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A Crença Do Não-Merecimento

Imagine que você adota um cãozinho vira-


lata. Você o leva para a sua casa, alimenta, dá
banho, trata, leva ao veterinário e o enche de
carinho. Será que esse cãozinho iria pensar
“eu não mereço nada disso, meus amigos na
rua passando fome e eu aqui com esse luxo
todo…”A Crença Do “Não-Merecimento”

Imagine tudo isso sendo falado em um tom


dramático de culpa e “humildade”. Imagine o
cãozinho se sabotando. Não come mais a
ração e pede para o dono comprar outra
mais baratinha. Diz também que não precisa
de tanto assim. Pra que tanto conforto? E os
colegas da rua que não têm nada disso? E o
que ele fez para merecer tudo de bom? Por
que outros não tem acesso às mesmas
coisas? É claro que um cachorro jamais agiria
dessa forma. Ele apenas aceita e aproveita
tudo que lhe é ofertado. O animal não precisa
de razões para justificar ter uma vida boa. Já
nós, seres humanos, temos uma tendência
de precisar encontrar motivos que justifiquem
as coisas que temos ou ganhamos: Só me
sinto confortável em ter muito se eu
trabalhar muito; Só consigo me sentir bem
em ter uma vida boa se eu disser que passei
muitos anos estudando e trabalhando para
conquistar esse resultado; Se eu não me
sacrifico, não me sinto no direito às melhores
coisas; Só posso me permitir cobrar um preço
mais alto se eu estudar tantos anos a mais.

Quando a criança nasce, ela não questiona se


merece ou não o que recebe. No entanto,
quando o pensamento vai se desenvolvendo
e torna a estrutura do ego mais complexa, a
mente começa a comparar, julgar e vão
surgindo em uma idade ainda muito tenra, os
pensamentos de não merecimento e culpa.
Inicialmente, a criança vai se comparar com
os irmãos, observando se eles têm mais ou
menos, se são felizes ou infelizes. Irá também
começar a observar o sofrimento dos pais. E
conforme for a situação familiar, quanto
maior for o sofrimento, maior a tendência de
se desenvolver sentimentos de culpa em ser
feliz, culpa em ter, culpa em receber. Ao
crescer um pouco mais, a criança irá também
começar a ter contato com o mundo exterior
e seus sofrimentos, o que poderá alimentar
ainda mais a sensação de culpa e não
merecimento em ter uma vida melhor do que
a média das pessoas.

Uma infância pobre onde a criança não teve


as necessidades básicas plenamente satisfeitas
(Alimentação, roupas, lazer e etc.) pode ser
também bastante prejudicial. De tanto ouvir:
Não pode; Não temos; Não dá; Não é pra
você; Não é para nós (E às vezes até quem
você pensa que é para querer isso ou aquilo,
pensa que é melhor que os outros, pensa que
é rico?) a criança cresce e vai internalizando
cada vez mais que ela não pode e não
merece acesso a certas coisas.

Atendi uma mulher com um intenso


sentimento de não conseguir receber. Por ter
um problema de saúde que exigia um gasto
considerável, foi entregue para ser criada
muito pequena para uma tia que tinha
melhores condições. Recebeu os cuidados
materiais necessários mas a parte emocional
ficou muito prejudicada. Ouvia sempre a tia
falar sobre os gastos para mantê-la, além de
outras situações emocionalmente
desagradáveis. Assim ela foi desenvolvendo a
sensação de se sentir um peso. Receber tudo
aquilo tinha um preço bem alto. Uma parte
do preço foi ter ficado afastada dos pais, o
que a privou de uma criação com mais
afetividade. A outra parte do preço foi ter
desenvolvido o sentimento de culpa e uma
sensação de ter uma dívida impagável com a
tia.

Ela começou a sentir que receber algo era é o


mesmo que ficar devendo. Sempre que
recebia algo, tinha que retribuir na hora para
aliviar o desconforto. Imagine os prejuízos
que esse padrão pode causar nos
relacionamentos e na vida profissional de
alguém.

Avalie a si próprio. Sente dificuldade em


receber presentes? Precisa presentear ou fazer
algo de volta pela pessoa para ficar em paz?
Consegue receber elogios de forma natural
ou precisa minimizá-los ou retribuí-los na
mesma hora? Quando há uma possibilidade
de ganhar algo de bom (Um sorteio, uma
promoção no trabalho, uma viagem…) tem
uma tendência de deixar para outras pessoas
ou você também quer ganhar e aproveitar?
Se você conquista uma situação melhor
(Maior salário, vida mais confortável) precisa
justificar pra você mesmo ou para os outros o
tanto que você trabalhou para conquistar
aquilo? Quando adquire algum bem (Carro,
casa, roupas) você precisa pensar e justificar
para você mesmo ou para os outros que se
esforçou bastante para sentir-se bem com o
que adquiriu? Se algo vier muito fácil, você
aceita e usufrui tranquilamente, ou aproveita
mas com sentimento de culpa?

Existe ainda a crença do não merecimento


ligada a questões espiritualistas e religiosas.
“Fulano não teve o merecimento para se curar
de tal doença”. “Eu não tive o merecimento
para sair da situação financeira difícil que vem
desde a infância.” “Se for do merecimento de
fulano, ele irá conseguir”. “Se você não saiu
ainda dessa situação é porque não é do seu
merecimento”. Fica simples e conformista
demais uma justificativa dessa forma.
Desenvolve-se um sentimento de que, se tem
algo negativo, é porque essa pessoa “merece”
passar por aquilo, até quando ninguém sabe.
Por muitas vezes isso acaba gerando uma
perpetuação do sofrimento por culpa e auto
punição. Às vezes as pessoas se tornam
passivas e deixam de compreender mais
profundamente as razões daquele sofrimento,
perdendo também a chance de transformá-lo.

Deveríamos aproveitar o exemplo dos


animais que não questionam se merecem
algo ou não. Eles sempre aproveitam a
abundância. E quando passam por
dificuldades fazem o melhor que podem para
sair delas, sem se preocupar ou sentir culpa
se fizeram ou deixaram de fazer algo para
passar por aquilo.

Declare-se merecedor, e vá em busca do que


você deseja. Seja persistente até alcançar o
que deseja. Se a solução vier rápida e
facilmente, aceite e aproveite. Não compre o
título que alguém tente lhe passar de não
merecedor pois isso acaba apenas criando
passividade e culpa. Acredito que todos nós,
de forma consciente ou inconsciente demos
causa ao nosso sofrimento, ou atraímos ou
pelo menos contribuímos para ele. Ainda
assim, todos merecem se libertar do
sofrimento.