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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE COMUNICAÇÃO TURISMO E ARTES


DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS

CAIO CÉSAR GOMES GARCIA

PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS PARA A ONG MOVIMENTO ESPÍRITO


LILÁS

JOÃO PESSOA

2014
CAIO CÉSAR GOMES GARCIA

PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS PARA A ONG MOVIMENTO ESPÍRITO


LILÁS

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


apresentado à Universidade Federal da Paraíba
como requisito para obtenção do título de
Bacharel em Relações Públicas.

Orientado pelo Professor Doutor Júlio Afonso


Sá de Pinho Neto.

JOÃO PESSOA

2014
Catalogação da Publicação na Fonte.
Universidade Federal da Paraíba.
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).

Garcia, Caio César Gomes.

Programa de relações públicas para a ONG Movimento Espírito Lilás.


/Caio César Gomes Garcia. - João Pessoa, 2015.

83f.:il

Monografia (Graduação em Ciências Sociais) – Universidade Federal da


Paraíba - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes.

Orientador: Prof.º Dr.º Júlio Afonso Sá de Pinho Neto

1.Relações públicas. 2. Planejamento de comunicação. 3. Terceiro setor.


4. Movimento LGBT. I. Título.

BSE-CCHLA CDU 659.4


CAIO CESÁR GOMES GARCIA

PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS PARA A ONG MOVIMENTO ESPÍRITO


LILÁS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a


Universidade Federal da Paraíba como
requisito para obtenção do título de Bacharel
em Comunicação Social com Habilitação em
Relações Públicas.

Banca examinadora:

Orientador: Nota

__________________________________________ ______
Prof. Dr. Júlio Afonso Sá de Pinho Neto

Examinadores: Nota

__________________________________________ ______
Prof. Dr. Severino Alves de Lucena Filho

__________________________________________ ______
Profa. Ma. Andréa Karinne Albuquerque Maia

Média:______

João Pessoa/PB, _____ de _____________ de 2014.


AGRADECIMENTOS

Primeiramente gostaria de agradecer ao meu Pai Celestial por ter tornado possível
este tão grandioso sonho, e também por ter me iluminado, me dado forças e muitas vezes ter
me acalentado com seu doce Espírito Santo, o qual sempre me guiou tão gentilmente nos
caminhos tortuosos.
Gostaria de agradecer imensamente aos meus pais Antônio Carlos Garcia e
Josenilda Gomes Garcia, que nunca mediram esforços para auxiliar minha formação e
desenvolvimento, os quais muitas vezes desistiram de seus próprios sonhos para fazer com
que os meus se tornassem realidade. Pai e Mãe, amo vocês! Obrigado por tudo!
Agradeço a todos os meus amigos, os quais, cada um a sua maneira, colaboraram e
me ajudaram na realização deste projeto e compreenderam minha ausência nestes últimos
meses, em especial agradeço a Ana Paula Ferreira e a Fábio Rolim por sempre terem estado
comigo em cada etapa deste projeto, sempre me auxiliando, me escutando, me incentivando e
compartilhando todas as alegrias e dificuldades deste trabalho.
Por fim, agradeço a todos os professores do curso de Relações Públicas, que tão
generosamente me transmitiram todos os conhecimentos necessários para que esta etapa tão
prazerosa da minha vida se concretizasse, em especial ao meu querido e brilhante orientador
Profº Dr. Júlio Afonso Sá de Pinho Neto, que tão gentilmente aceitou o desafio de realizar
esse trabalho. Agradeço pela amizade, compreensão e dedicação.
“Que os vossos esforços desafiem as
impossibilidades, lembrai-vos que as grandes
coisas do homem foram conquistadas do que
parecia impossível.”

(Charles Chaplin)
RESUMO

Este trabalho objetiva a criação de um Programa de Relações Públicas para a Organização


Não-Governamental (ONG) Mel - Movimento do Espírito Lilás - com objetivo de fortalecer
os seus relacionamentos e sanar os problemas de comunicação existentes na organização. Ele
foi construído a partir de uma coleta de informações (briefing) mais uma pesquisa de opinião
com abordagem qualitativa, realizada com os colaboradores e alunos da Mel. Ambos
forneceram base para elaboração de um diagnóstico organizacional, o qual apresentou
problemas que foram então trabalhados a posteriori por um Programa de Relações Públicas,
cujo conteúdo versa sobre um conjunto de ações, visando solucionar tais problemas que o
diagnóstico emitiu. Dentre as ações do Programa de Relações Públicas, foi realizado um
projeto de criação de uma fanpage, que foi a ação escolhida para ser executada. A mesma teve
por objetivo aproximar os públicos-alvo de maneira estratégica, bem como dar visibilidade e
credibilidade à imagem organizacional da ONG Mel.

Palavras-chave: Relações Públicas. Planejamento de Comunicação, Terceiro Setor.


Movimento LGBT.
ABSTRACT

This work aims at the creation of a Public Relations Program for the Non-Governmental
Organization (NGO) MEL – Movimento do Espítito Lilás aiming to strengthen their
relationships and solve the communication problems that exist in the organization. It was built
from a collection of information (briefing) plus a poll with a qualitative approach, carried out
with the employees and students of the MEL. Both provided the basis for the elaboration of
an organizational diagnosis, which presented problems that were then worked the posteriore
by a program of Public Relations, whose content focuses on a set of actions, to resolve such
problems as the diagnosis issued. Among the actions of the Public Relations Program, we
conducted a project of creating a fanpage, which was the chosen action to be performed. It
aimed to bring the audiences strategically, as well as giving visibility and credibility to the
NGO's MEL – Movimento do Espírito Lilás.

Keywords: Public Relations. Communication planning, Third Sector. LGBT Movement.


LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Antigo logotipo da MEL ............................................................................................ 31

Figura 02 – Atual logotipo da MEL .............................................................................................. 31

Figura 03 – Problemas e consequências ........................................................................................ 37

Figura 04 – Fases e Processos de Relações Públicas .................................................................... 52

Figura 05 – Captura de tela do perfil pessoal mantido pela MEL no facebook ........................... 61

Figura 06 – Fachada da MEL ........................................................................................................ 68

Figura 07 – Imagem geral da nova fanpage .................................................................................. 82

Figura 08 – Primeira postagem da nova fanpage ......................................................................... 82

Figura 09 – Funcionalidades da fanpage ....................................................................................... 83


LISTA DE QUADROS

Quadro 01 – Análise das relações da organização com seus públicos .......................................... 20

Quadro 02 – Cronograma de atividades da pesquisa de opinião .................................................. 41

Quadro 03 – Siglas utilizadas para identificação dos colaboradores ............................................ 42

Quadro 04 – Cronograma de atividades da fanpage ..................................................................... 64


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABGLT Associação Brasileira de Lésbicas Gays Transexuais e Travestis

AIDS Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

APMS Assembleia Popular dos Movimentos Sociais

ASTRAPA Associação das Travestis Paraibanas

CEDH-PB Conselho Nacional de Direitos Humanos da Paraíba

CEJUP-PB Conselho Estadual da Juventude da Paraíba

CONSEA-PB Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional da Paraíba

GMMQ Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria

LGBT Lésbicas Gays Bissexuais e Travestis

MEL Movimento do Espírito Lilás

MNDH Movimento de Direitos Humanos Nacionais

MOVBI Movimento de Homens Bissexuais

MPT Ministério Públiico do Trabalho

ONG Organização Não Governamental

UFPB Universidade Federal da Paraíba


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 13

2 BRIEFING DA ONG MOVIMENTO DO ESPÍRITO LILÁS ............................................. 15


2.1 DADOS GERAIS DA ORGANIZAÇÃO ................................................................................ 15
2.2 HISTÓRIA DA ORGANIZAÇÃO .......................................................................................... 15
2.3 DESCRIÇÃO ESTRUTURAL DA ORGANIZAÇÃO ........................................................... 16
2.4 DESCRIÇÃO ECONÔMICA DA ORGANIZAÇÃO E DE SEU MERCADO DE
ATUAÇÃO.................................................................................................................................... 18
2.5 ANÁLISE DOS PÚBLICOS DA ORGANIZAÇÃO............................................................... 20
2.6 ANÁLISE DA CULTURA ORGANIZACIONAL ................................................................. 21
2.6.1 Diretrizes organizacionais................................................................................................... 21
2.6.2 Artefatos visíveis .................................................................................................................. 23
2.6.3 Sistemas de símbolos ........................................................................................................... 24
2.6.4 Tipo de cultura ..................................................................................................................... 25
2.6.5 Relação da cultura organizacional com a cultura nacional ............................................. 26
2.6.6 Relação entre cultura e o clima organizacional ................................................................ 26
2.7 AUDITORIA DA COMUNICAÇÃO ...................................................................................... 26
2.7.1 Programa de integração ...................................................................................................... 26
2.7.2 Reuniões Administrativas ................................................................................................... 27
2.7.3 Folders .................................................................................................................................. 27
2.7.4 Cartazes impressos .............................................................................................................. 27
2.7.5 Jornal institucional .............................................................................................................. 27
2.7.6 Quadro de avisos.................................................................................................................. 28
2.7.7 Sistema interno de comunicação ........................................................................................ 28
2.7.8 Atendimento telefônico ....................................................................................................... 28
2.7.9 Ouvidoria.............................................................................................................................. 28
2.7.10 Campanhas publicitárias .................................................................................................. 29
2.7.11 Projetos de apoio................................................................................................................ 29
2.7.12 Mídias digitais .................................................................................................................... 29
2.8 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO ÉTICO DA ORGANIZAÇÃO ................................... 30
2.9 IDENTIDADE CORPORATIVA ............................................................................................ 31
2.10 PROBLEMAS CRÍTICOS ..................................................................................................... 32
2.11 EXAME DA SITUAÇÃO ...................................................................................................... 32
2.11.1 Pontos fortes ....................................................................................................................... 32
2.11.2 Pontos fracos ...................................................................................................................... 33
2.11.3 Ameaças .............................................................................................................................. 33
2.11.4 Oportunidades ................................................................................................................... 34

3 PROJETO DE PESQUISA DE OPINIÃO PARA A ONG MEL ......................................... 35


3.1 APRESENTAÇÃO .................................................................................................................. 35
3.2 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................................... 35
3.3 DELIMITAÇÃO DOS PROBLEMAS .................................................................................... 36
3.4 OBJETIVOS ............................................................................................................................. 39
3.4.1 Objetivo Geral ..................................................................................................................... 39
3.4.2 Objetivos Específicos ........................................................................................................... 39
3.5 METODOLOGIA .................................................................................................................... 39
3.5.1 Método de abordagem ........................................................................................................ 40
3.5.2 Tipo de pesquisa .................................................................................................................. 40
3.5.3 Universo e amostra .............................................................................................................. 40
3.5.4 Instrumentos de coleta de dados ........................................................................................ 41
3.6 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES ..................................................................................... 41

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA ........................................ 42


4.1 DADOS QUANTITATIVOS ................................................................................................... 42
4.1.1 Análise e interpretação do ambiente interno .................................................................... 42
4.1.2 Público externo .................................................................................................................... 46

5 DIAGNÓSTICO ........................................................................................................................ 48

6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................................ 50


6.1 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS .............................. 50
6.1.1 Breve contexto histórico das Relações Públicas ................................................................ 50
6.1.2 A importância do profissional de Relações Públicas ....................................................... 50
6.2 AS RELAÇÕES PÚBLICAS E O TERCEIRO ....................................................................... 53
6.2.1 Terceiro Setor ...................................................................................................................... 53
6.2.2 A atuação do Relações Públicas no Terceiro Setor .......................................................... 54

7 PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS .......................................................................... 56


7.1 TÍTULO ................................................................................................................................... 56
7.2 JUSTIFICATIVA .................................................................................................................... 56
7.3 OBJETIVOS ............................................................................................................................ 56
7.3.1 Objetivo Geral ..................................................................................................................... 56
7.3.2 Objetivos Específicos ........................................................................................................... 56
7.4 PÚBLICO-ALVO .................................................................................................................... 57
7.5 AÇÕES .................................................................................................................................... 57

8 PLANEJAMENTO DA AÇÃO A SER EXECUTADA ......................................................... 62


8.1 PROJETO DE AÇÃO REBRANDING .................................................................................. 62
8.1.1 Tema ..................................................................................................................................... 62
8.1.2 Justificativa .......................................................................................................................... 62
8.1.3 Público-alvo .......................................................................................................................... 63
8.1.4 Objetivos ............................................................................................................................... 63
8.1.4.1 Objetivo geral ..................................................................................................................... 63
8.1.4.2 Objetivos específicos .......................................................................................................... 63
8.1.5 Estratégias ............................................................................................................................ 63
8.1.6 Cronograma ......................................................................................................................... 64
8.1.7 Recursos necessários ........................................................................................................... 64

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................... 66

REFERÊNCIAS ............................................................................................................................. 67
ANEXO ......................................................................................................................................... 69
APÊNDICES .................................................................................................................................. 79
13

1 INTRODUÇÃO

Este é um trabalho de Relações Públicas voltado para uma Organização Não-


Governamental (ONG). As Relações Públicas tem um papel relevante diante das ONGs
porque visa a aproximar públicos, assim como diminuir conflitos e crises, fazendo com que a
mesma consiga da melhor maneira possível atingir os objetivos para os quais foi criada.
Em suma, as organizações do Terceiro Setor dependem dos relacionamentos que
constroem com seus variados tipos de públicos, dentre eles podem ser citados a comunidade a
qual está inserida, públicos de outras regiões e diferentes realidades sociais, governo,
imprensa e outras instituições. Muitas dessas organizações carecem de um olhar mais
atencioso no que tange à esfera da comunicacional organizacional. Para os estudiosos dessa
área do conhecimento, a má comunicação traz desgastes nas relações, perda de tempo com
retrabalho, mal entendidos, suscetibilidades, falhas operacionais, entre outros problemas.
Neste sentido, o profissional de Relações Públicas é imprescindível enquanto gestor da
comunicação, pois o mesmo tem a importante função de avaliar os processos comunicacionais
vigentes na organização, detectar falhas e aprimorar os instrumentos de comunicação dirigida
existentes, bem como planejar a comunicação de maneira eficiente para que organização
obtenha êxito no seu desenvolvimento.
Para a realização deste trabalho, foi escolhida a instituição do Terceiro Setor
Movimento do Espírito Lilás (MEL), fundada em 1992. Situada no bairro do Centro, em João
Pessoa – Paraíba. Atualmente, o foco principal da MEL é a promoção e defesa dos direitos e
da cidadania dos homossexuais na perspectiva da equidade de gênero, objetivando combater a
homofobia e trabalhar por uma sociedade mais justa e humana. Além de também realizar
intervenções no sentido de combate as DSTs/Aids e pelos direitos dos homossexuais
paraibanos.
A primeira fase do trabalho consta da elaboração de um briefing, no qual está todo o
levantamento de dados sobre a organização, contendo informações sobre seu histórico,
funcionamento e estrutura. A partir deste documento foi possível conhecer a organização mais
a fundo e obter embasamento para a construção das hipóteses de problemas da ONG.
A segunda fase é constituída por uma pesquisa de opinião, a qual foi realizada com os
públicos internos e externos da MEL, com intuito de confirmar ou refutar as hipóteses que
foram formadas a partir do briefing. Ao término da pesquisa, construiu-se um diagnóstico
contendo uma análise geral da organização em estudo.
14

Por fim, a terceira e ultima fase deste trabalho é constituída pela fundamentação
teórica e pelo Programa de Relações Públicas. Na fundamentação teórica ficam claros os
conceitos e as contribuições dessa área do conhecimento para a elaboração do referido
trabalho. Já no Programa de Relações Públicas encontram-se as ações que foram pensadas
estrategicamente com o objetivo de sanar os problemas evidenciados no diagnóstico, dentre as
ações criadas foi escolhida uma para ser realizada junto a ONG. Para a escolha desta ação a
foi levada em consideração a situação financeira e a necessidade da MEL.
15

2 BRIEFING

2.1 DADOS GERAIS DA ORGANIZAÇÃO

Nome e razão social: Movimento do Espírito Lilás - MEL


Endereço: Rua Almirante Barroso, nº 757 – Centro - João Pessoa -PB.
Presidente da ONG: Renan Palmeira.
Telefone: (83) 3507-1458
Facebook: www.facebook.com/meljampa
Twitter: @mel_paraiba
Número de funcionários: 6 homens

2.2 HISTÓRIA DA ORGANIZAÇÃO

A década de 1990 foi marcada pela epidemia da Síndrome da Imunodeficiência


Adquirida (AIDS). No Brasil, em meados de 1986, o Ministério da Saúde lançou bases para
criação do Programa Nacional de Controle a AIDS, composto por cientistas e membros da
sociedade civil. Em 1992, o programa foi reorganizado com mais ênfase na articulação entre
governo e ONGs. Foi nesse contexto do surto da AIDS que surgiu, em 6 de março de 1992, a
ONG MEL (Movimento do Espírito Lilás), criada por um grupo de ativistas LGBT (Lésbicas,
Gays, Bissexuais e Travestis) da época.
Tais ativistas eram estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e faziam os
cursos de História, Direito e Serviço Social e já participavam de movimentos estudantis e de
uma das ONGs pioneiras na cidade de João Pessoa, a ONG denominada “Beira de esquina”.
Contudo, a mesma não era voltada para assuntos LGBT, então com o crescimento da AIDS e
o latente preconceito, os ativistas viram a necessidade de construir uma ONG LGBT em si,
assim nasceu a MEL, atuando como ONG e Movimento Social. Seus membros eram Luciano
Bezerra, Fernanda Benvenutty, Adneusa Targino, Marli Soares e Ferreirinha, dando início,
assim, às lutas em prol da cidadania LGBT.
As primeiras reuniões aconteciam em uma pequena sede no bairro da Torre, e
posteriormente se conseguiu um espaço no Teatro Cilaio Ribeiro, no Centro de João Pessoa,
onde já havia outros movimentos. Depois de alguns anos, o teatro fechou e se transformou em
uma escola de música, o que acarretou na evacuação dos movimentos que lá faziam sede,
deixando a MEL sem sede nos anos de 2008 a 2010. Por conta dessa ameaça externa, as
16

reuniões passaram a ser nas casas dos membros, privilegiando sempre o bairro do Centro para
facilitar o acesso do seu público.
Desde sua criação até a atualidade, sempre foi um desafio para MEL se manter nesse
nicho de ONGs, uma vez que os editais abertos pelos órgãos públicos dão pouca abertura para
projetos LGBT. Mesmo com as dificuldades, a MEL já atua em João Pessoa há mais de 20
anos e já obteve grandes conquistas, como a Delegacia contra Crimes Homofóbicos,
Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana, o Centro de Referência LGBT, uma sede
própria, a legalização do casamento gay na Paraíba e algumas outras conquistam para a
comunidade local com políticas de educação e saúde.
Além de intervenções no sentido do combate as DSTs/Aids e pelos direitos dos
homossexuais paraibanos, algumas peculiaridades diferenciam a MEL de outras entidades que
atuam no mesmo campo no Brasil. Praticamente desde sua fundação, o Movimento Espírito
Lilás faz parte da Central dos Movimentos Populares, chegou a fazer parte da Coordenação
Executiva Nacional (1993 a 1996) e foi o primeiro grupo LGBT a se filiar ao Movimento
Nacional de Direitos Humanos (MNDH), em 1997.
Na Paraíba, foi a primeira voz da sociedade civil organizada a se posicionar
publicamente na imprensa, e por outros meios, na luta pela cidadania LGBT e no apoio às
pessoas que vivem com HIV/Aids. A MEL é reconhecida na Paraíba e nacionalmente pelo
papel desempenhado por mais de 20 anos no campo dos Direitos Humanos e pela construção
de uma sociedade sem homofobia e que respeite a diversidade humana.
Atenta ao debate acerca dos direitos humanos e da diversidade sexual na sociedade
brasileira, a instituição se mantém firme no ativismo contra todos os tipos de discriminação,
atuando ativamente no Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba (CEDH-PB),
Conselho Estadual da Juventude da Paraíba (CEJUP/PB), Conselho Estadual de Segurança
Alimentar e Nutricional (CONSEA/PB) e integrando o Movimento de Direitos Humanos
Nacionais (MNDH), Fórum de ONG/Aids da Paraíba, Assembleia Popular dos Movimentos
Sociais (APMS), Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e
Transexuais (ABGLT), e também em outros espaços ligados às pautas e lutas do movimento
de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) da Paraíba.

2.3 DESCRIÇÃO DA ESTRUTURAL ORGANIZACIONAL

Trata-se de uma ONG (Organização Não-Governamental) e Movimento Social.


Enquanto Movimento Social, ela tem a finalidade de criar formas de associação entre pessoas
17

e entidades que tenham interesses em comum para a defesa e promoção da cidadania e dos
direitos LGBT perante a sociedade; no papel de ONG, desenvolve ações nas áreas de
assistência social, saúde pública e educação, além de aplicar esforços na direção de mobilizar
a opinião pública e conseguir o apoio da população para melhorar determinados aspectos da
sociedade.
A estrutura administrativa da MEL, segundo seu estatuto, é uma estrutura colegiada de
coordenação e integração, que tem como vantagens o desenvolvimento do espírito crítico
construtivo, uma visão mais abrangente para tomada de decisões, desenvolvimento do espírito
de cooperação e a redução de conflitos decorrentes de decisões tomadas. Desta forma, sua
estrutura administrativa é participativa, na qual não existe uma pessoa que manda, mas sim
um grupo gestor.
A MEL preza pela agilidade, capacidade de se modificar, de se adaptar continuamente
e pela gestão da informação, caracterizando assim um perfil administrativo moderno, no qual
todos colaboram de diversas formas desenvolvendo mais de uma função para o
funcionamento da organização.
O corpo funcional é formado por seis homens, com faixa etária entre 20 e 50 anos; O
grau de escolaridade deles varia entre ensino médio e ensino superior, sendo o presidente,
vice presidente e um secretário com ensino superior e os demais com ensino médio. O horário
de trabalho da equipe é de segunda à sexta-feira, das 08h às 17h. Por ser uma equipe muito
pequena e fixa, a ONG não tem uma política de recursos humanos formalizada, contudo
quando chegam voluntários querendo trabalhar, eles oferecem um curso de novas lideranças
LGBT e fazem uma apresentação do local e da função de cada colaborador.
A Mel não possui um organograma definido, porém segundo seu novo Estatuto,
reformulado em 2014, do capítulo IV ao VII, a descrição e atribuições funcionais da equipe
administrativa é dividida em três órgãos, são eles Assembleia Geral, Colegiado Gestor e
Conselho Fiscal.
A Assembleia Geral é a instância deliberativa soberana do Movimento e
ordinariamente é convocada bianualmente para realizar a eleição do Colegiado Gestor e do
Conselho Fiscal, como também para aprovar o balanço financeiro do ano anterior. Quando
necessário, seus membros podem ser convocados extraordinariamente, a pedido dos membros
do Colegiado Gestor ou dos Associados Plenos. São funções da Assembleia Geral: alterar o
Estatuto da ONG; deliberar sobre afastamento ou exclusão de associados; e até mesmo
deliberar a respeito da extinção da MEL. No Artigo 13 do regimento da ONG está descrito
todo o trâmite de funcionamento da Assembleia Geral.
18

O Colegiado Gestor é responsável pela direção da MEL e divide-se em duas outras


instâncias: Coordenação Executiva, formada pelo Coordenador Geral, secretário e tesoureiro
com respectivos suplentes; e Coordenação Administrativa, estruturada por quatro
Coordenadores: um Coordenador de Articulação Política, um Coordenador de Eventos e
Comunicação, um Coordenador de Projetos e Convênios e um Coordenador de Patrimônio. A
primeira é escolhida através de eleição direta e secreta, para um mandato de dois anos. São
atribuições do Colegiado Gestor: elaborar e executar o plano anual e atividades; elaborar e
apresentar, à Assembleia Geral, o relatório anual; dialogar com instituições públicas e
privadas para mútua colaboração em atividades de interesse comum. As funções dos membros
deste Colegiado estão descritas no Artigo 14 do regimento da MEL (em anexo).
E por fim, o Conselho Fiscal é constituído por quatro membros titulares e dois
membros suplentes, juntamente com os membros da Coordenação Administrativa. Compete
ao Conselho Fiscal: opinar sobre questões de interesse da associação; convocar Assembleia
Geral Extraordinária, quando de situações excepcionais, por decisão da maioria simples de
seus membros; apreciar e emitir parecer, por escrito, sobre as contas da associação.

2.4 DESCRIÇÃO ECONÔMICA DA ORGANIZAÇÃO E DE SEU MERCADO DE


ATUAÇÃO

Ao julgar o faturamento da organização, percebe-se um dado preocupante: a MEL é


uma organização extremamente instável, pois ela depende dos editais lançados pelos órgãos
públicos para o financiamento de projetos sociais. Tais projetos apresentam diferentes valores,
e a quantidade que a ONG consegue durante o ano também é variável, podendo ser de 0 a 4
projetos. Desta forma, não há como especificar um valor anual que possa ser citado, ou seja,
em um ano a organização pode arrecadar de R$ 0,00 a R$ 40.000,00, por exemplo.
Em entrevistas com o vice-presidente, o mesmo relatou que já houve anos nos quais
não se conseguiram projetos e, consequentemente, não se obteve dinheiro para investir. Então,
a própria equipe administrativa realizou doações para a compra de equipamentos, e realizando
também rifas para se manter economicamente.
A importância desta ONG está diretamente ligada à realização de trabalhos para uma
população minoritária que chega a ser marginalizada pela sociedade, a qual também o Estado
não consegue assistir. Para isso, ela conta com auxilio e doações do mesmo e também com a
colaboração de alguns políticos e empresários. A MEL classifica-se como ONG e Movimento
19

Social, ao contrário das empresas privadas, não existe distribuição de lucros com seus
proprietários e não estão sujeitas a controle político direto.
A parte financeira do Terceiro Setor é vista de forma diferente. Enquanto o setor
privado visa apenas ao lucro e ao enriquecimento dos seus donos, para as entidades do
Terceiro Setor é um meio, um instrumento para alavancar as ações que atingirão seus reais
objetivos.
Quanto à concorrência, ela inexiste entre ONGs; o que há é duplicidade de ação, isto é,
quando duas ONGs trabalham no mesmo segmento e na mesma área de abrangência
oferecendo serviços similares/semelhantes. Neste mesmo seguimento temos a ONG Grupo de
Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria (GMMQ); A ASTRAPA (Associação das
Travestis Paraibanas), voltada aos interesses de travestis e transexuais; e a mais recente, que
ainda está em fase de formação, MOVBI (Movimento de Homens Bissexuais). Estas ONGs
ficam sediadas em duas pequenas casas localizadas nos fundos da sede da MEL, todas
objetivam a equidade de gênero e cidadania, e também juntas formam o Movimento LGBT.
No quesito produtos e serviços, a MEL não trabalha com nenhum tipo de produto,
oferecendo apenas serviços gratuitos para a comunidade; sua renda é provinda apenas dos
órgãos públicos e doações. Dentre os serviços oferecidos pela MEL, atualmente existem:
.
 Serviços assistenciais: quando chegam pessoas procurando a ONG, ela as auxilia, na
busca pelo serviço desejado, como por exemplo: psicólogos, advogados, assistentes
sociais e etc.

 Banco de alimentos: o banco de alimentos do município doa alimentos para ONG e ela
repassa às pessoas que são cadastradas.

 Cursos profissionalizantes: atualmente a MEL está oferecendo os cursos de auxiliar


administrativo e libras. Ambos gratuitos para a comunidade. Os cursos têm como
público-alvo a população LGBT, porém se pessoas que não se enquadram dentro do
público-alvo e que quiserem fazer os cursos, não há restrições e nem proibições.

A MEL não possui um planejamento estratégico, suas técnicas de gestão são pouco
efetivas, pois inexistem metas e objetivos a médio ou longo prazo. Eles alegam que pelo fato
da organização ser muito instável financeiramente, chegando a ter épocas em que o caixa fica
completamente zerado, não há como se planejar a médio e longo prazo porque o futuro é
20

incerto. Por isso o que existe é um planejamento a curtíssimo prazo, de acordo com o dinheiro
disponível naquele momento.

2.5 ANÁLISE DOS PÚBLICOS DA ORGANIZAÇÃO

Os públicos são a essência e a vitalidade das organizações. Uma empresa sem


públicos não existe, por isso um bom relacionamento com seus públicos é de suma
importância para que a organização consiga manter-se forte, competitiva e conquiste suas
metas. Sendo assim, é necessário conhecer cada tipo de público, sua importância e como ele
interage com organização. A ONG MEL, por lutar pela cidadania LGBT, deve ter um bom
domínio e relacionamento com seus públicos, pois este assunto ainda é um tabu na sociedade
brasileira e envolve o preconceito. Desta forma, os públicos que estão diretamente ligados à
MEL são:

Quadro 1 - Análise das relações da organização com seus públicos


Tipo de Qualidade do Objetivo da Nível de Resultados
Público
relacionamento relacionamento organização dependência Esperados
Comprometimento
Equipe Legal Operacional Essencial Lealdade
Bom
Administrativa Social Intelectual Estratégica Força para lutar
pela causa
Obtenção de
Poderes Confiança
Legal financiamento
Executivos Ética
Político Apoio Essencial
Municipal, Bom Respeito
Social Parceria Estratégica
Estadual e Solidariedade
Parceria Ausência de
Federal
conflitos
Apoio nos
Não- Credibilidade
trabalhos
Voluntários Social Ruim essencial Satisfação
Ausência de
Estratégico Confiança
conflitos

Obtenção de Não- Credibilidade


Instituições Social
Bom apoio essencial Ética nas relações
doadoras Parceria
Parceria Estratégico Confiança

Produtividade
Prestadores Legal
Não- Comprometimento
de serviço Social Bom Capacidade
essencial Satisfação
(Professores) Negócios operacional
21

Bons
contratos
Qualidade
nos serviços
Prestadores Legal prestados
de serviço em Social Ótimo Atendimento Essencial Ética na relação
comunicação Negócios às
necessidades
Entregas
dentro do
prazo

Manutenção Cordialidade
Comunidade Não-
Social Razoável da boa Respeito
Heterossexual essencial
imagem Credibilidade

Manutenção
Comunidade da boa Não-
Social Bom Credibilidade
LGBT imagem essencial
Credibilidade

Confiança
Respeito aos
Ética na relação
acordos
Satisfação
Movimento Social Credibilidade Essencial
Bom Credibilidade
LGBT Parceria Ética na Estratégica
Confiança
relação

Manutenção
Social de Não-
ONGs LGBT Bom Credibilidade
Parceria boa imagem e essencial
parceria

Intelectuais
Manutenção
ligados a Não-
Social Razoável de Credibilidade
questão essencial
boa imagem
LGBT

Obtenção de
Não- Boa relação
Imprensa Social Bom apoio e boa
essencial Ética
imagem
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado no modelo de análise de públicos de Fábio França
2004.

2.6 ANÁLISE DA CULTURA ORGANIZACIONAL

2.6.1 Diretrizes Organizacionais

A organização não dispõe de um planejamento estratégico definido, pois, segundo o


vice-presidente da ONG, os problemas financeiros e os recursos humanos não os possibilitam
de fazer um. É notável a postura reativa da MEL, porquanto não são elaborados
planejamentos a médio e longo prazo. O que foi observado a partir das entrevistas é que a
22

ONG, ao longo de mais de 20 anos, vem se mantendo de forma inconstante, aproveitando as


oportunidades dos projetos, quando existem, e adaptando-se de diversas formas quando não as
têm, como, por exemplo, mudando a sede para um local mais barato, pedindo doações e
fazendo rifas.
Quanto à sua missão, ela é baseada nas informações do seu Estatuto, a ONG afirma
ser promover e defender a cidadania e os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais,
travestis e transexuais.
No quesito visão da organização ela não tem uma preocupação com o futuro, tendo
em vista que é uma luta constante manter-se no agora. Seus valores também não estão
documentados, porém a partir da observação in loco 1 é possível perceber alguns, como bom-
senso, respeito, cordialidade, integridade, comprometimento e espírito de equipe.
Os objetivos da organização estão definidos no Estatuto, reformulado em 2014. Em
seu Artigo 3°. São colocados como Objetivos da MEL:
I – Realizar o controle social de políticas públicas direcionadas para a população de
lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, em todos os níveis de gestão;
II – Combater a homofobia, lesbofobia, bifobia, transfobia e todas as demais formas
de discriminação e preconceito em razão de orientação sexual, identidade de gênero, cor,
etnia, origem, religião, entre outros;
III – Favorecer o intercâmbio e apoiar as ações de outras organizações que visem à
defesa e promoção dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais
(LGBT);
IV – Promover ações educativas, a partir dos princípios pedagógicos da educação
popular, para a promoção da cidadania e dos direitos humanos de LGBT, de pessoas com
deficiência, de mulheres, da criança e do adolescente, do idoso, da população negra,
população indígena e de outras populações e grupos socialmente vulneráveis;
V – promover práticas formativas acerca da promoção da saúde e da prevenção de
doenças, com ênfase nos seguintes eixos:
• Saúde integral da população LGBT;
• Saúde do homem;
• Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), HIV/AIDS e
Hepatites Virais, bem como a promoção e defesa dos direitos humanos de pessoas vivendo
com HIV/AIDS e Hepatites Virais;

1
In loco é uma expressão em latim, que significa "no lugar" ou "no próprio local" e é equivalente à expressão in
situ. Fonte:< http://www.significados.com.br/in-loco/> Acesso em: 13 de julho de 2014.
23

• Redução de danos de pessoas usuárias de álcool e outras drogas;


VI – Realizar advocacy na defesa, promoção e preservação do meio ambiente,
viabilizando, entre outros, ações que visem à preservação de espécies da flora e da fauna;
VII – Atuar na defesa e promoção dos direitos da população LGBT, promovendo seu
acesso aos serviços públicos, com ênfase no seu acolhimento institucional;
VIII – Incidir politicamente junto ao Poder Público para a prestação da segurança
alimentar e nutricional da população LGBT;
IX – Participar de órgãos colegiados, fóruns e outros coletivos que visem a promoção
e defesa dos direitos humanos, bem como o controle das políticas públicas;
X – Incidir nas políticas de trabalho, emprego e geração de renda para a inclusão da
população LGBT no acesso nestas ações, combatendo todas as formas de preconceito no
ambiente de trabalho em razão da orientação sexual e identidade de gênero;
XI – Realizar incidência política junto aos órgãos governamentais no sentido de
enfrentar a discriminação e de garantir assistência às vítimas de violência em razão da
orientação sexual e identidade de gênero, quer seja em órgãos públicos, quer seja em
instituições privadas;
XII – Defender a humanização dos serviços públicos no atendimento à população
LGBT.
XIII - Garantir ações, projetos e outras incidências, nas políticas de cultura,
educação, assistência social, habitação, mobilidade, agricultura familiar, economia solidária,
segurança pública, turismo, saúde, participando de seus conselhos, conferências e afins.

2.6.2 Artefatos visíveis

a) Arquitetura: A organização está localizada em uma casa alugada, relativamente bem


conservada. O muro da frente é lilás, com os portões pintados nas cores vermelho, amarelo,
verde, azul claro e lilás, o que remete às cores da bandeira e do movimento LGBT nacional, e
também há uma faixa com informações e logotipo antigas. Nos fundos da residência existem
mais duas pequenas casas (Quitinetes) onde funcionam a Maria Quitéria e a ASTRAPA. Em
seu interior a casa possui uma pequena sala que funciona como recepção, uma sala grande que
é utilizada como sala de reuniões, um quarto grande onde são ministradas aulas e cursos, um
quarto pequeno utilizado como arquivo, uma cozinha grande em L, terraço e um banheiro;
24

b) Mobiliário: Os móveis são antigos, obtidos através de doações, e a equipe os mantém em


boas condições. Na recepção há dois sofás grandes de couro, um birô e uma pequena estante.
Na sala de reuniões existe apenas uma raque, um bebedouro e seis cadeiras. Na sala de cursos
existe um birô, um quadro negro e cadeiras de madeira com braços para escrever. Na cozinha
há uma geladeira e fogão bem conservados, uma mesa de madeira grande, bastante danificada
e pichada, e duas cadeiras de plástico;

c) Equipamentos: Os equipamentos estão novos e conservados. A ONG possui um ventilador


e um computador novo, localizados na recepção; um notebook e um data show que são
utilizados nos cursos oferecidos. E também possui uma TV de LED com aparelho de DVD na
sala de reuniões;

d) Nível de ruídos e poluição: A MEL está localizada em uma avenida principal saneada e
pavimentada, onde existem residências, restaurante, lojas, escola, empresas e etc. Ou seja, há
uma intensa circulação de pessoas e automóveis, logo há muitos ruídos.

2.6.3 Sistema de símbolos

a) Heróis: Em conversa com o vice-presidente e com os colaboradores da Mel, foi percebida


a influência e a importância de duas pessoas na história da organização, são elas:

Luciano Bezerra: Professor de História, natural do município de Cabedelo, participou


da fundação dos movimentos LGBT e da cultura negra em João Pessoa. Atua na MEL desde
1993, onde já ocupou vários cargos, inclusive a presidência. Atua em ONG´s, assembleia
popular, comitês e no Fórum de Pessoas com Aids e faz parte do Setorial do PT, sendo um
dos fundadores do partido em João Pessoa.
Segundo a atual equipe da organização, Luciano é um ícone para a MEL no que diz
respeito ao grande avanço de uma sociedade que caminha para ser cada vez menos
preconceituosa.

Fernanda Benvenutty: É uma enfermeira, nascida em Remígio/PB, e também militante


transexual brasileira dos direitos humanos LGBT. Ela tem um histórico de luta pelos direitos
dos transexuais e transgêneros em João Pessoa. Foi fundadora da MEL, junto a Luciano
Bezerra e outros militantes. Em abril de 2005, ela, com uma comissão de militantes do
25

movimento LGBT brasileiro, discursou na Câmara dos Deputados em Brasília (DF), junto à
Comissão de Direitos Humanos e Minorias, para reivindicar verbas para programas de
combate à homofobia.
Em 2009, o Governo Federal brasileiro divulgou o decreto que criou a Coordenação
Nacional LGBT, a qual visa cuidar da demanda das políticas públicas voltadas à comunidade
gay. Na ocasião, Fernanda Benvenutty foi um dos três nomes cotados para assumir o posto de
coordenadora desse novo órgão, já que possui experiência com políticas públicas, com foco
em gestão social, assim como conhecimento da causa LGBT.

b) Ritos, festas, confraternizações e cerimônias: A organização afirma não ter qualquer tipo
de mito, e não realiza festas internas, uma vez que se torna inviável por não haver verba para
tal. Além da equipe administrativa ser muito reduzida, é muito difícil reunir os apoiadores da
ONG. Sendo assim, a única festa promovida pela organização é a “Parada Gay” da cidade de
João Pessoa, que é patrocinada por órgãos públicos e empresas privadas. A Parada já está na
sua 13º edição e todo ano apresenta um tema para ser posto em pauta. A Parada do Orgulho
LGBT é uma celebração por todas as conquistas do movimento LGBT nacional e também um
ato de protesto a todo preconceito, toda violência – verbal, física, institucional –, desferida aos
LGBTs de todo o País. Durante o evento também existem atividades educativas, como a
distribuição de preservativos e panfletos orientando sobre a importância da prevenção contra
as DSTs. Segundo o vice-presidente do MEL,
“é um evento que tem uma caracterização política e social de extrema
importância, porque mostra a quantidade de pessoas que não é tão
minoritária assim, e que estão todas nas ruas lutando pelos seus direitos,
mostra também a cultura LGBT, que é diferente. Enfim, é um ato político
muito importante, a distribuição do material educativo para prevenção de
DSTs”.

2.6.4 Tipo de Cultura

Segundo Pires e Macêdo (2005), a cultura possibilita a manifestação dos valores e


crenças que cada colaborador partilha com a organização. Neste sentido das relações entre
colaboradores e organização, é possível observar um tipo de cultura afetiva e afiliativa que
delimita o sentimento da equipe em permanecer na ONG porque quer e por se sentir parte da
organização e da causa LGBT, a qual defende, adotando também uma postura adaptativa
voltada para mudanças.
26

2.6.5 Relação da cultura organizacional com a cultura nacional

A relação da cultura organizacional com a cultura nacional é pouco presente na


organização. O que percebemos é que essa relação se dá apenas no tocante ao calendário
nacional referente a festas e feriados.

2.6.6 Relação entre cultura e o clima organizacional

A MEL é uma ONG de pequeno porte e, atualmente, só estão trabalhando ativamente


na organização cinco pessoas. Apesar de não oferecer planos de cargos e carreira, este
relacionamento é visto como satisfatório. Quando há alguma questão a ser resolvida, a
solução é tomada a partir de conversas. Apesar de existir a figura do coordenador, tudo
sempre é resolvido e decidido em equipe.
Mesmo com problemas financeiros, os funcionários afirmam ser comprometidos,
uma vez que, segundo eles, não estão ali apenas por conta do salário, mas sim para lutar pela
causa LGBT. Estão no movimento para receber reconhecimento e para conquistar direitos
para si e para a população que se autodeclara LGBT.
A julgar pelos depoimentos colhidos, é notável que há um bom grau credibilidade
dos funcionários, pois não existe uma chefia que manda, mas sim uma causa a ser conquistada
todos os dias, a qual toda equipe analisa e toma decisões. Existem pequenas metas que eles
criam para realização de seus projetos, colocando assim uma pressão sobre eles mesmos.

2.7 AUDITORIA DA COMUNICAÇÃO

A organização não possui um departamento ou setor de comunicação, porém há uma


conscientização de que isso é essencial. Também não há uma preocupação em estabelecer
políticas e diretrizes para a Comunicação. As ações são decorrentes das oportunidades que
surgem, logo são planejadas em curto prazo pelo vice-presidente, que é formado em
marketing, e quando existem recursos financeiros são firmados contratos com a agência de
publicidade e propaganda TAG ZAG.
A ONG MEL faz uso de um grande acervo de instrumentos de comunicação no seu
cotidiano. São eles:

2.7.1 Programa de integração


27

No momento do ingresso de um voluntário, a organização oferece um curso de “Novas


Lideranças LGBT”, no qual o voluntário irá adquirir um conhecimento prévio sobre a área
LGBT, a militância e como se reportar em determinados locais. Além de ser apresentado
verbalmente à equipe administradora, ele recebe informações de como funciona a ONG.

2.7.2 Reuniões administrativas

Rotineiramente acontecem mensalmente, mas quando há algum tipo de evento ou


necessidade, são realizadas as “reuniões extraordinárias de caráter de urgência”, que passam a
ocorrer toda semana.

2.7.3 Folders

Os folders são feitos pelo vice-presidente da organização. Segundo ele, este


instrumento não tem regularidade e nem periodicidade; são produzidos quando surge alguma
necessidade de informar algo e são abordados variados temas como: institucional da ONG,
saúde, eventos, assuntos sobre direitos e cidadania LGBT, entre outros. Sua tiragem não se
sabe ao certo e quando indagado sobre os resultados desta ferramenta, o entrevistado não
soube responder, pois não foram realizadas avaliações.

2.7.4 Cartazes impressos

A ONG utiliza esta ferramenta há aproximadamente 10 anos com a finalidade de


divulgar a parada gay. No início de 2014 foram elaborados quatro mil e quinhentos cartazes
com um novo objetivo, o de conscientizar a população sobre a homofobia e sobre o amor
entre pessoas do mesmo sexo. Sendo assim, foram confeccionados dois mil cartazes para a
campanha publicitária “Homofobia no trabalho: você não tem esse direito” e dois mil e
quinhentos para a campanha “O amor une, a homofobia não”. Com relação aos resultados
obtidos, a equipe não soube informar com exatidão, pois sua avaliação foi feita de forma
amadora, a partir daquilo que as pessoas publicaram na internet.

2.7.5 Jornal institucional


28

Existem os jornais impressos Comeia e Tabloide, os mesmos têm cinco e um ano de


existência, respectivamente. Eles são elaborados de forma amadora pela equipe da ONG e a
periodicidade não é fixa, ou seja, algumas vezes eles são lançados semestral ou anualmente.
Os assuntos abordados, conforme os depoimentos colhidos, são um misto de tudo que
acontece de mais importante no meio LGBT nacional; funciona como um tipo de
retrospectiva dos acontecimentos da comunidade gay.

2.7.6 Quadro de avisos

Está localizado na recepção e é muito pequeno, tendo o tamanho de 42 x 29,7cm.


Encontra-se mal conservado, pouco atrativo e está em desuso pela equipe, uma vez que eles
alegam que todos os avisos atualmente são postos no grupo do facebook da organização,
tornando assim o quadro de avisos obsoleto.

2.7.7 Sistema interno de comunicação

Ocorre de forma informal, através de conversas, e-mails, telefonemas, reuniões e


facebook.

2.7.8 Atendimento telefônico

Não há uma pessoa responsável para esta função, ou seja, qualquer pessoa da equipe
pode atender. Segundo o 1º secretário, o telefone toca muito pouco e todos estão preparados
para fornecer informações.

2.7.9 Ouvidoria

A ONG está trabalhando em parceria com a ouvidoria da prefeitura. No ano de 2013,


durante o evento da 12º Parada da Cidadania LGBT, foi realizada uma campanha contra a
homofobia no âmbito da administração municipal. A prefeitura municipal de João Pessoa, por
meio de sua ouvidoria, disponibilizou no período das 16h às 19h uma equipe de ouvidores que
ficou numa tenda montada no Busto de Tamandaré e realizou a distribuição de material
informativo, alertando que a comunidade LGBT poderia fazer denúncias caso tivesse sofrido
discriminação ao utilizar os serviços públicos do Município. Esta parceria continua até o
29

momento, e para acionar a ouvidoria, a população pode oferecer denúncias, reclamações e


sugestões através do telefone 3218-6167, ou enviar um e-mail para
ouvidoria@joãopessoa.pb.gov.br

2.7.10 Campanhas publicitárias

Quando indagado sobre campanhas publicitárias, o vice-presidente da organização,


afirmou que foram feitas duas campanhas em parceria com o Ministério Público do Trabalho
na Paraíba (MPT). A primeira foi lançada no final de novembro do ano de 2013, chamada
“Homofobia no Trabalho: Você não tem esse direito.” A campanha, produção e mídia contou
com comercial, outdoors e cartazes, enfatizando a necessidade do combate às práticas de
homofobia no mercado de trabalho. Foi a primeira vez que um órgão público, em parceria
com uma entidade do movimento LGBT, promoveu uma campanha contra a homofobia no
ambiente de trabalho.
A segunda teve seu lançamento em 16 de maio de 2014, a qual contou com os mesmos
instrumentos de comunicação dirigida da anterior, e foi intitulada de “O amor une, a
homofobia não”. Seu objetivo foi reafirmar que o respeito à diversidade é dever de todos,
independente de orientação sexual e da identidade de gênero. Dentro desta campanha,
também teve o comercial de TV que foi veiculado em todos os canais da mídia televisiva
paraibana, e o foi o primeiro comercial com beijo gay da televisão brasileira.
Os resultados das campanhas, conforme os depoimentos colhidos, foram considerados
satisfatórios, uma vez que houve muita repercussão na mídia local e na internet com
comentários contra e a favor. Contudo, esta avaliação foi feita de forma amadora, o que
acarreta dizer que o resultado pode estar equivocado, pois não foram aplicadas formas de
avaliação que garantam respaldo e credibilidade.

2.7.11 Projetos de apoio

Está em fase de elaboração um projeto de apoio à cultura, que será a “Semana


cultural”, na qual haverá um sarau poético, exposição de trabalhos artísticos e de textos de
escritores LGBT da região. O evento provavelmente será realizado uma semana antes da 13º
Parada da Cidadania LGBT, que ocorreu no mês de agosto de 2014.
30

2.7.12 Mídias digitais

A ONG possui facebook, twittter, canal no youtube e webloger. A equipe de


colaboradores não utiliza as mídias digitais de forma estratégica, e todas elas com exceção do
facebook estão desatualizadas. Não há uma preocupação com a gerência e nem com os
conteúdos postados nas mídias digitais. Há uma falta de informações básicas no perfil do
facebook, onde todos os colaboradores têm acesso às postagens e existem vários erros de
português.
Em síntese, percebe-se, com base nos depoimentos colhidos, que a organização tem
uma preocupação com a comunicação, porém não sabe administrá-la e a efetua de forma
amadora, sem se preocupar se as ações comunicacionais estão atingindo o público-alvo
correto e realizando, após as ações, avaliações que mostrem seus resultados.

2.8 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO ÉTICO DA ORGANIZAÇÃO

Consoante ao 1º secretário da MEL, a organização não possui nenhum código de


ética ou de princípios sistematizado. Entretanto, ele também afirma que a ONG conserva um
comportamento ético baseado na experiência deles, em alguns deveres escritos em seu
estatuto e também no bom senso de cada um.
A instituição demonstra ética nos seus negócios, respeitando os acordos e prazos
estabelecidos com quem esteja negociando, quando se trata de serviços terceirizados, como
exemplo professores e agência de publicidade. Eles alegam fazer o pagamento na data
combinada e se preocupam com a satisfação das partes envolvidas. No tocante a pessoas
físicas, quando alguém que sofreu agressão, preconceito ou que quer realizar alguma denúncia
chega até a MEL, a organização realiza um trabalho de encaminhamento para assistência
social, defensoria pública e para a delegacia contra crimes homofóbicos, dando suporte e
informações de como o sujeito deve proceder, chegando a haver casos em que a própria ONG
se responsabiliza em conseguir advogados e psicólogos para ajudar. No tocante ao corpo
funcional, o respeito às condições de cada funcionário é essencial no dia a dia da organização.
Isso vai desde disponibilidade de horário a questões de saúde de cada um.
Não existe nenhuma política em relação ao meio ambiente, o que há são algumas
ações de responsabilidade pública e social, ouvindo a população e criando projetos que
auxiliam na educação e na saúde pública. Não há políticas em relação às instituições
congêneres, mas existe um respeito mútuo nesse relacionamento, visando sempre às boas
31

parcerias na luta pela causa LGBT. Em relação à observância da lei, a ONG se propõe a
cuidar para que todo o funcionamento do espaço e de suas atividades esteja de acordo com as
normas e leis vigentes.

2.9 IDENTIDADE CORPORATIVA

A identidade corporativa representa um conjunto de significados, valores, e princípios


de uma organização e este conjunto contribui para diferenciá-la no mercado em que atua. A
identidade incorpora sua missão e visão, sua forma de gestão e também sua identidade visual.
A imagem e reputação da Mel sempre foram percebidas através da correlação que as
pessoas fazem com o Movimento LGBT nacional. Desta forma, as pessoas enxergavam-na
apenas como Movimento Social e não se tinha visibilidade para a ONG.
No quesito identidade visual, a organização começou a ganhar uma maior visibilidade
a partir das campanhas publicitárias desenvolvidas em novembro de 2013, quando a agência
de publicidade TAG ZAG mudou o logotipo da Mel, e começou a utilizá-lo associado à
missão e a causa a qual organização defende.
Segundo a agência TAG ZAG, o antigo logotipo da Mel era muito infantil para uma
instituição que já está no mercado há 23 anos. Logo, foi feita uma reformulação do logotipo,
partindo do conceito da abelha, do coração, da união e das cores da bandeira LGBT,
deixando-o com um caráter mais sério e profissional.

Figura 01 – Antigo logotipo da Mel

Fonte: Arquivos da Mel (2014)


Figura 02 – Atual logotipo da Mel
32

Fonte: Arquivos da Mel (2014).


Além dessa reformulação, a agência de publicidade forneceu para organização um
manual de utilização da marca, porém na prática o manual não é seguido à risca. Mesmo
depois da criação do novo logotipo a ONG ainda não teve a preocupação de utilizá-lo na
fachada de sua sede, e elaborar uma papelaria formalizada com o logo para que de forma
sistematizada a Mel possa ser representada visualmente.

2.10 PROBLEMAS CRÍTICOS

a) A insuficiência de recursos financeiros não permite a manutenção e a regularidade das


ações sociais iniciadas, como exemplo, os mini-cursos oferecidos não terão continuidade no
ano de 2015 por conta da falta de verba.

b) Falta de consciência para estabelecer parcerias e desenvolver ações de empreendedorismo,


capazes de fazer com que a ONG prescinda, cada vez menos, da tutela do poder público.

c) Ausência de planejamento estratégico geral da organização, o qual revela a falta da


elaboração de um planejamento de comunicação.

d) Equipe despreparada para atuar nos bairros periféricos da cidade de João Pessoa, onde o
índice de preconceito sexual é mais elevado.

e) Escolha e utilização equivocada dos instrumentos de comunicação dirigida em face dos


problemas que a ONG possui.

f) Carência de um plano de cargos, acarretando um clima interno instável e com conflitos em


decorrência dessa prerrogativa.

g) Dificuldade em atrair e manter voluntários para prestar e dedicar serviços à MEL.

2.11 EXAME DA SITUAÇÃO

2.11.1 Pontos fortes


33

a) A ONG é bem localizada, em uma avenida principal da cidade de João Pessoa (centro),
onde se encontram escolas, lojas, casa de festas e por conta disso tem um grande fluxo de
pessoas;

b) Promove a educação por meio de cursos profissionalizantes e também com a realização de


conferências e de debates voltados para o público LGBT;

c) Articula ações voltadas para a prevenção das DST’s, AIDS por intermédio de campanhas
de conscientização direcionadas a jovens e adultos no estado da Paraíba;

d) Proporciona o combate à violência e ao preconceito sexual por meio de campanhas


publicitárias, debates, conferências, fóruns e rodas de diálogos.

2.11.2 Pontos fracos

a) Não se relaciona adequadamente com os seus públicos estratégicos;

b) Não desenvolve novas alternativas de captação de recursos;

c) Não emprega da melhor forma possível os instrumentos de comunicação dirigida,


demonstrando equívocos na sua escolha e utilização;

d) A ONG carece de princípios administrativos básicos.

2.11.3 Ameaças

a) Pouco número de editais nos quais é possível a ONG concorrer;

b) Carência de profissionais capacitados para gerir a organização;

c) Grande instabilidade financeira;

d) Aumento do número de casos de discriminação e violência contra homossexuais na cidade


de João Pessoa e no Estado da Paraíba;
34

2.11.4 Oportunidades

a) Maiores possibilidades para manter relacionamentos e realizar aproximação com os


públicos estratégicos da organização a partir dos meios de comunicação em suporte digital;

b) Aumento de iniciativas na esfera política em favor dos homossexuais, como exemplo a


legalização do casamento gay na Paraíba e a criação da delegacia contra crime homofóbicos;

c) Aumento do número de empresas privadas que desejam investir em responsabilidade


social, daí ser necessário preparar pessoal para a captação de recursos.
35

3 PROJETO DE PESQUISA PARA A ONG MEL

3.1 APRESENTAÇÃO

A proposta de elaboração de um projeto de pesquisa sobrevém quando é necessário


desenvolver uma investigação que objetive solucionar inquietações e responder a problemas
identificados. Desta forma, o projeto é o planejamento do método que será utilizado durante a
pesquisa, fazendo com que o pesquisador tome o rumo certo e evite desperdício de tempo e de
custos.
A pesquisa é parte fundamental e um pré-requisito para que seja feito o planejamento
estratégico das Relações Públicas, pois ela fornece dados e informações valiosas que servem
de alicerce para a tomada de decisões, além de direcionar corretamente o planejamento,
mostrando as deficiências da organização e quais ações devem ser executadas para alcançar
seus objetivos. Conforme Fortes (2003, p.96),

[...]com os resultados de uma pesquisa obtêm-se informações para as programações


de relacionamento e julgam-se os seus resultados para que haja adesão recíproca
entre a empresa e os públicos. O elemento ativador e organizador do processo é a
informação, ou seja, a qualidade dos dados, com significado e utilidade para as
partes, com a verdade e reduzindo a incerteza em face da necessidade de resposta a
uma pergunta. A informação é a matéria-prima que produz ‘a reação química’ no
sistema, levando à ação cooperativa entre as partes.

Desta forma, a pesquisa vai ser de suma relevância para que seja elaborado um
diagnóstico organizacional capaz de analisar a veracidade das hipóteses levantadas através do
briefing2, contribuindo para definir as melhores ações e estratégias que deverão compor o
programa de Relações Públicas, o qual terá como objetivo sanar os problemas
comunicacionais da organização.

3.2 JUSTIFICATIVA

O Movimento do Espírito Lilás, além de atuar como Organização Não-


Governamental (ONG), também atua como Movimento Social, desta forma fica implícita a

2
O briefing é um conjunto de informações, uma coleta de dados, passadas em uma reunião para o
desenvolvimento de um trabalho, documento, sendo muito utilizado em Administração, Relações Públicas e na
Publicidade. O briefing deve criar um roteiro de ação para criar a solução que o cliente procura, é como mapear
o problema, e com estas pistas, ter ideias para criar soluções.
Fonte:<http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/o-que-e-briefing/48469/> Acesso em: 11 de julho
2014.
36

necessidade de se ter uma boa comunicação com seus públicos para garantir o bom
funcionamento da organização e a sua sobrevivência. Por meio das entrevistas e coleta de
dados realizadas na Mel, foram evidenciados alguns possíveis problemas da organização.
Todavia, o briefing por si só não é suficiente para confirmar ou refutar tais hipóteses,
necessitando, assim, da realização de uma pesquisa de opinião voltada para os públicos que se
encontram afetados por tais problemáticas.

3.3 DELIMITAÇÃO DOS PROBLEMAS

Baseado na análise de informações obtidas através do briefing, foi notório que os


problemas encontrados no Movimento do Espírito Lilás estão correlacionados à falta de
princípios básicos de administração e à ausência de um planejamento estratégico de gestão e
comunicação. Segundo Kunsch (2003, p.214),

o planejamento estratégico ocupa o topo da pirâmide organizacional. É responsável


pelas grandes decisões estratégicas que envolvem as organizações como um todo.
Caracteriza-se como de longo prazo e em constante sintonia e interação com o
ambiente.

Sendo assim, a ausência deste tipo de planejamento na ONG tem ocasionado


diversos problemas. Desta forma, esta pesquisa será direcionada às maiores problemáticas da
organização, que são elas: a falta de direcionamento e diretrizes para público interno; a
ineficiência comunicacional com o público externo; e também a escolha e utilização
equivocada dos instrumentos de comunicação dirigida.
A pesquisa aqui proposta pretende fazer com que a Mel consiga verificar atitudes dos
seus colaboradores, a eficiência do modelo da gestão atual, o conhecimento das
peculiaridades do seu público-alvo e a verificação da eficácia dos seus instrumentos
comunicacionais, dentre outras questões. A pesquisa irá inquirir tanto o público interno
quanto o externo. No primeiro caso, será analisada a relação dos colaboradores com a
organização, suas perspectivas e posicionamentos diante dos objetivos da ONG, suas
percepções sobre a forma de gestão, sobre o uso dos instrumentos de comunicação dirigida e
sobre o papel da comunicação na organização. No segundo caso, voltado para o público
externo, a análise será direcionada para identificar as causas que ocasionam o distanciamento
dos voluntários para com a organização, bem como o grau de satisfação do público externo.
Analisando Kunsch 2003, podemos subentender que quando existem grandes
problemas no topo da pirâmide, ou seja, na administração, a organização possivelmente terá
37

problemáticas em todos os outros setores. Para melhor elucidar esta situação, foi desenvolvida
uma pirâmide que ilustra as hipóteses de problemas que podem estar sendo vivenciados
atualmente pela MEL.

Figura 3 – Problemas e consequências.

Fonte: Elaborada pelo autor (2014).

a) Ausências de princípios básicos de administração

O item A é constituído pelos seguintes problemas evidenciados no briefing:

Administração deficitária: Através das entrevistas realizadas foi possível notar que não existe
um planejamento prévio para a resolução de problemas financeiros, de gestão interna e
administrativos;

Ausência de um treinamento adequado para os colaboradores: Equipe despreparada para


captar recursos e gerir a ONG.
38

b) Ausência de um planejamento estratégico geral da organização

O item B é constituído pelos seguintes problemas evidenciados no briefing:

Ausência de um planejamento estratégico geral e de comunicação: A ausência de


planejamento estratégico traz consequências deletérias para toda a organização que acaba
sendo administrada de maneira pouco profissional, uma vez que não conta com um
planejamento capaz de estabelecer diretrizes, estratégias e objetivos a médio e longo prazo
para realizar de forma eficiente e eficaz os seus objetivos primordiais;

Ausência de um plano de cargos e salários: Na rotina de trabalho diária da Mel é possível


perceber que as funções dos cargos existentes mudam com muita frequência, fazendo com
que todos que ali trabalham tenham que exercer variadas e múltiplas funções, os quais na
grande maioria das vezes não possuem o devido preparo para executá-las, o que causa
prejuízo para o processo administrativo da organização;

c) Escolha e utilização errônea dos instrumentos de comunicação dirigida

O item C é constituído pelo seguinte problema evidenciado no briefing:

Amadorismo na escolha e utilização dos instrumentos comunicacionais: Apesar da


comunicação ser feita pela administração da organização, composta por inclusive
profissionais da área de comunicação, os instrumentos comunicacionais são utilizados sem
que exista a preocupação de adequá-los a um público estratégico, assim como também não
são realizadas pesquisas ou avaliações sobre as ações que foram ou ainda serão efetuadas. Isto
pode ocasionar numa grande dificuldade do público externo em se comunicar com a ONG.
Outro fator nessa direção é que a própria organização desconhece o perfil de alguns públicos
com os quais se relaciona, o que dificulta a realização de estratégias.

d) Ineficiência na comunicação com os seus públicos

O item D é constituído pelos seguintes problemas evidenciados no briefing:


39

Dificuldade em atrair e manter voluntários: A organização conta apenas com os esforços de


seus colaboradores para desenvolver todas as tarefas, pois os poucos voluntários atuantes
permanecem por um curto espaço de tempo e logo depois desistem de continuar colaborando
com a ONG;

Dificuldade de comunicação com seus públicos externos: A Mel não tem a preocupação de
estabelecer relacionamentos mais profundos com este público, uma vez que é utilizada uma
comunicação de mão única, onde a MEL apenas envia informações e não tem a preocupação
de escutar o feedback3 desses públicos.

3.4 OBJETIVOS

3.4.1 Objetivo Geral

 Comprovar ou refutar as hipóteses de problemas levantadas no briefing.

3.4.2 Objetivos específicos

 Analisar a percepção do público interno acerca dos processos administrativos e


comunicacionais vigentes na organização;

 Identificar os principais motivos que levaram os voluntários a abandonarem a


ONG;

 Identificar os instrumentos de comunicação mais adequados para divulgar a ONG


perante o seu público;

 Analisar possíveis problemas de aproximação da ONG com seus alunos, e seu público
externo de maneira geral;

3.5 METODOLOGIA

3
Feedback é uma palavra inglesa que significa realimentar ou dar resposta a uma determinado pedido ou
acontecimento. Fonte<http://www.significados.com.br/feedback/> Acesso em: 02 dezembro 2014.
40

3.5.1 Método de abordagem

O objetivo principal é compreender como a organização se relaciona com seus


públicos e como ela pode fortalecer essas relações por meio dos instrumentos e técnicas de
Relações Públicas. A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, a qual segundo
Richardsson (2009, p.80),

os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a


complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis,
compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais, contribuir
no processo de mudança de determinado grupo e possibilitar, em maior nível de
profundidade, o entendimento das particularidades do comportamento dos
indivíduos.

3.5.2 Tipo de pesquisa

O modelo de pesquisa adotado será o descritivo, tendo em vista que na concepção de


Gil (2002, p. 46) “as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das
características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de
relações entre variáveis”. Para a realização deste trabalho, a pesquisa descritiva é a que
melhor se adéqua, visto que ela visa à identificação, registro e análise das características,
fatores ou variáveis que se relacionam com o fenômeno.

3.5.3 Universo e amostra

Referente ao público interno, do universo de seis colaboradores a pesquisa será


realizada com os cinco que estão ativos na organização, uma vez que o presidente da ONG
encontra-se temporariamente afastado de suas funções por motivos políticos. Quanto ao
público externo, a pesquisa será realizada com ¼ dos 20 alunos dos cursos que a MEL
oferece.
A amostragem adotada será a não-probabilística, e no caso dos alunos também será
utilizada a amostra aleatória simples, que é um subconjunto de indivíduos selecionados
totalmente ao acaso a partir de um conjunto maior (a população) por um processo que garanta
que todos os indivíduos tenham a mesma probabilidade de serem escolhidos para amostra.
Essa amostragem é ideal, pois o tamanho da população é pequeno e suas características são
bem conhecidas.
41

3.5.4 Instrumentos de coleta de dados

A coleta de dados será feita por meio de entrevistas semi-estruturadas, as quais


fornecerão a base para guiar a pesquisa e ao mesmo tempo permitirão aos entrevistados
discorrer livremente sobre o tema de maneira espontânea, dando também ao entrevistador a
possibilidade de se aprofundar nos temas que ele considerar relevante. As entrevistas serão
realizadas com os colaboradores de forma individual, como também com alguns alunos dos
cursos oferecidos pela ONG.

3.6 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

Quadro 02 – Cronograma de atividades da pesquisa de opinião.


Atividade 19 a 26/09 28/09 a 10/10 13 a 17/10
Elaboração dos
roteiros das X
entrevistas
Realização das
entrevistas X
Análise dos dados
obtidos na pesquisa X
Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.
42

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA

4.1 DADOS QUALITATIVOS

Seguindo um roteiro semiestruturado, as entrevistas foram realizadas entre os dias 22


e 26 de setembro de 2014. Para o registro integral das atividades, as entrevistas foram
gravadas em áudio mp3 mediante autorização prévia de todos os entrevistados.
Conforme a descrição realizada na metodologia do projeto de pesquisa, a amostragem
do público externo corresponde a cinco alunos dos cursos profissionalizantes oferecidos pela
Mel, e o público interno corresponde ao vice-presidente da ONG e os seus quatro
colaboradores. Para identificação dos respondentes das entrevistas, serão adotadas as siglas
conforme o quadro abaixo.

Quadro 03 - Siglas utilizadas para identificação dos entrevistados


ENTREVISTADO SIGLA

GESTOR G
C1
COLABORADORES C2
C3
C4
A1
A2
ALUNOS A3
A4
A5
Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.

4.1.1 Análise e Interpretação do Ambiente Interno.

Embora o Presidente e o Vice-Presidente da ONG sejam as principais figuras no corpo


gestor, a ONG é administrada por todos os colaboradores, juntamente com os presidentes,
caracterizando-se como uma gestão colegiada. As entrevistas foram aplicadas
43

individualmente com cada colaborador da Mel, e foram abordados temas como gestão,
comunicação, capacitação, inovação e rentabilidade da organização.
A partir das informações coletadas e do cruzamento de dados obtidos por meio das
entrevistas, percebe-se que um dos principais problemas enfrentado pela organização em seu
ambiente interno é a grande instabilidade financeira. Essa instabilidade não só gera conflitos,
como também é a causa de vários outros problemas vivenciados atualmente pela organização.
Na entrevista com um dos principais gestores, ficou explícito que a ONG depende única e
exclusivamente dos fundos arrecadados do governo através dos editais e das doações de
pessoas físicas. Esta situação é decorrente do despreparo da equipe para elaborar estratégias
de captação de recursos que fogem à esfera estatal. Essa circunstância é facilmente
identificada nas seguintes falas:

[...]quando não conseguimos nenhum edital, não temos de onde tirar dinheiro, quem
está de fora, pensa que o movimento é uma maravilha, é essa lindeza toda, que
esbanjamos dinheiro. Mas na verdade, é que muitas vezes, a gente tira dinheiro do
nosso próprio bolso para pagar as contas, ou então, pedimos ajuda a alguns
deputados que conhecemos[...]. [G]

[...]já existiram momentos que nem local para uma sede a gente tinha (sic), porque
não tinha dinheiro para pagar aluguel, ai as reuniões fazíamos nas nossas próprias
casas[...]. [C1]

Outro ponto a ser considerado como fonte de vários problemas é que alguns
indivíduos do corpo gestor da Mel não aceitam a forma de “gestão colegiada” adotada pela
organização. Neste novo modelo, as diversas decisões sobre gestão são tomadas por um grupo
e não mais por uma única pessoa, visto que tal modelo é, pois ajuda a minimizar falhas
administrativas. Porém, a falta de maturidade e o amadorismo administrativo da equipe
gestora da Mel têm gerado vários conflitos, uma vez que eles não conseguem entrar em
consenso na tomada de decisões, e muitas vezes alguns colaboradores realizam ações
individualizadas e que não foram acordadas previamente com os outros.
As várias ocorrências desses conflitos podem resultar na segregação da equipe,
insatisfações no ambiente de trabalho e num caso mais extremo na morte da organização. Ao
reunir as informações das entrevistas dos colaboradores, vemos que os principais choques e
conflitos são com o principal gestor da ONG, o qual adota uma postura individualista e não
aceita opiniões que são divergentes das suas, querendo muitas vezes utilizar de seu cargo para
impor suas opiniões aos demais integrantes do corpo gestor. Esta situação fica bastante
evidente nas seguintes falas:
44

[...]a gente sempre dialoga o que vai fazer, a maioria das propostas é o presidente
que traz, mas a gente não acata às vezes, por ver que certas pautas não cabem a Mel
está entrando, ai gera brigas, acaba sujando o movimento, existem esses choques,
mas depois fica tudo bem [...]. [C1]

[...]de vez em quando ele ainda é muito individual, é só para ele. Aí temos que
mostrar para ele, olha somos uma equipe! Não só ele, mas o vice de vez em quando
também é, as vezes o presidente decidia uma coisa e o vice outra, ai quando chegava
na hora batia de frente um com o outro [...]. [C3]

[...]são muitas opiniões diferentes, cada um quer fazer de um jeito. A gente enquanto
instituição decide fazer uma coisa, ai vai outra pessoa e faz tudo diferente do que a
gente já tinha combinado, ai acaba gerando brigas[...]. [C1]

Ainda sobre os pontos desfavoráveis da Mel, evidenciados a partir das análises das
entrevistas, também podem ser citados a falta de capacitação para os colaboradores, como
relata um dos entrevistados,

[...] na Mel nunca recebi treinamento nesses quesitos administrativos, eu já vim


contribuir com a Mel com meus conhecimentos adquiridos fora daqui, minha
capacitação profissional, trago da minha vida acadêmica, eu ainda não tive uma
capacitação vinda de dentro da Mel [...]. [C4]

Além disso outro ponto desfavorável refere-se ao pequeno número de pessoas para
realizar um grande número de tarefas. A ONG não conta com auxilio de voluntários, exceto
com os dois colaboradores que fazem parte do corpo gestor, pois fazem parte da história da
Mel, e são voluntários fixos devido a seu compromisso com organização, os quais têm seus
nomes vinculados à diretoria. Essa falta de voluntários é devido ao despreparo da organização
em criar ações para consegui-los, como relata o gestor “Nunca pensamos em nenhuma ação
para conseguir voluntários, mas se eles quiserem vir, serão bem vindos!”[G]. Essa falta de
contingente sobrecarrega a equipe gestora, a qual tem que ficar responsável por inúmeras
atividades, internas e externas. Essa questão fica clara nas seguintes falas:

[...]precisamos sim de mais pessoas para os eventos externos, a coordenação precisa


sentar para trazer mais pessoas, porque no momento que você pega sua
administração e coloca para o trabalho externo, você está sobrecarregando a sua
equipe, ai nesse caso nem os trabalhos internos de administração e nem os externos
serão bem executados [...]. [C4]

[...] não, na atual conjuntura que se encontramos agora(sic) a gente só tem cinco
pessoas nessa instituição, oficializado. Seria bom mais pessoas para dividir as
tarefas [...]. [C1]

[...]eu faço mil e uma coisas, eu sou bombril, mil e uma utilidades, sou secretário
mas ajudo em tudo [...]. [C3]
45

Por fim, no que concerne aos instrumentos de comunicação utilizados pela Mel, foi
perceptível na pesquisa junto aos colaboradores e alunos que eles são utilizados sem haver a
preocupação de adequar o instrumento correto a determinado público, assim como também
não são feitas avaliações sobre o resultado dos instrumentos de comunicação dirigida
utilizados. Em decorrência deste fato, a Mel não tem conseguido alcançar seus públicos com
eficiência. Tal análise foi evidenciada nas seguintes falas:

[...] falamos com o diretor da escola uma vez, e tentamos fazer uma capacitação com
os alunos, mas não deu muito certo, o diretor permitiu apenas com os professores e
não nos deu abertura aos alunos [...]. [G]

[...] escolhemos mais intuitivamente, o que mais utilizamos é panfletos e divulgação


no Facebook [...]. [G]

[...] olha não vou mentir para você, a gente não faz avaliação não, até porque não
temos tempo, apenas realizamos as ações e depois registramos em ata o que foi feito
[...]. [G]

Como principais instrumentos de comunicação foram apontadas as reuniões mensais e


as mídias sociais, mais especificamente o Facebook. Este último é utilizado tanto para
informações internas como para a promoção da imagem da Mel na internet. Foi notório que
também não há planejamento na utilização do Facebook, uma vez que eles confundem o perfil
deles com uma Fanpage. Tal perfil é utilizado para o público interno e externo, as postagens
não têm regularidade cronológica, cada colaborador entra no perfil e posta o que quiser, e são
encontradas muitas vezes postagens sem sentido e com graves erros gramaticais. Estas
percepções foram obtidas através da observação do perfil que Mel mantém no facebook e das
seguintes falas:

[...] Facebook e telefone, colocamos as informações na página do Facebook e no


grupo, e às vezes quando necessário ligamos para as pessoas [...]. [G]

[...] quadro de avisos, telefone, mas principalmente as redes sociais, no meu caso eu
tive que me atualizar um pouco, porque eu tinha um celular que não pegava nem
Facebook nem whatsapp, então quando a gente não tem crédito ou bônus se
comunicamos (sic) pelo Facebook [...]. [C2]

[...] já utilizamos cartazes, panfletos, tv, como foi o caso das campanhas, mas as
informações em geral, passamos pelo face mesmo [...]. [C1]

Desta forma, a utilização errônea desta ferramenta pode gerar um efeito inverso,
gerando falta de credibilidade e confiabilidade na organização.
46

4.1.2 Público Externo

Foram entrevistados alguns alunos de dois mini-cursos oferecidos pela Mel nos meses
de agosto e setembro de 2014. Segundo o presidente e alguns colaboradores, não havia
nenhum tipo de problema ou conflito com esses alunos. No entanto, depois da realização das
entrevistas foram evidenciados os problemas de comunicação no que diz respeito ao feedback
dos alunos para ONG.
No primeiro momento foi inquirido aos entrevistados se eles já teriam utilizado algum
outro serviço prestado pela Mel, como, por exemplo, a assessoria que a Mel oferece a pessoas
vítimas de preconceito sexual e de gênero. Nesta etapa dois dos respondentes disseram que já
sofreram esse tipo de preconceito, porém não procuraram a Mel. Como podemos observar nas
seguintes falas:
Uma vez meu pai quis me bater porque viu uma mensagem do meu namorado no
meu celular, e ele não sabia que eu era gay [...] Não procurei a Mel porque eu
mesmo resolvi, e tive medo que eles quisessem entrar em contato com meu pai. [A4]

No tempo em que eu fazia ensino médio, alguns alunos do terceiro ano ficavam
soltando piadinhas para mim, mas nada grave demais, deixei para lá e pronto. [A1]

Diante destes trechos de fala, é notório que a Mel possui, dentre seus próprios alunos,
pessoas que precisam de uma atenção especial, porém a organização não tem ciência por
causa das falhas comunicacionais. A Mel não tem a preocupação em escutar o feedback do
público externo sobre os serviços ofertados.
Outro fator relativo a uma comunicação ineficiente é o pouco número de alunos nos
cursos de auxiliar administrativo e libras. Apesar dos cursos serem totalmente gratuitos, só
possuem onze e nove alunos consecutivamente. Este fato foi decorrente da pouca divulgação,
constatada nas seguintes falas:

[...] eu fiquei sabendo do curso pelo grupo do facebook da Mel, eles postaram no
grupo e eu vim aqui me informar [...]. [A2]

[...] talvez eles devessem divulgar mais os cursos, porque tem pouca gente, na minha
turma mesmo só são nove pessoas, e alguns faltam de vez em quando (sic) [...]. [A5]

Também foi detectado que apesar da Mel não ter a preocupação em ouvir os alunos,
eles se mostraram satisfeitos com os cursos. Esta satisfação é perceptível nas seguintes falas:

[...] Muito bom o curso, a professora é muito boa, vai me ajudar bastante para
conseguir um emprego [...]. [A1]
47

[...] Eu gostei, acho que depois eles deveriam fazer um curso de fotografia, seria
perfeito [...]. [A4]

Por fim, devido à grande falta de voluntários na ONG, foi perguntado aos
entrevistados se eles já teriam pensado sobre serem voluntários na Mel, e foi perceptível que
embora eles tivessem boa vontade em ajudar, eles não queriam se comprometer em serem
voluntários fixos, mas que poderiam ajudar pontualmente, em algumas atividades. Essa
situação é evidente nas seguintes falas:

[...] Sim já pensei, mas trabalho de manhã, e tenho outras atividades, não vou me
comprometer com o ONG e depois não cumprir, entende? [...]. [A3]

[...] Rapaz, eu nunca tinha pensado não, mas aqui tem muitos eventos que eles têm
que ir, e eu não tenho tanta disponibilidade, mas se eles precisarem de alguma ajuda,
eu posso ajuda-los no que eu puder [...]. [A5]

[...] Assim, para ter que ficar vindo toda semana eu não posso, mas eu ajudaria sim,
se eles precisassem de mim [..]. [A2]

Sendo assim, foram identificadas na pesquisa pessoas com as quais a Mel pode ter um
apoio para realizar determinadas ações.
48

5 DIAGNÓSTICO

Conforme Kunsch, “o diagnóstico nas relações públicas constitui a fase em que se


determinam as áreas ou situações com problemas, que afetam em alguma instância o conceito
e posicionamento da organização ante seus públicos” (KUNSCH, 1986).
Posteriormente à análise dos dados obtidos através da observação no local, no briefing
e nos resultados da pesquisa, tem-se o embasamento necessário para a construção do
diagnóstico organizacional. Foram analisadas as opiniões dos públicos internos e externos,
identificando de modo geral e sistematizado os pontos críticos da ONG MEL e as reais
necessidades da organização e de seus públicos estratégicos, garantindo assim dados que
orientem o desenvolvimento do programa de Relações Públicas.
Durante a análise da pesquisa foram detectados pontos desfavoráveis que podem
influenciar diretamente na sobrevivência da organização em estudo, dentre eles a falta de
princípios administrativos básicos; a carência de uma comunicação interna estruturada; a
ausência de metas e o não estabelecimento de missão, visão e valores para conduzir os
colaboradores de forma prática e clara. Esse não estabelecimento de planejamento estratégico
faz com que a organização não consiga se expandir, podendo até mesmo entrar num processo
de entropia, ou seja, um processo de retroação.
Foi perceptível após a análise dos dados que os principais problemas enfrentados pela
Mel são a falta de preparo da equipe para gerir a organização e a escassez de recursos
financeiros; esses dois são a fonte de vários outros problemas. A falta de preparo e
capacitação da equipe gestora faz com que a ONG dependa exclusivamente da tutela do
governo para se manter, o que é extremamente prejudicial, pois gera uma instabilidade
financeira que impede a organização de fazer planejamentos e metas a longo prazo, para que
ela consiga se expandir.
Outro problema decorrente da falta de capacitação da equipe gestora é o pequeno
número de colaboradores para executarem muitas tarefas, pois não são criadas ações e
estratégias para atrair pessoas que estejam dispostas a trabalhar na Mel, o que acaba gerando
uma sobrecarga de tarefas para serem executadas pelos atuais colaboradores, e que interfere
diretamente no rendimento da organização, pois quando se coloca a parte administrativa para
executar tarefas externas, compromete o rendimento interno. Dessa forma, nem as atividades
internas e nem as externas são bem executadas.
No que concerne à comunicação organizacional, a Mel muitas vezes tem adotado uma
comunicação de mão única, ou seja, ela apenas envia as informações e não tem a preocupação
49

de receber o feedback dos seus públicos. Este tipo de postura faz com que a organização não
consiga saber se a mensagem que ela quis transmitir foi recebida e nem se obteve o resultado
esperado. No tocante aos instrumentos de comunicação dirigida, eles são utilizados na maioria
das vezes sem nenhum planejamento prévio, e sem avaliações posteriores.
Essa ineficiência no uso dos instrumentos de comunicação dirigida reflete no
distanciamento do público externo pela falta de informações, na dificuldade em firmar
parcerias com as escolas da rede pública da cidade de João Pessoa, na dificuldade em
conseguir voluntários, assim como também pode gerar conflitos no ambiente interno.
Durante a realização da pesquisa, foram confirmados pontos negativos, assim como
também, foram identificados pontos positivos. Como elementos positivos identificam-se a
empatia da equipe de colaboradores com os as pessoas que procuram a ONG, o bom
relacionamento desse grupo mesmo diante dos conflitos internos e a localização de fácil
acesso no centro da cidade de João Pessoa.
Levando em consideração os pontos negativos, estes devem ser ponderados. Foi
constatada a necessidade de se fazer treinamentos e capacitações para os colaboradores, a
respeito de rotinas administrativas e atendimento, e procurar um especialista para capacitar
um colaborador acerca de leis de incentivos fiscais e outros temas afins, para torná-lo capaz
de criar estratégias para captação de recursos. Também foi detectada a necessidade de
elaborar a missão, visão e valores, bem como construir um planejamento estratégico a médio
e longo prazo.
A partir das informações coletadas e das hipóteses confirmadas após o projeto de
pesquisa, foi notória a necessidade da Mel de conhecer, mais profundamente, os seus públicos
e de planejar adequadamente os seus instrumentos de comunicação dirigida. Por essa razão, é
imprescindível o desenvolvimento de um Programa de Relações Públicas para o Movimento
do Espírito Lilás (Mel), com o intuito de consolidar a sua imagem no cenário paraibano
enquanto entidade que defende e luta pelos direitos LGBT, bem como estreitar os seus
relacionamentos com seus diversos públicos.
50

6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

6.1 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS

6.1.1 Breve contexto histórico das Relações Públicas

De acordo com Azevedo (2010), na sociedade sempre existiram manifestações


isoladas ao longo dos tempos, a sistematização da atividade de Relações Públicas (RP), tal
como é reconhecida hoje, só veio a ocorrer em 1906, época em que nos Estados Unidos
surgiram os monopólios, concentrou-se a riqueza e havia uma insatisfação generalizada dos
trabalhadores. A sociedade americana passou a efetuar grande pressão sobre as empresas e os
jornais da época refletiam essa situação. Foi quando o grande empresário David Rockefeller
contratou o jornalista Ivy Lee, que começou a abrir os olhos dos empresários norte-
americanos para o capitalismo selvagem posto em prática no início do século 20.
Nesse contexto, Lee que já tinha uma preocupação com a política discriminatória do
mundo dos negócios, propôs medidas de humanização para a corporação. Ele teve uma visão
revolucionária e implantou um novo meio de correção da atitude para com a opinião pública e
de divulgação de informações favoráveis às empresas em forma de notícias e não como
matéria paga. Deste modo Ivy Lee foi o primeiro a colocar em prática os princípios das
Relações Públicas.
Segundo o Sindicato dos Profissionais de Relações Públicas (SINPRORP), No Brasil,
o marco inicial das Relações Públicas ocorreu em 30 de janeiro de 1914, com a criação de um
departamento de Relações Públicas na antiga "The Light and Power Co. Ltda”. Depois disso
em meados de julho de 1954, um grupo formado por 27 estudiosos e praticantes de Relações
Públicas fundaram a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), com sede no
Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT).

6.1.2 A importância do profissional de Relações Públicas

A comunicação é um elemento vital no processamento das funções administrativas,


para Thayer apud Kunsch (2003, p.69) “é a comunicação que ocorre dentro [da organização] e
a comunicação que ocorre entre ela e seu meio ambiente que [a] definem e determinam as
condições de sua existência e a direção do seu movimento”(1976, p.120, grifo do autor). É
visando o gerenciamento adequado da comunicação que o profissional de Relações Públicas
51

torna-se necessário para as organizações, pois este auxiliará o processo das funções
administrativas internas, assim como também o relacionamento das organizações com o meio
externo. Para Kunsch (2006, p.36)

O planejamento de relações públicas no composto da comunicação das organizações


na sociedade globalizada assume novas formas e características. Daquele caráter
meramente tático e técnico do passado, passa a ter uma característica muito mais
estratégica. Os programas de comunicação levados a efeito por um setor ou pelo
departamento de comunicação devem ser decorrentes de todo um planejamento e
agregar valor aos negócios, ajudando as organizações a cumprirem sua missão,
atingirem seus objetivos, e a se posicionarem institucionalmente perante a sociedade
e os públicos com os quais se relacionam.

Sendo assim, o profissional de Relações Públicas faz a ligação entre as organizações e


seus públicos. Suas ações devem ser planejadas, para assim terem êxito, por exemplo, na
tomada de decisões estratégicas. Conforme Philip Lesly (1995), e seus estudos sobre os
fundamentos das Relações Públicas, são apresentadas várias fases que envolvem a completa
análise e compreensão dos fatores que influenciam as atitudes das pessoas em relação a uma
organização.
Dentre essas fases, podemos citar como a primeira a análise do clima geral de atitudes
e a relação da organização com o seu universo, toda organização funciona dentro de um
universo e depende de tudo que ocorre dentro dessa totalidade. É necessário para sua
vitalidade compreender tanto quanto possível as tendências desse universo e como a
organização pode ser afetada por elas.
A segunda fase trata-se da determinação da atitude de qualquer grupo em relação à
organização. Isto implica dizer que quando a organização conhece bem todos os seus
públicos, é possível perceber onde a organização é mal compreendida e onde suas políticas e
ações estão criando climas desfavoráveis.
Como fase terceira, é colocada a análise em si, a qual possibilitará fazer planos para
melhorar a opinião dos vários públicos a respeito dos quais a organização está tendo
preocupações.
Num quarto momento é necessário antecipar problemas potenciais, necessidades e
oportunidades. A partir das pesquisas é possível que o Relações Públicas possa detectar
antecipadamente problemas ou oportunidades futuras, podendo elaborar planos e ações para
irem de encontro com essas circunstâncias.
Por fim, como quinta fase, temos o planejamento de ações para melhorar as relações
com os públicos e o funcionamento da empresa. Para Lesly “Com a compreensão daquilo que
52

as pessoas pensam da organização e uma clarificação das políticas a respeito daquilo que afeta
a opinião pública, o trabalho básico está estabelecido.”(1995, p.11) LESLY. Posteriormente, é
só pensar em um programa de Relações Públicas adequado para solucionar os problemas
encontrados.
Ainda nesse contexto de fases e de processos otimizados de RP, Lesly (1995)
apresenta o seguinte quadro:

Figura 04 – Fases e processos de Relações Públicas.

Fonte: LESLY, Philip. Diagrama de um esquema de processo otimizado de relações públicas


(1995, p. 12).

Ao Relações Públicas compete desenvolver um trabalho de comunicação integrada e


planejada de forma a atender às expectativas dos públicos ligados, direta ou indiretamente, à
organização. Para Henriques (2004, p. 60),

o profissional de RP está apto a planejar a comunicação de uma forma global e não


limitada a um instrumento ou a um público. Sua atuação é uma valiosa contribuição
para as organizações e para os movimentos sociais, podendo minimizar situações de
crise e potencializar resultados positivos, à medida que possibilita conhecer os
públicos e criar e manter relacionamentos bem sucedidos com eles.

Promovendo desta forma as relações públicas eficientes, que para Chiavenato e Sapiro
(2003, p. 40), têm-se as seguintes definições:

Eficiência é: fazer as coisas da maneira adequada; resolver problemas; cuidar dos


recursos aplicados; cumprir o dever; reduzir custos.
53

Sendo assim Relações Públicas eficientes é planejar adequadamente a comunicação


integrada, cuidando dos recursos e reduzindo custos. Portanto, o profissional de Relações
Públicas é de grande importância para as organizações. Uma vez que ele por meio das suas
funções irá suprir a necessidade que as instituições sentem de identificar as pretensões dos
seus públicos, contribuindo desta maneira para a construção de uma discussão que seja capaz
de chegar a acordos e decisões coletivas que contemplem os interesses de todos.

6.2 AS RELAÇÕES PÚBLICAS E O TERCEIRO SETOR

6.2.1 Terceiro Setor

A sociedade civil é composta por vários componentes, como as instituições cívicas,


sociais e organizações que formam os alicerces de uma sociedade em funcionamento. Ela é
dividida em três setores. O primeiro setor é formado pelo Governo, o segundo setor é
formado pelas empresas privadas, e o terceiro setor são as associações sem fins lucrativos. A
delimitação do Terceiro Setor permite compreender que os três setores interagem e que
Mercado e Estado não são regidos somente por uma lógica intrínseca. Neste contexto, o
comportamento do Terceiro Setor de um país muito provavelmente influenciará as esferas
política e econômica (FERNANDES, 1994).
O terceiro setor é constituído por Organizações Não Governamentais (ONGs),
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), movimentos populares,
associações comunitárias, institutos, fundações e algumas instituições configuradas como
privadas, mas de caráter público, que atuam a serviço dos interesses da população
(QUINTEIRO 2006). Para Fernandes (1997, p.27),

O Terceiro Setor é composto de organizações sem fins lucrativos criadas e mantidas


com ênfase na participação voluntária, num âmbito não-governamental, dando
continuidade às práticas tradicionais de caridade, da filantropia e do mecenato
expandindo o seu sentido para outros domínios, graças, sobretudo, à incorporação do
conceito de cidadania e de suas múltiplas manifestações na sociedade civil.

No Brasil, o Terceiro Setor tem sua origem vinculada à Igreja Católica, que promovia
ações filantrópicas nos campos da educação e da saúde, como, por exemplo, as Santas Casas 4

4
A Santa Casa de Misericórdia foi uma idéia trazida de Portugal, com o intuito de que a sociedade criasse um
hospital para atender a população carente, sendo instituições sem fins lucrativos que tem como objetivo, prestar
serviço de preservação à saúde a toda comunidade, procurando sempre o bem estar do doente hospitalizado.
Fonte:< http://www.coremesantacasarp.com.br/page_1.html> Acesso em:15 de julho de 2014
54

de Misericórdia que atuavam prestando serviços à comunidade, as quais obtinham apoio do


Estado para desenvolver suas ações de assistência social. O marco da proliferação deste setor
é datado nos anos 70, contudo foi na década de 80 que as organizações do Terceiro Setor ao
se desenvolverem e se diversificarem ganharam uma maior visibilidade (1988 ARAÚJO apud
PINHO NETO).
Ainda sobre sua evolução histórica, Andres Pablo Falconer (1998) afirma que na
década de noventa, o Terceiro Setor foi tido como portador de uma nova e grande promessa: a
renovação do espaço público, o resgate da solidariedade e da cidadania, a e humanização do
capitalismo.
Enquanto forma institucionalizada dos interesses da "sociedade civil", as organizações
do Terceiro Setor vão além do ato de assumir a responsabilidade do Estado. Elas vêm
assumindo o papel de contestação de um sistema capitalista desigual, com interesse de
colaborar para solucionar os problemas que afetam o dia-a-dia das pessoas e ampliar os
direitos de cidadania, contribuindo para fortalecer as lutas sociais (SIMANTOB, 2002).

6.2.2 A atuação do Relações Públicas no Terceiro Setor

A expressão comunicação nas organizações do Terceiro Setor pode ter significados


diferentes, pois conforme Perruzzo (2013) esta comunicação pode ser entendida por duas
vertentes, uma que ocorre a partir da comunicação de empresas públicas, privadas e de outras
instituições com o Terceiro Setor, e a outra que é a comunicação desenvolvida pelos próprios
movimentos sociais, ONGs, associações comunitárias e similares que não tem por finalidade
o lucro. Ainda para Peruzzo (2013, p.4),

quando desenvolvidas pelas organizações comunitárias, ONGs, movimentos sociais


e sob a ótica desses próprios atores sociais nas relações com seus públicos e com a
sociedade, novos fundamentos balizam as práticas e os conceitos de comunicação
organizacional e, especificamente, das Relações Públicas. Coube a um segmento das
Relações Públicas, nos anos 1980, depois do Jornalismo, se recriar teoricamente na
perspectiva comunitária tendo em vista sua apropriação por organizações e
movimentos sociais.

Desta forma, surgem as Relações Públicas comunitárias, que são aquelas realizadas na esfera
das organizações que constituem o Terceiro Setor. Para Kunch (2003) a comunicação é
essência em todas as organizações, tanto nos relacionamentos com os públicos aos quais ela
está ligada, como também é fundamental para agir de formar integrada com a administração
interna.
55

Durante anos, o desempenho da esfera das Relações Públicas esteve relacionado ao


governo e as empresas que buscavam seu aperfeiçoamento comunicacional, sua sustentação, a
resolução de crises ou desenvolvimento capitalista. Contudo com crescimento exponencial do
Terceiro Setor e com as chamadas “Relações Públicas na contramão”5 conforme Peruzzo
(2009), a demanda por um trabalho comprometido com as minorias em diversos segmentos
sociais, aumentou o alcance de atuação do profissional de Relações Públicas que, por sua vez
aderiu a uma postura engajada aos interesses comunitários.

O profissional de RP está apto a planejar a comunicação de uma forma global e não


limitada a um instrumento ou a um público. Sua atuação é uma valiosa contribuição
para as organizações e para os movimentos sociais, podendo minimizar situações de
crise e potencializar resultados positivos, à medida que possibilita conhecer os
públicos e criar e manter relacionamentos bem sucedidos com eles. (HENRIQUES,
2004, p. 60).

Para as instituições do Terceiro Setor o bom relacionamento com seus públicos é


imprescindível para manter sua sobrevivência, uma vez que elas dependem desses públicos
para obterem recursos financeiros e apoio para seus alcançarem seus objetivos e/ou causas.
Outro fator relevante para o crescimento e posicionamento das organizações e movimentos
sociais do Terceiro Setor é o planejamento estratégico, o qual segundo Kunsch (2003, p. 214),

visa buscar as melhores formas para gerenciar as ações estratégicas das organizações
, tendo por base as demandas sociais e competitivas, as ameaças e as oportunidades
do ambiente, para que a tomada de decisões no presente traga os resultados mais
eficazes possíveis no futuro.

Portanto, as Relações Públicas no Terceiro setor serão de suma importância para desempenhar
um papel articulador entre as estratégias de ações e seus públicos, para direcionar o
planejamento, assim como também para auxiliar o cumprimento de sua missão perante a
sociedade, ajudando desta maneira as organizações a conseguirem perpassar os obstáculos
deste setor.

5
Expressão originalmente usada como título de um dos capítulos do livro “Relações públicas no modo de
produção capitalista” (PERUZZO, 2004b).
56

7 PROGRAMA DE RELAÇÕES PÚBLICAS PARA A ONG MEL

7.1 TÍTULO

Programa de Relações Públicas para a ONG Mel.

7.2 JUSTIFICATIVA

Após o levantamento de dados no briefing, e da análise e investigação da situação


organizacional, foi possível identificar problemas entre a organização e seus públicos de
interesse, assim como foi possível confirmar tais problemáticas evidenciadas após a fase da
pesquisa.
O resultado da pesquisa ofereceu embasamento para a criação de um Programa de
Relações Públicas, que segundo Kunsch (1986) “é a colocação sistematizada das ações
necessárias, no que se refere tanto a planejamento como à execução das atividades propostas”,
tendo em vista que o programa visa solucionar os problemas encontrados nas áreas de
relacionamento, informação, imagem e comunicação organizacional. Assim, o programa de
Relações Públicas se apresenta como um meio mais adequado e eficiente para solucionar os
principais conflitos existentes na Mel.

7.3 OBJETIVOS

7.3.1 Objetivo Geral

Elaborar um programa de Relações Públicas para a ONG Movimento Espírito Lilás.

7.3.2Objetivos Específicos

 Aproximar os públicos da ONG, visando prevenir e gerenciar conflitos e/ou crises;


 Legitimar a atuação da MEL perante seus públicos;
 Aprimorar a comunicação organizacional adaptando melhor os seus instrumentos aos
seus públicos específicos.

7.4 PÚBLICOS-ALVOS
57

 Colaboradores;
 Alunos da Mel;
 Apoiadores;
 Público LGBT da Paraíba;
 Governo Municipal e Estadual (Secretaria de Educação e Secretaria de Saúde);
 Imprensa Local.

7.5AÇÕES

a) Capacitação dos colaboradores em Gestão Administrativa

Público-alvo: Colaboradores.

Objetivo: Capacitar a equipe para gerir a organização, bem como instruí-los a utilizar de
forma correta o modelo de gestão adotado.

Justificativa: A forma de administrar uma organização é de suma importância, pois será ela
que determinará o crescimento ou a decadência da mesma. Desta forma, é de grande
relevância que os colaboradores da Mel estejam capacitados para fazerem fluir de forma
eficiente o seu modelo de gestão colegiada. Estas capacitações serão realizadas através de
treinamentos, cursos ou oficinas por empresas especificas que prestam serviços nesta área.

b) Capacitação dos colaboradores para obtenção de recursos financeiros junto a


organizações privadas

Público-alvo: Colaboradores.

Objetivos: Capacitar o colaborador a criar estratégias que visem a obtenção de recursos


financeiros.

Justificativa: Devido ao fato de as organizações não-governamentais não terem fins


lucrativos, muitas delas dependem apenas de recursos financeiros provindos de instituições
governamentais. Este caso se repete na Mel, onde a única forma de obtenção é através da
submissão de projetos que possam concorrer para a obtenção de recursos do governo. Os
58

editais dos quais a Mel tem conseguido participar são em sua grande maioria os relativos à
saúde pública do homem, porém eles aparecem com pouca frequência e isto tem ocasionado
uma imensa instabilidade financeira na ONG. Por essa razão, torna-se imprescindível uma
capacitação que propicie aos seus colaboradores um conhecimento mais aprofundado sobre as
formas de obtenção e mobilização de recursos junto à iniciativa privada.

c) Criação de cadastro especializado

Público-alvo: Público Externo (Governo Estadual e Municipal, imprensa, apoiadores,


potenciais apoiadores, pessoas importantes da área LGBT)

Objetivo: Facilitar o contato com seus públicos de interesse

Justificativa: Para melhor estabelecer uma rede de relacionamentos, será elaborada uma lista
de contatos com nomes, endereços, telefones, e-mails dos usuários, órgãos públicos e
entidades, sendo organizados de acordo com prioridades que sejam interessantes para a Mel, a
fim de se estabelecer uma maior proximidade. O cadastro poderá ser feito de modo
informatizado através de Excel ou programas específicos.

d) Projeto voluntário lilás

Público-alvo: alunos concluintes das principais universidades de João Pessoa.

Objetivo: Conseguir pessoas, com formação acadêmica, que possam prestar serviços como
voluntários da Mel.

Justificativa: Devido ao grande número de tarefas, pouco número de colaboradores e a falta


de capacitação, se faz necessário que a Mel obtenha apoio e a prestação de serviços
decorrentes de pequenas consultorias contábeis, administrativas, advocatícias, etc.,
objetivando melhorar seu funcionamento. O projeto Voluntário Lilás visa recrutar voluntários
através da promoção de debates e palestras sobre homofobia na atualidade e temas afins.
Esses debates e palestras serão patrocinados pela Mel e realizados em universidades da grande
João Pessoa, tendo como público professores, alunos concluintes dos cursos de graduação,
profissionais das variadas áreas e pessoas que tenham afinidade com o tema. Ao final das
59

palestras e debates, deverá ser mostrada ao público a necessidade e a importância de ajudar a


causa LGBT. Na divulgação deverá haver faixas nas universidades e panfletos que contenham
os contatos da Mel, assim como após o evento deverá ser enviado um release às universidades
falando sobre o evento e deixando disponíveis os contatos do ONG para quem desejar ser
voluntário.

e) Reformulação da missão e criação de visão e valores da organização

Público-alvo: Público interno (colaboradores) e externo (Governo Estadual e Municipal,


imprensa, parceiros, alunos da Mel, público LGBT e sociedade em geral).

Objetivo: Reformulação da missão da Mel, bem como criar sua visão e seus valores para que
se possa ressaltar as qualidades da organização, divulgando e tornando importante para os
funcionários bem como para o público visitante.

Justificativa: O estabelecimento de missão, visão e valores é necessário para orientar a


organização num sentido de buscar suas metas levando em consideração os princípios que a
organização julga importantes, bem como colaborar com a elucidação do propósito da
organização, dando maior credibilidade e concisão à sua filosofia. Esta reformulação e criação
poderão ser realizadas por meio de empresas de comunicação que prestem este tipo de serviço
na cidade de João Pessoa.

f) Roda de diálogos

Público-alvo: Alunos da Mel.

Objetivo: Aproximar os alunos da Mel, bem como aprofundar o conhecimento sobre este
público-alvo.

Justificativa: Os eventos são considerados poderosas ferramentas para aproximação de um


público-alvo, uma vez que eles permitem o feedback imediato para a organização,
estabelecimento de relações pessoais diretas entre a instituição e um público ou segmento de
público, e também auxiliam no fortalecimento da imagem institucional. Sendo assim, essa
ação pretende fazer com que a Mel consiga conhecer mais profundamente um de seus
públicos-alvo por meio de rodas de diálogos ao final de cada minicurso. Tais encontros, além
60

de permitir a aproximação dos alunos, também terão uma importante função na avaliação dos
minicursos oferecidos.

g) Implementação de um site institucional

Público-alvo: Público interno (colaboradores) e externo (Governo Estadual e Municipal,


imprensa, parceiros, alunos da Mel, público LGBT e sociedade em geral).

Objetivo: Informar os públicos, bem como valorizar e dar mais credibilidade à imagem
institucional da ONG.

Justificativa: Um site institucional pode ser utilizado para que uma organização possa
informar sua razão de ser, promover sua imagem e identidade organizacional, adotando uma
postura mais estratégica. Isto posto, o site será de suma importância para que ONG possa
informar e fortalecer suas relações com seus variados públicos.

i) Criação de uma Fanpage no Facebook

Público-alvo: Público interno (colaboradores) e externo (Governo Estadual e Municipal,


imprensa local, parceiros, alunos da Mel, público LGBT e sociedade em geral).

Objetivo: Informar as ações da Mel, fortalecer sua imagem organizacional, bem como
estreitar relacionamentos com seus públicos estratégicos através do diálogo.

Justificativa: Atualmente as mídias sociais têm sido a principal ferramenta de comunicação


utilizada pela Mel para atingir seus públicos de interesse. Porém, atualmente a utilização
equivocada de um perfil no facebook, mantido pela ONG tem causado descredibilidade à sua
imagem organizacional. Como é possível ver na seguinte postagem:
61

Figura 05 – Captura de tela do perfil pessoal da MEL no facebbok.

Fonte: Perfil do facebook da MEL, 2014

Desta forma, faz-se necessária a criação de uma fanpage que possibilitará a Mel
estreitar seus relacionamentos e fazer com que a divulgação da organização obtenha um maior
alcance.
62

8 PLANEJAMENTO DA AÇÃO A SER EXECUTADA

8.1 PROJETO DE AÇÃO CRIAÇÃO DA FANPAGE

8.1.1 Tema

Criação de uma Fanpage no Facebook para ONG Mel.

8.1.2 Justificativa

O número de pessoas que utilizam o facebook no Brasil já ultrapassa a marca dos 89


milhões6. A quantidade de acessos de usuários e a rapidez da troca de informações fazem com
que as organizações tenham mais chances de serem acessadas através do facebook do que em
qualquer outra mídia na internet. A fanpage deve ser um cartão de visitas da organização e é
por meio dela que muitas pessoas terão a primeira impressão sobre a organização. É de suma
importância, então, oferecer um conteúdo que atenda às necessidades dos públicos
viabilizando a interatividade dos mesmos.
Atualmente, o facebook tem sido a principal ferramenta de comunicação utilizada
pela Mel, porém esta utilização tem sido de maneira equivocada e ineficiente, pois a Mel tem
utilizado um perfil pessoal como perfil corporativo e o número de pessoas atingido fica
limitado a 5 mil. Este fato tem como agravante a impossibilidade da ONG ter acesso a
relatórios e as pessoas só conseguem interagir após aprovada a solicitação de amizade.
A fanpage oferece muito mais possibilidades para a organização em relação ao perfil
pessoal. A Mel tem utilizado a primeira opção por puro desconhecimento. Além de ser um
erro estratégico, isso infringe as normas do facebook. Destarte, se faz necessária a criação de
uma fanpage para a ONG, visando fazer com que a mesma possa usufruir de várias vantagens
como a customização, fóruns de discussão, avaliações de usuários, não ter limite de fãs, ter
acesso a relatórios com dados demográficos (idade e sexo dos fãs), verificar a repercussão da
página (quantas pessoas visitaram, quais os posts mais comentados, quantas fotos e vídeos
foram vistos), e ainda existe uma maior facilidade de divulgação, pois cada vez que um fã
interagir com a fanpage, ela será mostrada na linha do tempo de todos os seus amigos. Todas

6
De acordo com os dados da consultoria eMarketer em agosto de 2014 acessado em 16 de novembro de 2014.
Disponível em: http://olhardigital.uol.com.br/noticia/43687/43687 Acesso em 17 de Julho de 2014.
63

estas informações e vantagens estão inacessíveis à Mel, porque atualmente eles têm utilizado
apenas um perfil pessoal.

8.1.3 Público-alvo

a) Público interno:
- Gestores;
- Colaboradores;
- Apoiadores;
- Alunos dos cursos oferecidos pela MEL.
b) Público externo:
- Público LGBT da cidade de João Pessoa;
- Comunidade em geral.

8.1.4 Objetivos

8.1.4.1 Objetivo geral

Aproximar os públicos-alvo através de diálogo, incentivo e consolidação de


relacionamentos e disponibilização de conteúdos de interesse.

8.1.4.2 Objetivos específicos

a) Estabelecer canais de diálogo, fornecendo informações e/ou esclarecimentos conforme


os interesses e demandas do seu público-alvo;

b) Obter dados pessoais e demográficos do público-alvo;

c) Estabelecer canais de relacionamento e diálogo, objetivando conhecer a opinião dos


públicos sobre a organização;

d) Dar visibilidade e credibilidade à imagem organizacional da ONG.

8.1.5 Estratégias
64

A fanpage será criada por um gestor de mídias sociais e, logo após a sua criação, será
feita uma análise de possíveis temas e conteúdos que irão ser veiculados nesta ferramenta de
comunicação dirigida. Após a consolidação da página junto aos seus públicos, a alimentação e
manutenção dessa fanpage poderá ser realizada pela Mel. Aqui cabe a sugestão de utilizar a
cartilha do SEBRAE que trata especificamente da elaboração e gestão de fanpages, disponível
atualmente no site dessa instituição.
Para divulgação inicial da fanpage, será necessária a contratação de um gestor de
mídias sociais ou um profissional com competência nessa área para torná-la conhecida. Este
gestor deverá atuar durante o prazo mínimo de três meses, para divulgá-la nos principais sites,
blogs e mídias LGBT, onde se encontram os seus principais públicos. Assim, a Mel
conseguirá interagir com um grande número de pessoas e estabelecerá relações com elas.

8.1.6 Cronograma

Quadro 04 – Cronograma de atividades da fanpage.


Atividade 25/10 a 15/11 15 a 20/11 20/11 a 5/12
Planejamento X
Análise X
Entrega da fanpage X
Fonte: Elaborado pelo autor, 2014.

8.1.7 Recursos necessários

a) Recursos Humanos:

Gestor de mídias Sociais.

b) Recursos Materiais:

Computador com acesso à internet.

c) Recursos Financeiros:
65

Não houve quaisquer custos para a criação da fanpage, pois a mesma foi criada por um
profissional que aceitou realizar o trabalho como voluntário.
66

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho torna-se importante, uma vez que fornece ao discente de graduação em
Relações Públicas um aprendizado prático, no qual ele pode vivenciar os desafios e problemas
de uma organização real. Neste cenário, fica explícita a importância de um Programa de
Relações Públicas para a ONG MEL, que enfrenta diversas dificuldades nos relacionamentos
com seus públicos-alvos e no uso dos instrumentos de comunicação dirigida.
Após uma extensiva coleta de dados, foram detectados vários conflitos dentro do
ambiente organizacional da MEL, os quais foram confirmados posteriormente à pesquisa de
opinião e em seguida os mesmos foram trabalhados de forma estratégica, visando à sua
solução. Destarte, foi notório que a comunicação estratégica apresenta soluções diversificadas
para diferentes tipos de problemas e conflitos, desde os mais básicos até os mais complexo.
Sendo assim, as ações propostas no Programa irão contribuir para que a organização consiga
atingir de forma mais plena, com maior eficácia e eficiência, os seus objetivos e metas,
sempre agindo de forma estratégica dentro da missão que foi traçada para orientar o seu
desenvolvimento e suas conquistas.
A parceria firmada com o Movimento do Espírito Lilás, a partir do planejamento e
execução deste trabalho foi de grande relevância, visto que o envolvimento com a mesma
abriu novos horizontes, possibilitando vislumbrar o quão importante e fundamental é o
trabalho de um profissional de Relações Públicas no Terceiro Setor.
Por fim, a realização deste trabalho possibilitou colocar em prática todo o conteúdo
vivenciado na vida acadêmica, como também permitiu compreender que as Relações Públicas
tendem a lidar com novos desafios e meios que estão em constante transformação.
67

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Adriana. A origem das Relações Públicas foi por necessidade, 2010.
Disponível em: <http://webinsider.com.br/2010/19/a-origem-das-relacoes-publicas-
necessidade-das-empresas/>. Acesso em 17 de Julho 2014.

CHIAVENATO, Idalberto; SAPIRO, Arão. Planejamento estratégico: fundamentos e


aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

FALCONER, Andres Pablo. A Promessa do Terceiro Setor: Um estudo sobre a


construção do papel das Organizações Sem fins Lucrativos e de seu campo de
gestão.1999. Tese ( Mestrado em Economia) - Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade da USP-SP.1999. Disponível em:
<www.repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/80009/183386.pdf?sequence=1>.
Acesso em 18 Julho de 2014.

FERNANDES, Rubem César. Privado Porém Público: o Terceiro Setor na América Latina.
Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

FERNANDES, Rubem César. O que é terceiro setor? In: IOSCHPE, E. B. et al. (Orgs.)
Terceiro setor: desenvolvimento social sustentável. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
Disponível em: <www.rits.org.br/idac.rits.org.br/iadc>. Acesso em 14 de Julho de 2014.

FISCHER, Rosa Maria & FALCONER, Andrés Pablo. Desafios da Parceria Governo
Terceiro Setor. Escola de Serviço Social da UFRJ, 1998. Disponível em: <
http://empreende.org.br/pdf/ONG%27s,%20OSCIP%27S%20e%20Terceiro%20Setor/Desafi
os%20da%20Parceria%20Governo%20Terceiro%20Setor.pdf> Acesso em 17 Julho de 2014.

FORTES, Waldyr Gutierrez. Relações Públicas - processos, funções, tecnologias e


estratégias. 3ª ed. São Paulo, SP: Summus, 2003.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
HENRIQUES, Marcio Simeone. Comunicação e estratégias de mobilização social. 2ª ed.
Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Obtendo resultados com Relações Públicas. 2ª ed.
São Paulo: Pioneira, 2006.

KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Planejamento de relações públicas na comunicação


integrada. 5ª ed São Paulo, SP: Summus, 2003.

LESLY, Philip. Os fundamentos das Relações Públicas e da comunicação. São Paulo:


Pioneira, 1995.
68

PERUZZO, Cicília Maria Krohling.Fundamento Teóricos das Relações Públicas e da


Comunicação Organizacional no terceiro setor: perpectivas alternativa. Revista Famecos -
Midia, cultura e tecnologia. Porto Alegre, v. 20, n.1, pag 89-107, 2013. Disponível em:
<www.revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/13641/9201>.
Acesso em: 07 Julho de 2014.

PINHO, Júlio Afonso de Sá. Gestão da informação no Terceiro Setor: o caso do projeto
garotada solidária ONG Amazônia. 2013. Artigo (ENACIB) Disponível em: <
http://enancib2013.ufsc.br/index.php/enancib2013/XIVenancib/paper/view/7> Acesso em 8
de Julho de 2014.

QUINTEIRO, Eudosia Acuña. Um sensível olhar sobre o terceiro setor. São Paulo:
Summus, 2006

RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas,
2010.

SIMANTOB, Patrícia Guttman. Marketing no Terceiro Setor. Disponível em:


<www.femperj.org.br> Acessado em 3 Julho de 2014.
69

ANEXO A – Fachada da MEL

Figura 6 – Fachada da MEL

Fonte: Arquivo da MEL (2014).


70

ANEXO B – Atual Estatuto da ONG Movimento do Espírito Lilás

MOVIMENTO DO ESPÍRITO LILÁS – MEL – ESTATUTO SOCIAL

CAPÍTULO I
DA DENOMINAÇÃO, DA SEDE E DAS FINALIDADES

Art. 1º. O Movimento do Espírito Lilás – MEL – é uma instituição de direito privado, sem fins
econômicos, com duração por tempo indeterminado, fundada em 06 de março de 1992, e
sediada na Rua Almirante Barroso, nº 757, Centro, João Pessoa, Paraíba, com foro na
Comarca de João Pessoa/PB.

Art. 2º. A associação tem por finalidade promover e defender a cidadania e os direitos
humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

CAPÍTULO II
DOS OBJETIVOS

Art. 3º. Para a satisfação de suas finalidades, o Movimento do Espírito Lilás possui os
seguintes objetivos:
I – Realizar o controle social de políticas públicas direcionadas para a população de
lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, em todos os níveis de gestão;
II – Combater a homofobia, lesbofobia, bifobia, transfobia e todas as demais formas de
discriminação e preconceito em razão de orientação sexual, identidade de gênero, cor, tnia,
origem, religião, entre outros;
III – Favorecer o intercâmbio e apoiar as ações de outras organizações que visem à defesa
e promoção dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais
(LGBT);
IV – Promover ações educativas, a partir dos princípios pedagógicos da educação popular,
para a promoção da cidadania e dos direitos humanos de LGBT, de pessoas com
deficiência, de mulheres, da criança e do adolescente, do idoso, da população negra,
população indígena e de outras populações e grupos socialmente vulneráveis;
V – promover práticas formativas acerca da promoção da saúde e da prevenção de
doenças, com ênfase nos seguintes eixos:
• Saúde integral da população LGBT;
• Saúde do homem;
71

• Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), HIV/AIDS e Hepatites


Virais, bem como a promoção e defesa dos direitos humanos de pessoas vivendo
com HIV/AIDS e Hepatites Virais;
• Redução de danos de pessoas usuárias de álcool e outras drogas;
VI – Realizar advocacy na defesa, promoção e preservação do meio ambiente, viabilizando,
entre outros, ações que visem a preservação de espécies da flora e da fauna;
VII – Atuar na defesa e promoção dos direitos da população LGBT, promovendo seu acesso
aos serviços públicos, com ênfase no seu acolhimento institucional;
VIII – Incidir politicamente junto ao Poder Público para a prestação da segurança alimentar e
nutricional da população LGBT;
IX – Participar de órgãos colegiados, fóruns e outros coletivos que visem a promoção e
defesa dos direitos humanos, bem como o controle das políticas públicas;
X – Incidir nas políticas de trabalho, emprego e geração de renda para a inclusão da
população LGBT no acesso nestas ações, combatendo todas as formas de preconceito no
ambiente de trabalho em razão da orientação sexual e identidade de gênero;
XI – Realizar incidência política junto aos órgãos governamentais no sentido de enfrentar a
discriminação e de garantir assistência às vítimas de violência em razão da orientação
sexual e identidade de gênero quer seja em órgãos públicos, quer seja em instituições
privadas;
XII – Defender a humanização dos serviços públicos no atendimento à população LGBT.
XIII - Garantir ações, projetos e outras incidências, nas políticas de cultura, educação,
assistência social, habitação, mobilidade, agricultura familiar, economia solidária, segurança
pública, turismo, saúde, participando de seus conselhos, conferências e afins.

CAPÍTULO III
DOS ASSOCIADOS

Art. 4º. Pode ser associada da instituição quaisquer pessoas civilmente capazes.
Art. 5º. Para associação, far-se-á necessário o preenchimento de ficha contendo os dados
do associado, que deverá assiná-la, a qual será visada pelos membros do Colegiado Gestor
da instituição.
Art. 6º. O quadro social será composto das seguintes categorias:
I – Associados Fundadores, que são todas as pessoas que se declararem homens gays e
bissexuais no momento que assinaram a ata de fundação da instituição;
II – Associados Plenos, que são todas as pessoas que se declararem homens gays e
bissexuais que se associaram após o ato de fundação da instituição;
72

III – Associados Colaboradores, que são todas as pessoas que se declararem de outras
identidades que não seja a de homens gays e bissexuais que se associaram após o ato de
fundação da instituição;
IV – Associados Amigos(as), que são todas as pessoas que, muito embora não se associem
à instituição, colaboram para o desenvolvimento de suas ações.
Art. 7º. São direitos das pessoas associadas, exceto dos Associados Amigos e Associados
Colaboradores:
I – Votar e ser votado para a composição do Colegiado Gestor e respectivamente para o
Conselho Fiscal da entidade, podendo participar ativamente das ações propostas pelo
Colegiado Gestor, pode o associado integrar chapa para concorrer ao mesmo Colegiado
desde que conte com mais de 180 (cento e oitenta) dias da data em que sua ficha de foi
preenchida e apresentada ao Secretário ou Coordenador Geral.
II – Participar, com direito a voz e voto, de Assembléia Geral, das sessões e reuniões;
III - Solicitar, por escrito, do Colegiado Gestor e do Conselho Fiscal esclarecimentos e
informações acerca das atividades desenvolvidas pela instituição bem como acesso a
quaisquer documentos do arquivo permanente do MEL, propondo, se for o caso, medidas
que julgue do melhor interesse da mesma;
VI – Convocar Assembleia Geral, nos termos do presente Estatuto;
V – Desligar-se da instituição a qualquer tempo, devendo comunicar verbalmente e por
escrito tal medida ao Colegiado Gestor.
Art. 8º. São direitos das pessoas associadas na categoria Associados Amigos:
I – Participar, com direito a voz, de Assembléia Geral, das sessões e reuniões;
II – Solicitar, por escrito, do Colegiado Gestor e do Conselho Fiscal esclarecimentos e
informações acerca das atividades desenvolvidas pela instituição bem como acesso a
quaisquer documentos do arquivo permanente do MEL, propondo, se for o caso, medidas
que julgue do melhor interesse da mesma;
III - Desligar-se da instituição a qualquer tempo, devendo comunicar verbalmente e por
escrito tal medida ao Colegiado Gestor.
Art. 9º. São direitos das pessoas associadas na categoria Associados Colaboradores:
I – Ter acesso a livros de atas e outros documentos da instituição;
II – Solicitar, por escrito, do Colegiado Gestor e do Conselho Fiscal esclarecimentos e
informações acerca das atividades desenvolvidas pela instituição bem como acesso a
quaisquer documentos do arquivo permanente do MEL, propondo, se for o caso, medidas
que julgue do melhor interesse da mesma;
IV - Desligar-se da instituição a qualquer tempo, devendo comunicar verbalmente e por
escrito tal medida ao Colegiado Gestor.
Art. 10. São deveres das pessoas associadas:
73

I – Cumprir e fazer cumprir o presente Estatuto;


II – Zelar o patrimônio material e imaterial da instituição;
III – Colaborar em favor da implementação dos objetivos da instituição;
IV – Assumir a defesa e promoção dos direitos humanos da população LGBT e de outras
populações socialmente vulneráveis, bem como lutar contra qualquer forma de opressão,
preconceito e discriminação;
V – Conhecer e elaborar táticas e medidas que favoreçam o fortalecimento da luta pelos
direitos humanos e pela dignidade da população LGBT;
VI – Participar e contribuir para o desenvolvimento das atividades da instituição.
Art. 11. Qualquer pessoa associada pode ser excluída dos quadros da instituição caso
pratique ato que ofenda a imagem da instituição ou que lhe cause algum prejuízo, ou que
declarar manifestamente qualquer tipo de preconceito ou discriminação de qualquer
natureza.

CAPÍTULO IV
DA ADMINISTRAÇÃO

Art. 12. São órgãos do Movimento do Espírito Lilás:


I – Assembléia Geral;
II – Colegiado Gestor;
III – Conselho Fiscal.

CAPÍTULO V
DA ASSEMBLEIA GERAL

Art. 13. A Assembleia Geral, instância deliberativa soberana do Movimento do Espírito Lilás
– MEL é composta da reunião de seus associados, conforme estabelecido por este Estatuto.
§1º. A Assembleia Geral será convocada, ordinariamente, a cada 02 (dois) anos, para
eleição dos membros do Colegiado Gestor e do Conselho Fiscal, bem como para aprovação
do balanço financeiro do Colegiado Gestor anterior à atual.
§2º. A Assembléia Geral poderá reunir-se em caráter extraordinário, a pedido de maioria
simples dos membros em exercício do Colegiado Gestor ou de um quinto dos Associados
Plenos, para tratar de questão de interesse da instituição.
§3º. Sem prejuízo do disposto no §1º, compete privativamente à Assembléia Geral:
I – promover a alteração deste Estatuto;
74

II – deliberar sobre afastamento de membro do Colegiado Gestor e de exclusão de


associado;
III – deliberar sobre a destinação do fundo social, nas hipóteses previstas no art. 24, §2º,
deste Estatuto;
IV – decidir sobre a extinção do Movimento do Espírito Lilás – MEL.
§4º. A Assembleia Geral deverá ser convocada pelo Coordenador Geral com antecedência
mínima de 30 (trinta) dias, mediante a publicação de edital onde conste data, horário, local e
a ordem do dia.
§5º. A Assembleia Geral reunir-se-á, em primeira convocação, com a presença de dois
terços de seus associados aptos a votar, e, em segunda convocação, com qualquer número
de associados aptos a votar.
§6º. As decisões serão tomadas pela maioria dos votos dos presentes em primeira
convocação, e, em segunda convocação, por maioria dos votos dos associados presentes.
§ 7º. Para a alteração do presente Estatuto, para destituição de membro do Colegiado
Gestor e/ou para a exclusão de associado, serão necessários dois terços dos votos dos
associados aptos a votar presentes em Assembleia Geral convocada para esse fim.
§8º. Em Assembleias Gerais, não serão permitidos votos por procuração.

CAPÍTULO VI
DO COLEGIADO GESTOR

Art. 14. O Movimento do Espírito Lilás – MEL é dirigido por um Colegiado Gestor, dividido
em duas instâncias: Coordenação Executiva formada pelo Coordenador Geral, secretário e
tesoureiro com respectivos suplentes. Tal Coordenação é auxiliada em suas ações por uma
Coordenação Administrativa, por sua vez estruturada por quatro Coordenadores: um
Coordenador de Articulação política, um Coordenador de Eventos e Comunicação, um
Coordenador de Projetos e Convênios e um Coordenador de Patrimônio, os membros da
Coordenação Administrativa serão empossados mediante ao regimento interno. Somando
em sete membros que compõem tal colegiado.
Art. 15. A Coordenação Executiva do Movimento do Espírito Lilás – MEL – será escolhida
em eleição e seu mandato corresponde 02 (dois) anos.
§1º. O processo de escolha do Colegiado Gestor será feito mediante voto direto e secreto,
assegurando a participação de todos os associados aptos a votar.
§2º. As chapas concorrentes à eleição do Colegiado Gestor e do Conselho Fiscal devem
formalizar sua inscrição junto à mesa diretora da Assembleia Geral Ordinária em listagem
única.
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§3º. Cabe à mesa diretora da Assembleia Geral Ordinária conduzir o processo eleitoral,
computar os votos e proclamar os resultados, a qual será composta por Presidente e
Secretário, nomeados para estas funções 30 (trinta) dias antes da convocação.
§4º. É considerado eleito Colegiado Gestor do Movimento do Espírito Lilás a chapa que
obtiver a maioria simples dos votos válidos.
§5º. O Colegiado Gestor eleito será empossado após o anúncio do resultado da votação
pela mesa diretora da Assembleia.
§6º. Encerrado o mandato, uma gestão tem até 03 (três) meses para apresentação da
prestação de contas, a qual será apreciada pelo Conselho Fiscal eleito.
Art. 16. Compete ao Colegiado Gestor:
I – elaborar e executar o plano anual e atividades;
II – elaborar e apresentar, à Assembleia Geral, o relatório anual;
III – dialogar com instituições públicas e privadas para mútua colaboração em atividades de
interesse comum.
Art. 17. Compete ao Coordenador Geral:
I – tratar dos assuntos de interesse da associação, representando-a ativa e passivamente,
judicial e extrajudicialmente;
II – representar a instituição junto a outras instituições e órgãos governamentais, podendo
delegá-lo a qualquer Associado Pleno;
III - assinar, junto ao Coordenador Financeiro, cheques e outros documentos que impliquem
responsabilidade financeira da associação.
Art. 18. Compete ao Secretário e seu suplente:
I – substituir o Coordenador Geral em suas faltas e impedimentos;
II – despachar o expediente, e guardar livros de atas e fichas de registro de associados,
bem como os outros documentos da instituição, inclusive seu arquivo;
III – lavrar as atas das Assembleias e demais sessões da associação e da Diretoria
Executiva;
IV – ler o expediente e os documentos e demais atos a serem divulgados durante as
sessões;
V – realizar o preenchimento da ficha de cadastro de novos(as) associados(as).
Art. 19. Compete ao Tesoureiro e seu suplente:
I – gerir os interesses financeiros da instituição;
II – assinar, junto ao Coordenador Geral, cheques e outros documentos que impliquem
responsabilidade financeira da associação.
Art. 20. Compete ao Coordenador de Articulação Política e prestar serviços de advocacy
junto ao Poder Público, bem como articular o fortalecimento institucional do MEL em
conjunto com outras organizações populares.
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Art. 21. Compete ao Coordenador de Eventos e Comunicação:


I – buscar apoio para a realização de atividades da instituição junto a órgãos públicos e
instituições privadas;
II – gerenciar a organização e logística dos eventos realizados pela instituição;
III – realizar a divulgação de atividades internas da instituição entre os(as) associados(as),
através de mídias e outras canais de comunicação;
IV – levar ao conhecimento da população as atividades realizadas pela instituição
direcionadas ao público em geral.
Art. 22. Compete ao Coordenador de Projetos e Convênios:
I – realizar a inscrição da instituição em processos de seleção de projetos, públicos ou
privados, bem como articular celebração de convênios que contemplem os objetivos da
instituição;
II – coordenar a execução de projetos e convênios.

Art. 23. Compete ao Coordenador de Patrimônio:


I – zelar pela preservação do patrimônio da instituição;
II – manter o registro de todo o acervo patrimonial da entidade, através de livros e
instrumentos próprios.

CAPÍTULO VII
DO CONSELHO FISCAL

Art. 24. O Conselho Fiscal é constituído por quatro membros titulares e dois membros
suplentes, juntamente com os membros da Coordenação Administrativa os membros do
Conselho Fiscal serão empossados mediante ao regimento interno.
Art. 25. Compete ao Conselho Fiscal:
I – opinar sobre questões de interesse da associação;
II – convocar Assembleia Geral Extraordinária, quando de situações excepcionais, por
decisão da maioria simples de seus membros;
III – apreciar e emitir parecer, por escrito, sobre as contas da associação.
Art. 26. Nas Assembleias Gerais Ordinárias, o Colegiado Gestor deve apresentar as contas
bienais com anuência do Conselho Fiscal, cabendo às referidas assembleias deliberar sobre
as prestações apresentadas.
Parágrafo Único. O Colegiado Gestor fica obrigado a fornecer ao Conselho Fiscal quaisquer
documentos e informe de caráter financeiro que este requisitar para a realização de suas
funções.
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CAPÍTULO VIII
DO PATRIMÔNIO SOCIAL

Art. 27. O Patrimônio Social será constituído de bens móveis, imóveis, veículos.
§1º. O Movimento do Espírito Lilás não distribuirá quaisquer participações do patrimônio
social ou excedentes operacionais a associados, diretores, empregados ou doadores.
§2º. Se o Movimento do Espírito Lilás vier a ser dissolvido, seu patrimônio social será
totalmente revertido para entidades sem fins lucrativos dotadas de qualificação e objetivos
compatíveis.

CAPÍTULO IX
FONTES DE CUSTEIO

Art.28. O Movimento do Espírito Lilás-MEL tem como fontes de custeio:

I – Contribuição das/os associadas/os;

II- as contribuições de pessoas físicas ou jurídicas:

III – as doações e as subvenções recebidas diretamente da união, dos estados e


dos municípios ou por intermédio de órgãos públicos da administração direta ou
indireta;

IV – os valores recebidos de auxílios e contribuições ou resultantes de convênios


com entidades públicas ou privadas e estrangeiras, não destinados especificamente
à incorporação em seu patrimônio;

V – as receitas operacionais e patrimoniais.

CAPÍTULO X
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 29. O Movimento do Espírito Lilás existirá por tempo indeterminado.


Art. 30. O Movimento do Espírito Lilás poderá ser dissolvido por determinação legal ou
judicial, força maior ou deliberação da Assembleia Geral.
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Parágrafo Único. Ocorrendo a dissolução, o fundo social será totalmente revertido para
entidades sem fins lucrativos dotadas de objetivos compatíveis com as do Movimento do
Espírito Lilás.
Art. 31. Os casos omissos serão resolvidos pelo Colegiado Gestor, por maioria simples de
seus membros.

João Pessoa, 27 de junho de 2014.

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APÊNDICE A – Roteiro da entrevista realizada com o Vice-Presidente da organização

1-Existe um organograma administrativo? Em caso positivo, quais estratégias são


adotadas para garantir a funcionalidade e eficácia do mesmo?

2-Existe um fundo de reservas para manter a ONG em tempos de escassez de recursos?

3-Existe alguma capacitação para os colaboradores e voluntários que ingressam na mel?


Explique como se procede a formação, a distribuição de funções e à alocação destes
colaboradores e voluntários.

4-Quais são as metas e objetivos da ONG para médio e longo prazo?

5-Os colaboradores possuem suas funções claramente definidas e especificadas ou


exercem funções variadas no decorrer do tempo?

6-Quais os instrumentos de comunicação utilizados pela ONG para atingir o público


externo?

7-Após as ações comunicacionais realizadas pela ONG junto aos seus públicos, existe
uma avaliação das mesmas? Como ela é realizada?

8-A Mel já realizou pesquisas de opinião pública para conhecer o perfil de algum dos seus
públicos-alvo? Em caso afirmativo como isso ocorreu?

9-Existem ações e estratégias, utilizadas pela ONG para atrair voluntários? Explicite-as

10- Os voluntários possuem algum tipo de acompanhamento com a preocupação de


motivá-los, inseri-los e integra-los aos objetivos traçados pela ONG?

11- Sabemos que a Mel pretende desenvolver atividades educativas junto a escolas da rede
pública de ensino. Como é realizada a abordagem entre a ONG e as escolas com as
quais deseja firmar parcerias?

12- Na sua opinião, quais os principais obstáculos já encontrados pela ONG junto aos
responsáveis pela rede pública de ensino municipal?
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APÊNDICE B – Roteiro das entrevistas realizadas com os colaboradores

1-Você tem necessidade de receber algum tipo de treinamento/curso para exercer sua
função na Mel?

2-Como você avalia a administração interna da ONG?

3-As suas atribuições administrativas na ONG são fixas ou flexíveis? Alguma vez você já
desempenhou ou respondeu por funções incompatíveis com a sua formação? Comente.

4-Você considera o número de colaboradores existentes suficiente para administrar bem a


ONG? Alguma vez já se deparou com excesso de atividades a serem realizadas?
Comente.

5-Como você avalia a remuneração recebida pelo trabalho que realiza na MEL?

6-Como você avalia a comunicação existente entre o presidente e os colaboradores da


ONG? Existe clareza e objetividade na transmissão de informações? Comente.

7-Quais são os meios e instrumentos utilizados para estabelecer a comunicação interna na


ONG?

8-Para estabelecer a comunicação com o público externo, quais instrumentos são


utilizados pela ONG? Como você os avalia?

9-Cotidianamente, como ocorrem as relações entre colaboradores e voluntários? Comente.

10- Na sua opinião a rotatividade de funcionários, na mel, pode ser considerado como
baixo, médio ou alta? Comente.
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APÊNDICE C – Roteiro das entrevistas realizadas com os alunos da MEL

1-Você já necessitou do amparo da Mel para resolver alguma questão/problema


envolvendo discriminação, problemas trabalhistas, preconceito no trabalho, na
escola/universidade, dentro da família, ou algum outro tipo de problema?

2-Em caso positivo, a sua demanda foi resolvida?

3-Você ficou satisfeito com o atendimento e as providências tomadas?

4-Você conhece alguém que já necessitou do amparo da Mel para resolver algum tipo de
problema? Em caso afirmativo, ele foi solucionado?

5-Você teria alguma sugestão a fazer voltada para a melhoria dos serviços prestados pela
Mel? Sugere algum serviço que seria importante e que a ONG atualmente não oferece
ao público LGBT?

6-Qual a sua opinião sobre o curso que você está realizando?

7-Você gostaria que houvesse mais cursos abordando outros temas e/ou outros assuntos?
Em caso positivo, quais?

8-Você já pensou em ser voluntário na ONG? Justifique.

9-Você possui a iniciativa de divulgar os trabalhos/serviços prestados pela Mel para os


amigos e/ou conhecidos? Justifique.

10-Você conhece e participa do perfil mantido pela Mel no facebook? Tem alguma
sugestão para reforçar e/ou melhorar essa presença da Mel nas mídias sociais?
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APÊNDICE D – Fotos da nova fanpage do Movimento do Espírito Lilás

Figura 07 – imagem geral da nova fanpage

Fonte: facebbok (2014).

Figura 08 – Primeira postagem da nova fanpage

Fonte: facebook (2014).


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Figura 09 – Funcionalidades da fanpage

Fonte: facebook (2014).