Os
Media Como Quarto Poder
Fala-se muito de que a comunicação social representa o Quarto Poder nas
nações democráticas, sendo os outros três poderes o executivo, o legislativo e
o judicial. Enquanto os três são reconhecidos como poderes constitucionais, a
comunicação social já não o é. A etiqueta de Quarto Poder radica da perceção
que se tem do desempenho da sua função primária: como um elemento
estruturante, ou se quisermos, formador de uma opinião pública crítica. O termo
Quarto Poder é mais académico e foi cunhado por Thomas Carlyle nos meados
do séc. XIX. O que o historiador quis tão-somente dizer é que os meios de
comunicação têm a grande responsabilidade, “viabilizar uma participação
política ativa, enformada e contínua dos cidadãos”, quer ao nível dos processos
de formulação de políticas e de tomada de decisões, quer no que respeita à
avaliação do desempenho dos governantes, influenciando assim o princípio de
alternância no exercício do poder político.
Outro aspeto fundamental do desempenho dos jornalistas, e que é decisivo na
consolidação de uma governação democrática, ou seja, tem a ver com a sua
contribuição na formação da opinião pública. É que à medida que cresce o
espaço da governação democrática também se consolida a relevância da
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opinião pública como barómetro do desempenho da governação, em teoria, os
media acabam também servindo de gatekeepers. Numa perspetiva
instrumentalista, é como um meio para se atingir fins igualmente fundamentais,
a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não somente reduzem as
oportunidades de os governos cometerem abusos, mas também aumentam a
probabilidade de que as necessidades sociais dos cidadãos vão ser satisfeitas.
Com a grandeza vêm grandes responsabilidades, costuma-se dizer. Pelo que,
este atributo de Quarto Poder tem as suas responsabilidades, mas deve-se
afirmar que o poder se conquista e raramente é dado de bandeja. Uma das
características do jornalismo como Quarto Poder é o dever de ser credível. A
credibilidade ganha-se através de um exercício independente, mas responsável
do jornalista. De realçar que independência aqui não se refere a um exercício
baseado nas ideias de neutralidade e imparcialidade estritamente puritanas,
muito menos se refere a uma postura em que o jornalista se coloca acima das
questões abordadas. Trata-se sim do sentido de independência, que significa a
não obediência a outros fatores e interesses que não sejam o seu juízo próprio
e produto da compreensão dos factos e do que é um assunto de interesse
público que advêm não só da sua responsabilidade profissional, mas também do
facto de que o jornalista também é sujeito e ator nos processos sociais. É
também cumprindo ao máximo com o seu código ético e deontológico que os
jornalistas se tornam referência dentro de uma sociedade e vincam a sua
credibilidade. Todavia, consiste de que a credibilidade jornalística está
inerentemente ligada com a verdade, na procura da precisão, justiça e
objetividade, e na clara distinção entre notícia e publicidade. A prossecução
destes fins e o respeito pelos valores éticos e profissionais deve ser da exclusiva
responsabilidade dos jornalistas e órgãos de comunicação social. Ser jornalista
é pertencer a uma máfia controlada pelo poder político. É muito mais credível a
Internet que dispõe de fontes alternativas de informação muito próximas da
realidade dos factos, do que os media tradicionais.
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