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MESTRADO PROFISSIONAL EM PLANEJAMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS

DISCIPLINA: DESIGUALDADE EM GENERO, RAÇA E ETNIA


DOCENTE: PROF. DRª. MARIA HELENA DE PAULA FROTA
DISCENTE: AFONSO FILHO NUNES LOPES (TURMA 15)

DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE

Elaborar um artigo de 5 páginas, levando em consideração seu projeto de pesquisa e


o livro Síntese de indicadores sociais: Uma análise das condições de vida da população
brasileira 2010, escolhendo um (1) gráfico para análise.

Tema: Extinção do Analfabetismo no Brasil: Utopia ou Possibilidade para a questão de


raça?

Universalizar o ensino é debater sobre muitas outras questões que estão no


contexto: analfabetismo, níveis de ensino, aprovação, reprovação, frequência escolar,
financiamento estudantil, avaliações externas, políticas públicas, renda per capita
dentre outras. Qualquer diagnóstico que podemos fazer em relação ao analfabetismo
no Brasil é necessariamente comparativo, seja este feito de modo interno ou externo.
Vejamos a tabela abaixo quando tratamos do analfabetismo dentro das grandes
regiões do País.
É possivel perceber que os analfabetos que mais se declara de cor/raça branca é na
região Sul, com 63,9% ao mesmo tempo que menos se declaram como preto sendo
6,5%. Os analfabetos que menos se declaram de cor branca são da região Norte com
16%, enquanto da região Sudeste, os analfabetos se declaram de cor preta sendo
13,5%. A distribuição da escolaridade entre os negros é significativamente pior do que
entre os brancos. O peso relativo dos níveis de mais baixa escolaridade é maior entre
os negros do que entre os brancos e, além disso, na medida em que avançamos para
níveis superiores de escolaridade, os negros perdem posições relativas frente aos
brancos.

Colaborando com o tema em discussão, Henriques afirma que

A alfabetização é uma das características mais elementares que compõem o


conjunto de oportunidades básicas necessárias para assegurar aos indivíduos
precondições mínimas de cidadania e equidade social. Desse modo eliminar
o analfabetismo é um desafio histórico para qualquer sociedade
contemporânea (HENRIQUES, 2002, p. 34)

Apesar dos avanços do processo de alfabetização, o país se encontra


num distanciamento muito grande do objetivo que é erradicar o analfabetismo, pois
apesar de estar vencendo este problema social, político e econômico ainda é de
maneira lenta. Tentando diminuir os índices de analfabetismo, algumas ações foram
propostas como: o movimento brasileiro de educação (MOBRAL), cursos supletivos
dentre outros. O recorte racial, demonstra um cenário de fragilidade estrutural na
igualdade de oportunidades entre brancos e negros. A incidência do analfabetismo e,
portanto, a privação dessa característica elementar das oportunidades básicas do
indivíduo, é significativamente maior entre os negros. Se analisarmos os grupos de
idades, podemos verificar que a taxa de analfabetismo das pessoas com idade entre
60 e 64 comparado com o grupo de 15 a 24 anos é muito variável. Na região norte e
nordeste, por exemplo chega a ser cinco vezes maior, representando uma variação em
torno de 21%. Nas regiões Sudeste e Centro Oeste esta variação fica sendo em torno
de quatro vezes maior, com uma variação de 8%. A região Sul é a que possui menor
variação sendo em torno de 6%.

Abordando o tema em questão Carvalho em uma de suas citações diz que

Essa diferença aparece de forma muito clara nos dados sobre níveis de
analfabetismo, divididos por faixas etárias e sexo. Temos, entre os jovens,
taxas de analfabetismo menores, devido ao maior acesso à escola em
comparação a adultos e idosos. (CARVALHO, 2004, p. 249)
É possivel concluir desta forma que a desigualdade de oportunidades
entre negros e brancos emerge, de forma contundente, mesmo quando notamos que
para todas as faixas de idade as taxas de analfabetismo dos negros sejam menor que
a dos brancos. A taxa de analfabetismo aumenta para todas as combinações de cor ou
raça conforme aumenta a faixa etária da população. Nas primeiras faixas etárias, ela é
relativamente pequena para ambos os grupos de cor ou raça se comparada ao último
intervalo, o que pode ser um indício de que, de fato, a educação vem se universalizando
aos poucos.

Colaborando com o tema Castro de forma didática afirma que

Quando se desagrega a população por sexo, raça/etcnicidade e geração,


outras heterogeneidades são reveladas, confirmando o reforço das
desigualdades na contemporaneidade brasileira e o anúncio de que esta é uma
tendência que se acentua com o livre jogo do mercado. São os jovens negros
que apresentam as mais baixas taxas de atividade e mais altas taxas de
desemprego. Os jovens negros, entre 15 a 18 anos, nas áreas metropolitanas
no Brasil, têm taxas de desemprego superior à média para a população adulta
total (cerca do 8%), com uma variação entre 17% e 23% ( CASTRO, 2005, p.7)

O autor, colabora com a ideia de que quando a questão da cor ou raça é


vista de forma individualizada, ver-se também diminuir as possibilidades de se
conquistar uma vida melhor, ou seja é preciso ampliar cada vez mais as chances de
alfabetização para todas as faixas de idades e cor. Rosemberg (1992, p.305) foi muito
coerente ao dizer que “ enquanto a descriminação racial persistir, o analfabetismo não
irá desaparecer...”. Isso vem corroborar que os índices de analfabetismo ainda
existente no país são em parte institucionalizados pelo preconceito em todas os níveis
educacionais, sejam eles na educação infantil, passando pelo ensino fundamental, nível
médio e superior. Nota-se também de forma bem particular que a região Nordeste é a
que maior número de analfabeto possui. Este estigma, vem delimitado deste muito
tempo em comparação com as regiões mais desenvolvidas como o Sul e o Sudeste.
Podemos perceber também que não vimos através de campanhas ou movimentos
sociais manifestações que tenha objetivos de diminuir processos discriminatórios das
pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar, ou seja dos analfabetos. Estamos
em pleno século XXI, e percebemos que o analfabetismo produz um olhar negativo
diante da sociedade brasileira, e que internacionalmente coloca o pais, entre os piores
países do mundo.
Sobre esta perspectiva, Sousa de forma didática afirma que
“é preciso uma maior atenção das autoridades sobre esta temática, não
colocando os analfabetos em situação de mais exclusão de direitos, mas
revelando a sociedade uma realidade vivida e inflamada na vida de mais de 14
milhões de brasileiros. As ações devem ser muito bem analisadas, lembrando
que estamos lidando com um ser de direitos, completo de sua capacidade física
e intelectual. Cuidar para que as mídias sejam mais sensíveis às sátiras,
cuidando para que não discriminem ainda mais estes brasileiros, que a
desigualdade social impõe limites no acesso aos seus direitos básicos
(SOUSA, 2012, p. 10).

Um fator muito interessante, na tabela é com as pessoas que possuem


idade entre 60 e 64 anos, é possivel perceber que a taxa de analfabetismo diminui o
que dá pra constatar que de certa forma, as pessoas mais velhas estão voltando a
estudar, por exemplo nós temos hoje a EJA (Educação de Jovens e Adultos) uma
politica pública que objetiva diminuir o analfabetismo para este público alvo e coloca
este nível de ensino, com igual importância em relação aos outros. A condição de
analfabeto leva as pessoas a ter vergonha delas mesmas, por não saberem utilizar um
caixa eletrônico, pegar um ônibus, realizar compras ou conferir um troco, pagar uma
conta, escrever um bilhete simples, de ler uma carta, analisar a fatura de água ou até
interpretar uma bula de remédio ou outras ações diárias simples de serem feitas. São
estas situações vividas pelos analfabetos que muitos deles decidem a voltar para a sala
de aula. Segundo Schwartz (2010), os analfabetos desejam muito a aprender a realizar
leituras e praticar a escrita, exatamente por causa de situações embaraçosas.

Nesse contexto, Teixeira em uma de suas citações diz que

a EJA se constitui como uma das modalidades de ensino que talvez melhor
possua condições para contemplar a necessidade de educar indivíduos para a
vida com um significado real e concreto, realizando a leitura crítica da realidade
mediante os conteúdos propostos (TEIXEIRA, 2006, p. 192)

É imprescindível que o professor possa se despir de todo preconceito que


exista em relação as pessoas que não tiveram a oportunidade de aprender na idade
certa seja por quaisquer motivos. O importante é acolhe de forma que jovens e adultos
possam dar um salto de dignidade em sua vida social e que assim desfrutem dos
direitos a ele inerentes como cidadão. Na realidade o analfabeto é a pessoa a quem foi
negado o direito de aprender e que merece todo respeito da sociedade.
REFERÊNCIAS

CARVALHO, Marília Pinto de. “O fracasso escolar de meninos e meninas:


articulações entre gênero e cor/raça”. Cad. Pagu,n.22, p.247-290, jun. 2004

CASTRO, M.G., Gênero e Raça: desafios à escola. In: SANTANA, M.O. (Org) Lei
10.639/03 – educação das relações étnico-raciais e para o ensino da história e cultura
afro-brasileira e africana na educação fundamental. Pasta de Texto da Professora e do
Professor. Salvador: Prefeitura Municipal de Salvador, 2005.

HENRIQUES, Ricardo. Raça e gênero no sistema de ensino: Os limites das políticas


universalistas na Educação. Brasilia: Unesco Brasil, 2002. 98 p. Disponível
em:http://www.clam.org.br/bibliotecadigital/uploads/publicacoes/1335_609_henriquesri
cardo.pdf>. Acesso em: 08 jul. 2018.

SCHWARTZ, Suzana. Alfabetização de jovens e adultos: teoria e prática.


Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. 224p

TEIXEIRA, Augusto Niche. Educação frente à complexidade, educando jovens e


adultos para a vida. In: SCHEIBEL, Maria Fani; LEHENBAUER, Silvana. (Orgs).
Reflexões sobre a educação de jovens e adultos. Porto Alegre: PALLOTI, 2006. p. 187-
193.