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ATIVIDADE 4 -

Dificuldade de aprendizagem à luz da psicanálise

O sistema educacional brasileiro traz no curso de sua trajetória um histórico do


fracasso escolar que se evidencia, dentre outros, na dificuldade de
aprendizagem de crianças e adolescentes, em grande parte, de classes
populares.

PERRENOUD (2001), diz que se o fracasso escolar incomoda, talvez seja


possível fazer algo. Não podemos negar a existência de classes sociais ou
ignorar o quanto elas contribuem nas desigualdades escolares, dessa forma é
preciso levar em conta que o aprendiz não é uma “tabula rasa”, é um sujeito
constituído e constituinte em sua subjetividade e trabalha seus aspectos
cognitivos muito antes de chegar a escola. Quando isto não é levado em conta,
gera uma reprodução simplista das desigualdades, eliminando-se os menos
favorecidos, diz o autor.

De acordo com Souza, o fracasso escolar decorre de vários fatores, como:


aspectos sócio-cultural, conflitos familiares, sistemas pedagógicos, deficiência
intelectual, mas nenhum deles pode explicá-lo, isoladamente. O autor chama
atenção para o fato de que as expectativas de pais e professores quanto a
aprendizagem da criança e a organização dos tempos e espaços escolares, de
modo linear, podem contribuir para a inibição do desejo de aprender do aluno,
uma vez que, para alguns, o estudar parece ser uma imposição do Outro do
gozo e não do Outro do desejo. A aprendizagem só acontece quando o desejo
parte do próprio sujeito aprendiz.

A esse respeito, KUPFFER (1989) nos afirma: é porque existem sujeitos


desejantes que existem sujeitos aprendentes e, através do estudo das relações
entre psicanálise e cultura, entendemos a posição do sujeito no discurso, e isto
nos remete a pensar na importância da escola, no momento atual.
O desejo, para a psicanálise, é a realização de um anseio inconsciente. O
humano é marcado pelo desejo (LACAN, 1985), como condição de sua
humanidade e é inserido numa cultura pelo mundo da linguagem. Não é um ser
totalizado, mas dividido pelo desejo. Lidar com esta incompletude não é uma
tarefa fácil, tanto para o professor como para o aluno.

Não se pode falar em aprendizagem escolar-dificuldade de aprendizagem sem


considerar todos os aspectos relevantes na vida do “aprendente” que é o
sujeito da “não-aprendizagem”. Nesse sentido, a Psicanálise contribui com o
conhecimento psicopedagógico uma vez que, conceitos como constituição
psíquica, o brincar e a imagem corporal, o Édipo, o narcisismo, a inibição, as
articulações entre o simbólico, o real e o imaginário, a transferência são
importantes para entendermos o desejo como sendo a “mola mestra” da
aprendizagem.

Tenho vivenciado isto no presente momento. Dou aulas para um grupo de


alunos de classe popular, em um grau de pobreza muito grande agravado pelo
fato de existir nas proximidade da escola uma penitenciária em que os
presidiários tem algum vínculo com as famílias dos alunos.
Ao assumir a turma, em maio desse ano, fui avisada sobre o “grau de
periculosidade” desses aluno: preguiçosos, violentos, mal educados,
indisciplinados, “mau-caráter” Qual não foi minha surpresa, pois são apenas
crianças na faixa de 8 e 10 anos!
Percebi uma forma velada de resistência por parte dos professores, uma vez
que, idealizaram o aluno, ignorando sua realidade de vida, sua carência pela
falta de afetividade, de escuta, de estruturação do “eu”, bem como o não
reconhecimento da angústia, do conflito e da falta, inerente ao sujeito humano.

A desvalorização do profissional da educação no país, abriu uma “ferida


narcísica” provocando um sentimento de impotência, sentimento este, que
muitas vezes tem sido substituído pelo lugar de “impotência da função paterna”
nos levando a reagir – pela transferência de funções – como um pai reagiria
diante do desejo não correspondido.
Em minha trajetória como professora da rede pública percebo que a sala de
aula é o palco de muitos conflitos desencadeados pela subjetivação que é
atribuída, tanto ao sujeito aprendente como ao ensinante, pelo meio social,
pela cultura e pelo inconsciente de ambos: professor e aluno. Por isso, não
basta uma boa formação ou uma vasta experiência na educação, assim como,
a utilização de estratégias e intervenções meramente didático-pedagógicas
para o enfrentamento da dificuldade de aprendizagem, produtora de sofrimento
para alunos e professores.

Meus estudos nessa disciplina tem me mostrado que é importante dar ao aluno
a oportunidade de criar e recriar a partir de sua singularidade e diferença. Para
isso é preciso enxergar com “novas lentes” a influência da cultura na
subjetivação humana, bem como, o meio social que subjetiva os sujeitos
aprendentes, que o saber se mobiliza com o desejo. Todos os professores
deveriam saber que o que transmitem é, antes de tudo, seu próprio desejo de
saber. (SOUZA. p 11)

Bibliografia

1- KUPFER, Maria Cristina. Freud e a Educação: o mestre do impossível.


São Paulo : Scipione, 1989.
2- PERRENOUD, Philippe. A pedagogia na Escola da Diferença. Porto
Alegre: Artmed, 2001.
3- LACAN, Jacques. O Seminário - Livro 2: O Eu na teoria de Freud e na
técnica da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.
4- SOUZA, Rafaella Teixeira de. O mal estar na escola: uma leitura
psicanalítica .