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Direito Ambiental Agrário II


Semestre

M. Okumura

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Direito Ambiental Agrário II

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente


equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à
sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e
à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.
Constituição Federal, art. 225

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DANO AMBIENTAL

Dano é toda lesão a um bem jurídico tutelado. Dano ambiental é a lesão aos recursos
ambientais, com consequente degradação do equilíbrio ecológico e da qualidade de vida.
É preciso ressaltar que não se pode confundir: poluição, impacto e dano. Poluição
ambiental, como define o art. 3º, III, da Lei 6.938/811 é “a degradação da qualidade ambiental”.
Impacto ambiental é, conforme a Resolução n° 01/86 do CONAMA, qualquer alteração das
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a
saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota e a
qualidade dos recursos ambientais. O dano ambiental, não possui definição legal. Porém, a
doutrina entende que: “o dano ambiental deve ser compreendido como toda lesão intolerável
causada por qualquer ação humana (culposa ou não) ao meio ambiente, diretamente, como
macrobem de interesse da coletividade, em uma concepção totalizante, e indiretamente, a
terceiros, tendo em vista interesses próprios e individualizáveis e que refletem no macrobem”.
Para Édis Milaré, dano ambiental é “a lesão aos recursos ambientais, com a consequente
degradação/alteração adversa ou in pejus do equilíbrio ecológico e da qualidade ambiental”.

Classificação do dano ambiental

a) Dano ambiental coletivo:


Recai sobre o patrimônio ambiental, que é comum à coletividade, ou seja, é o dano
causado ao meio ambiente globalmente considerado, em sua concepção difusa, como
patrimônio coletivo, atingindo um número indefinido de pessoas. Quando cobrado, tem
eventual indenização destinada a um Fundo, cujos recursos serão alocados para a reconstituição
dos bens lesados. A tutela se dá por ação civil pública ou mandado de segurança coletivo.
b) Dano ambiental individual, ricochete ou reflexo:

1
Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981
Art. 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
[...]
III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;
[...]
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Ao afetar o meio ambiente recai sobre interesses pessoais, legitimando os lesados a uma
reparação pelo prejuízo patrimonial ou extrapatrimonial sofrido. A tutela se dá pela
responsabilização civil objetiva. São casos típicos desse tipo de dano, problemas de saúde
pessoal por emissão de gases e partículas em suspensão ou ruídos, a infertilidade do solo de um
terreno privado por poluição do lençol freático, doença e morte de gado por envenenamento da
pastagem por resíduos tóxicos etc.

Características do dano ambiental

a) Ampla dispersão de vítimas:


O dano ambiental atinge necessariamente uma coletividade difusa de vítimas, "mesmo
quando alguns aspectos particulares da sua danosidade atingem individualmente certos
sujeitos".

b) Dificuldade da valoração:
Nem sempre é possível calcular o dano ambiental, justamente em virtude de sua
irreparabilidade.

c) Dificuldades relativas à ação reparatória:


Na grande maioria dos casos de dano ambiental, a reparação ao status quo ante é quase
impossível e a mera reparação pecuniária é sempre insuficiente e incapaz de recompor o dano.
É impossível, por exemplo, repor o desaparecimento de uma espécie, ou purificar um lençol
freático contaminado por agrotóxicos. A prevenção nesta matéria, aliás, como em quase todos
os aspectos da sociedade industrial, é a melhor, quando não, a única solução.

Reação jurídica ao dano moral

“As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,


pessoas físicas ou jurídicas a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação
de reparar os danos causados.” (CF, art. 225, §3º).
Os atos podem ter tripla repercussão jurídica (administrativa, civil e penal). Ex.: a
contaminação do solo, ensejará: a) o pagamento de multa (sanção administrativa); b) o
cumprimento de obrigação de fazer, consistente na remediação do solo ou de não fazer,

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impondo a cessação da atividade poluidora (sanção civil) e; c) a condenação à pena de reclusão


de 1 a 5 anos (sanção penal).
A reparação do dano ambiental na esfera civil pressupões prejuízos a terceiros,
ensejando pedido de reparação do dano, consistente na recomposição ou indenização. Há duas
formas de reparação do dano: a) a restauração natural ou o retorno ao estado anterior é a
primeira a ser tentada, mesmo que mais onerosa; b) a indenização em dinheiro será aplicada
apenas quando a restauração for inviável de fato ou tecnicamente.
Para a reparação ou ressarcimento dos danos em geral, há a necessidade de se comprovar
a responsabilidade do autor. Duas teorias: a) teoria subjetiva que exige a demonstração da culpa,
do dano e do nexo causal, concomitantemente; b) teoria objetiva que exige a comprovação do
dano e do nexo causal. A segunda é a teoria adotada pelo Direito Ambiental brasileiro.

TUTELA CIVIL DO MEIO AMBIENTE

Responsabilidade civil ambiental

“Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado,
independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio
ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados
terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao
meio ambiente.” (Lei 6.938/81, art. 14, §1º). Para maior proteção ambiental adotou-se a Teoria
do Risco Integral, de acordo com esta teoria, todo aquele que causar dano ao meio ambiente ou
a terceiro será obrigado a recuperá-lo ou ressarci-lo.

Princípios básicos da responsabilidade civil ambiental

a) Princípio da prevenção e da precaução:


Os legitimados para o ajuizamento da Ação Civil Pública não precisam aguardar a
consumação do dano para agir, devem coibir práticas que apresentem mera potencialidade de
dano, obrigando os responsáveis ajustarem-se às técnicas aplicáveis para mitigar o risco da
atividade.
b) Princípio do poluidor-pagador:
O poluidor arca com os custos necessários à diminuição, eliminação do dano ambiental.

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c) Princípio da reparação integral:


A lesão deve ser reparada integralmente, sempre que possível, não havendo
possibilidade técnica ou de fato será devida a indenização pecuniária correspondente. Caso a
recuperação seja parcialmente possível, recupera-se o que for possível e o restante deverá ser
indenizado proporcionalmente.

Responsabilidade do Estado

“Toda pessoa física ou jurídica é responsável pelos danos causados ao meio ambiente”
(Lei 6.938/81, art. 3º, IV).
O Estado deve ser responsabilizado solidariamente pelos danos causados por omissão
ou por ação. Ex.: falta de fiscalização, concessão de licenciamento irregular, realização de obras
ou atividades degradadoras, etc.
Poderá o Estado voltar-se contra o causador direto do dano por meio de ação regressiva.

Excludente de responsabilidade

Os fatores de exclusão de responsabilidade devem ser examinados à luz do ordenamento


jurídico ambiental, em face da prevenção e da precaução.
O caso fortuito decorre de obra do acaso e não afasta a responsabilidade do causador do
dano ambiental.
A força maior, fato decorrente da natureza sem que direta ou indiretamente tenha
concorrido a intervenção humana, não afasta a responsabilidade pela reparação dos danos
ambientais.
Conclui-se que, se não ficar claramente comprovado que o fato ocorrido estava
totalmente fora da previsão e do controle do empreendedor e que nenhum ato seu colaborou
para a concretização do dano, será cabível a sua responsabilização.

Solidariedade passiva na reparação do dano

No Direito Ambiental adota-se o princípio da solidariedade passiva (CC, art. 942).


Havendo mais de um causador do dano todos responderão solidariamente. Havendo a reparação

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do dano por um dos coautores, poderá este, acionar regressivamente os demais


proporcionalmente ao dano atribuído a cada um. Se não for possível saber quem causou o dano
todos aqueles que desenvolvem atividade naquela localidade serão responsabilizados
solidariamente, da mesma forma, aquele que primeiro reparar o dano poderá acionar
regressivamente os demais, caso fique comprovado posteriormente o verdadeiro autor do dano
ambiental, este deverá ressarcir os demais.

TUTELA JURISDICIONAL DO MEIO AMBIENTE

A Lei 7.347/85 disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados
ao meio ambiente.

Fase pré processual

Inquérito civil (Lei 7.347/85, art. 8º, §1º e CF, art. 129, III):
É um procedimento administrativo, não obrigatório, com a finalidade investigativa e
extraprocessual, sob a presidência do Ministério Público, destinado a colher o conjunto
probatório para a instrução da ação civil pública.
O inquérito civil possui 3 fases:
a) Instauração: através de portaria do MP, despacho lançado em requerimento ou representação
por qualquer pessoa, autoridade ou associação. Do despacho de instauração caberá recurso em
5 dias e do seu indeferimento em 10 dias ao Conselho Superior do Ministério Público (CSMP).
b) Instrução: colheita de provas dos danos causados ao meio ambiente.
c) Conclusão: relatório final, com três possíveis desdobramentos (arquivamento, TAC, ação
civil pública).
- Arquivamento: esgotadas todas as diligências, caso o MP se convença da inexistência de
fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito
civil de forma fundamentada, que deverá ser remetido ao CSMP para a homologação no prazo
de 3 dias, sob pena de falta grave. Caso o CSMP deixe de homologar o arquivamento, será
designado outro órgão do MP para o ajuizamento da ação civil pública.
- TAC (Termo de Ajustamento de Conduta): trata-se de um instrumento administrativo,
utilizado pelos órgãos públicos, em especial o Ministério Público, para realizar acordos entre
este, e aquele que está causando ou na iminência de causar algum prejuízo contra o meio

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ambiente. Este termo de conduta será considerado um título executivo extrajudicial, de forma
que o agente causador do dano estará admitindo ter consciência da ofensa que está praticando
contra o meio ambiente, e se comprometendo a, num espaço de tempo preestabelecido no
próprio termo, deixar de causar dano ou recuperar o meio ambiente à sua forma original. Caso
o agente provocador do dano não venha a cumprir o que fora determinado no termo de
ajustamento, o órgão público responsável terá o dever de executar diretamente o ofensor, de
modo que não se faz mais necessário o reconhecimento do direito, pelo processo de
conhecimento, uma vez que o termo de ajustamento possui a característica de título executivo.
- Propositura da ação civil pública: havendo fundamento o MP ajuizará a ação civil pública,
iniciando-se a fase processual.

Fase processual

A Lei 7.347/85 disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos morais e
patrimoniais causados ao meio ambiente e outros (Lei 7.347/85, art. 1º).

a) Competência: o juízo competente para processar e julgar a ações previstas na referida Lei
será o do foro do local onde ocorrer o dano (Lei 7.347/85, art. 2º).
b) Finalidade: a ação civil poderá ter por finalidade a condenação pecuniária ou o cumprimento
de obrigação de fazer ou não fazer (Lei 7.347/85, art. 3º).
c) Legitimidade: têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar o MP; a
Defensoria Pública; a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; a autarquia,
empresa pública, a fundação ou sociedade de economia mista e a associação, que
concomitantemente, esteja constituída a mais de 1 ano e inclua, entre suas finalidades
institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, etc (Lei 7.347/85,
art. 5º).
d) Intervenção obrigatória do MP: caso o MP não seja parte no processo, atuará
obrigatoriamente como fiscal da lei (Lei 7.347/85, art. 5º, §1º).
e) Multa liminar: “A multa cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em
julgado da decisão favorável ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver
configurado o descumprimento.” (Lei 7.347/85, art. 12, §2º).
A ação civil pública é imprescritível e indispensável, pois o meio ambiente é um bem
difuso.

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TUTELA PENAL DO MEIO AMBIENTE

Lei de crimes ambientais (Lei 9.605/98)

Fundamento: “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os


infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente
da obrigação de reparar os danos causados.” (CF, art. 225, §3º).

Fundada no princípio da intervenção mínima do Estado: estigmatiza o indivíduo, assim, a


sanção penal somente será utilizada como último recurso (ultima ratio).

Norma penal em branco: pelo caráter complexo e multidisciplinar das questões ambientais
utiliza-se normas penais em branco, que determinam integralmente somente a sanção, sendo
que o preceito, descrito de modo impreciso, necessita de outra norma legal para sua
complementação, ou seja, são normas que fixam a sanção penal, mas que descrevem o conteúdo
da matéria de proibição de maneira generalizada, remetendo de forma expressa ou tácita a
outros dispositivos de lei. As normas penais em branco são muito flexíveis, pois a matéria de
proibição modifica-se facilmente.

Sujeitos do crime

Sujeito ativo:
Qualquer pessoa física imputável e a pessoa jurídica. “As pessoas jurídicas serão
responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos
em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu
órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.” (Lei 9.605/98, art. 3º).

Sujeito passivo:
Será sempre a coletividade, pois o bem jurídico tutelado é de uso comum do povo (CF,
art. 225). O objeto material pode ser público ou privado.

Concurso de pessoas:

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Imputação simultânea. “Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes
previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem
como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente,
o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem,
deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.” (Lei 9.605/98, art. 2º). “A
responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou
partícipes do mesmo fato.” (Lei 9.605/98, art. 3º, § único).

Culpabilidade:
Será culpável toda e qualquer pessoa que concorra para a prática do crime, sem a
necessidade de participar dos atos executórios do crime, basta a prática de conduta que de
alguma forma tenha efeito na ação criminosa.

Teoria da responsabilidade subjetiva:


Imprescindível que se comprove o dolo ou a culpa do agente. Via de regra exige a
comprovação do dolo. A forma culposa deve constar expressamente no tipo penal.

Sanções penais

Sanções penais aplicáveis às pessoas físicas (Lei 9.605/98, arts. 6º a 13):


A aplicação e imposição ou gradação da pena deve considerar a gravidade do fato, a
conduta pregressa do infrator em relação ao meio ambiente, e no caso de multa, sua situação
econômica (Lei 9.605/98, art. 6º). A verificação da condição econômica do infrator para a
penalidade de multa resta absolutamente necessária, uma vez que não se pode aplicar uma multa
em valor exorbitante ao simples cidadão desafortunado que simplesmente expunge parte do
tronco de uma árvore para extrair-lhe substância apropriada para a produção de uma infusão
destinada ao tratamento de enfermos, ao passo que, a multa em valor maior pode perfeitamente
ser aplicada, por exemplo, ao dono de madeireira no Pará, que alcança grande lucro com a
extração de madeira.
Pela leitura do art. 7º, da Lei de Crimes Ambientais, é forçoso concluir que a
substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direito, se presentes as condições
estabelecidas pelo dispositivo, é obrigatória, e não constitui mera faculdade judicial, uma vez
que o dispositivo reza expressamente em “substituem”, e não em “podem substituir”. As penas

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restritivas de direitos são autônomas, conforme se lê do dispositivo legal, e, dessa forma, não
podem ser aplicadas em conjunto com as privativas de liberdade. Com todo efeito, ou aplica a
pena privativa de liberdade, ou, se atendidos os requisitos da lei, aplica-se a restrita de direitos,
mas, em hipótese alguma, as duas em conjunto. Além disso, as penas restritivas de direito
possuem caráter educacional, daí a necessidade de serem adequadas ao crime praticado, porque
não tem sentido condenar em algo que não se refira ao meio ambiente, uma vez que a intenção
em educar o infrator. “Assim, segundo o sistema da nova lei, as penas alternativas passaram a
constituir a regra, ficando reservadas as penas privativas de liberdade para casos excepcionais.”
(Édis Milaré). Para a aplicação da pena, o juiz, em primeiro lugar, fixa a pena privativa de
liberdade, e, após, a substitui pela restritiva de direitos, que terá a mesma duração da substituída.
Sem dúvida é uma evolução do direito moderno, haja vista a busca incessante de se afastar as
penas restritivas de liberdade em função do colapso que vive o sistema prisional brasileiro, e
são elencadas de acordo dispõe o art. 8º do referido diploma legal: “I – prestação de serviços à
comunidade; II – interdição temporária de direitos; III – suspensão parcial ou total de
atividades; IV – prestação pecuniária; V – recolhimento domiciliar”. Das penas citadas, é mister
enfatizar que não se verifica uma sobreposição ou uma hierarquia entre elas, tendo o juiz
discricionariedade na aplicação das mesmas, no entanto verifica-se ao passo da atual conjuntura
econômica nacional, a maior aplicação da pena de prestação de serviços à comunidade e a pena
de prestação pecuniária, sendo que historicamente a primeira se deriva da segunda, ao passo
que era aplicada àquelas pessoas que não reuniam condições de solver com as pecuniárias.
A prestação de serviços à comunidade consiste em pena não institucional, ou seja, é
executada em liberdade, e sem qualquer vinculação com estabelecimento prisional. É também
pena alternativa, ou seja, é sanção de natureza criminal, porém diversa da prisão. Será sempre
cumprida em parques, jardins, e unidades de conservação, sendo que estas são espaços
territoriais e seus recursos ambientais, e águas, com características naturais relevantes,
legalmente instituídos pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos,
sob regime especial de administração, e com garantias especiais de proteção. (Lei 9.605/98, art.
9º).
A interdição temporária de direitos consiste na proibição do condenado contratar com o
Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de
participar de licitações. Terminado o cumprimento da pena, termina, também, a interdição
temporária a que o condenado é submetido. (Lei 9.605/98, art. 10).

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A prestação pecuniária consiste no pagamento de multa, em razão de prática de dano


ambiental, que é fixada de acordo com o dano causado, ou do impacto sofrido pelo meio
ambiente. (Lei 9.605/98, art. 12).
O recolhimento domiciliar é baseado na autodisciplina e senso de responsabilidade do
condenado, é impossível de ser fiscalizada em cidades como São Paulo, tornando-a aplicável,
portanto, somente em lugares pequenos e interioranos. O condenado será transferido do regime
aberto ou domiciliar se praticar crime doloso, se frustrar os fins de execução, ou se podendo,
não pagar a multa cumulativamente aplicada, nos termos do art. 36, § 2º, do Código Penal, que
é aplicado subsidiariamente nos crimes ambientais, conforme determina o art. 79, da Lei dos
Crimes Ambientais.

Atenuantes (Lei 9.605/98, art. 14):


As circunstâncias que atenuam a pena em crimes ambientais estão expressamente
previstas pelo art. 14 e são as seguintes: a) baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
b) arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação
significativa da degradação ambiental causada; c) comunicação prévia pelo agente do perigo
iminente de degradação ambiental e; d) colaboração com os agentes encarregados da vigilância
e do controle ambiental. Em matéria ambiental a aplicação das circunstâncias atenuantes não é
obrigatória, serão aplicadas a critério do juiz, ao contrário dos demais crimes, onde há a
obrigação da aplicação das circunstâncias atenuantes, porque o dispositivo da Lei dos Crimes
Ambientais reza apenas em “São circunstâncias que atenuam a pena”, diversamente do Código
Penal que reza: “São circunstâncias que sempre atenuam a pena”. O quantum da atenuação fica
a critério do juiz, que a aplicará sobre a pena-base.
Das quatro circunstâncias visualizadas no referido artigo, três têm referência direta com
o dano: espontânea reparação, comunicação do perigo, colaboração na vigilância. Tão somente
uma se liga ao agente: baixo grau de instrução e escolaridade.

Excludentes da antijuridicidade (Lei 9.605/98, art. 37):


Sem dúvidas, o fato típico, sempre que se verificar uma excludente de antijuricidade,
perderá a sua ilicitude. A Lei dos Crimes Ambientais tratou de elucidar as causas excludentes
de ilicitude. Elencou, por exemplo, no art. 37 situações que se configuram como sendo
excludentes de ilicitude em se tratando do abate de animais. Dispõe o referido artigo da seguinte
redação: “Não é crime o abate de animal, quando realizado: I - em estado de necessidade, para

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saciar a fome do agente ou de sua família; II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da
ação predatória ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela
autoridade competente; III - (VETADO) IV - por ser nocivo o animal, desde que assim
caracterizado pelo órgão competente”.
Nas disposições finas, tratou o legislador de explicitar a aplicabilidade do princípio da
subsidiariedade da lei penal comum, tendo então, perfeita aplicabilidade em se tratando de
crimes ambientais o art. 23 do Código Penal.
Por fim, há de se destacar o veto presidencial do inciso III, do art. 37, tal se verificou
com louvor, haja vista, previa o referido inciso uma possibilidade de legítima defesa contra o
ataque de animais ferozes, o que, porventura aceito vislumbraria no ordenamento jurídico
mundial como uma aberração, em razão da legítima defesa figurar-se possível somente contra
sujeitos de direitos e deveres, ou seja, pessoas.

Sanções penais aplicáveis à pessoa jurídica (Lei 9.605/98, arts. 21 a 24):


Dispõe o art. 21: “as penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas
jurídicas, de acordo com o art. 3º são: I – multa; II – restritivas de direitos; III – prestação de
serviços à comunidade”.
No que se relaciona à aplicação da pena, define o artigo anteriormente citado, três
possibilidades. Inicialmente as penas são impostas: isoladas, assim sendo uma só pena a ser
aplicada; alternativa, onde nota-se que há mais de uma pena, no entanto tão somente uma é
aplicada, e; por fim as cumulativas, onde verifica-se mais de uma pena e sendo, então, aplicadas
ambas em cumulo.
Em se tratando da pessoa jurídica a pena alternativa, ou seja, a restritiva de direito será
aplicada como regra, vez que a Parte Especial do diploma legal em questão prevê tão somente
penas privativas de liberdade, o que se verifica como sendo fator motivador de muitos
contrários a punição penal da pessoa jurídica.
Ainda neste, foi citada as modalidades de penas no que se relaciona à sua aplicação. Na
prática, quando, porventura, se verificar uma pena alternativa, aplicar-se-á a restritiva de direito;
quando notar-se a cumulativa, aplicar-se-á tão somente a restritiva de direito. Em face ao grau
dos danos causados, os prejuízos causados e a extensão da degradação visualizada, entendem
doutrinadores que ao lado da pena de multa, poderá ser aplicada outra restritiva de direito, como
a prestação de serviços à comunidade.

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Para a aplicação da penalidade multa, utiliza-se a regra determinada pelo art. 18, da
citada Lei nº 9.605/98, que é aplicável para pessoas físicas e jurídicas indistintamente. Ou seja,
a mesma pena pecuniária é aplicada para todos, fato que tem ensejado muita discussão, uma
vez que a vantagem obtida através do crime ambiental pelas pessoas jurídicas é sempre muito
maior do que o obtido por uma pessoa física, e, dessa forma, a multa aplicada às primeiras
deveria ser sempre em maior valor.
As penas restritivas de direitos aplicadas às pessoas jurídicas são as seguintes: a)
suspensão parcial ou total de atividades, que ocorre quando não estão sendo obedecidas as
disposições legais ou regulamentares relativas à proteção do meio ambiente; b) interdição
temporária de estabelecimento, obra ou atividade, que ocorre no caso de funcionamento sem a
devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou
regulamentar, e; c) proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios,
subvenções ou doações, que não poderá exceder o prazo de 10 anos.
Em se tratando da suspensão das atividades, assim como se verifica no direito
administrativo, constitui-se um ato punitivo. Dada a gravidade do dano, verificar-se-á a
aplicação da suspensão parcial ou total, no entanto nota-se que a suspensão susta tão somente
a execução.
Em se tratando da interdição, explica o § 2º: “a interdição será aplicada quando o
estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida autorização ou em
desacordo com a concedida, ou com a violação de disposição legal ou regulamentar”. Nota-se
que este parágrafo traz de forma taxativa os casos onde caberá a aplicação da interdição.
Por fim, a proibição de contratar com o Poder Público é aplicada às pessoas jurídicas de
grande repercussão em suas áreas de atuação. No que se relaciona à pessoa física, tal restrição
foi fixada de 03 (nos casos de crimes culposos) a 05 anos (nos casos de crimes dolosos). No
caso da pessoa jurídica, previu o legislador o prazo máximo de 10 anos. Sabe-se que as penas
que vedam subsídios e adjacências repercutem em muito nas empresas, haja vista sua natureza
financeira.
A pena de prestação de serviços à comunidade consiste em um desenvolvimento por
parte da pessoa jurídica condenada de programas e projetos de cunho social, bem como o
desenvolvimento de recuperação de áreas degradas. Na impossibilidade de se verificar o
cumprimento destas, poderá ser aplicada a contribuição a entidades, sendo que pela ordem, tais
deverão ser: ambientais, culturais e públicas. As penas de prestação de serviços à comunidade
revelam-se as mais acertadas, dentre todas as cabíveis contra pessoas jurídicas, uma vez que

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proporcionam auxílio a programas ambientais, assim como a recuperação de áreas degradadas,


entre outros. Isso não significa, entretanto, que as empresas possuem “carta branca” para
degradar, desde que, futuramente, custeiem programas, executem obras de recuperação,
mantenham espaços públicos, ou contribuam para entidades ambientais. O objetivo da lei, é
óbvio, é o de que tais empresas não degradem, não poluam, não causem danos ao meio ambiente.
Da liquidação forçada percebe-se que esta se configura como sendo uma pena de morte,
haja vista, ter por escopo por fim à pessoa jurídica. Destaca-se o fato de seu patrimônio ser
revertido para a União, e, assim como a pena de multa, são revertidos ao Fundo Penitenciário.
Tal pena, a nosso ver, é perfeitamente constitucional, uma vez que o art. 5º, inc. XLVI, alínea
“b”, da Carta, prevê como espécie de pena a perda de bens.

Ação penal (arts. 26 a 28)

Em se tratando da ação penal, tratou o legislador de ser objetivo, haja vista que dispôs
tal matéria em tão somente três artigos.
Do anteprojeto da referida lei, vetou-se o § único do art. 26, que previa a possibilidade
de que nos municípios onde não se verificasse a Justiça Federal, a competência seria da Justiça
Estadual, bem como do Ministério Público Estadual. Na motivação do veto anotou-se o fato de
que já em muitos tipos penais prevê-se a competência estadual.
Dispõe o art. 26: “nas infrações penais previstas nesta lei a ação penal é pública e
incondicionada”. Assim sendo, têm-se como exclusivamente competente para propor a ação o
Ministério Público, não cabendo de forma alguma a ação penal privada. Salienta-se ainda que
a referida ação independe de qualquer representação ou requisição. “Dentro dos princípios que
regem o Ministério Público, mais do que a obrigatoriedade (para alguns legalidade) funciona o
princípio da oportunidade, especialmente nos crimes ambientais, onde uma ação esperada em
lugar de uma precipitada pode propiciar a descoberta do grupo ou de seus responsáveis”.

Aplicação da Lei 9.099/95 com condições específicas (Lei 9.605/98, art. 28)

Poderão ocorrer crimes ambientais em que cuja competência seja do Juizado Especial
Criminal, uma vez em que o delito possua como pena máxima não superior a dois anos.
Em todo delito de competência do Juizado Especial Criminal há a primeira audiência
que é denominada de audiência preliminar. Nesta haverá a proposta pelo representante do

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Ministério Público para a transação penal, em que o autor do fato reconhece o delito, cumpre
uma pena não privativa de liberdade, e com isso fica livre da pena de reclusão ou detenção. Se
teve como mensurar o dano material, poderá fazer a transação penal, caso contrário o processo
prosseguirá com seu curso normalmente. A transação penal somente será concedida após a
comprovação da recomposição do dano ambiental, salvo nos casos de comprovada
impossibilidade de reparação. Essa transação será homologada pelo juiz e não importará na
caracterização de reincidência nem constará de anotações criminais, registrando-se a aplicação
da penalidade apenas com vistas a impedir que o autor do fato, no período de 5 anos, se veja
novamente alcançado pela medida benéfica.
Conforme o artigo 89, da Lei 9099/95, após a denúncia do promotor de justiça, poderá
ser proposta a suspensão condicional do processo, de dois a quatro anos, em que cuja a pena
mínima cominada não seja superior a um ano.
O artigo 28, da Lei 9605/98 aplica esta suspensão aos crimes de menor potencial
ofensivo, que encontra-se nesta Lei, visando:
a) A declaração da punibilidade prevista no artigo 89, §5º, da Lei 9099/95 somente poderá ser
realizada após a juntada do laudo da constatação de reparação de dano ambiental, salvo se
houver impossibilidade de fazê-lo.
b) Na hipótese do laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo
de suspensão do processo será prorrogado por até cinco anos, suspendendo-se a prescrição.
c) Finda a prorrogação, será feito um novo laudo de constatação, e, dependendo de seu resultado,
o período poderá ser novamente prorrogado por igual prazo e sem imposição das condutas
previstas no artigo 89, §1º, II, III e IV, da Lei 9099/95.
d) Esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção da punibilidade
dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências
necessárias à reparação integral do dano.

TUTELA ADMINISTRATIVA DO MEIO AMBIENTE

A responsabilidade administrativa refere-se aos efeitos jurídicos a que se sujeita o autor


de um dano ambiental perante a Administração Pública e fundamenta-se no art. 225, §3º, da
Constituição Federal, nos arts. 70 a 76, da Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) e no
Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que dispõe sobre as infrações e sanções

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Direito Ambiental Agrário II

administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal para a apuração


destas infrações, e dá outras providências.

Infração administrativa ambiental

“Considera-se infração administrativa ambiental, toda ação ou omissão que viole as


regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente.” (Decreto
6.514/08, art. 2º). É possível reconhecer a natureza administrativa de uma infração pela sanção
correspondente e pela autoridade competente para impô-la. Ex.: multa administrativa aplicada
por autoridade administrativa.

Autoridades administrativas competentes

Compete aos órgãos integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA)


e os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha, lavrar o auto de infração
ambiental e de apreensão, indicando a multa prevista para a conduta, bem como, se for o caso,
instaurar processo administrativo e aplicar as demais sanções administrativas estabelecidas no
Decreto.
Vale ressaltar que qualquer pessoa, ao tomar conhecimento de alguma infração
ambiental, poderá apresentar representação à autoridades integrantes do SISNAMA. A
autoridade ambiental, no entanto, deverá promover imediatamente a apuração da infração
ambiental sob pena de corresponsabilidade.

Indicação das sanções

O auto de infração deverá indicar as sanções previstas no referido Decreto, observando-


se a gravidade dos fatos, os antecedentes e a situação econômica do infrator. As sanções
constantes do auto de infração estarão sujeitas à confirmação pela autoridade julgadora,
podendo ser minoradas ou majoradas (Decreto nº 6.514/08, art. 4º).

Reincidência

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Direito Ambiental Agrário II

Será reincidente o infrator que cometer nova infração ambiental, no prazo de 5 anos a
contar da lavratura do auto de infração ambiental anterior, confirmada em julgamento. A
reincidência implicará ao infrator a aplicação da multa em triplo, em se tratando de mesma
infração, ou, a aplicação da multa em dobro, caso se tratar de infração diversa (Decreto nº
6.514/08, art. 11).

Sanções administrativas

O Decreto n. 6.514/08, em seu art. 3º, limitou-se a reproduzir as sanções administrativas


elencadas no art. 72 da Lei n. 9.605/98. Inovou ao trazer detalhamentos para sua aplicação
prática no âmbito do exercício do poder de polícia ambiental.
Quando da constatação da infração administrativa, em regra, o agente autuante,
competente para deflagrar o procedimento apuratório no âmbito da administração lavra um auto
de infração em que se descreve a conduta imputada ao autuado, se apresenta o seu
enquadramento normativa e se indica a sanção supostamente adequada ao caso.
Perceba-se que a sanção consignada no auto de infração é mero indicativo do agente
autuante. Ela somente se consubstancia como efetiva sanção, após conferir ao autuado o
exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa e após julgamento pela autoridade
competente. No julgamento do auto de infração, a autoridade competente pode minorar, majorar,
alterar ou cancelar a sanção indicada no auto de infração, com vistas a adequar a penalidade ao
fato ilícito efetivamente cometido. Dessa forma, a sanção administrativa só será aplicada após
concluído o processo administrativo.

Medidas administrativas

As medidas administrativas, previstas no art. 101 do Decreto nº 6.514/08, gozam do


atributo de autoexecutoriedade, exercem apenas função preventiva e cautelar, que visem a evitar
a continuidade infracional, o agravamento do dano ambiental, ou a resguardar a utilidade do
processo administrativo. São aplicadas liminarmente e excepcionalmente, com efeito imediato,
antecipando a decisão do processo administrativo.
A aplicação de tais medidas será lavrada em formulário próprio, sem emendas ou rasuras
que comprometam sua validade, e deverá conter, além da indicação dos respectivos dispositivos

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Direito Ambiental Agrário II

legais e regulamentares infringidos, os motivos que ensejaram o agente autuante a assim


proceder.
O agente autuante, no momento da fiscalização, pode imputar ao infrator ambiental as
medidas administrativas acautelatórias, sem que isto resulte em qualquer violação ao devido
processo legal ou contraditório, pois as mesmas têm com o objetivo prevenir a ocorrência de
novas infrações, resguardar a recuperação ambiental e garantir o resultado prático do processo
administrativo.

Diferenças entre medidas administrativas e sanções administrativas

Praticada uma infração administrativa há um rol de sanções que devem ser imputadas
àquele que por ação ou omissão que violou as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção
e recuperação do meio ambiente. Contudo, quando constatado o cometimento dessa infração
ambiental poder-se-á aplicar uma medida administrativa desde que se faça necessário prevenir
a ocorrência de novas infrações, resguardar a recuperação ambiental e garantir o resultado
prático do processo administrativo.
A sanção administrativa tem natureza de punição pela violação das regras jurídicas de
uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente e tem uma função
eminentemente repressiva e pedagógica, sendo aplicada pelo Estado para que o poluidor e a
sociedade saibam que não é admissível a prática de ilícitos ambientais. A sanção administrativa
só poderá ser aplicada depois da decisão definitiva.
Já a medida administrativa tem uma natureza acautelatória e se dá em função do poder
que a Administração Pública tem de limitar o direito, interesse ou liberdade dos indivíduos em
benefício do interesse público. Será aplicada no ato do auto de infração ambiental de maneira
excepcional, antes da decisão definitiva.
As sanções administrativas não se confundem com as medidas administrativas, pois
possuem natureza e objetivos distintos. As sanções encontram-se previstas no art. 3º do Decreto
6.514/08 e as medidas administrativas encontram-se previstas no art. 101 do mesmo dispositivo
legal. As medidas administrativas estão revestidas do atributo de autoexecutoriedade, surtindo
efeito com a mera aplicação pelo agente autuante ou, incidentalmente, pela autoridade julgadora.
A sanção, por outro lado, somente se consubstancia com decisão da autoridade julgadora e serve
para reprimir e educar o infrator.

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Direito Ambiental Agrário II

Dos prazos prescricionais

A ação da administração que objetiva apurar a prática de infração administrativa contra


o meio ambiente prescreve em 5 anos a contar da data da infração, ou do dia em que tiver
cessada a infração permanente ou continuada (Decreto 6.514/08, art. 21).

Procedimento administrativo

O procedimento administrativo é “uma sucessão ordenada de operações que propiciam


a formação de um ato final objetivado pela Administração.” Inicia-se com a lavratura de um
auto de infração ambiental detalhado, equivalente a um Termo Circunstanciado, feita
normalmente pela Polícia Ambiental e será orientado pelos princípios da legalidade, finalidade,
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório,
segurança pública, interesse público e eficiência. (Decreto 6.514/08, art. 95).
O procedimento administrativo se desenvolve em diversas fases: a) a instauração do
procedimento pelo auto de infração; b) a defesa técnica; c) a colheita de provas se for o caso;
d) a decisão administrativa; e) eventualmente, o recurso. Esgotada a fase administrativa, o
infrator poderá ainda utilizar-se da fase judicial, se ocorrer lesão ou ameaça de direito,
consoante permissivo constitucional previsto no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Além
disso, para a aplicação da sanção administrativa, a Administração Pública competente deverá
estar revestida do poder de polícia ambiental.
O interessado deve ser cientificado da lavratura do auto de infração em seu desfavor e
poderá sê-lo pessoalmente, no ato da fiscalização, por via postal ou por edital, no caso de estar
em lugar incerto, não sabido ou se não for encontrado no endereço (Decreto 6.514/08, art. 96).
A ciência do auto de infração marca o termo inicial para fluência do prazo de 20 dias para o
autuado apresentar defesa.
A defesa e a análise do processo por parte do Poder Público indicarão a necessidade de
diligências ou de robustecer a instrução processual. Há a possibilidade do deferimento de provas
especificas e justificadamente requeridas pelo interessado, por oportunidade da defesa.
Havendo controvérsia jurídica apontada, o processo será encaminhado para análise e
manifestação da Procuradoria Federal Especializada junto ao órgão ambiental.
Apresentada ou não defesa por parte do autuado, o processo deve ser levado a
julgamento da autoridade competente a qual, antes de proferir sua decisão, deverá intimar o

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Direito Ambiental Agrário II

autuado para apresentar alegações finais no prazo de 10 dias. Salvo se houver indicativo de
agravamento da situação do autuado, dispensa-se a intimação pessoal e recorre-se à publicação
de intimação na sede administrativa do local onde tramita o processo e no sítio eletrônico do
órgão responsável pela autuação na rede mundial de computadores.
Após transcurso do prazo para apresentação de alegações finais, o auto de infração deve
ser levado a julgamento, oportunidade em que deverá ser confirmada a autoria, a materialidade
e as sanções cominadas. Quanto a estas, é dado à autoridade julgadora proceder a sua majoração,
minoração, substituição, acréscimo ou cancelamento. A decisão administrativa deverá ser
motivada, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos em que se baseia.
É por ocasião do julgamento que preclui a possibilidade de se aplicar o agravamento de
que trata o art. 11 do Decreto (reincidência). A decisão da autoridade administrativa deverá
abordar, ainda, as medidas acautelatórias que porventura tenham sido aplicadas. Também é na
decisão do julgamento que a autoridade ambiental deverá se manifestar acerca do pleito de
conversão de multa.
O autuado deverá ser notificado da decisão de julgamento do auto de infração, a partir
de quando passa a transcorrer o prazo de 20 dias para interposição de recurso. O recurso deverá
ser dirigido à autoridade julgadora que, se não reconsiderar sua decisão, encaminhará as razões
recursais à autoridade superior. O recurso, salvo decisão expressa das autoridades
administrativas, não tem efeito suspensivo, ressalvados os atos de cobrança da sanção
pecuniária. A autoridade superior responsável pelo julgamento do recurso poderá confirmar,
modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida.

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O DIREITO AGRÁRIO

Introdução

A Revolução Industrial provocou grande êxodo rural, porque a situação dos


trabalhadores do campo era precária. Havia a necessidade de intervenção do Estado.
O Estatuto da Terra (Lei 4.504/64), ditou medidas para melhorar a distribuição das
terras, introduzindo modificação do regime de posse da terra, a fim de atender aos princípios
da propriedade (produtividade).

Conceito

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Direito Ambiental Agrário II

O Direito Agrário é o conjunto de normas jurídicas concernentes ao aproveitamento do


imóvel rural (Silvia, C.B. Optiz).
“É o conjunto sistemático de normas jurídicas que visam disciplinar as relações do
homem com a terra, tendo em vista o progresso social e econômico do rurícola e o
enriquecimento da comunidade.” (Paulo Tomim Borges).

Objetivo

É regular os direitos e obrigações concernentes aos bens imóveis rurais, para os fins da
execução da Reforma Agrária e promoção da Política Agrícola.

Atividade agrária

Resulta da atuação do homem sobre a terra em busca da produção, “auxiliado” pela


natureza.

Classificação das atividades agrárias

a) Exploração rural típica: compreende a lavoura, pecuária, o extrativismo vegetal e animal e a


atividade hortifrutigranjeira.
b) Exploração rural atípica: compreende a agroindústria, atividade de beneficiamento ou
transformação dos produtos rústicos, beneficiamento de arroz, produção de farinha etc.
c) Atividade complementar da exploração rural: compreende o transporte e a comercialização
dos produtos diretamente do estabelecimento rural e pelo próprio produtor.

Autonomias do Direito Agrário

a) Autonomia legislativa:
Que se deu com a EC nº 10/64, que acrescentou na Constituição Federal de 1946 a
competência da União para legislar sobre Direito Agrário. Atualmente prevista no art. 22, I, da
Constituição Federal.

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Direito Ambiental Agrário II

b) Autonomia científica:
Possui normas e princípios próprios.

c) Autonomia didática:
Desde 1972 o Ministério da Educação inseriu o Direito Agrário como objeto de ensino
nas faculdades de Direito.

Princípios do Direito Agrário

a) Princípio da propriedade condicionada à função social:


Busca favorecer o bem estar dos proprietários e dos trabalhadores rurais; manter níveis
satisfatórios de produtividade; assegurar a conservação dos recursos naturais e observar as
disposições legais que regem as relações de trabalho.
“A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente,
segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I -
aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis
e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de
trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.” (CF,
art. 186).

b) Princípio da supremacia do interesse público sobre o individual:


Por tal princípio entende-se, que sempre que houver conflito entre um particular e um
interesse público coletivo, deve prevalecer o interesse público. Essa é uma das prerrogativas
conferidas a administração pública, porque a mesma atua por conta de tal interesse, ou seja, o
legislador na edição de leis ou normas deve orientar-se por esse princípio, levando em conta
que a coletividade esta num nível superior ao do particular.

c) Princípio da proteção a propriedade familiar e a pequena e média propriedade:


A pequena propriedade rural, desde que explorada pela família não será objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, assim como a
pequena e média propriedade não são passíveis de expropriação para fins de reforma agrária;
Princípio da Proteção da Propriedade Produtiva (CF, art. 185, II). Como aspecto negativo da

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Direito Ambiental Agrário II

intervenção do Estado na propriedade privada, temos a conduta de abstenção consubstanciada


no princípio da vedação da desapropriação do imóvel rural produtivo e da pequena e da média
propriedade rural, extraído do art. 185, incs. I e II, da Constituição Federal. Não obstante, o
imóvel produtivo pode ser objeto de desapropriação caso não esteja cumprindo com sua função
social, pois da tensão entre o disposto neste artigo em confronto com os arts. 184 e 186, incs. I
a IV, chega-se a essa interpretação. Por outro lado, a pequena e a média propriedade não podem,
em hipótese alguma, ser desapropriadas, desde que seu proprietário não possua outra.

d) Princípio do fortalecimento da empresa rural:


Deve ser estimulada a unidade que se dedica a culturas agrícolas, criação de gado ou
culturas florestais, com a finalidade de obtenção de renda.

e) Princípio da conservação e preservação dos recursos naturais:


A produção rural não deve desperdiçar ou por em risco os recursos naturais disponíveis.

ESTATUTO DA TERRA – LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964

“Esta Lei regula os direitos e obrigações concernentes aos bens imóveis rurais, para os
fins de execução da Reforma Agrária e promoção da Política Agrícola.” (Lei 4.504/64, art. 1º).
“É assegurada a todos a oportunidade de acesso à propriedade da terra, condicionada
pela sua função social, na forma prevista nesta Lei.” (Lei 4.504/64, art. 2º, caput).
“A propriedade da terra desempenha integralmente a sua função social quando,
simultaneamente: a) favorece o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores que nela
labutam, assim como de suas famílias; b) mantém níveis satisfatórios de produtividade; c)
assegura a conservação dos recursos naturais; d) observa as disposições legais que regulam as
justas relações de trabalho entre os que a possuem e a cultivem.” (Lei 4.504/64, art. 2º, §1º).
“É dever do Poder Público: a) promover e criar as condições de acesso do trabalhador
rural à propriedade da terra economicamente útil, de preferência nas regiões onde habita, ou,
quando as circunstâncias regionais, o aconselhem em zonas previamente ajustadas na forma do
disposto na regulamentação desta Lei; b) zelar para que a propriedade da terra desempenhe sua
função social, estimulando planos para a sua racional utilização, promovendo a justa
remuneração e o acesso do trabalhador aos benefícios do aumento da produtividade e ao bem-
estar coletivo.” (Lei 4.504/64, art. 2º, §2º).

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Direito Ambiental Agrário II

Reforma Agrária

“Considera-se Reforma Agrária o conjunto de medidas que visem a promover melhor


distribuição da terra, mediante modificações no regime de sua posse e uso, a fim de atender aos
princípios de justiça social e ao aumento de produtividade.” (Lei 4.504/64, art. 1º, § 1º).

Política Agrícola

“Entende-se por Política Agrícola o conjunto de providências de amparo à propriedade


da terra, que se destinem a orientar, no interesse da economia rural, as atividades agropecuárias,
seja no sentido de garantir-lhes o pleno emprego, seja no de harmonizá-las com o processo de
industrialização do país.” (Lei 4.504/64, art. 1º, §2º).

Institutos jurídicos agrários

O art. 4º da Lei 4.504/64 estabelece algumas definições:

Imóvel rural: é “o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se
destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos
públicos de valorização, quer através de iniciativa privada” (Lei 4.504/64, art. 4º, I), assim, o
que define um imóvel como rural é a atividade desenvolvida, independentemente de sua
localização.

Propriedade familiar: é “o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e
sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso
social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e
eventualmente trabalho com a ajuda de terceiros” (Lei 4.504/64, art. 4º, II), ou seja, é o imóvel
rural trabalhado pelo proprietário e sua família, e, eventualmente, com ajuda de terceiros; com
área máxima fixada para cada região, que corresponda a um módulo rural.

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Módulo rural: é “a área fixada nos termos do inciso anterior” (Lei 4.504/64, art. 4º, III),
corresponde à área de propriedade familiar, ou seja, é a medida ideal para reforma agrária,
fixada pelo INCRA em cada região.

Minifúndio: é “o imóvel rural de área e possibilidades inferiores às da propriedade familiar”


(Lei 4.504/64, art. 4º, IV), ou seja, é menor que um módulo rural. O minifúndio é combatido e
desestimulado no ordenamento jurídico agrário, porque não cumpre a função social, mostra-se
insuficiente para a subsistência e o progresso econômico e social do grupo familiar. São
instrumentos que visam combater os minifúndios: a) remembramento das áreas minifundiárias;
b) desapropriação (Lei 4.504/64, art. 20, I); c) proibição de alienação de áreas minifundiárias.

Latifúndio: extensão maior que 600 módulos rurais, caracterizada pela improdutividade,
produtividade deficiente ou exploração inadequada. Nos termos do art. 4º, V, da Lei 4.504/64:
“a) exceda a dimensão máxima fixada na forma do artigo 46, § 1°, alínea b (600 módulos rurais),
desta Lei, tendo-se em vista as condições ecológicas, sistemas agrícolas regionais e o fim a que
se destine; b) não excedendo o limite referido na alínea anterior, e tendo área igual ou superior
à dimensão do módulo de propriedade rural, seja mantido inexplorado em relação às
possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio, com fins especulativos, ou seja deficiente
ou inadequadamente explorado, de modo a vedar-lhe a inclusão no conceito de empresa rural”.
São instrumentos que visam combater os latifúndios: a) desapropriação; b) tributação. “Não se
considera latifúndio: a) o imóvel rural, qualquer que seja a sua dimensão, cujas características
recomendem, sob o ponto de vista técnico e econômico, a exploração florestal racionalmente
realizada, mediante planejamento adequado; b) o imóvel rural, ainda que de domínio particular,
cujo objeto de preservação florestal ou de outros recursos naturais haja sido reconhecido para
fins de tombamento, pelo órgão competente da administração pública.” (Lei 4.504/64, art. 4º,
Parágrafo único).

Empresa rural: “é o empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que


explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro de condição de rendimento econômico
...Vetado... da região em que se situe e que explore área mínima agricultável do imóvel segundo
padrões fixados, pública e previamente, pelo Poder Executivo. Para esse fim, equiparam-se às
áreas cultivadas, as pastagens, as matas naturais e artificiais e as áreas ocupadas com
benfeitorias” (Lei 4.504/64, art. 4º, VI), ou seja, pressupõe em um estabelecimento composto

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Direito Ambiental Agrário II

de uma área rural, destinado à exploração de atividades agrárias com finalidade de lucro,
devendo a pessoa física ter registro no INCRA e a pessoa jurídica, além do registro no INCRA,
deve manter arquivo dos atos constitutivos no Cartório de Registro de Pessoa Jurídica.

Parceleiro: “é aquele que venha a adquirir lotes ou parcelas em área destinada à Reforma
Agrária ou à colonização pública ou privada” (Lei 4.504/64, art. 4º, VII).

Cooperativa Integral de Reforma Agrária (C.I.R.A.): “ é toda sociedade cooperativa mista, de


natureza civil, ...Vetado... criada nas áreas prioritárias de Reforma Agrária, contando
temporariamente com a contribuição financeira e técnica do Poder Público, através do Instituto
Brasileiro de Reforma Agrária, com a finalidade de industrializar, beneficiar, preparar e
padronizar a produção agropecuária, bem como realizar os demais objetivos previstos na
legislação vigente” (Lei 4.504/64, art. 4º VIII).

Colonização: é “toda a atividade oficial ou particular, que se destine a promover o


aproveitamento econômico da terra, pela sua divisão em propriedade familiar ou através de
Cooperativas ...Vetado...” (Lei 4.504/64, art. 4º, IX), ou seja, é uma forma de política agrária
dirigida ao povoamento de terras desabitadas ou pouco povoadas, com o objetivo básico de dar
finalidade econômica e social a imóveis rurais ociosos. A política de assentamento de
produtores, que pode ser desenvolvida em projetos específicos ou como complemento da
Reforma Agrária. Há duas espécies de colonização: a) oficial desenvolvida pelo poder público;
b) particular desenvolvida por empresas particulares registradas.

CONTRATOS AGRÁRIOS

Os contratos agrários que a lei reconhece são o arrendamento (“contrato de aluguel”) e


a parceria rural (“sociedade”), que tem por finalidade a posse ou o uso temporário da terra, entre
o proprietário da terra e aquele que nela exerça qualquer atividade agrícola, pecuária,
agroindustrial, extrativa ou mista. Os contratos agrários podem ser escritos ou verbais, nesses
presume-se ajustadas as cláusulas obrigatórias estabelecidas no Estatuto da Terra (Lei 4.504/64).
“A posse ou uso temporário da terra serão exercidos em virtude de contrato expresso ou
tácito, estabelecido entre o proprietário e os que nela exercem atividade agrícola ou pecuária,

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sob forma de arrendamento rural, de parceria agrícola, pecuária, agroindustrial e extrativa, nos
termos desta Lei.” (Lei 4.504/64, art. 92, caput).

Elementos configuradores dos contratos agrários

Partes contratantes:
No arrendamento o proprietário da terra denomina-se arrendador e aquele que
desenvolve a atividade é o arrendatário; e na parceria, respectivamente, parceiro outorgante e
parceiro outorgado.

Objetivo:
No arrendamento o arrendador sede o uso e o gozo do imóvel ao arrendatário, mediante
recebimento de valor preestabelecido e na parceria o parceiro outorgante cede apenas o uso
específico do imóvel mediante partilha dos resultados.

Vantagens e riscos:
No arrendamento as vantagens e riscos são do arrendatário, ficando o arrendador com o
direito de receber o valor contratado independentemente da frustração do empreendimento, já
na parceria os riscos e as vantagens são de ambos, já que os resultados serão partilhados,
portanto, na parceria o valor a ser pago não será preestabelecido, já que podem ser lucros ou
prejuízos.

Arrendamento

Espécies de arrendamento:
Agrícola, pecuária, agroindustrial (beneficiamento), de extração e misto (mais de uma
modalidade de exploração).

Prazos do arrendamento:
Presume-se o prazo mínimo do arrendamento pecuário e do arrendamento agrícola de 3
anos (Lei 4.504/64, art. 95, II), caso o prazo for superior a 10 anos é necessário a concordância
do cônjuge do proprietário do imóvel.

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Subarrendamento:
É o contrato pelo qual o arrendatário transfere a outrem, no todo ou em parte, os direitos
e obrigações do seu contrato de arrendamento, caso em que se exige o expresso consentimento
do proprietário (Lei 4.504/64, art. 95, VI).

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