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Material de Apoio – Leitura Necessária e Obrigatória

Teologia de Umbanda Sagrada – EAD – Curso Virtual


Ministrado por Alexandre Cumino

Texto 321

Entrevista com Alexandre Cumino


Revista Caminho Espiritual, Por Victor Rebelo, Edição Especial sobre Umbanda – Janeiro de 2011

1 - Primeiro, gostaria que você fizesse uma breve apresentação sua aos nossos leitores.
Victor, creio que a apresentação possa ser feita por você, mande para mim e eu aprovo, OK?
Pois se for para eu falar sobre mim mesmo, me limito a dizer que sou apenas mais um umbandista
trilhando esta Banda do UM, nem mais nem menos.

2 - Alexandre, fale um pouco do curso de Ciências da Religião que você está prestes a terminar.
Neste Semestre me formo na graduação de Bacharelado em Ciências da Religião, pela Faculdade
Claretiano, que tem tradição de 10 anos com este curso, como a primeira instituição a ministrá-lo no Brasil. A
proposta é observar o fenômeno religioso e as religiões a partir das Ciências Humanas, desta forma durante
três anos presenciais tive a oportunidade de estudar junto com Mestres e Doutores das áreas de Sociologia da
Religião, Antropologia da Religião, Psicologia da Religião, História da Religião, Filosofia da Religião e
Fenomenologia da Religião entre outras disciplinas mais específicas como “Religiões Afro-indígenas”,
“Religiões Orientais”, “Mística das Religiões”, “Diálogo Inter Religioso”, “Teologia Cristã I e II” etc. O Curso
valoriza a capacidade de estudar religiões de forma disciplinar e transdisciplinar em busca de pontes no campo
das religiões comparadas e das teologias comparadas também. Um dos focos é a busca por um olhar de
respeito e alteridade para o “outro” religioso, na busca de compreender suas expressões de fé e religiosidade,
seja ela qual for.

3 - E seu mais recente livro, História da Umbanda, como surgiu a ideia de abordar este tema?
Nunca houve a pretensão de escrever um livro com este título História da Umbanda. Em 2008 meu Amigo,
Irmão, Mestre e Pai Espiritual Rubens Saraceni me pediu uma pesquisa sobre os primeiros autores da Umbanda.
Ele já sabia que eu tinha um bom material produzido nas décadas de 1930, 40 e 50. O objetivo era preparar um
capítulo para somar com outros autores formando um livro voltado aos 100 anos de Umbanda. Quando terminei
o material (o capítulo) o Rubens me falou: “Alê, Isto aqui é um livro, trabalhe nesta ideia, pois será muito
importante para os umbandistas conhecer este material”. Eu não esperava esta reação, mas tinha consciência
de que havia escrito muitas páginas, mais de 50. Minha resposta ao Rubens foi que: “eu precisava estudar mais
e pesquisar mais para dar corpo a um livro”. Passei meses relendo todos os autores primeiros de nossa religião
na busca pela colaboração que cada um havia dado por meio de sua obra e seu ineditismo. Juntei a este
material uma pesquisa sobre a palavra “Umbanda” e sobre o que é “Umbanda”, no ponto de vista destes
escritores, adicionei a transcrição das entrevistas de Zélio de Moraes com Lilia Ribeiro da TULEF (Fornecidas
por Mãe Maria de Omulu) e fui à Editora Madras (www.madras.com.br) apresentar ao amigo e irmão Sr. Wagner
Veneziani, que não tem medido esforços para divulgar nossa religião. O Wagner ao ver o material me
perguntou: “Isto é História?”, afirmei que sim, ao que ele arrematou: “Então deve chamar: História da
Umbanda”. Quase caí da cadeira, senti o peso da responsabilidade, o título até então era “Trajetória de uma
Religião”, respirei fundo e lhe disse: “Meu irmão, para tal preciso estudar mais, pesquisar mais e escrever
mais”. Lá fui eu juntar material escrito por sociólogos e antropólogos sobre a Umbanda e procurar
compreender o que aconteceu com a religião em cada década da sua origem em 1908 até nossos dias.
Identificando diferentes períodos no desenvolvimento da religião, como a primeira década de incubação na
Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a primeira expansão a partir de 1918 ainda no Rio de Janeiro, o
período de legalização jurídica dos templos, os primeiros textos de Umbanda, o reconhecimento da sociedade,
federações, congressos e o “bum” (grande expansão) que aconteceu na década de 1970, bem como a
depressão umbandista e seu esvaziamento na década de 1980, para chegarmos aos dias de hoje em que a
Umbanda volta a crescer de forma lenta e com mais maturidade. O perfil do Umbandista de hoje é bem
diferente do perfil das décadas de 30, 50, 70 ou mesmo da década de 80, temos um grande contingente de
jovens na Umbanda atual, o que faltava na década de 80, por exemplo.

4 - Qual é a importância, para um umbandista, em compreender a história de sua própria religião?


A importância primeira é reconhecer a Umbanda enquanto religião e perguntar: “Você é Umbandista ou
apenas frequenta um terreiro de Umbanda?”, “Umbanda é mesmo a sua religião?”, “Pois então o que você sabe
sobre a Umbanda além da prática em terreiro?”, “Sabe que ela é uma Religião”, “Sabe quem foi o primeiro
Umbandista?”, “Sabe de onde vem e qual o contexto em que a Umbanda se desenvolveu?”. Creio que são
perguntas básicas que todos deveriam se responder, assim como ter uma ideia de onde veio e como se formou
esta religião maravilhosa, o porquê do preconceito, tomando o conhecimento de que muita gente boa deu a
vida para a Umbanda ser o que é hoje. Conhecer a História de sua Religião dá muito mais base e fundamento
para praticá-la e ter orgulho de ser Umbandista.

5 - Décadas atrás não era muito comum o estudo da religião em nosso meio, salvo algumas exceções, é
claro. Você acha que isso mudou? O umbandista tem estudado mais?
Acredito que o que mudou foram os tempos, as pessoas e seus paradigmas. Está renascendo em todos os
campos um novo interesse por religião e espiritualismo, surgem novas formas de ver e relacionar-se com o
transcendente. O ceticismo acadêmico está se quebrando, ser religioso não é mais sinônimo de atraso ou
ignorância como afirmaram grandes homens céticos e cientistas como Freud ou Nietzsche. Religião além de
religar a Deus propõe dar um sentido à vida, e hoje os jovens convivem com estas realidades. Convivem com
internet e não há pergunta que fique sem resposta, se o dirigente se negar a ensinar algo, basta colocar sua
dúvida no “Google”, com a opção de buscar alguns vídeos no “Youtube”. Há cursos de Umbanda abertos a
quem queira estudar a religião de forma racional, organizada e sistemática, eu mesmo ministro há onze anos
um curso livre chamado “Teologia de Umbanda Sagrada”, tanto presencial quanto de forma virtual. Os médiuns
têm muita informação e eles levam estas informações e questionamentos a seu dirigente espiritual, se este não
souber como responder nem tiver um mínimo de conhecimento de todo este universo em que se insere a
Umbanda, pode ficar um pouco difícil lidar com esta nova geração. Estamos na época da informação e da
tecnologia virtual ninguém fica sem respostas, o que precisamos é cada um avaliar o que tem nas mãos e
submeter ao julgo de nossos mentores para avaliar até que ponto este ou aquele estudo ajuda ou atrapalha. O
que tenho observado é que nossos guias incentivam e muito o estudo, o próprio conteúdo da “Teologia de
Umbanda Sagrada” foi recebido do astral por Rubens Saraceni, que também abriu para a religião o campo de
romances psicografados, que uns 15 anos atrás era novidade em nosso meio. Graças ao trabalho dele e da
Editora Madras hoje entramos em grandes livrarias e encontramos títulos de Umbanda em suas prateleiras, ao
lado de todas as outras religiões e espiritualismos. O Umbandista lê e muito, pois ele quer saber e
compreender mais e melhor a Umbanda. Mas que não se enganem, pois este leitor umbandista é na sua maioria
muito crítico e criterioso, não aceitando qualquer conceito ou valor destituído de base ou fundamento.

6 – Quais os principais pontos que seu livro História da Umbanda aborda?


As diversas origens ou raízes que ajudaram a formar nossa religião, como a origem espírita, africana,
indígena, cristã, católica, mágica, espiritual e mítica. Aborda ainda a questão das “Umbandas”, da palavra
“Umbanda”, do que é “Umbanda”, da literatura primeira na religião, da literatura científica e busca
compreender melhor o contexto em que viveu e se desenvolveu a caminhada de Zélio de Moraes, o Pai da
Umbanda.

7 - Apesar de ser um livro que nos dá uma visão geral da história da Umbanda, e de seus principais
escritores, não encontrei nenhuma citação sobre o escritor e sacerdote W.W. da Matta e Silva, além de outros
escritores e realizações importantes do nosso movimento. Por quê?
O foco, quando busquei resgatar os primeiros autores de Umbanda, era ir ao encontro e apresentar
material que a maioria de nós não tem mais acesso. Estes primeiros autores se tornaram desconhecidos na
atualidade, são eles:
Leal de Souza (1924), João de Freitas (1939), Waldemar Bento (1939), Primeiro Congresso de Umbanda –
Vários Autores – (1941), Lourenço Braga (1941), Emanuel Zespo (1946), J. Dias Sobrinho (1949), Maria Toledo
Palmer (1949), Oliveira Magno (1950), Silvio Pereira Maciel (1950), Tata Tancredo (1951), Byron de Freitas
(1951), Aluizio Fontenele (1951), Yokaanam (1951), Florisbela Franco (1953), Samuel Ponze (1954), AB’D
Ruanda (1954) entre outros que precederam W.W. da Matta e Silva, que surge em 1956 com a publicação de
Umbanda de Todos Nós.
Confesso que fiquei em dúvida se deveria ou não escrever sobre ele, fui à releitura de seus nove títulos,
buscando o que havia de novo em sua obra em comparação a todos estes autores citados. Talvez a postura do
Da Matta com relação a todos os outros autores tenha sido decisiva, o tempo todo em sua obra ele desmerece
todos os outros autores e desclassifica tudo que é diferente da “sua” “Umbanda Esotérica” e do “AUMBANDÔ,
no entanto nem um nem outro conceito foi criado por ele, não era novidade e muito menos de sua autoria o
conceito original, ao qual ele reapresentou à sua maneira. Oliveira Magno já havia publicado um livro com o
título “Umbanda Esotérica e Iniciática” (1950) e o Sr. Diamantino Coelho já havia apresentado a teoria do
“AUMBANDÔ no Primeiro Congresso Nacional de Umbanda (1941), em nome da Tenda Espírita Mirim (Fundada
em 1924). No entanto, Da Matta não faz nenhuma citação a quem de direito, que lhe precedeu nas ideias, o
que faz pensar que são todas ideias suas. Meu texto sobre o Da Matta começou a ficar muito longo, analisando
título a título, também ficou muito crítico. Observei questões como o fato de que ele só reconhece a
importância de Zélio de Moraes e Leal de Souza em 1978, na segunda edição de Umbanda e o Poder da
Mediunidade, ainda assim elogia para depois desclassificar, estes, entre outros, que muito trabalharam pela
religião. Busquei algumas de suas críticas a outras formas de se praticar a Umbanda e alguns de seus conceitos
como a apresentação de “Yori” e “Yorimá”, visivelmente colocados em substituição aos conhecidos orixás
“Ibeji” e “Obaluayê”. Oxum e Iansã como caboclas de Iemanjá. A ideia de que sua “Magia de Pemba” e seu
“Ifá” seriam superiores às outras formas já tradicionais de se realizar Ifá e “Magia de Pemba”. Seu preconceito
contra a mulher que não poderia ter a função de “ordenar, sagrar, sacramentar, preparar, iniciar etc.”, o que
ressalta em alguns títulos como prerrogativa masculina, logo a mulher não pode nem deve ser sacerdotisa. O
fato de se aceitar apenas Caboclo, Preto Velho e Criança (além de exu e pomba gira) como entidades de
Umbanda. É uma lista imensa que passa por suas críticas ao Catimbó, Jurema, Candomblé... e as entidades
Maria Padilha e Zé Pelintra, as quais ele coloca como “bruxedo”, “degeneração”, “magia negra” etc.
Seu título mais agressivo é Macumbas e Candomblés na Umbanda (Freitas Bastos, 2ª ed) em que além das
críticas tradicionais, há traços de homofobia; por exemplo, ao criticar “Candomblé de Caboclo” e “Umbanda
Popular” vai desfiando as “características” dos mesmos em que ele afirma na página 93:
“Neles (Candomblé de Caboclo e Umbanda Popular), via de regra, há movimento ou frequência ostensiva
de homossexuais, quase todos filhos-de-santo ou crentes, ditos como “afofôs” ou “adefantôs" (que significa
homens afeminados), observar também os pais-de-santo que, em grande parcela desse tipo de terreiros,
também são afeminados, e, se não o forem, toleram os ditos cujos...
As mães-de-santo também costumam tolerá-los...”
Talvez por afirmações como esta e outras piores ainda este título não foi mais reeditado. Depois de ler e
reler sua obra várias vezes, passei a ler e reler o que eu havia escrito e em nada me agradava, nem minha
postura tão crítica com relação a ele, nem a postura dele mais crítica ainda com todos os outros queridos
autores de Umbanda, todos de grande importância na História da Umbanda. Pedi um conselho ao Rubens
(Saraceni), e este foi direto, “se não lhe agrada retire do livro”. Aceitei o conselho de bom grado e consciência
tranquila, pois nem o Da Matta está entre os primeiros autores e nem sua obra está esgotada ou escassa.
Quanto a realizações importantes ou outros fatos importantes na História da Umbanda, quem sabe num
outro título possa abordá-los, ao publicar um livro temos limites também de páginas para não virar uma
“bíblia”, que não foi o objetivo. Juntei alguns anexos importantes e chegamos a uma edição com o número
redondo e cabalístico de 400 páginas. Não sei se vale fazer edições ampliadas no futuro, catalogando mais
informação ou fazer outro livro.

8 - Gostaria que você deixasse uma mensagem final aos nossos leitores... (algo que não perguntei e é
importante.)
Muitas pessoas perguntam o que me chamou mais atenção, que considero importante ou que me
emocionou nesta pesquisa. Reler os antigos títulos todos foi muito bacana, pois me reencantei por sua obra,
uma das maiores emoções na religião foi conhecer Dona Zilmeia de Moraes Cunha, filha carnal de Zélio, e pisar
o chão da Primeira Tenda de Umbanda, e para o livro foi também muito forte ouvir as fitas com a voz de Zélio
de Moraes e do Caboclo das Sete Encruzilhadas junto de sua neta e bisneto, Lygia Cunha e Leonardo Cunha,
para a correção do texto. Considero importante entre outros fatos mostrar que Zélio de Moraes não é o Pai da
Umbanda apenas por anunciar uma nova religião, quando manifestado do Caboclo das Sete Encruzilhadas no
dia 15 de Novembro de 1908. Ele também preparou os primeiros sacerdotes e multiplicadores da religião; bem
como a Primeira Federação de Umbanda, Primeiro Congresso Nacional de Umbanda e Primeiro Jornal de
Umbanda estão todos ligados a Zélio e suas iniciativas. Há fatos em sua vida que são surpreendentes e que vale
a penas conhecer. Assim como vale conhecer um pouco desta História da Umbanda.
E para concluir, repito sempre:
“Umbanda é Religião, portanto só pode praticar o Bem.”
“Umbanda tem fundamento e tem história, é preciso conhecer.”