Sunteți pe pagina 1din 24

Universidade Federal de São João Del Rei

Transferência de Calor em Bioprocessos

Radiação Térmica: Processo e Aplicações

Ouro Branco, Julho de 2014.


Universidade Federal de São João Del Rei

Transferência de Calor em Bioprocessos

Radiação Térmica: Processo e Aplicações

Anna Luisa Silva Cotta

Maysa Martins Almeida

Ouro Branco, Julho de 2014.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...................................................................................................2

2. RADIAÇÃO .......................................................................................................4

2.1 Intensidade da radiação .............................................................................5

3. RADIAÇÃO DE CORPO NEGRO......................................................................6

3.1 A distribuição de Planck...............................................................................7

3.2 Lei de deslocamento de Wien.....................................................................8

3.3 Lei de Stefan-Boltzmann.............................................................................9

4. ABSORÇÃO, REFLEXÃO E TRANSMISSÃO EM SUPERFÍCIES REAIS......10

4.1 Absortividade.............................................................................................13

4.2 Reflexibilidade............................................................................................14

4.3 Transmissividade.......................................................................................15

5. APLICAÇÕES....................................................................................................16

5.1 Termografia................................................................................................16

5.2 Radioterapia...............................................................................................18

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................20

7. BIBLIOGRAFIA.................................................................................................21
1. INTRODUÇÃO

A transferência de Calor é um processo de transmissão de energia na forma

de calor. Segundo a definição do dicionário Aurélio, calor é “... a forma de energia

que se transfere de um sistema para o outro em virtude de uma diferença de

temperatura existente entre os dois, e que se distingue das outras formas de energia

porque, como o trabalho, só se manifesta num processo de transformação. ”

Assim sempre que houver um gradiente de temperatura em um meio, ou entre

meios, haverá transferência de calor, que consiste no fluxo de energia térmica da

maior para a menor temperatura, por três modos: condução; convecção; e radiação.

Como mostrado o esquema abaixo:

Figura 1: Representação dos 3 tipos de transferência de calor.

1
Figura 2: Modo de transferência de calor: Radiação nas mãos, condução na tenaz e convecção no ar,

o qual aquece ao percorrer o interior do tudo do recuperador de calor.

Um dos modos de transferência de calor que merece destaque é a radiação,

que pode ser explicada como o processo pelo qual o calor é transferido de uma

superfície de alta temperatura para uma superfície de temperatura mais baixa

quando tais superfícies estão separadas no espaço, ainda que exista vácuo entre

elas. O calor radiante é emitido por um corpo na forma de impulsos, ou quantas de

energia. Uma vez que a emissão resulta de variações nos estados eletrônicos,

rotacional e vibracional dos átomos e moléculas, a radiação emitida é usualmente

distribuída sobre uma faixa de comprimentos de onda.

A transferência de calor por radiação é fundamental para medição de

temperatura através da termografia infravermelha, que detecta a radiação

proveniente do objeto sob inspeção, mais especificamente a radiação infravermelha.

São, portanto, emissões de infravermelho através de uma tela de TV, produzindo

imagens técnicas chamadas de termogramas, que, em resumo, permitem a

visualização da distribuição de calor na região focalizada. Assim, com o uso do

termovisor, fica extremamente fácil a localização de regiões quentes ou frias, por

meio da interpretação dos termogramas que fornecem imagens, em faixas de

temperatura que podem cobrir de –40 a 1500ºC.

A radiação térmica também é aplicada no tratamento de câncer, através da

técnica de radioterapia. É um método que se faz uso de feixe de radiações

ionizantes. Estas interagem com as células cancerosas, causando alterações no

seu material genético, interferindo na capacidade de se multiplicarem e,

2
consequentemente, no crescimento do tumor. Pode ocorrer de duas formas:

teleterapia ou braquiterapia.

2. RADIAÇÃO

Radiação é um termo da área da Física e significa a propagação de

energia de um ponto a outro no espaço ou em um meio material, com uma certa

velocidade. Podendo ser definida como um processo pelo qual calor é transferido de

uma superfície em alta temperatura para uma superfície em temperatura mais baixa,

quando tais superfícies estão separadas no espaço. A energia assim transferida é

chamada radiação térmica. [1]

Diferente da condução e da convecção, a radiação não necessita da

existência de um meio interveniente. A radiação térmica ocorre perfeitamente no

vácuo, não havendo, portanto, necessidade de um meio material para a colisão de

partículas ou transferência de massa. Isto acontece porque a radiação térmica se

propaga através de ondas eletromagnéticas. A radiação térmica é, portanto, um

fenômeno ondulatório semelhante às ondas de rádio, radiações luminosas, raios-X,

raios gama, TV, micro-ondas e outros tipos de radiações, diferindo apenas no

comprimento de onda. Este conjunto de fenômenos de diferentes comprimentos de

ondas, representado na Figura 3, é conhecido como espectro eletromagnético. [2]

3
Figura 3: Espectro eletromagnético.

2.1 Intensidade da Radiação

A análise do espectro revela que a intensidade da radiação térmica varia de

acordo com a Figura 4. Observando que existe um pico máximo de emissão para um

determinado comprimento de onda cuja a posição é função da temperatura absoluta

do emissor (radiador).

Figura 4: Picos ilustrando a intensidade da radiação térmica.

A intensidade de radiação térmica é comandada pela temperatura da

superfície emissora. A faixa de comprimentos de onda englobados pela radiação

4
térmica fica aproximadamente entre 0,1 e 100µm (1µm = 10-6m). Essa faixa é

subdividida em ultravioleta, visível e infravermelho. Grande parte da radiação

térmica cai fora da faixa do visível, caindo mais especificamente na faixa do

infravermelho. [4]

Todo material com temperatura acima de zero absoluto emite continuamente

radiações térmicas. O poder de emissão se deve a energia radiante total emitida por

um corpo, por unidade de tempo e por unidade de área (Kcal/h.m 2).[4]

3. RADIAÇÃO EM CORPO NEGRO

No intuito de estudar as características essenciais da radiação térmica,

evitando-se as complicações relacionadas com a natureza específica do material, é

conveniente considerar um corpo ideal com propriedades específicas, o assim

chamado corpo negro. [3]

O corpo negro absorve toda radiação que nele incide, independente do seu

comprimento de onda e de sua direção, isto é, sua absorvidade é igual a 1 e sua

refletividade é nula, decorrendo deste último fato seu nome (negro). Ele não tem cor

à reflexão, mas pode ter cor à emissão, resultando em um bom e ideal emissor, com

emissividade igual a 1. Independente do material com que é confeccionado, para

uma dada temperatura e comprimento de onda, ele emite mais energia do que

qualquer outra superfície. Destas decorre o uso do corpo negro como um padrão

com o qual as propriedades radioativas de superfícies reais podem ser

comparadas.[3]

5
O modelo prático mais simples de um corpo negro é um objeto oco com um

pequeno orifício como mostrado na figura 5. Qualquer radiação que entra é

completamente absorvida nas paredes antes que parte dela possa eventualmente

escapar. Além disso, se a superfície do objeto é isotérmica com temperatura T, a

radiação emitida pelas superfícies internas escapa através da abertura em todas as

direções depois de ter sofrido múltiplas reflexões. [1]

Figura 5: Características de uma cavidade corpo negro isotérmica.

Embora a radiação emitida por um corpo negro seja função do comprimento

de onda e da temperatura, ela é independente da direção. Isto é, o corpo negro é um

emissor difuso. [2]

Existem três leis fundamentais que regem a radiação de corpo negro, sendo

elas: - Distribuição de Planck (potência emissiva espectral do corpo negro em função

do comprimento de onda); - Lei de deslocamento dos máximos de Wein (relação

entre comprimento de onda e temperatura para a emissão espectral máxima); - e Lei

de Stefan Boltzmann (poder emissivo total do corpo negro).

3.1 A Distribuição de Planck

Planck postulou que a energia radioativa é emitida em forma quantizada, em

pacotes finitos, e que a energia de um quantum é dada por: E= hν. Assim, um corpo

em equilíbrio termodinâmico, sendo um emissor difuso, apresenta radiância

6
espectral emitida que é descrita matematicamente pela função de distribuição de

Planck abaixo:

𝐶1
𝐸𝑏𝜆 (𝜆, 𝑇) = 𝐶 (W/m2µm) (3.1)
𝜆5 [exp( 2 )−1]
𝜆𝑇

Onde a primeira e a segunda constantes da radiação são C 1= 2πhCo2 = 3,742 x 108

Wµm4/m2 e C2= (hCo/k) = 1,439 x 104 µmK, em que λ é o comprimento de onda da

radiação emitida, h e k são as constantes universais de Planck e Boltzmann.

A Figura 6 ilustra gráficos da função de Planck obtida utilizando-se diferentes

valores de temperatura. Através dela, podemos observar que a radiação emitida

varia continuamente com o comprimento de onda. Este juntamente com a elevação

da temperatura, intensifica a quantidade de radiação emitida. A região espectral na

qual a radiação é concentrada depende da temperatura, comparativamente, mais

radiação aparece quando se tem menores comprimentos de onda na medida em

que a temperatura aumenta. Uma fração significativa da radiação emitida pelo Sol

(corpo negro a 5800K) encontra-se na região visível do espectro. Ao contrário, para

T≤800K a emissão é predominantemente na região infravermelho do espectro e não

é visível ao olho nu. [1]

3.2 Lei do Deslocamento de Wien

Uma das propriedades da função de Planck é que o comprimento de onda

referente ao seu ponto de máxima radiação emitida é inversamente proporcional à

temperatura para a qual ela é calculada. Essa é a lei do deslocamento de Wien.

Diferenciando a função de Planck com relação ao comprimento de onda e igualando

a zero, obtém-se:

7
2898 𝐾µ𝑚
𝜆𝑚á𝑥 = (3.2a)
𝑇

Portanto, quanto maior a temperatura de um corpo, menor será o

comprimento de onda para o qual o corpo emite radiação máxima. Dessa forma,

qualquer corpo luminoso que se resfria progressivamente deixa de emitir luz visível

(por exemplo, um arame incandescente). Na figura 6 está representado os pontos

descritos por essa lei na forma de uma linha tracejada.

Wien também chegou à conclusão de que a radiância máxima

correspondente a λm deveria ser proporcional à quinta potência da temperatura do

corpo:

𝐸𝑏𝜆 (𝜆𝑚á𝑥 , 𝑇) = 𝑘𝑇 5 (3.2b)

Esta é a segunda lei de Wien, onde k = 1,381 x 10-23 J/K é a constante universal de

Planck.

Figura 6: Poder emissivo espectral de corpos negros


8
3.3 Lei de Stefan-Boltzmann

A radiância total emitida por um corpo negro pode ser obtida integrando-se a

função de Planck em todo o domínio de comprimento de onda:

∞ 𝐶1
𝐸 𝑏𝜆 = ∫0 𝐶 𝑑𝜆 (3.3a)
𝜆 [exp( 2 )−1]
5
𝜆𝑇

Efetuando a integração obtemos:

2𝜋 4 𝑘 4
𝐸𝑏𝜆 = 𝑇4 (3.3b)
15ℎ3 𝑐 2

Como a radiação emitida por um corpo negro é isotrópica, conhecida como a

Lei de Stefan-Boltzmann, a potência emissiva total por ele emitida será:

𝐸𝑏𝜆 = 𝜋𝐸(𝑇) = 𝜎𝑇 4 (3.3c)

Onde: σ = 5,670 x 10-8 W/(m2K4) é a constante de Stefan-Boltzmann. Essa lei

permite calcular a quantidade de radiação emitida em todas as direções e ao longo

de todos os comprimentos de onda simplesmente a partir do conhecimento da

temperatura do corpo negro.

O fluxo da energia total emitida por um corpo negro com temperatura T é

dado pela área entre o gráfico da função 𝐸𝑏𝜆 e o eixo dos comprimentos de onda.

9
Figura 7: Emissão de radiação a partir de um corpo negro.

É importante ressaltar que todas essas três leis físicas se basearam na

existência de um equilíbrio termodinâmico. A atmosfera obviamente não se encontra

em tal equilíbrio, pois o campo de radiação e a temperatura não são constantes em

todos os pontos.

4. ABSORÇÃO, REFLEXÃO E TRANSMISSÃO EM SUPERFÍCIES REAIS

Nas superfícies reais, diferentemente de um corpo negro ideal definido como

padrão, não ocorre a total emissão e absorção de radiação pela superfície, como foi

descrito acima. Uma propriedade radiante da superfície conhecida por emissividade

pode ser definida como a razão entra a radiação emitida pela superfície e a radiação

emitida por um corpo negro à mesma temperatura. Um corpo real emite apenas uma

parte do que o corpo negro pode emitir.

Figura 8: Comparação de emissões de um corpo negro e de uma superfície real através de uma

distribuição espectral.

A emissividade varia com a direção de incidência, com o comprimento de

onda e com a temperatura. Essa propriedade também depende da natureza da

superfície, que pode ser influenciada pelo método de fabricação, tratamentos

10
térmicos e reações químicas com o ambiente. Assim, a emissividade de cada

material se difere significamente e pode ser observada na figura 9.

Figura 9: Variação da emissividade normal com a temperatura para diferentes materiais.

Além das características das superfícies referidas pela emissão de radiação,

expressas na emissividade, também é importante o estudo das propriedades

radioativas de reflexibilidade, absortividade e transmissividade dos materiais.

A irradiação espectral, ou seja, o fluxo de radiação incidente sobre a

superfície, pode incidir a partir de todas as direções possíveis e ter sua origem em

diversas fontes diferentes. Quando ela interage com um meio semitransparente, tal

como uma camada de água ou uma placa de vidro, porções dessa radiação podem

ser absorvidas, refletidas e transmitidas. Naturalmente a soma destas três parcelas

resulta na energia total incidente de radiação no meio, e pode ser escrita na seguinte

forma:

𝐺𝜆 = 𝐺𝜆,𝑟𝑒𝑓 + 𝐺𝜆,𝑎𝑏𝑠 + 𝐺𝜆,𝑡𝑟𝑎𝑛 (4a)

Dividindo cada termo da presente relação por G, temos:

𝛼+ 𝜌+ 𝜏=1 (4b)

11
Para idealizarmos corpos negros que são perfeitos absorvedores, ρ = 0 e τ =

0, a equação acima se reduz para α = 1. Para superfícies opacas, como a maioria

dos sólidos e líquidos, não há transmissão, τ = 0, então:

𝛼+ 𝜌=1 (4c)

Para a maioria dos gases a refletância está ausente, ρ = 0, então para este

caso:

𝛼+ 𝜏=0 (4d)

Assim, essas relações são importantes, pois o conhecimento de uma

propriedade implica na determinação da outra.

Figura 10: Processos de absorção, reflexão e transmissão associados a um meio semitransparente.

Apenas a absorção e a reflexão na superfície, seletivas da porção visível da

irradiação incidente oriunda do sol ou de uma fonte de luz articial, são responsáveis

pela percepção de cor pelo ser humano.

4.1 Absortividade

A maneira pela qual uma superfície absorve a radiação incidente é descrita

em termos da propriedade absortividade, representada pelo símbolo α. Ela é

12
praticamente independente da temperatura da superfície, mas dependente da

temperatura da fonte em que a radiação incidente é originária.

Utilizando a forma espectral direcional, a absortividade de uma superfície é

definida como a fração da intensidade espectral incidente na direção ө e ϕ que é

absorvida pela superfície. Assim:

𝐼𝜆,𝑖,𝑎𝑏𝑠 (𝜆,ө,𝜙)
𝛼𝜆,ө (𝜆, ө, 𝜙) = (4.1a)
𝐼𝜆,𝑖 (𝜆,ө,𝜙)

As superfícies podem exibir uma absorção seletiva em relação ao

comprimento de onda e à direção da radiação incidente. Algumas propriedades

superficiais representam médias direcionais, e consequentemente, podemos definir

uma absortividade hemisférica espectral 𝛼𝜆 (𝜆), como:

𝐺𝜆,𝑎𝑏𝑠 (𝜆)
𝛼𝜆 (𝜆) = (4.1b)
𝐺𝜆 (𝜆)

A absortividade hemisférica total, α, representa uma média integrada em

relação à direção e ao comprimento de onda. Ela pode ser definida como a fração

da irradiação total que é absorvida por uma superfície:

𝐺𝑎𝑏𝑠
𝛼≡ (4.1c)
𝐺𝜆

4.2 Refletividade

A maneira pela qual uma superfície reflete e transmite a radiação incidente é

descrita em termos da propriedade refletividade, representada pelo símbolo ρ.

Diferente das outras propriedades, a refletividade pode apresentar um caráter

bidirecional, pois ela depende da direção da radiação incidente e da direção da

radiação refletida. A refletividade direcional espectral, ρλ,ө(λ,ө,ϕ), de uma superfície é

13
definida como a fração da intensidade espectral incidente na direção ө e ϕ que é

refletida pela superfície, e definida como:

𝐼𝜆,𝑖,𝑟𝑒𝑓 (𝜆,ө,𝜙)
𝜌𝜆,ө (𝜆, ө, 𝜙) = (4.2a)
𝐼𝜆,𝑖 (𝜆,ө,𝜙)

A radiação refletida em todas as direções resultante da radiação incidente

vinda de todas as direções é chamada de Gλ¸ref(espectral) – quando todos os

comprimentos de onda forem incluídos. À razão entre Gλ,ref e a irradiação espectral

Gλ¸ dá-se o nome de refletividade hemisférica espectral, a qual é então definida por:

𝐺𝜆,𝑟𝑒𝑓 (𝜆)
𝜌𝜆 (𝜆) ≡ (4.2b)
𝐺𝜆 (𝜆)

Se todos os comprimentos de onda são contabilizados, define-se a

refletividade hemisférica total:

𝐺𝑟𝑒𝑓
𝜌≡ (4.2c)
𝐺𝜆

4.3 Transmissividade

A maneira pela qual uma superfície transmite radiação incidente é descrita em

termos da propriedade transmissividade, representada pelo símbolo τ. De maneira

similar ao que acontece com as reflexões, a transmissão de radiação depende de

ângulos de incidência e ângulos de refração, apresentando também um caráter

bidirecional. Devido a complicações adicionais no processo de propagação da

radiação pelo material semitransparente, melhores resultados são obtidos quando se

utilizam superfícies opacas. Assim, a transmissividade espectral hemisférica é dada

por:

𝐺𝜆,𝑡𝑟 (𝜆)
𝜏𝜆 = (4.3a)
𝐺𝜆 (𝜆)

14
E a transmissividade hemisférica total é definida pela relação:

𝐺𝑡𝑟
𝜏= (4.3b)
𝐺

Onde: Gλ,tr e Gtr representam as parcelas de radiação transmitidas em todas

as direções, associadas à radiação incidente de todas as direções.

De maneira similar ao visto para a as propriedades anteriores, relações entre

as duas diferentes formas de transmissividade acima podem ser escritas como:


𝐺𝑡𝑟 ∫0 𝜏𝜆 (𝜆)𝐺𝜆 (𝜆)𝑑𝜆
𝜏= = ∞ (4.3c)
𝐺𝜆 ∫0 𝐺𝜆 (𝜆)𝑑𝜆

5. APLICAÇÕES

5.1 Termografia

A termografia é uma técnica de inspeção não destrutiva e não invasiva que se


baseia na detecção da radiação infravermelha emitida naturalmente pelos corpos
com intensidade proporcional a sua temperatura. Neste tipo de técnica, um pequeno
processador dentro do aparelho usa esta fórmula para prever com precisão a
temperatura do alvo.
Através deste tipo de processo é possível identificar regiões, ou pontos, onde
a temperatura está alterada com relação a um padrão preestabelecido. É baseada
na medida da radiação eletromagnética emitida por um corpo a uma temperatura
acima do zero absoluto.
Os termogramas utilizados nesse tipo de técnica apresentam resultados
instantaneamente, durante a inspeção, na forma de imagens térmicas ou
termogramas, com o auxílio de um programa de computador adequado à técnica da
termografia.

15
Os termogramas representam as temperaturas dos corpos na forma de cores,
e como a imagem obtida com o termógrafo é provida de uma escala que
correlaciona cor e temperatura, é possível a obtenção de resultados esclarecedores
quanto a problemas ligados direta ou indiretamente à temperatura. Com estas
figuras, também é possível obter-se a temperatura em um ponto ou área do objeto
analisado.

Figura 11: Representação do termograma de um corpo humano.


A transferência de calor por radiação é fundamento para medição de
temperatura através da termografia infravermelha, que detecta a radiação
proveniente do objeto sob inspeção, mais especificamente a radiação infravermelha.
Todos os objetos acima do zero absoluto (0K ou -273,16°C) emitem radiação
térmica devido à agitação térmica de átomos e moléculas dos quais são
constituídos. Quanto maior essa agitação, mais quente se encontra o objeto e mais
radiação ele emite.
A radiação térmica pode ser emitida nas faixas de ultravioleta, visível,
infravermelho e até na faixa de micro-ondas do espectro eletromagnético.
Entretanto, para temperaturas típicas encontradas na Terra, a maior parte da
radiação térmica é emitida dentro da faixa de infravermelho (CHRZANOWSKI,
2001).
Assim sendo, os termovisores são fabricados como detectores que
respondem a essa faixa do espectro.
O termovisor é o principal instrumento de uma inspeção termográfica. Através
dele a radiação infravermelha emitida pelo objeto é detectada e convertida em
imagem visível e em leituras de temperatura.

16
A escolha correta do termovisor para inspeção depende do conhecimento de
certas características técnicas do termovisor, do ambiente onde ele será utilizado e
do tipo de componente que será inspecionado. Por exemplo:
• A temperatura do objeto a ser inspecionado define a faixa de temperatura e
a melhor faixa de comprimento de onda que o termovisor deve responder.
• A distância e dimensão do objeto a ser inspecionado define a resolução
espacial e de medida.
• A temperatura do ambiente de inspeção define a faixa de temperatura de
operação do termovisor
Um tipo de termovisor está ilustrado a baixo:

Figura 12: Diagrama simplificado de um termovisor


Esse tipo de técnica apresenta diversas aplicações como: Identificação de
patologias, identificação de componentes da solução construtiva, instalações
elétricas, entre outros.
5.2 Radioterapia

A radioterapia é uma forma de atuação terapêutica que utiliza radiação


ionizante para lesar ou destruir as células dos tumores malignos. A radioterapia
utiliza os mesmos tipos de radiação que são utilizados na realização de radiografias
ou exames de medicina nuclear, estando à diferença no fato de na radioterapia a
energia das radiações utilizadas serem muito superiores.

As radiações ionizantes, como os raios X, raios gama e raios beta, são


caracterizadas pelo fato de cada partícula (fóton, próton, elétron) transportar energia
suficiente para ionizar átomos ou moléculas.

Essas radiações quando aplicadas de maneira correta, podem danificar o


DNA (ácido desoxirribonucleico), sobretudo pela criação de radicais livres de
oxigénio, ou por ação direta sobre a sua estrutura. Ao interagir com as moléculas de

17
água presentes nas células, as radiações dão origem a moléculas de superóxido e
hidróxido extremamente reativas. Estas vão oxidar a molécula de DNA, criando
rupturas numa ou em ambas as cadeias de nucleotídeos. Em caso de mutações
muito graves, a célula pode ficar incapaz de se replicar ou, inclusive, cometer morte
celular programada, interferindo no crescimento do tumor. [7]

São várias as fontes de energia utilizadas na radioterapia. De acordo com a


sua localização em relação ao corpo do paciente, podemos ter duas formas da
radioterapia:

Teleterapia: tele significa distância. Nesta categoria enquadram-se os feixes de


raios X, os feixes de raios gama e os elétrons de alta energia. Esses feixes são
utilizados através de dispositivo, contendo em seu interior uma fonte de radiação
que, colocados a aproximadamente 1 metro do paciente promovem a irradiação do
volume alvo. Esta técnica se aplica no tratamento de lesões superficiais,
semiprofundas ou profundas, dependendo da qualidade da radiação gerada pelo
equipamento. [8]

Braquiterapia: braqui significa curto, perto. A braquiterapia é um método de terapia


no qual, uma ou várias fontes sob forma de tubos, agulhas, fios, cápsulas ou placas,
são utilizadas para liberar radiação alfa ou beta, a uma distância de poucos
centímetros, através de aplicações intersticiais, intracavitárias ou superficiais. Os
isótopos radioativos (como cobalto, césio e irídio) geram radiações, habitualmente
gama, de diferentes energias, dependendo do elemento radioativo empregado. [8]

No quadro abaixo estão relacionadas as diversas fontes usadas na


radioterapia e os seus tipos de radiação gerada, energias e métodos de aplicação.

Método de
Fonte Tipo de radiação Energia
aplicação

Terapia
Contato terapia Raios X (superficial) 10 - 60 kV
superficial

Raios X Terapia
Roentgen terapia 100 - 300 kV
(ortovoltagem) semiprofunda

18
Unidade de Teleterapia
Raios gama 1,25 MeV
cobalto profunda

Raios X de alta Teleterapia


Acelerador linear 1,5 - 40 MeV
energia e elétrons* profunda

Isótopos Variável conforme o


Raios gama e/ou beta Braquiterapia
radioativos isótopo utilizado
* Os feixes de elétrons, na dependência de sua energia, podem ser utilizados também na terapia superficial.

Figura 13: Fontes e seus tipos de radiações.

A resposta dos tecidos às radiações depende de diversos fatores, tais como a


sensibilidade do tumor à radiação, sua localização e oxigenação, assim como a
qualidade e a quantidade da radiação, bem como o tempo total em que ela é
administrada. [8]

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A radiação apresenta as seguintes características:

 Todos os corpos a temperatura acima do zero absoluto emitem continuamente

radiação térmica;

 A intensidade das emissões depende somente da temperatura e da natureza da

superfície emitente.

 A radiação térmica viaja na velocidade da luz (300.000 km/s no vácuo);

 Devido o corpo negro apresentar absortividade e emissividade iguais a um, esse é

definido como um padrão, ao qual pode se relacionar as propriedades radioativas de

outras superfícies.

19
7. BIBLIOGRAFIA

[1] ÇENGEL, Yunus A.; GHAJAR Afshin J. Transferência de Calor e Massa. 4ª Ed.
AMGH, São Paulo, 2012.

[2] Incropera, F.P., Dewitt, D.P., Bergman, T. L., Lavine, A. S. Fundamentos de


Transferência de Calor e de Massa, 6ª Ed., LTC, Rio de Janeiro, 2008.

[3] OS FUNDAMENTOS DA FÍSICA. A radiação de um corpo negro. Disponível em:


<http://www.moderna.com.br/fundamentos/temas_especiais/radiacao_corpo_negro.p
df>. Acesso em: 28 de junho de 2014.

[4] SPHAIER, L. A. Notas de Aula de Transferência de Calor. Disponível em:


<http://www.sphaier.com/disciplinas/transcal/docs/TransCalTexto-2013-1-P1.pdf >.
Acesso em: 28 de junho de 2014.

20
[5] TERMOGRAFIA. MHF Manutenção Preditiva. Americana, SP. Disponível
em:<http://www.mhfpreditiva.com.br/downloads/termografia.pdf>. Acesso em: 02 de
julho 2014.

[6] TERMOGRAFIA: estudo básico. Inspeção de equipamentos. Disponível


em:<http://inspecaoequipamentos.wordpress.com/category/termografia/>. Acesso
em: 01 de julho de 2014.

[7] E-ESCOLA. Radioterapia. Disponível em: <http://www.e-


escola.pt/destaques.asp?id=77 >. Acesso em: 03 de julho de 2014.

[8] AZEVEDO, Ana Cecília P.; Radioproteção em serviços de saúde. Disponível em:
< http://www.fiocruz.br/biossegurancahospitalar/dados/material10.pdf> Acesso em:
03 de julho de 2014.

21