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CHAVES “ MELHOR MORRER DO QUE PERDER A VIDA”

Elenco
Chaves – Walter Netto
Kiko – Jukka de Souza
Chiquinha – Fábia Goldman
Sr. Madruga – Jean Thomaz
Dona Clotilde – Carol Almeida
Popis – Helena de Souza
Florindinha – Thainara Cristina
Girafinha – Kevin Codonho
Barriguinha – Lucas Braga

(Abre as cortinas - abertura com música clássica do Chaves – sem personagens)


(Entram – coreografia e música - Que bonita a sua roupa)
Que bonita a sua roupa,
Que roupinha muitcho louca,
Nela é tudo remendado,
Não vale nenhum centavo,
Mas agrada a quem olhar!
Eu sou o famoso Chaves,
Todos dizem que minha roupa é remendada,
Que faço tremer as bases,
Com as minhas peraltices preparadas.
Que bonita a sua roupa,
Que roupinha muitcho louca,
Nela é tudo remendado,
Não vale nenhum centavo,
Mas agrada a quem olhar!
Dizem a todo instante,
Que ele é mais espaçoso que um trem,
Que ela é azul...crinante,
E que tão chata como ela não há ninguém!
Que bonita a sua roupa,
Que roupinha muitcho louca,
Nela é tudo remendado,
Não vale nenhum centavo,
Mas agrada a quem olhar!
O Professor visita,
A vila procurando casamento,
E o Seu Madruga não evita,
Levar um tabefe a todo momento!
Que bonita a sua roupa,
Que roupinha muitcho louca,
Nela é tudo remendado,

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Não vale nenhum centavo,
Mas agrada a quem olhar!
A Popis é muito boba,
Pra Dona Clotilde só falta uma escova
O Nhonho não se manca
Do Seu Barriga leva sempre uma bronca!
Que bonita a sua roupa,
Que roupinha muitcho louca,
Nela é tudo remendado,
Não vale nenhum centavo,
Mas agrada a quem olhar!
Mas agrada a quem olhar!
(Saem todos, fica Popis e Sr. Madruga, ela o circula e o observa por alguns segundos, ele está cansado,
ela pergunta...)
Popis – Se sente mal?
Sr. Madruga – Eu?? Eu não!
(Popis dá de ombros e sai - Sr. Madruga pega um espelho e se observa – entra Chiquinha)
Chiquinha – Olá paizinho, paizinho querido, meu fofo, meu coração, como vai? Me dá um dinheirinho para
comprar um pirulito lá na venda?

Sr. Madruga – Sim!

Chiquinha – (vira as costas e sai andando) Ahh sabe, tanto faz, eu nem queria mesmo! Oi??? (volta ao lado
do Sr. Madruga) Você disse que sim???!

Sr. Madruga – Sim, sim, sim, toma, toma.

Chiquinha – Mesmo? Se sente mal?

Sr. Madruga – Por que você perguntou isso?

Chiquinha – Não por nada.

Sr. Madruga – Bom é que sabe, agora pouco, a Popis me perguntou isso e hoje de manhã eu encontrei um
amigo de infância que perguntou a mesma coisa e...

Chiquinha – Ele ainda está vivo?

Sr. Madruga – (bravo) Sim! E fez a mesma pergunta que você, se eu me sentia mal.

Chiquinha – Te pediu dinheiro emprestado ou o que?

Sr. Madruga – Não, não! Ao contrário ele que me emprestou.

Chiquinha – Então é ele que anda mal, ué!

Sr. Madruga – É. E também ele me disse que eu estava velho e cansado. (olha para a Chiquinha e pergunta)
Me diga a verdade Chiquinha eu pareço velho e cansado?

Chiquinha – Bem, cansado não parece muito não!

Sr. Madruga – (bravo) E velho também não! Por que ninguém é velho aos quarenta e tantos anos, ora essa.

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Chiquinha – Qual a sua idade??

Sr. Madruga – Essa é a minha idade! Eu tenho quarenta e tantos.

Chiquinha – Quarenta e todos!

Sr. Madruga – Olha Chiquinha! Por que você não vai comprar o que você queria?

Chiquinha – E o dinheiro?

Sr. Madruga – Eu já te dei, posso ter cara de velho mas não sou tonto.

Chiquinha – (risadas) Eu já venho papaizinho!!!

Sr. Madruga – Fecha a porta quando sair!!! (olha para a porta) Deixou aberta!!! Eu disse para fechar a porta.
(encontra com o Kiko repentinamente e grita na orelha dele) Eu mandei fechar as portas!!! Kiko o que faz
ai com essa orelha na minha frente?

Kiko – Na verdade com as duas, mas a esquerda já ficou surda.

Sr. Madruga – Perdão Kiko, perdão é que... é que eu não te vi, eu não vi, esqueça, esqueça.

Kiko – O senhor se sente mal?

Sr. Madruga – O que você disse?

Kiko – Nada, nada, eu não disse nada, não me belisca!!

Sr. Madruga – Não, não. Você me perguntou se me sinto mal, não perguntou?

Kiko – Ah, isso sim.

Sr. Madruga – E por que perguntou Kiko? Tenho algo errado na cara?

Kiko – Sim!

Sr. Madruga – O que?

Kiko – Os olhos, o nariz, o bigode, a boca...

Sr. Madruga – Olha aqui moleque! Te perguntei se tem algo de anormal na cara?

Kiko – Sim!

Sr. Madruga – O que Kiko?

Kiko – Os olhos, o nariz, o bigode, a boca... principalmente a boca.

Sr. Madruga – O que tenho na boca?

Kiko – Vixi, o que tem? Parece a cara de um crocodilo. (risadas)

Sr. Madruga – O que?

Kiko – De lagartixa?... De sapo??... De chimpanzé??... De tubarão??? Não deu!...

Sr. Madruga – (imitando o Kiko) Não deu...


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Dona Florinda – O que foi tesouro? Esse barbudo te fez alguma coisa?

Kiko – Não mamãe, ele não fez nada...

Dona Florinda – (preparou a mão para dar tapa na cara do Sr. Madruga) Olha isso seu!!!... (acho algo
estranho) Se sente mal??

Sr. Madruga – (olha para a Dona Florinda) O que disse?

Dona Florinda - Se você se sente mal?

Sr. Madruga – Não, não é possível, vocês combinaram, não é?

Dona Florinda – Do que você está falando?

Sr. Madruga – Bom, é que está todo mundo perguntando se eu me sinto mal, o que querem é me dar impressão
de que eu estou doente?

Dona Florinda – (hunf) Bem você sempre teve corpo de bicho doente.

Kiko – (rindo da cara do Sr. Madruga) hahaha... De bicho doente...hahaha... E a cara também... hahahaha...

Sr. Madruga – (falando com a Dona Florinda) Então me dá a receita de engordar as pernas??

Dona Florinda – (com raiva) O que está insinuando!?

Kiko – Sim mamãe, hahaha, dá mesmo a receita para ele ficar bem envergonhado, hahahaha.

Dona Florinda – (assustada com o que o Kiko falou) Tesouro!!!

(Sr. Madruga rindo, a Dona Florinda dá um tapa na cara)

Dona Florinda – (falando com o Kiko) Toma! Não ligue para ele Tesouro, não se junte com essa gentalha.

Kiko – Sim mamãe!! Gentalha, gentalha!! (batida clássica Sr. Madruga)

(sai Kiko e Dona Florinda, entra Clotilde)

Clotilde – (simpática e apaixonada) Bom dia Sr. Madruga.

Sr. Madruga – (bravo) O que é que tem de bom?

Clotilde – Oras, Se sente mal?

Sr. Madruga – Me perguntou se eu me sinto mal?

Clotilde – Sim!!

Sr. Madruga – E por que?

Clotilde – Bem é que, não gosto nada da sua cara.

Sr. Madruga – Que coincidência. Eu também não gosto da sua...

Clotilde – Como disse?... Hunf... Mal criado!

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Sr. Madruga – Diga me a verdade Dona Clotilde, eu dou a impressão de estar doente? Olha bem...

Clotilde – Antes me diga uma coisa, se importa de ouvir a verdade?

Sr. Madruga – (olhando para Clotilde com cara de assustado e os olhos esbugalhados).

Clotilde – Sim por que eu por exemplo, não sabe como me desanima, quando me dizem que não estou bem.

Sr. Madruga – Deve ser muito difícil reanima-la não?

Clotilde – A não, não é não, Sr. Madruga, não é não. O Que sempre me reanima é a presença de alguém, não
quero dizer quem é, mas, estou vendo agora. (olha de cima embaixo apaixonada para Sr. Madruga).

(Sr. Madruga engole seco, e fica assustado)

Clotilde – Oh, me sinto segura quando estou ao lado de um homem.

Sr. Madruga – Bem na sua idade qualquer um...

Clotilde – Como disse??

Sr. Madruga – Digo... digo... Deixa eu me explicar...

Clotilde – Olha... olha... Não quero nenhuma explicação. E com licença.

Sr. Madruga – Claro Dona Clotilde, claro.

(Entra Chaves brincando com a vassoura)

Sr. Madruga – Chaves! Chaves vem cá, vem cá!

Chaves – Não, não, não pense que vou levar algum recado...

Sr. Madruga – Não, não é isso...

Chaves – Por que já me deve 14 meses de recados dados, cada aluguel que o Sr. Não paga é uma história que
eu tenho que contar e eu...

Sr. Madruga – Não... Não... Não... Chaves não quero pedir para levar nenhum recado.

Chaves – Então o quê?...

Sr. Madruga – Diga me uma coisa Chaves, como você me vê?

Chaves – Ora, com os olhos...

Sr. Madruga – Mas isso eu já sei...

Chaves – Então por que pergunta?

Sr. Madruga – O que eu estou perguntando é se eu dou a impressão de estar cansado.

Chaves – Cansado? De que, se não faz nada?

Sr. Madruga – Quem disse que eu não faço nada?

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Chaves – Ué, o senhor nunca trabalha...

Sr. Madruga – Bom, é que há muita falta de emprego, e eu gosto de dar oportunidade as pessoas jovens, e eu
tenho tomado essa nobre atitude desde quando eu tinha 15 anos. E, e, e.... Não tente mudar de assunto Chaves!
Diga como você me encontra?

Chaves – Como encontro?

Sr. Madruga – Sim, sim!

Chaves – Procurando! Hehehe!

Sr. Madruga – Quer dizer, como pareço de saúde! Tenho algo de errado na minha cara?? Olhe bem!...

Chaves – Ué, tudo!!

Sr. Madruga – Está querendo dizer que eu sou feio?

Chaves – Não só de cara, mas, também de corpo. Mas eu, acho que isso é bom né? Por que o homem deve ser
feio, forte e formal.

Sr. Madruga – Uhum!!

Chaves – E para o senhor, acho que só está faltando ser forte e formal. Isso quer dizer que não lhe falta muito
para ser homem. Ou então quer dizer...

Sr. Madruga – (bravo) Já está bem!! Olha Chaves, você tem sorte eu não vou te fazer nada, por que você foi
o único que me animou.

Chaves – Eu? Por que?

Sr. Madruga – Por que você não fez a pergunta que todos me fizeram, “SE SENTE MAL?” .

Chaves – Quem perguntou isso?

Sr. Madruga – Todos!!!! Meu amigo, a Popis, a Chiquinha, o Kiko, a Dona Florinda, a Bruxa do 71, todos!

Chaves – Que burros, não é?

Sr. Madruga – Claro Chaves, claro!!!

Chaves – Para que perguntar uma coisa que se nota a quilômetros?

(Sr. Madruga sai triste, entra Chiquinha na casa)

Chiquinha – Papai!! Acabo de me lembrar que hoje... (vê o pai deitado no sofá triste) Mas o que é que foi??

Sr. Madruga – (termômetro na boca, resmunga) Wraifhs, grhunrs, hortheins, hunffghre, shin!!!

Chiquinha – O que?????

Sr. Madruga – (termômetro na boca, resmunga) Wraifhs, grhunrs, hortheins, hunffghre, shin!!!

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Chiquinha – O que?? (tira o termômetro da boca dele)

Sr. Madruga – (sem termômetro, mas continua resmungando) Wraifhs, grhunrs, hortheins, hunffghre,
shin!!!

Chiquinha – Papai!!! Eu já tirei o termômetro, já pode falar.

Sr. Madruga – Ah, obrigado! Quanto tem?

Chiquinha – No bolso quatro contos, no guarda roupa nada, e na venda um monte de dívidas.

Sr. Madruga – Quis dizer, quanto tenho de temperatura??

Chiquinha – Ahh!! Mas como é que eu vou saber?

Sr. Madruga – Você não sabe ler termômetro?

Chiquinha – Claro que sim!!

Sr. Madruga – Então leia!

Chiquinha – Espera, humm... Ter... Mô... Me... Tro!! Termômetro! E os números também?

Sr. Madruga – Me dá isso daqui... (tira o termômetro da mão da Chiquinha, e olha) Não pode ser! Não
pode ser!

Chiquinha – O que, o que é que não pode ser papai?

Sr. Madruga – Eu também não sei ler termômetro, filha!!

Chiquinha – Não importa!! Acabo de me lembrar que hoje é!!!... Não... Melhor não te dizer! ...

Sr. Madruga – Não, me diga sim. Diga... Diga!!!

Chiquinha – Não posso, por que é uma surpresa!

Sr. Madruga – Espera...

(Chiquinha sai da casa e encontra com o Kiko e Popis, Clotilde no fundo escutando a conversa)

Kiko – Pula bolinha!! (risada)

Popis – Joga pra mim!

Kiko – Pera ae Popis! Pula bolinha!

Popis – Joga pra mim Kiko!

Chiquinha – Kiko!!

Kiko – Pera ae Chiquinha! Pula bolinha!

Popis – Eu primeiro!!!

Chiquinha – Eu não quero jogar Popis!

Kiko – Então por que pediu Chiquinha? Pula bolinha!


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Popis – Não quer? Ei Kiko joga pra mim!!!! (chuta a canela dele).

Kiko – Aiiiiiii!!! Esperem ai, Chiquinha segura a bola para mim por gentileza?

Chiquinha – Sim Kiko, é que.... (Kiko faz gesto de só um momento, sem se mostrar com dor vai até o
muro e faz o seu famoso choro, e após isso retorna e pega a bola e entrega para Popis que brinca com
ela).

Kiko – Obrigado Chiquinha, aqui está Prima!

Popis – Eba!!!! (sai com a bola feliz).

Kiko – Pode dizer Chiquinha!

Chiquinha - Me empresta quinhentos mil?

Kiko – Ah claro, depois você não me paga!!! (assustado olha para a Chiquinha) Você disse quinhentos mil?
Tá louca?

Chiquinha – Ah, mas se não tiver, serve cinco.

Kiko – Entendi, mas o que vai fazer com tão pouco??

Chiquinha – É que hoje é aniversário do meu pai, e eu não tenho dinheiro para comprar um presente.

Kiko – Hoje é aniversário do seu pai?

Chiquinha – Sim!!! Mas não diga muito alto, por que ele pode ouvir.

Kiko – E o que é que tem?

Chiquinha – É que ele não se lembra, e eu quero fazer uma surpresa, comprando assim um bolo, velinhas e
tudo mais.

Kiko – Uma velinha para cada ano?

Chiquinha – Pois claro!!

Kiko – Não vai caber...

Chiquinha – Por que?...

Kiko - A menos que você compre um bolão grandão assim, como o maracanã.

Chiquinha – (tira o óculos e olha para o Kiko com cara de brava).

Kiko – E que por que no lugar de velas, não coloca uma tocha?.hahaha..

Chiquinha – Já chega Kiko!!! Vai emprestar o dinheiro para comprar o bolo ou não vai? ?

Kiko – É que eu não tenho! (Clotilde se aproxima).

Clotilde – Não, não importa, eu farei o bolo.

Kiko – Não Chiquinha!!!!!! (desesperado).

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Chiquinha – E por que não??

Kiko – Por que ela vai por alguma coisa para enfeitiçar o teu pai.

Clotilde - Como???

Chiquinha – Ai, como você é tonto Kiko!! Quantas vezes eu te disse que a senhorita Clotilde aqui, não é
nenhuma bruxa, parece.... Mas não é!...

Clotilde – Como disse??

Chiquinha – Não, não ligue para ele não. Então podemos contar com o bolinho, Dona bruxa, quer dizer,
Senhorita Clotilde!?

Clotilde – Pode deixar, eu sou uma mulher desinteressada.

Kiko – A senhora desinteressada?

Clotilde – Sim!!

Kiko – Achei que fosse desinteressante! Hahahaha.

Clotilde – Moleque atrevido, eu quero dizer que eu gosto de ser generosa e eu aposto como a sua mãe não vai
colaborar com nada. Para o aniversário do Sr. Madruga! Hunf!

Kiko – Eu aposto que sim!!!

Clotilde – Claro!.. Eu duvido!

Chiquinha – Shiu!!! Kiko!!! Abaixa a voz!!

Kiko - Que?

Chiquinha – Abaixa a voz!!

Kiko – (se abaixa um pouco) Por que a minha mãe tem muito mais dinheiro!...

Chiquinha – Abaixa a voz!!

Kiko - Mais??

Chiquinha – Sim!!!

Kiko – (se abaixa mais um pouco) Por tanto ela vai colaborar!!! (grita).

Chiquinha – (olha para o Kiko que esta abaixado no chão) Ai, será possível? (puxa o Kiko do chão) Mais
será que você não entende Kiko que o aniversário do meu pai é surpresa?

Clotilde – Claro, por tanto temos que ter discrição para que o seu Madruga não saiba de nada.

Chiquinha – É isso ai! Ai que legal!! Não vejo a hora de dar a surpresa!

(Sr. Madruga ouviu algo de longe e entra)

Sr. Madruga – Que eu não saiba nada de que?

Chiquinha, Kiko e Clotilde – Não, não, nada não!


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Sr. Madruga – Vocês estavam falando de mim, não é?

Chiquinha, Kiko e Clotilde – Ah! Não!! Nada não Sr. Madruga! (olhos esbugalhados de susto).

Chiquinha – Com licença papai, com licença. (sai)

Clotilde – Com licença Sr. Madruga. (sai)

Kiko – Com lincencinha Sr. Madruguinha lindinho, fui!!!

Sr. Madruga – (puxa o Kiko pela roupa) Que, com licença o que!!! Vem cá!! Você vai me dizer o que estava
falando de mim.

Kiko – O senhor não conta para ninguém?

Sr. Madruga – Não Kiko.

Kiko – Eu também não! Ei Popis! Devolve minha bola!!! (sai correndo).

(Kiko vai embora e deixa Sr. Madruga sozinho - entra Chaves)

Chaves – Sente se mal?

Sr. Madruga – Até tú Brutus meu filho?

Chaves – Brutus? Não, meu nome é Chaves, vejo que o senhor realmente não está bem!

Sr. Madruga – Não Chaves! É um ditado popular, Brutus era um homem da literatura africana que traiu Pedro
Alvares Cabral.. Ou... quer dizer... Bem Chaves, não importa, depois pergunte para o professor Girafales, mas
diga a verdade Chaves, o que eu tenho?

Chaves – Nem que eu caia morto. Aliás é melhor morrer do que perder a vida!

Sr. Madruga – Quero dizer, qual é a minha doença?

Chaves – Como é que eu vou saber, se eu não sou veterinário?

Sr. Madruga – Não Chaves, é que eu surpreendi o pessoal falando de mim... E quando fui perguntar o que
estavam falando, começaram a disfarçar, como se não tivessem coragem de dizer a verdade.

Chaves – Qual é a verdade?

Sr. Madruga – De que tenho muito pouco tempo de vida Chaves!!

Chaves – Bom mas isso acontece com todos os velhinhos.

Sr. Madruga – Se eu sou um velho, você é um morto de fome.

Chaves – Mas a fome se mata comendo.

Sr. Madruga – Olha Chaves vê se não muda de assunto. Diga, diga como estou de saúde?

Chaves – Qual saúde!?

Sr. Madruga – Então você também já sabe?

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Chaves – O que?

Sr. Madruga – Que eu estou com um pé na sepultura.

Chaves – Ah, que mentiroso, você está com os dois pés já!!

Sr. Madruga – Mas de manhã, me sentia tão bem.

Chaves – Foi o que disse a senhora do 27 um pouquinho antes de morrer.

(Sr. Madruga se olha no espelho aparece uma caveira, entra Kiko, Dona Florinda, Clotilde, Popis e
Chiquinha)

Clotilde – (olha para a caixa de bombom da Dona Florinda) Uma caixa de Chocolates? É com isso que vai
querer homenagear o Sr. Madruga?

Dona Florinda – Hunf!!! E é só para dizer que colaborei, fiz isso somente para que não andem dizendo que
eu sou mão de vaca.

(Sr. Madruga e Chaves espiando)

Sr. Madruga – Ouça Chaves, me faz um favor!

Chaves – Sim, qual?

Sr. Madruga – Olha, parece que estão falando de mim, saia disfarçadamente e tente escutar o que estão
dizendo e depois venha cá me contar, sim.

Chiquinha – Já sei!!! Por que não compramos carne lá na esquina?

Dona Florinda – Não!! O homem que vende carne não é de confiança.

Popis – Por que?


(Chaves espiando perto)

Dona Florinda – Olha, por que ele tem toda carne em mal estado, a barriga é dura, o fígado completamente
estragado e os rins piores totalmente podres.

Chiquinha – Que pena eu não sabia que era tão grave!!

(Chaves vai até o Sr. Madruga assustado)

Sr. Madruga – E então o que disseram?

Chaves – Tem toda a carne em mal estado.

Sr. Madruga – Não!!

Chaves – E a barriga dura, dura.

Sr. Madruga – E eu que pensei que era pelo exercício.

Chaves – E o fígado totalmente estragado.

Sr. Madruga – Nossa...

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Chaves – E os rins piores, totalmente podres.

Sr. Madruga – E agora? E agora Chaves?!

(Chiquinha, Kiko, Dona Florinda, Popis e Clotilde)

Clotilde – Bem...

Dona Florinda – Ahh, então se prepararmos uma xícara de café?

Kiko – Não tia! O Tio Girafales pode ficar com ciúmes!

Dona Florinda – Popis!!! Por favor!!!

Clotilde – Eu gostei da ideia do café, serve para acompanhar o bolo que eu estou preparando. Mas eu só
consegui, quatro velinhas.

Chiquinha – Ahh, não importa, assim podemos sugerir que o meu pai é mais jovem.

Kiko – Ah sim! Me dá agora a caixa de chocolate. (puxa da mão da Dona Florinda)

Chiquinha – Não não!!! (puxa da mão do Kiko)

Kiko – Por que não??

Chiquinha – Por que é para o meu pai, não, não.

Kiko – Mas quem comprou a caixa foi a minha mãe.

Dona Florinda – Foi sim meu tesouro, mas comprei a caixa para o Sr. Madruga.

(Chaves escuta novamente a conversa)

Clotilde – Bem temos que deixar tudo pronto, hein! Eu vou buscar as quatro velas.

Dona Florinda – E eu vou preparar o cafezinho.

(Chaves vai atrás do Sr. Madruga)

Sr. Madruga – E agora? O que disseram?

Chaves – Já compraram o caixão (quase chorando)

Sr. Madruga – Nossa...

Chaves – E a bruxa do 71 foi buscar quatro velas.

Sr. Madruga – Percebe Chaves, eles preparam tudo já! O fim está próximo!

Chaves – E a Dona Florinda foi preparar o café! (chora).

Sr. Madruga – Percebe Chaves, quer dizer que está mesma noite ela vai servir o café no meu velório (chora),
sabe tudo isso só quer dizer uma coisa Chaves, que eu vou morrer já, já!

(Chaves e Sr. Madruga choram desesperados - Chiquinha e Kiko continuam falando da surpresa)

Chiquinha – Olha Kiko vem aqui.


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Kiko – Que é?

Chiquinha – O zelador tem dois frangos.

Kiko – Isso eu já sei... São dois frangos bem gordos, e por que você está me dizendo isso?

Chiquinha – É que meu pai adora frango, e eu sei cozinhar frangos...

Kiko – Ahh, já entendi. Você vai cozinhar um frango para o seu pai.

Chiquinha – Sim!! Ah, mas eu preciso de um homem valente e decidido que mate esses frangos.

Kiko – Eu mato ele!!

(Chaves escuta a conversa totalmente desolado)

Chiquinha – Mata?

Kiko – Claro!

Chiquinha – Bem, mas tem que matar com muito cuidado, hein! Para que não sofra muito.

Kiko – Pode deixar comigo.

Chiquinha – Tá bom...

(Chaves vai tremendo atrás do Sr. Madruga)

Chaves – O senhor não vai morrer.

Sr. Madruga - Como?

Chaves – Vão matar o senhor!

Sr. Madruga – (assustado) Quem vai me matar?

Chaves – O Kiko.

Sr. Madruga – Mas, faz muito tempo que eu não belisco ele...

Chaves – Foi a Chiquinha que pediu para matar o senhor com cuidado para que não sofra muito.

Sr. Madruga – A Chiquinha? Minha própria filha? Ela quer que me matem com muito cuidado, para que eu
não sofra. Isso quer dizer que... de qualquer forma eu vou morrer e querem evitar as dores da agonia. (chora
com Chaves)

(Chiquinha e Kiko – Sr. Madruga sai para ouvir disfarçadamente)

Kiko – Escuta.

Chiquinha – O que?

Kiko – Você sabe mesmo preparar um frango?

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Chiquinha – Mas é claro, frango é a coisa mais fácil do mundo. Olha primeiro, você corta o pescoço com o
machado, e logo tiramos as penas...

Kiko – Depois tiramos.... Ah sim!!

Chiquinha – E depois abrimos a sua barriga.

Kiko – E depois abrimos... ah sim sim! E se você quiser, eu mesmo abro com o machado.

Chiquinha – Claro, e depois a gente tira as tripas.

(Sr. Madruga desmaia e começa a ter sonhos de alucinação – blackout com ele no palco troca
projeção)

Girafinha – Oi!

Florindinha – Oi!

Girafinha – Tudo bem?

Florindinha – Tudo.

Girafinha – Bem, é que, eu, é, eu vim, eu quero, é que...

Florindinha – Fala logo menino!

Girafinha – Vim te trazer esse humilde presente. (uma flor de jardim)

(entra barriguinha)

Barriguinha – Que você roubou do meu jardim!

Girafinha – Que mentira, eu peguei essa flor no jardim da praça.

Barriguinha – Então você acabou de assumir que roubou a flor do meu jardim.

Florindinha – Ei Gordinho!Você é surdo? Ele acabou de falar que pegou a flor do jardim da praça, entendeu?

Barriguinha – Hahahaha. Meu pai é dono de tudo isso aqui, da vila, do armazém e até da pracinha e um dia
tudo isso será meu, e eu vou poder cobrar o aluguel de todo mundo e ser rico, muito rico, hahahaha.

Florindinha – Não é possível, a praça é pública, aonde está escrito que seu pai é dono dela?

Girafinha – Isso mesmo, sou filho de professor que foi filho de professor, que foi filho de...

Todos – Já entendemos, de outro professor.

Girafinha – Não, meu bisavó era alfaiate, hehehe. (batem nele)

Girafinha – Bem, como eu estava dizendo, eu entendo de leis e regras, e a menos, que existisse, um
documento, que comprovasse que seu pai é dono da praça, isso seria, ri-di-cu... (Barriguinha tira um
documento de dentro do bolso e abre na cara dele) lo... (Girafinha fica com cara de decepcionado)

Barriguinha – Mas não se preocupem, dessa vez passa, mas na próxima, peço para o meu pai cobrar o prejuízo
junto com o aluguel. Até logo.

(ficam se olhando)
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Girafinha – Desculpa Florindinha (deprimido)

Florindinha – Não tem problema, para mim o que vale é a intenção, não quer entrar para tomar um copo de
suco de limão?

Girafinha – Não gosto de suco de limão.

Florindinha – Não gosta? Então vai embora, e não aparece mais aqui.

Girafinha – Ah é assim? É a melhor coisa que vou fazer na minha vida.

Florindinha – Que ótimo! Ótimo mesmo! Adeus!

(sai Girafinha)

Florindinha – Tudo bem, eu não me importo mesmo (chorando) Eu não ligo! Eu não estou nem ai! Eu ... Tá
eu me importo! Eu me importo sim!!!!!! (chora muito).

(entra Barriguinha que estava observando)

Barriguinha – Eu estava vendo vocês, e vi que você ficou chorando e trouxe esse lenço para enxugar as suas
lágrimas, como é seu nome mesmo?

Florindinha – Florinda!!!(em prantos) Obrigada!!! Mas me chamam de Florindinha e o seu?? (assoa o nariz,
devolve para ele)

Barriguinha – (de olhos fechados e imponente) Como eu já disse, meu pai é muito rico, e meu nome é Zenon,
mas pode me chamar de Barriguinha, é assim que me chamam.

(Florindinha sai de mansinho dando tchau)

Barriguinha – (abrindo os olhos e sem graça) É isso! Bem... Acho que ela deve ter alguma coisa
importante pra fazer né, tudo bem.... (muda totalmente de comportamento e vai falando como se
estivesse louco para a platéia) Oi! Você está me ouvindo? Eii! (aponta para a plateia) Você! Acorda!!
Ah, já sei!! Vai me dar atenção!! (Grita) PAGUE O ALUGUEL!!

Todos – PAGUE O ALUGUEL!!!!

(Blackout – sai Barriguinha – Sr. Madruga desperta assustado)

Sr. Madruga – Não, não quero morrer, eu não mereço, eu pago, eu pago, daqui a dois anos, mas eu pago.

(Em cena Clotilde, Florinda, Popis e Chiquinha cantando parabéns)

Kiko – (entra desesperado correndo) Socorro! Socorro! (Chaves entra com um pedaço de pau batendo
nele).

Sr. Madruga – O que é isso? O que está acontecendo?

Chiquinha – O Chaves, o Chaves está louco!!

Chaves – Você não vai matar o Sr. Madruga seu safado (Kiko cai e desmaia, Chaves continua batendo nele)
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Chaves – Pode ficar tranquilo Sr. Madruga que eu não vou deixar matarem o senhor não, eu já peguei o Kiko,
agora só falta pegar a Chiquinha.

Chiquinha – Que? Eu? (corre – blackout – revezamento de choro entre Kiko e Chiquinha no escuro)

(Entram todos)

(Música - Se você é jovem ainda)

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda


Amanhã velho será, velho será, velho será!
A menos que o coração, que o coração sustente
A juventude que nunca morrerá!

Existem jovens de oitenta e tantos anos


E também velhos de apenas vinte e seis
Porque velhice não significa nada
E a juventude volta sempre outra vez!

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda


Amanhã velho será, velho será, velho será!
A menos que o coração, que o coração sustente
A juventude que nunca morrerá!

E você é tão jovem quanto sente


Pode apostar: é jovem pra valer
E velho é quem perde a pureza
E também é quem deixa de aprender!

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda


Amanhã velho será, velho será, velho será!
A menos que o coração, que o coração sustente
A juventude que nunca morrerá!

Não diga não à vida que te espera


Pra festejar a alegria de viver
Pra agradecer a luz do seu caminho
E você vai com isso entender!

Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda


Amanhã velho será, velho será, velho será!
A menos que o coração, que o coração sustente
A juventude que nunca morrerá!
A juventude que nunca morrerá!

FIM

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