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O QUE MUDOU E CONTINUA A MUDAR

O que mudou e continua a mudar demarca um ponto de partida e um ato inaugural do


projeto artístico de Estefania Gavina, artista visual, argentina residente no Brasil há 20
anos, que confia sua criação artística à sobre-ação dos tempos e às outras vidas das
coisas. Esta mostra em Campinas expõe por meio de uma seria de fotografias uma
escuta da artista aos clamores de supervivência de objetos abandonados nos vãos e
cantos de casas em processo de demolição.

Neste projeto, Estefania fotografou obras de demolição de residências antigas em


Campinas, interior de São Paulo, oferecendo aos próprios pedreiros a oportunidade de
serem fotografados como parte das cenas de seu trabalho. Além de registrar as etapas
de demolição, a artista se interessou por fazer, com a participação dos pedreiros, uma
arqueologia no espaço (recolhendo alguns objetos e fotografando outros) como forma
de acolher coisas que foram deixadas pelos antigos moradores.

Esta experiência da artista apaixonada por memória e os resultados deste seu


interesse sensível por histórias ordinárias foram traduzidos para esta exposição em
três grandes momentos: Abandono, Demolição e Arqueologia. Momentos que
definem-se também como atos das cenas finais de uma casa. Para a artista, os
objetos deixados para trás, apesar de tudo, estão repletos de vida. Eles são vestígios,
testemunhos vivos e calados de afeto e histórias.

Com seu olhar sensível e estético, Estefania trabalha para encontrar nestes estados
latentes , paixões que sobrevivem nas coisas. É como se ousasse desvelar a
imortalidade para ensaiar reconexões das coisas nas migrações de fluxos e ciclos,
reinventando destinos que instigam nosso veículo secreto com as imagens. Com
Estefania Gavina, estamos diante de um universo do fantástico nostálgico e
supervivente, que dá asas a histórias não nascidas e a emoções e memórias
esquecidas.

Fabiana Bruno