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Prof. Me.

Paulo André Nassar

Roteiro de aula

Prof. Me. Paulo André Nassar @paulonassar


Dúvidas: psnassar@gmail.com

Direito Internacional Público


Tema: Direito dos Tratados
Monitores responsáveis pela elaboração do roteiro: Alfredo Almeida e Alina Costa

Assuntos:
1 - Tratados Internacionais;
2 - Formação dos Tratados:
3 - Fases de Elaboração e Internalização dos Tratados no Brasil;
4 - Reservas;
5 - Denúncias;
6 - Extinção e Suspensão de Tratado.

1 - Tratados Internacionais:

Artigo 2 da Convenção de Viena Sobre Direito dos Tratados


“Expressões Empregadas
1. Para os fins da presente Convenção:
a) “tratado” significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados
e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de
dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica;”

● Os Tratados são considerados, pela doutrina, a fonte de direito internacional público


mais democrática e, por conseguinte, a principal entre as demais fontes do direito das
gentes. Isso ocorre em virtude de representar a vontade dos Estados ou Organizações
Internacionais em aceitar a regulação de relações jurídicas por meio de uma norma
comum, num momento particular da história.;
● A doutrina de Varella aponta que todo tratado é internacional. Nesse sentido, para o
estudioso em questão, a denominação tratado internacional a priori é um pleonasmo.
Assim, observa-se que se trata de uma nomenclatura inapropriada, mas não incorreta.

OBS: A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados foi concluída em maio de 1969,
momento no qual 45 Estado foram signatários. Hoje 116 sujeitos de Direito Internacional são
considerados partes.
Essa Convenção entrou em vigor em 27 de janeiro de 1980, mas apenas foi ratificada pelo
Brasil em 25 de setembro de 2009.
OBS.2: É de fundamental importância diferenciar “signatário” de “parte”, visto que a
ratificação e a assinatura geram efeitos jurídicos diferentes. Para tanto, “parte” é aquele sujeito
de direito internacional que ratifica determinado tratado; já signatário é aquele que apenas
assina.
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● É importante ressaltar que tratados e convenções internacionais não são categorias


distintas. Tratado consiste em um termo mais genérico, quando convenção ou acordos
internacionais são espécies de tratados.

1.1 Características gerais dos tratados:


a) Consensualismo:
● Fundamenta-se sobre a autonomia da vontade dos sujeitos de direito
internacional;
● Os próprios sujeitos definem as características do futuro tratado.
b) Ausência de hierarquia:
● Não há hierarquia entre os tratados;
OBS: As normas de jus cogens se colocam acima dos tratados.
c) Ausência de formalismo:
● Os tratados devem ser realizados por escrito, mas não existem procedimentos
específicos ou rígidos para a redação;
● O processo de elaboração dos tratados segue uma lógica própria.
OBS: A própria Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados é uma consolidação das
normas costumeiras adotadas pelos Estados.

1.2 Classificação dos tratados:


● Em função do número de partes:
➢ Bilaterais: dois Estados;
➢ Multilaterais: mais de dois Estados;
● Em função da qualidade das partes:
➢ entre Estados;
➢ entre Estados e Organizações Internacionais.
● Em função da natureza do tratado:
➢ Contrato;
➢ Norma.
● Em função da matéria:
➢ Tratados de Direitos Humanos;
➢ Tratados em geral.

2 - Formação dos tratados:


● Um tratado se forma a partir da manifestação da vontade de um sujeito de direito
internacional público para regular juridicamente determinada situação no âmbito
internacional;
● O representante do sujeito de direito internacional deve comunicar os demais que têm
interesse em participar do tratado para que se manifestem e enviem representantes para
a negociação.
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● Observa-se que, de forma geral, o Ministério das Relações Exteriores ou seu


equivalente envia uma correspondência aos demais sujeitos de direito internacional e
os comunica acerca do interesse em firmar um tratado sobre determinada questão;
● É importante ressaltar que os representantes dos sujeitos de direito internacional são
apresentados às negociações munidos da carta de plenos poderes que consiste no
documento que concede poderes de representação ao chefe da missão para a
negociação. Tal carta geralmente é assinada pelo Ministro das Relações Exteriores;
● Quem recebe a carta de plenos poderes é chamada de Plenipotenciário;
● A carta de plenos poderes é dispensada em alguns casos. A saber:
➢ Quando se presume, pela prática dos Estados que eles têm a intenção de indicar
aquela pessoa como seu representante;
➢ Quando a negociação é conduzida pelo Chefe de Estado, de Governo e Ministro
de Relações Exteriores;
➢ Quando a negociação ocorre em território onde o chefe da missão permanente
exercer suas funções. Por exemplo, o embaixador chefe de um missão
permanente no Chile não necessita de carta de pleno poderes para conduzir uma
negociação que ocorrerá no Chile;
➢ Quando se trata dos representantes acreditados pelos Estados perante uma
conferência ou Organização Internacional, para a adoção de um tratado nesse
âmbito.
3 - Fases de elaboração:
a) Conclusão e Negociação:
NEGOCIAÇÃO
● É a etapa preparatória para a conclusão de um tratado, momento em que os
Estados ou outros sujeitos de direito internacional discutem e negociam sobre o
conteúdo do Tratado que está sendo proposto.
● É nessa etapa em que a competência negocial dos sujeitos de direito
internacional é observada.
● Nesta etapa não há ainda comprometimento definitivo dos sujeitos de direito
internacional.
● As negociações ocorrem normalmente nas capitais dos Estados envolvidos com
o objetivo de reduzir custos. Todavia, quando as discussões se tornam muito
extensas ou conflituosas podem haver rodadas de negociações em outras cidade
neutras.
● Construção do texto de um tratado:
○ Apesar de não existir regra predeterminada para a redação de um tratado,
tradicionalmente, esses documentos são divididos em três partes
distintas, as quais são separadas explicitamente ao longo do texto.
○ Preâmbulo:
■ O preâmbulo é a introdução ao tratado;
■ É importante ressaltar que não cria compromissos às partes;
■ No preâmbulo ocorre a identificação das partes no tratado, os
motivos que as levaram a redigirem uma norma internacional e
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os princípios gerais que devem ser levados em consideração na


interpretação como um todo;
■ Mesmo não criando compromisso, o preâmbulo não é sem valor,
visto que pode ser invocada para solucionar dúvidas de
interpretação sobre dispositivos ou mesmo anexos do tratado;
■ A Corte Internacional de Justiça se manifestou sobre o tema
afirmando que o preâmbulo da Carta da ONU é a base moral e
política dos dispositivos jurídicos que são enunciados em
seguida.
○ Dispositivo:
■ Os dispositivos contêm os compromissos negociados entre as
partes, sendo representado por um conjunto de artigos e
cláusulas finais, as quais são obrigatórias;
■ Não há padrão internacional sobre a numeração dos artigos,
sendo exigido apenas que seja obedecida uma uniformidade
metodológica. Assim, se foram usados números cardinais, estes
devem ser mantidos ao longo de todo o tratado.
○ Anexos:
■ O anexo tem o objetivo de deixar o tratado mais leve ao retirar
do dispositivo detalhes, número e porcentagens que dificultam
sua compreensão;
■ A criação de anexos é faculdade dos Estados, não uma
obrigação;
CONCLUSÃO
● A conclusão do texto marca o fim da primeira etapa. Assim, alcança-se a
produção e a adoção do texto convencional
● Ocorre a autenticação ou adoção do texto, que consiste no ato pelo qual se
reconhece a equivalência entre o conteúdo do texto negociado e o que foi
apresentado ao final das negociações;
● A autenticação do texto é feita, geralmente, pela assinatura dos diplomatas
presentes ao final da negociação. Mas, também pode ser feita ad referendum,
que consiste na assinatura posterior pelos representantes dos Estados;
● Quanto a conclusão, para que seja alcançada, caso não se tenha concordância de
todos os Estados quanto ao texto final, observa-se a regra de ⅔;
● A regra de adoção por dois textos dos negociadores é comum nas negociações
multilaterais, visto que raramente é possível chegar a um consenso sobre o texto
final.
● Nesta fase é decidido o idioma e também quais serão as versões autênticas do
tratado;

➢ Todavia, o conteúdo dos anexos é tão obrigatório quanto o conteúdo do


dispositivo.
b) Assinatura:
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● É o ato emanado pelo representante do Estado, concordando com o conteúdo


daquele documento;
● O procedimento da assinatura é concretizado com a troca com a troca de notas
ou de cartas entre as partes;
● Cada sujeito de direito internacional público tem competência para indicar a
pessoa responsável pela assinatura;
● Geralmente, a assinatura é realizada pelo Chefe do Poder Executivo;
● As consequências da assinatura são:
➢ Autenticação do texto do tratado, que se torna imutável;
➢ Reafirmação de que os negociadores estão de acordo com o texto
produzido;
➢ Início para a contagem dos prazos para a troca ou depósito dos
instrumentos de ratificação;
➢ São geradas obrigações de não fazer atos os quais podem afetar
substancialmente o valor do instrumento assinado ou frustrar a sua
aplicação;
➢ Com a assinatura é demonstrado que o Estado aceita as normas
costumeiras presentes no documento;
● No caso dos tratados bilaterais a regra comum é que o tratado pode ser assinado
ou ratificado até que um conjunto determinado de Estado o ratifique;
● Já os tratados bilaterais, dificilmente se aceita que a assinatura seja feita sem a
ratificação, visto que existem somente duas partes e a assinatura não gera
qualquer efeito para nenhum dos Estados.
c) Referendo (etapa de direito interno):
● O referendo do Congresso Nacional é a etapa que autoriza a ratificação dos
tratados. Não existe ratificação provisório, de forma que somente com o
referendo do Congresso que o Brasil pode efetivamente comprometer-se;
● O processo administrativo da ratificação ocorre da seguinte forma:
○ 1º - O Ministério das Relações Exteriores traduz o texto negociado para
o português, prepara uma minuta da Mensagem Presidencial, depois, faz
uma análise jurídica da legalidade do texto e ,por fim, o encaminha ao
Presidente da República;
○ 2º - A Casa Civil da Presidência da República faz uma análise da
legalidade e do mérito do tratado e, em seguida, tece suas considerações;
○ 3º - O Presidente, se estiver de acordo, envia a Mensagem junto da
Exposição de Motivos à Câmara dos Deputados;
○ 4º - A Câmara aprova e em seguida remete o tratado ao Senado Federal;
○ 5º - O Senado aprova;
○ 6º - O Presidente do Senado promulga um Decreto Legislativo, o qual
deve ser publicado no Diário Oficial do Senado, ato que apresente o
referendo do Congresso Nacional.

d) Ratificação:
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● É o ato formal do Estado no qual é indicado o consentimento em estar submetido


a um determinado tratado;
● Cada estado pode determinar qual Poder será o competente para ratificar um
tratado;
● Geralmente sua aprovação é ato privativo do Poder Legislativo, em seguida,
também aprovado pelo Poder Executivo;
● A ratificação é um ato irretratável, ou seja, o sujeito de direito internacional não
pode voltar atrás em sua posição, mesmo que o tratado ainda não tenha entrado
em vigor ou as demais partes ainda não tenham ratificado;
● Em razão do princípio pacta sunt servanda um Estado não pode retratar a
ratificação depois da entrada em vigor do tratado; e em virtude do princípio da
boa-fé não pode retirar a ratificação antes da entrada em vigor;
● No Brasil a competência para a ratificação cabe ao Congresso Nacional ( Art.
49. É de competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver
definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem
encargos ou compromisso gravosos ao patrimônio nacional:...) e,
posteriormente, ao Presidente da República ( Art. 84. Compete privativamente
ao Presidente da República: VIII - celebrar tratados, convenções e atos
internacionais, sujeito a referendo do Congresso Nacional. )

● O Poder Executivo apenas ratifica o tratado com o depósito do instrumento de


ratificação perante o órgão depositário;
e) Promulgação e publicação
● Além disso, o Poder Executivo deve publicar o Decreto Executivo, assim, o
promulga e internaliza o tratado.
● É quando o tratado passa a ter executoriedade no direito interno.

OBS: No caso dos tratados de direitos humanos, com a Emenda Constitucional n. 45, de 2004,
podem aqueles tratados ter força de norma constitucional. Quando da chegada no Congresso
Nacional, o Tratado deve ser colocado para votação como se fosse um projeto de Emenda
Constitucional (precisa ser aprovado na Câmara e no Senado). A votação deve ocorrer de forma
separada nas duas casas, em dois turnos e obter três quintos dos parlamentares de cada Casa.

4 - Reservas:
● A reserva é uma declaração unilateral, feita por um sujeito de direito internacional ao
assinar, ratificar, aceitar ou aprovar um tratado ou a ele aderir, com o objetivo de excluir
ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação no
sujeito de direito internacional;
● A reserva pode ser feita em diferentes momentos até o chamado engajamento definitivo.
Todavia, após o engajamento definitivo, a reserva só pode acontecer com o
consentimento das outras partes envolvidas;
● Quando há a reserva, o sujeito de direito internacional aceita o tratado como um todo,
mas não se compromete a algum ponto específico do seu texto;
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● Há exceções para a realização de reservas:


➢ Quando o tratado prevê expressamente a impossibilidade de reservas;
➢ Quando o tratado prevê a possibilidade de fazer reservas apenas sobre
determinados pontos preestabelecidos;
➢ Quando o tratado não prevê reservas, mas elas se referem a pontos essenciais
do tratado.
5 - Denúncias:
● A denúncia unilateral de um tratado ocorre quando uma das partes sai do tratado, que
não mais sobrevive com as partes restantes.
● A denúncia pode ser expressa ou tácita. A primeira forma ocorre com a manifestação
da vontade e segunda com a assinatura de um tratado posterior que é contrário ao texto
do tratado acerca do qual pratica a denúncia;
● O artigo 56 da Convenção de Viena dispõe que a denúncia unilateral pode ser feita
quando a parte assim o prevê ou no silêncio do tratado, quando aquela pode ser deduzida
da intenção das partes;
● Observa-se que a denúncia unilateral segue o procedimento dos vícios de
consentimento. Assim, a parte que se retira do tratado notifica todos os demais sobre as
sua intenções e os motivos. Depois, os Estado tem um prazo de até 03 meses para se
manifestar, a partir de então o vínculo jurídico entre o Estado notificante e os demais
em relação ao tratado que foi denunciado é rompido;
● No Estado brasileiro, a denúncia pode ser feita pelo Executivo, sem necessidade de
participação do Legislativo e vice-versa.

6 - Extinção e Suspensão de Tratados:


● Algumas situações levam a extinção dos tratados, tais como: execução integral,
consentimento mútuo, termo final, superveniência de condição resolutória, renúncia do
beneficiário, caducidade ou desuso, denúncia unilateral entre outros;
● No caso de execução integral, esta ocorre quando o tratado prevê a realização de um
determinado ato, o qual é atendida pelos Estado, chegando o tratado ao fim e com
sucesso;
● Já no caso do termo final, observa-se quando o tratado tem um prazo de vigência
predeterminado, e este expira;
● Quando o tratado prevê sua extinção com a ocorrência de determinado evento, está
caracterizada a superveniência de condição resolutória;
● Quanto a caducidade ou desuso, observa-se que o tratado é extinto em função de que a
prática prevista por ele é abandonada pelas partes;
● Todas as hipóteses para extinção de um tratado:
➢ Execução integral;
➢ Consentimento mútuo;
➢ Termo final;
➢ Superveniência de condição resolutória;
➢ Renúncia do beneficiário;
➢ Caducidade ou desuso;
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➢ Conflitos armados;
➢ Fator de terceiro;
➢ Impossibilidade de execução;
➢ Inexecução por uma das partes;
➢ Denúncia unilateral;
➢ Mudança substancial de circunstâncias;
➢ Norma superior de jus cogens.
● Quanto à suspensão, nota-se que a execução de um tratado em relação a todas as partes
ou a uma parte determinada pode ser suspensa quando em conformidade com as
disposições do tratado e a qualquer momento, pelo consentimento de todas as partes,
após consulta com os outros Estados contratantes, conforme previsto no artigo 57 da
Convenção de Viena;

REFERÊNCIAS:
VARELLA, Marcelo D. Direito Internacional Público. São Paulo: Saraiva, 4ª Ed., 2012.