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República Federativa do Brasil

Brasil

← 1964 – 1985 →

Bandeira do Brasil Brasão de armas do Brasil

Lema nacional
Ordem e Progresso

Hino nacional
Hino Nacional Brasileiro

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Extensão territorial do Brasil

Continente América
Região América do Sul
Capital Brasília

Língua oficial Português

Governo Ditadura militar


República
Bipartidarismo
Presidente
• 1964–1967 Humberto de
Alencar Castelo
Branco
• 1967–1969 Artur da Costa e
Silva
• 1969–1974 Emílio Garrastazu
Médici
• 1974–1979 Ernesto Geisel
• 1979–1985 João Figueiredo

Período histórico Guerra Fria


• 1º de abril de 1964 Golpe de 1964
• 1985 Diretas Já

Moeda Cruzeiro (BRB)

Regime militar no Brasil


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

República Federativa do Brasil


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Governo Ditadura militar


República
Bipartidarismo
Presidente
• 1964–1967 Humberto de Alencar
Castelo Branco
• 1967–1969 Artur da Costa e Silva
• 1969–1974 Emílio Garrastazu
Médici
• 1974–1979 Ernesto Geisel
• 1979–1985 João Figueiredo
Período histórico Guerra Fria
• 1º de abril de 1964 Golpe de 1964
• 1985 Diretas Já
Moeda Cruzeiro (BRB)

O regime militar no Brasil foi instaurado em 1 de abril de 1964 e durou até 15 de março
de 1985. De caráter autoritário enacionalista, teve início com o golpe militar1 que derrubou
o governo de João Goulart, o então presidente democraticamenteeleito.2 O regime acabou
quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido
como Nova República.3 Apesar das promessas iniciais de uma intervenção breve,
a ditadura militar durou 21 anos. Além disso, o novogoverno pôs em prática vários Atos
Institucionais, culminando com o AI-5 de 1968, que vigorou por dez anos. A Constituição
de 1946 foi substituída pela Constituição de 1967 e, ao mesmo tempo, o Congresso
Nacional foi dissolvido, liberdades civis foram suprimidas e foi criado um código de
processo penal militar que permitia que o Exército brasileiro e a Polícia Militar pudessem
prender e encarcerar pessoas consideradas suspeitas, além de impossibilitar qualquer
revisão judicial.4
O novo regime adotou uma diretriz nacionalista, desenvolvimentista e de oposição ao
comunismo. A ditadura atingiu o auge de sua popularidade na década de 1970, com o
"milagre brasileiro", no mesmo momento em que o regime censurava todos os meios de
comunicação do país e torturava e exilava dissidentes. Na década de 1980, assim
como outros regimes militares latino-americanos, a ditadura brasileira entrou em
decadência quando o governo não conseguiu mais estimular a economia, controlar
ainflação crônica e os níveis crescentes de concentração de renda e pobreza provenientes
de seu projeto econômico,5 o que deu impulso ao movimento pró-democracia. O governo
aprovou uma Lei de Anistia para os crimes políticos cometidos pelo e contra o regime, as
restrições às liberdades civis foram relaxadas e, então, eleições presidenciais foram
realizadas em 1984, com candidatos civis.
O regime militar brasileiro inspirou o modelo de outras ditaduras por toda a América Latina,
através da sistematização da "Doutrina de Segurança Nacional", a qual justificava ações
militares como forma de proteger o "interesse da segurança nacional" em tempos de
crise.6 Desde a aprovação da Constituição de 1988, o Brasil voltou à normalidade
institucional. Segundo a Carta, as Forças Armadas voltam ao seu papel institucional: a
defesa do Estado, a garantia dos poderes constitucionais e (por iniciativa desses poderes)
da lei e da ordem.7
Apesar de o combate aos opositores do regime ter sido notoriamente marcado por torturas
e mortes, as Forças Armadas admitiram oficialmente que possa ter havido tortura e
assassinatos, pela primeira vez, em setembro de 20148 , em resposta àComissão da
Verdade. O documento, assinado pelo Ministro da Defesa, Celso Amorim, menciona que
"o Estado brasileiro [...] já reconheceu a ocorrência das lamentáveis violações de direitos
humanos ocorridas no passado".9 No entanto, apesar das várias provas, os ofícios internos
da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira, foram uníssonos
em afirmar que em suas investigações não encontraram evidências que corroborassem ou
negassem a tese de que houve "desvio formal de finalidade no uso de instalações
militares".
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Índice
[esconder]

 1 Antecedentes
o 1.1 Motivações ideológicas
o 1.2 Decretos polêmicos de João Goulart em março de 1964
o 1.3 Salvaguardas e a doutrina da segurança nacional
o 1.4 Conexões civis do regime
 2 Histórico
o 2.1 Golpe militar e influência estrangeira
o 2.2 Governo Castello Branco (1964-1967)
o 2.3 Governo Costa e Silva e início da repressão (1967-1969)
 2.3.1 Reações e protestos
o 2.4 Governo Emílio Médici (1969-1974)
 2.4.1 "Milagre" econômico
o 2.5 Governo Geisel e abertura política (1974-1979)
o 2.6 Governo Figueiredo e declínio (1979-1985)
 2.6.1 Colapso do regime
 3 Estado policial
o 3.1 Atos Institucionais
o 3.2 Expurgos
o 3.3 Lei Falcão
o 3.4 Pacote de Abril
o 3.5 Lei de Segurança Nacional
o 3.6 Serviço Nacional de Informações
 4 Repressão
o 4.1 Violações aos direitos humanos
o 4.2 Censura e controle social
o 4.3 Ativismo estudantil
 4.3.1 Ocupação da Universidade de Brasília
o 4.4 Perseguição política
 4.4.1 Sindicatos e greves
 4.4.2 Luta armada de movimentos de esquerda
 4.4.2.1 Principais ações
 5 Cultura popular
o 5.1 Filmes
 6 Ver também
 7 Notas
 8 Referências
o 8.1 Bibliografia
 9 Ligações externas

Antecedentes
Parte de uma série sobre a

História do Brasil

Era pré-cabralina[Expandir]

Colônia (1530–1815)[Expandir]

Reino Unido (1815–1822)[Expandir]


Império (1822-1889)[Expandir]

Primeira República (1890-1930)[Expandir]

Era Vargas (1930-1945)[Expandir]

Quarta República (1946-1964)[Expandir]

Regime militar (1964–1985)[Expandir]

Nova República (1985-atual)[Expandir]

Constituições[Expandir]

Listagens[Expandir]

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As Forças Armadas Brasileiras adquiriram grande poder político após a vitória na Guerra
do Paraguai. A politização das instituições militares ficou evidente com a Proclamação da
República, que derrubou o Império, ou com o tenentismo (movimento tenentista) e
aRevolução de 1930. As tensões políticas voltaram à tona na década de 1950, quando
importantes círculos militares se aliaram a ativistas de direita em tentativas de impedir que
presidentes como Juscelino Kubitschek e João Goulart tomassem posse, devido ao seu
suposto alinhamento com a ideologia comunista.10 Enquanto Kubitschek mostrou-se
simpático às instituições capitalistas, Goulart prometeu reformas de longo alcance,
expropriação de interesses comerciais e a continuação da independência da política
externa iniciada por seu antecessor Jânio Quadros com o Brasil tendo relações
diplomáticas e comerciais com ambos os blocos capitalista e comunista.11
Em 1961, Goulart foi autorizado a assumir o cargo, sob um acordo que diminuiu seus
poderes como presidente com a instalação doparlamentarismo. O país voltou ao
sistema presidencialista um ano depois, e, como os poderes de Goulart cresceram, tornou-
se evidente que ele iria procurar implementar políticas de esquerda, como a reforma
agrária e a nacionalização de empresas em vários setores econômicos,
independentemente do consentimento das instituições estabelecidas, como
o Congresso.12 13 Na época, a sociedade brasileira tornou-se profundamente polarizada,
devido ao temor que Brasil se juntasse a Cuba como parte dobloco comunista na América
Latina sob o comando de Goulart. Políticos influentes, como Carlos Lacerda e até mesmo
Kubitschek, magnatas da mídia (Roberto Marinho, Octávio Frias de Oliveira, Júlio de
Mesquita Filho), setores conservadores da Igreja Católica, os latifundiários, a burguesia
industrial14 e parte da classe média pediam uma "contrarrevolução" por parte das Forças
Armadas para remover o governo.
A mobilização das tropas rebeldes foi iniciada em 31 de março de 1964. O presidente João
Goulart fugiu para o Uruguai em 1º de abril.
Motivações ideológicas
O golpe de estado de 1964, qualificado por seus apoiadores como uma revolução, instituiu
um regime militar que durou até 1985. Os militares e os governadores que o apoiaram
afirmavam que era necessário derrubar João Goulart, que eclodiu cinco anos após
o alinhamento cubano à União Soviética, sob alegação de que havia no Brasil uma
ameaça comunista. Alguns apoiadores ainda dizem que o acontecido, no caso, teria sido
uma contrarrevolução,15 o que é fortemente contestada pela historiografia marxista.16 Luís
Mir, porém, em seu livro "A Revolução Impossível", da Editora Best Seller, mostra que
Cuba já financiava e treinava guerrilheiros brasileiros desde 1961, durante o governo Jânio
Quadros. O mesmo diz Denise Rollemberg em seu livro "O apoio de Cuba à Luta Armada
no Brasil", publicado pela Editora Muad, em 2001. Tendo havido apoio cubano a
movimentos guerrilheiros brasileiros antes de 1964 ou não, o caminho do Golpe Militar,
ditadura, suspensão de liberdade de imprensa, de eleições e cassações e prisões por
posicionamento político não era o único seguido no mundo para combater movimentos
armados de esquerda. Em países da Europa Ocidental havia guerrilhas
comunistas financiadas pelo bloco soviético e nem por isso Itália, Inglaterra
ou Alemanha sofreram golpes militares ou regimes de exceção durante a Guerra Fria.
Assim sendo, muitos autores, mesmo não marxistas, dão conta da possível inclinação
conservadora ou alinhamento aos discursos lacerdistas (udenistas) das forças golpistas
lideradas por Castelo Branco e com apoio militar e logístico dos Estados Unidos. Outros
falam na vontade de extirpar à força os herdeiros do trabalhismo populista varguista,
como Jango e o próprio PTB.
Vivia-se, naquela época, a Guerra Fria quando os Estados Unidos procuravam justificar
sua política externa intervencionista com sua suposta missão de liderar o "mundo livre" e
frear a expansão do comunismo. Assim sendo, a violenta luta internacional entre Estados
Unidos e União Soviética, capitalistas e comunistas encontrou eco nos discursos da
política brasileira. Os Estados Unidos apoiaram os setores que organizavam um golpe de
estado contra o presidente João Goulart, que fora democraticamente eleito como vice-
presidente do Jânio Quadros.
Goulart procurava impulsionar o nacionalismo trabalhista através das reformas de base17 .
Os setores mais conservadores, contudo, se opunham a elas. Um evento que aumentou a
insatisfação entre setores conservadores militares ocorreu quando Jango decidiu apoiar os
militares revoltosos de baixa patente da Revolta dos Marinheiros, os quais pleiteavam
aumentos, fim de punições humilhantes e direito a voto. Oficiais de patentes mais altas das
Forças Armadas aumentaram sua oposição a Jango, pelo que chamaram de quebra de
hierarquia.
O governo dos Estados Unidos não aprovava as nacionalizações de empresas americanas
realizadas pelo cunhado do Presidente João Goulart e governador do Rio Grande do
Sul Leonel Brizola nem os rumos que a política externa brasileira tomava, de suspensão
de pagamento da dívida externa (muitos credores Americanos) de não-alinhamento e
contatos com ambos os polos de poder (capitalista e comunista). No governo Jânio
Quadros, Jango, então vice-presidente, havia visitado, a mando do presidente,
a Chinacomunista. Jânio Quadros, mesmo que sem nenhuma ligação com setores de
esquerda, condecorara o revolucionário e então funcionário do governo cubano, Ernesto
Che Guevara. Isso tudo motivou os americanos a fornecerem aos militares brasileiros
apoio ao golpe. De lá veio ainda o aparato ideológico do anticomunismo, que já era
pregado pela Escola Superior de Guerra das Forças Armadas do Brasil, através da
doutrina de "Segurança Nacional".
Apesar de Jango ser latifundiário, filho de empresários e milionário, de inclinação
trabalhista e não comunista, e de suas reformas serem ideologicamente identificadas com
a centro-esquerda, existia a vontade econômica e política por parte dos Estados Unidos de
controlar os países de economia menos desenvolvida, impedindo-os de se ligarem ao
bloco comunista, para assim vencerem a disputa mundial de poder com a URSS e o bloco
comunista, negando à estes quaisquer novos parceiros comerciais e diplomáticos.
Decretos polêmicos de João Goulart em março de 1964

O presidente João Goulart (Jango) durante sua visita aos Estados Unidos, em 1962.

No dia 13 de março de 1964, João Goulart assina em praça pública, no Rio de Janeiro,
três decretos, um de encampação das refinarias de petróleo privadas, outro de reforma
agrária à beira de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes e um decreto tabelando
aluguéis. Esses decretos de 13 de março foram usados como pretexto pelos
conservadores para deporem João Goulart:

 Decreto Nº 53.700: Declara de interesse social para fins de desapropriação as áreas


rurais que ladeiam os eixos rodoviários federais, os leitos das ferrovias nacionais, e as
terras beneficiadas ou recuperadas por investimentos exclusivos da União em obras
de irrigação, drenagem e açudagem, atualmente inexploradas ou exploradas
contrariamente à função social da propriedade, e dá outras providências.18
 Decreto Nº 53.701: Declara de utilidade pública, para fins de desapropriação em favor
da Petróleo Brasileiro S A - PETROBRÁS, em caráter de urgência, as ações das
companhias permissionárias do refino de petróleo.18
 Decreto Nº 53.702: Tabela os aluguéis de imóveis no território nacional, e dá outras
providências.19
Salvaguardas e a doutrina da segurança nacional
O golpe de Estado marcou a influência política do Exército Brasileiro e sua determinação
em tomar o poder do país ao abrigo de umadoutrina de segurança nacional formado no
âmbito da política do comércio exterior americano e de outros países influentes como a
França. O intervencionismo militar no Brasil remonta ao Império (1822-1889), mas,
segundo estudiosos é a primeira vez no Brasil, mas também na América Latina que o
militar está adquirindo poder afirmando abertamente a doutrina da segurança nacional.20 21
Segundo o tenente-coronel de Infantaria e Estado-Maior do Exército Brasileiro Manuel
Soriano Neto, em palestra comemorativa proferida na AMAN em 12 de setembro de 1985,
em homenagem ao centenário do marechal José Pessoa:
Com as desavenças que grassavam na corrente outubrista, o tenentismo vem a
se desintegrar. Tal fato se dá após a Revolução de 1932, mormente durante o
ano de 1933, quando se formava a Assembleia Nacional Constituinte. Parcelas
das Forças Armadas se desgarraram para a esquerda e para a direita,
incorporando-se à Aliança Nacional Libertadora e à Ação Integralista —
Manuel
Brasileira, que apregoavam ideologias importadas, não condizentes com Soriano
aidiossincrasia de nosso povo. Neto

Portanto, dentro das forças armadas brasileiras, existia uma grave cisão interna de ordem
ideológica e, ainda havia outra divisão entre os moderados e a linha dura. Os grupos
concorrentes entre si defendiam pontos de vistas diferentes: um grupo defendia medidas
rápidas diretas e concretas contra os chamados subversivos, ou inimigos internos, estes
militares apoiavam sua permanência no poder pelo maior tempo possível; ao contrário do
grupo anterior, o segundo era formado por militares que tinham por doutrina a tradição de
intervenções moderadoras. Estes procuravam permanecer no poder somente o tempo
necessário até se formar um governo aceito pelo grupo a exemplo de 1930, 1945 e 1954.
Quando passado o período de maior risco institucional houve o rápido retorno do poder
para os civis. Para os dois grupos era necessário salvaguardar o Brasil contra o poder
do comunismo internacional (além do antigetulismo, leia-se populismo).22
Segundo a doutrina dos militares, o inimigo devia ser extirpado a todo custo e os governos
populistas seriam uma porta de entrada para a desordem, subversão e propiciariam a
entrada de ideologias nocivas à nação. As facções contrárias internamente nas forças
armadas acabaram se unindo apesar da não concordância metodológica. Desta forma, os
militares mais radicais se aglutinaram ao general Costa e Silva, e os mais estratégicos ao
marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Muitos militares da época afirmam que se
a orientação filosófico-ideológica das forças armadas fosse para a esquerda, estas
defenderiam da mesma forma a linha de pensamento, somente o inimigo que mudaria de
lado, o que importava era a segurança da Nação.22
Atualmente é sabido que as contradições de pensamentos e ações dentro das Forças
Armadas (a dita cisão interna) causou a expulsão e a prisão de muitos militares no
momento seguinte ao golpe. Exemplo disso foi quando o general Kruel garantiu que
o Exército Brasileiro jamais iria contra a Constituição Brasileira de 1946, e que defenderia
os poderes constituídos, e quando o general Olympio Mourão Filho declarou que João
Goulart, devido ao abuso do poder e de acordo com a Lei, fora deposto.22
Conexões civis do regime

Manifestantes na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 19 de março de 1964 na Praça da Sé,
emSão Paulo. Fonte: Arquivo Nacional/Correio da Manhã.

A partir da década de 2000, vários historiadores passaram a defender a ideia de que o


golpe, assim como a ditadura que se seguiu, não foi exclusivamente militar, sendo, em
realidade, civil-militar. 1 23 24 25 26 Pelo menos no início, houve apoio ao golpe por parte de
segmentos importantes da sociedade: os grandes proprietários rurais, uma grande parte
da classe média urbana (que na época girava em torno de 35% da população total do
país) e o setor conservador e anticomunista da Igreja Católica (na época majoritário dentro
da Igreja) que promoveu a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 19 de
abril de 196427 .
No entanto, a população brasileira, à época, ainda majoritariamente rural e em grande
parte analfabeta - e, na época, sem direito a voto28 - manteve-se quase sempre inerte e
distanciada da política nacional. No campo, a exceção eram as Ligas camponesas,
lideradas pelo advogado Francisco Julião, que lutavam pela reforma agrária.
Entre as figuras históricas civis afinadas com o movimento militar, estão os
governadores Magalhães Pinto (Minas Gerais), Adhemar de Barros (São Paulo) e Carlos
Lacerda (Guanabara, atual Estado do Rio de Janeiro).
O apoio clerical, no entanto, não era completo. A partir de outubro de 1964, especialmente
quando ativistas católicos de esquerda foram presos, certos setores da chamada "ala
progressista da Igreja Católica" da Teologia da Libertação, passaram a denunciar a
violência do governo militar.29

Histórico
Golpe militar e influência estrangeira

John F. Kennedy durante a visita do então presidente João Goulart aosEstados Unidos em 1962.
Posteriormente descobriu-se que o presidente estadunidense planejava invadir militarmente o Brasil para
depor o governo de Goulart.30 31

Ver artigo principal: Golpe Militar de 1964

Mais informações: Ações de derrubada de governos patrocinadas pela


CIA e Atividades da CIA no Brasil
Tropas militares, na madrugada do dia 31 de março de 1964, sob o comando do
general Olympio Mourão Filho marcharam de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro com o
objetivo de depor o governo constitucional de João Goulart. O presidente encontrava-se no
Rio de Janeiro quando recebeu um manifesto exigindo sua renúncia. O chefe da Casa
Militar, general Assis Brasil, não conseguiu colocar em prática um plano que teria a função
de impedir um possível golpe. Os partidos de sustentação do governo ficaram aguardando
a evolução dos acontecimentos. O presidente, de Brasília, seguiu para Porto Alegre e se
refugiou numa estância de sua propriedade, e depois rumou para o Uruguai, o que levou o
presidente do Senado Federal a declarar vagas a presidência e a vice-presidência da
república e empossar o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, na
presidência da república. No dia 2 de abril ocorre aMarcha da Vitória, na cidade do Rio de
Janeiro, garantindo apoio popular à deposição do presidente João Goulart.32
Blindados, viaturas e carros de combate ocuparam as ruas das principais cidades
brasileiras. Sedes de partidos políticos, associações,sindicatos e movimentos que
apoiavam reformas do governo foram destruídas e tomadas por soldados fortemente
armados. À época, estudantes, artistas, intelectuais, operários se organizavam para
defender as reformas de base. A sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) foi
incendiada33 .
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, "(…) o golpe militar foi saudado por importantes
setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos
proprietários rurais, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda,
da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Adhemar de Barros, de São Paulo),
além de setores da classe média, pediram e estimularam a intervenção militar, como forma
de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica."34

Tanques em frente ao Congresso Nacional patrulham aEsplanada dos Ministérios, em Brasília, após
o golpe militar de 1964.

Os Estados Unidos, que já vinham patrocinando organizações e movimentos contrários ao


presidente e à esquerda no Brasil durante o governo de João Goulart, participaram da
tomada de poder, principalmente através de seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e
do adido militar, Vernon Walters, e haviam decidido dar apoio armado e logístico aos
militares golpistas, caso estes enfrentassem uma resistência armada por parte de forças
leais a Jango: em Washington, o vice-diretor de operações navais, John Chew, ordenou o
deslocamento para costa brasileira (entre Santos e Rio de Janeiro) de uma força-tarefa da
US Navy (incluindo o porta-aviões Forrestal, seiscontratorpedeiros, um porta-helicóptero e
quatro petroleiros), operação que ficou conhecida como "Brother Sam".35
Após a deposição de João Goulart, vieram os Atos Institucionais (AI), mecanismos
jurídicos autoritários criados para dar legitimidade a ações políticas contrárias
à Constituição Brasileira de 1946 que consolidaram o novo regime militar implantado.36
O presidente João Goulart permaneceu em território brasileiro até o dia 2 de abril. Nesse
dia, em um golpe parlamentar,nota 1 o Congresso Nacional declarou que a Presidência da
República estava vaga e deu posse ao Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri
Mazzili, que permaneceu no cargo até 15 de abril de 1964, embora representasse um
papel meramente decorativo: o governo era exercido pelos ministros militares. Em uma
inversão constitucional - os militares passando de defensores da Constituição a
subversivos dela e causadores de uma crise política - acabou predominando a força das
armas e o Presidente da República foi deposto. Goulart partiu para o exílio no Uruguai,
morrendo na Argentina, em 1976.37
Governo Castello Branco (1964-1967)
Ver artigo principal: Humberto de Alencar Castello Branco
Ver também: Constituição brasileira de 1967
Humberto de Alencar Castello Branco, o primeiro presidente do regime militar.

No dia 11, o Congresso Nacional ratificou a indicação do comando militar, e elegeu o


marechal Humberto de Alencar Castello Branco, chefe do Estado-Maior do Exército. Como
vice-presidente foi eleito o deputado pelo PSD José Maria Alkmin, secretário de finanças
do governo de Minas Gerais, do governador Magalhães Pinto, que ajudou a articular o
golpe. A posse de Castello Branco ocorreu em 15 de abril de 1964 e ele governou o Brasil
até março de 1967.38
O presidente Castello Branco iniciou o governo militar. Compôs o seu governo com
predominância de políticos da UDN. Dizia que a intervenção tinha caráter corretivo e era
temporária. Porém, as Forças Armadas, lideradas pelo general Costa e Silva, não tinham
interesse no papel de moderador, mas sim em "estabelecer a Linha Dura" de repreensão
às atividades políticas de esquerda consideradas pelos militares golpistas como
"terroristas".38
Castello Branco morreu, logo após deixar o poder, em um acidente aéreo, mal explicado
nos inquéritos militares, ocorrido em 18 de julho de 1967. Um caça T-33 da FAB atingiu a
cauda do Piper Aztec PA 23, no qual Castello Branco viajava, fazendo com que o PA-23
caísse deixando apenas um sobrevivente.39 40 No processo sucessório, Castello foi
pressionado a passar a faixa presidencial para o general da linha dura Arthur da Costa e
Silva mas estava organizando com o Senador Daniel Krieger um movimento contra o
endurecimento do regime.41
Castello Branco, apesar das promessas de retorno ao regime democrático, inaugurou a
adoção de Atos Institucionais como instrumentos de repressão aos opositores. Com isso,
fechou associações civis, proibiu greves, interveio em sindicatos e cassou mandatos de
políticos por dez anos, inclusive o do ex-presidente Juscelino Kubitschek.38
Em novembro de 1965, foi mandado cumprir o Ato Complementar Número 4, que
institucionalizou o sistema bipartidário no Brasil. Foram criados dois partidos, um
situacionista e um oposicionista, sendo que o segundo jamais poderia ter quórum superior
ao primeiro. O partido situacionista, formado por integrantes dos extintos PSD e UDN e
chamado de Aliança Renovadora Nacional, ARENA, dava sustentação ao governo,
portanto era obrigatório que tivesse maioria. O partido oposicionista foi
nominado Movimento Democrático Brasileiro, MDB. A população da época tinha um
trocadilho para se referir aos dois partidos, …um era o partido do "não", o MDB que era
contra tudo que o regime militar e seus presidentes faziam, e o outro, era o partido do "sim
senhor", a ARENA que aprovava tudo que o governo fazia.38
Os membros do MDB que incluíam os comunistas do PCB abrigados no MDB não
aceitavam a luta armada como alternativa de oposição ao regime militar e se intitulavam
"Resistência Democrática". Sob justificativa do crescimento dos movimentos de esquerda
e pela influência da propaganda pelos movimentos chamados de subversivos (veja o
artigo: A esquerda armada no Brasil), observando ainda que a população brasileira mais
humilde iniciava um movimento em direção à esquerda, a elite brasileira e a classe média
começaram a temer o rápido avanço do chamado, pelos anticomunistas de "perigo
vermelho" ou "perigo comunista".38 Segundo relatos publicados pelo Departamento de
Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas: "Os militares envolvidos no golpe
de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina e a
hierarquia nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista" que, segundo eles, pairava
sobre o Brasil."42
Em 17 de julho, sob a justificativa de que a reforma política e econômica planejada pelo
governo militar poderia não ser concluída até 31 de janeiro de 1966, quando terminaria o
mandato presidencial inaugurado em 1961, o Congresso aprovou a prorrogação do seu
mandato até 15 de março de 1967, adiando as eleições presidenciais para 3 de outubro de
1966. Esta mudança fez com que alguns políticos que apoiaram o movimento passassem
a criticar o governo, a exemplo de Carlos Lacerda, que teve sua pré-candidatura
homologada pela União Democrática Nacional (UDN) ainda em 8 de novembro de 1964.
Na esteira dos Atos Institucionais, foram expedidos Atos Complementares.38
Nas eleições, realizadas em outubro de 1965, o governo venceu na maioria dos estados
mas foi derrotado nos dois mais importantes, Guanabara e Minas Gerais, onde foram
eleitos, respectivamente, Francisco Negrão de Lima e Israel Pinheiro, apoiados pela
coligação PSD/PTB. Em consequência disto, o presidente Castelo Branco editou, em 27
de outubro de 1965, o Ato Institucional nº 2, AI-2, que, entre outras medidas, extinguia os
partidos políticos, estabelecia eleições indiretas para a presidência da República, facilitava
a intervenção federal nos estados e autorizava o presidente da República a cassar
mandatos parlamentares e suspender os direitos políticos.. O que era um movimento
militar passou a se constituir num regime, evoluindo para uma linha dura no comando do
marechal Artur da Costa e Silva (1967-1969).38
Governo Costa e Silva e início da repressão (1967-1969)
Ver artigos principais: Artur da Costa e Silva, Anos de chumbo (Brasil) e Ato
Institucional Número Cinco

Marechal Costa e Silva.

Ex-ministro da Guerra, o marechal Costa e Silva teve o seu nome indicado pelas Forças
Armadas e referendado pelo Congresso Nacional. No dia 15 de março de 1967, o
marechal Artur Costa e Silva é empossado no cargo de Presidente da República, tendo
como vice Pedro Aleixo. Com sua posse começa a vigorar a Constituição de 1967. O
Presidente deixa o cargo no dia 31 de agosto de 1969. Com predominância de ministros
militares e civis - o paulista Antônio Delfim Netto era o ministro da Fazenda - o novo
presidente organizou o seu ministério. As taxas de inflação caíram nos primeiros anos de
governo reaquecendo a economia e aumentando a presença de investimento estrangeiro
no país.43
No campo político, porém, não havia sinal de retorno à democracia plena. Os militares
defendiam um endurecimento maior do regime, a chamada "linha dura". Vieram as
perseguições políticas, em missões organizadas pelos órgãos de segurança do governo.
Uma onda de protestos surgiu em todo o país, com enfrentamento direto entre as forças
de segurança contra os manifestantes pró-comunismo, militantes de esquerda e
estudantes cooptado por organizações subversivas, crescendo para grandes
manifestações reivindicatórias e de contestação ao regime e a intolerância e as
desavenças eram comuns, as patrulhas ideológicas organizadas pelos comunistas agiam
nas escolas, clubes e sindicatos. Na esteira dos acontecimentos, os que apoiaram o golpe
militar, como Carlos Lacerda, se sentiram excluídos do processo e passaram a se opor ao
governo. Lacerda tentou se unir a Juscelino e Jango, que se encontravam exilados, num
movimento que ficou conhecido como Frente Ampla.43
No início de seu governo os protestos estavam disseminados por todo o Brasil, o que
provocou o recrudescimento do Estado. Na mesma proporção, a oposição, que em muitos
casos já estava na clandestinidade havia algum tempo, começou a radicalizar suas ações
com assaltos a bancos, ataques a soldados para roubo de armas e sequestros de líderes
militares. A violência da ditadura militar começa a fazer suas vítimas, sobretudo contra o
lado opositor ao regime - guerrilheiros, comunistas, estudantes e liberais. Os confrontos
entre grupos antagônicos se intensificam, com revoltosos de um lado e apoiadores do
regime de outro.43
No governo estavam oficiais da linha dura, e as ruas eram dominadas pelas greves dos
operários e movimentos estudantis, organizações essas lideradas por membros de
esquerda. Neste clima, iniciou-se a controvertida batalha entre o Estado e manifestantes
que reivindicavam o fim do regime. Como consequência, as liberdades individuais foram
suprimidas e o país definitivamente entrou em um processo de radicalização entre os
militares e a oposição, que gerou o gradual fechamento do regime, até culminar com o AI-
5.43
No dia 28 de agosto de 1969, o presidente Costa e Silva é acometido por trombose grave.
Devido à doença, no dia 31 de Agosto de 1969 uma junta militar substituiu oPresidente da
República e se confirmou no poder, para evitar que o Vice-Presidente Pedro Aleixo
assumisse, pois esse se opora à implantação do AI-5, sendo o único a votar contra o AI-5
na reunião do Conselho de Segurança Nacional que decidiu pela implantação do AI-5.43
A Junta Militar era composta pelos ministros do Exército (Aurélio de Lira Tavares), Força
Aérea (Márcio de Sousa e Melo) e Marinha (Augusto Hamann Rademaker Grünewald). No
dia 1 de Setembro de 1969, o AI-12, foi baixado informando à nação brasileira o
afastamento do presidente e o controle do governo do Brasil pelos ministros militares.43
Reações e protestos
Ver artigo principal: Passeata dos Cem Mil
As manifestações e protestos ganham as ruas em quase todas as principais cidades do
Brasil nos primeiros anos após o golpe militar. Os estudantes começam também a
radicalizar suas ações. Com a chegada do general Artur da Costa e Silva ao poder, o,
as greves dos operários tomaram corpo, na mesma proporção em que a linha dura já fazia
suas vítimas.44
Vladimir Palmeira, o líder do movimento civil, discursando durante aPasseata dos Cem Mil, em 1968

Em 28 de março de 1968, quando da preparação de uma passeata de protesto que se


realizaria em função do mau funcionamento dorestaurante do Calabouço, no Rio de
Janeiro, cujas obras ainda não haviam terminado, havendo ratos, baratas e falta de
higiene, para o fornecimento de alimentação aos adolescentes estudantes do científico
(segundo grau), o estabelecimento foi invadido pela Polícia Militar. Segundo oficialmente
noticiado, a causa da invasão daquele estabelecimento pela Polícia Militar era a reunião
de comunistas que estariam armando um golpe violento para desestabilizar o regime. A
invasão resultou na repressão violenta de seiscentos alunos e na morte do
estudante Edson Luís de Lima Souto, assassinado com um tiro no coração, com uma
pistola calibre 0.45, pelo tenente Alcindo Costa, que comandava o Batalhão Motorizado da
PM.45 Quando o restaurante estudantil Calabouço foi invadido pela Polícia Militar, e Édson,
de dezesseis anos de idade, assassinado, a violência policial continuou. Outros
estudantes, curiosos e transeuntes foram feridos por estilhaços de granadas, intoxicados
por bombas de gás lacrimogêneo, gás fumígeno, atingidos por balas de fuzis
e metralhadorasdisparadas a esmo. Os confrontos entre a polícia e estudantes
recrudesceram: os policiais utilizavam fuzis 0.30, metralhadoras automáticas INA 0.45,
escopetas calibre 12, pistolas de grosso calibre Colt 45, granadas estilhaçantes reais,
granadas de gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral, cavalaria hipo e autopropulsada
com metralhadoras ponto cinquenta; os estudantes usavam como armas paus, pedras,
bombas caseiras, feitas com álcool e óleo de cozinha, e bolinhas de gude para derrubar as
montarias. Segundo a imprensa (apesar da censura ferrenha) e registros nos hospitais
locais, os feridos foram duzentos civis, a maioria por espancamento, cento e três
gravemente feridos, oitenta e cinco por tiros de armas de fogo e estilhaços de artefatos
explosivos, e quatro militares com ferimentos leves. O tenente autor do tiro foi preso e,
após responder inquérito, foi liberado impune.45
Em 29 de março de 1968, houve um protesto de 50 mil pessoas no centro do Rio de
Janeiro. Em junho, uma multidão calculada em 100 mil pessoas realizou durante mais de
sete horas uma passeata de mães, padres, estudantes, artistas e intelectuais pela
liberdade dos presos, episódio que se tornou conhecido como Passeata dos Cem Mil.
Foram 100 mil cidadãos, membros do movimento estudantil, setores da Igreja Católica e
grupos de senhoras a protestar, que anteriormente haviam incentivado a Marcha da
Família com Deus pela Liberdade e a Marcha da Vitória, promoveram em passeata a
segunda maior mobilização do período contra o regime ditatorial até então, perdendo
somente para o comício da Praça da Sé, em São Paulo. Segundo a imprensa, o
movimento não registrou qualquer distúrbio. Começou com uma concentração
na Cinelândia, às dez horas e trinta minutos, seguiu pelo Largo da Candelária às 15 horas
onde se deteve por 45 minutos para um comício, em seguida, rumou pela
rua Uruguaiana até a estátua de Tiradentes, na Praça Quinze de Novembro, onde
encerrou às 17 horas. Agentes do DOPS e do SNI acompanharam todo o movimento,
filmando e fotografando a maior quantidade possível de manifestantes, principalmente os
líderes. O DOPS prendeu cinco estudantes que distribuíam panfletos, um policial que
incitava o apedrejamento do prédio do Conselho de Segurança Nacional também foi preso
e solto logo em seguida, ao ser constatada a sua função.46
Governo Emílio Médici (1969-1974)
Ver artigo principal: Emílio Garrastazu Médici
Emílio Garrastazu Médici(à esquerda) com o então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, em
dezembro de 1971.

No dia 30 de Outubro de 1969, o general Emílio Garrastazu Médici assumiu a Presidência


da República, sendo o terceiro general a ocupar o cargo; inicialmente consolidou a
comunidade de informações, interligando todos os escritórios ligados ao SNI. Segundo a
imprensa, o combate às esquerdas se intensificou com o início da guerra suja. A repressão
aos movimentos de esquerda se intensificou, todos os aparelhos de estado estavam
interligados e funcionando a plena potência, os sistemas de vigilância também estavam
coordenados e liderados por profissionais treinados nos Estados Unidos.47
Logo no início do governo começou a propagação da propaganda institucional visando à
elevação do moral da população. Slogans eram fartamente distribuídos e divulgados a
todo instante em todos os meios de comunicação. Músicas de apelo cívico eram
divulgadas diariamente; a que mais se fixou no inconsciente coletivo foi a música
intitulada Este é um país que vai pra frente. Frases de efeito também eram divulgadas e
decalques distribuídos em todas as escolas infantis. Ao mesmo tempo se iniciou uma
campanha de emprisionamento, tortura e morte institucionalizada nos porões da ditadura,
onde pessoas eram torturadas e mortas pela repressão, ao mesmo tempo em que se
intensificaram os atentados e os sequestros praticados pelas guerrilhas.47
"Milagre" econômico
Ver artigo principal: Milagre econômico brasileiro
O presidente Médici, mesmo dispondo do AI-5, não cassou mandato de nenhum político,
nos seus 4 anos e meio de mandato. O I Plano Nacional de Desenvolvimento (PND -
1972-1974), definiu as prioridades do governo Médici: crescer e desenvolver aproveitando
a conjuntura internacional favorável. Nesse período o Brasil cresceu mais depressa que os
demais mercados latino-americanos. Foram atingidos altos índices de desenvolvimento
econômico sob a ideia do surto de progresso que o país estaria vivendo. O governo
anunciava à população o "milagre econômico", ou "milagre brasileiro", projeto conduzido
pelo então Ministro da Fazenda, Delfim Neto. Com a abertura do país ao capital
estrangeiro, dezenas de empresas multinacionais se instalaram no Brasil e os grandes
fazendeiros passaram a produzir para exportação.48
Delfim Netto.

Sobre o momento do "milagre brasileiro", Celso Furtado afirmou:

Em síntese, nesse período, não obstante um considerável aumento do produto


interno, não se assinala, na economia brasileira, nenhum ganho de autonomia na
capacidade de auto-transformação, nem tampouco qualquer reforço da aptidão da —
sociedade para auto-financiar o desenvolvimento. 49

O Ministro da Fazenda de Médici, Delfim Neto, justificava a distribuição de renda: "Não se


pode colocar a distribuição de renda na frente da produção. Se o fizermos, acabaremos
distribuindo o que não existe". Delfim Neto defendia com esta frase a necessidade de
investimento prévio em infra-estrutura como as usinas hidrelétricas sem as quais não
haveria aumento da produção nacional.33 O grande beneficiado do "milagre" foi o capital
estrangeiro e as empresas estatais que se expandiram muito durante o regime militar,
especialmente a Petrobrás, a Vale do Rio Doce e a Telebrás. Sufocada a economia
nacional privada, pequenas e médias empresas, perdiam espaço e o endividamento
externo crescia. Os trabalhadores, por sua vez, tinham seus salários aviltados, porém
estando a inflação baixa até a crise do petróleo de 1973. O maior crítico desse período foi
o empresário Kurt Rudolf Mirror que escreveu o livro "A ditadura dos cartéis", que chegou
a ser censurado.47
O "milagre econômico" (1963-1973) era justificado pelo crescimento do produto interno
bruto (PIB) e, entre outros aspectos sociais e econômicos, pelo surgimento de uma
novaclasse média. Médici utilizou a propaganda institucional maciça para promover o
regime. Estabeleceu o senador Filinto Müller, conhecido internacionalmente como "O
carrasco que servia a Getúlio Vargas", como presidente do Congresso Nacional e como
chefe do partido situacionista, a ARENA. A principal realização do governo Médici foi
terminar com os movimentos guerrilheiros e subversivos existentes no Brasil, combate
este que ficou a cargo do ministro do exército Orlando Geisel. A maior guerrilha brasileira,
aGuerrilha do Araguaia, foi finalmente derrotada, abrindo espaço para que o sucessor de
Médici, Ernesto Geisel, iniciasse a abertura política.47
Governo Geisel e abertura política (1974-1979)
Ver artigos principais: Ernesto Geisel e Abertura política
General Ernesto Geisel.

Geisel assumiu o governo (1974-1979) em um período de ajustamento e redefinição de


prioridades, grave endividamento externo, flutuações de desempenho, dificuldades
inflacionárias, e, mais tarde, a recessão: o milagre econômico chegava ao fim. Segundo
analistas econômicos, o crescimento da dívida externa, mais a alta dos juros
internacionais, associados à alta dos preços do petróleo após a Guerra do Yom
Kipur noOriente Médio, somaram-se e desequilibraram o balanço de pagamentos
brasileiro. Consequentemente houve o aumento da inflação e da dívida interna.50
Com estes fatores, o crescimento econômico que era baseado no endividamento externo,
começou a ficar cada vez mais caro para a Nação brasileira. Apesar dos sinais de crise, o
ciclo de expansão econômica iniciado em meados de 1969 não foi interrompido. Os
incentivos a projetos e programas oficiais permaneceram, as grandes obras continuaram
alimentadas pelo crescimento do endividamento, como a Ponte Rio-Niterói, necessária
para a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara que se deu em 1975,
a Transamazônica e as grandes hidrelétricas (Tucuruí, Itaipu, etc). Também é de Ernesto
Geisel o projeto de lei que cria o estado de Mato Grosso do Sul, entre 1977 e 1979.50
A chegada de Jimmy Carter à Casa Branca em 1977 também dificultou a sustentabilidade
político-econômica do governo golpista, visto que Carter foi o primeiro presidente desde
o assassinato de John Kennedy em 1963 que não deu pleno apoio norte-americano a
regimesanticomunistas autoritários na América Latina.50 Durante o governo Geisel, o Brasil
foi um dos primeiros países a reconhecer a independência deAngola e Moçambique que
se tornaram, logo após a independência, países socialistas.50

A Usina Hidrelétrica de Itaipu foi construída entre 1975 a 1982

Uma das estratégias do governo para enfrentar o momento de crise era constituir um meio
de ir abrandando alguns aspectos da ditadura. A esse movimento deu-se o nome de
"distensão". Gradual e vagarosamente iniciava-se um processo de transição para a
democracia plena sem "acerto de contas"" com o passado: sem questionamentos quanto
às medidas adotadas pelo governo em relação à economia e, principalmente, em relação à
condução política. Geisel chamava a esta distensão de: "abertura lenta, gradual e segura",
a fim de não criar atritos com militares da linha-dura que não queriam a abertura política.50
Com a crise econômica veio a crise política, nas fábricas, comércio e repartições públicas
o povo começou um lento e gradual descontentamento. Iniciou-se uma crise silenciosa
onde todos reclamavam do governo (em voz baixa) e de suas atitudes. Apesar
dacensura e das manipulações executadas pela máquina estatal numa tentativa de manter
o moral da população, a onda de descontentamento crescia inclusive dentro dos quadros
das próprias Forças Armadas, pois os militares de baixo escalão sentiam na mesa de suas
casas a alta da inflação.50
Com o tempo, vendo que o país estava indo para uma inflação desencadeada pela falta de
incentivos aos insumos básicos, os militares, liderados por Geisel, resolveram iniciar um
movimento de distensão para abertura política institucional, lenta, gradual e
segura,51 segundo suas próprias palavras. Este movimento acabaria por reconduzir o país
de volta à normalidade democrática.50
Governo Figueiredo e declínio (1979-1985)
Ver artigo principal: João Batista Figueiredo

General Figueiredo.

Sílvio Frota general da chamada "linha dura" é expurgado do governo com a sua
exoneração do Ministério do Exército, pois estava articulando manobras contra a
distensão. A demissão de Frota do cargo de Ministro do Exército por Geisel simbolizou o
retorno da autoridade do Presidente da República sobre os ministros militares, em especial
do Exército. Esta lógica esteve invertida desde o golpe de 64 com diversos ministros
militares definindo questões centrais do país tais como a sucessão presidencial. Foi um
passo importante no processo de abertura política com posterior redemocratização plena
do país e retorno dos civis ao poder.52
Em 1978, novas regras são impostas à sociedade brasileira. Novamente é aumentado o
arrocho contra as liberdades individuais e coletivas da população, alguns setores
produtivos são postos sob a "Lei de Segurança Nacional", sob a razão de serem de
importância estratégica para o país. São proibidas as greves nos setores petrolífero,
energético e de telecomunicações. A sociedade responde com mais descontentamento
ainda.52
Em 23 de agosto o MDB indica o General Euler Bentes Monteiro e o senador Paulo
Brossard como candidatos a presidente e vice. No dia 15 de outubro, o Colégio Eleitoral
elege o general João Batista de Oliveira Figueiredo, candidato apoiado pelo então
presidente Geisel, para presidente, com 355 votos, contra 266 do general Euler Bentes.
Em 17 de outubro de 1978, a Emenda Constitucional nº 11 revogou o AI 5.52 Em 1979,
lança a "Anistia", caminho direto a redemocratização e a reforma partidária, que pôs fim
ao bipartidarismo. Essa reforma permitiria a divisão da oposição e como resultado, a
divisão das ideias divergentes que não permitiam a ascensão do MDB.53

Manifestação do movimento civilDiretas Já! em Brasília, diante doCongresso Nacional.

Com uma nova estrutura política em 1982 no país, os militares encontram dificuldades
para manter-se no poder, já que as eleições diretas para governadores elegem dez da
oposição, incluindo os de SP, RJ e MG, os mais fortes na disputa política.53
Com a posse de João Baptista de Oliveira Figueiredo e a crise econômica mundial
aumentando aceleradamente, a quebra da economia de muitos países, inclusive do Brasil
se iniciou. As famosas medidas "ortodoxas" impostas por Delfim Netto e pelo banqueiro
ministroMário Henrique Simonsen na economia, vieram a agravar ainda mais a situação
monetária do país, fazendo o PIB despencar 2,5% em 1983. Durante esse período ocorreu
no Brasil um fenômeno inédito na história da economia mundial conhecido
como estagflação.54
Durante o período entre 1983 e 1984, um movimento civil de reivindicação por eleições
presidenciais diretas no Brasil que ficou conhecido como Diretas Já!. A possibilidade de
eleições diretas para a Presidência da República no Brasil se concretizou com a votação
da proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso. Entretanto, a
Proposta de Emenda Constitucional foi rejeitada, frustrando a sociedade brasileira. Ainda
assim, os adeptos do movimento conquistaram uma vitória parcial em janeiro do ano
seguinte quando Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral.55
Colapso do regime
Ver artigos principais: Pressão social sobre o Regime Militar de 1964, Diretas
Já!, Constituição brasileira de 1988 e Nova República

Ulysses Guimarães segurando aConstituição de 1988 nas mãos.

O final do governo militar de 1964 culminou com a hiperinflação, e grande parte das obras
paralisadas pelos sertões do Brasil. Devido ao sistema de medição e pagamento estatal,
as empreiteiras abandonaram as construções, máquinas, equipamentos e edificações.52
Em 8 de maio de 1985, o congresso nacional aprovou emenda constitucional que acabava
com alguns vestígios da ditadura. Algumas das medidas aprovadas: por 458 votos na
câmara e 62 no senado foi aprovada a eleição direta para presidente (mas em dois
turnos); com apenas 32 votos contra na câmara e 2 no senado, foi aprovado o direito ao
voto para os analfabetos; os partidos comunistas deixaram de ser proibidos; os prefeitos
de capitais, estâncias hidrominerais e municípios considerados de segurança nacional
voltariam a ser eleitos diretamente; o Distrito Federal passou a ser representado no
Congresso Nacional por três senadores e oito deputados federais e acabou com a
fidelidade partidária.52
Finalmente em 28 de junho, Sarney enviou a emenda constitucional que convocava a
Assembleia Nacional constituinte, que foi aprovada em 22 de novembro (Emenda
Constitucional 26). Na verdade, por uma conveniência política, a Constituinte seria
composta pelos mesmos deputados legisladores.52
Eleita em 15 de novembro de 1986 e empossada em 1 de fevereiro de 1987, a constituinte
funcionou até 5 de outubro de 1988 quando foi promulgada a Constituição.52

Estado policial
Ver artigo principal: Anos de chumbo (Brasil)
Atos Institucionais
Ver artigo principal: Atos Institucionais

No dia 7 de abril, os ministros militares ignoraram o Este artigo é parte da série


"Ato Constitucional" dos líderes parlamentares, que Regime Militar no
limitavam o expurgo no serviço público em todos os Brasil
níveis, e deram início à série de "Atos Institucionais".
1964–1985
Foram decretados dezessete atos institucionais,56 e
cento e quatro complementares a eles, durante o Perspectiva cronológica
governo militar, que pela própria redação Golpe Militar de 1964 • Anos de
eram mandados cumprir, diminuindo assim chumbo • Desaparecidos políticos no
algumasliberdades do cidadão.22 57 Brasil • Abertura política
Em seus primeiros quatro anos, o governo militar foi Atos Institucionais
consolidando o regime. O período compreendido AI-1 • AI-2 • AI-3 • AI-4 • AI-5 • AI-6 • AI-
entre 1968 e 1975 foi determinante para a 7 • AI-8 • AI-9 • AI-10 • AI-11 • AI-12 • AI-
13 • AI-14 • AI-15 • AI-16 • AI-17
nomenclatura histórica conhecida como "anos de
chumbo". Os Atos Institucionais restringiram os Eventos
direitos dos eleitores brasileiros, que cancelavam a Comício da Central • Marcha da
validade de alguns pontos da Constituição Família com Deus pela
Brasileira, criando um Estado de exceção e Liberdade •Marcha da Vitória
suspendendo a democraciaplena. Foram cassados Movimentos de oposição
os direitos políticos de praticamente todos os
políticos e militares tidos como simpatizantes do Diretas Já • Frente Ampla • Luta
armada de esquerda no
comunismo, ou que se suspeitava receber apoio dos
Brasil •Novembrada • Pressão social
comunistas.22 57
Operações militares
Ao longo dos governos dos generais Humberto de
Alencar Castelo Branco (1964-1967) e Artur da Atentado do Riocentro • Caso Para-
Costa e Silva (1967-1969), os Atos Institucionais Sar • Operação Brother
Sam •Operação Popeye
foram promulgados e emendaram
a Constituição durante todo o período da ditadura. Tópicos relacionados
Foi o fim do Estado de direito e das instituições Constituição brasileira de
democráticas. A partir de 1º de abril, na prática 1967 •Instituto de Pesquisas e
uma junta militar governava o Brasil, porém Estudos Sociais • Milagre
formalmente foi declarado vago o cargo de econômico •Pacote de Abril
presidente da república, pelo senador Auro de ver • editar
Moura Andrade, presidente do Senado Federal, que
empossou o presidente da Câmara dos
Deputados, Ranieri Mazzilli na presidência, e com a eleição de Humberto de Alencar
Castelo Branco presidente da república pelo Congresso Nacional em 11 de abril, este
toma posse na presidência em 15 de abril de 1964 para completar o mandato de Jânio
Quadros, que iria de 31 de janeiro de 1961 até 31 de janeiro de 1966.22 57
Em 9 de abril, foi baixado o "Ato Institucional", redigido por Francisco Campos, e que era
para ser o único ato institucionalizador da "revolução de 1964". Porém, depois da edição
do AI-2, o "Ato Adicional" inicial foi numerado como AI-1. O "Ato Institucional" transferia
poderes excepcionais para o executivo, ao mesmo tempo em que subtraia a autonomia do
legislativo. O AI-1 marcava eleições presidenciais para outubro de 1965 e concedia à
Junta, entre outros tantos, o poder de cassar mandatos parlamentares. Dois dias depois, o
marechal Castelo Branco - chefe do Estado-Maior e coordenador do golpe contra Jango -
foi eleito presidente pelo Congresso. Houve uma razão lógica para a decretação do Ato,
que foi uma medida mais estratégica do que o diálogo. Os políticos, em sua maioria,
estavam reticentes quanto aos caminhos que seriam tomados pelo governo de então.
Naquela altura, a conversa, o convencimento pela razão e pelos argumentos seriam
inócuos e demandariam muito tempo, o que daria espaço e fôlego aos depostos ou à
oposição de se reorganizar. Os militares acreditavam na necessidade urgente de legitimar
o golpe "por si mesmo".22 57
Novas medidas vieram, com o enrijecimento ainda maior da ditadura: revogação da
nacionalização das refinarias de petróleo; revogação dos decretos de desapropriação de
terras; cassação e suspensão de direitos políticos; demissão de funcionários públicos;
instauração de inquéritos; e o rompimento de relações diplomáticas com Cuba. O governo
da ditadura difundiu a ideia de que a intervenção militar impediu a implantação de um
regime comunista no Brasil e utilizou-se desse argumento para justificar as suas ações
arbitrárias e violentas, sendo que o jornalista Lúis Mir, em seu livro "A Revolução
Impossível", detalha o apoio de Cuba e da China comunista à revolução armada no Brasil
pelos vários grupos esquerdistas existentes. Os comunistas do antigo Partido Comunista
Brasileiro (PCB), pró-soviético, optou por ingressarem seus membros como Alberto
Goldman e Roberto Freire no Movimento Democrático Brasileiro (MDB).22 57
Assim, os Atos Institucionais e seus complementares se sucederam até o número
dezessete. Em 13 de dezembro de 1968, o presidente Costa e Silva decretou, mandou
publicar e cumprir o Ato Institucional Número 5,58 59 AI-5, cancelando todos os dispositivos
da Constituição de 1967 que porventura ainda pudessem ser utilizados pela oposição.22 57
A cassação de direitos políticos, agora descentralizada, poderia ser decretada com
extrema rapidez e sem burocracia; o direito de defesa ampla ao acusado foi eliminado;
suspeitos poderiam ter sua prisão decretada imediatamente, sem necessidade de ordem
judicial; os direitos políticos do cidadão comum foram cancelados e os direitos individuais
foram eliminados pela instituição do crime de desacato à autoridade. Os militares
assumiram definitivamente que não estavam dispostos a ser um poder moderador e sim
uma ditadura, colocaram a engrenagem para rodar as teses da Escola Superior de
Guerra (ESG), o desenvolvimentismo imposto à sociedade.22 57
Expurgos
No texto de abertura do Ato Institucional (depois chamado de Ato Institucional n° 1) de 9
de abril de 1964,60 o movimento de 1964 (referido como "revolução vitoriosa" que "se
legitima por si mesma" e "se investe no exercício do Poder Constituinte", "na sua forma
mais expressiva e mais radical") é definido como "civil e militar":
À NAÇÃO

É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil
uma nova perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste
momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião
pública nacional, é uma autêntica revolução.
A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz,
não o interesse e a vontade de um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação.
A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela
eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder
Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si
mesma. Ela destitui o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo.
Nela se contém a força normativa, inerente ao Poder Constituinte. Ela edita normas
jurídicas sem que nisto seja limitada pela normatividade anterior à sua vitória. Os Chefes
da revolução vitoriosa, graças à ação das Forças Armadas e ao apoio inequívoco da
Nação, representam o Povo e em seu nome exercem o Poder Constituinte, de que o Povo
é o único titular (...)
O Ato Institucional foi redigido por Francisco Campos e baixado pela junta
militar (oficialmente, Comando Supremo da Revolução), constituída pelos Comandantes-
em-Chefe do Exército (General de Exército Arthur da Costa e Silva), da Marinha (Vice-
Almirante Augusto Hamann Rademaker Grunewald) e da Aeronáutica (Tenente-
Brigadeiro Francisco de Assis Correia de Mello)
No dia 10 de abril de 1964, o chamado Comando Supremo da Revolução divulgou o "Ato
do Comando Supremo da Revolução nº 1", que, "nos termos do artigo 10 do Ato
Institucional, de 9 de abril de 1964", suspendia, pelo prazo de dez anos, os direitos
políticos de cem cidadãos, dentre os quais o presidente deposto, João Goulart, o ex-
presidente Jânio Quadros, o secretário-geral do proscrito Partido Comunista
Brasileiro (PCB) Luís Carlos Prestes, os governadores Miguel Arraes, de Pernambuco, o
deputado federal e ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, o deputado federal
por Roraima e ex-governador do Amazonas Gilberto Mestrinho, o desembargador Osni
Duarte Pereira, o economista Celso Furtado, o embaixador Josué de Castro, o ministro da
Justiça do governo deposto, Abelardo de Araújo Jurema, os ex-ministros Almino Afonso,
do Trabalho, e Paulo de Tarso, da Educação, o presidente da Superintendência da Política
Agrária (Supra) do governo deposto, João Pinheiro Neto, o reitor da Universidade de
Brasília, Darcy Ribeiro, o assessor de imprensa de Goulart, Raul Riff, o jornalista Samuel
Wainer e o marechal Osvino Ferreira Alves, presidente da Petrobrás. A lista ainda incluía
29 líderes sindicais, como o presidente do então extinto Comando Geral dos
Trabalhadores (CGT), Clodesmidt Riani, além de Hércules Correia, Dante Pellacani vice-
presidente da CNTI e do CGT, Osvaldo Pacheco secretário-geral do CGT e Roberto
Morena.61 62
No mesmo dia, foi publicado "Ato do Comando Supremo da Revolução nº 2", cassando o
mandato de 40 membros do Congresso Nacional, que já haviam sido incluídos no ato de
suspensão dos direitos políticos.63 64 62

Jânio Quadros, ex-presidente, um dos expurgados da vida política pelo golpe militar de 1964.

No dia seguinte, 11 de abril, é baixado o Ato do Comando Supremo nº 3,65 que transferiu
para a reserva cento e vinte e dois oficiais das três Forças Armadas (77 do Exército, 14 da
Marinha e 31 da Aeronáutica). Na sequência, o Ato do Comando Supremo n° 4,66 do dia
13 de abril, suspende, por dez anos, os direitos políticos de 62 pessoas - dentre as quais,
36 oficiais já atingidos pelo Ato n° 3. Muitos outros - civis e militares - ainda seriam
atingidos por atos semelhantes, baixados nos dias que se seguiram.
Lei Falcão
Ver artigo principal: Lei Falcão
Em 1974, Ernesto Geisel afirma em discurso sua intenção de modificar a política ditatorial,
ao passo que estabelece os limites de uma nova estrutura política no país. Alessandra
Carvalho cita (do próprio discurso de Geisel) esses limites como um “gradual mais seguro
aperfeiçoamento democrático”.53
Geisel acreditava que seu objetivo seria reafirmado pela população nas eleições
legislativas, que apoiariam a manutenção do regime. Para isso a disputa entre ARENA e
MDB deveria existir de maneira mais eficaz, por este motivo, foi permitida a propaganda
eleitoral em rede nacional e o estimulo a participação popular. No entanto, a oposição
aumenta sua participação política na Câmara de 16% para 44% sua bancada. Vendo o
desenvolvimento do partido, o MDB utiliza a estratégia militar para crescer e se fortalecer.
Esse resultado refletia o apoio da população aos programas que defendiam respeito aos
direitos humanos; revogação do AI-5 e do decreto-lei 477; anistia; fim das prisões, das
torturas, dos desaparecimentos e dos assassinatos de presos políticos.53
Para evitar que este fato acontecesse de novo, Ernesto Geisel promulga a “Lei Falcão” em
1976, derivada do sobrenome do Ministro da Justiça, Armando Falcão, que tinha o objetivo
principal de impedir a politização das eleições, impondo limitações a propaganda eleitoral
nos meios de comunicação. Os candidatos não podiam defender suas plataformas de
campanha, ou criticar o governo. Na televisão, era permitido aparecer a foto do candidato
na tela e a leitura, por um locutor, de um pequeno currículo sobre a sua vida. Além dessa
medida, Geisel cassa o mandato de diversos parlamentares por não cumprirem com o
“gradualismo” demandado pelos militares.67
Pacote de Abril
Ver artigo principal: Pacote de abril
Apesar da distensão, o governo continuava perseguindo a oposição. Em outubro de 1975,
o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado no II Exército, em São Paulo. Três meses
depois, também no II Exército, foi assassinado o operário Manoel Fiel Filho. Geisel reagiu,
demitindo o comandante do II Exército, atual Comando Militar do Sudeste, o general de
exército Ednardo D'Ávila Mello.67
As manifestações colocavam-se abertamente contra a ditadura: jornais independentes,
estudantes, sindicalistas, intelectuais e profissionais liberais, reunidos, questionavam os
rumos da distensão imposta por Geisel. Quanto mais a oposição crescia, mais o governo
reagia. Em 1º de abril de 1977, para assegurar a manutenção do regime e vitória da
ARENA, decreta um recesso temporário do Congresso e lança o "Pacote de Abril".67
As novas regras determinavam que um terço dos senadores seriam eleitos indiretamente;
a Constituição poderia ser alterada somente com a maioria absoluta, não mais com os dois
terços antes exigidos; os governadores de estado seriam eleitos indiretamente (1978);
limitou o acesso à radio e à televisão e a bancada de deputados federais passou a ser
calculada pela totalização da população, não mais pelo número de eleitores. Como
resposta, instituições como a OAB e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), além de
setores da Igreja Católica, atacam a atuação dos militares, denunciando crimes aos
direitos humanos.67
Lei de Segurança Nacional
Ver artigo principal: Lei de Segurança Nacional
No dia 3 de Março de 1967 é mandada cumprir a primeira Lei de Segurança Nacional do
regime militar. O crime de opinião, o crime político, o crime de subversão, o
enquadramento de qualquer cidadão à Lei de Segurança Nacional, sua expulsão do Brasil
e a vigilância de seus familiares, bem como a indisponibilidade dos seus bens, estavam
agora institucionalizados e eram legais.62
Com a nova constituição promulgada em 24 de janeiro de 1967, Castello Branco faz a
ditadura militar ser legalizada e a implantação do estado de exceção passa a ser
constitucional. Em 29 de dezembro de 1978, é sancionada a nova lei de segurança
nacional, que prevê penas mais brandas, possibilitando a redução das penas dos
condenados pelo regime militar. Decreto possibilita o retorno de banidos pelo regime.62
Em função dos acontecimentos que começaram a se radicalizar, aumentando os casos de
sequestro, assaltos a bancos para financiar o combate a ditadura, assassinatos de
recrutas das Forças Armadas para roubo de armas e munições, no dia 18 de setembro de
1969 os ministros militares e ministros civis que assumiram ao governo mandam aprovar
nova Lei de Segurança Nacional, que institucionalizou a pena de morte e a prisão
perpétua em território brasileiro, contudo por engano de interpretação, já que a pena de
morte já era prevista na Constituição vigente e também continuou prevista na Constituição
Cidadã de 1988, nos casos de crimes militares cometidos em tempo de guerra e conflito
armado.68
Serviço Nacional de Informações
Ver artigo principal: Serviço Nacional de Informações
Logo após a eclosão do golpe, no dia 13 de junho de 1964, foi criado o Serviço Nacional
de Informações (SNI), onde eram catalogados e fichados aqueles que eram considerados
inimigos do Estado. Dirigentes do SNI, caso achassem oportuno, expediam ordens de
vigilância, quebra de sigilo postal e telefônico daqueles suspeitos que eram considerados
perigosos à Segurança Nacional.62
O SNI substituiu o Departamento Nacional de Propaganda (DNI), que por sua vez havia
substituído o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que substituiu o
Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC) que em 1934 havia substituído
o Departamento Oficial de Propaganda, DOP. Logo, seu acervo era gigantesco, pois,
detinha informações de milhares cidadãos brasileiros.62
O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), uma entidade fundada em 2 de
fevereiro de 1962, cujo financiamento foi procedido por empresas brasileiras e
estrangeiras, forneceu milhares de dossiês, gravações de grampos telefônicos e
documentos ao SNI, pois seu comandante, o general Golbery do Couto e Silva era diretor
do instituto.62
O SNI coordenava e catalogava todas as informações que poderiam ser relevantes:
cidadãos e suas ações eram rastreados, grampeados, fotografados. O principal foco no
rastreamento e na interceptação de informações eram os movimentos de esquerda. O
serviço foi mantido durante o governo do Presidente José Sarney (1985-1990) com uma
estrutura denominada de "comunidade de informações" que contava com 248 órgãos
integrantes do sistema do SNI.69

Repressão
Quartel do 1º B.P.E. sede do DOI-CODI Rio de Janeiro, usado como centro de tortura durante a ditadura
militar.70

A repressão se instalou imediatamente após o golpe de Estado antes do começo da luta


armada71 . As associações civis contrárias ao regime eram consideradas inimigas do
Estado, portanto passíveis de serem enquadradas.
Muitas instituições foram reprimidas e fechadas, seus dirigentes presos e enquadrados,
suas famílias vigiadas. Na mesma época se formou dentro do governo um grupo que
depois seria chamado de comunidade de informações. As greves de trabalhadores e
estudantes foram proibidas e passaram a ser consideradas crime; os sindicatos sofreram
intervenção federal, os líderes sindicais que se mostravam contrários eram enquadrados
na Lei de Segurança Nacional como subversivos. Muitos cidadãos que se manifestaram
contrários ao novo regime foram indiciados em Inquéritos Policiais Militares (IPM). Aqueles
cujo inquérito concluísse culpados, eram presos. Políticos de oposição tiveram seus
mandatos cassados, suas famílias postas sob vigilância. Muitos foram processados e
expulsos do Brasil e tiveram seus bens indisponíveis.
No dia 25 de Julho de 1966 explode uma bomba no aeroporto Internacional dos
Guararapes, em Recife, Pernambuco. Várias pessoas ficam feridas, três morreram. O fato
foi interpretado como atentado contra Costa e Silva.72
De acordo com uma organização de ex-militares e simpatizantes do regime militar, no total
118 brasileiros, civis e militares foram mortos por organizações de extrema esquerda,
durante o regime militar. [carece de fontes] Havia dezenas destas organizações, cada uma
seguindo uma diferente orientação do movimento comunista.
Por volta de 1967, vários grupos esquerdistas, optaram pela luta armada porque segundo
as ideias esquerdistas daquela época os setores civis e militares que haviam derrubado o
presidente João Goulart e que implantaram uma ditadura no Brasil eram parte da
burguesia responsável pelo atraso econômico e social do pais. 73 74 . Carlos
Marighella rompe com a estratégia do PCB de se abrigar no MDB, e, em 17 de agosto de
1967, Marighella enviou uma carta ao Comitê Central do PCB, rompendo definitivamente
com o partido.
Em seguida, deu total apoio e solidariedade às resoluções adotadas pela OLAS. Nesse
documento ele escrevia:

No Brasil há forças revolucionárias convencidas de que o dever de todo o


revolucionário é fazer a revolução. São estas forças que se preparam em
meu país e que jamais me condenariam como faz o Comitê Central só
porque empreendi uma viagem a Cuba e me solidarizei com a OLAS e com a — Carlos
revolução cubana. A experiência da revolução cubana ensinou, Marighela
comprovando o acerto da teoria marxista-leninista, que a única maneira de
resolver os problemas do povo é a conquista do poder pela violência das
massas, a destruição do aparelho burocrático e militar do Estado a serviço
das classes dominantes e do imperialismo e a sua substituição pelo povo
armado!

A população era massificada pela propaganda institucional e pela propaganda nos meios
de comunicação, que ou eram amordaçados pela censura ou patrocinavam a ditadura com
programas de televisão como: Amaral Neto, o Repórter; Flávio Cavalcanti, entre outros,
com audiência de até dez milhões de telespectadores em horário nobre, número muito
expressivo para a época. Havia muitos programas locais com farta publicidade também de
cunho institucional, as maravilhas e a grandeza do país eram enaltecidas,slogans eram
distribuídos fartamente em todos os meios de comunicação. Nesta época, foram liberados
milhões de dólares a juros baixos para a montagem de centenas de canais de televisão e
ampliação das grandes redes de alcance nacional. O ministério das Comunicações e a
Delegacia Nacional de Telecomunicações, Dentel, liberaram milhares de canais de rádio e
de televisão, a fim de possibilitar a formação de uma rede nacional de telecomunicações
de alcance continental.
A censura aos meios de comunicação era executada pelo CONTEL,75 comandado
pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) e pelo DOPS, proibiu toda e qualquer exibição
em território nacional de filmes, reportagens, fotos, transmissão de rádio e televisão, que
mostrassem tumultos em que se envolvessem estudantes. As apresentações na televisão
exibiam um certificado contendo os dados da empresa de comunicações responsável
rubricado pelos censores de plantão.
Violações aos direitos humanos
Ver artigos principais: Desaparecidos políticos no Brasil, Anos de Chumbo, Comissão
Nacional da Verdade e Grupo Tortura Nunca Mais
Ver também: Direitos humanos no Brasil e Tortura no Brasil

Monumento Tortura Nunca Mais, noRecife.

A ditadura militar foi instituída pela violação dos direitos políticos de todos os cidadãos
brasileiros, pois depôs um governo democraticamente eleito, e pela supressão de direitos
e garantias individuais pelos sucessivos Atos Institucionais (AI) e leis decretados pelos
chefes do regime. Entre 1968 e 1978, sob vigência do AI-5 e da Lei de Segurança
Nacional de 1969, ocorreram os chamados Anos de Chumbo, caracterizados por um
estado de exceção total e permanente, controle sobre a mídia e a educação e
sistemática censura,prisão, tortura, assassinato e desaparecimento forçado de opositores
do regime. A prisão arbitrária por tempo indeterminado (suspensão do habeas corpus) e a
censura prévia foram especialmente importantes para a prática e acobertamento da
tortura. A legalidade democrática, porém, só foi estabelecida a partir de 1988, com
a Assembléia Nacional Constituinte e as eleições diretas para o poder legislativo e o poder
executivo em nível municipal, estadual e federal.
A partir de 1975, o regime civil-militar brasileiro aliou-se secretamente aos regimes
semelhantes no Ditadura de Pinochet, Regime militar paraguaio, Regime militar uruguaio,
e, a partir de 1976, Regime militar argentino, para a implementação da Operação Condor.
Consistia em um plano secreto de extermínio da oposição política aos regimes de
extrema-direita do Cone Sul e na Europa,76 cujos resultados foram, no mínimo, 85 mil
mortos e desaparecidos e 400 mil torturados além de mais de mil estrangeiros expulsos do
Brasil.77 O regime militar brasileiro foi considerado o líder da Operação Condor.78
Paulo Evaristo Arns e Hélder Câmara, fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, que lutaram pelos direitos humanos nos tempos do integralismo, no governo
deGetúlio Vargas, também passaram a contestar o regime militar.79 A CNBB, que
inicialmente havia celebrado o golpe com agradecimentos a Nossa Senhora Aparecida,
também acabou por se constituir em força de resistência ao regime.80
A Comissão de Anistia, desde 2001, recebeu 70 mil requerimentos de compensação por
perseguições sofridas durante o governo militar.81 Estima-se que, no mínimo, 50 mil
pessoas foram presas, no mínimo 20 mil torturadas, e outros milhares foram exilados e
cassados.82 Expulsões das universidades e do serviço público eram outros instrumentos
de repressão política.
Em 9 de junho de 2013, o presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro
e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
Wadih Damous,83 pediu à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que demita o seu diretor
geral adjunto, Ronaldo Martins Belham, por este ser filho do general da reserva
remunerada José Antonio Nogueira Belham, chefe do DOI-Codi do Rio de Janeiro na
época em que ex-deputado federal Rubens Paiva foi cruelmente morto, em 1971, após ter
sido preso no Rio de Janeiro. A Presidenta Dilma Rousseff, apesar de ser vítima das
torturas no regime militar (1964-1984), mantém simpatizantes do período autoritário em
cargos comissionados relevantes da Administração Federal, a exemplo do referido diretor
da Abin.

Manifestantes simulam o método de tortura conhecido como pau de araraem Brasília.

Segundo a Comissão de Mortos e Desaparecidos e a Comissão de Anista, 457 pessoas


foram assassinadas ou desaparecidas pela repressão política governamental, e mais 370
serão incluídos na listagem oficial, a partir de um estudo que identificou mais de 1196
vítimas da repressão política no campo, até então excluídas da lista.84 85 86 As 457 vítimas
identificadas pela Comissão de Mortos e Desaparecidos e pela Comissão de Anistia e as
outras 858 vítimas identificadas pelo Retrato da repressão política no campo não incluem
os massacres em hospitais,87 88 genocídios indígenas em campos de
concentração,89 90 embora o governo tenha usado indígenas na repressão.91 92 93
Para ampliar a repressão com mais eficiência, no dia 1 de julho de 1969, o governador de
São Paulo, Abreu Sodré, criou a Operação Bandeirante (OBAN), para reprimir e perseguir
no estado todos aqueles que se opõem à ditadura. No dia 25 de janeiro de 1969, Carlos
Lamarca, capitão do Exército Brasileiro, foge do quarto Regimento de Infantaria, levando
consigo dez metralhadoras INA ponto quarenta e cinco, e sessenta e três fuzis
automáticos leves FN FAL. A deserção de Lamarca, além do sequestro do Embaixador
poucos meses antes, levaram os militares às últimas consequências para acabar de uma
vez por todas com a resistência armada no Brasil. Oscomunistas passaram a ser
perseguidos e mortos implacavelmente pelos esquadrões da morte em todo o país.
Nas prisões do Exército, os detentos eram torturados: choques elétricos, afogamentos e
agressões de toda ordem se constituíam em práticas rotineiras. O jovem estudanteStuart
Angel foi preso, torturado e teve a boca atada ao escapamento de um jipe militar que o
arrastou pelo pátio do quartel onde estava detido. Angel morreu na primeira volta.
A política econômica e social do regime civil-militar também é criticada pelo crescimento
da desigualdade socioeconômica e da extrema-pobreza entre 1964-85. A política salarial
do governo prejudicou a alimentação da população. Estudos mostram que, entre 1963 e
1975, a desnutrição passou de 1/3 para 2/3 da população brasileira, e a "desnutrição
absoluta" chegou a atingir 13 milhões, aproximadamente 1/7 da população. Em resposta a
esse problema, o governo baniu a palavra "fome" da mídia.94
Censura e controle social
Ver artigo principal: Censura no Brasil
Ver também: Publicidade do regime militar de 1964

Imagem do jornalista Vladimir Herzog morto no DOI-CODI de São Paulo

Grande parte da imprensa, os chamados "Diários Associados", que eram compostos por
revistas, rádios, jornais e emissoras de TV, como O Globo, Rede Globo, Folha de São
Paulo, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo festejaram a
deposição do governo de Goulart. Contrariando essa tendência, apenas o jornal Última
Hora combateu o golpe, o que levou o seu diretor Samuel Wainer a exilar-se. Em 1 de abril
de 1964, o jornal O Estado de S. Paulo trazia o seguinte texto: "Minas desta vez está
conosco (...) dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela
mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao
caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições." No Jornal do Brasil se lia:
"Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho
não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a
hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos
comunistas".95 A edição do jornal O Globo de 2 de abril de 1964 dizia: "Salvos da
comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos
militares que os protegeram de seus inimigos". E O Estado de Minas trazia em 2 de abril:
"O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória
do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular
defronte ao Palácio da Liberdade."95 A edição de 4 de abril trazia: "Ressurge a
Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas,
independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas
isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem".95 Segundo
a Fundação Getúlio Vargas, "(…) o golpe militar foi saudado por importantes setores da
sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais,
da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda,
da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo) e
amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma
de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica."96
O sentimento de festa de então, que fez vistas grossas à deposição sem amparo legal do
governo democraticamente eleito de Goulart, se torna em desilusão com a atuação do
governo militar e passa a criticar as ações arbitrárias da Junta Militar e, depois, de Castelo
Branco. A Revista Civilização Brasileira em seu primeiro número (março de 1965), no
artigo "terrorismo cultural", diz que "(…) não se limitará a um nacionalismo sentimentalista
e estreito, nem se deixará envolver pelo projeto geopolítico ou o planejamento estratégico
continental que o Departamento de Estado e o Pentágono promovem e que alguns dos
nossos políticos colocam em ação".97
A ditadura determinou censura aos órgãos de imprensa e sua Assessoria Especial de
Relações Públicas (AERP) funcionava como uma espécie de agência de propaganda. O
material de propaganda era reproduzido nos jornais, rádios, cinemas e principalmente na
televisão. A AERP produzia ainda músicas que enalteciam as realizações da ditadura:
muitas eram cantadas obrigatoriamente nas escolas.98 Em 22 de novembro de 1968, foi
criado o Conselho Superior de Censura, baseado no modelo norte-americano de 1939,Lei
da Censura (5.536, 21 de novembro de 1968). O motivo oficialmente propalado era a
infiltração de agentes comunistas nos meios de comunicações, lançando notícias falsas de
tortura e desmandos do poder constituído. A hipotética função era centralizar e coordenar
as ações dos escritórios de censura espalhados pelo país. Também foram criados
tribunais de censura, com a finalidade de julgar rapidamente órgãos de comunicações que
burlassem a ordem estabelecida, com seu fechamento e lacramento imediato em caso de
necessidade institucional.99

Cartaz de 2009, que estiliza a foto oficial do alegado suicídio do jornalistaVladimir Herzog, é utilizado por
manifestantes na porta do jornal Folha de S.Paulo, em protesto contra um editorial do jornal que teria
chamado a ditadura militar de "ditabranda".

O regime não se restringia ao campo político, reuniões ou manifestações públicas.


Músicas, peças teatrais, filmes e livros eram censurados. Na imprensa, nenhuma notícia
que criticasse o governo ou revelasse suas práticas era veiculada. Censurado diariamente,
o jornal O Estado de S. Paulo, depois, resolveu utilizar os espaços com trechos de Os
Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, clássico da literatura portuguesa do século XVI.100
No dia 18 de julho de 1968 integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC),
grupo de extrema direita, invadem o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, espancam o
elenco da peça Roda Viva, ferindo todos os integrantes, alguns com certa gravidade; a
polícia, embora chamada, nada fez além de um boletim de ocorrência. A ditadura acabou
por asfixiar a cultura nacional. Muitos artistas buscaram espaço para suas
produções. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Chico Buarque, entre tantos
outros, deixaram o Brasil.101
Os cantores e compositores Gilberto Gil e Caetano Veloso, após protestarem
publicamente contra a ditadura, foram presos no Rio de Janeiro no dia 22 de dezembro de
1968. Segundo os censores e os órgãos de informação oficial, o motivo da prisão foi
"tentativa da quebra do direito e da ordem institucional", com mensagens "objetivas e
subjetivas à população" para subverter o "Estado Democrático Brasileiro" estabelecido
pela "revolução". Em função da notoriedade dos artistas, foram aconselhados a se
exilarem do país. No jornal O Estado de São Paulo, embaixo do título da notícia, aparece
uma receita de torta de abacaxi recheada com pepino.102
As universidades brasileiras públicas viviam sob forte vigilância: professores foram
aposentados compulsoriamente, alunos expulsos, livros censurados. A censura, executada
pelo extinto Conselho Nacional de Telecomunicações - CONTEL,75 comandado pelo SNI e
peloDOPS, proibiu toda e qualquer exibição em território nacional de filmes, reportagens,
fotos, transmissão de rádio e televisão, que mostrassem tumultos em que se envolvessem
estudantes. Livrarias, bibliotecas e casas de intelectuais foram "visitadas". Todos os livros
que falassem sobre comunismo, socialismo ou reforma agrária eram apreendidos. Nessa
época chegou-se a apreender livros sobre qualquer assunto pelo simples fato de se ter a
capa vermelha ou nome de autores russos. Em 30 de agosto, a Universidade Federal de
Minas foi fechada e a Universidade de Brasília invadida pela polícia. O AI-5 aumentou a
censura e o controle da sociedades. Como consequência direta do Ato, foram presos
jornalistas e políticos que haviam em algum momento se manifestado contra a ditadura
militar, entre eles o ex-presidente Juscelino Kubitschek, e ex-governador Carlos Lacerda,
além de deputados estaduais e federais do MDB e mesmo da ARENA. Lacerda foi preso e
conduzido ao Regimento Marechal Caetano de Farias, da Polícia Militar do Estado da
Guanabara, sendo libertado por estar com a saúde debilitada, após uma semana de greve
de fome.
Em 2013, as Organizações Globo reconheceram e desculparam-se publicamente, através
de um editorial publicado no jornal O Globo, por terem apoiado a ditadura militar
instaurada no país depois do golpe militar de 1964. No texto do editorial, o jornal afirma: "À
luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio
[ao golpe de 1964] foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais
do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E,
quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma."103
Ativismo estudantil
Ver também: União Nacional dos Estudantes
No dia 27 de Outubro de 1964, o Congresso Nacional extingue a União Nacional dos
Estudantes (UNE) e todas as uniões de estudantes estaduais, aprovando a Lei Suplicy. O
governo militar torna obrigatório o ensino do idioma inglês em todas as escolas públicas e
privadas do Brasil, como resultado de negociações entre o Governo Federal e o governo
dos Estados Unidos chamado na época de Acordo MEC-Usaid. Os EUA, maiores aliados
da ditadura de direita no Brasil, passava a influenciar e infiltrar-se ainda mais a cultura no
Brasil, com ações mútuas dos governos neste sentido.
Publicação da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) em 1979

Apesar do desmonte do Estado de Direito, a ditadura queria passar a ideia de que estava
protegendo a democracia dos seus inimigos: os "comunistas". Organizados em entidades
como a UNE e a UEE, os estudantes eram - aos olhos dos militares - um dos setores mais
identificados com a esquerda e com o comunismo. Eram qualificados de subversivos e
desordeiros, numa pretensão clara de justificar a violenta perseguição que se seguiu. Os
estudantes reagiam à Lei Suplicy de Lacerda, que proibia os estudantes de organizarem
suas entidades e realizarem atividades políticas, com manifestações públicas cada vez
mais concorridas contra a privatização e a ditadura militar.
O SNI, criado com o objetivo principal de reunir e analisar as informações relativas à
segurança nacional, tornou-se um poder político paralelo ao Executivo atuando como
"polícia política". Cada vez mais repressor, o governo da ditadura fechou a Universidade
de Brasíliano dia 11 de Outubro de 1965, e transferiu para a justiça militar o julgamento
dos civis acusados de "criminosos políticos". O campus da UNB é invadido por tropas e
pela polícia. Professores e funcionários são expulsos da Universidade e demitidos, muitos
por reagirem acabam presos por desacato à autoridade. Alunos foram presos, espancados
e torturados, alguns com certa gravidade, sob alegação de cometerem crime
de subversão.
Além da luta específica, pela ampliação de vagas nas universidades públicas e por
melhores condições de ensino, as manifestações estudantis acabaram se transformando
em palco da sociedade desejosa do restabelecimento da democracia. O ano de 1968 foi
marcado pela luta contra a ditadura, que atraia cada vez mais participantes: profissionais
liberais, artistas, religiosos, operários, donas-de-casa. O movimento contra a direita e o
estabelecimento do sistema foi mundial naquele ano, com movimentos no mundo todo,
tanto nos países do Bloco capitalista quanto o Bloco comunista assim como nos países
não alinhados.
No Brasil as manifestações públicas eram cada vez mais reprimidas pela polícia.
A direita mais agressiva formou o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) que, entre
outros atos, metralhou a casa de Dom Hélder Câmara, em Recife.
Uma manifestação contra a má qualidade do ensino, no restaurante estudantil Calabouço,
no Rio de Janeiro, sofreu violenta repressão pela polícia e resultou na morte do
estudante Edson Luís de Lima Souto. A reação dos estudantes foi imediata. A eles se
aliaram setores progressistas da Igreja Católica e da sociedade civil, culminando em um
dos maiores atos públicos contra a repressão, a passeata dos cem mil.
Ocupação da Universidade de Brasília
Em Setembro, a Polícia Militar ocupou a Universidade de Brasília novamente, o então
deputado do MDB, Márcio Moreira Alves, do Rio de Janeiro, sugeriu que em resposta à
repressão militar a população boicotasse o desfile de 7 de setembro de 1968, e as moças
não namorassem oficiais enquanto estes não denunciassem a violência.
Em Ibiúna, São Paulo, 12 de outubro de 1968, durante o 30º Congresso da UNE, a polícia
invadiu a reunião e prende 1240 estudantes, muitos são feridos, alguns gravemente;
quando levados para a prisão são torturados e muitas moças abusadas sexualmente pelos
policiais. Aqueles que tentam protestar contra a violência são espancados e humilhados
publicamente, os familiares que tentam entrar com habeas-corpus são fichados pelo SNI e
ameaçados pelas forças de segurança. Alguns pais, por serem funcionários de instituições
públicas, perdem seus empregos e são perseguidos pelas forças de repressão; alguns
repórteres que presenciaram os espancamentos tiveram seus equipamentos destruídos
pelos policiais.
Perseguição política

Mário Covas, um dos deputados cassados durante o regime militar

No dia 30 de dezembro de 1968, foi divulgada uma lista de políticos cassados: onze
deputados federais, entre os quais o comunista Márcio Moreira Alves. Até mesmo Carlos
Lacerda, que tramou diversos golpes nos anos 1950 e 60, teve os direitos políticos
suspensos. No dia seguinte, o presidente Costa e Silva falou em rede de rádio e TV,
afirmando que o AI-5 havia sido não a melhor, mas a única solução e que havia salvado a
democracia e estabelecido a volta às origens do regime. Segundo ele, para "evitar a
desagregação do regime", era necessário cercear os direitos políticos dos cidadãos e
aumentar em muito os poderes do presidente, mesmo sem o aval popular.Em 16 de
janeiro, de 1969 foi divulgada nova lista de quarenta e três cassados, com trinta e cinco
deputados, dois senadores e um ministro do STF, Peri Constant Bevilacqua. O Poder
Judiciário passou a sofrer intervenções do Poder Executivo quando de seus
julgamentos.104 No dia 16 de janeiro de 1969, são cassadosMário Covas e mais 42
deputados, quando são "estourados" diversos "aparelhos comunistas".105
Sem autonomia, o Congresso Nacional continuou aberto apenas para demonstrar aos
outros países que havia normalidade política e administrativa e que, apesar do desmonte
do Estado de Direito, a ditadura estava protegendo o país dos seus inimigos:
os comunistas. Os textos legais eram aprovados sem o voto dos congressistas. O governo
impôs o decurso de prazo, manobra utilizada para legalizar o ilegítimo e inviabilizar
qualquer propositura de emendas ao orçamento do governo e, ainda, a discussão e
votação dos projetos enviados pelo poder executivo. O Congresso, eventualmente, era
palco de denúncias de alguns parlamentares da oposição que, na maioria das vezes, não
encontravam espaço na imprensa para fazê-las: os anais do Congresso registravam os
protestos e o assunto logo caía no esquecimento.
Quando se sentia ameaçado, o governo ditatorial cassava os deputados de postura mais
oposicionista. Em 1966, a ditadura militar cassou diversos deputados da oposição e fechou
o Congresso Nacional. Foram presos os integrantes do partido oposicionista que
protestaram em plenário contra o AI-3, sob suspeita de subversão e sabotagem ao espírito
da revolução, segundo a imprensa. Muitos políticos acabaram desistindo da vida pública,
tal a pressão sofrida e tal o clima de terror institucionalizado, deixando desta forma terreno
para o partido situacionista agir livremente. Paralelamente, grandes empresas
empreiteiras, financiadoras do golpe de 1964, ganharam as concorrências para o início e
execução de grandes obras de engenharia. O Banco do Brasil, recebendo dinheiro do BID,
liberou empréstimos para a compra de máquinas, equipamentos e implementos
rodoviários para a construção de obras de infraestrutura. Castelo Branco reabriu o
Congresso impondo o projeto de uma nova Constituição, sem a instalação de
uma Assembleia Constituinte. Sem debates, sem contraditórios, no dia 24 de janeiro de
1967, a Constituição de 1967 foi aprovada.
Sindicatos e greves
Entre os maiores adversários políticos que os militares da ditadura percebiam como sendo
perigosos, de esquerda e/ou comunistas estavam os sindicatos. Castelo Branco usou a lei
trabalhista para eliminar a oposição sindical, interveio em sindicatos e afastou seus líderes.
O governo passou a definir a política salarial, reorganizando o Conselho Nacional de
Política Salarial de João Goulart.nota 2 Os ministros Roberto Campos e Octávio
Bulhões criaram regras complexas para o cálculo do aumento de salários: reajuste a cada
doze meses; aplicação do reajuste com base na média salarial dos últimos dois anos e na
produtividade dos últimos doze meses; e, ainda, com base no reajuste da inflação residual
do ano seguinte previsto pelo governo.106 Em pouco mais de um ano, a ditadura impôs
intervenção federal em cerca de quinhentos sindicatos: as diretorias foram destituídas e
interventores nomeados pelo governo. Os dirigentes sindicais deveriam ter seus nomes
aprovados pelo Ministério do Trabalho.33 nota 3
Em julho, ocorreu a primeira greve no período da ditadura militar, em Osasco, liderada
por José Ibrahim. A linha dura, representada, entre outros, pelo general-de-exércitoAurélio
de Lira Tavares, Ministro do Exército, e pelo general-de-exército Emílio Garrastazu Médici,
chefe do SNI, começou a exigir medidas mais repressivas e combate às ideias
consideradas subversivas pelo regime.
A política de arrocho salarial, além de diminuir o salário real dos trabalhadores, acabou
promovendo uma concentração de rendimentos, considerada uma das "mais
escandalosas" em todo o mundo.107 Em todos os anos da ditadura e renda real
(descontada a inflação) média dos trabalhadores caiu. Na luta contra a ditadura, dezenas
de líderes sindicais foram presos, outros optaram pelo exílio.
No governo Geisel, apesar da força das medidas de repressão, a oposição continuava
crescendo. As greves do ABC Paulista aprofundaram a crise da ditadura. Os trabalhadores
exigiam reposição salarial com base nos índices de inflação de 1973. De acordo com o
Banco Mundial, os índices foram manipulados pelo governo Médici: o Ministro da Fazenda
determinava que a inflação não fosse superior a 15%, mas o Banco Mundial estimara
inflação próxima a 25% (1973).33
Luta armada de movimentos de esquerda
Ver artigo principal: Luta armada de esquerda no Brasil

Foto da ficha de Dilma Rousseff no Departamento de Ordem Política e Social(DOPS) de São Paulo,
registrada em janeiro de 1970.

Logo após a tomada do controle do governo brasileiro pelo regime militar, movimentos
de esquerda por todo o país começaram a tomar diversos tipos de ações para
desestabilizar e, por fim, derrubar o regime autoritário ditatorial.
A respeito da tática de guerrilha, usada por parte da oposição esquerdista ao regime
militar, o seu maior incentivador foi Carlos Marighella, que assim se posicionou sobre
guerrilhas, especialmente sobre a guerrilha rural como a "guerrilha do Araguaia':

“O princípio básico estratégico da organização é o de desencadear, tanto


nas cidades como no campo, um volume tal de ações, que o governo se veja
obrigado a transformar a situação política do País em uma situação militar,
destruindo a máquina burocrático- militar do Estado e substituindo-a pelo
povo armado. A guerrilha urbana exercerá um papel tático em face da
guerrilha rural, servindo de instrumento de inquietação, distração e
retenção das forças armadas, para diminuir a concentração nas operações — Carlos
repressivas contra a guerrilha rural! Marighela

A esquerda alega ter iniciado as guerrilhas como reação ao AI-5. Outras fontes porém
afirmam que dezenove brasileiros foram mortos por guerrilheiros antes ter sido baixado o
AI-5. Entre eles, estava o soldado Mário Kozel Filho morto em junho de 1968 em ação
da VPR, e os mortos do Atentado do Aeroporto dos Guararapes, supostamente por ação
da Ação Popular (esquerda cristã), em 1966.108 Concomitantemente a uma tímida abertura
política, no governo Geisel, na mesma época em que a "resistência democrática" do MDB
saia vitoriosa nas eleições de 15 de novembro de 1974 fazendo 16 das 21 cadeiras de
senador em disputa, as guerrilhas acabaram perdendo força. Isso também se deveu a
operações repressivas governamentais que visavam eliminar a oposição (fosse armada,
ou não armada que apoiasse a guerrilha), e que ocasionou o fim da Guerrilha do Araguaia,
ocorrido entre 1973 e 1974.109 Em entrevista à revista IstoÉ, concedida no ano de 2004,
um general afirmou que, concluiu-se em 1973 que "ou se matava todo mundo ou essas
guerrilhas nunca mais teriam fim”.110
As famílias dos presos, mortos e desaparecidos no período, que foram identificados, foram
indenizadas pelo governo brasileiro a partir da década de 1990. De acordo com o livro
“Direito à memória e à verdade”, publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos
do governo Lula, 475 pessoas morreram ou desapareceram por motivos políticos naquele
período111 . As indenizações somam mais de R$ 4 bilhões.112 O processo indenizatório é
alvo de críticas, como a de que seria injusto por considerar a renda perdida e não o dano
causado pelo Estado113 que indenizaria pessoas que não fariam juz ao benefício.114
Cerca de 119 pessoas foram mortas por guerrilheiros de esquerda no mesmo período,
segundo dados do jornalista Reinaldo Azevedo.115 116 117 118 Algumas vítimas dos
guerrilheiros também foram indenizados. A família do soldado Mário Kozel Filho foi
indenizada com pensão mensal de 1.150 reais. Kozel Filho teve seu corpo dilacerado num
atentado assumido pelo grupo do guerrilheiro Carlos Lamarca.119 Orlando Lovecchio, que
perdeu a perna em explosão planejada por guerrilheiros de esquerda, recebe uma pensão
vitalícia de R$571.120
Principais ações
O atentado no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, em 25 de julho de
1966, visando atingir o candidato a presidente Costa e Silva. Foram mortos o jornalista
Edson Regis de Carvalho e o almirante Nelson Gomes Fernandes e mais 20 feridos
graves.
No dia 4 de novembro de 1969, o deputado Carlos Marighella, líder da Aliança Libertadora
Nacional (ALN), foi morto a tiros, na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Esta operação
teve a participação direta do delegado Sérgio Paranhos Fleury, considerado como um dos
mais brutais torturadores deste período. Coube ao Delegado Fleury, entre outras
operações, a eliminação de Carlos Lamarca, o mesmo que matou, a coronhadas, o
tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Alberto Mendes Júnior, que foi torturado
antes de morrer.121
A histórica imagem mostra os 13 presos políticos trocados pelo embaixador estadunidenseCharles Burke
Elbrick - os últimos dois subiriam a bordo do Hércules C-56 no meio da viagem - na base aérea do
Galeão, no Rio de Janeiro, antes de partirem para o exílio no México.

Em 24 de janeiro de 1969, é atacado e assaltado o quartel do 4º RI, em Quitaúna São


Paulo, com o roubo de grande quantidade de armas e munições, com intuito de fortalecer
os armamentos dos guerrilheiros. No dia 4 de setembro de 1969, militantes da Ação
Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8),
capturaram o embaixador dos Estados Unidos, com intuito de trocá-lo por presos políticos
e estudantes que corriam risco de morte.122 No dia 18 de julho de 1969, guerrilheiros
brasileiros roubam o famoso "cofre do Adhemar". De acordo com os revolucionários, esse
dinheiro deveria ser empregado na luta contra a ditadura, pois era fruto dos atos de
corrupção do ex-governador paulista Adhemar de Barros, conhecido pelo slogan "rouba,
mas faz".
Em 11 de março de 1970, revolucionários brasileiros sequestraram o cônsul japonês em
São Paulo, Nobuo Okushi, com a intenção de libertar presos políticos. Na noite de 8 de
maio de 1970, o tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo Alberto Mendes Júnior,
depois de preso por guerrilheiros após confronto armado no Vale da Ribeira, São Paulo, foi
executado a golpes de coronhadas no rosto por Yoshitane Fujimori, membro do grupo do
ex-capitão desertor do exército Carlos Lamarca. Alberto tinha se entregue como refém em
troca da liberação de seus subordinados, que haviam se ferido no confronto com o grupo
de Lamarca.123
No dia 4 de setembro de 1969, o grupo de resistência armada Movimento Revolucionário 8
de Outubro (MR-8), sequestra o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick.
Em 5 de Setembro de 1969, é mandado cumprir o Ato Institucional Número Treze, ou AI-
13, que institui o …(sic) banimento do território nacional o brasileiro que,
comprovadamente, se tornar inconveniente, nocivo ou perigoso à segurança nacional. Em
7 de setembro de 1969 é liberado o Embaixador americano e os 15 guerrilheiros presos
libertados, e em função do AI-13, são banidos para o México. Foram também
sequestrados o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben e o embaixador
suiço Giovanni Bucher.124

Cultura popular

Relações internacionais do Brasil


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

República Federativa do Brasil

Este artigo é parte da série:


Política e governo do
Brasil

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As relações internacionais do Brasil são fundamentadas no artigo 4º da Constituição


Federal de 1988, que determina, no relacionamentodo Brasil com outros países
e organismos multilaterais, os princípios da não-intervenção,
da autodeterminação dos povos, da cooperação internacional e da
solução pacífica de conflitos. Ainda segundo a Constituição Federal de 1988, a política
externa é de competência privativa do Poder Executivo federal, cabendo ao Legislativo
federal as tarefas de aprovação de tratados internacionais e dos embaixadoresdesignados
pelo Presidente da República.1
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), também conhecido como Itamaraty, é o
órgão do poder executivo responsável pelo assessoramento do Presidente da República
na formulação, desempenho e acompanhamento das relações do Brasil com outros países
e organismos internacionais. A atuação do Itamaraty cobre as vertentes política, comercial,
econômica, financeira, cultural e consular dasrelações externas, áreas nas quais exerce as
tarefas clássicas da diplomacia: representar, informar e negociar.
As prioridades da política externa são estabelecidas pelo Presidente da República.
Anualmente, durante a Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, geralmente
no mês de setembro, o Presidente da República, ou o Ministro das Relações Exteriores,
faz um discurso onde são apresentados, ou reiterados, os temas de maior relevância para
o governo brasileiro. Ao longo das últimas duasdécadas, o Brasil tem dado ênfase
à integração regional (em que se destacam dois processos basilares, o do Mercosul e o da
ex-Comunidade Sul-Americana de Nações, atual Unasul); às negociações de comércio
exterior em plano multilateral (Rodada de Doha,Organização Mundial de Comércio,
solução de contenciosos em áreas específicas,
como algodão, açúcar, gasolina, exportação de aviões); à expansão da presença brasileira
na África, Ásia, Caribe e Leste Europeu, por meio da abertura de novas representações
diplomáticas (nos últimos seis anos foram instaladas Embaixadas em 18 países);
à reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, cujo formato e composição
o governo brasileiro considera anacrônicos e injustos (o Brasil deseja ser incluído,
juntamente com a Índia, Japão eAlemanha, no grupo de países com assento permanente
no Conselho, atualmente limitado a cinco: Estados Unidos, Rússia, China, Françae Reino
Unido).

Índice
[esconder]

 1 Política externa
o 1.1 Governo Lula
o 1.2 Governo Rousseff
 2 Relações multilaterais
o 2.1 África
 2.1.1 Política regional
o 2.2 Organizações internacionais
 3 Relações bilaterais
 4 Ver também
 5 Referências
 6 Ligações externas

Política externa[editar | editar código-fonte]


Ver também: História das relações internacionais do Brasil

Organizações internacionais de que o Brasil faz parte: em verde, as organizações regionais


(Mercosul,Unasul, Celac e OEA); em vermelho: o BRICS.

A política externa do Brasil reflete a posição do país como potência emergente, detentor
de amplo território, de economia pujante (sétima maior do mundo, em 2012), de vastos
recursos naturais e grande população e biodiversidade. Por tais características, a
presença do país tem sido recorrente nas negociações de acordos internacionais relativos
a temas comodesenvolvimento sustentável, comércio internacional (Rodada de Doha),
combate à pobreza e reforma de instituições multilaterais como Nações Unidas e Fundo
Monetário Internacional, entre outros. A política externa brasileira tem sido geralmente
baseada nos princípios do multilateralismo, na pacífica solução de controvérsias e na não-
intervenção nos assuntos de outros países.2 O Brasil se engaja na diplomacia multilateral
por meio da Organização dos Estados Americanos(OEA) e das Nações Unidas, e tem
aumentado seus laços com os países em desenvolvimento da África e da Ásia. O país é
atualmente o líder de uma força multinacional de estabilização da ONU no Haiti,
a MINUSTAH. Em vez de perseguir prerrogativas unilaterais, a política externa brasileira
tende a enfatizar a integração regional, primeiro através do Mercado Comum do
Sul (Mercosul) e, mais recentemente, da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). O
Brasil também está empenhado na cooperação com outras nações de língua
portuguesa,3 através de acordos e colaborações com o resto domundo lusófono, em vários
domínios que incluem a cooperação militar, ajuda financeira e o intercâmbio cultural. Isto é
feito no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por
exemplo.4 Por fim, o Brasil também está fortemente empenhado no desenvolvimento e na
restauração da paz no Timor-Leste, onde o país tem uma influência muito poderosa.5
Os empreendimentos políticos, empresariais e militares do Brasil são complementados
pela política comercial do país. No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores continua a
dominar a política comercial, fazendo com que os interesses comerciais brasileiros
possam ser usados, às vezes, no objetivo maior da política externa do país, ou seja,
aumentar a influência do Brasil na América Latina e no mundo.6 Por exemplo, a celebração
de acordos comerciais significativos com países desenvolvidos (como os Estados Unidos e
a União Europeia) provavelmente seria benéfica para os interesses econômicos de longo
prazo do Brasil, no entanto, o governo brasileiro tem priorizado seu papel de liderança
dentro dos laços comerciais do Mercosul e ampliado sua presença econômica em países
da África, Ásia e Oriente Médio.
A diplomacia soft power do Brasil envolve estratégias institucionais, tais como a formação
de coalizões diplomáticas para restringir o poder das grandes potências já
estabelecidas.7 Nos últimos anos, tem dado prioridade em estabelecer um diálogo político
com outros atores globais estratégicos como a Índia, Rússia, China e África do Sulatravés
da participação em grupos internacionais, como BASIC, IBAS e BRICS. Os
países BRIC têm sido os pioneiros mais poderosos na mudança incremental na diplomacia
mundial e os que mais se beneficiaram das mudanças de poder no planeta.7

Líderes dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) durante a primeira cúpula do grupo, em 2009.

Governo Lula[editar | editar código-fonte]


A política externa brasileira sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva foi focada na
seguintes diretrizes: contribuir para a busca de um maior equilíbrio e atenuação do
unilateralismo; fortalecer as relações bilaterais e multilaterais, a fim de aumentar o peso do
país nas negociações políticas e econômicas em um nível internacional; aprofundar as
relações de modo a beneficiar-se de um maior intercâmbio econômico, financeiro,
tecnológico e cultural; evitar acordos que possam comprometer o desenvolvimento a longo
prazo.8
Estas diretivas implicitamente enfatizavam: a busca de coordenação política com países
emergentes e em desenvolvimento, especialmente Índia, Rússia, China e África do Sul; a
criação da União de Nações Sul-Americanas e de seus órgãos derivados, como
oConselho de Defesa Sul-Americano; fortalecimento do Mercosul; projeção na Rodada de
Doha e na Organização Mundial do Comércio(OMC); manutenção das relações com os
países desenvolvidos, incluindo os Estados Unidos; empreender e estreitar das relações
com países africanos; fazer campanha para a reforma do Conselho de Segurança das
Nações Unidas e por um assento permanente para o Brasil; e defesa dos objetivos sociais
permitindo um maior equilíbrio entre os Estados e as populações.8
Governo Rousseff[editar | editar código-fonte]
A política externa sob a administração de Dilma Rousseff tem procurado aprofundar o
domínio comercial do Brasil na região e da diplomacia, expandir a presença do Brasil na
África e desempenhar um papel importante no G20 sobre a mudança climática e em outros
contextos multilaterais.9
Nas Nações Unidas, o Brasil continua a opor-se a sanções econômicas e intervenções
militares estrangeiras, enquanto tenta angariar apoio para um assento permanente no
Conselho de Segurança.10 A cooperação com outras potências emergentes continua a ser
uma prioridade na estratégia diplomática global do Brasil. Sobre a resolução recente de
intervenção militar na Líbia, o Brasil juntou-se aos outros BRICS no Conselho e se
absteve. No anteprojeto de resolução condenando a violência na Síria, o Brasil trabalhou
com a Índia e a África do Sul para tentar colmatar o fosso entre as potências ocidentais e a
Rússia e a China.11

Relações multilaterais[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Relações entre Brasil e União Europeia, Relações entre Brasil e
União Africana, Brasil na Organização Mundial do Comércio
África[editar | editar código-fonte]

Foto oficial fos participantes da Cúpula Brasil - Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental,
em 2010, na Ilha do Sal,Cabo Verde.

As relações entre o Brasil e os países africanos não estão restritas ao campo comercial e
econômico, abrangem também laços históricos e culturais, uma vez que sofreram
o imperialismo europeu: colonialismo e neocolonialismo.
O Brasil integra algumas organizações internacionais juntamente com países africanos.
Entre elas, destaca-se a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que
reúne, entre outros países lusófonos, o Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-
Bissau eSão Tomé e Príncipe. Além dessa, há a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico
Sul, integrada por países banhados pelo Oceano Atlântico em sua porção meridional; e
a União Latina, semelhante à CPLP, mas que abrange também a Costa do
Marfim, Senegal e outros países do mundo de línguas neolatinas.
Apesar das viagens recentes presidenciais brasileiras ao continente, as relações
comerciais são pequenas na parcela total de negócios e elas estão concentradas
na Nigéria, Angola e África do Sul e nas empresas Vale e a Petrobras.12
No campo agrícola, o Brasil tem investido na produção africana através da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o objetivo de ter o mercado africano
aberto às indústrias brasileiras que atuam na área agrícola, como a maquinária,
agroquímica e deinfraestrutura logística.13
Projetos de aproximação também são desenvolvidos no campo cultural-acadêmico, um
exemplo recente é o Projeto Brasil-África do Instituto de Estudos Brasileiros da
Universidade de São Paulo (IEB-USP), que pretende disponibilizar eletronicamente seus
textos sobre as relações entre África e Brasil até o fim de 2010.14 Em 27 de abril de 2010,
o Brasil e a República Centro-Africana estabeleceram relações diplomáticas. Esse foi o
último dos Estados africanos a relacionar-se com o Brasil.15 .
Política regional[editar | editar código-fonte]

Cristina Kirchner com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Durante a última década, o Brasil estabeleceu-se claramente como uma potência


regional.16 O país tem sido tradicionalmente um líder na comunidade interamericana e
desempenhou um papel importante nos esforços de segurança coletiva, bem como na
cooperação econômica no hemisfério ocidental.17 A política externa brasileira apóia os
esforços de integração econômica e política a fim de reforçar relações duradouras com
seus vizinhos.16 O Brasil é um membro fundador da Organização dos Estados
Americanos (OEA) e do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tratado do
Rio).17 O país deu prioridade à expansão das relações com seus vizinhos sul-americanos e
fortaleceu os organismos regionais, como a Associação Latino-Americana de
Integração (ALADI), a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercado Comum
do Sul (Mercosul).17 Embora a integração seja o objetivo principal dessas organizações,
elas também servem como fóruns onde o Brasil pode exercer a sua liderança regional e
desenvolver um consenso em torno de suas posições sobre questões regionais e
globais.16 Ao promover a integração através de organizações como o Mercosul e a Unasul,
Brasil tem sido capaz de solidificar seu papel como potência regional.16 Além de consolidar
o seu poder na América do Sul, o Brasil tem procurado expandir a sua influência para toda
a região, aumentando o seu envolvimento no Caribe e na América Central.16
Brasil regularmente oferece créditos de exportação e bolsas universitárias aos seus
vizinhos latino-americanos.18 Nos últimos anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) concedeu US$ 5 bilhões em empréstimos a países da
região.19 O Brasil tem também cada vez mais aumentado a ajuda financeira e assistência
técnica a nações latino-americanas.16 Entre 2005 e 2009, Cuba, Haiti e Honduras foram os
três principais beneficiários da ajuda brasileira, recebendo mais de US$ 50 milhões
anuais.16 20
Organizações internacionais[editar | editar código-fonte]
Participação do Brasil no diagrama das organizações intergovernamentais de integração sul-americana.

Alguns fóruns internacionais nos quais o Brasil está presente:


Organização das Nações Unidas - ONU21 •Organização dos Estados
Americanos (OEA)21 •Organização do Tratado de Cooperação
Amazônica (OCTA) •Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) •Mercado
Comum do Sul (Mercosul) •União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) •Organização
Mundial do Comércio - OMC22 •Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP)21 •Grupo dos 20 países industrializados (G20) •Grupo dos 20 países
em desenvolvimento (G20)21 •Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS)21 •Foro
de Cooperação América Latina - Ásia do Leste (FOCALAL)21 •Cúpula das
Américas21 •Conferência Ibero-Americana21 •Grupo do Rio21 •Cúpula América do Sul -
Países Árabes21 •Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul21 •Sistema Econômico
Latino-Americano(SELA)21 e Conselho Latino-Americano (CLA) •Parlatino •Grupo dos Oito
+ 5 (G8+5) •G4 •BRIC •Cúpula entre Chefes de Estado e de Governo da América Latina e
Caribe e da União Européia21 •G5 •Grupo de Cairns

Relações bilaterais[editar | editar código-fonte]

Mapa das missões diplomáticas do Brasil no exterior (2012).


Brasil
Países com embaixadas ou consulados residentes
Embaixadas ou consulados não residentes (cumulativos)

Ver página anexa: Missões diplomáticas do Brasil


O Brasil tem uma grande rede global de missões diplomáticas e mantém relações
diplomáticas com todos osEstados-membros das Nações Unidas, além da Palestina e
da Santa Sé.23 Em 2002, a rede diplomática do Brasil consistia em 150 postos no exterior.
Em 2013, são 227, sendo 139 Embaixadas, 54 Consulados-Gerais, 7 Consulados, 11
Vice-Consulados, 13 missões/representações e 3 escritórios no exterior. Além da
Secretaria de Estado, em Brasília, há 9 escritórios de representação regional em capitais
brasileiras24
Relações com Estados que não são membros da ONU:

 Kosovo - o Brasil não reconhece Kosovo como um Estado independente e


anunciou que não tem planos de fazê-lo sem que haja um acordo com a Sérvia.25
 Taiwan - o Brasil não reconhece a República da China (Taiwan), embora
mantenha um escritório especial em Taipei.26
Início das relações
País
formais
África do Sul Ver Relações entre Brasil e África do Sul

As relações entre o Brasil e a África do Sul têm sid


África do Sul na forma de treinamento de guerra e
como resultado da política externa Sul-Sul do Bras
em desenvolvimento. A África do Sul faz parte do

Angola 11 de novembro de 1975 Ver Relações entre Brasil e Angola

Em novembro de 2007, "o comércio entre os dois p

Argentina Ver Relações entre Brasil e Argentina

Após a democratização, uma forte integração e par


o Mercado Comum do Sul (Mercosul), um acordo
desde os anos 1950, quando lançaram seus respecti
desde então, como a criação da Agência Brasileiro
para verificar as promessas de ambos os países a u
nacionais CONAE e AEB também começaram a tr
que um navio daMarinha Real Britânica aportasse
das Ilhas Malvinas.28
Também no aspecto militar, houve uma maior apro
exércitos dissolveram ou moveram grandes unidad
foram incorporados ao contingente de paz da Arge
na MINUSTAH no Haiti e, como outro exemplo de
do porta-aviões da Marinha Brasileira, o NAe São

Armênia Ver Relações entre Brasil e Armênia


Austrália Ver Relações entre Brasil e Austrália

O Brasil tem uma embaixada em Canberra e um co


consulados em São Paulo e Rio de Janeiro.

Barbados 26 de novembro de 1971


Brasil tem uma embaixada em Hastings, Christ Ch

Bolívia Ver Relações entre Bolívia e Brasil


Canadá 1941 Ver Relações entre Brasil e Canadá

As relações entre Brasil e Canadá têm sido cordiais


evoluindo gradualmente ao longo do tempo. O Can
Janeiro e Belo Horizonte. O Brasil tem uma embai
Início das relações
País
formais
Chile Ver Relações entre Brasil e Chile

Chile e Brasil têm agido como mediadores inúmera


1914 entre os Estados Unidos e México, evitando u
o Golpe de Estado no Haiti de 2004, Chile e Brasil
estabilização no Haiti, que é liderada pelo Exército
da América do Sul, juntamente com a Argentina.

China 15 de agosto de 1974 Ver Relações entre Brasil e China


Cuba
As relações entre Brasil e Cuba foram classificadas
relações exteriores.29 Durante a visita de Estado à C
líder brasileiro expressou de que seu país seja o "pa
O comércio bilateral cresceu 58% entre abril de 20

República Tcheca Imigração tcheca no Brasil

Dinamarca 1828
O Brasil tem uma embaixada em Copenhagen e a D
e Rio de Janeiro.31

Espanha 13 de dezembro de 1834


Apesar das semelhanças culturais entre os dois paí
excelentes. A principal razão para isso foram as crí
de vistos envolvendo refugiados políticos do Haiti

Estados Unidos 26 de maio de 1824 Ver Relações entre Brasil e Estados Unidos

As relações entre Brasil e Estados Unidos têm um


interesses, mas também por divergências esporádic
cada vez mais considerado o Brasil como uma potê
e como hábil interlocutor na América Latina.33 Com
tradicionalmente preferido cooperar com os Estado
abrangente relação privilegiada com o país.33

Filipinas 1946
Em junho de 2009, o Brasil e as Filipinas assinaram
Filipinas e o Brasil assinaram seis memorandos de
renováveis e cooperação agrícola.35

Finlândia 8 de abril de 1929 O Brasil reconheceu a independência da Finlândia


Finlândia tem uma embaixada em Brasília, consula
honorários Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortal
França 25 de outubro de 1825 Ver Relações entre Brasil e França

A França reconheceu o Brasil como seu parceiro es


Os dois países estão empenhados em reforçar a sua
criados: energia nuclear, energias renováveis, tecno
africanos e tecnologias espaciais, medicamentos e
Recentemente, a França anunciou o seu apoio à ten
Nações Unidas.38

Grécia Os dois países têm desfrutado de "relações bilatera


o Ministério das Relações Exteriores da Grécia.39
Início das relações
País
formais
Além de uma embaixada em Brasília, a Grécia tem
honorários no país. O Brasil tem uma embaixada e

Guiana Ver Relações entre Brasil e Guiana

As relações entre o Brasil e a Guiana têm sido trad


sob a forma de treinamento de guerra e logística. A
resultado da política externa Sul-Sul do Brasil, des

Honduras Ver Relações entre Brasil e Honduras


Hungria
A Hungria tem uma embaixada em Brasília e um c
dois países assinaram o Acordo Cultural Brasil-Hu

Índia 1948 Ver Relações entre Brasil e Índia

Os dois países compartilham percepções semelhan


no nível multilateral em questões como comércio i
ampliação do Conselho de Segurança.40

Itália 1861
Desde a criação do Estado italiano, em 1861, três f
imigração de massa ao termo do século XIX, enten
desde 1949.
Na era da globalização, de 1990 aos dias atuais, as
italiano ao lado da ascensão brasileira.O passado se
influência étnica e cultural.

Irã 1903 Ver Relações entre Brasil e Irã


Iraque 1º de dezembro de 1967
O Brasil mantém uma embaixada em Bagdá e o Ira
plenos Grupo dos 77. O Brasil foi o primeiro país l
em 1991.41

Israel 7 de março de 1949 Ver Relações entre Brasil e Israel

O Brasil uma grande comunidade libanesa e judaic


em Tel Aviv. O governo brasileiro reconheceu Isra
de Janeiro, então capital do Brasil, sendo David Sh

Jamaica 14 de outubro de 1962


Ambos os países são membros plenos do Grupo do

Japão 1895 Ver Relações entre Brasil e Japão, Nipo-brasileiro,


Malásia
A Malásia tem uma embaixada em Brasília, enquan
membros plenos do Grupo dos 77.

México 9 de março de 1825


Brasília e Cidade do México possuem relações ami
nas Cataratas do Niágara, no Canadá, para impedir
sucedido. No entanto, quando o Brasil entrou na Pr

Nigéria Ver Relações entre Brasil e Nigéria


Início das relações
País
formais
As relações bilaterais entre a Nigéria eo Brasil se c
séculos, têm tido uma forte relação cultural (muito

Noruega 1905
Palestina 1975 Ver Relações entre Brasil e Palestina
Paquistão Ver Relações entre Brasil e Paquistão

As relações entre Brasil e Paquistão são caracteriza


em Islamabad e o Paquistão mantém uma embaixa
radiação MAR-1 para o Paquistão, apesar da pressã

Paraguai Ver Relações entre Brasil e Paraguai, Guerra do Pa

As relações entre o Brasil e o Paraguai melhoraram


em 2009, de triplicar os pagamentos ao Paraguai p
disputa. Segundo o acordo, o Brasil vai pagar ao P
presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva cham
paraguaio, Fernando Lugo.43

Peru Ver Relações entre Brasil e Peru


Polônia Ver Relações entre Brasil e Polônia

A Polônia tem uma embaixada em Brasília e consu


1% da população brasileira é formada por polaco-b

Portugal 29 de agosto de 1825 Ver Relações entre Brasil e Portugal

Portugal e Brasil têm inúmeros acordos bilaterais e


defesa, turismo, meio ambiente, economia, entre ou
bilaterais e multilaterais e temas atuais (a última na
polêmico foi a reforma ortográfica que visa homog
uma herança comum e estão empenhados na sua pr
como no âmbito da Comunidade dos Países de Lín
tornar oportuguês uma das línguas oficiais da orga
membro permanente do Conselho de Segurança da

Rússia 14 de janeiro de 1828 Ver Relações entre Brasil e Rússia

As relações entre o Brasil e a Rússia têm melhorad


comerciais e pela cooperação em tecnologia milita
aliança com a Federação Russa, com parcerias em

Timor-Leste Ver Relações entre Brasil e Timor-Leste.


Turquia Ver Relações entre Brasil e Turquia

Brasil tem uma embaixada em Ancara e a Turquia

Uruguai 30 de agosto de 1828 Ver Relações entre Brasil e Uruguai

Brasil e Uruguai são países vizinhos que compartil


relação bilateral entre os dois países tem origem na
Início das relações
País
formais
estabelecimento da Colônia do Sacramento em 168
1815, e a independência do Uruguai do domínio br

Venezuela Ver Relações entre Brasil e Venezuela

Vietnã 8 de maio de 1989


O Vietnã estabeleceu um consulado-geral em São P
embaixada do Brasil em Hanói foi inaugurada em 1
cidade. Os presidentes vietnamitas Le Duc Anh e T
respectivamente.51

Brasil como superpotência emergente


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Brasil como potência emergente)

Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde abril de 2010). Por favor, adicione m
referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Brasil

República Federativa do Brasil

A República Federativa do Brasil é considerada, em âmbito internacional,


uma superpotência emergente, devido a seu contingente populacional e ao crescimento
econômico por que vem passando desde o Plano Real.1 Desde 2001, com a criação da
expressão BRICS(acrônimo para Brasil, Rússia, Índia , China e África do Sul), o país
passou a ser um importante ator no cenário mundial, canalizando investimentos.

Índice
[esconder]

 1 Fatores favoráveis
o 1.1 Fatores econômicos
o 1.2 Fatores geográficos
o 1.3 Fatores militares
 2 Fatores contrários
 3 Referências
 4 Ver também
 5 Ligações externas

Fatores favoráveis[editar | editar código-fonte]


Fatores econômicos[editar | editar código-fonte]

Avenida Paulista em São Paulo, o principal centro financeiro daAmérica Latina.2

O Brasil é a sexta maior economia do mundo por PIB nominal e a setima por paridade de
compra. A partir dos anos 1990 o país conquistou estabilidade econômica, atraindo
investimentos estrangeiros. Em 2008, o PIB brasileiro atingiu a marca de 2,030 trilhões de
dólares passando países como Canadá, Itália e Reino Unido e se aproximando da França.
As exportações triplicaram em cinco anos de aproximadamente 60 bilhões de dólares
em 2002 para mais de 200 bilhões de dólares em2008.
O Brasil é o maior detentor de bacias de águas doce do mundo e possui a 9ª maior
reserva de petróleo do mundo após a confirmação em novembro de 2007, na bacia de
Santos, do estoque do pré-sal que vem sendo estudado desde os anos 1980.
Suas reservas econômicas internacionais estão na cifra de 335 bilhões de
dólares.3 O real se consolidou como uma moeda forte e de intensa atuação na zona latino-
americana. É um dos maiores fomentadores de atividades (fora os países desenvolvidos)
nos continentes americano e africano através doBNDES e empresas públicas e privadas.
Possui empresas de abrangência mundial nos campos petrolífero (Petrobras), exploração
mineral (Vale S.A.), construção de aviões (Embraer), siderurgia (Gerdau), gráfica de
segurança (Casa da Moeda do Brasil), telecomunicações (Rede Globo), alimentos (Brasil
Foods), bebidas (AmBev), engenharia (Odebrecht) e máquinas elétricas (WEG), o que lhe
oferece razoável vantagem em penetração comercial em diversos continentes.
O Brasil é uma das nações G4, que buscam assentos permanentes no Conselho de
Segurança da ONU.
O Brasil possui a sexta maior reserva de urânio e já o enriquece a um grau de 3,8% e 4%
e pretende aumentá-lo para a 6%.4
Fatores geográficos[editar | editar código-fonte]
O Brasil possui a quinta maior população do mundo e também a quinta maior extensão de
terra do mundo. O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta, contando com cerca de
18% da biota global (2), um litoral de mais de 7.000 km, que permite um fácil escoamento
da produção para o oceano Atlântico através dos vários portos existentes no país, e uma
diversidade climática que propicia variada produção agrícola e industrial.
Fatores militares[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Forças Armadas do Brasil
O Brasil nunca passou por um momento histórico que o obrigasse a se militarizar, exceto
durante a Guerra do Paraguai, sempre tendo boas relações com todos os países, mas
este quadro tende a mudar devido ao objetivo do Brasil de obter um assento permanente
no Conselho de Segurança da ONU. O Brasil está coordenando a maior atividade militar
em atuação no continente americano, estando à frente da MINUSTAH, força de paz
(estabilizadora) atuando no Haiti. Oficialmente o país não possui ogivas nucleares, mas é
o único país da América Latina que domina o uso da energia nuclear[carece de fontes].
Outrossim, conforme citado acima, o Brasil possui a 6ª maior reserva de urânio do mundo,
sendo o enriquecimento desta substância necessário para a fabricação de armas
nucleares, tendo já a tecnologia necessária para a construção delas. Os gastos
doBrasil com as forças armadas chegam a 13,94 bilhões de dólares, mas as previsões são
de que em 2008 foram investidos em torno de 18 bilhões de dólares, possuindo odécimo
terceiro maior orçamento militar do planeta. O país também possui um grande número de
soldados, já que o alistamento militar é obrigatório, fazendo do exército brasileiro um dos
maiores do mundo. O país tem a maior aeronáutica, marinha e exército da América
Latina e mantém distinta superioridade em aparatos militares, com exceção na força
aérea, onde Chile e Venezuela possuem relativa paridade devido a aquisições recentes.5

Fatores contrários[editar | editar código-fonte]


Por favor, melhore este tópico, expandindo-o(a). Mais informações podem ser encontradas na página de discussão. Considere também
a possibilidade de traduzir o texto das interwikis.

Há vários fatores que podem impedir o crescimento brasileiro


como burocracia e tributação elevadas. O país tem problemas com a baixa qualidade
da educação, infraestruturanão satisfatória, diferenças regionais acentuadas e
alta concentração de renda. Além disso, a corrupção política e a violência no Brasil são
muito grandes, exigindo políticas mais eficazes no campo social, que ainda não foram
implementadas.

Referências
História do Brasil
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Parte de uma série sobre a

História do Brasil

Era pré-cabralina[Expandir]

Colônia (1530–1815)[Expandir]

Reino Unido (1815–1822)[Expandir]

Império (1822-1889)[Expandir]

Primeira República (1890-1930)[Expandir]

Era Vargas (1930-1945)[Expandir]

Quarta República (1946-1964)[Expandir]

Regime militar (1964–1985)[Expandir]

Nova República (1985-atual)[Expandir]

Constituições[Expandir]

Listagens[Expandir]

Temáticas[Expandir]

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Mais artigos audíveis

A História do Brasil compreende, tradicionalmente, o período desde a chegada


dos portugueses até os dias atuais, embora o seu território seja habitado continuamente
desde tempos pré-históricos por povos indígenas. Após a chegada de Pedro Álvares
Cabral,capitão-mor de expedição portuguesa a caminho das Índias, ao litoral sul
da Bahia em 1500, a Coroa portuguesa implementou umapolítica de colonização para a
terra recém-descoberta a partir de 1530. A colonização européia se organizou por meio da
distribuição de capitanias hereditárias pela coroa portuguesa a membros da nobreza e
pela instalação de um governo-geral em1548.
A economia da colônia, iniciada com o extrativismo do pau-brasil e as trocas entre os
colonos e os índios, gradualmente passou a ser dominada pelo cultivo da cana-de-açúcar
para fins de exportação. No início do século XVII, a Capitania de Pernambuco atinge o
posto de maior e mais rica área de produção de açúcar do mundo.1 Com a expansão dos
engenhos e a ocupação de novas áreas para seu cultivo, o território brasileiro se insere
nas rotas de comércio do velho mundo e passa a ser paulatinamente ocupado por
senhores de terra, missionários, homens livres e largos contingentes de escravos
africanos. No final do século XVII foram descobertas ricas jazidas de ouro nos atuais
estados de Minas Gerais,2 Goiás e Mato Grosso que foi determinante para o povoamento
do interior do Brasil. Em 1789, quando a Coroa portuguesa anunciava a Derrama, medida
para cobrar supostos impostos atrasados, eclodiu em Vila Rica (atual Ouro Preto)
a Inconfidência Mineira. A revolta fracassou e, em 1792, um de seus líderes, Tiradentes,
morreu enforcado.3
Em 1808, com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, fugindo da sua possível
subjugação da França, consequência daGuerra Peninsular travada entre as tropas
portuguesas e as de Napoleão Bonaparte, o Príncipe-regente Dom João de Bragança, filho
da Rainha Dona Maria I, abriu os portos da então colônia, permitiu o funcionamento de
fábricas e fundou o Banco do Brasil. Em1815, o então Estado do Brasil, apenas um Vice-
reino do império português, tornou-se temporariamente a sede de um enormereino que
unia todo esse império, com a nova designação oficial de Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarves, em que a então Rainha Dona Maria I foi coroada. Com a morte da mãe,
em 1816, o então Príncipe-regente Dom João de Bragança foi coroado o seu rei. Logo
depois volta para o Reino de Portugal, deixando seu filho mais velho, Dom Pedro de
Alcântara de Bragança, opríncipe real do reino unido, como regente do Brasil.
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro de Alcântara proclamou a independência do
Brasil em relação ao reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, e fundou o Império do
Brasil, sendo coroado imperador como Dom Pedro I. O mesmo reinou até 1831,
quando abdicou e passou a Coroa brasileira ao seu filho, Dom Pedro de Alcântara, que
tinha apenas cinco anos.4 Aos catorze anos, em 1840, Dom Pedro de Alcântara(filho)
teve sua maioridade declarada, sendo coroado imperador no ano seguinte, como Dom
Pedro II. No final da primeira década do Segundo Reinado, o regime estabilizou-se. As
províncias foram pacificadas e a última grande insurreição, a Revolta Praieira, foi
derrotada em 1849. Nesse mesmo ano, o imperador extingue o tráfico de escravos. Aos
poucos, os imigrantes europeus assalariados substituíram os escravos.5 No contexto
geopolítico, o Brasil se alia à Argentina e Uruguai e entra em guerra contra o Paraguai. No
final do conflito, quase dois terços da população paraguaia estava morta. A participação
de negros e mestiços nas tropas brasileiras na Guerra do Paraguai deu grande impulso ao
movimento abolicionista e ao declínio da monarquia. Pouco tempo depois, em 1888,
a princesa imperial do Brasil, D. Isabel de Bragança, filha de Dom Pedro II, assina a Lei
Áurea, que extingue a escravidão no Brasil. Ao abandonar os proprietários de escravos,
sem os indenizar, o império brasileiro perde a última base de sustentação.2
Em 15 de novembro de 1889, ocorre a proclamação da república pelo marechal Manuel
Deodoro da Fonseca e tem início a República Velha, terminada em 1930 com a chegada
de Getúlio Vargas ao poder. A partir daí, a história do Brasil destaca a industrialização do
Brasil e a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial ao lado dosEstados Unidos;
o movimento militar de 1964, onde o general Castelo Branco assumiu a presidência.
O Regime Militar, a pretexto de combater a subversão e a corrupção, suprimiu direitos
constitucionais, perseguiu e censurou os meios de comunicação, extinguiu os partidos
políticos e criou o bipartidarismo. Após o fim do regime militar, os deputados federais e
senadores se reuniram , em 1988, em assembléia nacional constituinte e promulgaram a
nova Constituição, que amplia os direitos individuais. O país se redemocratiza,2 6 avança
economicamente7 e cada vez mais se insere no cenário internacional.
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Índice
[esconder]

 1 Periodização
 2 Período pré-descobrimento (até 1500)
 3 Período colonial (1500-1815)
o 3.1 A chegada dos portugueses
o 3.2 Expedições exploratórias
o 3.3 Extração de pau-brasil
o 3.4 Administração colonial
 3.4.1 Capitanias do Mar (1516-1532)
 3.4.2 Capitanias hereditárias (1532-1549)
 3.4.3 Governo-Geral (1549-1580)
 3.4.3.1 Tomé de Sousa
 3.4.3.2 Duarte da Costa
 3.4.3.3 Mem de Sá
 3.4.4 União Ibérica (1580-1640)
 3.4.5 Estado do Maranhão e Estado do Brasil (1621-1755)
o 3.5 Invasão holandesa (1630-1654)
o 3.6 Insurreição Pernambucana (1645-1654)
o 3.7 Economia colonial
o 3.8 O Ciclo do Ouro
o 3.9 A Sociedade Mineradora e as Camadas Médias
o 3.10 Invasões estrangeiras e conflitos coloniais
o 3.11 Inconfidência Mineira
o 3.12 Conjuração Baiana
o 3.13 Principado do Brasil
o 3.14 Mudança da Corte e Abertura dos Portos
 4 Reino (1815-1822)
o 4.1 Elevação a Reino Unido
o 4.2 Revolução no Porto e Retorno de D. João VI
 5 Império (1822-1889)
o 5.1 Primeiro reinado
 5.1.1 Confederação do Equador (1824)
o 5.2 Período regencial
o 5.3 Segundo reinado
o 5.4 Libertação dos escravos
 6 República (1889-presente)
o 6.1 Primeira República (1889-1930)
 6.1.1 Conflitos
 6.1.2 República do Café com Leite
o 6.2 Era Vargas (1930-1945)
 6.2.1 A Revolução de 1930 e o Governo Provisório
 6.2.2 O período constitucional de Getúlio Vargas
 6.2.3 O Estado Novo
o 6.3 República Nova (1945-1964)
o 6.4 Regime Militar (1964-1985)
o 6.5 Nova República (1985-presente)
 7 Ver também
o 7.1 Listas
o 7.2 Generalidades
o 7.3 Regionais
o 7.4 Temáticas
 8 Notas
 9 Referências
 10 Bibliografia
 11 Ligações externas

Periodização[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Periodização da história do Brasil

Evolução da divisão administrativa do Brasil

A periodização tradicional divide a História do Brasil normalmente em quatro períodos


gerais:
Periodização da História do Brasil
Pré-descobrimento Colônia Império República
Colônia
Sociedade Sociedade Vinda da corte portuguesa e Reino unido
Descobrimento Descaso
açucareira aurífera a Portugal e Algarves
Império
Independência Primeiro reinado Regência Segundo reinado
República
Proclamação da República Era República Ditadura Nova
República Velha Vargas Populista militar República

Período pré-descobrimento (até 1500)[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Pré-História do Brasil
Ataque de índios a uma outra aldeia indígena.

Quando descoberto pelos portugueses em 1500, estima-se que o atual território do Brasil
(a costa oriental da América do sul), era habitado8 por 2 milhões de indígenas,9 10 do norte
ao sul.
A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários
grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guarani, macro-
jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre
inúmeros outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do
Norte de hoje.11 Segundo Luís da Câmara Cascudo,12 os tupis foram «a primeira raça
indígena que teve contacto com o colonizador e (…) decorrentemente a de maior
presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no
europeu que se fixava». A influência tupi se deu na alimentação, no idioma, nos processos
agrícolas, de caça e pesca, nas superstições, costumes, folclore, como explica Câmara
Cascudo:

O tupi era a raça histórica, estudada pelos missionários, dando a tropa auxiliar,
recebendo o batismo e ajudando o conquistador a expulsar inimigos de sua
terra. (…) Eram os artífices da rede de dormir, criadores da farinha de
mandioca, farinha de pau, do complexo da goma de mandioca, das bebidas de

frutas e raízes, da carne e peixe moqueados, elementos que possibilitaram o Câmara
avanço branco pelo sertão. Cascudo

Dança tupinambá em ilustração do livro Duas Viagens ao Brasil de Hans Staden.

Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por vários tratados


entre Portugal e Espanha, estabelecendo limites e dividindo o mundo já descoberto do
mundo ainda por descobrir.13
Destes acordos assinados à distância da terra atribuída, o Tratado de Tordesilhas (1494) é
o mais importante, por definir as porções do globo que caberiam a Portugal no período em
que o Brasil foi colônia portuguesa.14 Estabeleciam suas cláusulas que as terras a leste de
um meridiano imaginário que passaria a 370 léguas marítimas a oeste das ilhas de Cabo
Verde pertenceriam ao rei de Portugal, enquanto as terras a oeste seriam posse dos reis
de Castela (atualmente Espanha). No atual território do Brasil, a linha atravessava de norte
a sul, da atual cidade de Belém do Pará à atual Laguna, em Santa Catarina. Quando
soube do tratado, o rei de França Francisco Iteria indagado qual era "a cláusula do
testamento de Adão" que dividia o planeta entre os reis de Portugal e Espanha e o excluía
da partilha.

Período colonial (1500-1815)[editar | editar código-fonte]


A chegada dos portugueses[editar | editar código-fonte]

O Tratado de Tordesilhas(1494), firmado entre Espanha ePortugal para repartir as terras descobertas e
"por descobrir", definiu os rumos da história do "futuro" Brasil.

Ver artigo principal: Descoberta do Brasil


O período compreendido entre o Descobrimento do Brasil em 1500, (chamado pelos
portugueses de Achamento do Brasil), até aIndependência do Brasil, é chamado, no Brasil,
de Período Colonial. Os portugueses, porém, chamam este período de A Construção do
Brasil, e o estendem até 1825- 1826 quando Portugal reconheceu a independência do
Brasil.15
Há algumas teorias sobre quem foi o primeiro europeu a chegar nas terras que hoje
formam o Brasil. Entre elas, destacam-se a que defende que foi Duarte Pacheco
Pereira entre novembro e dezembro de 1498 16 17 e a que argumenta que foi
o espanhol Vicente Yáñez Pinzón no dia 16 de janeiro de 1500, possivelmente no Cabo de
Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco.18 19 20 No entanto, oficialmente o Brasil foi
descoberto em 22 de abril de 1500, pelo capitão-mor duma expedição portuguesa em
busca das Índias, Pedro Álvares Cabral, que chegou ao litoral sul da Bahia, na região da
atual cidade de Porto Seguro,21 mais precisamente no distrito de Coroa Vermelha,22
No dia 9 de março de 1500, o português Pedro Álvares Cabral, saindo de Lisboa, iniciou
viagem para oficialmente descobrir e tomar posse das novas terras para a Coroa, e depois
seguir viagem para a Índia, contornando a África para chegar a Calecute.23 Levava duas
caravelas e 13 naus, e por volta de 1 500 homens24 - entre os mais experientes Nicolau
Coelho, que acabava de regressar da Índia;24 Bartolomeu Dias, que descobrira o cabo da
Boa Esperança,24 e seu irmão Diogo Dias, que mais tarde Pero Vaz de
Caminha descreveria dançando na praia em Porto Seguro com os índios, «ao jeito deles e
ao som de uma gaita».25 As principais naus se chamavam Anunciada, São Pedro,Espírito
Santo, El-Rei, Santa Cruz, Fror de la Mar, Victoria e Trindade.26 O vice-comandante da
frota era Sancho de Tovar e outros capitães eram Simão de Miranda, Aires Gomes da
Silva, Nuno Leitão,27 Vasco de Ataíde, Pero Dias, Gaspar de Lemos, Luís Pires, Simão de
Pina,Pedro de Ataíde, de alcunha o inferno, além dos já citados Nicolau Coelho e
Bartolomeu Dias. Por feitor, a armada trazia Aires Correia, que havia de ficar na Índia,24 e
por escrivães Gonçalo Gil Barbosa e Pero Vaz de Caminha. Entre os pilotos, que eram os
verdadeiros navegadores, vinham Afonso Lopes e Pero Escobar.28 Diz a Crônica do
Sereníssimo Rei D. Manuel I:

A nau de Pedro Álvares Cabral em ilustração do Livro das Armadas que de Portugal passaram à Índia….

Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo), óleo sobre tela, Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo
do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

E, porque el Rei sempre foi mui inclinado às coisas que tocavam a nossa
Santa fé católica, mandou nesta armada oito frades da ordem de S.
Francisco, homens letrados, de que era Vigário frei Henrique, que depois
foi confessor del Rei e Bispo de Ceuta, os quais como oito capelães e um
vigário, ordenou que ficassem em Calecut, para administrarem os
sacramentos aos portugueses e aos da terra se se quisessem converter à — Crônica do
Sereníssimo
fé. Rei D. Manuel I

Âncoras levantadas em Lisboa, a frota passou por São Nicolau, no arquipélago de Cabo
Verde, em 16 de março. Tinham-se afastado da costa africana perto das Canárias,
tocados pelos ventos alísios em direção ao ocidente. Em 21 de abril, da nau capitânea
avistaram-se no mar, boiando, plantas. Mais tarde surgiram pássaros marítimos, sinais de
terra próxima. Ao amanhecer de 22 de abril ouviu-se um grito de "terra à vista", pois se
avistou o monte que Cabral batizou de Monte Pascoal, no litoral sul da atual Bahia.
Ali aportaram as naus, discutindo-se até hoje se teria sido exatamente em Porto Seguro ou
em Santa Cruz Cabrália (mais precisamente no ilhéu de Coroa Vermelha, no município de
Santa Cruz Cabrália), e fizeram contato com os tupiniquins, indígenas pacíficos. A terra, a
que os nativos chamavam Pindorama ("terra das palmeiras"), foi a princípio chamada
pelos portugueses deIlha de Vera Cruz e nela foi erguido um padrão (marco de posse em
nome da Coroa Portuguesa). Mais tarde, a terra seria rebatizada como Terra de Santa
Cruz e posteriormente Brasil. Estava situada 5.000 km ao sul das terras descobertas
porCristóvão Colombo em 1492 e 1.400 quilômetros aquém da Linha de
Tordesilhas. Sérgio Buarque de Holanda descreve, emHistória Geral da Civilização
Brasileira:
Tendo velejado para o norte, acharam dez léguas mais adiante um arrecife
com porto dentro, muito seguro. No dia seguinte, sábado, entraram os navios
no porto e ancoraram mais perto da terra. O lugar, que todos acharam
deleitoso, proporcionava boa ancoragem e podia abrigar mais de 200
embarcações. Alguma gente de bordo foi à terra, mas não pode entender a —Sérgio
Buarque de
algaravia dos habitantes, diferente de todas as línguas conhecidas. Holanda

Detalhe da A Primeira Missa no Brasil deVictor Meirelles (1861).

No dia 26 de abril, um domingo (o de Pascoela), foi oficiada a primeira missa no solo


brasileiro por frei Henrique Soares (ou freiHenrique de Coimbra),24 que pregou sobre o
Evangelho do dia. Batizaram a terra como Ilha da Vera Cruz no dia 1 de maio e numa
segunda missa Cabral tomou posse das terras em nome do rei de Portugal. No mesmo
dia, os navios partiram, deixando na terra pelo menos dois degredados e dois grumetes
que haviam fugido de bordo. Cabral partiu para a Índia pela via certa que sabia existir a
partir da costa brasileira, isto é, cruzou outra vez o Oceano Atlântico e costeou a África.
O rei D. Manuel I recebeu a notícia do descobrimento por cartas escritas por Mestre João,
físico e cirurgião de D. Manuel24 e Pero Vaz de Caminha, semanas depois. Transportadas
na nau de Gaspar de Lemos, as cartas descreviam de forma pormenorizada as condições
geográficas e seus habitantes, desde então chamados de índios. Atento aos objetivos da
Coroa na expansão marítima, Caminha informava ao rei:25

Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata, nem alguma
coisa de metal nem de ferro lho vimos; pero a terra em si é de muitos bons
ares, assi frios e temperados como os d'antre Doiro e Minho, porque neste
tempo de agora assi os achamos como os de lá; águas são muitas infindas e
em tal maneira é graciosa, que querendo aproveitar-se dar-se-á nela tudo por
bem das águas que tem; pero o melhor fruto que nela se pode fazer me parece — Pero
Vaz
que será salvar esta gente (…) boa e de boa simplicidade. Caminha

Damião de Góis narra o descobrimento em sua língua renascentista:

Navegando a loeste, aos xxiiij dias do mes Dabril viram terra, do que forão
muito alegres, porque polo rumo em que jazia, vião não ser nenhuma das que
até então eram descubertas. Padralures Cabral fez rosto para aquela banda &
como forão bem à vista, mandou ao seu mestre que no esquife fosse a terra, o
qual tornou logo com novas de ser muito fresca & viçosa, dizendo que vira
andar gente baça & nua pela praia, de cabelo comprido & corredio, com arcos
& frechas nas mãos, pelo que mandou alguns dos capitães que fossem com os
bateis armados ver se isto era assi, os quaes sem sairem em terra tornaram à
capitaina afirmando ser verdade o que o mestre dixera. Estando já sobrancora
se alevantou de noite hum temporal, com que correram de longo da costa ate
tomarem hum porto muito bom, onde Pedralures surgio com as outras naos & —
Damião
por ser tal lhe pos nome Porto Seguro. de Góis
Além das cartas acima mencionadas, outro importante documento sobre o descobrimento
do Brasil é o Relato do Piloto Anônimo. De início, a descoberta da nova terra foi mantida
em sigilo pelo Rei de Portugal. O resto do mundo passou a conhecer o Brasil desde pelo
menos 1507, quando a terra apareceu com o nome de América na carta (mapa) de Martin
Waldseemüller, no qual está assinalado na costa o Porto Seguro.29
Expedições exploratórias[editar | editar código-fonte]
Em 1501, uma grande expedição exploratória, a primeira frota de reconhecimento, com
três naus, encontrou como recurso explorável apenas o pau-brasil, de madeira
avermelhada e valiosa usada na tinturaria européia, mas fez um levantamento da costa.
Comandada por Gaspar de Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501 e findaria
com o retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502, depois de percorrer a costa e dar
nome aos principais acidentes geográficos. Sobre o comandante, podem ter sido D. Nuno
Manuel, André Gonçalves, Fernão de Noronha, Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos,
sendo este último o nome mais aceito. Em 1501, no dia 1 de novembro, foi descoberta
a Baía de Todos os Santos, na atual Bahia, local que mais tarde seria escolhido por D.
João III para abrigar a sede da administração colonial.
Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo Coelho, que só teria partido de Lisboa
em 1502. O Barão do Rio Branco, em suas Efemérides, fixa-se em André Gonçalves, que
é a versão mais comumente aceita. Mas André Gonçalves fazia parte da armada de
Cabral, que retornou a Lisboa quando a expedição de 1501 já partira para o Brasil e com
ela cruzou na altura do arquipélago de Cabo Verde.

Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller, 1519), actualmente na Biblioteca Nacional de França.

Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de Lemos, que entre junho e julho de
1500 havia chegado a Portugal com a notícia do descobrimento. O florentino Américo
Vespúcio vinha como piloto na frota (e por seu nome seria batizado todo o continente,
mais tarde). Depois de 67 dias de viagem, em 16 de agosto, a frota alcançou o que hoje é
o Cabo de São Roque (Paraíba) e, segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de
posse mais antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos entre portugueses e os
índiospotiguaras.
Ao longo das expedições, os portugueses costumavam batizar os acidentes geográficos
segundo o calendário com os nomes dos santos dos dias, ignorando os nomes locais
dados pelos nativos. Em 1 de novembro (Dia de Todos os Santos), chegaram à Baía de
Todos os Santos, em 21 de dezembro (dia de São Tomé) ao Cabo de São Tomé, em 1 de
janeiro de 1502 à Baía da Guanabara(por isso batizada de "Rio de Janeiro") e no dia 6 de
janeiro (Dia de Reis) à angra (baía) batizada como Angra dos Reis. Outros lugares
descobertos foram a foz do rio São Francisco e o Cabo Frio, entre vários. As três naus que
chegaram à Guanabara eram comandadas por Gonçalo Coelho, e nela vinha Vespúcio.
Tomando a estreita entrada da barra pela foz de um rio, chamaram-na Rio de Janeiro,
nome que se estendeu à cidade de São Sebastião que ali se ergueria mais tarde.
Em 1503 houve nova expedição, desta vez comandada (sem controvérsias) por Gonçalo
Coelho, sem ser estabelecido qualquer assentamento ou feitoria. Foi organizada em
função um contrato do rei com um grupo de comerciantes de Lisboa para extrair o pau-
brasil. Trazia novamente Vespúcio e seis navios. Partiu em maio de Lisboa, esteve em
agosto na ilha de Fernando de Noronha e ali afundou a nau capitânia, dispersando-se a
armada. Vespúcio pode ter ido para a Bahia, passado seis meses em Cabo Frio, onde fez
entrada de 40 léguas terra adentro. Ali teria deixado 24 homens com mantimentos para
seis meses. Coelho, ao que parece, esteve recolhido na região onde se fundaria depois a
cidade do Rio de Janeiro, possivelmente durante dois ou três anos.
Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço de Portugal, retornou ao maior porto natural da costa
brasileira, a Baía de Todos os Santos. Durante as três primeiras décadas, o litoral baiano,
com suas inúmeras enseadas, serviu fundamentalmente como apoio à rota da Índia,
cujo comércio de produtos de luxo –seda, tapetes, porcelana e especiarias – era mais
vantajoso que os produtos oferecidos pela nova colônia. Nos pequenos e grandes portos
naturais baianos, em especial no de Todos os Santos, as frotas se abasteciam de água e
de lenha e aproveitavam para fazer pequenos reparos.
No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no local que os índios chamavam de Uruçu-
Mirim, a atual praia do Flamengo. Junto à foz do rio Carioca (outrora abundante fonte
de água doce) foram erguidas uma casa de pedra e um arraial, deixando-se no local
degredados e galinhas. A construção inspirou o nome que os índios deram ao local (cari-
oca, "casa dos brancos"), que passaria a ser o gentílico da cidade do Rio. O arraial, no
entanto, foi logo destruído. Outras esquadras passariam pela Guanabara: a de Cristóvão
Jacques, em 1516; a de Fernão de Magalhães (que chamou o local de Baía de Santa
Luzia), em 1519, na primeira circunavegação do mundo; outra vez a de Jacques, em1526,
e a de Martim Afonso de Sousa, em 1531.
Outras expedições ao litoral brasileiro podem ter ocorrido, já que desde 1504 são
assinaladas atividades de corsários. Holanda, em Raízes do Brasil, cita o capitão
francêsPaulmier de Gonneville, de Honfleur, que permaneceu seis meses no litoral
de Santa Catarina.30 A atividade de navegadores não-portugueses se inspirava doutrina da
liberdade dos mares, expressada por Hugo Grotius em Mare liberum, base da reação
européia contra Espanha e Portugal, gerando pirataria alargada pelos mares do planeta.31
Extração de pau-brasil[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Extrativismo no Brasil e Pau-brasil
Derrubada do pau-brasil em ilustração daCosmografia Universal de André Thevet, 1575.

O pau-brasil (que os índios tupis chamavam de ibirapitanga) era a principal riqueza de


crescente demanda na Europa. Estima-se que havia, na época do descobrimento, mais de
70 milhões de árvores do tipo, abundando numa faixa de 18 km do litoral do Rio Grande do
Norte até a Guanabara. Quase todas foram derrubadas e levadas para a Europa. A
extração foi tanta que atualmente a espécie é protegida para não sofrer extinção.
Para explorar a madeira, a Coroa adotou a política de oferecer a particulares, em
geral cristãos-novos, concessões de exploração do pau-brasil mediante certas condições:
os concessionários deveriam mandar seus navios descobrirem 300 léguas de terra,
instalar fortalezas nas terras que descobrissem, mantendo-as por três anos; do que
levassem para o Reino, nada pagariam no primeiro ano, no segundo pagariam um sexto e
no terceiro um quinto. Os navios ancoravam na costa, algumas dezenas de marinheiros
desembarcavam e recrutavam índios para trabalhar no corte e carregamento das toras, em
troca de pequenas mercadorias como roupas, colares e espelhos (prática chamada de
"escambo"). Cada nau carregava em média cinco mil toras de 1,5 metro de comprimento e
30 quilogramas de peso.
Em 1503, toda a terra do Brasil foi arrendada pela coroa a Fernão de Noronha (ou
Loronha), e outros cristãos-novos, produzindo 20 mil quintais de madeira vermelha.
Segundo Capistrano de Abreu, em Capítulos da História Colonial, cada quintal era vendido
em Lisboa por 21/3 ducados, mas levá-lo até lá custava apenas meio ducado. Os
arrendatários pagavam 4 mil ducados à Coroa.
Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à costa para contrabandearem
pau-brasil, aves de plumagem colorida (papagaios, araras), peles, raízes medicinais e
índios para escravizar. Surgiram, assim, as primeiras feitorias. O náufrago Diogo Álvares,
o Caramuru, estabeleceu-se desde 1510 na barra da Baía de Todos os Santos, onde
negociava com barcos portugueses e estrangeiros. Outra feitoria foi chamada de Aldeia
Velha de Santa Cruz, próxima ao local da descoberta.
Além dos portugueses, seus rivais europeus, principalmente franceses, passaram a
freqüentar a costa brasileira para contrabandear a madeira e capturar índios. Os franceses
contrabandearam muito pau-brasil no litoral norte, entre a foz do rio Real e a Baía de
Todos os Santos, mas não chegaram a estabelecer feitoria. Outro ponto de contrabando,
sobretudo no século XVII, foi o Morro de São Paulo (Bahia). Até que Portugal
estabelecesse o sistema de capitanias hereditárias, a presença mais constante na terra
era dos franceses. Estimulados por seu rei, corsários passam a freqüentar a Guanabara à
procura de pau-brasil e outros produtos. Ganharam a simpatia dos índios tamoios, que a
eles se aliaram durante décadas contra os portugueses.
Portugal, verificando que o litoral era visitado por corsários e aventureiros estrangeiros,
resolveu enviar expedições militares para defender a terra. Foram denominadas
expedições guarda-costas, sendo mais marcantes as duas comandadas por Cristóvão
Jacques, de 1516-1519 e 1526-1528. Suas expedições tinham caráter basicamente militar,
com missão de aprisionar os navios franceses que, sem pagar tributos à coroa, retiravam
grandes quantidades do pau-brasil. A iniciativa teve poucos resultados práticos,
considerando a imensa extensão do litoral e, como solução, Jacques sugeriu à Coroa dar
início ao povoamento.
A expedição enviada em 1530 sob a chefia de Martim Afonso de Sousa tinha por objetivos
explorar melhor a costa, expulsar os franceses que rondavam o sul e as cercanias doRio
de Janeiro, e estabelecer núcleos de colonização ou feitorias, como a estabelecida
em Cabo Frio. Martim Afonso doou as primeiras sesmarias do Brasil. Foram fundados por
esta expedição os núcleos de São Vicente e São Paulo, onde o português João
Ramalho vivia como náufrago desde 1508 e casara-se com a índia Bartira, filha
do caciqueTibiriçá. Em São Vicente foi feita em 1532 a primeira eleição no continente
americano e instalada a primeira Câmara Municipal e a primeira vila do Brasil. A presença
de Ramalho, que ajudava no contato com os nativos e instalara-se na aldeia de
Piratininga, foi o que inspirou Martim Afonso a instalar a vila de São Vicente perto do
núcleo que viria a ser São Paulo.
A mais polêmica expedição seria a de Francisco de Orellana que, em 1535, penetrando
pela foz do rio Orinoco e subindo-o, descreve que numa única viagem, em meio de um
incrível emaranhado de rios e afluentes amazônicos, teria encontrado o rio Cachequerique,
raríssima e incomum captura fluvial que une o rio Orinoco aos rios Negro eAmazonas.
Administração colonial[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Colonização do Brasil e Brasil Colônia
Capitanias do Mar (1516-1532)[editar | editar código-fonte]
A administração das terras ultramarinas, que a princípio foi arrendada a Fernão de
Noronha, agente da Casa Fugger (1503-1511), ficou a cargo direto da Coroa, que não
conseguia conter as freqüentes incursões de franceses na nova terra. Por isso,
em 1516, D. Manuel I e seu Conselho criam nos Açores e na Madeira as chamadas
«capitanias do mar», por analogia com as estabelecidas no Oceano Índico. O objetivo
fundamental era garantir o monopólio da navegação e a política do mare clausum (mar
fechado). De dois em dois anos, o capitão do mar partia com navios para realizar um
cruzeiro de inspeção no litoral, defendendo-o das incursões francesas ou castelhanas. No
Brasil, teriam visitado quatro armadas.
As armadas de Jacques assinaram-se com insistência no rio da Prata. Também em 1516
ocorre a primeira tentativa de colonização metódica e aproveitamento da terra com base
na plantação da cana (levada de Cabo Verde) e na fabricação do açúcar. Já devia ter
havido algumas tentativas de capitanias e estabelecimentos em terra, pois em 15 de julho
de 1526 o rei D. Manuel I autorizou Pedro Capico,32 "capitão de uma capitania do Brasil", a
regressar a Portugal porque "lhe era acabado o tempo de sua capitania". Talvez Jacques
tenha ido buscar Capico em Porto Seguro, pois a ele era justamente atribuída a fundação
de uma feitoria no local, muito antes de ser doada como capitania aPero do Campo
Tourinho. Outras capitanias incipientes podem ter existido pelo menos
em Pernambuco, Porto Seguro, Rio de Janeiro e São Vicente.
Roberto Simonsen (em História Econômica do Brasil, pág.120) comenta:

Na terra de Santa Cruz, o valor e as possibilidades de comércio não


justificavam (…) organizações da mesma importância» que as feitorias de
Portugal na África. «Mesmo assim, foram instaladas, quer pelos
concessionários do comércio do pau-brasil, quer pelo próprio governo
português, várias feitorias, postos de resgate onde se concentravam, sob o
abrigo de fortificações primitivas, os artigos da terra que as naus vinham
buscar. São por demais deficientes até hoje as notícias sobre estas
feitorias, Igaraçu, Itamaracá, Bahia, Porto Seguro, Cabro Frio, São Vicente e
outras intermediárias, que desapareciam, ora esmagadas pelo gentio, ora
conquistadas pelos franceses. Mas o próprio comércio do pau-brasil é uma
demonstração de sua existência, e as notícias sobre a década anterior, de
1530, salientam a preocupação do Governo português de defendê-las.» Eram
assim postos de resgate de caráter temporário, estabelecimentos efêmeros,
assolados por entrelopos e corsários franceses, por selvagens. Por muitos anos
cessará todo o interesse de Portugal pelo Brasil. O Brasil ficou ao acaso…
Colonizar a nova terra seria dispendioso, sem lucro imediato. Portugal, no
auge de sua técnica de navegação, de posse de feitorias fincadas em
vastíssimas costas de oceanos, não tinha recursos humanos, com uma
população estimada em um milhão de habitantes. Impunha-se uma atitude
predominantemente fiscal. Havia o quê? Havia macacos, papagaios, —
Roberto
selvagens nus e primitivos. Mas haviapau-brasil… Simonsen

João Ribeiro (em História do Brasil) diz que


... depois das primeiras explorações, as terras do Brasil tornaram-se constante
teatro da pirataria universal. Especuladores franceses, alemães, judeus e
espanhóis aqui aportam, comerciam com o gentio ou seelvajam-se e com eles
convivem em igual barbaria. Os navegadores de todos os pontos aqui se
aprovisionam ou se abrigam das tempestades. Aventureiros aqui desembarcam,
e vivem à ventura, na companhia de degredados e foragidos. O que procura a
corte portuguesa de D. Manuel I são as riquezas do Oriente, e se alguma
expedição aqui toca e se demora, (....) não é o Brasil que as atrai mas ainda a —João
fascinação do Oriente. Ribeiro

Capitanias hereditárias (1532-1549)[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Capitanias do Brasil

As capitanias hereditárias

A apatia só iria cessar quando D. João III ascendeu ao trono. Na década de 1530, Portugal
começava a perder a hegemonia do comércio na África Ocidental e no Índico. Circulavam
insistentes notícias da descoberta de ouro e de prata na América Espanhola. Então,
em 1532, o rei decidiu ocupar as terras pelo regime de capitanias, mas num
sistema hereditário, pelo qual a exploração passaria a ser direito de família. O capitão e
governador, títulos concedidos ao donatário, teria amplos poderes, dentre os quais o de
fundar povoamentos (vilas e cidades), conceder sesmarias e administrar a justiça. O
sistema de capitanias hereditárias implicava na divisão de terras vastíssimas, doadas a
capitães-donatários que seriam responsáveis por seu controle e desenvolvimento, e por
arcar com as despesas de colonização. Foram doadas aos que possuíssem condições
financeiras para custear a empresa da colonização, e estes eram principalmente
"membros da burocracia estatal" e "militares e navegadores ligados à conquista da Índia"
(segundo Eduardo Bueno em "História de Brasil"). De acordo com o mesmo autor, a
sugestão teria sido dada ao rei por Diogo de Gouveia,33 ilustre humanista português, e
respondia a uma "absoluta falta de interesse da alta nobreza lusitana" nas terras
americanas.
Foram criadas, nesta divisão, quinze faixas longitudinais de diferentes larguras que iam de
acidentes geográficos no litoral até oMeridiano das Tordesilhas,nota 1 e foram oferecidas a
doze donatários. Destes, quatro nunca foram ao Brasil; três faleceram pouco depois; três
retornaram a Portugal; um foi preso por heresia (Tourinho) e apenas dois se dedicam à
colonização (Duarte Coelho naCapitania de Pernambuco e Martim Afonso de
Sousa na Capitania de São Vicente).
Das quinze capitanias originais, apenas as capitanias de Pernambuco e de São Vicente
prosperaram. As terras brasileiras ficavam a dois meses de viagem de Portugal. Além
disso, as notícias das novas terras não eram muito animadoras: na viagem, além do medo
de "monstros" que habitariam o oceano (na superstição européia), tempestades eram
freqüentes; nas novas terras, florestas gigantescas e impenetráveis, povos antropófagos e
não havia nenhuma riqueza mineral ainda descoberta. Em 1536, chegou o donatário da
capitania da Baía de Todos os Santos, Francisco Pereira Coutinho, que fundou o Arraial
do Pereira, na futura cidade do Salvador, mas se revelou mau administrador e foi morto
pelos tupinambás.34Tampouco tiveram maior sucesso as capitanias dos Ilhéus e do
Espírito Santo, devastadas por aimorés e tupiniquins.
Governo-Geral (1549-1580)[editar | editar código-fonte]
Tomé de Sousa[editar | editar código-fonte]

Tomé de Sousa.

Após o fracasso do projeto de capitanias, o rei João III unificou as capitanias sob
um Governo-Geral do Brasil e em 7 de janeiro de 1549 nomeouTomé de Sousa para
assumir o cargo de governador-geral. A expedição do primeiro governador chegou ao
Brasil em 29 de março do mesmo ano, com ordens para fundar uma cidade para abrigar a
sede da administração colonial. O local escolhido foi a Baía de Todos os Santos e a cidade
foi chamada de São Salvador da Baía de Todos os Santos. As condições favoráveis da
terra, o clima quente, o solo fértil, a excelente posição geográfica, fizeram com que o rei
decidisse reverter a capitania para a Coroa (expropriando-a do donatário Pereira
Coutinho). As tarefas de Tomé de Sousa eram tornar efetiva a guarda da costa, auxiliar os
donatários, organizar a ordem política e jurídica na colônia. O governador organizou a vida
municipal, e sobretudo a produção açucareira: distribuiu terras e mandou abrir estradas,
além de fazer construir um estaleiro.
Desse modo, o Governo-Geral centralizou a administração colonial, subordinando as
capitanias a um só governador-geral que tornasse mais rápido o processo de colonização.
Em 1548, elaborou-se o Regimento do Governador-Geral,35 que regulamentava o trabalho
do governador e de seus principais auxiliares - o ouvidor-mor (Justiça), o provedor-
mor (Fazenda) e o capitão-mor (Defesa).36 O governador também levou ao Brasil os
primeiros missionários católicos, da ordem dos jesuítas, como o padre Manuel da
Nóbrega. Por ordens suas, ainda, foram introduzidas na colônia as primeiras cabeças de
gado, de novilhos levados de Cabo Verde. Ao chegar à Bahia, Tomé de Sousa encontrou
o velho Arraial do Pereira com seus moradores, e mudaram o nome do local para Vila
Velha. Também moravam nos arredores o náufrago Diogo Álvares "Caramuru" e sua
esposa Paraguaçu (batizada como Catarina), perto da capela de Nossa Senhora das
Graças (hoje o bairro da Graça, em Salvador). Consta que Tomé de Sousa teria
pessoalmente ajudado a construir as casas e a carregar pedras e madeiras para
construção da capela de Nossa Senhora da Conceição da Praia, uma das primeiras igrejas
erguidas no Brasil. Tomé de Souza visitou as capitanias do sul do Brasil, e, em 1553, criou
a Vila deSanto André da Borda do Campo, transferida em 1560 para o Pátio do
Colégio dando origem à cidade de São Paulo.
Duarte da Costa[editar | editar código-fonte]

Esquema do ataque de Mem de Sá aos franceses na baía de Guanabara, em 1560. Autoria


desconhecida, 1567.

Em 1553, a pedidos, Tomé de Sousa foi exonerado do cargo e substituído por Duarte da
Costa, fidalgo e senador nas Cortes de Lisboa. Em sua expedição foram também 260
pessoas, incluindo seu filho, Álvaro da Costa, e o então noviço José de Anchieta, jesuíta
basco que seria o pioneiro na catequese dos nativos americanos. A administração de
Duarte foi conturbada. Já de início, a intenção de Álvaro em escravizar os indígenas,
incluindo os catequizados, esbarrou na impertinência de Dom Pero Fernandes Sardinha,
primeiro bispo do Brasil. O governador interveio a favor do filho e autorizou a captura de
indígenas para uso em trabalho escravo. Disposto a levar as queixas pessoalmente ao rei
de Portugal, Sardinha partiu para Lisboa em 1556 mas naufragou na costa de Alagoas e
acabou devorado pelos caetés antropófagos.
Durante o governo de Duarte da Costa, uma expedição de protestantes franceses se
instalou permanentemente na Guanabara e fundou a colônia da França Antártica.
Ultrajada, a Câmara Municipal da Bahia apelou à Coroa pela substituição do governador.
Em 1556, Duarte foi exonerado, voltou a Lisboa e em seu lugar foi enviado Mem de Sá,
com a missão de retomar a posse portuguesa do litoral sul.
Mem de Sá[editar | editar código-fonte]
O terceiro Governador-Geral, Mem de Sá (1558-1572), deu continuidade à política de
concessão de sesmarias aos colonos e montou ele próprio um engenho, às margens do rio
Sergipe, que mais tarde viria a pertencer ao conde de Linhares (Engenho de Sergipe do
Conde). Para enfrentar os colonos franceses estabelecidos na França Antártica, aliados
aos tamoios na baía de Guanabara, Mem de Sá aliou-se aos Temiminós do
cacique Arariboia. O seu sobrinho, Estácio de Sá, comandou a retomada da região e
fundou a cidade do Rio de Janeiro a 20 de Janeiro de 1565, dia de São Sebastião.
União Ibérica (1580-1640)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: União Ibérica
Ilustração de uma bandeira por Almeida Júnior:Estudo p/ Partida da Monção, 1897. Acervo Artístico-
Cultural dos Palácios do Governo do Estado de S. Paulo.

Com o desaparecimento de D.Sebastião e posteriormente a morte de D. Henrique I,


Portugal ficou sob união pessoal com a Espanha, e foi governada pelos três reis Filipes
(Filipe II, Filipe III e Filipe IV, dos quais se subtrai um número quando referentes a Portugal
e ao Brasil). Isso virtualmente acabou com a linha divisória do meridiano das Tordesilhas e
permitiu que o Brasil se expandisse para o oeste.
Várias expedições exploratórias do interior (chamado de "os sertões") foram organizadas,
fosse sob ordens diretas da Coroa ("entradas") ou por caçadores de escravos paulistas
("bandeiras", donde o nome "bandeirantes"). Estas expedições duravam anos e tinham o
objetivo principalmente de capturar índios como escravos e encontrar pedras preciosas e
metais valiosos, como ouro e prata. Foram bandeirantes famosos, entre outros, Fernão
Dias Paes Leme, Bartolomeu Bueno da Silva(Anhanguera), Raposo Tavares, Domingos
Jorge Velho, Borba Gato e Antônio Azevedo.
A União Ibérica também colocou o Brasil em conflito com potências européias que eram
amigas de Portugal mas inimigas da Espanha, como a Inglaterra e a Holanda. Esta última
atacou e invadiu extensas faixas do litoral nordestino, fixando-se principalmente em
Pernambuco e na Paraíba por vinte e cinco anos.
Estado do Maranhão e Estado do Brasil (1621-1755)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Colonização do Brasil
Das mudanças administrativas durante o domínio espanhol, a mais importante sucedeu
em 1621, com a divisão da colônia em dois Estados independentes: o Estado do Brasil,
que abrangia de Pernambuco à atual Santa Catarina, e o Estado do Maranhão, do atual
Ceará à Amazônia. A razão se baseava no destacado papel assumido pelo Maranhão
como ponto de apoio e de partida para a colonização do norte e nordeste. O Maranhão
tinha por capital São Luís, e o Estado do Brasil sua capital em Salvador. Nestes dois
estados, os súditos eram cidadãos portugueses (chamados de "portugueses do Brasil") e
sujeitos aos mesmos direitos e deveres, e as mesmas leis as quais estavam submetidos
os residentes em Portugal, entre elas, as Ordenações manuelinas e as Ordenações
filipinas.
Quando o rei Filipe III (IV da Espanha) separou o Brasil e o Maranhão, passaram a existir
três capitanias reais: Maranhão, Ceará e Grão-Pará, e seis capitanias hereditárias.
Em1737, com sua sede transferida para Belém, o Maranhão passou a ser chamado
de Grão-Pará e Maranhão. Tal instalação era efeito do isolamento do extremo norte do
Estado do Brasil, pois o regime de ventos impedia durante meses as comunicações entre
São Luís e a Bahia. No século XVII, o Estado do Brasil se estendia do atual Pará até o Rio
Grande do Norte e deste até Santa Catarina, e no século XVIII já estariam incorporados
o Rio Grande de São Pedro, atual Rio Grande do Sul e as regiões mineiras e parte
daAmazônia. O Estado do Maranhão foi extinto na época de Marquês de Pombal.
Invasão holandesa (1630-1654)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Invasões holandesas do Brasil, Guerra Luso-Holandesa
Gravura neerlandesa mostrando o cerco a Olinda, Pernambuco, em 1630. Os holandeses saquearam e
queimaram diversas construções em Olinda, inclusive as igrejas. 37

A invasão holandesa no Nordeste brasileiro foi um importante capítulo da Guerra Luso-


Holandesa. Em 1630, a Capitania de Pernambuco foi invadida pela Companhia das Índias
Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica (1580 a 1640) a então chamadaRepública
Holandesa, antes dominados pela Espanha tendo depois conseguido sua independência
através da força, veem emPernambuco a oportunidade para impor um duro golpe na
Espanha, ao mesmo tempo em que tirariam o prejuízo do fracasso na Bahia, uma vez que
Pernambuco era a mais rica capitania da colônia.

Johann Moritz von Nassau-Siegen.

Em 26 de dezembro de 1629 partia de São Vicente, Cabo Verde, uma esquadra com 66
embarcações e 7.280 homens em direção a Pernambuco. Os holandeses, desembarcando
na praia de Pau Amarelo, conquistam a capitania de Pernambuco em fevereiro de 1630 e
estabelecem a colônia Nova Holanda. A frágil resistência portuguesa na passagem do Rio
Doce, invadiu sem grandes contratempos Olinda e derrotou a pequena, porém aguerrida,
guarnição do forte (que depois passaria a ser chamado de Brum), porta de entrada para
o Recife através do istmo que ligava as duas cidades.
O conde Maurício de Nassau desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637,
acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a
construção deMauritsstad (atual Recife), que foi dotada de pontes, diques e canais para
vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo
traçado da nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg, sede do poder de
Nassau na Nova Holanda, e do prédio do observatório astronômico, tido como o primeiro
do Novo Mundo. Em 28 de fevereiro de 1644 o Recife (atualmente o Bairro do Recife) foi
ligado à Cidade Maurícia com a construção da primeira ponte da América Latina. Durante
o governo de Nassau, Recife foi considerada a mais cosmopolita cidade das Américas, e
tinha a maior comunidade judaica de todo o continente, que construiu, à época, a primeira
sinagoga do Novo Mundo, a Kahal Zur Israel, bem como a segunda, a Maguen
Abraham.38 39 No Palácio de Friburgo, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, foi
construído o primeiro observatório astronômico do Continente Americano.40 41

Recife foi a mais cosmopolita cidade das Américas durante o governo do conde alemão (a serviço da
coroa holandesa) Maurício de Nassau.42

Por diversos motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração de Maurício de


Nassau do governo da capitania pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo
de Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-se à fraca resistência ainda
existente, num movimento denominado Insurreição Pernambucana.

A Kahal Zur Israel, no Recife, foi a primeira sinagoga dasAméricas.43

Com a chegada gradativa de reforços portugueses, os holandeses por fim foram expulsos
em1654, na segunda Batalha dos Guararapes. Foi nesta ocasião que se diz ter nascido
o Exército brasileiro.
Com a colônia holandesa tomada pelos portugueses, os judeus receberam um prazo de
três meses para partir ou se converter ao catolicismo. Com medo da fogueira
da Inquisição, quase todos venderam o que tinham e deixaram o Recife em 16 navios.
Parte da comunidade judaica expulsa de Pernambuco fugiu para Amsterdã, e outra parte
se estabeleceu em Nova York. Através deste último grupo a Ilha de Manhattan, atual
centro financeiro dos Estados Unidos, conheceu grande desenvolvimento econômico; e
descendentes de judeus egressos do Recife tiveram participação ativa na história
estadunidense: Gershom Mendes Seixas, aliado de George Washington na Guerra de
Independência dos Estados Unidos; seu filho Benjamin Mendes Seixas, fundador da Bolsa
de Valores de Nova York; Benjamin Cardozo, juiz da Suprema Corte dos Estados
Unidos ligado a Franklin Roosevelt; entre outros.44 45 46
Após a expulsão holandesa, o estado passou a declinar junto com restante do Nordeste,
devido à transferência do centro político-econômico para o Sudeste, o que resultou em
conflitos como a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador, movimentos
separatistas pernambucanos.
A qualidade do açúcar refinado holandês, agora produzido nas Antilhas, superior ao
mascavo brasileiro, também ajudou a acelerar a decadência do estado, que era baseado
nos latifúndios de cultivo de cana-de-açúcar. Buscando novos meios de renda, aumenta o
comércio no estado gradativamente. Este efeito foi estopim de revoltas como a Guerra dos
Mascates.
Insurreição Pernambucana (1645-1654)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Insurreição Pernambucana

As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, são consideradas a


origem do Exército Brasileiro.

Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurretos


pernambucanos assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês na
capitania. Com o acordo assinado, começa o contra-ataque à invasão holandesa. A
primeira vitória importante dos insurretos se deu no Monte das Tabocas, (hoje localizada
no município de Vitória de Santo Antão) onde 1200 insurretos mazombos armados de
armas de fogo, foices, paus e flechas derrotaram numa emboscada 1900 holandeses bem
armados e bem treinados.

João Fernandes Vieira.

O sucesso deu ao líder Antônio Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os
holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte, sendo novamente derrotado pela
aliança dos mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram novamente para
as casas-forte em Cabo de Santo Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio
Formoso, Porto Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados pelos
insurretos.
Por fim, Olinda foi recuperada pelos rebeldes.
Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda,
indo do Recife a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta de alimentos, o
que os levou a atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e
Tejucupapo.
Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres
camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os invasores
holandeses, humilhando-os definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a
primeira importante participação militar da mulher na defesa do território brasileiro.
Devido a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa, a República Holandesa não pôde auxiliar os
holandeses no Brasil. Com o fim da guerra contra os ingleses, a República Holandesa
exige a devolução da colônia em maio de 1654. Sob ameaça de uma nova invasão do
Nordeste brasileiro, Portugal cede à exigência dos holandeses que Portugal pague 4
milhões cruzados para República Holandesa entre um período de 16 anos. Porém, em 6
de agosto de 1661 a República Holandesa cede formalmente o Nordeste brasileiro à
Portugal através da Paz de Haia.
Economia colonial[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Ciclo da cana-de-açúcar, Entradas e Bandeiras
A economia da colônia, iniciada com o puro extrativismo de pau-brasil e o escambo entre
os colonos e os índios – Pernambuco era o local de maior incidência de pau-brasil, e de
uma qualidade tão superior que regulava o preço no comércio europeu47 –, gradualmente
passou à produção local, com os cultivos da cana-de-açúcar e do cacau. Oengenho de
açúcar (manufatura do ciclo de produção açucareiro) constituiu a peça principal
do mercantilismo português, organizadas em grandes propriedades. Estas, como se
chamou mais tarde, eram latifúndios, caracterizados por terras extensas, abundante mão-
de-obra escrava, técnicas complexas e baixa produtividade.

Navio negreiro ilustrando o livro Voyage pittoresque dans le Brésil, 1835, de Rugendas.

Para sustentar a produção de cana-de-açúcar, os portugueses começaram, a partir de


meados do século XVI, a importar africanos como escravos. Eles eram pessoas
capturadas entre tribos das feitorias européias na África (às vezes com a conivência de
chefes locais de tribos rivais) e atravessados no Atlântico nos navios negreiros, em
péssimas condições de asseio e saúde. Ao chegarem à América, essas pessoas eram
comercializadas como mercadoria e obrigados a trabalhar nas plantações e casas dos
colonizadores. Dentro das fazendas, viviam aprisionados em galpões rústicos chamados
de senzalas, e seus filhos também eram escravizados, perpetuando a situação pelas
gerações seguintes.
Nas feitorias, os mercadores portugueses vendiam principalmente armas de fogo, tecidos,
utensílios de ferro, aguardente e tabaco, adquirindo escravos, pimenta, marfim e outros
produtos.
Até meados do século XVI, os portugueses possuíam o monopólio do tráfico de escravos.
Depois disso, mercadores franceses, holandeses e ingleses também entraram no negócio,
enfraquecendo a participação portuguesa.

O Brasil nasceu e cresceu econômica e socialmente com o açúcar, entre os


dias venturosos do pau-de-tinta e antes de as minas e o café o terem
ultrapassado. Efetivamente, o açúcar foi base na formação da sociedade e na
forma de família. A casa de engenho foi modelo da fazenda de cacau, da —
Gilberto
fazenda de café, da estância. Foi base de um complexo sociocultural de vida. Freyre

Em 1549, Pernambuco já possuía trinta engenhos-banguê, a Bahia, dezoito, e São


Vicente, dois. A lavoura da cana-de-açúcar era próspera e, meio século depois, a
distribuição dos engenhos de açúcar perfazia um total de 256.48
Houve engenhos ainda nas capitanias de São Vicente e do Rio de Janeiro que cobriam
cem léguas e couberam ambas a Martim Afonso de Sousa. Este receberia o apoio de João
Ramalho e de seu sogro Tibiriçá. No Rio, funcionava o engenho de Rodrigo de Freitas, nas
margens da lagoa que hoje leva seu nome. Ao entrar o século XVII, o açúcar brasileiro era
produto de importação nos portos de Lisboa, Antuérpia, Amsterdã, Roterdã, Hamburgo.
Sua produção, muito superior à das ilhas portuguesas no Atlântico, supria quase toda a
Europa. Gabriel Soares de Sousa, em 1548, comentava o luxo reinante na Bahia e o
padre Fernão Cardim exaltava suas capelas magníficas, os objetos de prata, as lautas
refeições em louça da Índia, que servia de lastro nos navios: «Parecem uns condes e
gastam muito», reclamava o padre.

Típico engenho de cana-de-açúcar.

Em meados do século XVII, o açúcar produzido nas Antilhas Holandesas começou a


concorrer fortemente na Europa com o açúcar do Brasil. Os holandeses tinham
aperfeiçoado a técnica, com a experiência adquirida no Brasil, e contavam com um
desenvolvido esquema de transporte e distribuição do açúcar em toda a Europa. Portugal
foi obrigado a recorrer à Inglaterra e assinar diversos tratados que afetariam a economia
da colônia. Em 1642, Portugal concedeu à Inglaterra a posição de "nação mais favorecida"
e os comerciantes ingleses passaram a ter maior acesso ao comércio colonial.
Em 1654 Portugal aumentou os direitos ingleses; mas poderiam negociar diretamente
vários produtos do Brasil com Portugal e vice-versa, excetuando-se alguns produtos como
bacalhau, vinho, pau-brasil). Em 1661 a Inglaterra se comprometeu a defender Portugal e
suas colônias em troca de dois milhões de cruzados, obtendo ainda as possessões de
Tânger e Bombaim. Em 1703 Portugal se comprometeu a admitir no reino os panos dos
lanifícios ingleses, e a Inglaterra, em troca, a comprar vinhos portugueses. Data da época
o famosíssimo Tratado de Methuen, do nome de seu negociador inglês, ou tratado dos
Panos e Vinhos. Na época, satisfazia os interesses dos grupos dominantes mas teria
como conseqüência a paralisação da industrialização em Portugal, canalizando para a
Inglaterra o ouro que acabava de ser descoberto no Brasil.
Formação do estado brasileiro (em verde escuro) e dos países sul-americanos desde 1700.

Carlos Julião: Mineração de diamantes, Minas Gerais, c. 1770.

No nordeste brasileiro se encontrava a pecuária, tão importante para o domínio do interior,


já que eram proibidos rebanhos de gado nas fazendas litorâneas, cuja terra
de massapê era ideal para o açúcar. Estuda-se bem o açúcar no item dedicado à invasão
holandesa.
A conquista do sertão, povoado por diversos grupos indígenas foi lenta e se deveu muito à
pecuária (o gado avançou ao longo dos vales dos rios) e, muito mais tarde, às expedições
dos Bandeirantes que vinham prear índios para levar para São Paulo.
O Ciclo do Ouro[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Ciclo do Ouro
No final do século XVII foi descoberto, pelos bandeirantes paulistas, ouro nos ribeiros das
terras que pertenciam à capitania de São Paulo e mais tarde ficaram conhecidas
como Minas Gerais. Descobriram-se depois, no final da década de 1720, diamante e
outras gemas preciosas. Esgotou-se o ouro abundante nos ribeirões, que passou a ser
mais penosamente buscado em veios dentro da terra. Apareceram metais preciosos
em Goiás e no Mato Grosso, no século XVIII. A Coroa cobrava, como tributo, um quinto de
todo o minério extraído, o que passou a ser conhecido como "o quinto". Os desvios e o
tráfico de ouro, no entanto, eram freqüentes. Para coibi-los, a Coroa instituiu toda uma
burocracia e mecanimos de controle.49 Quando a soma de impostos pagos não atingia
uma cota mínima estabelecida, os colonos deveriam entregar jóias e bens pessoais até
completar o valor estipulado — episódios chamados de derramas.
O período que ficou conhecido como Ciclo do Ouro iria permitir a criação de um mercado
interno, já que havia demanda por todo tipo de produtos para o povoamento das Minas
Gerais. Era preciso levar, Serra da Mantiqueira acima, escravos e ferramentas, ou, rio São
Francisco abaixo, os rebanhos de gado para alimentar a verdadeira multidão que para lá
acorreu. A população de Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil, sendo a
única capitania do interior do Brasil com grande população. A essa época maioria da
população de Minas Gerais , aproximadamente 78%, era formada por negros e mestiços.
A população branca era formada em grande parte por cristãos-novos vindos do norte de
Portugal e das Ilhas dos Açores e Madeira. Os cristãos novos foram muito importantes no
comércio colonial e se concentraram especialmente nos povoados em volta de Ouro Preto
e Mariana. Ao contrário do que se pensava na Capitania do Ouro a riqueza não era mais
bem distribuída do que em outras partes do Brasil. Hoje se sabe que foram poucos os
beneficiados no solo mais rico da América no século XVIII.
As condições de vida dos escravizados na região mineira eram particularmente difíceis.
Eles trabalhavam o dia inteiro em pé, com as costas curvadas e com as pernas
mergulhadas na água. Ou então em túneis cavados nos morros, onde era comum
ocorrerem desabamentos e mortes. Os negros escravizados não realizavam apenas
tarefas ligadas à mineração. Também transportavam mercadorias e pessoas,
construíam estradas, casas e chafarizes, comerciavam pelas ruas e lavras. Alguns
proprietários alugavam seus escravos a outras pessoas. Esses trabalhadores eram
chamados de "escravos de aluguel". Outro tipo de escravo era o "escravo de ganho", por
exemplo, as mulheres que vendiam doces e salgados em tabuleiros pelas ruas. Foi
relativamente comum este tipo de escravo conseguir formar um pecúlio, que empregava
na compra de sua liberdade, pagando ao senhor por sua alforria.
A Sociedade Mineradora e as Camadas Médias[editar | editar código-
fonte]
Ver artigo principal: Mineração do Brasil
O Brasil passou por sensíveis transformações em função da mineração. Um novo pólo
econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais inter-regionais se desenvolveram,
criando um mercado interno e fazendo surgir uma vida social essencialmente urbana. A
camada média, composta
por padres,burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros, ocupou espaço na
sociedade. A população mineira, salvo nos principais centros Vila
Rica, Mariana, Sabará, Serro eCaeté, era essencialmente pobre. O custo de vida altíssimo
e a falta de gêneros alimentícios uma constante.

Cidade de Mariana, Minas Gerais.


As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofícios, tais como
comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas entre outros. No entanto foi
intensamente escravagista, desenvolvendo a sociedade urbana às custas da exploração
da mão de obra escrava. A mineração também provocou o aumento do controle do
comércio de escravos para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que
os escravos eram os únicos que trabalhavam. Os escravos mais hábeis para a mineiração
eram os "Minas" trazidos da Costa ocidental africana, onde eram mineiradores de ouro, e
saídos do porto de Elmina, em Gana, onde ficavam no Castelo de São Jorge da Mina. Foi
muito comum a fuga de escravos e a formação de muitos quilombos em Minas Gerais,
sendo o mais importante foi o "Quilombo do Ambrósio".
Também foi responsável pela tentativa de escravização dos índios, através das bandeiras,
que com intuito de abastecer a região centro-sul promoveu a interiorização do Brasil.
Apesar de modificar a estrutura econômica, manteve a estrutura de trabalho vigente,
beneficiando apenas os ricos e os homens livres que compunham a camada média. Outro
fator negativo foi a falta de desenvolvimento de tecnologias que permitissem a exploração
de minas em maior profundidade, o que estenderia o período de exploração (e
consequentemente mais ouro para Portugal).
Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da colônia e o Rio de
Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o porto por onde as frotas do rei de
Portugal iam recolher os impostos. A cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como
"a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos foi a capital
do Brasil.
Invasões estrangeiras e conflitos coloniais[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Invasões francesas do Brasil, Lutas e revoluções no
Brasil e Escravidão no Brasil

Amador Bueno é aclamado "Rei do Brasil" em 1641

O início da colonização portuguesa no território brasileiro foi a primeira invasão estrangeira


da história do país, então denominado pelos nativos tupis como Pindorama, que significa
"Terra das Palmeiras". A resposta imediata foi de longos embates, entre eles a Guerra dos
Bárbaros. Houve ainda disputas com os franceses, que tentavam se implantar
na América pela pirataria e pelo comércio do Pau-Brasil, chegando a criar uma guerra
luso-francesa. Tudo isso culminou com a expulsão dos franceses trazidos por Nicolas
Durand de Villegagnon, que haviam construído Forte Coligny no Rio de Janeiro,
estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa.
A época colonial foi marcada por vários conflitos, tanto entre portugueses e outros
europeus, e europeus contra nativos, como entre os próprios colonos. O maior deles, sem
dúvida, foi a Guerra contra os Holandeses (ou Guerras Holandesas, de 1630 a 1647, na
Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
A insatisfação com a administração colonial provocou a Revolta de Amador Bueno em São
Paulo e, no Maranhão, a Revolta de Beckman. Os colonos enchiam os navios que
aportavam no Brasil, esvaziando o reino, e foram apelidados "emboabas" porque andavam
calçados contra a maioria da população, que andava descalça. Contra eles se levantaram
os paulistas, nas refregas do início do século XVIII que ficariam conhecidas como Guerra
dos Emboabas e paulistas e ensanguentaram o rio que até hoje se chama Rio das Mortes.
Em Pernambuco, a disputa política e econômica entre mercadores e canavieiros, após a
expulsão dos holandeses, levou à Guerra dos Mascates. Os escravos negros que fugiam
das fazendas se refugiavam nas serras do agreste nordestino e lá fundavam quilombos,
dos quais o mais importante foi o de Palmares, liderado por Ganga Zumba e seu
sobrinho Zumbi. A campanha para destruí-lo foi a Guerra de Palmares (1693-1695).50
No sul, a tentativa de escravizar indígenas levou a confrontos com os
missionários jesuítas, organizados nas "reduções" (missões) de catequese com
os guaranis. As Guerras Guaraníticas duraram, intermitentemente, de 1750 a 1757.
Já com o Ciclo do Ouro, a capitania de Minas Gerais sofreu a Revolta de Filipe dos
Santos e a Inconfidência Mineira (1789), seguida pela Conjuração Baiana em Salvador dez
anos mais tarde. Esses dois grandes movimentos ficaram marcados por terem a intenção
de proclamar a independência.
Inconfidência Mineira[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Inconfidência Mineira

"Martírio de Tiradentes", quadro de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1893).

A Inconfidência Mineira foi um movimento que partiu da elite de Minas Gerais. Com a
decadência da mineração na segunda metade doséculo XVIII, tornou-se difícil pagar os
impostos exigidos pela Coroa Portuguesa. Além do mais, o governo português pretendia
promulgar a derrama, um imposto que exigia que toda a população, inclusive quem não
fosse minerador, contribuísse com a arrecadação de 20% do valor do ouro retirado. Os
colonos se revoltaram e passaram a conspirar contra Portugal.
Em Vila Rica (atual Ouro Preto), participavam do grupo, entre outros, os poetas Cláudio
Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira
e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o
mineradorInácio José de Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim José da Silva Xavier,
apelidado Tiradentes. A conspiração pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um
país livre.3 Pela lei portuguesa a conspiração foi classificada como "crime de lesa-
majestade", definida como "uma traição contra a pessoa do rei" nas ordenações afonsinas.
A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas
idéias iluministas da França e da recente independência norte-americana. Traídos
por Joaquim Silvério dos Reis, que delatou os inconfidentes para o governo, os líderes do
movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro, onde responderam pelo crime
de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Em 21 de
abril de 1792, Tiradentes, de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte
por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi
esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. Era o cruel exemplo que
ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder de Portugal. Apesar de
considerada cruel hoje o enforcamento e esquartejamento do corpo, no contexto da época
a pena foi menos cruel que a pena aplicada, naquela mesma época, à família Távora,
no Caso Távora, por igual crime de lesa-majestade, foi condenação à fogueira.
O crime de lesa-majestade era o mais grave dos regimes monarquistas absolutistas e era
definido pelas ordenações filipinas, comotraição contra o rei. Crime este comparado
à hanseníase pelas Ordenações filipinas, no livro V, item 6:
“Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado,
que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o
comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem
nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que
ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição
condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que
não tenham culpa.”51
O caso específico de crime de lesa-majestade praticado pelos inconfidentes foi o caso
número 5, previsto nas ordenações filipinas, que diz: Se algum fizesse conselho e
confederação contra o rei e seu estado ou tratasse de se levantar contra ele, ou para isso
desse ajuda, conselho e favor.
Conjuração Baiana[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Conjuração Baiana
A Conjuração Baiana foi um movimento que partiu da camada humilde da sociedade
da Bahia, com grande participação de negros, mulatos e alfaiates, por isso também é
conhecida como Revolta dos Alfaiates. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos,
a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de acordo
com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma República na
Bahia. Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus
membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da
cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na
Inconfidência Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos. Centenas
de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de
todas as classes sociais. Destas, 49 foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a
sua participação, buscando demonstrar inocência. Mais de 30 foram presos e
processados. Quatro participantes foram condenados à forca e os restos de seus corpos
foram espalhados pela Bahia para assustar a população.
Principado do Brasil[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Principado do Brasil
O Principado do Brasil durou entre 1645 a 1816.
Tendo sido o Brasil uma colônia do Império Português, careceu de bandeira própria por
mais de trezentos anos. Não era costume, na tradição vexilológica lusitana, a criação de
bandeiras para suas colônias, quando muito de um brasão. Hasteava-se no território a
bandeira do reino, ou do representante direto do monarca, como o governador-geral ou o
vice-rei. Ainda que não seja considerada uma bandeira brasileira, visto que seu uso era
exclusivo aos herdeiros aparentes do trono português, o pavilhão dos príncipes do
Brasilpode ser tido como a primeira representação flamular do Brasil. Sobre campo branco
– cor relacionada à monarquia – inscreve-se uma esfera armilar – objeto que viria a ser,
por muito tempo, o símbolo do Brasil. Já no pavilhão pessoal de D. Manuel I, aparece este
que foi um objeto crucial para viabilizar as explorações marítimas de Portugal.

Ver artigo principal: Rei do Brasil, Transferência da corte portuguesa para o Brasil
(1808-1821)
Mudança da Corte e Abertura dos Portos[editar | editar código-fonte]
Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão Bonaparte obrigaram a coroa portuguesa a
procurar abrigo no Brasil. Dom João VI (então Príncipe-Regente em nome de sua mãe,
a Rainha Maria I) chegou ao Rio de Janeiro em 1808, abandonando Portugal após uma
aliança defensiva feita com a Inglaterra, que escoltou os navios portugueses no caminho.52

Decreto da abertura dos portos às nações amigas. Biblioteca Nacional do Brasil.

Os portos brasileiros foram abertos às nações amigas - designadamente,


a Inglaterra).52 A abertura dos portos se deu em 28 de janeiro de 1808 por outra carta
régia de D. João, influenciado por José da Silva Lisboa. Foi permitida a importação "de
todos e quaisquer gêneros, fazendas e mercadorias transportadas em navios estrangeiros
das potências que se conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em navios
portugueses. Os gêneros molhados (vinho, aguardente, azeite) pagariam 48%; outros
mercadorias, os secos, 24% ad valorem. Podia ser levado pelos estrangeiros qualquer
produto colonial, exceto o pau-brasil e outros notoriamente estancados, que eram
produzidos e armazenados na própria colônia.
Era efeito também da expansão do capital; e deve-se recordar a falência dos recursos
coatores portugueses e a tentativa de diminuir, abrindo os portos, a total dependência de
Portugal da Inglaterra. No Reino, desanimaram os que se haviam habituado aos
generosos subsídios, às 100 arrobas de ouro anuais, às derramas, às tentativas de
controle completo. Um autor português do século XIX comenta que foi
"uma revolução no sistema comercial e a ruína da indústria portuguesa; era necessária,
mas cumpria modificá-la apenas as circunstâncias que a haviam ditado desaparecessem;
ajudando assim o heróico Portugal em seu esforço generoso, em vez de deixar que
estancassem as fontes da prosperidade!"

Embarque para o Brasil do Príncipe Regente de Portugal, D. João VI, e de toda a família real, no Porto
de Belém, às 11 horas da manhã de 27 de novembro de 1807. Gravurafeita por Francisco
Bartolozzi (1725-1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva.

D. João, sua família e comitiva (a Corte), distribuídos por diversos navios, chegaram
ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808. Foram acompanhados pela Brigada Real da
Marinha, criada em Portugal em 1797, que deu origem ao Corpo de Fuzileiros
Navaisbrasileiros. Instalaram-se no Paço da Cidade, construído em 1743 pelo Conde de
Bobadela como residência dos governadores. Além disso, a Coroa requisitou o Convento
do Carmo e a Cadeia Velha para alojar os serviçais e as melhores casas particulares. A
expropriação era feita pelo carimbo das iniciais PR, de Príncipe-Regente, nas portas das
casas requisitadas, o que fazia o povo, com ironia, interpretar a sigla como "Ponha-se na
Rua!".
A abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos introduzidos no Brasil. No
dia 1 de abril do mesmo ano, D. João expediu um decreto que revogava o alvará de 5 de
janeiro de 1785 pelo qual se extinguiam no Brasil as fábricas e manufaturas
deouro, prata, seda, algodão, linho e lã. Depois do comércio, chegava "a liberdade para a
indústria". Em 13 de maio, novas cartas régias (decretos) determinaram a criação
da Imprensa Nacional e de uma Fábrica de Pólvora,53 54 que até então era fabricada
naFábrica da Pólvora de Barcarena,55 desde 1540. Em 12 de outubro foi fundado o Banco
do Brasil para financiar as novas iniciativas e empreitadas. Tais medidas do Príncipe
fariam com que se pudesse contar nesta época os primórdios da independência do Brasil.
Em represália à França, D. João ordenou ainda a invasão e anexação da Guiana
Francesa, no extremo norte, e da banda oriental do rio Uruguai, no extremo sul, já que
aEspanha estava então sob o reinado de José Bonaparte, irmão de Napoleão, e portanto
era considerada inimiga. O primeiro território foi devolvido à soberania francesa em1817,
mas o Uruguai foi mantido incorporado ao Brasil sob o nome de Província Cisplatina. Em 9
de fevereiro de 1810, no Rio de Janeiro, foi assinado um Tratado de Amizade e comércio
pelo Príncipe Regente com Jorge III, rei da Inglaterra.
Enquanto isso, na Espanha, os liberais, ainda acostumados com certa liberdade
econômica imposta por Napoleão enquanto ocupara o país, de 1807 a 1810, se revoltaram
contra os restauradores Bourbon, dinastia à qual pertencia a Carlota Joaquina, esposa de
D. João, e impuseram-lhes a Constituição de Cádiz em 19 de março de 1812. Em reação,
o rei Fernando VII, irmão de Carlota, dissolveu as cortes em 4 de maio de 1814. A
resposta viria em 1820 com a vitória da Revolução Liberal (ou constitucional). Por isso, D.
João e seus ministros se ocuparam das questões do Vice-Reinado do Rio da Prata, tão
logo puseram os pés no Rio de Janeiro, surgindo assim a questão daincorporação da
Cisplatina.
É importante lembrar que apesar de ser elevado a Principado em 1645, tendo sido o Brasil
uma colônia do Império Português, careceu de bandeira própria por mais de trezentos
anos. Não era costume, na tradição vexilológica lusitana, a criação de bandeiras para suas
colônias, quando muito de um brasão. Visto que seu o título uso era exclusivo aos
herdeiros aparentes do trono português, o pavilhão dos príncipes do Brasil pode ser tido
como a primeira representação flamular do Brasil. Sobre campo branco – cor relacionada
à monarquia – inscreve-se uma esfera armilar – objeto que viria a ser, por muito tempo, o
símbolo do Brasil. Já no pavilhão pessoal de D. Manuel I, aparece este que foi um objeto
crucial para viabilizar as explorações marítimas de Portugal. Contudo, como Principado,
não possui nenhum privilégio administrativo, militar, econômico ou social, pois ainda era
visto como uma colônia portuguesa.

Reino (1815-1822)[editar | editar código-fonte]


Elevação a Reino Unido[editar | editar código-fonte]
Brasão do Vice Reino do Brasil, de 1815.

No contexto das negociações do Congresso de Viena, o Brasil foi elevado à condição de


Reino dentro do Estado português, que assumiu a designação oficial de Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves em 16 de dezembro de 1815. A carta de lei foi publicada
na Gazeta do Rio de Janeiro de 10 de janeiro de 1816, oficializando o ato. O Rio de
Janeiro, por conseguinte, subia à categoria de Corte e capital, as antigas capitanias
passaram a ser denominadas províncias (hoje, os estados). No mesmo ano, a rainha
Maria I morreu e D. João foi coroado rei como João VI. Deu ao Brasil como brasão-de-
armas a esfera manuelina com as quinas, encontradas já no século anterior em moedas
da África portuguesa (1770).
Revolução no Porto e Retorno de D. João VI[editar | editar código-fonte]
D. João VI deixaria o Brasil em 1821. Em agosto de 1820 houvera no Porto
uma revolução constitucionalista (revolução liberal portuguesa de 1820), movimento
com idéias liberais que ganhou adeptos no reino. Em setembro de 1820, uma Junta
Provisória de Governo obrigou os portugueses a jurarem uma Constituição provisória, nos
moldes da Constituição espanhola de Cádiz, até redação de uma constituição definitiva.
Em janeiro de 1821, em Portugal, aconteceu a solene instalação das Cortes Gerais,
Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, encarregadas de elaborar
a constituição, mas sem representantes brasileiros. Em fevereiro, D. João VI ordenou que
deputados do Brasil (bem como dos Açores, Madeira e Cabo Verde) participassem da
assembléia.
Em março, as Cortes em Portugal expediram decreto com as bases da constituição política
da monarquia . No Rio, outro decreto comunicava o retorno do rei para Portugal e
ordenava que, «sem perda de tempo», fossem realizadas eleições dos deputados para
representarem o Brasil nas Cortes Gerais convocadas em Lisboa. Chegaria em abril a
Lisboa um delegado da Junta do Pará, Maciel Parente, que por exceção conseguiu
discursar e foi o primeiro brasileiro a falar perante aquela Assembléia.56 Em abril, no Rio,
realizou-se a primeira assembléia de eleitores do Brasil, que resultou em confronto com
mortos, pois as tropas portuguesas dissolveram a manifestação. No dia seguinte, cariocas
afixaram à porta do Paço um cartaz com a inscrição "Açougue do Bragança", referindo-se
ao Rei como carniceiro. D. João VI partiu para Portugal cinco dias depois, em 16 de abril
de 1821, deixando seu primogênitoPedro de Alcântara como Príncipe-Regente do Brasil.
Em 1821, o Brasil elegeu seus representantes em número de 97 entre deputados e
suplentes57 para as Constituintes em Lisboa. Em agosto de 1821, as Cortes apresentariam
três projetos para o Brasil que irritaram os representantes brasileiros com medidas
recolonizadoras que estes se recusavam a aceitar. Depois de Maciel Parente, o
monsenhorFrancisco Moniz Tavares, deputado pernambucano, seria o primeiro brasileiro a
discursar oficialmente, em vivo debate com os deputados portugueses Borges Carneiro,
Ferreira Borges e Moura, contra a remessa de mais tropas para Pernambuco e a
incômoda presença da numerosa guarnição militar portuguesa na província.56
A separação do Brasil foi informalmente realizada em janeiro de 1822, quando D. Pedro
declarou que iria permanecer no Brasil ("Dia do Fico"), com as seguintes palavras: Como é
para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico.
Agora só tenho a recomendar-vos união e tranquilidade. Porém, a separação doBrasil se é
dada no dia 7 de setembro de 1822, com o "grito do Ipiranga" que foi romantizado, apesar
da separação anteriormente.

Império (1822-1889)[editar | editar código-fonte]


Primeiro reinado[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Primeiro Reinado

Simplício de Sá: Retrato de Dom Pedro I, c. 1826. Museu Imperial.

Após a declaração da independência, o Brasil foi governado por Dom Pedro I até o ano de
1831, período chamado de Primeiro Reinado, quando abdicou em favor de seu filho, Dom
Pedro II, então com cinco anos de idade.
Logo após a independência, e terminadas as lutas nas províncias contra a resistência
portuguesa, foi necessário iniciar os trabalhos da Assembléia Constituinte. Esta havia sido
convocada antes mesmo da separação, em julho de 1822; foi instalada, entretanto,
somente em maio de 1823. Logo se tornou claro que a Assembléia iria votar uma
constituição restringindo os poderes imperiais (apesar da idéia centralizadora encampada
por José Bonifácio e seu irmão Antônio Carlos de Andrada e Silva). Porém, antes que ela
fosse aprovada, as tropas do exército cercaram o prédio da Assembléia, e por ordens do
imperador a mesma foi dissolvida, devendo a constituição ser elaborada por juristas da
confiança de Dom Pedro I. Foi então outorgada a constituição de 1824, que trazia uma
inovação: o Poder Moderador. Através dele, o imperador poderia fiscalizar os outros três
poderes.
Surgiram diversas críticas ao autoritarismo imperial, e uma revolta importante aconteceu
no Nordeste: a Confederação do Equador. Foi debelada, mas Dom Pedro I saiu muito
desgastado do episódio. Outro grande desgaste do Imperador foi por o Brasil na Guerra da
Cisplatina, onde o país não manteve o controle sobre a então região de Cisplatina
(hoje, Uruguai). Também apareciam os primeiros focos de descontentamento no Rio
Grande do Sul, com os farroupilhas.

Pedro Américo: O Grito do Ipiranga, 1888. Museu Paulista.

Em 1831 o imperador decidiu visitar as províncias, numa última tentativa de estabelecer a


paz interna. A viagem deveria começar por Minas Gerais; mas ali o imperador encontrou
uma recepção fria, pois acabara de ser assassinado Líbero Badaró, um importante
jornalista de oposição. Ao voltar para o Rio de Janeiro, Dom Pedro deveria ser
homenageado pelos portugueses, que preparavam-lhe uma festa de apoio; mas os
brasileiros, discordando da festa, entraram em conflito com os portugueses, no episódio
conhecido como Noite das Garrafadas.
Dom Pedro tentou mais uma medida: nomeou um gabinete de ministros com suporte
popular. Mas desentendeu-se com os ministros e logo depois demitiu o gabinete,
substituindo-o por outro bastante impopular. Frente a uma manifestação popular que
recebeu o apoio do exército,não teve muita escolha, assim criou o quinto poder. Mas não
deu certo a idéia, e não restou nada ao imperador a não ser a renúncia, no dia 7 de
abril de 1831.
Confederação do Equador (1824)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Confederação do Equador

Exército Imperial do Brasil ataca as forças confederadas no Recife, província de Pernambuco,1824. A


Confederação do Equador é considerada o principal movimento separatista do Período Imperial.

A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de


caráter emancipacionista (ou autonomista) e republicanoocorrido em Pernambuco.
Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora
do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 1824, a
primeira Constituição do país.
O conflito possui raízes em movimentos anteriores na região: a Guerra dos Mascates e
a Revolução Pernambucana, esta última de caráter republicano.
O centro irradiador e a liderança da revolta couberam à província de Pernambuco, que já
se rebelara em 1817 e enfrentava dificuldades econômicas. Além da crise, a província se
ressentia ao pagar elevadas taxas para o Império, que as justificava como necessárias
para levar adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas províncias resistiam
à separação de Portugal).
Pernambuco esperava que a primeira Constituição do Império seria do tipo federalista, e
daria autonomia para as províncias resolverem suas questões.
Como punição a Pernambuco, D. Pedro I determinou, através de decreto de 07/07/1825, o
desligamento do extenso território da Comarca do Rio São Francisco (atual Oeste Baiano),
passando-o, inicialmente, para Minas Gerais e, depois, para a Bahia.
Período regencial[editar | editar código-fonte]

Araújo Lima, o Marquês de Olinda.

Ver artigo principal: Período regencial


Durante o período de 1831 a 1840, o Brasil foi governado por diversos regentes,
encarregados de administrar o país enquanto o herdeiro do trono, D. Pedro II, ainda era
menor.4 A princípio a regência era trina, ou seja, três governantes eram responsáveis pela
política brasileira, no entanto com o ato adicional de 1834, que, além de dar mais
autonomia para as províncias, substituiu o caráter tríplice da regência por um governo
mais centralizador.
O primeiro regente foi o Padre Diogo Antônio Feijó , que notabilizou-se por ser um governo
de inspirações liberais, porém, devido às pressões políticas e sociais, teve que
renunciar.58 O governo de caráter liberal caiu para dar lugar ao do conservador Araújo
Lima, que centralizou o poder em suas mãos, sendo atacado veementemente pelos
liberais, que só tomaram o poder devido ao golpe da maioridade. Destacam-se neste
período a instabilidade política e a atuação do tutor José Bonifácio, que garantiu o trono
para D. Pedro II.
Teve início neste período a Revolução Farroupilha, em que os gaúchos revoltaram-se
contra a política interna do Império, e declararam a República Piratini. Também neste
período ocorreram a Cabanada, de Alagoas e Pernambuco; a Cabanagem, do Pará;
a revolta dos Malês e a Sabinada, na Bahia; e a Balaiada, no Maranhão.
Segundo reinado[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Segundo Reinado
O Segundo Reinado teve início com o Golpe da Maioridade (1840), que elevou D. Pedro
II ao trono, antes dos 18 anos, com 15 anos. A economia, que teve como base principal a
agricultura – tornando-se o café o principal produto exportador do Brasil durante o reinado
de Pedro II, em substituição à cana-de-açúcar –, apresentou uma expansão de 900%.59 A
falta de mão-de-obra, na época chamada de "falta de braços para a lavoura", em
conseqüência da libertação dos escravos foi solucionada com a atração de centenas de
milhares de imigrantes, em sua maioria italianos, portugueses60 e alemães.5 O que fez o
país desenvolver uma base industrial e começar a expandir-se para o interior.
Dom Pedro II.

Nesse período, foi construída uma ampla rede ferroviária, sendo o Brasil o segundo país
latino-americano a implantar este tipo de transporte, e, durante a Guerra do Paraguai, foi
possuidor da quarta maior marinha de guerra do mundo.61 A mão-de-obra escrava, por
pressão interna de oligarquias paulistas, mineiras e fluminenses, manteve-se vigente até o
ano de 1888, quando caiu na ilegalidade pelaLei Áurea. Entretanto, havia-se encetado um
gradual processo de decadência em 1850, ano do fim do tráfico negreiro, por pressão
daInglaterra, além de que o Imperador era contra a escravidão, pela opção dos produtores
de café paulistas que preferiam a mão de obra assalariada dos imigrantes europeus,
pela malária que dizimou a população escrava naquela época e pela guerra do Paraguai
quando os negros que dela participaram foram alforriados.
A partir de 1870, assistiu-se ao crescimento dos movimentos republicanos no Brasil.
Em 1889, um golpe militar tirou o cargo de primeiro-ministro do visconde de Ouro Preto, e,
por incentivo de republicanos como Benjamin Constant Botelho Magalhães, o Marechal
Deodoro da Fonseca proclamou a República e enviou ao exílio a Família Imperial.
Diversos fatores contribuíram para a queda da Monarquia, dentre os quais: a insatisfação
da elite agrária com a abolição da escravatura sem que os proprietários rurais fossem
indenizados pelos prejuízos sofridos, o descontentamento dos cafeicultores do Oeste
Paulista que se tornaram adeptos do Partido Republicano Paulista e da abolição pois
usavam apenas mão de obra européia dos imigrantes, e perdendo apoio dos militares,
especialmente do exército que se sentiam desprestigiados entendendo que o imperador
preferia a marinha do Brasil e que almejavam mais poder, e as interferências do Imperador
em assuntos da Igreja.
Não houve nenhuma participação popular na proclamação da República do Brasil. O que
ocorreu, tecnicamente foi um golpe militar. O povo brasileiro apoiava o Imperador. O
correspondente do jornal "Diário Popular", de São Paulo, Aristides Lobo, escreveu na
edição de 18 de novembro daquele jornal, sobre a derrubada do império, a frase histórica:

Por ora, a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi
deles, deles só porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo
assistiu àquilo tudo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que —
Aristides
significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada! Lobo

Para poupar conflitos, não houve violência e a Família Imperial pôde exilar-se
na Europa em segurança.62 63
D. Pedro II assinou sua renúncia com a mesma assinatura de seu pai ao abdicar em 1831:
Pedro de Alcântara.
O período pode ser divido em três etapas principais:

 a chamada fase de consolidação, que se estende de 1840 a 1850. As lutas internas


são pacificadas, o café inicia a sua expansão, a tarifa Alves Branco permite a
Era Mauá.
 o chamado apogeu do Império, um período marcado por grande estabilidade política,
quando de 1849 até 1889 não aconteceu no Brasil nenhuma revolução, algo inédito no
mundo: 50 anos de paz interna em um país, permitida pelo sistema
parlamentarista,(o parlamentarismo às avessas) e pela política de troca de favores.
Em termos deRelações Internacionais, o período é marcado pela Questão Christie e
pela Guerra do Paraguai.
 o chamado declínio do Império, marcado pela Questão Militar, pela Questão Religiosa,
pelas lutas abolicionistas e pelo movimento republicano, que conduzem ao fim do
regime monárquico.
Libertação dos escravos[editar | editar código-fonte]
Ver artigos principais: Abolição da escravatura e Escravidão no Brasil

Original da Lei Áurea, assinada pela Regente Dona Isabel (1888)

Os primeiros movimentos contra a escravidão foram feitos pelos missionários jesuítas, que
combateram a escravização dos indígenas mas toleraram a dos africanos. O fim gradual
do tráfico negreiro foi decidido, no Congresso de Viena, em 1815. Desde 1810,
a Inglaterrafez uma série de exigências a Portugal, e passou, a partir de 1845, a reprimir
violentamente o tráfico internacional de escravos, amparada na lei inglessa chamada Lei
Aberdeen. Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós aboliu o tráfico internacional de escravos no
Brasil.
Em 1871, o Parlamento Brasileiro aprovou e a Princesa Isabel sancionou a Lei 2.040,
conhecida como Lei Rio Branco ou Lei do Ventre Livre, determinando que todos os filhos
de escravos nascidos desde então seriam livres a partir dos 21 anos.
Em 28 de setembro de 1885, promulgou-se uma outra lei, a Lei dos Sexagenários (Lei
Saraiva–Cotegipe) que determinava a "extinção gradual do elemento servil" e criava
fundos para a indenização dos proprietários de escravos e determinava que escravos a
partir de 60 anos poderiam ser livres.64 Assim, com estas duas leis (Ventre Livre e
Sexagenários), a abolição dos escravos seria gradativa, com os escravos sendo libertos
ao atingirem a idade de 60 anos.
Em 1880, fora criada a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão que, juntamente com
a Associação Central Abolicionista65 e outras organizações, passou a ser conhecida pela
Confederação Abolicionista66 liderada por José do Patrocínio, filho de uma escrava negra
com um padre. Em 1884, os governos do Ceará e do Amazonas aboliram, em seus
territórios, a escravidão, no que foram pioneiros.
As fugas de escravos aumentram muito, após 1885, quando foi abolida a pena de açoite
para os negros fugidos, o que estimulou as fugas. O exército se negava a perseguir os
negros fugidos. Há que lembrar ainda os Caifases, liderados por Antônio Bento,66 que
promoviam a fuga dos negros, perseguiam os capitães-de-mato e ameaçavam os
senhores escravistas.67 Em São Paulo, a polícia, em 1888, também não ia mais atrás de
negros fugidos.
A abolição definitiva era necessária. Há divergências sobre o número de escravos
existentes em 1888. Havia, segundo alguns estudiosos, 1.400.000 escravos para
população de 14 milhões habitantes: cerca de 11%.66 Porém, segundo a matrícula de
escravos, concluída em 30 de março de 1887, o número de escravos era apenas
720.000.68
Finalmente, o presidente do Conselho de Ministros do "Gabinete de 10 de março", João
Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador, promoveu a votação de uma lei que
determinava a extinção definitiva da escravidão no Brasil. Em 13 de maio de 1888,
a Princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, que já havia sido aprovada pelo Parlamento,
abolindo toda e qualquer forma de escravidão no Brasil. Logo após a Princesa assinar a
Lei Áurea, ao cumprimentá-la, João Maurício Wanderley, o barão de Cotejipe, o único
senador que votou contra o projeto da abolição da escravatura, profetizou:

"A senhora acabou de redimir uma raça e perder o trono"!


— Barão de Cotegipe

A aristocracia escravista, oligarquia rural arruinada com a abolição sem indenização,


culpou o governo e aderiu aos vários partidos republicanos existentes, especialmente
aoPartido Republicano Paulista e o PRM, que faziam na oposição ao regime monárquico,
assim, uma das conseqüências da abolição seria a queda da monarquia. Pequenos
proprietários que não podiam recorrer a mão de obra assalariada fornecida pelos
imigrantes europeus também ficaram arruinados. Apenas a economia cafeeira do oeste
paulista, porém, quando comparada à de outras regiões, não sofreu abalos, pois já se
baseava na mão-de-obra livre, assalariada. Muitos escravos negros permaneceram no
campo, praticando uma economia de subsistência, em pequenos lotes, outros buscaram
as cidades, onde entraram num processo de marginalização. Desempregados, passaram a
viver em choças e barracos nos morros e nos subúrbios.
E de acordo com a análise de Everardo Vallim Pereira de Souza, reportando-se às
consideração do Conselheiro Antônio da Silva Prado, as conseqüências da abolição dos
escravos, em 13 de maio de 1888, deixando sem amparo os ex-escravos, foram das mais
funestas:

Segundo a previsão do Conselheiro Antônio Prado, decretada de


afogadilho a “Lei 13 de maio”, seus efeitos foram os mais desastrosos. Os
ex-escravos, habituados à tutela e curatela de seus ex-senhores,
debandaram em grande parte das fazendas e foram "tentar a vida" nas
cidades; tentâme aquele que consistia em: aguardente aos litros, miséria, —Everardo
Vallim
crimes, enfermidades e morte prematura. Dois anos depois do decreto da Pereira de
lei, talvez metade do novo elemento livre havia já desaparecido! Os Souza
fazendeiros dificilmente encontravam "meieiros" que das lavouras
quisessem cuidar. Todos os serviços desorganizaram-se; tão grande foi o
descalabro social. A parte única de São Paulo que menos sofreu foi a que,
antecipadamente, havia já recebido alguma imigração estrangeira; O geral
da Província perdeu quase toda a safra de café por falta de colhedores!

69

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir a escravatura. O


último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente em 9 de
novembro de 1981, pelo decreto de número 81.234. 70

República (1889-presente)[editar | editar código-fonte]


Primeira República (1889-1930)[editar | editar código-fonte]
Ver artigos principais: Primeira República Brasileira e Proclamação da República do
Brasil

Henrique Bernardelli: Marechal Deodoro da Fonseca, c. 1900.

Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca decretou o fim do período


imperial em um golpe militar de Estado sob a forma de uma quartelada quase sem força
política e nenhum apoio popular,71 e o início de um período republicano ditatorial,
destituindo o último imperador brasileiro, D. Pedro II, que teve de partir em exílio para
a Europa. O nome do país mudou de Império do Brasil para Estados Unidos do Brasil. A
primeira constituição da República do Brasil foi feita dia 15 de novembro de 1890. Após 4
anos de ditadura com um caos e várias mortes de federalistas, negros lutando por seus
direitos, entre outros, iniciou-se a era civil daRepública Velha, com a chamada República
Oligárquica.
O Visconde de Ouro Preto, presidente do conselho de ministro deposto em 15 de
novembro, entendia que a proclamação da república fora um erro e que o Segundo
Reinado tinha sido bom, e, assim se expressou em seu livro "Advento da ditadura militar
no Brasil":

O Império não foi a ruína. Foi a conservação e o progresso. Durante meio


século manteve íntegro, tranqüilo e unido território colossal. O império
converteu um país atrasado e pouco populoso em grande e forte —
nacionalidade, primeira potência sul-americana, considerada e respeitada Visconde de
Ouro Preto
em todo o mundo civilizado. O Império aboliu de fato a pena de morte,
extinguiu a escravidão, deu ao Brasil glórias imorredouras, paz interna,
ordem, segurança e, mas que tudo, liberdade individual como não houve
jamais em país algum. Quais as faltas ou crimes de D. Pedro II, que em
quase cinqüenta anos de reinado nunca perseguiu ninguém, nunca se
lembrou de uma ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre a
perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros praticados que o tornou
merecedor da deposição e exílio quando, velho e enfermo, mais devia contar
com o respeito e a veneração de seus concidadãos? A República brasileira,
como foi proclamada, é uma obra de iniqüidade. A República se levantou
sobre os broqueis da soldadesca amotinada, vem de uma origem criminosa,
realizou-se por meio de um atentado sem precedentes na História e terá uma
existência efêmera!

Conflitos[editar | editar código-fonte]


O período foi marcado por inúmeros conflitos, de naturezas distintas. Externamente
destacam-se apenas 2: a Revolução Acreana, que foi o processo político-social que levou
à incorporação do território do atual estado do Acre ao Brasil; e o envolvimento do
país na I Guerra Mundial, na qual apesar da participação militar do país ter sido
insignificante para o resultado geral do conflito, tendo se restringido basicamente ao envio
de uma esquadra naval para participar da guerra anti-submarina no noroeste da Àfrica
emediterrâneo, em 1918;72 a mesma deu ao Brasil o direito a participar da conferência de
Versalhes em 1919.73
Já no plano interno, este 1º período republicano foi marcado por graves crises
econômicas, como a do encilhamento, que contribuíram para acirrar ainda mais a
instabilidade geral.74 No âmbito político-social, por exemplo, entre 1891 e 1927 ocorreram
várias revoltas e conflitos no país, tanto militares como (por exemplo): a 1ª Revolta da
Armada em 1891, a 2ª Revolta da Armada em 1893, a Revolução Federalista entre 1893-
95, Revolta da Chibata em 1910, a Revolta dos tenentes em 1922, a Revolta de 1924 que
se desdobrou na Coluna Prestes; quanto civis, como (por exemplo): a Guerra de
Canudos 1893-97, a Revolta da Vacina em 190475 , a Guerra do Contestado entre 1912-16
e osmovimentos operários de 1917-19.
Também neste período, ocorreu o auge do cangaço9 , tendo sido seu expoente mais
famigerado Virgulino Ferreira da Silva, popularmente conhecido como "Lampião".
Embora todos esses eventos tenham sido controlados pelo governo central e a maioria
fosse de caráter localizado, o acúmulo dessas tensões sociais e econômicas foi pouco a
pouco minando o regime, o que somado aos efeitos causados pelas crises da depressão
de 1929 e das eleições federais de 1930, acabaram levando ao movimento de 1930que
pôs um fim a este primeiro período da república no Brasil.
República do Café com Leite[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Política do café com leite
Entre 1889 e 1930, o governo foi oficialmente uma democracia constitucional e, a partir de
1894, a presidência alternou entre os estados dominantes da época São Paulo eMinas
Gerais. Como os paulistas eram grandes produtores de café, e os mineiros estavam
voltados à produção leiteira, e segundo produtores de café do Brasil, a situação política do
período ficou conhecida como Política do Café-com-Leite.76 77
Esse equilíbrio de poder entre os estados, foi uma política criada pelo presidente Campos
Sales, chamada de Política dos Estados ou Política dos governadores. A República Velha
terminou em 1930, com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, um civil,
instituindo-o "Governo Provisório", até que novas eleições fossem convocadas.
Sobre sua política, Campos Sales disse:78

Outros deram à minha política a denominação de "Política dos


Governadores", Teriam acertado se dissessem "Política dos Estados". Esta
denominação exprimiria melhor o meu pensamento! — Campos
Sales

E esse seu pensamento foi definido assim por ele:

Neste regime, disse eu na minha última mensagem, a verdadeira força


política, que no apertado unitarismo do Império residia no poder central,
deslocou-se para os Estados. A Política dos Estados, isto é, a política que
fortifica os vínculos de harmonia entre os Estados e a União é, pois, na sua
essência, a política nacional. É lá, na soma destas unidades autônomas, que se
encontra a verdadeira soberania da opinião. O que pensam os Estados pensa —
Campos
a União! Sales

79

Era Vargas (1930-1945)[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Era Vargas e Getúlio Vargas
O período que vai de 1930 a 1945, a partir da derrubada do presidente Washington Luís
em 1930, até a volta do país à democracia em 1945, é chamado de Era Vargas, em razão
do forte controle na pessoa do caudilho Getúlio Dorneles Vargas, que assumiu o controle
do país, no período. Neste período está compreendido o chamado Estado Novo(1937-
1945).
A Revolução de 1930 e o Governo Provisório[editar | editar código-fonte]
Em 1 de março de 1930 ocorre a última eleição presidencial da República Velha.
Disputaram essa eleição o presidente de São Paulo (hoje se diz governador) Júlio Prestes
de Albuquerque apoiado pelo presidente Washington Luís e por 17 estados contra o
candidato Getúlio Vargas apoiado apenas por 3 estados: Minas Gerais, Paraíba e Rio
Grande do Sul. Júlio Prestes é eleito e aclamado presidente, porém os perdedores não
reconheceram sua vitória.
Assim, em 1930, acontece a Revolução de 1930 iniciada a 3 de outubro. Quando as tropas
revolucionárias marcharam para o Rio de Janeiro, então capital federal, ocorre a 24 de
outubro um golpe militar que depõe e presidente Washington Luís, que fora antes
presidente de São Paulo. Washington Luís foi deposto e exilado, Júlio Prestes é impedido
de tomar posse como presidente da república e também é exilado. É formada uma Junta
Militar Provisória, que então passa o poder a Getúlio Dorneles Vargas, em 3 de
novembro de 1930, encerrando a República Velha e iniciando o Governo Provisório que
tem Getúlio Vargas como seu chefe.
Logo após a tomada do poder em novembro de 1930, Getúlio Vargas nomeou
interventores federais para governar os estados. Para São Paulo, por exemplo, foi
nomeado o tenente João Alberto Lins de Barros, um pernambucano, sendo que a maioria
dos líderes paulistas foram exilados. Na Bahia, foi nomeado um cearense, Juracy
Magalhães - e assim por diante. Do exílio em Portugal, Júlio Prestes escreve, já em 1931,
acreditando ele que a situação da ditadura estava se tornando insustentável:

O que não se compreende é que uma nação, como o Brasil, após mais de
um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma
ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha — Júlio
perante o mundo civilizado! Prestes

.80
Ao se iniciar o ano de 1932, crescem os reclamos dos políticos paulistas que se uniram
na Frente Única Paulista, em prol do fim da interferência dos tenentes em São Paulo e
pela instalação de uma assembléia nacional constituinte que poria fim ao Governo
Provisório, o qual era chamado pelos paulistas de ditadura..81
Uma previsível reação dos paulistas a um conluio contra São Paulo e seus interesses já
fora percebida, em 1929, pelo senador fluminense Irineu Machado, que afirmou:

A reação contra a candidatura do Dr. Júlio Prestes representa não um gesto


contra o presidente do estado, mas uma reação contra São Paulo, que se
levantará porque isto significa um gesto de legítima defesa de seus próprios — Irineu
interesses"! Machado

.82
Os paulistas, que mantinham um esquema de domínio político junto com Minas Gerais
durante a primeira república, tentam articular uma revolução em 1932 para depor Getúlio
Vargas. A justificativa encontrada pelas oligarquias locais para buscar apoio do povo é que
o país precisava de uma Constituição, pois, desde 1930, Getúlio Vargas dizia que
"assumia provisoriamente" a presidência e que o mais cedo possível entregaria uma nova
Constituição ao país, com a subsequente realização de eleições para presidente.83Daí o
nome de Revolução Constitucionalista de 1932, deflagrada a 9 de julho. Os paulistas
foram apoiados pelo sul estado do Mato Grosso onde foi criado o Estado de Maracaju,
mas as tropas federais, ajudadas pelas tropas gaúchas e mineiras, garantiram uma vitória
de Getúlio Vargas depois de 3 meses de luta, a qual foi a maior guerra civil brasileira de
todos os tempos. Finalmente em 3 de maio de 1933, são feitas eleições para
uma Assembléia Nacional Constituinte que em 1934 elege Getúlio Vargas presidente da
república.

Getúlio Vargas.

O período constitucional de Getúlio Vargas[editar | editar código-fonte]


Em 1934, no entanto, o país ganha uma Constituição. Getúlio Vargas é eleito presidente.
Este governo constituicional durou três anos até 1937. Foram anos conturbados, em que
ocorre certa polarização na política nacional.77 84 De um lado ganha força a esquerda,
representada principalmente pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) e pelo Partido
Comunista Brasileiro (PCB); de outro a direita, que ganha forma num movimento de
inspiração fascista chamado Integralismo.
Uma articulação revolucionária de esquerda é tentada em 1935, chamada de Intentona
Comunista, por parte de um setor das forças armadas e de alguns indivíduos ligados
a URSS. Um dos principais líderes desse movimento foi o ex-tenente do exército Luís
Carlos Prestes, que fica preso e ficou incomunicável por 8 anos. Sua mulher, a comunista
e judia Olga Benário, tem um destino pior: O Supremo Tribunal Federal a expatriou para a
Alemanha Nazista, seguindo os acordos de extradição vigentes entre Brasil
e Alemanha que mantinham relações diplomáticas normais. Olga acaba morrendo em
um campo de concentração, concluindo um dos episódios mais vexatórios da política
externa brasileira.
O escritor Graciliano Ramos também é preso depois da Intentona Comunista,
supostamente por praticar atividades subversivas. Um retrato de seus dias na prisão e da
situação política instável do país está gravado em seu livro Memórias do Cárcere.
O Estado Novo[editar | editar código-fonte]
Graças ao clima de pânico provocado pela polarização política (os integralistas tentam
um putsch algum tempo depois, em 1938), Getúlio Vargas articula uma situação que lhe
permite decretar um golpe de estado dois meses antes da eleição presidencial marcada
para janeiro de 1938. Em 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas anuncia o Estado
Novo.
A justificativa primária do golpe é a existência de um plano comunista para a tomada do
poder, "apoiado por Moscou" - é o chamado Plano Cohen. Posteriormente descobriu-se
que o plano foi uma armação dos agentes de Getúlio Vargas. O apoio militar e o apoio da
classe média garante o sucesso do golpe, pois há algum tempo cresciam os temores de
que o comunismo poderia promover uma revolução no Brasil.
Getúlio Vargas consegue prolongar seus anos de presidência até 1945. É emblemático
notar que uma das figuras mais conhecidas de seu governo foi o chefe de polícia Filinto
Muller. A censura oprime a expressão artística e científica: em 1939 é criado o DIP,
Departamento de Imprensa e Propaganda. Além da censura, o DIP atuava na propaganda
pró-Vargas e contrária à República Velha, fazendo com que a imagem do presidente fosse
exaltada ao extremo.

Cartaz do governo do Estado Novo (1935): "(…) O Brasil está de pé, vigilante e disposto a tudo
empenhado na conquista de seu destino imortal!".

Por essas características é que, iniciada a Segunda Guerra Mundial, não se sabia se
Getúlio Vargas apoiaria o Eixo (com quem parecia ter mais afinidade) ou os Aliados. Os
EUA tinham planos para invadir o nordeste, caso o governo Vargas insistisse em manter o
Brasil neutro.8586 O clima de tensão culminara na adesão aos países aliados em 1942,
após ataques alemães em navios mercantes brasileiros que resultaram na morte de
dezenas de pessoas. A barganha getulista obtivera vantagens econômicas e militares:
instituiu-se um acordo econômico com os Estados Unidos que possibilitara a implantação
da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Além disso, outro acordo possibilitara o
reaparelhamento das forças armadas brasileiras.
Além da CSN, houve outras importantes conquistas feitas pelo Estado Novo tais como:
o Ministério da Aeronáutica, a Força Aérea Brasileira, o Conselho Nacional do Petróleo,
o Departamento Administrativo do Serviço Público, a Companhia Siderúrgica Nacional,
a Companhia Nacional de Álcalis, a Companhia Vale do Rio Doce, o Instituto de
Resseguros do Brasil, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a estrada Rio-Bahia,
o Código Penal, o Código de Processo Penal Brasileiro e a Consolidação das Leis do
Trabalho, a Justiça do Trabalho, osalário mínimo e a estabilidade no emprego do
trabalhador, após de dez anos no emprego.
A pressão popular pela criação de uma força expedicionária torna-se concreta, mesmo
contra a vontade de Vargas, que afirmara que o envio de tropas brasileira ocorreria
quando "a cobra fumar". Posteriormente, percebendo a crescente pressão interna
(camadas médias urbanas) e externa (os Estados Unidos temiam uma possível
desestabilização de poder no Brasil, não desejosa em tempos de guerra), Vargas cedeu,
criando a Força Expedicionária Brasileira (FEB); cujo lema fora "A Cobra Vai Fumar". A
compensação à ajuda financeira deu-se de forma logística e material: garantiu-se o
suprimento de matérias-primas aos aliados (2º ciclo da borracha), e permitiu-se a
instalação de uma base militar na região Nordeste (Rio Grande do Norte), garantido o
domínio logístico e militar dos aliados sobre o atlântico sul.
Ao término da guerra, fazia pouco sentido que Getúlio Vargas continuasse no poder.
O fascismo fora derrotado, e os brasileiros notaram isso. Getúlio Vargas é forçado a
renunciar em 29 de outubro de 1945 pelas forças armadas, seguindo para seu estado
natal, o Rio Grande do Sul, e elegendo-se senador da república.
República Nova (1945-1964)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: República Nova (Brasil)
O período conhecido como República Nova ou República de 46 inicia com a renúncia
forçada de Vargas, em outubro de 1945.87 O General Eurico Gaspar Dutra foi o presidente
eleito e empossado no ano seguinte. Em 1946 foi promulgada nova Constituição,88 mais
democrática que a anterior, restaurando direitos individuais.

A construção de Brasília. Na imagem os prédios dos ministérios, 1959. Fonte: Arquivo Público do Distrito
Federal.

Em 1950, o Brasil recebe a Copa do Mundo de Futebol. Apesar de perder a final para
o Uruguai, por 2 a 1,89 coloca o país definitivamente em destaque no cenário internacional,
bate todos os recordes e deixa como legado o Estádio do Maracanã, o maior do país.90
Ainda em 1950, o maior comunicador brasileiro do século XX, Assis Chateaubriand,
inaugurou a TV Tupi São Paulo, que no início chamava-se PRF-3. Sua cadeia de rádio,
jornais e televisão crescia a olhos vistos.
Nesse ano, Getúlio Vargas foi mais uma vez eleito presidente, desta vez pelo voto
direto.87 Em seu segundo governo foi criada aPetrobrás, fruto de tendências nacionalistas
que receberam suporte das camadas operárias, dos intelectuais e do movimento
estudantil. Porém, os tempos não eram mais os mesmos, e Getúlio não conseguiu
conduzir tão bem o seu governo. Pressionado por uma série de eventos, em 1954 Getúlio
Vargas comete suicídio dentro do Palácio do Catete.87 Assume o vice-presidente, João
Fernandes Campos Café Filho.
Em 1955, Juscelino Kubitschek foi eleito presidente e tomou posse em janeiro de 1956,
ainda que tenha enfrentado tentativas de golpe.91Seu governo caracterizou-se pelo
chamado desenvolvimentismo, doutrina que se detinha nos avanços técnico-industriais
como suposta evidência de um avanço geral do país.92O lema do desenvolvimentismo sob
Juscelino foi 50 anos em 5.93 Em 1960, Kubitschek inaugurou Brasília, a nova capital do
Brasil.94
Já em 1961, Jânio Quadros, eleito em 1960, assumiu a presidência, mas renunciou em
agosto do mesmo ano.95 Jânio, um ex-professor sul-matogrossense radicado em São
Paulo pregava a moralização do governo, iniciou sua carreira política no PDC e se elegeu
com o apoio da UDN, fez um governo contraditório: ao lado de medidas polêmicas (como a
proibição de lança perfume e da briga de galo), o presidente condecorou o
revolucionário argentino Ernesto Che Guevara,96 97 para a supresa da UDN. Com a
condecoração, Jânio tentava uma aproximação com o bloco socialista para fins
estritamente econômicos, mas assim não foi a interpretação da direita no Brasil, que
passou a alardear o pânico com a "iminência" do comunismo.
O vice-presidente João Goulart, popularmente conhecido como "Jango", assumiu em 7 de
setembro de 1961 a presidência, após uma crise política: os militares não queriam aceitá-
lo na presidência, alegando o "perigo comunista", ou seja que Jango era simpatizante
do comunismo e mantinha vários comunistas em seu governo. Além de ex-ministro
trabalhista, Goulart encontrava-se na China quando da renúncia de Jânio Quadros. Uma
solução intermediária é acertada e instala-se o parlamentarismo no Brasil.
Em 1963, entretanto, João Goulart recuperou a chefia de governo com o plebiscito que
aprovou a volta do presidencialismo. João Goulart governou até 1 de abril de 1964,
quando se refugiou no Uruguai deposto pelo Golpe Militar de 1964. No seu governo houve
constantes problemas criados pela oposição militar, em parte devido a seu nacionalismo e
posições políticas radicais como a do Slogan "Na lei ou na marra" e "terra ou morte", em
relação à reforma agrária . O maior protesto dos setores conservadores da sociedade
contra seu governo ocorreu nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em 19 de
março de 1964, com a chamada Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
Regime Militar (1964-1985)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Ditadura militar no Brasil (1964-1985)
O governo de João Goulart foi marcado por alta inflação, estagnação econômica e uma
forte oposição da Igreja Católica e das forças armadas que o acusavam de permitir a
indisciplina nas Forças Armadas e de fazer um governo de caráter esquerdista.
Em 31 de março de 1964 as Forças Armadas realizam um Golpe Militar de 1964,
destituindo João Goulart que se exilou no Uruguai. Os líderes civis do golpe, foram os
governadores dos estados do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda, de Minas
Gerais, Magalhães Pinto e de São Paulo, Adhemar de Barros. A maioria dos militares que
participaram do golpe de estado eram ex-tenentes da Revolução de 1930, entre os
quais, Juraci Magalhães, Humberto de Alencar Castelo Branco, Juarez
Távora, Médici, Geisel e Cordeiro de Farias.
Foram 5 os presidentes da república, todos generais de exército, durante o regime militar:
o General Humberto de Alencar Castelo Branco, seguido pelo General Arthur da Costa e
Silva (1967-1969), eleitos pelo Congresso Nacional. O General Emílio Garrastazu
Médici (1968-74) foi escolhido pela Junta Militar que assumira o poder com a morte de
Costa e Silva em 1969 e eleito por um colégio eleitoral. O General Ernesto Geisel (1974-
79) e o General João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979-84) também foram eleitos por
colégios eleitorais formados pelo Congresso Nacional mais representantes das
assembléias legislativas dos estados.
Entre as características adquiridas pelos governos decorrentes do golpe militar, também
chamado de "Revolução de 1964" e de "Contra-Revolução de 1964", destacam-se o
combate à subversão praticadas por guerrilhas de orientação esquerdista, a supressão de
alguns direitos constitucionais dos elementos e instituições ligados à suposta tentativa de
golpe pelos comunistas, e uma forte censura à imprensa, após a edição do AI-5 de 13 de
dezembro de 1968.
O golpe de estado foi chamado de "Contra-Revolução de 1964" porque os golpistas
estavam tentando impedir uma provável revolução comunista no Brasil, nos moldes da
recém ocorrida revolução cubana ocorrida anos antes.98

Humberto de Alencar Castelo Branco.

Em 1965, pelo Ato Institucional nº 2, todos os partidos políticos então existentes são
declarados extintos, e teve início a intensificação da repressão política aos comunistas.
Somente dois partidos eram permitidos, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), e
o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que veio a servir de refúgio a toda a esquerda
e extrema esquerda política.
Em pequenos municípios, porém, a divisão entre os dois partidos, ou as vezes, dentro do
mesmo partido político, pois cada partido podia lançar até 3 candidatos a prefeito (as
sublegendas), não era de idéias ou paradigmas, mas sim disputas pessoais entre os
líderes locais. Em 1970, o MDB quase foi extinto por ter tido uma votação mínima para o
Congresso Nacional.
Em 1967, o nome do país foi alterado para República Federativa do Brasil 99
Em 15 de março de 1967, promulgada a sexta Constituição Brasileira pelo Congresso,
institucionalizando o movimento e estabelecendo eleições indiretas para presidente,
realizada via colégio eleitoral, este eleito diretamente. A partir daquele dia ficavam
revogados os atos instituicionais baixados desde 1964. Nesse mesmo dia, diante do
crescimento dos movimentos de contestação ao regime militar, o General Arthur da Costa
e Silva assumiu a presidência da república. Porém esta normalidade institucional dada
pela constituição de 1967 durou pouco.
Em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva fechou o Congresso Nacional e decretou o Ato
Institucional nº 5, o AI-5, que lhe deu o direito de fechar o Parlamento, cessar direitos
políticos e suprimir o direito de habeas corpus. Em 1969, é feita uma ampla reforma da
constituição de 1967, conhecida como emenda constitucional nº 1, que a torna mais
autoritária.
Neste período, intensificou-se a luta armada nas cidades e no campo em busca da
derrubada do governo militar. Praticamente, tudo teve início com o atentado no Aeroporto
Internacional dos Guararapes, em Recife, em 1966, com diversos mortos e feridos, e em
diversos outros pontos do país, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Foi após a
configuração desta conjuntura de terror e justiçamentos da parte dos grupos comunistas
que a censura teve sua implantação consolidada.
Em 1969, Costa e Silva sofreu uma trombose e ficou incapacitado; uma junta militar
formada pelos comandantes das Forças Armadas assumiu o poder. Em outubro, o General
Médici tomou posse como presidente eleito pelo Congresso Nacional que ele pediu que
fosse reaberto.
Médici comandou o período de maior repressão aos grupos esquerdistas que combatiam a
ditadura militar, em especial, a repressão aos grupos de revolucionários e guerrilheiros
marxistas, com suspeitos e colaboradores sendo presos, ocasionalmente exilados,
torturados e/ou mortos em confrontos com as forças policiais do Estado. Em 1969, os
guerrilheiros atacaram o Quartel General do II Exército, atual Comando Militar do Sudeste,
em São Paulo, quando morreu o soldado Mário Kozel Filho.
No governo Médici teve início o movimento guerrilheiro no Araguaia e a realização
de sequestros de embaixadores estrangeiros e assaltos a bancos comerciais por grupos
de esquerda. Estes sequestros eram usados, em sua maioria, como forma de pressionar o
governo militar a libertar presos políticos. Após a redemocratização do país, contabilizou-
se mais de trezentos mortos, de ambos os lados.
Em 1974, o General Ernesto Geisel assumiu a presidência, tendo que enfrentar grandes
problemas econômicos, causados pela dívida externa criada pelo governo Médici,
agravados pela crise internacional do petróleo, e uma alta taxa de inflação.[carece de fontes]

Manifestação pelas Diretas, em 1984.

Geisel iniciou a abertura democrática[carece de fontes] "lenta, gradual e segura", que foi
continuada pelo seu sucessor, o General Figueiredo (1979-85). Figueiredo não só permitiu
o retorno de políticos exilados ou banidos das atividades políticas durante os anos
1960 e 70. Foram anistiados os militantes das guerrilhas do tempo de governo Médici.
Figueiredo também autorizou que estes anistiados concorressem às eleições municipais e
estaduais em 1982.
O regime militar termina com as eleições indiretas para presidente em 1984, com Paulo
Maluf concorrendo pelo PDS e Tancredo Neves pelo PMDB apoiado pela Frente Liberal,
dissidência do PDS liderada por José Sarney e Marco Maciel. Venceu Tancredo Neves, na
eleição indireta de 15 de janeiro de 1985, para governar por 6 anos, a partir de 15 de
março de 1985, até 1991. Nem todos, na oposição ao regime militar, concordavam com o
lançamento da candidatura Tancredo Neves. O PT expulsou de seus quadros os seus
deputados que votaram em Tancredo Neves no colégio eleitoral. Foram expulsos do PT: a
deputada federal Beth Mendes e os deputados federais Aírton Soares e José Eudes.
Essas eleições, as últimas eleições indiretas da história brasileira, foram precedidas de
uma enorme campanha popular em favor de eleições diretas, levada a cabo por partidos
de oposição, à frente o PMDB, que buscava a aprovação pelo Congresso Nacional da
Emenda Constitucional que propunha a realização de eleições diretas. A campanha foi
chamada de "Diretas já", e tinha à frente o deputado Dante de Oliveira, criador da proposta
de Emenda. Em 25 de abril de 1984, a emenda foi votada e obteve 298 votos a favor, 65
contra, 3 abstenções e 112 deputados não compareceram ao plenário no dia da votação.
Assim a emenda foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de votos para a
aprovação da emenda constitucional.
As principais realizações dos governos militares foram: a Ponte Rio-Niterói, os metrôs de
São Paulo e Rio de Janeiro, a usina hidrelétrica de Itaipu, a barragem de Sobradinho,
aAçominas, a Ferrovia do Aço, a rodovia Transamazônica, o FGTS, o BNH, a reforma
administrativa atráves de decreto-lei nº 200, o Banco Central do Brasil, a Polícia Federal e
o sistema DDD.
Nova República (1985-presente)[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Nova República

Tancredo Neves.

O primeiro presidente civil eleito desde o golpe militar de 1964 foi Tancredo Neves. Ele
não chegou a assumir, sendo operado no dia 14 de marçode 1985 e contraindo infecção
hospitalar. No dia da posse, 15 de março de 1985, assume então José Sarney de modo
interino, e após 21 de abril, data do falecimento de Tancredo Neves, como presidente em
caráter pleno.
A democracia foi re-estabelecida em 1988, quando a atual Constituição Federal foi
promulgada.100
Fernando Collor foi eleito em 1989, na primeira eleição direta para Presidente da
República desde 1964.101 Seu governo perdurou até 1992, quando renunciou devido a
processo de "impugnação" movido contra ele. O processo de afastamento ocorreu em
decorrência de uma série de denúncias envolvendo o Presidente Collor em esquemas
de corrupção, que seriam comandados pelo seu ex-tesoureiro de campanha, Paulo César
Farias.101 102 O vice-presidente, Itamar Franco, assume em seu lugar.
No governo de Itamar Franco é criado o Plano Real, articulado por seu Ministro da
Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.103 O governo Itamar contou com a presença de
vários senadores como ministros. Historiadores chegam a considerar esse fenômeno
como um "parlamentarismo branco". Cardoso foi eleito em 1994 e reeleito em 1998.
Cumpre dois mandatos e transmite a faixa presidencial ao seu sucessor em 1º de
janeiro de2003.
Imagem do Porto de Santos. As exportações são o símbolo do novo crescimento econômico.

O candidato Luis Inácio Lula da Silva, do PT, foi eleito presidente com aproximadamente
61% dos votos válidos. Lula repetiria o feito em2006, sendo reeleito no segundo turno
disputado contra Geraldo Alckmin, do mesmo PSDB.104
Apesar da estabilidade macro-econômica que reduziu as taxas de inflação e de juros e
aumentou a renda per capita, colocando o país em uma lista dos países mais promissores
do mundo, ao lado de China, Rússia, Índia e África do Sul com Fernando Henrique e Lula,
diferenças remanescem ainda entre a população urbana e rural, os estados do norte e do
sul, os pobres e os ricos.7 Alguns dos desafios dos governos incluem a necessidade de
promover melhor infra-estrutura, modernizar o sistema de impostos, as leis de trabalho e
reduzir a desigualdade de renda e diminuir o custo Brasil.
A economia brasileira contém uma indústria desenvolvida, inclusive com indústria
aeronáutica e uma agricultura desenvolvida e associada à indústria - o agronegócio, sendo
que o setor de serviços cada vez ganha mais peso na economia . As recentes
administrações expandiram a competição em portos marítimos, estradas de ferro, em
telecomunicações, em geração de eletricidade, em distribuição do gás natural e em
aeroportos com o alvo de promover o melhoramento da infra-estrutura. O Brasil começou à
voltar-se para as exportações em 2004, e, mesmo com um real valorizado e a crise
internacional, atingiu em 2008 exportações de US$ 197,9
bilhões, importações de US$ 173,2 bilhões,105 o que coloca o país entre os 19 maiores
exportadores do planeta.106
No dia 1º de janeiro de 2011, Dilma Rousseff assumiu a Presidência da República,
tornando-se a primeira mulher a assumir o posto de chefe de Estado, e também de
governo, em toda a história do Brasil.107 108 .

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 História bélica do Brasil
 Origens do homem brasileiro
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 Religiões no Brasil

Notas
1. Ir para cima↑ Textualmente: "(…) que se trace e assinale pelo dito mar Oceano uma
raia ou linha direta de pólo a pólo; convém a saber, do pólo Ártico ao pólo Antártico,
que é de norte a sul, a qual raia ou linha e sinal se tenha de dar e dê direita, como dito
é, a trezentas e setenta léguas das ilhas de Cabo Verde em direção à parte do poente,
por graus ou por outra maneira, que melhor e mais rapidamente se possa efetuar
contanto que não seja dado mais. E que tudo o que até aqui tenha achado e
descoberto, e daqui em diante se achar e descobrir pelo dito senhor rei de Portugal e
por seus navios, tanto ilhas como terra firme desde a dita raia e linha dada na forma
supracitada indo pela dita parte do levante dentro da dita raia para a parte do levante
ou do norte ou do sul dele, contanto que não seja atravessando a dita raia, que tudo
seja, e fique e pertença ao dito senhor rei de Portugal e aos seus sucessores, para
sempre. E que todo o mais, assim ilhas como terra firme, conhecidas e por conhecer,
descobertas e por descobrir, que estão ou forem encontrados pelos ditos senhores rei
e rainha de Castela, de Aragão etc., e por seus navios, desde a dita raia dada na
forma supra indicada indo pela dita parte de poente, depois de passada a dita raia em
direção ao poente ou ao norte-sul dela, que tudo seja e fique, e pertença, aos ditos
senhores rei e rainha de Castela, de Leão etc. e aos seus sucessores, para sempre."

Referências

Ministério das Relações Exteriores (Brasil)


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Itamaraty)

Coordenadas: 15º48'02" S, 47º52'02" O

Nota: Se procura o edifício sede do Ministério das Relações Exteriores, veja Palácio
do Itamaraty.

Nota: Se procura informações sobre as relações exteriores brasileiras, veja Relações


internacionais do Brasil.

Ministério das Relações Exteriores


Palácio Itamaraty, Esplanada dos Ministérios, Bloco H, Brasília, Distrito
Federal
www.itamaraty.gov.br

Criação 28 de julho de 1736[1]


Palácio Itamaraty, em Brasília

Atual ministro Luiz Alberto Figueiredo

Atual secretário-geral Eduardo dos Santos

Orçamento R$ 2,247 bilhões (2013)1

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), também conhecido


como Itamaraty, é um órgão do Poder Executivo, responsável pelo assessoramento
do Presidente da República na formulação, no desempenho e no acompanhamento das
relações do Brasil com outros países e organismos internacionais.

A atuação do Itamaraty cobre as vertentes política, comercial, econômica, financeira,


cultural e consular das relações externas, áreas nas quais exerce as tarefas clássicas
da diplomacia: representar, informar e negociar.

Índice
[esconder]

 1 Competências
 2 Importância institucional
o 2.1 O papel do Itamaraty
o 2.2 Assistência Consular
o 2.3 Temas de política externa brasileira
 2.3.1 América do Sul e integração regional
 2.3.2 Ação contra a fome e a pobreza[9]
 2.3.3 Assistência humanitária
 2.3.4 Biocombustíveis
 2.3.5 Ciência e tecnologia
 2.3.6 Meio ambiente
o 2.4 A carreira diplomática
 3 Estrutura institucional
 4 Sede atual
 5 Histórico
o 5.1 O Visconde do Uruguai
o 5.2 O Barão do Rio Branco
o 5.3 Osvaldo Aranha
 6 Ver também
 7 Referências
 8 Ligações externas

Competências[editar | editar código-fonte]


De acordo com o artigo 33 do decreto nº 4.118, de 7 de fevereiro de 2002, que dispõe
sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, as áreas de
competência do Ministério das Relações Exteriores são: (i) política internacional; (ii)
relações diplomáticas e serviços consulares; (iii) participação nas negociações comerciais,
econômicas, técnicas e culturais com governos e entidades estrangeiras; (iv) programas
de cooperação internacional; e (v) apoio a delegações, comitivas e representações
brasileiras em agências e organismos internacionais e multilaterais.

Importância institucional[editar | editar código-fonte]


Atualmente, o desafio do Itamaraty tem sido se adaptar ao momento de consolidação das
instituições democráticas no país. Com o fim da Ditadura Militar de 1964 e a promulgação
da Constituição Federal de 1988 o Brasil aceitou definitivamente o caráter de país plural,
com vários conflitos sociais e econômicos a serem resolvidos de forma democrática, com a
participação de vários setores da sociedade.2

Assim, principalmente a partir do governo FHC (1995-2002), O Ministério das Relações


Exteriores tem estabelecido diálogo com os demais órgãos do Governo, iniciativa privada
e ONGs na tentativa de pautar suas atividades de forma a refletir as necessidades internas
do país. Percebe-se que as preocupações fronteiriças ou bélicas, antes de fundamental
importância na pauta do MRE, foram substituídas por questões de necessidade interna e
repercussão externa: proteção ao meio ambiente, estímulo à ciência e tecnologia,
assistência humanitária, biocombustíveis etc. É neste sentido que a atuação do MRE volta-
se à satisfação de interesses nacionais com a cooperação de outros países – precisando,
portanto, reconhecer os verdadeiros anseios dos diversos setores econômicos e sociais
afetados.

A integração entre MRE e órgãos públicos e privados se mostra de fundamental


importância. A execução de uma determinada política pública não pode ser viabilizada
enquanto todos os responsáveis por ela não agirem harmonicamente, cooperando entre si.
Isso se mostra evidente no trabalho diplomático que o Itamaraty tem de exercer – se este
não possui uma postura nacional bem definida, com perspectivas futuras, corre o risco de
adotar posturas incoerentes no longo prazo frente aos outros países.
Em geral, atendendo a essa demanda, o Itamaraty é conhecido pela sua integridade em
negociações e acordos internacionais, fator fundamental para que funcione como um
interlocutor de seus parceiros, de forma a consolidar uma política externa regular.

O MRE também é encarregado de informar o Congresso Nacional a respeito de temas da


agenda internacional. Assim, faz parte fundamental do processo legislativo, pois sem a
devida compreensão do cenário internacional e como este pode afetar o Brasil, deputados
e senadores podem tomar decisões precipitadas.

Nesse contexto democrático, o MRE também funciona tendo em vista dois


princípios: acesso à informação e exigência do registro histórico. A transparência dos atos
do Itamaraty passou a ser prioridade, apenas se justificando a "diplomacia secreta" em
casos extremos, em que a segurança do Estado esteja em xeque. Exemplo da importância
de tal transparência é a justificação das viagens presidenciais que, em primeiro momento,
podem parecer benefícios gratuitos para o Presidente. Porém, com a devida análise dos
fatos divulgados pelo MRE, pode-se perceber que tais viagens têm grande relevância no
intercâmbio tecnológico e científico, no comportamento da balança comercial, e na
definição de posição em foros internacionais.

Outra área de atuação fundamental do MRE, tendo em vista a abertura de mercados e a


globalização, é a promoção comercial. Há principalmente o estímulo à exportação de
produtos e serviços brasileiros, disseminando oportunidades aos empresários que não têm
experiência na área, favorecendo a participação de diversos setores econômicos na
balança comercial.

O apoio é oferecido, sobretudo, a pequenas e médias empresas, que não têm experiência
e eventualmente o capital necessário para atuar internacionalmente, por si sós. O
Itamaraty trabalha com entidades como o SEBRAE, o que permite a ajuda a diversos
potenciais beneficiários. Além disso, há instrumentos criados pelo MRE especificamente
para a área de promoção comercial, como o SIPRI – Sistema de Promoção de
Investimento e Transferência de Tecnologia para Empresas. Tal sistema articula as
missões brasileiras no exterior que objetivam a expansão das exportações brasileiras e da
cooperação tecnológica entre os países. O SIPRI divulga no Brasil e no exterior diversas
oportunidades de atração de capital e de tecnologia que possam beneficiar empresas
nacionais.

Assim, verifica-se que o Ministério das Relações Exteriores tem um papel não só de mera
representação formal perante outros países, mas sim de um agente ativo na formulação
das políticas públicas do país, tanto internas quanto externas, coordenando-se com
diversos setores privados e públicos para tal.
O papel do Itamaraty[editar | editar código-fonte]
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) é o órgão político administrativo
encarregado de auxiliar a Presidência da República na formulação e execução da política
externa brasileira. O Serviço Exterior Brasileiro3 constitui-se do corpo de servidores,
ocupantes de cargos efetivos, capacitados profissionalmente como agentes do Ministério
das Relações Exteriores, no Brasil e no exterior, organizados em carreiras definidas e
hierarquizadas, quais sejam: diplomata, oficial de chancelaria e assistente de chancelaria.

Aos servidores da carreira de Diplomata4 incumbem atividades de natureza diplomática e


consular, em seus aspectos específicos de representação, negociação, informação e
proteção de interesses brasileiros no campo internacional (art. 3º da Lei nº 11.440/2006).

Aos servidores da carreira de Ofical de Chancelaria5 , de nível superior, incumbem


atividades de formulação, implementação e execução dos atos de análise técnica e gestão
administrativa necessários ao desenvolvimento da política externa brasileira (art. 4º da Lei
nº 11.440/2006).

Finalmente, aos servidores da carreira de Assistente de Chancelaria6 , de nível médio,


incumbem tarefas de apoio técnico e administrativo (art. 5º da Lei nº 11.440/2006).

Os servidores do Ministério das Relações Exteriores servem na Secretaria de Estado das


Relações Exteriores (SERE) - os escritórios do Ministério em Brasília - e em postos no
exterior, as repartições do Ministério sediadas em outros países. Tais postos são
classificados em grupos (A, B, C e D) determinados pelo Ministro das Relações
Exteriores para fins de movimentação de pessoal, de acordo com o grau de
representatividade da missão, as condições específicas de vida na sede, a conveniência e
o interesse da administração. Subordinadas à Secretaria de Estado das Relações
Exteriores, estão as Subsecretarias-Gerais, que são divididas em Departamentos, aos
quais, por sua vez, são subordinadas as suas respectivas Divisões.7

Nos últimos anos o Itamaraty tem enfatizado o processo de integração regional por meio
do MERCOSUL e outros organismos internacionais e financeiros. Participa também de
questões importantes da agenda internacional como a defesa dos direitos humanos, a
preservação do meio-ambiente e a manutenção da paz.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) tem também intensificado as relações com
países de língua portuguesa como forma de atender de forma mais ágil às necessidades
do Brasil e de sua política externa. Com este objetivo tem da mesma forma aprimorado
sua atuação externa por meio de 94 embaixadas, 7 (sete) missões/delegações junto a
organismos internacionais, 31 consulados-gerais e 6 consulados.

Quanto à estrutura diplomática o MRE conta com um aparato que inclui, entre outras, a
sede Palácio do Itamaraty em Brasília, e os Escritórios de Representação no Rio de
Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, São Paulo, Recife
e Manaus. O Ministério conta também com o apoio de entidades vinculadas como
aFundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), responsável pelas questões acadêmicas, e
também o Instituto Rio Branco, que tem por função recrutar e treinar os diplomatas.
Assistência Consular[editar | editar código-fonte]
Repartição consular é a representação do Governo brasileiro perante as autoridades locais
e a comunidade brasileira nela residente. A repartição consular pode estar localizada em
uma Embaixada, em um Consulado ou em um Vice-Consulado do Brasil. Ela é
responsável por proteger e prestar assistência aos cidadãos brasileiros em sua jurisdição,
respeitando-se os tratados internacionais vigentes e a legislação do país estrangeiro.
Desse modo, expede passaportes e outros documentos de viagem aos nacionais
brasileiros que se encontram no exterior. Também age na qualidade de notário e oficial do
registro civil, realizando registros de nascimento, casamento e óbito, emitindo procurações,
atestados e outros atos notariais, permite o exercício do direito de voto do cidadão e outros
serviços que a legislação eleitoral determinar e encaminha processos de perda e de
reaquisição de nacionalidade brasileira. Além disso, a repartição consular também é
responsável por emitir vistos de entrada no território brasileiro para cidadãos estrangeiros.8
Temas de política externa brasileira[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Relações internacionais do Brasil

Os temas de atuação da política externa brasileira são variados e multifacetados. Da


integração regional na América do Sul à cooperação com países em desenvolvimento, da
defesa do multilateralismo ao protagonismo nos debates sobre a reforma nas instituições
financeiras internacionais e o engajamento em coalizões como BRICS e IBAS, o Brasil tem
ganhado destaque na agenda internacional por uma diplomacia que alia, tradicionalmente,
pragmatismo e capacidade de renovação.

América do Sul e integração regional[editar | editar código-fonte]

Por determinação da Constituição de 1988, o Brasil tem por princípio constitucional que
rege as relações internacionais do país a busca a integração econômica, política, social e
cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-
americana de nações. Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai assinaram, em 26 de
março de 1991, o Tratado de Assunção, com vistas a criar o Mercado Comum do Sul
(MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado de Assunção é a integração dos quatro
Estados Partes por meio da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, do
estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum, da adoção de uma política comercial
comum, da coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais, e da harmonização de
legislações nas áreas pertinentes. A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) é
formada pelos doze países da América do Sul. O tratado constitutivo da organização foi
aprovado durante Reunião Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo, realizada
em Brasília, em 23 de maio de 2008. Dez países já depositaram seus instrumentos de
ratificação (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e
Venezuela), completando o número mínimo de ratificações necessárias para a entrada em
vigor do Tratado no dia 11 de março de 2011.

Ação contra a fome e a pobreza9 [editar | editar código-fonte]


As Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDMs),10 aprovadas quando da Declaração do
Milênio das Nações Unidas por 191 países determinam, de maneira geral, que os
governos não economizem esforços para libertar os homens, mulheres e crianças das
condições adversas e desumanas de pobreza extrema em que se encontram.

São ao todo oito metas11 as quais os países se comprometeram a atingir em pelo menos
50% até o ano de 2015: erradicar a extrema pobreza e a fome, atingir o ensino básico
universal, promover a igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres, reduzir a
mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o HIV/AIDS, a malária e outras
doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial para o
desenvolvimento.

O Ministério das Relações Exteriores tem atuado incisivamente no cumprimento destas


regras. O projeto de implementação de programas e projetos de cooperação técnica a
países em desenvolvimento (CTPD), de iniciativa da Agência Brasileira de Cooperação,
subordinada ao MRE, visa conceber e desenvolver programas e projetos de cooperação
horizontal do Brasil que irão contribuir para a transferência, disseminação e utilização de
conhecimentos técnicos e da experiência acumulada pelo Brasil, de forma a apoiar a
capacitação de recursos humanos nos países destinatários, o fortalecimento de suas
instituições, e o desenvolvimento econômico e social.12 Com a transferência de tecnologia
e know how na área de desenvolvimento o Brasil contribui para a melhoria das condições
de vida nos demais países.

Somando-se às MDMs, o Consenso de Monterrey,13 resultado da Conferência


Internacional sobre Financiamento e Desenvolvimento promovida pelas Nações Unidas em
2002, veio enfatizar a importância da atuação das partes envolvidas no processo
econômico proposto pelas MDMs. A ideia é que os países desenvolvidos prestem apoio
aos países em desenvolvimento aumentando os fluxos de ajuda oficial e investimentos
diretos no estrangeiro ao mesmo tempo em que aliviam a dívida externa e abrem seus
mercados para que estes países tenham condições de melhorar suas políticas próprias e
condições de governança.

O maior problema, contudo, é a dificuldade que os países desenvolvidos têm em encontrar


as melhores formas de implementação das MDMs. O grande obstáculo tem sido conseguir
aumentar o crescimento per capta dos países em desenvolvimento. Segundo as
estimativas do Ministério das Relações Exteriores14 da forma como as políticas têm sido
implementadas as metas somente serão atingidas em 2147, isto é, quase 150 anos depois
do esperado. Para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o aumento das doações para o
desenvolvimento nos últimos anos é "encorajador", mas não há a perspectiva de dobrar, o
que, segundo a maioria das estatísticas, é necessário para atingir os objetivos.15

De acordo com a Declaração do Milênio apresentada acima, o desafio central enfrentado


hoje é a necessidade de assegurar que a globalização se torne uma força positiva para
todos os povos do mundo.
A participação do Brasil tem sido bastante incisiva neste sentido. No âmbito interno a
preocupação tem sido a prioridade máxima do governo brasileiro. Desde 2003, quandoLuiz
Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, foram lançados, além do
"Programa Fome Zero", uma série de outros programas sociais combinando-se medidas
estruturais e emergenciais como a distribuição de alimentos e transferência de renda. O
mais interessante é que além da participação estatal, as empresas privadas têm se
mostrado bastante envolvidas no sentido de atingir as metas de desenvolvimento.

Muito embora o Brasil seja um país em desenvolvimento, e, portanto, a princípio "alvo" das
metas, preocupa-se além das questões internas, também com as externas cooperando na
medida do possível com as metas estabelecidas em âmbito internacional. A mobilização
de apoio político e financeiro com vistas a atingir os objetivos das MDMs de erradicar a
pobreza e a fome, tornou-se um dos principais focos da política externa brasileira.

Em abril de 2008 foi realizada na sede do Ministério das Relações Exteriores, o Palácio do
Itamaraty, em Brasília, a 30ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e Alimentação (FAO) com o objetivo de revisar as ações nos países
da América Latina nos dois últimos anos e planejar os focos de atuação dos anos
seguintes. Mais uma vez foi reforçada a necessidade iminente de investimentos para
acabar com a fome e a pobreza. Por meio da promoção de eventos desta natureza o
Itamaraty busca, além de estreitar as relações com os organismos internacionais, também
reafirmar o comprometimento do Brasil com as questões de relevância mundial.

Conforme a ótica das autoridades brasileiras, a campanha contra a pobreza e a fome vai
além da resolução pura e simples do problema. Não se trata de medida paliativa, mas de
fase de um processo complexo de desenvolvimento integrado com vistas a atingir um
sistema multilateral de comércio justo e equilibrado, aumento no fluxo de investimentos e
estabelecimento de projetos adequados de sustentabilidade e amortecimento da dívida
externa dos países em desenvolvimento.9

Segundo o Presidente Lula16 é necessário reconciliar o crescimento econômico com


a justiça social. A partir desta ideia é que Lula, com o apoio do Ministério das Relações
Exteriores, responsável pelas negociações e condução dos projetos em âmbito nacional,
sugeriu às autoridades internacionais a criação de um fundo internacional com a finalidade
de combater a pobreza e a fome. Foi então que surgiu em parceria com a Índia e a África
do Sul o Mecanismo IBAS17 de Alívio à Fome e à Pobreza, no âmbito doPNUD.
O IBAS tem como principal objetivo reproduzir e disseminar projetos sociais nas áreas de
saúde, educação, saneamento, segurança alimentar etc. os quais serão conduzidos pelos
órgãos competentes da Organização das Nações Unidas (ONU). Não há nenhum tipo de
tendência competitiva com os demais fundos existentes, a intenção apenas é de
complementá-los.

Em 2004 foi criado em Genebra, Suíça, um Grupo Técnico com o objetivo de explorar
novas fontes de financiamento aos projetos de erradicação da pobreza. A expectativa é
que os trabalhos desenvolvidos pelo grupo possam contribuir para os esforços globais na
mobilização de recursos adicionais ao desenvolvimento de acordo com as resoluções da
ONU.

Em linhas gerais, percebe-se que o Brasil encontra-se fortemente empenhado em


contribuir para a diminuição da pobreza e da fome no mundo. A estratégia do Brasil, por
meio da atuação do Itamaraty, para atingir este objetivo é discutir com os demais países a
respeito das contribuições de governos e instituições privadas de forma a implementar
mecanismos financeiros viáveis, visando atingir um consenso sobre as possíveis medidas
a serem implementadas acerca das MDMs até o final da próxima década.

Assistência humanitária[editar | editar código-fonte]

O Grupo Interministerial sobre Assistência Humanitária


Internacional (GIAHI),16 coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores foi criado em
2006 tem como objetivos coordenar os esforços brasileiros de ajuda humanitária
internacional e formular propostas legislativas que visem à implementação de ações
humanitárias internacionais por parte do Brasil. Os programas desenvolvidos pela GIAHI,
com o apoio de outros 11 ministérios que lidam com assistência humanitária, têm
demandado significativa cooperação internacional, sobretudo os de maior abrangência
sócio-geográfica como o Fome Zero, o Programa Nacional de Alimentação Escolar,
o Programa de Aquisição de Alimentos, oSeguro Garantia-Safra, entre outros.

Os principais parceiros do Brasil na garantia da assistência humanitária internacional são


a Organização das Nações Unidas, por meio de seu escritório para assuntos humanitários
(OCHA) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). A atuação conjunta ocorre nas
áreas de assistência alimentar, no sentido de promover a compra local da agricultura
familiar para posterior distribuição dos alimentos e contribuição para o desenvolvimento
local. (contexto amplo e global)

No tocante à assistência humanitária a participação do Itamaraty tem sido significativa. O


Ministério tem promovido diversos seminários, congressos e encontros internacionais com
vistas a debater temas como a segurança alimentar, direitos humanos e agricultura
familiar.

As Diretrizes Voluntárias para o Direito à Alimentação Adequada,17 por exemplo, são fruto
destes encontros. Aprovadas por mais de 180 países, permitem aos gestores públicos
contar com parâmetros que protejam, promovam e proporcionem a garantia dos direitos do
homem à alimentação. A atuação brasileira, por meio da atuação do Ministério das
Relações Exteriores e demais órgãos ligados à segurança alimentar e assistência
humanitária, foi de suma importância na negociação dessas Diretrizes. Participaram
também do seu processo de elaboração e negociação do plano a Relatoria das Nações
Unidas para o Direito à Alimentação, os países da América Latina e Caribe, da África,
do Oriente Médio, Ásia, Suíça e Noruega, além da sociedade civil internacional.18
O Ministério das Relações Exteriores, em conjunto com o Conselho Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional da Presidência da República, atua de maneira
significativa nas negociações internacionais referentes a ações de combate à fome e à
pobreza e com a promoção da segurança alimentar. Por meio do Projeto de Lei Orgânica
de Segurança Alimentar busca-se mecanismos para proteger os produtos brasileiros
dentro do contexto do comércio internacional. Trata-se da identificação de "produtos
sensíveis", adotada pela Organização Mundial do Comércio, que deve incluir, segundo a
proposta brasileira, não apenas fatores comerciais na precificação dos produtos, mas
também critérios que protejam a agricultura familiar e os programas de desenvolvimento
rural.

Assim, podemos perceber a grande preocupação brasileira com as questões referentes à


assistência humanitária, no tocante à garantia da alimentação adequada aos indivíduos,
bem como a grande preocupação do Ministério das Relações Exteriores em atuar como
mediador entre as políticas e projetos brasileiros e os organismos internacionais e demais
países nas negociações a respeito do tema, com vistas a atingir níveis satisfatórios de
assistência à população mundial.

Biocombustíveis[editar | editar código-fonte]

Atualmente, além da tradicional demanda de energia dos países desenvolvidos, como


os Estados Unidos, há crescente demanda por energia nas economias emergentes, tais
quais China e Índia, especialmente da energia derivada do petróleo. Conjuntamente ao
aumento da demanda, há ainda o já conhecido clima de instabilidade política nas
principais regiões produtoras de combustíveis fósseis no mundo. Por essas razões, os
altos preços dos combustíveis fósseis no mercado internacional não devem ser reduzidos
num futuro próximo. Sabendo disso, a preocupação com a questão energética é uma das
prioridades de maior relevância do Ministério das Relações Exteriores. Há a crescente
busca por fontes alternativas de energia, sendo que o Brasil é um dos líderes em matéria
de energias renováveis alternativas aos combustíveis fósseis.

O país tem muito a acrescentar na discussão, pois é detentor de importante conhecimento


acumulado na área de biocombustíveis, especialmente no uso de etanol de cana-de-
açúcar como combustível automotivo. A matriz energética brasileira é considerada uma
das mais limpas do mundo, sendo basicamente proveniente, do petróleo, do carvão
mineral, das hidrelétricas, álcool e de outras fontes renováveis como, por exemplo,
o vento na região nordeste. De acordo com dados do próprio Ministério das Relações
Exteriores mais de 45% de toda a energia consumida no país provém de fontes
renováveis, enquanto a média de participação dessas fontes na matriz energética dos
países desenvolvidos é de aproximadamente 10%.

A questão dos biocombustíveis tem obtido especial destaque nos primeiros meses de
2008 em razão da alta no preço dos alimentos. Diversas notícias e estudos têm sido
divulgados alegando que há uma relação entre o aumento da produção de
biocombustíveis com a diminuição da oferta de alimentos.

Delfim Netto, em recente artigo divulgado no Valor Econômico, comenta as constantes


acusações da União Europeia e da ONU de que a produção brasileira de cana-de-açúcar
com a finalidade de produzir etanol estaria comprometendo importantes setores
alimentícios, atribuindo parte da culpa da alta dos alimentos ao Brasil.19

Há previsões feitas pelo International Food Policy Research Institute (IFPRI),


de Washington, D.C., mostrando que, em 2010 e 2020, se os preços
do petróleo continuarem subindo, o que parece ser a tendência, os preços de importantes
produtos agrícolas se elevarão nas proporções bastante preocupantes.

Contudo, o Brasil alega não que não há relação direta entre a produção de etanol e a alta
no preço dos alimentos, pois o Brasil conjuntamente ao aumento na produção de cana-de-
açúcar tem também aumentado a produção de alimentos.

Esta é justamente a tese que Delfim Netto defendeu no artigo acima citado. De acordo
com o autor, graças às pesquisas que realizou, o Brasil criou uma eficiente agricultura
tropical que permite que se produza mais, e com menos terras. Dos 850 milhões de
hectares, o Brasil tem cerca de 350 milhões de terras agricultáveis, das quais menos de
2,5% estão ocupadas com cana-de-açúcar. O mesmo ocorre com a produção de grãos
que ocupa menos de 75% das terras próprias para sua produção.

O presidente Lula tem sido incisivo na defesa dos biocombustíveis, especialmente com o
intuito de reduzir a poluição do ar e incentivar a economia nacional. Quando confrontado
com questões referentes às altas dos alimentos o Presidente tem se mostrado indignado
com as acusações, alegando que há diversos outros motivos para as altas dos alimentos,
como, subsídios agrícolas dos países europeus, desvalorização do dólar, e aumento da
procura, fatores que não possuem nenhuma relação com a produção de biocombustíveis
brasileiros.

O Ministério das Relações Exteriores tem dado importantes passos na promoção dos
biocombustíveis, seja incentivando a produção nacional, ou mesmo realizando
conferências sobre inovações na área. No ano de 2006, por exemplo, o MRE organizou
o Seminário da Comunidade Sul-americana de Nações Sobre Biocombustíveis na
Perspectiva Socioambiental. Nele estavam doze países da América do Sul com o
propósito de conhecer a experiência brasileira com biocombustível e como esta é eficiente
para a sustentabilidade ambiental.20

Memorandos entre Brasil e outros países também são foco da política do MRE. Em 2007
foi firmado com os Estados Unidos memorando com o intuito de compartilhar experiências
bem sucedidas de cada país na produção de biocombustíveis sustentáveis. Neste
instrumento, os países expressaram a intenção de cooperar no desenvolvimento e na
difusão dos biocombustíveis.21

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

O Ministério das Relações Exteriores possui um Departamento responsável pelos


assuntos de Ciência e Tecnologia (DCT). Sua função básica é promover a cooperação
entre o Brasil e outros países no que se refere a tais assuntos.

Os meios utilizados para se alcançar tal cooperação são variados. Destaca-se a


negociação de instrumentos jurídicos que oficializam e legalizam a cooperação científica e
tecnológica entre os países. Estes instrumentos podem ser Acordos-Quadro que
desenham as linhas gerais que vão guiar o relacionamento do Brasil com os demais
países em matéria de ciência e tecnologia, devendo ser aprovado no Congresso Nacional,
ou podem ser Ajustes Complementares que são atos internacionais aplicados a áreas
específicas do conhecimento, por exemplo, energia e genética. É por meio de Ajustes
Complementares que as partes vão decidir o que será necessário para a implementação
eficaz de programas e projetos de cooperação.22 Como estes ajustes possuem respaldo
nos Acordos-Quadro não necessitam da aprovação do Congresso Nacional.

Ainda cabe distinguir a cooperação oficial, que é executada sob instrumentos jurídicos
assinados entre os Governos e a cooperação interinstitucional, feita entre as instituições,
sob responsabilidade única destas.

Além dos mecanismos bilaterais de cooperação citados acima, o MRE promove trocas de
informações e ajudas com mais de um país ao mesmo tempo, por meio de foros,
congressos e acordos multilaterais. O Prosul - Programa Sul-americano de Apoio às
Atividades de Cooperação em Ciência e Tecnologia tem por objetivo apoiar atividades de
cooperação em Ciência e Tecnologia (C&T) na América do Sul que contribuam, de forma
sustentada, para o desenvolvimento científico e tecnológico da região, mediante a geração
e apropriação de conhecimento e a elevação da capacidade tecnológica dos países, em
temas selecionados por sua relevância estratégica e que levem à melhoria da qualidade
de vida dos seus cidadãos (artigo dois da Portaria MCT nº 872, de 20.12.2001) é um
exemplo de como atua o MRE, especificamente a Divisão de Ciência e Tecnologia, no
suporte a pesquisas e desenvolvimentos multilateralmente.

Meio ambiente[editar | editar código-fonte]


O Meio Ambiente e sua preservação são temas de enorme relevância para o Ministério
das Relações Exteriores. O desenvolvimento sustentável ocupa um dos pontos de maior
importância da agenda internacional brasileira, sendo o MRE fundamental para efetivar a
política nacional de preservação ambiental numa perspectiva de cooperação internacional.

A unidade do Itamaraty responsável pelos assuntos relacionados ao meio ambiente é o


Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais. Por meio dela, o MRE celebra
parcerias internacionais de cooperação na preservação do meio ambiente, realiza
congressos, se atualiza na pauta internacional sobre as inovações na defesa do meio
ambiente, e auxilia o Poder Executivo em suas políticas públicas.

Atualmente, uma das maiores preocupações do MRE é o aquecimento global, sendo que
no ano de 2007, em congresso sobre o meio ambiente promovido pelo Itamaraty, o
Ministro das relações exteriores Celso Amorim considerou a criação de um embaixador
especial para cuidar do assunto das mudanças climáticas: "Certamente é um tema de
grande importância, eu estaria mesmo considerando no meu âmbito a criação do cargo de
embaixador especial para mudança de clima. Nós temos que pensar, porque é um tema
de grande importância. Há mitos, mas há também muitas verdades, e nós temos que levar
em conta isso e agir da maneira adequada"23

É importante notar que o Brasil está em crescente desenvolvimento, e é fundamental o


estudo do meio ambiente para conciliar o desenvolvimento das indústrias e produção em
geral com a proteção da fauna e flora. O MRE busca, por meio das relações
internacionais, garantir a sustentabilidade do desenvolvimento brasileiro, bem como mitigar
os efeitos negativos do crescimento do país. É ainda importante ressaltar que o MRE atua
juntamente com outros ministérios na proteção do meio ambiente, como o
próprioMinistério do Meio Ambiente.

Um bom exemplo da atuação do Ministério das Relações Exteriores é a importação


de pneus usados e remodelados. Em 1991 o Brasil, preocupado com as questões
ambientais, proibiu a importação de pneus nestas condições. Entretanto, em razão das
respostas dadas por outros países à sua medida, foi obrigado a retroceder em parte. Em
2002 o Brasil voltou a importar pneus remodelados do Uruguai por conta de uma ação
proposta no Tribunal Arbitral do MERCOSUL. Depois foi a vez de ceder à União Europeia,
que entrou com representação contra o país na Organização Mundial do Comércio (OMC),
alegando a criação de barreira comercial contra o produto europeu.

Segundo o Itamaraty, a Europa tem se deparado com leis impeditivas da disposição de


pneus em aterros sanitários e semelhantes. Sua posição é justificada também nos custos
elevados de eliminação da borracha sem, contudo, prejudicar o meio ambiente. Porém isto
não justifica a importação do produto, uma vez que são 40 milhões de pneus novos
produzidos em território brasileiro, contra 2,5 bilhões de carcaças espalhadas pela Europa
e 3,5 bilhões nos Estados Unidos. Em outras palavras, se o Brasil fosse abrir as portas
para a importação de pneus usados teria, além de um grave dano ao meio ambiente, um
abalo significativo à produção nacional.

Por conta desta série de conflitos é que o Ministério das Relações Exteriores sugeriu,
durante a reunião com parlamentares da representação brasileira no Parlamento do
MERCOSUL em fevereiro de 2008, que fosse criada uma norma única para todos os
países do bloco de forma a solucionar a questão da importação de pneus usados e
remoldados. Segundo o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, uma norma
desta natureza proibiria a importação de pneus naquelas condições provenientes de
países de fora do bloco. Assim, os pneus usados no Brasil, por exemplo, poderiam ser
exportados para os demais países do MERCOSUL, remoldados lá, e comercializados
novamente no Brasil, diminuindo o passivo ambiental das nações que compõem o
MERCOSUL.
A carreira diplomática[editar | editar código-fonte]
O ingresso na carreira de diplomata se dá mediante concurso público de âmbito nacional
organizado pelo Instituto Rio Branco. Importante ressaltar que somente os brasileiros
natos podem participar do concurso, cuja aprovação habilitará o ingresso na classe inicial
da carreira de diplomata, bem como à matrícula no Curso de Formação do Instituto Rio
Branco.

A carreira de diplomata do Serviço Exterior Brasileiro divide-se em diversas classes. A


primeira delas é a de Ministro de Primeira Classe, seguida pelo Ministro de Segunda
Classe, Conselheiro, Primeiro Secretário, Segundo Secretário e Terceiro Secretário, em
ordem hierárquica funcional decrescente.

Dentre os ministros de primeira classe ou, eventualmente, também os de segunda classe,


será escolhido o Chefe de Missão Diplomática Permanente, mais alta autoridade brasileira
no país em que estiver sediado. Excepcionalmente, poderá ser designado para exercer
esta função, brasileiro nato, não pertencente aos quadros do MRE, maior de 35 (trinta e
cinco anos), de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao País.

Para preenchimento do Quadro Especial do Serviço Exterior Brasileiro devem ser seguidas
algumas regras. Os ministros de primeira e segunda classe, bem como os conselheiros
deverão ocupar os cargos com esta mesma denominação. Na eventualidade de ausência
de pessoal, o primeiro-secretário ocupará o cargo de conselheiro, e o segundo-secretário o
de primeiro-secretário.

Estrutura institucional[editar | editar código-fonte]


O atual chanceler, Luiz Alberto Figueiredo Machado.

A estrutura institucional do Ministério das Relações Exteriores em Brasília é composta pelo


Gabinete do Ministro de Estado e pela Secretaria-Geral das Relações Exteriores, à qual
estão subordinadas nove Subsecretarias: Subsecretaria-Geral Política I (SGAP-I),
Subsecretaria-Geral Política II (SGAP-II), Subsecretaria-Geral Política III (SGAP-III),
Subsecretaria-Geral da América do Sul, Central e Caribe (SGAS), Subsecretaria-Geral de
Assuntos Econômicos e Financeiros (SGEF), Subsecretaria-Geral de Meio Ambiente,
Energia, Ciência e Tecnologia (SGAET), Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras
no Exterior (SGEB), Subsecretaria-Geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial
(SGEC) e Subsecretaria-Geral do Serviço Exterior (SGEX).

 Ministro de Estado das Relações Exteriores – Embaixador Luiz Alberto Figueiredo


Machado24
 Secretário-Geral das Relações Exteriores – Embaixador Eduardo dos Santos25
 Subsecretário-Geral Político I – Embaixador Carlos Antonio da Rocha Paranhos26
 Subsecretário-Geral Político II – Embaixador José Alfredo Graça Lima27
 Subsecretário-Geral Político III – Embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto28
 Subsecretário-Geral da América do Sul, Central e do Caribe – Embaixador Antonio
José Ferreira Simões29
 Subsecretário-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior – Embaixador Sérgio
França Danese30
 Subsecretário-Geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial –
Embaixador Hadil Fontes da Rocha Vianna31
 Subsecretário-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros – Embaixador Enio
Cordeiro32
 Subsecretário-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia –
Embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho 33
 Subsecretário-Geral do Serviço Exterior – Embaixador José Borges dos Santos
Júnior34
Sede atual[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Palácio Itamaraty

Palácio Itamaraty, edifício projetado por Oscar Niemeyer

Sua sede atual é o Palácio dos Arcos, localizado em Brasília, mais conhecido como
"Palácio Itamaraty", um edifício modernista projetado por Oscar Niemeyer. O nome
Itamaraty vem de sua antiga sede, na ex-capital da república (Rio de Janeiro), um refinado
casarãoneoclássico originalmente pertencente a Francisco José da Rocha Leão, Conde de
Itamarati.

Itá, em tupi, significa "pedra"; mará vem do tupi pará, que significa "mar" e ti significa
"água"35 . Portanto, "Itamaraty" significa, traduzido do tupi, "água de mar de pedra". A
ortografia da palavra Itamarati foi atualizada desde, pelo menos, o Formulário Ortográfico
de 1943, passando a ser escrita com "i" em vez de "y", o que não se verifica no nome dos
edifícios, que ainda mantêm a ortografia arcaica. Na prática, a obediência à nova regra
ortográfica é ignorada seja pelos órgãos de governo como pela imprensa.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, antiga sede do Ministério das Relações Exteriores.

O Ministério das Relações Exteriores, mais conhecido como Itamaraty, tem três momentos
bastante relevantes que definiram como o órgão seria estruturado posteriormente.36 37

O primeiro foi a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, que negociava questões de


fronteira estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas. Este momento refere-se não a uma
política externa do Brasil, mas a uma condução de interesses portugueses na sua maior
colônia. Havia, porém, um brasileiro em destaque no panorama diplomático. O "avô dos
diplomatas brasileiros" Alexandre de Gusmão, santista, dirigia a política externa
portuguesa, que na época consistia em afastar os assuntos das Américas das questões
sucessórias na Europa. O auge de sua atuação nesse sentido consistiu na celebração
entre Portugal e Espanha do Tratado de Madri de 1750, em que se resolviam as questões
territoriais na América, observando-se a efetiva ocupação de cada potência. Assim, as
incursões dos bandeirantes no território que hoje pertence ao Brasil foram reconhecidas
juridicamente para delimitar as fronteiras.

O segundo momento histórico relevante foi a mudança da família real para o Brasil, em
1808, quando a sede do Império foi transferida de Lisboa para o Rio de Janeiro, em
decorrência das invasões napoleónicas na Península Ibérica. Transferiu-se toda a
burocracia, funcionários e tradições da política exterior para o Brasil, situação que
influenciou indiscutivelmente a posterior estruturação das instituições brasileiras.

Por fim, o terceiro momento relevante foi a participação do MRE no processo de


reconhecimento da independência do Brasil, a partir de 1822. A relevância deste momento
ultrapassa a criação das instituições diplomáticas verdadeiramente brasileiras – colocou
em teste pela primeira vez a capacidade de negociação internacional dos diplomatas a
serviço de D. Pedro I, que tiveram de conseguir o reconhecimento da independência do
Brasil perante todas as potências mundiais.

A partir daí, e desde a sua criação nos primórdios da Secretaria dos Negócios
Estrangeiros em 1822, o Itamaraty definiu alguns princípios fundamentais de atuação
como a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção. Enfim, com o término da 2ª
Guerra Mundial e consequente criação da ONU em 1945, consolidou sua participação em
fóruns internacionais.

Os diplomatas de maior destaque na história do Ministério das Relações Exteriores foram


o Visconde do Uruguai, o Barão do Rio Branco e Osvaldo Aranha, entre outros. Cabe uma
sucinta descrição da importância destes três diplomatas para o MRE:
O Visconde do Uruguai[editar | editar código-fonte]

Visconde do Uruguai.
Barão do Rio Branco.

Osvaldo Aranha.

Ver artigo principal: Paulino José Soares de Sousa

Sua administração tentou organizar o corpo diplomático brasileiro através do Regulamento


Paulino de Souza (1852), criando um sistema de garantias a serem desfrutadas por
diplomatas apenas se estes cumprissem os requisitos legais. Tais requisitos referiam-se
basicamente à formação dos diplomatas, exigindo que estes fossem bacharéis em Direito,
versados em línguas estrangeiras, entre outras exigências. Além disso, através de mais
um decreto de 1852, estruturou o número e as categorias das missões diplomáticas
espalhadas pelo mundo.

Além disso, o Visconde do Uruguai teve papel fundamental na negociação, com o Império
Francês de Napoleão, das fronteiras territoriais entre Brasil (Amapá) e a Guiana Francesa.
Apesar da missão comandada pelo Visconde não ter sido bem sucedida, abriu espaço
para a posterior negociação, mediada pelo Conselho Federal Suíço, em que se resolveu
definitivamente a questão do Amapá.
O Barão do Rio Branco[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Barão de Rio Branco

O Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior) assumiu o cargo de
chanceler em 1902. Percebeu que havia uma defasagem nos quadros do Itamaraty, razão
pela qual ampliou o número de funcionários, modernizou a biblioteca e a seção de
cartografia, além de investir na beleza do próprio palácio para receber hóspedes
estrangeiros.

Nas questões territoriais, foi na gestão do Barão do Rio Branco que várias questões de
fronteiras foram efetivamente resolvidas, incluindo a disputa pela fronteira entre Amapá e
Guiana Francesa, iniciada pelo Visconde do Uruguai. Além dessa questão, foram
resolvidas disputas com Argentina,Bolívia e Uruguai, sendo pela atuação do Barão do Rio
Branco que os contornos do Brasil como atualmente conhecemos foram sendo moldados.
Osvaldo Aranha[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Osvaldo Aranha

O chanceler Osvaldo Aranha, cuja administração cobre o período de 1938-1944, teve


papel fundamental na condução da política externa brasileira durante a Segunda Guerra
Mundial. Aranha precisou, primeiro, coordenar a neutralidade brasileira frente o conflito,
pois as relações diplomáticas eram mantidas tanto com o Eixo como com os Aliados. Essa
postura neutra foi abandonada frente ao ingresso dos Estados Unidos na guerra, o que
colocou a comunidade das Nações Americanas em situação difícil – em 1942, o Brasil
declarou guerra ao Eixo.

Além da atuação na Segunda Guerra Mundial, Osvaldo Aranha ainda pôde assinar nos
EUA várias convenções de matéria financeira (crédito, pagamentos e amortizações e
câmbio). Por fim, reestruturou o Ministério das Relações Exteriores, incorporando em um
só quadro os dois grandes quadros de funcionários: completou-se a fusão das carreiras
diplomática e consular pelo Decreto-lei nº 791/38.

Era Vargas
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Estados Unidos do Brasil


Brasil

← 1930 – 1945 →

Bandeira do Brasil Brasão de armas do Brasil


Lema nacional
Ordem e Progresso

Hino nacional
Hino Nacional Brasileiro

Extensão territorial do Brasil

Continente América
Região América do Sul
Capital Rio de Janeiro

Língua oficial Português

Governo RepúblicaPresidencialista
Governo Provisório
(1930-1934)
Governo
Constitucionalista (1934-
1937)
Estado Novo (1937-
1945)
Presidente
• 1930 - 1945 Getúlio Vargas
Período histórico Entreguerras
• 24 de
Revolução de 1930
outubro de1930
• 1937-1945 Estado Novo
• 29 de Deposição de Getúlio
outubro de1945 Vargas

Era Vargas é o período da história do Brasil entre 1930 e 1945, quando o país estava sob
a liderança de Getúlio Vargas e que compreende a Segunda e a Terceira
República (Estado Novo).1 Essa época foi um divisor de águas na história brasileira, por
causa das inúmeras alterações que Vargas fez no país, tanto sociais quanto econômicas.
A Revolução de 1930 marcou o fim da República Velha (com a deposição do
presidente Washington Luís; a revogação daconstituição de 1891, com o objetivo de
estabelecer de uma nova ordem constitucional; a dissolução do Congresso Nacional;
intervenção federal em governos estaduais e alteração do cenário político, com a
supressão da hegemonia até então apreciada por oligarquias agriculturas de São
Paulo e Minas Gerais) e sinaliza o início da Era Vargas (tendo em conta que, após o
triunfo da revolução, um junta militar provisória cedeu o poder a Vargas, reconhecido como
o líder do movimento revolucionário).
A Era Vargas é composta por três fases sucessivas: o período do Governo Provisório
(1930-1934), quando Vargas governou por decreto como Chefe do Governo Provisório,
cargo instituído pela Revolução, enquanto se aguarda a adoção de uma nova constituição
para o país, o período da constituição de 1934 (quando , na sequência da aprovação da
nova constituição pela Assembleia Constituinte de 1933-34, Vargas foi eleito pela
assembleia ao abrigo das disposições transitórias da constituição como presidente, ao
lado de um poder legislativo democraticamente eleito) e o período do Estado Novo (1937-
1945), que começa quando Vargas impõe uma nova constituição, em um golpe de
Estado autoritário, e dilui o congresso, assumindo poderes ditatoriais com o objetivo de
perpetuar seu governo.
A deposição de Getúlio Vargas, do seu regime do Estado Novo em 1945 e a posterior a
redemocratização do país, com a adoção de uma nova constituição em 1946 marca o fim
da Era Vargas e o início do período conhecido como Quarta República Brasileira.

Índice
[esconder]

 1 História
o 1.1 República Velha
o 1.2 Governo Provisório (1930 - 1934)
o 1.3 Revolução Constitucionalista de 1932
o 1.4 O Governo Constitucionalista (1934 - 1937)
o 1.5 Revolta Mineira e Plano Cohen (1935 - 1936)
o 1.6 Estado Novo (1937 - 1945)
 1.6.1 Declínio
 2 Legado
 3 Referências

História
República Velha
Ver artigo principal: República Velha
Desde a proclamação da república até o ano de 1930 vigorava no Brasil a República
Velha, conhecida hoje como o primeiro período republicano brasileiro.2 Caracterizada por
ser dominada pela oligarquia cafeeira e pela conhecida aliança política "café com leite"
(entre São Paulo e Minas Gerais),2 a elite cafeeira revezava na presidência do Brasil,
movida pelos seus interesses políticos e econômicos.3
Os fatos que marcaram a república velha foram a sustentação da economia centrada no
café, o saneamento e a reurbanização do Rio de Janeiro, as primeiras greves operárias,
as novas imigrações de europeus, italianos e japoneses, revoltas como arevolta da
chibata, a revolta do contestado e a guerra de canudos.Também houve a construção
de estradas de ferro, usinas hidrelétricas e redes telegráficas.4
Governo Provisório (1930 - 1934)
Ver artigo principal: Revolução de 1930
Getúlio Vargas após a revolução de 1930, que iniciou a Era Vargas

Após tomar o poder através de um golpe militar e instaurar uma ditadura, Getúlio Vargas
usufruía de poderes quase ilimitados e, aproveitando-se deles, começou a tomar políticas
de modernização do país. Ele criou, por exemplo, novos ministérios - como o Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio e o Ministério da Educação e Saúde -, e nomeou
interventores federais. Na prática, os estados perdiam grande parte da sua autonomia
política para o presidente.
Continuou com a Política de Valorização do Café (PVC) e criou o Conselho Nacional do
Café e o Instituto do Cacau atendendo assim a algumas das reivindicações das oligarquias
cafeeiras.
Getúlio Vargas também é creditado, nesta época, a Lei da Sindicalização, que vinculava
os sindicatos brasileiros indiretamente - por meio da câmara dos deputados - ao
Presidente. Vargas pretendia, assim, tentar ganhar o apoio popular, para que estes
apoiassem suas decisões (a política conhecida como populismo). Assim sendo, houve, na
Era Vargas, grandes avanços na legislação trabalhista brasileira, muitos deles não devidos
exatamente a Vargas - a quem cujo crédito maior é o estabelecimento da CLT ,1941,- mas
sim por parte de parlamentares constituintes do período. Mudanças essas que perduram
até hoje.
Revolução Constitucionalista de 1932
Ver artigo principal: Revolução Constitucionalista de 1932
Em 1931, Getúlio Vargas derruba a Constituição brasileira, reunindo enormes poderes no
Brasil. Isso despertou a indignação dos opositores, principalmente as oligarquias cafeeiras
e a classe média paulista, que estavam desgostosos com o governo getulista. A perda de
autonomia estadual, com a nomeação de interventores, desagradou ainda mais. Por mais
que Getúlio tenha percebido o erro e tentado nomear um interventor oligarca paulista,
estes já arquitetavam uma revolta armada, a fim de defender a criação de uma nova
Constituição.
Quando quatro jovens estudantes paulistanos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) são
assassinados no dia 23 de Maio de 1932, diversos setores da sociedade paulista se
mobilizam com o evento, e toda a sociedade passa a apoiar a causa constitucional. No dia
9 de Julho do mesmo ano, a revolução explode pelo estado. Os paulistas contavam com
apoio de tropas de diversos estados, como Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul,
mas Getúlio Vargas foi mais rápido e conseguiu reter esta aliança, isolando São Paulo.
Sem qualquer apoio, os flancos paulistas ficaram vulneráveis, e o plano de rápida
conquista do Rio de Janeiro transformou-se em uma tentativa desesperada de defender o
território estadual. Sem saída, o estado se rende em 28 de setembro.
Mesmo com a vitória militar, Getúlio Vargas atende alguns pedidos dos republicanos e
aprova a Constituição de 1934.
O estado de São Paulo não conseguiu a adesão de praticamente nenhum outro estado
brasileiro. Os paulistas, chefiados por Isidoro Dias Lopes, permaneceram isolados, sem
adesão das demais unidades da federação, excetuando um pequeno contingente militar
vindo do Mato Grosso, sob o comando do general Bertoldo Klinger. Claramente porque era
uma revolução encabeçada basicamente pela elite do PRP - Partido Republicano Paulista
- que, por meios de propagandas eficientes, conseguiu galgar apoio de diversos setores da
sociedade paulista - taxando Getúlio Vargas como um cruel ditador fascista.
Para reprimir a rebelião paulista, Getúlio Vargas enfrentou sérias dificuldades no setor
militar, pois inúmeros generais simplesmente recusaram a missão, tendo em vista que
estes temiam a ameaça de perder os cargos. Percebendo o débil apoio que tinha no seio
da cúpula do Exército, e a fim de conquistá-lo, Vargas rompeu em definitivo com os
tenentes, que não eram bem vistos pelos oficiais legalistas.
Em 3 de outubro de 1932, em meio à crise militar e apesar dela, Getúlio conseguiu
esmagar a revolta paulista.
O Governo Constitucionalista (1934 - 1937)
Parte de uma série sobre a

História do Brasil

Era pré-cabralina[Expandir]

Colônia (1530–1815)[Expandir]

Reino Unido (1815–1822)[Expandir]

Império (1822-1889)[Expandir]

Primeira República (1890-1930)[Expandir]

Era Vargas (1930-1945)[Expandir]

Quarta República (1946-1964)[Expandir]

Regime militar (1964–1985)[Expandir]

Nova República (1985-atual)[Expandir]

Constituições[Expandir]

Listagens[Expandir]
Temáticas[Expandir]

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v•e

Getúlio Vargas convoca a Assembleia em 1933, que, em 16 de Julho de 1934, promulga a


nova Constituição, trazendo novidades como o voto secreto, o ensino primário obrigatório,
o voto feminino e diversas leis trabalhistas. O voto secreto significou o fim do voto aberto
preponderante na República Velha, quando os coronéis tinham a oportunidade de
controlar os votos. A nova constituição estabeleceu também que, após sua promulgação, o
primeiro presidente seria eleito de forma indireta pelos membros da Assembleia
Constituinte. Getúlio Vargas saiu vitorioso.
Nessa mesma época, duas vertentes políticas começaram a influenciar a sociedade
brasileira. De um lado, a direita fundava a Ação Integralista Brasileira (AIB), pregando um
Estado totalitário. Do outro, crescia a força de esquerda da Aliança Nacional Libertadora
(ANL), patrocinada pelo regime comunista da União Soviética.
Estes partidos possuíam caráter nacional, diferentemente dos partidos dominantes durante
a República Velha, que geralmente representavam o seu estado (São Paulo, Minas
Gerais, Rio de Janeiro...). Essa tendência persiste até hoje.
Integralismo: Corrente que defendia a direita no Brasil, liderada por Plínio Salgado.
Aliancismo: Corrente que defendia a esquerda no Brasil através da Intentona Comunista,
liderada por Luiz Carlos Prestes e Olga Prestes. eles achavam Getúlio Vargas um
problema.
Revolta Mineira e Plano Cohen (1935 - 1936)
Com a aprovação da nova constituição, Getúlio Vargas obteve a aprovação da elite
paulista. Essa nova constituição ajudava a classe trabalhadora e conseguia agradar a elite
paulista, porém os mineiros ficaram insatisfeitos com a nova constituição. Ela não auxiliava
um estado que estava em estado de crise, desde o fim da Oligarquia Café-com-Leite, isso
gerou revolta, tanto por parte da elite quanto pelos trabalhadores, que, com a crise, estava
sem trabalho nas cidades e fazendas.
Em fevereiro de 1935 a revolta se inicia. Minas contava com o apoio do Acre, Roraima e
de Amapá para conseguir conquistar a independência do país. Contando com apenas 300
soldados, a revolta consegue deter a guarda nacional por quase um ano e declara sua
nova constituição. Ela ficou conhecida como Constituição Mineira.
A nova constituição retirava o voto das mulheres e voltava com o antigo método de
produção escravista, embora isso tenha agradado a Roraima e o Amapá, o Acre não
concordou e abandonou a aliança. Com a ajuda dos acreanos, a guarda nacional
finalmente conseguiu deter Minas Gerais e integrá-la novamente ao Estado Brasileiro. Em
25 de janeiro de 1936 a revolta é completamente desfeita.
Getúlio Vargas e o alto comando das Forças Armadas sempre se mostraram contra o
comunismo, e usaram este pretexto para o seu maior sucesso político - o golpe de 1937. O
PCB, que surgiu em 1922, havia criado a Aliança Nacional Libertadora, mas Getúlio
Vargas a declarou ilegal, e a fechou. Assim, em 1935, a ANL (com o apoio da Internacional
Comunista Comintern) montou a Intentona Comunista, uma revolta contra Getúlio Vargas,
mas que este facilmente conteve. Em 1937, os integralistas forjaram o "Plano Cohen", em
que dizia-se que os comunistas planejavam uma revolução maior e mais bem-arquitetada
do que a de 1935, e teria o amplo apoio do Partido Comunista da União Soviética. Os
militares e boa parte da classe média brasileira, assim, apoiam a ideia de um governo mais
fortalecido, para espantar a ideia da imposição de um governo comunista no Brasil. Com o
apoio militar e popular, Getúlio Vargas derruba a Constituição de 1934,e declara o Estado
Novo.
Estado Novo (1937 - 1945)
Ver artigo principal: Estado Novo (Brasil)
Ver também: Brasil na Segunda Guerra Mundial

Pintura representando o encontro de Getúlio Vargas e Franklin Rooseveltna base aérea norte americana
emNatal, no Rio Grande do Norte, em 1943.

A constituição de 1937, que criou o "Estado Novo" getulista, tinha caráter centralizador e
autoritário. Ela suprimiu a liberdade partidária, a independência entre os três poderes e o
próprio federalismo existente no país, Vargas fechou o Congresso Nacional e criou o
Tribunal de Segurança Nacional. Os prefeitos passaram a ser nomeados pelos
governadores e esses, por sua vez, pelo presidente. Foi criado oDIP (Departamento de
Imprensa e Propaganda), com o intuito de projetar Getúlio Vargas como o "Pai dos
Pobres" e o "Salvador da Pátria".
Durante a Segunda Guerra Mundial, ao longo do ano de 1942, as marinhas da Alemanha
Nazista e Itália Fascista estenderam a guerra submarina às águas do Atlântico Sul,
atacando os navios de bandeiras de todos os países que haviam ratificado o compromisso
da Carta do Atlântico, compromisso esse que era de se alinhar automaticamente com
qualquer país do continente americano que viesse a ser atacado por um país de fora do
continente. Isto implicou o alinhamento com os Estados Unidos, desde que estes foram
atacados pelos japoneses em Pearl Harbor. Os Estados Unidos haviam forçado o Japão a
esta declaração de guerra devido a atos como grandes empréstimos de dinheiro à China,
tradicional inimigo do Japão, congelamento de ativos japoneses em território americano e
suspendendo o fornecimento de petróleo àquele país. Dias depois tiveram declarações de
guerra enviada a eles pela Alemanha e Itália.
Durante todo o primeiro semestre vários navios mercantes brasileiros foram afundados no
Atlântico, supostamente por submarinos alemães, não apenas no Atlântico Sul. Contudo a
situação econômica já depauperada da Alemanha e a indiferença que o Brasil tinha neste
contexto, faz crer que esta tenha sido uma ação orquestrada por outros interesses. Devido
ao alarde dos casos pela imprensa, a população brasileira saiu às ruas para exigir que o
governo, frente à agressão, reagisse com a declaração de guerra.
Carmen Miranda foi um símbolo da "Política da Boa Vizinhança", que consistia em ampliar os laços entre
osEstados Unidos e a América Latina.

Os EUA tinham planos para invadir o nordeste, caso o governo Vargas insistisse em
manter o Brasil neutro.5 6 Mesmo com a atitude passiva do ponto de vista diplomático, com
o governo brasileiro ainda se mantendo oficialmente na neutralidade, o estado de guerra
se mostrou irreversível quando, a partir de maio daquele ano, aviões da FAB passaram a
atacar qualquer submarino alemão e italiano que fosse avistado.7
Apenas entre os dias 15 e 21 de agosto de 1942, cinco navios brasileiros - Baependi,
Aníbal Benévolo, Araraquara, Itagipe e Arará foram torpedeados na costa nordestina
(Sergipe e Bahia), sendo que um deles estaria vazio e sem tripulação.8 No final daquele
mês, o Brasil se uniu formalmente aos aliados, declarando guerra à Alemanha e Itália.9
Neste período, Vargas também assinou o Tratado de Washington com o presidente norte-
americano Roosevelt, garantindo a produção de 45 mil toneladas de látex para as forças
aliadas, o que impulsionou o segundo ciclo da borracha, trazendo progresso para a região
da Amazônia e também colonização, uma vez que só do nordeste do Brasil foram para a
Amazônia 54 mil trabalhadores, a maioria do Ceará. Em meio a incentivos econômicos e
pressão diplomática, os americanos instalaram bases aeronavais ao longo da costa norte-
nordeste brasileira, sendo a base militar no município de Parnamirim, vizinho à
capital Natal, no estado do Rio Grande do Norte, a principal dentre estas do ponto de vista
militar, embora Recife tenha sido escolhida como sede do comando aliado no Atlântico
Sul.7
A participação do Brasil na guerra e a forma como a mesma se desenrolou, com o envio
inclusive de uma força expedicionária ao teatro de operações do mediterrâneo, acabou por
ter um peso significativo para o fim do regime do Estado Novo.
Declínio
Ver artigo principal: Manifesto dos Mineiros
O Manifesto dos Mineiros foi um documento de 1943 que marcou o início da oposição
aberta ao Estado Novo, criticando abertamente o regime ditatorial daquele período.
Assinado por 76 políticos, intelectuais e empresários de Minas Gerais, exigia a
redemocratização e era passado, clandestinamente, de mão em mão.
No dia 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto por um golpe militar, sendo
conduzido ao exílio na sua cidade natal, São Borja. No dia 2 de dezembro do mesmo ano,
foram realizadas eleições livres para o parlamento e presidência, nas quais Getúlio seria
eleito senador pela maior votação da época. Era o fim da Era Vargas, mas não o fim de
Getúlio Vargas, que em 1951 retornaria à presidência pelo voto popular.
Na sucessão de Dutra, em 1950, o PTB lançou Getúlio Vargas como candidato à
presidência, numa campanha popular empolgante e vitoriosa. Getúlio Vargas voltou ao
poder, como se disse na época: "Nos braços do povo"
As principais propostas de Getúlio Vargas foram: A criação da Eletrobrás, fundamental
para o desenvolvimento industrial e a criação da Petrobras para diminuir a importação do
produto, que consumia grande parte das divisas nacionais.
Mas havia um jornalista muito crítico na época chamado Carlos Lacerda, que acusava
Getúlio de estar em um "mar de lama", de nepotismo, acumulação de privilégios e de
aliados. O chefe da guarda do presidente, Gregório Fortunato, tramou um atentado para
matar o jornalista no que ficou conhecido como o Atentado da rua Tonelero, porém no
momento da execução Carlos Lacerda estava acompanhado de um major da
Aeronáutica, Rubens Vaz.
Enquanto Lacerda se dirigia para a portaria de seu prédio, Fortunato realizou os disparos
que levaram à morte o major. A crise ganhou dimensão e as Forças Armadas, após
prenderem Gregório e os homens que haviam sido contratados para o atentado,
pressionaram Vargas para que ele renunciasse novamente.

Legado
O Governo de Getúlio Vargas se torna fundamental para a formação do Brasil
contemporâneo. O desmantelamento dos poderes estaduais e o fortalecimento de um
governo central, o papel do Estado como principal investidor na economia, a criação de
mecanismos sociais (como o sufrágio universal e a Consolidação das Leis do Trabalho)
etc., serão figuras centrais durante as décadas seguintes na História brasileira.
A enorme importância de seu primeiro regime, entretanto, não conseguiu ser repetida. Ao
reassumir o posto de presidente, em 1951, Vargas passa a governar em regime
democrático, o que o enfraquece sensivelmente. Após anos de pressões políticas, Getúlio
Vargas não suportou, e se suicidou com um tiro no peito, em 24 de agosto de 1954. Em
uma carta-testamento, afirmava que sempre pertenceu ao povo. Em um dos últimos
trechos havia a frase que ficou para a posteridade: "… Serenamente dou o primeiro passo
no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.".

Governo Juscelino Kubitschek


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Governo Juscelino Kubitschek é o período de governo republicano vivido


entre 1956 e 1961. Sua eleição foi marcada pelo plano de ação "Cinquenta anos em
cinco", marca do desenvolvimentismo, já que o ideal era trazer ao Brasil o
desenvolvimento econômico e social. Segundo JK, se com outros governantes este
processo levaria cinquenta anos, com ele levaria apenas cinco1 . Trouxe diversas
empresas estrangeiras para o país, entre elas, as automobilísticas Chrysler e Ford através
do Grupo Executivo da Indústria Automobilística, já que ele queria incentivar o comércio
de carros, além de televisões e outros bens de consumo. Em resumo, procurou alinhar a
economia brasileira à economia a americana. Na teoria era um projeto muito bom, mas na
prática não foi tanto, a começar pelo fato de que Juscelino propôs (e fez) empréstimos
junto a centros financeiros americanos, endividando o Brasil
Porém, uma obra que ajudou a desenvolver especialmente a região Centro-Oeste foi a
locomoção da capital do Rio de Janeiro para Brasília, no centro do país, em 1960. O fato
tirou do Rio de Janeiro o centro político, financeiro e populacional, já que à época esta era
a principal metrópole do país.
Em janeiro de 1956, tomou posse o novo presidente Juscelino Kubitschek, ex-governador
de Minas Gerais, que inicia um período de intensa industrialização do país e a construção
da nova capital federal, Brasília2 . Quando era candidato a presidência da república, em
um comício na cidade de Jataí, em 1955, Kubitschek foi questionado por um eleitor se iria
respeitar a constituição e a respeito de mudar a capital do país, após sua vitória, Juscelino
estabeleceu como "meta-síntese" de suas promessas eleitorais3 .

República populista[editar | editar código-fonte]


Ver artigo principal: Período Populista

Após a derrubada da ditadura getulista e a promulgação de uma nova Constituição Federal


(1946) até o Golpe Militar de 1964, o país vive uma das fases mais democrática que já
experimentara - o chamado Populismo (1946-1964) - embora abalada por fatos como o
suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954. Vargas havia assumido em 1951 após ter
vencido eleição direta para presidente.
Em 1961 assume a presidência da república o udenista Jânio Quadros, tendo como vice-
presidente o petebista João Goulart (havia eleições para presidente e para vice-presidente
em duas chapas distintas).
Com a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 e após um período de
instabilidade institucional e da campanha que ficou conhecida como "campanha da
legalidade" patrocinada pelo cunhado de João Goulart, o governador do Rio Grande do
Sul, Leonel Brizola, Jango assume a presidência (primeiro em um regimeparlamentarista,
depois a partir de 1963 em um regime presidencialista) e propõe um conjunto de reformas
que ficaram conhecidas como as "reformas de base", que incluíam distribuição de
renda, reforma agrária e outras medidas, consideradas, pela oposição, "comunizantes"1 .
Iniciara-se um período de instabilidade política e atritos entre os diversos interesses
da direita e da esquerda.

Referências

Governo Fernando Henrique Cardoso


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde janeiro de 2012). Por favor, adicione
referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

Governo Fernando Henrique Cardoso


34º presidente do Brasil

Período de governo 1 de janeiro de 1995


a 1 de janeiro de 2003

Vice-presidente Marco Maciel

Antecessor(a) Itamar Franco

Sucessor(a) Luiz Inácio Lula da Silva

Dados pessoais

Partido PSDB

O Governo Fernando Henrique, também chamado Governo FHC, teve início com a
posse da presidência por Fernando Henrique Cardoso, em 1 de Janeiro de 1995, e
terminado em 1 de janeiro de 2003, quando assumiu Luiz Inácio Lula da Silva.
Fernando Henrique Cardoso foi presidente por dois mandatos consecutivos (de 1995
a 1998 e de 1999 a 2002). Suas principais marcas foram a consolidação do Plano Real, a
introdução dos programas de transferência de renda como o Bolsa Escola, além de
profundas reformas econômicas.[carece de fontes]

Índice
[esconder]

 1 Características
o 1.1 Economia
 1.1.1 Início da expansão econômica
 1.1.2 Crises econômicas enfrentadas
 1.1.3 Salário Mínimo
 1.1.4 PIB
 1.1.5 Aumento da dívida pública
 1.1.6 Lei de Responsabilidade Fiscal
 1.1.7 Índice de Desenvolvimento Humano
o 1.2 Saúde
 2 Crises e acusações de corrupção
o 2.1 Reeleição
o 2.2 Crise do apagão
 3 Referências
 4 Ver também

Características[editar | editar código-fonte]


Economia[editar | editar código-fonte]
A política de estabilidade e da continuidade do Plano Real foi a principal bandeira da
campanha eleitoral de 1998 para a reeleição de FHC. Ele foi reeleito já no primeiro turno.
Promoveu inúmeras privatizações em setores como telecomunicações, distribuição
de energia elétrica, mineração e financeiro. Essas privatizações eram contestadas por sua
oposição, principalmente do PT1 .
Ao longo de seu mandato presidencial a economia brasileira2 se manteve estável, em
consequência do controle da inflação conseguido com o Plano Real.
Início da expansão econômica[editar | editar código-fonte]
Durante o Plano Real e sucessivamente, houve um maciço ingresso de investimentos
externos na área produtiva, sendo essa entrada de dólares uma das âncoras do plano. Só
na área da indústria de automóveis, entraram com fabricação no país durante o governo
de Fernando Henrique nada menos que onze marcas
(Peugeot, Renault, Citroën, Audi,Mitsubishi, Nissan, Land Rover, Toyota - até então uma
pequena fabrica artesanal de jipes, Honda, Mercedes-Benz automóveis, Dodge-Chrysler,
fora a (na época) brasileiraTroller). Ainda no setor de caminhões a Volkswagem implantou
fábrica em Resende-RJ, a Iveco em Minas e a Internacional/Agrale no Rio Grande do Sul.
Entraram em atividade também montadoras de motocicletas como Kasinski e Sundown em
Manaus. A produção de veículos no país cresceu expressivamente ultrapassando a marca
de 2 milhões/ano.[carece de fontes] Investimentos perderam fôlego por causa das crises em
vários países emergentes que ainda afetavam o Brasil.
Nesse período o país começava a viver uma expansão econômica, depois de sofrer os
efeitos de várias crises internacionais nos anos anteriores. A expansão econômica
embrionária, no entanto, trouxe efeitos colaterais sérios, gerados pela ausência de
investimento e planejamento em produção de energia no Brasil, que não se organizara
para seu crescimento.
Crises econômicas enfrentadas[editar | editar código-fonte]
Ver artigos principais: Crise financeira asiática de 1997, Crise econômica da
Argentina, Crise russa de 1998, Crise econômica do México de 1994 e Desvalorização do
real em 1999
Pedro Malan, ministro da Fazenda no governo FHC, à direita do então secretário do Tesouro dos
EUA, Paul O'Neill

FHC enfrentou diversas crises mundiais durante seu governo, como a crise do México em
1995, a crise asiática em 1997-98, a crise russa em 1998-99 e, em 2001, a crise argentina,
os atentados terroristas nos EUA em 11 de setembro de 2001, a falsificação de balanços
da Enron/Arthur Andersen. Internamente, enfrentou uma crise em 1999, quando houve
uma forte desvalorização do real, depois de o Banco Central abandonar
o regime de câmbio fixo e passar a operar em regime de câmbio flutuante. Em 2002, a
própria eleição presidencial no Brasil, em que se previa a vitória de Lula, causou mais uma
vez a fuga de hot-money, elevando o preço do dólar a quase R$ 4,00.[carece de fontes]
Opositores de seu governo afirmam entretanto que tendo Fernando Henrique incentivado o
fluxo de capitais externos especulativos de curto prazo no Brasil (hot-money) - que
supostamente inundariam o país para equilibrar o balanço de dólares, exatamente o
oposto do desejado se deu: a cada crise que surgia em outros países emergentes, a
economia brasileira sofria uma retirada abrupta desses capitais internacionais
especulativos, o que obrigava FHC a pedir socorro ao FMI, o que fez três vezes.3 , sendo a
última já com concordância de Lula, recem-eleito.[carece de fontes] Seus defensores lembram
que FHC pegou o país falido, praticamente sem divisas em dólar e com uma hiper-inflação
que chegou a mais 70% em um único mês, tendo que abrir mão de diversas frentes para
estabilizar o país e entregá-lo ao seu sucessor com as finanças devidamente
organizadas.[carece de fontes]
As principais marcas positivas do governo FHC foram a continuidade do Plano Real,
iniciado por Itamar Franco que tinha o próprio Cardoso como Ministro da Fazenda; o fim
dahiperinflação, e a criação de programas sociais pioneiros[carece de fontes], como o bolsa-
escola, o vale-gás e o bolsa-alimentação. Além de mudanças amplas no Estado brasileiro,
com a implementação da Advocacia Geral da União, da Lei de Responsabilidade Fiscal,
do Ministério da Defesa e a implantação do PROER - programa de restruturação do
sistema financeiro brasileiro - concentrando e transformando os bancos brasileiros em
instituições fortemente fiscalizadas[carece de fontes], o que rendeu elogios do próprio presidente
Lula na ocasião da crise econômica mundial de 2008. [carece de fontes]

Logotipo e slogan, Trabalhando por todo o Brasil, utilizado no governo Fernando Henrique entre 1999 e
2002

Salário Mínimo[editar | editar código-fonte]


O salário mínimo passou, em oito anos, de 70 para 200 reais em termos absolutos.4 Em
termos reais seu crescimento foi de 44,28%5
PIB[editar | editar código-fonte]
A taxa média de crescimento do PIB do período FHC foi de 2,3% ao ano6 .7
Aumento da dívida pública[editar | editar código-fonte]
Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República, a dívida pública
federal interna e externa somavam cerca de R$ 153 bilhões e as dívidas de estados e
municípios permaneciam descontrolados.
No seu governo, a dívida pública do Brasil, que era de US$ 60 bilhões em julho de 1994,
saltou para US$ 245 bilhões em novembro de 2002, principalmente devido as altas taxas
de juros e pela absorção da dívidas dos estados da federação com a Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF).8 Com as privatizacões de empresas estatais conseguiu
gerar para o Tesouro Nacional uma receita de US$ 78,61 bilhões, sendo 95% em moeda
corrente).9
Lei de Responsabilidade Fiscal[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Lei de Responsabilidade Fiscal
A Lei de Responsabilidade Fiscal provocou uma mudança substancial na maneira como é
conduzida a gestão financeira dos três níveis de governo. Até então, o governo federal não
tinha mecanismos para medir o endividamento total do país. Como medida de
contingênciamento para a implantação da LRF, o governo tomou para si as dívidas
públicas estaduais e municipais, tornando-se credor dos estados e municípios altamente
endividados. Com a LRF, impediu que os prefeitos e governadores endividassem
novamente os estados e municípios além da capacidade de pagamento.
Índice de Desenvolvimento Humano[editar | editar código-fonte]
Entre 1995 e 2000, o Brasil melhorou seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de
0,753 para 0,789.10

José Serra

Saúde[editar | editar código-fonte]


O programa de combate à AIDS foi copiado por outros países e apontado como melhor
programa de combate a Aids pela ONU.11 No período, foi criada também a lei de incentivo
aos medicamentos genéricos, o que possibilitou a queda do preço dos medicamentos no
Brasil.[carece de fontes]Eliminou os impostos federais dos medicamentos de uso
continuado.[carece de fontes] Foi regulamentada ainda a lei de patentes, com resolução
encaminhada à Organização Mundial do Comércio para licenciamento compulsório de
fármacos em caso de interesse da saúde pública.12 Foi organizado também o Sistema
Nacional de Transplantes e a Central Nacional de Transplantes.[carece de fontes]
Durante o Governo FHC, foi sancionado a Lei nº 10.167, de 2000 que tornou mais rigorosa
a política antitabagista no Brasil, com a proibição da publicidade e a introdução das
imagens de impacto em embalagens de cigarro.13 14 Também foi introduzida a vacinação
dos idosos contra a gripe e criada a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Também tinha os "Mutirões da
Saúde".[carece de fontes]

Crises e acusações de corrupção[editar | editar código-fonte]


Reeleição[editar | editar código-fonte]
No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, foi aprovada uma emenda
constitucional que permitiu a reeleição para os cargos executivos em todos os níveis.
Tornando-se FHC o primeiro presidente brasileiro a ser reeleito posteriormente. Gravações
colocaram sob forte suspeita a emenda que permitiu a reeleição do FHC. Dois deputados
do PFL admitiram terem desembolsado dinheiro junto a Sérgio Motta (Ministro das
comunicações) para votar a favor da emenda. Os deputados acusados, após serem
investigados pela Comissão de Constituição e Justiça, se viram obrigados a renunciar para
evitar a cassação de seus mandatos.15 16 17 18
Tendo formado uma base de sustentação coesa, principalmente através do apoio total
do PFL e de parte do PMDB, FHC manteve uma relativa estabilidade política neste
período.
Em maio de 1997 grampos telefônicos publicados pela Folha de S. Paulo revelaram
conversas entre o então deputado Ronivon Santiago e outra voz identificada no jornal
comoSenhor X. Nas conversas, Ronivon Santiago afirma que ele e mais quatro deputados
receberam 200 mil reais para votar a favor da reeleição, pagos pelo então governador do
Acre, Orleir Cameli18
A oposição ao governo, liderada pelo PT, baseada em gravações de conversas telefonicas
divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo que demonstravam como quatro deputados
federais venderam seus votos por US 200 mil cada,18 passou a acusar
pessoalmente Fernando Henrique Cardoso, de ter comprado os votos dos deputados.
Esse, por sua vez, defendeu-se, alegando que vários foram os beneficiados pela emenda,
uma vez que governadores e prefeitos também poderiam ser reeleitos e que as escutas
mostravam o envolvimento de um governador e seus deputados, não o governo
federal.[carece de fontes]
O episódio foi investigado na época pela Comissão de Constituição e Justiça - numa
investigação que durou poucas horas - e anos depois foi abordada pela CPI do Mensalão.
Em ambas as circunstâncias, não se conseguiu comprovar a efetiva compra de votos
diretamente por FHC
Após a investigação da CCJ os deputados Ronivon Santiago e João Maia renunciaram a
seus mandatos, para evitar sua cassação.
Crise do apagão[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Crise do apagão
Após toda uma década sem investimentos na geração e distribuição de energia elétrica no
Brasil, na passagem de 2000 para 2001, um racionamento de energia foi elaborado às
pressas e atingiu diversas regiões do Brasil, principalmente a Região Sudeste.19 O
Governo FHC foi surpreendido pela necessidade urgente de cortar em 20% o consumo de
eletricidade em quase todo o País (a região sul não participou do racionamento, tendo em
vista que suas represas estavam cheias). Enquanto a energia sobrava em alguns estados,
onde chovia muito, como no Rio Grande do Sul, faltava em outros onde não chovia. A
ausência de linhas de transmissão com capacidade suficiente para transferir as cargas
gerava essa desigualdade.
O governo estipulou benefícios aos consumidores que cumprissem a meta e punições
para quem não conseguisse reduzir seu consumo de luz. Introduziu também no Brasil em
tempo recorde uma rede de usinas termoelétricas para funcionar como segunda opção em
casos de estiagens longas. Até então o país era totalmente dependente da geração de
energia através de recursos hidricos. [carece de fontes]
No final de 2001, o nível de chuvas melhorou e o racionamento pôde ser suspenso em
fevereiro de 2002.

Governo Lula
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Este artigo ou secção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde agosto de 2011). Por
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—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

Governo Lula

Presidente Lula e o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, participam de


reunião com representantes da Confederação Nacional do Transporte,
no Palácio do Planalto.

35º presidente do Brasil

Período de governo 1º de janeiro de 2003


a 1º de janeiro de 20111

Vice-presidente José Alencar

Antecessor(a) Fernando Henrique Cardoso

Sucessor(a) Dilma Rousseff

Dados pessoais

Partido Partido dos Trabalhadores

O Governo Lula (2003–2010) corresponde ao período da história política brasileira que se


inicia com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, em 1 de janeiro de 2003, em
sua quarta tentativa para chegar ao cargo presidencial, após derrotar o candidato
do PSDB José Serra, com 61,27% dos votos válidos, em segundo turno.2 A eleição de
Lula, que havia sido derrotado nos anos de 1989, 1994 e 1998, é marcada por ter sido a
primeira na história brasileira de um ex-operário ao posto mais importante do país.3

Em outubro de 2006, Lula se reelegeu para a presidência, derrotando o candidato do


PSDB Geraldo Alckmin, sendo eleito no segundo turno com mais de 60% dos votos
válidos contra 39,17% de seu adversário.4 Sua estada na presidência foi concluída em 31
de dezembro de 2010.

O Governo Lula terminou com aprovação recorde da população, com número superior a
80% de avaliação positiva.5 6 7 Teve como principais marcas a manutenção da estabilidade
econômica, a retomada do crescimento do País e a redução da pobreza e da
desigualdade social.8
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Índice
[esconder]

 1 Características
o 1.1 Economia
 1.1.1 Inflação
 1.1.2 Produto Interno Bruto
 1.1.3 Desemprego
 1.1.4 Arrecadação e Impostos
 1.1.5 Dívidas
 1.1.6 Reservas internacionais
 1.1.7 Taxa de Juros
 1.1.8 Crise de 2009
 1.1.9 Privatizações
 1.1.10 Redução da pobreza e distribuição de renda
o 1.2 Índice de Desenvolvimento Humano
o 1.3 Reformas
o 1.4 Programas Sociais
 1.4.1 Bolsa Família
 1.4.2 O Fome Zero
 1.4.3 Primeiro Emprego
 1.4.4 Mortalidade Infantil
 1.4.5 Combate à Escravidão
o 1.5 Educação
o 1.6 Política externa
o 1.7 Meio Ambiente
 2 Crises e acusações de corrupção
o 2.1 Escândalo do Mensalão
o 2.2 Crise do setor aéreo
o 2.3 Escândalo dos cartões corporativos
o 2.4 Caso Erenice Guerra
o 2.5 Passaportes Diplomáticos
o 2.6 Denúncia do Ministério Público
 3 Segundo mandato
o 3.1 Infraestrutura
o 3.2 Saúde
o 3.3 Segurança
o 3.4 Habitação
o 3.5 Telecomunicações
o 3.6 Outros indicadores internacionais gerais do Brasil no governo Lula
 4 Ver também
 5 Referências
 6 Ligações externas

Características[editar | editar código-fonte]


Economia[editar | editar código-fonte]

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central desde o início do Governo Lula.

A gestão Lula iniciou dando seguimento à política econômica do governo


anterior, FHC.9 Para tanto, nomeou Henrique Meirelles, deputado federal eleito
pelo PSDB de Goiás em 2002, para a direção do Banco Central do Brasil dando um forte
sinal para o mercado - principalmente o Internacional, em que Meirelles é bastante
conhecido por ter sido presidente do Bank Boston - de que não haveria mudanças bruscas
na condução da política econômica em seu governo.10 Nomeou o médico sanitarista e ex-
prefeito de Ribeirão Preto Antônio Palocci, pertencente aos quadros do PT, como Ministro
da Fazenda. Após seguidas denúncias contra Palocci feitas pela mídia, no caso conhecido
como "Escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo", este pediu
demissão (em 27 de agosto de 2009, o STF arquivou a denúncia feita contra Palocci).11 O
seu substituto foi o economista e professor universitário Guido Mantega, que assumiu o
ministério em 27 de março de 2006.

O Governo Lula caracterizou-se pela baixa inflação, que ficou controlada12 , redução do
desemprego e constantes recordes da balança comercial.13 Na gestão do presidente Lula
observou-se o recorde na produção da indústria automobilística em 2005, e o maior
crescimento real do salário mínimo.14

Em 2010, Alan Mulally, presidente mundial da Ford afirmou que graças aos programas de
incentivo do Governo Lula foi possível ao país sair de forma efetiva da crise
mundial.15 Durante a crise a retração do PIB foi de apenas 0,2%, mostrando um resultado
melhor que as grandes economias do mundo obtiveram.12

Inflação[editar | editar código-fonte]

Nos oito anos do Governo Lula, a taxa de inflação oficial do País, representada pelo Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em sete oportunidades dentro da meta
estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).16 A exceção ficou por conta
justamente do primeiro ano da gestão, em 2003, quando o IPCA, mesmo mostrando uma
alta menor, de 9,30%, ante a taxa de 12,53% de 2002, ficou acima da meta ajustada de
8,5% anunciada pelo Banco Central.17

Em 2004, depois de o CMN estipular uma meta de inflação acumulada de 5,5% para
aquele ano, com tolerância de 2,5 pontos porcentuais para baixo ou para cima, o IPCA
atingiu uma taxa final de 7,60%, bem próxima do teto estabelecido.18 Em 2005, a inflação
oficial do País fechou o período com uma alta acumulada de 5,69%, dentro da meta de
4,5%, com tolerância de 2,5 pontos para cima ou para baixo.18

A partir de 2006, o CMN manteve o ponto central da meta inflacionária do Brasil em 4,5%,
mas reduziu as margens para 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo.19 Foi
exatamente nesse ano que o IPCA atingiu a marca de 3,14%, a menor taxa desde o início
de implantação das metas, em 1999.19

Em 2007 e 2008, a inflação acumulada avançou para os níveis de 4,46% e de 5,90%,


respectivamente, mas ainda continuaram dentro do intervalo perseguido pelo Banco
Central.20 Em 2009, em virtude principalmente da alta menor no preços dos alimentos, o
IPCA acumulado desacelerou para a marca de 4,31%.20 No último ano do governo Lula, a
inflação apresentou importante aceleração, registrando alta de 5,91%.21 Apesar de ainda
ter ficado dentro da meta do CMN, de 4,5%, com tolerância de 2 pontos para cima ou para
baixo, o IPCA foi o maior desde 2004.21
Guido Mantega.

Produto Interno Bruto[editar | editar código-fonte]

O PIB no Governo Lula apresentou expansão média de 4% ao ano, entre 2003 e 2010.22 O
desempenho superou o do governo anterior,Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que
mostrou expansão média do PIB de 2,3% ao ano.22 O número médio dos oito anos ficou,
porém, abaixo da média de crescimento da economia brasileira do período republicano, de
4,55%, e colocou o Governo Lula na 19ª posição em ranking de 29 presidentes, conforme
estudo do economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ.23 Quando se divide o
período por dois mandatos, a média foi de 3,5%, no primeiro (2003-2006), e de 4,5%, no
segundo (2007-2010).23

O resultado médio melhor da segunda metade do Governo Lula foi beneficiado


especialmente pelo número do último ano de mandato, já que a economia brasileira
apresentou, em 2010, expressiva expansão de 7,5% ante 2009, o maior crescimento
desde 1986, quando o PIB também cresceu 7,5%, segundo o IBGE.24

Lula iniciou o governo com uma expansão modesta, de 1,1% em 2003.25 Teve seu melhor
resultado justamente em 2010, após uma retração de 0,6% registrada no ano anterior.25 O
segundo melhor resultado do PIB brasileiro nos oito anos de governo foi em 2007, com
expansão de 6,1%.25 Em 2004, a economia cresceu 5,7%; em 2005, 3,2%; em 2006, 4%;
e, em 2008, 5,2%.25

Desemprego[editar | editar código-fonte]

De acordo com o IBGE, em dezembro de 2010, a taxa de desemprego atingiu 5,3%


da população economicamente ativa (PEA), o que representou o menor resultado da série
histórica, iniciada em 2002 pelo instituto.26 Em dezembro de 2002, o desemprego
representava 10,5% da PEA.26 Em 2003, no mesmo mês, a taxa ficou em 10,9%.26 Em
dezembro de 2004, atingiu 9,6% da PEA e, no mesmo mês dos anos seguintes, a taxa
sempre mostrou números menores: 8,4% (2005 e 2006); 7,5% (2007); 6,8% (2008 e
2009).26

O desemprego médio do último ano do Governo Lula foi de 6,7%, também o menor da
série histórica.27 Em 2009, essa mesma taxa era de 8,9%.27

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)


do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o volume de vagas criadas em 2010 foi o
melhor do Governo Lula na geração de emprego com carteira de trabalho assinada e
também representou resultado histórico.28 Descontadas as demissões de 2010, foram
criados 2.524.678 postos de trabalho formal.28 No acumulado de oito anos da era Lula, o
Ministério do Trabalho contabilizou a criação de 15.048.311 novas vagas com carteira
assinada, já descontadas as demissões.28

Arrecadação e Impostos[editar | editar código-fonte]

No ano de 2010, o total de arrecadação de impostos foi de R$ 805,7 bilhões, o que


representou o maior valor da história do País, segundo informação divulgada pela
Secretaria da Receita Federal.29

Dívidas[editar | editar código-fonte]

Durante a gestão de Lula, a liquidação do pagamento das dívidas com o FMI contraídas
em governos anteriores foram antecipadas. Esta ação resultou em melhor prestígio
internacional e maior atenção do mercado financeiro para investir no Brasil.30 A dívida
externa brasileira, passou de US$ 214,93 bilhões no ano de 2003, para em dezembro
de2010, US$ 255,664 bilhões.31 Em dezembro de 2010, o valor referente ao estoque da
dívida pública mobiliária federal interna (DPMFI) atingiu nível recorde, depois de subir para
R$ 1,603 trilhão ante o valor de R$ 1,574 trilhão de novembro do mesmo ano.32

Reservas internacionais[editar | editar código-fonte]

O Governo Lula terminou com um valor total de US$ 288,575 bilhões em reservas
internacionais em 31 de dezembro de 2010, o que representou recorde histórico.33 No
início do governo, as reservas totalizavam US$ 37,65 bilhões.34 33 35

Taxa de Juros[editar | editar código-fonte]


Prédio do Banco Central em Brasília.

A taxa de juros SELIC saiu de 25% ao ano em 2003, quando Lula tomou posse, para
8,75% ao ano em julho de 2009 (no segundo mandato de Lula), a mais baixa da história.36

Crise de 2009[editar | editar código-fonte]

O Brasil sofreu pouco com a crise econômica de 2008-2009, e isso foi reconhecido
internacionalmente por outros países.37 38 De acordo com estudos da fundação
da Alemanha Bertelsmann publicados em 2010, o Brasil foi um dos países que melhor
reagiram perante a crise.39Segundo os relatórios publicados, a fundação elogia os
programas sociais do país e o controle austero sobre as instituições financeiras, e revela
que o país alcançou posições econômicas melhores.39

Privatizações[editar | editar código-fonte]

O governo Lula foi responsável pela concessão de cerca de 2,6 mil quilômetros de
rodovias federais, que foram a leilão em 9 de outubro de2007.40 41 O vencedor
do leilão para explorar por 25 anos pedágios nas rodovias foi o grupo espanhol
OHL.41 Houve também a privatização de 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul para
a Vale do Rio Doce pelo valor de R$ 1,4 bilhão.41 Entre outras privatizações do governo
Lula, estão a da Hidrelétrica Santo Antônio, Usina Hidrelétrica de Jirau e a linha de
transmissão Porto Velho – Araraquara.41

Redução da pobreza e distribuição de renda[editar | editar código-fonte]

Logomarca e slogan, Brasil, um país de todos, utilizados no governo Lula.

Em 2010, o Bird afirmou que o país avançou na redução da pobreza e distribuição de


renda.42 Segundo a entidade, apesar da desigualdade social ser ainda elevada, conseguiu-
se reduzir a taxa de pobreza de 40% em 1990 para 9,1% em 2006, graças aos avanços
perpetrados pelos governos Collor, Itamar, FHC e Lula.42 Alguns dos motivos para a
redução teriam sido a inflação baixa e os programas de transferência de renda.42
Índice de Desenvolvimento Humano[editar | editar código-fonte]
Entre 2002 e 2007, o Brasil, embora tenha melhorado seu IDH (Índice de Desenvolvimento
Humano) de 0,790 para 0,813, caiu da 63º posição para a 75ª posição no ranking dos
países do mundo.43 O estudo é divulgado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento), que esclareceu o recuo do País para 75ª posição com dois fatores: a
entrada de novos países no levantamento e a atualização de dados, que beneficiaram
países como a Rússia.43 44 Países considerados de "Alto Desenvolvimento Humano" são
aqueles com IDH superior a 0,800.44 No levantamento referente a 2007, uma nova
categoria de países foi incluída no ranking: o IDH "Muito Elevado", com número superior a
0,900.45

No levantamento referente a 2010, último ano do Governo Lula, o Brasil ficou ainda na
distante 73ª posição entre 169 países.46 Por conta de mudanças na metodologia, os
organizadores do levantamento enfatizaram que o IDH de 2010 não pode ser comparado
ao IDH de anos anteriores, que utilizavam uma metodologia diferente.46 Conforme o
relatório, o IDH do Brasil apresenta "tendência de crescimento sustentado ao longo dos
anos".46
Reformas[editar | editar código-fonte]
Uma das plataformas de campanha de Lula foi a necessidade de reformas
constitucionais.47 Uma reforma relevante ocorrida no Governo Lula foi a aprovação da
Emenda Constitucional 45, de 2004, que ficou conhecida como Reforma do Judiciário.
Seus principais aspectos foram a inclusão do princípio da celeridade processual como
direito fundamental; a criação do Conselho Nacional de Justiça, além de outras normas
que objetivam desde um processo judicial mais célere até a moralização e a transparência
do Poder Judiciário.48
Antonio Palocci Filho, ex-ministro da Fazenda. Foto: Marcello Casal/Abr.

Programas Sociais[editar | editar código-fonte]


A desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres teria aumentado entre 2001 e 2003,
conforme publicação do O Globo em fevereiro de 2005.49 Após a posse de Lula, porém,
um relatório do IBGE, do fim de novembro de 2007, afirmou que o governo do presidente
Lula estaria fazendo do Brasil um país menos desigual. Com base no PNAD (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios), a FGV divulgou estudo mostrando comparaçõe
percentuais desde o ano em que Lula tomou posse.50

Bolsa Família[editar | editar código-fonte]

Um programa social bastante conhecido do governo Lula é o Bolsa Família,51 criado por
meio da Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, e regulamentado pelo Decreto nº 5.209, de
17 de setembro de 2004.52 A finalidade do programa, que atende cerca de 12,4 milhões de
habitantes, é a transferência direta de renda do governo para famílias pobres (renda
mensal por pessoa entre R$ 69,01 e R$ 137,00) e em extrema miséria (renda mensal por
pessoa de até R$ 69,00).53 O programa foi uma reformulação e ampliação do
programa Bolsa Escolado governo FHC, que tinha uma abrangência de 5,1 milhões de
famílias.54 Existem preocupações de que o programa seja uma forma de comprar votos, de
que não há controle rígido contra fraudes e de que se corre o risco de tornar-se uma fonte
de renda permanente para os beneficiados.51 Apesar disso, o Bolsa Família também é
elogiado por especialistas pelo fato de ser um complemento financeiro para amenizar a
fome das famílias em situação financeira precária.51 É apontado também como um dos
fatores que propiciaram às famílias das classes mais pobres o consumo maior de
produtos,55 o que beneficia a economia do país.51

O Bolsa Família foi considerado um dos principais programas de combate à pobreza do


mundo, tendo sido nomeado como "um esquema anti-pobreza inventado na América
Latina (que) está ganhando adeptos mundo afora" pela britânica The Economist. Ainda de
acordo com a publicação, os governos de todo o mundo estão de olho no
programa..56 57 O jornal francês Le Monde reportou: "O programa Bolsa Família amplia,
sobretudo, o acesso à educação, a qual representa a melhor arma, no Brasil ou em
qualquer lugar do planeta, contra a pobreza."58

O Fome Zero[editar | editar código-fonte]

Ao assumir a Presidência da República, Lula disse que em


sua gestão queria ver todo brasileiro fazer “três refeições por
dia”. Essa diretriz levou o governo petista a implantar, em — Centro
fevereiro de 2003, o Programa Fome Zero (PFZ) como plano Internacional de

orientador das políticas direcionadas aos segmentos sociais Políticas para

que estariam vivendo abaixo de um padrão socialmente Crescimento

aceitável. Inclusivo59

O programa Fome Zero começou como uma tentativa do Presidente da República


de mobilizar as massas em favor das pessoas mais necessitadas no Brasil.60 O programa
fez com que os olhos dos governos internacionais se voltassem para o Brasil, sendo Luiz
Inácio muito elogiado por organismos internacionais.61 A meta era uma tarefa ousada de
erradicar a fome em quatro anos e reduzir a subnutrição até 2015.61 Por uma série de
razões, não foi realizada a contento e foi substituído pelo Bolsa Família.62

O Fome Zero foi citado pelos críticos como um dos principais fracassos da administração
Lula, conforme o Jornal do Brasil.63 Foi, entretanto, elogiado pelo secretário-geral
daONU, Ban Ki-moon, que, em 2010, durante participação no III Fórum da Aliança de
Civilizações, disse que o programa, ao lado do Bolsa Família, trouxe "uma grande
diferença" para o Brasil.64

Primeiro Emprego[editar | editar código-fonte]

O Governo Lula lançou, em 2003, o programa Primeiro Emprego, bandeira de campanha


da eleição de Lula em 2002.62 Porém, o programa não deslanchou: foi extinto em 2006,
tendo conseguido empregar menos de 15 mil jovens, quando o plano inicial era 260 mil
vagas por ano.62 Em 2007, o programa, que dava vantagens a empresas que oferecessem
vagas a jovens de 16 a 24 anos, foi excluído do projeto do PPA (Plano Plurianual) 2008-
2011.62 Como o PPA orienta os Orçamentos a cada quadriênio, isso significava o fim da
verba para o Primeiro Emprego a partir de 2008.62 Em 2009, o Governo estudou
ressuscitar o programa, porém, até o momento não houve um consenso sobre o assunto.65

Mortalidade Infantil[editar | editar código-fonte]

Com relação à mortalidade infantil, o governo Lula seguiu a tendência de queda, que se
observa desde 1930 no Brasil.66 Entre 1996 e 2000 a redução foi de 20,5%, entre 2000 e
2004 a redução foi de 15,9%.67
Combate à Escravidão[editar | editar código-fonte]

O combate à escravidão e ao trabalho degradante foram fortificados do governo do


presidente Lula.68 Quando Lula assumiu, FHC tinha deixado um Plano Nacional de
Erradicação do Trabalho Escravo, uma base sobre a qual o governo Lula poderia
trabalhar.69 O resultado foi que, entre 1995 a 2002 houve o resgate de 5.893 pessoas do
trabalho escravo e entre 2003 a 2009, o Brasil resgatou 32.986 mil pessoas da condição
de trabalho escravo, a maioria no Governo Lula.68 70 Porém, as punições ao trabalho
escravo no Brasil, algumas vezes, se restringem a idenizações trabalhistas, como as
assumidadas pelo Grupo Votorantim,71 mas já há evolução e condenações contra tal
crime.72 73 Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), até hoje houve no país
apenas uma condenação com efetivo cumprimento de pena de prisão, sendo aplicadas
normalmente apenas multas, indenizações às vítimas e bloqueio de ficha de empresas
para o recebimento de financiamentos.74 75
Educação[editar | editar código-fonte]
Na área do ensino superior, o ProUni (Programa Universidade Para Todos) foi, segundo as
declarações do MEC, o maior programa de bolsas de estudo da história da educação
brasileira.76 De 2005 a 2009, o ProUni ofereceu quase 600 mil bolsas de estudo em
aproximadamente 1,5 mil instituições de ensino em todo o país, que receberam para isto o
benefício da isenção de tributos. 77

O programa inclui iniciativas como a concessão de um auxílio de R$


300,00 para alunos com bolsa integral matriculados em cursos com
carga horária de pelo menos seis horas diárias (Bolsa-Permanência).
Os bolsistas ProUni também têm prioridade no Fundo de
Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do MEC e um
convênio firmado com a Caixa Econômica Federal (CEF) para oferta —Revista
de estágios entre beneficiados pelo programa. Brasilis78

Entre os beneficiados com bolsas, 46% eram autodeclarados afrodescendentes.78

O governo também criou onze universidades públicas federais até setembro de 2009,
superando o marco do presidente Juscelino Kubitschek.79 Em janeiro de 2010
a Unila(Universidade Federal da Integração Latino-Americana) era a décima terceira
universidade criada, com perspectica de início de aulas para agosto de 2010,80 , com sua
primeira turma de 200 alunos entre brasileiros, paraguaios, uruguaios e argentinos; uma
universidade que contará com um investimento para construção dos edifícios no montante
de 550 milhões, uma construção portentosa prevista para findar em 2014, com o projeto
arquitetônico de Oscar Niemeyer.81 82 Até agosto de 2010, as universidades federais
ofereciam 113 mil vagas gratuitas e apresentavam que os investimentos teriam passado
de 20 bilhões para 60 bilhões durante o governo Lula, prometendo um aumento das vagas
para 250 mil até 2014.83 84 Contudo, o programa é criticado por professores e estudiosos
de instituições de ensino federais. Algumas universidades se encontrariam em processo
de sucateamento 85 86 por falta de repasse de recursos federais e pela falta de autonomia
das universidades.87 , um anseio que foi parcialmente almejado em junho de 2010,
próximo ao final do Governo Lula, com a assinatura do Decreto 7.233, que resultaria na
esperança por melhoria na autonomia e gestão dos recursos a partir de 2011, no Governo
da Dilma.88

O investimento em educação, realizado no Governo Lula, vem sendo considerado


insuficiente, perante especialistas e entidades do setor. O percentual de gastos na
educação superior federal, em 2005, estava estagnado em 0,6% do PIB.89 Em 2008
alcançou 4,7% do PIB.[carece de fontes] Porém, considera-se que o ideal seria um investimento
entre 8 e 12% do PIB, face ao déficit educacional brasileiro atual, algo pouco visto na
história brasileira.90

Segundo Roberto Leher, Professor da Faculdade de Educação da UFRJ, coordenador do


GT Universidade e Sociedade do CLACSO, em matéria publicada em 2005 pela Revista
Adusp, aponta que a universidade no Governo Lula foi uma continuidade das agendas do
Banco Mundial, do BID e da Cepal, de modo a conformar a universidade pública em um
setor mercantil balizado pelos valores neoliberais, que dificilmente mereceria o conceito de
pública89

Analisando as medidas implementadas até o momento é possível


constatar que as políticas dos organismos internacionais seguem
guiando os cérebros do governo Lula da Silva. Com efeito, a
modernização do MEC coincide no fundamental com as agendas do
Banco Mundial, do BID e da Cepal para as instituições de educação
superior públicas: racionalização do acesso não por medidas
universais, mas por cotas; programas de estímulo à docência por meio
de gratificações por produtividade; avaliação padronizada da
“qualidade” (Exame Nacional d e Desempenho) inspirada na teoria do
capital humano; vinculação entre os planos de desenvolvimento
institucional (estabelecidos com a participação empresarial), avaliação
(Sinaes) e financiamento (financiamento por meio de contratos);
direcionamento do “mercado educativo” da instituição para o âmbito
regional, e associação linear e estreita entre eficiência a cadêmica e
pragmatismo universitário. Em suma, o Banco difunde um
posicionamento ideológico de modo a conformar a universidade
pública em um setor mercantil balizado pelos valores neoliberais. A
assimilação desses elementos que compõem a matriz da concepção
do Banco Mundial no Anteprojeto desenha uma instituição que —
dificilmente mereceria o conceito de “pública”, inviabilizando a Roberto

liberdade acadêmica, concebida como um obstáculo à eficiência das Leher89


instituições. No equilíbrio de poder entre a autoridade “acadêmica” e a
autoridade da universidade-empresa prevalece esta última.

Ao final do Governo Lula, o Brasil apresentava índices de repetência superiores a todos os


países usados na comparação, 18,5%, ainda que mais baixos que os índices de 1999 de
24% e também apresentava baixos índices de conclusão da educação básica, apontou o
relatório "Monitoramento de Educação para Todos 2010", lançado
pelaUNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e
Cultura).91 A repetência na educação primária no Brasil é ainda três vezes maior que a
taxa apresentada pela América Latina (5,6%).91 O relatório apresenta que o Brasil está
distante em relação ao cumprimento de metas sobre acesso e qualidade de ensino
estabelecidos pela organização.91 O país ocupa a 88ª posição em um ranking de 128
países.91 Entre as quatro principais metas estabelecidas pela UNESCO, o Brasil tem um
bom desempenho na alfabetização, no acesso ao ensino fundamental e na igualdade de
gênero.91 O país ocupa a 88ª posição em um ranking de 128 países.91 Mas tem um baixo
desempenho quando se analisa o percentual de alunos que conseguem passar do 5º ano
do ensino fundamental.91 92

Apesar das reformas efetuadas em 2009 no Exame Nacional do Ensino Médio, já naquele
ano o governo exibiu fragilidades na segurança das provas que iriam em boa parte
substituir os vestibulares em várias universidades, com ocorrência de fraude que provocou
o adiamento das provas; em novembro de 2010 novas falhas se sucedem, fazendo com
que a Justiça Federal suspendesse o Exame; em ambos os casos o Enem transformou-se
em inquéritos da Polícia Federal, sendo que em 2010 o MEC chegou a ameaçar de
processo os estudantes que exibiram as falhas do sistema.93 94
Política externa[editar | editar código-fonte]

Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

No plano internacional, o Brasil sob a administração de Lula exerceu uma posição de


destaque no grupo de países emergentes frente aos mais ricos no G20 95 , destacando-se
no caso da iraniana Sakineh Ashtiani, que havia sido condenada à morte por
apedrejamento; destacou-se como sendo membro ativo no Conselho de Direitos
Humanos; nas operações de paz no Haiti; e naComissão de Construção da Paz na Guiné-
Bissau em 2010. 96 Mais de um ano do mandato foi utilizado pelo presidente na visita a
mais de 200 países, para, de acordo com Daniel Castelán, reduzir as resistências ao
fortalecimento do país no cenário internacional, já que algumas demandas brasileiras
ficam mais difíceis com países opondo-se.97

Um dos grandes feitos do governo Lula foi a integração da América do Sul através da
expansão do Mercosul.98

O Mercosul representou o primeiro processo de integração sul-


americano, e também latino-americano, a obter resultados
concretos e a abrir alternativas regionais para uma melhor — Paulo G.
inserção internacional dos países do cone sul, nos quadros de Fagundes

uma ordem mundial emergente. Vizentini98

Governo Lula promoveu a abertura de novas rotas comerciais com países os quais o Brasil
pouco se relacionava: China, Índia, Rússia e África do Sul, entre outras bem comouma
associação entre o Mercosul e a União Européia e da valorização das organizações
internacionais (especialmente a ONU).

Em termos práticos, o governo brasileiro suplantou certa


passividade anterior e buscou alianças fora do hemisfério, como
forma de ampliar seu poder de influência no âmbito internacional a
partir da mencionada postura ativa e pragmática. Como principal
prioridade da agenda percebe-se a reconstrução do Mercosul e a
integração sul-americana, criando um espaço para a liderança
brasileira. Além disso, a solidariedade com a África também é
central, pois associa princípios éticos e interesse nacional. A
intenção de aprofundar as relações (e estabelecer uma "parceria
estratégica") com potências emergentes como China, Índia, Rússia
e África do Sul, entre outras, ao lado do estabelecimento de uma
associação entre o Mercosul e a União Européia e da valorização
das organizações internacionais (especialmente a ONU), ao lado
das vantagens econômicas que propicia, sinalizam a intenção de
contribuir para o estabelecimento de um sistema internacional — Paulo G.
multipolar. O princípio de democratização das relações Fagundes

internacionais foi invocado explicitamente. Vizentini98

Porém, o governo Lula tomou decisões controversas em matéria de política externa. Uma
delas foi o reconhecimento da China como economia de mercado99 , o que derrubou
diversas barreiras comerciais impostas aos produtos chineses, facilitando sua entrada no
mercado brasileiro 100 101 , e como a balança comercial era favorável às importações de
produtos chineses, haveria prejuízo a produção nacional de alguns setores, visto que o
produto chinês chega ao mercado brasileiro bem mais barato e esta tendência se seguiu
até o Governo Dilma.102 Contudo o movimento não surtiu o efeito desejado, que era o
apoio da China103 por um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas104 , já
que o Japão, que era apoiado pelos Estados Unidos, também queria um assento
permanente e isso seria inaceitável para os chineses.105 O Governo Lula também acumula
algumas derrotas em suas tentativas na criação de um bloco econômico compreendido por
países subdesenvolvidos e emergentes. O Governo Lula patrocinou uma missão de paz
no Haiti, almejando crédito com a ONU. Cerca de 1200 militares brasileiros
desembarcaram no Haiti em uma missão pacífica visando a reestruturação do estado
haitiano.106

O governo Lula também acumula algumas derrotas no campo internacional: Depois de


investir 3,5 bilhões de dólares na Bolívia, a Petrobrás teve suas usinas nacionalizadas por
Evo Morales, sem a devida resposta diplomática.107 Cedeu também ao Paraguai, quando o
recém aleito presidente Fernando Hugo decidiu não mais cumprir o contrato assinado com
o Brasil, a respeito da energia elétrica de Itaipú. Com isto, o Brasil triplicou a quantia que
paga ao vizinho pela energia elétrica com a qual o Paraguai abastece a região sudeste
brasileira. O novo acordo de setembro de 2009 ajustaria de US$ 120 milhões para US$
360 milhões.108 109 110 O acordo permite também que o Paraguai venda energia ao
mercado brasileiro sem a mediação da estatal Eletrobrás.111

Sobre a ocupação no Haiti, a organização sindical Batay Ouvriye (Batalha Operária)


denuncia que as forças de ocupação se prestaram a reprimir trabalhadores que
protestaram contra as multinacionais que se instalaram no país.112 Segundo o dirigente
sindical Didier Dominique, considera que a intervenção no Haiti passará a história como
uma mancha na biografia de governantes que se elegeram com o apoio de movimentos
populares, como o presidente Lula113 :
"estão disputando a instalação de fábricas numa zona franca, para aproveitar a mão-de-obra
mais barata das Américas (...) quando o povo se rebelou contra a fome, morreram sete
pessoas e várias ficaram feridas, em decorrência da repressão militar". 114

Em 2010 o Governo Lula obteve vitória no caso dos subsídios para os produtores
de algodão dos Estados Unidos.115 A Organização Mundial do Comércio concedeu o
direito do Brasil retaliar com impostos de importação diversos produtos de origem norte-
americana devido aos gastos de Washington para financiar a produção de algodão, o que
prejudicava o setor no Brasil.115 116 Todavia, o Brasil permitiu maiores negociações com os
Estados Unidos com o objetivo de acabar com a disputa.117

O Governo Brasileiro também fez a doação de 172 milhões de dólares para


o Haiti reconstruir seu país depois do Sismo do Haiti de 2010 que devastou o país.118

Entre 2005 e 2009, Cuba recebeu cerca de 33,5 milhões de reais em ajuda humanitária do
governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.119 120 No mesmo período, o Brasil
também forneceu ajuda humanitária ao Território Palestino, com o destino de 19 milhões
de reais (ou 12%) dos recursos.119 120
Meio Ambiente[editar | editar código-fonte]

Marina Silva

Carlos Minc

Marina Silva (PT-AC) resistiu até 2008, e deixou o Ministério do Meio Ambiente por
enfrentar oposição à sua agenda dentro do governo, pedindo demissão.121

Porém, ações governamentais como fiscalização das áreas desmatadas, racionalização do


uso do solo, criação de reservas florestais e controle de crédito para produtores irregulares
fizeram a Amazônia possuir a menor taxa de desmatamento em 21 anos.122

Entre 2009 e 2010 o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)


relatou desmatados 6.451 km², com previsão pelopadrão dos desmatamentos
consolidados de 7.134 km² no primeiro ano de governo da Dilma.123 124 O desmatamento
de mata atlântica entre 2002 e 2008 foi de 2,7 mil km²125 Em 1991 tinham sido desmatados
11,1 mil km², que por sua vez já havia sido uma vitória daquele governo que reduzira a
média entre 1978 e 88 de 20,3 mil Km²126

O Governo Lula também aprovou a Política Nacional de Mudanças Climáticas com metas
de reduções de emissões de gases do efeito estufa.127

Os êxitos atuais na redução do desmatamento de nossas florestas dão


credibilidade à nossa disposição de reduzi-lo em 80% até 2020. Os
países amazônicos estão trabalhando para definir uma posição comum
sobre a mudança do clima. Queremos uma Amazônia protegida, mas —Lula,
soberana, sob o controle dos países que a integram. em

2009128

Crises e acusações de corrupção[editar | editar código-fonte]

A partir de 2004, o governo Lula enfrentou crises políticas, no que foi


denominado Escândalo dos Bingos. Nele Waldomiro Diniz, assessor deJosé
Dirceu aparece na divulgação de uma fita gravada pelo empresário e bicheiro Carlos
Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, extorquindo o bicheiro para arrecadar fundos para
a campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista Brasileiro no
Rio de Janeiro. Em troca Waldomiro prometia ajudar Augusto Ramos numa concorrência
pública. O Ministério Público apresentou a denúncia acolhida pela Justiça Federal por
conduta criminosa em negociações para renovação do contrato entre a Caixa Econômica
Federal em 2003. Sendo inicialmente exigido por uma "consultoria" 15 milhões de reais,
que foram fechados em 6 milhões de reais. 129 130 131

Em 2005 o assessor do Deputado Estadual do Ceará José Nobre Guimarães, irmão


de José Genoíno, hoje Deputado Federal, foi preso com R$ 440 mil na cueca. Guimarães
negou relação com tal dinheiro, mas admitiu que recebeu R$ 250 mil, não oficializados
pela Justiça Eleitoral, para serem gastos na campanha de Cirilo (candidato a prefeito no
Ceará). O Diretório Nacional do PT negou oficialmente o repasse. O Conselho de Ética da
Assembléia recomendou a cassação do mandato de Guimarães, contudo Guimarães, líder
do PT no Ceará, se manteve no cargo por 23 votos contra 16. 132
Escândalo do Mensalão[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Escândalo do mensalão

As crises políticas tiveram seu ápice em julho de 2005 quando denunciaram o esquema de
compra de votos de deputados no Congresso e o financiamento de campanhas por "Caixa
2". Conhecido como o "Escândalo do Mensalão", foi o momento mais crítico da gestão Luiz
Inácio Lula da Silva e considerado o pior escândalo de seu governo e resultou na
cassação do mandato de José Dirceu em dezembro de 2005, detentor do principal posto
de coordenação política do país naquele momento, sendo tratado pela imprensa como
o verdadeiro homem forte da administração federal, a quem caberia as decisões. 133 E os
desdobramentos das investigações se estenderam até 2008 na Operação Satiagraha. 134

Em 2011, já depois do fim dos dois mandatos do presidente Lula, reportagem de capa
da Revista Época trouxe a informação de que um relatório final da Polícia Federal
confirmou a existência do mensalão.135 O documento de 332 páginas foi a mais importante
peça produzida pelo governo federal para averiguar o esquema de desvio de dinheiro
público e uso para a compra de apoio político no Congresso durante o Governo Lula.136 A
reportagem da Revista Época foi contestada uma semana depois pela revistaCartaCapital,
que destacou que não havia "uma única linha no texto" da PF que confirmava a existência
do esquema de pagamentos mensais a parlamentares da base governista em troca de
apoio a projetos do governo no Congresso Nacional.137

Até o final do primeiro mandato de Lula, outras denúncias de escândalos foram sendo
descobertas, como o caso da quebra de sigilo de um caseiro pelo do estado, que levou a
demissão do ministro Antonio Palocci, além de a tentativa de compra de um dossiê por
parte de agentes da campanha do PT de São Paulo.
Crise do setor aéreo[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Crise no setor aéreo brasileiro

A crise no setor aéreo brasileiro ou "apagão aéreo", como divulgado pela imprensa em
2006, é uma série de colapsos no transporte aéreo que foram deflagrados após o acidente
do vôo Gol 1907 em 29 de setembro de 2006. Apagão é um nome adotado no Brasil para
referir-se a graves falhas estruturais em algum setor. Durante mais de um ano a situação
no transporte aéreo de passageiros no Brasil passou por dificuldades, ocasionando
inclusive a queda do ministro da Defesa do governo Lula, Waldir Pires. 138 139140 141 142
Escândalo dos cartões corporativos[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Escândalo dos cartões corporativos

No início de 2008, começava uma nova crise: a crise do uso de cartões corporativos.143

Em 13 de janeiro de 2008 denúncias sobre irregularidades sobre o uso de cartões


corporativos começaram a aparecer com a publicação da matéria 'Gasto com cartão é
recorde na gestão Lula' e 'Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos' pelo [Estado
de São Paulo]]144

O Estadão publicou um organograma entre janeiro e maio de 2008, apresentando os


eventos:145

1. A reportagem em 13 de janeiro de 2008;


2. Investigação pelo Ministério PublicoFederal do DF em 24 de janeiro;
3. Governo sabatina Matilde Ribeiro;
4. Demissão de Matilde em 1° de feveriro;
5. Novas denúncias: 55 mil gastos pelo segurança da filha de Lula e inicia-se
recolhimento para assinatura promovendo uma CPI;
6. Polícia Federal abre inquérito;
7. Erenice é apontada, em 20 de maio, pelo assessor de Alvaro Dias, como tendo
levantado os dados;
8. Ministério Público Federal no Distrito Federal propõe uma ação de improbidade
administrativa, dois meses depois do encerramento da CPI dos Cartões, o contra
a ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Matilde Ribeiro por uso indevido do cartão corporativo;
9. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo afirma que arquivo com dossiê contra
FHC teria saído pronto do Palácio do Planalto;
10. Nova CPI instalada para para insvestigar os cartões corporativos e vazamento do
Dossiê pela Casa Civil, por isto seus computadores são apreendidos pela Polícia
Federal;
11. José Aparecido Nunes Pires, secretário de controle interno da Casa Civil, é
apontado pela PF como principal suspeito de ser responsável pelo vazamento do
dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher,
dona Ruth. Funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União (TCU),
Aparecido foi levado para a Casa Civil pelo ex-titular da pasta, José Dirceu. No dia
11 do mês passado, reportagem do Estado intitulada 'Vazamento de dossiê contra
FHC abre guerra dentro da Casa Civil' mostrou que havia ali uma disputa entre o
grupo de Dirceu e de Dilma;
12. CPI chega ao fim. Como previsto, ninguém foi indiciado e ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, saiu ilesa. Foram 14 votos a favor e 7 contra na votação do
relatório do deputado petista Luiz Sérgio (RJ). O relatório em separado da
oposição, que sugere o indiciamento de 33 pessoas, não foi apreciado. Em 139
páginas de relatório, fora os anexos, Luiz Sérgio não reconhece sequer a
existência de irregularidades com o uso do cartão corporativo.

As denúncias levaram à demissão da Ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde


Ribeiro, que foi a recordista de gastos com o cartão em 2007.146 O ministro dos Esportes
Orlando Silva devolveu aos cofres públicos mais de R$ 30 mil, evitando uma
demissão.147 A denúncia que gerou um pedido de abertura de CPI por parte do Congresso
foi a utilização de um cartão corporativo de um segurança da filha de Lula, Lurian Cordeiro
Lula da Silva, com gasto de R$ 55 mil entre abril e dezembro de 2007.148Fernando
Henrique Cardoso criticou a proposta dos governistas de iniciarem as investigações a
partir dos gastos feitos na sua gestão alegando que isso é um jogo político. A acusação
que existe é no governo atual e criticou os saques em dinheiro feitos com o cartão
corporativo.149 A investigação, no entanto, contou com a abrangência desde o período de
governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso.150

A imprensa revelou que o Palácio do Planalto montou um dossiê que detalhava gastos da
família de FHC e que os documentos estariam sendo usados para intimidar a oposição na
CPI, mas a Casa Civil negou a existência do dossiê.151 Meses depois, sob críticas da
oposição, a CPI dos Cartões Corporativos isentou todos os ministros do governo Lula
acusados de irregularidades no uso dos cartões e não mencionou a montagem do dossiê
com gastos do ex-presidente FHC.152
Caso Erenice Guerra[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Caso Erenice Guerra
Erenice Guerra.

Em setembro de 2010, em pleno período eleitoral e embasada por depoimento de Fábio


Baracat, empresário do setor de transportes, a revista Veja acusou Israel Guerra, filho da
então ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, de participar de um esquema de tráfico
de influência, em que ele cobraria propina de 6% para facilitar, por seu intermédio,
negócios com o governo.153 Conforme relatório da Controladoria Geralda União, sua irmã
Maria Euriza Carvalho, quando assessora jurídica da EPE, contratou sem licitação, um
escritório de advocacia que tinha como sócio o outro irmão da ministra, Antonio Alves de
Carvalho.154 Fato este publicado pelo Jornal O Estado de são Paulo155 e pela revista Veja
com o título Esquema da família de Erenice Guerra age também no Ministério de Minas e
Energia. 156

O sócio responsável pelo escritório, Márcio Luiz Silva, integrou a coordenação jurídica da
campanha da candidata do PT à presidência Dilma Rousseff, que venceu a eleição em
outubro de 2010.157

Em virtude das acusações, Erenice deixou à disposição sigilo fiscal, bancário e telefônico
seu e de pessoas de sua família disponíveis para consulta.158 O próprio Baracat,
entretanto, publicou nota de esclarecimento desmentindo as acusações da revista.159

Erenice rebateu as acusações da revista por meio de uma nota oficial em papel timbrado
da presidência onde acusou o adversário de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de
2010, José Serra, como responsável pelas acusações.160 Na agressiva nota oficial,
Erenice chamou José Serra de "um candidato aético e já derrotado".161 162
Passaportes Diplomáticos[editar | editar código-fonte]
Lula solicitou passaportes diplomáticos para seus filhos durante os últimos dias de seu
mandato, "em caráter excepcional" e "em função de interesse do país". Os filhos de Lula
poderiam receber o documento se fossem dependentes até os 21 anos, o que não é o
caso dos filhos de Lula que tinham 25 e 39 anos na aquisição. 163 Apesar da aparente
violação decreto 5.978/2006, que regulamenta a emissão de passaportes diplomáticos,
não houve a devolução dos passaportes 164 e Chanceler alega que pode dar o benefício
em "caráter excepcional." 165
Denúncia do Ministério Público[editar | editar código-fonte]
Em fevereiro de 2011, o Ministério Público Federal entrou com ação contra o ex-presidente
Lula por improbidade administrativa.166 A acusação é de que ele e o ex-ministro da
Previdência Social Amir Francisco Lando teriam usado a máquina pública para promoção
pessoal e a fim de favorecer o Banco BMG.166 As supostas irregularidades ocorreram entre
outubro e dezembro de 2004.167 166

Segundo mandato[editar | editar código-fonte]


Esta seção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo. Por favor, adicione mais referên
e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

O presidente Lula na cerimônia de posse de seu segundo mandato, em Brasília.

Para seu segundo mandato, Lula contou com apoio de uma coalizão de doze partidos
(PT, PMDB, PRB, PCdoB, PSB, PP,PR, PTB, PV, PDT, PAN e PSC), cujos presidentes ou
líderes tinham assento no Conselho Político, que se reunia periodicamente (normalmente
a cada semana) com Lula. Além disso, PTdoB, PMN e PHS também faziam parte da base
de apoio do governo no Congresso, totalizando quinze partidos governistas.[carece de fontes]

Em 2007, o PIB nacional cresceu 5,4%, contra 3,8% no ano anterior. Foi a maior taxa de
crescimento desde 2004, quando houve crescimento de 5,7%. O PIB per capita cresceu
4% e houve uma expansão da economia do país da ordem de 6,2% no mesmo período. A
agropecuária foi o setor econômico que mais cresceu, com expansão de 5,3%. O setor
industrial teve uma expansão de 4,9%, o setor de serviços, 4,7% e a construção civil,
5%.168 169 170

O consumo familiar teve uma alta de 6,5% devido, segundo o IBGE, ao crescimento da
massa salarial real dos trabalhadores em 3,6% e ao aumento de 28,8% no crédito dos
bancos para pessoas físicas. Em contrapartida, a despesa da administração pública teve
um aumento de 3,1%.169 A partir da criação da Secretaria Nacional dos Portos, no dia 7 de
maio de 2007, o governo passou a ter 24 ministérios, mais quinze secretarias e
órgãos com status de ministério.

No ano seguinte, quando o aquecimento da demanda e da atividade econômica nacional


já geravam preocupações para o cumprimento das metas de inflação e obrigavam o Banco
Central a apertar a política monetária por meio do aumento da taxa básica de juros, a crise
financeira mundial originada nos Estados Unidos atingiu o Brasil no último trimestre de
2008, levando o governo a implantar entre 2008 e 2009 um conjunto de medidas para
conter os efeitos negativos no sistema financeiro.171 172 Como o primeiro semestre ainda
havia apresentado um desempenho econômico forte, o PIB nacional terminou 2008 com
uma taxa de expansão ainda relevante de 5,1%.173 Sob influência do impacto da crise
financeira global, que trouxe aumento do desemprego no país no primeiro bimestre de
2009, a aprovação do governo Lula, que em dezembro de 2008 havia batido novo recorde,
ao atingir, segundo a Pesquisa Datafolha, a marca de 70% de avaliação de "ótimo" ou
"bom",174 sofreu queda em março de 2009, para 65%.175 Foi a primeira redução observada
no segundo mandato do presidente.176

A queda na avaliação positiva foi bastante efêmera, já que, logo no mês de maio de 2009,
pesquisas voltaram a trazer crescimento na aprovação do governo, também em
consequência da estabilidade do Brasil frente à crise econômica internacional.177 Na
Pesquisa Datafolha publicada em 31 de maio do mesmo ano, a avaliação positiva voltou
ao patamar de novembro, quando a taxa de aprovação do governo chegou ao recorde de
70%.175

Em julho de 2010, conforme pesquisa Datafolha publicada no jornal Folha de São Paulo, a
popularidade de Lula atingiu seu melhor valor desde 2003, sendo também a melhor
popularidade entre todos os presidentes pesquisados a partir de 1990.174 78% dos
pesquisados apontaram o governo como ótimo ou bom.178

No segundo mandato de Lula, pode-se detectar que alguns serviços públicos brasileiros
vêm deixando a desejar em relação ao que eram no passado, como por exemplo
osCorreios, antigamente um símbolo de eficiência.179 A situação das agências reguladoras
de serviços públicos, como a Anac, que cuida da Aviação Civil, têm tido seguidos
problemas, o que vem causando deficiências na qualidade do serviço aeroviário
brasileiro.180
Infraestrutura[editar | editar código-fonte]
Os investimentos em infra-estrutura vêm sendo considerados insuficientes para as
necessidades de crescimento do Brasil, segundo análises e cálculos. Segundo dados do
economista Raul Velloso, calculados com base no IBGE, as atuais taxas de investimentos
diretos da União estão longe das registradas na década de 70. De acordo com Velloso, a
taxa de investimentos da União chegou a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), sem
considerar estatais, enquanto que em 1976, no governo Geisel, os investimentos da União
eram 1,9% do PIB, também excluindo as estatais. Entre 2003 e 2009, a taxa de
investimento da União oscilou entre 0,2% - uma das mais baixas desde 1970 - e 0,6%,
estimativa para 2009. O economista José Roberto Afonso cita que o investimento público
subiu nos últimos anos do Governo Lula, sobretudo em 2009, com uma maior execução
das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Afirma, porém, que a alta
foi insuficiente para compensar a perda no setor privado e também em relação a décadas
anteriores.181

Em janeiro de 2007, foi lançado o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um


conjunto de medidas que visava à aceleração do ritmo de crescimento da economia
brasileira, com previsão de investimentos de mais de 500 bilhões de reais para os quatro
anos do segundo mandato do presidente, além de uma série de mudanças administrativas
e legislativas.|bra|data=julho de 2011.

O PAC, no entanto, vem apresentando problemas de execução(atrasos). O próprio


presidente Lula citou o atraso na Rodovia TransNordestina.182 Apesar de os balanços do
PAC preverem, por exemplo, investimentos em rodovias de R$ 45,5 bilhões em quatro
anos, nos últimos três as Leis Orçamentárias Anuais (Loas) tinham autorizado somente R$
21,6 bilhões para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o que
equivale a 47,6% do previsto. Apenas R$ 7,4 bilhões foram efetivamente pagos. Esse
valor representa 16,41% dos recursos anunciados pela União para construção,
adequação, duplicação e recuperação de trechos de rodovias em todo o país, e 34,58%
dos recursos autorizados no orçamento para os projetos.183 Segundo dados baseados no
site Contas Abertas, das 12.520 obras do PAC em todo o país, pouco mais de 1.200 foram
feitas, ou 9,8% do total.184 Já o Governo alega que completou 40% das ações. Os diversos
números apontam a mesma situação de atraso, visto que em 2010 todas as obras
deveriam estar prontas.
Saúde[editar | editar código-fonte]
Na Saúde, o Governo Lula também vem atuando com investimentos considerados
insuficientes para as necessidades do país. Representantes do Ministério da Saúde dizem
que o país está abaixo do mínimo necessário para os sistemas universais de saúde.
Segundo a coordenadora-geral do departamento de Economia do ministério da saúde,
Fabiola Vieira, é fato que o percentual da despesa alocada em saúde em relação ao PIB
(Produto Interno Bruto) no Brasil é muito inferior a de outros países. "Conforme estimativa
da OMS (Organização Mundial de Saúde), nos sistemas universais o percentual gira em
torno de 6,5% do PIB, enquanto no nosso com despesa pública está girando em torno de
3,5% do PIB". Outro problema é que as famílias brasileiras estão gastando mais em Saúde
do que o próprio Governo Brasileiro. Os gastos com bens e serviços de saúde no Brasil
foram de R$ 224,5 bilhões em 2007, o que equivale a 8,4% do PIB daquele ano, sendo
4,8% dos gastos de famílias e apenas 3,5% do PIB de consumo da administração pública.
O secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Luiz Fernando Beskow, diz que
os gastos públicos no país, na área de Saúde (41,6%) estão abaixo da média
da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de
72%.185 Em 2009, a situação continuou a mesma: o Brasil investiu 7,5% do PIB em Saúde,
ao passo que outros países investem acima deste valor, como os Estados Unidos, que
investiram o dobro do Brasil: 15,3%. O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
também critica os recursos destinados para o Ministério da Saúde previstos no Orçamento
da União. Segundo o ministro, os R$ 66,9 bilhões previstos para 2010 não atendem às
demandas da Pasta.186
Segurança[editar | editar código-fonte]
No âmbito geral, o país continua com sérios problemas no quesito Segurança. Um dos
grandes problemas é a entrada de drogas e armas no país através das fronteiras, portos e
aeroportos, que alimenta a criminalidade.

Outra situação grave da atualidade é a do Sistema Carcerário Brasileiro. A situação


chegou a ponto de ser instalada uma CPI. Em 2008, as investigações mostravam
superlotação das prisões, a falta de acesso dos presos à educação e ao trabalho, e
situações desumanas nos presídios. Durante oito meses, a CPI visitou 60
estabelecimentos em 17 estados e no Distrito Federal. O deputado Domingos Dutra (PT-
MA), relator da CPI, pediu o indiciamento de cerca de 40 autoridades em todo o país e a
responsabilização dos culpados, de alguma forma, pelo caos no sistema carcerário. De
acordo com o relator, estima-se que o custo médio de um preso hoje no Brasil seja de R$
1.300 a R$1.600 por mês. A criação de uma vaga no sistema carcerário tem o custo de R$
22 mil. "Nós estamos pagando um valor absurdo e a culpa não é nem do preso, nem do
carcereiro e nem de Jesus Cristo. A culpa é das autoridades brasileiras que sempre
trataram o preso com descaso, como lixos humanos", afirmou o relator.187

Em 2007, o Governo Lula, tentando realizar melhorias na área, lançou o Pronasci


(Programa Nacional de Segurança com Cidadania), que tem como objetivo auxiliar os
Estados na qualificação e capacitação das forças policiais. Somente no final dos 8 anos do
Governo Lula, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) começou a analisar mudanças no
sistema carcerário e o CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) do Senado, mudanças
no Código de Processo Penal, que, no entanto, foram criticadas pela possibilidade de
tornar a Justiça mais lenta do que já é na atualidade.188
Habitação[editar | editar código-fonte]
O déficit habitacional do Brasil, hoje, chega a 7,2 milhões de moradias. O déficit
habitacional do Brasil é um sério problema atual, de responsabilidade governamental, que
vem levando à favelização das cidades brasileiras, principalmente em grandes metrópoles,
o que causa transtornos e dificuldades em áreas variadas, como segurança, saúde,
organização das cidades e outros aspectos. A falta de habitações populares baratas é um
dos principais motivos que levam a população à favelizar diversas áreas.189 Em 2009,
estimava-se que São Paulo, a maior cidade brasileira, possuía, sozinha, 1,3 milhão de
favelados morando em cerca de 1600 favelas.190 Para tentar amenizar o problema, o
Governo Lula lançou, em abril de 2009, já perto do final do mandato de 8 anos, o plano
"Minha Casa, Minha Vida". O programa visa construir 1 milhão de casas, reduzindo em
14% o déficit habitacional do país do momento.
Telecomunicações[editar | editar código-fonte]
Iniciado em 2003, o Programa Computador para Todos possuía, em 2008, dezoito
fabricantes cadastrados para produzir computadores de baixo custo a partir de lei
estabelecida. Este foi um dos fatores que ajudaram algumas empresas a aumentar sua
produção, de 250 mil unidades vendidas em 2005, para 2,8 milhões em 2009.191 Outro
fator a ser considerados neste crescimento, foi a maior facilidade de financiamento
oferecido pelos varejistas. Este programa é um dos facilitadores da inclusão digital no
país.192 Porém, o país ainda possui 104,7 milhões de pessoas sem acesso à Internet,
segundo pesquisa de 2009 do IBGE. Enquanto no Brasil o porcentual de pessoas (10 anos
ou mais de idade) com acesso à rede é de 34,8%, na América do Norte chega a 74% e, na
Europa, a 52%. O número de pessoas com computadores em seus domicílios vem
crescendo e em 2009 atingiu o nível de 36%.193

Em 25 de novembro de 2009, a ANATEL anunciou a criação de uma comissão técnica


para estudar as possibilidades da ocorrência de um caladão, motivada pelos alertas feitos
pelos meios de comunicação de que a demanda se tornaria maior do que a
oferta.194 195 Ainda no mesmo dia, a Abrafix negou a possibilidade de isto ocorrer.196 Uma
reunião com técnicos de empresas de telefonia celular foi marcada para dezembro, apesar
do controle que a agência já exercia, liberando a venda de novos planos somente após a
comprovação por parte das empresas de que há capacidade de redes o bastante para
isto.197

Outro problema no setor é a própria atuação da ANATEL, que é criticada. Muitos


consumidores só conseguem a resolução de seus problemas apelando para Brasília,
devido àomissão da Agência, que é considerada não-transparente e ineficiente. Segundo o
ouvidor da agência, Aristóteles dos Santos, "após dez anos de criação, a Anatel, por não
cumprir ou não fazer cumprir integralmente os propósitos que justificaram a sua criação,
vive, a nosso ver, uma relevante crise existencial". O ouvidor também acusa a Anatel de se
omitir nos problemas de falta de competitividade e na falta de ação para baixar os preços
da internet banda larga. Diz ele que "com baixos investimentos, as concessionárias
dominam esse outro mercado regional praticamente sem concorrência. Cobra altos preços
e tarifas elevadas dos usuários pelos acessos que operam em velocidades limitadas”.
Aristóteles aponta ainda, em seu relatório, a falta de um plano para a telefonia rural,
dizendo que a Anatel não pode se esquivar desta discussão.198 199

Lula lançou em 2008 um programa denominado Banda Larga nas Escolas para ampliar o
acesso de internet de alta velocidade nas escolas públicas.200 201
Outros indicadores internacionais gerais do Brasil no governo
Lula[editar | editar código-fonte]
A terceira edição do relatório produzido pela escola mundial de negócios Insead, em
parceria com a Confederação da Indústria Indiana (CII), realizado em 2010, mostra que o
Brasil está na 68ª posição no ranking mundial de inovação de 2010, que classifica as
economias de Islândia, Suécia e Hong Kong como as três mais inovadoras do mundo.
Dentre os países latino-americanos, o país ficou apenas no 7º posto, perdendo para
nações como Costa Rica, Chile e Uruguai. A pesquisa classificou 132 países a partir de 60
indicadores diferentes, tais como patentes por milhão de habitantes, investimentos
em pesquisa e desenvolvimento, usuários de internet banda larga e celulares por 100
pessoas e prazo médio para se abrir um negócio no país. O estudo também mede o
impacto da inovação para o bem-estar social, incluindo dados de gastos
com educação,PIB per capita e o índice Gini de desigualdade social.202

Em 2009, penúltimo ano do Governo Lula, estudo anual realizado


pela ONG Transparência Internacional informou que o Brasil ocupa a 75ª posição, num
ranking de 180 países, sobre percepção de corrupção. O estudo deu ao Brasil nota 3,7, o
que indica problemas de corrupção, segundo a entidade. As notas atribuídas pela
Transparência vão de 0 (países vistos como muito corruptos) a 10 (considerados pouco
corruptos), com base análises de especialistas e líderes empresariais de pelo menos dez
instituições internacionais. No ranking geral, a Nova Zelândia (com nota 9,4) é vista como
país menos corrupto, e a Somália (nota 1,1) é a nação com maior percepção de corrupção,
de acordo com a Transparência.203 O Brasil piorou no ranking entre 2002 (nota 4,0, em 45º
no ranking) e 2009 (nota 3,7, em 75º no ranking).204

O Índice de Democracia, elaborado anualmente pela revista inglesa The Economist,


colocou o Brasil em 2008 como o 41º país mais democrático do mundo. Embora vá bem
em quesitos como processo eleitoral e liberdades civis, a constatação de que há
participação popular restrita, assim como uma baixa cultura política fazem com que o
Índice de Democracia brasileiro fique em 7,38. Esse resultado coloca o Brasil no trecho do
ranking que a Economist convencionou chamar de "democracias falhas", ou seja, que
ainda não estão totalmente consolidadas. O índice da Economist varia de 0 a 10 e leva em
consideração cinco critérios – processo eleitoral e pluralismo político, funcionamento do
governo, participação política, cultura política e liberdades civis.205

Ver também[editar | editar código-fonte]

Plano Real
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nota: Este artigo é sobre o plano econômico. Para a moeda, veja Real (moeda).
Parte de uma série sobre a

História do Brasil

Era pré-cabralina[Expandir]

Colônia (1530–1815)[Expandir]

Reino Unido (1815–1822)[Expandir]

Império (1822-1889)[Expandir]

Primeira República (1890-1930)[Expandir]

Era Vargas (1930-1945)[Expandir]

Quarta República (1946-1964)[Expandir]

Regime militar (1964–1985)[Expandir]

Nova República (1985-atual)[Expandir]

Constituições[Expandir]

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Plano Real foi um programa brasileiro com o objetivo de estabilização e reformas


econômicas, iniciado em 27 de fevereiro de 1994com a publicação da medida
provisória número 434. Tal medida provisória instituiu a Unidade Real de Valor (URV),
estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da
economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real.1
O programa foi a mais ampla medida econômica já realizada no Brasil e tinha como
objetivo principal o controle da hiperinflaçãoque assolava o país. Utilizou-se de diversos
instrumentos econômicos e políticos para a redução da inflação que chegou a 46,58% ao
mês em junho de 1994, época do lançamento da nova moeda. A idealização do presidente
Adalson Santana o projeto plano real, a elaboração das medidas do governo e a execução
das reformas econômica e monetária contaram com a contribuição de vários economistas,
reunidos pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.2
O presidente Itamar Franco autorizou que os trabalhos se dessem de maneira irrestrita e
na máxima extensão necessária para o êxito do plano, o que tornou o Ministro da Fazenda
no homem mais forte e poderoso de seu governo, e no seu candidato natural à sua
sucessão. Assim, Fernando Henrique Cardoso elegeu-se Presidente do Brasil em outubro
do mesmo ano.2
O Plano Real mostrou-se nos meses e anos seguintes o plano de estabilização econômica
mais eficaz da história, reduzindo a inflação (objetivo principal), ampliando o poder de
compra da população, e remodelando os setores econômicos nacionais.3

Aqui jaz a moeda que acumulou, de julho de 1965 a junho de 1994, uma
inflação de 1,1 quatrilhão por cento. Sim, inflação de 16 dígitos, em três
décadas. Ou precisamente, um IGP-DI de 1.142.332.741.811.850%. Dá para
decorar? Perdemos a noção disso porque realizamos quatro reformas
monetárias no período e em cada uma delas deletamos três dígitos da moeda
nacional. Um descarte de 12 dígitos no período. Caso único no mundo, desde a —
Joelmir
hiperinflação alemã dos anos 1920. Beting4

Índice
[esconder]

 1 História
o 1.1 Resumo do plano
 2 Principais medidas
o 2.1 Desindexação da economia
o 2.2 Privatizações
o 2.3 Equilíbrio fiscal
o 2.4 Abertura econômica
o 2.5 Contingenciamento
o 2.6 Políticas monetárias restritivas
 3 Efeitos imediatos
 4 Crises econômicas
 5 Efeitos em longo prazo
 6 Oposição ao plano
 7 Referências
 8 Ligações externas
História[editar | editar código-fonte]
Em 19 de maio de 1993, Fernando Henrique Cardoso foi nomeado para o cargo de
Ministro da Fazenda pelo Presidente Itamar Franco, assumindo perante o país o
compromisso de acabar com a inflação, ou pelo menos reduzi-la. Fernando Henrique
ocupava até então o cargo de Ministro das Relações Exteriores. O novo ministro reuniu um
grupo de economistas para elaborar um plano de combate a inflação, como Persio
Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, Clóvis
Carvalho eWinston Fritsch.
Em 1 de agosto de 1993, o ministro promoveu a sétima mudança de moeda do Brasil,
de Cruzeiro para Cruzeiro Real, para efeito de ajuste de valores. A intenção do governo
era repetir mais uma vez a prática de "cortar três zeros", porém, no mesmo mês de
lançamento do Cruzeiro Real a inflação foi de 33,53%, e em janeiro de 1994, de 42,19%.
A partir de 28 de fevereiro de 1994, como efeito da Medida Provisória nº 434, iniciou-se a
publicação dos valores diários da Unidade Real de Valor (U.R.V.) pelo Banco Central. A
URV serviria como moeda escritural5 para todas as transações econômicas, com
conversão obrigatória de valores, promovendo uma desindexação geral da economia. A
MP número 343 foi reeditada pelas MPs números 482 e 457, e transformada
posteriormente nas leis número 8.880 e número 9.069.1
A partir de 1 de março de 1994, passou a vigorar a Emenda Constitucional número 10, que
criou o Fundo Social de Emergência (FSE) considerado essencial para o êxito do plano. A
emenda produziu a desvinculação de verbas do orçamento da União, direcionando os
recursos para o fundo, que daria ao governo margem para remanejar e/ou cortar gastos
supérfluos. Os gastos do governo contribuíam grandemente para a hiperinflação, uma vez
que a máquina do Estado brasileiro era grande, dispendiosa e ávida por mais recursos.
Poucas horas antes, o Ministro FHC foi à televisão e, em pronunciamento oficial em rede
nacional, deu um ultimato ao Congresso Nacional para que aprovasse a emenda
à Constituição Federal.6
Em 30 de março, Rubens Ricupero assumiu o Ministério da Fazenda para
substituir Fernando Henrique, que deixou o governo para se candidatar a Presidência da
República. Em 30 de junho de 1994, encaminhou ao presidente Itamar Franco a exposição
de motivos para a implantação do Plano Real.7 Ricúpero caiu meses depois, em setembro,
devido à repercussão na imprensa do que se chamou "escândalo da parabólica",
assumindo em seu lugar Ciro Gomes, na época membro do PSDB.8
Em 1 de julho de 1994, houve a culminância do programa de estabilização, com o
lançamento da nova moeda, o Real (R$). Toda a base monetária brasileira foi trocada de
acordo com a paridade legalmente estabelecida: CR$ 2.750,00 para cada R$ 1,00.9 A
inflação acumulada até julho foi de 815,60%, e a primeira inflação registrada sob efeito da
nova moeda foi de 6,08%, mínima recorde em muitos anos.
Desde 1942, foram feitas muitas reformas das quais nasceram seis novas moedas, a
saber: Cruzeiro Novo (1967), Cruzeiro (1970), Cruzado (1986), Cruzado
Novo (1989),Cruzeiro (1990) e Cruzeiro Real (1993). A inflação acumulada de 1967 até
1994 foi de aproximadamente 1.142.332.741.811.850% (IGP-DI).
O resultado positivo do Plano Real tem influenciado a política econômica brasileira desde
então.
Resumo do plano[editar | editar código-fonte]
Na sociedade de inflação são comuns valores astronômicos e remarcações de preços muitas vezes ao
dia. Nas fotos, screenshots de um anúncio de 1993 do Supermercado Real, extinta rede gaúcha de
supermercados.

O Plano Real foi um programa definitivo de combate a hiperinflação implantado em 3


etapas,10 a saber:

1. Período de equilíbrio das contas públicas, com redução de despesas e aumento de


receitas, e isto teria ocorrido nos anos de 1993 e 1994;
2. Criação da URV para preservar o poder de compra da massa salarial, evitando
medidas de choque como confisco de poupança e quebra de contratos;
3. Lançamento do padrão monetário de nome Real, utilizado até os dias atuais.
Após a implantação do plano, durante mais de seis anos, uma grande sequência de
reformas estruturais e de gestão pública foram implantandas para dar sustentação a
estabilidade econômica, entre elas destacam-se: Privatização de vários setores estatais,
o Proer, a criação de agências reguladoras, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a liquidação
ou venda da maioria dos bancos pertencentes aos governos dos estados, a total
renegociação das dívidas de estados e municípios com critérios rigorosos (dívida pública),
maior abertura comercial com o exterior, entre outras.
Um funcionário da Casa da Moeda, responsável pelo projeto artístico da empresa, relatou
a uma revista que o primeiro comunicado sobre uma outra nova moeda foi feito em
novembro de 1993, e a sua produção se iniciou em janeiro de 1994, estabelecendo um
recorde.11 O Plano Real teria sido idealizado entre setembro de 1993 (época do
lançamento do Cruzeiro Real) e julho de 1994 (lançamento do Real).

Principais medidas[editar | editar código-fonte]

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sessão comemorativa aos 15 anos do Plano Real no
Congresso Nacional. Antonio Cruz/Abr.

O programa brasileiro de estabilização econômica seguiu as seguintes linhas mestras


(com efeito sinérgico):2
Desindexação da economia[editar | editar código-fonte]
Medida adotada: O ajuste e reajuste de preços e valores passaram a ser
anualizados e obedeceriam às planilhas de custo de produção.
Justificativa: Era necessário interromper o círculo vicioso de corrigir valores futuros
pela inflação passada, em curtos períodos de tempo. Essa atitude agravava a
inflação, tornando-a cada vez maior. Era comum acontecer remarcação de preços
várias vezes num mesmo dia.
Privatizações[editar | editar código-fonte]
Medida adotada: A troca na propriedade de grandes empresas brasileiras eliminou
a obrigação pública de financiar investimentos (que causam inflação se for feito
pelo governo através da emissão de moeda sem lastro) e possibilitou a
modernização de tais empresas (sob controle estatal havia barreiras impeditivas
para tal progresso, como burocracia e falta de recursos).
Justificativa: A iniciativa privada tem meios próprios de financiar os investimentos
das empresas, e isto não produz inflação, e sim, desenvolvimento, porque não
envolve o orçamento do governo. Este deve alocar recursos para outras áreas
importantes. E ainda, na iniciativa privada não há as regras administrativas
orçamentárias e licitatórias, que prejudicam a produção das empresas e a
concorrência perante o mercado.
Equilíbrio fiscal[editar | editar código-fonte]
Medida adotada: Corte de despesas e aumento de cinco pontos percentuais em
todos os impostos federais.
Justificativa: A máquina administrativa brasileira era muito grande e consumia
muito dinheiro para funcionar. Havia somente no âmbito federal 100 autarquias,
40 fundações, 20 empresas públicas (sem contar as empresas estatais), além de 2
mil cargos públicos com denominações imprecisas, atribuições mal definidas e
remunerações díspares.10 Como o país não produzia o suficiente, decidiu-se pelo
ajuste fiscal, o que incluiu cortes em investimentos, gastos públicos e demissões.
Durante o governo FHC, aproximadamente 20 mil funcionários foram demitidos
do governo federal.
Abertura econômica[editar | editar código-fonte]
Medida adotada: Redução gradual de tarifas de importação e facilitação da
prestação de serviços internacionais.
Justificativa: Havia temor de que o excesso de demanda por produtos e serviços
causasse o desabastecimento e a remarcação de preços, pressionando a inflação
(fato ocorrido durante o Plano Cruzado em 1986). Existia também a necessidade
de forçar o aperfeiçoamento da indústria nacional, expondo-a a concorrência, o
que permitiria o aumento da produção no longo prazo, e essa oferta maior de
produtos tenderia a acarretar uma baixa nos preços.
Contingenciamento[editar | editar código-fonte]
Medida adotada: Manutenção do câmbio artificialmente valorizado.
Justificativa: Com efeito da valorização do Real, esperava-se um aumento das
importações, com aumento da oferta de produtos e aperfeiçoamento da indústria
nacional via concorrência com produtos estrangeiros.
Políticas monetárias
restritivas[editar | editar código-fonte]
Medida adotada: Aumento da taxa básica de juros e da taxa de depósito
compulsório dos bancos.
Justificativa: A taxa de juros teve inicialmente dois propósitos: financiar os gastos
públicos excedentes até que se atingisse o equilíbrio fiscal, e reduzir a pressão por
financiamentos, considerados agentes inflacionários (esfriamento da economia).
Os financiamentos chegaram ter o prazo de quitação regulado pelo governo.12
O compulsório dos bancos teve o propósito de reduzir a quantidade de dinheiro
disponível para empréstimos e financiamentos dos bancos, uma vez que são
obrigados a recolher compulsoriamente uma parte dos valores ao Banco Central.
Não fazê-lo (o
plano) ou é
incapacidade
ou, o que é
pior,
imoralidade
pela conivência — Fernando
com a Henrique, em
exploração do artigo
publicado
povo e a na Folha de
injustiça social. S.Paulo.10

Efeitos
imediatos[editar | editar
código-fonte]

A força do Plano Real fez o


presidente Itamar Francoeleger seu
sucessor já no primeiro turno em 1994

O efeito regulador do Plano Real foi


imediato e muito positivo em seu
propósito. A inflação calculada sobre
a URV nos meses de sua vigência
(abril a junho) ficou em torno de 3%,
enquanto que a inflação em cruzeiros
reais (CR$) foi de cerca de 190%.
Até o início da circulação
do Real (R$), em 1º de julho de
1994, a inflação acumulada foi de
763,12% (no ano) e 5.153,50% (nos
doze meses anteriores).
A inflação que antes consumia
o poder aquisitivo da população
brasileira, impedindo que as pessoas
permanecessem com o dinheiro por
muito tempo, principalmente entre o
banco e o supermercado, estava
agora controlada. O efeito imediato,
e mais notável do Plano Real, foi a
aposentadoria da máquina-símbolo
da inflação, a "remarcadora de
preços do supermercado" presente
no comércio. O consumidor de baixa
renda foi o principal beneficiado.
Durante muitos anos a correção
monetária foi uma salvaguarda que
permitia aos brasileiros que tinham
maior poder aquisitivo defender-se
parcialmente da corrosão do valor
real da moeda, com aplicações
bancárias de rendimento diário. A
grande maioria da população,
entretanto, não tinha acesso a esses
mecanismos e sofria com a
desvalorização diária dos recursos
recebidos como salário,
aposentadoria ou pensão, sendo os
maiores prejudicados com a alta
inflação.
Não por acaso, após a implantação
do Plano Real a taxa de consumo de
itens antes "elitizados" como o
iogurte explodiu nas classes C e D
da população.13
Segundo estudos da Fundação
Getúlio Vargas - (FGV), houve entre
1993 e 1995 uma redução de
18,47% da população miserável do
país fruto do sucesso do plano. Um
dos melhores índices da história.14
Também se considera como efeito
direto do plano a vitória do candidato
do governo, Fernando Henrique
(PSDB-SP), nas eleições
presidenciais de 1994.

Amostragem de evolução mensal da inflação


antes e depois da implantação do Plano Real
calculados sobre valores divulgados pelo BC9
MJ J A S ON D J F MA MJ J A S ON
a u u g e u o e a e a b a u u g e u o
i n l o t t v z n v r r i n l o t t v
/ / / / / / / / / / / / / / / / / / /
9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9 9
3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4

3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4
6 5 1 1 3
2 0 1 3 6 5 6 6 2 2 4 2 0 6
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0 4 5 8 2
2 7 9 5 9 1 9 2 1 4 8 4 9 5
8 6 1 6 7
7 2 6 3 9 4 6 2 9 1 3 6 5 8
%%%%%
%%%%%%%%%%%%%%

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Gráfico: Dados inflacionários da tabela


acima.
Crises
econômicas[editar | editar
código-fonte]
Esta seção foi marcada como controversa devido às disputas sobre o seu conteúdo.
Por favor tente chegar a um consenso na página de discussão antes de fazer alterações ao artigo.
O Plano Real enfrentou três grandes
crises mundiais: a Crise do México
(1995), a Crise Asiática (1997-
1998) e a Crise da Rússia (1998).
Em todas essas ocasiões o Brasil foi
afetado diretamente, pois estava em
reformas e necessitava de recursos,
investimentos e financiamentos
estrangeiros. Grandes somas de
dinheiro deixaram o Brasil em cada
um desses momentos devido ao
medo que os grandes investidores
tinham com os mercados
emergentes. Ao menor indício de
crise em qualquer um desses países,
uma massa de investidores corria
para buscar refúgio em moedas
fortes, como o dólar americano ou
a libra esterlina. Outros aproveitavam
esses movimentos para especular
fortemente contra as moedas dos
emergentes, na intenção de obter
grandes lucros em curto espaço de
tempo, esvaziando as reservas em
moeda estrangeira dessas nações.
Isso contaminava negativamente as
contas de diversos países, causando
um efeito cascata globalizado. Além
disso, as privatizações contribuíram
para esgotar os recursos do governo
em reservas cambiais e contribuíram
para a desvalorização da moeda.15
Como essas crises deixavam o Brasil
sem meios de financiar seu plano de
estabilização, o governo, fragilizado,
via-se obrigado a aumentar a taxa
básica de juros para remunerar
melhor esses capitais, numa
tentativa de impedi-los de abandonar
o país. O objetivo era evitar um
"default", ou seja, uma quebra
generalizada que empurrasse o país
a uma moratória externa. A taxa de
juros do Brasil chegou a 45% ao ano
em março de 1999. Como
conseqüência, houve maior
endividamento público, mais cortes
de gastos públicos, retração de
alguns setores da economia e
desemprego.
Outras crises menores, apesar de
não prejudicarem tanto o processo
de controle da inflação do Brasil, que
já estava consolidado, trouxeram
efeitos negativos na taxa de
crescimento econômico. A Crise da
Argentina (2001), a Crise de 11 de
setembro (2001), e a Crise do
Apagão (2001) ajudaram a derrubar
a taxa anualizada de crescimento
doPIB pois também forçaram o
aumento da taxa de juros interna. A
crise do Apagão teve a causa ligada
diretamente ao Plano Real, uma vez
que o plano trouxe a ampliação do
poder de compra da população,
aumento do consumo, aumento da
produção (que geram maior consumo
de energia elétrica), somados ao
recuo dos investimentos públicos nos
setores estatais de energia (como
parte do programa de estabilização
econômica).

Efeitos em longo
prazo[editar | editar código-
fonte]
Os efeitos em longo prazo esperado
à época do lançamento do Plano
Real foram:10 [fonte fiável?]

 Manutenção de baixas taxas


inflacionárias e referências reais
de valores;
 Aumento do poder aquisitivo das
famílias brasileiras;
 Modernização do parque
industrial brasileiro;
 Crescimento econômico com
geração de empregos
A estabilidade
monetária é o
fator
condicionante. A
prosperidade — Pedro
econômica é o Sampaio
Malan,
fator Ministro da
condicionado. Fazenda5
Oposição ao
plano[editar | editar código-
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Lula, opositor do Plano real, e


trabalhadores

Durante todo o Governo FHC,


o Partido dos Trabalhadores (PT)
como principal opositor ao governo,
votou contra16 a maioria das medidas
propostas no Plano Real ou que
vieram a fazer parte dele, tal como
o PROER. Alguns poucos artigos
receberam apoio, como a previsão
de destinação de recursos do FSE
para o Sistema Único de Saúde, em
1994.6

Referências