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Andar ou ficar sentado: as dinâmicas mẽbêngôkre de fazer e habitar a terra

João Lucas Moraes Passos

Projeto de pesquisa submetido à


seleção do curso de doutorado do
Programa de Pós-Graduação em
Antropologia Social do
Departamento de Antropologia da
Universidade de Brasília.
Introdução
A pesquisa aqui proposta dá continuidade a um trabalho junto aos Mẽbêngôkre (povo
de língua jê mais conhecido como Kayapó), mais especificamente na aldeia A’ukre, na
Terra Indígena Kayapó no Pará, que já se estende por quatro anos. Em um primeiro
momento, detive-me sobre as narrativas autobiográficas de um ancião mẽbêngôkre,
ex-cacique e personagem importante na história do seu grupo, onde sobressaía a
importância dos lugares frequentados e nomeados no decorrer da sua trajetória de
vida. Isso me levou posteriormente a pesquisar mais a fundo esses lugares-nomeados,
as histórias que neles se passaram e como se deu sua nomeação. Nessas histórias,
sobressaía a noção de “fazer terra” presente nas andanças e na criação de espaços de
socialidade que chamaríamos de aldeias. Estava em jogo assim uma aproximação à
noção de “terra” para os Mẽbêngôkre, levando em conta a fricção (TSING, 2005)
entre as práticas jurídico-administrativas da demarcação das Terras Indígenas
habitadas pelos Mẽbêngôkre e o “seminomadismo” característico dos povos jê. Hoje,
sobre o termo pyka (terra) incide também a concepção desse povo de uma nova
territorialidade em que comunidades, antes distantes e hostis, dividem, cada vez mais
próximas geograficamente, a “posse” de uma área delimitada pelo Estado e que
chamam de “nossa terra” (mẽ ba nhõ pyka).
Os Mẽbêngôkre são um povo da família linguística jê e habitam a região da
bacia hidrográfica do Xingu, tanto à esquerda quanto a direita desse rio.
Tradicionalmente moradores do cerrado (mas frequentando também regiões de
floresta), na região de confluência dos rios Araguaia e Tocantins, os Mẽbêngôkre
migraram para oeste fugindo do avanço colonizador dos não-indígenas, ocupando
hoje aldeias tanto no cerrado quanto em áreas de floresta. Entre as imagens utilizadas
pelos Mẽbêngôkre para contrastar os períodos pré e pós “pacificação” (década de
1950), a mais proeminente delas é talvez aquela em que dizem que “só andavam no
mato, feito queixadas”. Segundo os mais velhos, a casa estava sempre vazia. Depois
que chegaram os kubẽ (palavra que denota não-mẽbêngôkre, utilizado cotidianamente
hoje como sinônimo de não-indígena), os Mẽbêngôkre passaram a ficar mais em casa,
a esperá-los – e todos os bens materiais e simbólicos que traziam consigo. Apesar de
passarem parte do ano nas aldeias principais, os mais velhos costumam dizer que
antigamente “só se andava”, contrastando o modo de ocupação de outrora com o
sedentarismo dos tempos atuais. O objetivo aqui é colocar as andanças em foco e ver
como os Mẽbêngôkre continuam fazendo a terra, mesmo “ficando em casa”.

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Justificativa
Um fato que chama atenção quando se olha para os Mẽbêngôkre hoje é a quantidade
de novas aldeias criadas nos últimos anos, totalizando atualmente mais de 50, com
uma média populacional que não ultrapassa os 200 habitantes. Esse dado é um tanto
surpreendente quando a literatura nos diz que até cerca de um século atrás, todos
grupos Mẽbêngôkre ainda existentes (com exceção dos Xikrin) habitavam uma única
grande aldeia circular, Pykatôti, com mais de 1km de diâmetro e uma população
estimada entre 3.000 e 5.000 pessoas (POSEY, 2002). Depois dos trabalhos de
Verswijver (1986, 1992), sabemos como a intensificação do contato com a população
não-indígena, no começo do século XX, gerou uma hiperatividade guerreira e
inúmeras cisões de aldeias, decorrentes de divergências quanto à forma de conduzir a
aproximação com os kubẽ. A questão é que, mesmo após a “pacificação”, as cisões
continuaram ocorrendo e nos últimos anos elas parecem até ter acelerado, em uma
taxa que vai além do considerável aumento populacional. Que tipo de socialidade está
envolvida nesse fenômeno? A aproximação com a temática da nomeação de lugares e
da ideia mẽbêngôkre de “terra" fazem com que eu escolha aqui seguir o caminho das
andanças mẽbêngôkre, ou as narrativas sobre elas. Essas narrativas põe em cheque a
ideia de que todos os Mẽbêngôkre estavam antigamente reunidos em uma única aldeia
grande. Elas nos dizem que na verdade essa era uma condição muito temporária. Em
boa parte do ano, especialmente no período da seca (maio à outubro), os Mẽbêngôkre
se espalhavam por uma imensa área realizando suas andanças (mẽ ‘y) e circulando por
uma rede de aldeias menores.
Nesse contexto, este projeto tem uma relevância dupla. Por um lado, como se
mostrará adiante, há pouco material bibliográfico sobre as expedições empreendidas
pelos Mẽbêngôkre. As etnografias junto a esse povo costumam centrar-se na vida
aldeã. No entanto, os Mẽbêngôkre ocupavam boa parte de seu tempo com as andanças
e hoje elas ocupam boa parte das narrativas. Lançar luz sobre essa parte importante da
socialidade mẽbêngôkre é importante para que se tenha uma visão mais informada
sobre sua concepção de mundo. Mas se por esse lado há motivações etnológicas
“clássicas” – as formas mẽbêngôkre de habitar a terra e a dinâmica das associações
políticas desse povo –, também está em jogo o contexto político desfavorável em que
os Mẽbêngôkre e os demais povos indígenas fazem sua luta hoje, pois o projeto
também almeja traçar uma continuidade entre formas “tradicionais” e
“contemporâneas” de territorialidade, algo importante em uma arena política de luta

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pela terra onde se tenta a todo custo questionar a “tradicionalidade” de certas práticas
indígenas.

Objetivos
O objetivo geral do trabalho aqui proposto é tentar compreender a relação
dessa nova dinâmica de criação de aldeias com o modo de habitar de outros tempos.
Se a pista de pouso, a escola e a posto de saúde fizeram com que os Mẽbêngôkre
fossem diminuindo suas andanças para se fixarem em alguns pontos, parecem agora
querer expandir esses pontos para toda a sua terra.
Primeiramente, é importante salientar que a própria ideia de uma aldeia onde
viviam todos os Mẽbêngôkre é problemática. Os Mẽbêngôkre já foram descritos como
apresentando um faccionalismo acentuado, seja ele baseado em grupos masculinos de
livre associação ou nas categorias de idade (TURNER, 1966; FISHER, 1991;
VERSWIJVER, 1985; VIDAL, 1977). Apesar de se congregarem em alguns
momentos do ano para celebração de festas de nomeação nas aldeias “principais”,
esses grupos masculinos que compunham a aldeia estavam (junto com suas famílias) a
maior parte do tempo dispersos em suas andanças, às vezes alguns deles juntos,
muitas vezes “cada um pra um lado”. Havia toda uma rede de roças e outras aldeias
menores pelas quais os Mẽbêngôkre circulavam. De modo que a aldeia principal
nunca estava inteiramente ocupada.
Em segundo lugar, até a própria noção de “aldeia” que temos hoje é diferente
daquela dos tempos das andanças, sendo esse um dos pontos de investigação aqui
propostos. As narrativas acerca das andanças nos guiam por vários lugares nomeados
e “classificados” como “lugar de sentar” (mẽ krĩ djà), a expressão mẽbêngôkre que
indica uma noção de “habitar”, contrastando com alguns lugares de acampamento
rápido tidos como “lugar de ficar em pé” (mẽ ku’ê djà). As aldeias principais de
antanho – comparadas pelos Mẽbêngôkre com cidades, devido o tamanho – são em
geral referidas por uma expressão de difícil tradução, mas que indicaria algo como
“sentar bem” (krĩ mej). Outro ponto é que não há nas narrativas, por exemplo, algo
como “fazer aldeia” quando se está falando da criação de uma nova aldeia. O que é
feito é a “terra” (pyka nhipêj), abrindo roça, plantando pés de fruta e construindo
casas. Hoje é muito comum escutar a palavra “aldeia”, em português, nas conversas
mẽbêngôkre. O uso de uma palavra estrangeira pode indicar que a própria noção que
se tem atualmente do que seja uma aldeia difere daquela de outrora. Outra pista é a

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prática contemporânea de dar nome à aldeia. Antigamente, nomeava-se o lugar e não
a aldeia. Quando falam da grande aldeia em que viviam todos os Mẽbêngôkre, as
narrativas dizem que ela estava em Pykatôti (“terra muito pegajosa”, em uma
tradução livre), e não que ela era Pykatôti. A nomeação dos lugares está associada a
eventos que ali ocorreram ou às suas características. O SPI, e posteriormente a
FUNAI, com a criação dos Postos Indígenas e a prática de nomeá-los, acabaram por
estender o nomes às aldeias, que agora os carregam consigo em caso de mudança de
lugar, como aconteceu com A’ukre.
Ao mesmo tempo que cristalizou nomes de aldeias, a “pacificação” modificou
a dinâmica andarilha dos Mẽbêngôkre. Como eles próprios dizem, “ficaram sentados
esperando os kubẽ”, ou seja ficaram parados nos seus “lugares de sentar”, agora
aldeias nomeadas e que contam com escola e posto de saúde 1. A questão é que
recentemente essas aldeias têm se multiplicado. Um grupo, liderado pelo seu chefe
(benjadjwỳrỳ), retira-se de uma aldeia e constrói uma nova em outro local. Estamos
diante então de um grande número de aldeias habitadas em geral por um grupo
pequeno de pessoas, o que nos remete ao modo de ocupação tradicional, com uma
constelação de pequenos “lugares de sentar”, habitados temporariamente por
pequenos grupos liderados pelos seus respectivos benjadjwỳrỳ. A diferença é que a
habitação agora possui um caráter mais permanente e as comunidades estão todas
localizadas às margens dos rios maiores. Se antes os Mẽbêngôkre empreendiam suas
expedições a pé, agora dependem em grande medida do transporte fluvial.
O objetivo geral do trabalho aqui proposto é poder, por meio de pesquisa
etnográfica, entender essa nova tendência de ocupação que remete a um modo de
habitar pré-pacificação, atentando-se para as diferenças entre as aldeias
contemporâneas e as dos tempos das andanças. As diferenças não são apenas físicas
ou de modos de habitação, mas também da própria concepção do que constitui, de
fato, uma aldeia. Mas, para isso, é necessário que outros objetivos sejam também
alcançados. Há que se compreender melhor a forma como a instituição da chefia
funciona hoje. Os caciques são tradicionalmente líderes de suas associações
1 Há que se lembrar que os Mẽbêngôkre viajam bastante para as cidades próximas e
também continuam realizando suas expedições de caça, onde os homens podem
passar semanas no mato. Na época das chuvas, também é muito comum que se passe
uma temporada nos castanhais. Mas as grandes andanças (mẽ ‘y) não são mais
praticadas, e isso é muito salientado por eles.

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masculinas, mas assumem hoje um papel também de chefes de suas aldeias. As
aldeias menores, inclusive, possuem apenas um chefe, algo impensável nas aldeias
maiores, onde há homens o suficiente para se dividirem em mais de um grupo
masculino. Atrelado a isso está também a compreensão de quem são as pessoas que se
mudam para as novas aldeias. Se essas escolhas são baseadas nas associações
masculinas ou nas relações famílias. É claro que os dois estão presentes, mas, à guisa
de comparação, há de se investigar se há preponderância de um dos fatores, pois as
andanças do passado eram baseadas nos grupos masculinos.
Um outro objetivo é também poder produzir um material que trate mais
especificamente das andanças, relegadas a segundo plano nas etnografias realizadas
com os Mẽbêngôkre, embora constituam um dos temas favoritos das narrativas de
quem as viveu.

Revisão da literatura
A saliência do dualismo na organização social jê fascinou a Antropologia a
partir dos escritos de Nimuendaju (1939; 1946) e de um célebre artigo de Lévi-Strauss
(2008[1956]), este último usando, em grande parte, o material do primeiro. Não à toa,
os povos jê foram objeto do primeiro projeto coletivo etnográfico profissional no
contexto das terras baixas sul-americanas. O Projeto Harvard/Museu Nacional,
coordenado por Maybury-Lewis e Roberto Cardoso de Oliveira, gerou uma série de
etnografias realizadas entre povos de língua jê e os Bororo, a fim de chegar a uma
melhor compreensão do “dualismo” deste “complexo Jê-Bororo”. A partir dos
trabalhos desse projeto, os Jê ficaram famosos como sociedades fundadas na
nominação e onomástica, em sistemas de categorias e classes de idade e no
faccionalismo. Seriam caracterizadas pelo desenvolvimento do princípio dualista em
uma dialética elaborada de múltiplas oposições no interior de uma totalidade
relativamente autossuficiente, o que significa basicamente que uma aldeia jê conteria
dentro do seu círculo os elementos necessários para sua re-produção. Esse modelo foi
bastante contrastado com a abertura para o exterior e a demarcação das diferenças
internas características de outros povos (OVERING, 1981; VIVEIROS DE CASTRO,
1986; FAUSTO, 2000), gerando tipificações como “this world-oriented” (Jê), em
oposição a “another world-oriented” (Tupi) (SEEGER, 1981).
Os Jê (ou os seus antropólogos) ficaram limitados, por assim dizer, ao interior
da aldeia como campo de estabelecimento de relações “devidamente” sociais. “O

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exterior se configura, desse modo, não como fonte de recursos simbólicos, esses já
adquiridos em tempos míticos, mas como ‘mero complemento diacrítico do interior’”
(VIVEIROS DE CASTRO, 1993: 204). Essa visão foi reforçada por – ao mesmo
tempo que reforçou – o plano circular como modelo de sociedade jê.
Essa imagem, entretanto, já foi bastante modificada. Verswijver (1992),
focando no caráter guerreiro dos Mẽbêngôkre, e Lea (1986), na forma de circulação
de bens rituais e nomes, nos mostraram a importância do exterior como “fonte de
recursos simbólicos”. De prerrogativas cerimoniais (nêkrêj) a cerimônias inteiras,
passando por nomes e cantos, todos os elementos que fazem uma “pessoa bela” para
os Mẽbêngôkre foram adquiridos de estrangeiros. Seguindo esse caminho, a virada do
século é marcada por uma relativização do contraste entre abertura amazônica e
fechamento jê (COELHO DE SOUZA, 2002). Buscou-se compreender de que forma
se dava, entre os Jê, a “abertura para o Outro” (LÉVI-STRAUSS, 1993) das
sociedades ameríndias. Cohn (2005) mostra como a “preensão simbólica”, a captura
de elementos externos, é um dos aspectos fundamentais da reprodução da socialidade
mẽbêngôkre, indicando que a alteridade é “fundante das relações propriamente
sociais”. O trabalho de Gordon (2003) exalta a importância dos bens manufaturados
dos não-indígenas para a vida ritual Mẽbêngôkre, intensificada após um acordo de
compensação de danos com a Vale que gerou vultosas somas para os Xikrin do Cateté.
Demarchi (2014) chama atenção para práticas rituais contemporâneas, baseados em
festas “não-tradicionais” como as festas de Dia do Índio e os aniversários de aldeias,
que evidenciam o caráter não-fechado das aldeias mẽbêngôkre. Elas se convidam para
as cerimônias e se assistem, criando circuitos imagéticos onde os vídeos das festas são
uns dos itens mais apreciados.
Fechadas ou abertas para o Outro, o grande foco de atenção das etnografias é
invariavelmente o espaço aldeão. As andanças são em geral mencionadas como
estratégia sazonal de subsistência. Também são discutidas brevemente para se mostrar
que os Mẽbêngôkre não eram nômades de fato, pois sempre circulavam em uma área
determinada, retornando às suas aldeias, o que fez os antropólogos chamarem-nos de
seminômades (TURNER, 1966; BAMBERGER, 1978, LEA, 2012). Uma
preocupação considerável, já que a ideia de nomadismo jê já foi utilizada como
argumento contrário à demarcação de suas terras, valendo-se da noção equivocada de
que eram errantes sem “território tradicional”.

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Há apenas dois trabalhos que se demoram mais sobre as andanças. Em um
artigo, Werner (1983) chega à conclusão de que as andanças tinham como único
objetivo complementar a dieta de proteínas dos Mẽbêngôkre. Em outro trabalho, que
Turner (1992) apresenta um ponto de vista diferente. Segundo ele, o modo como os
Mẽbêngôkre empreendiam suas expedições, em grupos grandes e andando pouco a
cada dia, não as tornava eficientes para a aquisição de mais caça do que se tinha
normalmente nas aldeias. Para Turner, o período na aldeia e o período no mato não
representam distintos modos de sobrevivência, mas formas de organização social
complementares. A matri-uxorilocalidade de segmentação – pois os unidades básicas
de produção seriam as casas das famílias extensas – daria lugar, durante as
expedições, a um patrivirilocalidade coletiva, pois os homens, caçadores, funcionando
como um grupo uno, dariam as coordenadas e guiariam o itinerário. Alternando entre
vida na aldeia e nos acampamentos, a sociedade mẽbêngôkre contrabalancearia forças
centrífugas – a tendência segmentar – e centrípetas – a solidariedade masculina nas
andanças, reproduzindo a ordem e a estrutura social. Essa ideia de Turner tem o
mérito de fugir das abordagens utilitaristas do neoevolucionismo cultural, mas ainda
está baseada em torno de uma totalidade da aldeia mẽbêngôkre que já foi combatida
pela literatura mais recente, como mencionado acima.
Nesse contexto, torna-se importante um trabalho que foque nas andanças
mẽbêngôkre. Se “a casa ficava vazia”, é surpreendente que a literatura foque apenas
no plano aldeão, seja para concebê-lo como uma unidade fechada e autossuficiente,
seja para vazá-lo sob o idioma da alteridade.

Metodologia
O trabalho irá se basear em uma pesquisa etnográfica de longa duração,
localizada especialmente na aldeia A’ukre. Ela está localizada no Riozinho, onde há
diversas aldeias recém-criadas, tornando-se um local fecundo para uma pesquisa
sobre o tema. Além disso, trabalhos de acompanhamento pedagógico realizados em
outras aldeias mẽbêngôkre no Pará, no âmbito de um projeto iniciado em 2014 e com
mais sete anos previstos, proporcionarão a oportunidade de trânsito em diversas outras
aldeias mais distantes.
Em campo, além da “observação participante”, outro método a ser utilizado é
a gravação de narrativas (especialmente com a temática das andanças), posteriormente
transcritas em língua mẽbêngôkre e enfim traduzidas para a língua portuguesa. Para

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tentar compreender melhor a configuração das novas aldeias, também será importante
a realização de entrevistas e genealogias.

Plano de trabalho
A pesquisa prevê uma etapa inicial de levantamento bibliográfico sobre o
tema, já iniciada em pesquisas anteriores, mas a ser continuada a partir do ingresso no
programa de doutorado. As disciplinas cursadas no primeiro ano do programa também
servirão de base teórica para o prosseguimento do trabalho. No segundo ano, está
previsto um período em campo, estimado em seis meses, a ser realizado na aldeia
A’ukre, na Terra Indígena Kayapó, e em outras aldeias mẽbêngôkre da região. Segue-
se o processamento da bibliografia e de alguns dados iniciais de campo, com o objeto
de se qualificar o projeto da tese e se preparar para um período posterior em campo.
Essa segunda parte da pesquisa de campo é estimada também em seis meses, podendo
ser estendida se assim for necessário para a realização da pesquisa. O ano e meio
restante será dedicado à análise dos dados obtidos durante a pesquisa de campo e à
escrita da tese.

Cronograma
Atividade 2018 201 202 202
9 0 1
Cumprimento créditos em sala de aula X
Levantamento bibliográfico X X
Processamento da bibliografia X X
Trabalho de Campo X X
Análise de dados etnográficos X X
Escrita e defesa da tese X

Referências bibliográficas

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