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Sobre os Autores Instituto Ethos

Sérgio Alli O Instituto Ethos de Empresas e Res-


Jornalista, consultor de comunicação ponsabilidade Social é uma associação
e assessor parlamentar, trabalha desde de empresas de todo tamanho e setor
1977 como editor e redator de jor- interessadas em desenvolver suas ati-
nais,revistas,livros e publicações insti- vidades de forma socialmente respon-
tucionais.Formado em ciências sociais sável, num permanente processo de
pela Universidade de São Paulo (USP), avaliação e aperfeiçoamento. Foi cria-
cursou também filosofia e jornalismo. do em 1998, com a missão de promo-
É diretor da Baleia Comunicação. ver e disseminar práticas empresariais
socialmente responsáveis, contribuindo
Thais Sauaya para que empresas e sociedade alcan-
Trabalha na área de marketing e pes- cem um desenvolvimento sustentável
quisa de mercado desde 1976 e é con- Realização Parceria em seus aspectos econômico, social
sultora de comunicação desde 2000. e ambiental.
Bacharel em química pelo Instituto
de Química da USP e em química
Sebrae
industrial pela Escola Politécnica da www.ethos.org.br

USP, cursa comunicação social na Fa- O Serviço Brasileiro de Apoio às Mi-


culdade Cásper Líbero. É diretora da cro e Pequenas Empresas (Sebrae) tra-
Patrocínio institucional
Baleia Comunicação. balha desde 1972 pelo desenvolvi-
mento sustentável das empresas de
pequeno porte em todo o país. Pro-
move cursos de capacitação, facilita
o acesso ao crédito, estimula a coope-
Patrocínio Apoio ração entre as empresas, organiza fei-
ras e rodadas de negócios e incentiva
o desenvolvimento de atividades que
contribuem para a geração de empre-
go e renda. Atua por meio de unida-
des nos 26 estados e no Distrito Fede-
ral,as quais formam um sistema de am-
pla capilaridade, com 600 pontos de
atendimento.
COMO FORTALECER

A RESPONSABILIDADE

SOCIAL NAS RELAÇÕES

ENTRE GRANDES

E PEQUENAS

EMPRESAS

Sérgio Alli
Thais Sauaya
Como Fortalecer a Responsabilidade Social nas Relações entre Grandes e Pequenas Empresas é uma publicação do Instituto Ethos,
em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), distribuída gratuitamente a seus associados.
Realização
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Rua Francisco Leitão, 469, 14º. Andar, Conj. 1407 — 05414-020 — São Paulo, SP
Tel.: (11) 3897-2400
Site: www.ethos.org.br
Parceria
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
SEPN, Quadra 515, Bloco C, Loja 32 — 70770-900 — Brasília, DF
Tel.: (61) 348-7200
Site: www.sebrae.com.br
Patrocínio Institucional
Banco Safra
Patrocínio
Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST)
Apoio Institucional
Inter-American Foundation (IAF)
Autoria
Sérgio Alli e Thais Sauaya
Consultora Técnica
Telma Moretti (+ Valor Consultores em Gestão)
Colaboradores do Instituto Ethos
Benjamin S. Gonçalves (coordenador), Carmen Weingrill, Fernando Pacchi, Karinna Bidermann Forlenza (captação de patrocínio), Leno F. Silva, Paulo Itacarambi e Ricardo Young
Colaboradores do Sebrae
José Octávio Knaack Jr., Karen Sitta Fortini e Lúcia Maria Enout Mendonça
Consultores
Ana Maria Cabral Esteves e Sergio Esteves (AMCE Negócios Sustentáveis), Beat Grüninger (Business Meets Social Development) e Paulo Branco (Ekobé Educação e Consultoria)
Colaboradores de Empresas
Cezar Moreira Filho (Secretaria de Relações Empresariais de Santo André,SP), Claudia Schweikert (Schemco Injeção de Peças Técnicas), Clotilde Dal Pino Marques (Serras Elétricas Dal Pino),
Douglas Prats (Prats Masó), Fabio L. De Gerone (Santo André Ferro e Aço), Flávia Morales (Philips do Brasil), Ione Antunes (Help Express), João Paschoal (Acelik), John Takemoto (Brastak),
José Carlos Vassoler (Fosfer Galvanum), Luciana Neuenhaus (Pedro Neuenhaus e Cia.), Marcelo Michelsohn (Banco Real ABN Amro), Marcos Honório Belluzzo (Unnafibras), Nelson Tadeu P.
Pereira (McNew), Ricardo Brancato (Power Systems), Silas C. da Silva (Intregare), Sueli Renberg (Grupo Pão de Açúcar), Tonino Sgarbi (Fogal) e Wilson Valmir Caron (Corgett)
Redação
Baleia Comunicação (Sérgio Alli, Thais Sauaya, Diogo Moysés e Sonia Regina Ribeiro)
Edição
Benjamin S. Gonçalves
Revisão
Márcia Melo
Projeto e Produção Gráfica
Planeta Terra Criação e Produção (Waldemar Zaidler e William Haruo)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Como Fortalecer a Responsabilidade Social nas Relações


entre Grandes e Pequenas Empresas / Sérgio Alli, Thais Sauaya;
Benjamin S. Gonçalves (coordenador). — São Paulo : Instituto Ethos, 2004.
ISBN 85-88046-14-8
Vários colaboradores.
Vários consultores.
Bibliografia.
1. Grandes empresas 2. Pequenas empresas 3. Responsabilidade social das empresas
I. Sauaya, Thais. II. Gonçalves, Benjamin S. III. Título.
03-7309 CDD-658.02

Índices para catálogo sistemático:


1. Grandes e pequenas empresas : Relações : Responsabilidade social : Administração 658.02
2. Responsabilidade social : Grandes e pequenas empresas : Relações : Administração 658.02
Tiragem: 5.000 exemplares
São Paulo, abril de 2004
É permitida a reprodução desta publicação, desde que citada a fonte e com autorização prévia do Instituto Ethos.
Esclarecimentos importantes sobre as atividades do Instituto Ethos:
1. O trabalho de orientação às empresas é voluntário, sem nenhuma cobrança ou remuneração.
2. Não fazemos consultoria e não credenciamos nem autorizamos profissionais a oferecer qualquer tipo de serviço em nosso nome.
3. Não somos entidade certificadora de responsabilidade social nem fornecemos “selo” com essa função.
4. Não permitimos que nenhuma entidade ou empresa (associada ou não) utilize a logomarca do Instituto Ethos sem nosso
consentimento prévio e expressa autorização por escrito.
Para esclarecer alguma dúvida ou nos consultar sobre as atividades de apoio do Instituto Ethos, contate-nos, por favor,
pelo link “Fale Conosco”, do site www.ethos.org.br, no qual será possível identificar a área mais apropriada para atendê-lo.

Impresso em Reciclato — capa 240 g/m2, miolo 90 g/m2 — da Cia. Suzano, o offset brasileiro 100% reciclado.
SUMÁRIO
Apresentação 7
A Responsabilidade Social nas Relações entre as Empresas 9

O Que Está Acontecendo 13


As Grandes e Pequenas Empresas na Economia 15
A Importância das Pequenas Empresas 16
Tratamento Favorecido 18
Estatuto das MPE 19
Os Benefícios do Simples 21
Arranjo Produtivo Local 22
Núcleos Setoriais 23
Acesso ao Crédito 24
Políticas Públicas 25
O Estágio Atual das Relações 27
O Valor dos Pequenos Parceiros 28
Tratamento Diferenciado 28
Regras Mais Favoráveis 29
Critérios de Seleção e Contratação 30
Transferência de Tecnologia e Capacitação 30
Verificação das Condições de Trabalho 31
A Percepção das Micro e Pequenas Empresas 31
Relação Saudável e Equilibrada 32

O Que Pode Ser Feito 33


Indicadores de Responsabilidade Social
e o Relacionamento entre Grandes e Pequenas Empresas 35
Valores e Transparência 36
Explicitar os valores e princípios éticos 36
Comprometer a direção 36
Garantir diálogo e confiança 36
Apresentar o planejamento estratégico 37
Esclarecer os compromissos a serem cumpridos 37
Incentivar práticas socialmente responsáveis 37
Atuar conjuntamente em projetos comunitários 38
Público Interno 38
Envolver os funcionários na política de relacionamento 38
Oferecer apoio e consultoria 38
Divulgar a política de relacionamento 39
Incluir o empreendedorismo na política de demissões 39
Meio Ambiente 39
Promover o descarte seguro 39
Estimular a reciclagem e o reuso de materiais 40
Racionalizar o uso de insumos 40
Diversificar ações ambientais 40
Fornecedores 41
Identificar e qualificar os micro e pequenos fornecedores 41
Manter um relacionamento diferenciado 41
Definir critérios de avaliação de fornecedores de pequeno porte 41
Orientar e dar apoio aos processos de adequação dos parceiros 42
Oferecer prazos para adaptação a novas exigências 42
Estabelecer condições semelhantes para terceirizados 42
Promover o desenvolvimento dos pequenos fornecedores 43
Estimular a inclusão social e a diversidade 43
Consumidores e Clientes 43
Comportar-se de forma ética nas negociações com clientes 43
Manter canais de comunicação abertos 44
Comunidade 44
Minimizar os impactos negativos da instalação da empresa 44
Apoiar os pequenos negócios do entorno 45
Realizar pesquisas para identificar as demandas locais 45
Incentivar novos negócios 45
Estimular o trabalho voluntário 46
Governo e Sociedade 46
Manter-se dentro da conformidade legal 46
Rejeitar práticas de corrupção e propina 46
O Que Está Sendo Feito 47
Métodos e Instrumentos 50
Certificação 50
SA8000 52
AA1000 55
Comércio Justo 56
Ouvidoria do Fornecedor 57
Franquias 59
Iniciativas de Aprimoramento das Relações 62
Apoio ao Desenvolvimento e Sustentabilidade de Parceiros 63
Certificação SA8000 64
Cidadania e Inclusão Digital 65
Comércio Solidário 66
Erradicação do Trabalho Infantil 67
Fórum de Fornecedores 68
Incentivo a Novos Negócios 69
Integração e Inclusão Social 70
Parceria com Fornecedores 71
Programa Caras do Brasil 72
Programa de Fornecedores e de Microcrédito 73
Programa de Qualificação de Fornecedores 75
Sinergia entre Pequenas Empresas 77

Colaboração das empresas 79


APRESENTAÇÃO

R esponsabilidade social empresarial pressupõe a busca permanente


pelo aprimoramento das relações da empresa com todas as partes
interessadas, com base numa postura ética e transparente. Não são
poucas as situações em que os envolvidos são outras empresas,em geral de por-
te diferente, que podem atuar como fornecedoras, consumidoras ou clientes.
O relacionamento socialmente responsável entre grandes empresas de
um lado e micro e pequenas empresas de outro requer o estabelecimento de
parcerias efetivas, fundamentadas na confiança e na sustentabilidade, de modo
que todos possam ganhar e crescer.
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, em parceria
com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apre-
senta nesta publicação uma abordagem abrangente do relacionamento entre
pequenas e grandes empresas, procurando contribuir para que esses atores
levem em conta os critérios de responsabilidade social empresarial ao se rela-
cionar uns com os outros. A reflexão e o depoimento das mais de 50 empresas
que colaboraram com este manual permitiram levantar os passos que já estão
sendo dados e apresentar sugestões do que é possível fazer nesse campo.
O capítulo “O que está acontecendo”, por exemplo, descreve medidas
que estão sendo adotadas para favorecer o tratamento às empresas de pequeno
porte, como a tributação específica do Simples, o acesso ao crédito e o estímu-
lo à cooperação, concretizado em arranjos produtivos locais e em núcleos seto-
riais. O tópico “O estágio atual das relações” apresenta a visão das próprias
empresas, principais atores desse processo, revelada pelas respostas de 46 gran-
des e pequenas organizações empresariais a uma consulta realizada pelo
Instituto Ethos sobre seu relacionamento com parceiros de outro porte.

7
O capítulo “O que pode ser feito” mostra de que forma os Indicadores
Ethos de Responsabilidade Social Empresarial podem ser utilizados como ferra-
menta importante para orientar o relacionamento entre empresas de tamanhos
desiguais. Já o capítulo “O que está sendo feito” registra métodos e instrumen-
tos focados no relacionamento que vêm sendo empregados atualmente, como
as certificações SA8000 e AA1000, o Comércio Justo (Fair Trade) e a ouvidoria
do fornecedor.
Também são relatadas 14 experiências que estão contribuindo para que
o relacionamento entre grandes e pequenas empresas seja expressão de respon-
sabilidade social e fator de incremento da justiça social no Brasil.

8
A Responsabilidade Social
nas Relações entre as Empresas

O Brasil quer mudar, e nossa sociedade tem, de muitas maneiras, expres-


sado isso. Os empresários brasileiros — sejam dirigentes de grandes corpora-
ções, sejam pequenos empreendedores — sabem, pela experiência cotidiana,
que é necessário transformar a dinâmica atual da economia. E começam a per-
ceber o quanto suas decisões são parte fundamental desse processo. O país
precisa, com urgência, retomar seu crescimento e, ao mesmo tempo, superar o
quadro de desigualdade e exclusão social. Para isso, é imprescindível criar um
grande número de novos empregos. Só assim será possível constituir um amplo
e vigoroso mercado consumidor, base essencial para uma economia saudável.
Para avançar nesse sentido, é necessário fortalecer as micro e pequenas
empresas (MPE),que no Brasil representam 98% dos empreendimentos registra-
dos na indústria, comércio e serviços, concentram 45% dos empregos formais
do país1 e são o segmento com maior capacidade de geração de postos de tra-
balho. Ou seja, a ampliação do mercado consumidor depende do fortalecimen-
to das MPE, o qual é determinado também pelas ações das grandes empresas,
que respondem pela viabilização de milhares de pequenos negócios.
Reconhecer essa interdependência é o ponto de partida para o aprimo-
ramento das relações entre grandes e pequenas empresas, com vantagens para
ambos os lados, como a redução de riscos e de custos, e com ganhos para a eco-
nomia, fortalecendo a competitividade das cadeias produtivas e sua sustentabi-
lidade a médio e longo prazos.
O leque de interações é bastante variado: micro e pequenos fornecedo-
res e grandes empresas compradoras;grandes fornecedores e micro e pequenas
compradoras; grandes empresas e seus micro e pequenos representantes co-
merciais; micro e pequenas assistências técnicas e seus grandes clientes; gran-
des empresas fornecedoras e micro e pequenas ligadas à sua cadeia produtiva, 1
Fontes: Cempre/IBGE,
estratégicas para ampliação de mercado. Dieese e Sebrae.

9
Diante de situações tão distintas, não cabe impor modelos ou regras,
mas indicar um caminho de construção conjunta, que resulte num padrão de
relacionamento capaz de gerar benefícios para todas as partes envolvidas. Isso
vai exigir disposição mútua, trabalho sobre os diferentes aspectos da relação e
cuidado para haver uma distribuição eqüitativa de responsabilidades que con-
sidere as diferentes capacidades dos parceiros.
Por outro lado, o segmento empresarial pode adotar iniciativas junto
aos governos e à sociedade a fim de conquistar novas regras e condições eco-
nômicas que permitam o ingresso na economia formal dos milhões de micro-
empreendimentos que hoje sobrevivem na informalidade, em condições precá-
rias. Esse movimento poderá trazer rápidas mudanças na economia, elevando o
PIB, aumentando a receita dos governos, distribuindo renda e gerando um cír-
culo virtuoso capaz de transformar o Brasil num país menos desigual e mais
justo. Não por acaso, a Constituição Federal prevê um tratamento diferenciado
para micro e pequenas empresas, por considerar seu papel essencial na redu-
ção das desigualdades regionais e sociais e na busca do pleno emprego.
Essa perspectiva de desenvolvimento sustentável e inclusivo é meta do
movimento de responsabilidade social empresarial. Para alcançá-la, são impres-
cindíveis mudanças que extrapolem as políticas macroeconômicas.O relaciona-
mento entre as grandes corporações e os pequenos empreendimentos precisa
ser avaliado e transformado.
No âmbito particular, as relações de uma grande empresa com um
pequeno fornecedor ou cliente são sempre desiguais. Se elas não estiverem
baseadas em valores de responsabilidade social empresarial, o poder econômi-
co da grande empresa pode impor à pequena uma condição de subordinação e
instabilidade, ou mesmo inviabilizar sua atividade. Assim, cabe às grandes orga-
nizações empresariais assumir a co-responsabilidade pelo sucesso das micro e
pequenas empresas com as quais se relacionam. Muitos avanços podem ser
conseguidos com medidas que, embora simples, exigem mudança de mentali-
dade e alterações nas práticas tradicionais.

10
Cabe às MPE o desafio de negociar novas condições com seus grandes
parceiros, oferecer contrapartidas e cumprir as metas estabelecidas. O compro-
misso da pequena empresa com os princípios da responsabilidade social pode
torná-la irradiadora dos novos valores. Mas é preciso cuidar para que as grandes
empresas não queiram impor a responsabilidade social às pequenas. Até por-
que o caminho que esse movimento propõe é transformar as relações de domi-
nação em relações de parceria.
Alcançar um elevado padrão de relacionamento entre as grandes
empresas e as MPE é fator fundamental para produzir uma nova configuração
de mercado. A adesão de novas pequenas empresas ao movimento de respon-
sabilidade social empresarial deve servir de impulso a esse processo.

11
O QUE ESTÁ
ACONTECENDO
As Grandes e Pequenas na Economia
O Estágio Atual das Relações
As Grandes e Pequenas Empresas na Economia

A economia contemporânea tem influenciado de modo decisivo a rela-


ção entre grandes e pequenas empresas. As cadeias produtivas solidárias estão
conquistando condições cada vez mais favoráveis para seus negócios. A espe-
cialização dos parceiros e o estreitamento dos laços reduzem custos e geram
sustentabilidade para o conjunto.
Entretanto, a efetivação desse processo requer disposição das empresas
para o aprofundamento das relações e ações de sustentação da base da cadeia,
na qual costumam se concentrar as MPE. Assim, é preciso entender que o rela-
cionamento entre grandes e pequenas empresas é uma via de duas mãos, e que
esse equilíbrio é fundamental para a sustentabilidade de ambos os lados.
A expansão dos pequenos negócios verificada nos últimos anos decor-
reu, em grande parte, da globalização. Esse fenômeno exigiu maior eficiência
das empresas, levando grandes corporações a terceirizar muitas atividades de
apoio e a concentrar-se em seu negócio principal. Os novos tempos requerem
empresas menores e com maior índice de produtividade, levando à dissemina-
ção de pequenos negócios. As MPE têm demonstrado que sua estrutura flexí-
vel lhes permite responder melhor a desafios que também resultaram da globa-
lização, como as sucessivas crises cambiais que afetaram a economia dos países
em desenvolvimento.
No Brasil, há muitos obstáculos a vencer para melhorar o relacionamen-
to entre grandes e pequenas empresas. Não raro, as MPE são levadas a aceitar
condições impostas pelas grandes, ainda que prejudiciais. Não é incomum que
relações assim terminem induzindo pequenos negócios à informalidade ou ao
fracasso.
A desigualdade típica da economia brasileira também se reflete na dife-
rença de oportunidades para grandes e pequenas empresas. A ampliação do
investimento produtivo e o surgimento de novos produtos e setores de ativida-

15
de econômica dependem em boa medida de decisões e iniciativas das grandes
corporações, as quais têm acesso a recursos financeiros em condições mais
favoráveis que as empresas de menor porte.

A Importância das Pequenas Empresas

Os pequenos negócios caracterizam-se, de modo geral, pela flexibilida-


de e capacidade de adaptar-se às necessidades dos grandes clientes. Fidelidade,
criatividade e agilidade nos processos de decisão e na elaboração de soluções
são algumas das virtudes que dão às MPE competitividade para obter sucesso
nas atuais condições de mercado.
Ao mesmo tempo,essas empresas costumam conviver com reduzida dis-
ponibilidade de capital,problemas de liquidez,dificuldades de crédito,baixa pro-
dutividade, acesso restrito a mercados e produção em pequena escala. Apesar
disso,os 4 milhões de MPE localizadas nas áreas urbanas constituem um segmen-
to econômico de grande dinamismo, respondendo por cerca de 20% do PIB bra-
sileiro e 12% de nossas exportações2. No campo, de acordo com o Ministério da
Agricultura, há 4,1 milhões de pequenos empreendimentos que têm por base a
agricultura familiar. Eles abrangem 21% da área cultivada e 80% da mão-de-obra
agrícola,respondendo por mais de 50% dos alimentos produzidos no país3. Além
das empresas formalmente constituídas, existem no Brasil, segundo estimativa
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,5 milhões de
empreendimentos informais, dos quais a maioria absoluta seria de MPE, com
aproximadamente 13 milhões de empregados sem registro. O aprimoramento
das relações dessas micro e pequenas empresas com as grandes corporações
pode resultar em sua expansão e consolidação, gerando condições para a inclu-
2
Fontes: Cempre/IBGE,
Dieese e Sebrae. são de milhões de brasileiros hoje apartados do mercado formal de trabalho e
3
Fonte: Pronaf (Programa dos direitos básicos de cidadania.
Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar),
Dados do Ministério do Trabalho mostram que, de 1995 a 2000, os em-
Ministério da Agricultura, 2002.
preendimentos de pequeno porte foram responsáveis pela criação de 96% dos

16
novos postos de trabalho em todo o país. Nesse mesmo período, o número de fir-
mas brasileiras aumentou em 477,4 mil,graças sobretudo aos pequenos empreen-
dimentos. Das unidades criadas, 96,36% eram microempresas, 3,4% eram peque-
nas, 0,2% eram médias e apenas 0,04% eram grandes. Atualmente, as MPE empre-
gam mais de 45% do total de trabalhadores com carteira assinada.
Micro e pequenas empresas têm sido um instrumento de mobilidade
social, embora nem sempre de ascensão. Nos últimos anos, muitas delas foram
abertas por trabalhadores que perderam seus empregos formais e resolveram
tentar a sorte como empresários. Em muitos casos, eles ganham menos com
seus negócios do que recebiam como empregados e pagam salários baixos aos
funcionários.
Um levantamento do IBGE nos setores de comércio e serviços mostrou
que, em 1998, as MPE formalmente constituídas empregavam 5,5 milhões de
pessoas (registradas ou não).Esse número aumentou para 7,3 milhões em 2001,
com a alta média anual de 9,7%. Enquanto isso, o número de postos de trabalho
nas médias e grandes empresas nos mesmos setores cresceu de 4,3 milhões, em
1998, para 4,7 milhões em 2001. Ou seja, apenas 2,9% ao ano.
De 1999 para 2000, o número de pequenas empresas com até cinco
funcionários cresceu 22,7% na área de comércio e 27,1% na de serviços, en-
quanto seu índice de mortalidade foi de 15,8% no comércio e 19% em serviços 4.
É mais um indício de que essas empresas vêm desenvolvendo capacidade para
responder aos desafios da economia globalizada. Entretanto, os índices de mor-
talidade das MPE em todos os setores da economia ainda são elevados. De acor-
do com o Sebrae, 39% delas deixam de existir durante seu primeiro ano de ati-
vidade. Para reduzir essas taxas, o Sebrae tem investido na capacitação dos
micro e pequenos negócios, a fim de elevar seu patamar gerencial e tecnológi-
co e consolidar sua sustentabilidade econômica.
Segundo o IBGE, quase metade das pequenas e microempresas de co-
mércio e serviços são familiares. Isso ajuda a entender por que 40% de seus pos-
4
Fonte: As Micro e
tos de trabalho são ocupados por não-assalariados. Pequenas Empresas
Comerciais e de Serviços
No leque heterogêneo das micro e pequenas empresas,convivem negó- no Brasil. Estudos &
Pesquisas — Informação
cios muito diferentes entre si no que diz respeito à organização, ao acesso a cré- Econômica. IBGE, 2001.

17
dito e a mercados, ao uso de tecnologia e à capacidade de sobrevivência. Há
desde negócios caseiros até empresas de alta tecnologia. De modo geral, as mi-
cro e pequenas empresas são mais sensíveis às crises econômicas.Fatores como
retração nas vendas, elevação dos juros e acirramento da concorrência podem
chegar até a inviabilizar a continuidade do negócio.
É comum os pequenos empresários identificarem os custos trabalhistas
como um entrave para seu bom desempenho. Entretanto, as condições de con-
corrência e as restrições ao crédito costumam ser obstáculos mais relevantes.
As micro e pequenas empresas em geral são muito penalizadas ao obter em-
préstimos, o que resulta em alto custo financeiro.

Tratamento Favorecido

A Constituição Federal, em seu capítulo sobre a ordem econômica e


financeira, prevê “tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no
País” (artigo 170, item IX). Após a definição dos princípios gerais da atividade
econômica, que incluem a redução das desigualdades regionais e sociais e a
busca do pleno emprego, o artigo 179 do texto constitucional determina:
“A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às micro-
empresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento
jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obriga-
ções administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela elimina-
ção ou redução destas por meio de lei”.
Em razão desse preceito, o setor foi beneficiado por diferentes leis,
durante a década de 1990. Entretanto, elas não tiveram continuidade e foram
tímidas em criar condições mais favoráveis para as atividades dos pequenos
negócios. Assim, sucederam-se o primeiro Estatuto da Microempresa, o Simples
(Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições) e o novo Esta-

18
tuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Medidas de tratamento
diferenciado para as MPE e iniciativas de simplificação nos âmbitos trabalhista
e administrativo-burocrático também podem ser importantes para a formaliza-
ção das empresas e de sua força de trabalho.

Estatuto das MPE

De acordo com o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno


Porte (Lei nº. 9.841, de 1999), é assegurado às micro e pequenas empresas “tra-
tamento jurídico diferenciado e simplificado nos campos administrativo, tribu-
tário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial”.
O tratamento jurídico favorecido visa criar condições para a constituição e o
funcionamento da pequena empresa, de modo a assegurar o fortalecimento de
sua participação no processo de desenvolvimento econômico e social.
Ao estabelecer o conceito de MPE, o estatuto fixa limites de faturamen-
to, os quais foram alterados pelo Decreto nº. 5.028, de 31 de março de 2004.
Assim, considera-se:

• Microempresa — a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que


tiver receita bruta anual igual ou inferior a 433.755,14 reais;
• Empresa de pequeno porte — a pessoa jurídica e a firma mercantil
individual que,não enquadrada como microempresa,tiver receita bruta
anual superior a 433.755,14 reais e igual ou inferior a 2.133.222 reais.

Já o Sebrae adota uma classificação baseada no porte da empresa e no


setor de atividade econômica a que ela pertence, conforme discriminado no
quadro a seguir. São considerados apenas os estabelecimentos formais, ou seja,
aqueles que possuem registro nos órgãos oficiais credenciados pelo Ministério
do Trabalho.

19
Classificação de Empresas pelo Número de Empregados

Na indústria: até 19 empregados


ME (Microempresa) No comércio ou serviço: até 9 empregados
Na agropecuária: de 10 a 50 hectares

Na indústria: de 20 a 99 empregados
PE (Pequena Empresa) No comércio ou serviço: de 10 a 49 empregados
Na agropecuária: de 51 a 100 hectares

Na indústria: de 100 a 499 empregados


MDE (Média Empresa)
No comércio ou serviço: de 50 a 249 empregados

Na indústria: acima de 499 empregados


GE (Grande Empresa)
No comércio ou serviço: mais de 249 empregados

Fonte: Sebrae Nacional.

20
Os Benefícios do Simples

Em vigor desde janeiro de 1997, o Simples (Sistema Integrado de Pagamento


de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) foi
instituído para reduzir a tributação das MPE e tentar tornar menos complexo o paga-
mento desses tributos.
O Simples melhorou significativamente a vida do segmento de micro e peque-
nas empresas, desburocratizando a papelada contábil e fiscal e trazendo ao mundo for-
mal um número expressivo de empresas e trabalhadores que atuavam fora dele.
Segundo levantamentos da área econômica do governo, uma das faces mais positivas
do Simples foi seu efeito no aumento das contratações e na legalização de empresas e
trabalhadores que operavam na informalidade.
A principal mudança introduzida pelo Simples foi o pagamento simplificado
e unificado dos seguintes impostos e contribuições: o Imposto de Renda Pessoa Jurídica
(IRPJ), o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social (Cofins), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o INSS
patronal e, conforme o caso, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O regime
tributário especial permite a aplicação de percentuais favorecidos e progressivos (entre
3% e 12,9%), incidentes sobre uma única base de cálculo — a receita bruta, desde que
não ultrapasse 1,2 milhão de reais por ano.
A inscrição no Simples dispensa a pessoa jurídica do pagamento das contri-
buições instituídas pela União, como as destinadas ao Sistema “S” (Sesc, Sesi, Senai,
Senac, Sebrae e congêneres), bem como as relativas ao salário-educação e à Contri-
buição Sindical Patronal.
Em alguns Estados e municípios que aderiram ao Simples, o sistema ainda
inclui o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre
Serviços (ISS). A reforma tributária que está sendo discutida no Congresso poderá criar
condições legais para a unificação do Simples nas três esferas de governo, em todo o
Brasil.
Pode optar pelo Simples toda pessoa jurídica enquadrada na condição de
microempresa ou de empresa de pequeno porte, desde que não pratique nenhuma das
atividades definidas como impeditivas e esteja em situação regular com a Fazenda
Nacional e o INSS.

21
Arranjo Produtivo Local (APL)

As grandes empresas precisam de fornecedores que prestem serviços ou


ofereçam produtos com qualidade,agilidade,baixo custo e,não raro,em grandes
quantidades.Têm, por isso, um evidente interesse em assegurar melhor qualida-
de aos produtos e confiabilidade nas entregas. Já as micro e pequenas empresas
costumam ser fragilizadas pela falta de escala, o que lhes acarreta custos unitá-
rios de produção e de distribuição muito superiores aos de empreendimentos
de maior porte.Uma forma de alavancar as micro e pequenas empresas tem sido
criar condições para que elas estabeleçam os chamados Arranjos Produtivos
Locais (APLs), ou Clusters, incentivando a organização de cadeias produtivas em
determinadas regiões, com forte concentração de micro e pequenas empresas.
A reunião de um conjunto de micro e pequenas empresas oferece gan-
hos de escala e visibilidade. Os APLs, cuja organização tem contado com o estí-
mulo de diferentes esferas de governo e sindicatos de empresas e de trabalha-
dores, permitem que micro e pequenas empresas de um mesmo setor superem
condições adversas, que muitas vezes impedem ou dificultam que elas se tor-
nem fornecedoras de grandes empresas. Os integrantes de um APL caracteri-
zam-se por apresentar especialização em algum tipo de produção e por manter
vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com
outros atores locais como governos, associações empresariais, agentes financei-
ros e instituições de ensino e pesquisa.
O Sebrae fornece ferramentas para o desenvolvimento dessas cadeias.
Um dos principais objetivos da entidade é criar condições para inserir empresas
de micro e pequeno porte em cadeias produtivas e promover a interação entre
empresas, instituições públicas e a sociedade local, usando o poder de compra
dessas instituições como indutor de crescimento. Para o Sebrae, os APLs promo-
vem a competitividade e a sustentabilidade dos micro e pequenos negócios,esti-
mulando processos locais de desenvolvimento. Com o aumento da competitivi-
dade, as micro e pequenas empresas podem se desenvolver e ampliar sua parti-
cipação no mercado, oferecendo melhores preços, produtos e serviços.

22
A viabilidade dos APLs está relacionada à vocação e à dinâmica do ter-
ritório em que o grupo de empresas está inserido e à capacidade das pequenas
empresas de se articularem com as grandes empresas ligadas à sua cadeia pro-
dutiva. Os arranjos devem buscar consolidar seu acesso aos mercados, manter
uma estrutura estável de organização, promover um ambiente de inclusão de
micro e pequenos negócios e distribuir riquezas por meio da cooperação entre
os atores do território.

Núcleos Setoriais

A criação de núcleos setoriais é outra forma utilizada para ajudar a equi-


librar as relações entre grandes e pequenas empresas. Os núcleos setoriais reú-
nem empresas que atuam num mesmo ramo de atividade. Ainda que concor-
rendo entre si na disputa pelo mercado, essas empresas buscam soluções con-
juntas para problemas comuns ao setor, quebrando o isolamento das micro e
pequenas. Isso proporciona condições de negociar melhor a aquisição de equi-
pamentos e matérias-primas, além de facilitar o acesso a inovações tecnológicas
e de mercado no mundo globalizado. Em geral, tais núcleos são criados dentro
das entidades empresariais, e sua formação se dá a partir da identificação de
deficiências e necessidades do setor, bem como de oportunidades de negócios.
O sucesso das micro e pequenas empresas nos mercados depende cada
vez mais do acesso a informações relativas aos nichos de mercado, oportunida-
des de negócios e tendências de consumo. Elas também precisam de um marke-
ting eficiente, que faça chegar aos clientes potenciais as informações sobre seus
produtos e serviços.No entanto,essas condições dificilmente são alcançadas por
micro e pequenas empresas que agem isoladamente, em vista de suas desvanta-
gens com relação às empresas de grande e médio porte. Para que elas possam se
organizar, é decisivo o apoio de empresas de maior porte, inclusive por meio das
entidades empresariais.

23
Acesso ao Crédito

Uma das dificuldades que fazem parte do cotidiano da maioria das


micro e pequenas empresas é a freqüente situação de aperto financeiro, por
falta de capital de giro e inexistência de canais de acesso ao crédito. As condi-
ções em que os microempreendimentos atuam dificultam também seu acesso
a novos clientes e mercados.
Um exemplo de saída para esse problema são as experiências de micro-
crédito voltado para pequenos empreendedores. Algumas delas, ainda de cará-
ter localizado, têm demonstrado a viabilidade dessas operações. Recente inicia-
tiva desenvolvida numa favela em São Paulo conseguiu, em apenas oito meses,
realizar operações de microcrédito para quase uma centena de microempreen-
dedores, com valor médio de 1.350 reais e taxa de inadimplência de apenas 2%,
muito menor que a média de mercado.
Os grandes bancos e empresas do sistema financeiro têm no crédito às
micro e pequenas empresas uma excelente oportunidade de exercer sua respon-
sabilidade social. O setor financeiro brasileiro, mesmo com as restrições eco-
nômicas dos últimos anos, tem alcançado excelente desempenho, proporcio-
nando à maioria de suas instituições uma altíssima rentabilidade.Por outro lado,
a grande capilaridade da rede bancária lhe permite atingir praticamente a tota-
lidade dos municípios do país, dando-lhe condições de atuar com eficácia nas
micro e pequenas empresas e nos empreendimentos de agricultura familiar.
Cabe aos grandes bancos adotar iniciativas voltadas para as pequenas
empresas, considerando não apenas sua grande potencialidade econômica, mas
também o papel que seu crescimento pode representar para a economia como
um todo. Por exemplo, a abertura de uma linha especial de financiamento, com
juros subsidiados, vinculada a um programa de inserção de micro e pequenas
empresas no mercado formal, pode ter uma grande repercussão social. Por
outro lado, essa medida pode representar para os bancos a construção de uma
carteira de clientes com grande capacidade de crescimento, que pode agregar
lucros e valores positivos à imagem da instituição.

24
As grandes empresas podem contribuir muito para minimizar essas difi-
culdades, começando por realizar os pagamentos a seus pequenos fornecedores
em prazos reduzidos e oferecendo condições favoráveis a seus pequenos clien-
tes. Podem também facilitar o acesso deles ao crédito, proporcionando adianta-
mentos e participando como parceira ou avalista em projetos de financiamento.

Políticas Públicas

Além de um regime fiscal e tributário próprio, as micro e pequenas


empresas necessitam do apoio de políticas públicas que visem dinamizar seus
negócios e evitar a concorrência predatória. Cabe aos empresários de pequeno
porte reivindicar essas políticas,inclusive a concessão de subsídios para pesqui-
sa e tecnologia, gestão, saúde e segurança no trabalho, compras governamen-
tais, comércio exterior e qualificação dos trabalhadores. Outro aspecto funda-
mental é o acesso diferenciado a recursos para investimentos. Para tanto, tem
sido proposta a criação de políticas de “crédito solidário”, por meio de coope-
rativas de crédito e instituições de microcrédito.
As pequenas empresas de base tecnológica são consideradas importan-
tes agentes de inovação. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (Fapesp) mantém o Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas
Empresas (Pipe), que já teve 261 projetos aprovados, em 54 municípios paulis-
tas, com investimentos de 48 milhões de reais.
Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Financiadora de
Estudos e Projetos (Finep) assinaram um protocolo para a formulação de um
programa visando o apoio ao desenvolvimento de micro e pequenas empresas
de base tecnológica.
A iniciativa busca tornar a economia brasileira mais competitiva no cenário
internacional, consolidando canais que transfiram para as pequenas empresas do

25
setor produtivo o conhecimento gerado em centros de pesquisa.Segundo o BNDES,
a linha de financiamento para o programa de incentivo às micro e pequenas empre-
sas de desenvolvimento de tecnologia pode disponibilizar recursos entre 500
milhões e 1 bilhão de reais, à medida que houver demanda.
Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia no setor industrial reve-
lou que, entre 1998 e 2000, 31,5% das empresas instaladas no Brasil implemen-
taram algum tipo de inovação, sendo 6,3% em produtos, 13,9% em processos e
11,3% em produtos e processos. A taxa de inovação, porém, é muito mais
expressiva nas empresas de grande porte e chega a 75,6% entre aquelas com
500 funcionários ou mais.Das maiores empresas,79,9% declararam realizar con-
tinuamente pesquisa e desenvolvimento, enquanto nas de menor porte esse
percentual é de apenas 27,8%. No setor industrial, 68% das grandes empresas
contratam pessoas em regime de exclusividade no setor de pesquisa e desen-
volvimento. Nas de menor porte, esse percentual é de apenas 16%.

26
O Estágio Atual das Relações

Na elaboração desta publicação, o Instituto Ethos realizou uma consul-


ta dirigida a grupos de grandes e de pequenas empresas, buscando obter algu-
mas indicações do estágio atual do relacionamento entre elas. No total, 46
empresas enviaram suas respostas, compondo um quadro que, em certos aspec-
tos, surpreende e mostra que muitos avanços ainda são necessários para apri-
morar o relacionamento entre empresas grandes e pequenas.
Entre as maiores empresas participantes da consulta, há diversos setores
representados:automotivo,financeiro,de alimentos,agribusiness,de comunicação,
de telefonia, da construção civil, de consultoria, eletroeletrônico, de produtos de
higiene,petroquímico,de saúde e siderúrgico. As micro e pequenas que responde-
ram atuam nos setores de alimentos,de assessoria ambiental,de comunicação e pro-
paganda, de confecção, de consultoria de gestão, de contabilidade, de desenhos
industriais, de informática, de telecomunicações, de turismo e de metalurgia.
O levantamento permitiu constatar que, das empresas de grande porte
consultadas, apenas 22% mantêm políticas de relacionamento articulando diver-
sas iniciativas voltadas especificamente para seus micro e pequenos fornecedores
e clientes. Embora várias empresas mantenham iniciativas isoladas, a maioria não
destina nenhum tratamento particular a esse segmento, e os cadastros de seus
fornecedores nem mesmo registram seu porte ou número de funcionários.
Os dados reforçam a importância de as grandes empresas incorporarem roti-
nas que lhes permitam conhecer melhor as micro e pequenas empresas com as quais
se relacionam. Assim,poderão ter acesso a informações como o número de funcio-
nários das empresas,as condições de trabalho que elas oferecem e o volume de ne-
gócios que realizam. Sem conhecer seus pequenos parceiros, as grandes empresas
não têm como desenvolver políticas e práticas preferenciais dirigidas a eles.
Apresentamos a seguir algumas das iniciativas e preocupações levanta-
das na consulta que fizemos às empresas sobre a qualificação do relacionamen-
to entre os grandes e pequenos empreendimentos.

27
O Valor dos Pequenos Parceiros

Embora a maioria das grandes empresas não ofereça um tratamento


específico para as MPE, boa parte delas considera muito importantes as contri-
buições dos pequenos parceiros para seus negócios. É o que indicam as respos-
tas à consulta. Diversas grandes empresas valorizam o fato de seus pequenos
parceiros lhes permitirem manter-se focadas em seu negócio principal, sem ter
de desviar recursos para áreas em que não têm especialização. Destacam tam-
bém que, muitas vezes, pequenas prestadoras de serviço repassam know-how
para áreas especializadas das grandes empresas.
Outro aspecto ressaltado foi a flexibilidade dos pequenos fornecedo-
res, que lhes possibilita customizar o atendimento e manter agilidade nas en-
tregas, mesmo nas situações em que os pedidos variam de volume e freqüên-
cia. Foi relatado que muitos deles conseguem responder com rapidez e eficiên-
cia diante da necessidade de fornecimentos especiais ou de emergência. O
padrão de qualidade de produtos e serviços oferecidos também é mencionado
pelas grandes empresas como um atributo importante de seus parceiros de
micro ou pequeno porte, assim como a maior facilidade nas negociações de
preço e nos processos de decisão. Foi citada ainda a atuação em mercados
regionais e locais.

Tratamento Diferenciado

Entre os casos de grandes corporações que dedicam tratamento espe-


cial a pequenas empresas, a consulta apontou o de uma rede de TV na qual o
crédito para as micro e pequenas agências e anunciantes de pequeno porte
pode ser aprovado, até determinado limite, pelo próprio profissional de vendas.
Também são oferecidas propostas comerciais com descontos diferenciados
para esses clientes. Já uma grande empresa da cadeia automotiva prevê em sua

28
política para pequenos clientes, que atuam como revendedores autorizados, a
concessão de melhores condições, maiores prazos de pagamentos e a oferta de
suporte comercial e técnico.
Os bancos, pela natureza de seu negócio, costumam saber quais entre
seus clientes são pequenas e microempresas. Mas só recentemente vêm ga-
nhando força iniciativas e produtos bancários específicos para MPE, como as
carteiras de microcrédito. Ao mesmo tempo, as agências bancárias geram inten-
so relacionamento com pequenos negócios localizados ao seu redor, mas nem
sempre há uma política do banco para orientá-las.
De todo modo, percebe-se pela consulta que há uma preocupação das
empresas maiores em manter relações de boa vizinhança com os pequenos
empreendimentos que fazem parte da comunidade em que elas estão presen-
tes. Mas ainda há o que caminhar para chegar à consciência de que esse é um
espaço em que se pode desenvolver a responsabilidade social empresarial.

Regras Mais Favoráveis

A necessidade de mudanças na legislação para criar condições de viabi-


lidade e crescimento para os pequenos empreendimentos foi destacada por
algumas das grandes empresas consultadas. Em sua visão, o governo federal pre-
cisa promover alterações nas regulamentações de modo a facilitar o funciona-
mento das MPE,desonerando-as de boa parte dos custos administrativos e finan-
ceiros, em geral muito elevados para seu porte.
Essas empresas consideram que a adoção de uma política governamental
de estímulo às MPE retiraria da informalidade uma grande quantidade de negócios
irregulares, que hoje não têm margem suficiente para cumprir as exigências de
âmbito federal,estadual e municipal.Segundo uma delas,o papel que cabe às gran-
des empresas nessa questão é usar seu poder de influência, inclusive pela mobili-
zação de suas entidades empresariais, para ajudar o governo a agir nessa direção.

29
Critérios de Seleção e Contratação
Cerca de um terço das grandes empresas que responderam à consulta
utiliza critérios de responsabilidade social para contratar e avaliar fornecedores
de pequeno porte. As práticas nesse sentido são bastante variadas. Há empre-
sas que solicitam aos micro e pequenos fornecedores que subscrevam um códi-
go de ética. Há também aquelas que incluem nos contratos assinados com for-
necedores e clientes cláusulas em que o contratado se compromete a não utili-
zar mão-de-obra infantil, por exemplo.
Outras empresas avaliam se seus fornecedores, inclusive micro e peque-
nos,têm compromisso explícito com os valores da responsabilidade social. Algu-
mas estabelecem em sua política de contratação que, entre fornecedores que
ofereçam condições semelhantes de preço e qualidade, deve-se optar por aque-
les que apresentem ações voltadas para a responsabilidade social, como postura
ética, projetos ambientais e respeito aos direitos humanos e trabalhistas.

Transferência de Tecnologia e Capacitação

Quase metade das grandes empresas da amostra declarou manter ações


pontuais voltadas para transferência de tecnologia e capacitação da mão-de-
obra de fornecedores e clientes, entre os quais os de pequeno porte. Algumas
apóiam programas de desenvolvimento de fornecedores mantidos por suas en-
tidades setoriais.
Muitas vezes a incorporação de tecnologia por uma grande empresa re-
quer adequação tecnológica compatível de seus pequenos fornecedores. Algu-
mas grandes empresas consultadas relatam que,nessas situações,procuram incor-
porar ou negociar com eles os custos desse processo.Uma delas financiou a com-
pra de equipamentos de informática para todos os pequenos fornecedores.

30
Entre as grandes empresas consultadas, há exemplos de iniciativas de
capacitação gerencial de pequenos fornecedores visando a adoção de práticas
responsáveis de gestão. Há também casos em que o setor administrativo da
grande empresa dá assessoria para a montagem de planilhas de custos e consul-
toria técnica para a aquisição de materiais e equipamentos.

Verificação das Condições de Trabalho

Os resultados da consulta mostram que é relativamente baixo (29%) o


percentual de grandes empresas que verificam se os empregados dos micro e
pequenos fornecedores que atuam como terceirizados em suas dependências
recebem benefícios e condições de trabalho semelhantes aos de seus próprios
funcionários. Algumas acompanham periodicamente a situação de seus peque-
nos fornecedores na Receita Federal e verificam o recolhimento do FGTS.
Uma das grandes empresas consultadas descreveu a iniciativa que
tomou no sentido de equiparar as condições de trabalho dos terceirizados às de
seus funcionários. Ao verificar o alto índice de analfabetismo entre os empre-
gados de seus fornecedores, a empresa desenvolveu um programa de alfabeti-
zação que beneficiou todos eles.

A Percepção das Micro e Pequenas Empresas

Na opinião das MPE consultadas, as exigências dos clientes de grande


porte ainda se concentram no preço e na qualidade dos produtos e serviços
oferecidos. Mas é possível identificar uma progressiva valorização de aspectos
ligados à confiança e à sustentabilidade das parcerias.

31
Há avanços também em termos de transparência. A maioria (70%) das
pequenas empresas que participaram da consulta declarou que os critérios de
seleção e avaliação de parceiros têm sido previamente explicitados pelas gran-
des empresas.

Relação Saudável e Equilibrada

A consulta feita às pequenas empresas revelou que pelo menos parte


delas ainda se sente subordinada à lei do mais forte em suas relações com algu-
mas grandes empresas e acha que esses parceiros são muito exigentes e muito
infiéis. Dizem também que eles não cumprem o que exigem dos pequenos for-
necedores ou clientes. A imposição de sucessivas reduções de custo ou da mar-
gem de lucro, segundo os relatos, dificulta muito as condições de sustentabili-
dade dos pequenos negócios.
Nas respostas à consulta, há também relatos de tratamento discrimina-
tório por parte de funcionários de grandes empresas em relação a pequenos
empreendedores, emperrando negociações, retendo informações e, às vezes,
inviabilizando negócios. Em razão disso, sugere-se que as grandes empresas
informem os princípios de relacionamento socialmente responsável aos funcio-
nários que mantêm contato direto com as empresas de pequeno porte.
Segundo uma pequena empresa consultada, as grandes podem cuidar
melhor da relação com seus pequenos parceiros, começando por assegurar os
pagamentos em prazos favoráveis, e que sejam respeitados. A empresa relata
que, se um grande cliente seu não cumpre o prazo de um pagamento, ela pode
se tornar inadimplente com seus próprios fornecedores, arcando com o desgas-
te e os prejuízos que essa situação acarreta.

32
O QUE PODE
SER FEITO
Indicadores de Responsabilidade Social e o
Relacionamento entre Grandes e Pequenas Empresas
Indicadores de Responsabilidade Social e o
Relacionamento entre Grandes e Pequenas Empresas

Para desenvolver um programa de melhoria do relacionamento, grandes


e pequenas empresas podem tomar os Indicadores Ethos de Responsabilidade
Social Empresarial como referência de soluções e avanços nesse sentido. Os
Indicadores Ethos são uma ferramenta de avaliação e planejamento da gestão
voltada para a responsabilidade social empresarial e podem oferecer um roteiro
de ações de aprimoramento dos negócios entre grandes e pequenas empresas.
São apresentadas a seguir algumas sugestões que podem ser incorpora-
das a esse relacionamento, segundo os temas Valores e Transparência, Público
Interno, Meio Ambiente, Fornecedores, Consumidores e Clientes, Comunidade
e Governo e Sociedade. A maioria das propostas sugeridas aplica-se, indistinta-
mente, a grandes e pequenas empresas. Outras são dirigidas diretamente às
grandes empresas, mas — por isso mesmo — interessam às MPE, pois também
é seu papel buscar (e, às vezes, exigir) que seus grandes parceiros valorizem o
relacionamento.

35
Valores e Transparência

Explicitar os valores e princípios éticos


É importante que grandes e pequenas empresas explicitem, em seu
relacionamento, os valores e princípios éticos que orientam suas ações e for-
mam a base de sua cultura organizacional. Os contratos devem expressar a
busca de uma relação equilibrada e transparente, que traga benefícios para
ambas as partes. Também podem estabelecer cláusulas de responsabilidade
social empresarial nas quais esteja explícito o compromisso com a geração de
impactos sociais e ambientais positivos e com o cumprimento das leis.

Comprometer a direção
Nas grandes empresas, a implantação de políticas de fortalecimento de
pequenos fornecedores e clientes deve ser um compromisso assumido por sua
direção. Mais do que isso, é necessário que essa postura seja entendida e disse-
minada por todo o quadro de funcionários, destacando-se sua preocupação
com aspectos sociais como a geração de empregos e a distribuição de renda.

Garantir diálogo e confiança


Manter o diálogo é imprescindível para diminuir as tensões que fre-
qüentemente se estabelecem no relacionamento entre grandes e pequenas
empresas. Desse modo, é possível transformar expectativas geradas pela falta de
informação e interlocução em metas a serem alcançadas, eliminando assim a
insegurança de ambas as partes. Compartilhar e negociar objetivos torna a par-
ceria sólida, baseada na confiança mútua, e fortalece o negócio.

36
Apresentar o planejamento estratégico
Para a grande empresa, prestar contas de suas atividades, estratégias de
gestão, metas atingidas, dificuldades e problemas enfrentados impacta benefica-
mente seu relacionamento com todos os públicos e fortalece sua governança
interna. Na relação com pequenos fornecedores e clientes, é possível criar me-
canismos de participação desses parceiros em seu planejamento a partir de pro-
gramas específicos, dividindo-se com eles os riscos e benefícios de práticas
desenhadas conjuntamente.

Esclarecer os compromissos a serem cumpridos


A programação conjunta referente a ações, prazos e metas amplia a ca-
pacidade das pequenas e microempresas de cumprir os compromissos assumi-
dos com as grandes. Para que isso se viabilize, é preciso estabelecer — de co-
mum acordo — sistemas permanentes de avaliação e monitoramento dos pro-
cessos envolvidos, possibilitando identificar antecipadamente possíveis falhas.
Empresas de grande porte podem estimular, por meio de premiação, o bom
desempenho de seus parceiros.

Incentivar práticas socialmente responsáveis


As grandes empresas podem atuar como indutoras de práticas de res-
ponsabilidade social empresarial nas pequenas, e vice-versa. A partir de acor-
dos entre as partes, pode-se desenvolver programas visando a elaboração de
balanços sociais das empresas parceiras, a definição de regras éticas e transpa-
rentes de relacionamento com os concorrentes e a incorporação de outros gru-
pos interessados no relacionamento. Além disso, as grandes podem transferir
tecnologias de gestão e orientar seus micro e pequenos fornecedores a procu-
rar instituições como o Sebrae para desenvolver essas e outras técnicas.

37
Atuar conjuntamente em projetos comunitários
A parceria nos negócios pode abranger também a atuação conjunta em
projetos de responsabilidade social empresarial voltados para a comunidade, o
meio ambiente e organizações sociais. Muitas empresas têm sido convidadas
por outras com as quais se relacionam a participar de programas sociais, vincu-
lados ou não à sua atividade principal.

Público Interno

Envolver os funcionários na política de relacionamento


É imprescindível que todos os funcionários de grandes empresas que
realizam as relações comerciais com pequenos fornecedores e clientes partici-
pem da formulação de políticas voltadas para melhorar esse relacionamento.
Muitas vezes, é preciso mudar culturas arraigadas em áreas da empresa que tra-
dicionalmente atuam visando apenas objetivos próprios. Por isso, a preparação
e orientação das chefias envolvidas é fundamental.

Oferecer apoio e consultoria


É papel das grandes e médias empresas socialmente responsáveis vol-
tar-se para seus parceiros, principalmente os de pequeno porte, investindo em
seu desenvolvimento sustentável. Empresas bem assessoradas produzem mais e
melhor, e contribuem para o estabelecimento de uma relação ganha-ganha
entre os envolvidos. Assim, a grande empresa pode oferecer aos pequenos par-
ceiros serviços de apoio e orientação para o cumprimento dos critérios de con-
tratação exigidos por ela, em áreas como a contábil e a fiscal, por exemplo, ou
em segurança no trabalho e instalações sanitárias, utilizando para isso a expe-
riência de seus próprios funcionários.

38
Divulgar a política de relacionamento
A grande corporação que estabelece uma política de relacionamento
preferencial com micro e pequenas empresas deve divulgá-la por canais de
comunicação acessíveis e eficientes. Pode, por exemplo, noticiar nos veículos
de comunicação interna as atividades realizadas por seus pequenos parceiros
ou convidar os funcionários dessas empresas para os eventos que realiza.

Incluir o empreendedorismo na política de demissões


Outra prática socialmente responsável que a grande empresa pode
implementar é incorporar ao seu programa de demissões estímulo e orientação
aos demitidos para a formação de micro e pequenas empresas cujas atividades
estejam vinculadas à cadeia produtiva da organização. Dessa maneira, a redução
de pessoal pode significar menor número de desempregados. O estímulo à
constituição de micro e pequenas empresas pelos ex-funcionários deve ser
acompanhado da oferta de cursos promovidos pela própria organização ou por
instituições como o Sebrae e o Serviço Nacional da Indústria (Senai), capazes
de assessorar o candidato a pequeno empresário quanto aos requisitos para for-
malização da empresa, escolha do ramo de atividade e obtenção do capital ini-
cial e dos equipamentos necessários.

Meio Ambiente

Promover o descarte seguro


O planejamento elaborado conjuntamente por grandes empresas e
pequenos fornecedores deve promover o descarte seguro de resíduos.Todos os
esforços das empresas socialmente responsáveis devem ser despendidos para
minimizar os impactos negativos que suas atividades causam ao meio ambien-
te. Esses esforços devem estender-se também a todos os que atuam na cadeia
produtiva em que a empresa está inserida.
39
Estimular a reciclagem e o reuso de materiais
Programas de reciclagem de materiais e aproveitamento de sobras de
produção podem ser implementados de modo articulado entre grandes empre-
sas e seus pequenos parceiros. Pequenas empresas clientes podem ser envolvi-
das por seus grandes fornecedores em ações pedagógicas e na criação de pos-
tos de recolhimento de materiais.

Racionalizar o uso de insumos


Promover o uso racional de insumos, como energia elétrica, água
potável e matérias-primas, também faz parte da responsabilidade social e am-
biental. Atuações conjuntas entre grandes e pequenas empresas podem resul-
tar em campanhas de grande eficácia, tanto internamente quanto na comuni-
dade local.

Diversificar ações ambientais


Em muitas situações, medidas tomadas para promover a melhoria das
condições ambientais extrapolam os muros da empresa. Assim, podem desdo-
brar-se em parcerias para a criação de pequenos empreendimentos pela comu-
nidade na qual a empresa está inserida. Atividades como coleta seletiva de lixo,
reciclagem e reuso de materiais abrem oportunidades de negócio, disseminam
a educação ambiental e estimulam a organização da sociedade para evitar o des-
perdício e a degradação ambiental. Além de promover a inclusão social, essas
ações contribuem para a preservação do meio ambiente.

40
Fornecedores

Identificar e qualificar os micro e pequenos fornecedores


Muitas empresas de médio e grande porte mantêm uma política de aten-
dimento voltada para seus fornecedores. Poucas, no entanto, identificam quais
entre eles são micro e pequenos empreendimentos, quantos são, que atividades
desenvolvem e qual é o impacto de sua atuação nos resultados do negócio.

Manter um relacionamento diferenciado


É preciso atentar para as condições específicas dos pequenos fornece-
dores. Exigências contratuais corriqueiras para grandes empresas podem repre-
sentar um custo excessivo para as pequenas, e eventualmente até inviabilizar a
concretização de parcerias. Reduzir os prazos dos pagamentos e garantir sua
pontualidade, assim como adequar os prazos de entrega à capacidade dos for-
necedores, são medidas vitais para a saúde financeira dos pequenos empreen-
dimentos, tradicionalmente com baixo ou nenhum capital de giro.

Definir critérios de avaliação de fornecedores de pequeno porte


Os critérios para seleção e avaliação de pequenas e microempresas
devem ser específicos, adequados às suas condições e conhecidos por todas as
partes envolvidas. Critérios de responsabilidade social, como a proibição do tra-
balho infantil na cadeia produtiva e a adoção de padrões ambientais, além do
cumprimento da legislação trabalhista, previdenciária e fiscal, são exigências
mínimas que devem ser cumpridas por todas as empresas socialmente respon-
sáveis, independentemente de seu porte.

41
Orientar e dar apoio aos processos de adequação dos parceiros
Não basta, porém, que as grandes empresas exijam o cumprimento de
requisitos de responsabilidade social. Elas podem ir além, estimulando e orien-
tando os potenciais fornecedores a se adequar às exigências. Dar-lhes informa-
ções, esclarecer suas dúvidas e, principalmente, encaminhá-los a instituições
que ofereçam programas de apoio e de desenvolvimento, como o Sebrae, pode
ser decisivo para que micro e pequenos empreendimentos consigam creden-
ciar-se como socialmente responsáveis.

Oferecer prazos para adaptação a novas exigências


Em situações de mudança de diretrizes e exigências por parte das gran-
des empresas, é importante dar prazo para que os micro e pequenos empreen-
dimentos que já são parceiros possam adaptar-se às novas condições. Além
disso, é necessário dar suporte a essas MPE, assegurando seu desenvolvimento.

Estabelecer condições semelhantes para terceirizados


As grandes empresas devem assegurar-se de que seus fornecedores de
mão-de-obra terceirizada, especialmente as pequenas e microempresas, ofere-
cem a esses funcionários condições de saúde, segurança e benefícios, como ali-
mentação e transporte, equivalentes às que têm os funcionários regulares com
os quais eles convivem no ambiente de trabalho. A grande empresa pode, por
exemplo, negociar contratos de assistência médica que incluam planos para os
funcionários terceirizados.

42
Promover o desenvolvimento dos pequenos fornecedores
Uma grande empresa socialmente responsável deve investir em seus
micro e pequenos fornecedores,oferecendo atividades conjuntas de treinamen-
to e levando em conta, nas negociações que realiza com eles, os requisitos para
seu crescimento futuro.Também pode incentivar e facilitar o envolvimento des-
ses fornecedores em projetos sociais e ambientais.

Estimular a inclusão social e a diversidade


O desenvolvimento de programas internos de diversidade pelas gran-
des empresas pode servir de exemplo e influenciar a cultura de pequenos par-
ceiros. Elas podem também estabelecer parcerias com ONGs e empresas espe-
cializadas na inclusão de micro e pequenos fornecedores tradicionalmente
excluídos do mercado formal de trabalho. Essas organizações buscam identifi-
car empresas de pequeno porte pertencentes a afro-descendentes, a pessoas
com deficiência ou constituídas por populações indígenas, promovendo sua
qualificação e viabilizando sua inclusão econômica por meio da realização de
contratos com outras empresas.

Consumidores e Clientes

Comportar-se de forma ética nas negociações com clientes


Dependendo de seu ramo de atuação, grandes empresas têm nos peque-
nos empreendimentos uma parcela importante de seus principais compradores.
É o caso dos fabricantes de produtos alimentícios, cigarros e bebidas, que distri-
buem seus produtos em bares,mercearias e padarias.Em muitas situações,entre-
tanto, esses pequenos clientes sofrem a pressão do poder econômico dos fabri-

43
cantes ou distribuidores,a exemplo da “venda casada”,da cota mínima para aqui-
sição de produtos e de condições rígidas de pagamento. Um relacionamento
empresarial socialmente responsável deve incorporar condições de fornecimen-
to justas que promovam a sustentabilidade dos pequenos clientes.

Manter canais de comunicação abertos


Pequenos clientes e fornecedores de grandes empresas devem ter seu
acesso a elas facilitado por canais eficientes de comunicação.Também lhes deve
ser oferecida a possibilidade expressa de recorrerem a instâncias hierarquica-
mente superiores em caso de impasse ou conflito. Essa pode ser uma forma
importante de assegurar aos micro e pequenos clientes o encaminhamento de
reclamações, sugestões e denúncias. A comunicação entre grandes e pequenas
empresas deve ter como objetivo criar uma cultura de responsabilidade e trans-
parência no relacionamento.

Comunidade

Minimizar os impactos negativos da instalação da empresa


Ao instalar-se numa determinada região, as grandes empresas afetam o
meio ambiente e toda a rede de negócios ali estabelecida. É importante que
essas organizações realizem estudos prévios e tomem medidas que permitam
minimizar os impactos negativos causados,preocupando-se especialmente com
os micro e pequenos negócios existentes.Nesse processo,é comum que peque-
nas empresas sejam expulsas ou tenham seus negócios inviabilizados.
Implementar política de apoio e suporte a esses empreendimentos pode fazer
a diferença e permitir a adequação e sustentabilidade dos que já estavam insta-
lados no local.

44
Apoiar os pequenos negócios do entorno
As pequenas e microempresas de determinado local muitas vezes dão
suporte às atividades de uma grande empresa ali instalada. É o caso, por exem-
plo, de restaurantes, lanchonetes e padarias que servem refeições para os fun-
cionários dessa empresa. Para esses pequenos estabelecimentos, ela poderia
contratar um nutricionista para ajudar a elaborar cardápios balanceados e for-
necer orientações de segurança alimentar. Pequenas compras de materiais e
suprimentos também poderiam ser dirigidas a esses fornecedores.

Realizar pesquisas para identificar as demandas locais


As grandes empresas socialmente responsáveis devem estar atentas às
demandas da comunidade em que estão inseridas. Elas podem patrocinar levan-
tamentos no entorno para identificar aquelas que possam ser atendidas por
pequenos negócios já existentes. Empreendimentos como lanchonetes, restau-
rantes, padarias, farmácias e papelarias podem suprir necessidades tanto da
empresa quanto de toda a comunidade.

Incentivar novos negócios


Também para atender às demandas da comunidade, a empresa pode
incentivar a criação de pequenos estabelecimentos, utilizando a própria mão-
de-obra disponível no local e apoiando seu treinamento. Outra alternativa é par-
ticipar da vida associativa da comunidade realizando projetos sociais e de apoio
a políticas públicas, em parceria com pequenas empresas locais.

45
Estimular o trabalho voluntário
Os convênios estabelecidos entre grandes e pequenas empresas podem
incluir também o estímulo ao trabalho voluntário. A atuação conjunta de fun-
cionários de empresas parceiras na comunidade pode potencializar projetos
comunitários de apoio a educação, primeiro emprego, cuidados com o meio
ambiente, treinamento e capacitação profissional, inclusão digital etc.

Governo e Sociedade

Manter-se dentro da conformidade legal


As relações entre grandes e pequenas empresas devem ter como prin-
cípio ético o cumprimento das obrigações legais por ambas as partes. Recolher
impostos e tributos, registrar seus funcionários e não se envolver em negocia-
ções fraudulentas são comportamentos exigidos de todas as empresas,indepen-
dentemente de seu tamanho ou atividade, devendo existir espaço para o deba-
te de situações que requeiram medidas corretivas.

Rejeitar práticas de corrupção e propina


O combate à corrupção deve constar como princípio básico em qual-
quer relacionamento empresarial. Manter a proibição de favorecimento a agen-
tes do poder público, divulgando essa prática interna e externamente nas em-
presas com as quais se relacionam, é fundamental no posicionamento ético e
transparente das empresas socialmente responsáveis. O pagamento de comis-
sões deve ser orientado por políticas claras, que explicitem previamente os va-
lores e as condições em que ele deve ocorrer.

46
O QUE ESTÁ
SENDO FEITO
Métodos e Instrumentos
Iniciativas de Aprimoramento das Relações
E ste capítulo trata de temas específicos relativos a iniciativas que trazem
impactos importantes no relacionamento entre grandes e pequenas
empresas. Mesmo para organizações em que as ações aqui relatadas
não sejam aplicáveis, sua análise proporciona uma reflexão sobre a maneira
como diferentes aspectos da gestão trazem conseqüências para o tipo de rela-
cionamento abordado nesta publicação.

49
Métodos e Instrumentos

Certificação
A ampliação em nível mundial do movimento de responsabilidade
social empresarial tem sido acompanhada pela ação de consumidores, de inves-
tidores, de clientes e da mídia. Em muitas situações, esse conjunto de atores
vem se mobilizando para obter das corporações multinacionais o compromis-
so de observância dos princípios éticos fundamentais em toda a cadeia produ-
tiva, sobretudo no que diz respeito aos direitos humanos dos trabalhadores.
Esse processo tem levado à criação de normas e padrões internacionais, volta-
dos para aspectos essenciais do comportamento das empresas,como as normas
ISO, a SA8000 e o padrão AA1000.
A adesão de grandes corporações a processos de certificação tem gera-
do importante espraiamento dos valores e práticas socialmente responsáveis.
Entretanto,sua adequação às normas de certificação acaba produzindo impactos
em sua relação com pequenas empresas, especialmente nos aspectos relativos
ao monitoramento das cadeias produtivas e de todos os parceiros envolvidos.
Ao implantar tais normas, a grande empresa deve ter o cuidado de evi-
tar que seu processo de certificação se torne mera imposição de exigências
para as pequenas empresas com as quais ela se relaciona. Para isso, é necessá-
rio desenvolver um processo conjunto de implementação de práticas social-
mente responsáveis.
A SA8000 é o primeiro padrão internacional de certificação social que
procura garantir melhores condições de trabalho. Evoca os principais direitos
trabalhistas e certifica seu cumprimento em toda a cadeia produtiva de que a
empresa participa, por meio de auditores independentes. Baseia-se nas normas
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração Universal dos
Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança. O selo de
certificação tem validade por um ano, e para renová-lo é necessário passar por
auditorias semestrais.

50
A AA1000 (AccountAbility 1000) não é uma norma de certificação, mas
um padrão de responsabilidade social empresarial que busca promover a imple-
mentação de sistemas de gestão éticos e transparentes por meio de uma apren-
dizagem contínua, envolvendo as partes interessadas em todas as etapas.

51
SA8000

Desenvolvida pela Social Accountability International (SAI), organiza-


ção governamental com sede em Nova York, nos Estados Unidos, a SA8000
(Social Accountability 8000) é uma norma internacional que busca garantir os
direitos básicos dos trabalhadores.
A elaboração do padrão SA8000, finalizado em 1997, foi impulsionada
por denúncias de utilização de mão-de-obra infantil e escrava na indústria chi-
nesa de brinquedos, principal fornecedora das redes americanas de varejo. A
norma trata de questões como mão-de-obra infantil, segurança e saúde do tra-
balhador, liberdade de associação, discriminação, remuneração e horas extras,
além de estabelecer critérios éticos balizadores das ações e relações da empre-
sa com os públicos com os quais interage — funcionários, consumidores, forne-
cedores e a comunidade. Seu objetivo final é influenciar a efetivação desses
valores em todos os elos dessa cadeia.
A SA8000 é estruturada em moldes similares à ISO 9000 (Sistema de
Gestão da Qualidade) e à ISO 14000 (Sistema de Gestão Ambiental). A seme-
lhança facilita sua implementação por empresas que já conhecem os outros sis-
temas. A norma é considerada uma importante referência para um tipo de con-
sumidor cada vez mais freqüente nos principais mercados do mundo, que faz
questão de saber como o artigo ou serviço que está adquirindo foi produzido,
rejeitando aqueles que possam incorporar procedimentos contrários aos prin-
cípios de responsabilidade social.
Além de proteger a reputação das empresas e a integridade de suas mar-
cas, a SA8000 possibilita a expressão de seus valores éticos e de seu envolvimen-
to social nas relações com todos os parceiros. A norma exige que a empresa
cumpra as leis nacionais e outras que lhe sejam aplicáveis, inclusive os compro-
missos voluntariamente assumidos. No Brasil, em particular, deve-se dar especial

52
atenção às leis que compõem a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Além
disso, a empresa deve respeitar convenções e recomendações internacionais.
Por guiar-se pelas técnicas de auditoria preconizadas nas normas ISO, a
certificação com base na SA8000 considera fundamentais a implementação de
ações preventivas e corretivas, o incentivo à melhoria contínua e o foco na
documentação que comprove a eficácia desse sistema de gestão.

Principais pontos da SA8000

Trabalho infantil
É proibida a contratação de crianças menores de 15 anos ou abaixo da
idade mínima estabelecida pela legislação local (o que for mais restritivo). Se no
momento da certificação a empresa tiver funcionários abaixo da faixa etária
permitida, não poderá demiti-los, devendo, nesse caso, assegurar sua educação
e garantir que eles não serão submetidos a trabalhos danosos a sua saúde e
desenvolvimento. Somados, o horário de trabalho e de permanência na escola
e o tempo de transporte não poderão exceder 10 horas por dia.

Trabalho forçado
A empresa não deve, de forma alguma, estar envolvida ou apoiar a utili-
zação de trabalho forçado. Os trabalhadores não poderão ter seus documentos
retidos nem ser obrigados a fazer depósitos como condição para admissão.

Liberdade de associação e direito à negociação coletiva


Deve-se proteger o direito dos trabalhadores de formar sindicatos e afi-
liar-se a grupos organizados.

Discriminação
É proibida a discriminação baseada em cor, nacionalidade, religião, de-
ficiência física, gênero, orientação sexual ou afiliação a sindicato ou partido
político.

53
Horário de trabalho
A jornada normal deverá ser de 44 horas semanais. As horas extras
devem ser voluntárias e ter caráter temporário, não devendo exceder 12 horas
por semana.

Práticas disciplinares
A norma proíbe punição física,coerção e abuso verbal no uso da discipli-
na, bem como o pagamento de multas por não-cumprimento de metas. A empre-
sa também deve coibir comportamentos, gestos, linguagem e contato físico que
sejam ameaçadores, abusivos, exploratórios ou sexualmente coercitivos.

Segurança e saúde
A empresa deve proporcionar um ambiente de trabalho seguro e saudá-
vel, que inclua acesso a água potável, banheiros limpos, equipamentos de segu-
rança e treinamento para usá-los, incentivando medidas relativas à prevenção
de acidentes e de danos à saúde.

Comunicação
A política de responsabilidade social deve ser documentada, implemen-
tada e comunicada a todos os funcionários.

Sistema de gestão
A empresa deve estabelecer uma política de responsabilidade social e
procedimentos que permitam a contínua adequação da organização aos requisi-
tos da gestão social, monitorando e registrando a melhoria contínua do sistema.

54
AA1000

A norma AA1000 (Accountability 1000) é um padrão de responsabilidade


social empresarial lançado em 1999 pelo Institute of Social and Ethical
Accountability (Isea), organização não-governamental também conhecida apenas
por AccountAbility,com sede em Londres,no Reino Unido,que regula formalmen-
te o sistema e monitora o treinamento dos consultores em todo o mundo.
A empresa que adota a AA1000 se compromete a seguir um processo
contínuo de ciclos de atividades. Cada ciclo tem como principais passos a defi-
nição de valores, o desenvolvimento de metas de atuação ética e social e a ava-
liação e comunicação do desempenho organizacional em relação a essas metas.
Assim, esse padrão encaminha as organizações ao desenvolvimento sus-
tentável (ambiental, social e econômico) e constrói vantagens competitivas por
meio da projeção de uma postura de responsabilidade social.
O grande diferencial da AA1000 em relação a outros sistemas de gestão
é que ela propõe o envolvimento de todos os parceiros e partes impactadas. As
opiniões dos diversos segmentos devem integrar o processo, orientando a defi-
nição das metas organizacionais e de indicadores de resultados para avaliar
essas metas.
Esse processo de sistematização do envolvimento das partes interessa-
das legitima as práticas de responsabilidade social da empresa, tornando mais
confiáveis as informações levadas a público por ela.
A evolução progressiva do desempenho social da empresa ocorre quan-
do ela põe em prática os princípios da responsabilidade social corporativa,
incluindo e considerando em suas decisões estratégicas a visão e opinião de
todos os grupos envolvidos em suas atividades.
A norma AA1000 traz às organizações um sistema de gerenciamento da
responsabilidade social e ética. O resultado da implantação gera uma imagem
positiva e melhora o relacionamento da empresa com seus diferentes públicos.

55
Comércio Justo

É a expressão utilizada no Brasil para identificar o movimento interna-


cional chamado Fair Trade, que, além de justo, é um comércio ético e solidário,
baseado em princípios como a erradicação do trabalho infantil e do trabalho
escravo, a eliminação das discriminações relativas a raça, gênero e religião e a
preservação da saúde das pessoas e do meio ambiente.
Nas relações dentro das empresas, e entre elas, o Comércio Justo signifi-
ca a eliminação dos níveis de intermediação comercial especulativa, a garantia
de pagamento justo aos pequenos produtores, o respeito aos direitos trabalhis-
tas, às identidades históricas e às culturas locais e regionais, o estímulo ao surgi-
mento de formas associativas e cooperativadas, o apoio ao desenvolvimento de
ferramentas de conhecimento e de tomada de decisão e a garantia dos fluxos
multidirecionais de informações entre os atores envolvidos num determinado
processo. No mesmo sentido, a transparência na composição de preços para
quem consome é fator importante do Comércio Justo e contribui para a divul-
gação dos valores ligados à solidariedade e à cidadania.
Baseado numa forma de relacionamento empresarial que busca expan-
dir o acesso ao mercado para pequenos produtores, o Comércio Justo preconi-
za a eliminação de intermediários especulativos. Muito difundido na Europa e
nos Estados Unidos, tem hoje uma significativa participação na vida econômica
de vários países. É uma forma socialmente responsável de participar do desen-
volvimento da economia,pois não olha somente para a qualidade dos produtos,
mas também para a qualidade dos processos que os geraram.
Entre as principais características do Comércio Justo está a remunera-
ção justa para quem produz. A empresa que adota essas práticas se preocupa
com a saúde financeira de seus fornecedores e paga valores pelos produtos ou
serviços que garantam o desenvolvimento deles e de seus colaboradores. Há
grandes empresas que adotam prática inversa, utilizando sua estatura para pres-
sionar os fornecedores a cobrar por seus produtos preços que, de tão baixos,
não permitem a sobrevivência do negócio. O Comércio Justo inverte esse racio-

56
cínio, respeitando as margens de lucro relativas ao tamanho das empresas. Não
é preciso dizer que também os pequenos fornecedores precisam lucrar para
poder sobreviver e investir no aprimoramento de seu empreendimento. Ao
permitir que esses pequenos negócios se desenvolvam, a grande empresa que
contrata seus serviços está praticando o Comércio Justo e, ao mesmo tempo,
incentivando o desenvolvimento da economia nacional e dando exemplo para
que outras empresas façam o mesmo.
Há cada vez mais consumidores interessados em adquirir produtos de
empresas que, em seus negócios, estejam preocupadas com os pequenos
empreendimentos e com as empresas familiares. Esses consumidores vão bus-
car no Comércio Justo a garantia de que os processos de produção respeitam
os pequenos produtores e seus negócios, atores fundamentais para o desenvol-
vimento sustentado da economia.

Ouvidoria do Fornecedor

Várias empresas entendem que um bom relacionamento com os fornece-


dores é crucial para o andamento do negócio. Para facilitá-lo, decidiram contratar
um ouvidor de fornecedores, também chamado de “ombudsman”, função res-
ponsável por experiências muito bem-sucedidas no trato com os consumidores.
O ombudsman do fornecedor é o profissional que tem o poder de efe-
tivamente defender na empresa o pensamento de seus representados e garan-
tir mudanças na organização de forma a manter sua competitividade.
Com funções semelhantes às do ombudsman do consumidor, ele fun-
ciona como um canal aberto e independente entre os fornecedores e a direção
da empresa. Seu trabalho visa gerar mudanças de modo a melhorar esse relacio-
namento e a qualidade dos produtos e serviços prestados, objetivando a fideli-
zação da empresa.

57
Essas mudanças têm impacto nos dois pólos. Além de detectar proble-
mas e resolvê-los, o ombudsman faz recomendações no sentido de melhorar o
produto ou serviço fornecido ou alterar procedimentos da empresa em relação
aos fornecedores. A despeito do que pensam algumas empresas,as reclamações
dos fornecedores costumam ser um sinal de seu interesse em dar continuidade
à parceria.
O ombudsman tem como função acolher queixas e sugestões dos for-
necedores, sendo também um elemento facilitador para micro e pequenos
empreendedores no seu relacionamento com a empresa. Ele deve analisar cada
problema separadamente, levando em consideração o tamanho da empresa for-
necedora. As grandes empresas geralmente possuem mecanismos de defesa
contra eventuais problemas. Por isso, o papel principal do ombudsman é dar
voz aos micro e pequenos fornecedores, os quais podem ser o diferencial no
produto ou no serviço prestado pela empresa contratadora e,conseqüentemen-
te, um atrativo e fator de satisfação para os clientes.
A atuação do ombudsman deve ser orientada por princípios, que
podem ser reunidos em um código de ética. Alguns desses princípios são: agir
com transparência, integridade e respeito, estabelecendo um canal de comuni-
cação aberto, honesto e objetivo; reconhecer a diversidade de opiniões; facilitar
ao máximo o acesso do fornecedor à ouvidoria;e promover a reparação do erro
cometido contra seu representado.
Um trabalho bem realizado por um ombudsman dá credibilidade à
empresa.Com a experiência pioneira realizada pela rede de supermercados Pão
de Açúcar, o ombudsman do fornecedor ganhou força no país.

58
Franquias

O sistema de franquias consiste na cessão do uso do direito da marca


do franqueador ao franqueado,associado ao direito de distribuição exclusiva ou
semi-exclusiva de produtos ou serviços, mediante remuneração direta ou indi-
reta. Eventualmente, o franqueador cede também o direito de uso da tecnologia
de implantação e administração de negócios por ele desenvolvida.
Hoje, operam no Brasil cerca de 56 mil franquias de 650 diferentes mar-
cas. Ao contrário do que se imagina, 90% desse total são iniciativas nacionais.
Com esse desempenho, o Brasil consolida sua posição mundial e se mantém
como terceiro do mundo em número de franquias, ficando atrás apenas dos
Estados Unidos e do Japão. Apesar de não existirem pesquisas recentes sobre o
perfil dos franqueados, é possível afirmar que a quase totalidade deles são
micro e pequenas empresas.
Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o sistema apre-
sentou em 2002 um crescimento de 12% em relação ao ano anterior, taxa con-
siderada excepcional no contexto atual da economia brasileira,tendo movimen-
tado cerca de 28 bilhões de reais. De 2000 para 2001, esse crescimento foi de
7%, maior que o do PIB nacional. O franchising já é responsável por cerca de
350 mil empregos em todo o país. De acordo com a ABF, os principais fatores
que impulsionam esse crescimento são: a cultura empreendedora do povo bra-
sileiro; a crise econômica e o desemprego, que têm estimulado profissionais a
optar por investir seus recursos num negócio próprio; e a falta de crédito e de
financiamento para o empresário, que torna a franquia a melhor opção para
quem deseja expandir seu negócio mas não tem fôlego financeiro suficiente
para fazê-lo sozinho.
No sistema de franquia, o sucesso da pequena empresa é diretamente
proporcional à sustentabilidade do grande negócio. É uma relação de depen-
dência mútua: para o franqueado, é fundamental contar com uma rede forte,
que lhe dê o apoio necessário para que ele desenvolva seu empreendimento; já
o franqueador sabe que é preciso ajudar o franqueado, dar treinamento e asses-

59
soria para que o negócio prospere e ajude sua rede de franchising a crescer.
Não há nada pior para um franqueador do que ter uma das lojas franqueadas
encerrando suas atividades.
Segundo os princípios da ABF, a ética e a transparência devem reger as
relações entre franqueados e franqueadores. A confiança mútua é valorizada co-
mo forma de assegurar que as informações relevantes para os negócios sejam
compartilhadas e discutidas por ambas as partes. A clareza de que sem trans-
parência é impossível sustentar o crescimento das redes e dos franqueados faz
do código de ética e do código de auto-regulamentação da entidade um dos
principais instrumentos para garantir o sucesso dos negócios.
Entre outras obrigações, os códigos propõem que o franqueador forne-
ça aos franqueados toda a informação e apoio necessários para o funcionamen-
to e desenvolvimento do negócio objeto da franquia, como treinamentos e aper-
feiçoamentos tecnológicos.Deve também manter comunicação eficiente com os
franqueados, promovendo discussões e intercâmbio de idéias para melhorar a
capacidade produtiva da rede. As obrigações do franqueado incluem fornecer
ao franqueador todos os dados referentes ao negócio franqueado que possibili-
tem um controle eficaz do desenvolvimento da rede. Ao franqueado cabe tam-
bém cumprir rigorosamente as normas e procedimentos definidos pelo fran-
queador com relação à operação da franquia e utilização da marca, e assegurar
que seus sócios, funcionários, auxiliares ou prepostos sejam capacitados para as
atividades que exercerão, tanto durante quanto após o treinamento oferecido
pelo franqueador.Uma comissão de ética da ABF,de caráter consultivo,tem a fun-
ção de se pronunciar não só nas questões de ordem ética como também sobre
práticas comerciais que envolvam franqueadores e franqueados.
O Selo de Qualidade é um dos serviços mais importantes prestados pela
ABF. Tem como principal objetivo incentivar a prática correta do franchising
no Brasil, de acordo com os preceitos básicos que regem o sistema. O selo é
uma das maneiras mais efetivas de avaliar a qualidade do apoio oferecido pela
rede a seus franqueados. Para obtê-lo, a franquia deve preencher alguns requisi-
tos que comprovem sua capacidade de praticar o franchising obedecendo às
exigências do Código de Auto-Regulamentação da ABF.

60
Para o mercado em geral, adquirir produtos e serviços das empresas
possuidoras dessa chancela significa vincular-se a uma marca responsável,
idônea, séria, com credibilidade e transparência em seus negócios. Desde sua
instituição, o Selo de Qualidade ABF tem trazido maior profissionalismo ao
franchising brasileiro, elevando os patamares de ética e de boa conduta nas
relações entre franqueadores e franqueados.
Além das relações entre as partes envolvidas no sistema de franquias,
vale a pena ressaltar o potencial das redes de franchising na difusão das práti-
cas de responsabilidade social. A capilaridade das redes traz aos franqueadores
a possibilidade de proporcionar dimensão nacional a projetos e práticas que
visem o desenvolvimento econômico sustentável e o enfrentamento das desi-
gualdades sociais. Muitas ONGs que não têm estrutura nacional, por exemplo,
estabelecem parcerias com franqueadores, permitindo que diferentes ações
sociais e ambientais ganhem uma abrangência que dificilmente teriam sem o
apoio das redes. Afinal, são 56 mil franquias espalhadas por todo o país.

61
Iniciativas de Aprimoramento das Relações

Muitas empresas já incorporaram práticas de responsabilidade social no


relacionamento com seus clientes e fornecedores. Especificamente quando se
trata da relação entre grandes e pequenas empresas, observam-se resultados
que beneficiam a todos os envolvidos. As experiências relatadas a seguir apon-
tam várias possibilidades de aprimoramento dessas relações. Indicam, por exem-
plo, como as grandes empresas podem incentivar as pequenas a implementar
práticas socialmente responsáveis em sua gestão. Ou como as pequenas mos-
tram para seus grandes clientes e fornecedores que investir em seus parceiros
de menor porte é cuidar do desenvolvimento do próprio negócio. Assim, gran-
des e pequenas percebem que suas ações, quando somadas, potencializam os
respectivos empreendimentos e beneficiam toda a comunidade.

62
Apoio ao Desenvolvimento e Sustentabilidade de Parceiros

A Comgás, empresa distribuidora de gás A atuação responsável em todos os seg-


natural sediada em São Paulo (SP), mantém um mentos e a busca pelo desenvolvimento mútuo
programa de gestão de fornecedores que objetiva também se fizeram presentes no Programa de
ampliar a participação, habilitar e acompanhar o Demissão Voluntária, em 1999, quando a Comgás
desempenho de seus fornecedores, desenvolvendo ofereceu apoio aos optantes do programa que pre-
sua competitividade no mercado e garantindo tendiam administrar um negócio próprio, orien-
melhores preços e qualidade superior de materiais tando-os a aplicar lucrativamente o valor da inde-
ou serviços. nização. Foram realizadas consultorias indivi-
O trabalho é conduzido pela Diretoria duais para que cada participante decidido a abrir
Administrativa, que integra diferentes áreas da um microempreendimento tivesse as informações
empresa, para dar sustentabilidade a todo o pro- necessárias para o sucesso de sua iniciativa e com-
cesso.Além de bons fornecedores, esse acompanha- preendesse a realidade do mercado, suas exigên-
mento garante a continuidade dos negócios dos cias e oportunidades. Além disso, esses ex-empre-
parceiros da empresa. Em reuniões periódicas, pre- gados fizeram gratuitamente um curso de 80 ho-
vistas em contrato, discutem-se diversos aspectos ras ministrado pelo Senai sobre gestão e adminis-
da relação, garantindo transparência nas negocia- tração de micro e pequenas empresas.
ções e a busca de soluções satisfatórias para am-
bos os lados.
Para que os fornecedores aprimorem cons-
tantemente sua gestão, o departamento jurídico da
Comgás oferece palestras que os ajudam a admi-
nistrar melhor suas obrigações legais e a ter cons-
ciência da importância de mantê-las rigorosa-
mente em dia. A companhia sabe que sua susten-
tabilidade econômica depende também da susten-
tabilidade de seus fornecedores e parceiros.
A Comgás estimula o envolvimento de
COMGÁS – COMPANHIA DE GÁS
seus fornecedores em projetos sociais e ambien- DE SÃO PAULO
tais. Alguns deles participam do programa Apren- Paulo César Nunes de Souza,
diz Comgás, dando apoio material ou financeiro diretor administrativo
Tel.: (11) 3177-5000
e sendo reconhecidos como “Amigos do Aprendiz E-mail: cdutra@comgas.com.br ou
Comgás”. sbove@comgas.com.br
Site: www.comgas.com.br

63
Certificação SA8000

A De Nadai, localizada em Santo André fornecedores que não cumpriam integralmente os


(SP), é uma empresa que presta serviços no ramo direitos trabalhistas dos funcionários, empregavam
alimentício. Visando aprimorar a relação com os adolescentes ou tinham funcionários trabalhando
fornecedores e estimular seu envolvimento com com excesso de horas extras.
projetos ambientais e sociais, a empresa desenvol- Atualmente, para ser um fornecedor da
veu uma política de gestão baseada na certifica- De Nadai é preciso cumprir rígidas normas de
ção SA8000, norma internacional de conduta de higiene e qualidade, compatíveis com as emprega-
empresas que reconhece seu comprometimento das internamente na empresa. Ao receber merca-
com a responsabilidade social empresarial no dorias perecíveis, a empresa verifica as condições
trato com os funcionários (ver página 52). de embalagem, armazenamento e transporte dos
Entre as principais exigências da SA8000 produtos.Caso algum item esteja fora dos padrões,
estão a proibição de utilização de mão-de-obra in- a carga é devolvida.
fantil, a adoção de medidas de segurança e saúde A SA8000, assim como as normas ISO
do trabalhador, políticas de remuneração e liber- 9002 e ISO 14000, prevê que os funcionários da
dade de organização sindical. A De Nadai foi a pri- empresa certificada recebam todas as informações
meira empresa do ramo alimentício no mundo a necessárias para a compreensão do impacto de
receber a certificação SA8000, em janeiro de 2000. suas atividades na cadeia produtiva e, especial-
O processo desenvolvido pela empresa para mente, do seu papel como agente e objeto de uma
a obtenção do selo incluiu um trabalho de conscien- conduta com responsabilidade social. Para divul-
tização de seus fornecedores. Para isso, a De Nadai gar e disseminar os valores propostos pela SA8000
elaborou um manual sobre a norma, explicando a seu público interno, a De Nadai utilizou qua-
todos os requisitos a serem cumpridos para sua ade- dros de avisos e distribuiu material explicativo.
quação. Também solicitou a formalização do com-
prometimento de todos os fornecedores com as exi-
gências da certificação e verificou as dificuldades
encontradas por eles para enquadrar-se. A empresa
tomou então medidas para orientar e auxiliar os

DE NADAI
Maurício de Barros Vasconcelos, gerente
de Desenvolvimento e Formação
Tel.: (11) 4972-7220
E-mail: mauricio@denadai.com.br
Site: www.denadai.com.br

64
Cidadania e Inclusão Digital

A Agência Eletrônica (AE), pequena recebem cursos sobre conteúdos básicos de infor-
empresa de comunicação e marketing sediada em mática e acesso aos serviços públicos disponíveis
Brasília, especializou-se em prestar serviços para na rede. Podem também produzir e divulgar infor-
empresas com iniciativas voltadas para o terceiro mações sobre sua localidade e participar de ofici-
setor e desenvolve projetos de responsabilidade nas profissionalizantes e de capacitação. A
social em comunidades do Mato Grosso. Agência Eletrônica é proprietária da marca e do
Em 2002, a AE publicou a primeira edi- domínio do portal ComUnidade Brasil, que aten-
ção da Revista da Sociedade Digital (RSD), veículo de diariamente cerca de 120 pessoas por telecen-
impresso destinado à divulgação de projetos de e- tro, das quais 80% são crianças ou jovens.
cidadania e das iniciativas do Programa Governo Em março de 2003, a AE, em parceria
Eletrônico (e-Gov).Com base em parceria estabele- com a IBM, iniciou sua atuação no telecentro da
cida com o governo federal, ONGs e empresas, a AE Chapada dos Guimarães (MT), visando imple-
também lançou o projeto ComUnidade Brasil — mentar novas tecnologias ao sistema e aumentar
Internet para Todos, visando implantar telecentros o número de voluntários disponíveis para abor-
comunitários na Região Centro-Oeste, com meto- dar assuntos ligados ao tema cidadania com os
dologia própria de gestão. A empresa tem por fina- usuários da comunidade local.
lidade a promoção do uso das tecnologias de in- Além da IBM, o programa conta com a par-
formação e comunicação em favor da inclusão ceria de outras grandes empresas: a E-Consulting,
social e do desenvolvimento econômico e cultural. responsável pela criação e desenvolvimento do
O primeiro telecentro criado por iniciati- portal; a Intel, que doou os equipamentos de infor-
va da AE foi inaugurado, como projeto-piloto, em mática; a Caixa Econômica Federal, que remune-
outubro de 2002, na cidade de Santo Antônio de ra os monitores locais; a Microsoft, doadora das
Leverger (MT), com o objetivo de mobilizar a licenças de software; e a Brasil Telecom, provedora
sociedade civil e empresas privadas para a inclu- do link gratuito em banda larga e ADSL.
são digital das comunidades carentes. Os telecen-
tros são espaços públicos comunitários de acesso
às novas tecnologias da informação. Cada um
deles é equipado com dez computadores, um servi-
dor, impressora e scanner, à disposição de qual- AGÊNCIA ELETRÔNICA
quer cidadão que queira utilizá-los. Catherine Henry, diretora
Em cada localidade serão treinados moni- Tel.: (11) 5042-4622
E-mail: catherine.henry@agenciaeletronica.net
tores, preparados para auxiliar os usuários na Site: www.agenciaeletronica.net
conexão e navegação na Internet. Os moradores

65
Comércio Solidário

O Yázigi Internexus, instituição dedica- Yázigi Internexus, com a instalação de vitrines e


da ao ensino de idiomas há 51 anos, com 350 lojas, a promoção de bazares e o lançamento de
franquias e mais de 200 mil alunos matriculados, campanhas em prol das organizações e do envol-
desenvolve e incentiva em toda a sua rede a elabo- vimento de alunos e pais. O projeto já está sendo
ração e execução de projetos na área social. O pro- replicado também em Belém e em Porto Alegre.
jeto Ponto Solidário tem como objetivo a inclusão A empresa pretende instalar um Ponto
social e a divulgação e comercialização de traba- Solidário em cada escola da rede e está aberta a
lhos artesanais e artísticos de diferentes grupos e propostas para implantação em outras empresas
comunidades, contribuindo para o fortalecimento ou instituições, pois o Ponto Solidário não é exclu-
de ONGs e a ampliação de suas bases. sividade do Yázigi. Qualquer entidade que tenha
Inaugurado em fins de 2002, o Ponto um espaço próprio para comodato pode estabele-
Solidário possui atualmente duas unidades, uma cer um ponto. A idéia é ampliar a rede de tal mo-
na sede do Yázigi em São Paulo e outra em Vitória, do que o escoamento da produção gere sustentabi-
no Espírito Santo. Sem fins lucrativos, o projeto lidade para ONGs e comunidades carentes.
não onera os produtos com custos operacionais, já No Ponto Solidário, os consumidores po-
que os espaços são cedidos em comodato. Não há dem adquirir trabalhos desenvolvidos por 70 ONGs
custos com aluguel, água ou luz.O Ponto Solidário de todo o Brasil, entre as quais o Instituto de
é totalmente auto-sustentável, e ainda gera exce- Desenvolvimento das Tradições Indígenas (Ideti),
dente, que é aplicado no próprio projeto. a Cooperativa dos Catadores de Lixo (Coopamare),
O Yázigi opera com uma rede de fran- que oferece trabalhos feitos com material recicla-
queados que se estende por todo o país. A vanta- do, a Casa do Zezinho, que atende crianças e ado-
gem que uma rede de franquias tem ao adotar lescentes de baixa renda em São Paulo, e institui-
um projeto de responsabilidade social é a capilari- ções voltadas para moradores de rua, como a
dade do sistema, que permite desenvolver ações Associação Minha Rua Minha Casa, a Arte da Rua
em dimensão nacional. A meta do Yázigi é que e a Organização de Auxílio Fraterno, além de co-
nos próximos dois anos o Ponto Solidário se munidades indígenas. Na loja de São Paulo são
amplie para cerca de 40 locais, por meio da rede vendidas atualmente cerca de 250 peças por mês.

YÁZIGI INTERNEXUS
Paula Fish, coordenadora do Ponto Solidário
Tel.: (11) 3884-9600
E-mail: pontosolidario@yazigi.com
Site: www.pontosolidario.com.br

66
Erradicação do Trabalho Infantil

Localizada em Santa Cruz do Sul (RS), a Entre as ações desenvolvidas pela


Kannenberg é uma empresa voltada para a pro- Kannenberg estão o envio de orientadores para,
dução e comercialização de fumo em folha. A cul- durante as visitas técnicas, abordar e instruir os
tura do fumo caracteriza-se pela produção em produtores acerca do problema, a inclusão de
pequenas propriedades rurais por meio da agri- uma cláusula no contrato de parceria proibindo a
cultura familiar.Naquela região, 90% dos produto- utilização de mão-de-obra infantil na cultura do
res são descendentes de alemães e italianos, cuja fumo, o acompanhamento da freqüência escolar
tradição cultural leva os filhos dos camponeses a dos filhos de produtores e a distribuição anual de
colaborar desde pequenos nas atividades gerais 30 mil cadernos para estimular as crianças a estu-
da propriedade, confrontando diretamente a legis- dar. Além disso, a empresa utiliza o jornal que dis-
lação nacional e o Estatuto da Criança e do tribui aos produtores com assuntos técnicos relati-
Adolescente. vos à cultura do fumo para informar os resultados
Visando erradicar o trabalho infantil na do programa de erradicação do trabalho infantil
cultura do fumo, a Kannenberg e outras empresas e divulgar os eventos relacionados ao tema.
do setor decidiram criar, em 1998, o programa O No início, aproximadamente 30% dos for-
Futuro É Agora, uma iniciativa conjunta do Sin- necedores da Kannenberg empregavam mão-de-
dicato das Indústrias do Fumo (Sindifumo) e da obra infantil na cultura do fumo. Atualmente,
Associação dos Fumicultores Brasileiros (Afubra). 98,2% dos produtores não a utilizam. No plano
O programa foi alicerçado em três proje- comercial, alguns clientes nacionais e internacio-
tos desenvolvidos pelas empresas que atuam no nais que haviam se afastado por causa do traba-
setor: o projeto Protetor da Criança e da Terra, que lho infantil voltaram a comprar dos produtores da
visa retirar os menores de 16 anos do trabalho na região, beneficiando toda a cadeia produtiva.
produção de fumo e acompanhar a freqüência
escolar dos filhos dos produtores até que comple-
tem, no mínimo, o ensino fundamental; o projeto
Indústrias Parceiras da Escola, que, junto com o
poder público e organizações não-governamentais,
estabelece a realização de ações comunitárias de KANNENBERG
Sergio Moacir Lange, gerente de Qualidade;
ajuda às escolas localizadas nas regiões produto- Haroldo Gugelmim e Gilson A. Skolaude,
ras de fumo; e o projeto Criança Feliz É Criança gerentes de Produção
Tel.: (51) 3719-1090
que Estuda, que motiva a articulação e organiza- E-mails: slange@kannenberg.com.br;
ção da sociedade contra o trabalho de menores de hgugelmim@terra.com.br;
gskolaude@kannenberg.com.br
16 anos e em apoio à escola pública.

67
Fórum de Fornecedores

A Copesul, estabelecida no município de A edição 2003 reuniu executivos dos 174


Triunfo (RS), adota avançadas tecnologias de pro- principais fornecedores de todas as áreas. Obje-
dução petroquímica e de controle ambiental, vi- tivando aumentar a competitividade da cadeia
sando o desenvolvimento sustentável de seu negó- produtiva, os diretores da Copesul disponibiliza-
cio e do país. Certificada pela ISO 9002 e pela ISO ram o planejamento estratégico da empresa para
14001, busca continuamente avançar em seus pa- todos os presentes. Desse modo, os fornecedores pu-
drões de qualidade para atender às demandas dos deram ver os cenários para os próximos anos, as
clientes, manter-se competitiva no mercado inter- diretrizes que devem nortear os principais execu-
nacional, garantir a segurança operacional, a saú- tivos e os pontos fracos da cadeia.
de das pessoas e a proteção ao meio ambiente e Além disso, a empresa mantém diálogo per-
participar da vida da comunidade. manente com os parceiros, por meio dos gestores
A política da Copesul para segurança, de contratos, de colaboradores e do jornal Parceria,
saúde e meio ambiente tem como objetivo promo- distribuído quinzenalmente. A Copesul crê que a
ver o senso de responsabilidade individual e geren- transparência é fundamental para motivar os for-
cial em relação a esses temas, por meio da capaci- necedores a desempenhar melhor seu papel junto
tação de seus colaboradores e da sensibilização à empresa e que a redução dos custos e o aumen-
dos prestadores de serviços e fornecedores. to da produtividade estão relacionados ao bom
Para isso, a empresa criou há três anos o desempenho de todos os envolvidos na produção.
Fórum de Fornecedores da Copesul. Realizado na Em meados da década de 1990, a empresa
Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande reduziu a quantidade de fornecedores de 3 mil para
do Sul (Fiergs), o fórum trata de questões ligadas 580, optando pelos mais qualificados, em relação
a valores, competitividade e busca da excelência aos quais compensava investir numa parceria mais
empresarial em segurança, saúde e meio ambiente. estreita e a longo prazo. Na mesma época, seus exe-
As empresas parceiras que sobressaem pelo desem- cutivos iniciaram um trabalho com mais de 170
penho recebem o Destaque Copesul, cujo propósi- desses fornecedores, visando melhorar a performan-
to é incentivar práticas de responsabilidade social ce do processo produtivo. Mais do que apenas fazer
voltadas para seus públicos internos. exigências, a idéia era compartilhar com eles riscos
e benefícios de práticas desenhadas em conjunto. A
cada ano, os fornecedores que cumprem as metas
COPESUL
estabelecidas na parceria são recompensados: os
Sidnei Alves dos Anjos, analista de
Contratos que atingem mais de 90% das metas são premiados
Tel.: (51) 457-6119 com incentivos em dinheiro; os que ficam entre 50%
E-mail: sidneianjos@copesul.com.br
Site: www.copesul.com.br e 70% do esperado elaboram planos de ação conjun-
ta com a Copesul.

68
Incentivo a Novos Negócios

A Brasil Telecom, empresa de telecomu- dores, que estabelece objetivos, indicadores, metas
nicações sediada em Goiás, surgiu após a privati- e sistemáticas de avaliação e desenvolvimento.
zação do Sistema Telebrás. Como medida de rees- O Processo de Qualificação de Forne-
truturação organizacional, a empresa redesenhou cedores consiste da aplicação da Lista de Veri-
seu quadro funcional e realizou 4,7 mil demissões. ficação para Qualificação do Fornecedor, desen-
A medida resultou na criação do Programa Apoio volvida especificamente para cada tipo de empre-
Daqui, para auxiliar os funcionários demitidos a sa fornecedora. Por meio dessa lista, verifica-se se
se recolocar no mercado de trabalho. a empresa possui os requisitos técnicos e de quali-
O programa promoveu o que se chamou dade exigidos pela Brasil Telecom. A partir desse
de Oficinas de Reflexão, nas quais, com a ajuda de levantamento, gera-se o Plano de Ação, pelo qual
profissionais especializados, os funcionários demi- se procura adequar os processos do fornecedor aos
tidos puderam fazer um balanço de suas compe- requisitos estabelecidos pela empresa.
tências, refletir sobre suas habilidades e avaliar as Para cumprir esse objetivo, os funcionários
alternativas para o futuro. Os que possuíam talen- da Brasil Telecom efetuam treinamentos periódicos
to para negócios receberam apoio para criar mi- para os fornecedores, a fim de capacitar sua mão-de-
croempresas, por meio das parcerias que a Brasil obra e adequá-la aos requisitos exigidos. Esses trei-
Telecom realizou com o Banco do Brasil e com o namentos abrangem desde procedimentos técnicos e
Sebrae. operacionais até legislação e normas referentes a
Mais de 60% dos ex-funcionários (2.820) saúde, segurança e meio ambiente.
optaram por participar do programa. Desses, 281 Tendo em vista que a responsabilidade
montaram o próprio negócio e 265 passaram a social empresarial é item fundamental no desenvol-
trabalhar como autônomos. Embora 80% das pe- vimento de qualquer empresa, o comprometimento
quenas empresas brasileiras sejam extintas nos e envolvimento dos fornecedores em projetos sociais
primeiros três anos de vida, a expectativa da e ambientais é um dos pontos estimulados no
Brasil Telecom é de que todas as empresas criadas Processo de Qualificação e Acompanhamento de
com o incentivo do programa Apoio Daqui conti- Fornecedores da Brasil Telecom.
nuem ativas depois desse período, muitas delas
prestando serviços para a própria Brasil Telecom.
A Brasil Telecom também possui uma po-
lítica de relacionamento com seus fornecedores, BRASIL TELECOM
Eléu Magno Baccon, diretor adjunto de
em sua maioria pequenas e médias empresas.Essa Operações de Recursos Humanos
política inclui uma série de procedimentos chama- Tel.: (61) 415-8242
E-mail: fernanda.fischer@brasiltelecom.com.br
da Qualificação e Acompanhamento de Fornece- Site: www.brasiltelecom.com.br

69
Integração e Inclusão Social

O Integrare — Centro de Integração de lificação e credenciá-los para que possam fornecer


Negócios é uma organização não-governamental serviços e produtos para empresas devidamente esta-
que visa promover a interação das empresas mé- belecidas no mercado. Para ser uma EFI, a empresa
dias e grandes com micro e pequenos empresários deve estar legalmente constituída e ter como sócio
provenientes de grupos tradicionalmente excluí- proprietário ou majoritário uma ou mais pessoas
dos, como negros, pessoas com deficiência e descen- com deficiência, afro-descendentes ou indígenas.
dentes de índios, a fim de estimular o aumento da Em 2002, o Integrare intermediou vendas
competitividade e promover oportunidades de de 28 EFIs, no valor de 782 mil reais, referentes a
negócio em parceria. produtos (embalagens, confecções, equipamentos
O trabalho do Integrare é identificar, clas- elétricos e materiais de construção) e serviços (con-
sificar, desenvolver e regularizar a situação jurídi- sultoria em recursos humanos, contabilidade, in-
ca dessas empresas, denominadas Empresas Forne- formática e pesquisa). A meta até o final de 2003
cedoras da Integração (EFIs). As informações reco- era ampliar esse valor para 2 milhões de reais,
lhidas são armazenadas num banco de dados, que expandindo a base de EFIs em 50%.
é disponibilizado para empresas médias e grandes, Além de se beneficiar com a movimenta-
nacionais ou estrangeiras. A iniciativa atrai negó- ção financeira resultante das parcerias incentiva-
cios e parcerias de empresas e corporações compro- das pela ONG, as empresas que participam do pro-
metidas com a ética e o desenvolvimento sustentá- cesso fortalecem sua imagem corporativa frente
vel, e outras instituições que compartilham da mes- aos clientes, acionistas, funcionários, fornecedores,
ma visão e missão. órgãos governamentais, entidades regulatórias e a
Ao aproximar as EFIs de empresas e corpo- opinião pública em geral. A iniciativa colabora pa-
rações solidamente estabelecidas, o Integrare fomen- ra o desenvolvimento sustentável, auxilia micro e
ta negócios, garantindo a inclusão econômica dos pequenas empresas sem recorrer ao assistencialis-
grupos atendidos por meio de competitividade e mo ou paternalismo, alavanca a inclusão e inte-
competência, gerando riquezas e promovendo o de- gração social dos grupos tradicionalmente desfavo-
senvolvimento econômico e social. A estratégia uti- recidos e investe na economia do país.
lizada é identificar o maior número de empreende- O trabalho do Integrare é realizado em par-
dores em situação de exclusão, promover sua qua- ceria com a DuPont e com a IBM e recebe apoio das
ONGs National Minority Supplier Development
INTEGRARE Council (NMSDC) e Congressional Black Caucus
Silas Cezar da Silva, presidente executivo Foundation (CBCF), ambas sediadas nos Estados
Tel.: (11) 3141-2857/3262-2365
E-mail: silas.silva@integrare.org.br
Unidos, e da Câmara Americana de Comércio de São
Site: www.integrare.org.br Paulo (Amcham-SP), do Instituto Ethos e da
Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

70
Parceria com Fornecedores

O McDonald’s, maior empresa do ramo Envolver seus fornecedores em ações e pro-


alimentício do mundo, realiza há 15 anos o jetos sociais é uma das premissas do McDonald’s.
McDia Feliz, considerado a maior ação latino- Em setembro de 2002, a empresa enviou às presta-
americana em favor de instituições que lutam doras de serviço um questionário sobre responsabi-
contra o câncer infantil. A proposta é destinar o lidade social, no qual demandava de seus fornece-
dinheiro arrecadado com a venda dos sanduíches dores a participação em algum projeto social num
Big Mac naquele dia para entidades como o período de até três anos.
Instituto Nacional do Câncer (Inca). Por essa mesma época, todos os contratos
O McDia Feliz é uma iniciativa da empre- com novos fornecedores passaram a conter uma
sa em parceria com seus fornecedores, envolvendo cláusula de compromisso com os preceitos de res-
ações de voluntariado e a busca pela redução de ponsabilidade social. A rede não fecha parcerias
custos. Em 2002, por exemplo, o trabalho conjunto com empresas que não tiverem uma postura atuan-
com fornecedores de papel e papelão possibilitou a te na comunidade.
redução de até 70% no preço da embalagem, como Além de treinamento, o programa prevê a
forma de aumentar a margem de contribuição na realização de auditorias, tanto internas quanto
arrecadação final da campanha. E a empresa for- externas, para avaliação. Para as auditorias inter-
necedora da carne para os hambúrgueres reduziu nas, os próprios fornecedores devem designar os
o custo do produto em cerca de 40%. membros de sua equipe que irão fiscalizar o cum-
O dinheiro arrecadado no McDia Feliz primento do código. As auditorias externas serão
garante a sobrevivência de instituições que rece- realizadas por uma empresa especializada.O obje-
bem crianças e adolescentes com câncer infantil. tivo é dar a todos os fornecedores a chancela de
A ação permite, ainda, que se construam hospitais “Empresa Socialmente Responsável”. Os que não
e entidades especializadas em todo o país. realizarem os ajustes necessários no prazo apon-
O sucesso da iniciativa se deve às ações tado pelos auditores correm o risco de perder seus
conjuntas do Instituto Ronald McDonald com fun- contratos de fornecimento.
cionários, franqueados, parceiros, voluntários e for-
necedores.Em sua última edição, no dia 16 de agos-
to de 2003, foram levantados 7,032 milhões de reais
em favor de 64 entidades de todo Brasil.Desde 1988,
o McDia Feliz arrecadou 45 milhões de reais.O resul- MCDONALD’S
Flávia Vigio, gerente de Comunicação
tado social é marcante: o índice de cura do câncer Tel.: (11) 4196-9888
infanto-juvenil após o diagnóstico da doença evo- E-mail: flavia.vigio@bigmac.com.br
Site: www.mcdonalds.com.br
luiu de 35% para 70% nos últimos 15 anos.

71
Programa Caras do Brasil

Em dezembro de 2002, o Grupo Pão de tratados e acordos internacionais dos quais o


Açúcar lançou o Programa Caras do Brasil, abrin- Brasil é signatário.
do espaço em suas lojas para a comercialização de • Possuir conta bancária — de pessoa jurídica —
uma linha diferenciada de produtos artesanais e em nome do emissor da nota fiscal.
outros vindos de pequenas produções agrícolas e • Repudiar o trabalho infantil.
agroindustriais. Frutos de projetos comunitários de • Respeitar os direitos dos povos indígenas.
desenvolvimento sustentável e inclusão social, os • Respeitar os direitos de uso da terra de longo prazo.
itens oferecidos procuram atender também o consu- As comunidades locais com direitos legais ou tradi-
midor consciente, que dá preferência a artigos pro- cionais de posse ou uso da terra devem manter
duzidos de forma socialmente responsável. controle sobre as operações florestais, a menos que
O programa já cadastrou 36 fornecedo- deleguem esse controle a outras pessoas ou entida-
res, e outros 80 estão em fase de conclusão do pro- des, de forma livre e consciente.
cesso. Seus produtos serão distribuídos pelas 500 • Agir de acordo com a responsabilidade ambien-
lojas do grupo e incluem mel produzido por comu- tal como um todo, levando em conta o uso ade-
nidades do Parque Indígena do Xingu, farinha de quado de pesticidas e outros agentes químicos e
banana do Pará, doces e geléias caseiras de Minas agentes de controle biológico, os cuidados com a
Gerais, cestarias de Mato Grosso do Sul e objetos erosão e com a preservação de recursos hídricos
de decoração do Ceará, além de sabonetes, xam- e o respeito aos planos de manejo que garantam
pus e muitos outros. a sustentabilidade, o respeito às Áreas de Alto
A empresa, entidade ou comunidade inte- Valor de Conservação e aos demais elementos
ressada em tornar-se fornecedora do programa de- relacionados com a qualidade ambiental.
ve atender a uma série de requisitos, entre os quais: • Obedecer às leis referentes a questões sanitárias
• Ser legalmente constituída e, portanto, habilita- (quando aplicáveis).
da a emitir nota fiscal de venda, recolhendo os O grupo orienta as comunidades e produ-
impostos e encargos cabíveis. tores sobre como proceder para se adequar a esses
• Obedecer a todas as leis nacionais, estaduais e requisitos. Além disso, não exige escala mínima de
municipais, as exigências administrativas e os produção e garante prazos especiais de pagamen-
to, viabilizando a participação de micro e peque-
GRUPO PÃO DE AÇÚCAR nas empresas no programa, que assegura trabalho
Departamento de Assessoria de Imprensa e renda para centenas de comunidades brasileiras.
e Relações Públicas
Tel.: (11) 3886-0305 e 3886-0307
E-mail: pa.imprensa@paodeacucar.com.br
Site: www.grupopaodeacucar.com.br

72
Programa de Fornecedores e de Microcrédito

O Banco Real/ABN Amro, instituição mo rigor no cumprimento da legislação vigente,


financeira que atua há 85 anos no país, desenvol- no âmbito municipal, estadual e federal, tendo
veu uma relação com seus fornecedores baseada como base a busca pelo desenvolvimento sustentá-
nos princípios de responsabilidade social. A mis- vel, nos planos social, ambiental e econômico. Ao
são da empresa, seus valores, sistema de gestão e mesmo tempo, devem ser conhecidos e cumpridos
parcerias são transmitidos por meio de ações, os pactos, acordos, tratados e convenções interna-
exemplos e cartilhas às empresas que atuam com cionais dos quais o Brasil seja signatário, tais
o banco. como a Declaração Universal dos Direitos Huma-
Além de incentivar seus fornecedores a nos da Organização das Nações Unidas (ONU),
adotar a responsabilidade social e ambiental documentos da Organização Internacional do
como práticas organizacionais, o Real/ABN Amro Trabalho (OIT), os tratados ambientais, como o
formou um grupo de trabalho com 15 de seus for- Protocolo de Kyoto, a Agenda 21 e a Convenção
necedores para discutir o desenvolvimento susten- sobre a Diversidade Biológica.
tável. O resultado foi um documento chamado Entre os pontos abordados pelo banco
“Parceria de Valor”, que explicita o que a institui- com seus fornecedores estão a adoção de padrões
ção entende por Responsabilidade Social Corpora- éticos, boa governança corporativa, comércio jus-
tiva e como valoriza essa postura nas empresas que to, boas relações com o trabalho e compromisso
já são ou pretendem ser suas parceiras comerciais. com os direitos da criança e do adolescente, repe-
O “Parceria de Valor” expõe as diretrizes lindo-se a utilização de propaganda falsa, engano-
consideradas no relacionamento da empresa com sa ou preconceituosa, práticas de corrupção e abu-
seus fornecedores. Um dos marcos nessa relação so de poder, envolvimento em empreendimentos
é o tratamento diferenciado que o banco concede de natureza duvidosa ou concorrência desleal.
a cada empresa. As organizações que fornecem Em 2002, visando contribuir com o
serviços ou produtos ao Real/ABN Amro são desenvolvimento econômico e social do país, o
muito diferentes entre si, não apenas em tama- Real/ABN Amro criou a empresa Real Microcré-
nho como em tempo de existência, complexidade dito, especializada em viabilizar ofertas de crédito
e amadurecimento dos processos de gestão. Por- para microempresários. A experiência-piloto foi rea-
tanto, possuem entendimentos e prioridades bem lizada na favela Heliópolis, a maior da cidade de
diversificados. São Paulo, e o projeto foi feito em parceria com a
As relações do Real/ABN Amro com seus Acción International, ONG americana especializa-
fornecedores são pautadas por padrões de extre- da em microcrédito.

73
Antes de conceder os empréstimos, o ban- préstimos de 200 a 10 mil reais, sujeitos a análise
co procura conhecer melhor seus clientes e suas de crédito, a taxas usuais para esse mercado. Até
necessidades. Para isso, agentes de crédito visitam o momento, cerca de 1000 microempresários fo-
o local onde o microempresário desenvolve suas ram beneficiados, e o programa já cobre toda a
atividades e fazem uma análise para identificar periferia de São Paulo.
sua capacidade financeira.O programa oferece em-

BANCO REAL/ABN AMRO


Amadeu da Costa Rodrigues,
gerente de Suprimentos
Tel.: (11) 3174-7628
E-mail: amadeu.costa@br.abnamro.com
Site: www.bancoreal.com.br

74
Programa de Qualificação de Fornecedores

Em 1997, algumas empresas capixabas, zam-se com os critérios exigidos pelas empresas
apoiadas pela Federação das Indústrias do Estado compradoras e têm a possibilidade de ampliar seu
do Espírito Santo (Findes), lançaram o Programa mercado graças à capacitação dada pelo Prodfor.
Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Para melhor gerenciar esse trabalho, o
Fornecedores (Prodfor), com o objetivo de fortale- Prodfor divide as empresas fornecedoras em “quali-
cer seus micro e pequenos fornecedores, reduzindo ficadas” e “em desenvolvimento”. As fornecedoras
os custos e os riscos inerentes à atividade e melho- “em desenvolvimento” são as que estão a caminho
rando a qualidade e a confiança nos produtos e da qualificação: ao ser indicadas por empresas
serviços oferecidos. compradoras, participam dos treinamentos e re-
Coordenado pelo Instituto Euvaldo Lodi, o cebem consultoria para ser avaliadas por audito-
programa tem como mantenedoras as empresas rias ao final do programa. As fornecedoras “qua-
Aracruz Celulose, Cesan, Chocolates Garoto, lificadas” são as que já foram habilitadas no pro-
Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, Compa- cesso de auditoria e receberam o certificado de for-
nhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Companhia necimento, oferecendo seus bens e serviços para
Vale do Rio Doce, Espírito Santo Centrais Elétri- todas as empresas compradoras consorciadas.
cas, Flexibrás, Nexen Química, Petrobras, Samarco O Prodfor também garante ao fornecedor
Mineração e Telemar. a participação em encontros técnicos e a apresen-
O Prodfor capacita as empresas fornece- tação das atividades desenvolvidas para poten-
doras a organizar seu sistema de qualidade ciais novos clientes, favorecendo a integração e o
baseando-se na norma ISO 9001, por meio de um relacionamento entre empresas.
diagnóstico inicial, cursos complementares, um Em cinco anos de atuação, foram reali-
diagnóstico de verificação (uma espécie de pré- zadas 300 auditorias em empresas fornecedoras e
auditoria) e preparativos para a certificação. Aos criou-se uma página na Internet para consulta
itens de verificação da ISO 9001 são acrescidos pelas mantenedoras. Até setembro de 2003, 116 mi-
outros quatro: meio ambiente, segurança no tra- cro e pequenas empresas capixabas dos mais di-
balho, instalações e melhorias. versos setores produtivos haviam sido certificadas.
Na prática, o programa desenvolve toda a Visando a melhoria contínua do processo, os re-
cadeia de suprimento das empresas compradoras, quisitos da certificação são periodicamente ade-
criando uma relação transparente e eficiente com quados às novas versões da ISO 9001, com o intui-
seus fornecedores. E os fornecedores se beneficiam to de manter o programa sempre atualizado em
com a redução dos esforços e dos custos para ins- relação às normas internacionais.
talar um sistema de gestão de qualidade, familiari-

75
O Prodfor é considerado uma das experiên- preendimentos e conquistar novos negócios. Ao per-
cias mais bem-sucedidas no desenvolvimento e mitir uma ampliação no volume de vendas dos
qualificação de fornecedores. As grandes empresas fornecedores locais para as empresas mantenedo-
mantenedoras do programa passaram a contar ras, o Prodfor propicia um aumento nos níveis de
com fornecedores mais eficientes e os fornecedores emprego e renda, gerando também benefícios dire-
estão mais bem preparados para gerir seus em- tos para a comunidade.

PRODFOR
Luciano Raizer Moura, coordenador executivo
Tel.: (27) 3334-5746
E-mail:luciano@raizermoura.com.br
Site: www.prodfor.com.br

76
Sinergia entre Pequenas Empresas

O Grupo Sinergia é uma associação de Com a redução de custos operacionais e a


11 pequenos fornecedores do setor de metalurgia obtenção de melhores condições de compra, regis-
localizados na Avenida Industrial, em Santo trou-se uma economia de 5 milhões de reais nos cin-
André (SP). Foi criado para oferecer melhores con- co primeiros anos de atividade do grupo. A aqui-
dições de preço e qualidade para as empresas com- sição de uniformes e de vales-transporte, os servi-
pradoras e ao mesmo tempo reduzir os custos ope- ços de limpeza, a contratação de planos de saúde
racionais dos associados. e a segurança patrimonial também passaram a
Somando competências e habilidades es- ser feitos em conjunto pelas associadas.
pecíficas, o Grupo Sinergia iniciou um trabalho As diversas ações do Grupo Sinergia e sua
em conjunto para atender grandes clientes, ampliar preocupação constante com a qualidade dos pro-
a própria capacidade de fornecimento e passar a dutos oferecidos tornaram-no uma referência na
oferecer produtos que satisfizessem as necessidades região. As empresas participantes se fortalecem a
dos clientes como um todo, abrindo portas e con- cada dia, abrem novos mercados e conquistam
quistando novos negócios para todos os membros. clientes. Como conseqüência da união, têm maior
Quando um cliente solicita determinado força e respeito nas negociações com os diferentes
produto a uma empresa do Sinergia e esta não parceiros, e descobrem, a cada dia, maneiras va-
tem a competência necessária ou a tecnologia riadas de fazer e pensar seus negócios. Dessa rela-
adequada para atendê-lo, o pedido é repassado ção surgiram, inclusive, iniciativas de apoio a pro-
para outro associado do grupo que possa realizar jetos sociais e ambientais.
o serviço. Numa associação em que não importa
quem realiza o serviço, mas sim que o serviço seja
realizado, a transparência e a ética são valores
imprescindíveis.
A busca de soluções conjuntas é uma carac-
terística marcante do grupo. Muitas vezes, o desen-
volvimento de peças e máquinas é feito dividindo-
se o processo de produção e as responsabilidades.
Esse trabalho em rede permite que as associadas
obtenham lucro com encomendas que jamais pode- GRUPO SINERGIA
riam ser atendidas por uma única empresa. Um José Carlos Vassoler, coordenador
grande dispositivo solicitado por um comprador Tel.: (11) 4438-6162
E-mail: jcvassoler@directnet.com.br
pode, por exemplo, ser montado com pequenas pe- Site: www.vianovanet.com.br/gruposinergia
ças produzidas por três ou quatro associadas.

77
COLABORAÇÃO
DAS EMPRESAS
Agradecemos às seguintes empresas, que desenvolvem ações de âmbito
social e colaboraram com subsídios e informações para esta publicação:

Acelik Indústria Mecânica Kannenberg


Agência Eletrônica Comunicação Keep Out
e Marketing Labrunier
Aiêska Marinho Lacerda Laffriolée Sobremesas
Banco Real/ABN Amro Bank McDonald’s
BankBoston McNew
Belgo-Mineira Mirante Consultoria e Treinamento
Benger MVR & Gescon Consult. Empresarial
Brasil Telecom Pauta 6 Comunicação
Brastak Pedro Neuenhaus e Cia.
CBSS Philips do Brasil
Cia. de Vídeo Power Systems
Cometa Motocenter Prats Masó
Comgás ProemPe
Companhia Siderúrgica de Tubarão Promon
Confesp Rede Bahia
Consultec Rezende & Camargo
Copesul Schemco
Corgett Santo André Ferro e Aço
Criato Imagem e Comunicação São Paulo Playback Theatre
CTBC Serras Elétricas Dal Pino
De Nadai Social Capital Group
Expansão Delta SP Ambiental
Fogal Thomson Tube Components Belo Horizonte
Fosfer Galvanum Tory Viagens
Grifo Enterprises TVE-RJ
Grupo Pão de Açúcar Unnafibras
Guimar Engenharia Unibanco
Haletec Telecomunicações Unilever Brasil
e Informática Unimed de Blumenau
Help Express Unimed Vale do Sinos
Hospital Israelita Albert Einstein Visteon Sistemas Automotivos
Integrare Yázigi Internexus
International Paper
Conheça as outras publicações desta série, disponíveis para download gratuito
no site do Instituto Ethos (www.ethos.org.br):
• Como as Empresas Podem Apoiar e Participar do Combate à Fome
• Como as Empresas Podem (e Devem) Valorizar a Diversidade
• Como as Empresas Podem Implementar Programas de Voluntariado
• Como as Empresas Podem Investir na Saúde da Mulher
• Como as Empresas Podem Participar de Programas de Segurança
Alimentar com a Mobilização dos Funcionários
• O Que as Empresas Podem Fazer pela Criança e pelo Adolescente
• O Que as Empresas Podem Fazer pela Erradicação da Pobreza
• O Que as Empresas Podem Fazer pela Educação
• O Que as Empresas Podem Fazer pela Inclusão Digital
• O Que as Empresas Podem Fazer pela Inclusão
das Pessoas com Deficiência
• O Que as Empresas Podem Fazer pela Reabilitação do Preso

Conheça ainda a série sobre Segurança Alimentar, também acessível gratuitamente


pelo site do Ethos:
• Segurança Alimentar: a Contribuição das Entidades Empresariais
• Segurança Alimentar e Nutricional: a Contribuição das Empresas
para a Sustentabilidade das Iniciativas Locais
• Segurança Alimentar: a Contribuição das Universidades

Veja também as outras publicações produzidas pelo convênio Ethos-Sebrae, disponí-


veis gratuitamente tanto no site do Ethos quanto no do Sebrae (www.sebrae.com.br):
• Ferramenta de Auto-Avaliação e Planejamento — Indicadores
Ethos-Sebrae de Responsabilidade Social Empresarial para Micro
e Pequenas Empresas
• Responsabilidade Social Empresarial para Micro e Pequenas Empresas —
Passo a Passo

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Sobre os Autores Instituto Ethos
Sérgio Alli O Instituto Ethos de Empresas e Res-
Jornalista, consultor de comunicação ponsabilidade Social é uma associação
e assessor parlamentar, trabalha desde de empresas de todo tamanho e setor
1977 como editor e redator de jor- interessadas em desenvolver suas ati-
nais,revistas,livros e publicações insti- vidades de forma socialmente respon-
tucionais.Formado em ciências sociais sável, num permanente processo de
pela Universidade de São Paulo (USP), avaliação e aperfeiçoamento. Foi cria-
cursou também filosofia e jornalismo. do em 1998, com a missão de promo-
É diretor da Baleia Comunicação. ver e disseminar práticas empresariais
socialmente responsáveis, contribuindo
Thais Sauaya para que empresas e sociedade alcan-
Trabalha na área de marketing e pes- cem um desenvolvimento sustentável
quisa de mercado desde 1976 e é con- Realização Parceria em seus aspectos econômico, social
sultora de comunicação desde 2000. e ambiental.
Bacharel em química pelo Instituto
de Química da USP e em química
Sebrae
industrial pela Escola Politécnica da www.ethos.org.br

USP, cursa comunicação social na Fa- O Serviço Brasileiro de Apoio às Mi-


culdade Cásper Líbero. É diretora da cro e Pequenas Empresas (Sebrae) tra-
Patrocínio institucional
Baleia Comunicação. balha desde 1972 pelo desenvolvi-
mento sustentável das empresas de
pequeno porte em todo o país. Pro-
move cursos de capacitação, facilita
o acesso ao crédito, estimula a coope-
Patrocínio Apoio ração entre as empresas, organiza fei-
ras e rodadas de negócios e incentiva
o desenvolvimento de atividades que
contribuem para a geração de empre-
go e renda. Atua por meio de unida-
des nos 26 estados e no Distrito Fede-
ral,as quais formam um sistema de am-
pla capilaridade, com 600 pontos de
atendimento.