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C APÍTULO 2

CICLO DO CAPITAL DE GIRO

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Incorporar a dinâmica do Ciclo Operacional aos custos e despesas variáveis.

 Incorporar a dinâmica do Ciclo Financeiro aos prazos de pagamento aos


fornecedores.

 Identificar o capital de trabalho em função do ciclo financeiro e da geração


de custos.

 Estabelecer a sequência de giro do capital de trabalho.

 Utilizar os critérios do Ciclo Operacional.

 Avaliar o Ciclo Financeiro conforme a geração de custos.

 Relacionar a dinâmica da estrutura do Capital de Trabalho e o Ciclo Financeiro.


ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Qual é o elo entre Capital de Giro e os processos operativos de uma
organização? Basicamente, financiar o abastecimento de recursos produtivos
para viabilizar as operações. Diante disso, um dos objetivos do capital de giro é
saber identificar as necessidades de liquidez dos ciclos operacionais de cada um
dos objetos de custos, que precisam de matéria-prima, insumos, mão de obra,
entre outros.

Uma empresa produtora de laticínios precisa identificar necessidades de


recursos para cada um dos ciclos produtivos de seus produtos, isto é, processos
produtivos do leite integral pasteurizado, do leite semi-integral pasteurizado, de
seus diversos tipos de queijos, de seus iogurtes etc. Quais recursos operativos
são necessários neste exemplo? A matéria-prima, o leite cru; os insumos diversos;
a mão de obra, tanto direta como indireta; a manutenção do equipamento; o
consumo de energia; os gastos administrativos; entre outros.

2 CICLO OPERACIONAL
A base do capital de giro é determinada pelo fluxo das operações e
consumo de recursos das atividades operacionais em função dos objetos de
custos, isto é, todos os processos de ordens de compra, estocagens, processos
de transformação da matéria-prima, insumos, salários, entre outros gastos. O
consumo de recurso produtivo objetiva dar continuidade à produção constante
apurada por meio dos tempos de consumo destes recursos.

Voltando ao exemplo da indústria de laticínios e sua relação entre consumo de


recursos e objetos de custos, esses objetos de custos poderiam ser visualizados
como cada um dos produtos a serem ofertados pela empresa de laticínios. Embora
complementares, cada um destes produtos pode ser identificado como objeto de
custos diferenciados com seus respectivos ciclos operacionais. Por exemplo, o
leite integral pasteurizado terá um ciclo produtivo de, no máximo, uma hora, a
produção de soro de leite mais uma hora, e a produção de queijo prato pode
demorar alguns dias, ou semanas, até o queijo madurecer no ponto desejado.

Para ilustrar, observe a seguir um fluxograma do processo de produção de


dois produtos de laticínios 100% complementares, ou seja, os dois nascem do
mesmo processo: a fabricação de soro de leite e o queijo prato, sendo que o
queijo continua com mais um passo, o processo do amadurecimento.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Figura 1 - Processo de produção de soro de leite e queijo


Adição do
Adição de coalho
Recepção de leite cru cloreto de
cálcio

Pasteurização (65
°C/30 minutos)

Resfriamento (35 ºC)

Repouso/coagulação
(45 minutos)

Corte da
coalhada/mexedura

Dessoragem Soro de leite

Fonte: Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_


arttext&pid=S0101-20612009000100006>. Acesso em: 2 abr. 2018.

Figura 2 - Processo de Maturação de Queijos

Fonte: Disponível em: <http://www.lilies-diary.com/unterwegs-der-emilia-


romagna-der-himmel-des-gaumenfreunds/>. Acesso em: 2 abr. 2018.
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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

No exemplo exposto anteriormente, podemos visualizar a Todos esses


complexidade dos processos de fabricação de uma indústria, no caso processos
de uma indústria de laticínios de uma só matéria-prima (leite cru), que demandam de
capitais de giro
consegue produzir diversos produtos com processos de produção
específicos em
específicos, sendo que todos esses processos demandam de capitais função de seus
de giro específicos em função de seus objetos de custos. Agora, objetos de custos.
imagine uma indústria que produz diversos produtos derivados do
plástico, observe que a maioria dos produtos que você consume possui plástico.

Devemos observar que, apesar de a maioria das empresas possuir mais de


um objeto de custos, neste capítulo, para facilitar o aprendizado, estudaremos
como se existisse um só objeto de custos. Os ciclos operativos de qualquer
processo operativo são diretamente dependentes do giro de capital necessário para
conseguir dar conta de todas as atividades envolvidas nas atividades operacionais,
que começam com o momento da compra, a estocagem de insumos, o processo de
transformação, venda, a distribuição nos pontos de consumo e os clientes.
Todo esse vínculo,
Todo esse vínculo, entre os ciclos operacionais e suas respectivas entre os ciclos
necessidades de caixa, pode ser visualizado, financeiramente, por meio operacionais e
das contas do Ativo Circulante, e sua contrapartida de financiamento suas respectivas
necessidades
por meio das obrigações geradas no Passivo Circulante, tema a
de caixa, pode
ser estudado no Capítulo 3. Assim, podemos observar que há um ser visualizado,
vínculo entre a análise inicial dos índices de liquidez e seu respectivo financeiramente, por
aprofundamento nos ciclos operacionais para gerar o capital de giro meio das contas do
essencial às necessidades do negócio. Como se consegue analisar Ativo Circulante, e
o capital de giro, além dos índices de liquidez? Por meio dos ciclos sua contrapartida de
financiamento por
operacionais, conforme estudaremos a seguir.
meio das obrigações
geradas no Passivo
a) Tempos do ciclo operacional Circulante

Uma maneira para determinar esses tempos de consumo de recursos é através


do ciclo operacional das atividades operacionais. Para isso, devem ser definidos os
seguintes prazos médios das atividades durante o processo operacional:

• PME: o Prazo Médio de Estoques, que é definido em dias. O PME define


os estoques necessários para manter o fluxo contínuo da produção.

• PMP: Prazo Médio de Produção, que é estabelecido em dias. O PMP


depende do tempo médio de transformação do processo de produção.

• PMR: o Prazo Médio das Duplicatas a Receber, que é estabelecido em


dias. O PMR é o tempo médio que demoram as vendas para se liquidar.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

As empresas devem definir muito bem esses prazos médios, que são
estabelecidos pela gestão de estoques conforme a logística e processos de
transformação das operações das diversas atividades que uma organização
possa apresentar. Assim, uma vez estabelecidos esses prazos médios é que se
pode apurar o ciclo operacional, utilizando a seguinte fórmula:

Ciclo Operativo  CO = PME + PMR


CO  Ciclo Operacional

PME  Prazo Médio de Estoques

PMP  Prazo Médio de Produção

PMR  Prazo Médio de Duplicatas a Receber

A fórmula anterior é a representação mais simplificada possível do CO,


porém, atrás de cada um dos elementos que fazem parte do ciclo operacional,
existe todo um processo de produção com diferentes níveis de complexidade,
conforme as demandas da engenheira de produção, como foi visto no exemplo da
indústria de laticínios. Contudo, de quais elementos dependerá a apuração destes
prazos médios?

• PME: Prazo Médio de Estocagem. O PME depende da análise dos


processos produtivos e dos tempos logísticos de entrega dos insumos
necessários para o processo produtivo. Vamos supor que uma fábrica de
móveis, para garantir seus fluxos operativos, possui um PME de 25 dias,
logo, PME = 25 dias.

• PMP: Prazo Médio de Produção. O PMP depende dos processos de


transformação das matérias-primas e insumos em unidades de produto
acabado. Vamos supor que uma fábrica de móveis precisa de 12 dias de
processos de transformação, logo, PMP = 12 dias.

• PMEA: Prazo Médio de Estocagem Produto Acabado. O PMEA


depende do ciclo médio de saída da estocagem do produto acabado.
Vamos supor que a fábrica precisa de 10 dias para garantir a saída do
produto, logo, PMEA = 10 dias.

• PMR: Prazo Médio de Duplicatas a Receber. O PMR depende do prazo


de pagamento dos principais clientes, no caso da fábrica de móveis
poderia ser das diferentes lojas de varejo. Vamos supor que esse prazo
médio é de 60 dias, logo, PMR = 60 dias.

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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Uma vez feita essa apreciação de prazos médios, temos os meios para
calcular o ciclo operativo (C0), sendo, neste caso:

CO = PME + PMP + PMEA + PMR  CO = 25 dias + 12 dias + 10 dias + 60 dias.

CO = 107 dias.

Qual seria sua apreciação desse CO de 107 dias? Esses 107 dias representam
o prazo médio que a empresa demora para recuperar os recursos investidos no
capital de giro de seu processo de produção. Ele é um “prazo médio” porque, de
modo geral, as empresas possuem uma margem de erro de alguns dias, assim,
esse prazo médio é uma média estatística. Segundo Gitman (2010, p. 549):

O ciclo operacional (CO) de uma empresa é o período de


tempo que vai do começo do processo de produção até o
recebimento de caixa resultante da venda do produto acabado.
O ciclo operacional abrange duas principais categorias de ativo
de curto prazo: estoque e contas a receber.

No exemplo com o qual estamos trabalhando, esses 107 dias representam


o tempo “médio” que demorará para o investimento no capital de giro ser
recuperado, isto é, desde a ordem de compra, a entrada dos estoques, até a
recuperação das vendas. Observe que qualquer aumento ou diminuição desses
prazos médios mudarão o CO, por exemplo:

• Se por questões de manutenção de equipamento o PMP mudar de


25 dias para 30 dias, logo o CO mudará de 107 para 112 dias. Isso
significa que a empresa precisará de maior capital de giro, isto é, maior
investimento nas suas necessidades monetárias para financiar suas
operações.

• Se por aprimoramentos e inovações dos processos produtivos (por


exemplo: compra de equipamento com tecnologia de ponta e que possa
demandar de menor tempo de manutenção) o PMP reduzir para 17 dias,
logo o CO mudará de 107 para 99 dias. Isso significa que a empresa
precisará de menor capital de giro, isto é, menor investimento nas suas
necessidades monetárias para financiar suas operações.

Nesta seção, foi observada a necessidade de liquidez para comprar os


materiais necessários à produção e a demora desse investimento para se tornar
caixa, desde o momento da compra até o momento da liquidação das vendas a
prazo. Nesta análise do ciclo de tempo, que demora em retornar o investimento
em capital de giro, falta ainda mais um elemento de análise operativo, o tempo de
financiamento por parte dos fornecedores a ser estudado no ciclo financeiro (CF)
ou conversão de caixa.
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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

3 CICLO FINANCEIRO (CF)


O capital de giro, O ciclo financeiro (CF) ou ciclo de conversão de caixa,
tem a finalidade basicamente, é o CO menos os saldos das Contas a Pagar, ou seja,
de financiar os o Prazo Médio de Pagamento (PMP). Por que se deve descontar o
recursos produtivos, PMP? Se você observar o capital de giro, tem a finalidade de financiar
de curto prazo, os recursos produtivos, de curto prazo, a serem usados nos processos
a serem usados
de transformação, e, de fato, o Prazo Médio de Pagamento (PMP) é
nos processos de
transformação, e, de uma fonte de financiamento desse capital de giro, assim, ele reduz a
fato, o Prazo Médio necessidade de financiamento da liquidez.
de Pagamento
[...] O processo de produção e venda de um produto também
(PMP) é uma fonte
inclui a compra a prazo de insumos de produção (matérias-
de financiamento primas), resultando em contas a pagar a fornecedores. Estas
desse capital de reduzem o número de dias de recursos de uma empresa
giro, assim, ele comprometidos com o ciclo operacional. O tempo até a
reduz a necessidade quitação das contas a pagar a fornecedores, medido em dias,
de financiamento da é o prazo médio de pagamentos (PMP). O ciclo operacional
liquidez. menos o prazo médio de pagamento é chamado de ciclo de
conversão de caixa (CCC) e representa o prazo pelo qual os
recursos da empresa ficam aplicados (GITMAN, 2010, p. 549).

Nesse sentido, embora o capital de giro destine recursos monetários para


fazer acontecer esse ciclo operacional (CO), há um elemento contínuo de
financiamento de parte desse mesmo capital de giro, as Contas a Pagar aos
fornecedores. Por isso o nome ciclo financeiro (CF), porque considera o elemento
de financiamento dos fornecedores na Conversão de Caixa Operacional. Essa
conversão contínua de caixa vinda das operações pode ser apurada por meio de
cálculo matemático simples, da seguinte maneira:

Quadro 1 - Conversão de caixa


(+) Ciclo Operacional (CO) Como já vem se estudando, o CO mede o prazo mé-
dio de toda a cadeia produtiva para converter em
caixa as receitas vindas das operações.
(-) Prazo Médio de Pagamento O PMP depende dos prazos de pagamento negocia-
(PMP) dos com todos os fornecedores, prazo apurado por
meio dos saldos registrados no Passivo Circulante
durante o período da análise.
(=) Ciclo Financeiro (CF) Como o pagamento aos fornecedores é uma con-
stante operacional, vira elemento de redução da ne-
• Conversão de Caixa cessidade de Capital de Giro operacional.

Fonte: O autor.

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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Para conseguir entender melhor o CF, pense no seguinte: se não houver


financiamento dos fornecedores, a compra de insumos será à vista, o que
acontecerá com o valor a ser pago do ciclo do capital de giro? Esse capital de
giro deverá ser pago dentro da média de dias apurada no ciclo operacional (CO).
Neste caso hipotético, como não há financiamento por parte dos fornecedores, as
compras devem ser pagas no momento da entrada desses insumos aos estoques.
No entanto, a maioria dos negócios possuem acordos de prazos de pagamentos
com seus fornecedores (pois são compras contínuas, só param se a empresa
parar de produzir). Esse prazo de pagamento é um elemento de financiamento
constante do capital de giro. É por isso que esse prazo médio de pagamento
(PMP) é descontado do CO, para assim conseguir apurar um referencial de
capital de giro operacional e seu ciclo de conversão de caixa, conforme você
pode observar na figura a seguir:

Figura 3 - Conversão de caixa operativa - ciclo financeiro (CF)

Fonte: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/1257043/3/images/11/Ciclo+de+


convers%C3%A3o+de+caixa.jpg%20N>. Acesso em: 2 abr. 2018.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Na figura exposta, fica claro como funciona a dinâmica do ciclo financeiro


(CO) ou ciclo de conversão de caixa. Agora, devemos levar em consideração que,
na vida real, esse CF pode apresentar alterações nos seus prazos médios. Por
conta disso, as empresas, constantemente, estão fazendo gestão para aprimorar
os elementos que fazem parte do ciclo financeiro, isto é:

• (+) PME = Prazo Médio de Estocagem. O PME depende da análise dos


processos produtivos e dos tempos logísticos de entrega dos insumos
necessários para o processo produtivo. Vamos supor que uma fábrica de
móveis, para garantir seus fluxos operativos, possui um PME de 25 dias.
Logo, PME = 25 dias.
o Assim, aprimorar a gestão de estoques visa reduzir o Prazo Médio
de Estoques (PME). Se conseguir reduzir o PME, haverá um menor
CO, logo, menor CF e menor capital de giro.

• (+) PMP = Prazo Médio de Produção. O PMP depende dos processos


de transformação das matérias-primas e insumos em unidades de
produto acabado. Vamos supor que uma fábrica de móveis precisa de 12
dias de processos de transformação. Logo, PMP = 12 dias.
o Assim, aprimorar e inovar processos de transformação visa reduzir
o Prazo Médio de Produção (PMP). Tanto o PME como o PMP
estão interligados. Ao existir uma eficiente programação de produção
na área de estoques, pode-se planejar visando minimizar o volume
de estoques necessários.

• (+) PMEA = Prazo Médio de Estocagem Produto Acabado. O PMEA


depende do ciclo médio de saída da estocagem do produto acabado.
Vamos supor que a fábrica precisa de 10 dias para a saída do produto.
Logo, PMEA = 10 dias.
o Assim, aprimorar a necessidade de manter estoques de produto
acabado visa reduzir o Prazo Médio de Estocagem Produto
Acabado (PMEA). Muitos negócios têm que ter estoques de produto
acabado, para assim garantir e otimizar a saída de produto de suas
vendas, isso impacta na necessidade de capital de giro dentro da
análise do CO.

• (+) PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber. O PMR depende


do prazo de pagamento dos principais clientes. No caso da fábrica de
móveis, poderia ser das diferentes lojas de varejo. Vamos supor que
esse prazo médio é de 60 dias. Logo, PMR = 60 dias.

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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

o Assim, reduzir e/ou aprimorar os prazos das contas a receber (crédito


clientes) visa reduzir o Prazo Médio de Duplicatas a Receber (PMR).

• Aqui, aprimorar é no contexto de reduzir a inadimplência dos clientes


a crédito. Se a empresa conseguir reduzir esse prazo (sem impactar o
volume de vendas), logo o CF será reduzido e haverá menor necessidade
de investimento de capital de giro dentro de um contexto operacional
desejado.

• (-) PMP = Prazo Médio de Pagamento. O PMP depende do prazo médio


a se pagar aos fornecedores.
o Assim, esticar os prazos médios de pagamento aos fornecedores
(financiamento de compras) visa aumentar o Prazo Médio de
Pagamento (PMP). A gestão financeira busca constantemente esticar
os prazos de pagamento aos fornecedores, mas sem aumentar o
preço destas compras. Assim, é uma constante negociação que vai
determinando esse PMP. Logo, quanto maior o prazo do PMO, menor
será a necessidade de capital de giro, pois será reduzido o CF.

Observe que em quase todos os elementos que fazem parte do


capital de giro têm o símbolo (+), isso significa que qualquer aumento O único elemento
nesses prazos médios aumentará a necessidade de investimento que possui o
em capital de giro. O único elemento que possui o símbolo (-) é o símbolo (-) é o
Prazo Médio de
Prazo Médio de Pagamento (PMP), isso significa que se a empresa
Pagamento (PMP),
conseguir aumentar o prazo médio desta conta, a necessidade de isso significa que
investimento em capital de giro será menor. Assim, o ciclo financeiro se a empresa
(CF) ou de conversão de caixa pode ser aprimorado: conseguir aumentar
o prazo médio
(1) por meio da diminuição no período de desta conta, a
conversão de estoque, processando e vendendo necessidade de
as mercadorias mais rapidamente, (2) por meio investimento em
da redução no período médio de recebimento,
capital de giro será
agilizando as cobranças, ou (3) mediante ao
prolongamento do período médio de pagamento menor.
a fornecedores, reduzindo o ritmo dos próprios
pagamentos da empresa. Desde que essas ações possam ser
tomadas sem aumentar os custos ou reprimir as vendas, elas
devem ser executadas (BRIGMHAM; EHRHARDT, 2010, p.
842).

É importante sempre lembrar-se deste detalhe no momento de analisar o capital


de giro de qualquer tipo de negócio. Para colocar em prática o que se vem aprendendo,
a seguir, faça o cálculo tanto do CO como do CF da situação apresentada.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Atividade de Estudos:

1) Considerando que os indicadores de atividade são utilizados


na análise financeira de uma organização e servem para medir
a rapidez da conversão de várias contas em vendas ou caixa,
analise os seguintes resultados, obtidos pela empresa NC, em
março de 2015:

• Prazo Médio de Recebimento de Vendas: 70 dias.


• Prazo Médio de Renovação de Estoques: 40 dias.
• Prazo Médio de Pagamento de Compras: 30 dias.

Pelos valores apresentados, conclui-se que o ciclo operacional


e financeiro da empresa NC é, respectivamente, de:

a) ( ) 70 dias e 110 dias.


b) ( ) 70 dias e 100 dias.
c) ( ) 80 dias e 100 dias.
d) ( ) 80 dias e 60 dias.
e) ( ) 110 dias e 80 dias.

a) Ciclo de financiamento da produção

Conhecendo a dinâmica do ciclo financeiro, somos capazes de observar como


são, de fato, determinados esses prazos médios operativos tanto dos estoques
como dos processos de produção. É daí que se obtêm as necessidades essenciais
para dar conta do recado do setor de vendas e da produção. Esses prazos médios,
estatísticos, podem ser obtidos por meio dos saldos dessas contas, registradas no
Balanço Patrimonial dentro de um tempo determinado, ou seja:

• Se o Balanço Patrimonial é anual, esses prazos médios deverão levar


em consideração um tempo de 360 dias.
• Se o Balanço Patrimonial é semestral, esses prazos médios deverão
levar em consideração um tempo de 180 dias.

Assim sucessivamente para outros ciclos de tempos de análise. Observe que


esse prazo médio deve sempre levar em consideração a sequência de tempo dos
registros contáveis. Vamos supor que uma empresa possui os seguintes saldos
dessas contas ao final do período contábil anual:
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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 2 - Cálculo dos ciclos de produção


Ciclos de Produção
Giro de Custo anual da mercadoria vendida por R$ 11.000.000 e saldo de estoques pelo
Estoques valor de R$ 672.371,64. Com esses dados, podemos obter:
R$ 11,000.000
• Giro de estoques, média de 16,36 vezes ao ano  16,36 =
R$ 672.371,64

360 dias
• Prazo Médio Estoques (PME) de 22 dias  22 dias = .
16,36 vezes

Giro de Contas Vendas anuais de R$ 20.000.000 e saldo de Contas a Receber pelo valor de
a Receber R$ 1.666.666,67. Assim, com esses dados, podemos obter:
(Duplicatas)
• Giro de Contas a Receber, média de 12 vezes ao ano  12 =
R$ 20.000.000
.
R$ 1.666.666,67
360 dias
• Médio de Duplicatas a Receber (PMR) de 30 dias  30 dias = .
12 vezes

Giro de Contas Custo anual de insumos por R$ 11.000.000 e saldo de Contas a Pagar pelo
a Pagar valor de R$ 1.375.000. Com esses dados, podemos obter:
(Fornecedores)
R$ 11.000.000
• Giro de Contas a Pagar, média de 8 vezes ao ano  8 = .
R$ 1.375,000
360 dias
• Prazo Médio de Pagamento (PMP) de 45 dias  45 dias = 8 vezes .

Fonte: O autor.

Observe que esses valores de custos, de vendas e de saldos das diferentes


contas expostas no quadro anterior são hipotéticos, dentro de um contexto da
média estatística das empresas. Agora, observe também que esses prazos médios
são o “objetivo ideal” das empresas, pois se analisar este exemplo, a empresa
está liquidando suas vendas aos 30 dias, mas está pagando aos fornecedores
aos 45 dias, ou seja, se não tivesse prazo médio de estoques, a empresa estaria
operando um capital de giro financiado 100% por parte dos fornecedores. Neste
caso, de quanto seria o ciclo financeiro ou conversão de caixa e seu valor?

CF = PME + PMR – PMP = 22 dias + 30 dias – 45 dias.


CF = 7 dias.

Se um capital de giro de “sonho” para qualquer empresa é de somente 7


dias, qual seria seu valor monetário?

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 3 - Capital de giro da produção com um CF de 7 dias

(+) Estoques 22,00489004 R$ 672.371,64.


R$ 11.000.000 x ( ).
360

(+) Contas a Receber 30 R$ 1.666.666,67.


R$ 20.000.000 x ( ).
360

(-) Contas a Pagar a 45


$ 11.000.000 x ( ). R$ 1.375.000,00.
fornecedores
360

Recursos Aplicados no Capital de Giro R$ 964.038,00.

Fonte: O autor.

Se a empresa, por questões de pressões de mercado e de seus fornecedores,


tivesse que negociar prazos maiores? Vamos supor que os novos prazos médios
são os seguintes:

CF = PME + PMR – PMP = 20 dias + 37 dias – 40 dias.


CF = 17 dias.

Qual seria o impacto desse novo CO no Capital de Giro Operacional do


processo de produção?

Quadro 4 - Capital de giro da produção com um CF de 17 dias

(+) Estoques 20 R$ 611.111,11.


R$ 11.000.000 x ( ).
360

(+) Contas a Receber 37 R$ 2.055.555,56.


R$ 20.000.000 x ( ).
360

(-) Contas a Pagar a 40


$ 11.000.000 x ( ). R$ 1.222.222,22.
fornecedores
360

Recursos Aplicados no Capital de Giro R$ 1.444.444,45.

Fonte: O autor.

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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Essas pequenas mudanças dos prazos médios fizeram com que a


empresa tivesse que aumentar seu capital de giro de R$ 964.038,00 para R$
1.444.444,45. Apesar de que o prazo dos estoques foi reduzido para 20 dias,
visando exatamente amenizar essas mudanças externas, tanto do prazo de
pagamento aos fornecedores, como do aumento das contas a receber (aumento
da inadimplência, por exemplo).

Neste caso, esse aumento do CF representa R$ 480.406,00 a mais de


capital de giro que deverão ser financiados, seja por meio de capital de terceiros
(empréstimos) ou por meio de capital próprio (acionistas). Em outras palavras,
o aumento do CF de 7 dias para 17 dias fez com que a empresa tivesse que
aumentar seu investimento no capital de giro operacional.

Agora que já conhecemos a dinâmica do ciclo operativo (CO) e do ciclo


financeiro (CF), aplicaremos esses conceitos em um exemplo exposto por Gitman
(2010), no qual ele oferece situações de impactos de mudanças nos prazos
médios no capital de giro, inclusive, é o cálculo monetário dessas mudanças. O
autor usa termo “conversão de caixa” para referir-se ao ciclo financeiro.

O CICLO OPERACIONAL E A CONVERSÃO DE CAIXA

A MAX Company, fabricante de pratos descartáveis, tem vendas


anuais de $ 10 milhões, custo das mercadorias vendidas de 75% das
vendas e compras que correspondem a 65% do custo das mercadorias
vendias. A idade média dos estoques (IME) é de 60 dias, o prazo médio
de recebimentos (MPR) de 40 dias e o prazo médio de pagamentos
(PMP) de 35 dias. Logo, qual é o ciclo de conversão de caixa?

Ele é de 65 dias (60 + 40 - 35). A figura a seguir apresenta o ciclo


de conversão de caixa da MAX Company em uma linha do tempo.

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ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Os recursos investidos pela MAX nesse ciclo de conversão de


caixa (supondo-se um ano de 365 dias) são:

(+) Estoques 60 $ 1.232.877.


($ 10.000.000 x 0,75) x ( ).
365

(+) Contas a 40
$ 10.000.000 x ( ). $ 1.095.890.
Receber 365

(-) Contas a Pagar 35


($ 10.000.000 x 0,75 x 0,65) x ( ). $ 467.466.
a fornecedores
365
Recursos Aplicados $ 1.861.301.

Quaisquer alterações de prazo alterarão os recursos


comprometidos com as operações. Por exemplo, se a MAX pudesse
reduzir em cinco dias o prazo médio de recebimento de contas a
receber, reduziria a linha de tempo de conversão de caixa e, com
isso, o valor dos recursos investidos nas operações. Para a MAX,
uma redução de cinco dias no prazo médio de recebimentos reduziria
os recursos investidos no ciclo de conversão de caixa em $ 136.986
5
[$ 10.000.000 x ( )].
365

Fonte: Gitman (2010, p. 549).

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Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

No exemplo exposto por Gitman (2010) fica claro que qualquer mudança
nos ciclos de venda a prazo, dos estoques e/ou do prazo de pagamento aos
fornecedores refletirá no giro de capital e no valor do investimento. Por exemplo,
os recursos aplicados em capital de giro neste caso foram de $ 1.861.301, mas
se o número de dias das contas a receber mudar de 40 para 45 dias, o que
acontecerá com esse valor? Veremos a seguir:

40
• Contas a Receber antiga (40 dias)  $ 10.000.000 x ( ) = $ 1.095.890.
365
45
• Contas a Receber nova (45 dias)  $ 10.000.000 x ( ) = $ 1.232.877.
360
Acontecerá um aumento na necessidade de giro de capital de $ 136.987,00,
passando o valor de Recursos Aplicados de $ 1.861.301 para $ 1.998.288.

Atividade de Estudos:

1) A Companhia de Norte a Sul está querendo aumentar seu volume


de vendas usando a estratégia de ampliação do prazo concedido
aos clientes. O gestor financeiro menciona que isso impactará
na gestão do capital de giro, bem como na gestão eficiente do
caixa. O diretor da empresa solicita que a empresa encontre uma
solução sem que isso aumente o seu ciclo financeiro. Tomou-se
a decisão de melhorar a gestão dos estoques. Atualmente, as
matérias-primas permanecem 40 dias estocadas, antes de serem
consumidas no processo produtivo. São necessários 45 dias para
a fabricação dos produtos, e mais 60 dias para a sua venda.

Sabe-se que a empresa vem girando 12 vezes, em média,


suas duplicatas a receber e 24 vezes as de seus fornecedores. A
estratégia da empresa considera que é possível reduzir o período de
estocagem de matérias-primas em 10 dias, o período de fabricação
em 5 dias e o da estocagem de produtos acabados em 15 dias.
Considerando um ano com 360 dias, quantos dias de prazo adicional
podem ser concedidos aos clientes, preservando-se o mesmo ciclo
financeiro (caixa) anterior às mudanças?

a) ( ) 5.
b) ( ) 10.
c) ( ) 15.
d) ( ) 30.
e) ( ) 40.

61
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

4 CAPITAL DE TRABALHO
O capital de trabalho é sinônimo de capital de giro, que é o capital que
a empresa precisa para operar seus negócios. Até agora, visando entender o
conceito de capital de giro em si, ele foi estudado desde o ponto de vista do fluxo
operativo dos materiais que fazem parte do processo de transformação, ou seja, o
capital de giro operacional somente da perspectiva do processo de transformação
dos materiais a serem convertidos em mercadorias e em vendas pagas.

No entanto, será que só isso faz parte das necessidades de recursos


operativos? Além do ciclo operacional e financeiro dos estoques e sua respectiva
transformação em vendas, existem gastos de funcionários, gastos administrativos
e uma série de outros gastos que servem para dar apoio para esse ciclo
operacional das empresas.

Assim, a soma da saída de recursos financeiros de todos esses custos e


despesas, dentro de um contexto de ciclo operacional e financeiro, fazem
parte do capital de trabalho. Para conseguir entender essa soma de custos e
gastos, devemos entender a essência do fluxo operacional de um negócio, isto
é, o detalhamento das atividades operacionais e as obrigações geradas por
elas. Diante disso, há a necessidade de analisarmos os processos necessários
para dar conta da fabricação (ou de um serviço comercial). Para facilitar essa
compreensão, vamos expor um processo produtivo simples: a produção de pão e
a demanda de atividades para dar conta desse processo de transformação.

Quadro 5 - Processo produtivo para fazer pão francês


Insumos Engenharia Produto
Farinha 
Fermento  • Detalhe das atividades deste processo Pão francês ao
Água  produtivo. quilo vendido em
• Recursos necessários para dar conta da unidades.
Óleo  engenharia: insumos, infraestrutura e Objetivo: 50
Sal  equipamento, e mão de obra qualificada. quilos por dia.
Açúcar 
Fonte: O autor.

Neste quadro foram expostas as informações gerais do processo de


produção, pois é na descrição desse processo produtivo que determinaremos
quanto é necessário para dar conta do objetivo, ou seja, produzir 50 quilos de
pão francês ao dia. Assim, na descrição saberemos quanto será necessário de:
insumos, de uso de energia dos fornos, de padeiros, de auxiliar de caixa, de
gastos gerais, entre outros, conforme a produtividade destes.
62
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Uma vez feito o levantamento dessas particularidades, é que se poderá


definir o consumo de recursos produtivos conforme a produção projetada, no
caso do exemplo que estamos considerando, 50 quilos de pão ao dia. Observe
que todo negócio eficiente possui um fluxograma de produção, até um negócio
simples como a produção de 50 quilos de pão.

Agora, de uma perspectiva de produtos e/ou serviços semelhantes, será que


o processo produtivo para produzir um hambúrguer do McDonald’s será igual
ao processo produtivo do Burguer King ou da rede de comida rápida brasileira
Giraffas? A resposta é não, cada um destes negócios possui seu know-how (saber
como fazer) particular e sua própria dinâmica de capital de trabalho.

Todavia, quando uma empresa deste tipo deseja montar um novo restaurante
de sua marca, o parceiro investidor (dono do restaurante da localidade que usará
uma destas marcas de comida rápida) deverá desenvolver seu próprio esquema
e particularidades da logística e ciclos produtivos em função ao know-how da
franquia. Assim, antes mesmo de iniciar o empreendimento, a dona da franquia
exigirá ao dono do restaurante a apresentação de um projeto de negócio para
decidir a entrega dos direitos de montar o restaurante de comida rápida.

Neste sentido, podemos observar que existe uma grande diferença e opções
entre processos possíveis para dar conta da produção, inclusive, dentro do
contexto de uma mesma marca de comida rápida com vários parceiros locais
espalhados ao longo do país. É um exemplo disso:

• A entrega de insumos (que garantem a qualidade do produto) para


um parceiro da marca de comida rápida em Manaus poderia demorar
mais tempo do que para um restaurante da mesma marca na cidade
de São Paulo. Essas diferenças na logística fazem com que os ciclos
operacionais e a dinâmica do capital de giro sejam distintas.

Portanto, muitos fatores influenciam na escolha definitiva do processo


produtivo e seu capital de trabalho. Ela ficará em função do modelo de gestão de
cada empresa, do tipo e disponibilidade de insumos, da disponibilidade e custo
do recurso humano local, da disponibilidade de recursos financeiros, dos tipos de
tecnologia disponíveis, das normas ambientais, entre outros.

a) A análise do rendimento operativo

De que dependerá a avaliação e a escolha dos recursos produtivos a serem


usados no ciclo produtivo? Dependerá da opção que possa apresentar o melhor
rendimento por cada real investido, ou seja, a opção que possa gerar um maior

63
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

A opção do “melhor”
retorno ao capital de giro investido. A opção do “melhor” rendimento
rendimento
operativo dependerá operativo dependerá de vários fatores, mas todos eles deverão definir
de vários fatores, e ponderar cada um dos resultados e os custos respectivos para
mas todos eles diferentes alternativas tecnológicas, para assim decidir qual delas
deverão definir e permite maximizar os rendimentos dos recursos a serem usados.
ponderar cada um
dos resultados e os Muitas vezes, esses custos podem ser quantificados. Em outros
custos respectivos casos, como os dos problemas ambientais gerados por uma
para diferentes fábrica (poluição do ar, criação de resíduos químicos, etc.) são
alternativas difíceis de quantificar e são avaliados a critério dos preparadores,
tecnológicas empresários e avaliadores (BUARQUE, 1998, p. 85).

Os fatores que determinam os custos da engenharia operacional são


classificados em quatro grandes grupos:

1. Matéria-Prima e Insumos: deve-se determinar quanto de insumos


será necessário para dar conta da produção desejada. No exemplo do
pão, qual a quantidade de insumos necessários para atingir o objetivo
de produzir 50 quilos de pão francês ao dia? A resposta detalhada
dependerá do aproveitamento dos materiais, dos recursos disponíveis,
e do menor índice de desperdício das possíveis opções produtivas.
Observe que:

o No caso de pão, a disponibilidade destes insumos é quase imediata


(farinha, óleo, fermento, entre outros).

No entanto, para processos operacionais mais complexos, deve-se


determinar qual a disponibilidade dos insumos e qual o tempo de disponibilidade
destes, isto é, o tempo de entrega, desde o momento em que é feito o pedido até
a disposição destes no processo produtivo. Portanto, o nível de disponibilidade
será o referencial para determinar níveis de estocagem e tempos de ciclos
operacionais, isto é, diferentes níveis de investimento em capital de giro.

2. Materiais indiretos: são os que complementam o produto principal.


No caso do pão, pode ser a necessidade de determinar as quantidades
de sacolas para a venda do pão. No caso de uma fábrica que produz
lavadoras de roupa, quantas caixas de papelão serão necessárias para
dar conta da estimativa de produção e vendas.

3. Insumos de apoio: servem para apoiar o processo produtivo, tais como:


energia elétrica, combustíveis e óleo, material de escritório etc.

64
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

4. Mão de obra: esse recurso produtivo fica em função das atividades a


serem feitas no processo produtivo, assim, é fundamental determinar
a qualificação e a quantidade do recurso humano, assim como saber a
disponibilidade deste na região.

Com esses elementos de análise de todos os recursos operacionais é que a


empresa possui os elementos para determinar o valor do capital de trabalho e seu
respectivo ciclo. Esse processo produtivo e seu ciclo fica em função da descrição
do fluxo operativo do detalhamento das atividades da engenharia, observando-se
tanto os recursos, como as etapas destes no fluxograma operacional.

Quadro 6 - Comparativo entre necessidade de recursos e etapas produtivas


Recursos Produtivos Etapa e apoio produtivo
Insumos e outros materiais: • Definição da quantidade de produto
• Quantidades necessárias deste. terminado desejado, quantas
• Origem destes insumos. unidades deseja-se produzir.
• Custo de transporte. • Qual a necessidade de
infraestrutura e equipamento, em
função da produção desejada e
tecnologia disponível.
• Qual o nível mínimo de desperdício
determinado.
Insumos de apoio: • Que equipamentos são
• Necessidade de energia elétrica e necessários para encaminhar
combustível. esses insumos ao processo
• Necessidade de material de produtivo. Exemplo: instalação de
escritório, entre outros. transformadores de energia.
Recurso Humano: • Definição das atividades para cada
• Necessidade de qualificação. um dos processos de produção.
• Quantidade por atividade. • Definição da qualificação para cada
um destes processos.
Fonte: O autor.

b) Análise de custos operacionais e seu ciclo

O custo operacional de qualquer negócio, seja industrial, de serviços e/ou


comercial, vincula valores monetários ao consumo de recursos necessários nos
processos das atividades operacionais, objetivando oferecer mercadorias ou
serviços ao mercado. Para conhecer estes custos, ter controle deles e ter uma
estimativa de capital de giro, é necessário saber quais serão as quantidades de
produção, em unidades, durante períodos de tempo determinados, seja em dias,
semanas, trimestres, semestres e/ou ano.

65
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

• Um exemplo disso poderia ser o objetivo de produzir 140 quilos de pão


francês por dia. Neste caso, há um referente de produção, isto é, 140
quilos por dia. Essa estimativa de produção, se for referenciada em
meses, representaria, proporcionalmente, uma produção de 4.200 kg/
mês (140 kg x 30 dias), levando em consideração todos os custos e
despesas dentro desse período de tempo.

É, precisamente, com esses referenciais de produção, conforme as


vendas desejadas, que se consegue analisar o consumo de recursos, que será
enquadrado com a análise integral de toda a cadeia produtiva e vendas, apurando
assim o ciclo operacional e financeiro e, consequentemente, o capital de giro.
Temos que lembrar que cada negócio possui sua própria dinâmica e composição
específica de itens de insumos e outros recursos necessários para seu processo
de produção. Contudo, é possível ter um marco padrão de como podem ser
classificados o consumo de recursos, conforme podemos ver a seguir.

Quadro 7 - Necessidades referenciais de recursos produtivos no giro de capital


Matérias-primas e insumos: custo direto e variável que fica determinado em função da
programação de produção do projeto.
Mão de obra direta: folha de pagamento dos funcionários que trabalham no chão de
fábrica, no caso da padaria, o padeiro que trabalha diretamente na produção de pão.
Embalagens: custo direto e variável que fica determinado em função da programação de
produção do projeto.
Materiais indiretos: custo fixo em materiais de apoio ao processo de produção, tais
como combustíveis, lubrificantes, produtos químicos, material de limpeza etc.
Serviços: custo fixo e/ou variável em serviços básicos, tais como água, energia elétrica,
gás etc. Nesses casos, o custo do gás também pode ser variável, em função do uso dos
fornos da padaria, para citar um exemplo.

Fonte: O autor.

Esses são os tipos de custos que se apresentarão num processo produtivo


industrial. Quando se tratar de custos indiretos, a maneira de distinguir esses
custos entre os diferentes produtos é por meio de rateio. Lembre-se de que são
custos fixos e estes não apresentam um vínculo direto com o volume da produção,
mas possuem um vínculo indireto, e representam gastos a serem orçados e a
serem considerados no ciclo de capital de trabalho (capital de giro). Observe que
destes custos, a depreciação deveria ser excluída do capital de giro, pois ela não
representa uma saída efetiva de recursos operacionais.

66
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

b) Despesas como apoio às atividades operacionais

Até agora nosso estudo está focado no capital de giro com vínculo direto
no processo industrial. As despesas gerais também fazem parte da análise do
capital de giro, pois representam saída efetiva de recursos financeiros dentro do
ciclo operacional.
Entende-se como
despesa as
Entende-se como despesa as atividades de apoio o processo atividades de apoio
produtivo de uma empresa, tais como apoio administrativo, de vendas e o processo produtivo
logística, de gestão financeira/contável, entre outras. Esses processos de uma empresa,
de gestão são fundamentais para manter em andamento qualquer tais como apoio
empresa, seja ela industrial, comercial ou de serviços. Esses gastos, administrativo, de
vendas e logística,
classificados como despesas, podem ser vistos da seguinte maneira:
de gestão financeira/
contável, entre
outras.
Quadro 8 - Despesas de apoio ao processo produtivo
Salários: gasto fixo em folha de pagamento dos funcionários que apoiam o processo
produtivo, tais como gerentes, auxiliares etc. No caso da padaria, a funcionária de caixa,
por exemplo.
Gastos de gestão e comunicação: gasto em manutenção dos sistemas integrados de
gestão empresarial (SIGE), gastos de amortização dos aplicativos de TI, e gastos de co-
municação, internet, telefone fixo e celular.
Gastos gerais: gastos menores de apoio, como utensílios dos escritórios, limpeza, café etc.
Gastos de venda e logística: gastos que fazem parte da gestão operativa e administra-
tiva destes setores.

• Impostos sobre as vendas: impostos específicos que impactam no valor de ven-


da, tal como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

• Salários e comissões: gasto e folha pela gestão do pessoal de vendas.

• Propaganda: campanhas publicitárias, principalmente.

• Gastos de distribuição: gastos na depreciação dos veículos que fazem a dis-


tribuição dos produtos ao mercado, combustível e manutenção destes veículos,
salários do pessoal que trabalha nesta área, entre outros.
Gastos financeiros: são o custo do capital do investimento tanto em capital de giro como
em bens de capital, classificado como:

• Juros a serem pagos pelo capital de terceiros.

• Rendimento do capital quando se tratar de capital próprio. Apesar de este não ser
considerado como capital no DRE projetado do projeto, deve-se considerar no
fluxo de caixa projetado, objetivando assim a análise de viabilidade financeira das
operações.

Fonte: O autor.

67
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Observe que existem diversos custos e despesas para analisar. Inclusive,


algumas classificações, poderão mudar em função das características dos
próprios objetos de custos de uma mesma empresa.

Consegue identificar o que é objeto de custos? Ele é considerado


como um centro de custos individual que vai se agregando com
outros centros de custos, registrando todos os custos operacionais
dos diferentes negócios de uma empresa, por exemplo, as diferentes
filiais de um banco comercial poderiam ser consideradas como
objetos de custos.

Neste sentido, as empresas podem alocar vínculos entre


natureza das operações e a necessidade de registro dos custos,
objetivando avaliar a sua competividade no uso de recursos e futuras
tomadas de decisões eficientes.

Em geral, os custos são acumulados no subsistema de


contabilidade financeira para, posteriormente, serem alocados aos
objetos de custeio, via método de custeio. O seu nível de detalhe
deverá refletir a estrutura da organização, dos objetos de custos, dos
relatórios legais e gerenciais e do nível de informação demandada.

Fonte: Mauss e Souza (2008, p. 42).

Nesta seção, estudamos a relação entre necessidade de recursos e seu volume


monetário de investimento no contexto do capital de giro. Assim, há uma relação direta
entre o ciclo de conversão de caixa, em dias, e sua respectiva representatividade nos
recursos a serem aplicados nesse ciclo de capital de giro líquido.

5 VALOR DO CICLO DO CAPITAL DE


TRABALHO
Até neste ponto foi estudado como é a estrutura de capital de giro dentro de
um contexto operacional e de ciclos de tempos. Por isso o nome capital de giro,
pois ele está girando continuamente para dar conta das demandas da produção.
Daí a necessidade, em termos de análise de consumo de recursos monetários, de
determinar o montante desse capital e seu ciclo, conhecido como investimento em
capital de giro para fazer “girar” o negócio.

68
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Dentro da necessidade de capital de giro do ciclo operacional (C0) e do ciclo


financeiro (CF), existem vários elementos que fazem parte deles, como o volume
de vendas, os valores de custos, os prazos médios de estoques, de contas a
receber e de contas a pagar. Com a determinação de valores monetários e de
tempos desses elementos é que se consegue determinar o valor do capital de
trabalho, que será refletido na relação entre o Ativo Circulante e Passivo Circulante
do Balanço Patrimonial, conforme estudaremos no próximo capítulo.

a) Volume de custos e de vendas dentro no ciclo operacional

Os três elementos de valor monetário a serem observados, visando estruturar


o capital de giro, são as vendas, os custos e seus gastos de apoio dentro do
contexto do giro operacional ou ciclo operacional. A maneira mais fácil de observar
esses valores é por meio de um exemplo, assim, vamos tomar valores de custos
unitários do orçamento de um projeto de produção de geleia de maçã.

Neste empreendimento são considerados quatro diferentes tipos de geleias


de maçã: geleia de maçã e canela, geleia de maçã e canela light, geleia de maçã
clássica, e geleia de maçã clássica light. Os custos destes produtos são os seguintes:

Quadro 10 - Custo unitário por produto

Fonte: O autor.

A diferença dos custos entre os quatro tipos de geleias oscila conforme o


nível de complexidade no processo de transformação. Basicamente, os custos
mudam em função das horas-máquina utilizadas no processo e nos insumos que
fazem parte desses produtos. Dentro do contexto da necessidade de liquidez
nas operações, os custos por produto seriam um dos elementos para construir o
capital de giro e seu ciclo respectivo, o outro elemento importante será o volume
de vendas desses produtos. O volume de vendas a ser apurado em função da
demanda projetada e ao mark-up (marcação de custos), conforme apresentado
no quadro a seguir:

69
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 11 - Determinação do preço de venda dos produtos

Fonte: O autor.

Com essa estrutura de custos e esse mark-up definido, temos um referencial


por unidade que permite obter as ferramentas necessárias e assim ter os custos
e vendas gerais dentro de um período de tempo. Observaremos esse custo de
produção em termos anuais e todos os gastos operacionais a serem cobertos
pelo capital de giro, conforme exposto a seguir:

Quadro 12 - Consumo de recursos a serem considerados no capital de giro

70
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Fonte: O autor.

Em síntese, o orçamento de custos e vendas é um levantamento que deve


ser feito passo a passo, coletando todas as informações necessárias para ir
montando as diferentes peças do investimento em capital de trabalho. Agora, o
passo seguinte é determinar o ciclo operativo e sua relação com os volumes de
custos e gastos recentemente analisados.

b) Apuração do capital de giro

A apuração do capital de giro leva em consideração o valor de investimento


em liquidez, para dar continuidade às atividades operacionais, devendo definir os
prazos médios da produção a seguir, conforme o exemplo que estamos analisando
da produção de geleia de maçã.

• PME = Prazo Médio de Estoques. O PME depende da análise dos


processos produtivos e dos tempos de entrega dos insumos necessários
no processo produtivo da geleia. Assim, foi determinado pela área da
engenharia de produção e logística que o PME mínimo para garantir o
fluxo operativo das operações seja de 25 dias.
• PMR = Prazo Médio de Duplicatas a Receber. O PMR depende do prazo
de pagamento dos principais clientes, neste caso dos supermercados,
sendo que é prática destes pagar aos fornecedores em um prazo de até
60 dias. Assim, foi definido que o PMR seja de 60 dias.
• PMP = Prazo Médio de Pagamento. O PMP depende dos prazos de
pagamento praticados no mercado para o pagamento dos diversos
insumos necessários ao processo produtivo. Assim, foi estabelecido
que este prazo médio é de 45 dias, mas para ser ter um amortizador de
liquidez, define-se o prazo médio de PMP de 30 dias.

Uma vez feita a análise da dinâmica destes prazos, consegue-se apurar o


ciclo operacional, sendo:

Ciclo Operacional (CO) = PME + PMR


• CO = 25 dias + 60 dias
• CO = 85 dias

71
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Esses 85 dias são O que significa esse CO de 85 dias? Conforme o que estudamos
o prazo médio, em anteriormente, esses 85 dias são esses 85 dias são o prazo médio,
dias, que demora em dias, que demora o processo de transformação, isto é, desde a
o processo de entrada dos insumos, sua estocagem, sua entrada ao processo de
transformação
transformação, sua venda e, finalmente, a cobrança das contas a
receber. O seguinte passo é definir o prazo médio financeiro (CO), ou seja, o prazo
médio operativo descontando o prazo médio de pagamento aos fornecedores:

CF = PME + PMR – PMP


• CO = 25 dias + 60 dias – 30 dias
• CO = 55 dias

Esse CF de 55 dias representa o saldo líquido em dias que demora para se


recuperar o dinheiro investido no processo de produção, o capital de giro operacional,
ou seja, o giro contínuo de produção a cada 85 dias de CO menos os 30 dias de
prazo médio de pagamento aos fornecedores, 85 dias – 30 dias = 55 dias.

Agora, como podemos convergir esse CF, em dias, em valor referencial de


investimento de capital de giro? Para conseguir fazer isso, devemos levar em
consideração os custos anteriormente analisados, sendo que os recursos usados
em insumos, energia e mão de obra direta estão estimados em R$ 3.844.578,00
por ano, conforme podemos observar a seguir:

Quadro 13 - Custo direto unitário e total


Unidade Custo Insumos Custo Insumos
Produto
Produção Unit. Ano
Maçã e Canela 241.920 R$ 3,95 R$ 955.584,00
Maçã e Canela Light 220.954 R$ 3,73 R$ 824.158,00
Maçã Clássica 340.301 R$ 2,96 R$ 1.007.291,00
Maçã Clássica Light 312.883 R$ 3,38 R$ 1.057.545,00
Total 1.116.058 R$ 3,44 R$ 3.844.578,00

Fonte: O autor.

Talvez você esteja se questionando, mas como o custo médio total é R$ 3,44, quando
a média dos quatro custos unitários é R$ 3,50? Isto é: ( 3,95 + 3,73 + 2,96 + 3,38 ).
Vamos analisar isso a partir de duas perspectivas: 4

• Custo Médio Unitário por produto e total. Se apurar o custo unitário de


cada um destes produtos, você obterá os valores expostos acima.

72
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Exemplo:

R$ 824.158,00
O custo médio unitário da “Maçã e Canela Light” é R$ 3,73 = .
220,954
R$ 844.578,00
O custo médio unitário do total é R$ 3,44 = .
1,116.058

• Custo Médio Unitário Total – Ponderado. Se apurar o custo unitário


por meio da ponderação do volume de produção, de quanto será o custo
unitário total? Exatamente o mesmo, isto é: R$ 3,44, vamos conferir?

Quadro 14 - Peso ponderado da produção no custo

Fonte: O autor.

Para apurar esse custo ponderado, devemos pegar cada um dos volumes de
produção e dividi-los para obter o volume total, por exemplo, qual a ponderação
340.301
da “Maçã Clássica”? 0,30491 = .
1.116.058

Assim, esse valor “ponderado em função ao volume total de produção” deve


ser multiplicado pelo custo unitário do produto. No caso da “Maçã Clássica” será
 R$ 0,90 = R$ 2,96 x 0,30491.

Para cada um dos quatro produtos, deve-se somar todos esses custos
ponderados, tendo como resultado o valor do Custo Médio de Produção. Neste
caso, R$ 3,44, conforme se pode conferir no quadro exposto anteriormente.

Agora que temos mais claro a questão dos custos unitários, incluíremos esse
valor referencial de consumo de recursos ao ciclo financeiro (CO) previamente
definido, conseguindo-se obter a necessidade referencial de liquidez, conforme o
seguinte quadro:

73
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Quadro 15 - Provisão de Liquidez Processo de Produção


Custos Dias Ciclo Valor Ciclo
Conta Dias Ano Custo Dia
Insumos Ano Financeiro Financeiro
Custo Insumo R$ R$ R$
360 55
Ano 3.844.578,00 10.679,00 587.366,00

Fonte: O autor.

Será que só esse valor de R$ 587.366 é suficiente como capital de giro para
dar conta de todas as atividades operacionais, inclusive as administrativas? Pela
simples análise comum diríamos que não, e é certo dizer isso. Assim, apesar de
que esse valor de R$ 587.366 é o valor do capital de giro da produção, ainda não
é o capital de giro total, devido à necessidade de acrescentar as despesas com:

Quadro 16 - Investimento total: Ativo Fixo + Capital de Giro Inicial


Mão de Custos Despesas Provisão Total
Conta Infraestrutura Insumos
Obra Indiretos Diversas Vários Investimento
R$ R$ R$ R$
Gasto Ano
3.844.577,92 243.000,00 66.510,00 520.900,00
55 dias de R$ R$ R$ R$
gasto 587.366,00 37.125,00 10.161,00 79.582,00
R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$
Investimento
3.013.512,00 587.366,00 37.125,00 10.161,00 79.582,00 194.791,00 3.922.537,00

Fonte: O autor.

R$ 3.922.537,00 é o valor necessário para que o negócio possa operar durante


um ano. Nesse valor, está considerado o valor de aquisição de matéria-prima,
insumos, mão de obra, despesas, entre outros, ou seja, todos os gastos da operação
menos a depreciação. Se levarmos em consideração o ciclo financeiro (conversão
de caixa) de 55 dias, teremos a necessidade de capital de giro, que será de R$
599.277,00 a cada 55 dias, isto é: R$ 599.277,00 = R$ 3.922.537,00 x 55 dias.
360 dias
Esses R$ 599.277,00 significam todos os custos e gastos a serem provisionados
para se ter um capital de giro inicial que possa bancar as saídas de caixa da operação
durante 55 dias. Estima-se que a partir de 55 dias após ter iniciado o ciclo financeiro,
termina o ciclo de caixa, recorrentes das vendas a prazo, ou seja, a partir do dia 55,
as entradas de caixa das vendas financiarão as necessidades operativas.

74
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

Conforme foi visto ao longo deste capítulo, existem algumas maneiras de


melhorar a conversão de caixa, e assim, reduzir a necessidade de capital de giro,
desde que isso possa ser executado sem aumentar os custos ou reduzir o volume
de vendas. A seguir, um case sobre melhorar essa necessidade de capital de giro.

O melhor na administração de capital de giro


O que a Boeing, Guess, PepsiCo, Vulcan Materials, Cisco
Systems, Johnson Controls, McDonald´s, Nucor, Eastman
Kodak e Burlington Northern Santa Fe têm em comum? Cada
uma dessas empresas lidera o seu setor na pesquisa anual
da revista CFO sobre administração do capital de giro, que
abrange 1.000 empresas com vendas superiores a $ 500
milhões. Cada empresa é classificada com base no número de
dias, em seu ciclo de conversão de caixa e em sua eficiência
na conversão de caixa (ECC), definida como fluxo de caixa das
operações dividido pelas vendas.
De acordo com essa pesquisa, o número médio de dias do
ciclo de conversão de caixa é de aproximadamente 57,3, que
está 6,3 dias melhor que há 5 anos. A Burlington Northern
Santa Fe (BNSF) lidera o grupo, com um ciclo de conversão
de caixa de -57,2 dias, em comparação com a média de 24 do
setor. A BNSF atingiu esse índice por meio de reengenharia do
seu processo de contas a receber, começando com o número
de dias que a empresa levará para apresentar a fatura aos
clientes. Em 1997, ela tinha cerca de 50 mil faturas pendentes
por dia que ainda não haviam sido calculadas e encaminhadas
aos clientes. Trabalhando em seus sistemas de informação,
a BNSF conseguiu automatizar a maior parte do processo e
reduzir as faturas não processadas para cerca de 15 mil. A
BNSF, então, voltou sua atenção para o número de dias que
um cliente levava para pagar.
Descobriu que seus grandes clientes recebiam um lote
de faturas, mas não pagavam nenhuma delas se uma
única fatura divergisse do lote. Trabalhando em conjunto
com o departamento de marketing e de vendas, a BNSF
conseguiu diminuir significativamente o número de faturas
com divergências. O resultado líquido desses esforços foi
uma redução no período médio de recebimento de 50 para
29 dias. Aliado a um estoque bem reduzido e à sua própria
capacidade de adiar os pagamentos aos fornecedores, o ciclo
de conversão de caixa da BNSF chegou a -57,2 dias. Isso
aumentou o seu fluxo de caixa livre a tal ponto que a BNSF
conseguiu implementar um grande programa de recompra de
ações (BRIGMHAM; EHRHARDT, 2010, p. 842).

75
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

Atividades de Estudos:

1) Explique o significado do impacto no capital de giro se o valor em


número de dias aumentar em cada um destes:

a) Conversão de Estoques.
b) Período Médio de Recebimento.
c) Período Médio de Pagamento (Fornecedores).
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2) Se o valor de vendas ao semestre fosse de R$ 13.000.000,


o custo da mercadoria vendida de R$ 9.300.000, as contas a
receber de R$ 1.850.000, as contas a pagar de R$ 1560.000, e
estoques médios de R$ 1.650.000, determine:

• Conversão de Estoques.
• Período Médio de Recebimento.
• Período Médio de Pagamento (Fornecedores).
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3) Com relação ao exercício anterior, determine o valor do


investimento necessário para o ciclo de conversão de caixa e seu
número de dias:
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76
Capítulo 2 CICLO DO CAPITAL DE GIRO

4) Se o número de dias das contas a pagar aumentasse para mais


11 dias, e as contas a receber para mais 4 dias, determine em
quanto o capital de giro mudará:
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5) O que significa ciclo financeiro ou conversão de caixa? Explique e


exponha sua fórmula.
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6) Qual é o objetivo da gestão de uma empresa no que tange ao


ciclo de conversão de caixa? Explique.
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7) Dentro do contexto de ciclo de conversão de caixa, exponha


algumas ações que uma empresa poderia utilizar para reduzir
o capital de giro, desde que isso possa ser executado sem
aumentar os custos ou reduzir o volume de vendas.
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77
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO

6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, estudamos a necessidade de caixa dentro da perspectiva
da análise dos tempos dos processos produtivos, conforme os objetos de custos
dentro de uma empresa. No contexto financeiro, a primeira análise a se observar
é a relação entre Ativo Circulante e Passivo Circulante, sempre levando em
consideração a natureza do negócio. Uma coisa bem diferente é observar essa
relação de Ativo Circulante e Passivo Circulante de uma empresa comercial de
atacado, e outra bem diferente é observar essa mesma análise de uma empresa
com processos de transformação industriais.

Dedicamos os primeiros dois capítulos deste livro de estudos à análise de


custos e ao ciclo operativo/financeiro do capital de giro, a fim de conseguirmos
entender a estrutura operativa do capital de giro antes de abordar a estrutura
financeira dele. Assim, nos próximos dois capítulos, nosso foco será a análise
financeira do giro de capital, mas sempre lembrando da natureza do negócio da
análise financeira a ser feita.

REFERÊNCIAS
BRIGMHAM, E. F.; EHRHARDT, M. C. Administração financeira: teoria e
prática. 10. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

BUARQUE, C. Avaliação econômica de projetos. São Paulo: Elsevier, 1998.

GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2010.

MAUSS, C. V.; SOUZA, M. A. de. Gestão de custos aplicada ao setor público.


São Paulo: Atlas, 2008.

PADOVEZE, C. L.; BENEDICTO, G. C. de. Análise das demonstrações


financeiras. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

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