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O DOMÍNIO MUÇULMANO NA PENÍNSULA

Penetração e instalação dos muçulmanos na península

Tárique

Muça dirigiu-se contra as cidades da costa do mar onde havia


governadores do rei de Espanha que se tinham tornado donos delas
e dos territórios circunvizinhos. A capital destas cidades era a
chamada Ceuta. E nela e nas comarcas mandava um infiel, de nome
Julião, a quem Muça ibne Noçair combateu, mas achou que tinha
gente tão numerosa, forte e aguerrida como até então não tinha
visto. E não podendo vencê-la, voltou para Tânger e começou a
mandar algaras que devastassem os arredores, sem que por isso
lograsse a sua rendição, porque, entretanto, iam e vinham de
Espanha barcos carregados de víveres e tropas e eram, além disso,
amantes do seu país e defendiam as suas famílias com grande
esforço.

Lutas Civis e Traições na Espanha Visigoda

Nisto morreu o rei de Espanha, Vitiza, deixando alguns filhos,


entre eles Opas e Sisberto, que o povo não quis aceitar. E alterado o
país, tiveram por bem elegar e confiar o mando a um infiel chamado
Rodrigo, homem resoluto e animoso, que não era de estirpe real,
mas chefe e cavaleiro.
Os grandes senhores de Espanha costumavam mandar os seus
filhos, varões e fêmeas, para o palácio real de Toledo, na altura
fortaleza principal de Espanha e capital do reino, a fim de que
estivessem às ordens do monarca a quem só eles serviam. Ali se
educavam até que, chegados à idade núbil, o rei os casava,
provendo-os para isso de tudo o necessário.
Quando Rodrigo foi proclamado rei, prendeu-se da filha de
Julião e forçou-a. Escreveram ao pai o sucedido e o infiel guardou o
seu rancor e exclamou:
—Pela religião do Messias, que hei-de transtornar o seu reino e
hei-de abrir uma cova debaixo dos seus pés.
Mandou em seguida a sua submissão a Muça: conferenciou
com ele, entregou-lhe as cidades colocadas sob o seu mando,
mediante um pacto que concertou com vantagens e condições
seguras para si e seus companheiros. E tendo-lhe feito uma
descrição de Espanha, estimulou-o a que procurasse a sua
conquista. Acontecia isto no final do ano 901.

1 20.11.708 a 8.11.709.
Muça escreveu a Alvalide2 a nova destas conquistas e do
projecto apresentado por Julião, ao que o califa respondeu dizendo:
—Manda a esse país alguns destacamentos que o explorem e
tomem informes exactos. E não exponhas os muçulmanos a um mar
de ondas revoltas.
Muça respondeu-lhe que não era um mar, mas um estreito que
permitia ao observador descobrir de uma parte a forma que o lado
oposto revestia. Mas Alvalide replicou-lhe:
— Ainda que seja assim, informa-te por exploradores.
Enviou, pois, a um dos seus libertos, chamado Tárife e de
cognome Abú Zara, com 400 homens, entre eles 100 de cavalaria, o
qual passou em quatro barcos e arribou a uma ilha, chamada Ilha de
Andaluz, que era arsenal (dos cristãos) e ponto donde largavam as
suas embarcações. Por ter desembarcado ali tomou o nome de Ilha
de Tárife3. Esperou que se lhe juntassem todos os seus
companheiros e depois dirigiu-se em algara contra Algeciras. Fez
muitos cativos, como nem Muça nem os seus companheiros tinham
visto semelhantes; recolheu grande roubo e regressou são e salvo.
Isto foi no Ramadã do ano 914

Notícia da entrada dos muçulmanos em Espanha a mando


de Tarik

Quando isto viram, (os muçulmanos) desejaram passar


prontamente para lá. E Muça nomeou chefe da vanguarda um
liberto seu, chamado Tárique ibne Ziade, persa de Hamadane —
ainda que outros digam que não era seu liberto, mas da tribo de
Sadife — para que fosse a Espanha com 7000 muçulmanos, na sua
maior parte berberes e libertos, pois havia pouquíssimos árabes. E
passou no ano 925, nos quatro barcos mencionados, os únicos que
tinha, os quais foram e vieram com infantaria e cavalaria, que se ia
reunindo num monte muito forte, situado à beira-mar, até que
esteve completo todo o seu exército.
Quando o Rei de Espanha soube as novas da correria de
Tárique, considerou o assunto como coisa grave. Estava ausente da
corte, combatendo a Pamplona, e desde ali dirigiu-se para o meio-
dia, quando já Tárique tinha entrado, havendo reunido contra este
um exército de cem mil homens ou coisa semelhante, segundo se
conta. Apenas chegou esta notícia a Tárique, escreveu a Muça,
pedindo-lhe mais tropas e dando-lhe parte de que se havia feito
dono de Algeciras e do Lago, mas que o Rei de Espanha vinha
contra ele com um exército que não podia defrontar. Muça, que
desde a partida de Tárique havia mandado construir barcos e tinha
já muitos, mandou com eles 5 000 homens, de modo que o exército
chefiado por Tárique chegou a 12 000. Havia já feito cativos muitos

2 Califa de Damasco, chefe supremo do Islão.


3 Tarifa.
4 Julho de 710.
5 29.10.710 a 18.10.711
e importantes personagens e com eles estava Julião, acompanhado
de bastante gente do país, o qual lhes indicava os pontos indefesos
e servia para a espionagem.
(Ajbar Machmua, Crónica anónima do século XI, in António Borges Coelho,
Portugal na Espanha Árabe, vol. I, p.130-131)
Batalha do Lago ou Guadalete

Acercou-se Rodrigo com a flor da nobreza espanhola e os


filhos dos seus reis, os quais, ao verem o número e a disposição
dos muçulmanos, tiveram uma conferência e disseram uns aos
outros:
—Este filho da má mulher fez-se dono do nosso reino sem ser
de estirpe real, mas, ao contrário, um dos nossos inferiores. Aquela
gente não pretende estabelecer-se no nosso país. A única coisa que
deseja é ganhar boa presa: conseguida esta, marcharão e nos
deixarão. Empreendamos a fuga no momento da peleja e o filho da
má mulher será derrotado.
E foi nisto que acordaram.
Rodrigo dera o mando da ala direita do seu exército a Sisberto
e o da esquerda a Opas, ambos filhos do seu antecessor Vitiza e
cabeças da conspiração indicada. Aproximou-se, pois, com um
exército de cerca de 100 000 combatentes e tinha este número (e
não outro maior) porque houvera em Espanha uma fome (que
principiou no ano 88 e continuou durante todo o ano e os de 89 e
90) e uma peste durante a qual morreram metade ou mais dos
habitantes. Veio depois o ano de 916, que foi ano em Espanha que,
por sua abundância, recompensou os males passados e no qual se
efectuou a invasão de Tárique.
Encontraram-se Rodrigo e Tárique, que permanecera em
Algeciras, num lugar chamado o Lago, e pelejaram
encarniçadamente. Mas as alas direita e esquerda, a mando de
Sisberto e Opas, filhos de Vitiza, puseram-se em fuga. E ainda que o
centro resistisse algum tanto, no final, Rodrigo foi também
derrotado e os muçulmanos fizeram uma grande matança nos
inimigos.
Rodrigo desapareceu sem que se soubesse o que lhe havia
acontecido, pois os muçulmanos só encontararm o seu cavalo
branco com a sela de ouro, guarnecida de rubis e esmeraldas e um
manto tecido de ouro e bordado de pérolas e rubis. O cavalo caíra
num lodaçal e o cristão que caiu com ele, ao arrancar o pé, deixara
um tesouro no lodo. Só Deus sabe o que se passou, pois não se
teve notícia dele, nem se encontrou vivo ou morto.
(Ajbar Machmua, Crónica anónima do século XI, in António Borges Coelho,
Portugal na Espanha Árabe, vol. I, p.130-133)

2. A organização da conquista

O trato dos muçulmanos para com os conquistados: a


capitulação de Teodomiro, senhor de Orihuela

“Em nome de Deus clemente e misericordioso. Escritura


6 9.11.709 a 28.10.710.
(outorgada) por Abde Alaziz ibne Muça ibne Noçair e Teodomiro ibne
Gobdux.
Que este se avenha a capitular, aceitando o patronato e a
clientela de Alá e a clientela do seu profeta (com quem Alá seja
fausto e propício) com a condição: de que não se imporá domínio
sobre ele nem sobre nenhum dos seus: que não poderão ser mortos,
nem cativos, nem apartados uns dos outros, nem de seus filhos nem
de suas mulheres, nem violentados em sua religião, nem queimadas
suas igrejas; que não será despojado do seu senhorio enquanto for
fiel e sincero e cumpra o que temos estipulado com ele; que a sua
capitulação se estenda a sete cidades, que são: Orihuela, Baltana,
Alicante, Mula, Villena, Ello e Lorca; que não dará asilo a desertores
nem a inimigos; que não intimidará os que vivem debaixo da nossa
protecção nem ocultará notícias que saiba de inimigos; que ele e os
seus pagarão cada ano um dinar, e quatro moios de trigo e quatro
de cevada, e quatro cântaros de conserva de fruta, e quatro de
vinagre, e dois de mel, e dois de azeite. Mas o servo só pagará
metade”.
O qual firmaram como testemunhas Otmane ibne Abú Abde
Alcuraixi e Habibe ibne Abú Ubaide Alfihiri e Abdalah ibne Maisara
Alfahtimi e Abú Alcácime Aludaili.
Escreveu-se a quatro de Rágebe do ano de 94 da hégira (=5 de
Abril de 713).

(Borges Coelho, Portugal na Espanha Árabe, vol. I, pp. 155-156)

3. As novas circunstâncias do século XI

A época das párias

Tudo isso me contou Sesnando pessoalmente… “Ao princípio


al-Andalus pertencia aos cristãos até que os árabes os derrotaram e
os expulsaram até à Galiza, a região menos dotada pela natureza.
Mas como agora parece uma coisa possível, querem recuperar
aquilo que haviam perdido pela força e, para conseguir um resultado
decisivo, é necessário debilitá-los e desgastá-los. Quando não lhes
ficar nem dinheiro nem soldados, recuperaremos o país sem a
menor dificuldade”
(Levi-Provençal, “Les ‘Mémoires’ de Abd ALLah, dernier roi ziride de
Grenade”, Al-Andalus, IV (1936-9), pp. 35-36)

Proposta de aliança militar contra Granada feita pelo taifa


de Sevilha a Afonso VI

Todas estas promessas [feitas pelo teifa de Sevilha]


provocaram a cobiça do cristão e disse para consigo: “Aqui temos
um bom negócio do qual é impossível que eu não saque algum
proveito ainda que a cidade [de Granada] não caia! Mas que
ganharei eu por tomar Granada de um deles e dá-la a outro que
assim terá mais força para se opor a mim?” Então marchou com a
intenção de expoliar completamente, tanto a seu aliado como ao
rival, contra quem se dirigiam as manobras, e de enfrentá-los um ao
outro para conseguir a ruína dos dois. Além disso pensava nas
pequenas possibilidades que tinha de conquistar a cidade para si
mesmo e, ante isto, argumentou o seguinte: “Para eles sou
estrangeiro e todos me odeiam. Porque devo decidir tomar
Granada? É impossível que a cidade se renda sem luta! Assim teria
eu que levar uma guerra, arriscar as vidas dos meus soldados, e
gastar dinheiro — e então perderia mais em comparação com o que
poderia ganhar se a cidade caísse [sem luta] em minhas mãos! — E
ainda neste último caso não poderia retê-la a menos que contasse
— o que seria impossível — com a lealdade da população. Nem
sequer poderia matar todos os habitantes e repovoar a cidade com
gente do meu próprio país! Não, na realidade o que tenho que fazer
é enfrentar os príncipes muçulmanos e sacar dinheiro
continuamente deles para desgastá-los e debilitá-los. Uma vez que
tenham chegado a tal extrremo não poderão fazer outra coisa senão
render-se e vir entregar-se a mim espontaneamente. Isto foi o que
ocorreu em Toledo, que vou ganhar sem qualquer problema, graças
quer ao empobrecimento e dispersão da população, quer à fuga do
seu reizinho”.
(Levi-Provençal, “Les ‘Mémoires’ de Abd ALLah, dernier roi ziride de
Grenade”, Al-Andalus, IV (1936-9), pp. 35).

A política moçárabe de tolerância e entendimento mútuo


defendida por Sisnando

Sisnando tratou de tornar leve a desgraça dos toledanos e


tolerável a vil condição a que tinham chegado, mostrando-se pouco
exigente e procedendo com justiça em suas decisões, com o qual se
conciliou os corações das gentes de pro, e levou sua solicitude até à
própria plebe…
A ideia de Sisnando era manter o statu quo em Toledo… Mas
Afonso recusava quanto não fosse persistir na sua néscia conduta e
seguir-se deslizando sob sua avidez. Quando se fez dono da cidade
e rompeu entre as suas mãos o seu colar, disse-lhe Sesnando:
“Estende as tuas asas protectoras sobre os habitantes e atrai a ti os
seus tributos, em troca da sombra que lhes dês. Não te assanhes
com os reis da Península, porque não poderás prescindir deles e,
além disso, não encontrarás governadore sque te sejam mais
obedientes. Tem em conta que, se não fazes mais que assanhar-te
com eles e fustigá-los sem tréguas, acabarás por fazê-los sair da tua
influência e obrigá-los a recorrer à intervenção de outro”. Mas foi um
patente favor de Alá que Afonso, tendo entâo por suspeitosa esta
benevolência, seguisse o caminho contrário, que lhe ditava a sua
paixão; e assim se decidiu a profanar a mesquita aljama de Toledo,
coisa que foi a coroação de tanta desgraça e da desolação de
quantos o viram ou souberam.
Sesnando dizia-lhe: Proceder assim será inflamar de cólera os
peitos, inutilizar a política [empreendida], deixar para trás os que
estão dispostos a ajudar-nos e deter os que já se movem [a nosso
favor]”. Mas Afonso — Deus o maldiga! —, cego pelo orgulho, não
fez caso, e só prestou ouvidos às vozes da sua loucura e de seu
pouco siso.

(R. Menéndez Pidal y E. García Gómez, “ El conde mozárabe Sisnando


Davídiz y la política de Alfonso VI con los Taifas”, Al-Andalus, XII, pp. 31-32)

A intolerância protagonizada pelo “partido franco”

A profanação da mesquita de Toledo

Pouco após a conquista de Toledo, o monge cluniacense


Bernardo, abade de Sahagun, foi eleito arcebispo da recém
conquistada cidade, e, no momento em que o rei havia ido à terra
de Leão, a rainha D. Constança induziu o eleito a que tomasse posse
da mesquita maior, como de facto fez; entrou na mesquita
acompanhado de cavaleiros cristãos, erigiu altares e fez pôr no
alminar sinos para convocar os fiéis. Quando Afonso soube isto,
muito magoado e indignado porque havia prometido aos sarracenos
conservar-
-lhes a sua mesquita, foi, em três dias apenas, de Sahagun a Toledo,
ameaçando queimar o eleito Bernardo e a rainha.

(Levi-Provençal, “Les ‘Mémoires’ de Abd ALLah, dernier roi ziride de


Grenade”, Al-Andalus, IV (1936-9), p. 38)