?
Mestre: Vamos supor que uma mulher viva com um homem, e de repente,
do dia para a noite, ela se enamora de outro homem, abandona o marido e
segue com o outro. Que irá ocorrer? Ela irá com ele, certo? Aparentemente,
nada de mais aconteceu. Porém, numa próxima existência, ambos, marido e
mulher, voltam a se encontrar, a se enamorar e a se adorar... Porém, desta vez,
invertem-se os papéis: o marido a deixa e segue com outra, e ela fica sozinha
pagando seu karma pelo resto da vida. O que vocês acham disso?

Pergunta: O que acontece com um casamento de 18 anos, dos quais, por


10 anos o homem deixou de ter relação sexual com a esposa, e de repente,
sem mais nem menos, ele decide buscar outra? E, nesse caso, a mulher tam-
bém pode se casar com outro homem?
Mestre: O homem pode se dar ao luxo, depois de 10 anos sem relação
sexual com a esposa - seja por questões de enfermidade da parte dela ou por
qualquer outro motivo da parte dele - de já se considerar solteiro; e se encon-
trar outra mulher, e com ela vir a se unir, não cometerá nenhum delito, porque
é como se fosse solteiro. Já para a mulher, infelizmente, a situação é um pouco
diferente, mais grave, pelo fato de poder ocorrer de levar filhos alheios para sua
casa, ou, simplesmente, porque ela é a base do lar; então, não se trata somente
dela, mas sim, de toda a família, de sorte que existe aí dupla responsabilidade.
Então, enquanto o homem não sair de casa, ela terá que esperar. Mas se o ho-
mem sair de casa após esses 10 anos de abstinência sexual, ela tem total liber-
dade para se unir a outro homem porque o homem já a deixou.

125
Pergunta: Um casal gnóstico que transmuta suas energias sexuais pode
ter filho?
Mestre: Possível, é. Para gerar um filho não há necessidade de tantos mi-
lhares de espermatozóides. Se um deles escapar das glândulas sexuais do ho-
mem pode fecundar a matriz feminina. Então, é bem possível que mediante a
transmutação uma criança seja gerada...

Pergunta: Pode um homem passar vários anos sem ter contato sexual
com a esposa, mesmo que ela não esteja enferma?
Mestre: Normalmente, qualquer animal intelectual não fica tanto tempo
assim sem sexo, não aguenta mais que uma semana sem sexo. Somente um
gnóstico, que não tenha esposa e que verdadeiramente quer seguir o Caminho
Reto, pode se dar ao luxo de ficar sem sexo por anos a fio, e, mesmo assim, ain-
da tenho aqui minhas dúvidas... Isso não é assim tão fácil como parece.

Pergunta: O que pode fazer uma mulher com um homem que a engana,
maltrata e que de vez em quando sai de casa e só retorna para tê-la para si?
Mestre: Bem, esse é um tirano... Não recomendo a ninguém esse tipo de
homem.

Pergunta: E se o homem tiver outra mulher?


Mestre: Bem, aí a coisa fica difícil... Penso apenas que se o homem sai de casa e
se tem outra mulher, e de vez em quando retorna à casa para maltratar sua esposa,
como fazia o Conde Drácula,então, melhor levantar vôo, melhor seguir sozinha...
Já que falei do Conde Drácula, lembro de um caso impressionante, ocor-
rido precisamente com um discípulo de Apolônio de Tiana. Esse discípulo,
certa ocasião, começou a dizer que ia se casar, que já tinha noiva... E convidou
o Mestre (Apolônio) para ir com ele até o cemitério...
- Meus Deus! Quem se casa num cemitério?, pergunta o Mestre... – Não,
não é ir ao casamento, mas à festa, à celebração... E aquele lugar realmente bri-
lhava e resplandecia de luzes e poesias... Tudo naquele lugar era belo e luxuoso:
copos, pratos, talheres, jarras, tudo era puro ouro, prata e pedras preciosas. Os
servos iam e vinham, elegantes, servindo os convidados. Então o discípulo se
dirige ao Mestre e diz: - Mestre, te convidei para vir aqui porque vou me casar.

126
Esta é a festa do casamento... Dentro de alguns instantes vou te apresentar mi-
nha noiva; agora não dá porque ela está passando mal... Ela é uma mulher fení-
cia, muito rica. Bem sabes, Mestre, que sou uma pessoa bem pobre, e não teria
como obter toda essa prataria, todo esse ouro e tantas outras riquezas. Mas ela,
sim, ela pode, porque é muito rica; mora na Fenícia...
Em seguida, ele a apresenta ao Mestre. O Mestre olha atentamente para ela
e diz: - Esta não é uma mulher. Ela é uma vampira; morreu há muitos anos e se
alimenta de sangue humano. Tudo que estás vendo, todo esse salão, todas essas
riquezas, é pura cristalização mental, formas mentais, e vou te provar... Tendo
dito isso na frente da mulher, de extraordinária beleza e vestida ricamente, ela fi-
cou olhando para ele e logo após ordena aos criados que retirassem esse homem
(o Mestre) do salão. Então o Mestre dá um passo para trás, toma um copo em sua
mão, e diz: - Isso não passa de forma mental... Concentra-se firmemente no copo
e o converte em pó... Concentra-se em seguida na mesa, e esta se torna poeira...
Concentra-se nos criados e estes desaparecem como que por encanto.
Quando a mulher viu tudo isso, atirou-se aos pés do Mestre, e disse: - Mestre,
tenha piedade. Não nego: sou uma vampira. Acontece que estava ‘engordando’
esse homem para depois ‘almoçá-lo’... Então, o Mestre se concentrou na mulher
e não lhe restou escapatória que voltar para a quarta dimensão, e desapareceu...
E ao fim de tudo, de todo aquele palácio, com tantas riquezas em prata, ouro,
pedras e metais preciosos, púrpuras e sedas, diamantes, não sobrou nada. Todo
aquele lugar não passava de um pedregoso lugar no deserto...
Então, diante de tantas maravilhas também não restou alternativa ao discí-
pulo de Apolônio que não o de se atirar aos pés de seu Mestre para agradecê-lo,
por haver sido salvo na última hora, pouco antes de ser ‘almoçado’ pela ‘noiva’...
Vejam, então, vocês como é esse tipo de vampiro...
Bem, relatei essas coisas como pra distraí-las um pouco porque é preciso falar
de tudo... Prossigam agora com as perguntas... A ver aonde isso vai nos levar...

Pergunta: Mestre, na Venezuela, em Santa Bárbara de Zulia, há uns


cinco ou seis meses exumaram uma senhora que estava enterrada havia 16
anos, e estava totalmente conservada, o rosto, o corpo, incluindo as roupas
com que havia sido enterrada. Então, as pessoas se alvoroçaram no cemité-
rio e começaram a gritar: Milagre, milagre... E voltaram a enterrá-la outra
vez. Passados uns dias, voltaram a desenterrar, e ela continuava ainda total-
mente inteira, sem decomposição, isso depois de 16 anos de morta...

127
Mestre: Bem, na verdade, esse é um caso bastante comum... Aqui no Mé-
xico temos o caso concreto das múmias de Guanajuato: quantidades de cadá-
veres cujo processo de decomposição se encontra detido, cadáveres que não se
decompõem, devido a certas substâncias químicas do terreno ou a remédios
que as pessoas tomaram quando ainda em vida... É isso o que acontece com
esses casos, mas isso é uma coisa; outra coisa é ser vampiro. O vampiro sai de
sua cova pela noite com seu corpo, indo a diferentes lugares. Em Jerusalém
existe uma Ordem de Vampiros que se oculta sob a denominação de Mestres
Imortais e outros títulos. Mas são vampiros...

Pergunta: Qual é a causa do vampirismo?


Mestre: Isso tem como causa ou origem o homossexualismo, o lesbianis-
mo, combinados com magia sexual negativa.

Pergunta: O que fazer quando encontramos um vampiro, seja no astral


ou em outro lugar?
Mestre: Sempre devemos carregar alho para afugentar os vampiros; eles
sentem medo do alho.

Pergunta: Não compreendo bem o que o senhor está dizendo...


Mestre: Bem, não vamos mais falar de vampiros. Isso não é bom... Certa
ocasião, falando deles com um grupo de pessoas amigas, à noite, no astral, me
deparei com eles. O encontro até que me serviu para alguma coisa, pois pude
evidenciar que as vampiras são lésbicas, e os vampiros, homossexuais. Algu-
mas delas me atacaram furiosas, pois elas odeiam homens, da mesma forma
que os vampiros odeiam mulheres. Melhor não seguirmos falando disso; va-
mos falar de outras coisas; perguntem sobre outros assuntos...

Pergunta: Num antigo ritual gnóstico fala-se que ‘o véu da mulher modesta
é negro como as trevas da noite’ e que esse é ‘o véu da mulher modesta’.
Mestre: Sim, existem muitas mulheres modestas, bem modestas, e modestas e
modestas, que permanecem ‘modestas’ por toda a vida. Nunca se casam porque são
‘modestas’, e seguem modestas até a velhice ou até a morte, e seu véu é sempre som-
brio: nunca se auto-realizam. O melhor que podem fazer é arranjar um marido...

128
Pergunta: Que outras funções devem ter as Ísis dentro do esotérico?
Mestre: Passar pelo degolamento, pela decapitação de João Batista, dedicar-
-se a desintegrar o ego. Essas são as principais obrigações esotéricas das Ísis.

Pergunta: Quando a mulher chega à menopausa, o que ela tansmuta?


Mestre: Sua energia criadora; não transmutará hormônios porque já não
os têm, mas sim, transmuta sua energia, a energia do Terceiro Logos. Portanto,
o fato de haver chegado à menopausa não significa que não possa trabalhar na
Nona Esfera. Pode sim! É preciso apenas esperar passar o período crítico. A
menopausa é um tempo muito difícil para a mulher...

129
III PARTE
  

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Nota do editor: As perguntas e respostas apresentadas a seguir foram extraídas


do livro Enigma Feminino61, de Beatriz Marta D´Andreis, e seguem rigorosa-
mente a sequência com que aparecem em seu livro. As perguntas foram elaboradas
por escrito pela autora e as respostas foram dadas pelo Mestre Samael Aun Weor,
algumas por meio de gravação e transcritas para esse livro, e outras respondidas
por escrito, através de cartas trocadas entre a autora e o Mestre.

61 Original em espanhol, publicado em novembro de 1974 por Iris Impresores – Bogotá – Colômbia.

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Pergunta: A mulher perde energia na menstruação? A Bíblia, referin-
do-se à menstruação, diz em Levíticos 15:19: “A mulher, quando tiver fluxo,
e o seu fluxo de sangue estiver na sua carne, estará sete dias na sua separa-
ção, e qualquer que a tocar, será imundo até à tarde”. Do versículo 19 ao
33 fala-se desse aspecto, sendo que no versículo 17 é falado da fornicação
do homem. Já o autor do livro Energia Criadora62 diz que a menstruação
contém as mesmas substâncias do sêmen: lecitina, fosfato, colesterol e em
geral substâncias que servem para fortalecer o cérebro. Pergunta: Pode a
menstruação ser considerada fornicação?
Mestre: Quero que saibam com total clareza que a menstruação nunca é
fornicação, isso é óbvio. A Bíblia diz que a mulher, durante a menstruação, é
imunda. Mas isso não é pelo óvulo que expele e sim pelo sangue que está car-
regado de energias deletérias, no qual podem se formar e se multiplicar muitas
larvas astrais... Em todo caso, se um homem casto pode perder um esperma-
tozóide durante a transmutação, a mulher tem pleno direito de eliminar um
óvulo. Isso não é delito nem fornicação. Nesse período, sim, alguns elementos
vitais são perdidos por meio do sangue, mas cientificamente falando, perde-se
apenas um óvulo, que sai do ovário pelo Folículo de Graf. É exagero dizer que
pelo motivo de perder um óvulo mensalmente há fornicação; é tão absurdo
quanto afirmar que há fornicação quando se perde um espermatozóide durante
a prática da magia sexual. Temos que ser criteriosos e refletir com serenidade;
ver as coisas como são, sem exageros: menstruação não é fornicação.

Pergunta: O autor do livro Energia Criadora afirma que o homem é mais


inteligente que a mulher a partir da puberdade, ou seja, quando a mulher
passa a perder um óvulo mensalmente; diz ainda que a menstruação equi-
vale a uma polução masculina, e diz também esse autor que Joana D´Arc
teve suspensa essa função natural. O senhor acredita que a sabedoria de H.
P. Blavatsky e de outras ocultistas devia-se à suspensão da menstruação?
Mestre: É absolutamente falso dizer que a menstruação equivale a uma
polução. Todo mundo sabe que numa polução noturna o homem perde de sete

62 Energia Criadora é obra inédita no Brasil; seu autor é conhecido sob o nome de Walter Sieg-
meister (1901 – 1965). Mas também publicou outros livros como Raymond W. Bernard (Terra Oca).
Viveu cerca de 10 anos no Brasil, a partir de 1955. Foi um dos criadores da Comunidade Oneida, próxi-
mo a Nova Iorque. Suas obras em geral sempre abordaram temas sobre dietética, regeneração, medicina
alternativa, longevidade, radiação, figuras históricas e mistérios antigos. Escreveu e publicou dezenas de
livros e artigos científicos (era um PhD na área de Educação pela Universidade de Nova Iorque).

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a oito milhões de espermatozóides. Em troca, na menstruação ocorre a perda
de um único óvulo mensal. Portanto, matematicamente, o autor de Energia
Criadora se equivocou totalmente porque os números não mentem. Quanto
aos elementos químicos, como lecitina e outros, evidentemente todos estão no
sangue, porém, o sangue eliminado na menstruação, carrega apenas elementos
mortos ou princípios químicos já inúteis para o corpo.

Pergunta: Biologicamente, o cérebro do homem é maior que o da mu-


lher. É correto dizer que o homem é mais inteligente que a mulher?
Mestre: Muitas mulheres sobrepujaram os homens em inteligência. Exis-
tiram mulheres geniais, como Blavatsky, Annie Besant, M. Collins e outras.
Foram realmente mais inteligentes que muitos homens considerados gênios.

Pergunta: Quando está para menstruar, geralmente as mulheres sentem


dores nas pernas. Quando estão grávidas, as pernas incham, e quando se ca-
sam, aparecem as varizes. Além disso, os homens costumam olhar as pernas
das mulheres e sentem impulsos eróticos. Em suas obras, o senhor enfatiza
a reprodução da espécie por brotação nos tempos antigos. O senhor acredi-
ta que as pernas estão relacionadas de modo especial com o sexo?
Mestre: Na época hiperbórea a reprodução humana se dava por ‘brotação’:
esporos se desprendiam da barriga das pernas. Mais tarde, os lemurianos pas-
saram a se reproduzir por ‘gemação’: o hermafrodita lemuriano menstruava
no interior do corpo, e o ovo, depois de algum tempo, como nas aves, se abria
para que nascesse a criatura, a qual se alimentava do pai-mãe. Após a separa-
ção dos sexos, a menstruação continuou na parte feminina, com a diferença de
que o ovo deixou de ser fecundado pelo corpo que o produzia. Para que a raça
humana seguisse se reproduzindo foi necessária a cooperação sexual, a cópula
química. A separação dos sexos está simbolizada no livro da Gênesis, com a
cena na qual Deus faz a mulher da costela de Adão.

Pergunta: O que pode nos dizer acerca dos dois selos da mulher: o do
hímen e o do emocional, quer dizer, este que está relacionado com o excesso
de sensação erótica, o paroxismo, o orgasmo?
Mestre: Sobre o referente ao hímen é algo grandioso; a virgindade sempre foi
venerada pelas grandes civilizações esotéricas dos antigos tempos. Infelizmente,

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tudo mudou nesta época do Kali-Yuga, da Idade Negra. Os gringos odeiam
a virgindade; as meninas que nascem nos EUA tem seu hímen removido ci-
rurgicamente para eliminar a virgindade. É muito natural que a mulher sinta
o impulso sexual. Outra coisa é o excesso de sensação erótica; isso indica ou
sinaliza paixão animal desenfreada, degeneração animal.

Pergunta: Que mensagem o senhor envia à mulher celibatária?


Mestre: A mulher solteira deve saber esperar. A Grande Lei, o Pai que está
oculto, sabe o que nos convém; a sua hora e a seu tempo Ele dará à mulher
solteira o marido que precisa. Por algum motivo é dito que ‘casamento e enter-
ro descem do céu’. Com o Vajroli Mudra, os solteiros poderão transmutar sua
energia sexual e aproveitá-la para seu desenvolvimento íntimo, até que chegue
a hora de descer à Nona Esfera.

Pergunta: Mestre, fomos informadas que a mulher não pode avançar na


Senda como o homem. A que se deve isso, já que tanto o homem quanto a
mulher possuem energia criadora para criar os corpos superiores do Ser?
Mestre: A mulher pode avançar na Senda tal qual o homem; alcança sua
Maestria na Quinta Iniciação de Fogo. Avanços posteriores são possíveis por
meio de tremendos super-esforços íntimos.

Pergunta: Mestre, nos foi dito que a mulher quando está grávida, au-
tomaticamente deve suspender toda prática de AZF e continuar com suas
práticas de solteira ou transmutação de solteira. Pergunta: Se a mulher ao
engravidar deixa de ovular, então, o que ela transmuta?
Mestre: A mulher grávida deve esperar o nascimento do bebê antes de
reiniciar seus trabalhos de transmutação sexual.

Pergunta: Mestre, alguns estudantes que conhecem gnose dizem que os


filhos são obstáculos para a auto-realização. Devido a esse conceito, dentre
outras coisas, não estamos de acordo, já que é necessário que Seres Superiores
ganhem corpo físico e para tal necessitam de lares preparados e, por tal moti-
vo os gnósticos, por meio da castidade científica, poderão trazer a seus lares
filhos superiores ou Mestres de Sabedoria. Então, e além disso, para formar a

133
Sexta Raça será necessário um tipo superior para trazer a este Vale de Lágrimas
tais Seres. No entanto, estudando a história de alguns Mestres da Fraternidade
Branca, pudemos evidenciar que não tiveram filhos. A que se deve isso? Por que
Jesus segundo sua história sagrada aparece como alguém que não teve filhos?
Mestre: Ser mãe não é delito. Bendita é a mulher nascida para a predesti-
nação. Os filhos jamais são um problema para a auto-realização íntima do Ser.
Ninguém conhece a vida privada de Jesus. Mas, sem dúvida, ele foi um homem
completo no amplo sentido da palavra, e, por isso mesmo, soube ser pai. O
Drama Cósmico que ele representou não é a sua vida humana privada, pois
esse Drama é de ordem universal. Muitos outros Mestres representaram esse
Drama no passado e muitos outros o representarão no futuro também. Como
exemplo concreto do pouco que se conhece sobre Jesus, temos aquela frase que
ele pronunciou no Calvário: “Elí, Elí, Lamah Zabac Tani”... Muitos, quando
escutaram essas palavras, pensaram que ele estava chamando por Elias. Mas
a verdade é que ninguém o entendeu, pois essa frase não é hebraica, mas sim,
maia. Qualquer indígena da Guatemala ou Yucatan conhece bem o significado
dessa frase, que quer dizer: ‘Agora penetro na aurora de tua presença’.63
É inquestionável que a linguagem ritualística do Grande Kabir Jesus era
maia. O Grande Hierofante aprendeu o maia e o naga no Tibete. No Monastério
de Hemis, em Leh, Cachemira, na divisa com o Tibete, há um texto muito antigo
que diz literalmente: “Quando Jesus deixou o lar em sua terra, primeiro foi ao
Egito e ali estudou a antiga religião osiriana-maia; do Egito foi a Índia, em muitas
cidades, incluindo Benares e Lahore; estudou os ensinamentos de Buddha Gau-
tama. Depois, entrou no Monastério do Himalaia, onde estudou diretamente o
[idioma] maia e suas ciências cósmicas. Ao fim de 12 anos tornou-se um Mestre”.
Na Palestina, Jesus foi membro ativo da casta dos Essênios, que tinham
seu Monastério Gnóstico nas Margens do Mar Morto. O grande Kabir Jesus
alcançou os graus de Mestre Perfeito e Grande Eleito trabalhando na Forja
Incandescente de Vulcano. Não é possível a auto-realização sem a prática do
Sahaja Maithuna, o sexo-yoga.
H. P. B. não teve filhos porque já se casou com idade bem avançada com o
Coronel Olcott. O primeiro casamento de H.P.B., com o Conde Blavatsky, não
pode ser levado em conta, pois com ele não teve vida conjugal.

63 A mesma expressão ‘Eli Eli’ encontra-se no Salmo 22, traduzida como ‘Meu Deus, Meu Deus’.
Segundo os evangelhos, Jesus teria dito ainda: Tudo está consumado (Jo 19:30) e ‘Pai, em tuas mãos
encomendo meu espírito’ (Lu 23:46)

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Pergunta: Qual sua opinião sobre o livro “Ísis sem Véu”, de H.P.B.
Mestre: É uma boa obra. Mas é chegada a hora de rasgar os véus e de en-
tregar o esoterismo crístico publicamente.

Pergunta: Por quanto tempo e por quantas vezes deve-se repetir o Vajroli
Mudra? E pode ser feito antes ou depois do banho?
Mestre: Repetir três vezes; assim transmutam os solteiros. Massagem for-
te para transmutar intensamente, com pureza, castidade, santidade. O Vajroli
pode ser feito antes ou após o banho, nunca durante. Esse exercício é maravi-
lhoso para a transmutação sexual. Porém, como trabalha apenas uma das três
Forças Primárias da Natureza, é claro que apenas com esse procedimento jamais
se conseguirá o despertar da Chama Sagrada na coluna vertebral, mas sim, com
este sistema pode-se utilizar a energia sexual para despertar a consciência.

Pergunta: Sabemos que a mulher possui milhares de óvulos e que so-


mente uns 700 atingem a maturidade e que com as práticas de transmuta-
ção se aproveita a energia de todos eles, enquanto que a mulher não gnós-
tica não aproveita nada. Então, ao chegar à menopausa, o que transmuta?
Mestre: A energia sexual não está apenas nos óvulos, mas sim, em todo o
sistema sexual feminino.

Pergunta: Na página 171 de seu livro Mistério do Áureo Florescer, o se-


nhor diz: “A mulher consagrada, a Suvani, sabe fechar, mediante a vontade,
seus esfíncteres, comprimindo o yoni ao máximo, a fim de evitar o orgasmo
e a perda do licor sexual (Assim ensina a Iniciação Tântrica)”. Pergunta:
Que substâncias contêm esse licor sexual?
Reposta: O sêmen sexual feminino existe, mesmo que a ciência acadêmica
não o reconheça. Isso é óbvio. Esse licor é cristalino; também é denominado de
“vidro líquido flexível maleável”. Não carrega consigo milhares de espermatozói-
des, como no homem, mas sim, contém princípios vitais, hormônios, forças e
substâncias extraordinárias. Sem dúvida, com o orgasmo, a mulher perde rique-
zas incalculáveis: calorias, prana, princípios elétricos e magnéticos e o hidrogênio
sexual SI-12, mediante o qual é possível criar os corpos existenciais do Ser.

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Pergunta: Com que idade a mulher está sexualmente apta para se casar
e praticar a castidade científica, o Maithuna?
Mestre: A partir dos 18 anos está devidamente preparada para o Maithuna.

Pergunta: O que é uma Suvani?


Mestre: Suvani é uma mulher capacitada para a prática do sexo-yoga; é
uma esposa-sacerdotisa.

Pergunta: Como o senhor define a mulher, qual o seu conceito sobre a


mulher?
Mestre: Sem dúvida, a mulher possui os mesmos direitos do homem. Se
estudarmos cuidadosamente a palavra Elohim que está na Bíblia64, descobrire-
mos que se trata de uma palavra feminina com terminação plural masculina; a
tradução é ‘Deuses e Deusas’.
Uma religião sem Deusas encontra-se na metade do ateísmo materialis-
ta, porque sendo os Elohim andróginos divinos, ou seja, Deuses e Deusas, ao
suprimirmos o aspecto feminino, teremos apenas a metade, o que implica em
estarmos na metade do ateísmo. Portanto, não se pode suprimir as Deusas de
nenhum culto religioso porque Deus, em si mesmo, é macho-fêmea, masculi-
no-feminino [Andrógino].
A partir desse pressuposto podemos colocar como corolário o fato de a mu-
lher possuir os mesmos direitos do homem, e que não é possível a auto-realização
íntima do Ser sem unir novamente as duas partes separadas: homem e mulher.
Ambos, unidos sexualmente, constituem em si mesmos uma criatura inefável,
um Elohim criador.

Pergunta: Alguns estudantes gnósticos dizem que a mulher não passa


de um ‘útero com pernas’. O que o senhor acha dessa idéia?
Mestre: Jamais a mulher poderia ser, como pensam alguns, um mero ‘úte-
ro com pernas’. Obviamente, quem fala assim demonstra suas taras, sua dege-
neração, sua bestialidade passional, sua luxúria sexual. Nunca é demais lem-

64 Esta palavra de fato está na Bíblia, porém, os tradutores em sua maioria a traduziram por ‘Senhor’,
‘Jeová’ e até mesmo ‘Javé’. Nenhuma dessas palavras expressa o conteúdo original de Elohim.

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brar que além do centro sexual existem no corpo outros centros: o intelectual,
localizado no cérebro; o emocional, localizado no plexo solar; o centro motor,
localizado na parte superior da coluna; o centro instintivo, localizado na parte
inferior da coluna. Portanto, não existe apenas o centro gerador na mulher.
Daí que a definição que alguns luxuriosos têm, vendo a mulher como simples
‘útero com pernas’, além de ser doentia e desumana, indica também a soberba
e o orgulho masculinos dessas pessoas que pensam assim tão torpemente.

Pergunta: O corpo feminino é kármico? Por que existem mais mulheres


que homens?
Mestre: De forma alguma me parece que o corpo feminino seja kármico,
já que ele representa o aspecto passivo criado pela divindade. Disse e repito
novamente: Elohim quer dizer ‘Deuses e Deusas’. Se o aspecto masculino de
Elohim tem direito a ter um corpo físico, também o corpo feminino do mesmo
tem direito de ter corpo feminino receptivo.

Pergunta: Entre o homem e a mulher, qual deles tem a tendência de ser


mais passional?
Mestre: Que existem as paixões animais é óbvio, e tanto homens quanto
mulheres, possuem as mesmas paixões bestiais. Considere-se que ego sempre é
ego... Algumas vezes, encarnará em corpo masculino, outras vezes em corpo fe-
minino. Portanto, sempre será o mesmo; às vezes se manifestará sob um aspecto
puramente masculino e outras vezes sob um aspecto rigorosamente feminino.

Pergunta: A mulher tem poluções noturnas?


Mestre: Sim, a mulher tem poluções noturnas, ainda que muitos não acre-
ditem nisso. Qualquer sonho erótico produz poluções. As mulheres, que pas-
saram por tais experiências noturnas, bem sabem disso; portanto, fatos são
fatos, e a polução noturna feminina é um fato concreto, diante do qual temos
que nos render.

Pergunta: A menstruação feminina é karma?


Mestre: Jamais a menstruação poderia ser kármica. Equivocam-se aqueles
que pensam dessa forma. Basta lembrar os lemurianos antigos, quando o ser

137
humano era uma criatura hermafrodita. Aqueles gigantes, muito bem represen-
tados nas esculturas da Ilha de Páscoa, menstruavam... A parte feminina ovulava,
e seus óvulos já vinham ao mundo fecundados pela parte masculina. Mas repito:
os lemurianos eram seres dotados dos dois aspectos: masculino e feminino.
Naquela época, a humanidade se reproduzia pelo sistema de ‘gemação’, o mes-
mo que o das aves, atualmente. A criança se formava e era gestada num ovo e depois
de certo tempo, o ovo se rompia e nascia a criança, que se alimentava do pai-mãe.
Essa era a época de ouro, época em que os rios manavam leite e mel. Não
havia o ‘meu’ e o ‘teu’; tudo era de todos; cada um podia colher e comer da
árvore do vizinho sem medo algum. Quem sabia tocar a lira, estremecia todo
o universo com suas melodias sublimes. A Lira de Orfeu ainda não havia se
despedaçado no chão do templo...
Quando a humanidade se dividiu em dois sexos opostos, tudo mudou. O
ovo, então expelido do ovário, passou a nascer sem fecundação, visto que a
parte masculina havia se divorciada da parte feminina, tendo surgido assim a
necessidade da cooperação para criar.
Não é demais lembrar as grandes peregrinações que desde remotos lugares
se faziam aos templos sagrados. Os Kumaras conduziam tais procissões mís-
ticas. O ato sexual ocorria dentro dos templos de mistérios. A humanidade se
reproduzia por Kriya-Shakti, pela yoga e pela vontade [poder]. Ninguém co-
metia o crime de extrair de seu corpo o esperma sagrado. Um espermatozóide
podia escapar a qualquer momento, para fecundar a matriz.
Naquele tempo não havia dor no parto; as crianças nasciam sem que as mu-
lheres precisassem sofrer. Infelizmente, chegou um momento em que as pessoas
já haviam mudado por causa de determinados elementos ou princípios tenebro-
sos que pululavam na atmosfera do mundo da época; então surgiu a fornicação
animal. A partir desse momento, os lemurianos foram expulsos dos templos de
mistérios, e esse fato ficou registrado como tradição nos livros sagrados. Por
isso é dito, às vezes, que ‘Adão e Eva foram expulsos do paraíso terrestre’.
Portanto, a menstruação não pode ser karma. O aspecto feminino, apartado
do masculino, seguiu menstruando, lançando o ovo ou óvulo sem fecundação
para fora do corpo. Isso não pode ser karma, pois sempre foi uma função natural.

Pergunta: O que o senhor pode nos dizer sobre o vampirismo?


Mestre: É dito que muitas mulheres são ‘vampirizadas’. Não nego que exis-

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tam vampiros sexuais; eles existem; os ‘Dráculas’ existiram e seguirão existindo.
Porém, o que é normal hoje em dia, o que existe aos montes por aí, é isso que
geralmente chamamos de ‘harpias’ [bruxas]. Devemos lembrar as aventuras dos
troianos e as famosas ‘bruxas’ das quais narra Virgílio – o poeta de Mântua – em
sua extraordinária obra Eneida.
Sem dúvida que, quando essas magas negras põem seu corpo físico em
estado de jinas, podem se deslocar para os mais diferentes lugares do mundo.
Se elas possuem inimigos ou inimigas, aproximam-se deles e os mordem. As
marcas da mordida aparecem mais tarde como manchas negras em tal ou qual
parte do corpo, onde a pessoa foi mordida [pela bruxa em estado de jinas].
Portanto, não se trata exatamente de ‘vampirismo’ propriamente dito, mas
sim, de harpias ou ‘calchonas’. Que também sejam chamadas de ‘bruxas’, isso
todo mundo sabe... É algo muito comum.65

Pergunta: No caso de a mulher ter polução noturna, como é a substân-


cia que ejacula e como é chamada?
Mestre: O licor seminal feminino é cristalino, e também poderíamos cha-
má-lo de ‘vidro líquido flexível maleável’. Não traz consigo milhares de esperma-
tozóides, como é o caso do sêmen masculino, mas sim, traz consigo princípios
vitais, hormônios, forças, substâncias, etc. Sem dúvida, com o orgasmo, a mulher
perde riquezas incalculáveis: calorias, prana, princípios elétricos e magnéticos, e
Hidrogênio sexual Si-12, mediante o qual é possível criar os corpos existenciais
superiores do Ser.

Pergunta: Sempre ensinamos para as jovens gnósticas que durante a


menstruação se abstenham de transmutar porque o organismo está se puri-
ficando e eliminando substâncias, ao passo que a transmutação é o inverso:
um processo de absorção ou de inibição. Mesmo assim gostaria de saber o
seu conceito sobre o tema.
Mestre: Não é conveniente que a mulher transmute suas energias criadoras
durante o período menstrual. Devemos considerar que se trata de um processo
bem delicado e que certas substâncias poderiam subir ao cérebro e ocasionar
graves danos.

65 As calchonas são personagens da mitologia chilena da zona central, um ente parecido com as
harpias da mitologia grega.

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Pergunta: Com frequência indicamos a audição da música clássica para
transmutar as energias criadoras porque temos experimentado estados su-
blimes com seu estímulo. O que pode nos dizer a respeito?
Mestre: É possível fazer transmutações com a música inefável dos grandes
maestros; dessa forma pode-se sublimar... Lembremos as Nove Sinfonias de
Beethoven, A Flauta Encantada, de Mozart – que nos faz recordar a iniciação
egípcia. Mas também é possível sublimar as energias criadoras com o esporte,
como natação, tênis e outros. Em todo caso, sublimar nunca é prejudicial.

Pergunta: Quanto tempo é recomendado para realizar as práticas do


Vahroli Mudra?
Mestre: O Vahroli Mudra é uma prática divina e transcendente de trans-
mutação. No entanto, não se deve abusar da mesma. Os Mestres que já supera-
ram a questão sexual transmutam com o Vahroli uma única vez ao mês. Porém,
aqueles que ainda não alcançaram esses elevados graus, aqueles que ainda es-
tão nos primeiros passos do chelado ou da Iniciação, devem praticar ao menos
uma vez por semana. Esse é meu entendimento.66

Pergunta: Conhecemos casos de algumas mocinhas que involuntaria-


mente realizam práticas de transmutação. Isso é devido a que já acostuma-
ram seus órgãos sexuais para a absorção? O que pode nos dizer sobre isso?
Mestre: Que algumas mulheres transmutem involuntariamente somente
é possível se escutarem doces sinfonias, se chegarem a ter êxtases como os de
Santa Teresa de Jesus ou de Francisco de Assis.

Pergunta: Quando a mulher entra em estado de excitação sente certas


palpitações sexuais. Que explicação esotérica pode nos apresentar sobre isso?
Mestre: Sem dúvida, os órgãos sexuais femininos têm certas palpitações
durante a excitação sexual. Elas obedecem à sístole e à diástole do coração. Isso
ocorre também com o órgão sexual masculino. Pois bem! Se considerarmos
que o clitóris, que é o centro sexual específico dos órgãos criadores da mulher,
é de natureza masculina, temos aí então a explicação do que é de fato o movi-

66 Chelado, estado ou grau de chela; significa ‘estudantado’ ou ‘estudante’ (sentido comum usado no
Ocidente). Em sânscrito quer dizer ‘servo’, ‘servidor’.

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mento peristáltico dos órgãos criadores femininos.

Pergunta: Nas práticas do Vajroli Mudra temos escutado de algumas


mocinhas que ao realizarem a prática não sentem nenhuma emotividade
sexual. Portanto, se não sentem excitação, ocorre a transmutação como de-
vido, já que no livro Transformação Radical o senhor afirma que para haver
transmutação é preciso haver excitação?
Resposta: Não é necessário haver forte excitação sexual para fazer a transmu-
tação. Quem pensa dessa forma, no fundo está buscando satisfazer sua luxúria.

Pergunta: Para alcançar a auto-realização íntima do Ser, o que é mais


aconselhável: uma mulher fria ou ardente?
Mestre: A mulher não precisa ser passional para se auto-realizar e nem fria
como gelo, popularmente falando. “Nem tão dentro para te queimar nem tão
fora para te gelar”. É preciso haver perfeito equilíbrio e jamais violentar a Lei
da Balança. Isso é tudo.

Pergunta: A que fenômeno esotérico se deve a frigidez feminina?


Mestre: Muitas vezes, uma mulher é fria simplesmente devido à sua cons-
tituição sexual, pela conformação do seu corpo. Mas se esse ego desencarnar
e retornar em corpo masculino, poderá ser violento sexualmente falando, ou
vice-versa. Por exemplo, poderia encarnar em novo corpo feminino forte e
sadio e então se expressar de forma bem luxuriosa.

Pergunta: Qual a causa da infertilidade feminina?


Mestre: A infertilidade feminina tem por causa o Karma. Mulheres que
anteriormente não souberam cumprir seu dever materno nascem estéreis em
novos retornos. Mulheres que não quiseram ter filhos, que os rechaçaram, ao
retornarem, ao voltarem a este mundo em novos corpos femininos, passam
pela dor e pelo sofrimento moral da esterilidade.

Pergunta: O que o senhor pode nos dizer sobre a mulher moderna?


Mestre: Existem épocas de predominância masculina e outras de predo-

141
minância feminina na história. Devemos saber que durante 42 anos governa o
sexo masculino e 42 o sexo feminino. [Um ciclo sexual completo é de 84 anos.]
Quando o pólo positivo de Urano se volta para o Sol, o poder masculino se
sobressai na Terra. Quando o pólo negativo de Urano se volta para o Sol, então
a força feminina se destaca e manda em nosso afligido mundo.
Neste momento estamos no plus feminino, e a mulher se impõe em postos
de governos, nos bancos, na ciência, na sociedade, em todas as partes.67
Infelizmente, os seres humanos não conseguem reconhecer com exatidão
quando predomina o aspecto masculino e quando predomina o feminino. É
necessário saber aproveitar essas energias para nossa própria auto-realização
íntima do Ser.
No próprio ser humano, no próprio humanóide, ocorrem 42 anos de fortes
atividades masculinas e 42 de femininas.
Isso quer dizer que, se um indivíduo, por exemplo, nasceu durante o plus
masculino, ou seja, quando Urano estava com seu pólo positivo voltado ao Sol,
sem dúvida, terá um grande poder sexual durante esses 42 anos. Mas quando
chegar o tempo do aspecto feminino, em vez de diminuir e se debilitar, esse
poder torna-se ainda mais forte por causa do estímulo pelo pólo contrário.
Eis aí, então, o que é a força masculina e o que é a força feminina se alter-
nando em todo o ritmo do grande universo.
Nos tempos atuais, o feminino predomina, governa e seguirá vibrando por
muito tempo, até chegar o momento em que será substituído, e o masculino
retomará o cetro do poder. Isso é o que posso dizer no momento...

Pergunta: O que o senhor pode nos falar a respeito das Ísis?


Mestre: Deve haver 3 Ísis nos lumisiais. Quando há apenas uma Ísis, ela vai
se carregando com as mágicas forças da liturgia e dos pensamentos místicos
dos devotos. Como resultado, ela se torna magnética, atraente e fascina os ir-
mãozinhos; então acabam ocorrendo escândalos de todo tipo. E assim, a longo
prazo, o lumisial acabará ficando sem sua Ísis. Mas, se soubermos manejar essa

67 A partir de 1985 o pólo sul (feminino) de Urano voltou-se para o Sol; portanto, até 2027
teremos intensa atuação da mulher na sociedade humana. Anteriormente, o ciclo masculino iniciara-se
em 1943, tendo se estendido até 1985. Considere-se ainda que as mudanças de pólos não acontecem
abruptamente. Então, a alternância se dá aos poucos, e, na prática, quase nem se percebe quando acaba
um e inicia outro.

142
lei da distribuição das energias provenientes de diferentes fontes, organizamos
um lumisial perfeitamente equilibrado. Por isso é conveniente haver 3 Ísis, para
que essas forças sejam divididas e não ocorram esses estados angustiosos e
fascinativos com seus correspondentes escândalos.

Pergunta: Por que na Missa Gnóstica a atuação da mulher (Ísis) é passiva?


Sabemos que é um dia de festa, e toda celebração sempre é acompanhada das
forças masculinas e femininas?
Mestre: Liturgia é liturgia. Na Missa Gnóstica atua o aspecto masculino;
nesse caso, o aspecto feminino atua de forma receptiva em todas as que estão
no grupo. Nos demais rituais de grau, a mulher é parte ativa, é a Ísis.

Pergunta: Alguns afirmam que Satã é feminino, porque na carta 15 do


tarô, a de Tifão Bafometo ou do Diabo, mostra uma figura com vestido e
seios. O que o senhor pode nos dizer sobre isso? Nós acreditamos ser uma
figura andrógina, e já que Deus é andrógino, sua sombra também é; sabe-
mos ainda que Deus como sabedoria é masculino e como amor é feminino.
Mestre: Fico feliz em poder falar da carta 15 do Tarot. Não sei por que
as pessoas julgam Tifão Bafometo de forma tão desprezível. Mas os gnósticos
nunca esquecem aquela frase que diz textualmente: Creio no Mistério de Ba-
fometo e de Abraxas.
A carta 15 do Tarot – O Diabo – é profundamente significativa. Ela aparece
depois das cartas 13 e 14. A carta 13 corresponde à morte do si mesmo, à morte
do ego, do mim mesmo. A carta 14 nos fala da temperança, da castidade, da
perfeição que vem após a morte do ego. Depois, então, vem a carta 15, que
corresponde ao andrógino divino primogênito, que é o Mistério de Bafometo
e de Abraxas, o Diabo, palavra essa que aterroriza as pessoas comuns, mas que
constitui algo extraordinário para o sábio.
Na catedral de Nossa Senhora (Notre Dame) em Paris há um corvo. Ele
olha exatamente para a parte onde está a pedra angular, a pedra fundamental,
a Pedra da Verdade. Essa pedra tem uma forma assustadora, sim, terrível, com
chifres que atemorizam: o próprio Diabo, que é o pavor de tantos pseudo-eso-
teristas e pseudo-ocultistas. Porém, os antigos alquimistas medievais dizem:
Queima teus livros e limpa o latão.
Por que o corvo negro olha para o Diabo? Porque devemos morrer em nós
mesmos; é preciso desintegrar os elementos bestiais que temos em nosso inte-

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rior; é urgente reduzi-los a pó, a cinzas. É dessa forma que podemos limpar o
latão. O latão ou o cobre estão representados na Estrela Matutina. E todos nós
sabemos que, em algum dia não muito distante, a Estrela da Manhã também
era chamada de Lúcifer, de ‘Fazedor de Luz’.
Se conseguirmos eliminar de nós todos os elementos bestiais, ‘branqueare-
mos o latão’, branquearemos o Diabo. Esse Diabo é o reflexo do Terceiro Logos
em nós mesmos, aqui e agora. No passado, esse Diabo foi o Arcanjo mais lumi-
noso, mais resplandecente do espaço infinito. Ele, em si mesmo, é a parte mais
importante de nosso Ser: é nosso próprio Ser, que tempos atrás, era luminoso,
resplandecente, maravilhoso; era o Arcanjo de maior excelência...
Tristemente, quando caímos na geração animal, Ele foi precipitado ao Averno,
e agora, é negro como o carvão. Somos nós mesmos que o pusemos nesse estado
miserável... Isso explica porque Lúcifer aparece na Divina Comédia68 enterrado
lá no coração da Terra chorando com seus seis olhos; repetido esse número por
três vezes temos o 666, a Grande Rameira...
Sim, ele chora porque nós o fizemos assim como está: negro como carvão.
Agora, é preciso branqueá-lo. Isso só é possível desintegrando os elementos bes-
tiais que temos em nosso interior, nossos defeitos psicológicos, o mim mesmo,
o si mesmo. Mas se seguirmos com nossos erros, se andarmos continuamente
pelo caminho da fornicação, do ódio, da luxúria, da inveja, da hipocrisia, do
orgulho, etc., ele seguirá em desgraça.
Ele é o Prometeu [da mitologia grega] acorrentado na dura rocha sexual,
sofrendo horrivelmente por causa do abutre do desejo que devora suas entranhas
e amargura sua existência.
Devemos ter piedade pelo Diabo íntimo, particular, que temos em nós.
Branqueá-lo é urgente; é necessário que façamos ele resplandecer. Se por algo
vale a pena o livro de Giovanni Papini69, intitulado O Diabo, é porque esse ho-
mem chegou a intuir o que é o Mistério de Bafometo. Diz: “Se Deus é puro amor
e perdoa todas as criaturas, por que não poderia perdoar também o Diabo?”
Papini era a ‘criança mimada’ do Vaticano, mas essas palavras lhe valeram
a excomunhão.
Muito bem! Nós não cremos num diabo antropomórfico, sentado num tro-
no entre nuvens negras lançando raios e fogo contra o formigueiro humano.

68 Divina Comédia é o título de uma obra de Dante Alighieri.


69 Giovanni Papini, escritor italiano (Florença, 9 de janeiro 1881 – Florença, 8 julho 1956).

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Isso, jamais! Nós pensamos num Diabo pessoal, num Diabo íntimo, num Dia-
bo que precisa voltar a brilhar, a cintilar, a resplandecer.
Vale mais ‘branquear o latão’ que ler todas as teorias escritas e por escrever.
Quando o Diabo estiver branco, se fundirá com nossa Alma, com nosso Espírito;
então nos transformaremos em algo diferente, distinto: em Arcanjos luminosos, em
Senhores da Luz. Por isso é que Lúcifer é chamado de ‘fazedor da luz’. Portanto, não
vejo razão ou motivo para sinalizar esse andrógino divino como algo desprezível.
A carta 15 do Tarot vem depois da carta 13, que é a carta da morte do ego,
do eu, do mim mesmo. Depois da carta 14, que é a carta do homem que adquiriu
a temperança, a virtude, a perfeição. Portanto, essa carta 15 é a que voltará no-
vamente a resplandecer; é a carta do Andrógino Divino, aquele que volta a res-
plandecer, é o cobre branqueado (e não aqueles que desprezam o sexo feminino).
Quem despreza o sexo feminino, quem o considera inferior, marcha pelo
caminho do erro, pois Elohim é Deuses e Deusas. O aspecto feminino de Deus
não pode ser desprezado.

Pergunta: O que mais o senhor pode nos dizer sobre outros aspectos
que considera importantes?
Mestre: É necessário que a mulher se preocupe pelo despertar da consci-
ência. Nunca é demais lembrar que num passado remoto, devido ao equívoco
de alguns indivíduos sagrados, a humanidade desenvolveu o detestável órgão
Kundartiguador. Depois, ao ser eliminado tal órgão da anatomia humana, res-
tou algo abominável dentro de cada um. Refiro-me a esses elementos bestiais
que, no seu conjunto, constituem o Ego, o mim mesmo, o si mesmo; quer dizer,
os elementos bestiais que ficaram nos organismos animais são, simplesmente,
as más consequências do abominável órgão Kundartiguador, e dentro dessas
‘más consequências’, está engarrafada a Essência; assim, agora, todos podem
compreender porque a Essência, a Consciência, dorme profundamente.
No entanto, nem sempre a consciência dos seres humanos esteve tão ador-
mecida quanto agora. No começo, havia algo de sono, mas depois da submersão
do continente atlante, as pessoas tornaram-se profundamente hipnotizadas pelo
sinistro poder do abominável órgão Kundartiguador. É claro que o Ego, o Eu,
é o resultado desse órgão, e, como esse órgão está adormecido em si mesmo, a
Consciência permaneceu atuando dentro do Mim Mesmo em forma negativa.
Se digo que a humanidade está hipnotizada, não estou falando mentiras. En-
tretanto, as pessoas não crêem que estão sob o poder do hipnotismo. As pessoas

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acreditam estar despertas, e aí está o grande erro. Somente vêm a saber que existe
o hipnotismo quando essa força atua de forma mais leve ou quando se concentra
em determinado sujeito numa sessão hipnótica; fora desses instantes, as pessoas
ignoram que se encontram em estado hipnótico ou de profundo sono.
Quando viemos ao mundo, ao nascer, formamos nova personalidade. De-
pois, vamos para a escola; como é normal, somos educados de acordo com os
costumes da época; então recebemos todo tipo de conceitos e preconceitos.
Com todo esse lastro, criamos em nós uma falsa consciência. Mas a Essência,
em si mesma, segue dormindo nas profundezas.
É na Consciência que se encontram depositados os dados que necessitamos
para a auto-realização íntima do Ser, mas esta [a Consciência] continua relegada,
repito, e até mesmo qualificada de ‘subconsciência’; somente vem a se tornar cons-
ciência autêntica, real e verdadeira todo esse lastro de teorias que levamos em nosso
interior, toda essa falsa educação, esses preconceitos raciais, de casta ou de nação.
Portanto, em cada um de nós existe ou acabou se formando uma dupla
consciência. Em esoterismo, a Consciência é denominada de Zoostat. É triste
saber que um Zoostat esteja dividido em dois.
Também é certo e verdadeiro que a natureza, adaptando-se, teve que se
acomodar a duas correntes sanguíneas em nosso corpo ou a dois sistemas cir-
culatórios, para ser mais claro. O primeiro é aquele que se manifesta durante o
estado de vigília, quando o sangue corre por determinados vasos sanguíneos.
O segundo é aquele que se expressa durante as horas de sono, quando alguns
vasos diferentes são preenchidos de sangue. Portanto, dessa forma, temos dois
sistemas de circulação, de acordo com o duplo funcionamento de um Zoostat.
Precisamos despertar, rasgar o véu, acabar com tudo que não seja o Ser;
eliminar todos os preconceitos raciais, familiares e de nação; acabar com toda
essa falsa educação e com toda essa falsa consciência. É preciso destruir o ego e
reduzi-lo à cinzas, a fim de que a Essência se expresse em nós. É na Consciência
que estão os dados que necessitamos para a auto-realização íntima. Isso é vital,
urgente, impostergável, inadiável...
A mulher está chamada a despertar, deve interessar-se por isso e lutar para
que o homem também desperte. Ninguém está mais perto do homem do que
a mulher. Por isso, ela deve lutar, a fim de despertar o homem, que, por estes
tempos, encontra-se muito degenerado.
Com a maravilhosa energia criadora poderemos gerar os corpos existen-
ciais superiores do Ser. Muito foi falado sobre o corpo astral. Infelizmente, os

146
humanóides atuais não possuem esse maravilhoso corpo. Comumente e por
conveniência dizemos ‘saio em astral’. Mas, essas ‘saídas em astral’ são ‘saídas
do ego’. É o ego, o Eu, o mim mesmo, o si mesmo, que substitui o corpo astral
e se desloca pelo espaço.
Torna-se necessário criar o autêntico e legítimo corpo astral, e isso só é
possível com o uso do mercúrio da filosofia secreta, aprendendo a transmutar
essa força maravilhosa.
O verdadeiro nome do corpo astral é ‘Keestjano’70, o qual é criado com a
transmutação do esperma em energia, conscientemente.
Homens e mulheres podem criar o corpo Keestjano. Alguém sabe se possui
esse corpo quando pode viajar com ele de forma consciente e positiva. Mais tarde
[e na sequência dos trabalhos alquímicos] será necessário criar o autêntico corpo
da razão objetiva, ou seja, o corpo mental, um corpo maravilhoso que somente
é gerado com o uso do Hidrogênio Sexual Si-12. E, por fim, cria-se o Corpo da
Vontade, o Egoaitorasiana do Ser, ou seja, o corpo causal71.
Repito: esses corpos são criados mediante a transmutação do esperma em
energia. Pode-se possuir tais corpos quando se encarna o princípio anímico, o
seu Real Ser Interior. Assim a pessoa se transforma em homem autêntico, em
homem real. Naturalmente, dentro da palavra ‘homem’ também incluo a mulher,
da mesma forma como na palavra Elohim, também estão incluídas as Deusas.
Portanto, trabalhai intensamente com a energia criadora do Terceiro Lo-
gos, se de fato quereis algum dia alcançar a liberação final.

Pergunta: Mestre, estamos inteiradas que a mulher, no plano astral, tem


corpo masculino e vice-versa. O que o senhor pode nos comentar a respeito?
Mestre: O homem tem as forças masculinas, a mulher, as femininas; o
campo magnético de ambos, tem as forças neutras. Uma força, isoladamente,
não tem poder de criar; são necessárias as três forças primárias para haver uma
criação. Para criar os corpos existenciais superiores do Ser, são necessárias as

70 Fonte: Dictionar Esoteric Vechi. Em outras obras do autor, aparece escrito ‘Kesdjano’ (o que talvez
seja por causa de um erro de transcrição.
71 Egoaitoorasiana é uma palavra oriunda da doutrina do Quarto Caminho, trazida ao Ocidente pelo
Mestre G. No livro original de Beatriz Marta D´Andreis está grafado ‘ Egoaitoriasiana’, da qual não
encontramos nenhum registro nos buscadores da internet. Em contrapartida, a expressão ‘egoaitoora-
siana’ somente aparece nas fontes gnósticas (livros) atuais de Samael Aun Weor.

147
forças sexuais masculinas, femininas e neutras. Aqueles que têm corpos físicos
masculinos, no astral são mulheres, e aqueles que têm corpos físicos femininos,
no astral são homens.

Pergunta: Temos observado que, geralmente, a mulher se crê inferior


ao homem em todos os campos: no estudo, na investigação, na condução
de trabalhos e outros. Sendo a gnose uma doutrina voltada para ambos os
sexos e que dá instrução para homens e mulheres se transformarem em seres
superiores, o que o senhor poderia nos comentar a respeito disso?
Mestre: A auto-realização íntima do Ser nunca foi exclusividade absoluta
do elemento masculino. Lembrem-se que os Elohim, o Exército da Palavra, o
Verbo, é masculino e feminino ao mesmo tempo. Elohim é uma palavra feminina
[Elohá] com terminação masculina, e significa ‘Deuses e Deusas’. Não é demais
lembrar que Deus não é um ente humano ou divino. Deus é o Exército da Pa-
lavra; são as Hostes de Elohim. Uma religião sem Deusas encontra-se à metade
do ateísmo. Partindo-se dessa premissa, chegaremos à conclusão que a mulher
tem os mesmos direitos que o homem; portanto, pode alcançar a liberação final.
Entre os Mestres Ressurrectos e Imortais, que formam a Humanidade Di-
vina, conheço várias Senhoras Inefáveis, cujos corpos físicos têm milhares de
anos. São seres que possuem o Elixir da Longevidade, seres que regem os ele-
mentos da natureza, Deusas com corpos físicos de carne e osso, Senhoras que
sabem transmutar chumbo em ouro.
A mulher moderna deve abandonar o complexo de inferioridade em rela-
ção ao homem, porém, nunca deve se tornar soberba ou orgulhosa. Lembrem-
-se sempre que para se alcançar a sabedoria é preciso ser humilde, e depois de
alcançar a sabedoria, é preciso ser ainda mais humilde.
A mente do homem é feminina; a mente da mulher é masculina. O homem
fecunda a mulher fisicamente, mas a mulher fecunda o homem psiquicamente.

148
IV PARTE
  

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Nota do editor brasileiro: As perguntas e respostas apresentadas a seguir foram


retiradas do livro Revolución de la Mujer, edición 1976, de María M. R. de
Palacios.

149
Pergunta: Atualmente, os médicos receitam anticoncepcionais para re-
gular a menstruação e evitar cólicas. O que o senhor nos diz sobre isso?
Mestre: Anticoncepcionais para curar cólicas menstruais me parece algo
absurdo. Em nome da verdade precisamos dizer que as pessoas hoje em dia
ignoram o que é a Ciência Pura. Isso que chamam de ‘ciência’ não passa de uma
podridão de deploráveis teorias. Considero que esses procedimentos artificiais
em voga são cem por cento prejudiciais à saúde humana. As cólicas menstruais
devem ser tratadas por meios mais eficientes, nunca com anticoncepcionais
que de nada servem. É criminoso esse procedimento dos cientistas do Anti-
cristo que inventaram a pílula anticoncepcional, com todas as suas sequelas.
Vocês, mulheres, obviamente, têm sido vítimas do Anticristo; por Anticristo
entenda-se essa falsa ciência, essa cacarejada academia, esse cientificismo mo-
derno. De forma alguma é preciso usar anticoncepcionais. Quem quiser ter al-
gum controle sobre a concepção humana pode trabalhar com o Arcano A.Z.F.

Pergunta: Uma mulher que tenha usado anticoncepcionais... Aí conhece


a gnose e deixa de usá-los... Ela deve fazer alguma coisa para se desintoxicar
ou a natureza se encarrega disso?
Mestre: Quanto à desintoxicação, por haver ingerido tanta mistura indi-
cada pelos cientistas do Anticristo, devem deixar por conta da natureza; ela se
encarregará disso. Repetimos: Não é preciso de forma alguma o uso de anti-
concepcionais, algo cem por cento criminoso. A natureza é muito sábia e tem
suas leis para controlar o excesso de população. Lembrem-se que tudo na na-
tureza está sujeito à Lei do Pêndulo: se hoje há excesso de população, quando a
polaridade mudar pelo movimento do pêndulo, iremos para o outro extremo,
o de, exatamente, escassa população. Existe, portanto, um plus e um minus
nessa questão. Todo excesso é controlado devidamente pelas leis da natureza.
Quando excede sempre aparecem guerras ou enfermidades ou as duas coisas
ao mesmo tempo. Hoje, este exato momento, sinaliza o surgimento da guerra,
das enfermidades e de outras epidemias mais.

Pergunta: Se uma mulher ou um homem tiver alterado suas funções


sexuais normais, seja fazendo ligadura de trompas ou qualquer outro pro-
cedimento físico como a vasectomia, que chances tem de transmutação se-
xual? Pode criar seus corpos existenciais superiores do Ser?

150
Mestre: Antes de tudo é preciso a ‘disponibilidade do Homem’72. Considere-
-se que o Sol está fazendo um experimento maravilhoso no tubo de ensaio da na-
tureza: o de crear homens. A raça de ‘humanóides’ é necessária para captar deter-
minados tipos e subtipos de energia cósmica, que transforma e retransmite para
as camadas superiores do planeta... Triste é a condição do humanóide, certo?
No entanto, o Sol, com sua sabedoria, quer algo mais, e pôs então nas glândulas
endócrinas sexuais do ‘humanóide’ os germes do Homem. Esses germes podem
se desenvolver se cooperarmos; se não cooperarmos, o ensaio do Sol fracassará.
Durante os primeiros oito séculos do cristianismo, foram creados muitos
Homens. Porém, na Idade Média, poucos foram creados, e agora, bem raros.
Para que nasça o Homem é preciso que os germes para os corpos existenciais
superiores do Ser, radicados nas glândulas sexuais, se desenvolvam convenien-
temente. Esses germes não podem se desenvolver em nós sem nossa coopera-
ção. Naturalmente também que esses germes não podem se desenvolver em am-
biente desfavorável. Quando se faz transplante de glândulas de macaco ou outro
animal, quando as glândulas são alteradas, quando se faz ligadura de trompas
ou vasectomia, certamente as condições para o desenvolvimento dos germes do
Homem não se tornam das melhores num organismo assim alterado.
Quando observamos as formigas podemos verificar que no passado foram
‘humanóides’. Porém, desgraçadamente, os cientistas que apareceram naquela
época, dedicaram-se a fazer ensaios prejudiciais: retiraram glândulas, fizeram
transplantes, fecharam as trompas, etc. Como resultado disso tudo, os germes
do Homem não puderam se desenvolver naquela raça humana. Pelo contrário,
aquelas criaturas foram diminuindo de tamanho e tiveram sua morfologia bá-
sica alterada, até se transformarem nessas criaturas que hoje denominamos de
‘formigas’, presentes em todas as partes do mundo.
Portanto, que se saiba de uma vez por todas que se alterarmos a ordem natural
do corpo humano, não poderemos desenvolver os corpos superiores existenciais
do Ser, mediante os quais podemos nos transformar em verdadeiros Homens.

Pergunta: No caso de um casamento em que só a mulher aceita e pratica


a doutrina gnóstica, e ela tenta de todos os modos atrair o marido e levá-
-lo a entender e a aceitar a doutrina, inutilmente; mesmo passando mui-
to tempo, valendo-se de diplomacia e amor, nada consegue. É conveniente

72 Entenda-se que esse ‘Homem’ aqui citado pelo autor é o Anthropos, o Homem Espiritual.

151
separar-se desse homem? E se for o contrário, desde que não tenham filhos,
o homem pode se separar da esposa? Ou se houver filhos, devem seguir
vivendo juntos, conformar-se, e de forma alguma divorciar-se do cônjuge
que não aceita a castidade?
Mestre: Em nome da verdade temos que dizer que existem duas vias: a
vertical e a horizontal; ambas formam a cruz. Pela linha horizontal segue ‘Rai-
mundo e todo mundo’. Essa linha começa com o nascimento e termina com a
morte. A via vertical é diferente; nela estão os diversos níveis de consciência.
As duas linhas formam uma cruz e estão dentro de nós mesmos, aqui e agora
– nem antes nem depois... É preciso dizer, com certa ênfase, que não é possível
um homem que segue pela via vertical – que é a Senda da Revolução da Cons-
ciência – se entenda com uma mulher que segue pela horizontal ou vice-versa.
Ainda que seja verdade que existem muitas mulheres aspirantes da gnose que
sofrem muito porque o marido não é da via vertical, e sim, da horizontal, tam-
bém o contrário é verdade... Os da vertical e da horizontal não se entendem,
nem podem se entender; é como misturar água com óleo. Um homem da ver-
tical, casado com alguém da horizontal, não tem saída que não relevar e ter
paciência. Se uma mulher da vertical desafortunadamente está casada com um
homem da horizontal, terá que proceder da mesma forma, e multiplicar a pa-
ciência até o infinito.
O que acontece com um homem da vertical que tem que praticar Mai-
thuna com uma mulher da horizontal? E ela, sendo da horizontal, de forma
alguma aprecia a atitude do homem em Sahaja Maithuna... Nesse caso, ele terá
que relevar a coisa, terá que aprender a trabalhar com essa mulher na Forja dos
Ciclopes, calar-se, cantar seus mantras apenas mentalmente e fazer de conta
que está realizando um ato sexual comum e corrente como qualquer outro
homem fornicário, e saber retirar-se a tempo...
Por outro lado, uma mulher da vertical que tenha que trabalhar na Forja dos
Ciclopes com um homem da horizontal, sofre muito e precisa aprender a trans-
mutar suas energias em meio a grandes dificuldades. Obviamente, um homem
da horizontal não gosta nem um pouco da atitude da mulher da vertical. Conclu-
são: a mulher precisa transmutar fingindo ser fornicária, sem sê-lo em verdade,
mantralizar apenas mentalmente e jamais se deixar cair no orgasmo fisiológico.
É claro que, sob essas condições, o sacrifício é bem maior, o dobro ou o triplo...
Por isso mesmo também os resultados são mais rápidos, maravilhosos.
Porém jamais eu aconselharia que um homem abandonasse sua esposa
nem que uma mulher abandonasse seu marido. Se já são casados ou recém-

152
-casados devem relevar as coisas com amor e com infinita paciência. A Senda,
o Caminho, começa no lar, em casa. Quem não sabe conduzir e administrar
seu lar não serve para a Senda. A mulher que abandona o marido porque ela é
da vertical e ele da horizontal, jamais poderá percorrer o Caminho da Perfei-
ção. O mesmo se aplica ao homem que abandonar sua esposa porque ela é da
horizontal e ele da vertical; tampouco será capaz de alcançar a auto-realização
íntima do Ser.
Quem quiser se auto-realizar, quem quiser percorrer a Senda do Fio da
Navalha com êxito, precisa tornar-se um bom dono de casa, saber conduzir seu
lar, sua casa, com harmonia, beleza e perfeição. Aqueles que na vida prática não
aprenderam a organizar seu lar, não servem para o Caminho, não servem para
a Senda; jamais poderão se auto-realizar. Tenho observado que muitos que atu-
almente estão percorrendo o Caminho não aprenderam ainda a ser bons donos
de casa [ou boas donas de casa], e estão se convertendo num claro fracasso.

Pergunta: Como deve ser feito o trabalho durante o Arcano A.Z.F.?


Mestre: O trabalho na Forja dos Ciclopes é maravilhoso. Claro que quando
não se derrama o Vaso de Hermes, o esperma sagrado se transforma em ener-
gia, e esta sobe pelos respectivos canais ganglionares até o cérebro. O resultado
desse procedimento é que, ao fim, o Fogo sobe vitoriosamente pelo canal verte-
bral medular do asceta gnóstico. Porém, é preciso ter em conta a dissolução do
ego, do mim mesmo. Se alguém criar os corpos existenciais superiores do Ser
sem dissolver o ego animal, transforma-se num Hanasmussen, em alguém com
duplo centro de gravidade, num aborto da Mãe Cósmica, num fracasso. Por-
tanto, é chegada a hora de compreender a necessidade de dissolver todos esses
elementos que no seu conjunto constituem o ego, o mim mesmo, o si mesmo.
Só assim é possível evitar um fracasso. Se alguém criar corpos existenciais su-
periores do Ser e se transforme em Homem de verdade, em Homem completo,
mas não elimina os egos que personificam nossos erros de tipo psicológico,
se converterá em Hanasmussen, com duplo centro de gravidade, num fracas-
so. Por conta disso, é conveniente que, durante o trabalho na Nona Esfera, os
Iniciados se dediquem, de forma intensa, não só a criar corpos existenciais
superiores do Ser – visto que esses são criados automaticamente mediante a
transmutação do esperma em energia – mas também, o mais importante, a
trabalhar com a Lança de Eros: suplicar à Divina Mãe, à Serpente de Fogo de
nossos mágicos poderes, que Ela desintegre os agregados psíquicos que temos
em nosso interior, que personificam nossos erros.

153
Durante o dia, quando realizamos nossas atividades, devemos nos auto-
-observar, pois, quando estamos em contato com as pessoas, os defeitos que
estão dentro de nós, afloram. Se estivermos atentos e alertas como sentinela
em tempo de guerra, então poderemos destruí-los. Defeito descoberto deve
ser compreendido integralmente, em todos os níveis da mente; depois, com a
ajuda de Devi Kundalini Shakti, eliminá-los todos. À medida que vamos mor-
rendo, de momento a momento, vamos recebendo iluminação. Não é possível
despertar a consciência sem eliminar nossos defeitos, e agora todos podem
compreender porque é fundamental o trabalho da dissolução do ego.

154
V PARTE
  

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Nota do Editor: As perguntas a seguir foram recolhidas de diversas fontes im-


pressas ou digitais por nós encontradas durante nossas pesquisas, mas que não
nos foi possível saber ou confirmar datas e eventos em que tenham sido feitas;
optamos então por agrupá-las aqui nesta V Parte.

155
Pergunta: Que procedimento ou técnica devem utilizar os esposos du-
rante o Sahaja Maithuna para eliminar os defeitos?
Mestre: Durante a cópula química os esposos devem pedir pela desinte-
gração do mesmo defeito. É falta de caridade e de amor que o marido peça pela
desintegração desse ou daquele defeito, e sua esposa, por sua vez, esteja pedin-
do pela eliminação de um outro defeito. É justamente o poder do Andrógino,
que se forma pela união sexual, quem vai utilizar a divina Mãe Kundalini para
incinerar este ou aquele agregado. Se ambas as partes do casal direcionarem
o Fogo Elétrico contra um mesmo defeito, a desintegração não se faz esperar.
Repito: ambos devem implorar pela eliminação do mesmo defeito.

Pergunta: O que o senhor pode nos falar a respeito do aborto?


Mestre: O aborto é a destruição de uma obra da Mãe Natureza; bem sa-
bemos que a Deusa Mãe Natura trabalha criando corpos... Cada um de nós a
tem dentro de si, em sua própria psique. Ela é quem une o espermatozóide ao
óvulo; Ela é quem elabora a célula germinal primeira com seus 48 cromosso-
mos; Ela é quem dá os impulsos para a formação genuína da célula germinal,
e graças a isso, o corpo se desenvolve e se transforma em arquétipo criador.
Portanto, realmente e de fato a Mãe luta intensamente para formar um corpo,
e quando alguém destrói sua obra, comete um crime que de forma alguma
passa despercebido pela Grande Lei. Absurdo é achar que a Grande Lei esteja
de acordo com esse tipo de destruição; naturalmente, sanciona severamente
todo aquele que destrói a obra da Mãe Natureza. Então, todo aborto provocado
intencionalmente é um homicídio, como tal sancionado pela Grande Lei.

Pergunta: E quando acontece um aborto involuntário pode se dizer que


é Karma?
Mestre: Nem sempre é kármico porque muitas vezes é um acidente. É
kármico quando a mulher começar a gestar e uma ou outra vez falhar nesse
intento...

Pergunta: Em linhas gerais, que consequências teremos com a legalização


do aborto?
Mestre: Pelo fato de a humanidade estar identificada com o erro, o aborto foi
legalizado, e assim tornou-se um fato normal e oficial. Isso implicará em terrível

156
karma para os moradores da Terra. É claro que quem não realizou abortos nada terá
a pagar. Mas, no geral, tudo isso terá implicações nas catástrofes que se aproximam...

Pergunta: Qual a causa do atual fracasso político bem típico dos moder-
nos líderes governamentais?
Mestre: Essa política fracassada utilizada pelos líderes atuais tem sua ori-
gem na debilidade sexual dos mesmos. É bem sabido que a sociedade moderna é
controlada pelas raposas do intelecto. Esses tipos são terrivelmente fornicários, e
tudo isso está muito bem demonstrado; resultam da mistura de intelectualismo
com falta de espiritualidade; a falta de espiritualidade gera luxúria exorbitante.
Portanto, como o mundo está nas mãos dessa classe de gente, não surpreende
que estejamos vivenciando esse tipo de fracasso. A classe política é governada
pelo Super-homem. Por serem débeis, os políticos são governados pelo Círculo
Consciente da Humanidade Solar que age nos Centros Superiores do Ser. Os
políticos são como fichas negras que a Fraternidade da Luz Interior manipula.
Existem fichas brancas e pretas. Algumas vezes a Fraternidade da Luz Interior
reforça uma ou outra dessas fichas, segundo o karma e o dharma das nações.

Pergunta: Para prevenir o câncer a medicina oficial se vale de um exame


conhecido como Papanicolau. O que deve fazer a mulher a respeito?
Mestre: Em antigos tempos, quando as pessoas eram mais saudáveis, nin-
guém fazia esse tipo de exame. Obviamente, esse tipo de exame surgiu uni-
camente da luxúria dos cientistas, procedimentos ou subterfúgios da mente
criados por eles; quem pode negar que são transtornos lúbricos? Evidente que
o Anticristo é muito astuto; todos sentem prazer ao examinar os órgãos se-
xuais das mulheres... Caso surja um câncer, pois tratemos de curá-lo; não há
coisa mais fácil de curar que o câncer. Já sabemos que a serpente cascavel tem
o poder de fazer desaparecer o câncer de forma radical, até mesmo de último
grau. Para tanto, basta cortar fora a cabeça e os guizos da cascavel, pondo a
carne a secar ao sol; depois fazer cápsulas grandes da mesma e dar ao paciente
de hora em hora, até curar totalmente. Durante esse tratamento o paciente
precisa abandonar todo e qualquer outro remédio, radicalmente, até mesmo
um simples comprimido, pois o elemental da cascavel é muito zeloso. O uso de
qualquer outro remédio é mais que suficiente como que para cortar o trabalho
de cura com a cascavel. É preciso deixar que o elemental atue sem nenhuma
interferência; se o paciente não mesclar esse tratamento com qualquer outra

157
coisa, qualquer outro remédio, o resultado será assombroso, e se curará. Por-
tanto, de nada servem esses exames vaginais; de nada servem essas análises
laboratoriais e todos esses modernos inventos científicos.73

Pergunta: O hímen pode se romper durante o ato sexual?


Mestre: Na Idade Média muitos gnósticos praticavam o Maithuna com
Vestais Virgens em forma de carezza, sem deflorá-las. Deitavam-se de lado e
subintroduziam o falo [pênis] entre os lábios da vagina e o hímen do órgão
sexual feminino. Com o tempo, este último ia se tornando elástico. A intro-
dução era lenta, mas progressiva, realizando-a cada vez mais profundamente;
assim a mulher continuava sendo virgem. Depois de bastante tempo, o falo já
podia penetrar em sua totalidade, e a mulher continuava virgem. Esse sistema
é formidável para manter a esposa sacerdotisa sempre virgem. E, de fato, a vir-
gindade, possui um grande poder. Ditosos, infinitamente ditosos, aqueles que
possuem uma Vestal Virgem para o Maithuna.

Pergunta: Uma mulher virgem, que não tenha sido deflorada, pode se
ver em sonhos em união sexual? Ou seja, mesmo que fisicamente nunca
tenha tido nenhuma relação sexual, poderá fazê-lo ou sentir-se realizando
com seu corpo astral lunar? Ou isso é lembrança de outras vidas? Ou isso
não é possível? E caso isso ocorra, a que se deve?
Mestre: A virgindade do corpo físico não é a virgindade da alma. Qual-
quer mulher virgem de corpo, tendo o ego vivo, não é virgem de alma, e, por
isso, seu ego fornica incessantemente, gerando orgasmos e poluções noturnas
durante os sonhos.

Pergunta: Muitas mulheres casadas e solteiras perguntam por que


experimentam palpitações em seu centro sexual quando estão em estado

73 Maiores detalhes sobre esse tratamento podem ser obtidos no livro Medicina Oculta, do mesmo
autor. Devido a isso, ao grau de exigência da cobra cascavel, somada aos rigores da legislação ambien-
tal, a equipe da IGB indica outro procedimento, praticamente com a mesma eficácia, o qual pode ser
utilizado em complemento às técnicas usuais da medicina moderna. Trata-se do uso inteligente da
leiteira da amazônia (Synadenium grantii). O preparo desse remédio é muito simples: basta diluir 10
gotas do leite da planta num litro de água pura, conservando-a na geladeira; depois, tomar três doses
diárias junto às refeições, até obter a cura. Já existe hoje ampla documentação científica da eficácia do
tratamento com essa planta brasileira.

158
de emotividade sexual. Gostaria de saber se devem evitar isso ou não. A
mesma coisa acontece em sonhos, e então, elas começam imediatamente a
transmutar...
Mestre: Essas palpitações são indício de orgasmo; devem ser evitadas antes
de aparecerem, por meio da transmutação.

Pergunta: Com que idade a mulher está sexualmente apta para se casar
e praticar a castidade científica, o Maithuna?
Mestre: A partir dos 18 anos está devidamente preparada para o Maithuna.

Pergunta: O que o senhor pode nos dizer a respeito das pessoas que
menosprezam ou subestimam a mulher?
Mestre: Aqueles que desprezam o sexo feminino, aqueles que o conside-
ram inferior, seguem pelo caminho do erro, pois Elohim é ‘Deuses e Deusas’. O
aspecto feminino de Deus jamais poderia ser desprezado.

FIM

159
ÍNDICE

w w w

IMPORTANTE: NOTA DO EDITOR BRASILEIRO.......................................... 7


INTRODUÇÃO: ENALTECIMENTO GNÓSTICO DA MULHER............... 10
CAPÍTULO 1: A MÃE DIVINA........................................................................... 12
CAPÍTULO 2: A SANTA PREDESTINAÇÃO................................................... 15
CAPÍTULO 3: A REALIZAÇÃO GNÓSTICA DA MULHER......................... 29
CAPÍTULO 4: APOLOGIA DO ETERNO FEMININO................................... 37
CAPÍTULO 5: O MISTÉRIO DA BELA HELENA............................................ 44
CAPÍTULO 6: O MILAGRE DO AMOR............................................................ 57
CAPÍTULO 7: O CASAMENTO GNÓSTICO................................................... 78
CAPÍTULO 8: SEXOLOGIA GNÓSTICA.......................................................... 85
CAPÍTULO 9: ESCLARECIMENTOS SOBRE O TANTRISMO..................101
II PARTE.................................................................................................................112
III PARTE................................................................................................................130
IV PARTE................................................................................................................149
V PARTE.................................................................................................................155

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Queapa zest
ejaconvosco,mul heresi
nefávei
s!"

SamaelAunWeor

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85-
62455-
26-
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