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Disciplina: História

Professoras: Helena Lohmann e Luciana Brum 8º ano

OS AFRICANOS ESCRAVIZADOS NO BRASIL IMPERIAL

Pode-se caracterizar o Brasil Colonial e Imperial como uma sociedade escravista, e não
apenas uma sociedade que possuía escravos. Podemos dizer também sociedade racista, na
medida em que negros e mestiços, escravos, libertos e livres, eram tratados como “inferiores”
aos brancos europeus ou nascidos no Brasil. Assim, ao se criar o escravismo estava-se também
criando simultaneamente o racismo. Dito de outra forma, a escravidão foi montada para a
exploração econômica, ou de classe, mas ao mesmo tempo ela criou a opressão racial.
Nas fazendas de café do sudeste brasileiro, os escravos trabalhavam de quinze a dezoito
horas diárias sob as vistas do feitor. Logo ao amanhecer apresentavam-se em fila para receber
as tarefas do dia. Os carros de boi os levavam para as plantações mais distantes. Assim como os
escravos dos engenhos, embalavam o ritmo do trabalho nos cafezais com cantigas. Às nove ou
dez horas os cativos paravam para as refeições, que geralmente consistia de feijão, angu,
farinha de mandioca e algum pedaço de carne seca
ou charque. Às quatro horas da tarde paravam novamente para mais uma refeição e voltavam a
trabalhar até o pôr-do-sol, quando retornavam à sede da fazenda. Mas o trabalho não cessava
ainda. Era preciso preparar a farinha de mandioca, o fubá que deveriam comer no dia seguinte.
Por volta das dez horas os cativos finalmente recolhiam-se às senzalas.
Aos escravos eram proibidos o uso de armas e a circulação pelas ruas das cidades durante
a noite. A presença deles nas ruas durante a noite era estritamente controlada pela polícia.
Temia-se que camuflados pela escuridão poderiam cometer crimes, fugas e preparar revoltas. O
escravo que vagasse à noite sem autorização de seus senhores podia ser preso como suspeito de
fugido.
As patrulhas e rondas policiais vigiavam também os locais de culto afro-brasileiro,
frequentemente prendendo seus membros e destruindo ou apreendendo objetos e instrumentos
rituais. As leis coloniais e imperiais previam que os divertimentos da população negra, fosse ela
escrava ou liberta, deveriam ser vigiados de perto pela polícia. Vez por outra, os vereadores
aprovavam posturas proibindo batuques, maracatus e “ajuntamentos” de negros.
Na segunda metade do século XIX, a luta dos escravos e escravas para criarem os filhos e
manterem a integridade de suas famílias foi reconhecida parcialmente pela legislação
brasileira.Em 1871, a Lei do Ventre Livre, além de libertar os filhos das escravas nascidos a
partir de sua promulgação, buscou garantir a “integridade da família” cativa estabelecendo
que os filhos menores de oito anos acompanhariam as mães que fossem libertas.
Africanos e afro-brasileiros não tinham liberdade para cultuar seus santos e deuses, mas
muitas vezes tinham permissão para fazê-lo. E permissão não é liberdade. A Constituição do
país, promulgada em 1824, definiu o catolicismo como religião oficial do Império, sendo outras
religiões permitidas desde que não ostentassem templos. Mas as religiões afro-brasileiras não
estavam incluídas nessa tolerância legal porque não eram consideradas religião e sim
superstição, curandeirismo, feitiçaria. Por isso eram consideradas práticas ilegais e muitas vezes
criminosas.
Para fugir à repressão, africanos e crioulos buscavam praticar suas religiões em locais
afastados dos centros urbanos, ou recorriam a outros artifícios para evitar as patrulhas policiais
e a condenação da vizinhança. Havia muitas casas de culto que funcionavam discretamente nos
centros das cidades.
Durante a primeira metade do século XIX, os escravos da Bahia ficaram conhecidos em
todo país pelas rebeliões que promoviam. Eles deixavam claro que não iriam se sujeitar sem
luta.A mais séria delas aconteceu em 1835. Em janeiro daquele ano a capital foi surpreendida
pela denúncia de que os malês – como eram conhecidos os nagôs muçulmanos estavam se
reunindo desde o ano anterior. Tinham instituído um líder, o africano Ahuna, e costuravam
adesões junto aos cativos do Recôncavo. Como muçulmanos que eram muitos sabiam ler e
escrever em árabe e sonhavam com uma Bahia governada por africanos. O plano era fazer a
revolta num domingo de festa religiosa, dia de grande número de escravos nas ruas, isentos do
controle dos seus senhores.Mais uma vez o plano rebelde chegou ao conhecimento dos brancos
por negros delatores. Na manhã seguinte contaram-se mais de setenta mortos espalhados pelas
ruas de Salvador.
Depois de uma investigação minuciosa, as autoridades tomaramconhecimento da
sofisticada rede organizada pelos africanos malês na Bahia. Mais de quinhentas pessoas foram
indiciadas e punidas com açoites, prisões, deportações, sendo quatro executadas por
fuzilamento em praça pública.
Durante o chamado “período regencial” (1831-1840), quando as elites regionais se
dividiram em várias facções, cada uma defendendo projetos políticos próprios para governar o
país após a abdicação de Pedro I em 1831, o “povo de cor” aproveitou a ocasião para protestar
contra a opressão e reivindicar direitos de cidadania. Durante a Balaiada (1830-1841),
movimento rebelde ocorrido no Maranhão e que se estendeu até o Piauí, lideranças negras se
destacaram, a exemplo do “preto” Cosme, que liderou cerca de três mil negros quilombolas. No
Pará, a chamada “Revolta dos Cabanos” ou Cabanagem (1833-1840) mobilizou milhares de
pessoas, a maioria índios, negros e caboclos. Não podemos esquecer que a Sabinada, revolta
que eclodiu na Bahia em 1837, além de contar com a adesão de negros livres e libertos, teve
como liderança o médico mulato Francisco Sabino Vieira.
A Farroupilha ou Guerra dos Farrapos (1835-1845), que eclodiu no Rio Grande do Sul,
liderada por estancieiros e grandes senhores de terras, atraiu libertos e livres por suas
promessas de maior abertura à participação política das camadas populares. Atraiu também a
participação dos escravos, pois prometia a alforria dos que se alistassem como soldados.
A cor da pele era um elemento poderoso de classificação social dos indivíduos. Mas as
barreiras se erguiam para os que tinham pele mais escura, sobretudo os crioulos e africanos,
estes últimos genericamente chamados de pretos. Os mestiços de pele mais clara podiam
romper barreiras quase sempre ao custo de muitos artifícios para calar ou esconder o lado
africano de sua ascendência. Quanto mais escura a pele, mais limites e discriminações. Os
negros ingressavam nas forças armadas ou na Guarda Nacional, mas jamais alcançavam as
patentes mais altas. Como soldados rasos e marinheiros sofriam castigos físicos caso incorressem
em alguma falta ou desobedecessem aos superiores hierárquicos.
Em meados do século XIX, não havia nenhuma garantia de que o fim da escravidão no
Brasil se daria em breve. Nas regiões cafeeiras do Sudeste, especialmente nas provínciasde São
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a escravidão ganhou força com o crescimento das
exportações de café.Para se opor à abolição, os donos de escravos e seus representantes no
parlamento argumentavam que os cativos não estavam preparados para a vida em liberdade, e
que fora do cativeiro se tornariam vadios e ociosos.
As duas últimas décadas que antecederam a abolição foram marcadas pelo aumento das fugas e
do número de quilombos em todo o Brasil.
O abolicionismo de última hora de muitos senhores não pôde conter a disposição dos cativos de
apressarem o fim da escravidão. Tanto que no início do ano de 1888, em vez de fugirem, muitos
escravos se recusaram a trabalhar nos canaviais e nas plantações de café. Assim, os escravos
terminaram inviabilizando as tentativas dos senhores de conduzirem o processo de abolição de
acordo com seus planos.
Diante desse quadro de tensões crescentes, a princesa regente promulgou a Lei de 13 de Maio
de 1888 que extinguiu em definitivo a escravidão no Brasil. Com dois artigos apenas, a lei
colocava fim a uma instituição de mais de três séculos. Por ela os senhores não seriam
indenizados, nem se cogitou qualquer forma de reparação aos ex-escravos .