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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c

constroem a narrativa.
(SAERO). Leia o texto abaixo e responda. Dia e hora marcado, começa a prova. Nos
Área interna primeiros quilômetros, um dos discípulos
Morava no terceiro andar [...]: não havia começou a mancar. No meio da subida, parou e
vizinho, do quarto andar para cima, que não tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já
jogasse lixo na sua área. Sua mulher era uma sangravam, causando imensa dor. Ficou para
dessas conformadas que só existem duas no trás, observando seu oponente sumir de vista.
mundo, sendo que a outra ninguém viu: Prova encerrada, todos de volta ao pé da
– Deixa isso pra lá, Antônio, pior seria se a montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio.
gente morasse no térreo. Após o festejo, o derrotado aproxima-se do
Antônio não se controlava, ficava uma fera vencedor e pergunta como é que ele havia
quando via cair cascas de banana, de laranja, conseguido subir e descer com os feijões nos
restos de comida. Em época de melancia ficava sapatos:
quase louco, tinha vontade de se mudar. A mulher – Antes de colocá-los no sapato, eu os
procurava contornar: cozinhei.
– Tenha calma, Antônio, daqui a pouco as Carregando feijões, ou problemas, há
melancias acabam e você esquece tudo. sempre um jeito mais fácil de levar a vida.
Mas ele não esquecia: Problemas são inevitáveis. Já a duração do
– Acabam as melancias, vêm as jacas, sofrimento, é você quem determina.
acabam as jacas, vêm os abacates. Já pensou, Disponível em: <http://www.metaforas.com.br/>. Acesso em: 13 mar.
2011.
Marieta? Caroço de abacate é fogo!
Um dia chegou na área, tinha até lata de
Qual é o conflito gerador desse enredo?
sardinha. Procurou pra ver se tinha alguma
A) A necessidade do monge em encontrar um
sardinha, mas a lata tinha sido raspada. Se
sucessor.
queimou. Falou com o síndico, ele disse que era
B) A solução encontrada pelo discípulo
impossível fiscalizar todos os quarenta e oito
vencedor.
apartamentos pra ver quem é que atirava as
C) A subida dos discípulos a uma grande
coisas. Pensou em fechar a área com vidro,
montanha.
pediram uma nota firme e se não decidisse dentro
D) O desafio proposto pelo mestre aos seus
de sete dias, ia ter um acréscimo de trinta por
discípulos.
cento. Foi à polícia dar queixa dos vizinhos, o
E) O sofrimento do discípulo ao ver o oponente
delegado achou muita graça, disse que não podia
vencer.
dar educação aos vizinhos e, se pudesse daria
aos seus, pois ele morava no térreo e era muito
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pior. [...]
ELIACHAR, Leon. O homem ao zero. Rio de Janeiro: Francisco (SAERO). Leia o texto abaixo e responda.
Alves, 1980. Fragmento. Área interna
Morava no terceiro andar [...]: não havia
O fato que motivou essa narrativa foi vizinho, do quarto andar para cima, que não jogasse
A) o lixo jogado na área. lixo na sua área. Sua mulher era uma dessas
B) o descontrole do marido. conformadas que só existem duas no mundo, sendo
C) a paciência da mulher. que a outra ninguém viu:
D) a queixa feita contra os vizinhos. – Deixa isso pra lá, Antônio, pior seria se a
E) a resposta dada pelo delegado. gente morasse no térreo.
Antônio não se controlava, ficava uma fera
------------------------------------------------------------ quando via cair cascas de banana, de laranja, restos
de comida. Em época de melancia ficava quase
(SAERO). Leia o texto abaixo e responda.
louco, tinha vontade de se mudar. A mulher
Feijões ou problemas?
procurava contornar:
Reza a lenda que um monge, próximo de se – Tenha calma, Antônio, daqui a pouco as
aposentar, precisava encontrar um sucessor. melancias acabam e você esquece tudo.
Entre seus discípulos, dois já haviam dado Mas ele não esquecia:
mostras de que eram os mais aptos, mas apenas – Acabam as melancias, vêm as jacas,
um o poderia. Para sanar as dúvidas, o mestre acabam as jacas, vêm os abacates. Já pensou,
lançou um desafio, para por a sabedoria dos dois Marieta? Caroço de abacate é fogo!
à prova: ambos receberiam alguns grãos de Um dia chegou na área, tinha até lata de
feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos, sardinha. Procurou pra ver se tinha alguma
para então empreender a subida de uma grande sardinha, mas a lata tinha sido raspada. Se
montanha. queimou. Falou com o síndico, ele disse que era
impossível fiscalizar todos os quarenta e oito
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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c
constroem a narrativa.
apartamentos pra ver quem é que atirava as coisas. Moral da história: É assim a vida daqueles que não
Pensou em fechar a área com vidro, pediram uma têm coragem de arriscar: as soluções nos são
nota firme e se não decidisse dentro de sete dias, ia dadas generosamente por Deus, mas estas pessoas
ter um acréscimo de trinta por cento. Foi à polícia sempre procuram explicações mais complicadas e
dar queixa dos vizinhos, o delegado achou muita terminam não fazendo nada. Pare de tentar
graça, disse que não podia dar educação aos complicar a vida! Isso é o que temos feito sempre...
vizinhos e, se pudesse daria aos seus, pois ele A vida é feita de extrema simplicidade. Só um
morava no térreo e era muito pior. [...] caminho a ser seguido: o seu! Uma pergunta a ser
ELIACHAR, Leon. O homem ao zero. Rio de Janeiro: Francisco respondida: “o que você realmente quer?” E uma
Alves, 1980. Fragmento.
atitude a ser tomada: entregar-se! Pare de lutar com
a vida, porque quanto mais você luta, mais você dói!
No trecho “...não havia vizinho, do quarto andar Revista Geração saúde, Ano 4, Nº 35, p. 34.
para cima, que não jogasse lixo na sua área.”(ℓ.
1-2), a expressão destacada refere-se ao termo Nesse texto, a característica do personagem
A) vizinho. principal é a
B) Antônio. A) astuta inteligência.
C) mulher. B) capacidade de ler mentes.
D) síndico. C) imaginação insensata.
E) delegado. D) personalidade mesquinha.
E) tendência à comicidade.
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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda. ------------------------------------------------------------
Nasrudin e o ovo (SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Certa manhã, Nasrudin – o grande místico sufi O torcedor
que sempre fingia ser louco – colocou um ovo No jogo de decisão do campeonato, Eváglio
embrulhado em um lenço, foi para o meio da praça torceu pelo Atlético Mineiro, não porque fosse
de sua cidade e chamou aqueles que estavam ali. atleticano ou mineiro, mas porque receava o
– Hoje teremos um importante concurso! – carnaval nas ruas se o Flamengo vencesse.
disse. Quem descobrir o que está embrulhado neste
Visitava um amigo em bairro distante, nenhum
lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!
dos dois tem carro, e ele previa que a volta seria
As pessoas se olharam, intrigadas, e
problema.
responderam:
– Como podemos saber? Ninguém aqui é O Flamengo triunfou, e Eváglio deixou de
capaz de fazer adivinhações! ser atleticano para detestar todos os clubes de
Nasrudin insistiu: futebol, que perturbam a vida urbana com suas
– O que está neste lenço tem um centro que é vitórias. Saindo em busca de táxi inexistente,
amarelo como uma gema, cercado de um líquido da acabou se metendo num ônibus em que não
cor da clara, que por sua vez está contido dentro de cabia mais ninguém, e havia duas bandeiras
uma casca que quebra facilmente. É um símbolo de rubro-negras para cada passageiro. E não eram
fertilidade e nos lembra dos pássaros que voam bandeiras pequenas nem torcedores exaustos:
para seus ninhos. Então, quem pode me dizer o que estes pareciam terem guardado a capacidade de
está escondido? grito para depois da vitória.
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin Eváglio sentiu-se dentro do Maracanã, até
tinha em suas mãos um ovo, mas a resposta era tão mesmo dentro da bola chutada por 44 pés. A bola
óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha era ele, embora ninguém reparasse naquela
diante dos outros. E se não fosse um ovo, mas algo esfera humana que ansiava por tornar a ser gente
muito importante, produto da fértil imaginação a caminho de casa.
mística dos sufis? Lembrando-se de que torcera pelo vencido,
Um centro amarelo podia significar algo do sol, teve medo, para não dizer terror. Se lessem em
o líquido ao redor talvez fosse um preparado seu íntimo o segredo, estava perdido. Mas todos
alquímico. Não, aquele louco estava querendo fazer cantavam, sambavam com alegria tão pura que
alguém de ridículo.
ele próprio começou a sentir um pouco de
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e
Flamengo dentro de si. Era o canto?
ninguém se arriscou a dizer algo impróprio.
Eram braços e pernas falando além da
Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o
ovo. boca? A emanação de entusiasmo o contagiava e
– Todos vocês sabiam a resposta – afirmou. E transformava. Marcou com a cabeça o
ninguém ousou traduzi-la em palavras. acompanhamento da música. Abriu os lábios,
simulando cantar. Cantou. [...] Estava batizado,

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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c
constroem a narrativa.
crismado e ungido: uma vez Flamengo, sempre possibilidades, mas o perfil do passarinho já se
Flamengo. delineava na transparência azul do plástico.
O pessoal desceu na Gávea, empurrando Um pássaro novo caiu do ninho e foi
Eváglio para descer também e continuar a festa, confundido com as folhas secas e foi varrido e
mas Eváglio mora em Ipanema, e já com o pé no agora lutava pela liberdade.
estribo se lembrou. Loucura continuar Flamengo – Ele tá preso!
[...] Segurou firme na porta, gritou: “Eu volto, O grito de Hélder interrompeu o final da
gente! Vou só trocar de roupa” e, não se sabe multiplicação de 15 por 127. Todos os alunos
como, chegou intacto ao lar, já sem compromisso olharam para o pátio. E todos nós concordamos,
clubista. sem palavras: o bico do passarinho tentava
ANDRADE, Carlos Drummond de. Disponível em: romper aquela estranha pele azul. Hélder saiu da
<http://flamengoeternamente.blogspot.com/2007/04/o-torcedor-
carlos-drummond-de-andrade. sala e nós fomos atrás. E antes que eu pudesse
html>. Acesso em: 13 jan. 2011. Fragmento. pronunciar a primeira sílaba da palavra “calma”, o
saco plástico simplesmente explodiu, as folhas
O clímax desse texto encontra-se no trecho: voaram e as crianças pularam de alegria.
A) “... acabou se metendo num ônibus em que Alguns alunos dizem que havia dois
não cabia mais ninguém,...”. (ℓ. 12) passarinhos presos. Outros viram três
B) “Eváglio sentiu-se dentro do Maracanã, até passarinhos voando felizes e agradecidos. Lucas
mesmo dentro da bola chutada por 44 pés.”. diz que era um beija-flor. Renata insiste que era
(ℓ. 18-19) uma cigarra. Eu, sinceramente, só vi folhas secas
C) “Lembrando-se de que torcera pelo vencido, voando.
teve medo, para não dizer terror.”. (ℓ. 23) Para concluir esta inesquecível aula de
D) “Estava batizado, crismado e ungido: uma Matemática, pegamos vassouras, pás e sacos
vez Flamengo, sempre Flamengo.”. (ℓ. 34- plásticos e fomos varrer novamente o pátio.
35) MARQUES, Francisco. Disponível em:
<http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/folhas-secas-
E) “O pessoal desceu na Gávea, empurrando 634210.shtml>.
Eváglio para descer também e continuar a Acesso em: 14 fev. 2012.
festa,...”. (ℓ. 36-37)
texto, o elemento gerador da narrativa é o fato de
------------------------------------------------------------ A) Carolina equilibrar o apontador com a régua.
(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda. B) Dona Natália varrer as folhas do pátio da
Folhas secas escola.
Eu estava dando uma aula de Matemática e C) Hélder se espantar com algo se mexendo
todos os alunos acompanhavam atentamente. dentro do saco plástico.
Todos? D) Lucas recolher as borrachas dos amigos
Quase. Carolina equilibrava o apontador na para construir um castelo.
ponta da régua, Lucas recolhia as borrachas dos E) Renata conferir as canetas e os lápis de seu
vizinhos e construía um prédio, Renata conferia estojo.
as canetas e os lápis do seu estojo vermelhíssimo
e Hélder olhava para o pátio. ------------------------------------------------------------
O pátio? O que acontecia no pátio? (SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Após o recreio, dona Natália varria A hora dos ruminantes
calmamente as folhas secas e amontoava e A noite chegava cedo em Manarairema. Mal
guardava tudo dentro de um enorme saco plástico o sol se afundava atrás da serra – quase que de
azul. Terminando o varre-varre, dona Natália repente, como caindo – já era hora de acender
amarrou a boca do saco plástico e estacionou candeeiros, de recolher bezerros, de se enrolar
aquele bafuá de folhas secas perto do portão. em xales. A friagem até então continuada nos
Hélder observava atentamente. E eu remansos do rio, em fundos de grotas, em porões
observava a observação de Hélder – sem escuros, ia se espalhando, entrando nas casas,
descuidar da minha aula de Matemática. De cachorro de nariz suado farejando.
repente, Hélder foi arregalando os olhos e Manarairema, ao cair da noite – anúncios,
franzindo a testa. prenúncios, bulícios. Trazidos pelo vento que bate
Qual o motivo do espanto? pique nas esquinas, aqueles infalíveis latidos,
Hélder percebeu alguma coisa no meio das choros de criança com dor de ouvido, com medo
folhas movendo-se desesperadamente, com do escuro. Palpites de sapos em conferência,
aflição, sufoco, falta de ar. Hélder buscava grilos afiando ferros, morcegos costurando a
interpretações para a cena, analisava
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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c
constroem a narrativa.
esmo, estendendo panos pretos, enfeitando o Argemiro, o bombeiro. O psicólogo da corporação
largo para alguma festa soturna. disse que era normal ter sono agitado daquele
Manarairema vai sofrer a noite. [...] jeito, pesadelo profissional...
Não se podia mais sair de casa, os bois No dia seguinte, no jornal, a notícia
atravancavam as portas e não davam passagem, estranha: um homem havia caído das nuvens ao
não podiam; não tinham para onde se mexer. lado da fábrica [...].
Quando se abria uma janela não se conseguia Argemiro esfregou os olhos para ver se não
mais fechá-la, não havia força que empurrasse estava sonhando.
para trás aquela massa elástica de chifres, DIAFÉRIA, Lourenço. O imitador de gato. 2ª ed. São Paulo: Ática,
2003. Fragmento. *Adaptado: Reforma Ortográfica.
cabeças e pescoços que vinha preencher o
espaço.
Uma das características da tipologia narrativa
Frequentemente surgiam brigas, e seus
presente nesse texto é
estremecimentos repercutiam longe, derrubavam
A) a defesa de uma ideia.
paredes distantes e causavam novas brigas, até
B) a predominância dos verbos no imperativo.
que os empurrões, chifradas, ancadas forçassem
C) a presença do verbo ser no presente do
uma arrumação temporária. O boi que perdesse o
indicativo.
equilíbrio e ajoelhasse nesses embates não
D) o conjunto de argumentos.
conseguia mais se levantar, os outros o pisavam
E) o encadeamento dos fatos.
até matar, um de menos que fosse já folgava um
pouco o aperto – mas só enquanto os empurrões
------------------------------------------------------------
vindos de longe não restabelecessem a angústia.
(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
[...]
VEIGA, José J. Disponível em: O cego, Renoir, Van Gogh e o resto
<http://www.portugues.com.br/literatura>. Acesso em: 5 mar. 2012. Vistos de costas, pareciam apenas dois
Fragmento. amigos conversando diante do quadro Rosa e
azul, de Renoir, comentando o quadro. Porém,
Uma característica da tipologia narrativa que quem prestasse atenção nos dois perceberia,
predomina nesse texto é: talvez estranhasse, que um deles, o de elegantes
A) a caracterização dos personagens. óculos de sol, parecia um pouco desinteressado,
B) a descrição do ambiente e dos fatos. apesar de todo o empenho do outro, traduzido em
C) o desfecho inesperado. gestos e eloquência quase murmurada. [...]
D) o momento de maior tensão no enredo. O que falava segurava às vezes o antebraço
E) o narrador onipresente. do de óculos com uma intimidade solícita e
confiante. [...] Aproximei-me do quadro, fingindo
------------------------------------------------------------ olhar de perto a técnica do pintor, voltei-me e
(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda. percebi: o de óculos escuros era cego. [...]
Pesadelo profissional. Algo extraordinário acontecia ali, que eu só
– Tem brevê? Sem brevê, o voo é compreendia na superfície: um homem
clandestino. descrevendo para um amigo cego um quadro de
– Se tem, nunca me falou. Olha, meu marido Renoir. Por que tantos detalhes? [...]
reapareceu. Nossa! Está voando de costas. – Azul com o quê? Fale mais desse azul –
Parece avião da esquadrilha da fumaça... pediu o cego, como se precisasse completar
Depressa, ele não consegue baixar o trem de alguma coisa dentro de si.
pouso... – É um azul claro, muito claro, um azul que
Depressa, por favor. Mande uma guarnição tem movimento e transparência em muita luz, um
com urgência. Não esqueçam de trazer a escada azul tremulando, azul como o de uma piscina
Magirus... E umas almofadas para amaciar a muito limpa eriçada pelo vento, uma piscina em
queda. Ah, a rede! Por favor, tragam a rede... Oh, que o sol se reflete e que tremula em mil
cuidado, Argemiro! Argemiro, cuidado, abra as pequenos reflexos [...] Lembra-se daquela piscina
asas, Argemiro... Argemiro! Argemirooo! em Amalfi?
Argemiro, o bombeiro, acordou com a sirene – Lembro... lembro... – e sacudia a
do quartel tocando. Deu um salto, saiu correndo cabeça ...
em direção à viatura vermelha. Sinal de fogo em Afastei-me, olhei-os de longe. Roupas
algum lugar da cidade. Suspirou aliviado. Ainda coloridas, esportivas. [...] O guarda treinado para
bem que era incêndio. Detestava esse tipo de vigiar pessoas estava ao meu lado e contou, aos
pesadelo, mulher telefonando para dizer que o arrancos:
marido estava voando. Principalmente, porque o
marido tinha sempre o mesmo nome que ele,
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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c
constroem a narrativa.
– Eles vêm muito aqui. Só conversam sobre A vida inteira que podia ter sido e que não foi:
um quadro ou dois de cada vez. É que o cego se tosse, tosse, tosse.
cansa. Era fotógrafo, ficou assim de desastre. Mandou chamar o médico:
ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. In Para gostar de ler: v.: Diga trinta e três.
28. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2007. Fragmento.
Trinta e três, Trinta e três... Trinta e três.
Respire.
No primeiro parágrafo desse texto, o elemento da .................................
narrativa em evidência é o O senhor tem uma escavação no pulmão
A) ambiente. esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
B) clímax. Então, doutor, não é possível tentar o
C) narrador. pneumotórax?
D) personagem. − Não. A única coisa a fazer é tocar um tango
E) tempo. argentino.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 5. ed. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1974. *Adaptado: Reforma Ortográfica.
------------------------------------------------------------
(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
No trecho “A vida inteira que podia ter sido e que
não foi.” (v. 2), há a exploração do recurso
Cinco minutos
estilístico de
Capítulo 5
A) comparação de fatos.
Assim ficamos muito tempo imóveis, ela,
B) exagero.
com a fronte apoiada sobre o meu peito, eu, sob a
C) ironia.
impressão triste de suas palavras.
D) oposição de ideias.
Por fim ergueu a cabeça; e, recobrando a
E) repetição sonora.
sua serenidade, disse-me com um tom doce e
melancólico:
------------------------------------------------------------
– Não pensas que melhor é esquecer do
(SPAECE). Leia o texto abaixo.
que amar assim?
O galo que logrou a raposa
– Não! Amar, sentir-se amado é sempre [...]
um grande consolo para a desgraça. O que é
Um velho galo matreiro, percebendo a
triste, o que é cruel, não é essa viuvez da alma
aproximação da raposa, empoleirou-se numa
separada de sua irmã, não; aí há um sentimento
árvore. A raposa, desapontada, murmurou
que vive, apesar da morte, apesar do tempo. É,
consigo: “Deixe estar, seu malandro, que já te
sim, esse vácuo do coração que não tem uma
curo!... E em voz alta:
afeição no mundo e que passa como um estranho
— Amigo, venho contar uma grande
por entre os prazeres que o cercam.
novidade: acabou-se a guerra entre os animais.
– Que santo amor, meu Deus! Era assim
Lobo e cordeiro, gavião e pinto, onça e
que eu sonhava ser amada! ...
veado, raposa e galinhas, todos os bichos andam
– E me pedias que te esquecesse!...
agora aos beijos, como namorados. Desça desse
– Não! não! Ama-me; quero que me ames
poleiro e venha receber o meu abraço de paz e
ao menos...
amor.
– Não me fugirás mais?
— Muito bem! — exclama o galo. Não
– Não. [...]
ALENCAR, José de. Cinco minutos. Rio de Janeiro: Aguilar, 1987. imagina como tal notícia me alegra! Que beleza
Fragmento. vai ficar o mundo, limpo de guerras, crueldades e
traições! Vou já descer para abraçar a amiga
Nesse texto, o elemento da narrativa em raposa, mas... como lá vêm vindo três cachorros,
evidência é o acho bom esperá-los, para que também eles
A) cenário. tomem parte na confraternização.
B) discurso direto. Ao ouvir falar em cachorro, Dona Raposa
C) enredo. não quis saber de histórias, e tratou de pôr-se ao
D) narrador. fresco, dizendo:
E) tempo decorrido. — Infelizmente, amigo Có-có-ri-có, tenho
pressa e não posso esperar pelos amigos cães.
------------------------------------------------------------ Fica para outra vez a festa, sim? Até logo.
(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda. E raspou-se.
Contra esperteza, esperteza e meia.
Pneumotórax LOBATO, Monteiro. Fábulas. 19 ed. São Paulo. Brasiliense, s. d. p.
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. 47

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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c
constroem a narrativa.
C) a fila de fregueses.
Esse texto é narrado D) a crescente concorrência.
A) pelo galo. E) a construção de um banheiro.
B) pela raposa.
C) pelo cachorro. ------------------------------------------------------------
D) por alguém que testemunha os fatos Leia o texto abaixo e responda.
narrados. A raposa e as uvas
E) por alguém que está fora dos fatos narrados. Certa raposa esfaimada encontrou uma
parreira carregadinha de lindos cachos
------------------------------------------------------------ maduros, coisas de fazer vir água à boca.
(SPAECE). Leia o texto abaixo. Mas tão altos que nem pulando.
Par ou ímpar
O matreiro bicho torceu o focinho:
Aberta de segunda a sábado nos arredores da
– Estão verdes – murmurou – Uvas
praça da matriz, a Barbearia Central sempre teve
muito movimento, tanto que permitiu aos barbeiros
verdes, só para cachorros.
Careca e Bigode sustentar mais de uma família E foi-se.
cada. Nisto deu um vento e uma folha caiu.
Sempre em harmonia, os dois sobreviveram à A raposa, ouvindo o barulhinho, voltou
moda dos cabelos compridos entre os homens, depressa e pôs-se a farejar...
aguentaram diversos surtos inflacionários e Quem desdenha quer comprar.
resistiram à LOBATO, Monteiro. Fábulas. 4. ed. São Paulo: Brasiliense,
1973. p. 47.
proliferação de salões de cabeleireiros unissex na
cidade. Na virada do milênio, começaram a se
O problema que se apresenta para a
desentender. A briga teve início porque um quis
fazer uma reforminha – implantar um sanitário –
personagem é
para oferecer um conforto extra aos clientes; o outro A) a força do vento.
achou bobagem – quem precisasse de banheiro que B) a altura da parreira.
fosse à estação rodoviária, ali perto. C) o estado das frutas.
Por meses os dois bateram boca, mal D) a quantidade de frutas.
respeitando a presença dos fregueses, que faziam E) a presença de cachorros.
fila da manhã ao anoitecer. Até que resolveram
separar-se. Jogo duro: nenhum queria sair. Deu
empate em todos os itens colocados na mesa:
------------------------------------------------------------
idade, antiguidade na barbearia, número de Leia o texto, abaixo, e responda.
fregueses. Par ou ímpar? Estavam para decidir nos A lenda do preguiçoso
dados – que também rolavam por ali, nos remansos Giba Pedroza
do trabalho – quando chegou o sírio Simão, dono do
Diz que era uma vez um homem que era o
salão de 6 x 4m. Vinha cobrar o aluguel.
Inteirado da discórdia, resolveu a parada no mais preguiçoso que já se viu debaixo do céu e
ato, com um gesto largo e a frase salomônica: “Sem acima da terra. Ao nascer nem chorou, e se
problema, patrício: bota parede no meio do salão!” pudesse falar teria dito:
Foi assim que se dividiu o mais antigo “Choro não. Depois eu choro”.
estabelecimento do gênero na cidade. Agora, ao Também a culpa não era do pobre. Foi o pai
lado da Barbearia Central, funciona o Salão que fez pouco caso quando a parteira ralhou com
Principal – com banheiro. Totalmente ele: “Não cruze as pernas, moço. Não presta!
independentes, o dois têm alvarás distintos e contas Atrasa o menino pra nascer e ele pode crescer na
de preguiça, manhoso”.
luz e água separadas. Em nome dos princípios da E a sina se cumpriu. Cresceu o menino na
boa vizinhança, Careca e Bigode se cumprimentam, maior preguiça e fastio. Nada de roça, nada de
mas só bom dia e até logo; papo, nunca mais. E não lida, tanto que um dia o moço se viu sozinho no
é por falta de assunto local ou nacional. Nas duas pequeno sítio da família onde já não se plantava
salinhas do sábio Simão nada mudou: o dia inteiro, nada. O mato foi crescendo em volta da casa e
tesouras afiadas e línguas ferinas seguem cortando ele já não tinha o que comer. Vai então que ele
cabelos e aparando reputações. chama o vizinho, que era também seu compadre,
Globo Rural, abril, 2008. * Adaptado: Reforma Ortográfica.
e pede pra ser enterrado ainda vivo. O outro, no
O fato que desencadeou essa história foi começo, não queria atender ao estranho pedido,
A) a virada do milênio. mas quando se lembrou de que negar favor e
B) a inflação oscilante. desejo de compadre dá sete anos de azar...

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D10 - Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que c
constroem a narrativa.
E lá se foi o cortejo. Ia carregado por alguns
poucos, nos braços de Josefina, sua rede de
estimação. Quando passou diante da casa do
fazendeiro mais rico da cidade, este tirou o
chapéu, em sinal de respeito, e perguntou:
Quem é que vai aí? Que Deus o tenha!”
“Deus não tem ainda, não, moço. Tá vivo.”
E quando o fazendeiro soube que era
porque não tinha mais o que comer, ofereceu dez
sacas de arroz. O preguiçoso levantou a aba do
chapéu e ainda da rede cochichou no ouvido do
homem:
“Moço, esse seu arroz tá escolhidinho,
limpinho e fritinho?”
“Tá não.”
“Então toque o enterro, pessoal.”
E é por isso que se diz que é preciso prestar
atenção nas crendices e superstições da ciência
popular.
Disponível em:
<http://singrandohorizontes.wordpress.com/2010/08/18/folclo
re-popular-lenda-do-preguicoso/>. Acesso em: 08 set. 2010.

Ao introduzir esse texto com “Diz que era uma


vez...”, o narrador
A) antecipa a ideia de um texto de conteúdo de
base irreal.
B) isenta-se da responsabilidade sobre o que
será narrado.
C) manifesta-se subjetivamente em relação aos
fatos.
D) reproduz uma introdução tradicional dos
contos de fada.

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