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1. Incerteza: tipologia e refinamentos de conceitos existentes

Objetivo principal: identificar principais variedades consideradas por economistas e refinar conceitos existentes. Objetivo secundário: reduzir falhas de comunicação, via adjetivos. Muitos – inclusive neoclássicos – usam só o substantivo “incerteza”, mas em sentidos variados. Diferentes concepções de incerteza, envolvendo tipos e não apenas graus diferentes.

Associação com diferentes concepções de probabilidade, e.g.:

a) probabilidade como propriedade do mundo

Exemplo: teoria da freqüência P A = lim (n A /n)

n→∞

b) probabilidade como propriedade de modo de pensar o mundo, um grau de crença

Exemplos:

b 1 ) Teoria da prob. subjetiva (Ramsey; deFinetti) – um pilar da teoria SEU, de subjective expected utility (Savage e

outros)

Probabilidade inferida com base em disposição de apostar ou, + geralmente, de escolher Quanto você pagaria no máximo por um papel que promete a seu portador 100 reais se o evento X acontecer? E quanto você aceitaria no mínimo para vender esse papel? Se nos dois casos você tem um valor P (i.e., se P deixa você indiferente entre apostar e ser a banca), P/100 é sua probabilidade subjetiva sobre a ocorrência do evento X. Alternativamente, aposta sobre a veracidade de uma proposição X. Requer probabilidades numéricas precisas, mas para qualquer proposição ou evento, mesmo único

b 2 ) Treatise on Probability (Keynes) Probabilidade: relação entre proposição a e proposição h, onde h se refere à evidência. Essa relação justifica um grau racional de crença em a dada h. Balanço entre evidência favorável e desfavorável a a. Peso: conceitos diferentes em TP: a) volume (soma de evidência favorável + desfavorável) ou b) completitude de evidência. Completitude: melhor ligação com confiança na TG (há ou costumava haver uma aula sobre incerteza, expectativas e confiança em Macro I). Diferença entre probabilidade e peso em Keynes é ilustrada por exemplo de urnas. Peso é importante para uso de probabilidade como guia de acão prática.

1. Três distinções, numa primeira aproximação

(1) Incerteza substantiva versus incerteza procedimental (procedural) – Dosi e Egidi 1991 Incerteza substantiva: “falta de todas as informações que seriam necessárias para tomar decisões com resultados certos”. Procedimental: limitações na capacidade mental/computacional do agente (frente à complexidade). (2) Incerteza fraca versus incerteza forte – Dequech 1997 Presença versus ausência de distribuição de probabilidade única, aditiva e plenamente confiável. Tal como originalmente proposta em Dequech 1997, distinção entre tipos de incerteza substantiva. Mais geralmente, não é só falta de informação que impede aquela presença: incerteza forte pode ser substantiva e/ou procedimental. (3) Ambiguidade versus incerteza fundamental – Dequech 2000 Distinção entre dois tipos de incerteza substantiva forte. Ambigüidade: incerteza sobre probabilidade, causada por informação que falta e poderia ser conhecida; lista de estados do mundo predeterminada. Incerteza fundamental: possibilidade de mudança estrutural não-predeterminada; lista de estados do mundo não- predeterminada.

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Tabela 1: Três distinções: uma primeira aproximação

Tipo de incerteza

Incerteza

fraca:

distribuição

de

Incerteza forte: ausência de uma tal distribuição

probabilidade

única,

aditiva

e

perfeitamente confiável

 

Incerteza substantiva: falta de alguma informação relevante e de boa qualidade

Incerteza fraca

Ambiguidade: incerteza sobre probabilidade, causada por falta de informação que poderia ser conhecida; lista de estados predeterminada

Incerteza fundamental: possibilidade de mudança estrutural não- predeterminada; lista de estados não- predeterminada

Incerteza procedimental:

     

Complexidade

em

relação

a

Incerteza procedimental

capacidades limitadas

 

2. Uma discussão mais detalhada: introdução

Cada variedade de incerteza será discutida e comparada com outras em mais detalhe. Em cada caso, duas dimensões do conceito:

a)

características da realidade social, inclusive indivíduos;

b)

contrapartida em termos de falta de conhecimento.

3.

Incerteza fraca

3.1. A noção básica Indivíduos podem (ou agem como se pudessem) construir distribuições de probabilidade únicas, aditivas e plenamente

confiáveis.

Duas subcategorias: risco knightiano (ou simplesmente risco) e incerteza de Savage.

3.1.1. Risco knightiano

Probabilidade objetiva (unânime entre pessoas razoáveis) e conhecida:

(a) probabilidade a priori

Estabelecida objetivamente por raciocínio lógico, sem experimentos.

E.g., por hipótese, dado (baralho, roleta, etc.) não-viesado.

(b) probabilidade estatística

Freqüência relativa

3.1.2. Incerteza de Savage

Savage (1954): axiomatização da teoria standard da utilidade esperada com probabilidades subjetivas. Contra associação entre incerteza e ausência de probabilidade.

Agente escolhe entre atos. Cada a i tem uma conseqüência c ij dependendo de qual estado s j ocorre. Conjunto de estados é exaustivo e definido independemente do conjunto de atos. Estados são mutuamente excludentes; cada s j tem uma probabilidade p j ; ∑p j = 1.

Tabela 2: O arcabouço atos-estados de Savage

Atos

a

a

.

.

.

a n

1

2

s

1

c

c

.

.

.

c n1

21

11

Estados

s 2

c

c

.

.

.

c n2

22

12

s m

c

c

.

.

.

c nm

2m

1m

3

É a média ponderada das utilidades das consequências de cada ato, dependendo dos estados que ocorrerem, sendo o peso dado pela probabilidade do respectivo estado (e a soma das probabilidades igual a 1).

Tabela 3: Incerteza fraca, incerteza de Savage e risco knightiano

Incerteza fraca: distribuição de probabilidade única, aditiva e perfeitamente confiável

Risco knightiano: probabilidades objetivas conhecidas

Incerteza de Savage: probabilidades subjetivas, com ou

sem probabilidades objetivas

Subjetivismo radical: probabilidade objetiva não concebível (de Finetti).

Subjetivismo moderado: probabilidade objetiva pode existir e ser:

a) conhecida ou

b) desconhecida

Para vários autores, 1 o caso = risco, 2 o caso = “incerteza”.

São casos particulares de incerteza de Savage.

Figura1: Incerteza de Savage e risco knightiano numa perspectiva subjetivista moderada

Savage’s uncertainty Knighian risk
Savage’s uncertainty
Knighian
risk

Incerteza sobre qual estado vai ocorrer.

3.2. Refinamentos

Lista de estados possíveis (como se fosse) predeterminada (= exaustiva) e conhecida. Realidade simples ou habitada por pessoas que têm (ou agem como se tivessem) mentes e computadores poderosos e que não são criativas. Graus: probabilidade; dispersão.

3.3. Incerteza fraca na literatura econômica

Economia neoclássica, em sua maior parte (mas ver discussão de ambiguidade), se definida com base em racionalidade maximizadora de utilidade e em equilíbrio.

3.3.1. Risco knightiano na literatura econômica

Von Neumann & Morgenstern (1944): axiomatização da teoria da utilidade esperada com probabilidades objetivas. Lucas: hipótese de expectativas racionais (versão forte).

3.3.2. Incerteza de Savage na literatura econômica

Grande parte da micro neoclássica Uma parte ainda maior se for incerteza de Savage for pensada como versão geral de inc. fraca, com risco knightiano como caso particular (exceto para objetivista radical).

4. Incerteza forte Noção vaga, à parte do contraste com incerteza vaga. Não indica especificamente um dos tipos de incerteza forte. Também insuficientemente claras: incerteza knightiana e incerteza keynesiana, como aquela de que tratou Knight ou Keynes, em particular ao usar a palavra “incerteza”. Ambos trataram de mais de um tipo. Mas há outro sentido de incerteza knightiana: ambigüidade.

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Outra fonte de confusão: “incerteza não-probabilística”. Mesmo incerteza forte pode ser com probabilidades.

5. Incerteza procedimental

5.1. A noção básica

Características da realidade (aí incluídos os indivíduos): complexidade do ambiente; limitadas capacidades mentais e computacionais dos agentes. Contrapartida dessas características e do contraste entre elas: alguma falta de conhecimento, um tipo de incerteza, a procedimental.

Complexidade: termo com mais de um sentido; nem todos exclusivamente associados à incerteza procedimental. Aqui, de modo bem geral: complexo = complicado. Muitos dados e/ou conexões intricadas, relativamente à capacidade do agente. O que é incerteza fraca para um agente pode ser procedimental para outro.

5.2. Refinamentos

Realidade complexa também pode ser sujeita mudança estrutural não-predeterminada. Indivíduos limitados também podem ser criativos. Incerteza procedimental compatível com fundamental.

Empiricamente, incerteza fundamental aparece junto com a procedimental.

Figura 2: Casos empíricos de incerteza procedimental e fundamental

Procedural uncertainty Fundamental uncertainty
Procedural uncertainty
Fundamental
uncertainty

Uma concepção mais limitida: excludente ou incompatível com fundamental. Obs.: Davidson só vê ou destaca isso. Exemplo (muito usado por Simon): jogo de xadrez.

Graus de incerteza procedimental

a) com adaptação e/ou ↑capacidade dos indivíduos (com tecnológica, via computadores, etc)

b) com grau de complexidade, pela própria tecnológica ou por institucional.

Incerteza procedimental ao longo do tempo: duas alternativas

a) tendência a desaparecer, se há tempo p/ adaptação e/ou ↑capacidade dos indivíduos

b) sem essa tendência, se ↑ complexidade também rápido.

Fonte importante na economia: interdependência. Outra fonte (indo além de Dosi e Egidi): coexistência de esferas de ação diferentes e várias lógicas: mercado, cívica, família, etc.

5.3. Incerteza procedimental na literatura econômica

Economia comportamental (incluindo Simon e aplicações de programa heurísticas e vieses, de Kahneman e Tversky); economia dos custos de transação (Williamson e outros); North 1990; “abordagem da complexidade” (Arthur; Young; Bowles; etc); OIE (original institutional economics); Hayek e outros austríacos; neo-Schumpeterianos; economia das convenções (França); alguns PKs; etc.

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6. Ambigüidade

6.1. A noção básica

Incerteza sobre probabilidade, causada por informação faltante que poderia ser conhecida.

Exemplo típico: paradoxo de Ellsberg.

O problema de duas cores (há outro com 3 cores). Imagine que você esteja apostando dinheiro de verdade.

Experimento 1:

A urna 1 contém 100 bolas idênticas em peso, forma, etc, exceto talvez na cor. Cada uma dessas 100 bolas é ou vermelha

ou preta, mas a proporção de bolas vermelhas e pretas é desconhecida. Imagine que uma bola será sorteada aleatoriamente da urna 1. Você:

a) prefere apostar que a bola será vermelha;

b) prefere apostar que a bola será preta; ou

c) é indiferente entre apostar que a bola será vermelha ou preta.

Experimento 2:

A urna 2 contém 100 bolas idênticas em peso, forma, etc, das quais 50 bolas são vermelhas e 50 são pretas.

Imagine que uma bola será sorteada aleatoriamente da urna 2. Você:

a) prefere apostar que a bola será vermelha;

b) prefere apostar que a bola será preta; ou

c) é indiferente entre apostar que a bola será vermelha ou preta.

Experimento 3:

Considere as urnas 1 e 2 dos experimentos anteriores.

Imagine que uma bola será sorteada aleatoriamente da urna 1 e outra bola da urna 2. Você:

a) prefere apostar que uma bola vermelha será sorteada da urna 1;

b) prefere apostar que uma bola vermelha será sorteada da urna 2; ou

c) é indiferente entre apostar que uma bola vermelha será sorteada da urna 1 ou da urna 2.

Experimento 4:

Considere as urnas 1 e 2 dos experimentos 1 e 2. Imagine que uma bola será sorteada aleatoriamente da urna 1 e outra bola da urna 2. Você:

a) prefere apostar que uma bola preta será sorteada da urna 1;

b) prefere apostar que uma bola preta será sorteada da urna 2; ou

c) é indiferente entre apostar que uma bola preta será sorteada da urna 1 ou da urna 2.

Em conjunto, muitas respostas => impossibilidade de inferir probabilidades com base na teoria tradicional de probabilidade subjectiva.

Pelo menos dois tipos de abordagens formais a ambigüidade:

(a)

múltiplas distribuições de probabilidades;

(b)

distribuição única mas não-aditiva.

- retém probabilidade precisa, mas não plenamente confiável.

Várias desssas abordagens são generalizações de teoria de utilidade esperada. Nesse caso, compatibilidade entre ambigüidade e U max.

A distinção entre implicação e volume ou completitude da evidência.

Para alguns autores: probabilidade tem a ver com implicação; volume ou completitude afeta confiabilidade da

probabilidade como guia de ação prática. Na teoria standard, questão da confiabilidade não aparece.

6.2. Refinamentos

Em problemas de Ellsberg, é relativamente simples discutir grau de completitude da evidência. Indivíduo conhece todos os estados possíveis.

Nuns poucos tratamentos, nem todos os estados possíveis são conhecidos, mas lista ainda é predeterminada e agentes não criativos.

Graus: com informação disponível.

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Ambigüidade ao longo do tempo: informação adicional pode diminuir conjunto de distribuições possíveis; ao menos em alguns casos, pode-se chegar a uma só distribuição possível.

Pessoas podem recusar apostas (contra ordenamento completo).

6.3. Ambigüidade na literatura econômica

Exemplos vários e crescentes em número, inclusive na economia mainstream e mesmo na economia neoclássica (quando ambiguidade é tratada como compatível com maximização de utilidade e a economia neoclássica é definida com base em racionalidade maximizadora de utilidade e em equilíbrio). Incluem referências a Keynes e Knight como precursores.

7. Incerteza fundamental

7.1 A noção básica Com realidade sujeita a mudança estrutural não-predeterminada, dentro dos limites das leis naturais. Um primeiro refinamento (já implícito) da noção básica: realidade habitada por indivíduos potencialmente criativos.

a) em particular, capazes de criar e adquirir novo conhecimento

b) imprevisibilidade do conhecimento futuro (não se pode saber agora o que se vai saber no futuro) => imprevisibilidade

do futuro (Popper).

Principal exemplo econômico de criatividade, de mudança de conhecimento (aplicado) e de mudança estrutural não- predeterminada: inovação tecnológica ou organizacional. Pressão competitiva para inovar (Marx, Schumpeter).

Mudança estrutural não-predeterminada também pode ser política, social ou cultural.

Necessidade de noção menos de restritiva para alguns estados do mundo ou eventos, como endógenos ao processo decisório. Resultado intencional ou não-intencional de atos pode => endogeneidade de eventos. Exemplos:

a) mudança tecnológica (Dosi e Egidi);

b) novos eventos criados não-intencionalmente.

Só com noção básica de incerteza fundamental, pode não haver graus.

7.2. Refinamentos da noção básica: instituições e tecnologia

Instituições: Formais e informais

Influência restritiva Influência cognitiva (informativa, prática, profunda) Influência motivacional (simples, profunda) Influência legitimadora Influência habilitadora

Tudo isso => estabilidade do pensamento e comportamento (e auto-reprodução das instituições).

Instituições formais: contratos; leis; market-makers. Contratos Influência restritiva sobre comportamento dos agentes; influência informativa, que afeta incerteza sobre valores futuros de variáveis nominais e, às vezes (com indexação), reais (mas sem garantia de entrega de bens ou força de trabalho; no máximo, indenização em dinheiro). Exemplos: contratos regulam custos de salários e insumos. Lei de contratos e Estado. Outras leis: direitos de propriedade, impostos, gastos do governo, etc. Market-maker: agente com disposição anunciada publicamente de agir como comprador ou vendedor residual de um ativo ou bem durável; responsável por ordem e continuidade, reduzindo magnitude de ∆P e, assim, com função informativa sobre P e, por extensão, sobre liquidez; sua ação eficiente depende de estoque do ativo ou bem e de estoque de dinheiro (ou acesso a crédito). Exemplos: BC como lender of last resort (info sobre depósitos em bancos comerciais e cotas de fundos bancários); BC em mercado de moeda estrangeira; governo com estoques reguladores de café, álcool, etc. Anúncio de política de longo prazo pode ↓incerteza; instabilidade discrecionária pode ↑ incerteza.

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Instituições informais: convenções; normas sociais informais. Têm influência restritiva e informativa, mas sobretudo são as que têm influência cognitiva profunda.

Tecnologia: características do processo de mudança

Papel semelhante ao das instituições: ordem e estabilidade. Paradigma tecnológico: ‘an “outlook”, a set of procedures, a definition of the “relevant” problems and of the specific knowledge related to their solution’; ‘[a] “model” and a “pattern” of solution of selected technological problems, based on selected principles derived from natural sciences and on selected material technologies’ (Dosi).

Trajetória tecnológica: ‘the direction of advance within a technological paradigm’; ‘the pattern of “normal” problem solving activity (i.e. of “progress”) on the ground of a technological paradigm’ (Dosi).

Caráter cumulativo e paradigmático do conhecimento tecnológico => ordem em padrões de mudança tecnológica.

Estabelecimento de paradigma => redução mas não eliminição de incerteza em busca inovadora. Paradigma põe alguns limites ou fronteiras. Heurística negativa => exclusão de algumas possibilidades.

Interseção com instituições: instituições informais incluem as relacionadas com tecnologia; com conceito amplo de instituição, incluindo organizações, há também instituições de ensino, associações profissionais, etc.

Graus de incerteza fundamental: com instituições e tecnologia.

7.3. Incerteza fundamental na literatura econômica

a) A noção básica

Shackle; PKs keynesianos; neo-schumpeterianos; parte da economia austríaca e de sua ala na NIE, incluindo North pós-

1995; parte da OIE; economia das convenções; parte da “abordagem da complexidade”.

b) A noção refinada

Sobre instituições: PKs (às vezes Davidson); alguns austríacos; alguns neo-schumpeterianos; os institucionalistas que adotam a noção básica. Sobre tecnologia: neo-schumpeterianos.

2. Racionalidade

Noção geral de racionalidade instrumental: capacidade de escolher os meios adequados para um fim. Não é sinônimo de racionalidade maximizadora: como veremos, racionalidade instrumental pode não ser maximizadora (se for limitada, criativa, etc.), e a maximizadora pode não ser instrumental (se critério for só coerência interna). [Alguma confusão com racionalidade substantiva de Simon (1976: 425; ver também 1964: 405).]

Racionalidade instrumental toma fins como dados. É possível questionar – mas não o farei.

Comportamento – e racionalidade – nem sempre é instrumental. March e lógica de propriedade (appropriateness) versus lógica de conseqüências; Elster e obediência a normas sociais; Sen e comprometimento.

Quando instrumental, nem sempre egoísta. Mesmo quando egoísta, não bem tratado pela teoria neoclássica, devido a problemas cognitivos e institucionais. Exemplo: em busca do lucro.

Foco aqui: questões cognitivas. Conceito de racionalidade, especialmente instrumental: estreitamente ligado ao de incerteza. Paralelo entre os dois grupos de conceitos (incerteza e racionalidade).

1. Racionalidade maximizadora de utilidade

A partir dos anos 1940, com aumento do formalismo: axiomatização. Se comportamento satisfaz um certo conjunto de axiomas, então pode-se demonstrar que ele maximiza utilidade.

Diferentes versões da hipótese de max U:

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1) Descritiva

Pessoas na realidade maximizam U deliberadamente.

2) “Como se”

Pessoas agem como se maximizassem U, sem na verdade fazer os cálculos. Friedman: o exemplo do jogador habilidoso de bilhar.

3) Prescritiva (ou, para alguns, normativa)

Como as pessoas deveriam agir de modo a max U.

Duas abordagens a max U como racionalidade:

1) Racionalidade instrumental

Melhor ação, em vista do que o agente acredita, na busca de um ou mais objetivos. Maximização depende de objetivo ser adequado para expressão matemática.

Objetivo definido independentemente e suposto real. Freqüentemente, na economia neoclássica, interesse próprio é o objetivo. Mas nem sempre é (e.g., ver Nobel Lecture de Becker).

E pode ser interesse próprio num sentido amplo, incluindo na função U argumentos como normas sociais (e.g., Akerlof),

contra visão não-instrumental das normas.

2) Coerência interna como critério de racionalidade

Escolhas coerentes entre si. Função U derivada da satisfação de um conjunto de axiomas de racionalidade. Objetivo é derivado das escolhas e não precisa ser real. Pessoa pode estar maximizando uma função U, mas, da perspectiva instrumental, essa função pode não representar o objetivo verdadeiro da pessoa. Exemplo: agente que faz sistematicamente o oposto do que deveria fazer para atingir certo fim pode ser internamente coerente (Sen, 1987).

Racionalidade maximizadora de utilidade na literatura econômica:

Economia neoclássica. Racionalidade maximizadora de utilidade entre elementos definidores de econ. neoclássica.

2. Racionalidade limitada/procedimental

Crítica à racionalidade maximizadora em termos descritivos e “como se”, com base em evidência empírica. Nem sempre crítica em termos normativos, ao menos em situação de risco (e.g., Kahneman e Tversky). Indivíduos têm capacidades limitadas mesmo para tarefas simples e mais ainda para as complexas. Racionalidade limitada também é racionalidade instrumental.

Dois conceitos associados a racionalidade limitada: busca seletiva e satisficing.

i) busca seletiva Alternativas não estão dadas para o tomador de decisão; é preciso construir. Simon 1972: exemplo de jogo de xadrez.

ii) Satisficing (em vez de optimizing):

a) achando soluções ótimas para um mundo simplificado; ou

b) atingindo um nível de aspiração num mundo mais próximo do real.

Busca pára quando se atinge o nível de aspiração.

Nível de aspiração pode mudar, se for atingido rápido demais ou estiver demorando demais para ser atingido.

Escolha não é determinada pelo ambiente; depende do processo adotado. Daí, racionalidade procedimental (Simon, 1976: 131): quando processo que gera comportamento é apropriado.

Regras práticas (rules of thumb) ou heurísticas individuais (também Kahneman e Tversky). Numa situação de interação social, a regra prática pode ser compatilhada: uma convenção, uma norma social.

Racionalidade limitada pode ser apenas adaptativa (ou reativa). Regras práticas podem mudar, em adaptação a mudança exógena ao agente, quando pararem de funcionar satisfatoriamente.

A pergunta crítica: mas e o agente inovador?

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Teoria só com incerteza procedimental e racionalidade limitada não lida bem com inovador. Ou é negligenciado ou é irracional.

Tratamento de incerteza procedimental pode não ser compatível com incerteza fundamental. O de racionalidade limitada

ou procedimental também não.

Existe um ótimo fora da cabeça do agente, esperando ser descoberto? Depende de lista de estados possíveis estar

predeterminada ou não.

Racionalidade limitada/procedimental na literatura econômica:

Todos os autores ou correntes associados acima à incerteza procedimental (rever a lista) – mas economia comportamental aceita também ideia de irracionalidade, agora como teorisável (vieses, previsibilidade).

Às vezes racionalidade limitada numa forma mais branda que a de Simon (e.g., Williamson).

Muitas vezes negligenciando criatividade ou tratando de modo muito restritivo (para alguns críticos, o próprio Simon).

Outras vezes usando o rótulo “limitada/procedimental” em contexto de incerteza fundamental (Langlois; Possas) – o que pode gerar falhas de comunicação, dado o uso mais restritivo por vários outros.

2.3. Racionalidade limitada e algo mais

Pessoas têm capacidades limitadas, mas também podem ser criativas.

Racionalidade não só limitada: ativa ou criativa, nem sempre passiva ou adaptativa.

O agente pode endogenamente criar uma nova maneira de agir, mesmo que a atual esteja funcionando bem. No

capitalismo, há incentivo para isso (inovar). Romper com convenções também pode ser racional.

Não existe um ótimo fora da cabeça do agente, esperando ser descoberto. Agentes podem criar um mundo diferente que (se durasse eternamente) determinaria um novo ótimo.

Qual o melhor rótulo alternativo? “Criativa” ou “inovativa” é bom, mas poderia sugerir que falta de criatividade ou de inovatividade é irracional ou menos racional. Talvez “potencialmente criativa”.

Na literatura econômica:

Vercelli, Bianchi, Kasper & Streit, Dequech; com certa ambivalência, Langlois e Choi.