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33 7 Vilén Plusser. Retraduco enquante método de trabalho. (Vara: "Trsdugio » Comunteag3o") © presente ensatn serd tentativa de conctentizag3o do mou matodo de trabalho. Publico-o, no por crér ser meu métody de interesse piblico, mas por crér ser minha sttuagio linqufstica interessante nara quem estiver enga- jado no langamento de pontes entre os universos das varios 1{nquas. Nanef ov Praga, portonte hilinques duas L{nquis de estrutura radical- mente diferente, o tcheco @ alent, contribuiran em partes iguais nara a for macao da minha mente, fm tdade universitarta passel a Jer e a escrever en in- gles, passet a falar ingles como 3{nqua quotidiana, e 9 ingles continua sendo > Lingua na qual rerebo a matorta das informacies que aduban o meu trahalho. Noret durante muito tempo en S30 laulo, o portuques é a 1{nqua mateina dos meus filhos, escrevi e continuo escravendo arande narte dos mous trahaltins em rortuau @ numerosas publicacdes des meus trabalhos sao em L{nqua nortuque= sa, Atualmente moro na Franca, o frances passnu a ser a I{ngua que falo no quotidiano, e “eus cursos e conferenctas sao redigidos na 1fnqua france: mo fui formado pelo sistema ginasial austro-hingare, (herdado onla Tchecoslovs quia), 0 latim e 0 grego clissicos formam sistemas referenctais 1.a todas as minhas articulacées disctplinadas. Além disto virtas outras Minguas, e sbre- tude 0 italiano, tiver influaneia arbre a forma pela qual me exprimo, © que importa em tal situacko @ de n%o disvar de metr=lf qua que me possa servir para a ¢wtacio dos universos lingufsticos aos quats tenho acesso Por certo: 0 alem3o gcupa posto preferencial entre as 1{nquas que me 30 dis~ ponfvets, por ser a 1{nqua na qual me comtco com minha mulher, na qual escre- vf mous poongas de adolescente, e na qual acredito que sonho, Mas minha rela 30 com 0 alemSo estd contaminada pelns exveriénctas com o nazismo, @ pela re~ pulsa que sinto face ao alom3o atunlmente em uso, e ‘We me parece barbartzado tanto por remanescentes do linguajar nazista, quanto pela assimtlacio mal di- gerida de anglictsmos. Me modo que nenhuma das "minhas” I{nquas é central, e ‘nantenho relacdes ilfcitas de anor e ddio com todas elas, religdes que so to- das de tntensidade compor4vel, mas que tém, cada qual, colorido distinto. "Odi ot amo” todas as minhas 1fnguas, porque odeio e amo a palavra. Nao apenas no sentido hetdeggeriano de ser para mim a palavra a morada do seg mas sobretudo no sentido de ser a palavra © "logos spermatikds” que me shto chamado a martelar, afim de déela 3s coisas. Daf, toda vez que eu tentar dar a palavra 8s coisas, me vejo obrigado a der & toda coisa varias palavras, con- stantes dos repertérios das 1{nguas qu Neparo que tais palavras, adequadis 4 coisa a ser nomeada, ndo serem con~ gruentes umss com as outras. De modo que n3o se trata, para mim, tanto de adequar a palavra & coisa, mas de adequar as varias palavras uma a ~utira, para finalmente adequar tais adejuncdes Lingu{sticas 4 coisa. Amo tal j6go de palavras, porque permite a coisa de revelar varias das suis facetas. odeio tal jogo, porque fascina a ponto de encobrir a coisas © jogo com palavras, o qual 6 a minha vocacao, 6 0 motivo do meu assumir coisas, 0 ¥assunte" conta menos que o “assumir", o "tema" menos que 0 "método", Por isto assumo todo‘assunto em funcao da sua traduzihilidade, Co- me informan, 0 problema com o qual ~2- Quanto mais diffcilmente traduz{vel determinado assunto, tanto mais mo des- afia, Porque vai provocar a tensdo dialéctica entre as diversis 1{nguas que me infocmam, e vai obrigar-me a procurar sintetizar 1s contradigses entre elas, De modo que dor a palavra as coisas 6 enpresa nao tanto epistemolégica quanto existencialt © que procure conhecer n3o sao tanto as colsas quanto mu prdéprio estar no mundo, 4 Agssumo pois deterninado assunto, nor exenplo o da retradugao erquanto método do meu trabalho, (o presente assunto). ‘\ssumo tal assunto em nortugues, porque a revista "Tradugio e Comuntcacao" é nublicagao brastleira, Quando ti- ver terminado o ensaio, traduzirel o texto pxrs 9 ingles, porque o assunto é& visinho de temas que 1f en literatura anertcana. Terminada a tradugao, re-es- creverei o texto em frances, porque espero poder utiliz‘-lo nos meus cursos. Terminada a tradug%o, re-escreverei 0 texto em alemio, para vér se 0 mou ar~ gunento se sustenta em tal formulacao carresada de reflexdes sobre a palavra no significado heideggeriano e wittgensteiniano, Terminada a tradugao, re escreverel o texto em portugues, para submeté-lo & redacio da revista. "do sei, no momento, o quanto tal segunda redagao portuguesa se distinguirs da que estou escrevendo neste instante, mas sei que serd muito diferente. Se a fomulagSo do assunto me parecer aproximidamente satisfatéria, considerarel, © assunto lijuidado, Mandarei o texto para a revists, e esquecerel o assunto, Se, pelo contrério, a formalacio me parecer insatisfatéria, retraduzirei o tex te para o frances, para publicd-lo na revista “langages et Communication", da qual colaboro. Se tl redag3o for satisfatéria, o assunto morreu. Se far in~ satisfatéria, retraduzirel para o alenio, afim de publicé-lo na revista "Mer- kur". $e tal retradugdo para o alemSo for insatisfatéria, retraduzirel o tex- to para o ingles, sem saber de antemao aonde publicd-lo. Se tal retradugio paca o ingles for satisfatéria, retraduzirei para o portugues, e remeterei 3 revista brasileira. Se fdr insatisfatéria recomecarei a dansa, No decorrer de tal danga, o assunto teré varias vezes mudado de forma, e no final seré ir- reconhecfvel. De modo que o convite do prof. Morején prra eu escrever um ar tigo para a revista “Tradug&o @ Comunicagao" terd sido convite para a dansa. Por certo: tal retraducéo recorrente em espiral 6 formalizdvel. & per- feitamonte vidvel. formalizd-1, enquanto adequacdo de varias sintaxes que "o- verlap" uma sobre a cutra, e enquanto adequacéo de varios léxicos tnter-rela— cionados, fm tese, os computadores do futuro préximo sero capacitados para executar a dansa. Trata-se de tomar toda lingua dispon{vel enquanto meta-1{no gua das demais, e depois tomar tais linguas-objeto emuanto mota-1{nguas da sua prépria meta-1{ngua.. Mas com tal formaltzag3o do problema da retradugao se perdera 0 encanto do jogos © que fascina é o confronto com os acordos @ desacordos entre os vari- os “aspfritos da I{ngua", Tais “espfritos", embora nao defin‘veis, si0 no en- tanto concretamente palpdveis. concretamente palpdvel a involuta profundi— dade obscura do alemfo, parcialmente devida & crigem ndo-latin» de muitos ter- mos, @ parcialmente & construcao involuta das suas sentencas. 0 slemio desa~ fia a mente para que esta nao se entregue ao convite sedutor da profundidade, @ para que busque clareza. 0 opogte ocorre com s 1f{ngua francesa, Embora a célebre ‘clareza e distinc3o do frances seja m{to, (basta, pars constaté-lo, x 3 conparar o frances com o latin), njo pode ser négado que 0 frances convida a mente para ser brilhante, 0 desafio consiste em resistir ad virtuosismo ver= bal, @ a procurar obrigar a 1fngua a tocar en surdina, "$e 0 "espfrito” da lingua alem3 leva a mente 9 mergulhar, e se o da A{ngua francesa a leva a fazer piruetas, o “espfrito" da Lingua poetuguesa laa a mente a partir tangencialmente do assunto. 1 portugues 6 a If{ngua das di- gressdes, das associacd7s ditas "livres", talvez por ser i{ngua que carrega pouco peso de literatura disciplinada, (filosdfica, ctent{fiea, técnica ou erftica). De modo que a Lingua portuquesa convida a mente a formulacées rigo- Fosas que a obriguen a conter=se, Tenho dificuldades em descrever'a exneriéncia com o espf{rito da lin~ gua inglesa, esse monstro de riqueza, de beleza e de plasticidade. Por certo: toda e qualquer Mngua é sobre-humana, j4 que contém, no seu {ntimo, a sabedoe ria acumulada por geragdes cuja origen se perde na noite dos tempos. Maso in- gles é, en certo sentido, a lingua das 1{nguas. ‘Talvez por ser sintese entre © gernanico, o latim, o frances, com forte dose de celta, Talvez por ser 1fn~ gua sobreposta sobre tantas outras, especialmente na Africa e no subcontinente indiano, Mas taivez simplesmente por ser a 1{ngua que articulou tanta poesia, tanta clencia, tanta técnica, tanta fllosofia, e tanto Kitsch quanto nenhuma outra, Mas embora seja dificil descrover a experiéncia do ingles, essa si- multanetdade de profundidade, clareza @ elastictdade, é facil dizer-se en que consiste © seu desafio 4 mente: resumir o assunto, usar um miximo de economia, Podar a profundidade alema, 0 brilho frances, a “genialidade” portuguesa, @ @ reduzir o texto ao essencial, ao nucleo da coisa, Pois é'tal vai e vem entre espfritos dfspares e complementares que constitui o meu métodode aproximar-me da coisa, £ seré sdmente na medida en que conseguir sintetizar tais espfritos em minha mente, que teret dado a palavra & coisa, Por certo: tal método é resultante da minha posic& lingufstica esoe~ etal, @ n3o pode ser generalizado, Nao obstante crefo quetodos os que ostio in- teressados na tradug3o, seja enquanto tradutores, seja enquanto leitores de tex- tos traduzidos, seja enquanto tedricos da traducdo, poderao aproveitar alauns de dados que acabo de apresentar de forma resumida,