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A TEORIA EDUCACIONAL DE EMILIA FERREIRO: REFLEXÕES

NECESSÁRIAS

Maria Cristina Gomes Machado 1 - UEM


Rafaela Beneti Sodoski2 - UEM

Grupo de Trabalho - História da Educação


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

O presente estudo é resultado de uma pesquisa de iniciação científica cujo objetivo foi
analisar a biografia e teoria de alfabetização defendida pela psicóloga Emilia Ferreiro. Para
tanto, realizamos um estudo bibliográfico de cunho qualitativo em uma perspectiva histórica,
por compreendermos que as propostas educacionais de um determinado autor estão
relacionadas às condições econômicas, sociais, políticas e culturais do contexto em que
vivenciam e elaboram suas propostas. Com base nessa concepção, os escritos de Ferreiro
foram analisados a partir da década de 1980, período em que seus estudos adentraram no
Brasil. A psicóloga é original da cidade de Buenos Aires - Argentina, foi orientanda e
colaboradora de Jean Piaget na Universidade de Genebra e atualmente trabalha no Centro de
Investigações de Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, localizado no México.
As análises desenvolvidas por Emilia Ferreiro difundiram-se no Brasil por meio do Projeto
Ipê, desenvolvido por organismos do estado de São Paulo, e pela publicação do livro
Psicogênese da Língua Escrita (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985). Para tanto, pretendemos,
com esse estudo, responder ao seguinte questionamento: Como para Emilia Ferreiro a criança
se apropria do sistema de leitura e escrita? Obtivemos como resultado que, para a autora, os
discentes se apropriam do sistema de leitura e escrita por meio de fases, denominadas pela
autora de pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético, e a transferência de uma à
outra é provocada por constantes conflitos. Acreditamos que esse conhecimento é de
fundamental relevância para todo educador pelo fato das análises da estudiosa terem
revolucionado a educação brasileira e por Ferreiro abranger um tema que deveria ser
analisado com maior relevância nos cursos de formação de professores, a alfabetização.

Palavras-chave: Emilia Ferreiro. Psicogênese da Língua Escrita. Alfabetização.

1
Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de
Maringá (UEM) e Bolsista Produtividade do CNPq 1D. Coordenadora do Grupo de Pesquisas e Estudos
História da Educação, Intelectuais e Instituições Escolares. E-mail: mcgmachado@uem.br.
2
Graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Membro do Programa
Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, foco Alfabetização. E-mail: rafa_beneti@hotmail.com.

ISSN 2176-1396
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Introdução

A presente pesquisa é resultado de uma Pesquisa de Iniciação científica na qual tem


por objetivo estudar a teoria de alfabetização e biografia da psicóloga argentina Emilia
Ferreiro (1937 - ) no contexto social, político, econômico e cultural da Argentina e do Brasil a
partir da década de 1980. A escolha da data se efetivou devido dois motivos relevantes:
porque os estudos da estudiosa foram divulgados no Brasil somente a partir dos anos de 1985
e por ter sido um período de constantes discussões acerca da educação brasileira, realizadas
por meio de instituições governamentais nas quais se desenvolveram devido ao intenso
número de evasão e repetência dos discentes pertencentes aos anos iniciais do ensino
fundamental, era urgente rever o método de alfabetização utilizado. (MORTATTI, 2000).
Nosso intuito foi responder ao seguinte questionamento: Como para Emilia Ferreiro a
criança se apropria do sistema de leitura e escrita? Para atingir o objetivo proposto realizamos
uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, em sua execução fizemos um levantamento
das principais obras de Emilia Ferreiro e textos afins e elaboramos fichamentos.
Selecionamos as seguintes obras da pesquisadora: Psicogênese da Língua Escrita
(FERREIRO; TEBEROSKY, 1985); Com Todas as Letras (FERREIRO, 1993) e Reflexões
sobre Alfabetização (FERREIRO, 1988). Empregamos como auxílio o livro Os Sentidos da
Alfabetização (MORTATTI, 2000) e a revista A Construção do Conhecimento (FERREIRO,
2005).
Analisamos o contexto da Argentina e do Brasil por acreditarmos que o entendimento
dos diversos fatores desses países poderão nos auxiliar na interpretação dos estudos da
pesquisadora, pelo fato de Ferreiro (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985) ser natural desse país
e por ter sido nele que desenvolveu suas primeiras pesquisas com crianças nos anos iniciais
do ensino fundamental.
O contexto brasileiro é relevante porque suas pesquisas adentraram no Brasil nos anos
de 1985 e foram observadas como a solução dos problemas educacionais, portanto
rapidamente, sem muita compreensão e entendimento da teoria o Estado de São Paulo
procurou utilizar-se dessa teoria em suas escolas, desenvolveram cursos de formação de
professores, transmitindo as ideias da autora como sendo uma metodologia de ensino e não
uma teoria. Desse modo, em alguns estados, o processo educativo modificou-se radicalmente
prejudicando muitos discentes e professores os quais contestavam a não utilização das
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cartilhas de alfabetização comumente utilizada como material principal no processo de ensino


da leitura e da escrita. (MORTATTI, 2000).
Suas pesquisas se caracterizam por serem pertencentes a concepção educacional
construtivista, ou seja, seus estudos colocam o aluno como o centro do processo educativo,
observam os mesmos como indivíduos ativos, reflexivos. Ela acredita que a criança constrói
sua própria escrita, logo não compreendem esse sistema por meio do emprego da cópia.
Ferreiro procurou compreender quem era o sujeito infantil e como ele constrói suas
concepções sobre o sistema de escrita. Entendeu que enfrentam diversas fases que os
conduzirão a se apropriarem do sistema de leitura e escrita. (FERREIRO; TEBEROSKY,
1985). Declara que a transferência de uma fase a outra ocorre por meio de inúmeros conflitos
internos e, para ela, é fundamental que todo docente os perceba e entenda como auxiliar seus
alunos nesse processo.
Concluímos que as pesquisas de Ferreiro são de suma importância para todo educador,
pelo fato da mesma ter estudado um tema relevante: alfabetização; o modo como a criança
constrói sua própria escrita e suas interpretações em relação a mesma, desse modo,
entendemos que ainda há muito a ser examinado sobre sua teoria.

Biografia e Teoria de Emilia Ferreiro

Emilia Beatriz Maria Ferreiro Schiavi (1937 - ) é natural da cidade de Buenos Aires,
Argentina. Formou-se em Psicologia pela Universidade de Buenos Aires. Trabalhou como
pesquisadora-assistente de Jean Piaget (1896-1980) na Universidade de Genebra-Suíça e
obteve o título de PhD na linha de pesquisa inaugurada por Hermine Sinclair, denominada por
Piaget de Psicolinguística Genética (Revista Viver Mente & Cérebro, 2005). No ano de 1979,
atuou no Centro de Investigações de Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional,
localizado no México e nele exerce suas funções até os dias atuais (OLIVEIRA MELLO, s.d.,
p.04). Emilia Ferreiro está viva, possui 78 anos de idade, é residente no México e tem dois
filhos.
O governo militar assumiu o poder da Argentina no ano de 1930 e teve como primeiro
líder o general Félix Uriburu (1868-1932). No ano de 1966, Juan Carlos Onganía (1914-1995)
assumiu a presidência do país. Onganía realizou diversas ações repressivas, entre elas,
dissolveu partidos políticos, interveio nas universidades, utilizou-se da violência contra
estudantes, professores, sindicatos, líderes estudantis e apreendeu livros. Emilia Ferreiro foi
proibida de exercer suas ações na Universidade de Buenos Aires e é exilada do país. O
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processo militar, nessa nação, finaliza na década de 1970 quando diversos movimentos sociais
aliados a uma crise econômica os retiram do poder.
Na década de 1990, o Brasil encontrava-se em uma aguda crise social e econômica, a
instabilidade pode se creditada a política adotada após os anos de 1968-1973, denominado
Milagre Econômico, a nação estava com índices altíssimos de dívidas externas. Conforme
Teixeira e Totini (1989 apud SANTAGADA, s.d.), entre 1973 a 1980 a dívida externa bruta
passou de US$ 12 bilhões para US$ 64 bilhões; a desnutrição era a maior causadora de morte
de crianças menores de um ano; os gêneros alimentícios destinados para o mercado interno
foram produzidos em menor quantidade, entre eles: arroz; feijão; batata-inglesa; carne bovina;
mandioca e banana. Em contrapartida, os produtos voltados para o mercado externo (cacau,
soja, laranja) tiveram um crescimento em suas produções. Essa política elevou o o custo de
vida no país e contribuiu para o empobrecimento da população.
No aspecto educativo os índices de evasão e repetência da maioria dos países
pertencentes a América Latina e Caribe eram muito elevados e os organismos internacionais
começaram a influenciar no processo educativo, alegando que pretendiam desenvolver uma
educação de qualidade e resolver seus problemas. Desse modo, organizaram-se e concluíram
que a melhor alternativa seria transferir simultaneamente, sem processo reprovativo todos os
estudantes dos três primeiros anos do ensino fundamental. Suas propostas são reelaboradas
constantemente, assim são organizadas reuniões denominadas Reunião Intergovernamental do
Projeto Principal de Educação da América Latina e Caribe (PROMEDLAC) e, por meio
delas, elaborado o Projeto Principal de Educação (UNESCO, 1991).
Entre esses organismos, podemos citar: Organização das Nações Unidas (ONU);
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO);
Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL); Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM). Estes influenciam todo o processo educativo
dos países da América Latina e Caribe, os quais se efetivam por meio dos programas de
formação de professores, livros didáticos, estrutura e organização das escolas, cursos
profissionalizantes, entre outros.
Com o intuito de resolver os problemas educacionais a Secretaria de Educação do
estado de São Paulo adotaram como metodologia pedagógica a teoria de alfabetização
elaborada pela pesquisadora Emilia Ferreiro. Utilizaram como fundamento o livro Los
Sistemas de Escritura em Desarrollo del Niño, editado pelo Siglo XXI Editores, traduzido e
publicado no Brasil no ano de 1985, denominando-se Psicogênese da Língua Escrita. Esse
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livro expõe os dados de uma pesquisa de campo produzida por Ferreiro e organizada com o
auxílio de Ana Teberosky (1944 - ). As autoras analisaram trinta crianças entre 4 a 6 anos em
um bairro industrial localizado na cidade de Buenos Aires - Argentina e pretendiam entender
como a criança se apropriava do sistema de leitura e escrita.
As estudiosas concluiram que os discentes para aprenderem a ler e a escrever
enfrentam quatro fases, denominadas pelas autoras de: pré-silábico; silábico; silábico-
alfabético e alfabético. Perceberam que a transferência de uma fase para a outra ocorre por
meio de diversos conflitos desenvolvidos internamente nos sujeitos e provocados pelo contato
com os escritos de um adulto ou de outra criança. (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985, p.27).
Na fase pré-silábica, as pesquisadoras compreenderam que as crianças confundem o
modo de representação icônico (desenho) com o não icônico (escrita e números). Empregam
rabiscos, traços ondulados, entre outros símbolos para representar sua escrita e acreditam estar
correta. Com o desenvolvimento dessa mesma fase, as crianças tornam-se capazes de
diferenciar a escrita dos desenhos, entretanto, em alguns momentos misturam letras com
números. Desenvolvem três características próprias para esse período as quais foram
classificadas como eixo quantitativo, eixo qualitativo e eixo de classificação. No primeiro
eixo os estudantes pensam que um escrito somente poderá ser lido se apresentar duas ou mais
letras, no segundo os alunos acreditam que uma palavra não pode possuir letras iguais e no
eixo de classificação, bem como entendem que seus escritos unicamente poderão ser lidos se
conterem uma letra reconhecida pelo discente, por exemplo: PELO, pois possui a letra P da
palavra PAPAI.
Na terceira fase, conforme as autoras, os alunos percebem que existe uma relação
entre fonema e grafema. Divide-se em três partes: silábico, silábico-alfabético e alfabético. A
parte silábica se caracteriza quando a criança é capaz de identificar as sílabas de uma palavra
e, ao escrevê-la utiliza uma letra diferente para cada sílaba. A silábico-alfabética ocorre “[...]
quando a criança descobre que a sílaba não pode ser considerada como uma unidade, mas que
é, por sua vez, realizável em elementos menores”. (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985, p.27).
Na parte alfabética os discentes assimilam que a escrita, em determinados momentos, será
diferente da fala, portanto inicia-se uma preocupação com os aspectos ortográficos.
As pesquisas de Ferreiro (1985) se diferenciam das concepções educacionais de
diversos educadores por inúmeros motivos, entre eles, destacaremos: por entender que os
discentes são sujeitos ativos, reflexivos, que pensam, analisam e constroem sua própria
escrita; por conceber que os indivíduos adentram as instituições escolares com prévias
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concepções sobre a leitura e escrita e por criticar o emprego de manuais de alfabetização e os


pré-requisitos como necessários para a criança se alfabetizar.
Emilia Ferreiro (1993) criticou a atuação de muitos docentes ao declarar que a maioria
deles não lê, não se qualificam, não questionam e, portanto, não serão capazes de desenvolver
indivíduos reflexivos e críticos. Declara que é fundamental que as salas de aula tenham um
local específico para os diversos instrumentos transmissores de escrita, por exemplo, livros,
jornais, revistas, cartas, bulas de remédio, entre outros, pensa que seja imprescindível que o
docente transmita aos alunos a função da escrita nos diferentes recursos.

Considerações Finais

Este texto teve por objetivo compreender como para Emilia Ferreiro a criança se
apropria do sistema de leitura e escrita. O interesse por este estudo se efetivou pelo fato de ser
um conhecimento importantíssimo para todo educador por se tratar de um aspecto relevante
para a formação do sujeito infantil como homem social- a alfabetização.
Concluímos que as pesquisas de Ferreiro são importantíssimas para todos os
educadores pelo fato da mesma ter estudado um tema relevante: alfabetização e o modo
como a criança constrói sua própria escrita e suas interpretações em relação a mesma, desse
modo, entendemos que há muito a ser estudado sobre sua teoria. Compreendemos que suas
análises contradiziam as concepções existentes na sociedade e nas instituições educacionais
no período em que adentraram no país sobre diversos fatores, entre eles podemos citar, a
criança, o professor, as cartilhas e os testes de prontidão. Dessa forma, acreditamos que
devido esses aspectos a mesma deveria ter sido observada com maior cautela.
Compreendemos que muitos educadores por não terem o devido conhecimento da
teoria da autora e pelas diversas informações que obtiveram de Ferreiro (FERREIRO;
TEBEROSKY, 1985), absorveram suas análises e a transformaram como um método de
alfabetização, crendo que teriam um resultado satisfatório. No entanto, prejudicaram a
aprendizagem dos alunos e, consequentemente, o seu desenvolvimento. Os professores não
dominavam a teoria e as salas de aula eram inadequadas para o desenvolvimento desejável
do processo de alfabetização, como exemplo o número elevado de alunos por sala. O
professor não tinha condições para acompanhar adequadamente cada criança.
Ferreiro destaca em seu livro Psicogênese da Língua Escrita, que seu objetivo ao
desenvolver a pesquisa não foi criar um novo método de alfabetização, mas compreender
como a criança aprende a ler e a escrever e de que maneira o professor poderia auxiliá-la
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nesse processo. (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985). Estabelece as fases de aprendizado dos


alunos e declara que, pelo fato de todos os indivíduos serem diferentes, essas fases poderão
ocorrer em momentos diferenciados entre algumas crianças como em outras podem não estar
presentes, caberia ao professor estar atento a cada processo individual e promovendo
intervenções que pudessem ajudar a criança em seu processo de escrita.
O estudo dessa teoria na perspectiva histórica nos permitiu compreender o contexto
em que ela foi implantada no Brasil na década de 1980.

REFERÊNCIAS

FERREIRO, Emilia: A Construção do Conhecimento. São Paulo. Revista Viver & Mente.
Nº 5, 2005.

FERREIRO, Emilia. Com todas as Letras. 4º edição. São Paulo: Editora Cortez, 1993.

FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre Alfabetização. 12º edição. São Paulo: Cortez, 1988.

FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. 3º edição. Porto


Alegre: Ed. Artes Médicas, 1985.

MORTATTI, Maria do Rosário Longo. Os Sentidos da Alfabetização. São Paulo: Editora


UNESP, 2000.

OLIVEIRA MELO, Márcia Cristina de. A contribuição do pensamento de Emilia Ferreiro


para a história da alfabetização no Brasil. São Paulo, s.d. Disponível em: <
http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe2/pdfs/Tema4/4103.pdf> Acesso em:12 out. 2013.

SANTAGADA, Salvatone. A situação social do Brasil nos anos 80. S.d. Disponível em:
<http://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/viewFile/179/389>. Acesso em:
26/06/2015.

UNESCO. Proyecto Principal de Educacion en América Latina y el Caribe. Cidade de


México, 5-9 de nov. 1984. Disponível em:
<http://www.unesco.org/education/pdf/11_173_s.pdf > Acesso em: 8 jan. 2015.