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^ O-HORESc ^N

LIVRARIA ACADÉMICA
;^/. GUEDES DA SILVAI
8, R. MÁRTIRES DA LIBEROAOE. t2(
PORTO *TELEFONE, 5988(

Re,ié7,qo3s

Presented to the

UBRAKY ofthe
UNIVERSITY OF TORONTO
by

Professor

Ralph G. Stanton
Digitized by the Internet Archive
in 2012 with funding from
University of Toronto

http://archive.org/details/evaeaveoumariaOOsous
''

.^?^"^

EVA,EAVE,
MARIAE
TíaUNFANTE
T H A T R O D^ K V D Ç A E 1 M,
ôc FilbfofiatShriftãa,
Em que (e reprefemaô os dom eHados do mundo :
CAHIDO EM EVA*
LEVANTADO EM
E

AVE
PRIMEYRA, E SEGVNDA PARTE.
V

f
:

EVA.EAVE,
MARIA TrYuNFANTE
THEATRO DA ERVDIÇAM,
& Filofofia Chriíláa,
Em que (e refrefentaõ os dom eBados do mundo
CAHIDO EM EVA»
LEVANTADOEM
E

AVE.
NO patrocínio da magestadè augustissima da

RAINHA DOS
ESCREVIA
CEOS.
/ÍNTONIO T>E SOUSA T>E MACEDO,
PRIMEYRA, E SEGVNDA PARTE

LISBOA.
DESLANDE SIANA,
NAOfficinaReal
M. DCCXL
Qom &
todas as Ikenç.ts necepriasy Privilegio Real.
Mercador de A^ivros?
A' cufta de CmIos do^Vallc Carneyrg ,
«J^

^>í
S E N HO R.

STE livro que compre-


hende hum vaílo thea-
tro da erudiça5,em íi he
todo hum mero eíludo
da Chriílãa Filofofiaj-fa-
he terceira vez à luz pu-
blica debay xo dos B eaes , &
glorio-
fos auípicios de V. Mageftade; por-
que nem feu grande Áuthor/e vive-
ra, lhe podia folicitar mayor Mece-
*' iij naS:?
,

nas, nem o aíTompto de que trata ter


attençao mais pia^nem mais heroyca,
que a de V.Mageílade, em quem ref-
plandecem todas as circunítancias
que conflituem cabalmente hú per-
feyto Monarcha. Eíla parece fer a
ultima lima ^ que ate agora lhe falta-
va & confeguindo-a felizmente na
5

prefente edição^ lie fem duvida, que


de hoje para fempre fe chamara o
Morgado das eílampas^a Veneração
das livrarias, a Expe6taça5 dos dou-
tos , &
por antonomaíia o Livro dos
PrincipesCatholicoSj>quando V.Ma-
geílade fe digne de amparallodebay-
xode feu Real, clemente^ & augufto
patrocinio Deos guarde a Real Pef-
.

foa V Mageílade,como feus Rey-


de
nos, & Vaífallos hao de mifter.

Carlos do Valle Carnejro.

A' MAí
iHÉÍigm*«ww^tf»gg^^

A'MAGESTADE AUGUSTISS1MA,E GLORIOSÍSSIMA


D E

MARIA VIRGEM
Mãy de Deos, R ainha dos Ceos.
s E JsC^H o % A.

mm^mmê^^ s t A' perto o tempo de minha refoluçaõ , &


;|de ir dar conta do talento que fe me entregou, i » M^tth<^i%^,

Mal a pudera eu preparar nos mares em que


jntegora naveguey, Por favor de voíía magefta-
|de íoberana me íançàraÕ as tempeftades no pors

^^^^^^^ito da Quii^taçaõ & nelle pude dar hum balan-


;

ço à minha vida. Achome devedor do raefmo


talento que eícondi na terra, aonde nada lucrou; perfuadioíme o
fer pátria feai advertir que naõ era a verdadeyra. Quem tanto
,

íervio & efcreveo pelo mundo, naõ devera defcuidarfedo Ceo.


,

Os rayos que ào Pay das luzes baixaó ás trevas do noíío juizo, c5


reHexo de agradeci meto devem tornar a quem os repartio: rebel-
de á íua eíphera íeria o fogo, fe peregrinando íó em terreílre ma-
téria, naõ enviaííe algumas faiícas a rcconhecella naõ he fiel o :

eípelho, que em reverberações naõ reílitue ao Sol o lume que


lhe deo: condenaõ-íe à corrupção as aguas, que fe eftancaõ nas
lagoas, fem correrem ao mar dond'í naícèraõ.
A' voíla liberalidade recorro para me deíempenhar ; fabeisj
Senhora que fó o temor defta conta moveo minha penna
, naõ ;

vãglorJa, ou cuiioíidade, como outras vezes; eníínado pelo Dou-


Jerónimo ; 2 nem aíFedo louvores, nem receyo
tor da Igreja S.
>*^^;f'JJ'/''f/:
cenfuras dos homens; íó procuro contentar a Deos, aceitando íua ^'^^'-•Necaffeaa-
""^*^ laudes no-
I rf rt ^
• 1 r I
bondade por voíia mterceflaopoderoía o deícargo que me he
,
x
"i'""™, «« »'-
,

poííivel. Como poderia eu a(íeâ:ar honra mundana , aonds íev pa^í^-fn^^s.Dco


.iri/i^ir II*
que minhas faltas íe hao de lazer publicas?
' cu»
tnxva. placere
iatvtcs,&c.

Re.
Reconheço que me puderaõ divertir do aíTumpto
as razões
4./í Aifumpr.p./i de loiNarvos, em que os mayores cípiritos duvidarão entrar. De-

qÚdemcuodmeleita, luas atemoriza cmprendello, dizia feu devoto Bernardo;


3
no iftqíod ter- porcjuc hc maís alto que o Ceo; mais profundo que o abyí!o,con-

d"vrj'Sgioíí! fiderava S. Agoftinho 4 os Evangeliftas fagrados ( diz outro ;

^ D.ysug.icrm. Doutor Sauto ) 5 nao particularizarão voílos louvores, por le^


^'^VrS^de rem mais para meditados que para eícritos naó os efcreveo o , :

^í'^aTtiatlvrWg. Efpirito Santo com letras, deyxandoque os fíguraflemos no ani-

ÍÍSat^qS' mo ; antes faô íuperiores a todo o entendimento. Accrefce em


fpSííís^saralTs mim a indignidade de peccador, que S. Jerónimo, & S. Anlelmo

iÍd"\lf eímín'- com Humildadc confideravaõem fi 6 & a verdade me obriga a ,

S.Í5'"Sòr"è confelTar; & ameaça. me Salamaõ, que o queeíquadrinhar tanta


ímrí?,'wup"rTt.
Mageftadc, íe achará opprimido de fua gloria. 7
áz^ãn.TD^' -^^^ ^^ buíco em Vós o refpeyto, encontro com o amor, & S.
^"/^^7^
'''*''''
Bernardo me anima dizendo ; Naõ Terás opprimido deíía gloria,
7 vrovirb.-i<i. fe a bufcares para Deos, & naõ para ti.
17. toutaror

mctuiagloiía «
'
r i
8 S. Teronimo o amoe*
*":3'cflatsoppri fta que todos de qualquer errado^ & condiçaõ,ainda peccadores,
T
-i
•'
r '
i i i i
11
8 D Bera hrm. devem louvarvos : ol que o louvor humilde leva corijlieo o per-
6
:^«/,Nonorpa-dao. He logo uto divida, 5í nao ouladia ; pois notou S. Pedro
Cant
ir.ens à gloria, g-^\ , ~t\ -j r \\ r L'
ícd admittcns, Cnry lologo, que nao he atrevido em rallar, quem o íaz por obn-
niíi nonDei, d
li -. r r\ r % ' •
i i 1 i
tilam qustfuris gaçao lo uo ocioío lilencio íe ha de dar conta , com>o das ocio-
j

^ç^nliiron. in ías palâvras advertio Santo Ambroíio ; 1 1 o que parecera reí-


,

ioD.pír^^" peyto, fora defconíiar de voíla grandeza porque íe fois Mar de ;

fn'p^Í-v?rl'{um. perftyções, também fois Eft relia que guiaj fe o Sol abraza, tam-

Í!',^Íuu11k?°' bem fcmpre feria gloria cegar a tanta luz ha rifcos


ailumia ; Sc :

Íe/ /ÍJ X-T» ^^° honrados, que perderíe nelles acredita ; como outros taõ
in-

K^m fm^en- dlguos, quc ainda pizados mnnchaõ a planta ii em voíío no- , ;

Sn.°?Sn'í,°- ^^ ^^^^ o Eccleíiâftico que naõ íe pode peccar, mas fó merecer,

kímontm'^"^
uo íutcnto dc vos íervir 13 ôc Salamaõ, que íó cuidar nifto he 5

D Amhr.l. juJ2o confuinmado,


1
it DAmhr.i.
tt
C.\ Si pi O
(fi-i
& quem trabalhar, & vigiar nifto, ira muyto
ciicío verbo tcd
fegUTO. lã.
demus r.uiontfn,
vidc.fi.us..cied-
Hiftoiia divina defpreza rhetcrica humana : a Theopompo
iioío í.kr.u^. caftipou Deos com perturbação do entendimento, pena do cora-
uorter,fio Fd.x çao, & tiifteza do animo por le atrever a exornar com palavras
,

,.:,i:..d.is.Tr:n. i Ltv dadft a Mov^es, 8c ío pedindo perdaõ ao Senhor , recobrou


,i EccUf.t^. laude. 15 A rouca raulica de hum bichinho no(5turno ne ouvi-
10. Qui opciau- 1 j r» • •
i i- i • /
lurinmciion oa QO mayor Príncipe entre a melodia das mais íonoras aves j

ciundantmc.Ti- quanto mais que neite ofhcio de Anjos, elies me ajudarão pois, ,

cohfeííando que naõ baílaõ, defejaõ que o Ceo, & a terra íe con-
'^'
ícm^nr"'"

cltiírcel^godc vertaõ cm lingu^ que vos poílaõ louvar Ôc Vós naõ eftranha- , ;
'"'•
reis
naõ vos lembrais menos de haver íído humana,
reis as faltas, pois
Ha, TínfuseíícSi
que de reynar como Divinaj a benignidade aííegura quanto na di^ lu^'^ niaciís. 6i quj
"^'"^"^ '""'•
gnidade fe arrifcou. ^tc- lilam, iCÍto

Chego confiado comtaÕ pequena oblação ão Throno de^'iT"''"'


yide Jofeph;

Mageftade taõalta ;
porque voíío Filho Deos avaHou em mnys lí^^/^ "''' ^

too pouco do pobre; ló quizera ter mais para vos ofFerecer tu-
b6 AUrc-it.^i^^
do; mas elle íabe o porque me naõ entregou mais talentos. Do
profundo abyíTo do meu nada vos peço , A/íây clementiflima dos
peccadores, que para tirar do coração o tributo de amor que vos
he devido , abrais com chave de luz as minha alma ,
portas de &
que nas azas de voíío favor voe o pezo de minha ignorância ; &
pois no Ave foberano mudaftes o nome de Eva 3c o cftado em ,

que cila nos deyxouj muday meus aíFedos a parecer filho da no-
va graça, que nos alcançaftes, para que, como vos eícrevo [^en^
eedora do peccado, vos veja Triumphante no Ceo.

P RE*^
PREFACAM AO LEITOR
com o argumento da obra.
EAMC^ neíía vida o quenos fique para a outra , ( acon-
feihi o grande Doutor S. Jeronymo; & desfrutemos as
1 D.Hkron.rpij}!
^^ |S|2^S Tvorcs quc tcm as raizes no Ceo- i Se iíio fe naô achar
'ÍX^!ii}l^uhr.
*
i /•>. ííorúm
<!
^ ^^^ê
fjPj^T^^^^
'^'^^ ^^^'''^^ ^^'^^ ^^ cojitenra com que fe bufque; ( diz o
mefmo Santo') 2 & naõ ha livro taõmào, (notava Piinio
0k^^^íF^0^m omayor) 5 que naõ tenha algúacoufa uni para quem fe
q^orl^adicc.
iii Cxio nxae lâDc aprovcy tar nos Leytores quedenadafeaprovcytaõ, confidcrava Po-
;

írterris^n'ic"um ^'^^0 4- dcfcyto do bom eftomago para digeítão do que lem.


fcienria nob.s 2 Para tirar O taftio denoíTa HatuFcza ao mcro efpititual, moderei eflc
Cxio'*"^^^
'" ^^^ humanidades, que lifongeandoo gofto,o conduzaõ aonde lhe convém^
»M-.n>«fjí/c.»! dos louros
do Parnafocnxèrto os cedros do Líbano trago codas as letras
j

ve'ius° 'fed'<iàH humanas ao ferviço Divino para que foraõ creadasv f tirando-as da injuíta
quirasconfide- fujcyçaõ
cm que fcrviaõ a vaidades^ as obrigo a contemplarem o Creador,
? mn.at>Hi £.& Redcmptor^adeteftaremo peccado, & darem aos homens conhecimento

^^ ^ n^efmos. Ascunofidades comquecntrctenho, encaminho a documen-


'''^'víJfmf''
*
D.Thom.p.i^' tos Chriíiáos j faço dos medicamentos iguarias com melhor traça que os
|^4?2^''"""^'" ^^^icosj que disfarçando os remédios, lhes diminuem a virtude, & femprc
deyxaõ máo faborj os meus disfarces ajudaó a faade,iS<: cuido que excitaõ o
appctite de ler mais.mifturando o útil com o doce.
g O Senado de Roma,preparaado húa grandiofa entrada ao Emperador
Conftantino Magno, fabricou hum arco triumphal de pedras bem lavradas,
que haviaõ fervido em memorias que a Republica levantara 2 outros excel-
Icntes Emperadores. Foy acoufamaisilluflre ver aquellearcocnnobrecido
ccnias i;nr;gensj& acções famofas de varões infígnes: ôcConflantinofe obri-
gou muy to de que a efcultura de feu tempo confelíaíle que naõ podia obrar
dignamente a feus méritos: & de que o Senado trouxeííe feus predeceíTorcs
a honrallopor aquella maneyra. Áfíim eu , defconíiando de mim, ajuntey
materiaes dos melhores meftres(&osnomeyo nas margens, por naõ pare-
cer furto) para obrar hum edifício venerável que agrade, aproveyte: &
fi<:

poíTo efperar, que fe me agradeça a vontade.


4 iVIas porque naõ he licito aos pays negar os filhos, poílo quedefc£luo«
fos confelío,que a arquitectura he minha. & que me parece que nella firvo,-
.-

como as abelhas fabricando do alheyo, fervem mais que as aranhas tecendo


do proprio-Naõhe pequeno ferviço ajuntar o difperfo abreviar o laroo,
,

apartar o felcíflojôc fazer que facilmente fe ache no capitulo de cada maté-


ria, o principal que a ella psrtencci &que cm outros livros fe naõ poderia

uefcobrirfenaõacafo,pelo trazerem por incidente a outro propofito.


f Noeftylo,nemfuy curiofo,nemdefcuydado. Parecemc que pudera
fubillo a que naõ cedeífe aos que mais fe prezaõ de cultos na compoíiçaõ dos
periodos,nooftentofo das pala vras,no metafórico das frazes , & na aircza
da locução ;porque,pclaliberalidade,& graça de Deos,naõ nos falta o ds
q
s D.AugHft. elícs feiacítaõ:& pôde rerque,femjadlancia,tcmos O que falta a alguns. Mas

( dcfejandoaprovey tar a todos ) que


7 s.criiiH.ero-^^^^^^^^^-^^^^^^^^^^'^^'^^^^^'^ 6
joi. àfud p. '/lentes queria fcrcenfurado dos Gramáticos, c] mal entendido dos rufticosj fie

'^^^^^y'^^^^^^f^'1 o "i'jyto artificio deftruiífe os fentimentos piosda matéria


t'p'Jf.t!:ld't-,
lofoph. cimji. '"que trato; como S.CyrilloJcroíolymitano 7 advertio, que omuytoornato
linuciíra a forma dj Scp.ilcro de Cbnjto Senhor noíTo. De outra parte confi.

dcrey
derey, que o menos grandiloco dcfgoftaría a devoção que profeíTa a Corte;
a galantaria no dizer naõ dà mayor crcdito,mas dà mayor graça naò com- :

8 Meildonaelo ad
munica faudcjiiias caufa melhor cor ; 8 he taõ enfaíliado o noíTo efpiritOjque Cl. loan. infnnç.

naõ gofta dos bons manjares fcmapparencias que movaõ apperitejpor ifto
David (diíTeS. Gregório Niceno)>> pozemmuíicaosfeus Pfalmos, paraq gS
Greg,7\}cen,
por mais agradáveis , excitaíTem mais ao amor Divino. Nos di veríos moti» T[.ilm 148.ir.

vosdeíias razões procurey eftylo, que nem fe glorie de galante, nem le


envergonhe dcapparecer na praça deíejo acertar em hum meyo qus naõ
-,

degenere da fimplicidade que profeíTava S. Paulo, & feja admictido dos cu.
riofos que elle profetizava lo eftylo naturalmente compoíto fcm aífeéla-
;

çaõ fó ponho cuydado em efcufar palavras fuperíluas : bufco as poucas que


:

íignifíquem mais, & fempre tive por criminofas as que abundaó à expreíTaõ
do conceyto. Se em algúas partes deyxey correr a penna, fe devia de juíiiça,
ou à devoção, ou áfolemnidade; ha occafióesem que convêm íer pródigo j
& tal vez he neceíTario levantar mais a voz para efpertar os fentidos.
6 Eíia primeyra Parte^em que fervos da culpa efperamos a Ley da G^a-
cano monte Calvário, reparti em capitulos cincoenta numero myíienofo
;

dos dias que ao povo Hebreo faindo do cativeyro, fe dilatou a Ley q Deos
lhe deu no Monte Sinai :& dos outros cincoenta dias , que depois da Re-
furreyçaóde C^rz/^í? Senhor noífojfe dilatou a vinda do Èfpirito Santo ail-
Fide pi
luftrarosPrégadoresdenoíTaRedempçaõ. II. A fegunda Parte confíarà
í c: 1'.

de fetenta & dous capítulos, & parte de outroj ( que fera a Peroração no fim) li Hieron.ep-.H.
aa TSÍepòtinn ad
numero corre fpondente aos annos que a Senhora viveo na terra para nos fin.
levantar- 1} D.ChryfnJf.
hom.i, ad pofitL
7 Conheço ,que fem que valhaõ eflas, & outras juíiiíícações , me diz o yÍMiochjn ^.tom,
grande Doutor S.Jcrony mo, 12 queninguempporbemque efcreva,fe livra Mon eiiim in co-
ram auarccrnun-
de cenfuras.-porqucj como advertio o grande Chryfoílomo, ij as coufas fãr natura, led ín
naõ fe julgaõ pelo que faô, mas pelo aíFecíio de quem as ajuiza ^ da mefma flor ceracmium aíie-
£lu judicia fii-nr,
rira a vcfpa oamargofoj&aabelhao fuave :naô pende ifto da flor, confiíte 14 D Hte,0'':,^id
Domniun, & Ro-
no pico. E aíTim os de bom animo approvaráó dos que coftumaõ reprovar gati-i»,
;
inprafat.
fem obrar, naõ efpero approvaçaõ.Porèm feguindo ao mefmo S.Jeronymo, a d lib- E[âr^ in
,

14. mais me incita aquelia benevolência, do que me atemoriza eíla cenfura , cbarítate prov^-
fineM a.eí^ vcfíra

& tanto defcjodefcontentar a huns, como agradar a outros ;hum fó Piataõ cabcr ad í:udiú,
avalio por muytosleytores, como dizia Antimacho; 15 &
fempre de meu qu-im illoriiiu
cictrafta ione. &
trabalho tiro o fruto de ficar obrigado a viver como efcrevo ; &
fatisfaço à odio dererrtbor»

razaõ que me obrigou a efcrever, como na Dedicatória reprefentey à Ma» apud Tui lib. cie

geftade^ a que devia fallar com verdade finccra. ciar. erat. PlatoJ
criiiTi mihi inllar
cft onT.ium.
Er/!fy»Jib,2.(.22i

AD'
ADVERTÊNCIA.
ORQV E nos havemos de aproveytar alguas vezes das Re-
velaçgens da illuftriííima Santa Brifida viuva, advertimos,
que ainda que antigamente fe duvidou íe haviaõ prócer
dido de didamen do Efpirito Santo, ou íómente deíentimen-
todepia, & levantada meditação ; jà hoje eftaõ approvadas,
áí recebidas pela Igreja, por verdadeyras, Sc divinas, precedendo
falem dos exames que em íua vida íe fizeraõ pormuy tos Doutos,
& Prelados ) novas diligencias , & averiguaçoens cm diíFerentes
tempos depois de faa morte, por Cardeaes , & outros Varoens
grandes , de ordem dos Summos Pontifices Gregório Xí. ôc Ur-
bano VI. & pelo Concilio Bafilenfe. Conforme a ifto as vene-
raõ Bulia? Apoílolicas, & todos os homens erpirituaes,& fabios,
como íe vè da Bulia de Bonifácio IX. em fua Canonização 3c ,

da Conhr^-naçaõ de Martinho V. referidas no principio do Livro


das mefmas Revelaçoens, iiluflradas por Gonçalvo Duranto, im*:
preilas em Colónia no anno lóiB. Cardmal. ^^furrecremata íbtde,
tnepífi. hp.diH.revelat. Ludovtc, Bíoftus in Mondi Jprit, cap.i.i.
3.14. gf in addít.ad enindem trach. inpr'mc,FrJíi4go Caveiío , in
Ro/ario, append, ad Schoíia mScotí^ml.^. Sentem. Antomus Cor^
dcéa Lio,q,^^. in^.probat.fext^ comlí4f.Põtr.Canifd. í.de B.f^irg,
cy. Aíicbael Aâedínal.z.de reHAn Deumfide^ NicoLòanderJ.6,
vifeb.Monarch»n.io4ç6, Aípkonf, Mendo ç<t in quodlihet.cj.y Mar"
ttn, DelriíiSj Ma^x, dijqmjit, tom.id.^.c,i.q.l,feB. 4. Fiíbegas, in
Fios Sancl.iniúuS* Birgitt^ fin.BenediB.Ferdmand. in i.Genef,
in

feB.iy.n.z, Fr. Leandro de Granada, no traB.Lu^de Adaravtlhas


cjtie De os ha obrado fias almas dos Prophetas , difcttrfo i. JT. 8.^.6'.
Anton.Guílleím^tr ach.de íe grande^ de la SantijL'^rrimtà^ difiorf,
4^.ve.rf, Semamo. Fr. fofeph de Jefus Maria, in vita B.f^trgmis
I.C.4. (^ outros Efcrttores que fora muy to largo referir.

EVA
E V A, E AV E.

Da mthiy 'Doming^fââium tuarum afflliricemfapíentiam,


'Ht mecumfit , Ç^ mecum laboret, utfciam qmd aC"
ceptumfit apud te. Ex Sapient.9.v.4.& lo.

I N T R O D U C Ç A M.
Eva,8c Ave, AnagramaHieroglifico do Mundo cahido, & levan-
t2iào,jnfttfica o titulo dejie livro.

I TWT Otou profundamente o grande Origenes, i que eí- J.P^'^'"*'^"'"''^-^^-'»'^''^' & Fi/i'a
J^^l crevendoos Evangeliílas íagrados a genealogia de
Chrijio Senhor noíTo S. Matthcos quando o Senhor vinha ao
:
,

mundo, a derivou defcendoatèS. lofeph; 2 &:S. Lucas, jà ^ ^atth.i,

depois do Bautifmoj a continuou fubindo atè Adam, que cha-


mou iv/Ãíí^^Zífw. 3 Era defcendencia quando bayxava a to-
mar a natureza humana cabida no peccado.&: eia afcendencia,
quando pois da graça levantava efia natureza atè a aparentar
com o Altifjlmo. O
que defcendomoftra a natureza cabida,
quando fe lè fubindo a moílra jà levantada.
2 QLiafi pelo mefmo eftylofaó myfteriofas para noíTo in-
tento as defcripçoens que nos Cantares fe fazem o Efpofo Du
•vmo, Sc a Efpojafanta-^entendendofe do Verh encarnadoj& da
MdyVirsiem. A/^rí7-^;^quandodizqueo/^r^(7defceoaofeu , ^Caníic.ê.i.
\
Horto, 7
ri
(4 que he ella meímau"11r^^-Jr
j 5 o deícreve jr
deícendo
4
daditmhormmfuam.
,
jj .

DiIeSus meus defcea-:

cabeça atè as plantas 6 fignificando ( explica hú Douto) J^^^.^^M'i-Hortuscoticiufus foror


;

7 a declinação que elle fez j porém o P^erbo Eterno a defcreve i^BarietafermJeTiaíiv.admed. tom.
fubindo das plantas aos cabellos; 8 ( raizes que temos para o %'^cS' ^"" "'""^^ J'sinis.; '

Ceo) indicando a elevação que nella fizera da natureza, atè a 7 dio^^o Matute de venafid na. proji^,
adoptar Filha de Deos, como S. Lucas chama a Adam ; 9 &: '^f cSf;"'' ^ '•*•§ *•
omefmoC^r//?í>,8cSaóJoaô a todosos juílos. 10 Poriflo a 9 /:?w«í.j.j3,
nome^L Filha do Príncipe, que porAntonomafia he o doCeoj '°-^^^«^-'•í••<s•í^48.^í^^>'í«.M3,
gabalhe os paílbs porque fubia-, èc confidera a excellencia de^
les no calçado porque naó hiaó as plantas nuas fó com o natu-
,

ral, mas levantadas da terra calçadas da graça aíTemelha fua ^klZtlZ^fô^^^^^^^^


j
,','

eftaturaàaltapalma, fynibolodotriumpho, 1 1 porque naó Nkitur ín pondus palma ^láCiConfurgit


fe encurva, antes fe levanta com o pezo, 12 comoaEfpofa fu-c£íòmgis&premitur,
hocimagetoi-
bia com o da naru reza humana;no que tudo a lifongea amante, i'^ ?,»"s.
de que o vir encarnar em feu ventre naó fe reputa declinação, pwí^è.c.^j/"** '

pois ella eílava taõ exaltada , tendo fubido jà muytojde antes í ^-^f^. 8. f .i^lnuixa fupcr.dilcam»
"

arrimadaaelle 13 ( remida por fuaPayxaóprevilla.) 14 Af- ^"'òyatkEccief.mfeft.Gonce^tion,


fim defcendo da cabeça às plantas moftra a Efpofa a natureza ^''''S'
,

cabida fubindo das plantas á cabeça, a moílra o Epofo reílau-


:

rada.
3 QjindocahiaemHi;^, fereílauravana/^r^í^jdebay- ^ , . <, ^ t. , /-í-j-

xodamelmaarvore, diz o £,//?<?/(? que a levantou; 15 ondeatafite.


íerpenteenganou,&:venceoa£i;^,lhediíreoJ'e;2Ã<?rqueapi- "^ Gene/.|.

zaria, &:triumphariaa^r^^»2j 16 da raiz da culpa que infi-


cionou toda a arvore da genealogia humana, fahio a vara que
** deu
INTRODVCÇAM,
j, ifa.^ti.t. deuaflor 17 cordcal contra aquellevenenOi 6c aílim junto da
arvore da Cruz, em que fe remia Eva cabida , eftava a Virgem
Jp&mpÍ54í^z«r/eCfl.«i>í.c. levantada, 18 como triumphante. 19
i»«i «. 4 E- porque os nomes devem concordar com o fignificado,
""f^^"»^"^-
'"^ ''^"^
r^.Sr 20 as letras qi!ederccndodoprincipioparaofim(queheda
Textusia §,f,í iraiiujjnjiit.de donau cabeça para as plantas) defcrevem o nome de Eva^ que Adam
**
21 Gmí/.jÍó'/'*'^ lhe poz, quando nos fez cahirj 21 eítas mefmas lubindo do
fim para o principio,(quehe das plantas para a cabeça) defcre-
52 LucA.xi. Ave gratia plena, ycm O yíwcomqueo Anjo Çzi\áo\i 2i f^irg em quando nos le-
vantava. 22 Interpretou Adam aquelle nome, Míyíií?^ ^'/^'í«-
ij ene], ja^r,
^^^^ ^^ quando j;\ matàtaos filhos antcs dc OS gerar i parece

«4 lu Guerrk./íbb.ierm,x.injíffumit. ^S^^ mellior O interpretara , Matadora


das viventes j ou M7iy dos
^f/^;»;2^rrm^^, poís OS gcrnria mortos j 24 mas com myfterio
"
Vurg.^oft írine.

acertou em nome que diíTcííe Míy da natureza deíccndo : &:


May da graça fubindo , pois quando o Ave fobe,da ultima le-
tra toma em íi o Eva, que vem cahindo da primeyra, aflim &
»y D-Petr.Ch.yfol.ferm.\^o. Eva faSa fica Maj doS VlVeUtCS ^OT ^r2iq2i2.Ç[WÇ, era Maj doS MOrtOS por
cft mmc mater viventmm per gratiam,
naturcza: 2^ comprio-fe
^ O ouc Dcos diíTc à fcrpente, ouc lhe
r
qu^ mater anteacxnncmoiientium per . '. ,
' i
^
-" i

nauram. pizanaacabcçaa mclma muitter aquccnganara j 26 tantoas


a6 Ge»,.ciy .ç.iofafcóteretcaputtuum. identificou O mvfterio donomcj bemlhechamou S.Epipha-
27 D.tptphan. contra hxrej.76. .
i-- ni r
Beata ni,i:er Dei Maria per £y<i>M figni- niO, NomC LulgmatlCO ; 2"/ OC pelo mclmO modo dlZCm OS
ii-
ficatur; quaeper enigma accepic ut ma-
ter viveiUmoi vocaretur.
DoUtOrcS,' que
^ O Aujo J
ufoU do Jve Ua faudaçaÓ. 28
o. 1
28 nenediã. PereriHs In Genefi.6. w. 5 Co.m 2. troca do nomc contrapolto nas letras concor-
,

àb £
";
"^^^^^^^^^S^l dou a contrapofiçaó das acçoens^ pelas contrarias das com que
idquo Gabrieiem Archaii^eium Deipa- ^i/^ nos arruinou,nos levantouo^^'^ de Tlf^n^jfcgunda M.íy

;;:fi'í=do'Sfct"£r,';í£ ""iverfal , como veremos no d.fcurfo defta obra. Notaó os


contrariaijsmaiis,qu2invcxerat £-u^. Doutorcs
29 que Mariaforacm tudohumaZLX'^ao Tcvez. A
;^^;Í:SÍl'í::::;^:j;í'^;:;'''"- Santa igreja o confidera quando lhe pede que mude o nome de
y,de^,.l^.p.c.^s.n.^. £^'i^,tomandoo yí^'^ dabocadcGabriclj 30 Chrijloemovcr
fmida nosTn pl:f, íutaís^Sínomí,.' prof^nado na boca dc Judas 3 1 deo principio à Payxaó com
^i Matthxt z6. 49. Ave K3bbi. quc ttos Temio , & no fim delia chaman do à Virgem, M?//^fr,
''" ^ '^^ ^""^^ '^''"^
3 2 por allufaó a Eva, a deyxou por nofia A/^}',reprefentando-
' '
tlls.

nos em João , que fignifica Graça , moítrandonos com Graça


círchagen. jup.i.i^.hom. ij. verf. feL- P^^ ^^^'^^^ ^^ Firgem, 3 como ctamos filhos de dores por fi-
7,

d'*'"' lhos de Eva; 34 &principiandofenaquelle^i;e,efl:a troca de


It ori^eu.U LHc.hom.g. Atigd^snovò
Mays.Com grande my[terio,comoadvertio Origenes, 35 foy
ftrmoneMariamlalutavir.qaaminomni nOVa , & Unica a faudaçaÓ do AnjO, yíi;f f/?<?á^e ^T^f^ CUC
fcriDtura mvcnirenoii potuir; id enim
quod ait, Ave gratia plena, íoii Marise P^^"^
n/r
Mana r r
reicrvou ôC quc cm
íe ,
o *J crJ-»-^ jfÓ
toda a Elcntura nao pode
,

iTJilTnp/"iTT'n.t' achar femelhante.


56 D.^«^..'?f.'jí.'7Y^/4.j^. Si quis lí-
Efte breve difcurfo juftifica o titulo dolivro; 3Ó eUle ex-
ponSmSuemr'''^^^"''
totiusiibri
penderá a matéria nos fucceflbs do mundo, em fua ruina , &
reparação, ôc nas heróicas acçocns com que a Senhora contri-
buhio.

O IM-
o IMPRESSOR
Ao^ Lcytores que ejperarem índice.

COmeçandofe a formar índice Alphabetico do que


efte Livro contem, fe achou que porhuma parte
era efcufado & por outra feria demaíiadamente largo, 5c
:

prolixo. Efcufado, nas coufasprincipaesj porque todas


as particularidades que podem cocar, & defejaríè nas ma-
térias que os capitules trataõ, fe acharàõ juntas nelles ^ &
aflim osfeustitulosbaílaõ por índice. Demaííado, largo,
& prolixo nas noticias, & curiofidades que fe trazem por
incidente ; porque como o intento do Author, para fua^
vizar mais a leycura, foy oftentar o melhor das erudições
em theatro delias, como profeíTa o titulo do Livro ; em
brevecõpendioepiromou tantas,que cada regra tem feu
notável : & aílim o Índice de todas faria grande volume.*
& a eleyçaõ de algumas âggravaria as outras de igual ef-

timaçaõ. Quem ler, poderá deyxar notado o que quizert


& conhecerá que a abundância difficulta o índice.
Inopem me copiafecit.

%^jj L I
.

LICENÇAS.
APPROVAÇOENS.
eftes dous Tomos defte Livro intittilaí^a, Eva^ 5c ^ve , o Mundo perdido em Eva, 8C
VI reftauradoem MARIA? Author António de SauU de Macedo, peíToabem conhecida
por feu talento, Sc doutos fcriptos; Sc lendo efte o undécimo dos q íe lhe deraó à eftampa, me
parece paga a decima a Deos nelle, pelo aíiampto, Sc fazonados frutos de boa doutrina, Sc mais
útil politica Chriftá , Sc fingular^devaçaó à Virgem Santiílima Máy do meímo Senhor , entre
muyta , Sc v^ria erudição. Naõtem coufa algúa contra nofla Santa Fe , ou bons coftumes.
Porque hiítoriando o que trata da Scriptura fagrada no modo permittido, naó diz coufa (dizé-
do muyto^lemapoyo dos Santos Padres, & Doutores, que allegaà margem , em cuja liçaõ fe
nioftra taó verfado.comoreeftaforaa luaprofiílaó propriai Sc alTim me parecem muy dignos
da licença que pede para le imprimirem. Lisboa , Sa5 Francifco da Cidade ii, de Setembro
de 67^, Fr.foaodeDas,

dous tomos compoílos , pelo Doutor António de Soufa de Macedo o primeyro


LIque eftes
no mundo £rj; ofegundo, dos remédios, que nos
trata do-sdeíconcercos que caufou
:

vieraó pela palavra que diíle o Anjo a nofla Senhora, trazendolhe a embayxada da Encarna-
ção, Ave-^ admirável obra de feu Author, entre as muy tas, Sc excellentes, que tem dado à ef-
tampaj para credito da Naçaõ Portugueza. Naõ cem couía contra noffa Santa Fè, antes gran-
des documentos delia; nem contra os bons coftumes, poiseaGna a reformação de todos os que
laõ màos. Saó oí Livros muyuo eruditos, com grande noticia das hiftorias do mundo , 6z feraõ
muy en-imados de codosiScaílim fou de parecer que V.llluílriílimalhe podsconcsder a licença
que pede. S. Bento x. de Outubro 673, O Doutor /•>. /or^e de Carvalho.

VI comíígne
g!"andeconGderaça5 eftes dous tomos intituhdos, iEy4,SC/4yí com poftos pelo in-
Doutor António de Soufa de Miceio, peflba muy conhecida, 5c de grande eftiina.
,

çaõ em todo o mundo por fuás obras, que com eíta laõ onze as que tem dado ao Prelo, Onze
fsõ os Globos CeleíleSjO undécimo he o Empyreo; Sc de to das as obras do Autor eíles podemos
UízcrhcoEmpyreo,Sc fuperior atodasas detuaisi Sc com muyta confiiJeraçao íe chama Eva,S^
Av£ porque a noticia das fciencias que fe p^rdeoem Eva^ com o Ave, que veyo do Ceo E.m-
,

pyreoa SantiGSma Virgem MAíilA,lêreftaarou E o conhecimento das fciencias que em muy-


toíeílà perdidOjCom eftcs livros fe recupera; pjrque de codas trata com grande liçaó, erudição,

Scexpoíiçaó, aílim deTheologia, Filofophia, Direyto Cananico.Sc Civil, Medicina , Aftro-


Jogia, Aítronomia, Pincura, Mafica,5c Teus inftrumentos ; o que tudo traça o Author com .

tanta perfeyçiõ, que naó ha mais que defejar i dondí pode nos dizer o que Heródoto dizia dos
Poemas de Homero, que nelles achara huma grande falta, Sc imperteyçaò, terem íim, Sc termo,
Sc naóaver mais que ler nelles. Pelo que Cenho a obra pí)r uCiliílima.Sc de grande proveyto; Sc
nella naõ ha coufa contra n;)íla faniraFè, nembonscollumes, nemcontraolèrviçode V.A.que
Deosguarde: pelo que V. A. deve íer fervido mandar dar licença para le imprimirem. Caraio
de Liiboaió. de Outubro de 167^. O Doutor Fr, lonõ da Silvejra.

POde-fe imprimir eíle Livro de que eíla petição trata, Sc depsis de im preíT) tornará á Mj"
Tapara fecoaferir, Sc dar licença que corra, Sc femella naó correrá, Lisboa zo.dejaney*

ro de 1711.
Moniz.. Hajfe. Monteiro, Ribíyro, Brocha, tiFr, Encarnação, Barreto.
1

POác-fe imprimir, 8c depois de impre(l'í tornará para íe dir licença que corra , Sc fem ella
naõ correrá, Lisboa 2 5 de Janey to de
.
17 1 1 AÍ.Btfi>o de Tag.ijh.

QUe fe poffa imprimir viftas as licenças do Santo Offi:io, Sc Oi-dintrio, Sc dsoDÍs de im«
Meia para fecaxati
preflo tornará à Sc darliccnçi que corra, Scfem ella naó correrá.,
LísboâaS. de Janey rode 17 1 1,
Dujue Pm Olivi)ra. Cofia. Botelho.

E L O.-
:

ELOGIO Alviçaras, Engenhos doutos.


Que renafce a Fénix da erudição
A' immortalidade dos feculos ;
Renafce,
Naó de cinzas frias, & caducas, como a fabulofa da Arábia^
Quefó vive idades definidas por hyperbolcs
Mas refufcita
Do Prelo vividor, como reprodiicçaõ fucceíllva.
Que dura perpetuidades de applaufos.
"I Renaí-

>>:
, ,

^3f'

Renafcepois, na terceyra Edição,


Aquella AVE, que do precipício Se E VAj
Sc remontou nos alentos da penna mais entendida^ . ..

Para o ápice da eternidade. x '.'!'-


O mefmo difcurfo, que lhe ideou o fer nas primeyras rfKintiíhas,
/Agora lhe empluma novamente as azas,
Pafa eftender o voo à luz dos públicos parabéns,
Remoçada na repetição das eftam pas.
Tamadivofoy o engenho, que lhe edificou o berçoj \'
Qi;ie ainda lhe infunde calor foberano,
Que a izente da fepultura.
Salve,
AVE de remontado voo, \
Que difcorrendo o m undo por dous eftados,
Jà no grande theatro do Orbe,
Occupas a circunferência de dous mundos.
As azas, que bates altiva.
Se naô tas empreitou o Tempo que tudo eftraga,
,

Teceo-as a Fama doAutor, queteimmortaliza.


De qualquer modo,
Jà reconheço no que duras , Sc difcorxes, .

Que o Tempo, & a Fama í,^' I

Tecompuzeraó as azas. jh^


Por iíTo mefmo es fingular
Entre a Republica dos Voadores^
Porque vives
Além da Fama, & alèiii do Tempo.
Os demais Livros, para terem duração.
Se multiplicaó em muy tos corpos,
Reduzidos a certo numcroj
Mas o Tempo, que lhes vay tragando , &: eílragando o algarifmo,
Com fua voracidade os confome, > >, . .

Ou para que a memoria de que forao, fe defváneÇa ^ /:


Ou para que a protecção, que os amparava, fe debilite':
E ainda que algum por ílngular
Prefumademaravilha, í-'^
Nunca cliega a occupar a immortal idade das eftámpàs^
Reproduzido de Ci mefmo nas Ediçoens ;
Porque
Para as immunidades de Fénix
Lhe falta a prerogativa
De fer AVE-
Tu, porém.
Com o fingular titulo de AVE,
Te grangeas a reproducçaó da Fénix;
Por iíTo mefmo es
Raro,
Repetido nas Ediçoens j
Singular,
Multi-
: :

Multiplicado nos Volumesi


E Único
Entre os demais, fendo tantos.
Aílimrefufcitas,
Sem,que nunca chegafies a fenecerj
Aílim duras,
Sem que algúahorarececs cáducarj
Eaílim te elevas,
Sem que a tua exaltação
Seja termo para defcair.
A fingida Ave da Arábia,
Para reformar a fua duração,
Rctirafe
Ao ermo cume do mais elevado monte
Do Oriente
Aonde nem fobe nuvem nem refpira vento,
,

Nenuempeílade brame, nem fera habita


E aos primcyros aíTomos do dia,
Qiiando a Aurora vay aíFugentando as eftrellas do Polo,
Quando o Sol efmalca de ouro o ultramarino dos Ceos,
Qiiando as outras Aves com doces muíicas
Começaó a dar o bom dia à madrugadaj
Repetidas vezes entaó
Se banha no criftalino manancial de huma fonte,
Que na pknicie do cume fervej
E delle
Como brindando à futura poíleridadcj
Repetidas vezes goíta»
Dalli, quafi purificada.
Encaminha o dourado voo
Para a arvore mais eminente :

Donde
Conftituidâ atalay a dos boíques,
Regiílra com olhos de rubim
A viçofa efmeralda da relva,
A matizada confufaó das boninas,
A pompofa folhagem das plantas,
A crefcidadefigualdade dos troncos :

E dos que na fragrância das cortiças,


Na fuavidade das gomas.
No perfume dos madeyros.
Se exceptuaõ por fingularmente aromáticos,
Efcolhe, &colhe a cheyrofa matéria,
De que prepara
Fogueyra, &
ninho.
Ataúde , ôc berço.
Tumulo, & Thalamo:
E fendo de fi mefma facrificio, & facerdote,
Alternando muficas , entoando endechas, entretecendo hymnos,
**mj bau»
Saúda o Sol, offerecendolhe culto,
E recomenda na protecção de fcus rayos
A fatalidade de fuás cinzas.
Entaó bate denodadamente as azasfobreapyra^
Ou como acenando à morte.
Para que em amphiteatro de fogo, entre com ella na luta>
Oucomoenfayandoosvoos,
Para paflar de huma a outra poftendade.
Em quanto a Fénix fe occupa neftas ultimas agonias,
Oluzido Planeta,
( Quafi agradecendolhe o gloriofo fyinbolo
De feu Oriente ^ & Occafo )
Intenfa feus ardores
Sobre os aromáticos lenhos, &: odoriferas gomas.
Ajudando a accenderapyra,
Que toda arde em fragrantes lavaredas:
Onde
Aquelle Ilion das Aves,
AquellaAntigualhadosfeculos,
^
Aquelle Amianto de plumas,
Mais acrifolado nos incêndios, que refolvido nas cinzas,
Refufcita
Milagre da natureza,
Renafce
Poílhumo da duração.
Efe reproduz
Parto, & M
ly de fi própria.
A ílim acontece
Naquella Ave fabulofa, organizada de hyperboles :
Aílim também fuccede
Nefta Fcnix de erudiçoens, produzida de realidades :

Pois prefentindo.
Que jà caducava em duas Ediçoens,
Para fe reformar na terceyra,
Defprezando o ermo do monte,
Se acolheoà amenidade de hum Valle, ,

Onde
Nem dece fombra, que efcureça.
Nem reípira fopro, que deftrúa,
Nem foa tempeftade, que atemorize.
Nem habita fera, que devore.
Porque
A fombra das erratas,
O hálito das cenfuras,
O ruido das en vejas,
A braveza das emulaçoens,
Naó occ upaó lugar em hum Vallc,
Que tem por feu Antemural
De huma parte o Olympo,
Para
: :

Para a pureza da ortõgrafía,8c correcção dos erros^


E da outra o Parnafo,
Para credito da Oííicina, &
patrocínio da ImpreíTao.
A efte Valle de alegrias
Defde o de lagrimas em que principiou, fe acolhe efta generofa AVE
Duas vezes peregrina,
Noeftyloj&naideaj
E aos primeyros aflbmos
Em que o Sol da luz publica entra na Cafa de Ariete
Dourando o vellocino das letras.
Se banha ella,
Naõ, no criftalino manancial das fontes.
Mas no liquido azeviche das eftampas,
Qiie o mefmo Valle copiofo lhe miniílra
E dalli bebendo efpiritos ufanos,
Remonta, jà purificada, os voos, para a arvore mais amada do Ceoj
Donde
Dilatando os olhos da circunfpecçaó pela vafta circunferência do mundo,
Contempla, & bufca,
Naõ os cepos envelhecidos, nem as linhagens vulgares,
Mas o Tronco florecente,& augufto dos Monarchas Portuguezesj
E nelle.
Dos aromas fuaviíTimos, que cxhalaó as virtudes heroycas, ôc moraes
De tantos Príncipes, & Reys,
Que jà florecèraó ramos felices deita arvore foberana j
Compõem
Illuftrepyra,emquefe fàcrifique,
Luzido thalamoj em que renafçaj
Sendo de fimefma
Sacerdote, &: Viííimaj altar, & cultoj Dedicação, 8c Templo :
Recomendando
Na protecção do Sol Monarcha do Orbe Portuguez,
N Qiie gloriofo reyna,
A reparação defua vida, no Prelo em que fe remoça
Das caducas relíquias de outras Ediçoens.
Agora fim,
Que accelera o movimento das azas, com vigor mais a£tivo.
Sobre os caratHieres da eílampa;
Como defafiando corpo a corpo os talares do tempo,
A entrar com ella em batalha, no literário Circo
Agora he, que defata a garganta em harmonias,
N aó fúnebres, mas alegres •'

Agora he, que enfaya o generofo altivo voo.


Para paífar do tumulo à eternidade:
Porque agora
O Régio Luminar lhe patrocina o berço,
Em que a embalem os fcculos futuros com mãos de diamante.
Para bem te feja, ò rara Feniz dos livros, teu grande nafcimento :

Tu es fem duvida a rara A V E na terra,


Por-
Porque mõ tens gunda nem femelhante.
ft-

Para teres pafailelo no mundo Literário,


Foy precifo
Renafceres três vezes de ti própria.
Acertadamente, pois, fe te deu o titulo de AVE, pelo bem que te ajufta,
Qiie o penfamento de que foíte parto.
Por llngular, &: único,
Foy fem controverfia,
Ou conceyto da Fénix, ou Fénix dos conceytos :

pois para te produzir rara, com as prerogativas, que gozas,


Se exercitou primeyroem outras eruditas ideas,
E anticipou a gcraçaó de outros partos felices,
Naópara que ficaíTes inferior na primogenitura,
Mas para feres por ultima, &: eftremada,
O non plus ultra de fuás Obras,
As delicias de feu engenho,
O extremo de fcus eftudos.
Nas Flores de Efpanha
(Sazonados frutos da fuaadolefcencia)
Te prevenio perfumes,
Mais aromáticos, que os incenfos da Pancaya,
Mais fuaves que os amomos da Syria.
No Dominio fobre a Fortuna,
(Venturofo aííumpto de Togada penna)
Te erigio trono fobre as defgraças, que ordinariamente fobrevem aoslivros^
Porque a Fortuna, que tudo volta,
Qiiiz, que do feu movimento herdaíTem os volumes a ety mologia,
Mais corridos dos Ariftarcos , que eftudados por algum Mecenas.
Na Harmonia Politica, & Poema Ulyfippo
( Tácito com voz de Apollo )
Te affinoufuave contraponto^
Qiie, renafcendo das eílam pas , entoaíTes
Nas Aulas dos Príncipes, & Mufcos dos Sábios,
Na Lufirania Libertada,
( Viriato Jurifconfulto)
Teeílabeleceo as regalias de izenta, &: as immunidades de livre
De toda a jurifdicçaó dos temposi
Symbolizandote

^
Na Monarchia Portugueza, rcftaurada
Da injuíla violenta intruíaóHifpanica,
Para o jufto gloriofo dominio de Principes naturaes*
N a Genealogia dos Reys Portuguezes,
(Sol por Ecliptica foberana)
Diícorrendo huma , &: outra linha de tantas coroadas cabeças.
Te illuminouomodello da arvore mais augufta,
A cujo Real abrigo encaminhes agora os voos,
para te coroares de palmas, «Sc de trofeos.
E quem ignora, que para efte fim, te teceoprimeyro dos talares de Mercúrio
As azas.
Nos
) } :

Nosdifcretos Mercurios, que pela Europivoaraô


Com a eloquência de fua penna, publicando noíías vitorias?
Neíles, 6c outros afamados Efcritos,
Com que
O grande António de Soufa de Macedo
Acreditou, &" defendeo a Pátria,
EnnobreceOj & admirou o mundo.
Autorizou, & exerceo os poftos,
Enriqueceo, & fiiblimou as letras,
Excedendo os limites da capacidade,& limitando os poíliveis dacõpetencia,
Tegrangeou,
O' Livro, ò Fénix, ò AVE,
Todos os attributos, com que a Poefia hyperbolicamente encarece
De rara, fingular, &: única (livrosj
Aquella QLiimera das Aves, aquella métira dos tempos, aquella erudição dos
Pois tucomfuperiorexcellencia,
Naó fó refurges repetidas vezes do Prelo para a im mortalidade ?
Mas também fazes reviver comtigo
A Fama,oEftudo, & o Nome
Daquelle mefmo entendimento, de quem es fucceíTora, 6c filha.
Pois das cinzas de lua honrofa fepultura,
Qiie illuílrada
De difcretos difticos, emblemas, 6c infcripçoens,
Línguas dos mármores, &C bronzes mudos
(
Veneravelmente exifte
NaHeliopolis Portugueza,
E Seráfico Templo da E V^ A fem fombra de culpa.
Da AVE Fillia,6c Máy da Graça,
Lhe rcfufcitas três vezes a memoria, nos três appellidos
António de Soufa de Macedo:
Pois no próprio nome de António,
Odeyxas memorável como Flor,
Mas Flor perpetua dos Jardins das Mufas,
E Flor Gigante fobre a eminência dos Sábios
No gentilicio dos Soufas,
Refrefcas a lembrança de Deleytofo, 6caprazivel,
(Aílim fe interpreta no Grego o vocábulo Soufa,
Amenidade, 6c frefcura :

Inferindo
Qiie tam ameno foy no engenho, quanto era no appellidò,
E que bailou feu appellidò para perpetuar as flores
De feu engenho.
A eftas prerogativas fe ajunta o Macedo,
Como timbre da perpetuidade,
Que naõ he mais, que huma duração ílicceíTi va.
Ou huma propagação continuada :

Pois fe o neto materno de Dcucaliaó fe chamou Macedo,


Qiiem pôde duvidar, que o noíTo Macedo
Herdando com o appellidò as proezas de Deucaliaô,
A
; : ,

A pezar de Lethèoç dilúvios,


Propagou a pedra fepulcral do monumento em que defcança,
Numa viva cítatua da memoria poíthuma,
Que o celebra?
Sem controverfia pois.fe deve afnrmarjq o nome gloriofo deíle grade Varaõ,
Repete comtigo no berço das eftampas
Triplicado nacimcnto,
0'AVE;
E que tu reconheces tam.bem triplicada divida de immortalidade
A feu foberano Nome.
EUe renafce em ti, como flor de feus Efcritos
Para l"e coroar de perperuidadcs
Como delicia s da erudição,
Para fer appetecido dos difcretoSj
Ecomo Deucaliaófegundo,
Propag;ando da pedra de feu fepulcro
Vivos íimulacrosdeFama.
E tu tomando de cada appellido feu huma letra,
A primeyra de António, de Soufa a terceyra, & de Macedo a quarta,
Formas o nome AVE, comqueteilkiftras,
Grangeas os titulos com que te acclamaó
Antiga, única, eterna i
E fymbolizas em feu numero ternário a Ediçaóprefente,
Que terceyra vez à luz do applaufo te publica,
Debayxo dos AuguftosAufpicios do Régio Sol Lufitano,
A cujas Aras gloriofamente
Te dedicas, oífereces, & confagras.
Vive.

SONETO.
& a pezar do tempo, que devora
Vive,
Com dente gaílador os bronzes duros.
Teu ninho excelfoconftitue agora
Entre efplendores de diamantes puros :
Vive , que là nos íeculos futuros,
Te efpera a eternidade vividora
Para que occupes nos celeíVcs muros,
Oclaroaflento, onde outra Fénix mora.
Entaô fendo outra vez viíla das gentes.
Banhada em nova luz de nova chama.
Novo efpanto feras a todo o mundo :

Que admirando tua vida entre os viventes.


Se o credito negar à voz da fama,
Hade dallo a teu nome fem fegundo.^

Do Beneficiaílo

Framifco LeytaÕ Ferreyra,


ra?/..

I N^
índice
7)os Capítulos dejle livro,

capítulos da primeyra parte.


Introducçãâ.

CAP .

ruina
I. Ab siterno determinou Deos
; decretou o remédio : 6c
crear o homem : prévio fuâ
deftinou para elle a Virgem
JSiãy. P^g-l-
Gap. II. ComojCreado o mundo, creou Deos o Homem, & o illuftrou de
graçaj&nella afuadcfcendencia. p.^,
Cap. III. Como Deos poz Adam no Paraifo terreííre: qual era: & fe per^
fifte ainda. p. 6.
Cap. IV. pozley %Adam: elle começou a exercitar Im-
Como Deos
pério; o Senhor lhe deo mulher ; & que felicidade gozava. p, 8;
Cap. V. Qiie tempo eftiveraõ noíTos primeyros Pays no Paraifo terref-
tre. Como Eva , enganada pelo demónio na ferpente, como do fruto veda-
do, &perfuadio a J?íÍí2?« a comer dei le. p. li.
Cap. VI. Como pelo peccado do primeyroPaycahio o género huma-
nona mayor miferia. p. 1 6.
Cap. VII. Como Deos fehtenciou a noflbs primeyros Pays , & a fua
defcendencia: ficou publicada guerra entre a ^r^^;» Santiílima, 6c o de-
mónio, y^íi^w/ poz nome a ^-Uií. p. i8.
Cap. VIII. Como nas penas em que Deos condenou a noífos primey-
ros Paysjconciliou a Mifericordia com a Juftiça-, moftra-fe que as impoftas
a Eva nas dores do parto, 6c fugeyçaó ao marido, foraõ graves , mas junta-
mente úteis, p.iii
CapJX. Profegue a confideração do precedente nâs penas em q Deos
condenou a Adam j moftra como o trabalho he útil , fendo com medida 6c :

qual deve fer. p. 24.


.Cap.X. Da terribilidade certeza , 6c ligeyreza da M?ríe por quantos
,
.'

caminhos chega não imaginados : 6c como ainda alfim foy mifericordia > 6c
útil a condenação a ellat ir??'- p;b^ ; :jííc-í
; p-26.
..

Cap. XI. Como Deos moftrou aos homens a neceflidadc das leys , 6c a
forma do juizoí f rata-fe da excellehcia da juftiça : quaes forão os primeyros
Legisladores: a dignidade dajurifprudencia: irmandade que tem com as
armas, pela qual fe unem fem precedcncia. p. 29.
Cap. XII. Como Adam 6c Eva foraó lançados do Paraifo terreal } ef-
,

quecimento que nos ficou do Ceo lembranças que Deos nos faz delle 6c
: :

como as defprezamos. p.96.


Cap. XIIL ComoDeosvefôoayíií?;» > 6c Eva^ntts de os lançar do
Paraifoj como crefceo o cxceflo no veftir por cegueyra do peccado que : ^
moderação deve haver. . ^ . : ^ X/
•: •^45*
<.í;>i ** Cap»
índice dos Cafitulos
Cap. XIV. Como fe acabou a Monarchia de Jdam , & porque caufa; q
pela me ima fe acabaõ todas as do mundoj defere ve-le a grandeza , & ruína
das mayorcs que houve. p. 4b.
Cap. XV. Adam, & Eva penitentes: revelação que tiveraõ do nafcimé-
'''
to da Mi')' í/^D?í7y para remédio de feupeccado. -
P-5^-
Cap. XVI. Como em Adam^ & Eva começou a natureza humana a ex
^^'
*^
perimenraráS miferiasemquehavia caído pelopeccado trata-fe particu-
r^p^larmente da intemperança dos climas, & da rebelliaó dos animaes. p-59-
:

Cap. XVII. Como a natureza humana moftrou no primeyro fruto que


de li deo, eítar depravada, & arruinadaem malicia : trata-fe do fratricidio
doperverfo Caim no innocente Abel. P-^5-
Cap.XVIII. Comocomeçou a divifaó dos dom inios, &:fc inventarão
os marcos dos campos, os pezos,& medidas j fe introduzirão alguns con-
traros, &: o dinheyro > tudo por conveniências da vida, & de tudo a m alicia
humana ufou mal. p^ 68.
-..Cap.XIX. Fundação da primeyra Cidade.- utilidades delias: como a
natureza depravada perverte as acçoens generofas condena-fe a vâgloria.
.•

Trata-fe brevemente de algumas Cidades famofas. P?^'


Cap. XX. Como Lamech começou a ofFender as leys do matrimonio:
trata-fe dos trabalhos a que os cafadospclaruina do mundo eftaófugey-
tos. ' .
\> p-77.
Cap. XXI. Profeguindoo intento propofto no precedente, nioftra co-
mo os homens converterão contra fias tendas do campo, o ferro, & me-
taes, que fe lhes moftràraó para utilidade. Trata-fe da invenção das armas,
& artilheria apontaó- fe as batalhas mais fanguinolentas que houve j & a
:

razaô que pódejuftificar a guerra, p.8i.


Cap. XXII. Principio, & progreflb da Efcultura, Sc Pintura: excellen-
cia deitas artes.* arrifices, Sc obras infignes que houve nellas: 6c como os ho-
mens as praticarão mal fendolhes enfinadas para feu bem.
, P- 86.
Cap. XXIII. Principio da Muficajfêu progreflb, & noticias que aella
pertencem ; 6c como os homens ufáraõ mal defte bem. Trata-fe como
Chrifto Senhor nojfo, é^fua May Santtffima honràrlo efta arte. p- 90.
Cap. XXÍV. Invenção daCirhara &: Orgaó & derivação do nome
, :

Jubileo. Neftes y & em outros inílrumentos muficos fc tocaó algúas curio-


fidadesi Sc fe profe2;ue o aíTumpto de que a malícia humana de todos os in-'
ventos ufou mal. Brevemente fe aponta o divino inftrumento que fez a?
^mújfima Virgem May. -r;: P-96'
-<i Gap. XXV. Principio, progreflb^Sc dignidade da Poefiaj como a Ftr^

gem^Santiffima a honrouj Sc fendo dada por Deos para utilidade,os homens


ufárão mal delia. •

P-99-
Cap. XXVI. Profcgue o aflumptodo capitulo precedente. p. 104:
Cap. XXVII. Origem da Rhetofica, Sc Oratória para utilidade pu-
blica, Sc males que a malícia dos homens caufa com ella. Traca-fe dos Ad^
vogados. p. III.
Cap. XXVIII. Principio, Sc augmento da fciencia Aftronomica, 65
Aftrologica em beneficio do mundo, Sc como fe ufa mal delia. p. 1 14*
Cap. XXIX. Como fe inventarão a.s letras: fuás difFerènças; modos de
/^^ .
cfcrever: fua utilidade: Sc como a maUcia dos homens ufa mal dellas.p.120
j// l '^'V—w Gap.XXX. Comofe introduzirão os hvros ; quaes foraõ os primep
ros.
da primeyra parti»
SOS, 8c as primeyras livrarias. Como fe inventou a Im prêíTaõ : utilidades
de tudo; como a malícia as perverte. Moftra fe nos livros hiftoricos.p. 125.
Cap. XXXI. Como teveprincipio invocar a Deos em culto Divino, ác
a malicia fe atreveo a oífender efte fagrado. Trata- fe do fanto, êc myftei io-
fo nome Jhrhovah* p. 1 29,,
Cap.XXXII. Foy a mayor ruína dos homês ficarem có o entendimen-
to cego pelo peccado, & diíto lhes refultaó as may ores calamidades. p. 132.
Cap.XXXIÍI. Como os homens erraó nos meyos per que prociíraó
honraj&poriíToaperdenijpoem fe primeyros exemplos na imitação, &
nodefejodemoílrarvalor. Trata fe dos deíafíos. P-Í34*
Cip.XXXIV. Para o intento do capitulo precedente fe poerh outro
exemplo nos que procuraó altos poílos & fe condena a ambição, 8c tyran-
:

nia. pi37-
Cap. XXXV. Para o mefmo intento fe moftra como os que pertendem
hora pela fciencia, errando ordinariaméte os meyoSjfedefacreditaó.p. 142.
Cap. XXXVI. Nodefordenadoamordavida fe moftra cego o enten-
dimento, pelas miferias delia. p.146.
Cap.XXXVII. Os homens feenganaõ em quererem fuaviz ar ávida
com paíTatemposrpoem-fcprimeyro exemplo no jogo. P-i5 f*
Cap.XXXVlII. Segundo exemplo, que a caça não he alivio,antes tra-
balho, 8c prejudicial ávida, P-I53-
Cap. XXXIX. Como os homens que procuraó regalar a vida com co-
mer, a deftruem Trata-fe
. dos exceflbs , & danno da gula , 8c da utilidade

da temperança. p.i56i
C-ip.XL. Comofeenganão os homens nas commodidades que imagi-
não nos officios da Republica. Trata-fe dos males da privança com os
Principes. piÓ3-
Cap.XLL Qiie nem com reynar fe aliviaó , antes crefcem os trabalhos
da vida. p.i8o.
Cap.XLII. Que os amigos não faó alivio para os trabalhos da vida,an»
'

tes os accrefcentáo. p.iSgé


Cap.XLIII. Conclue-fe geralmente quam falfos faó todos os goftos,8c
paílatempos da Vida, ^
quam defordenado o amor que a ella temos. p. 186.
Cap.XLIV. Que o entendime^ito não conhece as riquezas: 8c os ho*
mens as íazem prejiidiciaes, podendo fer úteis, p.190.
Cap.XLV. Como foy também ruína do peccado não ferem os homens
h ibeis para varias fciencias, ^ artes:8c dividirem -fe em differentes opinióeSé
Declara- fe o que he Entendimento, Imaginação,Memoriai 8c como obraó
as potencias* V•^^7^
Cap.XLVI. Mortcde^íí/ííw, 8c £i;í2iannos que viverão: como osan*
nos, &
os mezes fe computavâo entre varias naçóensj8c porque no primey-
rofcculoerão as vidas mais largas. p.205.
Cap.XLVII. Emcontinuaçâo da matéria do capitulo precedente , fe
trata do progreíTo, 8c
dignidade da Medicina. p.20 8.
Cap.XLVIII. Filhos que Aàaniy èc Eva tiveraó.* apontaó- fe os homês
quetiveraó muytos. Gigantes que houve. Se nosfeculospaíTadoseraòos
homens mayores que nos próximos. Se eraó de mayores forças. Toca-feo
quefedifledosPi^meos. p.214.
Cap.XLIX. Como os homês fe depravarão cm peccados pelos caíamé-
**ij tos
Indica dos Captdcos
TOSque fizerão. Trâta-fc com exemplos dos mak-s , & benS que vicrao ao
mundo por mulheres. p.222.
Cap.L. ComoDeoscaftigon, ôcarruinou o mundo com aguas, refcr-
vando fó a Noé, & com elle íUa farailia; apontaõ»íe os my ftcrios que ha no
Dumero repteno. p.226.
Epilogo deftaprimeyra parte. p.230.

CAPITVLOS DA SEGVNDA PARTE.


CAP.I Para levantar O mundo confervou Deos o género human oem
Noé, &:feus filhos. P-235-
Cap.ll, ComoNcéjí>:osquecomelkeftivão, flihirãodaarca: como
oflferecèráo holoca-uito a DeosioSenhorlhepfomerteonão alagar mais o
mundo, do que lhe deo penhor no arco Celeíte. Como o abençoou. El!e
aperfeyçocu a lavoura do paó, & inventou ovinho;& feentende que fe lhe
revelou o Redemptor nafcido da í^irgem. Trata-fe das Veftaes. p- 2 3 7.
Cap.IIl. Dos nomes da mulher, filhos, &noras de Noé. Quanto em
breve multiplicarão. Como fe dividirão a povoar o Mundo. Como paíTá-
raóosanimaes a varias partes. Fabrica da torre de BabeL Refere- fe a fabu-
lada batalha dos Gigantes com os Deofes , para exemplo da Mifericordia
de Deos com o género humano. P-^39-
Gap. IV. Quam fiiaveméteimpedio Deos a fabrica datorredc Eabcl ró
a confui-AÕ das liiOiguas. Como íó a Hebrca ficou a mefiTja, Sr hc a mais anti-
ga. Se ha lingua natural. Mudanças que houve, &algumas curiofidadcs
na matéria. p.242.
Cap.V. PrimeyraMonarchiaq houve no mundo i comocomeçoii por
tyranniaj &: bem acquirida he conveniente, Sc melhor q o governo de m ui-
tos. Que cada nação deve ter feu Rey particular , & natural. E qual foy o
principio da Idolatria com que os homens denovofearruínavão. p-247.
Cap.VI. C')moa Idolatria feintroduzio no mundo, adorando-fe ho-
mens, &" coufas iníenriveis. Defatinos que nella havia. Algumas figuras dos
Deofes. Indecí-nciasquedcUesfereferiaó. Seus facrificios , &fucerdotes.
E a furaptuoíidade de feus templos. p.250.
Cap. VI I. Morte de Noè.Como entre a Idolatria confervou Deos fcm-
pre feu conheciméto entre os maisefcolhidos: & fuás noticias entre a gen-
tilidade, por naó defemparar o género humano q havia de reftaurar.p. 255.
Cap. VIII. Como Deos por Prophctas, &: vaticinios , também entre os
gentios, annunciou ao mundo fua vinda: aexcellenciadaTli^^ de que ha-
via de nafcer, &o remédio do peccado. P- 25 9.
Cap. IX. Das Sibyllas, & o que vaticinarão de Chrijio Senhor nofib 6c ,

defua A/^j/Santiflima. p.2é2.


Cap.X. Como Deos preparou os ânimos da gentilidade parafuadoiu
trina com a dos Filofofos. refere-feadosStoicosem
particular. p.269.
Cap.XI. Como os Filofofos obravão conforme ao queenllnavaõ. As
penitencias que alguns faziaó: &outrosannuncios que os Gentios tivcraó
daLeyfanta.
P-2 74.
Cap.XII. Genealogia de Chrifto Senhor noíTo , & de fua May Santiili-
ma. locaõ-feasexcclienciasdeSanta Anna. p.276.
Cap.XIII. Trata-fcda Nobreza: que coufafeja;&: como refplandccco
na Santiflima Virgem Alay. p. 284.
Cap.
dafegmâa -parte.
Cap.XIV. Como a i^/r^^;^Sanriiriniafoy concebida. p.288.
Cap.XV. Hiíloricamentc fe trata da matéria da immaculadaConccy-
ção da Viyxeyn Senhora noíTa. p.290.
Cap.XVÍ. Alegre Nafcimento da JifróóT^. P-304>>
Cap.XVÍI.Comofoypoftoà JV«Â6'r<?onomefoberanodeMaria.p.307
Cap.XVilI Educação da J^^^í/iííJríí em fuaprimeyra infância. P-309.
Cap.XIX. Comoatíííí/joríífoy prefentada no Templo. p-3io-
Cap.XX. Exercícios da Senhora no recolhimento do Templo j &de
como fez voto explicito de virgindade perpetua. p.5 1 1.
Cap.XXL Dafermofuracorporalda/^y^í»?. P-3I3"
Cap.XXII. Santa morte de Joachimj&Annapays da ^/r^(?;í^. Deípo-
iforiosmyfteriofos àit Senhora comS.Jofephj cujas excellencias fe tocaó
brevemente. P-3i6.
Cap.XXIíI. Como a ^/r^^/^^foy entregue a feufantoEfpofo: ambos
renovarão o voto virginaljforaõ viver em Nazarethj vida fantiílima que
alHfaziaó. Trata-íedafantaCafa Lauretana. P-B^^-
Cap.XXI V. Da Annunciaçaó que o Anjo S. Gabriel fez à Virgem Ma-
ria: 6c da Encarnação do Verbo Eterno. p-3 2 1.
Cap.XX V. Excellencias, &myíl:erios do yí-z;^ com que o Anjofaudou
âSantiflima^r^f/j?. P-3 23.
Cap.XXVI. Como a /^y^'f;^foyVÍÍitar a Santa Ifabel. Tocaõ-fe al-
gumas excellencias do grande Bautifta. P-325*
Cap.XX Vil. Como Saójoíephfoube que a F/r^^w havia concebido.
Tocaó fe algumas excellencias deite Santo j 6c como fe celebrarão entre
ambos as vodas. P-327»
Cap.XXVIlí. Como a Virgem com feu Efpofo foraõ a Bethlem para
fealiftarem conforme ao Ediá:o do Emperador AuguftoCeíar. Moítra-
j

fe o que continha aquelle Edi£lo. E trata-fe que coufa he Era^ 6r como por
ella fe contarão os annos. Dá-fe noticia da occaíiaó per que. os Romanos
cntràraóemjudea. P-329.
Cap.XXIX. Nafcimento de C/6r//?o Senhor noflb. P-333"
Cap.XXX. Do mais que fuccedeo na lapa de Bethlem depois do Naf-
cinlentodeC/^r,^'?í? , 6c os maravilhofos fmaes que houve no mundo no
mefmo tempo. P-337-
Cap.XXXI. DecomooM«mí?Deosfoycircumcidado, 6c comelle
começou a padecer por nós fua Mxj S mtiílima. P-34*^'
Cap.XXXIÍ. Do nome Divino JESUS^pcrquefoychamadooAfm/-
n') em fua circumcifaó. Declara-fe também o de Meífias , 6c o fantíílimo

ncmedeCHRISTO. p 34i=
Cap.XXXIIÍ. Da adoração dos três Reys Magos ao Mmino Deos.
Declaraófemuytas particularidades neíla matéria. P-344'
Cap.XXXI V. Da Purificação da /^^;^í'7;??A/ííy. PrefentaçãodoMeni-
noje/í/y no Templo. Doquea J'í?wÃ6i^'(2allipadeceo: 6c caufa pcrqueeíla
fefta fe celebra com velas accefas,chamandofe Candelária. P-35®'
Cap.XXX V. Como Herodes determinou matar os InnocenteSj 6c co-
mo a Vtrg em, 6c S. Jofeph fugirão para Egypto corn o Menino Jefus.p.g 5-4
Cap.XXXVI. Martyrio dos Innocentes, 6c o feníimento que a Virgem
iV/^y nelle teve. P-358"
CapXXXVíI. Como a ^>^f «í 5 6c S. Jofeph moràraô em Egypto, 6c
alli creàr aó o Menino J^^j.p. 5^9. Cap,
. .

Índice dos Capitulos


Cap.XXXVlII. Caftigo,&:morrcdeHercdes,&comoa^/y^í;»com
omtmnoyeííis, & S. Jofeph tornarão para fua pátria. p.361
Cap.XXXlX, O
quepadcceo a l^irgemÀía)' naafflicçáo do Menino
perdidoj & como o achou no Templo , moílrando aos Doutores da Ley o
tempo, avinda do MelTi as. P?64'
Cap.XL. Da vida de C^r/;'?;? Senhor noíTo de idade de doze annos até
osvinteêc nove, com fua A/ívSaníiílima. Defcreve-fe aeftatura, & fey-
^'oens de fcu corpo fagrado. P. 3^7-
Cap.XLI. Tranílto feiícillimo do gloriofo Jcfeph Eípoío dâVi rgem
,

Santiílima. p.568.
Cap.XLII. Como Chrifio Senhor noíTo fe auíentou a prim.eyra vez de
fua MiJyparairaíerbautizadoporS. Joaó. P-37^'
Cap.XLIll. Como C/?r(/?(? Senhor noflb foypara odeferto: oquenclle
padcceo, de que participou fua /IfóvSantiílima. P-$73-
Cap.XLI V. Como Chrijio Senhor noíTo fahio de deferto &: a Virgem -,

S.N .nas vodas de Cana o npreflbu a manifeítarís para remir o múdo.p.375


Cap.XLV. Como a Virgem Mzy acompanhou a Chrifio no rempoeni
que pregou; foy a primey ra baucizada pelo Senhor j dor que teve na morte
do'Baunfl-a:& na entrada triunfal em Jerufalem. P-376-
Cap XLVI. Comoos Judecs determinarão m^t^v a Chrifio. Senhor O
fc preparou para fua Payxão, ceando o cordeyro Pafchoal com feusdifci-
pulosj lavandolhes os pés-, inílituindo o Sacramento da Euchariftia crde- •,

nando-os Sacerdotes defpedmdofc delles , í< em particular da Virgem


-,

Mãy; & fahindo a orar no horto. p. 3 79.


Cap.XLV IL Narração fummaria da Payxão de Chrifio Senhor noíTo,
& do que a Virgem Senhora noíTa padeceo nella. P-S^ í-
Cap.XL VIIL Como a ^r^^wíiV/ii}' cooperou para remir , & levantar
omundodaquedadopcccado. P-386.
Cap.XLIX. Harmonia da Cruz fagrada, & da Virgem Santiffimana
Payxaó de Chrifio^ fie noífa redempção. Tfata-fe das formas que houve de
Cruzcs; qual era a cm que o Senhor padeceoj o modo , & circunftancias có
que os antigos crucifjcavãO} accómodandofe tudo ao que feufoucom o
mefmoi5'f;;/jí?ri&asexcellenciasdofinal da Cruz. P-3S9-
Cap.L. Qiialidades vis & mortes defeftradas de Annás Caiphas , Ju-
, ,

das, Herodes, & Pilatos culpados principaes na morte de Chrifio p-394.


,

Cap.LÍ. Como Chrifio Senhor noflb depois de tirar do Seyo de A*


braham,& do Purgatório muy tas almas, refufcitou, & appareceo logo à
Virgem Mãyfuay que lhe deu as graças pela rcdempçaÕ do mundo, quecm
íua Refurreyçaõ le concluhio. P-397-
Cap. LIL Como Chriíío Senhor noflb nos remio da morte cfpirituaUíc
nos aliviou a corporal, que era a mayor pena em que havíamos cabido 5 6c a
devemos temer muyto menos. P400.
Cap. LI IL Como a redempçáo,& doutrina de Chrifio nos alargou tam-
bém a vida temporal, &: felicitou as miferias delia, remediando a ruína que
o peccado tinha cauíado j &; em que mancyra nos efcufou chorar pelos que
morrem. P4C7-
Cap.LIV. Como CÃn/?/? Senhor noflToenfinou o verdadeyro
caminho
dealcançar honra, contraoserradosquemoftrou o peccado. Trata iV da
humildade, 6c do perdão. P4í<^-
Cap.LV,
dafegnnâa farte»
Cap. LV. Como a doutrina, ôcLey de C/?r//?<? nos enfina, &-ajudaa'ef-
timar a vida, 6c aliviar as miferias delia. P-4i3-
Cap. LVI. Como Q/n7?í? Senhor noflb nos enfinou a nosaproveytar-
mos das riquezas. p.416.
Cap. LVII. Como o Senhor fubio ao Ceo, & dcyxou a Ma^ Santiílima
na terra para altiíTimos fins. p.418.
Cap. LVIII. Como a Virgem Senhora noíTa auth(?rízou fc felicitou a ,

poíTe que S. Pedro tomou do Summo Pontificado. Trata-fe dos annos que
vjveraó os Papas: mudança que fazem nos nomes: modo de fua eleyção:
fcifmas que tem havido na Igreja de fuajuriídiçâoTio temporal 6c como
: :

em varias occafióes faó venerados pelos Príncipes. p. 420.


Cap. LIX. Como defceo o Efpirito Santo, & foy aF/r^^wSantifiima
fin2;ularmenteilluftrada. p 427.
Cap. LX. Maravilhas que obràraõ S. Pedro , Apoftolos 3 &:
&: os mais
DifcipuloslogoqueoEfpiritoSantodefceoairiuftràllos. Toca-fe a con-
verfaó do Centuriaó Hefpanhol que confeflbu a Chrifto na Cruz por Filho
dcDeos: ôc a do Soldado Longuinhos que deu a lançada, com feumarty-
rio. Trata-fe da con verfáo da mulher de Pilatos, 6c o que fe diz do mefmo

Pilatos. p. 429.
Cap. LXI. Como a Virgem Senhora noíTa aíTiftio no primeyro Conci-
lio que a Igreja celebrou} 6c fe dà noticia dos q tem havido geraes 6c prin- :

cipaes particularidades dellesj6c das Cidades em q foraó celebrados.p.43 2


Cap. LXIL Como a Virgem SantiíTima guiava os Apoftolos: noticiava
os Euangehftas: ajudava os Pregadores; animava os Martyrcs:(6c fc dà no-
ticia das mayoresperfeguições que padeceo a Igreja:) allumiava os Con-
feíTores : 6c enfínava os Doutores. p. 444,
Cap. LXIII. Como a JVw^oyv? foy efpelho das Virgens, ^ inftituhioo
primeyro Convento delias, 6c como foy con foi a çaó das viuvas. Trata-fe
da Magdalena Santa-, Santas Martha, Marcella, Verónica, èc S. Lazaroj bc
fe refere o martyrio da Samaritana, 6c de feus filhos, 6c ÍJmãs. p45o.
Cap. LXIV. Do que mais obrava a Virgem Maria até feu gloriofo tran-
fito. Como de partes remotas hiaó peflbas graves a vella pela fama de fuás
excellencias maravilhofas. De algúas cartas fuas,de q fe tem noticia.p.45 3.
Cap. LX V. Como a Virgem Senhora noíTa , antes de deyxar o mundo,
nos deyxou eftabelecida a Igreja Catholica ém toda a perfeyçaó i 6c a par-
ticular obrigação que nifto lhe tem o Rcyno de Portugal. P- 45 7
Cap. LXVI. Da fermofura temporal, 6c vifivel da Igreja Catholica :

honra que feus filhos lograô nellaj 6c com quanta facilidade. p. 463.
Cap. LX VII. Trãnúíoglonoíodsi Virgem Maria. p.469.
Cap. LXVíII. Como ofantiflimo corpo da Senhora foy depofitado
cm fepulchro fagrado. p. 474".
Cap.LXIX. Admirável refurreyçãoda^/r^^;». P-477'
ICap. LXX. Moftrafe qual era hum triunfo em Roma, para no modo
poílivel, figurarmos por elle o com que a Virgem Maria vi£toriofa entrou
no Ceo. p-479»
Cap. LXXI. Magnifico 6c gloriofo Triunfo com que MARIA San-
,

//////«centrou na Cidade Celeftial. P-4^2"


Cap.LXXIL CoroaçãodaT^yí/ATH^dosCeos, p.488.
Peroração. P-493»
1

í
3

W3IJ

bVí:"! J
)

i-.U Vi. T.^


EVAE AV£, O U

A I A
TRIUNFANTE.
THEATRO DA ERVDIÇAM,
& da Filofofia Chriftãa.
PARTE PRIMEYRA.
E V AV
o MUNDO CAHIDO.
CAPITVLO I.

^h aterno determinou Deos crear o Homem : -prévio


fua ruma : decretou o remédio : ÇT defiinou para
elle a Virgem Maria.
O principio ferti principio, que ne-
nhum efpaço de feculos pôde me-
dir: no tempo fem tempo, que ju-
diciofamentefecrè,&: a confidera-
çáo não alcança, determinou o fum-
moSerjBem infinito, Author omni-
potente de todas as coufas , crear a
maquina do UniverfojSc nella oHo-
mem ,para fua bondade fe lhe com-
municar. i. E vendo com altapre-i M/*i{iirSettttnt.likz,ii[i:u" •

rciécia,que a culpa do primeyro Fay


havia de incapacitar o o-enerohuma- . nr/ o ^nr, r ,
íioda gloria para que o deltmava j contenderão duas irmaasritasobviaveruntfibi.

^>^Tl,-^
do /IU^ít:
Throno Altiffimo, r„l i_n.._-'
febre deftruir , ou perdoar. 2
.X.
gémeas filhas da Divindade , Jufiiça , & Mifericordiajáisinte D.bemard.Serm.i.w ^yímmtt. ad med.
yide P. Franc.de Mendofi inP^iridar.U^^

- '

A
dial.dc Chrifiipajjione, degnntijjlmè.

2 Para
. :

» EVA, E AVE.
-^ TjS^.fu^aciu ]Múi', SlVíí 2 Para fatisfação de ambas 3 decretou o Confiftorio da
oícuiati-jinc.
7V/W(^í?^^ Santiírima,quehúa de fuás PeíToas mifericordiofa-
nientefehumanafle, porque a humanidade paíBvel merecef-
fe ; & pela Divindade unida fatisfizeííe ^àjnfiiça a oífenfa infi-
nita pelo obje£tooffendido, o que hum puro homem não po-
dia igualar.
3 Por outro modo pudera Deos livrar o homem j mas an-
tepoz a conveniência ao poder j convinha que hum homem
vcnceíTe ao demonioj pois hum homem fe lhe fugeytàrajfc o
Redemptor não fora homem, parecera a Redempçaõ violên-
cia jquiz Deos,que a Juíliça da humildade hbertaíTe a quem o
poder pudera libertar 6c foy neceífario hoirjem Deos para li-
:

4 -W''?//?fy í.5.#.i9.5.2.!í^ 'í'}'^.


bertar do peccado. 4 / '.

""'^''""'"
4 Competia a Caridade Divina com a Malicia humana:
pois coma o primeyro Pay arruinou fua defcendencia antes
< t-ittat D. Banard. hom, x. fupcr de a gerar, 5 Deos prevenio o remédio antes da culpa fe com-
rcs quam pateutes.
,
^ AVènta^jou-nosaós Anjos^creaturasitiáisnobres^deque
pudera efperar melhor correfpondencia j pois fez por.nòs o
quenáofez por elles quando peccàrãojquiz remir o homem
a;"eytandoílitisfação j6cquizdle mefmo fitisfazer por nòs.
Náo fe Unindo à natureza Angélica, fendo mais alta 3 honrou a
humana ; &: nella náô tomou corpo de varáo,por não evitar as
penas de menino^ nem quiz fer formado , como Adam , pela
mão Divina, por dará mefma natureza a gloria da Materni-
dade, & porque para amparo dos homens, houveífe May de
Deos. Nâo reparou em fe unir ao que eítava inficionado pela
culpa,nem na infinita diílancia dos extremos, nem no diíficil
de haver união fcm confufaõjnem no immudavel da Deidade
6 Explicai cieganter Vat. ^mn. fua difpofiçáo pícdofa todas as difficuldadcs vcncco, 6
dfKKedeiaS.Trinità,difc,^^. O A ícgunda Feíloa daquel|a Deidade trina,.& liua ,le fu-
gey tou a efte encargo , por my ílerio altiíTimo , que noíTo juizo
7 D.Ban.Sem.i.in^nnmt.j?atím ct^{zS.Bcxnardo,^ 7 nãopóde penetrar ,poftoque difcorra 8
^'^i^"!!^'pudMagt!{Mb.ydiíi.i, em algúas conveni^rjjçias paraen.qa^ríiar oiv/^í?,&: náooPa)f,oii
EfpiníQ SantOé ^/j \ -.].'.

7 MíPeftínou
;
a Mente Altiíllma húa Creatura na realidade
humiaha,paraiftofeconfeguir3masnas perfeyçóes quafiDi^
vina>quíil convinha a Míjjque tiveíTe commum com Deos Pa-
dt eyhwm mefmo Filho que geraíTe em tempo , a quem Deos
;

jPrtirí gerara na eternidade: de cujo ventre fofle fruto quem


era ab xterno Senhor univerfal que tiveíTe fu bdito pelo nafci-
:

mento o Superior da terra, &: do Ceo que foífe May de feii


:

9 VãUm.p.i.q.iyart.e^ã 4, Creador, dignidade infinita, 9 Filha,Mây,& Kfpofa de Deos.


8 Qtiandoj depois de immenfos feculos, preparou os Ceos,
.. creou òsabyflfos, firmou aesfera, defatou as fontes, finalou
tcrmosaomar, deu ley às aguas, os fundamentos dã,
Sc ligou
' " ^; terra poz.o Summo Fabricador
: unto a Si húa cadeyra da ma-
j

Aw l|^»<m^5^h yor preheminencia depois de feu TJirono facrofanto , 6c fobre


ella
i ,

PARTE r. CAP. I.
í
cTla bua Coroa da Mageftade mayor depois da Divina. No eí-
•pelhodeíeu Greador conhecerão os coros celeítes eftar pre-
parada aqiiella honra para húa Creatiira, que nafccria a mais
amada delle, í<: logo (depois do mayor artiorjô: gozoquepii-
nhão em Deos} a amaváo mais que a li meímos, &" na fua crea-
çaó fe gozavão mais que na própria , porque viaõ que nella fé
honrava, &: deleytava o Senhor íbbre tudoj aílim o revelou
hum Anjo por mandado de Deos á íua mimofa S.Brigida , co-
mo felè nas fuás Revelações. IO 10 I{eyelàl.S.Bir^;t.inSerm.W>g-c.4

9 Por modo taófoberano,muyto antes dcfecrear a terra >


primeyroque foíTe o abylTo ainda as fontes não manavão,
:

nem os rios corriáo os montes não conílavão de fua grande-


:

za; nem os Orbes fe libravlo em feus poios j ôcjà ^.f^irgem


iV/ireftavaeniDeosperfeyta; ii Só quem numerar as áreas m Provjri.g.ij;

domar,asgottasdachuvajOstliasdos feculos quem medir -,

as alturas dos Ceos, a largura da terraj, o profundo do abyíTo,


poderá inveftigar na Sabedoria de Deos a dignidade honras ,

^ privilégios com que o Principio fem principio dotou , en-


riqueceo , &: exaltou cfta Creatura exc&llentiílima j foy logo n EpiphanJtiaud p^ir^.
D.H,er.serm de^ifumpu
f como lhe chamão os Doutores fa^^rados ) Myíierio do Ceo,& „ V
a a terra: 11 molde, &
forma de Deos:
ajírolãhiocom qneaperj
âtza do Sol Divino
Ò-' omnipotência^ 1 5 Finalmente por efte foberanoraodo foy ab
. 1 5 Caríha^enadtarcan.Deipar.tom,u
ícternodeílinadâ Vencedora triunfante daferpente iníernú-Jl^l^-^''^-^^''-^''^^^'^^!'/^* Maria, vida

16 Coadjutora da Redempçáo do género humano j 17 ScPor- 15 G'en'l'.^i'^.'

ta 18 ao remédio do maluque lhe entraria pela primeyraA/ií/. ly Videiní.p.t.4,%.


lí Fdix Csli porta.

CAP IT VLO IL

Creadoo MmidOí creoH Deos o Homem , & o illuftrou

de gra^a^Q}" nella a fua dejcendencia»

M Cinco dias
E-nT-
j- r\
creou Deos a maquina, que chama-
I

Kttia ccnam
^1,^«,AÍ Prima dies lucem
,-
, Cxlum altera

rão M/Z^ií», pela bellcza, queefta palavra íígnifica, ISyderaquartaifcquenspirccm habct, &
harmónica ,"& artificiofa confonancia da Mente fecunda , &: Sexta animaJ
, . '..-., ., i~ c
Omnipotência innnitadaquellaionte de todo o ler, na admi-
, ,
H^'"",^""*
qnodvis, homincmque er
puiveretcrrx
1 •
,
,- .

ravel concórdia de tão varias partes» Myíleriofamente fe dete- Protuiit at requiem feptima lux tcimít.
ve no que pudera obrar em hum inítante; &
com razão o gran- ^^.^^^^ Mu,mch.EccLp.u.i.c. i.^.i.,:,
de Moy fes hiftoriou tanta ac^^ão em poucas regras ; 3 pois os pn«f.
CeoscomletrasdeEftrelks, os ares com muficas de avesj a J Ge>t.c.ii
terra com pincéis de florestas aguas com criftallinos efpelhosi
& todas as mais creaturas ein juftoj&.gloriofo certamen efcre-
vem,celebrão,pintão,retratão,Sc oftentão a excellencia de íeu
Crcador ; Caufa fuprema de que faó effey tos as caufas ; Poder
infinito que de nada tirou tudo; Motor immovel de todos os
nzovimentosj Bondade fumma que fe communica 21 todas as ^

Aij fub-
1,

4 EVA, E AVE,
Divindade alliftente em tcdaj& qualquer parte
fubftanciaSi
do Univerfo por efienciaj prefença^ &z pcder immenfa , & ía- :

biaincomprelienrivelmente.
4 Pedro Mexia naSjiha devar.liç. /• 5. ^ Ao fexto dií:,quejfe^undo a inelhor opinião, 4 corref-
c.íJ.Dmo Matute de Penafiel na Frofap. at t/t ta
âe chrão, idade ^.c.l.u.p. Frjofeyh
o j
& •
t-- /
pondc a vintc Ciiico de Março, d]ile Ueos: baçamQsohomzm:
de iejti M^ua.na -vida^o- excelJe N.Se- náo quc fallaíTc com fom dc VOZ j Hias referc-fe efta voz à na-
-

''^''w/iVj.Faciamushominem. muy tos Doutores 7 aattribuem


turezado^^r^<?Eterno-, 6
6 Mc/^iper Sent.u.dijt ii.§.i6. aoEtcmo Pã)' ,q\.\th\louao FilhOySc ao Efptrito Sãnto ,iguaes
j Pirer.inGcnej:/.^.-ni'r^f.n.yEe- ^^ natureza,&: poder &-notão,queloaoquefetratouda crea-
neiJerninGínefc.l.Jeét.<).n.i.inpn.Ub\. ^ r-Pi . .
'^ ,11
10 rr
:

crcanccEpitiiomo, hdes.sc dogma vc çcío Qo homem , relplanaecco a te, oc dogma da bantmmia


ritatiscmicuit.
Trindade.
"^'^ '^"^
&faareft?ux.'*
'* * 3 Paraas outras creaçõcsjpoíto que da luz, bailou dizer,
9 Tertid.i.i.adveTf.Marc!on. faça-fe,&c dc^tío ícyt3.S; S o/íi^^z/ww, & fazerdcpois, moftra
i^ D.chpfofi.hoMnGenMa^ip^^
luzeute quc a mefma luz as outras, diíle TertuUia.
Li.dii.i^.^.^Joan.FraHc.Loredanon: l
^c/jwo.
^l^^^ ^^^^
lenzeraocom voz impenoíajonomem com mao la-
no, 9
T. .
ri
:

-r
II ÍI//Í&.14.5I.
^^^^^
miliar.DepoisdetudoocreoUjparaque a tudo mandaíTe , &
i,t^lpZ7adA!x.c\\'!\\'!'Jhlk4l^ò- achaíTe tudo preparado. lo No empenho do Creadorfevè a
ttUja^Hd/EgidiumàeBeattt.tom.yq. 5. dignidade da creatura jfeytura tãoexcellente que no dia do ,

"'^^íufnllo.in Pi'nand. & ad ^fciep.


^^^^^ ^^'^^3 que OS Anjos hâo de ajuutar a matéria
'
dos mor-
14 Gí«.í:.t.i6. Ad imaginem,
li- tcs, II dizem graviílimos Doutorcs.que fó Deos reformará
ist

mii'tLidincm noftram. delia OS coroos Daria refurrcvcão. 12. Trifmegiflo lhe cha-
Scclefii 1.17.1. 7^ ^
D
15 .Wçi.ier/.i.#.i6.§.4. mou JJcos mortal,
; *.
t^
it D.fo<un^.i.q.')].maximèinart.6, ^ DiCfcqueoíâríâ a ft^aimãgem^é" femelhânçâ ; 14 no in-
terior, 15queheoverdadeyrohomem: 16 &:naJuftiçaori-
17 Diter ift.
«J.Í
ginali 17 fe bem Eugubino,&: outros Efcritores dizem que
para formar o homem tomou Deos imagem &; femelhança ,

18 £K^KtíM.f«/».P/a/;«. Domine pro- humana. 18 A* fua femelhança o creouaquella grandeza tão


bafti me.-^ ahjapuàP.Fwiíeca^demcre
confiada,que naõ fe dçdin;nou dc ter femelhante , para que em
^^ li meímocontemplalic o Creador; para caular amor recipro-

co para que foííe conhecido por coufa fua,trazendo o fello de


i

fua Imagem para deyxarfua effigic naquella fabrica excel-


j

knte.comoos Principescoílumãonas Cidades,& obras mag-


nificas de que faó fundadores } para que íicaííe mais capaz das
coufas mais altas^ & para que tudo o refpeytaíTe por femelhan-

,9 Bened.Pcrey.d.l.^.Gen.n.^ri>:^^^^^'^^?^^moSenhor.
I9
di^rejf.mord.poji,qu^a.i.crviííe liaram 5 E aílim acrefceutou Deos,^^ ejfe homem prefidijfe
íjfiie a
x.p.c.AS.".-».
xo Ge».<i,c.i.i6.Etpt3eliC,&c.

tildo:
-oj^r
20 confequencianeceflaria,
con|unçao,ôc,de que uíouj pois
-ir
hum
íemelhante a Ueos nao
como parece que moftra
11 ^t>v
a

pôde deyxar de prefidir; nem pudera pre.fidir fem efia feme-


lhança; a quem o Author de tudo havia de entregar tudo, ha-
via de exceder a tudo o da terra o Vice-Rey havia de parecer
;

'

'•

Rey rdevia de reprefentar hum Vice-Deos,quem havia de im-


perar ao mundo > dignidade tão grande, (notou S.João Chry-
ii D Chryfopom. Sem. quomodo frU foftomo)q ainda dcpois de peccar fe naó arruinou de todo.2
rmishomo,inprnu.to>n.j. 6 No CampO qucdcpois fe chaUlOU Z)^»í^/í"fWí?, 22 (oU
21 Bencd.Fernand.,m.Ger,.feã.6. n.u
po^çj^^^Q^amafech íi^nííicamtfturade fafjgiíeyÒCíiWi matouCaim
5j GeneLmd.hChrono^rai>hiâ,
«O fanto Abel ; 23 OU de Damafco EUer fervo de Abraham)
diftante feíTenta legoas donde a Cidade Damafco fe vè .ho|c
24 lhe
.

PARTE í. CAP. íi.


5^ ,,,^,^,,
24 lhe formou em idade perfeyta 25 o corpo de lodo 26 ÍJ jíl^^ír/íi.íííÃ.i?.^^
;

para que a origem Ihé abatefle a foberba , eonfiderando-re de ^6 gv«.i.7.

terra, 27 pofto que foy efcolhida z8 mas com o rofto para ll^íS:ít::£;^!:%.
.

oCeojContraafórmadosoiitros animaes, 29 olhando para i^ovid.M-um.iA.mpnnc.


as alturas, que fó lhe convém. 30 """ ^''''^"" ^"""''''* '""""^
^íeS'
7 Náo teve iogo vida íb com a formação , como os outros os homini fuhiimc dcdit, cxlamcjuc ti-
animaestiveraó, ;i porquea teria niais e^cellentCj 32 diz^^ere ^ _,
oTexto,queDeoslhamípirounoroíto, 33 parce ornada cq- 30 D.n.mp. i.J.9i.mra.c/«/ l.-
fentidosj que devem contemplar as couías altas. 34 Muy-flj«t.i7r»!w«,£ieof>;/í.D./(.8. 5f«er<x e/>.
^^-
tò amaria aquella alma, quem
^ a tirava das rpróprias
r entra- ,, .., .
T- 31 Gen.i.io. Proincant aqux rcptile
nhãs. 35 znims.v\9cnt\s'. ZTtnfr a J^pe.

8 Chanioullie Adam, 36 que em


Hebreofigniíicafeyr(9 ji /wD-c/pp/a/íd-Wi).
"'''*''' ^^"'''" ^^"^^
detérravermeWa, 37 daqtlalo formãraj 38 nome patroni-fp; Jaci,^i^'*vt"^'"
mico a todos os homens, 39 pois faó da terra. Nâo efperou ^ •^''"''^'^•'^•'''/^•iT.S-i-
DeoSjqueellefepuzeíreriome^comopozatodos os animaes: '^ ^^í"""""«^'«Gí''-^-'.^A'?-5.«-,-..

40 oií pelo honrar, pondolno elle meimojcomo benhor leUiQuafi ipfiu'; Dei vHccra, amoréíqur
41 oilporqueo homem,aindaqueatodoomaisconheça,nun- a"imseíí<ivicísretur.
ca le conhece para ie dehnir. 42 ^^ Pp/ya«ífcf j verbo, hominis va/. , ,

9 Oií no inftante em que lhe creou a alma, ou depois f no «'y ^<""'«éw.


que ha difputa curiofa) 43 o iUurtrou oSer^hor de bens natu-,,lJ,f;i»,fp,2/?;'L,'S
.

raes, & fobrenaturaes particularmente da Jufriça original , a ntf^damo.


;

qual dizem os Theologos 44 queerahua re^lidão da natu- 59 P^h^o-theajupra.


reza humana, porque o homem tinha perfeyto dominio fo- 41 lÔudanone r ^'damo.
bre as forças fitperiores, &: inferiores; Denlaneyra,que em 42- p/j//í)«./.r.íi/%r.Mensqya: ineft

aquelle eftadoia parte fuperíor da alma eftava fugeyta a Deos ; SrcSijil^SíoTpoX-


a eila todas as forças do corpo com tal fubordinaçáo que a 4 í{tfemii Fmeda, Monarch. Eccief.
, , j

fuo-evcaó primevfaera caufi da fegundl, & a feo;unda oera da ^:}''^"j'-S ^''^'


^
^ ^«^ r / D '
^ -lio
bened.PereTtnGen-l.i.n.^i.iniq. «^ «i.
1

terccyra-, reduzida alum toda a natureza a unidade ,&: orde- uticum D.^u^uíimo re/ehit, quodm
,

nada a feu Creador. f""<' '«/?'««'•

.0 Durandoaquellared:iJ5a,rilopodia haver peccado, j^fijllt^ii-f^f »".,'-4"'Í


nem venial, explicando efta aííerçáo com o Padre 'Bento Fer- tenia exceifiat innocfnt.ex n.%6. v Fer-
j r-1 IV 10^1
nandes, doutiflimoPortuguez; 4< porq ue tudo eílava com "i"'í'-/''?71-f^'^']-'^'''Vr,
TN i^
,r
Fr.Iofephde[eJuMdris,h!p. deT^.S.1.1.
ordem, lervindoos membros a cabeça^K a cabeça â Ueos-L-a- f.ç.^.j.crc 59.^.4.
.

minhavã o homem direyta,6c fuavemente a feu ultimo fim & 4s Ftinand.jn^. tfl.ycgttumi
;

no tempo conftituido por Deos a cada humjpaífára da ÇcMci-


dade começada à vifta clara domayor bem,fem pena de mor-
te.(explicando também com o eruditiílimo Portugaez Ben*
àifp.de^.cueLíiat. in-
to Pereyra) 46 fendo o terreftre corpo trocado em efpiri- „,í^,^;;;;,^/ 5

tual, como na geral refurrey çâo o ferão os dos juítos ; & revef-
tidodeincorrupçâoj&immortalidade: 47 teriâoàlem diílo J". ^-^«ç.^fÇ/w.D^.tó. 15. no,
OS homens todas as íelicidades tem poraes. 48 Perer.inGcn.d.i<,.n.^^. in^.q ride d.

II No primeyro Progenitor foy dada eltare<Ltidáo,&juf.^^<"*-p-'?-''7.'-rt.4- "'


tiçaoriginal a toda a natureza humana por que modo, & em
( f^ ^I'^;!;;!;i:^^u. lUu
que termos,deyxamos aos Theologos, 49 porquea nofloin-M«íf,ma^;Wj.3.(ái'4.
tento bafta efta noticia ) com pafto de que os pay s a traními-
tiíTem aos filhos como herança, oti morgado y fe Adam guar-
daífe a obediência que devia a Deos & fe a não guardaf-
;

fe , que a perdeflera. AHini como o fundador de hum morga-


AiiJ do
i 2

g EVA, E AVE. I

do no prime yro cm que o encabeça, pode obrigar os defcen-

r . V. n-n . -.* «, . dentes não nafcidos, às condições da inftituiçáo > porque to-
txphcatP.Fr.iu/ei>hdekj^Mar Wa <ií dos cílao prefcntcs no prmicyro , como membros em lua ca-
N.Í.Í.I.C.9.W.5. beça. 50.
-
- .,,„,,-«

C A P I T V L o III.

Como Deosfo::^atyídam?jo Parai/Ò terreftre,qualgray


&*feperfífieaí?jda.

t jK' ^ Reado, Sc illuftrado de graça Adam , o poz Deos na


MoyfeiEâ^ffthadcParjdifo.
i
Pnied.na Monurcb. bedel. l. u c.\í. §. l. J.v
Ij
^ melma
de'terça, i levadojou miia-
.. '^
feftafevra
', àhora 11^
Matute niProfip.duanitjdade 1. cM. do pcr hum Anjo,
lium lugarjquc ja antes do homem 2 cm ,

?•)• tinha creado, 3 ao qual, para vida de llias plantas , conferva*

j GaLfA['vhn:z^^^^^^^
p^, çáo de fua amenidade, efpelho de fuabclleza , vital humor &
miuiis Deus Paradiíum voiuptatis à de fcus frutos, 4 regaváo quatro famofos rios nafcidos de ,

P'""^'f"'- ,» r , hm{onte,chãmaàcL Phifon 3 ècGeo?i,(ho\Q Gmj^eSf Sc Mlot '


A1aftterSentciitJ.i.diÍt.l7.§..^, . ^ i- r^ ^ r \ rr-- , "
t t

Pfrer.i.GíH./.i.n.i. ^ lebemalgiins 6 dizem jque hoje le nao labemji/^nj', &c


4 R^p.Fr.iojeph Xm.Sàff>p.-n\egono ar- £f/.j).Jof^tes j povoado de todas as arvorcs fermofas à viíla, & de

^T^o}['pltm!'q.Li iTucned. Tm. 1. pomos fuavilfimos


ao goftoi 7 efmaltados os verdes prados co
as floíes mais bellas, Sc chc yrofas , aonde em Primavera pcr-
'

Gcn.jcâ.yn.i.
^*^ petuàfe gozava a temperança dos melhores ares os frutos :
d.m/"''^"^''""''''^"^""'''"'"'
7 Gert.x.i.cumfeqq. não dcpendião da Variedade dos tcmpos: fempre claro , izen-
i p Bjfi.mOrat.ãe Piíradfo. tôdcti-evas; 8 promptujrio.lhe cliamou O crrande Damalcc-
no> 9 de toda a alegria, cedências. Iodas as queosFoetas
-^

^^,.
10 Perdrfuf.n.). rcprefentàraó nos jardins de Alcione , Adónis, Sc Hcfpcrides,
fe lhe naõ podem comparar > por iíTo fe chamou Paraifo, de
P^r^f.íjpalavra Hebrea.outros dizem Grega, ou Perfa, IO que
,

fe interpreta hofto,o\\ jardim regalado. 1 1 Naó tinha Deos crca-


"•
11 r>.ff,dor.etymoU.t4.e:t). ,.

"''''*' ^^^^*'"^-'''"'''^'''
Kf I i. M.igiQ.í
áo a Adam naquelle lugar, porque o não tiveíTe por natural,
i.d,i}. 1 7. §- 5 . Ot iion na- antcs O devclíe à graça. 1

'turx,icJ aratui hoc aiii-iiaretur.


^ Gra ves Authores efcrcvèraõ, que não era corpóreo com
real afliftencia , mas intelledualmcnte reprefentadoa Adam
com allegoria efpiritual ; outros,que era corpóreo j porém
queeítavanosCeoSjjuntodoorbcdaLuai outros que na fu-
premaregiaó do ar /outros ,que todo o mundo era Parailoj
outros, que eftava fora deíle mundo que íe habitava , em ou-

tro feparado alem do Oceano i& alguns d eclaraó, que eílava
na America à parte do Peru outros, que debayxo da linha ;

_, .^ r.' r
rt
Equinocial. 15 A p;entilidade antiga, que ou por tradição,
.

n. i.ioan Mur^i.iyntaghfi.i.
I jcá. i.«. ^^^ po'" HOticia quc tinha dos pnmeyros livros da hlcritura ía-
.

5-^6. grada, 14 arremedou em fuás fabulas a verdade,r pôde fer


PO»" ^^ft"ci^ do demónio para a defacreditar ) 15 fingio có
'' q^ie
sl^^P^íH^:^'^''^' ,

I j^otavn Djiijiin. Martyr x. qwiog, fcmclhãnte belleza , &: facilidade os campos Elyfíos, 16 ten-
«1

proChriji.
do amefmaduvidafobreolugar em que eílavão. Huns di-
16 Dehre-ve-1 Viip.^ietd. 1.6.0" - r^ r n. ^^ r i i
2*^^<^ cji-^c no Cco das Litrellas fixas outros, que perto cio glo-
j

tyinton.Mureti^.c.t ;

bo da Lua j outros, que no raeyo dos infernos ; outros,que \)xs


, Ilhas
,

PARTE I. CAP. III. ?


7 zlmms que em Hefpanha. 18 E não fal- .»7 \ef<'»fé^s-
opim^s Ptá-o
Jllias Fortunadas -, 1
Metam. l.
íouquem atile que em l^orrugal:, Gomo em outra obra larga- tt.K.4.Torcafí>T4o m ^eru/^iemcaut.
mente efcrevemos. 19 O
certo he, conforme ao Texto, que 15 W"!- 5=6.
"™
«.P.raifo era corpóreo terreftre, 20 nefte nofib Orl:« à parte J^5f,t'£»S'=íf:r "
Oriental^^ondetemnafcimentoaquellesrios ; 21 &: parece \9 NnscxccUemiasdei'omgai,çap.i
que em MefotX)támia. 22 Nafceoeíla incerteza, de que.íahi- "-^'- **'^'';„. ^ ,

do Adam dclleiOcouguardandaíua entrada htim Qtierubim n gc*.».



comefpadadefogo, 23 por miedo do qual di2em,que nin- i^. Perer.fnp. n.tít. Loredano f^p.
guem fe atreveo a tentalk, pofto que o caminho Te conhecia ^ "^'"ch^^Umus à Perer.fi^c:
•antes do Diluvio. 24 ^7Mameèidacki'C7i.i.6.

3 Depois do Diluvio feduv ida feperfifte. A opinião có- m ^'^''^''Mmo"'? b-^"''7-«n.


mua rpofto que não carece de contraditores ) 2 5 diz que fi / ^W^^d Bencd Fermd.x Gt»/eã.-4.
26 &rparecequeaajudahumluí^ardo Apocalypfe 27 toma- »i -í-Jí"-
do liter.lmente,em q.e fe falia defte como perf.fteate. En- ,,:>:^::^2S^^
tende eftaopiniaõ, que da geral ruina, que as aguas nzerão, ^ei.
afiim tomo foy exceptuado Henoch, 28 fovmiraculofamen- *^ Dra>i„s>Mi.p.cap.ií.n.y.

te 29 exceptuado aqueíleraraiio em que etle vive. 30 Iam- jo fcc7f/:j^&,4Í.ií. .

bem dizem muytos Authores com S.jeronymOjque nefte eftà 5 «


'^"'^^ f^pre Pmeda na MoníutUn
Elias :&oengenhofo Doutor Çatharin o eícreveo hum livro, "'J'í'^"^-^''^iM-

procurandomoftrar,queeii:àcom elles S.|oa5 Euangelifta,


21 mas iftodÊS.Toaó tem s;randes contraditores. Efcrevèrão ,,«,/,„. ,»/, ; j , r>

algunsjque íe labia por onde le nia a elle 3 2 mas que por im-
j

pedimentos fe lhe naó podia chegar ornais provável he , que


j

ninguém o tentaria , pois os Gentios o não cremj&osHe-


breos, &: Chriftáos fabem que os impediria o Qiierubim. Re-
feriríe que hum Macário Romano com outros três Monges,
depois aelargo caminho, chegarão àfua entrada, donde fo-
raó lançados por força, fe tem por apócrifo.
4 Naó obíta dizerfe, que fe períiftiífejfe acharia no nafci-
mento que hoje fe fabe daquelles rios,pois delle bafciaó. Por-
que fe rcfponde, que he provavel,que depois do Diluvio fica-
rão rios com diíFerentenafcimentoj 33 &compoucaslegoas ,
55
^7^''f-'"^rTr%t:^'Z^"
queetteslemudaílem,ncariao em outra parte, porque o la- tute Profup.de chniUdade i.e.7. §.6. Lo-
raifo não occupava muvta terra. 34 Se dentro de Hefpanha ''^'^"«P
"' '' ^'^'"'o- Com a. domina d-

eltiverao muytos leculos encubertas entre montes as Villas j^ Perer-m Gí»./.}.».j3.


das Batuecas, povoadas de gente, que fugio dos Mouros quã-
do entrarão em Hefpanha não he muy to , que fe não ache o
-,

íjue fe occulta por my fterio.


5 Quanto mais que o nafcimento do Nilo fempre foy ef-
,

condido,poftoqueReys,&:Emperadoresobufcàrão; 35 don- ijpi.deCajlillohiilJos Godos hb. i

de fabulou Ovidio, 36 que fugindo do fogo, efcondèra a ca- ^èOvidMeum.i.y,


beçá,&: nunca feachàra.Porauthoridade de Plínio 37 fe diífe, }7 Pà!hi\.e ?.
que nafcia na Mauritânia inferior da lagoa Nihde , em hum
.monte perto do Oceano & que occultando-fe jornada de al-
,

guns dias,fahia em outro lago mayor na Mauritânia Cefarien-


fcjôc tornava aembeberfe em huns areaes, & por defertos,
jornada de vinte dias , chegava aos Ethiopes , aonde fahia
dejiovo em hCia fontCjOU rio , chamado JSItgris , ôc que final-
mente
.n.»r„. « EVA, E AVE.
sic iibt dcfauu mádidos (eptemfluus mcnteentrava no mar por fetebocas pelo que os Poetas lhe :

Osdelcobridores modernos af-


Q:f?c"Kcn.tum%Lpl.cc Nilo Cr chamaváo fctedobrado. 38 :

it(rum. septcm difcrcius oftia Ni- firmâó,que nafcc dc grandes lagoas junto dos montes da Lua,
111

'"5- ^'-5 „ „ náo longedoCabode Boa Efperança &: em nadadifto ha j

Niii. /Jírn }.f/fç.


/. certeza ; ío he certo ler no my tteriojo, porque cm certa par-
nic.fluciis divcs feptcnna per oília Ni- te fe defpenha com ruído que obrigou aos moradores da-
j

quelle termo ao derpovoarem , porque os enfurdecia.


W?cptcmg™afbl';%ida orna 39
Kiii. - Claudia». Suãs aguas crelcem no Eítio ,
quando todas mmguáo & por- :

Oftia' n'g""]!^*^^^^2'' ^^P'''""^ '"'P"'


que muytas terras fefuftentáo de feu regadio fem chuvas, he
Quaqúc fcrax fcptcm Niius abundai neceííario tal medida na crcfcente, que nem falte àsaltas, ncm
aq"'s. tarde muy to em defa^uar; a conveniente he de doze, ou trc-
O Príncipe de Efquilachcyno canto dt t^n- '
_ S J„^1,.<^
. , .^
.
,

tonioacieopatrl
ze,atedezoytocovados dcalto. 40
Adonde cl agua indómita 'Africana, 6 Os Gentios da índia também tem O G^wg^fí por myfte*
Pot fictc bocas las dci Nilo lorbc jç^|- ^^j. ^ny darem que aílim fe purificão de feus peccados, fe
Q Concif de VilLí mediana nu fabula r < t/c T. ' i r ^ -»_

PWfonff dei Nilo CS ya ia fepnmaíelavao nas tuas aguas, tendo- as por lantas; 41 parece qam-
:

garganta. dacftaopiniáo Ihes refultadaquelle Paraifo,como ao Ntlo a-


jol^ó pS/TMau^TR^o mviàa dt Me- quellas myfteriofasqualidadcs.Dofobredito fe faz provável,
cenas, foLmihi 5
^.v. que O Paraifo terreftre exifte , poíloque fe naó poíTa afíirmar.
^0 Herodot.l.u PliHd.c.<f,
yinedadp.i.l.z^c.Z^.í. "^nl.de Caplh^ '
' '

^"''::
Bcmd.Fcr..d./Va,,..,.
C A P 1 T V L O IV.

Cortjo Deos po^ ley a Adam ; elle começou a exercitar


impeno j o Senhor lhe deu mulher , Q* que
felicidades gomava»

I T*\ Tz o Texto fagrado,qite poz Deos a Adam no Parai"-


JL# /í>,pira que trabalhaílenelle, 8c o guardaíTej (en- I

tende-fe das feras) &: ordenoulhe ifto por delicia,como ai li era


tudo porque noeftado da graça o trabalhar naó daria moleP
j

i. D.chryfo}hinGen.hom.i4. tia, 2 &ellegofl:ariamais (íosfrutos cultivados por fuamaõ.

2 Permittiolhe comer detodas as arvores que alli havia >


acrcfcentando: níaí nao comas da arvore dafcienciâ do bem, éf do
Gen.t.i6.vty, mal) por^^ue HO diaque comeres morrerh. 3 Pela frafe do dia
i
entendeo o momento & naó fó da morte cfpiritual , ^que feria
;

prefentaneaj mas também da corporal, cuja neceílidade fe in*

4 m infra c.to...y
correria logo,& começaria logo a execuf arfe, pois imos mor-
rendocadadia,6c cada momento. 4
3 Chamou àquella arvore dafcienciâ do berrífó-do mal,
5 V)equibusBened.PererMCe».i.y ex porquc (cntreoutrasexplicações) 5 ainda que pelafciencia
l''8 9í- _ infufa o conhecia efpeculativamente; com tudo fe obediente
7 DThjícihmtGenlmjl'.' "^^ comcíTcexperimentaria o bem de todas as venturas & fe ,

D..yíuf^u\i.i.% de Cen adiit.c.i,^. dcfobedcceíTe comêdo,fentiria o mal de todas as defgraças.6


Magtíiseat.i.x d,n.i7.<^.^.
Aexperienciaaperfevçoa afciencia." 7 o bem melhor fe cO
Ethic.c.4.crpf>e. nhece perdido; o mal he mais íeníivel quando le padece.
8 Perír,<í./.j.M.g,.y.i. ^ Duvida-feque arvote cra. 8 As circunftancias que ó
Texto dcclara,deq feus pomos fermofos aos olhos , deleyta-
veis
PARTE I. CÂP. 1?. 9 r
veis 3. vifta, moviaó o appetite de os comer 59 competem a
4oiiradíi purpura das niaçíla5,ou peííegos & não quadra aos
;

%oí> ,como cuvdàraó aleuns Authores i o nem às uvasj co- 10 Nkephor kiã.EccUTu: j.>
;
^
' ^ ^^ Thíodor An Gen Q.íi,
líio outros imaginarão. 11 U nome de pomos porque os an-
. s j
„ ii^jc.n,^h!ia,verbo,ViàgntH l.fti

rieos tracàraõ eftefucceíTo jcm ícu principal íignifícado diz funHwn lo^-fi-de verbfgMc.
i- ^yínton.mrMiiíHom,
Mnçaa: 12 a tradição pelas pinturas oconfirma.E defias (in-

giraó os Poetas as maçáas de ourojque no jardim das Í-Ieípe-


rides guardava o dragaó, que não dormia ytmha muytas ca-
qjm^' ^"""'9'
t)eçasAi-'íava de varias vozes, 13 arremedando àverdadey- ^ '

rahiftoriadaferpente,quefaÍ!GuaEV^debayxodaarvoredo '
.

melhor jardim ; iinalmente hum Texto dos Cantares o decla-


ra,chamandoaefta arvore, Afrf/í/j, i.f quefignifica MzfrjTí?. 14 c-í«í.8.c.SuVarboremalo.
oc/.TyM/.i«Ge«.fco«.i4.
5 NeílarerervardizograndeChryfoftomo}i5rehoiive 15
Deos como hum poderoíbPrincipejqiiedà liberalmente hum
amplo feudo com húa penfao ténue, íó emíinal de reconhe-
cimento. Nota hum moderno, 16 que queria o tS^m/jír , que \(, Loudàmne ^àam, l'

>^dammandafíe com o freyo de fer mandado, para que a alti-


vez de Príncipe fe moderaííe , vendo-fe fugeyta 3. ley ; pofto
CuefoiíbeíTe que havia de quebrantalla, quiz moftrar , que era
^^ V.SoarMUg.l.^,c.uH.y admcd,
íieceflario avella 17 poz taó grande pena , para que ao me-
;

nosportemordeila,feobrervafleaprohibição,& com aguar-


da fe moÍLraíTe Adam obediente , mereceíle a vida eterna, a &
confírmaçãodomorgadodajuftiça original para fi, & para ^^ .aB.iorephd.iefuMamnav^d.
jeusdelcendentes. 18 U
merecimento eltava na dimculda-ííe2V.5./.i.í.9.«.}o.;n/í.j.
de da lev, que limitava nifto a liberdade , &
reprimia hum ap-
^"" '" ^^'^•'•^•"•H?'
petite / 19 mas difficuldade facil de vencer. Qiic facilmente "^
íe paga a liberalidade Divina Concedeo-fe ao priraey ro ho-
.'

mem poder peccarjpara que fxcaíTe mais eloiiofo fe naó pec- ,, ,, j , ,

a- A/í J C. / . ^ ur • •10 D. Bernard.de Iiher.fírlitr.ad.n!rã.


1
caíle. 20 Mandou o c5f??/jí?r para provar o obfeqmoj legislou Dammefthom.n.poflepeccareob pre-
1

para examinar a vontadcspozpreceyto para conhecer o arbi-togativamliberiarbicnj, datum aurem,


tno & ficou pendendo noíTa faude , não no fruto da arvore ', T" "' ^"'"'^r ^''"''" ; It^l lS°!-T
fioi appareretjU noii jpeccarcc, cum pec-
i í^
.
r r 11 • ,
mas na eleyçáo do primeyro ray ; le elcolheria os ameaços de caie podcc.
Deos para falvar, ou as perfuacócs do demónio para deftruir ^H'/^^^ ^•'^'i^;^ inprine. ^ 5

^/''11J
:

c
*
-i-r-j ii D.Chryfot. Serm.de int€ratct.árbor.
le anteporia a liíonja de quem o matava, a íuavidade de quem ,„ ,.,<,«.
..

o queria eternizar. 21 Para premio da vitoria (diz Tertul- it TertuiUan.in^focaiyff 1. Lígnú


liano)22 fe Adam venceíTe a baralha, eílava noParmfo Q.o^vt^^^^^^^^^T^^^^TT"'' pJ^'"''^'"-
•^
,
.
J D.-^muroj.traã.dearl/ interd,!.

tra arvore da Vida, 23 que teria eterna j 24 masnemaquella 23 Ge«i.9.


Vifta refreou o appetite. 14 y!dei>ifhc.ii.n.z.

6 Intimou Deos o preceytofó a Adam como a cabeça, ^^ Ma^ifterii.difi.n ^.uit.


,.

25 &aílim o notificou elle a £1;^ depois de formada. 26 xe d. ^ugufi%Gen.adi!t.c 17.


J;'''^'^''^"'''''' ^''^^/•^•'•'•«^
^"
7 PoílaleyaAdam,profegueoTexco,27 q^^ecxerdtou '•

o oíficio de Rey 5 fera ley de Deos ninguém pôde go\ txn^LV.^í. suM-.de Le^.i.çi.e.i, v.f^.in fm.-
Mas defpido,femcafaj&:f.2mapparato governou porque a ^7 Gf«.z.i?. j

dignidadeReal não confiíle em purpurarem paço, nem cm


pompa mas fó no cuy dado de governar bem. Diíte ífaías, 2 8 y^lJ/ulT^'
;

que o Principado de Chrijio eílava fobre feus hombros, (que


he o trabalho) & que feu nome era Confelheyro, (que he o go-
verno.) Ainda não tinha Deos dado mulher a Adam que o
cm-
,,

fo EVA, E AVE.
embaraçaíTe para que conhcceíle feus vaíTallos, vierão dons
:

década efpecie deanimaes , por movimento que Deos lhes


i<) PvTcr.inGen.t.^.n.<). deu.ou por minídeno dc Aiijos, 29 a rcnderlhe obediência j
l(T,md.,n t.c;en.jea.io.n.i. -Q (fó OS que nafccm de o;eraçáo,náo OS Que fe çéráo dc cof"
31 ^bKtcn/inyGcn.^.iis» rupçao por lua viicza 31 Sc porque amda os naohaviajnaa
j

vieráo os peyxes,porque não podendo viver fora do Teu ele-


me nto , não era bem que a vifta de feu Rey lhes cuftaíTe a vida.
Eaifim como hiáopanaíidojelle por mandado de Deos lhes
hia pondo os nomes, muy to conformes à natureza de cada hâj
ji CíB.á.c.1.10.
^2 moftrandoneftaimpofiçãoimperio,&:fciencia;& elles o
reconheciáo por húas eípecies como congénitas na parte efti-
mativajSc imaginativa , mediante as quaesentendião a lín-
gua quanto era neceflario para obedecerem promptamente.
,5 MoyfrsbmephaLdeParadif. ^3 A linguafoy a Hebrca, como dircmos cm outra partc, 34
Dioj^o Matutc.nt Projap. de chrifto, idade infundida por Dcos a Adam com as fciencias.
35
*.f.^.M./«;;rmc
g DiCfcDcos A^ãÕ hc kffí qm O Ijowem € ff eja [0,26 òc qwiz
i

3 5
Pwu j,/.i.cMi.§-5.cr ó. danhecompanneyraqueoajudaíIe,participairedetantobemí
Verer.dd.^.n.x^.o-L.i6.in..xii.
.ij-«-i-
& jhc: déíTe filhos paracontinuaçâo, 37 & para fervirem aó
Tó Gen'l!*it.^'^ tncÇmo Senhor. Diz hum grave Doutor que elle apedio, 38
37 D.Thom.i.p.q.9í.art.t. notaudoquecm todas as efpecJesdcanimaes havia macho, &:
''^''^' í"'^"íea,&
8 Jó.Jrrí'''^'^''"'''*'"^
que Deos alkidio à utilidade que a í^irgem Mana tra-
ria ao mundo.

9 Não a formou Deos da terra como ao primeyro ho-


,

mem mas para moftrar que ambos crão da mefma natureza


;

& que o género humano tinha hiía fó maíTa principiativa, &


39 t>.-^mhr.l.de Paradifo c. lo. w búa fó fontc 39 infundio em Adam hum fomno profundo,
:

fertur in c.nec ,íiud,i


3
q.yMagiíf.Sent. i. í gencro dc cxtafi j cm quc lhe forão revelados mvfterios Di-

40 D.c^ug.i.<).deGen.adliu.t^. vmos, 40 entrcclJes O da hncarnaçaojj porque nao ícntiílc


D.Hieronym.zsr aiij apiui Fern. fup. feã. dor íí por ifio Ihc fícaíTe mal aífedo 3 & lhe tirou húa cofta
j

":*' '^^ ^""dificou a numier femelhante a elle, multiplicando a


;:;;.^;r;^Í";:. :ií
41 Mj<///.c/<i///.i8.j.4.í'wííia(/./.i c. maceria,como nos poucos pãesj&ppyxes com que fartou tá-
"
8.§.i adfi'i.
tos mil homens. 4 1 Diz o Texto edificoUiSc nâo diz formou^
: :

(nora b.Chryloltomo 42 j porque da parte de Adam ja ior-


'

mado a edificou em perfeyção. Com ifto multiplicou entre


ambos as caufas de fe amarem pela femelhança &" porque ha- ;

vendo fido hum fó no corpo , era bem que foííem hum fó no


^3 ThrdhrhiGe»,<i.io.Pineda/uprj.^^[j^Q 4, Scaflim a cofta.fezundoakuns Authorcs, 44 nío
GM./.4.n.i9i. • í(-ydapartedireyta,queheamaisíortejmasdaelquerda, que
hc a mais delicada , & donde nafccoo affeíto amorofo. Da
coftaaedifícoujqucheomeyo do corpo,pela fcciedade cm
que d eviâo viver; não da parte fuperior, ou inferior, porque
4, Ji/.f«Mái/?.i8.<.i.p,vw.w.«.r.
não devia feríènhora, nem efcrava não do peyto, porque a
j

Fr.Heytor Pinto nos Diaio^.tom.i.Diai.4. não antepuzcíle j não das cfpadoas, porque elle nâo foíTe dian-
c7.Fern^MãinGen.z.fta.ii.n.ynaj.de
jg mas do lado comoQuem paííeaisual 45 Semelhante
-, ,

46 Gf«.i.i8,Faciamuscia(Jjutorium acllcjdiílc Dcosque a íazia,pelo mefmotermo façamoSi4.ò .•

fii"''e íii^'-
de que ufíra na crcação do homem , moftrando na fubftancia
,7 D.ChryJo/i.hon,i4.,n:Gcn. igualeXCcllencia. 47
^
^ D.Thom.p.i.q.toi.ari 4. ^o Foy edificada a ttiulhet denfro do Paraífoj 48 &" cora
tudo.
} '

PARTE I. CAP. IV. it


tudojqiianto ao governojinferior ao marido creado fora delle,
i^como Pay da natiirczajporqiie do officio vem a fuperiorida-
D.^mhro/.fu^.cap.^refcrminc,
de, não do melhor nafcimento. 49 Nafcer noParáifo fe de- .49
Via a figura da May da graça.
1 £ Das mãos do foberano Artífice fahio âquella feytura a
mais be]la,delicadaj gracioía» 8c aprazível donzella, que hoii-
venomundoiróaexcedeoaf^/r^c^A/ííWjem quem o mef-
mo Artífice apurou as mayores perfcyções. Mandou o- JVwÃííy*
àquelles caiados , qu€ multipí kâííem , ác povoaíTem a terra
^
50 & com tudo fe confervàrão virgens em quanto efti verão 5° D.chry/o'ihhom.iiJn,Gett,

náquelle Faraifo 5-^10 contexto da hiíloria Sagrada 5 2 o mof- s^ Gm.^. marine.

rra,&: fe affim não fomjella concebera logo fegundo o bem q


,

a natureza eftava difpofta,& o filho gerado antes do peccado, ^^ ^^^^^^ Matut.ju^.iMe t.f.p.1.5;
fora izento delle, 53 oquenâohouve.Convinhajquenãocó- j^-f^.o-ó.
'Z^;'"''^ "'^''''«
cebeífe antes da tentação,para que nella mere ceife, ou defme- ^^!" '-^'^ '^<''''''' «'^

fj
receífeadefcendenciaomorgado paccionado. ^ ^^/'TÍ/iVjrrNonimpmantur fi-
.12 Aíiim fe achava Adam na mayor bonançajtão gentil na liis pcccata paimitum, qu« goft epmm
pefíoa,como formado pela mão de Deos; na florente difpofi- ^^^^^ ^ p^"""^"^
commmun-

cão de trinta annos; 54 dotado de todas as fcíenciasj Rey 54 Hifi.SchdaiLeap.i^,


pacifico do Univerfo poíta fua Corte no mais dcleytofo lu- ^'"^'^•'' ^•/•i-'^-ii.§-i. '» f«»c;
:

garicomefpofamuvtoàfuavontadejcomoelle mefmo diífe; ^


55 enriquecida lua alma de íoberanos dons; porque coma cummnhisPinciad.itb.x.caf-ç.
<^(,

juftiça oríc^inai, dizem os Theoloços, 56 que tinha conheci- í-->-Fr.iofeph de h/u Ma.hifi-
«'^ -^e-
^;
mentodaleindepcnaenredoslentidos^íoporUivina íwpirã- ^ ^^^^^^^^^^ 1/ l^^„^^^ -
.
-.

cão interior > conhecia feu Creador,nâo por conhecimento ef.


curo mas por contemplação clariílima tirava eíte conheci-
, 3

mento por influencia da luz Divma & não por femelhanças


,

ÓKL fantafia podia attender à contemplação na parte fuperior,


:

ôí juntamente exercitar as obras da vida adiva. David diíTc


y-»'"' •"• •

57 que era poucomcnos que Anjo, coroado de gloria 5 & de


'^

honra, &: o puzeraDeosfobre as obras, de fuás mãos; S. Gre-


gório, 58 queaílimcomo Deos o plantara em hum Paraifo ^z D.Greg./kíoraU.ti.cA^mfH,
terrcftrecheyodedeleytes,tambemcreàraem fua alma hum
paraifo,onde gozaífe outros mais nobres,&: mais próprios a ra-
cional ; & S.Bernardo, 5 9 que àquelles efpofos habitavao no ^^ ^< Bmiird:Sem. j j. in Cant, aã
ParmfOy converfavao n o lugar de delicias , nao fentiao molefiias 3*"^
nemnecejjidades : entre cheyrofos pomos , cercados deflores ^ co-
roados degloriai &de honra , conftituidos [obre as obras da mão
do Creador^excellentespelainfignia dafemelhança Divina, ti"
nhao aforte i &Jbciedade com a multidão dos Anjos, &
com toda
aMiliciaCeleJiiah

'-mnq r

CAP.
,

II EVA, E AVE.

CAPITVLO V.
Que tempo eftiverao nojfos primeiros Pays no Parai/o
terreftre : como Eva enganada -pelo demónio na fer*
fente, comeo do fruto vec^ado ; & perfuadio a
Adam a comer delle.

Nfanda, & laftimofa dor nos manda renovar a ordem da


I hiftoriaquefeguimos.-comoopeccado privou de tan-
tas riquezas a nofíbs Pays: como deítruhio o Rey no mais opu-
lento parece que vimos aquella ruina miferavel , fegundo a
•,

grande parte que fomos nella. Qiiem. deterá as lagrimas em tal


narração ? como de outra bem menos lamentável , diíle o ma-
X yiTg.^neià.lib.iMpinc, yor Poeta: i fe o papel moftràra os gemidos, delles fe vira cheyo
em lugar de letras, mais pela culpa, que pela pena; em caio
que o caftigo nôs faltara , como diílimulariamos a ignorância,
que ainda hoje padecemos? A fciencia Divina, a que he pre-
fentet:udoopaírado,aeílàvendo,pofi:oquenão com ira co-
mo peccadoaârual; mas com benevolência de jà remido; &:
1 D.e^HPíiíí/íí.»}.? 4<.
fendo certo, como dizem os Theologos , 2 que Deos nada vè
D.r/joTí.i.fy.i /».«»<• 5. fora de fi, mas dentro de fijfendo-fe efpelhOjhe mais fea aquel-
la vifta ('como onegrojantodobranco) na companhia da Di-
vindade infinitamente bella; Sc quanto mais devemos a Deos
\ por nos eftar amando à v ifta de o havermos oífendido , tanto
mais devemos envergonhamos de que elleeíteja fempre ven-
do,que fomos inimigos feus. Grande confufaõ para todo o pec-
cador/ Job não fabia o que nella havia de fazer; 3 David (com
/j-^T-io. wccaviicpiidíkciamtibi,|-^l^^j. ^j,^^^^qN
} ^jgg^^y^ ^^^^^ DeoSjquetiraíTeosolhos
o cutteshominum? jr ir, rr a ^
Cie leus peccados òc quc OS apagalie, de modo que nao pu-
4 i./<^fç.ii.t}. Dominus trânftulit ,

pcccatum tuum. ^ deílèm fcr viftos < mas vcudo ouc ocdia hum impoíHvel
;

c p/a/w. <o.v. 1 1. Averte faciem tua .


r o •
. _ • •

a que chorana fempre, 8c procuraria lavar com lagn-


, i 1

à íeccacs mcis . &


omncs u.Kiu.utes
rccoma
measdelc. mas aquellc thcatrodc fua ofFenfa. 6 Porém ainda que a me-
6 p/./.«.6.v.7.Lavaboperíinguiasno.
ôeslc£tum mcum:iacrymis meisltra-
^^^^^^ r ^^^^ ^^,-^^ desfaleça
' 73,& z mlo treme i aor efcrever.'
,0 - j •

tum meum rii^abo. alcnte-le O eípirito na certeza do remédio ; cc na delcnpçao da


7 p/d//«.}9.v.i9.Secundum muiti- neceílidadeteconheceremosa Dcoso mayor beneficio poís à ;

:t";blto«;XEveLraí "^^ de» a confolacáo: 7 lembremo-


mam mcam. nos do que padecemõs, por não tornar a padecer o de que nos
lembramos ; não fera neccífario nova experiência, quando nos.
emendara lembrança.
2 Duvida-fe, que tempo lograrão noíTos primeyros Pays
aquella felicidade ? Huns Doutores cuydàraó que féis, ou fete
horas: houve quem diíTe, que fó três: outros hum dia muy- ;

tos que fcmanas, Ôc mezes nfão faltou quem diflcíTe que fcte
: ,

8 J^rrí ,f{ai opiniões Dio^.o iM,itute ^i^nos ; & qucm lha alargafie a trinta & três. 8
A melhor opi-
na Profap.de ch}iíio,idade i.ci.^.t. niãoparcceados quedizem,queeíl:iveráono Paraifo alguns
diaS;
PARTE r. CAP. V. 13
dias }
que lhes íinalãooyto. 10 Porque, tempo con- 9 D.BdfLhomi/.de Paradífo.
9 &: dos
fidcravel comerão dos frutos permittidos, como£i;^ diíTe n-°,^'"fr'r^"Vl^"^^'''*^
aíerpentej 11 nãopeccaraono lextodiaem que íoraocrea- 10 Mamíâ.^.'^.
dos, pois diz o Texto, que vioDeostudo o que tinha fey to, -^"''^•'" '^'•"/•«5.h.i89.
& que era muyto bom 1 2 nem no legumte , que foy Sabba-
j ac.\.^. De ftuau liânomm.qtfx
, ,

do, pois também diz o Texto que o Senhor o abençoou , 6c íunt lu Paradífo,vercimur.
'"^*''''
íantiíicou. 13 Aquella primeyra fcmana foy das obras de Deosj **
^^^J
na fegunda que era para as obras do homem , he provável
,

queellepeccaria. E fer na feita feyra tem congruência com


haver C/jn //o Senhor noíTo padecido em outro tal dia , pois,
como em feu lugar ví^remos, 14 até nas horas correfpondeo a '^ ^'^ i.p.f^s.».».
redempçáocomopeccado. Dizer o Pfalmifta (fegundo húa
letra) 15 queohomenzeftandonaquella honra,não durou ,5 pra/;«.4?.v.«/<.Homo fuminho-
nella toda a noyte , he encarecimento do breve tempo que lhe norceilct, uou pcmodavit.
durou } acrecenta, que o demónio na ferpente fallou na lin-
gua que Deos tinha infund ido a Adam:, & Eva^, como logo di- .

remos não podia fabclLi , fcnão ouvindo aquelJes cafados


-,

converfar. E não fe lhes offereciafenáo em alguns dias, ufar


das palavras que o demónio aprendeo para fe declarar com
Eva,
3 Havendo oytodias,quelogravãoaquellafelicidadep foy
Eva à parte aonde eftava a arvore vedada, eítando entre todas
asmaisnomeyodoPtír<z//í'; 16 da parte mais occultafeoíFe- "^^?v'''>«, ,j,

receamaoccaiiao,ou la vay amulher bulcallaj & hum demo- He^am uiom.


nio chamado Satacl, 1 7 (que vai tanto como Satanás , ou con- '*. P'»eà»\na\Áionurch.EccUf. i.i.c. 9..
trarioa Deos) iSinvejofo dobem do género humano, 19 (c^%D.chryfoninGen.homiLi6.
lhe {ez alliencontradiçojmetidoem húa ferpente^ género de D.^mbrof.hb de Parad.c.xx.
víbora, tomando o anmial mais aftuto 20 por inltrumento '^*'í-/-^'^'^^-i;\;''/''''''*\
adequado para enganar. Deos lhe permittio hgura tao leajtibus.
porque £i;í7 não tivefledefculpa vendo fua vileza. 21 *» CumLyra.FernandJ.c.-i.fea.i.n.i.

4 Naó temeo Eva^ porque no eftado da graça Adam , &


elladominavãotudofemtemor.Odemonioaquiz tentar co-
nhecendo-amaisfimplez, & mais fugeyta à ambição, que o
marido, 22 &: poderofa para o pcrfuadir. Para fallar moveo n n.chryfo/i.fupra.
aquelle órgão ferpentino a fom de palavras, em modo que fe ^'\^(^^'r Í"P
exprimiíTe 23 na hnguaHebrea,que Deos tmha também m- ^

fundido à noíla primeyra Mãy , como a Adam. 24 14 Supra c.^.n.-j .m fine.

5 Delia fe não efpantar de que húa ferpente fallaíTe , ima-


ginarão alguns,que ella cuvdaria que os animaes fallavaó^ mas
nao era tao Ignorante. 25 Outros tomarão occaíiao para du- ^l ^a-Hnii>,rer.dil.n.y
vidarem, fe na realidade fallavão. 26 Philo Hebreo 27 xt- íermnd.in^.Gen.ita\.n.\,
fere,que os Greeos fingião q fim, & todos húa língua; ate que ']i' ^'('í^f'
^"-''í/Z-^-f.^-

defejando livrarle da velhice , & viver mais, pedirão aos deo- ^^ phãMb. deconjuj.imgu^.
fes remédio para remoçarem , como eftava concedido à co-
bra , que defpindo a pelle entre duas pedras , renova os annos;
ôcqueeftando em confelho fobre eftapertençaó, lhes con-
fundirão os deofes a lingua,&: ficarão com as diverfas vo-
zes que notamos em fuás efpeciesicom eftas vozes fe eoiten-

B dem
a :,

T4 EVA, E AVE/-
zí Hier.Fayic.de^qtiapendemt t,b dementrefí, 28 íc bem,creados (principalmente OS paflaros)
de brutor.Uquti.c. 1 1.
entrc OS dc outra efpccie, tomáo muy to das vozes que ouvem.
Conforme àquel la ficção o engenholòEropo nas fuás fabulas
introduzio galantemente os Brutos fallando com difcurfos ,q
envergonhào os homens. He verdade cjuefallou a jumenta dc
i9 M<»».í.it.x8. Balaam v 29 &
lemos,que quádo Annibal devaftava Italia,fal-
jo Ll^.dcc.u^.à'dec.i.l.^.a^%.
i.-iráoboyS}30 \\í\á\^'c:Giiarda-teRomayOuno antes do Im-
pério de Augufbojdifle ao lavrador jque o não cançafl'e,porque
cedo faltariãohomens,& não trigo 5 alludindo à mortandade
51 PUn.i.%. CAI. das guerras civis. Plínio 31 conta que fallou hum cão j em E-
gyptofallou hum cordeyro, governando Bocchoroj &: hum
cervo del-Rey Ptolomeo Philadelfo£ntendia a lingua Gregaj
.)i TextinOjjicin.p.t.tHMirac.naiHr. 7,1 mas todos forão milagres, & portentos , que não fazem
confequencia.Hum papagayo do Cardeal Afcanio , que repe-
^^^ ^ Credo 3 3 os mais papagayos , & outros paflaros , que
} i
Mexia fi'pTa,
:

imitáoas palavras que ouvem, não fallão , porque não expri-


^ri{l,Po/it.i.t.c.t: niem conceyto feu. 34
j4
6 Não í'c admirou nofia May, de que a ferpente fallaíTe
porque í"e empregou toda na cunolldade de converíar jde-
^
,^^/ r/í ^ L 1 / pois que a ferpente lhe diíTe, que feria como dcofaiCcsoufecÕ
ncd. ícducaudivit abiiio.&c Perer.d.i. uic tallar a vontade.õr em nada mais reparou 35 íe oappetite
j

^•''•2í-
a não cegara , conhecera que fallava o demónio pois hu bru- j

to não podia faliar.


7 Nãofeatreveoodemonioatentalladireytamente com
perfuafaó; mas perguntando com aftucia,quiz ver como de-
^6 MagijlerSent.d.dijl.ii.j.i. via profeguir. 36 Pcrguntoul hc a ferpente Fcir^7»'í? ^'Cli•w<7«-
:

doíí Dcos que nao c orne (] eis de todas as arvores do Paraijo ? Ref-
pondco Do fruto das arvores que efiao no Paraifo c ornemos .,mas
:

do frVito daarvore que efla no meyo do Parai fo,fios mandou Deos


cpicvíio comeJfemoSfnemtocajfemos, porque poderia fer que mor"

37 j.Cfa.»;
Foyaprimeyraquequiz converfar, & logo fallou
r/lfimos.2,-;
deípropofitoSjComofucccdeamLiytas-, pois devendo dar a
caufa da prohibiçaò,que era o que lhe perguntava , diífe a pe-
na que Iheeftavaameaeada.coufadiverfa da pergunta. Igno-
rando a caufajpudera fcm nota dizer Nao fey, pois osjuizosde
:

Deosíaõinexcrutavcis jmasquiz antes refponder difparata-


da, que confe01ir que naõ fabia. E na repofta diflc dous erros,
fe lhes naó chamarmos mentiras hum que Veos lhe majidàra,
•,
,

^fie uemcomeJJem,nem tocajjem o fruto, íenáo que fó lhes man-


dou, que não comeíTem outrojque fe come(fem,poderiafer, que
-,

morrcriao:ícnáo q abfolutamentedifle,qmorreriaó comen-


do primeyro faltou à verdade a mulher,que o àcmouio.Oh fe
;

j« D.aryfoa. inGen.hom,i6, as mulheres foral) mudas, (exclama S. Joaó Chryíbítomo) q 8


quamfeguraSie^nteisfaiao]
8 Em nenhua maneyra mor-
Difielhe outra vez a ferpente:
rereis mas Veosfabs, que tanto ^ue comerdes dejfe fruto , fe vos
j

abrir áo os olhos, è^fercis comoDeofes,. Cabendo o bem, ér o mal


difi:o.pudera£^',r^ entender a malieia da ferpente porque fc
5

V fabij
1

PARTE I. CAP. V. 15
fabía a caufa da prohibiçaó , para que a perguntava ? Mas he a
ambição própria das mulheres i 59 claro eftà, pois fe define ^^ carci.Pafch.inA-<.ompo!:t.
porappetitej 40 tudo o da ierpenre lhe agradou >ranto que 40 D.Thom.í.z.q.ni,^,t.í.hmb'mo
lhe diíTe, que feria como Deoía tinha-fe apartado do mari imporcac appccimm inordinatum ho-
,

d(h pódeíerque divertido cm contemplar as obras do Crca» "^'-'í, ,„,,,<;.,« yGen.fã.^ju^.


dor; 41 & ovelha 52 defgarrada do paílor, facilmente he ^i Mniiero-vis manti.z.Re^.n.y.

tomada do lobo.
9 y ioamulhevjdizoTexto, que eraòoa a arvore para Je
comer' dellã;fermofo aos olhos fò-'dekyt avela vifla. Tanto que
fallou a ferpentejvio o que naó tinha viílo taes eífeytos naf- -,

cemdasmàsconverfaçóes. 43 Morrem as mulheres por ver ;


^^ D.Paui. adCorimh.r^.^^. Cot.
& Eva morreo porque vio, que aos olhos fegue o coração por rumpunc mores honoa coiioc^uia mala.
:

Av^m ^.n. Afcendit mors per


eítasianellas entra a morte na caía. 44 , 44
•^
^r- 1 -1 r •
11 1 111 j r feneltras aoUias iiiotclla clt donios :

10 Vindoomarido, ouindo buicallo,comeoeila do íru- noitras.


to, (ou tinha jà comido) & deu ao marido movida de amor ou :

porlhecommunicar o bem, que a ferpente inculcara , ou por-


que conhecendo jà feu peccado, & temendo a pena do deíter-
ro, o queria levar por companheyro , por não fe apartar delle.
^-^"^r.LÀe Parad.c.6.
45 N aó continua a hiftoria, que perfuadira com razoes fò 4S }

m fentença diffe depois Deos q ue elle ouvira a voz de Cua mu-


lher é" comera: 46 tão poderofa foy (& faó todas) que fó ^^ Cf». j. 17. Quia audiíti votem
,

com húa voz o fez crer, menos a Deos, que a hiia fcrpente >vé- uxons tua;, & comed.ih.
ceo a quem o demónio fe não atreveo acometer. Comeo Adam
do fruto vedado à hora da Sexta ( 47 que he o meyo dia ) da ^y Phieiana Momrch. Ecckf.l. i. «.
leílafeyraprimeyra de Abril. Por não defconfolar a mulher, i\.^.i-comMoy(es Barce^hai. dePata-
quiz acompanhallaemperderfe:48 triíle coufa peccar por'^'^, ry.^,Ar,Serm.iyinPjalm.u%.
amor de outrem, ou por feguir exemplo .'
^Uxje^ics p.i.^ si.ment.^.
1 Efta foy a ajuda do marido, para que Deos tinha crea-
doamulher.49 Qiiemnão temeràhum fexo,que querendo 49 Gf«.i.i8..Faciamus&ad)uconú.
ajudar,mataf de quem pôde o homem íiarfe? Oh infelicidade.'
que o favor fe faça inimigo , & as utilidades prejudiciaes A- .'

juntoufe a ambição quafi natural dos grandes Principes, 50 50 FrancGidc-iardin hin. /.i y om-
iTmopum proprmm
qual Adam fe achava: tem o mavorinimio;o na vaidade cuy- "i""i '"^S"f.""^
i iriii '

dam que tudo ie ihes deve com azas de cera querem lubir
-,
1

u,r„acAjpidicas,
:

ri- ao vitiuelt anibitio, acaueiPiorum iiacura;


Sol:precipitaõfecuydandoquefelevantãOj& muytas vezes
peloquefe lhes figura, perdem o que tem ,como allegorizou
^''" ''""'
Efopo 5 1 afilm fuccedeo àquelle pnmeyro. ^' -^^í'-'"
;

12 Mas quem imaginara, que a fabedoria de que eílava


dotado, havia de perfuadirfe a que poderia ficar como Deos?
As mulheres fa zem apoftatar os fabioSi 52 a ambição caufa 51 £fí'/?/?.2/í.i9-i.Mulicresapoíta:.i ?
todos os erros i o
até o iuizo de Anjos cegou, <4 ^tudolefa^-iui^í^apient"-
unio contra o dcAdam.QLiemí ara confiança no que labe, le
J^ ijaii^.ií,
Adam,&Salamamfobrenaturalmente fabios cahiraó; & de*
pois o grande Origenes, tendo jàeíles exemplos? N ãohaj ui-
zo que não poíía padecer frenefi: os mais claros faó como os
aftros, que tem feus ecl ipfes, & occidentcs & os mayores, co- ;

mo os grandes navios, que fe lhes falta o leme naufragâo com ,

mais prefia, que os pequenos.


Bij CA^
, 2

i6 \ EVA, E AVE.
C A P I T V L O VI.

Como^elopeccadodo prmeyroPay cahio o género humano


^ na major mijeria»

I Omendo Adam do fruto vedado, inobediente Deos


f^ quebrou a
VVtodo o peccadopreceyto
feu & miferavelmente peccou.
»

Sendo coufa mais abominável


a em íi , &: nos
eíFeytos, nefte houve duas particularidades graviílimas. HCía
i D.iJag.deCi^.Deil.\i,,c.iy na poucadifficuldadede guardar aquellc preceyto: 1 foy gra-
de iniquidade peccar ; porque era grande a facilidade em naô
peccar como em Abraham foy muyto louvável obedecer em
:

coufa tão difficilj 2 em Adam foy muyto vituperavel defo-


^^^^^
bedecer em coufa taó fácil. Outra em feraquelle peccado emu-
Gfn.j 5.Emis ficutDlj. laçáodeDeoSjquerendo Adam ferlhe igual j 3 o que em con-
fequencia era deítruir a Deos pois fe com Deos pudera haver
-,

4 Exhisiu^D.Thom.up.q.xz art.y ^^^^^^ q^q^ ^ nenhum delles feria Deos. 4


2 Pela defobediencia perdeo o morgado inftituido em
5 Sup c.i.n.ii.&e.yn.^, fua peífoa conformea condição , & pa£to da inftituiçaó
,
5 -,

ficàrãoellej& £i;^j privados da re£tidão da Juftiça original:


defconcertoufe a harmonia da natureza fubordinada fíelmen-
^^^' ^reador : O corpo fe rebellou contra a alma as forças
. E.plic o P. FrJofeph de lefu Mari. ^^^
:
,

nulidade N.Senhori,Lic.9.n.^. inferiorcs corttra a razao / K a razao contra Deos. 6 Entrou


Mdtus D.Thom.i.%.^.^z.art.i. 0'i,cr ^ mortc compauheyra da culpa, & cominada na ley
7 os Se- :

nhorcs de todas as delicias fe fizeraò efcravos de todas as pe-


,
'Qo7nTrid[i^íX<icfeccat.orig.
7 sup.d.c.é^.n.í, nas os que erão temidos, íicàraó tímidos de todos os animacs:
:

perdeo o domínio na terra, quem não obedeceo ao Ceo; mais


eftimou o demónio a perda de noííos Pays que o logro do ,

próprio defejo,& fez eftimaçáo particular de os haver arrui-


nado pela ambição porque ellecahiraj por fer condição dos
mãos quererem termuytos companheyros no mefmo vicio:
s V.^iií.l\o.Confeilx.'^6. 8 finalmente cílando O hoiiiem na mayor honra, diz o Pfal-
9 pfaitn.^i.v.uit. Hcno.cumin ho- niílla, Q uão cntcudeo , & fc fez femelhante aos animaes
nore cílct,noii mtcllexit compararas
: ^r\- nv „ J « J„n-
quandoo J ti /
detterrou do P^r^//í7, que fe
r
eitiumenasmr.piem,bus,&fimiiis la- brutos. Dizer Deos,
ôus eft iliis. fizera femelhante ao mefmo Deos, lo foy por ironia, para
10 Gm.j.ix.
efcarmentarmos, porque fe perdera, por onde procurara me-
1 1 D. chryfoft. in Gcn, hm. i8. ©" / J horarfe II ou dar o Se?zhor parabéns a feu próprio amor, de
:

Matth.hom.í y quc jà chcgàra a occafião, porque havia de encarnar, & fazer o


I. Temi.u.contra M^u^.^^.
homcm feu femelhante. 1
3 Oh triftej&lacrimofã mudança, (exclama S.Bernardo)
ij D.Bernard.Strm.'i^JnCant.popmed. 13 queohomemmoradordoParaiJOyfenhordãterrãyCidadaodo
Ceo jdomeftko de Deos, irmão dos E [pirites Bemaventurados,,
coherdeyro das virtudes celc[les,fe ache repenfmamentc cabido por
jna jraquíza,atadopor Çuaferocidadetò"necelfitado do alimento
dos brutos pelafemelhançã que tem dellesi Nada havia no mundo
tão feliz como o homemijàhe inexplicável quanto he infeliz.
Co'/n-
-

PARTE í. CA
P. Ví. tf
Cotnpãdcce^n;6S.ã.c mm^.o arâííiraSyÇpudera dizer Adam.jE os
Ceosrargaremícosvcíiiíjosde luzes .-a terra cobriríc de cin-
i9>íi&t.tu
7.as com rriayorícntihiento, que os amigos de Job} Í4 pois fe ** ^"^

eítejaziaemhura lugar imniundo. Adam Jazia na vileza do


pecCado fé eftc tinha chagado o corpoj Adam tinha ulcerada
;

a aima: fico demónio, que.fó deftruhio a fazenda a Job, em


Adam tyrannizava toda a terra. Em effèyto alguns Hifto-
riadores diflerâo, que por aquelle peccado perderão parte de
j^ K^ere PintdaMMonarch.i.i.t,
fualuz os Luminares celeftes. 15
4 Dâs grandes dignidades não fe dáo pequenas quedas. 'iè^h.^ugup.inPfair?,.^^. AJam m
Adam como feyto pedaços ("diz Santo A golíinho} i6*encheo""«'°'o^""'^ ciucdanmiçdo cpmvy
todo o mundo de fuás ruinas nem hua ruina faô grande po- '%' '^^^Zj!'!^!^:;?"'"'
,•

dia caber em menor lugar, corno diHe hum engenhofo Poeta Pompcos,iuvciie5Ai)a,at(]ueEurop3,fe4
17 da de PompcoMasno tão incomparavelmente menor. Só ^P^Ii-'" i r 1.

a/^^;/^ewViM'eltavaemtaoemuicnte montej que ncoulivre. ttgit. -^

j 8 Perdido no corpo, &: na almd , transferio Adam a própria


'*^"'<^ '^i'"'" t°^° ípargituí o^K ?

miferia a todos es outros defcendentcs, 19 conforme ao pa-' "u,ío ron poterat tanta ruina loco.
ftofeytopor DecSj 20 afiim como fenáopcccàra lhes houve- «s Vnemosp.i.c.i<i.
ra de transferir o morgado da felicidade. . i A vontade delles ^^^í^f :?Í;f,'„.t^';;X«;,
eftevena de fcu pnmeyro Pay jComo em fuà cabeça : todos í»oW».
nellepeccàraó, 22 porquetodos eílavaÕ nellcj 22 as ópera'- ^° Supràa-.n.iu i

çóes dos membros de hum corpo tem lua moção da parte fu- 1, D.p^^uLad H^om.yn] ii.c^uooo?.
periof Corta- fe a mão pelo delicVo. 24 que a Vontade cõmet- í'-" pcccavcrunt.
.

teo.movendo^a aexecutallo. Derivada díiquella fonte corre m


c-^^x''^yf./o''«.eír,«^/. ,.,á

geralmente por íeminal geração herança tao miauita} nao co- pericrat,inciuototum erar.
mo natureza, mas como vicio deliam con-o doença que paíla ^otoin^.Sei^t.ãijp,\^.q.i.n.u
aos filhos. 25 E parece que também herdamos a mclmaçao de fu^.:,.^uthouJmiitjuL.<^.jin.Jiau%,
crermos a lifonja da boca de húi ferpente ,& não a verdade da ^«^« tí^/^-
boca de Deos attendendo ao nofib goílo > & não à fè de quem , ^ \, .f ^^f^;' ^'^"L^«n. ú.
:
mpt. &
falia. ^
^
5 Deíie modo cahio o miindo da rrayof alteza no mais
profundo abifmo :a mulher dada para ajudar a hum , foy pi in-
cipio daruinadetodos;8v'oprimeyro Pay fez miferaveis os ' ^

defcendentes, que ainda não gerara*


6 Conhecerão logo fua miferia jvcndo-fe na fealdade át
níiSjêccobriraófe de folhas de fígueyra. Alguns Authores, ar- •o•í^^ .

rmiadosà letra do Texto, 26cuydaoqueas alinhavarão com ^g ^^„ ^^^ Cc,Acri:í.iVo],auc,.


juncos, ou ccufa fcmelhante,feytos primeyro alfayates;ou-
troSjque fe rodearão de ramo'^ delgados ^ em que as folhas pen-
dião, 2*7 & qucerão de figuevras Indicas, que tem as folhas ^i ^ci^àjíTy.ardh-.-^.ckn.fsctA'».)».^:

muyto grandes. 28 Qiic vil troca pelo veítido da graça, que


havião perdido! Folhas que não aquentão^ que as fecaoSoi,
& leva qualquer vento.

B íij C A-
fg EVA, E AVE.x
M,. C A P I T V L O VIL
Ccmo Deos fentenciou a fJoj]os 'primeiros Payf , gr* a
Jua de[cendenciajficou -publicada guerra entre
^r, ..' ./í Virgem Santiff-íma, o demónio j Q^
s-i«o\>.i.«.i. i<\ v.v;í ?t u4dam po^ nome aEvâ,

TT^E.hculpnfeincorreoapenaromefmopeccadoconde-
I
rBenrã.FemvriinGen.yjea. 17. n.^.
L nou 1 mas Dcos Quiz fcntcnciar como Tluz , para
j

I D.LhryjoiUH(Jcn.hm.i7. emciídar comq ray; 2 ellemeimoconncceodo calo: nem de


hú Anjo íe fiCii feii amor. Applica-íeefte aâ:o ao Vnbo Jíferno.

3 rfcert/>fcír/i.W-^tíío/.<»p«<iPM<»«>'portcrGfíiciodeju]gar. 3 Por animar os Reosveyo em fígu*

^^7^h^J^l^^.n.ti^'^sy' rà de homem, 4 eníayando-íc p. para o íbr. Peccou o ho-


"7 mem para íc anemelbar a Deos Deos fe enfaya a liomem para :

o remir. A vingança pedia preíTa de rayo & o Senhor defeco :

Gf«.;. 8.
5 depois dorrveyo dia, 5 porque paíTada a payxaó com que fe
-j D..^ug.Scrm.\^).dtbanú, peccara,ncaíic mais í:2Cii oarrepeoGimentOj 6 que com hum
8 Fern*nd.(H^leã.íi.».^. pf^z/cy, alcaiiçàra perdão. 7 Náorardou ate a vefpera , por
•"»-^''^'
não dilatar a cura para outro dia. 8
/ovjq"?i.t -33^:0 Paííeavano Fí?rv7/j^5lofiegado,como quem tomava a vi-
p- '
raçáo,9refrcícandoairaaqucopeccadooprovocàra quan-
"
:

Tí?í'/Í'r\ doavozfnâoarticuladajmasdehumrumormagcftofo 10 ^jq


10 Pfrfr.f«Gfn./.(?.«.ii5. íoou a vmdadoniayor Monarca, íez que os peccadoresfe eí-
ttrnanid.itã.io.n.isj- i,.
condeflcm acertavãoem fugircm mas crravão em não fuEi-
-
: j
II D.Euhrem Syr.Scr>n.<ií vita relíg. ir r p ri r í- t)
rem de li paraomeímooí«/J6'r. 11. Salvouie b.redro,porque
^ i

Vis iugccc ab ipio iugc ad ipiuio.


>

11 Z.K.-.1Í.61. onáoperdeodeviíla: 12 perdeoi-fe Judas ^porque fugio para


15 MMh.iT.y
outrem. 13 M^s fcelles porque húa vez peccàraó,fe não atre-
vião a apparccej-jf ojpio appareccmoç os que tantas vezes
peccamq^ .''.Di/.em , que a ferpcntc fubida em húa arvore
t^í^efm.FernirJ.fupTsfcã.i^.n.^, OS mqllr.avd cçm i^biíos como zombando j 14 6^ he pro-
i

vável 5 porcjue o deinonip coíluma entregar os que o íer-


-
:yeni. ;,. y^v .

t < D. .cio porque o chm.u . Fern. 3 ChahiQU O Smhor a Adam ,çQmo a cabeça. 15 Jj.vn omk
fuf.exn. M4- efíàs^ Nãu perguiitou caHto
pelo lugarjcomo pelo eirado. i6
16 Per«./«^«.l?^. Rcfpondeòlbe íóra da pergunta ; Ouvi "voffa voz no Paraifo :
íemi, porque, efit-rud nh , ó^efcondime. Temeo por níi, não por
17 Ffrf»«miT>.GfH.í/íí?av'í.r:
pcctador dcvendo temer a cu1pa,&nãoa pena;
-^

17 de tinha
rcccatori«onHoiet culpam, icd p^Luaíti
' .. por ^^íiçna.eílarnii/vjue havia fido fcrmofara, &: honrada graça,
danuu corj«r.s,no,, ^nmx.
àíf/è cfue eíídvãs fiu , ( pcrguntou o SenhioV ) ')e-
; g Quemíe

Scmícbac Aciamu-; pa-uin ciic ^juod /uc • n/io O kííveres comulo ílii arvore vedada ? 6c elle tegunda vez er-
iatpulcluitudo,acho;jot. j-^jo n-fpondco; ji mnlbcr qner/iedcfie por cornpunhcyrn^ ?ne
de !t d d arvon iér C0'}H :\\\\Ò fò imputou a Deos a mà compa-
nheyra, mas também allogou por ferviço havella obedecido
aniar.te; lo como íeeil.i por fua encomendada, devera mais
que aopreceylo dec[ue;a \na eacomendou > porem o amor
parou
, ,

PARTE I. CAP. VIL t^


p:\rouemaculpa não paíTou a querer paear por ellas 20 tal /o/Voí^v/iD.wá.ífm.í. /«>/?.
:

he O amor humano i que dinerente do divino/


-
4 f crgmtou o Senhor lEvíL, parque ;^ze/les iJio^T crrivel
pergunta a hâ culpado fem defculpa Refpondeo: Enganotime
!

a ferpente. Depois de jiaver pcccado por faber mais não fe ,

envert^onhou de confcflar, que a enganara hum bruto a exé-r -,

pio do marido imputou a Deosaquella creatura. Pois fe não


pudéraõfazerfemelhantesaPeos na Divindadejquizerão fa-
zeraDeosfcu femelhaaten;^ culpa; 21 aferpente pode ten- íx D.Crtzor.Uí.Mn-al.c.if.
talla; mas nio fazella confentiF; pudera ella dcfprezar a ferpé- 0^"^
Dcodie fimiics m divinitatc ne-
ir T-\ j - o quiverunt,aacríoris lui cumuium, Uea

te, como deíprezou a Ueos ; pudera querer o que nao quiz 6c j|bi faccre fimiicm ín culj^â conati íunt.
,

não querer o que efcolheo. 22 v-a-.,-;r ixD.Chryfojl.Serm.í^iomcdopriniut

, Núo pergunto» Deos à ferpente.por incorregivel & ^^'t:;^!.: r-»-'-^


porque lhe não havia de perdoar j 23 nem quiz que tornaíie a dco parerc, quod noiuit & diaboio noa ;

conrenme,qi,odvo!mr.
fallar qus ver fair do natural, he coufa infbfrivel nem que
.- ;
reg.jujjra,
também culpaffe a outrem, como coíbumão confelheyros fer- *'
.

pentes, fem le livrarem^pois fc conhece donde Tahio o mal.


6 QLietimjdos,S:confuroserperariãoos Reos afentença!
Peos condenou a todos pela ordem com que peccàraóià íer-
pente a Ev^i^Sc
, em ultimo lugar do mundo
a Adam : a juftiça
muytasvczesjounãocaíligajoutarda mais ao que primeyro
delinquio.Diíle o Senhor à íerpentejque/^om immizãdes entre
tUa,é'' ^^^ilher. 24 Aqui ficou publicada guerra entre ode- 14 Gí'w.}.T5.lmmichiaspotiamínteí
jnonio que eílava na ferpente,&: entre a Virgem Santifjima 25 ^"^'f %
'p"i'T'J'/ '*' '

chamoulhc mulher , porque feria noíía Mãy na guerra , como Vaer.i.us.n. ^^. '
''

depois o declarou na Cruz, 26 reprefentando.nos cvcij oúo ^ ^^^"'^'^^í"í>-Í(íí- ^s-^-i-


que Ç^^r^mÇ^cl graça. 27 Guerra taó entranhavel, q entre qual- '^^'^^J-;;/'^''^
chiih^M ,; c. 4. §.
quer mulherj&: qualquer cobra produz naturalmente os ef- i6 /oj«.i9.ií.Mu!icr,ccccfi!iusti!us.
ícy tos que efcrevcm os Naturaes. 28 Mas juntamente annun- ^ ^", Comlncn /« hm,^ /f„/„„,.
CIOU O òcnhor ãvitonâda. òenborai dizendo que ellãpizana a Deip.i.t yhow.iy.v.fecundum.
cabeça a effnferpenfe. 29 E aqui diz f depois de outros ) hum ^s liejeu i\,<i'cruierrhntj.7,.c. 20.^
curiofo Lícritor,3o comeyou a Theoíogia porq Adam cneyo
; ,,, loaoHulÁdeS.ioa-uno \xamãe
de entendco que o Verbo Divino havia de crgenhos, ^reem.i.)iofim,
fciencia infufa,
encarnar no ventre daquella mulher Virgem,que por feu par-
to remediaria o peccado vitoria tão iníigne , que ficou natu-
;

ral, fe qualquer mulher piza como pè nu a cabeça de hiia co-


bra, morrer a cobra logo ern todas fuás partes, fem lhe ficar
movimento algum íèndo que cortada em pedaços ,fe mo-
;

vem todos muyto tempo. Poílo que eíla efpecic 'de animaes
náoteveculpaem fe meter neila o demónio, Deos também
caíligaosinírrumentosdornal. 31 Sobmeter acabcça a taes
^^''^^^^'J-''-*'-'^'^'^-^®-^^^''''"'^^^^^
^"'^''' '"' ^'
plantas, iora a mayor honra para quem a merecera porém
;

honras não merecidas fiÓ opprobrios, faó ruína , dizia S.


33 &
Gregório: 32 íaó vinho a febricitante jdiííe Plutarco; íi t)Grfj».-,Ã/úwi.í. Honor mali^

allimfoycailigo ao demónio o que fora premio ao mais bene-"'"'^pT;''T'-''^"'™''"'' ""^^'


jnerito.

7 A Eva condenou o Senhor a parir com dores. No eílado


da innocencia,eílando o fruto inaduro, as siinanhas da M ãy
-^ como
10 EVA, E AVE.
conToefporttancamentc fe alargariaóde modo,'e}Vie fem dóf"
;4 t).tJ"zd'Civ.DciU.c.i6. pariíTci 34 £c porque naturalmente n?.o podia deyxar d^ ter
jj Pcrcf.d.i.6.».is7' dor, feria iflo milagre, que o não pareceria pelocoíhime. ^^^
Tambcrn n condenou a eftar litjTeyta ao marido. Antes do
^?6 s.cundun,D.ncm.i.p.^.6tart. Lpeccadonio dcVxaria de lho dbri 3Ó mas voluntariamen-
te , porque o marido fó â mandaria lio que foíTe arrczoado , &"
ella o teria por agradável; hoje lhe he moleíla afugeyçao, ou
porque ô marido quer o injuíio, 011 porque ella com naturei^a
?-r Pfrír./"«p.w.x59.cr /.4.W.7?. depravada ncm nojuíloqucrobedecet; í? então íena obe-
.

j8 D,^u^.Lii.dtGen,ud
^ iit.c.í7. j- • •
j i- 1^ « • 1
diencia de amor,noje lie encargo a€ condição. ^8
8 Condenou A Adam a comer de feu trabalho. He verd-a-
de,que noeftadoda graça também trabalharia , mas lem. mo-
)9 Sttpx.i.n]u lefI:ia5Como jà diííemos. 39 Mais o condenou a morrer, ík:
atornaríeem terra; fenáopcccàra,náo morreria, como tam-
40 Suprac.z.n.io.cre.^.f.^.iHfnf. ^^^^^ j:^^ ^^^^^ p^^^ ^ condcnacáo deu oShihffr aA&im
uxoristu*. 41 Ou-
'^GY prmiQyr:íc^ui:i,h/!ver oríTído az-oz de (ua mulber.
por confelhojhe prudência, fmayormcnte no
vir fuás raxòes
41 LtíeTiraiuíUn leg.conmh. i-i. que uão pedcícgredo, potqus algíias os dão faudaveis) 42
•*

^T» Gen.x.ij,. ^ ainda obrigação pois Deos as fez companheyras 4:5 mas
, -,

44 D.p<iui.i.a(iTim.i.n.ii.cr ij< Adam aouvio como a Senhora, fcgundo expende S« Paulo,


44 & do Texto parece que obedeceoíb.H'í7:5Ímperiofa de hú
corney-, fem outra razaó.

9 Forão as penas próprias ao delicto a arrogância da fer- ;

pente fejapizada £i;/z, pois deílruhio os filhos, que os payra


-,

com dores & pois mandou ao marido , que lhe obedeça A-


5 ;

dam, poispcccoucm ccmiCr jque coma de trabalhos 3 h. pois


quiz fer mais que homem , que fe torne em ferra.
10 ERendeo-fe a fcntença a todos os defcendentes.rcx--
íó ^"f^".T.n\l'.
'^ ^'

cepta a f'^irg cm Mmn^ 4^ pelo padto que jà referimos ) 46 co-
A7 KoiaVtiie^as ?* SanEl.fejla moalinhp.gem tmvdora Uafcida em defgraça de Deos.
h"i<ss
47
daconceyíaóno pune
j j ^^^ cntão'não tinha Evn nome próprio
r r individual: »
48 Gf«. i.i 5. Voc.ibuur virago, Quo- ,^. n » i
,

porquc /-'/r<^^í»jque Adam lhe chamou tanto que a vio era


i

Diam de viujíumpraeit. , ,

fernand.in i,GeH.jiéhi^,n.u appcllativo, Quc iígnifíca ^dotâdâdei-fíToriíl C72irnO:)<.m 'Vidado


^wW5porhaverfahidodafuacon"a.48 {Voras^o^o^wz ligniHca
_ „ . /^T^^&^Z/í^í/f^jlhcpudera também chamar.)Amboslechamàraõ
^itm. Jdam-, 49 porque a bua mulhcrem graça balra o nome de leu
marido. Louva-ie a mulher de Phiiof outros dizem de Pho-
cion} que pergunrandolhe outras matronas, porque fe não or-
nava como ellas com joyas; refpondco, que a virtude de leu
Stohm Serm.yi.
por ornato, ^o Lo<?o oeccnraó,cha-
ifi fiiatido lhe baílava crue

uxoris 'ux Hcva,co oucJ ,iuter cílct mou Adam a lua elpoía, tv.^jqwc iigainca,A^^y dos vrjcays.
cunaonim vivcmiuni. Cuydaô algUHs Efcritores, 5 2 que por antifraíi.ou ironia
i^ j •»

^g1JvS!«^^^^^^^^^
mãy dos que jà tinha mortos; mas acercou por myf.
pois feria
y.Zaci\cie lyfieiixyhih/ophXhrí/.pA. t^YÍo jcomoúca ditona introducçáo deita obra ^5 & aíiim ;

c.xy.v.jemeris.
com elef^anciadifTc Sauto Epifinio 54 queefiaímpolicaóde
s\ D //.Y.^....;o..,ír..J^.rrr/.78.B.Ma- n^mcjfoy enigma, aliudmao xGAveád, Virgem y>Z'jn^ May
trr Dtt Ivlatia yer lipvtisnror» cia
//(•:•.;»; Sraça.
^a; prrxMiírviiAacccpujiuiT.atci v;vfn-

CA-
PARTE I, C AP. VIII. it

CAP IT VLO VIIL


Coffio nas penas em que Deos cõdenou a nojfos primejroí
Pays, conciliou a Mtferkordta com a Jujtiçaimoflras
jeyO^tieas impoftas a Eva. nas dores do partOy&fugeju
çaõ ao maridoj foraÕ graves^mas juntamente uteisé

i TTpOyo^-^^ri^í^ErernooJaiz: I he certo que favoreceria i SufrAc^•A.u

JP os K.eos,por quem determinava morrer. Na fentença


conciliou a Juftiça com a Piedade :foráo graves aquellas pe-
nas, como devidas ao peccado j mas feguiráôfelhes utilidades,
comoacaftigo dePay,
2 Com as dores do parto compara o Tejtto fagrado as ma-
Y()res,quando,quer exprimir fuavehemencia. 2 Eneltapena^ ^ Pfii-n.j^i.-v.7.EccU%.ii.ija;'\i,.i,
podemos coníiderar tudo o que os filhos cultao antes , òc de- ^^yj„„. }.-

pois de nafcidos ; pois tudo he eftey to do peccado Sad 3 one- 3 ^"^ lunfí^.
;

dolorofos no parto labonofos depois do parto. ^ M''reveL>Un.l.7.c.6.o- 7.


rofos antes do parto : :

Onerolos com faftio , achaques j& impedimento 4 dolorofos :

com perigo da vida / labonofos na importuna creaçáoj porq as


miys os alimentáo da fuafubftancia.os trazem nos braços, os
veftem,osacalentáOjOSGoftum:1oaandar,os guardaó dos pe
rigos,enfmãoafallar,&:lhesminiíl:ráoocomer,moftráo a re-
ligião, dão a s primeyras regras da vida, &
vigião por fua caufa
muytasnoytes.
3 A'smâys,que dão os filhos a crearjchamàráomuytos Sá-
amas tem outra meya maternida-
bios í^^y^x^^ií/i"; porque as
de, & pôde fer que mais carinhofa. Matava o tyrãno Phocas to-
dos os filhos do Emperador de Conftantinopla Mauricio :6c
a ama que creava hum,lho efcondeo, & em lugar delle entre- ^,. , ^ ^, ,„„,.
gava hum leu próprio rilho, amando-o menos ; porem Mau- y„y„^
^ ' ^

riciolhonáoconíentio. 5 Hum pobre Romano da Familia


dos Graccos,vindo da guerra com grande nomejôc muyto ri-
""
co,faindoarecebelloamãy,&:aamaqueohaviacreado5deu à
fnãy hum anel de prata, & à ama hum collar de ouro & quey- -,

xando-fe a mãy da de figualdadcjrefpondeo Tu me trouxefies


:

no ventrefó nove mezes-, ejia mefujientou afeiis pejíos dons annos:


de ti tenho o corpo por meyopouco honejlo; deífa os cojiumes com
"vontade cândida: tume lançajle de ti ; e(ia me recebeo engeyta-
do,ò"fne chegou ao ejiado prefente. 6 Muyto efcre vem os Au- 6 Theãtruru ViU hum.titJe mither.
thoresdoque niftodefmerecemasmãvs: 7 procedenas que ^ ^pudG^jpar dos i{eys Franco m
iz b.Cnryloítomo 8 que tem pejo de feíazeremamasjha- g D.chryjoií.hom.io.admei.in pfni
vendo-fe fey to máys, & que nellas a foberba rompe os brazóes 50- Erub:icit fieri nutnx, qux facta cít
da piedade i ou nas que mandaócrear fora de cafa. As que naÓ'^Xf ^"^''^ ''""'="" '^^''''^'' ''"
criaó por compreyçaó delicada , ou porque os maridos lho
naó confentem , que he ordinário nas de qualidade , con-
tra fua vontade trocaò aquella moleília em outra mayor de
fofrer
1 ,

11 EVA, E AVE.
fofrcr as amas , em que merecem mais Tem fe livrarem total-
i

mente do outro trabalho , pois lhes he neceflario vigiar os def-


cuydosqueeíías amas tem. Crefce final mente, a pena em não
ter feguroo que tanto cuftou pois lho leva a morte com qual-
-,

9 D.t^mbr.lé de í^rg.Pcrlculis cmi-


quer accidente. 9
turj Dcc pro atbitno políidecur.

4 Mas o rigor deíla pena devido à Juíliça compenfou a


Mifericordia com utilidade. Logo que nafce o filho/como
IO Ioan,i6.i\.
diíTe Chrifto Senhor noflb lo) o goíto natural de ver au emen-
tar o género humano com fruto de fuás entranhas jf-iz efque-
cer a mãy das dores do parto ;fófe lembra delias para eítimar
o que tão caro comprou 5 naquella memoria o ama com mais
gofto , êclhe faó as dores proveytofas. Alifa Ingleza da Villa
de Midelburgj eftando pejada , & vendo-fe morrer , pedia
queaabriííem5& lhe tiraflem o filho, porque não morrefle
com cila; a tanto a obrigava o gofto de fer mãy. Por milagre
II BrlttonaCbrciudeCijler I.6.C. 18.
de Santo Thomàs de Cantuaria teve faude. 1
5 Com os trabalhos da creação vay crefcendo a razão dq
amar. SevèofilhocomhonraSj &;fcienciajde tudo acha ale-
iiProvaj.tj.Exultaqurgcnuitte. gre fatisfação 12 atépeloque Ihonão merece, tem por feli-
j

cidade o haver padecido. Progncílicando-fe a Agnppina , que


fei^illhoNero feria Emperador, porém quea mataria, acey-
tou o partido; quem antepoz o filho à morte futura, melhor
(punteporia às dores paliadas. Em outra parte 13 fe verá mais
1} t^haixo c.io.n.^.
defieamor.
6 He outra utilidade daquellas dores ,0 reconhecimento
dos filhos bem entendidos. Alexandre Magno, efcrcvendo-
Ihe Antipatroalgúascoufis, que carrcgaváoa Olimpia mãy
do mefmo Alexandre diíle aos que fouberão da carta Ignora
, :

14 Plutarch.in i^Uxaudr.
^fitipatroyquehualagrimade may apaga ptuytas calnmmas. 14
Epaminondas dizia, que de todas fuás vitorias, lhe havia fido
mais goftofa a que alcançara dos Lacedemonios na batalha
Leutrica, porque fuccedèra fendo vivos feu pay,6cfua mãy.
15 ACoriolano,quehiaparadeftruir Roma,forãofallarfua
1} Pl!{tarth.ítt lyipofihthegni.
mu1her,&:fílhos,&:fuamãy,&: faindoelle do exercito a abra-
çar a mãy , lhe difle ella,quc primeyro queria faber fe era fi 1 ho,
ouinimigo,&feeftava mãy,ou cativa-, & elle abraçando-a
xt{\iOxvòiZo:Vmcejleí^oma.y,enteconceào a pátria^ que mo naoi

16 Liv.Det.i-l.i. merecia. 16 Cleobys, &: Biton irmãos,havendo de ir fua mãy


Valer. l^ax.l 5.C.4. Argias ao Templo, em que era Sacerdotifa , &: não podendo
pela dignidade ir fenãoem coche , para o qual no lugar em que
eíl:ava;,nãoachavão cavallos: elles mefmos arrimando-fe ao
jugo, alevàrão ao Templo, porque lhe não faltaíTe aquellc
17 Valer. Miix.ftpra.
gofto, 8caquel la honra: 17 outrosexemplosfarião compro-
Text.tnOjjkin.p.i.tit.
..yimar inparentes. vação muyto larga.
7 Também o l^irey to Civil ajuda a efta utilidade. Pelas
antigas Leys das doze •aboas naó deferiu") os Romanos às
mãys a herança dos filhos,fuppondo que nío havia entre elles
parentefco de agnação, à qual. fomente fe deferiâo as heran-
ças,
PARTE I. CAP. VIII. i3 , ,, ,
ws.Parecequeentendiaõ com Ariíroreíes, 18 queíopalu-
vamenre concorriáo as mavs para a geração. Mas depois os ',\^"?^^,*^/

Senatus GonfuUos, Tertyíiano,& Orphiciano, 19 a equidade ^ ' 9 R^f^t.tctum iupúMa4HA.


Preroria,&:u^^i"^''^nicnteConítitmçoesao timperador Jiilti-
^

niano, lhas foraó deferindo com ai gií as declarações , até fica- . ,

fem reciprocas; abraçando a melhor Filofofia 20 de que el- 20 LatcGafpárdeRjytrraHéo-iV


lasconcorremigualmenrc&attendendo a quanto merecem CamiKEiji/.q.4i.maximèàn.i«\v./edad'
por aquellas dores &" trabalhos a que aíiim mefmo attendè-
, :

ráo outras levs, para lhes concederem nos dotes p;randes pri- , .rr, ^ .

VlleglOS i 2 1 ViraO, que como bem dlííc hum Medl^CO grave, ^^ Dan.Senerm « /raã. mcdrc.in ep. .

22 le as mulheres faltaííem , naó íò naó nafceriaô homens, '^^dunt.adRe^m.Suec. -^


mas nem nafc.dos poderiaó viver. Finalmenteas manda a Ley ^;^r:íâ:Zi:.:Z:^
Divina 23 honrar com igual reverencia, que aos pays , & por fec de nobis, (me cura & foiícitudine ,

marema.
tudo reutilizou o iuílorÍ2;ordaquel]a pena. ^
8 A obediência aos.maridos loy a condenação mais peno-
fa ao altivo das mulheres, 8c Deos a duplicou para melhor a
eftabelecer,depois de dizer rEíiaras no poder do marido , acrcí-
centou: E elle te dommarà; 24. para moílrar,. que ha deferíe- "4 Gw-í-iô-Subviripoteíiarc eris,&
nhor. 25 Hum Texto Canonicodiz que Ueos lhes deu os ^^ ^otat HuperU.i de oper.Trimt.c.
,

cabellos largos em ílnal deíla fugeyçáo, que por iíío poz pena n.
"-^ c.<iH^aa>,qtpo.diii.
de excommunhão às que os cortaííem íem Ucença dos ma-
^7 D.^tMTuj.m exhort.dd Virgin.
. ^ / 1 o •
/« 1 J '^ N 1
ridos. 261 eyorcativeyro (diz S.Ambroiio 27 jque o de qual-
quer outro elbravoj pois ofenhor dà pelos outros dinheyro,
com efte fe dà dinheyro, & dote ao fenhor o fenhor dcs ou- :

tros compra o ferviçoj efta efcrava compra o ir fervir. Por


Leys de Rómulo era prohibido às mulheres com pena de mor-
te, como o adultério, beberem vinho fem permiílaó dos miiri-
dos Egnacio Metello matou a fua com açoutes , porque a
:
a r-' • .

^'^
achou bebendo , & foy abfolto pelo mefmo Rómulo: 280 Bimd.mP^m i\iZl>h. ''A^"'' *

'

Emperador Dom iciano reformou aquella Ley a ^trá.imç.n\:o^Uxab^iexi.i,.c.j\.inpnnc.


do dote. 29 Para fe fentir fe o bebiáo , permittio Gatão, xo q ^f^,^.í' •/""'"' / ^'^""' '" ^''^^^
os parentes as laudallem com oiculo donde le introduzio, ,0 r^iex. ab ^jiex.fuj^ra.Pcdr.Sanch.
;

que pedir a húa mulher efte favor, era convidalla a vodas , ao ^'»'""'> c<»>>ment.a oxid.Mnam. 6. «^^
i.

que o Efpofo Santo alludio nos Cantares. 31 Mas jà antes '^^^j^liitte fupra.
Rómulo, Fauno Rey de Itália havia morto fua mulher Fátua 51 cmi. i. i. oículetur me ofcub
pela mefmacaufa;& arrependido a fez adorarpor deofa , of-
«-f- Si^^:^^^^^^^^^^
ferecendolhe vinho nos facrificios. 32 B!ondo,que viveo x\2l aào-vid.Meum.Li.nA6.
era de I450.referenofeu livrode Roma Triunfante,que vira
húa efcritura de cafamento de huns Romanos feyta havia tre- ,

-zentosannos.quevinhaaferpelosannosde iioo. de Chrifto,


em que o efpofo dava licença à efpofa para beber vinho por ef-
paçodeoytodias,quandoparií]e.O Concilio lUiberitano de
Hefpanha, celebrado no tempo do grande Conftantino j aon-
de hoje eftà a Cidade de Granada,prohibio às mulheres efcre-
verem, nem receberem cartas fem licença dos maridos. 3 3 Ou- ^ }
Mawuhijl. de Helfl^.c.u.
trás fugeyçóes particulares impuzerão varias nações às m.u-
Iheres , &: pela repugnância de fua condição, aconfelhou Por-
cio Catara aos Romanos com eftas palavras Ponde frejo à na- :

tureza
;

^4 EVA, E AVE.
tnrezadefte mimdtndomtoyadoefpereisqitcellas ponhao termo
Dalar^Sum impt;t;uíur.T,& indo- em tomaum licenças, It vos lho naòpiznàes 34
mitoanimaUiUtcíperatc iprasmodum ^ Maseftafugeyção ( diz S. Joáo Chryfoítomo j 35 Ines
iicnKií aauraç.nid
hciitilinima; porque fc OS maridos náoas governaíTenijellas fe
^"^^-^^J^"''
Meiíuscítiumiúb iío íis.^Miium do- precipitariáo miferavelmente. Foralhes ignominia
obedece-
minumhabeas,c]uàmimpavide,&libe- j-eniihesQSjjjaridoSj 36 poisficariãoellasmulheres de efcra-
" vos 5 o melhor meyo para os dominarem , he feremlhes obc-
'j^rSÍ^-pltSi"''
^7 T)im m Tiber. dicntcs ; pcrguntada Lívia mulher de Augufto, como alcan-
58 M:,iu aJhoc, i*- íí^;'-^-^''^"'':
çàra tanta authoridade com cllc ; refpondeo, que fazendolhe
ò.Pauiii,.^.
'^' '^ " lemprc a vontade; 37 aquém nao obrigara hua mulher obe-
^3 Por eftas Utilidades falem da obícrvancia doque
39 D.Paui.adB^m.f.í. o- i.nàco- A[Qy^^ç^?
'"
f^e«smandou)deyxàráoosApoftolosfagrados 39 repetida-
'Í!Jút«4w*'^^''*"^
D.p«.£f.i.".5.M.; mente encomendada efta fugeyçáo, attendendo à convenié-
ciadasmefmas mulheres.

C A P I T V L o IX.

Profegue a confideraçaõ do -precedente nas fenas em


que Deos condenou a ^dam
; mojira como o trabalho

he fitil, fendo com medida t& qual efta devefer,

Pena de trabalhar impofta a Adam, nos ficou tão he-


i /à
j^\^ reditaria, que todos nafcemos para trabalhojComo as
1 loh 5.7. aves para voar ,diíle Job: i náo fópara o trabalho do cor-
po, mas também para o do efpirito, que he mais penofo quem :

nâo trabalha corporal, ou efpiritualmente, náo terá que co-


1 i*rov. s.o.citm fcqj.er c.io.4- & c. mcr OU totalmente perecerá, como affirma Salamáo. 2 Não
,

10.40~tap.18.j9.
ha queadmirardiftoi porque fe Adam havia de trabalhar no
;Gfi.i. 1^. Poluit cum inParadiío ,- "^ ^ ^ -
.-- ,n i i , ,

voluptaus.utopcratctur. Paraifodedelicias, 3 como nao trabalharemos no lugar de


affliçoes ? fenáo trabalháramos neíle, fora lançamos Deos em
melhor Paraifo ; mas hc trifte, que o que fe chama vida feja fò ,

4 £;<r/>,j.Vita:ciuidnomciihab«, te
trabalho, como diziaEuripides. 4
'^^'*°^*"'
2Com tudo também neíla pena foy Deos mifericordiofo,
(notáo os Efcritores) porque nos he útil, & chamão ao ócio
ff í Sfwí.Pfrrr./«Gf«./.6,«.i(5é.5wíí.quari
í'Vrn.i.Ge«./f.'7.9,H.3.cr ,nc.i,,fea.i%.
morte, ôcfepultura da natureza. 5 Enfinão os Médicos^
^ que fcm ttaballio corporal náo podemos ter làude j fe-* &
"tHippocrat.é.^pid.r^íi.i.text.^.&.i. guudo Ariftotcles, 7 os que mais trabalháo,mais vivem. Sem
GateninSaiubr.text. i.CTin cmbota O juizo,&: fc pctdc a memoria ; como o
initio libri Q efpiritual fe
deaUment.PnuiEgv,eU.\.c.t, 5.
fcm Hiatctia o ar fe corrompe fem movimento
£ ^^, apasia ;

as aguas Icdanaoíem corrente i OS campos Ictazem matolem


cultura perdc-fe no ócio quanto fe fabricou para o útil da vi-
; ,

da; os navioSjfc naó navegáo as cafasjfe naó fe habitaó os fol- ; •,

dados,fenãoíervem;OS cavallos, fe naó fe montaó; até as


fontes fe entupem,fe naó corrfcm; & as eftradas fe desfazem , fe
8 FfahHMj.v.t. Labores mauuum
naófecurfaó ; O Que comc dcfeu trabalho he bemaventurado,
riutumquia manducabis beaius es &
, ,, , 1-rr tn
, o l . ^ ^ j
1

1 1

bciiciibiem. c^clhc irabcm, diUe David: 8 he bemaventurado, porque


nem
PARTE I. GAP. IX. 15
Dcm come doalhcyo,ncm pede, nem lhe falta , bc lhe irà bem
HA fiUide,nahonrajnafa7endap£v-ni\alma; fugindo àocioíida- r.
/ <r <?
'

'"'"'^ "*''*''
dc.caufademuytamalicia.comooefcreveoEcclefiaílico, 9 ^

j;
Milita ifto eratodas as idades: Diógenes a qiiem lhe
aconrclhouquedefcançane, pois era velho, refpondeo, que
CS quccorriaócmcertamen, não afroxavão o curfo, ainda
quceíliveíTcm pcrtodofimdacarreyra, 10 Em todas as qua- 10 Diog.a^ud Lam.l.6.inejusvíta,
lidades o grande: i\ flbnfo Rey de Nápoles, a quem lhe notou
occuparfe em manufaíhiras curiofas , perguntou , fe aos Reys
foi-áo dadas as mãos para náo iifarem delias. 1 1 Em todo o " Panormhan.u de geP:. Ai^bonf.

eílado S. Paulo trabalhava , S: exhortava a iíTo feus difcipu-


:

los ; 12 a huns dizia, que para fcccorrerem a pobres a ou- : " D.Ptf«wnffú/e«.}.«.cr u.
tros, que para nlo comerem pnóocioíb: 13 S. JoãoChry- &
lbllomonotoujqueaténo terreal Paraifo mandou Decs a A-
dam que trabalhaíTe, para evitar a ociofidade. 14 '* D.Chryjofi.inGcn.hm.x^.

4 He verdade,qiie no trabalhar ha de haver medida; por-


'*«•
que a natureza não pôde fofrcr trabalho continuo. 15 Se os ^^^^-'''^•^'''"'"'•''^•«•^•s- ''''«'>
campos não dcfcançarem,fuafertiiidadecançarà: até o ferro
íe gafta com o ufo Porcio Latro foy reprovado porque co-
; ,

meçando a eftudar, não ccílava noytes inteyras. 16


dias, & 16 c^lmii.^.taf.-^^,

Apelles louvando ao grande pintor Protogenes,o igualou a fi, .

íkdiflb,queduvidavafeeraainda mayormeftrejmas que ti-


nha racha de não faber ceíTar de pintar 6c com tudo Apelles, ,

náo pafiava dia fem lançar linha. Ao defcanço chanrou Plu-


tarco 17 CondíltO dotrabalhO;{2ÍbortZO C^\CÍQmt[\t ÍCIÁO ijílutarchÀítúacHher.

pudera levar.
5 Atènifto nos doutrinou, &
acudio a Divina piedade, „ „--, m r> l . • •

dividmdo(notaS.Chryfoítomoi83odia da noyte:hum pa-


ra o trabalho, outra para o defcanco,comodifie David. 19 Ao 19 P/i/w.io5,T'.i4. Eiibithomo ad
20 ^"''""^'
dia fetimodecadafemana mandou que defcançaílemos ;
''^"ad7,?pef„l°^'""°'"''"
fantificalloparafi, foy utilidade noíTa: Sc também mandou, "lo Exod.io.to..
que cada feteannosdefcancaííe a terra de fer cultivada, 21 pa- n ^fv/íi^.n. ;

rairutincarmais, 22 o que nos he exemplo. "*


6 DeSocratesfeefcreve, que ninguém trabalhava tanto
como elle, fendo neceflariojnem defcançava mais queelle
quandopodia,fem faltar. O
grande Orador Afinio Polio rc-
fervavaparadefcançarduashorasdodia, nas quaes nem car-
tas de amigos lia porque lhe não occafionaflbm algúa pena.
5

25 o
k-gundo Scipião Africano , & Lélio , fah.So dos nego- ^ÍILS:^!-;^;^;'!^::^^"'"-
Cios de Roma ate o mar, £c nas pravas andavão bufcando fey-
xinhos,&r conchas como meninos i 24 li nal mente para inter-
i. cictr.l.í. de orau
por alivio áo trabalho, inftituiráo os Repúblicos antigos cele-
bridades, & jogos públicos.
7 Ainda no jejum, oração, contemplaçáo,&"todo ofcrvi-
ço de Deos, enfinão o mefmo os melhores Meííres. 25 S. Joaó »5 iifdoyrco bIoCo m r>iffit/pir,tu>ti. c.
Chryfoftomo diz que os dias, que a Igreja fenàra na Qiiaref- '-•'"'/''•'^~^««'-''^^^'''^'"^^''''/«'»^^i'--^«

ma para não jejuarmos faó como eftíilageViS para defcan-


,

çar. & tornarmos ao jejum com m;!!'. forças 26 S.Joâo


:
.,D.cAr,/./?.^Wa..^inc.
C huan-
-

it$
"^^

E VA, E AVF.'"
EijangeliU-^: a hum
que heTíotQUjií garçom íeuscUrGipti los, 1

. , .
perguntou (c convena cllar fcmprc intcnio hum arco das -icí-.
tav que tra/ia ua mão. E relpondcndo clle^que. naõ , porque
afroxaria-, lhe diíle o S mro, que o meímoíiicccdoria ao cor-

. o I o/i nj T I
po>6caocrnii-ito,renáo dercaCTcaííe. 27'"
%.i.(xn.4 hubetnrin tvm.truã. DD.jur. ^ A medida dcvc ler no Áorporal, quanto as forças com-
<ív..;" •
V ",• , , rt
i^i^odamcutepódé: noclpiritualjquantao animo de boa von-
tadc rccebc, 28 como no cltamago lo le deve lançar, quanto
f^uciSocrat.
iiiòiionurc^ui dj.\}cíatffirUual c. í^. rt<^ pofi a Ixím digerir 29. cníadando-ie. a uitureza nocavclmen-
;

'•'•'^-
, -, -r ç ,,,_,,, te, fe deve tomar recreação licita, 50 que como íouovivo.Tef-.
t-^^irc as torças. 31
54. /d P'.. ,
;... .

^oa<jlf4,\rrbofcra^a>tí>i/ij.Tert:j^4n -.^
Nclhi matcriadiziaoTBuyto RcUgiofo VaraóFr. Luís
^^ Granada TrãbalhaynoSy trabalhamos pnra quando trabalha'
^"^'irSuuuOjhc. : ;

»ííi.í ? Chega a morre, & nòs a trabalhar pelo mundo: C^w


tira o
.«."VcrtO a Al
i^Qyfj^yy^ ^ç t odo pfl? fc> i tT ab .^l h O ? pergunta o Sábio. Nada/cnlo

o mefmo trabalho, ôcacabarfe tudo. 32 Se Deos trabalhou


"•ji i:.f;f/T,,fí.M.Qui<íW amplias por
nòs, poroue não trabalhamos porelle.? 22 Mas efte dif-
homo uiiivtrLo uborc tuo, uuo UDo-^
tic
r r i

ratiubíoic! curlohquc paraoutro lugar.


35 D,:^í'nbr,Serrn.io.in P/.liS,

• <t C A P 1 T V L Ò X.
Daterrihilídade , certe^d , ffj* ligeyre^a da morte; t>or

'quantos caminhos chega nau imaginados ; Qj* como


ainda ajjim foy mífericordiofay Q}* útil a
"
condenarão a elía.
,

terrível, porque tudo


T' j\ Pena da mort? nos foy amais
irV acaba, i &: hefeparacáo da alma, & do corpo, que
rihiimo;cctcrnb.ims,mh.!accrb.us.cal^eamaiscuftoía. 2 i^ razao diííeraoalguns Hercgesqueera,"
oinuiiim rcrum ficextremurn. pof cftar nclle mandada pof Deos,quede lugares bemaventu-
X Lit^ovteVMsdeamm.i.i.
rados delVcrra por caíbsiio as almas para as prizóes dos corpos
j D.Epipha».hxrcj.6i. r r\ r i r • •

ridícula. 3 Uutros com igual ablurdo ta-


, i i ^ ^
humanos jcoula ,

bularão que as ai mas vagando íem morada, efpreytáo as mu-» ,

Iheresquc parem ,&:como a rcb;itinhas, cntrão nos corpos,


4-AGtei.?^^yfe>i.deamm.rj^'ref:máf,
que podcm occupar ; A. &c Que depois Ihcs tomáo afleycáo,
Eadem abfurditasetcttum in alteia opi- ^ '
,, ^ }--' i-
como
'

imaginamos j pois
,,ipuc,r.quisputctainmasrapiqiJitcm P<^'í"q^'^ellcsnaoUotao ludignos OS
pusóbrcrvarcjuthicorpor.i nafccutia íc ic tcm villoquc diíTolvido huui corpo humano,(^ como a arte
iníinucnt.
pódc tazcr) nfio ficãomaiS que tetc OU oyto onças de pura ,

.
. , (erra, &: tudo o mais fe desfaz em togo, ar ,&: agua, que cha-
mioíiilphur, & Mercúrio-, 6c que íymboliza tanto com o our
ro,quenadaodiOblvctaõ facilmcnrecomo ofal,&:oleo que
fe tira de hú cadáver. A verdadcyra razão daquella dor ( alem
^ t^r{fí.jifor.K9x.9.
' - doquc Aritlotclcs 5 com generalidade apontaidele amarem
rauyto corpo, 6v alma, Scatlimfentiremmuyto íepararemfe)
.^^Í:^:P:,^í^^;>'Tt >«. 6- porque.a!nia,poftoque;de r.nta excellencia depen-
_,--..: -,. deabÍQlu£amentí^.para.luapcdcvcãodocorpoque habita; poF
- . .- .
lho
P ARTE r. CAP. X. i?
dizw hum Fjloíofo, que retirada da matéria, nlo ficava
iíTo
mais que meyapeílca»,'^' por lliaeílencia erpiritual ráo alta,
tinha aáeígraçadçneçcOitardoccl-poterreílequeahumilha,
Depende 5 porque fcm corpo iiáo pode obrar, merecer j &: fa-
zeríç glonoíi^ ; pelle rcm Ãlonarquia em que governa como
Rainha jdà ley? , caíligos-,^: prémios, & com a mageíladede
iua prcíçnçaconlerva os membros, que faó os íeiís vaíTállos j
imitando ao Príncipe íoberano, que fuílehta D fer de tudo o
quecl"CDU-, &: como os Reys da China (quando florentes, an-
tes da invauiõ dos Tártaros nos arinos paíTadcs ) noílo que
íèmpre íechados no Faço, eílimavâo tanto aquella íuperion- . ...

dadçcasivíi, que a não trccariáo com a liberdade dos íubditcsj • .

nem Príncipe a1gu troc:írà ícusciíydndospelofoírego de me-


nor fortuna: allim a alma Ibire g^odofa as miferias do corpo,eni
que reyna, &: difficilmente fe períuàdc a dcyxal lo. governar O
he appçtccivel , &: o ter cccúí'/ác dé fe fa^er gíoriofo.
2 Sendotãopenofaamorte, hc acouíli ir. ais certa j |iois
ninguém a pode evitar 7 vivco Mathufalein novecentos fcf-
i
7 í>-P-^tiUd ^ehr.^.ij.Sx2tm\ixne?t
"^°''-
íent^a&noveannos: 8 Gordono.Author grave, diz que., ai- '7^'^";J7.^^^''
cançou a Adam, duzerttos quarenta S< trcs atinos, & que mor-» 9 GordeminChrowic^.

reo í"o hum anno antes do Diluvio ; 9 F^aí^bi Sela o faz morto V^
^"^'" ^''^ "^'"^ ^"'^°^''^'^-'" ^^*'°'

muyto poucos dias antes 10 loyoqueviveomais, &cmnm


;

morreouVlais defengana a morte de hum velho, que a de hum


moço porque efla fuccedcria por accidente,iiquellahe de
;

ley-, pode haver remédios para ainrgar ávida, nenhum para


eícular a morte.Xerxes chorava, que todos os homens de feii
innumeravel exercito haviaó de fer moj^tos dentro de cem án-
ncs: nenhum de tantos melhores havia de ter,ou traça,ou for*
tuna de efcapar. Antiguamente quando coroavão Emperador

Sobre fer a mais certa, he a morte a coufa mais apreíTa- n lob 9-"-í4C^a5-
^/'"'"•'•'-'"•^•4-cf n.
daem cheo-ar.Asalleeorias
^ dos antío;os,aos Centauros, m.eycs ''
r r'-^
-r ^-- i- '4 oafunít.i.::.,
íicmens, &: meyos cavalios iigrimcavao que com iigeyreza
, hcch.í^if: c ^.t^.
3 1 5

de cavalloscorriiio os homens para a morte. 11 Mas pouco ^^ p/;i/w.57-v-s.Sicuteera2ux-íTuitj


diíTerão, como tam bem ]cb,em comparar a v ida a correyo de
"^^l^ZZl Por^m uhíjipo-.itnn, :h^-.^o.
pofla,naoveloz,& águia que corre àprcíía. 12 Melhoromof- AvidavnymofrcnHonoquc dura.

tràraó David.chamandolhe frrno, ^ íhv^bra 1 2 Sa]amão-'/37^/ :


'
^7 ^^r'^^/f m- • Qi^oà-iic mori-
,
r A
Í-. n / o; r, 1
• mur,quotia'ecn)m dcniiriir ali-r;ijapdr<;
AC íinvan,ou ncfca qjie oòm resfaz; 14 &" o Apolvoio bantia- v>f3-,s>fúnct]uo<.iiiccuni crcíamis, vir^.

^.o^vt^^por qt:c fíppnrcce.ó- ^cfRppr^fcce Icto-ii^ Noiniumteci]Cfí'-crrffntcr£/..7?^


£ome-camos a vivcr^-iGmcçamos a.morrcrcomo vela acefa , q ^^.,^^ ^/^ ^^,,, ,rr.muta^u:, & ^tanos
_

yay morrendo no que dura; 16 quanto crefce o corpo, tanto nc<;cfiectedimtK.


fediminueavida; quantonos prrece que vivemos, tanto nos ^^<^'^?,-'"-S'>i'H-' -• Vitn r;'.iarjo irn-
Chegamosamorte-, 17 cite he o ten-pO que O.SablO CliamOUi To n^asi proecJir,tanro m.na.s ad mor-
tempo àe morrer i 18 expJicao. grande Aroílinho; 19 tem acccdit. .

4 Sobre íeraprcllada, chega por mais caminhos dos que .;« ÊÍÇí;S,;;ó::S:°Í"'';
fc podem imaginar. O Emperador Hc)i'^gnba]o atmau en.i/^í;4-;í««4.p.c. 5 v»^»--
•.::•'-*» -i'

Cij cpe
1

i3 E V A, E AVE.
V que fua mnrrc feria violenta ,porque fabia que a merecia mas 5

não atinando o iTJodoj tez para muytos preparações extraor-


dinárias, d r/xndo que como elle oera na vida, também o havia
de Terna morte, linha cordas de fcd.i, &" algodão, para /e en^
íorcar em algum aperro tinha venenos em cayxas de elmeraU
;

das, jacintos, íc cornerinas edificou húa torre alta, cercada de


-,

pavimento de prata, &: ouro icngalhidasnelle riquiílimas pe-


dras para íe precipitar fobre aquella riqueza
,
tinha cutros «, &
infuumcntospreciolilllmoSjpara uíar delles íegundo a ccca-
llão; mas fora de tudo o que podia imaginar, o matarão den-

10 A/.x-v/-u5v/v.,/.v.r.M.i.r.i9-
tro dc hum lugar O mais immundo para cnde fugio. 20
adjiu.Cí aljfJ qHos rcjcrt. 5 Alem d(»s caminhos violentos a ferro , por defaílrcs, &
faó innumcraveis as doenças,qae combatem a vida. Só contra
os olhos contou Galeno 21 cento &: quinze perde-fe por ;
ai GãUn.tnttod.e.l^.
caufasleví-Himas. Ograódehumbigode uvasaíogoii o Poe-
ta Anacreontc: humcabelloforvidoem leyte,a Fábio Sena-
dor; húa efpinhamuyto pequena, a TarquinoPrifco Rey de
ar F}-awinCamp.Eiif.í.^o.ti. z. t% Roma; 22 outros morrcraó do cheyro do murraó de velas
?.5 riJTcjl,l.^,ob'erv.^.
apagadas. 23 Qiiantos morrerão de repente femícfaber a cc-
cafiaõ ?

6 Ate no goOo fe morre. Morrerão Chilo Lacedemonio,


14 Cicer. Tiifciíl.j.
Gd.r.oã.tUnic.L.
'^À'il. . f• 1
abraçando hum filho coroado nos jogos Olym picos j 24 So-
j 5
15 i'/íu./.7.c.i7.
phocles,&: hum dos Diony lios dcSicilia,ouvindo as novas de
vitorias alcançadas; 25 Philippides Cómico, vencendo hum
certamcn poético ;DiagorasRhcdio recebendo parabéns dc
feus filhos atletas haverem vencido o Conful Juvencio Talna
>

lendo as cartas das honras que lhe decretava o Senado por


j6 Valer. Max,l.9. c. lí.ittnCTlt non
haver fubjugado Corfega;26 duas Romanas vendo vivos dous
\uí^ar. filhos quetinhãopormortosnabatalhadeTrafimeno.ou de
1 7 iiv.díc.5./. t.
Canasj 27 outra chamada Policrate,tendo húa nova alegre,
18 Plittarch.di cUr.rr.ulier,
que naó efperava ; 28PhilemonPoeta,rindode ver que hum
jumento comia hum prato de figos, que eftava febre hum ef-
«9 Vãler^Maxim.ad c.Xlt critorio; 29 Philisleon Nicio, Poeta cómico do tempo de Só-
crates, também morreode rifo. No defcobrimento do Cabo
deBcaEfperança,quefez oPcrruguez Bartholomeu Dias,
^ _ .
encontrandoa húa -caravela de fua companhia, que havia no-
u Textcr in ojjic p.i.tit. f^iuàio O" ^'^ "lezcs fe havia apartado, hum l-.omcm delia morreo de gof-
,

t:iu monui. to. 50 Outros fcmelhantcs cafcs cíc rcvem muytos Authores j

pilZfll^^^^^ 31 rendofeliciíllmoodamiy dos: k^c Martyres Macabeos,


Jni.de Caíidio hift.dos Godos i.difc.xo. ^ 2 Cjuc alguns dizcm 3 quc morfco de gofl:o,vendo-os mor-
i. 1,

Dwa^o de F:.':ci,h,/.dcuvesy yammja,


jqs pela houra dc DctJS.Em Ccrdcnha ha" húa erva de folhas
I.

1 MachaLí.c-j. largaSjquc comida caufa rifo, que lo.com a vida acaba ; o Vi-
/>»/»:) Áhi:arch.Li,[it.f>. i.u.tit.it. ce-Rcy Marcjucz dc } avara no annode
í ; 1590. a experimentou
T ^:!:Z!^f!"!';^"'^"^'
em hum Turco condenado à morte o qual rindo íete horas, ,

n i-"'./'''>r()rf.5/).í4.j<i //j«/r/«////i expirou 54 quc ha quccíperarda Vida, jc luas alegrias ma-


j

deViTz^.Uud. AHam fçmfl peccavit & tão ? OU como cfocramos vivcr peccando tantas vezes , fe
mortiiusclt.sc tu te vivcrc pollc cxifti-
,

Ajr Ji-
rrasjíiud í.Lpccomm,t,a,5,ciuodaimm ^^^^ fov condcnadotao tcrrivclmcnte amortc, peccando fo
^ Jr- 1
••

cuin Icmcl fcrptiraflct occidit. hÚa.'


J5
Com
PARTE I. CAP. Xí, zp
7 Com tudo ccnfideráo os fagrados Doutores, 36 que 36 s.chvyfofi.hom.ts.inGen.&h^fHt
ainda efta condenação foymifericordiofa; pois podendo ma-i^-í^'"""P'^P"''f;
tarlogo,deutempoaAdam,&a£i;^,parafe arrependerem: Ben.Fanuni.Genj.ã i^.^.j.
&: foy útil a todos^pais perdida a juítiça originiljuão havendo
caftigo.a impunidade nos libertaria; Sc quanto mais vivefle-
mos,mais peccariamos. Foy tambsm útil a incerteza do tem-
po da mcrte,para nos fazer bons, andando fempre acautela-
dos y foy uril para nos livrar de trabalhos continuos Deos j &
fuavizou lua terribilidade, como em outra parte largamente
diremos. 37 37 ^•^•'' s^*

C A P 1 T V L o XI.

Como Deos mojlrou aos homem a necejjiâade das lejSy

Ç^ a forma do fm^o ; trata-fe da exceí''encia da


^ufiiç.t : cjuaes fo'ão os -primeiros Ls:(isíxdores a ;

dignidade da farifpriidâíicia j trmandide que tem


com 06 armas pela j
íjual fe unem fem precedência,
I A Juftiça he coeterna , & inleparavcl de Deos-, i t Dcxier,y..^.&alihi^ajj'm.

j['\ oentendiáo,pois tiverão por Deos


até os Gentios
porque era juPco p.ir excellen-
aOi^ri:. antes de morrer jfo
cia; 2 &: MarcoTulIiod.ífejque asleysjuftas derivavãode ^ Diodor.i ^.c.t.
Deos a razão 3 Imagem de Deos lhes chamou Santo Ag )f-
i 5 ^^ríT«/./'í>i^//(.it.Lexniliil aliud

tinho A eftiiifi iccla, & à numii.c dcorum ia-*


1*
tió.
2 Efta natureza Divina da juftiça fe moftra nos effeytos. 4 d ^u^ de ov.Deií^.
Por elia dizia Sócrates, 5 íe íaftenta efta maquina univer- 5 SoaM^^pudPLt.in E^dog.

fal, & deyxa de tornir ao chãos primey ro^guardando os Ceos,

os Aftros,os Elementos aLey que Deos lhes poz j a faude dos


corpos confifte na igualdade dos humores , que os Médicos
chamào de Juftiça : 6 todas as virtudes fe coniprehendem 6 HtppocrnA'mtnrhom\n.
na Juftiça; 7 he^mãy, fonte, &ccncordia dellasj 8 todas c^'^"'-
-^^'^"'^'''"Tí,''-*- ,^
ueceHarmmenteaacompânhao,dií!e Ariitoteles, 9 peloque pctr ^f o Conciliam d fja.y^. -.e»!.

enfinou que não he parte da virtude , mas toda a virtude j & 7 ^^rijht.tihic cr,. i. ^

queamiuftiçaquefelheoppóem , não he parte do vido, mas ^^':!:;:'n::iní/íy


todo o vicio. 10 Ella concerta os povos , diííe Demofthencs D.^mijrofinexamer.uot eft juftitia, ibi
:

II eftabelece a liberdade, diífeTuilioj 12 he meftrada vi-o^^^^^^-^J'"'';];'"^^!^^'^^"^-^


da, extirpadora dos males, origem da paZjiaenhum bem fem ^o u^md.i.nh^.c^^^
ella íaz confonancia, notou Patricio, 13 1 Demonhen.com ^rijiog. 1

3 Efte Divino attributo, com que tudo havia creado, '^^ÍT^J'?!' aT\> n
quiz Ueos por lua bondade parncipar ao .mundo para luafc/ilai.
confervação,6clogocomAdam o praticou, dando aos ho-
mens primeyro exemplo para imiiarem, fazendo também
niftomifericordiofamente utilaquellefucceflb denoíTos pri-
meyros Pays. Jà que os conftituhia Príncipes, havia de en-
íinarlheâosadliosda |uftiça,fabrea qual fe firma o Throno
C lij Rea^j
'

jo EVA, E AVE.
•4 Frov.i».ii O- e. 15. v Real, 14 Sc hetáo próprio attributo dos bons Principes, que
David fallando do Kcy no de Cbnfto^ entre as primey ras qita-
15 py"a/w.44V4. lidades lhes diz j quecinjaóaíuaefpadaji5 peia qualfelicrní-
ficaajuftiça.

4 Havendo jà na conítituiçaÕ do mundo dado leys aos


i6prov8t9.
abyííos, & às aguas, como Salamáodiífe, 16 &:havendoexer-
17 ifaiA^.11.' citado juftiça no delito de Lúcifer, dos complices , 1 7 poz&
t^poc.ix.7. a Adam a ky dequejà tratámos, 18 a qual diz Tertulliano

19 rXXÍ»"íí/2!T«fW»f. 19 qiiefoy máy,&fontedetodasasleysda terra. Enfmou lo-


go naquelleprincipio,o que em razão natural advertio Mar-
- IO Tullius yde kg. CT i.off.c. &orat. CQ Tullio, 20 dc Quc ícm leys, nem húa pequena cafa , nem

K?"^UanM anM.U.c.,.c L yc f Íh^^ ^^J conipanhia de malfeytores fe pode fuftentar. Elias


j9, lhe dão alma. Lhano 21 ate aos bandos de ammaes brutos at-
tribue acções legitimas para fe confervarem pondo exemplo :

aos Leóes, &: Delfi ns, que repartem a caça^ aventajando os que
mais fe fmalàraó em a tomar.
5 Alli começou o beneficio das leys com que fe illuftrou
1-1 loaòHuarte de s.ioaõ no Bxame de
o mundo, & foy a primeyra fcicncia , que nelle houve 22 o :

"'
"'%'S:ír^ í^efmo Senhor didou depois a Moyfes 23 a que havia de guar-
dar o feupovo,femcommetterjílo nem a hum Anjo, porque
Dos Legisladores huma-
lhas deveíTemos immediatamente.
nos, o primeyro de que temos noticia foy Tubal neto de Noè,
que vinde povoar a Hefpanha pelos annos cento & cincoenta
Z4 Berof.i.iJe Fior.Chaidaic. dcpois do Diluvio,asdeu efctitasem vcrfo; 24 os Efcritores
strabj-h Portueuezes 2< querem que as efcreveíTe em Setuval, fua
crc.ij.§.4. primeyra povoação. Uepoisdelleíe duvida le Laco avo de A-
Grcg.lop.Madera-, nasexcclUnt. de Hef' quilles,ou a antiga Cercs promulgou primcyro leys. Mercúrio

jr//J;!/ea/?ro,«..adJ;f.«McíeCa-Trimegifto,§:Õ celcbrâdos por Legisladores pri-


jiiiho.hiji.dos Godos, i.i.difc.í. meyros entre os Egypcios Zoroaftes, entre os Perfas Roda-: :

15 Fr.HeytortmoinE^cch.c.x-j. Minos,entreosCretenfe$.- Chatondas.entreosCar-


inante;>&:
Fana no EpitomMs biíhPortp.^. c.6 n.i. tnagmcnles Zamoiiíes , cntte os bcitnas rnoroneo, entre os
•*
:

Valco Mauftnho de Quebea» no poema , Gregos Lycurgo,particularmente entre os Lacedemoníos


:

D|Í^wÍ«u!pór/.c. s.exai. u E>ragon,entre os Athenienfes , dando leys tão feveras ,que a


menor penaeradc morte donde difleDcmades, que as efcre-
;

vèra com fangue humano Sf pagou aquella crueldade , quan-


;

do no Senado de Kgina, com pretexto de o applaudirem , Ihô


16 Stiid.inDracoH. lançàraó tantascapas,quemorreoabafado<iebâyxodellas. 26
'AUx.nb^iex.Gtndier.i.yt.s pofimei.
Maís Celebre fefcz Solon,rcformando aquellas levs com me*
17 Deitei, cr de outros Ltetsladeret. .
*ti
inu Moyfes, "OS rigOf. 2/ Aos Rciíianos (omittmdooque 1 acito 28 reíe-
D.ifidA.<,.Etym»i. rtjettm
r ^ i T»- ar
ài% 7. rc com particularidades efcufadas) deu Rómulo fcii primcym

''T8'V^:Í;wtí£':r- ^ey as primeyras leys,que chamou C^./^í. porque os Trrbi^


1^ L.z.hipriHc & ibif^ug jtafg.ff.de Comiúã Cunata^io
nats para decidir as demãdas,fe chamavaó
'^'^'^""c rrj feeundaskYS,qiieS.Ifidoro ;ô chama primeyras, deu o fe-
,
to SJfidor.fuprM.
'^ ^ T^ ^^T i> •!• í> r j j- •
' ^
1

gundo Rey Numa Pompilio.Por fcrcm todas diminutas ,


1
lan-
çados fora os Reys,fe elegerão dei: Varões, que foraó pedir
ti P.i.c.7.n.i4.
asfiias aos LacedemonioSjSc Athenienfes & na fegunda par-
;

te, 51a outro propolito referiremos o modo porque húa glof-


íâdeDireytoCivil conta.quefe alcançarão. Trouxeraõfe ef-
critas
PARTE I. CAP. XII. 3t
critas em deztaboas a que em Roma fe acref centâraõ duas
-,

de mais que
: Ic íizeraô, & ficàraó fendo as Leys das doze
leys
f/í^íJííí tão celebradas. Depois feforáo emendando, &
multi-
plicando com Senatus-Confultos,edi£losdos PretoreSj& Edi-
lesjrefpoftasde Juiifconfultos, êcconftituiçóes dos Empera-
dores ;& por vários modos,quere]atâo o Jurifconfulto Pom- ,^ .. ,, ^. .,..
ponio,6cEmperadorJuítmiano, 32 o qual ultimamente re-^„;„,^^,oit a«<íV,c««/fjj.
ílimio todas ao Direy to Civil, que hoje temos. ^ymur.RivjVus in hifi.jur.dvilúyhdkwr
^^•
6 A todos os Legisladores íe conhecerão os povos muyto
'"'«'"• i-^'"*"'^

obrigados,comoa Authoresde feu mayor bem Cicero diííc, i

que mais deveo Athenas a Sólon, pelas leys que lhe deu, que a
Themiítoclespela memorável vitoria de Salaminaj porque
efl:aaproveytàrahíiavez,&aqueHa.sparalempre. 33Eporfer íj C/w.i.oifií.iUudcnimfemclpro-
prorlccK dv.uu.
dom de Deos,perfi.adião os Legisladores Gentios afeus po-f"">'^°^í^'"P^'^
vos, que os deofes lhes eniinaváo as leys,quc elles eftabeleciáoj
Ofyris diíTe acs Egypcios , que as aprendera de Mercúrio:
Charondas attribuhio as fuás a Saturno Zoroaftes Perfa a O-
:

romato Sólon Athenienfe a Minerva :ZamolifesScithaa Vc-


:

íla: MinosCretenfe a Júpiter Lycurgo Lacedemf nio a A-


pollo Numa Rey de Roma à deola Egeria até o falfo Arábio


: ^

Mafoma fe atreveo a blasfemar, que fallava com o Anjo S. Ga-


briel.Os outros Refpublicos mais modeílcs, que não fingiáo
taes Oráculos, tinhão grande attenção a que os Authores das
ievs foflem bem reputados , porque elias tiveífem mais credi-
t0i& houve Repubiica,que nao promulgou hfia ley boa inven-
tada por hum homem fulpeyto nos coftumes, fem lhe dar por
author outro de conhecida reftidáo ; que tambcm as doutri-
nas,como partes da alma,herdão nobreza de feus p^iys.ChnJio
Senhornoíroperguntava,que opinião fe tinha delle. 34 Os 34 ^•'"^•^^n*
Chriftãos refpondemos com o Apoftolo S.Pedro,qhe Chrijio
Fillfo de Veos vivo;&c tão mal guardamos a Lcy, que nos deu,
q
em algum modo mais nos condenamos, que os que o não co-
nhecem; mais gravemente peccamos, que Adam, & Eva^con-
D.chyyj.p.inGen.hj^^^^^^
rideraS.JoãoChryfoílomo. 35 por doutrina deS. Paulo. .55

7 Qi^ebrad a a ley formou Deos contra os Reos aquelle ^6 Sup.c.-j.Not.ioaa.Humfitp.


juizojà referido 36 no qual enfinou a forma fubítancial delle;
-,
«^ i^.Bmard. Sfm.i.in^nnwtt.
fez officiode Author ajuftiça.como confiderou S. Bernardo,£.^^^oí;^^;o 'í"-;^^^^^ 'j-Ji/d
37 &: affim houve as trespeífoas de queo juizo deve conftar •.gioíi.yah.piãidum-, ineodemcup. infrint,
Author,Reo,^ Juiz: 38 & houve prova, que o Direy to reputa '-^3:'?/^^::^.^.^*.
Hl^m
por quarta pelloa, 39 a qual foy acoiififfaó dos Reos que he u.c. .«.4.
, r

a melhor. 40 ao Totustn. dt-Corje^.

8 Houvecitaçáo, fem a qual fc não pôde proceder, +« 'ttít^t^fT^íiS'. 'f. ^


por aquellas palavras: 42 Jd^m aonde eJlàsíEaEvã.-Pm-queomfyoiJcff.&propr.
& amda que a nãoÍK^uver^ tão formal , baftàra ap-
fizcfics tji, ?
^^^
parecerem clles emjui£o,para odefeyto da citação íicar fup- iw
^ J^J '.; , , ^. ,, ^,, .„

prido. 43 yaniluuhnuUit.cx defSuchation.n-i'},


Wc.ac.««cU7x.u.8t.
9 FinalmentcpoftoqueDeosíabia miayto bem como o"'""'""^''^
cafo paliara com tudo defeco a de vacar, ,6c aouvir a cadahõ,
j

para
3» EVA, E AVE. '

para enfinaracs Juizes, que nác devem julgar pelo cue extr-'-
44 Dehoc í^rf^/fiVífÁKfcáí./Wai?^!. ordinariamente labem,mas íó pelaprova judicial 44 o ai j ;

*^

^TiíGen 4.
também nos ennnou,quand() conheceoda cauf.i de Caim'. ^4^
46 L.Semper,ff de jur.immumt.i i.dc IO Difto Ic moírra a dignidade grande da furifprudor.e.a,
TJ'r' ^ r. 1 ,- pois alem de ília antiguidade, n-.uyto importante para tis pre-
</í maiorit cr obedunt. cedcncias 4Ò alcm da matéria em que le exercita , que he o
;

Late Tiraquei de nobilit t.c. 1 9. &


govcmo da Rcpublíca , a dccifaô das controverfias , íugey-
Vaiddedignit í{eg c.5.
^^ ^^ mayor ncbreza do mundo foy Deos o primeyro Juiz, Ôc ;

fera o ultimojoftentando niílo a mayor magcftadc , como por

47 jv/ tffc,<:.i9.zs.dr c.i4.}o.c^ vezesdiíTenoEuangelho, 47 Sc cfte officio prometteo aos


<r.

*5?»- que deyxàraó tudo pelo feíjuir. 48 Para o exercitarem con-


,

48 ilÍJKfc.l9.ti.Sedeh:is
j-ca„tes.
. , . • .
& vos ju-

i-
l
o Irr o .1
ítitunio os Reysj como também diíle, 49 & neaparte^notou
l

- 49 5.^.?-»o-9. Conftitui tcRcgcm»pim;aj-co, 50 porquc a dignidade Real Ic faz Hiais illuftre. SÓ

cgregium, atquc proprium Regis de ter confelhcyros para fua confciencia fc he rico,tem minif-
tflc, :

quàm juftitia; opus. j^,.^ fazenda fe he grandeyaconfclha-fe no que teca a


^j.q5 p^j..j :

feu eílado, &: honra hum rebellado tem exércitos, &: faz con- j

felho de guerra ;fó ter fupremo tribunal he julgar, he fobera-


<i catfíií/^-i.dfc 8 5.«.i.c«í» Brtr/.w na regalia. 51 Niftofundeyhum papel para a precedência,
LLcTiberiui,a- inL,r.if.ãe>h£Yed.míl. ç^^^^^^^^ç^y^^ç^^[^^ ^Jq SereniíTimo Principe Dom Theodofio,

c^gZlllTcaZ!^kr.mmdif.Tconfid. Hunca aíTaz chorado, pertendeo o Supremo Senado da cafa


9.or<i.i»/íí./.t.t'í.4 $-4- 5' da Supplicação a todos os outros Tribunaes poílo que eu me ;

achava jà no da Fazenda, que fe tem por mayor me obrigou ,

mais a verdade ;& o Senhor Rey Dom Joaò o IV. lhe deu lu-
gar extraordinario,encoftado às grades defronte do Altar ma-
yor da Capella Real onde as exéquias fe celebràraó,até a cau- ,

fa fe decidir mandando-o declarar ailim no principio do mef-


;

moafto, por hum Rcy de Armas em voz alta, mefmo fe O


fez depois nas exéquias do mefmo Senhor Rey ,& da Senho-
ra Rainha Dona Luiza, cujas almas efperamos cm Deos que ,

eítão no Cco,
II Os Príncipes naõ coftumão jul2;ar immediatamente
^"^'^^' "'^"''^"^ ^'"^'"' *'
dj/lV"'"'''' P°^ ^'' P^^" ^"^ " intentou el-Rey de Caftella D. Sancho, 5 2
55 '^xod.i 8.18. que chamarão o Defejado: ju\gã.o por minniftroSjque de neccí-
54 Deutcro».\6.n. fidade efcoihèraó para repartirem o trabalho, como fez Moy-
<5 Tacit.ann l.i. Nec unius mcn- r
l. iiij jj
tem cfletan«moi»capactm: ^hb^. ^^s aconíclhado por Jctto, 5 ^ & mandadopor Deos 54 nem o
ta - T...O ;

Principem lua fcicntia non pofle cunâa may or cnteiidimento, como diflc Tacito,pudera com prehen-
compiccb.
, >
^ der tanto << obrãoaexemplo doSummoRey,por f:o;l!a-
.. . , :

jure c.j.« ^.ff.dejua èrjur. das cauías. Porem como eiva íunccao radicalmente he mfepa-

NoM Cerif^ers no TaatoFr.nccK na, re- 1 ^ ^.^ ^ 5.^^ COrpO. c 7


Bexoespolit./obreavidade FilippeoBetlo, J
11
^
Conforme a iíto,fcmpre os Miniltros Junípentos ío-
^ -n^ r ' y.*- -n t -r •
c
feãi.
59 1'iL.Bm fiatres \- ff.àejttrepa- j^q^q tidos na mayor ellimacão. Na Efcritura figrada 58 fe
..»» crmL^.dec,.trah./}.pu/.
equivocâo, & ajuntaó com os grandes Príncipes. C)s Empera-
doresRomanos quandocs nomeavão,lhes chamaváo Anngos.
59 O EmperadorSigifmundo os antepunha às peífoas de ma-
yor
PAR.TE I. CAP. XI. J3
Ver qunlidLide. 6o O Papa CAllixto III. fe jactara de que o ^^ j^^, /^,wt. W, ,. Jf \Bm.Pmc.
feíhido I^rejatinha muytos: 6i Caííaneo fiZ Catalogo
á.\ 6i lovi^n.Pontaniib.deViwàp.
u •
<laò* prcrogativas que gozio em varias partes. 62 iiovadilna,
t t- j
j

65 taiiando de Caílella, refere largamente, como fempre os <} fi«W/7ib<i/>aUi.c.io.4».j5.


mi-lhores Príncipes os tiveráocm Teus mais íntimos cóíelhos j
& n()toríonoshecomonaquelleReynoosOidores chcgãoao
Conr^ilho de eftado, ôc às í^rcfidencias , como qualquer Titu-
lo, & Grande.
i^ A queftaó de precedência com as nrmaSjfe deve definir
conforme ao que dií]"e o Emperador juftiniano que a M^igcf' :

tãde Imperid ifnporta Tiâojò cflar õrn(idã com armas ofendo tmn-
èemanmdãcomleys: 64. tanto unio huas,&: outras, que por ^ ^„ ^ ^, ,

comrnunicaçao lhes trocou os efFeytos, dizendo que as armas idta:cm,i.on íoium armis dccofatam .
ornão & as leys armão. Em outro Texto acreícentou , que ícdctiam icgibusoporrct cfle armatair.
,

híanuccffitavnífmp-eda^ontrm, 65 porque (como diz


™<-
o,^^^"^"^:^
Prologo das Ordenações de Portugal 66} Affim como /^yj lemper eguir,/jí'

comnsfoyçãsdasãrmasfe7nantem:alJimaârtcmiUtfírcomaaju' *^ ordmXufimampTtitgo.
dadas leys befegnra. De Rómulo efcreve Dionyfio Halicar-
nafeo , que poz grande cuydado em fazer IcySiporque entcndeo
qitecofii elUs fe faria a^rfellaff/aid^de pia, temperada, jiijln , ^
forte nagnerra. 67 lílopraticçu o mefmo Deosjquando para ^^ Dky^.Haikar^nfM.i. amiquim.
comprimento da fufti ca, com que deílerrou a noííbsPays, por intcilexit Rcmuius lenibus, hc- rci.'^is

quebrantadores da ley.^ufando da efpada do Oiierubim ^ 68 & jt""":;', i*"»';;.m :''S;«


dentro do Ceoconfideramos o mefmo, quando attribuimos à lonem civkatem fien.
efpada do Arcanjo S.Miguel a cabida a que Lúcifer , 6c os fcus ^^ 2* '^7"
«VÁ/ i
foraõ condenados 5 69 & aflim pela efpada fignificou David 70 PM/í.44.4.
70 ajuftiça, &:fepintaaJuíliçacomaefpada namaõ.
14 Em união tão neceííaria , mal fe podervi achar prece-
dência ; pois ainda que a mayor antiguidade favoreça a Jurif- i

prudência, não baftafem outras qualidades 71 mayores & -/x 'i>iximusiHtpfendadLufltJih.c.^.


;

eftas em ambas faóíguaes; porque a matéria, fim he hum &


''*'^"

&
mefmo de confervar a Republica: as partes do homem que
:

obra, faõ igualmente nobres , obrando nas leys a cabeça, nas


armas o coração aíTentos da vida, 8c principaes inftrumentos
-,

das acções, pois do cora çâofahem os intentos, 72 &: dojuizo


^^ ^^^^ ^
a difpofição;&aíllm como he verdade, que também nas ar-
mas obra o juizo,difpondo o que o coração intenta com valorj
^,,^aílini he certo, quenajurifprudencia obrn o coração, dando
valor para executar o que entende o juizo ; valor muyto ne-
ceflario aos Juizes , porque todns as virtudes tem contra fi fos
csvicios, a que mais facilmente fe dà repulfa. A'temperança
combatem fos os glotóes ; à caítidadc os lafcivos .•
6c aliim
difcorrendo pelas mais jfó a Juíliça tem contra fi os mãos , &
também os bons a que fe deve rcfpeyto pedem os Religiofos,
;

intercedem os melhores da Republica, 6: os Grandes de quem


fe depende, para que fe faça hum favor injuíto ; he neceílaria
muyta conlhncia para reli ítir. 7? Hoffknf.^r: v\c.cefni:,T>!rr.x rcutm -
15 Por iítodilíe o Cardeal Hoílicnfe, 73 que os Juizes, ^'"/•^'"*""'''^''-ili'-'^'i«-''í-'S^;«rf.

qiic
34 EVA, E AVE. A^í
.^^..^,,1 ...^ que (braóòqiiedevcBi, fazem ríci boa vidajcorrjo quficrquer
Religioíbs ido que rntMTCcm coiíi pcosos bons odvogadG^,'
'•

7a' fí^nr-c:n-<^eipriTf ivC^rb E«pv.


^^ ^ ^\ ^j^,^^) ^ Facífe Eneelcrrave 74 moderno eico-aiinfii mo. O,
y.7».ar/ i.e?-d%jb£?.
'
SantoloD dizacinr.eímojqueera Jinz na porta oa L^idaae;,
75 io'' iv-7- 7< onde eíVaVao Tribunal da luiliea. 76 Dionvllo Arcopa^i-»
;6 i;<^em.«.^.^c,,4''•^.
to, Juiz HO Scnadode.AthenasJoyttíó grande Santo, quc em
iaimarrvrioc-lorioro, caminhou mvíberioian-enre com a ca-
beça nas mãos , molrràndo,quc íe os macs j uizcs põem na ca-
^ ,
beca as mãos com quetomão ( & por jlip os Thebanos faziáo
;

" -^ aseilatuasdosbons 'u]zeslçmm:vosJ77clleoccuparaasma(>s


^

com a cabeça , porque flaotomaírcm: de poder de outros la-


hiriáoaspartesconiasm^QS na cabeça; mas cl le íoy tal , quç
^„ „ .. podiáo todas as cabeças porfe nas fuás niáos^ De Moyfes diz
,, , .

Fidc;i<: advocatus.&c. O. hernardo 78- que loy advogado do povo de Deos o mei- -,

79 Engeignrcd.^.z.inpymc.-.-.hah-ent. nio fcz Daniel por Suílina, 79 convencendo as teílemunhas

Vi ^llnlírTãÍB^mo^mo, >>:^^
muyfo co^forme a Dirc^íai S.Pliilogonio, de Advogado
Í0W.3.
.ox--^i 'fcív.o-A."-.. foy chamado para BiipOj 8i notempocmque cllcs fc elco-
1hi:ioSanroS;Santo AmbroriofovonzcannosOrador decau-
8r c.#o^or.v.r.l«7...xo.
fasnaCortedc Miiáo, 82 &:poríantidade cfcoihido para leu
A rccbii po ; S.Ivo foy Advogado com duas excellentes quali-
%^ Surmdiei<}..M.!ii. dadcs, que notou Sunc;, 83 queoíliziadegraça, ôcnãoufava
de dilações S. Eleazaro Conde profeííou ler Advogado dos
-,

pobres ;clb.ndo hum á\A Tentado à mefa lavando as máospar^


começara )aniar,chegotihumjpcdindolhcfofÍedcrpacharhij4
fua petição ; levantoufe , &: foy ao Paço defpachalla depois -,

84 B-.m.h Va.s.Jileaxír, "^'^Y^- V^^'^'^^'- ^4


Deyxo por brevidade os illuítres BoeciojSym-
macho, Thecphilo, Sulpicio Severo, Germano Antiiudoren-
re,McrOj&: outros de ílintidaderara remetcndo-me ao que ;

cfcreveo o Padre joaõ Bautifia Fragofo, Doutor clariinmo,&


• isVra^ofoãtRc^im.íi^ip, cfcr//?./>.i. ultimamente O muyto curiolo Heíiríque Engelgravc.
85 He a
^8
'í^v/JvL'Ji M-Cf/f ^Jvoc.(fm?/. J^i^iípriidencia fí^

inàkior. radores, 86 que,ccmodiziamcs5S7 requer valer para obrar,


87 í;<í.ran..4.
como O tivcráoeiies Santos.
16 Se conduz a preferencia à qualidadedos altos fuG;cy-
toSjque prcfeíTarão as armas; todos os Príncipes procurãonio-
por oííicio profcfTaõ as leys, Jacuando-fe de que todas
ftrar,que
88 Ttxt i-.tt.mwim-icj.c.àeteliãm, eftáo em
fcti pcyto, 88 chamando-íc ley animada. 89 Ao
'" "'^"'
''^ '""""

SitmS""'^ Ernpcrador Carlos Magno elegerão es Romanos por defen-


8? ^uth.de cn»fa/.§.uit.co!ir;t.4. íorcom titulodc ^^íf^í/í?!? Wflcontracs Rcys dos Longobardos;
90 Uni^oUjmcnjh in 'hijior. Caroli Ma- go &" cfcufa outrcs exeninlos^dj zcr o F. nan<íeliíla S. |oão, oue

*9i uan.cf.ix.-L.nu Advocatnm ha, yt;,/// C/';n/?f5 hc


tioílo AdvoQado diante dc fcu Etemo Fí?)', 91
bcmu3apucU'atrc-m, jcrum cimdum. & chauiaraSanta Igreja à Virgem "í^x^v.-xnop.^aAílvoz^aâa.
92
n Eu ergoAdvocata nodra. ^^ Couforme acíhunião da jurifprudencia com as ar^
masjpraticavãoos Romanos cnrre cilas indubitável igualda*
de em bum mxfmo Senado dcnniáo as cauías, &: tratavão a
5

guerra fendpos íviiniílros juntamente Jurifpcritos, & Sol-


5

dados j que dos auditórios ide Roma fahião a governar os


exçrçitps das Provintia.rj nem podia ter lugar íuperior na
milicia,
TARTE I. CAP. XI. ji
Oiilici-A qútrn nio folie Letrado ; parecendolhes (diz Pompo-

nio í.cto^93 quemelhor íe faria a guerra por lábios : o Em- 93 Psmp.utje Mfi^in.n^m-m.
%icnubus opimè geri
perador Carias V. para ícHbgar o levantamento do Peru, mâ- p^^^^J"'""
dou os Licenciados Fedro Gafca , &: Vacca de Cartro que o >

foitegàraó, vencendo muytas batalhas. Bovaclilha refere neító


pcnramenro outros cxemploSv 94 ^AtBovaàiihad.c.io.H.-i,'^.

1 8 Depois o^ue por incúria dos tempos, faltou a felicida-


de de haver homens fcientcs em ambas as difciplinas , fe con-
troverte a preferencia entre letras, ^^ armas 5950 grande Aí- ' ^ '^^'"' f l"'fí'^ ''<-/«'" «"'''f
<'*•

tcnk) Rey de Aragão , lendo nella perguntado a qual era mais (ontfy^Á^tnueamúiàavà^ nfa Icicncta.

devedor rclpondco 96 qiie pelos livros conhecera as armas, has vmoRiheyro.noTrat.àii fra^aenúÁ
,

i:i-Reyde Cartel la Dom Filippeo P»/^«ff,poraq«ellasm- "';l'rj;r:„ ™ «,


^;,*,^
zoes as igualou, ordenando que nos fnbunaes concorrendo i^^eg.
Corfelheyros de toga Sc de efpada, fe precedeílem fó pela an-
,

tiguidade, com o fe V è no Regimento mal praticado do Con-


felho da Fazenda de Portugal.
19 He verdade que ha Vogados, que ó douto Graciano 97 9?' í/f/^WOra/ta»,; di/ce['tfvr.tam.i.e;
'"'"* '

chaw^iT^oedas cerceaílas,porquen20tcm\£tTâs: óDoiftores de


rteccffrdãde, porque não tem ley a hum defbes chamado Publio
:

Contio» fendo perguntado em hua caufacomo teftemunha) <Sc


rèfpondeo , qtte nadafabia diíle galantemente Marco Tullio
,
^

Cícero Cnydats que vos pergimtao de Vireyto ? 98 A outros


: ,g j^rfi^t han.M<r^,fa.Ur, Sib. nufi.u
chama o curiofo Ncvifano 99 Doittores de placebo Domino; 5.«.;9.c7-40.

quadra aos que por fubirem a lugares procurão vilmente con- *' ^W^ín. [»[>.

tentar aos mayores, muytas vezes contra fuás confciencias , &


íempre contra feu decoro : huns, & outros defacreditao a dig-
ridadeparaos pouco entendidos, como hum Frade efcanda*
Jofo a fua Religião.
20 MasnemoFradeohefópelohãbito,fem profíflaô fe-
gular: 100 nem o Letrado o hefó na toga, ou nO grão, fem tco Cáp.potreãumii.o-cap.expafu
fciencia.' .101 Doutor fem letras notou Nevifano, 102 que
, "•'^''''•|!'''"'v,,
"'^^'
he fonte fem agua,5c que não he Doutor, mus dor rainiftro fenf
:
\ll Mvy/I«.lK/ó.'
''"'**

gravidade,difleSalviano, 103 que hc ornamejjt o tio lodo. Com >05 SaivitnJe yer. judie. Vd i. 4.14
osentendidos,nem o mao Frade prejudica à fantidade da Re-
£Í^y.,,„„', ^uã.^Pert.a. Vo^^r
nemoignorantc.ou vil MiniflroàexcellenCiadadigni- 5„,;/<í.i;.>f.5.
iigiao,

dade;ahria,&aoutraféc6fervaorefpeYto. OmaoReligiofo ^o^mvifanfup.n.^^


pcccou. o Ignorante pecca também, metendo-fe no que nao /„,/, ,«;,^./.r...i.w</,Gv.,/.>v.;7,..„.5,;
labe 104 & como fe expulfa o P^el ia;iofo incorregivcl » tani
; '"'^ ^-''^""í v"^ 4- '^n- P.e a«-
<^'- ''f

bem alguns Doutores fe privàraÓ jà dos grãos recebidos indig- ""^^ ^'"'^" '"'^"'"''
'^^T^^^!
namenre ; 10^ Sc mu yros remos que deverilo fer privados
dos Magiílrados, feos Príncipes entendeífem, que a fuá au- 107 Calpoãor.l.^.ep,ix:Qy.^^h.m<xdç
thoridade pende daquederem às íeys ,como diíTe hum Tex- '"^'' ^^"'^ Huitur, i.cfí^rk inítitutic»-
to-, í 06 Sc que em feus
^
Miniftros faó os Príncipes avaliados, ''t!^n!^S4.l..^.c.^.ndf>,. .

como notou C>a(]iodoro-, 107 culpando-fe no que clles pec-''*^'"^'P'= euipaeíi-fuotum iTagitium.
cão 108 Sc he peníaó dos Rcvs, deverem
; refponder a Dcos
tambcm pelos peccados alheyos,como confiderava X)^viâ. ''''"'' '''^ '''^"'^*''
«rroííf

CA.
,
:

3(5 EVA, E AVE.


C A P I T V LO XII.

Como Adam, ©^ E^âforaõ lançados doParatfo Ter^


.o..*.Ui.*X~-i2. ^t real; cfquectmerjto c^ue 770s ficou do Ceo j lemhra?içasy
que Deos nos fa^delle^^ ccmoas defp-eyimos.

I Gfn.Mj. I I A Ada rcnrcnca,djz o Texto íliqrado, i que lançou


* ^'"^'^•' "" ". .rcfc.f r/e/;/,.!, i.x.c,
f \j Dcos a Adani,íx' Eva do Paraiío terreal ; finalaó Áu-
' thcres graves 2 que n hora de iNoa, que pela noila conta íao
trêsda tarde; o Padre Bento Fernandes Eícriturario doutif-
) Fetntnàjn yGen.jea.^i.n.í.
fimodíz, queoslançou por nunilterio de hum Anjo, & que
fer o Querubim que ficou por guarda. 3 Hum livro
podia
dou to, que dos Anjos compoz o Padre Frey Guilhclmc da
Pavxáo, Abbnde Geral q foy da Ordem de Cifler nelle Rcy-
no, Reformador da Ordem Terceyra de S. Francifco, & Con-
feílbrdo Cardeal Iníanre Dom Henrique, depois Reyj o qual
4 p.fr.G«;//Wm. tí«p.yx.o<r«í7.i.andamaniifcrito, 4 dizquepelo Arcanjo S.Miguel.
t-7- 2 Diíle Deos que lançava a Adam,porque não comefTe da

6DJi^mT.i>''ll"',tl'i.uU,
outra arvore, 5 chamada/i^W^,Sc viveíTepara femprc; que
t>Bona^>ent.o- Gabriel,, um Mag.Sent. L. tinha clla tal vittudc OU pclo mcuos dc alargar muyto o vi-
,

19.
a.íi,/2
yçj. 5 gr p3j.^ ^ guardar poz hum Querubim com elbada de
Fcrnand.x. Gtn.jecLj^.n.7, icgcrudcra havcr comido delia lem peccado pois nao tinha ,

prohibição, antes permifiaó para todas, exccpta a da fciencià


7 Gí».i.i5.eri7. dobemjò' domd; 7 mas agora não quiz Deos que comelle,
i^-^i pTPuXfdejui^ra Cl o.n.uit. porquc vivcndomais, peccaria mais pelo que elte deíterro
•,

diz S.Chryfoílomo, 8 náotoy indignação, mas providencia


- . piedofa do tSVw/^or.
Sahirão a vagar pelo mundo,que não conheciáo.Se a pá-
3
tria mais afpera he tão doce, como Ovidio moílrou , dizendo,
que das delicias de Roma fugia o Scy tha para os gelos da fua
9 Ovíd.i.dePoHtõ. 9 quacsfahiriáoaquellesdeílerradosde pátria toda felicida-
Ncfcioqua nataicioium clulcfdinc cun- des ? comoos que levantãoancora, Sc foltáo velas, engolfan-

T^ieit/>^\mm.rr.r.r^^ T HT" do-fc uc s marcs , ufio titão OS oUios d 3 tcrra ciTi q uau to a alcaH-
C^iidmciiusRoma.íScythico quidíri- ção aflim Adam,5c/:.T'^ OS naoapartariaodaquclla pátria em
;

Rorcpciusí
quanto fe lhes permirtilíej& depois Ihedcyxarião os cora-
Huc ume n,cx ilh batbarus urbe fueic. ^v
^ coes. -n- jd t
Primey roas lagnmas,queadillancia,osprivariaodeíua

"jr
vifta, 8c com fufpiros lhe qucrcriaó cnegar.^"^'^ naícida no mi-
xo Gí».j.i8. mo do Paraifo, como caminharia delcalça por terra, que Deos
amaldiçoara para produzir crpinhos lo E que dor teria .'

feuefpolò,venck)-a padecer.' Hum Filoíofoconlblava ahum


^';";'''''"'""í^'";/*Mí^''''-«7-fíf innocente defterradoj com que levava por companhcvra a juf-
V
rVi//o. Habcsinjuíli exiljj íolatii comi- ^-
j j n. J •

r
tem iuftitiam, <]ux mjuibs c.vcs dcíli- ^'Ç^' ^'^^^ deyxandoos iiijuitas; hia padecendo com cllco mcí-
! i

nicns, tefecuM.tecum exuiat. modelicrrO} II Hias a noílos Pays a coníidcraç.ío contraria


«^^-'gi^cntava a pcn;upois Icvaváo por cõpanhcyra a confcien-
trame^(ffcm°cí"^'""'""'"^"''*'''°"'
latcScnc-cc|>.98.adíiii.l.ií. ciaxulpada, qucjuílifLc::\'a ocafligo. 12
4. Diz
,
:

PART. I. CAP. XII. 37


''-^^'^'^-^^"-''-^^^^^^^
4 D:z3 JoaõChryfoíbmo 13 que ospoz Deosdefter- j/;^^^;f

que
cfcrevem, qiiedefcèraópaniaparte de Jerufalem j &ca\-
íj.

gunsacrcfceiírjó 15 que paràraó no lugar em que foy depois


amcfaiaCidadej alivio lhes fora conhecer omyílerio ; mas
ícm o conhecer , que confolaçaõ teria quem íe via perdi-
do, &r a fua defcendencia no temporal , Sc no eterno?
5 C) peyorfoy que có a injuíiiça original deyxàraó a feits
deícendentes hum natural efquecimcnto ( por naó dizer aver-
íaõ) do melhor Paraiib que aqueile figurava. 16 Somos co- 16 FemHd.fuprafeã. ^i,ti.^,

mo filhos nacidos, Sc crcidos no cárcere, que o naó eftranhaõ,


ãnteí.fecnpantaÓdeveremqueamriyoschora. 17 Herdamos ^7,/"^:/''"^''^'' ^ P''"""^-
daquelles pays odeiterro, £c nao asíaudaaes; da natureza
nos derivou a doença, & naó o remédio. Nos Hebreos faindo
da pátria para a tranfmigraçaõ de Babylonia , fó fe viaó lagri- -~_.
mas por fua perda; depois de habituados á fervidaõ , a reputa- '*>*.-

vaó como natural tomàraó os coítumes, Sc lingua da terra em


;

que eílavaój cila lhes parecia bem, fem fe lembrarem da fua fe-
jiaõ raramente alllm nós defterrados do CeOj cativos de mi-
:

ferias já pelo coítume , naó fentimos o mal ao mundo ama-


, j

mos como patria,Í£u s ufos nos agradaó, falíamos a fua lingua^


& eíla He a vida que fó queremos.
6 DeoscomoPay,dizéS. Joaó Ghryfoftomo, & S. Ago- .g t).chyypriGen.i. mtmclsaim
ftinho, 18 para defejarmos tornar ànoffa pátria, nos efcreve erga los amieicKim rtmovare voiem,
i

cartas com novas delb , &-nosavifa da mM^orí^quelítcrs-


^^^^Zã^:^:;::^^
mos, com todas as razoens que nos devem perfuadir. Eiras turam.
adnos
cartas faó asEfcrituras fantas, que nosmoftraó o quedefte i^-^ngufiin. inP(,:im.64- Mifit
j _ r j- indc cpiítolas pater no! ter mnv.itravit
'

mundo nao podemos ver por muyto íuperior; dizem-nosjque „ob,s Lipturás Deus <iuibus epiítoiís ,

aquella pátria he allumiada de humaluz intelligivel ; Sol que ficictinnobisredcundidcridcuu..i


naó tem occidente , nem padece eclipfe , nem fe lhe oppocni
jiuvens> cujos rayoseílaó fempre igualmente claros, fazen-
dohumdia que nJó tem fim. Nella nosdefcrevem 19 híia ^^ yí^ecnh^x-xi-xi.
Cidade edificada em quadrado , por mayor fortaleza ; cujos
muros faó de luzidiflimo jafpe , alicsrfes de pedras preciofas
com doze pedras , cada hCia de fua pérola j por dentro toda
de ouro, tranfparente como vidro para que o interior fe veja
,

regada de hum comocriftal corrente, cujas ribeyras po-


rio
voaó arvores, que cada raez daõ doze vezes fruto. Dizem-nos
20 que allireyna a verdade fem combate de mentira: que as 10 i).^«ç epA.aàMand. \Jh\tjtt.
^--^^'-'^
leysíb reduzem a caridade, que faz indiíToluvcl uniaó de to- ^<^^*"^' "5"' ^'^ «^^"^-^^ ^^^ >

cos OS moraaores queetles pofiuem riquezas que nao podem j.j u.iith.6.ío.L:ic. 12.55.
-,

fer roubadas; 21 lograôfaude, que nem morre, nem adoece x-^ /.utth.tí.
;

eftaó em banquete, 22 que fempre dura, &c nunca enfliftia,


q
mata a fome, &
deyxa appetite, que farta, fem oficnder a tem- *? L:(c.\í.%7- Facictillo^ diícurnS;
^^''•"'"'^^'"^'"""'^'"^'^''^''*
perançajemqucokeyferveàmefa, 2; Sciguark he o mef-
JT10 DeoSi que eftaó Uvr&> das payxóes do corpo, 6c poíluido-
D res
!

3? EVA, E AVE,
do cfpirito; finalmente que gozaó gloria
res das felicidades ,

24 if.Ui.i.D.PuuLiMCor.i 9.
commua, nem vifta, nem ouvida,nem imaginadaj
indivifajôr
taógrande 24 querendo- a hunsmayor, nenhum (em certa
maneyra) tem menor, porque a todos íe enche o defejoj glo-
a
ria inexplicável a palavras pois he incomprchcnfn cl ao con-
,

ccy toj Gloriofa Cidade, que nada tem que molefte, Sc tem tu-
do o que deleyta
515 D o<?«l«y7.f^.}i. 7 Santo Agoílinho , 25 lendo cartas de S.Paulino, que
nunca tinha viílo, lhe refpondeo, que eraimpolVivel ler luas
cartas fem hum extremo dcfejo de o ver. ^le agradai-eis fao!
(d izia o Santo ao Santo) qm doce cjlylo tem l nao vos po ffo ex-
primir no [fã nkíiriã quãrido as recebemos ; em chegando , todos as
í ornamos para as ler ò' todos em as lendo ficao tran [portados com
:

hiimperfití/iedoCeOt Mas como jiavida nao baconfolaçaoper'


feyta^ ejleg ofto -iiosfca ag nado , vendo que a natureza nospoz em
lugares tao diB antes que nao podemos log rar vojja vijla como o
,

efpiriío de voffas cartas. O\fervo deVeos, meu caro irmao


, nao

vos conheciaminha alma-, digolhc, quetolerevojfaaufencia, éf


?iao me qf.er obedecer-, euferiaornfofrivel a todos , (e piideffefo-
id Quoi Cl xqvioinxmoÇmi ,a:ci[xo frer e0a aufencia. 26 De pedra he ocoracaó, que desfeyto
animo rcrcnJusnonciicm.
"em faudades naó diz O mcímo, vendo nas Eícrituras divinas
às excellencias tanto mayores de Deos, que com os olhos cor-
poraes nao vio,mas cuja bondade naõ pôde ignorar pelos cf-
feytos ellas lhe dizem que fuás perfeyçoens íaõ infinitas3 qi-ic
:

fuaeíTencia faz bemaventurados; & que fua vifta em certa


maneyra transforma como em Deofes osquechegaó a ella,
pois o goílo intimo daquella divindade penetra , como Sol a
nuvem , todas as potencias.
8Se por ver a Sâlamaõ fez a Rainha Sabá jornada taólar>
18 D.Hkrol'inprolBthiior. Et vide g^ 2/ fc dos ultimos fins de Efpanha foraó a Roma Efpa-
^

im,^.c.6A.n.^i. nhocSj fó por verem a Tito Livio: 28 fe todoociiriofo , êc


bom juizo fizera hoje as mayores diligencias por ver (fendo
poíllvel) os varoens que ouve famofos em qualquer illuftre
qualidade ; quem naó defejarà 6c anhelard com fufpiros ver ,

junto emDeospormodoeminentiílimo, êcinefl^ivcl, mayor


faber, valor, poder, riqueza, fantidade , & excellencias que as
de todos os infignes homens,que já mais ouve, nem pôde aver?
9 Se a confídcraçaõ da fermofura move , ôc obriga até aos
i9WWor./i.pulchntudinisrpccies,
maos, 6caos barbaros; 20 & por relações ouvemuvtosamâ-
donum ipíoium corda emoiiiar, tcs qualfc podccopatar aquellapnmeyra , òc jncreadaluea
;
rtiorcrí-
qucfffcrosducat inobícquiim>. dabelleza? Poftoque O pínccl da eloqucncia nem delinear ,

poíía taó amável rollo, o fervorofo defejo Ic atreve na fimpli-


cidade a tanta emprefa , naó fo ( como fizcraó muy tos ) argu-
mentando ÁpoHerioriòihç\\Q.7,2i das creaturas-, mas a priori iú-
30 T):.jiig.deCh'.Deii.i'> .C.19.
randoosdelincamentosdoorigiiial divino. Todaafermofura
Omniscorporis puirhr.uico cft paniú docorpo^úiz Santo AcoftinhojÂ^/j/ííí congri!C7icia , onpropor-
congrurn-:., cum cjuad-^mcoiomína-
ç^r^^ 6^ C07ijbnancia da^sparícs jííutas comjuavidade decor. 30
,
Dcos, que nem tcni mcmbn^,', acm cor, nem he capaz de luz
«L.t cor-
. ,

PART. I. CAP. XII. 3P


cof fiorea he fummamcnte bello pela congruência ,
, confo- &
nancia de feus attributos, 6c perfeyçoens, &
pelo efplendor do
ado puro, & puridade da eíTencia, q podemos imaginar mem-
bros da Deidade incorpórea
10 Confidercmos a proporção entre fualmmenfidade,5c
fuâ Eternidade. Aquella enche todo o efpaço , efta todootê-
po.-aquellaeftá toda no mais pequeno lugar fem fe reílringir
c<ta correfponde a qualquer momento fem fe diminuir: aquel-
la occupa toda a quantidade fem extenfaó quantitativa , eíla
conlirte em todos os feculos fucceíllvos fem fucceííaóihúa naó
tem termo , nem medida j outra naó tem principio nem fim j ,

todos os efpaços faó copias da immeníidade , como de feu ori-


ginal, todos os annos reconhecem a eternidade por feu proto-
tvpo. A mefma correfpondencia ha entre a Mifericordia &: a ,

Mifêficordiahefemcompayxaò,
Jiiftiça-, a fó pornos fazer
bem/âjuíliçafempayxaõ, fóporzelodoreclo: 31 aMife- í» í>.^^<"«-«M-"'

ricordia fem noíTos méritos fe funda na fua bondade , a Juftiça


remunerando, feapova na mefma bondade: que nos deu meri- r» ^ . , ,-, , -,

tos antecedentes 32 & a cada hum premia, ou caítiga para


;

Ctctno. Semelhante hc a confonancia da Omnipotência, & da


Bondadcj a Omnipotência cria de nada,a Bondade occafiona
na creaturafazerfe digna, & amável, para que a mefma Om-
nipotência fe lhe communiquej 33 & aflim a Omnipotência i^DThomdip loafi.i.
nosconferva, a Bondade nos fomenta a Omnipotência obra-
:

do, tem por fim a Bódade, Sc a Bondade tem por meyo a Om-
nipotência , pois efta creou de nada o que lhe oíferece , &c com
o brâço da Omnipotência nos faz aBondadeuteis ascreatu-
ras. A mefma harmonia fe achaentre o Entendiméto,6c a Von-
tade Divinaj entre a Unidade, & Trindade entre a Infinida-
;

de, & a Simplicidade-, entre a Incomprehenfibilidade, & a In-


fallibilidade;entre a Immutabilidade,& a Liberdade^ &: entre
tudo o mais que ha em Deos , que deyxamos de expender por
iarsQ,&: por nos retirarmos do cíheTheologicopuraméte. 24, _ ,

11 Todas as bel lezas lao nao fo limitadas, mas também m.Gui/heme, í^m Smiffi ,;a Trindade
'
,

finitaSem fuás partes; de modo que no rofto humano mais #•? 5*


bello, huma parte naó tem a fermofura do todo huns fermo- j

fos olhos naó tem a graça da boca, nem a boca tem a vivacida-
dedos olhos. Oíiariz perfilado naó tem o florido das faces,
-nem eftas o decoro da fronte;cada parte eftà reílrifta em fi meí.
ma. Na fermofura de Deos, cada parte òu membro (^ declare-
monos aílim) tem taínbem a fermofura dos outros j a Omni-
potência naó fó hé bella, porque pôde tudo, mas porque tem a
perfeyçaõ de todos os outros attributos he a Omnipoteo-
-,

cia infinita, boa, crema, immudavel, mifericordiofa , jufta, in-


comprehenfivej, &fibia a Sabedoria he bella, naó fó porque
;

conhece ,& comprehende tudo-, mas porque he fabedoria in-


cdmprehenfivel, jUÍT:a,miferieordiofa,immudavel, eterna, boa j
infinita,omnipoterríe;alHm heem todos os maisattributosi de
''- ?» Di( modo,
4s -
EVA, E AVE.
modo, que à orelha da Piedade naò falta a graça da boca da
verdade: as faces da Mifcriccrdia, &: da Juftiça tema viveza
dos olhos da Sapiência, &: Providécia; taó hellos faó os olhos,
6c qualquer outra parte, como tudo o rofto, & como todo
Dcos.
1 2 Sobre tndo he a cor fuave ( que requer Santo Agofli-
riho) deíla belleza fubfiítir em (\ mcfma fem dependência & ,

fer por effenc ia eterna, &z immudavel. O' belleza, o graça, o

p .^nt Giiilherm íup verf. venuílidade do meu belliílimo Creador!(exclama hum efpiri-
Mfídeciamo,r.ofim. todevoto) 35 quem de ti fc naò namora, naõ fcy fc vivc , &
t,b EKe.htti.i. a fe vive, naovivT vida humana, mas de bruto animal) antesna
viíaó de Ezequiel 56 atè ao boy, o mais pezado animal, por-
que tinha olhos para ver no carro huma figura da gloria, nacè-
raó azas com que voava. -

i;; Parece impoílivel que neílas lembranças naó fintamos


nolTodeílerro; 8í que o fogo dos defejosnaómoftre inclina-
ção em algumas faifcas de voar , &fubir a feu centro defatado
?7 D.PW írrJ^ow, da matéria que o detém: dizendo com o Apoftolo, 27 GUiem
Ouismelioerabitdccoíporemomshu- ,. ,/ n , r^-i nx< '"^
t

me livrar/í do cofpodefíamorte^ OU com uã.viáy -^ò Comopoat'


;

jiiij

58 p/<j//«.i 56,v.5.Quomodocaiua- mos degramos em terraalJjeàí repetindo muytas vezes ,Afinha

'''TrPp'^^'.'l^'emadmodum dcíi- almadefejãchcgaraVeos,


comoo Cervo Ás fontes-, defeja chegar
dcrat cct vus &c., 4 Veosfoute vivã: quãdo chegar ey , npparecerey diante de fua &
pfaim
tus
ti<). V 5. Hcumihicjma
meus proloneatus elt.
Íncola-
face? mmhasla^ímãsme faotnmtimento de dtã.
-^
; •
1 n\
'/''
-r^ -mt r
de noytel di-
1 -^
&
vjaim. 54.V 7. (Jiis dabit miiii pennas ^cndofrte câdã dia: aonde ejtx teu Veos : Muyto je prolonga meu
f\cut coiáhx. Si yohbo, 8c rcqa'.cCc3m'.
deflerr o ; qtiemme darkpennfl.spãrãvoar , ir d efe an carnef" &
deficit anima mca 111 atriaDomíni. 14 Mas ncm cadadia, comoDavid, nem hum dia cada
fazem os homens efta reflexão.
Poílidoniates ,
..3. eú .
^J"'^J^lf'''^'J^''^ yfjj.
Os Poílidoniates havendo com o tempo oscoftu-
, perdido
mes, & lingua Grega , & tomado ifto de naçoens barbaras, ti-
nhaõdeftinadoem cada anno hum dia para chorarem aquella
perda , 6c trazerem à memoria a lingua que hav iaó dey xado ;
crendo cj naó era de entendidos, naó fentir a privação daquelle
40 P-iyyrf«v.»,r;5/j;7o/:cfcr/7?.p.i.c.á.bem,&'entregalIoaoefquecimento. 40 grande Padre Sa n- O
41 D.^'íç./«p/j/m.ij6.Hu)usfo.toAgoftinho
diz, quenodeftcrrodoCeo, accativevro
euli língua aliena, lint-in barbara clt, " ^ 741 ^ ^i- i/^ n
dopcccado, deyxamos a Jmgua doCeo, & tomamos a do
^

quam incajKivitarcdiciicimiis.
4t pjui.i.ad corint. i4.ro. mundoquc nos heeftrangeyra, & barbara. Porque irracional-
^45'
S° nt v.t 6. Aures habenr,& l^^^"^*^ dcvxamos efquecer a primeyra, nem enredemos aquel-
noiiaudiuHt; uequeciumeitípiritusiíi lascartas díviuiis uem as vozcs com quc as matavilhasdc to-
,

oreipícrum.
das as creaturas uos cílaõ fcmore inftruindo, 42 nem a do
aures aiijicndi,.iiidiar. mclnio Ucos quccada Uora nos talla ao coração taolcnlivel-
Mirc.ô,c).cy ij. mente, que naó podemos dey xar pelo menos de ouvirofoni-
,,í,'r.g.ig.
do; fechamos os ouvidos comoinfenfiveis; 4^ por mais que
exaiiJiam. omelnio Ucos nos~prcgue 44 que ouçamos, pois temos ore-
'czes que também nos
46 p.c/:);.^.?. /„r,v„j;ow. 14. /«/:«. Ilij^g paraouvír. Por ilto faz muytas vezes

1'iíDnispionobisíyiicirascnr.
naocntendequandoclamamos,
' coiiio diíle pçlorroíeta Za-
,

carias. 45 Sc cuydalfemos das coutas divinas, tambcmcUc


cuydariadenòSjdifTeS.Chryfoftomo. 46 .Tarr.niíi- ,i,.'i;ui:!.
15 Se
,

EVA, E AVE 4t
15 Se alguém nos quer lembrar aquclb língua oudefta- ,

par os ouvidos,em vez3e lhe pagarmos como a meftrejou me-


dico, omatamosjbé fc vècm tantos Marryresjôc outros Santos
Varoens perfeguidos. Se em fini) ouvimos , ou lemos aquellas
cartaS) &" efcrituras fanras, he para as contradizermos. Os Gé-
tios Ihcchamavâo fiibulas>pefte da vcrdadeyra religião ântiga>
&: mu y tos Em peradores Romanos bufcàrão todos os livros
fagrados.comocriminofosdelefaMageftade , paraosquey-
marem, porque mais fe náo leíTem. Os Judeos náo admittem a
Concórdia clara do velho, Sc novo teftamcnto,&: por não que-
rerem entender a Lcy da Graça, ignorão a que profeíTaõ en-
tender. Os Hereies tirão j&racreccntáo letras: arrancão àfut ^ „, . jt, , j

vontade as elcrituras repugnantes, 47 pondo-as atormento te ícntcntias , & ad voiuntatcm fuam


com interpretações , Sc contra o mefmo Deos com implica- criptuiam uahcrc icpugnamem.

chamão Catholtcos Âpoflolicos como os fediciofos


çóes, ôc fe ;

que para titulo de feu furor tomão hum pretexto efpeciofo


,

ou violentão hum grande para fua cabeça. Os Carholicos ver-


dadeyros as equivocáo para feus intentos, fabricando erros da
verdade, como difle Tertulliano 48. ©avarento fcefcufa 48 rír/tt//M»».t^/>o/o^.f.4-?-Oínniaad-
:
^
«je ipik vcmate cóftru-
'•'com os luzarcs
f,
que encomendão providencia; o pródigo fe 5^^"^'"^'^^'='"
tta (iint opcrantibus «mulationem il-
g , , J^ j1 -1
j 1 •
j 1 • • )

valdos que louvao a liberalidade; omurmurador dizqtcm tam ípintibqs enoris.


^ zelo: o deliciofo, que Deos manda confervar a vida: o que fur-
ta, fe funda em leys de compeníaçaõ: & outras vezes (como
***"' *'" ^" ^'
Judas no unguento da Magdalena,49. ) diz que ajunta para "*'
obras pias ; a vingança nos miniftros poderofos fe cobre com a
capa dajuíliça querem que o bem publico fe dè por obrigado
,

à fua crueldade , &


fua ira ; procurão perfuadir que não tem ,

mais intereífe que o da Republica, Seque a malicia com que


caftigão, nenhum parenrefco tem com feu íanguc mata He- :

rodes ao Baptifta, &: cobrefe com obfervancia do juramento;


50. pedem osjudeos a morte de C^n/?^, 6c fundão a petição \° ^o<fí'i9.V."Noslf(5flnliab«muí,&
emleyj 51 traça aprendida de Satanás, querer juftificarpre- fccundiimifgcmdcbctroori.
cipicios com authoridades fantas da Efcritura.52 ]à Tácito ,11,^^'!^,^:^^'^'^^"°'^''"''^"'''^'
diífe que para os vicios fe pertendião nomes honeftos. 55. ^; rj<.vV.a^«o/./.i.C7i4.NúmiBaIi»'
Todos torcem para fua protecção as letras íligradas louvão "^^^ pmcnduiuur vuijs.
:

fua bclleza.mas não abração fua virtude.Peyores fomos os que


fem rebuço as offendemos , quando proteílamos vencrallas j
como os q injuriavão aCbrífto noflb bé,no mefmo tempo q lhe
cbamavloRey,&moll:ravãoadorallocójoelhosem terra. 54 54- Matth.í7.í9.MMe.ii.\t.'foM

dn- 16 Fmalmente qu 3 fi todo o mundo náo lè, ou não enten- '-•''•


T^ r
e, OU naoeltima as cartas que ueos nos eícrevco com novas
,
55 Plutarch.Cr Suet ineiusvit.
^í x.par^hfcmi^iu
de noflTa pátria não permitta fua piedade , que ou pelas não 57 D,^iízuft.dedi/cipi.chrip. M«
j
, , . .

lermos .como]ulioCe(araqueo.vifava d. conjuração


^^ZS^'^;^!:^::;^ -,

ou pelas não eítimarmos, como El-Rey|orâo as de Elias, 5Ó ris loquor pccuniam diligins ,;tamúni

,

cayamosemmortemaisfunefta. ComoS. Agoílinho /jy in-^^-^^H'^^^-


troduzio ao i5V«/:7í7r dizendo queoamaííemos tanto como hú
avarento ao dinheyro íejame licito dizer que devêramos re-
;

ceber aquellas cartas do modo com que hum galante aceyca


Diij húa
' . ,

4í PAkTE I. CAP. XII.


huina carta óciola coni ac;rado
-, , com rcípeyro , abre com. an-
com attenção, ciiyda que ha de achar myílcrio que naó
ciã, lè
alcançou da primeyra vez torna a ler , Scdalheexplicaçoens,
-,

que naó imaginou quem a elcreveo: íonna na repoítaj &" a por-


ryTjTS/- .c tadora, ou portador he muy to vil , a carta he m u y to m á letra
' íem virgula, nem ponto que difi:in!2;a os periodoSj tem pala-
vras do ufofcm conhecimento da lignilicaçáo, &:cmmuytas
regras nfio tem fubílácia ó Bom Deos! das cartas que nos vem
:

do Ceo foraó Secretários. 6c fam portadores , Profetas , Apof-


toloSjEuangeliílas, &" Doutores Santos ; quem as manda he
Deos , o mais amável amante trataó da matéria mais grave j :

• - pelo cítylo mais alto com elegância íem fupertluidade i d\' af-
;

fjm merecem tanto mayor agrado, reípcyto, &attençaói le-


rem recebidas com fè, & lidas com efperanca, interpretadas
com amor Sc cuydarfe de dia , de noyte, como fe lhes ha de
, &
reíponder, 6c como fc ha de alcançar a companhia de quem as
mandou. Porém aíllm , como os Poetas artificiofamence di-
7em que Paris, nem eftimava , nem lia as cartas de Enone fua
'
3

primeyra amada, porque tinha os novos amores de Helena;


••

,
''. *.;.'.' :

' ailim não queremos novas do Paraifonofla primeyra pátria,


porque nos impede a terra, que hoje he fenhora de nofla aítey-
5» ^^•''''''^•M.Ncmopoteílduovç^^.,,-, ,^j^^^,^g|-g ^Q^^3 3 g^ he particu-
i

59 jL\>,n. Jacob. f.4. 4.Nefcitisquia lar na amizaac do mundo, lazernos mnnigos de Ueos. 59.
amicitia hujus tnuudi luuiúcuia cit , j-^ Tcrrivelconfcquenciadodcílerro de noíTos prinicyw
*^'^
ros Pays fazemos naturacs as miferias delle 6c perfuadirnos,
: ,

quceílamos na nofla pátria, fem nos q^uerermos lembrar da


verdadeyra foy ncceflario que Deos amante , vendo que íuas
:

cartas eraó defellimadas, enviafle fcr, Filho , porque o refpey-?:


taíTcmos. 6o Para nos levantar O deílcrro , deíceo da Pátria
go Matth,tx,Marc.ii,L:a:ío,
CeleílialjSc atè da fua terrcilre andou defterrado com i\rã.Mãy
éi M<itth.z.r4. lantiílima; 61 & em jerulalem, para onde noflbs Pays dcíce-
Yj^Q^ (52 fubio à Cruz, para íubirnoííos defejos à pátria don-
61 í,it.j4«,4.

,,., ., de cahimos. Os que hoje vem mas naó vem 6; íis cartas do'
5

^ '
Ceo; os que vem masimovem o queíezC/7?(/íí? porque as
,

viíTcmos, que enganados le verão no uizo fi nal / Então verão,


|

Tunc viJebunc. <^ií^<2 O Scnhoí: 64. Os deilcrrad OS ít hos de Eva na oração da


64. ÃfatthJup i(i.
1

45'^/^'í?,queheomc^moqucy^^TJ clamamos à May da Graça


pelorcmcdio ^ com a troca do nome o veremos na Segunda
Parte, fccl.imamos de coração aosqueotinhaó no Egvpto.
•,

negou Deos entrarem na terra de Promiiraó, Ó5 polloqueno


exterior caminhava 6 para cila.

CA.
, ,

EVA,EAVE, 43

C A P I T V L O XIll.

Como Deos 'veílio a Adaõ , Çff Eva antes de os lan-


çar cio Paratfo ; como creceo o excedo no veftir , por
cegueira do -peccado -iÇff c^He moderaçÃo deve aver.

1 A
Ntes do peccado a o;raça A^cftia a noíTos Pavs de „ „ r,
_/j^ relphndor } i logo que peccaraole cobrirão, a gch.c- j.v.y.
comojàdiircmos, z com folhns de ligueyra, por pudicícia.
Deos quando os quiz lançar do Paraiíb , diz o Texto Sagrado
fez túnicas de pelleSj & os veftio-, prevenção con-
g que lhes 9 Gen.^.n.
i^"'^<i-P^^-^r.in g«;./.4.».i<ío;
fra a inclemência dos tempos. 4 Qiie íenhor lança hum ena- '^

do por culpas graves prevenindolhe conveniências íoy mi-


,
.?

fericordia. < queíocabe no^enerofopeyto de noíToDeos, n ^ ,. ^


r c o 1ri 1 ir c a. ^ $ Een. Femand.m^.Gen.q.^o.H.X,
que laz Sol, &: chove íobre)ultos,òcinju!rjs. 6 6 Matih.s-^s-
2 As pellesforaó de animaes, que para lílo matou, 7 fem 7 ^i'"H-'»]-<^(»-
ficar faltando aquella efpecie, ( no que alguns Doutores duvi- ^Tt!TÂ'Gcn,u.n,ii).o-l,
14. «í
dàraó) porque de todos tinha creado muy cos, como advertio 14.
odoutilíimoPereyra ; 8 &:quenaóhaefcriruraqueproveo
contrario. Naó íe ha de entender, dizem os Expolitores, que
lhes fez os veftidos por fuás mãos mas por Anjos, ou com hú ;

iví^í?/^, conforme a fua Omnipotência. '


.

3 Sete feculos fe continuarão veftidos de pelles. Falto

jj./
deftanoticia.diíTe Lucrécio Poeta o que os primevros^ ^1^^ho- 9 í«crí//.5. -> -w'»'
Et fruCKcs inter condebaiit fqual da
•'

mens andando nus, le repara vao dos tempos entre as arvores, i-nembra. Verbera vciuorum vititc im-
:

Pelos annos fetecentos pouco mais , ou menos da creacáo do brefque coaai.


mundo , Noema fexta neta de AdaÓ por feu filho Caim; inve- '° ^loicui.h.n. p.u ci.rcr/.jub. h.c ,

tou o Lanifício, 10 afazer delle veftidos. 11 Teve Noema n íemanà.tn^.Gen fea.19.nj.


olouvor de moftrar às mulheres o emquedeviaóoccuparfe.
"Na antiga Roma foyceremonia dos cafamentos mais graves, * ' • • '

levarem diante da noy va quando hia para fua nova cafa, huma
roca com linho, ou lã levantada em alto,' 1 2 como bandey- » ^ P''^''° ^^'''* «''i'/v.<'tf T.<jr./if. W.
,

^'^^*
ra, em cujo exercicio havia de militar: & todos os antigos pin-
tàrão huma honefia matrona com hum jugofobre opefcoço,
^
nelle huma letra que dizia :////f?}7^ ; hum cadeado na boca
com hum cinto, & le-
comlerraquedizia:í:^?//.<?r/^j apertada
na mão direyta hnm.\ tocha aeefa com letra:/^/jna ^, Mmien,^rofaf.deChriíi.Mcs.
tra .^í-^^^^;
cfquerda huma roca, com letri /á^íir/(?//^: 13 & o EfpiritOf.5.^.5.
;

Santo nos Provérbios 14. a defcreve fiando. Com olanificio m J^roverL^.i^.


V ^ n- 1-1
1 r
• -• ^ 1 IS PmedaMonnych.Ecdn.P-i.l.UC.
começarão os velados mais polidos j mas entendele que ainda ig.^.^.
notempo de Noè naó hivia calções 1 5 porque fe elle os ti- ,
fermnd.vt <).GeH.fea.7.ni.

vera, naó lhe fuccèderadefcobrírfe. 16


;^ Bn^fOeflor.chaidaic:
• "'
4 Fadado o diluvio fedevcoaTitea (que os antigos cha- is Matute li<iM'^d.í.c.\.^.^í
Jilura6Vcfta}mulherdeNoé, 17 enfinar às mulheresdefte
íiòvu mundo como fe fiava, d: tecia. i8 Depois feattribuhio
5- a Pai-
3 , • .

4:f PARTE I. CAP. XIII.


a Pai Ias O tecer, &
lavrar com
miftura de fio de ouro , donde
«5. owJ.,Míía«./ 6. inprmc.
Ovidio 9 cfcrcveo a fabula de Aracnes Lydia competindo
1

»o p,.edad.c.ii.,., crd M.r.:o


^om Palbs nadeftreza dc^a aitc > & O luxo toy introduzindo
j.}./«^"/,.
'
Uizcm 20 que Scmiramis, Rainha
asvclhdiirasniaisriciis.
de Babyloniaj pelos annos quatro centos depois do mefmo di*
luvio, inventou os calções ; como era varonil, pelejava a&
cnvallo, quereria acudir à honcftidade , 6: tinha engenho para
tudo.
5 No tempo adiante inventarão os Lidos em Sardiniao
21 P/.n./.7c.56. tingiraslâs,& logo começou a purpura em AíTyria i 21 &as
A]ameã.c.i.i.i.
corcs , &" feyção dasvcftidurasdiftmguiráo oscilados , offi-
cios ,& dignidades, como OS Authores miuda ,& prolixamé-
,^ p^avi/.Tc^,orUoffici..p.r.tu vr/
mwMí.jçíMffj. te referem; 22 íuccedèraó as fedas, lavrandofemuyto pou-
^lex ah.Mi^. Genàier.i. i.c. to.foU ^-js cm Eutopa vindo as mais de Afia com difficuldade
, : até
pelos annos de Chrtjto qumhentos & cincoenta pouco
^''-'^
Vi.sci».
mais, ou menos, imperando Juftinianol. dous Monges trou-
xeraó da Ind ia a Grécia o modo de tirar os bichos , ôc oiízerão
1 5 Fiúfcul.hijl.p. 1. c. i'Verf. «?* <í«e y ul gar cm Europa. 2
*""'*'^-
6 A llimlcforaõdemafiando os vertidos, chegando a co-
brirfc com o ouro, pérolas, apedras preciofas, & também o
calçado. Atalio Rcy de Aífyria inventou bracelletes, &joyas
24 Briit» na MoHArth.Lupt. Li.tií.i. ^om
24 delias fecarregaò as mãos, &: a cabeça, 6c
pedrarias j >

em col lares fe lançaó ao pefcoço como prifoés


para ifto quan- :

tos morraii nas minas? quantas mãos fe efpedaçaó para que


hum dedo luza.^ Qiietem o marcomosveítidos ? pergunta
2^ riin.h,if.nit.i.9.c.i^: Plinio: 25 que tem as ondas com a la, para a ornarem de pc-
'^ ^'"" ^*"'"^'
^^^^^ Mitridates Rey de Ponto trazia huma efpada,quc valia

.

-^Tt
-mi 3W1IV (ííJk,:!!.; .
perto dc quinhcntos mil cruzados de nofl^a moeda de hoje. 26
Ao grande Alexandre enviarão certos Povos da índia diade-
mas auefeavahàraõ em cento &: quarenta milhoens de ouro»
^i MnrUra nasexceU. àaMònárcJe
^7 ^Nouio Scnadot Romano tinha huma pedrachamada,
Hf/f.c.io.§ 3. <>/»<?/o, que liojeíe não acha; era verde como efmeralda, lan- &
çava de ú huma notável claridade , avaliada em vinte mil fef-
tercios,que conforme a conta de alguns Authores,fazem qui-
yt ir?i(ii6r.Pmtop.z.éa!,4.c.7. jihentos mil cruzados. 28 Emperador Heliogabalo naó o
vcftia fenaó purpura cuberta de ouro, pérolas , &: pedras pre-
ciofifiimas) no calçado as trazia de valor ineftimavel, &: ncllas
efculturas de adm iravel artificio. Nem de veftido, nem de cal-
çado, nem de camifa , nem de outra coufa que hum dia ufaflc
íe fervia fegunda vez, nem dos ancis , trazendo fempre muy-
Z9 ÇewLantfri d. Capitel. Ò" outros, jqj^ 29
Mexia d.Lx.c,i^.
^ Helíosgabalos querem hojc fer quafi todos os homens^
gaftaó mais que cUe à proporção da poílibilidade de cada hú |
muytos mais gaítaó lo cm veitidos do que tem de renda j no
mais fe fuftcntaócoiTi traças, que naó faó para cnvejar. Nin-
]i iVÍf/S.Í!/Íf!£fc2.í.H-f s» - giicm aceytarà hoje a mercê q Decs fez aos ifrachtas 30 nos
quarenta anno.^ que andàraõ no deferto> &
aos fetc moços fan-
to> que chamamcs dormmtcs , nos 373. annos 31 (ou perto
de
, ,

PARTE r. CAP. xiir. 4^


de200.fegiindooucrosAuthores32.)qiieeítivcraóemhumd ^^ Ai{^,^.Ve>HT.m EncUnJ.
covdj n:ió íe rompendo a huns, nem a outros o veltido , & cal- 7'/om z/.m c}t:imk Frana « cdmp , ,

çadoem todos aqaelles tempos^ Todos querem coílumes no- ^'Ví-^s- «u-
vos, pelo menos cada anno. O
trabalho tem crecido incom-
paravelmente, no eftudo de inventar, ou na pontualidade de
imitar) na diligencia de bufcaroquemalfcaclia> nadefpefa
de o comprar; no rifco do oflkial obrar bem no enfiidaniento
;

deveftir, &c defpir tantas miudezas namoleftia com que fe


j

aperta o corpo > na duvida de Ter approvado , que heo mayor


rifco depois de tanto cufto j porque huns dizem quenaóhe
próprio á idade ; outros que naó convém aoeftado; alguns
cjue fora melhor pagar dividas tal ha que murmura de fer fia-
:

do Sc outros que profeflaó veftir bem , fempre achaó que no-


•,

tar,jánotalhe,jánafortedafeda, já na guarnição. Em Ingla-


terra conheci hum gentil- homem principal, & Catholico, ^
tinha por capricho trazer cada dia humas luvas novas.
8 Grande ignorância , em que pelo peccado cahimos cô- i

vcrter o reparo que Deos deii ao corpo , em cuydado que oc-


cupa o juizo, em diligencia que leva o tempo, em defpefa com
<jue malfepódejcmcoufaquepoucas vezes feacerta, molef-
ca o corpo, &diz o grande Padre S.Bafilio, ^3 que diverte o ^5 D.Bapi.hsm.^:

efpirito de Deos &aírimnoífosPays em peccando femfc /


; ,

lembrarem de pedirem perdaójtraràraó de fe v^eftiremi34 def-


piraófedagraça, 8c veftiraó-nos da vaidade: envergonharaõ-
fevendofe fem veftido, &nos podemos envergonhamos có ^ ^ ,
Ç** Vantos fuperíluos. Deos fe fez pobre por nos veílir de graça ;,'

^ D.PaitU.ad Cór.i.9. ^
*-< 3iÇ contentoufe com o encarnado, que a ^7?;^??;; lhe deu; mas

nem efte , nem outro , que a Senhora lhe obrou por fuás máos
lhe deixarão os homens faó até a morte: ambos Iheefpedaçà-
raó; 36 roto , & nú morreo o q vefte a todos fó naõ pareceo 56 pyj/w.n.v.iy,
;

homem em morrer mais roto, 6c mais defpido que todos os ^^"i'-'-7-iy *

homens: & veftemfe ricamente os homens, havendo roro,def- i,^,r 'j.j^.


pido, Sz empobrecido a Deos Creou Deos fedas , ôcjoyas,
i

mas naó para exceflbs como creou ferro , naó para homici-
i

<iios ; mirra, & íncenfo, naó para incenfar idolos ; ovelhas , &
outras rezes, naóparafaçriacar a deofesfalfos , creou tuda
*;" para ufos louváveis. 37 -,:<f)'.f
'-'--'--- ^^ S.Cypríanintraâ. dehdit.yirgi-
'
9 Na5hereprovada,anteslouvavel,a medida conforme "'""• .. ./ , ,

a idade, õc eirado. 38 Nos moços algum excedo degalanta- tumfiaeadn.^^.


ria tem defculpa; antes oincuriolb, & contra o ufo feria cm ai- 9 "'^'í- .-í"í«^.c- tv
5
-^'«^ '<"'•

'^'''"' ^-^-omantspccuLt.jup,
gum modo culpáveis mas fendo o exccflb demafiado dizia ,J° ^
AuguftoCefar 39 queerabandeyradafoberba, &; x\m\\o áí\ PíiUt.Ti^b.iniHlri:Jcdonai.^.\t.nAa,
lafcivia. Também nos Príncipes teve Séneca por convenien- '"/"•• , , , ,

ciaveítiremefplendidamente por decoro da Mageftade. 40 j,!^;,,,,,'. Qi.cmadaiodum veíi.um


Ariftoteles louvou em Alexandre eftudar muyto em fe veftir decorcatc^uems^nificenna citcris ho-
có mais bizarria, & niagniíicencia que todos os homens. 41 O
™'"'''"' f^'^'^"'"' '"""""^ '^'''^'*-

gloriofoRev de Portu^ral Dom Manoel cada dia velliaakúa _, . ^ ^, jip^


.
,

r|),oçanova,iemexceíloj 42 mas o íin?peraaor Alexandre be- D.zhwdci^.td.fn. ^.^.


•íio: vero
1 :

^6 EVA, E AVE/'Í
vcrofc veftia com pouca difirreiíça dos populares, dizendoq
45 Lampriàin^hxScx»'.
fó nos bons coílumes, & authoridade os queria exceder 4^5 o -,

44 PdnormitÀcgefi./ib^honf. mefiiioufava, & djzja O grande Rey de Nápoles D. Aífonío


'^ncu(LSyiv.deejHs déâ.
^^^ g. ^.^ mefma opiniaóYoy o grande Rey de Portugal Doni
JoaÓ IV. Nos de menor eftado feguia o melmo dictame ò
ThebanoEpaminondas, que chamado para hum adio publi-
co^ naó pode ir , porque eftava a lavar hum vertido que fó ti-
. T.^, >• } r nhaieraomaisrefociradovaraódaquellaRepublica: 4.< mas
vcKatUi.tolim,d.wn.^.^'Ux.ab^kx. loy hum homcm ímgularmenteinligne que nao faz exemplo.
'•3-f.ii. Diógenes 46 ir^ualmcnte notou de foberbos huns Rhodios
46 D^oíe^-^H-^''^^^
que viocom prcciofos veítidos,&lums Lacedemoniosqueíe
veltino muyto mal em tudo na de haver decente moderaçaòj
3

47 D.Qreg.NaKiani. crat. i. dcíla Iciaviva S. Grégoriò Nazianzcuo 47 a feu irmaõ Cefa-»


reo, dizendo que (êndo grande na Corte j &: andando noPa-
çojdefprezava o exccflb vclHndo como cortefaó.
10 He fuialmcnte concluíaó dos fabios , que pofto que 09
48 Vir bcncveftitus,proveítibu-;c(ici-iifticosmecaó a authoridade pelo ornato 48 os politicos,
;
reruiiscreilnui, àniille qnamvisitlioca 'i, *' l. - t - _
i r ^ •

fn -iie.M carcas veiie,ncc vcít.ms ho-


í,s
"cm ao cavallo,ne ao home avahao pelos arreyos precioíos4^
jicíia, iiuihus csUudis, quamvisicis Os Filoíofos dizcm 5 O quca uimia curioíidadc em fe com-
omnequodaudis.
,
pomace
^ de certaerpeciêde
^
imaginativa muvto cóntrariiao
49 Sócrates apiid Stob.StrmA.deprHd ,. ir i in. • •

Sencai i.i.eyiii.^j. cntendmiento j 5c também o deicuydo grande moltrajuizô


50 H;,jríí </f^. WHoexjw, tffw- defcompoílo; 51 cntrc CS dous extremos fe deve feguir a

^'"í "^^^^^ ^^^ í inclmando fempre para a modeftia fcnT vileza , Sc


D.iíçír/^^^^^^ ST. #.
incompoíiuo corporis iiaa:quaiitatan fcm fauílo. DiíTcraó também fercoufa plebea veftirfc mclhof
judicat mentis.
nos dias dc fcfta ahumque o fazia diffe Diorencs, 52 que
;

todos os dias erao de leita para o homem de bem.


1 Só com os homens falíamos; porque ás mulheres, nem
oeloquentiílimoChryfoftomo com huma oração taõelegan-
íj D.chryfoft.hcm.íi.advop.^m!oc.^^<^omoh\2. 5 3
*
pode peffuadir. Soporcuriofidade referimos
«"w-5- queAtalioReydosAííyrios, pelos annos quinhentos pouco
mais, ou menos depois do diluvio, foy o primeyro que as mut
Ihcresconccdeo podcrcm trazer galas , &ioyas 54 pareCê
54 Pincda naMonarch.f.iU c.^-i-
-,

i.mprinc. qucatècntaõ fe lhes naôpermittia;&: tanto nos princípios do


}5 ButionaMemnh. i'í/?»./.i.
</M- mundopertendcraò ellas efta liberdade ellemefmo lhes in-
;

ventou aguas para o rofto. 5^^ A fermofa Cleópatra Rainha


doEgypto compoz hum livro dos trajes , enfmando como fe
haviaó de toucar, & veftir, & de que cores conforme a altura:,
&: feyçóes de cada hiia , de modo que lhes eílivèífe bem oque
puzeíTem; perdeofc efte livro de bem guardado &: foy a per- ,

da que as mulheres mais fentiraó. A ley OppiA prohibio às


Romanas veítidos decores, ^* trazerem mais dtímeya onça
de ouro mas durou fó vinte annosj porque as matronas amo-
j

•.

jfx -M- 1 '


ax. .9.c,..r..y
tinadas, cercando a cafa cie Bruto , a fizeraóabfbgar. 56 O
^6 Fu^er-
EmperadorHeliogabalo dcputou lugar, comofonado ,onde
cilas confultaflem de que vertido, calçado ,&:joyashaviaõde
ufar, Sc que coufisfc haviaó de permittir, oupr<5bibiracadá
,.57 iiffx/4ci./.t.M9. Tortc de qualidade; 57 fem duvida feria o mais bcmquiá-o
Principeerif r«as curiojidades. As grandesfenliioràs^tc-pw íiè
COli*
PART. r. CAP. xnr. 47
confelho, que Séneca deu àEmperatriz mulher de Nero, deq
feveftilTe ricamente por efplendor da dignidade > já de antes
íemefta doutrina o fazia com tanto exceflb Júlia filha deAu-
au (to Ccfar, que fe lhe advertio que pareceria melhor imitan-
do a modeftia do pay ; a que refpondeo , que le elle fe cfquecia g stoh.Serm n,
de que era Cefar, ellafe lembrava de que era fua filha} 58 a
impudicicia, quenellareynava, fcmpre tem querefponder.
Com melhor texto as favorece David , ornando com veftido
dourado a Rainha de que fallavaj 59 míisalem dequeaqnel- 59 P/âAn.44.v.Ti. Aílitit Regina á

le ouro figniíica as virtudes ainda tomado á letra fe reítrin-


,
*^""'* *"'^"' '^""" deauiato.

ge à moderação, áizQnáo dourado, &


n^àòde ouro. A hfia mu-
lher ornada com demafiadacuriofidade diíTeoilluftre Varaó

r ^ . rr.*.>J IL^ /
jjíi
ThomisMoTo:Dcostefarà(irandei}JÍí/ílíça,fetenaodcroIri' ,
éo RefertFtmand.i.Gen.tã.l.n.x.
^' y
fernopor ejje trabalho. 60 ,-„^„_,
j

1 2 Naó fou taõ fevero , & fey que judith fe ornou virtuo-
famente com as melhores galas 6 1 mas foy para vencer hum ^» Judith.cAS.&' cii-é* t^.
-,

Capitão fujeyto ao vinho: EftherparacontentarahumRey , b,c^2m.'^*^°"^"''^'"""^'''


que efcolhia bellezas, naó tratou de ornamentos 62 porque
-,

a natural defarmada vence melhor aos que eftaó em feu juizo.


O Padre Frey Chrillovaó da Fonfeca, no excellente livro do
AmordeDeos, 63 refere que em Lisboa certa fenhora que». 65 Fe>ifecadoamordeDeos,f.i.e.^
era fea,amanheceo hum dia fermofa por milagre de S. Vicen- •

te ; devia fer para algum ferviço de Deos , como fuccedeo a S. ,


Ifabel Rainha de Ungria, augmentandofelhe a fermofura de '»

que era dotada, 6c a outras Santas. Diz omefmo Santo, que


aquelle milagre occafionou ferem as damas de Portugal de-
votas defte Santo jdiíto deve nacer vermos bellezas milagro-
fas ; mas que galante andava a mulher de Filo, de que em ou-
tro lugar temos fallado/ 64 Defenganemfctodas, que afer- ^^Sufrac.-j.n.iu

mofura naó confifte no que fe pôde achar por dinheyro, co-


modi(reh«milluftrecorten.ó. 65 jJ^f^M-^tíf"'''^''"""'^
15 Por naó parecer que approvamos o defahnho, lembra-
mos que atè nos que trataó fó de efpirito he reprovado j tanto
devem evitar o fordido, como o elegante, dizia S. Jeronymo ^
66 porque aílim como eíle parece delicia, aquelle fabe ajadã' 66 D.Hierm.tp. adNep.
cia, que he mais perio;ofa com capa de virtude 67 Aos vir* (-iD.Auguii.UeSerm.Dom.

tuolos encomenda Salamao, 68 que lej ao cândidos léus veí- jj^jj,

tidos. De S. Bernardo fe lè, que entre a pobreza do feu habito 69 Brim m


chon.ãe ajhr.
^^^^o w™.r«..A^^^^^
andava muytoaceadoi 69 deS.Therefa dejcfu, que era
honeítiliima, Scaceadanoveftir; 70 omefmo aceyo tinha S. Dijfemosnoep.paneidcs. i^»yi f-i.íj.t.
Rofa Dominicana, yi Exemplos, que por todos baftaó.Sa- ^.e'>cdady& ^.^.-v.tuvo.

crihcio de immundos nunca agradou a Dcos. 72 ^^

CA-

4S EVA, E AVE,

C A P I T V L O XIV.
Como fe acalmt aMonarquia de AdaÕ , Qf -porque
caafa j que pela mefmafe acabaõ todas as do mundoy
defcreveje a grande^ , Qf ruína das majores que
ouve,

1 A
S fim acabou a Monarquia de Ada5 que pouco :

^^£j^ duraó as grandezas da terra! Se a fundada por


Dcos, pcdcroíii em todo o mundo, & fern ter competidor , fe-
ncccotaó brevemente em que feíiaó as que naõ tem tantas
V

caufasuc firmeza? A El-Rey Poro vencido, perguntou Ale-


xandre dandofe por oíi^endido da audácia com que íelheop-
pi! xc ra; Giitc íc parece qve fg ovâ fãrcy de ti ? E Poro lhe rcfpon-
deo regia, ôí iiidicioíamenre;7v?^(? o que te enfmaefie dia, em que
vcs coviofhn ctídíicas as felicidades, i
I o QvrfA^ rch.-jirú^.Qmà i.c ^ c^^^j^^
^n zaó íc attnbucm fcmelhantes ruinas à inconílan-
dics tibilii.wrt quo exjictíLis cs qu.un
, . ,
n
, i r i i
• •
i

caduca felicitas cíict. ciaciomuiiGO, naccncioellas QO arDitno dos mcimos quc go-
vernaõ. A melhor qualidade do míido he eíla inconftancia j
q
feria dos bonf^, fc fora conftante para os máos ? os bons tem a
-,

1con ihmcia cm fuamaó própria > aflaz confiante he o mundo


cm fcr cõtinuo pregador com exemplos que deverão inítruir ,
que culpa tem fe lhe naô damos credito?
i Xenophont.^pud p.itrh. de i{ep.l.i. ^ Era fcutença dô Xcuofontc , 2 quc as Refpublicas to-
c.).infin.ijau^ZA7.
dascahcm por falta dos governadores, que bem governa- &
das fcriaóimmortaes. Deosdifreporlfaías, qfc os homens fe
^ , ^,. .. . reí?;cfrcm pelos preccytos divinos, fariaò fuás felicidades per-
,-'
.

^
? 5<zp.fi.ii. Dilií^itc iâpicntiam,ut ^ \ . '\ .
r> • •

inpcrpcniumrcgncrs. diiiavciSj O prmcipalprcccytoaos rrmcípcs pata rcynarcm


4
]'p/r/! iio.v TO iniciurrifapientia:
perpetues, he amarem a fabcdoria, ^ &: cfta confiíle no te-
t.morDomm..Prov.rt.i.7.
^£-'- nicr de Deos ,como tudodifib oEfpirítoSanto. 4 Sem prc-
5 pyTí/-^/.^ (.v,6.Eoodixi,(liicfi:is, & ceytoeraobrigaçaó jpoiscomofahiraódc Deos,
5 por quem
Exceli) omncí.^o.zi.io
filij 5. -,
revnaó, 6 Dará continuarem devem tornar à fua origem , co-
7 7. Adiocuniundeexc-
AiVr/f//,:,'?. 1
moasaguas aomar; 7 icndolubltitutosae Ueos, 8 devem
, por naô ferem rebeldes ; 9 recebendo de
unr flimiii.a,rt-vertuntiir, iit itera fíiiant. rcy nar ló para cllc

I ";íc:S";:'r'Eí „,.,..!>«=";
a.iuri)dicç.K-, , io tem dcllc particular dependência ,
flex.jolrca\id.ií/cF:iip. Aii^ulto fc^^. 6. contomic a dircv to ; II ôc cxaltando-os Deos, faó obrigados
F7acha.7m.(c>mr.n.dc^overn^.').fit!c.').
^ humilharfclhe V.vaisfob pcnadc iiig-ratidaó. 12 PoreSe ca-
io D.Pí.í/./"? 1- Nondtci:.in pn- . , ^ ,- ^ ti /• ^ r' ' r^

'''

teílasi,iuâDco.ppfír./«/no).fp,t.i5 mmnoíomentG ÍC conlcrvaoos l^ruicipes; nao lo porqUeos


I liotitiir m Lmora ycumfcq^.ff. de favorcce a qucm O vc!]cra Sc abate a quem o naõ refpey ta , co-
I
,

modiíícraó Anftotclcsac Livio 13 Ethnicos, mas também,


'"'^'S^íi. Quanto í.p.ror«fi-
mustJi^TOnosíiibnufiiusj^erarvcs. porquc ainda quc Dcos diflimule, he conlcqucncia natural
$ ATiii.<^.i{het.
ad ^ic\. Dw pro-
p^j. mevos ordinarios aos quebrantadores de fua le y j ou natu-
I

nicrcsclie incos, qui nuximculos co- ^ r . ''



<
' r i i

i •

iimr. ijvdec.i.Ly Oir.ubTTnryzi-cyc- ral,oueJcnta, arruinarcmíe> coiii tal providcncia atezaquel-


ni-mtíeruieiuibusDcos.ariveríàauícm le íiimmo Icgiílador, também pata a confervaçaó temporal,

^''uD^^Lnaharmo..pi;s...ir:no- comojá mcítramos cmobta particular deílcinííituto. 14


(Ih,(.':o. a na j .p.§,u/t,& per lote 4 ^-^
P^*"
PARTE I. C AP. XIV. 49
4 O primpyro h( -mem (diíle o Pralmiíl.i) 1 5 eftando na j ^
p^ ;,„ ^g ^, ,,/,. Homo , tnm m
honra da mavoriMonarquiaj naó teveefta Iciencia do temer honoretiicr, loninuiiexit.
""^'""^'""''''
de Deos, naô gmrdou leu preceyro , por líTo k pcrdeo. Nin- . .'^^gí ';"r
giiem hcofrcndido íènáo por fi meímojdifle o grande Chry- ,7 A/f«-W. Oinnbus cuidem bc-

ioftomo: ló cadahumhearrifice da fua fortuna, ainda en- '^<= íapici,t.h!3[-iiá<! bci-.cfaciei.nb.,s]

trcosparricularcs, era kntença de Menandroj 17 queella ^ç,,^.,,.^^ í^íj^prúdama; fedrc Nos


ajuda a todos os í.\bios c[ue obr.io bem Séneca 1 8 rcconhe-
-, tacim us, fortuna, Deam, caiuo.ue loca

ceo que nao tem jurifdiçáo Tobre os procedimentos a vir- :


"'-^
5,.i„n.orcsí.r:unaius
tude hc Louro contra o leu rayo hum galante Comjcode ,10,1 i,.nK-t, /-,/.';.
:

toda ad fe vence conidilioen- i? T;rjedeMoi:xwf.^.con.edDGtl.


noííos tempos diífeqv.e a veria
Jf y- r r^ n. \v, A-S' Porcue poutas vezes vi, no veji-
cias; 19 & • j flff \

outro judicioío Caítclhano 20 deyxou ditolia ^,jj3^,lig,,,^,J ^U3^i^.„f„„^j,^„,f^.^


i-

iTiais aniK3s, que a nenhum homem verdade vro , & dihs;cnte liz.

faltara o neceííario , &os favorece o Efpiritó Santo nos Pro- ;°


^'^^« *'^°
^f^'' ''^^'^f
^''
f
verbiosj dizendo que o remilio lera pobre 5 òc O /í?rr^ ( enten- i, p,ovio,a. Egcitatc op.-rata eft

didopelo/í)/;«Yo) fera rico. 21 Pelo menos feacquirir, tal vez íi^aiiusfemiíia, manus autem fonium
he fortuna, como em Adão , 6c Eva-, o ccnfervar, fempre he 'ir-pSam citíus rcpcrias quàm rç
prudência. Por iflb de Focas Tyranno do Império Grego, foy tiaças.
fymbolo Nao fe con ferva a for tuna tao fncilmente , 2 2 como (è
;

^cha. At€ reynandoTyrannos procede efta regra ;pois quando


os prudentes parecem maltratados , feconfervão na virtude,
queheaprudenciav& confervação vcrdadeyra ; a do mundo, 15 v.PjuLaáPs^m. %.ú.(2-i/aHCo.
^c^\Atch:í\ri^^.Yiu\o., jnorte , ó' i^noraricia i 23 facilmente "«í-í-jv.
fcaccómodaria comelles i mrsefla era a perdição. Cahioa
•Monarquia de Adão ^ naó por fortuna, mas por imprudência,
€cpeccadofcu; afilracahirão, 8c caiiiràó todas i as niayores
que ouve nos daó exemplos.
5 AprimeyrafundadaemBabyloniapor Nemrod, 27-^.
-i-^ íltl<tiih}li.*>.\.ç.iv,

annos depois dodikivioj 24 paliada depois aos Aííy rios , &


reftituida aos Babylonios por Merodacho, por occaílao
da grande mortandade que o Anjo de Deos fez humanoyte
no exercito do AíTyrio Sennacherib; 25 parecia ter prefcripta *5 4-%«'í^^

fubfiftencia contra todasas mudanças, &r ter dommio fobre


a mefma duração pois contando de feu íundador lha daó os
•, ,
^, r ,i-ar
Authores de mil quatrccentcs &:huraannoSj 26 & come- ^y MÍx-aniòHv.i.uc.i.Perer.inQeit
^andode fcu filho, ou neto Nino , quecomeçou a eftendella, l- is.f*«-S9-"' ^ '^">'

dizem 27 que teve trinta fic.tresReys Varões alguns eícre- ;,

vem que foraó trinta & íeis todos íuccefil vos de pay a filho.
,

Paulo Orofio conta cincoenta, 6c Toaó Michrelio ferenta &: ,, ,. , , p ,.-


r ' o - n i8 Orai 1.1 Micnrcl.mSyntam.btjT
&qmnhcntosannos. 28r. T^

1

cmco.emquaíim-ii i'oy tao tiorcn-^ ^ ^^,/ ^^ J,, _,<,^j,,,^^i„.ife,

te porque os Reys Aílyrios davaó o primeyro lugar aos Cal-


,

deos, virtuofos, engenhofos, &


fcientes, governandofe em
tudo por elles, &: lazendoíe tão refpeytados , que em todas as
terras fe chamavão depois , Caldeos todos os homens honra^
,

dos por fabios.


6 Mas veyo a reynar Nabucoclonofor , tão infano , que
felevantouaquellaell:atua,em que mandou que o adoraíTem
'por Deos ; 29 jà então fe enfayava para bruto , fera dos & i? djí/íc/.;,

montes, que fetc annos habitou como tal; 20 & peito que 3© D.mki.^.
E íain-
.

50 EVA, E AVE,
íaJndo mais modefto de fera, que de Rey Jc converteo a Deos
c. v 5«, ío« .w
initmido por Daniel; % i (tanto vai hum bc^ni coníclheyro,) 8c
í I nr^l hn.0.i.c.
feii filho Lvilmerod acho lhe entrcgcu o Reynoq governava j

vivcolo hum anno, em que naópcde emendar as maldades


a que elie dera exemplo. Succedeolhe feu íllho Evilmeroda-
cho,rã.o viciclo, queosfeus o matarão por m ao, fendo elles
peyorcs, & a eíle o filho Balthafnr fraco, & dehciofo; era cujo
tempo fe achava Babylonia metropoli da Monarquia , taó co-
nhecido fcminario de peccados^que es mayores fe rcprefentaó
^í ^pocair,y<.''á,i.o-c.i-j.s CT f. dcbayxo do fcu nomc nas divinas letras. 52 Em
húa noyte
%.x.aci'A'j-m. Bicfio notraã.ãa rumfdm JQy aquclla Cidade cntrada , dcítruida , &í occupada , &: cora
^daulmaLucn nofrinc ellatodofcu Imperio,por Dario.quc também chamàráoCyro
Rcy dos Perfis &" o Rey Balthafar, que acabava de profanar
;

os vafos do Templo de Jerufalcmjbebcdo por elles a feus ído-


los, & os mais convidados daquella efplcndida, Sc nomeada
cea, do feno paífou à morte ^e m
balde avifado da maó que ef-
creveo feu fim, & de Daniel que lho interpretou. ^3
""'^ '-5'
''
y Succedeo a ella Monarquia a dos Perfas,pofiuida jufta-
mente do mcfmo Dário Cyro pelo bom animo com que fa-
voreceo o Povo de Dcos, &: mandou reedificar o Templo
íanto, reílif uindolhe os vafos fagrados, 8c dandolhe do feu li-

£''cir.i.c.i6.
beralmentej 34 efta foymaispompofa , & opulenta que a
primeyra. Seja indicio de fuás riquezas aquella grande par-
reyra com folhas de cfmeraldas,&: uvas de pedras preciofas,
&aquelle travcííey ro , em que fcus Reys dorraiaó , chamado
Thcfouro do Ij nivcrfo , de que admirados fiillaó os Authores:
ccnto&oytentamilhoens de ouro cm dinheyro tomou Ale-
xandre a ti -Rcy Dário, alémdomuytoqueachouemBaby-
^e Athcniusl.ii.P. fM«r. de Me»- lonia. ZK Tcve tanta
Q;entc dearmas,que Xerxcs na batalha
doai ir. 'Virlã r.l irob/em. ij,
<,. „ ,
.-'/
^^ .,. '-.
, ,

16 rweda7MMo«arch.Eccief.i.^.c.i.
balammia contra os Gregos , ajuntou cmcomilhoens deho-
Eutto >Li Mo>urc.LuÇit.u.ut.'>). mens, como affirmaõ alguns Efcritoresj 36 outros dizem que
57 %^«^¥P-'-^-7.vrr/;a».«;««d*^^^^j^^.jl^^^j^^^ & duzentos , & tantos mil
j 37 masvencido
^^'^'
fugioemhCia pequena barca. Crcceo tanto efta Monarquia,
porq o fceptro fe não dava por fangue , nem por fortuna mas ;

por l"ciencia,6c virtades,8<: aílim a governarão excellétes Prin-

wat.z.n.iQ.o- vrat.<).n 12.6,


g Mas vicraó a fer aquellas gentes Afiaticas táo delicio-
fas,que os Gregos fc guardavaó de fiia communicação , como
de vencno;& ouve tantos homicídios, &treyçoen,s na fuccef*
faó dos Prmcipes, que nao \c podem referir fem larga hiftoria:
veyo pois a perecer aquelle Império depois de 230. annos, à$
,

mãos de Alexandre, que de vinte annos paííou à Afia, com


fos trinta, &c três mil iunintes , &: quatro mil cavallos ; &z ven-
cec,& matou aoutro Dano Monarcu ultimo, que fegundo os
que dizem menos, tinha quinhentos mil homens; alguns di-
^9 Piutanh.í<i tJUx.flCint. Li. cnm zcm qut naultima batalliaicveoytoccutos milinfintes, &
.

ffqq.r^ma..i.i brito Aíotí.vc':.Luiitf. fetc mílcavallos, Luido Alcxíifidrcívcc niÀlcavallos, &; qua-
i.un,^a:H.p.^/ "•"'•
rema mil infantes. :;9
9 Ale-
PARTE I. CAP. XIV. 5t
9 Alexandfe fundador da Monarchia dos Gregos alcan-
çou renome de AftJgf]o,Sz por fuás viclorias diz a F.fcriíura fan-
40 Machã.c.i.y
ta 40 que fezcallar a terra/iimidaj pafmada. Florccco
fiv'

cm quanto foy mayor em vjrtudesi moílroufc defejofo de


gloria em emulara AchilleS ; benigno cm tratar a Diógenes j
amante da Iciencia em eftitnar a II iada de Hometo , & em ref-
pcytar, quando entrou Thebas, a cafa, Scfaiiiilia de Pindaro;
caílo com a mulher, & filhas de Dário: reverente ao divino
cm naó cómetter Jerufalem por refpeyto do Pontifice Jaddo;
liberal em tantas occafioens , que íua magnificência ficou em
provérbio.
10 Mas lo^o que o Vento da fortuna o ihchoii, a naó que-
rer que o fuidaííemfenáoproílrados em terra, 41 achamar-
4Í S/'leUh- 1 6àn 4.
lcfilhodeJupiter,ademafiarfe nos banquetes, a arremeçarfe 41 t^fHd ^lun.Mar.hi^J,<)^c. 5.
em homicídios , &: a lúcios de pompas inauditas, 42 não fe
^ilTiniulou atyrannia com que ufurpàra fem mais direyto que
odaambiçãOi ôcodopoderj que leva tantos ao inferno hum 5

criado fe atreveo a darlhe veneno ; foy morto de trinta & três


annoSi&: o Império minino Gigíinte fe defpedaçou miferavel-
mentc; ficou a fombra dellc em Macedónia atèEl-Rey Per-
feo, cuja crueldade, falfidade,6c avareza o fez triunfo de Pau-
lo Emílio Conful Romano j 6c o aíTento que avia fido de Im-
pério cabeça do mundo foy reduzido a Província da Repu-
,

blica Romana. 43 4 5 Livius dec, yferèper tot, PltUifch


.
1 1 Roma
livre dos ReySjComeçou Republica de Julliça; '>' Paul.Emii,

nella fe eílimava a honra, fe provava o valor^ os homens vivião


pela razão, as mulheres com fugeyçáp^, fó reynava a generofi-
aade. Tendo Camillo cercados os Falifcos, fahio da Cidade
hummeftre de mininos, trazendo-os enganados a entregar-
Ihos para que os pays fe rendeflem , Sc o Senado os reftituhio
,

à Cidade,& que foíTem açoutado o meítre fazendolhe guer-


:

ra El-Rey Pirro, fe oflereceo Timocares a matallo com peço-


nha, Sc o Senado avifou aoRey, que fe guardafle de veneno
dos feus, porque fó queria vencello porarmasj 44 femelhã-
tes virtudes a fomêtavão de modo, queopprimida porAiani-
balmoftroumavor fortaleza: as perdas lhe acrifolavão a con- ,. ,_ ,.«„
n
Itancia
^
r^ y r r\- -44 Valer
.,,

nunca o beijado toy mais labio nunca o povomais ,„ i>.,r .__^,d.Gei.i.^.c.i


^
Max.1.6 c.Kide mSl.Vittierc.
; :

obediente os efcravos tomarão as armas como cidadãos as 4s


: -,
'"'•rg, ,._^/r-Heià -ji

matronas ofterecerao as joyas com que íe ornavao aquella ,ectirrcns


:

calam idade profperou feu credito. Crcceo a opulência qpoz Aípint Oceanum,vcrticiuercgi <]uevi-
na praça de Roma, quanto a natureza creàra nas entranhas da f^cbunt.
terra, ò; dominou tanto mundo, que diíle Virgílio
45 que lo j„pfpr ex alto cúm tomm fpeae: in .

tinhahmitesnocurfodoSolj&: Ovidio, 4Ó quejupirerjolhá- otbem,


Nil RpiTisnum, ovòd mearurjijbrt
iiiíi
*io do Ceo para a terra , não tinha que ver mais
q os fenhorios
Romanos ; &: tudo parecia tão invencivel, que poriftolhe
chamou Daniel Monarquia de ferro. 47
47 Dinidc.i 40.
J2 Porém depois que as riquezas, &: gloria, como diz 48 rioT.l. x.c.i-
Lutio Floro, 48 diftrairão os bons Goftumes j 6c introduz i-
Eij rão
q

ya EVA, E AVE
i:aó OS vícios-: depois que le pc rueo o ríípeyn^ à v irtiidc S<: fó
,

oappctire foy limite das dclordcns? como diíTe 7 aciro, & cx-
49 T<u:'iannaliiSenccep.,-. pcndco Sciíeca, 49 govcmando as mulhercs aos maridcs j a
cllasodefejo, Sratodos o.dosEmperadorcs, íc curros gran-
'
dcs; fuccedco o q tmin dito Annibal jque Roma (o pedia ier
vencida pelos fcuvmefmos-, os íeus que vencião a arruina-
váo, porque vencer por màos he prejudicial Silla , ív j ulio
:

Ctíarlhcderãodousmoxtacs golpes j chegou a eilado, que


prifioney ro o Empcrador Valcriano deSapor Rey dos Perías,
(que o tmha dentro em huma gayola de ferro, donde o tirava
paracTiribo, qu.mdo fubia acavallo) íe levantarão em varias
partes contra Galienofeu filho, trinta tyrannos ,chamandofe
Emperadorcs. Aquclla queem Rómulo, 6c Remo , não havia
podidofofrcrduusíenhores, como fofreria tantos ? Hunsa
outros fe dcílruirão ambicicfos de todo perderão as partes j
:

veyo a fer o Império roda da fortuna , &: o titulo de Cefar ^


(juAvgpjio hum ornato de vidima. Enfraquecida por eítcs
modos aqucHa dominadora das gentes, foy por vezes faquea-
da pelos Godos , &
outras naçoens Septentrionacs , fugitivas
da afpcrezade fuás pátrias, defprezadas nos principios de fuás
invafoens, & que fe havião dignado de fervir aos raefmos Ro-
manos por efripendio. No
íitioemqueaentrou AlaricoRev
W^^J-
'
dos Godcsjchegarao as mays a comer OS filhos que criaváo,
50 tornando a fuas entranhas os que havia pouco tinhãa
laçado delias. Bem pagou Roma a crueldade com que depois
de matar em priíaó, (& alguns referem, que privando-o do fo-
ní)) a Pcrfeo Rey de Macedónia, a quem tomàraó o Reyno,&:
inlmenfas riquszaSj rediiziraõ ítniíilho Alexandre à necelii-
n pi.it.trch in Paul.Emiiio aãfm.vi' ^adc dc ganhar o comer huns dizem , que a efcrever , outros
,
,

y.ã.t, AioiiaH-.^u-kj i'.i.Lí. c. uit. §w.//. que fcndo tornsyro, ouferrcy ro.
51 O
mefmo Alarico ( que
era Chriílaó) refpondeo a hum Monge que íahio da Cidadea
pcdirlhc que anaódeíb-aiíle, que não vinha por fua vonta-
de, mas porque todos os dias lhe apparccia hum homem vene-
rando que lho mandava fazer v donde lè entcndeo fer caltigo
depeccados. Precedeocahn- ofceptro de ourode Rómulo
fe confervava no Templr) de Marte, & em outro tempo avcn-
dofe oTemplo quevmado todo,fo aqucUe fceptro íkara inta-
dto ; o Emperador Honório que fe achava em outra parte , ne
afoccorreofitiadii,ncm a ch(jrou perdida, antes dizcndofelhe
que Roma fe perdera, ri(; nuiyto, cuydãdo que fallavão de hCi
gâllu, ou gallinha que cílimava , & chamava do mefmo nome,
SI fK/íií Cdí?.'//).J.(/-/f.9.P<t/i'í>ii/íi: Sr quando fe certificou, n.io moftrou alteração. 52 Mais
Mj5,/v/ J.C.19.ÍC c-';i.A//../«afc-j.'
.^rcfpevtou O inim!L'o; pois ainda ouca dcfle a laco três dias,
íoy com rara modeÍLia ; durava a reverencia devida a Icnliora'
das gentes , &: não f(- atrevião os fubdiros a tratalla mal , poftò
^]]^]^ que cativa íuccf:deo no anno de fua lundação 1163. &:
i

410. do Nacimento dc Cbrifto. Cortada a cabeça, foy muyto


faci] defpedaçar os membros daquclle fc^berbo corpo. Em Au
c^uftolo
,

PARTE I. C AP. XIV. 53


«ruftolo fe acabou de todo, nem lhe ficou quem imperaíre,nem
que imperar porque feyta preza dcsfeus , & dos eftranhos
;

nem de fi ficou lenhcra, a que o fora de tantos officina das ar- ,

tes, mar da doutrina, compendio do mundo fó fícàraó en- i

tre as ruínas daqaelle edificio civil, pedaços de pedras bem


lavradas que íerviraó de molde a muytos arquitedos de Ref-
,

publicas.
13 OReynodeJudea, fundado com milagres, fortaleci-
do com vitorias, allumiado com Profetas parecia izento de ,

ruina.Com ludojcomodiífe AchioraHolofernes, 53 fóem 55 /«íií/fc 5.17.^011 fitqui ii/ulti-


ouantofervioaDecsprevaleceoa todos fempre que o deY-''"''°P"'°'',^"''"'^'^''"-^'^^'=^='^'^
•• ^^u^-

xcu^fe fez a todos preza &: aílim como nao houve no mundo
j

^*-*^
Reyno, em que tantas vezes mudafiem os Rcys a religião : af-
fim naõ houve outro, em que fe viífem tantas mudanças mife- ^**-

raveis. 54 A cobica,foberba,
*
'
imprudência
1-
mao oroverno , & „ , ,^ r, 1

T^efcrt Míxiajuj).l.^.c.\^. comos


T, 11 ,

1 -r - j -1 t^i,

de RoboAo lhe deu o primeyro golpe nadivilao das tribus ; iousff^umus.

ífíí chegar
a crucificar a C/:?n^c,Deos lhe deu o ul cimo, mor- & 5^ vK^e-i^-

tal devia
; extinguirle Reynojque nao quiz por leu Key o p i- j^. (up;r„os: .

IhodeDeos: 56 ^alagarfeenifeufangue Cidade, qae der-/É.a«.;v-ii.No!iraibere, R.^xjuda:otú

ramou o mais innocente. Qimrenta annos depois daquella


maldade, tempo em que os Doutores confideraó a Ley de
Moyfcs (jade antes morta na Payxão do ^íí-Kj/^Êir ) mortífera
pela publicação da Ley da Graça Jheveyo ccaíligo que lhe
eftava profetizado. 57 Precedeo revelação delle aos Chrif- _.
tâosque habitavão Jerufalem, parafahirem delia , como fize- Thrln.i'crp,!jjir:tinPrephet.

rão com S. Simeao (que depois foy Martyr, filho de Cleo-


phas )feufegundoBifpo depois de Santiago Menor, que o
havia fido primeyro ; 6c havendo quatro annos que em todo ,

o Reyno ardia horrivel guerra, finalmente nos dias da Paf-


eoadoCordcyro,emquehaviãomorto ao Divino, Tito Fi-
lho do EmperadorVefpafiano ficiou a Cidade fua cabeça, &:
theatro daquelle mais que facrilegio,& encerrou dentro os
muytos que tinhão vindo à folemnidade da ley 58 pelo que 5 g ^vívíôí hiíl Ecd i c
no fitio,que durou fó cinco mezes,f oy tal a fome, que as
mãys comerão os pequenos filhos. A Cidade foy entrada por —
força não todajunta, mas (porque mais vezes fofi^e vencida,
,
"" ^^
& deftruidaj primeyro a parte inferior , &: dahi a dous dias o
Templo, que foy queymado contra vontade de Tito 59 & ;
%<)hfe^hdthtlMl.T.c.T.%.úc \o>

depois a parte fuper ior ; tudo pofto a ferrojôc a fogo , fem ficar
pedra fobre pedra, como Chrifio Senhor noflfo havia dito , nem
cadivcr parecia de táo grande Cidade. 60 Morrerão na- (o Mttth.í^.z.Man.i^ t.
^"••^'^'^^•
quella guerra hum milhão &: cem mil Hebreos foraó cati- ;

vos noventa 6c fete mil -,& havendo os Hebreos comprado a


Obny^í?por trinta dinheyros, 61 vendiâo os Soldados Roma- 6i Manh.i(> i^.
nos a mercadores Egypcios trinta Hebreos por hum fó di-
nheyro, como conta ]ofepho , & nem tão baratos achavão
^"'^«••^s./«/«. Venderismimicis
comprador icomprindo-fe à letra húa profecia do Deutero- ,
1^'

nomio. 62 Concedendo depois o Emperador Juliano Apo-emac, - ^^



Eiij ítata
54 EVA, E AVE.
Judeos,que pudeíTem reedificar o Templo, o que até
ftata aos
então lhes era prohibido, ao abrir dos alicerfes fahio fogo, que
abrazou muyta gente, fez em cinza os inftriimentos da obra, 6c
aodiafeguinteapparecèraõosveílidos dos Judeos com o íi-
nal da Cruz impreíTo fcm fe poder apagar cóvertèraófe muy-
;

tos, & nâo fc pode procedcr na reedificaçáo. 63


6; Mexunn S)/v. 1.4 r/p.41. ct>m os
dous/èguintes.MuuMa hijior.dc Hefp. i.
14 Hc muyto de notatjque os Hebreos mais pios fe fíàraó
t*""'^" ,r Lr r.
br1tt0naMonatch.Lu1tanLyt1t.uU.
t4 Gíntf.tí.cr feq.
r,.i,
t

j _
fempre
icz
rAUiv-o
em
na benção que Deos lhes lançou, Scproniefias que lhes
Abraliam, j
64 cc na grandeza com que no Templo de
T^^i,
'77^^^~/7^ifr^ Jeruíalem era celebrado o culto Divino grandeza que verda-
;
"^

^^-^ ^ yy
deyramente parecia fobre a poílibilidade humana Porq o edi-
'^'' ','^""
^^r-- ficio naó cabe em defcripção, pois não acaba de o encarecer a
leteannos que durou a obra, 6Ó traba-
D.$í.4^!í;^Í?/.-.H^ii^-^^^
Ejpcihodc Prn;cipcs,i.i.c.i6.o- ^j. Ihàraô nella mais de cento cmcoenta &: féis mil homens > as
66 7,.i{fji.6.'»fi'>^- portas erão tão grandes, que não menos de duzentos as fecha-
,^,, .

67 Refere Bntto Moyuirch.Lu itj.i.ttt. '^ ^


zi.crl.\.ta V
U--/T^r o iir--
vao, ou abriao. 67 Dos valos , 6c peças que nelle ferviao,
68 jofcphdea-rttiql^.c.í. àlemdoque pormayordiz
a Efcritura fanta, efpecifica Jo-
PmedaMon,rchMLv.i.L}c.ii.§.4.
^g que dcmais da grande mefa de ouro para OS pãcs
f^^^^^^ ,

da Propofição,havia outras muytas pouco menores fobre as ,

quaeseftavão vinte mil vafos, &: taças de ouro, &: quarenta


mil de prata. Dem.ais do candelabro principal mandado na
ley, tinha dez mil.Haviaoytenta mil cântaros para vinho; va-
fos para flores dez mil de ouro, & vinte mil de prata. Gomis
oytenta mil de ouro, &: cento 8c feíTenta mil de prata. Pratos
grandes feíTenta mil de ouro, 6c cenco & vinte mil de prata.
Dos vafos que Moy fes chamou iíf«,tinha vinte mil de ouro,&
quarenta mil de prata. Incenfarios feflenta mil de ouro. Mil
veftes Sacerdotaes , guarnecidas de pedras preciolas. Outras
chamadas Eftolas , com dez mil cintas, 8c duzentas mil trom-
betas. Para os Cantores duzentas mil alvas, como as que uzaó
os noíTos Sacerdotes. Inftrumentos muficos quafi todos de
ouro quarenta mil j outras translações dizem quatroceiítos
,

69 Aíi//;^.5.9.Nevd.tisdiceteintran^il- Mas O grande Bautifta 69


os defenganava de q não fe ,

os,patrem habcmus Abraham. fiaífem cm ferem filhos de Abraham i 8c Jeremias 70 cò larga


70 itrem. 40.
Ofação OS admoeftou, mandado por Deos, que não confiafiem
na protecção do fumptuofo Templo, 8c do culto magniíi-
co que lhe davão nelle ; porque fe obraíTem mal , os deftrui-
,

ria como a Silo onde primeyro fora venerado. Advertência


,

•*
_ tremenda para os que temos femelhantc confiança nas pro-
meflasfeytasporDcosanoífosprimeyrosReys fantosjSc na
magnificência com que o i^fw^orbe fervido em noíTos Tem-
prezamos deftas prerogativasjfe farão
plos. Qiianto mais nos

7, 5./v,Wc..?«ferr«.D.í,/.4.
Hoíías culpas mais gravcs nos dc eftado mais honefto he o
j

ubi fubUinioc eíi piserogativa.ibi maior delifto mais criminofo O furto (diz Salviano 7 1 ) he mao em
j

culpa.
c.'l
todoohomem, porém mais punivel em hum Senador dos 'j-j >
yí D Ijidor.deSumm bom i. l.
c
x r r •
r
Crcfcudciiai cumuius )ux:a ordincm maisdccala Ic fcntcni mais os aggravos, crelcem a medida
iDcritorum; & íaspe c)uod minohbus ^Jqs merccimcntos 8c muvtas vezes
: ( adverte Santo Ifidoro
ignofckur,n,aionbu^,puutur.
7;, ) f^ caítiganosquceráo mayotesem virtude,o qfe perdoa

aos
;

PARTE I. CAP. XlV. 55


aos menores. Chrifto Senhor noíTo a femelhante jadancia dos ^ ^ /,^„. g. 59 si fíiij Ab»h« cftísv

Judcosrefpondeo: JVy^/>;í//:;í?^ de Abraham ,fazey obras de opera Abraii^facitc

jihrahâm. 73
15Seja fegiindo exemplo o Império Grego. Com a Ca-
deyra de S> Pedro paíTou a Roma a Cabeça da Religião Chrif-
tãimasocorpofetranfplantou em Grécia , aonde lançou raí-
zes. Na lingua Grega íe efcreveo originalmente o Teftamen-
to Novo, excepto o Euangelho de S. Mattheos, que o Eu-
angelifta efcreveo primeyroem Judea na Hebraica. 74 Em ^^ ^ mroninÈMHgA.inp^íat. ad
Cidades de Grécia fe celebrarão os primeyros Concilies gé- Damajim.
is^^remos na. x.pc.éu
raes, depois daquelle que S.Pedro celebrou em Jerufalem. 7^
Aos Doutores Gregos deve a Igreja as primey ras illuftraçóes
o grande S.Bafilio natural de Ponto efcreveo a primey ra regra
para Monges fe bem a do infigne Patriarca S. Bento foy muy-
-,

to primeyro approvada pela Sé Apoílolica, com que feliciííi -

mamentefe fez Pay lUuílriíTimo das fagradas Religiões j &


em outras rauytas coufas foy a Igreja Grega acredora da Lati-
na. Entre outros fumptuofos Templos foy admirável em Có-
"

ftantinoplaodeSanta Sofia^hiia coroa tinha a Santa de pe-


dras preciofas ineílimaveis no valor. Guardava aquella Cida-
de innumeraveis relíquias j celebrava o culto Divino com a
mayorexcellencia.
16 Nadadiftoimpedioamiferavelruina daquelle Impe- ^

rio } porque mais padeceo de tyrann3s na paz , qi^ii de inimí.^


gos na guerra. Geralmente feperdeo nelle a verdade jveriíi-
cando-fe cada dia mais o antigo adagio da Fe Grega por ironia.
A fucceflaó do fceptro chegou a fe deferir fó por trey çóes, ho-
micídios, & adultérios , obrando nella mais as mulheres , que
os varões i os Emperadores punhão, &
depunháo tyrannica-
menteosBifpos. A JuftinianoII. cortou os narizes ,& ore-
lhas Leôncio ,& fe fez Emperador: Tibério fez o mefmo a
Leôncio, &
Juftiniano reftituido fez o mefmo a Tibério de -,

modo que Emperadores fucceíiivos não tíverão ore-


três
lhas , & Juftiniano cada vez que fe queria aflbar,
nem narizes •,

& os não achava, mandava matar hum dos que tinhão aju-
dado a Leôncio i 76 como podia fuftentarfe Império tão ri- 7tf hí.decnnhhiji dos Godos, 1%
dículo ? O Emperador Leão V. apreíTou a ruinajHerege con- BnmMomrch Lufu.ue.tiu^.
tra as Imagens dos Santos, tirou da cabeça de Santa Sofia , &
poz na fua facrilega , aquella ineftimavel coroa j mas as pedras
preciofas fe tornarão logo em carvões ardentes, que lha abra-
zàrão,&: o matarão. 77 Poucos dos que lhe fuccedèrão fo- 71 nofcuLhid.p.uct^.fyofefu.
ráo melhores. Al gunsfó por recey os vãos, com politica fuf-
peytofa,& perfídia alhcya de Chriftandade,ímpedirão,& dcf-
truiráo cavilofamente exércitos Catholícos, que deftas par-
tes Occidentaes marcharão por Grécia para a Paleftina con-
tra os Sarracenos. Daqui rcfultou fazeremfe eftes tão pode-
• rofos com feu Rey Mahometo II. que tomarão por fitio a íl-
Juftre Conítantinopla,que havia mil cento &; noventa annos,
era
. ;;

fó E VA, E AVE.
era cabeça do Oriente, & clara em triunfos metendo-a à efpa-
;

da em vmte & nove de Mayo, de mil quatrocentos cincoenta


&c trcs ; imperando nella Conílantino II. do mefmo nome do
queallicollocàra o Império ,& ambos filhos de Hslen.isj a
fortuna lhe deu por ultmio alivio morrer pelejando valerofa-
ji Pedro M.xiu na Syiv.i.uc.ii. mcntc ; 78 6v a fcdaaGrccia por mayor pena o arrependi-
mento de não haver ajudado aquelles exércitos ChnílãoSi
porque he ardil das dcfgraçaSjpara augmentarem feus rigores,
lembrarem os remedics,quando jàfenão podem lograr. A ílim
por peccados cahio aquelle Seminário Chrifcáo j todo he hoje
pofiliido pelos fucceííores daquelle conqaiftador cruel íèndo
:

Grécia indofta as letras barbaras ; a fonte dis fciencias lèca


: ,

ôí ameaçando o foberbotyranno o interior da Chr;ll:andade.


1 7 Do que temos vifto íè inferCjque as Monarquias,tSc grã-
dezas morrem como os homens. Morreoa fortaleza da Affy-
ricaya opulência da Perfica.a felicidade da Grega,a politica da
Romana,a confiança de Judeaj& Conftantinopla , porque na-
pn. Dif- da fcm Deos lic dutavel j 79 como opeccado matou ao ho-
79 FiicuLhfí^f.ix.yprcf.
eant Reges i>.tc[i'.c Rr íiri ui hoinip.ci, nieiii , 8o também mataas Monarquias a de Alexandre du-
;

„,h.uiue .utum cjuod dmnâ bafi uon


^^^^ menos,porque foy a mais violenta a dos Romanos mais.
j

80 Siip.c.6. por menos injulta.ror illo o hmperador beptimio bevero dif.


íe quando morria O Império que recebi alterado , deyxo a meus
:

filhos ojuietoije forem bons afirme-, fe maos^ pouco durável. Os que


afortunafor fubindo com fua roda, temáo nos que encontrão
81 D ?ãyoQaii^onn. 0;,i.á/..la
^efcendo: 81 entendão^quefó a pôde fazer parar o cravo, q
inn Zeuobia, jcrmefa i lhe fcrjar O tcmor de Deos. Toda a politica fó nifto confiftc
Sube Aurciiaiio tc.uendo
, ^^ livros,que tratão dc outtas rej^ras, faó ociofos, porque tudo
PucshastopaJoaifub.r íeachaja tao trilhado,que ningucm, Icqucr , ignora o cami-
Oiro que viaie cayendo. nho ; mas Voluntariamente fe defencaminha , deyxando-fe le-
var de payxóes, 8c intereííes.E também muytos documentos,
( que feefcrevem, faó efpeculativasjcuja impoílibilidade na
pratica fó conhece,quem maneja negócios.- difcretamente fin-
giooBocalino,queCornelioTacito,poftopor Apolloem hu
governojfahira dellecomdifcredito.Pregue-fe aos Príncipes,
o que pregava Chrifto : Bufcay primeyramente o Reyno de Deos,
crfnaj-njtiçã} &
ff ido o mais que he nece/Sario vos vir.i em con-

81 Mãtth.6. ív Quzritc ynmnm Jequenciai 82 todos OS outros conceytos fantafiados nas cel-
Resr.um Dc.,&juflit,am qus ,& h«c j ' f^^ impertinentes.
muni:! arliiririirnr vr\Uic
omniaadjiciciuur vobis.
-^ *-

CAP I T V Lo XV.
Aàam-I^ Evz penitentes : revelação que tiver do do
nafamento í^<í May de Deos para remédio
defeupeccado.

c Ahio Adam como todos os homens porém arrepen-


deo-fe^o que não fazem muytos a queda foy comua,
-j
5

ape-
,

PARTE I. CAP. XV. 5?


a dor d:i virtude, i
a penitencia eípcciali a culpa da naturezai , d .imhfJeDaviài.i. inculpam

comojazcr muy- mcidifle, naturxeft doleic vir-


Naõ he tão í^rave cahir nos maksj helles-, 2 taquc 1
,

caidos, 8t ganharão a coroa niuytos


T( .s Atletas le levantarão .
'"'f^^c/^rj/ fc««Mo..<ipo^ ^ntioc. m
vencidos tornàráo a pelejar 8c recobrarão avictona^ ^rinc.m,. 5. Nou m maiomm vcniilc
cipici-^s 5

mnyrosquenaufragirão fe embarcàrSo outra vez, &feenri' ^^t^^ES^^^^tSZ::;.


quecèraó alguns-negàrão a Chrífto & em novo
;
certamen tii-
, cdiiíemaiorum cftimpir, íed poftquam

iinfiraõ Martvrcs. Naó pecCar he fo de


Deos : emendar he ccádcút, cótcmnçzc.Excp.íl.6.adTheo^

delabio. ^ Diículpamonoscomqiieherdamosdenoílospii-^^^^^^j^^^^^^^^^^^ fcd, acere dei Jum.


dellcs o arre-
mcvtos Pays o peccado:&: porque naó herdamos ^^ ^.imbrof, ep. 5. ad Smphdum.
^

cahir com elles, & não queremos le- dare,íapientis,&corngereerramm,&


Nih.l peccare folms Dei eft cmen-
pendunentO. qUcremObCanirLOUltuc^,^^-v
«.nríinif^nfn^nneremos
^ 1

vantarnoscomelles? entendamos quenao nos deraoexemp p^^.|.^^^^j^,^^3„çj,j,jçp^^j.3jg^


lo
, ;

oira cahir; mas para nos levantarmos, fe cabirmos^ 4 antes 4 d .^4.?^.lup.Pfdm.^o. Multica-
'
^
F'" , V .,^0 aeues, 4uc 'l^Evolinucrtm Daviac&noluncíur-
/-I^IUq. £ niit-
1

íeràmayor a pena dos que nao aprendermos ^ g^,.^^.^D^,,j,.nonergocidendi evg-


haverá íe nos lembrarmos dehuma íohcaoquenos pi„tn pragofitum eit, íed ficecidcns,
diículpi
dcraóparapcccar.&noscfqucce,niosdcmuytos:mnosemq.eiu,g„^^^^^^^
nos gci axao para ^^^^^^^ uiorumiqui poft los p^ccant
nos enímàráo arrependimento?He verdade q i

perdão igualmen-^^umis cxeiupUs cmendarc k m.


aperta; mas também nos inilruiráo para o
pois tanto eftinia Deoshum peccador
que "'^^-^^^^^^^
te beneméritos j ,^

fe levanta, como noventa 8c nove juftos


que naõcahiraó. 6
2 Comendo da arvore vedada , Ibubeíáo Adaó, & i-^va
perderão ,
do bem, 8c do mal , 8c aílim conhecerão o bem que
òc o mal em que cahiraõ. Pelo que logo do Tarai] o terreal (co-
forme a opinião melhor) 7 fahiraô taó arrependidos,
que an- ^ jj..^^ ^ ,„;, mprofap.de chrijfo ,

uosmteyrosnaõceííàraó de chorar pela offenfa


doCreador, .^d^..|e^i^^4§.^-;«aM.5^^^^^^^^

a Santa i>"^p^* *
uíais que pelo feucaftigo, como foy revelado s Ke-vciães.BriÇid^inSem.^nicl
deS.Metho-
8 Acrecentaeftaopiniaó, 8c com authoridade
c.Tinprinc

aio Martyr,(fe bem outros 9 atemporfuppofta)quequin- .jj;;-;:^^^


ze annos fe confervàrão virgens, divertidos em
penitencia, òc
preceyto de
maiscontinuariaó , fenão deverão obedecer ao ,^ Gen.^.ri.

]aiultiphcar,8c encher a terra. 10 r-n.



«o •

Hiltorico,
^ O erudito , ^
elegante Author do Flofculo
í9

QU hiftoria geral atènoííos tempos, diz il que chegou


i^^'j2

de ferfermora,& amada pois fe o fora menos ,


nao
ater pefar i

o perfua-
defejàra tanto o marido fazerlhe a vontade quando
dio3 comer. Grande encarecimento em mulher, ^ taó vá,
que
afpirou a Deola fendo natural a todas fer
;
idolatras de fua ler-

mofura, Sc procurar com todas as artes fupprir a natureza. Ja


antes do diluvio tinhaó efpelhos , 8c entre a pena 8c confulaó
,

com que a mulher , ^ noras de Noé entrarão na arca para ef- ^ ^ ^.^^^^._ ^^^^^ p.c.èM.4. èetdfj. ,

caparem do diluvio, lhes naó efqueceo levallos comfigo, con- Brittom Monarch. Lulu- p. i^c.z.ad 1. 1.

tbrme o que eícreve o antigo Berofo. 1 2 Chegou Berenice a .«r^.


,

^ ^ ^^ ^^^ ^^^
lambeíle j^,^^^
confentir q hum Leaó (leria enfinado de pequenojlhe En9ehra\emC<ehEnipyit ^.,^,.;^

todos os dias o roíto,,(aprendaóeftâ muda) porque afualm->j/.í./ií^r/;í ^.5.

gU4 lho polia bê, 8c tmha Virtude deonaôdeyxarenrugari i:;


mais temia os. annos, que o poder agaftarfe aquella aya curio-
h , como fuccedco a outros leoens.que matarão a quem fe fiou
de os ver manfos. Naó herdarão de I:>ca aquelle exemplo fuás
de averem iido queridas, 8c bellas,
filhas, pois nunca Ibes pefa
mas
;

$8 """eva; e ave,'
mas {ofncnte de haver pafiadoaqiifllã felicidade i<^ quey- :

S',i;S^ííí;:^4;:í;^conípcx:t xaó(cdoeípdho,& chamaôlhemennrolb , 15 porque falia


aniicí. & já lhes he perlèguiçaõ, molb-ando-
verdade.- foy lhes lifonja ,

y^t)T>rJU-Tr'^.ck^7. qnc qiicriaó jcrnorar. Alo-unseontaõqueElenafeenfor-


Ihcs O ^

O
líhdcceiíshcicslotigisvitiabinir anuis, ^, , n ^
/-

Kii;',ac;iic in amu^uâ finte cii!i<; erk. cou


em luia^irvore , vcndo perdida lua Dclleza com OS annos ; i i i

ttjnuixaiivr.iisòiccc» fiiithic formo- outros efcreveiTi diverluinenre iua iiiorte. Horácio refere
í6
E?f,Smirenaaxcírf quereicma.q^-Jiu^ia. chamada Eurc pa regava aos dcofes, que antes fe

ifií-iwrtf.wm.jOt/f 17.
'
V ifie com ida de tigres, & leccns,q chegar a vcrfefea ouve- ,

Iha, /iV^tambcm fo) mulher quando peccadora: mas deyxou


de o-íer quando penitente.
4 Oh penitencia, quampcdcrofa es com o todo podero-
^"^-'"^'

1/ ômrr/c. .^h.jcrm.r.Qtindrjgfl.m fo! qiia6 facilmcntc venccs o invencivel com que prefla con- 1

pi.e. Q.'amH(.u.s esapud On„.,po-


verteso Tuiz tremeudo em Pavclementifllmo! 17 Opecca-
leni: ciuàm Oto ticmemlam )U(iicem cíode nollos rays loy odemayorcs coníequencias, cc iJecs
piuiiimim patrcm apreíTou 3 abfolviçaó, como fe elle atormentara a fua
convcftis !ii :
\\^q
» „
Mi-

. \% /íifw/i/pr . Sic íclíinabat ablol- /- V ^ ,.

vçie Rciiai a coe mento coiifciétix íiiac,


'^' ICOr Qia. 1

quaaijiusçrutiaut mifericoididii) cõ- ^Sobrc O dclifto abundoii 3 gtaça^ pois além de perdoàfi-
r",'":;»:::^;™.;;'"'"" ^^velou pecs a Adaó , ^ de ftu geaçaó naceriao mefmo Deos
S: para Redemptor das alrnas que elle perdera (antes do pecca- j

do jà tinha Fé da Encarnação, para confúmaçaó da Gloria;


agora atevepararedcmpçáodeílepeccado;) para o que to-
maria carne hum ana de huma peílba fcmelhante a Eva no cor-'
.^_,v^ poj mas na virtude ,&
perfeyçóes excellente fobre todas as
creaturasjdaqual ficando ellafempre Virgem jnaceriadecen-
\ . tinimamente Deos, Sc Homem ;aílim o entendem graves Au»
»9 f.m«<í.,«4.G.»yr^-4.".s- ^'^'^
thores. 19 Eciaramentc o diflb a Santa Brifida hum Anjo;
ro B^cvà^eS.BrtliàainSerm.s^ng. 20 &: quc allmi como OS Elpiritos Aogelicos Ic alcgra-
']• ^ ,
vaó no Ceo de conhecerem que a Virxeni eftava efcolhi-
<^'^ '^b jctemo. p:ira May de Ueos, como ja reíenmos 2 1 allim
v.^aht^ in Gen adiiu.idi. -,

II suprãcx.y. 8. ticha Adaò incrivcl ^ofto cmíiiher que naceria dclleeltaRe»


''"
^"'^•^''•^'^"'^''niidoradefeusmalesA' Reparadora de £r^.
X'S-!'
i-, i;ipjúii.M.i. 6 Eíta revelação íc lhe fez em fonho. 22 EchzoDouto
Frey Guilherme da I\i\xnõ no livro que jà referimos, 23 que
pelo ArcanjòS. Miguels&quea elle, $iâEva deu juntamen-
te noticia da vida, ^c morte de Cbrijfo , &: declarandolhes que
aquella A''irgcmav;a dech;uiiaríc hínria, que em reveren- &
cia fua naópeímitrio /'-V-íquefeufaíVedcílcnome, ambos' &
entranhavelméte fentiaó o que padecia o Redcmptorj &fc
afegravaõ quando conlideravaó os outros myftcnos glorio.'
.4í,.i'.fr G«///,./^:.r^çt.,,.^; 5.í«.;

i5 D.r/:«w.?./'9i«.f-v T SenadoiitriDadeSartto.Thomàs, 2< naõ teriaõ Adaõ,


EiJei.otfaòiHscit ict.t.s poiVitum fi-
ôí^^í-^cíta vçraira, icpao peccarao , pois nao havia Deos de

kiv fc pcrdidiiic .itfievii , atc]ue ideo cncamar 3


paveceTTic qiicouço a Santo Ambrofio 26 quando
maiorcmgrat:au.:ff:rir,niãin.m:íir. ^-|-^
^^^ j^^ p^j^,^ |^^.,,, „^.^„ ^^| dcpois que chorOU havCl"
perdido a Fc , ôí^qiie por líTo achara inayor graça q a que per-
dera. Se he taô grande a dos c]ue fe arrependem, qual fera a
gloria dosquejàreynaõr' Sc hetal aconfolaçaó dos mifera-
vcis,qualfcrà(^g.o;ío dosbemavcnciiradoí? Se tanto fe logra
no
PAR.T. I. CAP. XV. 5P
nodeftérroj quanto nKus le pofâiirà na patiia ?
8 Qiianras vezes lhe viria ao peníamcnro chamar feliz a
culpa que merecera tal, &c taó grande Redernptcv r quantas
vezes abençoariaó a Mãy dequeelle havia de naccr &" quan- .-

tas fe tcriaó p'>r bemavcn:urados em lerem íeus Prof^cnitf^rcs?


Afcienciaquedava a Adaó conhecimento da dÍG;'nidade de
tal filhaiO amor de pay que o recreava nc!la-,a q ualidadc de ca-
beça univerfal, que o obrigava a deíejar o bem dos homens & •,

oempenho da divida queellecontrahira &queemtod^'S , os


fcculos lhe feiia nriputi^da eraó motivos de amar &( venerar
, ,

cm grào íuperior à noííaconfideraçaó aquella elclarecidadef-


cendentCjôcíuípirar por leu myfterioíonacimento.

cAPiTVLO xvr.
Como em Adaõ, Qf Eva começou a nUure^a humana a
experimentar as mi/erias em que haina cabido feio
feccado j tratafe farticuíarmente da intem-peran^a
dos climasy Qf da rebelhaõ dos animass.

1 Tn\ E, queda taõ


grande naô fe convalece de todo.
J J
Noílbs Pays alça nçànió perdaó da culpa ; mas a
natureza humana ficou fugcy ta a miícrias íahidosdo Pãrmfo:

a vagar pelo mundo as começarão logo a fcntir aquelics pri-


me yros Paysjôc de todas deyxàraó por herdeyros kus deícea-
dentes.
2 Fora da temperança do Pãvaifo fentiraõ logo a varieda-
^i-.icàa Monarch tui.^A.lxcé^
dedosclimas, que alguns Doutores i entendem naô ibnti- ^\
^
riaó noeftadoinnocentei & deyxàraó a feusdefcendenres a
trabalhofa herança dos que íe experimentaó. Huns taò í rijs,
quefaóinhabitaveis,comoostermosdoRioTanais,S: lagoa i jodx.Boem denwril Oenti.i,.c.\.
Meotis 2 alguns que fcraó habitados, mas es meí mos naru {'•í^"^''''" ^;'po •"j'l'(<' ^^--^^ ^4^'^
i
-
''f

racs os nao poderão loírer como aquelles beptentrionaes


;

de que
^ fahiraó os Godos 5 & outras naçcens
^
fuás com panhey-
^ „ ,.„,„/,, •'
,

Marta» hin.de Hchanhal c.i*


11 o rii ,• ? <,

ras, com mulheres, oc


nlhosj a buícai em vivenda) 3 emmuy-
1 1

tos que hoje fehabitaófe azeda logo o vuiho levado de outra


parte, pela frialdade exceiliva; 4 & fedizqueosurfos, ani- j^ Aíãrianaptira.
mães tão robuftos, &: armados de tão lanuda pelle , em tniatro
mezes de mverno nãofaem do abrigado das covas, nem a buí-
car fuftento, ajimentandofe da humidade das mãos com que a , „ ,

natureza os provco. ^
5 _
^ ;, ^. ^J,„,^^^^ .,,
i-,,.,/, ^ „^ f^-^,^

Outros de calor intenfo que os antigos efcre^éráo do uves, oy:imí:esi i.c.y


3
Monte Chimera de Lycia, 6 & detudo oque eílà debayxo ,-,^
'Jiíu''"^*
dalmhaequinocial, quediíleraó ferinhabiravel por fua dd"- Fiáaia^quciimiataChimarra.
temperança-, 7 6c por iíTn no tempo do Papa Zacarias Vir- '' ''
,
'
'
'
, .

giiioííilpobítleburgeaíeloy por k-nteça obrigado a rctratarfe 7 o-,.d.Mi>^'-Ju "

publi-
ío EVA, E AVE,
publicamente de haver dito em hum Scnniió , que havia Antí-
podas; por fe entender , que não ícndo pc íVi vel paíTarfe a elles
pela Zona tomda eraerroneo dizer que havia gentes, aquc
.
g y}vcntini.a.>:al.Boicr.
R_of>i.àeMt!q. Hom.orat.i proar.ti.j. paj(. naó podia chegar a Fè ácCbriJlc; 8 5c com tudo habitanVica
'"'>"s')6. Ilha de S.Thomèj&: outras terras dcbavxoj^c mu V checadas
ex<:a.i.u.4.
^^ Imha j padeccndo léus moradores aquella pena pela culpa
doprimeyroPay.
4 He taÓ geral cila incommodidade, que nas regiocns
mais temperadas não deyxa de fe fentir em algúa maneyra.
Em Inglaterra, a mais temperada do Norte, vicongelaremfe
com frio em poucas horas os ovos crus, ficando as gemas fecas,
& encolhidas, como peras, ou peífegos paííadcs ao Solj por
curiofidade os cheguey a fogo lento &: meti em agua quente,
,

fem fa/erem mudança. Em Efpanha , cujo temperamento ce-


lebramos, nos exércitos da guerra quencftès ancos paliados
tivemos com Caftella , chegou por vezes a força do Sol a nyj-
dará cor a alguns cavaliosjfegundo ouvi a teítemunhas fide-
dignas,
i - 5 Além do rigor que fe fenteneftesexceflbs, foy antiga
m opiniaó dc Mcdicos gravcs 9 q CS habitadores de regioens
9 Asferc^o.s-Hum, de s. Joaõ ,

ex me de ingcn ^rooím.i. dcílcmperadas cílaó adualmente enfermes de alguma le-


faó, pofto que por geradoSjSi nacidos nella a naô fentem Pelo .

menos he certo, que o bom , ou mao temperamento da pafria


10 ^upci.mprolog.phy/?ognom.&L7.
conduz muyto para OS engenhos. lo
poht. 6 Sentirão logo ncíTos Pays a inobediencia dos animaes,
G knhb.quodamwi mores. porquc ainda qucAdaó naó perdco odirevtooueDeoslheti-
Joar.-í^e\tji>n.tn Silva nutttal.l.t).n.^-].in r ^ 1 r ,, .
^ ,, ^,,. ' ,
n « •

;,r;«c, nlia dado pata OS domiuar, ii elles íe lhe rebellaraò, cc hoje


p.T ã H:iarte fi<p.c 4. nos faÕ inimÍ2;os,exceptos poucos queaíuduílria humana do-
Diffemosnoirdci.PeyfeSi.Doãir.^uaiit.i,
^ ^
n- o c rr J 1^ •
/r
melticou, conieliamos grande obrigação aos que hzeraç)
èv'^

11 Genef.c.xó.CTii. eíle bem; domar o cavallo, dizem hunsAuthorcs, que deve-


mos a Neptuno-, outros que a Sefuchofo Rey de Egypto j ou-
11 {{rfete eSías ofmioens Viana nos tros quca Oro íilho deOfyris. T 2 Dc amanfaros touros nos
comnmt „0vid.MetamJ.ur,.i9.
f^^em dcvcdorcs, huns a Dionyíio, que dizem fer hlho de Ju-
pitcr, &: de Proferpina outros a Brigea Athenienfe j outros a
j

Triptolemo outros a Ofyris; outros a Abides Rey que foy de


•,

Efpanha ; porque os lavradores que antes havia, rompiaõ a


terra com enxadas, ou Cf )m inftrumentos femelhantes , a força
de feus braços. De fugeyrar as cavalgaduras à csrga dizem al-
Pi? i{fferem e^ji cphiíes Mexia na guns qucfoy inventor]abel,quinconetode
Caim. 13
Sy/vjdt'v.n i.í.c.i^.
t,<;.!ó 7 A mayor partc dos animats Hos fazcui sjuetra dcfcuber-

a. paidijç,
&ieo icgi naiurx (ubjcdi, peccàra,di/, S. Grcgorio Nifíbno, 14 feconrenrariaõcomos
íruaiinis acb.-iiKuriícdcumhomorc-
fYutos da terra;mas iiviitaudoao homcm fe licenciarão noco-
celTic à mandato , rcliqua aíinraiuu ,^ , ^^ i ^ " -n/- u r •

romeind.hccntiámi>aíta luut. wer. Qiiando OS Godos entraraoem Efpanha, íugia a gente


para os montes, aonde a comiaõ as terás, &: depois pelocoihi-
1^ BmonaMomch.LHjU.c.u nievinhaófazer nmcímo nas povoaçocns> 15 &: por partes
de Africa, & Aíla, fe naó caminha , fenaó em companhias ar-
íiiadas para dcfcnfa dos Icoens :oMoh,te Colober do Eitado
de
.

PART. í. CAf. xvr, êi


de CaU^íuiiliuíc fczii.hubKíivcl porcaiifa dns niiivtA>cobras, ^ , j ^ n ,. l « ^ r-^ . <

&: leipcnits. i6 ivjairc) Regulo RoiriíiiK), uridándo contia j./j.j

t)sCarthaírincnics cm Africa, frv forcado a ir com feu excr-


Cito conrra luima (erpenrc, que lhe rinha morto muytos folda^
dos fo com o peíliícro alento, &: defendendcíc ella com dano
dos que a cónictnaò, fem os tiros das bèftas , que entaó fe ufa-
vaó,aoíiendereni ,íoy neccHàrio levar gt-andesOubucos para
lhe atirarem com penedos, ícaílim a maráraó; tiroufelhe o
couro muy to duro, &: com grandes efcamasi tinha cento &
vinte pés de comprido; foy mandado a Roma aonde muyto ,

tem pofemoftrou por maravilha. 17 Outra femelhanre-, &: ^^


\r r u jj ir
18 í"'n'''"'^''Í''íi^Lll
fr Domingos Marta CuTíun
que lazia icmeihante mortandade j matou-a VaIeroíamei)te hmâi^eiigiaúde^/j aô.
«i
ni ,

dj-
humCavaiicvrodo Habito de S. Toaó a cavallo com lanei, i^ ^}nào^íâ.Metami.<t
j ,1 11
o em muvtos dias coítumado o cavallo a chegaríc íem
10 RefeTT-oi Fja>ica m campe tiyj.j
^ ^
1

g,
/- 4-

jnedo â huma /igura que delia fezj 18 Hercules Chriílao, n pim.i.^ c.n.adpn Funcs.y Mm-
f, y
queverificouoíingunentodahydraLernea; 19 deoutras,&
y,f:^UDtur,,d^u;[:t. M.gid.t.
de outros ani mães que em di verias partes ló com o alento infi- c.y^.^.virf dcE^ni. ^uiumendubitat.
cionàraô osares,fazendo-os mortíferos^ rrataó muvros Efcri- *^ Texiorinoffiãn.f.í.tit.ferfcnt.^M-

tores. 20 Obafilílcojfevèpnmeyroohomem jfocoma viíía M"ltZrí^(rt^na^anuítAPlin,t.i.c.


mata. 21 A mordedura do afpidepaíla o veneno ao coração, j-í
& mata com fono fuavillimo. 22 Ouve notáveis mortes de ^"'"j^'*
. , , ,> 'Tl
r * s Ar
r., ^^,«,^1 r^rvir? le-
Aípida fommfcram túmida ceivice le.
picaduras de lerpentes, q íora largo rererir. 2 ; Ate ao Apof- vavir.
tolo S. Paulo fe atreveo hiia vibora. 24 He taí o veneno defte Oipnho hiíi dos Godos .difc
i.y %.

animal, que dilTerao alguns antigos que lo íe podia rcprinnirj^^J^;^-^,^-:,,,,.,^;,; „„,„,«<. Ca//,/6(,
com a vara de EfculapioDeos da medicina, &: poriflblhepin-íi.d//f.to.
tavaónellahuma vibora enroíbada. 25 A tarântula, eípécie^-^f-^^^J^^J;^
de aranha, na provincia de Apnha do Reyno de Nápoles, ^^ ^i'!.z%.\.
mordendo,imprimevenenoqiie não mata,mas incita a baylar »-s rio'K.D-:r,:i>VT.KiaMi<i.fsorn.(Ai
com quatro qualidades ; primeyra , que faltando o bayle mata- ^''^'^'° ^"^^V
//'
riaifcganda,^ não fe pôde baylar fem fom;terceyra,que ha de
'
-^ . .
f .

íer fomente hum fom determinado para aquelle cafo \ quarta, ^^/^r^'^'^t^ ^ ^^
que o mordido leva aquella qualidade comfigo paira qualquer >, ->^^^>^
partej mas fe a tarântula morre na Apulia,morre também o de-
fejo de baylar, ainda q fe ache na Indl:!. Tudo iflo efcreve o P.
António Guilhelme da Congregação do Oratório de Nápo-
les,
q pôde teftimunhar de vifta» no excellente livro das gran-
dezas da Santiírima7Í7«Jí?<3'e. 2Ó Com tudo Diógenes per- xa V.ÃM.Gu^helrndtVeiriAitie de
gu n tado, q mordcd u ra era a mais ve nenofa f cfpondeo: ^ic ^' ^ "^'^^^""^ ^"«'^•#- » » -^"^^ */'*^
,

dos amniães bravos, a do TnddizítCj & dos


?/i~íòs^ a do lifong eyro.

8 Os mais vis, &defprczados, tal vez iè atrevem. Ratos ... ^, ,


,.

matarão, & comerão a HatoArcebilpo de jVloguncia> 27 & ' ^

quando mais não podem, fazem guerra pelos mantimentos ,


& por outros modos infijfriveis. Ratos íizeraò defpovoar lu-
gares de Itália, & húa Ilha das Ciciadas cbd:m;'!da6'wrí?,caU'r.
fando fome,por comerem todos os frutos da rf rra. Em França
fedefpovoouhúa Cidade por caufa das rãs 5 cm Africa outra
por gafanhotos i húa Comarca por ccntopeas. húa Proviu-
ciajunto de Ethiopia por alacraes,6c formiga,--. O^ Megarerifes
F -m
6i E VA, E A VE.
em Grécia deyxàraó
a pátria pelo mal quefaziaõ asmofcas.-
os Fafelillasporabcfpas :& hiiaCidadc de Creta ícdcfpo-
1% M^xiajup.Li.c.i^exvaujf^u VOOU por abcllias. 28 Nas terras do Prefte Jocó viraó os
fhorib. PorCLigiiezes, que acompanharão o Embayxador D. Rodrigo
de Lima, híia nuvem de gafanhotos,que tomava quaíl oyto le-
goas, &í dcftruhiaó os campos ; forão mortos com hum exor-
cifmo que l^e fez hum Sacerdote^ 29 &: femelhante dano
19 foa» de Brros (fec i.l.\.c.^.
experimentamos alguas vezes fem bailarem exorcifmos para
, tal praga.
}o ^^ud ov/J.^írt.i.j. 9 ornaòfe contra o homem os mefmos animaes que elle
1

eílmia. Na fabula de Afteon, 30 comido dos caés que fuf-


. tem avajfe pode aHegorizari&: por verdade fe efcreve, que im-
perando Auguftoj os muytos coelhos 5 que havia nas Ilhas de
Malhorca,dcfLruhiaõ as novidadcs/em os naturaes o poderem
.
,
remediar, & foy neceífariopcdirê foccorro aos Romancspa-
SorlpL 'il^íilili Efpanhola refran ^^ OS dcílruir. g 1 Na uofia illia do Poito Sanco fizeraó anú-
:o.
{agmikibj, gamenteomefmodano.
IO Atè do profundo das aguas fobem animaes afazemos
guerra. De hum peyxe chamado pólipo 3 fe diz que do anzol

naDoroiUaV^^^^'-^?^'^^^^^^^'^ ^ maÕ do pcfcadof ,


ôc dclkao coração, 6c
u íepc cfc veg. Cari,.o
aã.^jcen.^. ^..
''^
omata. 32 Na Africa, & America faem dos rios grandes la-
5^ Pthul.i.c.z^'/"^'^ gartos a tragar gente. Notório he o que fe conta dosCroco-
•v-^.r -

dilosj por coufa admirável refere Plinio, 3 3 que fós os Ten-
tyritas moradores em húa Ilha do Nilo , fendo muyto peque-
nos do corpo, tinháo tanto dominiofobreefte animal, que a
cavallofobreellespaíleaváo pelo rio, pofto que elles repug-
naíTem , procurando morder , íc os trazião a terra, & fó com a
voz os obrigavão a vomitar algum corpo que de pouco antes
tiveíJem tragado,para fe lhe dar fepulturajpelo que os Croco-
dilos fe apartaviodallha, &: fó o olfato daquella gente os
afugentava. Talhe a rebelliãodos animaes contra o homem,
caufada pelo peccado.
.^^<,;.j: II Heverdade quehúabaleaíerviodenavioajonas. 34.
M t th it.AO. Lcoés refpeytàráo a Daniel , 35 & a muytos Martyres do
1 ^ydkegl'Fks SanEior.m vida defia Teftamento N ovo ; hum abrio Icpulrura ao venerável Corpo
1

Santa. de Santa Maria EgvpciacJv 36 outro fervia nos defertos de


Hiaon. de Hiurta nas amou a
,7 Xhefalia a hu Mcílcvro dc ÀnacorctaSi 37 hú Corvo trazia
Hkr conrsiviUdcamm.c.t pi. oluítento a S- raulo pnmeyro hrmitao} outro guardava o
8 Cerifcrs no Tácito Fiances, & as Ccrpo dc S. Viccutc
-, outros Hiuy cos milagrcs fe virão nas vi- ;

S; r ?Z "a 'tJíÍf!TÂr. tl^s dos Santos Hfia Pomba trouxe a Clodoveo Rey de Fran-
.

,9 Diodor.Sicui.i.i. çaastresnorcsdehs,qoReynoromcuporarmas, &huaam-


íl(fíflnin<íu^.5/^^. bula de óleo com que feusReys Ic ungem. 38 Também as
f^/ll.lfcCííx./.i.'/.*)!.
hiílorias profanas cont.lo que a Scmiramis, Rainha de Baby-
Picr.kiaogi.lix. loniajCreàrão certas aves com quey)osfrefcos,& coalhada, q
furtavãoaospaftoresj 59 aAbidesneto deGorgorisjRey doy
antiquiílimcs deEfpanha, crcàrão feras afeuspeytosj 40 a
j^omulo, 6c a Rcmo crccu do mcí hio modo húa Loba a Cyro
t.i.c.
40 Marim.hin.de Efia^h 1 3.
-,

f.TaEp°iiÀti's M%r:fA^c.'i.n.y .Rcy dos Pcrfas húa Cadela ^ a Hieron Siracuíano hum enxa-
me
PART, I. CAP. XVr. Si
me de abelhas ;alguns diííeraó que a Pelias húa Egoa ; a Paris
liúa Uríij a Egiilo liiia Cabra a Ptolomco Sorer líilho de Ar-
^

loniohúa Aguia com Tangue de codornizes que matava, 41 .41 í^' «-vjr.fci/?./.
ii.<-,4t.

Romada guerra de Annibal. 42 Hua Cerva ^jUx.àbÀkx 1 c,?.


lioys advertirão a 1

ao Romano Sertório nos fingimentos com que âcqui- Suid.h ji.i i.c»rtesfuí>.f. i.t.i. nlifin-
icrvin
rio cpiniaõ em Elpanha , Sc morreo vendo-o morto, ~-^ 4.2 Huma ^'"'''^'í^i
\ V 1 \ ^ 11,11 -1 „ ••4*- VtaefupTat.^.h.K. , ,.

Aguia creada por nua donzella lhe trazia depois aves > oc ani- ^^ hrittofrp l.^.c.íy,
niaes que caçava; 6c vcndo-a morra fe lançou cornei! anafo- 44 pb.Lio.c.^.
gueyra cm que fe queymava. 44 Outra avifou com prono- ^] Gãmlj4tt,c.i.ic.i^,
iticodadeftruiçâodeEfpanhapelos Mouros. 45 Hitrti Leão SviecMBenef.u.c.K).
perdoou no Amphitheatro de Roma a Andrado efcravo,de ria- r^^nfobilij
hiíi.yà.

cao Dacio, porque lhe havia tirado hum elpinho de hum ^e-, //ÈUanAtanimi-jx.^^.
46 outro fervio a Golfredo foldado Francez do Exercito com .47 -Wêx«a «-/ Syiv./»i.e.i.
que Gothofrcdo conquiftou a Terra Santa porque valeroía- '"s"EUaa.fup.Ly& 17.
,

mente olivràrá dehumaferpentej 47 outtos leoens ei^i va- Mexia d.u.c.i,.


«as partes feàmanfaráo, &fervira5. 48 Avendo hum i<^%^- ^^^^J/J^turog^^^^^
dor libertado húa Agilia de huma ferpente que a tinha ç.mo{'HuronáeHi4ertAMsann9ijtfimj.to.
cada junto de huma fonte, &: querendo bebei- delia, a Aguia^^-J-f^^Cr-ítfi^írMwewo.^
lhe derribou da mao o vaio, porque nao bebelle da agua que a £/,]„. crai^s.
ferpente envenenara , de que morrerão companheyros que jà CajUihofip U-difcH-
^ji>crt.i.s.c.i.rcfirid,f»S!ogo
tinhaó bebido. 49 De Delfins feefcrevem muytos fucceíTos ^L' JiiP.l.íc.i6i ,

n r ^ o c A \
de Fanes
a efte propoíitoj 50 Sc por graça reíere Author grave ,51
que em Alemanha Alta vira que íium rato allumiava com húa
vela a huns homens que eílavão ceando;
'
12 Mas eftes , 6c outros ferviços ( fe todos faó verdadey-
fos} qtte os homens em algumas occafioés receberão de feras j
€c anim.aes não domeílicos, ou foraómilagrofos fora do natu-
ral outaó particulares que não fazem eonfequencia-, Sc algús
,

em que obrou a induftria dos que os amariíarãoi fe tiverão por


fufpeytofos na MagiajSc aílim os Carthagínenfcs defterràráo á
Hannon, porque domeíticàra hum Icaójentenderido que tani- ^i PUn l t.c.\6.&à^t^

bem teria ardil para fe com a Republica; 52 ^ do


levantar '^^"""'^ ^ '^ i"

Emperador Tibério que tinha huma ferpente dócil, éa que lhe


vinha comer àmáoj 53 ouveamefmafufpeyta- Nemtaímã- si SueminTilen
íidão he fegura como notou Santo Ambro/10. 54 Hum ho-
, 54 i^Âmbr.in pfiím.iò^}

mem andou por toda Europa ganhado dinheyro com femof-


trar metendo a cabeça na boca de hum grande Leaójatè q húa
vez Ihcficou entreosd&ntes. O certo he que o peccado nos re-
beliou os animacs, como lof^o experimentarão Adam,8c Eva*
13 Meimpoirivelrefcrirasmiferias a quenosfugeytàra5
aquelles Pays, Sc forífu per fluo reprefentar por efcrito o que .
j^;^ ,„^,^^ / -;.

nós padecemos. Plinio 55 diííe,q por ellas julgarão muytos


que fora melhor ao homem não nacer , ou em nacédo morrer.
Com eíla claufula acabou també Tob 56 a fua defcripção.Pii- ^6 Joí 1019. Fuiílcm qúafi noa tf-
íem.d.u«rocxaasiatusadr.mui.^.
deralhe dar comprimento GorgiasEpirota.que morrendo fua
Mãy pejada delle, naceo quando a le vavão para a fepulrura,Sc
o feu choro advertio os que a levavão , Sc fez que paraíTem có ,7 feTUgi in o^ch.p. i, là. núric5i4
o efquifci 5 7 fe nacia chorando, para q nv\cia , quando íe pU' '"««'<«•
, ..' Fij dera
à

n ' F.VA, E AVE ^


derafepiiltav : Tambcm Cclio Agrippvi naceo con:^os pés pa-'
•5* T.xtoreodemioci. ra diante, 58 como quem vinha voiuntariamenre por íeus
pès> & :AVur) nacem outros, porque vem ícm juizo. Com elle
pareceo q nacia hum menino em Sagunro pouco antes da def-
írviiçáo daquella Cidade, q nacido de todo, fe tornou a meter
icgonasentrathas da míy , íbm que lho pudefíem impedir,
50 Pimi.j Cl !>ifn. ^., 59 como arrependido de nacer em pátria aonde averiacala-
, ,
,

j,^jj.
' ^ ínidaaestao grandes. 1 odo o mundo heSagunto de calami-
dades-, todos devêramos fazer o mefmo, fe naceramos com jui-
zo. Mas porque o não fizeíTemos, prevenio a natureza que na-
ceíTemos fem elle;, como notou hú grave Eícritor. 6o Foy cou-
p.Zachar de Lyjieux na Philofofh. ía novajdifle Jeremias,6 1 q a l^trgcmMxy trouxeíle em fuás en-
<5o
cí;r/7?.p.i>f'-'»- ^ „ ^-.^tranhas hum Menino varáo no iuizoi Sc nacer elle entendendo
.

para O que nacia, íoy grandiliima hneza de amor.


iovum íW« «"»'" ifaminacircum-
-iiiUtyHum. 14 Mas o peccado ainda merecia mayores males. Qiiey-
xamonos dasinclciaienciâs doCco, &oSolvefteodiadelu-
. zesparaqueologremos:aLua,&: asEílréllasiiosefmaltãoa
noy te em que defcançamos a Primavera nos alegra com flo-
:

res: o Verão nos regala com pomos o Outono nos enriquece


.•

com frutos o Inverno diípoem outro tanto paraoanno fe-


:

'"' "
guintej tudo fe alterna em ferviço noílb; nós fomente falta-
mos.ao de Deos. Que fora fe os Ccos Sc os tempos nos diflef-
,

fem : Nós obedecemos a7io([o Creador^qne 'mandou que tefervi


f*
femos:fervi mos a quem o defpreza : emendajie:
cfperon , & nao te
ja tios manda que mais te naofirvams , porque nao haja quem a
defpreze maisí Qiieyxamonos de que os animaes nos faõrebelí
des, Sc eílamosrebellados contra quem lhes mandou que nos
lobedeceíTem ; porq não damos a Deos a obediência que delles
queremos? Podem-nos bem dizer; Como pedes obfcquw, feone-
gas a (fuem he mais devido ? Defobedeces ao Creador^ d^ queres oh*.
;". feqtno dacreatítra^ §ltteres dominar , ò" nao reconheces teu Se-
nhora Se (fueres imperar , nao defprezes éskys do Império ; pois te
ja^as^de racional, da-nos exemplo: ategora mo fframos nos mais
r^^í7^. Por íeitielhante modo nos pode reconvir toda a nature*
za,deque para nós produzem as terras > reverdecem os pra-
dos, brotaò as arvores , correm os rios, manaó as fontes , Sc pa-^
ra noílb ufo gèrão tantos animaes que ella cítà conftante neA
:

ct DX/,r^íí/?.5ím.íl«o«od.írW^esefteytos.
Scnóspertinazesemnoífaingratidão; ó agrade-
5. in^f»f. çamos a Dcos
hmo.ini.tom coiumn. mihi ^ O quc não padeccmos fe pudermos , tragamos
Numera beneficia, potes ôc tunc có-
fi
. ^lemoria fcus benefícios , èc logo confidercmos noíTos mereci-
«bis, eò quòd tm^ , li imcUigas guid mentos , íe entrarmos neltas contas , ate de vivcj- çm trabalhos

wcrciis nos acharemos indignos, 6?

PA-
, •

PARTE I. CAP-íXVií. áf
"X'i.,LT^OÈ

C A P I T V L..olSxVlh

< : :

Como a natureza humana moflroíi no frimeyro fruto


que de [t dets , eftar depravada ,
©* arruinada éiii

maltcía ; tratafe do fratrkidio doperverfo Caim nó


innocente AheL

Adaó.
p^^
2
^ç.(cxv3^à^Xòò.^iiydeDco^,
humana em original injulliça pelo
i caliio a natureza
peccado de
Moltroufc logo no primeyro fruto , pelo qual íc co- ^ Gí,^",". ^
i
^
Veremsnííp.c^T.]'
•^"^'' '^•^^

*^'

nhece a arvore. 3 Caim, qfe interpreta ízr<^w//7;í7, primoge ^oie^h.àn'uq.i-i. €.>,.


iiitodeAdaÓ,&£i;^, 4 ou do peccado, ( o parto \^^\^\y^"^^,^^^'s^;^^:i,,^.m 4i
iby o primeyro avarento, 5 o primeyro invejofo, o primeyro Ephcfc.yi» j^.tom
herege, o primeyro matador , o primeyro deíerperado ; tudo ^ Gen.c^.
fc vio na morte de feuirmaô Abel; ^ & multiplicado o mun-
do, chegou a fazerfe íalteador de caminhos ; foy incorrigivel
6c taô odiofo em tudo,que entre os Hebreos era a fegunda fey-
la diainfaufto, por fer tradição que nacèranellé. 7 7Í#^'^^'""'?-^'V'^^t.i --.t
'
''"'^
2 Abelfegundo,masverdadeyroíilhode AdaÔ, & ^'z;^ ^;;"^''*í'''^''^' '

paftorbo-
penitentes , amável por peíToa i
Scmuytò nlaispor còítumes, ij-aan.iò m- ^2° ^"*

erapaftor; grande honra para elles, que o primeyro haja fido i^j^/áíe^tcí.^-edísi.c^.
""'"o •e^""'
Santo, Sc o Santo dos Santos fe preze de Bom Paíior-, 8 ^

offiicio o mais nobre, q poriíTo (diz Sãto Ambrolio 9 ) o Tex-

to Sagrado o nomea primeyro que o de Caim , fendo irmaó


mais velhoi Eníinados ambos pela razaó natural, que obriga a
reverenciar a Deos por a£to exterior: 10 Sc doutrinados por jo D.Thom.z.t-q-^y-'^^-^*
Adaó, II ofterecèraófaci-iticio; Abeldospri'mogenitps, Sr n PercrinGen.i.T.n.ii.
melhores do íeu gado;& eftádo Adaó na terra onde fòy depois -',"l ípra c!\t'»\-
Jeru filem, como acima diflem os, 12 ha Eferitor, 13 que i^ f^''^^'''*''

" a ^ e ..
''\'^'l'^f^'Jfl^!^'[l .

tem por verofimel que fez a oífertá no lugar em q o Rcdemp- '«^^ M''P ^'
'-"'^'^
'

/or fe oífereceo depois por rodos os homens ; Caim, que era la-
vrador, oífereceo dos frutos que a terra lhe dava ambos ofle- -,

receraó,Sv Caim primeyro, porque os màos também ofFere-


cem por comprimento fem efcolherem; os bonsefcolheni ^, ^ ^. ,
.

para Ueos O melhor, 14 ôcoa^w/^í?? aceytaoscoraçoens, i^ ,5 p/^i,«.sov.i».


como entenderão ainda os Gentios.' 16 grande felicidade do u ovid.ep.i).
''"""'
mundo, dizia Sócrates, 17 porque fe os Dcofes defenfiem ^^ntnV''^^^.''''
às dadivas, os màos alcançarií^õ quanto pedilfem , pois ordi- scdcjuxpri(tan(3acfi,&fir.ètcftc,fides"
pariamente faó os que podem dar mais. -^ ,j
.'••.' 7 ^oa ^j^ud BrafmJ.y.afoj,hth^g(m'
'

3 Moftrou Deos por final exterior , que fe entende foy í, CfM.5."''"


defcer fogo do Ceo fobre o facriíício de Abel, 1 8 que fò accy- io Femand. in ^.Gcn.fefí.^.M;
tavaefte,&naódeoCaimM9 Abel ficou banhado em gozo , - £í^t /r:^",' ^í „on in*i<Ie-
Caim aífombrado de triíleza: 20 Abel canonizado porvir- íis,ma»ot«isy ium(iuiínvidpc,iD!n9i
tuofo,eracerto que havia de fer inveiado; 21 & Caim fendo '<>- ^ r ; ««íí
iririao mais velho, fe íez menor lenao invejoío. .22 Levou ^^.^^ NifiínfcnorciVct, de ^omM-

.jç,« Fiii a Abel nus Bon (iolcict^


"

éS nVEV a; E AVE ^^
a Abelaocampoemconverfaçaõenganofa, cbílinado contra
T^ j I } j jhfits DeoS) que O amoeftou no caminho 22 & feg;iindo Gene- ,

D.^mntt deCn.Daí i yc.j. brardo, &: oiUròs hlcncores, 24.* lhe dilieque neni navia Ucos,
tiot.chromp fh.
14 Ge>icbrurd^''
ncpi Juiz, nem outravida, nem premio para osjiiftos, nem
" "^ """^ "^^
c.il -.
"^
'
"
P^"-'* P^*"^ ^^
Ímpios. Rerpondeolhe Abel contradizendo tli-
^:uborParaphraf.Hiro/ciymit.ai:udPí' doifto,&: Caim omatou. Hunsdizcm quecomendo-oaboca-
,frJi.7.»54-
dos: outros, fiche O mais certo que dandolhe com huma pe-
j

dra; 25 pofto qite o vulgo diga com a queyxada de hum ju-


mento; & efcondeo leu
corpo debayxo da terra. Miferâvel
Caim como naó morrefte vendo
! a primeyra morte depois .''

de vermos tantas nos caufa compayxaó â de qualquer eftra-


nho, naó violenta, 6c (o ouvida; fie tu vifte palpitar , ôcerpirar
teu próprio irmaó com quem agora fallavas fendo tu o fratri- ,

cida, & ficas vivo com animo para O enterrar? Deíle modo foy
«^ , r Caim oprimeyfo Hereee, 6{ Abel o primevro Martvr; 26
.

Scripturcy
dizcmalgunsAuthoreSjquetoymortoemfeftafeyra, 27 pa-
Mututedioc. ..'./b.K-
ra que foíTe fissura
-
de CÃnj^f:» Senhor noflb.

:r;Coí:":t™!X':» +
AlHfte-Deoscóosjoftosnasttibulaçoens, 28 jcodio
tribii^atíone. logo,êc perguutou a Caim aonde eírava feu irmáó. Naófò
19 F,neíiaiuf.i.i.c.ii..§.i. nígoufaber dellc, mas refpondeo perguntando, (coftume ruf.
^'"o DÍenchryrot^eym.i7^ „d j!^. ^ico áosnúos)Soíí CU
guard a demeuírwãõ? Bem opuderafer,
de liecoiUt.s.^fow.B jpi.Voxocciitnon poiscra mais vclho,& fcuaõeraguarda, naó fora homicida.
'pS*iiiri;2lrSf„lS' OSenhor Ihediire que a^vo^doiknguedefeuirmM clamava da
(afanguinc magis fonat, magis pene- /^^Tá; a Ictta Caldaica lem , qM ãvõzdasgefaçoes ífue havido
trat, magis fcitciidltad Ceium. ^^ w^ífíT defeu irmão cUmavã da urra nos peccados clamão ;

também as confequencias; 29 &: ostyraanosqmataó aosja-


ftos,n^lopodemmatarafuavoZJantescl^ma, foa, &: fe ouve
mais fora da efl:rcyt2za do corpo j 30 ÔC dizer que o fangue
clamava, códuz para o que fe diz que as feridas de hum mor- ,

to jà frio tor não a lançar fangue naprefença do matador; &


fe vio muy tas vezes os Juriftas trataó , fe por efte indicio fe
:

jt Parwáfpw/foáíS/W/í. vírft. /or- pôde cliegar a tormento


j 51 os Médicos ,& Filofofos, 32
E.ííc/rír"'''''''^"''''^'''
feprocede de cauíâ natural, oquetambem tQcli2iÕ'X\iZQ\o^
Ani.Gom.-vartom.\c\^.deton.n.\^. gos 33 & tudo largamente dilputa Gafpardos Rcys FrancQ
;
jWfwrfc(if^rrf/«m/)/./.i y89.fi.1x8.ejr
noeruditiilimolívro; Camoo EhfJode qiieílocs arradaveis, 24
halligantf lures. - r , ,
-I n.
.
^^ P - 1

5 1 Cort£Hs difquifii phi/ofoph. 4. aondc reíol ve que nao le acha razão baltante , lenao querer a
1

Cowilmtorjn^roi>L,yíri}iot./eci6.pro- Juftíça Diviua cm alguns cafos fazer aquella demonllraçaó.

^Wc'.FÍcreMíerm.x prafi.uc 6.
^
ccrto he quc em prclènça , òz em aufencia fempre o fangue
íí Dcirinsinoa. ííwí. wr/. 117. do homicidio, illegitimo, & volutttarío ,clama vingança , 35
£»/f^N7frrwifr^./,Wo/.p/,w.^^
-^ Trinta caufas conta aPoly-
p-xo-]. antheaChrilraa,&:curiolamente, 37 porque fe deve amar a
)4fr/7iíí9«w(?4w/>.£/)'/.jr.}} 4».ii. vidadoproximo,&evitarohomicidio; fora largo referillas.
'J ^ln^\^i'M'anh.%(>^x.
^ David com fer Santo , declarou i:)eos q naó queria templo
:^7 Poiyalit.vcrb. Homicídio. de fua maó, porqucfora matador; 38 & ainda entre os Gen-
)8 I Pdraiipom.xi <,.
com qualquer ferro
tioscra prohibido entrar com armas, &c
1? Lcx}X.tiibapudOc.i. de le^. tt t> - ^,
« .^ ,.^ ^ , , i ,•
nostcmploSi 39 por iflo edihcandcíe O debalamao, nao le
fetrumarcccoàddubns, dudii initru-
nicnta, iion faui ouviagolpcdefcrro 40 &: adverte Santo Agoftinho, 41
q ;

OS que cuydaó que fó he homicida o que mata


Tl D^ãílku.sin c.rMofidJ''/^P''^^
ftnitdtii.i.
ijaí. por
PARTE I. C AP. xvii: m
por fim maó, íendo-o rambem aquelle por cujo cònièlho ex- ^

horraçaó, & engano fc fegue a morte } allim matàraó Dalila


Samíaó: David a Orias: jezabel, &: os mais Juizes a Naboth:
íi
'
^'

Herodias,^ HerodesaoÊaptifta:JudaS)OsFarireos, Gaifàs, '


" '^

£v Pilatos a Chriflo.

5 DiíTe Caim, vendoíecoriyeíicido. que feupeccadonaõ ^, D.B.r«.ra.y?,v«. xuf.^a Ca..


merecia perdão j deíeíperado ; 41 diz hum mo- (latim pojtpyi>tc.
&: dille ilto
derno^ravc 42 que crucificou a Mifericordia de Deos. Grá- ^''"''''^''"'7"- 49-
demiieria íoy haver peccado contra Deos taó benigno, que
^\ D.chrjfoiLhom.i9.inGen,
fallava com os homens ; Sc mayor miferiádeferperar de Deos
que o vinha bufcar com perdaó, fe fe arrcpéndeíTe. 44 Ser fe-
rido he perigo; naó fe curar he morte no corpo ha miiy tas fe-
:

ridas in curaveis,& com tudo naó ceifamos de hes applícar rc- 1

mediosj na alma todas tem remedioiporque nos defcuydainos


delhosapplicar? Deos emenda a fentença aquém emenda á
culpa ; julga pelo eftadoprefente, naó pela vida pafla da, naó
fe lembra dos pcccados de quem fe arrepende. 45 Masquení 45 ^'íf.-^.ig.it. Oníníumínicjuita-
'""i^iusqua, operar», cfinon tccord^i
naó pedeabfolviçaói condenafe. 46 Mais fentíò o Senhor a bor in jultitu ma quim opcratus cft J
i rr' -•c -A- j-1 n_ o 1 i
:

aelelperaçao, que O IratricidiO} dilatou a pena deite, Sc aquel- tívcc


la punio logo com parleíia perpetua, torcendolhe a boca eoni 46 HiigoL.devcrafap.

que fallava defefperado. 47 Porém notaó Doutores graves D'.'JiZtíx%'^ílYA'í^^ %


4g que andar tremendo paràlytico, foy o final que Deos lhe A-f^pif"'-
poz para que ninguém lhe fizeíTe malj 49 tal he a divina bon- ^""''^Qèndf^\ '

dade, que os feus caítigos (\õ uteiS; femprc fe moftra Pay até ^^ D.chryfojLhom j.adpep,
•,

na condenação eterna hc Pay commum, porque fe naó oiivera iv4«í'«'^'>-"»«'"«- s»


aquella pena , poucos alcançariaó a glona, pois o medo obriga
inais;queoartior. ^0
6 Achado Abel morto , que dor feria
a dos Pays vend o o
que naóconheciaó , emhlho, &
trifteefpe£taculo da morte
cllc caufa de tanto mal Referem muy tos Efcrifores que tevt
:

S» Methodio revelação de que Adaõ chorara cem annos eila


morte, & por naó ver outra, fizera voto de caftidade;&o
guardara atè que Deos lhe mandou por hum Anjo que multif
pUcaae,&:entaó gerara a Seth. 51 Outros dizem, -^2 quQ pJr/í!luf!^lÍ!'u^ã^r^'^^
apocrifamente feattribue tal revelação a Saõ Methodio cer- Petr Tártara. i.i.d 5.5.1.
;

to he que
T-
Santa Brifida a teve ' mas naó fe declaraó nella os ^'"^«'''./•'f
; •'•V'*,'J'V*" ,
t)Z Pfrfr.fnofíj /.7.«.il,

annos. ^5 ferriandÍH^.G-;t.feciil.n.i

7 Envelhecido Caim enl peccadoçjqite huns fobre outros '5 K^yeidei;. Briftái ,
.-( «rAj-

cumulou, chegou a vagar pelos montes como íitlvagem, &'


•;i.f-7-"'í"''"c-

Lameth , feu quarto neto, andando à caça lhe atirou com ,

iiuafrecha entre huns ntatos, cuydando que era fera, 8c o ma«


tou por erro; morrendo como fera, oquematouoirrr?aó, ^
•às mios de feu próprio defccndente. Aílim o cfcrevem Au^ ^^ D.7//ír.«.rp.its ad Dmaf.Caku
thores graves, 54 &
o infinua o Texto Sagrado , 55 po-w4.Gf«.
ftoque alguns dieaó que Ihecahio acafa na cabeça; ou- "Jouknph q.\. &
/'~'rii^ ti -^ ^ t
-•tros 56 que eíperando Deos a emenda queellenao teve, vi-
Genebrard Lranooydph Lu
^^ Gín.ã.cj,l^.

. vco até o diluvio, o que naó fe acorda bem com a computação ^6 i{efere eiias opinúe.H M.tHte fup^
«á «<<..« }.$.,.!
dostempos.
8 Notou
e% EVA, E AVE A«
ir,c ,ir.ii§.3.
8Noroú O Douto Padre Pineda 57 qnaõ amaldiçoou
,7 j
DeosaAdaó) havendo deftruidooHiuiido,&amaldioçoou
58 GexJc^.M. a Caim por matar a Abelj 58 porque Adaó peccou por
5? s»^ac.yn.iQ, amor, naóquerendo defcótentar a £^'.:7, 59 Caim por odio :

Adam teve objedo menos defconcertado,o de Caim foy abor-


recivel. Bemmoftrou a natureza humana logo no principio
fuacorritpçâô dando taó mào fruto. Notável difil-rença o .'

homemotrendeoaDeos no primeyro fruto qucgeroUj Deo*


írlorifícoU o homem no primeyro fruto que delle colheo :
& quiz que o primeyro morto foííe jufto,para que a morte naó
ficaíTe com fundamento taó firme, como ficaria fobrepecca-
Cfn.«.f.4.it.
í«,
.^^^._ (^eu.Qoj em Abel penhor da refurreyçaô: éo a natureza
*'
'
"^
feoppozaDeosemCaim,^: Deos coroou a natureza em Abelj
taó antiga he a competência duspeccados do mundo com âs
mercês de Deos.

C A P I T V L o XVIII.
Como comepu a dhifaô de domínios ^ & fe inventarão
os marcos dos campos j os pefos , Çff medidas ; fe iw
trodu^traõ alguns contratos ^
©* odinhejro\ tudo
for conveniências da vida; Qf de tndo a malicia hw
mana nfoH maL

fui.
r G.>.4 4: iDc priffiogcniti. gregis ^ T^W ^^
^^zer O Teííto fanto, í 4 Abel ofFereceo ao Sc
nnot dos primogénitos dejtn remiho, parece q lo-
go em aquelle principio do mundo ouve TTíen^Sc teu, que nu- &
ca fe logrou a felicidade, que alguns imaginarão, de ferem as
coufas commuas em a idade que chamaó ae ouro ; foy Caim o
queintrodiizioeftadiftinçaódcdominios,& o inventor dos
pefos, medidas, marcos das herdades, Sc outros finaes porque
1 ]ofeph.deitntiql,i.c.ii: feconliecefieoqueerade cada hum ; 2 donde fe vé que nem
Mame,n^rcfp.'<ieCbrijfo,,i:u,,.c,4-
p^^^^ ^ ^^^ Sidonio invcntàraóifto, como cuydàraó algups
Pi::cih! ,taMo>iíSTckEccifft>.i.i.t. 1. 11. Efcritores-, 3 porque tudo o que de.úntes avia, paíTáraó Noé»
^•^'
,.^ ,.^, ,„ _ P r
do diluvio.
ficfeus filhos às o-entes depois
MicrA.mfyntam.hiíl.l\.'ctl.i.n.\^.
^jsxtormojjicin.f.i.ut.tnwMiT.di- 1 buppolta a necelUdadc ciB quc O pcccado uos poz dc
vtrf.rer. trabalhar a terra para comer, de veftido, 4 & de outroi;
4 iwf'r.<..9.c 15, ufuacs foy naó fo conveniente, mas neceíTaria efta fepara-
,

çaó', porque fe as coufas foflem com mu is , ninguém traba-


lharia-, hunsquereriaó comer fem trabalho, outros naó que-
reriaó trabalhar para outrem, & allim todos pereceriaó. A ne-
ceflidade , & o intereíTefazem traballiar , com o que todos fc
fuftentaõ. .:

5 Porem a natureza hurtlana depravada, & cahida no pec*


cado, qual vafo inficionado , que inhciona quanto nelle fe lan-
ça, depravou todas as conveniências que le Ihç hiap ofíèrer
cendo.

N.
PARTE I. CÂP. XVIIÍ. 6^
rendo, corp.o OS capinilos fegiiinres moílraràó no difcurfc) da
hiftoriaj &; eíla foy a primey ra. O
feu invétor Caim fe fez ílil-
teador de caminhes; 5 teve, & tem miiytos fucceíloresj de toi 5
%»''' ^ i?"'^'

-das as qualidades, & eftados , que Com menos pejo falteaõ nos
povoados, & nas Corres jalguns por officio. Não furta fô quem
toma nos termos que o direyto define o furto ; 6 raastambem ^ luL-i^defirt.
osqneenganão, dilatãodefpachos, repartem mal, $<. prejudi-
cã.o por qualquer modo: 7 viveíe de rapina, diíTe Ovídio, Sc 7 Volyamheay vnhofit_ium,infrink
náohadequemhumbonifepoílaíiar; 8 comdifcreta mora-'^'"''-/-/'"'"'','""-
lidade fe íingio Arion, lançado no mar pelo roubarem , camí- vivitur ex rapto , uonhofVes ab hoípitc
nhar pelas aguas cavalleyrocm hum Delfim, feguro nas ondas tutus,
oqueperigàrananào.-osmarinheyros, que o havião de con-
duzir ao porto, o naufragarão^ ôcopeyxeque ohavia de tra-
gar, o fdlvou ; mas eíle não conhecia o ouro qiieaquelles buf- *^"— '
,caváOjfeoconhecèra,nãovalêraa Arionafuacithara. Heim- -
"^
.
!
polIivelcoritârodanoquèrefultadeíle«íí«,&Zf?/: aqucnão ^
> ^

«briga aos homens a fome de riquezas? t, por efta, 6r por mu- ç^nllofZl^í r^aoti cogis auíj
Iheres fuccedem qiiaíi todos os maleSj não íliccederiaó,fe con- facra fames j
tente cada qual com o feu, vivelTe com juftiça,
4 ComadivifaódosdoniiniosfeintroduziologorieceíTa- •

íiamente o contrato de permutação} porque guardando cada


hunicq«etinha,nãoàcodiaaourroqueneceílitava, femefte
lhe pagar, dandolhe outra coufa > &
com trocas fe remedia-
rão todos em parte;
5 Mas efte remédio não baftava^porque o que neceílitava
de hõa eoufa j muy tas vezes não tinha aque lia porque o outro
aqueria trocar } êcallim fe achaváo muy tos abundantes das
mefraas coufas^ Sz neceílitados de outras fem terem cõ quem
,

as permutar. Pelo que a mefmaneceíTidade introduz iohavçr


huma coufapreciofaentre todos , pela qual todos quizeíTem
dar o que tiveíTem > efta coufa foy o que cham am os dinheyro ,
que conforrfte a ifto he quaíi tâo antigo como o rhundoj & efte
contrato chamamos compra, &
venda Plinio diflequeoin- j^ piin.i.j.c.<,6.inpmc:
:
'

ventou Bacho,n1ashemuyto mais antigo. 10 n I'•L.f^cuHU^íl.!^.deverb.fgtti


6 Ainverição i,.Jfoyutiliflima,' pois fó edmterdinhéyrofe^"-<^ 'f '•'."/.'"f"'' ?•'• , -,
.
i
, -/T- j-rr 1
"*• SããiiíLm tra?ment. Tecuiiia ma-
tem todaSaS COUflS em pequeno volume por lHo •, dllle num-xirhaliomimim permcif;.
Jurifconfulto, íi queonomeí/Zw^^yrcfigniticatodasascou- iyEccie[ian.io^<).?ecm\i3: o^cdiat

ías.Porèm a malícia humana o fez degenerar em tam rtocivo, °'"7;,v.í l.t.slm.Satyr. j. Omn«
c\ueSú\iú\io o chamou o Tífiayofjnd dos homens, 12 porq fe2í cmm res,
qué lhe obedeceííe tudo, como diz o Efpirito Santo. 12 De ^'^'"^^r.^'''^"'''^'^''"^' humana.
com prar O neceílario, para que íoyifiltituidOjpaíia a comprai- Divitijsparent.-ciuas qm conftruxwit.
ofuperflao, &venderfe por elle a virtude, afama, a honra, '"e .

dignidades, nobreza, valor, fabedoría. &


todo o divino, & ^;^7'"'^'^^"'^''°^^^'^^P'^"'"'*™
'"
humano^ como fatyrízbli Horácio 14 có verdade: o bárbaro \^ Ovidjí^rt-umand. ^

baíbaiusiprepla-
íico, dizia Ovídio, 15 heagradavel: Homero fenão tiver 4
^'^'^"^°'^*^'t^""'

dar, fera excluído. Todos,dizoEcclefiaftico, i6applaudé,&; sinihiíattúleris.ibisííQmerc foras. '

levantáo às nuvens o que falia hum rJco ignorante ; todos 6 EccieÇuQ.\s ^8 _. í

defprezaa^ & abatem a hum fabiQ. pobre as riquezas , dif- £,^^^ ,i^,jir,,,rdu . , j. c^ .s/í^uí.,
: .

í. .
fe
' 1

7í> EVA, E AVE,


17 P/ivrrt 14.14. Cotoua fapicntid Te Saiam ão,coroáo aos fabios. 17 Perguntoufe a Simonides
diviíix- ejium.
íeeráo mais para defejar riquezas, ou íabedofia. Refpondeo
que duvidava, vendo que os fabios frequenraváo as portas
dos ricos; &c os Filofofos as defprezaváo com palavras , & as
procuraváo com obras. E perguntando Dionyfioa Ariftipo,
porque bufcaváoos Filofofos aos ricos, & náo os ricos aos Fi-
_
lofoíbs refpondeo Porque aqiieUesfabem de qmm neceffitaõ,
j :

'"^
eftesoignorao. 18 Perguntou hum pay a Tem iftcclesfe caia-
^''^ '"
Jel^it.PhÉuTc.z.'^^'"
ria fua filha com hum pobre de grandes partes, ou com hum
rico fem ellas. Refpondeo que mais queria homem que ne-
\9 Ksfert yaler.May.l 7. ceflltafle de dinheyro, q dinheyro q neceílitaííe de homem, i^
Efte refpondeo conforme à razão-, aquelle conforme aoquç
tem introduzido a mâliciaj 8c nofentidodeíladiítinçácdiíTe
Tl 7alYoí%-f^t!!uihhL
Saiam âchiias vezes, que antepunha as riquezaSi 20 outras,
ii ui. de Cajiiiho hiji. dot Rtys Co- que eftimava fobre tudo a fabedoria. 2
^íLiÀifci. He verdade que no tem pio de Hercules, que antiga»
y
mente eílava em Cádis, tinha a pobreza hum altar; mas era
para que avivaííe os engenhos para adquirir,2 2 6f aílim em or-
dem d riqueza-, porem nem paraiftoellaaproveyta antes fe
-,

it Ex^^hf.fupú.PauUdThefai.^.fu- hemuyta,embotaojuizo : 23 dizerfe que a vexação dà en-


per iiiHciKcí^ami,! amem vos
tendimeiíto, IA. náoproccde na dcmafiada queabateoefpi-
%^ intraa^Fcrfea.doíhrjuaLj. nto, & aílim cm outto lugar 25 avaliamos o muyto pobre
por pouco hábil para as letras > deyxando feu lugar às excey-
fões da regra. Mais cuydo que tinha altar a pobreza, porcof*
tumarem os antigos a adorar as coufas nocivas para que os não
16 Viremo!nii.p.c.6.n:e,
ofFendeíTemj 26 mas a pobreza em fazer mal heinexoravdi
& aílim fempre errava a cegueyra gentílica. Também nodi-
rey to civil tem os pobres algiis privilégios, como ferem efcu-
17 §.fed<ír propterpa:<pertatem,hft. ^os detutorias; 2j Citarem feus contcndorcs para a Corte 1^

deexcujat.tut.cumconcord. ttão dcpofitarcm caucão cm certos cafos das noflas leys j 28

Ú£ZS^tld:Í!;Z!:'/1r^- ^^^^ ^e boa vontade tíocanão todos peios dos ricos, nem cuy-
1% ordin.i.ytit 5.5.5 o-tit.zí. §1. do q O das tutoHas viriajà mais à pratica, porque antes fe tira-
d^m.«4.§.io. rião aos pobres que efcufaremfe clles.
,
O certo he que a ma-»
)icia humana depravou as utihdades dadivifaó dos Domi-«
nios, & da invenção do dinheyro , fazendo tudo venal aos ri-
cos, & reduzindo os pobres a condição cm tudo miferavel ;fe
pedem, fe envergonhaój fc naõ pcdé, perecem jaccufaó ao pro»
ximo fe os não foccorrc j & chega© a queyxarfe de que Deo$.
nãorepartiobem.
8 Segundo as noticias q ha mais antigas, o dinheyro fe
fezprimcyrode.gado, ou de couro, ou o mcfmo gado vivo
era dinheyro, tendo cada cabeça feu valor determinado con-
forme a efpecic, & grandeza > ôc aílim cota a Sagrada Efcritu-
49 <5íM,,5.i9.Emitque partem agri. ^^ -
Tacobfí)w/)m/ parte de hum campo por cem cordev-
VafX4.5í. Inpartcagriqucmemcrat
Jacob.
V ? ^ r rr
1 •
1 - j- ^ v

ros; ic eitcs nao loíiem dinheyro , nao diria que comprara, ( o


V
Vid<: /iicx.ah tjitx.im UttT. 4. Cl 5. que fómcnte fe faz com dinheyro} mas qucpermtitsra.
/
Porém
iMGcm lí. jà antes de Jacob havia também moeda de prata, pela qual o
Texto diz 30 quçAbraham comprou o campo em que fe-
pultou
,

PARTE I. CAP. XVIIL 71


Ímltou íua mulher Sara. O
erudiriíllmo Padre Frey Gabriel
LirleradiOrdem dos Pregadores, efe rcve com Gothofredo , r ^ ^ r,-

\ irerbieníe no leu Pantheo 11 31 que


, Nino Rey dos Afl y nos, „^ ,„ ^-^ Par,/icve/,a»tcrJjÁi(:o_ ud.
pelos annosqualldoiis mil dacreacão do mundo, quafi 350. viterb.ini^m/.-eon.
depois do diluvio, fez moedas em que eíeulpio a fua imagem,
& eftas foraó às mãos de Abrahaó , que as levou à terra de
Canaam,& por ellas fez a compra docampo; porelíascom-
pràraó os Ifmaelitas o Santo Jofepli , íígura de Chrijlo , a feus *
Ven^^^^t^^ «""^
irmãos-, zz Farcsíilhodeíudas,quee'rahíimdelles,ase;uar- ,, 'V^'"- '7- ^^-
doui chegarão a mao da KamnaAuicral, que asoíiereccono ^//u /í/era í;«tfí;triiiiura argenteis.
Templo de Jerufakm delle as levou para Babyionia Nabu-
;

codonofor, quando o faqueou;d*iilli paííaraó aos Reys Magos


deSabà, que asoíferecèraónoprefepio, & concluem os diros
Authorcs, que por eftasvendeo Judas a Chriflo; prova\'el he
que a ViYgan^ & S. Jofeph as tenaó offerecido no remplo, dó-
deastirariaó os Príncipes dos Sacerdotes para aquella com-
pra. Sendo iíloaílim, fe enganarão os que diíTeraõ 33 que os ii Textorjupta^

Égenitas, em tempo muytomais moderno,fora5 os primeyros


q batèraó moeda.-na Africa, pela parte de Angola.faó dinheyro
huns paninhos fey tos de certa herva entre algumas nações o
:

hecerto género de pequenos búzios outras o fazem de outras


:

CO ufas que cada huma mais eftima.


9 FUnio 34 efcreve, que nas primeyras moedas de metal .]^'t^['*^'^y,J;,^^^^
feefculpia ainda a figura de gado. Depois, como hoje , fe ef-
culpíraó as effigies, armas, infignias, infcripçoens, & letras de
quem as mandava bater i de que ha livros curiofos, Scnelles
achamos noticias de muytas antiguidades.
10 O valor delias pelo intrinfeco dos metaes , entre todas
as nações do mundo hequafiomefmo, como de direyto das
gentes q não faõ barbaras^ Sz por eíle fe acey taõ ordinariamen-
te em todas as partes pefadas , fie tocadas.
,
O
extrinfeco que
lhes daõ os Principes, <k fo corre nos Dominios de cada hum
tem regularmente pouca diíferença do intrinfeco , por convir
afllm ao comercio ; excepto em alguns Eílados nos quaes as ,

neceflidades publicas, ou por defpezas da guerra, ou por ou-


tras occafioens, obrigarão a augmentarfej & neíles augmcntos
fe lhes fegue fempre mais dano, q utilidade na mercancia ^c
, ,

no preço dos ufuaes q impollibilitaos vaílallos. Em Portugal,


âlèm-das mudanças q neíla nofla idade vimos , houve muytas
nos tempos dos Reys paííadosiodigniílimoArcebifpo de Lis- ,^ q [Uu-^rUj-M-Ar ehifpo D.B^d
boa D. Roelrigo da Cunha, varaõ illuílrc por fangue , virtude, àj cnnba, hiji.Ecdef.de Lishoa(>.:. c.io.
& letras, no CataWo qefcreveo dos Arcebifpos da mefma ^^Vn / . .. /

oe, 35 procurou curiolamente averiguar o valor diverlo que ^7 Carranf^ no imo daajun. ^'.íf
,

as moedas, com vários nomes, tiveraõ em tempos diíFerentes; '''O^^'''^- ,


' •
.

O de muytas declarou a Ordenação do Reyno íeyta por El- ,^urn>,.a.muu'A Lawiaifis.


Rey Dom Manoel, 36 porfermateria larica, baila remetella. rrmdjcusCur.^uí, a-joM.nayvmdin
Demais dcCarrança, Covas Ruvias, & outros 37 queefcre- traà-à'^'>^:f:'^^^"'^ltusBru..usd.
verão de moedas^ o Ety mologico trihng'-!'- inipreílo em Lon- i uraci dd nv.
;../

dres
-

7T. EVA, E AVE. "


dresnoanno dcmil ^ íêiíccntos Sc ictc, rrata exaclamefifc
coulas miiy to dignas de íe íabcrcm das moedas que ufàraõ os
,

HebrcoSj Caldeos, Syrcs , 6c drcgos.


1 1 Os Latinos chamaó ao áinhcyropecioiia alguns dific- -,

raò que de peculinm, q abufivamente í'c romã por qualquer pa-


„ , , , , rrimoniojfio-nificando propriamente fó o doefcravojou filho-
iJ„ ^ famílias. 58 Outros o deriVcio melhor de /)?íf/.r. ^9 q ligni-
•y^ idemCrdcp o- Pciyjntpy- fícao si;ado, OU porquc O prímeyrodinheyroera gado: 40 ou
"^'^'ttl""»!"^^^'
"^'^ porqu^e nas moedas que depois íèbatéraó. feefculpia alliafi-
41 Pun.di^lci. gura: 41 ou (6c parece o mais certo) porque antigamente em
PiiitfíTch m Popiu;, la.
„ . . . o;ado conf^ftia toda, ou a principal fazenda dos homens, 42 &:

devfíb.fçmf
/;úT7/«/^.comprenende toda, como diliemos; 43 ocdomeímo
4x ^^í/cM< o-Vciyvth juj^T '.
nomep('(:7/5feveyoachamaro/)í'rw//<?. 44
45 Supr n
(-.
Ncíla divifaõ de Domínios > fo Chrifto Senhor noíTo.
j

4^ MMh ti.x7 \oa»^vv havcndo ícu ray hterno polto em luas mãos todas as rique-
46 D. fj»'-i- "['-''"'•*;>• f^^P^^zas, 4í fe fez taó pobre por amor de nos, 46 que naó tinha

-PLf.h 8 zo. Eiiius aistcm hom:- -^o ndc lecunar a cabeça, 47 10


chamou /í// ao q nos dava; 48
iiisríon lubc: ubi ci^-uc recimct. às ovelhas para morrcr por ellas ao corpo fangue , èc efpirito^ ;

laI?S.x6'.Í6Cr.8..w./rc.i4.ii
quc cntrcgava por nos falvar 49 ao /*^j' queparaiflboman-
y^i^. dura: 50 aotcmpo, 6c hora em que havia de padecer, <5^i ef-
i«í 2.1 t9.'í!^i"<^f-*}4"^- gotoufedethefouroscom-nofcoi 52 chegou a entregar fe a íi
^""o ^£.. M?-
meCmo; 536: com tudo foy o que mais experimentou o tra
MMh.í6. a.ío'«i«.i.4.crr.iuv \y^\]^ q ^^ fj^^j[^ ^ fgj;^ qs males do dinheyroj & do comprar
, &:
'

51
y.D^PaHUdPiyiip.,.7.S:mci,fC^
yenjej-j porque noscomprou pcloalto preço 54 defeufan-
"5T!^./W.'«d£;'fcf/.5.i.Tradiáitre- gue, 5^ Sc cm formadc fcrvo 56 foyvendidoj 57 Ôcdaríe
mct.píum pro noD. vnrelledinhcvrojqaindoellefed iva dc tJ J ' 7 8 lhe fova
"[íaçaj <
w D Paul (idCcr.^.íO. E;np:i may(^v
i
r
pena
'
parcciaque
_
nao era homem para
,
-

lograr
l J
as con-
cninícibs ptetio magno.
<< Pitr 1.19
I venienciasd'aqiieliamt:rodiicçáo,mas 3
para padeceres
fó r r dan-
<c,D.Prn.!.jdrhi':p-cf-c.i.7.
Í7^u»í.^6.is.iV/.Kf..4.ii.
nos delia
nosaeiía.

CAP IT V L O XIX.
Fundação daprimeyra Cidade utilidade delias ; como ',

a naU4rc^a depravada perverte as generojas ac»


çdes; condena-fe a vangloria, Çff trata-fe brevemen-
te de algumas Cidades famofas,

V FhcrauLiapuàBruf. Li 16. I TJ
t^
Or mcyo da neceíKdadc,quc hc excelíenrc meftr^j
N^iiiam prxaai.tiorcm dc.aoccm cilr
moítrundoaoshomés
"^ ^ j^j^ a Diviua Providcncia
jrccelliurc. i, .1 t «*
"^'^'^ '"^'•'*^^"^'"''"^ ^^"'^'"'^'^^"^^"^^'^^^^^^"™- ^'^^^
Hcliod 7. I.ivctitrií 'ccnfiiiorum om- ^S"^ P''^'"^
fiiumcftncceiTitas. a natiiveza humana arruinada em maliCia trocava em maks
,

os mayores bens , como jà difiemos no capitulo precedente -,

fejafegundo exemplo que achamos no Sagrado Texto, 2 a


C.<4-i7. Adificavu civiutcm.
j
fundação dasCidadcs.
2 N
eceifitava a Vida de muy tos ufuaeS;q nem hum fó ho-
mem
.

PARTE I. GAP. XIX. 73


n.cm pódcgrangear, i;iern produz todos huma í'ó cerra , como
confidcrcu Virgílio 5 enrre as auferias do mtindo, a qprono- "
^
ilicava remédio. Eftaneceiridadeperíliâdiaafeaiimtarémiiy-
f yngn ecioi>.j^,
'^' '
^^ ..

Nfcv:a'"hticá'píiius

tos em vizinhança para fe afliítirem reciprocaméte com o que ™"«s: «^'^"^^ ^^^" « ''"'^ ^^^-
J^"'*^"
tiveíTe cada hum, entendendo também q de outras partes con-
correria, por commercio de permutação o mais que foíTe ne-
,

ceflario ; com q no circuito daquelle ajuntamento haveria


abundância de muy tas legoas; & eíte fegundo Ariftoteles
4 4 ^un.i.foltt^rtot.àfl.',.c.xacy
foy hum motivo de fundar povoaçv5es. Outro foy fero homem
por natureza animal fociavel, q appetecia companhia. Platão
diz, que fefaziãoparaoshomésfe defenderem das feras; 5 &: 5 piaUnPmagor.
eftes fíns que a razão inculcava, eráo muy to louváveis.
5 Porém o fagrado Texto 6 conta qnafceo a Caim hum ^ Gcn.fup.

ílho, a que chamou Henoch;^cj edificou huma Cidade,(Be- ,n ^jú .rn,


roiodiz 7 qlobre omonteLibanojaquaLpozonomedofí- % D.,yíu^.deCív.DeU i^.c.%.

Iho; o que fegundo S.Agoftinho, 8 fc entende annos depois


de nafcido , pois quando nafceo , náo havia ainda gente para a
povoar, S.IoaõChryfoftomo o d.z, que ed.ficpu. & poz c,
„i^f^>f^r-Xt"-p««».
nome lo a hm de perpetuar fua fama , &: q foy cíieyto do pec- rum, & ruína; pnma munimcuta.
Cadoj porque os homens privados poreiledaimmortalidade
queteriãocom agraça, defejavãoiramortalizarfc por outras
vias. Elles o declararão depois na fundação de Babel , dizédo.-
Fnndemos Cidade em que façamos celebre nofo nome 10 bem 5 ,^ g,, n.4.Ceiebtemus ncmen no-
parecidos aos pays que peccàrâo por vangloria: 1 1 outros ftrum.

Authoresefcrevem 12 quetambcmfoy intento de Caim re-


I* Sí«/líif""'/,'^""^'''
fugiarfe alli da pena de feus crimes, & recolher o que roubavaj £e«fíi.f<r«a«d.M 4 Gr«/fc7.i8.«. ;

para ií^ío cercou a Cidade com rauros,& a fortificou de torres: ^'"^


' J '
"'^ vafMç.ia.
-Sj^v» df a.
'^ ^^Uo m ^^nti^un.BM^.
.13 tão antiguahe a arte da fortificação. Filo 14 affirma,que
fu ndou mais féis, chamadas, Mauli, Thehe,Jefea, Celetyjekt,
&
outra, em que feu mào natural não melhoraria o fim ; &: nos
íeculosfLiccelTlvoSjdizLadtãcio, 15 quecomamefmavan- i^Lt^AHt.l.i.c,ii.

gloria,& defejo de fama puzerâo muytos homens feus nomes


a povos, rios, montes, & valles.
4 Pelo pcccado cahio a natureza em tanta malicia, que
fez vicio do que fora vir tude^ porque o bem, &
o mal nafce do
^^ '^'»'' 'í-i*"^^''
coração; 16 poriííofeintroduzio bater o peccador nopey-
to, como que o caftiga; pelo fim a que elle obra fe qualifica a
acção:a louvável deve ter prudécia para efcolher bom fusev- . .„ , ^ .. , ,, ^~ ,/ *

to, õc virtude para procurar bo hm-, 17 ieelte hemao, aíteaa is Taeit.hip./.^. Finisturpisiaudcm.
obra mais luftrofa: i S nas da induftria fe louva adeftreza , nas egreRíam macular.

a Virtude a tenção, q lhes da lorma: O edifacionao perde a ex- ^o /^.wiím úi n.c.-^.eráe


t><«£
cellencia pela mà vontade
do arquitecto mas o a£to de juíliça jtã.phtUJòjé.cT.a- de cm;.i)ei /«í-.^.c.
;

...vefte-fedemaliciapeloruim intento do iuiz iQ &:aflimdif- M-«^ m-


i

leb. Agoltinno 20 que as generol as acções dos mais dos gen- intxhortmor.:i.admd.tom.A. Yanxgio-
tios degenerarão em vicios , porque tomarão por fim huns o tix morbus te non ToJuíh cúm pccca- ,

'"«" "^^ ^""^ gcila.5,dam,


intereíIe,outros o goílo,6c os mais celebrados a vaidade,& am- '^^^^^^
bicão: lartima grande peccar, não fomente qu ãdo fe obra mal,
^
mas ainda quando fe faz algum bem. 21 Difcretamente cha-
G moii
) :,

74 EVA, E AVE
11 Djow.ciimacirad. ii.dívin. iTioiiS. ]oAÒ Clímaco 22 àvânglork y diflipaçaõ dostraba-
i'""; ,, perdição dos fuoreSjUd-ziodo^tíi^fouros, ferva dn perfí-
lhos,'r
,

Kefert P.Fr Manoel àoSepulchr o, n»re- ^ j r u i


<- •
r>!
.

f^f.EjfiTit.p.i CXI.». 3©.


dia,precLir!oradaíoberba,n?.tiíragionoporro,tormiga naeyra.
5 No
mefmo precipício nosdef\>ínhamós os Chriftaos.
"
EfcrevcmoSj não para lòiiVw dé De^ki^-n^i^s afi^ectando o pro-
-.*,.^ prio: fomos rcclCs ncs ofíiciorj, n?.0 per^tmar a jitíliça, mas pa-
ra applaufo popular: abítcmonos dos-v^icios, não pelos aborre-
cer mas por rcfpeiros réporaes:a!gús,oi! ulgúas fazé ptnicécias,
não para fe mortificarem , mas para lé acreditarem: arè alguns
Pregadores Hufmgelicos procuráo mais oftenrar engenho,
que edificar almas, pois lifaõ de concfVtos próprios, devendo
faber que melhor perfuadiriao qualificando-os com alle-
gaçaó de hum Santo, ou Donror porque mais autho- j

ridade tem hum mào livro, que huma boa voz; cuydaóque
tem mais louvor as aranhas, que ger;uidefij queasabelhas,
que colhem das flores; não felembráo de queSaóJcronymo
i.\ D.Hieron.ep.adP uiin. de iivin.
jj louvou cm Platâo qucrer antcs aprender coulas alheyas
ÍÍ!líís''aifcur;.recundcd,iccrc,quàm
com vergonha, qucjadlar as próprias com imprudência^ faÓ
fua impudéter jaftarc. palavras GO Santo. Innumetaveis boas obras deírroe a vanglo-
14 D.chryfop.iHpan.ho,r u. rd fn.^l^ Al ji^^Chry(o{\iomOi lã. & QUcm pertende applaufos íe

lapcílundat cnvilecc, pí)is cntendendoqucie nao balta 3 íi , bulca a honra


25 idemchryfoifferm 17 fxperitis ei- nos outros 2$ lança em faco roto, acrefceotaS.
! Bernardo
Z;?Strn^^^ enrhcfourando nas bocas alheyas. Jt >
bitcipdimfufficcrcnonputas.niíigio- 6 Fez também a malicia humana degenerar o bem que
riam aiiiindc capias?
pudcra rcfultat das Cidades , & povoacoens g:randes em que ,

í;mf.';/?pnwiníip.cnstuqaiiT,ciccscó- ^q"^''^ orovimcnto, qucconlideravamosdos uluacs , veyoa


gicgãíiuíflccHmpcnurnm. exceder tanfcà neccíTidade, que o fuperfluo as oftenta funda-
das para delicias, & não para íuílento que exceíTos não mini-
;

ftraõnocomerj&noveííir? aquellaconfolação que notáva-


mos da fociedade, fe torna cm murmuraçoens, juramentos , &
17 B.chyfofi.idverf.Mhiiper.vttmo- convcrfaçócs illicitas> faó tlieattodos vícíos que fe chamão ,

n n.l.\.adfiH.ttm.ySenecaepiji. 51. paflatcmpos , & dc todos OS peccados quc miudamente pon*


fl ?rd:Sl »-/Í^dV.„'r;;i- àcvxo os grandesjuizos de S. Joaó Chryfoftomô , f. Séneca
agrum. 2j chegou a dizer Díogenes, 28 que a virtude não morava
FuUhè Pater Hern,énm HHgoindefider. n-^.;
Cidadcs." a Alma íanta couvidava o Efpofo a deyxallas , 6c
ij EcdefuLjiic. IO. 1. Qiialis redor ^^ oantos lugiao para os delertos. 1 ernveis & abomináveis ,

cílcivitatis, uies & feabitaiit s in ca coílumes haveria na de Caim pois difle o Efpirito Santo 29
;
^"" q^'»-^ os habitadores da Cidade ordinariamente
roÍ° /riS/Z/ir^'''*'"'''^"^" faÓ tacs como ,

^ufott.epij^r.^o. quern a governa.


foan.Saresi>erf> 8 c.ii.
1
7 N
áo tivetaó notícia dcfta Cidade, nem da fundação de
d, joan.i^cfr, wfy„u]>m.ant,j.Rom. cum Dabylouiu dcpois do diluvio , OS Grcgos , quc diílGrao q a pri-
addition. meyra domundoforaCVfrí7/?/íí,qtambemlechamouyifr<?/?í7-
TWrf«jp/?«-w.i et. / f fundada por Cccrope contemporâneo de Movíes riem os ;

ibiglolfa. cLgypcios que aínrma vriOjCue a primcyra tora ThcbaSj ciiama-


Pmed.MoyrchEe(iefp.x.i,^.c.í.
, ^ I
primcvro Vwfboíis-, &c oiitrcs QUC {otílJjtôs, cdificada por
(\.^

liriite Monlrch Lujiti i.r.",.. • Foroneo, quevivco no tempo dc Jacob. Hede notar, que
Madera»astxcei.<teHefp.c4§.^. Caim fundadordcítacabcça de todas na antiguidade &: Ro- -,

" "^"^" fundador 30 (ou ampliador, como querem outros 3 1


Ím nf .IXw.'''^
AUnr.Sefy.commntVirgJ.ju,^^. UC
,

PARTE I. CAP. XIX. 75


de Roma , cabeça de todas no Império , ambos matàraõ a
IcLis irmãos; 6v' he de admirar efcrever Berofo 32 queeíla MBf^offupÀKú
Cidide de Caim permaneceo largo tempo emproloend;ide; M Seionapuàstobferm/^xi
r -• «
1 -.--,,»„ j j' ^
PitacitsapítdLaert l.i.c.\.
1 *^

ícndo máxima dos poíiticos 5 33 que pela bondade aas kys


\ 1 1 t 1

(qnrtil fundador lhe não dariajuílas) fe regula adoração da


Republica ou os íuccefíbres as emcdariaó; ou Deos o permit*
;
""^^
^"^^
rio por mvfterio em aquelle principio do mundo,
ri.PauUdmr.i^.z^:
8 Mascmíim,comodifieoApoftolo, 34 rtiolianomu- ^4
do Cidade permanente. Da foberba Trova naó fe íabe aonde „ _ -

foV; 35 da altiva CarthagO lo OnOmehCOU; da efcJareClGa Donde el fl,ego y ia iiama licenciofa


,

Athenas íó fe prcíume q elleve aonde fe vè húa aldeã pobre: da Soioei nombíc dcxarmi a Canhago,
preciofli Tyro, àa nobre Corinrho,da bellicofa Lacedem.oniíij
í<:de outras ilUillrcs Cidades, fo ficarão nos Poetas eftes epí-
r^y^.^;íf«i 5.
tetos com q as nomeàraõi 36 Ninive (oy fundada por Aíliir ^ 36 ,
mm.
;7 q tanioemfe chamou ín mo, 6í lhe
deu nome, 38 quadra- /^íf^;,/ 4 ^,,. «*9íi\:l ?*,

frula,para mayor fortaleza, na correntedo Tigres,parte orien Tu nunc Canhaoiniç aU*


?aldeMefopotamia,tinbacIccomprimentocento&cincoen ^^"^jj',^^^^^^^^^
ta cítadios, (que cada hum faz 625 pès } & dè largura rloVen- Rcgn veprima Remi animas
. .

ta, fazendo circuito de 480. que contém feíTenta mil paíros,&:^^"!'^l""^''*'


-- -111
faomais dedeziegoas.
/-^ •iv
Osmuros tmhaocempes dealto,
^11 o Ovíd. Metam 5, -
õCpatriaeft clara mihi,dicjt,Atlictii^
larguraemqueandavaótrescoches emparelhados; com mil'^''»í-''5-^''^-
6^"^*^" .!"*
èc quinhentas torres de altura de duzentos pés, 39 refiítio aos 2wSm1 ; ,, ,: .

tempos mil & trezentos annos,q teve de duração; 40 porém Orchomenofquefcc«r& ík)%^'^%
finalmente pereceo quando Saroanapalo fe matou, & o Impe-
5:°'^'"^'^"^-

rio Aílyrio, de q era cabeça, paliou aos Medos, & Babylonios. ResPAndion» fie átmipotens Laccdsi
,

9 Babylonia, fundada por Nemrod 41 na torre de Ba- n>o"«


bel, de huma, & outra parte do Eufra^as, em figura quadrada ^g pZdaMoLTc.BcdefJ.ue.tj.^
por mais forte, tinha âmbito de mais de feíTenta mil paíTos, ou 59 Herodot /.i.
quatrocentos & oytéta eftadios , que fazem largas dez legoas-, ^'
^^f°[âHit'-^'^
cercada com tnuros de ladrilho, Sc certo betume mineral mais 40 iieneditt.Veren.inGen.l.t,.exn.')i^,
durável que pedra; de altura de mais de duzentos pès, & de '"^'"'"'^•°5- ^ .,
largo mais de cmcoenta;davao por lima palleyo a leis carroças
emparelhadas fuftentavaõ no mais alto os Peníiles , arcos , &•
;

abobadas, fobre que eftavaó hortas, &" jardins, có muytas fon-


tes, & grandes arvores, Sc debayxo delles muy tas cafas com
moradores; ferviaó-fe aquelles muros por cem grades pofti-
gos com portas de metal & tinhaó duzentas , &c cincéentà
,

torres de feíTenta covados de alto efcufando-fe mais torres,


;

pelas muytas lagoas que a faziaó inexpugnaveljcraó cercados


com foíTo de agua tão fundo, & largo como hum bom rio. Ti-
nhaó !iiuy tas, & fermofas pontes & a que dava paíío de húa:
;

para a outra parte da Cidade fobre o mais eftreyto do Eufrates


q a partia, eradefeifcentospaíTos, fobre pilares de pedra êni
diílancia de doze pès, có talhamares fortilTimos: as pedras tra-
vadas cõ barras de ferro chumbadas-, tinha trinta pés délai"gój
aparece qnáo tinha arcos de abobada, mas vigas de palma,
ík: acipreílc. Em cada porta defta ponte eftava huma torre ál-

tiíTiniai 6c ao comprido , pelos lados do rio fe defendia a Cida-


Gij dç
,

?<J EVA, E AVE.


de das correntes delle, com forre muralha. As bocas das ruis
que fahiaó ao rro fe cerravao com portas de bronze. Oalca-
,

cer,oii Paço tinha huma legoaern circuito &: fobreelle eílava


•,

hum famofo templo. Outro templo havia em que eíla-


va huma grande eílatua de JiipiterBtloj roda de curo, 6c ou-
^tHertMM»
tras riquezasineftimavcis. Eílefcria O que Herodoto 42 re-
fere que ainda perfiftiaem feu tempo com portas de m.etal , cc
quetinhadouseftadiosemquadrado. &• quenomeyofe Icvfí-
tava huma torre de âmbito de hum eftadio , & outro tanto de
alto; ^ fobre aquella^ outra j &: fobre eíla outra , & aflim 011-
^
^ trás atè numero deoyto, & queatodasfefubia por efcndas ,
qvie tinhaó pela parte de fora ; & no meyo das efcadas havia
ap^fentcs para defcanfarem os que fubiaó. Era finalmente Ba-
bylonia hum dos fete milagres do mundo taõ celebrados eni ,

cuja obra principiada pela Rainha ScmiramíSj trahaihiirao


5

íiVffl"'"'"*''"^^'""'""^'^'^
^""QS trezentos mil homens. 43 Tal fortaleza parecia baf-
tiiodor Sicui /.} M- ^ tante para não ceder aos feculos: mas tudo o tempo confumio,
porque de tudo triunfa, excepta a virtude; 44 fodeyxouhila
p^'"!o^rt
"44 Petr'^r(ha «w triuwphcs tmnt' pcquena Cídadcj q moílraffe a Campanha onde teve a vitoria.
y

phouit.e/eia diviniu, jq £ n^Q fe ha fcyto da antiea Roma , que teve quatro-


'''""""''
'=''"'''^"' centos &cincoenta mil vifmhos em circuito de cincoentamil
hlfuí'''"'
Lip/.poiu. i.i.c.1. ex Cornifc. 'ad Hnen. paííos qiíe faó oy to Icgoas Sc mca?
,
o monte Palatino, em que
^°""^* foy fua primeyra fundação a 20 de Abril aonde os
íoSmr-'"-"™^'-^"^^''^" ; Reys, os
*

Confuíes.os Emperadores tiverão em fumptuofiflimos paço*;


feu afleto; aonde Ju lio Cefar ,& Heliogabalo edificarão gran-
diofos Templos, fedefpovoou, 6c tornou agreíle, feyto pafto

^ ^ ,v de animaes íilveílres, o que fora habitação de Monarcas, o


monte Capitolino,em que efteve o Capitólio, chamado A/<7r^-
dados Deofes^os Templos de Júpiter, Juno, Minerva, Marte,
& o da Lealdade; as eftatuas de Hercules, de Fábio Máximo*
deScipiaó, & de outros Varoens illuftres; aquellequeosEf-
critores dizem qite melhor reprefentava Cabeça do Mundo
fevio reduzido a póucaS)& humildes cafas, honrado fó com
hum Convento de SaõFrancifco, edificado aonde foyoPa-
çodeOdtaviano. Dasoytentacolumnasfobreque o Empera-
dorCalií^ula fez hum notável paíTadiíTo de mármore, defie
Monte Capitolino ao PalatinOiôc das outras treze admiráveis
que Domicianopoz entre os mefmos montes , apenas hame-
moria^ DoalcoCollifeo,ou Amphiteatroque Vefpafiano fa-
bricou, não ha veftigío-, nem dotheatrodeEfcaulo, ouSilla,
q tinha trezentas , & feflenta columnas , & três mil figuras de
metal, nò qual cabiaó oytenta mil homens. O caítello cha-
mado Sepultura de Adriano porque nelle a fabricou para
,

H magnificamente aquelle Emperador , veyo a fer trifte


O
cárcere de criminofos. circo de Júlio Cefar, que ri-
nha três milhas em comprido , a mayor parte de már-
mores finiíllmos, por excellencía lavrados , onde íe faziaó
os famofos Jogos Circeufcs, também pereceoj & outro que à
jnii-
.

PARTE I.CAP. XIX. n


imitação defte edificou Neroi Dos Templos de Efculupío, &
<j Concórdia, & do celebre da Paz i em que Vefpafiano, &:
a
&
Tito puzeraó os defpojos de Jerufalem ; de muytos outroSj
'**''" * "

'

ounaóha finaes, ou faómuyco raros. Do qitefe admirava lios


jaontesCelio,&:Aventiílo: dos fumptucfos Palácios de Má-
rio^ de Pompeyo, de Luculo, & de outros homens grandesj fi-
nal mente de todas as grandezas de que eftaó chcyos livros j fcV'iÍ\" .'.« 'M^»i!|.»'.\ • t

que fo delias trataó, 45 ha fomente relaçoens. Só hehoje^ 4^ U-^ireFuhh no livro àa!'ml^il'


nova Roraaiiifií^nej ainda no temporal, pela aíTiftenciá tiçWn^^k.'"*"' P^n R^/^n eodem tr.ã.cumfà-
da Cabeça da Igreja, Conftannno Magno a perpcwou quan-/':;r |í;ri:íf:^^
^oemS.Silveítreiezdoaçãodelia aoS 46 bummos Fontm' decrthSs.Pmm. Memimtgioj!a,perti'i
ces; porque fó o divino permanece. Omefmo fuçcedeo em Pr^fefi.mbcr^iof.
'""'';

Jr ^ 1 - r 3 rr^J jr^^jr '"'•'•^'l^f"


(onjeten'
erufalem, aonde naoncQU pedra lobre pedra, do iorce de íeus,„p„Hc.ce/iáH.
-
,_Juth.qnmoÍ9 •mt.Epifcçlti
r .,1*1
i-y r

muros, do magnifico de feu Templo^ do grandiofò defeus j-^-^^í^t.^» •' *•


'
edifícios, & de toda fua opulência j fó erii povoação pequena
'

'

'"'.iS ií d
íè.cóXervaoilluftredehavcrfidotheatrode noflaredempçaõ; ^.^xnoíViy';. .^
lí Pequena gloria fundar Cidades que caducáõ: grande v-^^-^x

J)^rda dirigiras acções aapplaufos de pouco fe vangloriava


:

Caimí de muyto nos podemos gloriar fem trabalho,* ^-f em a7 ^firarehdieprofp.fonMaUg.%.U


S'' t^bi igitur gaudctc permií-
cós mefmos podemos fazer Cidades de virtudes, ou fazerniov?^''^''""^-
r^ A A' ji /^ 1 rt- 1 j /r c /^u n. „ lom ut quanto Ixttot quantoquc rc»
/- ; ,

pesi Cidadãos da Celeltial, comoaiíle b. Cnryloítomoj 4SiigioiTor,tantoíismciior.


ainda que as Cidades do mundo, como Samaria, emhúàoc- , ^^ D.chryfo(ii,nPfaim.iti.advtrha^
caaaânaÓquiZ€raórecolheraa7r//?í?49Senhotnoflb: G^n- l^'^ff^-'^\: *
'.;'' / ;

y?<7 recolhe a todos na Cidade do Ceo; com nós mefmos devei.


''^,'"*''55" "
- > ,

mos' procurar credito: a confcienciá própria dà o melhor tef- 50 oiemfirmifuentfmHishmíieji


temunho; mifetavelquemodefpreza: 50 fejamos os quede- f'»'f^"i'^'"(f'M6.cr97 alw^ijn
fejamos parecer, ^i de mais fácil hefer bom, que parecello, ''^['socm.^ypudÉrafm.cpopUzfm^ti
pois o fer depende da verdade ; o paretór do engano j que he Tanscde ftnueas, quaiis naben vdis Et
Sap,rnur.^^
mais cuftofo, melhor fe cuyda da obrigaçácq da opiniaõ: pois 2'i^-''''-^''^'^'7'*-*'*''
aquella eítà na mão de cada hum; efta no arbítrio de outrem, 51 ^«/fe.í.i^
& quando fe chegue a alcançar, fó tem eíTe preiii\p.,;& perde o
deDeos. 53 .,.,,..•>(,.•>

C A P I TV L o XX, : í

' Owo Lamech eofrieçou a ofender as le^s do matrimónio*^


tratafe dos trabalhos a que os cafados , j>ela ruim
do mundo, eftaõfugejtoSé •:;
_

I #" ^ Ontando Texto fagrádo a defcendendía de


^^^ Caim, diz que feu quarto neto Lamech cafou có
duas mu uicres chamadas ^i<3,&4^W/<í; i foy oprimeyrobi- « Gen4.í9, , .

gamo; Sc com duas mulheres que viviaó no mefmo tempo. '

Q.U1Z a maliciadeít-ruir o bem do matrimonio, inrtittiido por


Dc:)s paraalivio 2 entre fós dous: 2 quiz dividir o amor, » ^f^A'^-
r ,„ j. , v.
cauiar diicordiasj debilitar a geração. Para todo o mal era prcj m», »

Giij pno
7 6

7% EVA, E AVE
prio hum defcendenre de Caim mas be de admirar fcrcnj tam
j

Qf^r^. fofridas fuasdefcendentes; naó tem aquclle crime defculpa


em Jacob; 4 &: cm outros, em que o JfA//;í?r particularmente
difpenfou, 8c atalhou os danos.
Continuou a malícia nos cafamentos tantos inconve-
2
nientes, que fe fez queflaó problemática fefc devia cafar, ou
5 VtíHofoM. Nm/4n.inryhM nu- nâo cafar. 5 A vida religiofa , ou celibata com virtude he
^Í.l<^ p»/yunthea,ytrho,matr!mo»ij
preferida.' nos outtos O mattimonio he mais louvável. 6 Po-
« D.i'ãiã.i.adCorini.7. rèmopeccadolhepoztantosefpinhos,quecuílamuyto fan-
'•_-^. ^i-.' -.

gue colher efta rofj. ^?^1'


^.«^w. 3 Das outras qualidades ha mais noticias:mas o acerto da
iio^vwc peflba tem rifcos grandes: ha mulheres ( diíTe o grande Cle-
"

mente Alexandrino 7 ) boas para paynel, naó para mãys de fa-


7 ciem.^lex 1
Pédagog. (aj,. t.
1.
milias: ha homcus ío na forma , &: brutos no preílimo o mu v- ;
VclutidcpictiadlpeaacHluin ,noniia- r a j v rr>- it n r •
A
tzadHomusci.íicdiam. tocrudito , õí cutiolo Andrc 1 iraqucllo 8 elcreveo a eftc
8 Tira^uciadUgeKOHmbiaUni.x.i propofito largamente} bâfta a noflb intento hum argumento
^"''^'^*
breve; Ou acompanhia agrada, ou nao agrada?
4 Se agrada, também o que agrada 5 miiyto continuada
*'
vemaenfadari6cfenaõenfada,chorafeoperdello, 6r fóore-
ceyodeoperderatormenta; o amor fazcommuas as penas,
comoconceptuavriOj mas com verdade, em Ariofto Doralice,
'

r"^ emTaíroG;kiipe,&: cm Marino Vénus, &:muytas nonoflb


4,•í^^f,;ðM"'^,":'°''^•''• poemWhffippo, 9 &
fica padecendo hum corpo as raiferias
Mdyinonoty4clomsc:>iUiZ.e^.\S^-Dif dcdoUS.
Jim, nç poema iíiyljrpf^,cm. y cIKm.
^ Sc nâô agrada por doença,deformídade, &• quinto hof-
rivclfepofiaGXCogitar, com tudo fe ha defofrerporobriga-
:;lfi-fi*i>Ví«vrf/»A^.*;S$- çáo, comoexpende hum texto Canónico; lo fe por condições
""^'
!1! í fí'-' '^/ «. ç: n,„i,„ encontradas, he como inferno, feeundoS.Aeortinhoi ii fe
niarito,Hevadtiiii:r» vir uxori, diabo- por colenca, lie melhor (diz balamaoj 12 eítarlobreotelha-
lus<-ftiiii,aripíatibiHevaeft,auctuiili doàinclcmencia dos tempos, qucrccolhido com ella dentro
'"iTprev. 15.14. Md.us cít fcdcrein
fcndodouscm hum fócorpo, 15 fegue-fequefemal-
dccafa-,
angiiiodomatis.quàoicumirmiicreii- trataó,a mãofcre O rofto, 8f liuma farte do corpo oíFende a

^^^^ ' defpedaçaudcie VQluntari;mie;ite , como íuccede aos


'

^'?^'G>«í/:d cT° 'l"""'""'*


M<itth.\$.y ' doudos, ou poííu idos do demónio. E rodav^ia fedeveamar
'

p Paid.i.aácoT.6.\6. aqiPella companhia aborrecivel hepeCcado defeiar outra me- ;

^^a^fihn^Mr. Parif.c. 6. ^^^^> "" ^ ^''^^^ 4"^ O aparte: faó como os mÓftros que houve
j-ieaor B^eúus hi/i.feâ.i.í. dt dous cotpos pcgados , 14 ciija câufíi apontaó jos Médicos (^

GeoT^Bucjuri.fudhji.i^. j. ) cadaqualcom diílcrentecondíçaóiComo particularmc- k "

/
Philipf^amerar.caiit ic ('7.
i( Ultra jnpy,:ríi<,tos, Franco in Cm-
^
tc
r j r-j -ir j
ie Via uas duas Hioças nalcidas ein Verona pegadas pelas
iX.>
//jL- /;<i£/)'/f-4V''"-4S- coftasnoannode 1474. quefempreeílaváoemcótendasche-
j, lUnric. Gandav. apud Franco fui>r. ^^^^^, ^^ ^^^-^^ç,^ ^^^^^ ^^ ^^, ^^ ^ ^^ ^^^ ^^^^^^^^ GandaVO , 1
^^

,7 Bewl Fernrtnd.in í.Gen.f(ft.<) n.i era virtuoío, ^ quería orarj ooutto vicíofocftava com mulhe-
caracmuiictcma.itusncquit.&cum j.^^ faótaesqucílie náofaltavaõ ) todos ernó forcados a
(g^^

18 p lutará. inA^ciíi. D,9g''.n. ,p«y viverjuntos, oc a dclcjarleas vidas , porque ^oulruno que íica-
ot u.
íí» \ ^' ia apodrecendo are morrer; o intereííe ns obrigav:\ ao que
n de Deos obriga aos cafidos; finalmente nem le pôde dey-
i. y
-..Tr-.i xar de ter aqueila companhia, nem de padecer tendo-a. 1
6 Pcrde-lcahbeidade(qucheomayorbemdavida) 18
entre*

I
PART( I. CAP. XX. 7f
cntreíi^nndí^eoscaradoshum aooutro. 19 De hua Religião i" D.rnui.t.adCerj.^í
fe paíTa para ontra le fahe para Bifpado ou por caufa em que D^Pad.dlj !ii?'
•, ,

Pontífice difpenla , o cafamento fo por morte fe pôde diíTol-


ver: 20 entre algumas naÇoensfoycerémonia tirar as efpoías,
como por força, de entre os braços das mãys : levallas em hum
carro a cafi dos efpofos; Sc queymarlàoeyxodocarro, para
1 be m oftrar que não tinhaó em que tornar , & que perdeífem a
cfperança de fahir dalli.

7 O (ucccíío da geração nâo dà rrtèrtof trabalho : íe naõ ha


filhos,badefconfolaçáorhetriftecoufa (diz ia S. Pedro Chry- n b.Petr.Chrjfoijfem jt.
foloso) 21 carecer do premio da Vire-indadC) 8c do alivio ^^ D.chryfoííhomA%.i»Genef.
r ã .•
dos CM ^ J c. ^ iL

i? £cc/e/íd/?.;o.4. Mortuuseft patet
1 ^
filhos: fuítentar a carga do matrimonio^ &
nao colher o eius,&c,uarinoncitmonuus, fimilcn»
fruto delle Dignidade do mâtrintonio lhes chamoit efte Santo cnim reinjint ílbi poft ic.
: .,

L.u[t.mfi».c.deímp«bn.&alijt
Doutor. A natureza os pede para fe perpetuar: S. JoaóChry-
.^J^*
foftomo 2f2 diz, que faó imagem da Refurreyçaói quem os 15. l.í §.t.jf'.defuisy& u^ít.h^red,

^/t
quaíi a
r'
mefma rr J
peíToa; 24 donde
jV
dcyxa, pareceque não morre, 22 porque pay , &: filho faõ ^'^«'»M«^v^S''V"^-<'''''*'''<''^f'''*
.T.-/1. rr abintefí. deter e^uthent.de hécred. áb m*
naice entre os J unltas oefíi- ,en.iJprincsoU. t. 9.
caz direy to da reprefentação. 25 O
excellenteEmperador P/x/y4íè/«iH///iier./.ic.9:
Antonino Pio diíTe, que morria confólado, porque deyxava fí- ^^
Tacuím*^"''^''*^'
Iho; 26 o bom Emperador Tito poz nelles a fegurança do ^l E^lfm^i apophtkf^.
Império i 27 5^ Creflb , comparandofe Cambifes com feu ^9 iff/f/Tájf/V.j.is.ern.Habittiras
payCyro,cli(re, que naó ácviaCamb.fes vir àcomparaçaõ,í;;:Í3'í,-fS',r°"'""'
pois não tinha filho que deyxaííeà Republica. 28 50 Pm-f 10. i. cr c. 15. »o.Filius
ri»

8 Se ha filhos , nafce com elles grande penfaóaos paySna ^^Pj^'" i''-tifi"t P^i^-"^ ^'' .,,„„,
....

>

^'^ t» ,f y ^n £cd. iç i< Si (apicnslucritanimns


duvida de quaesícrao; 29 ^^,
, .

le lanem bons,ainda que daogolto, tuus,£;auacbittccumcornicú:ó'«.»4.

30 caufió grande cuydado em tratar de feu bem j como de Exuitat gauJio pater jufti qmfapicntê >

'««bimr
ÊneasdiíTe Virgiliõ ^i arefpeyto de Afcanio: & em temer g«»""^ m eo.
lua talta, como lemos de J acob 3 2 por benjamim / le mãos, omnis m Aieamo chari ftàttura patw*
,

fobre a trifteza que trazem, 33 faó confufaõ terribel 34 no ^'s* ^

receyodocaítigodeDeos,comoAbfalaó aDavid: 35 &no ^^ p^pwrí.i.K^Frlins vctòíluitjK


fentimentododifcredito, comoa Augufto , entre fuás felici- rnccmriacftmattifus.
^'""
dades,a muy ta defenvoltura das duas Jiilias, filha,& neta fuás, Jf fr''^fr\Zlro^
ocopoucojuizo de feu neto Agnppaj que clle chamava tres j^ i.R^.i^.cumfcqq.
canceres, que lhe roíaó as entranhas; 36 grande feria a pena ^í £w/m.i. 4 «poffct. «.?«'?•« t^**-

de Adam vendo os màoscoílumes de Caim. ::;7 ij Supra c-i 7 r.i.


9 Quaefquer que os filhos feiaójfe amaó tanto, conio mof- j s r/uV muitos ap-.id Texior. in of.dn:
traó os exemplos, quepormuvtos fe naó podem repetir; 38 p--^tit Amorfaunt. o- «4 defe^f» d*
daqui nalce lentirem os pays os mãos iucceffos dos hinos, 3, ini.iiHqmdem ^. fn quod met.
jf.
mais que os próprios, como hum lurifconlultOCOnfideroU. 39 Cauf.^fedvntres, hjl:de>ioxí/.aã. Pct
Amuytosmatouodefcofto deverem os filhos mortos. Gor- f>''Kof P"^ P^^^
diano benior paífou a furor de le matar por luas mãos. 40 J o- D.cl»jjo(i.hm.i^.in G«.ad/H.Craviug
nes Rey dos Tenedos, Zeluceo Locréle, Marco Scauro , Mâ- '"'' «ít/idcre fihos (urpiicio afKd c^uâ ,

lio 1 orcato, Aulo r ul vio, j unio Brutto , & Calho Konianos ^J T^xtor/uprA.
matàraó os filhos delinquentes, 41 porque os amavaõ; de 41 ErfjminMa^.Tençd.hifmiSili,
^'**'
amor endoudecerão, vendo-os criminofos; doudos obràraõ "f."-'^''''^,'";
aquella acção que nao cabia em quem tivefle juizo. Herodes siobjerm 41.
,

que mandou matar no cárcere a feus filhos Arillobolo , &


Ale- ^'«lei-àda^ L\.(.%.
xandre, era Herodes ^ Ireae que tirou os olhos a feu filho Cóf-
tantino
; :'
. ,

Zo EVA, E AVE
^i.F{ofctilhif!.ptc.x.i„^t.
tantino V. Emperador deConftantinopla , 42 era mulher
4} Viik infra c.i8.rt.?. ambícíofa que he mais que Hcrodes; 6c o Sol pela nÍo verjeí-
,

condeo 1 7 dias a luz. 43 As outras que nos cercos de Sama-


44 4%?.6»8. ria, íerufalem ,& Roma conièraó os filhos, 4+ foraó execu-

§. toras dc
caltigos Qo Ceo contra os afrectos naturaes.
45 L. Puna 7. c. ie Yeiveniítat
.

/trvi^txjUejurepfrftnar. jq Finalmente todas as vodas tcm a condiçaó das dos cf-


'

<.i^J.^£fc7õi'Jeu^^^^^ ' cravos, que náo gèrão para fi, mas para fcus fenhores. 45 Ne-
nhum fenhorhe tão cruel como o mundo para os que nafcenij
continua-íe a geração humana para continuação dcfeucari-
veyroi fora melhor, diz hum FilofofoChriftãoj 46 nãodey.
tvy.-. xaiherdeyros de calamidades.
'^-'Ví''^
• II Seguem-fe os encargos de ruftcntarramiliajde que não
cfcapa o mais ricoi porque a vaidade acrcícenta gaitos a que
éT' Di^tnbTondíNiít '

i> -'" *
'
não chegão as rendas. Santo Ambrofio 47 nos repreíènta"
,,,^ I
.• hum ncceílitado vendendo hú filho, (oquepermittiaó asleys
-
4i8«íAfi4^í/a>-mi.í«/"«/íii.?"«jí«e3"fig^s,&aindamatallo) 48 noqualconfidera a maislaíli-.
If-tdtiib^o-foiihum.L.z.c.depatr qu moíaperplcxidão , eftas palavras: com
^^^/'/(dir.iaellcafi E
fr1;*Sl1tSÍ:t"4&^r.>efmo)w«<i.r^
im chãmoupaj. Scrà oínãispcqueno? Ejje heomsumaismU
i4.c«v.5.iw.c.i4 «.4 Menoth.de recu- TO oj

^"JT'fL^'V°^''Trf^ ^''ífíí* f^ofo; ãtraveffame o coração haver o mayor de entender o mala


P4r.,oteih lhe faço: c^he mayor dor que atgnorancia ao wenor lho naodey-
'^'--" '-'

xaentender. Humdosoutros heomeuretrato : ooutrohe dema»-


jores efperan ças: miferavel de mim qucfarey ? Seeu vender h um,
comofifiaràa de mim os outros f a toda minha cafafirey abomina'
vã : com que rofto tornareypara ella carregado com o dinheyro de
'íalvenda? ouquerepoufopoderey ter ) vendo quefaltanellahu/n
de meus filhos por minha vontade^ Cada dia fe ofíerecem oc-
cafióes de femelhantes laílimas em que aperto fe vè hum ho-;
;

mem de honra cercado de neceflidades, rodeado de filhos jà

,„. homens, que nem tem veftido, nem talento para bufcarfortu-
ha; & de filhas tão altas como elle, que femfallarcm, pedem
eftadoj Sybillas que pronofticão defgraças? fe por fe aliviar
Hihedccafa, encontra acredores; osqueofaudão,lhepedem
o que devcj tal ha 3 que recolhendofe cia chu va , acha na loge a
o que pede o aluguer da cafa, ou fe he própria, a acha revolta ,,
porque chove nella como na rua, & entra o vento pelas janel-
las fechadas 5 como feeftiveíTem abertas quantos cafosfeof--
:

fcreccm como eítes exemplos, fem o miferavel os poder r :me-


diar?
'
12 Havendotantos inconvenientes em hum cafamento,
quem atreve a cafar lègunda, &: rerceyra vez
fe doutiílimo
.''
O
4í c^rn>Jitenaãearrir,.Veii,0'io-
Padrc Cartliagcua 49 trata dos malesqucdiíto refultão^ pó-
fph.^.iMiMcm.ii^ y:rf.dcniq dcm occupat hum largo tratado &
Lamech não reparou em
:

terjuntamenteduasmulheresj nemourrosdepoisreparàrào,
nem hoje reparão barbaroSj tudo iniferia do peccado em que o
mimdocahio.

CA-
,
;

PART. I. CAP. XXL H


CA P I T V LO XXI.
?rofegí4mdd o intento propofto nos precedentes , moflrà
como os homens convertera^ contra [t as tendas dó
campo ojerroy Çf metaes o^ue fe lhes moftràraõpara
mil idade : trata-fe da menção das armas ^Qf ar'
tdharia : apcíitaõ-fe as batalhas mais fanguinolêntas
otie houve ; Q^ a ra^ao que pode jujltficar a guerra.
I GtntJ. 4.1c.
I^oregueofagradoTexto i que J^bel quinto ne-
p to de Caim loy pay dos que habitarão em tendas
de campu: não diz que as inventoujpoderia fer cabeça dos que
coíhimàraó fazer povoaçoens delias jà de antes inventadas
,

como hoje as fazem nas partes de Arménia & em diverfa« de


<

Africa, os que vagando por campinas eftereis bufcaó lugares


,

aonde achão que comer. Affim refere o mefmo texto, que elle
ioy pay dos Paftores o que fe entende em difpor com induf-
-,

% Ben.FernMd.in^.G(r..jeã,i^,n'/^
tria a vida paftoril, 2 pois no principio do capitulo tinha dito
quejà o Santo Abel havia fido Paílor.
2 Inventou aquellas tendas a neceííidade dos Paftores
agricultores, ou por outras caufas habitadores dos campos ; 6c
traziaó aquellas cafas portáteis para fe recolherem; 5 como
iifou Jacob voltando com fuafamiha decafa de feu fogro, j Ferumi.fupral
4
& outros nas EfcrituraSí 4Ge«f/:}i.I7.

3 Mas aquelía commodidade , que a Divina Providencia


inculcou aos homens contra a inclemência dos tempos con- ,

verteo a mahcia em danno feu, applicando-a principalmente a


ufo dos exércitos com que o género humano fe faz guerra a fi
&
mefmo. Os Godos, mais naçoensSeptentrionaes, quefahi-
dos de íuas pátrias vierãoafiblando o mundo , feculos intey-
ros viverão com mulheres, &
filhos em tendas que mudaváo.
4 O mefmo fuccedeo nas armas diz o Texto 5 q outro
:
5 Genef.dx. 4.Í1I.
quinto neto de Caim , chamado Tubalcaim, foy official em
todas as obras de metal , &: de ferro ; entende-fe , obrando-as
perfeytamentejporque jade antes para lavrar, Sc para outros
mini rteriosjfeulava de metaes; 6 faltou efta noticia aos que 6 Fmandju^.fKí.

diífcráo, que Sem iraniis Rainha dos Aífyrios fora a primey ra,
que achara efte ufo, & fizera trabalhar em metaes os cativos
das naçoens que vencia-, 7 & aos que chamarão a Vulcano 7 Suida!ÍnSemiram,
primey 10 ferreyro, & a Glauco Samio o primeyro que foldou
metaes. 8 Tudo o que eftava achado antes do diluvio com-
municàrão Noé , & feus filhos ao mudo reformado ; & affim jX?rinofficfnM\% f^lru
muytos homens antes deftes oufarião nos muytos annos paífa- De aii^s jiribníUn.i.i .i.fi.antemíd.
des. !

5 Efte artificio de ferro, Sc metaes foy dos mai^nccefía-


nos
8t EVA, E AVE,
rios aos homens-, fem iníirumentos pouco fe pudera obrar,; por
líTo nações de Africa, &: America daó por elks ouro Te o tcm^,

o ouro fó moftra efplendor^delle íe chama mirmn, porque ^//; a


.5 Tohmh.yerhoy:yiuri. no Latim fe toma pelo que luz; 9 o ferro tem utilidade fem ;

aquelle viviriao mundo feliz por


-, os moradores de hum
iíío

- , ,
, ^^ lugar eh amado Babithaca o aborreciaõi 10 femeíle, malfe
iivitiar, lervira.
6 Porém do ferro, & outros metacs fez a vida infirumcn •

tos para morrer. Dizem queomefmoTubalcaim foy pcrjto

^L\JÍ wvTf^V"'' V* <,


naartemilitar, 8c exercitou a p-uerra; 11 taó antigo he cite
mal. Uepoisdodiluvio, oprimeyroque por armas conquif-
ii.filUn.hip.i.j. tou, foy Nino Rey dos AíTyrios, 12 fo com gente em chuf-
"'^^ ^'"^^'^ ^^P^>"'^1° R^y ^^ mefmoReyno foy oprimcyro
foj!!fh7i^:;Tc.t'^'
1 3 Btroj.i.yãe'fior Cald, ^^^ formou excrcito com ordem. 1 3 Aonde naó havia ferro,
paos, &pedras foraó armas, (&: ainda entre naçoens de Africa,
& America o faõ) paos toftados ao fogo. Os das Ilhas Balea-
res, Malhorca, & Menorca foraó inventores das fundas, de- &
ílriíTmios nellasj outros dizem que os Fenices mas onde hou-
;

ve ferro, fe ufou logo delle. Cuyda-fe que es Egypcios inven-


tarão lanças, &efcudo & qucPreto, 6c Archito ufàraõ eíie
5

primeyroem hum defafioquetiveraó; os LacedemonioS acf-


I
pada, & capacete} 8c alguns dizem que também a lança hum -,

Etholo os dardosi os AíTyrios a béftajPentefilea, Rainha das


Amazonas, a maíra,& fachaj Scitha, ou íaites q chamavão fílho
de Júpiter, o arco, 8c fettas; outros dizem q Apollo 8c outros,
-,

que Perfeo filho de outro Perfeo 8c de Andromeda j Midas


,

Miffeno a cota, 8c malha. Dos inílrumentos para batermura-^


lhas foy inventor MoyféS) Ar chita Tarentino, 8c Eudono
os
puzeraóem perfcyçaó; 8c particularmente dos trabucos huns
fazem inventores a Dionyfio, outros aos Fcniccs ^ dos Arie-
;

teshuns aosCarthaginenfes, outros a Epeo muyto antes no


cerco de Troya , Sc porque hum delles derribou a muralha,
c ,, ,,- , . - ^
por onde entrarão os Gregos, fe findo delles o cavallo Trova-
''"^'"'^' "^'' "^- H. Os de Thefalia inventarão pelejar a cavallo , donde
^,«1.5-
fe originou a fabula dos Centauros; os de Phrygia pelejar
em
carro de dous cavallos} Iriconio em carro de quatro Sinon no
j

cerco de Troya ordenou a» atalayas Licaon deu forma às tíe-


;

t^mcommaexP!i„jj:e.<^e^ goasj Thefeoàsligas,ou confcderaçocns^ 15 8c aílim cruel-


'"^"^^ ^^ ^"''^^ vangloriando outros de multiplicarem inveii-
SSijz. '

Mexiafupia. çocns pata deítruirem o género humano.

lufin^f'"^'
«y»/.p.i.f.7.
^^^"^ ^'^'"^''^' 'íííww*
7 Mas todos os inflrumentos dos feculos antigos parecè-
y^^ brandos à crueldade humana ; 8c inventou a horrível arti-
Iheria, filha do rayo na luz, no impeto,8c no cheyro teterrimoj
mata^muy tos juntos, como fe matara hum ío; epíteto de ííirn'-*
'
T6 j?^fí.arii.Bjrfo/;»,,fl;.„fír,x/flr.;«/^*'í?''^ lhe deu hum bom Latino, 16 porque nem torres
lhes
'€»m^.iMt.Micbiní2H£i^mídiic4, refiílem, NoannodeC/?n/?o
1380. vio Europa cíb peite por
novidade; dafclhe por Auchor Bertoldo Alemaó, algun,
(
querem que fechamafi^e Artilheiro) havendo elle mclnio acha-
do
a

PART. í. CAP. XXf. Si


<1a;i pólvora-, Sr por reftemunho de Volaterrano fe diz qiieno
rneímoanno aidliraoprimeyro os Venezianos na recupera^:
çnoda prnçr. de FoíTatlodid corra osGenovezeSjhavendolhes
mandiid'^ os Aicmães elle prefente abominável. 17 Os Por- n Mofcul.híB.p.i.c^- menud, Mí
'^'^(''-^''i^r.LyproUe^r^.i^,
tiií^ucz^s a viraó cor.rra fi muyro pouco depois no anno de
- , ^ n 1' ^ n
1 «1- 1 1
'^ Fernão Lopes na Chro». ótl-Rey
i3:C6. trazida peles Cairel hanos na batalha de Aljubarrota, d piioip,x.c.4x.
-^
íitiran.Io pedras por balas. 18 F.ucuydo, que o principio ,
ou t^iíliyc da pólvora foy anriquiilinio nas que os Latinos cha-
xnavão Iaiii}'íf<2S lanças que com asbaliftas fe lançavaó das
;
--'í

tones de madeyra fch amadas em Latim phala;} levavão hum ^^^ ^^,^
valo chcyo de enxofre, refina, & betume envolto em eftopas,
com azeytequechamavão mffw^V^ní», & abrazavaó o que
p':;diaó alcançar-, 19 Sr também a artilheria he muyto mais *? Textor.fup.verf.phaUrk»,

antiga do qucdiflonirSi porque na Chronica delRey Dom


AíKínfo VI. de Caítella que ganhou Toledo , íe conta que
cmhuma batalha maritima entre as Armadas delRey de lu*
nes, 6c dcl Rey de Sevilha Mouros, os de Tunes traziáo certos ^^ Diedro Bifpo deL»n ntçhm.
tirosdeferr(), ouboinbardos, comqueatiraváo Tywíí^i^/Yí/^ííiíííD.^irMAí' VV
20 affirn chamavàoentáoà artilheria. E que os Mouros a foí^ 3^.. j,., '
.,^.Ç{»^i«Voi\V*
.

fcmcontinuanclo, fc prova da Chronica dclRey Dom Aífon- .'^Vv»»"'*

«*•"
fo XI. de Cnftella que,
refere que no anno de 134^ ( trinta &:
'.^'Ç^tSi
í'
íeteantes doditode t;8o. tendo ElRey cercada Algcfira, os
Mouros ariraváo de dentro c6 troes de ferro. 21 Donde pa- n chron. ielB^eyD.tJffonfoií.de
recc que BertoldoArtilhero ló melhoraria aquelles princípios. J£^;;^,,;, „^ syh^,^i
^^^
•8 Com tudo amda então eíle diabólico inftrumentolela-
zia fomente de pranchas de ferro apertadas com arcos do nief*
rrvo, como feaoertão as aduelas de pipa. Chamoufe ^o;«^^r.* , „
., , ., , .

Uâj de homoiis, que em Latim ligni hcayí?«;^fl, cc de Araeo, que n nícoUhs Seradut afui Textw,(i^
\it Arder yáizcnácSc Sonido ardente. 22 Depois fe fundirão '"«/'"«•'^^í' ", ~
: -

de ferro, ^^ de bronze na perfeyçio em que as vemos, decali- ' '

bresdiverfos, &" fortes varias para muytcseíFey tos com no- *: .

mes diffèrenteSjfendolhes geral o de Fe fá de artilheria ; deri"?


vando o renome Artilheria de Arttlhero que fe lhe dà por
,
"^1

pay, &: equivocando ode Pf fá com joy as de ouro, &


pedras
'

preciofis, porque a crueldade lhe dàeftimaçáo igual, Eaílim s^I^^^I


,,' t
'.'

na Cidade de Hamburgo vioarmazem daquella Republica


tão curicíâmentecompofto delias, & das armas de fogo ma-
nuaes que delias procederão , & das balas bombas, granadasj
,

& outros artifícios dcíteminifterio, que mepareceo hum Ga-


binete de vidros êc brincos concertados pela mais aceada
, , &
cu rioía dama ;& fempre fe vay acrecentando com huma peça
debronze, queda cada Senador novo que entjra no governo. \,^^
Por todo o mundo em breve tempo fe multiplicarão tanto , ^>

í^ue pouco depois do anno de mil & quinhentos em q os Por-


tuguezes entrarão na índia, acharão mais de três mil peçasem ^^

Malaca, obradas com a mayor perfeyção. E em Dio tomarão, -"5.

"
entre Gutrasj huma tão grande, que por admirarão fetróU3Çe
Lisboa, &:fcconferva na torre de S.Giãp. /í uj .23^í;>.;

9 Para
1

U ^ EVA, E AVE
Para que armaó os homens a morte com novo rayo ? pa-
r.ç
ra que lhe acrecentaó azas quando tanto voa ? Dizem que an-
tes das armas de fogo, pelejandofe com efpada, &: lança, mor-
ria mais gente mas he perda irrecompenfavel matar hiima in-
•,

fame bala a quem generoíamente ( fe foy por caufa jufta) che-


gou a exporfe a inílrumento, que o férreo Marte não deyxaria
TémfhUu, í^" «H^«*»''•^«^
^J,
de temcr, comodiflecom eWancia hum Poeta: 2? Hcôdan-
Vis, íomtus, rabies, motus, furor, im- no raais lamentável queomaisiraco vença ao mais valeroío:
pctus.ardor deftruindo a naturcza, pela máoquefcz nuis vil , a fua mais
Sunr niccum ; Mars hzc íerreus r 1 i i

arma tMjiet. exceliente íeytura, que he o valor.


IO Tantas armas. &
tantas maquinas , de quantas mortes
tem fido inftrumento, por homicídios particulares, por &
guerras publicas? Nãofallando nas dos Ifraelitas, em que a
mão de Deos feria mais que o ferro. De duzentos mil homens
com que Cyro Rey dos Perfas paííou contra osScithas, nem
humefcapou quelevafie à pátria novas do màolucceflb. Ou-
tros duzentos mil Perfas do exercito de Dário matou Míltia-
^'""""^""•í *"'*'-*^'^'''"'f"'^-des Capitão Athenienfe no campo Mathone de Attica.
mnit 24
»5 Fiofcúl.htji.f. I. Í.9. admtd.verf. Qj-iando O Romano Mário venceo os Teutones , Cimbros , &c
•""«/'?•
^^^
Tigurinos, morrerão delles trezentos & quarenta mil. 25 O
a? Tmniln*^ Emperador Cláudio II. em huma batalha matou trezentos
mil Godos. 26 O
Principe Cláudio junto de Martinopoli
matou trezentos mil Sarmatas. 27 Na batalha de Atila Rey
dos Hunos com Etio Romano, & outros confederados em
j
França junto de Orleaés no anno de quatrocentos cincoen- &
ta& hum hunsefcrevem que morrerão cento
; oytenta mil &
«»./•,!./». « j r homens; 28 outros, que trezentos mil> 29 ò,zmm.o\i{ç.tzxi'

ftdtcce. '.T,i^a^í,U-.vi ii to langue, que hum ribeyro que alli corna, lahio da madre ,&
19 Tíx/or/l/ra. -; " ~'^' Icvavaoscorpos mortos. 30 Na de Carlos Martelo Rey de
"

França cetra Abidaranno Rey dos V-ifogodos, morrerão de.


aSiW ;;SÍ;SÍ2/J»;;;;'- ítes ttezcutos &cincoentamil. Na guerra que fez
ji Textord.ioco. 31 Tito
í
*.
^""'"J ^'''f""-
em Judea, morrco hum milhão , Sc cem mil dos Hebreos. 32

Vid^'l'up'-H.n.i J*/**^'
Na que fez Cofroas Perfa quando deftrulo Paleftina morrè- ,

^^ TtxtorfttfTê. rão quafi novecentos mil Chriftáos. 33 Na batalha em que


clRey D.Rodrigo perdeo Hefpanha, morrerão fetecentos
fir»»í2wcí'i«/i».
mil homens de ambas as partes. 34 N ao fe podem nomear as
batalhas , em que morrerão a quarenta , cincoenta , cento , &:
cento ôccincoenta mil homens. Na rcftauraçâo de Hefpanha
he incomprehenfivel o numero dos Mouros que morrerão.
ElRey Dom Pelayo , logo que fe levantou 1 matou cento &
vinte quatro mil em huma batalhajunto ao rio Diva. ElRey
^ jifííf^íf i''*''"^'
rt
Dom Fruela fez nelles efpantofas mortãdades: os mortos nas
t>ua>u s Unes chron.de D. ^ftifw. Datalhas Qc Clavijo, das Nivas, & outras lorao mnumeraveis.
VéfcmceUos in Attêcefhni. j4iph nfiiv. JMado Salado forãoduzcutos mil outros affirmaó quequa-
:

%ia',duLx.e,4.
ttocentos mil. 35 Na que véceo ElRey Dom AffonioHen-
Faria no Eptteme das hil Toriuj^f. \ c 8. tiqucs no campo dc Ounquc morrèraó tantos , que feu fangue
"'*' D j . ,, f r r ,
alagou os campos', & fez correr tintos delle os rios Cobres, &
,,^.,. lergcs. 36 rsaconqmíra de Lisboa pelo melmo Rey du-
-^u- ..
zcntos
PARTE I. CAP. XXL
zcnfosmil. 57 JunroceSanraremrobreoTejomatouMou- ^ Srãdãodl.io.e.tr,
rosinnumci.iveis; 38 fobre Alcacere do Sal, lu^ar pequeno, Duine Nmes naChron. deDmt^ffonft
morrèraóninra mil Mouros; outrosdizem feílentamil: 7q^"'Í'^T' ,^ ,^ . ^* ^ ,

que íeri.l em OCCai lOCnS mayoreS? 59 D„urlc Nunes m Chm.de D:^f^^


1 1 Tanto m:il tirarão os homens do ferro, & meraes , c^itf" f° ^^•

aProvidencia Divina lhes moftrou para feubemj ajnaturezaS^íjlIp^jl^ij.


depravada pelo pecc-ido, tudo depravou, comojàdiflemos,
nas Cidades, êc o peyorhe, que fcjaftaõ de matadores. Cefar
fe jactava de haver morto hum milhão, cento & noventa mil
inimigos, alem dos muy tos Romanos que matou nas guerras
civis, Sequer o demónio por a razão nas armas. Mafoma feií
niiniílro mandou com pena de morte,que não fé difputaíTe fo-
breafualey,rnasadcfendeíremporarmasj 40 & porque pa- 4o'Cà/inh'<>fuf.UiJiji.ri
rece que os Ghriftãos fazem o mefmo, hum politico Chriftia- «

niillmodenoíTo tempo nas peças deartelhefiaque mandava


fundir, punha ironicamente por infcripçaõ: Vltimaratio ReA
^«w; naó porque os Reys antes deftairracionavelrazaópro*
ponhaó outras ; mas per Gítuna figniíicou total. E he dita
Francez, que as demandas entre os Reys fe decidem pelo di*
jfey to Cmcfi; palavra equivoca a Cmhao, &: a Canónico,
12 Enchpellaó-fe tanto os males, que ha occafióés erti
que hc licito ufar das armas. Depois que não vai a razão, a
Giíalfedeveallegarprimeyro, 41 q remédio haverá contra à ^' ^'"i: ^-^'"í"- ^oo funtgítiíri
r r-r-i A /i^jji ' dòccrcandi unum per difccputionein ^

;força,fenaoaforça? 43 Aneceflidadeheaprimeyrarazao,43 aiterum per v.m.-címquciíiud própria


,
;

não fofrer violências hepreceyto da razão aos doutos, da ne-fithortiinis,aiterum bciluarum confiv- :

teílidade aos barbares, do coftume às p-entes, da natureza ás


?''"''""' ''^"^P"^'""'' ^"""''"''^'^

feras: 44 tal guerra le lez de direy to das gentes, 45 Sche ^x yuji.r.j/pjf.poUt.i.^.c.^. Quidcft
vim
provérbio que a boa guerra faz a boa paz; 46 em outra obra qao^^ contra fincvi ficri poíiu ?

tratamos largamente eíta matéria; 47 aqui a tocamos por ex- ante raTTonC cft maximè i.. bcilo j quoj
CinplodaSmiferiâSemqueCahimoSpelopeCCado. raro pcrmittiturtcmpbra difere.

13 Até contra Deos converterão os homens o ferro. &as ..fiSXXtK^^gcS:


armas. O
cutelo que matou Innocentes > bufcava a Chrifio ; bus , & feris , natura ipfa prxichpfit , ut
•''""^'" í^""?" ^'"; quacumciue opc
4.8 com efpada foraò as turbas a prendello: cravos lhe trefpaf-,
r< .
íarao pes,
o - 1 u
& mãos: a lança lhe abrio11 J
o lado Cl., nao lo
& o Senhor

«t^
^.
1
ponent.acotporc; àcapitc,
:
o
fropuiíarent.
avitafua

trouxejao mundo paz efpiritualj mas tamberh temporal; ^o i-^'^''>*ê-^fj»^^j''r- ..

não quizdefenderfetendoexercitos de Anjos. 51 Mandou Jl rSTÉtliSm p^^^^

recolher huma efpada que viodefembainhada; 52 as fuás ar- matur.

mas fov a paciência: <;


^ f r r
&
vindo fazer guerra ao mundoem pff-/'^'^/* ^P»"/'"' ^o'«*u5«
r -nrr
kellíim "erciidum clt•bcllum ®ihKte- (i

peccado, a elpada que trouxe íoy a razao; & alhm enviou léus mus,paccnumquâmfruemur.
y :

Difcipulosfòsdedousemdous, contra todas as gentes, com ^í^«- '»^oLg.deremíiit. Qui dcWe-^


preceyto de não levarem mais que hum bordão. 54 Defte "^^^^J; IS.^^^^^^^
modo não reduzio pefcadorcs por Filofofos , nem defarma- 48 Matth.i.is.
,

dos, por armados; mas Filofofos, por pefcadores,&' aos mais 49 Matth.t7.Márc.i\L,K.ii.Jéuit

fortes, fem armas; Scconquiílou todo o mundo. Deftamaney- \q p^ere->iosnai.p.c.io.n.i^,


jafepeleja Chriftámentc,refervandooferro> &:csmetaesfó ^» M/?tth.i6.{^.
'^*
para os ufuaes úteis à vida,em cujo beneficio os creou Dcos. apl/"jJ^^£Tit!
J^
D.i^iiXujl fui\j^ra"'hcm.<)i,
54 Marc.6-j .Luc.l^.li

H CA-
U EVA, E AVE
C A P 1 T V L O XXll.
PrimifiOi &* progrefjo da FfvdtHra, Qf Fwtnra : ex-
ceíiericia deflas artes : artífices Çf^ ob>-as mfiones q
,

hoHve nelíasjQf cotno m homens ^^ praticarão mal,


ftnddbes enfmadas farajtn bem,

V "R^ftYèlPcàro Míxía Syha de váf*. 1 "1"^ Tzem OS Efcritores qlie Tubalcaím , de quem
i:

í/f«m Luc.16.
JlJf4Hamos no precedente capitulojfoy também m-
'^^^^'^^'^^^^^- Os defcendentcs dc Ca;m invcntàmó
i Be„.Fer^am/.in^.Gen.fia.v9.n.7.^'^^^°^
j i/.'Ci6.8. muytasarteSjdiz hum douto moderno; 2 porq os filhos do
mundo j como nos enfmouC/jr//?(9 Senhor noíToj 3 íaó mais
.prudentes que os filhos da luz. PelaaffinidadedaEícultiira
4 Pf<r/irrfc,(iffro;/>.>í.íí/a/.4i.<fc/?<i- com a Pintura lhes conlideraPetrarcha 4 aniefmáantiguida-
^- dej&aflim trataremos de ambas juntamente.
2 Temertasartesaexcellencia de imirarerri oAuthorda
natureza reprcfentarido as coilfas como faó; a Efculturamais
pi-opriamente, porque fe vè , &
também fe roca j 6c tem corpo
de mayor duração, &
aílim ha efculturas de tempos muyto
r antigos, de que naõ ha pinturas.
3 Também tem a excellenciá de comprehenderem to-
ypiat.âen^.ió: dasúsartesj & alguma ícienciai pois, como diíTe Plataó, <

dos os OíRciaes devem tcrnoticias dás hiftorias , fabulas j


: &
varias erudiçoensj fer geométricos, entéder perfpediva, ía- &
ber as medidas naturaes dos membros proporcionados à fym-
metriadetodo o corpo j por ifto Elpenor Pintor célebre da
Ilha de lílhrtiòéfcreveo livros de fyrametriaj febre tudo haó
defei' judiciofoSj pára naô obrarem fora da razão , decoroj &
antes offerecer à Viíta, Sc à imaginativa huma ficção como ver-
dade. Poi* iflb a pintura he põefia muda Sc a poefia he pintura
-,

< Frattc.Patr!t.ilen^pjih.t.e.i6: qtie falia; 6 &


Hotaciofallou juntamente de ambas. 7
Tlutarch.de audiend. poemat. a isjaõ fe ajuntando éftas pattcs com a boa maó,fica a obra

7Ho,aúnan.foct%ikribus, atq^ue com tao poiíci graça , que por evitar cite dczar no qúelhc
/>«««. tocava, mandou Alexandre Magno pòr ed ifto com penas,
quefó ApellesoretratáíTe, fó Lyfipocfculpiífe fua figura em
n-JJj^J^lt^-^T
íiéitres.
., c ^n..- eftaturaprande, 6c Pyreoteles cm pequenas pedras de anel. 8
Conviera iemelhante cdiao para as imagens banras, pelas
imperfeyçocns que vemos.
5 Apellcs retratava tantoao vivo, que em AIexandria,en-
viandolhe huns feuscmulos recado falfo departc de El-Rey
Ptolome o(fucceflbr de Akxádre Magno em aquelle Reyno^
porque o convidava para huma cea , ôc achandofe cn ganado
no Paçojperguntoulhe El-Rey, quciti lhe dera o recado. Elle,
que naò íabia o nome de quem fora , tomou de hum brazeyro
hum
4

PARTE I. C AP. XXII. 87


hum carvaó ardente , &: apagandolhe o fogo começou a deli-
,

near na parede o falfo menfageyro taó próprio, que El Rey no


principio do retrato o conheceo logo. 9 Em
Efelo nofamo- 9 Bruf.l.i.c.t'yCumP!iu&^tijs.

{o Templo de Diana, fez por vinte talentos hú retrato de Ale-


xandre, pelo qual fe difieqiienelleeftavaó dous Alexandres
invenciveis.' hum filho de Filippe, invencivel por forças j ou-
tro filho de Apelles, naó imitavel por arte. 10 10 Tiru[.txPlHUrch.O'TíXiorfup.
6 Foraó taô inimitáveis fuás obras, que chegando ao tem-
po de Oílaviano hum quadro, em que pintara Vénus fahindo
do mar,naó fe achou quem pudeííe reformar o que os annos ti-
nhaó nelle gaitado, em modo q arremedaíTe o mais. 11 QLiã-
II Mi^iafuf.l.t.t.li.
do morreo, deyxou imperfeyta húa imagem de Vénus , Sc naò
houve quem foubeífe acaballa com perfeyçaó fcmelhante.
12 11 Textorfup

7 Protogcnes lhe foy quaíl igual. Por fama o foy Apelles


veraRhodaS} paíTando o mar, chegou àofiicina, naóeftando
elle em cafa, tomou hum pincel , &
fazendo em hfia taboa húa
linha direy ta fubrilinima , diíTe a huma velha que diíTeííe a
Protogenes, que o havia bufcado quem aquillo fizera: conhe-
ceo Protogenes, que fò podia fer Apellesj& com outro pincel,
Sc outra cor fez dentro daquella outra linha mai.s fubtil , or- &
denou à velha, que tornando aquelle homem, lha raoftrafle.
Tornou Apelles fcm achar a Protogenes em caía & moilran- ;

dolhea velha partida a fua linha, que parecia invifivel , enver-


gonhado, fe apurou , &: com terceyra linha paxtio as duas taó
delicadamente , que naó deyxou lugar a mais. Protogenes fe
confeíTou vencido: bufcou a Apelles, & o hofpedou & vene- ,

rou. Guardou-fe aquella taboa fó com aquellas Unhas , como


hum milagre do mundo, acè o tempo de Cefar, em que hum
Mexia Í.c.ii-f't Pi'"'"'
incêndio a confumio. 15 Atrevèraó-fe outros a competir ij
com a pintura que Apelles fizera de hum cavallojelle naó fian-
do afentença de juizo de homens, fez trazer cavallos, &: paf- 14 Mexia Juf.
fando-fe os quadros por diante delles , ió ao feu rincharão, 1
8 Zeuxis em certamen com Parrafio , pintou uvas taó na-
turaes, que paíTaros as quizeraõ comer Parrafio pintou hum
:

lenço,q Zeuxis quiz tirar para defcobrir a pintura debayxoj \S Brufiusd.U^j:.!^.


cntaó fe confeíTou vencido. 15 Pintou depois Zeuxis hú mo- £/'^-' 'r '^^'°*
ço que levava uvas ; &
porque os paíTaros quizeraõ comellas,
condenou elle mefmo o quadro,porque o moço naó eílava taô x6 Textor, & Mexiifufr»,
natural, que o temeíTem os paíTaros. 16 Parrafio pintou em
Rhodas hum fatyro junto de huma coluna & fobreella húa ,

perdiz, que fazia reclamar as que alli traziaó manfas. 17 » 7 Sír^t «4. /

9 Emefculturas houve excellencia femelhante. Praxi- ^*"* •^•'^•''7-

telcsefculpionallha de Gnido em mármore huma Vénus taó ,g T,xtarmofficin.dMt.Sculptorís.


natural, que namorou delia hum moço. 18 Em Athenas PUn.i.fc.
fe js.

havia outra eftatua, de que também fe namorou outro, & a pe-


dio ao Senado, porque lha negàraójfe matou. 19 Leôncio
&: j'>hi-idfCamb»hi{i.det Godos i.i.

cmC,aragoça de Siciliaefculpio hú moço claudicando de húa Mexia fu^ra^.c.i^


Hij per-
1 1

88 EVA, E AVE
perna chagada , moftrando que fe doía , com tal propriedade,
que todos lhe tinhaõlaftima. Asefculturas deFidiaseraótao
excellentes, que fe diffc que era ío para efculpir Deofes, 6c naò
homens. As de Policlctoforaò ílu-nofas. Lifippo fez feifcenras
6: dez, todas admiráveis. 20 Calicratesefculpio em marfim
IO TcXlíf ílíTã.
&
form igas, outros animaes taó pequenos, que naó podia a vi-
n-adiííinguir os membros. Mirmecides tambcm em marfim
efculpiohú carro com quatro cavallcstaÕ pequenos, quehúa
mofcao cobria com as azaSi & humanào, que huma abelha a
11 P//»./.7.f.tI.Cr/.}é.c.tf, efcondia dcbayxo de fi. 21
10 Tacs obras bem mereciaó a eftimaçaó que fe fazia del-
farro 6Àe ling^Lntin,
ias. ElRey Atalo deu por hum quadro da maó de Ariftides
Pintor Thebano, cem talentos ;& Nicias Athenienfe lhe naó
quiz vender hum por feflbnta. Cefar deu oytenta por duas
pinturas do mefmo Ariftides. O
Orador Hortenlio deu cento
quarenta &
quatro por hum quadro dos Argonautas fcy to por
CicliaS} 22 &" o valor mais ordinário de cada talento (pofto
2,1 PJmL7.cz2.
Texitr, C^ Mexia fupra. que por vezes fe variou) era de quinhentos &
cincoenra cru-
IX M derancs cx.cei deHefp c.\Q.^. i- zados debomdinheyro. 23 Zeuxis com
as fuas pinturas fe
Cújirlho [up.l. I tdijc. %.

MexiaJiip.l.ttCij. fezriquiílimoj depois as dava de graça, dizendo que naó fe


14 Textor d iiuPifiores. vendia o que era fobre todo o preço. 24 No
tempo de Plínio,
Mexi . d.c.iy.
paílados quinhentos &
oytoannos depois de morto Zeuxis,
i 5 Refere Mexia </ c. 1 7.
lèconfervavaó ainda em Roma huma Helena, & outras pin-
turas El- Rey Demétrio tendo cercado Rho-
de fua maó. 25
das,& podendo entrar a Cidade, dandolhe fogo por hum la-
do, o naó quiz fazer porque foube que em aquella parte efta-
,

té Plutarch^n demcor, va hum quadro da maó de Protogenes. 20 F-l-Rey Candau-


Plirtd.l7.c.)$. 1g comprou a pezo de ouro huma pintura feyta por Bulano da
17 PIm.l.7.c.iZ.
deftruiçaó dos Magnetes. 27
1 Sahiaó as obras taó excellentes, porque os artífices, fo-
bre feu alto efpirito , naó tiiavaó fo da tantafia, mas retrata-
vaò do natural que tínhaó prefentc. Zeuxis , de cinco don-
queefcolheo fermofiíilmas, tirou huma imagem, que os
zellas

1% Mexia fiíp c.fj.


Argentinos em Sicília dedicarão à fua Deofa Juno. 28 Em
tem po mais próximo ufou em Roma hum grade Pintor defe-
melhante diligencia para fazer certa pintura, matando hum
homem ímpia, & cruelmente. Em Holanda vi cu que no cam-
po, efcolhendo lugar de boa perfpeítíva, retratavaó Pintores
as paufagens que vemos taó naturaes. Apelles,alèm difto,pen-
durava à porta a obra que acabava , &: clcondído ouvia ojuízo
í9 ErafmU.Z apo^lltem.^ dos quepaíTavaó, & tal vez emendava pelo que ouvia j 29
por iítocfcrevia ao pè do quadro, Jpellcsofíizia; moílrando
no verbo imperfeyto, que naó cftava acabado } & delleapren-
jo MexUfupr.d.cit.
ji £rafm.fufra.
dèraó eíla letra os que íazem qualquer obra. 30 Perguntan-
dofe a hum grande Pintor , quem fora leu mcítre, rcfpon-
deo, Acjuelky apontando para o povo. 3
12 Poem-le a pintura entre as artes libcraes. Em Gré-
cia a nenhum efcravo era licito aprendeila, & todos os filhos
dos
PARTE I. C AP. XXII. 8?
dos nobres feexercitaváonella, como exercicio virtuofo j Sc lErarmíurl
defingularengenho. 32 Sócrates íoy Pintor. O
grande Ale- ríxfor/«pr
xandre hia muyras vezes à officina de Apelles. 22 Quando J^<y-i'í^c.\'j.txPlin.l.<,6
ennetnc entrou KhodaSj acharão ieusíoldados a rrotoge- ^^ Textorfu».
nes em húa horta pintando com íoflego; levado a El-Rey, &
^«wW.cxi. .

perguntado em que fundava tanta confiançaj reípondeo EfTi :

crer qiíe tinhas guerra com os Rhoáios , é^ não comas artes. El-
Rey o mandou guardar Sc depois o hia ver pintar muytas ve-
,

zes. 34 Outras honras tiveráo Pintores nos tempos antigos. ^^ Mexu[ufr$.


N efte 5 em que as artes fc eítimaõ pouco , ouvi em Ingkterra,
que Rubens, excellente Pintor Framengo, deyxàra por fua
rnorte milhão & meyo de cruzados,repartidos igualmente em
três filhoSi& El-Rey de Caftella Dom FilippelV. o fez do
Confelho de Flandres, honrando a excellencia do feu efpiri-
to.

f
12
-^
O
FlofculoHiftorico 35 diz que Timantes Grego ^«^ f'''^«'''^'P-^'''7-««"«'^^'-/-
. -n
-^
r y'-^ CircuhM têmpora piciores,
loy O pnmeyro quem ilturou cores, pelos annos quan 3600.
1

&
do mundoj dous mil depois do diluvio , quafi no tempo do
Decem-ViratodeRoma; porém tenho ifto por muyto mais
antigo: com titulo de Vefenfade lapintura ha hum livro bem
,

curiofo do mais que delia fe podia dizer-


14 Dos Efcultores , & Pintores infignes fez Catalogo
RavifioTextornafuaofiicina. Em
lingua Italiana ha tomos
àis vidas dos Pintores famofos. O
mais ^loriofo Eícultor foy *

oque à inftancia daquella mulher , que farou do íluxo de fan- j^ Mstth.j.LucU


gue tocando as veftiduras de C^/t/^í), 30 fez em metal huma
excellente Imagem do Senhor ^ que fendo Eufcbio Bilpo de
Cefarea.fe via ainda em aquella Cidadcjem feus pès nafcia hua
herva, que íarava enfermidades; o Emperador Juliano apofta-
ta a derribou, & poz a fua no mefmo lugar , &
de repente de- j-» EufibA 7 í. 14^
f ceo fogo do Ceo que a fez em pedaços. 3 7 Entre os Pintores ^'"Í^Íh%hllll%r%teph^:
ofoy porfciencia,nãodeprofilIaó, 38 o Euangelifta S. Lu-
cas, &
alcançou a coroa fobre todos, fazendo o divino retra^
tode C/^r//?í',&: outro mais que angélico da SantiíTmia f^^irgerít \
de que felevàraó copias por todo o mundo > ôc também
i\/ií)',
2y7í<íp^?M.s..£.4}'*
odoPrincipedos Apoftolos. 39.
15 Hw para notar que hum Eícultor, ou Pintor nlo obra
igualmente em tudo o que pertence à mefmaarte. Fidiasfoy
o mais excellente nas efculturas pequenas , & muyto mais el- --««««ij^
culpindoem marfim. Pirgoteles nas que fazia em pedras pre- ""•"^mÊÊilKtt
ciofas.Serapion não fabia pintar homens. Dionyfio fóhomés
pintava bem. Amuliofó era egrégio em coufaspequenas,prin-
cipalmente em pintar meninos j Nicias na pintura de mulhe- jfiTcxmi.tit.Scu^m.& ltit.piÚor}

res-, 40 & hoje fe vè o mefmo ; huns tem excellencia fô em re-

outros fó em pintar flores: outros em fazer paufagens:


tratar,
allim repartio Deos os génios, & as imaginativas difFcrctes.4i 4^ Vide infra c^y"'*'

16 Neítas artes , além da recreação para a vifta , &


ornato
para as cafas, ôc outros lugares , fe oÔerecia aos homens a lem-
Hiij branca
90 EVA, E AVE
brançâ de haver Deos efculpido , &
pintado nelles fua própria
41 DiojfHApuàUm.àeVn.philojofh imagem, como d iíTe Diógenes , 42 fem noricia (^póde ler)
U.m\itjejut
deohavcrditoMoyfes; 43 donde devèraó inferir a obriga-
ção de anão afFearem com vicios. Nellas deverão confiderar
44 Sêcrât.afHdEr^/m. j. a/op/ífw.
'. COM Socrates, 44 qtie pois os Efcultores procuravaó com to-
dooeftudo que as pedras pareceííem homens, deviaó os ho-
mens procurar naó parecerem pedras. Finalmente moílrando
a Providencia Divina eftas artes, difpoz a utiUdade que delias
refultaria, quando as Imagens Santas nos excitafiem a venerar
o que nos reprefentaó.
17 Porém noíTa natureza aproveytandc fc lomenre da-

quella recreação, & ornato, mu )/Cas vez .^s com figuras inde-
centes pcrverteo as utilidades mayorcs. N
ló le lembra o ho-

mem que he imagem de feu cread-^r ou naó repár i em a def-


,

fear; naó quer deyxar de fer pedra na dureza, òccm fempre


bufcar a terra como a centro, por mais que oencaminlieni para
o Ceo; em lugar de venerarem as Imagens Santas , ío pelo fi-
gurado, huns totalmente as abominaó hereges^ outros pafíaõ a
adorallas pelo que em fi íaó ; por huma jmagem começou a
idolatria, como veremos em feu mais próprio lugar^ 45 & re-
45 f.x.c:yH.f,
fere Salamaó no livro da Sabed )ria,que a excellencia com que
famofosartiíicesobráraómuytas, ct)nvidou mais os homens
aadorallaS} 46 por iíTo Moyfes as tinha prohibido aosHe-
47 Dtutcr,4i},&e.yt.* breos, 47 conhecend>os inclinados à idolatria. De tudo o
que a Divina bondade inculcava útil ao mundo infante, tirava
a maliciatffey tos contrários, como acima 48 propuzemos,
4t Jwpwcií.*.}. ôcvay moílrando fua hiftoria.

C A P I T V L O XXIII.
Prmcipo da JUtifica ^feu fro2ref[o ,
&* noticias que ã
ella -pertencem Çff como os homens ufdraÔ mal defte
,

bem* Trata- fd como Chrifto S enhor mjjo &* ,

fua Mãy Santijjtma honrarão efta arte,

t Çen,4.iú
1 T) flofegue o Texto que Jubal, outro quinto ne-
i

I Caim , foy pay dos que cantarão à cithara Sc


to de ,

orgaó ôc fegundo o que fica notado, 2 da frafe porque fal-


i

& S *r.c.ii.i».x.'
^^ > fuppoem qucjà de antes havia Mufica , & elle a accómo-
dou com arte àquelles inftrumentos. Naó fe deve attribuir a
Author humano coufa taõ divina.
2 A
pátria da Mufica, diz Caííaneo, 3 queheoCcoi&
^Cajranm Catai glor. muHlf.i: Caíliodoro A. notou Que O fisnificàraó os antiffos, achando

4 CajjioãoY.Li.epiíi.40, naseítreilasatorma da Lyra. Os Chriitaos reprelcntamosa


5 t^ptcdl c 5 g.er í.i4.t.-h
gloria celeftial
c.i 5.1. em húa harmonia fuavillima , em que a dcfcre-
<D.r^.;«.;„..í.«.#.Ha.arí.z.yg<^
jQ^^j^^^p^^^lyp^ç^ ^ que O Doutor Angelico 6 en-
tende
PARTE í. CAP. XXIÍI. 91
cende de verdadeyras vozes. Por ifto amar a Mufica fe tem por
hum final de predcílinaçaó , 7 porque, como enfinavaó os j Matutcnaprofap.deChria. idade ^:
Pyragoriccs, <$c Platónicos, 8 apartefLiperior dcnoíTaalmaf-ii-§-8-
tav cem parcnteíco , íz a dcfeja como a centro.
ella í-rande 9/ « ^^'i^'"'^- „
P . ' ' ^ " 9 ledro Sanches 'fj^"^"' ,
de yíjnnan» prolo^i
.

Pelo contrario a
,
aborrece naturalmcnre o demónio aílim a
-, & i trad,<c(jô de oyid.Met m.
harpadeDavidoafuo-entava de Saul 10 poreftacaufa, 11 '° i R^g-^ ^ '" fi»-

nao porque ai jiooraíie outra Virtude i 12 porque em outras ,t D.^,.^./.io.Co»/í/l5vra/f»-


occafioens íe vio o mefmo. i ^ tia i» proi.a^Pfalm.

Deleytando eleva os íentidos naó ío dos homens, 14 mas


, , 1 4 Beroaid m orit.adenarr.it. Horatij.
também dos irracionaesj 15 como lemos dos Elefantes, Cer- ^s ^^i-^fh.dc^ofp.fort.diaU^.

voSjCyfnes, & Delfins. Asallef^orias dos Poetas diziaó , que


os navegantes mais queriaó pciderfe nas Syrtes , & Carybdes,
que deyxar de ouvir o canto das Screas que a fereza
^

dos Uríos, 6: dos Leoésfe tornava domeíbca ouvindo a Or-


feo, por cujas vozes os rebanhos famintos trocavaó os paftos j
ôcque aCithara de Arion chamara os Delfins de profundo
dasaí^uas. Eftendcraó fcu poder fobre as coufis infeníiveis,
dcfcrevendo jà a Orfeo movendo os bofques : já a Amfion at-
trahindo as pedras para o muro Thebano. ,, ^ _ . , . *:^ „ ^-r j. ,

4 A Aiulica,íegunao Fiarão, 16 comprem oefpiritopa- /f^.dw/i.crá.


ra feguir as virtudes: inilrue o animo para c )nf:>aãcía da vida :
regula as medidas para governo da Republica^ fegundo Santo
Agoftinho, 17 favorece as Iciencias, renovando as forçns do tj D.r^ugudin. apud Ste{ih. Co/t^^
entendimento para o eítudo f^prundo Paíricio alivia as mole- "'.'J^^'«^§-i-««-4. habciur matraã^
;

ias; 18 is: como notou bao redro Chryíologo, 19 ate os i^ i>atritJei{egnoc.iy


jornalcyros fe ajudaó a trabal har cantando ella excita o furor PluraSoiorx embUm.^ii.
;

'^ chryjdSam.io.inprinc
bcllico para dcfenfi da pátria; paraiíTofHnvcntàrio a trom-
beta, & o tambor, vozes miificas da m iicia. As Amazonas
ufavaódefrautasnosexercitosj 20 osCrer -nres, de1yras,ou ío Mexia »aSyivai.\€Ao.
citharas ; & outras naçDens de vários inítriimentos 21 os j
»' y^ianaComment.aOvid- Metam. t.

Lacedemonios, refinando Tyrteo o fom do pífaro, fe esforça- **" ^'


raõ de modo, que recobrarão huma vitoria, que os MeíTenios
tinhaó quafi ganhada-, a lyra de Timóteo , tocando huma ba-
talha, levantou ao grande Alexandre da mefa^ &: logo mudan-
do o fom, lhe foífegou o animo 22 ella aplaca os impulfos t^- Pl^*t'irchie Mufua.
;

coléricos, como fucccdia a Achilles ao fom da lyra j 23 &fe ''

vio em Pythagoras, & em feu difcipulo Empédocles, quando


aquerietocâ>uioafrauta,retirouos amotinados, queforçavaó
humacafahoneíta-, efte cantando aquietou outro que fe que-
ria vingar de feu inimigo; &
em Terpander que com a fuavi-
dade de feu canto concordou as fediçoens de Lacedemon.a j-^t^^^^r^^t^l^r/*
-,

24 ella a juda a Oratória ( a qualporeílarazaó Quintiliano Caa/om.


25 comparou àCithara) comofe vioemCayoGracco, ga- ts 9^'ntiLian.l.t^.i,

nhando a vontade do Povo Romano com aquella oraçaó , cu-


jos acccntos fazia mais fuaves a frauta de hum feu efcravo, que
tocava a cada pcriodo. 26 Cafiiodoro 27 diz, que as cor- ^^ cafTt^tusfufr.-ierf.&Ctiuu
dasdosinftrumcntosfechaniâoaílima pelo movimento que 27 Ca/Jiador./upr.
fazem
51 EVA. E AVE
;,
- -
fazem nos cora çoenSj que fechamaóCíTí/^ na língua Latina-,
por ifto muytas Cidades Gregas recitavaó fuás leys ao fom da
lyrajComoentrcnos fepublicaó as Pregmaticas com chara-
melas ,6c trombetas.

i8 Ecc/f^aif. 40.10.
5 Também a proveyta a Mu fica àfaude corporal. O Ec
clefiaílico 28 a põem por remédio contra a melancolia; Mar-
piatont9. lihoricmo 29 contra a cólera; Caílaneu 30 contra a febre,
loucura, fcridas, & mal dc pcítc j Pcdro Mexia 21 contra a
^oCJaH.p.fr.verf.Pythagorias.
II Mexia lupr.lx.c.ix. ... /-^ rr \
ciatjca, cc gota; Caíliodoro 32 contra muytas outras doen-
t

li C'j]iedor.d.epifi.4o.

3j Sufr<tc.i6.nj.ad/n. ças & acimadiflcmos 33 como contra a mordedura da ta-


;

rântula he o único remédio ;medicina»que não pôde enfaftiar,


porque os fentidos de ouvir, & vernaó feenfadaó.
6 Serve também com excellencia ao efpirito^ & aflim Eli-
34 ^•5^-)'^5- feQ jj para profetizar, mandou que lhe cantaílem excita a
;

tythagoras. louvar a Ueos, oquc conheceraoos Geutios: 35 aplaca a ira


iíD.^ugufl.dedoâr.chrift I.I.C. Divina, comonotou Santo Agoftinho} 36 põriílbaGentili-
HttTon.Faier.de Uud.mufic dadc a ufava nos facrifícios, 6c exéquias & David nos incita a
.•

37 Pjaím.inx.^%.o-paf]im. \o\\v2ir comcW^iO Scnhor ^ como í^iz algreja. Eílando amda


?rwÍrrrLV^„«%,«w,<f?. lufu. «^ ventre de fua mãy cantou o grande Patriarca S. Bento. 3 7
iraã .p.' c ^. 7 EUa, conforme a doutrina de Flataójôc como advertem
''^;í'^ ?''^' ^7- Prou>gor.mad, varios Efcritorcs, :í8 he inílnuadora da Theologia , norte da
r. y f

Jurilprudcncia, lemelhançada Altronomui, maydaOrato-


3? Píatl.ytyíUibtad. ria, fundamento da Arquiteòtura. For iflo derivou feunome
dasMufas, 39 porqut as ///'/??.Tfecliamaó adi m, de palavras
GregaSjquefignificaó, mqíiitir, d ofiíiinãr^ c^ ^ fjhwlhar qua- ^

íi dizendo que todas asfciencias tem vinculo eiitre Ci; donde

veyopintarem-fe as Mufas guiando coros, dadas as mãos em


uniaõreciprocai Sc os Gregos equivocarão o nome úq Sábio
40 Calt^in.-vab. Muf», com O áiQ Mff/lc O 40 OS antigos com cítc figniHcavão acru-
;

diçaódas Icttas liumanas: MiificOi diíle o mefmo Platão, 41


41 Piato/upra.
fg chama tudo o que eftà perfe ytoj &c hoje ( diz Calepino 42 )
ularemosdamefmatraleembom Latim.
8 Finalmente hc aMufica taó unida a efta maquina uní-
verfal, que diziaó os Pytagoricos que por feus compaíTos fora
omundocreado. Os lábios antigos aífirmàraó que osCeos
cantavaó, 6c efcrevéraó que havia nove Mufas em razão dos ,

accentos muficos de oy to Esferas celeftes, 6f de huma harmo-


45 KtfertC^ifan.ei.f.i. (cnfid. ji. in nia fupcrior que fe formava de todas.
43 Lycurgo dizia, que
""•
iriMc
aMufica era natural ao homemj 44 6c bem fe vé ( acrecen-
to" Macrobio, 45 ) pois na Mufica dos orbes celeftes começa
is MS!l!!!MtZtsc]pi^^^
no0a vida, 6c a das exéquias celebra noíTa morte.
9 Enfinou Deos a Mufica aos homens para os enriquecer
deitas fuás qualidades^ erradamente attribuem fua origem não
fó os Poetas, huns a ApoUo, outros a Mercurioj mas também
os Hiftoriadores, huns a Ifis entre os Egypcios outros a Bar-
-,

do entre os Celtas: muy tos a Orfeo, Muleo, 6v Tamyrides en-


tre os Traces: alguns a Oures, ou Py tagoras, notando a diver-
fidade do fom dos malhos de hum Fcrreyro 6c também difle-j

raõ
PART. I. CAP. XXIII. 9j
raóqLiefetomàraó do canto das aves-, naóteve inventor hu-
mano, teve narcimento no Ceo , que a conimunicou ao mun-
do por fumma piedade.
IO Verdade hc que depois a aperfeyçoàraó vários Autho-
resemdiverrasProvincias(comoíuccedeo em todas as cou-
fas que fe foráo achando) com fons , ou tonos accómodados às
matérias. Marílas Grego achou a concórdia das vozes muyto
agudas ;&: a harmonia chamada PÃry^M, muyto branda. O-
lympias Miíllo, ou Phry gio, a das vozes íemelhantes; &^ a har-
monia Mefophrygia, &c também a Lydia , accommodada tanto
para trifteza, como para alegria ^ fe bem outros a attribuem a
Cariojquedifleraóferfilhode Jupiterjou a Amfionjou aMel-
lancpides; ou a Antippo Sapho Rainha de Lesbo: PithocHdes
(dizem outrcs)compoz a AJeJfolydia conveniente a tragedias.
Damon Athenienfe , ou Polymefto , a Hypolidia contraria à
iV/í'//í'/r<^z<íiPythernoJonioa^7''^'^í"^>Filoxenoa La(omca;Si'
mon Magnefio a Simodia-, Lyfías a Ly/íodia-, &" depois fe fegui-
raó tonos diveríos entre os Hebreos^ jà o Ecclefiaftico 46 di- 4« BccUfiaji. 44. 5. Rcqnirci.tc mo-
dosmuucos.
zia, que os antigos haviaóbufcado modos muficos.
II Tudo ifto era fem regra cerra pelo bom natural do ou-
vido; 8c com tudo LaíTus Hermineo, que viveo reynando Dá-
rio, efcreveo da Mufica, &: foy o primeyro que fe fabe que del-
'''^'^^^^^^^^^^
laefcreveíTe. 47 E Timotheo Milefio no Império de Ale- <í,17,,^""''""^'-^-'-
xandrecompozfobreeliadezafete livros. 48, OPapaS.Gre- 48 Cowac/ Gefner.inonom/i^iic.pycf.
gorioMagno,noanno de Chrijlo feifcentos pouco mais jOu "<"'«»-'*'^''^« ^"«'"'>"«-
menos fez hum canto-cham para as Igrejas, que fe governava
,

pelas féis, ou fetc letras primeyras do A, B, C, 49 & no anno ^\ Horat.T,grm,com^cni.ie


m^c L
^
de feifcentos, & oytenta & dous,ou oy tenta 6c tres,o Papa Saó
Lcaõ II. o reformou mas ainda fem regra certa até que Cui-
, ;

do Aretino, Monge da Ordem de S. Bento, Abbade de Saõ


Laufredo , ou do Ermo da Santa Cruz de Avellana 5 o que «o Fr. u sie s. Thomas m Benediã.
,

viveo pelos anncs de mil &: trinta 51 no Pontificado de Joaó ip-5f 10, §t.
-í"/^''^'' *

XlX.mftituhio arte com o artificio das íeis vozes poftas na cr\^^í^t*r6*'^'^''''''-^^*'*^"'"'*


maó com muy ta clareza ; as quaes,por meyo de jejuns, &z ora-
çoens, achou nos principios dos primeyros verfos do Hymno; t^r»oAi,/.í.c.77,
UtqueantlaJJisrefonarefibrts^&c. 52 que tinha compofto
Paulo Diácono, IVlonge do monte Cafl] no da mefmaOrdem
de S. Bento, em louvor do grande Bautifta; 53 tendo alto ^j P.Fr.Leaõ/upr.
myfterio achar as vozes para louvar a Deos no canto compo-
fto em louvor do Santo, que fe chamou ^^^ do Verbo encar-
nado. 54 Efte livro de Gu ido (parece que fenaóimprimio}
defcobrionoífoRey Dom ToaÓlV. na livraria da Rainha de 5* ifai.io.tMatth.y Afarei. ^Xuc.
3. 4. ^MW. 1.15.
Succia, dizem que original, depois de grandillimas diligen-
cias
q por toda Europa fez por feus Embayxadores, & outros
miniftros, de que fouteftemunha, porque fiz muytasj aRai-
nhalho enviou de prefente, & Sua Mageftade o poz na fua in-
figne livraria da Mufica.
12 Eftafuavidade,& utilidades da Mufica reconhecerão
os
j>4 EVA, E AVE
OS homens mais fâbios, por muytas demonftraçoens. Fizeraõ
hieroglyfico da Mufica o Cifne , ou o Roxinol , pela melodia
do feu canto, pofto que alguns a figniíicavaõ em huma cigj ia
;

fobrehumacitliara , por contarem os Gregos que tangendo


&
Eunomioem competência de Ariíleno , quebrandole hii ma
corda dacithara huma cigarra que paflbu por lima dcLu-
,

5 * PUr. víikrian in H^crc^i. Ui. tit.


nomio, Ihc fupptio com íwi VOZ aquclla falta. 5 5
àcLucima^a-i.íú.tit.decicadíi. j^ Osjuriftas 56 dizem quc aos Muíicos quc fefvcm, fc
56 ^-'-'„^Vj'P'W devefalario, feonaóeftipulaó, porferferviço degofto
EmmjH BiirboJ.iid Oram. Vortug 1.4 iit.
ncitmiavel.
,»# * a
'^
Marco A ntonio pagou a Anaxenores com os tri-
3
1 .$. 5.».i. \

butos de quatro Cidades: Galba enriqueceo a Cano: Vel pa-


'
íiano a Diodoro: os Locrenfes levantarão eftatua publica i
sn Texior in offie. d "'• c/ífc'"'a-<//.£yfjomio, 57 & os Tcbanosa Clcon.
^"""' "^
^crfElZÍf.''""^' '
H Pl=^ta5 5 8 encomenda, que aos moços fe enfinc a Mu.
58 Phtoiíb.jj.Protagorasya- dici.7. ÇicZyAn^otchs 59 O apptovou , acrecentando que conduz
i'^/' ,, , ., .,, paraa virtude; Caííaneo 60 feiaòlava de que aílim fe ufava
\') ^niiátKef.L^c.^.o-^. cm t rança no icu tcmpo; bauto liidoro 61 chegou a dizer:
60 c f>anfu^ yaf. Et htnc. f^^ fQyp^ fjg ^^^ pj^^gjr M^fficã , como não fobev Utrâs ; & a íli m os
Tlm^tuílfe'ííiSreMuíicam,quám Arcadios tinhaó por dcfcredito naó entender de Mufica j 62
ticfcirc litcras. & O famofo Temiftoclcs foy notado de pouco polido , porque
61 PeijO.1.4.
ç^ l^^jj^ C^^^Q ^ dandofelhe huma Lyra para tocar , diíTt; que
^ _ , ,.,. , ^ -. naó fabia; da mefma falta foy notado Cimonilluftre Acheni-
neus/upr. cnle. 63 rclo mcnos quando íe nao julgue com tanto rigor
Fiutatc.inviuCimon. dos que totalmente ignoraóefta arte ; naõ fe pôde negar que
^6, ^uintdun.i.i.c. u. & 17- Volyh, ^jj^ ^^^^^^ ^^^^^^ ^ qualquct homcm grande. 64
tyitbtnéCHsl.^^.io.cr II. 15 Achilles, Epaminondas, Alexmdrc, Sylla, Cataõ
>/ Cenforino, os Emperadores Tito, Adriano , &c Alexandre Se-
N^^ vero, eraómuy to peritos em cantar, &
tocar inftrumentos.
6i D.^ug ep.iit. David foy muficoexcellentc, 65 &oprimeyroquecompo2:
P/2z/wí?.f,queíignifica Fèrfo de louvores divinos quc fe canta co
infirumentO;no que fe diftingue de Cantíco^quc he o que fc can-
4..'%^'/"''"'^'"^'''*"'' '^ '^'^'^^íemelle. 66 Pythagoras foy grande cithanfta ; Sócrates jà
velho aprendeo Mufica; ogloriofo Rey de Portugal D. Ma-
noel era muytoincHnadoaella,&:bufcava com grandes faia»
67 Díwj«r<ííGof/>MCkoB. í/í/- /^ryrio5 os melhores muficos: 6j oSenhor Rey D.JoaóIV. naó-
D,MaHocip.4x.i4. cant3va,masfemcontroverfia, foy naMuíica O mais fcieiítc
de feu tempoj as compofiçoens, que com nome fuppoílocom-
municava ao mundo, por fuperiores craó logo conhecidas por
íuas em toda Europa; com defpezaconfideravel, 6r diligen-
cias particulares (em muytas o fervi} ajuntou huma numerofa
livraria das obras muíicas melhores , &
mais exquifitas, a ti- &
nha difpofta com nota vel curiofidade, &
clareza, para facil-
mente íè achar nella qualquer papel ; fendo continuo nos con-
felhos, &
defpacho dos negócios , todos os dias depois de jan-
tar tomava huma hora de alivioj(regra dos q fabem trabalhar}
, „„ X 68 &: efta era exercitar, &:enfinar os feusMiificos, que tinha
. .

•'
muytocícolhjdos, cc quali íempreem canto dos Omcios divi-
nos, para que feu exercício em tudo foíTe louv^avel. O
Author
da
,

PARTE I. CAP. XXIII. ^


da Biblioteca Hifpana 69 diz,queosPorriiguezesreynaõna ^9 BòUoth.Htsftm.z.t!t.Pceup,cÀ.
Aiuíica, & naPoefia. Entre os mayores Ectleiiafticos, os Luflrananpcetica ,ur& mMuíicárcg-
SiíntosPapasGrecTorio, 6c Leaõíi. JforaÓ peritos nefta arte nateW.urmira
animi propa.fionè,
:

(. )mo cambem O gvândeUrigencs: 70 Sclobejaparaomáyor joi?.Hiero,únCaui Smpt.Ecdef.



i redito efcrever Caííanco 7 1 por teílemunhò de graves An- Ttraíj-aã ^iex.ah aUx Uay
.

^''''- "^ '""'''


TÍiores, que Chn/io Senhor nofib foy grande Mufico naó fe g;;|";. ""'i"'i'^''^'^'"-
;

podia duvidar que o foubeíTe fet , mas os Euarigeliíias fagra- iihTic.hifi.Tcntif.l.^. ci.cr .6.
dos declaraó que depois da ultima Cea antes de ílihir para o 7i Cafan:d. conftà. ^i.ve%ffeãiftfe'
,

monte Olivet'e,diíi"ehurnHymnQ;&avcrfaóGregadizque'"^7t Mutth.zÁ.^o.Murc.t^ie. /

cantou y* IlYmnoduTí^oexierunt. ^/íZ/j v^r/zo^i-

mifícat^Q^xz a Igreja por excellencia chi^m^ Cãnttc o 7^ c^uçfagjmhií^^i


-y

.parece fero cântico novo qué David queria 74 quefecaníaf- 7' nfr* ^« t^ r* • '

fe ao Jf w/:7(?r em mltrumcnto de dez cordas j novo em cantar a aeccm chordatum pfaiiice illi ,«matcd
Encarnação do /-^r^í? eterno jà executada i & em dez vet^fos, camicumncvum.
•' "^

ío'"^-G'rh.traã.i.fup. Uainifi.
que o devotfllimo Gerfon 75 eriteilde por dez Cordas Santo j;> :

Agoítinlio 76 dizqueatS^^/^/iíT^OGantoií; dá mefma frafe js D.^ja^.fcrm.y ^aiefi io.de ^>t»,


78^"'^''^'!"°'"°'^° tympuiiina hoítrá
liíac douto Maldonado. 77 Efcl^evem graves Àuthoreá
,, •
j T^ 1 -• ú . i-j cãntavent, aitcnun: Ma^iufacac ániina
que no recolhimento do lemplo tinha aprendido a cantar os nica Domiimm.
PíalmoSi &femclhantes graças a Dcoscoítumavão cantar as n M''i^onado íhi.Luc. n.iá^i
Santas mulheres, como fízeraó Maria irmaá deMoyfes, De- ^=;5;^,,, rdhc^as fios Saã. M
ài
bora, Judith, Eíther, 6c Arina,nguras da Virgem , cottio notou ^^prefent.
o eruditilTimo Garthagena. 79 A cftc canto a convidava o 79
C4r/fc4^e«.í/ftfr«» Dí/^;,.!./.^,

Efpofo nos Cantares jquando lhe pedia que foíTe paraelle^por- ^""ioS.z.^. sonet vox tua in au-
que era acabado o Inverrío, ftem po trifte era que fe dilatou fua ribus mcis vox fenim tua dukis & í»- , ;

1 EnHrnaçaó)&erachegadooflorido,&aIegre:â'<<.'»f./5,«*|f-j^^ £;,J,0„;„
/ 'uozemfeus otiviaos, forquejiiavo:ieradoce3 O" ellafermofa. ^oMsnantr^t.iM.rinVipans^antemed. * ,.1
« •
r* 17 Neíle cântico notou hum ouvido de bom goíío 81 81 ExulravitípirmismcusinDeo.
todos os tonos da Mufica: o Siéltme da Divindade: 820 Bay- \\ fLu mihí magní qut potcm dt
- ;icOj 6c Z)^;«///ò da Humildade: 83 ÒvÍ/íí? da Omnipotência: «5 Miíèncotdia ejus à progchic ia
'
84 oTenordaMifericordia: 85 oGr^-Uí- da Juftiça: 8Ó q P^^fii^r' ctfit fapcrbos. Depoíuú po^
y^^;/í^fl da Alegria: 87 oi^/z^w daConfolaçio: 88 o Aff>ero tentes.
ExuUayitípiritusmcus.
da Reprovação; 89 o F/f«o da Fidelidade: 90 oJríípCiofb 87
daRevelaGaO}9i &:aC6)«/c»«^«n<2aoslnltrumentos; 92pe- 89 Divitesdimiíit manes.
lo que a chamou filomena, modulando vozes, 6c tonos vários 90 Suíccpitiihd pueííam íuuiri. '

commelodiatáodcce,quehelouvadaatèdoshereges. 95 ,'; Siír.lSí^r"""

18 Achaó-fe nella com elegância as féis vozes da verda- 95 cJvinus, ac alij,fífiidCa>!ifm/.4,


deyraSOl-fajnoHU-mildequeproteíTou; 94 noRE-íls;na-'^'5- , ^ r ^ , .. •,-

j j r r • •
\/fT r j- •
J> -
j rf 94 ^«'^•«•'^- 1- Q.marerpcxuhdmih-
aodoleuelpirito: 9^ na Ml-lericordiaq publicou de Ueos: tatemanciiiK Tus.
96 no FA-vor grande a que fe confeflbu obrigada 97 no 9 Sp^ita" «'«"s 'n Deo làlmarj meo.
: 5

SOl-licicoquereconheceaDeosdecomprirasprOmeíTas: ^s ^^^^-^^^1^'^^^^^^^^^^
noLA-usperenne com que o magnifica; 9) 6c que melhor v? Quia fecitmihi magna qui po-
Mufica que fó o material de fua V0Z5 que fez dançar de aleo;na"'"='^: „ « . ,

aomemnojoao no venere da May? ico Humexcellentehf. ,, NÍag.,ifí,acanima mcaDoíi-ipú.


critor loi difcurfa que toda ellahehuma Mufica fonora, cã- lo* /:«<-.<if 44 ut faciaeft vor 1

tada pela
• Santiflima r?mdade accommodando com gnlan- !''?"^"'V'"^
:
T""^"' """' '"'"
1 r
. .- uvitiugaudicinfjn'! útero mco. 111
^ 11 1
"^ifctaria elegante as vozes de humaluavecapella os dons com que loi p. Guiiui.i.grai^deKVideU </ f

' as três PeíToas Divinas harmonicamente a illuílràr:ió. ' Sú'"#'" ^'"«'* <^'/í- •-.^-'^-ihrimo tmw,

19 Sêji-^
• '
^ EVA, E AVE
• / .19 Sendo a Mufica taó fuave, taó Útil, orem tudo divina,
foy tal a queda dos homens peloprimeyro peccado Sc tom ,

malufaó doque mais lhes convinha , qarc aeíle Domceleíto


huns applicàraómalj outros o dcpraváraôj dalguns o condc-
. . ,

iTi DirtmsZ^jfi.n.l.^'^'^'
nàraó. S. Tlieodoreto 102 entende que com muficasnamo-
ràraó os defcendentes de Caim aos de Scth, para caiarem con-
tra a juílaprohibiçâo que havia. 10:^ S. Clemente Alexan-
\Q4.j>.CUm,tAUxtnà.aàGtHt^ drino 104. conta que com ella levavaó Amfion » &: Arion as
gentes aos ídolos & na Efcritura Sagrada lemos que cojn a
;

de inftrumentos convocava Nabucodonofor pira adorarem a


"toi, Daniei.y
fuacítatua. 105 Gontraos quea dcpravàrão cm laícivias fí'^
p-E^hrm'.tom.'i^'iMp}aim: crevèraó S. Cypríano> &r S. Efrem ; io6 Nero a exercitava no
107 TacitMnaU.t4.aHtemed.&!.t6.p\i\)\ico theatro contra O dccoro Imperial > 107 & femc-

er hsneii.aerie, clefiafticcsj & Anriftenes condenou em ífmcnias tanger bem ,

comocoufa que naò convinha a hum Varaógrandc; Filippe


Rey de Macedónia reprehendeo a fcu filho Alexandre de lèr
bom Mufico & Ariftoteles perguntado fobre iíto, refpondeo
;

Tm^^ríSS' quê Júpiter nem cantava, nem tangia. 109 Tudo ifto fe en-
'
ijo 7ir<íj.(jc»»*/7.c.}4.».ii, tédedonimio,qiíehe reprovável; iio 6c:neftefentido emen-
dando Filippe Rey de Macedónia a hum Cantor , &: El- Rey
Antigono a outro que tangia, & dançava: lhes refpondèraó
ambos, que naó Ihescoiivmha moftrarem-fe tão demaíiada-
*
tiiWHMrffe.««tfji>oí»í>ífcf|MP/;%.tírnientefcientesnaquellas artes, iii Atreveofe a malícia, ou
i^í. J::^^;r4Sí..^i: ignoranciaaquererdesluíVrar o mais louvável porvarios cu.
S ' "
mínhos.

C A P I T V L o XXIV.
InDençaõ da útharây ^ orgao: derivação do nome Ju-
bileo; neflé^i & em outros mftrumetos muficos fe toe
cao aíguas cúmjtdades : Qf fe frofegue o ajjumpto
de que a malícia humana de todos inventos ujou mau
'Brevemente Je aponta o divino inBrumento , quefe ^
a Santiffima Virgem May.

' Edizef o fagrado Texto i que 7^'^./ foy pay


L";t"LHii/..«H./../.Me
1 Gp«i
5,»(i4d.4.c.i,
j 7.
' ' "PI
A W cios que cantarão a cithara,& a orgaõ,íe fez tradi-
} D.Hieron.adt.iyLtvií. çaõ que tov ínvcntor dos inltrumentos; & diz Genebrardo, 2
Muniier in Lnit. ^"^ po*" ^'^^ luventar eíte prazer^ todo o prazer tomou delle o
^Htuhin.inanm.ad(MhMme^ iiome áejííbileo.
4 i,íwi.c.iv
2 Da mefma caufa procedeo 3 chamarfe Jubiko entre
.
os Hebreos hum inftrumento que fe tocava em aquella grande
folemnidade, que fe trata no Leviticoi 4 Scdeliefe chamava
a niefma foleiíinídadey«^/7í05& porque eíi&7«^//ft> libertava
.15.
PARTE I. C AP: XXIV. 97
ns tíercladcs vendidas, &: os cfcravos, na maneyra que o Texto
aponra, fe chamou rambem Jubilo a liberdadci &
rerniíTaô^co- ^ j^^^^^ ^^ ^„,;^„;j ^.
j^-

nio refere Jofefo. 5 Aqueile inftrumento era huma corneta g ii/íí«íe d. § 7.

dvOiTodec;irneyro, 6 ri2;nificativodoqueemlugar délíaac 7 Gf«.ij..ij.

íicrirtcou Abraham-, 7 íigura do Cordeyro Divino que hl-


V ia de libertar o mundo com Jnbileo plenário. De oíTo de car-
ne vroeraó também os que fe tocavaó na fefta chamada Z)<íj-
í/Y;';^k?<!?^oprimevro
*
dia de Setembro jinílituidaeni memoria . ^ * ;, j tí'^^
8 Matute fiibfitíomocahalU do! He».
,

„ r r '
{> n. -rt. r
daquelleí.KriticiOi 8 poíto que outros mlTrumentos leme- ^ ,f^.Af<í„oe/d9 5fp«/fW nàrejeyçaoef-
Ihantesfefaziaó de olTos de qualquer animal. Depois fe veyoí'"'"í* i c.s.m.^.
P>/-..7.v.7.Vocctub«cotne;e^
a fazer aquella corneta de qualquer oíTo; 9 &notempomais
9

diante fe fez todo o género de trombetas de pao , &


de metal ; .
'

mas fempre lhes ficou nome da prinieyra matéria, coriío fevè


ainda nos Poetas Gentios, ló Aflim a frauta fe fezprimey- ^o j^,r^;i.^'wid.7Jnprí>ic.ttnwó
ro de oíTo das pernas de grou, pelo que em Latim fe chamou ftrepueruat comua camuíacp<?//i«,
GulepinMrb.nbia.
Tibia; 1 1 os Thebanos a faziaó depois de oííbs de veados ; os
*^

Scythas de oflbs de águias, óubuitres; osEgypcios decanas;


os Africanos,&: Ofyres Grego (poílo q os Poetas digaõ q Pan)
a fizeraó curva da arvore lothos, ou buxo, 12 & com tudo i%Tejítorho^m.p.t.íít.Çíjharc!:4
lhe ficou o primeyro nome. o-Cantm;
fempre
^ Do nome daquelle antigo 7^í/^»í'í' fe chamarão os que
locáramos os Chriftãos com mais felicidade Sc André Maílio
; ., :>^rrr^<ir ^^,
lhesconíideratambemrelpeytoa/!í/í?.'/e<?, peloprazerqo i^ Luci^.j.cr w. "
j; ,

Senhor diíTe, 14 que a converíaô dos peccadores caufa no


Ceo; grande brazaó ácjubd , eternizar feu nome neftas deri-
Vacoeris. O Illuftriílimopor.muytos títulos Dom Rodrigo da
CunhaArcebifpode Lisboa, no tratado q fez em explicação ,, .^ ^ _^:

.^ , ,

áosjnbileos 1 5 fendo Bifpo do Porto, tocou mais brevcmen- dadj^ua», fubtU.i.H.yO- é,


te efta matéria mas profegue como a Igreja Catholiea infti-
j

tuhioeniRomá Jubileo centenário jprmcipiado no tempo


o
dos Apoftolos, 8c como fefoy reduzindo a menoàannos. i' if
i-
*^ '"••7- -Si
'4 Plinio, ló fem noticia das fagradas letras, diffe que a
cithara foraitivençaódeOrfeo, ou de Lino j oudeÁmfion,
com quatro cordas, outros 17 diíferaõ que Corebo, filho de -ijTexiarfupr.
^r. Bernardino da syhn na defen/i ia Mi»-
Ati Rev de Lidia, lhe acreccntàra a quinta Hyagnes Phryo-io
;

a fexta-, Terpander a feptmia-, Lycaon bamio a oy tava Proía- ;

llo Periote a nona; Eftraco Colofonio a decima^ & Timotheo


a undécima. Qiie o primeyro que a eíla cantará, fora Ari-
itonico Grego: queaperfeyçoàrafuamuficaOlimpias Mifio:
que AmatoCretenfe cantara a el la amoreS; êc Enopas eoufis
jocofasiqueaGrcciaalevàraCadmofilhodé Agenor, 8cpar-
tScularmente a Athenas a levara Phyrnis Mitheleno defcen-
dente do grande tangedor Terpander éc a Itíilia Evandro c5
}

fciis vaílallos Arcadios-,tudo fe pôde verificarem ferem aquel-

] js os mais deftros na cithara depois do diluvio.

5 Calfiodoro 18 affirma queacithara heomaisfonord j% CAjJ^odor.l.iei> m.


de todos os inllrumentos de cordaSi&: parece que Virgílio en- 19 V'T^d.^f:eHii.
Augunua.,crhar.iT.ciuedakt,cc!«.r.
tendeoomefmo, quandoporellaentendebtodaaMufica. iq *'
'^
l Aflim
98 EVA, E AVE
10 Calcpin.verb.cithira.
Aílim O concedemos ,íe no nome de Gthara fignificaó Hmyay
ti Bt.U OH.I Chron.dc Lijler l.l.c. 31, comoos Latinos fazem algumas vezes; 20 porém le íeref-
tringem ao que efpecialmenre chamamos Oz/j^r^, llgoancts
ao mellifiuo. S. Bernardojque deu a primazia à Harpa^irsízcw-
do-a no finete com efta letra- Ghnde/itm pátria? 21 comodi-
zendo: Se cà no dcjlerro do iniiào ha confonancta tom [nave, qnd
a haverá la no Ceo, patrta de toda afunvidade ? N a que Da v id
tocava, fentia, & fugia o demónio à melodia que naó podia íb-
frerjComodiíTemosaílima. 22
11 Supr.cltyn.i.injin^
2 ^Icidt. embUm» [ált. pafl mortem
í 6 Porcurioíldade fe refere o que diírcraõAlciato, &ou.
j dmidolcfi. tros AuthoreSj 2^ que fe nos inílrumentos, enrre as cord.is de
Serapan.Hri Medicina Ef['anhola refr/M ,
tripas de carneyro fe puzer alguma de tripa de lobo , naõ haó
,
14*.
defoat) por mais que as toquem: dura o temor ao carneyro
ainda depois da morte:
7 Orgaõ>fegundoiníirumento jdcquefetem por inven-
tor Jubal, conforme ao texto hc nome genérico a todos os in-
j

14 Quint!íian.l.9-(-^- Infacrislitcrls.
ílrumentos muficos) 24 o que efpecial mente chamamos Or-
}.,Paralip.ii.iyCrc.t4.z7.€r PJalfíi. ga'o 5 alcançou eíle nome por e'<cellencia fobrc todos os que fe

tccaó com vento pofto que Plataó 25 queyra que a fraura


;
i PlaUJiaUjJe leg ,ad meÚ,
5
í6 PfrJm.l 50.^-4. feja mais excellentej a Efcriturafanta em alguns lugares 26 o
17 ^udith i\. tnfiiie. diftingue, 8c particularmente da Githara, 27 como o Texto
18 Genef^.xi.
do Genefis que o attribue a jubal. 28 O
Sumnio Pontifice
r t9 ílhefc,hiji.Peiitif.p.i.l.4.Siiti
Vitaliano, quefaleceo pelos annosfeifcentos&fetenta, oin-
troduzio nas Igrejas. 29 Mas ainda depois foraó taõ raros,
t^ue o Emperador Conílantino (quinto , ou fexto ) enviou áQ
Conílantinopla hum orgaó,por coufa exquifita, a Pipino Rey
de França; ,

8 Dos inventores de outros inftrumentos trata largamen-


50 tjiU^.SAri.àe In-vcniyeh
te Alexandre Sardo 30 no livro dos inventores das coufaSj
em q acrecentou o Polydoro Virgílio , Sr do modo de dançar»
Omittimos ifto , Sc os tangedores inflgnes que nomea Ravjíio
3I TextorfupK Textoi^j 31 porquéajuntamosdevarios Authores, masnaó
ji J«/'.c.i3.«.l5;
trasladamos o que eítâjunto em hum. Jàdiflemos 32 q Dar
vidfoy opíimeyroquecoillpoz PÉilmos para fe cantarem c5
inftrumentoS.Aos tangedores infignes acrecentoo Portuguez
PeyxQto natural da Pena, lugar da Raya de entre Douro, &:
,

Minho, & Trás os Montes: que em Caílclla no Paço do Em-


perador Carlos V.moftrandoefpantarfe de queosfeu^Muíi*
cos temperafíem os inftrumentos, elles zombando , lhe deraó
huma viola deítemperada para que tangcífcj 6c elle, fo tocan-
do as cordas para lhes tomar o ponto , as governou apontando
coríios dedos demaneyra, quefízeraõharmoniafuavillimaj
& os çircunftantes^diri irados rompèraó em dizer, que ou era
o diabo, owo Pey xoto da t^ena^)<i^,ç\y.\ciXi tinhaó fanu, pofto
quconaóconheciaó devifta.
} 3
ZVi; f /;/! pytteitMe n. Cfiguintes. 9 Mollrou Deos os inftrumentos aos homens para as raef-
J,
mas utilidades que largamente expendemos na i\iufica 33 de
que faó parte> mas também delks ufou mal a malícia chegan-
,

do
.

PARTE I. CAP. XXIV. j»?


do a empregallos cótra Deos. Ao fom dclles convocava Nabu-
eodonoíor para fe idolatrar na fuaeftatiiaj 54 & cada dia fe í 4 »*>«>/.?: \ '"^-^^i.
uílidcllcsparafínsjllicitos. Noannodemil&dozejhúOthe- .
?'' ^'>M'^;-;«,í^^f*«^^

ro Laicojòc outros quinze homens, Sc três mulheres , tomarão Jsdwenju.c to.


por capricho baylarmuy tos dias corrt vários inftrumentos Dof^^''^'f£"<^b!nd.te,nporiAiiiapadFr.nc.i>i
adro de huma Igreja, com tal inquietação, que impediaóos n'^í ^'"It^sultli
Officios Divinos , fem quererem defiftir ; pelo que hum Sa- í7 Gcrfxftr^ã.t fun AUgmficat.

cerdote chamado Ruperto lhes lançou maldição, com qiíe ',^


^rtl^^^deU^r. h:íi. drM
baylàraóhumannomteyro, de humanoyte de Natalatèou- Scr.horaiib s.c.xs.h.x. comos fe^úr.ie^.
tro tal dia, fcm poderem ceílar até que Santo Hereberto Bif-, ^ ^^^'"', ^^"^y^''^ '^'^»' "oi>roíogoà-t

e Coloniaos abioiveo daquella maldição mas as mulhe- ; , suúus TheLid.i. { ; p,-inc-

Tcs morrerão logo, & os homens pouco depois com tremor,&: ^«"-'^ '^ <^anarii pritncrdia ik ?

piípuayju. s-j •

Sicdide^Mulx.pauIòmaioracanamuS. ^

IO rara honra dosimrrumcntosrepetirttos oqaííima 36 Ef/.i y^»e;d marine.


tocamos com o doutiííimoGerfon, ;? q ue o cântico da /^/^/r- Armdvintmquscano.
mficat que a rtrgem May bantiílima compoz , he o inlcrumeto jufque datam fcdcri canimtis.
de dez cordas que deíejava David. 38 Venerável Padre CamooisLufiad.crfít.x eftx. O
Frey Jofephdejefus Maria 39 o expende, concordando os ^:::^S^Í^ ZT^^f"^'
dez verfosj entendidos por cordas co a harmonia das Creatu- Camo i'ármi icoíí c Capitano.
, t
, ii

ras racionaes, compofta fuavementp de nove ordens de Anjos; '/"°^ ?


°'''"'í^ í""'"'-
^ f ^•
Lee rteíie, 1'audaciimpreício
& da natureza humana ; corda q te quebrou pelos pnmeyros ôa.no.
, t r 1 ' % 1 •

Favs, & foy reparada pela Mãy da graça, que deu todos os in- MiTí^onB^doniscant.i e^.^i
'""' "'''"'^''"
ftrúmentos para o mundo fe levantar da ruina em que eííava. ^Jko.''"^'"
'*

..,..,. ^oaoBdpttlldMaHricioinclTahoirfeitint.
j.efKu

CAA P
1-
T
l T*
1 VV T
1j (TS
KJ "V^V"\r
iV A. V •
Canto 1< afpetto
Cario
, ih cui canglato volíe.
Tone nHNttmigueYrierecãt.i.ejii,
... i^ ^ j. . . j . „ Cantcrô come ún cor tuttofcópoG.
TnnctpiOi progreno , çy dtgmdade da Foeta ; como a Yo
lope de vega «^ ierufi.i.\.tji i

.^T. c 'cr I canto


^-jin J
zelo, J hazaíias* 1 el & Ias
Virgem Santiliima 4 honrou ; ç^ Jendo dada por m, phdomcnacant.i.ed i.
Deos fará utilidades^ oshomêsufâraõ mal delia. ^ 'Jcrr.ÍM^^^^^
Yò caritarè tu engane jy tu hermofiíM^
1 A Poeíla he irmáa semea da Muficaj C de que trata-
hum SrSc7Í ."í"
5 Ecdffuíi.^^. s. in petúía lua rc-
"""""'

erudito
J\ mos) ou he o meí-mo q MuHca
Author, & quando
i alTim os Poetas metrificáo , fe
, como diffe
4Pi,<t rch.íde Mxfic.
'
*'

diz q cantaói 2 fó em verfos foa bem a Mufica, fó na JVIufi. & j ^^j;^


'/^^[.^;P-

cafclograóosv-erfos-, Mufa, & Mufica temo mefmo nome, At facn vates ',&Divum cura vocamuf.
pelo que o Ecclefiaftico ^
:: falia da Mufica, & de verfos como Sum etiam qui nos numcn haberc pu-
^ t tem. Et 6.
fu'7-
unidos. _ Eft Deus 111 nobts 5 agitantc Cilcfcimuí
^ ^

4 Em vaó trabalhou Plutarco, 4 inquirindo os pnnci-iiio.


pios da Poefia;feu principio he Deos pondo PlataÓ 5 cha-^^;^P«»s '"^^^««^^'«^"^«^""^l^^-
;

mou aos Poetas, filhos dos Deofes^do Ceo lhes vem o efpiriío, Et nUhh
& fe difie que tinhaó em fi algúi divindade; 6 póde-íe dizer Eit Deu* ia nobís, íunt & commcrci»
quehe natural ao homem, porque ( fegundo enfmáraó os fa- ^^^'^^ ^^j^^;^i, ç^.^^^^ .^, ^^^.^^
bios) anda conjunftaáFilofofia natural com que os homens 7 vmntU ii.

do principio cuydaó
de fua idade... J como haó de viver de que « Hom.ir.artpoH •,

r r
D n-
.
r Ego necltudium fine divrcvena, •

expende a razão Qiiintiliano; 7 &: aííim nalce juntamente jsjccTudc quii ptofu vidto mgcnlimi.
com os homés, & fó a natureza fiz o Poeta , poílo que o aper- Ahcrius fie.
Aferap^fci topem,es, *c...í««w.í.
feyçoeaartci 8 ponífofecoroaõdelouro^qucngnificaavir-
\\] tudv
, 1

ico ' EVA, EAVE


tude natural; ^ de hera, que he fymbolo d<: trab.ilho com q fe
9 Fr.HeiítT Pintotom. j..if«Va/.4.c.i j.
f^i^g ^ perfevcaó; 9 os que naó iazemTcríbs, c>;oftáodeus ou-
^ ^ V vir, atodcsnenaturai aroelia.
5 CelioRbodiginio lô riradeAriftctelcs, &:deQiun-
tiliano o modo por que a natureza começou a infundir nos ho.
mensa Poefiiii&foy, infúndindolhes hum principio que ob-
íervava com pericia no ouvido, huma medida , erp.iços que &
corriaô com remelháça;&r depois cm ordem a apcrfeyçoar e(ia
confonancia, fe foraó introduzindo as fyllabas,6c pcs mais lar-
gos, ou mais breves, conforme cahiaó, & foavaó melhor,
w Matute na propij^de.chr}^. 4 Nafcidacom O mundocrccca a Poefia em todas as ída--

'^'^t[%la\^i'^l7
Ha quem diz, ii que Adam compoz em verío o
desdelle.
I , uíUr.t.Firmian.divin.i!ijfj.t.c.6. Pfilmo 92 que anda entre os de David, intituladoj In dieanr
&dciraue^t. ,
.íeSabbãt.m.
^
^,j„f. Enos feuneto filho de Seth, he provável que compor
'5
14, Matute fuj^
hvmnosem loiívor deDcos, comoaba\xo 12 diremos.
idade í.c.i 4.1.

.íi',^fÍT'.'S^S/'''"-^"-"'^
^'-6 NosannosdodiluvioeraPoetaSamberhanoradeNoè
jó iWíAr/dHíx5yv<tt/ev.r./ifi^j^c44çig mulher de Japhét 14 (eu filho; poíloq alguns 15 digaò
17 oracuUSibyUJ.u Á ^y^
niuliíeí' do mefmo Noè, a qual {'oy a primevra Sibylla, 6c
,».^ ^,j,^ ,

Quoci fortitafui paflquam dircrliniua elcfeveo vuite &" quatro li vros de Oráculos em verlo , lò de
, ,

'"^"'s r^ que hoie temos alf^uns nos livros SibyllinoSjnelles refere, que
Elíusi jaclata men cum conjure rrtultu. ri.
.

r j o r n* •
1

1° Varro aoudusianfjtifí^ íeachou uaarcacom leu marido, 17 &: conta lucceilos neiin,
19 Genehar.ju^. »n. muxd: 18S7.. ,&: sntes do diluvio, quafi coitio fc contaõ no GenefiSj era a que
ioOraad.s,byã.li.adfi^,
chamàraõ Sibylla Perfica , i8 ou Çaldea, 19 por habitar
ii i.v;-r.c.ii.«.5* cm Babylouiacabeça de Câidca, como ella diz , 20 ainda
li D. W/ero«.»»/.ro/ojç.co^»r, -íc///^ qiieoutroscuydàraóqueeraaErirrea. *\ ) <.

^^&;inef^dPnuUnJc<^.nM.in.jcri-
^ g^^^ filhoTubal vindo povoar Hcfpanha pelos annos
t? E'Kod.if,.i.Numtr.%i,-í7- cento&- cihcoeilta depois do diluvio.cõtinuou aPoefianeflé
"^""^o reformadoidãdo leys em verfoj-como diílemos allima.21
^T'^èluuTíxf''"E£,lci III Cl '

"fofefh.deantiql.-j^e.io.^ltmd. 8 O
Santo Job , Regulo nosconíins dc Idumca , Ara- &
Sabciiie ^rKíd I./.19.
bia pclos auuos fetccentos & quarenta depois do diluvio, có-
CaUiedor.tnproIoz.ad?f:lttr.t.l%í ^
pcz ^randc j -^ J r
,.; f 1

parcô do fcu livfo cm verlosexametros, coiii pcs


.

MLiejup.dad^.c.iiii. •

M.:rc.!^>ito». Fbmm. indedicfítor.firi- datylo, Scefpondeo, comodíz


S. Jcronymo. 22
t>hraí.adpfaimof.
No tettipo cm qucos Hebreosfahírlo doEcypto ,era
ineum caiiticum novum;, carmcii Dio a Loelia entre elles Ordinária jdiz O lagrado lexto 23 qcan-

''"^'^"u, ^ tárao com Moyfes em verfo as graças ao Senhor que celebrà-


,
-.

í^'^<^ coiTi vcríos o^oço dc agua que no caminho acharão


Spcravcruiit. j &:

f'/j«.40.v.«/'í.Fiar,fiat faz meucaóde verfoscm outras occafioeus.


"'"'"'"' NostemposadiantecópozDavidosPrdmosem ver-
Q:^Sl;Í™a;>íf , ^°
Spera in Dco. fo, como affiriTiaõ mUytos, & graves Authores; 24 ellc ^slxc-
7.% p•alm.'ll%.^>.\.&^J.invnUs,
cequeodeclaraemalp;uns; 2^ &: oníollraõfip^uras, &; qua-
SarpccxpuaniverGiitmcaiuvécií^cmcj. fj j ^ n •
n „ ^^ ^ i . ..

BtPfiht.^ô.v.-i. & 5.).«vm';i,Coiiiite- ''dades p.oeticas q nelles vemos, de Repetição, 26 Coritmuação^


aiuurtibi.^c.
2^ Rcverfao^ 28 doutras. Caíliodoro diz 29 q levantou
^ ^'^'^ividade da Poeíla, & que dellc aprenderão os antig r)s.QLie
jo pj!pt^'or]^cn. rdati u y.un.
Salamaó, oDeuteronomio, & O Cancico
'

Pfr. asobrasdefeunlho
.,,'' ?Ar5-4-n- Et fuerui.t carmina de Ifaias haiaó fidoefcntosem verfo, dizem bons Efcritores;

^' "^s dc balamao parece que os ajuda o íagrado IcxtOj


_j^^p,Hieron.inir4,(adiramI.tt.ifai. 3°
31 fc bem O grande Padre S.Jeronymo 32 he de outra opi-
niaó.
1

PART. I. CAP. XXV. 5ot


i]iio,coraataiTibem nos verlos dos Pfalmos. Aos tíebreos H-
juimcnteera comi) preceyto louvar a Deosèrtl Verfojicgundo
lium texto de EfdrasiníinUa-, 33 &aílirU lemos
34 qiíeofí- 55 '-Eflxt.^^.
7,c rio David, S.ilimão,& aiitros.alèm dos quejà reJ:^rimos,na
pJ^V.'^!; ÍV^'u í.t^l
l.ihid.idoEgypro.
1 Entre os Gcniios pelos aritlos de novecentos
, & cin-
coenra depois do diUi vio; mil &c qiiarrocerttos Sc cincocnta, Sc
nove antes dó Nafcimcntode Chrijlo ( conforme âo compii-
,

to, que figo na hiftoria ) tempo em que o Povo Fícbreo come-


çou a governarle por Juizes floreceo Orpheo , de nação Tra»
,

cioj oprimcyroPoetaqiie n gentilidade nomeou faraoío, &•


como ainventor da Pocfia Ihechamàráo filho de Ápollo,&:
Calliope, ainda que Te diz que atures delle fora hum Siagro, (|
havia cantado a guerra Troyana.
12 De Orpheo foydirdpulo Miifeo,invehtor da fabula
de Hero, & Leandro, comporta com raes coriceytos, &affec»
TOS amorofos, tal decoro, &: imitação , q moftra bem haver na*
quella antiguidade os primores, & todo o culto & polido de
^

que feprezarão os melhores modernos , entre cS quaes d


contáramos, fe as hiftorias não certificarão o contrario, Lino \

com grande nome foy quafi fcu coritemporaneoj & erítão hoit-
\eAquelles engenhos que com fcientificasallegorias fingirão o
coro das nove Mufasprefididas de Apolloj propofta á cada
qual a fua matéria, cantando Calliope em heróico os grandes
feytosj&rÇliotodosósfuccenbspaíTados, Erato amores em
lyrico, Talia couías menos honeRas em cómico , Melpomene
liiílorias triftes em tragicojTerliphore guiando danças de nin-
fas, Euterpe regendo as frautas dos paftores, Polimnia ufando
tons diverfos >& Urania modulando ao divino;
13 Jàhavia asdivcrfasefpecies deverfos, àccommoda-'
das aos aífumptos; Cafiiodorodiz, 35 que os primeyros fò- js C#flíor.U.e;Í/?-40'
rão o heróico para mover, 8r o jambico para aplacar. Do he-
róico fe tem por inventora Phomonoe, Sibylla Deifica, 3Ó ,6 c»mad.Gefnni «» onomí^kíjr^,
qucviveoantesdadeftruiçâodeTroya,37 fuccedida nó ánno prior-nímin.
de mil &: duzentos Scquatorze depois do diluvio, Si milcen- ^^°^^ F!o/cli!hJ'fupr.
to oytenta&: hum antes do de CÃn/^O; {5orèm jà comS.Jero-
nymodiííemos quanto antes havia Job efcrito delle. O
jam-
bico fe attribue a Archilocoj 38 mas nem efte, nem em outros j2 tí(n*t.inaít:foei;^
ha certeza.
14 Qi-jafi trezentos annos depois de Orpheo Trácio > no
feculo em que fobre Ifrael reynava David^ &c nos feguintes, fa-
birão a luz os Poetas Gregos:&: allim corii engano bufçou Plii- ^^^ ^.^ ^^ Muítcál
tarco 39 em Grécia os inventores da Poeíia. AntimacOjA-
poUonio Rhodio, Arííl:encs,Parthenio,&: Heíiodo,heroicos .-

Alceoi/\n,icreon,8c Filoxeno,lyncos: Alcxis,Hermippo,Afi-


ftophono, Diodoro, Eutiches, éc MenádrOj cómicos Alcime-
:

nes, Ariftarcho, Cleophon, F.uripidcs,&Soph( cles,tragicos:


Architas,& Caliniacbojepigrãmíriiftas: rhocUidçs, 3í Tbea-
I iij CTitOj
,

rot EVA, E AVE '

cnto,elegíacos;Symonides,Tirreo, ScXenopIíanes, quefo-


rão vários: &
outros entre nós menos conhecidos.
Hypponas
teveraldizernasfatyras,qiieBiibalo, &
A ntenio Pintores fe
enforcarão, porque elle os íatynzoii em vingança de o
have-
rem pincadoem quadros como couía ridicula, por fer rnuvco
^
fcyo.
15 De rodo foy Príncipe Homero , nafcido no anno do
mundo três mil trinta Renovei depois do diluvio miltrczcn-
.« Fi./cui.h;i}.fup.c.u
^""^ trinta & dous^antes de Cbnfío mil & treze,reynando Sala'
iTiãoemJudea; 40 os que o fazem nafcido depois rompem
,

o verdadeyro fio de muy tas hillorias. Sete Cidades contende-


rão fobre qual fora fua pátria cujos nomes cõpoem efte
;
verfo;
SmyrnnyUhodús,Coioi)hoti,Salami,ChtoSiArs,o'yAihcjiaK'

JilcfiZ':::''"'''"'"^ ^] acaufadapnmeyraparccemelhor. Nx ÍÚada .^OdtjTea


Ckn.éTat.pr,^rchit. "ao fo tov luiidamento da arte poética de Ariílotcles^mas
íon-
ssMazaT.u.cp>gri>r>. tedc toda a fabedoria Gregaj o que fe lhe taxa de
trazer os
Deofes em niuytos banquetes, imitou o ufodaquelles
tempos
-Correndo terras para aprender mais, fe lhe turbou
a vifta dos
em Ithaca,&-a perdeoem Colophon.masconfervando
4^ ilofcMUic < f^""^
4} r^.rl,./fir);^i.í;í..:í,o,rtã/iempreadojuizo. viveocento&quatr 42 outrosdi-
zem cento &:oytOi 43 & Varão tão grande, morreo mu vto
^
cedo.
16 DosGregospaíTouafocfiaperfeytaaosLatinos.que
loconhecião aquelleíimplezRhythmo que diíTemos
fer na
íural. NumaPompilio, fegundoReydeRoma,maisdetre-
14 i/v.àí.i,/.ií zentosannos depois de Homero, ordenou os
facri/icios, 44.
em que fe cantarão verfos jcomo coufa nova. O primeyro Poe
taqueemRomacompoz, foyLivioAndronico. C começou
porfabulas) noanno de fua fundação
*< T..,crt ^'
T.xtcrj.p,
qumhentos & treze,
«S qu,nzc, ou vinte antes da fegunda guerra
Púnica^ 4< tão tar!
de chegâo as letras aonde reynão as armas. No
4^ lUfculMil.í.i.cX, aano feguinte
xiafceo Ennio , 46 que em verfos mal
limados deu ouro de
47S-fcWíX>r.7; que Virgílio confeífava que fe enriquecia.
47 Poucodepois,
florecendoScipião na guerra, floreceo
Plauto , natural de
Umbria, na compohção de comed ias , com
tanta eloquência
que fe d.zia, que íe as Mufas houveífem de
fallar Latim , falia-
xiao pela boca de Plauto.
1
7 >^qui paflou Roma quafi cem anrios
^ fem Poeta de no-
me, ate lo-rar o cómico Terêncio, Carthaginez
dizem que eícravo, cujo momo parecia ver
denação, &
os corações dos
quereprefentava; &
outros tantos annos callou a Poefia
, atè
que nafceo V irgilioem Mantua no de
feifcentos & oytenta &
três da fundação da mefma Cidade,
a oy to de Outubro, no do
mundo três mil novecentos 6c oytenta ív' quatro,
depoisdo
diluvio 2327. antesdodeCM/^.feírenta&oyto, quando
Marco Tu hoaccuíava a Verres, nafcendo
o nlayor Poeta,
quando fallava o mayor Orador.
1 8 Logo com os feculos dos Emperadores
faeccdèrão o-ç

dos
: '
,

PARTE I, CA P. XXV. 103


;
dos Poeeas, que crecem na cfperança enganofa dos Príncipes
com Ocl.wi.ino viveo Ovídio Nafo narilrai de Siilmo , povo
dos Pclignos em Itália a quem o grande engenho foy ruína
,

comoelle mandou por em Epitáfio na fua ièpukuraj 48 &c 48 Hiccgoquijaccotenerammlufí^


Horacio,a^udo iudiciofo,claro,elegante, &cortezâo,com-*"i°'^""'.'
^ ,-•-./- o «m r nPoeta , ^
, "vL^
r • IiigeniopctáNaio SISO,
poz a A rte roetica que temos Latma leguirao-ie Séneca tra-
:

icoUcípanhol de Córdova, que poz nos rhcatros alegre a


f.^^ilofoíia leu fobrintio Lucano da meíma pátria , que ajudado
;

de fua mulher Pola de vinte & íèíc annos deyxou verde na


,

Pharfahaoakodereudpirito, queastyrannias de Nero não


deyxàrão madurar, Períco HcrrufcOj que na luz encuberta das
fuás Satyras, como Sol entre nu vês , irivol veo os vícios de Ne-
ro^ &" também lhe faltou a vida de vinte & nove annos, por fa-
do das coufas grandes que duiúopoucok Sylio Itálico, nafci»
doem Roma de pays Hefpanhoes, qiie com o Poema da fegú-
da guerra Púnica fe fez conhecido, celebrava Cada anno o dia
emque Virgílio nafcéra.Stacio Napolitano, cujas fylvas pa-
recem louros do Parnafoj na fua Thebaida, & imperfeyta
Achilleida fo admitte leytor feu femelhante. Marcial Arago-
Tiez,que de Roma veyo morrer na pátria, havendo efcrito Corri
fal, com fel, & com candor, fora louvável, (c fora honeftojmas
do tempo de Domiciáno que outra coiifa fe podia efcre ver?
Juvenal Italiano de Aquinas, decoftumes que o fizerâo def-
terrar, im perando o mefmo Domiciáno porque os vícios pa-
;

recem mal aos mcfmos que os feguem. Dcyxodous Catulfosi


Tíbulo, & Aufonio, Lucrécio &: outiros de que a líçâo nos he
,

menos familiar.Nomearey Dacíário, por Lufitano de Metida,


49 lAdrsatiit, híji. de Hej^^nha l,^ e.^%
49 de quem Gregório Cílio 50 faz menção entre os melho- jo Cúiusàf Poetism
res Poetas, & em feu louvor temos epigrammas de Marcial. 5 r 51 MartialUi.tf.i.-],^ %&,

19 Todos eítes viverão até o anno cento do Nafcirhento


de CÃr//?<?j& faltarão foetasceleblres mais de duzctosannos,
51 Moraltsl l.(.40<
atè S. Damafo Portuguez de Guimaraens j 5 2 tontado pôr
JiíarieuLi.c.i^.
Tcxtor 53 entre os illuftres Poetas j creado Papa anno de GfKefcmJ/j.
567. honrou a Poeíia com o lugar , & com a fantidade. Pouco ^^/'«^
'""•'
• ..

depois viveo Claudíano de Alexandria > imperando Horto- ^J'^^7>/ií.Fr<i/:p!I'.â.í.í./»pr/w:


rio, & Arcádio, tãoeminente no verfo, quam humilde nosaf- BrittoMomrch Lulít.u.cxj.
íumptos. Logo a declinação do Império fufpendco ^ Mu- ^^^:^Í:^l::!^t:;.
ias, que vivem fó entre profperidades. . t)i(femos iar^ame»u »as excèl. de Poríúgt

20 Grandes forão aquelles Poetas Latinos mas feria in- f-? «''^'' ^°-"!^'
:
Textor fiipr.
gratidão negar que aprenderão dos Gregos. Ennio lecreou j5
nas obras de Euchemcra quetraduzio Plautofeguíooeíly-
:

lode Demophilo,Philomencs, & Epicamo Terêncio parece


:

que trasladou ém Latim as comedias de Apollodoro , & Me-


nandro; Horácio no fatyrico imitou a Lucilio; & o mefmo fez
Perfeo: Ovídio nas metamorphofis, feguio a Parthcnío Chio
Stacio na Thebaida a Antimacho.- Virgílio nas éclogas foy
imitadcr de Theriro: nas Georgicas , de Hefiodo: na Eneida,
de Parthenio, Pífandro, Apollonio Rhodio , Sc principalmen»
te
to4 EVA, E AVE
V rede Honero Fulvio Urfinocompt z hum grande volume
:

dos furtos de Virgílio-, furcos de qiicelie íl- prezava quando


'^^po^dma feusemuKs, apoiítAndolhes os que fizera deHo-
U M.^n..nm e(Tc vinum HcrcuH
iTiero n^ argrni{)€sf()rças tir<ar a rncjja da mao de Hercu-
bJ/zí»
tlavam cxWqucrc dé manu. ,

iiflnto.H,eron.i„prolog.adjuíji, tivcrâoos Latínos O louvor decojhcrem ipelnasfio-


lesi 54
*""-
res; foy GrCcia mar a que tornarão as aguas de CaftaliOj Libe-
thride & , H
ppocrene, donde tinháo í ahido.

C A Í> I T V L O XXVI.
. Pr ofegue G ajfumpto propoflo no Capitulo precedente,

I \
Rruinado O Tm perioRom Ano !,& dividido entre
jCjL ^'iirios Príncipes, teve Europa foíTegOj em que as
Mufas quaíi refufcitàráo,efi:endèraõ-íe para as partes do Nor-
te nas línguas Grega, & Lr.rina, até hoje com grande excellen-
cia. Em Itália, Sc Heípanha íe empregarão mais nas línguas
vulgares.
2• Em Itaiia foy o antigo Dante como o Ennio Latino, en-
tre cujas humildadesfeachãograós de ouro. C) Dolce o foy
nacompofição. De Petrarcha Arcediago de Parma no anno
de 1 3 í^ô. falecido node i374.chamadoFí>í'í/í, é^ Oradordi^
'[1 Zaharclãco>ipi.j<): "vmo, I fedcrívou a mclhordoutrínaj porque nos nlirtosen-
''"'^" ^''^^^^^^^^^^
» líi!5t'' ^^^^o" os louros: fez os amores caftos Laura lhe naÓ impedio :

alaurea de Poeta Chriiláo. Arioílo foy Ovidio no fecundo; 6c


mais agradável na traça. TaíTo fó peccou em nlopeccarj fe
alguma vez diflimulàra as leys,fora menos fevero; o Sábio dif-
1. tcclefm^. j. ij, Nolí cíle juftus ^^ que não fe deve fer demafiadamente jufto. Guarino , de«
2
°*"^'"'"i das Mufis , com talento digno de Heroesreprefentoii
licia
amantes: tanto artífice pedia mayor obra. Marino colheo to-
das as flores do Parnaío, mas importara à pureza que elle não
cfcreveflei Sc aos engenhos , qite efcreveííe outra coufa. Preti
he pequeno jafmim coma fúivídade de todas as flores. Naó
he pollivel tratar de todos, nem decente nomear mais, porque
não pareça eleyçáo no que he de excellencia igual j fomente
Sanazaronáocabeem filenciojporquefoubcefcolheraíTump-
to digno de feu alto efpiri toi
3 Em Hcfpanha tinha a antiguidade na língua vulgar Iiií
rhythmo,quafi natural , que osPortuguezes chamaváo75<?-
«u^jr, 6c os Caftelhanos coplas; cuydo queTrovas fe derivaria

do verbo Francez Irevever^ ou do Italiano, Trovare , que lig-


nifícaó achar, porque quem as fazia, achava aquellcs confoan-
tes, ou toantes; 6c coplas de Copia j que em Italiano he ajunta-
mento, por fer aquellarhythmo junta de toantes, 6c também
feíliziaó em mào Latim Brito 3 na Monarquia Lulitana
iBritGMimd.Lufi^.x I.7.C.6.
-,

por curiolidaderepetio algumas do tempo em que os Reysde


JLcawcoDf^^avaõHefpànhA dos ^louros ^ outras por bem
*

1 gilan^
PARTE I. C AP. XXVI. ,o.
confervão maniifcriptas , do tempo de
g:ilantes'fe Dom Aífó-
ib Henriques, primeyro Rey de Portugal.
4 DomDinisjKeyfextodefteReyrto, fendo moço, vi-
vendo ainda leu pay Dom AfFonfbTerceyro,foy oprimevro
qiieem Hcípanhacompoz verfos, quemei-eceOem eile nome;
4 m ádou hu m vro dei les efcrico por fua mão a feu avò Doni *. ^"'^
1 i
^^•>'^ "^^ "^'^ '''*'''^' ''"^ ^''"*'-

Aíionío X. Rey de Caíldla, que chamarão o Sábio, o qual eu


tf!:^;L4.hiji:Pcrtu^ ,.,,c,fi
VI na Livraria ao Real Convento do Lfcurial, em folha de pa- « 5' 1

pelgroflbjde marca pequena, volume de três, ou quatro de-


dos de alto, de letra grandeLatina, bem legível, ^ o qile li era
z noíla Senhora, & outras coufas ao divino. Seu fil iio Dom Pe-
dro Conde de Barcellos, que efcreveo o hvro de geraçoensi
deyxou em teílamento o feu livro das Cantigas ( a(um lhe cha-
ma) a ElRey de Caftella Dom Aífonfo XI. feu fobrinho ^ pe-
los annos mil & trezentos & cincoenta-, < ElRey Dom Pe- r
\^'-^\'i^'-^^<'^i'^<>/''^<>^*'''^'

dro feu neto tez também verfos j &


do Infante Dom Pedro fi-
IhodelPvcy D. Joaó I. feachaóém louvor da Cidade de Lis-
boa, 6 iàcommaisarte.compèqucchamaó^ifí^^Wí), que £ i^f/>rí-oíffr;<«/-^/.f.t./,ic.t^,.:.-
foráomuytoufados.DotempodelRey de Caítella D. Hen-
rique IV. veriíos imprefias coplas de Hernando dei Pulgar, no
livrinho intitulado, /-^///^^.T^ei/f^f^ííj com mu y to bom eftylo.
5 Começàraò-feacomporveríoshcroycoscomdozefyl-
labas, partindo-fe, ou fazendo aífento ordinariamente ila fex-
ta, &: talvez na quinta, fe era aguda, ou nafepcima , fe apala-
Vra em q acabava era efdru>:ula;chamavão-fe Vc arte major -,&€
tinhâo a cadencia femelhãte aos heróicos Gregos, &: Latinos,
Scaos que hoje compõem os Francezes. Nelles efcreveo Joaó
de Mena Poeta Caftelhano, celebre no tempo dosReys Ca-
tholicos Dom Fernando, êc Dona Ifabel, com muyta erudi-í
ção,& artificio.
6 De cento & cincoenta annos a efta parte , feguindo àòá
Italianos, mudarão os Hefpanhoes aquelles verfos nos de
T)nzefyllabas, ou de dez, fendo a ultima lohga^ & aguda, fe
bem os de dez fe ufaõ menos, por não ficarem cheyos ; Si tatu
dos Portuguezesfe deve ferem os primeyros, ou dos primey- ,.., ;
.
'

tos nefta mudança-, 7 mas algumas vezes fe faziaófemcon- //"^'' ^rit/r//'^^^^^^^^


,^ -
/-
x^ /- ri
'i rr dus díVirtas, O" bmanas flores.
foantesnonm,is:fechamavao/'^r/oí/(?/í<75'. Llcreveo muytos
tm Caftella o Bofcam no tempo do Emperador Carlos V. &
depois em Portugal o illuftre Poeta Jeronymo Corte Real j 8 s CorttKeaino^omaàonaujra^toii
porèm iàfe não ufaõ, porque a falta de confoantes he falta de ^'^^"'"'^^'^f •^"A
"'
fah&airim galantemente Dom Luis de Gongora 9 femof. Q^Je ^^fJI^^^Íl^vcr^iàT
trouenfaftiado dos de Bofcam. Alguns lhes davaó graça, p6« UnaproroeUocnei campo,
doem boa cadencia domevo do verfo eonfoante do comque Qu^enBofcanunverfofueito',
Aan que ka ea an andainto.
, ,
r 1 11 r /^ •

acabara o verto antecedente como com exeellencia lez Gar-


,

cilaíTo de la Vega nas fuás éclogas.

7 NotempodomefmoCarlosV. Gárcilâflb deja Vega,'


tamcortezaó como illuftre, chegou Poefia aCaftelhana ahú
ponto altO} ainda qucpornaõhiVvrcoufà que fatisfaça a to-
dos.
^
ro6 EVA, E AVE
„ , .„ .
10 rltmanao dt HeTTerit(músyi<í0 9 q
,dos, hum feu Efcholiador fe atreveo a notarlhe defciiy-
lo
. -- t > *i tí
chmirai Juvmo) nost/choU Qara.aíJo. Qos com poiíca razQo. dc
J orgciMoiitcmayor Pcrtuguez , que
metrificou naquella lingua foy também dos primeyros que a
,

illuílràraóiOme-rt-nofizcrãoFieueroa, &" outros grandes ta-


lentoSj entre os quaes Hernando de Herrera foy chamado Di-
vino. No mefmo tempo, reynando em Portugal D. Jcaõ III.
• ' êcnosfeguinteSjforáõexaltandoaPoefiaPortugueza. Fran-
Cifco de Sá de Miranda, que chamarão Plaícío Liffitano , pelas
moralidades da ella rcduzio-, Simaò Machado , António Fer-
reyra, Diogo Bernardes , &
outros , fobre todos Luis de Ca->
moenSj infigneem todas fuás obras, particularmente nns Ln-.
/ZíTít/íí.c, em que na imitação de humafóacçaó, na honeftidade
delia, na utilidade de fualeytura, na recreação acompanhada
.
; de erud ição, &: proporção, (partes efí cnciaes do Poema herói-
co) tenceo finaladamente os antigos , -Sc modernos fo lhe fao
:

comparáveis Homero, Virgilio, ^cTaíTo, excedidos ainda


11 Prúv o í/fdo //(?««/ íevmw.dertf- em algum as c ou fâSj II tam louvável no que difle, comoem
tiaf^vida^Camotm.
naó dizer mais, âté nospeccadosA^cniacscontentou.
8 Agraçadocomicovioprimeyro Hefpanha nas come-
dias do Portuguez Gil Vicente, qu