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APRESENTAÇÃO DO BALANÇO
O Balanço ou Demonstração da Situação Financeira, possibilita a identificação dos Recursos de uma
empresa num momento determinado. Não nos indica como foram utilizados durante um determinado
período de tempo, mas proporciona informação sobre os Recursos, que num momento de tempo
concreto se encontram à disposição da empresa, informando igualmente sobre a sua origem. É uma
“fotografia” que nos identifica a situação actual. Para conhecer a sua evolução, torna-se necessário
dispor de uma sucessão de “fotografias” que tenham sido obtidas em momentos no tempo
consecutivos.

Demonstração da Situação Financeira


Entende-se por Recurso, tudo aquilo que exista numa Empresa em
determinado momento no tempo e que seja susceptível de expressão
monetária. Por vezes a tradução em unidades monetárias é directa (as
notas e moedas mantidas em caixa), ao passo que noutras circunstâncias
tal não será imediato (o mobiliário, por exemplo, sendo necessário
promover a sua valorização).
Perante os recursos existentes numa organização, em determinado
momento concreto, poderão suscitar-se duas questões:
• Qual a origem destes Recursos? Do Passivo ou do Capital Próprio?
• Como estão a ser utilizados esses Recursos? A resposta é o Activo.
O conjunto das duas perguntas acima formuladas e das respectivas “Recurso é tudo aquilo
respostas, constitui o que se pode designar por Balanço ou Demonstração que existe numa
da Situação Financeira e é constituído por três massas patrimoniais. empresa, susceptível de
O Balanço reflecte a equação fundamental da situação patrimonial de expressão monetária”
uma empresa, mantendo-se essa relação válida durante toda a sua
existência:
Activo = Passivo + Capital Próprio
Ainda que os componentes da equação fundamental utilizem dois critérios
distintos de classificação (Utilização ou aplicação e procedência ou
origem, respectivamente) são ambos aplicados sobre a mesma realidade
(os recursos totais). Constituem por isso, duas formas distintas de repartir o
mesmo bolo.
A preparação do Balanço, constitui a primeira fase na elaboração das
Demonstrações Financeiras.
A Norma Internacional de Contabilidade (NIC) nº1 define cada um destes
elementos como:
1) Um Activo é um recurso controlado economicamente pela empresa
como resultado de acontecimentos passados, de cuja utilização
espera obter, no futuro, benefícios económicos.
2) Um Passivo é uma obrigação presente da empresa, resultante de
acontecimentos passados, em cuja data de vencimento, para
concretizar o seu pagamento, a empresa espera desembolsar
recursos que proporcionariam benefícios económicos noutra

CLASE EJECUTIVA
2008 © Rafael Rodriguez Morales e Isidoro Galián Úbeda. © Clase Ejecutiva, S. L. Todos los derechos reservados. De uso exclusivo para los alumnos de Clase
Ejecutiva. Prohibida la reproducción total o parcial del documento y su distribución por cualquier medio impreso o electrónico sin la autorización escrita
de Clase Ejecutiva.
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utilização alternativa.
3) Capital Próprio é constituído pela parte residual dos Activos da
empresa, após dedução de todos os valores Passivos.

Representação Gráfica do Balanço


“Um Activo é um recurso
Balanço a dd/mm/aa Milhares de euros
controlado pela
empresa, de cuja
Imobilizado Intangível Capital Próprio

Imobilizado Tangível utilização espera obter


benefícios económicos
Investimentos futuros”
Passivo a l/p
Inventários

Devedores/ Clientes
Passivo a c/p

Caixa Fornecedores

Outros
Outros
Total Activo Passivo + Cap. Próprio

ACTIVO = PASSIVO + CAPITAL PRÓPRIO

Exemplo. Um primeiro Balanço


Em Agosto de 2006, Inmaculada Aragón identificou um tipo de martelo
pneumático recentemente introduzido no mercado irlandês.
Convencida da sua boa aceitação no mercado espanhol, estabeleceu
contacto com a empresa produtora, na perspectiva de iniciar a
importação daquele tipo de equipamento.
Inmaculada não dispunha dos recursos financeiros necessários para iniciar
aquele negócio, circunstância que a conduziu, em Setembro de 2006, a
apresentar o assunto à sua amiga Cristina Lacal, que dispunha de notórios
recursos financeiros.
Cristina aceitou participar na empresa, tendo-se constituído em 1 de
Outubro de 2006 uma sociedade anónima (ARACAL, SA) com 120.000 euros
de capital, subscrito e realizado em partes iguais por cada uma das sócias.
Inmaculada e Cristina desenvolveram contactos com uma entidade
bancária e negociaram a concessão de um empréstimo bancário no
montante de 40.000 euros, que contrataram a 15 de Dezembro de 2006.
Ainda em 2006, Inmaculada comprou um edifício, para armazenar os
martelos pneumáticos importados.

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Procedeu ao pagamento ao proprietário, Ricardo Alba, de 100.000 euros a


pronto (40.000 correspondentes ao terreno e os restantes 60.000
correspondentes ao edifício). Também comprou mobiliário por um
montante de 10.000 euros, igualmente pago a dinheiro. “Um Passivo é uma
obrigação presente da
A 28 de Dezembro, Inmaculada recebeu os primeiros 30 martelos
empresa, que deverá
pneumáticos importados (o custo unitário de aquisição, incluindo portes,
pagar na sua data de
ascendeu a 600 euros), tendo acordado com o fornecedor o seu
vencimento, mediante
pagamento em data posterior.
entrega de recursos
Durante 2006, não se vendeu qualquer martelo pneumático. gerados a partir de
benefícios económicos
Até àquela data Inmaculada limitou-se a registar todas as entradas e saídas
obtidos”
de dinheiro (recebimentos e pagamentos), ou seja, a elaborar um Registo
de Movimentos de Tesouraria que se apresenta no quadro seguinte:

Registo de Movimentos de Tesouraria 2006

Recebimentos
Sócios 120.000 €
Empréstimo 40.000 €
Total 160.000 €

Pagamentos
Terreno 40.000 €
Edifício 60.000 €
Mobiliário 10.000 €
Total 110.000 €
Saldo a 28-12-2006 50.000 €

A 28 de Dezembro reuniram-se as duas amigas. Inmaculada tinha poucos


conhecimentos de Contabilidade, que sempre considerou constituir assunto
aborrecido e de pouca utilidade, pelo que considerava o quadro acima,
mais do que suficiente para descrever e registar a actividade da empresa.
Cristina, mais informada sobre estes assuntos, elaborou o quadro que
seguidamente se apresenta, com a intenção de ir esclarecendo a sua
amiga Inmaculada, sobre a forma mais adequada de apresentar a
informação que permitisse reflectir a situação patrimonial da empresa.

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Balanço a 28 de Dezembro de 2006


Balanço a 28/12/06 Milhares de euros
Activo Fixo Tangível Capital Próprio

“O Activo é constituído
pelos Bens e Direitos
com que a empresa
desenvolve a sua
actividade”

110
Inventários 120
18 Passivo a l/p
Caixa

40
Fornecedores
50 18
Total Activo: 178 Passivo + Cap. Próprio 178

Ideias fundamentais a reter


O Balanço é constituído por três grandes massas patrimoniais: Activo,
Passivo e Capital Próprio. Avancemos um pouco na análise de cada uma
delas.
Activo
A massa patrimonial designada por Activo é constituída por aqueles
recursos que têm como característica comum serem bens ou direitos com
que a empresa desenvolve a sua actividade económica.
Para que um bem ou direito pertença ao Activo, deve satisfazer três
condições:
1) Que seja um recurso controlado economicamente pela empresa, ou
seja, que a empresa seja titular dos benefícios económicos que
resultarem da sua utilização e possa utilizá-lo livremente.
2) Que resulte de acontecimentos passados, ou seja, que a empresa
detenha o bem como resultado de uma transacção prévia, como
por exemplo a compra ou a produção do bem alvo da troca.
3) Que a empresa espere receber benefícios económicos futuros como
resultado da sua utilização.
Os benefícios económicos futuros associados à utilização de um Activo,
traduzem-se no potencial para contribuir, directa ou indirectamente, no
processo de geração de fluxos de monetários ou outros equivalentes, a
favor da empresa.

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Este potencial pode ser de tipo produtivo, constituindo parte das


actividades operacionais da empresa: mercadorias, bens de uso, etc. Pode
“ O Passivo é constituído
também assumir a capacidade de se converter em fluxos monetários, ou
pelas obrigações ou
outras formas equivalentes de caixa: contas a receber, aplicações de
dívidas contraídas
tesouraria, valores em caixa e bancos, ou ainda a capacidade em reduzir
perante terceiros, com a
pagamentos futuros: um processo de produção alternativo que possibilite a
finalidade de financiar a
redução de custos de produção.
actividade operacional
Muitos Activos, como os terrenos, edifícios e equipamentos, são elementos da empresa”
tangíveis. De salientar que a tangibilidade não é essencial para a existência
de um Activo; é por esse facto que as patentes e os direitos de autor, por
exemplo, podem ser igualmente considerados Activos se, a partir da sua
utilização controlada pela empresa, possam resultar benefícios económicos
futuros.
Passivo
A massa patrimonial designada por Passivo é constituída pelas obrigações
ou dívidas contraídas junto de terceiros, com a finalidade de financiar a
actividade operacional da empresa.
Tal como aconteceu quando definimos o Activo, para que um
componente possa ser reconhecido como pertencendo ao Passivo, torna-
se necessária a verificação de três condições:
1) Obrigação presente: É necessário distinguir entre uma obrigação
presente e um compromisso futuro. A decisão de adquirir Activos no
futuro, não origina, em si mesma, a existência de um Passivo.
Normalmente, o Passivo surge, somente após se haver recepcionado
o Activo, ou quando a empresa entra num acordo irrevogável para
adquirir um bem ou serviço.
2) Resultante de acontecimentos passados, como por exemplo, a
aquisição de bens e a utilização de serviços, originarem contas a
pagar (a não ser que o pagamento tenha sido realizado
antecipadamente ou a pronto pagamento), também o recebimento
de um empréstimo bancário, origina a obrigação de concretizar o
seu reembolso em momento futuro.
3) Cuja liquidação na data de vencimento implique a cedência de um
recurso, cuja permanência na empresa proporcionaria a obtenção
de benefícios económicos futuros.
“O Capital Próprio
constitui a parte residual
Capital Próprio dos Activos da empresa,
após dedução de todos
O Capital Próprio é constituído pelas entregas dos sócios ou accionistas os seus Passivos”
(capital realizado) e pelos resultados obtidos e retidos ao longo da vida da
empresa (reservas e resultados transitados). Será igual a todos os recursos
que a empresa possua numa determinada data (Activo) após dedução de
todas as obrigações perante terceiros (Passivo).
Capital Próprio = Activo - Passivo

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Equilíbrio Financeiro
O equilíbrio financeiro decorre da forma como se articulam os elementos
que constituem o património de uma empresa num determinado momento,
e resulta da adequação da sua estrutura económica ou Activo com a sua
estrutura financeira (Passivo acrescido do Capital Próprio) existente para a
financiar. A sua análise permite-nos analisar sobre a solvência ou
estabilidade do património, com carácter de permanência no tempo, ou
seja, concluir sobre a capacidade da empresa vir a ter condições para
proceder ao pagamento dos seus compromissos e obrigações para com
terceiros.
Perante o acima exposto, existem diversos Situações de Equilíbrio
Financeiro:

Situação de Equilíbrio Financeiro com estabilidade máxima


• Activo = Capital Próprio
• Passivo = 0
Ou seja, o Activo está integralmente financiado por capitais próprios, não
existindo qualquer endividamento perante terceiros.

A CP

Neste cenário, a estabilidade é máxima porque a empresa não tem


dívidas, não existindo o risco de não poder – num determinado momento – “A análise do Equilíbrio
concretizar o pagamento das suas obrigações: nenhuma das suas fontes Financeiro de uma
de financiamento é exigível. empresa permite-nos
antecipar a sua
No entanto, a situação de estabilidade máxima não é a mais desejável em capacidade para
termos financeiros, dado que os fundos próprios têm um custo financeiro concretizar o
(remuneração através de dividendos, ou através da revalorização das suas pagamento das suas
acções ou quotas, sempre que lhes forem exigidas entregas adicionais de dívidas perante
capital), mais elevado que o custo do endividamento junto de terceiros, terceiros”
devido ao maior risco que assume um accionista quando comparado com
o risco incorrido por qualquer credor da empresa (em caso de liquidação
da empresa, os accionistas são os últimos na escala de prioridade a
receber o valor remanescente da utilização dos activos da empresa, após
liquidação de todos os direitos de credores da empresa)

Situação de Equilíbrio Financeiro estável ou normal


• Activo = Passivo + Capital Próprio
• Capital Próprio > 0
O Activo está parcialmente financiado por recursos próprios, sendo o
restante financiado por recursos alheios O grau de maior ou menor
estabilidade nesta situação, decorre das diferentes proporções existentes
entre Passivo e Capital Próprio (quanto mais elevado for o Capital Próprio e
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consequentemente menor importância assumir o Passivo, tanto maior será


a estabilidade financeira da empresa).

A CP
P

No caso de ARACAL, perante o Balanço que apresenta no final do


exercício de 2006, poderemos concluir que o seu equilíbrio financeiro se
apresenta sólido e estável, uma vez que o Capital Próprio financia 67% dos
seus Activos.

Situação de Equilíbrio Financeiro Incerto


• Activo = Passivo
• Capital Próprio = 0
O Activo da empresa está integralmente financiado com recursos alheios,
não existindo Capital Próprio. Esta situação reflecte elevada instabilidade
porque poderão ocorrer situações de incumprimento no pagamento
pontual das dívidas perante terceiros, devido a problemas de tesouraria (a
transformação dos Activos da empresa em meios monetários, poderá não
se encontrar ajustada ao calendário de pagamento das dívidas da
empresa, devido não só a factores de natureza interna, como também “Num cenário de
exteriores à própria empresa. Equilíbrio financeiro
Incerto podem produzir-
se facilmente situações
de incumprimento
A P perante terceiros, devido
a problemas de
tesouraria”

Para nos auxiliar na compreensão do carácter instável desta situação de


equilíbrio financeiro, pensemos, por exemplo, no caso de um cliente que
não nos paga na data de vencimento da nossa factura, ou no caso de
uma avaria num equipamento fundamental para o nosso processo
produtivo e que não nos permite cumprir o prazo de entrega a clientes, a
que nos havíamos comprometido e consequentemente a receber o valor
da venda no momento inicialmente previsto.
Se neste período de tempo até ao recebimento do montante previsto
(ainda que sejam apenas uns dias) a empresa tiver que fazer face a algum
pagamento, por exemplo, o reembolso de um empréstimo bancário e não
dispuser de meios monetários suficientes, inevitavelmente poderá enfrentar
uma situação de incumprimento no pagamento do serviço da dívida na
data de vencimento.
Nesta situação, estamos perante uma situação de desequilíbrio e, por esse
motivo, designámos esta situação como sendo de Equilíbrio Incerto devido
à sua elevada instabilidade.

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Cenário de Equilíbrio Financeiro Instável ou de Desequilíbrio


• Activo + Capital Próprio = Passivo
• Capital Próprio < 0

A empresa apresenta Capital Próprio negativo (fundamentalmente devido


a perdas acumuladas ou ajustes negativos no valor das Activos). O Activo
existente não é suficiente para fazer face às dívidas contidas no Passivo.

A
CP P

Por definição, o resultado, enquanto processo de geração de fundos


próprios decorrentes da actividade da empresa, é um componente do
Capital Próprio, e que é normalmente representado no bloco direito dos
gráficos que têm sido apresentados.
Quando estes resultados se tornam negativos (perdas) e ultrapassam as
entradas realizadas pelos accionistas (capital realizado), a alteração na
natureza relativa do Capital Próprio, uma vez que ao tornarem-se
negativos, isso implicará uma alteração no bloco a que pertence no
gráfico que temos vindo a utilizar.
Parte dos Activos são destinadas a compensar estas Perdas e, por esse
facto, as dívidas da empresa ultrapassam o valor dos bens e direitos que
esta possui. A empresa encontra-se numa situação de insolvência, não
podendo concretizar o pagamento de todas as suas dívidas (Regime de
suspensão de pagamentos)

“As situações de
Situação de Instabilidade Máxima Equilíbrio Financeiro
instável traduzem a falta
• Capital Próprio = Passivo de solvência ou eventual
• Activo = 0 falência da empresa”

Nesta situação a empresa não dispõe de recursos próprios e de Activos,


para fazer face à liquidação das suas dívidas perante terceiros e, por esse
facto, está numa situação de falência.

CP
P

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ACTIVO

Havíamos concluído que o Balanço é constituído por três massas patrimoniais: Activo, Passivo e Cpital
Próprio. Avancemos um pouco mais no conhecimento do Activo.

Continuemos com ARACAL


Voltemos então à empresa ARACAL. A 31 de Dezembro de 2006, Cristina
preparou uma “fotografia” do património da empresa: nessa data
detinha: em caixa, 50.000 euros; em existências, 18.000; em mobiliário,
10.000, o edifício adquirido por 60.000 e o terreno por 40.000 euros.
O valor de todos estes elementos acima descritos ascende a 178.000
euros. É o Activo da empresa. No entanto, é indispensável saber a forma
como se encontram financiados estes bens. E saber quem quem
proporciona esse financiamento.
Esses financiamentos resultaram de entradas de capital dos sócios
(120.000 euros) – Capital Próprio –, de um empréstimo bancário (40.000
euros) – Passivo – e foi ainda proporcionado pelo fornecedor de martelos
pneumáticos (18.000 euros) que enviou aquele material e a quem ainda
não procedemos ao respectivo pagamento -Passivo.
Activo: Essencialmente constituído por bens e direitos controlados
economicamente pela empresa e susceptíveis de uma valorização
económica. “Uma primeira classificação
dos componentes do
Passivo: Constituído por obrigações ou dívidas contraídas junto de Activo, para efeitos da sua
terceiros alheios à empresa e susceptíveis de uma valorização análise, consiste na sua
económica. classificação entre Activo
Corrente e Activo Não
Capital Próprio: Entregas realizadas pelos sócios para realização das suas
Corrente”
quotas, acrescidas dos resultados retidos.

Componentes patrimoniais integrantes do Activo


Dentro da grande massa patrimonial designada por Activo, poderemos
distinguir, tomando em consideração a sua capacidade de
transformação em liquidez, aqueles bens e direitos associados ao ciclo de
actividade da empresa (notas e moedas, mercadorias, valores a receber,
dentro de um período inferior a um exercício económico) e aqueles outros
bens e direitos que suportam a concretização desse ciclo de actividade,
mas que permanecem na empresa por um período de tempo superior ao
exercício económico.
Por esse facto, numa segunda etapa e para efeitos de possibilitar uma
análise mais consistente, poderemos classificar os componentes do Activo
em:
Activo Corrente: constituído por aqueles bens e direitos directamente
associados ao ciclo de actividade da empresa e cuja permanência na
empresa é de curto prazo.
Activo Não corrente: constituído por bens e direitos que suportam a
concretização do ciclo económico da empresa, permanencendo na

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empresa a longo prazo.

Balanço a 28/12/06 Milhares de euros


Activo Fixo Tangível Capital Próprio

110
Inventários 120
18 Passivo a l/p
Caixa

40
Fornecedores
50 18
Total Activo: 178 Passivo + Cap. Próp 178

Activo Corrente
A NIC nº1 estabelece três critérios para que um um Activo possa ser
considerado como pertencendo ao Activo Corrente:
1) Que o seu montante se espere receber, ou seja detido para
venda ou consumo, no decorrer do ciclo normal de
actividade operacional da empresa.
2) Que seja detido pela empresa por motivações de natureza
comercial, durante um período de tempo curto e que se
espere realizar dentro de um período de doze meses a
contar da data a que se refira o balanço.
3) Que se trate de notas, moedas, ou outra forma de liquidez
equivalente, cuja utilização não se encontre restringida.
Na perspectiva de melhor visualização da composição do Activo
Corrente, promoveremos a sua categorização em três grandes grupos,
classificados segundo o seu grau de liquidez (ordem decrescente):
• Disponível/Meios Financeiros Líquidos.
• Valores a Receber.
• Realizável.
Assim, o elemento patrimonial “Meios Financeiros Líquidos”, também
designado por Activo Corrente Disponível, é constituído por elementos

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caracterizados por uma liquidez imediata ou considerados num primeiro


grau de liquidez.
A movimentação dos Meios Financeiros Líquidos é típica do muitíssimo
curto prazo e normalmente ocorre sem grandes restrições:
• Notas e moedas (euros).
• Notas e moedas estrangeiras.
• Contas de depósito à ordem em bancos (euros).
• Contas de depósito à ordem em bancos (moeda estrangeira).
• Instrumentos Financeiros detidos para Negociação.
• Etc.
O elemento patrimonial “Devedores – Clientes” segundo o critério de
liquidez indicado, corresponderá ao Activo Corrente Valores a Receber
de Terceiros, sendo constituído por elementos caracterizados por um
segundo nível de liquidez, ou seja, os direitos de cobrança, de que seja
titular a empresa:
• Clientes.
• Devedores.
• Títulos a Receber.
• Empréstimos a Receber a curto prazo.
• Etc.
A sua transformação em disponível costuma ser concretizada num
período de tempo relativamente curto: 30, 60 ou 90 dias.
Finalmente, e seguindo o mesmo critério, o conceito de activo corrente
realizável, corresponde ao elemento patrimonial designado
genericamente por “Inventários”. É constituído por elementos patrimoniais
destinados de uma maneira, ou outra, a ser vendidos e posteriormente
recebido o valor dessa venda, constituindo desta forma, o terceiro nível
de liquidez na empresa, uma vez que se convertem inicialmente em
valores a receber e só posteriormente se convertem em meios financeiros
líquidos.

Em detalhe, poderemos exemplificar:


• Inventários.
• Mercadorias. “A massa patrimonial
designada por activo não
• Matérias-primas, Subsidiárias e de Consumo.
corrente é constituída pelo
• Produtos Intermédios. activo fixo tangível, pelo
activo intangível e pelos
• Produtos Acabados.
investimentos”

Activo Não Corrente


A NIC nº1 define activos não correntes como aqueles bens ou direitos que
não satisfazem as condições requeridas para serem considerados como
activos correntes.
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Em linhas gerais, o activo não corrente costuma classificar-se em três tipos


de componentes:
• Activos Fixos Tangíveis.
• Activos Intangíveis.
• Investimentos Financeiros.
O componente patrimonial designado por Activo Imobilizado ou Activo
Não Corrente Material, é constituído por elementos de natureza corpórea
adquiridos ou produzidos pela própria empesa e destinados a serem
utilizados como meios de produção:
• Edifícios.
• Outras construções.
• Máquinas e Equipamentos.
• Instalações e Utensílios.
• Mobiliário.
• Etc.
O componente patrimonial designado por activo imobilizado Intangível é
composto por aqueles elementos de natureza incorpórea constituído por
direitos susceptíveis de valorização económica:
• Contratos de Concessão.
• Patentes.
• Etc.
O componente patrimonial Investimentos recolhe os investimentos
financeiros de carácter permanente, ou seja, aquisições de bens ou
direitos de cobrança, mas de natureza financeira:
• Empréstimos concedidos a longo prazo.
• Participações no capital de outras empresas a longo prazo.

Voltemos ao caso de ARACAL


Como classificaríamos o Activo de ARACAL, segundo os conceitos que
acabámos de apresentar? Recordemos a “fotografia” que tinhamos
obtido no final do exercício:

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Balanço a 28/12/06
Activo Fixo Tangível

110
Inventários
18
Caixa

50
Total Activo: 178

O activo fixo tangível, composto por terreno, edifício e mobiliário,


ascende a 110.000 euros e constitui o Activo Não corrente da Empresa
(suporta o ciclo de actividade operacional da empresa, a
comercialização de martelos pneumáticos).
Não dispõe de activos intangíveis (no entanto, imaginemos que ARACAL
tivesse desenhado e patenteado o modelo de martelo pneumático que
comercializa) nem investimentos financeiros (imagine-se que ARACAL
tivesse promovido a constituição de uma empresa, noutro país, destinada
à produção ou comercialização dos martelos nesse mercado).
O Activo Corrente de ARACAL, ou seja, aquele conjunto de elementos
directamente envolvido no ciclo de actividade operacional da empresa,
encontra-se constituído por apenas dois elementos patrimoniais (de
menor a maior liquidez):
• Realizável ou Existências num montante de 18.000 euros.
• Depósitos em Bancos num montante de 50.000 euros.
A empresa ainda não realizou qualquer operação de venda, pelo que
não foram criados quaisquer direitos de cobrança a seu favor. Se esse
direito a receber fosse acordado para uma data posterior, surgiria a
necessidade de concretizar o seu tratamento contabilístico, numa rubrica
designada por Clientes, encontrando-se dessa forma concluída a
descrição dos componentes típicos do ciclo de actividade de exploração
da empresa, referentes ao seu Activo:

REALIZÁVEL EXIGÍVEL DISPONÍVEL

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Quadro resumo do Activo


Recolhendo toda a informação apresentada, poderemos descrever de
forma esquemática a massa patrimonial designada por activo, segundo a
capacidade com que os seus diferentes componentes se transformam em
meios financeiros líquidos.

Activo Intangível
Contratos de Concessão

Patentes
CORRENTE

Activo fixo Tangível


NÃO

Terrenos e outros Recursos Naturais

Edifícios e outras construções

Máquinas e Equipamentos

Equipamento de transporte

Investimentos
Empréstimos Concedidos a longo prazo

...

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Inventários
Mercadorias

Productoa Acabados

Produtos Intermédios e de Consumo

Matérias Primas

...
CORRENTE

Valores a Receber
Clientes

Clientes de cobrança duvidosa

Devedores diversos

Títulos a Receber

Empréstimos a Receber a curto prazo

...

Meios Financeiros Líquidos


Notas e moedas (euros)

Notas e moedas estrangeiras

Depósitos à ordem em bancos (euros)

Depósitos à ordem em bancos (moeda


estrangeira)

...

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PASSIVO E CAPITAL PRÓPRIO


Finalmente poderemos concentrar-nos na origem dos nossos fundos: O Passivo e o Capital Próprio.

Massas patrimoniais componentes do Passivo

A grande massa patrimonial designada por Passivo é constituída por


aqueles elementos patrimoniais que se reportam a dívidas contraídas pela
empresa junto de terceiras entidades O passivo, conjuntamente com o
Capital Próprio, constituem as fontes de financiamento com que a empresa
promoveu a aquisição dos bens e direitos que constituem o Activo.

A NIC nº1, de forma semelhante ao que estabelece para o Activo, classifica


o Passivo em:

- Passivo Corrente.
“A empresa é
- Passivo não Corrente.
financiada através
Balanço a dd/mm/aa Milhares de euros do Passivo e do seu
Imobilizado Intangível Capital Próprio Capital Próprio”

Imobilizado Tangível

Investimentos

Passivo a l/p
Inventários

Devedores/ Clientes
Passivo a c/p

Caixa Fornecedores

Outros
Outros
Total Activo Passivo + Cap. Próprio

Passivo Corrente

O critério de classificação segundo a NIC nº 1, de uma dívida ou obrigação


como tratando-se de Passivo Corrente, resulta da verificação das seguintes
condições:

1) A sua liquidação deve ser concretizada no decurso da actividade

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operacional normal da empresa.

2) Deve ser liquidada nos doze meses subsequentes à data de


elaboração do Balanço.

A massa patrimonial Passivo Corrente é constituída pelas dívidas contraídas


pela empresa, ou por facilidades de financiamento adquiridas, cujo prazo
de reembolso tenha lugar a curto prazo:

• Passivos a curto prazo: Credores Diversos, Títulos a Pagar e/ou


empréstimos de terceiros a curto prazo.
• Fornecedores.
• Outros credores.

Em condições normais, destina-se a financiar o activo corrente. Este tipo de


dívidas também pode ser designado por créditos de funcionamento.

Passivo Não Corrente

Segundo a NIC nº1 classificam-se no passivo não corrente, todas as dívidas


ou obrigações da empresa que não possam ser consideradas no passivo
corrente.

A massa patrimonial Passivo Não Corrente é constituída por aquelas dívidas


ou facilidades de financiamento, cujo prazo de reembolso seja “A massa patrimonial
concretizado a longo prazo: designada por
Passivo é consituída
• Empréstimos a longo prazo. pelo Passivo Corrente
• Credores a longo prazo. e pelo Passivo Não
• Etc. Corrente”

Costuma ser utilizado pelas empresas no financiamento do activo não


corrente e de eventualmente uma parcela do activo corrente. Costumam
designar-se por créditos de financiamento.

Empréstimos a longo Prazo


NÃO CORRENTE Credores a Longo Prazo

CORRENTE Passiv os a curto Prazo


Fornecedores
Outros
….

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Capital Próprio

Ainda que o Capital Próprio assuma um carácter residual – Activo deduzido


do Passivo – poderá também ser alvo de uma classificação específica,
para efeitos de inclusão no Balanço.

Entre as contas que o constituem, destacamos:

Capital

Valores entregues pelos sócios ou accionistas da empresa, no início da sua


actividade, ou numa eventual situação posterior como consequência da
entrada de um novo accionista, ou como resultado de um aumento no
capital da sociedade, por entregas dos seus accionistas.

Prémio de emissão

Resultam de aumentos de capital realizados por valor superior ao valor


nominal das quotas ou das acções.

Reservas
“O Capital Próprio é
São constituídas por aquela parcela dos resultados que não foram constituído pelo
distribuídos – Resultados Transitados – pela empresa, com alguma finalidade
Capital Social, pelas
específica.
Reservas, pelo
Resultado do
Em certas ocasiões, a criação de reservas resulta da aplicação de leis,
regulamentos, ou dos próprios estatutos da sociedade (Reserva legal, Exercício e pelos
reserva de reavaliação e reservas estatutárias), com a finalidade de Resultados
proporcionar à empresa e aos seus credores, uma protecção adicional Transitados”
contra os efeitos de eventuais prejuízos.

Também se constituem reservas voluntárias para apoiar possíveis programas


de investimentos futuros e reforçar a solvência da empresa.

Resultado do exercício

Constitui o resultado obtido como consequência da actividade


económica levada a cabo pela empresa. É determinado na
Demonstração de Resultados. Após aprovação dos Resultados do Exercício,
haverá que decidir igualmente o montante destinado a remunerar os
Accionistas, ou seja, o montante dos dividendos a distribuir.

Resultados negativos de exercícios anteriores

É constituído pelo somatório das perdas acumuladas que irão sendo


compensadas, através de resultados favoráveis em exercícios futuros.

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Continuamos com ARACAL

Recordemos novamente a situação da estrutura financeira apresentada


por ARACAL:
Capital Próprio

120
Passivo a l/p

40
Fornecedores
18
Passivo + Cap. Próprio: 178

O Capital Próprio é constituído exclusivamente pelas entregas das duas


sócias para realização das suas quotas no capital social de ARACAL
(120.000 euros), até que a empresa comece a gerar Rendimentos e incorrer
em Gastos, e obtenha, através da sua Conta de Resultados da actividade
desenvolvida, um lucro ou um prejuízo.

O Passivo Não Corrente (a longo prazo) tem a sua expressão no empréstimo


bancário obtido a longo prazo (40.000 euros).

O Passivo Corrente (a curto prazo) da empresa está circunscrito à dívida ao


fornecedor (18.000 euros) resultante da aquisição a crédito dos martelos
pneumáticos, financiando dessa forma os Inventários (Realizável).

Anexo: a metodologia contabilística

Existe uma metodologia de registo de todas as transacções que possibilita a


elaboração de um Balanço e que resulta da aplicação do princípio
dualista de registo de todas as transacções. Será assim que iniciaremos a
utilização do esquema de contas em T.

Estrutura de uma conta

CONTA

DÉBITO CRÉDITO

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De acordo com a convenção existente, os aumentos em contas de Activo,


são registadas a DÉBITO (lado esquerdo), ao passo que as diminuições são
registadas no CRÉDITO (lado direito).

Nas contas de Passivo e de Capital Próprio, os aumentos são registados a


CRÉDITO (lado direito) enquanto que as diminuições são registadas a
DÉBITO (lado esquerdo). “As contas de Activo
CONTA DE ACTIVO
aumentam através
de movimentos a
DÉBITO CRÉDITO DÉBITO e diminuem
+ - através de
Aumentos Diminuições movimentos a
CRÉDITO”

CONTA DE PASSIVO CONTA DE CAPITAL PRÓPRIO

DÉBITO CRÉDITO DÉBITO CRÉDITO


+ - + -
Diminuições Aumentos Diminuições Aumentos

A circunstância de os registos serem realizados nas duas colunas de cada


conta, apresenta algumas vantagens de natureza prática:

• Facilita a análise da informação, se houver necessidade de


efectuar alguma verificação.

• Possibilita uma redução dos erros cometidos, ao tornar redundante


o recurso a sinais aritméticos em cada transacção.

Com esta convenção, em qualquer momento, o somatório dos registos


realizados em todas as contas, na coluna da esquerda (DÉBITO) deverá
coincidir com o somatório do valor de todos os registos realizados em todas
as contas na coluna da direita (CRÉDITO).

O Deve e o Haver: Débitos e Créditos

A Contabilidade adoptou as designações Deve e Haver, que não devem


ser interpretadas com o sentido que normalmente lhes é atribuído em
linguagem corrente. A opção realizada preteriu inclusivamente termos mais
asépticos (a e b, direita e esquerda, etc).

De forma absolutamente correspondente poderão ser utilizados os termos


contabilísticos débito e crédito: “As contas de
Passivo e de Capital
• Um débito consiste em realizar um registo no lado do Deve de Próprio aumentam
qualquer conta. através de
movimentos a
• Um crédito será um registo no lado do Haver de qualquer conta. CRÉDITO e diminuem
através de
Utilizando esta metodologia num Balancete de Verificação, o somatório de movimentos a
todos os débitos terá que ser igual ao somatório de todos os créditos. DÉBITO”

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PARA QUALQUER CONTA


DEVE HAVER

Debitar Creditar

Cada transacção será registada pelo menos em duas contas (sendo


frequente ser necessário movimentar mais do que duas contas); podendo
tratar-se de duas contas de activo, uma de activo e outra de passivo ou
entre duas contas de passivo.
Terá sempre que ser realizado um registo a débito e uma contrapartida a
crédito.

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DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E PRINCÍPIOS


CONTABILÍSTICOS

Vamos apresentar os princípios gerais e o contexto em que a Contabilidade os utiliza na preparação


das Demonstrações Financeiras que a empresa deve apresentar. Tais Demonstrações Financeiras
possuem a sua fundamentação numa série de princípios básicos que regem a utilização da
contabilidade.

A contabilidade tem como principal finalidade, proporcionar aos


utilizadores a informação económica, financeira e de gestão de uma
empresa, de tal forma que possa suportar o processo de tomada de
decisão, assumindo como principal objectivo, o de proporcionar uma
imagem fiel do seu património e da sua situação económica e financeira.

Que requisitos deve satisfazer a informação contabilística?


Para que essa informação seja útil, devem ser verificados um conjunto de
requisitos que seguidamente se apresentam:

Objectividade
Perante um mesmo facto, qualquer utilizador dessa infromação deveria
ser conduzido a uma única conclusão. Para que tal requisito se possa
verificar, foram estabelecidos uns princípios de valorização, de tal forma
que o responsável pela sua elaboração conheça os padrões e critérios a
adoptar, para que não resultem diferentes interpretações perante um “Para que a
mesmo facto de natureza económica. informação
Por exemplo, um edifício comprado há 20 anos poderia ser representado contabilística seja útil,
nas Demonstrações Financeiras, pelo custo de aquisição, ou pelo seu valor deve ser objetiva,
de mercado actual. Como facilmente se pode depreender, a não fidedigna, completa,
utilização de um critério comum, poderia induzir a interpretações erróneas. relevante, consistente
e oportuna“

Fidedignidade/Fiabilidade
Para ser verdadeiramente útil, a informação também deve ser fidedigna,
isenta de erros significativos e de enviesamentos ou distorções, para que
os seus utilizadores possam considerar tratar-se da imagem fiel do que se
pretende representar, ou do poderá esperar-se que razoavelmente
represente.

Completa
Não devem ser omitidos componentes da realidade económica e
financeira da empresa.

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Relevância
A informação é considerada relevante, quando pode condicionar o
processo de tomada de decisão dos utilizadores que a utilizam, auxiiando
a avaliação de acontecimentos passados, presentes ou futuros, e ainda a
confirmar ou corrigir avaliações realizadas anteriormente.

Consistência
Os interessados na utilização da informação financeira, devem poder
promover a comparação de Demonstrações Financeiras de uma
empresa, em diferentes períodos de tempo, com a finalidade de poder
identificar tendências na evolução da sua situação financeira e dos seus
resultados.
Também deverá ser possível a comparação de Demonstrações
Financeiras de empresas diferentes, com a intenção de poder avaliar a
sua situação financeira, os seus resultados e o fluxo de caixa em termos
relativos. Este requisito, pressupõe a inexistência de alterações nos critérios
de valorização aplicados, e no formato utilizado na apresentação das
Demonstrações.
“Os utilizadores das
Demonstrações
Oportunidade Financeiras são os
agentes económicos
A informação deve ser divulgada no momento em que seja
(Stakeholders –
verdadeiramente útil para os seus utilizadores e nunca com um atraso
Constituintes), entre os
significativo de tempo que prejudique a eficácia das possíveis decisões a
quais deveremos
adoptar com base nessa informação.
incluir os investidores
actuais e potenciais,
trabalhadores,
A quem se destina a contabilidade? entidades financeiras,
Os utilizadores da contabilidade são os agentes económicos, clientes e
(Stakeholders – Constituintes) entre os quais deveremos incluir os fornecedores,
investidores actuais e potenciais, empregados, entidades financeiras, organismos do estado
fornecedores, credores diversos, organismos do estado e o público em e outros credores”
geral. As Demonstrações Financeiras são utilizadas para satisfazer algumas
das necessidades de informação que especificamente necessitam.

Investidores
Os fornecedores de capital e os seus assessores estão essencialmente
preocupados com o risco inerente à actividade da empresa e com o
rendimento que resultará dos seus investimentos. Por esse facto,
necessitam de informação que os ajude a determinar se devem adquirir,
manter ou vender esses investimentos.
Consequentemente, os accionistas estão interessados na informação que
lhes permita avaliar não só a capacidade de a empresa proporcionar
distribuições de dividendos, como também o risco associado à
recuperação do seu investimento.

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Trabalhadores
Os trabalhadores em geral e as organizações sindicais estão interessados
na situação financeira da empresa (estabilidade), na sua rentabilidade e
capacidade para assegurar o pagamento das suas remunerações e
restantes benefícios sociais.

Entidades financeiras
Os fornecedores de recursos financeiros alheios à empresa centram o seu
interesse na obtenção de informação que lhes permita avaliar a
capacidade da empresa proceder ao reembolso dos empréstimos que
lhe foram concedidos, assim como dos inerentes juros, nos prazos
contratados.

”A informação
Fornecedores e outros credores contabilística é
Estão interessados na informação que lhes permita determinar se podem preparada segundo
ou não fornecer bens e serviços, concedendo crédito e proporcionar as uma metologia
condições de pagamento em função da capacidade da empresa específica que
liquidar os seus compromissos nos prazos acordados. recolhe, classifica e
sintetiza os
acontecimentos
económicos
Clientes
caracterizadores da
Interessa-lhes dispor de informação suficiente sobre a viabilidade da actividade de uma
empresa e, consequentemente, sobre a sua continuidade, sobretudo empresa, e que sejam
quando existam acordos de fornecimento a longo prazo ou dependam relevantes para os
comercialmente dos seus fornecimentos. utilizadores dessa
informação”

Organismos do Estado / Ministério das Finanças


Os organismos do Estado estão sobretudo preocupados com a utilização
dos recursos económicos e, consequentemente, com o funcionamento
das empresas. Nesse sentido, solicitam informação para efeitos estatísticos,
normalmente de forma autónoma, visando a identificação de agregados
macroeconómicos, com o objectivo de poder organizar as suas
intervenções ao nível de um mercado, da actividade económica em
geral e assim sustentar o processo de tomada de decisões no domínio das
políticas públicas.
Desta forma, a informação contabilística constitui a base fundamental na
determinação da carga fiscal que uma empresa pode suportar. As
autoridades fiscais asseguram, mediante utilização desta informação que
o pagamento de impostos se ajusta ao regime tributário que seja aplicável
à actividade da empresa.

Público em geral
Todos os cidadãos, directa ou indirectamente, são afectados pela
actividade das empresas e podem aceder a informação acerca do seu
desenvolvimento, perspectivas futuras e alcance das suas actividades.

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Na perspectiva da Responsabilidade Social Corporativa, as empresas


devem contribuir activamente para a melhoria do contexto social,
económico e ambiental em que desenvolvem a sua activadade, para
além dos condicionalismos regulatórios que lhe sejam aplicáveis.
Todos estes destinatários têm em comum a necessidade de utilizar
informação da empresa, ainda que de forma distinta, dependendo
sobretudo da perspectiva de risco que cada um tenha relativamente à
actividade da empresa.
Como são os accionistas aqueles que maior risco assumem, as “As contas anuais são
Demonstrações Financeiras e Relatórios de Actividade que correspondam constituídas por cinco
às suas necessidades de informação, serão regra geral mais do que Demonstrações
suficientes para satisfazer as necessidades dos restantes utilizadores de Financeiras: Balanço,
informação. Demonstração de
Resultados,
Demonstração de
Como se prepara a informação contabilística? Fluxos de Caixa,
Demonstração de
A informação contabilística é preparada segundo uma metodologia Alterações no Capital
específica que recolhe, classifica e sintetiza os acontecimentos Próprio e o Anexo às
económicos caracterizadores da actividade de uma empresa, e que Contas”
sejam relevantes para os utilizadores dessa informação. As consequências
desses acontecimentos terão sempre uma expressão monetária. Os
elementos assim obtidos são consolidados em quadros que sintetizam essa
informação e que constituem as Demonstrações Financeiras ou
Contabilísticas.

Quais são as Demonstrações Financeiras de uma empresa?


Tendo em conta o que estabelece a primeira Norma Internacional de
Contabilidade – Apresentação das Demonstrações Financeiras – e
tomando em consideração o que se encontra definido no Plan General
de Contabilidad Español, os componentes das Demonstrações Financeiras
são os seguintes:
Demonstrações Financeiras Informação que proporciona

Situação financeira da empresa na data de


Balanço encerramento de um exercício económico

Resultado de uma empresa, durante um


Demonstração de Resultados exercício, resultante da sua actividade
Alterações verificadas na situação de Caixa e
Equivalentes, entre dois exercícios
Demonstração de Fluxos de Caixa consecutivos

Demonstração de Alterações no Capital Alterações verificadas no Capital Próprio da


Próprio empresa, entre dois exercícios consecutivos

Informação quantitativa e qualitativa relevante


para a tomada de decisões, não incluídas nas
Anexo às contas Demonstrações anteriores

Estas cinco Demonstrações Financeiras, integram as contas anuais que


uma empresa deve preparar, fazer aprovar e submeter a registo, devendo
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expressar a imagem fiel do património da empresa, da sua situação


financeira e dos seus resultados.
“A aplicação dos
Os documentos que constituem as Demonstrações Financeiras, estão Princípos
intimamente relacionados porque reflectem diferentes dimensões das Contabilísticos deverá
mesmas transacções ou outros acontecimentos que possam afectar a conduzir a que as
actividade da empresa. Por esse facto, cada uma das Demonstrações contas anuais sejam
proporciona informação qualitativa e quantitativa diferente das restantes, elaboradas de forma
sendo improvável que isoladamente, qualquer uma dessas clara, permitam
Demonstrações contenha toda a informação necessária para satisfazer as expressar a imagem
necessidades de informação dos diferentes utilizadores dessa informação. fiel do património e da
situação económica e
financeira da
Quem é responsável pela sua preparação e apresentação? empresa”
A direcção da empresa (Conselho de Administração ou Administradores)
é a principal responsável pela preparação e apresentação das
Demonstrações Financeiras. Estes responsáveis, seleccionam e aplicam as
políticas contabilísticas, de forma que as Demonstrações Financeiras
cumpram com os requisitos estabelecidos tanto ao nível das Normas
Internacionais de Contabilidade, como de cada uma das Normas
interpretativas emitidas pelos Comités de Interpretação, e ainda com as
normas próprias de cada país.
Concluída a sua preparação, devem ser sujeitas a aprovação da
Assembleia Geral de Accionistas da empresa, antes de se proceder ao
seu registo na Conservatória de Registo Comercial.

Princípios Contabilísticos (Plan General de Contabilidad Español)


Para cumprir a sua função (proporcionar informação financeira ou de
gestão relevante para a tomada de decisões), a Contabilidade recorre a
Princípios Contabilísticos que são constituídos por conjunto de critérios
gerais e normas básicas de cumprimento obrigatório que têm por
finalidade assegurar que a informação contabilística seja fidedigna e
possa reflectir, de forma clara e fiel, a situação patrimonial da empresa.
Tal como indicado anteriormente, esses Princípios Contabilísticos são
absolutamente necessários, dado que essa informação irá ser utilizada
não só pelos gestores da empresa, mas também por outros importantes
intervenientes externos à empesa, como é o caso dos accionistas,
fornecedores, organismos oficiais, etc.
Os Princípios Contabilísticos constituem os parâmetros fundamentais no “Em caso de conflito
processo de elaboração das Demonstrações Financeiras e servem de entre Princípios
base para a interpretação e tratamento de factos contabilísticos no Contabilísticos, deverá
processo de execução do seu registo. prevalecer aquele que
melhor conduza a que
as contas anuais,
Os seis Princípios Contabilísticos são os seguintes: formuladas com
Princípio da continuidade da empresa clareza, possam
expressar a imagem
Considerar-se-á que a actividade da empresa seja contínua e por um fiel do património, da
período indefinido. Em consequência, a aplicação dos Princípios situação financeira e
Contabilísticos não será focalizada na determinação do valor do dos resultados da
património da empresa para efeitos da sua cessão total ou parcial, nem empresa”
na perspectiva de valorizar as consequências da sua liquidação.

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Princípio da especialização dos exercícios (ou do acréscimo)


O reconhecimento dos Rendimentos e Gastos, deverá ter lugar no
exercício em que tiverem ocorrido ou sido suportados,
independentemente do momento em que ocorra o seu recebimento ou
pagamento, devendo ser incluídos nas Demonstrações Financeiras nos
exercícios a que respeitem.

Princípio da consistência
Uma vez adoptado um critério na aplicação dos Princípios Contabilísticos,
dentro das possibilidades que, em cada caso, estes permitam, a sua
aplicação, deverá manter-se no tempo, enquanto não se alterarem os
pressupostos que determinaram a decisão de aplicar esse critério.
Em caso de alteração desses pressupostos, poderá modificar-se a
aplicação do critério inicialmente adoptado; mas em tal caso, as
circunstâncias que determinaram essa alteração devem constar no Anexo
às contas, indicando o impacto quantitativo e qualitativo sobre as contas
anuais.

Princípio do Conservantismo (Prudência)


Apenas deverão ser reconhecidos contabilisticamente rendimentos que
tenham ocorrido até à data de encerramento do exercício. Pelo contrário,
os riscos previsíveis e as perdas potenciais, com origem no exercício ou
noutro anterior, deverão ser reconhecidos imediatamente após terem sido “A contabilidade
conhecidos. Para esta finalidade, deverão distinguir-se as que sejam financeira destina-se a
reversíveis ou potenciais, daquelas que tenham sido realizadas ou proporcionar
irreversíveis. informação a
entidades exteriores e
Consequentemente, ao elaborar o referido encerramento de contas, como consequência
deverão ser tidos em consideração todos os riscos e perdas previsíveis, da inevitável
independentemente da sua origem. Quando tais riscos e perdas sejam objectividade que
conhecidos apenas no período entre a data de encerramento do deve assumir essa
exercício e aquela em que se elaboram e apresentam as contas anuais, informação, encontra-
sem prejuízo do seu reflexo na Demonstração de Resultados, deverá ser se essencialmente
realizada menção a tais factos no Anexo às Contas. centrada na
De igual modo, deverá ser tida em consideração todo o tipo de explicação do
desvalorizações/imparidades a que estejam sujeitos os componentes do passado.”
património da empresa, independentemente do resultado do exercício ser
positivo ou negativo.

Princípio da não compensação


Em nenhuma circunstância se deverão compensar componentes do
Activo e do Passivo no Balanço, nem contas de Rendimentos e Gastos na
Demonstração de Resultados, tal como se encontram definidos nos
modelos de apresentação de contas anuais.
Deverão ser valorizados autónomamente os elementos integrantes dos
diferentes componentes do Activo e do Passivo.

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Princípio da materialidade
É admissível a não aplicação estrita de alguns Princípios Contabilísticos,
sempre que a reduzida importância que, em termos quantitativos, a não
consideração da variação que esteja a ser provocada, não altere a
imagem fiel que devam apresentar as contas anuais da empresa.
“A contabilidade de
Conflito entre Princípios gestão destina-se a
apoiar a equipa de
Em caso de conflicto entre Princípios Contabilísticos, deverá prevalecer
direcção da empresa,
aquele que melhor conduza a que as contas anuais, formuladas com
no seu processo de
clareza, possam expressar a imagem fiel do património, da situação
tomada de decisões
financeira e dos resultados da empresa.
internas, recorrendo à
Deveremos ainda ter em consideração que: disponibilização de
informação suficiente
 Quando a aplicação dos Princípios contabilísticos não se e relevante sobre os
revelarem suficientes para que as contas anuais possam expressar elementos críticos para
a imagem fiel do património da empresa, deverá ser a gestão da empresa”
proporcionada no Anexo às Contas todas as explicações
necessárias sobre os critérios contabilísticos adoptados.
 Naquelas circunstâncias de carácter excepcional em que a
aplicação de um Princípio contabilístico seja incompatível com a
imagem fiel do património que devem apesentar as contas
anuais, então deveremos considerar inadequada a aplicação
desse Princípio.

Contabilidade Financeira e Contabilidade de Gestão


Se as Demonstrações Contabilísticas são destinadas a proporcionar
informação ao exterior (entendendo como tal, pessoas ou entidades
justificadamente interessadas na evolução da organização, mas não
responsáveis pela sua gestão, como é o caso de entidades financeiras,
clientes e fornecedores, administração tributária, etc.) torna-se necessário
que sejam mais objectivas e homogéneas, ainda que essas características
possam não ser de grande utilidade no apoio à actividade de gestão
corrente e futura da empresa. Uma Contabilidade destinada a informar o
exterior, atribui maior enfâse à objectividade da explicação do passado,
recebendo frequentemente a catalogação de Contabilidade Histórica ou
Contabilidade Financeira.

No entanto, a Contabilidade também pode ser um instrumento eficaz no


apoio aos Responsáveis pela gestão de uma organização, no apoio a um
melhor desempenho das suas funções. Fundamentalmente, estes
Responsáveis estão interessados no estudo das consequências futuras das
suas decisões presentes. Para isso, as Demonstrações Contabilísticas que
normalmente utilizam, procuram representar a actividade futura da
empresa expressa em unidades monetárias.

Desta forma, as Demonstrações Contabilísticas de exercícios anteriores


podem auxiliar no planeamento e na elaboração de Demonstrações
contabilísticas reportando-se ao futuro (por exemplo, os Orçamentos para
os anos seguintes). Assim sendo, o orçamento de Tesouraria

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(Recebimentos e Pagamentos) do próximo ano, será naturalmentes menos


objectivo que a Demonstração de Movimentos de Tesouraria do ano
anterior, que já é conhecido. Mas, como instrumento de gestão, a sua
utilidade é manifestamente superior.

Uma contabilidade ao serviço da direcção da empresa, tem como


principal finalidade a de apoiar a equipa de gestão da empresa no seu
processo de tomada de decisões internas, através da disponibilização de
informação suficiente e relevante sobre os elementos críticos (estratégia,
custos, tesouraria, produção, capacidade de armazenagem,
investimentos, etc) para a gestão de uma empresa.
Por isso focaliza-se principalmente na estimativa do futuro, na perspectiva
de recolher a máxima utilidade dessa informação. Pode receber
normalmente diversas denominações: contabilidade de direcção, de
gestão, contabilidade interna, ou ainda contabilidade analítica.

Uma consequência do que anteriormente expusemos é a de que a


contabilidade financeira não admite praticamente excepções aos
princípios contabilísticos geralmente aceites. Os utilizadores externos assim
o exigem, para poderem interpretar correctamente as Demonstrações
Financeiras e poderem assim tomar as suas decisões de forma eficiente.
No domínio da contabilidade de gestão, pelo contrário, pode existir
alguma flexibilidade na aplicação dos princípios contabilísticos. Ao
destinar-se a utilização exclusivamente interna, os princípios contabilísticos
serão aplicados com maior flexibilidade, sempre na perspectiva de dotar
a equipa de gestão da organização, com a informação de que necessite
para desenvolver a sua actividade.

Bastará então que os Responsáveis pela sua utilização estejam


convenientemente informados: tal informação não afecta os utilizadores
externos, a quem não é destinado esse tipo de informação.

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APRESENTAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS


O Balanço é uma “fotografia” da empresa num determinado instante. A Demonstração de Resultados
(também denominada Conta de Ganhos e Perdas) identifica a actividade que a empresa desenvolveu
num determinado período de tempo: vendas realizadas, gastos incorridos para obter esses
Rendimentos, identificando o Resultado obtido. Poderemos referenciar a Demonstração de Resultados
quer a um período de cinco anos ou a qualquer outro período, como por exemplo dois meses ou
ainda mensal, embora seja normal a sua utilização reportando-se ao período de um ano, ou seja, um
exercício contabilístico.

A Contabilidade Financeira é um sistema de informação que reflecte a


situação da empresa, nas suas dimensões económica e financeira.
Faculta-nos informação sobre o património da empresa – valor residual
dos activos da empresa, após dedução de todos os seus passivos -, da sua
situação financeira – a sua capacidade para cumprir as suas obrigações
financeiras – e sobre o Resultado obtido – se obteve um ganho ou se
incorreu numa perda.

No primeiro tema abordámos a informação sobre o património da


empresa, recorrendo ao Balanço. Verificámos que era constituído pelo
Activo – conjunto de bens e direitos que constituem os recursos que a “O Balanço apresenta
empresa utiliza na prossecução da sua actividade - pelo Passivo – a situação económica
conjunto de dívidas e obrigações que a empresa contrai junto de terceiros e financeira da
para financiar a sua actividade – e pelo Capital Próprio – também empresa num
denominado Recursos Próprios, constituído pelas entregas dos sócios determinado
(Capital) e pelos Resultados Transitados. momento; a
Demonstração de
Resultados informa
Os Resultados Transitados são constituídos pela parcela dos Resultados sobre a actividade
obtidos na sua actividade e que não são distribuídos pelos sócios a título desenvolvida pela
de dividendos. empresa num
determinado período
Logicamente que, se o Resultado for negativo (Perda) então será de tempo”
deduzido nos Resultados Transitados em anos anteriores e conduzirá a
uma redução no Capital Próprio.

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Conta de Resultados Conta de Resultados Balanço


Rendimentos Custos Operacionais Rendimentos Custos Operacionais Activo Fixo Tangível Capital Próprio

Activo Fixo Tangível +


Outros Gastos

Outros Gastos -
Investimentos
Amortizações Passivo a l/p

Amortizações Inventários
Gastos Financeiros
Passivo a c/p
Valores a Receber
Gastos Financeiros Impostos
Perdas Fornecedores
Caixa

Impostos Lucros

Outros
Outros
Total Activo: Passivo+Cap.Próprio:

Voltemos então à empresa ARACAL


“2007 foi um ano de intensa actividade para ARACAL. Vamos de seguida
analisar todas as transacções realizadas pela empresa até ao
encerramento de contas desse exercício.

ARACAL é uma empresa comercial, que compra martelos pneumáticos a


600 €, realizando a sua venda por um preço de 1.000 €. Se adquirisse a
matéria-prima e levasse a efeito a produção dos martelos, seria uma
empresa industrial, situação que abordaremos mais adiante.

ARACAL para desenvolver a sua activivade comercial incorreu numa série


de operações: comprou um terreno, comprou mobiliário diverso, durante
o ano teve que suportar diversos gastos de natureza comercial, e
administrativa, pagou juros, etc. Todos estes desembolsos foram realizados
com uma única finalidade: realizar a venda de martelos pneumáticos. No
entanto, estes desembolsos não têm todos a mesma natureza, pelo que
iremos considerar alguns como investimentos e outros como gastos.

Inmaculada trabalhou afincadamente no arranque da actividade da “Na Conta de


empresa, sem atribuir relevância aos aspectos contabilísticos inerentes ao Resultados, os
funcionamento da empresa. Limitou-se a anotar os recebimentos e aumentos de Gastos
pagamentos realizados. Passemos de seguida a descrever todas as são registados a
transacções realizadas pela empresa: DÉBITO e as
diminuições a
CRÉDITO. No caso dos
Transacção 1 Rendimentos, os
São importados a crédito 310 martelos, com um custo total de aquisição aumentos registam-se
de 186.000 euros (600 euros por martelo) a CRÉDITO e as
diminuições a DÉBITO”

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Fornecedores Existências
18.000 SI SI 18.000
186.000 1 1 186.000

Transacção 2
Durante 2007 foram vendidos, a pronto pagamento, 100 martelos por um
preço de venda de 1.000 euros/unidade.

Tiveram lugar vendas que deverão ser consideradas como Rendimento na


Demonstração de Resultados. As diversas contas componentes da
Demonstração de Resultados serão movimentadas, tal como as contas de
Passivo, aumentos registados a crédito e diminuições a débito. Os
Rendimentos serão registados a crédito e os gastos registados a débito.
Vendas = 100 x 1.000 = 100.000 euros
Mas a transacção ainda não se encontra registada na sua totalidade.
Para obter este Rendimento, a empresa teve que entregar fisicamente os
100 martelos.

Por outras palavras, este rendimento encontra-se associado a um


inevitável gasto. Este gasto é exactamente igual ao custo de aquisição da
mercadoria vendida (CMV).
CMV = 100 x 600 = 60.000 euros
Os movimentos que deveremos registar na Demonstração de Resultados
serão:

Débito Conta de Resultados Crédito


2 60.000 100.000 2 “Depois de contabilizar
cada transacção, o
somatório de todos os
Surge então a necessidade de aplicar a metodologia das partidas duplas registos na coluna do
no registo das transacções . Como a venda foi realizada a pronto DÉBITO, deverá
pagamento, os 100.000 euros deram entrada em caixa (A Caixa coincidir com o
aumentou e sendo representada no Activo, deverá ser alvo de um registo somatório de todos os
a DÉBITO). registos realizados nas
colunas do CRÉDITO de
Caixa e Bancos
todas as contas
SI 50.000 movimentadas”
2 100.000

E os 60.000 euros? Pensemos: Será que ainda continuamos com os mesmos


inventários? A resposta é NEGATIVA. Os inventários diminuiram igualmente
em 60.000 euros. Consequentemente, na conta de Inventários, deveremos
deduzir este montante (sendo uma conta de Activo, ao diminuir, deverá
ser movimentada a CRÉDITO).

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Existências
SI 18.000 60.000 2
1 186.000

Pode verificar-se que, após realização destes registos o somatório de todos


os movimentos realizados a DÉBITO e a CRÉDITO são coincidentes.

Transacção 3
Em 2007 venderam-se a crédito 200 martelos por um preço de 1.000
euros/unidade.
Foi assim realizada uma venda. O Princípio da Especialização de
exercícios estabelece que a consideração de rendimentos e gastos num
determinado exercício, deve encontrar-se associada à movimentação
efectiva de bens e serviços que teve lugar, independentemente do
momento em que venha a ocorrer o fluxo monetário inerente a essas
movimentenções. Deveremos portanto, proceder ao registo do
Rendimento decorrente desta venda (retiramos claramente que
rendimento e recebimento não serão sinónimos, tal como gasto e
pagamento).
Tal como anteriormente, deveremos registar a venda dos 200 martelos e o
gasto correspondente ao custo da mercadoria vendida correspondente a
esses 200 martelos.
Rendimento = 200 x 1.000 = 200.000 euros
CMV = 200 x 600 = 120.000 euros

Débito Conta de Resultados Crédito


2 60.000 10.000 2
3 120.000 200.000 3

Quais serão então os movimentos contabilísticos a realizar? Os 200.000


euros não foram recebidos, pelo que não poderemos considerá-los na
conta de Caixa. Existe, no entanto, uma conta no Activo (Clientes) que
pretende acolher todos os direitos associados a valores a receber que a
empresa detenha perante terceiros.

Clientes
3 200.000

Ao ser uma conta de Activo, cresce através de movimentos a Débito


(significa que os clientes nos devem essa importância de 200.000 euros). A
outra conta afectada será a conta de Inventários, onde deveremos
considerar a redução no valor de martelos em poder da empresa:

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Existências
SI 18.000 60.000 2
1 186.000 120.000 3

Transacção 4
Durante 2007 recebeu de Clientes, a quem havia concedido crédito, um
montante de 170.000 euros.
Nesta Transacção, não haverá qualquer impacto na Demonstração de
Resultados. Não teve lugar a produção de qualquer Rendimento ou
ocorrência de Gasto. O que aconteceu pode traduzir-se numa alteração
simultânea em duas contas de Activo, designadamente na conta de
Clientes e na conta de Caixa.
Clientes Caixa e Bancos
3 200.000 170.000 4 SI 50.000
2 100.000
3 170.000

Aumenta o valor em Caixa (pelos 170.000 euros que recebemos) e diminui


a dívida que os Clientes têm para com a empresa, representada na conta
de Clientes.

Transacção 5
Durante 2007 foi pago ao fornecedor a importância correspondente a 290
martelos, ou seja, um montante de 174.000 euros.
Trata-se de uma troca entre uma conta de Activo e uma conta de
Passivo: Diminui a conta de Fornecedores (Passivo) e também diminui a
conta de Caixa (Activo).

Caixa e Bancos Fornecedores


SI 50.000 174.000 5 5 174.000 18.000 SI
2 100.000 186.000 1
4 170.000

Deverá recordar que, no registo de cada transacção, são sempre


registadas a DÉBITO e a CRÉDITO as mesmas importâncias.

Transacção 6
A actividade comercial e administrativa desenvolvida, determinou a
necessidade de serem realizadas e liquidadas com pagamento imediato,
aquisições no montante de 50.000 euros.
Estamos perante Gastos do Exercício que estamos considerando (deverá
ser registado a DÉBITO na Conta de Resultados) tendo sido liquidado a
pronto pagamento (desembolso de de caixa).

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Débito Conta de Resultados Crédito Caixa e Bancos


2 60.000 10.000 2 SI 50.000 174.000 5
3 120.000 200.000 3 2 100.000 50.000 6
6 50.000 4 170.000

Transacção 7
Foi liquidado o empréstimo bancário no montante de 40.000 euros.
Esta Transacção não será um Gasto. Estes 40.000 euros encontravam-se
considerados numa conta do Passivo (Empréstimos Bancários) que
representa o financiamento proporcionado por Terceiros (Passivo Exigível).
Esta transacção determinará uma alteração na estrutura do nosso Passivo:
Caixa e Bancos Empréstimo Bancário
SI 50.000 174.000 5 7 40.000 40.000 SI
2 100.000 50.000 6
3 170.000 40.000 7

O Activo diminuiu em 40.000 euros (Caixa) e o Passivo também diminuiu


nesse mesmo montante (Empréstimo Bancário)

Transacção 8
Os juros do empréstimo bancário foram liquidados por ocasião do
reembolso desse empréstimo e ascenderam a 2.800 euros.
Estamos perante um Gasto. Trata-se do custo incorrido em se ter recorrido
a financiamento alheio. Os juros das dívidas a terceiros representam
sempre um Gasto para a empresa.
Débito Conta de Resultados Crédito Caixa e Bancos
2 60.000 10.000 2 SI 50.000 174.000 5
3 120.000 200.000 3 2 100.000 50.000 6
6 50.000 4 170.000 40.000 7
8 2.800 2.800 8

Após registar toda a actividade ocorrida no exercício, chegámos


finalmente a 31 de Dezembro de 2007. Posteriormente, analisaremos em
mais detalhe como serão normalmente tratados os diferentes
componentes do Resultado, que têm vindo a ser globalmente
considerados numa conta genérica de Resultados do Exercício, esta sim
constituindo componente relevante no Capital Próprio representado no
Balanço.

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ACTIVO PASSIVO

Caixa e Bancos Clientes Fornecedores Empréstimo Bancário


SI 50.000 174.000 5 3 200.000 170.000 4 5 174.000 10.000 SI 7 40.000 40.000 SI
2 100.000 50.000 6 186.000 1
4 170.000 40.000 7
2.800 8 200.000 170.000 174.000 196.000 40.000 40.000
SF 30.000 22.000 SI 0 SI
320.000 266.800
SF 53.200

Inv entários Conta de Resultados


SI 18.000 60.000 2 2007
1 186.000 120.000 3 2 60.000 100.000 2
204.000 180.000 3 120.000 200.000 3
SF 24.000 6 50.000
8 2.800
Mobiliário Edifício 232.800 300.000
SI 10.000 SI 60.000 67.200

Terreno
SI 40.000

Balanço a 01-01-2007 Balanço a 31-12-2007

ACTIVO ACTIVO
Caixa e Bancos 50.000 Caixa e Bancos 53.200
Inv entários 18.000 Clientes 30.000
Mobiliário 10.000 Inv entários 24.000
Edifício 60.000 Mobiliário 10.000
Terreno 40.000 Edifício 60.000
Terreno 40.000
Total Activo 178.000 Total Activo 217.200

CAPITAL PRÓPRIO CAPITAL PRÓPRIO


Capital Social 120.000 Capital Social 120.000
Resultado 2007 67.200
Total Capital Próprio 120.000 Total Capital Próprio 187.200

”O Resultado do
PASSIVO PASSIVO
exercício permite
Fornecedores 18.000 Fornecedores 30.000
identificar
Empréstimo Bancário 40.000
pormenorizadamente
Total Passivo 58.000 Total Passivo 30.000
a evolução da
actividade económica
Total Passivo+Cp.Próprio 178.000 Total Passivo+Cp.Próprio 217.200
da empresa”

Apresentação da Conta de Resultados


A contabilidade considera que o Resultado do Exercício é o indicador que
por excelência melhor traduz a evolução da situação económica da
empresa, de tal forma que se tornou consensual a necessidade de
promover a sua apresentação com o detalhe conveniente à divulgação
da sua actividade.

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A nossa Conta de Resultados com algum detalhe poderia apresentar a


seguinte configuração:

Conta de Resultados
DÉBITO (Gastos) CRÉDITO (Rendimentos)
Custo de 100 unidades 60000 100000 Venda de 100 unidades
Custo de 200 unidades 120000 200000 Venda de 200 unidades
Gastos Comerciais e administrativ os 50000
Juros 2800
(I) Total de Gastos 232800 300000 (II) Total de Redimentos
67200 Resultado do Exercício (II)-(I)

Uma forma de apresentação muito comum, é a que se designa por


Demonstração de Resultados Analítica:
Conta de Resultados
Vendas 300.000
- Gastos Operacionais
CMV (Vusto da Mercadoria Vendida) (180.000)
= Margem Bruta 120.000
- Outros Gastos Gerais (50.000)
= Resultado de Exploração 70.000
- Gastos Financeiros (Juros) (2.800)
= Resultado antes de Impostos 67.200
- Imposto s/Rendimento 0
= Resultado Líquido 67.200

Análise da Conta de Resultados


Rendimentos
A Conta de Resultados começa com a representação dos Rendimentos
do Exercício. São constituídos pelas Vendas realizadas deduzidas das
devoluções e dos descontos realizados. Estes Rendimentos são
considerados como ordinários ou correntes, sempre que se reportem à
actividade correspondente ao objecto social para que foi constituída a
empresa.
Se por alguma razão a empresa promove a cedência de algum
imobilizado de que não necessite, ou realize operações pouco habituais,
os Rendimentos daí resultantes não se considerariam nesta rúbrica da
Demonstração de Resultados (são considerados extraordinários ou Rédito).
O principal motivo para a adopção de tal critério de actuação, resulta
de se pretender conhecer os Resultados que se formam a partir da “Os Gastos
actividade típica e normal da empresa, na perspectiva de saber se, a esse Operacionais são
nível, a empresa é rentável ou não. aqueles que se
encontrem
directamente
Gastos Operacionais associados à
Esta conta recolhe todos os Gastos directamente associados com os formação do
Rendimentos proporcionados pelas vendas e que lhe possam ser Rendimento obtido nas
directamente associados. Vendas.”

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Uma empresa comercial, durante o exercício compra e vende


mercadorias. O custo das mercadorias vendidas, necessário para
proporcionar um cálculo adequado do Resultado será:
CMV = Inventário Inicial + Compras – Inventário Final
No caso de uma empresa industrial, esta conta concentrará todos os
gastos necessários para levar a efeito o processo produtivo. Seriam então
os custos directos e os custos indirectos imputados.
Nalguns casos serão considerados os custos salariais directos.

Outros Gastos Gerais


Este conceito agrupa todos os Gastos necessários para que a empresa
funcione e que não se encontrem directamente dependentes da
produção, tais como os gastos administrativos, comerciais, fornecimentos
diversos ou alugueres.

Amortizações
Apesar de se tratar de um conceito a estudar detalhadamente numa fase
posterior, por agora retenha-se a intenção de reconhecer a inevitável
existência de custos inerentes à utilização no processo produtivo, dos
imobilizados de que a empresa disponha.
Noutra perspectiva, os imobilizados formam parte dos bens necessários
para que a empresa desenvolva a sua actividade. Para poder repartir o
seu custo de aquisição ao longo da sua vida útil, é imputada anualmente
ao Resultado do Exercício, uma parcela desse custo.

Gastos Financeiros
Os Gastos Financeiros decorrem da estrutura financeira que tenha sido
implementada na empresa, não se encontrando associados à gestão
económica da sua actividade operacional. Por esse motivo, haverá
necessidade de promover a sua diferenciação dos Gastos Opercionais.

Impostos
A carga fiscal sobre os resultados obtidos por uma empresa é
concretizada através de um Imposto sobre os Resultados, alterando-se a
sua incidência conforme o país, o sector de actividade ou o tipo de
empresa. Nalguns casos, a taxa do imposto pode ser praticamente nula
(os conhecidos paraísos fiscais), ao passo que noutros países pode atingir
os 50%.
A incidência do Imposto sobre o Resultado da empresa é uma
inevitabilidade e portanto, deverá ser alvo de adequado registo
contabilístico, por ocasião do apuramento de Resultados em cada
exercício económico. É por esse facto, um componente essencial na
Conta de Resultados de qualquer exercício económico.

No entanto, o seu pagamento depende da legislação tributária vigente


em cada país, sendo realizado durante o exercício e parcialmente no
exercício seguinte àquele a que se reporta.

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Isto conduz a que na data de encerramento do exercício, a estimativa de


imposto para o gasto com Imposto sobre o Rendimento (a DÉBITO na
Conta de Resultados) tenha, como contrapartida, o reconhecimento de
uma dívida perante o Estado por esse mesmo montante (ao tratar-se de
um Passivo, será reconhecido a CRÉDITO).
Após ter sido pago esse imposto (no exercício seguinte), esse passivo seria
saldado (através de um movimento a DÉBITO), contra Caixa ou Depósitos
em Bancos (diminuindo o seu saldo, através de um movimento a
CRÉDITO).

Lucros/Perdas
Quando se verifica a existência de um Lucro, esse valor pertence aos
proprietários da empresa. Estes deverão decidir sobre o destino que
deverá ter esse valor (Aplicação de Resultados). Se o mantiverem na
empresa, aumentará a conta de Reservas, também designada por
“Resultados Transitados”.
É frequente a manutenção de uma parte dos Lucros obtidos na empresa
(destiná-los a reservas) e o restante ser distribuído aos accionistas (destiná-
lo a dividendos, reduzindo consequentemente o Capital Próprio).

No caso de o Resultado ter sido uma Perda, então deverá ser


reconhecida uma diminuição no Capital Próprio da empresa,
reconhecendo essa diminuição na conta de Resultados Transitados.

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O RESULTADO DO EXERCÍCIO

No documento anterior, iniciámos o estudo da Conta de Resultados, até ao conceito de Resultado


Operacional, directamente associado à actividade corrente ou ordinária da empresa.

Neste documento, vamos analisar os restantes elementos da Demonstração de Resultados, onde são
identificados os resultados extraordinários e circunstâncias, tais como a aplicção de resultados e a
especialização de exercícios.

Iremos igualmente realizar uma primeira análise das margens obtidas, a partir da conta de resultados.

O resultado de ARACAL
Vamos então iniciar a análise da zona da Conta de Resultados, que nos
permite identificar se a empresa ganha ou perde dinheiro. Para esse efeito,
continuaremos a apresentar o caso de ARACAL.

ARACAL é uma empresa comercial que compra martelos pneumáticos a


600 € e que os vende a 1.000 €. Se adquirisse matéria-prima e fabricasse os
martelos, seria uma empresa industrial, situação que será estudada mais
adiante, quando for levado a efeito o estudo dos Inventários de forma
mais aprofundada.

Para desenvolver a sua actividade, ARACAL tem necessidade de incorrer


em operações tais como: compra de um terreno e de um edifício,
aquisição de mobiliário, ao longo do ano teve necessidade de realizar
gastos comerciais, administrativos, tendo ainda suportado juros, etc. Todos
os pagamentos que foi forçada a realizar, tinham um único objectivo:
vender martelos pneumáticos.

Os pagamentos realizados, não tiveram todos a mesma natureza de um


ponto de vista contabilístico: iremos designar alguns como tratando-se de
investimentos, ao passo que outros serão considerados gastos. “Para verificar se uma
aquisição corresponde
Gasto ou Investimento? a um gasto ou a um
Investimento, é
Surge então a primeira questão. Em que circunstâncias deverá a aquisição
fundamental
de um activo ser considerada um Investimento e quando é que uma
considerar a natureza
aquisição deve ser directamente considerada como Gasto na Conta de
do bem e a sua
Resultados?
capacidade para
originar benefícios
Gasto económicos futuros”
Um Gasto é uma diminuição nos recursos económicos da empresa,
durante o período contabilístico, e que provocará uma redução no
Capital Próprio da empresa.

A definição de Gasto inclui não só os gastos que decorrem da actividade


corrente da empresa, como também o que poderemos designar por
menos valias.

• Entre os Gastos decorrentes da actividade normal e corrente,


encontram-se, por exemplo, o custo das vendas, as remunerações
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aos trabalhadores e as amortizações. Geralmente, os Gastos


representam uma saída ou uma diminuição de activos, tais como
dinheiro ou contas de depósitos à ordem ou outras contas
equivalentes, como inventários, ou imobilizado tangível ou
intangível.

• São menos valias, outros movimentos que, satisfazendo igualmente


a definição de Gasto, poderiam ou não resultar da actividade
normal e corrente da empresa. As menos valias representam
diminuições nos resultados económicos da empresa, e como tal
não são diferentes, na sua essência, de qualquer outro gasto. A
título de exemplo, entre as menos valias poderemos referir:
o As que resultam de sinistros, ou acontecimentos
extraordinários ou imprevistos, como por exemplo, os
danos resultantes de um incêndio ou de uma inundação.
o A venda de activos não correntes.

Ao reconhecer as mais-valias na Conta de Resultados, será conveniente “Um gasto é uma


apresentá-las separadamente, uma vez que o seu conhecimento poderá diminuição nos
assumir alguma relevância para os decisores económicos, no processo de recursos económicos
tomada de decisão, desenvolvido a partir da análise dos Resultados da da empresa, durante
empresa. um período
contabilístico e que
dará origem a uma
Rendimento diminuição no Capital
Próprio”
Um Rendimento é um aumento nos recursos económicos da empresa,
ocorrido durante o período de referência contabilístico, que origina um
aumento no Capital Próprio. A definição de Rendimento, inclui não só os
Rendimentos propriamente ditos, como também o de mais-valias:

• Os Rendimentos surgem no decurso da actividade operacional


ordinária e recorrente da empresa, podendo considerar-se como
tal, as vendas realizadas, os honorários a receber, juros de
depósitos realizados, royalties e alugueres, etc. Ao reconhecer um
Rendimento poderemos, como contrapartida, receber um activo,
ou ser conduzidos para um aumento no valor de diferentes tipos
de activos existentes (por exemplo, os Meios Financeiros Líquidos,
os Valores a Receber de Clientes que surgirão troco dos bens ou
serviços que tenham sido vendidos).

• São Rédito, outras situações que, satisfazendo os requisitos para


serem consideradas um Rendimento, poderiam ou não resultar das
operações normais e correntes da empresa. O Rédito pressupõe
incrementos nos benefícios económicos e como tal, não são
diferentes na sua essência dos Rendimentos. Apesar disso, mostra-
se conveniente apresentá-lo de forma segregada na
Demonstração de Resultados.

Despesar ou não um Gasto?


Uma vez definidos os conceitos de Gastos e Rendimentos, continuaremos
com a nossa resposta à questão sobre as circunstâncias em que deveremos
considerar uma aquisição como gasto do exercício.

Para isso será fundamental considerar a natureza do bem e avaliar se, uma
vez adquirido, terá ou não capacidade para gerar benefícios futuros.

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Por exemplo, se uma empresa adquirir matérias-primas para a produção de


um Produto Acabado, o benefício económico futuro proporcionado pela
aquisição dessa matéria-prima será materializado por ocasião da venda do
produto acabado, de que resultará uma determinada rentabilidade e
receberá então os Meios Financeiros Líquidos correspondentes.
Consequentemente, a matéria-prima constitui um bem que não deveremos
despesar, mas sim considerar tal aquisição como sendo a aquisição de um
Activo.

Por outro lado, ao adquirir-se papel destinado à impressão de


documentação administrativa, o benefício económico futuro que
proporciona é nulo. Trata-se simplesmente de um gasto necessário para
concretizar uma tarefa administrativa, e deverá ser considerado
directamente na conta de Ganhos e Perdas, afectando assim o Resultado
do Exercício. “Um Rendimento é um
acréscimo nos
recursos económicos
A Aplicação do Resultado da empresa, formado
no decurso de um
Continuando com ARACAL, agora as nossas amigas Inmaculada e Cristina exercício
têm que decidir sobre o destino a dar ao resultado obtido no exercício de contabilístico,
2007. conduzindo a um
aumento no Capital
Em primeiro lugar, o Resultado obtido deverá ser utilizado no reforço da Próprio.”
Reserva Legal nos termos impostos pela legislação espanhola, até que
represente cerca de 20% do Capital Social. Esta reserva assume carácter
obrigatório e a sua constituição é requisito indispensável para que seja
possível concretizar distribuições de dividendos. Como o Capital Social é de
120.000€, então haverá que constiuir a Reserva Legal de um montante de
24.000€.

Em segundo lugar, como a empresa ainda está numa fase inicial da sua
existência, decidem constituir uma Reserva Livre de 26.000€. Finalmente, os
restantes 17.200€ foram destinados a dividendos, uma vez que não
receberam qualquer forma de remuneração pelo trabalho realizado ao
longo do ano.

A distribuição do Resultado poderá ser assim resumida:

Resultado correspondente ao exercício de 2007: 67.200 €


A Dividendos 17.200 €
A Reserva Legal 24.000 €
A Reserva Livre 26.000 €

As reservas, tal como o Capital Social, constituem o Capital Próprio ou


Recursos Próprios da empresa. A contabilidade prefere distinguir entre um e
outro, utilizando contas diferentes, para evitar perdas de informação. Por
um lado, identificar as entregas realizadas pelos accionistas e, por outro
lado, evidenciar os recursos que foram gerados pela actividade da
empresa e que foi decidido reter para financiamento da actividade futura
da empresa.

Análise do Resultado
Vamos analizar os diferentes conceitos de margem que se poderão
identificar a partir da Conta de Resultados.

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Ao Rendimento total, iremos deduzir os diferentes conceitos de Gasto, o


que nos conduzirá a diferentes conceitos de Margem.

EBITDA

A expressão “EBITDA” é constituída pelas iniciais da expressão inglesa


“Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization”.

Ou seja, corresponde aos resultados formados antes de se proceder à


dedução dos juros referentes aos empréstimos obtidos, dos impostos sobre
rendimentos (no caso de a empresa ter obtido um lucro) e os gastos
correspondentes ao processamento de Depreciações e Amortizações dos
Activos Operacionais.

Ao recorrer ao EBITDA como dimensão susceptível de possibilitar a


comparação do rendimento formado em diferentes empresas pertencentes
a um mesmo sector de actividade, torna-se necessário ter em
consideração a estrutura produtiva de cada uma dessas empresas. A
circunstância de não incluir as amortizações e depreciações, conduz a que
empresas com processos produtivos muito verticalizados e integrados que
lhes permitam a realização internamente da maior parte dos processos

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produtivos, apresentem melhores “EBITDA’s” do que as empresas que


tenham subcontratado o seu processo produtivo.

“O EBIT é o conceito
Consideremos o exemplo de duas empresas de fabricantes de automóveis,
de análise de
em que uma delas produza o chassis, as caixas de velocidade e os sistemas
resultados mais
de direcção. Para levar a efeito esse programa de produção, foi forçada a
utilizado e que realça
realizar investimentos em activos não correntes (fábrica, equipamento
a actividade
industrial, etc.) para que possa realizar essa produção, e por esse facto
operacional da
deverá contabilizar como gasto as amortizações referentes a esses activos.
empresa,
Essas amortizações não estão consideradas como gasto (ou seja, não se
independentemente
encontram ainda deduzidas do rendimento) no conceito de EBITDA.
da forma como se
encontra financiada.”
Pensemos, por exemplo, numa empresa semelhante mas em que os
processos produtivos associados à fabricação dos chassis, caixas de
velocidade e sistemas de direcção, não sejam realizados internamente e,
pelo contrário, sejam adquiridos a uma terceira empresa. Neste caso, estes
elementos terão incorporados no seu preço de aquisição todos os custos
incorridos pela empresa subcontratada, incluindo os de amortização de
equipamentos, assim como o seu inevitável lucro. Por esse facto, a empresa
fabricante de automóveis, registará como custo de materiais utilizados no
processo de produção, um montante mais elevado e consequentemente a
margem EBITDA apresentará um valor inferior ao verificado na empresa
anteriomente considerada.

EBIT

O conceito de Resultados designado por EBIT (Earnings Before Interests and


Taxes) é determinado a partir do EBITDA após dedução das amortizações e
depreciações. Por esse facto, já permite comparar empresas com distintas
estruturas produtivas dentro de um mesmo sector de actividade.

É o conceito de análise de resultados mais utilizado e que realça as


condições de funcionamento operacional da empresa,
independentemente da forma como está financiada.

Desta forma, o EBIT mede a forma como a empresa desenvolve o seu


negócio, sendo uma medida neutra quanto à forma como se financia, pois
apenas se concentra na rentabilidade que decorre da utilização que faz
do seu activo operacional, não tomando em consideração o seu passivo,
ou seja, a forma como está financiada a empresa.

EBT

EBT é o acrónimo em inglês de “Earnings Before Taxes”, ou seja, os resultados


antes de se promover a dedução dos impostos sobre lucros, mas após
deduzir os gastos financeiros.
“O EBT indica-nos os
Os gastos financeiros são constituídos pelos juros que haverá necessidade
lucros ou perdas que a
de pagar pelos empréstimos e restantes dívidas contraídos junto de
empresa oteve,
terceiros a que a empresa tenha recorrido para se financiar. Como vimos
tomando em
anteriormente, não foram considerados no cálculo do EBIT.
consideração as
consequências da sua
Trata-se pois de um conceito que nos proporciona informação sobre os estrutura financeira”
lucros ou perdas da empresa, tomando em consideração os custos
decorrentes da sua estrutura financeira (relação entre Passivo e Capital
Próprio e custos financeiros associados às diferentes fontes de
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financiamento da empresa).

Relaltivamente ao Imposto sobre o Resultado, devido às diferentes cargas


fiscais que podem existir entre diferentes sectores de uma economia (por
exemplo entre pequenas, médias ou grandes empresas, ou se o sector em
que esteja inserida a empresa disponha de benefícios fiscais, porque o
Estado poderá considerar que deva favorecer esse sector de actividade) e
entre diferentes países para efeitos de cálculo do Imposto sobre o
Resultado, o EBT é um conceito relativamente neutral, quando se pretenda
promover a compararação de Resultados entre diferentes empresas.

Trata-se de um conceito de Resultado que informa sobre a gestão da


empresa e o seu melhor ou pior desempenho no intervalo de tempo
considerado, independentemente do contexto fiscal específico em que
esteja inserida.

EAT

EAT segnifica “Earnings After Taxes” e resulta da dedução ao EBT do


montante do Imposto sobre Resultados que a empresa deve entregar ao
Estado.

Quantifica o Resultado Líquido da empresa, ou seja, o Resultado que se


encontra disponível após dedução de todos os gastos que deva suportar,
incluindo o Imposto sobre Lucros.
No caso de tal resultado ser positivo (Lucro), o montante que representa o
EAT é aquele que a empresa pode utilizar para qualquer uma das seguintes
utilizações:

• Poderá reparti-lo, sob a forma de dividendos, a entregar aos


proprietários da empresa (accionistas),
• Ou decidir pela não distribuição e mantê-lo na empresa, como
uma reserva que contribuirá para aumentar o Capital Próprio da
empresa.

Acerca dos Rendimentos e Gastos Extraordinários (ou excepcionais)


Os Rendimentos e Gastos Extraordinários, como a sua própria designação
indica, são constituídos pelos montantes que resultam de acontecimentos
ou circunstâncias que não correspondam à actividade normal e recorrente
da empresa, mas que se produzem com carácter esporádico e resultando
de circunstâncias alheias à empresa e que não resultem de decisões
correntes dos orgãos de gestão da empresa.

Por exemplo, se uma empresa promove a cessão de uma parte do seu


imobilizado de produção, gerando uma mais valia/menos valia como
consequência dessa cessão, as consequências desta operação deveriam
considerar-se como tratando-se de um resultado extraordinário
independentemente de se tratar de um ganho ou de uma perda.

Actualmente as Normas Internacionais de Contabilidade limitam


considerávelmente os pressupostos e circunstâncias que possibilitam a
catalogação de um resultado como sendo “extraordinário”, assimilando-o
a “excepcional” e totalmente independente dos planos de actividade da
empresa ou de decisões dos seus gestores (perdas por incêndios ou
desastres naturais).
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Ao nível da análise dos resultados, os Rendimentos e Gastos Extraordinários,


ao não resultarem da gestão típica e recorrente da empresa, não deverão
ser considerados no cálculo do EBITDA e EBIT, somente devendo ser
considerados no momento de identificar o EBT.

Devido à sua natureza, os Rendimentos e Gastos Extraordinários não devem


assumir uma importância destacada no momento de avaliar a evolução
da actividade económica de uma empresa. Por esse motivo, são tratados
separadamente na análise dos Resultados da empresa, segregando-os
devidamente.

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ESPECIALIZAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

Na actividade corrente de uma empresa, ocorrem recebimentos e pagamentos por um lado e


rendimentos e gastos por outro, que podem afectar vários exercícios contabilísticos ou reportar-se a
exercícios diferentes daquele em que nos encontremos. Uma vez que a Contabilidade pretende
proporcionar uma imagem fiel das operações em que se encontre envolvida a empresa, parece
razoável que a Conta de Resultados correspondente a um exercício, contenha apenas todos os
Rendimentos e Gastos desse exercício excluindo-se as transacções referentes a outros exercícios. Para
que tal seja possível, haverá que recorrer a registos contabilísticos especificamente destinados a
ajustar Rendimentos e Gastos contabilizados pela empresa num determinado exercício e que não se
refiram a esse exercício.

A Periodização Contabilística
Os ajustes decorrentes da especialização de exercícios permitem uma
correcta determinação do resultado contabilístico do exercício, mediante
adopção de uma adequada metodologia de imputação temporal de
determinados rendimentos e gastos, atendendo ao momento em que
devam ser reconhecidos, independentemente do momento em que
ocorra o seu recebimento ou pagamento.
A necessidade de realizar uma adequada periodização contabilística
decorre da aplicação do Princípio da Especialização de Exercícios
(Princípio do Acréscimo): “O reconhecimento
contabilístico da
«O reconhecimento dos Rendimentos e Gastos, deverá ter lugar actividade referente a
no exercício em que tiverem ocorrido ou sido suportados, um determinado
independentemente do momento em que ocorram os fluxos período de tempo,
monetários que lhe estejam associados» resulta da aplicação
do pincípio da
especialização de
Poderão ter lugar recebimentos (entradas em tesouraria) que não exercícios (do
representem Rendimentos do exercício acréscimo)”
Neste caso, o Rendimento que se tenha reconhecido no exercício e que
nele deva ser contabilizado é inferior ao montante efectivamente
recebido no período de tempo em causa.

Exemplo: Se em 2007 se receberem 50.000 euros referentes ao aluguer de


um armazém, referentes ao período de 1 de Julho de 2007 até 1 de Julho
de 2008, o recebimento corresponde de facto a 50.000 euros, mas o
rendimento correspondente ao ano de 2007, ascende somente a 25.000
euros. Trata-se de um Recebimento antecipado, que se contabiliza da
seguinte forma:
O lançamento contabilístico relativo ao recebimento é o registo 1, que
será complementado, no final do exercício com o lançamento 2.

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Caixa e Bancos Rendimentos a Reconhecer


1 50.000 25.000 2

Rendimento de Rendas
2 25.000 50.000 1

Através dessa movimentação contabilística, conseguimos que os


Rendimentos de Rendas, reconhecidos no exercício de 2007 sejam apenas
25.000 euros, valor correspondente aos meses de Julho a Dezembro,
conservando-se os restantes 25.000 euros numa conta transitória no
Passivo, que será regularizada no exercício seguinte.

Podem ter lugar pagamentos (saídas de tesouraria) que não


correspondam a gastos do exercício
O pagamento efectuado num exercício foi superior ao gasto reconhecido
que lhe corresponda.
Exemplo: Foram pagos 30.000 euros ao subscrever uma apólice de
seguros, garantindo a cobertura de um determinado risco no período que
decorre de 1 de Janeiro de 2007 até 31 de Dezembro de 2008. O
pagamento foi efectivamente de 30.000 euros, mas o gasto de 2007 será
somente de 15.000 euros.

O lançamento contabilístico realizado por ocasião do pagamento será o


registo 1, que será complementado, no final do exercício pelo
lançamento 2.

Caixa e Bancos
30.000 1

Seguros
1 30.000 15.000 2

A conta de «Gastos a Reconhecer» permite manter transitoriamente no


Activo, os Gastos correspondentes ao período seguinte.

Gastos a Reconhecer
2 15.000

Em certas ocasiões haverá que reconhecer como Rendimentos certas


operações, cujo montante ainda não foi recebido
O Rendimento a Reconhecer no exercício, é superior ao valor recebido
nesse mesmo exercício.

Exemplo: Foi mantida durante todo o exercício uma conta de Depósito a


Prazo no montante de 250.000€ a que foi proporcionada uma
remuneração de 9%, mas o banco apenas disponilizará os juros no dia 20
de Janeiro.

Ainda que na data de elaboração do Balanço não se tenha recebido


qualquer importância, o princípio da especialização de exercícios obriga
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a reconhecer como rendimento do exercício os juros que tenham sido


proporcionados pela conta de Depósito a Prazo, ou seja:

250.000 x 0,09 = 22.500 euros

Esta operação é contabilizada, considerando como Rendimento (Juros


Obtidos) os 22.500 euros e registando no Activo o direito a receber essa
importância (lançamento 1), que reflecte uma posição credora perante o
Banco, até que se receba efectivamente essa importância:

Juros Obtidos Rendimentos a Receber


22.500 1 1 22.500 22.500 2

Caixa e Bancos
2 22.500

No dia 20 de Janeiro, ao concretizar-se o recebimento dos juros, será


realizado o lançamento 2.

Finalmente, poderão ocorrer situações em que certos gastos a


reconhecer num determinado exercício, ainda não tenham sido pagos
aos respectivos fornecedores
Os gastos reconhecidos no exercício excedem o montante dos
pagamentos realizados.

Exemplo: o pagamento das Remunerações é realizado normalmente no


dia 5 do mês seguinte àquele a que dizem respeito. No final de Dezembro
de 2007, as remunerações referentes a esse mês ascendem a 70.000 euros,
e ainda não haviam sido liquidadas aos trabalhadores da empresa. No
entanto, esse gasto deve ser reconhecido no exercício a que
contratualmente respeite (lançamento 1), correspondendo ao mês de
Dezembro.

Remunerações ao Pessoal Caixa e Bancos


22.500 1 1 22.500 22.500 2

Remunerações a Pagar
2 22.500

A conta de Passivo “Remunerações a Pagar” que reflecte a posição


credora dos Trabalhadores perante a empresa, viabiliza o
reconhecimento no resultado de 2007 do gasto correspondente ao mês
de Dezembro, ainda que não tenha sido realizado o seu pagamento aos
trabalhadores.
A 5 de Janeiro, ao ser realizado o pagamento das remunerações aos
empregados, deverá ser realizado o lançamento 2.

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Em Resumo

CONTA DE
RESULTADOS

RECEBIMENTOS PAGAMENTOS

Recebimentos Recebimentos Pagamentos Pagamentos


Antecipados Diferidos Antecipados Diferidos

1) Recebimentos que não correspondam a Rendimentos do exercício.


>>> Recebimentos Antecipados = Conta de Passivo.

2) Pagamentos que não correspondam a gastos do exercício. >>>


Pagamentos antecipados = Conta de Activo.

3) Rendimentos do Exercício ainda não recebidos >>> Recebimentos


Diferidos = Posição credora da empresa = Conta de Activo.

4) Gastos referentes ao exercício, mas que ainda não tenham sido


pagos >>> Pagamentos Diferidos = Posição devedora da empresa =
Conta de Passivo.

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A DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA

Certas decisões de natureza financeira tomadas pelas empresas, não se encontram claramente
evidenciadas nas Demonstrações Financeiras estudadas até ao momento: Balanço e Demonstração
de Resultados. Para ultrapassar esta insuficiência, o Plan General Contable introduziu duas novas
Demonstrações Financeiras: A Demonstração de Fluxos de Caixa e a Demonstração de Alterações no
Capital Próprio. Para além disso, será ainda referido o último documento integrante das contas anuais
da empresa, o Anexo às Contas, e cujo conteúdo referenciaremos.

As Demonstrações contabilísticas são ferramentas de gestão financeira de


enorme utilidade, ao possibilitarem não só a análise das operações da
empresa, como também analisar as consequências das tomadas de decisão
por parte dos seus gestores.

Deve ser tido em consideração que a gestão financeira de uma empresa


deverá levar em conta três áreas fundamentais de intervenção: por um
lado, aplicar critérios de cálculo económico no processamento de
operações que pressuponham um compromisso estável de recursos (os
investimentos), promover a captação de recursos para financiar as
operações, recorrendo, segundo as circunstâncias a diferentes opções de
financiamento, e por último, não pode deixar de ter em consideração as
condições em que se concretizará a distribuição de resultados, através da
política de dividendos.

Demonstração de Fluxos de Caixa


No âmbito da gestão financeira da empresa, assume especial relevância a “Os Fluxos de Caixa
Demonstração de Fluxos de Caixa (DFC). Trata-se de um documento que originados pelas
pretende evidenciar a totalidade dos recebimentos e pagamentos realizados actividades de
por uma empresa, durante um exercício, informando não somente sobre a exploração, resultam
origem como também sobre a utilização realizada dos activos monetários da das transacções
empresa. específicas de
actividade corrente, e
A informação sobre o fluxo de caixa de uma empresa serve para avaliar as constituem a origem
suas actividades de investimento, de financiamento e de carácter de fundos de carácter
operacional, durante o período a que se reporte a informação financeira. regular da empresa”
Também proporciona uma base de informação que permita avaliar quer a
capacidade da empresa em gerar caixa e outros activos equivalentes, como
proporcionar informação sobre a utilização desses fluxos.

Actividades de Exploração, Investimento e Financiamento


Passemos ao estudo de cada uma das actividades que são consideradas na
Demonstração de Fluxos de Caixa (DFC).

Actividades de exploração (Operacionais ou Correntes)

Os fluxos de caixa decorrentes das actividades de exploração, resultam


fundamentalmente das transacções específicas da actividade corrente e
constituem a origem de fundos com carácter regular da empresa. Resultam
pois, da sua actividade operacional recorrente e contribuem para a
caracterização dos resultados da actividade normal da empresa.

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2008 © Rafael Rodriguez Morales e Isidoro Galián Úbeda. © Clase Ejecutiva, S. L. Todos los derechos reservados. De uso exclusivo para los alumnos de Clase
Ejecutiva. Prohibida la reproducción total o parcial del documento y su distribución por cualquier medio impreso o electrónico sin la autorización escrita
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Exemplos de fluxos de caixa gerados por actividades correntes da empresa:

• Recebimentos resultantes de vendas de bens ou prestação de


serviços aos Clientes.
• Recebimentos provenientes de royalties, comissões e outros
rendimentos.
• Pagamentos a fornecedores pelo fornecimento de bens e serviços.
• Pagamentos a empregados.
• Pagamentos ou reembolsos de impostos sobre resultados, a não ser
que estes se reportem especificamente a actividades de
investimento ou financiamento.

Actividades de Investimento

Proporcionam fluxos de caixa como consequência das operações de


aquisição, venda ou abate de activos não correntes.

Representam uma medida dos pagamentos associados à aquisição de


recursos económicos – activos não correntes – que produzirão rendimentos e
entrada de fluxos de caixa no futuro.

Exemplos de fluxos de caixa de actividades de investimento:

• Pagamentos pela aquisição de imobilizados materiais, “As actividades de


imobilizados intangíveis e outros activos de longo prazo, incluindo investimento
os pagamentos relativos a despesas de Investigação e proporcionam fluxos
Desenvolvimento pagos a outras empresas, assim como pelos de caixa como
trabalhos realizados pela empresa nas suas propriedades, edifícios consequência da
e equipamentos. aquisição, venda ou
• Recebimentos pelas vendas de imobilizados materiais, intangíveis abate de activos não
e outros activos de longo prazo. correntes”
• Pagamentos pela aquisição de instrumentos de passivo, ou de
capital, emitidos por outras empresas, assim como de
participações em negócios conjuntos.
• Adiantamentos de fundos e empréstimos a Terceiros.
• Recebimentos decorrentes do reembolso de adiantamentos e de
empréstimos a Terceiros.
• Pagamentos relativos a contratos a prazo de futuros, de opções,
de permuta financeira (swaps), excepto quando tais contratos se
considerem como actividade de financiamento.
• Recebimentos relativos a contratos a prazo de futuros, de opções,
de permuta financeira (swaps), excepto quando tais contratos se
considerem como actividade de financiamento.

Actividades de financiamento

Fluxos de caixa decorrentes de operações que produzam alterações no


montante e composição do Capital Próprio e dos recursos financeiros obtidos
junto de terceiros (passivo).

Representam um bom indicador das necessidades de fundos para fazer face


às responsabilidades de pagamentos perante os fornecedores de capital
(recursos financeiros) da empresa.

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Exemplos de fluxos de caixa resultantes de actividades de financiamento:

• Recebimentos resultantes da emissão de acções e outros


instrumentos de capital.
• Pagamentos aos proprietários da empresa, pela aquisição ou
resgate de acções da própria empresa.
• Recebimentos resultantes da emissão de obrigações, empréstimos
obrigacionistas, contratação de empréstimos, independentemente
da sua natureza, e do seu vencimento ser a curto ou a longo prazo.
• Reembolsos de fundos recebidos por empréstimo.
• Pagamentos realizados pelo tomador de um contrato de leasing
financeiro, resultante da amortização do capital em dívida.

Preparação da Demonstração de Fluxos de Caixa


“As actividades de
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) distingue entre origens de caixa financiamento
(recebimentos) e aplicações de caixa (pagamentos). originam fluxos de
caixa resultantes de
A DFC informa sobre a origem e utilização dos activos monetários operações que
representativos de caixa e de outros activos equivalentes de caixa, de tal produzem alterações
forma que partindo do resultado do exercício, obtido na Demonstração de no montante e na
resultados, se possa identificar o saldo de caixa e equivalentes de caixa composição do
disponíveis no final do exercício, assim como as variações ocorridas quanto à Capital Próprio e dos
sua finalidade e composição. recursos financeiros
obtidos junto de
Ao referir-se Caixa e Equivalentes de Caixa, estamos a referir-nos a: terceiros”

• Notas e moedas, existentes no sector de tesouraria da empresa.


• Os depósitos bancários à ordem.
• Os instrumentos financeiros que sejam convertíveis em caixa, e que
no momento da sua aquisição, o seu vencimento não seja superior
a três meses. Tudo isso, desde que não exista um risco significativo
de alteração de valor e cuja gestão corresponde à actividade
normal do sector de tesouraria da empresa.

Trataremos então de aprofundar a análise do resultado identificado na


Demonstração de Resultados, com base em princípios contabilísticos
(essencialmente o princípio da especialização de exercícios), e voltar a
calculá-lo tomando como prioridade critérios de natureza estritamente
financeira (critério de caixa ou dos recebimentos-pagamentos, ou dito de
outra forma, do movimento de fundos), tomando em consideração os
recebimentos e pagamentos que a actividade da empresa efectivamente
gerou.

Exemplo ilustrativo
Para uma melhor compreensão dos conceitos apresentados, introduzimos o
seguinte exemplo:

A empresa EL MANANTIAL apresenta as seguintes Demonstrações


Contabilísticas:

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Activo Inicial Final Variação


Caixa e Bancos 40.000 16.500 -23.500
Aplicações de Tesouraria Curto Prazoa 24.000 24.000 0
Clientes 22.000 36.000 14.000
Inv entários 19.000 18.000 -1.000
Equipamentos (Bruto) 24.000 38.000 14.000
Amortização de Equipamentos -12.000 -15.000 -3.000
Mobiliário (Bruto) 12.000 15.000 3.000
Amortização de Mobiliário -12.000 -15.000 -3.000
Edifício (Bruto) 120.000 120.000 0
Amortização Edifício -36.000 -42.000 -6.000
Terreno 94.000 94.000 0
Total Activo 295.000 289.500

Capital Próprio Inicial Final Variação


Capital social 120.000 120.000 0
Reserv as 38.000 51.000 13.000

Passivo Inicial Final Variação


Fornecedores 15.000 11.000 -4.000
Estado e outros entes Públicos 2.000 2.500 500
Empréstimo bancário 120.000 105.000 -15.000

Total Passivo + Capital Próprio 295.000 289.500

Apresentamos de seguida a Conta de Resultados correspondente a 2007:

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Conta de Resultados (2007)


Vendas Brutos 285.000
- Dev oluções 4.500
= Vendas Líquidas 280.500
- Custo das mercadoris v endidas 145.500
= Margem Bruta 135.000
- Gastos com o Pessoal 78.000
- Fornecimentos e Serv iços Externos 11.500
- Gastos com Amortizações 12.000
- Outros Gastos de Exploração 7.500
= Resultado antes de Juros e Impostos (EBIT) 26.000
- Gastos de Financiamento 6.000
= Resultado antes de Impostos (EBT) 20.000
- Impostos sobre o Resultado 7.000
= Resultado Líquido 13.000

Apresentamos seguidamente a Demostração de Fluxos de Caixa, tal como se


encontra regulamentado no PGC (Plan General Contable) espanhol e a NIC
nº 7 (método indirecto):

DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA


1) Resultado do exercício antes de Impostos: 20.000
2) Ajustes ao resultado
Amortizações (+) 12.000
3) Variações Operacionais:
Aumento de Clientes -14.000
Diminuição de Inv entários 1.000
Diminuição de Fornecedores -4.000
Aumento no Sector Estado 500
4) Fluxo de Caixa de Acividades de Exploração 15.500
Pagamento Imposto sobre Rendimento 7.000
5) Outros Fluxos de exploração -7.000
Compra de Equipamento -14.000
Compra de mobiliário -3.000
6) Fluxo de Caixa de Acividades de Investimento -17.000
Reembolso de Empréstimo -15.000
7) Fluxo de Caixa de Acividades de Financiamento -15.000
Variação total nos Fluxos de Caixa no exercício -23.500
Saldo Inicial de Caixa e Equivalentes de Caixa 64.000
Saldo Final de Caixa e Equivalentes de Caixa 40.500

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Explicação da DFC de El Manantial


Comecemos pela Conta de Resultados. O Resultado antes de Impostos foi de
20.000 euros, mas este valor não corresponde ao fluxo monetário
proporcionado pela actividade da empresa. Se observarmos os gastos,
surge-nos o Gasto com Amortizações que não se encontra associado a
qualquer pagamento. Consequentemente, a primeira acção a desenvolver
será a de adicionar ao lucro os 12.000 euros do Gasto com Amortizações.

Noutras contas de exploração, surge o pagamento do Imposto sobre o


Rendimento das Pessoas Colectivas. Se ainda não tivesse sido pago, essa
responsabilidade perante o Estado estaria visível numa conta de passivo
“Estado e outras Entidades do Sector Público”. Considerando o saldo
existente (2.500 euros), poderemos considerar que este imposto se encontra
integralmente liquidado, o que terá implicado uma saída de fundos (-7.000
euros).

Variações em contas de Activo


Em primeiro lugar, analisemos as variações de natureza operacional:

• Os saldos de Clientes aumentaram 14.000 euros. Dos recursos obtidos


no período dedicámos então 14.000 euros a financiar
adicionalmente os nossos Clientes, pelo que deveremos deduzir esta
importância.
• Os Inventários finais apresentam uma diminuição de 1.000 euros em
relação ao inventário inicial, o que significa que consumimos mais
1.000 euros do que tudo aquilo que foi comprado, pelo que teremos
um fluxo de caixa positivo em euros.

Relativamente aos Activos Não Correntes (Fluxo de Actividades de


Investimento):

• Os equipamentos (valor bruto) aumentaram 14.000, o que supõe uma


saída de caixa.
• Idêntica situação se verifica com o mobiliário que aumentou 3.000.

Variações em contas de Passivo


Comecemos igualmente pelas variações de carácter operacional:
• Os fornecedores diminuíram 4.000 euros. Significa isso que nos
proporcionaram menor financiamento do que anteriormente.
Aplicámos fundos na diminuição da conta de Fornecedores e por
consequência provocámos uma diminuição em caixa.
• Em princípio ao Sector Estado ficámos a dever mais do que no final
do ano anterior (500 euros). Significa isso que obtivemos um
financiamento de 500 euros, correspondendo assim a uma entrada
de caixa.

Relativamente aos Passivos não Correntes (Fluxo de Caixa de Actividades de


Financiamento):
• O empréstimo bancário diminuiu em 15.000 (reembolsámos 15.000
euros do montante do empréstimo); tivemos que utilizar fundos para
diminuir essa dívida para com o banco.

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Variações nas contas de Capital Próprio


Os 13.000 euros de lucro foram mantidos na empresa, o que permitiu
aumentar a conta de Reservas. Não tomaremos em consideração esta
diferença de saldos (entre balanço final e balanço inicial) porque já o
começámos a considerar ao promover a sua inclusão directamente a partir
da Conta de Resultados.

Saldo final de Caixa e Equivalentes de Caixa


A Caixa e Equivalentes de Caixa que a empresa detinha no início do
exercício (balanço inicial) ascendiam a 64.000 euros (40.000 euros em caixa e
bancos e 24.000 euros em aplicações de tesouraria de curto prazo. Ao longo
do exercício diminuímos a nossa liquidez em 23.500 euros (20.000+12.000-7000-
14.000+1.000-14.000-4.000-3.000+500-15.000). Consequentemente, no final do
ano teremos um saldo de 64.000-23.500 = 40.500, que correspondem ao saldo “Partimos sempre do
final de 16.500 em caixa e bancos e 24.000 em aplicações financeiras de Resultado antes de
curto prazo. Impostos,
promovendo a sua
Apresentação adequada da Demonstração de Fluxos de Caixa imediata rectificação
do montante das
O PGC espanhol estabelece que a DFC deve ser apresentada segundo o transacções que não
método indirecto definido na NIC nº 7, tal como foi realizado no exemplo de envolvam movimentos
El Manantial. de caixa”

Comecemos por incluir o ganho ou perda em termos líquidos, promovendo a


sua imediata correcção dos efeitos das situações que se indicam:

• Os efeitos das transacções não monetárias;


• Por todo o tipo de transacções de pagamento diferido e acréscimos
que estejam na origem de recebimentos e pagamentos ocorridos no
passado e no futuro;
• Os movimentos de perdas ou lucros associados a fluxos de caixa
relativos a operações de investimento ou de financiamento.

Os ajustes ao Resultado do Exercício são realizados com sinal contrário ao


efectuado no seu registo inicial. A título de exemplo, a conta de resultados
deve incluir o gasto referente a amortizações. No entanto, este gasto deve
ser eliminado da DFC uma vez que não implica qualquer saída de Caixa ou
Equivalente de Caixa. Para concretizar a sua eliminação, teremos que
adicionar o respectivo montante ao Resultado do Exercício antes de
impostos.

A NIC também exige que se promova a classificação dos fluxos de caixa


segundo a natureza da sua proveniência: actividades operacionais, de
investimento ou de financiamento. Aquelas operações, que, no quadro
daquela categorização, impliquem uma diminuição de caixa, serão
consideradas promovendo a sua dedução, ao passo que, aquelas que
impliquem um aumento de caixa, serão consideradas com carácter aditivo.

Portanto, partimos sempre do Resultado antes de Impostos ao qual se


deverão deduzir os movimentos que não impliquem movimentos reais de
Caixa ou Equivalentes de Caixa. Como indicado, deveremos seguidamente
adicionar/deduzir, dependendo do saldo dos fluxos de caixa provenientes
de actividades operacionais, de investimento e de financiamento.

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Por último, adicionamos o valor obtido ao saldo inicial das contas de Caixa e
Equivalentes de Caixa que figuram no balanço inicial; o resultado a que
somos conduzidos deverá coincidir com o saldo de Caixa e Equivalentes de
Caixa no final do período, já que a finalidade desta Demonstração
Financeira é a de explicar as entradas e saídas reais de Caixa e Equivalentes
de Caixa, de forma a determinar a situação de liquidez da empresa no final
do exercício.

Interpretação da DFC
A interpretação da informação contida na primeira parte da Demonstração
de Fluxos de Caixa, que se reporta às actividades de exploração corrente,
pode ser de fácil entendimento: quanto maior se apresentar o saldo final de “Poderemos
caixa tanto melhor se apresentará a capacidade de a empresa gerar generalizar afirmando
liquidez como consequência da sua actividade operacional normal no seu que um Fluxo de
mercado. Contudo, a interpretação do fluxo total resultante das actividades Caixa elevado
operacionais, pode ser complexa e deve ser alvo de uma análise mais representa um bom
detalhada, na perspectiva de obter uma melhor compreensão dos efeitos indicador, contudo
das políticas de gestão corrente das suas operações. não deveremos
esquecer que o
Poderemos generalizar afirmando que um Fluxo de Caixa elevado representa conhecimento das
um bom indicador, contudo, não deveremos esquecer que o conhecimento suas causas assume
das suas causas assume extrema relevância. Por exemplo, pode resultar de a extrema relevância”
empresa não estar a investir o necessário na renovação dos seus activos, o
que poderá conduzir a futuros problemas de competitividade; ou poderá
ainda ser devido a que a empresa tenha vendido os seus activos mais
importantes, o que também pode colocar a empresa perante problemas no
curto prazo.

Pelo contrário, um Fluxo de Caixa reduzido pode resultar de um maior esforço


de investimento, dirigido a posicionar adequadamente a empresa perante a
concorrência no seu sector de actividade.

O mesmo poderá acontecer com a análise que se desenvolva em relação a


actividades de financiamento: o facto de não se pagarem dividendos aos
accionistas conduzirá a uma melhor situação de liquidez da empresa, mas
poderá influir negativamente no valor da capitalização bolsista da empresa.
De forma idêntica, um importante acréscimo num financiamento a longo
prazo, melhora a situação de liquidez da empresa, mas aumenta o risco
financeiro da empresa.

Em qualquer dos casos, o que poderemos considerar como seguro, é que um


saldo elevado de Caixa e Equivalentes de Caixa proporciona uma maior
margem de manobra para a empresa adoptar estratégias que requeiram a
utilização de recursos.

A Demonstração de Alterações no Capital Próprio


A Demonstração de Alterações no Capital próprio descreve todas as
variações ocorridas entre dois exercícios consecutivos, nos diferentes
componentes do Capital Próprio, resultantes de:

• Inclusão do Resultado do Exercício, identificado na Demonstração


de Resultados (Prejuízo ou Perda).
• Os Rendimentos e Gastos que, devido aos Princípios Contabilísticos
relevantes para o efeito, devam ser imputados directamente como
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variações no Capital Próprio da empresa (Subsídios, Donativos, etc.).


• Variações provocadas no Capital Próprio, como consequência de
“A Demonstração de
operações realizadas directamente com os sócios ou accionistas da
Alterações no Capital
empresa, quando actuem nessa qualidade (aumentos ou reduções
Próprio descreve
de capital, operações sobre acções próprias, distribuição de
todas as variações
dividendos ou de reservas, etc.).
ocorridas nos
• Ajustes a realizar no Capital Próprio devido a alterações em critérios
diferentes
contabilísticos e correcções de erros.
componentes do
Capital Próprio
A partir desta Demonstração Financeira, será possível detalhar a composição
ocorridas entre dois
e evolução do Capital Próprio de uma empresa, para que desta forma se
exercícios
possa assegurar o cumprimento do grande objectivo da informação
consecutivos”
contabilística: apresentar a imagem fiel do património da empresa.

No caso da empresa EL MANANTIAL, a alteração verificada no Capital


Próprio durante o exercício de 2007 limita-se à decisão de não distribuição do
resultado obtido (lucro de 13.000 euros), que desta forma será retido na
empresa, aumentando as suas reservas.

O Anexo às Contas
O Anexo às Contas completa, amplia e comenta a informação
proporcionada pelas restantes Demonstrações Financeiras que constituem as
contas anuais de uma empresa (Balanço, Demonstração de Resultados,
Demonstração de Fluxos de Caixa e Demonstração de Alterações no Capital
Próprio) em tudo aquilo que se revele necessário (seja por imposição legal, ou
porque os responsáveis pela gestão da empresa assim o considerem), para
facilitar a sua compreensão, com a finalidade de que as mesmas possam
reflectir a imagem fiel do património, da situação financeira e dos resultados
da empresa.

Com a introdução das Normas Internacionais de Relato Financeiro


(International Financial Reporting Standards – IFRS), o anexo às Contas viu
aumentada a sua importância uma vez que através do seu conteúdo se
pretende proporcionar uma maior transparência na informação mínima a
disponibilizar e que foi substancialmente aumentada.

Entre a informação a incluir no Anexo às Contas, poderemos, entre outros,


destacar:
• A actividade da empresa (domicílio social, forma legal, actividades
desenvolvidas, moeda funcional, etc.).
• Bases de apresentação das Contas anuais (Princípios contabilísticos
aplicáveis, critérios de valorização adoptados, comparação de
informação, alterações de critérios, correcção de erros, etc.).
• Aplicação de Resultados (Proposta de aplicação de Resultados sob
a forma de dividendos, retenção dos Resultados propondo a sua
incorporação em reservas, etc.).
• Políticas contabilísticas adoptadas, no registo e valorização das
transacções da empresa (Critérios de valorização aplicáveis aos
diferentes componentes do património da empresa, assim como
proporcionar informação sobre as excepções na aplicação dos
critérios de valorização autorizados).
• Informação de pormenor sobre as diferentes massas patrimoniais
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(Imobilizado Material, Imobilizado Intangível, Instrumentos Financeiros,


Inventários, Capital Próprio, etc.).
• Situação Fiscal da empresa.
• Informação pormenorizada sobre os Rendimentos e Gastos.
• Informação pormenorizada sobre Provisões e Contingências.
“O Anexo às Contas
• Operações com subsidiárias ou partes relacionadas. completa, amplia e
comenta a
• Subsídios e Donativos.
informação
• Acontecimentos relevantes que tenham ocorrido em momento proporcionada pelas
posterior ao encerramento do exercício. restantes
Demonstrações
• Outra informação considerada relevante (Número médio de Financeiras que
empregados, segmentação do volume de negócios por sectores de constituem as contas
actividade e por regiões, etc.). anuais de uma
• Etc. empresa”

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FUNDO DE MANEIO

Passemos então a estudar o conceito de Fundo de Maneio, a metodologia de cálculo, a sua


interpretação e importância para que uma empresa possa atingir uma situação de equilíbrio
financeiro.

Necessidades em Fundo de Maneio


No primeiro tema foram explicadas as três massas patrimoniais em que se
divide o Balanço: Activo, Passivo e Capital Próprio. Por sua vez, tanto o
Activo como o Passivo foram classificados em Corrente e Não Corrente,
categorização que iremos rever de seguida:

CAPITAL
ACTIVO NÃO PRÓPRIO
CORRENTE

FM PASSIVO NÃO
Fundo de Maneio CORRENTE
ACTIVO
CORRENTE PASSIVO
CORRENTE

O Activo Corrente está relacionado com a actividade da empresa e é


composto pelos bens e direitos que se encontrem envolvidos no ciclo de
actividade operacional da empresa: Caixa, Clientes, Inventários.
O Activo Não Corrente (também conhecido como Activo Fixo), é
constituído pelos bens que dão suporte ao ciclo económico da empresa e
“Entendemos por
encontram-se associados a maior duração temporal (superior a um
Recursos Permanentes
exercício económico): terrenos, edifícios, equipamento, veículos, etc.
as fontes de
financiamento a longo
O Passivo Corrente é constituído pelas dívidas contraídas pela empresa ou prazo, ou seja, o
fontes de financiamento obtidas para reembolso a curto prazo (inferior a somatório do Passivo
um ano). Não Corrente e do
Capital Próprio.”
O Passivo Não Corrente é constituído pelas fontes de financiamento que
se caracterizem por uma maior permanência na empresa (superior a um
ano). São obrigações ou dívidas contraídas pela empresa junto de
entidades alheias à mesma.

O Capital Próprio é o montante residual do Activo, após satisfação de


todas as obrigações que constituem o Passivo.

Vamos introduzir um novo conceito: Os Recursos Permanentes.


Entendemos por Recursos Permanentes as fontes de financiamento a
longo prazo, ou seja, o somatório do Passivo Não Corrente e do Capital
Próprio. Após havermos pormenorizado a natureza das componentes
patrimoniais acima referidas, poderemos proceder à definição do
conceito de Fundo de Maneio.

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O Fundo de Maneio é igual à diferença entre os Recursos Permanentes e o


Activo Não Corrente. Uma definição equivalente consistirá em associar o
conceito de Fundo de Maneio à parcela do Activo Corrente que se
encontra financiada por Recursos Permanentes.
No gráfico anterior é possível verificar que o montante que resulta da
adição do Passivo Não Corrente ao Capital Próprio, assume um valor
superior ao apresentado pelo Activo Não Corrente. Estamos perante uma
situação habitual e desejável para as empresas. Já se havia explicado
que o Activo Não Corrente ou Imobilizado é caracterizado por uma
duração temporal significativa, o que torna razoável a circunstância de “O Fundo de Maneio
ser financiado por recursos proporcionados à empresa para reembolso a de uma empresa é
longo prazo. igual à diferença entre
os Recursos
Será possível observar que não somente nos preocupámos em obter Permanentes e o
recursos a longo prazo para financiar o imobilizado, como também Activo Não Corrente”.
destinámos parte desses recursos a financiar o Activo Corrente ou
Operacional da empresa.

A maioria das empresas necessita de um determinado nível de Fundo de


Maneio para assegurar o seu normal funcionamento, dado que uma parte
das necessidades financeiras decorrentes do seu ciclo de exploração
(financiar os clientes e os Inventários) não se encontra assegurada pelos
recursos proporcionados por esse mesmo ciclo de exploração
(financiamento proporcionado pelos fornecedores). Encontramo-nos pois
perante um deficit de carácter permanente cuja cobertura deve ser
assegurada por um financiamento de duração semelhante.
É precisamente esta a função que deve ser desempenhada pelo Fundo
de Maneio, ou seja, proporcionar os recursos de carácter permanente de
que necessitam a maioria das empresas para financiar uma parcela das
necessidades de fundos que lhe são impostas pelo seu Ciclo de
Exploração (Necessidades em Fundo de Maneio).

Como se calcula o Fundo de Maneio ou Capital Circulante?


FM = (Passivo Não corrente + Capital Próprio) – Activo Não Corrente
Como o valor total do Activo sempre será igual à soma do Passivo com o
Capital Próprio, o montante do Fundo de Maneio também poderá ser
identificado pela diferença entre o Activo Corrente e o Passivo Corrente:
FM = Activo Corrente – Passivo Corrente
Conceptualmente, a primeira forma de cálculo é correspondente à
definição ortodoxa de Fundo de Maneio, ao passo que a segunda forma
de cálculo resulta apenas da aplicação de um critério algébrico de
identificação desse mesmo valor.

Interpretação do conceito de Fundo de Maneio


Na prática, a situação de equilíbrio na maior parte das empresas
caracteriza-se pelo facto de os capitais permanentes financiarem todo o
Activo Não Corrente e uma parte do Activo Corrente. Se em alguma
empresa não se verificar essa condição, poderemos então referir a
existência de um certo desequilíbrio financeiro, que pode corresponder a
uma das duas situações seguintes:
 Inexistência de Fundo de Maneio (Recursos permanentes iguais ao
Activo Não Corrente). Esta situação provoca um desequilíbrio
financeiro porque tal como referimos anteriormente, alguns
activos necessários ao Ciclo de Exploração (por exemplo manter
em armazém uma determinada quantidade de matéria prima,
por segurança, para evitar rupturas no abastecimento da
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empresa que possam paralisar o processo produtivo) e, por esse


facto deverão ser financiadas com Capitais Permanentes e não
com recursos de curta permanência na empresa.
 Existência de um fundo de Maneio negativo. Esta situação ocorre
quando os Passivos Não Correntes e o Capital Próprio asseguram
apenas o financiamento parcial dos Activos Não Correntes.
Normalmente, estas situações reflectem um claro desequilíbrio
financeiro que poderá colocar em perigo a satisfação pontual “A situação de
dos pagamentos das obrigações da empresa, perante terceiros. equilíbrio na maior
(recorde-se que a geração de recursos proporcionada pelo parte das empresas
Activo Não Corrente, proporcionada pelo Ciclo de Exploração, caracteriza-se pelo
apenas ocorre a longo prazo, ao passo que os pagamentos da facto de os capitais
Dívida Corrente têm lugar no Curto Prazo). permanentes
No entanto, existem certas excepções em que esta situação não financiarem todo o
é problemática, nem pressupõe um desequilíbrio financeiro, sendo Activo Não Corrente e
caracterizadoras da actividade em certos sectores de actividade. uma parte do Activo
Por exemplo, as Grandes Superfícies realizam a maior parte das Corrente”
suas vendas a pronto pagamento, mas beneficiam de crédito dos
seus fornecedores (entre 90 e 120 dias), o que lhes permite
financiar uma parte do seu Activo não Corrente com recursos de
curto prazo (Passivo Corrente).

A empresa EL MANANTIAL
Voltemos à empresa EL MANANTIAL.
Os Balanços Inicial e Final eram os seguintes:

Activo Inicial Final Variação


Caixa e Bancos 40.000 16.500 -23.500
Aplicações de Tesouraria Curto Prazoa 24.000 24.000 0
Clientes 22.000 36.000 14.000
Inv entários 19.000 18.000 -1.000
Equipamentos (Bruto) 24.000 38.000 14.000
Amortização de Equipamentos -12.000 -15.000 -3.000
Mobiliário (Bruto) 12.000 15.000 3.000
Amortização de Mobiliário -12.000 -15.000 -3.000
Edifício (Bruto) 120.000 120.000 0
Amortização Edifício -36.000 -42.000 -6.000
Terreno 94.000 94.000 0

Total Activo 295.000 289.500

Capital Próprio Inicial Final Variação


Capital social 120.000 120.000 0
Reserv as 38.000 51.000 13.000

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Passivo Inicial Final Variação


Fornecedores 15.000 11.000 -4.000
Estado e outros entes Públicos 2.000 2.500 500
Empréstimo bancário 120.000 105.000 -15.000

Total Passivo + Capital Próprio 295.000 289.500

O Fundo de Maneio calculado (Activo Corrente – Passivo Corrente) para


ambos os períodos reduziu-se em 7.000 (passando de 88.000 para 81.000).

FM Activo Corrente - Passivo corrente =


Fundo de Maneio Inicial 105.000 17.000 88.000
Fundo de Maneio Final 94.500 13.500 81.000
Variação -7.000

O Capital Circulante ou Fundo de Maneio, que se reduziu em 7.000 euros


pode ser analisado pelas seguintes variações em cada um dos seus
componentes:
Exemplificando

Aplicações em FM Origens em FM
Aumento em Clientes 14.000 Diminuição de Caixa 23.500
Diminuição de Fornecedores 4.000 Diminuição de Inventários 1.000
Estado saldos Credores 500

Total 18.000 Total 25.000

Se aumentar o Capital Circulante, estaremos perante uma aplicação de


fundos, caso contrário estaremos a beneficiar de uma origem de fundos.

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A AMORTIZAÇÃO

O Activo é constituído por um conjunto de bens e direitos com diferentes funcionalidades. Alguns
desses componentes caracterizam-se pela sua liquidez – caixa – outros pela sua exigibilidade perante
terceiros – clientes -, outros pela sua capacidade em ser transformados noutro tipo de bens – matérias-
primas – e, por último, outro tipo de bens pela sua contribuição na concretização do processo
produtivo e na execução das tarefas administrativas da empresa, que constituem o Activo Não
Corrente ou Activo Fixo Tangível. Neste tema iremos concentrar-nos no tipo de activos que designamos
por Imobilizado Material da empresa. Dentre este último tipo de componentes, referimos os terrenos,
edifícios, equipamentos, mobiliário, veículos, computadores, etc.

O que é o Activo Não Corrente ou Activo Fixo Tangível


(Imobilizado Material)
Entende-se por Activo Não Corrente Material, o conjunto de Activos
Tangíveis que são detidos por uma empresa para sua utilização
permanente e produtiva da empresa.
Estes activos não se encontram à disposição da empresa por um período
de tempo indefinido, apresentando uma vida útil, normalmente pré-
determinada e superior a um exercício económico, sendo condicionada
pelo seu inevitável desgaste e pela própria inovação tecnológica.

Depreciação do Imobilizado Material


Uma questão prévia, consiste em determinar se o imobilizado material em
causa (máquinas, mobiliário, computadores, etc.) irá estar à disposição da
empresa em condições de operacionalidade para sempre. A resposta é
claramente negativa. Será atingido um momento em que os “A depreciação é o
computadores deixarão de ser utilizáveis. O Imobilizado material perde o fenómeno físico que
seu valor na sequência da sua utilização, em virtude da sua obsolescência descreve o desgaste
tecnológica, da simples carga de trabalho decorrente da sua utilização, dos imobilizados
ao longo daquilo que iremos designar por “vida útil” de um activo. materiais, na
sequência da sua
A “vida útil” de um activo é um conceito relevante que aprofundaremos normal utilização ao
mais adiante. A depreciação será então o processo físico que reflecte longo do tempo”
essa perda de valor suportada pelos Activos Não Correntes, permitindo
ajustar numa perspectiva contabilística e económica, através da
estimativa dessa depreciação, ano após ano, o valor inicial de aquisição
até se completar o período de “vida útil”, seja porque se torne obsoleta
(devido à evolução tecnológica) ou porque se tenha decidido vendê-lo.

Amortização
Segundo a NIC nº 16, referente ao Imobilizado Material:
«A quantia depreciável de qualquer elemento componente do
imobilizado material, deve ser distribuído, de forma sistemática, sobre os
anos que constituam a sua “vida útil”, a actividade da empresa e a
formação dos benefícios económicos que a utilização do activo
proporciona».

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«O encargo por depreciação de cada período deve ser reconhecido


como um gasto, a não ser que esse valor seja incluído como componente
na valorização de outro activo».

Os benefícios económicos proporcionados pela utilização do imobilizado


material são consumidos pela empresa, principalmente através da
utilização do activo. No entanto, outros factores, tais como a
obsolescência técnica e a deterioração natural produzida pela falta de
utilização do bem, podem conduzir frequentemente a uma diminuição
dos benefícios económicos que se esperaria retirar da sua utilização.

Quer isso dizer que a maioria dos bens imobilizados é útil para a empresa
durante um número limitado de exercícios contabilísticos que constituirão
a sua vida útil. Assim sendo, parece razoável que o custo de aquisição
seja repartido (periodizado ou calendarizado) de alguma maneira entre
os exercícios contabilísticos que constituam essa vida útil.
O procedimento contabilístico que leva a efeito essa repartição,
convertendo gradualmente o custo de aquisição do imobilizado em
gastos de sucessivos exercícios, é designado por Depreciação.
Visto de outra maneira: Os imobilizados formam parte dos bens necessários
para que a empresa desenvolva a sua actividade e para se poder “A depreciação de um
distribuir o seu custo ao longo da sua vida útil, procede-se então à sua activo começa
inclusão anualmente nos gastos do exercício através da Conta de quando este esteja
Resultados. disponível para uso,
isto é, quando estiver
na localização e
Que importância deverá ser repartida ao longo da vida útil de cada condições necessárias
bem imobilizado (Activo Não Corrente)? para que seja capaz
de operar na forma
Na realidade, a importância que deverá ser repartida pelos anos que pretendida”
constituam a vida útil, não terá que ser forçosamente o custo de aquisição
ou de produção do imobilizado, mas sim a sua Quantia Depreciável. Por
Quantia Depreciável de um bem deve entender-se o valor da diferença
entre o Custo de Aquisição e o seu Valor Residual.
Valor amortizável = Custo de Aquisição – Quantia Depreciável
O Valor Residual de um bem será o montante que iremos receber por esse
bem quando a empresa decida cedê-lo no final da sua vida útil. A
prudência característica da contabilidade conduziu a que na maioria dos
casos, se suponha que este valor seja nulo, uma vez que será muito difícil
estimar o montante que alguém esteja disposto a pagar por esse bem
dentro de vários anos.
Neste tema, mais adiante aprofundaremos os conceitos de Custo de
Aquisição, Vida Útil e Quantia Depreciável.

Início do processamento da Depreciação


A depreciação de um activo começa quando este esteja disponível para
uso, isto é, quando estiver na localização e condições necessárias para
que seja capaz de operar na forma pretendida.

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CONTABILIZAÇÃO DA AMORTIZAÇÃO

Na Conta de Resultados, será registado o gasto anual por deterioração ou depreciação, mediante
utilização da conta: Gastos de Amortização.

No Balanço, será deduzido ao valor inicial do Activo Fixo Tangível (acrescido de revalorizações ou
imparidades que tenham afectado o seu valor inicial), o somatório dos gastos anuais por amortização.
A conta que permitirá identificar este somatório denomina-se: Amortização Acumulada.

Exemplo
Suponha que uma empresa tenha adquirido, no início do exercício
económico de 2002, um equipamento no valor de 20.000 euros, com uma
vida útil estimada de 5 anos e um valor residual nulo. No encerramento do
ano 2002, procedeu ao registo de um gasto em amortização de 4.000 euros
(1). Como se tratava do seu primeiro ano de amortização, a empresa
efectuou o seguinte movimento contabilístico:

Gastos com Amortização Amortização Acumulada de


de Equipamentos Equipamentos
4.000 4.000

Poderemos verificar que foi utilizada uma conta de gastos, como é a conta “A amortização
“Gastos com Amortização de Equipamentos”, para reflectir o gasto consiste na
decorrente da deterioração anual, por contrapartida de uma conta repartição
“regularizadora” de activo, como será o caso da conta “Amortização sistemática do custo
Acumulada de Equipamentos”. original de um
Estas duas contas serão sempre movimentadas simultaneamente, diferindo imobilizado sobre os
apenas pelo facto de uma delas reflectir o custo corrente, a perda de valor anos de vida
ou gasto anual, Gasto com Amortização, ao passo que a outra conta definidos como
reflecte o valor acumulado de tais perdas de valor, reconhecidas desde o sendo a sua vida útil.
início da sua utilização, Amortização Acumulada, de tal maneira que o Não se trata de uma
Balanço possa reflectir o valor real desse activo. A sua apresentação no forma de acumular
Balanço será sempre concretizada deduzindo o valor da amortização fundos para repor o
acumulada ao valor inicial do bem. imobilizado quando
este já não se
encontre em
condições de
Continuando com o exemplo, por ocasião do encerramento de contas do
utilização, ainda que
ano de 2003, deveremos proceder a novo registo da depreciação do
indirectamente
equipamento, uma vez que se encontra concluído o seu segundo ano de
possa contribuir para
vida útil e, por consequência, terá inevitavelmente suportado alguma
o financiamento da
deterioração, por esse facto.
sua aquisição”
Contabilisticamente, haverá que considerar:

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Gastos com Amortização Amortização Acumulada de


de Equipamentos Equipamentos
2003 4.000 4.000 2002
4.000 2003
8.000

(1) Utilizaremos o método de amortização linear, que considera um valor


idêntico de amortização ao longo da sua vida útil; ao longo do presente
tema serão referenciados outros métodos de amortização igualmente
válidos.

Como poderemos verificar, o registo anual será realizado de forma idêntica –


linear - sendo o único elemento variável, o saldo da conta “Amortização
Acumulada”, uma vez que irá aumentando ano após ano, até ser atingida a
vida útil do bem.
Nessa data, que designamos por final da vida útil do bem, o valor da
amortização acumulada será idêntico ao valor inicialmente reconhecido no
Balanço, relativamente a esse bem. Quando tal acontece, poderemos
considerar que esse activo teria perdido todo o seu valor por deterioração ou
desgaste.
Continuando com o exemplo, no final da vida útil, teríamos realizado os
seguintes registos contabilísticos:

Gastos com Amortização Amortização Acumulada de


de Equipamentos Equipamentos
2006 4.000 4.000 2002
4.000 2003
4.000 2004
4.000 2005
4.000 2006
20.000

No Balanço, o Activo Não Corrente será então apresentado da seguinte


forma:
Balanço a 31-12-2006
Equipamento: 20.000,00
Amortização Acumulada: (20.000,00
Valor Líquido contabilístico (VLC) 0,00

À diferença entre “Custo de Aquisição” e “Amortização Acumulada” é


denominada: Valor Líquido Contabilístico ou Quantia Escriturada e representa
o valor pelo qual o bem é representado no Balanço, na data da
apresentação de contas.
Na Conta de Resultados, teremos referenciado o Gasto com Amortização
seguidamente ao conceito de Margem Bruta, e apresentado da seguinte
forma:

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Conta de Resultados do exercício de 2006:


Margem bruta: xx.xxx
Amortização de Equipamento: (4.000)
Outras contas de resultados: (x.xxx)
Resultado do exercício xx.xxx

A Amortização na empresa ARACAL


Regressemos ao caso ARACAL, que nos tem acompanhado ao longo dos
sucessivos temas. O quadro seguinte mostra-nos todas as transacções que
tiveram lugar ao longo de 2007:

ACTIVO
Caixa e Bancos Clientes
SI 50.000 174.000 5 3 200.000 170.000 4
2 100.000 50.000 6
4 170.000 40.000 7 200.000 170.000
2.800 8 SF 30.000

320.000 266.800 Mobiliário


SF 53.200 SI 10.000

Existências Edifício
SI 18.000 60.000 2 SI 60.000
1 186.000 120.000 3
204.000 180.000 Terreno
SF 24.000 SI 40.000

PATRIMÓNIO LÍQUIDO
CONTA DE RESULTADOS “A Quantia
2007 Capital Social
Depreciável será
igual ao custo de
2 60.000 100.000 2 120.000 SI
aquisição deduzido
3 120.000 200.000 3
do valor residual”
6 50.000
8 2.800
232.800 300.000
67.200

PASSIVO
Fornecedores Empréstimo Bancário
5 174.000 18.000 SI 7 40.000 40.000 SI
186.000 1
174.000 204.000 40.000 40.000
30.000 SF 0 SF

Poderemos questionar-nos se os documentos apresentados reflectem


satisfatoriamente a situação financeira da empresa em 31 de Dezembro de
2007.

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Constatamos que as contas de activo, designadamente nas contas que


constituem o Activo Corrente (Caixa, Clientes e Inventários) foram sendo
registadas as transacções realizadas ao longo do ano. Nas contas que
constituem o Activo Fixo Tangível (Mobiliário, Edifício e Terreno), não foi
realizado qualquer tipo de registo.
No entanto, o Mobiliário não vai durar eternamente. Será que deveremos
esperar pelo momento em que possa deixar de ser utilizado para reconhecer
como custo o valor de aquisição? Parece mais adequado repartir (promover
a periodização em termos contabilísticos) esses 10.000 euros ao longo dos
períodos contabilísticos em que iremos utilizar esse mobiliário.

No início do curso referimos que as Demonstrações Financeiras pretendem


articular os conceitos de fiabilidade e utilidade.
Se optássemos pelo conceito de “fiabilidade”, procederíamos ao registo dos
10.000 euros como tratando-se de um gasto imediatamente no momento da
compra. Se passarmos ao outro extremo e nos inspirássemos no princípio da
“utilidade”, manteríamos o imobilizado no activo pelo seu custo de
aquisição, 10.000 euros, até ao momento em que se torne inútil, e
procedêssemos ao seu abate, reconhecendo o seu custo como gasto na
conta de resultados. A contabilidade, no entanto, inclina-se para o princípio
da periodização.

Nesse sentido, o processo de repartição do custo do imobilizado ao longo da


vida útil estimada denomina-se por amortização. A amortização representa
pois, o gasto que se reconhece em cada período (normalmente um ano) do
custo de um investimento (um imobilizado). Observemos, no entanto, que
este gasto não representa uma saída de fundos da empresa. O desembolso
teve lugar quando Inmaculada comprou o mobiliário por 10.000 euros (retirou
de caixa 10.000 euros e procedeu à sua entrega ao fornecedor de
mobiliário).

“A vida útil de um
Vamos supor que o mobiliário, que Inmaculada adquiriu em segunda mão, bem consiste no
razão determinante do bom preço que obteve, terá uma vida útil de 5 anos. período durante o
Iremos supor que o edifício terá uma vida útil de 20 anos. Estas decisões são qual uma empresa
perfeitamente subjectivas, mas não deixam de resultar de uma decisão espera que um
validamente assumida pelos gerentes da empresa. E o terreno? Se a activo esteja
propriedade não estiver sujeita a nenhuma limitação, poderemos considerar disponível para uso”
que a sua duração seja ilimitada e, por esse facto, não tem sentido
considerar qualquer depreciação do seu custo de aquisição. Este valor
permanecerá sempre no seu Activo sem que se considere qualquer
amortização do seu custo.

Registo destas transacções em ARACAL


Comecemos com a Transacção 9: Amortização de Mobiliário.

10.000 / 5 = 2.000 Euros (em cada um dos cinco anos). Optámos pelo método
de amortização linear:

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Amortização Acumulada de
Mobiliário Mobiliário
SI 10.000 2.000 9

CONTA DE RESULTADOS

2 60.000 100.000 2
3 120.000 200.000 3
6 50.000
8 2.800
9 2.000

De salientar que, para promover a redução de uma quinta parte do valor do


mobiliário não recorremos à conta de Mobiliário, mas utilizámos a conta de
“Amortização Acumulada de Mobiliário”. Adopta-se este procedimento para
evitar perder informação relevante. Não deveremos esquecer que dentro de
cinco anos, este mobiliário estará completamente amortizado. Teremos
então duas contas: Mobiliário 10.000 (Débito) e Amortização Acumulada de
Mobiliário 10.000 (Crédito).
As normas contabilísticas exigem que a amortização do imobilizado seja
realizada dentro de um período máximo aceitável. Deter um imobilizado
progressivamente amortizado reflecte melhor a imagem do património real
da empresa e, explicitar o montante da amortização acumulada, possibilita
melhorar a qualidade da informação proporcionada pela empresa.
No entanto, uma coisa será a “vida útil” real do imobilizado, outra coisa será
a vida útil prevista pela contabilidade. É por esse facto que, em muitas
ocasiões, o valor líquido contabilístico de um bem, possa ser
significativamente diferente do valor que o mercado estaria disposto a pagar
por esse bem. Apesar destes pequenos inconvenientes, continuaremos a
aprofundar este interessante tema.

Procedamos agora à amortização do edifício (Transacção 10). Pensamos


que o edifício estará em boas condições de utilização durante mais tempo.
Estimamos que a sua vida útil será de 20 anos : 60.000 / 20 = 3.000 euros/ano.

Amortização Acumulada de
Mobiliário Edifício
SI 60.000 3.000 10

CONTA DE RESULTADOS

2 60.000 100.000 2
3 120.000 200.000 3
6 50.000
8 2.800
9 2.000
10 3.000

CLASE EJECUTIVA
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Relativamente ao Terreno, foi esclarecido anteriormente que não é alvo de


qualquer amortização.
“O valor líquido
contabilístico de um
Apresentemos seguidamente o Balanço em 31 de Dezembro de 2007 bem é o seu preço
de aquisição
ACTIVO deduzido da
Activo Corrente : amortização
Ca i xa e Ba ncos 53.200 acumulada”
Cl i entes 30.000
Exi s tênci a s 24.000
Activo Não Corrente
Mobi l i á ri o (Bruto) 10.000
- Amorti za çã o Acumul a da Mobi l i á ri o (2.000)
Mobi l i á ri o (Va l or Líqui do) 8.000
Edi fíci o (Bruto) 60.000
- Amorti za çã o Acumul a da Edi fíci o (3.000)
Edi fíci o (Va l or Líqui do) 57.000
Terreno 40.000
Total do Activo 212.200
CAPITAL PRÓPRIO
Ca pi ta l Soci a l 120.000
Res ul ta do 2007 62.200
PASSIVO
Fornecedores 30.000
Total do Passivo + Capital Próprio 212.200

Se compararmos o Resultado apurado com o Resultado apresentado no


primeiro quadro (antes de proceder ao registo das amortizações do
imobilizado), constatamos que o “”Resultado” se reduz de 67.200 para 62.200
euros.
Deveremos salientar que estes últimos registos contabilísticos não se
encontram associados a qualquer desembolso de fundos. O Resultado de
67.200 é, no entanto, um valor a ter presente, uma vez que deixa de
representar o Resultado do Exercício, passando a denominar-se: Recursos
Gerados pelas Operações.

Recursos Gerados pelas Operações (RGO)


O Resultado contabilístico de um período é calculado através da seguinte
igualdade:
RESULTADO = RENDIMENTOS – GASTOS
Identificámos assim o Resultado como sendo a diferença entre os recursos
proporcionados pela actividade da empresa (Rendimentos) e os recursos
consumidos durante a concretização dessa actividade (Gastos). Estes Gastos
poderão classificar-se segundo a sua característica de poderem ser
desembolsáveis (dar origem a uma saída de fundos) ou não.

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A Conta de Resultados de ARACAL referente a 2007 seria então:


CONTA DE RESULTADOS
Vendas 300.000
- CMV (Custo da Mercadoria Vendida) (180.000)
- Gastos Administrativos (50.000)
- Gastos Financeiros (2.800)
FGO (Recursos Gerados pelas Operações) 67.200
- Amortizações (5.000)
= Resultado Líquido 62.200

O único Gasto Não Desembolsável seria então a Amortização.


“Os Recursos
Os Recursos Gerados pelas Operações (RGO) seriam então definidos como
Gerados pelas
sendo os Rendimentos do Período deduzidos dos Gastos Desembolsáveis, ou
seja: Operações
correspondem ao
RGO = Resultado do Exercício + Amortizações resultado que
decorre de
deduzirmos aos
Esta igualdade poderá conduzir-nos a pensar que a amortização é uma
rendimentos todos
origem de fundos. Não é o caso, uma vez que se aumentarmos o valor da
os gastos que sejam
amortização (porque poderemos decidir amortizar o bem em menos anos), o
Resultado diminui exactamente nesse montante. É por esse facto que o associados a saída
conceito de RGO se reveste de particular importância, uma vez que se trata de fundos”
de um conceito menos susceptível de manipulação do que o conceito de
Resultado do Exercício (o FGO de uma empresa num determinado exercício
será o mesmo independentemente da sua política de amortizações).

Apesar de havermos identificado o conceito de FGO, o conceito de


Resultado do Exercício continua sendo extremamente importante, uma vez
que os proprietários da empresa não poderão pensar que podem dispor dos
Recursos Gerados pelas Operações, mas que “deverão guardar” parte dos
ganhos para manter a capacidade produtiva da empresa. O Gasto anual
com a Amortização constituirá parte “daquilo que deverá ser reservado”
para manter o imobilizado.
Os Recursos Gerados pelas Operações (RGO) também são reconhecidos por
Recursos Procedentes das Operações, e pela expressão inglesa Cash Flow.

Esta última expressão, cuja tradução literal corresponde a “fluxo de caixa”,


pode conduzir a alguma confusão, uma vez que que aquilo que representa
poderá não ter uma expressão concreta. Continuaremos a utilizar a
expressão Recursos Gerados pelas Operações, ainda que na literatura
financeira seja utilizada frequentemente a denominação inglesa.

Poderíamos neste momento dar por concluído este tema, no entanto,


pareceu-nos conveniente introduzir uma extensão, no sentido de aprofundar
alguns conceitos.

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Conceitos relevantes a ter em consideração


Ao referirmos o conceito de Activo Fixo Tangível (Imobilizado Material), seria
conveniente conhecer com algum rigor os seguintes conceitos:

Depreciação
Fenómeno físico que descreve o desgaste dos Activos Fixos Tangíveis
decorrente da sua utilização normal e/ou simplesmente do passar do tempo.

Amortização
Imputação sistemática da quantia depreciável de um bem, ao longo da sua
vida útil.

Quantia Depreciável
Montante do Custo Histórico (Custo de Aquisição ou Custo de Produção) do
Activo, após dedução do Valor Residual.

“Aos Recursos
Valor Residual Gerados pela
Operações, também
Quantia estimada que uma entidade obteria correntemente pela alienação
poderão ser
de um activo, após dedução dos custos de alienação estimados, se o activo
reconhecidos como
já tivesse a idade e as condições esperadas no final da sua Vida Útil.
Recursos
Procedentes das
Operações ou
Vida Útil
simplesmente, Cash-
Período de tempo durante o qual uma entidade espera que um activo esteja Flow”
disponível para uso. Também poderá ser expresso através do número de
unidades de produção ou similares que uma entidade espera obter através
da utilização desse bem no processo produtivo da empresa.

Justo Valor
É a quantia pela qual um activo pode ser trocado entre partes
conhecedoras e dispostas a isso, numa transacção em que não exista
relacionamento entre as partes envolvidas.

Valor Realizável Líquidos


Preço de venda estimado no decurso ordinário da actividade empresarial
menos os custos estimados de acabamento e os custos estimados
necessários para efectuar a venda.

Perda por Imparidade


Remanescente da Quantia Escriturada em relação à sua Quantia
Recuperável.

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Quantia Escriturada, ou de livros, de um activo


Quantia pela qual um activo é reconhecido no Balanço e obtém-se após a
dedução de qualquer depreciação/amortização acumulada e de perdas
por imparidade acumuladas inerentes.

Custo de Aquisição
O PGC define que cada componente do Activo Fixo Tangível que satisfaça
os requisitos para ser reconhecido como activo, deve ser valorizado,
inicialmente pelo seu Custo de Aquisição ou Custo de Produção, o que
pressupõe a aplicação do Custo Histórico como critério de valorização.
Apresentemos seguidamente os componentes do Custo de Aquisição e do
Custo de Produção, correspondentes ao Activo Fixo Tangível:

Componentes do Custo de Aquisição


O Custo de Aquisição dos elementos que constituem o Activo fixo Tangível
incorpora o seu preço de compra, incluindo eventuais direitos aduaneiros,
impostos indirectos não recuperáveis que incidam sobre essa aquisição, assim
como qualquer outro custo directamente incorrido até que o referido bem se
encontre em condições de operar no local em que vai ser utilizado. Deverão
ser deduzidas quaisquer reduções de preço incidindo sobre o preço de
compra inicialmente acordado.
Exemplos de custos directamente associados com a aquisição de um bem “O custo de
imobilizado: aquisição de um
• Custo de preparação do local em que fisicamente vai ser instalado. activo fixo tangível
incorpora não só o
• Custos de entrega inicial, assim como os custos de manipulação e seu custo de
transporte que posteriormente se revelem necessários. aquisição, os direitos
de importação, os
• Custos de instalação.
impostos indirectos
• Os honorários profissionais, tais como os pagos a arquitectos e não recuperáveis e
engenheiros. qualquer outro custo
incorrido até que o
• Os custos estimados em desmantelar e alterar a localização do
referido bem se
imobilizado, assim como os custos incorridos na restauração da sua
encontre em
localização, na medida em que devam ser reconhecidos através da
condições de
criação de uma estimativa para fazer face a esses custos futuros.
operar, no local em
que vai ser utilizado”
Outras considerações na determinação do Custo de Aquisição
Os custos de administração, assim como outros gastos de carácter genérico,
não devem ser incorporados no Custo de Aquisição do Activo Fixo Tangível,
a não ser que tenham resultado especificamente do processo de aquisição
do referido bem ou incorridos no processo de implementar a sua entrada ao
serviço da empresa.
De igual forma, os custos de arranque e outros semelhantes, incorridos
previamente ao início da produção, não deverão ser incorporados no custo
de aquisição, a não ser que sejam necessários para colocar o bem em
condições de operacionalidade. As perdas operacionais iniciais incorridas
com a entrada em pleno funcionamento do bem, até que este atinja o
rendimento esperado, deverão ser reconhecidos como gastos do exercício.

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O custo de um activo fabricado pela própria empresa será determinado


mediante aplicação dos mesmos princípios que seriam utilizados se
estivéssemos perante a aquisição de um elemento do Activo Fixo Tangível
adquirido a terceiros.
Apesar de tudo, componentes do imobilizado material podem ser adquiridos
através de troca – permuta- total ou parcial, por outro tipo de elementos do
Activo Não Corrente, ou ainda por outro qualquer tipo de Activo. O Custo de
Aquisição nestes casos será determinado pelo Justo Valor do activo
recebido, que deverá ser equivalente ao Justo Valor do activo entregue, mas
ajustado pelo valor de qualquer importância monetária entregue
adicionalmente para completar a transacção.
Pode igualmente ser adquirido através de troca com outro activo de idêntica
natureza, que tenha uma utilização semelhante, dentro da mesma linha de
actividade e um valor semelhante ao activo permutado.

Gastos incorridos posteriormente à aquisição


Os gastos incorridos posteriormente à aquisição de um elemento do
imobilizado e que tenham sido reconhecidos como parte integrante do
Activo Fixo Tangível, deverão ser considerados contabilisticamente como
componentes do Custo de Aquisição, desde que seja provável a geração de
benefícios económicos futuros, incrementais aos inicialmente previstos com a
utilização desse bem, em condições normais de rendimento e utilização.
Qualquer outro gasto posterior deverá ser reconhecido como gasto no
período em que ocorra.
Exemplos de benfeitorias que produzem acréscimos na obtenção de
rendimentos económicos futuros, poderão ser os que seguidamente se
apresentam:
• Modificação introduzida num elemento do imobilizado para
aumentar a sua Vida Útil ou a sua capacidade produtiva.

• Actualização de componentes do equipamento, de forma a ”O custo de um


conseguir uma melhoria substancial na qualidade dos produtos. activo fabricado
pela própria
• Adopção de novos processos de produção que permitam uma empresa será
redução substancial nos custos operacionais previstos inicialmente.
determinado
mediante aplicação
dos mesmos
Os Gastos resultantes de reparações e manutenção de elementos do Activo
Fixo Tangível, que sejam realizados para restaurar ou manter o processo de princípios que
obtenção de benefícios económicos futuros resultantes do nível de seriam utilizados se
produtividade normal estimado inicialmente pela empresa em relação ao estivéssemos
funcionamento desse activo, são normalmente reconhecidos como gastos perante a aquisição
do período em que tenham ocorrido. de um elemento do
Activo fixo Tangível
Por exemplo, o custo de manutenção e inspecção das propriedades,
instalação fabril e equipamento, é normalmente um gasto do período, uma adquirido a
vez que vai contribuir para manter, mais do que para aumentar, o terceiros”
rendimento normal estimado inicialmente para o funcionamento daquele
equipamento.

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Valor Residual
Tal como havíamos referido, o Valor Residual de um imobilizado, é a quantia
estimada que uma entidade obteria correntemente pela alienação de um
activo, após dedução dos custos de alienação estimados, se o activo já
tivesse a idade e as condições esperadas no final da sua vida útil. Na maioria
dos casos, não é tarefa fácil, na prática, estimar o valor residual de um bem.

Por motivações de natureza prudencial, numa perspectiva contabilística, o


valor residual de um bem é vulgarmente considerado como sendo nulo e,
por consequência, a Quantia Depreciável será coincidente com o Custo de
Aquisição.
Em certas ocasiões, consideramos que a Vida Útil de um bem possa ser
ilimitada. Em tais situações, não deverá ser reconhecida qualquer
amortização de natureza contabilística: um exemplo comum será o dos
terrenos que, por definição, não são alvo de amortização.

Determinação da Vida Útil


Segundo a NIC nº 16, para determinar a vida útil de um Activo Fixo Tangível,
devem ser tidos em consideração todos e cada um dos seguintes factores:
• A utilização desejada do activo por parte da empresa, que deve ser “O Valor Residual de
estimada em relação à capacidade e/ou rendimento físico esperado um Bem, é a quantia
do mesmo. estimada que uma
entidade obteria
• A deterioração natural esperada, que depende de factores correntemente pela
operacionais, tais como o número de turnos de trabalho em que será alienação de um
utilizado o bem, o programa de reparação e manutenção a adoptar activo, após
pela empresa, assim como o nível de cuidados e manutenção dedução dos custos
sempre que o activo não esteja dedicado a tarefas produtivas. de alienação
estimados, se o
• A obsolescência técnica decorrente das alterações e melhorias nos
activo já tivesse a
processos produtivos disponíveis, assim como as alterações na
idade e as condições
procura de mercado dos bens e serviços proporcionados pelo activo.
esperadas no final da
• Os limites legais, ou as possíveis restrições de natureza semelhante sua vida útil”
que possam condicionar a utilização do activo, designadamente ao
nível de datas de caducidade de contratos de fornecimento
relacionados com esse activo.

A Vida Útil de um activo é estabelecida em termos do benefício que se


espera venha a proporcionar à empresa.
Contudo, a política de gestão de activos levada a cabo pela empresa, em
certas ocasiões, pode determinar a venda de activos do Activo Fixo Tangível,
após ter decorrido um período de tempo de utilização específica, ou após
haver consumido uma determinada proporção dos benefícios económicos
proporcionados por esse activo, sem esperar pelo final do período produtivo
do bem. Por esse facto, a vida útil de um activo poderá ser inferior à sua vida
económica.
A estimativa da Vida Útil de um componente do Activo Fixo Tangível, é uma
questão de critério e, em certas ocasiões, pode estar carregada de
subjectividade, baseando a decisão na experiência que a empresa, ou os
seus gestores, tenham em relação a activos semelhantes.

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Os terrenos e os edifícios, apesar de se encontrarem “unidos”, são activos


independentes e por esse facto, tratados separadamente de um ponto de
vista contabilístico, ainda que tenham sido adquiridos conjuntamente. Como
já havíamos referido, existe a convenção de considerar que os terrenos
possuam, regra geral, uma vida ilimitada e, por esse facto, não sejam alvo de
depreciação. Contudo, as construções sobre eles erigidas, possuem uma
vida limitada – perdem valor com o decorrer do tempo pelo seu uso – e, por
esse facto são activos depreciáveis.
Um eventual incremento no valor dos terrenos em que esteja construído um
edifício, não afectará a determinação da vida útil do edifício e vice-versa.

“Os gastos
Venda de um Activo Fixo Tangível
resultantes de
Será de referir que em certas ocasiões, as empresas podem decidir deixar de reparações e
utilizar certos componentes do Activo Fixo Tangível, obtendo eventualmente manutenção de
um resultado com a sua venda. Ainda que tal prática não corresponda à elementos do Activo
actividade operacional corrente da empresa, o resultado dessa transacção Fixo Tangível são
terá efeito no resultado global do exercício. O motivo que mais vulgarmente reconhecidos como
origina este tipo de situações, decorre de processos de substituição do gastos no período em
imobilizado em causa, por outro imobilizado mais moderno ou de melhor que tenham
qualidade que o anterior. ocorrido”
Contabilisticamente terão lugar duas operações ou factos económicos:

• Uma primeira operação de reconhecimento do rendimento obtido


pela venda do imobilizado. Nesta transacção, actuamos como se
estivéssemos perante uma venda de inventários.
• Uma segunda operação, reflectindo o custo de venda, representado
pelo não reconhecimento no balanço do bem em causa, enquanto
componente do seu activo, devido à sua cedência. A
particularidade que tem esta última operação é a de que o custo de
venda (do imobilizado cedido) será igual à diferença entre o custo
de aquisição do bem e a amortização acumulada do mesmo.
Para sua melhor interpretação iremos recorrer a um exemplo:

Considere que uma empresa possua no início do seu exercício económico, 1


de Janeiro de 2008, equipamento no valor de 3.000 euros, cuja amortização
acumulada no início desse período ascenda a 1.800 euros e que lhe tenha “Os terrenos e os
sido estimada uma Vida Útil de 5 anos. A meio do exercício, 30 de Junho, edifícios, apesar de
decide vender esse equipamento por um preço de 2.500 euros. se encontrarem
Contabilisticamente haveria que proceder aos seguintes movimentos: “unidos” são activos
independentes e são
tratados
1) Reconhecer o Gasto com a Amortização, referente ao período decorrido separadamente de
nesse exercício económico até à data acordada para a sua venda. Desta um ponto de vista
forma, seria ajustada a Quantia Escriturada do bem à data da sua venda. contabilístico, ainda
Admitamos que tenha sido adoptado o método de amortização linear. O que tenham sido
gasto correspondente à amortização referente ao período referido, seria adquiridos
calculado da seguinte forma: conjuntamente”

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Gasto de Amortização anual: 3.000 / 5 anos = 600 € por ano.

Uma vez que o bem será vendido a meio do exercício - 6 meses -, a


depreciação a reconhecer como gasto, corresponderia a metade desse
valor anual, ou seja 300 euros.

Gastos com Amortização Amortização Acumulada de


de Equipamentos Equipamentos
300 1.800 SI
300 30-06-2008
2.100 SF (*)

(*) Saldo final à data da venda.

2) Registar o rendimento resultante da venda do Equipamento.


Tal como numa venda de existências, utilizaremos 2 contas: “Caixa” ou
“Clientes”, dependendo de a venda ter sido realizada a pronto pagamento
ou a crédito, por contrapartida da conta “Venda de Activos Fixos Tangíveis”,
pelo preço acordado, ou seja 2.500 euros.

3) Registar o custo de venda do Activo Fixo Tangível.


Nesta operação serão utilizadas 3 contas:
Custo de Venda do Imobilizado = Quantia Escriturada = Custo de Aquisição –
Amortização Acumulada até à data de venda.
No nosso caso: QE = 3.000 – 2.100 = 900 €
Equipamentos

SI 3.000 3.000 30-06-2008 Registamos a saída porque deixa de


estar ao serviço da empresa

Amortização Acumulada de Custo de Venda


Equipamentos
1.800 SI 30-06-2008 900
300 30-06-2008
(*) 2.100 2.100

(*) Promove-se o estorno por ocasião do registo da saída do bem

Impactos no Balanço e na Conta de Resultados


No Balanço:
• A Caixa aumentará em 2.500 euros.
• A conta de Equipamentos apresentar-se-á saldada.
• A conta de Amortização Acumulada apresentar-se-á igualmente
saldada.

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Na Conta de Resultados:
O resultado da venda do imobilizado material, que será igual à diferença
entre o preço de venda e o custo do mesmo:
“ Ainda que um
Resultado obtido na venda do imobilizado material = 2.500 – 900 = 1.600 €.
imobilizado esteja
totalmente
Recorde-se que havíamos previamente incluído na Conta de Resultados os amortizado,
gastos com a amortização referente ao período decorrido entre o início do deveremos continuar
exercício e a data de venda (300 euros). a representar o seu
custo de Aquisição
no Balanço, assim
Revisões a realizar no fim de cada exercício como a sua
No final de cada exercício económico, deverá no mínimo proceder-se às Amortização
seguintes revisões: Acumulada, até que
fisicamente tenha
• As estimativas realizadas relativamente ao valor residual e a vida útil
lugar a sua
de cada activo, e se as expectativas diferem das estimativas
previamente realizadas, as consequências resultantes dessas cedência”
alterações serão reconhecidas como alterações em estimativas
contabilísticas, a não ser que estejamos perante o reconhecimento
de um erro.
• As perdas de valor resultantes da deterioração do bem, com o ajuste
correspondente na conta de Imparidade.

“No final de cada


exercício serão
revistas as
estimativas
realizadas sobre o
valor residual e a
vida útil dos
imobilizados
materiais.”

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MÉTODOS DE DEPRECIAÇÃO

Como repartir o valor de um imobilizado pelos períodos de duração da sua vida útil? Esta pergunta
não tem uma resposta fácil, uma vez que na maioria dos casos não é possível determinar com
exactidão que parte do rendimento de um activo deve ser associada a um ano e não a outro ano.
Perante estas circunstâncias, qualquer um dos métodos que serão apresentados no presente tema,
encontra-se associado a algum nível de arbitrariedade.

Métodos de Depreciação
A questão crucial será: Como repartir o custo de um imobilizado entre os
seus anos de vida útil?

A resposta, como já referimos, não é fácil, uma vez que qualquer método
que se utilize conterá certo grau de arbitrariedade, ao não ser possível
distinguir com exactidão a parcela de rendimento que corresponde a
cada exercício.
“O sistema de
No momento de decidir sobre o método de depreciação, a NIC nº16
depreciação de
estabelece:
quotas constantes é o
«O método de depreciação utilizado deve reflectir o padrão de consumo, mais utilizado”
por parte da empresa, dos benefícios económicos que o activo
incorpora».

Os métodos de depreciação mais frequentes são: quotas constantes ou


linear, número de dígitos, quotas degressivas (saldo decrescente) e ainda
um método baseado nas unidades de produção. Analisemos cada um
deles.

Depreciação por Quotas Constantes ou Linear


Este método é o mais aceite e o que se utiliza com mais frequência.
Considera que o imobilizado presta um serviço idêntico durante cada um
dos seus anos de vida útil, pelo que os gastos de depreciação anualmente
considerados, também deverão ser idênticos – calculados linearmente -.
Reparte-se a diferença entre o Custo de Aquisição e o Valor Residual de
maneira uniforme entre os anos que se estimem de Vida Útil.
No caso de ARACAL, Inmaculada admitiu que o mobiliário ao fim de
cinco anos terá um valor residual nulo e que proporcionará o mesmo nível
de utilização durante cada um dos anos da sua vida útil, pelo que o Custo
de Aquisição de 10.000 euros será repartido de acordo com o seguinte
critério:

Depreciação = (C - VR) = (10.000 - 0) = 2.000 euros/ano


n 5

Sendo C o custo de Aquisição, VR o Valor Residual e n o número de anos


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Método do sistema de número de dígitos


É um sistema de depreciação acelerada ou degressiva. Pressupõe que o
imobilizado seja mais útil nos seus primeiros anos de vida, e por esse motivo
considera nesse período da sua utilização gastos de depreciação
superiores.
É considerada uma percentagem de depreciação do valor do activo,
que será estimada a partir do quociente que resulte de dividir o número
de anos da vida útil restante do bem, pela soma dos dígitos do número de
anos de amortização do bem. Por exemplo, para uma vida útil de 4 anos,
os coeficientes de amortização de cada ano são calculados da seguinte
forma:

Começamos por somar os dígitos: 1 + 2 + 3 + 4 = 10


• Percentagem de depreciação do ano 1: 4/10 = 40%
• Percentagem de depreciação do ano 2: 3/10 = 30% “O sistema de
depreciação pelo
• Percentagem de depreciação do ano 3: 2/10 = 20% número de dígitos
• Percentagem de depreciação do ano 4: 1/10 = 10% constitui um método
de amortização
acelerada”
Analogamente poderão ser elaborados planos de amortização para
activos com distinto número de anos de vida útil. Se estivéssemos
perante um caso de 5 anos, começaríamos por somar: 1 +2 + 3 + 4
+ 5 = 15.

Os coeficientes seriam 5/15, 4/15, 3/15, 2/15 e 1/15.


• Percentagem de depreciação do ano 1: 5/15 = 33,3%
• Percentagem de depreciação do ano 2: 4/15 = 26,7%
• Percentagem de depreciação do ano 3: 3/15 = 20,0%
• Percentagem de depreciação do ano 4: 2/15 = 13,3%
• Percentagem de depreciação do ano 5: 1/15 = 6,7%

Se Inmaculada tivesse decidido amortizar o mobiliário em quatro anos, a


aplicação deste sistema de depreciação conduziria aos seguintes valores
para as depreciações anuais:
• Depreciação do imobilizado em 2002: 10.000 x 4/10 = 4.000 euros.
• Depreciação do imobilizado em 2003: 10.000 x 3/10 = 3.000 euros.
• Depreciação do imobilizado em 2004: 10.000 x 2/10 = 2.000 euros.
• Depreciação do imobilizado em 2005: 10.000 x 1/10 = 1.000 euros.

No final dos quatro anos teria sido considerada uma depreciação


acumulada de 10.000 euros.

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Depreciação pelo saldo decrescente


Trata-se de outro sistema de depreciação que consiste em estimar a
depreciação, não através da aplicação anual de uma percentagem fixa
aplicada sobre a Quantia Depreciável, durante a vida útil como era
realizado no sistema de quotas constantes, mas aplicar pelo contrário uma
percentagem fixa sobre o valor líquido contabilístico do imobilizado que,
ao ser um valor decrescente, conduzirá inevitavelmente a uma estimativa
para gasto com depreciação igualmente decrescente.

Para poder amortizar no mesmo número de anos que pelo método das
quotas constantes, convirá adoptar uma percentagem superior do que
aquela que seria utilizada nesse sistema (normalmente o dobro).

Ao depreciarmos, em cada ano, uma parcela do Valor Líquido


Contabilístico, haverá sempre um elemento residual (que não será
depreciado), apesar de ser tendencialmente cada vez mais reduzido.
Neste método, é frequente alterar o sistema de depreciação para o
sistema de quotas constantes nos últimos anos de vida do imobilizado,
para assegurar que se possa amortizar integralmente no número de anos
de vida útil, ou então quando o valor residual seja de reduzida dimensão e
se possa considerar directamente a sua depreciação.

Se o mobiliário de ARACAL fosse depreciado aplicando o sistema do saldo


decrescente de 40%, teríamos:
Quantia Depreciável: 10.000 euros.

Amortização no primeiro ano: 10.000 x 40% = 4.000 €


O Valor Líquido Contabilístico no final do primeiro ano seria:
10.000 - 4.000 = 6.000 € “O sistema de
depreciação pelo
saldo decrescente é
Amortização no segundo ano: 6.000 x 40% = 2.400 €
outro método de
O Valor Líquido Contabilístico no final do segundo ano seria: amortização
acelerada”
6.000 - 2.400 = 3.600 €

Amortização no terceiro ano: 3.600 x 40% = 1.440 €


O Valor Líquido Contabilístico no final do terceiro ano seria:
3.600 - 1.440 = 2.160 €

Amortização no quarto ano: 2.160 x 40% = 864 €


O Valor Líquido Contabilístico no final do quarto ano seria:
2.160 - 864 = 1.296 €

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Se pretendêssemos amortizar o bem em cinco anos, no período seguinte


teríamos que considerar um gasto de depreciação no restante montante
de 1.296 €. Também poderíamos decidir amortizar o bem durante seis
anos, depreciando 648 € no ano cinco e os restantes 648 € no sexto ano.

Quadro resumo
Apresentamos seguidamente um quadro que ilustra, de forma
comparativa os efeitos resultantes da aplicação dos três métodos
analisados (quotas constantes, número de dígitos e saldo decrescente).
Ano Quotas Constantes Número de Dígitos Saldo Decresecente (40%)
Valor Valor Valor
Contabilístico Depreciação Coeficiente Contabilístico Depreciação Contabilístico Depreciação
0 1.200 1.200 1.200
1 1.000 200 6/21 857 343 720 480
2 800 200 5/21 571 286 432 288
3 600 200 4/21 343 229 259 173
4 400 200 3/21 171 171 156 104
5 200 200 2/21 57 114 93 62
6 0 200 1/21 0 57 56 37
1.200 1.200 1.144

Na elaboração do quadro foram utilizados os seguintes pressupostos:


Custo de Aquisição do imobilizado foi de mil e duzentas unidades
monetárias, a sua Vida Útil foi de 6 anos e estima-se que o Valor Residual
seja nulo. Perante este conjunto de pressupostos, a quantia depreciável
será de 1.200 unidades monetárias.
No método do saldo decrescente, poderíamos ter considerado uma
depreciação de 74,5 em cada um dos dois últimos anos, ou ter promovido
uma depreciação de 93 no ano 6 ou finalmente poderíamos ainda levar a
efeito apenas a depreciação dos 56 restantes no ano seguinte (sétimo
ano).

Depreciação baseada nas unidades físicas


Em algumas ocasiões, um imobilizado tem uma capacidade de utilização
determinada e susceptível de identificação com algum tipo de unidade
física. No caso de um veículo, poderemos considerar que a vida útil
dependa dos quilómetros percorridos ou, no caso de uma máquina, pelo
número de unidades produzidas ou ainda pelo número de horas de “O sistema baseado
funcionamento. Nessas situações, a depreciação pode ser concretizada em unidades físicas
em função do número de unidades físicas de actividade (quer se trate de associa a depreciação
quilómetros, unidades físicas ou horas de funcionamento da máquina), praticada à utilização
independentemente do período de tempo que tenha decorrido. que se concretize do
bem,
independentemente
Se uma máquina tiver um custo de 300.000 euros e a sua Vida Útil se do tempo que tenha
encontrar associada à produção de 15.000 unidades, com um Valor entretanto decorrido”
Residual nulo, então a depreciação a considerar por cada unidade
produzida será:

300.000 = 20 euros/unidade
15.000

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OS ACTIVOS NÃO CORRENTES

Em contraste com os Activos Correntes (Clientes, Inventários, etc.) os Activos Não Correntes são
aqueles que possuem uma duração longa na empresa, normalmente superior a um exercício
económico. Estes activos classificam-se em Activos Fixos Tangíveis (Imobilizados Materiais), Activos
Intangíveis e Investimentos Financeiros a Longo Prazo.

Os Activos Não Correntes são aqueles que suportam o ciclo de actividade


de uma empresa, sendo a sua permanência mais longa que a verificada
nos Activos Correntes (dinheiro, existências). Dentre os Activos Não
Correntes, alguns assumem dimensão material, outros assumem carácter
intangível e outros ainda uma dimensão estritamente financeira.
Estudaremos as particularidades de cada tipo e a forma como se deverá
proceder à respectiva amortização.

Activos Fixos Tangíveis


Os Activos Fixos Tangíveis podem ser de diversos tipos, designadamente:
• Terrenos
• Edifícios e Instalações
• Equipamentos
• Recursos Naturais
Cada um destes tipos apresenta as suas particularidades:

Terrenos
“Os Activos Não
Os terrenos, quando são utilizados para localizar a construção de um Correntes são aqueles
edifício, têm uma duração ilimitada. Nenhuma intervenção que sobre eles que suportam o ciclo
se realize, em princípio contribuirá para reduzir a sua utilidade, nem de actividade de uma
contribuirá para a sua deterioração, pelo que nenhum custo deverá ser empresa, sendo a sua
reconhecido na Conta de Resultados através de amortizações. Somente permanência mais
quando tenha lugar a sua venda, se deverá reconhecer um ganho ou longa que a verificada
uma perda, a registar apenas quando ocorra. nos Activos Correntes”

Edifícios e Instalações, Equipamentos


São os Activos Fixos Tangíveis que encontramos normalmente nas
empresas. Têm uma vida limitada e o seu custo deve repercutir-se na
Conta de Resultados ao longo dos anos que constituam a vida útil de
cada um deles, mediante aplicação de algum método de amortização
dentre os descritos anteriormente.

Recursos Naturais
Os Recursos Naturais como minas e jazidas têm uma vida limitada e ainda
que resulte estimada a partir de procedimentos mais ou menos precisos, o
tempo de vida real não deixa de ser desconhecido. Devem ser
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amortizados durante o período que se estime prudente, uma vez que no


final desse período encontrar-se-ão esgotados.

Reparações e Benfeitorias
Quando um imobilizado esteja em funcionamento, será possível que tenha
avarias ou se identifiquem componentes defeituosos que necessitem de
reparação.
Os desembolsos em que se incorre para fazer face a tais reparações são
gastos do período, uma vez que terão lugar com alguma regularidade.
Por isso, o tratamento contabilístico das reparações dos Activos Fixos
Tangíveis não apresenta qualquer problema.
Quando as modificações realizadas sobre um imobilizado não
correspondam a modificações necessárias, mas correspondam à
introdução de benfeitorias que ampliam as suas prestações e/ou a sua
vida útil, entende-se que este desembolso adicional aumenta o seu valor
contabilístico, e deveremos reconhecer como tratando-se de uma
«imobilização», susceptível de ser amortizada, ao longo da nova vida útil
eventualmente considerada para esse imobilizado.

Activos Intangíveis ou imateriais


Os Activos Intangíveis são uma classe de Activos Não Correntes, “Se as modificações
substancialmente distinta das anteriores. Possuindo os Activos Fixos realizadas num
Tangíveis uma realidade corpórea – física – (apesar de em certas elemento do
ocasiões, o seu valor de mercado possa não ter qualquer relação com o imobilizado são
seu valor contabilístico) e sendo susceptíveis de venda em qualquer benfeitorias que
momento; os Imobilizados Intangíveis poderão não só não ter qualquer aumentam as suas
valor de mercado, como nem sequer ter uma “existência física”. prestações, entende-
se que esse
desembolso adicional
Estamos perante aquele tipo de desembolsos que têm lugar num aumenta o seu valor e
determinado momento, sem que tenham uma relação directa com a deverá ser
fabricação de produtos, mas cujo usufruto persista para além do período reconhecido
contabilístico em que tenham lugar. O seu estudo decorre da importância contabilisticamente
crescente que se lhes vem reconhecendo como recursos económicos como um aumento no
essenciais e do grande valor que proporcionam às empresas, muito em valor do imobilizado”
particular às empresas mais inovadoras.
Entre os Activos Intangíveis poderemos considerar: Concessões, Patentes,
Licenças, Marcas, Programas Informáticos e Direitos de Trespasse.

Como princípio genérico, o Plan General Contable estabelece que se


aplicarão aos Activos Intangíveis as normas aplicáveis aos Activos Fixos
Tangíveis, excepto no que respeita a algumas questões específicas de
carácter restritivo que seguidamente se apresentam, devido à incerteza
associada à geração de benefícios económicos futuros proporcionados
por este tipo de activos.

Reconhecimento
Um Activo Intangível poderá ser reconhecido como tal, desde que se
verifiquem as seguintes condições:

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Identificabilidade
Para ser reconhecido como activo intangível, esse elemento deve ser
perfeitamente identificável.
Nesse sentido, considera-se que um elemento cumpre esse critério
quando:
• Possa ser separado ou retirado da empresa e, eventualmente
vendido.
• Resulte de direitos contratuais ou de outros direitos de natureza
legal.

Controlo
A empresa deve ter o poder de recolher – controlar – os benefícios
económicos futuros que resultem da utilização dos recursos inerentes ao
elemento em causa, e especificamente, poder restringir o acesso de
terceiros a esses benefícios.
“Para que um activo
intangível possa ser
Benefícios económicos futuros reconhecido como tal,
A empresa deve ter estimado, utilizando hipóteses razoáveis e deve ser identificável,
devidamente fundamentadas, a existência de uma grande probabilidade ser susceptível de
de que esse activo possa vir a gerar benefícios económicos futuros que valorização fiável e
resultem da sua utilização pela empresa (seja através da obtenção de proporcionar a
fluxos de rendimentos, ou através de uma redução de custos). geração de benefícios
económicos futuros
para a empresa”
Fiabilidade dos custos
O custo do elemento deverá ser sempre valorizado de forma fiável.

Amortização
A quantia depreciável de qualquer componente do activo intangível
deve ser distribuída, de forma sistemática, durante os anos que constituam
a sua vida útil. Existe a presunção, que poderá ser rejeitada em certas
circunstâncias, de que a vida útil de um activo intangível não possa
exceder os vinte anos, contados desde o momento em que o elemento se
encontre disponível para utilização. A amortização deve começar a partir
do momento em que o activo se encontre disponível para a utilização
que lhe seria destinada.

Método de Amortização
O método de amortização deve reflectir o padrão de consumo, por parte
da empresa, dos benefícios económicos futuros originados por esse activo.
Se esse padrão não puder ser determinado de forma fiável, deverá
adoptar-se o método de amortização linear. O montante da amortização
anual deve ser considerado como gasto do exercício, a não ser que outra
Norma Internacional de Contabilidade permita, ou melhor exija, que tal
montante se inclua no valor contabilístico de outro activo.

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Revisões do período de amortização e do método de amortização


Quer o período de amortização, quer o método de amortização utilizados,
devem ser objecto de revisão periódica, pelo menos, no final de cada
exercício contabilístico.
Se, como consequência desse processo de revisão, a nova vida útil
esperada diferir significativamente das estimativas anteriores, deveremos
alterar o período inicialmente escolhido para realização das amortizações
contabilísticas e justificar esse motivo no Anexo às Contas.

Mais-valias geradas internamente


As mais-valias geradas internamente não devem ser reconhecidas como
activo.
Em alguns casos, a empresa incorre em pagamentos destinados a
proporcionar a obtenção de benefícios económicos futuros, mas que não
proporcionam a criação de um activo intangível que cumpra com os
critérios de reconhecimento estabelecidos. Frequentemente, tais
importâncias são referidas como Mais-valias geradas internamente. Esse
autêntico Goodwill, gerado pela própria empresa, não será reconhecido
como um activo, porque não constitui um recurso identificável, controlado
pela empresa, que possa ser alvo de medição de forma fiável pelo seu
custo de aquisição ou de produção.

Algumas considerações acerca dos Imobilizados Intangíveis


A contabilidade considera com alguma desconfiança o reconhecimento
de bens e direitos intangíveis, o que determinou a definição de requisitos
adicionais, quando comparados com os Activos Fixos Tangíveis.

Despesas de Investigação
“Uma mais-valia
Não poderão ser reconhecidos como activos intangíveis as despesas de
gerada internamente,
investigação (ou da fase de investigação em projectos internos). Os
não se poderá
pagamentos decorrentes de projectos de investigação deverão ser
reconhecer como
reconhecidos como gastos no período em que a empresa incorrer neles.
tratando-se de um
activo”
A NIC nº 38, referente a activos intangíveis, determina que na fase de
investigação de um projecto, a empresa não pode demonstrar que exista
qualquer activo de carácter intangível que possa proporcionar benefícios
económicos futuros. Por esse facto, os desembolsos realizados deverão ser
sempre reconhecidos como gastos no período em que sejam realizados.

No entanto, o Plan General de Contabilidad admite o seu


reconhecimento como activo, sempre que as despesas de investigação
verifiquem as seguintes condições:
• Estejam individualizados por projecto e o seu custo se encontre
claramente estabelecido.
• Exista fundamentação de natureza técnica que garanta o
êxito técnico do Projecto, assim como da sua rentabilidade
económico-comercial.

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Estabelece então que, verificando-se os pressupostos anteriores, se


poderia promover a sua amortização num prazo de 5 anos.
Se persistir alguma dúvida acerca do êxito técnico, ou sobre a
rentabilidade futura do Projecto, então, todos os valores eventualmente
imobilizados, deverão ser considerados na Conta de Resultados desse
período.

Exemplos de actividades de investigação:


• Actividades direccionadas à obtenção de novos conhecimentos;
• A pesquisa, avaliação e selecção final de aplicação para os
resultados da investigação ou de outro tipo de conhecimentos;
• A pesquisa de alternativas válidas para materiais, aparelhos,
produtos, processos, sistemas ou serviços;
• A formulação, desenho, avaliação e selecção de possíveis
alternativas para novos, ou substancialmente melhorados
materiais, aparelhos, produtos, processos, sistemas ou serviços.

Despesas de Desenvolvimento
Um activo intangível, resultante da fase de desenvolvimento de um
projecto desenvolvido internamente, deve ser reconhecido como tal, se e
somente se, a empresa puder demonstrar todos e cada um dos seguintes
requisitos:
• Que tecnicamente seja possível completar a produção desse
activo intangível, de forma a que possa ser disponibilizado para
utilização ou venda. “Para imobilizar um
gasto na fase de
• Exista a intenção de concluir a produção do activo intangível em desenvolvimento de
causa, para que possa ser utilizado ou vendido. um Projecto, a
• Tenha capacidade para utilizar ou vender o activo intangível. empresa deve poder
identificar o activo
• Seja possível a forma como o activo intangível venha a gerar intangível pretendido e
benefícios económicos futuros. Entre outras coisas, a empresa demonstrar que
deverá demonstrar a existência de um mercado para a produção poderá vir a gerar
proporcionada pelo activo intangível, ou para o activo em si benefícios económicos
mesmo, ou, no caso de que venha a ser utilizado internamente, futuros”
demonstrar em que medida pode ser útil para a empresa.
• A existência de recursos técnicos, financeiros e de outra natureza,
indispensáveis à conclusão do processo de desenvolvimento e
para promover a utilização ou a venda do activo intangível.
• A sua capacidade para medir, com fiabilidade, o montante dos
desembolsos atribuíveis ao activo intangível, durante a sua fase
de desenvolvimento.

Na fase de desenvolvimento de um Projecto, a empresa deve poder


identificar o activo intangível projectado e demonstrar que poderá
proporcionar benefícios económicos futuros. Esta abordagem é devida ao
facto de a fase de desenvolvimento de um projecto, ser constituída por
etapas mais avançadas do que as etapas características da fase de
investigação.

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Exemplos de actividades de desenvolvimento:


• O desenho, construção e testes preliminares à entrada em
produção ou início de utilização de modelos e protótipos.
• O desenho de ferramentas, moldes e instalações que induzam
inovação tecnológica.
• O desenho, construção e operação de uma instalação piloto,
que não tenha uma escala economicamente rentável para um
nível de produção comercial.
• O desenho, construção e teste de uma solução já seleccionada
de novos, ou substancialmente melhorados materiais,
equipamentos, produtos, processos, sistemas ou serviços.

Propriedade Industrial
Constituída pelas despesas de desenvolvimento capitalizadas quando se
obtém a correspondente patente, devendo na respectiva valorização
serem incluídos os correspondentes custos de registo e formalização.

Goodwill
Apenas poderá ser reconhecido no activo da empresa, quando resulte de
uma transacção de carácter oneroso (por exemplo, aquisição de uma
empresa concorrente), na sequência de um acordo negociado.
Deverá ainda apresentar as seguintes características:
• O montante envolvido seja susceptível de associação a unidades
geradoras de caixa, beneficiadas pelas sinergias resultantes do
acordo negociado.
• Não se amortiza, podendo sofrer perdas de valor (imparidades)
estimada a partir da actividade desenvolvida pelas unidades
geradoras de caixa. As eventuais imparidades registadas, não
podem ser objecto de reversão.

Direito de Trespasse
Somente deverá constar no Activo, quando resulte de uma transacção
com carácter oneroso (ou seja, tenha resultado de um pagamento).
“O Goodwill pode ser
reconhecido como um
Programas Informáticos activo, quando resultar
de uma aquisição de
Deverão ser aplicados os mesmos critérios de registo e valorização que os
carácter oneroso”
adoptados em relação aos gastos com pesquisa e desenvolvimento.

Outro imobilizado intangível


Poderão existir no activo outros tipos de imobilizado intangível, distintos dos
anteriores, sempre que cumpram com os requisitos indispensáveis ao seu
reconhecimento. Alguns exemplos: concessões administrativas, direitos
comerciais, propriedade intelectual ou licenças.

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VALORIZAÇÃO DE EXISTÊNCIAS

Iniciemos então o estudo da conta de Inventários e a sua valorização. O objetivo não é somente a
identificação das unidades físicas que mantemos em existências, mas também a análise da forma
como se valorizam esses Inventários; sobretudo devido à sua relevância na formação do resultado da
empresa. A primeira dificuldade surge quando o preço de aquisição de cada tipo de mercadoria
normalmente é variável ao longo do tempo. Quando se promove a venda de alguma dessas
mercadorias, torna-se indispensável identificar qual dos custos unitários deverá ser considerado na
identificação do custo das mercadorias vendidas (CMV).

A problemática da valorização dos Inventários


Para analisar esta problemática, iremos recorrer de novo à empresa
ARACAL.
Desde final de 2006 e durante o ano de 2007, ARACAL tinha comprado os
martelos pneumáticos a um preço unitário de 600 euros. Em 1 de Janeiro
de 2008, detinha em armazém 40 martelos (24.000 euros).
Ao longo do mês de Janeiro, recepcionou três remessas do fornecedor
irlandês, nos dias 10 de Janeiro, 20 de Janeiro e 28 de Janeiro, cujas
quantidades e preços se indicam:

10 de Janeiro 12 u x 610 euros/u = 7.320 euros


20 de Janeiro 60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
28 de Janeiro 4u x 650 euros/u = 2.600 euros
“Os problemas na
valorização dos
Foram vendidos 80 martelos no dia 25 de Janeiro e outros 8 martelos no Inventários surgem
dia 30 de Janeiro, continuando o preço de venda a ser de 1.000 euros. quando as aquisições
O problema da valorização de Inventários pode ser colocado nos são concretizadas a
seguintes termos: quando se vendem 80 martelos, que custo de diferentes preços de
mercadorias vendidas deveremos considerar? 600 Euros? 610 Euros? 625 compra”
Euros? 650 Euros? Ou alguma combinação dos quatro custos unitários de
aquisição? E que custo considerar mais tarde quando se venderem mais 8
unidades?
Não existe uma solução única para este problema, mas sim diferentes
métodos entre os quais se poderá escolher o mais conveniente. Veremos
seguidamente os mais importantes.

Identificação individualizada das unidades físicas


Uma solução simples consistiria em identificar cada uma das unidades
compradas em cada momento e associá-las ao seu correspondente custo
de aquisição, no momento da sua venda, reconhecendo como custo de
mercadorias para o cálculo do seu CMV, o respectivo custo de aquisição.
Como se poderá antecipar, este método não é normalmente praticável.
Somente seria aplicável em empresas que armazenem um pequeno
número de unidades, identificáveis individualmente, não homogéneas

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entre si e de valor muito elevado.


Em galerias de arte, ou fabricação de joalharia, seria indispensável a
aplicação deste método. Nas restantes situações, torna-se necessário
recorrer a um conjunto de pressupostos sobre o fluxo de custos a
considerar nas contas de inventários da empresa. Estas hipóteses são
formuladas tomando em consideração, em maior ou menor grau, o fluxo
físico das existências em armazém.

Método FIFO (First In, First Out)


A tradução literal destas siglas é a seguinte: «primeira entrada, primeira
saída» (first in, first out). O método reflecte a ideia simples de que se
deverão vender em primeiro lugar as unidades que se encontrem há mais
tempo em armazém; por esse facto, o consumo de mercadorias, para
cálculo do CMV, deve ser valorizado por referência às primeiras unidades
que entraram em armazém, sendo as existências finais associadas às
últimas entrada em armazém.
Vamos então registar as transacções realizadas por ARACAL
correspondentes ao mês de Janeiro de 2008: “O método FIFO
pressupõe o fluxo de
existências segundo a
E 01 Janeiro 40 u x 600 euros/u = 24.000 euros ordem de entrada das
C 10 Janeiro 12 u x 610 euros/u = 7.320 euros unidades físicas em
armazém: first in, first
C 20 Janeiro 60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
out”
V 25 Janeiro 80 u x 1.000 euros/u = 80.000 euros
C 28 Janeiro 4u x 650 euros/u = 2.600 euros
V 30 Janeiro 8u x 1.000 euros/u = 8.000 euros

As transacções nos dias 10 e 20 de Janeiro são facilmente valorizadas. A


conta de Inventários aumentaria em 7.320 e 37.500 euros respectivamente
(seriam registadas a Débito) e a conta de Fornecedores aumentaria
através de um movimento a crédito nesses mesmos montantes.

A 25 de Janeiro de 2008 foi realizada uma venda de 80 unidades.


O CMV seria:

No Armazém existiam 40 martelos adquiridos ao custo unitário de 600


euros; seriam então estes os primeiros martelos a considerar no registo de
saídas. Seguidamente, haveria que considerar a saída das 12 unidades
que custaram 610 euros, devendo os restantes 28 necessários para atingir
os 80 martelos vendidos, ser valorizados a 625 euros.

CMV = 40 x 600 + 12 x 610 + 28 x 625 = 48.820 euros


Em armazém ficariam 32 martelos que seriam valorizados a 625 euros
(20.000 euros). Apresentamos de seguida a conta de Inventários e a conta
de Resultados.

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Inventários Conta de Resultados


SI 24.000 48.820 25 25 48.820 80.000 25
10 7.320
20 37.500
68.820 48.820
SF 20.000

A transacção seguinte corresponde à compra, no dia 28 de Janeiro, de


mais 4 martelos adquiridos a 650 euros.

Inventários Conta de Resultados


SI 24.000 48.820 25 25 48.820 80.000 25
10 7.320
20 37.500
28 2.600

Finalmente, a 30 de Janeiro venderam-se 8 martelos, pelo que as


existências em armazém serão:

32 u a 625 euros/u
4u a 650 euros/u

O CMV a considerar será: 8 x 625 = 5.000 euros


Sendo as existências em Armazém:

24 u a 625 euros/u = 15.000 euros


4u a 650 euros/u = 2.600 euros
Total 17.600 euros

Os registos a efectuar nas contas de Inventários e de Resultados serão:

Inventários Conta de Resultados


SI 24.000 48.820 25 25 48.820 80.000 25
10 7.320 5.000 30 30 5.000 8.000 30
20 37.500
28 2.600
71.420 53.820 53.820 88.000
SF 17.600 34.180

A conta de Resultados apresentaria a 30 de Janeiro de 2008, um resultado


parcial de 34.180 euros. Faltariam ainda outros registos de gastos que por
enquanto não estamos a considerar.

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Método LIFO (Last In, First Out)


O método LIFO consiste, contrariamente ao considerado no método FIFO,
em considerar que serão as últimas entradas em armazém, aquelas que
deverão ser consideradas no cálculo do CMV. As siglas LIFO significam
«última entrada, primeira saída» (last in, first out).
Vamos então repetir as transacções realizadas aplicando este novo
método:

E 01 Janeiro 40 u x 600 euros/u = 24.000 euros


C 10 Janeiro 12 u x 610 euros/u = 7.320 euros
“O método LIFO
C 20 Janeiro 60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
considera que as
V 25 Janeiro 80 u x 1.000 euros/u = 80.000 euros últimas existências que
C 28 Janeiro 4u x 650 euros/u = 2.600 euros entraram, deverão ser
V 30 Janeiro 8u x 1.000 euros/u = 8.000 euros as primeiras a sair”

As transacções realizadas nos dias 10 e 20 de Janeiro serão registadas de


igual forma à que foi realizada pelo método FIFO.

Ao pretender registar a transacção de 25 de Janeiro, comecemos por


identificar o que temos em Armazém:

40 u a 600 euros/u
12 u a 610 euros/u
60 u a 625 euros/u

Como foram vendidos 80 martelos, os primeiros a sair serão os últimos que


entraram, pelo que o CMV será:

60 u a 625 euros/u = 37.500 euros


12 u a 610 euros/u = 7.320 euros
8u a 600 euros/u = 4.800 euros
CMV: 49.620 euros

Em Armazém ficariam:

32 u a 600 euros/u = 19.200 euros

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Inventários Conta de Resultados


SI 24.000 49.620 25 25 49.620 80.000 25
10 7.320
20 37.500
68.820 49.620
SF 19.200

A transacção seguinte corresponde à aquisição, no dia 28 de Janeiro, dos


4 martelos ao custo unitário de 650 euros:
Inventários Conta de Resultados
SI 24.000 49.620 25 25 49.620 80.000 25
10 7.320
20 37.500
28 2.600

Como em 30 de Janeiro se venderam 8 martelos, então as Existências em


Armazém serão:

32 u a 600 euros/u
4u a 650 euros/u

O CMV será:
4u a 650 euros/u = 2.600 euros
4u a 600 euros/u = 2.400 euros
CMV: 5.000 euros

E as Existências em Armazém serão:

28 u a 600 euros/u = 16.800 euros

Os registos na conta de Inventários e de Resultados serão:


Inventários Conta de Resultados
SI 24.000 49.620 25 25 49.620 80.000 25
10 7.320 5.000 30 30 5.000 8.000 30
20 37.500
28 2.600
71.420 54.620 54.620 88.000
SF 16.800 33.380

Como seria de esperar, em períodos inflacionistas, o CMV é mais elevado


do que aquele que havia sido estimado pelo método FIFO e, por
consequência, a Margem Bruta assim calculada pelo método LIFO será
inferior.
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Custo Médio Ponderado


Este método consiste em valorizar cada unidade em armazém pelo custo
médio ponderado de todas as unidades que constituíam as existências
iniciais e de todas as unidades adquiridas até ao momento da venda.
Será utilizado não só na valorização do custo das mercadorias vendidas,
como também na valorização das existências finais.
Passemos então à valorização da transacção de 25 de Janeiro: venda de
80 martelos.
Em armazém temos:
“O Preço Médio
40 u a 600 euros/u = 24.000 euros
Ponderado pressupõe
12 u a 610 euros/u = 7.320 euros um compromisso entre
60 u a 625 euros/u = 37.500 euros os sistemas FIFO e
112 u 68.820 euros LIFO”

O Custo Médio Ponderado (CMP) das existências em armazém, nesse


momento, seria:
CMP = 68.820 = 614,46 euros/u
112

CMV = 80 x 614,46 = 49.157 euros

EF = 32 x 614,46 = 19.663 euros


Os registos a realizar nas contas de Inventários e de Resultados serão:
Inventários Conta de Resultados “Em períodos
SI 24.000 49.157 25 25 49.157 80.000 25 inflacionistas, o valor
das existências em
10 7.320
Armazém é mais
20 37.500 actual com a
aplicação do método
68.820 49.157 49.157 80.000 FIFO do que se
utilizarmos o método
SF 19.663 30.843
LIFO”
Para registar a venda de 30 de Janeiro, voltaríamos a calcular o CMP,
tendo em consideração que teve lugar uma nova compra em 28 de
Janeiro, o que determinará a seguinte alteração:

Em armazém passamos a ter:


32 u a 614,46 euros/u = 19.663 euros
4u a 650 euros/u = 2.600 euros
36 u 22.263 euros

CMP = 22.263 = 618,42 euros/u


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Consequentemente teremos:
CMV = 8x 618,42 = 4.947 euros
EF = 28 x 618,42 = 17.316 euros
Obviamente que, cada vez que tenha lugar uma aquisição, temos que
identificar o novo Custo Médio Ponderado.
Este método parece um pouco pesado. E certamente que é esse o caso
no nosso exemplo. Mais adiante veremos que quando se utiliza o sistema
de inventário periódico, este sistema é simplificado.

Os registos a realizar nas contas de Inventários e de Resultados serão:


Inventários Conta de Resultados
SI 24.000 49.157 25 25 49.157 80.000 25
10 7.320 4.947 30 30 4.947 8.000 30
20 37.500
28 2.600
71.420 54.104 54.104 88.000
SF 17.316 33.896

Impacto sobre o Resultado


Uma vez que da utilização de diferentes métodos resultam diferentes
valorizações a considerar como consumo das existências (CMV), então o
Resultado da actividade será igualmente condicionado por essas
diferentes valorizações.
No exemplo utilizado, os custos de aquisição das existências aumentaram
de forma sistemática; trata-se de um padrão típico num contexto
inflacionista que é o contexto normal em que se encontram as economias.
Se no futuro, a tendência dos preços se tornasse imprevisível, tal situação
também não permitiria identificar que método de valorização das
existências proporcionaria a formação de um maior ou menor resultado
do exercício.

“Em períodos
Se a actividade da empresa se desenvolve num contexto de uma subida inflacionistas, o
generalizada de preços (inflacionista), será fácil apercebermo-nos de que método FIFO
o Resultado será superior utilizando o método FIFO, quando comparado proporciona uma
com a utilização do CMP e, com a utilização deste último seríamos Margem Bruta menor e
conduzidos a um Resultado superior ao que teríamos se utilizássemos o por consequência
método LIFO. somos conduzidos a
um resultado inferior
ao que resultaria da
Efectivamente, se os preços crescem de forma continuada, a utilização aplicação do método
do método LIFO ao considerar na valorização das saídas os preços das LIFO”
últimas aquisições, proporciona um valor superior para o CMV e,
consequentemente, o Resultado será inferior ao que resultaria da
aplicação do método FIFO que adopta um critério exactamente oposto. É
por esse facto que o método LIFO se encontra associado à ideia de que
proporciona um resultado mais real, ou seja mais consentâneo com os
preços que se praticam actualmente no mercado, do que o Resultado

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proporcionado pelo FIFO. O CMP conduzir-nos-á sempre a um Resultado


intermédio entre os valores proporcionados pelos dois métodos restantes.
As diferenças no Resultado são compensadas pelas diferenças na
valorização das existências finais. Como corolário da afirmação anterior, a
valorização das existências finais será inferior quando utilizamos o método
LIFO do que se aplicarmos o método FIFO.
A valorização FIFO das existências finais será baseada em preços mais
actuais do que a valorização LIFO.
Com o método LIFO, se o nível de existências fosse mantido constante no
final de cada ano, o CMV seria igual ao valor das compras e o valor das
existências finais não se modificaria em relação ao valor das existências
iniciais. Poderemos então afirmar que, em contextos inflacionistas (subida
generalizada de preços), as empresas que utilizam LIFO possuem uma
mais-valia oculta nas suas existências; esta reserva somente se
materializaria em resultado contabilístico se as quantidades em existências
fossem integralmente vendidas. Esta afirmação não seria correcta se nos
deparássemos com uma redução generalizada de preços, situação no
entanto pouco frequente (tendo, por exemplo, ocorrido já no Japão).

Quadro Comparativo

FIFO CMP LIFO


Vendas 88.000 88.000 88.000
CMV 53.820 54.104 54.620
Margem Bruta 34.180 33.896 33.380
Existências Finais 17.600 17.316 16.800

Métodos aceites pelo PGC e as NIC


O Plan General de Contabilidad espanhol admite a utilização dos
métodos FIFO e CMP, ao passo que as NIC ainda consideram possível a
utilização do método LIFO.

Plan General Contable


A fórmula escolhida para determinar o custo das mercadorias vendidas,
dependerá do tipo de existências:
1. Se as existências não forem habitualmente permutáveis entre si, “Na valorização de
ou se os bens e serviços forem produzidos e segregados para produtos
projectos específicos, o método indicado para determinar o custo transaccionáveis, as
das “saídas de existências”, será o método de “identificação NIC admitem a
específica” dos custos individuais desses bens e serviços. Este utilização dos métodos
método pressupõe valorizar cada produto vendido pelo seu FIFO, LIFO e CMP, ao
“custo real de aquisição”. passo que o PGC
apenas admite o CMP
2. O custo das saídas de existências, caso se trate de produtos e o FIFO”
indiferenciáveis entre si, será determinado mediante recurso ao
Custo Médio Ponderado, ainda que seja aceitável a utilização do
método FIFO.

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Em qualquer caso, deverá ser escolhido apenas um dos métodos de


valorização de existências a escolher entre os considerados aceitáveis,
devendo ser aplicado de forma consistente para mercadorias de natureza
e utilização semelhante.

Normas Internacionais de Contabilidade


O tratamento da valorização de inventários segundo as NIC – NIC nº1 – é
semelhante ao exposto no PGC, com a única diferença de que para os
bens referidos anteriormente no ponto 2 – produtos indiferenciáveis entre si
-, admite a possibilidade de recorrer ao método de valorização LIFO.

Qualquer que seja o método seleccionado, a NIC exige que o respectivo


custo nunca exceda o “Valor Realizável Líquido”; pois caso tal aconteça,
deverá ser reconhecida essa perda de valor das existências, na conta de
Resultados da empresa.

O Valor Realizável Líquido é o preço estimado de venda de um activo, no


decurso de uma normal operação de venda no mercado, deduzido dos
custos estimados para concluir a sua produção assim como os custos
necessários para concretizar a sua venda.

A prática de reduzir o valor das existências, até que o valor contabilístico


seja idêntico ao Valor Realizável Líquido, é coerente com o ponto de vista
segundo o qual, os activos não devem figurar nas Demonstrações
Financeiras da empresa por um valor superior àquele que se espera
recuperar com a sua utilização posterior ou venda. Os ajustes aos valores
das existências deverão, em qualquer caso, ser devidamente suportados
documentalmente e ser devidamente referenciados no Anexo às Contas
da empresa.

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INVENTÁRIO PERIÓDICO

Até agora, cada vez que era realizada uma venda, procedíamos ao registo do custo das mercadorias
vendidas (CMV). Veremos que existe outro procedimento, que deixa a quantificação desta
informação para o final do período. No primeiro caso, estaríamos utilizando um sistema de inventário
permanente e o segundo procedimento de registo acima referido e que vamos passar a estudar, é
designado por sistema de inventário periódico.

Inventário Permanente versus Inventário Periódico


O pressuposto adoptado até ao momento, era o de que as empresas
utilizavam um sistema de inventário permanente; ou seja, cada vez que se
realiza uma venda é levado a efeito o registo do custo da mercadoria
vendida, procedendo-se simultaneamente à sua dedução na conta de
Existências. Isto equivale a conhecer em cada momento o número de
unidades de que se dispõe em armazém e conhecer o preço de
aquisição de cada uma.
Este sistema é legítimo e, em determinado tipo de empresas é o mais
adequado. Pensemos num concessionário de automóveis, será de toda a
importância conhecer em cada momento as unidades de que se dispõe
para venda e o respectivo custo unitário de aquisição.

“Em qualquer dos


Noutro tipo de negócios, pode acontecer que não seja prático registar sistemas, sempre se
após cada venda o custo da mercadoria vendida; por exemplo numa loja deverá verificar a
de ferragens, parece excessivo ir registando a saída de cada parafuso, e igualdade: Existências
em geral, em todas as empresas que se dediquem a produtos Iniciais mais aquisições
caracterizados por inúmeras referências, grandes quantidades, de devem igualar as
reduzido valor unitário. Neste caso, o custo de manter um sistema de Existências Finais mais
inventário permanente é significativamente superior aos benefícios que o Custo das
proporciona. Mercadorias
Nestes casos, é utlizado um Sistema de Inventário Periódico; ou seja, não Vendidas”
se procede ao registo das saídas por venda das mercadorias, mas no final
do período considerado (periodicidade anual mínima), é realizada uma
contagem física das existências nesse momento.
O custo das mercadorias vendidas é medido em termos globais através
da seguinte igualdade:
Existências iniciais + Compras = Existências finais + CMV

Trata-se de uma igualdade que se verifica em todas as cicunstâncias,


independentemente de utilizarmos um sistema de inventário periódico ou
de inventário permanente. A referida igualdade indica-nos que, aquilo
que existia no início do período, acrescido das compras realizadas durante
o período em causa, será igual àquilo que foi vendido, acrescido daquilo
que se manteve em existências no final desse período.

CMV = Existências iniciais + Compras – Existências finais

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Tratamento Contabilístico
No sistema de Inventário Permanente, tal vinha sendo concretizado, o
tratamento de um ponto de vista contabilístico pode ser assim descrito:
• Quando tem lugar uma compra, debitamos a conta de
Inventários (aumenta) por contrapartida da conta de
Fornecedores que vamos creditar (aumentando) ou
diminuindo a conta de caixa (diminuindo), consoante a
aquisição tenha sido realizada a crédito ou com pagamento
imediato.
• Quando ocorre uma venda, debitamos (aumenta) a conta de
caixa ou de Clientes, consoante a venda tenha sido realizada
a pronto ou a crédito, sendo creditada a conta de Resultados
(Proveitos). Debitamos a conta de Custo de Mercadorias
Vendidas pelo montante – identificado segundo o Sistema de
valorização adoptado -, creditando-se a conta de Inventários
por esse valor.
Quando se utiliza o Sistema de Inventário Periódico:
“Em qualquer dos
• Quando tem lugar uma compra, debitamos (aumenta) a
sistemas de
conta de Inventários, por contrapartida da conta de
valorização, sempre se
Fornecedores ou caixa, que iremos creditar, consoante a
verificará a igualdade:
aquisição tenha sido realizada a crédito ou com pagamento
O montante das
imediato. Por vezes, é movimentada uma conta auxiliar de
Existências Iniciais
compras.
acrescido das
• Quando ocorre uma venda, creditamos a conta de Resultados Compras devará ser
(Proveito), e debitamos a conta de caixa ou de clientes, igual ao valor das
consoante a venda tenha sido realizada a pronto pagamento Existências Finais
ou a crédito. Não se leva a efeito qualquer registo referente ao acrescido do valor do
custo da mercadoria vendida. Nesta fase, conhecemos o Custo das Mercadorias
montante das vendas, mas desconhecemos a que produtos se Vendidas”
reportam.
• No final de cada período (quer seja mensal, trimestral ou
anual), dependendo do tipo e das necessidades de cada
empresa) é realizado um inventário: procede-se à contagem
física das existências, promove-se a sua valorização e
identificamos o custo das mercadorias vendidas, debitando
directamente essa conta, por contrapartida de um crédito a
realizar na conta de Inventários.

Caso ARACAL, Janeiro de 2008


Vamos aplicar o sistema de Inventário Periódico no processamento das
transacções realizadas, que foram, anteriormente, alvo de tratamento
contabilístico mediante recurso ao sistema de Inventário Permanente,
recorrendo aos diferentes critérios de valorização das saídas; FIFO, LIFO e
CMP.
Recordemos que as Existências Iniciais eram constituídas por 40 martelos
que haviam custado 600 euros cada (24.000 euros). Este montante
corresponde às Existências Finais de 2007, constituindo por isso, as
Existências Iniciais do ano de 2008.

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Se Inmaculada tivesse adoptado até àquele momento o sistema de


Inventário Periódico, ao finalizar o exercício, a sua contagem física das
existências ter-lhe-ia permitido identificar as existências que detinha em
armazém (40 martelos).
EI = 40 x 600 = 24.000 euros.

Durante o mês de Janeiro, recebeu três remessas do fornecedor irlandês,


respectivamente nos dias 10 de Janeiro, 20 de Janeiro e 28 de Janeiro. As
respectivas quantidades e preços de compra, são os que seguidamente
recordamos:
10 de Janeiro 12 u x 610 euros/u = 7.320 euros
20 de Janeiro 60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
28 de Janeiro 4u x 650 euros/u = 2.600 euros

As vendas realizadas ascenderam a 80 martelos em 25 de Janeiro e a 8


martelos em 31 de Janeiro. O preço de venda manteve-se inalterado ao
nível de 1.000 euros.
Registo das transacções correspondentes a Janeiro de 2008 de ARACAL:
Ei 01 de Janeiro 40 u x 600 euros/u = 24.000 euros
C 10 de Janeiro 12 u x 610 euros/u = 7.320 euros
C 20 de Janeiro 60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
V 25 de Janeiro 80 u x 1.000 euros/u = 80.000 euros
C 28 de Janeiro 4u x 650 euros/u = 2.600 euros
V 30 de Janeiro 8u x 1.000 euros/u = 8.000 euros

Anteriormente, não levámos em consideração os registos referentes às


contas de Fornecedores e de clientes, porque nos focalizámos na
tentativa de compreender o que se passava na conta de Resultados e na
conta de Inventários. Passaremos então a apresentar os registos
contabilísticos na sua totalidade, uma vez que estamos a utilizar pela
primeira vez o sistema de Inventário Periódico. Admitiremos que, tanto as
compras como as vendas foram realizadas a crédito.
As transacções realizadas nos dias 10 e 20 de Janeiro teriam então o
seguinte tratamento contabilístico:
Inventários Fornecedores
SI 24.000 30.000 SI
10 7.320 7.320 10
20 37.500 37.500 20

A 25 de Janeiro de 2008 é realizada a venda de 80 martelos.


Clientes Fornecedores
SI 30.000 80.000 25
25 80.000

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Não efectuámos qualquer registo relativamente ao custo das mercadorias


vendidas.
Na transacção seguinte, registamos a aquisição de 4 martelos a 650 euros
cada um, no dia 28 de Janeiro.
Inventários Fornecedores
SI 24.000 30.000 SI
10 7.320 7.320 10
20 37.500 37.500 20
28 2.600 2.600 28

Tratamento da venda de 8 martelos no dia 30 de Janeiro:


Clientes Conta de Resultados
SI 30.000 80.000 25
25 80.000 8.000 30
30 8.000

Chegámos ao final do período, que neste caso foi um mês. Seguidamente


Inmaculada realiza uma contagem física dos martelos que tem em
armazém e constata que se encontram 28 martelos: 40 + 12 +60 + 4 – 80 –
8 = 28). Possui então como Existências Finais 28 martelos. Veremos para
cada um dos critérios estudados de valorização das saídas, como se
valorizam as Existências Finais e o CMV.
A informação inicial é a seguinte:
Unidades Euros
Vendas 88 88.000
Existências Iniciais 40 24.000
Compras 76 47.420
Existências Finais 28

Método FIFO
O método FIFO começa por retirar as existências, por ordem de entrada
em armazém. Teremos que retirar então 88 martelos que vendemos.
Recordemos então a situação das nossas existências em armazém:
1 de Janeiro 40 u x 600 euros/u = 24.000 euros
10 de Janeiro 12 u x 610 euros/u = 7.320 euros
20 de Janeiro 60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
28 de Janeiro 4u x 650 euros/u = 2.600 euros
116 71.420 euros

Restam-nos então 28 martelos que serão, de acordo com este critério, os


últimos que entraram, uma vez que fomos dando saída aos primeiros que
tinham dado entrada em armazém:

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24 u a 625 euro = 15.000 euros


4u a 650 euro = 2.600 euros
Existências Finais 17.600 euros

CMV = EI + Compras – EF = 24.000 + 47.420 – 17.600 = 53.820 €


Poderemos finalmente realizar os registos contabilísticos correspondentes:
Inventários Conta de Resultados
SI 24.000 53.820 CMV CMV 53.820 80.000 25
10 7.320 8.000 30
20 37.500
28 2.600
71.420 53.820 53.820 88.000
SF 17.600 34.180

Método LIFO
Como se irão retirar em primeiro lugar as últimas existências que deram
entrada, então as existências finais serão constituídas pelas primeiras
unidades que entraram em armazém.
28 u a 600 euros/u = 16.800 euros
Existências Finais 16.800 euros

CMV = EI + Compras – EF = 24.000 + 47.420 – 16.800 = 54.620 €


Poderemos seguidamente levar a efeito o registo do apuramento de
resultados após inclusão do CMV:
Inventários Conta de Resultados
SI 24.000 54.620 CMV CMV 54.620 80.000 25
10 7.320 8.000 30
20 37.500
28 2.600
71.420 54.620 54.620 88.000
SF 16.800 33.380

Custo Médio Ponderado


Em primeiro lugar, deveremos calcular o custo médio de aquisição no
período.
Em armazém temos:
40 u x 600 euros/u = 24.000 euros
12 u x 610 euros/u = 7.320 euros
60 u x 625 euros/u = 37.500 euros
4u x 650 euros/u = 2.600 euros
116 71.420 euros

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O Custo Médio Ponderado (CMP) das Existências em armazém será então:


CMP = 71.420 = 615,69 euros/u
116
“O método de
valorização pelo Custo
Médio Ponderado,
EF = 28 x 615,69 = 17.239 euros assume maior utilidade
quando se pretende
CMV = EI + Compras – EF = 24.000 + 47.420 – 17.239 = 54.181 €
utilizar o Sistema de
Podemos então proceder ao registo do CMV nas contas correspondentes: Inventário Periódico,
em lugar do sistema
Inventários Conta de Resultados
de Inventário
SI 24.000 54.181 CMV CMV 54.181 80.000 25 Permanente.”
10 7.320 8.000 30
20 37.500
28 2.600
71.420 54.181 54.181 88.000
SF 17.239 33.819

No Sistema de Inventário Periódico, faz todo o sentido utilizar o método do


Custo Médio Ponderado, já que o seu cálculo apenas se realiza uma vez
no final do período, deixando então de ser calculado após cada venda,
como ocorria ao utilizar-se o sistema de Inventário Permanente.

Quadro Comparativo
FIFO CMP LIFO
Vendas 88.000 88.000 88.000
CMV 53.820 54.181 54.620
Margem Bruta 34.180 33.819 33.380
Existências Finais 17.600 17.239 16.800

Perante o quadro anterior, poderemos concluir que, quanto mais elevado


for o custo unitário das nossas Existências Finais, tanto mais elevado será o
o resultado obtido.

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A EMPRESA INDUSTRIAL

As empresas industriais, contrariamente às empresas comerciais, caracterizam-se por levar a cabo um


processo produtivo. Promovem a transformação de matérias-primas que, mediante intervenção de
mão-de-obra, equipamentos, instalações, etc., conduzem à obtenção de produtos acabados.
Pelo contrário, a empresa comercial não altera a natureza dos produtos que adquire; a sua missão
consiste em aproximá-los do consumidor. De forma idêntica, as empresas de serviços não
transformam nem vendem produtos, apenas promovem a criação de valor acrescentado, na
prestação de serviços que proporcionam aos seus clientes. Aqui reside a diferença essencial entre os
diferentes tipos de empresa.

Empresas Comerciais, de Serviços e Industriais


As Empresas Comerciais vendem os produtos sem promover qualquer
alteração nos produtos que adquiriram. A sua missão consiste em “garantir
que esses produtos cheguem ao conhecimento dos consumidores”.
Referimo-nos aos comerciantes retalhistas, distribuidores, armazenistas,
grandes superfícies, etc.
As empresas industriais, pelo contrário, transformam matérias-primas em
produtos acabados, através de um processo produtivo; a transformação
tem lugar mediante recurso a mão-de-obra, equipamento, instalações,
fornecimentos e serviços de terceiros, energia, etc.
As empresas de serviços satisfazem as necessidades dos seus clientes, sem “Ao promovermos a
envolvimento em acções de comercialização, ou promover a comparação entre as
transformação de produtos, distinguindo-se por essas circunstâncias das demonstrações
restantes. contabilísticas de uma
empresa industrial e
uma empresa
comercial,
A contabilidade, enquanto instrumento essencial no processamento de
constatamos que as
informação sobre a actividade da empresa e sobre a sua gestão, reflecte
principais diferenças
inevitavelmente essa diferenciação no âmbito da actividade económica
se encontram nas
de cada tipo de empresa.
contas de inventários
utilizados em cada
caso e no tipo de
Ao compararmos as demonstrações contabilísticas dos três tipos de
custos imputados ao
empresas, observamos que as demonstrações contabilísticas das
produto”
empresas de serviços, carecem de informação sobre a gestão de
actividades de armazenagem; radicando-se as principais diferenças entre
as empresas industriais e as empresas comerciais, nas contas de
Inventários e no tipo de custos imputados aos produtos.

Analisaremos o “procedimento contabilístico” a adoptar nas contas de


Inventários e a problemática colocada pela necessidade de promover a
sua valorização, na dupla dimensão: critérios a adoptar na imputação dos
custos ao produto (questão a ser estudada em pormenor pela
Contabiliddade de Custos) e metodologia a adoptar na movimentação
das contas de Inventários (entradas e saídas). Procedamos então a uma
revisão dos métodos de valorização mais importantes.

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As Existências numa Empresa Industrial


A empresa industrial, como anteriormente referido, leva a efeito um
processo produtivo: a partir de matérias-primas vai promovendo a
incorporação de valor, mediante a utilização de mão-de-obra,
equipamentos e outros custos, obtendo-se como resultado final, um
Produto Acabado.
Quadro 1: Processo de transformação numa empresa industrial

Existências Existências Existências Custo das


de matérias de Produtos de Produto Mercadorias
primas em curso Acabado Vendidas

Matérias Conclusão
Compras Primas da produção Vendas
Utilizadas

Mão
de Outros
Obra custos

Ao conjunto dos custos com mão-de-obra e restantes custos de


produção: fornecimentos e serviços de terceiros, energia, amortização de
equipamentos, reparações, manutenção, etc., será atribuída a
designação de custos de transformação, ou custos de conversão.
Uma consequência imediata deste processo produtivo, será a existência
de três tipos diferentes de Existências (contrariamente ao verificado para
as empresas comerciais, em que apenas existe um tipo):

• Matérias-primas: materiais adquiridos pela empresa para serem “A empresa industrial


incorporados nos produtos acabados, através de um processo tem três tipos
produtivo. Serão valorizadas pelo respectivo custo de aquisição. diferentes de
Existências: Matérias-
• Produtos e Trabalhos em Curso: produtos que se começaram a primas, Produtos em
produzir e que, por ocasião do encerramento do exercício, ainda Curso e Produtos
não se encontram concluídos; por esse facto ainda não foi Acabados”
considerada a sua entrada no armazém de produto acabado. A
sua valorização resultará do somatório da matéria-prima
consumida com os custos de transformação incorridos até à data
de encerramento contabilístico que se esteja a analisar.
• Produto Acabado: serão os produtos cuja fabricação se encontra
concluída e que estão preparados para venda. De um ponto de
vista contabilístico, implica reconhecer que lhe foram
incorporados todos os custos associados ao seu processo
produtivo.

Funcionamento das contas de Existências


Cada um dos três tipos de existências anteriormente referidos será alvo de
tratamento em contas de Inventários distintas:

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Conta de Matérias-primas
Esta conta funciona de uma forma muito parecida com a conta de
Inventários de uma empresa comercial. Aumenta (movimentando-se a
débito) quando são realizadas compras (valorizadas a custo de aquisição)
e diminui, à medida que forem sendo utilizadas na produção
(movimentado-se a crédito).
“A conta de Matérias-
primas funciona de
forma análoga à
Conta de Produtos em Curso
utilizada na conta de
A conta de Produtos em Curso aumenta (movimentos a débito) pelas Inventários de uma
incorporações de matérias-primas e dos custos de transformação (mão de empresa comercial”
obra, amortização de equipamentos e de instalações, etc.), que se vão
associando ao produto ao longo de todo o processo produtivo; e
diminuirá quando o processo produtivo se tenha concluído, altura em que
o seu valor será transferido para a conta de Produtos Acabados.

Conta de Produtos Acabados


A conta de Produtos Acabados vai sendo debitada à medida que a
produção é concluída (valor transferido da conta de Produtos em Curso),
e que será creditada quando esse produto for vendido, altura em se
creditará a conta de Resultados, com o custo das mercadorias vendidas
(CMV).

Quadro 2: Mecanismo
Matérias Produtos Produtos
Primas em curso Acabados

Consumo Consumo Custo das Conta de


Compras de matérias de matérias Produto Produto Mercadorias Resultados
primas primas Acabado Acabado Vendidas

Custos de fabricação

Para efeitos didácticos, mostra-se particularmente adequado evidenciar o


funcionamento «em cascata» das contas de Inventários da empresa
industrial.

Manufacturas Roble
Para consolidar os conceitos acima expostos, iremos recorrer a um
exemplo, tal como temos vindo a realizar ao longo do curso.

Manufacturas Roble fabrica mobiliário de de madeira, tendo desenvolvido


a seguinte actividade durante o mês de Janeiro:

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Manufacturas Roble
1) Compras de Matéria-prima (a crédito) 50.000
2) Matérias Primas usadas na fabricação 40.000
3) Mão-de-obra Directa incorporada na fabricação 30.000
4) Mão-de-obra Indirecta no mês Janeiro 15.000
5) Amortização de Equipamento 20.000
“A conta de Produtos
6) Vernizes e Material de Limpeza 4.000
em Curso aumenta
7) Energia, Água, Gás, Aquecimento 6.000
com a incorporação
8) Gastos Administrativos e Comerciais (Janeiro) 20.000 das matérias-primas e
9) Vendas do mês de Janeiro a crédito 150.000 dos custos de
10) Produtos terminados durante o mês de Janeiro 120.000 transformação que
11) Custo dos Produtos Vendidos em Janeiro 110.000 vão sendo imputados
ao produto, durante o
Existências de Matéria-prima em 1 de Janeiro 15.000 processo produtivo”
Existências de Produtos em Curso em 1 de Janeiro 20.000
Existências de Produtos Acabados em 1 de Janeiro 5.000

Transacção 1: Compra de Matéria-prima a crédito (50.000)


Matérias Primas Fornecedores
SI 15.000 XXX SI
1) 50.000 50.000 1)

Se nos recordarmos, este lançamento é igual ao que havíamos realizado


para registar a compra de mercadorias numa empresa comercial.

Transacção 2: Matérias-primas utilizadas na Produção (40.000)


Matérias Primas Produtos em curso
SI 15.000 40.000 2) SI 20.000
1) 50.000 2) 40.000

Uma “transferência” de matérias-primas para a fase seguinte do processo


produtivo, reduz o montante da conta de Matérias-primas e aumenta o
valor da conta de Produtos em Curso. O saldo consolidado das três contas
de Inventários, globalmente consideradas, não é afectado em termos
quantitativos, mas sim de forma qualitativa. Evidenciámos o facto de que,
aquilo que até ao momento eram matérias-primas, ter começado a ser
utilizado no processo produtivo, tornando-se num dos componentes dos
produtos em curso.

Transacção 3: Mão-de-obra directa incorporada na fabricação (30.000)


Caixa e Bancos Produtos em curso
SI XXX 30.000 3) SI 20.000
2) 40.000
3) 30.000

A Mão-de-obra Directa utilizada na produção, aumenta o custo dos


produtos em curso; e caso seja liquidado a pronto pagamento, como
admitimos ser o caso, diminuirá o valor em Caixa ou Bancos.
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Transacção 4: Mão-de-obra Indirecta (15.000)


Caixa e Bancos Produtos em curso “A conta de Produtos
SI XXX 30.000 3) SI 20.000 Acabados é debitada
15.000 4) 2) 40.000 à medida que o
3) 30.000 processo de fabrico se
vai concluindo e
4) 15.000
creditada por ocasião
A diferença existente entre Mão-de-obra Directa e Indirecta, reside no da sua venda, pelo
facto de o primeiro tipo estar perfeitamente identificado com a produção valor do respectivo
que origina, ao passo que o segundo tipo se encontra associado também custo das mercadorias
a outras actividades. Foi então considerado que os 15.000 euros vendidas (CMV)”
constituem a parcela da Mão-de-obra Total que se possam
razoavelmente poder considerar corresponder à produção em causa (é o
que se costuma designar por Mão de Obra Indirecta). Como
anteriormente, admitimos ter sido liquidada a pronto pagamento.

Transacção 5: Amortização de Equipamentos (20.000)


Amortização Acumulada
de Equipamentos Produtos em curso
XXX SI SI 20.000
20.000 5) 2) 40.000
3) 30.000
4) 15.000
5) 20.000

A amortização de equipamentos constitui outro tipo de custo de


produção. Aumenta o valor dos produtos em curso, ao mesmo tempo que
diminui o valor líquido do imobilizado, aumentando a amortização
acumulada.

Transacção 6: Vernizes e material de limpeza (4.000)


Caixa e Bancos Produtos em curso
SI XXX 30.000 3) SI 20.000
15.000 4) 2) 40.000
4.000 6) 3) 30.000
4) 15.000
5) 20.000
6) 4.000

São também custos de fabricação. Noutras empresas não será assim; mas
convirá não esquecer que, no nosso exemplo, a empresa fabrica
mobiliário pelo que os vernizes e outros materiais de limpeza são
necessários ao processo de acabamento dos produtos. Da sua utilização
decorre um inevitável aumento nos custos dos Produtos em Curso e, caso
sejam liquidados a pronto pagamento, resultará uma diminuição do valor
em Caixa ou Bancos.

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Transacção 7: Energia, água, gás aquecimento (6.000)


Caixa e Bancos Produtos em curso
SI XXX 30.000 3) SI 20.000
15.000 4) 2) 40.000
4.000 6) 3) 30.000
6.000 7) 4) 15.000
5) 20.000
6) 4.000
7) 6.000

“Os Gastos
A energia, a água, o gás e o aquecimento, na medida em que sejam
Administrativos e
utilizados no processo de fabrico, deverão ser incorporados no custo dos
Comerciais, não são
produtos em curso. Vamos igualmente admitir que o seu pagamento foi
considerados custos
concretizado a pronto.
de produção, sendo
pelo contrário
considerados gastos
Transacção 8: Gastos Administrativos e Comerciais (20.000) no período de
Caixa e Bancos Conta de Resultados actividade”
SI XXX 30.000 3) 8) 20.000
15.000 4)
4.000 6)
6.000 7)
20.000 8)

Os gastos administrativos e comerciais, em linhas gerais, não formam parte


do processo produtivo. São alvo de tratamento contabilístico idêntico ao
adoptado nas empresas comerciais. Caso sejam liquidados a pronto
pagamento, será creditada a conta de Caixa ou Bancos, por
contrapartida de um débito na conta de Resultados.

Transacção 9: Vendas do mês de Janeiro realizadas a crédito (150.000)


Clientes Conta de Resultados
SI XXX 8) 20.000 150.000 9)
9) 150.000

O registo contabilístico das vendas é idêntico ao realizado nas empresas


comerciais. Adoptaremos o Sistema de Inventário Periódico, pelo que, até
ao encerramento de contas do período, não efectuaremos qualquer
registo relacionado com o custo das mercadorias vendidas.

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Transacção 10: Produtos Acabados durante o mês de Janeiro (120.000)


Produtos em curso Produtos Acabados
SI 20.000 120.000 10) SI 5.000
2) 40.000 10) 120.000
3) 30.000
4) 15.000
5) 20.000
6) 4.000
7) 6.000
“Na empresa industrial,
as contas de
A conclusão do processo produtivo traduzir-se-à numa transferência entre existências constituem
contas de Inventários. De forma análoga ao realizado na Transacção 2, um elemento chave no
registamos a «saída» dos Produtos em Curso (movimento a crédito) e a processo de
«entrada» em armazém dos Produtos Acabados (movimento a débito). periodização de
resultados”

Transacção 11: Custo dos Produtos Vendidos em Janeiro (110.000)


Produtos Acabados Conta de Resultados
SI 5.000 110.000 11) 8) 20.000 150.000 9)
10) 120.000 11) 110.000

Como decidimos adoptar o sistema de Inventário Periódico, no final do


período (no nosso caso, um mês), creditamos o custo dos produtos
vendidos (CMV) na conta de Produtos Acabados e debitamos esse
mesmo valor na conta de Resultados.

Poderemos então apresentar a conta de Resultados referente ao mês de


Janeiro:
Vendas 150.000
Custo de Mercadorias Vendidas 110.000
Margem Bruta 40.000

Gastos Administrativos e Comerciais 20.000

Resultado 20.000

Poderemos então verificar que nenhum dos diferentes custos incorridos na


fabricação do produto é deduzido directamente do valor das vendas (tal
dedução é realizada indirectamente através do CMV. Os gastos incorridos
na fabricação foram sendo incluídos no custo dos produtos e, como tal,
formam parte do activo da empresa, enquanto componente das
existências. Serão reconhecidos como gasto, no momento em que se
concretize a venda do produto, através do custo das mercadorias
vendidas (CMV).
Os gastos administrativos e comerciais devem ser deduzidos directamente
na conta de Resultados, uma vez que, apesar de ser indispensável a sua
realização, não poderemos considerar que se constituam como
componentes do custo do produto.

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Custos de produção e gastos do período


Na empresa industrial, a questão chave é a de determinar que custos
devem ser associados às unidades de produto fabricadas (passando a
fazer parte do seu custo), separando-os daqueles que não deverão ser
considerados como tal (passando a ser considerados gastos do período).
Para clarificar esta questão, será necessário definir com maior rigor alguns
conceitos fundamentais.

Em primeiro lugar, torna-se necessário distinguir cuidadosamente os


conceitos de custo e de gasto, apesar de ser comum a sua incorrecta
utilização indiferenciada.
O PGC e a NIC nº1, na sua referência a Inventários, determinam os
elementos que devem ser considerados como relevantes na
determinação do custo.

Como primeiro critério, é estabelecido que os bens e serviços são “A fronteira entre um
valorizados pelo seu preço de aquisição ou pelo seu custo de produção. custo associado a um
Seguidamente descreve-se o que deve ser considerado em cada caso. O produto e um gasto
preço de aquisição incluirá: associado ao período,
é difusa. Existem
• Montante facturado pelo Fornecedor. legítimas diferenças de
opinião sobre a forma
• Descontos, ou qualquer redução de preço.
mais adequada de
• Gastos directamente relacionados com a aquisição das classificar um
existências, até ao local em que se encontrem disponíveis para movimento concreto e
venda ou utilização no processo produtivo, como por exemplo, sempre tendo em
transportes, direitos e taxas aduaneiras, seguros, etc. consideração a
actividade produtiva
da empresa.”
O custo de produção incluirá:
• Preço de aquisição das matérias-primas e dos materiais
consumíveis.
• Custos directamente imputáveis à fabricação do produto.
• A parcela corresponte dos custos indirectos que possam ser
razoavelmente imputados a tais bens, sempre que esses custos se
reportem ao período de fabricação dos produtos, até que se
encontrem em condições de ser vendidos e sempre que se
refiram a um nível de utilização normal da capacidade produtiva.
Por outro lado, consideram ainda componentes adicionais que serão
acrescidos quer ao preço de aquisição quer ao custo de produção,
designadamente:
• Impostos indirectos não recuperáveis do Estado.
• Encargos Financeiros imputados, no caso de produtos que
necessitem de um período superior a um ano para que estejam
disponíveis para venda.

Pelo contrário, um gasto é reconhecido na Demonstração de Resultados


quando se verifica uma diminuição nos benefícios económicos futuros
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relacionada com uma diminuição nos activos, ou aumento do passivo da


empresa, e que possa ser medido com fiabilidade.
Ou seja, é reconhecido imediatamente um gasto quando o desembolso
efectuado não produz benefícios económicos futuros e, na medida em
que tais benefícios futuros não cumpram, ou deixem de cumprir as
condições para o seu reconhecimento como um elemento do activo no
Balanço da empresa.

O Resultado de um determinado período será identificado pela diferença


entre os Rendimentos e os Gastos necessários para a sua formação:
RESULTADO = RENDIMENTOS – GASTOS

“Uma empresa
Os recursos que se utilizam na fabricação do produto final, são industrial transforma
considerados custos do produto e são acumulados “em cascata” nas um produto noutro;
contas de Inventários: a contabilidade não considera que esses recursos parece pois natural
tenham sido consumidos até que se venda o produto. Por este processo, a que os custos de
conta de Inventários converte-se num mecanismo chave na periodização transformação sejam
do Resultado da empresa industrial. incluídos nos custos do
produto”
A circunstância de, numa empresa industrial, se considerarem todos os
custos de produção como sendo custos do produto, parece ser lógica, na
perspectiva da contabilidade. Uma empresa industrial transforma um
produto noutro produto; e parece lógico que os custos de transformação
sejam incluídos no custo do novo produto. Por outro lado, os gastos
administrativos, comerciais e financeiros não modificam o produto; são
gastos do período, associados não aos rendimentos da venda do produto,
mas ao período de tempo em si mesmo e relativos à própria existência e
funcionamento da empresa, de um ponto de vista comercial e
administrativo.
Em contraste, quando uma empresa comercial compra mercadorias,
aumenta as suas existências de produtos disponíveis para venda. O custo
em que incorre será transformado em gasto, no momento em que as
mercadorias se vendam. Os restantes custos serão, salvo raras excepções,
gastos do período.

Segundo o acima exposto, o resultado de um período, numa empresa


industrial, poderá ser identificado da seguinte forma:
RESULTADO = RENDIMENTOS – CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS – GASTOS
DO PERÍODO

Neste caso, os custos do produto são convertidos em gasto quando tem


lugar a venda, ao passo que os gastos do período serão deduzidos ao
resultado no período em que tenham lugar.

Nas empresas de serviços não existem contas de existências, ou porque


não formam parte do seu ciclo de actividade, ou porque não assumem
valor relevante.

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A fronteira entre os dois tipos de gastos não poderá realizar-se de forma


absolutamente indiscutível. Existem legítimas diferenças de opinião sobre a
forma de processar a mesma transacção. A título de exemplo,
poderíamos colocar em causa o tratamento adoptado relativamente aos
gastos incorridos com energia, água e gás (Transacção 7) se a empresa
não conseguir distinguir as parcelas que são consumidas no processo de
fabrico dos restantes consumos.

A discussão detalhada destas questões é tema fulcral, como já referido


anteriormente, da Contabilidade de Custos. Deveremos no entanto
assinalar que, o montante que pretende traduzir o resultado da empresa,
não é em certas ocasiões um elemento rigorosamente estabelecido,
antes resultando da aplicação de certas estruturas de natureza
contabilística, originando-se por vezes alguma discricionaridade. Por isso,
não parece prudente assumir uma opinião sobre os resultados finais, sem
conhecer suficientemente os critérios que foram adoptados na sua
determinação.

Poderemos concluir que, em contabilidade se torna tão ou mais


importante conhecer os critérios adoptados que determinam o que se faz,
do que a circunstância de se ter feito uma coisa ou outra.
“Nas empresas de
serviços não existem
Tanto o PGC como as NIC são muito exigentes no momento de contas de Inventários,
reconhecer um Rendimento resultante da venda de um produto ou da porque não formam
prestação de um serviço. A esse respeito esclarecem: parte essencial do seu
ciclo de actividade ou
porque o seu valor não
• Poderemos reconhecer como Rendimento uma venda de um bem assume dimensão
quando tenham sido transferidos para o comprador todos os riscos relevante”
e benefícios económicos do seu usufruto, independemente de se
haver concretizado numa perspectiva formal a sua venda e
sempre que a empresa vendedora não leve a efeito a gestão e o
controle dos bens vendidos.
• Poderemos reconhecer um Rendimento pela prestação de um
serviço quando seja possível contabilizar os rendimentos pelo grau
de acabamento do serviço (com a associação aos respectivos
custos incorridos) de forma fidedigna e exista informação
relevante para o efeito. Pelo contrário, os custos incorridos
deverão ser contabilizados como Produtos em Curso, sempre que
os gastos incorridos possam ser considerados como recuperáveis
através da sua venda.

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DEVEDORES E CREDORES
As aquisições e vendas a crédito são normais em qualquer sector de actividade empresarial. A partir
destas operações surgem direitos e obrigações que inevitavelmente terão uma expressão
contabilística. Os montantes que são considerados num Balanço relativos a Clientes e Fornecedores,
são constituídos pelas operações de venda e de compra em que o pagamento foi diferido no tempo,
sempre referindo-se à actividade corrente e normal da empresa, nos termos do seu objecto social.

Devedores
Os devedores são activos da empresa, e como tal representam benefícios
económicos futuros e expressam o direito da empresa exigir perante
terceiros, o cumprimento de uma obrigação, normalmente como
consequência de créditos concedidos (pela venda de produtos, etc.). Tal
como os restantes activos, devem ser registados no Balanço e, a
circunstância de a sua data de vencimento ultrapassar ou não os doze
meses, contados a partir da data de encerramento das Demonstrações
Financeiras, assim deverão ser considerados como Activos Correntes
(situação mais vulgar) ou como Activos Não Correntes.
No Balanço de uma empresa, na rubrica de Devedores, a componente
mais significativa é constituída pelos Clientes, cujo montante representa o “ Na conta de
valor dos direitos a receber resultantes da venda de produtos que “Clientes” são
constituam a actividade normal e corrente da empresa. No caso de considerados os
ARACAL, será constituída pelos clientes a quem vende os martelos direitos a receber
pneumáticos que importa. valores resultantes das
vendas de produtos
que constituam a
Numa empresa existem outras contas de valores a receber, resultantes das actividade normal e
prestações de serviços ou da venda de produtos que não resultem da corrente da empresa.”
actividade de exploração da empresa, pelo que deveremos considerar
tais valores a receber numa rubrica designada por “Devedores Diversos”. É
normal no caso de empresas industriais que durante o processo produtivo
sejam produzidos subprodutos ou resíduos que nalguns casos possam ser
úteis para outras empresas e que por esse facto, se possam vender,
constituindo assim uma actividade secundária que permite à empresa
aumentar as suas vendas e obter um certo lucro adicional.
Finalmente, podem existir direitos sob a forma de valores a receber por
múltiplas razões, tais como empréstimos ao pessoal, direitos a receber
valores directamente do Estado (devolução de impostos, recebimento de
subsídios, etc.), que genericamente são denominadas por “Outras Contas
a Receber”.

Clientes
Tal como referimos anteriormente, esta conta recolhe os direitos a receber
valores decorrentes da venda de produtos ou prestação de serviços que
constituam a actividade principal da empresa.
Os clientes são, em último caso, o último elemento que resta no processo
de conversão em liquidez, de todos os recursos envolvidos no processo
produtivo. Numa perspectiva contabilística, são a contrapartida das

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vendas. De facto, os clientes surgem somente se tiver ocorrido uma venda.


No que respeita ao vencimento e classificação como Corrente e Não
Corrente, a aplicação do Princípio da predominância da substância
económica sobre a forma jurídica, em Contabilidade será dada
preferência ao prazo efectivo de liquidação de um crédito sobre um
cliente, quando comparado com as condições contratualmente
acordadas, em caso de existir contradição entre essas dimensões da
transacção em causa.

Por exemplo, se uma empresa-mãe de um Grupo económico renova um


mesmo crédito concedido a curto prazo, sobre uma empresa subsidiária
sem que esta proceda à sua liquidação efectiva, esse Valor a Receber
deverá ser considerado como Não corrente, apesar de o contrato
assinado entre as duas partes ter definido um crédito a curto prazo.
No entanto, é relevante o suporte documental que é utilizado na
materialização dos créditos que a empresa detém perante os seus
clientes. Nessa perspectiva, poderemos distinguir entre:

“Os clientes
• Créditos materializados sob a forma de facturas ou documentos representam a fase
análogos. imediatamente
anterior àquela em
• Créditos materializados em documentos com características de que o processo
títulos de crédito, tais como letras, ou “pagarés” que serão produtivo da empresa
considerados separadamente na conta “Clientes-Títulos a culminará convertido
Receber”. Pressupõem uma maior garantia de recebimento, uma em liquidez”
vez que facilitam a adopção dos procedimentos de natureza
judicial na recuperação desses créditos, em caso de
incumprimento.
Clientes Vendas

Montante da Montante da
venda venda

Clientes - Títulos a Receber

Montante da
venda

No tema seguinte, aprofundaremos este assunto. Deveremos, no entanto,


evitar confundir conceitos: um adiantamento de um cliente corresponde
a uma entrega à empresa de uma importância, “por conta” de
fornecimentos a realizar pela empresa em data futura. Por esse facto,
estamos perante uma conta de Passivo.
Finalmente, e antecipando o tema que será tratado seguidamente,
deveremos distinguir os diferentes tipos de créditos que a empresa detém,
tomando em consideração a expectativa de recebimento desses
créditos:

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• Créditos não vencidos, cujo recebimento se espera venha a ter


lugar na data de vencimento.
• Créditos não vencidos, que se espera não receber antes da data
de vencimento.
• Créditos vencidos e ainda não recebidos.

Credores
Os credores são componentes do Passivo que representam obrigações da
empresa a favor de terceiros, como consequência da sua actividade de
exploração corrente, pelo que também podem ser designados por
Credores de Exploração.
Estamos então, perante passivos a registar no Balanço da empresa, e
consoante o seu vencimento ocorra ou não, nos doze meses
subsequentes à data de elaboração das Demonstrações Financeiras,
serão considerados em Passivo Corrente (o mais vulgar), ou como Passivo
Não Corrente.
Vamos então concentrar-nos nos Credores a curto prazo, o chamado “A formalização da
Passivo Circulante ou Corrente. Dentro deste grupo poderemos encontrar dívida poderá ser
dívidas comerciais (perante fornecedores), dívidas financeiras (perante instrumentalizada
entidades de crédito) e outras dívidas não comerciais (por exemplo, mediante recurso a
dívidas de natureza fiscal). diversos tipos de
A formalização da dívida pode ser instrumentalizada mediante recurso a documento, desde
diversos tipos de documentos, desde uma simples factura até um efeito uma factura até um
comercial (letra a pagar, “pagaré”) ou um contrato de concessão de Título a Receber (Letra
crédito. a Receber, “Pagaré”)
ou um Contrato de
Como acontece em todas as fontes de financiamento, esta dívida tem Financiamento.”
um custo financeiro, uma vez que a entidade que empresta o dinheiro ou
aceita atrasar o seu recebimento, busca uma rentabilidade incremental.
Assim sendo, os contratos de concessão de crédito têm associado um
custo explícito que é constituído pela taxa de juro aplicável e, no caso dos
fornecedores, seria identificado pelo custo de oportunidade de não poder
beneficiar de eventuais descontos de pronto pagamento.

Tal como verificámos anteriormente, na perspectiva de se alcançar o


equilíbrio financeiro, será lógico que estas dívidas não financiem o Activo
Não Corrente.

Um exemplo simples
Suponha que uma empresa comercial realiza uma aquisição a crédito,
por exemplo, a 90 dias. Contrai assim uma dívida perante o seu
fornecedor, que deverá ser liquidada no prazo acordado.
No entanto, através da venda destas mercadorias, se conseguir receber o
montante dessa venda num período inferior aos 90 dias, a empresa obterá
assim os recursos necessários para fazer frente ao pagamento da dívida
perante o fornecedor, na data de vencimento acordada.

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Fornecedores
De um ponto de vista contabilístico, constituem a contrapartida das
aquisições realizadas e haverá lugar ao seu registo contabilístico, sempre
que tiver lugar uma compra.
“Na conta de
“Fornecedores”, são
Representam as obrigações de pagamento que resultam das aquisições, consideradas todas as
com data de vencimento acordada ou outras aquisições de bens e obrigações de
serviços utilizados no ciclo de exploração da empresa. Os fornecedores pagamento
constituem a última fase do processo que culminará com a saída de decorrentes da
fundos, decorrente da conclusão do ciclo operacional de aquisições. aquisição de matérias-
primas e restantes
componentes
Analogamente ao caso dos direitos de beneficiar dos recebimentos de utilizados no ciclo de
clientes, esta obrigação de realizar pagamentos, também poderá assumir exploração da
uma forma documental específica (letras a pagar, “pagarés”, etc.) empresa”
designada por “Efeitos Comerciais a Pagar”.

Como no caso dos Clientes, também pode ser acordada a realização de


adiantamentos aos fornecedores, quando são realizados pagamentos por
conta de fornecimentos futuros. Estes adiantamentos devem ser
considerados no Activo Corrente da empresa e serão cancelados quando
tem lugar o fornecimento futuro.

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VALORIZAÇÃO DOS DIREITOS DE COBRANÇA

No tema anterior foram referidos alguns importantes conceitos, tais como a materialização em efeitos
comerciais, dos direitos sobre valores a receber, a sua valorização ou a problemática associada à
morosidade desses créditos e possível incobrabilidade. Vamos então aprofundar todos esses
conceitos.

O direito de cobrança materializado num efeito comercial


Tal como referido anteriormente, a dívida de um cliente pode ser
formalizada através de uma simples factura, ou cumulativamente, através
de um efeito aceite (letra a pagar, pagaré, etc.). Para efeitos
contabilísticos, e considerando que o segundo tipo de formalização
constitui uma garantia mais efectiva de recebimento pela empresa
vendedora, tal crédito é transferido da conta de “Clientes” para outra
conta que reflecte essa circunstância “Efeitos Comerciais a Receber”.

Na perspectiva de proporcionar um melhor esclarecimento,


acompanharemos estas explicações com um exemplo retirado da nossa
já conhecida empresa ARACAL. Suponhamos que um dos clientes de
ARACAL solicita pagar-lhe o montante da sua última aquisição (10.000
euros) com um prazo de pagamento (120 dias) superior ao habitualmente
praticado (60 dias). Após um inevitável estudo sobre as condições de “O direito de cobrança
solvência do seu cliente, ARACAL aprova a proposta, mas exige que o materializado num
cliente aceite uma letra pelo montante da venda. Desta forma, e uma vez efeito a receber
recebida a letra, o movimento contabilístico a realizar será o seguinte: constitui uma maior
garantia de
Efeitos Comerciais a Receber Clientes
recebimento para a
10.000 10.000 empresa vendedora”

Nesta fase, ARACAL pode actuar de três formas distintas:


 Manter o efeito (Efeito em carteira), esperando pela data de
vencimento, para concretizar o seu recebimento.
 Solicitar a uma das entidades bancárias com que se relacione,
uns dias antes da data de vencimento, a gestão da cobrança do
efeito a receber. Neste caso, o banco limita-se a realizar uma
mera acção de intermediação (encarrega-se de apresentar o
efeito à entidade bancária do cliente, onde esteja domiciliado o
efeito a receber), limitando-se a receber uma comissão de
cobrança.
 Proceder ao desconto do efeito a receber, ou seja, solicitar ao seu
banco um empréstimo, ou seja, a antecipação do valor do efeito,
pelo que ARACAL receberá na sua conta bancária o montante
do valor nominal do efeito, deduzido dos juros aplicados no
desconto do efeito e de uma comissão referente à intervenção
do banco.

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Se considerarmos que o efeito é liquidado no seu vencimento:


 O recebimento, se o efeito estiver em carteira, originará o seguinte
movimento contabilístico:
Bancos Efeitos Comerciais a Receber
10.000 10.000

 O envio do efeito a receber ao Banco, em regime de gestão da


cobrança, pressupõe de um ponto de vista contabilístico que o
crédito seja reclassificado numa outra conta, para claramente
expressar essa situação:
Efeitos enviados à Cobrança Efeitos Comerciais a Receber
10.000 10.000

Quando o banco receber o efeito na data de vencimento e disponibilizar


a ARACAL o respectivo montante na sua conta bancária, deduzindo a
comissão de cobrança acordada (gasto a considerar na Conta de
Resultados, no montante de 50 euros), deverá realizar-se o seguinte
movimento contabilístico:
Bancos Efeitos enviados à Cobrança
9.950 10.000

Gastos por Serviços Bancários


50

 O desconto comercial do efeito representa uma antecipação de


recursos relativamente à data de vencimento, o que implicará um
custo financeiro para ARACAL (150 euros de juros e 50 euros de
comissão, ambos a considerar na Conta de Resultados).
Trata-se na realidade de um empréstimo concedido pelo banco
no montante do efeito descontado, porque o risco de não
recebimento do mesmo não é assumido pelo Banco, mas
assumido integralmente por ARACAL. Relativamente a esta última
questão e adoptando como critério o participante na operação
de desconto que assume o risco de não recebimento do efeito
descontado – a empresa ou a entidade bancária – poderemos
distinguir a existência de dois tipos de operações de desconto: “O desconto comercial
de um efeito com
 Com Recurso, ou seja, o risco de não recebimento é recurso implica que o
assumido pela própria empresa, sendo a situação mais risco de
vulgar. incumprimento seja
 Sem recurso, quando este risco é assumido pela entidade assumido pela
bancária que efectua o desconto. Nesta hipótese, em empresa”
caso de incumprimento, o banco não poderá reclamar
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qualquer montante junto de ARACAL. Obviamente que a


entidade bancária, ao assumir este risco tornará mais
elevado o custo da sua intervenção na operação de
desconto.

Supondo a operação mais habitual (desconto com recurso),


primeiramente haverá que reclassificar contabilisticamente o efeito
comercial para reflectir a sua nova natureza:

Efeitos Comerciais Descontados Efeitos Comerciais a Receber


10.000 10.000

Seguidamente haverá que considerar a operação de


financiamento já referida:

Empréstimo Bancário
Bancos por Efeitos Descontados
9.950 10.000

Gastos por Serviços Bancários Juros por Efeitos Descontados


50 50

Chegados à data de vencimento do efeito, se o banco tiver


concretizado o seu recebimento, ARACAL deverá realizar o
seguinte movimento contabilístico:
Empréstimo Bancário
por Efeitos Descontados Efeitos Comerciais Descontados
10.000 10.000

Em caso de não recebimento do efeito na data de vencimento:

 Se o efeito está em carteira ou enviado ao banco para “A conta de Clientes


cobrança, ARACAL tem toda a legitimidade para desenvolver de Cobrança Duvidosa
todas as acções legais que se revelem necessárias para é constituída por todos
recuperar o valor não liquidado. Contabilisticamente, a conta os montantes
de “Efeitos Comerciais a Receber” ou a conta de “Efeitos relativamente aos
enviados à Cobrança” devem ser canceladas e o valor em quais existe uma
causa ser reconhecido na conta “Clientes de Cobrança significativa incerteza
Duvidosa”. Esta conta, ainda que seja alvo de análise mais quanto à sua
detalhada ainda neste tema, reflecte as dívidas de clientes cobrabilidade”
que se encontram vencidas e que ainda não foram cobradas,
ou seja, todos aqueles montantes em que exista uma
significativa incerteza sobre se efectivamente serão recebidos.

Clientes de Cobrança Duvidosa Efeitos Comerciais a Receber


10.000 10.000

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 Se o efeito tiver sido descontado, o banco, ao não ter


recuperado o montante do empréstimo através do
recebimento do efeito, debita na conta bancária de ARACAL
o montante do efeito devolvido acrescido dos gastos (50
euros):

Empréstimo Bancário
por Efeitos Descontados Bancos
10.000 10.050

Gastos por Serviços Bancários


50

Apesar de tudo, haveria necessidade de reclassificar este cliente como


sendo de Cobrança Duvidosa.

Clientes de Cobrança Duvidosa Efeitos Comerciais Descontados


10.000 10.050

Reconhecimento do direito sobre valores a receber


Uma conta a receber, como é o caso de um crédito sobre um cliente, é
reconhecida no momento do nascimento desse direito de cobrança e, “Uma conta a receber
posteriormente, em função do montante que se estima vir a receber é reconhecida no
quando o crédito se vença (em princípio o valor nominal desse crédito). momento da criação
Posteriormente, o direito de cobrança pode aumentar (se debitarmos juros desse direito a receber
de mora ao cliente por um aumento no prazo concedido) ou diminuir (o e posteriormente em
cliente não pagar ou pagar parcialmente na data de vencimento). As função do valor que se
Demonstrações Financeiras de uma empresa devem reflectir esta espera vir a receber
realidade. quando esse se
vença”
A empresa concede aos seus clientes um prazo de pagamento que
costuma oscilar entre 30 e 120 dias (consoante os sectores e o poder de
negociação entre a empresa e o seu cliente). Uma vez ultrapassada a
data de vencimento, diz-se que a dívida está vencida, devendo o
vendedor desenvolver as acções consideradas oportunas no sentido de
recuperar o seu crédito, seja renegociando com o cliente uma nova data
de vencimento ou formalizando uma reclamação por via judicial.

Estimativa do valor de realização dos direitos de cobrança


Atingida a data de encerramento do período económico que a empresa
considere, devem controlar-se e valorizar-se os montantes que sejam
considerados como direitos de cobrança em qualquer uma das contas
anteriormente mencionadas (Clientes, Outros Devedores, etc.).

Em primeiro lugar, a empresa deve certificar-se de que os saldos que se


apresentam nas suas contas correspondem a situações reais. Caso se
detecte algum tipo de erro, deveremos proceder à realização dos ajustes
necessários à sua rectificação.

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Posteriormente, a empresa deve realizar um estudo sobre o valor de


realização provável dos seus direitos de cobrança, ou seja, estimar a
possibilidade de que parte dos seus créditos não se recupere na
totalidade, com base na experiência do passado e na informação de que
disponham sobre a situação económico-financeira dos seus Clientes.

A realização de uma venda a crédito pressupõe sempre a existência de


um risco. Necessitamos estimar em que medida os direitos de cobrança se
converterão em dinheiro com o objectivo de calcular, da maneira mais
razoável possível, o resultado de cada período contabilístico.

De acordo com o princípio da correspondência entre rendimentos e


gastos necessários à sua realização, a perda resultante da incobrabilidade
de um crédito, deve registar-se no período em que se registou o
rendimento da venda.
“Para aplicar
Se o rendimento produzido por uma venda foi registado num período e a
correctamente o
perda resultante da sua incobrabilidade ocorrer num período posterior, os
princípio da
resultados do primeiro período estarão sobrevalorizados e os do segundo
correspondência entre
período subvalorizados, podendo desvirtuar, consoante a sua dimensão, a
rendimentos e gastos,
imagem fiel do património e a imagem da situação económica da
a empresa deve
empresa.
contabilizar e imputar
a perda em créditos
O reconhecimento e contabilização dos Clientes Incobráveis de clientes de
Normalmente, uma parcela dos valores que constituem os valores a cobrança duvidosa no
receber contabilizados não chegarão a ser recebidos, dado que, por mesmo exercício em
circunstâncias de natureza diversa, alguns desses clientes não pagarão as que tenha sido
suas dívidas. contabilizado o
rendimento
Para aplicar correctamente o Princípio da Correspondência entre correspondente”
Rendimentos e Gastos, assim como o Princípio do Acréscimo, a empresa
deverá reconhecer a perda no mesmo exercício em que reconheceu o
Rendimento correspondente, pelo que se encontra condicionada pela
necessidade de estimar a parcela do valor das suas vendas nesse período
que não se virão a cobrar junto dos clientes, não deslocando esse gasto
para exercícios posteriores em que se venha a verificar a declaração de
insolvência definitiva do cliente.

Essa circunstância determina a necessidade de promover uma estimativa


do risco de incobrabilidade, pelo menos por ocasião do encerramento de
contas do exercício, reforçando uma adequada provisão e tentando
evitar que um exercício posterior “suporte” as perdas resultantes de
créditos incobráveis de um exercício anterior.

Como princípio de carácter geral, uma empresa deveria realizar vendas a


empresas que sejam, a priori, solventes; apesar de, passado algum tempo,
uma empresa solvente se poder tornar insolvente. Por este motivo, a
empresa deve estimar a parcela do crédito concedido a clientes que não
virá a ser recebida.

Haverá que distinguir entre:

• Insolvências consideradas definitivas, que deverão ser


reconhecidas directamente na Conta de Resultados (Perdas por
Créditos Comerciais Incobráveis), reduzindo de forma
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correspondente esse crédito no Activo da empresa;

Dívidas Incobráveis Cliente


“As perdas por
Saldo de Cliente Saldo de Cliente insolvência
Insolvente Insolvente consideradas
irreversíveis, serão
debitadas
directamente na Conta
• Os Saldos de Cobrança Duvidosa, que são tratados de Resultados”
contabilisticamente atavés de provisões (perdas reversíveis),
baseando-se no princípio da prudência (as perdas,
inclusivamente as potenciais, deverão ser reconhecidas
imediatamente após se ter conhecimento da sua eventualidade).
Por esse facto, as correspondentes contas de provisão deverão
ser dotadas consoante o risco de insolvência que apresentem os
valores a receber junto de cada cliente.

A estimativa do montante que não vai ser recebido pode levar-se a cabo
através da análise do comportamento de cada cliente – prática exequível
e assumível economicamente se estivermos perante um número
relativamente pequeno de clientes – ou então globalmente, através de
algum critério ou regra genérica, se a empresa tiver um número elevado
de clientes.

Entre os diferentes critérios que se podem levar em consideração ao “A estimativa do valor


pretender-se adoptar uma estimativa global, destacamos os seguintes: a reconhecer como
clientes de cobrança
 Percentagem histórica de insolvências sobre as vendas duvidosa pode
realizadas. realizar-se de forma
 Percentagem histórica de insolvências sobre o saldo de individualizada, ou de
clientes. forma global”
 Antiguidade dos saldos de clientes.
 Experiência de empresas do mesmo sector de actividade.
 Outras circunstâncias que possam condicionar o risco assumido
(fase do ciclo económico, clientes pertencentes a distintos
sectores de actividade, etc.)

Os dois tipos de estimativas (individualizada e global) não têm que ser


necessariamente incompatíveis entre si, podendo ser ambas aplicadas por
uma mesma empresa. Deste modo, e por exemplo, a estimativa
individualizada pode ser aplicada àqueles clientes que representem um
maior volume de vendas para a empresa, deixando a estimativa global
para os restantes, que, no conjunto, possam representar uma pequena
percentagem na facturação da empresa.

Outro exemplo seria agrupar e estimar globalmente a provisão para todos


aqueles clientes com uma qualidade creditícia e de risco assumido pela
empresa semelhantes, deixando os restantes para a estimativa
individualizada.

Se a perda potencial tiver sido estimada individualmente, ou seja, se forem


conhecidos especificamente os clientes que apresentam risco de
incobrabilidade, deveremos classificar esses clientes como Clientes de
Cobrança Duvidosa e reforçar a conta de Perdas por Imparidades
Acumuladas (Gasto na Conta de Resultados da empresa, denominada
Perdas por Imparidade em Dívidas a Receber). Esta verdadeira provisão

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(reflectida na conta de Activo “Perdas por Imparidades Acumuladas”)


deverá ser deduzida ao valor da conta de Clientes da empresa,
reflectindo assim correctamente a estimativa mais razoável de entrada de
fundos na empresa a ter lugar num futuro próximo.
Clientes de Cobrança Duvidosa Clientes
Montante da Montante da
venda em risco venda em risco
de cobrança de cobrança

Perdas por Imparidade Perdas por Imparidade


em Dívidas a Receber Acumuladas
Estimativa do Estimativa do
Valor em risco de Valor em risco de
Cobrança Cobrança

Se a perda tiver sido estimada globalmente, não haverá lugar a uma


segregação dos clientes cujo risco específico tenha que ser coberto.
Neste segundo caso, não terá sentido reclassificar clientes como sendo de
cobrança duvidosa, uma vez que não existem clientes em concreto
nessas circunstâncias. Por esse facto, somente deverá ser realizado o
reforço da provisão:
Dívidas Incobráveis Cliente

Saldo de Cliente Saldo de Cliente


Insolvente Insolvente

Relativamente ao cálculo da provisão no final do exercício

• Se a Perda por Imparidade for estimada de forma individualizada,


esta deverá ajustar-se no final de cada exercício, em função da
análise do saldo que mantém cada um dos clientes. Por esse
facto, poderemos reconhecer a necessidade de aumentar a
perda por imparidade a reconhecer (se o risco ou o montante em “As provisões devem
cobrança duvidosa tiver aumentado) ou reduzi-la, mediante ajustar-se no final de
reversão da perda por imparidade inicialmente constituída (Conta cada exercício
de Rendimentos). atendendo à evolução
que tenham tido os
Perdas por Imparidade Perdas por Imparidade saldos mantidos com
em Dívidas a Receber Acumuladas
os clientes ou os
Aumento da Aumento da
parâmetros
estimativa do Valor estimativa do
em risco de Valor em risco de considerados
Cobrança Cobrança adequados à sua
estimativa”

Perdas por Imparidade Reversão de Perdas por Imparidade


Acumuladas em Dívidas a Receber
Diminuição da Diminuição da
estimativa dos estimativa dos
valores em risco de valores em risco
cobrança de cobrança

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• Se a Perda por Imparidade tiver sido estimada de forma global, a


Perda por Imparidade Acumulada deve ser ajustada no
encerramento do exercício segundo a evolução do valor
resultante da aplicação do critério que tiver sido adoptado como
referência. Para realizar este ajuste, haverá que inicialmente
debitar a conta de Perdas por Imparidade Acumuladas
considerada no exercício anterior e creditar a Conta de
Resultados (Reversões de Perdas por Imparidade). Seguidamente
haveria que promover o reconhecimento da imparidade
estimada no final do exercício na conta de Perdas por
Imparidade Acumuladas. Finalmente, voltamos a reforçar a
provisão pelo novo valor estimado.

Perdas por Imparidade Reversão de Perdas por Imparidade


Acumuladas em Dívidas a Receber
Estimativa dos Estimativa dos
valores em risco valores em risco de
de cobrança no cobrança no ano
ano anterior anterior

Perdas por Imparidade Perdas por Imparidade


em Dívidas a Receber Acumuladas
Estimativa do Estimativa do Valor
Valor em risco de em risco de
Cobrança ano Cobrança ano
corrente corrente

ARACAL: Exemplo de estimativa global do risco de cobrança


Retomemos a nossa empresa ARACAL. Suponhamos que a empresa
apresenta a 31/12/2008 um saldo na conta de “Clientes” que ascende a
100.000 euros, correspondentes a numerosos clientes dado que já contam
com uma numerosa base de clientes de dimensão muito reduzida. As
duas sócias decidem reunir-se para decidir sobre o critério de estimativa
global a aplicar na estimativa do montante de risco de incobrabilidade a
reconhecer em relação às suas vendas a crédito.

Após uma longa discussão do assunto, decidem que o critério mais


adequado será o de estimar o risco em causa em função do tempo
decorrido após a data de vencimento dos distintos créditos (quanto maior
tiver sido o período decorrido desde a data de vencimento, tanto maior
seria a probabilidade de insolvência definitiva). Com base neste critério,
foi desenvolvida a seguinte tabela de factores a considerar:

Antiguidade dívida vencida % Risco a provisionar


< 3 meses 25%
Entre 3 e 6 meses 50%
Entre 6 e 12 meses 75%
> 12 meses 100%

A composição dos saldos de clientes por antiguidade da dívida vencida a


31/12/2008 apresenta a seguinte estrutura:

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Antiguidade da dívida Saldo Clientes


Não vencida 80.000
< 3 meses 10.000
Entre 3 e 6 meses -
Entre 6 e 12 meses 7.000
> 12 meses 3.000
Total 100.000

Consequentemente o risco a provisionar seria:

Antiguidade da dívida Perda por Imparidade


Não vencida -
< 3 meses 2.500
Entre 3 e 6 meses -
Entre 6 e 12 meses 5.250
> 12 meses 3.000
Total 10.750

O registo contabilístico a realizar seria então:

Perdas por Imparidade Perdas por Imparidade


em Dívidas a Receber Acumuladas
10.750 10.750

Recolheríamos na Conta de Resultados a perda potencial por insolvência


de Clientes correspondente às vendas desse exercício e ajustaríamos o
valor do nosso Activo (Clientes) de forma a poder representar o montante
que previsivelmente irá ser recebido dos clientes em dinheiro por ARACAL.

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O CIRCUITO DE COBRANÇAS E DE PAGAMENTOS


OPERACIONAIS

As condições que são negociadas com os Clientes e os Fornecedores têm implicações no período
médio de recebimentos e pagamentos, afectando de uma forma directa a liquidez da empresa, a
gestão de Tesouraria e os custos financeiros.

Definição das distintas etapas do Circuito de Recebimentos


O fluxo de fundos provenientes dos recebimentos de carácter
operacional, em termos de rapidez e segurança na sua concretização, é
fundamentalmente determinado pelo ciclo de vendas da empresa.
Este ciclo de vendas será resultante de:
 Política de vendas e de concessão de crédito a clientes: Esta
política é em grande parte, estabelecida por factores como o
sector onde a empresa desenvolve a sua actividade, e o seu
posicionamento no mercado relativamente aos seus “Duas ideias
concorrentes e aos seus objectivos de natureza estratégica. fundamentais: “vender
não significa cobrar” e
 Os elementos e os instrumentos de cobrança: Trata-se dos prazos
“cobrar não significa
concedidos e valores médios de cobrança que se materializarão
dispôr dos fundos
nos correspondentes instrumentos de cobrança (cheques, letras,
imediatamente”
pagarés, etc.).
 Dos processos adiminstrativos e circuitos internos de gestão de
cobranças existentes na empresa.

Duas ideias fundamentais: “vender não significa cobrar” e “cobrar não


significa dispôr do dinheiro imediatamente”. Desta forma, o circuito de
cobranças de uma empresa pode ser representado através dos conceitos
básicos de float comercial (1) e de float financeiro (2), para assim
podermos identificar as variáveis em que pode actuar o Departamento
Comercial e em que variáveis poderá intervir o Departamento
Financeiro/Tesouraria na perspectiva de optimizar o circuito de cobranças.

Graficamente, poderemos resumir o circuito de cobranças da seguinte


forma:
Facturação/ Vencimento Cobrança Depósito Disponibilidade
Entrega em conta real dos fundos
Produto

Float Comercial Float Financeiro

(1) Float comercial: representa o período que medeia entre as datas


de entrega do produto ao cliente e o dia de recebimento das
vendas.

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(2) Float financeiro: É o período de tempo entre o dia da cobrança e a


data de efectiva disponibilização dos fundos à empresa (número
de dias que separam a data da operação e a respectiva data
valor).

Custo Financeiro
Um conceito fundamental que todos deveremos conhecer é o de que as
condições que são negociadas com os clientes (prazo de pagamento,
instrumento de pagamento, condições de facturação e pagamento, etc.)
têm implicações no período médio de cobranças e, por esse facto,
afectam de uma forma muito directa a liquidez da empresa, a sua gestão
de tesouraria e os custos financeiros que suporta.
Assim, por exemplo:
Consoante o instrumento de cobrança que se utilize (cheque, pagaré, “As condições que se
transferência, factoring, etc.), assim resultará uma valorização de “X” dias negoceiam com os
(desde a data de vencimento e entrada na conta de depósito da clientes têm
empresa no banco, até à disponibilização real desses fundos). Isso implicações no prazo
pressupõe um custo financeiro: se o custo médio dos nossos empréstimos médio de
for de, suponhamos, 4,27% anual, “X” dias de valorização corresponderão recebimentos e por
a um custo financeiro de (C x r x t: Capital x juro ou custo x tempo): isso afectam de uma
forma muito directa a
liquidez da empresa, a
sua gestão de
Montante da cobrança x (4,27% / 360) x (nº dias de valorização) = Custo
tesouraria e os gastos
financeiro diário
financeiros que
suporta”
De salientar que o instrumento financeiro pode ter associado outro custo
explícito (por exemplo, uma comissão de cobrança ou de gestão) que
haveria igualmente que considerar no cálculo anterior.
Outras condições de facturação e cobrança negociadas com os Clientes
(Pagamento por resumo de facturas, cobrança em dias fixos, etc.)
afectam a liquidez da empresa e pressupõem custos financeiros mais
elevados, já que normalmente contribuem para aumentar o prazo médio
de recebimentos.

Factoring e Confirming
No contexto do actual processo de globalização económica, as empresas
tentam optimizar os seus recursos financeiros, por razões de
competitividade e maximização dos seus resultados. Assim, nos últimos
anos, as entidades financeiras desenvolveram produtos financeiros na
perspectiva de optimizar tanto a cobrança das suas vendas (factoring)
como a disponibilização de recursos financeiros e promoção do
pagamento de dívidas a fornecedores (confirming).

Ambas as operações podem considerar-se como sendo as duas faces da


mesma moeda. No caso do factoring é o fornecedor (a empresa) que
contacta com a entidade financeira para que conduza e inclusivamente
financie a cobrança das facturas emitidas aos seus clientes.

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Pelo contrário, no caso do confirming, é o devedor (empresa) que


contacta com a entidade financeira para que promova a gestão dos
contactos com o seu fornecedor no sentido de promover a liquidação das
facturas emitidas por este.

Factoring
Trata-se de um contrato, através do qual uma empresa promove a cessão
da gestão da cobrança de créditos comerciais (sob a forma de facturas,
efeitos a receber, pagarés, etc.) que detém sobre os seus clientes, a uma
empresa especializada (operador de factoring, também denominada
“factor”), podendo prestar igualmente uma série de serviços
especializados, relacionados com a cessão de créditos, tais como a
análise da solvência e classificação dos clientes, estudos de mercado,
etc.
O operador de factoring, por vezes, também assume o risco de
insolvência do devedor em causa, podendo ser estabelecida a seguinte
classificação:
• Factoring sem Recurso: neste caso, a empresa cedente assume a “Os serviços prestados
responsabilidade pela existência e legitimidade do crédito, não pelo Factor são pois de
sendo responsável pela solvência do Cliente, pelo que o operador três tipos: analista de
de factoring assume o risco da incobrabilidade destes montantes. riscos, prestamista e
• Factoring com Recurso: será aquele em que a empresa cedente tomador de riscos. A
responde pela existência e legitimidade do crédito, mas também empresa cedente
pela solvência do devedor cujas dívidas foram cedidas, pelo que, pode aceitar todos ou
em caso de insolvência deste, a entidade de factoring poderá alguns dos serviços
reclamar os créditos não recebidos junto da empresa cedente. anteriores, variando
segundo os casos em
função dos juros e
Noutras ocasiões, o Operador de Factoring procede ao adiantamento de comissões do Factor”
uma parcela do montante dos créditos cedidos, antes da data do
respectivo vencimento. Nestes casos, o Operador de Factoring está
financiando a empresa cedente.
“Os serviços prestados pelo Factor são de três tipos: analista de riscos,
prestamista e tomador de riscos. A empresa cedente pode aceitar todos,
ou apenas alguns dos serviços acima descritos, variando conforme as
situações os juros e as comissões a pagar ao Factor.

O Custo total das operações sujeitas a um contrato de factoring, incluirá:


 Comissão de administração e de gestão de cobranças, em
função da solvência dos clientes, frequência da facturação,
valor médio de facturação, prazo médio de pagamento, zona
geográfica, etc.
 No caso de adiantamento de fundos, a taxa de juro e a
comissão respectiva.
 No caso de factoring sem recurso, uma comissão mais elevada
e/ou uma taxa de juro incorporando o risco de insolvência
assumido.

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As principais vantagens do Factoring serão:


 O cedente deixa de ter necessidade de afectar recursos
humanos e materiais à gestão de cobranças dos créditos que
detém sobre clientes, o que pressupõe uma redução no tempo
e custos no acompanhamento de situações dos recebimentos,
situações de incobrabilidade, comunicações, assessoria
jurídica, etc.
 Se existir adiantamento de fundos sobre os créditos antes do
seu vencimento, a empresa cedente obtém liquidez e poderá
financiar o crescimento das suas vendas.
 No caso do Factoring sem Recurso, o cedente elimina o risco
de insolvência dos seus devedores.
 Proporciona um serviço de análise de crédito relativamente
barato.
A principal desvantagem: Se as facturas forem em número elevado e de
reduzido montante, o custo administrativo pode ser elevado.

Confirming
“Com o Confirming, a
O circuito de pagamentos operacionais é determinado fundamentalmente entidade financeira
pelo ciclo de compras da empresa. De forma semelhante ao que constitui-se como
acontecia no ciclo de vendas, o ciclo de compras de uma empresa será gestora dos
consequência da sua política de compras, dos prazos negociados, dos pagamentos que o seu
instrumentos de pagamento seleccionados e dos processos cliente lhe ordena
administrativos internos de gestão de pagamentos que tenham sido realizar em seu nome
implementados. para liquidar as suas
aquisições”

Dentro do circuito de pagamentos de natureza operacional realizados


pelas empresas, surgiu o Confirming como uma nova forma de realização
de pagamentos que permite simultaneamente proporcionar uma série de
serviços ao devedor e ser um meio de financiamento e de garantia para o
credor.

A entidade financeira constitui-se como gestora dos pagamentos que o


seu cliente lhe ordena realizar em seu nome para liquidar as suas
compras. Desta forma, na data de vencimento do prazo concedido pelo
fornecedor, a entidade financeira emite um cheque ou realiza uma
transferência por conta do cliente, de cuja realização informa
previamente o seu destinatário, liquidando dessa forma a dívida existente.
No entanto, o fornecedor poderá solicitar junto do operador de Confirming
a antecipação do seu direito ao crédito em causa, antes da data de
vencimento, mediante o pagamento de juros calculados sobre o
montante adiantado. Este adiantamento pressupõe um financiamento
para o fornecedor e é sempre realizado sem recurso (a entidade
financeira assume o risco de que o cliente não liquide a sua dívida, não
podendo reclamar ao fornecedor o montante de qualquer adiantamento
realizado).

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O mecanismo de funcionamento é o seguinte:

1. A empresa transmite ao banco os elementos das facturas destinadas


a serem liquidadas na data de vencimento, através do envio de um
ficheiro informático onde se inclui a informação suficiente para que
seja emitido um aviso de pagamento ao fornecedor (Denominação
social, morada, telefone, fax, Número de Identificação fiscal, nº de
conta completo, nº de facturas, montante e datas de vencimento).
2. O banco envia uma carta aos fornecedores comunicando a
disponibilidade para realizar o pagamento na data de vencimento
ou oferecendo financiamento através da antecipação desse
pagamento. A taxa de juro para esse financiamento oferecida pelo
banco dependerá da posição de negociação da empresa e não do
fornecedor, podendo inclusivamente acordar a repartição do
resultado obtida nesse financiamento entre a empresa e a entidade
financeira.
3. O fornecedor pode aceitar essa oferta de financiamento ou esperar
a liquidação das facturas na data de vencimento, através de
cheque ou de transferência bancária. “O fornecedor pode
solicitar o
financiamento ou
Em resumo, consiste em entregar a carteira de valores a pagar à entidade esperar até à data de
financeira correspondente, sendo esta que desenvolve todas as vencimento para
diligências de natureza administrativa na comunicação com os receber o valor das
fornecedores que receberão os respectivos montantes nas datas de suas facturas através
vencimento, assim como as comunicações associadas à realização do de cheque ou
respectivo pagamento por cheque ou transferêcia bancária. transferência
bancária”

Vantagens:

• Para o cliente devedor: permite-lhe reduzir o custo do sector de


Gestão de Fornecedores, ao homogeneizar-se o sistema de
pagamentos e reduzir o trabalho administrativo associado.
Cumulativamente poderá aumentar o seu poder de negociação
perante os seus fornecedores e permite-lhe ainda aumentar o
prazo de pagamento (reduzinda as suas necessidades de
financiamento decorrentes do seu ciclo operacional).
• Para o fornecedor: permite-lhe reduzir os custos relacionados com
os seus recebimentos, assim como obter adiantamentos através
do seu desconto, garantindo, neste último caso, o seu
recebimento (a entidade financeira não poderá reclamar a
devolução dos fundos adiantados, se o devedor não liquidar a
factura no seu vencimento).

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Resumo Factoring e Confirming


(1) Venda de bens ou serviços

EMPRESA (2) Entrega de efeitos ou aceites EMPRESA

VENDEDORA Factoring COMPRADORA

Confirming

(2) Aceitação
das facturas

(4) Adiantamento de fundos FACTOR OU


ENTIDADE DE
CONFIRMING
(5) Pagamento de bens e serviços

Financiamento de Fornecedores
Os fornecedores representam para a empresa uma forma de se financiar,
em princípio gratuita. Quando um fornecedor vende um produto ou
matéria-prima a uma empresa e esta não lhe paga a pronto, mas pelo
contrário aceita atrasar o recebimento das suas facturas durante um
determinado período de tempo, qualquer que ele seja, então a empresa
está a obter uma fonte de financiamento para desenvolver a sua
actividade.

Quanto maior for o período que a empresa consiga dilatar o prazo de


pagamento das suas facturas aos fornecedores, tanto maior será a sua
vantagem de um ponto de vista financeiro, porque lhe será possível
destinar esses recursos a financiar durante mais tempo o seu activo
corrente (o seu processo produtivo através das existências ou conceder
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um alargamento no prazo de pagamento concedido aos clientes para


aumentar as suas vendas).
No entanto, o período de diferimento no pagamento obtido dos
fornecedores, dependerá fundamentalmente das práticas de mercado
no sector a que pertence a empresa (a maior solvência da empresa,
conduzirá o fornecedor a reconhecer-lhe um prazo alargado de
pagamento) e do poder de negociação que tenha a empresa perante o
seu fornecedor (em função da dimensão respectiva e da dimensão
estratégica que cada um detenha perante o outro).
“Este tipo de
financiamento
Este tipo de financiamento proporcionado pelo prazo concedido pelos originado pelo prazo
fornecedores, também se designa por espontâneo e encontra-se de pagamento
associado a um custo financeiro nulo para a empresa, a não ser que o acordado com os
fornecedor aplique juros para conceder um determinado prazo para fornecedores também
liquidação das suas facturas. se denomina
espontâneo e tem um
No entanto, deveremos considerar que pode existir um custo de custo financeiro
financiamento implícito no crédito concedido pelo fornecedor e que seria explícito nulo para a
dado pelo custo de oportunidade de não poder usufruir de um eventual empresa”
desconto de pronto pagamento oferecido pelo próprio fornecedor.

Vantagens:
 Não constitui endividamento bancário.
 Possui maoir estabilidade que o financiamento bancário, no
que respeita a acessibilidade e condições financeiras.

Tal como referido o custo do financiamento de fornecedores está


implicitamente relacionado com o desconto de pronto pagamento
oferecido pelos mesmos, pelo que:
Custo de Financiamento = % de desconto de pronto pagamento / (100% -
% de desconto de pronto pagamento)

INICIO CÁLCULO VENCIMENTO

d%
0 P.AD. T C.B.P.

C.B.P. - Condição Base de Pagamento


P.Ad. - Pagamento antecipado
d% - Desconto de pronto pagamento
T - Prazo de Antecipação

Para que o financiamento junto de fornecedores seja vantajoso para a


empresa, o seu custo deverá ser inferior ao custo do financiamento
bancário de que a empresa disponha.

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Custo real anualizado

Custo real efectivo

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CAPITAL PRÓPRIO

Vamos seguidamente aprofundar o estudo do Capital Próprio (Capital Social Subscrito, e Realizado,
Reservas e Resultados do Exercício não Distribuídos), descrevendo os seus principais movimentos
contabilísticos e respectivas implicações para a ampresa.

O Património Líquido ou Capital Próprio de uma empresa resulta da


diferença entre o seu Activo e o seu Passivo. Consoante a sua origem,
poderemos distinguir entre o património proporcionado pelos proprietários
ou accionistas (Capital Social subscrito e realizado mais o Prémio de
Emissão, quando exista) e o património originado pela actividade da
própria empresa (autofinanciamento, através das Reservas e Resultados
dos exercícios não distribuídos).

A criação de uma empresa exige uma série de recursos financeiros iniciais


que possibilitem a aquisição da estrutura económica mínima necessária
para que a empresa possa iniciar as suas actividades. Estes recursos iniciais
normamente resultam de entregas realizadas pelos accionistas ou
proprietários a título de investimento. Estas entregas constituem o Capital
Social da empresa e podem ser monetárias ou em espécie (neste caso,
deve proceder-se a uma avaliação para fixar a contrapartida em número
de acções que lhe corresponda), sendo incorporado o seu valor, de um
ponto de vista financeiro, na massa patrimonial do Património Líquido.

Capital Subscrito
Nas empresas comerciais, definimos o Capital Subscrito como sendo o “O Capital Social
valor que resulta da multiplicação do número de acções emitidas pelo subscrito resulta da
valor nominal dessas acções, sendo este resultado aquele que figura no multiplicação do
Balanço da empresa, inserido no Capital Próprio, como sendo o Capital número de acções
Social. emitidas e subscritas
pelo valor nominal
dessas acções”
O capital emitido encontra-se definido nos estatutos da sociedade e será
subscrito pelos seus accionistas. Deverá encontrar-se subscrito
minimamente (cerca de 25% no momento da sua subscrição) e
totalmente realizado nos prazos legais ou estatutários que se encontrem
definidos, sendo de salientar que, para efeitos da análise da sua solvência,
somente se deverá ter em consideração o capital que se encontre
efectivamente realizado.
Para preservar essa solvência perante credores e terceiros, o montante do
capital subscrito apenas poderá ser alterado no quadro legal que se
encontre definido para o efeito e, em caso de redução dessa solvência,
os credores podem opôr-se se essa redução resultar do reembolso aos
accionistas do capital que subscreveram e realizaram. De salientar que,
não podem ser emitidas acções que não correspondam a uma efectiva
entrega de património à empresa.

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Desta forma, a subscrição e realização de 100% do valor nominal das


acções será alvo do seguinte tratamento contabilístico:

Bancos Capital Social

Montante do Capital Montante do Capital


Subscrito e Realizado Subscrito e Realizado

As Acções
O montante do capital social de uma sociedade anónima está dividido
em parcelas de igual montante, denominadas acções. O Capital Social
pode ser constituído por acções de valor nominal distinto e,
inclusivamente, por diferentes tipos de acções, tais como:
• Acções Preferenciais: proporcionam ao accionista algum valor
adicional relativamente às acções ordinárias, designadamente no
que respeita à distribuição de um dividendo fixo constante “O valor contabilístico
quando a empresa decide distribuir dividendos. ou teórico de uma
acção, é o resultado
• Acções sem direito de voto: com direito a um dividendo da divisão do Capital
obrigatório e preferencial, se a empresa encerra o exercício com Próprio ou Património
lucros, após reforçar as reservas legais e estatutárias obrigatárias, e Líquido contabilístico
a título de compensação pela privação dos seus direitos políticos pelo número de
enquanto accionista. acções subscritas”
No entanto, o mais frequente é que todas as acções que constituem o
Capital Social de uma empresa sejam ordinárias e de igual valor nominal.

Tal como referido anteriormente, quando uma pessoa física ou jurídica


promove a aquisição de uma acção encontra-se obrigada legalmente a
desembolsar inicialmente, pelo menos 25% do respectivo valor nominal, e
o valor restante quando a empresa lhe exija a inevitável liquidação
(segundo os estatutos da sociedade ou decisão do seu órgão de gestão).

Diferentes conceitos de valor de uma acção


O valor nominal de uma acção indica a parcela do Capital Social que
representa e é decidido pela própria empresa, podendo ser modificado
ao longo do tempo.
O valor contabilístico ou teórico é o resultado de dividir o Capital Próprio
ou Património Líquido contabilístico pelo número de acções subscritas.
O valor real ou de mercado é o preço que o mercado está disposto a
pagar pela empresa. Caso seja cotada em Bolsa, o valor de mercado
seria determinado pela sua cotação. Caso contrário, seria necessário
recorrer a algum método de valorização de empresas (Desconto de Fluxos
de Caixa, Múltiplos, etc.)
A partir do afirmado anteriormente, poderemos deduzir que, para
aumentar ou diminuir o Capital Social de uma empresa, poderemos
actuar sobre o número de acções ou sobre o respectivo valor nominal.

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Aumentos de Capital
Analisemos inicialmente o aumento de capital mediante emissão de
novas acções, recorrendo para o efeito ao exemplo de uma empresa
cujo balanço, à data de encerramento do exercício, seja o seguinte:

Capital Social 2.000


3.500 Activo Não Corrente Reservas 1.500
Passivo Não Corrente 1.000
2.500 Activo Corrente Passivo Corrente 1.500
“Para aumentar ou
6.000 Total Activo Total Passivo 6.000 diminuir o Capital
Social de uma
empresa podemos
actuar sobre o número
O valor nominal das acções é de 5 €, pelo que: de acções subscritas
 O número de acções será de 2.000/5 = 400 acções. ou sobre o valor
nominal das mesmas.”
 E o valor contabilístico seria (2.000 € +1.500 €) / 400 acções =
8,75€.
Se a empresa emitir 100 novas acções, isso significará um aumento de 1x4
(1 acção nova por cada 4 antigas). A empresa oferece prioritariamente
essas acções aos actuais accionistas que possuem o direito de compra de
¼ de acção nova por cada uma das acções antigas que detenham. Esta
prioridade dos antigos accionistas denomina-se Direito de Subscrição
Preferencial e pretende-se salvaguardar a circunstância de a sua parcela
no capital da empresa ser alterada devido ao aumento de capital.
Este direito é transmissível, podendo o accionista actual ceder esses
direitos ou adquirir outros direitos de aquisição para conseguir, por cada 4
direitos, obter uma nova acção.
As novas acções da empresa podem ser colocadas à subscrição por um
preço igual, superior ou inferior ao valor nominal da acção.

Aumento por um preço superior ao valor nominal da acção


Se o preço for superior, a diferença entre ambos denomina-se por Prémio
de Emissão. Este prémio representa o montante que os novos accionistas
devem entregar para que o valor teórico da acção não diminua para os
antigos accionistas, após ser concretizado o aumento de capital.
Para evitar esta diluição, a empresa deve emitir as novas acções por um
valor superior ao valor nominal, de tal maneira que os novos accionistas
entreguem à empresa, não só o valor nominal, como também um
montante adicional que constituirá o referido prémio.
Desta forma, a nova entrada de capital afecta não só o Capital Social
(número de acções emitidas multiplicado pelo valor nominal respectivo)
como as reservas (número de acções emitidas multiplicado pelo prémio
de emissão por acção), uma vez que este prémio é considerado como
aumento nas reservas da empresa. O prémio deve ser realizado na
totalidade no momento da subscrição do aumento de capital.

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Suponhamos, seguindo o exemplo anterior, que o preço por acção a que


irá ser realizado o aumento de capital seja de 8,75 €, o que pressupõe um
Prémio de Emissão de 3,75 € por acção, e que representam um Prémio de
Emissão total de 375 € (100 acções x 3,75€).
Se as 100 acções novas são subscritas e realizadas na sua totalidade pelos
8,75 €, então o respectivo tratamento contabilístico seria:
Bancos Capital Social
875 500

Prémio de Emissão
375 “O Prémio de Emissão
representa o montante
que os novos
O valor nominal continua sendo 5€, e o valor contabilístico accionistas devem
(2.000+500+1.500+375 = 4.375 € /500 acções) será de 8,75 €, pelo que entregar para que o
poderemos verificar não ter sido originada qualquer perda de valor para valor teórico da acção
os antigos accionistas, originada pelo aumento de capital. não diminua para os
antigos accionistas,
após ter sido concluído
Aumento a preço igual ao valor nominal de emissão o processo de
Se o preço for igual ao valor nominal, poderemos denominar esse aumento de capital”
aumento como tendo sido realizado ao par.

Seguimos com o exemplo anterior, mas considerando que o preço a que


se pretende colocar o aumento de capital será de 5€ (igual ao valor
nominal). Consideremos ainda que se irá exigir a realização de 25%
(mínimo permitido por lei) do valor de cada acção subscrita, ouseja, 1,25 €
(25% de 5€). Para liquidação do restante (75%), a empresa exige que
tenha lugar nos três meses seguintes.
Se for subscrita a totalidade do aumento, teríamos:
Accionistas c/Subscrição Capital Social
375 500

Bancos
125

A conta “Accionistas c/Subscrição” representará o direito de cobrança


que a empresa detém perante os seus accionistas, no montante subscrito
do aumento de capital e ainda não realizado. A esta realização
“Os aumentos
pendente também se designa por dividendo passivo e costuma ser
financiados por
considerada no Activo Corrente. O valor nominal das acções não se
mobilização de
alterou, continuando a ser 5€; sendo o seu valor contabilístico:
reservas podem ser
(2.000+500+1.500 = 4.000€/500 acções) é de 8 €. total ou parcialmente
financiados pelas
reservas existentes”

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Aumento a preço inferior ao valor nominal de emissão


Quando o preço for inferior ao valor nominal, estamos perante o que se
designa por aumento com encargo sobre as reservas. Podem ser
aumentos, total ou parcialmente financiados por reservas.
No primeiro caso, a empresa entrega acções gratuitas aos actuais
accionistas, encontrando-nos assim perante uma espécie de distribuição
de “dividendos sob a forma de acções”. Seria um aumento com recurso à
mobilização de reservas e, seguindo com o exemplo anterior, seria alvo do
seguinte tratamento contabilístico:
Reservas Capital Social
500 500

Esta decisão pressuporia que a empresa detivesse reservas disponíveis


para este tipo de operações. O Capital Próprio não sofre qualquer
alteração com uma operação desta natureza.

Para analisar o segundo caso, aumentos parcialmente liquidados


mediante mobilização de reservas, iremos supor que somente exigiríamos
aos accionistas um desembolso de metade do valor nominal (50% de 5 € =
2,5 €). O consequente tratamento contabilístico seria:
Reservas Capital Social
250 500

Bancos
250

Em qualquer dos casos, o valor nominal da acção permanece inalterado


após o aumento, sendo contudo reduzido o respectivo valor contabiístico.

Aumento mediante aumento do valor nominal das acções


Também poderemos levar a efeito um aumento do Capital Social através
do aumento do valor nominal das acções, sem aumentar o número de
acções da empresa. No nosso exemplo, se aumentarmos o valor nominal
da acção de 5 € para 6 €, mediante mobilização de reservas, o capital
subscrito aumentaria em 400 € (400 acções x 1€).
Reservas Capital Social
400 400

Neste momento, não se altera o Capital Próprio nem o valor contabilístico


da acção. Esta operação é utilizada frequentemente para arredondar o
valor nominal da acção se pensarmos, por exemplo, num possível
desdobramento das acções a realizar no futuro (assunto a ser alvo de
tratamento mais adiante).
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Reduções de Capital
Antes de continuar, haverá que salientar o facto de as perdas de um ou
mais anos, serem consideradas com sinal negativo, diminuindo dessa
forma o valor do Capital Próprio. Estas perdas podem ser deduzidas nas
reservas, no entanto, quando estas tiverem sido integralmente utilizadas,
poderá surgir a necessidade de promover uma redução do Capital Social
da empresa, diminuindo o número de acções vivas ou o seu valor nominal.
“As perdas de um ou
O Capital Social poderia reduzir-se para níveis inferiores ao nível mínimo
mais exercícios em
legalmente estabelecido e, inclusivamente, anular-se, pelo que, para
que uma empresa
continuar com a sua actividade, a empresa necessitará de um reforço do
tenha incorrido, são
seu Capital Social. Estas operações de redução e posterior aumento de
deduzidas no
capital, para absorver perdas, são denominadas como sendo operações
montante das reservas,
harmónio.
diminuindo assim o
valor do Capital
Próprio”
Redução do capital através de redução do número de acções
Relativamente às reduções do capital, recorrendo à diminuição do
número de acções, o mais frequente é que se amortizem (eliminem)
acções próprias que a empresa possua, também denominadas por
autocarteira, e que a empresa tenha anteriormente adquirido pelas mais
diversas causas. A legislação mercantil aplicável estabelece sempre um
limite máximo relativamente à autocarteira a manter pela empresa, na
perspectiva de eliminar uma eventual desconfiança que lhe possa estar
associada, uma vez que pode distorcer a imagem fiel do património.

Se estas acções próprias se vendem em momento posterior, o resultado


correspondente (ganho ou perda) será considerado directamente no
capital próprio da empresa (aumentando ou diminuindo as reservas).
Se estas acções se amortizarem, o capital subscrito diminuirá pelo
montante do valor nominal das acções detidas em autocarteira sendo a
diferença verificada (dependendo do custo de aquisição e do valor
nominal) deduzida ou acrescida às reservas.
Suponhamos um capital subscrito de 1000 acções x 2€ = 2.000€.
E uma compra de acções próprias de 100 acções a 3€ = 300 €, o que se
traduzirá na seguinte movimentação contabilística:
Acções Próprias Bancos
300 300

E pela amortização das acções acima referidas:


Capital Social Acções Próprias
200 300

Reservas
100

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Redução de capital através de diminuição do valor nominal


Também se pode reduzir o capital da empresa, diminuindo o valor
nominal das acções subscritas, resultando normalmente de duas causas:

• Por acumulação de prejuízos contabilísticos, determinando a


legislação mercantil aplicável, certos níveis a partir dos quais a
redução se torna obrigatória. Se posteriormente se vierem a
necessitar de novos fundos, poderíamos aumentar o Capital Social
através de uma operação harmónio, tal como referido “A capitalização da
anteriormente. dívida pressupõe um
reforço da estrutura
• Para remunerar o accionista através da devolução de entregas patrimonial da
realizadas anteriormente, sendo a respectiva contabilização: empresa”
Capital Social Bancos
Montante Montante
Redução Redução
no Valor no Valor
Nominal Nominal

Outras operações que afectam o capital social


Outro movimento relativo ao Capital Próprio é o desdobramento de
acções ou split. Através desta operação, o valor nominal da acção é
dividido por um coeficiente, sendo assim multiplicado o número de
acções, exactamente na dimensão desse coeficiente. O capital subscrito
não varia, no entanto, ao aumentar o número de acções, a sua liquidez
no mercado aumenta, ao facilitar-se por esta via a sua compra e venda.

A capitalização de dívida consiste na aceitação de certos credores da


empresa, transformarem os seus títulos de dívida em acções da empresa,
podendo ser alvo de acordo prévio. Esta conversão poderá ser realizada
através de aumento de capital ou cedência de acções próprias.
Proporciona um reforço do património da empresa.

Deveremos salientar, por último, que todos os gastos associados a


aumento de capital que temos vindo a referir, serão imputados
directamente ao Capital Próprio da empresa (diminuindo reservas), sem
qualquer registo de passagem pela Conta de Resultados.

O Autofinanciamento
Após estudar os movimentos no Capital Social de uma empresa, vamos
seguidamente abordar a questão do autofinanciamento, como prelúdio
ao estudo dos diversos tipos de reservas que serão estudados no tema
seguinte, de forma mais aprofundada, considerando que, tanto as
reservas, que não são mais do que resultados não distribuídos de
exercícios anteriores e “poupados” pela empresa, como os Resultados do
Exercício não distribuídos, constituem o que se designa por
autofinanciamento.

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Denominamos por autofinanciamento ou financiamento interno da “Designamos por


empresa, a criação de novos recursos financeiros pela própria empresa, a autofinanciamento da
partir da sua actividade, constituindo uma das suas componentes empresa, a criação de
fundamentais de financiamento. São os recursos originados pela novos recursos
actividade desenvolvida pela empresa e que não são alvo de financeiros através da
distribuição, sendo por esse facto retidos pela empresa. actividade da
empresa, sendo
constituído pelos
Poderemos então considerar: resultados retidos na
empresa”
• Autofinanciamento de Manutenção: constituído pelos fundos que
tendem a manter intacto o Património Líquido da empresa, tais
como as dotações para amortizações e provisões.
• Autofinanciamento de Enriquecimento: constituído por fundos que
incrementam o Capital Próprio da empresa, designadamente as
Reservas e os Resultados Transitados.

O autofinanciamento melhora a estrutura financeira da empresa,


designadamente a sua autonomia financeira, diminuindo a sua
dependência relativamente a financiamento externo. Este facto
pressupõe uma certa vantagem financeira, uma vez que o financiamento
externo:
• Não se encontra sempre disponível e acessível (em montante e
duração), especialmente em períodos de recessão económica.
• Pode apresentar prazos de amortização muito exigentes e taxas
de juro e comissões elevados.
• A obtenção de financiamento externo a longo prazo (Não
Corrente) está praticamente vedada a empresas de reduzida
dimensão, se não for complementada com a concessão de
garantias adicionais.

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AS RESERVAS

Já é sabido que que nem todos os resultados obtidos por uma empresa são distribuídos aos accionistas
através da distribuição de dividendos. Uma parcela desses resultados é mantida na empresa para
financiar o seu desenvolvimento e crescimento, constituindo aquilo que se designa por Reservas.

O Resultado obtido por uma empresa poderá ser destinado a remunerar o


accionista, ser utilizado como fonte de financiamento da estrutura
económica da empresa ou a proporcionar uma combinação de ambos.
Na Assembleia Geral de Accionistas, perante as correspondentes Contas
anuais referentes ao exercício anterior devidamente encerradas e a
Proposta elaborada pelo Conselho de Administração, é aprovada a
forma a adoptar na distribuição de resultados.
Desta forma, tal aplicação dos Resultados pode ser concretizada
mediante atribuição de um direito de cobrança a atribuir aos Accionistas
(Passivo Corrente da Empresa) e/ou autofinanciamento para a empresa
(aumento da Capital Próprio, através da criação/reforço de Reservas ou
Resultados não distribuídos/Resultados Transitados). Contabilisticamente,
poderemos representar tais movimentos da seguinte forma:

Conta de Resultados Dividendos a Pagar


“As Reservas Livres são
Valor do Valor do
voluntariamente
Resultado Dividendo constituídas por iniciativa
da própria empresa”

Reservas
Resultado
não
Distribuído

Tipos de Reservas
O critério chave na classificação das reservas reside na sua
disponibilidade. Nesse sentido, distinguimos entre reservas distribuíveis
(quando são constituídas com carácter voluntário ou facultativamente
pela empresa), ou reservas não distribuíveis (as que foram constituídas
com carácter obrigatório, segundo o quadro legal vigente ou resultantes
da aplicação de normas estatutárias).

Sobre as Reservas Livres (as que foram criadas voluntariamente e o prémio


de emissão), a empresa tem liberdade para delas dispôr, podendo
inclusivamente proceder à sua distribuição através de dividendos. Esta
distribuição de dividendos, através da mobilização de Reservas Livres, não
afectará, evidentemente, o Resultado do Exercício.

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No entanto, os gestores da empresa não podem actuar livremente, uma


vez que a sua mobilização apenas poderá ter lugar em determinadas
circunstâncias, nos termos da legislação comercial, dos princípios contidos
nas normas contabilísticas e nos estatutos da própria sociedade.

Reservas Ordinárias
Tomando em consideração a frequência com que se procede à sua
movimentação, poderemos distinguir entre Reservas Ordinárias e Reservas
Extraordinárias. No prmeiro grupo, poderemos considerar as seguintes:

Reserva Legal
A sua constituição decorre de disposição legal consistindo na
obrigatoriedade de promover o seu reforço mediante aplicação de uma
percentagem do Resultado do Exercício (10% em Espanha). Esta
obrigação deixa de ser relevante, quando o montante da reserva atinge
“A Reserva Legal deve ser
um certo nível (20% do Capital Social em Espanha), que o legislador
obrigatoriamente
considere ser suficiente para que se deixe de continuar reforçando essa reforçada até que o seu
reserva, de forma imperativa, sem que dessa suspensão seja afectada a montante atinja um
solvência patrimonial da empresa. determinado montante
que o legislador
considere adequado
Reservas Estatutárias para que se deixe de
concretizar esse reforço,
Na escritura de constituição da sociedade, são definidos os Estatutos da
e se esteja
sociedade ou Pacto Social. Nesses Estatutos estão definidas as normas salvaguardando a
pelas quais se irá reger a sociedade. Os accionistas ao criar a sociedade, solvência da empresa”
podem fazer incorporar normas referentes à constituição de uma ou mais
reservas e definir as condições em que se deverão concretizar os seus
reforços e a sua eventual mobilização. Estas possíveis reservas, por
resultarem da aplicação dos Estatutos da Sociedade, são designadas por
Reservas Estatutárias, e a aplicação dessas normas é imperativa no que
respeita à sua movimentação.

Reservas Voluntárias
Os accionistas podem decidir voluntariamente sobre a constituição e
reforço das reservas, nos montantes que considerem convenientes. Tal
decisão será tomada em Assembleia Geral de Accionistas, quando são
aprovadas as Contas Anuais e decidida a aplicação dos resultados
obtidos no exercício económico anterior.

Reservas Extraordinárias
Existe no entanto, outro tipo de reservas que será necessário constituir
quando se verifique a ocorrência de determinadas circunstâncias
especiais, na medida em que existam disposições legais que determinem
a necessidade da sua constituição ou movimentação.
 Prémio de Emissão: Tal como verificámos no tema anterior,
recolhe o excesso de valor em relação ao valor nominal das
acções, sempre que ocorra um aumento de capital, com a
finalidade de não diluir o valor teórico das acções dos antigos
accionistas da empresa.
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 Reserva por Capital Amortizado: Representa o valor nominal


das acções da empresa que são amortizadas por aplicação
dos Resultados da empresa ou de Reservas Livres, sendo o seu
montante indisponível.
 Para se compreender o funcionamento deste tipo de conta,
suponhamos, por exemplo, que uma empresa com um Capital
Social de 10.000 euros tenha obtido um Resultado no Exercício
de 1.000 euros. Suponha que a empresa decida reduzir o
capital em 1.000 euros, reembolsando os accionistas, mediante
aplicação do Resultado do Exercício.
Consequentemente, a aplicação que se está a realizar do
Resultado do Exercício, é precisamente a amortização de
capital. Com o reforço desta conta, é concretizada a
aplicação do resultado, mantendo inalterado o Capital Próprio
em termos quantitativos (10.000 euros). Os movimentos
contabilísticos seriam os seguintes:

Capital Social Bancos


1.000 1.000

Reserva por Capital


Resultado do Exercício Amortizado
1.000 1.000

Resultados Negativos de Exercícios Anteriores


Recordemos que se uma empresa tiver Prejuízos num determinado
exercício, esse resultado deve ser reconhecido no exercício seguinte
como tratando-se de uma reserva com carácter negativo (reduzindo o
Capital Próprio da empresa) através da conta de “Resultados Negativos
de Exercícios Anteriores”. Contabilisticamente haveria que proceder ao “Se uma empresa tiver
prejuízo num exercício,
seguinte movimento:
esse resultado deve ser
Resultados Negativos contabilizado no ano
seguinte como tratando-
de Exercícios Anteriores Resultado do Exercício se de uma reserva de
Montante Montante carácter negativo”

do Prejuízo do Prejuízo

Acções Próprias em situações especiais


Se a empresa detiver acções próprias, e enquanto não proceder à sua
alienação ou não for decidida a sua amortização, o montante das
acções próprias em situações especiais deve ser mantido numa conta
especificamente destinada à sua identificação e deverá figurar no
Capital Próprio com sinal negativo:

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Acções Próprias
em Situações Especiais Bancos
Montante Montante
Aquisição Aquisição
Acções Próprias Acções Próprias

Se, em momento posterior, da sua venda ou amortização resultar um


Ganho ou uma Perda, a sua contabilização seria realizada
respectivamente a crédito ou a débito numa conta de reservas.

No caso de venda com Lucro teríamos:


Acções Próprias
Bancos em Situações Especiais
Valor da Venda Valor das
Acções Próprias Acções Próprias

Reservas
Ganho

Em caso de venda com Prejuízo teríamos:


Acções Próprias
Bancos em Situações Especiais
Valor da Venda Valor das
Acções Próprias Acções Próprias

Reservas
Prejuízo

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O PASSIVO NÃO CORRENTE

O Passivo é a massa patrimonial composta por elementos que constituem as fontes de financiamento
proporcionadas por terceiros alheios à empresa, e que foram aplicados pela empresa na aquisição de
bens e serviços e direitos que constituem o Activo da empresa. Neste Tema, vamos centrar a nossa
atenção no estudo do Passivo Não Corrente, ou Exigível a Longo Prazo, ou seja, naquelas
responsabilidades cujo vencimento ultrapassa um exercício económico.

Passivo Não Corrente


Esta classe de Passivo é destinada normalmente pela empresa, a financiar
o Activo Não Corrente e alguma parcela do Activo Corrente (recorde-se o
conceito de Equilíbrio Financeiro e de Fundo de Maneio). No momento de
decidir este tipo de financiamento e, sem entrar noutro tipo de
considerações de natureza financeira, a principal vantagem do recurso a
Passivo, quando confrontado com a utilização de recursos próprios é que a
sua remuneração (juros que a empresa deve pagar), constitui um gasto
que é fiscalmente dedutível, pelo que a empresa pagará menos impostos
do que aqueles que pagaria se tivesse utilizado recursos próprios.

Os seus componentes, também denominados Créditos de Financiamento,


são principalmente as obrigações e títulos emitidos, os empréstimos a longo
prazo de entidades financeiras (com distintos tipos de garantias prestadas
pela empresa ou pelos seus accionistas), as operações de leasing
mobiliário ou imobiliário (proporcionados por entidades financeiras ou
empresas de leasing), os fornecedores de imobilizado a longo prazo
(condições especiais obtidas especialmente na aquisição de
equipamentos de custo elevado) e outros credores a longo prazo.

Empréstimos Obrigacionistas
Se a empresa necessita de um montante de fundos significativo para “Um empréstimo
financiar, por exemplo, a sua expansão internacional, adquirir outra obrigacionista é um
empresa ou investir em novos equipamentos, a alternativa a um aumento empréstimo
de capital, cuja realização nem sempre é recomendável por razões de formalizado através da
custo financeiro ou relacionadas com o controle da empresa, será então a emissão de títulos
emissão de um empréstimo obrigacionista. denominados
obrigações, que são
valores negociáveis”
Um empréstimo obrigacionista é um empréstimo formalizado através da
emissão de obrigações (são valores negociáveis), em que, em vez de existir
apenas um único prestamista, haverá numerosos prestamistas, constituídos
por todos aqueles que subscreveram as obrigações. Através desse
empréstimo, a empresa obtém fundos de terceiros, contra a entrega das
obrigações, que constituem um reconhecimento da dívida e um efectivo
compromisso de pagamento.

Portanto, a diferença entre um empréstimo e um empréstimo


obrigacionista, consiste no facto de o primeiro ser materializado num
contrato de empréstimo, onde se especifica o montante, a taxa de juro a
aplicar e o calendário de reembolso, no caso do empréstimo

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obrigacionista, a sua formalização resulta da emissão de obrigações que,


para além de possuirem um valor nominal sobre o qual é aplicada uma
determinada taxa de juro, são susceptíveis de negociação, podendo ser
cotadas em mercado secundário oficial (Bolsa de Valores de Renda Fixa).
Consequentemente, a cotação de uma obrigação pode ser diferente do
seu valor nominal. No entanto, tal como nos empréstimos, devem ser
contabilizados pelo seu valor de reembolso.

O empréstimo obrigacionista encontra-se representado por um


determinado número de obrigações de idêntico valor nominal e tanto
pode ser subscrito por investidores institucionais como por investidores
particulares. O obrigacionista não é como o accionista proprietário da
empresa, mas sim um prestamista cuja remuneração se encontra definida
a priori e não dependerá do resultado da empresa, como no caso do
dividendo. Nesse sentido, terá direito enquanto credor da empresa, a ser
reembolsado do montante emprestado em momento devidamente
contratado.

As Obrigações
As obrigações, tal como as acções, podem assumir diversos tipos:
obrigações simples, convertíveis em acções, com garantia hipotecária, etc.
“A forma mais habitual
Normalmente, os empréstimos obrigacionistas têm uma duração superior a
de reembolsar um
cinco anos porque pretendem corresponder a necessidades de
empréstimo a longo
financiamento significativas para adquirir ou desenvolver activos com longos
prazo consiste na
períodos de maturação. O reembolso das obrigações ainda que possa ser
adopção de um
realizado completamente na data de vencimento, é vulgar proceder-se à
sistema de anuidades
sua amortização parcial ao longo da duração do empréstimo.
constantes”

Empréstimo a longo prazo


Neste caso, a empresa ao receber o montante do empréstimo,
compromete-se a cumprir os termos acordados contratualmente que
definem as condições em que deverá ser realizado o reembolso do capital
recebido e liquidados os juros correspondentes.

Existem várias modalidades para realização do reembolso dos valores


emprestados:
 Reembolso único do capital emprestado, juntamente com os
juros, no final do prazo pelo qual havia sido concedido o
empréstimo. Nesses termos, um empréstimo P, concedido por
um período n, a uma taxa de juro i, dará origem a um
desembolso final de:
Pn = P (1+ i)n
 Reembolso único do capital contratado na data de vencimento
com pagamento periódico de juros. Nesta modalidade,
somente existe a obrigação de realizar um pagamento
periódico dos juros (Pi) e a devolução, na data de vencimento,
do montante do empréstimo recebido.

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 Reembolso segundo um sistema de anuidades constantes (o


mais frequente). Se P for o montante do empréstimo recebido
“hoje” e, se pretendermos amortizá-lo mediante entrega de “n”
anuidades idênticas, deveremos então considerar:
P = A* An¬i, sendo A a anuidade

Exemplo
Consideremos um empréstimo de 1.000.000 € contratado com uma taxa de
juro anual fixa de 12% e que deve ser amortizado em 10 anuidades
idênticas (método de amortização francês)
As anuidades serão então:
A= 1.000.000 x 1 / A 10¬0,12 = 176.984 €

Os componentes desta primeira anuidade seriam:


Anuidade 176.984 €
Juros incluídos no primeiro ano 1.000.000 x 0,12 = 120.000 €
1ª Amortização de capital 56.984 €

Desta forma, o quadro de amortização do empréstimo durante os 10 anos


da sua duração seria o seguinte:

Empréstimo Empréstimo
Anos Pendente Juros Anuidade Amortização Reembolsado
1 1.000.000 120.000 176.984 56.984 56.984
2 943.016 113.162 176.984 63.822 120.806
3 879.194 105.503 176.984 71.481 192.287
4 807.713 96.926 176.984 80.059 272.346
5 727.654 87.318 176.984 89.666 362.012
6 637.988 76.559 176.984 100.426 462.437
7 537.563 64.508 176.984 112.477 574.914
8 425.086 51.010 176.984 125.974 700.888
9 299.112 35.893 176.984 141.091 841.978
10 158.022 18.963 176.984 158.022 1.000.000

A contabilização deste empréstimo, considerando que tenha sido


contratado no dia 1 de Janeiro do ano 0, seria a seguinte:

1/Janeiro/ ano 0:
A empresa recebe e deposita o montante do empréstimo

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Financiamento Bancário
Bancos Obtido a m/l prazo
1.000.000 1.000.000

A 31/Dezembro / ano 0:
Deveremos reconhecer contabilisticamente a parcela do empréstimo que
vai ser reembolsada no ano seguinte (a curto prazo), assim como os gastos
financeiros (Conta de Resultados) referentes ao ano 0 e ainda não
liquidados no final do ano (passivo corrente).

Financiamento Bancário Financiamento Bancário


Obtido a l/prazo Obtido a c/prazo
56.984 56.984

Juros de Empréstimos Juros a liquidar


120.000 120.000

A 1/Janeiro / ano 1:
Na data de vencimento da anuidade, a empresa promove o pagamento
da anuidade contratada, promovendo tratamento contabilístico
autónomo dos seus componentes.
Financiamento Bancário
Obtido a c/l prazo Bancos

56.984 176.984

Juros a liquidar
120.000

A 31/Dezembro / ano 1:
Deveremos reconhecer novamente as obrigações de pagamento
produzindo efeitos no exercício seguinte (curto prazo), quer no que respeita
à parcela do capital a reembolsar, quer no que se refere aos juros
entretanto calculados.
Financiamento Bancário Financiamento Bancário
Obtido a c/l prazo Obtido a m/l prazo
63.822 63.822

Juros de Empréstimos Juros a liquidar

113.162 113.162

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A 1/Janeiro / ano 2:
Na data de vencimento da segunda anuidade do empréstimo, deveremos
igualmente concretizar o processamento do reembolso do empréstimo e
dos juros correspondentes.
Financiamento Bancário
Obtido a c/l prazo Bancos

63.822 176.984

Juros a liquidar

113.162

E assim sucessivamente até completa amortização do montante do


empréstimo.

Locação Financeira ou Leasing


O arrendamento financeiro é uma operação financeira a longo prazo cujo
objecto é a cessão do uso de bens móveis ou imóveis, adquiridos com essa
finalidade específica, por uma entidade financeira, com o objectivo de “O leasing pressupõe a
promover a sua disponibilização a um terceiro, mediante o pagamento de cedência do usufruto
uma renda. de um bem por
contrapartida do
Trata-se de um arrendamento mercantil especial sobre bens móveis ou
pagamento de uma
imóveis, com carácter produtivo, ou bens de consumo com carácter
renda periódica”
duradouro.
As partes intervenientes no contrato de leasing são:
 Uma empresa de “leasing” dedicada a realizar este tipo de
operações (Locador)
 Uma empresa que pretende dispôr para sua utilização de um
determinado bem (Locatário)
Em condições normais, a empresa de “leasing” promove a aquisição dos
bens que constituem o objecto do contrato de “leasing” e,
simultaneamente, cede a sua utilização ao locatário durante um
determinado período de tempo, mediante o pagamento periódico de
rendas previamente acordadas.

No termo da vigência do contrato previamente definida, poderão verificar-


se três situações alternativas:
 Cancelamento do arrendamento, com devolução do bem ao
proprietário (empresa de leasing).
 Renovação do contrato por um período de tempo adicional.
 Exercício de uma opção de compra por parte do arrendatário.

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