Sunteți pe pagina 1din 4

Comportamento Animal em Cativeiro: Enfoque para espécies pets

Paloma Lucin Bosso


Eto - Consultoria Comportamental & Bem-estar de Animais Silvestres, paloma@eto.vet.br

Para promover bem-estar aos animais silvestres cativos é necessário satisfazer não
apenas suas necessidades fisiológicas. É preciso ir além, conhecendo princípios da
etologia, para compreender que a estimulação mental é tão importante quanto os demais
cuidados diariamente direcionados a estes animais.
Alterações comportamentais geralmente surgem quando os proprietários não
oferecem condições diárias de exercício e/ou deixam de promover desafios mentais aos
seus animais. Estudos sobre bem-estar animal indicam que as duas principais
circunstâncias associadas a um comprometimento na qualidade de vida animal são: a falta
de desafios no ambiente cativo e a restrição comportamental. A restrição comportamental,
que representa a inabilidade dos animais desempenharem comportamentos próprios de sua
espécie, lhes causa sofrimento já que certos tipos de comportamentos são considerados
inerentes ao bem-estar animal (HOSEY; MELFI; PANKURST, 2009).
De modo geral, tem-se que a relação homem-animal tende a oferecer diversos
benefícios para ambos. Se por um lado há uma dedicação por parte do homem neste
cuidado com os animais, sabe-se também que os animais de estimação satisfazem várias
necessidades humanas: da saúde física a emocional. Como constantemente preenchem
lacunas afetivas importantes na vida social humana, muitos proprietários não conseguem
estabelecer uma relação que imponha limites e diciplina no trato de seu animal. Essa
condição então pode também traduzir-se em comportamentos incontroláveis, ou até
agressivos, que exigem o acompanhamento de um profissional capacitado para o
tratamento desta alteração comportamental e concomitantemente o estabelecimento de uma
relação saudável entre o proprietário e o seu animal de estimação.
Em meio a crescente indústria de produtos e serviços para animais, emergiu então
uma nova categoria de profissionais dedicados a consultoria comportamental em animais.
Já que culturalmente a disciplina dos bichos vem tornando-se uma questão urgente nos
lares, esta nova área apresenta-se, portanto, em constante ascensão.
Quando na aquisição de um animal de estimação a família ou o proprietário optam
por uma espécie que apresente um repertório de comportamentos que não combine com o
estilo de vida deles, essa escolha errada certamente resulta em padrões comportamentais
considerados (seja por parte dos proprietaries, ou dos animais) inadequados. Nestes casos,
uma investigação comportamental também é aconselhada para identificar qual a origem
específica do quadro.
Sabendo ainda que o temperamento de um animal de estimação é diretamente
influenciado pela personalidade do seu dono, vale ressaltar também que antropomorfizar
animais, colocando neles sentimentos humanos e os tratando com tal, também pode
desencadear uma série de alterações comportamentais indesejáveis.
Estes desvios de comportamento, no entanto, podem ser frequentemente
interpretados como algo pouco preocupante, por imaginar que se tratam de traços de
personalidade dos animais, no entanto eles ocorrem por outros motivos e fazem os animais
sofrer em decorrência destas ações por si só ou pelas suas consequências.
Na prática a ocorrência de distúrbios comportamentais é de fato bem mais comum do
que se pensa: a ocorrência da síndrome da separação (desencadeada pela ausência do
dono), por exemplo, foi detectada em 14% de um grupo de cães estudado. Ao comparamos
estes números com a população humana observa-se que apenas cerca de 1,5% da
população apresente algum distúrbio mental. Pode-se dizer então que os cães têm nove
vezes mais alterações psicológicas do que os humanos. De fato estima-se que 42% dos
cães tenham algum problema comportamental. Infelizmente um dado associado a esta
informação apresenta informações ainda mais preocupantes: cerca de 77% dos cães nos
Estados Unidos já foram medicados na tentativa de reverter este quadro comportamental.
Porém especialistas em comportamento animal constantemente questionam o uso de
medicações para fazer com que os animais se adaptem ao estilo de vida humano.
Medicações (alopáticas, homeopáticas e de outros tipos) podem ser sugeridas como
um complemento (e não obrigatoriedade) especialmente frente a tratamentos
comportamentais do tipo crônico, porém, o médico veterinário que administra este
medicamente deve ter como objetivo tratar a causa principal das alterações
comportamentais. Para tal, as atividades de enriquecimento ambiental, que visam
justamente promover estímulos que satisfaçam as necessidades comportamentais dos
animais, tornaram-se, portanto, essenciais e insubstituíveis para o manejo adequado das
mais variadas espécies cativas. Para se estimular animais cativos, as diferentes técnicas de
enriquecimento geralmente utilizadas podem ser divididas em cinco categorias: física, social,
alimentar, sensorial e cognitiva ou ocupacional e estas ainda podem se subdividir (YOUNG,
2003).
Especificamente em relação à fauna silvestre, as alterações comportamentais
tendem a ser ainda frequentes já que tais espécimes não passaram pelo processo de
domesticação ocorrido com cães e gatos. Animais silvestres cativos geralmente vivem em
ambientes amplamente diferentes daqueles em que sua espécie evoluiu e com isso,
variações no repertório comportamental podem ser desempenhadas na tentativa de lidar,
suportar esta distinta condição em que eles se encontram (MCPHEE; CARLSTEAD, 2010).
De qualquer modo, estima-se que milhões de pessoas tenham estes animais dentro
de casa. E, ainda, que existam no Brasil milhares de estabelecimentos que lidem com este
ramo. Como a criação destas espécies de animais em residências domésticas é algo então
cada vez mais comum, incidentes envolvendo humanos e animais tendem a acontecer em
decorrência do não conhecimento de algumas informações básicas para o manejo de
animais silvestres.
É preciso nos atentarmos ao fato de que manter animais silvestres continua sendo,
desde a época do descobrimento, um hábito cultural da população brasileira. No mais
atualmente a legislação brasileira garante ao cidadão o direito de possuir um animal
silvestre de forma legal, oriundo de um criadouro devidamente credenciado pelo IBAMA.
Assim, a melhor forma de atuação está na formação de uma nova consciência ambiental
(GIOVANINI, 2010). É importante conscientizar a população quanto aos riscos que o
comércio ilegal traz para a biodiversidade e então desestimular tal atividade, bem como
garantir que um manejo adequado seja destinado a estes espécimes em cativeiro.
O desconhecimento da fisiologia e comportamento destes animais culmina em um
despreparo para o cuidado dos mesmos e estes por sua vez geram agravantes no manejo
dos animais, no que diz respeito à segurança de ambos. Como muitas vezes tais situações
são consideradas insustentáveis pelos proprietários (que por si só não tem condições
técnicas de resolver de fato distúrbios de comportamento), isso ocasiona inúmeras vezes no
abandono dos animais.
A falta de serviços profissionais especializados neste tipo de serviço favorece,
portanto, este tipo de comportamento por parte dos proprietários. Grande parte dos animais
silvestres entregues espontaneamente ao IBAMA são vítimas de maus-tratos, sem que
sequer o proprietário tenha consciência desta condição justamente por desconhecer as
necessidades mínimas de cada espécie. No mais, quando os animais começam a crescer e
demonstrar melhor alguns aspectos comportamentais normais às espécies (no entanto
aversivos ao homem), eles constantemente são vítimas de abandono ou situações de maus-
tratos.
Sabe-se ainda que grande parte dos problemas clínicos que acometem animais
selvagens em cativeiro é decorrente de manejo inadequado e este, por sua vez, é fruto do
desconhecimento das necessidades básicas dos animais. Com isso, o médico veterinário de
animais silvestres, além de clínico, deve atuar, muitas vezes, como orientador dos seus
clientes para evitar doenças decorrentes do manejo incorreto com os animais (CUBAS,
2006).
É importante termos em mente que quando qualquer necessidade comportamental
do animal não é atendida (e isso pode ser representado pelas mais variadas situações onde
o animal esteja impossibilitado de controlar uma situação imprópria existente em seu
ambiente, como manejo físico em excesso, barulho em excesso, movimentação em excesso
e/ou presença de outros animais que o perturbem), desencadeia-se um quadro de estresse.
Na persistência desse quadro há um aumento nos níveis de cortisol que ocasionam uma
imunodepressão. Esta condição por sua vez resulta num quadro clínico desfavorável para a
saúde física e mental do animal.
Podemos dizer então que alterações comportamentais desfavoráveis geram
complicações clínicas, visto que processos patológicos primariamente não detectados,
frequentemente têm seus sinais clínicos detectados após uma alteração ambiental que gere
estresse. Considerando ainda que a porcentagem mais significativa de casos clínicos
oriunde de erros de manejo (sejam eles do tipo ambiental, nutricional, ou outros) é
importante que o médico veterinário esteja ciente desta condição para não só agir de forma
paliativa quando necessário, bem como orientar os proprietários que podem agir de modo
preventivo, na promoção de um ambiente e manejo adequado ao seu animal (BAYS;
LIGHTFOOT; MAYER, 2006).
O proprietário de animais silvestres precisa estar atento aos cuidados
comportamentais específicos que tais espécies demandam, porém estes nem sempre não
são transmitidos durante sua comercialização. Neste sentido, pode-se dizer que a posse de
nota fiscal não basta para atestar que o animal é criado da melhor forma; tanto que
proprietários de animais silvestres também podem sofrer penalidades por maus-tratos. É
fundamental que animais silvestres recebam uma série de cuidados específicos quanto a
sua alimentação, seu espaço e sua relação com os humanos. Quem opta por ter um animal
silvestre em casa deve se informar sobre esses cuidados não apenas com o vendedor. Os
interessados em adquirir animais deste tipo devem aprender sobre biologia e ecologia da
espécie a ser comprada como garantia de oferecer a melhor condição ao animal em
cativeiro.
Se tratando de animais oriundos do comércio illegal, a questão costuma ter
agravantes ainda piores já que muitos animais adquiridos ilegalmente sofrem maus-tratos
(desde a ingestão forçada de bebidas alcoólicas, para provocar uma letargia nos animais;
bem como a perfuração de olhos; serragem e arrancamento de dentes e garras; e corte e
quebra de asas) durante sua captura ou transporte (REDE NACIONAL DE COMBATE AO
TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES, 2004). Este histórico bastante desfavorável
compromete a qualidade de vida de muitos animais, seja imediatamente ou posteriormente.
Sabe-se que filhotes que são impedidos de ter contato materno, por exemplo, apresentam
maiores problemas comportamentais, como estereotipias inclusive (NOVAK et al, 2008).
Comportamentos estereotipados são aqueles comportamentos sem função aparente e
repetidos regularmente (de maneira praticamente idêntica), e deste modo, são considerados
uma interação anormal do animal com seu ambiente (CARLSTEAD, 1998).
Entretanto há risco imediato de morte em animais que apresentem distúrbios
comportamentais? Tais animais podem morrer prontamente em decorrência de um pobre
ambiente e/ou manejo inadequado ao qual estejam submentidos? Podemos considerar que
diretamente não, mas para compreender esta questão é importante considerarmos então as
consequências fisiológicas dos estímulos estressantes no organismo dos animais.
Primeiramente é importante considerar que existem dois tipos de estresse: o euestresse (do
grego, eu: bom, positivo), denominado como temporário (estresse agudo), portanto, de
caráter adaptativo e consequentemente satisfatório; e o diestresse (do grego, dys: ruim) que
é caracterizado por uma longa permanência do estímulo estressante (estresse crônico),
causando assim a quebra da homeostasia no organismo, e sendo, então, altamente
indesejável. Nestas ocasiões, de estresse prolongado, são geradas reações
neuroendócrinas no organismo que estimulam o córtex da adrenal a produzir cortisol.
Quando esta produção do hormônio é então excessiva, sérios prejuízos podem ser
causados ao organismo, como apatia, hiporexia, anorexia, emagrecimento, imunodeficiência
e úlceras gastrintestinais. Em alguns casos até a cinética de fármacos em animais que
estejam passando por tratamento pode sofrer alterações. (CUBAS, 2006).
Então embora não exista o risco imediato de morte em quadros crônicos de estresse,
ele se apresenta tão eminente quanto qualquer outro quadro clínico do tipo físico. Estudos
afirmam que embora a morte por estresse agudo em primatas neotropicais apresente de
fato índices menores, todas as demais causa mortis (infecção, traumas, caquexia e
parasitismo) que apresentem índice superior ao dela podem ser derivadas ou
potencializadas na presença de um quadro de estresse crônico (VANSTREELS et al, 2011).
Uma nova abordagem prioriza então o atendimento das necessidades dos animais,
entre as quais aquelas relacionadas com a exibição de certos comportamentos (COSTA et
al, 2011). Frente a uma crescente demanda pública acerca do tema bem-estar animal, esta
condição se faz mais necessária ainda.
O conceito de manejo etológico apresenta-se, portanto, não só essencial para os
animais, mas também para os diversos profissionais que atuam na área de animais
silvestres mantidos como pet a fim de que se promova uma melhor qualidade de vida para
os mesmos. Médicos veterinários, particularmente, têm muitas oportunidades de informar e
educar proprietários de animais silvestres demonstrando a estes a importância de ser um
cidadão consciente e ativo em relação ao meio ambiente (MERGULHÃO; TRIVELATO,
2006). Quando os animais tem a sua disposição um ambiente naturalístico especialmente
adequado as suas necessidades mentais, os zoológicos também ajudam imensamente a
incutir o respeito a vida silvestre (BOSTOCK, 2002).
Referências bibliográficas:
 BAYS, Teresa Bradley; LIGHTFOOT, Teresa; MAYER, Jörg. Exotic pet behavior.
Sant Louis: Saunders Elsevier, 2006.
 BOSTOCK, Stephen St. C. Zoos and animal rights: the ethics of keeping animals.
rd
3 ed. New York: Routledge. 2002.
 CARLSTEAD, Kathy. Determining the causes of stereotypic behaviors in zoo
carnivores: toward appropriate enrichment strategies. In: SHEPHERDSON, David J.;
MELLEN, Jill D.; HUTCHINS, Michael (Ed.). Second Nature: environmental enrichment for
captive animals. Washington: Smithsonian Institution Press, 1998. Cap. 11, p. 172-183.
 COSTA, Alberto Neves et al. O papel do médico veterinário no bem-estar animal.
Revista CFMV, Brasília, v. 17, n. 54, p. 12-15, set-dez. 2011.
 CUBAS, Zalmir Silvino. Terapêutica. In: CUBAS, Zalmir Silvino; SILVA, Jean Carlos
Ramos; CATÃO-DIAS, José Luiz. Tratado de animais selvagens. São Paulo: Roca, 2006.
Cap. 70, p.1202-1214.
 GIOVANINI, Dener. Comércio da vida silvestre: o ético e o ilegal. Disponível em:
<http://www.renctas.org.br/pt/informese/artigos.asp?id=15>. Acesso em 14 out. 2010.
 HOSEY, Geoff; MELFI, Vicky; PANKHURST, Sheila. Zoo animals: behavior,
management and welfare. Oxford: Oxford University Press, 2009.
 MCPHEE, M. Elsbeth; CARLSTEAD, Kathy. The importance of maintaining natural
behaviors in captive mammals. In: KLEIMAN, Devra G.; THOMPSON, Katerina V.; BAER,
Chalotte Kirk (Ed.). Wild mammals in captivity: principles and techniques for zoo
management. 2nd ed. Chicago: University of Chicago Press, 2010. Cap. 25, p. 303-313.
 MERGULHÃO, Maria Cornélia; TRIVELATO, Silvia Luzia Frateschi. Interação
homem-animal: um constante aprendizado para uma relação de respeito. In: CUBAS, Zalmir
Silvino; SILVA, Jean Carlos Ramos; CATÃO-DIAS, José Luiz. Tratado de animais
selvagens. São Paulo: Roca, 2006. Cap. 2, p. 15-18.
 NOVAK, M A et al. Deprived environments: developmental insights from primatology.
In: MASON, Georgia; RUSHEN, Jeffrey (Ed). Stereotypic animal behaviour: fundamentals
and applications to welfare. Oxfordshire: Cabi, 2008. Cap. 6, p. 153-189.
 REDE NACIONAL DE COMBATE AO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES.
Legislação Brasileira sobre a fauna silvestre. Brasília: Embaixada dos Países Baixos,
2004. 1 cd-rom.
 VANSTREELS, Ralph Eric Thijl. et al. Revisão das causas de mortalidade de
primatas neotropicais (Primates: Platyrrhini) no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de
Barros (Sorocaba,SP), 1996-2006. Revista Clínica Veterinária. n. 90, p. 46-52 – jan./fev.
2011.
 YOUNG, Robert J. Environmental enrichment for captive animals. United
Kingdom: Blackwell Publishing, 2003.