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Bacharelado em

Teologia

Sínteses
Pastorais
Organizador
João Batista Ribeiro Santos

www.metodista.br

1º semestre de 2016 - 2ª edição


Universidade Metodista de São Paulo
Diretor Geral
Robson Ramos de Aguiar

Conselho Diretor
Dr. Paulo Borges Campos Jr (Presidente), Aires Ademir Leal Clavel (Vice-presidente), Esther Lopes
(Secretária). Vogais: Rev. Afranio Gonçalves Castro, Augusto Campos de Rezende, Jonas Adolfo
Sala, Rev. Marcos Gomes Tôrres, Dr. Oscar Francisco Alves Jr., Ronilson Carassini, Valdecir Barreros.
Suplente: Nelson Custódio Fér

Reitor: Marcio de Moraes


Pró-Reitora de Graduação: Vera Lúcia Gouvêa Stivaletti
Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Fábio Botelho Josgrilberg
Direção da Escola de Teologia: Paulo Roberto Garcia
Diretor de EAD: Luciano Sathler
Coordenação do NEAD: Adriana Barroso de Azevedo
Coordenador do Curso Produção de Materiais
de Teologia Didático-Pedagógicos EAD
João Batista Marcio Araujo Oliverio

Organizador Revisão
João Batista Carlos Alberto Coelho

Professores Autores Data desta edição


Dr. Douglas Nassif Cardoso 1o semestre de 2016
Ms. Elizangela A. Soares
Dr. Helmut Renders
Dr. José Carlos de Souza
Dr. Jorge Schutz Dias
Dr. Nicanor Lopes
Dr. Rui de Souza Josgrilberg
Dra. Suely Xavier dos Santos

Assessoria Pedagógica
Adriana Barroso de Azevedo
Eliana Vieira dos Santos
Thais Helena Santinelli

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Biblioteca Central da Universidade Metodista de São Paulo)
expediente

Universidade Metodista de São Paulo


Un3s Sínteses pastorais / Universidade Metodista de São Paulo. Organização de João Batista.
2. ed. São Bernardo do Campo : Ed. do Autor, 2014.
88 p. (Cadernos didáticos Metodista - Campus EAD)

Bibliografia
ISBN 978-85-7814-282-7

CDD 230

Rua do Sacramento, 230 - Rudge Ramos


09640-000 São Bernardo do Campo - SP
Tel.: 0800 889 2222 - www.metodista.br/ead

É permitido copiar, distribuir, exibir e executar a obra para uso não comercial, desde que
dado crédito ao autor original e à Universidade Metodista de São Paulo. É vedada a criação
de obras derivadas. Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros
os termos da licença desta obra.
Bacharelado em
Teologia

Sínteses
Pastorais

www.metodista.br
Organizador
João Batista Ribeiro Santos

UMESP

1º semestre de 2016 - 2ª edição


Palavra do Reitor

Caro(a) aluno(a) do Campus EAD Metodista,


É com muita alegria que acolhemos você na Universidade Metodista de São Paulo.
Você está recebendo o Guia de Estudos digital que é parte da nossa preocupação com a
educação superior de qualidade da Metodista. Este material foi elaborado pelos professores
do seu curso e será utilizado durante o semestre nas suas atividades de estudos. Aproveite
ao máximo o conteúdo aqui disponibilizado, explorando todas as possibilidades para
aprofundamento dos temas tratados.
O Guia de Estudos é uma parte dos esforços que têm marcado as atividades dos cursos EAD
Metodista. Ao longo dos anos, buscamos intensamente o cumprimento do nosso compromisso
em propiciar interação professor-aluno, formação continuada da equipe de docentes e técnicos
que atuam na modalidade, qualidade das atividades propostas e estímulo para a construção de
conhecimento.
Temos trabalhado no aperfeiçoamento das diferentes estratégias de ensino e aprendizagem
na modalidade EAD e o caminho até aqui trilhado sinaliza que temos acertado.
No ano de 2016, vamos concentrar nossos esforços para ampliar nosso portfólio de cursos de
Pós-Graduação EAD para que você, aluno Metodista, possa continuar a receber uma formação
de excelência. Ampliamos a atuação da EAD da Metodista para torna-la cada vez mais sinônimo
de qualidade nacional e internacional.
O melhor de tudo isso é saber que você está conosco e, como nós, acredita na Metodista.
Bons estudos e um ótimo semestre!
Prof. Dr. Marcio de Moraes
Reitor
Teologia
Módulo: Missão e Evangelização

09 Fundamentos, conceitos e paradigmas da Missão

Fundamentos, conceitos e paradigmas de


13 Evangelização

17 Os congressos de missão: Evangelicais e Ecumênicos

21 Tendências missiológicas contemporâneas

25 Culto e missão I

29 Culto e missão II

Módulo: Estudos de Teologia na Prática Pastoral

Ética: a humanidade em busca da sustentabilidade


33 da vida

Ética cristã: a vida sob a graça e o compromisso com


39 o outro diferente e todo o habitat

Cristianismo Radical X Igreja Oficial – uma análise


45 de movimentos excluídos na história antiga
e medieval (1)

Cristianismo Radical X Igreja Oficial – uma análise


49 de movimentos excluídos na história antiga
e medieval (2)
sumário
53 Viver e pensar a fé

57 Bíblia e cotidiano

Módulo: Trabalho de Conclusão de Curso – TCC

61 O que é o trabalho de conclusão de curso?

67 Trabalho de Conclusão de Curso – Artigo Científico

73 Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia


Missão e Evangelização

Módulo

Fundamentos,
conceitos
e paradigmas
da Missão
Prof. Nicanor Lopes

Objetivos:
Oferecer aos estudantes a construção
de um conhecimento consistente
e crítico sobre Missão, a partir de
fundamentos bíblicos, teológicos,
pastorais e históricos.
Analisar diferentes
paradigmas de Missão.
Conhecer as prioridades da
evangelização na tarefa missionária da
Igreja Cristã em terras brasileiras.

Palavras-chave:
Missão; Evangelização; paradigmas
missionários; ênfases da Evangelização.

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Introdução
O mundo cristão fundamenta suas teses e metas na dimensão da missão a partir da refe-
rência bíblica de Mateus 28.18-20. Este texto recebeu, por parte dos tradutores da Bíblia, o título
de Grande comissão. Desde então é lido, interpretado e assumido pela cultura cristã como um
mandado divino e que em última instância representa um dever de todo cristão. Portanto, um dos
fundamentos da missão é a compreensão do envio como paradigma missionário cristão. O conceito
de envio procura corrigir o equívoco da compreensão missionária até então elaborada pelo povo de
Israel. Pois, se observarmos a experiência do primeiro chamado missionário ou a primeira “Grande
Comissão”, em Gênesis 12. 1-11, detectamos que o chamado de Abraão é também um envio: “em
ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Em outras palavras, o mandado de Deus para
Abraão é de abençoar as famílias da terra, o que no percurso da história será substituído por um
projeto privatizado, ou seja, exclusivo do povo de Israel e também terá seu conceito alterado de
envio para eleito. O problema é que junto à eleição veio o conceito privatizado de que a salvação
era exclusiva para o povo de Israel, perdendo, assim, a universalidade (para todos) da salvação.
Karl Müller, teólogo alemão, em seu texto Missionstheologie (Teologia da missão) oferece, a partir
de uma leitura de Êx 12.38, uma excelente pista hermenêutica para ressignificarmos o conceito da
eleição no Antigo Testamento. “Israel não era um grupo étnico fechado com uma única cultura e
gloriosa história, pelo contrário uma mistura de Israelitas e uma grande multidão de outras pessoas
(MÜLLER, 1985, p. 47)”. Portanto, os fundamentos da missão não estão nos valores privatizados do
Reino de Deus; pelo contrário, são uma força centrífuga que envia todo cristão ao mundo com a
tarefa de partilhar a graça divina que é pública e para todos. O evangelho de João conceitua bem
este princípio: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21).

Fundamentos da teologia de missão


Somente no século XIX teremos uma teologia de missão sistematizada. Gustav Warneck
(1834–1910) e Josef Schmidlin (1876–1944), respectivamente, foram os fundadores da missiologia
protestante e católica. Para David Bosch, a missão como teologia “acabou sendo estabelecida
como disciplina independente, não só como hóspede, mas com direito a domicílio na teologia”
(BOSCH 2002, p. 586), graças ao esforço de Gustav Warneck como professor da Universidade de
Halle (1896–1910). Não fora diferente no mundo católico. Em 1910, Josef Schmidlin, ao receber a
cadeira de missão na Universidade de Münster, “reconheceu sua dívida para com Warneck” (MÜL-
LER, 1985, p. 29) e em 1911 recebeu a tarefa de dirigir o periódico de ciências da missão (Zeitschrift
für Missionswissenschaft).
Se pudéssemos concluir,uma vez que estamos em constantes descobertas, diríamos que onúcleo
central da missão cristã é o envio. Envio da mensagem salvífica de Deus ao mundo que no primeiro
momento da história encontramos como enviados do povo de Israel. No cumprimento das profecias
do Antigo Testamento, Deus envia Jesus que, após o cumprimento de sua missão, envia todos para o
mesmo ministério de anúncio da graça salvadora, de justiça, bondade e misericórdia de Deus.

Missão no Antigo Testamento


O universalismo do Antigo Testamento não explicita um conceito claro de missão, uma vez
que sua compreensão é centrípeta (de fora para dentro), o que faz compreender que a missão é
de os povos virem para Israel. A leitura das profecias de Isaías indica o papel de Israel no projeto
missionário de Deus em salvar o mundo. “E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte
da casa do SENHOR no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele
todas as nações” (Isaías 2.2). Este conceito centrípeto estrutura a dimensão universalista da missão
narrada nas profecias universalistas de Isaías dos capítulos 40 a 55. Porém é importante observar
as profecias com um caráter mais missionário e um indicativo para o Messias. O “Servo Sofredor”
de Isaías 42 e 49 é uma ideia estranha às lógicas messiânicas, geralmente fortes, poderosas e
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vencedoras. A ideia de humilhação, sofrimento e assassinato seguido de morte não condiz com
as tradições judaicas. O fato de um sofredor ter sido enviado por Deus para salvação não é com-
preendido nem mesmo nos evangelhos, com exceção da literatura lucana (Lc 22, 37 e At 8, 32-33).
Os demais evangelhos não revelam a compreensão profética do Antigo Testamento. Portanto, o
conceito de salvação no Antigo Testamento tem como núcleo a compreensão de que as nações
virão à salvação e não um envio.
Sem reducionismos, precisamos compreender que o conceito de missão no Antigo Testamento
não exclui a dimensão do envio. O problema está na configuração política entre Israel e as nações,
pois o período de exílio não é compreendido como um envio, mas, sim, como uma eleição e daí
para frente a missão no Antigo Testamento passa a ser desenvolvida como um projeto privatizado
do povo de Israel.

Missão no Novo Testamento


Como ponto de partida, precisamos deixar claro que a literatura do Novo Testamento possui
uma variedade maior de fontes. É preciso compreender os enfoques dos evangelhos sinóticos, a
literatura joanina e as cartas de Paulo.
Nota-se que o evangelho de Mateus finaliza sua narrativa com uma pretensão exclusivista do
mundo cristão: “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na
terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho,
e do Espírito Santo” (Mt 28.18-19). Segundo alguns estudiosos da história das religiões, esta radi-
calidade é apresentada pela primeira vez. O detalhe é que este conceito não pode ser entendido
isoladamente de todo o testemunho bíblico sobre Jesus. Uma hermenêutica unilateral deste texto
contradiz a mensagem de Jesus em Marcos 9.38-41, quando ele ensina a tolerância e o exercício
do ministério por pessoas que falavam e agiam em seu nome, mas que não faziam parte do grupo
de discípulos. A “Grande Comissão” precisa ser vista como mudança de paradigma missionário, a
saber, sair da condição de uma força centrípeta (de fora para dentro), e organizar-se missionaria-
mente numa força centrífuga (de dentro para fora). O princípio de “em ti serão abençoadas todas
as famílias” em Abraão é agora sinalizado com o envio a todas as nações, e a mensagem dos Atos
Apostólicos narrados por Lucas afirmará que o envio compreende: “Mas recebereis a virtude do
Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em
toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1.8).

Missão em Paulo
Ainda no Novo Testamento temos a realização prática desta mensagem. O apostolado de
Paulo conceituará a missão numa dimensão pública, a ponto de enfrentar uma discussão interna
entre os apóstolos sobre a pregação entre os gentios.
Muitas foram as controvérsias a respeito do ministério apostólico de Paulo. “Uma prova do
fenômeno da rejeição pode ser encontrada nas polêmicas presentes em algumas cartas paulinas,
como Gálatas, 2 Coríntios e Filipenses; de forma mais velada, também em Romanos, 1 Tessaloni-
censes e 1 Coríntios. Ainda que não se possa pensar numa frente antipaulina homogênea, é certo
que as tensões ou confusões nas jovens comunidades fundadas por Paulo fora da Palestina, junto
às colônias judaicas da diáspora, refletem a reação dos grupos cristãos ligados ao judaísmo pa-
lestinense ou, de qualquer forma, à tradição legal judaica” (FABRIS, 1992, p. 11).
Essa controvérsia não esvazia o ministério missionário de Paulo. Bosch afirmará que “foi só na
década de 1960, entretanto, que toda a significação dessa nova percepção de Paulo foi reconhe-
cida e apropriadamente avaliada. Hoje em dia se reconhece amplamente que Paulo foi o primeiro
teólogo cristão justamente porque foi ele o primeiro missionário cristão” (BOSCH, 2002, p. 160).

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Para Paulo, o compromisso missionário impulsiona um alcance universal movido
pelo amor de Cristo, “porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que,
se um morreu por todos, logo todos morreram”
(2 Co 5.14). Por isso sua missão vai além do com-
promisso com os judeus e contempla, também,
os pagãos. Seu ministério missionário contempla
_________________________________________
viagens para o território da Galácia, regiões como _________________________________________
da Síria, Cilícia, Frigia, entra na Europa em direção
das cidades importantes como Macedônia, Ática _________________________________________
e Acaia, instalando novas comunidades cristãs.
_________________________________________
Portanto, podemos compreender que o
fundamento ou núcleo central da obra missio- _________________________________________
nária de Paulo é a reconciliação, como ele mesmo
escreve: “E tudo isto provém de Deus, que nos _________________________________________
reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e
_________________________________________
nos deu o ministério da reconciliação” (2 Co 5, 18).
_________________________________________
Conclusão _________________________________________
A missão, mesmo tendo seu reconhecimento
_________________________________________
como teologia da missão no século XIX, já nos ofe-
rece pistas importantes para a reflexão teológica _________________________________________
a partir de conceitos, fundamentos e paradigmas
seguros no campo da teologia prática. O paradig- _________________________________________
ma do envio, estabelecido no Antigo Testamento
_________________________________________
e reafirmado no Novo Testamento por Jesus e
plenamente vivenciado por Paulo, é, na teologia _________________________________________
contemporânea, o fundamento missionário da
teologia cristã. _________________________________________
_________________________________________

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_________________________________________
_________________________________________

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Referências
BOSCH, D. Missão transformadora: mudanças de paradigma na Teologia de missão. São
Leopoldo: Sinodal, 2002.
FABRIS, R. As cartas de Paulo, III: tradução e comentários. São Paulo: Loyola, 1992.
MÜLLER, K. Missionstheologie. Frankfurt: Dietrich Reimer, 1985.
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Missão e Evangelização

Módulo

Fundamentos,
conceitos e
paradigmas da
evangelização
Prof. Nicanor Lopes

Objetivos:
Oferecer aos estudantes a construção
de um conhecimento consistente e
crítico sobre evangelização, a partir
de fundamentos bíblicos, teológicos,
pastorais e históricos.
Analisar diferentes paradigmas de
evangelização.
Conhecer as prioridades da
evangelização na tarefa missionária da
Igreja Cristã em terras brasileiras.

Palavras-chave:
Evangelização; evangelismo;
práticas evangelísticas; ênfases da
evangelização.

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Introdução
Na teologia de missão ainda persiste um problema conceitual sobre os termos evangeli-
zação e Evangelismo. Há quem afirme que a utilização do termo Evangelismo é desaconselhável
(SCHÜLLER, 2002, p. 193), e o correto é utilizar o termo evangelização que significa “ação de
difundir o Evangelho; ato ou efeito de evangelizar (= pregar o Evangelho. Difundir o Evangelho”
(SCHÜLLER, 2002, p. 193).
Porém, o missiólogo David Bosch prefere trabalhar com os dois termos, ressaltando a diferença
entre eles, a saber: “No que concerne ao substantivo, vale observar que o movimento evangelical
e os católicos romanos parecem preferir ‘evangelização’, enquanto que protestantes ecumênicos
favorecem ‘evangelismo’” (BOSCH, 2002, p. 489). Respeitadas as discussões em torno deste tema, para
efeito de nossa conceituação, utilizaremos a seguinte conceituação: Evangelismo: consiste na tarefa
de construir uma teoria para a evangelização, utilizando-se de pesquisas, partilhas de experiências
e intercâmbios de estudos nas múltiplas culturas como forma de exercer a tarefa evangelizadora.
Evangelização: trata da tarefa de proclamar o evangelho (boa notícia) e tem por objetivo tornar claro
ao mundo o desejo de Deus em salvar a humanidade, e esta tarefa é ainda tida como não acabada
como afirma Barrett: “a evangelização do mundo ainda não foi concluída” (BARRETT, 1982, p. 826).

Evangelismo no contexto da missão


É necessário entender a missão como algo mais abrangente que o Evangelismo. Se por um lado
a tarefa do Evangelismo é construir fundamentos para a ação evangelizadora, por outro lado a missão
tem um caráter mais global que o Evangelismo.
Bosch afirma que o Evangelismo não deveria ser colocado no mesmo pé de igualdade com
a missão. É necessário manter as devidas proporções, uma vez que “é impossível dissociá-lo da missão
mais ampla da Igreja” (BOSCH, 2002, p. 493). Porém, o evangelismo é tema essencial da missão. Este
conceito firma-se com consistência, em especial para a América Latina, a partir do Congresso do
Panamá, em 1916. Este congresso representa um marco missiológico para os protestantes da América
Latina, uma vez que o mesmo definiu a presença e as estratégicas de ação para a expansão do
protestantismo latino-americano. Pois “a evangelização protestante anterior a esse acontecimento
dependia em grande parte da visão de pequenas sociedades missionárias, em particular da iniciativa
de indivíduos. Somente após 1916 procuraram consolidar esses esforços” (PIEDRA, 2006, p. 159). Outro
evento significativo que relaciona o Evangelismo no contexto da missão foi o Congresso Internacional
de evangelização, realizado em Lausanne, Suíça, em 1974. Elencam suas teses principais: a natureza
da evangelização, a Igreja e a evangelização, a cooperação na evangelização, o esforço conjugado
de Igreja na evangelização, a urgência na tarefa Evangelística e a evangelização e Cultura.
Visto que oEvangelismo procura construir um conhecimento na ação evangelizadora da Igreja eque
muitas vezes esta construção é negligenciada por reducionismo da experiência religiosa, em que as
comunidades de fé em seus contextos próprios por razões culturais constituem-se numa comunidade
de iguais, David Bosch oferece um referencial importante, a saber: “a pessoa que evangeliza é uma
testemunha, não um juiz” (BOSCH, 2002, p. 494).

Evangelização como estilo de vida da comunidade cristã


Partindo do paradigma que a evangelização consiste na tarefa de proclamar a boa notícia, cabe-
nos refletir sobre a relação entre a missão e a evangelização. Por isso, pretende-se avançar com o
conceito de que as ações missionárias são ações evangelizadoras. Refletir sobre quais são essas ações
e a quem elas se destinam são tarefas da missiologia.
A evangelização é uma tarefa intransferível. O povo de Deus que acolhe a mensagem de salvação
num gesto de gratidão testemunha para o mundo os feitos de Deus e, como parte integrante da

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identidade cristã, tem no testemunho seu estilo de vida. Portanto, é necessário que a Igreja Cristã, na
sua tarefa reflexiva, ofereça “pistas” para as ações evangelizadoras. Isto então nos remete à reflexão
sobre Evangelismo.

Evangelização e encarnação
A encarnação, na teologia da missão, significa oponto de partida para toda adiscussão missionária.
O evangelho de João, que não integra os evangelhos sinóticos, revela na introdução de sua teologia a
dimensão da encarnação: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus
[…]. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do
Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.1 e 14). A própria encarnação é evangelização. No contexto da
literatura joanina, é o amor de Deus que o torna humano e vem habitar com a humanidade,
porém “o grande desafio do cristianismo é a encarnação, diante da tentação permanente
da ‘desencarnação’. A encarnação do Verbo não se
reduz à natureza humana de Cristo, mas envolve
uma realidade humana mais ampla e permanente”
(GRINGS, 2004, p. 81). A evangelização, na dinâ- _________________________________________
mica da encarnação, permite que as dimensões
culturais, no processo evangelizador, sejam respei-
_________________________________________
tadas. Por exemplo, as dimensões continentais do _________________________________________
Brasil revelam, em alguns casos, que as igrejas
cristãs se articulam de forma encarnada. Não é _________________________________________
sem motivos que muitos historiadores, antro-
pólogos, entre outros, fazem críticas ácidas aos _________________________________________
processos de evangelização de nosso continente
_________________________________________
quando milhares de culturas foram dizimadas.
Este equívoco, chamado aqui de ‘desencarnação’, _________________________________________
foi praticado tanto pelo catolicismo romano no
período do império como pelas missões protes- _________________________________________
tantes no final do século XIX e início do século
XX. Hoje procuramos uma evangelização sem
_________________________________________
rupturas com a cultura, uma evangelização en- _________________________________________
carnada pelos laços do amor, como revela João
em seu evangelho. _________________________________________
_________________________________________
Evangelização e inculturação
_________________________________________
Em especial, no mundo evangélico, ainda
está presente o espírito de evangelização ou mis- _________________________________________
sionário na perspectiva da aventura. Muitos divul-
gam, promovem e buscam recursos para manter _________________________________________
missionários em culturas diferentes da dele. Há _________________________________________
uma paixão por uma evangelização em culturas
não nativas do missionário. O grande problema _________________________________________
é como se realiza esta evangelização, levando-se
em conta o tema da inculturação. Semelhante- _________________________________________
mente ao continente latino-americano, muitas
_________________________________________
outras culturas sofreram agressões no processo
evangelizador. “A tendência a mudar este quadro _________________________________________
em suas linhas fundamentais ainda não comple-
tou vinte anos em muitos institutos religiosos. _________________________________________
Alguns poucos ainda mantêm intacto, ou quase,
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o modelo anterior […]. Um grande número, sem dúvida, abriu-se para uma evangelização inculturada,
sensível à realidade da Igreja e da sociedade-cultura em que trabalha” (AZEVEDO, 2001, p. 58).

Conclusão
Os paradigmas d a e vangelização e d o e vangelismo n u m a teologia d e m i s s ã o c o n tem-
plam temas essenciais no exercício missionário, como os temas da cultura da encarnação e do amor
de Deus. Muitas vezes as estratégias missionárias não sensíveis aos paradigmas acima se utilizaram de
ideologias dominantes para proclamar suas “boas novas”, como denuncia o pastor presbiteriano
Antonio Gouveia de Mendonça ao analisar a estratégia educacional protestante do final do século XIX
e início do século XX: “Era uma evangelização segundo o modelo protestante, mas indireta, visando
à vinculação de uma ideologia religiosa profundamente abrangente, no sentido de mudar os rumos
de uma sociedade ainda em busca de seus caminhos” (MENDONÇA, 2008, p. 153).

Referências
AZEVEDO, M. C. Viver a fé cristã nas diferentes culturas. São Paulo: Loyola, 2001.
BARRETT, D. B. World Christian Encyclopedia. Nairóbi: Oxford University, 1982.
BOSCH, D. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia de missão. São
Leopoldo: Sinodal, 2002.
GRINGS, T. A evangelização da cidade: o apostolado urbano. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.
MENDONÇA, A. G. O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo:
Edusp, 2008.
PIEDRA, A. Evangelização protestante na América Latina: análise das razões que justificaram
e promoveram a expansão protestante (1830-1960). São Leopoldo: Sinodal, 2006.
SCHÜLLER, A. Dicionário enciclopédico de teologia. Canoas: Ulbra, 2002.

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Universidade Metodista de São Paulo
Missão e Evangelização

Módulo

Os congressos
de missão:
Evangelicais e
Ecumênicos
Prof. Nicanor Lopes

Objetivos:
Oferecer aos estudantes a construção de
um conhecimento consistente
e crítico sobre os congressos de missão,
a partir de seus contextos
e fundamentos bíblicos, teológicos,
pastorais e históricos.
Analisar os diferentes resultados dos
congressos de missão do século XX.
Conhecer as prioridades da missão
e evangelização estabelecidas nos
congressos missionários evangelicais e
ecumênicos.

Palavras-chave:
Congressos de missão, ecumenismo,
evangelical e ênfases da evangelização.

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Introdução
Uma das mais recentes contribuições para a teologia de missão, no que se refere aos con-
gressos missionários, encontra-se na tese de doutorado do Prof. Luiz Longuini Neto, em seu texto
O novo rosto da missão.
No início do século XX, na cidade de Edimburgo (Escócia), um divisor de águas é estabelecido
para as agências missionárias do mundo. Pela primeira vez, em 1910, acontece a Conferência Missio-
nária de Edimburgo, na qual se pesam os esforços do século XIX, com a organização de entidades
com objetivos de gestar a unidade da Igreja Cristã, como a Associação Cristã de Moços (Londres –
1844); a Associação Cristã Feminina (Londres – 1855); o Movimento de Estudantes Voluntários para as
Missões Estrangeiras (1886) e a Federação Mundial de Estudantes Cristãos (1895), estes organizados
por John Raleigh Mott.
MOTT, John Raleigh (1865 – 1955), leigo metodista norte-americano. Desde muito jovem assume grandes
responsabilidades. Presidente do YMCA, presidente do Conselho Internacional de Missões, fundador
e presidente da Federação Universal de Estudantes Cristãos. Trabalhou intensamente em numerosos
países despertando a ideia missionária e ecumênica. Seu maior êxito foi a Conferência Missionária
Mundial de Edimburgo (1910). Um dos cinco presidentes – e o único leigo – do Comitê Provisório do
Conselho Ecumênico das Igrejas. (NAVARRO, 1995, p. 216).

Para os historiadores aqui nasce o movimento ecumênico.


Paralelamente, não diferente do movimento ecumênico, organizava-se o movimento evangeli-
cal, que, segundo o historiador Reily (1984, p. 245), com “o revigoramento do catolicismo no século
XIX” organiza em 1846 a Aliança Evangélica em Londres. Prócoro Velasques afirmará que: “O
protestantismo que chegou ao Brasil foi, em geral, posterior aos avivamentos. Ele trouxe, contudo,
a mentalidade evangelical, sua teologia e ideologia” (MENDONÇA; VELASQUES FILHO, 1990, p. 87).
Esses dois movimentos missionários (ecumênico e evangelical) disputarão, ao longo da história
da teologia de missão, espaços de dominação, visibilidade e presença no contexto das agências
missionárias do mundo.
Os desdobramentos do movimento ecumênico, por volta de 1920, viabilizam a organização
das Comissões “Vida e Trabalho” e “Fé e Ordem”. Em 1948, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) foi fundado
em Amsterdã, na Holanda. Outros organismos ecumênicos foram sendo organizados, como o Conselho
Latino-Americano de Igrejas (CLAI), em Huampani, Peru, em novembro de 1982 e, nesse mesmo mês,
o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (Conic), em Porto Alegre. E, consequentemente, o
movimento evangelical se organizou também no mundo. Em 1923 surge a Aliança Evangélica Mundial.
Mesmo com Prócoro afirmando que o protestantismo brasileiro tem sua gênese no mundo evangelical,
Longuini afirma que ele ressurge na América Latina com a organização da Consulta Latino-Americana
sobre Evangelização (Clase), em 1962. No Brasil, a Associação Evangélica Brasileira (AEVB) assumirá o
papel catalisador das forças evangelicais no País (cf. LONGUINI NETO, 2002, p. 25-28).

Conceitos de missão no contexto dos congressos ecumênicos


Os esforços para uma teologia de missão ecumênica, na história do movimento missionário, são
sistematizados a partir de Edimburgo (1910). Certamente isso se dá depois do grande movimento
missionário do século XIX, conhecido como século das missões. Esse marco divisório no campo da
missão tem como núcleo preocupante a evangelização de continentes não cristãos. Na época, a Ásia e
África representam o desafio missionário e a estratégia missionária adotada é a de cooperação, gerando
um grande entusiasmo e otimismo missionários. Os resultados dessa compreensão produzem os se-
guintes encaminhamentos: em 1921, em Lake Mohnk/EUA, cria-se o Conselho Missionário Internacional;
em 1925, em Estocolmo, Suécia, é organizado o Movimento Fé e Ação; e, em 1927, na cidade Lausanne,
Suíça, é instituído o Movimento Fé e Ordem. Esses organismos têm por objetivo apoiar a coordenação
de iniciativas missionárias globalmente e promover a evangelização e justiça no relacionamento entre
povos e etnias. Segundo Andrew F. Walls, “há uma área obscura no marco de Edimburgo que marca
uma bifurcação do movimento missionário, conduzindo uma seção americana do evangelicalismo
ocidental que toma um trajeto independente” (WALLS, 2002, p. 53).
18
Universidade Metodista de São Paulo
(LONGUINI NETO, 2002, p. 46)

Conceitos de missão no contexto dos congressos evangelicais


Os encaminhamentos da Conferência Missionária de Edimburgo (1910) não satisfizeram às
agências missionárias protestantes norte-americanas. Houve um sentimento de não legitimidade
das ações missionárias desenvolvidas na América Latina desde meados do século XIX. Isto deu
origem ao Comitê de Cooperação na América Latina (CCLA), assim compreendido: “A reunião de
1913 foi, de certa forma, um sinal de que os líderes missionários norte-americanos não estavam
em condições de aceitar as dúvidas que as grandes instituições missionárias da Europa coloca-
vam a respeito de uma presença protestante agressiva na América Latina. Essa reunião foi pro-
vavelmente uma das primeiras expressões da determinação das juntas protestantes dos Estados
Unidos a considerar a América Latina como parte de sua responsabilidade missionária” (PIEDRA,
2006, p. 161). Os desdobramentos desta situação dar-se-ão em diversos encontros para o debate
missionário no contexto da América Latina. O marco principal desta reflexão se dará no Congres-
so do Panamá em 1916. Nesse congresso fica clara a necessidade de um esforço para uma ação
missionária protestante na América Latina. É importante destacar que a Igreja Católica Romana foi
convidada a participar, mas ela entendeu que o congresso feria a decisão de Edimburgo, mesmo
com Spper (presidente do congresso) esclarecendo que ele não tinha por objetivo atacar a Igreja
Católica Romana, mas promover a ação missionária na América Latina, conforme afirma Wilton M.
Nelson: “Em outro extremo estavam aqueles que temiam que o congresso seria uma provocação
aos católicos e bloquearia um melhor entendimento com eles” (CLAI – NELSON, 1980, p. 15).
19
www.metodista.br/ead
(LONGUINI NETO, 2002, p. 29)

Conclusão
Esses dois enfoques de missão nortearão os projetos missionários das Igrejas cristãs na América
Latina, nos séculos XX e XXI. No contexto protestante, a maioria das Igrejas deste ramo se identificou mais
com o conceito evangelical e algumas protestantes e os católicos com o ecumênico. Isso não exclui
um trânsito de todas nos dois conceitos (ecumênico e evangelical). As Igrejas cristãs na América Latina
transitam de acordo com as ênfases, as lideranças e os contextos que elas vivem.

Referências
0.
CLAI. Oaxtepec 1978: Unidad y mision em América Latina. San José/Costa Rica: 1980.
LONGUINI NETO, L. O novo rosto da missão. Viçosa: Ultimato, 2002.
MENDONÇA, A.G.; VELASQUES FILHO, P. Introdução ao protestantismo no
Brasil. São Paulo: Loyola, 1990.
NAVARRO, J. B. Para compreender o ecumenismo. São Paulo: Loyola, 1995.
NELSON, W. M. A missão da Igreja: uma perspectiva latino-americana. Costa Rica: CLAI, 1980.
PIEDRA, A. Evangelização protestante na América Latina. São Leopoldo: Sinodal, 2006.
REILY, D. História documental do Protestantismo brasileiro. São Paulo: ASTE, 1984.
WALLS, A. F. The cross-cultural process in Christian history: Studies in the transmission and
appropriation of faith. Maryknoll/New York: Orbis Books, 2002.

20
Universidade Metodista de São Paulo
Missão e Evangelização

Módulo

Tendências
missiológicas
contemporâneas

Prof. Nicanor Lopes

Objetivos:
Analisar os diferentes paradigmas da
missão no decorrer da história.
Conhecer as tendências missiológicas
contemporâneas dos diferentes
segmentos religiosos.
Perceber as principais ênfases
missiológicas contemporâneas no
contexto do neoliberalismo.

Palavras-chave:
Missiologia contemporânea,
neoliberalismo e paradigmas
missionários.

www.metodista.br/ead
Introdução
Os recentes debates sobre missiologia, inspirados na tese de David Bosch, alimentam uma
discussão missiológica na qual as fronteiras dos fundamentos, seja evangelical ou ecumênico, não
dão mais conta da reflexão. Em seu livro Missão transformadora, David Bosch analisa os diferentes
paradigmas da missão no decorrer da história, sustentando que cada um constituiu o fim de um
mundo e o nascimento de outro. Eram tempos de reflexão nos quais o que se costumava pensar
e fazer tinham de ser redefinido. As pessoas tinham que rever conceitos.
A versatilidade contemporânea indica, de forma dialética, os caminhos que a missiologia
deve seguir. No mesmo instante em que se discute a crise missionária das Igrejas históricas e da
Católica Romana de cunho mais conservador, existe no mundo neopentecostal a utilização da
mídia como a grande estratégia missionária contemporânea. Ao mesmo tempo em que essas
encruzilhadas permitem novas tomadas de decisão, impõem novos conceitos missiológicos. A
maneira de interpretar os fatos e conduzir a crise poderá configurar o novo paradigma. “Em todas
as mudanças de paradigma revistas até agora, permaneceu uma tensão criativa entre o velho e o
novo. A proposta era sempre – consciente ou inconscientemente – de reforma, não de substituição”
(BOSCH, 2002, p. 35).

Tendências missiológicas contemporâneas (protestante ou evangélico)


O conceito missionário no século XX foi significativamente alterado na discussão sobre a missão
na Conferência Mundial de Missão em Willingen (1952) quando o termo “missio Dei” foi cunhado
pela influência de Karl Barth. Este conceito missionário definiu que a Igreja não é autora e detentora
da missão; pelo contrário, a missão é tarefa do Deus trino e uno. “A imagem de missão de Willingen
era a da missão como partícipe no envio de Deus. Nossa missão não tem vida própria: só nas
mãos de Deus que envia pode-se denominá-la verdadeiramente de missão, mormente porque a
iniciativa missionária provém apenas de Deus” (BOSCH, 2002, p. 467).
Este novo conceito será comum tanto para teologias de missão evangelical – integral –, como
para ecumênica. A Consulta Missionária de Foz do Iguaçu, em 2001, refletirá sobre missão integral
e produzirá um documento com apresentações de diversos modelos de missão. Este documento
intitula-se “Declaração de Foz do Iguaçu”. Escobar aponta três tendências missiológicas ou correntes
de abordagens presentes no mundo evangélico.

Missiologia pós-imperial – É a missiologia vinda dos evangelicais da Grã-Bretanha


e Europa. Escobar descreve que há uma busca renovada de modelos bíblicos para
corrigir e iluminar a atividade de missão contemporânea, mas o que realmente
caracteriza essa missiologia “é que o zelo tradicional evangelical está associado com
a disposição para corajosamente tomar lições da história e explorar a Palavra de
Deus usando as melhores ferramentas dos estudos bíblicos no serviço da missão”
(TAYLOR, 2001, p. 39).

Missiologia gerencial – Desenvolveu-se a partir de instituições ao redor de


Pasadena, na Califórnia. Uma das características desta missiologia é a avaliação
quantitativa. Samuel Escobar a define “como uma escola típica de pensamento
moderno vindo dos Estados Unidos, a abordagem quantitativa é predominante
e a orientação pragmática bem definida” (TAYLOR, 2001, p. 40). É um conceito de
missão estreitamente ligado ao crescimento numérico da Igreja, inspirado na escola
de Donald McGravan com princípios partindo dos chamados “grupos homogêneos”.
Esses princípios são questionáveis, em especial no mundo contemporâneo, no
qual o eixo da evangelização está centrado no marketing. A questão principal do
questionamento desses princípios está exatamente na exclusão de uma reflexão de
uma missão inculturada. Uma missão integral não pode omitir o tema da cultura
e minimizar a questão plantando igrejas para segmentos específicos de pessoas,
como sinônimo do cumprimento da “Grande Comissão”.

22
Universidade Metodista de São Paulo
Missiologia crítica da periferia – Sua origem é na Terceira Igreja Caracteriza-se
por sua natureza crítica, contextual e engajada. Fazendo uma distinção entre esta
missiologia e as outras, Escobar comenta: “A questão para esta missiologia não
é quanta ação missionária é requerida hoje, mas que tipo de ação missionária é
necessário” (TAYLOR, 2001, p. 41). Este modelo está fundamentado no pensamento
de Orlando Costas que, segundo Caldas, “A evangelização fora do contexto
constitui deformação ou mutilação da missão” (CALDAS, 2007, p. 203).

Tendências missiológicas contemporâneas (católicas)


O mundo protestante ou evangélico, muitas vezes sem conhecimento, acusa a Igreja Católica
Romana pela ausência na tarefa de evangelização, o que não é verdadeiro, utilizando o mesmo
conceito de missio Dei. Em nosso mundo contemporâneo, não é possível negar as ações missionárias
e evangelizadoras do catolicismo romano. Se, por um lado, esta Igreja, de cunho mais popular e
progressista, desenvolveu inúmeras ações missionárias por meio das CEBs (Comunidades Eclesiais
de Base), por outro lado, a linha mais carismática e conservadora desenvolveu suas estratégias
pela utilização dos meios de comunicação, procurando construir uma evangelização midiática e
globalizada.
As diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja Católica Romana, aprovadas recentemente
pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em seu Projeto Nacional de Evangelização
(O Brasil na Missão Continental), definem que seu objetivo geral é: “Abrir-se ao impulso do Espírito
Santo e incentivar, nas comunidades e em cada batizado, o processo de conversão pessoal e
pastoral ao estado permanente de missão, para a vida plena” (CNBB, 2008, Internet). Seus objetivos
específicos são: “1. proporcionar a alegre experiência do discipulado, no encontro com Cristo; 2.
promover a formação em todos os níveis para sustentar a conversão pessoal e pastoral do discípulo
missionário; 3. repensar as estruturas de nossa ação evangelizadora para um compromisso de ir e
atingir a quem normalmente não atingimos; 4. favorecer o acesso de todos, a partir dos pobres, à
“atrativa oferta da vida mais digna em Cristo”; 5. aprofundar a missão como serviço à humanidade;
6. discernir os sinais do Espírito Santo na vida das pessoas e na história” (CNBB, 2008, Internet).
Para o cumprimento desta meta missionária contemporânea a Igreja Católica Romana utiliza-se
de suas ações pastorais, tanto populares como midiáticas.

Um novo paradigma na teologia de missão?


O mundo cristão, até meados do século XIX, vivenciou muitos projetos missionários de cooperação.
O maior exemplo foram as instituições de espírito ecumênico, como as sociedades bíblicas. A
partir da segunda metade do século XIX, os projetos missionários denominacionais tomaram
conta da pauta das agências missionárias, tendo como resultado uma intensa competitividade,
comprometendo o projeto de cooperação. No início do século XX, com a Conferência Missionária
de Edimburgo, reacendem-se as possibilidades de um labor missionário de cooperação.
A proposta central de David Bosch, em seu livro Missão transformadora, contempla a dimensão
do testemunho comum na missão. Bosch afirma “a coordenação mútua de missão e unidade é
inegociável. Ela não deriva simplesmente da uma nova situação mundial ou de circunstâncias
modificadas, mas da dádiva divina de unidade do corpo uno de Cristo” (BOSCH, 2002, p. 554).

1
Terceira Igreja significa o avanço das Igrejas pelo hemisfério sul, com o centro de gravidade no Terceiro Mundo
(cf. BÜHLMANN, Walter. The coming of the Third Church. Maryknoll/NY: Orbis, 1978, p. 13).

23
www.metodista.br/ead
Conclusão
As tendências missiológicas contemporâneas,
sejam de viés protestante/evangélico ou católico,
necessitam pontuar, na perspectiva de um
testemunho comum, uma abordagem amorosa. _________________________________________
Na carta cristológica de Paulo aos Efésios há um
_________________________________________
apelo à unidade: “Suportai-vos uns aos outros
em amor, procurando conservar a unidade do _________________________________________
Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.2-3).
_________________________________________
Nem sempre os projetos missionários
observam este apelo à unidade. Pode-se _________________________________________
observar que as tendências missiológicas
contemporâneas optam pelo caminho da _________________________________________
divisão, por confrontos, desqualifi cação do
projeto do outro etc. A busca por um paradigma
_________________________________________
que contemple o testemunho comum da Igreja _________________________________________
de Cristo é uma urgência missionária nos
tempos atuais. _________________________________________

_________________________________________
_________________________________________

_________________________________________
_________________________________________

_________________________________________
_________________________________________
_________________________________________

_________________________________________
_________________________________________

Referências
BOSCH, D. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia de missão. São
Leopoldo: Sinodal, 2002.
CALDAS, C. Orlando Costas: sua contribuição na história da teologia latino-americana. São
Paulo: Vida, 2007.
TAYLOR, W. Missiologia global para o século XXI. Londrina: Descoberta, 2001.
CNBB. Disponível em: <http://www.cnbb.org.br/ns/modules/mastop_publish/files/
files_48fcd027565d3.pdf>. Acesso em: 05 set 2009.

24
Universidade Metodista de São Paulo
Missão e Evangelização

Módulo

Culto e missão I

Prof. Jorge Schütz

Objetivos:
Revisitar os temas que envolvem a celebração do culto como
recapitulação da história da salvação;
Pensar a liturgia como estruturas de culto que
promovem o diálogo entre Deus e seu povo, e o povo e seu
Deus;
Apontar a homilia como prática para formação do povo
de Deus e anúncio do Evangelho;
Descrever os eixos da práxis para reflexão em torno do
culto cristão.

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O culto cristão

[...] O culto é o encontro maravilhoso do Eterno com o efêmero, do Infinito com o


finito, do Santíssimo com o pecador redimido. A dimensão do serviço prestado com
muita humildade permanece, mas não por dever, mas por amor. (RAMOS, 2008, p. 39)

Estabelecer um recorte que circunscreva uma definição de “culto cristão” não é uma tarefa fácil,
considerando que as iniciativas nessa direção, de primeiro, parecem completas, mas na medida
em que se lança luz sobre o tema, observa-se que os escritores privilegiam aspectos diferentes e
complementares do assunto, todos igualmente valiosos.
Von Allmen (2005, p. 27) cita A. D. Müller, que define o culto cristão como “a forma mais
vívida, mais palpável, mais central e simples de atualização da presença de Cristo”. Luiz Carlos Ramos
(2008, p. 15) recorre a Nelson Kirst, descreve o culto “como o encontro celebrativo o entre Deus e
seu povo...” [...] Para Von Allmen (2005, p. 35) é “a recapitulação da história da salvação, na medida
em que reatualiza o passado, antecipa o futuro e glorifica o presente messiânico”.
A partir dessa sucinta reunião de definições, destacam-se as ênfases cristológica, sociológica
e soteriológica. Esses eixos referidos da presença de Cristo, da celebração do povo de Deus e da
recapitulação da história da salvação constituem os elementos que sugerem a expressão litúrgica
que o culto encerra.

O culto e a liturgia

O termo liturgia “procede do grego leiton (povo) e erga (ação). É ação simbólica da fé do
povo de Deus. Baseia-se num conjunto de gestos e palavras. É a celebração do grupo social cristão no
qual se expressa ou renova a ação de Cristo” (FLORISTÁN, 2002, p. 350). Ramos aponta que a liturgia
se inscreve no escopo da Teologia Pastoral e nesse viés dialoga com a Bíblia, com a sistematização
histórica e a práxis (RAMOS, 2008, p. 18).
A palavra liturgia se aplica a todo o conjunto dos atos rituais e da igreja
pelos quais prossegue no mundo no sacerdócio de Jesus Cristo, destinado a
santificar os seres humanos e glorificar a Deus (RAMOS, 2008, p. 36).

A Bíblia oferece, no Antigo Testamento, o culto levítico como fonte litúrgica. No Novo Testamento
há uma compreensão de culto próxima da tradição profética. Segundo Costa
“[...] a palavra liturgia tornou-se um termo técnico
relacionado com a celebração da fé [...] mas não podemos
deixar que a terminologia acabe por incrustar-se somente
no contexto celebrativo, de tal forma que fora dele a
liturgia não diga nada a respeito da vida cotidiana”
(COSTA, 2005, p. 10).

No percurso descrito, o povo de Deus é convidado a celebrar em sua presença por meio de
gestos, pessoas escolhidas, utensílios, observação de datas, dias especiais, e, dessa forma, renovando
e revitalizando a espiritualidade, apontado primeiro para Cristo e depois, a partir dele, desenvolver
outras práticas, outros gestos. Como sugere Pouilly, “na liturgia há dois movimentos. Deus volta-se
pra o seu povo a fim de conceder-lhe a sua graça e santificá-lo [...] e o ser humano se volta para
Deus a fim de glorifica-lo” (POUILLY, 2004, p. 91). Em decorrência dessa instância intercomunicativa,
a práxis conduz o povo à vivência cotidiana. Trata-se, portanto, da liturgia como ação concreta do

26
Universidade Metodista de São Paulo
povo de Deus, em forma extensiva de sua expressão simbólica.

O culto, a liturgia e a homilia (pregação)


H o m i l i a l i te r a l m e n te s i g n i f i c a c o n ve r s a ç ã o o u c o l ó q u i o f a m i l i a r e n t re
poucas pessoas. Na celebração litúrgica é a inter venção do que
p r e s i d e a o p r o c l a m a r o e v a n g e l h o [ . . . ] ( F LO R I S TÁ N , 2 0 0 2 , p . 3 4 9 ) .

Como parte central da Liturgia se coloca a celebração da Palavra, quer seja ela proclamada por
leituras do Antigo e do Novo Testamento, quer seja presente em cânticos e na pregação, ou na homilia
(AUGÉ, 1998, p. 155). O anúncio da Palavra tem função querigmática, que consiste na proclamação
da Salvação operada por Jesus Cristo. Acompanha a proclamação o ensino, cuja dimensão trata da
aplicação da Palavra proclamada à vida, ao cotidiano.
A pretensão da homilia é criar uma relação de proximidade, de companheirismo, de conversa,
de ajuntamento e ajustamento, de presença e pertença entre o pregador e as pessoas. Traduzir a
Palavra de Deus, no sentido de aplicação dela à vida, é alvo que não pode ser olvidado e menosprezado
pelo pregador .
A homilia, sendo pregação da Palavra de Deus, assume dimensão profética no sentido de
ser mensagem orientada a cada comunidade, respeitados os aspectos culturais que contornam os
ouvintes. A fé professada pelos fiéis que se reúnem em assembleia recebe, por meio da homilia, o
incentivo à prática de suas convicções nas experiências do cotidiano, consolidando, dessa maneira,
a fé celebrada com a fé praticada.
A homilia é alvo de regular análise pelo pregador, de forma que ela seja praticada num circulo
tendente ao positivo, distanciando-se do negativo. Os qualificativos desagradáveis para homilia:
demasiado longa, sem conteúdo, sem aplicação à vida, cansativa, apresentada sem recursos atrativos
de comunicação; as qualificadas como positivas são aquelas fiéis a texto bíblico em exposição, que
despertam interesse, desenvolvidas com clareza de raciocínio e correção na linguagem e breves em
termos de tempo. A homilia enriquece a celebração da fé, torna proveitosa a Palavra de Deus à vida
dos ouvintes e promove a conversão deles a Deus (FLORISTÁN, 2002, p. 530 e 533).

Culto, liturgia, homilia e práxis


Práxis é a atividade do homem que transforma o mundo natural e social
para fazer dele um mundo humano. (VÁZQUEZ, in: FLORISTAN, 2002, p. 180).

As reflexões acerca do culto cristão, da liturgia e da homilia são imperativos a todos aquele/as
que operam no círculo das comunidades de fé e de outros organismos ligados à Igreja que têm
presença na sociedade.
Considera-se que o chamamento à reflexão tem relevância na medida em que o culto cristão
é atividade que compromete o corpo, a razão, as emoções e as sensações humanas.
“[...] a arte litúrgica: estruturando o culto em tono da
partilha do Pão e da Palavra; da qual todos participam de
corpo e alma, em espírito e em verdade, com o coração e
o entendimento, com alegria e com arte; de tal maneira
que envolva integramente o ser humano e estabeleça
um diálogo efetivo e afetivo entre Deus e seu povo”
(RAMOS, 2008, p. 145).

27
www.metodista.br/ead
Considerada a relevância da inserção do culto cristão como atividade humana e carente de reflexão,
aponta-se o desafio de que se elaborem sobre ele planos, ações, revisões sérias e constantes. Para
tal empreendimento pode-se recorrer aos quatro eixos da práxis, a saber: práxis criadora, práxis
reflexiva, práxis libertadora e práxis radical (FLORISTÁN, 2002, p. 181).

Referências
ALLMEN, Jean Jacques Von. O culto cristão: teologia e prática. Tradução de Dirson Glênio
Vergara dos Santos. 2. ed. São Paulo: ASTE - Associação de Seminários Teológicos Evangélicos,
2005.
AUGE, Matias. Liturgia: história, celebração, teologia, espiritualidade. Tradução de
Comercindo B. Dalla Costa. 2. ed. São Paulo: Ave Maria Edições, 1998.
COSTA, Valeriano dos Santos. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da
salvação: participação litúrgica segundo a Sacrosanctum Concilium. São Paulo: Paulinas,
2005.
FLORES, Juan Javier. Introdução à teologia litúrgica. Tradução de Antonio Efro Feltrin. São
Paulo: Paulinas, 2006.
FLORISTAN, Casiano. Catecumenato: história e pastoral da iniciação. Tradução de Lúcia
Matilde Endlich Orth. Petrópolis: Vozes, 1995.
______. Teología práctica: teoría y praxis de la acción pastoral. Salamanca: Sigueme, 2002.
POUILLY, Alfredo. O que é celebrar? In: CELAM. Manual de liturgia: a celebração do mistério
pascal: introdução à celebração litúrgica. São Paulo: Paulus, 2004.
RAMOS, Luiz Carlos. Em espírito e em verdade: curso prático de liturgia. São Bernardo do
Campo: Editeo, 2008.

Homilia e sermão: há entendimentos que interpretam de formas distintas os termos homilia e sermão nos modelos de pregação. Para conhecimento

dessa particularidade, sugere-se a consulta a GERENT, Ewerton. A nobre simplicidade da liturgia: homenagem a Pe. Valter Maurício Goedert. In: FELLER, Vitor

Galdino (org.) . Florianópolis: FACASC, 2014, p. 174.

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Universidade Metodista de São Paulo
Missão e Evangelização

Módulo

Culto e missão II

Prof. Jorge Schütz

Objetivos:
Apontar a relação entre Missão e Missio Dei;
Analisar a lugar de subordinação da Igreja à Missão;
Destacar a nova compreensão da ação da Igreja no
cenário da Missão;
Rever a posição e a função do culto no espectro da
Missão.

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Missão
O sentido do termo Missão tem se atualizado a partir das compreensões (1) soteriológica –
como salvar indivíduos da condenação eterna; (2) cultural – como apresentar ao sul e ao Oriente as
bênçãos e privilégios do Ocidente cristão; eclesial – associado à expansão da Igreja ou denominação;
(3) histórica – como um processo de evolução que em certo momento transformaria o mundo no
Reino de Deus (BOSCH, 2007, p. 466).
O significado da Missão se consolida com a expressão Deus é Amor, no Evangelho de João, o
que implica afirmar que Deus é Relação, direcionado para reverter a desintegração da humanidade e
reintegrá-la à vida plena, que é o Reino de Deus, numa perspectiva histórica e escatológica (SUESS,
2007. p. 51).
Identificam-se direções, não conflitantes, mas distintas sobre o conceito de Missão. De um
lado, teólogos/as admitem que Missão é um conceito atrelado à Igreja; é útil para expansão num
sistema de plantação de igrejas. De outro lado, atrela-se à Missão a pratica da proclamação de forma
ampla na dimensão do serviço ou em áreas de fronteiras geográficas e sociais (ZWESTSCH, 2008, p.
85).
Na Missão trinitária (Missio Dei) a Igreja é enviada ao mundo, à evangelização que implica
no testemunho acerca de Deus revelado em Jesus Cristo; em boa notícia aos pobres; em anúncio
com palavras e ações; promoção de uma conversão das pessoas tendo como horizonte a comunhão
social, a Koinonia (FLORISTÁN, 2002 p. 401).
Missão não inclui a competição entre igrejas e religiões, não é atividade de conversão na
expansão da fé. Missão é a participação de pessoas cristãs na Missão libertadora de Jesus Cristo e o
testemunho de uma comunidade em prol do mundo.

Há uma primeira missão dentro da Trindade. Tanto que o Pai nunca é


chamado de enviado na Bíblia; recebem essa denominação o Filho e o Espírito. O Filho é
enviado pelo Pai e o Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho (FLORISTÁN,2002 p. 400).

Missão e Igreja

A igreja existe na Missão, porém não é a origem nem a finalidade da Missão. O fim da Missão é
a construção do Reino de Deus (SUESS, 2007, p. 50). Portanto, a Igreja não é o Reino de Deus, mas
aponta para ele. A Igreja é enviada ao mundo pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, o que implica
afirmar que Missão não tem vida própria, mas somente a partir de Deus, que é quem envia a Igreja.
Porém, esta não fala em seu nome, mas em nome de Deus. Dessa forma, isenta-se a Igreja de atribuir
a si uma tarefa missionária, visto que a Missão não é tarefa da Igreja e sim um atributo de Deus. Deus
é missionário. A Igreja é assim entendida como um instrumento da Missão.
A Igreja tem o privilégio de participar da Missão, uma fez que esta é obra primordial do Deus
Trino, Criador, Redentor e Santificador (BOSCH, 2007 p. 470).
À Igreja cabem três ações, na condição de enviada ao mundo: (1) anunciar a chegada do Reino
de Deus; (2) compartilhar em uma mesma mesa o banquete com os irmãos na Ceia do Senhor;
(3) transformar os corações das pessoas e das estruturas sociais mediante uma conversão radical
(FLORISTÁN, 2002, p. 412).
A Igreja não é um estágio preliminar, mas um sinal
antecipatório do reinado definitivo de Deus; o sentido da
igreja não reside nela mesma, no que ela é, mas naquilo
em cuja direção está se movendo. É o reinado de Deus
que a Igreja espera, testemunha e proclama. (KÜNG. In:
ZWESTSCH, 2008, p. 350).
30
Universidade Metodista de São Paulo
Não é a Igreja que deve cumprir a Missão de salvação do
mundo; é a Missão do Filho e do Espírito Santo mediante o Pai que inclui a Igreja
(BOSCH,2007, p. 468).

Missão e Missões

Missões, no plural, é a terminologia adotada pelos cristãos de recorte protestante em distinção


ao termo evangelização, especialmente nas abordagens ecumênicas. Missões, portanto, refere-se a
ações de pregadores em terras longínquas ou além do território nacional (FLORISTÁN, 2002, p. 401).
A distinção entre os termos Missão (singular) e Missões (plural) indica que, na primeira acepção,
está designado primordialmente o conceito de Missio Dei, ou seja, a autorrevelação de Deus ao
mundo, seu envolvimento com o mundo e a natureza e atividade de Deus. Em Missões se encerra o
conceito de empreendimento missionário de igrejas de acordo com determinados tempos, lugares e
situações específicas. Trata-se, portanto, da uma forma de participação na Missio Dei (BOSCH,2007,
p. 28). E nesse sentido as Missões estão [ou devem estar] à serviço da Missão; é nessa coerência que
as Missões selam sua autenticidade.
Ao longo dos anos de evolução das Missões se instalou uma tensão entre os conceitos
Missões e a Missão, e entre diferentes fatores que contribuíram para tal aspereza entre os conceitos
identificam-se, entre outros, o etnocentrismo, que consistia na superposição de ideias missionárias
e valores de uma classe que não conseguia distinguir o que era a sua própria cultura e a cultura dos
povos alvo das Missões. Destarte, carregavam como anexo da proclamação a sua moralidade e visão
de mundo, priorizando seu etnocentrismo em detrimento das culturas com as quais iriam conviver
na condição de missionários, porém, na prática, com perfil de colonização .

[...] quando se fala, desde o século XVI em “Missão”, de certo modo


também se diz “colonialismo” (BOSCH, 2007, p. 367).

Missão e Culto
O culto cristão tem suas referências estruturais no conteúdo da Missão. Levar o povo ao culto
(e o culto ao povo) implica vivenciar as partes que integram os louvores a Deus Pai na reflexão sobre
a vida de Cristo no meio do povo, na prática da caridade, na experiência com os ritos e símbolos
memoriais, no acesso aos testemunhos de fé e vida, na pregação e o ensino, no fortalecer valores
sociais de solidariedade; e assim, o culto que é fruto da Missão à medida que é realizado, torna-se
igualmente propulsor dela (VAGAGGINNI, 2009, p.704).
O culto, embora tenha sua natureza imbricada com a Missão (singular), tem a sua identidade que
vai além das Missões (plural) . O que corrobora essa percepção mais abrangente é a afirmação de
que, ainda que haja estreita conexão entre culto e Missões, não cabe a ele a dimensão utilitarista,
mas há que se considerar a necessidade dos cristãos de participarem da atividade divina em favor
dos homens. Sendo assim, o culto celebrado pela Igreja-em-Missão consolida o sacerdócio universal
dos cristãos, sacerdócio esse que é comunitário.

1Missão e colonialismo – indica-se a leitura de BOSCH, 2007, p. 366- 378.


2Culto e Missões – recomenda-se a leitura de HAHN,2011, capítulo III.

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[...] uma vez que nos damos conta de que a missão, é Missio Dei,
podemos perceber que também o culto é parte da Missão de Deus. Isto coloca os atos
cúlticos num novo contexto [...] (DAVIES, 1977, p. 104).

Referências

BOSCH, David J. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão.


Trad. Geraldo Korndorfer; Luis Marcos Sander. 2. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2007.
DAVIES, J. G. Culto e missão. Trad. Luiz Marcos Sander. Porto Alegre: Concordia; Sinodal, 1977.
FLORISTAN, Casiano. Teología práctica: teoría y praxis de la acción pastoral. Salamanca:
Sigueme, 2002.
HAHN, Carl Joseph. História do culto protestante no Brasil. Trad. Antonio Gouvêa Mendonca.
2. ed. São Paulo: ASTE - Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 2011.
SUESS, Paulo. Introdução à teologia da missão: convocar e enviar: servos e testemunhas
do reino. Petrópolis: Vozes, 2007.
VAGAGGINI, Cipriano. O sentido teológico da liturgia. Trad. Francisco Figueiredo de Moraes.
São Paulo: Loyola, 2009.
ZWETSCH, Roberto Ervino. Missão como com-paixão: por uma teologia da missão em
perspectiva latino-americana. São Leopoldo; Quito: Sinodal; CLAI, 2008.

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Universidade Metodista de São Paulo
Estudo de Teologia na Prática Pastoral

Módulo

Ética: a humanidade
em busca da
sustentabilidade
da vida
Prof. Helmut Renders

Objetivos:
Mostrar como a humanidade desenvolve
sua(s) ética(s) a partir de expressões culturais
concretas e de seus desafios geográficos,
econômicos, políticos, sociais, étnicos
e religiosos.
Destacar a importância da contínua formulação
da ética como possível base da convivência e
colaboração mútuas da humanidade.
Esclarecer conceitos centrais e oferecer uma
visão panorâmica do desenvolvimento da ética
desde a Antiguidade.

Palavras-chave:
Ética de normas; ética de virtudes; ética de
deveres; ética de responsabilidade; ética
deontológica; ética teleológica; ética de
discurso; moral e ética.

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A ética, uma questão da sobrevivência em dignidade
A ética tem como propósito principal contribuir para a sobrevivência em dignidade de pessoas,
grupos, povos, nações, enfim, toda humanidade e criação. Muitas vezes, “sentimos” a abrangência
de nossas responsabilidades em escala bem mais restrita, inclusive na igreja! Será que nós vivemos
num mundo global com uma mentalidade tribal ou apenas familiar? Será que a humanidade, em
toda a sua diversidade, pode chegar a um consenso a respeito da organização social e das políticas
públicas, direitos e deveres pessoais, liberdades e compromissos cívicos? Se por acaso chegar, em
que base seria isso? A ética cristã tem algo a oferecer ou será que atrapalha?
Tentaremos desenvolver esta discussão em duas unidades distintas. Na primeira unidade, vamos
nos familiarizar com diferentes escolas de pensamento ético. Na segunda, vamos introduzir a ética
cristã como parceira nesta discussão ética e mostrar em casos concretos como ela pode fazer toda
diferença.

“O tempora, o mores” – a ética como análise


e proposta para o moral no tempo
Partimos da noção de que nossos dias são amorais. “Que tempo, que costumes”, já os romanos
resmungaram. Mas a que chamamos, exatamente, falta de ética? Entendemos “moral” como um
conjunto de costumes ou hábitos, regras, ritos etc. estabelecidos por um grupo social, religioso
ou até a “maioria” de uma sociedade. A “ética” é, diferente disso, a reflexão [auto]crítica sobre as
bases, os objetivos, os limites, o potencial dessa moral e de outras morais. Para podermos ser éticos,
precisamos pensar, analisar, avaliar, relacionar, discutir e propor.
Neste sentido, não houve nos últimos quinhentos anos uma falta generalizada de ética. De fato,
nunca se discutia os modelos de comportamento e suas bases. Para garantir e não perder o convívio
respeitoso com sociedades cada dia mais complexas e diversas, multiétnicas, plurirreligiosas e, ao
mesmo momento, laicas, precisava-se desenvolver novas propostas. Não bastava mais recorrer a
uma só tradição religiosa, precisava-se de bases universais da ética.

Modernidade e modernidade tardia:


500 anos de re-leituras éticas
Olhando para a história da ética, podemos ver que novas propostas éticas ou releituras de éticas
anteriores se acumulam nas fases de transição entre épocas. O antigo não respondia mais plenamente,
o novo ainda não existia. Veja a seguinte tabela inspirada em Max Josef Suda (2005; apud RENDERS,
2009, p. 79):
Antiguidade Medieval Modernidade 1350/1450/1750 – Modernidade tardia
3550 a.C. – 1500 d.C. 500 – 1350 d.C. 1900 d.C. 1900-2008 d.C.
Ética dos mandatos (D. Bonhoeffer)
Ética da profissão (M. Lutero)
Ética da norma Ética da responsabilidade
Ética da decisão (calvinismo)
(M. Weber; H. Jonas)
Ética de princípios (ou da ordem) (E.
Lei da natureza Lei natural Ordem da criação = lex aeterna
Brunner; P. Althaus; W. Elert; W. Künneth
(Estoa) (T. de Aquino) (escolástica tardia e novo)
H. Thielicke)
Ética utilitarista
Ética da felicidade (J. Bentham e J. Stuart Mill) Ética de valores
(Aristóteles) Ética da intenção (M. Scheler)
(séculos XVIII e XIX)
Ética de virtudes
Ética de virtudes Ética de discurso
(ainda em parte Wesley)
(Estoa) (J. Habermas)
Ética de deveres (I. Kant e D. Ross)

Ética da situação
(J. Fletcher)

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Universidade Metodista de São Paulo
Todas estas éticas tinham uma data de nascimento, mas não vinham, necessariamente, com
uma data de validade (cf. FORELL, 1994; YUNES/BINGEMER, 2001; GARDNER, 1982). Isso deve ser
considerado por uma ética para o contexto brasileiro. Mentalidades mais medievais convivem com
mentalidades modernas e “pós-modernas”, todas valorizadas por grupos sociais e religiosos distintos,
determinados também por aspectos geográficos em ambientais (pessoas da zona rural e do espaço
urbano). Ética é e precisa ser feita de forma contextual. Assim, as propostas contemporâneas combinam
perspectivas de éticas (KEELING, 2002; SINNER, 2007; MAY, 2008).

Imagem 1

Ética deontológica e teleológica


Outros conceitos éticos ajudam a analisar as diversas éticas aqui listadas. Éticas deontológicas
avaliam uma ação a partir de suas convicções fundantes. Elas perguntam: O que eu devo querer? Éticas
teleológicas concentram-se nas consequências de uma ideia e ação. Qual é o resultado? Avaliamos
ainda as limitações de argumentações teleológicas e deontológicas:

Éticas deontológicas Éticas teleológicas

Exemplos: ética utilitarista; ética de decisão;


Exemplos: ética normativa; ética de princípios; ética de virtude
ética social; ética de discurso

Somente obedecer a um mandamento ou uma ordem O objetivo não justifica os meios:


ainda não garante o caráter ético de uma ação “Eu somente queria o seu melhor”

Pode se transformar num rigorismo sem misericórdia Pode se transformar num oportunismo pragmático

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Lei natural, mandatos e instituições
Na história, a estruturação da vida social foi vista no mundo inteiro como definida por Deus(es).
A ética da lei natural como lei universal da Estoa marcou o Ocidente. Com a Renascença, a primeira
fase da modernidade, abre-se a discussão para a estruturação da sociedade como responsabilidade
humana.
Antiguidade Modernidade Modernidade tardia
A ordem social é eterna fundação divina (discurso católico, cf. MESSNER, 1960)
1945+: retorna na ética do estado
Ética da
1948: base dos direitos humanos
lei da natureza
1948: base dos
direitos humanos
1920: ordem eterna: a ordem é considerada
divina; ordem de preservação: o pecado
Ética da ordem
estrutural é imaginável, estruturas precisam
da contínua reforma (discurso protestante)
1900: instituições são estruturas da plena
responsabilidade humana (Weber)
Ética de instituições
1940: mandatos são ordens sobre
e mandatos
a responsabilidade humana (cf.
BONHOEFFER, 2008)

A fundação do Estado, de suas instituições, seu funcionamento e seus objetivos, tanto a partir de
uma lógica ética religiosa ou secular, não mostrou resultados satisfatórios. A teoria baseada na lei da
natureza defendeu, em geral, as ordens estabelecidas e, com elas, também suas inerentes injustiças.
As teorias vinculadas à pessoa humana, como a ética da responsabilidade, de Max Weber, tentaram
contornar este desafio.

Ética individual, pessoal e social


Apesar de o século XX ser o século da ética social (KEELING, 2002, p. 12), a ética pessoal continua
sendo importante. Apesar da distinção comum entre ética individual e ética social, propomos uma
versão tripla (RICH apud RENDERS, 2009, p. 84-85):
• ética individual (por exemplo: os cuidados com a própria saúde e uso privado de sua
propriedade);
• ética pessoal (responsabilidade para com outras pessoas);
• ética social (a responsabilidade em relação a instituições, constituição e legalização).
O entrelaçamento dos três níveis é importante para nossa compreensão da cidadania.
Há uma discussão específica brasileira sobre a chamada “ética cordial”, descrita, em parte, como
a invasão da esfera pública pelos costumes relacionados à esfera privada (HOLANDA, 2004; IANNI,
2002) ou o “jeitinho brasileiro” (da MATTA, 2000), tanto no nível pessoal como institucional.

Além dos antropocentrismos: ética e sustentabilidade


Além disso, estamos entrando em uma nova marca pela transição de uma ética antropocêntrica para
uma ética que contempla toda a criação ou a natureza e todos os ciclos e todas as interdependências
da vida. Nesta perspectiva, precisamos recriar em parte intuições antigas perdidas do entrelaçamento
sem cair em atitudes éticas pré-modernas de normatização e super-regulamento. Talvez isso seja mais
bem garantido por perspectivas pluricêntricas e éticas que favorecem perspectivas múltiplas.

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Universidade Metodista de São Paulo
Bibliografia básica
BONINO, M. Ama e faze o que quiseres. Trad. Luiz Aparecido Caruso. São Bernardo do Campo:
Imprensa Metodista, 1972. 196p.
DUSSEL, E. Ética comunitária. Trad. Jaime Clasen. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. (Série III: A
libertação na história). 285p.
KEELING, M. Fundamentos da ética cristã. Trad. Aharon Sapsezian. São Paulo: Aste, 2002.
223p.
MAY, R. H. Discernimento moral: uma introdução à ética cristã. Trad. Walter O. Schlupp. São
Leopoldo: Sinodal, 2008. 157p.
SINNER, R. Confiança e convivência. Reflexões éticas e ecumênicas. São Leopoldo: Sinodal,
2007. 152p.

Referências
BONHOEFFER, D. Ética. Trad. Helberto Michel; Comp. Eberhard Bethge. 8. ed. São Leopoldo:
Sinodal, 2008. 217p.
GARDNER, E. C. Fé bíblica e ética social. 2. ed. São Paulo: Aste, 1982 (1. ed., 1965). 445p.
FORELL, George W. Ética da decisão: introdução ao estudo da ética cristã. 5. ed. São Leopoldo:
Sinodal, 1994.
HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. 26. ed. (19ª reimpressão). São Paulo: Schwarcz,
2004. (1. ed. de 1936).
IANNI, O. Tipos e mitos do pensamento brasileiro. Sociologias. Porto Alegre, n. 7, jun. 2002.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
45222002000100008&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 6 out 2009.
MATTA, R. O que faz o brasil, Brasil? Ilustr. Jimmy Scott. 11. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
126p.
MESSNER, J. Ética social: o direito natural no mundo moderno. Trad. Alipio Maia de Castro. São
Paulo: Quadrante: Edusp, 1960. 518p.
RENDERS, H. O cotidiano, a pluralidade de perspectivas éticas e o discernimento moral: a
necessidade das distinções e decisões. Caminhando, v. 14, n. 1, p. 77-92, jan./jul. 2009. Disponível
em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/CA/article/ view/1066>.
Acesso em: 10 out. 2009.
YUNES, E.; BINGEMER, M. C. L. (Orgs.). Virtudes. São Paulo: Loyola, 2001. 158p.

Imagem 1:
Painel “Presença social metodista no Brasil”; Artistas: Marco Brescovici e Francisco José Bracht.
Local: Edifício Ômega da Faculdade de Teologia.

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Universidade Metodista de São Paulo
Estudo de Teologia na Prática Pastoral

Módulo

Ética cristã: a vida


sob a graça e o
compromisso com
o outro diferente e
todo o habitat
Prof. Helmut Renders
Prof. Rui de Souza Josgrilberg

Objetivos:
Descrever as contribuições específicas da ética
cristã para uma vida feliz e responsável.
Distinguir níveis e formas diferentes
da ética cristã.
Mostrar que a felicidade humana e seu futuro
dependem do exercício contínuo da ética
a partir de áreas concretas e relevantes em
nosso cotidiano.

Palavras-chave:
Ética cristã; justiça; amor; ética pessoal; ética
social; graça e sustentabilidade.

www.metodista.br/ead
Introdução
Na primeira unidade acompanhamos como as reflexões éticas se desenvolveram no decorrer da
história. Mas qual é a contribuição cristã específica no campo da ética? Como se chega a conclusões
no cotidiano?

O sujeito ético cristão


Como se constitui o sujeito ético cristão em comparação ao sujeito ético comum? Ele “… também
deve ser visto como envolvido numa trama de interpelação e resposta, mas que na sua especificidade
pessoal possui fundamento na narrativa bíblica” (JOSGRILBERG, 2008, p. 80). Na tradição cristã, a
Bíblia sempre marcou a ética (por exemplo, CRÜSEMANN, 2006; SCHRAGE, 1994), entretanto, com
pesos diferentes na tradição católica e protestante (BOEKLE, 1993, p. 252-257; SCHELLONG, 1993,
p. 257-262). Apesar disso, houve uma aproximação nas décadas de 1970 e 1980.
Consideramos como temas centrais das Escrituras:
• a primazia da graça de Deus e seu impacto sobre os seres humanos;
• a doutrina da imagem de Deus como expressão de capacidade humana, enquanto face a face
com Deus;
• o perdão como possibilidade da superação de círculos viciosos de vingança e do legalismo;
• o compromisso ético e moral como resposta humana ao compromisso mostrado pelo Deus
trino da aliança em superação de uma vida desinteressada no bem-estar integral dos outros;
• o amor – no nível pessoal – e a justiça – no nível institucional ou público – como virtudes, atitudes
e princípios que regem os relacionamentos;
• uma opção preferencial para com os mais necessitados seja por razão que for;
• o Reino de Deus como horizonte de esperança.

Ética teológica
Descrevemos na unidade anterior a ética como reflexão criteriosa da moral. A ética teológica
segue a mesma lógica:

Vista dessa forma, a ética teológica não deve ficar somente na análise, mas pretende contribuir
para soluções concretas que orientam o comportamento das pessoas no cotidiano e que se refletem
e interagem nas formas institucionais.
Poderíamos interpretar “ética teológica” também como ética eclesiástica, ou seja, uma ética
específica que rege na Igreja. Historicamente, as éticas luteranas, com sua tendência a distinguir
radicalmente entre a esfera pública e a esfera da Igreja, e a ética hierárquica católica, com regras
diferenciadas para o laicato, o clero e os monastérios, fizeram mais uso disso. Apesar disso, criam-se
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Universidade Metodista de São Paulo
mais e mais Igrejas com um código de ética pastoral próprio, ou seja, profissional (por exemplo,
COLÉGIO EPISCOPAL, 1998):
• das responsabilidades gerais do pastor, da pastora;
• das responsabilidades e relações com a denominação e com a igreja local;
• das relações com outros/as pastores/as da igreja;
• das relações com pastores/as de outras denominações;
• das relações com órgãos oficiais, associações comunitárias, partidos políticos e governantes;
• da confidencialidade;
• do subsídio;
• da autodisciplina e da disciplina eclesiástica.

Ética teológica latino-americana


Já vimos que a ética teológica latino-americana, diante das profundas mudanças em suas
sociedades, avaliou muitas vertentes em suas contribuições. Na década de 1970 e 1980, o metodista
Miguez Bonino (1972) e o católico Enrique Dussel (1987) apresentaram contribuições mais autônomas.
Dussel sugeriu não somente uma ética social, mas comunitária. Ele transformou a tendência católica
da valorização da igreja institucional numa valorização das comunidades eclesiásticas de base, o que
o aproxima das éticas protestantes concebidas para suas respectivas comunidades locais.
Nas publicações protestantes mais recentes dominam combinações de éticas. O presbiteriano
Michael Keeling (2002, p. 181-200) sugere uma ética da responsabilidade com base na doutrina da
graça, sobre consideração da ética individual e social. O metodista Roy H. May (2008, p. 77-88 e
113-126) combina uma ética de virtudes com uma ética da responsabilidade, e o reformado Rudolf
von Sinner (2007, p. 9-26, 75-76) constrói sua ética individual-social a partir da ênfase na ética da
confiança – com muita proximidade à ética de virtude –, uma ética de valores e, entretanto, menos
destacado, uma ética de responsabilidade.

Questões concretas
Para responder perguntas concretas, encontramos estratégias diferentes. Primeiro, sugerimos
combinar perspectivas, por exemplo, a ética deontológica e a ética teleológica. Confira, por
exemplo, M. Bonino. Ele alerta que requerer um simples manual pode “… pôr em jogo nossa liberdade
e responsabilidade pessoal…”, e sugere, em vez disso, “… uma concepção comunitária da decisão ética…”
(1982, p. 106 e 108). (1982, p. 145-153):

Distinção de níveis da ação:

• O nível da ação pessoal.


• O nível da ação organizada.
• O nível da ação da comunidade cristã.

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Consideração de quatro momentos ou aspectos:

• O aprofundamento do aspecto bíblico (consideração da Bíblia).


• A consideração da comunidade cristã (consideração da tradição religiosa).
• A análise da problemática atual no assunto correspondente (consideração das ciências
[humanas]).
• A escolha de opções possíveis sobre a consideração do ambiente real do mundo da vida.
Outra proposta é de Heinz E. Toedt (1988):

Distinção inicial: o problema é de natureza ética, religiosa ou estética?

• Problema estético: a distinção entre o (mais) belo ou o (mais) feio não é feita pela ética, mas
segue a convenção ou teorias próprias.
• Problema religioso: um problema religioso seria, por exemplo, a relação entre um
comportamento e a falta de fé. A ética não pode nem deve contemplar este aspecto.
• Problema ético: decisão entre uma ou mais alternativas de ação ou comportamento. Isso
envolve, muitas vezes, conflitos entre normas, interesses ou direitos.

Preparo da decisão a partir de perspectivas deontológica, teleológica e da situação:

• Análise da situação: qual é o contexto real?


• Avaliação das alternativas: existem alternativas de comportamento?
• Análise de normas: quais normas deveriam ser consideradas neste caso?

Conclusão e avaliação:

• Conclusão: qual é comportamento indicado? O que devo fazer?


• Revisão retroativa: a decisão foi adequada?

A inclusão de pessoas com deficiência como desafio para a ética


Há muitos temas que continuamente necessitam de nossos cuidados éticos, ou seja, nossa
cuidadosa e responsável reflexão sobre os desafios da moral no cotidiano. Um deles é a questão
da inclusão de pessoas com deficiência. A própria moral religiosa e seus respectivos costumes
colaboraram, no passado, para a discriminação desse grupo de pessoas. No presente representam
a idolatria do corpo eternamente jovem e “saudável” e as promessas de curas instantâneas numa
nova onda de potencial discriminação. Como cristãos e cristãs, como Igreja em conjunto, devem se
posicionar? O que devem fazer?
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Universidade Metodista de São Paulo
Bibliografia básica
BONINO, M. Ama e faze o que quiseres. Trad. Luiz Aparecido Caruso. São Bernardo do Campo:
Imprensa Metodista, 1972. 196p.
DUSSEL, E. Ética comunitária. Trad. Jaime Clasen. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. 285p. (Série
III: A libertação na história).
KEELING, M. Fundamentos da ética cristã. Trad. Aharon Sapsezian. São Paulo: Aste, 2002.
223p.
MAY, R. H. Discernimento moral: uma introdução à ética cristã. Trad. Walter O. Schlupp. São
Leopoldo: Sinodal, 2008. 157p.
SINNER, R. Confiança e convivência. Reflexões éticas e ecumênicas. São Leopoldo: Sinodal,
2007. 152p.

Bibliografia da unidade
BOEKLE, F. Ética: ponto de vista católico. In: EICHLER, P. (Org.). Dicionário de conceitos
fundamentais de teologia. Trad. João Rezende Costa; Direção de Peter Eicher. São Paulo: Paulus,
1993. p. 252-257.
COSTA-RENDERS, E.C. Inclusão de pessoas com deficiência: um desafio missionário. São Bernardo
do Campo: Editeo, 2009. 102p.
COLEGIO EPISCOPAL DA IGREJA METODISTA. Código de ética pastoral: carta pastoral do Colégio
Episcopal da Igreja Metodista. São Paulo: Colégio Episcopal da Igreja Metodista, 1998. (Biblioteca
Vida e Missão, documentos – n. 7).
CRÜSEMANN, F. Preservação e liberdade: o decálogo numa perspectiva histórico-social.
Trad. Haroldo Reimer. São Leopoldo: Sinodal, 2006. 85p.
JOSGRILBERG, R. S. A condição do sujeito ético. Caminhando. v. 13, n. 21, p. 73-83, jan.-jun.
2008. Disponível em: < https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/CA /article/
view/1219/1230>. Acesso em: 20 ago. 2011.
RENDERS, Helmut. “Graça, salvação e teologia da sustentabilidade como tema da teologia
wesleyana: discussões, acentos e contribuições”. In: Teocomunicação, vol. 40, n. 2, p. 213-237
(maio/ago. 2010). Disponível em: < http://revistaseletronicas.pucrs.br /fo/ojs/index.php/teo/
article/view/6705/5711>. Acesso em: 20 ago. 2011.
SCHELLONG, D. Ética: ponto de vista protestante. In: EICHLER, P (Org.). Dicionário de conceitos
fundamentais de teologia. Trad.João Rezende Costa; Direção de Peter Eicher. São Paulo: Paulus,
1993. p. 257-262.
SCHRAGE, W. Ética do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994. 388p. TÖDT, H. E.
Perspektiven theologischer Ethik. München: Kaiser, 1988.

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Universidade Metodista de São Paulo
Estudo de Teologia na Prática Pastoral

Módulo

Cristianismo radical
X Igreja oficial
– uma análise de
movimentos excluídos
na história antiga
e medieval

Prof. Douglas Nassif Cardoso

Objetivos:
Identificar as origens, as características e o
desenvolvimento do Montanismo
e do Donatismo.
Avaliar as propostas e os expoentes
destes movimentos, traçando paralelos
com a história contemporânea.

Palavras-chave:
Nova Profecia; Montanismo; Montano;
Priscila; Maximila; Donatismo;
Lapsi; Donato e Circumcelliones.

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Parte 1 – Nova profecia ou montanismo
Este movimento surgiu na aldeia de Ardabau, na região da
Frígia, atual Turquia, na Ásia Menor, entre 156 e 172. Seu fundador
e líder principal, Montano, um ex-sacerdote de Cibele, converso ao A continência produz
cristianismo, iniciou um movimento radical ao qual denominou a harmonia da alma
Nova Profecia. Com o passar do tempo, o movimento foi chamado
e os puros têm visões
de Montanismo por seus detratores.
e inclinando-se
Montano pregava a necessidade de restaurar a pureza da
profundamente ouvem
igreja segundo o modelo do cristianismo primitivo, por meio do
derramamento do Espírito Santo e da proclamação de uma Nova vozes que lhes dizem
Profecia que encaminha os fiéis para a observância de rigorosa palavras de salvação
disciplina, preparando-os para a eminente volta do Senhor. e secretas.
As igrejas da Frígia foram formadas sob a força do martírio (Priscila)
imposto pelo Império Romano. Só no século II houve quatro ciclos
de perseguição naquela região: em 112 sob Trajano, em 155 sob
Antonino Pio, quando foi executado o mais famoso mártir da Ásia Menor – Policarpo de
Esmirna – e, finalmente, nos anos de 165 e de 185, sob Marco Aurélio.
Estes sofrimentos eram interpretados pelos seguidores de Montano como uma depuração divina
de seu povo. Desenvolveu-se uma teologia do martírio, tido como um segundo batismo, atestando a
fé dos confessores e mártires. A Nova Profecia foi um dos movimentos que mais forneceram mártires
na perseguição romana.
Desde o início juntaram-se a Montano duas profetizas – Priscila e Maximila – e os três proclamavam
mensagens com forte ênfase escatológica, em culto com momentos de êxtase e revelações. A dinâmica
do culto atraiu adeptos não só nas áreas rurais, base do movimento, mas também nas cidades.
A Nova Profecia rompeu com diversas tradições eclesiásticas presentes nas igrejas cristãs da
segunda metade do século II. Uma delas, a participação das mulheres em cargos de liderança, talvez
motivada pela experiência de igualdade do trabalho de camponeses e de camponesas. Além disso,
foi diminuída a importância dos cargos eclesiásticos. Não havia episkopos (bispos), mas koinonos
(companheiros).
O movimento apresentava risco à institucionalização que estava sendo desenvolvida para dar
coesão doutrinária e evitar heresias como aquelas apresentadas pelo marcionismo. Quanto à doutrina
da sucessão apostólica, a Nova Profecia apresentava a doutrina do carisma, isto é, não importava
a origem do líder, mas a demonstração de seus dons. Da mesma forma, um movimento que se
apresentava como “uma nova expressão doutrinária” colocava-se em rota de colisão com um cânon
fixo, preestabelecido e com interpretações normativas.
A maior parte dos bispos do final do século II opunha-se à Nova Profecia, entretanto, vale ressaltar
que houve defensores do movimento, entre eles destaca-se Irineu de Lião. Outros Pais, mesmo
sem haver registro de posição na controvérsia montanista, enfatizavam o caráter carismático da igreja,
caso de Justino Mártir e de Taciano, o sírio.
Tertuliano de Cartago, importante Pai da Igreja, aderiu à fé montanista em 207. Para ele, o
comprometimento dos membros da Nova Profecia tornava-a uma igreja pura que, inclusive, chamava
seus participantes de “homens do Espírito”. O Concílio de Constantinopla (381) condenou a doutrina
montanista. O imperador Leão III, em 722, lançou edito que obrigava todos os adeptos da Nova
Profecia a serem submetidos ao batismo. Portanto, existem vestígios da presença deste movimento
até o século VIII.

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Universidade Metodista de São Paulo
Parte 2 – Donatismo
O movimento surgiu no norte da África por ocasião da
perseguição à Igreja imposta p o r Diocleciano, e m 3 03. N e sta
ocasião, um edito imperial determinava a entrega das Escrituras Que tem a ver
e dos objetos sagrados. Os cristãos que acatassem a lei eram o imperador com
denominados traditores, isto é, que os haviam entregado (traditio)
a igreja?
os livros sacros, ou de lapsi, que significava caídos na fé. A questão
passava pela interpretação teológica se haveria perdão aos lapsi, e (Donato)
também se os atos pastorais destes últimos eram válidos.
A situação ficou crítica quando da morte do bispo Mensúrio de Cartago, em 312. Para
seu lugar foi eleito Ceciliano, rejeitado por parte da comunidade por ter sido consagrado
pelo bispo Félix de Aptunga, reconhecido como um traditor. O bispo-primaz da Numídia
não aceitou Ceciliano e convocou um sínodo com 70 bispos presentes que elegeram e consagraram
um novo bispo para Cartago, Majorino. O cisma estava instalado: havia dois bispos para Cartago.
Informado da situação, Constantino instituiu um tribunal, em outubro de 313, para arbitrar a
questão. A decisão favoreceu Ceciliano. Inconformados, os donatistas apelaram ao imperador. Nesta
ocasião, morre Majorino e é consagrado em seu lugar Donato, denominado o grande. O Sínodo
de Arles, reunido em 1° de agosto de 314, reconheceu a validade de uma consagração efetuada por
um traditor, absolvendo Ceciliano. Além disso, o Sínodo considerou válidos os demais atos pastorais
realizados por um lapsi.
Uma nova questão aprofundou o cisma donatista – a política. Os bispos africanos não aceitavam
o papel de subordinação ao bispo de Roma, a quem chamavam de “agente do império”. Donato,
denominado por Agostinho “a pedra preciosa de Cartago”, era inteligente, culto e carismático. Dirigiu
o movimento até sua morte em 355, promovendo a formação de uma forte igreja africana.
A tendência cesaropapista do cristianismo pós-constantiniano estimulou a formação de grupos
de resistência. Entre os donatistas surgiram, a partir de 340, os circumcelliones, que recebiam este
nome por ficarem perto das cellae, isto é, das igrejas dos mártires. Tratava-se de grupo armado com
inspiração nas tradições macabeia e dos zelotes, capaz de sacrificar suas vidas em prol da causa da
liberdade africana. Seus alvos preferenciais eram autoridades civis e imperiais, credores, enfim, os
que exploravam os pobres.
O donatismo foi confrontado por Agostinho de Hipona, que em 396 recomendou o uso da força
pelo Estado para submetê-los como criminosos comuns. Finalmente, em 12 de fevereiro de 405, o
imperador Honório assinou um decreto que classificava os donatistas como hereges e proibia
suas reuniões.
O movimento seguiu na clandestinidade tendo-se notícia de sua presença até o século VII, quando
ocorreu a invasão dos muçulmanos.

Referências
CAIRNS, E. E. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja. 2. ed. São Paulo:
Vida Nova, 2006.
LATOURETTE, K. S. Uma história do cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2006. v. 1.
MAGALHÃES, A. C. M. Uma igreja com teologia. São Paulo: Fonte, 2006.
WALKER, W. História da igreja cristã. 3. ed. São Paulo: Aste, 2006.

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Universidade Metodista de São Paulo
Estudo de Teologia na Prática Pastoral

Módulo

Cristianismo radical
X Igreja oficial
– uma análise de
movimentos excluídos
na história antiga
e medieval

Prof. Douglas Nassif Cardoso

Objetivos:
Identificar as origens, as características
e o desenvolvimento dos Valdensses
e do Hussitas.
Avaliar as propostas e os expoentes
destes movimentos, traçando paralelos
com a história contemporânea.

Palavras-chave:
Valdenses; Pedro Valdo; Hussitas;
Jan Zizka e Procópio, o Grande.

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Parte 1 – Os valdenses

“… se vestindo de forma simples, diligente, trabalhando com as próprias mãos, castos,


temperantes no comer e no beber, recusando-se a frequentar tavernas e danças, sóbrios e
verdadeiros no falar, evitando a ira, e considerando o acúmulo de riqueza como um mal”
(Latourette).
A história do movimento dos valdenses se inicia com o estabelecimento do jovem Pedro Valdo
na cidade de Lyon, na França, em 1140. Fixou residência nesta cidade, casou-se e teve duas filhas.
Trabalhou no comércio e iniciou negócio próprio, tornando-se próspero mercador.
Em certa ocasião, em 1173, conversava com um amigo que, de repente, caiu morto. Valdo ficou
muito impressionado com o episódio, perguntando-se o que ocorreria com ele se morresse. Com
esta preocupação, escutou uma canção que contava a história de santo Aleixo e seu voto de pobreza
e de castidade. Angustiado, procurou um mestre em teologia e perguntou o que deveria fazer para
salvar sua alma e este citou texto do evangelho: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens
e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem, e segue-me” (Mt 19.21).
Convencido desta resposta, Valdo, em 1176, separou recursos financeiros para sustento de sua
esposa e suas duas filhas, passando a distribuir o restante de sua fortuna aos pobres em praça pública,
por meio de gêneros alimentícios (pão, carne e outros produtos). Contratou dois sacerdotes para
traduzirem e fazerem cópias de diversos livros da Bíblia do latim para o idioma nativo.
Impactado com os textos dos evangelhos, Valdo tornou-se um pregador itinerante, passando a
ensinar o ideal da pobreza apostólica como nos dias da Igreja primitiva. Em breve surgiram discípulos
que também faziam voto de pobreza e disciplina evangélica, uma nova espécie de ordem monástica,
formada de cidadãos comuns. Com as adesões, Valdo enviava dois a dois a aldeias e cidades, com
a missão de pregar o Evangelho na língua do povo.
Proibido de pregar pelo bispo de Lyon, Jean de Belles-Mains, em 1177, o grupo de Valdo que se
intitulava os “pobres de espírito”, recusaram-se a obedecer, citando o texto: “Mais importa obedecer a
Deus do que aos homens” (At 5.29). Foram expulsos de Lyon. Em 1179, quando ocorria o III Concílio
de Latrão, os valdenses, apelido imposto pelos opositores, apelaram ao papa Alexandre III, que
determinou que só pregassem se fossem convidados por um bispo. Seguiram na clandestinidade.
O movimento expandiu-se na França e Itália. Em 1184, o papa Lúcio III excomungou os valdenses
por heresia, no Concílio de Verona.
As propostas dos “pobres de Lyon”, como eram conhecidos pelo povo, eram irreconciliáveis com
a estrutura da Igreja de seu tempo. Implicaria renunciar à pompa e ao poder temporal adquirido após
a reforma papal dos séculos XI e XII, em especial sob o pontificado de Gregório VII, que submeteu
todas as nações europeias ao domínio do papa. Os valdenses representavam um modelo alternativo
de cristandade que denunciava excessos eclesiásticos e ganhava simpatia popular.
Expulsos da igreja oficial, os valdenses organizaram-se como uma nova igreja, com doutrinas
e costumes próprios. Ensinavam o sacerdócio universal dos cristãos, isto é, que leigos, homens e
mulheres poderiam pregar, batizar e celebrar a eucaristia. Retomaram a questão dos lapsi, isto é,
dos sacerdotes indignos, que por seu pecado tornavam sem efeito os sacramentos e demais atos
pastorais. Priorizavam o ensino das Escrituras sobre a tradição. A organização e proposta dos valdenses
caracterizam um movimento de reforma três séculos antes de Lutero.

Parte 2 – Os hussitas
O nome do movimento denuncia a influência do chamado “apóstolo da Boêmia”, John Huss,
morto por determinação do Concílio de Constança, em 16 de julho de 1415. Um pouco antes da
execução de Huss, o Concílio proibira a participação dos leigos no cálice da eucaristia.

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Universidade Metodista de São Paulo
A reação à execução do reformador de Praga e às novas
prescrições foi imediata. Em setembro de 1415, reuniram-se 450
nobres da Boêmia e da Morávia e enviaram manifesto de protesto
às decisões tomadas pelo Concílio.
Eu disse que, nem
O rei da Boêmia, Wenceslau e o arcebispo de Praga, Conrado,
por uma capela cheia
tomaram posição favorável às determinações do Concílio. O
imperador do Sacro Império Romano- de ouro, abandonaria
a verdade.
Germânico, Sigismundo da Germânia, escreveu aos nobres
ameaçando afogar todos os simpatizantes de Wycliff e Huss. (John Huss)
A insensibilidade da Igreja e do rei ao protesto pelo martírio
de John Huss e à restrição da distribuição dos dois elementos promoveu a união
dos discípulos deste com nacionalistas formando um partido denominado hussita. Foi
escolhido um cálice como símbolo da bandeira do movimento.
A execução no Concílio de Constança de Jerônimo de Praga, principal discípulo de Huss, em 30
de maio de 1416, associada à truculência do imperador, desencadeou a revolta do povo da Boêmia.
O principal líder do movimento hussita, Jan Zizka de Trocnov, escolheu uma colina na região sul da
Boêmia para estabelecer uma fortaleza, denominada Tabor (tenda em checo). Os hussitas dividiam- se
em duas correntes ideológicas, os utraquistas ou calixtinos (moderados) e os taboritas (radicais).
Zizka liderou os hussitas de 1417 até sua morte, vitimado pela peste, em 1424. Em 1419, conquistou
Praga, tornando-a independente do rei da Boêmia e do Sacro Império. Seus êxitos nas campanhas
militares foram reconhecidos por Sigismundo.
Os utraquistas ou calixtinos, formados em
sua maioria por nobres residentes em Praga,
apresentavam quatro reivindicações ao Império
e à Igreja: 1) liberdade de pregação na Boêmia;
_________________________________________
2) administração da comunhão nas duas espécies;
3) redução do clero à pobreza apostólica e à vida _________________________________________
de piedade sem acesso ao domínio secular e
de bens terrenos; 4) estabelecimento de severa _________________________________________
disciplina eclesiástica em caso de pecados mortais
e escândalos, independentemente das pessoas
_________________________________________
envolvidas. _________________________________________
Os taboritas, com maior participação popular,
d e s e n volveram i n teressante c o n f i s s ã o d e f é ,
_________________________________________
composta de 12 artigos, em 1442, com fortes marcas _________________________________________
que seriam utilizadas pelos futuros movimentos de
reforma. Posteriormente, os taboritas dividiram-se _________________________________________
em duas correntes: os espirituais, que desejavam a
reforma da Igreja e de quem são descendentes _________________________________________
os morávios (unitas fratum), e os zelotes, grupo
_________________________________________
guerreiro preocupado com a libertação nacional.
Procópio, o Grande, sucedeu Zizka no comando _________________________________________
das tropas hussitas. Juntos, os dois comandantes
_________________________________________
venceram as cinco cruzadas enviadas pelo papa
Martinho V. Durante uma década, de 1424 a 1434, _________________________________________
Procópio derrotou as tropas imperiais, sucumbindo
na última batalha, em que os utraquistas juntaram- _________________________________________
se ao Sacro Império contra os taboritas.

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Referências
CAIRNS, E. E. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja. 2. ed. São Paulo:
Vida Nova, 2006.
LATOURETTE, K. S. Uma história do cristianismo. São Paulo: Hagnos, 2006. v. 1.
TRON, E. História de l os v aldenses. Colonia Valdense, Uruguai: Libreria Pastor Miguel
Mores, 1952.
WALKER, W. História da igreja cristã. 3. ed. São Paulo: Aste, 2006.

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Universidade Metodista de São Paulo
Estudo de Teologia na Prática Pastoral

Módulo

Viver e
pensar a fé

Prof. José Carlos de Souza

Objetivos:
Analisar criticamente como a reflexão bíblica
e teológica, e a investigação e o estudo da
história estão presentes no cotidiano da prática
pastoral nas igrejas locais.
Reconhecer o vínculo indissociável que
há entre teoria e prática, bem como entre as
diferentes disciplinas que integram o campo
teológico.

Palavras-chave:
Teologia, fé e conhecimento; prática
pastoral; estudo e reflexão.

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Introdução
Uma das grandes dificuldades enfrentadas por aqueles que concluem um curso superior é como
integrar o conhecimento adquirido na faculdade ao cotidiano da vida profissional. Encerrados os
estudos formais, muitas pessoas se limitam ou a colocar em prática apenas algumas técnicas, nem
sempre assimiladas com o devido cuidado, ou a reproduzir, sem questionamento ou reformulação,
conteúdos teóricos elementares. Na verdade, o diploma universitário não é garantia de que
seu possuidor está plenamente habilitado para empregar saberes e ferramentas ministrados no
período de sua formação, tanto na solução criativa de problemas eventuais quanto na construção
de novos conhecimentos em seu campo de trabalho. Vários fatores, desde contradições individuais a
complexidades do sistema social e educacional vigente, contribuem para que as coisas “funcionem”
dessa maneira. No caso do estudo teológico, em particular, outra motivação é frequentemente
alegada, a saber, a convicção de que o conhecimento não somente é desnecessário, mas pode se
transformar em obstáculo para a vida de fé.

Soluções insatisfatórias
De fato, há pessoas que encaram o aprendizado teológico como simples etapa para alcançar o
reconhecimento oficial indispensável para o exercício do ministério pastoral em muitas igrejas. Alcançado
o título esperado, a leitura e a reflexão teológicas são abandonadas sumariamente. Na tentativa de
justificar tal comportamento, a frase – “Sou pastor; não sou teólogo!” – é tantas vezes repetida e com
tamanha ênfase que acaba por expor inegáveis traços de orgulho espiritual. Apesar disso, não deixa
de causar certo desconforto a simples indagação: é possível separar teologia e ação pastoral?
Infelizmente, existe uma longa tradição anti-intelectual na história cristã. Em muitas ocasiões, o
esforço da razão em compreender a revelação de Deus tem sido desqualificado por completo. Raras
vezes a filosofia foi tão desacreditada quanto na retórica de Tertuliano: “Ora, que há de comum entre
Atenas e Jerusalém, entre a Academia e a Igreja, entre os hereges e os cristãos? Nossa formação
vem do pórtico de Salomão. Ali se nos ensinou que o Senhor deve ser buscado na simplicidade do
coração. […] De que pesquisa necessitamos mais depois do Evangelho? Possuidores da fé, nada mais
esperamos de credos ulteriores” (Da prescrição contra os hereges). Também, em plena época da
Reforma, Lutero não poupou suas críticas às pretensões da “porca razão”, essa “Madame Jezabel”,
em alcançar a verdade divina. A bem da justiça, nem Tertuliano, nem Lutero desprezaram a reflexão
teológica, apesar das fortes censuras à autonomia e independência da razão, separada de Deus.
No Brasil, em parte pela grande influência do reavivamento estadunidense, constata-se, em
diversos círculos das Igrejas evangélicas e pentecostais, extrema desconfiança em relação à
investigação teológica. A urgência da tarefa de evangelização impõe a simplificação da mensagem
cristã, sua redução ao apelo de conversão, e, por fim, sua codificação em instruções singelas que
todos podem compreender. Mais que inútil, fazer teologia é visto como desvio da função básica da
Igreja, com grande potencial para se transformar em ameaça para a comunidade cristã.
Mais recentemente, a ênfase tem sido posta nas emoções. O importante, diz-se, é “sentir Deus”, não
tanto compreender seus caminhos ou procurar discernir sua vontade. Como resultado, supõe-se
que, na formação da liderança cristã, é mais valioso dominar estratégias de marketing religioso que
possuir sólida formação teológica. Quem se dedica ao serviço das igrejas deve ser capaz de excitar o
“coração”, isto é, reproduzir experiências e não ideias. Pensar é ação desestimulada, senão proibida!
Aliás, o impacto da cultura do entretenimento nos cultos evangélicos tem sido objeto de destaque
nas últimas pesquisas de Sociologia da Religião.
É bem provável que tal atitude represente uma reação ao formalismo e academicismo, presentes
em determinadas expressões teológicas que se distanciaram dos crentes comuns que participam das
igrejas locais. Contudo, nada justifica abster-se da reflexão teológica. Um erro não legitima outro.
Com acerto, Paul Tillich observou na introdução de sua História do pensamento cristão: “Não há
existência humana sem pensamento. O emocionalismo, tantas vezes dominante na religião, não é
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Universidade Metodista de São Paulo
mais importante do que o pensamento. É menos, isso sim. E reduz a religião ao nível da experiência
subumana da realidade”. (2000, p. 18)

Conjunções inseparáveis
Sem menosprezar os perigos implícitos na ciência humana (cf. 1 Co 8.1), o Novo Testamento,
em geral, não dissocia a fé ou a piedade do conhecimento. Antes, tudo deve estar
cimentado pela força do amor (cf. 2 Pe 1.5-7). Além disso, os seguidores de Cristo devem mostrar
prontidão “para responder a todo aquele que pedir razão da esperança” que neles habita (1 Pe 3.15).
Talvez por isso houve, na Igreja Antiga, pensadores que não hesitaram em incentivar inclusive
o uso da sabedoria secular. Basílio Magno (329-379), bispo de Cesareia, que, no ofício de pregador,
tanto se beneficiou de seu aprendizado na arte retórica, defendeu uma posição bem
tolerante em relação à cultura clássica: “Devemos imitar as abelhas: sugar o mel e deixar o
veneno”, um conselho que contextualiza, de
forma adequada, a palavra do apóstolo: “julgai
todas as coisas, retende o que é bom” (1 Ts 5.21).
_________________________________________
No período áureo da teologia escolástica,
era voz corrente afirmar que a fé busca a _________________________________________
inteligência e, ao mesmo tempo, é iluminada por
ela. Se considerarmos que teologia é reflexão, _________________________________________
elaborada no horizonte da fé e da vida cristãs,
sobre a prática missionária da Igreja, torna-se _________________________________________
inviável separá-la da ação pastoral do povo de _________________________________________
Deus em seu esforço para viver o Evangelho.
O teólogo luterano Gerhard Ebeling ilustrou, _________________________________________
com clareza, o elo profundo entre o exercício _________________________________________
teológico e a práxis eclesial, ao comentar que
“a teologia sem pregação é vazia, e a pregação _________________________________________
sem teologia é cega” (apud MARLÉ, 1973, p. 29).
Cultivá-las assim, unidas, é a única forma de _________________________________________
evitar tanto os malabarismos intelectuais,
_________________________________________
desconectados da vida comunitária, quanto os
sermões desprovidos de significado, embora _________________________________________
eloquentes.
_________________________________________
Como inteligência da fé, as igrejas não podem
prescindir da teologia. Aliás, todas as atividades _________________________________________
nas comunidades cristãs refletem concepções
teológicas, admitam-no ou não. John Wesley o _________________________________________
sabia muito bem, tanto que se preocupou em
oferecer a melhor preparação possível para os _________________________________________
pregadores leigos, agentes vitais do movimento _________________________________________
de renovação então em curso. Afinal, para ele,
pregar era, antes de tudo, anunciar a Palavra, e _________________________________________
não simplesmente relatar experiências pessoais
marcantes. Em outras palavras, requeria-se _________________________________________
o esforço consciente para correlacionar tais
_________________________________________
experiências com a mensagem bíblica e o
testemunho histórico da Igreja, no contexto de _________________________________________
uma clara interpretação teológica. A publicação
regular de literatura apropriada e a exigência _________________________________________
de dedicação à leitura, sempre relembrada por
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ocasião do exame periódico dos pregadores, são evidências da relevância que tal disciplina possuía
para Wesley. Ele não contemporizava com a relutância de alguns em se aplicar à leitura: “Adquira o
gosto [de ler] através do uso, ou volte para a sua antiga ocupação”. A seriedade do compromisso
com a Palavra requer amor às palavras e muito trabalho, além da graça divina, evidentemente. A
responsabilidade de Wesley com o discernimento teológico transparece igualmente no cuidado com
que selecionava os hinos que o povo entoava. Ele se sentia bastante seguro para afirmar que o hinário
metodista continha “as verdades centrais da fé cristã: um pequeno corpo de teologia experimental
e prática”. Aliás, em um dos versos de Charles Wesley, encontra-se a proposta que pode ser um
precioso corretivo para o ministério pastoral, tão fragmentado na atualidade: “Vamos unir o par há
tanto tempo separado: / Conhecimento e piedade vital; / Deixemos todos os homens verem / A ciência
e a sabedoria, / A verdade e o amor, combinados/ Naqueles que entregamos a Ti / Teus, totalmente teus,
para morrer e viver ” (tradução livre).

Unidade possível
Seria este um programa irrealizável? Dadas as condições dos dias de hoje, é razoável pensar que
sim. De fato, tudo parece concorrer para a desintegração entre fazer teologia e agir pastoralmente.
Entretanto, quando se volta para a história, logo se nota que, em momentos cruciais, os mais
significativos pensadores cristãos, homens e mulheres, não olharam o mundo ou a Igreja a partir
de uma torre de marfim. Muito menos se posicionaram como puros pragmáticos, voltados apenas
para a busca de soluções imediatas. Ao contrário, elaboraram sua teologia no meio do furacão.
Agostinho (354-430), por exemplo, era bispo ocupadíssimo em Hipona. Diariamente, pela manhã,
julgava os casos que o povo preferia confiar à sabedoria do pastor, antes do que à frieza dos tribunais;
à tarde, encarregava-se de visitar suas ovelhas, em especial as que mais necessitavam; à noite, punha
em dia sua correspondência (foram preservadas mais de 200 cartas de sua autoria) e se dedicava a
redigir as obras que ainda hoje são apreciadas, algumas das quais o ocuparam por 15, 20 e até 30 anos. O
conhecimento que tinha da realidade de seu tempo, bem como da herança cristã, é impressionante.
Que se pense também em Calvino (1509-1564): suas inclinações o levavam a uma carreira
exclusivamente consagrada aos estudos quando Farel o intimou a assumir a liderança da reforma
em Genebra. Dificilmente sua teologia teria alcançado a profundidade obtida sem essa militância
no movimento da reforma. Do mesmo modo, sua ação seria ineficaz se não estivesse integrada
à reflexão. O mesmo se pode dizer do teólogo batista Walter Rauschenbusch (1861-1918), um
dos expoentes do chamado evangelho social. O vigor de sua reflexão deriva de seu decidido
engajamento na luta pela transformação da sociedade norte-americana, marcada à época, como
hoje, por grandes contradições. Outras testemunhas, no sentido bíblico, poderiam ser lembradas,
porém estas são mais que suficientes para estimular a busca pela articulação dinâmica e criativa
entre prática pastoral e teológica.

Referências
MAGALHÃES, A. C. M. Uma Igreja com Teologia. São Paulo: Fonte, 2006.
McGRATH, A. E. Teologia sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã.
São Paulo: Shedd, 2005.
RENDERS, H. (Org.). Sal da Terra e Luz do Mundo: 100 anos do Credo Social Metodista. São
Bernardo do Campo: Editeo, 2009.
MARLÉ, R. Hermenêutica e Catequese. Petrópolis: Vozes, 1973.
TILLICH, P. História do Pensamento Cristão. São Paulo: ASTE, 2000.

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Universidade Metodista de São Paulo
Estudo de Teologia na Prática Pastoral

Módulo

Bíblia
e cotidiano

Profa. Suely Xavier dos Santos

Objetivos:
Analisar o quanto o estudo da Bíblia,
aliado ao pensar teológico, produz uma
espiritualidade madura. Demonstrar a
importância da leitura bíblica como um todo
(Antigo e Novo Testamentos).
Proporcionar uma reflexão sobre a
importância da tríade teologia-Bíblia-pastoral
no cotidiano das pessoas, e como, a partir
desta tríade, desenvolver sinais de vida plena e
digna para promoção do Reino de Deus.

Palavras-chave:
Bíblia; teologia; prática pastoral;
cotidiano e história.

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Texto base
A Bíblia, para cristãos e cristãs, é conhecida como “regra de fé e prática para viver”. Pois bem,
no que se refere à regra de fé, há de se interpretar esta orientação no sentido de que os textos
das Escrituras procuram nortear o desenvolvimento de uma fé madura e saudável, inspirados/as
na trajetória de mulheres e homens que tiveram sua vida transformada pela Palavra da graça e da
salvação. Em se tratando de prática para viver, significa que o texto deve promover uma vivência
diária do Deus que se revela no cotidiano das pessoas e, com o consentimento destas, atua e
transforma suas vidas. Porém aqui reside certo problema, pois para praticar se faz necessário
conhecer, e só assim vivenciar uma espiritualidade consciente e transformadora à luz da Palavra de
Deus. Nesta frase, “regra de fé e prática para viver”, não reside uma interpretação literal do texto
ou uma interpretação dogmática, mas apresenta-se a possibilidade de aliar Bíblia e cotidiano, o
que perfaz o lugar privilegiado do exercício teológico.
Neste sentido, observamos um ponto essencial para a compreensão da importância do
conhecimento teológico, histórico e bíblico. Uma vez que, ao concluir um curso de Teologia, é
necessário aliar o conhecimento teórico a uma vida prática para a promoção da vida digna, não
há dissociação entre “fazer teologia” ou “pensar teologicamente” e “atuar pastoralmente”. Não se
pode dividir o ser teólogo/a e o ser pastor/a. Quando a necessidade de “dar razão à esperança”
se impõe, estes elementos, teológico e pastoral, devem ser colocados em prática. O problema é
que para muitos a teologia é vista como algo etéreo, sem associação com a realidade vivenciada
no cotidiano das pessoas, quando, na verdade, o fazer teologia ajuda a compreender os dilemas
humanos e, assim, lidar melhor com eles. Aliar o estudo da Bíblia com o pensar teológico e com
o olhar histórico propicia um melhor desempenho do ministério pastoral e de outros ministérios
também. É necessário compreender, por exemplo, que “a História e a Fé estão entrelaçadas, pois
é na primeira que a segunda se manifesta” (SCHMIDT, 2004). Além disso, não há como deixar de
lado a leitura sociológica, antropológica e psicológica para se fazer teologia e ler o texto bíblico,
uma vez que estas ciências ajudam na compreensão da sociedade e do ser humano, e conduzem
a leitura que ajuda a promover a vida plena.
A teologia, nesta ótica, é o discurso do ser humano sobre Deus e sua vivência na prática diária.
Para ilustrar um pouco melhor esta questão o prof. Clóvis Pinto de Castro aborda os recursos
homiléticos e a apresentação do sermão (1995, p.2). A analogia que este autor faz sobre o estudo
e a apresentação do sermão cabe muito bem quando associada à teologia e à prática pastoral.
Segundo ele, quando se vai pregar é como se você tivesse convidado alguns amigos para sua casa e
servisse um belo jantar, uma mesa bem posta, talheres apropriados, copos bonitos e, principalmente,
um prato que “se come com os olhos”. Neste texto, o autor trabalha com a ilustração de que nem
tudo que foi utilizado na preparação daquele alimento se leva para a mesa (cascas, partes não
utilizadas do alimento…). O que é servido é o produto final, aprazível, daquilo que foi preparado.
Fazer teologia também é isso, é preparar o “alimento da fé” para servir à comunidade, e aqui
nem sempre um alimento pronto, mas quem sabe mostrar os caminhos para produção de uma
fé comprometida com o Evangelho da Salvação. O alimento diário da Palavra de Deus precisa
ter consistência e ser capaz de suprir a vida das pessoas de maneira que elas se apropriem do
conhecimento para fortalecer sua fé e gerar esperança.

A unidade do Antigo e Novo Testamentos


Em se tratando do conhecimento bíblico, a partir das ciências e como ciência, é bom lembrar
que tal estudo é relativamente recente. Até o século XVIII, a Bíblia era estudada pela Igreja como
uma dogmática ou exposição da doutrina eclesiástica em vigor que se apoiava de algum modo nas
Escrituras. No século XIX, a teologia liberal procurou olhá-la a partir do método histórico-crítico,
interpretando o texto pelo texto, às vezes dissociado da realidade. Somente a partir do século XX é
que ocorre uma teologia católica bíblica científica, como a que se desenvolvera no protestantismo

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Universidade Metodista de São Paulo
desde o século XVIII. Cabe salientar que o estudo bíblico, num primeiro momento, foi provocado
pela Reforma Protestante, depois pelo pietismo e, finalmente, pelo iluminismo. Há um diferencial
neste momento no que se refere à leitura da Bíblia: se antes ela era ouvida nos púlpitos, agora se
fala a seu respeito na cátedra da sala de conferências (GOPPELT, 2003). Assim, o fazer teologia a
partir da leitura bíblica, ou pensar sobre a fé neste contexto, é considerar os pressupostos para uma
interpretação consciente do Antigo e Novo Testamentos, o que faz parte da herança protestante.
No que concerne ao saber teológico, especialmente no que se refere à Bíblia, é preciso estudá-
la e analisar seus conteúdos como um todo. Num tempo em que a espiritualidade vazia, sem
compromisso ético, é recorrente, faz-se necessário conhecer melhor o Antigo e o Novo Testamentos,
e aliá-los a uma prática de fé que leve em consideração o contexto da época, os aspectos da
história e um labor teológico na utilização destes textos. Nos 25 Artigos de Religião, que são parte
do padrão doutrinário estabelecido por Wesley, destacam-se a proporcionalidade e a importância
do Antigo e do Novo Testamentos, afirmando o seguinte no artigo 6: “o Antigo Testamento não
está em contradição com o Novo, pois tanto no Antigo como no Novo Testamentos a vida eterna
é oferecida à humanidade por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem (sic)[…],
portanto não se deve dar ouvidos àqueles que dizem que os patriarcas tinham em vista somente
promessas transitórias” (Cânones da Igreja Metodista, 2007, p.12). Nesta orientação, observamos
que o referencial de um metodista, e também dos demais cristãos, não privilegia uma parte da
Escritura em detrimento de outra; pelo contrário, compreende a complementaridade e mutualidade
entre os dois Testamentos.

Exemplos de parcialidade na leitura da Bíblia


Sobre a parcialidade das Escrituras, podemos destacar que, durante muito tempo, cristãos e cristãs,
de um modo geral, privilegiaram a figura paulina como referencial de fé, a quem poderíamos chamar
mais de “paulinos” do que “cristãos”, uma vez que Paulo havia se tornado o modelo para a vida de
muitos. A figura dele foi ressaltada como uma forma de regulamentar alguns princípios e regras de
conduta para muitas pessoas. Uma leitura distorcida de Paulo legitimava um modo de pensar bem
diferente daquele pregado pelo próprio Apóstolo, por exemplo, quando ele declara: “eu plantei,
Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus” (1 Co 3.6). Por conseguinte, Paulo descreve que ele
é apenas servo do Senhor, e faz sua parte. Ele atribui a Deus o resultado daquilo que ele plantou.
Portanto, uma leitura literal do texto, descontextualizada e sem critério, até mesmo metodológico,
deixou muitas pessoas à mercê de um “cristianismo paulino” excludente e hierarquizado, conforme
a leitura equivocada do “intérprete”, principalmente com relação às mulheres.
Mais recentemente, esta visão estreita tem se voltado para o Antigo Testamento (AT). Se antes
havia até certo medo de ler e interpretar o AT, agora o que ocorre é uma volta aos preceitos
do texto veterotestamentário sem a disposição de olhar para o contexto e observar que certas
práticas são estritamente relacionadas à cultura daquele povo, naquele lugar, para aquela época;
aqui a utilização de métodos exegéticos apropriados, por exemplo, poderia solucionar esta leitura
distorcida do texto.
Hoje assistimos ao crescimento de modismos inspirados no Antigo Testamento, e que não fazem
mais sentido depois de Jesus Cristo. Seja no uso do shofar ou da bandeira de Israel e símbolos
desta cultura, o que está acontecendo é uma judaização do cristianismo. Talvez os movimentos
iconoclastas (aqueles que destruíram imagens religiosas, símbolos, obras de arte e outros) tenham
deixado uma lacuna que agora vem sendo preenchida com os mais variados símbolos para dar
sentido à fé. Observamos o pêndulo voltando-se para o outro lado. Se antes o cristianismo paulino
era a “regra de fé”, agora, o Antigo Testamento, descontextualizado, passa a ser o pano de fundo
para orientar a vida e as celebrações cúlticas. Para o estudioso da Bíblia chamado Gerhard von
Rad, AT e NT se interpretam mutuamente. O AT deve ser interpretado em direção a Cristo e o NT
deve ser entendido como continuidade do anúncio dos atos salvíficos de Deus, o que nos ajuda
a entender o texto como um todo, e não de maneira parcial.
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www.metodista.br/ead
Assim, um saber que não reflete as circunstâncias do texto e suas implicações teológicas faz com
que as pessoas se deixem “levar por qualquer vento de doutrina”. Neste caso, é necessário aprender
a ler as Escrituras e saber que nelas há cerimônias, ritos e preceitos civis que não se aplicam aos
nossos dias, mas nos ajudam a compreender o contexto da época para, a partir daí, trazer para
atualidade, e isso só é possível com o pensar teológico a partir de releituras hermenêuticas. Caso
contrário, acontecerá o mesmo que ocorreu com os movimentos pietistas que desenvolveram uma
dogmática biblicista, valorizando a Escritura, mas com uma leitura fundamentalista e dogmática,
que não ajuda na compreensão mais ampla do texto e que deixa de ser prática para viver.

Conhecer e prosseguir em conhecer


Na atual conjuntura eclesiástica, com tantas propostas de Evangelho, precisamos “conhecer e
prosseguir em conhecer o Senhor” (Os 6.6). E isso só é possível por meio da leitura e do estudo
da Bíblia aliados a uma prática pastoral que reflita os condicionamentos da sociedade em que
vivemos às necessidades da Igreja e sua missão. Neste sentido, faz-se necessário um conhecimento
cognitivo e prático a partir de conceitos e elaborações teológicos.
Há um texto no livro de Samuel que diz: “Naqueles dias a palavra do Senhor era mui rara” (1
Sm 3.1b). Este trecho das Escrituras está no contexto do chamado de Samuel, o qual descreve no
relato anterior que a casa de Eli havia se corrompido, e na sequência é narrada a visão de Samuel.
É importante destacar que nesta visão Samuel ouve o chamado de Deus e responde: “fala que
teu servo ouve”.
Como nos tempos de Samuel, hoje também a palavra do Senhor tem sido “mui rara”, isso porque
não somente há uma falta de leitura da Bíblia, como também interpretações parciais para legitimar
um determinado comportamento. As leituras dogmáticas e literalistas do texto, sem o pensar
teológico, levam muitos a perderem a razão de sua fé. Somente com o retorno às Escrituras, como
proposto por Lutero, é possível haver uma conversão ao projeto salvífico de Deus. Este retorno
deve ocorrer de maneira a refletir uma espiritualidade madura e comprometida com o Evangelho
que alia a misericórdia e a piedade.
A Bíblia é instrumento para se conhecer a Deus e, a partir desse conhecimento, nos pautarmos
em nosso cotidiano. E neste caso é bom que nos lembremos das palavras da carta ao jovem
Timóteo: Tu, porém, deixe-se fortalecer pela graça que há em Cristo Jesus, o que de mim aprendeste
por meio de muitas testemunhas, isto mesmo transmite a pessoas que sejam fiéis e idôneas para
instruir a outros (2 Tm 2.7). O saber teológico se faz neste contexto de aprendizado-ensino. É
responsabilidade daqueles que se propõem a servir a Deus deixar-se fortalecer pela graça, que
compreende também o estudo sério e compromissado, para transmitir a outros, e dessa forma o
Evangelho alcançará toda “criatura” e sinalizará com maior intensidade o Reino de Deus, que se
traduz numa vida digna e justa.

Referências
COLÉGIO EPISCOPAL DA IGREJA METODISTA. Cânones da Igreja Metodista. São
Paulo: Cedro, 2007.
CASTRO, C. P. A dimensão educadora da prédica. In: Revista Reflexões no Caminho. Campinas:
CEBEP, 1995.
GOPPELT, L. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Teológica, 2003.
KOESTER, H. Introdução ao Novo Testamento: história e literatura do cristianismo primitivo.
São Paulo: Paulus, 2005. v. 2
SCHMIDT, W. A fé do Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2004.
VON RAD, G. Teologia do Antigo Testamento. 2. ed. São Paulo: Aste/Targumin, 2006. v. 1 e 2.

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Universidade Metodista de São Paulo
Trabalho de Conclusão de Curso - TCC

Módulo

O que é
o trabalho
de conclusão
de curso?
Profa. Elizangela A. Soares

Objetivos:
Introduzir o tema trabalho de
conclusão de curso (TCC).
Oferecer ao aluno uma visão geral
do que é o TCC.
Introduzir o aluno à dinâmica
do TCC no curso de Teologia.
Prover subsídios para a compreensão
desta dinâmica.

Palavras-chave:
TCC; pré-projeto; metodologia
e pesquisa acadêmica

www.metodista.br/ead
Para início de conversa…
“O TCC constitui-se em atividade curricular que visa à elaboração de um trabalho de pesquisa,
obedecendo às normas técnicas adotadas pelo curso, as quais estão em conformidade com
as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).”
Esta é a definição do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) encontrada em nosso regulamento.
Vista pura e simplesmente pela ótica regulamentar, ela revela pouco sobre a sua natureza rica
e criativa.
No entanto, mais que um componente curricular obrigatório para a obtenção do grau, o TCC
se projeta como o espaço privilegiado no qual o estudante pode, metodologicamente orientado,
debruçar-se sobre um tema de pesquisa e descobrir sobre ele nuanças até então pouco exploradas,
despercebidas ou carentes de novas abordagens e releituras.
O TCC possui um papel de destaque na caminhada acadêmica do discente. Além de marcar a
finalização formal de uma longa etapa de estudos, ele denota ainda o amadurecimento científico e
teológico do aluno, despertando, por vezes, seu interesse numa progressão acadêmica em nível de
pós-graduação.

A dinâmica do TCC no curso de Teologia


O TCC no curso de Teologia possui um caráter interdisciplinar que visa integrar as três grandes áreas
de saber específico do curso: (1) Bíblia; (2) Teologia e História e (3) Teologia Pastoral e Ciências Sociais e
Humanas. Por isso mesmo, a pesquisa é desenvolvida conjuntamente sob a orientação de um grupo de
docentes destas áreas, a fim de garantir que os resultados reflitam a interdisciplinaridade proposta.
No Curso de Teologia em modalidade EAD, o TCC possui um formato triplo, podendo ser
desenvolvido como um artigo científico, um trabalho monográfico ou como um diário de campo, que
é a documentação e discussão dos resultados do projeto de Estágio Supervisionado do estudante.
Voltaremos a estes temas mais adiante no módulo.
Os temas de pesquisa para o TCC não são escolhidos aleatoriamente pelo estudante, mas devem se
conformar às linhas de pesquisa estabelecidas por cada área de saber específico, as quais, em ocasião
oportuna, são divulgadas aos discentes. Esta dinâmica de oferecimento das linhas de pesquisa tem o
objetivo de concentrar os temas na produção de uma pesquisa que apresente resultados de qualidade,
bem como variar os objetos estudados.
De acordo com as linhas oferecidas pelas áreas de saber específico, caberá ao discente, dentro do
prazo estabelecido, propor um pré-projeto de pesquisa e indicar duas áreas de concentração em que
ele possa ser desenvolvido.
A partir daí, competirá às áreas indicadas pelo discente no pré-projeto avaliar sua adequação
às linhas de pesquisa oferecidas. O aluno será informado pela Coordenação de TCC se seu pré-
projeto foi ou não selecionado por alguma das áreas indicadas. Em caso de reprovação do pré-
projeto, o discente deverá propor novo pré-projeto, segundo o prazo estabelecido, e submetê-lo
outra vez à apreciação pelas áreas.

A estrutura do pré-projeto
Em geral, o tema de um projeto de pesquisa e o início de um trabalho acadêmico sempre surgem a
partir de uma pergunta, de alguma indagação que ainda não tenha sido (satisfatoriamente) respondida
ou que tenha deixado margem a uma nova abordagem.
No entanto, para que se compreenda a proposta que a pesquisa deseja oferecer, é preciso
apresentá-la em forma de projeto (neste caso específico, um pré-projeto) que permita visualizar a
intenção geral do pesquisador. Assim, o pré-projeto que o estudante submeterá à apreciação das
áreas deve conter:
62
Universidade Metodista de São Paulo
Tema
O tema proposto pelo discente deve se conformar às linhas de pesquisa oferecidas pelas áreas.
Por exemplo, se a área de Bíblia oferece a linha de pesquisa “Salmos para os filhos de Coré”, um
estudante interessado em desenvolver seu TCC nesta linha poderá propor vários temas nesta direção
(“Estruturas simbólicas na coleção para os filhos de Coré”; “A teologia do templo no Salmo 84” etc.),
mas não terá aprovado pela área um pré-projeto com o tema “Estruturas apocalípticas no livro de
Daniel”. Embora “Estruturas apocalípticas no livro de Daniel” seja um tema de estudos na área de
Bíblia, ele não se conforma à linha de pesquisa “Salmos para os filhos de Coré” que ela tem como
oferta vigente.
O tema escolhido deve representar um interesse que seja específico o bastante para dar origem
a um estudo sistemático e, ao mesmo tempo, ser identificado pelas áreas como adequado a esta ou
aquela linha de pesquisa quando do processo de seleção.

Indicação das áreas de saber específico


Neste item o discente indica as duas áreas de concentração em que julgue que sua pesquisa pode
ser desenvolvida. É necessário justificar a escolha das áreas.

Objetivos da pesquisa
Nesta etapa o candidato deve dizer quais são suas expectativas com a pesquisa proposta. Para
tanto, os objetivos são sempre divididos entre gerais e específicos, compostos por frases curtas.
O objetivo geral apresenta, de forma abrangente, as finalidades do projeto. Refere-se à meta a ser
alcançada na conclusão da pesquisa. Os objetivos específicos se inserem dentro do objetivo geral.
Eles apresentam os tipos de resultados que se espera alcançar durante o processo de pesquisa e que
levarão ao alcance do objetivo final.
Atenção! Os objetivos, quer gerais, quer específicos, iniciam-se sempre por um verbo no infinitivo.
Por exemplo, definir algo; abordar algo; analisar algo; discutir algo; realizar algo etc.

Metodologia
Neste item o discente informa quais são as ferramentas metodológicas a serem utilizadas no
estudo do objeto (tema) proposto. Estas ferramentas possuem variáveis que vão desde a pesquisa
bibliográfica até a pesquisa de campo.

Bibliografia preliminar
Trata-se da apresentação das primeiras fontes selecionadas para a pesquisa. Posteriormente, já na
etapa do projeto definitivo, as fontes serão revistas em conjunto com os orientadores.

O formato do texto
O texto do pré-projeto deverá ser digitado em fonte Times New Roman, tamanho 12, ou Verdana,
tamanho 10, com espaçamento de 1,5 (um e meio) entre as linhas e direção do texto justificada
(nunca direção à esquerda, à direita ou centralizada).
O cabeçalho – este sim, centralizado – deverá conter a identificação do documento (Pré-projeto
de TCC), o nome completo do estudante, número de matrícula e polo.

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Exemplo de uma estrutura de pré-projeto

PRÉ-PROJETO DE TCC
Maria Emanuel
Matrícula 108296 – Polo São Bernardo do Campo

Tema:
Linhas de pesquisas: (1)
(2)
Objetivos:
a. Objetivo geral:
b. Objetivos específicos
I.
II.
III.
Metodologia:
Bibliografia preliminar:

Como dissemos, trata-se de um pré-projeto, razão pela qual nesta estrutura estão ausentes outros itens
que figuram em um projeto, como justificativa, delimitação, problematização, referencial teórico etc.
Ao ter seu pré-projeto aceito por uma das áreas indicadas, o discente iniciará a fase de formulação
e orientação do projeto em si, quando definirá, juntamente com os orientadores, todos os demais itens
que caracterizam um projeto de pesquisa.

A apresentação do TCC
A apresentação dos resultados do TCC é feita em três etapas.

A primeira refere-se ao depósito das cópias da primeira versão do texto na secretaria


do curso. As cópias serão encaminhadas aos componentes da banca examinadora.

A segunda é a defesa do TCC. Trata-se da apresentação pública dos resultados, realizada


no Polo de Apoio Presencial ou no âmbito do Congresso de Produção Científica da
Universidade, em dia e horário divulgados pela Coordenação de TCC. A defesa é feita
diante de uma banca examinadora definida pelas áreas de saber específico. A banca
indagará o candidato sobre questões presentes em sua pesquisa, com o objetivo de
avaliar seu conhecimento a respeito do tema abordado e sua capacidade de discorrer
sobre ele.

A terceira etapa dá-se após a defesa. Se aprovado, o discente receberá um prazo


definido para a entrega da versão/redação final do TCC, que deverá contemplar as
observações e sugestões da banca, quando for o caso.

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Universidade Metodista de São Paulo
Além da leitura crítica e avaliação dos orientadores, para orientar-se quanto à redação do trabalho,
o estudante tem à sua disposição o “Modelo de Trabalho Acadêmico” adotado pela Faculdade de
Teologia. O arquivo, disponível para download no site do Prof. Luiz Carlos Ramos mediante cadastro
gratuito e constantemente atualizado segundo as normas da ABNT, é um manual prático que detalha
desde as partes constitutivas de um trabalho acadêmico até os procedimentos para a documentação,
com direções preciosas para a formatação do texto. Este será o manual-base para a redação de todos
os TCCs desenvolvidos em nosso curso, independentemente do formato escolhido pelo discente.

Referências

ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico. 6. ed. São Paulo: Atlas,
2002.

AZEVEDO, I. B. O prazer da produção científica: descubra como é fácil e agradável


elaborar trabalhos acadêmicos. 10. ed. São Paulo: Hagnos, 2001.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000. ME-
DEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos e resenhas. 5. ed. São
Paulo: Atlas, 2003.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

E-referências

BIANCHI, A. Temas e problemas nos projetos de pesquisa. Estudos de Sociologia, 13/14


(2002/2003): 75-91. Disponível em: <http://www.fclar.unesp.br/soc/revista/artigos_pdf_
res/13-14/04-bianchi.pdf>. Acesso em: 23 out. 2009.

RAMOS, L. C. Modelo de trabalho acadêmico: versão 2009. São Bernardo do Campo,


47p. Trabalho não publicado. Disponível em: <http://www.luizcarlosramos.net/?page_
id=1277>mediante registro gratuito. Acesso em: 12 set . 2009.

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Universidade Metodista de São Paulo
Trabalho de Conclusão de Curso - TCC

Módulo

Trabalho
de Conclusão
de Curso –
Artigo Científico
Profa. Elizangela A. Soares

Objetivos:
Introduzir o tema artigo científico.
Oferecer ao aluno uma visão geral
do que é o artigo científico.
Prover um modelo metodológico para a
composição de um artigo.

Palavras-chave:
TTCC; artigo científico; metodologia
e modelo.

www.metodista.br/ead
Para início de conversa...
Uma das possibilidades para o TCC é o desenvolvimento de um artigo científico. Mas o que é um
“artigo científico”?
O artigo científico é a apresentação resumida dos resultados de uma pesquisa que seja
considerada científica, isto é, uma pesquisa que empregue uma metodologia válida de investigação
dos pressupostos ou dos problemas levantados.
No entanto, o fato de ser um “texto enxuto” – uma comunicação resumida dos resultados de um
processo investigativo – não quer dizer que o artigo científico seja uma abordagem superficial de
um determinado assunto. Ao contrário, justamente por seu formato conciso, ele deve ser capaz de
apresentar uma estrutura lógica de pensamento e de argumentação.
A composição do artigo deve deixar transparecer uma organização que privilegie (1) a apresentação
do tema/objeto/problema, (2) as hipóteses eleitas para responder ao problema, (3) os objetivos da
pesquisa, (4) uma descrição da metodologia empregada, (5) a análise dos resultados obtidos com a
pesquisa e, por fim, (6) uma conclusão que indique qual das hipóteses se mostrou a mais provável
ou adequada para dar resposta ao problema levantado, ou se nenhuma delas pôde ser provada.
A seguir, apresentaremos as características do modelo de artigo científico que será adotado em
nosso curso. Elas se baseiam nas orientações do “Modelo de Trabalho Acadêmico 2009” utilizado pela
Faculdade de Teologia1, organizado a partir do que estabelece a Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT).

A estrutura do artigo
A composição de um artigo científico deve levar em consideração a seguinte estrutura:
• Título e subtítulo
• Autor
• Resumo/abstract
• Palavras-chave
• Corpo do artigo (introdução, desenvolvimento e conclusão)
• Referências bibliográficas

Título e subtítulo
O título do artigo é o primeiro convite à leitura do texto. Recomenda-se que não seja longo, mas
que seja criativo, a fim de despertar a curiosidade do leitor. Alguns títulos, quando autoexplicativos o
bastante, dispensam o subtítulo. Por outro lado, títulos mais vagos pedem o emprego de um subtítulo
que direcione as expectativas do leitor.

a. “As escrituras gnósticas e as origens cristãs”. Este título é capaz de expressar o conteúdo
do texto por si mesmo, sem precisar de um subtítulo que cumpra este papel.
b. “Escatologia: reflexão sobre o céu, inferno e purgatório”. Aqui temos o título
(Escatologia) com seu respectivo subtítulo (reflexão sobre o céu, inferno e purgatório).
Neste caso, o subtítulo serve para indicar que o autor do texto não tratará de todos
os aspectos que envolvem o tema escatologia, mas que ele escolheu, dentro deste
tema, três tópicos específicos de abordagem (céu, inferno e purgatório).

1
RAMOS, L. C. Modelo de trabalho acadêmico: versão 2009. São Bernardo do Campo, 47p. Trabalho
não publicado.

68
Universidade Metodista de São Paulo
Assim, o subtítulo serve para delimitar a abrangência do título/tema quando este é muito amplo
ou vago e informar ao leitor sobre o que ele, de fato, encontrará no texto.

Autor
O nome do autor do artigo deve ser colocado logo abaixo do título (e subtítulo), do centro para
a margem direita do documento. Imediatamente após o nome deve-se inserir uma nota de rodapé,
preferencialmente com a utilização de asterisco [*] ao invés de numeração, na qual deverão constar
algumas informações sobre o autor, como titulação, instituição de filiação e outras, desde que
sucintas. Exemplo:

A RESSURREIÇÃO DO JESUS HISTÓRICO Título e subtítulo


centralizados.
Modo e Significado

Nome do autor à direita,


Elizangela A. Soares* com uma indicação ao
rodapé (*).

____________________ Resumo de informações


* Teóloga e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). sobre o autor no rodapé.

Resumo/abstract
O resumo se constitui de um parágrafo pequeno (até 10 linhas), cujo propósito é apresentar a
ideia principal do texto. Ao ler o resumo, o leitor deverá saber o que o texto subsequente terá a
oferecer. Exemplo:

A RESSURREIÇÃO DO JESUS HISTÓRICO


Modo e Significado

Elizangela A. Soares*

Resumo
Modo e significado são conceitos muito distintos e no que toca ao tema da ressurreição
de Jesus, tanto mais a distinção se atenua. Contudo, esta é uma aproximação que provoca
o estudioso. Neste sentido, o texto que segue é um diálogo com J. D. Crossan a respeito
deste tema, a propósito da última conferência que marcou sua passagem pela Universidade
Metodista de São Paulo, em fins de outubro de 2007. Ele mesmo afirmou na ocasião que
a concentração no modo nos permite evitar o desafio do significado. Mas o modo em si
representa desafio próprio, com reflexos sobre o significado. Na verdade, é a dialética entre
modo e significado que fornece elementos para algum tipo de visão do todo, qualquer que
seja ele.
____________________
* Teóloga e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

69
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O abstract é uma versão do resumo para a língua inglesa. Também pode ser feito para outra
língua estrangeira que não o inglês. Neste caso, a terminologia deve seguir a língua para a qual se
vai traduzir. Por exemplo, se a versão do resumo for feita para o espanhol, ela não será chamada de
abstract, mas de resumen.

Palavras-chave
Trata-se de uma seleção de palavras que caracterizam o artigo e que permitem que ele seja localizado
em sistemas eletrônicos de busca. As palavras-chave devem ser posicionadas imediatamente após o
resumo e não devem exceder a quantidade de seis. Podem-se utilizar palavras-chave abrangentes,
desde que elas sejam capazes de identificar o assunto no qual o texto se concentra. Exemplo:

A RESSURREIÇÃO DO JESUS HISTÓRICO


Modo e Significado

Elizangela A. Soares*

Resumo
Modo e significado são conceitos muito distintos e no que toca ao tema da ressurreição de
Jesus, tanto mais a distinção se atenua. Contudo, esta é uma aproximação que provoca o
estudioso. Neste sentido, o texto que segue é um diálogo com J. D. Crossan a respeito deste
tema (...).
Palavras-chave: ressurreição, Jesus Histórico, modo, significado e interpretação

___________________
* Teóloga e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

Corpo do artigo
O conteúdo ou corpo do artigo é formado por sua introdução ao tema, pela discussão deste tema
e por uma conclusão baseada na discussão.

Introdução: O objetivo da introdução é situar o leitor sobre o assunto que será


abordado no texto, oferecendo uma perspectiva geral do estudo. Deste modo, a
introdução deve privilegiar a delimitação estabelecida no tratamento do tema, a
justificativa para sua escolha, os objetivos da pesquisa, as perguntas (problemas) que
ele levanta, as hipóteses sugeridas e a metodologia que será empregada na busca
pelas respostas às questões suscitadas.

Desenvolvimento: Após a introdução, chega-se à discussão propriamente dita


(desenvolvimento) do tema do artigo, que poderá ser organizada por meio de intertítulos,
segundo a estrutura de exposição que o autor tiver planejado. O desenvolvimento do
texto privilegia a discussão das fontes da pesquisa (revisão de literatura) e o diálogo
com elas. O objetivo é situar o tema do artigo nesta discussão, destacando as principais
contribuições das fontes selecionadas para a pesquisa e as lacunas deixadas pela
abordagem que elas apresentam. A novidade do artigo está em propor um tratamento
para estas lacunas evidenciadas durante a discussão do problema.

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Conclusão: Como orienta o Modelo de trabalho acadêmico, “em ciências humanas é
difícil falar em ‘conclusão’ definitiva. Cabem melhor expressões como ‘considerações
finais’, ou ‘implicações da pesquisa’, ou ainda ‘pistas’…”2. Para o nosso modelo de artigo
científico, optaremos pela terminologia “considerações finais”. As considerações finais
deverão oferecer uma síntese dos principais pontos da discussão e as contribuições
trazidas pela pesquisa feita pelo autor. É importante destacar que as considerações finais
devem ser capazes de responder às hipóteses e aos objetivos enunciados na introdução.
Como fechamento do estudo sobre um tema específico, a conclusão do trabalho não
deve incluir dados novos que não tenham sido apresentados nas seções prévias do
artigo. No entanto, recomenda-se que o autor indique perspectivas para a continuidade
da pesquisa, ou seja, como o tema poderá ser aprofundado em estudos futuros3.

Referências bibliográficas
Esta é a parte final do artigo e deve relacionar, em uma lista alfabética ascendente, as obras (fontes)
realmente citadas ao longo do texto. Caso o autor julgue conveniente listar fontes consultadas, mas
não citadas no texto, ele poderá fazê-lo, desde que em uma lista diferente, denominada “bibliografia
recomendada”4.

Referência
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação – trabalhos
acadêmicos – apresentação: NBR 14724. Rio de Janeiro: ABNT, 2001.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação – referências
– elaboração: NBR 6023. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
AZEVEDO, I. B. O prazer da produção científica: descubra como é fácil e agradável
elaborar trabalhos acadêmicos. 10. ed. São Paulo: Hagnos, 2001.
FRANÇA, J. L. et al. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 6. ed.
rev. e aum. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

E-referência
RAMOS, L. C. Modelo de trabalho acadêmico: versão 2009. São Bernardo do Campo,
47p. Trabalho não publicado. Disponível em: <http://www.luizcarlosramos.net/?page_id=1277>
mediante registro gratuito. Acesso em: 12 set . 2009.

2
Modelo de Trabalho Acadêmico 2009, p. 35.
3
Idem.
4
Idem, p. 36.

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Universidade Metodista de São Paulo
Trabalho de Conclusão de Curso - TCC

Módulo

Trabalho
de Conclusão
de Curso –
Monografia
Profa. Elizangela A. Soares

Objetivos:
Introduzir o tema monografia.
Oferecer ao aluno uma visão geral
do que é uma monografia.
Prover um modelo metodológico para a
composição de uma monografia.

Palavras-chave:
TCC; monografia; metodologia
e modelo.

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Para início de conversa…
Além de todo oprocesso de pesquisa propriamente dito, desenvolver um trabalho acadêmico exige
também que o estudante seja capaz de adequar os resultados obtidos a uma forma de apresentação.
Anteriormente, vimos que o artigo científico é uma forma mais condensada de fazer isto. Por
isso mesmo, sua estrutura é mais “enxuta”. No entanto, chegamos agora à forma de apresentação
organizada como um trabalho monográfico, que pede uma estrutura e, consequentemente, uma
discussão mais ampla.
Mas o que é uma monografia? Etimologicamente, o termo “monografia” vem da junção de
duas palavras gregas – monos (um; único) e graphein (escrita) – e significa escrever a respeito de um
único assunto. Em termos práticos, uma monografia é um estudo, em profundidade, sobre um tema
específico. Ela deve buscar abordar todos os ângulos ou aspectos deste tema e obedecer a uma
metodologia investigativa rigorosa.
Embora não exclusivamente, em geral a monografia é um trabalho recapitulativo, bibliográ-
fico, isto é, baseado em revisão de literatura. Mas não se trata de revisão no sentido estrito, sendo
apenas um dos braços deste tipo de trabalho, sobre os quais falaremos a seguir.

A estrutura e os elementos do trabalho monográfico


Segundo a ABNT, a composição de um trabalho acadêmico (neste caso, monográfico)
deve considerar elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, como descritos a seguir e na ordem
em que aparecem1.
a. Elementos pré-textuais:
• Capa (obrigatório)
• Lombada (opcional)
• Folha de rosto (obrigatório)
• Errata (opcional)
• Folha de aprovação (obrigatório)
• Dedicatória(s) (opcional)
• Agradecimento(s) (opcional)
• Epígrafe (opcional)
• Resumo na língua vernácula (obrigatório)
• Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
• Lista de ilustrações (opcional)
• Lista de tabelas (opcional)
• Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
• Lista de símbolos (opcional)
• Sumário (obrigatório)

b. Elementos textuais:
• Introdução
• Desenvolvimento
• Conclusão

1
RAMOS, Luiz Carlos. Modelo de Trabalho Acadêmico: Versão 2009. São Bernardo do Campo, p. 17-18.

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Universidade Metodista de São Paulo
c. Elementos pós-textuais
• Referências (obrigatório)
• Glossário (opcional)
• Apêndice(s) (opcional)
• Anexo(s) (opcional)
• Índice(s) (opcional)
É a presença destes elementos que distinguirá o trabalho monográfico das outras formas
de escritos acadêmicos aceitos a título de TCC em nosso curso.

O planejamento do trabalho monográfico


O planejamento é a etapa inicial do trabalho monográfico e refere-se à elaboração do projeto
de pesquisa. Este se inicia pela definição do tema, seguido por sua delimitação, justificativa,
problematização, hipóteses, objetivos, referencial teórico e pela metodologia que se deseja adotar.

A escolha do tema
O tema é a parte geral da pesquisa. Não obstante seu caráter geral, ele precisa também ser
claro e objetivo. Mas já de início sua escolha precisa levar em consideração dois aspectos principais:
sua relevância como objeto de pesquisa: recomenda-se que, antes de optar por um
tema, o estudante faça uma pesquisa sobre o que já foi produzido sobre ele. Isto
evita que o trabalho se concentre em um tema que, por seu exaustivo tratamento
acadêmico, represente pouca ou nenhuma novidade em seus resultados;
o interesse que o pesquisador tem pelo tema: é preciso encantar-se pelo objeto de
pesquisa. Sem este encantamento o processo de investigação torna-se enfadonho
e os resultados, uma compilação de teses. O pesquisador seduzido por seu objeto
e pelas perguntas que ele suscita tende a chegar a conclusões menos óbvias e mais
provocadoras, que poderão ser desdobradas em novas pesquisas.

A delimitação do tema
Uma vez escolhido o tema, o passo seguinte é estabelecer seus limites. Devem-se evitar temas
muito genéricos, primeiro em função da extensão do trabalho e seu prazo de conclusão e, segundo,
porque se corre o risco de, como no dito popular, “falar muito, mas não dizer nada”.
Além de pontuarem a extensão e o foco do trabalho, a delimitação e a fidelidade a ela evitam que
o aspecto principal da pesquisa se dilua entre seus aspectos secundários. É por meio da delimitação
que a viabilidade do trabalho começa a de definir.

1. “A ressurreição”: Temos aqui um tema muito vasto, de caráter mais enciclopédico e


que, por isso mesmo, não é apropriado para um trabalho monográfico. Ele pressupõe
um estudo abrangente do pensamento humano sobre a ressurreição, percorrendo
diferentes culturas e sistemas religiosos, teologias diversas, referenciais teóricos vários
(antropologia, filosofia, teologia, sociologia etc.) e mais o que for necessário para uma
abordagem que dê conta das faces múltiplas do assunto.

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2. “A ressurreição de Jesus sob a ótica lucana: um estudo de Lucas 24”: Neste
exemplo o tema ainda é a ressurreição, mas seus limites estão definidos. Trata- se
de um estudo sobre (1) a ressurreição (2) de Jesus (3) no Evangelho de Lucas, (4) es-
pecificamente no capítulo 24. Pode ser que o pesquisador compare a visão do
autor de Lucas sobre a ressurreição de Jesus com as dos outros evangelistas, mas o
enfoque e perímetro da pesquisa estão claramente definidos como o capítulo 24 do
evangelho de Lucas.

A justificativa
Esta etapa do projeto reflete o motivo da realização da pesquisa. Ela responde a perguntas
como: por que este foi o tema escolhido? Ele é relevante? Por quê? Quais contribuições seu estudo
trará para o universo acadêmico? Existem condições objetivas para a realização do estudo proposto?

A problematização
A formulação do problema é ponto de partida da pesquisa científica, do qual dependerá todo
o desenvolvimento do trabalho. Assim, podemos dizer que todo o roteiro metodológico traçado
para a pesquisa objetiva a resolução ou o esclarecimento de um determinado problema. Exemplos:
• Existe relação entre fé e política nas motivações dos profetas do Antigo Testamento?
Qual seria esta relação?
• O que seria o “culto racional” recomendado em Romanos 12.1?
• Qual modelo de aconselhamento pastoral se mostra mais efetivo entre os jovens na faixa
etária de 16 a 26 anos de idade? Por quê?
• Como desenvolver uma teologia prática que responda aos desafios sociais no contexto
da comunidade X?

As hipóteses
O problema levantado pela pesquisa precisa de respostas, mesmo que supostas, prováveis ou
provisórias. Estas “pré-respostas” são o que chamamos de hipóteses. É durante o desenvolvimento
da pesquisa que as respostas hipotéticas mostrar-se-ão plausíveis ou não.
É preciso mencionar que uma hipótese que não possa ser provada não invalida a pesquisa.
Neste caso, caberá à banca examinadora julgar se o estudante se empenhou ou não no estudo
para provar sua hipótese, mesmo que não tenha chegado a uma resposta positiva.
Exemplo de hipótese: “Se os textos mais antigos da Bíblica Hebraica de fato transparecem
uma religião idealizada, então as listas de restrições apresentadas na Torá podem ser o indício de
que a ‘religião ideal’ era uma meta, não uma realidade”. Esta hipótese será testada ao longo do
processo de pesquisa e poderá se mostrar verdadeira ou não.

Os objetivos
Como vimos no tema anterior, os objetivos revelam o que se deseja fazer e o que é esperado
alcançar com a pesquisa proposta. Eles se baseiam na problematização. Exemplos:
• analisar o papel da emoção na celebração cúltica;
• avaliar a importância da exegese nos estudos produzidos para as revistas de educação
religiosa da comunidade X;
• entender a relação entre fé e obras na perícope de Tiago 2.14-26.
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Universidade Metodista de São Paulo
O referencial teórico
O trabalho acadêmico, por princípio, não pode se basear no senso comum, no “eu acho que”.
Isto significa que o pesquisador precisa de um embasamento teórico que confira cientificidade à
sua pesquisa.
É neste ponto que se reúnem as pesquisas já realizadas sobre o tema e se selecionam entre elas
aquelas mais relevantes para os objetivos do estudo proposto. Para tanto, o estudante deverá ler
livros e artigos científicos sobre o tema. Só assim ele terá condições de selecionar o referencial que
servirá de base teórica para sua pesquisa.
Vale mencionar que os periódicos científicos trazem estudos que sempre atualizam a discussão
dos temas tratados em livros. Por esta razão, recomenda-se que, ao longo da pesquisa,
mesmo já com o referencial teórico definido, o aluno vez e outra visite os números recentes
dos periódicos para verificar se há novos estudos publicados sobre o tema escolhido e
que possam enriquecer seu trabalho.
A este propósito, os Polos de Apoio Presen-
cial agora contam com acesso irrestrito ao Portal _________________________________________
de Periódicos da Capes, que disponibiliza textos
completos de um vasto catálogo de periódicos _________________________________________
nacionais e internacionais especializados nas
variadas áreas de saber. Para consultar o material _________________________________________
disponível no portal, o aluno deve, no Polo, acessar
_________________________________________
o endereço http://www.periodicos.capes.gov.br e
fazer o seguinte c aminho: Textos c o mpletos - _________________________________________
Ciências Humanas - Teologia - Religião.
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A metodologia _________________________________________
No que se refere à metodologia, sua esco- _________________________________________
lha deve ser feita em conjunto com o docen-
te orientador do trabalho. Ela trata de responder _________________________________________
onde, quando e como a pesquisa será realizada.
Relaciona-se às técnicas que o pesquisador
_________________________________________
utilizará para realizar o seu trabalho. _________________________________________
É neste ponto que se define o tipo de
investigação que se pretende desenvolver
_________________________________________
(bibliográfica, estudo de caso, pesquisa de _________________________________________
campo, pesquisa participativa, pesquisa ação
etc.), os conceitos norteadores, os instrumentos a _________________________________________
serem utilizados para o levantamento dos dados
e como a análise deles será feita. _________________________________________
Uma vez planejado e aprovado pelos _________________________________________
orientadores, a etapa seguinte é o desenvolvimento
da monografia, que agora possui um roteiro _________________________________________
capaz de direcionar o trabalho de pesquisa do
_________________________________________
estudante, até que este resulte em um t exto
lógico e coeso. _________________________________________
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Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e documentação – traba-


lhos acadêmicos – apresentação: NBR 14724. Rio de Janeiro: ABNT, 2001.
AZEVEDO, I. B. O prazer da produção científica: descubra como é fácil e agradável elaborar
trabalhos acadêmicos. 10. ed. São Paulo: Hagnos, 2001.
BARROS, A. J. P.; LEHFELD, N. A. S. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. 17. ed. Petró-
polis: Vozes, 2006.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MARTINS, G. A; LINTZ, A. Guia para elaboração de monografias e trabalhos de conclusão
de curso. São Paulo: Atlas, 2000.
TACHIZAWA, T.; MENDES, G. Como fazer monografia na prática. 12. ed. Rio de Janeiro:
FGV, 2006.

E-referências
FROTA, M. Como fazer sua monografia. Tutorial. Disponível em: <http://www.universia.com.
br/materia/img/tutoriais/monografias/14.jsp>. Acesso em: 22 out. 20009.
RAMOS, L. C. Modelo de trabalho acadêmico: versão 2009. São Bernardo do Campo, 47p.
Trabalho não publicado. Disponível em: <http://www.luizcarlosramos.net/?page_id=1277>
mediante registro gratuito. Acesso em: 12 set . 2009.

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