JAIRO ALFREDO SANTOS DIAS ANTUNES
ASPECTOS PRÁTICOS DO INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 16.544/10
CURITIBA
2013
JAIRO ALFREDO SANTOS DIAS ANTUNES
ASPECTOS PRÁTICOS DO INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 16.544/10
Artigo científico apresentado à disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica como requisito parcial para a conclusão do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu – Especialização em Direito Administrativo Disciplinar do Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada da Universidade Tuiuti do Paraná.
Orientador: João Carlos Toledo Junior.
CURITIBA
2013
ASPECTOS PRÁTICOS DO INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 16.544/10
Jairo Alfredo Santos Dias Antunes 1
e-mail: Jairo_alfredo@yahoo.com.br
João Carlos Toledo Junior ²
e-mail: jctoledojr23@yahoo.com.br
RESUMO
O presente estudo tem por objetivo identificar a pertinência do sobrestamento dos processos administrativos disciplinares da Lei Estadual nº 16.544/2010, quando da motivação apresentada pelo acusado em estar com moléstias graves. As conseqüências em desconcerto pela ausência do acusado, que impedido por perícia médica, não comparece aos atos da instrução processual. O comprometimento dos trabalhos processantes no que tange aos prazos. Há possibilidade de procrastinação do processo precípuo quando da fundação de incidente de insanidade mental do acusado. A ocorrência do surgimento de uma imagem maculada da Administração Pública Militar, quanto ao princípio da ineficiência. Ainda, outra negatividade traçada é o desgaste dos membros da Comissão que durante o interstício processual, se dispõem extra margem do policiamento ostensivo, a qual é a atividade fim da PMPR e por fim a sensação de impunidade à sociedade e aos integrantes da Corporação, contudo não será objetivo deste estudo o exaurimento da matéria.
Palavras chave: Processos Administrativos Disciplinares. Princípio da Eficiência. Cerceamento da defesa. Nulidade.
1 Major da Polícia Militar do Paraná formado na Academia de Polícia Militar do Guatupê- APMG. Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais – CAO, na APMG e Universidade Federal do Paraná - UFPR em 2008. Atualmente Comandante da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar. 2 Orientador: Capitão da PMPR atuante na Corregedoria-Geral Graduado em Direito pela Faculdade Dom Bosco Posgraduado em Direito Militar pela ANHAGERA/UNIDERP – LFG. Posgraduado em Direito Penal pela UNIASSELVI. Coordenador/docente da Pós Direito Militar NPSPP/UTP. Docente na extensão de Direito Penal Militar da UNICURITIBA
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PRACTICAL ASPECTS OF MENTAL INSANITY OF INCIDENT UNDER THE AEGIS OF LAW No. 16.544/10
ABSTRACT
The present study aims to identify the relevance of the dismissal of the administrative disciplinary proceedings the State Law 16.544/2010 when the motivation presented by the accused to be with serious diseases. The consequences in dismay at the absence of the accused, who prevented by medical expertise, does not appear to acts of procedural instruction. The commitment of suing work in relation to time limits. There is possibility of procrastination preciput process when the founding of incident insanity of the accused. The occurrence of the emergence of a tainted image of the Military Public Administration, on the principle of inefficiency. Yet another is drawn negativity members wear the Commission that during the procedural interstitium , if have extra margin of patrolling , which is the order of activity PMPR and the end of impunity with society and members of the Corporation , however is not the aim of this study depletion of matter .
Keywords: Administrative Disciplinary Process. Principle of Efficiency. Curtailment of defense. Nullity.
SUMÁRIO
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1.INTRODUÇÃO |
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2. REFERENCIAL DE LITERATURA |
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2.1 |
O PAD E OS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO |
7 |
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2.2 |
O PAD E O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA |
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2.3. |
EMBARAÇOS ADMINISTRATIVOS PELA AUSÊNCIA DO ACUSADO |
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2.4. |
AUSÊNCIA DO ACUSADO NOS ATOS PROCESSUAIS |
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2.5. |
AUSÊNCIA DO ACUSADO E A NULIDADE DO PAD |
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3 METODOLOGIA |
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4 CONCLUSÃO |
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REFERÊNCIAS |
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1. INTRODUÇÃO
No âmbito da Polícia Militar do Paraná (PMPR), o Processo Administrativo Disciplinar (P.A.D.) é positivado na Lei Estadual nº 16.544 de 14 de julho de 2012 e se destina a processar e julgar os militares estaduais que cometerem atos de natureza grave que afetem a honra, o pundonor e a imagem da Corporação, impondo à pena de exclusão a bem da disciplina, impedindo-o de permanecer no estado efetivo da PMPR. Nesta corrente, a administração pública militar do Paraná vai ao encontro do Princípio do Devido Processo Legal, cuja previsão está no art. 5º, LVI, da Constituição Federal de 1988 (ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal), que é uma decorrência do princípio da legalidade, ao qual todo processo administrativo disciplinar deve ter por fundamento uma norma legal específica, sob pena de invalidade. A sequência presente neste estudo em artigo científico está em uma sequência lógica visando conduzir o ledor a identificar os aspectos práticos e também identificar os transtornos administrativos que ocorrem nos processos administrativos disciplinares realizados na Polícia Militar do Paraná, pela ausência do acusado que, impossibilitado por perícia médica, não comparece aos atos da instrução processual. No intróito será explanado sobre o direito da ampla defesa e ao contraditório do acusado, previstos na Constituição Federal, em seguida o dever da Administração Pública Militar em cumprir o Princípio da Eficiência diante dos transtornos administrativos que se apresentam durante a instrução do processo em pauta, seqüencialmente verifica-se em demonstração sobre as nulidades que possam ocorrer no Processo Administrativo Disciplinar, caso não se observam os mencionados princípios constitucionais e, por fim, demonstra ainda a possibilidade de realizar os atos processuais sem a presença do acusado.
2. REFERENCIAL DE LITERATURA
O arcabouço jurídico que regula os inúmeros setores da atividade do homem em sociedade é muito amplo, estas normas tipificadas no direito são dispostos de maneira distinta para facilitar sua ciência e aplicabilidade, ou seja, são dispostos em ramos e sub- ramos do Direito, meramente pedagógicos. Para a boa e indispensável percepção e compreensão do Direito, nota-se que tais ramos se entrelaçam entre si, pois, derivam da norma Constitucional, necessidade basilar à organização do Estado de Direito brasileiro. O Direito Administrativo é apresentado por Martins (1996, p.34), como em definição, o “conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”. Ratificando esta concepção, o Direito Administrativo é definido pela professora Di Pietro (2003, p. 65) como:
O ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoa jurídico administrativa que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não- contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública.
Dentro desta corrente, verifica-se que o Direito Administrativo Disciplinar é uma das vertentes do Direito Administrativo que se caracteriza pela processualidade relativa, surge da própria criação doutrinária e que se evidencia, em se tratando de atos punitivos, já que a defesa é baseada no contraditório e a acusação fundada em razões fundamentadas são requisitos de validade para concretizar a pretensão punitiva da Administração Pública. Com o advento da Constituição Federal de 1.988, chega-se a fase da processualidade plena, com a sua vigência, asseguraram-se ao acusado nos procedimentos administrativos, os mesmos benefícios de defesa atribuídos ao acusado na esfera judicial sem qualquer tipo de distinção, então, seria inaceitável o reconhecimento ser reconhecida a desigualdade jurídica entre o administrador e o administrado, postulado norteador do Direito Administrativo comum que torna a relação jurídica verticalizada, alicerçada pela aplicabilidade do contraditório e da ampla defesa no processo administrativo disciplinar. Observa-se o disposto no artigo 5°, in verbis, da Constituição de 1988: “Art. 5º, LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios
e recursos a ela inerentes”.
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2.1. O PAD E OS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO
O Processo Administrativo Disciplinar na PMPR está sujeito aos princípios do
Direito Administrativo e também aos da Administração Pública, como: legalidade,
impessoalidade, motivação, publicidade, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade,
ampla defesa, contraditório, interesse público e eficiência.
Devemos dispor na berlinda o princípio da ampla defesa e do contraditório
inseridos no Art. 5º, LV da Constituição Federal e artigos 2º, caput, e parágrafo único, X
da Lei Federal nº 9.784/1999, os quais permitem ao acusado, a participar em todo o
processo, oportunizando-lhe a produção e utilização de todos os meios de defesa
admitidos pelo ordenamento jurídico.
Sinteticamente a ampla defesa alicerça-se no conhecimento do acusado da
instauração de processo e acompanhamento dos atos processuais, assegurando assim a
paridade de ferramentas entre a acusação e a defesa, e o contraditório no direito de
contestação, produção de provas e dos recursos cabíveis.
No processo administrativo disciplinar este princípio é preciso no artigo 6º da Lei
16.544/2010:
Art. 6º - No processo disciplinar serão assegurados a ampla defesa e o contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes.
De forma mais especifica o artigo 7º, desta Lei estadual acima referida, esclarece:
Art. 7º - São direitos do acusado no processo disciplinar:
I - ser regularmente citado, com antecedência mínima de 2 (dois) dias úteis, à entrega do libelo acusatório;
II - ter conhecimento e acompanhar todos os atos de apuração, instrução e
julgamento;
III - ser ouvido;
IV - produzir ou requerer a produção de provas previstas em lei demonstrando sua
pertinência;
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V - requerer cópia de documentos que integrem os autos; |
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VI |
- ter oportunidade, no momento adequado, de contrapor-se às acusações que |
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lhe |
são imputadas; |
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VII |
- ser informado de decisão que fundamente, de forma objetiva e direta, o |
eventual não-acolhimento de alegações formuladas ou de provas apresentadas.
§ 1º É facultado ao militar estadual apresentar sua defesa pessoalmente, ou por
intermédio de procurador. Quando o acusado não constituir advogado, o processo
será acompanhado por um oficial:
I - indicado pelo acusado para a sua defesa; II - designado pelo Comandante-Geral, nos casos de revelia ou mediante solicitação do presidente do processo disciplinar.
§ 2º O militar estadual e seu defensor, devem ser notificados a comparecerem a todas as sessões do processo disciplinar.
§ 3º No caso de o militar estadual ser revel, a notificação para comparecimento às sessões do processo disciplinar recairá na pessoa de seu defensor.
São dois os aspectos particularizados no qual o direito à ampla defesa apresenta:
o direito à autodefesa e o direito à defesa técnica. Na autodefesa o próprio sujeito pode realizar por si mesmo, os atos necessários à sua defesa, abrangendo o direito de presença e o direito de audiência: a) o direito de presença constitui na possibilidade do acusado de assistir pessoalmente os atos processuais e se defender desses atos, inclusive produzindo provas em sentido contrário; b) em outra vertente, o direito de audiência é a faculdade de pronunciar-se oralmente e/ou dar explicações. A defesa técnica é realizada pelo representante legal do acusado, ou seja, o advogado. A defesa com advogado é a forma mais precisa do direito de defesa, pois, a presença do técnico evita prejuízos ao servidos militar estadual processado quando lkhe sejam desconhecidas as expressões e a técnica das regras jurídicas, as quais podem atrapalhar o exercício da ampla defesa. Quanto ao princípio do contraditório ao acusado é facultado o direito de opor-se a totalidade do ato produzido pela comissão processante ou de apresentar versão que lhe convier, até mesmo interpretar diferentemente da questão jurídica apresentada pela acusação. Por meio do contraditório é permitida e possibilitada a reação, todos os atos processuais são permeados pela contradição, não é possível aceitar um processo unilateral, visando somente a obtenção de vantagem em prejuízo do adversário, sem lhe favorecer a possibilidade para apresentar as suas razões.
2.2 O PAD E O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
Administração Pública não pode desempenhar suas atividades sem se preocupar
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com o interesse da coletividade, seu principal desafio é concretizar o princípio da eficiência sem descuidar da observância da legalidade, evitando o desperdício e a falha, não ficando apenas no campo econômico. O agente público que já trabalhava com interesses de outros, enfocado pela sociedade, já exercia o princípio da eficiência, mesmo antes de ser positivado através da Emenda Constitucional nº 19/1998. Destaca-se o ensinamento do professor Moreira (2010), o qual aparta a eficiência nos elementos: celeridade, simplicidade, finalidade predefinida; economia processual, e por fim efetividade. Evidencia-se que na PMPR, os processos administrativos disciplinares têm prazo legal para conclusão, conforme previsto no artigo 15 da Lei Estadual nº 16.544/2010, estes prazos determinam o per[iodo de tempo para que a administração pública efetue o devido processo legal, coibindo o abuso do seu poder discricionário:
Art. 15. - O processo disciplinar deverá ser concluído no prazo de 40 (quarenta) dias úteis, a contar da data de sua instauração, inclusive remessa do relatório.
Parágrafo único - O Comandante-Geral, em razão de pedido devidamente fundamentado pela autoridade processante, poderá prorrogar em até 20 (vinte) dias úteis o prazo de conclusão dos trabalhos, bem como determinar o seu sobrestamento pelo período que se fizer necessário.
Nesta vertente, uma vez violado o princípio da eficiência, acarretará a responsabilização do militar estadual designado para proceder ao processo administrativo disciplinar, conforme citado por Júnior (2011) :
Por fim, a violação ao princípio da eficiência pode, em alguns casos, ser
considerada improbidade administrativa, incidindo, nesta hipótese a Lei 8.429/92,
especificamente o art. 11, inciso II que prevê como ato ímprobo “retardar ou deixar
de praticar, indevidamente, ato de ofício”.
Com a breve noção vê-se que o militar estadual, a depender da gravidade de sua
conduta, pode sujeitar-se a responsabilidade civil, penal e administrativa por
violação ao princípio da eficiência
2.3. EMBARAÇOS ADMINISTRATIVOS PELA AUSÊNCIA DO ACUSADO
São inúmeras às vezes em que são utilizadas de maneira furtiva, pelo acusado e ou sua defesa, por expediente hábil ou engenhoso para evitar o comparecimento do acusado aos atos do PAD, comumente utiliza-se pelo acusado, a apresentação de
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atestados médicos que visam justificar a sua falta às audiências, e até mesmo recusando o recebimento da citação e das notificações expedidas pela comissão processante
Mesmo sendo favorecidos ao acusado a totalidade dos meios para exercer o seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório durante o processo administrativo disciplinar, várias vezes ele se esquiva de maneira habilidosa em comparecer aos atos processuais previamente agendados pela comissão processante, fitando procrastinar a instrução do feito.
Portanto, surgem diversos embaraços administrativos que maculam o Princípio da Eficiência da Administração Militar, como por exemplo: o sobrestamento que é o ato administrativo que interrompe ou suspende a contagem do tempo para realização conclusiva de um trabalho, em decorrência de imprevistos administrativos. O que deveria durar no máximo sessenta dias úteis para ser concluído, pode se arrastar por mais de um ano, somente para instrução; a instauração de outro processo administrativo, uma vez sobrestado o processo, a comissão processante poderá instaurar o processo de incidente de insanidade mental do acusado, visando verificar as suas reais condições físicas e psicológicas e determinar se o acusado é imputável, conforme preceitua o Código de Processo Penal Militar; a sensação de impunidade, que é gerada pela demora da administração pública em dar a resposta, uma vez que os processos desta natureza são baseados em transgressões disciplinares que afetam a honra, o pundonor e a imagem da PMPR e a falta da pronta sanção disciplinar, acarreta o aumento da incidência de infrações disciplinares e; a oneração da comissão, os militares estaduais designados, além de suas atribuições inerentes a função policial militar, ficam atrelados ao processo administrativo disciplinar, prejudicando a eficiência do profissionalismo e a prestação da atividade fim da PMPR.
2.4. AUSÊNCIA DO ACUSADO NOS ATOS PROCESSUAIS
Existe alto índice de questões levantadas pelos defensores em processos, quanto aos princípios administrativos, visando suscitar nulidades aparentemente inofensivas, não obstante, são protelatórias. A alegação de necessidade de realização do exame de insanidade mental, visando à ausência do acusado nos atos processuais, adota-se o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça:
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“CRIMINAL. HC. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PEDIDO DE EXAME DE SANIDADE MENTAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. ORDEM DENEGADA. Não se acolhe alegação de cerceamento de defesa por ausência de exame de higidez psicológica, pois o Julgador não está obrigado a determinar a realização do referido exame, se outros elementos de convicção justificam sua dispensa. Precedentes. O simples pedido da defesa não é suficiente a embasar a realização do exame de sanidade mental, se não há dúvida concreta a ensejar o incidente. Ordem denegada. (HC 33128/MG, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 15/04/2004, DJ 24/05/2004, p. 318)”grifo nosso
“HABEAS CORPUS. CONCUSSÃO E FORMAÇÃO DE QUADRILHA. INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL. ATESTADO MÉDICO ACOSTADO AOS AUTOS. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL QUANTO À SAÚDE MENTAL DO PACIENTE. NÃO OBRIGATORIEDADE DO PROCEDIMENTO. DECISÃO DO JUÍZO SINGULAR BEM FUNDAMENTADA. ORDEM DENEGADA.
1. É pacífica a jurisprudência desta Corte de Justiça no sentido de que não
caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento de exame de sanidade mental se não há dúvidas sobre a integridade mental do acusado, não bastando o simples requerimento da parte para que o procedimento seja instaurado. grifo nosso.
2. O fato de haver acostado aos autos um atestado médico não basta para incitar
fundadas dúvidas sobre a saúde mental do paciente, até porque somente consta que ele estava em tratamento e que estaria sem condições de sanidade mental para a retomada das atividades laborais, em nada mencionando, de fato, a capacidade de compreender o caráter ilícito da conduta que justificasse uma possível inimputabilidade. 3. Sendo a dúvida sobre a integridade mental do acusado um pressuposto para a instauração do incidente e tendo a decisão do Juízo Singular - confirmada pelo acórdão objurgado – trazido fundamentação idônea a justificar a desnecessidade do procedimento ante a ausência de incertezas sobre as condições mentais do paciente, não se vislumbra o aventado constrangimento ilegal. 4. Ordem denegada. (HC 95.616/PA Relator Ministro Jorge Mussi, DJe de 12.04.2010.)” grifo nosso.
Doutrina e Jurisprudência sobre o tema se manifestam numa mesma linha:
PENAL E PROCESSO PENAL MILITAR. HABEAS CORPUS. VIOLÊNCIA CONTRA SUPERIOR HIERÁRQUICO. ART. 157 DO CÓDIGO PENAL MILITAR. REQUERIMENTO DE INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL. INCIDENTE SUSCITADO SOMENTE EM FASE RECURSAL E COM BASE NA NOTÍCIA DE INTERNAÇÃO. INDEFERIMENTO. INOCORRÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. NÃO CARACTERIZADA A OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INADMISSIBILIDADE DE REEXAME DE PROVA NA VIA ESTREITA DO HABEAS CORPUS. ARBITRARIEDADE. NÃO CONFIGURADA. PRECEDENTES. ORDEM DENEGADA. [ ]
2. A Insanidade Mental que legitima o deferimento da instauração do incidente reclama comprovação que induza à dúvida a respeito da
imputabilidade pessoal do acusado, na forma do art. 156 do CPP (sic, CPPM), verbis: “Art. 156. Quando, em virtude de doença ou deficiência mental, houver dúvida a respeito da imputabilidade penal do acusado, será êle
submetido a perícia médica.” 3. A doutrina do tema assenta, verbis: “(
exame não deve ser deferido apenas porque foi requerido, se não há
) o
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elemento algum que revele dúvida razoável quanto à sanidade mental do acusado, não constituindo motivo suficiente a aparente insuficiência de motivo, a forma brutal do crime, atestado médico genérico, simples
)” (in
alegações da família etc., quando despidas de qualquer comprovação (
Mirabete, Julio Fabbrini - Código de Processo Penal Interpretado, Atlas, 11ª
|
Edição, p. 442).[ |
](HC |
102936 RS - STF, Relator Ministro Luiz Fux, DJe 078, de |
|
28/04/11) |
||
HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. INCIDENTE DE SANIDADE MENTAL. INDEFERIMENTO PELO JUÍZO DE ORIGEM, FUNDAMENTADAMENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. ORDEM DENEGADA.
1. A instauração do incidente de insanidade mental requer estado de dúvida sobre
a própria imputabilidade criminal do acusado, por motivo de doença ou deficiência
mental. Dúvida que há de ser razoável, não bastando a mera alegação da defesa. 2. A falta de realização da perícia médica só configura a nulidade do respectivo
processo-crime em casos excepcionais. Casos em que avulta a ilegalidade -- ou manifesta arbitrariedade -- no indeferimento do incidente de insanidade mental, mormente quando evidenciada situação capaz de colocar em xeque a capacidade de autodeterminação do acusado (imputabilidade, portanto).3. No caso, o pedido de instauração do incidente foi indeferido ante a constatação de que o paciente, no momento da prisão, desenvolvia normalmente suas atividades laborais e de que nem sequer havia relatos de surtos paranóicos ou psicóticos, assim como nada se sabe sobre dependência química dele, paciente, ou quanto à precedência de tratamento médico do gênero.4. Ordem denegada. (HC 101515 GO - STF, Relator: Min. AYRES BRITTO, Data de Julgamento:
03/08/2010, Primeira Turma, Data de Publicação: DJe-159 DIVULG 26-08-2010 PUBLIC 27-08-2010 EMENT VOL-02412-02 PP-00332)
Sobre a incapacidade duradoura e o não entendimento do caráter ilícito da conduta por parte dos acusados, o STM brilhantemente se manifesta:
APELAÇÃO - RECURSO DA DEFESA. LESÃO CORPORAL LEVE.
INCAPACIDADE DURADORA.IMPUTABILIDADE. CULPABILIDADE. PERTURBAÇÃO PSÍQUICA. INSTABILIDADE DETEMPERAMENTO.1.A tutela jurídica embutida no tipo penal da lesão corporal recai sobre a incolumidade física
e psíquica ou a saúde da pessoa humana. 2. O critério pelo qual se caracteriza
incapacidade duradoura, com remansoso registro na doutrina e jurisprudência, é o funcional, relacionado não apenas ao trabalho, mas a todas as ocupações habituais lícitas, sejam lucrativas ou não. 3. Não há que se cogitar ser leve a lesão corporal que vitimou, em face da necessidade de intervenção cirúrgica invasiva, para reconstrução do osso que compõe o antebraço do indivíduo, e afastou de todas as atividades físicas o militar agredido por prazo superior a trinta dias. 4. O critério biopsicológico, consagrado no Estatuto Penal Castrense (art. 48,CPM), para aferição da imputabilidade, exige que, ao tempo do crime, o sujeito ativo tanto não possa entender o caráter ilícito da conduta, bem como esteja incapacitado de se comportar de acordo com esse entendimento. 5. O enfoque da análise da culpabilidade, tocante à imputabilidade, recai sobre a consciência (elemento intelectivo) e sobre a vontade (elemento volitivo).Debitado ou suprimido qualquer deles, conseqüentemente, o juízo de culpabilidade, leia-se reprovabilidade social, sofrerá implicações. 6. O tratamento jurídico da culpabilidade há de ocorrer sob três perspectivas: causal, consequencial e cronológica. A primeira refere à presença de doença mental, desenvolvimento mental incompleto ou retardado. A segunda consubstancia-se no comprometimento das faculdades mentais do indivíduo, a ponto de privá-lo de agir consoante sua noção do que seja contrário ao direito. Já a terceira, não menos importante, perfaz-se na exigência temporal de que a causa que vulnera a imputabilidade seja externada no momento da infração
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penal, logo,contemporânea. 7. A perturbação psíquica capaz de atenuar a responsabilidade penal do agente,pelo motivo da semi-imputabilidade, há de ser tal que comprometa, de modo relativo, a compreensão da ilicitude que grava de desvalor a conduta, além do comportamento divorciado desta consciência. 8. Mera instabilidade de temperamento não impede a imputação criminal. De perse, não tem o condão de afastar a responsabilidade penal. 9. Autoria e materialidade comprovadas. Fato típico, ilícito e culpável. Recurso improvido. Sentença Mantida. Decisão por maioria.
Uma vez indeferida pela comissão processante, a realização do exame de sanidade mental e a devida citação do acusado, a ausência do acusado aos atos do processo, não se caracteriza no cerceamento da defesa, desde que nos atos processuais esteja presente o seu defensor constituído. Caso não haja defensor constituído, a Comissão deverá solicitar ao Comandante- Geral a indicação de um oficial para realizar a defesa do acusado, garantida pela Lei Estadual nº 16.544/2010, Art. 7º, § 1º, inciso II. Quando nos processos administrativos disciplinares possuírem mais de um acusado, desde a instauração dos autos apartados para avaliação da insanidade mental de um dos acusados, sugere-se o seu desmembramento, com a finalidade de que prossiga o trabalho para os demais acusados. Assim, conforme o rito previsto na Lei Estadual nº 16.544/2010 cabe ao colegiado nomeado analisar as questões de mérito e as incidentais que surjam no transcorrer do feito. Lembrando que os casos omissos da citada Lei processual utilizar-se-á, subsidiariamente as disposições do Código de Processo Penal Militar, conforme disposto no artigo 11 da citada Lei estadual (Nos casos omissos aplicam-se, subsidiariamente, ao processo disciplinar, as disposições do Código de Processo Penal Militar). Outro fato considerado em tentativa de ausência que acontece, quando o militar estadual da ativa apresenta atestado médico e desvia-se em receber a citação da autoridade militar prevista no artigo 280 do CPPM. Neste caso, o Comandante imediato do acusado, a princípio, realizar o processo especial de crime de deserção, conforme os artigos 451 e 452 do Código de Processo Penal Militar - CPPM e/ou como crime de desobediência, previsto no artigo 301 do Código Penal Militar:
Código de Processo Penal Militar - Deserção
Art. 451. Consumado o crime de deserção, nos casos previstos na lei penal militar, o comandante da unidade, ou autoridade correspondente, ou ainda autoridade superior, fará lavrar o respectivo termo, imediatamente, que poderá ser impresso
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ou datilografado, sendo por ele assinado e por duas testemunhas idôneas, além do militar incumbido da lavratura.
§ 1º A contagem dos dias de ausência, para efeito da lavratura do termo de deserção, iniciar-se-á a zero hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do militar.
§ 2º No caso de deserção especial, prevista no art. 190 do Código Penal Militar, a lavratura do termo será, também, imediata.
Art. 452. O termo de deserção tem o caráter de instrução provisória e destina-se a fornecer os elementos necessários à propositura da ação penal, sujeitando, desde logo, o desertor à prisão.
Código Penal Militar - Desobediência
Art. 301. Desobedecer a ordem legal de autoridade militar:
Pena - detenção, até seis meses.
No processo administrativo disciplinar, os procedimentos penais acima descritos também admitem a aplicação do instituto da revelia, por estar no CPPM e a Lei Estadual nº 16.544/2010 permite subsidiariamente a aplicação do Código de Processo Penal Militar. Neste caminho, a revelia do acusado solto, positivado no CPPM em seu Artigo nº 412, consagra:
Será considerado revel o acusado que, estando solto e tendo sido regularmente citado, não atender ao chamado judicial para o início da instrução criminal, ou que, sem justa causa, se previamente cientificado, deixar de comparecer a ato do processo em que sua presença seja indispensável.
È transparente e clara a exposição na qual o Poder Judiciário tem conseguido distinguir as causas que, de fato, oportunizam a anulação do processo disciplinar das meramente protelatórias:
STJ - RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 18.846 - BA
(2004/0119450-1)
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. DEMISSÃO. PROCESSO DISCIPLINAR. OITIVA DE TESTEMUNHAS. AUSÊNCIA DOS ACUSADOS. PRESENÇA DO DEFENSOR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NAO- OCORRÊNCIA. DEFICIÊNCIA TÉCNICA DA DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. RECURSO ORDINÁRIO CONHECIDO E IMPROVIDO.
1. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, em processo administrativo
disciplinar, não há cerceamento de defesa se, embora sem a presença do
acusado, a oitiva de testemunhas é acompanhada pelo defensor.
2. Não obstante tenha sido alegado que a defesa se mostrou deficiente, os recorrentes não lograram demonstrar em que consistiu referida irregularidade, impedindo a análise da suscitada contrariedade aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
3. Recurso ordinário conhecido e improvido.
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Ministro Relator Arnaldo Esteves Lima. Brasília (DF), 24 de maio de 2005. grifo nosso
Portanto, quanto a ausência do acusado nestas situações, cabe destacar novamente o fundamental papel do militar estadual no desempenho de suas atribuições na Comissão Processante, principalmente nos apontamentos de Júnior (2011)
Não é fácil ser eficiente em qualquer atividade, seja para a pessoa física ou jurídica.
A eficiência será atingida quanto mais os responsáveis pela atividade
tenham a capacidade de “aparar arestas” que surjam com o transcorrer do tempo.
A sensibilidade de ver e corrigir equívocos, sempre direcionado para o
melhoramento da atividade que se desempenha. A eficiência é algo muito desejável, no entanto de difícil controle, dá-se a fluidez do seu conceito e entendimento. Eficiente é aquele que faz; é aquele que controla, é aquele que evolui; é aquele que se aperfeiçoa.
O gestor público eficiente deve buscar alternativas para solucionar os
percalços facilmente encontráveis no exercício das suas funções.
2.5. AUSÊNCIA DO ACUSADO E A NULIDADE DO PAD
Um PAD não deve ser compreendido como instrumento de punição, mas sim de esclarecimento da verdade sobre os fatos. A Constituição Federal garante ao acusado o direito de ampla defesa, sob pena de nulidade “processo administrativo sem oportunidade de ampla defesa ou defesa cerceada é nulo” (MEIRELLES et al., 2011, p. 742) Em caso de ausência de um advogado ou procurador do acusado durante as oitivas são motivos de nulidade. A não comunicação ao acusado sobre horários e locais das oitivas sim podem caracterizar cerceamento do direito de ampla defesa. O acusado pode ser informado e por vontade própria não comparecer.
Outra possibilidade em que se acredita o acusado poder alegar perseguição quando responde a um PAD, obviamente o acusado deverá provar formalmente sua afirmação sob pena de calúnia e difamação. Um PAD prevê o instrumento de ampla defesa. Se a ampla defesa for cerceada a penalidade poderá ser suspensa por nulidade no processo, bastando para isso a defesa escrita provar a tese do acusado. Contudo, um PAD possibilita o esclarecimento dos fatos e a ampla defesa, logo não se caracteriza a perseguição.
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Várias situações podem motivar solicitação de nulidade de um PAD pelo acusado ou seu advogado, para tanto evidenciamo-las: instauração decorrente de denúncia anônima; instauração de PAD sem precedente sindicância; Comissão integrada por servidor de cargo efetivo inferior ao acusado e que não trabalha com o tema em tela; portaria de instauração não indica nome do possível autor e o fato de que se o acusa; inclusão, na apuração, de fato que veio à tona já no curso do processo; portaria de instauração não foi publicada; falta de notificação, ao acusado, de objeto de deliberação; notificação como acusado sem indicar a irregularidade; manutenção da condição de testemunha, embora contraditada; não-designação de defensor ad hoc para acompanhar a diligência para a qual o acusado e seu procurador não compareceram; oitiva de testemunha sem prévia notificação à defesa; interrogatório do acusado realizado sem a presença de seu procurador; atos instrucionais realizados sem notificar o procurador do acusado; enquadramentos no termo de indiciação configuram pré-julgamento; indeferimento imotivado do pedido de oitiva e indeferimento da prerrogativa do advogado retirar processo da repartição.
Nesta vertente de nulidade de processo administrativo disciplinar em referência a ausência do acusado, geradora de sobrestamento dos trabalhos, quer seja pela instauração do incidente de insanidade mental ou pela simples apresentação de atestado médico, a comissão processante se vê diante de um impasse legal previsto no inciso II do artigo 7º da Lei Estadual nº 16.544/2010 (II - ter conhecimento e acompanhar todos os atos de apuração, instrução e julgamento;), portanto a ausência do acusado poderá gerar uma nulidade processual, caso seja cerceado o exercício da ampla defesa. Portanto, as nulidades devem ser destacadas caso a comissão processante deixe de observar algum procedimento formal durante os trabalhos de instrução, tais nulidades podem surgir. Para melhor estudo e aplicabilidade processual, dividem-se em duas as modalidades de nulidades: as absolutas que causam um prejuízo irreparável à defesa, não necessitando de avaliação e demonstração, ou seja, são insanáveis; e por segundo as nulidades relativas que necessitam de alegação e demonstração do prejuízo causado, ou seja, são sanáveis e podem ser objeto de convalidação, mediante aceitação expressa ou tácita da autoridade competente. Diante dos princípios do formalismo moderado e da verdade material, reitores do PAD, o simples fato de um ato ter sido realizado sem algum requisito formal não é, por si só, causa de nulidade. Para isto, é necessária que se comprove a ocorrência do prejuízo
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à defesa. Até mesmo no processo penal, o instituto da nulidade está associado à ocorrência de prejuízo (princípio do prejuízo).
3. METODOLOGIA
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Através de fontes secundárias, nas quais foram utilizadas os dados secundários existentes em bibliografia, sites e trabalhos já existentes que versam sobre os aspectos principais do tema. Neste artigo científico utilizaram-se da observância de metodologia de pesquisa científica, tais dados visam eminentemente, direcionar a investigação, sem, contudo ter o poder ou intenção de contaminá-la com as conclusões de seu autor. A coleta destes dados ocorreu de maneira a propiciar um melhor aproveitamento das diversas fontes selecionadas para basear o estudo, preconizado na Associação Brasileira de Normas Técnicas. Dentre os principais aspectos da pesquisa destacam-se a observância das características inerentes às Instituições Militares, tendo como tema de pesquisa os aspectos práticos do incidente de insanidade mental sob a égide da lei n.º
16.544/10.
Esta pesquisa é qualitativa e revisional, onde foi apresentado o posicionamento legal vigente também aproveitando o ensinamento de renomados doutrinadores. Dentre os principais aspectos práticos encontrados no Processo Administrativo Disciplinar, foi pontuada neste artigo: quando da motivação apresentada pelo acusado em estar com moléstias graves; as conseqüências em desconcerto pela ausência do acusado, que impedido por perícia médica, não comparece aos atos da instrução processual; o comprometimento dos trabalhos processantes no que tange aos prazos e; a possibilidade de procrastinação do processo precípuo quando da fundação de incidente de insanidade mental do acusado.
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4. CONCLUSÃO
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Faz-se necessário enfatizar que durante a análise destes dados para alicerçar este artigo, percebeu-se que esta pesquisa abrange um tema de tamanha sutileza, remetendo a pesquisa numa importante vereda quando trata de uma delimitação temática de caráter importante por abranger direitos e deveres positivados. Lembrando que o processo administrativo disciplinar é a maneira jurídica positivada investigar o servidor público que tenha transgredido os seus deveres funcionais. De forma transparente, foram percorridos os caminhos da legalidade, abrangendo o PAD e suas relações com os princípios da ampla defesa e do contraditório e seguidamente com o princípio da eficiência para o entendimento pedagógico desta pesquisa em artigo, Foram tratadas as pertinências e transtornos embaraçosos administrativos causados pela ausência do acusado, uma vez impossibilitado por perícia médica, não comparece aos atos da instrução processual, bem como, tal ausência durante o feito do processo em comento, causa possibilidades de nulidade deste processual, causando máculas e prejuízos ao acusado, à Comissão processante, aos defensores, à Instituição e
a própria ética da judicial. Administração Pública tem o poder e o dever de apurar irregularidades no serviço público, bem como de aplicar as devidas penalidades aos infratores e o processo administrativo disciplinar é o instrumento hábil, regulado pelo Direito Administrativo e pelas normativas constitucionais aplicáveis à espécie, visando apurar a ocorrência de tais irregularidades cometidas pelos servidores públicos no âmbito do Poder Público. Contudo, a falta de cautela da comissão processante em aplicar os princípios constitucionais basilares do contraditório e da ampla defesa, sob pena de nulidade dos atos praticados. O artigo 5º inciso LV, da Constituição Republicana de 1988, não admite a aplicação do princípio da verdade sabida, por estar expressamente declinada: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. É sabido que qualquer cidadão tem direito a ampla defesa e do contraditório dentro de um devido processo legal. Que a comissão encarregada de apurar as faltas deve ser imparcial, assim como o órgão julgador. A falta do devido processo legal invalida
o processo administrativo disciplinar.
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Não existe a necessidade de defesa ou defesa por advogado no processo administrativo, mas a lei também não faz menção a impedimento. O acusado pode formular sua própria defesa, constituir advogado ou ainda obter pela Organização um defensor dativo técnico, portanto, de qualquer maneira será garantirá a ampla defesa do acusado. Existem transtornos que comprometam os trabalhos processantes, quer sejam aos prazos inobservados, na procrastinação do processo precípuo quando da fundação de incidente de insanidade mental do acusado, no surgimento de uma imagem maculada da Administração Pública Militar, quanto ao princípio da ineficiência, ou ainda no desgaste dos membros da Comissão ou na sensação de impunidade à sociedade e aos integrantes da Corporação. O hábito que se tornou realidade na PMPR é a tentativa dos acusados procrastinarem o andamento dos processos, sob o argumento de que não teriam condições físicas ou psíquicas de responder ao processo, isto se irradiou à Vara de Auditoria da Justiça Militar, para tanto, o MM Juiz de Direito da Justiça Militar Estadual Dr. (Almeida, 2013) se manifestou nos ensinando que:
Militares que jamais tinham feito qualquer tratamento médico psiquiátrico e que nunca tinham agendado uma única consulta com psicólogo ou terapeuta, repentinamente, via de regra, após a instauração de ação penal militar ou de procedimento administrativo disciplinar, afirmam estarem sofrendo de moléstias graves. A conduta inadequada destes Militares (réus e indiciados) que argúem incidentes que sabem de planos improcedentes prejudica a Administração Pública em geral e a Administração da Justiça em especial.
Desta forma cabe ao Juiz de Direita da Justiça Militar ser bastante
criterioso na suspensão ou sobrestamento dos feitos, de modo que, garantindo o direito a ampla defesa, evite estratégias meramente protelatórias.
O réu deverá ser alertado ser alertado que em caso de não
comparecimento, a ação penal prosseguirá sem a sua presença.
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Por fim, o direito é uno, não obstante, possui regramentos em constante evolução. As súmulas buscam um entendimento único sobre os diversos julgados, orientando a decisão dos tribunais. Não podem ser feridos os princípios, porque são à base do ordenamento jurídico. O direito administrativo não foge à regra, possui princípios que orientam a Administração Pública de modo que a torne transparente. O militar estadual que realiza um PAD deve observar todo o ordenamento jurídico na busca cristalina da ordem e da plena justiça.
REFERÊNCIAS
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ALMEIDA, Davi P. de. Termo em Autos nº 2012.27406-7 , Vara de Auditoria da Justiça Militar do Estado do Paraná, fls 213, datado de 23 de julho de 2013.
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em:
Disponível
em: 14 dez. 2013.
Brasil, Controladoria-Geral da União, Correição – Perguntas Frequentes. Disponível <http://www.cgu.gov.br/AreaCorreicao/PerguntasFrequentes/Nulidades.asp#3>. Acessado em: 16 dez. 2013.
BRASIL. LEGISLAÇÃO. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Acesso em: 18 de outubro de 2013.
BRASIL. LEGISLAÇÃO. Código de Processo Penal Militar, decreto-Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. Acesso em: 20 de novembro
de 2013.
COSTA, José Armando da. Processo Administrativo Disciplinar. 6ª Edição. Forense. Rio de Janeiro 2011.
DI PIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
JÚNIOR, José Luiz Biora. O Princípio Constitucional da Eficiência em Face dos Processos Administrativos Disciplinares em Trâmite na CORREGEDORIA-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ. Monografia. Curso de Especialização em Gestão Pública – 1ª Edição. Curitiba 2011. Universidade Estadual de Ponta Grossa – NUTEAD, em parceria com a Universidade Aberta do Brasil 2011. p. 13.
MARTINS, E. P. Direito Administrativo Disciplinar e Militar e sua processualidade . São Paulo: Editora de Direito Ltda, 1996MEIRELLES, Hely Lopes; et al. Direito administrativo brasileiro. 37. ed. São Paulo: Malheiros, 2011.
MOREIRA, Egon B., Processo Administrativo: Princípios Constitucionais e a Lei 9.784. 4ed. São Paulo: Malheiros, 2010.
PARANÁ. Lei número 16.544 do Estado do Paraná, de 14 de julho de 2010.
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PRÜSSE, Adilson L L; Os transtornos administrativos causados pela ausência do acusado que impossibilitado por perícias médicas, não acompanha a instrução dos processos administrativos disciplinares da Lei Estadual nº 16.544/2010. Artigo científico apresentado Curso de Pós-Graduação – Lato Sensu – Especialização em
Direito Administrativo Disciplinar, realizado pela Universidade Tuiuti do Paraná - UTP,
2012.
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