O que é a montagem
tecnicamente, consiste em colar os planos filmados e os elementos sonoros numa
sequência, pela ordem determinada pelo realizador e de acordo com o montador
É a organização dos planos de um filme segundo determinadas condições de ordem e
duração
Funções da Montagem
Função Narrativa – mudança de plano guia compreensão do espectador na cena para nos
impor um sentido (narrativa simples)
Função sintática e de pontuação (estruturar o filme com efeitos estéticos, rítmicos e
plásticos)
Manipulação do tempo
Elipse da duração – permite encurtar o tempo e manipulá-lo de acordo com a maior ou
menos importância das acções
Organização Temporal – permite avançar e recuar no tempo para alterar a cronologia dos
acontecimentos ou da ordem como nos são dados a conhecer (flassback, flashfoward)
Permite acelerar e atrasar o tempo real (slowmotion \ fastmotion ou timelapse)
Montagem Narrativa vs Montagem Expressiva
Durante muito tempo opôs-se a montagem “transparente” do cinema clássico a uma
montagem discursiva, produtora de um sentido, visível nos cineastas russos e teorizada
por Eisenstein visando um discurso ideológico. (leão)
(A Forma do Filme e O Sentido do Filme, Sergei Eisenstein)
Hoje mesmo os filmes considerados com montagem narrativa integram processos de
montagem muito complexos.
Na maior parte dos casos uma montagem normal, de recriação da acção por ordem
cronológica ou que permite ser “transparente” pode ser considerada montagem narrativa
(comédias românticas)
Pelo contrário uma montagem muito lenta, muito rápida ou de confrontação de planos é
montagem expressiva, porque o ritmo de montagem pretende efeito psicológico.
Montagem Narrativa
Simples e imediata
Consiste em ordenar vários planos com sequência lógica e cronológica, com objectivo de
contar a história
Facilita ligações entre planos
Contribui para fazer avançar a acção (continuidade) sob diferentes pontos de vista:
- dramático: encadeamento de elementos da acção segundo relação de causalidade
- psicológico: compreensão do drama pelo espectador
Montagem Expressiva
Justaposição de planos com a finalidade de produzir efeito directo através do choque de
duas imagens.
A quarta dimensão do cinema, in: A forma do filme (p. 72-78), Serguei Eisenstein
Visa exprimir sentimento ou ideia
Deixa de ser um meio para constituir um fim
Produz efeitos de ruptura no pensamento do espectador, fazendo-o “tropeçar” intelectualmente
na ideia expressa pelo realizador e traduzida pela confrontação de planos.
Na montagem expressiva a sucessão de planos já não se cinge à necessidade de contar uma
história. Foi levada ao apogeu pelos Soviéticos que lhe conferem um progresso decisivo: a
montagem intelectual ou ideológica.
Tipo mais célebre da montagem expressiva é a montagem de atrações, em que o principal
teorizador é Eisenstein:
“Todo o momento agressivo – isto é, qualquer elemento teatral exerce sobre o espectador uma
pressão sensorial ou psicológica (…) de forma a produzir esta ou aquela emoção de choque.”
Montagem Expressiva compreende dois tipos de montagem:
- Montagem alternada (duas acções simultâneas)
- Montagem paralela (baseada na aproximação simbólica)
Fundamentos Psicológicos da Montagem
A sucessão de planos num filme é baseada no olhar ou pensamento das personagens ou
do espectador
Cada plano deve suscitar, preparar, condicionar o plano seguinte, contendo um elemento
que pede uma resposta:
- Por exemplo, um plano reacção a determinda acção
Montagem = Progressão Dramática do filme
Obedece a uma lei de tipo dialético: cada plano deve comportar um elemento que encontra a sua
resposta no plano seguinte.
A tensão psicológica criada no espectador deve ser satisfeita depois pela sequência de planos que
se segue.
Definições e Regras
Plano
É uma totalidade dinâmica em devir. Inclui uma falta, um apelo, uma tensão estética ou
dramática, suscita o plano seguinte que o completará, integrando-o visual e psicologicamente
Cena e Sequência
A cena é determinada pela unidade de tempo e de lugar
A sequência é uma noção especificamente cinematográfica, uma série de planos e o que a
caracteriza é principalmente a unidade de acção, a continuidade. Frequentemente compreende
mais do que uma cena.
Transições entre planos
Cut (corte directo)
É o mais comum.
Pressupões percepção do espectador
Essencial para o efeito de justaposição (efeito kuleshov)
Dissolve
Transição gradual entre planos
Mistura gradual do plano A para plano B através de transparência
Fade in \ Fade out
Transição do negro ou branco para imagem e vice-versa
Filmes antigos usavam para intertítulos e início de filme
Actualmente usado para fazer transição para sonho, memória
Wipe
Pouco utilizado
Transição entre planos, de forma dinâmica
Corte com continuidade (raccord)
Regra geral o corte deve aproveitar movimento
Planos estáticos variar o mais possível escala e ângulo (PG – PP)
Evitar cortes durante movimentos de câmara
Evitar colar dois planos com a mesma escala
Evitar dois close-ups da mesma pessoa
Cada plano deve fazer progredir a acção
Elimine planos desnecessários ou redundantes
Esquerda – direita \ direita – esquerda
Continuidade visual: local, cenário, adereços, variações de luz e cor. Som pode ajudar
continuidade da cena.
Continuidade do olhar: regra também se aplica ao olhar da personagem
Diálogo com personagem em pé e outra sentada, ângulo vertical deve respeitar linha do
olhar de cada personagem.
Similaridade no ângulo de câmara e direção – PG para PP: continuidade para a fala da
personagem – está a falae em PG e continua em PP.
Duração dos Planos
PG tem mais informação que um PP, por isso deve ter mais tempo;
planos em movimento têm muita informação
um insert importante para a acção deve ser mantido mais tempo
planos parados e repetidos devem ser curtos
os planos nunca devem ser do mesmo tamanho – curtos ou longos – isso enfraquece o
impacto da sequência (excepção da tv)
Ritmo e dinâmica
o ritmo vem da variação da duração dos planos + variação da escala
ritmo mais rápido, em geral, sugere maior intensidade
personagem dinâmica, usar planos curtos; personagem pouco dinâmica, usar planos mais
longos
melhores cortes passam despercebidos, são suaves
Mas…
Não permita que os cortes se tornem previsíveis, se não muda o ritmo não altera a
dinâmica. Não há surpresas
Nouvelle Vague
plano-sequência: filmagem da ação sem corte em vez de decupar e montar a sequência
filmar com a câmera em movimento para evitar a montagem
som sincrônico (direto) para produzir efeito do Cinema Verdade
juntar dois planos descontínuos
mostrar a descontinuidade- lembrar ao espectador que ele está a ver um filme (auto-
reflexividade)
jump-cut (corte descontínuo ou quebra de eixo) era utilizado como desafio a continuidade
da montagem
Funções Criadoras da Montagem
Criação de movimento: animação, deslocação, aparência de continuidade temporal e\ou
espacial
Criação de ritmo: impressão de duração (através da relação de duração dos planos e dos
conteúdos dramáticos) e impressão de grandeza (choque psicológico e aproximação do
espectador às personagens através de grandes planos)
Criação da ideia: finalidade expressiva e poder da montagem. A montagem não mostra a
realidade mas induz o espectador para a “verdade” do realizador.
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