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Índice

PC-SP
Polícia Civil do Estado de São Paulo

Investigador de Polícia
A Apostila Preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial, com base no último concurso
para este cargo, elaboramos essa apostila a fim que o aluno antecipe seus estudos.
Quando o novo concurso for divulgado aconselhamos a compra de uma nova apostila elaborada de acordo
com o novo Edital.
A antecipação dos estudos é muito importante, porém essa apostila não lhe dá o direito de troca, atualizações
ou quaisquer alterações sofridas no Novo Edital.

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

LÍNGUA PORTUGUESA

1.1 Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários)........................................................01


1.2 Sinônimos e antônimos...................................................................................................................................................03
1.3 Sentido próprio e figurado das palavras.......................................................................................................................05
1.4 Pontuação.........................................................................................................................................................................50
1.5 Classes de palavras: substantivo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção: emprego
e sentido que imprimem às relações que estabelecem..............................................................................................................09
1.6 Concordância verbal e nominal.....................................................................................................................................56
1.7 Regência verbal e nominal.............................................................................................................................................61
1.8 Colocação pronominal....................................................................................................................................................53
1.9 Crase.................................................................................................................................................................................66

NOÇÕES DE DIREITO

2.1 Constituição Federal: artigos 1.º a 5.º, 37 e 144............................................................................................................01


2.2 Direitos Humanos............................................................................................................................................................19
2.2.1 Direitos Humanos: noção, significado, finalidades e história...................................................................................19
2.2.2 A dignidade da pessoa humana e os valores da liberdade, da igualdade e da solidariedade................................26
2.2.3 Cidadania: noção, significado e história....................................................................................................................28
2.2.3.1 Direitos e deveres da cidadania................................................................................................................................28
2.2.3 Democracia: noção, significado e valores...................................................................................................................30
2.2.3.1 Estado Democrático de Direito: noção e significado..............................................................................................30
2.2.4 Os Direitos Humanos fundamentais vigentes na Constituição da República: direitos à vida e à preservação da
integridade física e moral (honra, imagem, nome, intimidade e vida privada), à liberdade em todas as suas formas, à
igualdade, à propriedade e à segurança, os direitos sociais, a nacionalidade e os direitos políticos....................................32

Didatismo e Conhecimento
Índice
2.2.5 A Polícia Civil e a defesa das instituições democráticas: a polícia judiciária e a promoção dos direitos
fundamentais................................................................................................................................................................................44
2.2.5 O direito de receber serviços públicos adequados.....................................................................................................48
2.2.6 Os sistemas global e americano de proteção dos direitos humanos fundamentais: a Declaração Universal dos
Direitos Humanos e a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica)............................49
2.3 Direito Penal....................................................................................................................................................................83
2.3.1 Crime: conceitos...........................................................................................................................................................83
2.3.2 Crime e contravenção..................................................................................................................................................83
2.3.3 Crime doloso e crime culposo.....................................................................................................................................84
2.3.4 Crime consumado e crime tentado.............................................................................................................................87
2.3.5 Estado de necessidade. Legítima defesa. Estrito cumprimento do dever legal. Exercício regular do direito.....89
2.3.6 Dos Crimes Contra a Pessoa.......................................................................................................................................91
2.3.7 Dos Crimes Contra o Patrimônio.............................................................................................................................121
2.3.8 Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual...................................................................................................................137
2.3.9 Dos Crimes Contra a Incolumidade Pública...........................................................................................................148
2.3.10 Dos Crimes Contra a Paz Pública..........................................................................................................................151
2.3.11 Dos Crimes Contra a Fé Pública.............................................................................................................................154
2.3.12 Dos Crimes Contra a Administração Pública........................................................................................................159
2.4 Direito Processual Penal:..............................................................................................................................................175
2.4.1 Do Inquérito Policial..................................................................................................................................................175
2.4.2 Da Prova......................................................................................................................................................................180
2.4.3 Da Prisão em Flagrante.............................................................................................................................................193
2.4.4 Da Prisão Preventiva..................................................................................................................................................193
2.5 Legislação Especial:......................................................................................................................................................200
2.5.1 Lei de Abuso de Autoridade - Lei n.º 4.898/65.........................................................................................................200
2.5.2 Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei n.º 8.069/90 - artigos 225 ao 244-B..................................................203
2.5.3 Lei de Crimes Hediondos - Lei n.º 8.072/90.............................................................................................................204
2.5.4 Código de Defesa do Consumidor - Lei n.º 8.078/90 - artigos. 61 ao 80................................................................206
2.5.5 Lei de Improbidade Administrativa - Lei n.º 8.429/92...........................................................................................207
2.5.6 Lei de Tortura - Lei n.º 9.455/97............................................................................................................................... 211
2.5.7 Código de Trânsito Brasileiro - Lei n.º 9.503/97 - artigos 302 ao 312.................................................................... 211
2.5.8 Lei Maria da Penha - Lei n.º 11.340/06....................................................................................................................212
2.5.9 Lei sobre Drogas - Lei n.º 11.343/06 - artigos 27 ao 53...........................................................................................217
2.5.10 Lei do Crime Organizado - Lei nº 12850/13..........................................................................................................220
2.5.11 Lei da Prisão Temporária - Lei nº 7.960/89...........................................................................................................223
2.5.12 Lei dos Juizados Especiais - Lei nº 9.099/95 - artigos 60 ao 97............................................................................224
2.5.13 Lei das Contravenções Penais - Decreto-lei nº 3.688/41.......................................................................................227
2.5.14 Estatuto do Desarmamento - Lei nº 10.826/2003 - artigos 12 ao 21....................................................................232
2.5.15 Lei dos Crimes Ambientais - Lei nº 9.605/98.........................................................................................................233
2.5.16 Lei de Interceptação Telefônica - nº Lei 9.296/96..................................................................................................240
2.5.17 Lei dos Crimes Resultantes de Preconceito de Raça e Cor - Lei nº 7.716/89......................................................241
2.5.18 Estatuto do Idoso - Lei nº 10.741/2003 - artigos 93 ao 108...................................................................................243
2.5.19 Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado - Lei nº 10.261/68.............................................................244
2.5.20 Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo (Lei Complementar n.º 207 de 05/01/1979 e Lei Complementar
n.º 922/02 e Lei Complementar n.º 1.151/11)...........................................................................................................................267
2.5.21 Lei Federal n.º 12.527, de 18/11/2011 (Lei de Acesso à Informação) e seu decreto regulamentador no âmbito do
Estado de São Paulo (Decreto n.º 58.052, de 16/05/2012).......................................................................................................289

CRIMINOLOGIA

3.1 Fundamentos teóricos.....................................................................................................................................................01


3.2 Etapas evolutivas do pensamento criminológico..........................................................................................................01
3.3 Modelos teóricos de natureza biológica, psicológica e sociológica..............................................................................07
3.4 Vitimologia.......................................................................................................................................................................18
3.5 Modelos e sistemas de segurança pública e de justiça criminal..................................................................................24

Didatismo e Conhecimento
Índice

LÓGICA

4.1 Conceito de Proposição - Proposições Simples e Compostas - Conectivos Lógicos..................................................01


4.2 Negação de uma Proposição Simples............................................................................................................................. 11
4.3 Tautologia, Contradição e Contingência.......................................................................................................................15
4.4 Implicação Lógica...........................................................................................................................................................18
4.5 Equivalência Lógica - Equivalências Notáveis.............................................................................................................22
4.6 Sentenças Abertas e Quantificadores............................................................................................................................25
4.7 Negação de Proposições Quantificadas.........................................................................................................................25
4.8 Argumentos......................................................................................................................................................................25
4.9 Princípio Fundamental da Contagem...........................................................................................................................35
4.10 Permutações...................................................................................................................................................................35
4.11 Arranjos..........................................................................................................................................................................35
4.12 Combinações..................................................................................................................................................................35
4.13 Experimentos Aleatórios...............................................................................................................................................39
4.14 Espaço Amostral............................................................................................................................................................39
4.15 Evento.............................................................................................................................................................................39
4.16 Conceito de Probabilidade - Probabilidade de um Evento Elementar - Evento Complementar - União e
Intersecção de Eventos................................................................................................................................................................39
4.17 Lei da Soma - Situações Excludentes..........................................................................................................................39
4.18 Probabilidade Condicional - Eventos Independentes - Multiplicação de Probabilidades.....................................39

NOÇÕES DE INFORMÁTICA

5.1 MS-Windows 7: conceito de pastas, diretórios, arquivos e atalhos, área de trabalho, área de transferência,
manipulação de arquivos e pastas, uso dos menus, programas e aplicativos, interação com o conjunto de aplicativos do
MS-Office 2010.............................................................................................................................................................................01
5.2 MS-Word 2010: estrutura básica dos documentos, edição e formatação de textos, cabeçalhos, parágrafos, fontes,
colunas, marcadores simbólicos e numéricos, tabelas, impressão, controle de quebras e numeração de páginas, legendas,
índices, inserção de objetos, campos predefinidos, caixas de texto.........................................................................................13
5.3 MS-Excel 2010: estrutura básica das planilhas, conceitos de células, linhas, colunas, pastas e gráficos, elaboração
de tabelas e gráficos, uso de fórmulas, funções e macros, impressão, inserção de objetos, campos predefinidos, controle
de quebras e numeração de páginas, obtenção de dados externos, classificação de dados...................................................39
5.4 MS-PowerPoint 2010: estrutura básica das apresentações, conceitos de slides, anotações, régua, guias, cabeçalhos
e rodapés, noções de edição e formatação de apresentações, inserção de objetos, numeração de páginas, botões de ação,
animação e transição entre slides...............................................................................................................................................63
5.5 Correio Eletrônico: uso de correio eletrônico, preparo e envio de mensagens, anexação de arquivos...................79
5.6 Internet: Navegação Internet, conceitos de URL, links, sites, busca e impressão de páginas.................................87
5.7 Computadores pessoais (desktops, tablets, notebooks e noções gerais e operações)................................................94

Didatismo e Conhecimento
SAC

Atenção
SAC
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Didatismo e Conhecimento
Artigo
O conteúdo do artigo abaixo é de responsabilidade do autor William Douglas, autorizado gentilmente e sem cláusula
de exclusividade, para uso do Grupo Nova.
O conteúdo das demais informações desta apostila é de total responsabilidade da equipe do Grupo Nova.

ELA, A DEPRESSÃO.

William Douglas, professor, juiz federal.

Creio que para falar sobre como passar em concursos a pessoa já deve ter sido reprovada e aprovada várias vezes.
Tem, necessariamente de ter sentido cada uma das dores e alegrias dessa jornada longa, trabalhosa e gratificante.
Apenas tem.
Feliz ou infelizmente, esse é um planeta onde antes de se falar deve se fazer. É assim que funciona.
E é por isso mesmo que vou me arvorar a falar sobre ela, a depressão. Porque eu já a tive. Diante da depressão, o
mundo não faz sentido, nem nós, nem nossa vida, nem nada, mesmo as coisas boas. Um sono infinito, uma vontade
de tudo acabar mesmo que precisemos, nós mesmos, dar um fim a isto. Dores loucas pelo corpo, fisgadas, uma afasia
enorme, uma incessante sensação de que nada vale a pena. E remédios. Rivotril, Lexotan, Frontal... vários, os laboratórios
estão aí para isso mesmo. E, claro, consultas e, mais que tudo, culpa. Culpa por estar triste, culpa por estar assim, culpa
por culpa. O mundo todo desabando, exigindo você... e tudo o que você quer é o direito de não querer mais coisa alguma.
Apenas passar, ir, dormir.
É assim que funciona. Quem já viveu, sabe. E, em um mundo louco como esse nosso, parece que quem ainda não
viveu pode esperar: cedo ou tarde passa por ela, a depressão.
Claro, há graus e níveis. Não há quem não tenha tido um mal dia. O problema é que os jornais são depressivos, a
miséria desse país e desse mundo também é e, somadas as frustrações cotidianas, são um grande incentivo ao desânimo
total e irrestrito. E, claro, estudar para concursos também é depressivo.
Sim, das carteiras às apostilas, dos professores ruins ou arrogantes aos examinadores, passando por programas de
concurso, rotinas, reveses, custos, insucessos, anulações, cansaço, inquietações e, óbvio, prazos longos. Tudo isso tem
um extraordinário potencial depressivo.
Então, por isso, cedo ou tarde, esse depressivo em recuperação teria que tocar no assunto. Já estive deprimido e sem
ânimo algum e, se não tomar cuidado, tenho de novo.
E você, já a experimentou?
Até Elias, um grande profeta da Bíblia, passou pelo atual mal do século (I Reis 19), desejando morrer e indo para
uma caverna.
No livro Não sou a mulher maravilha (Ed. Thomas Nelson Brasil), Sheila Walsh aborda o tema num interessante
capítulo chamado “Máscaras”. Acho que o primeiro problema da vida social é termos que usar máscaras de invencibilidade
e força. E isto é depressivo.
Ela cita o Mágico de Oz, em especial Dorothy e seus amigos por buscarem a solução para seus problemas no Mágico
que estava na cidade Esmeralda. E lá foram eles pela estrada amarela em busca da solução mágica para suas angústias.
E, quando finalmente chegam à Cidade Esmeralda, descobrem que o Grande Oz usava uma máscara, que era um engodo.
Diz a autora: “À primeira vista, a imagem do Mágico projetada na tela diante de Dorothy é impressionante e irresistível,
mas quando Totó puxa a cortina, ela vê que o Grande Oz é só um velho falando em um microfone. Dorothy fica muito
decepcionada, mas quando diz ao Mágico que ele é um homem ruim, a resposta é maravilhosa.” O mágico diz:
— Não, querida, sou um homem bom. Sou apenas um péssimo mágico.

Didatismo e Conhecimento
Artigo
O livro traz boas lições. A primeira é que o que muda Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão não são o
mágico, mas a viagem. Outra, que ao reconhecerem suas limitações e abandonarem as máscaras tiveram força força e
alento para, juntos, prosseguirem. Mas isso eu já comentei no artigo da semana passada.
Quero, agora, ir mais longe.
E, para isso, vou citar a fantástica experiência de Sheila Walsh:
“Já experimentei meus próprios momentos de péssimo mágico. Não conheço sua história ou quais eventos a levaram
à situação em que você se encontra agora, mas será que já não se sentiu assim também? Será que você deu tanto duro
para manter funcionando toda a fumaça e os espelhos, todos os pratos girando no ar, tentando ser mais do que consegue
e, então, de repente, tudo caiu no chão à sua frente? Acredito que esses momentos são dádivas de Deus se estivermos
dispostos a ver a mão dele.
Eles podem ser o começo de uma nova maneira de viver se deixarmos as máscaras caírem. Já escrevi extensivamente
sobre minha experiência com depressão clínica em meu livro Honestly [Honestamente] e também abordei isso em The
Heartache No One Sees [A dor que ninguém vê], então não vou me alongar aqui. Mas, se somos novas amigas, deixe-me
dar uma breve noção de como Deus me transformou de uma péssima mágica, uma Mulher-Maravilha exausta, em uma
mulher muito grata que finalmente entendeu que foi feita maravilhosamente.
Estava morando em Virginia Beach há cinco anos e estava feliz por morar perto do oceano novamente. Tinha crescido
perto da praia e acho que ela pode ser pacífica e confortante até mesmo quando não estou em paz por dentro. Tinha
aprendido a evitar a praia principal, mais popular, e encontrei meu cantinho sossegado longe da multidão. Sentei-me na
praia uma noite e olhei para as ondas quebrando na areia. Elas pareciam simbolizar o que estava acontecendo na minha
vida. Tudo com que já tinha contado para construir minha identidade estava acabando.
Amanhã de manhã seria a co-anfitriã de minha última edição do The 700 Club [O Clube dos 700], e então dirigiria
até Washington, D.C., e me internaria em um hospital psiquiátrico. Era o meu maior medo se concretizando. Se fosse
diagnosticada com alguma coisa física, poderia facilmente compartilhar isso com os outros, receber apoio e perseverado.
Um diagnóstico de depressão clínica aguda, entretanto, não era algo para se compartilhar. Estava muito envergonhada.
Por anos havia baseado minha identidade na tentativa de ser a mulher cristã perfeita. Dava duro, tentava ajudar todas
as pessoas que pudesse, nunca me atrasava para nada e nem reclamava de excesso de trabalho. Até tinha ajuda com minha
máscara. Todas as manhãs eu me sentava na sala de maquiagem e Debbie fazia o melhor que podia para disfarçar minhas
olheiras. Quando terminava, ela fazia meu cabelo. Aileen trazia meu terno passado, pendurando-o ao lado dos sapatos e
jóias certos.
Dei uma última olhada no espelho e caminhei pelo corredor até o camarim de Pat Robinson, onde orávamos com os
produtores antes do show a cada manhã. Desempenhava meu papel por fora, mas por dentro estava me enfiando mais e
mais em um buraco negro.
Tinha tentado me salvar, mas não pude. Tinha jejuado e orado, me energizado, e tomado vitaminas suficientes para
uma horda de búfalos doentes.
Desesperada, falei com meu amigo, Dr. Henry Cloud, e Henry disse que eu precisava conseguir ajuda, e bem rápido.
Ele me pôs em contato com o médico e o hospital certos, conseguindo que fosse admitida na noite seguinte.
Não me lembro muito daquele último programa, mas me lembro de uma conversa final. Uma de minhas amigas que
fazia parte do programa há muitos anos e era uma pessoas respeitada e querida da equipe me pediu para reconsiderar:
— Se você fizer isso, Sheila, ninguém vai confiar em você novamente.
Vai vazar a informação de que esteve em uma ala psiquiátrica e isso vai persegui-la pelo resto da vida.
Sabia que ela estava certa, mas não tinha escolha. Estava sentindo tanta dor e incômodo que decidi que o que quer que
acontecesse não podia ser pior que viver assim. Depois do programa, vesti uma calça jeans, um suéter e saí pelos portões
da Christian Brodcasting Network [rede de televisão cristã] em meu carro.
Estava dando adeus a tudo que considerava importante. Tinha um emprego que adorava e no qual era muito boa.
Meus colegas confiavam em mim e me respeitavam. Não fazia idéia do que o futuro reservaria para mim ou se ao menos
teria um.

Didatismo e Conhecimento
Artigo
Para aquelas de vocês que não estão familiarizadas com esta doença, a depressão não é ter pena de si mesma ou ter
uns poucos dias ruins.
É uma doença muito real que ocorre no cérebro quando algumas substâncias necessárias ao bom funcionamento dele
estão faltando. É uma doença totalmente tratável, mas, infelizmente, muitas pessoas não procuram ajuda porque, como
eu, têm vergonha de admitir que precisam de ajuda. É uma doença que afeta a família inteira — o que sofre e aqueles ao
redor, pois freqüentemente não entendem ou não sabem o que fazer para ajudar.
Tenho muitas memórias do mês que passei no hospital, mas há duas que se destacam para mim em especial.
Não dormi bem naquela primeira noite. Eu me sentia doente, com medo e sozinha. Mais ou menos às sete da manhã,
vesti o roupão de banho por cima do pijama e vaguei pelo corredor até o hall dos pacientes. Havia seis ou sete pacientes
lá, conversando e bebendo café descafeinado.
Quando entrei, eles ficaram em silêncio. Cada um parou o que estava fazendo e me olhou fixamente. A princípio, não
fazia idéia por que estavam me encarando, então, de repente, dei conta que, estando em uma unidade administrada por
médicos cristãos, era bem provável que eles assistissem The 700 Club. Não tinha pensado nessa possibilidade até invadir
o espaço deles, e a dinâmica da sala mudou. Não sabia o que dizer, então não disse nada.
Finalmente um homem quebrou o silêncio.
— Você é Sheila Walsh?
— Sim.
— A da televisão?
— Sim.
— Nós assistimos a você aqui. Você deveria estar nos ajudando.
Nunca me esquecerei daquele momento. Naquele milésimo de segundo em que minha máscara caiu, o fracasso era
um convite de Deus para começar uma vida nova, e eu o aceitei. Tudo o que eu consegui dizer foi:
— Sinto muito, eu também preciso de ajuda.
Eu também preciso de ajuda — cinco palavras, apenas cinco palavrinhas que pareciam ter o poder de cortar o fardo
que vinha carregando por tanto tempo e deixei espatifar no chão. Naquele momento em que reconheci publicamente que
não era a Mulher-Maravilha ou o Grande Oz, descobri que é o suficiente ser humana. Deus não se sente diminuído por
nossa humanidade e ninguém ganha nada fingindo ser uma deidade também.
Houve outro momento que me impactou profundamente e me mostrou o que Deus fará se tirarmos nossas máscaras.
Eu estava no hospital havia quase duas semanas, progredindo bastante na busca dentro do meu armário interno por
tudo que tinha escondido lá por anos. Eu me sentia como uma criança levando suas bonecas àquele que podia consertálas.
Uma noite, depois do jantar, fui à sala das enfermeiras para pegar meu secador de cabelo. Qualquer coisa que seja
potencialmente perigosa aos pacientes é mantida trancada na caixa dos “pontiagudos”, mas pode ser retirada por um
breve período de tempo.
Quando me aproximava da mesa, vi que eles estavam recebendo uma nova paciente que estava muito nervosa, então
decidi voltar mais tarde. Quando saía, as duas filhas da nova paciente me reconheceram e começaram a chorar.
Instintivamente, me aproximei delas. Quando a mãe delas levantou os olhos e me viu, jogou os braços em volta do
meu pescoço e me abraçou forte. Ela era uma espectadora fiel de The 700 Club que precisava de ajuda desesperadamente,
mas estava com muita vergonha de sua necessidade. Deus a pôs ali na mesma hora que eu para que soubesse que não
estava sozinha e que não há problema algum em buscar ajuda.
Aprendi aquela noite que, quando tiramos as máscaras, podemos reconhecer a dor uns dos outros. Quando estamos
dispostos a mostrar nossa fragilidade e deixar a luz de Cristo entrar em nós, a boa nova é pregada aos pobres de espírito,
os cegos podem ver a verdade, e os aleijados e feridos podem andar de novo.
Não sei que máscaras você está usando. Não sei por que você acha que precisa delas. O que sei é que, se pela graça
de Deus conseguir tirá-las, nunca as usará novamente. Pode ser que lhe seja custoso; foi para mim, mas valeu a pena.

Didatismo e Conhecimento
Artigo
Houve alguns momentos em que as pessoas me disseram que estavam desapontadas comigo, particularmente porque
ainda tomo medicação para depressão. Mas entendo isso e está tudo bem. Não preciso da aprovação de todo mundo que
conheço. Tenho o amor poderoso do meu Pai e a companhia de outros que estão tendo o tecido de sua vida restaurado
com amor pelo Mestre dos Alfaiates.
Mas se você já realizou mudanças significativas em sua vida, entende que quando mudamos, tudo à nossa volta muda
também e, o mais significativo de tudo, nossos relacionamentos.”
Não sei se você está passando pelo problema, se já passou ou vai passar.
Espero que não passe. Mas sei que se tentar manter máscaras de que é perfeito ou superior, ou imune à dor, ou que não
tem medo, isso pode ter um alto custo. Máscaras são sempre pesadas, tiram o ar de quem as usa, atrapalham a visão. Sei
que é preciso ter coragem para se assumir como concurseiro e ir em busca de uma vaga, quando a multidão se omite, ou
ri, ou critica sua busca por uma melhoria de condição de vida. Sei que sempre vai aparecer alguém, de perto ou de longe,
com soluções melhores e com críticas ácidas ou, pior, com aquele risinho ou carinha de deboche ou falta de confiança
diante de você ou do que você está fazendo.
Sei que existe uma hora em que somos fracos e precisamos de ajuda.
Não existem mágicos, nem super-heróis. E quis começar essa conversa de hoje dizendo que o primeiro colocado
de vários concursos, o “guru”, também passou por isso. Quis tirar a minha máscara e dizer que tenho medo, que sofro,
que foi uma lenha conseguir passar, enfrentar as cobranças, a insegurança, tudo. Mas, ao mesmo tempo, dizer que tudo
isso passa. Nós permanecemos. Você permanece e estará aqui no futuro. Portanto, espero que jogue fora as máscaras da
perfeição, que aceite ajuda, que se permita mudar.
Como disse Sheila, “quando mudamos, tudo à nossa volta muda também e, o mais significativo de tudo, nossos
relacionamentos.” Estou certo que existem vitórias, alegrias e relacionamentos à sua espera, logo depois da esquina. E
desejo boa sorte a você, e coragem de ir até lá. É Importante você saber ou, se for o caso, dizer para alguém com esse
problema, que a depressão é só mais uma doença. Não é nenhuma vergonha têla. É só uma «gripe da alma». Ela tem
cura. Você passa por ela e, cedo ou tarde, reencontra a alegria de viver, compreende que estar vivo é, apesar de tudo, uma
dádiva. Que as coisas valem a pena.
Você passa por ela e se reconstrói, se redescobre, e ainda termina mais sábio, forte e maduro do que era. Como já foi
dito, tudo o que não me destrói, me fortalece. E quem diz isso já passou pelo desânimo, pela idéia de suicídio e outras
dores, umas bem grandes. No final, tudo se ajeita, a vida segue e a paisagem, com suas flores e pedras, volta a ficar
colorida.
Vamos manter a estrada colorida, e seguir nela, então.
Com abraço fraterno,
William Douglas

Didatismo e Conhecimento
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
- A linguagem não literária é objetiva, denotativa, preocupa-se
Prof Especialista Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco em transmitir o conteúdo, utiliza a palavra em seu sentido próprio,
utilitário, sem preocupação artística. Geralmente, recorre à ordem
Graduada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de direta (sujeito, verbo, complementos).
Adamantina Especialista pela Universidade Estadual Paulista –
Unesp Leia com atenção os textos a seguir e compare as linguagens
utilizadas neles.
Texto A
1.1 - LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE
Amor (ô). [Do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predispõe
DIVERSOS TIPOS DE TEXTOS
alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa: amor ao
(LITERÁRIOS E NÃO LITERÁRIOS).
próximo; amor ao patrimônio artístico de sua terra. 2. Sentimento
de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa;
devoção, culto; adoração: amor à Pátria; amor a uma causa. 3.
Sabemos que a “matéria-prima” da literatura são as palavras. Inclinação ditada por laços de família: amor filial; amor conjugal.
No entanto, é necessário fazer uma distinção entre a linguagem 4. Inclinação forte por pessoa de outro sexo, geralmente de caráter
literária e a linguagem não literária, isto é, aquela que não carac- sexual, mas que apresenta grande variedade
teriza a literatura. e comportamentos e reações.
Embora um médico faça suas prescrições em determinado Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário da
idioma, as palavras utilizadas por ele não podem ser consideradas Língua Portuguesa, Nova Fronteira.
literárias porque se tratam de um vocabulário especializado e de
um contexto de uso específico. Agora, quando analisamos a lite- Texto B
ratura, vemos que o escritor dispensa um cuidado diferente com a Amor é fogo que arde sem se ver;
linguagem escrita, e que os leitores dispensam uma atenção dife- É ferida que dói e não se sente;
renciada ao que foi produzido. É um contentamento descontente;
Outra diferença importante é com relação ao tratamento do é dor que desatina sem doer.
conteúdo: ao passo que, nos textos não literários (jornalísticos, Luís de Camões. Lírica, Cultrix.
científicos, históricos, etc.) as palavras servem para veicular uma
série de informações, o texto literário funciona de maneira a cha- Você deve ter notado que os textos tratam do mesmo assunto,
mar a atenção para a própria língua (FARACO & MOURA, 1999) porém os autores utilizam linguagens diferentes.
no sentido de explorar vários aspectos como a sonoridade, a estru- No texto A, o autor preocupou-se em definir “amor”, usando
tura sintática e o sentido das palavras. uma linguagem objetiva, científica, sem preocupação artística.
Veja abaixo alguns exemplos de expressões na linguagem não No texto B, o autor trata do mesmo assunto, mas com
literária ou “corriqueira” e um exemplo de uso da mesma expres- preocupação literária, artística. De fato, o poeta entra no campo
são, porém, de acordo com alguns escritores, na linguagem lite- subjetivo, com sua maneira própria de se expressar, utiliza
rária: comparações (compara amor com fogo, ferida, contentamento e
dor) e serve-se ainda de contrastes que acabam dando graça e força
Linguagem não Linguagem literária: expressiva ao poema (contentamento descontente, dor sem doer,
literária: ferida que não se sente, fogo que não se vê).
Anoitece. A mão da noite embrulha os horizontes.
Questões
(Alvarenga Peixoto)
Teus cabelos loiros Os clarins de ouro dos teus cabelos can- 1-) Leia o trecho do poema abaixo.
brilham. tam na luz! (Mário Quintana)
Uma nuvem cobriu ... um sujo de nuvem emporcalhou o luar O Poeta da Roça
parte do céu. em sua nascença. (José Cândido de Car- Sou fio das mata, cantô da mão grosa
valho) Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Como distinguir, na prática, a linguagem literária da não Só fumo cigarro de paia de mio.
literária? Patativa do Assaré

- A linguagem literária é conotativa, utiliza figuras (palavras A respeito dele, é possível afirmar que
de sentido figurado), em que as palavras adquirem sentidos mais (A) não pode ser considerado literário, visto que a linguagem
amplos do que geralmente possuem. aí utilizada não está adequada à norma culta formal.
- Na linguagem literária há uma preocupação com a escolha (B) não pode ser considerado literário, pois nele não se perce-
e a disposição das palavras, que acabam dando vida e beleza a um be a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
texto. (C) não é um texto consagrado pela crítica literária.
- Na linguagem literária é muito importante a maneira original
de apresentar o tema escolhido.

Didatismo e Conhecimento 1
LÍNGUA PORTUGUESA
(D) trata-se de um texto literário, porque, no processo criativo 3-) Ainda com relação ao textos I e II, assinale a opção incor-
da Literatura, o trabalho com a linguagem pode aparecer de várias reta
formas: cômica, lúdica, erótica, popular etc a) No texto I, em lugar de apenas informar sobre o real, ou de
(E) a pobreza vocabular – palavras erradas – não permite que produzi-lo, a expressão literária é utilizada principalmente como
o consideremos um texto literário. um meio de refletir e recriar a realidade.
b) No texto II, de expressão não literária, o autor informa o lei-
Leia os fragmentos abaixo para responder às questões que se- tor sobre a origem da cana-de-açúcar, os lugares onde é produzida,
guem: como teve início seu cultivo no Brasil, etc.
c) O texto I parte de uma palavra do domínio comum – açúcar
TEXTO I – e vai ampliando seu potencial significativo, explorando recursos
formais para estabelecer um paralelo entre o açúcar – branco, doce,
O açúcar puro – e a vida do trabalhador que o produz – dura, amarga, triste.
O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipa- d) No texto I, a expressão literária desconstrói hábitos de lin-
nema não foi produzido por mim nem surgiu dentro do açucareiro guagem, baseando sua recriação no aproveitamento de novas for-
por milagre. mas de dizer.
Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na e) O texto II não é literário porque, diferentemente do literá-
pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar não foi feito rio, parte de um aspecto da realidade, e não da imaginação.
por mim.
Este açúcar veio da mercearia da esquina e tampouco o fez o Gabarito
Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco ou 1-) D
no Estado do Rio e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana e veio dos canaviais extensos que não 2-) D – Esta alternativa está correta, pois ela remete ao caráter
nascem por acaso no regaço do vale. reflexivo do autor de um texto literário, ao passo em que ele revela
Em lugares distantes, onde não há hospital nem escola, ho- às pessoas o “seu mundo” de maneira peculiar.
mens que não sabem ler e morrem de fome aos 27 anos plantaram
e colheram a cana que viraria açúcar.
3-) E – o texto I também fala da realidade, mas com um cunho
Em usinas escuras, homens de vida amarga e dura produzi-
diferente do texto II. No primeiro há uma colocação diferencia-
ram este açúcar branco e puro com que adoço meu café esta ma-
da por parte do autor em que o objetivo não é unicamente passar
nhã em Ipanema.
informação, existem outros “motivadores” por trás desta escrita.
fonte: “O açúcar” (Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janei-
ro, Civilização Brasileira, 1980, pp.227-228)
Fontes:
TEXTO II http://robertoavila.com.br/arquivos/literatura_aula01.htm
http://www.soliteratura.com.br/texto_literario/
A cana-de-açúcar https://www.unifonte.com.br/wp-content/uploads/2012/02/
Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil Exerc%C3%ADcios-Complementares.pdf
pelos colonizadores portugueses no século XVI. A região que du- http://blogdoenem.com.br/enem-2013-literatura-texto-nao-litera-
rante séculos foi a grande produtora de cana-de-açúcar no Brasil é rio/
a Zona da Mata nordestina, onde os férteis solos de massapé, além
da menor distância em relação ao mercado europeu, propiciaram
condições favoráveis a esse cultivo. Atualmente, o maior produtor
nacional de cana-de-açúcar é São Paulo, seguido de Pernambuco,
Alagoas, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além de produzir o açú-
car, que em parte é exportado e em parte abastece o mercado inter-
no, a cana serve também para a produção de álcool, importante nos
dias atuais como fonte de energia e de bebidas. A imensa expansão
dos canaviais no Brasil, especialmente em São Paulo, está ligada
ao uso do álcool como combustível.

2-) Para que um texto seja literário:


a) basta somente a correção gramatical; isto é, a expressão
verbal segundo as leis lógicas ou naturais.
b) deve prescindir daquilo que não tenha correspondência na
realidade palpável e externa.
c) deve fugir do inexato, daquilo que confunda a capacidade
de compreensão do leitor.
d) deve assemelhar-se a uma ação de desnudamento. O escri-
tor revela, ao escrever, o mundo, e, em especial, revela o Homem
aos outros homens.
e) deve revelar diretamente as coisas do mundo: sentimentos,
ideias, ações.

Didatismo e Conhecimento 2
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÕES SOBRE SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

SINÔNIMOS, ANTÔNIMOS E PARÔNIMOS 01.Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas


da frase abaixo:
Da mesma forma que os italianos e japoneses _________ para
- Sinônimos o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________ para a
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto - abece- Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; internamente,
dário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir. __________ para o Sul, pelo mesmo motivo.
Observação: A contribuição greco-latina é responsável pela a) imigraram - emigram - migram
existência de numerosos pares de sinônimos: adversário e antago- b) migraram - imigram - emigram
nista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo; contraveneno c) emigraram - migram - imigram.
e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo; transformação e meta- d) emigraram - imigram - migram.
e) imigraram - migram – emigram
morfose; oposição e antítese.
Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013
- Antônimos
Leia o texto para responder às questões de números 02 e 03.
São palavras de significação oposta: ordem - anarquia; soberba
Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica
- humildade; louvar - censurar; mal - bem.
Você comprou um smartphone e acha que aquele seu celular
Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo de antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo para alguns pode
sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático e anti- ser matéria-prima para outros. O CMID – Centro Marista de Inclu-
pático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e inativo; são Digital –, que funciona junto ao Colégio Marista de Santa Maria,
esperar e desesperar; comunista e anticomunista; simétrico e assi- no Rio Grande do Sul, ensina os alunos do colégio a fazer robôs a
métrico. partir de lixo eletrônico.
Os alunos da turma avançada de robótica, por exemplo, cons-
O que são Homônimos e Parônimos: troem carros com sensores de movimento que respondem à aproxi-
- Homônimos mação das pessoas. A fonte de energia vem de baterias de celular.
a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e diferentes na “Tirando alguns sensores, que precisamos comprar, é tudo recicla-
pronúncia: gem”, comentou o instrutor de robótica do CMID, Leandro Sch-
rego (subst.) e rego (verbo); neider. Esses alunos também aprendem a consertar computadores
colher (verbo) e colher (subst.); antigos. “O nosso projeto só funciona por causa do lixo eletrônico.
jogo (subst.) e jogo (verbo); Se tivéssemos que comprar tudo, não seria viável”, completou.
apoio (subst.) e apóio (verbo); Em uma época em que celebridades do mundo digital fazem
denúncia (subst.) e denuncia (verbo); campanha a favor do ensino de programação nas escolas, é inspi-
providência (subst.) e providencia (verbo). rador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da turma avançada de ro-
bótica do CMID que, aos 16 anos, já sabe qual será sua profissão.
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e diferentes “Quero ser programador. No início das aulas, eu achava meio chato,
na escrita: mas depois fui me interessando”, disse.
acender (atear) e ascender (subir); (Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013. Adapta-
concertar (harmonizar) e consertar (reparar); do)
cela (compartimento) e sela (arreio);
censo (recenseamento) e senso (juízo); 02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns sen-
sores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... – pode ser
paço (palácio) e passo (andar).
substituída, sem alteração do sentido da mensagem, pela seguinte
expressão:
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São palavras
A) Pelo menos
iguais na escrita e na pronúncia:
B) A contar de
caminho (subst.) e caminho (verbo);
C) Em substituição a
cedo (verbo) e cedo (adv.); D) Com exceção de
livre (adj.) e livre (verbo). E) No que se refere a

- Parônimos 03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo para o


São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: coro e couro; termo destacado em – …“No início das aulas, eu achava meio cha-
cesta e sesta; eminente e iminente; osso e ouço; sede e cede; compri- to, mas depois fui me interessando”, disse.
mento e cumprimento; tetânico e titânico; autuar e atuar; degradar e A) Estimulante.
degredar; infligir e infringir; deferir e diferir; suar e soar. B) Cansativo.
C) Irritante.
http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-antonimos,- D) Confuso.
-homonimos-e-paronimos E) Improdutivo.

Didatismo e Conhecimento 3
LÍNGUA PORTUGUESA
04. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP d) deferir = diferenciar; diferir = conceder
– 2013). Analise as afirmações a seguir. e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso por
homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído, sem altera- 09. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Leia
ção do sentido do texto, por “faz”. o texto a seguir.
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser reescrita Temos o poder da escolha
da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação. Os consumidores são assediados pelo marketing a todo mo-
III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente aqui mento para comprarem além do que necessitam, mas somente eles
no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se substituir a podem decidir o que vão ou não comprar. É como se abrissem em
expressão em destaque por “em razão do”, sem alterar o sentido nós uma “caixa de necessidades”, mas só nós temos o poder da es-
do texto. colha.
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, está cor- Cada vez mais precisamos do consumo consciente. Será que
reto o que se afirma em paramos para pensar de onde vem o produto que estamos consumin-
A) I, II e III. do e se os valores da empresa são os mesmos em que acreditamos? A
B) III, apenas. competitividade entre as empresas exige que elas evoluam para se-
C) I e III, apenas. rem opções para o consumidor. Nos anos 60, saber fabricar qualquer
D) I, apenas. coisa era o suficiente para ter uma empresa. Nos anos 70, era preciso
E) I e II, apenas. saber fazer com qualidade e altos índices de produção. Já no ano
2000, a preocupação era fazer melhor ou diferente da concorrência e
05. Leia as frases abaixo: as empresas passaram a atuar com responsabilidade socioambiental.
1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi; O consumidor tem de aprender a dizer não quando a sua relação
2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em Marte. com a empresa não for boa. Se não for boa, deve comprar o produto
3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas de hu- em outro lugar. Os cidadãos não têm ideia do poder que possuem.
mor.
É importante, ainda, entender nossa relação com a empresa ou
4 - ___________ dias que não falo com Alfredo.
produto que vamos eleger. Temos uma expectativa, um envolvimen-
Escolha a alternativa que oferece a seqüência correta de vocá-
to e aceitação e a preferência dependerá das ações que aprovamos ou
bulos para as lacunas existentes:
não nas empresas, pois podemos mudar de ideia.
a) concerto – há – a – cessões – há;
Há muito a ser feito. Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pes-
b) conserto – a – há – sessões – há;
c) concerto – a – há – seções – a; soas acreditam no consumo consciente, mas essas mesmas pessoas
d) concerto – a – há – sessões – há; admitem que já compraram produto pirata. Temos de refletir sobre
e) conserto – há – a – sessões – a . isso para mudar nossas atitudes.
(Jornal da Tarde 24.04.2007. Adaptado)
06. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP No trecho – Temos uma expectativa, um envolvimento e aceita-
– 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para responder à ques- ção... –, a palavra destacada apresenta sentido contrário de
tão.Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram A) vontade.
valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram B) apreciação.
limites de disciplina. C) avaliação.
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse trecho, é: D) rejeição.
A) de desprendimento. E) indiferença.
B) de responsabilidade.
C) de abnegação. 10. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Na
D) de amor. frase – Os consumidores são assediados pelo marketing... –, a pa-
E) de egoísmo. lavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
A) perseguidos.
07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser preenchida B) ameaçados.
com a primeira alternativa da série dada nos parênteses: C) acompanhados.
A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das enchentes. D) gerados.
(afim- a fim). E) preparados.
B) A bandeira está ________. (arreada - arriada).
C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (inflingirem GABARITO
- infringirem).
D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos. (conce- 01. A
lhos - conselhos). 02. D
E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cerca de 03. A
- acerca de). 04. A
05. D
08. Assinale a alternativa correta, considerando que à direita de 06. E
cada palavra há um sinônimo. 07. E
a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar 08. A
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) 09. D
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar 10. A

Didatismo e Conhecimento 4
LÍNGUA PORTUGUESA
COMENTÁRIOS 8-)
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) = signifi-
1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses imigraram cados invertidos
para o Brasil no século passado, hoje os brasileirosemigram para c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = significados inver-
a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; internamen- tidos
te, migrampara o Sul, pelo mesmo motivo. d) deferir = diferenciar; diferir = conceder= significados inver-
2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos com- tidos
prar, é tudo reciclagem”... e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação= significados
invertidos
3-) antônimo para o termo destacado : “No início das aulas, eu
achava meio chato, mas depois fui me interessando”
9-) Temos uma expectativa, um envolvimento e aceitação... –, a
“No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas depois
palavra destacada apresenta sentido contrário de rejeição.
fui me interessando”
10-) Os consumidores são assediados pelo marketing... –, a pa-
4-) lavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso por perseguidos.
homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído, sem altera-
ção do sentido do texto, por “faz”.= correta
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser reescrita
da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação.= correta SENTIDO PRÓPRIO E FIGURADO
III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente aqui DAS PALAVRAS
no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se substituir a
expressão em destaque por “em razão do”, sem alterar o sentido do
texto.=correta
Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabola, que
5-) por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser definida como sen-
1 - Assisti aoconcertodo balé Bolshoi; do um conjunto de letras ou sons de uma língua, juntamente com a
ideia associada a este conjunto.
2 - Daqui a pouco vão dizer que há (=existe) vida em Marte.
3 – As sessões da câmara são verdadeiros programas de humor.
Sentido Próprio e Figurado das Palavras
4 - Há dias que não falo com Alfredo. (=tempo passado)
Pela própria definição acima destacada podemos perceber que
a palavra é composta por duas partes, uma delas relacionada a sua
6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti- forma escrita e os seus sons (denominada significante) e a outra re-
ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuse- lacionada ao que ela (palavra) expressa, ao conceito que ela traz
ram limites de disciplina. (denominada significado).
Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdividem-se
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse trecho, é assim:
de egoísmo - Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o sentido comum
que costumamos dar a uma palavra.
Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado nos seres - Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figurado”, que
humanos e outros seres vivos, em que as ações de um indivíduo podemos dar a uma palavra.
beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No sentido comum Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes con-
do termo, é muitas vezes percebida, também, como sinônimo de so- textos:
lidariedade. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são
as inclinações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou 1. A cobra picou o menino. (cobra = tipo de réptil peçonhento)
coletivas). 2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagradável, que
adota condutas pouco apreciáveis)
3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que conhece muito
7-)
sobre alguma coisa, “expert”)
A) Estou aquia fim de de ajudar os flagelados das enchentes.
(afim = O adjetivo “afim” é empregado para indicar que uma coi- No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido comum (ou
sa tem afinidade com a outra. Há pessoas que têm temperamentos literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado em sentido figurado.
afins, ou seja, parecidos) Podemos então concluir que um mesmo significante (parte
B) A bandeira estáarriada . (arrear = colocar arreio no cavalo) concreta) pode ter vários significados (conceitos).
C) Serão punidos os que infringiremo regulamento. (inflingi-
rem = aplicarem a pena) Denotação e Conotação
D) São sempre valiosos osconselhos dos mais velhos; (conce- - Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com
lhos= Porção territorial ou parte administrativa de um distrito). o seu significado primitivo e original, com o sentido do dicioná-
E) Moro a cerca de cem metros da praça principal. (acerca de rio; usada de modo automatizado; linguagem comum. Veja este
= Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.). exemplo:Cortaram as asas da ave para que não voasse mais.

Didatismo e Conhecimento 5
LÍNGUA PORTUGUESA
Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido próprio, posso perder uma peça muito importante na minha vida, como eu
comum, usual, literal. perdi três anos na cadeia. Mas, na rua, o problema maior é tomar o
- DICA - Procure associar Denotação com Dicionário: trata- xeque-mate”, afirma João Carlos.
-se de definição literal, quando o termo é utilizado em seu sentido O xadrez faz parte da rotina de cerca de dois mil internos em
dicionarístico. 22 unidades prisionais do Espírito Santo. É o projeto “Xadrez que
- Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com o seu liberta”. Duas vezes por semana, os presos podem praticar a ativida-
significado secundário, com o sentido amplo (ou simbólico); usada de sob a orientação de servidores da Secretaria de Estado da Justiça
de modo criativo, figurado, numa linguagem rica e expressiva. Veja (Sejus). Na próxima sexta-feira, será realizado o primeiro torneio
este exemplo: fora dos presídios desde que o projeto foi implantado. Vinte e oito
Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes que seja internos de 14 unidades participam da disputa, inclusive João Carlos
tarde mais. e Fransley, que diz que a vitória não é o mais importante.
Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma figurada, “Só de chegar até aqui já estou muito feliz, porque eu não espe-
fazendo alusão à ideia de restrição e/ou controle de ações; disciplina, rava. A vitória não é tudo. Eu espero alcançar outras coisas devido
limitação de conduta e comportamento. ao xadrez, como ser olhado com outros olhos, como estou sendo
olhado de forma diferente aqui no presídio devido ao bom compor-
tamento”.
Fonte:
Segundo a coordenadora do projeto, Francyany Cândido Ventu-
http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/oficial-de-justica-
rin, o “Xadrez que liberta” tem provocado boas mudanças no com-
-tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-e-figurado-das-palavras. portamento dos presos. “Tem surtido um efeito positivo por eles se
html tornarem uma referência positiva dentro da unidade, já que cum-
prem melhor as regras, respeitam o próximo e pensam melhor nas
QUESTÕES SOBRE DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO suas ações, refletem antes de tomar uma atitude”.
Embora a Sejus não monitore os egressos que ganham a liber-
01. (Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – dade, para saber se mantêm o hábito do xadrez, João Carlos já faz
2013). Uma frase empregada – exclusivamente – com sentido fi- planos. “Eu incentivo não só os colegas, mas também minha famí-
gurado é: lia. Sou casado e tenho três filhos. Já passei para a minha família:
A) Não é o tipo de companhia que se quer para tomar um vinho xadrez, quando eu sair para a rua, todo mundo vai ter que aprender
ou ir ao cinema. porque vai rolar até o torneio familiar”.
B) No início de maio, Buffett convidou um sujeito chamado “Medidas de promoção de educação e que possibilitem que o
Doug Kass para participar de um dos painéis que compuseram a reu- egresso saia melhor do que entrou são muito importantes. Nós não
nião anual de investidores de sua empresa, a Berkshire Hathaway. temos pena de morte ou prisão perpétua no Brasil. O preso tem data
C) Buffett queria entender o porquê. para entrar e data para sair, então ele tem que sair sem retornar para
D) Questiona. o crime”, analisa o presidente do Conselho Estadual de Direitos Hu-
E) Coloca o dedo na ferida. manos, Bruno Alves de Souza Toledo.
(Disponível em: www.inapbrasil.com.br/en/noticias/xadrez-
02. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). As- -que-liberta-estrategia-concentracao-e-reeducacao/6/noticias. Aces-
sinale a alternativa que apresenta palavra empregada no sentido fi- so em: 18.08.2012. Adaptado)
gurado.
A)...somente eles podem decidir o que vão ou não comprar. Considerando o contexto em que as seguintes frases foram
B) Há consumidores que gastam rios de dinheiro com supér- produzidas, assinale a alternativa em que há emprego figurado das
fluos. palavras.
A) O xadrez faz parte da rotina de cerca de dois mil internos em
C)… deve comprar o produto em outro lugar.
22 unidades prisionais do Espírito Santo.
D)… de onde vem o produto que estamos consumindo…
B) Além dos muros, grades, cadeados e detectores de metal,
E) Temos de refletir sobre isso para mudar nossas atitudes.
eles têm outros pontos em comum...
C) Nós não temos pena de morte ou prisão perpétua no Brasil.
03. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP D) “Mas, na rua, o problema maior é tomar o xeque-mate”, afir-
– 2013). Leia o texto a seguir. ma João Carlos.
“Xadrez que liberta”: estratégia, concentração e reeducação E) Já passei para a minha família: xadrez, quando eu sair para a
João Carlos de Souza Luiz cumpre pena há três anos e dois me- rua, todo mundo vai ter que aprender...
ses por assalto. Fransley Lapavani Silva está há sete anos preso por
homicídio. Os dois têm 30 anos. Além dos muros, grades, cadeados 04. (Agente de Promotoria – Assessoria – VUNESP – 2013).
e detectores de metal, eles têm outros pontos em comum: tabuleiros Leia o texto a seguir.
e peças de xadrez. Na FLIP, como na Copa
O jogo, que eles aprenderam na cadeia, além de uma válvula RIO DE JANEIRO – Durante entrevista na Festa Literária In-
de escape para as horas de tédio, tornou-se uma metáfora para o que ternacional de Paraty deste ano, o cantor Gilberto Gil criticou as
pretendem fazer quando estiverem em liberdade. arquibancadas dos estádios brasileiros em jogos da Copa das Con-
“Quando você vai jogar uma partida de xadrez, tem que pensar federações.
duas, três vezes antes. Se você movimenta uma peça errada, pode Poderia ter dito o mesmo sobre a plateia da Tenda dos Autores,
perder uma peça de muito valor ou tomar um xeque- -mate, ins- para a qual ele e mais de 40 outros se apresentaram. A audiência do
tantaneamente. Se eu for para a rua e movimentar a peça errada, eu evento literário lembra muito a dos eventos Fifa: classe média alta.

Didatismo e Conhecimento 6
LÍNGUA PORTUGUESA
Na Flip, como nas Copas por aqui, pobre só aparece “como Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. Obri-
prestador de serviço”, para citar uma participante de um protesto em gados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumentaremos
Paraty, anteontem. o número de prisioneiros. As cadeias continuarão superlotadas.
Como lembrou outro dos convidados da festa literária, o mexi- Seria mais sensato investir em educação, para prevenir a crimi-
cano Juan Pablo Villalobos, esse cenário é “um espelho do que é o nalidade e tratar os que ingressaram nela.
Brasil”. Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Precisa-
(Marco Aurélio Canônico, Na Flip, como na Copa. Folha de mos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais a
S.Paulo, 08.07.2013. Adaptado) executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com a im-
O termo espelho está empregado em sentido punidade dos criminosos bem-sucedidos e construir cadeias novas
A) figurado, significando qualidade. para substituir as velhas.
B) próprio, significando modelo. Enquanto não aprendermos a educar e oferecer medidas pre-
C) figurado, significando advertência. ventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes de
D) próprio, significando símbolo. criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na sociedade por
meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas e da
E) figurado, significando reflexo.
oportunidade de desenvolvimento artístico.
(Drauzio Varella. In Folha de S.Paulo, 9 mar.2002. Adaptado)
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
– 2013). Leia o texto a seguir.
Assinale a alternativa em cuja frase foi empregada palavra ou
Violência epidêmica expressão com sentido figurado.
A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora A) Tendências agressivas surgem em indivíduos com dificulda-
possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, é des adaptativas ...(4.º parágrafo)
nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas. B) A revisão de estudos científicos permite identificar três fato-
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades res principais na formação das personalidades com maior inclinação
de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros ao comportamento violento... (6.º parágrafo)
urbanos e se dissemina pelo interior. C) As estratégias que as sociedades adotam para combater a
As estratégias que as sociedades adotam para combater a vio- violência variam... (3.º parágrafo)
lência variam muito e a prevenção das causas evoluiu muito pou- D) ...esses fatores de risco criam o caldo de cultura que alimenta
co no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos no a violência crescente nas cidades. (10.º parágrafo)
campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades. E) Os mais vulneráveis são os que tiveram a personalidade for-
A agressividade impulsiva é consequência de perturbações nos mada num ambiente desfavorável ao desenvolvimento psicológico
mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências agressi- pleno. (5.º parágrafo)
vas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas que os tor-
nam despreparados para lidar com as frustrações de seus desejos. 06. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
A violência é uma doença. Os mais vulneráveis são os que tive- Considere a tirinha para responder à questão.
ram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao desen-
volvimento psicológico pleno.
A revisão de estudos científicos permite identificar três fatores
principais na formação das personalidades com maior inclinação ao
comportamento violento:
1) Crianças que apanharam, foram vítimas de abusos, humilha-
das ou desprezadas nos primeiros anos de vida.
2) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram
valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram
limites de disciplina.
3) Associação com grupos de jovens portadores de comporta-
mento antissocial.
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crianças
que se enquadram nessas três condições de risco. Associados à falta
de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, esses fatores
de risco criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente
nas cidades.
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a resposta
do aprisionamento. Porém, seu efeito é passageiro: o criminoso fica (Adão, Folha de S. Paulo, 19.06.2011)
impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. Ao sair, estará
mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e dificilmente Observando a tirinha, pode-se afirmar que o termo atropelada
encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo, na prisão, terá foi empregado em sentido
criado novas amizades e conexões mais sólidas com o mundo do A) próprio, indicando que o marido não é uma pessoa sensível
crime. e compreensiva com a esposa.

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B) próprio, indicando que a esposa é vaidosa e sente-se frustra- C) Manoel de Araújo Porto-Alegre foi o primeiro profissional
da com a perda da beleza. dessa arte e o primeiro a produzir caricaturas no Brasil.
C) figurado, indicando que as crianças são tranqüilas, mas exi- D) O jornal alternativo em 1834 zunia às orelhas de todos e
gem total disponibilidade da mãe. atacava esta ou aquela personagem da Corte.
D) figurado, indicando que o marido recusa-se a realizar as ta- E) O livro sobre a arte caricatural respeita cronologicamente
refas domésticas. os acontecimentos da história brasileira, suas temáticas políticas e
E) figurado, indicando que as responsabilidades familiares sociais.
comprometeram a juventude da esposa.
09. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Pú-
07. O item em que o termo sublinhado está empregado no blicas – VUNESP – 2013). Leia o texto a seguir.
sentido denotativo é: Tomadas e oboés
A) “Além dos ganhos econômicos, a nova realidade rendeu fru- “O do meio, com heliponto, tá vendo?”, diz o taxista, apontando
tos políticos.” o enorme prédio espelhado, do outro lado da marginal: “A parte elé-
B) “...com percentuais capazes de causar inveja ao presidente.” trica, inteirinha, meu cunhado que fez”. Ficamos admirando o edifí-
C) “Os genéricos estão abrindo as portas do mercado...” cio parcialmente iluminado ao cair da tarde e penso menos no tama-
D) “...a indústria disparou gordos investimentos.” nho da empreitada do que em nossa variegada humanidade: uns se
E) “Colheu uma revelação surpreendente:...” dedicam à escrita, outros a instalações elétricas,lembro- -me do meu
tio Augusto, que vive de tocar oboé.“Fio, disjuntor, tomada, tudo!”,
08. (Analista em C&T Júnior – Administração – VUNESP – insiste o motorista, com tanto orgulho que chega a contaminar-me.
2013). Leia o texto a seguir. Pergunto quantas tomadas ele acha que tem, no prédio todo. Há
O humor deve visar à crítica, não à graça, ensinou Chico Any- quem ria desse tipo de indagação. Meu taxista, não. É um homem
sio, o humorista popular. E disse isso quando lhe solicitaram consi- sério, eu também, fazemos as contas: uns dez escritórios por andar,
derar o estado atual do riso brasileiro. Nos últimos anos de vida, o cada um com umas seis salas, vezes 30 andares. “Cada sala tem o
escritor contribuía para o cômico apenas em sua porção de ator, im- quê? Duas tomadas?”
pedido pela televisão brasileira de produzir textos. E o que ele dizia “Cê tá louco! Muito mais! Hoje em dia, com computador, essas
sobre a risada ajuda a entender a acomodação de muitos humoristas coisas? Depois eu pergunto pro meu cunhado, mas pode botar aí pra
contemporâneos. Porque, quando eles humilham aqueles julgados uma média de seis tomadas/sala.”
inferiores, os pobres, os analfabetos, os negros, os nordestinos, to- Ok: 10 x 6 x 6 x 30 = 10.800. Dez mil e oitocentas tomadas!
dos os oprimidos que parece fácil espezinhar, não funcionam bem Há 30, 40 anos, uma hora dessas, a maior parte das tomadas
como humoristas. O humor deve ser o oposto disto, uma restauração já estaria dormindo o sono dos justos, mas a julgar pelo número de
do que é justo, para a qual desancar aqueles em condições piores janelas acesas, enquanto volto para casa, lentamente, pela marginal,
do que as suas não vale. Rimos, isso sim, do superior, do arrogante, centenas de trabalhadores suam a camisa, ali no prédio: criam logo-
daquele que rouba nosso lugar social. tipos, calculam custos para o escoamento da soja, negociam minério
O curioso é perceber como o Brasil de muito tempo atrás sabia de ferro. Talvez até, quem sabe, deitado num sofá, um homem escu-
disso, e o ensinava por meio de uma imprensa ocupada em ferir a te em seu iPod as notas de um oboé.
brutal desigualdade entre os seres e as classes. Ao percorrer o ex- Alegra-me pensar nesse sujeito de olhos fechados, ouvindo
tenso volume da História da Caricatura Brasileira (Gala Edições), música. Bom saber que, na correria geral, em meio a tantos profis-
compreendemos que tal humor primitivo não praticava um rosário sionais que acreditam estar diretamente envolvidos no movimento
de ofensas pessoais. Naqueles dias, humor parecia ser apenas, e de rotação da Terra, esse aí reservou-se cinco minutos de contem-
necessariamente, a virulência em relação aos modos opressivos do plação.
poder. Está tarde, contudo. Algo não fecha: por que segue no escritó-
A amplitude dessa obra é inédita. Saem da obscuridade os no- rio, esse homem? Por que não voltou para a mulher e os filhos, não
mes que sucederam ao mais aclamado dos artistas a produzir arte foi para o chope ou o cinema? O homem no sofá, entendo agora, está
naquele Brasil, Ângelo Agostini. Corcundas magros, corcundas gor- ainda mais afundado do que os outros. O momento oboé era apenas
dos, corcovas com cabeça de burro, todos esses seres compostos em uma pausa para repor as energias, logo mais voltará à sua mesa e a
aspecto polimórfico, com expressivo valor gráfico, eram os respon- seus logotipos, à soja ou ao minério de ferro.
sáveis por ilustrar a subserviência a estender-se pela Corte Imperial. “Onze mil, cento e cinquenta”, diz o taxista, me mostrando o
Contra a escravidão, o comodismo dos bem-postos e dos covardes celular. Não entendo. “É o SMS do meu cunhado: 11.150 tomadas.”
imperialistas, esses artistas operavam seu espírito crítico em jornais Olho o prédio mais uma vez, admirado com a instalação elétrica
de todos os cantos do País. e nossa heteróclita humanidade, enquanto seguimos, feito cágados,
(Carta Capital.13.02.2013. Adaptado) pela marginal.
(Antonio Prata, Folha de S.Paulo, 06.03.2013. Adaptado)
Na frase –… compreendemos que tal humor primitivo não pra-
ticava um rosário de ofensas pessoais. –, observa-se emprego de No trecho do sexto parágrafo – Bom saber que, na correria ge-
expressão com sentido figurado, o que ocorre também em: ral, em meio a tantos profissionais que acreditam estar diretamente
A) O livro sobre a história da caricatura estabelece marcos inau- envolvidos no movimento de rotação da Terra, esse aí reservou-se
gurais em relação a essa arte. cinco minutos de contemplação. –, o segmento em destaque expres-
B) O trabalho do caricaturista pareceu tão importante a seus sa, de modo figurado, um sentido equivalente ao da expressão: pro-
contemporâneos que recebeu o nome de “nova invenção artística.” fissionais que acreditam ser

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A) incompreendidos, que são obrigados a trabalhar além do ex- 9-) indispensáveis, que consideram realizar um trabalho de
pediente. grande importância.
B) desvalorizados, que não são devidamente reconhecidos. Comparando-se ao movimento de rotação, que acontece sem a
C) indispensáveis, que consideram realizar um trabalho de intervenção de quaisquer trabalhadores, “importantes” ou não.
grande importância.
D) metódicos, que gerenciam com rigidez a vida corporativa. 10-) A dureza dos corações.
E) flexíveis, que sabem valorizar os momentos de ócio. Corações de pessoas que parecem não ter sentimento.
10.Assinale a alternativa usada em sentido figurado:
A)A dureza das pedras.
B)O perfume das flores. CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO,
C)O verde das matas. ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO,
D)A dureza dos corações. ADVÉRBIO, PREPOSIÇÃO E CONJUNÇÃO
E)Nenhuma das alternativas anteriores. (EMPREGO E SENTIDO QUE IMPRIMEM ÀS
RELAÇÕES QUE ESTABELECEM).
GABARITO

01. E
02. B SUBSTANTIVO
03. D
04. E Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Substantivo é
05. D a classe gramatical de palavras variáveis, as quais denominam os
06. E seres. Além de objetos, pessoas e fenômenos, os substantivos tam-
07. B bém nomeiam:
08. D -lugares: Alemanha, Porto Alegre...
09. C -sentimentos: raiva, amor...
10. D -estados: alegria, tristeza...
-qualidades: honestidade, sinceridade...
COMENTÁRIOS -ações: corrida, pescaria...

1-) Coloca o dedo na ferida. Morfossintaxe do substantivo


Frase empregada para dizer que acerta o ponto fraco, onde dói. Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em geral
exerce funções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
2-) Há consumidores que gastam rios de dinheiro com su- núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou in-
direto) e do agente da passiva. Pode ainda funcionar como núcleo
pérfluos.
do complemento nominal ou do aposto, como núcleo do predica-
Exagero, hipérbole.
tivo do sujeito ou do objeto ou como núcleo do vocativo. Também
encontramos substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e
3-) Mas, na rua, o problema maior é tomar o xeque-mate”, afir- de adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempenhadas
ma João Carlos. por grupos de palavras.
É o lance que põe fim à partida, acaba com a as liberdade, no
caso. Classificação dos Substantivos
1-  Substantivos Comuns e Próprios
4-) O termo espelho está empregado em sentido figurado, sig- Observe a definição:
nificando reflexo do que é o país. s.f. 1: Povoação maior que vila, com muitas casas e edifícios,
dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, toda a sede de município
5-) criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente é cidade). 2. O centro de uma cidade (em oposição aos bairros).
nas cidades. (10.º parágrafo)
Criam o ambiente, as situações que alimentam, fortalecem a Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas e edi-
violência. fícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada  cidade. Isso
significa que a palavra cidade é um substantivo comum.
6-) E) figurado, indicando que as responsabilidades familiares Substantivo Comum é aquele que designa os seres de uma
comprometeram a juventude da esposa. mesma espécie de forma genérica.
cidade, menino, homem, mulher, país, cachorro.
7-) com percentuais capazes de causar inveja ao presidente.
Sentido denotativo = empregado com o sentido real da palavra Estamos voando para Barcelona.

8-) O jornal alternativo em 1834 zunia às orelhas de todos e O substantivo Barcelona designa apenas um ser da espécie
atacava esta ou aquela personagem da Corte. cidade. Esse substantivo é próprio.Substantivo Próprio: é aquele
Zunir: Produzir som forte e áspero. Empregado no sentido de que designa os seres de uma mesma espécie de forma particular.
“gritar” aos leitores as notícias. Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.

Didatismo e Conhecimento 9
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2 - Substantivos Concretos e Abstratos O substantivo chuva é formado por um único elemento ou ra-
dical. É um substantivo simples.
Substantivo Simples: é aquele formado por um único elemento.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja agora:
LÂMPADA MALA O substantivo  guarda-chuva  é formado por dois elementos
(guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
Os substantivos lâmpada e mala  designam seres com exis- Substantivo Composto:  é aquele formado por dois ou mais
tência própria, que são  independentes de outros seres. São assim, elementos.
substantivos concretos.
Outros exemplos: beija-flor, passatempo.
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que existe,
 
independentemente de outros seres.
Substantivos Primitivos e Derivados
Obs.: os substantivos concretos designam seres do mundo
real e do mundo imaginário. Meu limão meu limoeiro,
meu pé de jacarandá...
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, Brasí-  
lia, etc. O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de ne-
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantasma, etc. nhum outro dentro de língua portuguesa.
  Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de nenhuma
Observe agora: outra palavra da própria língua portuguesa. O substantivo limoei-
ro é derivado, pois se originou a partir da palavra limão. Substanti-
Beleza exposta vo Derivado: é aquele que se origina de outra palavra.
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual.
Flexão dos substantivos
O substantivo beleza designa uma qualidade. O substantivo é uma classe variável. A palavra é variável
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que depen- quando sofre flexão (variação). A palavra  menino, por exemplo,
dem de outros para se manifestar ou existir. pode sofrer variações para indicar:
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser obser- Plural: meninos
vada. Só podemos observar a beleza numa pessoa ou coisa que seja Feminino: menina
bela. A beleza depende de outro ser para se manifestar. Portanto, a Aumentativo: meninão
palavra beleza é um substantivo abstrato. Diminutivo: menininho
Os substantivos abstratos designam estados, qualidades, ações Flexão de Gênero
e sentimentos dos seres, dos quais podem ser abstraídos, e sem os
quais não podem existir. Gênero é  a propriedade que as palavras têm de indicar sexo
vida (estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há dois gêne-
(sentimento).   ros:  masculino  e  feminino. Pertencem ao gênero  masculino  os
substantivos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.
3 - Substantivos Coletivos Veja estes títulos de filmes:

Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra abe- - O velho e o mar
lha, mais outra abelha. - Um Natal inesquecível
- Os reis da praia
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.  
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem vir
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. precedidos dos artigos a, as, uma, umas:

Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi necessário A história sem fim
repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, mais outra abe- Uma cidade sem passado
lha... As tartarugas ninjas
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural.
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no singular Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
(enxame) para designar um conjunto de seres da mesma espécie
(abelhas). Substantivos Biformes (= duas formas):   ao indicar nomes
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está relacionado ao
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mesmo es- sexo do ser, havendo, portanto, duas formas, uma para o masculino
tando no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie. e outra para o feminino. Observe:
gato - gata
Formação dos Substantivos homem - mulher
Substantivos Simples e Compostos poeta - poetisa
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. prefeito - prefeita

Didatismo e Conhecimento 10
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Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam uma Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
única forma, que serve tanto para o masculino quanto para o femi- Epicenos:
nino. Classificam-se em: Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos. Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso ocorre
a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma para indicar o
fêmea. masculino e o feminino.
Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pessoas. Alguns nomes de animais apresentam uma só forma para de-
a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, signar os dois sexos. Esses substantivos são chamados de epice-
o indivíduo. nos. No caso dos epicenos, quando houver a necessidade de espe-
Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pessoas por cificar o sexo, utilizam-se palavras macho e fêmea.
meio do artigo. A cobra macho picou o marinheiro.
o colega e a colega, o doente e a doente, o artista e a artista. A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.

Saiba que: Sobrecomuns:


- Substantivos de origem grega terminados em ema ou oma, Entregue as crianças à natureza.
são masculinos. A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo masculino,
o axioma, o fonema, o poema, o sistema, o sintoma, o teorema. quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem o artigo nem um
- Existem certos substantivos que, variando de gênero, variam possível adjetivo permitem identificar o sexo dos seres a que se
em seu significado. refere a palavra. Veja:
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora) o A criança chorona chamava-se João.
capital (dinheiro) e a capital (cidade) A criança chorona chamava-se Maria.
Outros substantivos sobrecomuns: a criatura =João é uma boa
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes criatura. Maria é uma boa criatura. o cônjuge =
O cônjuge de João faleceu.
O cônjuge de Marcela faleceu
a) Regra geral: troca-se a terminação -o por -a.
aluno - aluna
Comuns de Dois Gêneros:
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
b) Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao mas- Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
culino. É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma vez que
freguês - freguesa a palavra motorista é um substantivo uniforme. O restante da notí-
cia informa-nos de que se trata de um homem.
c) Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de três A distinção de gênero pode ser feita através da análise do arti-
formas: go ou adjetivo, quando acompanharem o substantivo.
- troca-se -ão por -oa. =patrão – patroa o colega - a colega
- troca-se -ão por -ã.=campeão - campeã o imigrante - a imigrante
-troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona um jovem - uma jovem
Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão - sultana artista famoso - artista famosa
repórter francês - repórter francesa
d) Substantivos terminados em -or:
- acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora - A palavra personagem é usada indistintamente nos dois gê-
- troca-se -or por -triz:=imperador - imperatriz neros.
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada preferência
e) Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: pelo masculino:
cônsul - consulesa abade - abadessa poeta - poetisa O menino descobriu nas nuvens os personagens dos contos
duque - duquesa conde - condessa profeta - profetisa de carochinha.
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino:
f) Substantivos que formam o feminino trocando o -e final O problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam
por -a: a personagem.
elefante - elefanta Não cheguei assim, nem era minha intenção, a criar uma per-
sonagem.
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo foto-
g) Substantivos que têm radicais diferentes no masculino e no
gráfico Ana Belmonte.
feminino:
bode – cabraboi - vaca Observe o gênero dos substantivos seguintes:
h) Substantivos que formam o feminino de maneira especial, Masculinos
isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores: o tapa
czar – czarinaréu - ré o eclipse
o lança-perfume
o dó (pena)

Didatismo e Conhecimento 11
LÍNGUA PORTUGUESA
o sanduíche A acolhedora Porto Alegre.
o clarinete Uma Londres imensa e triste.
o champanha Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
o sósia
o maracajá Gênero e Significação:
o clã Muitos substantivos têm uma significação no masculino e ou-
o hosana tra no feminino. Observe:
o herpes
o pijama
o suéter o baliza (soldado que, que à a baliza (marco, estaca; sinal
o soprano frente da tropa, indica os mo- que marca um limite ou proibi-
o proclama vimentos que se deve realizar ção de trânsito)
o pernoite em conjunto; o que vai à frente
o púbis de um bloco carnavalesco, ma-
nejando um bastão)
Femininos
a dinamite o cabeça (chefe) a cabeça (parte do corpo)
a áspide o cisma (separação religiosa, a cisma (ato de cismar, descon-
a derme dissidência) fiança)
a hélice o cinza (a cor cinzenta) a cinza (resíduos de combus-
a alcíone tão)
a filoxera
o capital (dinheiro) a capital (cidade)
a clâmide
a omoplata o coma (perda dos sentidos) a coma (cabeleira)
a cataplasma a pane o coral (pólipo, a cor verme- a coral (cobra venenosa)
a mascote lha, canto em coro)
a gênese
o crisma (óleo sagrado, usado a crisma (sacramento da con-
a entorse
na administração da crisma e firmação)
a libido
de outros sacramentos)
a cal
a faringe o cura (pároco) a cura (ato de curar)
a cólera (doença) o estepe (pneu sobressalente) a estepe (vasta planície de ve-
a ubá (canoa) getação)
o guia (pessoa que guia outras) a guia (documento, pena gran-
São geralmente masculinos os substantivos de origem grega
de das asas das aves)
terminados em -ma:
o grama (peso) o grama (unidade de peso) a grama (relva)
o quilograma o caixa (funcionário da caixa) a caixa (recipiente, setor de pa-
o plasma gamentos)
o apostema
o lente (professor) a lente (vidro de aumento)
o diagrama
o epigrama o moral (ânimo) a moral (honestidade, bons
o telefonema costumes, ética)
o estratagema o nascente (lado onde nasce o a nascente (a fonte)
o dilema Sol)
o teorema
o maria-fumaça (trem como a maria-fumaça (locomotiva
o apotegma
locomotiva a vapor) movida a vapor)
o trema
o eczema o pala (poncho) a pala (parte anterior do boné
o edema ou quepe, anteparo)
o magma o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação emissora)
o anátema
o voga (remador) a voga (moda, popularidade)
o estigma
Flexão de Número do Substantivo
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
Em português, há dois números gramaticais: o singular, que
Gênero dos Nomes de Cidades:
indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que indica mais de
Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
um ser ou grupo de seres. A característica do plural é o “s” final.
A histórica Ouro Preto.
A dinâmica São Paulo.

Didatismo e Conhecimento 12
LÍNGUA PORTUGUESA
Plural dos Substantivos Simples substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colô-
a) Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” nia e águas-de-colônia
fazem o plural pelo acréscimo de “s”. substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor
pai – paisímã - ímãs hífen - hifens (sem acento, no plural). e cavalos-vapor
Exceção: cânon - cânones. substantivo + substantivo que funciona como determinante do
b) Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo anterior.
“ns”. palavra-chave - palavras-chave
homem - homens. bomba-relógio - bombas-relógio
c) Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural notícia-bomba - notícias-bomba
pelo acréscimo de “es”. homem-rã - homens-rã
revólver – revólveresraiz - raízes peixe-espada - peixes-espada
Atenção: O plural de caráter é caracteres. d) Permanecem invariáveis, quando formados de:
d) Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
plural, trocando o “l” por “is”. verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas
quintal - quintais caracol – caracóis hotel - hotéis e) Casos Especiais
Exceções: mal e males, cônsul e cônsules. o louva-a-deus e os louva-a-deus
e) Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de duas o bem-te-vi e os bem-te-vis
maneiras: o bem-me-quer e os bem-me-queres
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis o joão-ninguém e os joões-ninguém.
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas manei- Plural das Palavras Substantivadas
ras: répteis ou reptis (pouco usada).
f) Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de duas As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras classes
maneiras: gramaticais usadas como substantivo, apresentam, no plural, as
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo flexões próprias dos substantivos.
de “es”: ás – ases / retrós - retroses Pese bem os prós e os contras.
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis: o O aluno errou na prova dos noves.
lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
g) Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de três Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou “z” não
maneiras. variam no plural.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações Nas provas mensais consegui muitos seis e alguns dez.
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos Plural dos Diminutivos
h) Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o lá-
tex - os látex. Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final e
acrescenta-se o sufixo diminutivo.
Plural dos Substantivos Compostos pãe(s) + zinhos = pãezinhos
A formação do plural dos substantivos compostos depende animai(s) + zinhos= animaizinhos
da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o botõe(s) + zinhos = botõezinhos
composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são chapéu(s) + zinhos= chapeuzinhos
grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples: farói(s) + zinhos = faroizinhos
aguardente e aguardentes girassol e girassóis tren(s) + zinhos= trenzinhos
pontapé e pontapés malmequer e malmequeres colhere(s) + zinhas= colherezinhas
O plural dos substantivos compostos cujos elementos são li- flore(s) + zinhas = florezinhas
gados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discussões. mão(s) + zinhas = mãozinhas
Algumas orientações são dadas a seguir: papéi(s) + zinhos = papeizinhos
a) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de: nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores funi(s) + zinhos = funizinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens pai(s) + zinhos = paizinhos
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras pé(s) + zinhos = pezinhos
b) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando forma- pé(s) + zitos = pezitos
dos de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas Plural dos Nomes Próprios Personativos
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-
-falantes Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas sempre
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos que a terminação preste-se à flexão.
c) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando forma- Os Napoleões também são derrotados.
dos de: As Raquéis e Esteres.

Didatismo e Conhecimento 13
LÍNGUA PORTUGUESA
Plural dos Substantivos Estrangeiros Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado normal.
Por exemplo: casa
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser escritos Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho do ser.
como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto quando ter- Classifica-se em:
minam em “s” ou “z”). Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjetivo que
os showsos shorts os jazz indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acordo com aumento. Por exemplo: casarão.
as regras de nossa língua:
os clubes os chopes Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho do ser.
os jipes os esportes Pode ser:
as toaletes os bibelôs Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo que in-
os garçons os réquiens dica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
diminuição. Por exemplo: casinha.
Observe o exemplo:
Este jogador faz gols toda vez que joga.
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf12.php
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
Questões sobre Substantivo
Plural com Mudança de Timbre
01. (Escrevente TJ SP Vunesp/2012) A flexão de número do
Certos substantivos formam o plural com mudança de timbre termo “preços-sombra” também ocorre com o plural de
da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato fonético chamado (A) reco-reco.
metafonia (plural metafônico). (B) guarda-costa.
(C) guarda-noturno.
Singular Plural Singular Plural (D) célula-tronco.
(E) sem-vergonha.
corpo (ô) corpos (ó) osso (ô) ossos (ó)
esforço esforços ovo ovos 02. (Escrevente TJ SP Vunesp/2013) Assinale a alternativa
fogo fogos poço poços cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo com a norma-
forno fornos porto portos -padrão.
fosso fossos posto postos (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
imposto impostos rogo rogos (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
olho olhos tijolo tijolos (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
(D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos, es- (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!
posos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de mo- 03. Indique a alternativa em que a flexão do substantivo está
lho (ó) = feixe (molho de lenha). errada:
A) Catalães.
Particularidades sobre o Número dos Substantivos B) Cidadãos.
C) Vulcães.
a) Há substantivos que só se usam no singular: D) Corrimões.
o sul, o norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
04. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma
b) Outros só no plural:
forma que “balão” e “caneta--tinteiro”:
as núpcias, os víveres, os pêsames, as espadas/os paus (nai-
a) vulcão, abaixo-assinado;
pes de baralho), as fezes.
b) irmão, salário-família;
c) Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do singular:
c) questão, manga-rosa;
bem (virtude) e bens (riquezas)
d) bênção, papel-moeda;
honra (probidade, bom nome) e honras (homenagem, títulos)
e) razão, guarda-chuva.
d) Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com
sentido de plural:
05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm
Aqui morreu muito negro.
um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a al-
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas im-
ternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu
provisadas. significado:
a) O capital = dinheiro;
Flexão de Grau do Substantivo A capital = cidade principal;
b) O grama = unidade de medida;
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as varia- A grama = vegetação rasteira;
ções de tamanho dos seres. Classifica-se em:

Didatismo e Conhecimento 14
LÍNGUA PORTUGUESA
c) O rádio = aparelho transmissor; GABARITO
A rádio = estação geradora;
d) O cabeça = o chefe;
01. D 02. D 03. C 04. C 05. E
A cabeça = parte do corpo;
e) A cura = o médico. 06. A 07. D 08. A 09. D 10. E
O cura = ato de curar.
COMENTÁRIOS
06. Correlacione os substantivos com os respectivos coleti-
vos, e indique a alternativa correta:
I - Bispos. 1-) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando forma-
II - Cães de caça. do de substantivo + substantivo que funciona como determinante
III -Vadios. do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo ante-
IV -Papéis. rior. = células-tronco
( ) Resma.
( ) Concílio. 2-)
( ) Corja. A) Os tabeliãos devem preparar o documento.= tabeliãesB)
( ) Matilha. Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.= cidadãos
A) IV, I, III, II. C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.= cer-
B) III, I, II, IV. tidões
C) I, III, II, IV. E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!=degraus
D) III, I, IV, II.
3-) Vulcões
07. Indique a alternativa que apresenta erro na formação do
plural: 4-) Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma
A) Os boias-frias participaram da manifestação na estrada. forma que “balão” e “caneta-tinteiro”:
B) Colocaram tanto alpiste, que o quintal ficou cheio de beija-
-flores. Balões /canetas-tinteiro
C) Aqueles pães de ló estavam deliciosos.
D) Os abaixos-assinados foram entregues ao diretor. a) vulcões, abaixo-assinados;
b) irmãos, salários-família;
08. Das palavras abaixo, faz plural como “assombrações” d) bênçãos, papéis-moeda;
a) perdão.  e) razões, guarda-chuvas.
b) bênção.  5-)o cura: sacerdote a cura: ato ou efeito de curar
c) alemão.
d) cristão.  6-)
e) capitão. I - Bispos.
II - Cães de caça.
09. Entre os substantivos selecionados nas alternativas a se-
III -Vadios.
guir, há apenas um que pertence ao gênero masculino. Indique-o:
IV -Papéis.
A) alface
B) omoplata
C) comichão ( ) Resma= papéis IV
D) lança-perfume ( ) Concílio.= bisposI
( ) Corja. = vadiosIII
10. Assinale a frase correta quanto ao emprego do gênero dos ( ) Matilha.= cães de caça II
substantivos.
A) A perda das esperanças provocou uma profunda dó na per- 7-) Os abaixo-assinados foram entregues ao diretor.
sonagem.
B) O advogado não deu o ênfase necessário às milhares de 8-)
solicitações. b) bênçãos. 
C) Ele vestiu o pijama e sentou-se para beber uma champanha c) alemães. 
gelada. d) cristãos. 
D) O omelete e o couve foram acompanhados por doses do e) capitães.
melhor aguardente.
E) O beliche não coube na quitinete recém-comprada pelos 9-)
estudantes. A) a alface
B) a omoplata
C) a comichão
D) o lança-perfume

Didatismo e Conhecimento 15
LÍNGUA PORTUGUESA
10-) belgo- / Por exemplo: Acampamentos belgo-
A) A perda das esperanças provocou um profundo dó na per- Bélgica
franceses
sonagem.
B) O advogado não deu a ênfase necessário às milhares de China sino- / Por exemplo: Acordos sino-japoneses
solicitações. hispano- / Por exemplo: Mercado hispano-
Espanha
C) Ele vestiu o pijama e sentou-se para beber um champanha português
gelado. euro- / Por exemplo: Negociações euro-
D) A omelete e a couve foram acompanhadas por doses da Europa
americanas
melhor aguardente. franco- ou galo- / Por exemplo: Reuniões franco-
França
italianas
Adjetivo
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou caracte- Grécia greco- / Por exemplo: Filmes greco-romanos
rística do ser e se relaciona com o substantivo.
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos Inglaterra anglo- / Por exemplo: Letras anglo-portuguesas
que, além de expressar uma qualidade, ela pode ser colocada ao
Itália ítalo- / Por exemplo: Sociedade ítalo-portuguesa
lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa, pessoa
bondosa. Japão nipo- / Por exemplo: Associações nipo-brasileiras
Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade, Portugal luso- / Por exemplo: Acordos luso-brasileiros
não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade,
moça bondade, pessoa bondade.  FLEXÃO DOS ADJETIVOS
Bondade, portanto, não é adjetivo, mas substantivo. O adjetivo varia em gênero, número e grau.

Morfossintaxe do Adjetivo: Gênero dos Adjetivos


O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem
de uma oração) relativas aos substantivos, atuando como adjunto (masculino e feminino). De forma semelhante aos substantivos,
adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto). classificam-se em: 
Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e
Adjetivo Pátrio outra para o feminino. Por exemplo:
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe ativo e ativa, mau e má, judeu e judia.
alguns deles: Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino
Estados e cidades brasileiros: somente o último elemento. Por exemplo: o moço norte-america-
no, a moça norte-americana. 
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
Alagoas alagoano Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como
Amapá amapaense para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher feliz.
Aracaju aracajuano ou aracajuense Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no femi-
nino. Por exemplo: conflito político--social e desavença político-
Amazonas amazonense ou baré -social.

Belo Horizonte belo-horizontino Número dos Adjetivos


Plural dos adjetivos simples

Brasília brasiliense Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo com


Cabo Frio cabo-friense as regras estabelecidas para a flexão numérica dos substantivos
simples.
Campinas campineiro ou campinense
mau e maus
feliz e felizes
Adjetivo Pátrio Composto 
ruim e ruins
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemen-
boa e boas
to aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita. Observe
alguns exemplos:
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função
de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que estiver
África afro- / Por exemplo: Cultura afro-americana qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela
germano- ou teuto- / Por exemplo: Competições manterá sua forma primitiva. Exemplo: a palavra cinza é origi-
Alemanha nalmente um substantivo; porém, se estiver qualificando um ele-
teuto-inglesas
mento, funcionará como adjetivo. Ficará, então invariável. Logo:
américo- / Por exemplo: Companhia américo-
América camisas cinza, ternos cinza.
africana

Didatismo e Conhecimento 16
LÍNGUA PORTUGUESA
Veja outros exemplos: b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
Motos vinho (mas: motos verdes) (melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações feitas entre
Paredes musgo (mas: paredes brancas). duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). analíticas mais bom, mais mau,mais grande e mais pequeno.
Por exemplo: Pedro é maior do que Paulo - Comparação de
Adjetivo Composto dois elementos.
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, Pedro é  mais grande  que pequeno -  comparação de duas
esses elementos são ligados por hífen. Apenas o último elemento qualidades de um mesmo elemento.
concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na 4) Sou  menos alto  (do) que  você.  = Comparativo de
forma masculina, singular. Caso um dos elementos que formam Inferioridade
o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o ad- Sou menos passivo (do) que tolerante.
jetivo composto ficará invariável. Por exemplo:  a palavra  rosa  é
originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um Superlativo
elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou
por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo em grau máximo. O grau superlativo pode ser absoluto ou relativo e
adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. apresenta as seguintes modalidades:

Por exemplo: Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de um ser


Camisas rosa-claro. é intensificada, sem  relação com outros seres. Apresenta-se nas
Ternos rosa-claro. formas:
Olhos verde-claros. Analítica:  a intensificação se faz com o auxílio de palavras
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. que dão ideia de intensidade (advérbios).
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. Por exemplo:
O secretário é muito inteligente.
Obs.:
- Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo Sintética:  a intensificação se faz por meio do acréscimo de
composto iniciado por cor-de-... são sempre invariáveis. sufixos.
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os Por exemplo:
dois elementos flexionados. O secretário é inteligentíssimo.
Grau do Adjetivo Observe alguns superlativos sintéticos: 
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a intensidade
da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o comparativo e benéfico beneficentíssimo
o superlativo.
bom boníssimo ou ótimo
Comparativo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atribuí-
comum comuníssimo
da a dois ou mais seres ou duas ou mais características atribuí-
das ao mesmo ser. O comparativo pode ser de igualdade, de su- cruel crudelíssimo
perioridade ou de inferioridade. Observe os exemplos abaixo: difícil dificílimo
1) Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
doce dulcíssimo
No comparativo de igualdade, o segundo termo da compara-
ção é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão. fácil facílimo
2) Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Superiori- fiel fidelíssimo
dade Analítico
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois subs- Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser
tantivos comparados, um tem qualidade superior. A forma é ana- é intensificada em relação a um conjunto de seres. Essa relação
lítica porque pedimos auxílio a “mais...do que” ou “mais...que”. pode ser:
3) O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Superio-
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
ridade Sintético
De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de superiori-
dade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles:
Note bem:
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio dos
bom-melhor pequeno-menor advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc., antepos-
mau-pior alto-superior tos ao adjetivo.
grande-maior baixo-inferior 2)  O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas
formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de origem
Observe que:  vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do adjetivo
a) As formas menor e pior são comparativos de superioridade, latino +  um dos sufixos  -íssimo, -imo ou érrimo.  Por exemplo:
pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respectivamente. fidelíssimo, facílimo, paupérrimo.

Didatismo e Conhecimento 17
LÍNGUA PORTUGUESA
A forma popular é constituída do radical do adjetivo portu- a executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com
guês + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo. a impunidade dos criminosos bem-sucedidos e construir cadeias
3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariíssimo, novas para substituir as velhas.
necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as formas serís- Enquanto não aprendermos a educar e oferecer medidas pre-
simo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desagradável hiato i-í. ventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes
de criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na sociedade
Questões sobre Adjetivo por meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas
e da oportunidade de desenvolvimento artístico.
01. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU- (Drauzio Varella. In Folha de S.Paulo, 9 mar.2002. Adaptado)
NESP – 2013). Leia o texto a seguir.
Em – características epidêmicas –, o adjetivo epidêmicas
Violência epidêmica corresponde a – características de epidemias.
Assinale a alternativa em que, da mesma forma, o adjetivo em
A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora destaque corresponde, corretamente, à expressão indicada.
possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, A) água fluvial – água da chuva.
é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas. B) produção aurífera – produção de ouro.
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades C) vida rupestre – vida do campo.
de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros D) notícias brasileiras – notícias de Brasília.
E) costela bovina – costela de porco.
urbanos e se dissemina pelo interior.
As estratégias que as sociedades adotam para combater a vio-
02.Não se pluraliza os adjetivos compostos abaixo, exceto:
lência variam muito e a prevenção das causas evoluiu muito pouco
A)azul-celeste
no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos no
B)azul-pavão
campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades.
C)surda-muda
A agressividade impulsiva é consequência de perturbações
D)branco-gelo
nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências
agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas
03.Assinale a única alternativa em que os adjetivos não estão
que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de seus no grau superlativo absoluto sintético:
desejos. A)Arquimilionário/ ultraconservador;
A violência é uma doença. Os mais vulneráveis são os que B)Supremo/ ínfimo;
tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao C)Superamigo/ paupérrimo;
desenvolvimento psicológico pleno. D)Muito amigo/ Bastante pobre
A revisão de estudos científicos permite identificar três fatores
principais na formação das personalidades com maior inclinação
04.Na frase: “Trata-se de um artista originalíssimo”, o adjeti-
ao comportamento violento:
1) Crianças que apanharam, foram vítimas de abusos, humi- vo grifado encontra-se no grau:
lhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida. A)comparativo de superioridade.
2) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti- B)superlativo absoluto sintético.
ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impu- C)superlativo relativo de superioridade.
seram limites de disciplina. D)comparativo de igualdade.
3) Associação com grupos de jovens portadores de comporta- E)superlativo absoluto analítico.
mento antissocial.
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crian- 05.Aponte a alternativa em que o superlativo do adjetivo está
ças que se enquadram nessas três condições de risco. Associados à incorreto:
falta de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, esses A)Meu tio está elegantíssimo.
fatores de risco criam o caldo de cultura que alimenta a violência B)Joana, ela é minha amicíssima.
crescente nas cidades. C)Esta panela está cheissíssima de água.
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a resposta D)A prova foi facílima.
do aprisionamento. Porém, seu efeito é passageiro: o criminoso
fica impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. Ao sair, 06. Indique nas alternativas a seguir o adjetivo incorreto da
estará mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e difi- locução adjetiva em negrito:
cilmente encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo, na
A)mulher muito magra = macérrima
prisão, terá criado novas amizades e conexões mais sólidas com o
B)pessoa muito amiga = amicíssima
mundo do crime.
Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. Obri- C)pessoa muito inimiga = inimicíssimo
gados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumentaremos D)atitude muito benéfica = beneficientíssima
o número de prisioneiros. As cadeias continuarão superlotadas.
Seria mais sensato investir em educação, para prevenir a cri- 07. “Ele era tão pequeno que recebeu o apelido de miúdo”. A
minalidade e tratar os que ingressaram nela. palavra miúdo possui, no grau superlativo absoluto sintético, duas
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Preci- formas. Uma delas é miudíssimo (regular) e a outra, irregular, é:
samos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais

Didatismo e Conhecimento 18
LÍNGUA PORTUGUESA
A)minutíssimo Famosa – adjetivo
B)miudinitíssimo na – preposição
C)midunitíssimo cidade – substantivo
D)miduníssimo
9-) De lua – lunar
08. Quantos adjetivos existem na frase “Essa lanchonete é fa-
mosa na cidade?” 10-) Alemães capazes
A)1.
B)2. NUMERAL
C)3.
D)4. Numeral é a palavra que indica os seres em termos numéricos,
E)5. isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa em determinada
sequência.
09.Indique a alternativa incorreta quanto à correspondência Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
entre a locução adjetiva e o adjetivo equivalente: [quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
A)de pele = cutâneo Eu quero café duplo, e você?
B)de professor = docente ...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
C)de face = facial A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
D)de lua = lunático ...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência de
“fila”]
10.O plural correto da expressão: “alemão capaz” é:
A)alemãos capazes Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que os nú-
B)alemões capazes meros indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão
C)alemães capazes é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se trata de numerais,
D)os alemão capaz mas sim de algarismos.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a ideia
GABARITO expressa pelos números, existem mais algumas palavras conside-
radas numerais porque denotam quantidade, proporção ou ordena-
01. B 02. C 03. D 04. B 05. C ção. São alguns exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena.

06. D 07. A 08. A 09. D 10. C Classificação dos Numerais

COMENTÁRIOS Cardinais: indicam contagem, medida. É o número básico:


um, dois, cem mil, etc.
1-) Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série dada:
a-) fluvial – do rio primeiro, segundo, centésimo, etc.
b-) correta Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a divisão
c-) brasileiras – do Brasil dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
d-) vida campestre Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres,
e-) suína indicando quantas vezes a quantidade foi aumentada: dobro, tri-
plo, quíntuplo, etc.
2-) Surdas-mudas
Leitura dos Numerais
3-) d-) estão no superlativo absoluto analítico Separando os números em centenas, de trás para frente, ob-
têm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no início,
4-) originalíssimo – grau superlativo absoluto sintético também de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vír-
gula; as unidades ligam-se pela conjunção “e”.
5-) C) Esta panela está cheissíssima de água. 1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte
O correto é cheíssima. e seis.
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.
6-) D)atitude muito benéfica = beneficientíssima
O correto é beneficentíssima ( sem o “i” em cien) Flexão dos numerais
Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma,
7-) minutíssimo é a forma correta. dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas em
diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Cardi-
8-) “Essa lanchonete é famosa na cidade?” nais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número: milhões,
Essa – pronome bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.
Lanchonete – substantivo
É – verbo

Didatismo e Conhecimento 19
LÍNGUA PORTUGUESA
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas:


Fizeram o dobro do esforço e conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número:
Teve de tomar doses triplas do medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte, duas terças partes
Os numerais coletivos flexionam-se em número. Veja: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de sentido. É o que ocorre
em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais


- Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo e a partir daí
os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:
Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

- Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro)Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
- Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são largamente em-
pregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades comunitárias
de seu bairro.

Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos

Didatismo e Conhecimento 20
LÍNGUA PORTUGUESA

catorze décimo quarto - catorze avos


quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta qüinquagésimo - cinqüenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos qüingentésimo - qüingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
nongentésimo ou
novecentos - nongentésimo
noningentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Questões sobre Numeral

01.Na frase “Nessa carteira só há duas notas de cinco reais” temos exemplos de numerais:
A)ordinais;
B)cardinais;
C)fracionários;
D)romanos;
E)Nenhuma das alternativas.

02.Aponte a alternativa em que os numerais estão bem empregados.


A) Ao papa Paulo Seis sucedeu João Paulo Primeiro.
B) Após o parágrafo nono virá o parágrafo décimo.
C) Depois do capítulo sexto, li o capitulo décimo primeiro.
D)Antes do artigo dez vem o artigo nono.
E) O artigo vigésimo segundo foi revogado.

03. Os ordinais referentes aos números 80, 300, 700 e 90 são, respectivamente
A) octagésimo, trecentésimo, septingentésirno, nongentésimo
B) octogésimo, trecentésimo, septingentésimo, nonagésimo
C) octingentésimo, tricentésimo, septuagésimo, nonagésimo
D) octogésimo, tricentésimo, septuagésimo, nongentésimo

Didatismo e Conhecimento 21
LÍNGUA PORTUGUESA
04. (Contador – IESES – 2012).“Em maio, um abaixo-as- COMENTÁRIOS
sinado, para que o parlamento extinga a lei ortográfica, tomou a
82ª Feira do Livro de Lisboa.” O numeral ordinal destacado está 1-) Nessa carteira só há duas notas de cinco reais = numerais
corretamente escrito na alternativa: cardinais
a) Oitogésima segunda.
b) Octogésima segunda. 2-)
c) Oitagésima segunda. A) Ao papa Paulo Sexto sucedeu João Paulo Primeiro.
d) Octagésima segunda. B) Após o parágrafo nono virá o parágrafo dez.
C) Depois do capítulo sexto, li o capítulo onze.
05.Marque o emprego incorreto do numeral: D) Antes do artigo dez vem o artigo nono. = correta
A) século III (três) E) O artigo vinte e dois foi revogado.
B) página 102 (cento e dois)
C) 80º (octogésimo) 3-) 80 (octogésimo), 300 (trecentésimo ou tricentésimo) , 700
D) capítulo XI (onze) (septingentésimo) 90 (nonagésimo)
E) X tomo (décimo)
4-) 82ª Feira = Octogésima segunda.
06.Triplo e tríplice são numerais:
A) multiplicativo o primeiro e ordinal o segundo 5-)
B) ambos ordinais A) século III (terceiro)
B) página 102 (cento e dois)
C) ambos cardinais
C) 80º (octogésimo)
D) ambos multiplicativos.
D) capítulo XI (onze)
E) X tomo (décimo)
07. Indique a grafia e leitura corretas do seguinte numeral car-
dinal: 3.726. 6-) triplo e tríplice = ambos são numerais multiplicativos
A) Três mil, setecentos e vinte e seis.
B) Três mil, e setecentos e vinte e seis. 7-)
C) Três mil e setecentos e vinte e seis. B) Três mil, e setecentos e vinte e seis. = retirar o “e”
D) Três mil, setecentos, vinte, seis. C) Três mil e setecentos e vinte e seis. = faltou a vírgula;
retirar o “e”
08.Em todas as frases abaixo,os numerais foram corretamente D) Três mil, setecentos, vinte, seis. = substituir as duas últi-
empregados, exceto em: mas vírgulas pela conjunção “e”
A) O artigo vinte e cinco deste código foi revogado.
B) Seu depoimento foi transcrito na página duzentos e vinte 8-) Este terremoto ocorreu no século décimo antes de Cristo.
e dois.
C) Ainda o capítulo sétimo desta obra. 9-) Ontem à tarde, um rapaz procurou por você? = artigo
D) Este terremoto ocorreu no século dez antes de Cristo. indefinido
09. Em todas as frases abaixo, a palavra grifada é um numeral,
exceto em: 10-) Ele é o duodécimo colocado. = (posição 12)
A) Ele só leu um livro este semestre.
B) Não é preciso mais que uma pessoa para fazer este serviço. PRONOME
C) Ontem à tarde, um rapaz procurou por você?
D) Você quer uma ou mais caixas deste produto? Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele se
refere, ou ainda, que acompanha o nome qualificando-o de alguma
10.Assinale o caso em que não haja expressão numérica de forma.
sentido indefinido: A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
A) Ele é o duodécimo colocado. [substituição do nome]
B) Quer que veja este filme pela milésima vez? A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
C) “Na guerra os meus dedos dispararam mil mortes”. [referência ao nome]
D) “A vida tem uma só entrada; a saída é por cem portas”. Essa moça morava nos meus sonhos!
E) N.D.A. [qualificação do nome]
Grande parte dos pronomes não possuem significados fixos,
GABARITO isto é, essas palavras só adquirem significação dentro de um con-
texto, o qual nos permite recuperar a referência exata daquilo que
01. B 02. D 03. B 04. B 05. A está sendo colocado por meio dos pronomes no ato da comunica-
ção. Com exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os
06. A 07. A 08. D 09. C 10. A demais pronomes têm por função principal apontar para as pessoas
do discurso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação no
tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, os pronomes
apresentam uma forma específica para cada pessoa do discurso.

Didatismo e Conhecimento 22
LÍNGUA PORTUGUESA
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. Pronome Oblíquo
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sentença,
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? exerce a função de complemento verbal (objeto direto ou  indireto)
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se fala] ou complemento nominal.
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem se fala] Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma variante
Em termos morfológicos, os pronomes são  palavras variá- do pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica a função di-
veis em gênero (masculino ou feminino) e em número (singular ou versa que eles desempenham na oração: pronome reto marca o su-
plural). Assim, espera-se que a referência através do pronome seja jeito da oração; pronome oblíquo marca o complemento da oração.
coerente em termos de gênero e número (fenômeno da concordân- Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com a acen-
cia) com o seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no tuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou tônicos.
enunciado.
Fala-se de Roberta. Ele  quer participar do desfile da  nos- Pronome Oblíquo Átono
sa escola neste ano. São chamados átonos os pronomes oblíquos que não são pre-
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância ade- cedidos de preposição. Possuem acentuação tônica  fraca.
quada] Ele me deu um presente.
[neste: pronome que determina “ano” = concordância adequada]
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concordância O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim configurado:
inadequada] - 1ª pessoa do singular (eu): me
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, de- - 2ª pessoa do singular (tu): te
monstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
- 1ª pessoa do plural (nós): nos
Pronomes Pessoais - 2ª pessoa do plural (vós): vos
São aqueles que substituem os substantivos, indicando di- - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
retamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve assu-
me os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes  “tu”, “vós”, Observações:
“você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e “ele”, “ela”, O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se apresenta
“eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa ou às pessoas de na forma contraída, ou seja, houve a união entre o pronome “o” ou 
quem fala. “a” e preposição “a” ou “para”. Por acompanhar diretamente uma
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções que preposição, o pronome  “lhe”  exerce sempre a função de objeto
exercem nas orações, podendo ser do caso reto ou do caso oblíquo. indireto na oração.
Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos diretos
Pronome Reto como objetos indiretos.
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, exer- Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como objetos
ce a função de sujeito ou predicativo do sujeito. diretos.
Nós lhe ofertamos flores.
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gênero (ape- Saiba que:
nas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a principal flexão, Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combinar-se
uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa forma, o quadro com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas como mo,
dos pronomes retos é assim configurado: mos, ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas; no-lo, no-los,
- 1ª pessoa do singular: eu no-la, no--las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe  o uso dessas
- 2ª pessoa do singular: tu formas nos exemplos que seguem:
- 3ª pessoa do singular: ele, ela
- 1ª pessoa do plural: nós
- Não contaram a novidade a
- 2ª pessoa do plural: vós - Trouxeste o pacote?
vocês?
- 3ª pessoa do plural: eles, elas
- Sim, entreguei-to ainda há
- Não, no-la contaram.
Atenção: esses pronomes não costumam ser usados como pouco.
complementos verbais na língua-padrão. Frases como “Vi ele na
rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”, comuns No português do Brasil, essas combinações não são usadas;
na língua oral cotidiana, devem ser evitadas na língua formal es- até mesmo na língua literária atual, seu emprego é muito raro.
crita ou falada. Na língua formal, devem ser usados os pronomes
oblíquos correspondentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, Atenção:
“Trouxeram--me até aqui”. Os pronomes o, os, a, as assumem formas especiais depois de
Obs.: frequentemente observamos a omissão do pronome reto certas terminações verbais. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r,
em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias formas ver- o pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que
bais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo in- a terminação verbal é suprimida.
dicadas pelo pronome reto.
Fizemos boa viagem. (Nós)

Didatismo e Conhecimento 23
LÍNGUA PORTUGUESA
Por exemplo: Pronome Reflexivo
fiz + o = fi-lo São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcionem
fazeis + o = fazei-lo como objetos direto ou indireto, referem--se ao sujeito da oração.
dizer + a = dizê-la Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo.
O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume as - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
formas no, nos, na, nas.
Eu não me vanglorio disso.
Por exemplo: Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
viram + o: viram-no
repõe + os = repõe-nos - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
retém + a: retém-na
tem + as = tem-nas Assim tu te prejudicas.
Conhece a ti mesmo.
Pronome Oblíquo Tônico
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos por pre- - 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
posições, em geral as preposições a, para, de e com. Por esse mo- Guilherme já se preparou.
tivo, os pronomes tônicos exercem a função de objeto indireto da Ela deu a si um presente.
oração. Possuem acentuação tônica  forte. Antônio conversou consigo mesmo.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim configurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo - 1ª pessoa do plural (nós): nos.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela
Lavamo-nos no rio.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
- 2ª pessoa do plural (vós): vos.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tônico são
a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As demais repetem - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
a forma do pronome pessoal do caso reto.
- As preposições essenciais introduzem sempre pronomes pes- Eles se conheceram.
soais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos contex- Elas deram a si um dia de folga.
tos interlocutivos que exigem o uso da língua formal, os pronomes
costumam ser usados desta forma: A Segunda Pessoa Indireta
Não há mais nada entre mim e ti. A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando uti-
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. lizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso interlocutor (
Não há nenhuma acusação contra mim. portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa.
Não vá sem mim. É o caso dos chamados pronomes de tratamento, que podem ser
observados no quadro seguinte:
Atenção:
Há construções em que a preposição, apesar de surgir antepos- Pronomes de Tratamento
ta a um pronome, serve para introduzir uma oração cujo verbo está
no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter sujeito expresso; se
esse sujeito for um pronome, deverá ser do caso reto. Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar. Vossa
Não vá sem eu mandar. V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Reverendíssima
- A combinação da preposição “com” e alguns pronomes origi- altas autoridades e
Vossa Excelência V. Ex.ª (s)
nou as formas especiais comigo, contigo, consigo, conosco e con- oficiais-generais
vosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequentemente exercem a reitores de
função de adjunto adverbial de companhia. Vossa Magnificência V. Mag.ª (s)
universidades
 Ele carregava o documento consigo.
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por “com Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são reforçados por Vossa Majestade
V. M. I. Imperadores
palavras como outros, mesmos, próprios, todos, ambos ou algum Imperial
numeral. Vossa Santidade V. S. Papa
Você terá de viajar com nós todos. Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Estávamos com vós outros quando chegaram as más notícias. Vossa Onipotência V. O. Deus
Ele disse que iria com nós três.

Didatismo e Conhecimento 24
LÍNGUA PORTUGUESA
Também são pronomes de tratamento o senhor, a senho- Note que:
ra e você, vocês. “O senhor”  e  “a senhora”  são empregados no A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que
tratamento cerimonioso;  “você”  e  “vocês”, no tratamento fami- se refere; o gênero e o número concordam com o objeto possuído.
liar.  Você e vocês são largamente empregados no português do Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento di-
Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em ou- fícil.
tras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem Observações:
litúrgica, ultraformal ou literária. 1 - A forma  “seu” não é um possessivo quando resultar da
Observações: alteração fonética da palavra senhor.
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tra- - Muito obrigado, seu José.
tamento que possuem “Vossa (s)”  são empregados em relação à 2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Po-
pessoa com quem falamos. dem ter outros empregos, como:
a) indicar afetividade.
Espero que  V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este - Não faça isso, minha filha.
encontro. b) indicar cálculo aproximado.
*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa. Ele já deve ter seus 40 anos.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o c) atribuir valor indefinido ao substantivo.
Senhor Presidente da República, agiu com propriedade. Marisa tem lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o prono-
- Os pronomes  de tratamento representam uma forma indi- me possessivo fica na 3ª pessoa.
reta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratarmos um Vossa Excelência trouxe sua mensagem?
deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos ende- 4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo con-
reçando à excelência que esse deputado supostamente tem para corda com o mais próximo.
poder ocupar o cargo que ocupa. Trouxe-me seus livros e anotações.
b)  3ª pessoa:  embora os pronomes de tratamento dirijam-se 5-  Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos
à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª pessoa. átonos assumem valor de possessivo.
Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblí- Vou seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.)
quos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, Pronomes Demonstrativos
para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a
c) Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos posição de uma certa palavra em relação a outras ou ao contexto.
dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a Essa relação pode ocorrer em termos de espaço, no tempo ou dis-
pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, curso.
se começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar No espaço:
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pes- Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o carro
soa. está perto da pessoa que fala.
Compro  esse  carro (aí). O pronome  esse indica que o carro
Quando  você  vier, eu  te  abraçarei e enrolar-me-ei está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da pessoa que
nos teus cabelos. (errado) fala.
Quando  você  vier, eu  a  abraçarei e enrolar-me-ei Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que o carro
nos seus cabelos. (correto) está afastado da pessoa que fala e daquela com quem falo.
Quando  tu  vieres, eu  te  abraçarei e enrolar-me-ei Atenção:  em situações de fala direta (tanto ao vivo quan-
nos teus cabelos. (correto) to por meio de correspondência, que é uma modalidade escri-
ta de fala), são particularmente importantes o  este  e o esse - o
Pronomes Possessivos primeiro localiza os seres em relação ao emissor; o segundo,
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possui- em relação ao destinatário. Trocá-los pode causar ambiguidade.
dor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa possuída). Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar informações
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular) sobre o concurso vestibular. (trata-se da universidade destinatária).
Observe o quadro: Reafirmamos a disposição  desta  universidade em participar no
próximo Encontro de Jovens. (trata- -se da universidade que envia
NÚMERO PESSOA PRONOME a mensagem).

singular primeira meu(s), minha(s) No tempo:


singular segunda teu(s), tua(s) Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se refere
singular terceira seu(s), sua(s) ao ano presente.
Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se refere a
plural primeira nosso(s), nossa(s) um passado próximo.
plural segunda vosso(s), vossa(s) Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele está se
plural terceira seu(s), sua(s) referindo a um passado distante.
 

Didatismo e Conhecimento 25
LÍNGUA PORTUGUESA
- Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou inva- Algo o incomoda?
riáveis, observe: Quem avisa amigo é.
Variáveis:  este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
aquela(s). - Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser expresso
Invariáveis: isto,  isso, aquilo. na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade aproximada. São
- Também aparecem como pronomes demonstrativos: eles: cada, certo(s), certa(s).
- o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e puderem
ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo. Cada povo tem seus costumes.
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
Certas pessoas exercem várias profissões.
Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que
te indiquei.)
- mesmo(s), mesma(s): Note que:
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem. Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pronomes in-
- próprio(s), própria(s): definidos adjetivos:
Os próprios alunos resolveram o problema.
- semelhante(s): algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),
Não compre semelhante livro. demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
- tal, tais: nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
Tal era a solução para o problema. quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
Note que: tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
a) Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em constru-
ções redundantes, com finalidade expressiva, para salientar algum Menos palavras e mais ações.
termo anterior. Por exemplo: Alguns se contentam pouco.
Manuela, essa é que dera em cheio casando com o José Afon-
so. Desfrutar das belezas brasileiras, isso é que é sorte! Os pronomes indefinidos podem ser divididos em  variá-
b) O pronome demonstrativo neutro ou pode representar um
veis e invariáveis. Observe o quadro:
termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso em que aparece,
geralmente, como objeto direto, predicativo ou aposto.
O casamento seria um desastre. Todos o pressentiam. Variáveis
c) Para evitar  a repetição de um verbo anteriormente expres- Singular Plural Invariá-
so, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo fazer, chamado, veis
então, verbo vicário (= que substitui, que faz as vezes de). Mascu- Mascu-
Feminino Feminino
Ninguém teve coragem de falar antes que ela o fizesse. lino lino
d) Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa mencio- algum alguma alguns algumas
nada em último lugar; aquele, à mencionada em primeiro lugar. nenhum nenhuma nenhuns nenhumas alguém
O referido deputado e o Dr. Alcides eram amigos ínti- todo toda todos todas ninguém
mos;  aquele casado, solteiro este. [ou então: este solteiro, aque- muito muita muitos muitas outrem
le casado] pouco pouca poucos poucas tudo
e) O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irônica.
vário vária vários várias nada
A menina foi a tal que ameaçou o professor?
f)  Pode ocorrer a contração das preposições  a, de, em com tanto tanta tantos tantas algo
pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, disso, nisso, outro outra outros outras cada
no, etc. quanto quanta quantos quantas
Não acreditei no que estava vendo. (no = naquilo) qualquer quaisquer
 
Pronomes Indefinidos São  locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um,
São palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja quem for,
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quantidade seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal
indeterminada. ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-planta-
das.
Cada um escolheu o vinho desejado.
Não é difícil perceber que “alguém”  indica uma pessoa de
quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma imprecisa,
vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser humano que segura- Indefinidos Sistemáticos
mente existe, mas cuja identidade é desconhecida ou não se quer Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, percebe-
revelar.  mos que existem alguns grupos que criam oposição de sentido. É
Classificam-se em: o caso de: algum/alguém/algo, que têm sentido afirmativo, e ne-
- Pronomes Indefinidos Substantivos:  assumem o lugar do nhum/ninguém/nada, que têm sentido negativo; todo/tudo, que
ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. São eles: algo, indicam uma totalidade afirmativa, e nenhum/nada, que indicam
alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, uma totalidade negativa; alguém/ninguém, que se referem à pes-
tudo. soa, e algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza,
e qualquer, que generaliza.

Didatismo e Conhecimento 26
LÍNGUA PORTUGUESA
Essas oposições de sentido são muito importantes na constru- Essas são as conclusões sobre  as quais  pairam muitas
ção de frases e textos coerentes, pois delas muitas vezes dependem dúvidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.)
a solidez e a consistência dos argumentos expostos. Observe nas
frases seguintes a força que os pronomes indefinidos destacados c) O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se
imprimem às afirmações de que fazem parte: refere a uma oração.
Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
prático. Não chegou a ser padre, mas deixou de ser poeta, que era a
Certas  pessoas conseguem perceber sutilezas: não são pes- sua vocação natural.
soas quaisquer.
d)  O pronome  “cujo” não concorda com o seu antecedente,
Pronomes Relativos mas com o consequente. Equivale a do qual, da qual, dos quais,
São aqueles que representam nomes já mencionados anterior- das quais.
mente e com os quais se relacionam. Introduzem as orações subor-
dinadas adjetivas.
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas.
O racismo é um sistema  que  afirma a superioridade de um
grupo racial sobre outros.
↑ ↑
(antecedente) (consequente)
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = ora-
ção subordinada adjetiva).
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e in- e) “Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente
troduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra  “sistema” um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
é antecedente do pronome relativo que. O antecedente do pronome
relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as. Emprestei tantos quantos foram necessários.
Não sei o que você está querendo dizer. ↑
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem (antecedente)
expresso.
Quem casa, quer casa. Ele fez tudo quanto havia falado.

Observe o quadro abaixo: (antecedente)

Quadro dos Pronomes Relativos f) O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre pre-
cedido de preposição.
Variáveis
Invariáveis
Masculino Feminino É um professor a quem muito devemos.
o qual os quais a qual as quais quem ↑
cujo cujos cuja cujas que (preposição)
quanto quantos quanta quantas onde
g) “Onde”, como pronome relativo, sempre possui anteceden-
Note que: te e só pode ser utilizado na indicação de lugar.
a) O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo A casa onde morava foi assaltada.
por isso chamado relativo universal. Pode ser substituído por  o h) Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em
qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um que.
substantivo. Sinto saudades da época em que (quando) morávamos no ex-
terior.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) i) Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual) - como (= pelo qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais) Não me parece correto o modo como você agiu semana pas-
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais) sada.
- quando (= em que)
b)  O qual, os quais, a qual  e  as quais são exclusivamente Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.
pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente para j) Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa
verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem
só frase.
ter várias classificações) são pronomes relativos. Todos eles são
O futebol é um esporte.
usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou
O povo gosta muito deste esporte.
depois de determinadas preposições:
O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia,  o k) Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer
qual me deixou encantado. (O uso de “que”, neste caso, geraria a elipse do relativo “que”.
ambiguidade.) A sala estava cheia de gente que conversava,  (que)  ria,
(que) fumava.

Didatismo e Conhecimento 27
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Pronomes Interrogativos O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus
São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou possíveis significados. Observe que palavras como corrida,
indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, referem-se à 3ª chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de alguns
pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogati- verbos mencionados acima; não apresentam, porém, todas as
vos: que, quem, qual (e variações), quanto (e variações). possibilidades de flexão que esses verbos possuem.

Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço. Estrutura das Formas Verbais
Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode apresen-
Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas pre-
tar os seguintes elementos:
feres. a)  Radical:  é a parte invariável, que expressa o significado
Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte  quan- essencial do verbo. Por exemplo:
tos passageiros desembarcaram. fal-ei; fal-ava; fal-am. (radical fal-)
b) Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica a
Sobre os pronomes: conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r
O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujei- São três as conjugações:
to na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quando desem- 1ª - Vogal Temática - A - (falar)
penha função de complemento. Vamos entender, primeiramente, 2ª - Vogal Temática - E - (vender)
como o pronome pessoal surge na frase e que função exerce. Ob- 3ª - Vogal Temática - I - (partir)
serve as orações:
c)  Desinência modo-temporal:  é o elemento que designa o
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia ajudá-lo. falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exer-
cem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto. Já na d)  Desinência número-pessoal:  é o elemento que designa a
segunda oração, observamos o pronome “lhe” exercendo função pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural).
de complemento, e, consequentemente, é do caso oblíquo. Os falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, o pronome falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)
oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a segunda pessoa
do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar.... Ajudar Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados (com-
por, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois a forma
quem? Você (lhe).
arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver desapa-
Importante: Em observação à segunda oração, o emprego do recido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe,
pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do verbo intransitivo pões, põem, etc.
“ajudar” porque o pronome oblíquo pode estar antes, depois ou
entre locução verbal, caso o verbo principal (no caso “ajudar”) es- Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
tiver no infinitivo ou gerúndio. Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura dos ver-
Eu desejo lhe perguntar algo. bos com o conceito de acentuação tônica, percebemos com facili-
Eu estou perguntando-lhe algo. dade que nas formas rizotônicas, o acento tônico cai no radical do
verbo: opino, aprendam, nutro, por exemplo. Nas formas arrizotô-
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: nicas, o acento tônico não cai no radical, mas sim na terminação
verbal: opinei, aprenderão, nutriríamos.
os primeiros não são precedidos de preposição, diferentemente dos
segundos que são sempre precedidos de preposição.
Classificação dos Verbos
Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava Classificam-se em:
fazendo. a) Regulares: são aqueles que possuem as desinências nor-
Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu mais de sua conjugação e cuja flexão não provoca alterações no ra-
estava fazendo. dical. Por exemplo: canto     cantei      cantarei     cantava      cantasse
b) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no
Fontes: radical ou nas desinências. Por exemplo: faço     fiz      farei     fi-
zesse
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42.php c) Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação
http://www.brasilescola.com/gramatica/colocacao-pronominal. completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais e pessoais.
htm - Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Normalmen-
te, são usados na terceira pessoa do singular. Os principais verbos
VERBO impessoais são:
a) haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou
É a classe de palavras que se flexiona em pessoa, número, fazer (em orações temporais).
tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros processos: ação Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam)
(correr); estado (ficar); fenômeno (chover); ocorrência (nascer); Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
desejo (querer). Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão)

Didatismo e Conhecimento 28
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Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) - Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos mor-
b) fazer, ser e estar (quando indicam tempo) fológicos ou eufônicos. Por exemplo:
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil. verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do in-
Era primavera quando a conheci. dicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que prova-
Estava frio naquele dia. velmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.
c) Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são verbo computar. Este verbo teria como formas do presente do
indicativo computo, computas, computa - formas de sonoridade
impessoais:  chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer, es-
considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões
curecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci mal-humo- muitas vezes não impedem o uso efetivo de formas verbais re-
rado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado. Qualquer pudiadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio ver-
verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser im- bo computar, que, com o desenvolvimento e a popularização da
pessoal para ser pessoal. informática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e
Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu) pessoas.
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu) d) Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma
d) São impessoais, ainda: com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma ocor-
1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo. rer no particípio, em que, além das formas regulares terminadas
Ex.: Já passa das seis. em  -ado  ou  -ido, surgem as chamadas  formas curtas  (particípio
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, indi- irregular).
cando suficiência. Ex.:  Observe:
Basta de tolices. Chega de blasfêmias.
3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está PARTICÍPIO PARTICÍPIO
INFINITIVO
muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a sujeito REGULAR IRREGULAR
expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o Anexar Anexado Anexo
sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, então, pessoais.
4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de “ser Dispersar Dispersado Disperso
possível”. Por exemplo: Eleger Elegido Eleito
Não deu para chegar mais cedo. Envolver Envolvido Envolto
Dá para me arrumar uns trocados?
Imprimir Imprimido Impresso
- Unipessoais:  são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se Matar Matado Morto
apenas  nas terceiras pessoas, do singular e do plural. Morrer Morrido Morto
A fruta amadureceu.
As frutas amadureceram. Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto
Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos
pessoais na linguagem figurada: e) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em
Teu irmão amadureceu bastante. sua conjugação.
Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de Por exemplo: 
animais; eis alguns:
bramar: tigre Ir Pôr Ser Saber
bramir: crocodilo
vou sou
cacarejar: galinha ponho sei
vais és
coaxar: sapo pus sabes
ides fui
cricrilar: grilo pôs soube
fui foste
punha saiba
Os principais verbos unipessoais são: foste seja
1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preci-
f) Auxiliares
so, necessário, etc.). São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bastante.) das locuções verbais. O verbo principal, quando acompanhado de
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.) verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo,
É preciso que chova. (Sujeito: que chova.) gerúndio ou particípio.
2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da     Vou                  espantar        as     moscas.
conjunção que. (verbo auxiliar)  (verbo principal no infinitivo)
Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fu-
mar.)        Está                  chegando       a      hora   do    debate.
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláu- (verbo auxiliar)    (verbo principal no gerúndio)                 
dia. (Sujeito: que não vejo Cláudia) Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.
Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.          (verbo auxiliar)  (verbo principal no particípio)
Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e
haver.

Didatismo e Conhecimento 29
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Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo


Pretérito
Pretérito Pretérito Futuro do Futuro do
Presente Mais-Que-
Perfeito Imperfeito Presente Pretérito
-Perfeito
sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam
SER - Modo Subjuntivo
Presente Pretérito Imperfeito Futuro
que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem
SER - Modo Imperativo
Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais


Infinitivo Infinitivo
Gerúndio Particípio
Impessoal Pessoal
ser ser eu sendo sido
  seres tu    
  ser ele    
  sermos nós    
  serdes vós    
  serem eles    

ESTAR - Modo Indicativo


Presente Pretérito Perfeito Pretérito Imperfeito Pretérito Mais-Que-Perfeito Futuro do Presente Futuro do Pretérito
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

Didatismo e Conhecimento 30
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ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo
Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
esteja estivesse estiver    
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
estar estar estando estado
  estares    
  estar    
  estarmos    
  estardes    
  estarem    

HAVER - Modo Indicativo


Pretérito Pretérito Pretérito Futuro do Futuro do
Presente
Perfeito Imperfeito Mais-Que-Perfeito Presente Pretérito
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
haja houvesse houver    
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
haver haver havendo havido
  haveres    
  haver    
  havermos    
  haverdes    
  haverem    

Didatismo e Conhecimento 31
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TER - Modo Indicativo

Pretérito Pretérito Pretérito Futuro do Futuro do


Presente
Perfeito Imperfeito Mais-Que-Perfeito Presente Pretérito
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver    
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

g) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mesma pessoa do
sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no próprio sentido do verbo (reflexi-
vos essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abster-se, ater-se,
apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já está implícita no radical do
verbo. Por exemplo:
Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mesma, pois não recebe
ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é
conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo.  
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes): 

Eu me arrependo 
Tu te arrependes
Ele se arrepende 
Nós nos arrependemos 
Vós vos arrependeis 
Eles se arrependem
 
- 2. Acidentais:  são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto representado por pronome
oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou
transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exem-
plo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo: Maria penteou-me.
 
Observações:
1- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função sintática.
2- Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente pronominais, são os verbos
reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas.
Por exemplo:
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me (objeto direto) - 1ª pessoa do singular

Didatismo e Conhecimento 32
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Modos Verbais - Pretérito Perfeito (simples) - Expressa um fato ocorrido num
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado. Por
na expressão de um fato. Em Português, existem três modos:  exemplo: Ele estudou as lições ontem à noite.
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade. Por exemplo: - Pretérito Perfeito (composto)  -  Expressa um fato que teve
Eu sempre estudo. início no passado e que pode se prolongar até o momento atual.
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade. Por exem- Por exemplo: Tenho estudado muito para os exames.
plo: Talvez eu estude amanhã. - Pretérito-Mais-Que-Perfeito  -  Expressa um fato ocorrido
Imperativo - indica uma ordem, um pedido. Por exemplo: Es- antes de outro fato já terminado. Por exemplo: Ele já tinha estu-
tuda agora, menino. dado as lições quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele
já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma simples)
Formas Nominais - Futuro do Presente (simples)  - Enuncia um fato que deve
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual. Por
podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo, advér- exemplo:  Ele estudará as lições amanhã.
bio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe: 
- a) Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo de - Futuro do Presente (composto) - Enuncia um fato que deve
modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substanti- ocorrer posteriormente a um momento atual, mas já terminado an-
vo. Por exemplo: Viver é lutar. (= vida é luta) tes de outro fato futuro. Por exemplo: Antes de bater o sinal, os
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) alunos já terão terminado o teste.
- Futuro do Pretérito (simples)  -  Enuncia um fato que pode
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma ocorrer posteriormente a um determinado fato passado. Por exem-
simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo: plo: Se eu tivesse dinheiro, viajaria nas férias.
É preciso ler este livro. - Futuro do Pretérito (composto) - Enuncia um fato que po-
Era preciso ter lido este livro. deria ter ocorrido posteriormente a um determinado fato passado.
- b) Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pes- Por exemplo:  Se eu tivesse ganho esse dinheiro, teria viajado nas
soas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta férias.
desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais,
flexiona--se da seguinte maneira: 2. Tempos do Subjuntivo
- Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu) atual. Por exemplo: É conveniente que estudes para o exame.
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós) - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas pos-
terior a outro já ocorrido. Por exemplo: Eu esperava que ele ven-
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós) cesse o jogo.
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles) Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções
em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por exemplo: Se
Por exemplo: ele viesse ao clube, participaria do campeonato.
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação. - Pretérito Perfeito (composto) - Expressa um fato totalmente
- c) Gerúndio:  o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou terminado num momento passado. Por exemplo:Embora tenha es-
advérbio. Por exemplo:  tudado bastante,  não passou no teste.
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio) - Futuro do Presente (simples)  -  Enuncia um fato que pode
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função adjetivo) ocorrer num momento futuro em relação ao atual. Por exemplo:
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na Quando ele vier à loja, levará as encomendas.
forma composta, uma ação concluída. Por exemplo: Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que in-
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro. dicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele  vier  à loja,
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. levará as encomendas.
- d) Particípio:  quando não é empregado na formação dos - Futuro do Presente (composto) - Enuncia um fato posterior
tempos compostos, o particípio indica geralmente o  resultado de ao momento atual mas já terminado antes de outro fato futuro. Por
uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. exemplo: Quando ele tiver saído do hospital, nós o visitaremos.
Por exemplo:
Terminados os exames, os candidatos saíram. Presente do Indicativo
Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma
relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo Desinência
(adjetivo verbal). Por exemplo: 1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
pessoal
Ela foi a aluna escolhida para representar a escola.
CANTAR VENDER PARTIR
Tempos Verbais
Tomando-se como referência o momento em que se fala, a cantO vendO partO O
ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos. Veja: cantaS vendeS parteS S
1. Tempos do Indicativo
canta vende parte -
- Presente  - Expressa um fato atual. Por exemplo: Eu  estu-
do neste colégio. cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num mo- cantaIS vendeIS partIS IS
mento anterior ao atual, mas que não foi completamente termina-
do. Por exemplo: Ele estudava as lições quando foi interrompido. cantaM vendeM parteM M

Didatismo e Conhecimento 33
LÍNGUA PORTUGUESA
Pretérito Perfeito do Indicativo cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão
Desinência
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
pessoal Futuro do Pretérito do Indicativo
CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I 1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
cantaSTE vendeSTE partISTE STE CANTAR VENDER PARTIR
cantoU vendeU partiU U cantarIA venderIA partirIA
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantarIA venderIA partirIA
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM
Desinên-
1ª conjuga- 2ª conjuga- 3ª conju- Des. tem- Presente do Subjuntivo
cia pes-
ção ção gação poral Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desi-
soal
nência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo
1ª/2ª e 3ª pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinên-
conj. cia -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø Des. Desi-
Des.
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S 1ª conjuga- 2ª conjuga- 3ª conju- tem- nência
tem-
ção ção gação po- pes-
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø poral
ral soal
c a n t á R A - vendêRA- partíRA- 1ª 2ª/3ª
RA MOS
MOS MOS MOS conj. conj.
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS CANTAR VENDER PARTIR
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M cantE vendA partA E A Ø

Pretérito Imperfeito do Indicativo cantES vendAS partAS E A S


cantE vendA partA E A Ø
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação partA-
cantEMOS vendAMOS E A MOS
MOS
CANTAR VENDER PARTIR
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantAVA vendIA partIA
cantEM vendAM partAM E A M
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA Pretérito Imperfeito do Subjuntivo
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinên-
cia -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se,
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência
cantAVAM vendIAM partIAM temporal -SSE mais a desinência de número e pessoa correspon-
dente.
Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos

Didatismo e Conhecimento 34
LÍNGUA PORTUGUESA

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M
Futuro do Subjuntivo
Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o
tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa correspondente.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM VendeREM PartiREM R EM
Imperativo
Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós)
eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja: 

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo

Eu canto --- Que eu cante


Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles
 

Didatismo e Conhecimento 35
LÍNGUA PORTUGUESA
Observações: Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (A) considerar ao acaso, sem premeditação.
(singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido ou (B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela.
conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por (C) adotar como referência de qualidade.
essa razão, utiliza-se você/vocês. (D) julgar de acordo com normas legais.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), (E) classificar segundo ideias preconcebidas.
sede (vós).
04. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013 Assinale a alternativa
Infinitivo Impessoal contendo a frase do texto na qual a expressão verbal destacada ex-
prime possibilidade.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sistema ca-
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
paz de disponibilizar um grande número de obras literárias...
CANTAR VENDER PARTIR (B) Funcionando como um imenso sistema de informação e
arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual.
Infinitivo Pessoal (C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por associa-
ção, e não mais por sequências fixas previamente estabelecidas.
(D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse conceito
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação está ligado a uma nova concepção de textualidade...
CANTAR VENDER PARTIR (E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponibilizar
toda a literatura do mundo...
cantar vender partir
cantarES venderES partirES 05.(Analista – Arquitetura – FCC – 2013-adap.). Está ade-
cantar vender partir quada a correlação entre tempos e modos verbais na frase:
A) Os que levariam a vida pensando apenas nos valores abso-
cantarMOS venderMOS partirMOS
lutos talvez façam melhor se pensassem no encanto dos pequenos
cantarDES venderDES partirDES bons momentos.
cantarEM venderEM partirEM B) Há até quem queira saber quem fosse o maior bandido entre
os que recebessem destaque nos popularescos programas da TV.
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54. C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gostam tan-
php to de sua poesia, sobretudo porque ela não tenha aspirações a ser
metafísica.
Questões sobre Verbo D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levarem em conta
nossa condição de mortais, não precisariam preocupar-se com os
01. (Agente Policia Vunesp 2013) Considere o trecho a seguir. degraus da notoriedade.
É comum que objetos ___________ esquecidos em locais pú- E) Quanto mais aproveitássemos o que houvesse de grande nos
blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pessoas momentos felizes, menos precisaríamos nos preocupar com con-
quistas superlativas.
_____________ a atenção voltada para seus pertences, conservan-
do-os junto ao corpo.
06. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente,
em que todos os verbos estão empregados de acordo com a norma-
as lacunas do texto.
-padrão.
(A) sejam … mantesse
(A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da impressão
(B) sejam … mantivessem
definitiva.
(C) sejam … mantém
(B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em silêncio.
(D) seja … mantivessem (C) Vão pagar horas-extras aos que se disporem a trabalhar no
(E) seja … mantêm feriado.
(D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga...
02. (Escrevente TJ SP Vunesp 2012-adap.) Na frase –… os (E) Se você quer a promoção, é necessário que a requera a seu
níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas sucessi- superior.
vas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque expressa ação
(A) concluída. 07. (Papiloscopista Policial Vunesp 2013-adap.) Assinale a
(B) atemporal. alternativa que substitui, corretamente e sem alterar o sentido da
(C) contínua. frase, a expressão destacada em – Se a criança se perder, quem
(D) hipotética. encontrá-la verá na pulseira instruções para que envie uma mensa-
(E) futura. gem eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
(A) Caso a criança se havia perdido…
03. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013-adap.) Sem querer este- (B) Caso a criança perdeu…
reotipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas interações (C) Caso a criança se perca…
sociais terminam, 99% das vezes, diante da pergunta “débito ou (D) Caso a criança estivera perdida…
crédito?”. (E) Caso a criança se perda…

Didatismo e Conhecimento 36
LÍNGUA PORTUGUESA
08. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013-adap.). 4-)
Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo fu- (B) Funcionando como um imenso sistema de informação e ar-
turo. quivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual. =
A) Os consumidores são assediados pelo marketing … verbo no futuro do pretérito
B) … somente eles podem decidir se irão ou não comprar.
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”… 5-)
D) … de onde vem o produto…? A) Os que levam a vida pensando apenas nos valores absolutos
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… talvez fariam melhor se pensassem no encanto dos pequenos bons
momentos.
09. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assinale a B) Há até quem queira saber quem é o maior bandido entre os
alternativa em que a concordância das formas verbais destacadas se que recebem destaque nos popularescos programas da TV.
dá em conformidade com a norma-padrão da língua. C) Não admira que os leitores de Manuel Bandeira gostem
(A) Chegou, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos. tanto de sua poesia, sobretudo porque ela não tem aspirações a ser
(B) Haviam várias hipóteses acerca do que poderia ter aconte- metafísica.
cido com a criança. D) Se os adeptos da fama a qualquer custo levassem em conta
(C) Fazia horas que a criança tinha saído e os pais já estavam nossa condição de mortais, não precisariam preocupar-se com os
preocupados. degraus da notoriedade.
(D) Era duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada.
(E) Existia várias maneiras de voltar para casa, mas a criança 6-)
se perdeu mesmo assim. (B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em silêncio.
(C) Vão pagar horas-extras aos que se dispuserem a trabalhar
10. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP no feriado.
– 2013-adap.). (D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga...
Leia as frases a seguir. (E) Se você quiser a promoção, é necessário que a requeira a
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de madeira no seu superior.
animal.
II. Existiam muitos ferimentos no boi. 7-)Caso a criança se perca… (perda = substantivo: Houve uma
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida movi- grande perda salarial...)
mentada.
Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este pelo 8-)
A) Os consumidores são assediados pelo marketing …= pre-
verbo Haver, nas frases, têm- -se, respectivamente:
sente
A) Existia – Haviam – Existiam
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessida-
B) Existiam – Havia – Existiam
des”…= pretérito do Subjuntivo
C) Existiam – Haviam – Existiam
D) … de onde vem o produto…? = presente
D) Existiam – Havia – Existia E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… = preté-
E) Existia – Havia – Existia rito perfeito
GABARITO 9-)
(A) Chegaram, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos.
01. B 02. C 03. E 04. B 05. E (B) Havia várias hipóteses acerca do que poderia ter acontecido
com a criança.
06. A 07. C 08. B 09. C 10. D (D) Eram duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada.
(E) Existiam várias maneiras de voltar para casa, mas a criança
COMENTÁRIOS se perdeu mesmo assim.
1-) É comum que objetos sejam esquecidos em locais públicos.
Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pessoasmanti- 10-)
vessema atenção voltada para seus pertences, conservando-os jun- I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de madeira no
to ao corpo. animal.
II. Existiam muitos ferimentos no boi.
2-) os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando que- III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida movi-
das sucessivas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque mentada.
expressa ação contínua (=não concluída)
Haver – sentido de existir= invariável, impessoal; existir = va-
3-) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de riável. Portanto, temos:
um ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da I – Existiam onze pessoas...
pergunta “débito ou crédito?”. II – Havia muitos ferimentos...
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de classificar III – Existia muita gente...
segundo ideias preconcebidas.

Didatismo e Conhecimento 37
LÍNGUA PORTUGUESA
ADVÉRBIO de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente,
simplesmente, só, unicamente
O advérbio, assim como muitas outras palavras existentes na de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, também
Língua Portuguesa, advém de outras línguas. Assim sendo, tal qual o de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
adjetivo, o prefixo “ad-” indica a ideia de proximidade, contiguida- de designação: Eis
de. Essa proximidade faz referência ao processo verbal, no sentido de interrogação: onde?(lugar), como?(modo), quando?(tempo),
de caracterizá-lo, ou seja, indicando as circunstâncias em que esse por quê?(causa), quanto?(preço e intensidade), para quê?(finalidade)
processo se desenvolve. Locução adverbial
O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no sentido de É reunião de duas ou mais palavras com valor de advérbio.
caracterizar os processos expressos por ele. Contudo, ele não é mo- Exemplo:
dificador exclusivo desta classe (verbos), pois também modifica o
• Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
adjetivo e até outro advérbio. Seguem alguns exemplos:
• Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto, você está
Há locuções adverbiais que possuem advérbios corresponden-
até bem informado.
tes.
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o adjetivo
Exemplo:
alheio, representando uma qualidade, característica.
Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu apressadamente.
O artista canta muito mal.
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifica outro Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de modo são fle-
advérbio de modo – “mal”. xionados, sendo que os demais são todos invariáveis. A única flexão
Em ambos os exemplos pudemos verificar que se tratava de propriamente dita que existe na categoria dos advérbios é a de grau:
somente uma palavra funcionando como advérbio. No entanto, ele • Superlativo: aumenta a intensidade.
pode estar demarcado por mais de uma palavra, que mesmo assim Exemplos: longe - longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconsti-
não deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chamamos de locu- tucionalmente - inconstitucionalissimamente, etc;
ção adverbial, representada por algumas expressões, tais como: às • Diminutivo: diminui a intensidade.
vezes, sem dúvida, frente a frente, de modo algum, entre outras. Exemplos: perto - pertinho, pouco - pouquinho, devagar - de-
Mediante tais postulados, afirma-se que, dependendo das cir- vagarinho,
cunstâncias expressas pelos advérbios, eles se classificam em distin-
tas categorias, uma vez expressas por: Questões sobre Advérbio
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pressas, às
claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse 01. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a – 2013). Leia os quadrinhos para responder a questão.
lado, a pé, de cor, em vão, e a maior parte dos que terminam em
-mente:calmamente, tristemente, propositadamente, pacientemente,
amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosamente, ge-
nerosamente
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em exces-
so, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto,
que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito,
por completo.
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, amanhã,
cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca,
então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, breve, constante-
mente, entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamen-
te, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente,
de vez em quando, de quando em quando, a qualquer momento, de
tempos em tempos, em breve, hoje em dia
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás,
além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde,
longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhures,
nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distância, à distancia
de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em
volta
de negação: Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de for-
ma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum
de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavelmente,
quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efetiva- (Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano. Português. Volume
mente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubitavelmente Único)

Didatismo e Conhecimento 38
LÍNGUA PORTUGUESA
No primeiro e segundo quadrinhos, estão em destaque dois ad- E) O fato é que é difícil acreditar que tanta gente ande se que-
vérbios: AÍ e ainda. brando por aí…
Considerando que advérbio é a palavra que modifica um verbo,
um outro advérbio ou um adjetivo, expressando a circunstância em 03. (Agente Educacional – VUNESP – 2013). Leia o texto a
que determinado fato ocorre, assinale a alternativa que classifica, seguir.
correta e respectivamente, as circunstâncias expressas por eles. Cultura matemática
A) Lugar e negação. Hélio Schwartsman
B) Lugar e tempo.
C) Modo e afirmação. SÃO PAULO – Saiu mais um estudo mostrando que o ensino
D) Tempo e tempo. de matemática no Brasil não anda bem. A pergunta é: podemos viver
E) Intensidade e dúvida. sem dominar o básico da matemática? Durante muito tempo, a res-
posta foi sim. Aqueles que não simpatizavam muito com Pitágoras
02. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). podiam simplesmente escolher carreiras nas quais os números não
Leia o texto a seguir. encontravam muito espaço, como direito, jornalismo,as humanida-
Impunidade é motor de nova onda de agressões
des e até a medicina de antigamente.
Repetidos episódios de violência têm sido noticiados nas últi-
Como observa Steven Pinker, ainda hoje, nos meios universitá-
mas semanas. Dois que chamam a atenção, pela banalidade com que
rios, é considerado aceitável que um intelectual se vanglorie de ter
foram cometidos, estão gerando ainda uma série de repercussões.
Em Natal, um garoto de 19 anos quebrou o braço da estudante passado raspando em física e de ignorar o beabá da estatística. Mas
de direito R.D., 19, em plena balada, porque ela teria recusado um ai de quem admitir nunca ter lido Joyce ou dizer que não gosta de
beijo. O suposto agressor já responde a uma ação penal, por agres- Mozart. Sobre ele recairão olhares tão recriminadores quanto sobre
são, movida por sua ex-mulher. o sujeito que assoa o nariz na manga da camisa.
No mesmo final de semana, dois amigos que saíam de uma bo- Joyce e Mozart são ótimos, mas eles, como quase toda a cultura
ate em São Paulo também foram atacados por dois jovens que esta- humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. Já a cul-
vam na mesma balada, e um dos agredidos teve a perna fraturada. tura científica, que muitos ainda tratam com uma ponta de desprezo,
Esses dois jovens teriam tentado se aproximar, sem sucesso, de duas torna-se cada vez mais fundamental, mesmo para quem não preten-
garotas que eram amigas dos rapazes que saíam da boate. Um dos de ser engenheiro ou seguir carreiras técnicas.
suspeitos do ataque alega que tudo não passou de um engano e que Como sobreviver à era do crédito farto sem saber calcular as
o rapaz teria fraturado a perna ao cair no chão. armadilhas que uma taxa de juros pode esconder? Hoje, é difícil até
Curiosamente, também é possível achar um blog que diz que posicionar-se de forma racional sobre políticas públicas sem assi-
R.D., em Natal, foi quem atacou o jovem e que seu braço se quebrou milar toda a numeralha que idealmente as informa. Conhecimentos
ao cair no chão. rudimentares de estatística são pré-requisito para compreender as
Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimentos felizmen- novas pesquisas que trazem informações relevantes para nossa saú-
te comprovam os acontecimentos, e testemunhas vão ajudar a polí- de e bem-estar.
cia na investigação. A matemática está no centro de algumas das mais intrigantes es-
O fato é que é difícil acreditar que tanta gente ande se que- peculações cosmológicas da atualidade. Se as equações da mecânica
brando por aí ao cair no chão, não é mesmo? As agressões devem quântica indicam que existem universos paralelos, isso basta para
ser rigorosamente apuradas e, se houver culpados, que eles sejam que acreditemos neles? Ou, no rastro de Eugene Wigner, podemos
julgados e condenados. nos perguntar por que a matemática é tão eficaz para exprimir as leis
A impunidade é um dos motores da onda de violência que te- da física.
mos visto. O machismo e o preconceito são outros. O perfil impul- (Folha de S.Paulo. 06.04.2013. Adaptado)
sivo de alguns jovens (amplificado pela bebida e por outras substân- Releia os trechos apresentados a seguir.
cias) completa o mecanismo que gera agressões.
- Aqueles que não simpatizavam muito com Pitágoras podiam
Sem interferir nesses elementos, a situação não vai mudar.
simplesmente escolher carreiras nas quais os números não encon-
Maior rigor da justiça, educação para a convivência com o outro,
travam muito espaço... (1.º parágrafo)
aumento da tolerância à própria frustração e melhor controle sobre
os impulsos (é normal levar um “não”, gente!) são alguns dos ca- - Já a cultura científica, que muitos ainda tratam com uma pon-
minhos. ta de desprezo, torna-se cada vez mais fundamental...(3.º parágrafo)
(Jairo Bouer, Folha de S.Paulo, 24.10.2011. Adaptado) Os advérbios em destaque nos trechos expressam, correta e res-
pectivamente, circunstâncias de
Assinale a alternativa cuja expressão em destaque apresenta cir- A) afirmação e de intensidade.
cunstância adverbial de modo. B) modo e de tempo.
A) Repetidos episódios de violência (...) estão gerando ainda C) modo e de lugar.
uma série de repercussões. D) lugar e de tempo.
B) ...quebrou o braço da estudante de direito R. D., 19, em ple- E) intensidade e de negação.
na balada…
C) Esses dois jovens teriam tentado se aproximar, sem sucesso, 04. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Leia o tex-
de duas amigas… to para responder às questões
D) Um dos suspeitos do ataque alega que tudo não passou de Mais denso, menos trânsito
um engano... Henrique Meirelles

Didatismo e Conhecimento 39
LÍNGUA PORTUGUESA
As grandes cidades brasileiras estão congestionadas e em pro- D)apressadamente com o caminhão.
cesso de deterioração agudizado pelo crescimento econômico da E)agora calmamente.
última década. Existem deficiências evidentes em infraestrutura,
mas é importante também considerar e estudar em profundidade o 07. Em qual das alternativas abaixo o adjunto adverbial expres-
planejamento urbano. sa o sentido de instrumento:
Muitas grandes cidades adotaram uma abordagem de descon- A)Viajou de trem.
centração, incentivando a criação de diversos centros urbanos, na B)Tânia foi almoçar com seus primos.
visão de que isso levaria a uma maior facilidade de deslocamento. C)Cortou-se com o alicate.
Mas o efeito tem sido o inverso. A criação de diversos centros e D)Chorou de dor.
o aumento das distâncias multiplicam o número de viagens, dificul-
tando o escasso investimento em transporte coletivo e aumentando a
necessidade do transporte individual. 08. Assinale a alternativa em que o elemento destacado NÃO é
Se olharmos Los Angeles como a região que levou a descon- um adjunto adverbial.
centração ao extremo, ficam claras as consequências. Numa região A)“...ameaçou até se acorrentar à porta da embaixada brasileira
rica como a Califórnia, com enorme investimento viário, temos en- em Roma.”
garrafamentos gigantescos que viraram característica da cidade. B)“...decidida na semana passada por Tarso Genro...”.
Os modelos urbanos bem-sucedidos são aqueles com elevado C)“Hoje Mutti vive com identidade trocada e em lugar não sa-
adensamento e predominância do transporte coletivo, como mos- bido.”
tram Manhattan, Tóquio e algumas novas áreas urbanas chinesas. D)“A concessão de refúgio político ao italiano Cesare Battisti,
Apesar da desconcentração e do aumento da extensão urbana decidida...”.
verificados no Brasil, é importante desenvolver e adensar ainda mais
os diversos centros já existentes com investimentos no transporte E)“...decida se é o caso de reabrir o processo e julgá-lo nova-
coletivo. mente?”
O centro histórico de São Paulo é demonstração inequívoca do
que não deve ser feito. É a região da cidade mais bem servida de 09. Em todas as alternativas há dois advérbios, exceto em:
transporte coletivo, com infraestrutura de telecomunicação, água, A) Ele permaneceu muito calado.
eletricidade etc. Conta ainda com equipamentos de importância cul- B) Amanhã, não iremos ao cinema.
tural e histórica que dão identidade aos aglomerados urbanos. Seria C) O menino, ontem, cantou desafinadamente.
natural que, como em outras grandes cidades, o centro de São Paulo D) Tranquilamente, realizou-se, hoje, o jogo.
fosse a região mais adensada da metrópole. Mas não é o caso. Te- E) Ela falou calma e sabiamente.
mos, hoje, um esvaziamento gradual do centro, com deslocamento
das atividades para diversas regiões da cidade.
É fundamental que essa visão de adensamento com uso abun- 10. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:
dante de transporte coletivo seja recuperada para que possamos A) Só quero meio quilo.
reverter esse processo de uso cada vez mais intenso do transporte B) Achei-o meio triste.
individual devorando espaços viários que não têm a capacidade de C) Descobri o meio de acertar.
absorver a crescente frota de automóveis, fruto não só do novo aces- D) Parou no meio da rua.
so da população ao automóvel mas também da necessidade de maior E) Comprou um metro e meio de tecido.
número de viagens em função da distância cada vez maior entre os
destinos da população. GABARITO
(Folha de S.Paulo, 13.01.2013. Adaptado)

Em – … mas é importante também considerar e estudar em 01. B 02. C 03. B 04. D 05. C
profundidade o planejamento urbano. –, a expressão em destaque é
empregada na oração para indicar circunstância de 06. C 07. C 08. D 09. A 10. B
A) lugar.
B) causa. COMENTÁRIOS
C) origem.
D) modo. 1-) AÍ = LUGAR AINDA = TEMPO
E) finalidade.
2-) a-) ainda = tempo
05. (UFC) A opção em que há um advérbio exprimindo cir-
cunstância de tempo é: B) em plena balada = lugar
A) Possivelmente viajarei para São Paulo. C) sem sucesso = modo
B) Maria tinha aproximadamente 15 anos. D) não = negação .
C) As tarefas foram executadas concomitantemente. E) por aí = lugar
D) Os resultados chegaram demasiadamente atrasados.
3-) Simplesmente = modo / ainda = tempo
06. Indique a alternativa que completa a frase a seguir, respec-
tivamente, com as circunstâncias de intensidade e de modo. Após o 4-) em profundidade = profundamente = advérbio de modo
telefonema, o motorista partiu...
A)às 18 h com o veículo. 5-) concomitantemente = Diz-se do que acontece, desenvolve-
B)rapidamente ao meio-dia. -se ou é expresso ao mesmo tempo com outra(s) coisa(s); simultâ-
C)bastante alerta. neo.

Didatismo e Conhecimento 40
LÍNGUA PORTUGUESA
6-) A alternativa deve começar com advérbio que expresse IN- Vale ressaltar que essa concordância não é característica da pre-
TENSIDADE. Vá por eliminação: posição, mas das palavras às quais ela se une.
a-) às 18h = tempo Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra
b-) rapidamente = modo pode se dar a partir de dois processos:
c-) bastante= intensidade 1. Combinação: A preposição não sofre alteração.
d-) apressadamente = modo preposição a + artigos definidos o, os
e-) agora = tempo a + o = ao
preposição a + advérbio onde
7-) a + onde = aonde
A-) Viajou de trem. = meio 2. Contração: Quando a preposição sofre alteração.
B)Tânia foi almoçar com seus primos. = companhia Preposição + Artigos
C)Cortou-se com o alicate. = instrumento De + o(s) = do(s)
D)Chorou de dor. = causa De + a(s) = da(s)
De + um = dum
8-) “A concessão de refúgio político ao italiano Cesare Battisti, De + uns = duns
decidida...”. = complemento nominal
De + uma = duma
De + umas = dumas
9-):
Em + o(s) = no(s)
A) Ele permaneceu muito calado.
Em + a(s) = na(s)
B) Amanhã, não iremos ao cinema.
Em + um = num
C) O menino, ontem, cantou desafinadamente.
Em + uma = numa
D) Tranquilamente, realizou-se, hoje, o jogo.
Em + uns = nuns
E) Ela falou calma e sabiamente. ( Nesse caso, subentende-se
calmamente. È a maneira correta de se escrever quando utilizarmos Em + umas = numas
dois advérbios de modo: o primeiro é escrito sem o sufixo “mente”, A + à(s) = à(s)
deixando este apenas no segundo elemento. Por exemplo: “Apresen- Por + o = pelo(s)
tou-se breve e pausadamente.”) Por + a = pela(s)
Preposição + Pronomes
10-) De + ele(s) = dele(s)
a) Só quero meio quilo. = numeral De + ela(s) = dela(s)
b) Achei-o meio triste. = um pouco (advérbio) De + este(s) = deste(s)
c) Descobri o meio de acertar. = substantivo De + esta(s) = desta(s)
d) Parou no meio da rua. = numeral De + esse(s) = desse(s)
e) Comprou um metro e meio de tecido. = numeral De + essa(s) = dessa(s)
De + aquele(s) = daquele(s)
PREPOSIÇÃO De + aquela(s) = daquela(s)
Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos De + isto = disto
ou orações. Quando esta ligação acontece, normalmente há uma su- De + isso = disso
bordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposi- De + aquilo = daquilo
ções são muito importantes na estrutura da língua, pois estabelecem De + aqui = daqui
a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para De + aí = daí
a compreensão do texto. De + ali = dali
De + outro = doutro(s)
Tipos de Preposição De + outra = doutra(s)
1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente Em + este(s) = neste(s)
como preposições. Em + esta(s) = nesta(s)
A, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, Em + esse(s) = nesse(s)
para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com. Em + aquele(s) = naquele(s)
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramati- Em + aquela(s) = naquela(s)
cais que podem atuar como preposições. Em + isto = nisto
Como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, Em + isso = nisso
visto. Em + aquilo = naquilo
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como A + aquele(s) = àquele(s)
uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas. A + aquela(s) = àquela(s)
Abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de A + aquilo = àquilo
acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, gra-
ças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de. Dicas sobre preposição
A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode 1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal
unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em gêne- oblíquo e artigo. Como distingui-los?
ro ou em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela

Didatismo e Conhecimento 41
LÍNGUA PORTUGUESA
- Caso o “a” seja um artigo, virá precedendo a um substanti- O xadrez faz parte da rotina de cerca de dois mil internos em
vo. Ele servirá para determiná-lo como um substantivo singular e 22 unidades prisionais do Espírito Santo. É o projeto “Xadrez que
feminino. liberta”. Duas vezes por semana, os presos podem praticar a ativida-
A dona da casa não quis nos atender. de sob a orientação de servidores da Secretaria de Estado da Justiça
Como posso fazer a Joana concordar comigo? (Sejus). Na próxima sexta-feira, será realizado o primeiro torneio
- Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos fora dos presídios desde que o projeto foi implantado.Vinte e oito
e estabelece relação de subordinação entre eles. internos de 14 unidades participam da disputa, inclusive João Carlos
Cheguei a sua casa ontem pela manhã. e Fransley, que diz que a vitória não é o mais importante.
Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para procurar um “Só de chegar até aqui já estou muito feliz, porque eu não espe-
rava. A vitória não é tudo. Eu espero alcançar outras coisas devido
tratamento adequado. ao xadrez, como ser olhado com outros olhos, como estou sendo
- Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou olhado de forma diferente aqui no presídio devido ao bom compor-
a função de um substantivo. tamento”.
Temos Maria como parte da família. /Atemos como parte da família Segundo a coordenadora do projeto, Francyany Cândido Ventu-
Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. / Creio que rin, o “Xadrez que liberta” tem provocado boas mudanças no com-
a conhecemos melhor que ninguém. portamento dos presos. “Tem surtido um efeito positivo por eles se
tornarem uma referência positiva dentro da unidade, já que cum-
2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio das pre- prem melhor as regras, respeitam o próximo e pensam melhor nas
posições: suas ações, refletem antes de tomar uma atitude”.
Destino = Irei para casa. Embora a Sejus não monitore os egressos que ganham a liber-
dade, para saber se mantêm o hábito do xadrez, João Carlos já faz
Modo = Chegou em casa aos gritos.
planos. “Eu incentivo não só os colegas, mas também minha famí-
Lugar = Vou ficar em casa; lia. Sou casado e tenho três filhos. Já passei para a minha família:
Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência. xadrez, quando eu sair para a rua, todo mundo vai ter que aprender
Tempo = A prova vai começar em dois minutos. porque vai rolar até o torneio familiar”.
Causa = Ela faleceu de derrame cerebral. “Medidas de promoção de educação e que possibilitem que o
Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tratamento. egresso saia melhor do que entrou são muito importantes. Nós não
Instrumento = Escreveu a lápis. temos pena de morte ou prisão perpétua no Brasil. O preso tem data
Posse = Não posso doar as roupas da mamãe. para entrar e data para sair, então ele tem que sair sem retornar para
Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom. o crime”, analisa o presidente do Conselho Estadual de Direitos Hu-
Companhia = Estarei com ele amanhã. manos, Bruno Alves de Souza Toledo.
(Disponível em: www.inapbrasil.com.br/en/noticias/xadrez-
Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
-que-liberta-estrategia-concentracao-e-reeducacao/6/noticias. Aces-
Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco. so em: 18.08.2012. Adaptado)
Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume. No trecho – ...xadrez, quando eu sair para a rua, todo mundo vai
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. ter que aprender porque vai rolar até o torneio familiar.– o termo em
Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista. destaque expressa relação de
A) espaço, como em – Nosso diretor foi até Brasília para falar
Fonte: http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/ do projeto “Xadrez que liberta”.
B) inclusão, como em – O xadrez mudou até o nosso modo de
Questões sobre Preposição falar.
C) finalidade, como em – Precisamos treinar até junho para ter-
mos mais chances de vencer o torneio de xadrez.
01. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP D) movimento, como em – Só de chegar até aqui já estou muito
– 2013). Leia o texto a seguir. feliz, porque eu não esperava.
“Xadrez que liberta”: estratégia, concentração e reeducação E) tempo, como em – Até o ano que vem, pretendo conseguir a
João Carlos de Souza Luiz cumpre pena há três anos e dois me- revisão da minha pena.
ses por assalto. Fransley Lapavani Silva está há sete anos preso por
homicídio. Os dois têm 30 anos. Além dos muros, grades, cadeados 02. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013 –
e detectores de metal, eles têm outros pontos em comum: tabuleiros adap.) Considere o trecho a seguir.
e peças de xadrez. O metrô paulistano, ________quem a banda recebe apoio, ga-
O jogo, que eles aprenderam na cadeia, além de uma válvula rante o espaço para ensaios e os equipamentos; e a estabilidade no
emprego, vantagem________ que muitos trabalhadores sonham, é
de escape para as horas de tédio, tornou-se uma metáfora para o que
o que leva os integrantes do grupo a permanecerem na instituição.
pretendem fazer quando estiverem em liberdade. As preposições que preenchem o trecho, correta, respectiva-
“Quando você vai jogar uma partida de xadrez, tem que pensar mente e de acordo com a norma-padrão, são:
duas, três vezes antes. Se você movimenta uma peça errada, pode A) a ...com
perder uma peça de muito valor ou tomar um xeque-mate, instanta- B) de ...com
neamente. Se eu for para a rua e movimentar a peça errada, eu posso C) de ...a
perder uma peça muito importante na minha vida, como eu perdi D) com ...a
três anos na cadeia. Mas, na rua, o problema maior é tomar o xeque- E) para ...de
-mate”, afirma João Carlos.

Didatismo e Conhecimento 42
LÍNGUA PORTUGUESA
03. (Agente Policial – Vunesp/2013). Assinale a alternativa 09. (Papiloscopista Policial – Vunesp/2013) Considerando as
cuja preposição em destaque expressa ideia de finalidade. regras de regência verbal, assinale a alternativa que completa, corre-
(A) Além disso, aumenta a punição administrativa, de R$ ta e respectivamente, as lacunas da frase.
957,70 para R$ 1.915,40. A ONG Anjos do Verão colabora _______ trabalho do Corpo
(B) ... o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que o ba- de Bombeiros, empenhando-se ____________ encontrar crianças
fômetro e o exame de sangue eram obrigatórios para comprovar o perdidas.
crime. (A) do ... sobre
(C) “... Ele é encaminhado para a delegacia para o perito fazer (B) com o ... para
o exame clínico”... (C) no ... ante
(D) Já para o juiz criminal de São Paulo, Fábio Munhoz Soa- (D) o ... entre
res, um dos que devem julgar casos envolvendo pessoas embriaga- (E) pelo ... de
das ao volante, a mudança “é um avanço”.
(E) Para advogados, a lei aumenta o poder da autoridade poli- 10. Assinale a alternativa em que a norma culta não aceita a
cial de dizer quem está embriagado... contração da preposição de:
A) Aos prantos, despedi-me dela.
04. (Agente Policial - VUNESP – 2013). Em – Jamais em B) Está na hora da criança dormir.
minha vida achei na rua ou em qualquer parte do globo um objeto C) Falava das colegas em público.
qualquer. –, o termo em destaque introduz ideia de D) Retirei os livros das prateleiras para limpá-los.
(A) tempo. E) O local da chacina estava interditado.
(B) lugar.
(C) modo. GABARITO
(D) posse.
(E) direção. 01. B 02. B 03. B 04. B 05. A
05. Na frase - As duas sobrinhas quase desmaiam de enjoo... - a 06. E 07. C 08. B 09. B 10. B
preposição de, destacada, tem sentido de
A)causa. COMENTÁRIOS
B)tempo.
C)assunto. 1-) xadrez, quando eu sair para a rua, todo mundo vai ter que
D)lugar. aprender porque vai rolar até o torneio familiar.– o termo em des-
E)posse. taque expressa relação de inclusão: rolará, inclusive, o torneio fa-
miliar.
06. No trecho: “(O Rio) não se industrializou, deixou explodir
a questão social, fermentada por mais de dois milhões de favelados, 2-) O metrô paulistano,dequem a banda recebe apoio, garante
e inchou, à exaustão, uma máquina administrativa que não funcio- o espaço para ensaios e os equipamentos; e a estabilidade no em-
na...”, a preposição a (que está contraída com o artigo a) traduz uma prego, vantagemcomque muitos trabalhadores sonham, é o que leva
relação de: os integrantes do grupo a permanecerem na instituição.
A) fim As preposições que preenchem o trecho, correta, respectiva-
B) causa mente e de acordo com a norma-padrão, são:
C) concessão
D) limite 3-)
E) modo (A) Além disso, aumenta a punição administrativa, de R$
957,70 para R$ 1.915,40. = preço
07. (Agente Policial – Vunesp/2013) Assinale a alternativa em (C) “... Ele é encaminhado para a delegacia para o perito fazer
que o termo em destaque expressa circunstância de posse. o exame clínico”...= lugar
(A) Por isso, grande foi a minha emoção ao deparar, no assento (D) Já para o juiz criminal de São Paulo, Fábio Munhoz Soa-
do ônibus, com uma bolsa preta de senhora. res, um dos que devem julgar casos envolvendo pessoas embriaga-
(B) Era razoável, e diante da testemunha abri a bolsa, não sem das ao volante, a mudança “é um avanço”. = posse
experimentar a sensação de violar uma intimidade. (E) Para advogados, a lei aumenta o poder da autoridade poli-
(C) Hesitei: constrangia-me abrir a bolsa de uma desconhecida cial de dizer quem está embriagado= posse
ausente; nada haveria nela que me dissesse respeito.
(D) ...e sei de um polonês que achou um piano na praia do 4-) Jamais em minha vida achei na rua ou em qualquer parte
Leblon. do globo um objeto qualquer. –, o termo em destaque introduz ideia
(E) Mas eu não estava preparado para achar uma bolsa, e co- de lugar.
muniquei a descoberta ao passageiro mais próximo 5-) As duas sobrinhas quase desmaiam de enjoo... - a preposi-
ção de, destacada, tem sentido de causa (do desmaio).
08. Assinale a alternativa em que ocorre combinação de uma
preposição com um pronome demonstrativo: 6-) “(O Rio) não se industrializou, deixou explodir a questão
A) Estou na mesma situação. social, fermentada por mais de dois milhões de favelados, e inchou,
B) Neste momento, encerramos nossas transmissões. à exaustão, uma máquina administrativa que não funciona...”, a
C) Daqui não saio. preposição a (que está contraída com o artigo a) traduz uma relação
D) Ando só pela vida.
de modo (=exaustivamente).
E) Acordei num lugar estranho.

Didatismo e Conhecimento 43
LÍNGUA PORTUGUESA
7-) Conjunções coordenativas
(A) Por isso, grande foi a minha emoção ao deparar, no assento Dividem-se em:
do ônibus, com uma bolsa preta de senhora.= lugar - ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gosto de
(B) Era razoável, e diante da testemunha abri a bolsa, não sem cantar e de dançar.
experimentar a sensação de violar uma intimidade.= lugar Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas também,
(D) ... e sei de um polonês que achou um piano na praia do não só...como também.
Leblon.=assunto - ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de oposição,
(E) Mas eu não estava preparado para achar uma bolsa, e co- de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
muniquei a descoberta ao passageiro mais próximo.= finalidade Principais conjunções adversativas: mas, porém, contudo, toda-
via, no entanto, entretanto.
8-) - ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância.
A) Estou na mesma situação. (+ artigo) - Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
C) Daqui não saio. (+advérbio) Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora, quer...
D) Ando só pela vida. (+advérbio) quer, já...já.
E) Acordei num lugar estranho (+artigo) - CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às orações. Ex.
Estudei muito, por isso mereço passar.
9-) A ONG Anjos do Verão colabora com o trabalho do Corpo Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois (depois
de Bombeiros, empenhando-se para encontrar crianças perdidas. do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
- EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex. É
melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá fora.
10-)
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (antes do
A) Aos prantos, despedi-me dela. (ela = objeto)
verbo), porquanto.
C) Falava das colegas em público. (elas = objeto)
D) Retirei os livros das prateleiras para limpá-los. (=artigo)
Conjunções subordinativas
E) O local da chacina estava interditado. (=artigo)
- CAUSAIS
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, uma
É incorreto contrair a preposição de com o artigo que inicia
vez que, como (= porque).
o sujeito de um verbo, bem como com o pronome ele(s), ela(s), Ele não fez o trabalho porque não tem livro.
quando estes funcionarem como sujeito de uma oração. - COMPARATIVAS
Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...como,
CONJUNÇÃO mais...do que, menos...do que.
Ela fala mais que um papagaio.
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois - CONCESSIVAS
termos semelhantes de uma mesma oração. Por exemplo: Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, mesmo
A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as amigui- que, apesar de, se bem que.
nhas. Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um fato
Deste exemplo podem ser retiradas três informações: inesperado.Traz em si uma ideia de “apesar de”.
1-) segurou a boneca2-) a menina mostrou3-) viu as amiguinhas Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de estar
Cada informação está estruturada em torno de um verbo: segu- cansada)
rou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações: Apesar de ter chovido fui ao cinema.
1ª oração: A menina segurou a boneca - CONFORMATIVAS
2ª oração: e mostrou Principais conjunções conformativas: como, segundo, confor-
3ª oração: quando viu as amiguinhas. me, consoante
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e a tercei- Cada um colhe conforme semeia.
ra oração liga-se à segunda por meio do “quando”. As palavras “e” Expressam uma ideia de acordo, concordância, conformidade.
e “quando” ligam, portanto, orações. Observe: - CONSECUTIVAS
Gosto de natação e de futebol. Expressam uma ideia de consequência.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são partes ou Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”, “tanto”,
termos de uma mesma oração. “tão”, “tamanho”).
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou Falou tanto que ficou rouco.
dois termos semelhantes de uma mesma oração. - FINAIS
Logo, a palavra “e” está ligando termos de uma mesma oração. Expressam ideia de finalidade, objetivo.
Morfossintaxe da Conjunção Todos trabalham para que possam sobreviver.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem pro- Principais conjunções finais: para que, a fim de que, porque
priamente uma função sintática: são conectivos. (=para que),
- PROPORCIONAIS
CLASSIFICAÇÃO Principais conjunções proporcionais: à medida que, quanto
- Conjunções Coordenativas mais, ao passo que, à proporção que.
- Conjunções Subordinativas À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.

Didatismo e Conhecimento 44
LÍNGUA PORTUGUESA
- TEMPORAIS da elite às massas. Antes de Edison, diziam os utópicos, as sinfonias
Principais conjunções temporais: quando, enquanto, logo que. de Beethoven só podiam ser ouvidas em salas de concerto selecio-
Quando eu sair, vou passar na locadora. nadas. Agora, as gravações levam a mensagem de Beethoven aos
Importante: confins do planeta, convocando a multidão saudada na “Ode à ale-
gria”: “Abracem--se, milhões!”. Glenn Gould, depois de afastar-se
Diferença entre orações causais e explicativas das apresentações ao vivo em 1964, previu que dentro de um século
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais (OSA) o concerto público desapareceria no éter eletrônico, com grande
e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos deparamos com a efeito benéfico sobre a cultura musical.
dúvida de como distinguir uma oração causal de uma explicativa. (Adaptado de Alex Ross. Escuta só. Tradução Pedro Maia So-
Veja os exemplos: ares. São Paulo, Cia. das Letras, 2010, p. 76-77)
1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser atro-
pelado”: No entanto, a música não é mais algo que fazemos nós mesmos,
a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificativa ou ou até que observamos outras pessoas fazerem diante de nós.
uma explicação do fato expresso na oração anterior. Considerando-se o contexto, é INCORRETO afirmar que o ele-
b) As orações são coordenadas e, por isso, independentes uma mento grifado pode ser substituído por:
A) Porém.
da outra. Neste caso, há uma pausa entre as orações que vêm mar-
B) Contudo.
cadas por vírgula.
C) Todavia.
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.
D) Entretanto.
b) Outra dica é, quando a oração que antecede a OC (Oração
E) Conquanto.
Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, ela será explica-
tiva. 02.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Observando as ocor-
Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo imperativo) rências da palavra “como” em – Como fomos programados para
ver o mundo como um lugar ameaçador… – é correto afirmar que
2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra cidade se trata de conjunção
porque não havia cemitério no local.” (A) comparativa nas duas ocorrências.
a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada (parte (B) conformativa nas duas ocorrências.
destacada) mostra a causa da ação expressa pelo verbo da oração (C) comparativa na primeira ocorrência.
principal. Outra forma de reconhecê-la é colocá-la no início do pe- (D) causal na segunda ocorrência.
ríodo, introduzida pela conjunção como - o que não ocorre com a (E) causal na primeira ocorrência.
CS Explicativa.
Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar os 03.(Analista de Procuradoria – FCC – 2013). Leia o texto a
mortos em outra cidade. seguir.
b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente depen- Participação
dentes uma da outra. Num belo poema, intitulado “Traduzir-se”, Ferreira Gullar
aborda o tema de uma divisão muito presente em cada um de nós:
Questões sobre Conjunção a que ocorre entre o nosso mundo interior e a nossa atuação junto
aos outros, nosso papel na ordem coletiva. A divisão não é simples:
01.(Administrador – FCC – 2013). Leia o texto a seguir. costuma-se ver como antagônicas essas duas “partes” de nós, nas
A música alcançou uma onipresença avassaladora em nosso quais nos dividimos. De fato, em quantos momentos da nossa vida
mundo: milhões de horas de sua história estão disponíveis em dis- precisamos escolher entre o atendimento de um interesse pessoal e
co; rios de melodia digital correm na internet; aparelhos de mp3 o cumprimento de um dever ético? Como poeta e militante político,
com 40 mil canções podem ser colocados no bolso. No entanto, a Ferreira Gullar deixou-se atrair tanto pela expressão das paixões
música não é mais algo que fazemos nós mesmos, ou até que obser- mais íntimas quanto pela atuação de um convicto socialista. Em seu
poema, o diálogo entre as duas partes é desenvolvido de modo a nos
vamos outras pessoas fazerem diante de nós. Ela se tornou um meio
fazer pensar que são incompatíveis.
radicalmente virtual, uma arte sem rosto. Quando caminhamos pela
Mas no último momento do poema deparamo-nos com esta es-
cidade num dia comum, nossos ouvidos registram música em quase
trofe:
todos os momentos − pedaços de hip-hop vazando dos fones de ou-
“Traduzir uma parte
vido de adolescentes no metrô, o sinal do celular de um advogado na outra parte
tocando a “Ode à alegria”, de Beethoven −, mas quase nada disso − que é uma questão
será resultado imediato de um trabalho físico de mãos ou vozes hu- de vida ou morte −
manas, como se dava no passado. será arte?”
Desde que Edison inventou o cilindro fonográfico, em1877, O poeta levanta a possibilidade da “tradução” de uma parte
existe gente que avalia o que a gravação fez em favor e desfavor na outra, ou seja, da interação de ambas, numa espécie de espe-
da arte da música. Inevitavelmente, a conversa descambou para os lhamento. Isso ocorreria quando o indivíduo conciliasse verdadei-
extremos retóricos. No campo oposto ao dos que diziam que a tec- ramente a instância pessoal e os interesses de uma comunidade;
nologia acabaria com a música estão os utópicos, que alegam que a quando deixasse de haver contradição entre a razão particular e
tecnologia não aprisionou a música, mas libertou-a, levando a arte a coletiva. Pergunta-se o poeta se não seria arte esse tipo de inte-

Didatismo e Conhecimento 45
LÍNGUA PORTUGUESA
gração. Realmente, com muita frequência a arte se mostra capaz de (A) alternância.
expressar tanto nossa subjetividade como nossa identidade social. (B) oposição.
Nesse sentido, traduzir uma parte na outra parte significaria vencer (C) causa.
a parcialidade e chegar a uma autêntica participação, de sentido (D) adição.
altamente político. O poema de Gullar deixa-nos essa hipótese pro- (E) explicação.
vocadora, formulada com um ar de convicção.
(Belarmino Tavares, inédito) 06. (Agente Policial – Vunesp/2013) Considerando que o ter-
Os seguintes fatos, referidos no texto, travam entre si uma rela- mo em destaque em – Segundo especialistas, recusar o bafômetro
ção de causa e efeito: não vai mais impedir o processo criminal... – introduz ideia de con-
A) ser poeta e militante político / confronto entre subjetividade formidade, assinale a alternativa que apresenta a frase corretamente
e atuação social reescrita, e com seu sentido inalterado.
B) ser poeta e militante político / divisão permanente em cada (A) A fim de que para especialistas, recusar o bafômetro não
um de nós vai mais impedir o processo criminal...
C) ser movido pelas paixões / esposar teses socialistas (B) A menos que para especialistas, recusar o bafômetro não
D) fazer arte / obliterar uma questão de vida ou morte vai mais impedir o processo criminal...
E) participar ativamente da política / formular hipóteses com ar (C) De acordo com especialistas, recusar o bafômetro não vai
de convicção mais impedir o processo criminal...
(D) Apesar de que para especialistas, recusar o bafômetro não
04. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Leia vai mais impedir o processo criminal...
o texto a seguir. (E) Desde que para especialistas, recusar o bafômetro não vai
Temos o poder da escolha mais impedir o processo criminal...
Os consumidores são assediados pelo marketing a todo mo-
mento para comprarem além do que necessitam, mas somente eles 07. (Agente Policial – Vunesp/2013) Considerando que o ter-
podem decidir o que vão ou não comprar. É como se abrissem em mo em destaque em – Esse valor é dobrado caso o motorista seja
nós uma “caixa de necessidades”, mas só nós temos o poder da es- reincidente em um ano. – estabelece relação de condição entre as
colha. orações, assinale a alternativa que apresenta o trecho corretamente
Cada vez mais precisamos do consumo consciente. Será que reescrito, e com seu sentido inalterado.
paramos para pensar de onde vem o produto que estamos consumin-
(A) Porque o motorista é reincidente em um ano, esse valor é
do e se os valores da empresa são os mesmos em que acreditamos? A
dobrado.
competitividade entre as empresas exige que elas evoluam para se-
(B) Como o motorista é reincidente em um ano, esse valor é
rem opções para o consumidor. Nos anos 60, saber fabricar qualquer
dobrado.
coisa era o suficiente para ter uma empresa. Nos anos 70, era preciso
(C) Conforme o motorista for reincidente em um ano, esse va-
saber fazer com qualidade e altos índices de produção. Já no ano
lor é dobrado.
2000, a preocupação era fazer melhor ou diferente da concorrência e
as empresas passaram a atuar com responsabilidade socioambiental. (D) Se o motorista for reincidente em um ano, esse valor é do-
O consumidor tem de aprender a dizer não quando a sua relação brado.
com a empresa não for boa. Se não for boa, deve comprar o produto (E) À medida que o motorista é reincidente em um ano, esse
em outro lugar. Os cidadãos não têm ideia do poder que possuem. valor é dobrado.
É importante, ainda, entender nossa relação com a empresa ou
produto que vamos eleger. Temos uma expectativa, um envolvimen- 08. Em – O projeto “Começar de Novo” busca sensibilizar en-
to e aceitação e a preferência dependerá das ações que aprovamos ou tidades públicas e privadas para promover a ressocialização dos
não nas empresas, pois podemos mudar de ideia. presos... – o termo em destaque estabelece uma relação de
Há muito a ser feito. Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pes- A) causa.
soas acreditam no consumo consciente, mas essas mesmas pessoas B) tempo.
admitem que já compraram produto pirata. Temos de refletir sobre C) lugar.
isso para mudar nossas atitudes. D) finalidade.
(Jornal da Tarde 24.04.2007. Adaptado) E) modo.
No trecho – Temos de refletir sobre isso para mudar nossas
atitudes. –, a palavra destacada apresenta sentido de 09. (Agente de Promotoria – Assessoria – VUNESP – 2013).
A) tempo. Leia o texto a seguir.
B) modo. Barreira da língua
C) origem. A barreira da língua e dos regionalismos parece um mero deta-
D) assunto. lhe em meio a tantas outras questões mais sérias já levantadas, como
E) finalidade. a falta de remédios, de equipes e de infraestrutura, mas não é.
Como é possível estabelecer uma relação médico-paciente, um
05. (Escrevente TJ SP –Vunesp/2012) No período – A pes- diagnóstico correto, se o médico não compreende o paciente e vice-
quisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia -versa?
leva em conta não só o desemprego aberto (quem está procuran- Sim, essa dificuldade já existe no Brasil mesmo com médicos e
do trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de pacientes falando português, mas ela só tende a piorar com o “portu-
procurar ou estão em postos precários). –, os termos em destaque nhol” que se vislumbra pela frente.
estabelecem entre as orações relação de

Didatismo e Conhecimento 46
LÍNGUA PORTUGUESA
O ministro da Saúde já disse que isso não será problema, que é COMENTÁRIOS
mais fácil treinar um médico em português do que ficar esperando
sete ou oito anos até um médico brasileiro ser formado. 1-) Conquanto é uma conjunção concessiva – abre uma exceção
Experiências internacionais, porém, mostram que não é tão fá- à regra. Portanto, a troca correta é por uma outra conjunção adver-
cil assim. Na Alemanha, mesmo com a exigência da proficiência na sativa.
língua, um estudo constatou atraso de diagnósticos pelo fato de o
médico estrangeiro não conseguir entender direito os sintomas de 2-) Como fomos programados para ver o mundo como um lu-
pacientes. gar ameaçador…
Além disso, há queixa dos profissionais alemães, que se sentem Causal na primeira ocorrência e comparativa na segunda.
sobrecarregados por terem de atuar como intérpretes dos colegas 3-) ser poeta e militante político / confronto entre subjetividade
de fora. e atuação social.
Nada contra a vinda dos estrangeiros, desde que estejam aptos O fato de ser poeta e militante político gera confronto entre seu
para o trabalho. Tenho dúvidas, porém, se três semanas de treina- lado subjetivo e racional.
mento, como aventou o ministro, é tempo suficiente para isso.
(Cláudia Collucci, Barreira da língua. Folha de S.Paulo, 4-) Temos de refletir sobre isso para mudar nossas atitudes.
03.07.2013. Adaptado) Apresenta a finalidade da reflexão. Devemos refletir para quê?

Considere o parágrafo final do texto: 5-) Uma junção, soma de ideias. Há a presença de conjunções
Nada contra a vinda dos estrangeiros, desde que estejam aptos aditivas.
para o trabalho. Tenho dúvidas, porém, se três semanas de treina-
mento, como aventou o ministro, é tempo suficiente para isso. 6-) De acordo com especialistas, recusar o bafômetro não vai
Mantendo-se os sentidos originais, ele está corretamente rees- mais impedir o processo criminal...
crito de acordo com a norma-padrão em: Apresenta a mesma ideia que a do enunciado – além de ser a
A) Nada contra a vinda dos estrangeiros, se estiverem aptos mais coerente.
para o trabalho. Tenho dúvidas, no entanto: três semanas de treina-
mento, como aventou o ministro, é suficiente para isso? 7-) Esse valor é dobrado caso o motorista seja reincidente em
B) Nada contra a vinda dos estrangeiros, caso estão aptos para um ano. – estabelece relação de condição, portanto devemos utilizar
o trabalho. Tenho dúvidas, todavia: três semanas de treinamento, uma conjunção condicional: SE.
como aventou o ministro, são suficiente para isso? Se o motorista for reincidente em um ano, esse valor é dobrado.
C) Nada contra a vinda dos estrangeiros, quando estarão aptos
para o trabalho. Tenho dúvidas, portanto: três semanas de treina- 8-) A finalidade da sensibilização.
mento, como aventou o ministro, são suficientes para isso?
D) Nada contra a vinda dos estrangeiros, mas estariam aptos 9-) A) Nada contra a vinda dos estrangeiros, se estiverem aptos
para o trabalho. Tenho dúvidas, apesar disso: três semanas de treina- para o trabalho. Tenho dúvidas, no entanto: três semanas de treina-
mento, como aventou o ministro, é suficiente para isso. mento, como aventou o ministro, é suficiente para isso? = correta
E) Nada contra a vinda dos estrangeiros, pois estarão aptos para O único item que não altere o que foi dito no enunciado.
o trabalho. Tenho dúvidas, por conseguinte: três semanas de treina-
mento, como aventou o ministro, são suficiente para isso. 10-) Porém = conjunção adversativa.

10. (Agente Policial - Vunesp/2013) Considere o trecho: –


Leve para casa – ponderou meu conselheiro, como quem diz: – É VOZES VERBAIS: ATIVA E PASSIVA
sua. Mas acrescentou: – procure direito e o endereço aparece.
Sem que seja alterado o sentido do texto e de acordo com a
norma-padrão da língua portuguesa, o termo em destaque pode ser
corretamente substituído por: Vozes do Verbo
(A) Por isso. Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para indi-
(B) Portanto. car se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação. São três
(C) Pois. as vozes verbais:
(D) Porquanto. - a) Ativa:  quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação
(E) Porém. expressa pelo verbo. Por exemplo:

GABARITO Ele fez o trabalho.


sujeito agente ação objeto (paciente)
01. E 02. E 03. A 04. E 05. D

06. C 07. D 08. D 09. A 10. E - b) Passiva:  quando o sujeito é paciente, recebendo a ação
expressa pelo verbo. Por exemplo:

Didatismo e Conhecimento 47
LÍNGUA PORTUGUESA
sofrimento, padecimento. Daí vem o significado de voz passiva
O trabalho foi feito por ele.
como sendo a voz que expressa a ação sofrida pelo sujeito. Na voz
sujeito paciente ação agente da passiva passiva temos dois elementos que nem sempre aparecem: SUJEI-
TO PACIENTE e AGENTE DA PASSIVA.
- c) Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e
paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo:  Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
O menino feriu-se. Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancial-
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com a no- mente o sentido da frase.
ção de reciprocidade. Por exemplo:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
Formação da Voz Passiva Sujeito da
Objeto Direto
A voz passiva pode ser formada por dois processos: analíti- Ativa
co e sintético.  
1- Voz Passiva Analítica
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio do (Voz
A imprensa foi inventada por Gutenberg
verbo principal. Por exemplo: Passiva)
A escola será pintada. Sujeito da
O trabalho é feito por ele. Agente da Passiva
Passiva
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado da pre-
posição por, mas pode ocorrer a construção com a preposição de. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o su-
Por exemplo: jeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo assumi-
A casa ficou cercada de soldados. rá a forma passiva, conservando o mesmo tempo. Observe mais
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja ex- exemplos:
plícito na frase. Por exemplo:  - Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
A exposição será aberta amanhã. Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos mes-
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), tres.
pois o particípio é invariável. Observe a transformação das frases
- Eu o acompanharei.
seguintes:
Ele será acompanhado por mim.
Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo) haverá complemento agente na passiva.
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indicativo) Por exemplo:
- Prejudicaram-me.
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
Fui prejudicado.
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) Saiba que:
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) 1) Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos,
são chamados neutros.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
O vinho é bom.
Aqui chove muito.
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o
mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Observe a 2) Há formas passivas com sentido ativo:
transformação da frase seguinte: É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva analítica 3) Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo:
com outros verbos que podem eventualmente funcionar como au- Há coisas difíceis de  entender. (= serem entendidas)
xiliares. Por exemplo: Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
A moça ficou marcada pela doença.

2- Voz Passiva Sintética 4) Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido ci-


A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o verbo rúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o sujeito é
na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE. Por exemplo: paciente.
Abriram-se as inscrições para o concurso. Chamo-me Luís. 
Destruiu-se o velho prédio da escola. Batizei-me na Igreja do Carmo. 
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva sin- Operou-se de hérnia. 
tética. Vacinaram-se contra a gripe.

Curiosidade Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.


A palavra passivo possui a mesma raiz latina de paixão (la- php
tim  passio,  passionis) e ambas se relacionam com o significado

Didatismo e Conhecimento 48
LÍNGUA PORTUGUESA
Questões sobre Vozes dos Verbos 08. Indique a única alternativa em que a oração não está na
voz passiva:
01. Transitando para a voz passiva a oração “O tropel dos cava- A) Entreolharam-se apaixonadamente os dois pombinhos.
los avisava os cangaceiros.”, a forma verbal será: B) O cantor romântico foi demoradamente aplaudido.
A) ia avisando C) Elegeu-se, infelizmente, o deputado errado.
B) avisavam D) Fizeram-se apenas os exercícios mais fáceis.
C) avisava-se
D) foram avisados 09. Em “O presidente americano Barack Obama cancelou pro-
E) eram avisados grama”, a forma verbal “cancelou” está na voz ativa. A forma cor-
respondente, na voz passiva analítica, é
02. (FCC-COPERGÁS – Auxiliar Técnico Administrativo A) era cancelado.
- 2011) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. Transpondo- B) foi cancelado.
-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: C) tinha sido cancelado.
(A) era abatido. D) cancelava-se
(B) fora abatido. E) estava sendo cancelado.
(C) abatera-se.
(D) foi abatido. 10. A oração “o engenheiro podia controlar todos os empre-
gados da estação ferroviária” está na voz ativa. Assinale a forma
(E) tinha abatido
verbal passiva correspondente.
A) podiam ser controlados
03. (FCC-TRE-Analista Judiciário – 2011) Transpondo-se
B) seriam controlados
para a voz passiva a frase Hoje a autoria institucional enfrenta sé- C) podia ser controlado
ria concorrência dos autores anônimos, obter-se-á a seguinte forma D) controlavam-se
verbal:
(A) são enfrentados. GABARITO
(B) tem enfrentado.
(C) tem sido enfrentada.
(D) têm sido enfrentados. 01. E 02. D 03. E 04. D 05. C
(E) é enfrentada. 06. C 07. D 08. A 09. B 10. A
04. (Fundação Carlos Chagas) Transpondo para a voz passiva
a oração “O faro dos cães guiava os caçadores”, obtém-se a forma COMENTÁRIOS
verbal:
A) guiava-se 1-) Transitando para a voz passiva a oração “O tropel dos cava-
B) ia guiando los avisava os cangaceiros.”, a forma verbal será
C) guiavam Os cangaceiros eram avisados...
D) eram guiados
E) foram guiados 2-) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.

05. (Analista de Procuradoria – FCC – 2013-adap) Trans- Ele foi abatido...


pondo-se para a voz passiva a frase O poeta teria aberto um diálogo
entre as duas partes, a forma verbal resultante será: 3-) Hoje a autoria institucional enfrenta séria concorrência dos
A) fora aberto. autores anônimos
B) abriria.
C) teria sido aberto. Séria concorrência é enfrentada pela autoria...
D) teriam sido abertas.
E) foi aberto. 4-) O faro dos cães guiava os caçadores
Os caçadores eram guiados...

06. A frase que não está na voz passiva é: 5-) O poeta teria aberto um diálogo entre as duas partes
A) O filme foi estrondosamente aclamado pelo público.
B) Fizeram-se apenas os consertos mais urgentes nas ruas. Um diálogo teria sido aberto...
C) Cruzaram-se rapidamente na rua as duas rivais.
6-) Cruzaram-se rapidamente na rua as duas rivais. = voz re-
D) Escolheu-se a pessoa errada para o cargo.
flexiva (recíproca)
07. Assinale a alternativa que apresenta a frase na voz passiva: 7-)
A) Os turcos vendem maçã. A) Os turcos vendem maçã.= ativa
B) As pessoas refugiam-se no vão da porta. B) As pessoas refugiam-se no vão da porta. = reflexiva
C) Os cães arranhavam o portão. C) Os cães arranhavam o portão. = ativa
D) O sorvete é feito pelo sorveteiro.

Didatismo e Conhecimento 49
LÍNGUA PORTUGUESA
8-) Entreolharam-se apaixonadamente os dois pombinhos. = 4- Em frases de estilo direto
reflexiva  Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?
9-) O presidente americano Barack Obama cancelou programa
Ponto de Exclamação
1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto,
Programa foi cancelado pelo presidente...
súplica, etc.
- Sim! Claro que eu quero me casar com você!
10-) o engenheiro podia controlar todos os empregados da es-
tação 2- Depois de interjeições ou vocativos
Todos os empregados da estação podiam ser controlados... - Ai! Que susto!
- João! Há quanto tempo!

Ponto de Interrogação
PONTUAÇÃO
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)

Reticências
Os sinais de  pontuação  são marcações gráficas que servem 1- Indica que palavras foram suprimidas.
para compor a coesão e a coerência textual além de ressaltar es- - Comprei lápis, canetas, cadernos...
pecificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as principais
funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo uso da língua 2- Indica interrupção violenta da frase.
portuguesa.
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
Ponto
1- Indica o término do discurso ou de parte dele. 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em que - Este mal... pega doutor?
se encontra.
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava. - Deixa, depois, o coração falar...

2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. Vírgula


Não se usa vírgula
Ponto e Vírgula ( ; )
- separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se
1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma impor-
tância. diretamente entre si:
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo pão
a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de a) entre sujeito e predicado.
nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) Todos os alunos da sala    foram advertidos. 
             Sujeito                            predicado
2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas.
-  Alguns quiseram verão, praia e calor; outros montanhas, b) entre o verbo e seus objetos.
frio e cobertor. O trabalho custou            sacrifício             aos realizadores. 
                   V.T.D.I.              O.D.                             O.I.
3- Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos,
c) entre nome e complemento nominal; entre nome e adjunto
decreto de lei, etc.
- Ir ao supermercado; adnominal.
- Pegar as crianças na escola;
- Caminhada na praia;
- Reunião com amigos. Usa-se a vírgula:
- Para marcar intercalação:
Dois pontos a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância,
1- Antes de uma citação vem caindo de preço.
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto: b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produ-
zindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
2- Antes de um aposto
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não
- Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde
e calor à noite. querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão
dos lucros altos.
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a - Para marcar inversão:
rotina de sempre. a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois
das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.

Didatismo e Conhecimento 50
LÍNGUA PORTUGUESA
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos pesqui- 03. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013). Os
sadores, não lhes destinaram verba alguma. sinais de pontuação estão empregados corretamente em:
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio A) Duas explicações, do treinamento para consultores ini-
de 1982. ciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a construção de
tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas
- Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em associadas aos dois temas.
enumeração): B) Duas explicações do treinamento para consultores inician-
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. tes receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de ta-
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. belas Price; mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas
associadas aos dois temas.
- Para marcar elipse (omissão) do verbo: C) Duas explicações do treinamento para consultores inician-
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. tes receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de ta-
belas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas
- Para isolar: associadas aos dois temas.
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, D) Duas explicações do treinamento para consultores inician-
possui um trânsito caótico. tes, receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de ta-
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. belas Price, mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas
associadas aos dois temas.
Fontes: E) Duas explicações, do treinamento para consultores inician-
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ tes, receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de ta-
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm belas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas, de vendas
associadas aos dois temas.
Questões sobre Pontuação
04.(Escrevente TJ SP – Vunesp 2012). Assinale a alternativa
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alternativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de junho
em que a pontuação está corretamente empregada, de acordo com de 2012, está correto quanto à regência nominal e à pontuação.
a norma-padrão da língua portuguesa. (A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente,
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais no-
experimentasse, a sensação de violar uma intimidade, procurou a tável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em outros.
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju- (B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam rapidamente
dar a revelar quem era a sua dona. seu espaço na carreira científica; ainda que o avanço seja mais no-
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, embora tável, em alguns países, o Brasil é um exemplo!, do que em outros.
experimentasse a sensação, de violar uma intimidade, procurou a (C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam rapidamente
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju- seu espaço, na carreira científica, ainda que o avanço seja mais no-
dar a revelar quem era a sua dona. tável, em alguns países: o Brasil é um exemplo, do que em outros.
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamen-
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a te seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço seja mais
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju- notável em alguns países – o Brasil é um exemplo – do que em
dar a revelar quem era a sua dona. outros.
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, embora (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, seu
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais notável
esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse aju- em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em outros.
dar a revelar quem era a sua dona.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora, 05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.). Assi-
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a
nale a alternativa em que a frase mantém-se correta após o acrés-
esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse aju-
cimo das vírgulas.
dar a revelar quem era a sua dona.
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na pulseira
instruções para que envie, uma mensagem eletrônica ao grupo ou
02. Assinale a opção em que está corretamente indicada a or-
acione o código na internet.
dem dos sinais de pontuação que devem preencher as lacunas da
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde o
frase abaixo:
código foi acionado.
“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas de-
vem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica que o (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados,
trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter. recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a criança
A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula foi encontrada.
B) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula; (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega primeiro
C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; às, areias do Guarujá.
D) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone de
E) ponto e vírgula, vírgula, vírgula. quem a encontrou e informar um ponto de referência

Didatismo e Conhecimento 51
LÍNGUA PORTUGUESA
06. Assinale a série de sinais cujo emprego corresponde, na COMENTÁRIOS
mesma ordem, aos parênteses indicados no texto: “Pergunta-se ()
qual é a ideia principal desse parágrafo () A chegada de reforços 1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
() a condecoração () o escândalo da opinião pública ou a renúncia (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora
do presidente () Se é a chegada de reforços () que relação há () ou , (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma intimidade,
mostrou seu autor haver () entre esse fato e os restantes ()”. procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
A) vírgula, vírgula, interrogação, interrogação, interrogação, pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
vírgula, vírgula, vírgula, ponto final (B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa e, em-
B) dois pontos, interrogação, vírgula, vírgula, interrogação, bora experimentasse a sensação , (X) de violar uma intimidade,
vírgula, travessão, travessão, interrogação procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
C) travessão, interrogação, vírgula, vírgula, ponto final, tra- pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
vessão, travessão, ponto final, ponto final
(D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa e,
D) dois pontos, interrogação, vírgula, ponto final, travessão,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade, pro-
vírgula, vírgula, vírgula, interrogação
E)dois pontos, ponto final, vírgula, vírgula, interrogação, vír- curou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo que
gula, vírgula, travessão, interogação pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora ,
07. (SRF) Das redações abaixo, assinale a que não está pon- (X) experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procu-
tuada corretamente: A) Os candidatos, em fila, aguardavam ansio- rou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo que
sos o resultado do concurso. pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
B) Em fila, os candidatos, aguardavam, ansiosos, o resultado 2-) Quando se trata de trabalho científico , duas coisas devem
do concurso. ser consideradas : uma é a contribuição teórica que o trabalho
C) Ansiosos, os candidatos aguardavam, em fila, o resultado oferece ; a outra é o valor prático que possa ter.
do concurso.
D) Os candidatos ansiosos aguardavam o resultado do con- vírgula, dois pontos, ponto e vírgula
curso, em fila.
E) Os candidatos aguardavam ansiosos, em fila, o resultado 3-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inadequadas
do concurso. A) Duas explicações , (X) do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque , (X) o conceito de PPD e a cons-
08.  A frase em que deveria haver uma vírgula é:
trução de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar das metas
A) Comi uma fruta pela manhã e outra à tarde.
de vendas associadas aos dois temas.
B) Eu usei um vestido vermelho na festa e minha irmã usou
um vestido azul. C) Duas explicações do treinamento para consultores inician-
C) Ela tem lábios e nariz vermelhos. tes receberam destaque ; (X) o conceito de PPD e a construção de
D) Não limparam a sala nem a cozinha. tabelas Price , (X) mas por outro lado, faltou falar das metas de
vendas associadas aos dois temas.
09. (Cefet-PR) Assinale o item em que o texto está correta- D) Duas explicações do treinamento para consultores inician-
mente pontuado: tes , (X) receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de
A) Não nego, que ao avistar a cidade natal tive uma sensação tabelas Price , (X) mas, por outro lado, faltou falar das metas de
nova. B) Não nego que ao avistar, a cidade natal, tive uma sen- vendas associadas aos dois temas.
sação nova. C) Não nego que, ao avistar, a cidade natal, tive uma E) Duas explicações , (X) do treinamento para consultores
sensação nova.D) Não nego que ao avistar a cidade natal tive uma iniciantes , (X) receberam destaque ; (X) o conceito de PPD e a
sensação nova. E)Não nego que, ao avistar a cidade natal, tive construção de tabelas Price , (X) mas por outro lado, faltou falar
uma sensação nova. das metas , (X) de vendas associadas aos dois temas.
10. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). As- 4-)
sinale a alternativa em que a pontuação está de acordo com a nor- (A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam , (X) rapi-
ma culta da língua.
damente , (X) seu espaço na carreira científica (, ) ainda que o
A) Atualmente, não se pode, fabricar apenas um produto.
avanço seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo,
B) Os índices de produção devem, acompanhar, o mercado.
C) A responsabilidade, socioambiental, é de extrema impor- do que em outros.
tância. (B) Não há dúvida de que , (X) as mulheres , (X) ampliam
D) Acreditar, no consumo, consciente é necessário. rapidamente seu espaço na carreira científica ; (X) ainda que o
E) O marketing, como se sabe, induz ao consumo desneces- avanço seja mais notável , (X) em alguns países, o Brasil é um
sário. exemplo ! (X) , do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres , (X) ampliam rapi-
GABARITO damente seu espaço , (X) na carreira científica , (X) ainda que
o avanço seja mais notável, em alguns países : (X) o Brasil é um
exemplo, do que em outros.
01. C 02. C 03. B 04. D 05. E
(E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamente
06. B 07. E 08. B 09. E 10. E , (X) seu espaço na carreira científica, ainda que , (X) o avanço
seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que
em outros.

Didatismo e Conhecimento 52
LÍNGUA PORTUGUESA
5-) Próclise
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X)verá na pul- A próclise é aplicada antes do verbo quando temos:
seira instruções para que envie , (X) uma mensagem eletrônica ao - Palavras com sentido negativo:
grupo ou acione o código na internet. Nada me faz querer sair dessa cama.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os pais de Não se trata de nenhuma novidade.
onde o código foi acionado.
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados , - Advérbios:
(X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem dizendo que a Nesta casa se fala alemão.
criança foi encontrada. Naquele dia me falaram que a professora não veio.
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega
primeiro às , (X) areias do Guarujá. - Pronomes relativos:
A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje.
6-) Pergunta-se ( :) qual é a ideia principal desse parágrafo ( Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.
? ) A chegada de reforços ( , ) a condecoração ( , ) o escândalo da
opinião pública ou a renúncia do presidente (?) Se é a chegada de - Pronomes indefinidos:
reforços ( , ) que relação há ( - ) ou mostrou seu autor haver ( -) Quem me disse isso?
entre esse fato e os restantes ( ? ) Todos se comoveram durante o discurso de despedida.
7-) Em fila, os candidatos , (X) aguardavam, ansiosos, o re-
sultado do concurso. - Pronomes demonstrativos:
Isso me deixa muito feliz!
8-) Eu usei um vestido vermelho na festa, e minha irmã usou Aquilo me incentivou a mudar de atitude!
um vestido azul.
Há situações em que é possível usar a vírgula antes do “e”. - Preposição seguida de gerúndio:
Isso ocorre quando a conjunção aditiva coordena orações de sujei- Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais in-
tos diferentes nas quais a leitura fluente pode ser prejudicada pela dicado à pesquisa escolar.
ausência da pontuação. 
- Conjunção subordinativa:
9-) A) Não nego , (X) que ao avistar a cidade natal tive uma Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
sensação nova. B) Não nego que ao avistar , (X) a cidade natal,
tive uma sensação nova.C) Não nego que, ao avistar , (X) a cidade Ênclise
natal, tive uma sensação nova.D)Não nego que ( , ) ao avistar a A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não acei-
cidade natal ( , ) tive uma sensação nova. ta orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A ênclise vai
acontecer quando:
10-) - O verbo estiver no imperativo afirmativo:
A) Atualmente, não se pode , (X) fabricar apenas um produto. Amem-se uns aos outros.
B) Os índices de produção devem , (X) acompanhar , (X) o Sigam-me e não terão derrotas.
mercado.
C) A responsabilidade , (X) socioambiental , (X) é de extre- - O verbo iniciar a oração:
ma importância. Diga-lhe que está tudo bem.
D) Acreditar , (X) no consumo , (X) consciente é necessário. Chamaram-me para ser sócio.

- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da preposição


“a”:
COLOCAÇÃO PRONOMINAL Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente.

- O verbo estiver no gerúndio:


Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreocupada.
Colocação pronominal Despediu-se, beijando-me a face.
De acordo com as autoras Rose Jordão e Clenir Bellezi, a co-
locação pronominal é a posição que os pronomes pessoais oblíquos - Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se referem. Se passar no vestibular em outra cidade, mudo-me no mesmo
São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, instante.
nos e vos. Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na oração
em relação ao verbo: Mesóclise
1. próclise: pronome antes do verbo A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado no futuro
2. ênclise: pronome depois do verbo do presente ou no futuro do pretérito:
3. mesóclise: pronome no meio do verbo

Didatismo e Conhecimento 53
LÍNGUA PORTUGUESA
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela se (A) Ela não lembrava-se do caminho de volta.
realizará) (B) A menina tinha distanciado-se muito da família.
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma proposta (C) A garota disse que perdeu-se dos pais.
a você) (D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança.
Fontes:
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42.php 05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alternativa
http://www.brasilescola.com/gramatica/colocacao-pronominal. cujo emprego do pronome está em conformidade com a norma pa-
htm drão da língua.
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
Questões sobre Pronome (B) Nos falaram que a diplomacia americana está abalada.
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012). (D) Conformado, se rendeu às punições.
Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não está (E) Todos querem que combata-se a corrupção.
claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em me-
lhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a água e 06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale a al-
(na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mesmo que ternativa correta quanto à colocação pronominal, de acordo com a
a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si diferença, as norma-padrão da língua portuguesa.
companhias não podem suportar ter de pagar, de repente, digamos, (A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que eles se-
40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Por- jam sempre trazidos junto ao corpo.
tanto, elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém (B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situação de ter
encontrou até agora uma maneira de quantificar adequadamente os de procurar a dona de uma bolsa perdida.
insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas de crescimento (C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos restituir
verde sempre será a segunda opção. um objeto à pessoa que o perdeu.
(CartaCapital, 27.06.2012. Adaptado) (D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que abrisse
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, referem-se, a bolsa que encontrara.
respectivamente, a (E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma tendência
(A) dúvidas e preços. natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
(B) dúvidas e insumos básicos.
(C) companhias e insumos básicos. 07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Há
(D) companhias e preços do carbono e da água. pessoas que, mesmo sem condições, compram produtos______não
(E) políticas de crescimento e preços adequados. necessitam e______ tendo de pagar tudo______ prazo.
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta e respec-
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-adap.). tivamente, considerando a norma culta da língua.
Leia o texto a seguir. A) a que … acaba … à
Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está cor- B) com que … acabam … à
retamente substituído por um pronome em: C) de que … acabam … a
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo D) em que … acaba … a
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-lhes desa- E) dos quais … acaba … à
lentado
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de conhe- 08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013-
cê-lo? adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e respectivamen-
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia te, as lacunas do trecho.
ser-lhe ______alguns anos, num programa de televisão, uma jovem
E) incomodaram o general... − incomodaram-no fazia referência______ violência______ o brasileiro estava sujeito
de forma cômica.
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). A A) Fazem... a ... de que
substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com B) Faz ...a ... que
os necessários ajustes, foi realizada de modo INCORRETO em: C) Fazem ...à ... com que
A) mostrando o rio= mostrando-o. D) Faz ...à ... que
B) como escolher sítio= como escolhê-lo. E) Faz ...à ... a que
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes.
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada lhes 09. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
acrescentariam. – 2013). Leia o texto a seguir:
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas. Violência epidêmica
A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora
04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a al- possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais, é
ternativa em que o pronome destacado está posicionado de acordo nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.
com a norma-padrão da língua.

Didatismo e Conhecimento 54
LÍNGUA PORTUGUESA
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades 10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013-
de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos estabele-
urbanos e se dissemina pelo interior. cimentos felizmente comprovam os acontecimentos, e testemunhas
As estratégias que as sociedades adotam para combater a vio- vão ajudar a polícia na investigação., – de acordo com a norma-
lência variam muito e a prevenção das causas evoluiu muito pou- -padrão, os pronomes que substituem, corretamente, os termos em
co no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos no destaque são:
campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades. A) os comprovam … ajudá-la.
A agressividade impulsiva é consequência de perturbações nos B) os comprovam …ajudar-la.
mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências agressi- C) os comprovam … ajudar-lhe.
vas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas que os tor- D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
nam despreparados para lidar com as frustrações de seus desejos. E) lhes comprovam … ajudá-la.
A violência é uma doença. Os mais vulneráveis são os que tive-
ram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao desen- GABARITO
volvimento psicológico pleno.
A revisão de estudos científicos permite identificar três fatores
principais na formação das personalidades com maior inclinação ao 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
comportamento violento:
1) Crianças que apanharam, foram vítimas de abusos, humilha- 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
das ou desprezadas nos primeiros anos de vida.
2) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram COMENTÁRIOS
valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram
limites de disciplina. 1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
3) Associação com grupos de jovens portadores de comporta- está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em
mento antissocial. melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a água
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crianças e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mesmo que
que se enquadram nessas três condições de risco. Associados à falta a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si diferença, as
de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, esses fatores companhias não podem suportar ter de pagar, de repente, diga-
de risco criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente mos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer prepa-
nas cidades. ração. Portanto, elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim,
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a resposta ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar adequa-
do aprisionamento. Porém, seu efeito é passageiro: o criminoso fica damente os insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas de
impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. Ao sair, estará crescimento verde sempre será a segunda opção.
mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e dificilmente
encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo, na prisão, terá 2-)
criado novas amizades e conexões mais sólidas com o mundo do A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
crime.
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os desalen-
Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. Obri-
tado
gados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumentaremos
o número de prisioneiros. As cadeias continuarão superlotadas. C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de conhe-
Seria mais sensato investir em educação, para prevenir a crimi- cê-las ?
nalidade e tratar os que ingressaram nela. D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Precisa- sê-lo
mos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais a
executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com a im- 3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las
punidade dos criminosos bem-sucedidos e construir cadeias novas
para substituir as velhas. 4-)
Enquanto não aprendermos a educar e oferecer medidas pre- (A) Ela não se lembrava do caminho de volta.
ventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes de (B) A menina tinha se distanciado muito da família.
criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na sociedade por (C) A garota disse que se perdeu dos pais.
meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas e da (E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança
oportunidade de desenvolvimento artístico.
(Drauzio Varella. In Folha de S.Paulo, 9 mar.2002. Adaptado) 5-)
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos.
Considere o seguinte trecho: (B) Falaram-nos que a diplomacia americana está abalada.
Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram (D) Conformado, rendeu-se às punições.
valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram (E) Todos querem que se combata a corrupção.
limites de disciplina. 6-)
O pronome lhes, nas duas ocorrências, nesse trecho, refere-se, (B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação de ter
respectivamente, a de procurar a dona de uma bolsa perdida.
A) adolescentes e adolescentes. (C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos restituir
B) famílias e adolescentes. um objeto à pessoa que o perdeu.
C) valores sociais altruísticos e limites de disciplina. (D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que abrisse
D) adolescentes e famílias. a bolsa que encontrara.
E) famílias e famílias.

Didatismo e Conhecimento 55
LÍNGUA PORTUGUESA
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma tendência 3) Quando o sujeito é representado por expressões partitivas,
natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. representadas por “a maioria de, a maior parte de, a metade de, uma
porção de, entre outras”, o verbo tanto pode concordar com o núcleo
7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produtos dessas expressões quanto com o substantivo que a segue: A maioria
de que não necessitam eacabam tendo de pagar tudoaprazo. dos alunos resolveu ficar. A maioria dos alunos resolveram ficar.
4) No caso de o sujeito ser representado por expressões apro-
8-) Fazalguns anos, num programa de televisão, uma jovem fa- ximativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo concorda
zia referência à violência a que o brasileiro estava sujeito de forma com o substantivo determinado por elas: Cerca de vinte candidatos
cômica. se inscreveram no concurso de piadas.
5) Em casos em que o sujeito é representado pela expressão
Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais de um candida-
to se inscreveu no concurso de piadas.
9-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti- Observação:
ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuse- - No caso da referida expressão aparecer repetida ou associada a
ram limites de disciplina. um verbo que exprime reciprocidade, o verbo, necessariamente, de-
verá permanecer no plural: Mais de um aluno, mais de um professor
Famílias que não impuseram aos adolescentes valores sociais, contribuíram na campanha de doação de alimentos.
formação moral e limites de disciplina. Mais de um formando se abraçaram durante as solenidades de
formatura.
10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimentos fe- 6) Quando o sujeito for composto da expressão “um dos que”, o
lizmente comprovam os acontecimentos, e testemunhas vão ajudar verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi um dos que atuaram
a polícia na investigação. na Copa América.
7) Em casos relativos à concordância com locuções pronomi-
felizmente os comprovam...ajudá-la nais, representadas por “algum de nós, qual de vós, quais de vós,
(advérbio) alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário nos atermos a duas
questões básicas:
- No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural, o
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL verbo poderá com ele concordar, como poderá também concordar
com o pronome pessoal: Alguns de nós o receberemos. / Alguns de
nós o receberão.
- Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso no
singular, o verbo permanecerá, também, no singular: Algum de nós
Concordância Verbal
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos referin- o receberá.
do à relação de dependência estabelecida entre um termo e outro 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo pronome
mediante um contexto oracional. Desta feita, os agentes principais “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do singular ou po-
desse processo são representados pelo sujeito, que no caso funciona derá concordar com o antecedente desse pronome: Fomos nós
como subordinante; e o verbo, o qual desempenha a função de su- quem contou toda a verdade para ela. / Fomos nós quem contamos
bordinado. toda a verdade para ela.
Dessa forma, temos que a concordância verbal caracteriza-se 9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela palavra
pela adaptação do verbo, tendo em vista os quesitos “número e pes- “que”, o verbo deverá concordar com o termo que antecede essa
soa” em relação ao sujeito. Exemplificando, temos: O aluno chegou palavra: Nesta empresa somos nós que tomamos as decisões. / Em
atrasado. casa sou eu que decido tudo.
Temos que o verbo apresenta-se na terceira pessoa do singular, 10) No caso de o sujeito aparecer representado por expressões
pois faz referência a um sujeito, assim também expresso (ele). Como que indicam porcentagens, o verbo concordará com o numeral ou
poderíamos também dizer: os alunos chegaram atrasados. com o substantivo a que se refere essa porcentagem: 50% dos
Temos aí o que podemos chamar de princípio básico. Contudo, funcionários aprovaram a decisão da diretoria. / 50% do eleitorado
a intenção a que se presta o artigo em evidência é eleger as princi- apoiou a decisão.
pais ocorrências voltadas para os casos de sujeito simples e para os
de sujeito composto. Dessa forma, vejamos: Observações:
- Caso o verbo aparecer anteposto à expressão de porcentagem,
Casos referentes a sujeito simples esse deverá concordar com o numeral: Aprovaram a decisão da dire-
1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo toria 50% dos funcionários.
em número e pessoa: O aluno chegou atrasado. - Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no singular:
2) Nos casos referentes a sujeito representado por substantivo 1% dos funcionários não aprovou a decisão da diretoria.
coletivo, o verbo permanece na terceira pessoa do singular: A mul- - Em casos em que o numeral estiver acompanhado de determi-
tidão, apavorada, saiu aos gritos. nantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os 50% dos fun-
Observação: cionários apoiaram a decisão da diretoria.
- No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto adnominal 11) Nos casos em que o sujeito estiver representado por prono-
no plural, o verbo permanecerá no singular ou poderá ir para o plu- mes de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira pessoa
ral: Uma multidão de pessoas saiu aos gritos. do singular ou do plural: Vossas Majestades gostaram das homena-
Uma multidão de pessoas saíram aos gritos. gens. Vossa Majestade agradeceu o convite.

Didatismo e Conhecimento 56
LÍNGUA PORTUGUESA
12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo pró- 2 - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural mas-
prio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos que os culino ou concorda com o substantivo mais próximo.
determinam: - Ela tem pai e mãe louros.
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo ser, - Ela tem pai e mãe loura.
este permanece no singular, contanto que o predicativo também es- 3 - Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente
teja no singular: Memórias póstumas de Brás Cubas é uma criação para o plural.
de Machado de Assis. - O homem e o menino estavam perdidos.
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também per- - O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
manece no plural: Os Estados Unidos são uma potência mundial.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele nem
1 - Adjetivo anteposto normalmente concorda com o mais
aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos é uma próximo.
potência mundial. Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.
Casos referentes a sujeito composto 2 - Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concor-
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas gramati- da com o mais próximo ou vai para o plural.
cais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando relacionado Estavam feridos o pai e os filhos.
a dois pressupostos básicos: Estava ferido o pai e os filhos.
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as demais:
Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. c) Um substantivo e mais de um adjetivo
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na 2ª ou 1- antecede todos os adjetivos com um artigo.
na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
Tu e ele são primos. 2- coloca o substantivo no plural.
2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer anteposto ao Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus dois filhos compa-
receram ao evento. d) Pronomes de tratamento
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao verbo, este 1 - sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa Santidade esteve no Brasil.
poderá concordar com o núcleo mais próximo ou permanecer no
plural: Compareceram ao evento o pai e seus dois filhos. Compare- e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
ceu ao evento o pai e seus dois filhos. 1 - Concordam com o substantivo a que se referem.
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com mais As cartas estão anexas.
de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: Meu esposo A bebida está inclusa.
e grande companheiro merece toda a felicidade do mundo. Precisamos de nomes próprios.
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinônimas ou Obrigado, disse o rapaz.
ordenado por elementos em gradação, o verbo poderá permanecer
no singular ou ir para o plural: Minha vitória, minha conquista, mi- f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
nha premiação são frutos de meu esforço. / Minha vitória, minha 1 - Após essas expressões o substantivo fica sempre no singu-
conquista, minha premiação é fruto de meu esforço. lar e o adjetivo no plural.
Renato advogou um e outro caso fáceis.
Fonte: http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia- Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
-verbal.htm
g) É bom, é necessário, é proibido
Concordância Nominal 1- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido
É o ajuste que fazemos aos demais termos da oração para que de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa.
concordem em gênero e número com o substantivo. Teremos que
alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
disso, temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira. É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada
é proibida.
REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral e o prono-
me concordam em gênero e número com o substantivo. h) Muito, pouco, caro
- A pequena criança é uma gracinha. 1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático. Comi muitas frutas durante a viagem.
Pouco arroz é suficiente para mim.
CASOS ESPECIAIS: Veremos alguns casos que fogem à re- Os sapatos estavam caros.
gra geral mostrada acima.
a) Um adjetivo após vários substantivos 2- Como advérbios: são invariáveis.
1 - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural Comi muito durante a viagem.
ou concorda com o substantivo mais próximo. Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
Comprei caro os sapatos.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.

Didatismo e Conhecimento 57
LÍNGUA PORTUGUESA
i) Mesmo, bastante cente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inte-
1- Como advérbios: invariáveis ligência pode abarcar inteira, e dela fruira silenciosa harmonia.
Preciso mesmo da sua ajuda. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego. pela qual jamais pagaríamos caro demais, porque essa consciên-
2- Como pronomes: seguem a regra geral. cia nos torna mais fortes.
Seus argumentos foram bastantes para me convencer. Mas o que eu gostaria de mostrar, antes de tudo, é a que ponto
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou. a astronomia facilitou a obra das outras ciências, mais diretamen-
te úteis, porque foi ela que nos proporcionou um espírito capaz de
j) Menos, alerta compreender a natureza.
1- Em todas as ocasiões são invariáveis. [Adaptado de Henri Poincaré (1854-1912). O valor da ciên-
Preciso de menos comida para perder peso. cia. Tradução Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Con-
Estamos alerta para com suas chamadas. traponto, 1995, p.101]

k) Tal Qual Mantém-se o respeito às normas de concordância verbal


1- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o caso a forma do verbo grifado seja substituída pela que está entre
conseqüente. parênteses ao final da frase:
As garotas são vaidosas tais qual a tia. A) Os governos e os parlamentos devem achar que...(deve)
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. B) ...porque essa consciência nos torna mais fortes.(tornam)
C) ...a astronomia é uma das ciências que custam mais caro
l) Possível ... (custa)
1- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “me- D) E tudo isso para astros que [...] jamais desempenharão
lhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as expressões. qualquer papel nelas. (desempenhará)
A mais possível das alternativas é a que você expôs. E) ...é isso que se precisa dizer. (precisam)
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da 02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de concor-
cidade. dância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em:
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura,
m) Meio que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelec-
1- Como advérbio: invariável.
tual, estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras,
Estou meio (um pouco) insegura.
sua matéria-prima.
2- Como numeral: segue a regra geral.
B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre de-
Comi meia (metade) laranja pela manhã.
lineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor ao ultra-
n) Só
passar os limites da época em que vivem seus autores, gênios no
1- apenas, somente (advérbio): invariável.
domínio das palavras, sua matéria-prima.
Só consegui comprar uma passagem.
2- sozinho (adjetivo): variável. C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhe
Estiveram sós durante horas. permitem criar todo um mundo de ficção, em que personagens se
transformam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa ver-
Questões sobre Concordância Nominal e Verbal dadeira interação com a realidade.
D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor so-
01. (Administrador – FCC – 2013). Leia o texto a seguir. mente se realiza plenamente caso haja afinidade de ideias entre
ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual
Os governos e os parlamentos devem achar que a astronomia deste último e o prazer da leitura.
é uma das ciências que custam mais caro: o menor instrumento E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que constitui
custa centenas de milhares de francos; o menor observatório custa leitura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo que
milhões; cada eclipse acarreta depois de si despesas suplementa- ultrapassa os limites de tempo e de época.
res. E tudo isso para astros que ficam tão distantes, que são com-
pletamente estranhos às nossas lutas eleitorais, e provavelmente 03. (Escrevente Tj SP – Vunesp/2012) Leia o texto para res-
jamais desempenharão qualquer papel nelas. É impossível que ponder à questão.
nossos homens políticos não tenham conservado um resto de idea- _________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
lismo, um vago instinto daquilo que é grande; realmente, creio está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em
que eles foram caluniados; convém encorajá-los, e lhes mostrar melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a água
que esse instinto não os engana, e que não são logrados por esse e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mesmo que
idealismo. a ameaça dos preços do carbono e da água em si ___________di-
Bem poderíamos lhes falar da navegação, cuja importância ferença, as companhias não podem suportar ter de pagar, de re-
ninguém ignora, e que tem necessidade da astronomia. Mas isso pente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
seria abordar a questão por seu lado menos importante. preparação. Portanto, elas começam a usar preços-sombra. Ainda
A astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
é útil porque é grande; é útil porque é bela; é isso que se precisa adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das polí-
dizer. É ela que nos mostra o quanto o homem é pequeno no corpo ticas de crescimento verde sempre ___________ a segunda opção.
e o quanto é grande no espírito, já que essa imensidão resplande- (CartaCapital, 27.06.2012. Adaptado)

Didatismo e Conhecimento 58
LÍNGUA PORTUGUESA
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as la- C) Se a empresa propuser um estágio no exterior, ele não
cunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, recusará.
com: D) Se estas caixas caberem no armário, a sala ficará organi-
(A) Restam… faça… será zada.
(B) Resta… faz… será E) Se o microempresário querer, poderá fazer futuros inves-
(C) Restam… faz... serão timentos.
(D) Restam… façam… serão
(E) Resta… fazem… será 08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
Assinale a frase correta quanto à concordância verbal e nominal.
04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alternativa A) Com os shows da banda, os músicos propõem um momen-
em que o trecho – Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma to de descontração para os passageiros.
maneira de quantificar adequadamente os insumos básicos. – está B) Por causa da paralisação, as férias dos alunos terminou
corretamente reescrito, de acordo com a norma-padrão da língua mais cedo.
portuguesa. C) Na cidade, já se esgotou as vagas nos hotéis para o período
(A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até de Carnaval.
agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos. D) Ela próprio passou o uniforme de trabalho.
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até E) Seguem anexadas ao e-mail o cronograma do curso e o
agora uma maneira adequada de os insumos básicos ser quantifi- currículo dos inscritos.
cados.
(C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até 09. (Agente Educacional – VUNESP – 2013). Assinale a al-
ternativa correta quanto à concordância, de acordo com a norma-
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
-padrão da língua portuguesa.
quantificado.
A) Estudos recente demonstram a necessidade de se investir
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
no ensino de matemática nos níveis fundamentais de aprendiza-
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos seja
gem.
quantificado.
B) Muito concorrida, carreiras como as de advogado e de jor-
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
nalista também requerem conhecimento matemático.
agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos bá-
sicos. C) A cultura científica, apesar de fundamental para muitas car-
reiras, ainda é visto com certo desprezo entre alguns estudantes.
05. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). As- D) Conhecimentos básicos de estatística é de fundamental im-
sinale a alternativa em que a concordância da palavra destacada portância para a compreensão de algumas informações do nosso
está de acordo com a norma culta da língua. cotidiano.
A) Ela mesmo reclamou com o gerente do mercado. E) A matemática pode ser considerada a base para algumas
B) A vendedora ficou meia atrapalhada com o excesso de das mais intrigantes especulações científicas da atualidade.
clientes na loja.
C) É proibido a entrada de animais no estabelecimento. 10. (Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP –
D) Ela voltou para dizer obrigada ao vendedor. 2013). Leia o texto a seguir.
E) Anexo aos comprovantes de pagamento, vão duas amos-
tras grátis. O chato é um chato, mas é essencial nos negócios

06. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013). O chato é um chato. Não é o tipo de companhia que se quer
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, de para tomar um vinho ou ir ao cinema. O chato tem a insuportável
acordo com a norma-padrão da língua, as lacunas das frases, quan- mania de apontar o dedo para as coisas, enxergar os problemas que
to à concordância verbal e à colocação pronominal. não queremos ver, fazer comentários desconcertantes.
______muitos lares destroçados, mas______ pessoas boas Por isso, é pouco recomendável ter um deles por perto nos
prontas para ajudar. momentos nos quais tudo o que você não quer fazer é tomar deci-
Inteligente e informativa a reportagem que_____________ a sões. Para todos os outros – e isso envolve o dia a dia dos negócios
transformar aborrecimentos em aprendizagem. – é bom ter um desses cada vez mais raros e discriminados exem-
A) Havia ...existiam ... nos ensina plares da fauna empresarial por perto.
B) Haviam ... existia ... ensina-nos Conselho dado por alguém que entende muito de ganhar di-
C) Havia ...existia ... nos ensina nheiro, Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo:
D) Haviam ... existiam ... ensina-nos “Ouça alguém que discorda de você”. No início de maio, Buffett
E) Havia ...existiam ... ensina-nos convidou um sujeito chamado Doug Kass para participar de um
dos painéis que compuseram a reunião anual de investidores de
07. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). sua empresa, a Berkshire Hathaway.
Assinale a alternativa em que o verbo foi empregado corre- Como executivo de um fundo de investimento, Kass havia
tamente. apostado contra as ações da Berkshire. Buffett queria entender o
A) Se a proprietária manter o valor do aluguel, poderemos
porquê. Kass foi o chato escolhido para alertá-lo sobre eventuais
permanecer no apartamento.
erros que ninguém havia enxergado.
B) Se os operários fazerem o acordo, a greve terminará.

Didatismo e Conhecimento 59
LÍNGUA PORTUGUESA
Buffett conhece o valor desse tipo de pessoa. O chato é o su- B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre de-
jeito que ainda acha que as perguntas simples são o melhor ca- lineiam novos caminhos, pois são capazes de encantar o leitor ao
minho para chegar às melhores respostas, é alguém que não tem ultrapassarem os limites da época em que vivem seus autores, gê-
medo. Não se importa de ser tachado de inábil no trato com as pes- nios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
soas ou de ser politicamente incorreto. Questiona. Coloca o dedo C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhes per-
na ferida. Insiste em ser um animal pensante, quando todo mundo mite criar todo um mundo de ficção, em que personagens se trans-
sabe que dá menos trabalho deixar tudo como está. formam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa verdadeira
Quase sempre, as coisas que o chato diz fazem um tremendo interação com a realidade.
sentido. Nada pode ser mais devastador para seus críticos do que a D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor so-
constatação de que o chato, feitas as contas, tem razão. mente se realizam plenamente caso haja afinidade de ideias entre
Pobre do chefe que não reconhece, não escuta e não tolera ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual
os chatos que cruzam seu caminho. Ele acredita que está seguro deste último e o prazer da leitura.
num mundo de certezas próprias, de verdades absolutas. Ora, o E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que consti-
controle total de um negócio é uma miragem. Coisas boas e ruins tuem leitura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo
acontecem o tempo todo nas empresas sem que ele se dê conta. que ultrapassa os limites de tempo e de época.
Pensar que é possível estar no comando de tudo, o tempo todo, só
vai torná-lo mais vulnerável como líder. E vai, mais dia ou menos 3-)
dia, afastar definitivamente os chatos, os questionadores, aqueles _Restam___dúvidas mesmo que a ameaça dos preços do
que fazem as perguntas incômodas e necessárias. carbono e da água em si __faça __diferença a maioria das políti-
Por isso, só existem chatos em lugares onde há alguma pers- cas de crescimento verde sempre ____será_____ a segunda opção.
pectiva de futuro. Esse espécime de profissional só prolifera em
ambientes onde a liberdade de pensamento e expressão é respei- Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tanto no
tada, onde a dúvida não é um mal em si, onde existe disposição, plural quanto no singular. Nas alternativas não há “restam/faça/
coragem e humildade para mudar de trajetória quando essa parece serão”, portanto a A é que apresenta as opções adequadas.
ser a melhor opção.
(Cláudia Vassallo, http://exame.abril.com.br, 07.07.2013. 4-).
Adaptado) (A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
Considere as frases: agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos.
- Kass foi o chato escolhido para alertá-lo sobre eventuais er- (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
ros que ninguém havia enxergado. agora uma maneira adequada de os insumos básicos serem quan-
- Por isso, só existem chatos em lugares onde há alguma pers- tificados.
pectiva de futuro. (C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
As expressões destacadas podem ser substituídas, correta e agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
respectivamente, seguindo as regras de concordância da norma- quantificados.
-padrão da língua portuguesa, por: (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
A) não havia sido enxergado ...pode haver agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
B) não havia sido enxergados ...podem haver
quantificados.
C) não haviam sido enxergado ...pode haver
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
D) não havia sido enxergado ...podem haver
agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos bá-
E) não haviam sido enxergados ...pode haver
sicos.= correta
5-)
GABARITO
A) Ela mesma reclamou com o gerente do mercado.
B) A vendedora ficou meio atrapalhada com o excesso de
01. C 02. A 03. A 04. E 05. D clientes na loja.
C) É proibida a entrada de animais no estabelecimento.
06. A 07. C 08. A 09. E 10. E D) Ela voltou para dizer obrigada ao vendedor. = correta
E) Anexas aos comprovantes de pagamento, vão duas amos-
COMENTÁRIOS tras grátis.
1-) a astronomia é uma das ciências que custam mais caro. 6-)
Nas gramáticas aborda-se sempre a expressão UM DOS QUE __Havia _muitos lares destroçados, mas__existiam__ pes-
como determinante de duas concordâncias. O verbo fica no singu- soas boas prontas para ajudar.
lar só nas poucas vezes em que a ação se refere a um só agente: Inteligente e informativa a reportagem que _nos ensina_ a
O Sol é um dos astros que dá luz e calor à Terra.
transformar aborrecimentos em aprendizagem.
2-)
Verbo haver usado no sentido de existir = impessoal, invariá-
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura,
vel (não sofre flexão); já o verbo existir concorda com o sujeito.
que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelec-
Quanto à colocação pronominal: a presença do pronome re-
tual, estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras,
lativo (que) “atrai” o pronome oblíquo, ocorrendo, então, próclise
sua matéria-prima. = correta
(pronome antes do verbo).

Didatismo e Conhecimento 60
LÍNGUA PORTUGUESA
7-) Regência Verbal
A) Se a proprietária mantiver o valor do aluguel, poderemos Termo Regente:  VERBO
permanecer no apartamento. A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre
B) Se os operários fizerem o acordo, a greve terminará. os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e
C) Se a empresa propuser um estágio no exterior, ele não objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais).
recusará.=correta O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa capa-
D) Se estas caixas couberem no armário, a sala ficará orga- cidade expressiva, pois oferece oportunidade de conhecermos as
nizada. diversas significações que um verbo pode assumir com a simples
E) Se o microempresário quiser, poderá fazer futuros inves- mudança ou retirada de uma preposição. Observe:
timentos. A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, contentar.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar agrado ou pra-
8-) zer”, satisfazer.
A) Com os shows da banda, os músicos propõem um momen- Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agra-
to de descontração para os passageiros.= correta dar a alguém”.
B) Por causa da paralisação, as férias dos alunos terminaram
mais cedo. Saiba que:
C) Na cidade, já se esgotaram as vagas nos hotéis para o pe- O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos
ríodo de Carnaval. aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e também
D) Ela própria passou o uniforme de trabalho. nominal). As preposições são capazes de modificar completamente
E) Seguem anexados ao e-mail o cronograma do curso e o o sentido do que se está sendo dito. Veja os exemplos:
currículo dos inscritos. Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô.
9-) No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo
caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração “Cheguei
A) Estudos recentes demonstram a necessidade de se investir
no metrô”, popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se
no ensino de matemática nos níveis fundamentais de aprendiza-
vai, possui, no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é
gem.
muito comum existirem divergências entre a regência coloquial,
B) Muito concorridas, carreiras como as de advogado e de
cotidiana de alguns verbos, e a regência culta.
jornalista também requerem conhecimento matemático.
C) A cultura científica, apesar de fundamental para muitas car-
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de
reiras, ainda é vista com certo desprezo entre alguns estudantes.
acordo com sua transitividade. A transitividade, porém, não é um
D) Conhecimentos básicos de estatística são de fundamental fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas
importância para a compreensão de algumas informações do nosso em frases distintas.
cotidiano.
E) A matemática pode ser considerada a base para algumas das Verbos Intransitivos
mais intrigantes especulações científicas da atualidade. = correta Os verbos intransitivos não possuem complemento. É impor-
tante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos aos adjuntos
10-) adverbiais que costumam acompanhá-los.
- Kass foi o chato escolhido para alertá-lo sobre eventuais a) Chegar, Ir
erros que não haviam sido enxergados. Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais de
- Por isso, só pode haver chatos em lugares onde há alguma lugar. Na língua culta, as preposições usadas para indicar desti-
perspectiva de futuro. no ou direção são: a, para.
Fui ao teatro.
No primeiro caso, havia empregado com sentido de ter: sofre       Adjunto Adverbial de Lugar
flexão (vai para o plural concordando com o termo que o antecede Ricardo foi para a Espanha.
(erros); já no caso do haver com sentido de existir: invariável - ele                   Adjunto Adverbial de Lugar
e seu auxiliar (poder). b) Comparecer
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por em ou a.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último
jogo.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
Verbos Transitivos Diretos
Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos
diretos. Isso significa que não exigem preposição para o estabele-
cimento da relação de regência. Ao empregar esses verbos, deve-
Dá-se o nome de regência à relação de subordinação que ocorre mos lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os, as atuam como
entre um verbo (ou um nome) e seus complementos. Ocupa-se em objetos diretos. Esses pronomes podem assumir as formas lo, los,
estabelecer relações entre as palavras, criando frases não ambíguas, la, las (após formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na,
nos, nas (após formas verbais terminadas em sons nasais), enquan-
que expressem efetivamente o sentido desejado, que sejam corretas
to lhe e lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos.
e claras.

Didatismo e Conhecimento 61
LÍNGUA PORTUGUESA
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abandonar, Agradeço   aos ouvintes         a audiência.
abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, ado-                   Objeto Indireto      Objeto Direto
rar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar, con- Cristo ensina que é preciso perdoar    o pecado        ao pecador.
denar, conhecer, conservar,convidar, defender, eleger, estimar,                                                       Objeto Direto       Objeto Indireto
humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, proteger, respeitar, Paguei      o débito        ao cobrador.
socorrer, suportar, ver, visitar.               Objeto Direto      Objeto Indireto
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como o
verbo amar: - O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com par-
Amo aquele rapaz. / Amo-o. ticular cuidado. Observe:
Amo aquela moça. / Amo-a. Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Amam aquele rapaz. / Amam-no. Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos para Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
indicar posse (caso em que atuam como adjuntos adnominais). Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Informar
Verbos Transitivos Indiretos - Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto 
Os verbos transitivos indiretos são complementados por ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma pre- Informe os novos preços aos clientes.
posição para o estabelecimento da relação de regência. Os prono- Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos pre-
mes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar ços)
como objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pes- - Na utilização de pronomes como complementos,  veja as
soas. Não se utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos construções:
de verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de ter- Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre
ceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes. Os eles)
verbos transitivos indiretos são os seguintes: Obs.: a mesma regência do verbo  informar é usada  para os
a) Consistir - Tem complemento introduzido pela preposi- seguintes:  avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
ção “em”.
A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para Comparar
todos. Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as preposi-
b) Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complementos in- ções “a” ou “com” para introduzir o complemento indireto.
troduzidos pela preposição “a”. Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança.
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito. Pedir
c) Responder - Tem complemento introduzido pela preposi- Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na forma
ção “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a quem” ou de oração subordinada substantiva) e indireto de pessoa.
“ao que” se responde. Pedi-lhe                favores.
Respondi ao meu patrão.   Objeto Indireto   Objeto Direto
Respondemos às perguntas.                                      
Respondeu-lhe à altura. Pedi-lhe                     que mantivesse em silêncio.
Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto quando Objeto Indireto           Oração Subordinada Substantiva
exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva analítica.                                                            Objetiva Direta
Veja:
O questionário foi respondido corretamente. Saiba que:
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente. 1) A construção  “pedir para”,  muito comum na linguagem
d) Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos in- cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. No
troduzidos pela preposição “com”. entanto,  é considerada correta quando a palavra licença estiver
Antipatizo com aquela apresentadora. subentendida.
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.
para uma minoria privilegiada. Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz uma
oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo (para ir
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos entregar-lhe os catálogos em casa).
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de 2) A construção  “dizer para”,  também muito usada
um objeto direto e um indireto. Merecem destaque, nesse grupo: popularmente, é igualmente considerada incorreta.

Preferir
Agradecer, Perdoar e Pagar
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indireto in-
São verbos que apresentam objeto direto relacionado a coi-
troduzido pela preposição “a”. Por Exemplo:
sas e objeto indireto relacionado a pessoas. Veja os exemplos:

Didatismo e Conhecimento 62
LÍNGUA PORTUGUESA
Prefiro qualquer coisa  a  abrir mão de meus ideais. CHAMAR
Prefiro trem a ônibus. 1) Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar
Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem a atenção ou a presença de.
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, um mi- Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá-la.
lhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente no Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
próprio verbo (pre). 2) Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar
objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo preposicio-
Mudança de Transitividade versus Mudança de Significado nado ou não.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitividade, A torcida chamou o jogador mercenário.
apresentam mudança de significado. O conhecimento das diferentes A torcida chamou ao jogador mercenário.
regências desses verbos é um recurso linguístico muito importante, A torcida chamou o jogador de mercenário.
pois além de permitir a correta interpretação de passagens escritas, A torcida chamou ao jogador de mercenário.
oferece possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre
os principais, estão: CUSTAR
1) Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou
preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial.
AGRADAR
Frutas e verduras não deveriam custar muito.
1) Agradar  é transitivo direto no sentido de  fazer carinhos,
2) No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou
acariciar. transitivo indireto.
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada Muito custa          viver tão longe da família.
quando o revê.             Verbo   Oração Subordinada Substantiva Subjetiva 
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláudia        Intransitivo                       Reduzida de Infinitivo
não perde oportunidade de agradá-lo. Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela atitude.
2) Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado       Objeto                 Oração Subordinada Substantiva Subjetiva 
a, satisfazer, ser agradável a.  Rege complemento introduzido pela         Indireto                                     Reduzida de Infinitivo
preposição “a”. Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que
O cantor não agradou aos presentes. atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por pessoa.
O cantor não lhes agradou. Observe o exemplo abaixo:
Custei para entender o problema. 
ASPIRAR Forma correta: Custou-me entender o problema.
1) Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o
ar), inalar. IMPLICAR
Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o) 1) Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
2) Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter como a) dar a entender, fazer supor, pressupor
ambição. Suas atitudes implicavam um firme propósito.
Aspirávamos a melhores condições de vida. (Aspirávamos a
b) Ter como consequência, trazer como consequência, acar-
elas) retar, provocar
Liberdade de escolha implica amadurecimento político de um
Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes- povo.
soa, mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas “lhe”
e “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela (s)”. Veja o 2)  Como transitivo direto e indireto, significa  comprometer,
exemplo: envolver
Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela) Implicaram aquele jornalista em questões econômicas.
Obs.: no sentido de  antipatizar,  ter implicância, é transitivo
ASSISTIR indireto e rege com preposição “com”.
1) Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar,  prestar as- Implicava com quem não trabalhasse arduamente.
sistência a, auxiliar.
Por Exemplo: PROCEDER
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. 1) Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter ca-
As empresas de saúde negam-se a assisti-los. bimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se, agir. Nessa
2) Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar, segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial
estar presente, caber, pertencer. de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como
Exemplos:
refutá-las.
Assistimos ao documentário.
Você procede muito mal.
Não assisti às últimas sessões. 2) Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição”
Essa lei assiste ao inquilino. de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela prepo-
Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intran- sição “a”) é transitivo indireto.
sitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar introdu- O avião procede de Maceió.
zido pela preposição “em”. Procedeu-se aos exames.
Assistimos numa conturbada cidade. O delegado procederá ao inquérito.

Didatismo e Conhecimento 63
LÍNGUA PORTUGUESA
QUERER Agradável a Escasso de Parco em, de
1) Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade
de, cobiçar. Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Querem melhor atendimento. Análogo a Fácil de Preferível a
Queremos um país melhor.
2) Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, esti- Ansioso de, para,
Fanático por Prejudicial a
mar, amar. por
Quero muito aos meus amigos. Apto a, para Favorável a Prestes a
Ele quer bem à linda menina. Ávido de Generoso com Propício a
Despede-se o filho que muito lhe quer.
Benéfico a Grato a, por Próximo a
VISAR Capaz de, para Hábil em Relacionado com
1) Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fa-
Compatível com Habituado a Relativo a
zer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo. Contemporâneo a, Satisfeito com, de,
Idêntico a
O gerente não quis visar o cheque. de em, por
2) No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objeti- Contíguo a Impróprio para Semelhante a
vo, é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social. Contrário a Indeciso em Sensível a
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar pú- Curioso de, por Insensível a Sito em
blico. Descontente com Liberal com Suspeito de

Regência Nominal Desejoso de Natural de Vazio de


É o nome da relação existente entre um nome (substantivo,
adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Essa re- Advérbios
lação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da Longe de
regência nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apre- Perto de
sentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam.
Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o
o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; paralela-
Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem mente a; relativa a; relativamente a.
complementos introduzidos pela preposição “a”.Veja: Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

Obedecer a algo/ a alguém. Questões sobre Regência Nominal e Verbal


Obediente a algo/ a alguém.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da 01. (Administrador – FCC – 2013-adap.).
preposição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras ciên-
e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a cias ...
algum verbo cuja regência você conhece. O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifa-
do acima está empregado em:
Substantivos A) ...astros que ficam tão distantes ...
B) ...que a astronomia é uma das ciências ...
Admiração a, Devoção a, para, com, C) ...que nos proporcionou um espírito ...
Medo a, de
por por D) ...cuja importância ninguém ignora ...
Aversão a, E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ...
Doutor em Obediência a
para, por
Atentado a, Dúvida acerca de, em, 02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-adap.).
Ojeriza a, por ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos
contra sobre
do sueco.
Bacharel em Horror a Proeminência sobre O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complemen-
Capacidade de, Respeito a, com, tos que o grifado acima está empregado em:
Impaciência com
para para com, por A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO...
  B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra?
Adjetivos C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia...
Acessível a Diferente de Necessário a D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro...
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para 03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.).
Equivalente a Paralelo a ... constava simplesmente de uma vareta quebrada em partes
com
desiguais...

Didatismo e Conhecimento 64
LÍNGUA PORTUGUESA
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifa- GABARITO
do acima está empregado em:
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a extre- 01. D 02. D 03. A 04. A 05. E
mos de sutileza.
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos COMENTÁRIOS
troncos mais robustos.
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam, 1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras
não raro, quem... ciências ...
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na ser- Facilitar – verbo transitivo direto
ra de Tunuí...
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio, A) ...astros que ficam tão distantes ...= verbo de ligação
mestre e colaborador... B) ...que a astronomia é uma das ciências ...= verbo de ligação
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo transitivo
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.). direto e indireto
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro= verbo
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que oda transitivo indireto
frase acima se encontra em:
A) A palavra direito, em português, vem de directum, do ver- 2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos
bo latino dirigere... filhos do sueco.
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das so- Pedir = verbo transitivo direto e indireto
ciedades...
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = transi-
justiça. tivo direto
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra?=verbo de ligação
da justiça... C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia...
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sentimen- =verbo intransitivo
to de justiça. E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
=transitivo direto
05. Leia a tira a seguir.
3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada em par-
tes desiguais...
Constar = verbo intransitivo

B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos


troncos mais robustos. =ligação
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam,
não raro, quem... =transitivo direto
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na ser-
ra de Tunuí... = transitivo direto
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio,
mestre e colaborador...=transitivo direto

4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...


Lidar = transitivo intransitivo

B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das socie-


dades... =transitivo direto
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela
justiça. =ligação
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações da
Considerando as regras de regência da norma-padrão da lín- justiça... =transitivo direto e indireto
gua portuguesa, a frase do primeiro quadrinho está corretamente E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sentimen-
reescrita, e sem alteração de sentido, em: to de justiça. =transitivo direto
A) Ter amigos ajuda contra o combate pela depressão.
B) Ter amigos ajuda o combate sob a depressão. 5-) Considerando as regras de regência da norma-padrão da
C) Ter amigos ajuda do combate com a depressão. língua portuguesa, a frase do primeiro quadrinho está corretamente
D) Ter amigos ajuda ao combate na depressão. reescrita, e sem alteração de sentido, em:
E) Ter amigos ajuda no combate à depressão. Ter amigos ajuda no combate à depressão.

Didatismo e Conhecimento 65
LÍNGUA PORTUGUESA
Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
CRASE Informei o ocorrido  à  senhora. (Informei o ocorrido  ao  se-
nhor.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao pró-
prio Cláudio para sair mais cedo.)
A palavra  crase  é de origem grega e significa “fusão”,
4-) diante de numerais cardinais:
“mistura”. Na língua portuguesa, é o nome que se dá à “junção”
Chegou a duzentos o número de feridos.
de duas vogais idênticas. É de grande importância a crase da
Daqui a uma semana começa o campeonato.
preposição “a” com o artigo feminino “a” (s), com o “a” inicial
dos pronomes aquele(s), aquela (s), aquilo e com o “a” do relati-
Casos em que a crase SEMPRE ocorre:
vo a qual (as quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para
1-) diante de palavras femininas:
indicar a crase. O uso apropriado do acento grave depende da com-
Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
preensão da fusão das duas vogais. É fundamental também, para
Sempre vamos à praia no verão.
o entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
que exigem a preposição “a”. Aprender a usar a crase, portanto,
Sou grata à população.
consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma
Fumar é prejudicial à saúde.
preposição e um artigo ou pronome. Observe:
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
Vou a + a igreja.
Vou à igreja.
2-) diante da palavra “moda”, com o sentido de “à moda de”
(mesmo que a expressão moda de fique subentendida):
No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição “a”, exi-
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé. 
gida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo “a” que
Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
está determinando o substantivo feminino igreja. Quando ocorre
Estava com vontade de comer frango à (moda de) passarinho.
esse encontro das duas vogais e elas se unem, a união delas é indi-
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro.
cada pelo acento grave. Observe os outros exemplos:
Conheço a aluna.
3-) na indicação de horas:
Refiro-me à aluna.
Acordei às sete horas da manhã.
No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer
Elas chegaram às dez horas.
algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode
Foram dormir à meia-noite.
ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto (refe-
rir-se a algo ou a alguém) e exige a preposição “a”. Portanto, a
4-) em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que
crase é possível, desde que o termo seguinte seja feminino e ad-
participam palavras femininas. Por exemplo:
mita o artigo feminino “a” ou um dos pronomes já especificados.

Veja os principais casos em que a crase NÃO ocorre: à tarde às ocultas às pressas à medida que
1-) diante de substantivos masculinos: à noite às claras às escondidas à força
Andamos a cavalo.
Fomos a pé. à vontade à beça à larga à escuta
Passou a camisa a ferro. às avessas à revelia à exceção de à imitação de
Fazer o exercício a lápis. à esquerda às turras às vezes à chave
Compramos os móveis a prazo.
à direita à procura à deriva à toa
2-) diante de  verbos no infinitivo: à luz à sombra de à frente de à proporção que
A criança começou a falar. à semelhança de às ordens à beira de
Ela não tem nada a dizer.
Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos exem- Crase diante de Nomes de Lugar
plos acima é apenas preposição, logo não ocorrerá crase.
Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do arti-
3-) diante da maioria dos pronomes e das expressões de trata- go “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que dian-
mento, com exceção das formas senhora, senhorita e dona: te deles haverá crase, desde que o termo regente exija a preposi-
Diga a ela que não estarei em casa amanhã. ção “a”. Para saber se um nome de lugar admite ou não a antepo-
Entreguei a todos os documentos necessários. sição do artigo feminino “a”, deve-se substituir o termo regente
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem. por um verbo que peça a preposição “de” ou “em”. A ocorrência
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos. da contração “da” ou “na” prova que esse nome de lugar aceita o
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes artigo e, por isso, haverá crase. Por exemplo:
podem ser identificados pelo método: troque a palavra feminina Vou à França. (Vim da [de+a] França. Estou na [em+a] França.)
por uma masculina, caso na nova construção surgir a forma ao, Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
ocorrerá crase. Por exemplo: Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)

Didatismo e Conhecimento 66
LÍNGUA PORTUGUESA
Vou  a  Porto Alegre. (Vim  de  Porto Alegre. Estou  em  Porto Minha revolta é ligada à do meu país.
Alegre.) Meu luto é ligado ao do meu país.
As orações são semelhantes às de antes.
-- Dica: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou A Os exemplos são semelhantes aos de antes.
volto DE, crase PRA QUÊ?” Suas perguntas são superiores às dele.
Ex: Vou a Campinas.= Volto de Campinas. Seus argumentos são superiores aos dele.
Vou à praia.= Volto da praia. Sua blusa é idêntica à de minha colega.
Seu casaco é idêntico ao de minha colega.
ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado,
ocorrerá crase. Veja: A Palavra Distância
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela Se a palavra distância estiver especificada, determinada, a cra-
regrinha acima, seja a do “VOLTO DE” se deve ocorrer. Por exemplo:
Irei à Salvador de Jorge Amado. Sua casa fica à distância de 100 Km daqui. (A palavra está
determinada)
Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s), Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A pala-
Aquela (s), Aquilo vra está especificada.)
Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo re- Se a palavra  distância  não estiver especificada, a cra-
gente exigir a preposição “a”. Por exemplo: se não pode ocorrer. Por exemplo:
Os militares ficaram a distância.
Gostava de fotografar a distância.
Refiro-me a+ aquele atentado. Ensinou a distância.
Preposição Pronome Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância.
Refiro-me àquele atentado.
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambiguidade,
O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indire- pode-se usar a crase. Veja:
to referir (referir-se a algo ou alguém) e exige preposição, portan- Gostava de fotografar à distância.
to, ocorre a crase. Observe este outro exemplo: Ensinou à distância.
Aluguei aquela casa. Dizem que aquele médico cura à distância.
O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não exi- Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
ge preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso.Veja outros 1-) diante de nomes próprios femininos:
exemplos: Observação: é facultativo o uso da crase diante de nomes pró-
Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho. prios femininos porque é facultativo o uso do artigo. Observe:
Quero agradecer àqueles que me socorreram. Paula é muito bonita. Laura é minha amiga.
Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai. A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga.
Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes. Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo femi-
Espero aquele rapaz. nino diante de nomes próprios femininos, então podemos escrever
Fiz aquilo que você disse. as frases abaixo das seguintes formas:
Comprei aquela caneta.
Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Roberto.
Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais Entreguei o
A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as Entreguei o cartão à Paula.
cartão ao Roberto.
quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses pronomes exigir
a preposição «a», haverá crase. É possível detectar a ocorrência da 2-) diante de pronome possessivo feminino:
crase nesses casos utilizando a substituição do termo regido femi- Observação: é facultativo o uso da crase diante de pronomes
nino por um termo regido masculino. Por exemplo: possessivos femininos porque é facultativo o uso do artigo. Ob-
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade. serve:
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade.
Minha irmã está esperando
Minha avó tem setenta anos.
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a crase. por você.
Veja outros exemplos: A minha irmã está esperando
A minha avó tem setenta anos.
São normas às quais todos os alunos devem obedecer. por você.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou.
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam res- Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de prono-
ponder nenhuma das questões. mes possessivos femininos, então podemos escrever as frases abai-
A sessão à qual assisti estava vazia. xo das seguintes formas:

Crase com o Pronome Demonstrativo “a” Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo “a” tam-
bém pode ser detectada através da substituição do termo regente Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
feminino por um termo regido masculino. Veja:

Didatismo e Conhecimento 67
LÍNGUA PORTUGUESA
3-) depois da preposição até: Isto apenas vem provar que a leitura é um remédio para a
solidão em que vive cada um de nós neste formigueiro. Claro que
Fui até a praia. ou Fui até à praia.
não me estou referindo a essa vulgar comunicação festiva e efer-
Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o até à porta. vescente.
A palestra vai até as cin- A palestra vai até às cinco Porque o autor escreve, antes de tudo, para expressar-se. Sua
ou comunicação com o leitor decorre unicamente daí. Por afinidades.
co horas da tarde. horas da tarde. É como, na vida, se faz um amigo.
Questões sobre Crase E o sonho do escritor, do poeta, é individualizar cada formiga
num formigueiro, cada ovelha num rebanho − para que sejamos
01.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) No Brasil, as discus- humanos e não uma infinidade de xerox infinitamente reproduzi-
sões sobre drogas parecem limitar-se ______aspectos jurídicos dos uns dos outros.
ou policiais. É como se suas únicas consequências estivessem em Mas acontece que há também autores xerox, que nos invadem
legalismos, tecnicalidades e estatísticas criminais. Raro ler ____ com aqueles seus best- -sellers...
respeito envolvendo questões de saúde pública como programas Será tudo isto uma causa ou um efeito?
de esclarecimento e prevenção, de tratamento para dependentes e Tristes interrogações para se fazerem num mundo que já foi
de reintegração desses____ vida. Quantos de nós sabemos o nome civilizado.
de um médico ou clínica ____quem tentar encaminhar um drogado
da nossa própria família? (Mário Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova
(Ruy Castro, Da nossa própria família. Aguilar, 1. ed., 2005. p. 654)
Folha de S.Paulo, 17.09.2012. Adaptado)

As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respec- Claro que não me estou referindo a essa vulgar comunicação
tivamente, com: festiva e efervescente.
(A) aos … à … a … a O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase se o
(B) aos … a … à … a segmento grifado for substituído por:
(C) a … a … à … à A) leitura apressada e sem profundidade.
B) cada um de nós neste formigueiro.
(D) à … à … à … à
C) exemplo de obras publicadas recentemente.
(E) a … a … a … a
D) uma comunicação festiva e virtual.
E) respeito de autores reconhecidos pelo público.
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013).Leia
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
o texto a seguir.
NESP – 2013). O Instituto Nacional de Administração Prisional
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu
(INAP) também desenvolve atividades lúdicas de apoio______
______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do
ressocialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará-lo
procedimento de Camilo. Vimos que ______ cartomante restituiu-
para o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em liber-
-lhe ______ confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o
dade, ele estará capacitado______ ter uma profissão e uma vida
que fez.
digna.
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio
(Disponível em: www.metropolitana.com.br/blog/qual_e_a_
de Janeiro: Globo, 1997, p. 6)
importancia_da_ressocializacao_de_presos. Acesso em:
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem
18.08.2012. Adaptado)
dada:
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamen-
A) à – a – a
te, as lacunas do texto, de acordo com a norma-padrão da língua
B) a – a – à
portuguesa.
C) à – a – à
A) à … à … à
D) à – à – a
B) a … a … à
E) a – à – à
C) a … à … à
D) à … à ... a
03 “Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas
E) a … à … a
já expostos ___ V. Sª ___ alguns dias”.
a) à - àqueles - a - há
06. O Ministro informou que iria resistir _____ pressões con-
b) a - àqueles - a - há 
trárias _____ modificações relativas _____ aquisição da casa
c) a - aqueles - à - a 
própria.
d) à - àqueles - a - a
a) às - àquelas _ à 
e) a - aqueles - à - há
b) as - aquelas - a 
c) às àquelas - a 
04.(Agente Técnico – FCC – 2013). Leia o texto a seguir.
d) às - aquelas - à 
e) as - àquelas - à
Comunicação
O público ledor (existe mesmo!) é sensorial: quer ter um au-
07. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
tor ao vivo, em carne e osso. Quando este morre, há uma queda
NESP – 2013-adap)
de popularidade em termos de venda. Ou, quando teatrólogo, em
O acento indicativo de crase está corretamente empregado em:
termos de espetáculo. Um exemplo: G. B. Shaw. E, entre nós, o
A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas com as
suave fantasma de Cecília Meireles recém está se materializando,
dificuldades para lidar com as frustrações de seus desejos.
tantos anos depois.

Didatismo e Conhecimento 68
LÍNGUA PORTUGUESA
B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações nos me- GABARITO
canismos biológicos de controle emocional.
01. B 02. A 03. B 04. A 05. D
C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade ali- 06. A 07. E 08. B 09. D 10. C
mentam a violência crescente nas cidades.
E) Um ambiente desfavorável à formação da personalidade
atinge os mais vulneráveis. COMENTÁRIOS

08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). O 1-)


sinal indicativo de crase está correto em: limitar-se _aos _aspectos jurídicos ou policiais.
A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na área de Raro ler __a__respeito(antes de palavra masculina não há crase)
biotecnologia. de reintegração desses_à_ vida.(reintegrar a + a vida = à)
B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à edu- o nome de um médico ou clínica __a_quem tentar encaminhar
cação dos filhos. um drogado da nossa própria família? ( antes de pronome indefi-
C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as ins-
nido/relativo)
talações do prédio.
D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer detalhe
que envolva a segurança das pessoas. 2-) correu _à (= para a ) cartomante para consultá-la sobre
E) É função da política é dedicar-se à todo problema que com- a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que _a__
prometa o bem-estar do cidadão. cartomante (objeto direto)restituiu-lhe ___a___ confiança (objeto
direto), e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez.
09. (Agente Educacional – VUNESP – 2013). Assinale a al-
ternativa em que a sequência da frase a seguir traz o uso correto 3-) “Nesta oportunidade, volto _a_ referir-me àqueles__ pro-
do acento indicativo de crase, de acordo com a norma-padrão da blemas já expostos a _ V. Sª _há_ alguns dias”.
língua portuguesa. - a referir = antes de verbo no infinito não há crase;
Um bom conhecimento de matemática é indispensável
- quem faz referência, faz referência A algo ou A alguém ( a
A) à todo e qualquer estudante.
B) à estudantes de nível superior. regência do verbo pede preposição)
C) à quem pretende carreiras no campo de exatas. - antes de pronome de tratamento não há crase (exceção à
D) à construção do saber nas mais diversas áreas. senhora, que admite artigo);
E) à uma boa formação profissional. - há no sentido de tempo passado.
4-) Claro que não me estou referindo à leitura apressada e
10. (Agente Técnico de Assistência à Saúde – VUNESP – sem profundidade.
2013). Leia a tirinha para responder à questão. a cada um de nós neste formigueiro. (antes de pronome in-
à construção do saber nas mais diversas áreas. definido)
a exemplo de obras publicadas recentemente. (palavra mas-
culina)
a uma comunicação festiva e virtual.(artigo indefinido)
a respeito de autores reconhecidos pelo público.(palavra mas-
culina)

5-) O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP)


também desenvolve atividades lúdicas de apoio___à__ ressocia-
lização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará-lo para o
retorno___à__ sociedade. Dessa forma, quando em liberdade, ele
estará capacitado__a___ ter uma profissão e uma vida digna.
- Apoio a ? Regência nominal pede preposição;
- retorno a? regência nominal pede preposição;
- antes de verbo no infinitivo não há crase.

6-) O Ministro informou que iria resistir _às__ pressões con-


trárias àquelas_ modificações relativas __à_ aquisição da casa
própria.
- resistir a? regência verbal pede preposição;
- contrária a? regência nominal pede preposição;
As lacunas da tirinha devem ser preenchidas, correta e respec- - relativas a? regência nominal pede preposição.
tivamente, com:
7-)
A) à ...a ... à ... à
A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas com as
B) a ...à ... à ... a dificuldades para lidar com as frustrações de seus desejos.(antes de
C) a ...a ... à ... a verbo no infinitivo não há crase)
D) a ...à ... a ... a B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações nos me-
E) a ...a ... à ... à canismos biológicos de controle emocional.(se o “a” está no sin-
gular e antecede palavra no plural, não há crase)

Didatismo e Conhecimento 69
LÍNGUA PORTUGUESA
C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade. (ar-
tigo indefinido) ANOTAÇÕES
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade ali-
mentam a violência crescente nas cidades. (palavra masculina)
E) Um ambiente desfavorável à formação da personalidade
atinge os mais vulneráveis. = correta (regência nominal: desfa-
vorável a?)
—————————————————————————
8-)
A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na área de —————————————————————————
biotecnologia. (artigo indefinido)
B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à edu- —————————————————————————
cação dos filhos. = correta (regência verbal: dedicar a )
C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as insta- —————————————————————————
lações do prédio. (verbo no infinitivo)
D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer detalhe —————————————————————————
que envolva a segurança das pessoas. (pronome indefinido)
E) É função da política é dedicar-se à todo problema que com- —————————————————————————
prometa o bem-estar do cidadão. (pronome indefinido)
—————————————————————————
9-) Um bom conhecimento de matemática é indispensável à —————————————————————————
construção do saber nas mais diversas áreas.
A) à todo e qualquer estudante. (pronome indefinido) —————————————————————————
B) à estudantes de nível superior. (“a” no singular antes de
palavra no plural) —————————————————————————
C) à quem pretende carreiras no campo de exatas. (pronome
indefinido/relativo) —————————————————————————
E) à uma boa formação profissional. (artigo indefinido)
—————————————————————————
10-) —————————————————————————
- a alguns anos - Pronome indefinido
- começar a ir - verbo no infinitivo —————————————————————————
- ir à escola - ir a algum lugar – regência verbal pede prepo-
sição —————————————————————————
- aprender a ler - verbo no infinitivo
—————————————————————————
—————————————————————————
ANOTAÇÕES
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Didatismo e Conhecimento 70
NOÇÕES DE DIREITO
NOÇÕES DE DIREITO
A) A forma de Estado: o Brasil é uma federação, isto é, o re-
Prof. Rafael José Nadim De Lazari sultado da união indissolúvel de Estados-membros, dos Municí-
pios e do Distrito Federal. Inclusive, por força do art. 60, §4º, I,
Doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Cató-
lica de São Paulo - PUC/SP. Mestre-bolsista (CAPES/PROSUP CF, a forma federativa de Estado é cláusula pétrea constitucional-
Modalidade 1) em Direito pelo Centro Universitário “Eurípides mente explícita.
Soares da Rocha”, de Marília/SP - UNIVEM. Advogado e consul- B) A forma de governo: O Brasil é uma república.
tor jurídico. Autor, organizador e participante de inúmeras obras
jurídicas. 1.1.2 Significado de “Estado Democrático de Direito” (art.
1º, caput, CF). Ato contínuo, o mesmo art. 1º, caput, prevê que
esta união indissolúvel dos membros da federação constitui-se
um “Estado Democrático de Direito”, Estado este que representa
2.1 CONSTITUIÇÃO FEDERAL: o resultado de uma revolução histórica, por ser o sucessor, nesta
ARTIGOS 1.º A 5.º, 37 E 144 ordem, dos Estados Liberal e Social.

1.1.3 Significado de “soberania” (art. 1º, I, CF). Significa


poder político, supremo e independente. Soberania, aqui, tem sig-
1 Princípios fundamentais (arts. 1º a 4º, CF). A seguir, há nificado de “soberania nacional”. É totalmente diferente da “sobe-
se estudar os quatro primeiros artigos da Constituição Federal, que rania popular”, de que trata o parágrafo único, do art. 1º, CF, se-
trazem os princípios fundamentais da República Federativa do gundo a qual todo poder emana do povo, que o exerce por meio de
Brasil. Para tanto, convém a análise de cada dispositivo separada- representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição.
mente, para sua melhor compreensão.
1.1.4 Significado de “cidadania” (art. 1º, II, CF). É o direito
1.1 Art. 1º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o de ter direitos. O cidadão, por meio da cidadania, pode contrair
entendimento do leitor: direitos e obrigações.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união 1.1.5 Significado de “dignidade da pessoa humana” (art.
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, cons- 1º, III, CF). A dignidade humana é o elemento mais forte que a
titui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamen-
Constituição Federal consagra a um ser humano, apesar de inde-
tos:
pender desta consagração constitucional para que o ser humano
I - a soberania;
tenha o direito à existência digna.
II - a cidadania;
Consiste a dignidade numa série de fatores que, necessaria-
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; mente devem ser observados para que o homem tenha condições
V - o pluralismo político. de sobrevivência. Não é à toa que a dignidade da pessoa humana
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce tem “status” de sobreprincípio constitucional, isto é, está acima até
por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos des- mesmo dos princípios (é o entendimento que prevalece na doutri-
ta Constituição. na).

Os “princípios fundamentais” da República Federativa do 1.1.6 Significado de “valores sociais do trabalho e da livre
Brasil estão posicionados logo no início da Constituição pátria, iniciativa” (art. 1º, IV, CF). É o reconhecimento de que adotamos
após o preâmbulo constitucional, e antes dos direitos e garantias o capitalismo (iniciativa privada), mas um “capitalismo humanis-
fundamentais. Representam as premissas especiais e majoritárias ta”, isto é, fortemente influenciado pelos valores sociais do traba-
que norteiam todo o ordenamento pátrio, como a dignidade da lho. É exatamente por isso, p. ex., que os arts. 7º e 8º, da Consti-
pessoa humana, o pluralismo político, a prevalência dos direitos tuição Federal, consagram uma série de direitos aos trabalhadores
humanos, a harmonia entre os três Poderes etc. e rurais. É exatamente por isso também, p. ex., que não se pode
Há se tomar cuidado, contudo, para eventuais “pegadinhas” impor pena de trabalhos forçados, que se considera o trabalho es-
de concurso. Se a questão perguntar “quais são os fundamentos da cravo crime, e que se exige que o trabalho deve ser justamente
República Federativa do Brasil”, há se responder aqueles previstos remunerado de acordo com sua complexidade.
no art. 1º, caput, CF. Agora, se a questão perguntar “quais são os
objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil”, há se 1.1.7 Significado de “pluralismo político” (art. 1º, V, CF).
responder aqueles previstos no art. 3º. Por fim, se a questão per- Por ser o Brasil um país cuja identidade é resultante da miscige-
guntar “quais são os princípios seguidos pelo Brasil nas relações nação étnica, religiosa, racial, ideal, o pluralismo político assegura
internacionais”, há se responder aqueles previstos no art. 4º, da Lei que todas estas nuanças sejam devidamente respeitadas, constitu-
Fundamental. am elas ou não uma maioria. É dizer, desta forma, que o pluralismo
político representa o respeito às minorias, também.
1.1.1 Significado de “República Federativa do Brasil” (art.
1º, caput, CF). Com efeito, a expressão “República Federativa do
1.2 Art. 2º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o
Brasil”, usada no art. 1º, caput, CF, revela, dentre outras coisas:
entendimento do leitor:

Didatismo e Conhecimento 1
NOÇÕES DE DIREITO
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos marginalidade, e a redução das desigualdades sociais e regionais
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. (art. 3º, III), e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, idade, cor, e quaisquer outras formas de discri-
São três os Poderes da República, a saber, o Executivo (ou minação (art. 3º, IV).
Administrativo), o Legislativo e o Judiciário, todos independentes
e harmônicos entre si. 1.3.1 Significado da expressão “construir uma sociedade
Por independência, significa que cada Poder pode realizar livre, justa e solidária” (art. 3º, I, CF). A “fraternidade” não é
seus próprios concursos, pode destinar o orçamento da maneira consagrada explicitamente na Constituição, tal como o são a “li-
que lhe convier, pode estruturar seu quadro de cargos e funcioná- berdade” e a “igualdade”, somente se lhe fazendo menção no pre-
rios livremente, pode criar ou suprimir funções, pode gastar ou su- âmbulo constitucional, quando se utiliza a expressão “sociedade
primir despesas de acordo com suas necessidades, dentre inúmeras fraterna”.
outras atribuições. Por “sociedade livre”, se entende a não submissão deste país
Por harmonia, significa que cada Poder deve respeitar a esfera a qualquer força estrangeira (tal como já foi este país colônia de
de atribuição dos outros Poderes. Assim, dentro de suas atribui- Portugal) bem como por qualquer movimento totalitário nacional
ções típicas, ao Judiciário não compete legislar (caso em que esta- (tal como já foi este país vítima do regime militar).
ria invadindo a esfera de atuação típica do Poder Legislativo), ao Por “sociedade justa” há se entender aquela que respeita e que
Executivo não compete julgar, e ao Executivo não compete editar faz ser respeitada, não permitindo atrocidades políticas, abusos
leis (repete-se: em sua esfera de atribuições típica). econômicos, ou violações à dignidade humana.
Essa harmonia, também, pode ser vista no controle que um Por fim, por “sociedade solidária” há se entender a observân-
Poder exerce sobre o outro, na conhecida “Teoria dos Freios e cia ao terceiro vetor da Revolução Francesa, a saber, a “fraternida-
Contrapesos”. de”, representativa da cooperação interna e internacional.
É óbvio que cada Poder tem suas funções atípicas (ex.: em
alguns casos o Judiciário legisla) (ex. 2: em alguns casos o Le- 1.3.2 Significado da expressão “garantir o desenvolvimen-
gislativo julga). Isso não representa óbice, todavia, que a atuação to nacional” (art. 3º, II, CF). Mais à frente se estudará a chamada
funcional de cada Poder corra de maneira independente, desde “terceira geração/dimensão” de direitos fundamentais, ligada ao
que respeitada a harmonia de cada um para com seus “Poderes- valor “fraternidade”, dentro da qual estariam, dentre outros, o di-
-irmãos”, obviamente. reito ao progresso, ao meio ambiente, e o direito de propriedade
sobre o patrimônio comum da humanidade.
1.3 Art. 3º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o Este “desenvolvimento nacional” deve ser entendido em sen-
entendimento do leitor: tido amplo, isto é, para mais que um simples progresso econômi-
co. Engloba, também, o desenvolvimento político, social, cultural,
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Fe- ideal, dentre tantos outros.
derativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 1.3.3 Significado da expressão “erradicar a pobreza e a
II - garantir o desenvolvimento nacional; marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desi- (art. 3º, III, CF). Trata-se de desdobramento da garantia do desen-
gualdades sociais e regionais; volvimento nacional do art. 3º, II, CF.
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, O Brasil é uma nação de diferenças socioeconômicas gritan-
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. tes no que atine à sua população, com a majoritária concentração
de riqueza nas mãos de poucos. Sendo assim, como um processo
Logo no início do estudo dos “princípios fundamentais”, lo- osmótico, do meio mais para o menos concentrado, é preciso que
calizados entre os arts. 1º e 4º, da Constituição, foi dito que os parte dessa riqueza seja transferida aos grupos populacionais mais
“fundamentos da República Federativa do Brasil” não são a mes- carentes.
ma coisa que os “objetivos fundamentais da República Federativa Veja-se que, neste aspecto, o texto constitucional foi feliz em
do Brasil”. seu texto: é preciso “erradicar” a pobreza e a marginalização, mas
Melhor explica-se: por “fundamentos” entende-se aquelas si- “reduzir” as desigualdades sociais e regionais. Ora, bem sabem to-
tuações que já são inerentes ao sistema constitucional pátrio. A dos que sempre haverá discrepâncias sociais e regionais (a concen-
dignidade da pessoa humana, p. ex., não é um objetivo a ser al- tração da produção industrial, p. ex., obviamente se concentra em
cançado num futuro próximo, mas uma exigência prevista para o sua maior parte na região sudeste e em menor parte na região norte
presente. Já os “objetivos fundamentais” são as premissas a que o do país). O que se deve é, apenas, atenuar estas desigualdades.
Brasil se compromete a alcançar o quanto antes em prol da conso- Já a pobreza “é pobreza em qualquer lugar” (com o perdão da
lidação da sua democracia. licença poética), e, portanto, deve ser extirpada deste país.
Graças a este art. 3º, pode-se falar que o Brasil vive à égide de
uma Constituição compromissária, dirigente. O art. 3º nos revela 1.3.4 Significado da expressão “promover o bem de todos,
que temos um caminho a ser percorrido. O art. 3º é a busca pela sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
concretização dos princípios fundamentais do art. 1º. outras formas de discriminação” (art. 3º, IV, CF). Eis o reco-
E, como objetivos fundamentais, se elenca a construção de nhecimento do “pluralismo” como elemento norteador da nação
uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, I), a garantia do de- (o “pluralismo”, como já dito outrora, é muito mais que o simples
senvolvimento nacional (art. 3º, II), a erradicação da pobreza e da conceito de “democracia”).

Didatismo e Conhecimento 2
NOÇÕES DE DIREITO
A promoção do bem de todos deve ser feita sem qualquer di- de conquistas” nem as “guerras preventivas”, tal como é praxe na
ferenciação quanto às posições políticas, religiosas, étnicas, ideais, cultura norte-americana, mas só as “guerras defensivas”, isto é, as
e sociais. guerras de proteção ao território e ao povo brasileiro, ainda que,
para isso, precise lutar fora do espaço territorial pátrio. Em outras
1.4 Art. 4º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o palavras, “guerra defensiva” não significa esperar ser invadido,
entendimento do leitor: como erroneamente se possa pensar.
Para a solução dos conflitos, busca-se a arbitragem internacio-
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas rela- nal, os acordos internacionais, a mediação, o auxílio das Nações
ções internacionais pelos seguintes princípios:
Unidas etc. O belicismo só deve ser utilizado em último caso.
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos; 1.4.5 Significado de “igualdade entre os Estados” (art. 4º,
IV - não intervenção; V, CF). Trata-se de princípio autoexplicativo. O Brasil não reco-
V - igualdade entre os Estados; nhece a existência de Estados “maiores” ou “melhores” que os ou-
VI - defesa da paz; tros tão-somente por seu poderio bélico, econômico, cultural etc.
VII - solução pacífica dos conflitos; Sendo iguais todas as nações, todas podem proteger-se e ser pro-
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; tegidas contra ameaças estrangeiras, tal como o Brasil se autoriza
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humani- a fazer.
dade;
X - concessão de asilo político. 1.4.6 Significado de “solução pacífica dos conflitos” (art.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará 4º, VII, CF). Trata-se de desdobramento dos princípios da “não
a integração econômica, política, social e cultural dos povos da intervenção” e da “defesa da paz” já estudados. Para a solução dos
América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- conflitos, busca-se a arbitragem internacional, os acordos interna-
-americana de nações.
cionais, a mediação, o auxílio das Nações Unidas etc. O belicismo
O art. 4º é a revelação de que vivemos em um “Estado Cons- só deve ser utilizado em último caso.
titucional Cooperativo”, expressão esta utilizada por Peter Häber-
le, defensor de uma concepção culturalista de Constituição. Por 1.4.7 Significado de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”
“Estado Constitucional Cooperativo” se entende um Estado que se (art. 4º, VIII, CF). “Repúdio” tem significado de repulsa, contra-
disponibiliza para outros Estados, que se abre para outros Estados, riedade. “Racismo” é um termo amplo para designar qualquer tipo
mas que exige algum grau de reciprocidade em troca, a bem do de- de discriminação, seja ela de raça ou não.
senvolvimento de um constitucionalismo mundial, ou, ao menos, O Brasil não tem uma tipificação específica para crimes de
ocidental. terrorismo, como o tem para os crimes de racismo. A “Lei de Se-
gurança Nacional” (Lei nº 7.170/83) apenas fala em “atos de terro-
1.4.1 Significado de “independência nacional” (art. 4º, I, rismo” em seu art. 20, sem especificar, contudo, o que seriam estes
CF). É a consequência da “soberania nacional”, constante do art. atos e como puni-los. Por tratar-se de conceito indeterminado, há
1º, I, CF. Afinal, é graças à independência deste país que se autori- se defender que, hoje, o Brasil não pune de forma autônoma o
za a chamá-lo de nação soberana.
crime de terrorismo.
1.4.2 Significado de “prevalência dos direitos humanos”
(art. 4º, II, CF). Os direitos humanos são proteções jurídicas ne- 1.4.8 Significado de “cooperação entre os povos para o
cessárias à concretização da dignidade da pessoa humana. progresso da humanidade” (art. 4º, IX, CF). Um bom exemplo
Em verdade, os direitos fundamentais nada mais são que os da aplicação deste princípio está no parágrafo único, do art. 4º, da
direitos humanos internalizados em Constituições. Constituição Federal, segundo o qual a República Federativa do
Desta forma, tal como os direitos fundamentais devem pre- Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural
valecer no plano interno, também os direitos humanos devem ser dos povos da América Latina, visando à formação de uma comu-
a tônica no plano internacional. Disso infere-se que tanto faria ao nidade latino-americana de nações. Tal objetivo acabou sendo em
constituinte ter consagrado, neste art. 4º, II, CF, a “prevalência dos parte alcançado com a criação do MERCOSUL, ainda não total-
direitos humanos” (como o fez) ou a “prevalência dos direitos fun- mente implementado.
damentais”. O resultado pretendido é o mesmo. Essa ideia de cooperação entre os povos remonta a uma pro-
posta defendida pelo globalismo, de formação de blocos econô-
1.4.3 Significado de “autodeterminação dos povos” (art.
mico-políticos de desenvolvimento recíproco. Some-se a isso o
4º, III, CF). Esse princípio é um “recado” às demais nações. Por
fato de que, o art. 4º, IX, CF, em sua parte final, faz menção ao
tal, o Brasil afirma que não aceita nem adota a prática de que um
povo seja submetido/subordinado a outro. Todos têm direito a um “progresso da humanidade”, o qual é considerado um direito fun-
Estado, para que possam geri-lo, autonomamente, da maneira que damental de terceira dimensão/geração, aliado ao valor “fraterni-
melhor lhes convier. dade”, na abrasileirada classificação de Paulo Bonavides.
Assim, unindo a ideia de fraternidade à de criação de grupos
1.4.4 Significado de “não intervenção” e “defesa da paz” de países (como o MERCOSUL, como a União Europeia etc.),
(art. 4º, IV e VI, CF). A República Federativa do Brasil é um Es- forma-se o princípio de cooperação entre os povos para o progres-
tado não beligerante. Não é uma tendência deste país as “guerras so de cada país e da humanidade.

Didatismo e Conhecimento 3
NOÇÕES DE DIREITO
1.4.9 Significado de “concessão de asilo político” (art. 4º, XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de
X, CF). “Asilo político” é a proteção que um Estado dá a nacionais paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, per-
de outros Estados que estiverem sofrendo perseguições políticas manecer ou dele sair com seus bens;
em razão de sua ideologia, crença, etnia etc. O Estatuto do Estran- XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em
geiro (Lei nº 6.815/80) regula a condição do asilado. Em seu art. locais abertos ao público, independentemente de autorização, des-
28, se afirma que o estrangeiro admitido no território nacional na de que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para
condição de asilado político ficará sujeito, além dos deveres que o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade
lhe forem impostos pelo direito internacional, a cumprir as dispo- competente;
sições da legislação vigente e as que o Governo brasileiro lhe fixar. XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, ve-
dada a de caráter paramilitar;
2 Direitos e deveres individuais e coletivos (art. 5º, CF). A XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de coo-
seguir, das quatro espécies de direitos e garantias fundamentais perativas independem de autorização, sendo vedada a interferência
previstas na Constituição Federal (direitos e deveres individuais estatal em seu funcionamento;
e coletivos, direitos sociais, direitos da nacionalidade, e direitos XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissol-
políticos), o edital em lume somente sobre a primeira espécie, ex- vidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigin-
pressamente prevista no art. 5º, CF, dispositivo o qual convém a do-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a per-
seguir reproduzir:
manecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente auto-
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qual-
rizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou
quer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros re- extrajudicialmente;
sidentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à XXII - é garantido o direito de propriedade;
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação
termos desta Constituição; por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, me-
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma diante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos
coisa senão em virtude de lei; previstos nesta Constituição;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desu- XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade com-
mano ou degradante; petente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao pro-
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o prietário indenização ulterior, se houver dano;
anonimato; XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei,
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para
além da indenização por dano material, moral ou à imagem; pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dis-
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo pondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização,
forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdei-
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistên- ros pelo tempo que a lei fixar;
cia religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a desportivas;
cumprir prestação alternativa, fixada em lei; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, cien- obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos in-
térpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
tífica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano
criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de em-
material ou moral decorrente de sua violação; presas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse so-
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela po- cial e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
dendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de XXX - é garantido o direito de herança;
flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País
dia, por determinação judicial; será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunica- filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei
ções telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, pessoal do “de cujus”;
no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução consumidor;
processual penal; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos in-
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profis- formações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou
são, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de respon-
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguar- sabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
dado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; segurança da sociedade e do Estado;

Didatismo e Conhecimento 4
NOÇÕES DE DIREITO
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pa- LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado,
gamento de taxas: em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de di- comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e
reitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; drogas afins, na forma da lei;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defe- LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime
sa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; político ou de opinião;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela
lesão ou ameaça a direito; autoridade competente;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurí- LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
dico perfeito e a coisa julgada; o devido processo legal;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo,
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organi- e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
zação que lhe der a lei, assegurados: defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
a) a plenitude de defesa;
meios ilícitos;
b) o sigilo das votações;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em
c) a soberania dos veredictos;
julgado de sentença penal condenatória;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra LVIII - o civilmente identificado não será submetido à identi-
a vida; ficação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública,
sem prévia cominação legal; se esta não for intentada no prazo legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processu-
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos di- ais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
reitos e liberdades fundamentais; LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e im- ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competen-
prescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; te, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis militar, definidos em lei;
de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entor- LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre
pecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família
hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os do preso ou à pessoa por ele indicada;
que, podendo evitá-los, se omitirem; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da fa-
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional mília e de advogado;
e o Estado Democrático; LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, poden- por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
do a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela auto-
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles ridade judiciária;
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
entre outras, as seguintes: LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do respon-
a) privação ou restrição da liberdade; sável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação
alimentícia e a do depositário infiel;
b) perda de bens;
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém so-
c) multa;
frer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua
d) prestação social alternativa;
liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
e) suspensão ou interdição de direitos; LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger
XLVII - não haverá penas: direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for
art. 84, XIX; autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
b) de caráter perpétuo; atribuições do Poder Público;
c) de trabalhos forçados; LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado
d) de banimento; por:
e) cruéis; a) partido político com representação no Congresso Nacional;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, b) organização sindical, entidade de classe ou associação le-
de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; galmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano,
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
e moral; LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que pos- falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos di-
sam permanecer com seus filhos durante o período de amamenta- reitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
ção; nacionalidade, à soberania e à cidadania;

Didatismo e Conhecimento 5
NOÇÕES DE DIREITO
LXXII - conceder-se-á habeas data: B) Algumas questões práticas sobre o direito à vida. Como
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à fica o caso das Testemunhas de Jeová, que não admitem receber
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados transfusão de sangue? Como fica a questão do conflito entre o di-
de entidades governamentais ou de caráter público; reito à vida e a liberdade religiosa? O entendimento prevalente é o
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo de que o direito à vida deve prevalecer sobre a liberdade religiosa.
por processo sigiloso, judicial ou administrativo; E o caso da eutanásia/ortotanásia? São escassas as decisões
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação judiciais admitindo o “direito de morrer”, condicionando isso ao
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de elevado grau de sofrimento de quem pede, bem como a impossibi-
entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, lidade de recuperação deste. Há se lembrar que, tal como o direito
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o de permanecer vivo, o direito à vida também engloba o direito de
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus viver com dignidade, e conviver com o sofrimento físico é um
da sucumbência; profundo golpe a esta dignidade do agente.
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gra- E a legalização do aborto? Também há grande celeuma em
tuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; torno da questão. Quem se põe favoravelmente ao aborto o faz
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, com base no direito à privacidade e à intimidade, de modo que não
assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; caberia ao Estado obrigar uma pessoa a ter seu filho. Quem se põe
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na de maneira contrária ao aborto, contudo, o faz com base na vida do
forma da lei: feto que se está dando fim com o procedimento abortivo.
a) o registro civil de nascimento; E a hipótese de fetos anencéfalos? O Supremo Tribunal Fe-
b) a certidão de óbito; deral decidiu pela possibilidade de extirpação do feto anencefá-
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas lico do ventre materno, sem que isso configure o crime de aborto
data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cida- previsto no Código Penal. Isto posto, em entendendo que o feto
dania; anencefálico tem vida, agora são três as hipóteses de aborto: em
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são caso de estupro, em caso de risco à vida da gestante, e em caso de
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garan- feto anencefálico. Por outro lado, em entendendo que o feto anen-
cefálico não tem vida, não haverá crime de aborto por se tratar de
tam a celeridade de sua tramitação.
crime impossível, afinal, para que haja o delito é necessário que o
§1º. As normas definidoras dos direitos e garantias fundamen-
feto esteja vivo. De toda maneira, qualquer que seja o entendimen-
tais têm aplicação imediata.
to adotado, agora é possível tal hipótese, independentemente de
§2º. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não
autorização judicial.
excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela ado-
tados, ou dos tratados internacionais em que a República Federati-
2.2 Direito à liberdade. O direito à liberdade, consagrado no
va do Brasil seja parte.
caput do art. 5º, CF, é genericamente previsto no segundo inciso
§3º. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos do mesmo artigo, quando se afirma que ninguém será obrigado a
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Na- fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Tal
cional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos dispositivo representa a consagração da autonomia privada.
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. Trata-se a liberdade, contudo, de direito amplíssimo, por
§4º. O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Inter- compreender, dentre outros, a liberdade de opinião, a liberdade de
nacional a cuja criação tenha manifestado adesão. pensamento, a liberdade de locomoção, a liberdade de consciência
e crença, a liberdade de reunião, a liberdade de associação, e a
2.1 Direito à vida. O art. 5º, caput, da Constituição Federal, liberdade de expressão.
dispõe que o direito à vida é inviolável. Dividamos em subtópicos: Dividamos em subtópicos:
A) Acepções do direito à vida. São duas as acepções deste A) Liberdade de consciência, de crença e de culto. O art. 5º,
direito à vida, a saber, o direito de permanecer vivo (ex.: o Brasil VI, da Constituição Federal, prevê que é inviolável a liberdade de
veda a pena de morte, salvo em caso de guerra declarada pelo Pre- consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
sidente da República em resposta à agressão estrangeira, conforme cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais
o art. 5º, XLVII, “a” c.c. art. 84, XIX, CF), e o direito de viver com de culto e a suas liturgias. Ademais, o inciso VIII, do art. 5º, dispõe
dignidade (ex.: conforme o art. 5º, III, CF, ninguém será subme- que é assegurada, nos termos de lei, a prestação de assistência reli-
tido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante) (ex. 2: giosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.
consoante o art. 5º, XLV, CF, nenhuma pena passará da pessoa do Há se ressaltar, preliminarmente, que a “consciência” é mais
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação algo amplo que “crença”. A “crença” tem aspecto essencialmente
do perdimento de bens ser, nos termos de lei, estendidas aos suces- religioso, enquanto a “consciência” abrange até mesmo a ausência
sores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio de uma crença.
transferido) (ex. 3: são absolutamente vedadas neste ordenamento Isto posto, o “culto” é a forma de exteriorização da crença.
constitucional penas de caráter perpétuo, de banimento, cruéis, e O culto se realiza em templos ou em locais públicos (desde que
de trabalhos forçados) (ex. 4: a pena será cumprida em estabeleci- atenda à ordem pública e não desrespeite terceiros).
mentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o O Brasil não adota qualquer religião oficial, como a República
sexo do apenado, conforme o inciso XLVIII, do art. 5º, CF) (ex. 5: Islâmica do Irã, p. ex. Em outros tempos, o Brasil já foi uma nação
pelo art. 5º, XLIX, é assegurado aos presos o respeito à integridade oficialmente católica. Com a Lei Fundamental de 1988, o seu art.
física e moral); 19 vedou o estabelecimento de religiões oficiais pelo Estado.

Didatismo e Conhecimento 6
NOÇÕES DE DIREITO
O que é a “escusa de consciência”? Está prevista no art. 5º, tizados; das atividades artísticas, que representam o incentivo à
VIII, da Constituição, segundo o qual ninguém será privado de cena cultural, sem que músicas, livros, obras de arte e espetáculos
direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica teatrais, por exemplo, sejam objeto de censura prévia, como houve
ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a no passado recente do país; das atividades científicas, aqui enten-
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada didas como o direito à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico;
em lei. e da comunicação, termo abrangente, se considerada a imprensa, a
Enfim, a escusa de consciência representa a possibilidade que televisão, o rádio, a telefonia, a internet, a transferência de dados
a pessoa tem de alegar algum imperativo filosófico/religioso/polí- etc.;
tico para se eximir de alguma obrigação, cumprindo, em contra- F) Liberdade de informação. É assegurado a todos o acesso à
partida, uma prestação alternativa fixada em lei. informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
A prestação alternativa não tem qualquer cunho sancionatório. exercício profissional (art. 5º, XIV, CF).
É apenas uma forma de se respeitar a convicção de alguém. Tal liberdade engloba tanto o direito de informar (prerrogativa
E se não houver prestação alternativa fixada em lei, fica in- de transmitir informações pelos meios de comunicação), como o
direito de ser informado.
viabilizada a escusa de consciência? Não, a possibilidade é ampla.
Vale lembrar, inclusive, que conforme o art. 5º, XXXIII, da
Mesmo se a lei não existir, a pessoa poderá alegar o imperativo
Constituição, todos têm direito a receber dos órgãos públicos in-
de consciência, independentemente de qualquer contraprestação.
formações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou
E se a pessoa se recusa a cumprir, também, a prestação alter- geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de respon-
nativa? Ficará com seus direitos políticos suspensos (há quem diga sabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à
que seja hipótese de perda dos direitos políticos, na verdade), por segurança da sociedade e do Estado;
força do que prevê o art. 15, IV, da Constituição Federal. G) Liberdade de reunião e de associação. Pelo art. 5º, XVI,
B) Liberdade de locomoção. Consoante o inciso XV, do art. CF, todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais
5º, da Lei Fundamental, é livre a locomoção no território nacional abertos ao público, independentemente de autorização, desde que
em tempos de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos de lei não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mes-
(essa lei é a de nº 6.815 - Estatuto do Estrangeiro), nele entrar, mo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade compe-
permanecer ou dele sair com seus bens. tente. Eis a liberdade de reunião.
Isso nada mais representa que a “liberdade de ir e vir”; Já pelo art. 5º, XVII, CF, é plena a liberdade de associação
C) Liberdade da manifestação do pensamento. Conforme o para fins lícitos, sendo vedado que associações tenham caráter pa-
art. 5º, IV, da Constituição pátria, é livre a manifestação do pensa- ramilitar. Eis a liberdade de associação.
mento, sendo vedado o anonimato. Por outro lado, o inciso subse- O que diferencia a “reunião” da “associação”, basicamente, é
quente a este assegura o direito de resposta, proporcional ao agra- o espaço temporal em que existem. As reuniões são temporárias,
vo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem. para fins específicos (ex.: protesto contra a legalização das drogas).
Veja-se, pois, que a Constituição protege a “manifestação” do Já as associações são permanentes, ou, ao menos, duram por mais
pensamento, isto é, sua exteriorização, já que o “pensamento em tempo que as reuniões (ex.: associação dos plantadores de tomate).
si” já é livre por sua própria natureza de atributo inerente ao ho- Ademais, a criação de associações independe de lei, sendo ve-
mem. dada a interferência estatal em seu funcionamento (art. 5º, XVIII,
Ademais, a vedação ao anonimato existe justamente para per- CF). As associações poderão ter suas atividades suspensas (para
mitir a responsabilização quando houver uma manifestação abusi- isso não se exige decisão judicial transitada em julgado), ou pode-
va do pensamento; rão ser dissolvidas (para isso se exige decisão judicial transitada
D) Liberdade de profissão. É livre o exercício de qualquer tra- em julgado) (art. 5º, XIX, CF). Ninguém poderá ser compelido
balho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais a associar-se ou manter-se associado, contudo (art. 5º, XX, CF).
Também, o art. 5º, XXI, da CF, estabelece a possibilidade de
que a lei estabelecer (art. 5º, XIII, CF).
representação processual dos associados pelas entidades associati-
Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, seguindo
vas. Trata-se de verdadeira representação processual (não é substi-
a tradicional classificação de José Afonso da Silva, pois o exer-
tuição), que depende de autorização expressão dos associados nes-
cício de qualquer trabalho é livre embora a lei possa estabelecer se sentido, que pode ser dada em assembleia ou mediante previsão
restrições. É o caso do exercício da advocacia, p. ex., condicionado genérica no Estatuto.
à prévia composição dos quadros da Ordem dos Advogados do
Brasil por meio de exame de admissão. 2.3 Direito à igualdade. Um dos mais importantes direitos
Tal liberdade representa tanto o exercício de qualquer profis- fundamentais, convém dividi-lo em subtópicos para melhor aná-
são como a escolha de qualquer profissão; lise:
E) Liberdade de expressão. Trata-se de liberdade amplíssima. A) Igualdade formal e material. A igualdade deve ser anali-
Conforme o nono inciso, do art. 5º, da Lei Fundamental, é livre a sada tanto em seu prisma formal, como em seu enfoque material.
expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comu- Sob enfoque formal, a igualdade consiste em tratar a todos
nicação, independentemente de censura ou licença. igualmente (ex.: para os maiores de dezesseis anos e menores de
Tal dispositivo é a consagração do direito à manifestação do dezoito anos, o voto é facultativo. Todos que se situam nesta faixa
pensamento, ao estabelecer meios que deem efetividade a tal direi- etária têm o direito ao voto, embora ele seja facultativo).
to, afinal, o rol exemplificativo de meios de expressão previstos no Ademais, neste enfoque formal, a igualdade pode ser na lei
mencionado inciso trata das atividades intelectuais, melhor com- (normas jurídicas não podem fazer distinções que não sejam auto-
preendidas como o direito à elaboração de raciocínios independen- rizadas pela Constituição), bem como perante a lei (a lei deve ser
tes de modelos preexistentes, impostos ou negativamente dogma- aplicada igualmente a todos, mesmo que isso crie desigualdade).

Didatismo e Conhecimento 7
NOÇÕES DE DIREITO
Já sob enfoque material, a igualdade consiste em tratar de for- gurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5º,
ma desigual os desiguais (ex: o voto é facultativo para os analfabe- XXV, CF); e no caso de vigência de estado de sítio, decretado em
tos. Todavia, os analfabetos não podem ser votados. A alfabetiza- caso de comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de
ção é uma condição de elegibilidade. Significa que, se o indivíduo fatos que comprovem a ineficácia da medida tomada durante o es-
souber ler e escrever, poderá ser votado. Se não, há óbice constitu- tado de defesa, é possível a requisição de bens (art. 139, VII, CF).
cional a que ocupe cargo eletivo); Na requisição civil não há transferência de propriedade. Há
B) Igualdade de gênero. A CF é expressa, em seu art. 5º, I: apenas uso ou ocupação temporários da propriedade particular.
homens e mulheres são iguais nos termos da Constituição Federal. Trata-se de ocupação emergencial, de modo que só caberá indeni-
Isso significa que a CF pode fixar distinções, como o faz quan- zação posterior, e, ainda, se houver dano.
to aos requisitos para aposentadoria, quanto à licença-gestante, e A requisição militar também é emergencial. Também só have-
quanto ao serviço militar obrigatório apenas para os indivíduos do rá indenização posterior, diante de dano;
sexo masculino, p. ex. Quanto à legislação infraconstitucional, é D) Desapropriação da propriedade. Prevista no art. 5º, XXIV,
possível fixar distinções, desde que isso seja feito em consonân- da CF, é cabível em três casos: necessidade pública; utilidade pú-
cia com a Constituição Federal, isto é, sem excedê-la ou for-lhe blica; e interesse social.
insuficiente. Na desapropriação, dá-se retirada compulsória da propriedade
do particular.
2.4 Direito à segurança. A segurança é tratada tanto no caput Se em razão de interesse social, exige-se indenização em di-
do art. 5º, como no caput do art. 6º, ambos da Constituição Federal. nheiro justa e prévia, como regra geral.
No caput do art. 6º, se refere à segurança pública, que será E, nos casos de necessidade e utilidade pública, o particular
estudada quando da análise dos direitos sociais. A segurança a que não tem culpa alguma. Trata-se, meramente, de situação de pre-
se refere o caput do art. 5º é a segurança jurídica, que impõe aos valência do interesse público sobre o interesse privado. A inde-
Poderes públicos o respeito à estabilidade das relações jurídicas já nização, como regra geral, também deve ser prévia, justa, e em
constituídas. dinheiro.
Engloba-se, pois, o direito adquirido (o direito já se incorpo- Ainda, no caso de desapropriação por interesse social, pode
rou a seu titular), o ato jurídico perfeito (há se preservar a mani- ocorrer a chamada “desapropriação sanção”, pelo desatendimento
festação de vontade de quem editou algum ato, desde que ele não da função social da propriedade. Nesse caso, diante da “culpa”
atente contra a lei, a moral e os bons costumes), e a coisa julgada do proprietário, a indenização será prévia, justa, porém não será
(é a imutabilidade de uma decisão que impede que a mesma ques- em dinheiro, mas sim em títulos públicos. Com efeito, são duas
tão seja debatida pela via processual novamente), consagrados to- as hipóteses de desapropriação-sanção: desapropriação-sanção de
dos no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal. imóvel urbano, prevista no art. 182, §4º, III, CF (o pagamento é
feito em títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez
2.5 Direito de propriedade. Conforme o art. 5º, caput e anos); desapropriação-sanção de imóvel rural, prevista no art. 184,
inciso XXII, da Constituição Federal, é assegurado o direito de CF (ela é feita para fins de reforma agrária, e o pagamento é feito
propriedade. Há limitações, contudo, a tal direito, como a função em títulos da dívida agrária, com prazo de resgate de até vinte
social da propriedade. Para melhor compreender tal instituto fun- anos, contados a partir do segundo ano de sua emissão);
damental, pois, há se dividi-lo em temas específicos: E) Confisco da propriedade. O confisco está previsto no art.
A) Função social da propriedade. A função social, consa- 243 da CF. Também é hipótese de transferência compulsória da
grada no art. 5º, XXIII, CF, não é apenas um limite ao direito de propriedade, como a desapropriação. Mas, dela se distingue por-
propriedade, mas, sim, faz parte da própria estrutura deste direito. que no confisco não há pagamento de qualquer indenização.
“Trocando em miúdos”, só há direito de propriedade se atendida Isto posto, são duas as hipóteses de confisco: as glebas de
sua função social (há, minoritariamente, quem pense o contrário). qualquer região do país onde forem localizadas culturas ilegais de
Aliás, é esta função social da propriedade que assegura que a plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especifi-
pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que traba- camente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de
lhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indeniza-
débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre ção ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em
os meios de financiar o seu desenvolvimento (art. 5º, XXVI, CF); lei (art. 243, caput, CF); bem como todo e qualquer bem de valor
B) Inviolabilidade do domicílio. A Constituição Federal asse- econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entor-
gura, em seu art. 5º, XI, que a casa é asilo inviolável do indivíduo, pecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, instituições e pessoal especializado no tratamento e recuperação
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar so- de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscali-
corro, ou, durante o dia, por determinação judicial. zação, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas
Veja-se que, em caso de flagrante delito, para prestar socorro, substâncias (art. 243, parágrafo único, CF);
ou evitar desastre, na casa se pode entrar a qualquer hora do dia. F) Usucapião da propriedade (aquelas previstas na Constitui-
Se houver necessidade de determinação judicial, a entrada na re- ção). Há duas previsões constitucionais acerca de usucapião, em
sidência, salvo consentimento do morador, somente pode ser feita que o prazo para aquisição da propriedade é reduzido: usucapião
durante o dia; urbano (aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos
C) Requisição da propriedade. A Constituição Federal prevê e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente
duas hipóteses de requisição: no caso de iminente perigo público, a e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família,
autoridade competente poderá usar de propriedade particular, asse- adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro

Didatismo e Conhecimento 8
NOÇÕES DE DIREITO
imóvel urbano ou rural, conforme o art. 183, caput, da CF); e usu- B) Honra. O direito à honra almeja tutelar o conjunto de atri-
capião rural (aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural butos pertinentes à reputação do cidadão sujeito de direitos. Exata-
ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem mente por isso o Código Penal prevê os chamados “crimes contra
oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta a honra”.
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família,
tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade, consoante o 2.7 Direitos de acesso à justiça. São vários os desdobramen-
art. 191, caput, da CF). tos desta garantia:
Não custa chamar a atenção, veja-se, que as hipóteses consti- A) Defesa do consumidor. Conforme o inciso XXXII, do art.
tucionais também exigem os requisitos tradicionais da usucapião, 5º, da Constituição, o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa
a saber, a posse mansa e pacífica, a posse ininterrupta, e a posse do consumidor. Tal lei existe, e foi editada em 1990. É a Lei nº
não-precária. 8.078 - Código de Defesa do Consumidor;
Não custa lembrar, por fim, que imóveis públicos não podem B) Inafastabilidade do Poder Judiciário. A lei não excluirá da
ser adquiridos por usucapião; apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito (art. 5º,
G) Propriedade intelectual. A Constituição protege a proprie- XXXV, CF). Junte-se a isso o fato de que os juízes não podem se
furtar de decidir (proibição do “non liquet”). Isso tanto é verdade
dade intelectual como direito fundamental.
que, na ausência de lei, ou quando esta for omissa, o juiz decidirá
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publi-
o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios ge-
cação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros rais de direito (art. 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito
pelo tempo que a lei fixar (art. 5º, XXVII, CF). Brasileiro);
São assegurados, nos termos de lei, a proteção às participa- C) Direito de petição e direito de certidão. São a todos asse-
ções individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e gurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito de
voz humanas, inclusive nas atividades esportivas (art. 5º, XXVIII, petição aos Poderes públicos em defesa de direitos ou contra ile-
“a”, CF), bem como direito de fiscalização do aproveitamento galidade ou abuso de poder (art. 5º, XXXIV, “a”, CF), bem como
econômico das obras que criarem ou de que participarem (art. 5º, a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de
XXVIII, “b”, CF). direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5º,
A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio XXXIV, “b”, CF);
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações in- D) Direito ao juiz natural. A Constituição veda, em seu art.
dustriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a ou- 5º, XXXVII, a criação de juízos ou tribunais de exceção. Desta
tros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desen- maneira, todos devem ser processados e julgados por autoridade
volvimento tecnológico e econômico do país (art. 5º, XXIX, CF); judicial previamente estabelecida e constitucionalmente investida
H) Direito de herança. Tal direito está previsto, de maneira em seu ofício. Não é possível a criação de um tribunal de julga-
pioneira, no trigésimo inciso, do art. 5º, CF. Nas outras Constitui- mento após a prática do fato tão somente para apreciá-lo.
ções, ele era apenas deduzido do direito de propriedade. Em mesmo sentido, o art. 5º, LIII, CF prevê que ninguém será
Ademais, a sucessão de bens de estrangeiros situados no país processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos E) Direito ao tribunal do júri. Ao tribunal do júri compete
filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, salvo se tiver o
pessoal do “de cujus” (art. 5º, XXXI, CF). agente prerrogativa de foro assegurada na Constituição Federal,
caso em que esta prerrogativa prevalecerá sobre o júri (é o caso
2.6 Direito à privacidade. Para o estudo do Direito Constitu- do Prefeito Municipal, p. ex., que será julgado pelo Tribunal de
cional, a privacidade é o gênero, do qual são espécies a intimidade, Justiça, pelo Tribunal Regional Federal ou pelo Tribunal Regional
a honra, a vida privada e a imagem. Neste sentido, o inciso X, do Eleitoral a depender da natureza do delito perpetrado).
Ademais, além da competência para crimes dolosos contra a
art. 5º, da Constituição, prevê que são invioláveis a intimidade, a
vida, norteiam o júri a plenitude de defesa (que é mais que a ampla
vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direi-
defesa), o sigilo das votações, e a soberania dos veredictos;
to à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua F) Direito ao devido processo legal. Ninguém será privado
violação: da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º,
A) Intimidade, vida privada e publicidade (imagem). Pela LIV). Em verdade, o termo correto é “devido procedimento legal”,
“Teoria das Esferas”, importada do direito alemão, quanto mais pois todo processo, para ser processo, deve ser legal. O que pode
próxima do indivíduo, maior a proteção a ser conferida à esfera ser legal ou ilegal é o “procedimento”.
(as esferas são representadas pela intimidade, pela vida privada, e Ademais, há se lembrar que também na esfera administrativa
pela publicidade). (e não só na judicial) o direito ao procedimento é devido.
Desta maneira, a intimidade merece maior proteção. São Por fim, insere-se na cláusula do devido processo legal o direi-
questões de foro personalíssimo de seu detentor, não competindo a to ao duplo grau de jurisdição, consistente na possibilidade de que
terceiros invadir este universo íntimo. as decisões emanadas sejam revistas por outra autoridade também
Já a vida privada merece proteção intermediária. São questões constitucionalmente investida;
que apenas dizem respeito a seu detentor, desde que realizadas em G) Direito ao contraditório e à ampla defesa. “Contraditório”
ambiente íntimo. Se momentos da vida privada são expostos ao e “ampla defesa” não são a mesma coisa, se entendendo pelo pri-
público, pouco pode fazer a proteção legal que não resguardar a meiro o direito vigente a ambas as partes de serem informadas dos
honra e a imagem do indivíduo. atos processuais praticados, e pelo segundo o direito do acusado
Por fim, na publicidade a proteção é mínima. Compete à pro- de se defender das imputações que lhe são feitas. Assim, enquanto
teção legal apenas resguardar a honra do indivíduo, já que o ato é o contraditório vale para ambas as partes, a ampla defesa só vale
público; para o acusado.

Didatismo e Conhecimento 9
NOÇÕES DE DIREITO
O contraditório e a ampla defesa vigem tanto para o procedi- A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça
mento judicial como para o administrativo. Neste sentido, o art. 5º, ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e
LV, CF prevê que aos litigantes, em processo judicial ou adminis- drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
trativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, poden-
a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; do evitá-los, se omitirem (art. 5º, XLIII, CF).
H) Inadmissibilidade de provas ilícitas. São inadmissíveis no Por fim, constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de
processo tanto as provas obtidas ilicitamente (quanto contrárias à grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e
Constituição) como as obtidas ilegitimamente (quando contrários o Estado Democrático (art. 5º, XLIV, CF);
aos procedimentos estabelecidos pela lei processual). Prova “ilíci- E) Direitos relacionados a prisões. Em regra, toda prisão deve
ta” e “ilegítima” são espécies do gênero “prova ilegal”. ser determinada pela autoridade judicial, mediante ordem escrita e
O art. 5º, LVI, CF diz “menos do que queria dizer”, por se fundamentada, salvo se em caso de flagrante delito (art. 5º, LXI,
referir apenas às provas ilícitas; CF).
I) Direito à ação penal privada subsidiária da pública. O titu- Ato contínuo, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se
lar da ação penal pública é o Ministério Público, e a ele compete, encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e
pois, manejar esta espécie de ação penal. Se isto não for feito por à família do preso ou à pessoa por ele indicada (art. 5º, LXII, CF).
pura desídia do órgão ministerial, é possível o manejo de ação pe- Nada obstante, o preso será informado de seus direitos, dentre
nal privada subsidiária da pública pela vítima (art. 5º, LIX, CF); os quais o de permanecer calado (direito a não autoincriminação),
J) Direito à publicidade dos atos processuais. Todos os atos sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado (art.
processuais serão públicos (art. 5º, LX, CF) e as decisões deverão 5º, LXIII, CF).
ser devidamente fundamentadas (art. 93, IX, CF). É possível impor O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua
o sigilo processual se o interesse público ou motivo de força maior prisão ou por seu interrogatório policial (art. 5º, LXIV, CF), valen-
assim indicar; do lembrar que toda prisão ilegal será imediatamente relaxada pela
K) Direito à assistência judiciária. O Estado prestará assistên- autoridade judicial (art. 5º, LXV, CF).
cia jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência Ademais, ninguém será levado à prisão ou nela mantido quan-
de recursos (art. 5º, LXXIV, CF). À Defensoria Pública competirá do a lei admitir a liberdade provisória com ou sem fiança (art. 5,
tal função, nos moldes do art. 134, caput, da Constituição Federal. LXVI, CF).
Ademais, são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na Por fim, às presidiárias serão asseguradas condições para que
forma da lei, o registro civil de nascimento (art. 5º, LXXVI, “a”, possam permanecer com seus filhos durante o período de amamen-
CF) e a certidão de óbito (art. 5º, LXXVI, “b”, CF); tação (art. 5º, L, CF);
L) Direito à duração razoável do processo. Trata-se de inciso F) Penas admitidas e vedadas pelo ordenamento pátrio. São
acrescido à Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº admitidas as penas de privação ou restrição de liberdade, perda de
45/2004. bens, multa, prestação social alternativa, bem como suspensão ou
Objetiva-se fazer cessar as pelejas judiciais infindáveis. Para interdição de direitos.
se aferir a duração razoável do processo, é preciso analisar o grau Por outro lado, não haverá penas de morte (salvo em caso de
de complexidade da causa, a disposição das partes no resultado da guerra declarada pelo Presidente da República contra nação estran-
demanda, e a atividade jurisdicional que caminhe no sentido de geira), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e
prezar ou não por um fim célere (mas com qualidade). cruéis. Eis o teor do inciso XLVI, do art. 5º, da Magna Carta pátria;
G) Uso de algemas. Consoante a Súmula Vinculante nº 11,
2.8 Direitos constitucionais-penais. Vejamos: só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado
A) Princípio da legalidade. Não há crime sem lei anterior que receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia,
o defina, nem pena sem prévia cominação legal (art. 5º, XXXIX, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade
CF). Ademais, a lei penal somente retroagirá se para beneficiar o por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal
acusado (art. 5º, XL, CF); do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato pro-
B) Princípio da pessoalidade das penas. Nenhuma pena pas- cessual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do
sará da pessoa do condenado (apenas a obrigação de reparar o Estado;
dano e a decretação do perdimento de bens podem passar da pes- H) Sigilosidade do inquérito policial para o defensor do acu-
soa do condenado, se estendendo aos seus sucessores até o limite sado. De acordo com o art. 20, do Código de Processo Penal, a
do patrimônio transferido). Eis o teor inciso XLV, do art. 5º, da Lei autoridade policial assegurará no inquérito o sigilo necessário à
Fundamental pátria; elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Mas,
C) Princípio da presunção de inocência (ou presunção de não esse sigilo não é absoluto, pois, em verdade, tem acesso aos autos
culpabilidade). Ninguém será considerado culpado até o trânsito do inquérito o juiz, o promotor de justiça, e a autoridade policial,
em julgado de sentença penal condenatória (art. 5º, LVII, CF). As- e, ainda, de acordo com o art. 5º, LXIII, CF, com o art. 7º, XIV, da
sim, enquanto for possível algum recurso, a presunção do acusado Lei nº 8.906/94 (“Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil”), e
é de inocência. com a Súmula Vinculante nº 14, o advogado tem acesso aos atos já
Isso não represente um óbice à imposição de prisões processu- documentados nos autos, independentemente de procuração, para
ais/medidas cautelares diversas da prisão, todavia; assegurar direito de assistência do preso e investigado.
D) Crimes previstos na Constituição. A prática do racismo Desta forma, veja-se, o acesso do advogado não é amplo e
constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de re- irrestrito. Seu acesso é apenas às informações já introduzidas nos
clusão, nos termos da lei (art. 5º, XLVV). autos, mas não em relação às diligências em andamento.

Didatismo e Conhecimento 10
NOÇÕES DE DIREITO
Caso o delegado não permita o acesso do advogado aos atos G) Competência para apreciação. A competência é determi-
já documentados, é cabível reclamação ao STF para ter acesso às nada de acordo com a autoridade coatora. Assim, se esta for um
informações (por desrespeito a teor de Súmula Vinculante), habe- Delegado de Polícia, o “writ” será endereçado ao juiz de primeiro
as corpus em nome de seu cliente, ou o meio mais rápido que é o grau; se for o juiz de primeira instância, endereça-se ao tribunal
mandado de segurança em nome do próprio advogado, já que a a que é vinculado; se for o promotor de justiça, para um primeiro
prerrogativa violada de ter acesso aos autos é dele. entendimento endereça-se ao juiz de primeira instância e para um
segundo entendimento endereça-se ao tribunal respectivo equipa-
2.9 Habeas corpus. Vejamos o primeiro dos chamados “remé- rando, pois, a autoridade ministerial ao magistrado de primeiro
dios constitucionais”: grau; se a autoridade coatora for o juiz do JECRIM, competente
A) Surgimento. A Magna Carta inglesa, de 1215, foi o primei- para apreciar o remédio será a turma recursal.
ro documento a prevê-lo, enquanto o “Habeas Corpus Act”, de Vale lembrar, ainda, que o STF (arts. 102, I, “d”, “i” e 102, II,
1679, procedimentalizou-o pela primeira vez. No Brasil, o Código “a”, CF) e o STJ (arts. 105, I, “c” e 105, II, “a”, CF) também têm
de Processo Penal do Império, de 1832, trouxe-o para este orde- competência para apreciar habeas corpus.
namento, enquanto a primeira Constituição Republicana, de 1891, H) Procedimento. O procedimento está previsto no Código de
foi a primeira Lei Fundamental pátria a consagrar o instituto (é da Processo Penal, entre seus arts. 647 e 667;
época da Lei Fundamental a chamada “Doutrina Brasileira do Ha- I) Algumas considerações finais. Pela Súmula nº 695, do Su-
beas Corpus”, que maximizava o instituto a habilitava-o a proteger premo Tribunal Federal, não cabe HC quando já extinta a pena
qualquer direito, inclusive aqueles que hoje são buscados pela via privativa de liberdade.
do Mandado de Segurança). Hoje, a previsão constitucional do ha- Pela Súmula nº 693, STF, não cabe habeas corpus contra deci-
beas corpus está no art. 5º, LXVIII, da Constituição da República; são condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso
B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional (e não por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
de “recurso processual penal”, veja-se) de natureza tipicamente Pela Súmula nº 690, STF, compete ao Supremo o julgamento
penal que almeja a proteção das liberdades individuais de loco- de habeas corpus contra decisão de turma recursal dos juizados
moção quando esta se encontra indevidamente violada ou em vias especiais criminais.
de violação. Por fim, pela Súmula nº 694, do Supremo, não cabe tal “writ”
Vale lembrar que, apesar de ser uma ação tipicamente penal, contra a imposição de pena de exclusão de militar ou de perda de
não há qualquer óbice a que se utilize o habeas corpus em outras
patente ou de função pública.
searas como a cível, num caso de indevida privação de liberdade
por dívida de alimentos, p. ex., ou na trabalhista, caso alguém seja
2.10 Mandado de segurança. Vejamos:
indevidamente impedido de exercer seu labor, noutro exemplo;
A) Surgimento. Trata-se de remédio trazido ao Brasil (há
C) Espécies. O habeas corpus pode ser preventivo (quando
quem defenda, prevalentemente, que o instituto seja criação ge-
houver mera ameaça de violação ao direito de ir e vir, caso em que
nuinamente brasileira) pela Lei Fundamental de 1934, e, desde
se obterá um “salvo-conduto”), ou repressivo (quando ameaça já
então, a única Constituição que não o previu foi a de 1937. Hoje,
tiver se materializado);
o mandado de segurança individual está constitucionalmente dis-
D) Legitimidade ativa. É amplíssima. Qualquer pessoa pode
manejá-lo, em próprio nome ou de terceiro, assim como o Minis- ciplinado no art. 5º, LXIX, e o mandado de segurança coletivo no
tério Público. A pessoa que o maneja é chamada “impetrante”, en- art. 5º, LXX, todos da Lei Maior pátria;
quanto que a pessoa que dele se beneficia é chamada “paciente” B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional, de rito
(desta maneira, é perfeitamente possível que impetrante e paciente sumário e especial, destinada à proteção de direito líquido e cer-
sejam a mesma pessoa). to de pessoa física ou jurídica não amparado por habeas corpus
A importância deste “writ” é tão grande que, nos termos do ou habeas data (com isso já se denota a natureza subsidiária do
segundo parágrafo, do art. 654, do Código de Processo Penal, os “writ”: ele somente é cabível caso não seja hipótese de habeas
juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício o re- corpus ou habeas data).
médio quando, no curso do processo, verificarem que alguém sofre Ademais, apesar de ser mais comum sua utilização no âmbito
ou está na iminência de sofrer coação ilegal; cível, óbice não deve haver a sua utilização nas searas das justiças
E) Legitimidade passiva. Pode ser tanto um agente público criminal e especializada;
(autoridade policial ou autoridade judicial, p. ex.) como um agente C) Espécies. O “writ” pode ser preventivo (quando se estiver
particular (diretor de uma clínica de psiquiatria, p. ex.). na iminência de violação a direito líquido e certo), ou repressivo
F) Hipóteses de coação ilegal. A coação será considerada ile- (quando já consumado o abuso/ilegalidade);
gal, nos moldes do art. 648, CPP, quando não houver justa causa D) Legitimidade ativa. Deve ser a mais ampla possível,
para tal; quando alguém estiver preso por mais tempo do que de- abrangendo não só a pessoa física como a jurídica, nacional ou
termina a lei; quando quem tiver ordenado a coação não tiver com- estrangeira, residente ou não no Brasil, bem como órgãos públicos
petência para fazê-lo; quando houver cessado o motivo que autori- despersonalizados e universalidades reconhecidas por lei (espólio,
zou a coação; quando não for alguém admitido a prestar fiança nos condomínio, massa falida etc.). Vale lembrar que esta legitimidade
casos em que a lei autoriza; quando o processo for manifestamente pode ser ordinária (se postula-se direito próprio em nome próprio)
nulo; ou quando extinta a punibilidade. ou extraordinária (postula-se em nome próprio direito alheio);
Vale lembrar, por outro lado, que o segundo parágrafo, do art. E) Legitimidade passiva. A autoridade coatora deve ser auto-
142, da Constituição, veda tal remédio constitucional em relação a ridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribui-
punições disciplinares militares; ções do Poder Público;

Didatismo e Conhecimento 11
NOÇÕES DE DIREITO
F) Mandado de segurança coletivo. O mandado de segurança cidade. Já a ADO é instrumento adequado a atender o particular
coletivo poderá ser impetrado por partido político com representa- numa situação abstrata, sendo dotado, por conseguinte, de conte-
ção no Congresso Nacional ou por organização sindical, entidade údo e finalidade mais abrangente que seu antecessor em razão de
de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamen- seu raio de alcance. Em outras palavras, seria dizer que o mandado
to há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus mem- de injunção se baseia em um comando da emergência, e a ADI por
bros ou associados; omissão se baseia em um dispositivo de urgência.
G) Competência. A competência se fixa de acordo com a au- H) Efeitos da decisão concedida em sede de mandado de in-
toridade coatora. Assim, pode apreciar mandado de segurança um junção. Aqui há divergência na doutrina e na jurisprudência.
juiz de primeiro grau, estadual ou federal; os Tribunais estaduais Para uma primeira corrente (“corrente não concretista”), deve
ou federais; o STF (arts. 102, I, “d” e 102, II, “a”, CF); e o STJ o Judiciário apenas cientificar o omisso em prol da edição norma-
(arts. 105, I, “b” e 105, II, “b”, CF); tiva necessária, dando à injunção concedida natureza declaratória
H) Procedimento. É regulado pela Lei nº 12.016/09, que revo- apenas. Este posicionamento imperou por muito tempo no Supre-
gou a Lei anterior, de nº 1.533, que vigia desde 1951. mo Tribunal Federal.
Já um segundo entendimento, subdividindo-se, confere cará-
2.11 Mandado de injunção. Vejamos: ter condenatório ou mandamental à ciência da mora, nos moldes
A) Surgimento. Prevalece que é uma criação genuinamente de uma “obrigação de fazer” referida no art. 461 ou de uma “exe-
brasileira, tendo sido previsto por primeira vez na Carta Funda- cução contra a Fazenda Pública” referida nos arts. 730 e seguintes,
mental pátria de 1988. Institutos com nomes semelhantes podem todos do Código de Processo Civil, ensejando a necessidade de
ser encontrados no direito anglo-saxão, embora, neste, sua fina- execução de sentença, própria no caso condenatório, ou imprópria
lidade é distinta daquela para a qual a Constituição brasileira o no caso mandamental. Há julgados esparsos no STF perfilhando-se
criou. Atualmente, o mandado de injunção está disciplinado no art. aos posicionamentos condenatório e mandamental.
5º, LXXI, da Constituição Federal; Um terceiro entendimento (“corrente concretista individual
B) Natureza jurídica. Cuida-se de ação constitucional que intermediária”) entende que, constatada a mora legislativa, é o
objetiva a regulamentação de normas constitucionais de eficácia caso de assinalar um prazo razoável para a elaboração da norma
limitada (omissas, portanto), assegurando, deste modo, o intento regulamentadora. Findo tal prazo e persistindo a omissão, é caso
de aplicabilidade imediata previsto no parágrafo primeiro, do art. de indenização por perdas e danos a ser buscada perante o Estado.
5º, da Constituição Federal; Por sua vez, uma quarta corrente (“corrente concretista indi-
C) Legitimidade ativa. Toda e qualquer pessoa, nacional ou
vidual pura”) acena pelo caráter constitutivo da injunção conce-
estrangeira, física ou jurídica, capaz ou incapaz, que titularize di-
dida via pronunciamento judicial, mas que a criação normativa se
reito fundamental não materializável por omissão legislativa do
limita apenas aos litigantes. Assim, admite-se atividade legislativa
Poder público;
do Judiciário, mas com alcance restrito às partes. Esse é o posi-
D) Legitimidade passiva. Pertence à autoridade ou órgão res-
cionamento atualmente prevalente no Guardião da Constituição
ponsável pela expedição da norma regulamentadora;
Federal.
E) Competência. No tocante ao órgão competente para jul-
Por fim, uma quinta corrente (“corrente concretista geral”)
gamento, o tal “writ” apresenta competência “móvel”, de acordo
entende, sim, ser constitutiva a natureza da injunção concedida,
com a condição e vinculação do impetrado. Assim, tal incumbên-
cia caberá ao Supremo Tribunal Federal, quando a elaboração de tomando de um caso específico a inspiração necessária para a edi-
norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, ção de uma norma geral e abstrata. Seria o exercício atípico de
do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Fe- “atividade legislativa” do Judiciário. Consoante tal entendimento,
deral, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de o STF sanaria ele próprio a ausência de regulamentação a normas
Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio constitucionais de eficácia e aplicabilidade limitada.
Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “q”, CF); ao Superior Tri-
bunal de Justiça, quando a elaboração da norma regulamentadora 2.12 Habeas data. Vejamos:
for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da admi- A) Surgimento. A origem do habeas data está no direito norte-
nistração direta ou indireta, excetuados os casos da competência -americano, através do “Freedom of Information Act”, de 1974,
do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da com a finalidade de possibilitar o acesso do particular aos dados
Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal (art. ou às informações constantes de registros públicos ou particulares
105, I, “h”, CF); ao Tribunal Superior Eleitoral, quando as deci- permitidos ao público. No Brasil, a Constituição Federal de 1988
sões dos Tribunais Regionais Eleitorais denegarem habeas corpus, foi a primeira a trazê-lo, em seu art. 5º, LXXII;
mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção (art. B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional, que ob-
121, §4º, V, CF); e aos Tribunais de Justiça Estaduais, frente aos jetiva assegurar o conhecimento de informações relativas à pes-
entes a ele vinculados; soa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de
F) Procedimento. Não há lei regulamentando o mandado de entidades governamentais de caráter público, bem como a retifi-
injunção, se lhe aplicando, por analogia, a Lei nº 12.016/09, inclu- cação de dados, quando não se prefira fazê-lo por procedimento
sive no que atine ao mandado de injunção coletivo; sigiloso, judicial ou administrativo;
G) Diferença do mandado de injunção para a ação direta de C) Legitimidade ativa. Tal “writ” pode ser impetrado por pes-
inconstitucionalidade por omissão. O mandado de injunção é re- soa física, brasileira ou estrangeira, ou por pessoa jurídica. Ain-
médio habilitado a socorrer o particular numa situação concreta, da, há quem defenda sua impetração por entes despersonalizados,
isto é, busca-se um pronunciamento apto a atender uma especifi- como a massa falida e o espólio;

Didatismo e Conhecimento 12
NOÇÕES DE DIREITO
D) Legitimidade passiva. Figurarão no polo ativo entidades C) Objeto. De acordo com o art. 3º, LACP, a ação civil pode-
governamentais da Administração Pública Direta e Indireta nas rá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de
três esferas, bem como instituições, órgãos, entidades e pessoas obrigação de fazer ou não fazer;
jurídicas privadas prestadores de serviços de interesse público que D) Legitimidade ativa. Consoante o art. 5º, da LACP, tem le-
possuam dados relativos à pessoa do impetrante; gitimidade ativa tanto para a ação principal como para a cautelar
E) Competência. A Constituição Federal prevê a competência o Ministério Público (inciso I); a Defensoria Pública (inciso II); a
do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “d”), do Superior Tribu- União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios (inciso III);
nal de Justiça (art. 105, I, “b”), dos Tribunais Regionais Federais a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia
(art. 108, I, “c”), bem como dos juízes federais (art. 109, VIII);
mista (inciso IV); e a associação que, concomitantemente, esteja
F) Procedimento. A disciplina do habeas data está prevista na
constituída há pelo menos um ano nos termos da lei civil (inciso
Lei nº 9.507/97.
V, alínea “a”) e inclua, entre suas finalidades institucionais, a pro-
2.13 Ação popular. Vejamos: teção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à
A) Surgimento. Sua origem vem da época do Império Roma- livre concorrência ou ao patrimônio artístico, estético, histórico,
no, quando os cidadãos romanos dirigiam-se ao magistrado para turístico e paisagístico (inciso V, alínea “b”);
buscar a tutela de um bem, valor ou interesse que pertencesse à E) Legitimidade passiva. Não há, em regra, limitação quanto a
coletividade. O primeiro texto legal sobre a ação popular surgiu na quem deva figurar no polo passivo da ação civil pública.
Bélgica, em 1836.
No Brasil, a primeira Lei Fundamental pátria a disciplinar a 2.15 Tratados Internacionais de que o Brasil seja signa-
ação popular foi a de 1934. Suprimida na de 1937, mas restabe- tário. Quando a Constituição Federal de 1988 entrou em vigor, o
lecida na de 1946, tem estado presente em todas as Cartas desde Supremo Tribunal Federal entendia que todo e qualquer Tratado
então. Na Constituição Federal de 1988, sua previsão se encontra Internacional, fosse ou não sobre direitos humanos, tinha “status”
no art. 5º, LXXIII; de lei ordinária.
B) Natureza jurídica. Trata-se de ação constitucional, que
Tal entendimento vigorou até o advento da Emenda Consti-
visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio am- tucional nº 45/2004, que acresceu ao art. 5º da Constituição um
biente e ao patrimônio histórico e cultural; parágrafo terceiro, segundo o qual os tratados e convenções inter-
C) Requisitos para a propositura da ação popular. Há um nacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada
requisito objetivo (o legitimado ativo deve ser cidadão) e outro Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
subjetivo (a proteção do patrimônio público, da moralidade admi- votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
nistrativa, do meio ambiente, do patrimônio histórico, e do patri- constitucionais.
mônio cultural); Mas como fica a situação dos Tratados Internacionais que não
D) Legitimidade ativa. Deve ser “cidadão”, isto é, aquele que forem (ou não foram) aprovados pelo quórum de Emenda Cons-
esteja no pleno gozo dos direitos políticos. Se está falando, pois, titucional? Com isso, o STF revisou seu posicionamento, e, atu-
do cidadão-eleitor. Inclusive, o parágrafo terceiro, do art. 1º, da almente, os Tratados Internacionais possuem tripla hierarquia em
Lei nº 4.717/65, que regula a ação popular, dispõe que a prova da nosso ordenamento:
cidadania para ingresso em juízo será feita com o título eleitoral ou A) Se versar sobre direitos humanos, e for aprovado pelo quó-
com o documento a que ele corresponda;
rum de Emenda Constitucional, o “status” do Tratado Internacio-
E) Legitimidade passiva. Nos moldes do art. 6º, da Lei nº
4.717/65, sempre haverá um ente da Administração Pública, direta nal será de Emenda Constitucional;
ou indireta, ou então pessoa jurídica que de algum modo lide com B) Se versar sobre direitos humanos, mas não for aprovado
dinheiro público; pelo quórum de Emenda Constitucional, o “status” do Tratado In-
F) Competência. Será fixada de acordo com a origem do ato ternacional será de norma supralegal, isto é, abaixo da Constitui-
ou omissão a serem impugnados. Vale lembrar que, quanto ao pro- ção, mas acima do ordenamento infraconstitucional;
cedimento, a Lei nº 4.717/65, que disciplina tal ação, afirma que C) Se não versar sobre direitos humanos, o Tratado Interna-
segue-se o rito ordinário previsto no Código de Processo Civil, cional terá o “status” de lei ordinária, conforme o entendimento
com algumas modificações. primeiro do Supremo Tribunal Federal.

2.14 Ação civil pública. Vejamos: 3 Administração Pública: disposições gerais. A seguir, dos
A) Cabimento. Conforme o art. 1º, da Lei nº 7.347/85, é ca- dispositivos pertinentes à Administração Pública na Constituição
bível ação civil pública em caso de danos patrimoniais e morais Federal, o edital em lume somente cobra o art. 37, que traz as dis-
causados ao meio ambiente (inciso I); ao consumidor (inciso II);
posições gerais. Convém reproduzi-lo para otimizar o estudo:
a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico (inciso III); a qualquer outro interesse difuso ou cole-
tivo (inciso IV); por infração da ordem econômica e da economia Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer
popular (inciso V); e à ordem urbanística (inciso VI); dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu-
B) Não cabimento. Segundo o art. 1º, parágrafo único, da nicípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
LACP - Lei da Ação Civil Pública, não será cabível ação civil pú- moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
blica para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos
previdenciárias, FGTS ou outros fundos de natureza institucional brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, as-
cujos beneficiários podem ser individualmente determinados; sim como aos estrangeiros, na forma da lei;

Didatismo e Conhecimento 13
NOÇÕES DE DIREITO
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos
aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III,
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para e 153, §2º, I;
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exone- XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos,
ração; exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois qualquer caso o disposto no inciso XI.
anos, prorrogável uma vez, por igual período; a) a de dois cargos de professor;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de con- b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
vocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de
provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos con- saúde, com profissões regulamentadas;
cursados para assumir cargo ou emprego, na carreira; XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e fun-
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por ções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, socieda-
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a des de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controla-
serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições das, direta ou indiretamente, pelo poder público;
e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atri- XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais
buições de direção, chefia e assessoramento; terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedên-
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre as- cia sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
sociação sindical; XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de eco-
definidos em lei específica; nomia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste úl-
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públi- timo caso, definir as áreas de sua atuação;
cos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a cria-
de sua admissão; ção de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior,
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo de- assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;
terminado para atender a necessidade temporária de excepcional XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as
interesse público; obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que processo de licitação pública que assegure igualdade de condições
trata o §4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obriga-
lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, asse- ções de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta,
gurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de quali-
de índices; ficação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumpri-
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, mento das obrigações;
funções e empregos públicos da administração direta, autárquica XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do
e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcio-
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores namento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específi-
de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, cas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades
pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativa- e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento
mente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer ou- de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
tra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, §1º. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, in-
limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no formativo ou de orientação social, dela não podendo constar no-
Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do mes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais autoridades ou servidores públicos.
no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores §2º. A não observância do disposto nos incisos II e III impli-
do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco cará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos
centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Minis- termos da lei.
tros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, §3º. A lei disciplinará as formas de participação do usuário na
aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Pro- administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
curadores e aos Defensores Públicos; I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento
Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade
Executivo; dos serviços;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer es- II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a infor-
pécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do mações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X
serviço público; e XXXIII;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor pú- III - a disciplina da representação contra o exercício negli-
blico não serão computados nem acumulados para fins de conces- gente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração
são de acréscimos ulteriores; pública.

Didatismo e Conhecimento 14
NOÇÕES DE DIREITO
§4º. Os atos de improbidade administrativa importarão a sus- Já os órgãos da Administração Pública indireta são as autar-
pensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indispo- quias, fundações, empresas públicas, e sociedades de economia
nibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e grada- mista. Tais órgãos têm personalidade jurídica própria, ou de direito
ção previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. público (autarquias e fundações públicas de direito público) ou de
§5º. A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos direito privado (fundações públicas de direito privado, empresas
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem pre- públicas, e sociedades de economia mista).
juízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
§6º. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito 3.3 Alguns princípios aplicáveis à Administração Pública.
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos São eles:
que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegu-
A) Princípio da legalidade. Para o direito privado, legalidade
rado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo
significa poder fazer tudo o que a lei não proíbe (autonomia priva-
ou culpa.
§7º. A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocu- da). Já para a Administração Pública, legalidade significa somente
pante de cargo ou emprego da administração direta e indireta que poder fazer aquilo previsto em lei;
possibilite o acesso a informações privilegiadas. B) Princípio da impessoalidade. Impessoalidade denota au-
§8º. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos sência de subjetividade. O administrador não pode se utilizar da
órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser coisa pública para satisfazer interesses pessoais;
ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administra- C) Princípio da moralidade. Traduz a ideia de honestidade,
dores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de de ética, de correção de atitudes, de boa-fé. A moralidade adminis-
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: trativa representa mais que a moralidade comum, porque enquanto
I - o prazo de duração do contrato; nesta as relações são interpessoais, na moralidade administrativa
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direi- envolve-se o trato da coisa pública;
tos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; D) Princípio da publicidade. Tal princípio significa conhe-
III - a remuneração do pessoal. cimento, ciência, divulgação ao titular dos interesses em jogo, a
§9º. O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas saber, o povo. Disso infere-se que a publicidade acaba sendo con-
e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que rece- dição de eficácia, em regra, do ato administrativo (como ocorre
berem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos nos procedimentos licitatórios, p. ex.). Neste diapasão, o primeiro
Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio parágrafo, do art. 37, da Constituição, preceitua que a publicidade
em geral.
dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos pú-
§10. É vedada a percepção simultânea de proventos de apo-
blicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação
sentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a re-
muneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eleti- caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores pú-
vos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação blicos;
e exoneração. E) Princípio da eficiência. Tal princípio não estava previsto
§11. Não serão computadas, para efeito dos limites remunera- no texto originário da Constituição Federal em 1988. Foi ele acres-
tórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de cido pela Emenda Constitucional nº 19/1998, e significa presteza,
caráter indenizatório previstas em lei. qualidade no serviço, agilidade, economia, ausência de desperdí-
§12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste ar- cio;
tigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu F) Princípio da supremacia do interesse público. Em um
âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgâ- eventual conflito entre um interesse particular e outro da coletivi-
nica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores dade, este último deverá prevalecer, como regra geral. Tal princípio
do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e decorre de outro axioma, a saber, o “da Indisponibilidade do Inte-
vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Mi- resse Público”, segundo o qual, sendo a coisa pública pertencente
nistros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto a todos, não pode o agente administrador dela utilizar livremente;
neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais G) Princípio da presunção de legitimidade dos atos adminis-
e dos Vereadores. trativos. Há uma presunção relativa (isto é, que admite prova em
contrário) em torno dos atos administrativos, de que são legítimos,
3.1 Atividade administrativa. A atividade administrativa
válidos e eficazes.
poderá ser prestada de maneira centralizada, pelos entes políticos
componentes da Administração Direta (União, Estados, Municí- É óbvio que, além destes, há outros princípios vigentes para a
pios e Distrito Federal), ou de maneira descentralizada, pelos entes Administração Pública, como o da isonomia, o da razoabilidade/
componentes da Administração Indireta (Autarquias, Fundações proporcionalidade, o da autotutela etc. Mas, tais matérias não se-
Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista) rão aqui explicadas, por serem da alçada do Direito Administrativo
bem como por particulares (através de concessionárias e permis- propriamente dito.
sionárias de serviços públicos, p. ex.).
3.4 Ocupantes de cargos, empregos e funções públicas.
3.2 Administração direta e indireta. Os órgãos da Admi- Tanto brasileiros (que preencham os requisitos estabelecidos em
nistração Pública direta são aqueles componentes dos Poderes da lei) como os estrangeiros (na forma da lei) podem ocupar cargos,
República propriamente ditos. Tais órgãos são despersonalizados. empregos e funções públicas.

Didatismo e Conhecimento 15
NOÇÕES DE DIREITO
3.5 Investidura em cargo ou emprego público. Em regra, a III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e
investidura em cargo ou emprego público se dá mediante aprova- de fronteiras;
ção prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judici-
de acordo com a natureza e complexidade do cargo ou emprego. ária da União.
As exceções são os cargos em comissão, de livre nomeação e exo- §2º. A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organi-
neração. zado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se,
Em situações excepcionais, como urgência ou interesse públi- na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
§3º. A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organi-
co de duração temporária, se pode dispensar o concurso público,
zado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se,
ou, ao menos, realizar processo seletivo simplificado. Neste diapa-
na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
são, a Lei nº 8.745/93 disciplina os casos de contratação por tempo §4º. Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as fun-
interesse público, p. ex. ções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto
as militares.
3.6 Prazo de validade do concurso público. O prazo de §5º. Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preser-
validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável vação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além
uma vez por igual período. Convém lembrar que, durante o prazo das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades
improrrogável previsto no edital, aquele aprovado em concurso de defesa civil.
público será convocado com prioridade sobre novos concursados §6º. As polícias militares e corpos de bombeiros militares, for-
para assumir cargo ou emprego. ças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente
com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios.
3.7 Contratação pela Administração Publica de obras, ser-
§7º. A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos
viços, compras e alienações. Ressalvadas as hipóteses de dispen-
órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir
sa ou inexigibilidade, a contratação, pela Administração Pública, a eficiência de suas atividades.
de obras, serviços, compras ou alienações se dá mediante procedi- §8º. Os Municípios poderão constituir guardas municipais
mento licitatório. A lei que dispõe sobre normas gerais de licitação destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, confor-
é a de nº 8.666/93. me dispuser a lei.
Consoante o art. 37, XXI, da Lei Fundamental pátria, os pro- §9º. A remuneração dos servidores policiais integrantes dos
cedimentos licitatórios devem ser públicos, e devem assegurar órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do §4º do
igualdade de condições a todos os concorrentes (com cláusulas art. 39.
que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições
efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá 4.1 Segurança pública. A segurança tem um duplo aspecto
as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis na Constituição Federal, a saber, o aspecto de direito e garantia
à garantia do cumprimento das obrigações). individual e coletivo, por estar prevista no caput, do art. 5º, da
Constituição Federal (ao lado do direito à vida, da liberdade, da
igualdade, e da propriedade), bem como o aspecto de direito so-
4 Segurança pública (art. 144, CF). Dispositivo constitucio-
cial, por estar prevista no art. 6º, da Constituição Federal. A se-
nal pertinente ao tema: gurança do caput, do art. 5º, CF, todavia, se refere à “segurança
jurídica”. Já a segurança do art. 6º, CF, se refere à “segurança
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e res- pública”, a qual encontra disciplinamento no art. 144, da Consti-
ponsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem tuição da República.
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através Ademais, enquanto a Lei Fundamental pátria preceitua que
dos seguintes órgãos: a educação e a saúde são “direitos de todos e dever do Estado”,
I - polícia federal; fala, por outro lado, que a segurança pública, antes mesmo de ser
II - polícia rodoviária federal; direito de todos, é um “dever do Estado”. Com isso, isto é, ao co-
III - polícia ferroviária federal; locar a segurança pública antes de tudo como um dever do Estado,
IV - polícias civis; e só depois como um direito do todos, denota o compromisso dos
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. agentes estatais em prevenir a desordem, e, consequencialmente,
evitar a justiça por próprias mãos.
§1º. A polícia federal, instituída por lei como órgão perma-
Neste prumo, no art. 144, caput, da Constituição Federal, se
nente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
afirma que a segurança pública é exercida para a preservação da
destina-se a: ordem pública e da incolumidade das pessoas, como para a pre-
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou servação dos patrimônios público e particular.
em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras in- 4.2 Órgãos que compõem a estrutura da segurança públi-
frações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacio- ca. São eles:
nal e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; A) A polícia federal;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e dro- B) A polícia rodoviária federal;
gas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação C) A polícia ferroviária federal;
fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de D) As polícias civis;
competência; E) As polícias militares e corpos de bombeiros militares.

Didatismo e Conhecimento 16
NOÇÕES DE DIREITO
4.3 Função da Polícia Federal. A polícia federal, instituída (D) Um cidadão qualquer, por meio de ação popular, requerer
por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União a anulação do contrato, por ser lesivo ao patrimônio público e à
e estruturado em carreira, destina-se: moralidade administrativa, ficando o autor, salvo comprovada má-
A) A apurar infrações penais contra a ordem política e social -fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
ou em detrimento de bens, serviços e interessas da União ou de (E) O Procurador-Geral de Justiça, por meio de mandado de
suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras injunção, requerer que fosse declarada a omissão do Poder Público
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou interna- municipal no cumprimento de sua obrigação de prestar serviços.
cional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
B) A prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e 2. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRF/2ª REGIÃO - 2012 -
FCC) Considere:
drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação
I. O Partido Político A, regularmente constituído, não possui
fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de representação no Congresso Nacional.
competência; II. O Sindicato B, legalmente constituído, está em funciona-
C) A exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e mento há dois anos.
de fronteiras; III. A Associação C, legalmente constituída, está em funciona-
D) A exercer, com exclusividade, as funções de polícia judi- mento há um ano e quinze dias.
ciária da União. IV. A Associação D, legalmente constituída, está em funciona-
4.4 Função da Polícia Rodoviária Federal. A polícia rodo- mento há dez meses.
viária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União De acordo com a Constituição Federal brasileira, possuem le-
e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulha- gitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo apenas
mento ostensivo das rodovias federais. os entes indicados em:
(A) II e III.
4.5 Função da Polícia Ferroviária Federal. A polícia ferro- (B) I, II e III.
(C) II, III e IV.
viária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União
(D) III e IV.
e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulha- (E) I e II.
mento ostensivo das ferrovias federais.
3. (ANALISTA - MPE/RO - 2012 - FUNCAB) O mandado
4.6 Função das Polícias Civis. Às polícias civis, dirigidas por de injunção é instrumento processual, previsto pela Constituição
delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a compe- Federal, para a hipótese de:
tência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de (A) Sigilo ilegal de informações relativas à pessoa do impe-
infrações penais, exceto as militares. trante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público.
4.7 Função das Polícias Militares. Às polícias militares ca- (B) Ameaça ou sofrimento de violência ou coação à liberdade
bem o papel de polícia ostensiva e a preservação da ordem pú- de locomoção.
blica. (C) Ofensa a direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus, ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
4.8 Função dos Corpos de Bombeiros Militares. Além das
no exercício de atribuições do Poder Público.
atividades definidas em lei, incumbe aos corpos de bombeiros mi- (D) A falta de norma regulamentadora tornar viável o exer-
litares a execução de atividades de defesa civil. cício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
QUESTÕES DE FIXAÇÃO (E) Dano ao patrimônio público, ao meio ambiente, ao patri-
mônio histórico e cultural ou ofensa à moralidade administrativa.
1. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/SP - 2012 - FCC) Um
órgão da Administração direta de determinado Município efetua 4. (ANALISTA JUDICIÁRIO - CNJ - 2013 - CESPE) Em
contratação de serviços que poderiam ser prestados por servidores relação à CF e aos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos
públicos, sem realizar licitação e sem que o ato que determinou a brasileiros, julgue o item seguinte: “Serão considerados equiva-
contratação tivesse sido precedido de justificativa. Nessa hipótese, lentes às emendas constitucionais os tratados internacionais sobre
poderia: direitos humanos referendados em ambas as Casas do Congresso
(A) O Ministério Público, por meio de mandado de segurança Nacional em dois turnos de votação e por um terço dos respectivos
membros”.
coletivo, requerer que fosse declarada a ilegalidade da contratação,
por ofensa aos princípios constitucionais de realização de licitação 5. (INSPETOR DE POLÍCIA CIVIL - PC/ES - 2012 -
e motivação dos atos administrativos. CESPE) Julgue o seguinte item: “Considere que uma manifes-
(B) Uma associação de servidores públicos municipais, por tação pública realizada por determinado grupo religioso tenha
meio de habeas data, requerer a anulação da contratação e a deter- atraído uma multidão hostil e que, quando a polícia foi chamada
minação de que seja realizado concurso público para contratação a intervir, o líder do grupo tenha chamado os policiais de fascis-
de novos servidores, com vistas ao desempenho das atividades. tas, criando uma situação de perigo de pronta e violenta retaliação
(C) Um servidor público integrante dos quadros do órgão mu- por parte dos policiais. Nessa situação, o líder do movimento está
nicipal, por meio de mandado de segurança, requerer a anulação amparado pela garantia constitucional que assegura a liberdade de
do ato praticado pelo dirigente do órgão, por abuso de poder. expressão”.

Didatismo e Conhecimento 17
NOÇÕES DE DIREITO
6. (TÉCNICO JUDICIÁRIO - TRF/2ª REGIÃO - 2012 - 11. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT/10ª Região - 2013 -
FCC) Sobre os Direitos e Garantias Fundamentais, considere: CESPE) No que concerne ao regime constitucional da administra-
I. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos hu- ção pública, julgue o item seguinte: “A CF autoriza a acumulação
manos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacio- remunerada de dois cargos de técnico-administrativo, desde que
nal, em turno único, por três quintos dos votos dos respectivos haja compatibilidade de horários e seja observado o teto constitu-
membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. cional da remuneração do serviço público”.
II. São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data.
III. O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Inter- 12. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT/1ª Região - 2013 -
nacional a cuja criação tenha manifestado adesão. FCC) Considere as seguintes afirmações em relação ao regime ju-
IV. É assegurada, nos termos da lei, a proteção à reprodução rídico dos servidores públicos, à luz da Constituição da República
da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas. e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria:
Nos termos da Constituição Federal de 1988, está correto o I. Dentro do prazo de validade de concurso público, a Admi-
que consta apenas em: nistração poderá escolher o momento no qual se realizará a nome-
(A) I, III e IV. ação, mas não poderá dispor sobre a própria nomeação, estando
(B) I, II e III. obrigada a nomear os aprovados dentro do número de vagas pre-
(C) II e IV. visto no edital, ressalvadas situações excepcionalíssimas que justi-
(D) II, III e IV. fiquem soluções diferenciadas, devidamente motivadas de acordo
(E) I e II. com o interesse público.
II. Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo
7. (EXAME DE ORDEM UNIFICADO - OAB - 2012 - não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vanta-
FGV) A Constituição assegura, entre os direitos e garantias indi- gem de servidor público, nem ser substituído por decisão judicial.
viduais, a inviolabilidade do domicílio, afirmando que “a casa é III. Até que sobrevenha lei específica para regulamentar o
asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem exercício do direito de greve pelos servidores públicos civis, apli-
o consentimento do morador” (art. 5º, XI, CRFB). A esse respeito, ca-se-lhes, no que couber, a lei que disciplina o exercício do direito
assinale a alternativa correta: de greve dos trabalhadores em geral.
(A) O conceito de “casa” é abrangente e inclui quarto de hotel. Está correto o que se afirma em:
(B) O conceito de casa é abrangente, mas não inclui escritório (A) I e II, apenas.
de advocacia. (B) I e III, apenas.
(C) A prisão em flagrante durante o dia é um limite a essa ga- (C) II e III, apenas.
rantia, mas apenas quando houver mandado judicial. (D) I, II e III.
(D) A prisão em quarto de hotel obedecendo a mandado judi- (E) I, apenas.
cial pode se dar no período noturno.
13. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/MS - 2013 - CES-
8. (ANALISTA JUDICIÁRIO - CNJ - 2013 - CESPE) PE) Considerando o que dispõe a CF acerca da administração pú-
Acerca dos princípios fundamentais da Constituição Federal de blica, assinale a opção correta:
1988 (CF), julgue o item que segue: “A República Federativa do (A) As funções de confiança podem ser livremente preenchi-
Brasil rege-se, nas suas relações internacionais, pelos seguintes das pela administração.
princípios: independência nacional; prevalência dos direitos hu- (B) A CF garante ao servidor público civil o direito à livre
manos; autodeterminação dos povos; não intervenção; igualdade associação sindical.
entre os Estados; defesa da paz; solução pacífica dos conflitos; re- (C) Os servidores públicos não possuem direito constitucional
púdio ao terrorismo e ao racismo; cooperação entre os povos para à greve.
o progresso da humanidade; e concessão de asilo político”. (D) É exigida a prévia aprovação em concurso público de pro-
vas e títulos para a investidura em cargo público, ainda que o cargo
9. (ANALISTA TÉCNICO - DPE/SC - 2013 - FEPESE) seja declarado, em lei, de livre nomeação e exoneração.
Assinale a alternativa correta em matéria de Direito Constitucio- (E) O prazo de validade de concurso público pode ser de até
nal. É fundamento da República Federativa do Brasil: cinco anos, vedada qualquer prorrogação.
(A) A defesa da paz.
(B) Erradicar a pobreza. 14.  (DELEGADO DE POLÍCIA - PC/GO - 2008 - UEG/
(C) A dignidade da pessoa humana. NÚCLEO) São atribuições da Polícia Federal:
(D) A prevalência dos direitos humanos. (A) Apurar infrações penais contra a ordem pública e social
(E) Construir uma sociedade livre, justa e solidária. ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de
suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
10. (ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT/10ª Região - 2013 infrações cuja prática tenha repercussão regional ou interestadual e
- CESPE) Acerca dos princípios fundamentais expressos na Cons- exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei.
tituição Federal de 1988 (CF) e da aplicabilidade das normas cons- (B) Prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e dro-
titucionais, julgue o item a seguir: “A dignidade da pessoa humana gas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação
e o pluralismo político são princípios fundamentais da República fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de
Federativa do Brasil”. competência.

Didatismo e Conhecimento 18
NOÇÕES DE DIREITO
(C) Exercer, concorrentemente com as polícias civis e milita-
res, as funções de polícia judiciária da União.
Prof. Bruna Pinotti Garcia.
(D) Exercer as funções de polícia marítima, fluvial, aeropor-
Advogada e pesquisadora. Sócia da EPS&O Consultoria
tuária e de fronteiras.
Ambiental. Mestre em Teoria do Direito e do Estado pelo Centro
Universitário Eurípides de Marília (UNIVEM) - bolsista CAPES.
15. (INSPETOR DE POLÍCIA - PC/RJ - 2008 - PC/RJ)
Membro dos grupos de pesquisa “Constitucionalização do Direito
Incumbe à Polícia Civil, de acordo com as disposições constitucio-
Processual” e “Núcleo de Estudos e Pesquisas em Direito e Inter-
nais vigentes, a função de:
net”. Professora de curso preparatório para concursos. Autora de
(A) Polícia administrativa.
diversos artigos jurídicos publicados em revistas qualificadas e
(B) Polícia ostensiva.
anais de eventos, notadamente na área do direito eletrônico.
(C) Polícia executiva.
(D) Polícia judiciária.
(E) Polícia repressiva.
2.2 DIREITOS HUMANOS
GABARITO 2.2.1 DIREITOS HUMANOS: NOÇÃO, SIGNI-
FICADO, FINALIDADES E HISTÓRIA.
1. Alternativa “D”
2. Alternativa “A”
3. Alternativa “D”
4. Afirmação errada
Teoria geral dos direitos humanos é o estudo dos direitos hu-
5. Afirmação errada
manos, desde os seus elementos básicos como conceito, caracterís-
6. Alternativa “D”
ticas, fundamentação e finalidade, passando pela análise histórica
7. Alternativa “A”
e chegando à compreensão de sua estrutura normativa.
8. Afirmação correta
Na atualidade, a primeira noção que vem à mente quando se
9. Alternativa “C”
fala em direitos humanos é a dos documentos internacionais que os
10. Afirmação correta
consagram, aliada ao processo de transposição para as Constitui-
11. Afirmação errada
ções Federais dos países democráticos. Contudo, é possível apro-
12. Alternativa “D”
fundar esta noção se tomadas as raízes históricas e filosóficas dos
13. Alternativa “B”
direitos humanos, as quais serão abordadas em detalhes adiante,
14. Alternativa “B”
acrescentando-se que existem direitos inatos ao homem indepen-
15. Alternativa “D”
dentemente de previsão expressa por serem elementos essenciais
na construção de sua dignidade.
REFERÊNCIAS
Logo, um conceito preliminar de direitos humanos pode ser
estabelecido: direitos humanos são aqueles inerentes ao homem
CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito constitucional.
enquanto condição para sua dignidade que usualmente são des-
6. ed. Salvador: JusPODIUM, 2012.
critos em documentos internacionais para que sejam mais segura-
mente garantidos. A conquista de direitos da pessoa humana é, na
FACHIN, Zulmar. Curso de direito constitucional. Rio de Ja-
verdade, uma busca da dignidade da pessoa humana.
neiro: Forense, 2013.
O direito natural se contrapõe ao direito positivo, localizado
no tempo e no espaço: tem como pressuposto a ideia de imutabi-
LAZARI, Rafael José Nadim de; BERNARDI, Renato. En-
lidade de certos princípios, que escapam à história, e a universali-
saios escolhidos de direito constitucional. Brasília: Kiron, 2013.
dade destes princípios transcendem a geografia. A estes princípios,
que são dados e não postos por convenção, os homens têm aces-
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires;
so através da razão comum a todos (todo homem é racional), e
BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional.
são estes princípios que permitem qualificar as condutas humanas
5. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
como boas ou más, qualificação esta que promove uma contínua
vinculação entre norma e valor e, portanto, entre Direito e Moral.1
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional posi-
As premissas dos direitos humanos se encontram no conceito
tivo. 35. ed. São Paulo: Malheiros, 2012.
de lei natural. Lei natural é aquela inerente à humanidade, inde-
pendentemente da norma imposta, e que deve ser respeitada acima
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 17. ed.
de tudo. O conceito de lei natural foi fundamental para a estrutu-
São Paulo: Saraiva, 2013.
ração dos direitos dos homens, ficando reconhecido que a pessoa
humana possui direitos inalienáveis e imprescritíveis, válidos em
VADE MECUM SARAIVA. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
qualquer tempo e lugar, que devem ser respeitados por todos os
Estados e membros da sociedade. O direito natural é, então, co-
1 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos:
um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia.
das Letras, 2009.

Didatismo e Conhecimento 19
NOÇÕES DE DIREITO
mum a todos e, ligado à própria origem da humanidade, representa cação, saúde e bem-estar), culturais (participação na vida cultural)
um padrão geral, funcionando como instrumento de validação das e ambientais (meio ambiente saudável, sustentabilidade para as fu-
ordens positivas2. turas gerações). Percebe-se uma proximidade entre os direitos hu-
O direito natural, na sua formulação clássica, não é um con- manos e os direitos fundamentais do homem, o que ocorre porque
junto de normas paralelas e semelhantes às do direito positivo, e o valor da pessoa humana na qualidade de valor-fonte da ordem
sim o fundamento deste direito positivo, sendo formado por nor- de vida em sociedade fica expresso juridicamente nestes direitos
mas que servem de justificativa a este, por exemplo: “deve se fazer fundamentais do homem.
o bem”, “dar a cada um o que lhe é devido”, “a vida social deve ser As normas de direitos humanos e direitos fundamentais, por
conservada”, “os contratos devem ser observados” etc.3 sua própria natureza, possuem baixa densidade normativa. Isso
Em literatura, destaca-se a obra do filósofo Sófocles4 intitula- significa que elas abrem alta margem para interpretação e geral-
da Antígona, na qual a personagem se vê em conflito entre seguir mente adotam a forma de princípios, não de regras.
o que é justo pela lei dos homens em detrimento do que é justo por Neste sentido, toma-se a divisão clássica de Alexy5, segundo
natureza quando o rei Creonte impõe que o corpo de seu irmão não o qual a distinção entre regras e princípios é uma distinção entre
seja enterrado porque havia lutado contra o país. Neste sentido, dois tipos de normas, fornecendo juízos concretos para o dever ser.
a personagem Antígona defende, ao ser questionada sobre o des- A diferença essencial é que princípios são normas de otimização,
cumprimento da ordem do rei: “sim, pois não foi decisão de Zeus; ao passo que regras são normas que são sempre satisfeitas ou não.
e a Justiça, a deusa que habita com as divindades subterrâneas, ja- Se as regras se conflitam, uma será válida e outra não. Se princí-
mais estabeleceu tal decreto entre os humanos; tampouco acredito pios colidem, um deles deve ceder, embora não perca sua validade
que tua proclamação tenha legitimidade para conferir a um mortal e nem exista fundamento em uma cláusula de exceção, ou seja,
o poder de infringir as leis divinas, nunca escritas, porém irrevogá- haverá razões suficientes para que em um juízo de sopesamento
veis; não existem a partir de ontem, ou de hoje; são eternas, sim! E (ponderação) um princípio prevaleça. Enquanto adepto da adoção
ninguém pode dizer desde quando vigoram! Decretos como o que de tal critério de equiparação normativa entre regras e princípios,
proclamaste, eu, que não temo o poder de homem algum, posso o jurista alemão Robert Alexy é colocado entre os nomes do pós-
violar sem merecer a punição dos deuses! [...]”. -positivismo.
O desrespeito às normas de direito natural - e porque não di- Ainda assim, é possível verificar, com relação a estas normas
zer de direitos humanos - leva à invalidade da norma que assim o específicas, princípios ou tendências mais abrangentes, que envol-
preveja (Ex: autorizar a tortura para fins de investigação penal e vem um grupo de diretrizes ou então indiretamente compõem to-
processual penal não é simplesmente inconstitucional, é mais que das elas. Em outras palavras, existem determinados fundamentos
isso, por ser inválida perante a ordem internacional de garantia de que pairam sobre todos os princípios e regras de direitos humanos
direitos naturais/humanos uma norma que contrarie a dignidade e fundamentais, como o caso da dignidade da pessoa humana, da
inerente ao homem sob o aspecto da preservação de sua vida e democracia e da razoabilidade-proporcionalidade, ou referem-se
integridade física e moral). especificamente a um grupo deles, a exemplo da liberdade, da
Enfim, quando questões inerentes ao direito natural passam a igualdade e da fraternidade.
ser colocadas em textos expressos tem-se a formação de um con- Por isso, embora a nomenclatura princípio seja usual em dou-
ceito contemporâneo de direitos humanos. Entre outros documen- trina e jurisprudência quanto a estes elementos que serão estudados
tos a partir dos quais tal concepção começou a ganhar forma, des- neste capítulo, opta-se, para fins de distinção dos demais princípios
tacam-se: Magna Carta de 1215, Bill of Rights ao final do século específicos, a adoção do vocábulo fundamento. Logo, pretende-se
XVII e Constituições da Revolução Francesa de 1789 e Americana deixar evidente que a existência de normas específicas de baixa
de 1787. No entanto, o documento que constitui o marco mais sig- densidade normativa, adotando a forma de princípio jurídico, não
nificativo para a formação de uma concepção contemporânea de exclui normas ainda mais abrangentes, também tomando a forma
direitos humanos é a Declaração Universal de Direitos Humanos de princípio, com baixíssima densidade normativa, a ponto de po-
de 1948. Após ela, muitos outros documentos relevantes surgiram, derem ser consideradas fundamentos base de todo o sistema de
como o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e Pacto direitos humanos e fundamentais.
Internacional de Direitos Humanos, Sociais e Culturais, ambos de O principal fundamento de direitos humanos, sem sombra de
1966, além da Convenção Interamericana de Direitos Humanos dúvidas, é a dignidade da pessoa humana. A exemplo do que ex-
(Pacto de São José da Costa Rica) de 1969, entre outros. põe Comparato6: “Uma das tendências marcantes do pensamento
A finalidade primordial dos direitos humanos é garantir que moderno é a convicção generalizada de que o verdadeiro funda-
a dignidade do homem não seja violada, estabelecendo um rol mento de validade - do direito em geral e dos direitos humanos
de bens jurídicos fundamentais que merecem proteção ineren- em particular - já não deve ser procurado na esfera sobrenatural da
tes, basicamente, aos direitos civis (vida, segurança, propriedade revelação religiosa, nem tampouco numa abstração metafísica - a
e liberdade), políticos (participação direta e indireta nas decisões natureza - como essência imutável de todos os entes no mundo.
políticas), econômicos (trabalho), sociais (igualdade material, edu- Se o direito é uma criação humana, o seu valor deriva, justamen-
2 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: 5 ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais.
um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia. Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2. ed. São Paulo: Malheiros,
das Letras, 2009. 2011.
3 MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do 6 COMPARATO, Fábio Konder. Fundamento dos
Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. Direitos Humanos. Instituto de Estudos Avançados da USP,
4 SÓFOCLES. Édipo rei / Antígona. Tradução Jean 1997. Disponível em: <http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/
Melville. São Paulo: Martin Claret, 2003. comparatodireitoshumanos.pdf>. Acesso em: 02 jul. 2013.

Didatismo e Conhecimento 20
NOÇÕES DE DIREITO
te, daquele que o criou. O que significa que esse fundamento não nidade. Como se depreende do sistema internacional de proteção
é outro, senão o próprio homem, considerado em sua dignidade de direitos humanos tais fundamentos lançam base para a declara-
substancial de pessoa, diante da qual as especificações individuais ção de inúmeros direitos humanos, servindo de viés para a leitura
e grupais são sempre secundárias”. de todos eles. Assim, são mais do que princípios e sim verdadeiros
A dignidade da pessoa humana é o valor-base de interpre- nortes para a proteção internacional dos direitos humanos.
tação de qualquer sistema jurídico, internacional ou nacional, que Não obstante, pela larga margem de interpretação que decorre
possa se considerar compatível com os valores éticos, notadamen- da baixa densidade normativa das normas de direitos humanos,
te da moral, da justiça e da democracia. Pensar em dignidade da surgem como fundamentos para a interpretação sistêmica a razo-
pessoa humana significa, acima de tudo, colocar a pessoa humana abilidade e a proporcionalidade. Alexy8 entende que determina-
como centro e norte para qualquer processo de interpretação jurídi- dos valores exteriorizam tudo o que é levado em conta num sope-
co, seja na elaboração da norma, seja na sua aplicação. samento de direitos fundamentais: “assim, com poucos conceitos,
A menção constante da dignidade no que pode ser conside- como ‘dignidade’, ‘liberdade’, ‘igualdade’, ‘proteção’ e ‘bem-es-
rado o principal instrumento de declaração de direitos humanos tar da comunidade’, é possível abarcar quase tudo aquilo que tem
universais, qual seja a Declaração Universal de 1948, desde o seu que ser levado em consideração em um sopesamento de direitos
início a coloca não só como principal norte de interpretação das fundamentais”. Por sua vez, “segundo a lei do sopesamento, a me-
normas de direitos humanos como um todo, mas como a justifica- dida permitida de não-satisfação ou de afetação de um princípio
tiva principal para a criação de um sistema internacional com tal
depende do grau de importância da satisfação do outro”9 .
natureza de proteção.
Os fundamentos de direitos humanos servem como norte para
Comparato7 aponta outros fundamentos de direitos humanos
toda norma de proteção dos direitos humanos, tanto no processo de
associados à dignidade da pessoa humana:
elaboração quanto no de aplicação, sempre tendo em vista a pro-
a) Autoconsciência: “Contrariamente aos outros animais, o
homem não tem apenas memória de fatos exteriores, incorporada moção da dignidade da pessoa humana em todas suas dimensões
ao mecanismo de seus instintos, mas possui a consciência de sua de direitos.
própria subjetividade, no tempo e no espaço; sobretudo, consciên- Os direitos humanos possuem as seguintes características
cia de sua condição de ser vivente e mortal”. principais:
b) Sociabilidade: “[...] o indivíduo humano somente desen- 1) Historicidade: os direitos humanos possuem antecedentes
volve as suas virtualidades de pessoa, isto é, de homem capaz de históricos relevantes e, através dos tempos, adquirem novas pers-
cultura e auto-aperfeiçoamento, quando vive em sociedade. É pre- pectivas. Nesta característica se enquadra a noção de dimensões
ciso não esquecer que as qualidades eminentes e próprias do ser de direitos.
humano - a razão, a capacidade de criação estética, o amor - são 2) Universalidade: os direitos humanos pertencem a todos e
essencialmente comunicativas”. por isso se encontram ligados a um sistema global (ONU), o que
c) Historicidade: “A substância da natureza humana é his- impede o retrocesso.
tórica, isto é, vive em perpétua transformação, pela memória do 3) Inalienabilidade: os direitos humanos não possuem con-
passado e o projeto do futuro”. teúdo econômico-patrimonial, logo, são intransferíveis, inegoci-
d) Unicidade existencial: “outra característica essencial da áveis e indisponíveis, estando fora do comércio, o que evidencia
condição humana é o fato de que cada um de nós se apresenta uma limitação do princípio da autonomia privada.
como um ente único e rigorosamente insubstituível no mundo”. 4) Irrenunciabilidade: direitos humanos não podem ser re-
Outro fundamento de direitos humanos é a democracia. A nunciados pelo seu titular devido à fundamentalidade material des-
adoção da forma democrática de Estado aparece como fundamento tes direitos para a dignidade da pessoa humana.
dos direitos humanos por ser um pressuposto para que eles pos- 5) Inviolabilidade: direitos humanos não podem deixar de ser
sam ser adequadamente exercidos. Em outras palavras, fora de um observados por disposições infraconstitucionais ou por atos das
Estado democrático, não há possibilidade de exercício pleno de autoridades públicas, sob pena de nulidades.
nenhuma das dimensões de direito: a liberdade fica tolhida pela 6) Indivisibilidade: os direitos humanos compõem um único
censura, os direitos políticos pelo impedimento da participação conjunto de direitos porque não podem ser analisados de maneira
popular, os direitos econômicos, sociais e culturais pela manipula- isolada, separada.
ção de recursos ao que é conveniente ao governo antidemocrático
7) Imprescritibilidade: os direitos humanos não se perdem
e não ao interesse coletivo, os direitos de solidariedade pela im-
com o tempo, não prescrevem, uma vez que são sempre exercíveis
possibilidade de criação de consciência coletiva sem o exercício
e exercidos, não deixando de existir pela falta de uso (prescrição).
e a efetivação dos direitos individuais. Na Declaração de 1948,
8) Complementaridade: os sistemas regionais descentrali-
o conceito de democracia aparece associado adequadamente ao
pressuposto de um Estado de Direito que propicie e assegure todos zam a ONU para respeitar a complementaridade, ou seja, os di-
os direitos humanos e fundamentais. ferentes elementos de base cultural, religiosa e social das diversas
Pode-se afirmar que o centro das três primeiras dimensões de regiões.
direitos humanos consagrados também constituem fundamentos 8 ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais.
de direitos humanos, quais sejam: liberdade, igualdade e frater- Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2. ed. São Paulo: Malheiros,
7 COMPARATO, Fábio Konder. Fundamento dos 2011.
Direitos Humanos. Instituto de Estudos Avançados da USP, 9 ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais.
1997. Disponível em: <http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/ Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2. ed. São Paulo: Malheiros,
comparatodireitoshumanos.pdf>. Acesso em: 02 jul. 2013. 2011.

Didatismo e Conhecimento 21
NOÇÕES DE DIREITO
9) Interdependência: as dimensões de direitos humanos mas com a legislação passou a ter um conteúdo palpável, de modo
apresentam uma relação orgânica entre si, logo, a dignidade da que a justiça deveria corresponder às leis da cidade; entretanto, é
pessoa humana deve ser buscada por meio da implementação mais preciso considerar que os costumes primitivos trazem o justo por
eficaz e uniforme das liberdades clássicas, dos direitos sociais, natureza, que pode se contrapor ao justo por convenção ou legisla-
econômicos e de solidariedade como um todo único e indissolúvel. ção, devendo prevalecer o primeiro, que se refere ao naturalmente
10) Efetividade: para dar efetividade aos direitos humanos a justo, sendo esta a origem da ideia de lei natural.
ONU se subdivide, isto é, o tratamento é global mas certas áreas De início, a literatura grega trouxe na obra Antígona uma dis-
irão cuidar de determinados direitos de suas regiões. Além disso, cussão a respeito da prevalência da lei natural sobre a lei posta. Na
há uma descentralização para os sistemas regionais para preservar obra, a protagonista discorda da proibição do rei Creonte de que
a complementaridade, sem a qual não há efetividade. Reflete tal seu irmão fosse enterrado, uma vez que ele teria traído a pátria. As-
característica a aplicabilidade imediata dos direitos humanos pre- sim, enterra seu irmão e argumenta com o rei que nada do que seu
vista no art. 5°, §1° da Constituição Federal. irmão tivesse feito em vida poderia dar o direito ao rei de violar a
11) Relatividade: o princípio da relatividade dos direitos hu- regra imposta pelos deuses de que todo homem deveria ser enter-
manos possui dois sentidos: por um, o multiculturalismo existente rado para que pudesse partir desta vida: a lei natural prevaleceria
no globo impede que a universalidade se consolide plenamente, então sobre a ordem do rei.13
de forma que é preciso levar em consideração as culturas locais Os sofistas, seguidores de Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.), o
para compreender adequadamente os direitos humanos; por outro, primeiro grande filósofo grego, questionaram essa concepção de
os direitos humanos não podem ser utilizados como um escudo lei natural, pois a lei estabelecida na polis, fruto da vontade dos
para práticas ilícitas ou como argumento para afastamento ou di- cidadãos, seria variável no tempo e no espaço, não havendo que
minuição da responsabilidade por atos ilícitos, assim os direitos se falar num direito imutável; ao passo que Aristóteles (384 a.C. -
humanos não são ilimitados e encontram seus limites nos demais 322 a.C.), que o sucedeu, estabeleceu uma divisão entre a justiça
direitos igualmente consagrados como humanos. positiva e a natural, reconhecendo que a lei posta poderia não ser
O surgimento dos direitos humanos está envolvido num his- justa14.
tórico complexo no qual pesaram vários fatores: tradição huma- Aristóteles15 argumenta: “lei particular é aquela que cada co-
nista, recepção do direito romano, senso comum da sociedade da munidade determina e aplica a seus próprios membros; ela é em
Europa na Idade Média, tradição cristã, entre outros10. Com efeito, parte escrita e em parte não escrita. A lei universal é a lei da na-
são muitos os elementos relevantes para a formação do conceito tureza. Pois, de fato, há em cada um alguma medida do divino,
de direitos humanos tal qual perceptível na atualidade de forma uma justiça natural e uma injustiça que está associada a todos os
que é difícil estabelecer um histórico linear do processo de forma- homens, mesmo naqueles que não têm associação ou pacto com
ção destes direitos. Entretanto, é possível apontar alguns fatores outro”.
históricos e filosóficos diretamente ligados à construção de uma Nesta linha, destaca-se o surgimento do estoicismo, doutri-
concepção contemporânea de direitos humanos. na que se desenvolveu durante seis séculos, desde os últimos três
É a partir do período axial (800 a.C. a 200 a.C.), ou seja, mes- séculos anteriores à era cristã até os primeiros três séculos desta
mo antes da existência de Cristo, que o ser humano passou a ser era, mas que trouxe ideias que prevaleceram durante toda a Idade
considerado, em sua igualdade essencial, como um ser dotado de Média e mesmo além dela. O estoicismo organizou-se em torno
liberdade e razão. Surgiam assim os fundamentos intelectuais para de algumas ideias centrais, como a unidade moral do ser humano
a compreensão da pessoa humana e para a afirmação da existência e a dignidade do homem, considerado filho de Zeus e possuidor,
de direitos universais, porque a ela inerentes. Durante este período como consequência, de direitos inatos e iguais em todas as partes
que despontou a ideia de uma igualdade essencial entre todos os do mundo, não obstante as inúmeras diferenças individuais e gru-
homens. Contudo, foram necessários vinte e cinco séculos para pais16.
que a Organização das Nações Unidas - ONU, que pode ser con- Influenciado pelos estóicos, Cícero (106 a.C. - 43 a.C.), um
siderada a primeira organização internacional a englobar a quase- dos principais pensadores do período da jovem república romana,
-totalidade dos povos da Terra, proclamasse, na abertura de uma também defendeu a existência de uma lei natural. Neste sentido é
Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, que “todos a assertiva de Cícero17: “a razão reta, conforme à natureza, gravada
os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”11. em todos os corações, imutável, eterna, cuja voz ensina e pres-
No berço da civilização grega continuou a discussão a respei- creve o bem, afasta do mal que proíbe e, ora com seus mandados,
to da existência de uma lei natural inerente a todos os homens. As ora com suas proibições, jamais se dirige inutilmente aos bons,
premissas da concepção de lei natural estão justamente na discus- nem fica impotente ante os maus. Essa lei não pode ser contestada,
são promovida na Grécia antiga, no espaço da polis. Neste sentido, nem derrogada em parte, nem anulada; não podemos ser isentos de
destaca Assis12 que, originalmente, a concepção de lei natural está 13 SÓFOCLES. Édipo rei / Antígona. Tradução Jean
ligada não só à de natureza, mas também à de diké: a noção de Melville. São Paulo: Martin Claret, 2003.
justiça simbolizada a partir da deusa diké é muito ampla e abstrata, 14 ASSIS, Olney Queiroz. O estoicismo e o Direito: justiça,
10 COSTA, Paulo Sérgio Weyl A. Direitos Humanos e liberdade e poder. São Paulo: Lúmen, 2002.
Crítica Moderna. Revista Jurídica Consulex. São Paulo, ano XIII, 15 ARISTÓTELES. Retórica. Tradução Marcelo Silvano
n. 300, p. 27-29, jul. 2009. Madeira. São Paulo: Rideel, 2007. 
11 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica 16 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica
dos Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. dos Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
12 ASSIS, Olney Queiroz. O estoicismo e o Direito: justiça, 17 CÍCERO, Marco Túlio. Da República. Tradução Amador
liberdade e poder. São Paulo: Lúmen, 2002. Cisneiros. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

Didatismo e Conhecimento 22
NOÇÕES DE DIREITO
seu cumprimento pelo povo nem pelo senado; não há que procurar Em geral, o absolutismo europeu foi marcado profundamen-
para ela outro comentador nem intérprete; não é uma lei em Roma te pelo antropocentrismo, colocando o homem no centro do uni-
e outra em Atenas, - uma antes e outra depois, mas uma, sempiter- verso, ocupando o espaço de Deus. Naturalmente, as premissas
na e imutável, entre todos os povos e em todos os tempos”. da lei natural passaram a ser questionadas, já que geralmente se
Com a queda do Império Romano, iniciou-se o período me- associavam à dimensão do divino. A negação plena da existência
dieval, predominantemente cristianista. Um dos grandes pensado- de direitos inatos ao homem implicava em conferir um poder irres-
res do período, Santo Tomás de Aquino (1225 d.C. -1274 d.C.)18, trito ao soberano, o que gerou consequências que desagradavam a
supondo que o mundo e toda a comunidade do universo são regi- burguesia.
dos pela razão divina e que a própria razão do governo das coisas O príncipe, obra de Maquiavel (1469 d.C. - 1527 d.C.) consi-
em Deus fundamenta-se em lei, entendeu que existe uma lei eterna derada um marco para o pensamento absolutista, relata com preci-
ou divina, pois a razão divina nada concebe no tempo e é sempre são este contexto no qual o poder do soberano poderia se sobrepor
eterna. Com base nisso, Aquino19 chamou de lei natural “a par- a qualquer direito alegadamente inato ao ser humano desde que
ticipação da lei eterna na lei racional”. Sobre o conteúdo da lei sua atitude garantisse a manutenção do poder. Maquiavel22 consi-
natural, definiu Aquino (2005, p. 562) que “todas aquelas coisas dera “na conduta dos homens, especialmente dos príncipes, contra
que devem ser feitas ou evitadas pertencem aos preceitos da lei de a qual não há recurso, os fins justificam os meios. Portanto, se um
natureza, que a razão prática naturalmente apreende ser bens hu- príncipe pretende conquistar e manter o poder, os meios que em-
manos”. Logo, a lei natural determina o agir virtuoso, o que se es- pregue serão sempre tidos como honrosos, e elogiados por todos,
pera do homem em sociedade, independentemente da lei humana. pois o vulgo atenta sempre para as aparências e os resultados”.
Com a concepção medieval de pessoa humana é que se iniciou Os monarcas dos séculos XVI, XVII e XVIII agiam de forma
um processo de elaboração em relação ao princípio da igualdade autocrática, baseados na teoria política desenvolvida até então que
de todos, independentemente das diferenças existentes, seja de or- negava a exigência do respeito à Ética, logo, ao direito natural,
dem biológica, seja de ordem cultural. Foi assim, então, que surgiu no espaço público. Somente num momento histórico posterior se
o conceito universal de direitos humanos, com base na igualdade permitiu algum resgate da aproximação entre a Moral e o Direito,
essencial da pessoa20. qual seja o da Revolução Intelectual dos séculos XVII e XVIII,
No processo de ascensão do absolutismo europeu, a monar- com o movimento do Iluminismo, que conferiu alicerce para as
quia da Inglaterra encontrou obstáculos para se estabelecer no iní- Revoluções Francesa e Industrial - ainda assim a visão antropocen-
cio do século XIII, sofrendo um revés. Ao se tratar da formação trista permaneceu, mas começou a se consolidar a ideia de que não
da monarquia inglesa, em 1215 os barões feudais ingleses, em era possível que o soberano impusesse tudo incondicionalmente
uma reação às pesadas taxas impostas pelo Rei João Sem-Terra, aos seus súditos.
impuseram-lhe a Magna Carta. Referido documento, em sua aber- Com efeito, quando passou a se questionar o conceito de So-
tura, expõe a noção de concessão do rei aos súditos, estabelece a berano, ao qual todos deveriam obediência mas que não deveria
existência de uma hierarquia social sem conceder poder absoluto obedecer a ninguém. Indagou-se se os indivíduos que colocaram
ao soberano, prevê limites à imposição de tributos e ao confisco, o Soberano naquela posição (pois sem povo não há Soberano) te-
constitui privilégios à burguesia e traz procedimentos de julga- riam direitos no regime social e, em caso afirmativo, quais seriam
mento ao prever conceitos como o de devido processo legal, ha- eles. As respostas a estas questões iniciam uma visão moderna do
beas corpus e júri. Não que a carta se assemelhe a uma declaração direito natural, reconhecendo-o como um direito que acompanha
de direitos humanos, principalmente ao se considerar que poucos o cidadão e não pode ser suprimido em nenhuma circunstância.23
homens naquele período eram de fato livres, mas ela foi funda- Antes que despontassem as grandes revoluções que interrom-
mental naquele contexto histórico de falta de limites ao soberano21. peram o contexto do absolutismo europeu, na Inglaterra houve uma
A Magna Carta de 1215 instituiu ainda um Grande Conselho que árdua discussão sobre a garantia das liberdades pessoais, ainda que
foi o embrião para o Parlamento inglês, embora isto não signifique o foco fosse a proteção do clero e da nobreza. Quando a dinastia
que o poder do rei não tenha sido absoluto em certos momentos, Stuart tentou transformar o absolutismo de fato em absolutismo
como na dinastia Tudor. Havia um absolutismo de fato, mas não de direito, ignorando o Parlamento, este impôs ao rei a Petição de
de Direito. Direitos de 1948, que exigia o cumprimento da Magna Carta de
18 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. Tradução 1215. Contudo, o rei se recusou a fazê-lo, fechando por duas vezes
Aldo Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Galache e Fidel o Parlamento, sendo que a segunda vez gerou uma violenta reação
García Rodríguez. Coordenação Geral Carlos-Josaphat Pinto de que desencadeou uma guerra civil. Após diversas transições no
Oliveira. Edição Joaquim Pereira. São Paulo: Loyola, 2005b. v. trono inglês, despontou a Revolução Gloriosa que durou de 1688
VI, parte II, seção II, questões 57 a 122. até 1689, conferindo-se o trono inglês a Guilherme de Orange, que
19 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. Tradução aceitou a Declaração de Direitos - Bill of Rights.
Aldo Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Galache e Fidel Todo este movimento resultou, assim, nas garantias expres-
García Rodríguez. Coordenação Geral Carlos-Josaphat Pinto de sas do habeas corpus e do Bill of Rights de 1698. Por sua vez,
Oliveira. Edição Joaquim Pereira. São Paulo: Loyola, 2005b. v. a instituição-chave para a limitação do poder monárquico e para
VI, parte II, seção II, questões 57 a 122. garantia das liberdades na sociedade civil foi o Parlamento e foi
20 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica 22 MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução Pietro
dos Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007.
21 AMARAL, Sérgio Tibiriçá. Magna Carta: Algumas 23 COSTA, Paulo Sérgio Weyl A. Direitos Humanos e
Contribuições Jurídicas. Revista Intertemas: revista da Toledo. Crítica Moderna. Revista Jurídica Consulex. São Paulo, ano XIII,
Presidente Prudente, ano 09, v. 11, p. 201-227, nov. 2006. n. 300, p. 27-29, jul. 2009.

Didatismo e Conhecimento 23
NOÇÕES DE DIREITO
a partir do Bill of Rights britânico que surgiu a ideia de governo 2) Já a Revolução Francesa decorreu da incapacidade do
representativo, ainda que não do povo, mas pelo menos de suas governo de resolver sua crise financeira, ascendendo com isso a
camadas superiores24. classe burguesa (sans-culottes), sendo o primeiro evento de tal as-
Tais ideias liberais foram importantes como base para o Ilu- censão a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, seguida por
minismo, que se desencadeou por toda a Europa. Destaca-se que outros levantes populares. Derrubados os privilégios das classes
quando isso ocorreu, em meados do século XVIII, se dava o ad- dominantes, a Assembleia se reuniu para o preparo de uma carta
vento do capitalismo em sua fase industrial. O processo de forma- de liberdades, que veio a ser a Declaração dos Direitos do Homem
ção do capitalismo e a ascensão da burguesia trouxeram implica- e do Cidadão.26
ções profundas no campo teórico, gerando o Iluminismo. Entre outras noções, tal documento previu: a liberdade e
O Iluminismo lançou base para os principais eventos que igualdade entre os homens quanto aos seus direitos (artigo 1º), a
ocorreram no início da Idade Contemporânea, quais sejam as Re- necessidade de conservação dos seus direitos naturais, quais sejam
voluções Francesa, Americana e Industrial. Tiveram origem nestes a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão
movimentos todos os principais fatos do século XIX e do início do (artigo 2º); a limitação do direito de liberdade somente por lei (ar-
século XX, por exemplo, a disseminação do liberalismo burguês, o
tigo 4º); o princípio da legalidade (artigo 7º); o princípio da ino-
declínio das aristocracias fundiárias e o desenvolvimento da cons-
cência (artigo 9º); a manifestação livre do pensamento (artigos 10
ciência de classe entre os trabalhadores25.
e 11); e a necessária separação de poderes (artigo 16).
Jonh Locke (1632 d.C. - 1704 d.C.) foi um dos pensadores da
3) Por sua vez, a Revolução Industrial, que começou na Ingla-
época, transportando o racionalismo para a política, refutando o
Estado Absolutista, idealizando o direito de rebelião da sociedade terra, criou o sistema fabril, o que reformulou a vida de homens
civil e afirmando que o contrato entre os homens não retiraria o e mulheres pelo mundo todo, não só pelos avanços tecnológicos,
seu estado de liberdade. Ao lado dele, pode ser colocado Montes- mas notadamente por determinar o êxodo de milhões de pessoas
quieu (1689 d.C. - 1755 d.C.), que avançou nos estudos de Locke do interior para as cidades. Os milhares de trabalhadores se sujei-
e na obra O Espírito das Leis estabeleceu em definitivo a clássica tavam a jornadas longas e desgastantes, sem falar nos ambientes
divisão de poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Por fim, insalubres e perigosos, aos quais se sujeitavam inclusive as crian-
merece menção o pensador Rousseau (1712 d.C. - 1778 d.C.), de- ças. Neste contexto, surgiu a consciência de classe27, lançando-se
fendendo que o homem é naturalmente bom e formulando na obra base para uma árdua luta pelos direitos trabalhistas.
O Contrato Social a teoria da vontade geral, aceita pela pequena Fato é que quanto maior a autonomia de vontade - buscada
burguesia e pelas camadas populares face ao seu caráter democrá- nas revoluções anteriores - melhor funciona o mercado capitalista,
tico. Enfim, estes três contratualistas trouxeram em suas obras as beneficiando quem possui maior número de bens. Assim, a clas-
ideias centrais das Revoluções Francesa e Americana. Em comum, se que detinha bens, qual seja a burguesia, ampliou sua esfera de
defendiam que o Estado era um mal necessário, mas que o sobera- poder, enquanto que o proletariado passou a ser vítima do poder
no não possuía poder divino/absoluto, sendo suas ações limitadas econômico. No Estado Liberal, aquele que não detém poder eco-
pelos direitos dos cidadãos submetidos ao regime estatal. No en- nômico fica desprotegido. O indivíduo da classe operária sozinho
tanto, Rousseau era o pensador que mais se diferenciava dos dois não tinha defesa, mas descobriu que ao se unir com outros em situ-
anteriores, que eram mais individualistas e trouxeram os principais ação semelhante poderia conquistar direitos. Para tanto, passaram
fundamentos do Estado Liberal, porque defendia a entrega do po- a organizar greves.
der a quem realmente estivesse legitimado para exercê-lo, pensa- Nasceu, assim, o direito do trabalho, voltado à proteção da
mento que mais se aproxima da atual concepção de democracia. vítima do poder econômico, o trabalhador. Parte-se do princípio
1) O primeiro grande movimento desencadeado foi a Re- da hipossuficiência do trabalhador, que é o princípio da proteção
volução Americana. Em 1776 se deu a independência das treze e que gerou os princípios da primazia, da irredutibilidade de ven-
Colônias da América Continental Britânica, registrada na Decla- cimentos e outros. Nota-se que no campo destes direitos e dos de-
ração de Direitos do Homem e, posteriormente, na Declaração de mais direitos econômicos, sociais e culturais não basta uma postu-
Independência. Após diversas batalhas, a Inglaterra reconheceu a
ra do indivíduo: é preciso que o Estado interfira e controle o poder
independência em 1783. Destacam-se alguns pontos do primeiro
econômico.
documento: o artigo I do referido documento assegura a igualdade
Entre os documentos relevantes que merecem menção nesta
de todos de maneira livre e independente, considerando esta como
esfera, destacam-se: Constituição do México de 1917, Constitui-
um direito inato; o artigo II estabelece que o poder pertence ao
povo e que o Estado é responsável perante ele; o artigo V prevê ção Alemã de Weimar de 1919 e Tratado de Versalhes de 1919,
a separação dos poderes e o artigo VI institui a realização de elei- sendo que o último instituiu a Organização Internacional do Tra-
ções diretas, necessariamente. A declaração americana estava mais balho - OIT (que emitia convenções e recomendações) e pôs fim à
voltada aos americanos do que à humanidade, razão pela qual a Primeira Guerra Mundial.
Revolução Francesa costuma receber mais destaque num cenário 26 BURNS, Edward McNall. História da civilização
histórico global. ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed.
24 COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica Atualização Robert E. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo:
dos Direitos Humanos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Globo, 2005. v. 2.
25 BURNS, Edward McNall. História da civilização 27 BURNS, Edward McNall. História da civilização
ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed.
Atualização Robert E. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: Atualização Robert E. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo:
Globo, 2005. v. 2. Globo, 2005. v. 2.

Didatismo e Conhecimento 24
NOÇÕES DE DIREITO
No final do século XIX e no início de século XX, o mundo jurídico da gestão totalitária. Este amorfismo reflete-se tanto em
passou por variadas crises de instabilidade diplomática, posto que matéria constitucional quanto em todos os desdobramentos norma-
vários países possuíam condições suficientes para se sobreporem tivos. A Constituição de Weimar nunca foi ab-rogada durante o re-
sobre os demais, resultado dos avanços tecnológicos e das me- gime nazista, mas a lei de plenos poderes de 24 de março de 1933
lhorias no padrão de vida da sociedade. Neste contexto, surgiram teve não só o efeito de legalizar a posse de Hitler no poder como o
condições para a eclosão das duas Guerras Mundiais, eventos que de legalizar geral e globalmente as suas ações futuras. Dessa ma-
alteraram o curso da história da civilização ocidental. Entre estas, neira, como apontou Carl Schmitt - escrevendo depois da II Guer-
destaca-se a Segunda Guerra Mundial, cujos eventos foram marca- ra Mundial -, Hitler foi confirmado no poder, tornando-se a fonte
dos pela desumanização: todos com o devido respaldo jurídico pe- de toda legalidade positiva, em virtude de uma lei do Parlamento
rante o ordenamento dos países que determinavam os atos. A teoria que modificou a Constituição. Também a Constituição stalinista
jurídica que conferiu fundamento a um Direito que aceitasse tantas de 1936, completamente ignorada na prática, nunca foi abolida”.
barbáries, sem perder a sua validade, foi o Positivismo que teve No dia 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Na-
como precursor Hans Kelsen, com a obra Teoria Pura do Direito. ções Unidas elaborou a Declaração Universal dos Direitos Huma-
No entender de Kelsen28, a justiça não é a característica que nos. Um dos principais pensadores que contribuiu para a Declara-
distingue o Direito das outras ordens coercitivas porque é relativo
ção Universal dos Direitos Humanos de 1948 foi Maritain32, que
o juízo de valor segundo o qual uma ordem pode ser considerada
entendia que os direitos humanos da pessoa como tal se fundamen-
justa. Percebe-se que a Moral é afastada como conteúdo necessário
tam no fato de que a pessoa humana é superior ao Estado, que não
do Direito, já que a justiça é o valor moral inerente ao Direito.
pode impor a ela determinados deveres e nem retirar dela alguns
.A Segunda Guerra Mundial chegou ao fim somente em 1945,
após uma sucessão de falhas alemãs, que impediram a conquista de direitos, por ser contrário à lei natural. Em suma, para o filósofo
Moscou, desprotegeram a Itália e impossibilitaram o domínio da o homem ético é fiel aos valores da verdade, da justiça e do amor,
região setentrional da Rússia (produtora de alimentos e petróleo). e segue a doutrina cristã para determinar seus atos: tais elementos
Já o evento que culminou na rendição do Japão foi o lançamento determinam o agir moral e levam à produção do bem na sociedade
das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. O mundo somente humanista integral.
tomou conhecimento da extensão da tirania alemã quando os exér- Moraes33 lembra que a Declaração de 1948 foi a mais impor-
citos Aliados abriram os campos de concentração na Alemanha e tante conquista no âmbito dos direitos humanos fundamentais em
nos países por ela ocupados, encontrando prisioneiros famintos, nível internacional, muito embora o instrumento adotado tenha
doentes e brutalizados, além de milhões de corpos dos judeus, po- sido uma resolução, não constituindo seus dispositivos obriga-
loneses, russos, ciganos, homossexuais e traidores do Reich em ções jurídicas dos Estados que a compõem. O fato é que desse
geral, que foram perseguidos, torturados e mortos29. documento se originaram muitos outros, nos âmbitos nacional e
Vale ressaltar a constituição de um órgão que foi o responsá- internacional, sendo que dois deles praticamente repetem e por-
vel por redigir o primeiro documento de relevância internacional menorizam o seu conteúdo, quais sejam: o Pacto Internacional dos
abrangendo a questão dos direitos humanos. Em 26 de junho de Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Eco-
1945 foi assinada a carta de organização das Nações Unidas, que nômicos, Sociais e Culturais, ambos de 1966.
tem por fundamento o princípio da igualdade soberana de todos os Ainda internacionalmente, após os pactos mencionados, vá-
estados que buscassem a paz, possuindo uma Assembleia Geral, rios tratados internacionais surgiram. Nesta linha, Piovesan34
um Conselho de Segurança, uma Secretaria, em Conselho Econô- apontou os seguintes documentos: Convenção Internacional sobre
mico e Social, um Conselho de Mandatos e um Tribunal Interna- a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial, Con-
cional de Justiça30. venção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação
Entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946 re- contra a Mulher, Convenção sobre os Direitos da Criança, Con-
alizou-se o Tribunal de Nuremberg, ao qual foram submetidos a venção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Convenção
julgamento os principais líderes nazistas, o principal argumento contra a Tortura, etc.
levantado foi o de que todas as ações praticadas foram baseadas Ao lado do sistema global surgiram os sistemas regionais de
em ordens superiores, todas dotadas de validade jurídica perante
proteção, que buscam internacionalizar os direitos humanos no
a Constituição. Explica Lafer31: “No plano do Direito, uma das
plano regional, em especial na Europa, na América e na África35.
maneiras de assegurar o primado do movimento foi o amorfismo
Resultou deste processo a Convenção Americana de Direitos Hu-
28 KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed. Tradução
manos (Pacto de São José da Costa Rica) de 1969.
João Baptista Machado. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
29 BURNS, Edward McNall. História da civilização 32 MARITAIN, Jacques. Os direitos do homem e a lei
ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. natural. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora,
Atualização Robert E. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: 1967.
Globo, 2005. v. 2. 33 MORAES, Alexandre de. Direitos humanos
30 BURNS, Edward McNall. História da civilização fundamentais: teoria geral, comentários aos artigos 1º a 5º da
ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. 43. ed. Constituição da República Federativa do Brasil, doutrina e
Atualização Robert E. Lerner e Standisch Meacham. São Paulo: jurisprudência. São Paulo: Atlas, 1997.
Globo, 2005. v. 2. 34 PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito
31 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: Constitucional Internacional. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia. 35 PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito
das Letras, 2009. Constitucional Internacional. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

Didatismo e Conhecimento 25
NOÇÕES DE DIREITO
No âmbito nacional, destacam-se as positivações nos textos Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
das Constituições Federais. Afinal, como explica Lafer36, a afir- indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, cons-
mação do jusnaturalismo moderno de um direito racional, univer- titui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamen-
salmente válido, gerou implicações relevantes na teoria constitu- tos:
cional e influenciou o processo de codificação a partir de então. [...]
Embora muitos direitos humanos também se encontrem nos textos III - a dignidade da pessoa humana;
constitucionais, aqueles não positivados na Carta Magna também
possuem proteção porque o fato de este direito não estar assegura- Percebe-se o porquê da dignidade da pessoa humana ter tanto
do constitucionalmente é uma ofensa à ordem pública internacio- destaque no sistema jurídico internacional e nacional, sendo men-
nal, ferindo o princípio da dignidade humana. ção constante nas legislações específicas e nas decisões judiciais,
bem como objeto de estudo na doutrina jurídica.

Estabelecer um conceito para a dignidade da pessoa humana


2.2.2 A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
é uma tarefa complicada, notadamente face à altíssima densidade
E OS VALORES DA LIBERDADE, DA 
normativa inerente a este fundamento.
IGUALDADE E DA SOLIDARIEDADE
Sem pretender estabelecer uma definição fechada ou plena, é
possível conceituar dignidade da pessoa humana como o principal
valor do ordenamento ético e, por consequência, jurídico que pre-
tende colocar a pessoa humana como um sujeito pleno de direitos
A dignidade da pessoa humana é o valor-base de interpretação e obrigações na ordem internacional e nacional, cujo desrespeito
de qualquer sistema jurídico, internacional ou nacional, que possa acarreta a própria exclusão de sua personalidade.
se considerar compatível com os valores éticos, notadamente da O Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, do Tri-
moral, da justiça e da democracia. Pensar em dignidade da pessoa bunal Superior do Trabalho, trouxe interessante conceito numa das
humana significa, acima de tudo, colocar a pessoa humana como decisões que relatou: “a dignidade consiste na percepção intrín-
centro e norte para qualquer processo de interpretação jurídico, seca de cada ser humano a respeito dos direitos e obrigações, de
seja na elaboração da norma, seja na sua aplicação. modo a assegurar, sob o foco de condições existenciais mínimas,
A importância do princípio da dignidade da pessoa humana já a participação saudável e ativa nos destinos escolhidos, sem que
pode ser detraída com a sua aparição no preâmbulo e no primeiro isso importe destilação dos valores soberanos da democracia e das
artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: liberdades individuais. O processo de valorização do indivíduo
articula a promoção de escolhas, posturas e sonhos, sem olvidar
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a que o espectro de abrangência das liberdades individuais encon-
todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e tra limitação em outros direitos fundamentais, tais como a honra,
inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no a vida privada, a intimidade, a imagem. Sobreleva registrar que
mundo, essas garantias, associadas ao princípio da dignidade da pessoa hu-
[...] mana, subsistem como conquista da humanidade, razão pela qual
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, auferiram proteção especial consistente em indenização por dano
na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade moral decorrente de sua violação”37.
e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos ho- Pela própria impossibilidade de se estabelecer um conceito
mens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social fechado, a doutrina se limita a relatar a importância da dignidade
e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, da pessoa humana, buscando enquadrá-la em termos históricos e
[...] filosóficos, com as devidas correlações quanto à universalidade e à
Artigo I validade dos direitos humanos.
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direi- Para Reale38, a evolução histórica demonstra o domínio de um
tos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação valor sobre o outro, ou seja, a existência de uma ordem gradativa
umas às outras com espírito de fraternidade. entre os valores; mas existem os valores fundamentais e os secun-
dários, sendo que o valor fonte é o da pessoa humana. Nesse sen-
A menção constante da dignidade no que pode ser conside- tido, são os dizeres de Reale39: “partimos dessa ideia, a nosso ver
rado o principal instrumento de declaração de direitos humanos básica, de que a pessoa humana é o valor-fonte de todos os valores.
universais desde o seu início a coloca não só como principal norte O homem, como ser natural biopsíquico, é apenas um indivíduo
de interpretação das normas de direitos humanos como um todo, entre outros indivíduos, um ente animal entre os demais da mes-
mas como a justificativa principal para a criação de um sistema ma espécie. O homem, considerado na sua objetividade espiritual,
internacional com tal natureza de proteção. 37 Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Revista n.
Como seria natural, a dignidade da pessoa humana foi trans- 259300-59.2007.5.02.0202. Relator: Alberto Luiz Bresciani de
posta para os textos constitucionais dos países democráticos, in- Fontan Pereira. Brasília, 05 de setembro de 2012. Disponível em:
clusive o brasileiro, na qualidade de fundamento da república fe- www.tst.gov.br. Acesso em: 17 nov. 2012.
derativa: 38 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo:
36 LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: Saraiva, 2002.
um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia. 39 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo:
das Letras, 2009. Saraiva, 2002.

Didatismo e Conhecimento 26
NOÇÕES DE DIREITO
enquanto ser que só realiza no sentido de seu dever ser, é o que e passando a envolver a manutenção da sociedade sustentável. A
chamamos de pessoa. Só o homem possui a dignidade originária teoria das dimensões de direitos humanos foi identificada por Ka-
de ser enquanto deve ser, pondo-se essencialmente como razão de- rel Vasak.
terminante do processo histórico”. É pacífico que as três primeiras dimensões de direitos humanos
Ou ainda, aponta Barroso40: “o princípio da dignidade da pes- envolvem: 1) direitos civis e políticos (LIBERDADE); 2) direitos
soa humana identifica um espaço de integridade moral a ser asse- sociais, econômicos e culturais (IGUALDADE MATERIAL); 3)
gurado a todas as pessoas por sua só existência no mundo. É um direitos ambientais e de solidariedade (FRATERNIDADE). Desta-
respeito à criação, independente da crença que se professe quanto à ca-se que as três primeiras dimensões de direitos remetem ao lema
sua origem. A dignidade relaciona-se tanto com a liberdade e valo- da Revolução Francesa: “Liberdade, igualdade, fraternidade”.
res do espírito como com as condições materiais de subsistência”. Em relação à primeira dimensão de direitos, inicialmente, de-
Por sua vez, Bonavides41 entende que “a vinculação essencial nota-se a afirmação dos direitos de liberdade, referente aos direitos
dos direitos fundamentais à liberdade e à dignidade humana, en- que tendem a limitar o poder estatal e reservar parcela dele para o
quanto valores históricos e filosóficos, nos conduzirá sem óbices indivíduo (liberdade em relação ao Estado), sendo que posterior-
ao significado da universalidade inerente a esses direitos como ide- mente despontam os direitos políticos, relativos às liberdades posi-
al da pessoa humana”. tivas no sentido de garantir uma participação cada vez mais ampla
Uma das características dos direitos humanos é a interdepen- dos indivíduos no poder político (liberdade no Estado). Os dois
dência, segundo a qual as dimensões de direitos humanos apre- movimentos que levaram à afirmação dos direitos de primeira di-
sentam uma relação orgânica entre si. Logo, a dignidade da pessoa mensão, que são os direitos de liberdade e os direitos políticos, fo-
humana deve ser buscada por meio da implementação mais eficaz ram a Revolução Americana, que culminou na Declaração de Vir-
e uniforme das liberdades clássicas, dos direitos sociais, econômi- gínia (1776), e a Revolução Francesa, cujo documento essencial
cos e de solidariedade como um todo único e indissolúvel. foi a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789)43.
As dimensões de direitos humanos não são estanques, mas Quanto à segunda dimensão, foram proclamados os direitos
sim complementares. Somam-se e dialogam uma com a outra, sociais, expressando o amadurecimento das novas exigências
formando um completo sistema de proteção da pessoa humana. como as de bem-estar e igualdade material (liberdade por meio
Toma-se o pressuposto de que todos os bens jurídicos garantidos à do Estado). Durante a Revolução Industrial tomaram proporção
pessoa humana devem ser preservados e respeitados, sob pena de os direitos de segunda dimensão, que são os direitos sociais, re-
uma proteção defeituosa. Por isso mesmo, a nomenclatura dimen- fletindo a busca do trabalhador por condições dignas de trabalho,
são é mais adequada do que geração. remuneração adequada, educação e assistência social em caso de
Aprofunda Piovesan42, ao explicar a estrutura da Declaração invalidez ou velhice, garantindo o amparo estatal à parte mais fra-
de 1948 sob o aspecto das dimensões de direitos humanos: “Ao ca da sociedade.44
conjugar o valor da liberdade com o da igualdade, a Declaração in- Ao lado dos direitos sociais, chamados de segunda geração,
troduz a concepção contemporânea de direitos humanos, pela qual emergiram os chamados direitos de terceira geração, que consti-
esses direitos passam a ser concebidos como uma unidade interde- tuem uma categoria ainda heterogênea e vaga, mas que concentra
pendente e indivisível. Assim, partindo do critério metodológico na reivindicação do direito de viver num ambiente sem poluição.45
que classifica os direitos humanos em gerações, compartilha-se o A doutrina não é pacífica no que tange à definição de dimen-
entendimento de que uma geração de direitos não substitui a outra, sões posteriores de direitos humanos. Para Bobbio46 - e a maioria
mas com ela interage. Isto é, afasta-se a equivocada visão da su- da doutrina - os chamados direitos de quarta dimensão se referem
cessão ‘geracional’ de direitos, na medida em que se acolhe a ideia aos efeitos traumáticos da evolução da pesquisa biológica, que
da expansão, cumulação e fortalecimento dos direitos humanos, permitirá a manipulação do patrimônio genético do indivíduo de
todos essencialmente complementares e em constante dinâmica de modo cada vez mais intenso; enquanto que Bonavides47 defende
interação. Logo, apresentando os direitos humanos uma unidade que são de quarta dimensão os direitos inerentes à globalização
indivisível, revela-se esvaziado o direito à liberdade quando não política. Bonavides48 também diverge ao falar de uma quinta di-
assegurado o direito à igualdade; por sua vez, esvaziado, revela-se mensão composta pelo direito à paz, o qual foi colocado por Vasak
o direito à igualdade quando não assegurada a liberdade”. na terceira dimensão. Autores do direito eletrônico como Peck49
Portanto, a consolidação do princípio da dignidade da pessoa
humana depende do reconhecimento e da efetivação de todas as 43 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução Celso
dimensões de direitos humanos, que se consolidam nos fundamen- Lafer. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
tos da liberdade, da igualdade e da solidariedade (ou fraternidade). 44 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução Celso
Conforme evoluíram as chamadas dimensões dos direitos hu- Lafer. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
manos tais bens jurídicos fundamentais adquiriram novas verten- 45 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução Celso
tes, saindo de uma noção individualista e chegando a uma coletiva, Lafer. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
de modo que a própria finalidade dos direitos humanos adquiriu 46 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução Celso
nova compreensão, deixando de ser preservar apenas o indivíduo Lafer. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
40 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da 47 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional.
Constituição. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2011.
41 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 48 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional.
26. ed. São Paulo: Malheiros, 2011. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2011.
42 PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito 49 PECK, Patrícia. Direito digital. São Paulo: Saraiva,
constitucional internacional. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. 2002.

Didatismo e Conhecimento 27
NOÇÕES DE DIREITO
e Olivo50 entendem que ele seria a quinta dimensão dos direitos de cada um para com a sociedade de participar de forma cons-
humanos, envolvendo o direito de acesso e convivência num am- ciente e livre e de se interar total e habitualmente na vida social
biente salutar no ciberespaço. que pertence53.
Em resumo, as dimensões de direitos humanos se referem às Quem deve participar é quem vive na sociedade, é o cidadão,
mudanças de paradigmas quanto aos bens jurídicos que deveriam aquele que pode ter direitos. Participar é ao mesmo tempo um di-
ser considerados fundamentais ao homem. Embora todo direito reito e um dever. O cidadão deve participar, esta é uma obrigação
humano seja imutável, isso não significa que o processo interpre- de todo aquele que vive em sociedade. E o cidadão deve ter espaço
tativo não possa evoluir e, com isso, se reconhecer que um novo para participar, o fato de não participar em si já é uma injustiça.
aspecto da dignidade humana merece ampla proteção. Com a ampliação do conceito de soberania e cidadania e, conse-
quentemente, da responsabilidade do cidadão, se torna ainda mais
evidente esta necessidade de participar54.
2.2.3 CIDADANIA: NOÇÃO, “O desinteresse da maioria dos indivíduos pelos assuntos po-
SIGNIFICADO E HISTÓRIA líticos é um dos grandes problemas políticos nas sociedade moder-
2.2.3.1 DIREITOS E DEVERES DA nas. Os indivíduos são levados ao isolamento pelo predomínio de
CIDADANIA valores individualistas e de interesses estritamente particulares, as-
sim como pela submissão às leis do mercado e do consumo. Nesse
contexto, perde-se o sentido do que é comunitário e não se percebe
a importância da participação na vida coletiva”55.
A referência à justiça participativa, corolário do conceito de
Obs.: Para fins didáticos, o tópico e o subtópico serão tratados cidadania, é de fundamental importância para o elemento moral
conjuntamente. da noção de ética, no sentido de possibilitar um agir voltado para
Ética e cidadania sempre apareceram como conceitos interli- o bem da sociedade.
gados porque a concepção de cidadania ganhou forças justamente Ninguém é obrigado a suportar desonestidades. A cidadania
no espaço em que as discussões filosóficas começaram a ser mais tem um compromisso com a efetivação da democracia participa-
intensas. Não obstante, temas relacionados à ética possuem no ge-
tiva. E participar não é votar a cada eleição, não se interessas pelo
ral uma forte discussão de questões políticas.
andamento da política e até se esquecer de quem mereceu seu su-
“Na sociedade moderna, nascida de transformações que cul-
frágio.
minaram na Revolução Francesa, o indivíduo é visto como homem
“Muitas vezes achamos que não cabe a nós a responsabilidade
(pessoa privada) e como cidadão (pessoa pública). O termo cida-
pelo que acontece em nosso bairro, na cidade, no país. Afinal, o que
dão designava originalmente o habitante da cidade. Com a conso-
podemos fazer? Não somos políticos; é a tais homens, eleitos pelo
lidação da sociedade burguesa, passa a indicar a ação política e a
povo, que compete resolver os problemas. Em nenhum momento
participação do sujeito na vida da sociedade”51.
nos perguntamos: se nos tivéssemos reunido com outras pessoas
Sendo cidadão aquele que participa do processo político de
escolhas, o bom cidadão é aquele que se preocupa com escolhas para discutir os problemas que nos afetam, se nos tivéssemos re-
éticas, corretas, que geram o bem em sociedade. belado de alguma forma, esses fatos estariam acontecendo? Como
O principal conceito aliado ao surgimento da noção de cidada- interferir? Como atuar para mudar essa realidade tão dura?”56
nia é o de democracia, cujos históricos se coincidem. Com efeito, Com efeito, participar é um direito de todo aquele que é cida-
como se aprofundará adiante, a democracia é o regime de governo dão, consolidando o conceito de democracia e reforçando os valo-
em que se assegura a participação popular, sendo que o sujeito res éticos de preservação do justo e garantia do bem comum. Mas,
que pode participar é o cidadão. Logo, democracia e cidadania afinal, quem é cidadão?
são conceitos interligados, não somente no aspecto jurídico em Inicialmente, é preciso levantar alguns conceitos correlatos:
seu sentido técnico restrito, mas ao próprio elemento da justiça, a) Nacionalidade: é o vínculo jurídico-político que liga um
valor do Direito. Pode-se afirmar isto se considerados os três con- indivíduo a determinado Estado, fazendo com que ele passe a
ceitos de Aristóteles52 sobre as dimensões da justiça (distributiva, integrar o povo daquele Estado, desfrutando assim de direitos e
comutativa e social), dos quais se origina a dimensão da justiça obrigações.
participativa. b) Povo: conjunto de pessoas que compõem o Estado, unidas
Por esta dimensão da justiça participativa, resta despertada a pelo vínculo da nacionalidade.
consciência das pessoas para uma atitude de agir, de falar, de atuar, 53 POZZOLI, Lafayette. Justiça participativa e cidadania.
de entrar na vida da comunidade em que se vive ou trabalha. En- Revista ibero-americana de filosofia política e filosofia do direito.
fim, busca despertar esta consciência de que há uma obrigação Porto Alegre, Instituto Jacques Maritain do Rio Grande do Sul, v.
50 OLIVO, Luís Carlos Cancellier de. Os “novos” direitos 1, n. 1, 2006.
enquanto direitos públicos virtuais na sociedade da informação. In: 54 POZZOLI, Lafayette. Justiça participativa e cidadania.
WOLKMER, Antônio Carlos; LEITE, José Rubens Morato (Org.). Revista ibero-americana de filosofia política e filosofia do direito.
Os “novos” direitos no Brasil: natureza e perspectivas. São Paulo: Porto Alegre, Instituto Jacques Maritain do Rio Grande do Sul, v.
Saraiva, 2003. 1, n. 1, 2006.
51 SCHLESENER, Anita Helena. Cidadania e política. In: 55 SCHLESENER, Anita Helena. Cidadania e política. In:
CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2000. CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.
52 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução Pietro 56 SCHLESENER, Anita Helena. Cidadania e política. In:
Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2006. CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.

Didatismo e Conhecimento 28
NOÇÕES DE DIREITO
c) População: conjunto de pessoas residentes no Estado, na- “Enfrentar o grande desafio de assegurar e ampliar o exercício
cionais ou não. da cidadania em nosso país implica questionar o caráter excludente
Cidadão, por sua vez, é o nacional, isto é, aquele que possui de nosso modelo econômico e, ao mesmo tempo, efetivar e apri-
o vínculo político-jurídico da nacionalidade com o Estado, que morar a democracia. Necessitamos de uma política democrática
goza de direitos políticos, ou seja, que pode votar e ser votado. que viabilize mudanças econômicas para resolver os nossos graves
No Brasil, votar é tanto um direito do cidadão quanto um dever, eis problemas sociais, reconhecer e defender os direitos de todos os
que o voto é obrigatório. cidadãos e garantir o pluralismo e os direitos das minorias. Por
Na disciplina constitucional, os direitos políticos garantidos isso, em nossa sociedade, o exercício da cidadania não é apenas
àquele que é cidadão encontram-se disciplinados nos artigos 14 uma questão de aprendizagem, mas também de luta por condições
e 15. Direitos políticos são os instrumentos por meio dos quais dignas de vida, trabalho e educação. É preciso criar espaços de ma-
a Constituição Federal permite o exercício da soberania popular, nifestação na sociedade civil, onde os interesses comuns possam
atribuindo poderes aos cidadãos para que eles possam interferir na ser defendidos e os indivíduos possam tomas consciência do papel
condução da coisa pública de forma direta ou indireta57. que desempenham na sociedade”58.
não se pode retirar a cidadania de uma pessoa apenas porque
ela cometeu um ato danoso ao Estado, principalmente se ela for Um elemento essencial para que o cidadão exerça a cidadania
natural deste Estado. Nos poucos casos em que a perda de direitos de forma consciente é a consciência crítica. Consciência crítica
políticos é aceita, a pessoa não se torna apátrida, isto é, sem pátria, consiste na existência de raciocínios e na formação de pensamen-
sem nacionalidade, mas passa ou volta a ter outra nacionalidade. tos que levam uma pessoa a estabelecer soluções e reflexões ra-
Portanto, a cidadania é um status da pessoa humana, um direito da cionais sobre determinado aspecto. Pode-se afirmar que o filósofo
pessoa humana. possui consciência crítica, pois o raciocínio filosófico em si exige
Emblemático o artigo XV da Declaração Universal dos Direi- que se dispa do senso comum e que se faça um raciocínio lógico
tos Humanos a respeito: sobre fatos da vida humana.
Assim, opõe-se à consciência crítica o senso comum, que vem
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 2. Ninguém de experiências passadas, mas nem sempre ilumina a realidade. Na
será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direi- filosofia, o senso comum (ou conhecimento vulgar) é a primeira
to de mudar de nacionalidade. suposta compreensão do mundo resultante da herança fecunda de
um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo
Sendo a nacionalidade a premissa para aquisição dos direitos efetuadas. O senso comum descreve as crenças e proposições que
políticos e para o gozo e exercício dos direitos humanos, não cabe aparecem como normal, sem depender de uma investigação deta-
a privação arbitrária. Não obstante, quanto ao direito de participar lhada para alcançar verdades mais profundas como as científicas.
das decisões políticas do Estado, atuando como cidadão, a Decla- Um tipo de conhecimento que se acumula no nosso cotidiano e é
ração Universal dos Direitos Humanos também é bastante clara em chamado de senso comum, baseado na tentativa e no erro. O sen-
seu artigo XXI: so comum que nos permite sentir uma realidade menos detalhada,
menos profunda e imediata e vai do hábito de realizar um com-
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de portamento até a tradição que, quando instalada, passa de geração
seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livre- para geração.
mente escolhidos. 2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao Quando o senso comum é usado para o mau, sem a vontade
serviço público do seu país. 3. A vontade do povo será a base  da de verificar se o conhecimento é correto ou se evoluiu, origina-se
autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições a chamada consciência ingênua, que se caracteriza nos seguintes
periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto termos: evidencia certa simplicidade, tendente a interpretar e en-
ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. carar os problemas e desafios de maneira simples; não busca um
aprofundamento na observação de relações de causalidade, nem se
Ser cidadão é um direito humano fundamental de cada ser hu- preocupa com a investigação complexa dos fatos, satisfazendo-se
mano. Contudo, sob o ponto de vista ético, é muito mais do que com aparências;possui também uma tendência a considerar que o
isso: ser cidadão é um dever, um compromisso social, um compro- passado foi melhor e olha ao novo com maus olhos; tende a acei-
metimento pela melhoria da sociedade consolidando o ideário do tar formas pré-estabelecida de comportamento, inclusive beirando
bem comum. uma consciência fanática; subestima o homem simples e não dá
E sendo a cidadania mais do que uma mera formalidade, mais atenção às suas explicações; pretende ganhar a discussão com ar-
do que simplesmente eleger representantes, cabendo buscar a gumentos frágeis, gota de ser polêmico e não pretende esclarecer
construção de uma sociedade melhor, tem-se que a cidadania pode suas posições, as quais são formadas mais de emoções do que de
ser dividida em duas categorias: cidadania formal e substantiva. críticas; pode cair no fanatismo ou intolerância; rejeita mudanças
A cidadania formal é referente à nacionalidade de um indivíduo sociais.
e ao fato de pertencer a uma determinada nação; ao passo que a A consciência crítica é uma forma de relação com o mundo
cidadania substantiva é de um caráter mais amplo, estando relacio- que busca compreendê-lo de modo concreto, para além das aparên-
nada com direitos sociais, políticos e civis. O sociólogo britânico cias. O indivíduo dotado de consciência crítica rejeita as interpre-
T. H. Marshall afirmou que a cidadania só é plena se for dotada de tações subjetivas, fantasiosas, enganosas, místicas e outras formas
direito civil, político e social. Parece que tal noção é realmente a ilusórias de encobrir a verdade. Por meio da observação, ele busca
mais adequada num contexto de justiça participativa e de coliga- as causas de todo o que observa e se interessa pelos fundamentos
ção entre cidadania e ética. mais profundos dos problemas que visualiza nesta observação.
57 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional 58 SCHLESENER, Anita Helena. Cidadania e política. In:
esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.

Didatismo e Conhecimento 29
NOÇÕES DE DIREITO
A consciência crítica observa, experimenta, problematiza e consciência de que por vezes não existirão meios para análise dos
critica os fatos. Pensar de modo crítico é, então, derrubar as men- problemas e de que a realidade é mutável, mas isto não impede
tiras, as falsas imagens, as suposições levianas, as crenças alienan- o processo de reflexão; coloca no lugar de situações ou explica-
tes, as ideias preconceituosas, para poder estabelecer a razão, as ções mágicas princípios autênticos de causalidade, os quais ex-
causas e o sentido das coisas. plicam uma relação de causa e efeito nos fenômenos observados,
Como é possível extrair desta introdução, a ciência e a filo- permitindo descobertas que sempre poderão ser revistas (afinal,
sofia são dois produtos da consciência crítica, porque elas se a verdade é mutável); quando se visualiza um fato, livra-se dos
fundam na racionalidade, na observação, na experimentação e na preconceitos ao examiná-lo e ao propor soluções; rejeita posições
análise do mundo. E são muitas as questões que exigem tal análise, quietas, repele o comodismo, sendo intensamente inquieta pois é
uma vez que tudo o que é criado é incompleto, é relativo, é precá- justamente na inquietude que o processo de reflexão crítica se in-
rio, é histórico, possui vazios a serem preenchidos. tensifica; sabe-se que nem tudo é o que parece, razão pela qual
Sim, comprometido com a sua responsabilidade de “ser his- é preciso refletir sobre tudo, buscando a sua essência, no que se
tórico”, de gente de mudança do mundo. Enquanto o indivíduo encontra a autenticidade; rejeita toda transferência de responsabi-
lidade e de autoridade e aceita a delegação das mesmas (no caso
de consciência ingênua aceita o que vê, o de consciência crítica
do cidadão, ele exerce todos os meios possíveis de participação
problematiza o que vê; isto é, ao passo que o primeiro é um ser
no processo democrático); é indagadora, investiga, força, choca,
“castrado” mentalmente, sem projetos de futuro, o segundo é um
nutre-se do diálogo; nunca ignora nenhum argumento possível, por
ser que incorpora que faz seu o compromisso da luta pela mudança isso, ao mesmo tempo em que não teme o novo, sempre olha para o
o compromisso com o futuro. Logo, aquele que possui consciência velho com cuidado e dentro de um processo reflexivo.
crítica, naturalmente, é um melhor cidadão, pois está preocupado e Da consciência crítica que se origina a chamada consciência
ciente dos problemas sociais que merecem solução. social, que vai sendo adquirida depois que a pessoa descobre que
“À medida que se pensa e se representa o convívio pátrio, é sujeito de sua história e passa ter maior interesse pelas coisas da
vão-se conhecendo, explicando e justificando as condições dessa sociedade. Ela deixa de pensar somente nela ou em seu grupo e
convivência, inclusive a participação na vida política do país. Ve- passa a ver e viver o social. A consciência neste momento é refle-
mos que ideologia é um fenômeno social cheio de sutilezas. Mais xiva, amadurecida e crítica. A pessoa percebe que o mundo é uma
que ideias que se impõem a ideologia tem uma dimensão prática, construção do homem e está sempre passando por transformações.
pois ideias impulsionam os homens à ação e a própria ação altera Descobre que tudo se transforma a realidade pessoal, comunitária
as ideias que não têm autossustentação. Esse é um processo his- e social. A construção de um mundo novo, justo e fraterno é missão
tórico, recíproco, que ocorre ao nos associarmos para garantir a de todos e não apenas de alguns.
reprodução da vida biológica e cultural”59. Ter consciência crítica
é mais do que ter mera ideologia, é se preocupar em agir por uma
sociedade melhor porque se está ciente dos problemas dela. 2.2.3 DEMOCRACIA: NOÇÃO,
“A pátria é um fenômeno vivido em um tempo e espaço de- SIGNIFICADO E VALORES
terminados, mas generalizado em sua concepção. É mediante opi- 2.2.3.1 ESTADO DEMOCRÁTICO DE
niões cristalizadas pela cultura sobre diferentes situações sociais DIREITO: NOÇÃO E SIGNIFICADO
que pensamos ter uma participação social plena”60. Muitas vezes
somos iludidos com a política do pão e circo para não enxergarmos
os maiores problemas sociais. Aqueles munidos de consciência
crítica ficam isentos de tais práticas e enxergam a sociedade em
que vivem com mais clareza. Obs.: Para fins didáticos, o tópico e o subtópico serão tratados
A ação do homem só tem sentido se for compromissada com conjuntamente.
A adoção da forma democrática de Estado aparece como fun-
a realidade, uma vez que, diferente do animal, o ser humano é
damento dos direitos humanos por ser um pressuposto para que
capaz de reflexão. O homem existe. Está inserido no mundo. Toma
eles possam ser adequadamente exercidos. Em outras palavras,
conhecimento deste mundo, sendo até capaz de modificá-lo. Esta
fora de um Estado democrático, não há possibilidade de exercí-
ação modificadora, entretanto, torna-se impossível, se ele estiver cio pleno de nenhuma das dimensões de direito: a liberdade fica
imerso e acomodado a este mundo e for incapaz de distanciar-se tolhida pela censura, os direitos políticos pelo impedimento da
dele para admirá-lo e perceber o seu conjunto. A partir da visão participação popular, os direitos econômicos, sociais e culturais
crítica de realidade, que o homem se torna capaz de modificar o pela manipulação de recursos ao que é conveniente ao governo
mundo em que vive. Ao contrário, a consciência ingênua leva a antidemocrático e não ao interesse coletivo, os direitos de soli-
uma visão distorcida da realidade. dariedade pela impossibilidade de criação de consciência coletiva
São características da consciência crítica: anseio de profun- sem o exercício e a efetivação dos direitos individuais.
didade na análise de problemas, isto é, busca-se um conhecimen- Na Declaração de 1948, o conceito de democracia aparece as-
to detalhado de cada problema visualizado não se contentando sociado adequadamente ao pressuposto de um Estado de Direito
apenas com o que está às vistas claras, com o que é aparente; há que propicie e assegure todos os direitos humanos e fundamentais,
59 ARAÚJO, Silvia Maria de. As várias faces da ideologia. como se denota no preâmbulo:
In: CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione,
2000. Considerando essencial que os direitos humanos sejam pro-
60 ARAÚJO, Silvia Maria de. As várias faces da ideologia. tegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja com-
In: CARDI, Cassiano; et. al. Para filosofar. São Paulo: Scipione, pelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opres-
2000. são, [...]

Didatismo e Conhecimento 30
NOÇÕES DE DIREITO
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fun-
observância desses direitos e liberdades, [...]. damentos: [...] Parágrafo único. Todo o poder emana do povo,
que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
Indiretamente depreendem-se aspectos da democracia, quais nos termos desta Constituição.
sejam o respeito ao princípio da legalidade e da anterioridade, a
existência de um modelo estatal que crie e aplique leis utilizan- Antes de esmiuçar este conceito, frisa-se a importância da
do um adequado processo legislativo e judicial, o impedimento da menção ao modelo do Estado Democrático no preâmbulo e no ar-
tirania e da opressão (marca de regimes totalitários e ditatoriais), tigo 1º do texto constitucional, despontando este como condição
sine qua non à consolidação das premissas trazidas pela Constitui-
a garantia de respeito e observância dos direitos humanos funda-
ção Federal de 1988.
mentais.
A República Federativa do Brasil é um Estado Democrático
Não obstante, no artigo XXIV há menção direta ao direito de de Direito e a adoção da forma federativa que implica no modelo
se conviver numa sociedade democrática: democrático é considerada cláusula pétrea pela Constituição Fede-
ral em seu artigo 60, §4º, o que exclui a possibilidade de alteração
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa es- do regime de governo democrático, trocando-o por um antidemo-
tará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusiva- crático.
mente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito A primeira implicação da democracia em seu sentido clássico
dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigên- é que por meio dela é garantida a soberania popular, que pode ser
cias da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade conceituada como “a qualidade máxima do poder extraída da soma
democrática. dos atributos de cada membro da sociedade estatal, encarregado de
escolher os seus representantes no governo por meio do sufrágio
Quanto à disciplina na Constituição Federal, a adoção do mo- universal e do voto direto, secreto e igualitário”61. O sentido de
delo de Estado Democrático consta desde o preâmbulo: soberania popular associado à democracia pode ser depreendido
da menção do parágrafo único de que o poder emana do povo, que
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assem- o exerce.
bléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democráti- Quanto ao conceito restrito de democracia, tem-se que ela é
co, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e indivi- o regime de governo no qual os cidadãos participam das decisões
políticas, direta ou indiretamente. Em outras palavras, democracia
duais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento,
(do grego, demo + kratos) é um regime de governo em que o po-
a igualdade e a justiça como valores supremos de uma socieda-
der de tomar decisões políticas está com os cidadãos, de forma
de fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia direta (quando um cidadão se reúne com os demais e, juntos, eles
social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a tomam a decisão política) ou indireta (quando ao cidadão é dado
solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção o poder de eleger um representante). Logo, dentro do conceito de
de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERA- democracia incluem-se três modelos democráticos possíveis: dire-
TIVA DO BRASIL. to, indireto e misto.
Neste sentido, a principal classificação da democracia refere-
Em verdade, do preâmbulo se depreendem algumas esferas do -se aos seus modelos possíveis, que variam conforme o nível de
modelo de Estado Democrático, demonstrando que este vai além participação popular direta ou indireta:
da simples permissão de participação política e ingressa na pos- a) Democracia direta, também chamada de pura, na qual o
sibilidade de exercício de direitos humanos e fundamentais por cidadão expressa sua vontade por voto direto e individual em casa
todos os cidadãos, assegurando o respeito da dignidade destes. questão relevante;
O mesmo pode ser extraído de outras previsões do texto cons- b) Democracia indireta, também chamada representati-
titucional, notadamente a do título V, que trata da Defesa do Estado va, em que os cidadãos exercem individualmente o direito de
e das Instituições Democráticas, que será exercida pelos órgãos de voto para escolher representante(s) e aquele(s) que for(em) mais
segurança pública e mediante institutos como o estado de defesa e escolhido(s) representa(m) todos os eleitores;
o estado de sítio. Como instituições democráticas podem-se colo- c) Democracia semidireta ou participativa, em que se tem
uma democracia representativa mesclada com peculiaridades e
car todas aquelas que têm por fulcro assegurar a defesa de alguma
atributos da democracia direta (sistema híbrido ou misto).
das facetas da dignidade da pessoa humana, logo, democracia é
A democracia direta tornou-se cada vez mais difícil, conside-
participação popular, mas não somente isso. rado o grande número de cidadãos, de modo que a regra é a demo-
Democracia significa dignidade e igualdade no exercício de cracia indireta. Na Grécia Antiga se encontra um raro exemplo de
direitos (por exemplo, o artigo 215, IV da Constituição Federal democracia direta, que somente era possível porque embora a po-
fala em democratização do acesso aos bens de cultura). pulação fosse grande, a maioria dela não era composta de pessoas
A Constituição Federal confere atenção também ao conceito consideradas como cidadãs, como mulheres, escravos e crianças,
clássico de democracia. O modelo de Estado Democrático previsto e somente os cidadãos tinham direito de participar do processo
no texto constitucional é conceituado de maneira mais restrita no democrático.
artigo 1º da Constituição Federal, que traz os fundamentos da Re- 61 BULOS, Uadi Lammêngo. Constituição federal anotada.
pública, em seu parágrafo único: 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

Didatismo e Conhecimento 31
NOÇÕES DE DIREITO
Uma democracia semidireta é um regime de democracia em como reflexo de um processo de incorporação. Por isso mesmo,
que existe a combinação de representação política com formas de para fins metodológicos, serão feitos comentários simultâneos ao
democracia direta. A maioria dos países adota modelo de democra- texto constitucional e aos dispositivos do principal documento in-
cia semidireta, com a diferença de que uns se aproximam mais da ternacional declaratório dos direitos humanos, a Declaração Uni-
indireta e outros mais da indireta. Contemporaneamente, o regime versal de 1948, que com ele se relacionam.
que mais se aproxima dos ideais de uma democracia direta é a
democracia semidireta da Suíça. TÍTULO I
A democracia brasileira adota a modalidade semidireta, por- Dos Princípios Fundamentais
que possibilita a participação popular direta no poder por intermé-
dio de processos como o plebiscito, o referendo e a iniciativa po- Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
pular (artigo 14, caput, CF). Como são hipóteses restritas, pode-se indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, cons-
afirmar que a democracia indireta é predominantemente adotada titui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamen-
no Brasil, por meio do sufrágio universal e do voto direto e secreto tos:
com igual valor para todos. I - a soberania;
Regime de governo é diferente de forma de governo. Por regi- II - a cidadania;
me de governo entende-se a adoção de uma forma democrática ou
III - a dignidade da pessoa humana;
antidemocrática, ao passo que por forma de governo compreende-
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
-se a adoção de um ou outro modelo governamental que permita
V - o pluralismo político.
que tal forma ganhe vida. Em outras palavras, uma democracia
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exer-
pode existir num sistema presidencialista ou parlamentarista, re-
publicano ou monárquico - somente importa que seja dado aos ce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos
cidadãos o poder de tomar decisões políticas (por si só ou por seu desta Constituição.
representante eleito) para que exista democracia. Três aspectos merecem destaque em termos de direitos hu-
Tomando que existe o regime de governo democrático, há tam- manos: a forma do Estado Democrático de Direito, garantindo a
bém o regime de governo antidemocrático ou ditatorial. Tal exis- estrita observância da lei e a participação do povo no processo de
tência não é atestada no campo meramente teórico, mas se detecta escolha dos governantes; a soberania, que sofre relativizações com
de forma prática, isto é, existem na atualidade países que adotam a participação do Estado na comunidade internacional; a dignidade
regimes de governo ditatoriais. A ONU se opõe aos regimes dita- da pessoa humana, valor norte de todo Estado.
toriais e toma medidas não somente para combatê-los, mas para A dignidade da pessoa humana é o valor-base de interpretação
esclarecer o passado ditatorial dos países que passaram por um pe- de qualquer sistema jurídico, internacional ou nacional, que possa
ríodo de privação da democracia. Ainda assim, muitos países hoje se considerar compatível com os valores éticos, notadamente da
adotam regime antidemocrático de governo, utilizando-se de re- moral, da justiça e da democracia. Pensar em dignidade da pessoa
cursos como a censura para evitarem a queda do poder, a exemplo humana significa, acima de tudo, colocar a pessoa humana como
de Cuba, China, Coréia do Norte, Sudão e Irã. Todos estes países centro e norte para qualquer processo de interpretação jurídico,
fazem parte da ONU e estão no centro dos debates mais polêmicos seja na elaboração da norma, seja na sua aplicação.
nela estabelecidos, uma vez que o ideário dos direitos humanos é Aponta Barroso62: “o princípio da dignidade da pessoa huma-
completamente contrário aos modelos antidemocráticos. na identifica um espaço de integridade moral a ser assegurado a
todas as pessoas por sua só existência no mundo. É um respeito à
criação, independente da crença que se professe quanto à sua ori-
2.2.4 OS DIREITOS HUMANOS
gem. A dignidade relaciona-se tanto com a liberdade e valores do
FUNDAMENTAIS VIGENTES NA CONSTI-
TUIÇÃO DA REPÚBLICA: DIREITOS À VIDA espírito como com as condições materiais de subsistência”.
E À PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE FÍ-
SICA E MORAL (HONRA, IMAGEM, NOME, Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos
INTIMIDADE E VIDA PRIVADA), À LIBER- entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
DADE EM TODAS AS SUAS FORMAS, À A separação de poderes é inerente ao modelo do Estado De-
IGUALDADE, À PROPRIEDADE E À SEGU- mocrático de Direito, impedindo a monopolização do poder e, por
RANÇA, OS DIREITOS SOCIAIS, A NACIO- conseguinte, a tirania e a opressão.
NALIDADE E OS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Fe-
derativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
Os direitos humanos internacionalmente reconhecidos pas- II - garantir o desenvolvimento nacional;
saram por um processo de institucionalização no âmbito dos Es-  III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
tados, notadamente sendo transpostos e especificados nos textos desigualdades sociais e regionais;
constitucionais, processo que será estudado no próximo tópico. IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem,
Assim, quando se falam nos direitos humanos na Constituição Fe- raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
deral brasileira em verdade se pretende dar um olhar diferenciado 62 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da
às prin