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Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Capítulo II – Análise Financeira

A análise financeira desenvolvida pelos gestores, fornecedores de capital e outros visa a


elaboração do diagnóstico financeiro da empresa. A análise financeira estuda os riscos
da empresa. Utiliza os rácios e os mapas de fluxos financeiros (valor acrescentado,
demonstração de origens e aplicações de fundos, fluxos de caixa).

A análise da empresa pode ser vista segundo diferentes perspetivas ou óticas:

Análise económica – analisa a capacidade da empresa para gerar resultados e remunerar


os capitais dos investidores. Exemplo: resultados antes de impostos, rentabilidade do
ativo.

Análise financeira – analisa a capacidade da empresa para honrar os seus compromissos


de curto, médio e longo prazo. Exemplo: nível de endividamento, encargos financeiros.

Análise unidimensional – estuda os vários indicadores ou rácios considerando-os


independentemente.

Análise multidimensional – estuda a distribuição conjunta dos indicadores ou, pelo


menos, estabelece correlação entre eles.

Análise estática – estuda os stocks.

Análise dinâmica – estuda os fluxos.

Análise fundamental – baseada nos relatórios financeiros e no estudo da estratégia da


empresa.

Análise técnica – analisa o comportamento bolsista (o modelo de mercado, modelo de


equilíbrio dos ativos financeiros).

Risco:

As empresas estão expostas aos riscos puros (exemplo: incêndios), riscos de negócios e
riscos financeiros.

Risco de negócio – resulta da empresa não conseguir repercutir no preço de venda o


aumento do preço dos inputs. A empresa está no mercado com outras empresas e não
tem controlo sobre o preço dos inputs e sobre o preço de venda dos seus produtos.

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Assim sendo, as empresas têm de tentar diminuir os seus gastos operacionais (se a
empresa tivesse controlo sobre o preço, podia ter custos elevados e depois refletia isso
no preço de venda).

Vendas (V) – Custos Fixos (CF) – Custos Variáveis (CV) = Resultado operacional (RO)

Grau de Alavancagem Operacional (GAO)

P – preço de venda

c – custo variável unitário

Este indicador mede o impacto de uma variação das quantidades produzidas / vendidas
sobre a variação nos resultados operacionais, ou seja, quanto variam os RO se as
quantidades produzidas / vendidas variarem 1%.

O GAO mede o impacto dos custos fixos, sendo que, quanto maior forem os custos
fixos menor será o denominador, maior é a rigidez que a empresa tem e maior é o seu
risco operacional. Por conseguinte, maior é a sensibilidade dos RO da sociedade a uma
variação das quantidades produzidas e vendidas.

Nenhuma empresa produzirá e venderá se os custos variáveis unitários excederem os


preços de venda unitários, porque estaria a suportar os custos fixos e um prejuízo
adicional pelo facto de Q*(p-c) ser negativo.

Notas:

 Se MC e o RO forem positivos, GAO>1 (o numerador é superior ao


denominador). Quando o risco do negócio é reduzido, o GAO>1 mas próximo
de 1. O GAO é elevado quando os custos fixos são elevados, logo a empresa está
exposta a um risco de negócio elevado. Quanto mais próximo de 1, menor é o
risco de negócio.

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 Se MC for positiva e RO for negativo, GAO<0. Neste caso o risco operacional é


elevado devido aos resultados operacionais negativos (os CF são maiores que as
Vendas).
 Se MC e o RO forem negativos, o GAO está entre [0;1] e é maior do que 0. O
risco da empresa é elevado pois ambos (a MC e os RO) são negativos (pode
acontecer que ambos sejam positivos, o que implicaria RO>MC, mas não é uma
situação de ocorrência normal).

Risco financeiro – está associado à volatilidade dos valores mobiliários, à variação das
taxas de câmbio e à variação das taxas de juro.

Grau de Alavancagem Financeira (GAF)

t – taxa de imposto sobre o rendimento das sociedades

I – Gastos de financiamento líquidos

O GAF mede o impacto dos encargos financeiros (I), ou seja, o impacto das
modalidades de financiamento: quanto maior for o endividamento, maior é o montante
de juros e menor o denominador. Este indicador mede o impacto de uma variação dos
resultados operacionais sobre a variação nos resultados líquidos.

Este indicador está associado ao valor dos gastos de financiamento líquidos: quanto
maiores forem os gastos financeiros líquidos, maior o GAF.

Os gastos de financiamento = juros suportados – juros obtidos. Quando juros obtidos >
juros pagos, RAI>RO, o que faz com que GAF<1.

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Nota:

 Numa empresa com RO>0 e RAI>0 e com gastos de financiamento líquidos


positivos, o GAF>1. O risco financeiro é reduzido quando o GAF é próximo de
1. Quanto maior forem os gastos de financiamento líquidos mais elevado será o
GAF.
 Quando RO>0 e o RAI>0, o GAF pode ser menor que 1 se os gastos de
financiamento líquidos forem negativos, o que acontece quando os juros e
rendimentos similares obtidos é superior aos juros e gastos similares suportados,
mas nesta situação o risco financeiro é reduzido.

Exemplos:

 GAO = 1,5 -> Uma variação de 1% nas vendas tem um impacto de 1,5 no RO,
trata-se de um risco reduzido.
 GAO = -1 -> RO negativo e MC positiva.
 GAO = 0,8 -> RO negativo e MC negativa, sendo o GAO elevado.
 GAF = 1,5 -> uma variação de 1% nos Resultados Operacionais tem um impacto
de 1,5% na variação dos Resultados Líquidos. Trata-se de um risco reduzido, na
condição de que RO>RAI.
 GAF =0.8 –> Juros obtidos > juros suportados (RO>0, RAI>0 e RAI>RO).
Risco financeiro elevado (RO<0, RAI<0 e RO menos negativo que RAI).

Grau de Alavancagem Combinada (GAC)

O GAC é um indicador de medida do risco total, ou seja, engloba os riscos de negócios


e os riscos financeiros. Mede o impacto de uma variação nas quantidades vendidas nos
resultados líquidos.

Ponto Crítico das Vendas (“Break-Even Point”)

O ponto crítico corresponde à quantidade produzida ou vendida para a qual os


rendimentos igualam os gastos, ou seja, a quantidade que a empresa necessita para

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cobrir os custos totais. Acima desse volume a empresa terá resultados positivos e abaixo
terá resultados negativos.

O ponto crítico pode ser calculado de 2 formas:

 Em quantidade

c – custo variável unitário


V – vendas ou produção
 Em valor (mais utilizado)

Interessa-nos que a empresa tenha um nível de vendas superior ao ponto crítico,


ou seja, RO>0.

Margem de Segurança (MS)

A margem de segurança dá-nos a ideia da distância relativa a que as vendas (produção)


da empresa se encontram do ponto crítico de modo a minimizar o risco, as vendas
devem ser superiores ao ponto crítico em valor das vendas e com uma boa margem de
segurança.

Nota:

No caso de empresas industriais para o cálculo de vários indicadores é mais correto


utilizar a variável produção do que as vendas e serviços prestados.

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Caso Prático n.º 3

Análise dos indicadores para o ano N:

Temos uma empresa industrial, logo vamos substituir vendas por produção.

Produção = 81178,3 + 319,8 + 709,9 + 102,1 = 82310,1 > Vendas e Serviços Prestados

Vamos considerar também que 75% de FSE representam CV.

CV = 53474,6 + (0,75 × 8163,7) = 59597,4

MC = 82310,1 − 59597,4 = 22712,7

CF = 7029,9 + (0,25 × 8163,7) + 1953,1 − 2507,8 + 8526,3 = 17042,4

CF = 22712,7 – 5670,3 = 17042,4

CF = 17042,4 – 1953,1 = 15089,3

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I = 1274,5 – 323,9 = 950,6

Nota:

“Earnings Before Interests and Taxes” (EBIT)  Resultados antes de Impostos e


Gastos Financeiros (RAIGF)

“Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization” (EBITDA) 


Resultados Antes de Impostos, Gastos Financeiros, depreciações e Amortizações
(RAIGFDA)

EBIT = RAIGF = 5670,3

EBITDA = RAIGFDA = 7623,4

Uma variação de 1% ao nível de vendas tem um impacto de 4% ao nível de resultados


operacionais; Temos um nível de risco de negócios algo elevado, devido ao elevado
valor dos CF.

Tanto o RO como o RAI são positivos. A empresa tem juros suportados superiores aos
juros obtidos, pelo que o RO>RAI: nestas condições, o GAF>1, mas como é próximo de
1, o risco financeiro é reduzido significando um valor reduzido dos encargos financeiros
líquidos.

O valor 1,2 significa que uma variação de 1% nos resultados operacionais tem um
impacto de 1,2% ao nível de resultados líquidos.

Uma variação de 1% nas vendas tem um impacto de 4,8% nos resultados líquidos.

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A produção da empresa está acima do ponto crítico da produção e como tal os


resultados operacionais são positivos, com uma margem de segurança de
aproximadamente 25%, pelo que a produção pode ter uma quebra significativa antes de
a empresa ter resultados operacionais negativos.

Análise pelos rácios

Para fazer diagnóstico económico-financeiro temos de: analisar a evolução dos negócios
e da estrutura de resultados; interpretar os rácios com base no triângulo rentabilidade –
risco, liquidez e estrutura financeira; estudar os fluxos financeiros.

Para a análise económico-financeira de uma empresa é fundamental, o conhecimento da


estratégia e a obtenção de dados macroeconómicos nacionais e internacionais.

Por exemplo é importante situar a empresa no setor de atividade recorrendo aos valores
médios dos principais rácios ou indicadores por setor de atividade. Outro ponto a
considerar antes de analisar os rácios e mapas de fluxos financeiros consiste em estudar
a evolução do negócio pelo crescimento anual das vendas comparando com a taxa de
inflação para verificar se a empresa está em recessão, crescimento ou expansão.

Estudar ainda a estrutura dos resultados examinando a evolução no tempo dos RO, RAI
e RL.

Os custos variáveis são uma proporção do volume de negócios.

Tipos de rácios ou indicadores financeiros

 Liquidez
 Rentabilidade
 Endividamento
 Atividade
 Indicadores bolsistas

Este tipo de análise deve ser feita com cuidado, porque uma vez calculados perde-se
contato com os dados originais pode originar um certo enviesamento.

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Vantagens dos rácios

1) Possibilitam a elaboração do diagnóstico económico e financeiro de uma


empresa;
2) Permitem sintetizar a informação contida nos relatórios financeiros;
3) Possibilitam a comparação entre dados de várias empresas ou dados de vários
períodos referentes a uma só empresa (só faz sentido comparar empresas com
caraterísticas semelhantes, por exemplo do mesmo ramo de atividade).

Desvantagens dos rácios

 Os rácios são sensíveis a incorreções ao nível dos registos contabilísticos;


 Os resultados da análise podem ser enviesados em relação a uma área de
negócio, por exemplo, se a empresa desenvolver atividades em vários segmentos
de negócio. Quando comparamos duas empresas em que cada uma tem uma
atividade primária e atividades secundárias, se uma delas se dedicar
exclusivamente a atividade primária, os dados estão enviesados.
 O enviesamento pode ainda acontecer numa empresa pertencente a um grupo
que utiliza a política de preços de transferência por motivos de natureza fiscal;
 A política de provisões também pode conduzir a que duas empresas iguais
apresentem resultados líquidos e rentabilidades diferentes. Face a um atraso no
recebimento das dívidas dos clientes, a constituição de provisões pode obedecer
a um critério de natureza fiscal;
 As diferenças entre empresas quanto à política de amortizações pode conduzir a
um enviesamento ao nível dos rácios. Temos o método das quotas degressivas e
o método das quotas constantes. Existem empresas que reavaliam
frequentemente o ativo imobilizado enquanto outras o fazem raramente.

Como é que se vê se a empresa tem capacidade para honrar os seus compromissos?

- Através do dinheiro que tem em caixa (fluxos de tesouraria)

- Ter em conta as rubricas dos clientes e produtos acabados (que pode vender).

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Rácios de Liquidez  capacidade financeira da empresa no curto prazo

Os indicadores de liquidez permitem analisar a capacidade da empresa para honrar os


compromissos de curto prazo, tais como pagamento de matérias-primas, salários,
energia, etc.

Rácio de Liquidez Geral

Se rácio liquidez geral for superior a 1, a empresa possui uma boa situação financeira no
curto prazo. Constatamos que este para ser superior a 1, o ativo corrente tem que ser
superior ao passivo corrente.

Serve para comparar a capacidade que a empresa tem para realizar liquidez (à exceção
do ativo não corrente) com as dívidas da empresa exigíveis no curto prazo. É possível
estimar se uma empresa está em rutura financeira no curto prazo ou se esta se encontra
numa situação em que pode honrar os seus compromissos sem dificuldade.

A principal crítica que se faz ao rácio de liquidez geral é não levar em consideração as
diferenças de maturidade do numerador e do denominador, ou seja, não considerar os
tempos médios de pagamento e recebimento. É necessário analisar o prazo de realização
do ativo corrente e o prazo de exigibilidade do débito de curto prazo. Por exemplo: se o
tempo médio de recebimento for superior ao tempo médio de pagamento a empresa
pode ter problemas de liquidez, mesmo com o rácio de liquidez geral superior a 1.

O valor deste rácio não deve ser analisado isoladamente e deve ser complementado com
outros indicadores de atividade (nomeadamente Tempo Médio de Recebimentos e
Tempo Médio de Pagamentos).

Nota: ativo corrente – clientes, inventários, caixa e depósitos bancários; passivo


corrente – pagamento a fornecedores e amortizações.

Rácio de Liquidez Reduzida  este indicador é sempre inferior ao rácio de liquidez


geral

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Numa empresa com capacidade para honrar os seus compromissos pode ser inferior a 1.
Podemos ter um rácio de liquidez superior a 1, mas se subtrairmos os inventários
podemos ter um rácio de liquidez reduzida e inferior a 1.

Rácio de Liquidez Imediata

As empresas esforçam-se por ter uma tesouraria nula, logo o valor do rácio é zero, ou
próximo dele. Isso acontece porque ter tesourarias ativas impede as empresas de
otimizar os seus recursos financeiros, dados os custos que tal origina. De facto, as
aplicações têm uma remuneração modesta, ao passo que os empréstimos contraídos
implicam custos avultados devido aos “spreads”  O que as empresas fazem,
normalmente, é usar “plafonds” de crédito e saques a descoberto.

A gestão de tesouraria de curtíssimo prazo é melhor efetuada através de mapas


financeiros de recebimentos e de pagamentos.

Caso Prático n.º3

N-4 N-3 N-2 N-1 N


Ativo Corrente 31225,4 25439,7 26358,7 32226,6 37218,9
Passivo 20945,9 18824,3 15081,6 23221,0 28116,3
Corrente
Liquidez Geral 1,49 1,35 1,75 1,39 1,32

Ano N:

Ativo corrente = 5261,3 + 3214,2 + 9912,6 + 18105,7 – 619,2 + 0,2 + 45,7 + 1298,4 =
37218,9

Ativo maneável = 3728,9 – (5261,3 + 3214,2 + 9912,6) = 18830,8

Meios financeiros líquidos = 1298,4

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Passivo Corrente = 5762,4 + 69 + 2522,8 + 1,9 + 16560 + 1000 + 29,4 + 2159,5 + 11,3
= 28116,3

Rácio de liquidez geral = 37218,9 / 28116,3 = 1,32

Rácio de liquidez reduzida = 18830,8 / 28116,3 = 0,67

Rácio de liquidez imediata = 1298,4 / 28116,3 = 0,05  Os meios financeiros líquidos


cobrem 5% do passivo de curto prazo.

O rácio de liquidez geral é, em todos os anos superior a 1,3 embora pareça existir uma
tendência de redução.

Considerando a regra de que este indicador deve ser superior a um, a empresa parece ter
condições para honrar os seus compromissos no curto prazo.

No entanto, esta informação não é suficiente, pois a liquidez depende também de outros
indicadores de atividade, nomeadamente tempo médio de pagamentos (TMP) e tempo
médio de recebimentos (TMR).

Nota:

- Os obrigacionistas são remunerados através do pagamento de juros e no vencimento, o


reembolso do capital.

- Os acionistas são remunerados através de dividendos e com o aumento da participação


na empresa.

Indicadores de rentabilidade

Rentabilidade/Margem das Vendas

Este indicador representa o resultado líquido por unidade de vendas.

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Rentabilidade/Margem da Produção

No caso de empresas industriais é mais correto do que a margem das vendas devido à
variação nos inventários de produção de um período para outro.

Rentabilidade do Ativo  rentabilidade da empresa

RO = RAIGF = Resultado antes de impostos e gastos de financiamento = resultado da


empresa antes de pagar os impostos e aos financiadores. Existe correspondência entre o
numerado e o denominador.

Ativo – financiado através de capitais próprios e capitais alheios

RAI – a partir daqui tem que se pagar aos acionistas e aos financiadores de capitais
alheios e ao Estado.

Rácio para medir como os capitais são remunerados.

Exprime a rentabilidade dos recursos aplicados independentemente de serem em ativo


não corrente ou ativo corrente. Na literatura anglo-saxónica é designado por “Earning
Power”. Se a rentabilidade dos capitais alheios é inferior ao EP, o acréscimo da dívida
melhora a rentabilidade dos capitais próprios.

Rentabilidade do ativo = 10%; Bancos exigem 6%  há uma parcela que beneficia os


acionistas  Devo comparar a rentabilidade do ativo com a que é exigida pelos
fornecedores de capitais alheios (critério que permite ver se a empresa deve ou não
aumentar o recurso ao endividamento, ou seja, se deve ou não aumentar a sua
alavancagem).

Rentabilidade do ativo > rentabilidade exigida  A empresa deve aumentar a


alavancagem (recurso ao endividamento).

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Os acionistas e detentores de capitais próprios interessam-se pelo resultado líquido (já


está deduzido de todos os gastos); os financiadores de capitais alheios interessam-se
pelos juros, logo para a Rentabilidade Total do Ativo utilizamos o RAIGF.

Rentabilidade Líquida dos Ativos (ROA)

O ROA apenas considera a perspetiva dos acionistas (gera uma certa ambiguidade por
não considerar os capitais alheios).

Se a rentabilidade dos capitais alheios for inferior EP, o acréscimo de dívida melhora a
rentabilidade dos capitais próprios. O princípio é se o Custo médio dos débitos da
empresa (taxa de juro de empréstimo) é inferior ao EP, o diferencial vai beneficiar os
acionistas (por exemplo, se os ativos aumentam 10%, os juros aumentam 6% e o
aumento do endividamento leva a um aumento da rentabilidade dos acionistas
(rentabilidade financeira ou rentabilidade dos capitais próprios).

Nota: quando calculamos o EP devemos compará-lo com o custo dos débitos da


empresa.

Rentabilidade dos Capitais Próprios / Financeira (ROE)

Permite aferir a forma como os acionistas são remunerados. Na literatura anglo-


saxónica corresponde ao “return on equity” – ROE. Rentabilidade da empresa na
perspetiva dos acionistas.

É usado pelos investidores para verificar se a rentabilidade das suas aplicações é


adequada ao risco, através da comparação entre o prémio das suas aplicações e outros
produtos e ativos isentos de risco.

Os resultados líquidos podem ser afetos a reservas ou dividendos.

Deve ser corrigido caso haja aumentos de capital ou reavaliações do ativo.

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Se tivermos dois ativos no mercado, em que um deles tem maior risco, o investidor vai
exigir um maior retorno.

Ativos com a mesma rentabilidade podem ter diferentes riscos.

Taxa de rentabilidade das aplicações financeiras

Modelo CAPM  A rentabilidade esperada de um ativo (ou rentabilidade exigida pelos


investidores) é igual à rentabilidade do ativo sem risco adicionada de um prémio de
risco.

E(r) = rentabilidade do ativo sem risco (obtida através da rentabilidade dos bilhetes do
tesouro) + prémio de risco

No princípio do ano compro ações e no final do ano vendo-as.

Como meço a rentabilidade?

- Mais ou menos valias  Preço de venda menos o preço de compra

- Dividendos

- Preço do ativo (t-1) e (t)

Análise fundamental:

Imaginando que estamos a gerir uma empresa de calçado e ao acionistas queixam-se de


baixa rentabilidade financeira face às do outro setor. Porque é que isto acontece?
Utilizamos a análise Dupont para resolver este problema.

Análise Dupont

Consiste em desdobrar a rentabilidade financeira/dos capitais próprios em diversos


indicadores. Pode ser calculada de duas formas:

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• Sintética

Situação líquida = Capitais Próprios

Os dois primeiros rácios põe em evidência a área económica e o último rácio, a


área financeira.

A rentabilidade financeira é dada pelo produto dos seguintes rácios: margem das
vendas, rotação do ativo e alavancagem medida pelo rácio.

A análise dupont sintética põe em evidência a rentabilidade dos próprios capitais


próprios como sendo determinada pelas condições económicas, medidas pelos
rácios RL/Vendas (margem das vendas) e Vendas/Ativo e pelas condições
financeiras, medidas por Ativo/Situação líquida (alavancagem).

A vantagem da análise dupont sintética é a de que permite decompor a


rentabilidade financeira, o que possibilita a comparação dos indicadores face a
outras empresas do setor, ou seja, permite saber o motivo da rentabilidade
financeira ser mais baixa do que nas outras empresas do mesmo ramo de
atividade.

Devido às economias fiscais, empresas com um rácio de endividamento superior


proporcionam um ROE superior. Quando as empresas recorrem ao
endividamento, a alavancagem é elevada, o que proporciona rentabilidades
financeiras superiores.

A rotação do ativo é um rácio de rentabilidade que permite aferir a gestão eficaz


dos ativos, por exemplo, permite a comparação entre duas empresas que
prosseguem idêntica atividade. Maior rotação do ativo significa uma gestão mais
eficaz dos ativos. O investimento pode estar a diminuir e a rotação do ativo a
aumentar, porque o ativo diminuiu.

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A alavancagem é elevada quando os ativos da empresa forem fortemente


financiados por capitais alheios.

Este indicador permite fazer a comparação com os indicadores médios do setor


de atividade, de modo a compreender os pontos fortes e os pontos fracos de uma
empresa em relação aos concorrentes, permitindo aos gestores saber qual a área
do melhor ou pior desempenho face às concorrentes.

Quando a alavancagem aumenta, a rentabilidade financeira aumenta, desde que


o EP seja superior ao Custo médio dos débitos da empresa.

• Desenvolvida

A rentabilidade financeira é dada pelo produto dos seguintes rácios: rotação


entre resultados operacionais e vendas, rotação do ativo, efeito dos gastos de
financiamento, alavancagem e efeito fiscal.

Nota: em vez de vendas podemos utilizar produção.

Quando os gastos de financiamento são reduzidos, o terceiro rácio é superior a 1.

Esta análise põe em evidência as três áreas que influenciam a rentabilidade dos
capitais próprios: área operacional, dada pela rentabilidade operacional das
vendas (RAIGF/Vendas)  permite conhecer o desempenho operacional da
empresa e rotação do ativo (Vendas/Ativo); área financeira medida pelo efeito
dos gastos de financiamento (RAI/RAIGF)  permite saber se a desvantagem
desta empresa está nos encargos financeiros e Alavancagem (Ativo/Situação
Líquida)  se a empresa for financiada por capitais próprios, este rácio é baixo;
área fiscal medida pelo efeito dos impostos (RL/RAI).

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Assim este modelo permite ver se os problemas de uma empresa se situam ao


nível fiscal, financeiro ou operacional.

Quando aumenta a alavancagem posso estar a comprometer a rentabilidade


financeira. Quando o endividamento aumenta, as taxas aumentam o que pode
fazer baixar a rentabilidade financeira.

Nota: como calculamos a taxa de imposto efetiva?

t- taxa de imposto efetiva (a taxa de imposto estatutária (aplicada à matéria coletada)


está tipificada na lei).

Caso Prático n.º 3

Independentemente do modo de financiamento, os ativos rendem 10,7% ao ano. Desde


que os custos médios da empresa e débitos sejam inferiores a 10,7%.

ó
í
ó

Nota: capitais próprios finais ≡ capitais próprios no final do ano. Podemos também
calcular o ROE pelos capitais iniciais (usamos os capitais finais do período anterior),
havendo também a possibilidade de utilizar o valor médio. Se nada for dito, utilizamos
os capitais finais.

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Na análise dupont sintética, o objetivo é poder comparar os valores da empresa com os


valores do setor de atividade.

Na análise dupont sintética ou desenvolvida vamos substituir as vendas pela produção


pois trata-se de uma empresa industrial.

Para saber se o valor da rotação do ativo é alto ou baixo deveríamos comparar com os
valores padrão do setor de atividade.

No contexto da análise dupont sintética / desenvolvida aumentar a alavancagem


significa aumentar a rentabilidade dos capitais próprios? Nem sempre aumentar a
alavancagem corresponde a aumentar o ROE, porque depende da relação entre o EP e o
Cmd de endividamento da empresa (a alavancagem aumenta o ROE se o EP for
superior).

O interesse da análise dupont desenvolvida é comparar os indicadores económicos ou


financeiros da empresa com os valores padrão do setor de atividade, para permitir
detetar pontos fortes e fracos da empresa relativamente aos concorrentes.

Indicadores de Estrutura Financeira ou Indicadores de Endividamento

Autonomia Financeira

Nos programas de incentivos do governo a empresa tem de satisfazer um rácio mínimo


(20% a 30%). A média nacional de autonomia financeira é 27%.

A existência de capitais próprios elevados não significa necessariamente que a empresa


esteja a ser bem gerida, pode significar uma gestão conservadora que penaliza a
rentabilidade dos capitais próprios.

A autonomia financeira exprime a participação do capital próprio no financiamento do


ativo, mede o esforço dos acionistas no financiamento da empresa.

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Quando o endividamento aumenta, mantendo os capitais próprios, o ativo aumenta e o


rácio cai. Assim, quando a autonomia financeira aumenta a alavancagem diminui,
penalizando o ROE. Existe uma relação inversa entre estes dois indicadores.

Vantagens:

Existe uma diminuição do risco associado ao endividamento, pois quando a empresa


recorre ao financiamento bancário, o facto de ter uma autonomia maior implica um risco
de incumprimento menor, sendo que a partilha do risco pelos sócios é maior (acreditam
no projeto).

O governo também tem o seu papel através da concessão de apoios financeiros e/ou
fiscais, embora a empresa necessite de ter um mínimo de capital. Se o projeto for
interessante mas a empresa não cumprir o rácio mínimo de autonomia financeira, o
IAPMEI aprova o projeto mas condiciona-o, só transferindo o incentivo quando o rácio
mínimo for satisfeito.

Uma autonomia financeira elevada pode prejudicar a rentabilidade financeira pois,


quando o EP>Cmd dos débitos da empresa, um aumento do endividamento melhora a
rentabilidade dos Capitais Próprios.

Debt to equity ratio

É utilizado nos EUA em alternativa à autonomia financeira. Ambos traduzem o mesmo.

Sabendo que a autonomia financeira é de 40%, qual o valor do rácio do debt to equity
ratio?

Passivo / Capitais próprios = (A-CP) / 0,4A = (1/0,4) x (1-AF) = 1,5

Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo (REFM)

Baseia-se na regra que os capitais utilizados no financiamento dos ativos devem ter uma
maturidade semelhante à vida económica destes.

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Financiamentos MPL – Passivo não corrente

Este indicador tem por base a regra que os capitais utilizados no financiamento dos
ativos devem ter uma maturidade igual ou superior à vida económica destes.

Este rácio deve ser igual ou superior a 1, significando que os ativos não correntes
(médio e o longo prazo) devem ser financiados com financiamento da mesma natureza
(exemplo: não devo financiar o ativo fixo com o financiamento de curto prazo).

Mede a taxa de cobertura por capitais permanentes das aplicações em ativo não
corrente.

Exemplo: se tiver um projeto de longo prazo, não vou tirar proveitos nos primeiros
anos, logo não faz sentido recorrer a financiamento de curto prazo  vou recorrer a
capitais próprios e financiamento de médio e longo prazo.

O ciclo de exploração também tem necessidade de recorrer ao capital permanente, pois


existem dívidas a fornecedores ou créditos sobre clientes que têm por vezes duração de
vários períodos.

Caso Prático n.º 3

Quanto à estrutura financeira, a REFM é satisfeita, significando que o ativo não corrente
é financiado por capitais permanentes, havendo um excedente de capitais permanentes
destinado ao financiamento do ciclo de exploração de carácter permanente. A empresa
financia aproximadamente 40,5% dos ativos com capitais próprios.

Podemos dizer que a empresa tem uma boa situação financeira no médio e longo prazo.

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Quando analisamos o curto prazo (através dos indicadores de liquidez), temos de


complementar a análise com os indicadores de atividade.

Indicadores de Atividade  relacionado com a liquidez geral

Tempo Médio de Recebimento (TMR)

Indica o número de dias (meses) que os clientes, em média, demoram a pagar. É um


indicador da eficiência da política de crédito.

Tempo Médio de Pagamento (TMP)

Este indicador regista o número de dias (meses) que a empresa, em média, demora a
pagar aos fornecedores.

Ambos os rácios (TMP e TMR) devem ser complementados com rácios de liquidez.

Quando o TMR aumenta, a empresa pode ter dificuldades em pagar aos fornecedores
(pode ter dificuldades de liquidez), enquanto que o TMP aumenta facilita a vida da
empresa (liberta liquidez).

Tempo Médio de Duração dos Inventários (TMDI) – sociedade comercial

Tempo Médio de Duração dos Inventários (TMDI) – sociedade industrial

O TMDI mede o prazo médio de permanência dos inventários em armazém.

Grau Médio de Rotação dos Inventários (MP)

22
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

É o número de vezes que, em média, as matérias-primas rodam em armazém, de modo a


satisfazer as necessidades de produção.

Podem também ser expressos para produtos acabados e mercadorias.

O ciclo de tesouraria exprime o número de dias em que as disponibilidades estão


imobilizadas pelo ciclo operacional.

Ciclo de negócios (TMDI) = duração das matérias-primas + tempo de produção + tempo


de permanência de produtos acabados

O ciclo de negócios, ciclo económico ou ciclo de exploração exprime o número de dias


necessários até que os inventários sejam transformados em produtos acabados ou
vendidos.

MP TMP Produção PA TMR

Ciclo económico/de negócios/de exploração

TMDI

Supondo que compra as MP

Ciclo de Tesouraria

Necessidades em fundo de Maneio (NFM)

São as necessidades de financiamento do ciclo de exploração, ou seja, para financiar


inventários (que têm custos). Para minimizar estes custos muitas empresas usam o
sistema “just in time” (recebem do fornecedor no dia).

As NFM são determinadas pela diferença entre as aplicações e as origens relacionada


com o ciclo de exploração.

23
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Nota: Quando vamos analisar o ciclo de exploração não podemos incluir o


financiamento bancário, pois as NFM estão diretamente relacionadas com o ciclo de
exploração.

Fundo de Maneio (FM)

O fundo de maneio destina-se a financiar necessidades de caráter permanente


relacionadas com o ciclo de exploração. Exemplo: assegurar a existência de um stock de
matérias-primas adequado e conceder crédito aos clientes.

O ciclo de exploração necessita de financiamento, e o FM indica os excedentes de


capitais permanentes sobre o ativo não corrente. Por outras palavras, o FM é o montante
de capitais permanentes em excesso sobre os valores imobilizados, que financia os
ativos circulantes.

Pode ser calculado por 2 óticas:

 Ótica da liquidez
Determinação do fundo de maneiro pela parte baixa do balanço

 Ótica da origem de capitais


Determinação do fundo de maneiro pela parte alta do balanço

Comente a afirmação: “Uma empresa deve dispor de um fundo de maneio adequado.


Que problemas podem surgir para a empresa caso não tenha um fundo de maneio
adequado?

Se a empresa não tiver um FM adequado, pode ter dificuldade em, por exemplo, pagar
os fornecedores.

Vantagens de ter um FM adequado:

 Honrar os compromissos no vencimento (pagar a tempo aos fornecedores


implica não os perder e por vezes obter desconto;

24
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

 Escolher o melhor momento para efetuar as transações (se a empresa tiver


descontos de quantidade, pode comprar 100 em vez de comprar 10; expetativas
de variação das taxas de câmbio);
 Conceder crédito para incrementar as vendas (condições e prazos de pagamento
mais dilatados);
 Tomar medidas de racionalização para assegurar a sobrevivência futura da
sociedade (vantagem face aos concorrentes)

Uma empresa pode sobreviver com fundo de maneio negativo, tudo depende do TMP,
TMR e do ciclo de exploração  Um aumento do TMP traduz-se numa diminuição das
NFM, enquanto que um aumento do TMR / ciclo de tesouraria / ciclo de exploração
provoca um aumento das NFM

Que medidas podem ser tomadas caso o Fundo de Maneio seja insuficiente?

 Numa situação conjuntural: diminui TMR, aumentar TMP e diminuir existências


 Numa situação estrutural: diminuir distribuição de resultados (o Conselho de
Administração propõe, a Assembleia de Acionistas decide), diminuir
investimento (com o cuidado de não por em risco a empresa), transpor dívidas
de Curto Prazo para Médio e Longo Prazo, reestruturar a empresa (fusões, trocas
de participações e aumentos de Capital.

Numa situação em que o fundo de maneio é excessivo, a empresa está a suportar


encargos financeiros desnecessários.

Caso Prático n.º 3

25
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Não consideramos os gastos com pessoal porque estes já estão incluídos nos Inventários
de PCF.

Uma parte significativa das NFM tem caracter permanente, logo tem de ser financiada
pelos capitais permanentes.

FM = 37218,9 – 28116,3 = 9102,6

Passivo corrente = 31575,4 – 1287 – 2037,5 – 134,6 = 28116,3

Ativo corrente = 53048,7 – 11198 – 4631,8 = 37218,9

FM < NFM  Para analisar a empresa quanto à liquidez, devemos estudar os


indicadores de liquidez e os indicadores de atividade.

O rácio de liquidez geral é superior a 1, mas o TMR>TMP. O TMDI é elevado, pelo


que o ciclo de tesouraria é elevado.

Para evitar problemas de liquidez a empresa poderá, por exemplo transpor empréstimos
de curto prazo para medio e longo prazo. Outras medidas consistiriam em tentar
negociar uma redução do TMR, aumentar o TMP e melhorar a gestão de inventários de
modo a reduzir o TMDI

26
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Indicadores Bolsistas

Capitalização Bolsista  indicador utilizado para medir a dimensão da empresa

ou cotação da ação

Dá-nos o valor de mercado dos capitais próprios da empresa.

Não só dá o valor de mercado dos ativos, como também indica a capacidade da empresa
para gerar fluxos financeiros no futuro.

O valor de mercado dos ativos tem em conta os acionistas, os obrigacionistas e os


financiadores da empresa.

Dividendos por ação

É o valor que cada acionista vai receber sob a forma de dividendos por cada ação detida.

“Dividend Yield”

Dividend Yield

Indica a taxa de rentabilidade de uma ação, associada aos dividendos.

Rentabilidade de uma ação

Indica quanto o acionista ganha com a venda de uma ação.

O preço da ação será, neste caso, o preço de compra.

“Payout ratio”

27
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Representa a parte dos rendimentos líquidos que é afeta ao pagamento de dividendos.


Por exemplo, se uma empresa tem um payout ratio de 40% significa que distribui 40%
do resultado líquido sobre a forma de dividendos, sendo os restantes 60% afetos a
reservas.

“Earnings Per Share” (EPS)

Este rácio permite ter uma ideia da rentabilidade que o acionista teria caso a empresa
distribuísse a totalidade do resultado líquido (serve para comparar o preço, para
verificar a rentabilidade possível da aç o). Dá uma “ideia” acerca dos dividendos que o
acionista irá receber.

“Price Earning Ratio”(PER)

PER = 10 significa que se a empresa distribuísse a totalidade dos resultados líquidos sob
a forma de dividendos, o comprador da ação demoraria, em média cerca de 10 anos para
recuperar o capital e ainda ficaria titular da ação. Estamos a admitir que a empresa se
encontra numa fase estável (significa que o RL se mantém constante).

É usado para avaliar empresas. Se eu determinar o PER médio de um setor de atividade,


posso saber o PER médio de outra empresa do setor.

“Price Book Value” (PBV)  é usado para aferir o valor imaterial de uma empresa

O valor contabilístico apenas reflete a situação económica da empresa, enquanto o valor


de mercado reflete as expectativas dos investidores. Este rácio espelha a diferença entre
o preço contabilístico e o preço de mercado.

Se as expectativas são positivas, então o preço de mercado tenderá a ser superior ao


preço contabilístico, caso contrário, o preço de mercado será inferior ao preço
contabilístico.

28
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Pode acontecer que existam alguns desvios, dependendo se o mercado acredita na


empresa ou não.

Tanto o PER como o PBV são utilizados para avaliação de empresas pelo método
comparativo.

No caso de uma empresa que não está cotada em bolsa, calculamos o PBV médio para
as empresas do mesmo setor de atividade.

Valor contabilístico > Valor de mercado  numa situação de depressão de mercado. A


capitalização bolsista pode ter um valor muito baixo.

Nota: A distribuição de resultados terá dois destinos: dividendos (que vão para os
acionistas) e corpos sociais e colaboradores (no sentido de prémios de gestão por
objetivos).

Nota: Outra forma de remunera o: ”stock options”, ou seja, gestor tem op o de


compra futura de ações a um preço pré-definido.

Caso Prático n.º 3

Resultado líquido por ação = resultado líquido / nº de ações = 2914,8 / 7000 = 0,416

PER = Cotação / resultado líquido do ativo = capitalização / RL = 32270 / 2914,8 =


11,07

Price Book value = capitalização / capitais próprios = 32270 / 21473,2 = 1,5

Capitalização = (cotação x nº de ações) / (valor contabilístico x nº de ações)

Dividendo por acção = 735 / 7000 = 0,105

Dividend yield = dividendo por ação / preço de cada ação = dividendos / capitalização =
735 / 32270 = 0,0228

Taxa de rentabilidade = (4,61 – 4,189 + 0,105) / 4,189 = 0,126

29
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Mapas de fluxos financeiros / VAB (valor acrescentado bruto)

Ótica da produção (riqueza criada no fim do período)

O VAB exprime a riqueza criada por uma empresa ao longo de um período, através da
sua atividade produtiva.

O VAB do ano N é elaborado a partir da informação na DR do ano N. Todas as rubricas


que estão na DR devem ser incluídas no mapa de fluxos financeiros, quer na ótica de
produção, quer na ótica da origem da distribuição (por exemplo, o RL aparece na ótica
da distribuição decomposto em dividendos e RL afetos a reservas).

Ótica da distribuição (distribuição da riqueza pelos diferentes grupos)

Esta distribuição põe em evidência a distribuição da riqueza pelos diferentes grupos que
participam direta ou indiretamente na atividade da empresa.

Nota: VAB = trabalhadores + financiadores de capital alheio + acionistas + estado +


própria empresa.

No autofinanciamento estão incluídos os RL afetos a reservas, gastos/reversões com


amortizações e depreciações e provisões.

Caso Prático n.º 3

VAB - Ótica da Produção N


(+) Produção 82310,1
(+) Outros Rendimentos e Ganhos 2507,8
(-) CMVMC 53474,6
(-) FSE 8163,7
(-) Outros Gastos e Perdas 8526,3
(=)VAB 14653,3

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VAB - Ótica da Distribuição


(+) Gastos com Pessoal 7029,9
(+) Juros e gastos similares suportados (líquidos) (*) 950,6
(+) Impostos Sobre o Rendimento 1804,8
(+) Dividendos 1185
(+) Auto financiamento
Resultado Líquido afeto a Reservas 1729,9
Gastos/reversões de depreciações e amortizações 1953,1
Provisões (aumentos/reduções) -
(=) VAB 14653,3
(*) 950,6 = 1274,5 - 323,9

Este mapa evidencia que a maior parte do rendimento foi para os trabalhadores.

Um aumento de provisões é um gasto, mas não é uma saída de dinheiro, logo somamos.

Nota: Imparidades de inventário – Autofinanciamento.

Demonstrações de Origens e Aplicações de Fundos

Permitem exprimir a proveniência dos recursos e o seu modo de afetação entre dois
períodos sucessivos.

Origens Aplicações
Aumento dos capitais próprios Redução dos capitais próprios
Redução do ativo Aumento do ativo
Aumento do passivo Redução do passivo

Operação 1: constituição de uma sociedade – dá origem ao lançamento contabilístico


depósitos à ordem a capital – a origem dos fundos é o capital, rubrica dos capitais
próprios que aumentou – a aplicação está em depósitos à ordem rubrica do ativo que
aumentou.

Quando aumenta o Capital Próprio, temos origem de fundos; quando diminui o Capital
Próprio, temos uma aplicação de fundos.

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Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Quando aumenta o Ativo, temos uma aplicação de fundos; quando diminui o Ativo,
temos origem de fundos.

Operação 2: a empresa obtém um financiamento – dá lugar ao lançamento contabilístico


depósitos à ordem a financiamentos obtidos – a origem dos fundos é o financiamento
obtido, o passivo aumentou – a aplicação está nos depósitos à ordem, rubrica do ativo
que aumentou.

Quando aumenta o Passivo, temos origem de fundos; quando diminui o Passivo, temos
uma aplicação de fundos.

Operação 3: levantamento da conta corrente – dá lugar ao lançamento contabilístico


caixa a depósitos à ordem – a origem dos fundos é depósitos à ordem, rubrica do ativo
que decresceu – a aplicação está em caixa, rubrica do ativo que aumentou

Neste caso, Caixa é uma aplicação (porque aumenta) e Depósitos à ordem, uma origem
(porque diminui).

Mapa de fluxos de tesouraria

A informação é obtida na DR e na variação entre dois balanços consecutivos.

Permite perceber qual a origem e a aplicação dos fundos em cada período. Evidencia o
modo como os fundos foram gerados e quais as afetações que tiveram.

Pode ser elaborado segundo duas óticas:

a) Origem dos fundos


b) Aplicação dos fundos

Em qualquer ótica vamos obter o fluxo líquido de tesouraria (conceito muito


importante, que permite perceber os recursos/meios que ficam à disposição da empresa
para investimento, distribuição de resultados e reforço das reservas financeiras de
segurança).

Ótica da Origem dos fundos

Partindo do Resultado operacional temos de adicionar gastos/reversões com


amortizações e deprecia ões + ∆ das provisões (pois n o correspondem a saída de
moeda da empresa e têm valor negativo), obtendo-se o “cash-flow” de explora o.

32
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

O que interessa aqui n o é o Resultado Operacional, mas sim o “cash-flow”.

Como o ciclo de exploração exige um financiamento com carácter permanente, temos


de subtrair do cash-flow de explora o, a ∆ das NFM, obtendo-se o FOT (ou seja, o
“cash-flow” que está relacionado com a atividade operacional da empresa).

A partir do FOT, subtraímos os impostos sobre o rendimento do período e os juros e


gastos similares suportados (líquidos), obtendo o FGT (que corresponde aos recursos
gerados internamente).

Quando o FGT não é suficiente, temos de recorrer ao financiamento externo.

Se o fluxo gerado diminui ao longo dos anos, e o endividamento aumenta a partir de


certa altura, a empresa, caso não consiga reverter a situação, deparar-se-á com
dificuldades financeiras.

O fluxo operacional, corrente e gerado pela tesouraria são os fluxos intermédios.

Cash flow

Ajustamentos = gastos/reversões de deprecia ões e amortiza ões + ∆ provisões.

Por exemplo, se for concedido mais crédito ao cliente, vou ter de subtrair esse
equivalente ao “cash-flow” de explora o.

cash flow

33
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Ótica das Origens


Resultados Operacionais
Gastos/reversões de depreciações e de amortizações (+)
Variação de provisões (+)
Cash-flow de exploração
Variação de inventários (-)
Variação de contas a receber (-) Δ NFM (-)
Variação de contas a pagar (+)
Fluxo operacional de tesouraria
Impostos sobre o rendimento do período (-)
Fluxo corrente de tesouraria
Juros e gastos similares suportados (líquidos) (-)
Fluxo gerado de tesouraria
Financiamento externo
Variação de financiamentos obtidos (não corrente) (+)
Variação de financiamentos obtidos (corrente) (+)
Aumentos de capital
Fluxo líquido de tesouraria

Ótica da Aplicações
Investimento (+)
Dividendos (+)
Variação de caixa e seus equivalentes (+)
Fluxo líquido de tesouraria

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Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Caso Prático n.º 3

Origens N
Resultados Operacionais 5.670,3
Gastos/reversões de depreciações e de amortizações (+) 1.953,1
Variação de provisões (+) *-75,3
Cash-flow de exploração 7.548,1
Variação de inventários (-) 1.974,2
Variação de contas a receber (-) **2628,5
Variação de contas a pagar (+) ***401,3
Fluxo operacional de tesouraria 3.346,7
Impostos sobre o rendimento do período (-) 1.804,8
Fluxo corrente de tesouraria 1.541,9
Juros e gastos similares suportados (líquidos) (-) 950,6
Fluxo gerado de tesouraria 591,3
Financiamento externo
Variação de financiamentos obtidos (não corrente) (+) -1.239,4
Variação de financiamentos obtidos (corrente) (+) 4.494,0
Aumentos de capital 0,0
Fluxo líquido de tesouraria 3.845,9
*Provisões e (Provisões)
** ∆ contas a receber = clientes + adiantamentos a fornecedores + EOEP + outras
contas a receber + diferimentos
***∆ contas a pagar = fornecedores + adiantamento de clientes + EOEP + outras contas
a pagar + diferimentos

Variação de inventários = (5261,3 – 3639,2) + (3214,2 – 2504,3) + (9912,6 – 10270,4)


= 1974,2  aplicação de fundos

Variação de provisões = (128,7 – 1315,3) + (619,2 – 666,2) = -75,3

Variação de contas a receber = (18105,7 – 14881,9) + (0,2 – 618,8) + (45,7 – 22,4) =


2628,5  aplicação de fundos

35
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Variação de contas a pagar = (5762,4 – 5267,4) + (69,0 – 25,3) + (2521,8 – 2185,6) +


(2159,5 – 2627,8) + (11,3 – 17,6) = 401,3  libertação de fundos

Variação de financiamento obtidos (não corrente) = (2037,5 – 3247,5) + (134,6 – 164,0)


= -1239,4  amortização

Variação de financiamentos obtidos (correntes) = (1,9 – 2,0) + (16560,0 – 10432,5) +


(1000 – 2487,5) + (29,4 – 175,3) = 4494  aumentou significativamente

Variação de caixa e seus equivalentes = 1298,4 – 955,8

No mapa de fluxos de tesouraria, pela ótica das origens de fundos vemos que o fluxo
operacional de tesouraria é inferior ao cash-flow de exploração devido à aplicação de
recursos no financiamento do ciclo operacional. Há aplicação de recursos em
inventários e contas a receber e libertação de recursos em contas a pagar.

Após o pagamento dos impostos e do serviço da dívida, a empresa obtém um fluxo


gerado de tesouraria positivo de 591,3 milhares de euros, estes meios foram
insuficientes, pelo que a empresa teve de recorrer ao financiamento externo. Embora
tenha amortizado parte do financiamento não corrente, aumentou significativamente o
financiamento corrente. A empresa distribui parte dos resultados, aumentou as reservas
financeiras de segurança, mas a parte mais significativa dos recursos foi aplicada em
investimento. Podemos ver que o investimento do período (2623,3) é superior às
amortizações (1953,1) indicando que a empresa prepara um futuro competitivo.

A empresa aumentou muito o nível de inventários e concedeu um nível significativo de


crédito, o que levou o cash-flow a diminuir abruptamente (passou de 7548,1 para
3346,7).

Se aumenta o volume de negócio e aumenta a necessidade de fundo de maneio na


mesma proporção, estamos perante uma situação normal; se aumentam as necessidades
de fundo de maneio, mas o volume de negócios se mantém igual, então podemos estar
perante uma situação de má gestão.

O rácio NFM/volume de negócios pode ser indicativo para um setor de atividade, em


termos de gestão.

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Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Neste caso temos um aumento das NFM, mas também um aumento do volume de
negócios.

Os dirigentes decidiram também que o fundo de maneio não era suficiente – 591,3 – e
tomaram uma decisão que lhes pode ter causado o desequilíbrio  Substituíram o
financiamento MLP e CP.

Nota: No caso prático não nos é indicado o investimento. Pode ser que seja fornecido
diretamente no relatório da empresa, ou pode ser calculado pela ∆ do Ativo Bruto entre
N-1 e N.

Como sabemos que o fluxo líquido de tesouraria deve ser igual segundo as duas óticas,
podemos calcular:

Nota: Os dividendos do ano N estão diretamente relacionados com os Resultados do


Exercício do ano N-1. Estes podem ter sido aplicados na distribuição de dividendos, na
∆ reservas legais, ∆ reservas livres, ∆ resultados transitados e/ou na ∆ outras reservas.

Neste caso concreto, o RL N-1 = dividendos + ∆ reservas legais + outras ∆s do capital


próprio, logo:

2160,1 = Dividendos + (674 – 564) + (9539,8 – 8369,7) = 880  visualizar sempre os


valores no balanço da empresa

Então temos, Investimento = 3845,9 – 342,6 – 880

Aplicações
Investimento (+) 2.623,3
Dividendos (+) 880,0
Variação de caixa e seus equivalentes (+) 342,6
Fluxo líquido de tesouraria 3.845,9

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Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Análise económico-financeira do Caso Prático n.º 3

Para analisar a evolução dos negócios constatamos que o crescimento da produção


aponta para uma tendência de crescimento da atividade da empresa.

Quando à estrutura de custos podemos verificar que CMVMC e FSE acompanham o


crescimento de vendas e produção, enquanto que os gastos com pessoal tiveram um
crescimento mais moderado.

O estudo da estrutura de resultados permite examinar a evolução do RO, RAI e RL.


Constatamos que o crescimento dos negócios foi acompanhado duma evolução
favorável dos resultados.

Quanto ao risco, a empresa tem uma produção acima do ponto crítico da produção e
com uma boa margem de segurança. No entanto, constatou-se um GAO algo elevado
em resultado de custos fixos elevados.

A empresa apresenta um nível de rentabilidade elevada tanto ao nível de rentabilidade


do ativo como da rentabilidade dos capitais próprios. A análise do EP comparando com
o custo médio dos débitos da empresa aponta para que a empresa teria condições para
aumentar a rentabilidade dos capitais próprios aumentando o nível de endividamento.
Tal seria possível pois a autonomia financeira é elevada. A utilização do modelo CAPM
permite concluir que a rentabilidade dos capitais próprios também é elevada.

A empresa satisfaz o rácio de liquidez geral. Para um estudo mais detalhado de liquidez
calculamos vários indicadores de atividade. A empresa apresenta TMR, TMDI e ciclo
de tesouraria elevados, o que exige a aplicação de mais recursos. Verificamos ainda que
NFM>FM. A empresa deveria reduzir as NFM reduzindo TMR e TMDI. Devera
aumentar e FM transpondo endividamento de curto prazo para endividamento de médio
e longo prazo.

A estrutura financeira é boa com uma autonomia financeira elevada e a empresa satisfaz
a R.E.F.M, significando que financia o ativo não corrente com capitais permanentes.

O VAB permitiu aferir a riqueza criada ao longo do período e a distribuição pelos


grupos ou entidades que colaboraram na produção da riqueza. A maior percentagem do
VAN destina-se a gastos com pessoal (cerca de 48%), a seguir vem autofinanciamento e
depois o estado.

38
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

O mapa de fluxos de tesouraria mostra que o fluxo líquido de tesouraria se tem mantido
praticamente estável apesar da diminuição dos fluxos intermédios provocados pelo
aumento dos inventários e das contas a receber. No ano N a empresa teve necessidade
de recorrer ao financiamento externo, preferindo o financiamento de curto prazo. A
empresa prepara um futuro competitivo, pois o investimento é superior às amortizações
e ainda distribui dividendos.

Exercício de exame

Com base nos anexos I e II (folhas próprias) responda, ora com recurso à numerária ora
com recurso à literacia, ou ainda, com recurso a ambas e reportado ao ano N, as
seguintes questões:

1) A reserva legal foi legalmente constituída?


2) Supondo que 75% de FSE são custos variáveis, elabore a DR evidenciando a
margem de contribuição, os resultados operacionais, financeiros, antes de
impostos e líquidos.
3) Calcule e interprete o ponto crítico da produção, e os graus de alavancagem
operacional, financeira e combinada.
4) Calcule e interprete a rentabilidade financeira, de acordo com a análise de
Dupont desenvolvida, a REFM, a autonomia financeira e a liquidez geral.
5) Calcule o valor acrescentado bruto pelas óticas da produção e da distribuição.
6) Calcule os fluxos de tesouraria pelas óticas das origens e das aplicações.
7) Elabore o diagnóstico económico-financeiro da empresa.

Pergunta 1

Segundo o artigo 295 do Código das Sociedades Comerciais (CSC), uma percentagem
não inferior à vigésima parte dos lucros da sociedade é destinada à constituição da
reserva legal, até que aquela represente a quinta parte do capital realizado.

N = 11521 N-1 = 8807 ∆ reserva legal = 115211 -8807 = 2714

Resultado Líquido N-1 = 54278,80

Então queremos saber se 5% dos RL foram para a reserva legal  0.05*RL N-1 =
2713,94

39
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

A reserva legal foi bem constituída, pois pelo menos 5% dos RL do ano N-1 foram
afetos à constituição de reserva legal.

Pergunta 2:

Vendas e serviços prestados 1.998.740,97


Subsídios à exploração (+) 6.534,85
∆ Inventários produção (+) 100,31
Produção 2.005.376,13

CMVMC 934.707,40
0,75%*FSE (+) 230.716,46
Custos Variáveis 1.165.423,86

Gastos c/ pessoal (+) 457.690,19


0,25%*FSE (+) 76.905,49
Outros gastos e perdas (+) 4.476,88
Gastos/reversões de depreciações e amortizações (+) 143.226,32
Custos fixos c/ depreciações 682.298,88

Demonstração de Resultados
Produção 2.005.376,13
Custos variáveis (-) 1.165.423,86
Margem de contribuição 839.952,27
Custos fixos c/ depreciações (-) 682.298,88
Resultados operacionais 157.653,39
Juros e rendimentos similares do período (+) 2.843,63
Juros e gastos similares do período (-) 69.520,39
Resultados antes de impostos 90.976,63
Imposto sobre rendimento do período (-) 29.778,59
Rendimento Líquido do período 61.198,04

Nota: Se na demonstração de resultados colocarmos os CF s/ depreciações temos de


subtrair os gastos/reversões depreciação e amortização.

40
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

Resultados Financeiros = 66.676,76 (Juros e gastos similares do período – Juros e


rendimentos similares do período).

Pergunta 3

Temos de caracterizar a empresa quanto ao risco.

O ponto crítico da produção (em valor) é inferior ao valor da produção.

A produção é superior ao ponto crítico, garantindo que a empresa apresenta resultados


operacionais positivos. Para além disso, ainda é capaz de suportar variações negativas
na produção, pois tem uma margem de segurança de 18,8% (as empresas normalmente
não conseguem apresentar valores positivos).

O GAO é utilizado para analisar o risco dos negócios / operacional:

Já anteriormente podíamos constatar que os custos fixos têm um valor aproximado da


margem de contribuição. Podemos, portanto, dizer que a empresa apresenta custos fixos
elevados.

Como resultado, temos um GAO elevado significando que uma variação de 1% nas
quantidades produzidas tem um impacto de 5,33% nos resultados operacionais. Logo o
risco de negócio é elevado. Este GAO deve-se ao valor elevado dos custos fixos em
relação à margem de contribuição.

Quanto ao risco financeiro, o GAF mede o impacto dos gastos de financiamento


líquidos. Supondo que, quer os resultados operacionais quer os resultados antes de
41
Finanças Empresariais Marisa Alexandra Dias da Silva

impostos são positivos (e que os juros suportados são superiores aos juros obtidos), o
GAF deve ser superior a 1, sendo o risco financeiro da empresa reduzido quando o valor
do GAF próximo de 1.

Para esta empresa, o risco financeiro é reduzido, pois uma variação de 1% nos
resultados operacionais tem um impacto de 1,73% nos resultados líquidos.

O GAC mede o risco total, ou seja, a combinação do risco dos negócios e do risco
financeiro. Verifica-se que uma variação de 1% na produção tem um impacto de 9,23%
nos resultados líquidos.

Como conclusão, sob o ponto de vista do risco, a empresa trabalha acima do ponto
crítico e só o GAO é que é algo elevado.

Pergunta 4

Análise Dupont desenvolvida  calcular o EP para comparar com a rentabilidade


financeira

A empresa remunera bem o capital dos acionistas (RL/RAI).

Nota: Proceder ao cálculo com valores com todos os decimais. Para certificar o
resultado final é só calcular (RL/CP).

Efeito significativo dos juros dos empréstimos e a taxa efetiva de imposto cerca de 33%
que é elevada (1-0,673=0,327).

Quando se dispõe de dados agregados relativos ao setor de atividade, é possível


compara os indicadores da empresa com os valores médios do setor, identificando os
pontos fortes e os pontos fracos da empresa face aos seus concorrentes.

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O rácio de liquidez geral é utilizado para caracterizar a situação financeira da empresa


no curto prazo. Quando este rácio é maior que 1, considera-se que a empresa tem
capacidade para honrar os seus compromissos de curto prazo.

Uma vez que a liquidez geral é inferior a um pode indiciar problemas de liquidez,
contudo este indicador não tem em consideração as diferenças de maturidade do ativo
corrente e do passivo corrente, pelo que devemos articular esta informação com outros
indicadores de atividade, tais como o TMP, TMR, NFM e FM.

Quanto à estrutura financeira:

A autonomia financeira indica a participação dos Capitais Próprios no financiamento


dos ativos. Para esta empresa, perto de 25% dos ativos são financiados pelos Capitais
Próprios. Valor inferior à média em linha com o valor elevado da alavancagem.

Interessa frisar que uma autonomia financeira muito reduzida prejudica as condições de
acesso ao financiamento bancário, enquanto uma autonomia financeira muito elevada
pode prejudicar a rentabilidade dos sócios/acionistas, dependendo da ordem de grandeza
do “Earning Power” em rela o ao custo médio dos débitos da empresa.

EP = EBIT / Ativo = 8,9%  uma boa rentabilidade do ativo que justifica o interesse da
empresa ter níveis elevados de endividamento, pois a rentabilidade dos capitais
aplicados deve superar o custo do endividamento.

Os capitais utilizados no financiamento dos ativos devem ter uma maturidade igual ou
superior à vida económica destes. O ativo não corrente deve ser financiado com capitais
permanentes, pelo que o rácio entre capitais permanentes e o ativo não corrente deve ser
superior a 1.

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Como podemos concluir, a REFM não se verifica. Esta situação poderia ser melhorada
pela transposição de endividamento de curto prazo para endividamento de médio e
longo prazo.

Pergunta 5

Dimensão do VAB: O VAB representa a riqueza criada pela empresa durante o ano N,
devido ao exercício de atividade positiva

VAB - Ótica da Produção N


(+) Produção 2.005.376,13
(+) Outros Rendimentos e Ganhos 0
(-) CMVMC 934.707,40
(-) FSE 307.612,94
(-) Outros Gastos e Perdas 4.476,88
(=)VAB 758.569,91

VAB - Ótica da Distribuição


(+) Gastos com Pessoal 457.690,19
(+) Juros e gastos similares suportados (líquidos) 66.676,76
(+) Impostos Sobre o Rendimento do período 29.778,59
(+) Dividendos (*) 0
(+) Auto financiamento
Resultado Líquido afeto a Reservas 61.198,05
Gastos/reversões de depreciações e amortizações 143.226,32
Provisões (aumento/redução) 0
(=) VAB 758.569,91
(*) Não temos a possibilidade de calcular os dividendos, logo vamos assumir que a
empresa não distribui dividendos, segue a política de estabilidade dos dividendos.

No fluxo líquido de tesouraria verificamos que não distribui dividendos em N-1, logo
também não distribui em N.

Trabalhadores (60%) e própria empresa (27%)

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Valor de emissão de uma ação – preço de venda de uma ação quando é emitida. A
diferença entre o valor da emissão e o valor nominal vai para o prémio de emissão.

Nota: Cálculo de dividendos  Resultados líquidos do período.

 Podemos ver como a empresa distribuiu no ano anterior e supor que a empresa
segue uma política de estabilidade de distribuição de dividendos.
Ou
 Arbitrar um valor qualquer (credível) para o dividendo (o mais fácil é =0, ou
seja, resultado liquido totalmente afeto a reservas).

Se os valores do VAB forem diferentes, podemos ter-nos esquecido de alguma rubrica


das demonstrações de resultados.

O VAB põe em evidência a riqueza criada pela empresa através da sua atividade
produtiva e a forma como essa riqueza é distribuída pelos diferentes grupos que
participaram, direta ou indiretamente, na atividade produtiva. Trata-se de uma empresa
industrial: a maior parte da riqueza destina-se aos colaboradores, havendo uma parte
significativa da riqueza que fica na própria empresa sob a forma de autofinanciamento.

Pergunta 6

Dimensão do Fluxo de tesouraria: precisamos dos resultados operacionais (podemos


chegar aos RO através da manipulação dos seguintes rácios: GAO, GAF, EP, Dupont
(RAIGF)).

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Pela ótica das origens:

Origens N
Resultados Operacionais 157.653,40
Gastos/reversões de depreciações e de amortizações
(+) *143.226,32
Variação de provisões (+) 0,00
Cash-flow de exploração 300.879,72
Variação de inventários (-) **-46.291,99
Variação de contas a receber (-) 170.144,57
Variação de contas a pagar (+) 119.182,38
Fluxo operacional de tesouraria 296.209,52
Impostos sobre o rendimento do período (-) 29.778,59
Fluxo corrente de tesouraria 266.430,93
Juros e gastos similares suportados (líquidos) (-) 66.676,76
Fluxo gerado de tesouraria 199.754,17
Financiamento externo
Variação de financiamentos obtidos (não corrente) (+) 0,00
Variação de financiamentos obtidos (corrente) (+) 277.937,89
Aumentos de capital 0,00
Fluxo líquido de tesouraria 477.692,06
* Temos de ajustar, pois existem gastos que não correspondem a operações da empresa.
** Apresenta-se com valor negativo, o que faz com que se some no cálculo (dupla
negativa)

Variação de inventários = -46.392,30 + 633,16 – 532,85 = -46.291,99


Variação de contas a receber = 151.102,97 + 19.041,60 = 170.144,57
Variação de contas a receber = 118.406,13 + 2.264,76 + 7.290,09 – 8.778,60 =
119.182,38

Como não existiu um aumento de capital, o financiamento externo só pode ter ocorrido
com financiamento corrente ou não corrente; como não existe financiamento não
corrente, temos então que a única fonte de financiamento foi o financiamento corrente.

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Aplicações
Investimento (+) *381.991,05
Dividendos (+) **0,00
Variação de caixa e seus equivalentes (+) 95.701,01
Fluxo líquido de tesouraria 477.692,06
* Nota que se encontra no Balanço da empresa, em rodapé (Imobilizado Bruto)
** Os dividendos pagos num ano dizem respeito ao ano anterior. Temos que RL N-1 =
dividendos + ∆ reserva legal + ∆ resultados transitados 54278,80 = dividendos +
2714 + 51564,79  dividendos = 0.

Investimento = 1.527.206,53 – 1.145.215,48 = 381.991,05

Partindo dos resultados operacionais corrigidos com os gastos / reversões de


deprecia ões e amortiza ões, obtemos o “cash-flow” de explora o, do qual vamos
subtrair a variação das necessidades em fundo de maneio.

Neste caso, o “cash-flow” tem um valor semelhante ao fluxo operacional de tesouraria,


visto que a aplicação de fundos em contas a receber é compensada com a libertação de
fundos em inventários e contas a pagar. Para obter o fluxo gerado de tesouraria temos de
subtrair o valor dos impostos sobre o rendimento e juros e gastos similares suportados
(líquidos).

Os gestores concluíram que o fluxo gerado de tesouraria não era suficiente pelo que
tiveram de recorrer ao financiamento externo de curto prazo.

A empresa não distribui resultados, optando por aumentar as suas reservas financeiras e
a parte mais significativa dos recursos foi aplicada em investimento.

A empresa prepara um futuro competitivo, comos e pode ver pelo investimento, que é
superior aos gastos/reversões de depreciações e amortizações.

Seria importante puder conduzir uma análise para um período mais alargado para
verificar se as debilidades encontradas são temporárias ou se têm natureza mais
permanente.

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