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3.

1 RELAÇÕES PRELIMINARES: INTRODUÇÃO DOS MATERIAIS

“Seu coração é um alaúde suspenso;

Tão logo o tocamos, ele ressoa” (POE, 2008, p. 156)

Esta epígrafe, atribuída ao poeta Pierre Jean de Béranger, introdução ao conto, apresenta o
cenário sombrio e misterioso ao imaginário do leitor em conjunto com o primeiro parágrafo do
texto, justamente por expressar a paisagem do conto onde os acontecimentos se seguirão. Vale
afirmar, de acordo com Santaella (1985), que “os cenários [...] nos contos de Poe [...] são
molduras tonais que criam sintonias e isomorfismos entre o que se conta, o modo como é
contado e o efeito que vai consubstanciando” (p. 155). Nesse sentido, a epígrafe se conectaria
com os harmônicos dos compassos 1 a 5 (figura 42), que servem de introdução à obra musical,
preludiando a harmonia e a sonoridade do que virá a seguir. O alaúde suspenso ressoa, da
mesma forma que o violão, seu sucessor, ecoa o acorde de mi maior com sétima menor, que tem
função de dominante na tonalidade da obra e inclui ainda uma dissonância, entre as notas sol# e
sol natural (que também pode ser visto como uma enarmonia de nona aumentada), que reitera
o ar nebuloso das duas obras.

figura 42 - compassos 1-5

(3.2)Em seguida, o parágrafo do conto que inicia o discurso e apresenta não apenas o caminho
percorrido pelo narrador até a casa do protagonista mas também os sentimentos suscitados no
narrador ao contemplar a paisagem descrita, pode sugerir um paralelo com a obra de Koshkin no
que se refere ao tema motívico principal. Este aparece pela primeira vez no compasso 6 (figuras
43 e 44 - notas dó4-si3-dó3), quando a mão esquerda do violonista faz um glissando
descendente, soando todas as notas cromáticas entre as duas últimas notas citadas. Na história
da música ocidental, o cromatismo descendente, exemplificado aqui, recebeu diversas tentativas
de atribuição de significado extra-musical. As figuras retórico-musicais descritas por Bartel
(1997) incluem a denominada Passus duriusculus (o próprio autor reitera que este “não é um
termo retórico, mas sim a descrição vívida do artifício musical”), que é descrita como “uma linha
melódica, ascendente ou descendente, alterada cromaticamente” (BARTEL, 1997, p. 357,
tradução nossa). Em um uso específico desta figura retórica, principalmente quanto ao
cromatismo descendente, seriam representados modéstia, insignificância, ignobilidade e
desdém. “Por essa razão, uma frase ou tema que desce em semitons passo-a-passo e sem saltos
é chamada de subjectum catabatum” (idem, 1997, p. 215, tradução nossa).
figura 43 figura 44