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Artes Cênicas – 1º ANO – 2009

Capítulo 1

CONCEITOS DE ARTE E TEATRO


O QUE É ARTE?

Qual a forma mais adequada para se definir o que vem a ser arte? Todo trabalho fruto da
criatividade é uma obra de arte? Perguntas como essas são difíceis de responder, pois não é possível
colocar limites ao trabalho artístico. No máximo, o que se pode fazer é julgar tecnicamente uma
obra, levando-se em consideração a utilização dos elementos da composição cênica, o contexto
histórico no qual está inserido o autor, o estilo ao qual ele pertence e suas maiores preocupações ao
conceber tal obra.
Entender o porquê de uma obra talvez seja mais fácil do que buscar defini-la como uma
obra artística ou não. Perceber sua significação histórica provavelmente nos trará mais frutos do que
nos prendermos somente ao ideal de beleza ou mesmo de artes sublimes. Assim, numa formulação
bastante simples, podemos conceber como uma produção artística toda e qualquer obra que
expressasse as idéias de alguém ou de algum grupo de pessoas de forma simbólica por meio da
utilização dos elementos compositivos, combinando-os do modo que achar mais adequado. Vale
lembrar que a obra pode apresentar apenas um objetivo meramente ornamental, sem se voltar para a
transmissão de conceitos ou pensamento.
Partindo desse princípio, notaremos que não só as pessoas que fazem cursos específicos
estão aptas a produzir obras artísticas. Até crianças podem fazê-las, apesar de sabermos que os
motivos, o domínio da técnica e o estilo são bem diferentes. A arte é, pois, uma forma de
comunicação.

FUNÇÕES DA ARTE

De acordo com o interesse do artista e conforme o contexto histórico no qual está inserido,
a arte pode apresentar funções diferentes.
Função cognitiva ou pedagógica da arte: apresentar-nos eventos pertinentes à esfera dos
sentimentos, que não são acessíveis ao pensamento discursivo. Através da arte somos levados a
conhecer nossas experiências vividas, que escapam à linearidade da linguagem. A lógica é suspensa
e eu vivo meus sentimentos, sem tentar traduzi-los em palavras. Numa civilização onde cada vez
são mais estritos os espaços destinados à imaginação, onde o racionalismo elegeu o “realismo”
como norma de ação e onde até mesmo o prazer deve ser comprado, a arte pode construir-se num
elemento libertador. Justamente por negar a supremacia do conhecimento exato, quantificável, em
favor da lógica do coração; por guardar em si um convite para que a imaginação atue em favor da
vida dos sentimentos.
Até aqui consideramos estes dois fatores pedagógicos da arte: a livre atuação da imaginação
e o conhecimento dos nossos sentimentos, que ela possibilita. Há que se considerar, por outro lado,
que a arte não apenas permite que conheçamos nossos sentimentos, mas também propicia o seu
desenvolvimento, a sua educação – fato este a ser assinalado como o terceiro fator educativo da
arte.
Como, então, podem ser desenvolvidos e educados os sentimentos?
Da mesma forma que o pensamento lógico, racional, se aprimora com a utilização constante
de símbolos lógicos, os sentimentos se refinam pela convivência com os Símbolos da arte.
Quanto mais é o contato com a arte, maior é a bagagem simbólica para “representar” e,
consequentemente, compreender as minúcias do sentimento. Ao saber como expressar ou saber
onde (em quais obras) encontrar expressos os meus sentimentos, possuo um guia seguro para
desvelá-los e entendê-los.
Quando dizemos que uma obra de arte é “aberta”, significa dizer que o sentido expresso
por ela se completa através da atuação do espectador, ou seja, a obra de arte, não transmitindo um
significado explícito, mas expressando um campo geral de sentidos, possibilitando ao espectador a
sua compreensão (fruição) segundo os seus próprios sentimentos.
“A obra de arte deve apoderar-se da platéia não através da identificação passiva, mas
através de um apelo à razão que requeira ação e decisão. As normas que fixam as relações entre os
homens hão de ser tratadas no drama como temporárias e imperfeitas, mas de maneira que o
espectador seja levado a pensar no curso da peça e incitado a formular um julgamento, afinal,
quanto ao que viu...”
Mais uma vertente pedagógica da arte diz respeito à oportunidade que ela nos fornece
para sentir e vivenciar aquilo que, de uma forma ou de outra, nos é impossível experimentar na vida
cotidiana. E isto é a base para que se possa compreender as experiências vividas por outros homens.
Quando no cinema, sinto as emoções do alpinista, quando, no teatro, sinto o drama dos
migrantes, ou ainda frente à tela de Goya, sinto o horror em face do pelotão de fuzilamento,
descubro meus sentimentos frente a situações (ainda) não vividas por mim, que não me são
acessíveis no meu dia-a-dia.
Cada cultura possui uma forma própria de sentir um determinado sentimento básico,
comum a todos os seus membros; tal sentimento caracteriza o que chamamos de “personalidade de
base” ou “personalidade cultural”. E ainda, as culturas “civilizadas” são históricas, ou seja,
modificam-se no tempo, alterando seus sentimentos, sentidos e construções.
Neste contexto, a arte caracteriza-se por exprimir – em relação às questões da
existência humana – os sentimentos da cultura e da época em que foi produzida. Aquilo se nomeia
como o “estilo” de um dado período histórico, nada mais e que a utilização de determinadas formas
de expressão, ou de determinados códigos, pautados no “sentimento da época”.
Conhecendo a arte de meu tempo e cultura, adquiro os fundamentos que me permitem uma
concomitante compreensão do sentido vivido aqui e agora. E mais: conhecendo a arte preterida da
cultura onde vivo, posso vir a compreender as transformações operadas no seu modo de sentir e
entender a vida ao longo da história, até os meus dias.
Em termos interculturais a arte também apresenta um importante elemento pedagógico. Na
medida em que nos é dado experienciar a produção artística de outras culturas, a compreensão dos
sentidos alienígenas torna-se mais fácil. Isso, porque, através da arte, pode-se participar dos
elementos do sentimento que fundam a cultura estrangeira em questão, o que é o primeiro passo
para que (a partir de nossa “visão de mundo”) se interpretem os seus sentidos explícitos.
Porém, há que se ressaltar, que, dada sua quase universalidade, a arte tem-se mostrado como
um meio eficaz para a invasão cultural. Através dela torna-se mais fácil moldar os sentimentos da
cultura invadida, para que sinta e interprete o mundo segundo os padrões dos invasores. Quando um
povo abandona seus padrões estéticos em favor de padrões estrangeiros, brotados de condições
diversas de vida, deixa de sentir com clareza. Perde-se em símbolos que não lhe são totalmente
expressivos, acabando por produzir uma arte amorfa, inexpressiva e sem vida. Acabando por
produzir uma arte que corrompe seus próprios sentimentos, ocultando-os, mais que desvelando-os.
Por fim, deve-se considerar o elemento utópico envolvido na criação artística. A utopia diz
sempre respeito à proposição daquilo que ainda não existe. Constitui-se em elemento importante
dentro de uma sociedade na medida em que significa um projeto, um desejo de transformação, que
permite dirigir o olhar dos outros para direções até então insuspeitas.
Outra função da arte é a Individual, que refere-se ao ser humano em si, tanto o autor do
trabalho quanto o seu observador. Ela trata da importância que a arte tem para quem a produz, pois
permite externar o seu modo de ver o mundo que o cerca e também suas emoções; mas ela também
se liga à importância que a obra tem para o observador, o qual pode, no contato com a arte, adquirir
conhecimentos, vivenciar emoções, ver o mundo por outro ângulo ou, pelo menos, embelezar seu
ambiente. Em última análise, a arte ajuda as pessoas a aprimorarem o seu senso estético (capacidade
para reconhecer e familiarizar-se com o que é belo) e o seu senso crítico (capacidade de refletir de
forma questionadora o coerente acerca de um determinado assunto.
Outras duas funções são a Social e a Ambiental.
Social: Pensando em termos de sociedade, podemos verificar que a arte, a partir do
momento em que colabora para que um indivíduo tenha possibilidade de desenvolver seu senso
estético e seu senso crítico, ajudará não só a tornar as pessoas melhores como seres humanos, mas
poderá colaborar de modo decisivo para a melhoria das relações interpessoais e da própria
organização social.
Ambiental: Trata das possibilidades de dar aos diversos ambientes um acabamento e uma
configuração de acordo com as intenções do indivíduo, procurando unir a beleza plástica com a
funcionalidade dos espaços. Vê-se muito bem esta relação quando estudamos a arquitetura e as artes
decorativas, pois são linguagens mais voltadas para uma caracterização simbólica dos diversos
ambientes criados pelo homem no decorrer da história da humanidade.
Em suas ramificações mais comuns, temos diversas outras funções, as quais variam de acordo com
a intenção do autor e de cada obra: função religiosa, política, pedagógica, decorativa, sociológica e
comercial.

O QUE É TEATRO?

Cada sociedade possui padrões dramáticos próprios. Folguedos populares, canções festivas e
danças folclóricas, feiras e circos, carnavais e bailes a fantasia, são todos partes de nossa herança
dramática.
Relacionados a todos os estudos dramáticos estão os conceitos e noções de teatro, que têm
variado através dos séculos na medida em que são afetados pelas atividades humanas.
O teatro implica uma centralidade artística em relação a todas as outras formas de arte:
música, dança, artes visuais e literatura.
No sentido mais amplo, o termo atinge toda a atividade teatral, englobando dramaturgia,
encenação e produção de espetáculos. É o lugar de ver. Os teatros, como hoje em dia se apresentam,
resultam de uma série de inovações que foram sendo acrescentadas através dos tempos, quando era
uma simples plataforma ao redor da qual um grupo de pessoas se aglomerava para ver e ouvir o ator
representar.
A representação teatral desenvolve-se na Grécia, no século VII a .C., a partir de rituais
religiosos em honra ao deus Dionísio.
Apesar do teatro escrito no modelo greco-romano ter sido vetado pela Igreja Católica, a
manifestação teatral sobreviveu no início do período medieval com as companhias itinerantes de
acrobatas, jograis e menestréis.

- Séc. X - Depois dos dramas litúrgicos, que eram encenações pelo clero no interior
das igrejas, desenvolvem-se outras formas, como Milagres (sobre a vidas dos santos), Mistérios
(discutem a fé e misturam temas religiosos com profanos) e as Moralidades (questionam
comportamentos).
- Séc. XII - encenações passam a ser ao ar livre.
- Séc. XIII – surgem os autos na Espanha – peças alegóricas que tratam de temas
religiosos em palcos provisórios. A igreja proíbe a mistura de temas religiosos e profanos – surgem
as comédias medievais totalmente profanas, entremeadas de canções. Uma peça importante é Farsa
do Mestre Pierre Pathelim.

Mas o espetáculo teatral não se restringe somente a ser realizado num local
institucionalizado. Ele pode acontecer em qualquer lugar, desde que haja os três principais
elementos teatrais que são: texto, ator e público.

O ATOR (atuação)

O teatro não existe sem a sua tríade: TEXTO – ATOR – PÚBLICO, mas para que cada
um cumpra o seu papel há um personagem que dá vida ao texto, é o dramaturgo. Este existe
independente da tríade, pois o seu trabalho antes de ser uma peça teatral é uma literatura. É o
dramaturgo quem cria o texto, que fica a espera de alguém que lhe dê vida, que lhe faça falar, andar,
iluminar, etc. Este é o papel do diretor teatral (ou encenador).

Quem é o ator?

É aquele que materializa o texto através da ação, emprestando ao personagem fictício


sua voz e expressão. É o seu corpo vivo quem dá vida física e espiritual à imaginação do
dramaturgo. Ambos são criadores, cada qual com sua parcela. É o dramaturgo que escreve o nome
do seu personagem, enquanto o ator exerce o caráter do personagem que vive em cada espetáculo.
A função do ator nasceu na antiga Grécia (séc. VI a.C.) quando Téspis, um homem do
povo, vestiu uma manta preta, subiu em uma carroça e declamou sozinho em diálogo com o coro
em procissão.
A atividade do ator só foi reconhecida profissionalmente há Itália, com a “Commedia
dell’Arte” no século XVI.
Comediante e intérprete são sinônimos de ator, mas cada um tem seu significado
específico. Assim intérprete sugere que ele vê, à sua maneira algo que lhe foi proposto. O
comediante é o que representa a COMÉDIA, e esta por sua vez enfatiza a crítica e a correção
através da deformação e do ridículo que tem como principal objetivo provocar o riso.
Então pode-se afirmar que nem todo ator é comediante, mas este é um ator de
características próprias.
O instrumento de trabalho do ator é o seu próprio corpo que ele usa para dar vida ao
personagem, para isso é preciso que o ator tenha um treinamento técnico e disciplina, pois ao
interpretar uma personagem ele precisa ser sincero, sensível, emotivo e ao mesmo tempo racional,
observador, perceptivo e trabalhando toda sua potencialidade intelectual.

O TEXTO

O texto é obra de ficção que deve conter no seu interior o seguinte esquema:
Apresentação, desenvolvimento e solução do conflito. Esse processo construtivo sugere idéia de
unidades de ação, tempo e lugar, estimulando o interesse do espectador.
Um texto teatral deve estar vestido como o seu gênero dramático, não impedindo de que
numa tragédia haja alguns ingredientes da comédia.
Ao escrever um texto dramático, seu criador deve preocupar-se com o público e com a
encenação de sua obra, para isso é necessário que escreva as rubricas que oferecerá ao diretor
ferramentas para desenvolver a encenação e o diretor, que passará as principais idéias para o ATOR
(elenco).
“O texto alinhado na biblioteca, sem além que o encene, também não é teatro. Ele
preciso do conjunto que compõe a linhagem teatral.
O texto deve ser escrito para a eficácia do espetáculo e, desde que tenha vida no palco,
ele preenche o seu objetivo primordial.

O PÚBLICO

É o que assiste o espetáculo. É o que vê a obra de arte. É o que responde a obra de arte
e, portanto, dialoga.
Assim o artista, o criador, não existe sem o público. Há uma necessidade mutua entre o
público e a obra artística e entre o dois, no teatro, está o ator. Aquele que dá o oxigênio ao texto
teatral.
Uma peça teatral é como um vestuário. Alguém fabrica o tecido que vai para a loja para
ser vendido, alguém compra e de acordo com a sua textura (e outras características) molda um
vestuário com todos os elementos que lhe são necessários. Aí alguém veste, mostra-se expondo-se
ao público. O público, por sua vez, é composto de vários elementos (cada qual com o seu olhar).
Portanto, reações e emoções diferentes.
(MAGALDI, Sábato – Iniciação ao Teatro, págs. 15,16-com adaptações)

Capítulo 2

O TEATRO PRIMITIVO

(História Mundial do teatro – p.1,2,3,4,5,6)


Capítulo 3
A RELAÇÃO ENTRE TEATRO E RELIGIÃO

O fenômeno teatral da Grécia, certamente o mais significativo da história, deveu seu


florescimento a diversos fatores. O mais importante – é preciso concordar – se prende à
circunstância de que os espetáculos eram a culminação das homenagens prestadas a Dionísio.
Nascido do culto a essa divindade, o teatro consistia no programa de festas a ela dedicada. O
sacerdote de Dionísio presidia à representação e um crime cometido ao decurso dela era
considerado sacrilégio. Está implícito aí um compromisso religioso, anterior e em parte estranho ao
teatro. Na tragédia, sentindo o terror e a piedade, com o castigo divino infligido ao herói, o público
se purificava de seus males. a catarse não se trazia apenas prazer estético: vinculava-se a ela
conhecimento filosófico, moral e religioso, cumulando de sabedoria o espectador. Apesar da
exclusão progressiva do elemento religioso, o teatro grego sempre guardou o caráter religioso de
sua origem. E foi perdendo o poder sobre as grandes assembléias na medida em que acolheu as
críticas reacionalistas. No gráfico das preferências populares, Sófocles, imbuído de conservantismo
religioso, foi o autor de maior sucesso, ao passo que Eurípedes, mestre na crítica da mitologia,
precipitou também a decadência da tragédia. As diferenças de classes sociais na Grécia não
perturbavam a unidade coletiva, afirmada através da religião. Praticamente todo o povo era público
teatral.
Em Roma, com o afrouxamento dos laços religiosos, o teatro não reviveu a
popularidade alcançada na Grécia. Qualquer pretexto afastava o latino da casa de espetáculos.
Terêncio (190?-159? a.C.) conta, no prólogo escrito para a Segunda representação de Hécira, que o
público abandonou o recinto em que se representava pela primeira vez a comédia, a fim de admirar
um funâmbulo (homem que anda em corda bamba). O teatro não chegou a integrar-se na vida
romana, que se satisfez com os prazeres do circo.
Ao renascer da liturgia, na Idade Média, o teatro estabeleceu uma comunicação com o
público semelhante à que distinguira as festas dionisíacas. Os espectadores dos dramas litúrgicos ou
dos milagres acompanhavam a representação como um ato de fé. A adesão, de natureza religiosa,
estava previamente assegurada. Até no século XVI o mistério se iniciava com a celebração da
missa.
No início do século XVI, em Romans, na França, há testemunhos da presença de 4200, 4800
e 4900 pessoas na encenação de um mistério, quando a cidade se resumia a 5 mil criaturas. Apesar
do expressivo número de visitantes, toda a população compareceu aos espetáculos. Em 1496, em
Seurre, foram proibidos trabalho e abertura do comércio nos três dias reservados a uma montagem.
A época elisabetana e o classicismo espanhol souberam preservar a popularidade do
espetáculo teatral, embora se perdesse a dependência religiosa. Em ambos os períodos, porém, as
diferenças de classes não quebravam a idéia de unidade, que é essencial à existência de um público
orgânico. O individualismo burguês rompeu o conceito do homem coletivo, e o teatro ocidental
nunca mais conseguiu reencontrar seu público. A revolução soviética, propondo em novas bases o
convívio humano, reconquistou, ao menos em certas experiências, a perdida vitalidade do
espetáculo.
Desesperados com a situação, alguns teóricos chegam a pressagiar extremos absurdos. Henri Ghéon
(1875-1944) proclama enfaticamente: “O teatro de amanhã será religioso ou desaparecerá” – certo
de que o palco deve ser um dos locais de manifestação da religiosidade. Piscator e Hean Vilar
concluem que é preciso reformar a sociedade, para que o teatro floresça de novo. Este último
observa: “o teatro interessa aos criadores, às testemunhas, quando uma crença, seja confessional ou
política, faz elevar-se a voz do poeta dramático e juntar-se ao redor dele a multidão, movida por
uma mesma esperança” (ver Jean VILAR, De la tradition théatrale, Paris, L’Arche, 1955, p.97).
Não há dúvida de que a subordinação da arte a fatores estranhos é o sustentáculo dessas teses.
Coerente com a sua ideologia, Jean Vilar, quando diretor do Teatro Nacional Popular Francês, quis
insuflar vida cênica aos subúrbios parisienses, e organizou weekends, nos quais, por preço acessível
o espectador via um texto clássico e um moderno, assistia a um concerto, jantava, participava de um
baile e de debates com o elenco. Evidente derivação leiga da antiga festividade religiosa...

Capítulo 4
ANÁLISE E ESTUDO DO MOVIMENTO

Construção Corporal

Os movimentos do corpo, incluindo movimentos das cordas vocais são indispensáveis à


situação no palco. A arte do movimento no palco incorpora a totalidade das expressões corporais,
incluindo o falar, a representação, a mímica, a dança e mesmo um acompanhamento musical.
O corpo é nosso instrumento de expressão por via do movimento.
A fluência do movimento é diretamente influenciada pela ordem em que são acionadas as diferentes
partes do corpo, cujos movimentos podem ser divididos em passos (pulos, giros e corridas), gestos
dos braços e mãos (movimentos de esvaziar, de recolher e de espalhar, dispensar, e expressões
faciais (movimentos de cabeça – dirigir os olhos, ouvidos, boca e narinas na direção do objetos dos
quais se espera ter impressões sensoriais.
Cada fase do movimento, cada mímica ou um simples gesto de qualquer parte do corpo
revela um aspecto de nossa vida interior.
Antes de tentarmos uma análise de ações corporais, vamos assistir a uma cena de um
filme, onde os personagens executam seqüências de movimentos corporais que produzem alteração
na posição do corpo ou em parte dele, no espaço que o rodeia. Cada uma destas ações leva tempo e
requer uma certa dose de energia muscular.
A observação das questões que se seguem serão ponto de partida para esta análise:
1) Qual a parte do corpo que se move?
2) Em que direção ou direções do espaço o movimento se realiza?
3) Qual a velocidade em que se processa o movimento?
4) Que grau de energia muscular é gasto no movimento?

ATIVIDADE PRÁTICA

Tomando como referência o espaço cênico e o corpo na execução de movimento expressivos,


o grupo irá preparar uma cena de RITUAL tentando expressar os sentimentos de sua personagem
sem a emissão de voz. Cabe ressaltar que cada personagem deverá ter uma característica física e
comportamental diferente das demais.

Elementos da linguagem cênica e plástica que vocês deverão explorar:


- Figurino, Maquiagem e Adereços (para caracterizar a personagem)
- Sonoplastia (para criar um clima para a cena)

Capítulo 5

ELEMENTOS DA LINGUAGEM CÊNICA

DIREÇÃO / ENCENAÇÃO

A arte teatral é complexa, implica várias “vozes”, sendo que uma não é mais importante que
a outra. Fazendo parte dessa linha de elementos expressivos do teatro, a encenação é algo
fundamental.
A encenação é “numa peça de teatro a parte verdadeira e especificamente teatral do
espetáculo” (Artaud) Seu aparecimento data da Segunda metade do século XIX, época que o
encenador passa a ser o responsável “oficial” pela ordenação do espetáculo, antes feito pelo
ensaiador ou ator principal.

Appia, Craig e Reinhardt são os três homens do teatro que, com muito talento e paixão,
iniciam o processo.

 Appia (1889) cria a atmosfera cênica através da luz e introduz cenários tridimensionais sólidos e as
plataformas; grande mago da iluminação.
 Gordon Craig (1907) decidiu que o ator não era um artista e criou três alternativas: limitar o ator ao
gesto simbólico; ressuscitar a máscara; utilizar uma super-marionete, graciosa e flexível, que ele
começou a buscar no teatro.
 Reinhardt usou de pouca teoria e aplicou os princípios de Appia e Craig. Como Aristóteles,
proclamava o instinto da teatralizasse inata no homem, considerava os atores com “alma de criança”
que têm o teatro como melhor refúgio.
É o encenador que reúne e coordena os diferentes componentes da representação, provindo dos seus
vários criadores: o dramaturgo, o músico, o cenógrafo, etc. “Ele ultrapassa o estabelecimento de um
quadro ou a ilustração de um texto. Torna-se o elemento fundamental da representação teatral: a
mediação necessária entre um texto e um espetáculo. (...) texto e espetáculo se condicionam
mutuamente; um expressa o outro” (Dort, 1971).
Com o aparecimento do encenador, o fazer teatral toma uma nova dimensão: a reflexão sobre a obra,
que é a mediação entre o texto e o público. A partir dele é possível definir a encenação moderna ao
mesmo tempo como função destinada a resguardar a coerência do espetáculo e como meio de
expressão artística. É o encenador um artista da comunicação teatral, seu trabalho é coletivo. Cada
diretor tem seu estilo próprio de encenar um espetáculo. Assim, o papel do diretor, no teatro moderno,
converteu-se em algo diferenciado e específico. Todos têm a mesma função: ler e analisar a obra
dramática, dirigir os ensaios dos atores, planejar a marcação (movimentação dos atores em cena), criar,
planejar e debater com os técnicos a cenografia, a luz, os figurinos, a maquilagem, as máscaras, a
música.
Hoje, os diretores não são ditadores, procuram fazer um trabalho em equipe junto aos atores e à parte
técnica.

É o encenador que reúne e coordena os diferentes componentes da representação, provindo


dos seus vários criadores: o dramaturgo, o músico, o cenógrafo, etc. “Ele ultrapassa o
estabelecimento de um quadro ou a ilustração de um texto. Torna-se o elemento fundamental da
representação teatral: a mediação necessária entre um texto e um espetáculo. (...) texto e espetáculo
se condicionam mutuamente; um expressa o outro” (Dort, 1971).
Com o aparecimento do encenador, o fazer teatral toma uma nova dimensão: a reflexão
sobre a obra, que é a mediação entre o texto e o público. A partir dele é possível definir a encenação
moderna ao mesmo tempo como função destinada a resguardar a coerência do espetáculo e como
meio de expressão artística. É o encenador um artista da comunicação teatral, seu trabalho é
coletivo.
Cada diretor tem seu estilo próprio de encenar um espetáculo. Assim, o papel do diretor, no
teatro moderno, converteu-se em algo diferenciado e específico. Todos têm a mesma função: ler e
analisar a obra dramática, dirigir os ensaios dos atores, planejar a marcação (movimentação dos
atores em cena), criar, planejar e debater com os técnicos a cenografia, a luz, os figurinos, a
maquilagem, as máscaras, a música.
Hoje, os diretores não são ditadores, procuram fazer um trabalho em equipe junto aos atores
e à parte técnica.

CENOGRAFIA
Cenografia é criar. O cenógrafo, como todos os outros profissionais do teatro, deve
fazer uma leitura do texto a ser encenado e junto com o diretor esboça a proposta do espetáculo.

A cenografia é a linguagem visual do teatro. É a primeira leitura que o público faz da


peça, portanto, a cenografia deve estabelecer a relação cena / público traduzindo a intenção do
diretor e/ou dramaturgo.
O cenógrafo tem total liberdade de criar sua proposta cenográfica. Qualquer elemento
pode adequar ao espetáculo, desde que esteja dentro do contexto histórico, pois este é que situa a
peça no tempo e no espaço. Cenografia é escrever o espaço. Sua origem está na Grécia –
skenographie = skene (cena) + graphie (escrever, desenhar, pintar, colorir). Possivelmente, era
usado para definir no desenho uma noção de profundidade.
A existência da cenografia é inerente ao fazer teatral, pois já na Grécia Antiga, nos
festivais dionisíacos, havia uma preocupação com a ornamentação da cena, que evoluiu e
diferenciou-se de acordo com o meio social e o contexto histórico.
O cenário da Antigüidade era fixo, contendo poucos elementos. Os primeiros teatros
de pedra foram construídos a partir do século V.
O teatro grego de caráter religioso não havia divisões para o público em classes sociais.
Era o lugar para debates e reuniões daquela sociedade. Seus espetáculos se realizavam a luz do sol
com iluminação plena.
O teatro romano era diferente do teatro grego: era dividido por classe social. Deixa de
ser religioso para ser usado como diversão a um grande público.
Também há algumas adaptações em sua arquitetura: o edifício era concêntrico e
circular. No seu interior elimina-se o círculo central passando a semicírculo e diminui-se a
importância do coro. O proscênio se amplia e o muro correspondente a SKENE envolve todo o
edifício. Eram ricamente decorados e grandiosos. Com o passar do tempo foram fechados e
cobertor.O período medieval não construiu um edifício teatral próprio. No início os milagres eram
apresentados no interior das igrejas, passando para os pórticos das catedrais e por fim ganhando as
praças para as sua representações misturando o religioso ao profano. Assim os palcos passam a ser
montados em carroças, cada qual concentrando uma cena que se movimentava pela praça
acompanhada pelo grande público, era o palco sucessivo. Das carroças criou-se o palco simultâneo,
construído sobre um enorme estrado e sobre eles as mansões fixas.É no Renascimento que
encontramos as raízes do edifício teatral que conhecemos em nosso tempo. Inicialmente, o teatro
acontecia nos salões dos palácios dos príncipes e seu público era somente a corte. Era construído
um palco para tal evento. A partir daí nasceu a necessidade de se construir um edifício próprio. Este
foi pensado a partir da arquitetura greco-romana, com divisões hierárquicas. Um dos primeiros a ser
construído foi o Teatro Olímpico (1585) em Vicenza do arquiteto Andrea di Pietro.

Características do Olímpico: No palco, um cenário fixo representando ruas e palácios, construído


em perspectiva. Na frente um anfiteatro (platéia).
O Palco elisabetano

O palco elisabetano podia ter forma retangular ou trapezóide tinha de 7 a 10 metros de


profundidade e ocupava boa parte da platéia e o palco. Eram dispostos em três andares onde
ficavam os que podiam pagar mais, o resto do povo ficava em pé no centro do salão. Shakespeare
viveu e apresentou os seus dramas nesse tempo. Em 1642 todos os edifícios teatrais foram
demolidos pelo governo.

MAQUIAGEM

A maquiagem consiste na pintura do rosto com a função de ressaltar expressões, como


também distanciar ou aproximar a personagem do espectador.

INDUMENTÁRIA (figurino)

A indumentária é um elemento visual de fundamental importância para a materialização


do espetáculo teatral, assim como a cenografia e os outros elementos.
Historicamente a indumentária sempre fez parte do teatro. A estilização das máscaras,
das túnicas e dos coturnos da tragédia grega, aumentando-lhe o tamanho.
Os atores da Commedia dell’Arte italiana usavam figurinos de convenção. O Arlequim
vestia-se de malhas colantes e manchadas, transformando-se mais tarde de manchas em figuras
geométricas (de triângulos e losangos).
Com o realismo, a indumentária foi usada de acordo com o momento histórico
encenado. Preocupavam-se em vestir verdadeiramente a personagem.
De modo geral, em teatro, o vestuário compõe-se de certo simbolismo das cores,
seguido da caracterização, do cenário e da iluminação.
A indumentária pode admitir caracteres predicativos, qualidades específicas cuja função
é a de desencadear uma ou várias ações, ou identificar um ou vários personagens que desempenham
na ação um determinado papel..

ADEREÇOS

Objetos de cena que servem como suporte para a representação. É também tudo que se
adere ao corpo ou às vestes do ator para a caracterização da personagem e da cena.
ILUMINAÇÃO

A iluminação no teatro tem inúmeras funções. Com ela é possível perceber uma
determinada atmosfera, limitar um determinado espaço cênico. Modifica a concepção da
indumentária e da caracterização.
Utilizando as várias cores, a luz causa efeitos emocionais, temporais, climáticos e para
localização. Também o ritmo de uma peça, separando os atos. Se utiliza da forma circular que
desenha e do próprio calor que dela de desprende. Facilita a projeção da mímica e da sombra. Indica
as momentâneas hierarquizações que o encenador instaura nas linguagens teatrais com a utilização
do foco.
“A iluminação teatral sempre teve duas grandes preocupações: mostrar e interpretar,
quer dizer, fazer com que todos pudessem ver o que o espetáculo estava apresentando e, do que
estavam vendo, recebesse uma solicitação que completasse o que estava sendo ouvido e visto.”

(Gianni Ratto, Antitratado de Cenografia. p.93)

A iluminação foi a grande descoberta para o teatro, principalmente o moderno, pois


foram deixados de lado os detalhes dos objetos e os cenários sofisticados para dar lugar à
expressividade da luz.

SONOPLASTIA

A multiplicidade de sons ou ruídos produzidos para interferir no desenvolvimento de


ação cênica é a sonoplastia. Naturais ou não, os ruídos devem distinguir-se de palavra, da música e
do próprio ruído gerado pela cena.
Sua execução é produzida nos bastidores por técnicos que utilizam várias máquinas e
objetos. Atualmente alguns problemas de sonoplastia foram resolvidos com a tecnologia. Assim,
alguns sons ou ruídos podem ser gravados com antecipação e controlados pelos técnicos e acordo
com o desenvolvimento do drama.

INTERPRETAÇÃO

A interpretação é o jogo do ator em cena a partir do texto dramático. Exige do ator:


sensibilidade, sinceridade, emoção e racionalidade.

ESPAÇO CÊNICO

O espaço cênico é o palco, ou o lugar onde é realizada a ação cênica: o drama.


Em cada período da história este espaço foi ocupado por uma estética particular e assim
evoluiu chegando ao ponto de deixar de ser algo isolado da dramaturgia para ser um elemento
intrínseco e dinâmico de toda uma concepção dramática.

Apostila produzida Por Wagner Bôa Morte – Arte-educador.

(Fontes: Apostila PAS; O Ator e seus duplos – Ana Maria Amaral; Iniciação ao Teatro – Sábato
Magaldi; História Mundial do Teatro – Margot Berthold).

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