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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL

Disciplina: Antropologia da Saúde e da Doença (ANT0050). Professor: Carlos Guilherme do Valle. Período: 2016.2. Créditos: 04. Horas-aula: 60. 2ª feira, 14:50 18:30 hs.

Ementa: Os debates teóricos sobre saúde e doença; o problema da racionalidade e da crença; os sistemas médicos ocidentais e não-ocidentais; o papel do doente e a construção cultural do paciente; os especialistas terapêuticos e seus espaços de cura/tratamento; a dimensão comunitária e associativa das terapias e das curas; corpo, doença e simbolismo; ritual, eficácia e cura; experiência e interpretação da doença e do sofrimento; itinerários terapêuticos; gênero, sexualidade e saúde; práticas e tecnologias terapêuticas; biossocialidades, identidades e mobilização bio-político-social; saúde/doença e genética; saúde e políticas públicas.

Objetivos: O curso irá proporcionar ao aluno uma introdução às contribuições teóricas mais significativas sobre saúde e doença a partir da Antropologia, sem a intenção de ser exaustivo das diferentes discussões e abordagens existentes. Autores e textos considerados “clássicos” serão discutidos junto de pesquisas antropológicas mais recentes e/ou contemporâneas. Serão também discutidas as propostas metodológicas e etnográficas que orientam as pesquisas dos autores estudados.

Avaliação:

1)

Discussão de textos e seminários individuais ao longo das sessões.

2)

Seminários serão previstos e agendados para apresentação individual. Para sua

3)

realização, o aluno deverá apresentar os pontos do texto em sua integralidade, atentando para os principais argumentos teórico-metodológicos do autor. Os textos para seminário serão distribuídos nas primeiras aulas. Como trabalho final de curso, o docente encaminhará um conjunto de questões para os alunos. Serão duas questões: uma obrigatória e outra opcional a partir do conjunto de questões oferecidas. Cada questão deverá ter aproximadamente 8 a 10 páginas (espaço 1,5; Fonte New Times Roman, 12), sem contar a bibliografia.

Dinâmicas das aulas. O docente apresenta cada uma das sessões e poderá introduzir textos complementares; todos alunos terão de ler um ou dois textos obrigatórios e será responsável pela apresentação de um terceiro [poderão usar data show e mídias digitais].

Programa:

1 a Aula Apresentação do docente e dos alunos, do programa. Aula expositiva.

2ª Aula – Mesa redonda “Saúde, risco e doenças crônicas: abordagens antropológicas”. Auditório B, CCHLA, 16 às 19 horas.

3ª Aula - Antropologia, saúde e doença: um “clássico”. EVANS PRITCHARD, E.E. Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande. Rio de Janeiro: Zahar. 2005 [1937]. (Capítulos 5, 6, 7, 11, 12), pp. 90-135; 186-224.

4 a Aula - Antropologia, corpo e morte: “clássicosII:

MAUSS, Marcel. “Efeito físico no indivíduo da ideia de morte sugerida pela coletividade” e “As técnicas corporais”. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac &

Naif. 2003, pp. 345-365; 399-422. [pdf]. MAUSS, Marcel. “A expressão obrigatória dos sentimentos (rituais orais funerários

australianos). Ensaios de Sociologia. São Paulo: Editora Perspectiva, 1981. pp. 325-

335.

CANNON, Walter B. ‘Voodoo’death. American Anthropologist, vol. 44, n. 2. 1942, pp.

169-181 [pdf].

5ª Aula - Corpo e saúde/doença: perspectivas em simbolismo e classificação. LÉVI STRAUSS, Claude. “O feiticeiro e sua magia” e “A eficácia simbólica”. Antropologia Estrutural. São Paulo: Cosac & Naif. 2008, pp. 181-221. [pdf]. LÉVI STRAUSS, Claude. “Introdução à obra de Marcel Mauss”. In: Mauss, Marcel. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naif. 2003, pp. 11-45[pdf]. DOUGLAS, Mary. “Profanação secular”. In: Pureza e Perigo. São Paulo: Perspectiva. 1976, pp. 43-56.

6ª Aula - Victor Turner: ritualização e especialistas terapêuticos:

TURNER, Victor. “Muchona a Vespa: intérprete da religião” e “Um curandeiro Ndembu e sua prática”. Em: Floresta de Símbolos: aspectos do ritual Ndembu. Niterói:

EdUff. 2005, pp. 179-202; 449-488.

7 a Aula Estigma, Doença crônica e curso de vida:

GOFFMAN, E. Estigma, Rio de Janeiro, Zahar, 1975. [prefácio, capítulos 1 e 2]. BURY, Michael. “Chronic illness as biographical disruption”. Sociology of Health and Illness, vol. 4, n.2, 1982. [pdf] WILLIAMS, Gareth. “The genesis of chronic illness: narrative re-construction”. Sociology of Health and Illness, vol. 6, n.2, 1984. [pdf]

8ª Aula A antropologia e os estudos culturais dos sistemas médicos:

EISENBERG, Louis. “Disease and Illness: distinctions between professional and popular ideas of sickness”. Culture, Medicine & Psychiatry. 1, 1977. KLEINMAN, Arthur. “Concepts and a model for the comparison of medical systems as cultural systems”. Em: Currer, C & Stacey, M (eds). Concepts of Health, Illness and Disease. Londres: Berg, 1986.

9ª Aula Significação, narrativas e experiências da doença:

GOOD, Byron; DELVECCHIO GOOD, Mary Jo. “The meanings of symptoms: a cultural hermeneutic model for clinical practice”. Em: Eisenberg, L; Kleinman, A.

(eds.). The Relevance of Social Science for Medicine. Michigan: D. Reidel Pub. Co,

1981.

GOOD, Byron J. Medicine, Rationality, and Experience. Cambridge: Cambridge

ALVES, Paulo C. e Rabelo, Miriam C.M. “Significação e metáforas na experiência da enfermidade”. Em: Alves, Paulo et al. Experiência da doença e narrativa. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz. 1999. [pdf]

10 a Aula Itinerário terapêutico e experiência da doença.

BOLTANSKI, Luc. “A relação doente-médico”. In: As classes sociais e o corpo. Rio de Janeiro: Graal, 1984. ALVES, Paulo C. ; SOUZA, Iara. M. A. “Escolha e avaliação de tratamento para problemas de saúde: considerações sobre o itinerário terapêutico”. Em: Alves, Paulo et

al. Experiência da doença e narrativa. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz. 1999. [pdf]. CABRAL, Ana L. L.V; MARTINEZ-HEMAEZ, Angel; ANDRADE, Eli; CHERCHIGLIA, Mariangela L. "Itinerários terapêuticos: o estado da arte da produção científica no Brasil". Ciência e Saúde Coletiva, 16 (11), 4433-4442, 2011 [pdf].

11 a Aula A Antropologia Médica Crítica: corpo, saúde e doença.

LOCK, Margaret. “Cultivating the body: Anthropology and Epistemologies of Bodily Practice and Knowledge”. Annual Review of Anthropology, 22, pp. 133-155, 1993. [pdf]. DEIN, Simon. “Explanatory models and oversystematization in medical anthropology”. Em: Roland Littlewood. (ed.). On knowing and not knowing in the Anthropology of Medicine. Walnut Creek, CA: Left Coast Press, 2007. DUARTE, Luiz F. Dias. “Indivíduo e pessoa na experiência da saúde e da doença”. Ciência e Saúde Coletiva. 8 (1): 173-183. 2003. [pdf]

12ª Aula Foucault, o biopoder e a biopolítica:

FOUCAULT, Michel. “O direito de morte e poder sobre a vida”. In: História da Sexualidade. Rio de Janeiro: Graal. 1977. [pdf]. FOUCAULT, Michel. “O nascimento do hospital”; “A governamentalidade”. In:

Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. [pdf].

13 a Aula Genômica, biossocialidade e biotecnologias

RABINOW, Paul. “Artificialidade e iluminismo: da sociobiologia à biossociabilidade”. In: Antropologia da Razão: ensaios de Paul Rabinow. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999. [pdf]. RABINOW, Paul; ROSE, Nikolas. O conceito de biopoder hoje. Política & Trabalho Revista de Ciências Sociais, Ano XXVI, n. 24, abril de 2006. [pdf] SANTOS, Ricardo V.; MAIO, Marcos C. “Qual ‘retrato do Brasil’? Raça, biologia, identidades e política na era da genômica”. Mana, v. 10, n. 1, p. 61-95, 2004. [pdf].

14 a Aula - Cidadania biológica & biolegitimidade.

A política da própria

vida: biomedicina, poder e subjetividade no século XXI. São Paulo: Paulus, 2013.

PETRYNA, Adriana. “Life Politics after Chernobyl”. Em: Life Exposed, biological citizens after Chernobyl. Princeton: Princeton University Press, 2002. FASSIN, Didier. The biopolitics of otherness”. Anthropology Today, 001. [pdf]. FASSIN, Didier. “O sentido da saúde: antropologia das políticas da vida”. Em:

ROSE, Nikolas. “Introdução”; “Cidadãos biológicos”. Em:

SAILLANT, Francine; GENEST, Serge (orgs.). Antropologia médica: ancoragens locais, desafios globais. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2012.

15 a Aula Cidadania terapêutica, justiça e ativismo em saúde/doença:

EPSTEIN, Steven. “Patient groups and Health movements”. In: Edward Hackett et alli. (eds.), New Handbook of Science and Technology Studies. Cambridge, MA: MIT Press. pp. 499-539. 2007. [pdf].

NGUYEN, “Life itself: triage and therapeutic citizenship”. In:

Therapy. Triage and sovereignity in West Africa’s time of AIDS. Durham: Duke University Press, 2010. BIEHL, João G.; PETRYNA, Adriana. “Bodies of right and therapeutic markets”. Social Research. vol. 78, n.2. pp. 359-386. [pdf]

The Republic of

16 a Aula - Antropologia da biomedicina e das tecnologias biomédicas:

LOCK, Margaret; NGUYEN, Vinh-Kim. “Introduction”; “Biomedical technologies in

practice”. In:

2010. [pdf] BASTOS, Cristiana. “Cravado na pele, o hospital”. In: ALMEIDA, Miguel V. de. (org.). Corpo Presente: 13 reflexões antropológicas sobre o corpo. Oeiras: Celta, 1996.

[pdf]. BIEHL, João G. “Antropologia do devir: psicofármacos, abandono social, desejo”. Revista de Antropologia, vol. 51 (2), 2008. [pdf]

An Anthropology of biomedicine. Chichester: Wiley-Blackwell,

Bibliografia complementar 1 ALVES, Paulo C. e RABELO, Miriam C. (orgs). “O status atual das ciências sociais em saúde no Brasil: tendências”. Em: Antropologia da Saúde: traçando identidade e explorando fronteiras. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ; Relume Dumará. 1998

ANDERSON, Robert e BURY, Michael. “Introduction”. Em:

Chronic Illness: the experience of patients and their families. London: Unwin Hyman.

(eds.) Living with

198x.

CANESQUI, Ana M. 1994. “Notas sobre a produção acadêmica de antropologia e saúde na década de 80”. Em: Alves, P.C. e Minayo, M.C. de S. (orgs.). Saúde e Doença: um olhar antropológico. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ. DUARTE, Luís Fernando Dias.”Investigação antropológica sobre doença, sofrimento e perturbação: uma introdução”. Em: Luiz F. D. Duarte e Ondina Fachel Leal (orgs). Doença, Sofrimento, Perturbação: perspectivas etnográficas. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ. 1998. DAS, Veena. “Language and the body: transactions in the construction of pain”. In:

Arthur Kleinman et alli (eds.). Social Suffering. Berkeley: University of California Press, 1997. DOUGLAS, Mary. “The two bodies”. In: Natural symbols: explorations in cosmology. Londres: Routledge. 1996 [1970]. FERREIRA. Jaqueline; ESPÍRITO SANTO, Wanda. “Os percursos da cura: abordagem antropológica sobre os itinerários terapêuticos dos moradores do complexo de favelas

de Manguinhos, Rio de Janeiro”. Physis. Revista de Saúde Coletiva, 22 (1), pp. 179- 198, 2012. FRENCH, Linday. “The political economy of injury and compassion: amputees on the Thai-Cambodia border”. Em: Csordas, T. (org). Embodiment and Experience. The existencial ground of culture and self. Cambridge: Cambridge University Press. FULLWILEY, Duana. (2004) From Discriminate Biopower to Everyday Biopolitics:

1 Apenas para quem quiser pesquisar e estudar mais.

Views on Sickle cell Testing in Dakar. Medical Anthropology 23(2):157-194.

GARRO, Linda. “Chronic illness and the construction of narratives”. Em: Mary-Jo Del Vecchio Good; Paul Brodwin; Byron J.Good; Arthur Kleinman (eds.). Pain as human experience: an anthropological perspective. Berkeley: University of California Press,

1992.

GLUCKMAN, Max (org.). “Introduction”. The allocation of responsability. GOOD, Byron J. “The heart of what´s the matter: the semantics of illness in Iran”. Culture, Medicine, and Psychiatry. 1: 25-58. 1977. GOOD, Mary-Jo Del Vecchio et al. (eds.). Pain as Human Experience: an anthropological perspective. Berkeley: University of Califórnia Press. 1992. (caps. 1, 2 e 5). HERTZ, R. “A preeminência da mão direita: um estudo sobre a polaridade religiosa”. Religião e Sociedade 6(2): 99-128, 1980. HERZLICH, Claudine e PIERRET, Janine. Illness and Self in Society. Baltimore: The Johns Hopkins University Press. 1987.

KLEINMAN, Arthur. Patients and Healers in the Context of Culture. Berkeley:

University of California Press. 1980. [prefácio e cap. 2]. pp. ix-xvi; 24-70. LADERMAN, Carol e ROSEMAN, Marina. (eds.). The Performance of Healing. Londres: Routledge. LANGDON, Esther J.; FOLLER, Maj-Lis. “Anthropology of Health in Brazil: a border view”. Medical Anthropology, 31 (1), 2012.

LAST, Murray. “Non-Western Concepts of Disease”. Em: Bynum, W.F; Porter, Roy. (eds.). Companion Encyclopedia of the History of Medicine, vol. 1. Londres: Routledge,

1993.

LOYOLA, Maria Andréa. Médicos e curandeiros, conflito social e saúde. São Paulo:

Difel. 1984. [Caps. 1 e 4] ROSE, Nikolas. “The politics of life itself”. Theory, Culture and Society, 18 (6), 2001. NETTLETON, Sarah. “The Experience of Chronic Illness and Disability”. Em:

Sociology of Health and Illness. Oxford: Polity Press. 1995.

SARTI, Cyntia. “Saúde e Sofrimento”. Em: Luiz Fernando Duarte (coord.). Horizontes das Ciências Sociais no Brasil. Antropologia. São Paulo: ANPOCS, 2010. TURNER, Victor. “The morphology of rituals of affliction”. Em: The drums of affliction: a study of religious processes among the Ndembu of Zambia. Clarendon Press: Oxford, 1968**.