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ELISEU RESENDE: UM ENGENHEIRO DA COLONIALIDADE1

José Elierson de Sousa Moura2


INTRODUÇÃO
Em 16 de junho de 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici assinou o Decreto-Lei
nº 1.106 para criar o Programa de Integração Nacional (PIN).

Art 2º A primeira etapa do Programa de Integração Nacional será constituída


pela construção imediata das Rodovias Transamazônica e Cuiabá-Santarém.

§ Será reservada, para colonização e reforma agrária, faixa de terra de até dez
quilômetros à esquerda e à direita das novas rodovias para, com recursos do
Programa de Integração Nacional, executar a ocupação da terra e adequada e
produtiva exploração econômica.

§ Inclui-se também na primeira etapa do Programa de Integração Nacional a


primeira fase do plano de irrigação do Nordeste.3

Sabendo disso, o que os historiadores e as historiadoras narraram sobre a Rodovia


Transamazônica enquanto parte do PIN?
A indagação e a sua resposta fizeram-se necessárias, porque me ajudaram a traçar alguns
caminhos na busca de responder uma pergunta maior: Como se deu a atuação do Projeto
Rondon (PRo)4 ao longo da Rodovia Transamazônica, nos Estados do Piauí e do Pará, a partir
da instalação de Campi Avançados5 que funcionaram durante a ditadura militar, nas cidades de

1
O texto foi escrito a partir da disciplina “História e natureza: Rios, florestas e cidades” que foi ministrada pela
professora Drª. Leila Mourão, junto ao Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia (PPHIST),
da Universidade Federal do Pará (UFPA).
2
Possui mestrado em História pelo Programa de Pós-Graduação em História do Brasil (PPGHB), da Universidade
Federal do Piauí (UFPI). E atualmente é doutorando em História pelo PPHIST. É bolsista da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). E-mail: eliersom@hotmail.com.
3
BRASIL. DECRETO-LEI Nº 1.106, DE 16 DE JUNHO DE 1970. Cria o Programa de Integração Nacional,
altera a legislação do impôsto de renda das pessoas jurídicas na parte referente a incentivos fiscais e dá
outras providências, Brasília, DF, jun. 1970. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-
lei/1965-1988/Del1106.htm>. Acesso em: 12 jan. 2018.
4
No ano de 1966, após a realização de um seminário que contou com a participação de militares e professores, na
Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), deu-se início a discussões e tomadas de decisões que
foram decisivas para a criação do PRo. A antiga Universidade do Estado da Guanabara (UEG), hoje Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi parceira do evento. E em julho de 1967, o professor Wilson Choeri
(Secretário geral da UEG) e 29 estudantes partiram, constituindo a chamada “Operação Rondônia”, que levou o
nome do estado que era o destino. Na volta da atividade-piloto, os estudantes fizeram relatos de experiência na
Eceme e, como os resultados foram satisfatórios, resolveu-se dar continuidade. Ficou marcada para janeiro de
1968, a Operação Rondon II. Ver: MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura
política brasileira e modernização autoritária. – Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 90-91.
5
Foi uma forma de atuação do PRo criada no ano de 1970, quando algumas universidades brasileiras instalaram
seus Campi Avançados em cidades que ficavam distantes das suas sedes, rompendo com o caráter esporádico de
atuação dos estudantes e professores ao longo do país. Ver: LIMA, Gabriel Amato Bruno de. “Aula prática de
Brasil”: ditadura, estudantes universitários e imaginário nacionalista no Projeto Rondon (1967-1985). 2015. 209f.
Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) – Universidade Federal de Minas Gerais, 2015, p. 78.
2

Picos, Marabá, Altamira e Itaituba? Para que eu consiga compreender a atuação dos Campi
Avançados do PRo, no Piauí e no Pará, ao longo da Rodovia Transamazônica, em um momento
em que as duas políticas de integração nacional aconteceram de modo correlato, preciso saber
como o Estado brasileiro planejou a estrada e quais foram os objetivos anunciados para se
atingir.
Pere Petit6, Regina Beatriz Guimarães Neto7, Fernando Dominience Menezes8, Magno
Michell Marçal Braga9, César Augusto Martins de Souza10, Filipe Menezes Soares11 e Iane
Maria da Silva Batista12, pensaram de maneira correlata, quando se referiram à Rodovia
Transamazônica ou ao PIN: Falaram como se a estrada e o programa tivessem nascido com a
assinatura do Decreto-Lei nº 1.106 do ano de 1970.
Mas em As contradições do processo de desenvolvimento agrícola na Transamazônica,
Robert Toovey Walker, Alfredo Kingo Oyama Homma, Arnaldo José de Conto, Rui de Amorim
Carvalho, Célio Armando Palheta Ferreira, Antonio Itayguara Moreira dos Santos, Antonio
Carlos Paula Neves da Rocha, Pedro Mourão de Oliveira e Carlos D. Rodriguez Pedraza,

6
PETIT, Pere. Chão de promessas: elites políticas e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964.
Belém: Paka-Tatu, 2003, p. 82.
7
GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Vira mundo, vira mundo: trajetórias nômades. As cidades na Amazônia.
Projeto História (PUC-SP), São Paulo: Editora da PUC, v 27, p. 49-69, 2003, p. 65; _______. História, trabalho
e memória política. Trabalhadores rurais, conflito social e medo na Amazônia (1970-1980). Revista Mundos do
Trabalho (Online), v. 6, n. 11, p. 129-146, 2014, p. 131; _______. Violência e trabalho na Amazônia. Narrativa
historiográfica. Territórios e Fronteiras (Online), v. 7, p. 27-46, 2014, p. 32; _______. A Amazônia e a política
de Integração Nacional. O discurso da modernização entre o passado e o presente. Diálogos latinoamericanos, v.
26, p. 144-157, 2017, p. 146-147.
8
MENEZES, Fernando Dominience. Enunciados sobre o futuro: ditadura militar, Transamazônica e a
construção do “Brasil Grande”. 2007. 147f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) –
Universidade Federal de Brasília, 2007, p. 6.
9
BRAGA, Magno Michell Marçal. BR 230: Nordestinos na rota Transamazônica. In: XXVI Simpósio Nacional
de História, 2011, São Paulo. Anais do XXVI Simpósio Nacional da ANPUH – Associação Nacional de
História. São Paulo: ANPUH-SP, 2011, p. 2; _______. BR 230, nordestinos na rota Transamazônica: a
trajetória dos migrantes no Estado do Pará (1970-74). 2012. 135f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em
História) – Universidade Federal de Pernambuco, 2012, p. 55-56; _______. La oralidad y su importancia:
relaciones laborales em la historia reciente del Brasil. El caso de la construcción de la autopista transamazónica.
In: ZAIDENWERG, Cielo; MERODIO, Gustavo Garza; CÉSPEDES, Ricardo Piqueras; CABALLERO, Gabriela
Dalla-Corte. Ciencias Sociales, Hmanidades y Derecho. Cómo pensar el mundo Latinoamericano. Barcelona,
2017, p. 177.
10
SOUZA, César Augusto Martins de. Memórias da ditadura nas memórias da Transamazônica (1970-1990). In:
Seminário Internacional História Contemporânea: Memória, Trauma e Reparação, 2012, Rio de Janeiro. Anais do
Seminário Internacional História Contemporâena: Memória, Trauma e Reparação. Rio de Janeiro, 2012, p. 3;
_______. Ditadura, grandes projetos e colonização no cotidiano da Transamazônica. Revista Contemporânea, p.
1-19, 2014, p. 3; _______. Morte, saúde e ditadura na construção da Transamazônica. Tempos Históricos
(EDUNIOESTE), v.19, p. 65-91, 2015, p. 66.
11
SOARES, Filipe Menezes. O governo Médici e o Programa de Integração Nacional (Norte e Nordeste) –
Discursos e políticas governamentais (1969-1974).2015. 171f. Dissertação (Programa de Pós Graduação em
História) – Universidade Federal do Pernambuco, 2015, p. 65.
12
BATISTA, Iane Maria da Silva. A natureza dos planos de desenvolvimento da Amazônia (1955-1985). 2016.
367f. Tese (Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia) – Universidade Federal do Pará, 2016,
p. 155.
3

indicaram que a ideia de construção da estrada apareceu de “forma ordenada”, no ano de 1969,
com a publicação do engenheiro Eliseu Resende intitulada de O papel da rodovia no
desenvolvimento da Amazônia, que circulou no Jornal do Brasil (JB) no ano de 1969. O
engenheiro era o então diretor nacional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem
(DNER).13
Eliseu Resende, no ano de 1970, também ganhou destaque na revista Veja. A reportagem
com o título de Empreiteiros teve como tema o lançamento do edital do DNER para escolher
as empresas que ficariam responsabilizadas pela construção da Rodovia Transamazônica. Ao
apresentar o engenheiro, defeniu-o assim: “[...] Eliseu Resende, quarenta anos, diretor geral do
DNER, que ao lado de sua equipe técnica, em 1968, idealizou e preparou o projeto da
Transamazônica.”.14
Portanto, se Eliseu Resende apareceu como um dos membros do Estado brasileiro que
pensou a construção da estrada (juntamente com a sua equipe do DNER), desde o ano de 1968,
objetivei compreender quais foram as contribuições do engenheiro para o que veio a ser a
Rodovia Transamazônica e o PIN a partir do seu estudo O papel da rodovia no desenvolvimento
da Amazônia. Lancei mão das discussões do conceito de “colonialidade”15, que é trabalhado
pelo Grupo Modernidade/Colonialidade; e das discussões da história ambiental16 a partir de
David Arnold e Donald Worster.

A COLONIALIDADE DA ESTRADA
No ano de 1998, foi realizado na cidade de Montreal, no Canadá, o Congresso Mundial
de Sociologia. E dentro dele o simpósio Alternativas ao eurocentrismo e ao colonialismo no
pensamento social latino-americano contemporâneo, que foi pensado em 1997 por Francisco
López Segrera, então diretor do Instituto Internacional da Organização das Nações Unidas para
a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e para a Educação Superior na América Latina e
o Caribe (IESALC/Caracas, Venezuela); Immanuel Wallerstein, que era presidente da

13
WALKER, Robert Toovey et al. As contradições do processo de Desenvolvimento Agrícola na Transamazônica.
Documentos, nº 93, Belém: Embrapa Amazônia Oriental, Agosto, 1997, p. 10.
14
EMPREITEIROS. Veja. São Paulo, 1 jul. de 1970. N. 95, p. 43.
15
Divide-se entre “colonialidade do poder” (que se dá no nível político e econômico), a “colonialidade do saber”
(que se dá no campo epistêmico, filosófico, científico e linguístico) e a “colonialidade do ser” (que acontece no
controle da subjetividade, da sexualidade e do gênero). Ver: SOUZA, João José Veras de. Seringalidade: A
colonialidade no Acre e os condenados da floresta. 2016. 414f. Tese (Doutorado Interdisciplinar em Ciências
Humanas) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016,
p. 39.
16
ARNOLD, David. La naturaleza como problema historico: El medio, la cultura y la expansión de Europa.
Mexico, DF: Fondo de Cultura Economica, 2000, p. 11; WORSTER, Donald. Transformações da terra: Para uma
perspectiva agroecológica na história. Ambiente & Sociedade. Campinas/SP: v. 5, n. 2 – agos./dez. 2002 e v. 6,
n. 1, jan.jul. 2003, p. 4; _______. Los historiadores y la naturaleza. Estudios Rurales, n. 4, 2013, p. 4.
4

Associação Mundial de Sociologia; e Edgardo Lander, que dois anos após ao acontecimento do
simpósio publicou como organizador o livro A colonialidade do saber: eurocentrismo e
ciências sociais. Perspectivas latino-americanas, reunindo os textos que foram apresentados
no simpósio e outros de diversos autores que realizaram importantes contribuições aos debates
que foram feitos.17
No primeiro capítulo, intitulado de Ciências Sociais: saberes coloniais e eurocêntricos,
Edgardo Lander localizou a produção do Coletivo Modernidade/Colonialidade (CMC), que
desde a década de 1990 é formado por intelectuais das Américas e por outros/outras que não
são, mas que a têm como pretexto para as suas análises. Por meio de encontros e publicações
eles/elas têm produzido reflexões teóricas que abarcam diversas áreas de conhecimento com o
objetivo de pensar as Américas, além das ciências sociais e humanas para defender a
possibilidade de outro pensamento, outro conhecimento e outro mundo que fuja do
eurocentrismo. É um projeto intelectual e político, que por meio da construção de categorias e
problemas de argumentação tem se constituído em uma teoria crítica que problematiza a
modernidade, e por isso é conhecida por Teoria Crítica Decolonial (TCD).18
Sobre o significado da “colonialidade”, iniciamos pela tese Seringalidade: A
colonialidade no Acre e os condenados da Floresta, de João José Veras de Souza, texto em que
ele apresentou uma diferenciação entre as ideias de colonização e a “colonialidade”. É que para
o CMC, ao passo que a primeira ideia corresponde ao regime de poder que funcionou durante
os processos de colonização das Américas, dos países africanos e dos países asiáticos, o que
resultou na dominação institucional e cultural dos europeus sobre alguns dos povos que
habitavam os três continentes, e que teve fim com os processos de independência, a segunda
ideia se refere à herança da primeira, sendo o construto mental deixado pelo regime colonial de
poder e saber que se embrenhou em todos os âmbitos de relações sociais e de poder mundial.19
Porém, não foi só o CMC que percebeu essa herança da colonização. Uma de suas
principais influências foi o pensamento de Franz Fanon, que no livro Pele negra, máscaras
brancas, lançado na França no ano de 1952, já havia indicado algo caro que fortaleceu o
conceito de “colonialidade”. No capítulo O negro e a linguagem, ele afirmou que o negro
antilhano seria cada vez mais branco à medida que adotasse a língua francesa como a sua, tendo

17
LANDER, Edgardo. Apresentação. In.: _______ (Org.). A colonialidade do saber: Eurocentrismo e ciências
sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur-Sur, Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2005,
p. 7.
18
SOUZA, 2016, p. 29.
19
Ibidem, p. 37.
5

em vista a existência da crença de que o homem possuidor da linguagem, de igual forma


controla o mundo que essa linguagem expressa, como se fosse algo implícito. E seguiu:

Todo povo colonizado – isto é, todo povo no seio do qual nasceu um complexo
de inferioridade devido ao sepultamento de sua originalidade cultural – toma
posição diante da linguagem da nação civilizadora, isto é, da cultura
metropolitana. Quanto mais assimilar os valores culturais da metrópole, mais
o colonizado escapará da sua selva. Quanto mais ele rejeitar sua negridão, seu
mato, mais branco será [...].20

Se Franz Fanon indicou com o seu livro a presença de uma diferenciação dentro do
“povo colonizado”, que é uma das heranças presentes em países que foram colônias e que o
CMC nominou de “colonialidade”, o peruano Aníbal Quijano, que é tido como o grande
pensador do CMC, no texto Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina destacou
que as Américas se tornaram o primeiro espaço/tempo, portanto, a primeira “id-entidade” da
modernidade, ao passo que dois processos históricos se misturaram com a produção do referido
espaço/tempo e se estabeleceram enquanto os dois eixos fundamentais do novo padrão de poder
mundial. O primeiro processo foi a codificação de diferenças entre conquistadores e
conquistados com base na ideia de raça, fundada em uma suposta estrutura biológica que seria
distinta, colocando uns em uma situação natural de inferioridade no que diz respeito a outros.
Os conquistadores usaram a ideia de inferioridade dos conquistados para justificar as relações
de dominação que foram travadas incialmente nas Américas e mais tarde em outras partes do
mundo, sendo a expansão do novo padrão de poder mundial. E o segundo processo foi a
articulação de todas as formas históricas de controle do trabalho, de seus recursos e de seus
produtos em torno do capital e do mercado mundial.21
Com a racialização do trabalho, os brancos construíram uma vantagem expressiva para
controlar o mercado, tudo porque conseguiram na Américas o controle do ouro, da prata e de
outras mercadorias que foram feitas através do trabalho gratuito de índios, negros e mestiços,
somado ao controle do Atlântico, espaço onde aconteciam as trocas comerciais. Os metais
preciosos das Américas permitiram a monetarização mundial, colocando os brancos como
mantenedores de uma rede de intercâmbio que ao longo dos séculos envolveu a China, a Índia,
o Ceilão, o Egito, a Síria e os futuros Orientes Médio e Extremo22, afinal de contas, como
evidenciou o tunisiano Albert Memmi, no ano de 1974, em Retrato do colonizado precedido

20
FANON, Franz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008, p. 34.
21
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In.: _______ (Org.). A
colonialidade do saber: Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Colección Sur-Sur,
Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 107.
22
Ibidem, p. 109.
6

de retrato do colonizador, ninguém acredita mais na missão cultural e moral da empreitada


colonial. Os motivos econômicos foram esclarecidos por diversos historiadores. No mesmo
contexto de escrita do seu livro, Memmi destacou que a partida de europeus rumo às colônias
que ainda existiam, não era pela escolha de uma luta incerta ou pela aventura, e sim por conta
da facilidade. Quem tivesse dúvida era só questionar aos europeus que viviam nas colônias
porque as buscaram como destino e por quais motivos desejaram permanecer em seus espaços.23
O argentino Walter Mignolo, um dos pensadores do CMC despejou atenção para o modo
como Aníbal Quijano tem investigado a formação da “colonialidade do poder”, que abarca os
campos político e econômico do social. Fez isso no livro Desobediencia epistémica: retórica
de la modernidad, lógica da colonialidad y gramática de la descolonialidad, momento em que
ele percebeu que Quijano elencou a formação em quatro perspectivas que se cruzam, sendo: A
privatização e a exploração da terra, somados a exploração da mão de obra; o controle da
autoridade; o controle do gênero e da sexualidade, tendo como base a família cristã e valores e
condutas sexuais bem definidas; e o controle da subjetividade e do conhecimento. Mas,
Mignolo, por meio do pensamento de Edgardo Lander e Vandana Shiva acrescentou uma quinta
perspectiva que faz parte da “colonialidade do poder”, que é o controle da “natureza e dos
recursos naturais”.24
Para acrescentar ao pensamento de Walter Mignolo, busquei em João José Veras de
Souza (que teve como base o pensamento do próprio Mignolo) a presença de quatro retóricas
salvacionistas produzidas pela modernidade que atingiram as Américas, como forma de
localizarmos em qual momento daquela Eliseu Resende manuseou a sua “colonialidade”. No
começo, no século XVI, a ênfase recaiu na “fé” ou na “evangelização”, tudo em nome do
cristianismo; já no século XVIII, recaiu sobre a ideia de “civilização” ou “conversão secular”,
tendo como modelo a ideia de cidadania do século XVIII europeu; depois da Segunda Guerra
Mundial, a lógica era “converter ao desenvolvimento” para que houvesse modernização,
principalmente a partir dos EUA; e após a queda do Muro de Berlim, as ideias mais difundidas
foram “desenvolvimento”, “mercado e democracia”.25
Assim, se Quijano e Mignolo me deram subsídios acerca dos diversos momentos de
constituição da “colonialidade” ao longo da modernidade e sobre algumas das suas principais
características, perguntei-me: Como, a partir do texto O papel da rodovia no desenvolvimento

23
MEMMI, Albert. Retrato do colonizado precedido de retrato do colonizador. Rio de Janeiro: Editora:
Civilização Brasileira, 2007, p. 37.
24
MIGNOLO, Walter. Desobediencia epistémica: retórica de la modernidad, lógica da colonialidad y gramática
de la descolonialidad. Buenos Aires: Del Signo, 2010, p. 79-80.
25
SOUZA, 2016, p. 54.
7

da Amazônia, Eliseu Resende se inseriu no terceiro momento da “colonialidade”, que se iniciou


após a Segunda Guerra Mundial e que teve como principal lógica a busca pela “conversão ao
desenvolvimento”? E se três das principais faces da “colonialidade” são o controle da “natureza
e dos recursos naturais”; a privatização e a exploração da terra, juntamente com a exploração
da mão de obra; e o controle da subjetividade e do conhecimento, como a proposta de
construção do que veio a ser a Rodovia Transamazônica, delineada pelo engenheiro lidou com
a Amazônia26 e o Nordeste?

ELISEU RESENDE NA ESTRADA DA COLONIALIDADE


No dia 28 de março de 1969, Eliseu Resende publicou no JB a Amazônia que tinha em
mente, ao esboçar os primeiros parágrafos de O papel da rodovia no desenvolvimento da
Amazônia:

A existência de um sistema de transporte é condição indispensável à


realização de qualquer programa de desenvolvimento. Mas, a experiência nos
tem demonstrado que a disponibilidade de tal sistema isoladamente não
motiva o desenvolvimento. Se assim o fôsse, teríamos a região amazônica
dentre as mais desenvolvidas, senão a mais desenvolvida do nosso país,
porque sua rêde com perto de duas dezenas de milhares de quilômetros de rios
navegáveis representou, até recentemente no Brasil, o mais extenso sistema
de transportes. Apesar disso contribuiu bem pouco para a ocupação e
progresso daquela vasta região.27

Alguns ensinamentos de David Arnold, a partir do seu livro La naturaleza como


problema historico: El medio, la cultura y la expansión de Europa merecem destaque, porque
embora Eliseu Resende não tenha citado a palavra “natureza”, ele a interpretou quando pensou
sobre os “rios navegáveis” da Amazônia. Assim, David Arnold indicou a importância de o
historiador valorizar o lugar da “natureza” advinda, principalmente, do “paradigma
ambientalista”, que não busca aquela enquanto um “aí fora” com a sua presença apenas nas
plantas, no comportamento dos animais ou nos ventos e correntes oceánicas, mas, de igual
modo, dentro das mentes humanas e do conhecimento histórico.28
Outro historiador que se dedicou a essa discussão foi Raymond Williams, porque para
ele, o ser humano nem sempre se coloca como parte da “natureza”. Algumas pessoas, inclusive,

26
Entendo que a parte brasileira que ficou conhecida como Amazônia Legal em 1953, a partir do Plano de
Valorização Econômica da Amazônia. Entrou em vigor por meio da Lei 1.806 e passou a possuir em sua
composição os seguintes Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e
parte do Maranhão (oeste do meridiano de 44º). Ver: GUIMARÃES NETO, Regina Beatriz. Violência e trabalho
na Amazônia. Narrativa historiográfica. Territórios e fronteiras (online), v. 7, p. 27-46, 2014, p. 28.
27
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro,
LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
28
ARNOLD, 2000, p. 16.
8

falam de “outro tipo de natureza”, ainda em oposição ao mundo humano. Williams destacou as
mudanças que aconteceram ao longo do tempo no significado da palavra “natureza”.29
Então, qual foi a ideia de “natureza” utilizada por Elieseu Resende? Durante o trajeto
da escrita, o engenheiro traçou uma oposição: áreas “mais desenvolvidas” x a Amazônia,
demonstrando a sua “colonialidade”. O elemento que foi utilizado para definir a oposição dentro
do Brasil foi a existência de um “sistema de transporte” que estivesse ligado a outros. Como a
região amazônica foi vista de maneira isolada, ele culpou os rios por não alavancarem o
“progresso” ou por serem um “sistema de transporte” falho. E interpretou as águas para dizer
que foram incapazes de propiciar a “ocupação” da região. Se ele falou de incapacidade, havia
também consigo de maneira implícita, uma noção de capacidade: A geração de um “programa
de desenvolvimento”.
Se quisermos dar conta do simbolismo da água, não se pode considerá-la H2O, e sim,
elemento indissociável de suas formas concretas: os mares, os oceanos, os rios, os lagos, os
regatos, os riachos, as torrentes, as chuvas, as fontes, as nascentes, as praias, as quedas d’água,
as cascatas, o gelo, e o orvalho. Águas que são claras, correntes, primaveris, profundas,
dormentes, mortas, compostas, doces, violentas e lágrimas. São assim, porque cada uma das
sociedades humanas reservou um papel privilegiado para elas.30
Em Eliseu Resende, por exemplo, o papel dos “rios navegáveis” da Amazônia era servir
como “sistema de transporte” integrado, sendo uma condição para gerar “desenvolvimento”.
Ele enxergou os rios enquanto uma “natureza” que estava distante e que não o pertencia, ao
contrários das populações ribeirinhas que vivenciavam as águas de diversas formas, fugindo da
lógica “desenvolvimentista” que fazia parte do Estado brasileiro.
A palavra da vez na política brasileira era “desenvolvimento”, porque a ditadura militar
também estava alinhada com as ideias da Escola Superior de Guerra (ESG), que após o golpe
civil-militar de 1964 emprestou o general Golbery do Couto e Silva para ser o primeiro chefe
do Serviço Nacional de Informações (SNI), tendo como objetivo apoiar as decisões que fossem
tomadas pelo presidente da República. O SNI se tornou a partir de 1967, uma grande rede de
espionagem, colocando em funcionamento a Doutrina de Segurança Nacional (DSN) ou
Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento (DSND).31 A DSN ou DSND foi uma

29
WILLIAMS, Raymond. Ideias sobre a natureza. In: Cultura e materialismo. São Paulo: Editora Unesp, 2011,
p. 89.
30
BRUNI, José Carlos. A água e a vida. Tempo social. Revista de Sociologia da USP, São Paulo, v.5, n.1-2, p.
53-65, 1993, p. 59.
31
FICO, Carlos. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, São
Paulo, v. 24, n. 47, p. 29-60, 2004, p. 36.
9

criação do National War College em 1946, que tinha sua sede na cidade de Washington, além
de uma vinculação com o Pentágono. Diversas escolas militares que foram criadas nas
Américas, como a ESG no ano de 1949, sofreram a influência do National War College.32
Wilson Montagna destacou que após o ano de 1961 entrou em cena nos EUA a
“Doutrina McNamara” que tinha a função de ser contra-revolucionária, pois o que precisava
ser combatido, não era mais um possível ataque da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS), e sim uma infiltração comunista e a detonação de revoluções em países de “Terceiro
Mundo”. A guerra contra o comunismo seria feita através das Forças Armadas e de uma política
de segurança nacional, contando com a ajuda financeira dos EUA e de material anti-guerrilhas.
Wilson Montagna elencou tais informações, para dizer que a DSN ou DSND procurou renovar
as receitas brasileiras com base nas receitas ortodoxas do capitalismo, construindo uma
vinculação junto ao sistema norte-americano33, o que se aproximou da discussão de João José
Veras de Souza, quando ele trouxe para a cena Walter Mignolo e a constatação de que a terceira
retórica salvacionista da modernidade, que partiu dos EUA, e que ajudou a disseminar a
“colonialidade do poder”, foi construída após a Segunda Guerra Mundial, tendo como principal
objetivo a “conversão ao desenvolvimento” para gerar modernização34 nas Américas.
A preocupação em gerar “desenvolvimento” balizou a leitura que Eliseu Resende
destinou para a Amazônia. Ele evidenciou que um dos principais fatores que impedia o
“povoamento” da região era a “quase inexistência ou inacessibilidade de mercados”, ficando
sempre a mercê de “mercados externos”, já que as atividades econômicas eram restritas ao
“extrativismo”35. Ao justificar um fracasso da “economia extrativa”, falou que até o final do
século XIX nenhum produto da Amazônia havia alcançado importância no mercado
internacional. Lembrou do “cacau” e da “quina”, que perderam a sua importância quando
passaram a ser cultivados, respectivamente, na Bahia e na Índia; e da “goma elástica”, que no
final do século XIX e início do século XX conseguiu atrair “movimentos migratórios” e a
“ocupação física” da região, até quando foi levada para o “sudeste da Ásia”, momento em que

32
FERNANDES, Ananda Simões. A reformulação da Doutrina de Segurança Nacional pela Escola Superior de
Guerra no Brasil: a geopolítica de Golbery do Couto e Silva. Antíteses. vol. 2, n. 4, p. 831-856, jul.-dez. de
2009, p. 836-837.
33
MONTAGNA, Wilson. A Doutrina da Segurança Nacional. Projeto História (PUC-SP). São Paulo, v.6, p.
29-40, 1986, p. 36.
34
SOUZA, 2016, p. 54.
35
O “extrativismo” ou uma “economia extrativa” é uma maneira de produzir “bens” em que os “recursos naturais
úteis” são coletados de sua “área de ocorrência natural” em contraposição à agricultura, o pastoreio, o comércio,
o artesanato, os serviços e a indústria. Ver: DRUMMOND, José Augusto. A extração sustentável de produtos
florestais na Amazônia brasileira. Estudos Sociedade e Agricultura (UFRJ), Rio e Janeiro, v. 6, p. 116-137,
1996, p. 117.
10

a produção asiática, pelos preços baixos, suplantou a produção na Amazônia.36 Para o


engenheiro, a falta de acesso a outros mercados não proporcionava a “ocupação” da região, e,
consequentemente, o “extrativismo” que dependia dos rios não era capaz de gerar
“desenvolvimento”.
A sua análise seguiu:

A pequena população da Amazônia, dependendo exclusivamente das vias


navegáveis, adquiriu um caráter de população ribeirinha, dispondo de recursos
limitados e apresentando com frequência tendências isolacionistas. A própria
utilização do transporte aéreo quase nada modificou o sistema de vida e as
perspectivas de desenvolvimento daquela região.
O agravamento da pressão provocada pelos excedentes demográficos do
Nordeste do país, onde a densidade média já se aproxima dos 50 habitantes
por Km², torna inadiável uma ação mais efetiva do poder público no sentido
da ocupação daqueles milhares de quilômetros quadrados, onde a densidade
demográfica não chega mesmo a alcançar a cifra de um habitante por
quilômetro quadro.37

O engenheiro escancarou a culpa das populações ribeirinhas. Em outras palavras, ele


disse que a labuta diária daquele grupo não era capaz de gerar crescimento econômico para o
país. Mas ele fez isso como se as pessoas que viviam nas margens dos rios amazônicos tivessem
traçado como desejo para si mesmas, atingirem o “desenvolvimento” que era proclamado pelo
Estado brasileiro enquanto uma urgência, já que uma das características da “colonialidade do
ser” é buscar a subjetividade alheia. Eliseu Resende procurou cercar as populações ribeirinhas,
com o desejo de que elas se achassem culpadas. Em lado oposto, os/as nordestinos/nordestinas
foram o outro alvo, para que acreditassem ser a solução do problema. Uma solução que
contribuiria somente com a mão de obra, para “ocupar” outra região que ajudaria com o seu
“vazio demográfico”. Os nordestinos/nordestinas apareceram como a saída, justamente porque
no Nordeste, Eliseu Resende enxergava um “excedente demográfico” pronto para migrarem
para a região amazônica.
Só que os/as nordestinos/nordestinas foram chamados/chamadas, não somente pelo que
Eliseu Resende vociferou, pois se o Nordeste tinha uma grande “concentração demográfica”, o
que se acreditava ser um dos motivos para a presença de uma grande quantidade de pobres na
região, merecia um olhar mais próximo do Estado. Depois de falar dos problemas, o engenheiro
apresentou as soluções.

36
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro,
LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
37
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro,
LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
11

O procedimento que nos parece mais lógico para a ocupação das áreas
despovoadas da Amazônia é o de se provocar o deslocamento dos excedentes
demográficos do Nordeste para aquela região. Dado o atual estágio da rêde
rodoviária do Nordeste, não haverá maiores dificuldades em estendê-la até a
bacia amazônica, através do prosseguimento das Rodovias BR-230 – BR-232
que, partindo respectivamente de João Pessoa e Recife, se unem em Picos
(Piauí), de onde prossegue a BR-230 passando por Floriano, São Raimundo
das Mangabeiras, Balsas e alcançando Carolina. Ao norte de Carolina pode-
se cruzar o rio Tocantins, em Estreito. Êste trecho já oferece condições
razoáveis de tráfego. Êsse traçado, poderá ser substancialmente melhorado
noutra diretriz, partindo de São Raimundo das Mangabeiras diretamente para
Estreito. Consiferamos que aí começa efetivamente a Transamazônica [...].38

As palavras denotaram que mesmo em fase de planejamento, a Rodovia foi chamada de


Transamazônica. O verbo “poderá” denunciou a possibilidade de o traçado ainda ser alterado
no Maranhão, de “Carolina” que tinha como destino “Estreito”, para “São Raimundo das
Mangabeiras” com destino a “Estreito”. A Rodovia apareceu com o traçado definido, a partir
da junção das BR’s 230 e 232, em Picos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia, Eliseu Resende enxergou a
região enquanto uma área de “vazio demográfico”; de “rios navegáveis” que não foram capazes
de cumprir a função de “sistemas de transporte”; e de “populações ribeirinhas” que não foram
capazes de gerar “desenvolvimento”, inclusive porque estavam “isoladas”. Já a região Nordeste
foi interpretada como uma área de “excedentes demográficos” e de grande “pobreza”. Para ele,
o Nordeste já tinha uma exetensa rede de transportes que se fosse expandida para a região
amazônica, permitiria a transferência dos “nordestinos” que desejassem aproveitar os “recursos
naturais” daquela.
Ele esteve cercado pelas “Amazônias da modernidade” que são os modos como a
“colonialidade do poder” tem visto a região. A primeira Amazônia que foi escrita por Eliseu
Resende, foi feita com base na ideia de “vazio demográfico”, que foi formulada em meados do
século XX e que recebeu impulsionamento dos temores geopolíticos forjados com a Guerra
Fria, de que “espaços territoriais vazios” eram uma porta aberta para a entrada de “guerrilheiros
comunistas internos e externos”. Gerou, no cotidiano, uma ideia de “escassez de mão de obra”
na Amazônia, já que deixou na invisibilidade demográfica e cultural, as populações indígenas
e as populações caboclas e negras que habitavam a região; a segunda Amazônia foi inscrita com
o uso da ideia de “reserva ecológica do planeta” o que a liga a outra Amazônia, a da “natureza”

38
RESENDE, Eliseu. O papel da rodovia no desenvolvimento da Amazônia. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro,
LXXVIII, n. 298, p. 73, 28 mar. 1969.
12

em oposição à cultura, com os binômios tradicional/atrasado em oposição a


civilizado/“desenvolvido”, pois aos olhos do engenheiro, as populações ribeirinhas estariam do
lado tradicional/atrasado; e a terceira Amazônia que foi grafada por Eliseu Resende foi feita
com a ideia de um espaço “periférico”, pois ele teceu hierarquias que tornaram a região
amazônica um Brasil dentro do Brasil.39

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