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D I S C I P L I N A Introdução à Ciência Geográfica

A institucionalização da Geografia

Autores

Aldo Dantas

Tásia Hortêncio de Lima Medeiros

aula

07
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Divisão de Serviços Técnicos


Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Dantas, Aldo.

   Introdução à ciência geográfica: geografia / Aldo Dantas, Tásia Hortêncio de Lima Medeiros. –
Natal, RN : EDUFRN, 2008.

   176 p.

   1. Geografia – Brasil. 2. Geografia - teoria. 3. Geografia científica – Brasil. 4. Sociedade.


5. Prática pedagógica. I. Medeiros, Tásia Hortência de Lima. II. Título.

CDD 910
RN/UF/BCZM 2008/35 CDU 918.1

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Apresentação
A Geografia moderna surge na Alemanha, a então Prússia, no século XIX, marcada
pelas particularidades desse país. Mostrar isso é um dos intuitos desta aula. Mostraremos
também que o contexto cultural, político e filosófico devem estar relacionadas quando se
trata de entender o desenvolvimento de qualquer ciência.

Você verá ainda como se dá o processo de sistematização e institucionalização da


Geografia, quais foram os pressupostos materiais e históricos que deram sustentação
a essa sistematização e quais os pressupostos imateriais/subjetivos. Esta aula tenta
responder às seguintes questões: por que a geografia, um conhecimento de longa data,
vai se transformar em um saber sistematizado e científico apenas no século XIX e por que
é na Alemanha que isso acontece? Quais as relações entre o contexto da modernidade e o Modernidade
surgimento dessa ciência? Estilo e costume de vida
ou organização social
Para bem compreender a discussão apresentada nesta aula, será fundamental que você que emergiram na Europa
releia a aula 3 (A Geografia na Antiguidade). a partir do século XVII e
que vai, paulatinamente,
influenciando
todo o mundo.

Objetivos
Compreender como as transformações ocorridas
1 na modernidade influenciaram o processo de
desenvolvimento das ciências em geral e da Geografia
em particular.

Identificar as mudanças ocorridas nesse período


2 que influenciaram, especificamente, o pensamento
geográfico.

Relacionar os processos históricos, sociais, econômicos


3 e políticos com o desenvolvimento e sistematização do
conhecimento geográfico.

Articular a especificidade da Alemanha no século XIX


4 com o surgimento da Geografia moderna.

Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica 


Contexto geral

C
omo você viu na aula 3 (A Geografia na Antiguidade), as primeiras indagações
geográficas sobre a localização e distribuição dos fenômenos remontam às origens
da humanidade. Entretanto, de forma mais rigorosa, a Geografia como conhecimento
mais sistematizado nasce na Grécia, onde Anaximandro de Mileto (650-615 a.C.) constrói
o primeiro “mapa do mundo” e Hecateu de Mileto (560-480 a.C.) constrói o segundo. Por
outro lado, a Geografia enquanto ciência autônoma e sua institucionalização ocorrerão
somente no século XIX.

Perceba que desde o início o conhecimento geográfico apresentou-se polarizado


entre duas tendências opostas e complementares. De um lado, os geômetras (versados em
Geometria) e os astrônomos, com uma visão mais geral; de outro, os desbravadores, os
aventureiros e curiosos, os historiadores, os filósofos e os políticos que, preocupados com
os aspectos diferenciados da superfície terrestre, das diversas formas de produção, dos
povos e de seus costumes, refletem sobre as relações entre os diferentes territórios e as
várias sociedades humanas.

Vimos também que no decorrer da história da humanidade os périplos e conquistas


se multiplicam, os contatos com os povos “bárbaros” vão pari passu (simultaneamente)
alargando o horizonte geográfico.

Veja no box a seguir o que nos diz Antônio Carlos Robert de Moraes, em seu famoso
Geografia – Pequena História Crítica, sobre esse período do pensamento geográfico.

 Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica


O rótulo Geografia é bastante antigo, sua origem remonta à Antigüidade Clássica,
especificamente ao pensamento grego. Entretanto, apesar da difusão do uso
deste termo, o conteúdo a ele referido era demais variado. Ficando apenas ao
nível do pensamento grego, aí já se delineiam algumas perspectivas distintas
de Geografia: uma de Tales e Anaximandro, privilegia a medição do espaço e
a discussão da forma da Terra, englobando um conteúdo hoje definido como
Geodésia; outra, com Heródoto, se preocupa com a descrição dos lugares, numa
perspectiva regional. Isto para não falar daquelas discussões, hoje tidas como
geográficas, mas que não apareciam sob esta designação, como a relação entre
o homem e o meio, presente em Hipócrates, cuja principal obra se intitula Dos
ares, dos mares e dos lugares [...].

Desta forma, pode-se dizer que o conhecimento geográfico se encontrava


disperso. Por um lado, as matérias apresentadas com essa designação eram
bastante diversificadas, sem um conteúdo unitário. Por outro lado, muito
do que hoje se entende por Geografia, não era apresentado com este rótulo.
Este quadro vai permanecer inalterado até o final do século XVIII (MORAES,
1983, p.32-33).

A gênese da Geografia moderna


A constituição da Geografia enquanto saber científico sistematizado e institucionalizado
é fruto de um processo lento que tem por base fatores diversos no que se refere aos
fenômenos históricos e estruturais relacionados a determinado grau de desenvolvimento
material das sociedades e às idéias a eles vinculadas, ou seja, o desenvolvimento da Geografia
(assim como de todas as outras ciências) prescinde do desenvolvimento da vida material e
do pensamento filosófico-científico.

Dessa forma, a Geografia moderna, em seu nascedouro, necessitou de uma série de


condições históricas para poder se tornar realidade.

Essas condições históricas a que nos referimos dizem respeito ao processo de transição
do Feudalismo para o Capitalismo, assunto já visto nas aulas 5 (Os tempos modernos) e 6
(Espaço e modernidade)

Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica 


Podemos dizer que a grande revolução para o conhecimento geográfico começa
a ser preparada a partir da extraordinária expansão do espaço conhecido, do domínio da
configuração da Terra e do desprezo às idéias e crenças a respeito da superfície terrestre que
vem com a Idade Moderna. Mas, para que a Geografia desponte como um saber autônomo,
particular, faz-se necessárias ainda certas condições que só estarão suficientemente
amadurecidas no século XIX.

Pressupostos para o surgimento


da Geografia moderna
Como vimos anteriormente, a institucionalização da Geografia dependeu tanto de
fatores externos quanto de fatores de ordem interna à lógica do conhecimento científico
em geral. Vimos também que o desenvolvimento dessa lógica está intimamente ligada ao
processo mais amplo de desenvolvimento histórico da humanidade.

Em se tratando especificamente da institucionalização do conhecimento geográfico


moderno, que é o nosso caso, podemos dizer que quatro ordens de fatores ou pressupostos
fundamentais contribuíram para a erupção da sistematização da Geografia como ciência:

a) o efetivo conhecimento do planeta (alargamento do horizonte geográfico, ampliação do


ecúmeno – áreas da Terra habitadas pelo homem);

b) acúmulo de informações sobre os diferentes lugares;

c) aperfeiçoamento das técnicas cartográficas;

d) desenvolvimento do conhecimento científico-filosófico.

O conhecimento do planeta
O conhecimento efetivo da extensão real da Terra é um pressuposto fundamental
para a emergência da Geografia moderna e as condições materiais para a realização de tal
conhecimento encontram-se na expansão européia que se concretiza através das grandes
navegações e descobertas e na constituição de um espaço mundial de relações.

A consciência da magnitude real da superfície terrestre (em termos de sua forma,


dimensão, subdivisões e limites) representava o patamar mínimo para o afloramento
da reflexão sistematizada sobre esse espaço concreto. Tal apreensão mais elaborada
sobre a Terra requeria conhecimento factual considerável estabelecido e a possibilidade
de aferição empírica de uma visão de conjunto do globo (MORAES, 2002, p. 17).

 Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica


No século XIX, a constituição de um espaço mundial já é uma realidade efetiva e
consolida definitivamente aquele processo que se inicia com as primeiras evidencias
de decadência do sistema feudal, ou seja, no século XIX, com a Revolução Industrial, o
Capitalismo está consolidado. Essa consolidação atua de forma decisiva no processo de
reafirmação das relações mercantis de produção que, ao se articular em escala planetária,
estende a influência das sociedades européias em todo o globo.

Preste atenção, também, ao fato de que a constituição de uma economia mundial


desembocou numa exploração colonial, pois esse processo de expansão econômica exigiu
uma necessária apropriação e submissão de novos territórios e sua incorporação ao
sistema produtivo.

Se você retomar a leitura da aula 2 (A ação humana), verá que esse processo se baseia,
pelo menos, em dois elementos fundantes da Geografia: apropriação e exploração.

A apropriação desses novos territórios ocorre de forma lenta e vai, paulatinamente,


fragmentando os modos de vida locais, promovendo novos ordenamentos e “ajustes
espaciais”. Além disso, coloca o europeu expansionista em contato com realidades espaciais
bastante diversas da sua. Para ter o conhecimento dessas novas realidades particulares e
de suas localizações (lembre-se de que localização e nomeação dos lugares são elementos
constitutivos do saber geográfico, veja aula 1), o levantamento de informações sobre esses
lugares singulares torna-se imprescindível.

O acúmulo de informações
Como vimos, os grandes descobrimentos dão origem a um conhecimento cada vez
mais apurado da realidade do planeta, fator primordial para o surgimento de uma Geografia
moderna. Junto a esse conhecimento, faz-se necessária a sistematização de informações
sobre os diferentes pontos da Terra, ou seja, sobre os diferentes territórios que vão sendo
incorporados às relações mercantis.

A descoberta de novas terras torna possível a expansão das relações capitalistas. A


apropriação e incorporação de novos territórios exigem, como já foi dito, o conhecimento de
realidades distintas entre si e distintas do quadro europeu de referência.

Assim, a exploração colonial demanda o levantamento constante de informações que


vai sendo feito de forma criteriosa, dando origem a grande acervo de dados.

O acúmulo de informações é primordial nesse momento de expansão, uma vez que


o “mundo”, tal qual o conhecemos hoje, está sendo descoberto e apropriado (dominado)
e do qual se tem poucas informações. Além disso, conhecer e localizar detalhadamente
os diferentes lugares é uma tarefa demandada pela própria necessidade de realização da
expansão capitalista que, para aumentar seu domínio e fortalecer suas atividades nos
territórios colônias, necessita de informação.

Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica 


Basta pensar que das expedições exploradoras do século XV chega-se às expedições
científicas do século XVIII, todas financiadas diretamente pelas coroas européias.
Também a fundação das sociedades geográficas e dos escritórios coloniais atesta o
interesse fundamental dos Estados por essa coleta de informações. Decorre desse
interesse um revigoramento das descrições, que pela prática se vão aprimorando, fato
que é extremamente relevante para irrupção da Geografia moderna. O acúmulo das
descrições fornece base empírica para a comparação entre as áreas, núcleo germinador
das indagações associadas na sistematização geográfica (MORAES, 2002, p.18-19).

A cartografia
O avanço e aprimoramento da cartografia (instrumento por excelência geográfico)
se constituem efetivamente num outro pressuposto da Geografia moderna. Esse avanço
na linguagem cartográfica é uma demanda primária e uma exigência prática para o pleno
desenvolvimento das relações comerciais que requer o estabelecimento preciso de rotas de
navegação, assim como a localização exata dos lugares e portos.

O tráfego terrestre também se amplia em função da regularidade crescente das trocas


e do atendimento de distâncias maiores a serem percorridas.

É a economia “global” que emerge, articulando regiões diferentes e distantes e


demandando a confecção, cada vez mais detalhada, de mapas confiáveis que facilitem o
deslocamento mais rápido e seguro dos meios de transporte, os quais também sofrem grande
desenvolvimento nesse período. Mapas mais confiáveis propiciam ainda o conhecimento e
a extensão real das colônias.

A técnica de impressão, recém-descoberta nesse período, populariza o instrumental


cartográfico que vai se juntar às descrições dos viajantes naturalistas do século XVII, dando-
lhes cunho mais geográfico.

Assim, dos relatos ocasionais e intuitivos dos exploradores e aventureiros passa-se, com
a evolução da própria empresa colonial, às descrições ordenadas e imbuídas do espírito
objetivo das ciências modernas nascentes. Pode-se dizer que tal situação, plenamente
alcançada no século XVIII, é já o anteato imediato do processo de sistematização da
Geografia (MORAES, 2002, p.19)

Evolução das idéias


O período que estamos chamando aqui de transição do Feudalismo para o
Capitalismo, que promove grandes transformações materiais, é também marcado por um
clima de grande efervescência de idéias e de extraordinário alargamento do horizonte do
pensamento humano.

 Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica


Você deve estar se lembrando da aula 5, na qual falamos sobre a ordem feudal e sua
interpretação teológica do mundo. Essa ordem tinha como base de legitimação e interpretação
dos fenômenos a teleologia divina. Para se contrapor a essa visão, as idéias nascentes vão se
firmar sobre uma concepção racionalista do mundo na qual a valorização e as possibilidades
da razão humanas são privilegiadas em detrimento das explicações divinas. Os últimos anos
do século XVIII e os primeiros do século XIX marcam de modo especial esse embate.

De explicações de fundo teológico, baseadas na crença da origem divina


da ação dos eventos, passa-se para uma visão que defende a observação
sistemática em busca de constâncias, ritmos e relações entre os fenômenos
(MORAES, 2002, p.21).

Uma nova forma de saber se instala, configurando um novo sistema de conhecimento.


Surge daí as ciências modernas.

Essas mudanças que começam já no século XV-XVI vão se consolidar com o projeto
científico levado a cabo no século XIX. Esse projeto tem como pontos de apoio fundamentais
a razão e uma fé generalizada no progresso.

Como já assinalamos, ao contrário da ordem feudal, que se embasava numa visão


teocêntrica (Universo e homem são criaturas), a razão coloca o homem no centro do
Universo, e a Terra e a natureza são vistas como submissas e passíveis de apropriação
generalizada pelo homem.

A dessacralização da natureza vai permitir a intervenção humana na ordem natural e a


constituição da ciência moderna, entre elas a Geografia. O pensamento científico passa a ter
nessa concepção um papel fundamental. E é através da possibilidade de intervenção racional
do homem sobre a natureza e da eficácia científica que o homem moderno cimenta sua fé
no progresso.

Surge também nesse período, que começa com o Iluminismo, uma discussão
fundamental para a Geografia moderna: as relações entre a sociedade e o meio. Montesquieu
(1689-1755), por exemplo, em O espírito das leis, dedica um capítulo ao estudo das relações
natureza-sociedade. Rousseau (1712-1778) dizia, por outro lado, que seis meses passados
num lugar o instruía mais que cem livros.

Como se vê, essa mudança de mentalidade faz aflorar diversos temas pertinentes
à Geografia (além do já destacado), tais como: a questão da relação da sociedade com
o território; a influência do meio (especificamente do relevo e do clima) na organização
social; e as formas de governo e a extensão do território, que são temas recorrentes entre os
pensadores já referidos, como é o caso de Montesquieu e Rousseau.

Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica 


Alemanha: berço da
institucionalização da
Geografia moderna
Na Alemanha, emergem questões da prática social e da sua particularidade histórica que irão
estimular a sistematização e institucionalização da Geografia no seio da sociedade germânica.

O repertório geográfico e os interesses sociais e políticos engendrados na sociedade


alemã formam um par indissociável para a discussão dos problemas colocados para os
alemães e seu contexto histórico frente às mudanças e transformações por que passavam
as diferentes sociedades européias.

Como você estudou na aula 6, um dos elementos fundamentais para a tessitura do


Estado “ajuste espacial”, demandado pelo processo de modernização, é a constituição do Estado.
Conjunto de instituições Enquanto outros países constituem seu Estado Nacional, a Alemanha encontra dificuldade
e de uma população para sua unificação frente à extrema diversidade entre as várias unidades germânicas, a
fixado e delimitado por
ausência de relações mais duradouras entre elas e a falta de um centro organizador do
um território. O Estado
“monopoliza” a criação espaço que faça convergir as relações econômicas e amenizem as disputas de fronteiras.
das regras dentro do
seu território A Alemanha é, nesse período, um país em situação de atraso em relação às demais
nações européias e tal situação parece ser um aspecto fundamental para fazer da discussão
geográfica um tema da maior importância para a sociedade alemã.

Essas singularidades germânicas vão

marcar profundamente todos os planos da história da Alemanha, das relações


econômicas, passando pela organização política, até as formas de pensamento. É
nele inclusive que residem as determinações históricas específicas explicativas do
afloramento pioneiro do processo de sistematização do pensamento geográfico nesse
país (MORAES, 2002, p.26).

Como você deve estar percebendo, a maior parte dos temas colocados pelo processo
de sistematização da Geografia constitui dificuldades vividas pela sociedade alemã ainda não
unificada. A Geografia nasce nesse contexto específico da Alemanha para dar respostas a
duas questões fundamentais: resolver uma questão territorial premente para a constituição
de um Estado Nacional e a conquista de um lugar de destaque para a Alemanha no cenário
apresentado pela realidade européia do século XIX.

Os acontecimentos históricos e as necessidades práticas da sociedade alemã são


pontos importantes para a compreensão do surgimento da Geografia moderna, mas não são
suficientes. O nascimento de uma ciência ou de uma idéia depende de fatores históricos,
mas também de homens concretos. E em se tratando de Geografia alemã, esses homens são
Humboldt e Ritter, que teremos oportunidade de conhecer na próxima aula.

 Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica


Atividade 1
Leia os fragmentos a seguir e leia também, de Antônio Carlos Robert de Moraes, os
capítulos 3 e 4 do livro Geografia: pequena história crítica.

Em seguida, assinale os aspectos fundamentais para compreender o processo de


sistematização da Geografia.

A sistematização do conhecimento geográfico só vai ocorrer no início do século


XIX. E nem poderia ser de outro modo, pois pensar a Geografia como um
conhecimento autônomo, particular, demandava certo número de condições
históricas, que somente nesta época estarão suficientemente maturadas. Estes
pressupostos históricos da sistematização geográfica objetivam-se no processo
de avanço e domínio das relações capitalistas de produção. [...]

A especificidade da situação histórica da Alemanha, no início do século


XIX, época em que se dá a eclosão da Geografia, está no caráter tardio de
penetração das relações capitalistas nesse país. Na verdade, o país não existe
enquanto tal, pois ainda não se constitui como Estado Nacional. A Alemanha
de então é um aglomerado de feudos (ducados, principados, reinos), cuja única
ligação reside em alguns traços culturais comuns. Inexiste qualquer unidade
econômica ou política, a primeira começando a se formar no decorrer do século
XIX, a segunda só se efetivando em 1870, com a unificação nacional (MORAES,
1983, p. 34/44).

Agora, responda as questões seguintes.

A partir da leitura dos textos, faça considerações pertinentes à afirmação:


1 “O surgimento de uma ciência depende de fatores históricos materiais e
imateriais, ou seja, de fatores objetivos e subjetivos”.

Em que medida esses fatores objetivos e subjetivos estão presentes na


2 Alemanha para que a Geografia se institucionalize?

Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica 


Leituras complementares
ANDRADE, Manuel Correia. Geografia: ciência da sociedade. Recife: Editora Universitária/
UFPE, 2006.

Livro já citado no qual o autor analisa a evolução do pensamento geográfico desde


a Antigüidade até os dias atuais. É um livro de base para entender os fundamentos da
Geografia e suas conexões com as ciências naturais e sociais; além de traçar os contextos
nos quais se desenvolveram cada período de desenvolvimento da Geografia. Para esta aula,
veja especialmente os capítulos 4 e 5.

MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. São Paulo:
HUCITEC, 1983.

Leitura obrigatória para quem estuda Geografia. É uma síntese dos fundamentos e
da história do pensamento geográfico moderno. Para esta aula, veja especialmente os
capítulos 3 e 4.

MORAES, Antônio Carlos Robert. A gênese da geografia moderna. São Paulo: ANNABLUME/
HUCITEC, 2002.

Se você quiser aprofundar os seus estudos sobre este período de desenvolvimento


e gênese da Geografia moderna, essa obra trata especificamente do processo de
institucionalização e gênese da Geografia moderna, analisando o contexto histórico
específico da Alemanha e a sistematização dessa ciência, que ocorre através das elaborações
de Alexandre von Humboldt e Karl Ritter.

Resumo
Esta aula mostra a relação entre o desenvolvimento da ciência geográfica e o das
condições materiais da vida social dentro do contexto histórico da modernidade.
Analisa os pressupostos para a sistematização da Geografia e a especificidade
da Alemanha no século XIX, país que primeiro fará a sistematização do
conhecimento geográfico, dando-lhe estatuto científico e institucional.

10 Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica


Auto-avaliação
Elabore um texto mostrando de que maneira as mudanças ocorridas na
modernidade influenciaram no pensamento geográfico e de como isso culminou
na sua sistematização como ciência.

Referências
ANDRADE, Manuel Correia. Geografia: ciência da sociedade. Recife: Editora Universitária/
UFPE, 2006.

MORAES, Antonio Carlos Robert. A gênese da geografia moderna. São Paulo: ANNABLUME/
HUCITEC, 2002.

MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. São Paulo:
HUCITEC, 1983.

MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia. São Paulo: Contexto, 2007.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: EDUSP, 2006.

Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica 11


Anotações

12 Aula 07  Introdução à Ciência Geográfica


Introdução à Ciência Geográfica – GEOGRAFIA

Ementa
A construção do conhecimento geográfico. A institucionalização da geografia como ciência. As escolas do
pensamento geográfico. A relação sociedade/natureza na ciência geográfica. O pensamento geográfico e seu
reflexo no ensino. A geografia brasileira. Atividades práticas voltadas para a aplicação no ensino.

Autores
n  Aldo Dantas

n  Tásia Hortêncio de Lima Medeiros

Aulas

01    O saber geográfico

02   A ação humana

03   A Geografia na Antiguidade

04   A Geografia na Idade Média

05   Os tempos modernos

06   Espaço e modernidade

07   A institucionalização da Geografia

08   A Geografia de Humboldt e Ritter

09   A Geografia ratzeliana e seu contexto


Impresso por: Texform Gráfica

10   A Geografia vidaliana e o seu contexto

11   A abordagem regional vidaliana

12   Os movimentos de renovação

13   A institucionalização da Geografia no Brasil


1º Semestre de 2008

14   O nascimento da Geografia científica no Brasil

15   Milton Santos: o filósofo da técnica