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João

4.46-54
“Então, Jesus lhe disse: Se não
virdes sinais e milagres, não
crereis.” (Jo 4.48)
Jesus socorre o oficial e cura
o seu filho, gerando fé
salvadora não apenas para o
pai, mas para toda a família.
• SUBLINHAR a mobilidade ministerial de
Jesus entre a Judeia e a Galileia;
• ALERTAR quanto aos perigos da fé baseada
em sinais;
• REAFIRMAR o importante resultado do
milagre da cura do filho do oficial.
I – A MOBILIDADE MINISTERIAL DE JESUS
ENTRE A JUDEIA E A GALILEIA
II – O PERIGO DA “FÉ” BASEADA EM SINAIS
III – O MILAGRE QUE GEROU SALVAÇÃO
Após o milagre nas bodas de Caná...

• Após o milagre nas bodas de Caná, Jesus, juntamente com sua mãe, irmãos
e discípulos, se estabeleceram por alguns dias em Cafarnaum, importante
cidade da Galileia (Jo 2.12).
• Na sequência, devido à proximidade da Páscoa, uma das três mais
importantes festas judaicas, o Mestre parte para Jerusalém (Jo 2.13) e,
conforme registra João, “durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia,
creram no seu nome” (Jo 2.23).
• Contudo, o apóstolo do amor observa que, mesmo assim, “Jesus não
confiava neles, por que a todos conhecia e não necessitava de que alguém
testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo
2.24,25). A missão do Senhor não estava baseada na aceitação popular, e
sim no fazer a vontade do Pai (Jo 6.38-40).
I – A MOBILIDADE MINISTERIAL
DE JESUS ENTRE A JUDEIA E A
GALILEIA
1. O ministério do Senhor na Galileia.
• Apesar de Jesus ter nascido em Belém da Judeia, para cumprir a
profecia (Lc 2.4 cf. Mt 2.4-6), fora criado em Nazaré, na Galileia, onde
seus pais foram morar, também em cumprimento de uma profecia
(Mt 2.22,23; Jo 1.45,46).
• Nesta próspera e populosa região, o Mestre desenvolveu grande
parte de seu ministério, até para cumprir a Palavra de Deus (Mt 4.12-
25). Ainda no início do quarto Evangelho, é possível ver várias
incursões do Mestre por essa região (Jo 1.43; 2.1,12; 4.3,43; 6.1).
2. O ministério de Jesus na Judeia
• A respeito de ser judeu, por ter sido criado na Galileia, Jesus era
discriminado, e sua messianidade fora colocada em dúvida por conta
disso (Jo 7.41,52). Mesmo assim, em cumprimento de sua missão, o
Mestre também desenvolveu grande parte de seu ministério na
região da Judeia (Jo 2.13,23; 3.22; 4.47; 5.1).
3. A receptividade do Senhor na “Galileia dos
gentios”.
• Apesar dessa mobilidade do Mestre entre as duas regiões, foi mesmo
na “Galileia dos gentios” (Mt 4.15, ARA) que o Senhor Jesus realizou
grandes sinais e onde muito pregou e ensinou (Mt 4.12-25; 8.28-34;
9.9-13; 14.13-36; Lc 4.31-44; 5.1-26).
• Tal se deu para que igualmente se cumprisse o que Isaías profetizou
acerca do Messias (Mt 4.13-16).
• Não obstante, é preciso observar que, em Nazaré, especificamente, o
Mestre enfrentou forte oposição dos seus conterrâneos, pois se
revoltaram com seus ensinos e quiseram até mesmo matá-lo (Lc 4.14-
30).
•Seria uma regra inflexível a
ideia de que não somos bem
aceitos no local onde
nascemos e fomos criados?
•Até mesmo Jesus Cristo
sofreu preconceito por
conta do local onde fora
criado.
II – O PERIGO DA “FÉ”
BASEADA EM SINAIS
1. A fé que surge da Palavra.
• João relata que após o Mestre deixar a Judeia em direção a Galileia,
passou por Samaria e ali ficou dois dias na cidade de Sicar (Jo 4.3-
5,40,43).
• Apesar de o texto não relatar a ocorrência de absolutamente milagre
algum realizado por Jesus em Samaria naquela ocasião, a narrativa
joanina revela que após a conversa com o Mestre, a mulher
samaritana anunciou aos habitantes daquela cidade que conhecera
um homem que relatara tudo quanto ela havia feito e seria
interessante verificar se porventura não era Ele o Cristo (Jo 4.28-30).
• O apóstolo do amor diz que somente pelo testemunho da mulher
“muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele” (Jo 4.39).
• O autor do quarto Evangelho complementa tal informação dizendo
que depois de os homens da cidade ter ido falar com Jesus e pedido a
Ele que ficasse na cidade, “muitos mais creram nele, por causa da sua
palavra” (Jo 4.40,41).
• Os que ouviram o Senhor “diziam à mulher: Já não é pelo que disseste
que nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que
este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo” (Jo 4.42). A fé
dos samaritanos não brotou por causa de algum sinal, mas
exclusivamente pela Palavra do Evangelho.
2. A abrangência do Evangelho de João.
• Esse episódio e outro como o dos gregos que queriam ver Jesus (Jo
12.20-22), por exemplo, explica o porquê de o quarto Evangelho ter
um propósito mais abrangente e de também colocar em seu prólogo
que Cristo “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo
1.11).
• Assim, para o leitor joanino fica evidente, de início, que os que
recebem a Cristo e nEle creem, são agraciados e aceitos como filhos
de Deus, independentemente de serem ou não judeus, pois “não
nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do
varão, mas de Deus” (Jo 1.12,13).
3. O contraste da fé baseada em sinais.
• Após deixar Samaria (Jo 4.43), o Mestre seguiu viagem rumo a Galileia e, mesmo
não contando o episódio da perseguição enfrentada por Cristo em Nazaré (Lc
4.14-30), João cita a referência que Jesus faz acerca do fato de que “um profeta
não tem honra na sua própria pátria” (Jo 4.44).
• Para o propósito do evangelista, o importante é destacar que, mesmo em outras
partes da Galileia, os galileus receberam Jesus “porque viram todas as coisas que
fizera em Jerusalém no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa” (Jo
4.45). Em termos diretos, sua ampla aceitação não se dava por conta da Palavra,
mas por causa dos sinais.
• Os principais comentaristas afirmam que é justamente em relação a estes que o
apóstolo do amor observa que, mesmo tendo crido no Filho de Deus (Jo 2.23),
“Jesus não confiava neles, por que a todos conhecia e não necessitava de que
alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo
2.24,25). A não confiança se dava pelo fato de a “fé” dessas pessoas estar
baseada nos sinais e não na Palavra, como a dos samaritanos.
•Você sabe diferençar a
“fé” que se baseia em
sinais da fé que se
fundamenta na Palavra?
•O problema de se ter uma “fé” baseada
em sinais é que acabamos
valorizando mais os milagres do que o
Deus dos milagres.
III – O MILAGRE QUE GEROU
SALVAÇÃO
1. O desespero de um pai.
• O evangelista oportunamente observa que Jesus viera pela segunda vez em
Caná da Galileia, justamente onde realizara o milagre da transformação da
água em vinho (v.46). Desta feita, um oficial, provavelmente da corte de
Herodes, ouvindo falar que o Mestre chegou de viagem da Judeia, recorreu
a Jesus e suplicou que Ele curasse o seu filho, que estava à beira da morte
(vv.46,47).
• Apesar de os limites geográficos da Galileia serem grandes, o fato de o
oficial saber de Jesus significa que sua fama, como detalha Mateus (4.24),
já havia ultrapassado até mesmo a região da Galileia, chegando a atingir a
Síria. É oportuno, todavia, pontuar que Jesus mesmo não buscava tal fama,
pois até fugia das multidões quando estas queriam fazer dEle rei (Jo
6.14,15), sendo extremamente discreto (Jo 7.3-9).
2. Um homem de fé.
• João informa que Jesus responde negativamente ao pedido do oficial, pois
o Mestre já está farto de pessoas ávidas por sinais e que precisam “ver
para crer” (v.48). Contudo, o funcionário do rei parece não se importar
com a resposta do Senhor e, mesmo sendo uma pessoa importante, diante
de sua extrema necessidade, humilha-se e insiste para que Jesus desça a
Cafarnaum e cure o seu filho (v.49).
• Como Jesus não necessitava que alguém dissesse o que as pessoas
pensavam, pois Ele bem sabia (Jo 2.24,25 cf. Mt 9.4), atendeu então ao
oficial dizendo que este fosse embora, pois o seu filho estaria vivo. João é
enfático ao dizer que “o homem creu na palavra que Jesus lhe disse e foi-
se” (v.50). O Mestre tinha plena consciência de estar diante de um homem
que, embora necessitado, era diferente dos galileus buscadores de sinais. O
oficial creu sem precisar ver e obedeceu à ordem do Senhor, revelando-se
um homem de fé.
3. Um milagre que salvou uma família.
• O texto joanino diz que tão logo recebeu esta palavra do Senhor, o oficial
retirou-se e assim que encontrou seus empregados recebeu a notícia de
que seu filho estava bem (v.51).
• Por curiosidade e, certamente para confirmar o milagre, o funcionário do
rei perguntou o horário exato em que o seu filho apresentou-se melhor
(v.52).
• Após receber a informação, o oficial certificou-se de que havia sido
justamente o momento em que o Mestre disse-lhe que o seu filho estava
bem. Diante disso, João afirma que “creu ele, e toda a sua casa” (v.53). O
texto lembra o versículo onze de João 2, que diz que “os seus discípulos
creram nele”. Não apenas o oficial do rei, mas toda a sua família passou a
crer em Jesus, pois o milagre fora notório e somente Deus poderia operá-
lo. Uma vez mais o milagre cumpriu seu propósito principal: ― socorrer ao
aflito e manifestar a glória de Deus trazendo salvação.
•Os que possuem uma fé
genuína podem passar por
dificuldades semelhantes aos
que possuem uma fé
equivocada?
•O oficial do rei revelou-se um
homem de fé e não apenas alguém
que buscava um sinal para crer.