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I Seminário dos Estudantes de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Estado do Rio de

Janeiro
Rio de Janeiro 28 de novembro a 02 de dezembro.

Os (Des)Caminhos da Social-Democracia Européia

Tássia Rabelo1

Resumo Breve

Considero que, a despeito da cada vez mais disseminada percepção de que não há
diferenças significativas entre esquerda e direita, a posição no espectro ideológico segue
sendo uma variável válida para compreendemos a política.

Parto da ideia de que as transformações sociais e econômicas ocorridas ao longo do


século XX tiveram impacto sobre as ideologias de esquerda e direita, e que, portanto, não
podemos trabalhar com um modelo estanque de social-democracia. Nesse sentido
pretendo propor a divisão da social-democracia em três fases e a partir disso discutir as
perspectivas da esquerda democrática no atual cenário internacional.

Palavras-chave: social-democracia, revolução, reforma, globalização, terceira via.

Introdução

Nos dias de hoje a percepção de que não há diferenças significativas entre os


partidos políticos, entre esquerda e direita, tem ganhado espaço. Após a queda do Muro
de Berlim e da dissolução da União Soviética, teorias como a do “Fim da História”
(Fukuyama 1992), que defende a tese de que não há mais alternativa política ao
liberalismo, se multiplicaram.
Apesar das fortes críticas que a tese de Fukuyama sofreu ao longo das últimas
décadas, a ideia de que vivemos um momento histórico em que não há mais ideologias

1
IESP-UERJ. Mestranda em Ciência Política. Agência financiadora CNPQ. E-mail: tassiaacad@gmail.com

1
foi e ainda é bastante discutida e disseminada. Experiências social-democratas como a de
Mitterand na França e de Felipe González na Espanha (Anderson e Camiller 1994), são
utilizadas como exemplos de que, indiferente da autodenominação no espectro político e
da corrente de pensamento que determinado partido se afilia, quando estes chegam ao
governo, suas decisões não diferem em grande grau das de partidos de natureza mais
conservadora.
Considero que a posição no espectro ideológico ainda é uma variável válida para
compreendemos a política e que apesar dos constrangimentos que o aprofundamento da
globalização tem imposto aos governos nacionais, ainda existe margem de atuação do
Estado. A política interna dos países, mesmo em tempos de União Européia, não é
completamente determinada por organismos internacionais e pelo mercado global.
Parto da ideia de que as transformações sociais e econômicas ocorridas ao longo
do século XX tiveram impacto sobre as ideologias de esquerda e direita, e que, portanto,
não podemos trabalhar com um modelo estanque de social-democracia. Nesse sentido
pretendo propor a divisão da social-democracia em três fases e a partir disso discutir as
perspectivas da esquerda democrática no atual cenário internacional.

As Três Fases da Social-Democracia

O termo social-democracia é utilizado de diversas maneiras, e carece de precisão.


Considero que isso se dá devido ao fato de que um mesmo conceito é usado para definir
posicionamentos políticos bastante diversos e que se diferenciam ao longo do tempo.
Visando situar melhor o sentido da palavra social-democracia, proponho diferenciá-la em
três fases: Revolucionária, Socialista Evolucionária e Terceira Via.
Ao propor uma análise sobre as alterações do significado da social-democracia
desde seu surgimento até os dias hoje, considero que a social-democracia não se trata de
um improviso surgido a partir da impossibilidade de realização do socialismo, e sim um
sistema com bases conceituais próprias construídas em diálogo com suas teorias
fundacionais, bem como com o debate travado com seus opositores.
O objetivo aqui não é focar nas experiências específicas de cada partido, mas
ainda assim considero necessário destacar que, tratando-se de um fenômeno presente em

2
vários países, a social-democracia apresentou importantes diferenças em âmbitos
nacionais.
O Partido Trabalhista inglês, por exemplo, desde sua fundação optou pela via
parlamentar, e, portanto não vivenciou os controversos debates realizados no SPD
alemão2 e em outros partidos europeus sobre essa questão (Minkin e Seyd 1977). Nos
países escandinavos encontramos a maior sequência histórica de governos social-
democratas, bem como o estabelecimento de um amplo sistema de bem-estar social3; na
França, Espanha e Portugal os partidos socialistas só chegam ao poder após as crises do
petróleo, diminuindo assim sua margem de ação. Pretendo discutir as características mais
gerais da social-democracia, no entanto cito esses casos para demonstrar que estas podem
ser matizadas em análises mais detidas sobre as experiências de cada país.
Apesar de sua atuação não ter se mantido estática ao longo dos tempos, algumas
características comuns aos partidos social-democratas podem ser encontradas, com maior
ou menor prevalência, nessas três fases e em toda a Europa. Focarei em três dessas
distinções.
A primeira delas é a forte relação entre partido e sindicato. Muitos partidos
social-democratas surgem juntamente com a formação das centrais sindicais, e ao longo
do tempo, estando esses partidos dentro ou fora dos governos, seguem mantendo relações
intrínsecas com a classe trabalhadora organizada.
Outro ponto central para a social-democracia em qualquer país é a defesa da
igualdade entre os cidadãos, não apenas formal, como propõe os liberais, mas substancial.
Não basta que o ponto de partida seja o mesmo, é necessário que os resultados também o
sejam. Essa concepção teve consequências diretas sobre os governos social-democratas,
que primaram pela correção das desigualdades distributivas através da implementação de
políticas de bem-estar social, como previdência social, saúde e educação pública.
A ideia-força dos governos social-democratas é o que Esping-Andersen (1985)
denomina de desmercantilização das relações sociais. Uma concepção de política social
que não visa apenas servir como meio de proteger o beneficiário de situações de risco
extremo, mas sim reconfigurar a correlação de forças entre individuo e mercado,

2
Sozialdemokratische Partei Deutschlands (Partido Social-Democrata Alemão).
3
Ibdem: Anderson e Camiller.

3
possibilitando, através da garantia do Estado de subsistência digna, que este indivíduo
não necessite se submeter a qualquer situação de trabalho.
Por fim, se para os liberais ou conservadores o central para o governo é manter a
economia estável, para os social-democratas a questão capital é a manutenção do
emprego. Nesse sentido, diante de uma situação em que se faz necessário escolher entre
taxas de inflação baixas e taxas de emprego altas, um governo social-democrata primará
pela manutenção do emprego.

A Social-Democracia Revolucionária

Os partidos social-democratas europeus iniciam sua trajetória a partir da segunda


metade do século XIX. No ano de 1989 passam a se organizar na II Internacional
Socialista4, fundada no Congresso Internacional de Trabalhadores na França
(Tragtemberg, 1986). A diversidade ideológica dos partidos membros dessa organização
é grande, e pode ser visualizada em conflitos que se farão presentes até a sua dissolução
em 1914.
No final do século XIX e início do XX, algumas tendências antagônicas começam
a ganhar força no interior dos partidos social-democratas e da II Internacional. O
principal e mais acalorado debate travado naquele momento era sobre os rumos da social-
democracia, se esta deveria buscar o socialismo por meio da via revolucionária ou
reformista. Quatro expoentes dessa discussão foram: Lênin, Kautsky, Rosa Luxembrugo
e Bernestein.
Lênin (1905, 1917), membro do Partido Operário Social-Democrata Russo, via no
Estado a institucionalização da dominação de classe da burguesia sobre o proletariado.
Em decorrência desta concepção afirmava que a disputa do Estado não poderia servir
como instrumento de superação do sistema capitalista, fazendo-se necessária a revolução.
Não considerava a via parlamentar como possibilidade de resolução dos problemas
centrais dos trabalhadores, e apresentava a necessidade de inversão do sistema através da
ditadura do proletariado. Para Lênin esta seria a democracia do povo, em que a minoria

4
A I Internacional Socialista foi criada em 1864, mas subsistiu apenas até 1876, sendo que em 1872 já
havia se dado seu grande racha com a expulsão de Bakunin. Nessa organização os anarquistas se
organizavam juntamente com os socialistas, sendo este um dos principais motivos para a sua dissolução.

4
que antes oprimia e explorava a classe trabalhadora teria sua liberdade cerceada para que
a maioria fosse livre. A democracia irrestrita só seria possível com a abolição do Estado e
das classes sociais.
Karl Kautsky (1979), herdeiro de Engels e membro do Partido Social-Democrata
Austríaco, revê o conceito de ditadura do proletariado de Marx e propõe a defesa da
democracia como forma de libertação da classe trabalhadora: “Um regime que conta com
o apoio das massas só empregará a força para defender a democracia, e não para
aniquilá-la. Ele cometeria verdadeiro suicídio se quisesse destruir seu fundamento mais
seguro: o sufrágio universal, fonte profunda de poderosa autoridade moral”.
Rosa Luxemburgo (Macedo e Rotolo 2006), que considerava a via parlamentar
factível, criticava o SPD alemão por perder o horizonte revolucionário, e a social-
democracia russa pelo seu centralismo e sua concepção de vanguarda desenvolvida por
Lênin5. Em Luxemburgo encontramos a possibilidade de conciliação entre reforma e
revolução, sendo a primeira o meio e a segunda o fim.
Eduard Bernstein (1997) é visto como o grande expoente do revisionismo social-
democrata. Apresentou uma releitura da obra de Marx em que discordava da ideia de
falência do capitalismo em razão de suas crises recorrentes e propunha a via parlamentar
como forma de conquistar o socialismo.
Przeworski (1989) afirma que os partidos social-democratas são aqueles que
possuem origem socialista e marxista, e que iniciam entre o final do século XIX e o início
do XX um debate sobre sua participação ou não na democracia liberal. Desde os debates
travados no âmbito da I Internacional, os socialistas defendiam em contraposição aos
anarquistas, a necessidade da ação política e da organização da classe trabalhadora em
partidos políticos. Com o passar dos anos a discussão e a cisão com o movimento
anarquista tornou-se ainda mais profunda, pois os socialistas optaram por utilizar-se dos
instrumentos da democracia liberal e pela reforma do capitalismo, ainda que sem perder
de vista a necessidade de superação do sistema capitalista.
Przeworski relata que em um primeiro momento a escolha por participar não
esteve relacionada com a ocupação de cargos no Parlamento, e sim como uma forma de

5
Rosa Luxemburgo considera que no processo revolucionário as massas aprenderão com as experiências e
não necessitarão ser tuteladas por uma minoria esclarecida do partido

5
fazer propaganda do seu ideário e de obter informações sobre a correlação de forças, mas
que com a ampliação das votações da social-democracia em toda Europa, a possibilidade
de chegar ao socialismo pela via democrática começou a ser debatida.
Nesta nova configuração, uma das lutas centrais dos socialistas passa a ser pela
ampliação do sufrágio, pois de acordo com os prognósticos marxistas do processo de
proletarização em curso, bastava garantir a classe trabalhadora o voto, para que esta
optasse pelos partidos social-democratas e, por conseguinte pelo socialismo. A dúvida
que pairava era se a burguesia respeitaria as regras do jogo se este fosse vencido pelos
socialistas.
Nesse sentido, alguns teóricos, dentre eles Kautski, construíram a argumentação
de que seria possível a conquista do socialismo por meio da via democrática, mas que, se
diante de uma situação de vitória a burguesia tentasse impedir que a classe trabalhadora
tomasse o poder estaria aberta a possibilidade de revolução.
Até a I Guerra Mundial, os debates entre reforma e revolução seguem sendo
travados. Não há consenso dentro da II Internacional de que o mecanismo revolucionário
deveria ser descartado. Em 1914, diante da posição dos socialistas reformistas de apoiar
seus respectivos governos nacionais na guerra, a II Internacional se dissolve. Os
socialistas revolucionários vêem no apoio a guerra por parte dos reformistas uma traição
do princípio de que os trabalhadores de todas as nações deveriam unir-se na derrubada do
capitalismo. Após esse momento os socialistas reformistas mantêm o nome de social-
democratas, enquanto os socialistas revolucionários começam a chamar a si mesmos de
comunistas e formam a III Internacional (Comintern).
Mesmo após a dissolução da II Internacional, o debate entre os social-democratas
sobre participar de governos se manteve envolto em controvérsias. A opção definitiva
pela via parlamentar como instrumento exclusivo de luta só veio a se consolidar no pós-
crise de 1929.

Socialismo Evolucionário

“As camadas inferiores da classe média de outrora, os pequenos


industriais, pequenos comerciantes e pessoas que possuem rendas,

6
artesãos e camponeses, caem nas fileiras do proletariado. (...) Assim, o
proletariado é recrutado em todas as classes da população” 6

Denomino a segunda fase da social-democracia como Socialismo Evolucionário


em razão da obra do alemão Eduard Bernestein, que foi um divisor de águas entre a fase
Revolucionária da social-democracia e a que seria hegemônica ao longo de grande parte
do século XX.
Bernstein discute algumas proposições do marxismo atacando pontos fulcrais de
suas teses. No que se refere ao materialismo histórico afirma que além dos fatores
econômicos existem outros que são determinantes para os fenômenos sociais.
Posteriormente sua tese se confirma quando, após o sufrágio universal, parte do
proletariado passa a definir seu voto a partir de outros pertencimentos, como por
exemplo, a religião, ao invés de a partir de sua situação de classe.
Em sua obra Bernestein apresenta a tese de que não seria necessária uma
revolução para se chegar ao socialismo. Discorre sobre a possibilidade de mudanças
pontuais como alternativas a perda de energia e vidas que uma revolução engendra.
Enxerga no voto um caráter libertador e defende que a flexibilidade das organizações
sociais liberais permite que elas sejam utilizadas para a transformação da sociedade,
rumo ao socialismo. Vai além em sua formulação ao estabelecer a democracia como uma
condição para o socialismo. Suas teses buscam a legitimação do Parlamento como arena
de luta para ampliação dos direitos da classe trabalhadora.
Lênin crítica essa visão ao reafirmar a necessidade de destruir o Estado burguês
diante da percepção de que o Parlamento não passa de uma fachada democrática na qual
o poder não está depositado de fato.
Kautski, por outro lado partilha da posição de que os socialistas ganhariam a
eleição quando o processo de proletarização da população preconizado por Marx se desse
e o sufrágio universal fosse alcançado. Como dito anteriormente, para ele a revolução só
seria plausível se os burgueses não aceitassem a vitória do proletariado e tentassem dar
um golpe na democracia.

6
(Marx e Engels 1848)

7
Bernestein percebe que a proletarização não ocorreria, e apresenta a possibilidade
de mudanças pontuais como alternativa a revolução, surgindo daí a visão de que a social-
democracia trata-se de um movimento reformista, ainda que em sua origem não o fosse.
A visão reformista defende que cada alteração concreta da vida dos trabalhadores
no presente trata-se de uma etapa cumulativa rumo ao socialismo. A ideia de que a
burguesia produzia seus próprios coveiros ainda estava presente, só que nesse caso
através do sistema eleitoral. As concessões feitas pelos capitalistas levariam a revolução
social.
A passagem da fase Revolucionária para a Socialista Evolucionária não se dá
apenas com a dissolução da II Internacional, trata-se de um processo longo em que cada
passo traça o caminho para o seguinte e leva a perda do horizonte socialista como temia
Luxemburgo.
Em um primeiro momento a social-democracia deixa de lado seu viés
revolucionário, e passa defender que a revolução só é necessária quando se vive em uma
situação de despotismo, pois nesse caso não há informações sobre correlação de forças.
Optam pela mudança lenta, porém segura, através da via eleitoral.
Esses partidos passam a disputar as eleições com o claro objetivo de se tornar
governo, e a partir disso construir o socialismo. No entanto percebem que seus resultados
eleitorais, na maioria dos casos crescentes desde praticamente o início de sua
participação, chegam ao seu ponto de saturação, e que este não é o tão sonhado 50 por
cento mais um. A classe trabalhadora não se torna a maioria7.
A partir deste duro diagnóstico os partidos social-democratas optam por ampliar
seu apelo a outros setores da sociedade. O problema central não se localiza na busca por
alianças, pois isso já era previsto no debate travado em torno da legitimação da arena
eleitoral como possível forma de emancipar a classe trabalhadora, e sim na consequência
não prevista do apelo pluriclassista. Este passa a reforçar o apelo universalista dos
opositores da social-democracia, possibilitando que os integrantes da classe trabalhadora,
agora recrutados com o chamado geral de “povo”, não necessariamente continuassem a
se identificar como proletariado.

7
Ibdem: Przeworski.

8
A estratégia eleitoral social-democrata entra em contradição com a forma que
estes encontravam de impedir a competição intra-classe. Apenas com a disseminação da
ideia de que os trabalhadores não eram indivíduos, mas um grupo com interesses comuns
entre si e antagônicos com relação burguesia, que o proletariado poderia superar suas
diferenças internas, se fortalecer, agir e votar de forma coesa. Ao serem reconhecidos de
forma genérica como povo, outras formas de pertencimento passam a influenciar seu
voto, reduzindo assim a capacidade de mobilização dos partidos social-democratas entre
os trabalhadores.
Para além, a coalizão com a classe média, trabalhadores não-manuais e pequenos
proprietários rurais só foi possível a partir de uma moderação do programa, o apelo
pluriclassista tornou obsoleta a ideia de tomada do poder por uma classe. O cenário se
alterou, e os partidos perceberam que mesmo que obtivessem uma maioria sua base já
não lhe daria mais o mandato para o socialismo, nesta esteira perde-se a proposta de
socialização dos meios de produção. A democracia passa a ser meio e fim.
Se antes as reformas sociais eram vistas como conciliáveis com o socialismo que
viria no futuro, e mesmo como uma forma de se chegar a este, com a constatação de que
o socialismo não seria alcançado, estas se tornaram o único patrimônio dos social-
democratas. A partir da adesão, e criação de ideias próximas ao Keynesianismo e o
Estado de bem-estar social, passam a considerar que é possível distribuir a riqueza sem a
necessidade de estatização.
A partir do pós-II Guerra Mundial, inicia-se o que Hobsbawn (1994) denomina de
Era de Ouro. O Estado passa a assumir um papel que iria para além do de regular as
transações econômicas, e os social-democratas percebem que podem influenciar na
alocação de recursos dos capitalistas através de sua atuação no governo e melhorar a vida
do trabalhador. Dessa forma, a social-democracia produz de maneira sólida os direitos
sociais, e seus governos nesse período são caracterizados por políticas fiscais
expansionistas e de Welfare State em geral, como seguro desemprego, programas de
transferência de renda, previdência social, entre outros.
Os social-democratas se abraçam ao Estado de bem-estar social como seu novo
projeto de longo prazo, indo além da noção liberal de política social voltada apenas para
aqueles que estão em situação de vulnerabilidade extrema. Expandem os direitos sociais,

9
visando o alcance de padrões de vida médio e redução da desigualdade e dessa forma
remodelam a função do Estado.

A Terceira Via

Atualmente a social-democracia enfrenta forte crise de credibilidade nos países


em que governou. Na França e Alemanha, por terem aderido a políticas neoliberais; na
Espanha e Portugal por questões correlatas que se agravam diante de uma intensa crise
financeira. A já citada percepção de que não há mais diferença entre partidos e governos
social-democratas e conservadores ou liberais se aprofunda diante disso.
Não partilho da ideia de que o contexto político determina as ações dos atores,
mas considero que este pode influenciar em grande medida a tomada de decisões. Há
grandes diferenças entre ser um governante social-democrata antes e depois da década de
1970, pretendo focar em algumas delas.
As crises do petróleo de 1973 e 1979 e as mudanças estruturais na economia
global pavimentaram o caminho para a hegemonia neoliberal das décadas de 1980 e
1990, bem como para a mudança de rumos vivenciada pelos partidos social-democratas
no período em questão.
Instabilidade, crise, perda de referências, essas são palavras que resumem o
mundo pós-1973. O mundo descrito por Marx (Marx and Engels 1848,12:), em que o
desenvolvimento da indústria aumenta o número de proletários, os concentra e dessa
forma permite o crescimento de sua força e consciência de classe; em que a máquina, e os
baixos salários extinguem as diferenças entre os trabalhadores, caminha para o
desaparecimento.
Um dos motivos centrais para essas mudanças foi de ordem tecnológica. O
modelo fordista foi substituído pelo toyotista, cuja principal característica é a produção
orientada ao mercado. A maior flexibilidade desse modelo possibilita a redução de
estoques que por sua vez reduz os custos através de uma série de medidas como a
redução da mão-de-obra. Com o sistema “Just in Time”, grandes fábricas abarrotadas de
trabalhadores deixaram de ser necessárias, resultando em desemprego estrutural em
massa, competição intra-classe e diminuição do poder de barganha dos sindicatos.

10
Para além desse fator, a integração do mercado mundial em um contexto em que
os países produzem mercadorias similares, levou os governos a terem que se debruçar
sobre formas de ampliação do seu grau de competitividade internacional.
O processo de internacionalização fez com que choques econômicos provenientes
do exterior passassem a ser mais completa e rapidamente traduzidos para a economia
doméstica, influenciando assim o surgimento de crises políticas internas que teriam
capacidade de reformular as políticas nacionais e as instituições. Dessa maneira a
internacionalização passou a afetar a autonomia das escolhas políticas dos governos,
minando a eficácia de algumas de suas políticas como as de proteção da indústria
nacional e de endividamento da máquina pública com vistas a investimento no setor
produtivo e ampliação da rede de proteção social. (Barkin, Keohane e Milner 1996).
No que se refere às relações de trabalho, a globalização aumentou a elasticidade
da demanda por mão-de-obra, pois os serviços prestados pelos trabalhadores passaram a
ser mais facilmente substituídos pelo de outras pessoas que residem no mais diversos
lugares do mundo (Rodrik 1997).
Em meio a uma crise que gerou a até então desconhecida estagflação, vieram à
tona no mundo desenvolvido problemas que pareciam em vias de ser superados nesses
países. O aumento drástico da desigualdade social e pobreza, combinados com a pressão
externa para a redução continua do valor da mercadoria e enxugamento dos gastos
estatais, criou uma situação em que as soluções para esses problemas não pareciam
visíveis no curto prazo. Um dos principais resultados foi uma homogeneização das
políticas macroeconômicas.
Por historicamente centrarem sua atuação em políticas fiscal e monetária
expansionistas que visam o pleno emprego, as preferências dos governos social-
democratas tenderam a ser mais afetadas do que as de governos de direita pelos
constrangimentos causados pela interdependência econômica.
Apesar disso, a mudança das estratégias econômicas da social-democracia não se
deu do dia para a noite. Durante a década de 1970, a crença de que esta se tratava de mais
uma crise passageira fez com que os governos social-democratas, presentes em grande
parte dos países capitalistas avançados, não abandonassem as políticas sociais e
econômicas que vinham implementando nas últimas três décadas. Estes seguiram

11
afirmando que, a tríade pleno emprego, altos salários e investimento estatal em políticas
de bem-estar, geraria demanda de consumo e possibilitaria o crescimento. No entanto,
sucessivos fracassos demonstraram que as respostas da social-democracia a redução do
ritmo econômico não eram suficientes.
Diante da crise do Keynesianismo e do modelo de Estado como provedor, a
conclusão foi de que o Estado deveria se adaptar as novas condições globais e a esquerda
encontrar um caminho alternativo, o mais disseminado desses é conhecido como Terceira
Via.
No início da década de 1990, em meio à recente queda do Muro de Berlim e após
vinte anos de governo Thatcher, o Partido Trabalhista inglês se utilizou dos excessos
cometidos por ambos os lados para propor uma via alternativa ao radicalismo de esquerda
e de direita. Apresentou uma social-democracia que dizia ser renovada, realista e
racional. Que poderia reunir os ganhos materiais do capitalismo e sociais dos valores
socialistas, e dessa maneira formar um novo consenso que desvinculasse a ideia de justiça
da noção de igualdade social e afirmasse a prioridade da iniciativa individual como
instrumento de progresso coletivo. Esse novo tipo de social-democracia passava a
reconhecer o capitalismo, a economia de mercado, e a empresa como criadora de riqueza,
apresentando o consenso, e não mais a luta de classes, como mecanismo privilegiado da
vida política.
No que se refere ao Estado, a Terceira Via propunha uma reorientação do
investimento social de forma tal que pudesse haver um equilíbrio entre responsabilidade
social e coletiva, substituindo o conceito de Estado de bem-estar pelo de sociedade de
bem-estar. Em outras palavras, defendia que o Estado deixasse de pagar benefícios
diretos e investisse em capital humano através da parceria com empresas e com o terceiro
setor que passariam a ser responsáveis por setores como saúde, educação e a formação de
mão-de-obra.
Os resultados eleitorais desse novo programa vieram. Anthony Blair foi eleito
primeiro ministro da Inglaterra em 1997, ficando no cargo durante dez anos, e Gerhard
Schröder, com sua proposta de Novo Centro, conseguiu em 1998 a vitória na Alemanha.

12
Em junho de 1998, Blair e Schröder lançaram um documento8 conjunto
conclamando os partidos social-democratas europeus à Terceira Via. Em síntese o texto
apresenta a necessidade de adaptação dos valores da social democracia à conjuntura atual
e aos desafios do século XXI. Consideram que o retorno da credibilidade a social-
democracia naquele momento se dava pela capacidade que esta demonstrava em
modernizar seu programa, dando suporte não apenas a justiça social, mas também ao
dinamismo econômico e a inovação.
Outros líderes importantes também aceitaram o convite de Blair e Schröder para
participar da reunião em Florença que é tida como um marco da Terceira Via. O então
presidente dos Estados Unidos Bill Clinton; Lionel Jospin, primeiro ministro da França
entre 1997 e 2002 e membro do Partido Socialista Francês; Massimo D´Alema, primeiro-
ministro da Itália entre 1998 e 2000 e membro do Partido Comunista Italiano; Fernando
Henrique Cardoso, presidente do Brasil entre 1994 e 2002 e Ricardo Lagos, membro do
PS chileno que viria a ser presidente do Chile em 2000.
Passado o entusiasmo do primeiro momento, a Terceira Via parece ter tido vida
curta. Atualmente, apenas os Estados Unidos é dirigido por um integrante de um partido
que demonstrou afinidades com esse ideário, mas que não faz referências ao seu
programa. Em toda a Europa seus líderes foram derrotados eleitoralmente, e na América
do Sul o Partido da Social Democracia Brasileira perdeu pela terceira vez seguida as
eleições presidenciais brasileiras de 2010, e a Concertación de Ricardo Lagos sofreu uma
importante derrota nas eleições no ano passado após quase duas décadas no poder.
Atualmente pouco se fala na Terceira Via como uma alternativa a crise vivenciada pela
social-democracia na Europa, e na América Latina, novos caminhos se apresentam para a
esquerda.

Social-Democracia Pós-Crise de 2008: Há Saída para a Esquerda?

“Desintegração social não é como um daqueles espectadores de esporte


a margem do campo que também fica molhado com a lama. Em última

8
(Blair and Schroeder 1998)

13
análise, o aprofundamento das fissuras sociais pode prejudicar a todos”
9
.

Estamos em um momento nebuloso. Diante da eclosão da maior crise do


capitalismo nos últimos 30 anos - cujas consequências ainda não foram superadas como
um todo -, da emergência de governos de esquerda na América Latina e das seguidas
derrotas eleitorais na Europa, fica a questão: para onde caminha a social-democracia?
Em 2009, nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, os partidos membros
do Partido Socialista Europeu foram derrotados em quase todos os países, diminuindo sua
bancada de 200 para 161 membros em um universo de 736 cadeiras. Tanto nas eleições
internas dos países europeus quanto nas do Parlamento Europeu chama atenção os
crescentes índices de abstenção10. Líderes políticos defendem que a diminuição da
votação da social-democracia está diretamente relacionada a esse fenômeno. Não se
tratando, portanto de um crescimento da direita, mas da diminuição da social-democracia
em razão da recusa de seus eleitores em comparecer as urnas. De uma forma ou de outra
a esquerda européia demonstra a cada eleição que não está conseguindo lograr resultados
positivos.
Com a consolidação da União Européia tem aumentado a dificuldade dos países
membros para manter políticas sociais diferentes das dos seus parceiros econômicos, a
margem de manobra dos governos tem diminuído no sentido do aumento da integração.
Diante dessa situação, a ambivalência dos partidos socialistas e social-democratas com
relação à União Européia é apresentada como um dos motivos dos recentes fracassos
eleitorais (Hillebrand 2009).
A crise de 2008, que pareceu a muitos uma janela de oportunidades para
esquerda, se revelou bastante dura para esses partidos. Por um lado, os partidos social-
democratas não foram vistos pelos eleitores como aqueles que teriam mais capacidade de
lidar com a crise. Por outro, foram co-responsabilizados pela crise por terem
implementado em vários países reformas de cunho neoliberal e colaborado com a
desregulamentação do mercado financeiro.
9
Ibdem Rodrik. Tradução da autora.
10
Em 2009 apenas 47% dos eleitores compareceram as eleições do Parlamento Europeu; em Portugal 53%
dos eleitores não compareceram as urnas em janeiro de 2011 para as eleições presidenciais, e 41% dos
aptos não votaram nas eleições legislativas deste mesmo país em junho.

14
Apesar da responsabilidade em algumas áreas ser compartilhada, é possível dizer
sem muito risco de incorrer em erros, que os partidos de direita são os “pais legítimos” da
crise. Ainda assim o eleitor parece punir mais severamente as escolhas social-democratas.
O discurso de alternativa ideológica do pós-crise não pareceu convencer eleitores que na
França viram o governo socialista de Jospin promover o maior número de privatizações
da história do país; na Inglaterra o governo trabalhista focar na regulação mínima das
finanças e ainda apresentar argumentos falaciosos para apoiar a Guerra do Iraque; bem
como na Alemanha, Schroeder e sua “Agenda 2010”, proporem cortes de benefícios a
desempregados, reforma na previdência e na legislação trabalhista.
Ao se aproximar da direita os partidos social-democratas europeus perderam
credibilidade. A opção dos eleitores por ficar em casa ao invés de ir votar pode estar
ligada a percepção de que os conservadores e liberais não são a melhor opção, mas
também que os social-democratas já não são mais confiáveis, ou que não se pode mais
localizar com segurança seus posicionamentos políticos.
Os casos emblemáticos da perda de credibilidade da esquerda diante de sua
atuação entre fins da década de 1990 e início da de 2000 foram os resultados amargados
pelo Partido Trabalhista Inglês e o SPD. O primeiro ficou em terceiro lugar nas eleições
do Parlamento Europeu, pior resultado eleitoral deste partido desde 1918, e o segundo
obteve 21% dos votos, sua menor votação desde a II Guerra Mundial11.
Novamente a esquerda européia se encontra em uma encruzilhada histórica.
Necessita repensar seu programa, para dessa forma reencontrar seu eleitorado.
Alternativas como a Terceira Via já foram descartadas, mas o retorno a um social-
democracia mais tradicional também não parece ser uma resposta. O desafio é recuperar a
credibilidade, trazer de volta os valores de equidade e solidariedade, bem como dar conta
de novos temas como a questão ambiental que vem sendo debatida com sucesso pelos
partidos verdes europeus, e o problema da migração.
Não há espaço vazio na política, os eleitores “perdidos” da social-democracia
logo serão mobilizados por outras ideias. Uma das tarefas das agendas da social-
democracia poderia ser a de garantia da cidadania dos imigrantes. Estes que no momento

11
Nas eleições nacionais de 2009 na Alemanha, o SPD foi novamente derrotado, mas dessa vez com 11% a
menos de votos do que em 2005.

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são os que integram os setores mais vulneráveis da Europa podem estabelecer vínculos
duradouros com a social-democracia se esta obtiver sucesso em transformá-los em
cidadãos, bem como protegê-los das crescentes ondas de ataque da extrema-direita. O
desafio é enorme, e mais uma vez não parece encontrar saída na social-democracia12.
Garret (1998) defende que as novas clivagens do capitalismo combinadas ao
aumento do risco, surgem não como um entrave a atuação da social-democracia, mas sim
como um caldo cultural para políticas que visem a proteção social dos mais vulneráveis e
uma maior regulamentação das transações econômicas.
A realidade política latino-americana é um bom exemplo de que a deterioração
das condições de vida, flexibilização do trabalho e crescente vulnerabilidade dos mais
pobres pode ser um oportunidade para a alteração da correlação de forças.
Na América Latina temos presenciado a ascensão de governos esquerda em
muitos países, e são bastante nítidas as diferenças entre esses governos e os que os
precederam. No caso do Brasil, o Partido dos Trabalhadores está em seu nono ano de
governo e implementou uma série de políticas que poderiam ser caracterizadas como
social-democratas e guardam grandes diferenças com relação a ofensiva neoliberal
preconizada pelos governo do PSDB e de Fernando Collor.
Podemos aproximar os governos progressistas latino-americanos das experiências
da social-democracia européia em relação ao fato de que ambos visam à redução das
desigualdades, bem como a promoção da cidadania dentro de contextos econômicos de
mercado e da democracia representativa. No entanto, o contexto histórico e os objetivos
são bastante diferenciados.
Os dilemas de um governo social-democrata na América do Sul são de natureza
bem mais profunda, a miséria, informalidade e fragmentação sindical colocam novos
desafios aos políticos. A miséria se apresenta como um problema prioritário, pois não há
concepção de justiça social sem superação de miséria estrutural. Nesse contexto o Estado
precisa se preocupar em evitar crises macroeconômicas, pois este não pode deixar de
arrecadar diante de tal situação de urgência. O reflexo disso pode ser visto na política

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Partidos de esquerda na Europa estão tendo dificuldade em se posicionar diante do problema da
imigração. O SPD, por exemplo, descontinuou os procedimentos de expulsão de Thilo Sarrazinm, um
conhecido defensor de teorias relacionadas ao Darwinismo-social e escritor de um livro que defende a tese
de que os muçulmanos apresentam deficiência genética de cognição, e que devem ser implementadas lei de
restrição a imigração na Alemanha.

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econômica dos países governados pela esquerda na América do Sul que pouco diferem da
dos seus antecessores.
Tal característica, que não se limita aos casos sul-americanos, é debatida por
Iversen (2005). Este defende que no âmbito econômico as políticas implementadas por
partidos de esquerda e de direita convergem, e que atualmente o que diferencia os social-
democratas de outros partidos mais a direita no espectro político são os investimentos em
capital fixo (infra-estrutura) e humano, e a manutenção do gasto social através da
ampliação da carga tributária. Afirma que partido liberais ou conservadores tem
demonstrado que quando estão no governo reduzem a carga tributária, os encargos
trabalhistas e transferem a responsabilidade do treinamento da mão-de-obra para a
iniciativa privada.
Nenhum país pode escapar dos efeitos da dramática mudança no padrão de trocas
da economia mundial, mas o grau de abertura de uma dada economia depende também de
escolhas realizadas no ambito nacional. O impacto da economia mundial sobre os países
não é uniforme, demonstrando . Diferenças na dotação de fatores, funcionamento da
instituições políticas nacionais e as estratégias dos líderes produzem diversas respostas
nacionais as tendências internacionais.
A opção feita por governos de esquerda na América Latina em focar suas
atuações na distribuição de renda, na manutenção e ampliação das prerrogativas do
Estado, ampliação do leque de parceiros políticos e comerciais aos países do sul,
implementação de mecanismos de participação política e, principalmente no caso dos
países andinos, inclusão de setores historicamente discriminados, marcam fortes
diferenças em relação aos governos de direita, iniciam um processo de restabelecimento
de um pacto político que tem consequências diretas sobre o grau de constrangimento
promovido pela globalização.

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