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Tradução livro Focusing-Oriented Psychotherapy – Eugene T.

Gendlin

Dead Ends (Becos sem Saída)


Dois tipos de becos sem saídas (impasses) podem acontecer em
psicoterapia: O primeiro acontece quando a terapia consiste apenas de
interpretações e inferências sem um processo experiencial. O segundo acontece
quando existem algumas emoções concretas, mas elas são repetidas inúmeras
vezes. Neste capítulo, discutirei esses becos sem saídas mais profundamente. Eu
chamo o primeiro de “discussão sem fim’’”.

Discussão sem fim (dead-end discussion)


Em uma festa você pode ver uma pessoa desconhecida e atraente do outro
lado da sala. Você tem vontade de se aproximar dessa pessoa, mas acha isso muito
difícil. Se você se aproximar dessa pessoa, de qualquer forma, suas ações serão
desajeitadas e você sentirá a falta de suas habilidades tradicionais. Você pode
pensar, “Meu superego é muito forte. Ele continua identificado com meu pai que
proibiu minha sexualidade quando eu era pequeno. Agora que eu cresci, meu
superego devia parar de se identificar com essa proibição, mas ele não para”
(Vocabulário Freudiano). Ou você pode dizer, “Eu tenho medo de ser rejeitado, é só
um medo antigo”. Ser rejeitado não é pior do que ir para casa sem tentar! Eu
deveria tentar’’ (Senso comum). Mas usar esse vocabulário e essa lógica não muda
nada, afinal, você está envolvido em uma discussão sem fim. Essa interpretação
intelectual não muda sua hesitação ou sua falta de jeito.
Terapeutas podem arrastar pessoas para discussões sem fim; nós todos
fazemos isso algumas vezes. Nós podemos usar a teoria Freudiana, Junguiana,
Cognitiva, qualquer outra teoria ou apenas o senso comum. Mas um bom terapeuta
não pegará um cliente apenas para substituir um vocabulário do senso comum por
um vocabulário psicologicamente sofisticado se as palavras forem a única diferença.
Dessa maneira, ninguém irá argumentar que a mera substituição de uma linha
ineficaz de pensamento por outra constituirá uma psicoterapia de sucesso.
No nosso exemplo, uma longa discussão pode ocorrer na sua cabeça sem
que nada realmente mude. Por exemplo, isso é culpa sua, você é responsável pela
sua falha, ou você deveria culpar seus pais? Essa é uma questão muito importante,
mas não é do tipo que levará a uma mudança. Você pode chamar isso de covardia
ou dizer que é um problema com causas distintas? Novamente, questões como
essa tem grande importância na forma como vemos a vida, mas nesse caso nada
irá mudar ao aceitarmos qualquer uma dessas posições. Você poderia adotar uma
teoria sociológica - a norma na sua cultura ou tribo pode dizer que não se deve
abordar pessoas desconhecidas do sexo oposto, e é por isso que é tão difícil para
você fazê-lo?
Talvez seja esperado que essa norma seja quebrada, mas você pode ter
aprendido ela muito bem. Você também poderia dizer que sua dificuldade se deve a
uma ‘’falta de segurança’’ e que sua autoestima não irá suportar uma rejeição?
Qualquer uma dessas interpretações provavelmente não mudará nada em você.
Para nos aproximarmos disso, pedirei a você que imagine um beco sem
saída onde uma ou outra dessas interpretações é aceita pela pessoa. No nosso
exemplo, digamos que você esteja convencido da verdade de uma dessas
interpretações. O ‘’maquinário’’ interpretativo pode ser bastante poderoso e até
mesmo fascinante. Então você diz, “Tudo bem, se é por isso que é assim, o que
posso fazer sobre isso? ’’. Agora você parece conhecer a ‘’causa’’, mas mesmo
assim você não tem controle direto sobre a situação, sobre como modificá-la.
Antes havia uma esperança: se pelo menos você pudesse conhecer a causa,
você poderia fazer alguma coisa sobre isso, talvez você pudesse cortar algo, ou
quebrar, ou consertar. Mas agora você descobriu qual é o problema, descobriu que
é algo que não pode ser acessado diretamente. Isso é o que eu chamo de um beco
sem saída, de um impasse.
Muitas terapias ineficazes são apenas um acúmulo de impasses, sem que
haja nenhum contato direto ou mudança. Essa falta de contato direto é muitas vezes
indicada pela palavra ‘’devo’’. Pode-se dizer, “Agora eu vejo; deve ser isso, meu pai
era tão rígido comigo. Eu sabia que ele era. Deve ser por causa dessa rigidez que
isso está acontecendo.’’ Dizer que “deve ser’’ é uma inferência. Pessoas não dizem
“deve ser isso’’ quando estão em contato com algo. Elas dizem “é isso’’ ou “eu
sinto’’. É claro que essa diferença verbal apenas indica a diferença real. Nos
próximos capítulos eu explicarei que conexão direta é essa e como ela acontece.
Ainda existem terapeutas que estão satisfeitos com uma interpretação
plausível se o cliente aceitá-la. Eles não questionam, nem ensinam seus clientes a
tentar olhar para o que sentem internamente, sendo a interpretação um beco sem
saída ou não. Falhar em perceber se uma interpretação está levando, ou não, a
um contato direto com nossa experiência interior transforma tudo em um beco sem
saída de forma que a ‘’terapia’’ se torna-se apenas ‘’conversa’’.
Um bom terapeuta deveria ficar bastante insatisfeito quando o cliente
concorda com uma interpretação que leva para um beco sem saída. O cliente pode
dizer “Você está certo, é exatamente isso’’. “Mas e agora? Como eu mudo isso?”.
Ainda pior do que aceitar que o cliente concorde superficialmente com sua
interpretação é tentar impor ao mesmo uma interpretação que faz sentido apenas
para você. Então você manda o cliente para casa depois de uma hora de
argumentação.
Mesmo se o cliente tornar-se convencido da interpretação do terapeuta, as
mudanças permanecem bastante lentas e raras com essa abordagem. Existem
milhares de clientes que não experimentam grandes mudanças através de anos (9
anos, 14 anos…) de terapia, várias sessões na semana.
Essa crítica se aplica não somente a classe dos psicanalistas. Alguns dos
terapeutas existenciais também meramente falam e argumentam. Ao invés de
falarem “Essa é sua proibição edipiana” eles falam “Essa é sua dificuldade para
enfrentar escolhas e encontrar realmente os outros”. Com qualquer tipo de
interpretação, pequena ou nenhuma mudança acontece.
Terapeutas que chamam seu método “transacional” usam conceitos
psicanalíticos, mas de uma maneira mais popular. Ao invés de “superego” eles
falam do “pai ruim na sua cabeça”. Mas muitos deles argumentam apenas que o
cliente deve superar esse pai ruim. Se o cliente pergunta “como?” o terapeuta não
tem resposta. Novamente encontra-se num beco sem saída.
Mais métodos recentes (tal como “reestruturação cognitiva” ou
“reformulação”) mostram como você deve pensar diferentemente sobre o problema.
Eles ajudariam você (no seu exemplo) a construir a situação de alguma maneira
nova, por exemplo, como um desafio, ou como uma ocasião de praticar a superação
do seu obstáculo. Algumas vezes isso funciona e outra vezes não. Para determinar
se a reformulação é efetiva, você deve sentir se isso trás uma mudança corporal ou
não. Você deve sentir o que realmente vem do seu corpo em resposta da
reformulação. Uma alteração real é uma mudança concreta no modo corporal que
você têm o problema, e não apenas um novo jeito de pensar.
O campo da psicoterapia hoje é muito diverso. Nos anos recentes, tem sido
cada vez mais reconhecido que as interpretações não são suficientes para trazerem
as mudanças porque elas normalmente conduzem para uma discussão sem saída.
Todas as terapias mais novas têm modos de produzirem experiência atual, que
pode ignorar discussões sem saídas. (Essas terapias muitas vezes são vítimas do
segundo beco sem saída; eu discuto isso na próxima sessão). Alguns terapeutas de
orientações mais antigas também adotam novas técnicas. Alguns autores
psicanalistas contemporâneos estão bem cientes da armadilha das discussões de
becos sem saída e adicionam jeitos de lidar com isso em seus métodos. A
contribuição de Kohuts para o “reflexo de sentimentos”, de Carl Rogers, permite o
paciente sentir sua experiência concreta presente e entrar mais nisso. Muitos
terapeutas junguianos adicionaram o método da Gestalt-Terapia da cadeira vazia.
Em cada método têm alguns terapeutas que estão preocupados com “o processo”
da terapia, isto é, apenas com o que de concreto realmente acontece.
Em cada método existem alguns terapeutas que conhecem a dimensão
corporal da qual eu falo sobre e alguns que não conhecem. Nós vamos discutir
exatamente o que cliente e terapeuta podem fazer quando há uma discussão sem
saída a fim de trazer os passos concretos do processo experiencial.

Primeira Conclusão
Momento a momento, depois de tudo que a pessoa disser ou fizer, o
terapeuta deve estar atento para o efeito que isso tem para aquilo que é diretamente
experienciado. Uma declaração, interpretação, reestruturação cognitiva ou qualquer
expressão simbólica pode dar um passo em direção a uma mudança sobre como
um problema é concretamente, somaticamente experienciado? Se essa mudança
ocorre, esse efeito sentido diretamente (felt sense) deve ser aprofundado. Se não
houver efeito nenhum, nós podemos descartar o que foi dito ou feito. Dessa forma,
nós podemos evitar esses “becos sem saída”, essas discussões sem fim, ou pelo
menos restringi-las caso elas ocorram. Essa checagem corporal deve ser aplicada
não apenas para as interpretações verbais, mas para quase tudo que o terapeuta ou
o cliente possam fazer durante a terapia. Todas as intervenções terapêuticas
requerem que o cliente cheque os efeitos concretos da mesma. Algumas
intervenções possuem um efeito genuíno, outras não. Similarmente, o que os
clientes fazem ou dizem também deve ser checado corporalmente pelos mesmos.
Muitas vezes é difícil mostrar para os clientes como checar internamente,
checar corporalmente, se o que eles acabaram de dizer tem um efeito corporal ou
não. Nós iremos discutir como ajudá-los a fazer isso.
A primeira conclusão não é nova em si mesma, apenas a forma de trazer a
tona essa checagem interna é nova. Freud enfatizou que o objetivo da interpretação
era trazer à tona a experiência perdida. A interpretação é um mero ‘’andaime’’ como
aquele que é colocado em volta de um prédio em construção e retirado quando a
construção do prédio termina.
O autor psicanalista Otto Fenichel (1945) também descreveu esse processo:

“Ao dar uma interpretação, o analista procura intervir na dinâmica de interação das forças, para
mudar o balanço em favor do que é reprimido em seu esforço para que isso seja ‘’descarregado’’. O
grau em que essa mudança ocorre é o critério para validação de uma interpretação”. ( p.32,
emphasis added)

Desde Freud, psicoterapeutas irão concordar unanimamente que uma


experiência concreta deve ocorrer em resposta a uma interpretação; de outra forma
nada foi alcançado pela interpretação e ela deve ser, pelo menos temporariamente,
descartada. Mas apesar de Freud já ter dito que o terapeuta deve estar atento ao
efeito de uma interpretação, o que se observa é que esse requerimento não tem
sido bem entendido.
Uma implicação que é frequentemente esquecida é a de que o terapeuta
pode usar várias interpretações e vários métodos, não apenas um! Porque há um
critério interno que irá mostrar o sucesso de qualquer intervenção, ou seja, se um
pequeno movimento estiver ocorrendo, o terapeuta tem a opção de tentar
interpretações e procedimentos derivados de vários métodos e teorias. Se uma
dessas falhar em mover algo no paciente, o terapeuta pode tentar uma técnica de
outro método ou teoria. Com a multiplicidade de teorias e métodos existentes hoje
em dia, seria arbitrário escolher uma teoria e impô-la aos nossos pacientes. Checar
a ocorrência de um efeito físico é levar em conta um critério não arbitrário com o
qual o terapeuta pode fazer uso das vários métodos que ele tem a oferecer - e
rapidamente descartar qualquer coisa que não tenha um efeito físico e experiencial.
Algumas vezes o terapeuta pode querer continuar com uma interpretação,
mesmo que ela não tenha nenhum efeito imediato. Mas na maioria das vezes, se
não ocorrer nenhum efeito físico ou experiencial, o terapeuta deve descartar o que
foi dito e trazer a pessoa de volta para o espaço anterior à intervenção. (“Eu vejo
que dizer isso não muda nada. Muito bem, como você estava dizendo…’’) Dessa
maneira uma hora inteira (ou até mesmo 5 minutos) não precisam ser perdidos em
argumentações ou confusões.
Para manter o processo do cliente em seu próprio curso o jeito mais fácil é o
de evitar discussões sem saída. O terapeuta deve saber que faz um ótimo negócio
ao apenas se manter na presença do cliente, com o sentido exato do que o cliente
está expressando. Quando isso é alcançado, o efeito da sensação corporal no
cliente é uma ressonância. Uma presença humana segura, estável e disposta a
estar com o que aparecer, é um fator muito poderoso. Se nós não tentamos
improvisar ou mudar qualquer coisa, se nós não adicionamos nada, se por mais que
algo possa parecer ruim, nós apenas dizemos o que nós entendemos exatamente,
tal resposta adiciona a presença do terapeuta e ajuda os clientes a permanecerem e
irem além em qualquer coisa que eles sintam e percebam. Isso é talvez a coisa
mais importante que qualquer pessoa ajudando outras precisa saber. E é também o
jeito mais fácil de evitar discussões sem saída.
Mas tais responsabilidades (chamado “reflexo do sentimento”) precisam da
verificação física que eu acabei de discutir. O cliente precisa checar intimamente:
“nós estamos juntos agora com isso?” O que o terapeuta me responde engloba o
que eu estava agora lutando para transmitir? Quando isso acontece, o cliente irá
sentir um pouco de alívio físico”. Ouvindo de volta o que foi dito, o cliente sente que
muito já foi dito. Agora isso pode apenas estar aqui. Pode respirar. Quando isso
acontece, também há um pouco mais de espaço interno - espaço para que a
próxima coisa aconteça a partir daí.
Sem a verificação direta do cliente, o método de refletir as mensagens dele
pode se tornar meras palavras. Então isso é uma discussão sem saída, embora
tenha sido trazido pelo cliente ao invés da intervenção do terapeuta.
Depois de qualquer coisa que o terapeuta tenha feito ou falado, o momento
imediatamente seguinte revela se houve um efeito experiencial. Por isso eu não
quero dizer que a pessoa concordou com a afirmação do terapeuta. A questão é
antes se o que o terapeuta ou o cliente falaram conecta com o que o cliente sente
concretamente. Se não, então o que foi dito não foi no alvo.
Se existe uma conexão sentida interiormente ou qualquer resposta
fisicamente sentida para o que foi dito, é vital atendê-la e ficar com isso, porque
passos mais distantes irão vir dali - da direção da resposta, mesmo se isso é
apenas uma ligeira agitação sem palavras. (Muitos terapeutas não sabem olhar para
tal efeito, muito menos treinar e perguntar a pessoa que olha para isso. Quando tal
efeito ocorre eles continuam falando através dele, eles não param para prestar
atenção ao mesmo!) Se é um efeito, terapeuta e cliente precisam parar de falar
instantaneamente. O cliente precisa assistir silenciosamente a isso, ficar com isso e
perseguir isso.
Por exemplo, suponha que um cliente e um terapeuta ficaram presos no
mesmo ponto por alguns minutos (minutos ou meses). As duas pessoas falaram
diversas coisas que fizeram nenhuma diferença, nada mudou. O terapeuta disse
isso e tentou aquilo, mas o que o cliente sentiu permaneceu impassível. Vamos
supor que o terapeuta tenha muitas outras coisas para dizer. Supomos que uma
dessas coisas (pelo menos) trás um leve afrouxamento no problema sentido pelo
cliente. Alguma coisa agita lá, naquele lugar já morto. O terapeuta agora deveria ir
em frente à conversa de forma que um pequeno pedaço do movimento é perdido de
novo? Não, nós queremos ficar com o que mexeu naquele lugar. Nós queremos
atender para isso, sentir isso, deixar em aberto e permitir mover isso para um novo
modo.
Eu vou mostrar exatamente como o terapeuta pode auxiliar o cliente a entrar
naquele espaço onde a mudança da experiência concreta pode vir. A necessidade
para isso não foi entendida por muitos terapeutas. Eles podem concordar que tanto
faz o que é dito precisa de ter um efeito experiencial. Eles podem concordar de
forma que um efeito é o propósito do trabalho sendo feito. E ainda assim eles não
parecem saber como encontrá-lo diretamente. E se isso vem, eles vão falhar para
notar e perseguir isso.
A falha de perseguir tal abertura de sentimento direta nos conduz para um
segundo tipo de beco sem saída que eu mencionei.

Beco sem saída: sentimentos imutáveis


Pessoas na terapia normalmente têm emoções fortes e “sentimentos
viscerais” que são bastante concretos e experienciais. Elas não estão apenas
falando ou intelectualizando. Ainda assim, a plenitude do seu conteúdo emocional
não muda; elas sentem os mesmos sentimentos de novo e de novo.
O tema central deste livro diz respeito o que pode ser feito sobre os becos
sem saídas de sentimentos imutáveis: como obter passos pequenos da mudança
experiencial que caracteriza a psicoterapia quando isso funciona.
Existem agora vários métodos psicoterapêuticos para produzir sentimentos
físicos profundos, ambos a partir do passado e do presente. Esses métodos
frequentemente resultam em emoções intensas sendo sentidas e expressas, ainda
que esses sentimentos frequentemente não mudem por muitos meses e anos.
Outros dos mais novos métodos tendem a inundar a pessoa com emoções, mas
deixam o que pode ser chamado de “ego” tão pequeno e quebradiço como estava
antes. Algumas vezes, esses métodos que inundam são combinados com “sessões
integrativas” - na maioria das vezes, discussões fora de moda. Mas os passos da
mudança atual não são para serem achados em meras discussões verbais nem em
experiências que “inundam”, nem em meras intensidades emocionais.
Os sentimentos perdidos surgem e permanecem inalterados mais
comumente porque eles parecem bastante claros e finalizados; não há nenhuma
vantagem obscura para eles que perguntam para serem explorados. O cliente não
diz “eu estou com medo, mas eu não sei por quê; há muito mais disso, mas eu não
conheço tudo disso.” Ao invés disso, o cliente fala “Tenho medo disso.” e o
terapeuta responde “Fale-me mais sobre isso. Por favor, entre nisso. Apenas como
é ser amedrontado dessa forma?”. O cliente fala “Eu estou com medo, isso é tudo.
Você não pode entender isso? Você nunca esteve com medo? Isso é o que eu
sinto.”
Agora o que? Claro que o cliente pode falar sobre porque esse medo parece
acontecer - quando isso acontece, memórias antigas, outras vezes de estar com
medo e assim por diante. Mas o medo pode permanecer exatamente como era,
como se ele fosse um ‘’pacote completo’’, uma experiência finalizada, sem uma
complexidade interna.
Embora todos os métodos terapêuticos tenham formas de levar adiante
esses sentimentos imutáveis, e esses métodos funcionam as vezes, mas, algumas
vezes, eles também falham. E apesar de suas diferenças todos esses métodos
compartilham o mesmo objetivo: O movimento Terapêutico.
O movimento terapêutico é descrito através das características que devem
constituir cada personalidade de acordo com cada teoria. Mas, na realidade, as
pessoas não são constituídas pelas características que as teorias colocam.
Nem o movimento terapêutico ocorre nas formas grosseiras como tem sido
abundantemente descrito. Na verdade, ele ocorre através de pequenos passos. Eu
irei mostrar como nós podemos empregar todos os métodos existentes, apesar de
sua contradições, mostrarei também como as pequenas etapas de mudança
experiencial funcionam. Nós também veremos exatamente como esses passos
ocorrem em cada método. Os passos de mudança também nos permitirão pensar
acerca da experiência humana de um novo jeito.
Cada pedaço da experiência humana tem a possibilidade de um movimento
implícito que nos leva além. A experiência humana nunca está completa. Ela nunca
é aquilo que parece. Ela nunca consiste apenas de coisas já prontas, finalizadas.
Um de meus psicanalistas favoritos uma vez me perguntou: “Depois de
passarmos pela análise nós somos capazes perceber onde todas as coisas estão, e
podemos entrar em contato com elas e reabri-las novamente. Mas você está me
dizendo que há mais que isso?”.
Ele me fez essa pergunta porque me ouviu falando sobre um processo onde
o cliente faz mais do que se familiarizar com emoções e experiências e aprende a
tocá-las de novo e de novo, de acordo com sua vontade. Minha assertiva de que
haveria mais que isso o deixou intrigado. Em sua própria análise, seus conteúdos
internos não mudaram; eles apenas se tornaram conhecidos, tocados e tornou-se
possível tocá-los novamente. É claro, como Freud disse, isso por si só já é um
grande desenvolvimento. Tocar algo experiencialmente por inúmeras vezes gera
uma liberação de energia e também alarga nossas perspectivas e gera novos
comportamentos. Mesmo assim, Freud perdeu os pequenos passos de mudança
que podem ocorrer internamente naquilo que nós ‘’tocamos’’. Tampouco esse
processo ocorreu em sua análise, ou talvez ele não tenha descrito sua análise bem.
A mudança que Freud buscava estava limitada a um ganho de “consciência’’.
Nenhuma mudança no conteúdo em si era esperada. O conteúdo era pensado
como sendo um desejo infantil, ou algo que ocorreu no passado. Freud postulou que
o conteúdo não muda, mas que com o ganho de “consciência” o mesmo “perde
energia”. O “ego” ganha energia. Essa descrição algumas vezes encaixa, e com
algumas coisas ela pode descrever tudo o que poderia acontecer. Mas toda a
psicoterapia, mudança e crescimento não podem ser entendidos apenas em termos
de energia perdida por o que seriam “conteúdos imutáveis”.
Na teoria Freudiana, a patologia consiste de “pedaços imutáveis”. Se seus
problemas são pedaços embalados, então, de fato, eles não estarão aptos a serem
modificados; eles talvez sejam capazes apenas de perder energia. Mas essa teoria
deixa alguns pontos vitais e alguns problemas extremamente práticos sem
explicação.
Como eu irei mostrar, quando a terapia é efetiva, nós logo observamos algo a
mais: passos de mudança no que o conteúdo parece ser. Nós queremos saber
como provocar tais passos de mudança do conteúdo. Teoricamente, nós queremos
entender como as experiências e os eventos não são “pedaços imutáveis”, ou seja,
como é possível que existam passos de mudança.
A experiência presente não é apenas um amontoado de pedaços de
experiências passadas. Esse é um erro geral e inerente a esse tipo de “explicação”.
Explica-se um evento posterior, voltando-se para o passado e procurando nele as
mesmas unidades do evento atual. Dessa forma o evento atual é explicado como
sendo um certo tipo de rearranjo das unidades do passado.
Nós estamos acostumados a esse tipo de explicação que vem da física e da
matemática. Se nós estivermos procurando uma resposta que seja 96, deveremos
responder de onde vieram essas 96 unidades, se serão 6 x 16 ou 3 x 32 ou 8 x 12
ou 1 x 96 ou 192 x ½. Também na física, a soma total de energia e matéria em uma
reação é “conservada”, sendo assim, qualquer mudança pode ser rastreada através
de alguma energia, matéria ou força que já estava presente e foi apenas
rearranjada. Quando algo muda nós quebramos esse algo em pequenas peças
imutáveis - que são apenas rearranjáveis. Quando somos capazes de localizar
esses elementos imutáveis, então nós sentimentos que entendemos; nós temos
uma explicação.
Mas há outros tipos de explicação que não requerem essa suposição de que
existem peças ou unidade ‘’empacotadas’’ que são imutáveis. Por exemplo, nós
podemos explicar um evento mostrando como ele se encaixa em um contexto
maior. Dizer que alguém faz alguma coisa intrigante. Quando nós sabemos mais
amplamente sobre uma situação, nós podemos ver como o comportamento faz
sentido. Então, nós dizemos que entendemos, nós temos uma explicação. Mas
esses não são o único tipo de explicação e entendimento. A partir dos passos de
mudança que eu vou descrever, nós vamos ver o tipo de diferença.
Matemática e lógica funcionam apenas em unidades fixas. Na multiplicação
ou na dedução lógica não se deve lançar unidades extras ou perder aquele que teve
no início. Mas experiências e situações não chegam a divisões claras e unidades
fixas. Qualquer situação pode ser cortada em diferentes jeitos para obter diferentes
conclusões lógicas. Um pode sempre noticiar um ou dois elementos adicionais,
então aquilo que parece uma prova lógica, desmorona. Essa é a razão porque a
lógica não dá conclusões necessariamente corretas sobre experiência humana. Se
você cortar os fatos um pouco diferente, a lógica é derrubada.
Para a terapia e para a mudança é claramente favorável que nada do
passado ou do futuro esteja empacotado de modo a ter apenas uma forma com
resultados fixos. Dessa maneira, nada nunca está finalizado. Todos os eventos e
experiências podem ser ainda levados além e quando isso acontece, ocorre uma
mudança no que eles eram. Tais mudanças podem não seguir uma lógica a partir
do que elas pareciam estar em um ponto anterior, e ainda essas mudanças são
verdadeiras e não pelo menos arbitrárias. Mas elas normalmente têm muitas outras
facetas do que a forma anterior.
O passado não é um conjunto único de acontecimentos formados e fixos.
Todo presente de fato inclui experiências passadas, mas o presente não é
simplesmente um rearranjo de experiências passadas. O presente é um novo todo,
um evento novo. Isso dá ao passado uma nova função, um novo papel a
desempenhar. Em seu novo papel é um “corte” diferente. Não é só isso interpretado
diferentemente, ao invés, isso funciona diferentemente em um novo presente,
mesmo se o indivíduo não sabe que houve uma mudança. Dizer isso intensamente,
na experiência presente, leva a mudanças no passado. Descobre um jeito novo no
qual pode ser o passado para um presente.
O presente é sempre algo novo, mesmo se o indivíduo está explicitamente
revivendo o passado. Emoções e memórias a partir do passado vem como parte da
pessoa presente. O passado altera em um novo presente. Mesmo se o passado é
completamente implícito e despercebido, isso pode ser transportado para um novo
todo como parte do processo da experiência presente. Eventos do passado não são
falsificados retroativamente como foi feito na Enciclopédia Soviética, mas seu papel
no corpo pode ser adquirir uma nova função.

Segunda Conclusão
Toda experiência e eventos contêm implicitamente movimentos adicionais.
Para encontrar isso deve-se sentir uma borda não clara. Cada experiência pode ser
levada adiante. Dando uma pequena ajuda, pode-se sentir uma “vantagem” na
experiência mais complicada do que as palavras ou conceitos podem transmitir. É
preciso atender a certos sentidos porque os passos de mudança vêm nessas
arestas.
Nós vamos discutir o que fazer quando parece não haver arestas (limiar) e,
portanto, não há passos. Em uma experiência aparentemente completa, como se
encontra onde pode carregar ainda mais? Como se ajuda uma pessoa a encontrar
essa aresta, esse senso de complexidade mais do que já foi dito? Nós vamos
discutir exatamente como encontrar a aresta e como produzir os passos da
mudança que podem vir a tal ponto. A mudança quase nunca vem em um passo;
em vez disso, consiste de muitas pequenas etapas e, agora, as grandes.
Eu tentei descrever dois becos sem saídas típicos: A discussão sem fim onde
não ocorre nada que seja concretamente experiencial e o beco sem saída de
emoções e sentimentos, diretamente contatados, mas repetitivos. Em contraste a
esses becos sem saída, nós queremos ser capazes de reconhecer e provocar uma
série de passos de mudança experienciais. Como são essas etapas? Com o que
podemos trabalhar, quando tais etapas não estão acontecendo para que surjam?