O Design e o Ambiente
Por: Carlos Alberto Alves
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O Design e o Ambiente
Documento de Apoio ao Seminário:
Elaborado por:
Carlos Alberto Alves
Data: 13 de Dezembro de 2006
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O Design e o Ambiente
Introdução
Para que na fabricação de embalagens, estas se adeqúem ao uso esperado e simultaneamente provoquem o menor dano ou impacte ambiental, é de vital importância um bom design.
Nos últimos anos é mais ou menos claro, o esforço feito por muitas empresas no re-design (designe de) das embalagens para a obtenção de economias que por vezes são significativas.
No entanto, através deste esforço, conseguem-se cumprir dois outros desideratos, como seja a redução dos impactes ambientais causados pela deposição ou destino final destas embalagens e simultaneamente o cumprimento da regulamentação mais recente, sobretudo a Europeia sobre a minimização da geração deste tipo de resíduos.
Assim, o objectivo desta brochura é o de ajudar, quer os gestores quer os designers a dedicarem a este tema uma atenção especial e, levá-los a adoptar uma abordagem que conduza á redução dos custos e dos respectivos impactes ambientais.
Do ponto de vista da gestão, existem vários factores que são por si só moderadores, para a implementação destas medidas conducentes á introdução de melhoramentos.
As pressões ambientais sentidas nas empresas, exercidas pelas entidades publicas (Ministério do Ambiente e outros) e a cada vez maior sensibilidade do consumidor a par dos benefícios associados através da adopção de uma política errada para o ambiente são determinantes para esta nova abordagem.
No entanto, para que esta abordagem possa ser bem sucedida, é
determinantes que os gestores estejam conscientes da necessidade de
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comprometerem quer como o staff quer com os recursos necessários |
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processo para fazer face a esta filosofia. |
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projecto de embalagens, tem hoje ao seu dispor uma série de |
ferramentas que o podem ajudar duma formas efectiva nesse processo de concepção.
Nas páginas a seguir, iremos das apenas algumas dicas, bem como evidenciar algumas vantagens sobre a utilização destas técnicas, e ainda sobre alguns problemas relacionados com o seu uso.
A intenção é a de percorrermos todo o ciclo desde o design á minimização
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utilização de matérias primas, a reciclagem, a reutilização, a redução |
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uso de substâncias consideradas perigosas até á concepção adequada |
a uma deposição final com os menores problemas associados.
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Para além disto insere-se ainda alguns elementos relativos á legislação europeia sobre este tema, matérias primas usados para a fabricação de embalagens, (papel, plástico, colas, fontes e etc.).
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Índice
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Introdução |
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Índice |
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O |
Design e as Embalagens |
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A embalagem e a concepção |
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A adequação ao uso |
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A concepção da embalagem e o |
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O |
impacte ambiental das embalagens |
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O |
Eco-design |
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Motivações para melhorar |
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Os benefícios do eco-design |
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O |
processo de Eco-design de embalagens |
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Algumas questões de gestão importantes |
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Compromisso e estratégia |
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Sobre o design e as especificações |
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A |
cadeia de fornecimento |
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Gestão ambiental e a tomada de decisão |
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Gestão do ciclo de vida |
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Ferramentas e métodos para o Eco-design |
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Geração e selecção de ideias |
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Métodos de comparação simples |
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Ferramentas para a gestão do ciclo de vida |
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O |
detalhe do design |
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A |
redução de substâncias perigosas nas embalagens |
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O |
Design como recurso da minimização |
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O |
design usando materiais renováveis ou reciclados |
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Sobre o vidro: |
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O |
design de embalagens para reutilização |
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Questões relacionadas com a reutilização: |
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O |
design da embalagem para reciclagem e compostagem |
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Materiais simples e polímeros compatíveis |
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Minimize a contaminação |
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Anexos |
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A Eco-etiqueta |
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Software para a ACV (Análise do Ciclo de Vida) |
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O Design e as Embalagens
Para que na fabricação de embalagens, estas se adeqúem ao uso esperado e simultaneamente provoquem o menor dano ou impacte ambiental, é de vital importância um bom designe.
Nos últimos anos é mais ou menos claro, o esforço feito por muitas empresas no re-design (design de) das embalagens para a obtenção de economias que por vezes são significativas.
No entanto, através deste esforço, conseguem-se cumprir dois outros desideratos, como seja a redução dos impactes ambientais causados pela deposição ou destino final destas embalagens e simultaneamente o cumprimento da regulamentação mais recente, sobretudo a Europeia sobre a minimização da geração deste tipo de resíduos.
Assim, o objectivo desta brochura é o de ajudar, quer os gestores quer os designers a dedicarem a este tema uma atenção especial e, levá-los a adoptar uma abordagem que conduza á redução dos custos e dos respectivos impactes ambientais.
Do ponto de vista da gestão, existem vários factores que são por si só motivadores, para a implementação destas medidas conducentes á introdução de melhoramentos.
As pressões ambientais sentidas nas empresas, exercidas pelas entidades públicas (Ministério do Ambiente e outros) e a cada vez maior sensibilidade do consumidor a par dos benefícios associados através da adopção de uma política errada para o ambiente são determinantes para esta nova abordagem.
No entanto, para que esta abordagem possa ser bem sucedida, é determinantes que os gestores estejam conscientes da necessidade de se comprometerem quer como o staff quer com os recursos necessários ao processo para fazer face a esta filosofia.
O projecto de embalagens, tem hoje ao seu dispor uma série de ferramentas que o podem ajudar duma formas efectiva nesse processo de concepção.
Nas páginas a seguir, iremos das apenas algumas dicas, bem como evidenciar algumas vantagens sobre a utilização destas técnicas, e ainda sobre alguns problemas relacionados com o seu uso.
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A intenção é a de percorrermos todo o ciclo desde o design á minimização
da utilização de matérias-primas, a reciclagem, a reutilização, a redução do uso de substâncias consideradas perigosas até á concepção adequada
a uma deposição final com os menores problemas associados.
Para além disto insere-se ainda alguns elementos relativos á legislação europeia sobre este tema, matérias primas usados para a fabricação de embalagens, (papel, plástico, colas, fontes e etc.).
A embalagem e a concepção
Os diversos estudos feitos ao consumo pelos Marketers, indicam que uma grande parte dos consumidores é influenciada pela embalagem.
No entanto, estamos convictos que se estes fossem inquiridos sobre as quantidades de embalagem nos produtos a responderiam que existia em excesso de embalagem.
A embalagem tem várias funções desde proteger e preservar o conteúdo,
facilitar o manuseamento e a distribuição, informar o consumidor e, actuar como uma ferramenta de promoção do produto.
Como uma embalagem desapropriada pode conduzir para a deterioração do produto, a devoluções e, a uma maior quantidade de resíduos e desperdícios, não só do produto, mas também de matérias-primas usadas na sua fabricação e ainda de energia (da energia usada na sua fabricação), é importante ter estes aspectos presentes no momento da concepção da mesma.
No entanto, uma má concepção da embalagem pode também causar, para além dos problemas citados, acidentes pessoais.
Todas as embalagens devem ser capazes de proporcionar uma protecção adequada dos produtos, na fase do transporte e da armazenagem, significando isto, em muitos casos, que ela deve ser suficientemente rígida e suficientemente forte para resistir às solicitações a que vai ser sujeita.
Assim sendo, é mais ou menos evidente que, a embalagem deve ser concebida de forma a satisfazer todas estas exigências.
Um outro aspecto importante relacionado com a embalagem, na sociedade moderna, tem a ver com o impacte ambiental causado quando essa embalagem passa a ser um resíduo e bem assim com o seu ciclo de vida.
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Em termos legislativos, procura-se cada vez mais, minimizar esses impactes ambientais, colocando obrigações específicas, quer nos fabricantes quer sobre os utilizadores dessas embalagens.
Desta forma, a concepção tem um papel determinante, não só na produção de embalagens mas também na adopção, quer de tecnologias mais limpas, quer de embalagens causadoras dos menores impactes possíveis.
Uma parte significativa dos impactes ambientais e dos custos associados poderão ser consideravelmente reduzidos na fase de concepção.
Nos últimos anos, são muitas as empresas que tem dedicado uma atenção especial ás embalagens, conseguindo dessa forma economias consideráveis e, simultaneamente, dessa forma aproximam-se do cumprimento da legislação sobre esta matéria.
Este guia tem o objectivo de auxiliar as empresas, os designers projectistas e os técnicos relacionados com o assunto a dedicar uma atenção especial ao mesmo e conduzi-lo a uma abordagem sistemática na concepção.
O resultado final deveria ser o de conduzir a uma embalagem ou processo de embalagem, mais baratos e menos “poluentes”.
Assim, a ideia é a de fornecer concelhos práticos, claros e concisos, que se podem dividir em quatro partes:
1. Conforme o referido, iremos analisar a importância da adaptação ao uso, os desenvolvimentos e os benefícios da concepção da embalagem no ambiente.
2. Abordar numa perspectiva de gestão, o processo de eco-design e outros aspectos chaves dessa mesma gestão. Alguma da informação deste capítulo poderá ter interesse também para o designer, considerando que esta aborda a questão dos impactes ambientais derivados da embalagem.
3. Focar assuntos de interesse para os designers projectistas, técnicos e outros directamente relacionados com a fabricação de embalagens e ao sector do comércio. Abordar algumas questões relacionadas com as ferramentas e técnicas que os projectistas podem usar na concepção de eco - embalagens.
4. Fornecer informação diversa sobre legislação, materiais de embalagens, entidades gestoras de embalagens e resíduos de
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embalagens e etc
têm a ver com a embalagem secundária e a terciária, vamos focar principalmente as questões relacionadas com a embalagem primária.
Muito embora sejam aqui abordados temas que
A adequação ao uso
A embalagem deve ser adequada ao fim a que se destina ou, por outras palavras, deve ser de modo a cumprir os requisitos que lhe são exigidos, devendo ao mesmo tempo dar cumprimento ao requesito de usar o mínimo de embalagem possível para cumprir essas funções, que são as seguintes:
a. Proteger, conter e preservar o produto embalado, por outro lado permitir métodos eficientes de produção, manuseamento e distribuição.
b. Dar informação comercial ao consumidor.
c. Apresentar e comercializar o produto.
d. Evidenciar a inviolabilidade e facilitar o uso do produto.
e. Assegurar o uso e o manuseamento seguro pelo consumidor.
È de importância vital que todas as embalagens, sejam capazes de proteger o conteúdo, evitando que este se danifique, durante o fabrico, o transporte e a armazenagem.
Isto normalmente significa que, na maior parte dos casos, estas tenham que ser rígidas e fortes para resistir a:
a) Carga como a compressão quando empilhadas, como por exemplo, no caso de bidões;
b) Possam cair sobre as faces, os topos e sobre os cantos, a partir de diferentes alturas, sem danificarem o conteúdo;
c) Possam resistir a ciclos de vibrações, altas e baixas;
d) Que resistam à ruptura quando sujeitos ao choque com objectivos cortantes;
e) Que contenham a entrada de água e de outros produtos químicos;
f) Que suportem variações de humidade e temperatura.
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Hoje a grande maioria dos produtos são embalados em linhas de enchimento automáticos a elevada velocidade, como por exemplo, o caso dos refrigerantes, ou das massas alimentares. Por essa razão, estas embalagens têm que ser concebidas de forma a garantir uma rápida e fácil manipulação. Por essa razão é também muito importante ter em conta a concepção, com vista ao manuseamento e distribuição, que colocam questões:
a) Como é que o produto, ou a embalagem do conjunto (embalagem primária) se encaixa no circuito de destruição?
b) A embalagem (primária) será paletizada? Em caso afirmativo qual deverá ser o tamanho ideal da palete e qual a sua carga?
c) Será envolvida em plástico retráctil? Nesse caso qual o plástico a usar em termos de resistência/ espessura?
d) O cliente irá dividir a embalagem em partes para distribuição’
e) A embalagem poderá ser reutilizada?
f) Será a embalagem compatível com o sistema de descarga do cliente?
Considerando as questões de preservação e estabilidade, no caso de produtos alimentares ou farmacêuticos, geralmente a embalagem tem que ter como função a de agir como barreira evitando:
a) A entrada de gás.
b) A infecção microbiológica e a infestação de insectos.
c) Outras contaminações químicas e biológicas.
d) A degradação pela luz quando esta possa degradar o produto.
A protecção contra a foto degradação, que afecta a gosto, o cheiro, a cor
e mesmo o valo nutricional, é muito importante para certos produtos alimentares, medicamentos, cosméticos e etc., no entanto alguns incluindo vinhos e cervejas, têm antioxidantes naturais e outros que lhe são adicionados para limitar essa degradação.
A estrutura e os materiais utilizados na fabricação de embalagens variam
de acordo com a respectiva aplicação. Por exemplo, o polietileno (PE) constitui uma boa barreira as bactérias e simultaneamente permite que a embalagem possa ser selada/ fechada a quente.
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A apresentação, clara e concisa da informação, como por exemplo, código
de barras, instruções, composição, informação sobre o valor nutritivo, e etc. é, em muitos casos crítica.
A inclusão de fotografias e/ou desenhos na embalagem pode também, ser
essencial para a apresentação e venda do produto, como componente de
marketing.
Por essa razão, a qualidade de impressão, o acabamento e a aparência geral da embalagem é muito importante.
No caso da embalagem de produtos alimentares ou de produtos farmacêuticos, a inviolabilidade deve ser evidente, ou seja, deve ser possível para o consumidor identificar se houve alguma tentativa de violação da embalagem, assim como é importante que a abertura não seja acessível a crianças.
Qualquer embalagem deve ser concebida a pensar no uso e aceitação da mesma por parte do respectivo consumidor.
Existe algumas questões típicas a ter em linha de conta sendo algumas delas a fácil abertura e manuseamento, o re-aperto e armazenagem.
A importância destas, reflecte-se nas enormes esforços feitos no sentido
de se conseguirem melhores sistemas de fecho para embalagens de, por exemplo, sumos de frutas e embalagens de leite, que se prestarmos a atenção devida é patente nas prateleiras dos muitos supermercados que existem.
Mas apesar de tudo, e apesar do aspecto estético e a diferenciação serem importantes, a funcionalidade da embalagem, é também muito importante, constituindo um factor crítico, pelo menos do ponto de vista do consumidor.
A concepção da embalagem e o Ambiente.
O impacte ambiental das embalagens
As embalagens, tal como qualquer outro produto, podem dar origem a vários tipos de impactos ambientais.
Estes dizem respeito em primeiro lugar à utilização dos recursos e às emissões de poluentes para o meio, seja no acto da sua produção seja durante o seu ciclo de vida de uso.
Estes impactos podem, como já se sabe, afectar a saúde humana, as plantas, os animais, os edifícios e até mesmo o clima.
Alguns dos efeitos potencialmente adversos causados pelas embalagens no ambiente são:
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• Utilização de recursos não renováveis e poluentes, como o petróleo,
o gás e o carvão.
• Utilização de materiais não renováveis, como plástico não reciclável,
o aço, etc.
• Uso indiscriminado dos recursos renováveis como a água a madeira,
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e |
etc |
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• contaminação das águas com substâncias perigosas, sólidos A |
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suspensos, redução dos teores de oxigénio, com a inclusão de
produtos que provocam uma carência química ou bioquímica de oxigénio (CQO/CBO).
• Contaminação de ar através da emissão de partículas, gases ácidos, libertação de ozono e gases que provocam o aquecimento global.
• Emissões nos terrenos, através da deposição de resíduos perigosos
e outras substâncias contaminantes.
È importante ter em conta que o eco-design, pode ser uma ferramenta
que ajude ou contribua para a minimização destes impactes.
O Eco-design
A concepção para o ambiente ou eco-design, pode ser definida como
sendo – “a necessidade de levar em conta as implicações ambientais, no produto e na embalagem, por forma a reduzir os impactos negativos durante o seu ciclo de vida, procurando manter ou melhorar as suas performances e o seu valor de mercado”.
A evolução que é patente nesta área, ao longo dos últimos anos, demonstra que muito tem sido feito, sobretudo motivado pela necessidade de economizar nos custos de embalagens. Muito deste esforço tem sido dirigido para a redução de peso, e este facto é patente em termos gerais nas seguintes estatísticas:
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O |
peso médio das garrafas de vidro reduziu-se em cerca de 30 % |
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desde 1980. |
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A |
espessura dos sacos dos supermercados tem vindo a reduzir, |
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atingindo os 45% menos, no mesmo período de tempo. |
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• |
Nos pacotes de sumos, em cartão, a utilização de uma folha de |
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alumínio conduziu a uma redução de cerca de 30 % na espessura e |
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a uma maior rigidez da embalagem. |
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• |
È cada vez menor a quantidade de plástico necessário para embalar |
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a mesma quantidade de produto graças não só aos materiais
usados mas também graças á tecnologia envolvida (multilayer).
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Muito embora sejam patentes algumas destas evidências, quando por exemplo vamos às compras, a verdade é que ainda hoje muitas das embalagens utilizadas não são concebidas, tendo em conta razões económicas nem ambientais, resultando por isso mesmo num desperdício de recursos, quer em termo ambientais quer em temos económicos.
Motivações para melhorar
Existem vários factores para que algumas empresas, continuem a apostar em melhorias ao nível da embalagem e do seu eco-design. Assim algumas das razões que levam as empresas a perseguir estes objectivos podem ser:
Os desenvolvimentos tecnológicos e económicos que, propiciam oportunidades de melhoria contínua.
Os clientes, em particular os do comércio a retalho, apesar de exigirem uma elevada qualidade do produto e da embalagem, começam também a ter preocupação de índole ambiental favorecendo, por isso mesmo, as empresas que se esforçam, nesse sentido.
Começam a ser exigidas embalagens, quer pelos comerciantes, quer pelos produtores, que cumpram certos normas e exigências, tanto nacionais como internacionais.
A legislação e a responsabilização dela derivada, obriga a que produtores e todos os implicados ao longo do ciclo de vida da embalagem cumpram condições cada vez mais apertadas, quer do ponto de vista económico quer do ponto de vista de gestão ambiental. Neste capítulo insere-se a actuação da SPV – Sociedade Ponto Verde, que gere e endossa os custos da gestão das embalagens a todos os envolvidos na cadeia das mesmas.
Cada vez mais, em Portugal, se torna evidente, o estabelecimento de uma hierarquia de resíduos e da sua gestão que implica uma preocupação de todos acrescida, no sentido de minimizar quer ao resíduos em geral quer aqueles que são destinados à eliminação em particular. Muitas empresas, teriam eventualmente muito a beneficiar, se laçassem medidas de minimização da geração de resíduos, com forma até de melhorar as suas próprias performances económicas, já para não falar da questão dos resíduos em particular.
Para além de mais, o esforço feito nesta área, contribuirá também, para o aumento da competitividade.
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Os benefícios do eco-design
Para que as condições de exploração do negócio melhorem, conduzindo a melhores margens de lucro e, para que simultaneamente seja promovida
a competitividade, é essencial repensar a questão da embalagem e das questões com ela relacionadas.
Na concepção a pensar no ambiente e nos respectivos impactes da embalagem, devem ser levados em conta questões como por exemplo, a fita adesiva usada para o fecho de caixas de cartão ou mesmo os agrafos usados no fecho destas, por forma a dar as melhores condições passíveis para a viabilização da reciclagem.
Na hierarquia dos resíduos, estabelece-se uma série de prioridades para
o seu tratamento ou encaminhamento.
A cabeça destas prioridades está é claro a da eliminação na fonte e, quando esta não for a opção, então o caminho deverá ser o da minimização dos resíduos gerados.
1ª Prioridade
Eliminar – Eliminar ou evitar gerar resíduos
2ª Prioridade
Reduzir – Minimizar a quantidade de resíduos geradas ou produzidas
3ª Prioridade
Reutilizar – Utilizar (as embalagens) tantas vezes quantas for possível
4ª Prioridade
Reciclar – Reciclar tudo que for possível, após a sua reutilização
5ª Prioridade
Deposição – Enviar para deposição em aterro o que sobra, de uma forma responsável.
Em algum casos e, considerando o universo das embalagens, a reutilização é até mesmo a reciclagem, podem ser uma melhor opção de ponto de vista ambiental, do que a redução.
Os benefícios que se podem apontar da concepção a pensar no ambiente, podem induzir economias nos custos da seguinte forma:
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Através da redução da embalagem e dos materiais ou matérias- primas que a constituem. |
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Através da redução de custos para o consumidor e fornecedor, pela sua minimização. |
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Através da redução dos custos inerentes ao destino final, seja através dos instrumentos institucionalizados (como a SPV, normalmente custo este que normalmente está relacionado com o peso), seja através doutras formas de destino.
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Através do cumprimento das regulamentações que dizem respeito ás embalagens. |
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A melhoria da reputação da empresa, particularmente junto dos clientes “verdes”. |
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Um aumento da quota de mercado, em especial relacionado com estes clientes mais exigentes, ou mesmo em relação a eventuais possibilidades de exportação. |
A necessária redução dos custos para cumprir a legislação em vigor.
A redução dos danos nos produtos motivados pela fraca qualidade da embalagem, reduzindo eventuais taxas de devoluções.
Os estudos mais recentes demonstram que, os eco-designers tendem a ocupar ou a conquistar novos nichos de mercado, enquanto os re- designers são geralmente mais bem sucedidos nos produtos que são substituídos. Deve no entanto referir-se que tanto uns, como outros têm que ser antes do mais competitivos, em termos de performances e em termos económicos.
O processo de Eco-design de embalagens
As especificações das embalagens, o design e o desenvolvimento, podem
ser levadas a cabo no estágio do retalho, do fabricante de embalagem ou
do fabricante e enchedor. O design pode ser levado a cabo na empresa
ou sub-contratado, ou ser fruto de um trabalho conjunto, considerando sobretudo que este se compõem de várias etapas como as dos aspectos estruturais até aos aspectos gráficos.
O eco-design de embalagens, envolve numerosas considerações que
afectam ou reportam a toda a cadeia de embalagem, no entanto, algumas das mais importantes são, os que se indicam na tabela da página
seguinte:
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Considerações ou atributos |
Questões ambientais importantes |
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Principais tipo(s) dos materiais |
Eficiência |
dos recursos, |
emissões, |
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reciclabilidade |
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Principais cor(es) dos materiais |
Reutilização, reciclabilidade |
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Tamanho e forma da embalagem |
Recursos/ eficiência do transporte |
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Grau / espessura do material |
Recursos/ |
eficiência |
do |
transporte, |
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reutilização |
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Concepção estrutural da embalagem |
Recursos/ |
eficiência |
do |
transporte, |
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reutilização |
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Tipo |
de |
fechos, |
etiquetas |
e |
seus |
Recursos/ |
eficiência |
do |
transporte, |
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materiais |
reutilização |
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Tipos de acabamentos, tintas, adesivos, marcações e laminados |
Emissões, reciclabilidade |
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Design gráfico e etiquetagem |
Reutilização |
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Não é fácil considerar todos os aspectos do design da embalagem e simultaneamente levar em conta os aspectos relacionados com as questões ambientais e, por isso mesmo será necessário tomar muitas decisões, antes da conclusão de um qualquer processo de design.
O ideal de um processo de eco-design e desenvolvimento de uma
embalagem, é este ser um processo passo a passo, que deverá ocorrer
ao longo da concepção e que deverá interagir com o design do produto.
Por esta razão, é importante ir verificando, ao longo dos vários estágios, deste processo, se as metas a que nos propomos vão sendo cumpridas.
Da mesma forma é também essencial reconhecer, que já não é possível melhorar mais, nem o processo de design nem o próprio material usado. A escolha acertada deverá ser sempre dependente das circunstâncias particulares, dos impactos ambientais da mesma ao longo do seu ciclo de vida, das prioridades da empresa e dos seus objectivos estratégicos.
A seguir, sumariza-se os principais passos típicos, num processo de design de produto/embalagem.
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Objectivos estratégicos e operacionais
• Compreender as tendências do mercado (identificar o mercado potencial para o eco-design)
• Estimar os potenciais benefícios e custos, directos e indirectos dos conceitos do design
• Transformar estes num caso de negócio e conseguir o envolvimento da gestão
• Defina objectivos estratégicos de curto, médio e longo prazo
Gestão do processo e estabelecimento das prioridades
• Obtenção de dados e definição do design – próprios ou da concorrência
• Estimar a aptidão da proposta de design
Estimar os efeitos ambientais da proposta de design
• Identificar as prioridades de melhoramentos (incluir as prioridades ambientais)
• Estabelecer os constrangimentos que o design inclui
• Definir um esquiço ou projecto de especificação (que inclua as prioridades e objectivos ambientais)
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Desenvolvimento do conceito e gestão |
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• Gerar as opções do conceito para novo design ou re-design |
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• Discutir as opções com clientes e fornecedores – estimar a resposta do mercado |
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• Estimar a performance das opções do design face à proposta de design e outros aspectos do negócio |
Rever |
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Estimar os efeitos ambientais das opções de design • Identificar as melhores opções considerando as prioridades que foram definidas |
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• Monitorizar |
as |
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performances (incluindo as performances ambientais) no mercado |
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e rever as opções design |
do |
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Detalhes do design |
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• Desenvolvimento de especificações detalhadas |
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• Discussão das especificações com clientes e fornecedores e refinar as mesmas |
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Estimar os efeitos ambientais das opções de design |
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• |
Levar a cabo a engenharia do produto |
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Continua
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Testes e afinações
• Desenvolver protótipos
• Testar os protótipos
• Obter o feedback dos clientes e fornecedores
Verificar se os objectivos ambientais ainda são os definidos inicialmente
Testes e afinações • Design final na engenharia e fabrico
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Algumas questões de gestão importantes
Compromisso e estratégia
Aos programas de eco-design só funcionarão se tiverem o compromisso empenhado da gestão, por isso é essencial transformar esta questão numa questão importante do negócio.
A Gestão deve conhecer perfeitamente alguns dados, como:
• Os custos líquidos estimados – obtidos normalmente da redução da matéria-prima, maior eficiência do transporte, dos melhoramentos na produtividade, etc
• Os efeitos prováveis na melhoria da quota de mercado.
Na análise inicial, os trabalhos conducentes à implementação de uma
medida destas, deve considerar também, o valor espectável do mercado e
a reacção dos “consumidores verdes”, através das necessárias discussões com os clientes e fornecedores.
Considerando que os benefícios são inquestionáveis e o compromisso com a gestão de topo está garantido, é então possível identificar e estabelecer uma estratégia e os objectivos operacionais, incluindo os objectivos ambientais a atingir. Esta abordagem assegurará que as questões ambientais, foram consideradas, numa lógica integrada, no desenvolvimento do processo.
Sobre o design e as especificações
A abordagem dos parâmetros e do projecto deve ser baseada nos objectivos do negócio, incluindo as considerações sociais e ambientais,
devendo estes ser clarificados tão cedo quanto possível. As conclusões e
as especificações do design, devem estabelecer os parâmetros com os
quais os produtos ficarão conformes, devendo também identificar os constrangimentos de todo o desenvolvimento do design. Estes serão a base de avaliação dos conceitos do design e, o seu desenvolvimento deve fazer-se com a colaboração e consulta a todos as partes envolvidas no
processo do design.
Uma boa pesquisa e uma boa definição das especificações, reduzirão os riscos dos custos posteriores de correcções processo do design. Cerca de 80% dos custos, estão relacionados com a fase de desenvolvimento do conceito. A especificação de engenharia final aparecerá na fase final, após a eleição do conceito do design.
É essencial a utilização dos recursos apropriados, como ter uma equipa
multi-disciplinar para a concepção da embalagem, equipa essa que
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deverá analisar todas as funções da mesma embalagem e relacioná-las com o negócio. Algumas dessas questões são:
• O desenvolvimento e design do produto;
• O desenvolvimento e design da tecnologia de embalagem;
• O marketing e as vendas;
• O negócio em si;
• O fabrico;
• A armazenagem e a distribuição;
• O ambiente, a saúde e segurança.
O pessoal deste staff, deverá ter formação apropriada, com treino específico nas ferramentas de concepção, mas isto não se aplica apenas à área das embalagens, mas antes a todas aquelas que envolvem um processo deste tipo.
Para o desenvolvimento de um nível óptimo de embalagem, é necessário estabelecer o balanço entre as necessidades comercial, técnica, regulamentar e ambiental de cada produto. A equipa de desenvolvimento do produto, precisa de ter um conhecimento detalhado da informação técnica e das exigências legislativas, para fazer esse balanço.
A cadeia de fornecimento
A gestão da cadeia de fornecimento, deverá trabalhar com clientes e fornecedores, devendo ser feito um esforço de envolvimento destes, por duas razões:
e
clientes),
• Estes
(fornecedores
e
devem
ser
influenciados
motivados;
• Para não se desperdiçar tempo e recursos com aspectos que estão para além das possibilidades da empresa.
Por exemplo, supondo que o produto é executado a partir da extracção de um mineral, a empresa pode considerar que os aspectos relacionados com essa extracção estão fora da sua área de influência e controlo. No entanto ela pode enviar sinais fortes ao mercado, através da exigência de dados ambientais ao seu fornecedor e mesmo considerando a hipótese de troca de materiais. A obtenção de dados sobre a embalagem, dos seus fornecedores é crucial, quer para o processo de design, quer para cumprir as obrigações legais, ao abrigo da legislação sobre embalagem e resíduos de embalagem.
Por: Carlos Alberto Alves
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O Design e o Ambiente
É importante considerar os efeitos práticos das mudanças de design na embalagem ou de outras partes desta. Por exemplo, uma mudança nas especificações da tinta ou do verniz, pode ter efeitos significativos na conversão do processo de produção, uma mudança na fita-cola, pode afectar a linha de enchimento. Quando são usados materiais reciclados, é particularmente importante, ter uma boa ligação com o reciclador em questão, para garantir que os materiais têm a qualidade desejada.
Ao mesmo tempo, é importante conhecer o destino da embalagem, uma vez que este poderá influenciar o design e as questões que se podem colocar são:
• A embalagem será retornável ou será reutilizável pelo cliente?
• A embalagem será sempre usada com o mesmo fim?
• A embalagem será reciclada, será enviada para compostagem, incinerada ou pura e simplesmente irá para aterro?
Como as técnicas de triagem e re-processamento variam ao longo dos países, devem ser por isso mesmo considerados os casos que tipificamos aqui.
Qualquer empresa, pode lançar um Programa de Boas Práticas Ambientais, destinado a disseminar boas práticas dentro da empresa. Uma pequena equipa de técnicos da área ambiental e da área da embalagem, podem trabalhar directamente com os compradores e as vendas, para uma gama de produtos ou para todos os produtos. Esta equipa pode mesmo elaborar manuais que visem a optimização da embalagem para uso interno e dar depois instruções aos clientes através de um outro Manual de Redução dos Impactos Ambientais
Gestão ambiental e a tomada de decisão
O conhecimento dos impactos ambientais causados pela embalagem, só por si, pode não ser suficiente, para tomar decisões de modo a fazer a melhor escolha, considerando todos os critérios. Pode dar-se o caso, por exemplo, de uma das opções ser melhor do que outra em termos dos recursos usados, mas ser pior em termos de perfil de emissões.
É claro, que a gestão do design em termos dos impactos ambientais, pode ser uma coisa complexa. No entanto, podem ser obtidas melhorias significativas, através de decisões de senso comum, baseadas na informação que todos dispomos. O principal é evitar detalhar demasiado.
Por: Carlos Alberto Alves
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O Design e o Ambiente
Um grupo de trabalho interno multidisciplinar, pode ser a chave para obter grandes benefícios, particularmente na fase inicial de processo de design.
Estes brainstormings, são uma de várias maneiras simples de obter resultados como veremos mais à frente.
Muitas vezes os critérios têm que ser baseados primeiramente na relação custo / benefício ou outros objectivos do negócio.
Qualquer que seja a opção, ela tem que ser antes do mais, clara, transparente e consistente.
Gestão do ciclo de vida
Em alguns casos, por exemplo, quando falamos de diferentes opções de embalagem, é importante considerar toda uma série de impactos, directos e indirectos, ao longo do seu ciclo de vida, desde da extracção da matéria-prima, até ao fabrico e uso dessa embalagem e, da sua deposição final.
Usar menos recursos
Por: Carlos Alberto Alves
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O Design e o Ambiente
É possível adoptar uma abordagem sistemática para este tipo de gestão
de embalagem, usando a gestão do ciclo de vida (ACV) nas suas várias formas. Isto deverá envolver, cada estágio do ciclo de vida da embalagem e, não apenas os impactos causados pelo processo industrial mas também aqueles associados aos veículos usados para o transporte. O
consumo de combustível dos veículos pesados, por exemplo, são típicos consumos da ordem dos 20 a 25 litros aos 100 quilómetros e esses veículos têm também os seus impactos ambientais adversos.
A gestão de embalagens do ponto de vista do ciclo de vida pode, na
prática, ser difícil, devido à grande variedade de possíveis impactos – positivos e negativos. Por exemplo, se uma embalagem plástica é
reciclada, o processo de reciclagem elimina os impactos negativos associados à extracção das matérias-primas, ou seja da fabricação dos polímeros virgens. Ao mesmo tempo, o processo de reciclagem, tem também os seus impactos negativos próprios, em termos de recolha, separação e processamento.
Os estudos de Análise do Ciclo de Vida, levados a cabo sobretudo noutros países, provam que a reciclagem (recolha, re- processamento e fabrico) geralmente oferece grandes benefícios ambientais quando comparada com a fabricação de matéria-prima virgem. Isto é particularmente verdade no caso dos metais, vidro e papel e os ganhos energéticos são importantes, bem como a redução de emissões para a atmosfera.
Estes benefícios são particularmente elevados, quando a recolha, processamento e uso tem lugar, duma forma local ou regional. Isto significa que devem existir mercados locais para os materiais reciclados – e estes mercados podem ser estimulados através dos compradores de embalagens e designers, através do uso destas fontes de materiais reciclados.
No entanto, à medida que o material é mais contaminado e quanto mais longe eles estiverem, menores serão estes benefícios. Neste caso, o esforço e energia dispendida para a recolha, triagem e processamento destes materiais, será maior. Similarmente, o sistema de embalagens retornáveis, só oferece uma solução mais ambientalmente mais amigável se estes retornos forem feitos nos mesmos veículos que fazem a distribuição, em vez de circularem vazios.
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O Design e o Ambiente
A solução será a de verificar todos os impactos ambientais ao longo de
todo o ciclo de vida, e ver qual o seu balanço.
À medida que a embalagem vai sendo optimizada com as preocupações
ambientais em mente, é essencial fazer constantes verificações nos critérios da performance, para ajustar a funcionalidade a um custo mínimo,
sem perder de vista as questões ambientais.
Toda a legislação relacionada com a embalagem, aponta para a redução da relação peso / volume, esperando atingir os valores limites, sem comprometer a eficácia da mesma.
Por essa razão, é necessário fazer testes e ensaios, como forma de provar a adaptabilidade das embalagens ao propósito para o qual foram concebidas.
Organizações como o CNE (Centro Nacional de Embalagem), têm laboratórios onde podem ser feitos testes e ensaios para demonstrar essa adaptabilidade e verificar se elas cumprem as condições de segurança que são impostas, tais como resistência à carga (empilhamento), resistência ao choque, vibrações, temperatura e etc
Ferramentas e métodos para o Eco-design
As ferramentas e métodos do eco-design, podem ser usadas para ajudar em vários estágios do processo de design da embalagem, sobretudo nos passos 2 e 3 do diagrama anteriormente descrito, na figura atrás. No entanto, as ferramentas e métodos apropriados a cada estágio, dependerá das circunstâncias particulares envolvidas, ferramentas simples tais como listas de verificação, diagramas de causa e efeito e software diverso, podem ser usados por todas as empresas, qualquer que
seja o seu tamanho, para obter e dar informação sobre os vários aspectos
de processo de design.
Geração e selecção de ideias
A geração e gestão de ideias, é obviamente vital para o processo de eco-
design, devendo ser claramente identificadas as objecções e os constrangimentos. A partir deste envolvimento, podem gerar-se ideias,
algumas das quais serão de baixo risco e algumas de alto risco, que poderão ser analisadas e consideradas.
Uma das formas de abordar a geração de ideias é através do “brainstorming”, que basicamente envolve a equipa de desenvolvimento, que regista e analisa essa ideias, podendo ser simultaneamente uma forma de encorajar a inovação.
O diagrama de “espinha de peixe” ou causa e efeito, pode ser usado
como uma ferramenta, para a organização das ideias que se geram
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O Design e o Ambiente
Todas as ideias que se enquadrem dentro dos critérios da gestão em curso, de verão ser registadas e, se necessário votadas. A análise de valor, que ajudará a atingir o objectivo de máxima funcionalidade pelo menor custo e menor impacto ambiental, será uma boa base de trabalho. Um pequeno número de ideias poderá gerar grandes benefícios.
Uma ferramenta muito conhecida, para a filtragem de ideias, chama-se a “convergência controlada”. Esta técnica permite aos participantes, considerar os bons e maus aspectos de cada ideia, usando uma matriz de pontuação e de importância relativa, ou seja, pode descrever-se como se segue:
• Passo 1: Decida quais os critérios e o seu peso relativo;
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O Design e o Ambiente
• Passo 2: Defina um benchmark 1 de referência para cada um dos critérios, por exemplo, um produto ou o estado dele em cada caso;
• Passo 3: Numere as ideias, numa escala de, por exemplo, 1 a 5, com valores positivos, quando as ideias forem melhores e, com valores negativos quando elas forem piores e use o zero para as ideias que não introduzem mudanças significativas;
• Passo 4: Calcule a soma do peso relativo, multiplicando os pontos pelo peso dos critérios e some todos os valores obtidos (veja melhor o exemplo na tabela abaixo.
|
Materiais |
Energia |
Toxicidade |
Pontos |
Pontuação |
Pontuação |
|
|
totais |
relativa |
|||||
|
Factor |
3 x |
3 x |
5 x |
|||
|
Opção 1 |
3 (9) |
3 (9) |
5 (25) |
43/55 |
78% |
100% |
|
Opção 2 |
4 (12) |
5 (15) |
2 (10) |
37/55 |
67% |
86% |
|
Opção 3 |
2 (6) |
4 (12) |
4 (20) |
38/55 |
69% |
88% |
Métodos de comparação simples
As técnicas simples de utilização de ferramentas de visualização, podem também ajudar a comparar sistemas de embalagem. Uma dessas formas de ilustrar é através de um gráfico de aranha. O exemplo dado a seguir,
foi adaptado para o nosso caso das embalagens. Neste exemplo existem
oito critérios a ser considerados, cada um pontuado numa escala relativa de 0 (pior) a 10 (melhor). Os critérios e a importância relacionada com cada um, deve ser relevante, para as prioridades da empresa.
A decisão tem que levar em conta, cada um dos oito aspectos ou
categorias e, estes podem, por seu lado, baseados em decisões que têm
a ver com sub-categorias.
No gráfico apresentado foi dado um valor a cada categoria, igual em termos de peso ou importância no processo.
1 O bencmark é um processo sistemático e contínuo de avaliação dos produtos, serviços e processos de trabalho de organizações que são reconhecidas como representantes das melhores práticas, com a finalidade de introduzir melhorias na organização.
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O Design e o Ambiente
Novo conceito
Ex: Sistema de enchimento
8
6
2
Reciclabilidade /
compostabilidade
Materiais renováveis / reciclados
Materiais com baixa
perigosidade
Reutilização
Eficiência no transporte (forma / volume)
Materiais com baixo peso
4
Baixo teor de resíduos e
emissões na produção
Esta figura mostra dois traços plotados sobre o diagrama: um é o do produto existente (verde) o outro é o do produto proposto. O diagrama mostra ainda que a nova embalagem, neste caso, é tão boa ou melhor do que a primeira, excepto no que diz respeito à reutilização, onde esta é manifestamente pior do que aquela e, ainda no que diz respeito ao peso dos materiais a usar onde também é ligeiramente pior. Se estes dois não forem factores críticos, e se todos os outros factores são de igual importância, as conclusões a tirar, são as de que a nova embalagem será largamente melhor que a inicial.
Ferramentas para a gestão do ciclo de vida
A gestão do ciclo de vida é uma forma de identificar e levar em conta toda
uma série de impactos ambientais associados à embalagem. Idealmente,
a Análise do Ciclo de Vida deve seguir as orientações contidas na série de Normas 2 ISSO 14040, cujos passos são os seguintes:
2 Ver em Anexo notas sobre as Normas ISSO, relativas a este tema.
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O Design e o Ambiente
• Definir as grandes linhas do sistema;
• Compilar um inventário dos aspectos chave das entradas e saídas do sistema de produtos (todos os processos);
• Avaliação dos impactos ambientais dessas entradas e saídas;
• Interpretar os resultados do inventário e da análise dos impactos;
• Voltar a rever o trabalho.
Um estudo de ACV, usa o detalhe dos dados que são relevantes para o processo em questão. Mesmo quando a embalagem é relativamente simples, pode haver vários materiais envolvidos e numerosos processos durante todo o ciclo de vida, razão pela qual esta análise pode envolver dezenas de parâmetros ao longo das típicas 5 ou 10 categorias escolhidas anteriormente. Este é o problema das Análises de Ciclo de Vida.
• Um estudo do ciclo de vida, só pode ser levado a cabo, quando se conhecem todos os detalhes específicos, normalmente na altura do design do processo;
• Os inventários e impactos ambientais, precisos, compreensíveis e representativos, demoram tempo e consomem muitos recursos;
• Os resultados podem ser difíceis de interpretar, sobretudo quando os parâmetros são muitos e muitas vezes não são comparáveis entre si.
No entanto, hoje existe já software 3 próprio, que utiliza dados genéricos
de outros processos, para levar a cabo esta tarefa, que pode ser usado
para avaliação de uma série de impactos e dessa forma fazer.
O detalhe do design
O detalhe do design pode geralmente ser baseado no detalhe das
especificações, que acompanham o conceito de desenvolvimento do produto. A complexidade das considerações envolvidas nesta análise, frequentemente requer o auxílio de computadores equipados, normalmente com software de desenho (CAD/CAM). Estes pacotes de software permitem a visualização em 3D, dos conceitos da embalagem e em alguns casos este software podem mesmo integrar o software de ACV.
No caso dos plásticos e do vidro, utiliza-se a análise do fluxo de alimentação (mold flow analysis), através da qual se podem obter um melhor conhecimento de como o material se move no interior do molde e onde é que a espessura da parede deve ser mais grossa ou mais fina e
3 Alguns das referências conhecidas encontram-se nas páginas finais sobre a forma de Anexo
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O Design e o Ambiente
ainda qual é, e onde é o stress a que a peça está sujeita. Este método pode também ser usado para melhorar a alimentação e reduzir os tempos de moldagem, reduzindo dessa forma os custos energéticos.
A
embalagens
Existem quatro aspectos importantes, no que diz respeito ás substâncias perigosas nas embalagens:
redução
de
substâncias
perigosas
nas
• Os metais pesados (crómio hexavalente, chumbo, cádmio e o mercúrio);
• Os solventes existentes nas tintas;
• As colas e adesivos;
• Os papeis tratado com químicos.
A utilização do PVC (policloreto de vinilo) pode também ser visto com
alguma preocupação, numa perspectiva de ciclo de vida (como se verá mais à frente):
As principais fontes de metais pesados nas embalagens, vem dos pigmentos e de alguns materiais reciclados. Em geral, os fabricantes europeus de tintas e pigmentos, estão desde há algum tempo a abandonar a utilização de pigmentos com metais pesados. No entanto, deve sempre verificar-se a existência destes sobretudo quando os mercados de origem são fora da EU. Estes podem ser introduzidos nos
produtos que incorporem reciclados (que foram fabricados com pigmentos
à base destes metais pesados), mesmo quando são incorporados em
pequenas quantidades. O vidro que pode conter também chumbo e o papel, normalmente entram no nosso mercado, sobretudo quando vêm já como produtos reciclados.
Os pontos fundamentais aos quais se deve dispensar atenção especial quando a embalagem é concebida, para minimizar as substâncias perigosas contidas nelas, são:
• Assegurar-se de que estas não têm presentes substâncias consideradas perigosas, metais pesados ou outros, incluindo as tintas e colas que a compõem, mesmo quando se tratar de embalagens recicladas ou produzidas a partir de materiais reciclados;
• Tente usar tintas que tenham os menores impactos ambientais. As alternativas possíveis às tintas com solventes (que estão no origem da libertação de COV’s), incluem tintas à base de água, que
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O Design e o Ambiente
infelizmente ainda não são muito vulgares no nosso mercado e que são substancialmente mais caras. No entanto, deve levar em conta os prós e os contras dos aspectos ambientais, para cada alternativa e ainda as suas limitações de aplicação;
• Considere a hipótese de usar adesivos com base água e os hot- melt’s, em vez dos produtos de base solvente. Esteja certo de que, no entanto, estes têm tempos de secagem mais elevados e também temperaturas de secagem mais altas, com um maior consumo de energia e com desvantagens quando se tratar de papel;
• Tal como no caso dos outros materiais, pense muito bem sobre os benefícios ou as desvantagens da utilização do PVC, antes de o usar numa embalagem;
• Utilize a informação contida nas especificações (data sheets), que os fornecedores são obrigados a incluir (sobre substâncias químicas perigosas) e outra informação sobre embalagem e a regulamentação sobre a mesma. Leve em conta a gestão dos riscos, como deveria ser exigido, e identifique e implemente as medidas de gestão de riscos apropriadas. Se tiver dúvidas informe- se, através do Ministério do Ambiente do CEN (Centro Nacional de Embalagem) ou outro organismo oficial;
O Design como recurso da minimização
Se a reutilização de embalagens não é apropriada no seu caso, então deverá usar embalagens de apenas um uso, isto é, embalagens concebidas para a satisfação do objectivo de embalar o produto apenas uma vez. No entanto, a utilização destas embalagens devem ter como pressuposto, uma filosofia de design, de minimização dos recursos seja em relação a materiais, energia e aos impactos do transporte.
No entanto, e como já falamos atrás, devemos ter cuidado com as implicações desta minimização, uma vez que qualquer alteração na embalagem primária 4 , poderá vir ter repercussões na embalagem secundária 5 a até mesmo na embalagem terciária 6 .
Sempre que possível maximize a embalagem, desde de que o consumidor o permita, para minimizar a quantidade de embalagem por unidade de produto.
Alguns princípios que deve ter presente, quando se trata de melhorar a embalagem, são:
4 Embalagem primária é a embalagem individual do produto
5 Embalagem secundária é a embalagem agrupada, ou seja por exemplo, uma palete de outras pequenas embalagens
6 Embalagem terciária é a embalagem que se destina ao transporte
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O Design e o Ambiente
• Se for necessário não se coiba de eliminar embalagem. A embalagem uanto menor, melhor;
• Elimine cintas, laminados e outras misturas de embalagem;
• Elimine o uso de adesivos e agrafos. Reduza também o uso de etiquetas, através de marcações nas embalagens, de preferência embutidas ou outras;
• Reduza os espaços vazios, nas embalagens de conjunto;
• Evita usar enchimentos (por exemplo blocos de EPS) e plástico com bolhas (bubble-wrap), melhorando o design da embalagem para evitar o uso destes enchimentos;
• Quando a embalagem é composta, elimine partes dessa embalagem para reduzir o peso da embalagem total;
• Não utilize caixas de cartão duplo, quando tal não é necessário;
• Reduza a espessura média da embalagem, sempre que possível;
• Não faça a embalagem secundária muito forte, se a primária já garante a segurança do produto. Não esqueça que o própio produto também confere rigidez à embalagem;
• Substitua os adesivos por cola, sempre que possível;
• Minimize o tamanho das etiquetas. Não deixe que o tamanho da informação dite o tamanho da embalagem;
• Utilize colas de baixa temperatura de fusão. Desta forma será necessária para tornar a cola liquida;
• Considere a possibilidade de mudar de tintas para as marcações e faça os cálculos sobre a s eventiuais economias possíveis;
• Quando usar plástico retráctil, consider a temperatura necessária para formar a embalagem. Plásticos com baixos pontos de selagem consomem menos energia. Existem plásticos de baixa densidade que funcionam a 75º, no entanto outros precisam de cerca de 100º para fazerem o mesmo;
• Escolha a forma de embalagem que garanta a maximização do transporte e a utilização máxima das paletes;
• Decida-se pela distribuição de packs, para maximizar a eficiência. Não esqueça que os packs devem ser compatíveis com as normas em vigor (por exemplo, de acordo com as Normas ISO em módulos de 600 x 400), desta forma encaixarão exactamente nas paletes, também elas normalizadas;
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O Design e o Ambiente
• A dimensão das paletes deve ser multipla das embalagens individuais. Se acontecer de tal não ser possível, é preferível que sejam ligeiramente inferiores do que ligeiramente superiores;
• Comnsider a hipótese de produzir produtos concentrados, como acontece já com alguns liquídos para as máquinas de lavar roupa e louça;
Em suma, o que estivemos a esplanar foi, de forma simplificada:
• Elimine embalagem;
• Reduza o espaço inútil;
• Reduza o peso e o tamanho da embalagem;
• Reduza o uso de energia;
• Melhore a eficiência do transporte.
O
design
usando
materiais
renováveis
ou
reciclados
Os materiais de embalagem que incluem componentes reciclados, em particular os plásticos e também o cartão, ajudam a melhorar a imagem da empresa no mercado e, ao mesmo tempo, ajudam a reduzir os custos.
No entanto, os materiais reciclados são frequentemente olhados com suspeição, talvez por causa de muitas empresas não terem tido boas experiências com a qualidade destes produtos, no passado.
Vale a pena, ter presente os seguintes aspectos chave:
• O vidro, o metal e uma grande parte dos cartões, usados na embalagem, contêm já uma proporção significativa de materiais reciclados, oriundos dos resíduos domésticos há muitos anos;
• Os standards da reciclagem para o papel e para o plástico, têm vindo a melhorar significativamente, durante a ultima década, com melhores controlos e melhores técnicas, estando apenas alguns poucos pontos abaixo dos produtos virgens. Isto torna-os aceitáveis;
• Um ensaio que tenha corrido mal, não significa que vá sempre correr mal e, que não exista outra alternativa em reciclado;
Quando falar de embalagens, considere primeiro os princípios gerais:
• Especifique-a em termos de performances, em vez de em termos de materiais;
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O Design e o Ambiente
• Tente assegurar-se que ela incluirá materiais reciclados, sejam oriundos da área do consumo seja da área industrial, embora para efeitos formais só conte os materiais que vierem da área do consumo;
• Não exclua automaticamente os materiais reciclados, na embalagem de produtos alimentares, antes assegure-se de que é garantida a protecção adequada, contra possíveis migrações e contaminações (micro-bilógicas ou químicas);
• Siga as recomendações internacionais, identificando que utiliza materiais reciclados;
Sobre o papel e cartão:
• Assegure-se de que o papel e o cartão, da utilização industrial como bidões e etc., é produzido com percentagens elevadas de material reciclado;
• Lembre-se de que nas aplicações não alimentares, pode quase sempre ser usado o cartão reciclado;
• Mesmo nas aplicações alimentares é possível incorporar alguma percentagem de cartão e papel reciclado;
• Use
resíduos para fazer um uso eficaz das
a
minização
de
embalagens;
Sobre o plástico:
• Considere a possibilidade de usar, pelo menos, uma pequena percentagem de material reciclado, a menos que o produto a executar tenha uma elevada performance e especificação. Existe um grande potencial de utilização de reciclados no caso de peças de média ou baixa performance;
• Considere o uso de sacos e contentores em plástico co-extrudido, porque permite utilizar a inclusão de plástico reciclado vindo da área de consumo;
• Se necessário, estabeleça um circuito fechado, de forma a garantir que só o seu plástico é re-incorporado e reciclado;
• Lembre-se que os resíduos da produção (purgas), podem ser usados por si, como se fossem materiais virgens;
Sobre o vidro:
• Se é um importador de produtos em vidro (vinho, ou cervejas, por exemplo) especifique o vidro transparente como primeira opção e o castanho ou verde como alternativa;
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O Design e o Ambiente
• Se for fabricante, considere o uso de vidro castanho ou verde, porque isto ajudará a reciclar e a tornar mais económico o processo de fabricação de vidro;
• Considere o uso de mangas retrácteis ou revestimentos orgânicos, para dar cor e imagem aos produtos, porque isto permitirá fazer as garrafas de qualquer cor a partir do vidro reciclado;
O design de embalagens para reutilização
A embalagem, destinada a reutilização, é parte de um sistema fechado,
podendo fazer várias “viagens”, dependendo da sua durabilidade e resistência. Estão neste caso, os vulgares bidões de 200 litros, utilizados
e reutilizados pela indústria, com particular relevo para a indústria química
e petrolífera. No entanto, as embalagens não reutilizáveis (one-trip), são muitas vezes também elas reutilizadas na prática. Qualquer que seja o caso, é de encorajar a reutilização, como forma de minimizar os consumos quer de recursos quer de outro tipo, através por exemplo, do aumento da espessura, em vez de a tornar ultyra leve e de apenas um uso.
Questões relacionadas com a reutilização:
• De acordo com os sistemas de reutilização, veja como é que a embalagem pode ser reutilizada e conceba-a para tal;
• Algumas embalagens de transporte podem ser usados nos pontos de venda. Agora muitos supermercados utilizam estas embalagens para expor os seus produtos;
• Consider uma reutilização, ainda que seja para fins menos nobres que aqueles para os quais a embalagem foi concebida;
• Qualquer que seja o tipo de reutilização, faça o possível para tornar esta uma possibilidade;
• O material muda. Faça a embalagem capaz de resistir, tornando-a mais resistente à partida, para a tornar reutilizável;
• Consider o acabamento, para que ela possa manter o seu aspecto mesmo depois de reutilizada uma série de vezes;
• Faça a embalagem leve mas durável. Se for necessário projecte a embalagem em plástico para que não se detiore tão rapidamente e dessa forma possa ser reutilizada;
• Conceba a embalagem para que o produto possa ser descarregado sem provocar danos nela;
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O Design e o Ambiente
• Faça a embalagem rapidamente colapsável ou conceba-a para reduzir a armazenagem e o impacto no transporte. Forneça informações sobre como tratar a embalagem no fim de vida;
• Assegura-se de que usa um sistema de abertura fácil e seguro, para facilitar o uso e a movimentação;
• Faça com que as etiquetas sejam facilmente removíveis;
• Faça a embalagem de forma a que a sua lavagem seja feita facilmente e quando for necessário, seja por razões de segurança, higiénicas ou outras;
• Faça a embalagem modular e reparável;
• Faça com que qualquer processo de limpeza ou recondicionamento tenha o menor impacto ambiental possível;
Em suma, o que estivemos a esplanar foi, de forma simplificada:
• Tipos de reutilização;
• Durabilidade e peso;
• Uso e movimentação;
• Limpeza e adequação a novo uso;
O
compostagem
design
da
embalagem
para
reciclagem
e
O design da embalagem para reciclagem e / ou compostagem, deve levar em conta a forma como ela vai ser manuseada após o seu uso. Por outras palavras, os designers têm de considerar a forma como:
• É feita a segregação, recolha e triagem;
• Como é que é feito o reprocessamento;
Os plásticos, por exemplo, são normalmente triados por cot e por tipo de polímero. Depois desta primeira fase. Eles são cortados e lavados, para remoção das etiquetas e outras impurezas presentes neles. Podem usar- se tanques de flotação, para proceder à separação de polímeros mais leves (tais como o PP, o LDPE e o HDPE) dos mais pesados (tais como o PET e o PVC) e das impurezas contaminantes. Normalmente é usado ar em contra corrente, para separar as etiquetas e restos de filmes, dos flocos de plástico. O polímero depois de limpo e separado, é então aquecido, extrudido e transformado em granulos para posterior comercialização.
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O Design e o Ambiente
Hoje existe já, em Portugal, uma solução de reciclagem de plásticos misto (vários tipos de pla´stico misturados de difícil separação) que processa este tipo de plástico, mesmo sem lavagem prévia, produzindo perfis semelhantes à madeira, em cor e textura, com os quais se fabrica depois mobiliário destinado sobretudo a áreas de lazer e outro equipamento urbano.
As fábricas de papel, recebem os resíduos de papel de várias procedências e tipos e, utilizam várias combinações de de agitação mecânica, screening, flotação e centrifugação, no processo de preparação da polpa. Desta forma, a contaminação, de metais e de filmes plásticos, pode ser segregada e, os adesivos e tintas são também removidos ou dispersos. Deve no entanto, prestar-se atençãoàs características de reciclabilidade de todos os componentes, no processo de design e produção das embalagens.
Na prática a reciclagem de produtos usados, é determinada não só pela recolha, triagem e processo de reciclagem, mas também na expectativa de uso que esses produtos virão a ter, após a reciclagem.
Materiais simples e polímeros compatíveis
• Nos casos de embalagens combinadas, pense na hipótese de utilizar apenas um tipo de material, por exemplo, apenas cartão em lugar de cartão e EPS;
• Sempre que possível utilize embalagens feitas apenas de um tipo de polímero, ou em alternativa, utilize polímeros compatíveis, uma vez que são mais fáceis de reciclar e, evite a utilização de etiquetas sobre o HDPE;
• Identifique claramente qual o tipo de polímero usado, com base no Sistema de marcação da Association of Plastico Manufacturers in Europe (APME) (veja a tabela em Anexo);
Minimize a contaminação
• Evite usar colorantes nas embalagens de plástico sempre que for possível. Evite juntar plásticos de cores diferentes na mesma peça, quando a conceber, uma vez que isso limita as potencialidades da reciclagem;
• Minimize o uso de tintas, adesivos e outros acabamentos, uma vez que geralmente eles precisam de ser removidos antes do processo de reciclagem;
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O Design e o Ambiente
• Minimize o uso de etiquetas, para além das estritamente necessárias, uma vez que elas também têm que ser removidas para viabilizar a reciclagem;
• Use fixações rápidas e de fácil remoção, uma vez que os agrafos dificultam a reciclagem. Use-os apenas onde são estritamente necessários;
• Evite, no papel o uso de fitas adesivas;
• Evite as combinações de papel e plástico na mesma embalagem, a menos que seja absolutamente necessário;
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Anexos
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A Eco-etiqueta
A International Standards Organisations (ISO) distingue três principais abordagens para uma empresa adoptar o uso da eco-label:
1. Uma terceira parte, determina quando um produto cumpre ou não certos standards e abordagens, para utilizar a marca ambiental. Existem vários logos destinados a identificar os esquemas de adopção de eco-label. Os princípios e procedimentos estabelecidos para usar e operar com estes esquemas encontram-se definidos na Norma ISO 14024.
2. As empresas e outros, podem elaborar queixas ambientais para produtos e serviços, baseados nos seus próprios standards. Apesar dessas queixas terem menos credibilidade no mercado, é uma opção normal dos fabricantes como forma de chamar a atenção nas questões ambientais dos seus produtos. A Norma ISO 14021, fornece um guia para metodologias de avaliação sustentável e sobre tremos e definições usados nas queixas ambientais, incluindo:
a. Concepção para a desmontagem;
b. Aumento do ciclo de vida;
c. Reciclabilidade;
d. Conteúdo reciclável;
e. Consumo de energia reduzido;
f. Uso reduzido dos recursos;
g. Uso reduzido de água.
3. As etiquetas de gestão do ciclo de vida (ACV), fornecem informação ambiental sobre todos os estágios do ciclo de vida do produto. O relatório técnico ISO 14025, constitui um primeiro passo para o desenvolvimento de um certificação do uso da eco-label nesta área, e exige que seja feito um estudo do ciclo de vida de acordo com a série de Normas ISO 14040.
Por: Carlos Alberto Alves
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O Design e o Ambiente
Software para a ACV (Análise do Ciclo de Vida)
Dados gerais:
EcoIndicator 99
IdeMat (base de dados de materiais)
PEMS (Inventory analyses and impact assessment)
EcoPackager (comparação dos impactos do ciclo de vida do design alternativo de embalagens)
Pacotes para a gestão dos impactos e sua interpretação:
SimaPro5;
EcoScan;
Eco-IT.
Sugerimos a busca na Internet, de sites sobre este tema.
Por: Carlos Alberto Alves
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