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A crise econômica e a violação da dignidade humana


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30 de Novembro de 2018
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Publicado por Sérgio Henrique da Silva Pereira


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há 3 anos
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O ano de 2015 está se despedindo E mais um ano de "Direito" termina. Para muitos
cidadãos que gostam de Direito, as sentenças judiciais e os discursos dos operadores de
Direito soam como máximas de um Brasil "justo". Afinal, os brasileiros vivenciam o Estado
Democrático de Direito. O Brasil vive e respira obrigações:

Homem que não pagar pensão alimentícia será preso;


A mãe que negligencia os devidos cuidados ao filho comete o crime de abandono de
incapaz;
O idoso que não quitar suas responsabilidades com os credores pode perder o
imóvel.

São vários direitos buscados por todos os brasileiros. O Judiciário, então, aplica suas
sentenças em conformidade com o Estado de Direito. Contudo, como ficam os cidadãos
condenados pelo Estado brasileiro quando o próprio Estado viola os seus direitos?

Por exemplo, a crise econômica. Quando a política econômica, de qualquer governo, não
age, eficazmente, no equilíbrio fiscal, na elevação da capacidade produtiva do país e na
ampliação do ritmo da inclusão social, não há como ter justiça social. E é dever
constitucional do Estado agir, eficientemente — Emenda Constitucional nº 19/98 — para
alcançar e manter a Ordem Econômica e Financeira:

"Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre


iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios".

"Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante
para o setor público e indicativo para o setor privado".

Ora, a CF/88 adotou o capitalismo neoliberalismo e a intervenção do Estado para


assegurar o desenvolvimento social através do Estado Social. A redução das
desigualdades regionais e sociais (CF, art. 3º, III) só é possível quando houver eficiência
administrativa na política de governo.
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A crise econômica atual compromete — já estão comprometendo — os objetivos
fundamentais da República Federativa do Brasil. Programa Bolsa Família (PBF), Lei
Orgânica da Assistência Social (Loas), Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e
outros. Os benefícios do Estado [social] só são concretizados com o crescimento
econômico. O Estado social, ou Estado provedor, deve garantir aos excluídos a
possibilidade de terem assegurados seus direitos sociais (arts. 6º e 7º da CF/88). Como,
então, diante de grave crise econômica brasileira, o Estado social poderá concretizar os
objetivos (art. 3º, da CF/88)? Como o capitalismo neoliberal também pode avançar se o
próprio Estado desestabiliza a economia?

O desenvolvimento e aperfeiçoamento da justiça social — recursos para saúde e educação,


promoção de investimentos em infraestrutura, aumento da produtividade do capital e da
mão de obra [PRONATEC] — depende do pleno atendimento ao cidadão, porquanto a
máquina administrativa não está visando os interesses imperativos do povo. A gestão
patrimonialista é incompatível com a República e a justiça social. Cargos de chefia e de
direção são perpetuados no patrimonialismo; destarte, a ausência de capacitação
continuada dos agentes públicos se mostra, também, perniciosa às instituições
democráticas, ao bem-estar do povo, à sua dignidade. Improbidade administrativa, outro
câncer na Administração Pública.

Se o patrimonialismo é um mal, a burocracia é outro mal. A atuação do Estado deve ser


eficiente contra o nepotismo, à corrupção e o próprio patrimonialismo; a burocracia torna
excessivamente obstrutiva a consecução das políticas públicas do Estado social. E o
“toma lá da cá”, entre os agentes públicos políticos, seja de oposição ao Governo Federal,
ou não, tem se mostrado diametralmente pernicioso ao desenvolvimento econômico e
social. A crise econômica atual se deve, peremptoriamente, aos “apertos de mãos” para
beneficiar mais os partidos políticos do que o povo.

A crise na saúde é um exemplo de crise política. O horror de tudo é que há verborragias


para catalogar pessoas em quadro de emergência ou urgência. Desumanamente, um
senhor, com fratura no quadril, não foi considerado como caso de emergência — apesar de
estar mais de duas semanas com fratura. E no jogo das responsabilidades, os entes
federativos violam o principio humanístico constitucional:

“as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata”.
(parágrafo 1º do artigo 5º)

A saúde é dever do Estado e competência comum dos entes federados:

"Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal
e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação".

"Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de


deficiência".

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Qualquer administrador público que venha querer se eximir de sua responsabilidade age
inconstitucionalmente:

"Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

(...)

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

IV - os direitos e garantias individuais".

Crise econômica e desumanização nas relações humanas


Regressando ao assunto dos direitos, em que cada cidadão busca assegurá-los pelo
Estado de Direito — provocar o Judiciário —, como o Brasil construirá uma sociedade
humanística se cada cidadão quer defender os seus direitos mesmo que o próximo fique
na sarjeta?

A relação entre fornecedor e consumidor só é benéfica quando há a prevalência da


dignidade humana, ou seja, a capacidade de ambos honrarem seus compromissos
contratuais através do principio da boa-fé. Uma economia humanística, assegurada pelo
Estado [art. 170, da CF/88], depende de políticas econômicas eficientes [EC nº 19/98].
Numa administração gerencial, o administrador público deve saber priorizar os gastos
públicos para o bem-estar social — interesse público —, principalmente dos secularmente
excluídos das políticas de desenvolvimento nacional, como os negros, as pessoas com
necessidades especiais, os nordestinos, as mulheres, os gays. Contudo, sem qualquer
exclusivismo com pensamentos eleitorais, o que causaria gravíssimo desequilíbrio social.

Porém, deve o administrador público ter congruidade em suas responsabilidades


delegadas pelo povo [art. 1º, parágrafo único, da CF/88]. A participação do povo [art. 37, §
3, da CF/88] é essencial numa democracia consolidada. O simples ato do gestor público,
em consonância com o principio constitucional da dignidade humana (parágrafo 1º do
artigo 5º) deve sempre se pautar na célebre frase “governo do povo, pelo povo e para o
povo”, de Abraham Lincoln.

Algumas normas sobre participação popular:

DECRETO Nº 8.243, DE 23 DE MAIO DE 2014 — Política Nacional de Participação


Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS;
LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990 — Participação da comunidade na
gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências
intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde;
DECRETO Nº 7.037, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2009 — Programa Nacional de Direitos
Humanos - PNDH-3.

Deve o administrador público evitar o clientelismo, tão comum, que de nada favorece ao
desenvolvimento econômico e, consequentemente, humanístico. Ouvir uma comunidade,
por exemplo, é uma forma de demonstração de respeito à Constituição. Muitos gestores
públicos se apoderam, literalmente, dos cargos para ditarem o que acham prioridade para o
bem-estar do povo. As manifestações populares devem fazer parte das prioridades dos
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gestores públicos quanto dos detentores de poder. E o que o povo quer? Educação, saúde,
segurança pública, alimentos sem agrotóxicos, ou, pelo menos, em quantidades que não
fazem mal à saúde, controle sobre os gastos públicos, corte de privilégios concedidos aos
agentes políticos, eficiência serviços públicos adequados, vigilância e leis mais eficientes
para combater a improbidade administrativa.

E isto tudo foi demonstrado nas manifestações de 2013. O povo está cansado de
construções de estádios futebolísticos, de “santinhos” em épocas eleitorais, de reformas
nas fachadas das instituições de ensino e de saúde, enquanto o interior é centro de
excelência de ratos e baratas, de privilégios [auxílios] para os agentes políticos, enquanto o
salário mínimo é desumano.

Como a proteção às crianças e aos adolescentes, aos idosos, às mulheres, às pessoas


com necessidades sociais, enfim, como as garantias fundamentais da pessoa humana
poderão existir em prol da nação sem o Estado erra em suas políticas econômicas?

Por último, e não menos importante:

"Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento


equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o
compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que
disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o
integram". (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 40, de 2003)

Referência:

Moraes, Alexandre de Direito constitucional / Alexandre de Moraes. - 30ª. Ed. - São Paulo:
Atlas, 2014.

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